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EXMO. SR.

ANTÔNIO AUGUSTO BRANDÃO DE ARAS - PROCURADOR-GERAL


DA REPÚBLICA.

MARCELO RIBEIRO FREIXO, brasileiro, Deputado Federal, portador da identidade


parlamentar nº 56315, com endereço no Palácio do Congresso Nacional, Praça dos
Três Poderes, Câmara dos Deputados, Gabinete 725, Anexo 4, Brasília - DF, CEP
70160-900, vem, respeitosamente, a V. Exª., com base no art. 127, caput e 129, II e
III da Constituição da República e art. 46, p.ú., III da Lei Complementar nº 75/1993,
oferecer a presente

REPRESENTAÇÃO

em face de SÉRGIO NASCIMENTO DE CAMARGO, brasileiro, Presidente da


Fundação Cultural Palmares, com endereço no SCRN 702/703, Bloco B, Asa Norte,
CEP 70.720-620, para que sejam apurados os fatos a seguir descritos e, ao final,
sejam adotadas as medidas cabíveis, para a responsabilização do agente
responsável pela conduta que se passa a narrar.

Neste dia 11 de fevereiro, o Sr. Sérgio Camargo, Presidente da Fundação


Palmares, instituição pública voltada para promoção e preservação dos valores
culturais, históricos, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na

1
formação da sociedade brasileira, criada pela Lei nº 7.668, de 22 de agosto de
1988, publicou o seguinte comentário criminoso na sua página do Twitter1.

1
Disponível em:
<https://twitter.com/CamargoDireita/status/1492122033978753030?t=jsQVbgCLNl6kJly5yQ8N1w&s=
08>. Acesso em: 11 fev. 2022.

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Moïse Mugenyi Kabagambe, um jovem congolês de 24 anos, que fugiu da
violência do seu país de origem para viver no Brasil, desde 2011, foi brutalmente
assassinado no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio de
Janeiro, após cobrar o pagamento pelos dias trabalhados.

Moïse era trabalhador informal, que lutava para levar o sustento para sua
família. Ao contrário do que alega o Presidente da Fundação Palmares, que deveria
primar por defender o povo negro, Moïse não era vagabundo, indigno ou selvagem,
muito menos andava ou negociava com pessoas que não prestam. Sérgio Camargo
praticou uma verdadeira imputação de fatos desonrosos, além de aviltar a dignidade
da pessoa morta.

Portanto, além de levianas, as condutas imputadas por Sérgio Camargo são


criminosas.

A conduta é agravada pelo fato de o autor do fato ser Presidente de uma


fundação pública, ocupando alto cargo de gestão no Poder Executivo Federal. No
mínimo, o Representado deveria se portar segundo os princípios da administração
pública, previstos no art. 37 da Constituição da República; mas, como qualquer
cidadão, deveria pelos objetivos fundamentais da República brasileira, tais como a
promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, IV/CRFB).

É necessário e urgente que o Parquet instaure procedimento para apurar se


houve ato de improbidade administrativa, violação dos princípios da administração
pública e/ou prática de conduta ilícita tipificada em Lei.

Pelo exposto, requeiro o recebimento desta Representação e seu devido


processamento, para que, ao final, sejam apuradas as notícias aqui relatadas e
apresentadas as medidas cabíveis.

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Brasília, 11 de Fevereiro de 2022.

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