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Avaliação de Desempenho em Redes 2,5G e 3G (GSM, GPRS e EDGE), Parâmetros, Dimensionamento e Ferramentas de Suporte à Decisão

Lucineide Costa, Michelle Vieira, Larissa Alvares, Jasmine Araújo

Instituto de Estudos Superiores da Amazônia –IESAM, Avenida Gov. José Malcher S/N

Resumo A introdução de tráfego de dados ou pacotes nas redes 2,5G e 3G levou a uma reavaliação em parâmetros de desempenho, planejamento e dimensionamento destas redes. Este trabalho tem o objetivo de investigar parâmetros relacionados ao ambiente de rádio que passaram a fazer parte da avaliação de desempenho das redes de telecomunicações sem fio e pesquisar qual o novo cenário para dimensionamento destas redes, assim como a especificação de uma ferramenta de suporte a decisão através de um estudo de caso de um fornecedor de equipamento de telecomunicações.

Palavras-chaves

qualidade de serviço.

GSM, GPRS, desempenho,

I. INTRODUÇÃO

As redes GSM oferecem transmissão de dados e suportam

taxas de transmissão na faixa de 9,6 Kbit/s. Entretanto, com a necessidade de oferecer novas aplicações para esse ambiente móvel e com velocidades maiores a European Telecommunications Standards Institute – ETSI padronizou o General Packet Radio Service – GPRS, o qual suporta transmissão de dados orientada a pacotes, suporte ao protocolo IP e X.25 e a melhor utilização de recursos de rádio disponíveis. Assim como o EDGE, o GPRS melhora a utilização dos recursos de rádio disponíveis pois ambos trabalham com transmissão em rajadas, isso significa não dedicar um canal permanente a um usuário, este é dedicado apenas no momento da transmissão de dados. Com as redes de terceira geração espera-se oferecer uma grande quantidade de novos serviços que terão diferentes requisitos em termos de qualidade. O gerenciamento do QoS

nas redes UMTS é então o elemento chave que deve habilitará

a coexistência de diferentes tipos de serviços. Uma

característica importante na arquitetura de QoS é a diferenciação de tráfego. O Generation Partnership Project – 3GPP especifica quatro diferentes classes de tráfego:

conversação, streaming, interativo e background. A Figura 1. mostra a arquitetura da rede GPRS, onde dois novos nós são acrescentados à rede GSM: Serving GPRS Support Node – SGSN e o Gateway GPRS Support Node – GGSN. O SGSN encontra-se no mesmo nível hierárquico da Mobile Switching Center – MSC, mantém registro da

localização das estações móveis, realiza funções de segurança e

de controle de acesso e entrega os pacotes para as estações

móveis na área atendida por ele. O GGSN interliga a rede GPRS com as redes externas de pacotes e é interconectado ao SGSN via backbone IP e ainda mantém informações de roteamento. O HLR além de armazenar as informações de localização, armazena também dados a respeito do perfil do usuário. Este artigo é composto de oito seções, será brevemente descrito. Na seção II os protocolos de uma rede GPRS, na seção III serão abordados os procedimentos de anexação de

uma estação móvel na rede GPRS, na seção IV será explicada a ativação de um contexto PDP, na seção V qualidade de serviço

VI o QoS fim a fim na arquitetura do 3GPP e finalmente na

seção VII o estudo de caso de um fornecedor com um exemplo de dimensionamento neste novo cenário.

com um exemplo de dimensionamento neste novo cenário. Fig. 1 Arquitetura da rede GPRS II. PROTOCOLOS

Fig. 1 Arquitetura da rede GPRS

II. PROTOCOLOS GPRS

O plano de transmissão GPRS é utilizado para transferir

dados do usuário e de sinalização entre os diferentes nós físicos que compõem uma rede GPRS, na Figura 2 consta à pilha de protocolos GPRS. A camada de aplicação fornece os serviços para os usuários finais.

Um pacote de dados do usuário ou PDU (Packet Data Unit)

é recebido da camada de rede e encapsulado na camada SNDCP (Sub-Network Dependent Convergence Protocol) [1]. Esse protocolo é responsável pela multiplexação de várias conexões da camada de rede em uma única conexão lógica da

camada LLC (Logical Link Control), criptografia, segmentação

e compressão/descompressão de dados do usuário e

informações de cabeçalho redundante. Após executar a função

de compressão, o SNDCP segmenta a PDU em um ou mais

quadros LLC, dependendo do tamanho máximo definido para

um quadro LLC, e os envia para a camada inferior. O SNDCP

suporta a transmissão/recepção de PDUs entre a MS e o SGSN

no modo com reconhecimento (acknowledged) e sem reconhecimento (unacknowledged) [2]. A comunicação de

rádio entre a MS e a rede GPRS abrange as funcionalidades da camada de enlace de dados e da camada física A camada de enlace de dados é dividida em duas sub-camadas: a camada LLC (MSSGSN) e a camada RLC/MAC (Radio Link Control/Medium Access Control) (MS-BSS).

A camada LLC [3] opera acima da camada RLC

fornecendo um enlace lógico único e altamente confiável entre uma MS em particular e o seu SGSN corrente. Um Data Link Connection Identifier - DLCI identifica esse enlace lógico. O DLCI é composto pelo Temporary Logical Link Identifier - TLLI e pelo identificador Service AccessPoint - SAP. Os

SAPs são os pontos onde a camada SNDCP pode acessar os serviços oferecidos pela camada LLC. A camada RLC/MAC [4] fornece serviços para transferência de dados entre a MS e o BSS (mais precisamente à PCU) sobre a camada física da interface aérea GPRS. Quatro níveis de prioridade de rádio e um nível adicional utilizado para mensagens de sinalização são suportados pela camada RLC/MAC [5]. Quando uma MS desejar acessar a rede GPRS, ela pode indicar um dos níveis de prioridade, indicando se o acesso é para transmissão de mensagem de sinalização ou mensagem de dados do usuário. Essa informação é utilizada

pelo BSS para determinar a prioridade de acesso ao meio físico em caso de congestionamento. Na camada RLC do transmissor, cada quadro recebido da camada LLC é segmentado em um ou mais blocos de dados RLC. Esses blocos são enviados para a camada MAC onde um cabeçalho MAC e um BCS (Block Check Sequence) são adicionados formando um bloco RLC/MAC (ou bloco de rádio). Os blocos RLC/MAC possuem um tamanho fixo, dependendo do esquema de codificação de canal utilizado. Na camada RLC do receptor, os blocos de dados RLC são reagrupados formando novamente um quadro LLC. A camada RLC também pode operar no modo de transmissão com ou sem reconhecimento.

A camada MAC opera entre a MS e a BTS e é responsável

pelas seguintes funções: supervisão da carga de uma célula,

controle de tentativa de acesso ao meio de transmissão

compartilhado por várias MS’s (empregando algoritmos para resolução de conteúdo), multiplexação de blocos de rádio no meio físico

A camada física entre a MS e o BSS é dividida em duas

sub-camadas: PLL (Physical Link Layer) e a RFL (Radio Frequency Layer). A sub-camada PLL fornece um canal físico entre a MS e o BSS e inclui a função de modulação e demodulação. O BSSGP (BSS GPRS Protocol) [6] fornece informações de QoS e roteamento para facilitar a transferência de dados entre o BSS e o SGSN. Para transmitir pacotes IP ou X.25 através da rede backbone GPRS baseada em IP, o SGSN e o GGSN encapsulam e transmitem esses pacotes utilizando um protocolo especializado chamado GTP (GPRS Tunneling Protocol) [7]. Esse protocolo opera acima do protocolo TCP

(Transfer Control Protocol), usado para tráfego de pacotes X.25, ou do protocolo UDP (User Datagram Protocol), usado para tráfego de pacotes IP.

User Datagram Protocol ), usado para tráfego de pacotes IP. Fig. 2 Pilha de Protocolos GPRS

Fig. 2 Pilha de Protocolos GPRS

III. PROCEDIMENTOS DE ATTACH E DETACH GPRS

Quando uma MS desejar dar início a uma sessão de dados comutada a pacotes, ela precisa registrar-se com o SGSN da rede. Esse procedimento é chamado de attach GPRS e ele estabelece um enlace lógico entre a MS e o SGSN. Os

seguintes procedimentos devem ser seguidos para executar um attach em uma rede GPRS [2]:

1. A MS envia ao SGSN um pedido de anexação contendo

sua identidade (P-TMSI – Packet Temporary Mobile Subscriber Identity), um NSAPI (Network layer Service Access Point Identifier) que identifica uma aplicação de rede e um

identificador da área de roteamento onde ela está localizada;

2. O SGSN verifica, no HLR, se o usuário está autorizado e

autenticado para o serviço em particular;

3. Após a autenticação, o SGSN envia uma resposta para a

MS contendo um TLLI específico e temporário que será utilizado pela camada LLC para possibilitar a comunicação de dados no enlace lógico entre a MS e SGSN; 4. O SGSN mantém uma tabela que contém entradas relacionadas a cada MS conectada a ele. Quando uma MS se registra com o SGSN, uma nova entrada é criada na tabela contendo informações que mapeiam a identidade móvel com o TLLI atribuído a ela e o NSAPI. As entradas da tabela do SGSN são atualizadas após a ativação de um contexto PDP. A desconexão de uma MS da rede GPRS é conhecida por detach GPRS e pode ser iniciada pela MS ou pela rede.

IV. ATIVAÇÃO DE CONTEXTO PDP

Após a MS ter se registrado com um SGSN da sua rede GPRS, ela precisa alocar um ou mais endereços da camada de rede, chamados de endereços Packet Data Protocol - PDP, de modo a enviar/receber pacotes para/de uma MS residindo em uma Packet Data Network - PDN externa. Essa operação estabelece uma associação entre o SGSN com a qual a MS se registrou e o GGSN que mantém o(s) endereço(s) PDP atribuído(s) a MS, possibilitando a interoperabilidade com PDNs externas. O registro da associação entre um endereço PDP individual,

que identifica a aplicação de um assinante móvel, um SGSN e um GGSN são chamados de contexto PDP. Os seguintes parâmetros podem ser definidos em um contexto PDP:

• Endereço PDP (IP ou X.25) e tipo PDP (IPv4, IPv6, X25) atribuído para uma MS;

• Endereço de um GGSN que serve como ponto de acesso

para uma PDN externa;

• Perfil de QoS: define a QoS esperada por um assinante

móvel em termos dos seguintes atributos: atraso, confiabilidade, precedência de serviço e throughput. Uma MS pode possuir vários endereços PDP ativos simultaneamente e estes podem ser controlados por diferentes GGSNs [2]. Para cada endereço PDP alocado, um contexto PDP com um perfil de QoS diferente pode ser criado e uma cópia de cada um desses contextos ativos é armazenada na MS, no SGSN e no GGSN. Para estabelecer comunicação com um elemento de uma PDN externa (por exemplo, um servidor web conectado a Internet), um contexto PDP deve ser ativado. A ativação de um contexto PDP pode ser executada por uma MS ou pela rede (GGSN). Quando um pacote destinado a um endereço PDP específico for recebido de uma PDN e não existir um contexto PDP ativo para esse endereço, o GGSN poderá simplesmente descartar o pacote ou tentar ativar um contexto PDP com a MS correspondente. O GGSN, se necessário, pede ao HLR informações de roteamento necessárias para o endereço PDP. Se o HLR possuir essas informações, ele enviará uma mensagem de confirmação contendo IMSI e o endereço IP do SGSN servindo a MS. Caso contrário, o HLR informará a causa indicando a razão para a resposta negativa. Se uma resposta positiva for

recebida, o GGSN pedirá ao SGSN para enviar uma mensagem a MS (contendo o endereço PDP e o tipo PDP) solicitando a ativação de um contexto PDP. A partir desse momento, o mesmo procedimento de ativação de contexto PDP ilustrado na Figura 3 é iniciado pela MS.

de contexto PDP ilustrado na Figura 3 é iniciado pela MS. Fig. 3 Ativação de um

Fig. 3 Ativação de um Contexto PDP.

V. QUALIDADE DE SERVIÇO

QoS é definido como o efeito coletivo dos desempenhos de serviço que determina o grau de satisfação de um usuário do serviço [9]. De modo a oferecer qualidade aos serviços de dados e voz dos assinantes móveis, o ETSI definiu quatro classes de QoS para uma rede GPRS [9]:

Atraso: determina valores máximos para o tempo de transferência de pacotes fim a fim entre duas interfaces. Confiabilidade: representa valores máximos aceitos por uma aplicação em termos da probabilidade de pacotes perdidos, duplicados e entregues fora de seqüência; Precedência de serviço: define três níveis de prioridade para um serviço: 1 (prioridade alta), 2 (prioridade normal) e 3 (prioridade baixa). Em caso de congestionamento na rede, serviços com uma prioridade mais alta receberão um melhor tratamento; Throughput: especifica a taxa de dados máxima em octetos por segundo e a taxa de dados média em octetos por hora esperados em uma transferência de pacotes na rede. Nove classes são definidas para a taxa de dados máxima, variando de 8 kbit/s até 2048 kbit/s, e dezenove classes definem diferentes taxas de dados média que variam entre 100 octetos por hora (~0,22 bit/s) e 50M octetos por hora (~111 kbit/s). As classes de QoS são negociadas pela MS e a rede GPRS na assinatura de um contrato ou durante o estabelecimento de uma chamada. Através da combinação dessas classes, vários perfis de QoS podem ser definidos e cada perfil é armazenado em um contexto PDP diferente.

VI. QoS FIM A FIM NA ARQUITETURA DO

3GPP

O Rel'97/98 trouxe a evolução da arquitetura da gerência de QoS para redes móveis, onde o GPRS foi introduzido. Tendo característica principal a base GPRS da estrutura de gerência de QOS, a introdução do conceito do serviço de portador de GPRS (BS). Esse serviço é baseado no conceito do contexto de PDP essencialmente uma conexão lógica entre a estação móvel (MS) e do nó GPRS (GGSN) para carregar todo o tráfego do IP e da MS [10]. O primeiro padrão do GPRS (Rel'97/98) permite que uma

estação móvel (MS) tenha contextos simultâneos múltiplos de PDP, mas todos necessitam um endereço dedicado de PDP

[10].

Para o tratamento diferenciado de QoS, os contextos preliminares e/ou secundários de PDP necessitam ser ativados para a mesma MS [10]. O Rel'99 inclui algumas características que permitem um controle melhor da provisão de QoS no domínio de rádio, como a emissão das exigências de QoS do 2G - SGSM ao BSS por meio do contexto do fluxo do pacote da BSS (PFC). Um BSS dado PFC pode ser compartilhado por um ou por mais contextos ativados de PDP com as exigências negociadas idênticas ou similares de QoS [10].

A especificação de Rel'99 GERAN permite a sustentação

de todos os parâmetros de QoS padronizados restantes, exceto a classe de conversação de tráfego. Padronizou também o uso dos serviços diferenciados IETF (serviço) de Diff- [11, 12] para a priorização do pacote IP do plano do usuário como uma parte do core de serviços básicos (CN BS) [10]. Na negociação do contexto PDP, os atributos de QoS são negociados entre o terminal e a rede. As exigências de QoS divulgadas através do perfil de QoS em Rel'97/98 são definidas nos termos dos seguintes atributos: a precedência, classes de atraso, da confiabilidade e de throughput [10].

O objetivo em um ambiente QoS é permitir a entrega

preferencialmente do serviço a determinados tipos de tráfego. As funções que gerenciam o QoS pertencem ao plano do usuário. Os mecanismos do plano de controle de QoS são responsáveis por duas tarefas principais: controle e estabelecimento da admissão da conexão, e QoS que preserva mecanismos [10].

A finalidade da função de controle da admissão é aceitar ou

negar usuários novos na rede de acesso de rádio. Desta

maneira, o controle da admissão tenta evitar as situações da sobrecarga que baseiam suas decisões em medidas da disponibilidade da interferência e do recurso. Os serviços diferentes devem ser feitos sobre os portadores de rádio apropriados que permitem exigências de QoS ser satisfatória

[10].

A otimização da gerência de recurso de rádio é uma questão

chave em GERAN. Uma gerência de recurso eficiente sobre o domínio de rádio é um dos mecanismos mais importantes e os mais eficazes de QoS. O gerente de recurso tem a tarefa principal de determinar os recursos necessários ao funcionamento das exigências de QoS de uma conexão nova e de verificar se há bastantes recursos disponíveis na pilha para suportar estas exigências [10]. Handovers podem ser provocados por razões diferentes, por exemplo, são executados quando a MS deixa a área do domínio do serviço. Em outros casos, são executados quando a chamada atual está experimentando má qualidade [10]. As ligações wireless são afetadas por condições da ligação de rádio. Isto implica que o desempenho nos termos do throughput, atraso e relação do erro do bloco está variando continuamente. Essas variações no provisionamento de QoS devem ser compensadas tanto quanto possível, selecionando esquemas apropriados de modulação e de código. Esse mecanismo é reconhecido como a adaptação da ligação [10]. Agendamento de pacote é a função do núcleo no provisionamento de QoS. Desde que o domínio de rádio é o mais provável gargalo da rede inteira, um eficiente tratamento dos blocos de rádio baseados em prioridades é uma questão chave. Essa função gerencia os recursos de rádio programando para um RABs/PFCs diferente para os sentidos do uplink e do downlink [10].

O objetivo da função de controle de potência é a redução de níveis da interferência quando o QoS das conexões for mantido, o que causa um aumento da capacidade e uma melhoria da eficiência espectral [10]. Do ponto de vista do móvel, a gerência fim a fim do QoS é de interesse chave. Basicamente, oferece um ponto de controle centralizado de QoS, que administra a rede a fim de conseguir um comportamento consistente do serviço para a necessidade de um QoS especifico. Isso significa que todas as funções QoS relacionadas distribuídas ao longo da rede poderiam ser controladas de um ponto central de administração [10].

VII. ESTUDO DE CASO: Estatísticas Ericsson

Nesta seção serão apresentados diferentes métodos de medição do desempenho da rede e a percepção da qualidade pelo usuário, além de um exemplo de dimensionamento de rede baseado em um parâmetro de desempenho. Monitorar as medidas estatísticas é muito importante para uma operadora de serviços de telecomunicações, essas medidas podem ser usadas para: monitorar e otimizar o desempenho da rede de rádios, dimensionar a rede e encontrar problemas [13]. No caso da rede GSM os critérios baseiam-se no foco da qualidade percebida pelo usuário: acessibilidade (acesso randômico, congestionamento no canal SDCCH e TCH e estabelecimento da chamada), retenabilidade (queda de chamadas, handover e interferência) e qualidade da voz [13]. No entanto, para redes comutadas a pacotes, é mais difícil definir contadores estatísticos na BSS e relacioná-los a percepção dos usuários da qualidade de serviço. Existem duas razões para isso: O sistema GPRS/EDGE tem muitas camadas de protocolos. Uma sessão onde um TBF (Temporary Block Flow) é desconectado por alguma razão, um problema de retenabilidade ao nível da BSS, normalmente será mantido ativo pelo TCP até que um novo TBF seja estabelecido. Para o usuário parece como um problema de integridade, uma sessão que incluiu um pequeno atraso. Outra razão é que a rede GPRS/EDGE comporta um número diferente de aplicações, que são afetadas pelos eventos da rede de rádios em diferentes maneiras. Por exemplo, se uma BSS falha ao transferir algum dado por cinco segundos isso apareceria como um problema grave de desempenho para um usuário WAP [13]. Os contadores por sua vez se detêm a medir a principal tarefa da BSS que é transferir pacotes IP entre a rede core e os terminais GPRS/EDGE. Os contadores são agrupados em três áreas [13]:

Indicadores de Desempenho Nível Um: esses contadores estão diretamente relacionados à habilidade do BSS para transportar pacotes IP. Eles são contadores com foco em uma área de desempenho da BSS (com isso poderia ser afetado por um número de fatores diferentes) o qual impacta na percepção do usuário do serviço[13]. Indicadores de Desempenho Nível 2: esses contadores são indiretamente relacionados à habilidade da BSS para transportar os pacotes IP. Eles deveriam ser usados com o propósito de encontrar problemas para identificar fatores específicos que estão levando os indicadores de nível um a mostrar desempenho ruim. [13]. Indicadores de desempenho adicionais: estes indicadores são utilizados para monitoração de impacto e avaliação de funcionalidades específicas [13]. A Figura 4 mostra como os contadores estatísticos são agrupados dentro das três áreas.

IIP torced atraso Contadore IIP torced atraso Streaming IIP throughput UL s de DL connection
IIP torced atraso
Contadore
IIP torced atraso
Streaming
IIP throughput
UL
s de
DL
connection
performan
ce BSS
Diagnóstico de problemas que devem ser realizados com
Contadore
Qualidade do
link de radio
Carga do
trafe o GPRS
Carga do
Alocação
trafe o
CS
PDCH
s de
performan
ce BSS
Utilização de
Mobilidade
Dispositivo GSL
Carga RPP
Multislot
Indicador
es de
Contadores
performan
ce BSS
Contadores
adicionais por setor
adicionais para
Contadores de QOS
no nível de BSS
Estabelecimento e
Desconexão
adicional
Contadores
adicionais por BSC
Contadores para
Carga CCH
manter os

Fig. 4 Estrutura dos contadores GPRS/EDGE [13]

Existem também outros fatores os quais determinam como o usuário percebe o serviço GPRS/EDGE. A Figura 5 indica os fatores que podem afetar a percepção dos usuários do serviço GPRS/EDGE, os efeitos dos fatores TCP/IP e outros efeitos fora do BSS não podem ser medidos na BSS [13].

efeitos fora do BSS não podem ser medidos na BSS [13]. Fig. 5 Fatores que podem

Fig. 5 Fatores que podem afetar o desempenho percebido pelo usuário GPRS/EDGE [12].

Ao dimensionar uma rede GPRS/EDGE o objetivo é localizar a carga em cada canal (kbps/PDCH) desta maneira os usuários GPRS/EDGE experimentariam um throughput (kbps) estimado no nível de aplicação. O throughput atingido em uma rede GPRS/EDGE é primariamente dependente das capacidades do canal e da quantidade de tráfego GPRS/EDGE. Também é dependente do ambiente de interferência, da classe da MS e do tipo de tráfego gerado pelos usuários. Assim, são quatro os conceitos importantes no dimensionamento:

utilização do PDCH, largura de banda do link de rádio, tamanho do objeto e throughput do usuário final [13].A tabela I mapeia tamanhos típicos de objetos e as aplicações envolvidas

[13].

Tabela I Mapeamento das aplicações versus tamanho do objeto [13].

I Mapeamento das aplicações versus tamanho do objeto [13]. Um exemplo de dimensionamento ocorre quando o

Um exemplo de dimensionamento ocorre quando o requerimento de qualidade é o tempo de entrega do servidor para MS de uma mensagem MMS de tamanho igual a 30 kB não deve levar mais que 8 segundos. Não está incluso neste tempo o atraso da sinalização MMS e o processo de

negociação. Isso é tipicamente pouco tempo e depende do tempo de estabelecimento do serviço de MMS [13]. Para uma célula com 1 PDCH dedicado, utilizando CS-2 e

os usuários utilizam MS com capacidade de 4 slots. A taxa de bit no link de rádio possui uma média de 10 kbps por PDCH, o tráfego da célula é igual a 2,2 Erl e a média do número de PDCHs trafegando ao menos um TBF é igual a 1,6. Desta maneira, calcula-se:

Largura de banda do link de rádio: 4x10kpbs= 40 kbps; Aumento de Carga esperada no GPRS devido ao MMS:

1,6x1,5=2,4

O throughput requerido: 30Kb/8 segundos = 30kbps. Utiliza-se então o gráfico de 20Kbyte devido à proximidade do tamanho do objeto. Usando o gráfico da Figura 6, pode-se encontrar a utilização de 40% do PDCH, pois se tem o valor da largura de rádio igual a 40kbps e a média de throughput de 30 kbps. Calcula-se então o mínimo de PDCHs requeridos na célula=2,4/0,4= 6 PDCHs. A conclusão é que com o crescimento do tráfego e para continuar tendo a qualidade de serviço requerida, ao menos a média de 6 PDCHs devem estar disponíveis na célula. Com a configuração atual 4,8 PDCHs estão disponíveis. Existem então três opções para se ter os 6 PDCHs requeridos:

a) Diminuir o tráfego de voz na célula para um valor de 1 Erl ou menor.

b) Dedicar 6 PDCHs na célula (não é uma opção realista)

c) Expandir a célula com um segundo TRX.

Caso nem uma das ações acima seja feita, o aumento de carga gerada será de 50%, consultando novamente o gráfico essa carga corresponderá a um throughput de 27 kbps, um tempo de download de 8,9 segundos para objetos MMSs de

30kByte.

Uma ferramenta de avaliação de desempenho, desta maneira, pode ser desenvolvida tendo como entradas os parâmetros de largura de rádio e throughput requerido e como saída à utilização, o gráfico da figura 6, pode ser representado através do treinamento de uma rede neural.

ser representado através do treinamento de uma rede neural. Fig. 6 Requerimento de throughput de 30

Fig. 6 Requerimento de throughput de 30 kbps leva a uma utilização de ao menos 40%[13].

VIII. CONCLUSÃO

Este trabalho propôs-se a investigar parâmetros relacionados ao ambiente de rádio, pesquisar qual o novo cenário para dimensionamento destas redes, assim como a especificação de uma ferramenta de suporte a decisão através de um estudo de caso de um fornecedor de equipamento de telecomunicações. Desta maneira, a implementação da ferramenta ocorrerá em trabalhos futuros tomando por base esta pesquisa que teve sua principal contribuição na identificação e estudo dos parâmetros de qualidade de serviço para as novas redes. Finalmente, o ambiente de pacotes guarda muitas informações e pode-se retirá-las de vários lugares na rede de dados, este trabalho explorou os dados armazenados na BSC, mas existem outros parâmetros já citados como atraso, confiabilidade e precedência que podem ser retirados do SGSN.

REFERÊNCIAS

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