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AULA PRÁTICA – 2
PROPRIEDADES FUNDAMENTAIS DOS FLUIDOS

1) - M A S S A ESPECÍFICA (ρ) OU DENSIDADE ABSOLUTA (ρ ).

- É o quociente entre a Massa do fluido e o Volume que contém essa massa.

m
ρ = ----------
V

onde: ρ = massa específica


m = massa do fluido
V = volume correspondente do fluido

SISTEMA: UNIDADE:
Sist. Internacional ( S.I.). kg / m3
Sist. Técnico UTM / m3 ou kgf s2 / m4

Exemplos: a) massa específica da Água ( 4° C )

ρ = 1 g / cm3 ( Sistema C.G.S. )


ρ = 1.000 kg / m3 ( Sistema Internacional – S.I. )
ρ = 101,94 UTM / m3 ou kgf s2 / m4 ( Sistema Técnico )

b) massa específica do Mercúrio (Hg)

ρ = 13.595,1 kg / m3 ( Sistema Internacional – S.I. )


ρ = 1.385,84 UTM / m3 ou kgf s2 / m4 (Sistema Técnico )

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2) - P E S O ESPECÍFICO (γ)

- É o quociente entre o PESO de um dado fluido e o VOLUME que o contém.

W
γ = -----------
V

onde: γ = peso específico


W = peso do fluido
V = volume correspondente do fluido

SISTEMA: UNIDADE:
Sist. Internacional ( S.I.). N / m3
Sist. Técnico kgf / m3

Exemplos: a) peso específico da Água ( 4° C ):

γ = 9.806,65 N / m3 ( Sistema Internacional – S.I. )


γ = 1.000 kgf / m3 ( Sistema Técnico )

b) peso específico do Mercúrio ( Hg):

γ = 133.368 N / m3 (Sistema Internacional – SI)

γ = 13.595,1 kgf / m3 ( Sistema Técnico )

OBSERVAÇÃO:
W m. g
γ = --------- = ---------
V V

m
mas, ρ = ---------
V

portanto, γ = ρ g

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3) – DENSIDADE RELATIVA δ):
OU D E N S I D A D E (δ

- É a relação entre a Massa específica ( ρ ) de uma substância e a Massa


específica ( ρ1 ) de outra substância, tomada como referência:

ρ
δ = -----------
ρ1

onde:
δ = Densidade (adimensional).
ρ = Massa específica do fluido em estudo.
ρ1 = Massa específica do fluido tomado como referência.

- Adota-se a mesma unidade para ρ e ρ1

Portanto, δ é um número ( desprovido de unidade).

- A referência adotada para os líquidos é a ÁGUA a 4°C:

ρ1 = 1.000 kg / m3 ( Sistema Internacional – S.I. )


ρ1 = 101,94 UTM / m3 ou kgf s2 / m4 ( Sistema Técnico g= 9.81m/s2)

Substância: δ) :
DENSIDADE (δ
Álcool etílico 0,80
Petróleo 0,88
Óleo Díesel 0,82 a 0,96
ÁGUA (Destilada) 1,0
ÁGUA do Mar (Salgada) 1,02 a 1,03
Melado 1,40 a 1,50
Tetracloreto de Carbono 1,59
MERCÚRIO 13,6

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4) – V I S C O S I D A D E ( ATRITO INTERNO):

- É a propriedade dos fluidos responsável pela resistência ao deslocamento


(deformação).
Exemplo: Óleo lubrificante escoa mais lentamente que a água ou álcool.

IMPLICAÇÃO:

- Em conseqüência da viscosidade, o escoamento de fluidos dentro das canalizações


somente se verifica com “ PERDA “ de energia, perda essa designada por “ PERDA DE
CARGA” (Figura-1)

COEFICIENTE DE VISCOSIDADE DINÂMICA ( µ )

SISTEMA: UNIDADE:
Sist. Internacional ( S.I.). N s/ m2 ou kg / m s
Sist. Técnico kgf s/ m2

COEFICIENTE DE VISCOSIDADE CINEMÁTICO ( ν )


µ
ν = ---------
ρ

SISTEMA: UNIDADE:
Sist. Internacional ( S.I.). m2 / s
Sist. Técnico m2 / s

- A viscosidade é medida pelo equipamento denominado VISCOSÍMETRO.

5) – C O E S Ã O:

- É uma pequena força de atração entre as moléculas do próprio líquido (atração


eletroquímica).

- A formação da gota d’água é devida à coesão (Figura-2).

- Essa propriedade é que permite às moléculas fluídas resistirem a pequenos esforços de


tensão.

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6) – A D E S Ã O:

Quando um líquido está em contato com um sólido, a atração exercida pelas moléculas
do sólido pode ser maior que a atração existente entre as moléculas do próprio líquido (coesão)
(Figura-3).

σ s) e C A P I L A R I D A D E:
7) – T E N S Ã O S U P E R F I C I A L (σ

- Na superfície de contato entre dois fluidos não micíveis (fluidos que não se misturam,
como por exemplo: água e ar), forma-se uma película elástica capaz de resistir a pequenos
esforços (Figura-4).

FIGURA - 4 Ilustração da Tensão Superficial.

- A tensão superficial é a força de coesão necessária para formar a película.

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DIMENSÃO: F / L UNIDADE:
sistema técnico: kgf/m
S.I.: N/m

Exemplo: a) Ar e água a 20°C:


σ s = 0,0074 kgf/m

b) Ar e Mercúrio
σ s = 0,055 kgf/m

- As propriedades de adesão, coesão e tensão superficial são responsáveis pelo


fenômeno da CAPILARIDADE, que .é a elevação (ou depressão) de um líquido dentro de um
tubo de pequeno diâmetro (Figura-5).

- A elevação ou depressão em um tubo é dada por:

4 σ s cos α
h = ----------------------------
γ D

onde: h = elevação ou depressão,


σ s = coeficiente de tensão superficial,
α = ângulo formado pela superfície líquida com a parede de tubo,
γ = peso específico
D = diâmetro do tubo

- A elevação ou depressão capilar é inversamente proporcional ao diâmetro do tubo.

- Por isto, quando se deseja medir cargas piezométricas (pressão) deve-se utilizar tubos
de diâmetro superior a 1,0 cm para que sejam desprezíveis os efeitos de capilaridade.

8) – C O M P R E S S I B I L I D A D E:

- Para efeitos práticos, os líquidos são considerados INCOMPRESSÍVEIS.

Exemplo: Volume de 100 litros Aplicar P = 7 kgf/cm2

Redução no volume de 0,33 litros (volume desprezível).

9) – S O L U B I L I D A D E D O S G A S E S:

- Os líquidos podem dissolver os gases. A água dissolve o ar em proporções diferentes


entre o O2 e N.

Implicação: Pode ser a causa do desprendimento de ar e aparecimento de bolhas


de ar nos pontos altos das tubulações.

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10) – P R E S S Ã O de V A P O R ou T E N S Ã O d e V A P O R (hv ou Pv)

- Pressão de vapor ou tensão de vapor corresponde ao valor da pressão na qual o


líquido passa da fase líquida para a gasosa. Na superfície de um líquido há uma troca
constante de moléculas que escapam para a atmosfera (evaporação) e outras que penetram
no líquido (condensação). Visto que este processo depende da atividade molecular e que esta
depende da temperatura e da pressão, a pressão de vapor do líquido também depende
destes, crescendo o seu valor com o aumento da pressão e da temperatura (Tabela-1)

- Quando a pressão externa, na superfície do líquido, se iguala à pressão de vapor, este


se evapora. Se o processo no qual isto ocorre é devido ao aumento da temperatura do líquido,
permanecendo a pressão externa constante, o processo é denominado de EVAPORAÇÃO.
Caso isto se dê pela mudança da pressão local enquanto a temperatura permanece constante,
o fenômeno é conhecido por CAVITAÇÃO. Este fenômeno ocorre, normalmente, em
escoamentos sujeitos às baixas pressões, próximos à mudança de fase do estado líquido para
o gasoso e constitui um grande problema em válvulas e sucção de bombas.

Implicações:

a) - A temperatura de ebulição da água muda com a altitude (pressão atmosferica). Por


exemplo, a água entra em ebulição à temperatura de 100 ºC quando a pressão é 1,0332
kgf/cm2 (1atm), ou seja, ao nível do mar, mas também pode ferver a temperaturas mais baixas
se a pressão também for menor (ou seja, em locais mais altos).

b) - A máxima altura possível de sução da bomba é limitada pela pressão de vapor do


líquído. As tubulações de sucção nas bombas que não trabalham afogadas, como as usadas
na maioria dos projetos de irrigação, trabalham com pressão inferior à pressão atmosférica. Se
na entrada da bomba houver pressão inferior à pressão de vapor da água, haverá formação de
bolhas de vapor, podendo até interromper a circulação da água ou formar muitas bolhas
menores, que, ao atingirem as regiões de pressão positivas, ocasionam implosões, causando
ruídos (martelamento) e vibrações no sistema. Tal fenômeno denomina-se CAVITAÇÃO e
provoca a “corrosão” das paredes da carcaça da bomba e das palhetas do rotor, bem como
reduz a sua eficiência.
- Na prática, recomendam-se os seguintes valores máximos para a altura de sucção:
6,5 m ao nível do mar, 5,5 m para a altitude de 1.500 m e 4,5 m para a altitude de 3.000 m,
contudo, quanto menor for a altura de sucção, melhor será o desempenho da bomba.

c) - A medida da tensão de água no solo, realizada com o auxílio de tensiômetros de


cápsula porosa preenchidos com água, é limitada pela tensão de vapor (a leitura máxima do
tensiômetro é de 70kPa).

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TABELA – 1 PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA DOCE, À PRESSÃO ATMOSFÉRICA
(g=9,80665 m/s2)

TEMPE- PESO MASSA VISCOSIDADE TENSÃO PRESSÃO PRESSÃO


RATURA ESPECÍFICO ESPECÍFICA CINEMÁTICA SUPERFICIAL DE VAPOR DE VAPOR
O
C γ ρ ν σ PV PV/γ
N/m 3
kg/m 3 m2/s N/m kPa m
0 9.805 999,8 1,785x10-6 0,0756 0,61 0,06
5 9.807 1.000,0 1,519x10-6 0,0749 0,87 0,09
10 9.804 999,7 1,306x10-6 0,0742 1,23 0,12
15 9.798 999,1 1,139x10-6 0,0735 1,70 0,17
20 9.789 998,2 1,003x10-6 0,0728 2,34 0,25
25 9.777 997,0 0,893x10-6 0,0720 3,17 0,33
30 9.764 995,7 0,800x10-6 0,0712 4,24 0,44
40 9.730 992,2 0,658x10-6 0,0696 7,38 0,76
50 9.689 988,0 0,553x10-6 0,0679 12,33 1,26
60 9.642 983,2 0,474 x10-6 0,0662 19,92 2,03
70 9.589 977,8 0,413x10-6 0,0644 31,16 3,20
80 9.530 971,8 0,364x10-6 0,0626 47,34 4,96
90 9.466 965,3 0,326x10-6 0,0608 70,10 7,18
100 9.399 958,4 0,294x10-6 0,0589 101.33 10.33

NOS CÁLCULOS HABITUAIS DE HIDRÁULICA, NO SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES,


QUANDO A TEMPERATURA NÃO É ESPECIFICADA, UTILIZA-SE :

ρ = 1.000 kg/m3

γ = 9.810 N/m3

ν = 1,003 x 10-6 m2/s