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1ª EDIÇÃO

Um olhar técnico
sobre o bear market
Um olhar técnico sobre o bear market 2

ÍNDICE
Carta ao leitor 3

Introdução 4

Análise Fundamentalista: Do que é feita a lua? 5


Hash rate / Força computacional 6
Descentralização 7
Escalabilidade 8
Adoção 10
Os governos acabarão com o Bitcoin? 13
Conclusão da análise fundamentalista 14

Análise On-chain: Entre Touro e Ursa Maior 15


Medindo o prejuízo 16
Grandes investidores 18
Mercado de derivativos 19
Conclusão da análise on-chain 20

Análise Técnica: Traçando Linhas Entre Estrelas 21


Análise técnica clássica, aplicando a teoria de Charles Dow 22
Topos e fundos ascendentes 22
Os mercados se movem em tendências 23
O volume acompanha a tendência 25
A tendência segue até ser substituída por uma oposta 26
Médias móveis e seus cruzamentos: O que elas nos apontam? 26

Análise técnica moderna e comparação de ciclos: O que a teoria de Elliott


pode nos apontar sobre o Bitcoin? 28
Teoria de Wyckoff: É acumulação ou distribuição? 34
Conclusão final da Análise Técnica 36

Análise Quantitativa: entendendo o Universo com a ajuda da Física 37


A metodologia por trás dos números 38
Backtest e direcionamento quantitativo 39
Apêndice 40
Conclusão da análise quantitativa 41

Conclusão 42

Referências 43

Autores 44

Disclaimer 44
TELESCÓPIO CRIPTO 3

CARO LEITOR,
Telescópio é um instrumento que nos permite ampliar objetos situados a grandes distân-
cias, facilitando o entendimento e análise destes. É com esse mesmo objetivo que o relatório
TELESCÓPIO CRIPTO foi desenvolvido.

Periodicamente, nossa equipe formada por dezenas de analistas provenientes de diferentes


escolas técnicas, se juntarão para compilar um material completo, utilizando indicadores
técnicos, fundamentalistas, on-chain e quantitativos, de forma a identificar tendências e
gerar previsões mais precisas, que melhor direcionem empresas e indivíduos atuantes no
mercado de criptomoedas.

É comum que indicadores se mostrem divergentes, apontando para direções opostas. Essa
é a importância de cobrirmos todos os tipos de análises. Quando falamos sobre tendências
e previsões, falamos de probabilidades. Estas serão tão boas quanto os dados que tivermos
em mãos.

O Universo apresenta infinitas possibilidades, mas apontando nosso Telescópio para os


lugares certos, conseguimos nos proteger de meteoros e desenvolver estratégias para che-
garmos à Lua… ou quem sabe à Marte.

Espero que desfrutem deste material com a mesma satisfação e surpresa que tomou conta
da nossa equipe. E claro, precisando de conteúdos mais frequentes e direcionados, estare-
mos sempre presentes em nossa plataforma: www.criptomaniacos.io

Grande abraço,
GUILHERME RENNÓ
CEO - Criptomaníacos
Um olhar técnico sobre o bear market 4

INTRODUÇÃO
Após atingir sua alta histórica em Novembro de 2021, o Bitcoin (BTC) derreteu, perdendo
mais de 50% do seu valor em um curto espaço de tempo. O que é visto como risco por alguns
é percebido como oportunidade para outros.

Este material tem como objetivo trazer, como informa seu subtítulo, “um olhar técnico so-
bre o bear market”, ou seja, usando critérios técnicos objetivos que nos indiquem duração e
tamanho deste momento desconfortável para o mercado, para que possamos nos posicio-
nar de maneira adequada para o momento, aumentando a probabilidade de sucesso.

Katherine Johnson, matemática do projeto Apollo 11


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ANÁLISE
FUNDAMENTALISTA
DO QUE É FEITA A LUA?
TELESCÓPIO CRIPTO 6

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA:
DO QUE É FEITA A LUA?

Você provavelmente já viu muita gente defendendo que o Bitcoin é a melhor forma de di-
nheiro que existe, superando em diversas formas os seus principais concorrentes, como o
ouro ou o dólar, mas você sabia que ele continua ficando cada dia melhor?

Nessa sessão vamos trazer um olhar mais detalhado para os principais pontos que devem
ser considerados na evolução do Bitcoin, na ambiciosa busca de um dia se tornar o padrão
monetário global, oferecendo incríveis oportunidades ao longo do caminho.

HASH RATE / FORÇA COMPUTACIONAL

Talvez o tema mais familiar aos investidores de criptomoedas, no que se refere ao funciona-
mento da rede do Bitcoin, está ligado ao trabalho que os mineradores realizam para garantir
o adequado funcionamento e segurança da rede.

Atualmente a força computacional utilizada para validação dos blocos (mineração) atingiu
novas máximas históricas, executando aproximadamente 193 trilhões de hashes (códigos
criptográficos) por segundo.

Isso significa que nunca antes a rede do Bitcoin teve um poder de processamento tão alto
quanto agora, e é isso que garante que a blockchain se mantenha segura e incorruptível há
mais de 12 anos.

Fonte: The Block


Um olhar técnico sobre o bear market 7

Dividindo a capitalização de mercado do Bitcoin por todo o valor gasto em segurança (medi-
do através da recompensa gerada aos mineradores), é possível compreender momentos em
que os preços estão descolados dos fundamentos, ou em linha com o que pode ser consider-
ado uma espécie de valor justo.

Fonte: Glassnode

Diferente do observado em finais de ciclos anteriores, quando a leitura dessa métrica atingiu
patamares bastante elevados (na faixa marcada em vermelho), não há uma sinalização de
grandes excessos até o momento, inclusive com o atual patamar voltando a se aproximar
do extremo inferior, onde historicamente oferece boas oportunidades de compra visando o
mais longo prazo.

DESCENTRALIZAÇÃO

Mas não é apenas o poder computacional que importa, outro aspecto a se considerar é a
descentralização dos mineradores, para evitar que ações de governos autoritários ou crises
energéticas locais tenham o poder de comprometer a rede, ainda que temporariamente.

Segundo estudo da Universidade de Cambridge, a China, que chegou a concentrar aproxi-


madamente 75% da atividade em setembro de 2019, passou a ter praticamente zero partici-
pação depois da proibição por parte do governo.

Muitos desses mineradores se realocaram para outras partes do mundo, em busca de ener-
gia barata e uma regulamentação mais amigável. O resultado foi uma maior diversificação
geográfica, fortalecendo ainda mais o caráter descentralizado (e global) do Bitcoin.
TELESCÓPIO CRIPTO 8

Fonte: Universidade de Cambridge

Essa provavelmente foi uma das principais melhorias observadas na rede do Bitcoin ao
longo de 2021, especialmente no que se refere a critérios fundamentalistas, passando a se
tornar ainda mais resiliente a vulnerabilidades e contratempos localizados.

ESCALABILIDADE

Nos períodos em que a rede foi altamente demandada pelos usuários desejando realizar
transações, como no final de 2017 e início de 2021 (dessa vez combinado com a proibição dos
mineradores na China), os custos para enviar e receber Bitcoins dispararam.

Em ambas as ocasiões, uma série de questionamentos foram levantados sobre a capacidade


do Bitcoin realmente se tornar uma moeda corrente em grande escala, principalmente para
pequenos pagamentos do dia a dia. Quem nunca ouviu falar que é inviável pagar um “cafez-
inho” com Bitcoin?

A fim de resolver esse problema, uma solução de segunda camada foi implementada na rede
do Bitcoin, chamada de Lightning Network. Resumidamente, ela possibilita processamen-
to de transações em canais alternativos, fora da blockchain principal, com ajuda de smart
contracts.
Um olhar técnico sobre o bear market 9

Fonte: Glassnode

Depois de um início promissor, os baixos custos de transação mantiveram seu desenvolvi-


mento estagnado por quase dois anos, até que sua adoção voltou a se fazer necessária.

Hoje, a lightning network por si só já é capaz de processar transações de mais de 3.300 Bit-
coins, a um custo quase desprezível e de forma instantânea em qualquer lugar do mundo,
enquanto a rede principal se mantém perfeitamente saudável.

Uma forma de avaliar o Bitcoin como uma rede global de pagamentos, é dividindo sua ca-
pitalização de mercado pelo valor que ali é transferido diariamente pelos usuários, medido
em dólares.

Fonte: Glassnode e Criptomaníacos


TELESCÓPIO CRIPTO 10

Por essa ótica, o atual patamar sugere que o Bitcoin pode ser considerado como barato
neste momento, tanto quanto estava no final do grande ciclo de baixa de 2018/19, crash do
início da pandemia que abalou os mercados globais e a forte queda vista na primeira meta-
de do ano passado.

A solução de escalabilidade oferecida pela Lightning Network resolveu não somente as de-
mandas já existentes, como também possibilitou que o governo de El Salvador fosse o primei-
ro a tornar o Bitcoin uma moeda oficial do país. A nossa expectativa é que o movimento não
pare por aí, e voltaremos a entrar no assunto mais à frente.

Além disso, a Lightning Network permitiu que empreendedores explorassem novas possi-
bilidades para seus negócios, ao mesmo tempo que impulsionam a adoção do Bitcoin (nos-
so próximo tópico) para cada vez mais pessoas e lugares.

Por uma ótica fundamentalista, apesar da queda recente nos preços, o Bitcoin hoje é mais
seguro, descentralizado e escalável que em qualquer outro momento da sua história, além
de possuir o mais desejado por todo investidor, que é um enorme potencial de valorização.

ADOÇÃO

Um dos principais fatores para a valorização de todo e qualquer ativo na economia está
atrelado a sua demanda (procura). Porém, felizmente temos uma tarefa fundamentalmente
mais simples no caso do Bitcoin para entender o outro lado da balança, que é a oferta.

Isso porque a oferta de Bitcoins é estável e previsível. A cada 4 anos, quando ocorrem os
halvings, a recompensa por cada bloco minerado cai pela metade, até que um dia se chegue
ao limite de 21 milhões de Bitcoins e nenhum único a mais.
Um olhar técnico sobre o bear market 11

Fonte: Glassnode

Como sabemos que a oferta não mudará (com 90% das moedas já estando em circulação),
a adoção do Bitcoin deve ser o foco da análise para um mais assertivo e adequado entendi-
mento das expectativas de preços futuros.

Um fato é que navegando sobre os ventos favoráveis de segurança, descentralização e escal-


abilidade recorde como vimos anteriormente, tornou- se simplesmente impossível ignorar
o Bitcoin e o universo das Criptomoedas de forma geral nos últimos meses.

Não faltam notícias de artistas, atletas, celebridades em geral e até mesmo alguns políticos
expressando publicamente o seu apoio, além do desejo de receber seus salários em Bitcoin,
influenciando cada vez mais pessoas a prestarem atenção neste movimento.

As aplicações que vêm emergindo de forma cada vez mais acelerada no ecossistema cripto,
como os temas relacionados ao Metaverso, Finanças Descentralizadas (DeFi), NFTs, jogos
play-to-earn, entre outros, têm trazido um interesse de públicos ainda mais variados que em
anos anteriores.

Segundo relatório do Deutsche Bored Apes Yatch


Bank, o maior banco da Alemanha, Club e Axie Infnity
São exemplos de
caso seja mantida a tendência atual
projetos NFT de
de adoção, poderão haver 2 bilhões grande sucesso.
de usuários de carteiras Blockchain
até 2030, com o ritmo se comparan-
do até mesmo ao de crescimento da
própria internet.
TELESCÓPIO CRIPTO 12

Fonte: Deutsche Bank Research (The Future of Payments)

Mas ainda segundo o banco, essa taxa poderia se acelerar caso empresas como Google, A-
mazon, Apple e Meta (principal candidato a liderar o movimento) fossem capazes de quebrar
algumas barreiras.

Além do Twitter, que já havia implementado opção de gorjetas em Bitcoin para ajudar usuári-
os a monetizar a produção de conteúdo, os NFTs que se popularizaram primeiramente por
lá, agora parecem estar chegando ao Facebook e Instagram (as duas maiores redes sociais
do mundo).

Além do ousado movimento em direção ao Metaverso (inclusive levando ao rebranding de


sua empresa), Mark Zuckerberg já sinalizou que usará tecnologias blockchain para garantir
a propriedade digital no seu metaverso e parece ter desistido novamente da empreitada de
lançar sua própria criptomoeda.

Esses são movimentos que parecem estar crescendo em velocidade e proporção, à medida
que as aplicações também se aproximam das necessidades e desejos de um público real.
Há ainda uma série de projetos para trazer recursos e ferramentas a outros ramos do entre-
tenimento, como cinema, música, jogos, além das já mencionadas certificações de proprie-
dade digital, que podem impulsionar ainda mais a adoção.

Se já vimos que a rede do Bitcoin está preparada e mais resiliente do que nunca para lidar
com um aumento de adoção, que por sua vez está sendo impulsionada por gigantes de tec-
nologia com bilhões de usuários ativos e engajados. O que poderia de alguma forma frear
esse movimento? Vamos buscar agora analisar as ações dos governos.
Um olhar técnico sobre o bear market 13

OS GOVERNOS ACABARÃO COM O BITCOIN?

Uma das principais preocupações que investidores institucionais enfrentam na hora de alo-
car recursos no ecossistema das criptomoedas está relacionado a incertezas regulatórias.

Felizmente governos ao redor do mundo, ainda que com passos mais modestos quando com-
parado ao exemplo de El Salvador, e também nem tão hostis quanto a China, têm trazido
mais clareza à discussão recentemente.

“Nós não temos intenção de proibir, mas regulamentar” disse Jerome Powell, presidente do
FED no final de setembro de 2021, dando ênfase principalmente para as stablecoins. O mer-
cado espera mais detalhes no relatório prometido para as próximas semanas.

Apesar do Banco Central Europeu frequentemente advertir riscos associados, não é proibi-
do o uso ou negociação de Bitcoin e outras Criptomoedas na União Europeia, que também
busca formas de aumentar seu escopo regulatório, podendo simplificar dramaticamente a
forma com que negócios relacionados possam expandir através dos 27 países que compõe
o bloco, segundo a Coindesk.

Na Rússia a questão parece estar prestes a ser esclarecida, depois do Banco Central recomen-
dar a proibição das criptomoedas, o Ministério das Finanças seguido pelo presidente Vladimir
Putin se mostraram favoráveis apenas a uma regulamentação, pois segundo eles o país
conta com “vantagens competitivas significativas” na mineração.

Ainda que alguns países estejam engatinhando no que se refere à regulamentação, o Brasil
tem destaque especial junto ao Canadá no que se refere a ETFs de criptomoedas, abrindo as
portas para que investidores (principalmente institucionais) possam se expor a essa classe
de ativos sem a necessidade de cuidar da custódia. Nos EUA, a SEC (órgão similar à CVM no
Brasil) já aprovou ETFs baseados em contratos futuros de Bitcoin, mas até agora rejeitou
todos os pedidos baseados em negociação à vista.

Propostas de tornar regulamentações mais amigáveis para o Bitcoin começam a surgir ao


redor de todo o mundo, como nos nossos vizinhos Paraguai, Uruguai e Argentina, além de
Honduras, Panamá, Ucrânia e mais recentemente o estado do Arizona nos EUA.

Recentemente o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, previu que em breve o Bitcoin será
adotado como uma moeda oficial em mais dois países. Seu encontro histórico com o presi-
dente da Turquia algumas semanas depois, que enfrenta forte desvalorização da moeda na-
cional, faz crescer os rumores que este seja um dos países previstos.
TELESCÓPIO CRIPTO 14

Apesar de buscar meios de exercer algum tipo de controle sobre o mercado de criptomoe-
das, uma batalha praticamente perdida devido a sua natureza descentralizada, de forma
geral os governos ao redor do mundo não têm sinalizado a intenção de proibir seu uso ou
negociação.

Até mesmo onde os governos apresentam posicionamentos mais hostis, a criação de regu-
lamentações e até impostos sobre a posse e negociação de criptomoedas parece reduzir as
incertezas e de certa forma até legitimar o seu uso em território nacional, uma porta aberta
para a entrada de institucionais.

CONCLUSÃO DA ANÁLISE
FUNDAMENTALISTA

Por todos os motivos elencados, tudo indica que os ventos favoráveis à adoção e desenvolvi-
mento do mercado de criptomoedas de forma global não apenas se manterão para os próxi-
mos anos (e talvez décadas), como também podem ser impulsionados por diversos fatores.
15

ANÁLISE
ON-CHAIN
ENTRE TOURO E
URSA MAIOR
Um olhar técnico sobre o bear market 16

ANÁLISE ON-CHAIN:
Entre Touro e Ursa Maior

Graças a natureza transparente e auditável da blockchain, que fornece uma rica, aberta e
incorruptível fonte de dados sobre a rede e atuação dos investidores, podemos buscar iden-
tificar situações que oferecem oportunidades ou sinalizam riscos aos investimentos.

MEDINDO O PREJUÍZO

Um sinal de capitulação (sinônimo de rendição ou desistência) dos investidores, que cos-


tuma preceder o fim de movimentos de baixa, parece estar atualmente em andamento no
Bitcoin. Isso é o que sugere a métrica que acompanha os lucros ou prejuízos realizados nas
carteiras de Bitcoin, alvo de estudo recente em relatório da Glassnode.

A métrica aponta que no dia 21 de janeiro mais de US$2.5 bilhões em prejuízos foram re-
alizados, à medida que os investidores gastaram as moedas abaixo do preço de aquisição
original.

Fonte: Glassnode

Esse valor se soma a um total superior aos US$7.5 bilhões daquela semana, se aproximando
de patamares vistos pela última vez na forte queda da primeira metade de 2021 e superando
até mesmo o crash dos mercados globais no início da pandemia.
TELESCÓPIO CRIPTO 17

Vale ressaltar que o alto volume de prejuízos realiza-


dos, com investidores desmontando suas posições na
baixa, ocorre ao mesmo tempo em que os principais
indicadores de sentimento apontam um elevado pes-
simismo dos participantes.

Este é um sinal clássico de capitulação, que tende a


sinalizar em conjunto com outros elementos (como
exposição de fraudes, quebra de investidores ou fun-
dos alavancados e mudança de posição de influen-
ciadores e mídia especializada) o final de um movi-
mento de baixa.

INVESTIDORES DE CURTO
VS LONGO PRAZO
Fonte: Alternative.me

Enquanto surge um sinal de capitulação dos investidores, ele parece estar mais restrito aos
pequenos investidores, considerados de varejo, ou daqueles que recém entraram no mundo
das criptomoedas.

Esse comportamento se mostra ainda mais destacado quando comparamos aquelas cartei-
ras que não moviam seus Bitcoins há mais de 1 ano (linha azul) com aqueles que ainda não
haviam completado 365 dias com suas moedas (linha verde). Na ocasião, excluímos inves-
tidores de curtíssimo prazo, holdando BTCs a menos de 6 meses.

Fonte: Glassnode e Criptomaníacos


Um olhar técnico sobre o bear market 18

Mesmo com a recente queda nos preços, aqueles Bitcoins “encarteirados” antes de janeiro
de 2020 continuam maturando e não há maiores sinais de venda por parte desses inves-
tidores. O contrário pode ser observado com investidores de mais curto prazo, que vem se
desfazendo das suas moedas em ritmo quase tão intenso quanto o movimento recente de
baixa.

GRANDES INVESTIDORES

Os grandes investidores, conhecidos popularmente no mundo cripto como “baleias”, são aque-
les que detém ao menos 1.000 Bitcoins em carteiras. O acompanhamento de suas posições
pode oferecer poderosos insights sobre o comportamento do Smart Money.

Depois de alcançar sua maior leitura ainda em fevereiro de 2021 e mostrando divergência
persistente do último movimento de alta que levou as cotações à nova máxima histórica,
esses investidores finalmente voltaram a aumentar suas posições recentemente.

Fonte: Glassnode

Além de superar uma linha de tendência de baixa, essa métrica (marcada em verde no
gráfico acima) teve rápido aumento abaixo dos US$40.000 e sua eventual continuidade
deve sinalizar uma volta do apetite por parte dos grandes investidores.
TELESCÓPIO CRIPTO 19

MERCADO DE DERIVATIVOS

Depois do preço do Bitcoin ter caído pela metade, o pessimismo parece também ter chegado
(com bastante atraso) ao mercado de opções e principalmente de contratos futuros.

A taxa de financiamento para os contratos futuros perpétuos tende a refletir a direção e ala-
vancagem do lado que contém o maior interesse de apostas, uma vez que são pagos ou re-
cebidos para incentivar que seu preço se mantenha próximo ao spot (à vista).

Como essas taxas encontram-se majoritariamente no território negativo, a sinalização que


vigora atualmente é de um alto volume de procura por apostas na baixa, em um movimen-
to que é visto historicamente próximo a regiões de exaustão da tendência de queda (ainda
predominante).

Fonte: Glassnode

O mesmo tipo de comportamento está sendo visto no mercado de opções, onde os investi-
dores pagam um prêmio em busca de assegurar uma espécie de seguro (ou proteção) para
acentuados movimentos de desvalorização.

Quando comparamos o volume de negócios em aberto para opções de compra (Call) e venda
(Put), identificamos um aumento significativo da busca por proteções, refletindo o elevado
pessimismo dos investidores.
Um olhar técnico sobre o bear market 20

Assim como a distância no tempo para o vencimento das opções, a volatilidade também
representa um importante papel na precificação destes contratos. Isso significa que os in-
vestidores podem estar pagando elevados prêmios para defender suas posições, uma vez
que a volatilidade aumentou consideravelmente nas últimas semanas.

Fonte: Glassnode

Apesar de todo o pessimismo apresentado, o mercado de derivativos tende a se comportar


como um indicador antecedente, especialmente nos extremos como se encontram, assim
como é esperado ao longo dos ciclos de mercado.

CONCLUSÃO DA ANÁLISE ON-CHAIN

Dessa forma, a conjuntura dos dados on-chain sugerem que grande parte dos exageros
cometidos ao longo do mercado de alta foram saneados, tornando assim as condições atu-
ais menos propensas a continuação dos intensos movimentos vendedores que atingiram o
mercado de criptomoedas recentemente.
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ANÁLISE TÉCNICA
TRAÇANDO LINHAS ENTRE
AS ESTRELAS
TELESCÓPIO CRIPTO 22

ANÁLISE TÉCNICA:
TRAÇANDO LINHAS ENTRE ESTRELAS

Esse material tem como objetivo analisar se o Bitcoin está ou não no inverno cripto, usando
como base os principais conceitos da análise técnica. Aplicamos as teorias mais conheci-
das no gráfico do Bitcoin levando em consideração o semanal e diário, visando criar uma
análise de longo prazo e com o objetivo de entender o momento atual do mercado.

ANÁLISE TÉCNICA CLÁSSICA


BASEADA NA TEORIA DE DOW

Charles Dow, que é considerado por muitos o pai da análise técnica clássica, dizia que pode-
mos identificar uma tendência aplicando alguns conceitos na leitura do gráfico. Separamos
alguns pontos de sua teoria que vamos usar como referência na identificação da tendência
do Bitcoin:

• Topos e fundos ascendentes • O volume acompanha a tendência


• Os mercados se movem em tendências • A tendência segue até ser substituída por
uma oposta
Topos e fundos ascendentes

Esse é um dos conceitos mais básicos da teoria de Dow, não importa o gráfico que será uti-
lizado e pode ser aplicado em todos os tempos gráficos.

Na tendência de alta, o preço forma topos e fundos ascendentes cada vez mais altos, já na
tendência de baixa o preço se comporta da forma oposta, fazendo topos e fundos cada vez
mais baixos, chamados de topos e fundos descendentes.

Fonte: TradingView
Um olhar técnico sobre o bear market 23

Aplicando o conceito de Dow, referente a topos e fundos, identificamos no gráfico semanal


que o preço do Bitcoin está em tendência de alta desde o seu lançamento, deixando topos e
fundos cada vez mais altos.

Vamos agora olhar para o longo prazo, mas considerando apenas o último ciclo, confira no
gráfico abaixo:

Fonte: TradingView

Observem que os dois últimos topos marcados em vermelho estão no mesmo nível, mas o
preço ainda não perdeu o último fundo marcado em amarelo. Segundo esse conceito, ainda
estamos na tendência de alta enquanto não perder o último fundo, que está entre $28.000 e
$32.000.

Os mercados se movem em tendências

Nos conceitos de Dow, ele sempre enfatiza que o mercado se move em tendências, sendo
elas de alta, baixa ou de consolidação. E dentro dessas tendências, podemos identificar ou-
tras três:

• Tendências primárias, que se trata de um movimento de mais longo prazo.


• Tendências secundárias, que são movimentações de médio prazo.
• Tendências terciárias, que são os movimentos que o mercado faz no curto prazo.

Observem que no gráfico 1, o preço


do Bitcoin está em uma tendência
de alta primária, desde Março de
2020, respeitando o canal de alta.
TELESCÓPIO CRIPTO 24

Gráfico 1 | Tendência Primária. Fonte: TradingView

No gráfico 2, conseguimos visualizar a tendência secundária do Bitcoin, sendo que o preço


respeita o canal paralelo vermelho, formando a tendência de baixa no médio prazo desde a
máxima histórica em Novembro de 2021.

Gráfico 2 | Tendência Secundária. Fonte: TradingView

Já no gráfico 3, visualizamos a tendência terciária que o Bitcoin está no curto prazo, respei-
tando o canal de alta marcado com a linha verde.

Gráfico 3 | Tendência Terciária. Fonte: TradingView


Um olhar técnico sobre o bear market 25

Concluímos que segundo esse conceito da teoria de Dow, o Bitcoin ainda está em uma tendên-
cia de alta no longo prazo (Gráfico 1), em tendência de baixa no médio prazo (gráfico 2) e em
tendência de alta no curto prazo e curtíssimo (gráfico 3).

O volume acompanha a tendência

Nesse ponto da teoria de Dow, ele aponta uma indicação que o indicador de volume fornece,
dizendo que o volume da sinal referente a mudança da tendência em vigência. Claro, sabe-
mos que para uma tendência mudar, precisa existir uma agressão para o lado oposto, sendo
que se o preço está subindo, precisa ter um grande volume de venda e o mesmo conceito
serve para a mudança da tendência de baixa para uma de alta. Dow conclui que para revert-
er a tendência é necessário um volume que confirme isso.

Observem que no gráfico abaixo, separamos dentro das elipses vermelhas as tendências de
baixa, sendo que as elipses verdes são as tendências de alta.

Notem que quando o Bitcoin saiu da tendência de baixa no final de 2015, começo de 2016, o
volume sinalizou a reversão com um grande volume comprador. Essa tendência começou
no final de 2015 e só acabou em janeiro de 2018, em que mais uma vez o volume sinalizou
uma agressão vendedora e a partir daí, a tendência de baixa começou. Analisando o gráfico
abaixo, em todas as mudanças de tendência o volume sinalizou a mudança.

Fonte: TradingView

Já no gráfico abaixo estamos vendo o último movimento do Bitcoin que teve início em Março
de 2020. Sendo que o aumento expressivo no volume apontado pela elipse vermelha não
gerou a reversão da tendência de longo prazo, apenas uma correção de curto prazo e na se-
quência o preço renovou a sua máxima história.

Com isso, fica claro que não houve uma sinalização agressiva do volume quanto à reversão
da tendência de alta do longo prazo atual.
TELESCÓPIO CRIPTO 26

Fonte: TradingView

A tendência segue até ser substituída por uma oposta

Esse conceito é praticamente autoexplicativo, a tendência só muda quando a mesma é sub-


stituída por uma diferente, sendo necessário então identificar essa reversão usando as Linhas
de Tendência de Alta (LTAs) e Linhas de Tendência de Baixa (LTBs).

Fonte: TradingView

Podemos observar através do gráfico acima que usando esse conceito como referência, a
tendência ainda não mudou, pois não foi substituída por uma oposta, com isso a tendência
vigente ainda é de alta.

Aplicando os principais conceitos das Teorias de Charles Dow, identificamos que o preço re-
speita todos. Com isso, podemos considerar através desses fundamentos que a estrutura de
alta continua sendo respeitada no longo prazo.

Médias móveis e seus cruzamentos: O que elas nos apontam?


Um olhar técnico sobre o bear market 27

Aplicamos as médias exponenciais no gráfico do Bitcoin na corretora Bitfinex e identifi-


camos um comportamento interessante levando em consideração as médias de 9 e 21 perío-
dos no gráfico semanal, são médias rápidas em um tempo gráfico de médio e longo prazo.
Essa junção tem o poder de antecipar uma reversão de tendência já que as médias são ras-
treadoras de tendência e sendo exponenciais faz com que o preço fique mais perto delas.

Fonte: TradingView

No gráfico acima, circulamos as tendências de alta com elipses azuis e a tendência de baixa
com elipses laranja, sendo que o atual momento do mercado está marcado com a elipse em
Branco.

Notem que na primeira tendência de alta consistente do Bitcoin em 2013, o preço respeitou
as médias de 9p e 21p como suporte e quando perdeu as mesmas em Fevereiro de 2014, a
tendência de alta foi revertida para a de baixa que durou até outubro de 2015. Nessa primei-
ra tendência de baixa (elipse laranja), o preço ficou respeitando as médias de 9p e 21p como
resistência, fazendo o movimento oposto da tendência de alta.

Mais uma vez em Outubro de 2015, o preço conseguiu romper essas médias e a de 9p cruzou
acima da média de 21p, com isso, a tendência de alta começou e levou o preço a famosa máx-
ima histórica de 2017. Sendo que nesse ciclo de alta em 2017, as médias ficaram servindo
como suporte para o preço, até que em Janeiro de 2018 o preço do Bitcoin perdeu as médias
e a de 9p cruzou abaixo da de 21, e com isso, começou a tendência de baixa do Bitcoin que
durou de 2018 até Fevereiro de 2019.

Depois do rompimento das médias e cruzamento em Fevereiro de 2019, começou uma tendên-
cia de alta com o preço respeitando o padrão e assim permaneceu em todos os movimentos
de alta e baixa no gráfico semanal, até mesmo nessa última pernada do mercado cripto que
levou a uma nova máxima histórica.

No momento atual de mercado, destacado no gráfico com a elipse branca, estamos vendo o
preço do Bitcoin abaixo desse suporte da tendência de alta, abaixo das médias de 9 e 21p no
TELESCÓPIO CRIPTO 28

gráfico semanal e o preço sentindo essa média como resistência, porém, não faz muito tem-
po que perdeu esse suporte.

Entendemos que se no curto prazo o Bitcoin não romper essa resistência e a média de 9p
não cruzar novamente acima da de 21p, poderia estar iniciando uma tendência de baixa
mais acentuada e isso seria o Bear Market.

Fonte: TradingView

No gráfico acima visualizamos o último movimento de alta do Bitcoin (elipse azul), observem
que entre 17 de maio e 19 de julho de 2021 o preço perdeu as médias e também houve o cru-
zamento, mas logo na sequência rompeu essa resistência e as médias descruzaram (elipse
verde).

Analisando essa métrica, concluímos que para o Bitcoin se livrar de correções mais acen-
tuadas e voltar para a sua estrutura de alta do médio prazo e continuar seu movimento de
alta do longo prazo, é necessário que o preço consiga romper a região de resistência das
médias que marcamos com a linha vermelha, atualmente no nível dos $46.200, fazendo um
movimento semelhante ao do ano passado, apontado pela elipse verde.

ANÁLISE TÉCNICA MODERNA E COMPARAÇÃO DE CICLOS:


O que a teoria de Elliott pode nos apontar sobre o Bitcoin?

Ralph Nelson Elliott também considerava que o mercado se movia em ondas, assemelhando
seu trabalho com a teoria de Dow. Porém, a teoria de Elliot possui alguns pontos diferentes,
como os fractais e a contagem das ondas usando as retrações e projeções de Fibonacci.

Elliott utilizava da contagem de ondas para chegar a um padrão, considerando que o merca-
Um olhar técnico sobre o bear market 29

do se move respeitando ciclos. Dessa forma, uma tendência possui ondas de impulso, cham-
adas de ondas 1, 2, 3, 4 e 5, e ondas de correção, em que o preço respeita o padrão conhecido
como A, B, C. A teoria de Elliott usa das retrações e projeções de Fibonacci para medir essas
ondas. A Teoria de Elliott usa uma regra para cada uma delas.

Aplicamos o conceito de Elliott no gráfico abaixo, considerando apenas o longo prazo e não
os fractais nos tempos gráficos menores.

Fonte: TradingView

Agora vamos esmiuçar cada onda de Elliott medindo com as retrações e projeções de Fibo-
nacci para ajustar e entender as ondas.

Fonte: TradingView

No gráfico acima, visualizamos a onda 1 de Elliott, 2 e 3, sendo que os conceitos dizem que
a onda 2 é capaz de reverter quase 100% da onda 1, mas não se posicionando abaixo do seu
nível de partida. Geralmente, ela apresenta 60% da primeira onda. Notem que a onda dois
que durou de Dezembro de 2013 até agosto de 2015, respeitou bem esse padrão.

Na sequência podemos projetar a onda 3, que é a mais forte do ciclo de Elliott. Nela o preço
TELESCÓPIO CRIPTO 30

faz uma forte valorização devido ao otimismo do mercado. A onda 3 não pode ser a mais
curta. Seu movimento deve superar a onda 1 em, pelo menos, 1,618 vezes.

No gráfico abaixo identificamos que entre Agosto de 2015 e Junho de 2017, o Bitcoin fez uma
pernada de alta respeitando todos os conceitos da onda três de Elliott.

Fonte: TradingView

Para finalizar esse ciclo de alta que levou o Bitcoin perto dos $20.000 na famosa alta históri-
ca de 2017, vamos entender os conceitos dessas ondas:

• A quarta onda pode ser difícil de ser identificada, sua correção é rápida e não costuma ser
acentuada, geralmente corrige 38% da onda 3.

• A onda 5 geralmente é acompanhada por divergências no volume e outros indicadores. O


tamanho sugerido por Elliott é igual ao da primeira onda.

• Se a onda 5 não superar a máxima da terceira, podemos considerar que houve uma falha

no ciclo de Elliott, sendo que essa falha geralmente aponta a reversão da tendência, ini-
ciando o padrão de correção A, B, C.

Fonte: TradingView
Um olhar técnico sobre o bear market 31

No gráfico acima identificamos que a onda 4, respeitou exatamente na retração de 38% e a


onda cinco tem um tamanho parecido com a primeira e começou a indicar reversão com
a formação de volumes spikes, marcados com a elipse verde, sendo essa uma indicação de
perda de força do movimento que antecede.

No gráfico abaixo conseguimos identificar o padrão de correção A, B, C conceituado por Elli-


ott entre Janeiro de 2018 e o começo de 2019, que foi justamente o último inverno cripto.

Fonte: TradingView

A partir da reversão da tendência de baixa de longo prazo com o fim do padrão A, B, C, iden-
tificamos o início do atual ciclo de alta de longo prazo, sendo que a onda 1, que teve início em
Dezembro de 2018 e foi i até Julho de 2019, onde começou a correção da onda 2, respeitando
os conceitos mencionamos de Elliott.

Fonte: TradingView

Com o fim da onda 2 em março de 2020, começou a onda 3 que levou o preço do Bitcoin até
a atual máxima histórica, respeitando mais uma vez as projeções de Fibo. Confira no gráfico
abaixo:
TELESCÓPIO CRIPTO 32

Fonte: TradingView

Notem que essa última onda 3, respeitou o tamanho sugerido por Elliott, sendo que atual-
mente estamos vivenciando uma onda 4, que vem da máxima histórica.

Para esse padrão de Elliot não ser desconfigurado no atual ciclo, é necessário que o Bitcoin
não caia abaixo do fundo da onda quatro e consiga romper a sua máxima histórica na onda
5, se isso acontecer podemos replicar a onda um, e o Bitcoin pode buscar os $140.000.00 que
está entre a projeção de 0.5% e 0.618%, confira no gráfico abaixo:

Fonte: TradingView

Sendo assim, consideramos que o Bitcoin só estaria entrando em um Bear Market, o fa-
moso inverno cripto, se perder o fundo da onda 4 que está em $28.000 e $32.000. Com isso,
estaria desconfigurando o padrão de Elliott e a onda cinco seria falhada não superando a
onda 3 que é a máxima histórica do Bitcoin, e poderíamos na verdade já estar vivenciando
a primeira onda do A, B, C, que estaria levando o preço do Bitcoin de volta para os $20.000.

Confira no gráfico a seguir:


Um olhar técnico sobre o bear market 33

Fonte: TradingView

Aplicando os conceitos de Elliott no gráfico de longo prazo do Bitcoin, concluímos que a es-
perança para a continuação da atual tendência de alta de longo prazo é o Bitcoin manter o
suporte da mínima de 2021, mantendo a onda quatro e depois romper a tendência de baixa
de médio prazo que vem desde a máxima histórica, e com isso fazer o rompimento da região
das médias que mencionamos no conceito anterior referente às médias exponenciais.
Confira no gráfico abaixo:

Fonte: TradingView

Com o rompimento dessa resistência, o padrão de Elliott não se torna inválido e ainda teríamos
a onda 5 para depois ver uma correção ABC, como ilustra o gráfico abaixo:
TELESCÓPIO CRIPTO 34

Fonte: TradingView

Notem que até agora conseguimos encontrar uma correlação muito forte entre as teorias
de Dow, médias e Elliot. Elas apontam que o Bitcoin ainda está em tendência de alta no lon-
go prazo.

TEORIA DE WYCKOFF: É acumulação ou distribuição?

O Método de Wyckoff foi desenvolvido por Richard Wyckoff no início da década de 1930 e
tem como objetivo acabar com as decisões emocionais e substituí-las pela leitura do com-
portamento do preço, deixando a análise técnica mais racional.

O conceito da acumulação e distribuição é um dos seus conceitos mais conhecidos no mer-


cado e mais utilizado pelos investidores. No gráfico abaixo aplicamos o diagrama de acumu-
lação de Wyckoff para descobrir se o Bitcoin está acumulando.

Fonte: TradingView
Um olhar técnico sobre o bear market 35

Notem que se o Bitcoin estiver acumulando para depois romper a máxima histórica con-
tinuando a tendência de alta, ainda vamos ver um falso rompimento da mínima de 2021,
para depois reverter a tendência de baixa que vem desde a máxima histórica. Na sequência
o preço precisa romper a máxima histórica e não cair mais abaixo dela (conforme ilustra a
linha roxa). Se isso acontecer, teremos a confirmação que não foi um inverno cripto e sim
apenas uma acumulação de médio prazo respeitando o padrão de Wyckoff.

Porém, esse mesmo período gráfico onde conseguimos aplicar o diagrama de acumulação,
é possível aplicar o de distribuição, confira no gráfico abaixo:

Fonte: TradingView

Nessa mesma formação de topo que vem desde 2021 também visualizamos uma possível
formação de distribuição. Possível pois o padrão ainda está em formação e não sabemos
qual vai formar.

Mas para ser uma distribuição, o Bitcoin não pode romper a tendência de baixa que vem
desde a máxima e depois perder o suporte da mínima de 2021, e não conseguir mais romper
essa região, fazendo a confirmação de rompimento conforme ilustra a linha roxa.

Concluímos que o preço vem formando o diagrama de Wyckoff no nível da máxima históri-
ca, no atual topo do mercado. Sendo que se houver um falso rompimento do suporte dos
$28.000 a $32.000 e depois romper o topo, romper a máxima, veremos um padrão de acumu-
lação gerando confluência com as ondas de Elliot e estaria iniciando a onda 5 do ciclo de
alta.

Por outro lado, se perder o suporte mencionado anteriormente, o padrão de Wyckoff vai es-
tar sinalizando distribuição e com isso veremos um tendência de baixa acentuada e o can-
celamento da onda 5 de Elliot. Com isso estaria começando a onda C da correção A, B, C que
mencionamos anteriormente.
TELESCÓPIO CRIPTO 36

CONCLUSÃO FINAL DA ANÁLISE TÉCNICA:

Notem que existe uma confluência muito forte entre as regiões de suporte usando as teorias
de Dow, médias, Elliott e Wyckoff. Aplicando esses conceitos, chegamos ao consenso de que
a região dos $28.000 a $32.000 é o último suporte dessa tendência de alta de longo prazo e o
seu rompimento desconfiguraria uma próxima pernada de alta que poderia levar o preço a
uma nova máxima histórica.

Sendo que se perder esse importante nível de suporte, fazendo uma confirmação de rompi-
mento como ilustra o gráfico da distribuição, o Bitcoin deve entrar em Bear Market, o famoso
inverno cripto, podendo testar a região dos 18k e 20k.
37

ANÁLISE
QUANTITATIVA
ENTENDENDO O UNIVERSO
COM A AJUDA DA FÍSICA
Um olhar técnico sobre o bear market 38

ANÁLISE QUANTITATIVA:
ENTENDENDO O UNIVERSO
COM A AJUDA DA FÍSICA

A METODOLOGIA POR TRÁS DOS NÚMEROS

Esta seção estabelece alguns argumentos quantitativos preliminares para justificar a de-
cisão de estar temporariamente de fora do mercado de criptomoedas.

Os argumentos são baseados em técnicas quantitativas baseadas na física. Estas técnicas


fornecem informações a respeito de market timing, ou seja, os momentos exatos em que se
deve entrar ou sair do mercado.

Tais técnicas pertencem ao escopo das técnicas de trading sistematizado, onde são estabe-
lecidas algumas regras para a entrada e saída de algum ou alguns ativos previamente deter-
minados, que, uma vez estabelecidas, são programadas em um computador para realização
de um backtest (BT).

O backtest é uma simulação computacional na qual as séries históricas dos ativos escolhi-
dos para negociação são utilizadas para avaliarmos como as regras estabelecidas teriam se
comportado ao longo do tempo no passado.

De posse dessas informações a respeito das performances obtidas de forma simulada, ajust-
es podem ser feitos nas regras estabelecidas com o objetivo de aumentar a probabilidade de
os resultados reais serem os melhores possíveis, segundo algumas métricas convenientes
de performance tais como os índices de Sharpe e Calmar, da razão de informação (Informa-
tion Ratio, IR), bem como do retorno acumulado e do drawdown máximo (maxDD).

Uma vez que encontramos um ajuste satisfatório das regras, temos mais confiança que a
estratégia possui maior chance de ser lucrativa quando colocada em ação nas negociações
reais subsequentes ao período de análise de backtest.

O que será exposto nas seções subsequentes corresponde aos resultados de BT realizados
para o BITCOIN (par USDT), a primeira e principal criptomoeda existente.

Tais backtests foram realizados utilizando-se uma metodologia proprietária criada pelos
analistas da criptomaníacos e portanto não será encontrada em nenhum outro lugar. Nas
seções abaixo serão expostos alguns dos princípios fundamentais dessas regras.
TELESCÓPIO CRIPTO 39

BACKTEST E DIRECIONAMENTO QUANTITATIVO

Nesta seção apresentaremos os resultados dos backtests para a criptomoeda analisada, BTC,
no par USDT. Os períodos da análise como visualizados nos gráficos a seguir correspondem
a aproximadamente 11 meses, começando no início de março de 2021 até o dia 31 de janeiro
de 2022.

Na fig.1 vemos o resultado do BT para o BTC/USDT ao utilizarmos uma estratégia proprietária


da Criptomaníacos. Na curva azul temos o gráfico do preço normalizado do BTC consideran-
do o valor inicial de 1 USDT no início de março de 2021. Vemos que quem investiu esse valor,
acumulou resultado negativo de aproximadamente 32%, finalizando o período com cerca de
0.68 USDT.

Por outro lado, a curva laranja indica que teríamos obtido uma rentabilidade de mais de 60%
no período utilizando as regras desenvolvidas. Também evidenciamos o fato importante de
que desde o início de novembro de 2021 as regras indicam para não estarmos comprados
em BTC, como mostra o platô na curva laranja, o que corresponde ao período de tendência
de baixa prolongada do BTC.

Figura 1

Na fig.2 estão apresentadas as métricas de performance para o BT bem como para o BTC.
Vemos que a razão de informação (Information Ratio, IR), a taxa de crescimento anual com-
posta (CAGR na sigla em inglês), o índice de CALMAR e o drawdown máximo (maxDD) estão
apresentados.
Um olhar técnico sobre o bear market 40

Quanto maiores forem a IR, o CAGR e o


CALMAR, melhor é a performance do ati-
vo ou da estratégia. Quanto maior for o
drawdown máximo, pior é o resultado.
Figura 2

Observamos que a estratégia possui um drawdown máximo de mais de 8 vezes menor que
o BTC. A fig.3 mostra três curvas:

• A azul, que é a própria curva de preços (fora de escala) do BTC;


• O fator velocidade Fv na cor preta;
• O fator aceleração Fa na cor laranja.

Figura 3

A regra para entrar comprando BTC é muito simples: sempre que a velocidade for maior
que zero, que na figura representa-se na cor azul claro debaixo da curva preta, é para estar
comprado.

Se coincidir da aceleração também ser maior que zero, o sinal é mais forte e a convicção
fica maior. O BT mostrado na fig.1 é o resultado de testar essa regra: entrar comprado no
BTC sempre que a velocidade do preço for positiva. Caso contrário, sair da posição

APÊNDICE

Algumas definições a respeito das métricas de performance utilizadas neste texto:


TELESCÓPIO CRIPTO 41

• A razão de informação (Information Ratio, IR) é simplesmente a média anualizada dos re-
tornos dividida pelo desvio padrão anualizado dos retornos.

• Um drawdown é um declínio desde o pico até o vale durante um período específico para
um investimento. Um drawdown geralmente é cotado como a porcentagem entre o pico
e o vale subsequente. Se uma conta tiver US$ 10.000 e esse valor cair para US$ 9.000 antes
de voltar acima de US$ 10.000, a conta testemunhou um drawdown de 10%.

• O índice de Calmar é análogo à IR, porém com o drawdown máximo no lugar do desvio
padrão.

CONCLUSÃO DA ANÁLISE QUANTITATIVA

A figura mais importante desta seção é certamente a última. Nela, observa-se que a veloci-
dade está significativamente abaixo do zero, o que significa que provavelmente devemos
ficar de fora do mercado de Bitcoins por uma quantidade significativa de dias. Se consid-
erarmos que o Bitcoin é a principal criptomoeda e que a sua correlação com as demais crip-
tomoedas tende a ser elevada, podemos, a grosso modo, inferir que devemos estar ausentes
do mercado como um todo.

Por outro lado, observamos também que a aceleração acabou de entrar no terreno positivo,
o que significa que a velocidade está em tendência de alta. Se esta tendência de alta da vel-
ocidade permanecer, poderemos ver um sinal de entrada nas próximas semanas, depois de
alguns meses fora do mercado, como mostra a última onda vermelha no gráfico.
Um olhar técnico sobre o bear market 42

CONCLUSÃO
O atual momento do mercado aponta para uma situação limítrofe, o que explica a sensação
de indecisão geral.

Por diversos momentos deste relatório vimos uma mesma região sendo destacada - $28.000
a $32.000 - como uma linha que separa um mercado de alta (Bull Market) de uma mercado
de baixa (Bear Market). Em outros momentos, especialmente em nossa Análise Quantita-
tiva, vimos os números sugerindo distância do mercado cripto, mas com uma aceleração
crescente, o que pode reverter o atual cenário negativo.

Não se chega à Lua sem aceitar os altos riscos envolvidos. Somos pioneiros - e assim como
os tripulantes da Apollo 11 - estamos viajando pelo desconhecido e aceitando as dificuldades
para atingirmos um objetivo antes da maioria adormecida. Riscos calculados trazem rec-
ompensas. Ninguém lembra o nome do terceiro homem a pisar na Lua.

Não vemos qualquer problema em mudarmos de postura, caso o Bitcoin (BTC) rompa o suporte
principal - a tal faixa entre $28.000 e $32.000 citada acima - o que provavelmente nos levaria
a um inverno (Bear Market) mais pesado e duradouro.

Oportunidades sempre existirão, desde que saibamos a direção a seguir. Por enquanto apon-
tamos para cima, mas com a consciência de que a linha que mantém nossa posição é tênue,
com indicadores divergentes e o suporte final logo abaixo. Esperamos voltar no fechamento
de Fevereiro, quando lançaremos a próxima Edição do nosso relatório, com indicadores que
reforcem nossa tese. Até lá, enquanto passamos por uma região de turbulência, apertem os
cintos.

Nos vemos em breve!


TELESCÓPIO CRIPTO 43

REFERÊNCIAS
Lisboa, Alveni. Facebook e Instagram podem ter ferramenta para criar, exibir e vender NFTs
. Canal Tech, 20 Jan. 2022. Disponível em:
<https://canaltech.com.br/criptomoedas/facebook-e-instagram-podem-ter-ferramenta-pa-
ra-criar-exibir-e-vender-nfts-207120/> Acesso em: 01 Fev. 2022.

Nambiampurath, Rahul. Fed Chairman Powell: No Crypto Ban, but Regulation Necessary.
Yahoo!Finance, 01 Out. 2021. Disponível em:
<https://finance.yahoo.com/news/fed-chairman-powell-no-crypto-061912384.html>
Acesso em: 01 Fev. 2022.

Handagama, Sandali. Europe’s MiCA Crypto Rules Are Coming Soon. Here’s Why They Mat-
ter. CoinDesk, 02 Nov 2021. Disponível em:
<https://www.coindesk.com/policy/2021/11/02/unpacking-europes-looming-mica-cryp-
to-regulation/> Acesso em: 01 Fev. 2022.

Bloomberg. Putin quer regular mineração de criptomoedas, contrariando o banco central da


Rússia. O Globo, 27 Jan. 2022. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com/economia/putin-quer-regular-mineracao-de-criptomoedas-con-
trariando-banco-central-da-russia-25370297> Acesso em: 01 Fev. 2022.

Outlook Money Team. Know About Countries Introducing Bill To Make Bitcoin A Legal Ten-
der. Outlook, 29 Jan. 2022. Disponível em:
<https://www.outlookindia.com/business/know-about-countries-introducing-bill-to-
make-bitcoin-a-legal-tender--news-50207> Acesso em: 01 Fev. 2022.

Checkmate, Glassnode. Sizing Up a Bitcoin Bear. Glassnode Insights, 24 Jan. 2022.


Disponível em: <https://insights.glassnode.com/the-week-onchain-week-04-2022/>
Acesso em: 01 Fev. 2022.
Um olhar técnico sobre o bear market 44

AUTORES
Guilherme Rennó Matheus Parizotto
Fundador e CEO Analista de mercado e
portfolio manager

Bruno Prazeres Renato Santos, PhD


Analista técnico Analista quantitativo

DISCLAIMER

O conteúdo deste relatório reflete exclusivamente a opinião pessoal dos autores que o sub-
screvem, de maneira independente e sem nenhum direcionamento ou imposição sobre as
conclusões apresentadas.

Este relatório tem mero caráter informativo e educacional, não servindo de recomendação
de compra ou venda para nenhum ativo.

As informações utilizadas na confecção deste relatório são públicas. Não se oferece nenhu-
ma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confia-
bilidade ou exatidão dessas informações.

Os desempenhos anteriores apresentados por criptoativos não podem ser considerados


como garantia de retorno futuro.

Qualquer reprodução deste relatório, em trecho ou em sua integralidade, sem a devida


atribuição dos créditos, será ilegal e considerada plágio.
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Janeiro de 2022

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