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Cláudio Monico Innocencio

Logística de Transporte
e Distribuição
APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Logística de Transporte
e Distribuição, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâ-
mico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às)
alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 A LOGÍSTICA.............................................................................................................................................. 7
1.1 Histórico...............................................................................................................................................................................7
1.2 O Conceito de Logística.................................................................................................................................................8
1.3 A Evolução da Logística..................................................................................................................................................9
1.4 A Definição de Logística Empresarial.....................................................................................................................12
1.5 Logística Integrada.......................................................................................................................................................13
1.6 Processos Logísticos.....................................................................................................................................................15
1.7 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................18
1.8 Atividades Propostas....................................................................................................................................................18

2 MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS.............................................................................................. 19
2.1 Atividades Principais da Movimentação ou Manuseio de Materiais.........................................................19
2.2 Movimentação dos Insumos.....................................................................................................................................20
2.3 Movimentação de Produtos Acabados.................................................................................................................21
2.4 Equipamentos e Acessórios para a Movimentação de Materiais................................................................21
2.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................24
2.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................24

3 TRANSPORTES....................................................................................................................................... 25
3.1 Introdução........................................................................................................................................................................25
3.2 Modais...............................................................................................................................................................................26
3.3 Fretes..................................................................................................................................................................................30
3.4 Custo do Veículo no Transporte Rodoviário com Frota Própria...................................................................33
3.5 Processamento de Pedidos (Ciclo de Pedidos)..................................................................................................35
3.6 Dimensionamento da Frota para uma Demanda (Previsão de Vendas) Conhecida............................37
3.7 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................39
3.8 Atividades Propostas....................................................................................................................................................39

4 LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO..................................................................................................... 41
4.1 Introdução........................................................................................................................................................................41
4.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................44
4.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................44

5 SISTEMA DE INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA....................................................................... 45


5.1 Introdução........................................................................................................................................................................45
5.2 Recursos Tecnológicos.................................................................................................................................................47
5.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................51
5.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................52

6 OPERADORES LOGÍSTICOS........................................................................................................... 53
6.1 Terceirização (Outsoursing)........................................................................................................................................53
6.2 Atividades Relevantes dos Operadores Logísticos...........................................................................................54
6.3 Razões para Terceirizar Atividades Logísticas.....................................................................................................57
6.4 Critérios Básicos para a Seleção de um Operador Logístico.........................................................................57
6.5 Formação dos Preços...................................................................................................................................................57
6.6 Formação do Contrato de Terceirização...............................................................................................................58
6.7 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................58
6.8 Atividades Propostas....................................................................................................................................................58

7 LOGÍSTICA REVERSA.......................................................................................................................... 59
7.1 Atividades Típicas do Processo Logístico Reverso............................................................................................59
7.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................64
7.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................64

RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 65


REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 69
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),

O objetivo geral do curso é o de oferecer-lhe subsídios para um estudo abrangente sobre as in-
terfaces que ocorrem na cadeia logística, na qual, para que você tenha resultados satisfatórios, há uma
grande necessidade da sua equalização nesse contexto, navegando pelo mundo logístico através do
entendimento das Logísticas de suprimento, de produção e de distribuição de produtos e/ou serviços.
Esta apostila e a disciplina, como um todo, buscam apresentar uma análise objetiva e clara sobre a
logística, mostrando seu conceito mais exponencial, o de entregar o produto certo, na quantidade certa,
no lugar certo, no tempo e método corretos, com qualidade e com um custo justo; sendo que, para isso,
é preciso utilizar ferramentas, tais como o planejamento, o custo, pessoas, equipamentos, marketing, o
produto, o estoque, veículos etc.
Dentro dessa perspectiva, o conteúdo está organizado de forma a promover uma visão sequencial
de eventos, para a operação logística com melhor valor agregado possível.
Dessa forma, necessitaremos do conhecimento dos processos logísticos, da movimentação de ma-
teriais e seus equipamentos, dos modais de transportes e suas funcionalidades, dos custos de transpor-
tes e suas aplicabilidades, do dimensionamento da frota, dos recursos tecnológicos na otimização de
informações e da dinâmica da Logística Reversa.
Será um prazer acompanhá-lo(a) a essa viagem operacional/gerencial, das soluções disponíveis e
necessárias, proporcionadas pela Logística de Transporte e Distribuição.

Cláudio Monico Innocencio

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1 A LOGÍSTICA

Prezado(a) aluno(a),

Neste capítulo, trataremos de apresentar: a


logística, a sua definição e importância empresa-
rial, ela como atividade operacional na empresa e
exemplos de processos de uma cadeia logística.

1.1 Histórico

Para você entender, o termo ‘logística’ vem ção, suprimento e manutenção de forças militares
do grego logos, que significa “discurso, razão, ra- no terreno. Posteriormente, foi usado para des-
cionalidade”. Considera-se que a logística nasceu crever a gestão do fluxo de materiais numa orga-
da necessidade dos militares em se abastecer nização, desde a matéria-prima até aos produtos
com armamento, munições e rações, enquanto se acabados.
deslocavam da sua base para as posições avança-
das. Os oficiais militares com o título Logistikas
eram responsáveis pelos assuntos financeiros e Saiba mais
de distribuição de suprimentos na Grécia Antiga
O termo ‘logística’ significa também:
e no Império Romano. a) Antigo nome da parte da Álgebra que trata das
Em função disso, o conceito de Logística quatro regras.
b) Lógica matemática; nome dado à lógica moder-
estava essencialmente ligado às operações mili-
na como ciência combinatória.
tares. Ao decidirem avançar suas tropas seguindo Fonte: Dicionário on-line português.
uma determinada estratégia militar, os generais
precisavam ter, sob suas ordens, uma equipe que
providenciasse o deslocamento, na hora certa, de
munição, viveres, equipamentos e socorro médi-
co para o campo de batalha. Por se tratar de um
serviço de apoio, sem o glamour da estratégia bé-
lica e sem o prestígio das batalhas ganhas, os gru-
pos logísticos militares trabalhavam em silêncio,
na retaguarda.
Prezado(a) aluno(a), a palavra logística tam-
bém tem a sua origem no verbo francês loger –
alojar ou acolher –, em função dessa movimenta-

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Figura 1 – Abastecimento das tropas durante a 2ª Guerra Mundial.

Fonte: www.google.com.br/imagens/logisticamilitar

1.2 O Conceito de Logística

Vamos viajar nesse conceito, caro(a) intercâmbio de conceitos e ideias afins, que con-
aluno(a)? tribuam para o desenvolvimento da logística.
É muito importante. Entende-se por logística o conjunto de to-
O conceito de logística nos negócios se de- das as atividades de movimentação e armaze-
senvolveu fortemente na década de 1950, con- nagem necessária, de modo a facilitar o fluxo de
siderado como o período de pós-guerra. Isso foi produtos do ponto de aquisição de matéria-prima
devido principalmente à crescente complexidade até o ponto de consumo final, como também dos
encontrada nos negócios, na gestão de materiais fluxos de informação que colocam os produtos
e entregas de produtos em uma cadeia de supri- em movimento, obtendo níveis de serviço ade-
mentos cada vez mais global. quados aos clientes, a um custo justo para ambas
O Council of Supply Chain Management Pro- as partes.
fessionals (Conselho Profissional de Administra-
ção de Cadeias de Suprimentos – CSCMP) define
a logística como a parte do gerenciamento da
cadeia de abastecimento que planeja programa
e controla o fluxo e armazenamento eficiente e
econômico de matérias-primas, materiais semia-
cabados e produtos acabados; bem como as in-
formações relativas a eles, desde o ponto de ori-
gem até o ponto de consumo, com o propósito
de atender às exigências dos clientes. O CSCMP
é um instituto formado por docentes e profissio-
nais da área, cuja missão é divulgar e promover o

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Figura 2 – Elementos básicos da logística.

Fonte: Novaes (2001).

Todas as atividades envolvidas na movi- serviço, seleção de planta e armazém, compras,


mentação de bens para o lugar certo no momen- embalagem, gestão de bens devolvidos, disposi-
to certo podem ser descritas nos termos gerais de ção de sobras e rejeitos, armazenagem, transpor-
“logística” ou “distribuição”. O ato de supervisionar te e tráfego.
ou gerenciar essa atividade é conhecido como Uma posição em uma empresa pequena
“gestão logística”. Os componentes de um siste- pode envolver todas essas atividades, enquanto o
ma de logística típico são: atendimento ao cliente, trabalho em uma grande corporação pode signi-
previsão da demanda, comunicação da distribui- ficar estar envolvido com uma única ou algumas
ção, controle de inventário, gestão de materiais, poucas áreas (BOWERSOX; CLOSS, 2008). 
processamento de ordens e partes, suporte de

1.3 A Evolução da Logística

Vale a pena, caro(a) aluno(a), atentar-se para ƒƒ A manufatura produz um determinado


essa evolução. produto e o coloca no estoque do de-
Segundo Novaes (2001), a evolução da lo- pósito da fábrica, funcionando como
gística pode ser dividida em quatro fases, sendo repositores de estoques.
elas: ƒƒ Os estoques atuam como um pulmão
entre a manufatura e os depósitos e
Primeira fase: atuação segmentada centros de distribuição.
ƒƒ Consideram-se os estoques em trânsi-
tos (sendo transportados entre pontos
Nesta primeira fase, ocorre:
diversos).

ƒƒ O estoque era o elemento-chave no ba-


lanceamento da cadeia de suprimento.

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Figura 3 – Primeira fase da logística.

Fonte: Novaes (2001).

Segunda fase: integração rígida ƒƒ Novas alternativas de escoamento dos


fluxos logísticos através da multimo-
Nesta fase, ocorre: dalidade no transporte de mercadorias
(combinado de caminhão, trem, navio e
avião).
ƒƒ O marketing inculta nos consumidores
o interesse por produtos mais variados. ƒƒ Racionalização integrada da cadeia lo-
gística de suprimento, através da otimi-
ƒƒ A manufatura se torna mais flexível.
zação de atividades e o planejamento.
ƒƒ Os estoques aumentam ao longo da ca-
deia logística.
ƒƒ Maior racionalização da cadeia de su-
primento, visando a menores custos e
maior eficiência.

Figura 4 – Segunda fase da logística.

Fonte: Novaes (2001).

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Terceira fase: integração flexível ƒƒ Intercâmbio de informações entre ele-


mentos da cadeia de suprimento (EDI –
Nesta fase, ocorre: Intercâmbio Eletrônico de Dados).
ƒƒ Maior preocupação com a satisfação
ƒƒ Integração dinâmica e flexível na em- plena do cliente.
presa. ƒƒ Busca pelas reduções continuadas nos
ƒƒ Integração dinâmica e flexível nas inter- níveis de estoques (estoque zero).
-relações da empresa com seus fornece-
dores e clientes.

Figura 5 – Terceira fase da logística.

Fonte: Novaes (2001).

Quarta fase: integração estratégica (SCM) ƒƒ Surgimento do conceito Suplly Chain


Management (SCM – Gerenciamento
Nesta fase, ocorre: da Cadeia de Suprimento).
ƒƒ Busca a redução de estoques e maior
ƒƒ As empresas participantes da cadeia de qualidade do serviço logístico.
suprimentos passam a buscar soluções ƒƒ Intenso intercâmbio de informações,
novas, usando a Logística para ganhar visando à formação de parcerias entre
competitividade e novos negócios. fornecedores e clientes.

Figura 6 – Quarta fase da logística.

Fonte: Novaes (2001).

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Caro(a) aluno(a), podemos, então, fazer


uma análise cronológica da Logística, através da
Figura 7.

Figura 7 – Evolução da logística.

Fonte: Nogueira (2012).

1.4 A Definição de Logística Empresarial

Por que você acha importante definir a Lo-


gística Empresarial?
A Logística pode ser entendida como a área
da Administração que cuida do transporte e ar-
mazenamento das mercadorias.
Ela abrange um conjunto de planejamento,
operação e controle do fluxo de materiais, merca-
dorias, serviços e principalmente das informações
da empresa, integrando de uma forma racional
as funções sistêmicas, desde suprimentos, pro-
dução, armazenagem até a distribuição, assegu-
rando, dessa forma, as vantagens competitivas
e o nível de serviço na cadeia de distribuição e,
consequentemente, a satisfação dos acionistas e
dos clientes.

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Figura 8 – Escopo da logística empresarial.

Fonte: Ballou (1993).

1.5 Logística Integrada

Assim como você entendeu e participou da para frequentar o ambiente das disciplinas estra-
definição da Logística Empresarial, será construti- tégicas das organizações.
vo entender a Logística Integrada. Fleury, Wanke e Figueiredo (2000) também
O sucesso no mercado depende da lideran- descrevem como sendo uma mudança de conjun-
ça em custos, ou da diferenciação, ou uma combi- tura econômica e tecnológica o grande estopim
nação das duas. A fabricação e o marketing com- para a mudança de posicionamento da logística
pletam a chave para essa realização. nas organizações. Destacam-se no cenário econô-
Para tornar um líder em custos, é necessário mico cinco fatores como chaves nesse processo:
produção a baixo custo (enxuta), e sistemas efi-
cientes de marketing e distribuição. 1. A globalização como fator de acesso a
Combinar a liderança em custos e diferen- novos mercados, em novos locais, com
ciação através de estratégias paralelas de marke- complexidades logísticas distintas;
ting e fabricação deve ser o objetivo final de qual- 2. Aumento das incertezas econômicas,
quer organização que visa a obter lucratividade pois, dada a maior amplitude do co-
constante por longo prazo. mércio e transações entre as várias
O grande motivador para tornar a adminis- nações do globo, crises locais podem
tração de logística integrada está no potencial espalhar-se muito rapidamente;
de racionalização dos custos das operações e/ou 3. Proliferação de produtos como respos-
do potencial de melhoria do serviço, provocado ta à demanda cada vez mais especiali-
por essa transformação. Essa afirmação de Bal- zada que agrega complexidade na dis-
lou (1993) é que promove a ascensão da logística tribuição, nos suprimentos, na gestão

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dos armazéns, potencializando a eleva- Porém, garantir o melhor para um elo espe-
ção dos custos; cífico da cadeia poderia não garantir a eficácia de
4. Menores ciclos de vida dos produtos, uma cadeia inteira, pois um processo logístico (Fi-
pois, dado o constante surgimento de gura 9) bem estruturado em um elo não garante
novos produtos, há uma tendência a que nos elos anteriores ou posteriores tenha havi-
abandonar o antigo. Assim, a indústria do uma busca por eficácia. E partindo do mesmo
e a logística passam a ter de conviver conceito de que o ótimo local não garante o óti-
com uma realidade de muita incerteza mo global, passa-se a entender que a integração
no momento de definir os estoques, entre os elos da cadeia é o que pode permitir a
políticas de ressuprimento de maté- construção da eficiência e eficácia globais. Afir-
rias-primas, entre outros compromis- ma-se que está aí o conceito do Gerenciamento
sos que podem gerar grandes estoques da Cadeia de Suprimentos.
de produtos e insumos obsoletos.

De fato, o mercado criou o contexto no qual


a logística passou a assumir o papel de integra-
dora das atividades em um elo da cadeia, partin-
do de ótimos locais para o conceito de um ótimo
global (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000).

Figura 9 – Processo logístico interno.

Fonte: Rodrigues (2000).

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Para o CSCMP (2007), o Supply Chain Mana- mente explicado pelo fato de a origem do SCM ser
gement (SCM) abrange o planejamento e o ge- multidisciplinar, tendo, certamente, mais de uma
renciamento de todas as atividades envolvidas na origem. Isso significa considerar que o SCM é um
busca e suprimento, conversão, de todo o geren- ponto de convergência no ambiente empresarial,
ciamento das atividades logísticas. para a expansão de várias áreas tradicionais, se-
Também inclui a coordenação e a colabora- gundo Pires (2004).
ção com os parceiros dos canais de suprimentos, Resumidamente, partir das funções ele-
intermediários, prestadores de serviços logísticos mentares da logística e convergir para um mo-
e clientes. Na essência, gerenciamento da cadeia delo de gestão mais agregado tem sido uma ten-
de suprimentos integra o gerenciamento do su- dência no SCM.
primento e da demanda dentro e através das em- Segundo Pires (2004), as empresas deverão
presas. sair de seus silos funcionais e pensar nos seus ne-
Notoriamente, quando se aborda o tema gócios-chave.
SCM não se espera que exista uma única defini-
ção. Esse conjunto de definições pode ser parcial-

Figura 10 – Supply Chain Management.

Fonte: Rodrigues (2000).

1.6 Processos Logísticos

É importante você saber que, segundo Bal- tos e serviços para geri-las de forma relacionada
lou (1994), a administração eficaz da logística é uma evolução da gestão administrativa. Atual-
complementa o esforço de marketing da empre- mente, as empresas buscam as atividades logísti-
sa, proporcionando um direcionamento eficaz do cas como uma etapa de seus negócios, provendo
produto ao cliente e colocando o produto no lu- seus clientes com os bens e serviços que estes
gar certo e no momento certo. Assim, a logística buscam. Dessa forma, a logística tem atualmen-
representa um ponto de apoio na satisfação dos te um papel de frente na busca e manutenção da
clientes da empresa e no lucro da empresa, levan- competitividade organizacional.
do a uma vantagem no mercado. Quando se fala em serviços logísticos, fala-
Analisando o papel da logística, Ballou -se sincronia beirando a perfeição, ter contingên-
(1993) apresenta que a base da logística de englo- cia, para que a logística e seus processos, com a
bar as atividades relacionadas ao fluxo de produ- preocupação no sucesso dos departamentos en-

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volvidos na utilização e disposição do recurso e


no pronto atendimento nos processos internos e Dicionário
externos, possibilitem que as empresas tenham
Stakeholder: em português, parte interessada ou
redução de gastos e/ou custos logísticos. Para interveniente.
que isso ocorra deve-se ter uma visão sistêmica Todos os envolvidos em um processo, que pode
com direcionamento dos esforços em serviços, ser de caráter temporário (como um projeto) ou
duradouro (como o negócio de uma empresa ou a
qualidade e tecnologia e na mão de obra, visando missão de uma organização).
à criação e ao desenvolvimento. Isso porque, para
Fonte: Dicionário on-line inglês/Wikipédia.
que as empresas consigam atingir seu objetivo e
serem eficientes e comprovarem a sua existência,
elas devem disponibilizar recursos, bens, no tem-
O acompanhamento direto de todo o pro-
po, medida, quantidade e custo justo.
cesso logístico na empresa representa a ligação
Você deve avaliar e conhecer as principais estreita com os interesses do cliente, e este é um
atividades da logística e deixá-las num alinha- dos objetivos da estratégia logística citados por
mento estratégico e operacional, em que todos Ballou (1993). O autor afirma que uma estratégia
os envolvidos saibam o que estão fazendo, não só logística é criada visando a três objetivos: (1) re-
se preocupando com sua tarefa, mas sim com a dução de custos, (2) redução de capital e (3) me-
tarefa anterior e seguinte; ou seja, pensando na lhorias no serviço.
organização como um todo e relacionando os
Além dos três objetivos citados por Ballou
setores de suprimentos, produção, embalagem,
(1993), a busca pela gestão de qualidade nas em-
armazenamento e estoque, distribuição, trans-
presas está tendo participação decisiva da logísti-
portes, serviço ao cliente, recursos humanos e o
ca. Nota-se isso pelas atividades ligadas ao fluxo
planejamento integrado e controlado sob o foco
do pedido que, quando reorganizadas, garante
da tecnologia da informação, que sem dúvida al-
um gerenciamento logístico integrado. Tendo em
guma é uma ferramenta de apoio importantíssi-
vista a abrangência dessas atividades, a definição
ma no processo. Esse serviço tem que ser estru-
de estratégias logísticas, para melhorar o geren-
turado por pessoas que conheçam e dominem
ciamento do processo, proporciona melhorias em
seus processos. Esse alinhamento deve equilibrar
grande parte dos processos internos, indo ao en-
a eficiência e a eficácia para criar valor e também
contro das estratégias da empresa.
tornar o projeto sustentável com o envolvimento
A Figura 11 representa essa integração dos
de todos os stakeholders. Em serviços devemos
processos logísticos.
analisar as necessidades, informações e depois
avaliar esses processos para uma tomada de de-
cisão, realizando procedimentos de uma maneira
melhor que nossos concorrentes, resultando em
qualidade, custos baixos, tempo e flexibilidade na
entrega de resultados dos processos realizados
e/ou produtos dentro de prazos estipulados; o
que acarreta confiança nas atividades de suporte
e apoio, dentro de uma integração dos canais de
distribuição, relacionamento, políticas. Tudo isso
para ter uma vantagem comparativa e competiti-
va nos serviços realizados, pois um bom trabalho
e os serviços têm uma importância nas operações
para a transformação de processos em resultados
preestabelecidos nas estratégias logísticas, que
têm que ser bem alinhadas.

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Figura 11 – Integração dos processos logísticos.

Fonte: Adaptado de Rogers, Tibben e Lembke (1999).

Prezado(a) aluno(a), na atualidade e num -se, portanto, implementar o Ciclo PDCA (Plan,
mundo globalizado, as perspectivas gerenciais Do, Check, Action), para a melhoria do sistema e
têm que enfrentar a competitividade com co- do método de trabalho a ser estabelecido, onde a
nhecimentos e habilidades tanto nas atividades qualidade pode ser definida como conformidade
internas quanto externas, devendo ter resultados às exigências, realizar e fazer o certo, adequação
satisfatórios; sendo que os processos logísticos, ao uso.
além de resultados, devem ter qualidade, traba- No que aponta as tendências atuais, a Lo-
lhar com excelência, adequar-se ao propósito, eli- gística deve ser encarada e investida para as ex-
minar ou diminuir os erros, ou seja, obter e fazer pectativas dos clientes, redução de custos, orga-
com que a qualidade e o nível de serviço sejam nização interna da empresa, saber trabalhar com
efetivos com requisitos e atendimentos focados produção, operação, processos, demanda, ven-
em resultados positivos bem estruturados, ao das, suprimentos e a tecnologia bem aplicada e
mesmo tempo tendo simplicidade para planejá- direcionada em todos esses setores ou processos
-los, organizar, dirigir e controlar. Dessa forma, ligados com serviços com qualidade e objetivi-
deve-se administrar excedendo as expectativas dade. Tentamos fazer com que os procedimentos
num objetivo estratégico bem estabelecido, para realmente se preocupem com os clientes, inter-
agradarmos aos stakeholders envolvidos. Deve- nos/externos, envolvidos no processo. É um gran-

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de desafio adequar os 4 Ps dos serviços, perfil re- ção, trabalhar sinergicamente, ter uma visão ge-
lacionado com o espaço físico, processo, pessoas, ral da cadeia, em que antes temos que ver se nós
procedimentos, onde na era da qualidade total seríamos nosso próprio cliente, ou seja, se nossos
devemos analisar os processos produtivos. produtos e/ou serviços têm qualidade com uma
Conforme Carvalho e Paladini (2005), anali- equipe motivada, treinada, para melhor proceder
sando os processos, vemos que a melhoria con- e desenvolver um alinhamento na cadeia, como
tínua pode ser considerada a principal atividade também chegamos a melhor desempenho ope-
apresentada nos processos e podemos assegurar racional, concentrando-se no atendimento às
que esses processos estejam em constante atua- exigências de todos os stakeholders envolvidos,
lização. adequando os processos predeterminados pe-
Quando você, caro(a) aluno(a), for, em lo- los serviços para poder apontar nos princípios da
gística, analisar os procedimentos que devem qualidade.
ter qualidade em seus serviços, deve atender às
expectativas e envolver departamentos e setores Atenção
com uma análise de ações tanto internas quanto
externas. Esse planejamento permite à empresa Nos tempos atuais, temos que agregar valor ao
atingir seus objetivos, atendendo às exigências produto ou ao serviço realizado com qualidade
para atendermos e chegarmos a atender às ne-
e solicitações que são características da qualida- cessidades dos clientes.
de, onde o cliente é o foco. Devemos nos guiar e
orientarmos em processos e não em tarefas, gerar
valor, adotar e apostar na tecnologia da informa-

1.7 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, pudemos verificar as definições da logística, suas origens e suas
aplicações no meio corporativo dos negócios.
É muito interessante o entendimento dos processos logísticos e suas integrações e verificar os in-
teresses do consumidor e aplicar a qualidade garantida desde o fornecedor ao cliente, fazendo bons
processos e produtos; ou seja, o melhor planejamento, regularidade e com o mínimo ou nenhum erro.
Por isso, devemos cair de escafandro nos procedimentos de operações para o cliente, em serviços e pro-
cessos.

1.8 Atividades Propostas

1. O que vem a ser Logística Empresarial?

2. Qual é a relação da logística com as ações militares?

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2 MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, trata-


remos de apresentar a movimentação dos mate-
riais, considerando sua entrada e saída, no forma-
to de insumos e de produtos acabados.

2.1 Atividades Principais da Movimentação ou Manuseio de Materiais

Carga e descarga pedidos é normalmente realizada antes do em-


barque da carga no equipamento de transporte.
A primeira e a última das atividades na ca- Além disso, o carregamento exige muitas vezes
deia de eventos de manuseio dos materiais são a esforços adicionais para prevenir danos, como a
carga e a descarga. Quando os produtos chegam amarração e o reforço das embalagens (NOVAES,
a um armazém, precisam ser descarregados do 2007).
equipamento de transporte. Em muitos casos, a
descarga e a remoção para o estoque são realiza- Movimentação para e da estocagem
das em uma única operação. Em outros, elas cons-
tituem dois processos separados, que às vezes ne- Entre os pontos de carga e descarga em
cessitam de equipamento especial. Por exemplo, uma instalação de estocagem, há produtos que
navios são descarregados nos portos com auxílio chegam a ser movimentados diversas vezes ao
de guindastes, e os vagões-tremonha são virados longo de sua permanência. A primeira movimen-
de lado por descarregadores mecânicos. tação é aquela do ponto de descarga para a área
Mesmo quando o equipamento de descar- de estocagem. Depois, a movimentação se dá a
ga não é diferente do equipamento usado para partir do estoque ou da área de separação de pe-
levar os produtos até a estocagem, a descarga didos para a doca de embarque. A utilização da
pode ser tratada como atividade separada, pois área de separação de pedidos na operação de
as mercadorias às vezes são desembarcadas e só manuseio cria um ponto adicional de ligação e
então contadas, inspecionadas e classificadas an- conexão na rede do sistema de estocagem.
tes de serem removidas para áreas de estocagem A atividade real de movimentação pode ser
no armazém. concretizada utilizando-se qualquer número dos
Entenda, caro(a) aluno(a), que a carga é si- diversos tipos de equipamento disponíveis de
milar à descarga; no entanto, o ponto de carga manuseio de materiais. Eles vão desde carrinhos
comporta várias atividades diversas das de des- manuais de carga até sistemas totalmente auto-
carga. Uma verificação final das condições do matizados e computadorizados de empilhamen-
conteúdo do pedido e do sequenciamento dos to e localização de mercadorias estocadas (NO-
VAES, 2007).

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Atendimento dos pedidos ração de pedidos) especialmente destinadas para


quantidades fracionadas. O atendimento dos pe-
O atendimento dos pedidos é a seleção dos didos é muitas vezes a mais delicada das ativida-
estoques das áreas de armazenagem de acordo des de manuseio de materiais, porque lidar com
com as ordens de venda. A seleção dos pedidos pedidos de pequeno volume exige muita mão de
pode ser feita diretamente das áreas de estoca- obra e custa mais do que outras atividades de ma-
gem semipermanente ou de grandes volumes, nuseio de materiais.
ou a partir de áreas (chamadas de áreas de sepa-

2.2 Movimentação dos Insumos

O setor de movimentação de materiais tem Os equipamentos de movimentação e


como atividade fundamental manter a fábrica transportes externos ou internos da fábrica, com
operando sem interrupção nas suas atividades, exceção de automóveis e caminhões, são de res-
com o contínuo e incessante trabalho de movi- ponsabilidade da movimentação de materiais,
mentação e abastecimento de insumos, embala- que deve zelar pela guarda, uso e manutenção.
gens, componentes, produtos gerados e equipa- Esses equipamentos somente devem ser usados
mentos utilizados pela produção. por pessoas habilitadas e autorizadas.
Em algumas empresas essa responsabilida- A requisição e a retirada dos insumos com-
de é atribuída ao almoxarifado. prados para transformação em produtos acaba-
Suas atividades baseiam-se no fluxo de dos devem ser feitas pela produção.
abastecimento de insumos e materiais, que defi-
ne passo a passo as necessidades de cada célula
de produção. Dicionário

O setor de movimentação de materiais é Insumos: elemento ou conjunto de elementos


responsável pelo abastecimento e movimenta- que entra na produção de bens ou serviços.
ção de todo e qualquer produto, insumo, máqui- Fonte: Dicionário on-line português.
na, equipamento, ferramenta e embalagem que
possa ser utilizado na fábrica. No caso específico
de movimentação de equipamentos especiais O almoxarifado, por meio das informações
que requeiram máquinas e pessoal especializado, contidas nas ordens de produção ou autorizações
feito por terceiros, cabe ao setor de movimenta- de fabricação recebidas da Programação e Con-
ção de materiais a responsabilidade de coordenar trole da Produção (PCP), separa os materiais e os
esse trabalho a fim de evitar a paralisação da pro- coloca na área de segregação predeterminada,
dução. devidamente identificados.
As embalagens usadas na fábrica devem A movimentação externa de materiais sob
ser identificadas de forma padronizada, devendo controle do almoxarifado abrange, dependendo
constar a tara, o nome do fornecedor quando de do tamanho da empresa, o pátio de ferramentas,
terceiros, a célula em que é utilizada e, no caso de as embalagens, os materiais beneficiados por ter-
embalagens específicas para determinado pro- ceiros, a sucata e o lixo reciclado.
duto, deve constar o código, o nome, a quantida-
de, o peso bruto, o cliente ou fornecedor e o local
de uso.

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Logística de Transporte e Distribuição

Esse trabalho deve ser executado diaria-


mente e o seu controle muito rigoroso para evitar
a possibilidade de descarte de produtos que po-
dem ser reutilizados.
Controlar e movimentar as embalagens do
almoxarifado e de propriedade de terceiros.

2.3 Movimentação de Produtos Acabados

A área de expedição é o local de guarda de Quando se tratar de uma transportadora,


produtos acabados, de materiais de devolução, além das Notas Fiscais, as mercadorias devem ser
enviados para beneficiamento ou para outra ati- acompanhadas dos seguintes documentos: co-
vidade. nhecimento, romaneio e manifesto de carga.
A entrada dos produtos na expedição é fei-
ta através de documento de transferência interna
emitido pelo Planejamento, Programação e Con-
Saiba mais
trole da Produção (PPCP) ou por Nota Fiscal.
Nenhum material (Produto Acabado – PA) A logística de produção (tradução de production
pode entrar na área de expedição sem uma iden- logistics) de uma indústria, também conhecida
como Planejamento, Programação e Controle da
tificação, devendo ter data e lote de fabricação
Produção (PPCP) (SEVERO, 2006), é um segmento
para alimentar o sistema de controle de estoques Saiba mais
da indústria automatizada que trata da gestão e
PEPS (Primeiro que entra, Primeiro que Sai). controle de mão de obra, material e informação
no processo produtivo (FLEXLINK, 2008).
A saída de materiais da expedição somente
Fonte: Wikipédia.
pode ocorrer com a respectiva Nota Fiscal.
O processamento das Notas Fiscais tem a
finalidade de dimensionar a carga de um cami-
nhão ou de outro tipo de carregamento.

2.4 Equipamentos e Acessórios para a Movimentação de Materiais

Para facilitar o transporte de materiais, exis- Paletes ou estrados


tem vários tipos de equipamento e acessório, tais
como os apresentados a seguir.
São tablados de madeira projetados e cons-
truídos para facilitar o acondicionamento e a mo-
Acessórios vimentação de materiais, mediante o emprego
de empilhadeiras e carrinhos hidráulicos.
Existem vários acessórios que podem facili-
tar o trabalho do arrumador na movimentação da
carga no armazém. São eles:

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Figura 12 – Paletes.

Fonte: Paoleschi (2009).

Contêineres Serve para o acondicionamento de volumes


pequenos. Pode ser transportada por carrinho hi-
São caixas de metal com portas que servem dráulico ou empilhadeira. É empilhável.
para o acondicionamento de volumes diversos.
Podem ser de 20’ ou 40’, mas padronizados, Figura 14 – Gaiola.
podendo ser transportados sobre a carroceria ou
encaixados diretamente no chassi do caminhão.
São muito utilizados no transporte intermo-
dal.
Fonte: Paoleschi (2009).

Figura 13 – Contêiner.
Caçamba

Armação de metal, semelhante à gaiola,


fechada dos quatro lados com chapas de metal
ondulado, servindo para acondicionar peças pe-
quenas a granel.
Pode ser transportada por carrinho hidráuli-
co ou empilhadeira. É empilhável.

Fonte: Paoleschi (2009).


Figura 15 – Caçamba.

Gaiola

Armação de metal, semelhante a uma cai-


xa, com altura de 1 m e fechada dos quatro lados
com tela. Fonte: Paoleschi (2009).

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Equipamentos Carrinho para tambor

Carrinho hidráulico Usado para transportar tambores de forma


segura com trava de segurança.
Serve para levantar e transportar cargas
sobre paletes ou estrados. Tem capacidade para Figura 19 – Carrinho para tambor.
transportar até 2.000 kg.

Figura 16 – Carrinho hidráulico.

Fonte: Paoleschi (2009).

Carrinho tartaruga

Fonte: Paoleschi (2009). Para transportar rolos de tapetes ou merca-


dorias volumosas e pesadas, até 1.200 kg.

Carrinho de mão simples


Figura 20 – Carrinho tartaruga.

Transporta fardos, caixas e volumes diver-


sos de até 300 kg.

Figura 17 – Carrinho de mão simples.


Fonte: Paoleschi (2009).

Alavanca com rodas

É usada para levantar cargas pesadas e fazer


pequenos transportes.
Fonte: Paoleschi (2009).
Pode ser utilizada para fazer pequenas ma-
nobras com cargas volumosas e pesadas.
Carro plataforma
Figura 21 – Alavanca com rodas.
Para transportar volumes em geral de até
800 kg.

Figura 18 – Carro plataforma.


Fonte: Paoleschi (2009).

Fonte: Paoleschi (2009).

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Empilhadeira
Atenção
Veículo motorizado para transportar e em- Os equipamentos e acessórios devem ser mui-
pilhar volumes em geral. to bem dimensionados, porém baseados no
Só deve ser operada por pessoa devida- projeto de seu armazém, com relação à altura
e tipos de estrutura escolhida para estocagem
mente habilitada. (racks, porta paletes etc.).

Figura 22 – Empilhadeiras.

Fonte: Paoleschi (2009).

2.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, você pôde acompanhar a movimentação dos materiais dentro de
um armazém, a sua classificação dependendo de seu objetivo ou aplicação e os equipamentos e aces-
sórios utilizados. O manuseio e a armazenagem devem ser otimizados com a utilização de técnicas e
equipamentos que possam provocar redução de custos, aumento da produtividade e maior segurança
nas operações logísticas.

2.6 Atividades Propostas

1. Quais são as atividades principais da movimentação ou manuseio de materiais?

2. Quando se tratar de uma transportadora, a movimentação dos materiais se concentra em quais


possíveis documentos?
a) Requisição de compra e Notas Fiscais.
b) Notas Fiscais e manifestos.
c) Duplicata de contas a pagar e Notas Fiscais.
d) Lista de materiais e insumos.

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3 TRANSPORTES

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, tratare-


mos de apresentar a função do transporte dentro
do processo logístico e suas aplicações operacio-
nais, além do periférico que alimenta essa ope-
ração.

3.1 Introdução

O transporte é uma atividade totalmente e imprevisíveis, tais como: atrasos nas entregas
perceptível na logística, refere-se ao movimento em decorrência do trânsito, quebra de veículos,
de matérias-primas, produtos ou serviços de uma roubos, furtos, janelas de entrega, demoras nas
determinada origem, até um destino final, bem atividades de carregamento e descarregamento;
como as movimentações destes realizadas nas e conferência de materiais, documentos etc.
diferentes instalações existentes em uma cadeia
logística. Geralmente atua em conjunto com as
áreas de marketing, produção e distribuição.
Atenção
Seu principal objetivo é disponibilizar veí-
culos para que os processos de abastecimento e Uma de suas atribuições e responsabilidades é
distribuição ocorram operacionalmente e estra- definir qual é o melhor modal para que o pro-
duto seja enviado ao seu destino final, levando
tegicamente conforme as vendas, necessidades em consideração as características, tipo, peso e
planejadas e preestabelecidas. dimensões dos produtos, prazos, distâncias, efi-
Estrategicamente, essa área tem a missão de ciência, flexibilidade, capacidade de resposta e
os custos envolvidos em cada viagem.
auxiliar e orientar a empresa na decisão de operar
com frota própria ou de terceiros; definição do
tamanho da frota, bem como os tipos de veículo
que farão parte dessa frota; análise e viabilidade
do custo-benefício; renovação da frota; monito-
ração e rastreamento de tal frota, de motoristas,
ajudantes e produtos; e diminuição de custos de-
vido à baixa produtividade, com a conciliação das
viagens de ida com cargas de retorno.
Apesar dos planejamentos e procedimentos
de auditoria, rastreabilidade, roteirização, segu-
rança e controle, essa atividade apresenta proble-
mas operacionais em função de fatores externos

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3.2 Modais

Existem cinco modais de transportes que Ferroviário


uma empresa pode utilizar, para atender às suas
necessidades de movimentação. Como exem- Este tipo de transporte tem um custo baixo,
plos, temos: mas também é lento. Esse modelo está restrito a
localizações que possuam linhas ferroviárias.
Aquaviário

Marítmo Dutoviário

ƒƒ Grande capacidade e longas distâncias. Bastante eficiente, no entanto, está limita-


ƒƒ Cargas em fardos, caixotes, granéis e do a compostos líquidos, gases ou minérios (sal
contêineres. gema).
ƒƒ Transporte internacional.

Fluvial/lacustre

ƒƒ Grande capacidade (superior a 1.100 t).


ƒƒ Cargas, principalmente granéis.
ƒƒ Transporte nacional.

Figura 23 – Dutos de gás.

Fonte: www.logisticadescomplicada.com/logistica-brasileira

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Rodoviários Algumas modalidades de distribuição estão


sendo utilizadas pelas montadoras automobilísti-
Os caminhões são relativamente rápidos e cas e que também interferem nos processos de
flexíveis. Esse tipo de transporte pode chegar a distribuição:
quase todo lugar e região. Porém, o seu custo está
diretamente ligado ao dos combustíveis, bem ƒƒ abastecimento por terceiros diretos da
como ao tipo de piso trafegado (natural, implan- linha de montagem – line-feeding;
tado ou asfaltado). ƒƒ coleta seletiva – milk-run;
Segundo Handabaka, citado por Danesi ƒƒ transbordo direto – cross-docking;
(1998), o transporte rodoviário exibe os menores ƒƒ fornecedores de componentes en-
custos fixos entre todos os modos de transporte tregam nos fabricantes de conjuntos
pelas seguintes razões: maiores, que por sua vez entregam o
sistema completo – sistemitas;
ƒƒ os transportadores rodoviários não são ƒƒ fabricantes de grandes conjuntos ou
proprietários da estrada sobre a qual se sistemas entregam e montam no pro-
movimentam; duto do cliente – moduleiros;
ƒƒ um caminhão constitui-se numa unida- ƒƒ utilização de caixas padronizadas –
de econômica pequena; beans – que são entregues direto da li-
ƒƒ as operações em terminais não exigem nha de montagem.
equipamentos caros.

Figura 24 – Classificação de veículos adotada pelo DNER.

Fonte: Brasil (1998).

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Figura 25 – Tipos de eixo e limites de peso.

Fonte: Brasil (2006).

Aéreo domésticas regulares, (2) linhas exclusivamente


cargueiras, (3) linhas locais, (4) linhas suplemen-
Considerado o mais rápido de todos e tam- tares, (5) táxi aéreo, (6) linhas de alimentação re-
bém o mais caro. Apesar de ter uma grande capa- gional e (7) linhas internacionais (BALLOU,1993).
cidade de reposta nas entregas, o seu uso é restri-
to para algumas cidades e regiões, por nem todas
terem aeroportos.
No modo aéreo existem os serviços regula-
res, contratuais e próprios. O serviço aéreo é ofe-
recido em alguns dos sete tipos: (1) linhas-tronco

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Logística de Transporte e Distribuição

Saiba mais

Estabelecendo relação entre os modais: ferroviário,


hidroviário e rodoviário, temos que os primeiros
valem para cargas específicas e longas distâncias,
Saiba mais
enquanto que o caminhão possui a agilidade e faz
o porta a porta, aspectos ausentes nos outros. Es-
ses aspectos fazem com que o rodoviário não per-
ca espaço significativo no futuro.

Transmodal

Dicionário
O Transporte Multimodal de cargas, regi-
do por um único contrato, utiliza duas ou mais Modal: 1. Modo de ser./ 2. Restrição, modificação,
circunstância.
modalidades de transporte, desde a origem até
o destino, e é executado sob a responsabilidade Fonte: Dicionário on-line português.

única de um Operador de Transporte Multimodal


(OTM).

Figura 26 – Transmodal marítmo.

Fonte: Lambert, Stock e Ellram (1998).

Figura 27 – Transmodal rodoviário.

Fonte: Lambert, Stock e Ellram (1998).

Figura 28 – Transmodal aéreo.

Fonte: Lambert, Stock e Ellram (1998).

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Figura 29 – Panorama de transporte de cargas rodoviárias.

Fonte: AET (2001).

3.3 Fretes

Tipos de frete de destino, reprocessada e entregue no


destinatário.
Caro(a) aluno(a), o contrato de transporte ƒƒ serviço de carga fracionada (LTL),
de mercadorias (frete) pode ser classificado con- com distribuição via terminal de
forme o modal selecionado, as características de trânsito ou consolidação – parecida
contratação da carga e os tipos de serviço agrega- com a operação anterior, porém a car-
do: 1 – por modais: frete marítimo/aéreo/ferro- ga é reprocessada em um ou mais ter-
viário/rodoviário; 2 – quanto à origem/ao desti- minais de trânsito ou de consolidação
no: fretes nacionais/internacionais; e 3 – quanto intermediários, entre o terminal de ori-
às características da contratação e serviços gem e de destino.
(somente fretes rodoviários):
Frete marítimo
ƒƒ serviço de lotação ou carga direta ou,
ainda, carga fechada (FTL) – envolve
O valor do Frete Marítimo é composto pelo
apenas a coleta na porta do embarca-
custo básico de frete e pelas várias taxas ou pe-
dor de um caminhão lotado e a entrega
los percentuais, que são adicionados conforme as
no destinatário.
características da carga e do trajeto. No valor do
ƒƒ serviço de carga fracionada (LTL), dis- frete marítimo básico prevalece a cobrança pela
tribuição local – compreende a coleta relação peso/volume da carga, que é sempre fa-
na origem, o transporte até um terminal vorável ao transportador. Exemplo: um cubo de
da própria cidade ou região e a entrega metal mede 2 m3, mas pesa 4.000 kg, compondo
no destino, dentro de um raio pequeno. o frete a partir do peso, pois é o fator que gera
ƒƒ serviço de carga fracionada (LTL), dis- maior receita para o armador. Nas cargas, cuja re-
tribuição regional – a carga é coleta- lação peso/volume for menor que 1 t/m3, o valor
da, levada para o terminal de origem, do frete será sempre calculado pelo volume. Ao
processada, transferida para o terminal frete marítimo básico são acrescentadas várias

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taxas e sobretaxas por meio de um percentual frete básico prevalece a cobrança por peso da
destinado a cobrir determinados custos, com jus- mercadoria multiplicada pela distância do trajeto.
tificativas diversas para aplicação da cobrança, Exemplo: R$/(telada x quilômetro) ou US$/(telada
como, por exemplo: 1 – Bunker Surcharge (sobre- x quilômetro). O valor do frete rodoviário básico
taxa de combustível): é a taxa aplicada em per- é estabelecido por faixas de distância percorrida,
centual sobre o frete básico, para cobrir custos como, por exemplo:
de combustível durante a viagem; e 2 – Heavy Lift
Charge (taxa para volumes pesados): é cobrada ƒƒ Distribuição/coleta local: envolve a
para embarque, desembarque ou arrumação da coleta na origem, o transporte até um
mercadoria no navio. O Heavy Lift é cobrado pro- terminal da própria cidade ou região ur-
gressivamente e costuma ser aplicado a volumes, bana e a entrega no destino, dentro de
com peso bruto superior a 5.000 kg ou equivalen- um raio pequeno.
te a 5 teladas. ƒƒ Frete de curta distância: ocorre entre
cidades, com distâncias até 400 km.
Frete aéreo ou ferroviário ƒƒ Frete de média distância: ocorre en-
tre cidades, com distâncias entre 400 e
O valor do Frete Aéreo e também do Frete 1.200 km.
Ferroviário é composto pelo custo básico de frete ƒƒ Frete de longa distância: ocorre en-
e pelas taxas ou pelos percentuais adicionados, tre cidades, com distância superior a
conforme as características da carga e do trajeto. 1.200 km. Ao frete básico são acrescen-
No valor do frete básico prevalece a cobrança por tados os custos e as taxas, conforme o
peso da mercadoria multiplicada pela distância aproveitamento do veículo, os serviços,
do trajeto. Exemplo: R$/(telada x quilômetro) ou acessórios, impostos e pedágios.
US$/(telada x quilômetro). Ao frete básico são ƒƒ Serviço de lotação ou carga direta ou,
acrescentadas várias taxas e sobretaxas por meio ainda, carga fechada (FTL) – envolve
de um percentual destinado a cobrir determina- apenas a coleta na porta do embarca-
dos custos, com justificativas diversas para aplica- dor de um caminhão lotado e a entrega
ção da cobrança, como, por exemplo: no destinatário. Os fretes desse tipo de
serviço poderão ainda ser cobrados por
ƒƒ Tempo de permanência da carga no tipo de veículo.
terminal de embarque ou de desem- ƒƒ Frete percentual: o valor é estabele-
barque. cido como um percentual do custo da
ƒƒ Manuseio da mercadoria nos terminais. mercadoria transportada. É bastante
ƒƒ Uso de máquinas (empilhadeiras, guin- comum em contratos de longo prazo.
dastes etc.), para movimentar a carga. ƒƒ Frete peso: o valor é estabelecido com
ƒƒ Prioridade no embarque ou desembar- base no peso da mercadoria e na dis-
que. tância a ser percorrida.

Frete rodoviário

O valor do Frete Rodoviário é composto


pelo custo básico de frete, pelas várias taxas ou
pelos percentuais adicionados, conforme as ca-
racterísticas da carga e do trajeto. No valor do

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Figura 30 – Custos do transporte rodoviário de carga lotação.

Fonte: CNT.

Cada tipo de serviço de transporte rodoviá- Custo do frete rodoviário


rio, destacado abaixo, possui tabela semelhante
ao do frete lotação, porém com valores diferen- Além do valor pelo serviço de transporte
ciados, considerando sempre a faixa de distância pago ao transportador, o custo do frete também
e o veículo utilizado. deve incluir algumas taxas:

ƒƒ Serviço de carga fracionada (LTL), ƒƒ Taxa de ad-valorem: é um percentual


distribuição local – envolve a coleta na calculado sobre o valor declarado na
origem, o transporte até um terminal nota fiscal da mercadoria transportada,
da própria cidade ou região e a entrega geralmente equivale ao seguro da mer-
no destino, dentro de um raio pequeno. cadoria.
ƒƒ Serviço de carga fracionada (LTL), ƒƒ GRIS: taxa de gerenciamento de risco,
distribuição regional – a carga é cole- cobrada sobre o valor da mercadoria
tada, levada para o terminal da origem, transportada, independentemente da
processada, transferida para o terminal distância percorrida.
de destino, reprocessada e entregue no
ƒƒ Impostos e administração: cobrados
destinatário.
sobre o valor do frete pago ao transpor-
ƒƒ Serviço de carga fracionada (LTL), tador.
com distribuição via terminal de
ƒƒ Pedágio: valor cobrado nas estradas
trânsito ou consolidação – a opera-
durante o trajeto.
ção é parecida com a anterior, porém
a carga é reprocessada em um ou mais
terminais de trânsito ou de consolida-
ção intermediários entre o terminal de
origem e de destino

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Exemplo de custo do frete rodoviário Frete: R$ 1,25 x 2.000 = R$ 2.500,00


Ad-valorem = 0,005 x R$ 70.000,00 = R$
Calcule o custo para transportar uma mer- 350,00
cadoria, com o frete contratado para carga fecha- GRIS = 0,001 X R$ 70.000,00 = R$ 70,00
da, em longa distância e peso da mercadoria, com Taxas: R$ 20,00
os seguintes dados: Vale-pedágio: R$ 65,00
Custo total: R$ 3.005,00.
Frete peso: R$ 1,25 por telada x quilômetro.
Ad-valorem: 0,5%.
GRIS: 0,1%.
Taxas: R$ 20,00.
Vale-pedágio: R$ 65,00.
Distância: 2.000 km.
Valor da mercadoria: R$ 70.000,00.

3.4 Custo do Veículo no Transporte Rodoviário com Frota Própria

Figura 31 – Classificação dos custos de transportes.

Fonte: Valente (1997).

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Custos ƒƒ Licenciamento.
ƒƒ Seguros.
Em nível macro, os custos operacionais dos
veículos rodoviários podem ser classificados da Custos variáveis
seguinte forma:

ƒƒ Combustível.
Custos diretos ƒƒ Óleo lubrificante do motor.
ƒƒ Óleo lubrificante da transmissão.
Correspondem aos custos fixos mais os va- ƒƒ Lavagem e lubrificação.
riáveis.
ƒƒ Material rodante: corresponde a pneus,
câmaras, recapagens e protetores.
ƒƒ Custos Fixos englobam o conjunto de
ƒƒ Peças, acessórios e material de oficina.
gastos, cujo valor, dentro de limites ra-
zoáveis de produção, não varia em fun- ƒƒ Mão de obra para manutenção dos veí-
ção do nível de atividade da empresa culos.
ou grau de utilização do equipamento.
ƒƒ Custos Variáveis são proporcionais à Custos indiretos ou administrativos
utilização.
ƒƒ Pessoal de armazéns, escritórios e res-
Custos indiretos ou administrativos pectivos encargos sociais.
ƒƒ Impressos.
ƒƒ São os custos necessários para manter o ƒƒ Publicidade.
sistema de transporte da empresa. ƒƒ Aluguéis de armazéns e escritórios.
ƒƒ Comunicações.
Custos fixos ƒƒ Impostos e taxas legais.
ƒƒ Construção, conservação e limpeza.
ƒƒ Depreciação: corresponde à redução de ƒƒ Viagens e estadias.
valor que o veículo vai sofrendo com o ƒƒ Despesas financeiras.
decorrer do tempo.
ƒƒ Despesas diversas.
ƒƒ Remuneração do capital: qualquer in-
vestimento que se faça pressupõe um
retorno ou remuneração do capital apli-
cado. É isso que o empresário espera,
ao investir em uma empresa de trans-
portes. Portanto, a cada serviço que ela
presta, tem de embutir em seus custos
a remuneração do capital aplicado pelo
investidor.
ƒƒ Salário da tripulação: corresponde ao
pagamento de motoristas, cobradores,
ajudantes etc., e respectivos encargos
sociais.

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3.5 Processamento de Pedidos (Ciclo de Pedidos)

A atividade de logística de transportes é Equipamentos que podem ser utilizados


uma das mais importantes partes do gerencia- nessa operação:
mento da cadeia de suprimentos e responde por
um ciclo bem definido de operações, conhecido ƒƒ Empilhadeiras.
como “Ciclo de Pedidos”. ƒƒ Coletores de dados (para código de
Esse Ciclo de Pedidos é composto por: barras).
ƒƒ Transpaleteiras.
Processamento de pedido do cliente ƒƒ Cestas, escadas, carrinhos etc.

O ciclo de pedido inicia-se com o recebi- Conferência e embalagem


mento do pedido do cliente. As operações de
processamento do pedido são:
É o conjunto de operações necessárias para
assegurar que o pedido foi separado corretamen-
ƒƒ Conferência – todas as informações
te e as mercadorias estão devidamente embala-
contidas no pedido do cliente são con-
das para o transporte. As operações são:
feridas com o seu cadastro – endereço
de cobrança e de entrega, CIC, código
dos produtos encomendados, existên- ƒƒ Conferência – as mercadorias são con-
cia de saldo em estoque para atender feridas.
ao pedido e a data de entrega. ƒƒ Embalagem – as mercadorias são em-
ƒƒ Aprovação de crédito – o crédito do baladas em caixas de papelão, sacos,
cliente é aprovado ou recusado pelo caixotes etc.
departamento financeiro. ƒƒ Etiquetagem – as embalagens são eti-
ƒƒ Picking – envio do pedido para separar quetadas para possibilitar a identifica-
as mercadorias no almoxarifado. ção dos conteúdos, quantidades, ende-
reços de entrega etc.

Picking de mercadorias
Roteirização

É o conjunto de operações necessárias para


a separação da mercadoria requisitada pelo clien- É o conjunto de operações necessárias que
te. As operações são: asseguram o transporte das entregas feitas pelo
pedido por rotas adequadas e econômicas, para
aproveitar melhor a capacidade dos veículos de
ƒƒ Separação – as mercadorias são retira-
transporte. A operação é:
das das prateleiras do armazém e sepa-
radas por pedido ou por rota de entre-
ga. ƒƒ Elaboração das rotas – as rotas devem
ser elaboradas para aproveitar melhor a
ƒƒ Agrupamento – as mercadorias são
capacidade do veículo e do tempo dis-
agrupadas para posterior conferência e
ponível para efetuar todas as entregas.
embalagem (se necessário).

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Recursos tecnológicos que podem ser ƒƒ Expedição – as mercadorias são em-


aplicados na roteirização: barcadas e fixadas nos veículos de
ƒƒ Mapas; transportes, assegurando-se que toda
ƒƒ softwares de roteirização; a documentação acompanhará a car-
ga. Verificar os equipamentos de segu-
ƒƒ a experiência da equipe de logística.
rança.

Documentação
Transporte e entregas

É o conjunto de operações necessárias para


É a atividade de transporte e entrega de
preparar a documentação de movimentação da
mercadorias. As operações necessárias são:
mercadoria. As operações são:

ƒƒ Descarregamento – as embalagens ou
ƒƒ Nota fiscal – são emitidas as notas fis-
mercadorias são retiradas do veículo e
cais de todas as mercadorias de cada
entregues para conferência do cliente.
cliente.
ƒƒ Recibo – o cliente deve atestar que
ƒƒ Manifesto de carga – emissão do do-
recebeu as mercadorias, assinando o
cumento que informa quais notas fis-
canhoto da nota fiscal, que é o com-
cais e mercadorias correspondentes se-
provante de entrega. Quaisquer recla-
rão carregadas em cada veículo.
mações devem ser escritas no corpo da
ƒƒ Outros documentos – emissão do se- 2ª via da nota fiscal, que retornará para
guro da carga, vale-pedágio etc. a conferência na origem.
ƒƒ Baixa contábil – as informações con-
tidas nas notas fiscais são lançadas na
contabilidade para dar saída nas merca- Documentação de retorno
dorias.
ƒƒ Conhecimento de carga – documen- Ao retornar ao ponto de partida, o trans-
to emitido pela transportadora no qual portador deverá:
consta o valor do frete pago.
ƒƒ Comprovar as entregas – entregar os
canhotos das notas fiscais devidamente
Unitização e expedição
assinados e datados.
ƒƒ Prestar contas – apresentar relatório
Em alguns casos, as mercadorias necessita- das ocorrências durante o trajeto, tais
rão ser acondicionadas em paletes ou em contêi- como os relatórios de viagens, recibos
neres. As operações são: de compras de combustíveis, lubrifican-
tes, reparos de pneus, serviços de ma-
ƒƒ Arrumação – as embalagens ou merca- nutenção, hospedagem e refeições.
dorias são organizadas em paletes. No
caso do uso de contêineres, essa opera-
ção é chamada de estufagem.
ƒƒ Fixação – as mercadorias são fixadas
nos paletes, com o auxílio de fitas, cin-
tas ou de filmes plásticos.

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Logística de Transporte e Distribuição

3.6 Dimensionamento da Frota para uma Demanda (Previsão de


Vendas) Conhecida

Exemplo de dimensionamento da frota •• Jornada útil de um dia de trabalho:


8 h;
Prezado(a) aluno(a), conheça a seguir, com •• Número de turnos de trabalho por
base no documentário da Gerência de Marke- dia: 2;
ting da Mercedes-Benz intitulado Administração e •• Número de dias úteis de trabalho
Transporte de Cargas, um exemplo: por mês: 25 dias;
•• Número de dias previstos para ma-
Uma empresa deseja sabe o número de
nutenção por mês: 2 dias.
veículos necessários (frota homogênea) e a qui-
lometragem média mensal que cada veículo terá
de percorrer para atender ao volume de carga Solução
mensal a ser transportada. O equipamento a ser
utilizado é um semirreboque graneleiro (VALEN- a) Cálculo do peso total do veículo
TE, 1997). (tara): é a soma dos itens peso do chas-
Os dados do problema são os seguintes: si em ordem de marcha + peso da car-
roçaria sobre chassi + peso do semir-
ƒƒ Do veículo reboque ou reboque + peso de outros
equipamentos.
•• Peso do chassi: 5.400 kg;
•• Peso bruto total do veículo: 35.000
kg; Peso total do veículo = 5.400 + 0 + 7.250 +
•• Peso do semirreboque ou reboque: 350 = 13.000 kg
7.250 kg;
•• Peso de outros equipamentos: 350 b) Cálculo da carga útil do veículo (lo-
kg; tação): é a diferença entre o peso bru-
•• Velocidade operacional: 55 km/h e to total do veículo e a tara. Carga útil=
70 km/h na volta. 35.000 – 13.000 = 22.000 kg.
c) Cálculo do número de viagens men-
ƒƒ Da carga sais necessárias: é a divisão da carga
•• Tipo de carga a ser transportada: mensal a ser transportada em um senti-
soja; do, pela lotação de um veículo. Número
•• Peso específico da carga quando de viagens mensais = 3.900.000/22.000
granel: 750 kg/m³; = 177,27/viagens/mês.
•• Carga mensal a se transportada: d) Cálculo do tempo total e viagem:
3.900 t/mês. ƒƒ Primeiramente, calcula-se o tempo
de viagem de ida. É a divisão da dis-
ƒƒ Operacionais tância a ser percorrida na ida pela
•• Tempo de carga e descarga: 85 min. velocidade operacional do veículo
Na ida e 0 na volta; no percurso de ida.
•• Distância a ser percorrida: 414 km
na ida e 430 km na volta;

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Cláudio Monico Innocencio

Tempo de viagem na ida = (414/55) x 60 = necessárias pelo número de viagens de


452 min. um veículo por mês. Quantidade de veí-
culos = 177,27/24,15 = 7,35.
ƒƒ Após, calcula-se o tempo de viagem na Como esse valor tem de ser inteiro,
volta. É a divisão da distância a ser per- estabelece-se que o número de veí-
corrida na volta, pela velocidade opera- culos é igual a 8.
cional do veículo no percurso de volta. i) Cálculo da capacidade de transporte
Tempo de viagem na volta = (430/70) x mensal de um veículo em um senti-
60 = 369 min. do: é o produto obtido multiplicando-
ƒƒ O tempo total de viagem é a soma do -se a lotação do veículo pelo número de
tempo de ida + o tempo de volta + o viagens de um veículo por mês. Capa-
tempo de carga e descarga na ida + o cidade de transporte por veículo, por
tempo de carga e descarga da volta. sentido = 22.000 x 24,15 = 531.300 kg/
Tempo total de viagem = 452 + 369 + mês.
85 + 0 = 906 min. j) Cálculo da capacidade de transpor-
te mensal da frota em um sentido:
e) Cálculo do tempo diário de operação: é o produto obtido multiplicando-se
é o produto obtido multiplicando-se a o número de veículos necessários na
jornada útil de um dia de trabalho pelo frota pela capacidade de transporte
número de turnos de trabalho por dia. mensal de um veículo em um sentido.
Tempo diário de operação = 8 x 2 x 60 = Para 8 veículos, tem-se a seguinte ca-
960 minutos (operação efetiva). pacidade média mensal: 8 x 531.300 =
f) Cálculo do número de viagens de um 4.250.4000,00 kg.
veículo por dia: é a divisão do tempo k) Cálculo da diferença entre a capaci-
diário de operação pelo tempo total de dade de transporte da frota e a car-
viagem. Número de viagens de um veí- ga mensal a ser transportada. Para 8
culo, por dia = 960/906 = 1,05 viagens/ veículos, tem-se: 4.250.400 – 3.900.000
dia. = 350.400 kg.
g) Cálculo do número de viagens de um l) Cálculo da quilometragem média
veículo por mês: diária de um veículo: é o produto
ƒƒ Primeiramente, calcula-se o núme- obtido multiplicando-se a distância
ro de dias de operações do veículo total a ser percorrida pelo caminhão
por mês. É igual à diferença entre o (ida+volta) pelo número de viagens
número de dias úteis de trabalho e de um veículo por dia. Quilometragem
o número de dias previstos para ma- média diária por veículo = (414 + 430) x
nutenção. Número de dias de ope- 1,05 = 886,20 km.
ração/mês = 25 – 2 = 23 dias. Obs.: essa informação é muito impor-
ƒƒ Depois, multiplica-se esse resultado tante para o cálculo de custo operacio-
pelo número de viagens que cada nal (VALENTE, 1997).
veículo realiza por dia. Número de
viagens de um veículo por mês = 23
x 1,05 = 24,15 viagens/mês.
h) Cálculo do número de veículos ne-
cessários na frota: é o resultado da
divisão do número de viagens mensais

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Logística de Transporte e Distribuição

3.7 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), vimos, neste capítulo, a importância dos transportes no processo logístico, onde
demonstramos:

ƒƒ a divisão dos transportes em modais e suas características, aplicabilidade em diversas ativida-


des no processo logístico;
ƒƒ a abordagem sobre o frete, esse ciclo que detém em média de 20 a 30% dos custos empresa-
riais;
ƒƒ o detalhamento dos custos de transportes, fazendo uma abordagem ao tipos de modal e ana-
lisando suas variáveis;
ƒƒ uma simulação do dimensionamento da frota de veículos, para que pudéssemos através da
demanda projetar o volume de veículos necessários para o atendimento ao cliente.

3.8 Atividades Propostas

1. Dentro do cálculo do custo do veículo, encontramos os custos fixos, os custos de depreciação


e a remuneração do capital. Descreva-os.

2. O que é frete?

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4 LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, trata-


remos de mostrar a distribuição logística como
a parcela importante no processo logístico, sua
classificação com foco no cliente final e os fatores
que influenciam nesse processo.

4.1 Introdução

Caro(a) aluno(a), não fique com dúvida nes- Há geralmente dois tipos de mercado para
se assunto. os quais se deve planejar. Um deles é o de usuá-
Distribuição física é o ramo da logística em- rios finais, que são aqueles que usam o produto
presarial que trata da movimentação, estocagem para satisfazer às suas necessidades, o outro é for-
e processamento de pedidos dos produtos finais mado por aqueles que criam novos produtos, que
da firma. Costuma ser a atividade mais importan- é o caso dos consumidores industriais. Os consu-
te em termos de custo para a maioria das empre- midores finais também podem ser companhias
sas, pois absorve cerca de dois terços dos custos que, por sua vez, vendem os seus produtos aos
logísticos. seus clientes (NOVAES, 2007).
O objetivo geral da distribuição física, como
meta ideal, é o de levar os produtos certos, para
os lugares certos, no momento certo e com o ní-
vel de serviço desejado, pelo menor custo possí-
vel.
A distribuição física preocupa-se principal-
mente com bens acabados ou semiacabados, ou
seja, com mercadorias que a companhia oferece
para vender e que não planeja executar processa-
mentos posteriores.

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Figura 32 – Fluxos típicos no canal de distribuição.

Fonte: Ballou (1993).

O segundo mercado é composto por inter- Muito embora possa ocorrer, na prática, um
mediários que não consomem o produto, mas número razoável de situações diversas na distri-
que o oferecem para revenda, em geral para ou- buição física de produtos, podemos resumi-las
tros intermediários ou consumidores finais. São, em duas configurações básicas, a saber:
por exemplo, distribuidores, varejistas e usuários
finais. ƒƒ Distribuição “um para um”: em que
Muitas configurações estratégicas diferen- o veículo é totalmente carregado no
tes de distribuição podem ser empregadas. Há depósito da fábrica ou num CD do va-
três formas básicas: rejista (lotação completa) e transporta a
carga para outro ponto de destino, po-
1. entrega direta a partir de estoques de dendo ser outro CD, uma loja, ou outra
fábrica; instalação qualquer.
2. entrega direta a partir de vendedores ƒƒ Distribuição “um para muitos”, ou
ou da linha de produção; compartilhada: em que o veículo é
3. entrega feita utilizando um sistema de carregado no CD do varejista com mer-
depósitos. cadorias destinadas a diversas lojas ou
clientes, e executa um roteiro de entre-
gas predeterminado.
Atenção

O tipo de distribuição depende em grande par- Na distribuição “um para um”, o carrega-
te da natureza do produto movimentado, do
padrão de sua demanda, dos custos relativos mento do veículo é realizado de forma a lotá-lo
das várias opções de distribuição física e das completamente. Ao carregar o caminhão, vai se
exigências de nível de serviço. acomodando a carga nos espaços disponíveis, vi-
sando ao melhor aproveitamento possível de sua

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Logística de Transporte e Distribuição

capacidade. Esse aspecto é importante, pois na Pontos que influenciam os sistemas de


distribuição “um para muitos” não se consegue, distribuição:
com frequência, um bom aproveitamento do es-
paço dentro do veículo. Isso porque se é obrigado ƒƒ Divisão da região a ser atendida em zo-
a carregá-lo na ordem inversa das entregas, o que nas ou bolsões de entrega.
impede a otimização do arranjo interno da carga ƒƒ Distância entre o centro de distribuição
no caminhão. e o bolsão de entrega.
Na linguagem do pessoal de transportes, ƒƒ Velocidades operacionais médias.
esse tipo de distribuição “um para um” é denomi-
ƒƒ Tempo de parada por cliente.
nado transferência de produtos (NOVAES, 2007).
ƒƒ Tempo para completar o roteiro e retor-
nar ao depósito.
Dicionário
ƒƒ Frequência de visitas aos clientes.
Otimização: ação de otimizar, isto é, criar as condi- ƒƒ Quantidade a ser entregue por cliente.
ções mais favoráveis ou tirando o melhor partido
possível. ƒƒ Densidade da carga.
Fonte: Dicionário on-line português. ƒƒ Dimensões e morfologias das cargas.
ƒƒ Valor unitário.
ƒƒ Forma de acondicionamento.
Pontos que influenciam os sistemas de
distribuição: ƒƒ Grau de fragilidade e periculosidade.
ƒƒ Compatibilidade entre os produtos.
ƒƒ Distância entre o ponto de origem e o ƒƒ Custo global.
ponto de destino.
ƒƒ Velocidade operacional.
ƒƒ Tempo de carga e descarga.
ƒƒ Tempo porta a porta.
ƒƒ Volume do carregamento.
Saiba mais
ƒƒ Disponibilidade de carga de retorno.
ƒƒ Densidade da carga. A distribuição física é parte integrante da função
ƒƒ Dimensões e morfologia da carga. de marketing, pois este tem a missão de gerar lu-
cro para a empresa. A distribuição
Saibafísica
maiscontribui
ƒƒ Valor unitário. para essa missão. O marketing tem dois propósitos
ƒƒ Forma de acondicionamento (solta, pa- básicos. Um deles é obter demanda e o outro é
atender à demanda. Esses dois estão ligados pelo
letizada, a granel).
nível de serviço provido.
ƒƒ Grau de fragilidade.
ƒƒ Grau de periculosidade.
ƒƒ Compatibilidade entre produtos de na-
tureza diversa.
ƒƒ Custo global.

Na distribuição um para muitos ou com-


partilhada o veículo é carregado no centro de
distribuição do varejista com mercadorias desti-
nadas a diversas lojas ou clientes, e executa um
roteiro de entregas predeterminadas.

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4.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), vimos, neste capítulo, mais uma parcela do serviço logístico, a Distribuição Física.
No capítulo anterior e neste, percebemos no processamento do pedido e na comercialização do serviço
toda a preocupação mercadológica, detalhando os requisitos do cliente e suas necessidades. Na distri-
buição há a participação efetiva do marketing no processo logístico, pois um nível de serviço aderente às
exigências do cliente traduz uma venda futura.

4.3 Atividades Propostas

1. Qual é a diferença entre a distribuição um para um e a distribuição um para muitos?

2. O que vem a ser a Distribuição Física?

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SISTEMA DE INFORMAÇÃO NA
5 LOGÍSTICA

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, trata-


remos de apresentar a tecnologia aderente ao
sistema logístico. Veremos as tecnologias especí-
ficas às aplicações de processamento de pedidos,
transportes, armazenagem e distribuição.

5.1 Introdução

Gostaríamos que você, aluno(a), entendesse Para implementação da Tecnologia da In-


que a cada dia que passa o fluxo de informações formação (TI), devemos considerar alguns fatores
se torna fator de grande preocupação e impor- de grande importância. Entre eles, destacamos:
tância nos processos que envolvem as operações
logísticas. ƒƒ Conhecimento do processo para esco-
Os conjuntos básicos de informações logís- lha do sistema adequado ao negócio da
ticas incluem pedidos de clientes e de ressupri- empresa;
mento, necessidades de estoque, programação ƒƒ Redução dos custos operacionais;
de atividades dos depósitos, documentação de ƒƒ Acuracidade de operação;
transporte e faturas. ƒƒ Segurança operacional;
O fluxo de informações documentado em ƒƒ Administração de retornos do estoque
papel aumenta o custo e diminui a velocidade em vazio;
operacional, reduzindo a satisfação do cliente
ƒƒ Velocidade operacional;
pela dificuldade em disponibilizar uma informa-
ção quando solicitada, proporcionando perda no ƒƒ Garantia da imagem da empresa;
mercado em que atua. ƒƒ Acuracidade de localização;
ƒƒ Intensidade de fluxo;
ƒƒ Administração de horas extras;
Atenção
ƒƒ Áreas de estocagem;
Hoje, obtêm maior sucesso em seus negócios ƒƒ Administração de fluxos de retorno em
as empresas que possuem credibilidade. O FA- vazio;
TOR agilidade é de grande importância, princi-
palmente quando o assunto é logística. Quan- ƒƒ Movimentação livre de perdas;
do for preciso percorrer um caminho para que ƒƒ Informação em tempo real;
obtenhamos um processo mais organizado e
preciso quanto à confiabilidade das informa- ƒƒ Qualificação de pessoal;
ções nos processos logísticos. ƒƒ Acuracidade de estoque;
ƒƒ Investimentos em TI.

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ƒƒ Redução do valor de estoque;


Dicionário ƒƒ Redução na falta de material;
ƒƒ Melhoria no nível de serviço;
Acuracidade: é a conferência de estoque, onde o
estoque físico existente e a quantidade no esto- ƒƒ Melhoria no atendimento aos clientes;
que lógico (sistema de controle de mercadorias)
devem ser iguais. ƒƒ Aumento da eficiência aos clientes;
Fonte: Dicionário on-line português. ƒƒ Níveis de estoque mais focados na reali-
dade da demanda;
ƒƒ Redução no tempo de inventário;
O custo decrescente da tecnologia da infor- ƒƒ Rastreabilidade de frotas e produtos;
mação, associado à sua maior facilidade de uso, ƒƒ Planejamento de rotas, cargas e modais;
permite aos gestores de logística utilizar essa tec-
ƒƒ Cumprimento dos prazos de entrega,
nologia com o objetivo de transferir e gerenciar
por se obter maior velocidade.
informações eletronicamente, com maior eficiên-
cia, qualidade e rapidez.
É importante ressaltar que as informações O conceito tecnologia da informação englo-
devem ser úteis, por esse motivo devem possuir ba as várias tecnologias que coletam, processam,
as seguintes características: armazenam e transmitem informações. “Assim
envolve além de computadores, equipamentos
de reconhecimento de dados, tecnologias de co-
ƒƒ As informações devem ser precisas:
municação, automação de fábricas e outras mo-
sem informações que ofereçam o ver-
dalidades de hardware e de serviços.” (PORTES,
dadeiro quadro do estado dos proces-
1999).
sos logísticos, fica difícil tomar decisões
certas. Os sistemas de informação que automati-
zam as áreas funcionais de uma empresa – ven-
ƒƒ Informações acessíveis em tempo
das, marketing, produção, finanças, contabilidade
real: muitas vezes, existem informações
e recursos humanos – são cada vez mais procura-
precisas, mas no momento em que se
dos. Esses sistemas são os primeiros a serem im-
tornam acessíveis já estão defasadas
plantados na maioria das empresas. Os principais
ou, quando são atualizadas, não se en-
sistemas de informações gerenciais dão suporte
contram acessíveis.
aos processos globais da empresa, abrangendo
ƒƒ Informações úteis: os responsáveis pe-
todas as unidades organizacionais e conectando
las decisões precisam de informações
a empresa a seus clientes e fornecedores.
que possam utilizar.

A informação torna-se mais importante


Saiba mais
quando é utilizada para criar um escopo amplo
de todos os estágios e áreas de uma cadeia de A tecnologia da informação está evoluindo em
suprimentos. Isso permite que as decisões sejam ritmo acelerado, em velocidade e capacidade de
tomadas de maneira a maximizar a lucratividade armazenamento das informações, gerando simul-
taneamente reduções significantes de custos e es-
total da cadeia de suprimentos (CHOPRA; MEIN- Saiba mais
paço. À medida que a tecnologia da informação
DL, 2003). prossegue sua trajetória de contínua evolução, vão
surgindo várias inovações que influenciam as ope-
A tecnologia da informação bem estrutura-
rações logísticas e as aprimoram cada vez mais.
da trará benefícios para os processos logísticos,
como:

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5.2 Recursos Tecnológicos

Os principais recursos tecnológicos que Rastreamento por satélite


apoiam a logística são:
São sistemas que permitem a localização
Global Positioning System (GPS) em tempo real do veículo. Um dispositivo é insta-
lado no veículo para emitir um sinal, que é capta-
O Sistema de Posicionamento Global, po- do por um sistema de satélites de baixa altitude,
pularmente conhecido por GPS (do original in- em torno de 800 km de altura, e retransmitido
glês, Global Positioning System), é um sistema de para uma estação base. O sinal é processado em
navegação por satélite que fornece a um apare- um software de mapas e os resultados são trans-
lho receptor móvel a sua posição, assim como mitidos via internet, para o gerente do sistema,
informação horária, sobre quaisquer condições auxiliando nas tomadas de decisões.
atmosféricas, a todo o momento, e de qualquer Alguns desses sistemas possibilitam ao ge-
lugar na Terra, desde que o receptor se encontre rente tomar iniciativas, como enviar instruções
no campo de visão de quatro satélites GPS. para o computador de bordo ou bloquear remo-
Existem vários modelos de receptor de si- tamente o veículo.
nais GPS no mercado e com várias funções.
O uso do GPS permite ao motorista encon- Computadores de bordo
trar rotas e endereços de forma mais eficiente,
economizando tempo nas entregas. O computador de bordo é uma ferramenta
de controle das funções do veículo que permite
Sistema de gerenciamento de transportes ao motorista obter e gerenciar informações como:
(TMS)
ƒƒ Funcionamento do motor, freios e de-
Um sistema TMS (Transportation Manage- mais partes do veículo.
ment System), ou Sistema de Gerenciamento de ƒƒ Dados da rota percorrida (velocidade
Transporte, é um software desenvolvido com o média, histórico de paradas etc.).
objetivo de melhorar a qualidade e a produtivi- ƒƒ Consumo de combustível (médio e no
dade de todo o processo de distribuição. Esse sis- presente instante).
tema controla toda a operação e gestão de trans- ƒƒ Autonomia do veículo, considerando o
portes de forma integrada. O sistema permite combustível existente no reservatório
identificar e controlar os custos de cada operação e as condições de uso do momento. O
de transporte, envolvendo: uso combinado do computador de bor-
do com o GPS e o localizador do veícu-
ƒƒ Controle de fretes. lo possibilita ao motorista e ao gerente
ƒƒ Controle de frota e da manutenção dos do sistema gerenciar de forma mais
veículos. eficiente os recursos de transporte da
ƒƒ Programação de entregas. empresa.

ƒƒ Controle dos recursos humanos nos as-


pectos de custo e programação de ser-
viço.

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Roteirizadores scanner – o leitor de código de barras –, que emite


um raio vermelho e percorre todas as barras.
Os Sistemas de Roteirização e Programa- Onde a barra for escura, a luz é absorvida;
ção de Veículos ou, simplesmente, roteirizado- onde a barra for clara (espaços), a luz é refletida
res, são softwares capazes de obter soluções novamente para o leitor. Os dados capturados
para Problemas de Roteirização e Programação nessa leitura óptica são compreendidos pelo
de Veículos (PRPV), com resultados relativamen- computador, que, por sua vez, converte-os em le-
te satisfatórios, consumindo tempo e esforço de tras ou números humano-legíveis.
processamento relativamente pequenos, quando Existem vários padrões de códigos de bar-
comparados aos gastos nos tradicionais métodos ras, cada um deles com um propósito específico,
manuais. como a identificação comercial de produtos, có-
O uso de roteirizadores permite obter rotas, digos das faturas de cobrança bancária e outros.
com paradas para entregas e coletas otimizadas
em termos de tempo e custo. Também é possível Identificação por radiofrequência (RFID)
elaborar rotas que evitem áreas de risco elevado,
congestionamentos de tráfego ou com pontos
A etiqueta eletrônica promete resolver a
obrigatórios de passagem.
maioria das deficiências encontradas nos códigos
A implantação e a manutenção de sistemas de barras. Permitirá que o produto seja identifi-
de roteadores próprios têm custo elevado, pois cado mesmo que esteja dentro da embalagem
é necessário manter arquivos de mapas, CEPs e sob uma camada de tinta. Possibilitará também a
satélites atualizados; mas existem empresas es- inclusão de número significativamente maior de
pecializadas que prestam esse serviço mediante informações do que é possível em um código de
contrato. barras. Não se trata apenas de um “sucessor” para
as etiquetas de códigos de barras, pois há o de-
Eletronic Data Interchange (EDI) senvolvimento de novas aplicações, como o Sem
Parar dos postos de pedágio e estacionamentos.
Eletronic Data Interchange (EDI), ou sistema
de troca eletrônica de dados, é um sistema de alta Figura 33 – Etiqueta RFID.
confiabilidade e padronização para as empresas
trocarem dados e documentos com segurança.
Por serem padronizados, transmitem entre
as faturas, as destinadas aos bancos, encomen-
das, notificações de envio e outras, sem a necessi-
dade de softwares intermediários. Fonte: http://acessoeponto.files.wordpress.com/2009/06/etique-
ta-eletronica-rfid-tag.jpg?w=250&h=168
O uso de sistemas EDI automatiza a atua-
lização dos sistemas automaticamente, propor-
cionando melhor controle das informações, para Sistemas de Informações Logísticas (SILs)
tomada de decisões mais acertadas.
O Sistema de Informação de Logística é um
Código de barras software para o usuário avaliar os dados reais da
movimentação de mercadorias e também criar
dados de planejamento. Conta ainda com um re-
Código de barras é uma representação
curso de planejamento fácil de usar que é supor-
gráfica de dados numéricos ou alfanuméricos. A
tado por uma função de previsão. Algumas das
decodificação (leitura) é realizada por um tipo de
facilidades são:

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ƒƒ Fornecer Informação sobre vendas e ƒƒ Organização dos pedidos de separação


distribuição. de mercadorias em grupos.
ƒƒ Fornecer Informação para compras. ƒƒ Endereçamento de materiais nas prate-
ƒƒ Controlar os estoques. leiras.
ƒƒ Fornecer informação para produção. ƒƒ Montagem de cargas para aproveitar
ƒƒ Fornecer informação para manutenção. melhorar o espaço no caminhão.

ƒƒ Fornecer informação para administra- ƒƒ Gerenciamento dos recursos humanos


ção de qualidade no armazém.
ƒƒ Controle de custos das operações no
armazém.
Planejamento dos recursos empresariais (ERP)
ƒƒ Troca de dados com o ERP da empresa
e dos clientes.
Um sistema do tipo Enterprise Resource
Planning (ERP) é constituído por softwares que in-
tegram todos os dados e processos de uma orga- Sistema de administração de pedidos (OMS)
nização em um único sistema. A integração pode
ser vista sob a perspectiva funcional (sistemas de Os Sistemas de Administração de Pedidos e
finanças, contabilidade, recursos humanos, fabri- Serviços de Distribuição são softwares especializa-
cação, marketing, vendas, compras etc.) e sistê- dos que tratam das fases de captação de pedidos,
mica (sistema de processamento de transações, avaliação, formação de carga e geração de mapa
sistemas de informações gerenciais, sistemas de de separação, gerenciando os estoques, prazo de
apoio à decisão etc.). Algumas das vantagens da entrega-padrão, créditos dos clientes, prestação
implementação de um ERP numa empresa são: de contas e outras. São softwares com funcionali-
dades semelhantes aos ERPs, porém mais simples
ƒƒ Eliminar a necessidade de digitações do de utilizar, proporcionando vantagens significati-
mesmo documento em vários departa- vas, como velocidade de implantação. Eles geral-
mentos da mesma empresa. mente são facilmente integrados aos sistemas de
ƒƒ Otimizar o fluxo da informação e a sua controle dos códigos de barras e de roteirização e
qualidade na organização. controle das entregas.

ƒƒ Eliminar a redundância de atividades.


ƒƒ Reduzir o tempo de resposta ao mer- Customer Relationship Management (CRM)
cado.
Através de um banco de dados de clientes,
o CRM (gerenciamento do relacionamento com o
Sistema de administração de armazéns (WMS)
consumidor) manipula as informações buscando
a otimização do processo. Essa solução tem como
Um sistema chamado Warehouse Manage- estratégia de negócio a identificação do cliente
ment System (WMS), ou Sistema de Gerenciamen- e suas principais características para estabelecer
to de Armazém, é uma importante ferramenta da um relacionamento de fidelização de longo prazo
tecnologia da informação que administra de for- com ele. Essa estratégia permite, de forma lucrati-
ma mais eficiente as operações de controle do es- va, identificar e estabelecer as formas de relacio-
toque de materiais, separação e consolidação de namento com os clientes que apresentem maio-
pedidos, e administração do espaço no armazém. res benefícios ou maior potencial para a empresa
Algumas das utilidades proporcionadas são: e permitam fornecer a esses clientes um nível de
serviço que exceda as suas expectativas. Para ma-

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nipulação dessas informações, utiliza componen- ƒƒ Reposição eficiente – otimizar o tempo


tes tecnológicos, de planejamento estratégico e e o custo no sistema de reposição de
de marketing pessoal, sempre numa perspectiva produtos no estoque;
de orientação total para o cliente. O CRM permite, ƒƒ Promoção eficiente – aplicar sistema
assim, alcançar objetivos, como: adequado ao tratamento de promoção,
atingindo cliente e consumidor;
ƒƒ Identificar entregas qualificadas de for- ƒƒ Introdução eficiente de produto – apli-
ma a ganhar novos clientes; car medidas de desenvolvimento e in-
ƒƒ Fechar vendas de modo mais eficiente trodução de novos produtos.
e eficaz;
ƒƒ Permitir aos clientes efetuar transações A implementação do ECR comprova bons
de forma mais fácil e rápida; níveis de serviços com baixos níveis de inventá-
ƒƒ Fornecer serviços de suporte, pré, du- rios, com redução das perdas principalmente de
rante e pós-venda; produtos perecíveis, otimizando transporte de
ƒƒ Ter um maior enfoque nos clientes com carga, armazenagem e estocagem.
vista em uma maximização do ARPU
(Average Revenue Per User – cálculo da Internet e e-commerce
renda por usuário);
ƒƒ Disponibilizar a mesma informação ao
Podemos definir comércio eletrônico (e-
cliente, independentemente do canal
-commerce) como a capacidade de realizar tran-
de contato com a empresa (internet,
sações envolvendo a troca de bens ou serviços
call center, loja etc.).
entre duas ou mais partes utilizando meios ele-
trônicos. As empresas e pessoas nunca tiveram
Efficient Consumer Response (ECR) acesso a tantas aplicações de e-commerce como
têm hoje. Essas aplicações vão desde compras on-
Buscando inovar os resultados de produtivi- -line, com a utilização da web, até processos auto-
dade do setor, foi implantado no Brasil, a exemplo matizados tendo a internet como meio de trans-
de outros países, o conceito Efficient Consumer porte dos dados.
Response (ECR – resposta eficiente ao consumi- O comércio eletrônico baseado na world
dor). Trata-se de uma estratégia da indústria su- wide web tem chamado a atenção da comuni-
permercadista na qual distribuidores e fornece- dade de negócios no mundo inteiro. A face mais
dores trabalham em conjunto para proporcionar conhecida do grande público é o B2B (business
melhores resultados ao consumidor, enfocando to business) e o B2C (business to consumer), onde
a eficiência da cadeia de suprimento como um investimentos maciços em publicidade têm sido
todo, em vez da eficiência individual das partes, feitos por sites como submarino.com, amelia.com,
derrubando os custos totais do sistema, dos es- arremate.com. O B2B está se mostrando o mode-
toques e bens físicos. A ECR Brasil apresenta a se- lo de negócios com maior taxa de crescimento
guinte definição para o ECR: para os próximos anos.
Benefícios de sua utilização: Principais vantagens para a empresa:

ƒƒ Sortimento eficiente de loja – otimizar ƒƒ Reduz a intermediação;


a manutenção dos estoques e o espaço ƒƒ Alcance global (amplia o mercado);
da loja, melhorando a interface com o ƒƒ Reduz custos administrativos e outros
consumidor; correlatos;

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Logística de Transporte e Distribuição

ƒƒ Maior segurança e agilidade na comu- Benefícios:


nicação entre os parceiros;
ƒƒ Reduz o ciclo de processos mercantis. ƒƒ Redução da taxa de erros no atendi-
mento de pedidos;

Principais vantagens para o comércio: ƒƒ Melhoria do serviço ao cliente;


ƒƒ Aumento da acuracidade do recebi-
ƒƒ Melhora o nível de abastecimento da mento e das informações;
loja; ƒƒ Melhor aproveitamento dos recursos,
ƒƒ Reduz o nível de estoques; do espaço de armazenamento e da
mão de obra.
ƒƒ Reduz custos operacionais;
ƒƒ Agiliza o processo de vendas;
ƒƒ Nivela as oportunidades no mercado. A logística dependerá cada vez mais das
ferramentas que a tecnologia da informação dis-
ponibiliza para acompanhamento dos diversos
Principais vantagens para o consumidor: processos que envolvem os processos logísticos.
A tecnologia da informação está evoluindo em
ƒƒ Comodidade e conveniência (comprar ritmo acelerado, em velocidade e capacidade de
sem sair de casa); armazenamento das informações, gerando simul-
ƒƒ Facilidade (acesso à internet); taneamente reduções significativas de custos e
otimizando processos.
ƒƒ Variedade (produtos do mundo inteiro);
ƒƒ Preços (tendências de custos baixos e
cotações mais ágeis).

5.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, demonstramos a importância da tecnologia no dia a dia da logísti-
ca, onde pudemos ver sua aplicabilidade em todos os processos logísticos, desde no processamento do
pedido até mesmo no pós-venda, através dos atendimentos eletrônicos. Hoje temos várias opções de
tecnologia da informação para auxiliar a logística, porém é importante saber quais destas se adéquam à
realidade do negócio da empresa que a adquirem. À medida que a tecnologia da informação prossegue
sua trajetória de contínua evolução, vão surgindo várias inovações que influenciam nas operações logís-
ticas e que as aprimoram cada vez mais. A aplicação da tecnologia e a análise dos processos permitem
que a empresa possa avaliar novos modelos de negócio, tendo como base a tecnologia. Porém, para que
seja possível seguir esse caminho, outras decisões estratégicas devem ser tomadas, como, por exemplo,
o desenvolvimento de um conjunto de boas práticas para a manutenção dos processos decisórios e con-
trole de alterações, assim como acompanhamento da performance dos novos projetos.

51
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5.4 Atividades Propostas

1. O significa TMS e para que serve?

2. Qual é a finalidade do EDI?

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6 OPERADORES LOGÍSTICOS

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, analisa-


remos a aplicação dos serviços de um operador
logístico, e como os clientes utilizam esse serviço
no processo logístico.

6.1 Terceirização (Outsoursing)

Com a evolução da tecnologia da informa-


ção, dos transportes, das técnicas de mercados Dicionário
e dos produtores globais, tem-se um acirramen-
Outsourcing (em inglês, out significa fora e source
to da competição. Aumentam os investimentos ou sourcing significa fonte): designa a ação que
requeridos para operar nesse novo cenário, e as existe por parte de uma organização em obter
mão de obra de fora da empresa, ou seja, mão de
pressões de custo e os riscos envolvidos.
obra terceirizada. Está fortemente ligada à ideia de
Com o passar do tempo, as empresas pres- subcontratação de serviços.
sionadas a serem mais eficientes e a reduzirem Fonte: Wikipédia.
custos, passaram a se concentrar em suas compe-
tências essenciais, e com isso parte dos processos
Logísticos, antes realizados internamente, passa-
ram a ser adquiridos de fornecedores num movi-
mento chamado de Terceirização.
Operador Logístico é uma empresa pres-
tadora de serviços, especializada em gerenciar
e executar todas ou parte das atividades logísti-
cas nas várias fases da Cadeia de Abastecimen-
to, agregando valor aos produtos e serviços de
seus clientes. É importante que o operador tenha
competência para, no mínimo, prestar simulta-
neamente serviços de gestão de estoques, arma-
zenagem e gestão de transportes (ABML, 1999).

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Figura 34 – Serviços logísticos oferecidos pelos Prestadores de Serviços Logísticos (PSLs).

Fonte: COPPEAD.

6.2 Atividades Relevantes dos Operadores Logísticos

Na gestão de estoques Na armazenagem

ƒƒ Estabelecer a política de estoques com ƒƒ Dispor de instalações adequadas com


o cliente. equipamentos de movimentação, ar-
ƒƒ Controlar e responsabilizar-se por mazenagem e outros.
quantidades. ƒƒ Receber e expedir.
ƒƒ Utilizar técnicas modernas para acom- ƒƒ Dispor de Sistema de Administração de
panhar a evolução dos estoques em Armazéns (WMS), preferencialmente
termos de quantidade e localização. envolvendo código de barras, leitoras
ƒƒ Emitir relatórios periódicos. óticas e radiofrequência.
ƒƒ Garantir a rastreabilidade dos produtos. ƒƒ Realizar controle de qualidade nos pro-
cessos.
ƒƒ Possuir apólice de seguros para instala-
ções e materiais.
ƒƒ Cumprir exigências legais.

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Logística de Transporte e Distribuição

Na gestão de transportes
Saiba mais

ƒƒ Contratar ou realizar transportes. A logística é uma nova tendência no mercado bra-


ƒƒ Manter valores de fretes competitivos. sileiro, com muitas empresas praticando a terceiri-
zação dessa atividade, abrindo assim uma lacuna
ƒƒ Qualificar e homologar transportado- Saiba mais
para as empresas transportadoras para expandir
ras. seus negócios. Pode-se dizer que o transportador
ƒƒ Negociar o nível de serviço com a trans- é a figura indicada para essa transformação, devi-
do a suas características já existentes.
portadora.
ƒƒ Conferir e realizar o pagamento de fre-
tes.
ƒƒ Medir e controlar o desempenho das
transportadoras.
ƒƒ Emitir relatórios periódicos sobre nível
de serviço.

Na prática, os serviços fornecidos por em-


presas de serviço logístico e logística terceirizada
recaem em um modelo que combina serviços físi-
cos (isto é, armazém e transporte) e gerenciais. À
medida que a complexidade e a necessidade de
customização das diferentes empresas aumen-
tam, a natureza integrada da logística e o número
de empresas específicas que a oferecem também
aumentam.
Na realidade, de acordo com Fleury, Wanke
e Figueiredo (2000), as características dos ope-
radores logísticos ficam mais evidentes quando
comparadas com as dos prestadores de serviços
especializados, ou seja, transportadoras, armaze-
nadores, gerenciadoras de recursos humanos e
de informação, entre outros. A Figura 35, a seguir,
procura confrontar as principais características de
um operador logístico integrado com as de um
prestador de serviços especializados.

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Figura 35 – Comparação das características dos operadores logísticos com as dos prestadores de serviços logísti-
cos tradicionais.

Fonte: Fleury, Wanke e Figueiredo (2000).

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Logística de Transporte e Distribuição

6.3 Razões para Terceirizar Atividades Logísticas

ƒƒ Manter foco no negócio principal (core


business).
ƒƒ Aumentar a flexibilidade do processo
logístico.
ƒƒ Reduzir custos.
ƒƒ Aumentar a cobertura geográfica.
ƒƒ Ingressar em canais e mercados não fa-
miliares ou ainda não conquistados.
ƒƒ Substituir área de armazenagem por
área de produção.
ƒƒ Melhorar o atendimento ao cliente.

6.4 Critérios Básicos para a Seleção de um Operador Logístico

ƒƒ Estabilidade financeira.
ƒƒ Experiência e consistência.
ƒƒ Equipamentos e instalações físicas.
ƒƒ Métodos operacionais.
ƒƒ Tecnologia de informação.
ƒƒ Potencial de crescimento.
ƒƒ Custos.

6.5 Formação dos Preços

A forma de cobrança dos operadores logís- rações realizadas num determinado


ticos pode ser: período. Essa forma exige o controle e
registro das operações realizadas, sen-
ƒƒ Porcentual sobre o valor das mercado- do mais justa, porém mais complexa.
rias operadas, que é de fácil execução,
pois não exige controle e registro das
operações efetuadas. O operador traba-
lha com uma média dos seus custos.
ƒƒ Soma de preços unitários, pré-acor-
dados com o cliente, de todas as ope-

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6.6 Formação do Contrato de Terceirização

O sucesso da terceirização em logística de- ƒƒ Quantidades envolvidas.


pende fortemente de contratos cuidadosamen- ƒƒ Frequência das operações.
te elaborados, que caracterizem de antemão as ƒƒ Nível de serviço exigido.
obrigações essenciais que cada uma das partes
ƒƒ Preços e forma de cobrança.
deverá cumprir.
ƒƒ Penalidades pelo não cumprimento das
Muito embora contratos, na sua forma final,
cláusulas.
devam ser preparados por advogados, é impor-
tante que as condições e características técnicas ƒƒ Seguros.
dos mesmos sejam elaboradas por pessoal que
estará diretamente envolvido com as operações
Atenção
e seu controle.
Algumas empresas se autodenominam ope-
radora logística, no entanto fica evidente que
Pontos essenciais na formação do contrato de deverão percorrer uma longa jornada de inves-
terceirização timentos, capacitação e cultura para tanto, pois
não têm conhecimento de mercado e conheci-
mento técnico.
ƒƒ Características dos itens a serem opera-
dos e cuidados com eles.

6.7 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), vimos neste capítulo que operador logístico é um fornecedor de serviços logísti-
cos especializados, gerenciando e executando todas as atividades logísticas nas diversas fases da cadeia
de suprimentos, agregando valor ao produto. O operador deve ter competência para simultaneamente
prestar serviços nas três atividades básicas, controle de estoques, armazenamento e gerenciamento de
transportes.
Os Operadores Logísticos, geralmente, têm vários clientes, então é estrategicamente importante que as
empresas façam uma consulta ampla antes de contratar um operador, pois elas poderão contratar um que já
tenha clientes de seu setor, aproveitando assim a experiência que este pode oferecer.

6.8 Atividades Propostas

1. Quais são os pontos essenciais na formação do Contrato de Terceirização?

2. Quais são as razões para se terceirizar as atividades logísticas?

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7 LOGÍSTICA REVERSA

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, tratare-


mos de apresentar a logística reversa, as suas ati-
vidades típicas, pós-venda e pós-consumo. Para atender às exigências legais e prin-
A logística reversa pode ser entendida como cípios de sustentabilidade, qualidade e de pro-
a área da logística que trata dos aspectos de retor- dução, as empresas estão sendo cobradas para
nos de produtos, embalagens ou materiais ao seu realizar a rastreabilidade e a retirada dos seus
centro de produção ou de descarte. Ela é utiliza- produtos e materiais, de uma forma rápida e es-
da para atender às exigências comerciais, legais e tratégica, em caso de defeitos, contaminações ou
necessidades do mercado, no tocante a questões após o uso por parte dos clientes consumidores.
ambientais, bem como também relacionadas à Dessa forma, elas são responsáveis desde o início
retirada de produtos defeituosos do mercado. até o fim pela sua produção, descarte e reapro-
Esse ato de retirada ou de retorno do produto rea- veitamento de seus produtos e materiais e pelas
lizado pelas empresas é conhecido como recall. sucatas.
Para que seja feita a coleta de materiais já
utilizados ou de produtos para consertos, as em-
Dicionário
presas criam e gerenciam os seus canais reversos,
Recall: trazer de volta ou retornar. assim, tais materiais ou produtos já utilizados te-
Na área industrial, refere-se ao recolhimento de rão uma melhor destinação, quer seja para repa-
produtos pelo próprio fabricante, devido à des-
ro, reutilização, revenda ou reciclagem.
coberta de problemas relativos à segurança dos
produtos que foram ofertados ao mercado consu-
midor.

7.1 Atividades Típicas do Processo Logístico Reverso

As principais atividades realizadas na logís- parte do processo logístico reverso existente em


tica reversa são: coletar, embalar, expedir mate- uma cadeia empresarial ou de suprimentos. Para
riais ou produtos já utilizados, para que estes vol- melhorar o seu entendimento, todas essas ativi-
tem para os fornecedores iniciais com o objetivo dades são apresentadas na figura a seguir.
de retransformá-los em novas matérias-primas,
ou produtos secundários, ou quando for o caso
sejam revendidos, recondicionados, reciclados e,
por fim, não tendo mais utilidade, sejam devida-
mente descartados. Todas essas atividades fazem

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Figura 36 – Principais macroprocessos logísticos.

Fonte: Innocencio – slides.

Além da importância legal e estratégica e propósito, as empresas estão cuidando também


de marketing, a atividade de logística reversa se da sua imagem com o uso da prática da logística
tornou relevante para as empresas, devido ao au- reversa.
mento constante do nível de consumo de bens
que possuem uma grande descartabilidade, e
Pós-venda
por causa da diminuição do tempo de vida útil
de muitos produtos, aumentando o consumo e
consequentemente o giro dos estoques e a pro- Realizada após a entrega de determinados
dução. produtos, bens ou materiais, a pós-venda está
No ramo industrial, é comum também o uso relacionada diretamente aos serviços de monta-
da obsolescência planejada, ou seja, com o uso da gem, instalação, manutenção, conserto; troca em
tecnologia produzem-se produtos que saem de caso de defeitos, avaria ou erro de pedido.
linha de uma forma muito rápida. Como exemplo, A seguir, são apresentadas algumas das si-
podemos citar os produtos eletrônicos, tais como tuações mais comuns de erros e quais as áreas
telefonia celular, computadores e seus periféricos. que contribuem para aumentar a responsabilida-
Como resultado final, temos um aumento de dessa atividade que faz parte da logística re-
muito grande de resíduos sólidos produzidos nas versa:
grandes cidades e depositados de uma forma in-
devida nos “lixões” e aterros sanitários, pelo fato ƒƒ Comercial: nessa área, é comum a
de as empresas não possuírem canais reversos e ocorrência de erros provenientes da
de pós-consumo devidamente organizados e es- digitação indevida da quantidade, va-
truturados, dificultando a sua gestão. lor, dimensão, peso, endereço; modelo;
Por isso que a preocupação com a preserva- características dos produtos ou bens;
ção do meio ambiente é tão falada e tão defendi- datas ou horários incompatíveis com
da nos dias de hoje. Para contribuir com tal ideal os dados e informações transmitidos

60
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pelos clientes. Tais erros interferem di- em prestar bons serviços, diminuir custos e em
retamente na elaboração do pedido, oferecer bons produtos aos seus clientes.
emissão da nota fiscal e da fatura de co- Em busca desses objetivos, a identificação,
brança. o apontamento e a mensuração das fontes de er-
ƒƒ Comunicação: muitas vezes, por não ros serão importantes para se criar um histórico
existir tecnologia ou integração entre que contribuirá para a elaboração dos planos de
os sistemas de informação, a comunica- melhorias e soluções.
ção entre as áreas responsáveis se torna
um problema também para os clientes. Pós-consumo
ƒƒ Transportes: essa área é a grande res-
ponsável pelas cargas e pelas entregas,
Em relação aos produtos consumidos e às
que muitas vezes são realizadas com
embalagens, o pós-consumo está se tornando so-
atrasos e avarias, decorrentes de esma-
cialmente e legalmente de responsabilidade das
gamento, encharcamento, tombamen-
empresas. Essa discussão de responsabilidade
to e perfurações durante a movimenta-
ambiental e de sustentabilidade ainda está longe
ção e transporte.
de uma solução concreta entre empresas, gover-
ƒƒ Operacional: os erros mais comuns nos e entidades protetoras. Mesmo nesse contex-
existentes nesta área estão relaciona- to, atualmente, temos alguns casos que envolvem
dos à sobra ou falta de materiais, devi- a responsabilidade das empresas fornecedoras.
do à troca de endereços e de produtos Como exemplo, temos as empresas químicas e de
entregues para os clientes. É bom des- fertilizantes, responsáveis em recolher as embala-
tacar que, nessa situação, não há erro gens utilizadas pela empresa cliente ou consumi-
de informação, e sim erro na execução dores finais. Essa prática é necessária, pois envol-
das atividades de separação dos pedi- ve, além da saúde humana, a preservação da flora
dos e entregas. e da fauna.
ƒƒ Planejamento: erro de previsão, oca- Outras empresas que se enquadram nessas
sionando a falta de produto para ser responsabilidades ambientais, provavelmente,
entregue ou excesso que acabará con- têm que se adequar à legislação vigente para não
tribuindo para que ele se torne produto perderem mercado.
fora de linha.
Na maioria das vezes o pós-consumo é ca-
ƒƒ Qualidade: liberação de lotes ou pro- racterizado por produtos, materiais, insumos de
dutos que não foram inspecionados, e qualquer natureza que já tenham sido utilizados
estes por apresentarem defeitos ou por e se faz necessário dar um destino adequado, que
estarem danificados. não seja o descarte na natureza, como exemplo,
ƒƒ Sanitário: atividade paralela à de qua- temos:
lidade; só que, nesse caso, os produtos
não inspecionados apresentam conta- ƒƒ Papel, papelão, latas de alumínio e gar-
minações ou estão com o prazo de ven- rafas plásticas. Recolhidas de bares, res-
cimento bem curto ou próximo da data taurantes, padarias e lixo – destinadas
limite de validade. para cooperativas de reciclagem.
ƒƒ Materiais hospitalares. Recolhidos de
Os processos que envolvem a pós-venda hospitais e clínicas – destinados a ater-
são considerados como uma fonte rica de infor- ros sanitários.
mações para as empresas que estão preocupadas

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ƒƒ Produtos eletrônicos. Recolhidos dos


Saiba mais
consumidores – destinados para enti-
dades não governamentais e projetos • O
Brasil consome cerca de 2,0 milhões de tone-
socioambientais. ladas de embalagens por Saiba
ano. mais
• 16,5% dos plásticos rígidos e filmes retornam à
produção como matéria-prima.
Na Figura 37, temos um exemplo de proces- • 400 mil toneladas de plástico são despejadas
anualmente nos lixões.
so de doação, reciclagem e destino, demonstran-
do como você e demais consumidores podem
contribuir para que haja o devido descarte e a
destinação de produtos eletroeletrônicos.

Figura 37 – Processo de doação, reciclagem e destinos de produtos eletrônicos.

Fonte: www.ecobraz.org.br

Conforme esse exemplo, e informações No contexto dos produtos eletroeletrôni-


extraídas do site da Ecobraz (2011), você pode cos, temos a:
colaborar com as entidades ou projetos de reci-
clagens, doando seus equipamentos eletrônicos ƒƒ Poluição por descarte de resíduos con-
que não são mais utilizados, e estes podem es- taminantes e tóxicos. Conforme dados
tar funcionando ou danificados. Na sequência, da Ecobraz (2011), esses resíduos des-
será feita a coleta, armazenagem e separação. Os cartados incorretamente podem conta-
equipamentos que estiverem funcionando, serão minar o solo e lençóis freáticos, porque
doados para outras entidades ou integrados para existem alguns materiais e ácidos que
ser utilizados como ferramenta de trabalho em são utilizados na fabricação de equipa-
cursos oferecidos pela própria entidade coletora. mentos eletrônicos que são altamente
Por outro lado, os que não estiverem em condi- contaminantes ou mesmo tóxicos, tais
ções de ser utilizado ou estiverem danificados, se- como: mercúrio, chumbo, cádmio, entre
rão encaminhados para os agentes de reciclagem outros. Esses elementos químicos são
da entidade responsável pela coleta. encontrados em produtos eletrônicos,
Agindo dessa maneira, além de contribuir como: monitores de vídeo, aparelhos
para um planeta mais limpo e sustentável, você de televisão antigos, baterias e pilhas.
também estará contribuindo para que haja a in- ƒƒ Poluição por desperdício de matéria-
clusão digital e profissionalização de jovens ca- -prima. Já as placas de circuito impres-
rentes. so, como são chamadas, estão presen-

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tes praticamente na totalidade, ou seja,


em cem por cento dos equipamentos Atenção
eletrônicos. Essas placas contêm metais
O recall em nosso país é normatizado pelo Có-
nobres, tais como: ouro, platina, silício digo de Defesa do Consumidor, representado
e cobre. Tais produtos, quando descar- pela Lei nº 8.078/1990, artigo 10º, parágrafo 1º.
tados incorretamente, geram dupla po- Abaixo e na íntegra, o teor dos referidos trechos
desta lei:
luição: primeiramente por poluir a área
de descarte e, de outra forma, por con- Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no
tribuir fortemente para o aquecimento mercado de consumo produto ou serviço que
global já que as mineradoras terão que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de
nocividade ou periculosidade à saúde ou segu-
buscar novamente essas matérias-pri- rança.
mas na natureza. § 1° O fornecedor de produtos e serviços que,
posteriormente à sua introdução no mercado
de consumo, tiver conhecimento da periculosi-
Como vivemos na era da informação, a fa- dade que apresentem, deverá comunicar o fato
bricação e consumo de equipamentos eletrôni- imediatamente às autoridades competentes e
aos consumidores, mediante anúncios publici-
cos tendem a crescer drasticamente nos próxi- tários.
mos anos, aumentando, dessa forma, a adoção da
Fonte: Código de Defesa do Consumidor.
reciclagem como solução permanente.

ƒƒ Embreagens e outras peças automoti-


vas. Recolhidas do comércio de varejo
– destinadas para fábricas de recondi-
cionamento.
ƒƒ Lixo orgânico. Recolhido de empresas,
residências, bares, padarias e restau-
rantes – destinado para coleta e conse-
quentemente para o aterro.
ƒƒ Sucatas e aparas de aços. Recolhidas de
indústrias – destinadas para cooperati-
vas ou empresas de reciclagem (Exem-
plo: Empresa de Aços Gerdau).

Como podemos perceber, a atividade do


pós-consumo envolve muito a questão da recicla-
gem, que atualmente é vista como uma grande
oportunidade de mercado. Apesar de ser bastan-
te explorada em alguns segmentos de mercado,
produtos e materiais, a reciclagem possui e apre-
senta uma grande capacidade de crescimento
devido ao potencial de recuperação existente e
não explorado em outros produtos, materiais e
regiões do país.

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7.2 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, estudamos que:

ƒƒ Utilizada para atender às exigências comerciais, legais e necessidades do mercado, no tocante


a questões ambientais, a logística reversa pode ser entendida como a área da logística que trata
dos aspectos de retornos de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro de produção ou
de descarte.
ƒƒ As principais atividades realizadas na logística reversa são: coletar, embalar, expedir materiais
ou produtos já utilizados, para que estes voltem para os fornecedores inicias com o objetivo
de retransformá-los em novas matérias-primas, ou produtos secundários, ou quando for o caso
sejam revendidos, recondicionados, reciclados e, por fim, não tendo mais utilidade, sejam de-
vidamente descartados.
ƒƒ Além da importância legal e estratégica de marketing, a atividade de logística reversa se tornou
relevante para as empresas, devido ao aumento constante do nível de consumo de bens que
possuem uma grande descartabilidade, e por causa da diminuição do tempo de vida útil de
muitos produtos.
ƒƒ A pós-venda está relacionada diretamente aos serviços de montagem, instalação, manutenção,
conserto; troca em caso de defeitos, avaria ou erro de pedido.
ƒƒ Os processos que envolvem a pós-venda são considerados como uma fonte rica de informa-
ções para as empresas que estão preocupadas em prestar bons serviços, diminuir custos e em
oferecer bons produtos aos seus clientes.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

7.3 Atividades Propostas

1. Explique como é o processo da logística reversa?

2. Explique os erros mais comuns e quais as áreas que contribuem para aumentar a responsabili-
dade dessa atividade que faz parte da logística reversa?

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RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

CAPÍTULO 1

1. A Logística pode ser entendida como a área da Administração que cuida do transporte e arma-
zenamento das mercadorias.
Ela abrange um conjunto de planejamento, operação e controle do fluxo de materiais, mer-
cadorias, serviços e principalmente das informações da empresa, integrando de uma forma
racional as funções sistêmicas, desde suprimentos, produção, armazenagem até a distribuição,
assegurando as vantagens competitivas e nível de serviço na cadeia de distribuição e, conse-
quentemente, a satisfação dos acionistas e dos clientes.

2. O conceito de Logística estava essencialmente ligado às operações militares. Ao decidir avan-


çar suas tropas seguindo uma determinada estratégia militar, os generais precisavam ter, sob
suas ordens, uma equipe que providenciasse o deslocamento, na hora certa, de munição, vi-
veres, equipamentos e socorro médico para o campo de batalha. Por se tratar de um serviço
de apoio, sem o glamour da estratégia bélica e sem o prestígio das batalhas ganhas, os grupos
logísticos militares trabalhavam em silêncio, na retaguarda.

CAPÍTULO 2

1.
ƒƒ Carga/Descarga (quando os produtos chegam a um armazém, precisam ser descarregados
do equipamento de transporte);
ƒƒ Movimentação para e da estocagem (entre os pontos de carga e descarga em uma instala-
ção de estocagem, há produtos que chegam a ser movimentados diversas vezes ao longo
de sua permanência);
ƒƒ Atendimento dos pedidos (o atendimento dos pedidos é a seleção dos estoques das áreas
de armazenagem de acordo com as ordens de venda).

2. Alternativa B, pois além do manifesto de cargas e Nota Fiscal, quando se trata de transportado-
ra, deve-se relacionar o romaneio de transportes e o conhecimento de embarque.

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CAPÍTULO 3

1.
ƒƒ Depreciação: corresponde à redução de valor que o veículo vai sofrendo com o decorrer
do tempo.
ƒƒ Remuneração do capital: qualquer investimento que se faça pressupõe um retorno ou re-
muneração do capital aplicado. É isso que o empresário espera, ao investir em uma empre-
sa de transportes. Portanto, a cada serviço que ela presta, tem de embutir em seus custos a
remuneração do capital aplicado pelo investidor.

2. Frete é o contrato de transporte de mercadorias ou o valor a ser cobrado pelo serviço de trans-
porte.

CAPÍTULO 4

1. Distribuição “um para um”: em que o veículo é totalmente carregado no depósito da fábrica
ou num CD do varejista (lotação completa) e transporta a carga para outro ponto de destino,
podendo ser outro CD, uma loja ou outra instalação qualquer.
Distribuição “um para muitos”, ou compartilhada: em que o veículo é carregado no CD do vare-
jista com mercadorias destinadas a diversas lojas ou clientes, e executa um roteiro de entregas
predeterminado.

2. Distribuição física é o ramo da logística empresarial que trata da movimentação, estocagem e


processamento de pedidos dos produtos finais da firma.

CAPÍTULO 5

1. Um sistema TMS (Transportation Management System), ou Sistema de Gerenciamento de Trans-


porte, é um software desenvolvido com o objetivo de melhorar a qualidade e a produtividade
de todo o processo de distribuição. Esse sistema controla toda a operação e gestão de trans-
portes de forma integrada. O sistema permite identificar e controlar os custos de cada opera-
ção de transporte, envolvendo:
ƒƒ Controle de fretes.
ƒƒ Controle de frota e da manutenção dos veículos.
ƒƒ Programação de entregas.
ƒƒ Controle dos recursos humanos nos aspectos de custo e programação de serviço.

2. Eletronic Data Interchange (EDI) ou sistema de troca eletrônica de dados é um sistema de alta
confiabilidade e padronização para as empresas trocarem dados e documentos com seguran-
ça.
Por serem padronizados, transmitem entre as faturas, as destinadas aos bancos, encomendas,
notificações de envio e outras, sem a necessidade de softwares intermediários.

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Logística de Transporte e Distribuição

O uso de sistemas EDI automatiza a atualização dos sistemas automaticamente, proporcionan-


do melhor controle das informações, para tomada de decisões mais acertadas.

CAPÍTULO 6

1. O sucesso da terceirização em logística depende fortemente de contratos cuidadosamente


elaborados, que caracterizem de antemão as obrigações essenciais que cada uma das partes
deverá cumprir.
Muito embora contratos, na sua forma final, devam ser preparados por advogados, é importan-
te que as condições e características técnicas dos mesmos sejam elaborados por pessoal que
estará diretamente envolvido com as operações e seu controle.

2.
ƒƒ Manter foco no negócio principal (core business).
ƒƒ Aumentar a flexibilidade do processo logístico.
ƒƒ Reduzir custos.
ƒƒ Aumentar a cobertura geográfica.
ƒƒ Ingressar em canais e mercados não familiares ou ainda não conquistados.
ƒƒ Substituir área de armazenagem por área de produção.
ƒƒ Melhorar o atendimento ao cliente

CAPÍTULO 7

1. As principais atividades realizadas na logística reversa são: coletar, embalar, expedir materiais
ou produtos já utilizados, para que estes voltem para os fornecedores iniciais com o objeti-
vo de retransformá-los em novas matérias-primas, ou produtos secundários, ou quando for o
caso sejam revendidos, recondicionados, reciclados e, por fim, não tendo mais utilidade, sejam
devidamente descartados. Todas essas atividades fazem parte do processo logístico reverso
existente em uma cadeia empresarial ou de suprimentos.

2.
ƒƒ Comercial: nessa área, é comum a ocorrência de erros provenientes da digitação indevi-
da da quantidade, valor, dimensão, peso, endereço; modelo; características dos produtos
ou bens; datas ou horários incompatíveis com os dados e informações transmitidos pelos
clientes. Tais erros interferem diretamente na elaboração do pedido, emissão da nota fiscal
e da fatura de cobrança.
ƒƒ Comunicação: muitas vezes, por não existir tecnologia ou integração entre os sistemas
de informação, a comunicação entre as áreas responsáveis se torna um problema também
para os clientes.
ƒƒ Transportes: essa área é a grande responsável pelas cargas e pelas entregas, que muitas
vezes são realizadas com atrasos e avarias, decorrentes de esmagamento, encharcamento,
tombamento e perfurações durante a movimentação e transporte.

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ƒƒ Operacional: os erros mais comuns existentes nesta área estão relacionados à sobra ou
falta de materiais, devido à troca de endereços e de produtos entregues para os clientes. É
bom destacar que, nessa situação, não há erro de informação, e sim erro na execução das
atividades de separação dos pedidos e entregas.
ƒƒ Planejamento: erro de previsão, ocasionando a falta de produto para ser entregue ou ex-
cesso que acabará contribuindo para que ele se torne produto fora de linha.
ƒƒ Qualidade: liberação de lotes ou produtos que não foram inspecionados, e estes por apre-
sentarem defeitos ou por estarem danificados.
ƒƒ Sanitário: atividade paralela à de qualidade; só que, nesse caso, os produtos não inspe-
cionados apresentam contaminações ou estão com o prazo de vencimento bem curto ou
próximo da data limite de validade.

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