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Avanços e polêmicas

em avaliação psicológica
Claudio Simon Hutz
(Org.)
AVANÇOS E POLÊMICAS
em Avaliação Psicológica

em homenagem a
Jurema Alcides Cunha

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CLAUDIO SIMON HUTZ
(Org.)

AVANÇOS E POLÊMICAS
em Avaliação Psicológica

em homenagem a
Jurema Alcides Cunha

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SUMÁRIO

1 - A tradição em avaliação psicológica no Rio Grande do Sul:


a liderança e a referência de Jurema Alcides Cunha ...................... 7
William B. Gomes

2 - Teoria de resposta ao item: conceitos e aplicações na psicologia


e na educação ............................................................................... 25
Carlos Henrique Sancineto da Silva Nunes e Ricardo Primi

3 - Testes psicológicos: conceito, uso e formação do psicólogo ..... 71


Ana Paula Porto Noronha

4 - Avaliação da criatividade: possibilidades e desafios .................. 93


Solange Muglia Wechsler

5 - O uso da estatística na avaliação psicológica: comentários e


considerações práticas .................................................................. 127
Valdiney V. Gouveia, Walberto S. Santos e Taciano L. Milfont

6 - Métodos Projetivos em Avaliações Compulsórias: indicadores


e perfis ......................................................................................... 157
Anna Elisa de Villemor-Amaral

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7 - Avaliação psicológica e genética............................................... 175
Clarissa Marceli Trentini e Denise Balem Yates

8 - Avaliação psicológica do dependente de substâncias psicoativas .... 199


Irani de Lima Argimon e Margareth da Silva Oliveira

9 - Reflexões sobre o ensino da avaliação psicológica na formação


do psicólogo ................................................................................. 217
Irai Cristina Boccato Alves

10 - Definições contemporâneas de validade de testes psicológicos.... 243


Ricardo Primi, Monalisa Muniz e Carlos Henrique Sancineto Nunes

11 - Leonardo da Vinci, o Rorschach e o movimento.................... 267


Latife Yazigi

12 - Ética na Avaliação Psicológica................................................ 297


Claudio Simon Hutz

Sobre os autores ........................................................................... 311

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A TRADIÇÃO EM AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA NO RIO GRANDE DO SUL:
A LIDERANÇA E A REFERÊNCIA DE
JUREMA ALCIDES CUNHA

William B. Gomes1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

A área da avaliação psicológica foi uma das primeiras


referências profissionais do psicólogo. As medidas psicológicas
surgiram de princípios da psicofísica e da psicologia experimental,
o que demonstra claramente as bases sólidas dessa importante área
de pesquisa e prática. Equipamentos utilizados em experimentos
serviram de avaliação para tempo de reação, atenção e percepção
diferencial. Os mesmos princípios foram adotados na preparação de
medidas para processos psicológicos superiores como o estudo
da memória e da inteligência.
No Brasil, a grande divulgação da avaliação psicológica cou-
be a um jornalista, o pernambucano José Joaquim de Campos da
Costa Medeiros de Albuquerque (1867-1934). Professor, político,

1 Agradecimentos aos bolsistas de iniciação científica que colaboram com o


Projeto Pioneiros, transcrevendo audioteipes e localizando documentos.
Foram eles: Amanda da Costa da Silveira, Adriano Moraes Migliavacca e Erika
Juchem. Também agradeço aos colegas Claudio S. Hutz e Clarissa M. Trentini
pela leitura do manuscrito original e pelas prestimosas informações.

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literato, Medeiros de Albuquerque é considerado um pioneiro


da psicologia brasileira (Campos, 2001), por vislumbrar muito
cedo a importância dessa nova área de conhecimento e de suas
implicações para a saúde e para a educação. No Brasil, ele sempre
será lembrado por ter escrito a letra do Hino da Proclamação
da República2. Foi ele quem incentivou o irmão mais novo, o
médico Maurício Campos de Medeiros, a ir a Europa e estudar
psicologia experimental e psiquiatria com Emil Kraepelin (1856-
1926) e George Dumas (1866-1946). Ao voltar, Maurício criou
um laboratório de psicologia no Hospital Nacional dos Alienados.
A instalação de um laboratório de psicologia em um hospital
sugeria o potencial dos equipamentos e das técnicas tanto para
pesquisa quanto para avaliação psicológica. Em seu livro sobre
Tests3, Medeiros e Albuquerque faz uma minuciosa descrição dos
critérios utilizados na construção dos testes de inteligência para
uso individual e coletivo, com fartos exemplos. Interessante ele
ter mantido do verbete tests no título, pois o equivalente teste já
existia na língua portuguesa desde o século XIII (Houaiss, 2001).
Certamente, ele queria chamar atenção para a novidade que estava
sendo apresentada.
No livro, Medeiros e Albuquerque mostra familiaridade
com os trabalhos de Alfred Binet (1857-1911) e de Lewis Madison
Terman (1877-1956), dedicando todo um capítulo às formulações
dos testes de inteligência. A maior preocupação dele era o uso de
critérios científicos de avaliação em escolas, para valorizar a apro-
priação do conhecimento pelos estudantes e evitar julgamentos

2 Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
3 O livro foi digitalizado pelo MuseuPsi da UFRGS e está disponível em
http://www.ufrgs.br/museupsi/tests.htm

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WILLIAM B. GOMES

equivocados e injustos dos professores. Suas considerações sobre


avaliação continuam atuais e bem que poderiam ser levadas a sério
pelos profissionais da educação.
No início dos anos 1940, os testes estavam presentes em
todos os campos de atuação da nascente ciência psicológica. Com
a Segunda Guerra Mundial, investiu-se muito na preparação e
na aplicação de testes para recrutamento, orientação e, poste-
riormente, em tratamentos de combatentes e ex-combatentes. As
repercussões dessa pesquisa e aplicação foram enormes, alcançando
também o Brasil. No Rio Grande do Sul, os testes chegaram dire-
tamente da Europa e dos Estados Unidos, trazidos por psiquiatras
como Décio de Souza, que na década de 1930 havia estudado na
Europa, ou mesmo por Oscar Machado da Silva, que na década
de 1920 estudara nos Estados Unidos.
A inauguração das Faculdades de Filosofia em Porto Alegre
trouxe para as salas de aula o interesse pelos testes psicológicos,
estimulados pelo professor psiquiatra Décio Soares de Souza (1907-
1970), um grande usuário do teste de Rorschach. Para se ter ideia
da importância desse teste na psiquiatria gaúcha, basta dizer que
em 1949 O diagnóstico da personalidade em clínica ginecológica
pelo teste de Rorschach foi título de tese de livre-docência para a
cadeira de Ginecologia da UFRGS, defendida pelo médico Newton
A. Prates de Lima. Foi Décio de Souza quem iniciou a prática de
estágios em psicopatologia, na época frequentados por estudantes
de filosofia, interessados na prática psicológica (Gomes, 2006).
O grande herdeiro da psicologia aplicada de Décio de
Souza foi Nilo Antunes Maciel (1920-1993), indicado por ele
para ser assistente do professor que o substituiria, quando de sua
viagem a Londres para formação em psicanálise. O prof. Victor
de Britto Velho (1915-) assumiu a teoria e Nilo Maciel ficou com
as aulas e práticas e supervisões de estágios. Nilo Maciel passou
a ser a grande referência para avaliação psicológica em Porto

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Alegre, criando serviços para organizações, como o Departamento


Estadual de Estradas e Rodagens, a Carris, e a antiga Viação Aérea
Rio-Grandense (Varig). Manteve um serviço de avaliação psicoló-
gica, muito procurado pelos médicos psiquiatras para diagnósticos
clínicos. A avaliação psicológica também prosperava nas Escolas
Normais, como evidenciam os Boletins do Centro de Pesquisas
e Orientação Educacionais (CPOE) da Secretaria de Educação e
Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, e a criação de Gabinetes
de Psicologia nas Escolas Normais (Gomes, 2006).
Na década de 1950, o estudo de psicologia se transfere da
UFRGS para a PUC-RS, com a criação de cursos de especialização
em psicologia que funcionaram até a abertura do curso de gra-
duação em 1962. A partir dos anos 1960, a avaliação psicológica
terá nova referência em Porto Alegre, a simpática morena Jurema
Alcides Cunha, que começava a se destacar com suas pesquisas
sobre testes de inteligência.
Jurema Alcides Cunha nasceu em Porto Alegre (RS), em 30
de outubro de 1925, e faleceu na mesma cidade em 20 de agosto
de 2003, de complicações de um infarto. Deixou duas filhas e
cinco netos. Seu pai era militar, chegando ao posto de coronel do
Exército, e sua mãe, professora. Seu pai também foi professor de
português e latim. Seu primeiro contato com a Psicologia foi no
Curso Normal do Instituto de Educação Flores da Cunha, onde
estudou com Victor de Britto Velho, Graciema Pacheco (1910-
1999) e Elmira Flores Cabral Pellanda. Em 1946, assumiu uma
cadeira de professora primária no Grupo Escolar Rio Branco, em
Porto Alegre. No mesmo período, iniciou seus estudos de filoso-
fia, primeiro na Faculdade Católica (futura PUC-RS), e depois na
Universidade do Rio Grande do Sul, atual Universidade Federal
(UFRGS), onde concluiu o bacharelado em 1949 e a licenciatura
em 1950. Sua atração pelo curso de Filosofia da UFRGS estava nas
várias disciplinas relacionadas à Psicologia, como psicopatologia e

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psicodiagnóstico, incluindo testes como TAT, PMK e Rorschach.


Entre os professores, estavam Victor de Britto Velho e Nilo Maciel.
Em 1952, passou a lecionar psicologia para o Curso Normal do
Instituto de Educação General Flores da Cunha. Na Faculdade
Católica, predominava a psicologia filosófica de Armando Câmara,
para quem a psicologia tinha se transferido do galinheiro (ironia
ao behaviorismo) para o cabaré (ironia à psicanálise).
Cunha participou dos grandes momentos que estabeleceram
a psicologia no Rio Grande do Sul. Assistiu às aulas do psicólo-
go judeu-húngaro Béla Székely (1881-1955), que fora aluno de
Freud e de Adler. Székely estava residindo em Buenos Aires e, no
início da década de 1950, visitou algumas cidades brasileiras para
proferir conferências sobre psicologia. Com estas, ele abriu um
curso preparatório para a futura especialização em psicologia na
PUC-RS, que antecedeu o curso de graduação. Cunha foi aluna
da primeira turma do Curso de Especialização em Psicologia da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS),
o primeiro desse gênero oferecido no estado (1954-1956). Na
verdade, Cunha havia sido cogitada para ser professora do curso,
mas na época a PUC-RS não costumava incluir professoras em seu
quadro docente. Para não deixar de participar, ela se matriculou e
concluiu o curso. Ainda na década de 1950, participou dos grupos
de Círculo Analítico de Psicanálise de orientação carusiana, fun-
dado em Porto Alegre em 1956 com a presença do próprio Igor
Caruso (1914-1981). Caruso foi um psicanalista que se afastou da
ortodoxia freudiana, e com uma postura espiritualista aproximou-
se da filosofia existencial, sendo bem recebido pelas instituições
católicas que não cultivavam simpatias pelo materialismo de Freud.
Por sua influência, abriu-se espaço em Porto Alegre para a formação
psicanalítica a psicólogos, na época restrita a médicos.
Em 1963, Cunha foi aprovada em concurso para o cargo de
psicólogo da Divisão Especial da Secretaria da Educação do Rio

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Grande do Sul, tornando-se logo a seguir presidente da Comissão


de Pesquisa, organizada para colaborar com um projeto de pes-
quisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de Maryland,
com apoio do Foundations Funds for Research in Psychiatry e
da Fullbright Comission, coordenado pelo dr. Eugene B. Brody.
Por esse intercâmbio, Cunha foi, entre 1963 e 1966, professora
visitante da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em
Baltimore, Estados Unidos. O projeto culminou com a publicação
do livro The lost ones: Social forces and mental illness in Rio de
Janeiro (Brody, 1973).
Em 1972, matriculou-se no curso de mestrado em Psicologia
da PUC-RS, sob a orientação de Isacc Sprinz, concluindo-o em
1977 com a dissertação Sinais simbólicos de agressão no teste de
Bender e a dimensão da normalidade – anormalidade. Ainda em
1977, defendeu sua tese de livre-docência, intitulada Suicídio e o
teste de Bender. Neste mesmo ano, Cunha passou a integrar o grupo
de professores fundadores do Curso de Psicologia da Universidade
do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o segundo curso de formação
em Psicologia do estado, que recebeu a primeira turma em 1972 (o
primeiro foi o curso da PUC-RS, fundado em 1962). Para compor
o corpo docente da Unisinos, ela convidou o psicólogo Claudio
Simon Hutz, que acabara de chegar da Universidade de Haifa, em
Israel, onde havia concluído o bacharelado em Psicologia. Para
Hutz, o convite de Cunha foi um marco em sua vida, em dois
sentidos. Foi quando começou a se interessar pela pesquisa em
avaliação psicológica e também pela carreira universitária.
Em 1977, Cunha transferiu suas atividades de docência e
pesquisa universitária para a PUC-RS, passando a integrar o corpo
docente do curso de mestrado em Psicologia, lá permanecendo
até 1998. A partir de 1999, ela passa a colaborar com os cursos
de mestrado e doutorado em Psicologia da UFRGS, vinculada ao
Laboratório de Mensuração, coordenado por Claudio S. Hutz.

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Com efeito, as últimas edições do celebrado Psicodiagnóstico


indicavam a UFRGS como afiliação institucional.
As publicações de Jurema Alcides Cunha concentram-se na
área dos testes e medidas. Realizou a padronização do Inventário de
Inteligência Não Verbal de Pierre Weil (1924-2008) para escolares
adolescentes do estado Rio Grande do Sul, e do Teste Projetivo
Holtzman Inkblot Technique para o mesmo estado. Outros instru-
mentos que receberam atenção de Cunha foram as escalas Beck,
o Teste das Fábulas e o Teste Wisconsin. Ela escreveu cerca de
trezentos artigos de divulgação psicológica para o jornal Correio do
Povo, de Porto Alegre, e traduziu vários livros muito utilizados nos
cursos de graduação em psicologia no Brasil, como Ensinamentos
básicos dos grandes psicólogos, de S. S. Sargent e K. R. Stafford
(1969), e Psiquiatria dinâmica, de R. R. Mezer (1972), ambos pu-
blicados pela Editora Globo de Porto Alegre. Em 1970, organizou
um dicionário de termos psicanalíticos também publicado pela
Editora Globo. Uma de suas contribuições mais importantes foi
a organização do livro Psicodiagnóstico, originalmente publicado
em 1986, atualmente na 5a edição, sem dúvida o mais abrangente
livro do gênero no Brasil.
Na última versão do Currículo Lattes/CNPq (on line) de
Jurema Alcides Cunha constavam 37 artigos, 32 capítulos de
livro, doze organizações de livros e 26 orientações de disser-
tação de mestrado. Uma obra expressiva na área da psicologia
no Rio Grande do Sul para um pesquisador da sua geração, que
acompanhou a transição da formação em cursos de filosofia para
cursos psicologia propriamente. Entre os muitos psicólogos e
pesquisadores influenciados por ela, gostaria de mencionar alguns
nomes representativos, pelo reconhecimento alcançado tanto Rio
Grande do Sul quanto no Brasil. Além de Cláudio Hutz, uma das
principais referências na área da avaliação psicológica, cabe citar
sua ex-orientanda de mestrado Blanca Susana Guevara Werlang,

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AVANÇOS E POLÊMICAS EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUC-


RS, atual diretora do Instituto de Psicologia dessa universidade; e a
ex-orientanda de iniciação científica Clarissa Marceli Trentini, pro-
fessora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS,
atual chefe do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento
e Personalidade. Tanto Welang quanto Trentini são exemplos re-
presentativos, entre muitos outros, do trabalho de formação de
pesquisadores desenvolvido por Cunha.
Um mês antes de falecer, uma semana após sofrer um infarto,
Jurema Alcides Cunha foi homenageada no I Congresso Nacional
de Avaliação Psicológica, realizado entre 23 e 26 de julho de 2003
na PUC-Campinas (SP). Como já estava muito doente, não pôde
comparecer, sendo representadana cerimônia por Blanca Werlang.
No entanto, o Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (Ibap),
entidade promotora do evento, fez chegar às mãos de Jurema,
pouco antes de seu falecimento, o troféu e o texto da homenagem.
Foi realmente um reconhecimento justo a essa pioneira da pesquisa
em psicologia no Brasil. Clarissa Trentini, presente a essa singela
cerimônia realizada em um quarto de hospital, disse que ela ficou
muito contente com o reconhecimento.
No início dos anos 1990, visitei vários pioneiros da psicologia
em Porto Alegre, entre os quais entrevistei Nilo Maciel, Graciema
Pacheco, Elmira Pellanda. Em 5 de maio de 1991, em uma tarde
cinza de outono meridional, fui recebido por Jurema em seu apar-
tamento da avenida Independência, em Porto Alegre. Na época,
ela desenvolvia intenso trabalho de pesquisa e atendia seus muitos
orientandos em seu apartamento, quase não saindo de casa. Durante
anos ela lutou bravamente contra o alcoolismo que lhe atormentava a
vida e restringia sua mobilidade. Também fumava muito, acendendo
um cigarro após o outro. Parou de beber e fumar alguns anos antes
de morrer. Já não saía mais de casa, não exatamente por causa do
alcoolismo ou da dependência de cigarro, mas em decorrência dos

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problemas gerados por eles. Nessa época caminhava lentamente


e com alguma dificuldade. Eu poderia omitir esse lado triste de
sua vida, mas não seria justo com ela e com as lições que sempre
extraímos ao refletir sobre a vida e a obra desses grandes pesquisa-
dores. Posso encontrar, nas muitas teorias psicológicas, explicações
e interpretações para o fato, mas não é essa a questão. Todos temos
dificuldades e fraquezas, mas podemos impedir que elas afetem
nosso lado produtivo e a contribuição positiva que queremos deixar
para a posteridade. Ainda sobre a rotina de trabalho da Jurema,
Clarissa Trentini lembrou que ela acordava cedo e passava o dia no
gabinete trabalhando, Todo seu trabalho era manuscrito (ou seja,
escrevia todos os seus trabalhos em folhas de almaço e com lápis
2B. Depois, enviava esse material para uma datilógrafa, que acabou
por se tornar sua grande amiga. Embora dominasse a informática
e contasse com um computador bastante moderno em sua sala de
estudo, esse era o percurso de seus escritos
A seguir reproduzo trechos da entrevista, omitindo repeti-
ções e algumas das minhas perguntas, abrindo espaço para a fala
e a reflexão de Jurema, que fala fala abertamente sobre a carreira
profissional e alguns aspectos pitorescos de sua história de vida. Nas
entrelinhas, breves menções aos bastidores do desenvolvimento
da psicologia como profissão e ciência no Rio Grande do Sul. Ela
conclui com uma análise, hoje consensual, sobre as dificuldades
encontradas na formação, no uso e na aplicação de testes psico-
lógicos no Brasil.

A entrevista

William – Como foi sua formação em Psicologia?


Jurema – Comecei pela Filosofia. O primeiro ano cursei na
PUC e depois passei para UFRGS, por uma razão muito simples:

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o que me interessava era basicamente a Psicologia. Não havia curso


específico de Psicologia e a UFRGS estava oferecendo um programa
que satisfazia assim uma iniciação nesse sentido.
William – Como surgiu esse interesse pela Psicologia, numa
época em que esse campo de estudos era pouco conhecido?
Jurema – A Psicologia, de certa maneira, se insinuou
no Brasil pela educação; antes disso fiz o curso de professora
primária, e tive grandes professores; naquele tempo eu os con-
siderava grandes professores de Psicologia: Graciema Pacheco e
Elmira Cabral Pellanda. Quem praticamente me empurrou para
faculdade foi a Graciema, porque ela achava meu desempenho
muito bom e viu que eu gostava muito de Psicologia. Fui fazer
o vestibular sem preparar nada, e levei a única bomba na minha
vida, uma bomba em latim. E isso aconteceu porque peguei o
ginásio em uma época de reforma, o professor demorou a chegar
e só tive uns oito meses de latim.. Quando fui fazer o vestibular,
que exigia cinco anos de latim, eu só tinha estudado oito meses.
Tanto que éramos 22 candidatos e só quatro, que eram padres,
foram aprovados. Mas eu não desisti, passei uma semana daque-
las, estudando dia e noite, preparando os textos que achávamos
que entravam no vestibular. Assim que eu soube do resultado
da UFGRS, lá pelas dez horas da manhã, fui me inscrever na
PUCRS. E, semana seguinte, fiz a prova e saí do exame oral com
elogios ao meu latim! Foi por isso que comecei na PUC, quando
na verdade eu desejava estudar na UFRGS, que tinha currículo
que atendia bastante minhas necessidades iniciais; nós tínhamos
uma boa formação em Psicopatologia e também, vamos dizer,
na linha de Psicodiagnóstico e dos testes...
William – No curso de Filosofia?
Jurema – No curso de Filosofia tive Roscharch, por 1947,
1948. Quem ensinava era o Nilo Antunes Maciel. Nós tínhamos
grandes professores! Britto Velho era um deles. Aliás, Britto Velho

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já havia sido meu professor no Curso Normal. Grandes professores


davam aula naquela época, e nos davam uma boa base em coisas
dinâmicas.
William – A psicanálise já aparecia então com muita força?
Jurema – Sim, já aparecia; me lembro bem de coisas que
tivemos sobre entendimento de neurose, sobre defesas e todo me-
canismo. Tudo isso eu me lembro do curso de Filosofia. Tivemos
Rorscharch, acho que TAT, e também noções do PMK, todas essas
coisas básicas já naquele tempo. A bibliografia estrangeira não
demorava muito para chegar ao Brasil e a influência dos livros
europeus era grande. Em 1952, comecei a lecionar no Curso
Normal, onde dava uma boa noção de Piaget. É curioso porque no
começo de 1960 eu estava nos Estados Unidos e numa discussão
em aula eu tive de ir ao quadro-negro explicar alguns conceitos de
Piaget, que os americanos não estavam entendendo, mas que eu já
ensinava em 1952 para minhas alunas do Curso Normal.
William – Na verdade, nos Estados Unidos ocorreu um
fenômeno muito curioso com o Piaget. Ele esteve lá por volta de
1930 em um grande congresso de Psicologia, e as pessoas se impres-
sionaram muito com o pensamento dele. Nas primeiras edições do
Manual de psicologia infantil, editado por Leonard Carmichael,
ele aparece, depois nas edições seguintes desaparece, para, alguns
anos depois, reaparecer.
Jurema – Ele foi redescoberto nos Estados Unidos por volta
de 1960. Eu me lembro de que em 1952 fazia as minhas alunas
aplicarem todas aquelas perguntinhas do Piaget em crianças, isto
é, de certa maneira já havia uma larvinha de pesquisa. Em relação
à minha formação, concluí o curso de Filosofia em 1949, em se-
guida fiz didática, em 1950, em 1952, depois comecei a lecionar
no Instituto de Educação, e foi nesse momento que começou
aquele movimento na PUC-RS de fazer alguma coisa voltada para
a Psicologia. Trouxeram muita gente da Europa, inclusive o Béla

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AVANÇOS E POLÊMICAS EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

Székely, e com isso germinou na PUC-RS a ideia de um curso de


Psicologia, de cuja organização participei com o Irmão Justo e
com muitas outras pessoas. Trabalhei na organização desse curso,
pois eu era das poucas pessoas que atuavam em Psicologia. No
início eu eraprofessora do curso, mas em pouco tempo houve
uma série de implicações, que nem interessa mencionar aqui,
mas, naquele tempo, quase todos os professores eram padres, ou
homens, e, de repente, a Edela [Pereira de Souza, 1925-2004] e
eu estávamos lecionando no curso de Psicologia. Começamos a
sentir certa pressão, pois diziam que éramos comunistas, entre
outras coisas, e a pressão para sairmos foi aumentando até o
ponto em que acabaram nos dizendo que era porque éramos
mulheres. O diretor quis fazer força, quis lutar contra, mas eu
disse: “Não, até por ser comunista eu posso pedir para eles me
provarem o contrário, mas por ser mulher eu não vou pedir”.
Então nós duas pedimos demissão em caráter irrevogável, uma
situação muito chata. Em resumo, trabalhei na organização do
curso, lecionei e depois de uns três meses deixei de ser professora
e entrei no curso, me tornei aluna.
William – Que disciplina você começou lecionava?
Jurema – Psicodinâmica da conduta, baseada em [Karl]
Jaspers [o livro era Psicopatologia geral]. Como passei a ser aluna,
não apareço com professora. Já a Edela simplesmente saiu.
William – Mas o marido dela, o Chico Pedro [Francisco Pedro
Pereira de Souza], continuou como professor
Jurema – Sim, continuou. Fiz os dois anos do curso e mais
um estágio. Como nessa altura, eu trabalhava no Gabinete de
Psicologia do Instituto de Educação, meu trabalho valeu como
estágio. Naquela época eu já tinha começado a fazer pequenas
pesquisas, levantamentos, coisas simples e coisas complicadas.
William – E o interesse por pesquisa formal, com método e
publicação, de onde veio?

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WILLIAM B. GOMES

Jurema – Sabe que eu não sei dizer? Acho que nós, dessa
turma iniciante, fomos basicamente autodidatas. Houve um em-
purrão inicial, mas eu já sentia que a coisa era muito incompleta.
Eu e outros da minha geração trabalhamos sozinhos e estudamos
sozinhos. Nosso afã de ter de descobrir as coisas, que afinal de
contas é a atitude científica que leva à pesquisa, foi a atitude qu
nos formou, ou a necessidade...
William – Eu, talvez, pudesse ajudar no seguinte aspecto:
você, diferentemente de outros que se interessaram exclusivamente
pela psicanálise, estudou psicodiagnóstico e testes psicológicos com
seriedade, tomando contato com a literatura básica e com os relatos
das pesquisas de onde provinha a informação.
Jurema – Evidentemente, mas acho que o fato de se fazer
perguntas e ter de procurar respostas a qualquer preço certa manei-
ra preparou a atitude de pesquisa. Não só havia modelos, é claro,
como havia uma necessidade básica que levou a uma postura que
é a necessária para se fazer ciência.
William – Ao concluir esse curso pioneiro de formação em
Psicologia na PUC-RS, quais foram os passos seguintes?
Jurema – Concluí o curso em 1955 etrabalhava no Gabinete
de Psicologia do Instituto de Educação, era professora do Curso
Normal, e depois estive na Secretaria do Trabalho. Lá planejei
um serviço que não foi adiante, pois o governo Leonel Brizola o
engavetou. No entanto, José Carlos Fenianos [1930-2003] e eu
fizemos um estudo sobre movimentos grevistas e levamos para
um congresso no México. Eu vivia apresentando trabalhos em
congressos e gostava muito disso.
William – Seu currículo lista mais de trezentas publicações
em jornais e revistas. Uma produção altíssima, mesmo para hoje.
Jurema – Bom, mas nesses trezentos estão também minha pro-
dução no Correio do Povo, em que u tinha uma coluna dominical.
William – E você tratava de assuntos de Psicologia?

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AVANÇOS E POLÊMICAS EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

Jurema – Sim.
William – E as pesquisas? Você já disse que começou a fazer
pesquisa muito cedo.
Jurema – Sim, comecei lá pelos anos 1950. Fiz um estudo
de cinco mil e tantos casos aqui em Porto Alegre sobre as Matrizes
Progressivas do Raven.
William – Chegou a fazer uma padronização?
Jurema – De certa forma, sim. Naquele tempo eu já estava
encucada com aquela coisa de os alunos de melhor nível, que
podiam frequentar colégio particular, davam certo e iam se de-
senvolver mais que aqueles dos colégios públicos..
William – Isso foi publicado?
Jurema – Sim, em um boletim da Sociedade de Psicologia do
Rio Grande do Sul. Depois presidi uma comissão de pesquisa na
Secretaria de Educação. Fizemos um estudo sobre estudantes aqui
no Rio Grande do Sul, na capital. Usei uma amostra representativa
de Porto Alegre, e se fizemos estudos sobre vários pontos de vista,
mas nessa época eu já estava colaborando com a Universidade de
Maryland e com a Universidade do Texas. Foi quando padronizei
o INV para o Rio Grande do Sul; uma padronização em cima dos
estudantes também. Depois me envolvi em uma pesquisa inter-
cultural, porque nessa ocasião o trabalho já deixava de ser apenas
descritivo para começar a incluir hipóteses.
William – E que trabalho marcou essa fase?
Jurema – Isso é difícil de responder. A gente sempre acha
que os últimos são os melhores. Por exemplo, agora estou traba-
lhando com crianças da pré-escola. Basicamente, tenho de lidar
com conceitos teóricos. Eu tenho me perguntado muito sobre
coisas freudianas, especialmente quanto à ética. Tentamos uma
fundamentação teórica para encontrar indicadores eos resulta-
dos são bem interessantes. Nessa pesquisa temos 192 crianças,
sendo 50% de famílias intactas e 50% de famílias fragmentadas.

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No outro corte da mesma amostra há 50% de nível socioeconômico


baixo, outro médio; queríamos ver se aquelas coisas que Freud
disse sobre a família burguesa no fim de século passado acontecem
agora. E, em certo sentido, só posso achar que as últimas coisas
é que estão melhores, porque, de repente, sentimos que estamos
tentando, aos poucos, testar certos conceitos, eisso, evidentemente,
acho um meio de pesquisa bem mais que outros.
William – Qual foi o impacto do mestrado que você fez na
PUC-RS na sua formação? Quem foi seu orientador?
Jurema – Isso é meio difícil dizer. Primeiro fiz um projeto de
pesquisa, orientada pelo Isacc Sprinz [médico psiquiatra e psica-
nalista, por muitos anos professor da PUC-RS]. Mas, na realidade,
me lembro que passei mais ou menos uma hora conversando com
ele, sobre as minhas ideias. Nós conversamos e depois, creio que
umas duas semanas antes de eu defender, no encontramos por
mais uns quinze minutos. Ele me deu boas sugestões, mas na par-
te de metodologia quem me deu uma mão foi o [Luis] Pasquali
[Pasquali foi coordenador do curso de mestrado em Psicologia na
PUC-RS, 1974-75].
William – E as suas viagens aos Estados Unidos?
Jurema – Estive umas três vezes lá. A primeira vez quando
fui a um congresso no México e emendei com os Estados Unidos.
Estive algum tempo na Universidade de Maryland. Depois voltei
para visitar os principais serviços de psicologia, naquele tempo eu
lidava também com reabilitação, psicologia da reabilitação, por
isso me interesse por psicologia clínica e psicologia da reabilitação,
listando os serviços que me interessavam. O Departamento de
Estado fez todos os contatos e fui de Washington a San Francisco.
Por fim, trabalhei durante três meses na Universidade de Maryland,
preparando uma pesquisa que depois se desenvolveu no Rio de
Janeiro, na qual eu trabalhei durante uns três ou quatro anos, ou
pouco mais. Concluída a coleta de dados sociais e doenças aqui,

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estive mais uns seis meses lá, preparando o material. A pesquisa


abordava a influência das forças sociais na doença mental.
William – Voltando a Porto Alegre, sei que você foi cedida
pela Secretaria a Educação à UFRGS, lotada na Faculdade de
Medicina.
Jurema – Exato, trabalhei cinco anos na Medicina
Comunitária, inclusive dando aulas. Agora vou fazer um parêntese
porque você parece interessado na minha vida Eu utilizei minha vi-
da como funcionária pública como um jeito de conhecer um pouco
de tudo. Estive à disposição de escolas, do serviço de reabilitação,
decreched. Trabalhei algum tempo com essa parte de medicina.
Usei isso para mimassim: “Isso já conheço bastante, então deixa ir
para outro lugar.” Eu conseguia ser posta à disposição, ficava três,
quatro anos, onde eu achava importante, para conhecer diferentes
populações, diferentes áreas da psicologia. Foi muito bom, porque
em geral a pessoa tem de trocar de emprego para fazer isso.
William – Ou seja, seu emprego básico durante esse tempo
todo foi a Secretaria de Educação.
Jurema – Foi. Eu me aposentei como psicóloga da Secretaria
da Educação.
William – E quanto ao trabalho docente na PUC-RS?
Jurema – Eu comecei a dar aula na PUC-RS depois que fiz
o meu concurso de livre-docência. Antes da PUC-RS, lecionei na
Unisinos. Minha dissertação de mestrado e minha tese de livre-
docência foram trabalhos complementares. Na de mestrado,
validei certos sinais que para mim tinham significação de agressão
no Bender, e na tese de livre-docência usei esses subsídios para
testar certos conceitos. Na livre-docência não havia orientação.
Os exames incluíam uma prova escrita sobre um tema sorteado na
hora. E podáimos levar bibliografia. Depois havia prova de títulos,
prova oral e didática, e a defesa da tese. Aí você tinha o título de
livre-docente e o título de doutor, era assim no meu tempo.

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William – Já que sua carreira foi toda envolvida com ava-


liação psicológica, como você assistiu ao desprestigio da área nas
décadas de 1970 e 1980?
Jurema – Em primeiro lugar, uma questão filosófica, influên-
cia das coisas humanistas, de achar que de repente não era certo,
não era correto, não se deveria lidar com o ser humano dessa forma
aplicando testes. Depois, acho que o próprio descrédito. Porque os
testes tiveram aquele primeiro grande impulso durante a guerra e
depois as atividades de pesquisa não foram muito adequadas, ou
não acompanharam o desenvolvimento em paralelo com outros
tipos de atividades científicas. Acho que foi na década de 1960 e
depois de 1970 que houve uma retomada. E, em terceiro lugar,
digamos, pelo próprio fato de a Psicologia oferecer um leque de
oportunidades de realização, então isso fez muitos psicólogos se
afastarem de uma função, digamos, que lhe seria exclusiva, quan-
do outras não são, mas acho que houve muita, como posso dizer,
houve muitas oportunidades profissionais na Psicologia. Por outro
lado, estamos de portas fechadas, apesar de haver um gravador,
mas em todo caso, as faculdades preparam mal. A verdade é que
o aluno sai como profissional sem saber muitas vezes manejar os
testes; portanto, se há outras possibilidades, é melhor fugir do
que tenho medo, não é mesmo? Acho que tudo isso contribuiu
para essa situação.

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Referências

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GOMES, W. (Org.). Psicologia no estado do Rio Grande do Sul.
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MEDEIROS E ALBUQUERQUE Tests. Rio de Janeiro: Livraria
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Ensinamentos básicos dos grandes psicólogos. Trad. Jurema Cunha.
Porto Alegre: Globo (1969). (Publicado originalmente em inglês,
1965).

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