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Assunto: Óptica Física Interferência

Colocar limite da óptica geométrica

Um exemplo fundamental para demonstrar a natureza ondulatória da luz foi Para analisar efeitos como esse precisamos de uma representação do sinal
realizado em 1801 por Thomas Young. luminoso.
Sabemos que a luz é uma onda descrita através da propagação ondulatória
dos campos elétricos E e magnéticos B perpendiculares entre si.

Uma vez que esses campos são vinculados pelas equações de Faraday e
Ampère-Maxwell, oscilam sempre em fase na direção de ExB.

Entretanto, para entender os efeitos de interferência e difração da luz, não é


necessário, na maior parte dos casos, levar em conta seu caráter vetorial.

Analogamente para uma onda esférica, proveniente


Simplifica o tratamento empregar uma função de onda escalar E(x,t) de uma fonte puntiforme.

  
E ( x , t )  Re[v ( x )e it ] 
v( x )  Ae  i
eikr r x
r
Parte temporal

Na representação de uma onda plana por exemplo:  A


E ( x , t )  cos( kr  t   )
r
   
v ( x )  Ae  ie ikx E ( x , t )  A cos( k  x  t   )
Fase da onda
A intensidade I da luz está associada a função de onda E(x,t) pela relação:

  2
 k

n
 I ( x )  v( x )
v c
k Que é cte para uma onda plana e
cai com inverso do quadrado da
Velocidade de fase Índice de refração distância à fonte p/ uma onda Pois: e  it e it  1
esférica.

1
 2
I ( x )  v1 ei1  v2 e i 2
No experimento de Young com luz monocromática, a função de onda
resultante num ponto P é a soma de duas contribuições, uma proveniente do
orifício P1 e outra de P2
 2 2 2
   I ( x )  v1  v2  v1 v2 e i (1 2 )  ei (1  2 )
E ( x, t )  Re[v1 ( x )e it  v2 ( x )e it ]

Logo a intensidade resultante em um determinado ponto P no anteparo O é


1
cos( 2  1 )
   2  2
I ( x )  v1 ( x )  v2 ( x )

I ( x )  I12  I 22  2 I1 I 2 cos 
Como o fator temporal não afeta o resultado( e  it e it  1)para ondas
monocromáticas podemos omitir o fator temporal na analise.
Diferença de fase entre as duas ondas
Temos portanto  2
I ( x )  v1 e i1  v2 ei 2 É a lei básica da interferência entre duas ondas !

I=4I1 construtiva

I ( x )  I12  I 22  2 I1 I 2 cos  Em particular, se I1=I2 resulta
I=0 destrutiva
par

Para   2n  cos   1 Sempre que n=0, 1, 2,3...

I  ( I1  I 2 ) 2 Construtiva

impar

Para   ( 2 n  1)  cos   1

I  ( I1  I 2 ) 2 Destrutiva

Uma observação interessante é o fato de que LUZ+LUZ pode resultar em escuridão.

Ae ikr1 Aeikr2
Na análise do experimento de Young a distância d entre as aberturas é muito Nos denominadores de v( P)  v1  v2   podemos substituir r1 e r2
pequena em confronto com a distância entre as fendas e o anteparo. r r
por R com erros desprezíveis, mas não nos expoentes das exponenciais pois:
De conformidade com o princípio de Huygens → ondas esféricas
2
kd  d  1
No ponto de observação P no anteparo: 
 Aeikr1 Aeikr2
Com efeito:
A ikd A ikd
v ( P )  v1  v2   v( P )  exp(ikR  sen )  exp(ikR  sen )
r r R 2 R 2

r1 P Como vimos, o intensidade da onda resultante é: I  I12  I 22  2 I1 I 2 cos 


Considerando que d<<R

P1 r2 Com A2
I1  I 2  e    2  1  kd sen
R θ d R2
d r1  R  sen
2
P2
Onde a interpretação física é imediata
d
r2  R  sen É a diferença de caminho entre as contribuições
2 d sen  r2  r1 entre as contribuições de P1 e P2

2

Além do mais o valor médio de cos2   é ½

 I  2 I1 (1  cos  )  4 I1 cos 2  
2
2

r2  r1  n     2n
Construtiva
 I  2I1
Igual a soma das intensidade das duas
fendas!
  1
r2  r1   n      ( 2n  1) Destrutiva
2 A figura de interferência corresponde apenas a uma redistribuição dessa
 intensidade média

Para que exista a interferência é essencial que as duas porções de luz assim
combinadas sejam originárias da mesma fonte!

Essa condição foi empregada quando admitimos que P1 e P2 oscilam em


fase!
A primeira vista parece haver um problema com a energia, pois LUZ+LUZ=escuro.
Mas não existe tal problema, pois a onda é bidimensional (superfície se propagando)
e não uma linha!

A intensidade correspondente é proporcional a N


2
É oportuno aqui, portanto, discutir um conceito fundamental tanto em 2 i j
óptica quanto na mecânica quântica, a COERÊNCIA. E  A e
j 1
j

Consideremos agora uma superposição de muitos feixes de luz, todos



N N N
2 i j 2 i ( k  j )
monocromáticos e de mesma freqüência angular ω, propagando-se na mesma E   A je   Ak ei k   A j   A A e j k
direção, mas com defasagens relativas distribuídas ao acaso. j 1 k 1 j 1 jk

Num dado ponto do espaço, a onda luminosa é então da forma: N N N

 A A e 
2 i j 2 i ( k  j ) i ( k  j )
E   Aje   Ak ei k   Aj   j k e
N j1 k 1 j 1 j k
i j it
E   Aj e e
j 1 1
cos(k   j )
2
 2
N
E   I j  2  I j I k cos( k   j )
Onde Aj é a amplitude real da j-ésima contribuição, e φj sua constante de fase no j 1 j k
ponto considerado.

Que é uma generalização da Lei de interferência entre dois feixes.

2
N
Difração
E   I j  2  I j I k cos(k   j )
j 1 j k É o nome genérico dado aos fenômenos associados a desvios da propagação da
luz em relação ao previsto pela óptica geométrica.
Δjk
Na verdade, o efeito de difração é um fenômeno ondulatório em geral e não
apenas óptico.
Como φk estão distribuídas ao aaso, o mesmo vale para Δjk. Então para
N grande os valores de cos(φk-φj) estão equidistribuídos, com valores Os efeitos de difração são apreciáveis quando os obstáculos são de
positivos e negativos igualmente prováveis! Isto implica que os termos dimensões comparáveis ao comprimento de onda.
de interferência tendem a se cancelar.

N Ondas incoerentes
 I  Ij
j 1
produzem uma
intensidade cuja
resultante é a soma das
intensidade de todas as
fontes!

Propagação Retilínea Desvios da Propagação Retilínea: Difração

3
Extremidade de um objeto:
Raios X Életrons Neutrons
tela

Cristal de C60 Quasi-cristal


fonte I/I0 canto

Objeto opaco região de s ombra

Objeto Circular:

Agua

A dependência os padrões de difração pode ser descrita pela diferença


de caminho percorrida pela luz ao ser espalhada pelo objeto difratante. Esta
É costume classificar os fenômenos de difração em duas categorias, conforme a
diferença de caminho dos raios de luz representa uma defasagem nas ondas
distância R entre o “objeto difratante” e o anteparo de observação (detector).
difratadas, que por sua vez vão gerar interferência.

Para R não muito grande, a imagem observada preserva semelhança com a Pode-se deduzir matematicamente as condições de máximos e mínimos
forma geométrica do objeto, embora apareça rodeada ou entremeada por para diferentes formas geométricas do objeto difratante, ou seja, as relações entre
franjas claras e escuras. as dimensões do objeto e propriedades das ondas difratadas.
Cristal de C60
Objeto Circular: Fenda dupla

sy nchrot ron
3e geração
Nano crist al
Para R→ ∞ o resultado passa a depender somente a direção de observação, difração em
t orno de um
não guarda a semelhança com o objeto difratante. plano ( 1 1 -1)

I. Robinson et al., Phys. Rev. Lett. 87, 195505 (2001)

Salvo as diferenças geométricas e da energia da luz, portanto, a idéia é exatamente a


mesma, interferência!

sen( x )
No caso por exemplo, de difração por uma fenda única de largura a pode-se E portanto tem máximo central em α=0 ou θ=0 pois lim 1
mostrar que o campo (onda) num ponto arbitrário P no anteparo a<<R é dado x0 x
por: Vemos que sempre que α =mπ temos intensidade nula!
Lembrando que k=2π/λ e kasen 
E  E cos( kr  t ) 
2

sen
E  Em Em a amplitude
da onda que
 atinge a fenda.
Expressamos a
kasen condição de mínimo
 como segue:
2

(min. – franjas escuras)

4
The Optics project: http://webtop.msstate.edu/index.html

(a) (a)

(b)
Fortran

I Simular e plotar

=650nm
=430nm

0 
A B
só vermelho só azul

Maior energia, melhor resolução.

Difração de fendas múltiplas

(b)
Fenda dupla

Combinação do fenômeno de
difração com a interferência

5
onda 2
2
 sen  senN    sen   senN 
E  Em  
   sen 
 cos(kr  t ) I  I0    
É possível se obter para o campo E no ponto P do anteparo para N fendas :     sen 

 sen  senN  Fator de interferência


Fator de difração (envoltória)
E  Em    cos(kr  t ) onde:
kdsen
   sen   com kasen

2

2
Condição de mínimo

Veja que:
A intensidade será:
Portanto, quando β=mπ, o
2 2 fator de interferência vale N2
 sen   senN  Que corresponde a máximos
I  I0    na intensidade
    sen 

Fator de difração (envoltória) Fator de interferência

2 2 Equação de rede 2 2
 sen   senN   sen   senN 
I  I0     I  I0    
    sen      sen 

Se N=1, nos conduz ao caso da fenda única


Se N=2 temos que:
Curva de difração sen2   2sen cos  

sen  sen   2 cos 
Curva de interferência 

2
 sen  2
Que conduz a I  4 I0   cos 
  

a sen  sen 
Se a<<λ  

 1 Assim, 
  
 1

 I  4I 0 cos 2  EXPERIÊNCIA DE YOUNG

Difração de raios x em materiais cristalinos (grade de difração tridmensional


d
2dhkl sin  = n Dispersão: D
(1) d
(2)
  Tomando a equação de rede e
Sample surface diferenciando:

dhkl d sen   m d cosd  md

d m
 
intensidade (u.a.)

d d cos 

5 10 15 20 25
2 (graus)

6
Difração por uma abertura
circular
Importante: aberturas
sistemas ópticos
Primeiro mínimo:

d Disco de Airy
(círculo central)

Critério de resolução de Critério de resolução de


Rayleigh Rayleigh
A mínima separação
angular possível de ser
resolvida ou o limite
angular de resolução é:

máximo do disco de Airy


Fontes bem resolvidas de uma das fontes
coincide com o primeiro
mínimo do padrão de
difração da outra fonte.
Como ângulos são
pequenos:

Critério de resolução de Critério de resolução de


Rayleigh Rayleigh

Maior aproximação

Difícil separação

7
Verificação
Lembrando:

Suponha que você mal consiga resolver dois pontos vermelhos


por causa da difração na pupila do olho. Se a iluminação
ambiente aumentar, fazendo a pupila diminuir de diâmetro, será
mais fácil ou mais difícil distinguir os pontos? Considere apenas
o efeito da difração.

Portanto diminuindo d ficaria mais difícil resolver as


duas fontes.

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