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Na obra modernista de Graciliano Ramos “Memórias do Cárcere”, o autor ficou encarcerado

ao decorrer do regime do Estado Novo e denuncia em seu livro a violência, as condições


insalubres e as diversas crueldades vivenciadas no presídio. Consoante a literatura a realidade
apresentada ainda permanece no atual sistema carcerário brasileiro, uma vez que a sociedade
demonstra uma grande indiferença por esse lamentável cenário e existe uma evidente
negligencia estatal. Dessa forma, percebe-se que tais circunstâncias implicam na superlotação
de presídios e na reincidência de antigos presidiários, tais problemáticas são consideradas uma
agravante a atual conjuntura social e necessitam de remediações.

Em primeiro lugar é valido ressaltar que o país possui uma taxa de superlotação carcerária de
166%, tendo a quarta maior população penitenciária do planeta com 622 mil detentos, mas
apenas 371 mil vagas segundo dados do Ministério da Justiça. O sistema prisional brasileiro se
tornou um verdadeiro ponto de estocagem humano, o excesso de penitenciários é absurdo e
esse caos propicia condições extremamente precárias como a ausência de saneamento,
propagação de enfermidades e maus tratos nos presídios. Desse modo, fica claro que este
contexto nupérrimo é nocivo à saúde psíquica e física dos presos, tornando essencial, medidas
para a mudança do mesmo.

Por conseguinte, em seu trabalho Carlos Drummond de Andrade afirma: “No meio do caminho
tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”, o poema representa
adequadamente os impedimentos que os presos sofrem após supostamente conquistarem a
liberdade. É indubitável que existe uma grave deficiência a respeito da inclusão social de
antigos detentos na sociedade, sendo uma das maiores dificuldades enfrentadas por pessoas
que comentaram leves transgressões e desejam recomeçar suas vidas, mas encontram
obstáculos em serem empregadas, aumentando a reincidência destas pessoas no sistema
carcerário. Ademais, esta situação pode ser relacionada com a perspectiva Determinista do
século XIX, que afirma que o homem é fruto de seu meio, logo deixando explícito a
necessidade de alternativas que reintegrem estes na comunidade.

Conforme o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o principal responsável por garantir o bem-
estar do corpo social. Sendo assim, cabe ao Governo por meio de investimentos realizar a
criação de programas penitenciários de reinserção, focados na educação e no trabalho de
presidiários, em que estes poderiam ser preparados para serem insertos novamente na
sociedade de forma plena. Dessa maneira, transformando as prisões em projetos de
reabilitação e não de punição, e espera-se assim atenuar a crise da superlotação e diminuir a
reincidência no país.

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