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Unidade III

Unidade III
5 O CARÁTER SUBJETIVO DA COR

A ciência da cor é perturbadoramente complicada. Durante séculos assumiu-se que o espectro


tinha de fazer sentido, que as cores poderiam ser categorizadas e diagramadas de maneiras simples.
Como veremos, isso não pode estar mais longe da verdade. Quanto mais sondamos os mecanismos da
percepção da cor, mais certezas se criam sobre suas complexas interações de associação e simbolismo.
A cor é um assunto tão sensível quanto a religião ou a política e está frequentemente vinculada a ambas.
Há verdades universais sobre nossa interpretação das cores ou tudo é relativo? Semiótica, psicologia e
misticismo contam histórias conflitantes.

Das muitas diferentes maneiras de ver a cor surgem modos de usá-la para modelar o ambiente e
seguir explorando sua aplicação no lar, nos edifícios, na arte e no design. Por meio da história, nossas
atitudes – pessoais ou profissionais – em relação à cor são moldadas pelos gostos e normas dominantes.
Mas quando esses são parte de uma visão de mundo coerente e distintiva? E quando são simples
preceitos que deveriam ser deixados de lado?

Para não arriscar um efeito imprevisível, somos muitas vezes tentados a evitar totalmente a cor.
Vestimo-nos de preto para trabalhar e assim evitar enviar uma mensagem indesejada aos colegas.
Pintamos nossas casas com cores neutras antes de alugá-las ou vendê-las para não espantar
clientes potenciais.

Trabalhar com a cor pode ser extremamente difícil, mais do que experimentar formas. Contudo, não
é tão perigoso como se imagina. É verdade que descrever alguma coisa como colorida é, na melhor das
hipóteses, um elogio ambíguo. Mas muita gente abraça calorosamente novos e excitantes usos da cor.
E são estes usos em diversas áreas que serão abordados aqui.

5.1 O contexto da cor

As associações de cor diferem entre culturas e indivíduos. Uma cor, ou uma composição de cores,
pode significar algo completamente diferente para cada uma das pessoas que olhe para ela. Portanto,
podemos dizer que a cor não é simplesmente formada no olho. A cor pode ser vista como uma dinâmica
de “vendo-visto”, conforme advogava Merleau-Ponty (1908-1961): “um encontro com o mundo e um
encontro com si mesmo” (FRASER; BANKS, 2007, p. 10).

Inspirados pela infinita paleta do mundo natural, aprendemos, durante dezenas de milhares
de anos, a criar e manipular a cor. Contudo, seus efeitos sobre nossas psiques permanecem
misteriosos. Uma forma importante de aprender o conceito da linguagem da cor é compará-la
com o modo pelo qual compreendemos outros idiomas. Todas as teorias da cor são, em algum
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sentido, teorias de linguagem, e o modo pelo qual expressamos as cores nos diz bastante sobre
nossa compreensão do mundo.

A semiótica, ciência que analisa todos os sistemas de comunicação presentes numa sociedade,
pode dar a um significante (palavra, sentença, imagem, som ou mesmo uma cor) o seu significado
independentemente do quão arbitrária a situação possa parecer. Se o signo de comunicação for aceito
por todas as partes que se comunicam, então o sistema criado se fará por entender.

Veja o exemplo a seguir para compreender melhor o que se diz: se um grupo de pessoas não se
importa em chamar um barco de “transatlântico”, não haverá nada de errado a respeito da sua aplicação.
Se todas as partes que se comunicam concordam com o sistema de signos atribuído, então o ciclo estará
fechado e o significado criado.

Uma vez estabelecidos os significados arbitrários, estes persistirão. O mesmo ocorre com as
cores. A cor vermelha, por exemplo, pode ter significado profundamente diferente para pessoas
distintas. As atribuições recebidas pela cor a partir de grupos de planejadores urbanos, místicos,
decoradores de interiores, grupos de religiosos, dentre outros, interfere na criação do significado
simultâneo que a cor recebe.

Certas vezes, sabemos exatamente qual valor está sendo invocado para uma determinada cor em
virtude do contexto. O sinal vermelho do semáforo significa “pare” porque é isto que concordamos que
significa. Porém, o vermelho de um carro não é interpretado como um sinal para parar. Este, por sua vez,
tende a sugerir velocidade e poder.

Algumas pessoas utilizam a expressão “céu de brigadeiro” para indicar que o dia estará propício para
atividades ao ar livre. Consequentemente, em nossas mentes, podemos imaginar o dia com um céu azul
e sem nuvens, ideal para descrever situações felizes, como lazer em família e horas de descanso na praia.
Nesse caso, o céu azul (“de brigadeiro”) está associado a cenas felizes. Mas se alguém falar “fulano ficou
azul de raiva”, isso desencadeará outra reação no ouvinte.

As pessoas frequentemente escolhem as cores em virtude de associações pessoais, enquanto


ilustradores, estilistas e decoradores normalmente não o fazem. Estes escolhem a cor de um ambiente
por alguma razão e a cor da roupa de uma coleção por outro motivo ou por várias outras intenções.
Se você compreender quais são esses propósitos – e quais combinações de signos estão envolvidas –, seu
próprio uso da cor será mais sofisticado.

5.1.1 A cor nas cidades

A vida urbana até pode, de forma subjetiva, ser retratada como cinzenta ou monocrômica. Mas o
que vemos, na maioria das situações, são regiões cheias de cores: edifícios pintados, mosaicos e painéis
coloridos, uso do vidro, plástico e quantos outros acabamentos pudermos contabilizar nas fachadas
das construções. Os espaços públicos com suas sinalizações, as placas das lojas, os tapumes
coloridos etc. formam uma profusão de cores.

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Figura 89 – A iluminação neon predomina nas ruas das cidades modernas. Uma névoa
brilhante opondo-se a qualquer impressão de harmonia e lógica

Conduzir-se em grandes cidades pode ser difícil até para aqueles que moram nelas, quanto mais
para aqueles que a visitam pela primeira vez. A solução é sinalizá-las. A cor pode ajudar a fazer
com que o layout da cidade faça sentido, chamando a atenção para auxílios de orientação local e
codificações espaciais.

Mundialmente, o vermelho significa perigo e sinal fechado para o trânsito. Por sua capacidade
de penetrar mais profundamente a neblina e a escuridão, ele é usado como luz de alarme nas torres
elevadas, cume de edifícios, proas de embarcações etc. Já o amarelo significa sinal de espera, chamada
de atenção para os sinais verde e vermelho; é usado, ainda, como sinal de alarme sanitário, para indicar
áreas contaminadas por doenças contagiosas.

Todavia, nem sempre o uso das cores ocorre de forma consensual. No ambiente urbano, o efeito
da infinita dissipação de cores pode suscitar diversos conflitos. Porém, é inegável que toda e qualquer
manifestação proveniente na cidade é reflexo dos anseios, carências e intenções de seu povo.

Uma das questões mais representativas e polêmicas sobre o uso das cores nas cidades é com
relação ao grafite. O fato de serem ou não um ato de vandalismo à urbes é longo e já rendeu atitudes
enrijecidas de várias autoridades, inclusive no Brasil. A definição do que é arte é relativa e irá
depender das influências de vida, preferências e escolhas de cada indivíduo. O que é incontestável é o
poder e o alcance destas artes. Suas cores e seus padrões se comunicam com a população, espelham
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as necessidades e atraem os olhares para assuntos relevantes, ao contrário do que se produz na


arquitetura urbana despersonalizada. Apenas cobrir essas intervenções urbanas de cinza é o mesmo
que virar as costas para a realidade, como canta Marisa Monte na música “Gentileza”:

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca [...] (MONTE, 2000).

Saiba mais

O artista de rua britânico Banksy é conhecido mundialmente por espalhar


obras que elaboram críticas à política, à sociedade em geral e à guerra
do mundo contemporâneo. Suas intervenções são contra a autoridade e o
poder e estão carregadas de significado social. Alguns de seus trabalhos de
maior repercussão foram entre a região de Israel e Cisjordânia.

Para conhecer melhor o trabalho de Banksy e suas obras contestadoras, acesse:

<www.banksy.co.uk/out.asp>.

5.1.2 A cor na história, cultura e religião

As cores são presentes tanto em culturas arcaicas quanto nos ícones religiosos, tanto nas
plumagens utilizadas em objetos, rituais e adornos pelas civilizações pré-colombianas quanto
nos trajes, adereços e objetos dos abastados e poderosos senhores europeus; tanto nas milenares
culturas asiáticas quanto na produção de objetos das mais diversas etnias do continente
africano. Tal universalidade possui uma força comunicativa e cultural enorme e um poder de
apelo irresistível.

No Antigo Egito, o amarelo, por exemplo, aparecia nos livros dos mortos, nas decorações de palácios,
templos e túmulos para colorir os corpos femininos, em oposição ao vermelho, empregado para os
masculinos. Na mitologia egípcia, o amarelo estava relacionado ao deus Osíris. Associado à vegetação
e à vida eterna, era encontrado nas câmaras funerárias para assegurar a sobrevivência da alma, uma
vez que o ouro que ele representava era a carne do sol e dos deuses de ambos os sexos. Já na mitologia
grega, o amarelo era símbolo da discórdia, podia guardar certa analogia feminina, mas, ao mesmo
tempo, contraditoriamente, simbolizava o másculo carro de Apolo, deus da luz.

Mesmo com os diversos significados atribuídos ao amarelo nos diversos períodos históricos, o que
se evidencia é sua íntima ligação com o ouro, o fruto maduro e o Sol. Na Índia, a faca empregada nos
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grandes sacrifícios do cavalo deve ser de ouro, porque o “ouro é luz e é por meio da luz dourada que o
sacrificado ganha o reino dos deuses”, como rezam os textos bramânicos.

Já o vermelho é uma das mais importantes cores para muitos povos por ser a mais intimamente
ligada ao princípio da vida. Cor da alma, da libido e do coração, ela segue tanto para o profano como para
o sagrado, tornando-se sinônimo de juventude, de saúde, de riqueza e de amor. É a cor de Marte, dos
guerreiros e conquistadores. Era a cor distintiva dos generais romanos e da nobreza patrícia, tornando-
se a cor dos imperadores.

A partir da Comuna de Paris, o vermelho passou a simbolizar a revolução proletária e é atualmente


identificado como símbolo ideológico. Apesar de também remeter à guerra e ao sangue derramado, a
cor compõe uma das bandeiras mais representativas do ideal de trégua e paz mundial do último século:
a bandeira da cruz vermelha.

Diferentes culturas atribuem às cores distintos significados. Cada religião tem sua própria paleta,
que, muitas vezes, se integra a expressões de fé e de adoração. Na arte ocidental, a Igreja tem suas
próprias tradições de usar cores para representar aspectos da fé. No século IV, as cores eram relacionadas
a períodos litúrgicos e, por volta de 1200, sistematizadas em uma paleta de cores que variava entre
o preto, branco, vermelho, verde e roxo pelo papa Inocêncio III. Tais escolhas são usadas até hoje e
referem-se oficialmente a nomes latinos. O branco (albus) é usado no Natal, na Páscoa e em dias santos.
O vermelho (ruber), simbolizando o sangue, em datas associadas ao martírio. O verde (viridis) representa
a vida e é usado rotineiramente, e o roxo (violaceus) é usado durante o Advento e a Quaresma, tempos
de reflexão e penitência. O preto (niger) é reservado para certas missas funerárias, in memoriam e na
Sexta‑Feira Santa. Ou seja, cada matiz foi formalizado por decretos mais ou menos arbitrários.

Figura 90 – A vestimenta como símbolo em atos religiosos da Igreja Católica

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Na tradição islâmica, as cores são concebidas em um nível metafísico, derivando da ideia de


que a luz e a escuridão são duas eternas possibilidades que penetram o universo. O islã confere um
significado particular ao número sete, que determina a construção da paleta de cores convencional
islâmica. Ela se compõe de três níveis, com dois arranjos das sete cores básicas e mais um conjunto de
28. No primeiro nível, por exemplo, as cores fluem para diante no mundo. O preto, a ocultação, deriva
da noção de Deus se escondendo dentro de seu próprio esplendor. O pau-sândalo pode ser visto como
uma base neutra para todas as cores da natureza. O grupo de quatro cores compreende o vermelho,
o azul, o amarelo e o verde. Cada um deles é associado com um elemento: verde é água, amarelo é ar,
azul é terra e vermelho é fogo.

Note como a maior parte destes pares difere das tradições que informam o simbolismo comercial
de hoje: a água normalmente é azul (verifique o logo das empresas de água), também associado ao ar,
enquanto a terra é ligada ao laranja e ao verde.

As cinco cores primárias – branco, amarelo, azul, vermelho e verde – são altamente simbólicas no
budismo. As togas monásticas são tradicionalmente laranja, evitando qualquer dessas cores e indicando
humildade. De modo semelhante, o marrom é usado por algumas ordens cristãs como sinal de pobreza
honrada. O azul é frequentemente usado por freiras.

Figura 91 – Monges – Tailândia

Os costumes sociais também são fatores que intervêm nas escolhas das cores. Por exemplo, em
determinadas culturas, é hábito diferenciar, através da cor, as vestes das mulheres mais idosas das
vestes usadas pelas mais jovens. O mesmo se pode observar na diferenciação dos sexos. Nesse caso,
podemos perceber as mudanças ocorridas nos últimos anos e chegar à conclusão de que, na atual
cultura ocidental, a diferença entre os sexos, felizmente, tente a desaparecer dos hábitos sociais, e um
dos fatores pelos quais podemos assinalar esta mudança é a invasão de cores na roupa masculina.

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Derivando de hábitos sociais estabelecidos durante longo espaço de tempo, fixam-se atitudes
psicológicas que orientam inconscientemente inclinações individuais. Estas são difíceis de serem
quebradas e, muitas vezes, acabam se tornando fundamentos para comentários preconceituosos.

Apresentaremos, a seguir, um quadro de possíveis significados conotativos:

Quadro 1

Sensações visuais Objeto Significado


Branco Vestido de noiva Pureza
Preto Noite Negativo
Cinza Manchas imprecisas Tristeza, coisas sem forma
Vermelho Sangue Quente, excitação
Rosa Cor feminina (bebê) Graça, ternura
Azul Cor masculina (bebê) Pureza, fé, honradez

Esses significados ficam de tal forma enraizados na cultura de um povo que estamos hoje em
condição de ver, na cultura de nosso país, o emprego de sensações visuais na linguagem corrente
para definir estados emocionais ou situações vividas pelo indivíduo.

Observação

É muito comum ouvirmos frases como: “Fulano estava roxo de raiva”;


“Ela deu um sorriso amarelo”; “O susto foi tão grande que ela ficou branca”;
“Estava vermelha de vergonha”.

5.1.3 A cor nas marcas, publicidade e estabelecimentos comerciais

Não é coincidência que o uso mais forte da cor seja encontrado com frequência onde alguém
está tentando lhe vender alguma coisa. Se pensarmos em uma marca famosa, é provável que
automaticamente se pense na cor ou cores que a identificam. Alguns argumentariam que a cor é o
mais importante estratagema de reconhecimento de uma marca e, certamente, é difícil pensar em
uma marca que não tenha uma cor ou combinação de cores associada a ela. A Coca-Cola é vermelha,
a Pepsi é azul e – qualquer que seja sua preferência – essa é a primeira razão pela qual você nunca
vai pegar a garrafa errada.

Tal uso da cor é parcialmente vazio, pois um matiz é escolhido em detrimento de outro meramente
para diferenciar uma marca, não para fazer quaisquer associações literais ou simbólicas. Na lei, as cores
não são, em si, sujeitas ao direito de uso da cor. Uma empresa só pode atuar para impedir outras de
usarem sua própria cor se tiver ocorrido imitação deliberada.

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Para ter ideia dos efeitos causados por uma marca, sua publicidade e cor, vale a pena apresentar
a história do Papai Noel e a cor de sua vestimenta. Até os anos 1930, o bom velhinho podia ser
representado da maneira como o ilustrador quisesse, mas depois que a Coca-Cola o vestiu com
suas cores, como parte de uma campanha para vender refrigerantes gelados no meio do inverno do
hemisfério norte, o vermelho e o branco se tornaram os únicos matizes aceitos pela maioria para
seu guarda-roupa.

Figura 92 – O Papai Noel e as interferências na coloração de seu traje após jogo de marketing da Coca-Cola

Mas, por mais forte que seja a relação da cor com uma determinada marca ou símbolo, atente-se
para a situação a seguir:

Um professor sugeriu a seguinte atividade para seus 50 alunos:

Gostaria que vocês escolhessem, dentre esta imensa quantidade de amostras de cores, o que
é o vermelho para vocês. De imediato, o professor obteve 50 resultados diferentes de vermelhos.
Porém, com a intenção de restringir os resultados, o docente solicitou que os alunos imaginassem o
vermelho dos anúncios da Coca-Cola, referência esta já vista inúmeras vezes pelos estudantes. O fato
do vermelho da marca ser igual em todo o país poderia dar uma expectativa de que os resultados
fossem mais animadores e menos divergentes. Todavia, os discentes continuaram escolhendo muitas
tonalidades de vermelho.

O educador, não satisfeito, mostrou o logotipo vermelho da Coca-Cola com o nome em branco no
meio, de modo que todos visualizassem, por um único sistema de projeção, o mesmo vermelho. Todavia,
a conclusão foi de que seria impossível saber ao certo se cada um teve a mesma percepção da cor.

Por que isso aconteceu? O que isso demonstrou?

Inicialmente, é difícil, para não dizer impossível, lembrar-se de cores distintas. Isso ressalta
o fato importante de que a memória visual é muito pobre em comparação à memória auditiva.

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Em geral, esta última nos permite repetir uma melodia que só ouvimos uma ou duas vezes.
Posteriormente, a nomenclatura da cor é extremamente inadequada. Embora existam inúmeras
cores – matizes e tonalidades – no vocabulário cotidiano, só as designamos por mais ou menos
30 nomes.

Figura 93 – A cor como “propriedade” de uma corporação

Lembrete

As cores possuem um efeito psicológico capaz de quase imediatamente


manipular nossos sentimentos antes mesmo que comecemos a ler o que se
diz a respeito da marca. Mas o modo como as enxergamos é único.

As cores corporativas representam, portanto, um tipo de comunicação traiçoeiro. Cuidadosamente


escolhidas, podem ajudar a passar uma mensagem que, de outra maneira, seria difícil de expressar
apenas com palavras e talvez parecer menos crível. Com a dominação cada vez maior de marcas globais,
o uso da cor se torna mais complicado e, inevitavelmente, mais conservador. Assim como os consultores
linguísticos são contratados para assegurar que um nome cujo teste seja positivo no Brasil não seja
uma expressão obscena em Beijing, os especialistas em cor devem avaliar as associações das cores
corporativas no mundo todo.

É interessante avaliar também a evolução que sofre uma logomarca. A Apple Computer, do
designer Rob Janoff, tinha, nos anos 1970, em seu logo, um padrão de arco-íris, que combinava com
o espírito da década. No final dos anos 1990, as cores deram lugar a uma forma monocromática.
Recentemente exibiu versão cromo brilhante. As mudanças de uma logomarca podem representar

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a sua conexão com um determinado período, ideias de uma sociedade ou, até mesmo, com as
transformações ocorridas dentro da própria empresa – sua evolução tecnológica, a aplicação de
novos materiais etc.

Já a MSN, serviço on-line personalizado da Microsoft, é uma marca que optou por um logotipo
multicolorido. A borboleta é, efetivamente, uma adaptação do familiar logotipo Microsoft Windows,
que é feito de quatro formas nas mesmas cores. Nesse caso, a logomarca está criando um vínculo com
o produto maior da empresa.

Figura 94 – A evolução da logomarca da Apple Computer e o logotipo da MSN serviço,


conectando seus usuários ao grupo Microsoft Windows

Agora, com relação ao varejo, ramo do design de interiores, percebemos o quanto a figura deste
profissional é importante. Ele precisa encorajar o fluxo do tráfego para todas as áreas, chamar
atenção especial onde for necessário e criar um ambiente visual geral coerente, convidativo e
conducente à compra. Assim como com jornais e revistas, a paleta de cores nos dirá com que
tipo de empresa estamos lidando e, se entrarmos no estabelecimento, como a cor nos ajudará a
encontrar o que procuramos.

No exemplo a seguir podemos notar como a qualidade dos desenhos gráficos fala alto a respeito de
um supermercado ou de outra forma de comércio. Imagens combinadas com frases curtas e um tema
laranja ajudam a criar uma experiência de compra que faz as pessoas se sentirem bem. Neste caso, o
uso da cor corporativa assegura que a loja dê um sentido de todo coerente e tenha uniformidade, mas
significa que a navegação não é auxiliada por códigos de cor.

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Figura 95 – Qualidade do desenho gráfico e uso da cor em área de supermercado

No segundo esquema, as cores criam uma aparência fresca e alegre antes de oferecer aos passantes
uma espiada pelos buracos da vitrine. Nesse caso, não somos convidados a julgar a salubridade relativa
dos produtos vendidos no interior da loja. O que se vende é quase que inteiramente invisível.

Figura 96 – Vitrine com grandes faixas de cores frescas e lisas, dando a ideia de produtos igualmente frescos
aos transeuntes que circundam a redondeza. A única possibilidade de ter contato com os produtos do interior
da loja é pelas fendas criadas na vitrine ou adentrando o estabelecimento

Nos estabelecimentos comerciais, assim como nas marcas e propagandas, as cores interferem
nas nossas sensações e atitudes. Quando nos deparamos, por exemplo, com uma rede de fast-food,
ficamos expostos a diversos estímulos. Na maioria das vezes, os ambientes do setor de alimentação
vêm impregnados da cor vermelha. Isto ocorre porque o mercado sabe que tal matiz influencia o
modo como nos alimentamos. Essa cor produz irritação devido à fermentação provocada pela luz e,
consequentemente, faz com que o indivíduo se alimente de forma mais acelerada e desocupe o espaço,

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liberando-o para o próximo cliente. Assim, o fluxo de usuários de uma rede alimentícia é dinamizado,
acarretando em um maior sistema de compras e, automaticamente, de lucro.

Figura 97 – Rede de fast-food e suas cores

Em uma era onde o consumismo faz parte do status quo da sociedade, os fornecedores e empresários
precisam estar certos de que seus clientes chegarão até seus produtos. Cada supermercado e loja de
departamento são encarados como um pequeno país, com suas próprias estradas, mapas e sinais.
Eles se apresentam em sua própria linguagem, em que a cor é parte da gramática. A aparência
indicará qualidades e valores únicos calculados para atrair um público alvo. A publicidade, em todas
as formas, está fortemente ligada à cor, visando passar a mensagem desejada e utilizando do poder
psicológico das cores para buscar o máximo de impacto.

5.1.4 A cor na mídia

Na área de comunicação, as cores, inicialmente, se imprimiam na forma de monótonas fotos,


documentando ou testemunhando os teores textuais verbais (nos jornais) ou na forma de simples
desenhos em preto e branco (em livros de leitura). A fotografia também começou em preto e branco.
No cinema e na televisão não foi diferente. No século XX, a profusão cromática passou a fazer parte do
cotidiano mais corriqueiro da mídia.

Nossos antepassados viveram em um mundo onde as coisas eram em preto e branco. Todavia, com
o aparecimento da reprografia digital houve uma revolução em vários setores, e, consequentemente,
nossas crianças crescem em um meio mais cheio de cor.

Com as novas tecnologias na área a diversidade das cores precisou ser repensada e conquistada em
todos os veículos de comunicação visual.
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No cinema e na televisão a cor pode ser profundamente simbólica, enfatizando determinados


temas ou personagens e – como em publicidade – tentando provocar ou reforçar respostas emocionais.
Essas associações, que ligam repetidamente uma cor a um personagem ou a um tipo de evento na
narrativa, criarão conexões na mente do espectador.

Figura 98 – Publicidade para o filme Kill Bill, 2003, do diretor Quentin Tarantino

Os filmes do diretor Quentin Tarantino são ótimos exemplos do uso da cor como canal de
comunicação. A campanha de publicidade para a primeira parte de Kill Bill relaciona o personagem da
atriz Uma Thurman ao sinal de alerta. Uma faixa preta sobre uma superfície amarela estabelece uma
relação imediata de advertência, reconhecível sem palavras ou imagens, apenas com o uso das cores e
sua distribuição espacial.

Ao longo das últimas décadas é surpreendente notar o avanço das imagens sobre o uso das
palavras, na área da comunicação. O cenário atual é constituído por figuras e ilustrações, ocupando
cada vez mais espaço na mídia impressa, nos livros, revistas, jornais e redes sociais. As imagens devoram
sua própria cria, a escrita. Inflacionadas pela propagação invasiva, as imagens vão ocupando cada
vez mais espaço em nosso cotidiano, não mais ilustrando os textos, mas se propondo como textos,
culminando na expansão dos processos de visualidade e da visibilidade imagética.

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PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

A reprodutibilidade técnica alterou o valor das imagens. O culto que as imagens únicas remetiam
foi substituído pelo valor de exposição trazido pela tecnologia e, atualmente, ocupa a posição de
superexposição. Essa passagem das imagens únicas para imagens reproduzidas faz com que a exuberância
da cor se perca. É preciso resgatá-la, e toda essa análise tem sido fundamental para a recuperação da
magia das imagens e para a preservação de seu fascínio.

5.1.5 A cor na música

Goethe já dizia: “A cor é a música dos olhos”.

A música muitas vezes é acompanhada de danças, das cores dos figurinos e jogos de luzes, do apelo
visual dos clipes e das artes das capas de álbuns musicais. Ela é usada em muitos momentos das nossas
vidas: em celebrações, em liturgias religiosas ou em momentos privados.

Proporcionando a melhor analogia para a cor, a música também compartilha de um vocabulário


cujo teor também registra expressões como harmonia e tom. A atribuição das cores aos sons não é
incomum aos músicos.

Lagrésille, anos atrás, estabeleceu uma proposta de correspondência mecânica entre notas musicais
e as cores, levando a cabo a emissão de diversos sons através de um receptor de ondas de diferentes
frequências em várias oitavas. Essas frequências, posteriormente, foram traduzidas em cores. A relação
criada se estabeleceu como a mais adequada convenção de sinestesia cromática provocada por som e
que se traduz em cor (SANZ, 2009).
Si

Do# La

Re# Sol

Fa

Figura 99 – Relação de sons e cores, conforme a frequência da onda sonora. Sistema de Lagrésille

Não obstante, pode-se pensar que uma transcrição matemática nunca é a melhor maneira de refletir
sinestesicamente o caráter de uma obra, já que dada transcrição elimina o fator expressivo de seus
demais segmentos, cuja importância é decisiva na expressão musical. Portanto, esse tipo de transcrição
só há de ser considerada dada a composição, e não a expressão. Esse trabalho serve como um método
aos músicos apenas para que eles possam buscar novos caminhos de gerenciamento da melodia,
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principalmente quando se está trabalhando com um meio de imagem tão distinto das representações
das notas musicais.

Figura 100 – Transcrição cromática de uma obra musical. Método de Lagrésille. O fragmento recortado
no pentagrama é o que se transcreve em papel quadriculado

Figura 101 – Transcrição cromática de uma obra musical. Método de Lagrésille. O fragmento recortado
no pentagrama é o que se transcreve em papel quadriculado

Já para o grande público, leigo das relações entre as notas musicais e as cores, a relação mais evidente
entre estas fica a cargo das letras das composições. Várias músicas criam um elo de aplicação alegórica
ou simbólica para as cores. Veja o exemplo a seguir da música “Trem das cores”, de Caetano Veloso:

[...] As casas tão verde e rosa vão passando


Ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul quase inexistente,
Azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios
[...]
E o céu de um azul celeste celestial (VELOSO, 1982).

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PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Exemplo de aplicação

Ouça “As quatro estações”, de Vivaldi e crie um diálogo entre a música e um desenho com cores.
Utilize lápis de cor e papel. Introduza conteúdo visual a essa unidade sonora. Manuseie a linguagem
visual a partir das sensações produzidas pela música. Pense a música em todas as suas cores.

5.1.6 A cor no gosto

Para a sensibilização gosto-cor trabalha-se convencionalmente com vários sistemas. O mais


conclusivo foi aquele que, através de questionário visual, interrogava o público sobre qual a cor que
era mais doce, salgada, ácida ou amarga. Diante das várias respostas, o apontamento resultou em um
sistema espectral.

Qual cor é mais doce? Qual cor é mais salgada?

Figura 102 – Exercício de projeção da cor em relação ao gosto

Qual cor é mais ácida? Qual cor é mais amarga?

Figura 103 – Exercício de projeção da cor em relação ao gosto

Sendo assim, a sistemática de mesclas entre cores e gostos foi elaborada a partir da leitura
de signos cromáticos em que, por exemplo, o salgado está atrelado à cor amarela, o ácido ao
verde‑amarelado, o amargo ao verde-azulado, o doce ao magenta, o alcalino ao alaranjado/vermelho
e assim por diante.

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5.1.7 A cor na moda

Na moda, a paleta de cores pode ser um fichário fácil de carregar ou a parede inteira de um estúdio.
Há paletas mais gerais, que criam o sentido de uma coleção ou de uma marca, e há paletas mais
específicas, que exploram possibilidades ou alternativas para determinado look.

Não há regras fixas e definitivas sobre o que pode ou deve ser incluído em uma paleta de cores.
Esta pode incluir materiais, como amostras de tecidos, clippings de revistas ou fotos polaroide de cores
e modelos inspiradores vistos na rua ou em um evento.

A paleta de cores é um espaço para experimentação. Vendo o efeito da justaposição de cores e


acabamentos na paleta, o designer poderá verificar melhor se certos elementos provavelmente
funcionarão bem juntos na prática. O arranjo dos itens pode ser casual, mas, muitas vezes, o estilista
tentará refletir o modo como as cores e as texturas serão provavelmente usadas.

O trabalho do estilista belga Dries van Noten é considerado, conforme palavras do próprio designer,
reflexo da vida real e de vários elementos juntos. Ele diz que gosta de misturar, no figurino, itens clássicos
com outros considerados feios e baratos. Seu processo de criação parte de uma pessoa ou objeto ao qual
ele quer recriar. A emoção deve ser transmitida pelo tecido e, para isso, os materiais serão importantes
para o criador contar essa história (FRASER; BANKS, 2007).

As melhores combinações, para ele, nascem da coincidência. Ao colocar vários tecidos na mesa,
seu olho percorre as superfícies e texturas e decide o que é interessante. Seu processo é considerado
sistemático e de equilíbrio perfeito entre cores, proporções e silhuetas (FRASER; BANKS, 2007).

Nos anos 1990, exerceu grande influência na moda ao expor uma coleção minimalista inspirada em
Bollywood e referências indianas. Na época, muita gente ficou em choque com o desfile, já que não era
comum o uso da cor em coleções. Tecidos exportados da Índia foram utilizados na construção de seu
repertório da estação, com bordados, poliéster, cores brilhantes, em neon e dourado.

Figura 104 – Desfile de moda, coleção feminina (1996-1997), do estilista Dries Van Noten

98
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

O processo de pensamento dos ditadores de tendências oferece previsões sobre as cores


que farão sucesso nas próximas temporadas. A alta-costura está no comando deste processo
de indicações da cor, diante do seu ciclo de desenvolvimento. Um pouco mais lento que o
ritmo do setor da moda é o ciclo de cores do setor de interiores, cosméticos e desenho de
produtos (eletrodomésticos e automóveis, por exemplo). A atitude inconstante diante da cor
é parte incansável do trabalho do designer, que precisa manter os olhos abertos em relação às
tendências cromáticas.

5.1.8 A cor na natureza

Das zebras preto e branco às borboletas de brilho caleidoscópico, dos musgos mais banais às aves
mais exóticas, a natureza está inundada de cores incríveis. Quanto mais a natureza é devastada, mais
cientes ficamos de sua vulnerabilidade e complexidade.

Na natureza, o vermelho, muitas vezes, combinado com amarelo ou preto, sugere veneno ou perigo.
Alguns animais não venenosos astutos usam marcações falsas para convencer predadores de que são
tóxicos. Enquanto isso, flores e frutos que requerem polinização competem para atrair insetos e animais
exibindo suas cores.

Quando nos enfeitamos e decoramos nossas casas com cores, podemos estar enviando
mensagens como: “sou atraente”, “sou sexy”, “sou uma pessoa que cuida de seus pertences”.
No meio animal, as fêmeas geralmente preferem os machos coloridos. Charles Darwin (1809‑1882),
em sua obra sobre seleção natural, sustentava que as cores da plumagem indicam a força da
linha genética – embora os cientistas ainda estejam tentando compreender como isso funciona.
Uma teoria sugere que, como as cores dos animais são feitas de pigmentos raros chamados
carotenoides, que também combatem doenças, um macho que exibe os seus deve ser saudável e,
portanto, um bom parceiro.

Para a autodefesa alguns animais se camuflam, ou seja, mudam de cor para se defender dos
predadores. Porém, essa mudança não é apenas um instinto de sobrevivência diante de ameaças.
Essas transformações podem surgir como um ato de comunicação com os demais de sua raça
para repelir rivais, dar alarme, enganar presas, atrair parceiros em potencial e, consequentemente,
perpetuar a proliferação da espécie.

Não obstante, a coloração protetora permite que o animal se confunda com o fundo, algumas
vezes, auxiliado por semelhança protetora. O bicho-folha, por exemplo, mimetiza o ambiente tanto
na cor como na forma. A coloração protetora de advertência atua como um sinal de “mantenha
distância” para os predadores.

99
Unidade III

Figura 105 – A cor no reino animal

5.1.9 A cor na medicina

Já há bastante tempo tem se verificado uma relação entre nossas sensações visuais e o nosso
organismo. Médicos, psicólogos e pesquisadores científicos em várias partes do mundo têm intensificado
suas pesquisas sobre essa relação aparentemente inexplicável.

Para esta análise, busca-se reunir plataformas científicas que permitam iniciar um estudo da
cromoterapia. Os resultados apresentados têm o intuito de oferecer valiosos subsídios aos profissionais de
decoração, porém, de modo algum, busca substituir as orientações médicas, pois estas são fundamentais
para o tratamento de qualquer doença.

A cor azul, na medicina, está relacionada à pele. Assim, o eczema e a acne, muitas vezes, podem
estar associados a relações perturbadoras que envolvem ternura, amor ou afeto íntimo com a família,
o amor jovem e o casamento. Essa cor também é sugerida para os pacientes maníacos e violentos, já
que é sedativa, curativa e indicada para o uso medicinal de queimaduras e doenças de pele. Seu excesso
favorece a pneumonia, a tuberculose pulmonar e a pleurisia. Ajuda contra doenças de olhos, ouvidos, nariz
e pulmões. No tratamento estético, também é bastante utilizada para o estímulo de colágeno na pele.

O verde-azulado tem suas interações com os órgãos classificados como músculos lisos. Assim, as
úlceras gástricas e as perturbações digestivas são associadas a preocupações excessivas. Ela também
ajuda contra doenças do sistema nervoso e no aparelho digestivo. Certas variações do verde favorecem
as doenças mentais e nervosas.

100
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Os tons de verde podem tranquilizar os pacientes perturbados (níveis mais claros) e estimular e
tonificar o sistema nervoso (níveis mais escuros). Já o laranja, no uso medicinal, é indicado contra a
baixa vitalidade e é tônico e laxativo. O laranja aumenta a vitalidade do sistema nervoso. É indicado para
situações de ossos quebrados e subnutrição. É antisséptico e adstringente.

O vermelho estimula as emoções e perturba o equilíbrio de pessoas normais, produzindo nervosismo,


mau temperamento, fortes dores de cabeça e degeneração moral. Superestimula o sistema nervoso
previne contra pústulas – em caso de varíola –, é indicado para uso medicinal de anemia, icterícia e
amarelão da pele, sendo também efetivo nos casos de envenenamento do sangue. Variações da cor
vermelha favorecem as doenças do coração, bem como os reflexos sobre a pressão arterial.

A cor amarela fisiologicamente aumenta a pressão arterial e os índices de pulsação e respiração


(como o vermelho, mas de forma menos estável). Seu excesso favorece indigestões, gastrites e úlceras
gástricas. Geralmente, produz enjoos no indivíduo que fica exposto muito tempo a esta cor. É considerado
um restaurador dos nervos e é indicado para inflamações.

O violeta é utilizado em casos de febre, congestão, erupção e fraqueza. A cor é associada com um
mau funcionamento da tireoide. Já a cor púrpura é utilizada como um tratamento alternativo aos
remédios antidepressivos. O cinza diminui o nervosismo e a insônia. Cores alegres geralmente estimulam
o apetite, e cores suaves estimulam o repouso.

A verdade é que todas as experiências comprovam a validade do uso da cor na terapia ou


a importância de não usar determinadas cores quando se deseja evitar certos efeitos psíquicos ou
fisiológicos. Por exemplo, recomenda-se não pintar de branco o teto do quarto onde um doente tenha
de permanecer por muito tempo. Como o branco reflete intensamente a luz, pode ocorrer o fenômeno
de ofuscamento, que tem a propriedade de ocasionar no doente uma sensação de cansaço e de peso
na cabeça, considerando-se o fato de ele, na maior parte das vezes, ser obrigado a repousar de costas
e, inevitavelmente, ficar com os olhos no teto. O cansaço que parecia ilógico para um indivíduo em
repouso encontra assim uma explicação.

Tentativas terapêuticas à base de cores vêm sendo desenvolvidas em clínicas de diferentes países.
Há um repertório, por todo o mundo, de interessantes experiências sobre cura através das cores.
Todos esses esforços buscam um elo entre nossa sensação visual e nosso corpo físico e mental.

5.1.10 A cor na arquitetura

O surgimento da cor não teve um papel significativo na maioria das obras arquitetônicas do século XX.
Uma busca sobre arquivos de imagens das edificações mais notáveis do século passado mostrarão que
a profusão de cores não foi empregada na linguagem da arquitetura. Porém, no percorrer dos anos do
novo milênio, arquitetos renomados como Rem Koolhass (1944-), Alessandro Mendini (1931-) e Norman
Foster (1935-) reemergiram com o assunto em uma obra coletiva denominada Colors.

Tais arquitetos acreditam que as edificações devem responder ao seu ambiente, tanto cultural como
geográfico, e nisso o papel da cor pode ser tão grande quanto o da forma. As questões suscitadas pelas
101
Unidade III

metrópoles de uma sociedade de consumo, e de uma comunicação acelerada devem ser respondidas por
um cenário urbano congruente a tais pluralidades.

Exemplo disto é o projeto McCormick Tribune Campus Center, no âmago do Instituto Illinois de
Tecnologia, do arquiteto holandês Rem Koolhaas e de sua equipe do Office for Metropolitan Architecture
(OMA). A construção foi feita por planos de vidro e estruturas metálicas, mas suas fachadas são recobertas
por películas coloridas e de efeito chamativo. Elas são ecléticas, multicoloridas e descontraídas, retrato
de uma sociedade de informação e de intercâmbio cultural. A estratégia projetual de Koolhaas é baseada
na multiplicidade e na adição. A ordem é: “mais é mais”.

Saiba mais
Para buscar informações sobre o projeto de Rem Koolhaas, acesse:
IIT MCCORMICK TRIBUNE CAMPUS CENTER. Disponível em: <http://oma.eu/
projects/iit-mccormick-tribune-campus-center>. Acesso em: 9 abr. 2018.

Para efeito comparativo, há os prédios que Mies van der Rohe construiu em Chicago, muitos anos
antes. Mies, foi um arquiteto moderno, que lançou a metáfora cujos dizeres marcaram o seu tempo e
que, até os dias de hoje, atraem o gosto de muitos profissionais da área: “menos é mais”. Foi baseado no
antagonismo deste conceito que Koolhaas criou sua expressão.

As edificações de Mies deveriam ser “pele e osso”, ou seja, estrutura e membrana externa. Seus projetos
eram regidos pelo princípio de ordem, redução e simplificação. Suas formas regulares, destacadas do
chão, criavam no interior uma amplitude de ausência atraente. O sentimento de vazio do espaço deveria
ser preenchido pela vida.

Figura 106 – Paralelo entre projeto de Rem Koolhaas (painéis de vidro em cores – The McCormick Tribune Campus Center)
e Mies van der Rohe (painéis de vidro – Ilinois Institute of Technology)

102
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

O não uso da cor, no início do século XX, percorre caminho semelhante aos conceitos aplicados
nos edifícios. Em primeiro lugar, os arquitetos do movimento moderno, como Adolf Loos (1870‑1933)
e Le Corbusier (1887-1965) queriam distanciar-se do que viam como cores mal empregadas.
Em segundo plano, a forma de muitos de seus edifícios podia ser enfatizada usando apenas o branco.
Isso não significava que eles rejeitavam as cores. Eles, simplesmente, não viam nas cores características
apropriadas para que fossem utilizadas na decoração das edificações.

Saiba mais

Com relação ao projeto de Mies van der Rohe, acesse:

PEREZ, A. AD Classics: IIT master plan and buildings/Mies van der Rohe.
Archdaily, maio, 2019. Disponível em: <https://www.archdaily.com/59816/
ad-classics-iit-master-plan-and-buildings-mies-van-der-rohe>. Acesso em:
16 mar. 2018.

O Centro de Danças Laban, em Londres, tem uma “casca” de plástico translúcido através da qual o
interior é parcialmente perceptível. Ao cair da noite, a luz, que antes provem da emissão solar, emerge
das luzes internas do edifício. À beira do rio, a edificação se torna uma espécie de farol, que parece
simbolizar sua contribuição para a regeneração do meio ambiente urbano em torno dele.

Figura 107 – Projeto Centro de Danças Laban, dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron

103
Unidade III

A iluminação no ambiente interno, quando locada atrás das paredes de vidro, introduz cores
luminosas ao ambiente, como no exemplo de design contemporâneo da figura a seguir:

Figura 108 – O uso do vidro, luz e cores

O que se pode concluir até este ponto é que o questionamento da aplicação da cor na arquitetura
sempre existirá, e isso é saudável para a evolução das obras. O que não pode ocorrer é a falta de
aplicação de cor por desconhecimento ou por uso impensado e desconectado do urbano. É frustrante
ver edifícios serem pintados de modo a não ter qualquer relação com sua natureza estrutural.

5.1.11 A cor na arte

Os seres humanos sempre criaram arte como uma forma de transmitir mensagens sobre seus
ambientes, rituais, crenças e sentimentos ou, simplesmente, para decoração. As origens do nosso uso
da cor estão perdidas na pré-história. A tela dos primeiros artistas provavelmente foi o corpo humano.

Dando um salto na história, sem menosprezar qualquer expressão artística desse intervalo de
tempo, teremos como ponto de partida uma Roma sobre a influência de Caravaggio (1571 ou 1573-
1610), cuja obra expressava um brutal realismo, sobretudo pela violência dos contrastes de luz e
sombra emergentes de fundos pretos. Esse artista de grande relevância criou o Tenebrismo, que, em
variados graus de absorção, influenciou a pintura de Rembrandt, Velázques, Ribera e inúmeros outros
grandes artistas até o advento do Romantismo.

Em outro extremo, tendo a luz como tema e poesia, Vermeer não influenciaria ninguém, mas sua
obra já registrava os acordes libertários do Iluminismo, a orquestração cromática do Romantismo e o
processo da pura visão como método pictural, que caracterizaria o Impressionismo.
104
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Figura 109 – Narciso, Caravaggio, 1599

Figura 110 – Mulher em Azul, Vermeer de Delft, 1663-1664

Um impressionista que precedeu ao impressionismo foi William Turner. Influência fundamental para
o movimento, Turner alocava cores como vermelho, amarelo e azul a suas telas. Ele aplicava essas cores

105
Unidade III

em áreas da tela antes mesmo de decidir quais objetos seriam representados ali. O artista também
descobriu a coloração violácea das sombras. Segundo Constable, suas obras pareciam dissipar, eram
como vapor colorido (PEDROSA, 2009).

Figura 111 – Barqueiros descarregando carvão à luz do luar, William Turner, 1835

Figura 112 – Paisagem com um rio e a baía a distância, William Turner, 1835-1840

Nesse cenário de despontar das cores, ecoam-se os acordes cromáticos nas obras de Goya, Renoir,
Monet, Cézanne, Pissarro e outros. Cada vez mais a cor vem como um anseio de linguagem autônoma,
106
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

que busca independência da estrutura de tema e forma para atingir a mais pura linguagem das sensações.
Cézanne, por exemplo, sob influência de Pissarro, enriqueceu sua paleta com tons luminosos.

O artista em questão luta contra toda cultura institucionalizada e elabora uma nova cultura da
forma-cor; um primitivismo que não é ingenuidade simulada, mas consciência de estar na origem de
uma nova era da Arte.

Figura 113 – A curva da estrada, Paul Cézanne, 1881

Depois dos impressionistas, houve uma explosão de estilos de pintura que levaram mais adiante
a experimentação com a cor. Desde o início do século XX, numa proliferação de “ismos” (Futurismo,
Raionismo, Expressionismo, Fauvismo, Abstracionismo, Cubismo, Realismo, Surrealismo e Expressionismo
abstrato) em que se debatiam as vanguardas artísticas embriagadas de sensações em um mundo
catastrófico em desenfreada velocidade de transformações, destacaram-se coloristas como Robert
Delaunay, Paul Klee, Pablo Picasso e Henri Matisse.

Esses artistas e os muitos movimentos que se originaram lançaram as fundações do


modernismo na arte. Em suma, o uso atrevido da cor era o tema comum, a ênfase na velocidade,
energia, poder da máquina e o desassossego da vida industrializada eram bases do processo
criativo de suas obras.

Na Alemanha, o expressionismo se esforçava para projetar um estado emocional interior por meio da cor.
O artista abstrato russo Wassily Kandinsky (1866-1944), que vivia em Munique, sofria de um mal conhecido
como sinestesia (associação de palavras ou de expressões que combina várias e diferentes sensações
humanas em uma única representação), que lhe possibilitava “ver” cores em sons e notas musicais.
107
Unidade III

Figura 114 – Improviso nº 26, Wassily Kandinsky, 1912

Os fauvistas, encabeçados por Matisse, usavam cores não naturalísticas, muitas vezes, aplicando a
tinta na tela, diretamente do tubo, para criar imagens vibrantes, mais analíticas do emocional do que as
respostas visuais. Celebravam as harmonias tonais e utilizavam da forma para representar o essencial.
Os artistas desse período foram influenciados por Vincent van Gogh (1853-1890), artista holandês para
quem o uso da cor era uma lei em si.

Figura 115 – A dança, Henri Matisse, 1909

O cubismo foi, possivelmente, o movimento mais influente na arte moderna. Incluía não só pinturas
e escultores, mas também arquitetos, músicos e poetas. Os cubistas, como Pablo Picasso (1881-1973)
e Georges Braque (1882-1963), acreditavam que “a verdadeira realidade está na ideia essencial e não
108
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

em seu reflexo no mundo material”. Enquanto os impressionistas tinham rejeitado as sombras em


favor da sugestão do jogo geral da luz, os cubistas não tentaram pintar iluminação “coerente”; ao
contrário, usaram a sombra e a cor para dar volume aos objetos de modos não restritos pelo realismo.
Frequentemente, muitos aspectos de um tema são exibidos simultaneamente.

Figura 116 – A mulher que chora, Pablo Picasso, 1937

O surrealismo surgiu da ideia psicanalítica do subconsciente. Pinturas como a de Salvador Dalí


combinam imagens aparentemente desconectadas em estilo preciso, metarrealista. A intenção era
confundir ligeiramente os sentidos, fazendo o espectador questionar as normas sociais e artísticas. Dalí
tomou técnicas de cor emprestadas de outros períodos da história da arte, usando esquemas cromáticos
simbólicos e a técnica cubista de iluminação incoerente.

Figura 117 – Cisnes refletindo elefantes, Salvador Dalí, 1937

109
Unidade III

Frida Kahlo (1907-1954) era considerada surrealista pelos artistas da época, apesar de ela
própria não se considerar assim. Aos dezoito anos sofreu um acidente que lhe prejudicara a espinha
dorsal, a pélvis e o pé. Em seus autorretratos, partes do corpo são frequentemente substituídas por
objetos. A obstinação que tinha por pintar autorretratos foi justificada pela artista na seguinte
frase: “Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”. Sua
obra é extremamente simbólica, envolta por motivos mexicanos em cores destoantes, arte popular
e imagens oníricas, ou seja, imagens que fazem referência aos sonhos.

Figura 118 – Roots, Frida Kahlo, 1943

Já a obra de Joan Miró (1893-1983) possui uma maravilhosa qualidade infantil, onde a composição
serve mais do que a representação de seus elementos. As cores são conflitantes, em lugar de brincalhonas,
refletindo seu país arrasado pela guerra. Muitas vezes, o artista tratou de temas sombrios e complexos.
Miró experimentava a combinação de diferentes técnicas em uma só obra, por exemplo, o uso da mídia
e da reprodução em cores juntamente.

Figura 119 – Homem e mulher na frente de uma pilha de excrementos, Joan Miró, 1935

110
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Com a Primeira Grande Guerra, alguns pintores americanos partiram à procura de novas
identidades artísticas, distintas dos ensinamentos das escolas europeias e reflexivas do cenário e
do contexto de suas localidades. Foi através da experimentação dos aspectos de tema, técnica e cor
que esse resultado foi obtido.

Edward Hopper (1882-1967) foi um grande propulsor da história da arte moderna norte-americana.
Frustrado com o que encontrou na Europa ao visitá-la, se propôs a criar uma arte na contramão do que
vinha sendo proposto pelos artistas do outro lado do oceano. Seus temas traziam referências do estilo
americano e se refugiavam no sombrio e no nostálgico. Seu habilidoso uso da luz e da cor inseria rica
atmosfera à arte realista social norte-americana.

Figura 120 – Verão na cidade, Edward Hopper, 1950

Em outro ponto das Américas, no período de consolidação da vitória da Revolução Mexicana, em


1920, surgiu o amplo movimento muralista, procurando reviver elementos representativos das culturas
asteca e tolteca, com processos de renovação técnica europeizantes, de cunho eminentemente social.
Os muros da capital do México e de algumas províncias cobriram-se de pinturas que influenciaram toda
a arte do continente americano, revelando ao mundo as figuras de artistas como David Alfaro Siqueiros
(1896-1974). Este foi o principal idealizador e articulador do movimento lúdico, combativo e teórico da
arte social contemporânea.

Artista de inegável genialidade, Siqueiros contribuiu para introduzir o México na história da arte
universal. Sua insatisfação em pintar o que já fora pintado era permanente. A simples reprodução de
formas não lhe satisfazia. Para ele, arte era criação, e não repetição de formas. Seus trabalhos revelam
uma personalidade eminentemente vibrante, que se sustenta em um vigoroso vocabulário de inventivas
paisagens vulcânicas com céus ameaçadores, retratos verazes, multidões solidárias ou enfurecidas e
naturezas-mortas em perpétuo movimento.

111
Unidade III

Seu pensamento, produção e pesquisas plásticas endereçavam-se ao engajamento voluntário


funcionando como mensagem de participação social e colocando-o à frente das novas propostas
artísticas internacionais, uma vez que suas influências são referência para as criações de outros
respeitáveis artistas, por exemplo, Jackson Pollock, seu discípulo. O legado de Siqueiros deixou de ser
mexicano para pertencer à humanidade.

Figura 121 – El centauro de la conquista, David Alfaro Siqueiros, 1944

Já nos anos de 1940, um grupo de pintores, baseados em Nova York, reagiu ao realismo social da
arte norte-americana e desenvolveu novos estilos para abordar temas mais formidáveis. Acreditando
fervorosamente na expressão espontânea de sentimentos e respostas subjetivas, esses artistas produziram
obras impressionantes – frequentemente em larga escala – que fragmentaram as ideias convencionais
de forma e de cor.

A encarnação mais dramática do expressionismo abstrato foi a técnica da “pintura em ação”, de


Jackson Pollock, que literalmente traduziu a emoção do artista – por meio da ação de sua mente
sobre os músculos de seu corpo – para a tela em grandes movimentos circulares e borrifos de cor.
O aparente uso da cor casual era uma forma pela qual o artista expressava seu inconsciente. Sua
obra era produzida com esmaltes comerciais, cuja fluidez era maior e a disponibilidade de cores de
cores também.

112
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Figura 122 – Blue Poles, Jackson Pollock, 1952

Mark Rothko (1903-1970) tem em sua obra a procura por um senso do sublime por meio da
percepção da cor. Seu estilo é tipificado por telas quase cheias de campos de cor e bordas suaves, criadas
por camadas finas de tintas baseadas em óleo e ovo. Fazem parte integral da atmosfera criada por tom,
luz, saturação, translucidez e textura das cores. Suas composições intencionam expressar o “íntimo” e
propõem ao observador uma experiência visual de imersão, encorajando-o à contemplação prolongada.

Figura 123 – As composições de cor de Rothko, sem título, Vermelho, 1958

Talvez o último movimento de arte do século XX tenha sido a pop-art. Nela, o épico foi substituído
pelo mundano, e a produção em massa foi premiada com a mesma significância que o único, ou seja, a
arte foi influenciada pela cultura popular e pelo consumismo.

113
Unidade III

Desde então o termo foi usado para descrever pinturas que chamam a atenção para o consumismo
do pós-guerra, desafiando a forma do expressionismo abstrato e tratando das “baixas” formas da cultura
visual – publicidade, embalagem de produtos, histórias em quadrinhos e objetos decorativos produzidos
em massa – que as pessoas experimentam na vida “normal”. A origem do movimento se deu nos anos
de 1950, nas obras de Richard Hamilton, no Reino Unido, e de Jasper Johns e Robert Rauschenberg, nos
Estados Unidos.

O artista cuja obra inspirou a arte subsequente, provavelmente, foi Andy Warhol (1927-1987). Depois
de trabalhar como artista comercial para revistas de moda, ele pegou imagens cotidianas, como a lata
da Sopa Campbell, e as apresentou em enormes impressos, frequentemente justapondo versões com
diferentes esquemas de cor. O uso das cores, inicialmente, pode ter parecido vulgar e exagerado, mas
hoje sua técnica se tornou icônica. O uso da impressão, em lugar da pintura, refletia o estilo industrial e
impessoal. As famosas imagens de Marilyn Monroe foram criadas após a morte dela.

Figura 124 – A manipulação de Warhol em produtos representativos da vida comum e do consumismo

Já o emprego das cores na arte brasileira pode ser representado pelo pintor Candido Portinari
(1903‑1962). Ele fazia sua pintura integrar a corrente do modernismo internacional e ampliou a
potencialidade de nossa modernidade, revelando um Brasil omitido, até então, em imagens visuais
dramáticas, de um violento realismo. Intérprete das misérias do Terceiro Mundo, Portinari tornou‑se
114
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

o pintor que expôs as mazelas de um povo. Todavia ele não foi apenas o pintor das tragédias do
subdesenvolvimento, também pintou todos os aspectos da vida nacional, de Norte a Sul, transformando‑se
em um visionário do porvir da grandeza do nosso país.

Figura 125 – Criança morta, série Retirantes, Candido Portinari, 1944

5.1.12 A cor no design de interiores

Ao visitar um stand de vendas e adentraram em um apartamento modelo decorado, provavelmente


você irá se deparar com quase todas as paredes pintadas de branco ou cores neutras. Esse recurso
se faz presente na tentativa de agradar o maior número possível de clientes potenciais. Portanto, o
minimalismo da cor muitas vezes se faz por estarmos fundamentando nossas escolhas em preconceitos
e convenções. Todavia a combinação de cores deve ocorrer em um processo de verificação, posicionando
as cores lado a lado.

A aversão que criamos a uma determinada cor, muitas vezes, tem a ver com associações desagradáveis
ou com experiências de um mau emprego da cor em projetos analisados anteriormente. É necessário se
despir desses preconceitos e tirar vantagens dos benefícios estéticos e psicológicos da cor.

As cores possuem sua própria energia vibracional, afetando e impactando nossas maneiras de
viver. O modo como decoramos nossas casas se torna mais do que uma questão de estética, mas
a criação de um ambiente voltado para o bem-estar. Uma casa caótica, com as cores distribuídas
115
Unidade III

ao acaso, pode ter sua própria atração, especialmente para aqueles influenciados por assuntos
criativos e pressões de tempo para criar os filhos. Mesmo em pequenas áreas, se a harmonia for
estudada, é possível criar um espaço para o descanso e o relaxamento, um santuário para separá-lo
dos estresses do mundo.

Tradicional, moderna ou eclética, a sensação de cada casa é largamente ditada pelas cores e texturas.
Tintas, iluminação, texturas e acessórios contribuem para o efeito geral a ser criado.

Saiba mais

Para conhecer mais sobre os revestimentos, consulte:

MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: a arte de viver


bem. 9. ed. Porto Alegre: Sulina, 2012.

A explosão da industrialização, do comércio global das viagens e da riqueza pessoal tiveram por
consequência uma abordagem mais subjetiva e experimental dessas paletas.

Nos anos de 1960 e 1970, o uso de cores vivas e formas inovadoras invadiam os espaços internos,
assim como os produtos manufaturados. Já o minimalismo impregnou os interiores sofisticados dos
anos 1990, criando um tipo de drama austero, mas arriscando a ausência de humanidade. Tons terrosos,
em madeira e fibras naturais, suavizavam a aparência.

Figura 126 – Cores e formas inovadoras dos anos 1970

116
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Figura 127 – O minimalismo dos anos 1990

O decorador de interiores do século XXI é, com certeza, o colorista de maior sorte na história.
No balcão de tintas de muitas lojas de materiais, o olho humano pode perceber várias cores misturadas
em questão de minutos. Muitas lojas são munidas de um colorímetro, máquina que reproduz a cor de
qualquer objeto que você leve. Todavia, o fato de haver mais cores nem sempre vai ajudar no processo
de escolhas. Pelo contrário, esse leque de opções pode, muitas vezes, complicar a vida do profissional.

Figura 128 – Exemplos de inúmeros tons oferecidos pela indústria de tintas, assim como
materiais e texturas disponíveis no mercado

Alguns princípios já apresentados neste livro-texto podem auxiliá-lo na obtenção de combinações


agradáveis, como a complementaridade e os esquemas de harmonia de cores.
117
Unidade III

Se encontrar a tinta certa parece complicado, escolher o revestimento errado pode acabar com o seu
ambiente em decoração de interiores. Cor, textura e padrão devem ser cuidadosamente considerados.
Um padrão colorido nas paredes tornará mais difícil introduzir elementos adicionais em um ambiente.

Tecidos em cores que combinam, que reproduzem o padrão de um papel de parede, podem
sobrecarregar os sentidos se o padrão tiver cores fortes ou espalhafatosas, mas aqueles com
motivos grandes, em cores moderadas, podem funcionar bem, criando efeitos bem interessantes
e agradáveis ao olhar.

Observação

Os tecidos oferecem um leque de possibilidades extraordinário para a


decoração de interiores. O modo como você os usa dependerá tanto de suas
qualidades quando esticados, pregueados, caídos ou pendurados, quanto
de sua cor e textura.

Os carpetes se tornaram populares após a Segunda Guerra, mas agora encaram concorrência desleal.
Os laminados de madeira, ou imitando madeira, são simples de instalar e possuem toda a praticidade
de uso e manutenção. O piso vinílico abandonou sua imagem utilitária e ganhou novas cores e padrões.
Os azulejos de cerâmica são cada vez mais vistos fora do banheiro, e, para um piso quente, os tapetes
estão disponíveis em desenhos contemporâneos e atraentes.

A) B)

Figura 129 – Texturas e padrões oferecidos em tecidos, pisos laminados, vinílicos e carpetes

Os mosaicos são uma forma alternativa de decorar paredes, pisos e forros. Eram lugar-comum na
época clássica e, embora os desenhos antigos fossem bastante primitivos, mais tarde começaram a
aparecer gradações de cores. No final da Idade Média, os mosaicistas estavam explorando os contrastes.

118
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Outra aplicação aperfeiçoada na época medieval foram os vitrais, que no século X podiam ser vistos
colorindo o interior das catedrais, iluminando as pinturas murais e dando vida à policromia. O vitral é a
bíblia luminosa que, com seu poder de convencimento e de encantamento, conta histórias miraculosas
aos fiéis analfabetos. Cenas bíblicas e vidas de santos colorem e ostentam a manipulação da luz pelos
pintores, inaugurando um novo patamar do domínio empírico da natureza.

Na decoração de interiores, as cores se impõem de diversas maneiras possíveis, através dos mais
específicos materiais. Tirar proveito das propriedades de cada um é o que vai diferenciar o profissional
dessa área.

6 A PSICOLOGIA DAS CORES

Nomear cores é uma forma de manipular seu impacto psicológico. Não é de hoje que as pessoas
relacionam o azul do céu, o verde das árvores, o vermelho do pôr do sol e assim por diante. Mas agora,
para complementar, também existem as cores criadas pelos homens. Apenas há cerca de cem anos a
humanidade começou a usar a cor com a intensidade de hoje.

O número de corantes e pigmentos de conhecimento das pessoas era limitado, além de dispendioso.
Possuíam origem orgânica e apenas os indivíduos com mais recursos tinham acesso. Independentemente
da sua inserção no mercado e acessibilidade ao grande público, o vetor imaginário dos conceitos da cor
sempre existiu.

A reação do indivíduo à cor é uma maneira particular e subjetiva, relacionada a vários fatores.
Portanto, uma objeção à ideia de efeitos de cor é que não há cores fixas. Mesmo entre pessoas sem
qualquer forma de daltonismo, a percepção da cor é altamente subjetiva.

Porém, por mais relativa que seja essa análise, psicólogos afirmam que é possível atribuir certos
significados a determinadas cores, sendo estas básicas e de comum percepção a qualquer indivíduo que
viva dentro de uma determinada cultura. A cor como capacidade de significância psíquica já havia sido
expressa por Goethe quando ele esboçou um raciocínio citando suas aplicações simbólicas e alegóricas:

A aplicação que concorda perfeitamente com a natureza poderia ser


denominada simbólica, caso a cor seja utilizada em consonância com
o efeito, e a verdadeira relação exprima imediatamente o significado
(GOETHE, 2009, p. 176).

Por exemplo, a cor púrpura designa majestade.

Já a aplicação alegórica é quando o sentido do signo nos deve ser transmitido antes que saibamos o
que deve significar, por exemplo, o verde, ao qual se atribui a esperança.

Essa variedade de conceitos – empregando linhas de pensamentos próprios, porém selecionadas


para algo que nos faz pensar na subjetividade das cores – será abordada a seguir.

119
Unidade III

6.1 Impressão psíquica das cores do espectro solar

As cores constituem estímulos psicológicos para a sensibilidade humana, influindo no indivíduo


para gostar ou não de algo, para negar ou afirmar, para se abster ou agir. Muitas preferências sobre
as cores se baseiam em associações ou experiências agradáveis obtidas no passado. Fazem parte
da vida do homem porque são vibrações do cosmo que penetram em seu cérebro para continuar
vibrando e impressionando sua psique, para dar um som e um colorido ao pensamento e às coisas
que o circundam. Elas dão sabor à vida e ao ambiente. Eis o que os estudiosos estabeleceram a
respeito do significado psicológico das cores: a descrição da impressão psíquica do vermelho se
faz como a de uma cor sem limites, essencialmente quente, que age interiormente como uma cor
transbordante de vida ardente e agitada. O vermelho dá prova de uma imensa e irresistível força,
quase consciente de seu objetivo. Nesse ardor, nessa efervescência, transparece uma espécie de
maturidade voltada para si mesma e para a qual o exterior não existe. Essa análise nos mostra uma
condição exatamente oposta à realidade objetiva da cor, pois ela possui capacidade de dissipar
a luz que sobre ela incide, e nessa dissipação se agiganta, colorindo as áreas limítrofes com sua
própria cor.

No oriente, o vermelho evoca o calor, a intensidade, a ação a paixão. No Japão, é o símbolo da


sinceridade e da felicidade. Em algumas datas comemorativas, como aniversários, por exemplo, os
japoneses utilizam o arroz vermelho como voto de êxito e de felicidade.

O laranja representa mutação, inconstância, instabilidade, dissimulação e hipocrisia. Símbolo da


infidelidade e da luxúria, este também evoca associações gustativas, afinal está muito ligado à comida,
já que é a cor dos alimentos tostados, fritos e assados. É a cor do barro cozido e, portanto, tem uma
qualidade doméstica, uma das cores mais populares na cozinha.

O amarelo, na distinção psicológica de cores quentes e frias, é classificado como cor


quente por excelência, está ligado à ideia de impaciência, sabedoria, fé, virtudes e constância.
Evoca dignidade, inteligência, riqueza material e espiritual, dominação. É uma cor alegre, a mais
feliz de todas as cores.

O verde regulariza em suas propriedades as particularidades de suas cores de mescla e tensões: a


claridade e o obscuro, o calor e o frio, aproximação e afastamento, movimento excêntrico e concêntrico;
surgindo então o repouso de sua própria cor. A passividade é o caráter dominante do verde absoluto,
mas essa característica se perfuma de unção, de contentamento de si mesmo. É a cor da esperança, da
longevidade, assim como da imortalidade, simbolizada por ramos verdes.

Pela filosofia antiga, o verde era a cor do misterioso sangue do dragão. No Egito, o coração
do faraó morto era substituído por um escaravelho de esmeralda, como símbolo de ressurreição.
Durante a Idade Média, o verde tinha significados contraditórios, assumindo às vezes a condição
de portador de poderes maléficos. Tomado como medida, o verde simbolizava a razão. Possui
um efeito tranquilizante e até sedativo, quando mais escuro. Já quando claro, conjuga-se como
estimulante e até inquietante.

120
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

O azul está ligado à paciência, ao sangue frio, simboliza a paz e é a cor da diplomacia. Símbolo da
sagacidade, o azul é uma cor positiva que também pode ser interpretada negativamente como símbolo
de ingenuidade. É a cor do sonho e da inocência, no sentido pejorativo do termo. O azul é a mais
profunda das cores, pois o olhar penetra sem encontrar obstáculo e se perde no infinito. É a própria cor
do infinito e dos mistérios da alma.

A lenda do pássaro azul, símbolo da felicidade inatingível, nasceu, sem dúvida, da analogia secreta
do azul como o inacessível. Diante do azul a lógica do pensamento consciente cede lugar à fantasia e
aos sonhos que emergem dos abismos mais profundos de nosso mundo interior, abrindo as portas do
inconsciente e pré-consciente. Por sua indiferença, impotência e passividade aguda que fere, ele atinge
o clima do inumano e do suprarrenal. Um ambiente azul acalma e tranquiliza, mas, diferentemente do
verde, ele não tonifica, uma vez que apenas fornece uma evasão sem vínculo com o real, uma fuga que
se torna deprimente ao fim de algum tempo.

O anil representa a ponte entre o consciente e o inconsciente. A cor em excesso pode gerar
uma atividade mental e imaginativa voltada para o interior e, em casos extremos, pode levar à
dissociação da realidade exterior. Sua falta pode estar relacionada a frustrações e falta de tato,
revelando uma pessoa muito extrovertida e que tem pouco ou nenhum contato com as emoções e
fantasias. Representa a individualidade, preocupação com o bem-estar dos outros, indica espírito
de doação. É uma cor fria e dá a impressão de lentidão, inércia. Extremamente calmante e quase
narcótica. Evoca os medos, obsessões e impulsos reprimidos. Os deuses representados por essa cor
são implacáveis, como Crono, Saturno, Shiva, Ifá, entre outros. Regem a expressão da frieza e a
razão abstrata desprovida de emoções e impulsos

Por último, o violeta, em psicologia, está relacionado com a intimidade e a sublimação e indica
sentimentos profundos. Cor da temperança, simboliza a lucidez. É o limite visível do espectro e representa
o martírio, a abnegação e a penitência. Vincula-se a algo depressivo, cor triste e fria. Sua essência indica
uma transfusão espiritual, a influência de uma pessoa sobre outra pela sugestão, persuasão, domínio
hipnótico e mágico.

Na simbologia da Idade Média, Jesus aparece vestido de violeta durante a Paixão, no momento
de sua completa encarnação, quando reúne em si mesmo o Homem filho da terra e o Espírito celeste,
identificação completa do Pai e do Filho. Em tons escuros, o violeta está ligado à ideia de saudade,
ciúme, angústia e melancolia, tornando-se deprimente. Em tons claros, é considerado mais alegre.

Resumo

Nesta unidade pudemos estudar uma boa dose de psicologia e refletir


sobre uma realidade sensorial da qual não podemos fugir. Vimos que a
psicologia se interessa atualmente pelo substrato do símbolo, ou seja, a
vivência da cor, o que a cor desperta no indivíduo. Refere-se, portanto,
ao sujeito, suas socializações, interferências culturais, vivências afetivas
e fonte energética.
121
Unidade III

As cores atuam sobre a emotividade humana e produzem uma sensação


de movimento, uma dinâmica envolvente e compulsiva. As leis que regem a
teoria das cores estão subordinadas à compreensão de mundo de cada um.

Com a descoberta de que a cor é o meio mais relativo dentre


os utilizados na arte e que seu maior atrativo está além de regras
e cânones, tornou-se necessária uma discriminação mais sensível.
Quanto mais criativo se torna o uso da cor, menos desejável torna-se
a aplicação meramente confiável e comportada.

A partir desta compreensão é possível estabelecer mentalmente uma


escala de dinâmica das cores, uma relação de grau de proximidade ou
de distância. Exemplificando, seria como diagnosticar uma pessoa como
comunicativa, expressiva e de fácil interação, enquanto a outra se apresenta
mais introvertida, de poucas palavras ou sem um sorriso fácil.

As reações corporais do indivíduo à cor têm sido largamente


usadas tanto no âmbito da educação quanto no campo terapêutico.
O efeito produzido pela cor é tão direto e espontâneo que se torna
difícil acreditar que ele conote apenas experiências passadas. Apesar de,
cientificamente, nada comprovar a existência de um processo fisiológico
que explique o porquê dessa reação física do homem à estimulação
da cor, espero que, agora, seus olhos e mente se encontrem mais bem
preparados e mais receptivos.

Exercícios

Questão 1. Aos hábitos sociais, criados e mantidos ao longo do tempo, associam-se representações
simbólicas e atitudes psicologicamente determinadas. Profundamente arraigadas, as representações
tornam-se resistentes à mudança e, por vezes, contribuem para a construção de estereótipos, alguns
deles de cunho preconceituoso.

Considere as colunas apresentadas abaixo. Observe que cada uma delas reúne palavras ou expressões
e identifique a relação correta entre os elementos das colunas A, B e C.

Sensações visuais Objeto Significado


I. Branco A. Para meninos (bebê) 1. Graça, ternura
II. Preto B. Para meninas (bebê) 2. Quente, excitação
III. Cinza C. Sangue 3. Negativo
IV. Vermelho D. Manchas imprecisas 4. Honra masculina
V. Rosa E. Noite 5. Pureza
VI. Azul F. Vestido de noiva 6. Tristeza, coisas sem forma

122
PERCEPÇÃO VISUAL: TEORIA E PSICOLOGIA DAS CORES

Assinale a alternativa que faz a associação correta.

A) I-F-5; II-E-3; III-D-6; IV-C-2; V-B-1 e VI-A-4.

B) II-F-5; I-D-3; III-E-6; V-C-2; IV-B-1 e VI-A-4.

C) III-F-5; II-E-3; IV-D-6; I-A-2; V-B-1 e VI-C-4.

D) IV-E-5; V-F-3; I-C-6; II-D-2; VI-A-1 e III-B-4.

E) VI-F-5; IV-D-3; V-E-6; I-B-2; II-C-1 e III-A-4.

Resposta correta: alternativa A.

Análise da questão

Justificativa geral: somente a alternativa A está correta (todas as demais são incorretas, conforme
especificado nas colunas apresentadas a seguir).

Sensações visuais Objeto Significado


I. Branco F. Vestido de noiva 5. Pureza
II. Preto E. Noite 3. Negativo
III. Cinza D. Manchas imprecisas 6. Tristeza, coisas sem forma
IV. Vermelho C. Sangue 2. Quente, excitação
V. Rosa B. Para meninas (bebê) 1. Graça, ternura
VI. Azul A. Para meninos (bebê) 4. Honra masculina

Questão 2. Analise as afirmativas abaixo e classifique cada uma delas como verdadeira (V) ou falsa (F).

I. Os fauvistas utilizavam cores não naturalistas. Muitas vezes aplicavam a tinta diretamente do
tubo para a tela, criando imagens vibrantes. Eles também celebravam as harmonias tonais e utilizavam
formas para representar o essencial.

II. O cubismo, movimento influente na arte moderna, incluiu pinturas, esculturas, arquitetura, música
e poesia baseados no princípio segundo o qual “a verdadeira realidade está na ideia essencial, e não em
seu reflexo no mundo material”.

III. O impressionismo rejeitava as sombras em favor da sugestão do jogo geral da luz.

IV. O surrealismo, emergente da ideia psicanalítica de subconsciente, produziu pinturas que combinam
imagens aparentemente desconectadas com a intenção de confundir ligeiramente os sentidos, fazendo
o espectador questionar normas sociais e artísticas.

123
Unidade III

V. O movimento muralista procurou reviver elementos representativos das culturas asteca e tolteca
com processos de renovação técnica europeizante, de cunho eminentemente social. Suas pinturas em
muros influenciaram de modo expressivo a arte do continente americano.

É verdadeiro o afirmado em:

A) I e II, somente.

B) I, II e III, somente.

C) III e V, somente.

D) I, III e V, somente.

E) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Resolução desta questão na plataforma.

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