PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA REGISTRADO(A) SOB N°

ACÓRDÃO

i iiiiii mil mil mil uni mil mil mu mi 111
*03485654*

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação n° 0013772-21.2007.8.26.0152, da Comarca de Cotia, em que é apelante sendo MOUNTARAT apelado ASSOCIAÇÃO DE

PROTEÇÃO

AMBIENTAL

MARCELO

CHADDAD

MAGOGA (DOCTOR S RANCH).

ACORDAM, em Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça "DERAM de São Paulo, EM proferir PARTE a AO

seguinte

decisão:

PROVIMENTO

RECURSO. V. U.", de conformidade

com o voto do (a)

Relator(a), que integra este acórdão.

O

julgamento ZÉLIA

teve

a

participação ANTUNES

dos ALVES

Desembargadores

MARIA

(Presidente) e EDUARDO BRAGA.

São Paulo, 31 de março de 2011.

RENATO NALINI RELATOR

PODER

JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO
CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE

VOTO N° 17.785 APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.2007.8.26.0152 (Antigo N° 990.10.331474-3)-COTIA Apelante: MOUNTARAT ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL Apelado: MARCELO CHADDAD MAGOGA (DOCTOR'S RANCH)
AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL RODEIO - Obrigação de não fazer - Sentença que julgou improcedente o pedido sob o argumento de o mesmo ser genérico e amplo Inadmissibilidade - O pedido deve ser parcialmente provido como medida de prevenção e proteção ao bem estar dos animais, conforme os pareceres do Ministério Público em I a e 2 a grau - Contundência dos laudos e estudos produzidos a comprovar que a atividade do rodeio submete os animais a atos de abuso e maus tratos, impinge-lhes intenso martírio físico e mental, constitui-se em verdadeira exploração econômica da dor Incidência do art. 225, § I o , VII, da Constituição Federal, do art. 193, X, da Constituição Estadual, além do art. 32 da Lei n° 9.605/98, que vedam expressamente a crueldade contra os animais - Inadmissível a invocação dos princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa, pois a Constituição Federal, embora tenha fundado a ordem econômica brasileira nesses valores, impôs aos agentes econômicos a observância de várias diretivas, dentre as quais a defesa do meio ambiente, e a conseqüente proteção dos animais, não são menos importantes -

APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.2007.8.26.0152 - COTIA - VOTO N° 17.785

A s e n t e n ç a d o J u i z D I Ó G E N E S LUIZ D E ALMEIDA FONTOURA R O D R I G U E S 1 j u l g o u i m p r o c e d e n t e a a ç ã o civil p ú b l i c a a m b i e n t a l a j u i z a d a p e l a MOUNTARAT ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL contra MARCELO CHADDAD MAGOGA ( D O C T O R ' S RANCH). são submetidos a tortura e a tratamento vil.2 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE Condenação do apelado MARCELO CHADDAD MAGOGA (DOCTOR'S RANCH) na obrigação de não fazer para que se abstenha de realizar provas de rodeio em festivais/eventos (bulldogging.2007.incide na espécie o princípio da precaução.26.COTIA . 231/237 do 2 o volume dos autos.8. ou seja. Ainda que houvesse fundada dúvida sobre o fato do sofrimento e dor causados aos animais utilizados em rodeios . calf roping e quaisquer outras de laço e derrubada).785 . e ainda para que se abstenha de realizá-las em treinos e aulas na Fazenda Nascimento. quando haja incerteza sobre se uma dada ação os vai prejudicar". deve-se decidir favoravelmente a ele . 1 Sentença às fls. APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.Apelo parcialmente provido Em verdade. CONFERE-SE APELO PARCIAL PROVIMENTO AO Vistos etc. existindo dúvida sobre a periculosidade que determinada atividade representa para o meio ambiente. sequer haveria necessidade dos laudos produzidos e constantes dos autos para a notória constatação de que tais seres vivos.e contra o potencial agressor.0152 . para deleite da espécie que se considera a única racional de toda a criação. team roping. sob pena de aplicação de multa diária .ambiente .dúvida inexistente diante da prova colacionada -.VOTO N° 17. segundo o qual "as pessoas e o seu ambiente devem ter em seu favor o beneficio da dúvida.

VOTO N° 17. Contra-razões às fls. § I o . peiteira. É uma síntese do necessário. Parecer da douta PROCURADORIA GERAL DE 4 JUSTIÇA no sentido do provimento parcial do recurso.26. em s u a s razões. descorna.785 . serem inconstitucionais e ilegais as práticas promovidas pelo apelado. 2 ser incontestável a crueldade contra animais em laçadas e afins. VII da Constituição Federal e da Lei n° 9. 242/261 do 2 o volume dos autos. 300/308 do 2 o volume dos autos. APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. Contra-razões do réu 3 pela preservação da sentença. Parecer às fls. pelo menos. pois contrárias ao disposto no artigo 225. além do som alto.8.605/98. Pugna pelo provimento do recurso. ainda. se o ato de laçar animais para manejo e rodeios caracteriza-se como esporte. parcialmente procedente. Cita. Oferece descrição pormenorizada dos apetrechos utilizados nos animais: esporas. as modalidades de laçada às quais os animais são submetidos: laçada de bezerro (calfroping). Alega. para que o pedido seja julgado totalmente procedente ou. Questiona. Embora o magistrado entendeu ter ocorrido vício formal grave na petição inicial concernente ao fato de ser o pedido genérico e amplo.3 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE por reconhecer vício formal grave n a petição inicial concernente ao fato de ser o pedido genérico e amplo. em seguida.0152 .2007. o apelo merece ser parcialmente provido. estudos e depoimentos relacionados aos maus-tratos aos animais usados em eventos públicos. laço em dupla (team roping) e bulldogging. por fim. 291 /296 do 2 o volume dos autos. Irresignada. Apresenta u m a série de laudos. apela a autora a sustentar.COTIA . pareceres. 2 3 4 Razões de apelo às fls. que considera esses atos crime de maus-tratos.

5 Toda prova produzida quanto à matéria tratada nestes autos é contundente.000.02. e requereu a procedência do pedido.26. APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. n a Fazenda de Caucaia. 6 Disponível in http://www. para que fosse determinada a suspensão imediata das provas com animais n o II Festival de Laço e Tambor de Cotia e outros festivais ou eventos similares que pretenda-se realizar n a cidade até o final do julgamento da presente ação e para que fosse determinada a suspensão imediata de aulas e treinamentos das modalidades de laçadas dos animais. de esporas e de corda americana.com/doc/33676164/Revista-Brasileira-deDireito-Dos-Animais-Vol-1. Em acurado estudo intitulado "Espetáculos Públicos e Exibição de Animais" 6 . n° 1. 200/225 e da PGJ às fls. Pleiteou a concessão da tutela antecipada. entre os dias 01 e 02 de dezembro de 2007. consulta em 03. Sustentou que os animais utilizados no evento são submetidos a tratamento cruel e expostos a dor e ao sofrimento.VOTO N° 17. conforme os pareceres do Ministério Público em I o e 2 o graus. Município de Cotia. evento que incluiria laço em dupla {team roping). 300/308 do 2 o volume dos autos. e da realização de violentas provas de laço e derrubadas. Afirmou pretender impedir os atos de abuso e m a u s tratos contra os animais. a alegar que o requerido realizaria o II Festival de Laço e Tambor.4 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE A MOUNTARAT ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ajuizou Ação Civil Pública Ambiental contra MARCELO CHADDAD MAGOGA (DOCTOR'S RANCH).8. Razão parcial lhe assiste. como medida de prevenção e proteção ao bem estar dos animais.COTIA .scribd.2007.0152 . em razão do uso de sedem. a Promotora de Justiça 5 Parecer do MP às fls.2011.785 . descritos em estudos juntados com a inicial.

• Choques elétricos e estocadas com instrumentos pontiagudos e contundentes. às peiteiras são amarrados sinos. Dentre esses instrumentos estão: • "sedem".Esporas pontiagudas ou rombudas.5 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE Vânia Maria Tuglio dá a exata dimensão da crueldade perpetrada contra os animais nesse tipo de evento: "os animais utilizados em rodeios. que assustam os animais e alteram ainda mais seu estado emocional. dor e lesões. "cilhas". causam dor e desconforto aos bichos. ou não. o prepúcio (em cuja cavidade se aloja o pênis) e o escroto. que consiste numa tira de couro. Nas montarias em bois. revestida ou não de material macio e que é fortemente amarrada na virilha do animal (região inguinal). • Peiteiras. quando ^ APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.8. grande edema e até gangrena. podendo causar esmagamento dos cordões espermáticos. mas que na verdade é expressão de desespero e dor. Para falsear a realidade e demonstrar um espírito violento inexistente. uremia e morte.0152 . com congestão dos vasos. cegueira. que consistem em cordas de couro amarradas fortemente em volta do peito do animal."cintas" ou "barrigueira". os animais. atrelados aos animais ou ao peão que os montam.COTIA . são mansos e precisam ser espicaçados e atormentados para demonstrar uma selvageria que não possuem.785 . Ocorre que mesmo com a supressão desses instrumentos diretos de tortura. lesões físicas e às vezes.VOTO N° 17. ruptura da uretra com retenção urinaria. causando dor. usadas nas botas dos peões e que são fincadas no baixo ventre e no peito dos bovinos e no pescoço e cabeça dos eqüinos. revelando cruel e intolerável insensibilidade humana. na sua maioria. . comprimindo os ureteres. os peões utilizam-se de vários artifícios que. comprimindo os pulmões e causando desconforto.2007.26.

0152 . sendo comum as "brigas" e "choques" entre animais e conseqüentes lesões. pelos desfiles da rainha e princesas. obviamente sem água ou comida. Deste modo. um cubículo de onde não podem fugir. sendo certo que a proximidade entre eles é interpretada como ameaça.785 . dá-se início às montarias. Iniciada a "festa". os bois saltam e escoiceiam violentamente. ficam confinados em espaços mínimos. amarrado fortemente na virilha dos animais. justamente onde ficam os animais esperando o momento de serem exibidos. Isto sem falar na queima de fogos que "enlouquece" os cavalos.VOTO N° 17.2007. do mesmo modo que os APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. submetem-se ao preparo para a exibição: peiteiras com sinos e chocalhos nos bois. No recinto. Os animais que são utilizados em rodeios chegam no local do "espetáculo" muito antes do público e ao serem "descarregados" ou "empurrados" para fora do caminhão comumente sofrem lesões. Depois de algumas horas de comemorações e brincadeiras com o público. abafado pelos gritos constantes do narrador e do som estridente. enquanto se testa o som e se prepara o espetáculo macabro.8. ferindo os sensíveis tímpanos dos animais. mal conseguem se movimentar e.COTIA . enfim. se assim poderíamos dizer. a utilização do microfone se dá em volume extremamente alto. justamente porisso. É necessário tentar traçar o caminho percorrido por esses animais para se ter uma idéia aproximada do sofrimento atroz a que eles são submetidos. os anúncios.6 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE utilizados nas festas de peão de boiadeiro sofrem maus tratos. cumprimentos. mesmo que por via indireta. oportunidade em que os animais são empurrados para um corredor estreito até chegarem no brete. esquecido pelo show da dupla sertaneja que se apresenta em seguida às montarias. ambos os apetrechos complementados pelo sedem. sela e arreio nos cavalos. Anoitece e eles são ali mantidos. sempre com o som em volume ensurdecedor. apesar do peso. sofrimento este maquiado pela queima de fogos de artifício. especialmente próximo das potentes caixas de som.26.

saltar.7 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE cavalos. a dor. na sua maioria.2 1 ..se daqueles instrumentos de tortura. com idade em torno de apenas 40 dias de vida. o desrespeito. sofrimento e tortura àqueles animais que. 0 1 5 2 . enfim. nas festas de peão são realizadas provas de laço que empregam. de modo que o sofrimento que vemos é apenas uma parcela da rotina desses pobres seres. na verdade são os chamados comportamentos sugestivos e configuram tentativa desesperada de livrar. a humilhação! Além da exibição. esses animais são submetidos a "treinamentos" diários. O cheiro e a proximidade de outros animais. as veias dilatadas. sem qualquer instrumento a ele atrelado. Esse comportamento que tanto é apreciado pelos organizadores de rodeio porque além de tornar o espetáculo melhor aumenta a pontuação do peão.. E assim permanecem mesmo depois que o peão sai do lombo deles. os bois evacuando aquoso. Anote-se que durante todas as montarias o peão golpeia incessantemente as esporas no pescoço do animal.785 . as torcidas nos rabos . animais jovens. Durante todo o tempo percebe-se os olhos esbugalhados e saltados da órbita. Os chutes e pancadas no lombo e cabeça. Essa rotina de treinamento e exibição provoca profundo "stress". de modo que devem ser considerados não apenas os minutos em que eles são exibidos na arena. revelam sua verdadeira natureza mansa e tranqüila (ou alguém já filmou um boi ou cavalo no pasto. lactentes. mas também as várias horas de treinamento. 2 0 0 7 . Estes animais também são "treinados". 8 . havendo o risco constante de atingir os olhos do animal e feri-lo ou cegá-lo.VOTO N° 17. Isto porque é estabelecido tempo para a realização de todas as \ APELAÇÃO CÍVEL N° 0 0 1 3 7 7 2 .COTIA . Além das aprovas de montarias. Durante todo o tempo o som altíssimo e as luzes extremamente fortes. escoicear e corcovear como faz na arena?!?). soltos no pasto. acalmando-se apenas quando o sedem é afrouxado. O cheiro e a proximidade do homem. 2 6 . São os chamados sinais fisiológicos de sofrimento.

contusão pulmonar. Pode ainda ocorrer fratura de costelas. dando então oportunidade para ser laçado. Para que o jovem animal saia do brete em dasabalada carreira ele é provocado e contido pela cauda. além equimoses. Ainda na laçada é atingida a estrutura óssea do pescoço. Há ocorrência de dor intensa na região comprometida. estancando abruptamente o trajeto do animal que sofre grande impacto na região do pescoço. tentando fugir de seus perseguidores.2 1 . hematomas. sendo certo que o peão perde pontos de ultrapassa estes limites. Se na queda o animal bater com a face lateral da cabeça poderá ocorrer lesão no nervo APELAÇÃO CÍVEL N° 0 0 1 3 7 7 2 . quando liberado na arena. Quando isto ocorre. pneumotórax e perda da capacidade respiratória. além de estiramento e ruptura de estruturas musculares e tendíneas. causando lesões e fratura das vértebras coccígeas. queimaduras por atrito e perda de tecido. no interior do qual se aloja porção da medula espinhal. que podem resultar numa afecção denominada "síndrome da cauda eqüina" que atinge a enervação local.785 . deixam de escoar o sangue venoso da cabeça. podendo ocorrer compressão e rompimento ensejando distintos graus de insuficiência respiratória e asfixia. 2 6 .8 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE provas. podendo causar luxação e fratura e conseqüente tetraparesia (perda parcial da função motora) ou tetraparalisia (perda total da função motora) ou mesmo na ocorrência de "choque espinal" e morte. colo.VOTO N° 17. 0 1 5 2 . hemorragia. bexiga e alguns órgãos genitais). Além da traquéia são atingidas as veias jugulares que. onde está localizada a traquéia. resultando em congestão na região da cabeça e do globo ocular. com a compressão. também responsável por todas as lesões já especificadas. Conseqüência da laçada é a queda. 8 . a corda é puxada violentamente para trás. corre assustado. 2 0 0 7 . Tudo sem falar nas lesões dos tecidos cutâneos e da musculatura local com contusões e hematomas. os membros posteriores e os órgãos contidos na região (reto. O jovem animal.COTIA .

sendo que neste proceder pode ocorrer luxação e comprometimento de tendões e ligamentos.8.26. o garrote é perseguido por dois peões sobre cavalos que ladeiam o animal. há outras duas igualmente cruéis.. Além dessa prova de laço. A prova é concluída quando o peão amarra três patas do indefeso animal.VOTO N° 17. A prova é concluída quando as cordas são esticadas em direções opostas. Titular Emérita de Anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. que se dá por dor intensa e terror. baço e rim e conseqüente hemorragia interna. A prova de laço em dupla ou "team roping". além de ruptura do fígado. podendo ocorrer descolamento de tecido cutâneo e derrame. A suspensão do animal se dá pela "prega da virilha".o pelos chifres e torcendo seu pescoço até completa imobilização. mas um dos peões laça a cabeça do garrote e o outro as patas traseiras. mantendo o animal suspenso no ar. Depois da queda ao solo o peão salta do cavalo e tem que elevar o animal até a altura da sua cintura para posicioná-lo no solo e imobilizá-lo. segurando. com formação de hematomas." Um segundo estudo trazido pela autora foi elaborado pela Professora Irvênia Luiza de Santis Prada. no qual a cientista não deixa dúvidas acerca do sofrimento de bovinos e eqüinos que participam de provas de rodeio: "Particularmente em relação aos rodeios.0152 . inicia-se como a anterior. resultando em paresia ou paralisia temporária ou definitiva dessa musculatura.2007. também chamada "calf roping". Mais uma vez o anima é atirado ao solo.COTIA . Ainda não acabou a sessão de tortura a que são submetidos esses animais lactentes. com probabilidade de ocorrência de todas as lesões já mencionadas. No "bulldog".PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE facial. considerando-se as características de violência e vJ APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. sendo que um deles salta do cavalo e derruba o indefeso animal..785 . Nem é preciso pormenorizar as conseqüências dessas provas.

0152 .440980-2 da Comarca de Descalvado.785 . Dirceu de Bortoli 8 . bruscos e/ou agressivos.10.10. possuem alguma espécie de sensibilidade na região dos órgãos genitais? Sim.2007. fascículo 1. são coerentes com a vivência de dor/sofrimento. perito forense e médico veterinário. CRMV-SP. nos treinamentos e provas de rodeio.26.COTIA . CRMV-SP-2685. vol.. indicativa da capacidade psíquica desses animais.).. passível de lesões corporais na ocorrência de quaisquer procedimentos violentos. 5. particularmente do encéfalo.8. 1 ... a estrutura orgânica dos eqüinos e bovinos.. a utilização de recursos inaceitáveis como o sedem e as esporas (. E esta sensibilidade é maior nestas regiões pois são regiões vulneráveis que necessitam de maior proteção. '^ 7 APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. em especial aqueles utilizados em rodeios (eqüinos e bovinos). de avaliar a interpretar as situações adversas a que são submetidos. vale trazer considerações tecidas no laudo elaborado pelo Dr. QUESITO N° 1: Os animais em geral.. Toda superfície corporal e em especial as Fls."7 (g.). p.10 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE agressividade das provas e treinamentos (.) E ainda.VOTO N° 17.. in Revista de Educação Continuada.pode-se concluir que os sinais fisiológicos e comportamentais exibidos pelos animais. 2002. 218/226 dos autos da Apelação Cível em Ação Civil Pública Ambiental n° 990.. em coerência com as características da constituição de todos os corpos formados por matéria viva (.13.440980-2: "QUESITO BÁSICO: O sedem causa algum trauma nos animais? Digo com certeza absoluta que sim e além de outras explicações que estão aqui contidas exemplifico quando seu uso foi proibido na FE AP AM em Ribeirão Preto os animais não pulavam. nos autos da Apelação Cível N° 990. 8 Fls.).n.. a complexa configuração morfofuncional do sistema nervoso dos eqüinos e bovinos. f. 112/130 do I o volume destes autos: "Bases metodológicas e neurofuncionais da avaliação de ocorrência de dor/sofrimento em animais".

Sim..COTIA .8.O sedem e as esporas. Fut boi causa sofrimento leve de ordem mental pois trata-se de uma brincadeira leve sem maiores conseqüências.26. boca.785 . sinos.VOTO N° 17..) QUESITO 5: O uso de sedem nas provas de rodeio. (. podem ser considerados como instrumentos de tortura ou apenas estimuladores? Por que? r APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. edematosas até as cortantes ou escarificantes. como por exemplo os altos níveis de ruído. Além dos danos físicos. peiteiras e assemelhados causam sofrimento aos animais? Justificar.) Com relação ao sofrimento além de doloroso é também de ordem mental pois o animal luta para tirálo pulando. e regiões perineais (genitais e ânus) são ricas em algireceptores e sua função é facilitar a proteção tornando-as mais sensíveis as percepções de prováveis traumatismos. (.11 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE regiões mais sensíveis tais como ao redor dos olhos. provoca dor ou sofrimento nos animais? Justificar. cutucões. manejo inadequado. pois todos estes instrumentos são causadores de lesões de vários tipos e intensidades. A dor advém da compreensão forte da pele e abdômen pois tanto numa como noutro existem algireceptores(.0152 . já o pega garrote eu caracterizo como um brincadeira violenta que pode levar a alguns danos físicos de grau leve. Provoca os dois...) 3. alguns são torturadores mentais. desde as lesões inflamatórias. respeitadas a Resolução SAA-18.2007.. etc. QUESITO 11: As modalidades 'FUT BOI' e 'PEGA GARROTE' causam sofrimento aos animais? Justificar. (. esta últimas facilmente diagnosticáveis.. choques.) QUESITO 10: Outros instrumentos tais como esporas. escoiceando e não consegue. mesa da amargura...

mediante lei. 32 . criará um sistema de administração da qualidade ambiental.O Estado.605/98 1 1 . ferir ou mutilar silvestres. nesta compreendidos todos os animais silvestres.. provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade" (g. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. e do que dispõem o artigo 225. maus-tratos. exóticos e domésticos. o artigo 193.proteger a fauna e a flora. domésticos ou domesticados. 225 . coordenar e integrar as ações de órgãos e entidades da administração pública direta e indireta.) VII .n.Praticar ato de abuso. para organizar. da Constituição Estadual 1 0 . assegurada a participação da coletividade.proteger a flora e a fauna.Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 193 . nativos ou exóticos: Pena.2007. produção. fiscalizando a extração. de 3 (três) meses a 1 (um) ano.) Ora.) X . comercialização e consumo de seus espécimes e subprodutos.785 .n.. métodos de abate. na forma da lei.) "Art. criação. além do artigo 32 da Lei n° 9. pois são usados causando fortes pressões sobre a pele dos animais onde existem os algireceptores responsáveis pelas sensações sensoriais dolorosas. e multa. As esporas rombas são menos contundentes que as pontudas e as de gancho. proteção. vedadas. com o fim de: (.12 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE Sem dúvida são instrumentos causadores de dor. outro não poderia "Art.8. mas todas causam dor." (g. X..) "Art.VOTO N° 17. § 1" Para assegurar a efetividade desse direito. transporte. incumbe ao Poder Público: (. da Constituição Federal 9 ." (g. as práticas que coloquem em risco sua função ecológica. O mesmo posso afirmar sobre o sedem pois devido à forte compressão todos estimulam dolorosamente o animal pelo mesmo mecanismo neurofisiológico. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida." 11 10 animais r ü APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.0152 .COTIA . diante destes elementos de convicção. vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica e que provoquem extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade..n.26.detenção. VII. controle e desenvolvimento do meio ambiente e uso adequado dos recursos naturais. § I o .

A atividade do rodeio submete os animais a atos de abuso e m a u s tratos. e ela deveria ser proibida por um interesse humanitário.1997. 3.VOTO N° 17. quando do julgamento da Apelação Cível 168. 8 a Câmara de Direito Público. por maioria. se u STF-2a Turma. em cada caso." Ainda que se invoque a existência de u m a legislação federal e estadual permissiva. j . constitui-se em verdadeira exploração econômica da dor.2007. "com a negligência no que se refere à sensibilidade de animais anda-se meio caminho até a indiferença a quanto se faça a seres humanos.10. Não se desfaz a crueldade por expressa disposição de lei. O tema já foi contemplado nesta Casa com sensibilidade maior. a única conclusão aceitável é aquela que impede as sessões de tortura pública a que são expostos tantos animais. pela E.24. Portanto. não fosse a legislação constitucional e infraconstitucional a vedar a prática. \ u APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. pois.785 .13 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE ser o deslinde do feito senão a procedência parcial do pedido. escalonadamente.8. não deixam de ser cruéis simplesmente porque o legislador assim dispôs. Recurso Extraordinário n° 153531-8/SC. que algum dos equipamentos legalmente permitidos no rodeio lesiona.3. j. impinge-lhes intenso martírio físico e mental. ou uma determinada prova. Essas duas formas de desídia são irmãs e quase sempre se reúnem. e por isso. nos termos delineados.26.0152 . o animal. física ou mentalmente.6.1998. relatora a erudita Desembargadora TERESA RAMOS MARQUES: "um certo instrumento. Relator parado Acórdão o Ministro MARCO AURÉLIO. se demonstrado.2001. Primeiro porque a lei não elimina o sofrimento.4565 / 5 .COTIA . DJ 13. como bem observou o MINISTRO FRANCISCO REZEK no julgamento do Recurso Extraordinário 12 que proibiu a "Farra do Boi" em Santa Catarina.

bem como as características do arreamento. Relator do Acórdão proferido no julgamento da Apelação Cível 539. para que se cumpra fielmente a vedação à crueldade. A Lei Ordinária n° 10.2007.519. as considerações expendidas pela autorizada voz do Exmo.785 . consistente em ferimento. dor física ou sofrimento mental. de 17 de julho de 2002.0152 .COTIA . j. Desembargador SAMUEL JÚNIOR.402-5/9. APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. no § 1 o de seu artigo 4o. aos animais. Evidente. como cediço. que "as cintas. pulem ou corcoveiem durante os eventos de rodeio.359/99. 'o uso de esporas com rosetas pontiagudas ou qualquer outro instrumento que cause ferimentos nos animais. tortura e crueldade. dor. cilhas e as barrigueiras deverão ser confeccionadas em lã natural com dimensões adequadas para garantir o conforto dos animais" e veda. que os rodeios e festas de peão não podem incluir práticas e equipamentos cruéis. impõem sofrimento. os instrumentos utilizados para que os animais.8. por isso. visa produzir estímulos dolorosos nos animais." No mesmo sentido.VOTO N° 17. incluindo aparelhos que provoquem choques elétricos'. ainda que eventualmente permitidos na Lei Estadual 10. não poderão causar injúrias ou ferimentos aos animais e devem obedecer às normas estabelecidas pela entidade representativa do rodeio. no § 2o. assegurada nas Constituições Federal e Estadual. sejam bovinos ou eqüinos.11. o instrumento sedem. em conseqüência. Acrescenta ainda a lei. E tal prática deve ser afastada. seguindo as regras internacionalmente aceitas. por esta Câmara Reservada ao Meio Ambiente: "Conforme vem sendo decidido por este Tribunal. irrelevante o material com o qual é confeccionado. Ora. .26.2007. sendo.29.14 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE impõe sua proibição. diz com todas as letras que os apetrechos técnicos utilizados nas montanas. podendo ser assim considerados aqueles que causam lesão.

Além do mais. APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.093.COTIA . ambos da 04a Câmara de Direito Público." (g. no que se inclui evidentemente a proteção aos animais.977/05.048.15 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE A função de tal instrumento é pressionar a virilha.2007.0152 . estas cedem espaço àquelas.00 (Rei. Como a lei federal veda instrumentos que possam causar injúrias ou ferimentos. por caracterizar maus tratos aos animais. todos os demais itens apontados na inicial transgridem a lei e não podem ser realmente utilizados. provocando a dor e o sofrimento.26. é concorrente entre a União. autorizar-se a utilização do sedem. caso as normas estaduais sejam mais restritivas que as federais. Clímaco de Godoy) e Agravo de Instrumento n° 328.) A competência para legislar sobre meio ambiente.VOTO N° 17. está revogada. a Lei Estadual n° 11. a toda evidência. que instituiu o Código de Proteção aos Animais do Estado. existe norma mais recente. que por sua vez levam o animal a pular. conforme já reconhecido por este Tribunal na Apelação Cível n° 122." Além disso.5/1. Des. na parte em que admite a utilização de sedem. desde que confeccionado em material que não fira o animal é o mesmo que autorizar seu uso independentemente de qualquer restrição. é de impossível execução. a lei estadual 10. Aliás. e dispôs expressamente em seu artigo 22 que "São vedadas provas de rodeio e espetáculos similares que envolvam o uso de instrumentos que visem induzir o animal à realização de atividade ou comportamento que não se produziria naturalmente sem o emprego de artifícios. Sérgio Godoy). o saco escrotal.494/99 (anterior). pois a questão exigiria constante fiscalização por parte do Ministério Público e dos órgãos de proteção à vida animal.5/9.n. o pênis e o abdômen do animal. a corcovear. Estados e Distrito Federal.00 (Rei Des.8.785 . todavia. o que.

relembre-se que a partir de 5 de outubro de 1988 o meio ambiente foi erigido a categoria constitucional na ordem jurídica brasileira.COTIA ." r APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.785 . corda. sempre há de ser aplicada a regra mais protetiva. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.dúvida inexistente diante do material probatório produzido -. cordas e sedem. E é evidente que os animais utilizados em rodeios estão a reagir contra o sofrimento imposto pela utilização de instrumentos como esporas. barrigueiras ou sedem (de lã natural ou de couro. Em verdade. o formato das esporas (pontiagudas ou rombudas). Preceitua o artigo 225 da Carta da República: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. cilhas. como forma de reagir aos estímulos a que são submetidos. com argolas de metal). mas sim sofrendo indescritível dor. sequer haveria necessidade dos laudos produzidos e constantes dos autos para a notória constatação de que tais seres vivos.26. A só circunstância dos animais escoicearem. E ainda que houvesse fundada dúvida sobre o fato do sofrimento e dor causados aos animais utilizados em rodeios .VOTO N° 17.0152 .16 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE pois.2007. são submetidos a tortura e a tratamento vil. pularem. para deleite da espécie que se considera a única racional de toda a criação. pois. esbravejarem. em matéria ambiental. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. fossem tais instrumentos tão inofensivos e os rodeios poderiam passar sem eles. Não importa o material utilizado para a confecção das cintas. ou ainda.8. comprova que não estão n a arena a se divertir.

Ou ainda. 15 Disponível in http: / /www. o Direito Ambiental é produção típica de direito de crise. 2007. traduz-se n a adaptação de conhecido brocardo latino: in dúbio pro ambiente.ambiente . Mas. 54. 225 da Constituição Federal.2007. no j á mencionado estudo sobre utilização de animais para a diversão humana 1 5 .VOTO N° 17. e LEITE.8. o constituinte evidenciou o apreço a ser conferido a esse novíssimo ramo do direito. resposta criativa e audaciosa para os riscos infligidos pela insensatez h u m a n a ao maltratado ambiente terrestre.605/98. e ao responsabilizar indiscriminadamente Poder Público.2011.26. existindo dúvida sobre a periculosidade que determinada atividade representa para o meio ambiente. consulta em 03. "Da mesma forma que os bebês. Aliás. Tal princípio. art. os animais não são capazes de nos falar sobre suas sensações. § 3 o . sociedade e indivíduos pela proteção à natureza. toda apreciação judicial pertinente à natureza haverá de ter presente a inspiração dos princípios que alicerçam o direito ambiental. ainda não nascido. nas palavras da Promotora Vânia Maria Tuglio.COTIA . 14 Art. 15 da Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente (EC0-92). havendo estudos e pareceres CANOTILHO. positivado em documentos internacionais e no ordenamento interno 14 . J.scribd.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE Ao criar um futuro sujeito de direitos. p. segundo o qual "as pessoas e o seu ambiente devem ter em seu favor o benefício da dúvida. Bem por isso. Direito Constitucional Ambiental Brasileiro.785 . deve-se decidir favoravelmente a ele . José Rubens Morato.e contra o potencial agressor. quando haja incerteza sobre se uma dada ação os vai prejudicai"13. J. São Paulo: Saraiva. 13 APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. da Lei Federal n° 9. Dentre eles. art.0152 . adquire relevância para a espécie dos autos o princípio da precaução. ou seja.com/doe/33676164/Revista-Brasileira-deDireito-Dos-Animais-Vol-1. 41.02.

e a atividade não pode ser desenvolvida.no que tem de APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.artigo 170. é fácil concluir que há no mínimo o risco de que isto ocorra quando são golpeados.essa sim prática reiterada e difundida de copiar e imitar estrangeirices.2007. As festas hoje realizadas em grandes arenas.785 . da CF. especialmente os mamíferos. o country da cultura norte-americana. experimentarem sensações de dor física e sofrimento mental. acuados ou fustigados.VOTO N° 17. dentre as quais a defesa do meio ambiente não é menos importante . queimados. Isso quer dizer que o bem não pode ser produzido. como acontece nas várias formas de exibição desses animais.8." Por tudo isso. mas impôs aos agentes econômicos a observância de várias diretivas. Sua proibição . o serviço não pode ser prestado. no máximo constituem exemplo de um costume adotado por parcela da população . A Constituição Federal fundou a ordem econômica brasileira na valorização do trabalho humano e n a livre iniciativa. pois os particulares não dispõem dessa liberdade absoluta para se conduzir no mercado de produção de bens e serviços da forma que bem lhes aprouver.0152 .26. nada têm de tradicional. é que sejam adotadas medidas eficazes no sentido de impedir essas práticas. Tampouco convence a alegação de que a festa de rodeio é tradição do homem do interior e faz parte da cultura brasileira .como se isso justificasse a crueldade contra animais.18 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE afirmando a possibilidade de os animais. inciso VI. não há se argumentar que a decisão vulnera os valores da livre iniciativa e do livre trabalho.COTIA . anunciantes e forte esquema publicitário. então. A conduta esperada. sem a estrita observância da legislação ambiental. com shows.

não causará dano algum à cultura bandeirante ou nacional. ' 16 APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21.10. a reação do animal fustigado pelo peão é de nítida irresignação e inconformismo. Esse conceito tem de ser deduzido objetivamente como resultado de um ato que constrange o animal a uma prática contra a qual ele se insurge. anão nos cabe distinguir entre sofrimento leve e sofrimento grave.26.e o que se faz com a água . E. tanto que se debate enquanto pode e com todas as forças de que dispõe."16 Infelizmente..8. Também não haveria se falar que o sedem não causa sofrimento. as conseqüências serão nefastas não apenas para aquela espécie atingida. Rompido qualquer deles. 656/657 dos autos da Apelação Cível em Ação Civil Pública Ambiental n° 990.785 .440980-2 da Comarca de Descalvado.estão mais próximas ao ser humano do que a sua vã pretensão poderia imaginar. n a sentença exarada pela Juíza ANA LÚCIA FUSARO nos autos da Apelação Cível N° 990. a se considerar o que se faz com a vegetação . mas também para todas as demais.não há como justificar um rodeio graduando-se subjetivamente o conceito de crueldade. porque permitiria aos touros se alimentarem. Fls. em movimentos e impulsos contrários à sua mansidão.19 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE martirizante aos animais .COTIA .VOTO N° 17. Como bem j á se pronunciou neste Egrégio Tribunal de Justiça. cortejarem e até copularem.fonte essencial para a subsistência da vida.que é vida . A mesma inconsciência que desmata e que polui não se condói de espécies que segundo o Projeto Genoma .440980-2.2007.10. evidentemente.. está longe o tempo em que a humanidade se conscientizará de que a vida é u m fenômeno complexo e que a realidade holística da aventura terrena une toda manifestação vital por elos indissolúveis. A vida não está a merecer respeito.0152 .

na Fazenda de Caucaia.26. n° 1.0152 .VOTO N° 17. O homem do milênio. seria a mesma pretendida pela apelante para os anos seguintes.2007.00 (cinco mil reais). que se tornou conhecido como Francisco de Assis. calf roping e quaisquer outras de laço e derrubada).000.COTIA .20 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO CÂMARA RESERVADA AO MEIO AMBIENTE Aparentemente a humanidade regride. Dessa forma busca-se consubstanciar a esperança de que nem tudo está perdido^ no universo árduo e angustiante da defesa ecológica.000. Com o respeito devido a quem pensa de forma diversa .sou servo de u m a Constituição que acolhe o pluralismo .8. team roping. Por estes fundamentos. Francesco de Bernardone. Não deve haver qualquer termo limitando a amplitude temporal das proibições formuladas no pedido. RENATO NALINI Relator APELAÇÃO CÍVEL N° 0013772-21. e ainda para que se abstenha de realizá-las em treinos e aulas na Fazenda Nascimento. sem prejuízo das medidas penais em caso de descumprimento da determinação judicial. e isso seria desnecessário dizer. confere-se parcial provimento ao apelo. chamava todas as criaturas de irmãs. Até porque.785 . h á quem se entusiasme a causar dor a seres vivos e se escude na legalidade formal para legitimar práticas cujo primitivismo é inegável. a crueldade que seria praticada nos dias 01 e 02 de dezembro de 2007. sob pena de aplicação de multa diária no valor de R$ 5. Município de Cotia. para condenar MARCELO CHADDAD MAGOGA (DOCTORS RANCH) na obrigação de não fazer para que se abstenha de realizar provas de rodeio em festivais/eventos (bulldogging.dou parcial provimento ao apelo. Em pleno século XXI.

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