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OPORTUNISMO: “Habilidade ou capacidade de tirar partido das situações ou de perceber o

momento certo para obter vantagens pessoais.” Somada à ausência de um compromisso ético,
pessoas que assim agem acarretam grandes prejuízos à sociedade.

No contexto Jurídico, o OPORTUNISMO se traduz na utilização de forma ardilosa e imprópria,
dos instrumentos judiciais para obtenção de vantagens pessoais, refletindo-se em prejuízo,
tanto para terceiro quanto para a sociedade. Nesse sentido, nada mais atrativo para pessoas
que visam agir de tal modo, como o surgimento de um evento epidemiológico que afeta
diversas camadas da sociedade, trazendo consigo crises em várias esferas sociais.

É previsto em nosso ordenamento jurídico diversos mecanismos de proteção e manutenção do
negócio jurídico celebrado. Contudo, quando tal negócio passa a ser demasiadamente
desproporcional para uma ou ambas as partes, a legislação nos oferece um arcabouço de
instrumentos que servirão para desobrigá-las de cumprirem com determinados encargos
dispostos no acordo que lhe deu causa. Por exemplo, a aplicação do instituto do caso fortuito
ou força maior previstos no art. 393 do Código Civil.

Todavia, após a realidade mundial ser modificada pelo advento da crise trazida pela Covid-19,
são muitas as tentativas de se adequar, dentro dessa nova realidade, os acordos
anteriormente realizados. É o caso dos lojistas de Shoppings Centers que, diante dos contratos
celebrados e a impossibilidade de cumpri-los, visto que não podem exercer suas atividades
comerciais, lutam na tentativa de renegociá-los.

Contudo, apesar dessa situação trazer diversos problemas reais para milhares de brasileiros
que, durante esse período vêm perdendo suas rendas, existe uma parcela da sociedade, a qual
torcemos que seja a exceção, aproveitando-se das mazelas trazidas pelo vírus, tentado
desobrigar-se de suas responsabilidades contratuais. São esses os chamados oportunistas
jurídicos, os quais, aproveitam da fragilidade do sistema e dos meios de proteção social para
angariar proveitos individuais, através da distorção da realidade dos fatos, dando lastro para
uma situação de insegurança jurídica.

A propositura de ações infundadas, somente visando a uma possível vantagem que não se
sustenta na realidade dos fatos, possui forte influência negativa no cotidiano do nosso
Judiciário. No meio de um evento pandêmico, onde naturalmente se exacerbam os conflitos,
tem o Poder Judiciário que dedicar maior atenção para separar o joio do trigo, buscando evitar
possíveis injustiças, o que torna o trabalho já dispendioso, mais suscetível ao erro.

Portanto, é imprescindível que tenhamos responsabilidade e parcimônia no presente
momento, evitando lides desnecessárias e buscando os meios alternativos para solucionar os
conflitos inevitáveis. Desta forma, a busca por uma boa assistência jurídica em um momento
de crise é a melhor solução para que não haja um possível escalonamento do conflito,
podendo-se, inclusive, evitá-lo.

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