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UNIVERSIDADE DE SÃO TOMÁS DE MOÇAMBIQUE

Tema: Ausência
Cadeira: Teoria geral do Direito Civil
Turma: 2L3LDR1T

Discentes:
Geny Guilima
Luísa Alberto Vaisson
Marcela Chemane

Docente: Isabel Hortência

Maputo, junho de2021

Índice
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1. Introdução……………………………………………........................
...........3
2. Conceito de
ausência……………………………………....................……4
3. Medidas
legais……………………………………………….....................….4
3.1. Curadoria
provisória……………………………......................………4
3.2. Curadoria
definitiva…………………………………….......................5
3.3. Morte
presumida……………...................................................6
4. Tipos de ausência
…………………………………………....................…..7
5. Requisitos para declarar ausência………………………..............
….8
6. Conclusão………......................................................................10
7. Referências bibliográficas………………………………................
……11

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1. Introdução
No presente trabalho iremos falar da ausência. A ausência é uma espécie de extensão da
pessoa natural e também espécie de morte presumida.
A ausência ocorre quando alguém desaparece, estando em lugar incerto e não sabido,
por longo período de tempo e após incessantes buscas.

2. Conceito de Ausência

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Ausência é um estado de fato, em que uma pessoa desaparece de seu domicílio, sem
deixar qualquer notícia. Ausente é o indivíduo que desapareceu, consciente ou
inconscientemente, voluntária ou involuntariamente.

A declaração de ausência deverá ser feita por decisão judicial, através de procedimento
de jurisdição voluntária.

3. Medidas legais

O processo de ausência da pessoa natural é dividido em três (3) fases:

1. A curadoria provisória
2. Curadoria definitiva
3. Morte presumida
3.1. Curadoria provisória- os pressupostos de que a lei faz depender a nomeação de
um curador provisório são o desaparecimento de alguém sem notícias, a
necessidade de prover acerca da administração dos seus bens e a falta de
representante legal ou de procurador (art.89º. ).

Mesmo que exista representante do ausente, a curadoria provisória será estabelecida no


caso de o representante não exercer as suas funções, quer por qualquer motivo estar
impedido de o fazer, quer porque voluntariamente as exerce.

A presunção da lei, nesta fase, é a de um possível regresso ausente, como se comprova


pelas soluções consagradas. Assim, tango o Ministro público como qualquer interessado
têm legitimidade para requerer a curadoria provisória e as providências cautelares
indispensáveis. (art.91.º ) , a qual deve ser definida a uma das seguintes pessoas:
cônjuge, alguns dos herdeiros presumidos, ou algum dos interessados na conservação
dos bens (art. 92.º). O curador funciona como um simples administrador (art. 94.°),
devendo prestar caução (art.93.°) e apresentar contas anualmente ou quando o tribunal o
exigir (art. 95.°). A curadoria provisória termina, nos termos do artigo 98.

a) Pelo regresso do ausente;


b) Devo ausente providenciar a cerca da administração dos bens;
c) Pela comparência da pessoa que legalmente represente o ausente ou de
procurador bastante;

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d) Pela entrega dos bens aos curadores definitivos ou ao cabeça-de- casal, nos
termos do artigo 1030.°;
e) Pela certeza da morte do ausente.

3.2 . Curadoria definitiva- a probabilidade de a pessoa ausente não


regressar é nesta fase maior, visto que a lei só possibilita o recurso á
justificação da ausência no caso de já terem decorrido dois anos sem se
saber do ausente ou cinco anos no caso de ele ter deixado representante
legal ou procurador bastante (art.99.°).
A legitimidade para o pedido de instauração da curadoria definitiva
pertencente também aqui ao ministério público ou a algum dos interessados,
sendo estes, contudo, além do cônjuge não separados judicialmente de
pessoas 8 bem, os herdeiros do ausente e todos os que tiverem sobre os seus
bens qualquer direito dependente da sua morte.
Após a justificação da ausência, proceder-se-á á abertura de testamentos
(art.101.°) e a partilha e entrega dos bens aos herdeiros (art. 103.°), os
quais, contudo, são tidos como curadores definitivos (art.104.°), e não como
proprietários desses bens ( não podendo, por exemplo, dispor deles), embora
tenham direito aos frutos percebidos, nos termos prescritos no art. 111.°.
Enquanto na curadoria provisória será fixada caução pelo tribunal, na
curadoria definitiva a prestação desta não é obrigatória, podendo o tribunal
exigi-la.
O regime da curadoria definitiva da a entender que a probabilidade de
regresso do ausente é já menor, presunção subjacente as soluções apontadas.
a) A curadoria definitiva termina (art.112.°);
b) Pela notícia da sua existência e do lugar onde reside;
c) Pela certeza da sua morte;
d) Pela declaração de morte presumida.

3.3. Morte presumida, decorridos dez anos sobre a data das últimas notícias, ou
passados cinco anos, se entretanto o ausente tiver completado oitenta anos de idade, os
interessados para o efeito do requerimento da curadoria definitiva têm legitimidade,
para pedirem a declaração de morte presumida do ausente (art.114.°, número 1).

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Contudo, se a pessoa ausente for menor de idade, é necessário que decorram cinco anos
sobre a data em que possa ser declarada morte presumida (número 2, do artigo 114.°).

Assim, o casamento não será Ipso facto (art. 115.°), embora o artigo 116.° dê ao
cônjuge do ausente a possibilidade de contrair novo casamento sem necessidade de
recorrer ao divórcio.

Abre -se a sucessão no data da sentença, passando os sucessores a ser tratados não como
proprietários dos bens dai que haja lugar á prestação de caução (art. 117.°).

Uma atenção ao princípio do artigo 115° terá lugar no caso de se provar que o óbito
ocorreu em data diversa dada sentença que declarou a morte presumida. Far-se-ão as
modificações necessárias para que os sucessores sejam os que seriam chamados na data
da morte real (art.118.°).

Se o ausente vier a regressar e o outro cônjuge houver entretanto contrai do novo


casamento, a lei, em coerência com a faculdade que lhe concedeu para casar, teve de
afastar qualquer classificação do caso como de bigamia.

Daí ter estatuído, em caso de regressodo ausente ou de superveniência de notícias de


que era vivo quando foram celebrados novas núpcias, considerar-se o primeiro
matrimônio dissolvido por divórcio á data da declaração de morte presumida (art.
116.°).

O regresso não pode, portanto, impugnar a segunda união matrimonial do outro


cônjuge.

Na esfera patrimonial, em caso de regresso, verifica-se um fenômeno de sub- rogação


real, isto é, tem o ausente direito:

a) Aos bens diretamente adquiridos por trocar com os bens do seu patrimônio (sub-
rogação directa);
b) Aos bens adquiridos com preço dos alienados, se no documento de aquisição se
faz menção da proveniência do dinheiro ( sub-rogação indirecta);
c) Ao preço dos bens alienados (sub-rogação directa).

É, obviamente, ser-lhe-á, devolvido, o patrimônio que era seu, no estado em que se


encontrar. Havendo, porém, má fé dos sucessores e está consiste no conhecimento

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pelos sucessores de que o ausente era vivo á data da declaração de morte presumida, o
ausente tem direito também á indenização do prejuízo sofrido. (art.119.°).

4. Tipos de ausência

O Instituto da ausência destina-se a proteger os interesses, já do próprio ausente, já dos


seus eventuais herdeiros.

Consoante os efeitos mais ou menos enérgicos que a ausência pode determinar, no


sentido de acautelar os interesses do ausente e dos seus herdeiros, assim é costume
distinguir, por assim dizer, três ausências. Essas três (3) ausências são:

a) A chamada ausência presumida


b) A chamada ausência declarada
c) A chamada ausência presumida (2)

No primeiro caso, dá-se o fato da ausência no sentido que já conhecemos, porém, a


presunção sobre a qual se fundam as respetivas disposições é antes a de que o ausente
está vivo e de que pode regressar. Tais disposições visam, pois, predominantemente,
como é natural, a acautelar os interesses do próprio ausente, a fim de me defender o
patrimônio.

No segundo caso, dado ainda o mesmo facto da ausência, a presunção que serve de base
as respetivas disposições, é a inversa: começa a modificar-se, isto é, a transformar-se na
de que o ausente tem todas as probabilidades de ter morrido. Assim, os efeitos que a
essa presunção se ligam, visam já a proteger, inclusivamente, os interesses dos herdeiros
presumidos aos quais provisoriamente os bens são deferidos.

No terceiro caso, finalmente, a presunção de morte do ausente torna-se absoluta, e então


os bens que lhe pertenciam são definitivamente entregues aos herdeiros, como se
houvesse a certeza da sua morte. Vejamos agora a regulamentação destas diferentes
hipóteses e formas de ausência, bem como os efeitos que produzem.

5. Requisitos para declarar ausência

Para declarar ausência é necessário que se verifiquem certas condições, que são os
enumerados no artigo 55.° do Código Civil.

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1. Que a pessoa tenha desaparecido do seu domicílio;
2. Que não haja notícias dela;
3. Que não tenha deixado procurador ou quem administre os seus bens.
4. Que seja realmente indispensável prover ou esse respeito.

Quanto ao primeiro requisito, há apenas anotar o desaparecimento que consulta no


artigo 55.°. Tratar-se de um desaparecimento que faça justificadamente admitir a dúvida
sobre se a pessoa vive, ou que torne a plausível a hipótese da sua morte.

No que se refere ao segundo requisito, deve também notar-se que a falta de notícias, que
aqui se exige, não é só uma data de notícias depois de haver já decorrido um certo
tempo, ou durante um certo tempo determinado.

No que toca ao terceiro requisito, deve ainda ser notado que o procurador, de que no
referido artigo se fala, deve ser um procurador por ele nomeado por procuração, e que a
pessoa que legalmente administre os seus bens, de que também aí se fala, prevendo a
sua falta, é qualquer daquelas que por lei representam outras, tais como os pais, tutores e
curadores. Isto é: a ausência só se dá, juridicamente, se o ausente não deixou, nem
procurador, nem qualquer dessas pessoas, e se, por outro lado, deixou bens suscetíveis
de se prejudicaram com a sua ausência.

Sobre a ausência, convém notar que este Instituto jurídico foi inteiramente estranho ao
direito romano.

Aí, talvez pelo facto de haver muitos meios de prover á administração do patrimônio do
páter-famílias ausente, nunca se fez sentir a sua necessidade. Foi a jurisprudência da
Idade média que começou a construir as suas bases, aceitando, tirada dos salmos, a
presunção de morte dos ausentes quando tivessem atingido setenta anos de idade, ou
cinco depois do seu desaparecimento, se naquele momento já os tivessem atingido.

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6. Conclusão

Depois de uma breve leitura e compreensão do trabalho podemos concluir que a


ausência é um estado de facto, em que uma pessoa desaparece de seu domicílio, sem
deixar qualquer notícia. O Instituto da ausência destina-se a proteger os interesses dos
herdeiros, já do próprio ausente, já dos seus eventuais herdeiros.

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7. Referências bibliográficas

Www.em.com.br.
Manual de Teoria geral do Direito Civil
Manual de Teoria geral dos sujeitos da relação jurídica

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