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APRESENTAÇÃO

Um plano para
os seus estudos
Este GUIA DO ESTUDANTE FÍSICA oferece uma ajuda e tanto para as
provas, mas é claro que um único guia não abrange toda a preparação necessária
para o Enem e os demais vestibulares.
É por isso que o GUIA DO ESTUDANTE tem uma série de publicações
que, juntas, fornecem um material completo para um ótimo plano de estudos.
O roteiro a seguir é uma sugestão de como você pode tirar melhor proveito de
nossos guias, seguindo uma trilha segura para o sucesso nas provas.

1 Decida o que vai prestar


O primeiro passo para todo vestibulando é escolher com clareza
a carreira e a universidade onde pretende estudar. Conhecendo
o grau de dificuldade do processo seletivo e as matérias que CAPA: NELSON PROVAZI
têm peso maior na hora da prova, fica bem mais fácil planejar
os seus estudos para obter bons resultados.
CALENDÁRIO GE 2015
 COMO O GE PODE TE AJUDAR O GE PROFISSÕES traz todos os cursos
superiores existentes no Brasil, explica em detalhes as caracte- Veja quando são lançadas
rísticas de mais de 260 carreiras e ainda indica as instituições que as nossas publicações
oferecem os cursos de melhor qualidade, de acordo com o ranking
de estrelas do GUIA DO ESTUDANTE e com a avaliação oficial do MEC. MÊS PUBLICAÇÃO
Janeiro
Fevereiro GE HISTÓRIA

2 Revise as matérias-chave
Para começar os estudos, nada melhor do que revisar os pontos
Março

Abril
GE ATUALIDADES 1
GE GEOGRAFIA
mais importantes das principais matérias do Ensino Médio. Você GE QUÍMICA
pode repassar todas as matérias ou focar apenas em algumas GE BIOLOGIA
Maio
delas. Além de rever os conteúdos, é fundamental fazer muito GE FUVEST
exercício para praticar. GE ENEM
Junho
GE PORTUGUÊS
 COMO O GE PODE TE AJUDAR Além do GE FÍSICA, que você já tem em
Julho GE REDAÇÃO
mãos, produzimos um guia para cada matéria do Ensino Médio:
GE IDIOMAS
GE MATEMÁTICA, Química, Biologia, História, Geografia, Português,
Redação e Idiomas. Todos reúnem os temas que mais caem nas Agosto GE ATUALIDADES 2
provas, trazem questões de vestibulares para fazer e têm uma GE MATEMÁTICA
Setembro
linguagem fácil de entender, permitindo que você estude sozinho. GE FÍSICA
Outubro GE PROFISSÕES

3 Mantenha-se atualizado
O passo final é reforçar os estudos sobre atualidades, pois as provas
Novembro
Dezembro
exigem alunos cada vez mais antenados com os principais fatos Os guias ficam um ano nas bancas –
que ocorrem no Brasil e no mundo. Além disso, é preciso conhecer com exceção do ATUALIDADES, que é
em detalhes o seu processo seletivo – o Enem, por exemplo, é bem semestral. Você pode comprá-los
diferente dos demais vestibulares. também nas lojas on-line das livrarias
Cultura e Saraiva.
 COMO O GE PODE AJUDAR VOCÊ O GE Enem e o GE Fuvest são verda-
deiros “manuais de instrução”, que mantêm você atualizado sobre FALE COM A GENTE:
todos os segredos dos dois maiores vestibulares do país. Com duas Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar,
edições no ano, o GE ATUALIDADES traz fatos do noticiário que po- CEP 05425-902, São Paulo/SP, ou email para:
dem cair nas próximas provas – e com explicações claras, para quem guiadoestudante.abril@atleitor.com.br
não tem o costume de ler jornais nem revistas.

GE FÍSICA 2016 3
CARTA AO LEITOR

8 EM CADA 10
APROVADOS NA
USP USARAM

SELO DE QUALIDADE

DIVULGAÇÃO
GUIA DO ESTUDANTE

A gravidade e
O selo de qualidade acima é resultado de uma pes-
PERDIDA NO ESPAÇO quisa realizada com 351 estudantes aprovados em
A cientista Ryan três dos principais cursos da Universidade de São

o vestibular
Stone (Sandra Paulo no vestibular 2015. São eles:
Bullock) flutua na
órbita da Terra, no � DIREITO, DA FACULDADE DO LARGO

V
filme Gravidade SÃO FRANCISCO;
� ENGENHARIA, DA ESCOLA POLITÉCNICA; e
� MEDICINA, DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP
ocê deve ter assistido ao filme Gravidade. Se
não assistiu, vale a pena. Dirigido por Alfonso  8 em cada 10 entrevistados na
Cuarón, Gravidade mostra as dificuldades pesquisa usaram algum conteúdo do
enfrentadas pela cientista Ryan Stone para GUIA DO ESTUDANTE durante sua
retornar à Terra depois da destruição do ôni- preparação para o vestibular
bus espacial Explorer e da Estação Espacial
Internacional por partes soltas de satélites. Do movimento das  Entre os que utilizaram versões
naves na órbita da Terra à velocidade dos detritos, da dificul- impressas do GUIA DO ESTUDANTE:    
dade de Stone em se deslocar pelo espaço vazio à combustão 88% disseram que os guias ajudaram
do módulo de resgate Soyuz durante a reentrada na atmosfera, na preparação.
tudo tem a ver com conceitos de física: aceleração, força, ação 97% recomendaram os guias para
e reação e energia. outros estudantes.
A física está por trás, também, de fatos reais: da eletrici-
dade, do aquecimento global ou do salto de um atleta com
vara. São associações como essas, entre conceitos científicos
e acontecimentos do dia a dia, que os examinadores pedem
no Enem e nos principais vestibulares do país.
Esta é a tônica do GUIA DO ESTUDANTE VESTIBULAR TESTADO E APROVADO!
+ ENEM FÍSICA – apresentar os conteúdos de mecânica,
termologia, óptica, eletricidade e magnetismo que mais caem A pesquisa quantitativa por meio de entrevista
nas provas, associando-os a fatos da atualidade. A matéria foi pessoal foi realizada nos dias 11 e 12 de
organizada pelos professores Júlio Ribeiro, do Colégio Móbile, fevereiro de 2015, nos campi de matrícula dos
e Gil Marcos, do Colégio Vértice, em São Paulo. O texto (com cursos de Direito, Medicina e Engenharia da
explicações passo a passo), as ilustrações e os infográficos (que Universidade de São Paulo (USP).
facilitam a visualização de conceitos e raciocínios) foram ela-
borados pela equipe da redação do GUIA DO ESTUDANTE. � Universo total de estudantes aprovados nesses
Este guia é a primeira força para você vencer a inércia e cursos: 1.725 alunos.
não despencar em queda livre nas provas. Se você empenhar � Amostra utilizada na pesquisa: 351 entrevistados.
energia nos estudos, a reação é inevitável: a conquista de uma � Margem de erro amostral: 4,7 pontos percentuais.
vaga na universidade.

 A redação

4 GE FÍSICA 2016
SUMÁRIO

Sumário

 Física
VESTIBULAR + ENEM
2016

68 "VMBt&OFSHJBNFDÉOJDB
72 Infográfico Os tipos de energia envolvidos num eventual choque de
um asteroide com a Terra
74 "VMBt%JOÉNJDBJNQVMTJWB
78 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo

FÓRMULAS
8 As principais expressões matemáticas que você encontra nesta edição ÓPTICA GEOMÉTRICA
80 5 FSSBTBPTNPOUFTQPSBÓ A ciência já descobriu uma dúzia de planetas
extrassolares com ambiente favorável à vida
82 Infográfico Como as leis da óptica permitem medir distâncias cósmicas
84 "VMBt&TQFMIPTQMBOPT
TERMOLOGIA 88 "VMBt&TQFMIPTFTGÏSJDPT
12 Primeira promessa contra o aquecimento Estados Unidos e China 93 "VMBt3FGSBÎÍP
assinaram um acordo para reduzir a emissão de carbono 96 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo
14 Infográfico Como a atmosfera absorve e retém o calor do Sol
16 "VMBt5FNQFSBUVSB
20 "VMBt%JMBUBÎÍP
24 "VMBt$BMPSJNFUSJB
28 "VMBt5SBOTGPSNBÎÜFTHBTPTBT ELETRICIDADE
32 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo 98 Acender uma lâmpada está mais caro O uso de termelétricas
encarece a conta de luz
100 Infográfico Como a eletricidade é gerada na atmosfera e nas usinas
102 "VMBt&MFUSPTUÈUJDB
106 "VMBt&MFUSPEJOÉNJDB
CINEMÁTICA 108 "VMBt-FJTEF0INFQPUÐODJB
34 1PUFOUFDÉNFSBGPUPHSÈGJDBEP$PTNP Os feitos do Telescópio 112 "VMBt(FSBEPSFTFSFDFQUPSFT
Espacial Hubble em 25 anos de operação 116 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo
36 "VMBt$PODFJUPT
40 "VMBt.PWJNFOUPSFUJMÓOFPVOJGPSNF
43 "VMBt.PWJNFOUPSFUJMÓOFPVOJGPSNFNFOUFWBSJBEP
46 "VMBt-BOÎBNFOUPT
50 Infográfico Os movimentos de um atleta num salto com vara MAGNETISMO
52 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo 118 6NDBNQPNBHOÏUJDPNVJUPDPNQMFYP O escudo invisível que
envolve o planeta tem uma estrutura tubular
120 Infográfico As aplicações tecnológicas da eletricidade e do magnetismo
122 "VMBt$PODFJUPT
126 "VMBt$BNQPNBHOÏUJDPFDPSSFOUFFMÏUSJDB
DINÂMICA 130 "VMBt'PSÎBNBHOÏUJDB
54 Estradas da morte O Brasil ocupa a 4a colocação na lista de países 134 $PNPDBJOBQSPWB 3FTVNP Questões comentadas e síntese do capítulo
campeões em mortes por acidente de trânsito
56 "VMBt1SJNFJSBFUFSDFJSBMFJTEF/FXUPO
58 "VMBt4FHVOEBMFJEF/FXUPO SIMULADO
64 "VMBt&OFSHJBFUSBCBMIP 136 26 questões e suas resoluções, passo a passo

6 GE FÍSICA 2016
FÓRMULAS & EQUAÇÕES

AS PRINCIPAIS EXPRESSÕES MATEMÁTICAS QUE APARECEM NESTA EDIÇÃO

TERMOLOGIA Capacidade térmica Aceleração escalar média

Conversão de escalas C = Q/ Ti = m . c a = Tv
Tt
T = T - 32 = T - 273
C F K

5 9 5 Equação de Clapeyron Função horária da


posição no MRU
Dilatação linear p$V = n$R$T
S (t) = S 0 + v . t
DL = L 0 $ a $ Di
Lei geral dos gases ideais
Função horária da
Dilatação superficial pi $ Vi pf $ Vf posição no MRUV
= a . t 2
Ti Tf S (t) = S O + v O . t +
DA = A 0 $ b $ Di 2
Transformação
isovolumétrica Função horária da
velocidade no MRUV
Dilatação volumétrica pi pf
de sólidos =
Ti Tf v (t) = v O + a . t
DV = V0 $ c $ Di
Transformação isobárica Equação de Torricelli
Vi = Vf
Dilatação de líquidos v 2 = v 20 + 2 . a . TS
Ti Tf
DVliq = V0 $ c liq $ Di
Transformação isotérmica DINÂMICA
Dilatação aparente e real p i . V i = p f . Vf Força resultante

DV Re al = DV Aparente + DV R ecipiente FR = m . a
CINEMÁTICA

Quantidade de calor sensível Deslocamento escalar Força peso


TS = S - S 0
Q = m $ c $ Di P=m.g
Velocidade escalar média
Quantidade de calor latente Atrito dinâmico
Vm = TS
Q = m$L Tt fatc = μc . N

8 GE FÍSICA 2016
Atrito estático Potência elétrica
ÓPTICA GEOMÉTRICA
Pelétrica = E elétrica = U. i = UR = R .i 2
2
fate = μe . N Dt
Equação de Gauss
Componentes horizontal e 1= 1+ 1 Tensão nos terminais de um gerador
vertical de uma força f p p'
U = f- r$i
Px = P $ sen i
Py = P $ cos i Aumento de uma imagem Tensão nos terminais de um receptor
p' U' = f' + r' $ i
A= i =-
Movimento circular uniforme o p
v 2 Intensidade da corrente num
a cp = Índice de refração circuito gerador-receptor
R
v 2
n= c i = Rf - Rf'
FCP = m . v R eq
R

Trabalho de uma força constante Lei de Snell


n1 . sen î = n2 . sen r MAGNETISMO
x = F.d
Intensidade do campo
Trabalho de força em ângulo magnético
ELETRICIDADE t$POEVUPSSFUJMÓOFP
x = F . d . cosi
n0 $ i
Potência Força elétrica B=
2$r$R
|Q | . | q |
P= x Felétrica = k 0 .
d2
Tt t$POEVUPSFNFTQJSBDJSDVMBS
Intensidade da corrente elétrica n0 $ i
Energia cinética B=
DQ 2$R
2 i=
EC = m . v Dt
2 t#PCJOBDIBUB
Energia potencial gravitacional
Primeira lei de Ohm n0 $ i
Epg = m . g . h B = N$
U = R$i 2$R

Energia potencial elástica t4PMFOPJEF


Segunda lei de Ohm

E pel = k . x 2
N $ n0 $ i
2 R = t$ L B=
L
A
Trabalho de forças dissipativas Força sobre uma partícula
Associação em série
EM(i) – EM( f ) = x Fdiss. R eq = R 1 + R 2 + R 3 + ... + R n Fm = q $ v $ B $ sen i

Força sobre um
Impulso e quantidade de movimento Associação em paralelo condutor retilíneo
I res = Qfinal – Qinicial � I res = ∆Q 1 = 1 + 1 + 1 + ... + 1
R eq R1 R2 R3 Rn Fm = B $ i $ l $ sen i

GE FÍSICA 2016 9
1
TERMOLOGIA
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Infográfico ..........................................................................................................14
 aula 1 > Temperatura ..................................................................................... 16
 aula 2 > Dilatação.............................................................................................20
 aula 3 > Calorimetria ......................................................................................24
 aula 4 > Transformações gasosas ...............................................................28
 Questões e Resumo..........................................................................................32

Primeira promessa
contra o aquecimento
As duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e
China, depois de décadas de impasse, assinaram acordo
sobre a redução na emissão de carbono

N
o final de 2014, Estados Unidos e China No Brasil, a questão industrial é menos im-
assinaram um acordo histórico, pelo portante que o desmatamento – a maior fonte
qual se comprometem a reduzir a emis- de carbono no país. Derrubadas e queimadas
são de gases do efeito estufa, responsável pelo liberam na atmosfera o carbono armazenado
incremento do aquecimento global. Os EUA na madeira. O Plano Nacional sobre Mudança
devem diminuir as emissões de dióxido de car- Climática (PNMC), de 2009, propõe reduzir as
bono (CO2) entre 26% e 28% até 2025. A China, emissões até 2020 a cerca de 40% do previsto
em troca, deve cortar as emissões a partir de para aquele ano. Estudo recente mostra uma
2030 e, até lá, gerar por fontes limpas 20% da queda de 15% nas emissões, entre 1990 e 2013.
energia no país. O tratado foi assinado depois A emissão de carbono pelo desmatamento caiu
de um impasse que levou décadas. 56%. Mas, ainda que seja menos importante no
No fundo, o impasse tem razões econômicas. balanço geral, o setor industrial registrou um
Explica-se: de modo geral, para diminuir emis- aumento de 90%, no mesmo período.
sões, as indústrias têm de investir em tecnologias O aquecimento global, você sabe, provoca de-
novas e alterar processos produtivos – o que sequilíbrios climáticos, com secas severas em
sempre encarece a fabricação. Custo mais alto na algumas regiões do planeta (como recentemente
fábrica significa preço mais alto no mercado – o no estado da Califórnia) e excesso de chuvas em
que reduz a competitividade dos produtos no outras (como na Índia e na Birmânia). Cientistas
comércio internacional. Pesa, também, o nível atribuem esses extre-
de desenvolvimento de cada nação. Os EUA, país mos ao aumento na
desenvolvido, têm uma altíssima emissão per concentração de gases DILÚVIO JUNINO
capita. Na China, economia emergente, a taxa do efeito estufa, que Livreiros indianos assistem,
per capita é menor, mas, em compensação, os retêm o calor do Sol. impotentes, à subida das
mais de 1 bilhão de chineses são os que emitem Calor, variação de tem- águas. As chuvas torrenciais
mais carbono, em valores absolutos. O dado mais peratura e seus efeitos que atingiram a Índia e a
importante, no entanto, é que, juntas, as duas sobre os corpos são te- Birmânia em 2015,
maiores economias do mundo respondem por mas de termologia, que são atribuídas ao
45% das emissões globais. você vê neste capítulo. aquecimento global

12 GE FÍSICA 2016
RUPAK DE CHOWDHURI / REUTERS GE FÍSICA 2016 13
TERMOLOGIA INFOGRÁFICO

O que a Terra faz


com a energia solar
Alguns gases da atmosfera absorvem parte da
energia recebida do Sol e a aprisionam próximo
à superfície do planeta. Entenda como o calor
se propaga e é retido no efeito estufa

1 Radiação solar 2 Calor refletido


A energia térmica emitida pelo Sol Cerca de 30% da energia solar é
atravessa o espaço, que não contém refletida de volta ao espaço pela
matéria, na forma de ondas – ou seja, atmosfera, que funciona como o
por radiação. vidro de uma estufa de plantas.
radiação

NA FREQUÊNCIA DAS ONDAS


A luz visível é apenas um dos diversos tipos 3 A energia que entra
de radiação eletromagnética. Todo corpo Mas 70% da energia
emite radiação eletromagnética, e a atravessa o vidro e se
temperatura do corpo é que define o tipo propaga pela atmosfera.
de radiação que ele emitirá, ou seja, Dentro da estufa ocorre
a frequência das ondas eletromagnéticas. o fenômeno da convecção: Ar frio
os gases aquecidos sobem,
Tipos de radiação enquanto os mais frios
descem. É assim que
nascem os ventos.
Rádio Micro- Infra- Luz Ultra- Raios Raios Ar quente
ondas vermelho visível violeta X Gama

4 Agitando as moléculas
Temperatura Nos sólidos, o calor se propaga
por condução: aos poucos,
as partículas transmitem o calor umas
–272 ˚C –173 ˚C 9.727 ˚C 10.000.000 ˚C às outras, aumentando sua agitação.

O Sol emite energia em praticamente todo o


espectro eletromagnético. Mas, como a
temperatura de sua superfície fica em torno
dos 5 mil graus Celsius, a maior parte da Mais frio Mais quente
radiação solar está na faixa da luz visível.

14 GE FÍSICA 2016
OS GASES QUE ABSORVEM CALOR ASPIRADOR DE POLUENTES
De todos os gases que compõem a atmosfera, O movimento de convecção da atmosfera funciona
pouquíssimos absorvem o calor do Sol. como um aspirador, que suga os poluentes próximos da
O dióxido de carbono (CO2) é o principal deles. superfície para as camadas mais altas. Mas, quando
ocorre a inversão térmica, tudo fica preso aqui embaixo.

78% Nitrogênio Em dias normais


O ar perto da superfície é
21% Oxigênio Ar mais frio mais quente e, por isso,
1% Outros gases menos denso. Assim, ele sobe,
Ar frio carregando os poluentes.
Ar quente Lá no alto, os poluentes
A CADA
se dispersam. O ar se resfria
10 mil moléculas e torna a descer.
de gases que compõem
o ar, apenas
4 são de CO2
INVERSÃO TÉRMICA Em dias frios e secos
Quando a temperatura
Ar frio cai repentinamente, a superfície
se resfria muito rápido e o ar
Ar quente quente sobre ela também.
Ar frio Esse ar resfriado não consegue
subir, por ser mais denso.
Fica perto da superfície e
retém a poluição consigo.

5 Calor aprisionado
A energia refletida pelos
objetos para o ambiente não
consegue atravessar toda a
atmosfera. E permanece
presa na estufa, absorvida ILHAS DE CALOR
pelo vapor-d’água e por As grandes cidades costumam ser mais quentes
alguns gases do ar. que as zonas rurais ao seu redor. Isso ocorre por
É o efeito estufa. causa da imensa quantidade de edifícios e ruas
pavimentadas. O concreto e o asfalto têm enorme
30˚C capacidade de absorver e reter o calor, maior do
que a vegetação. Assim, as áreas urbanas refletem
29˚C menos a radiação solar do que as zonas rurais.
28˚C
27˚C
Temperatura

26˚C
25˚C
INFOGRAFIA: MULTI/SP

Zona rural Centro urbano Zona rural

GE FÍSICA 2016 15
TERMOLOGIA AULA 1 • TEMPERATURA

SALAMÊ MINGUÊ, UM SORVETE COLORÊ Tudo o que é frio é frio porque suas moléculas perderam energia térmica

Temperatura e sua medida

A
superfície da Terra tem uma tempera- Mas 15 ºC é a temperatura média da superfí-
tura média de cerca de 15 ºC, ideal para cie terrestre. Localmente, a temperatura pode
a vida. Essa temperatura é garantida estar acima ou abaixo disso. Em desertos, co-
pelo efeito estufa: a camada de ar que mo o do Saara, as temperaturas durante o dia
envolve o planeta funciona como um cobertor, podem superar os 50 ºC. E, em regiões polares,
que o abafa e impede que parte da energia rece- atingir -80 ºC. Isso depende da forma como a
bida do Sol por irradiação seja refletida de volta energia solar interage com condições físicas da
para o espaço (veja o infográfico na pág. 14). região, como altitude, umidade e ventos.

16 GE FÍSICA 2016
TEMPERATURA TÁ QUENTE, TÁ FRIO
Temperatura é a medida do grau de agitação
das moléculas de um corpo. Quanto mais inten- A temperatura define o ritmo de agitação das partículas de um corpo
so for o movimento das moléculas, maior será a
temperatura do corpo, e vice-versa. A tempera-
tura é medida por termômetros, sempre de ma-
neira indireta – ou seja, todo termômetro tem seu Quanto mais
princípio de funcionamento baseado na variação Num corpo frio, aquecido for
de alguma grandeza física que podemos associar as moléculas um corpo, mais
se movem numa
à temperatura do objeto em questão. Essas gran- agitadas ficam
velocidade menor
dezas são chamadas grandezas termométricas. as moléculas
O termômetro mais comumente utilizado é o
de mercúrio. Quando colocamos o instrumento
em contato com um objeto mais quente, o obje- MEDIDA INDIRETA
to transfere energia térmica ao termômetro: a
coluna de mercúrio se expande e sobe. O inver- A altura da coluna de mercúrio varia conforme a temperatura de um corpo
so acontece quando o corpo tem temperatura
menor que a do mercúrio. Uma escala dese-
nhada no vidro que recobre a coluna de mer-
cúrio associa a altura da coluna à temperatura [2]

do corpo ao qual o termômetro está encostado


(veja mais sobre dilatação dos corpos na aula 2 O mercúrio reage à variação de temperatura e A escala de temperatura indica
deste capítulo). se expande ou se contrai rapidamente a variação da temperatura
Existem diversas escalas termométricas –
ou seja, utilizadas para medir a temperatura RÉGUAS DE TEMPERATURA
de um corpo. As mais conhecidas são as esca-
las Celsius, a Fahrenheit e a Kelvin (ou escala Uma mesma temperatura tem diferentes valores, dependendo da escala
absoluta). As escalas Celsius e Fahrenheit são
criadas com base em dois pontos fixos – ou
seja, sistemas cujas temperaturas são conheci-
Pontos fixos: Celsius (ºC) Fahrenheit (ºF) Kelvin (K)
das e bem definidas. Normalmente, os pontos 100 ºC 212 ºF 373 K
[1]
fixos são o ponto de fusão e o ponto de ebulição
da água. Cada escala termométrica utiliza um É a escala mais Escala usada Também conhecida
[1]MERIH UNAL OZMEN/ISTOCK [2] ISTOSCK

valor específico para representar os mesmos usada no Brasil. principalmente como escala absoluta,
pontos fixos. Mas é possível estabelecer a rela- Tem como em países de está associada ao grau
ção matemática entre duas delas. pontos fixos a língua inglesa. de agitação molecular.
temperatura da Por ela, a água No zero absoluto
Ebulição fusão do gelo passa do estado (0 K = –273 ºC), as
Relação entre as escalas da água (0 ºC) e a de sólido ao líquido moléculas estariam
A temperatura de um corpo pode ser expres- ebulição da água aos 32 ºF. E do imóveis. Mas essa
sa por diferentes valores quando é medida em (100 ºC) líquido ao gasoso é uma temperatura
diferentes escalas. Um bloco de gelo que se en- aos 212 ºF inatingível, pois
contra a uma temperatura de 0 °C (na escala as partículas
Celsius, portanto) também está a 32 °F (na es- sempre apresentam
cala Fahrenheit) e a 273 K (na escala Kelvin). alguma agitação
Analogamente, um corpo qualquer que apre-
sente uma temperatura de 212 °F apresenta Fusão 0 ºC 32 ºF 273 K
uma temperatura de 100 °C ou 373 K. do gelo

GE FÍSICA 2016 17
TERMOLOGIA AULA 1 • TEMPERATURA

NA PRÁTICA Todas as escalas mantêm uma rela-


ção matemática entre suas medidas, que
A função dos obedece à seguinte proporção:
cobertores não é
aquecer, mas isolar
TC TF - 32 TK - 273
o corpo do ambiente = = , em que:
externo. A lã natural 5 9 5
ou artificial dificulta
a perda de energia  TC é a temperatura de um dado cor-
do corpo para o po, medido na escala Celsius;
ambiente. A energia  TF é a mesma temperatura do corpo,
toda retida debaixo agora medida na escala Fahrenheit;
das cobertas  TK representa a mesma temperatura,
provoca a sensação medida na escala Kelvin.
de aquecimento.
Para converter a temperatura de um
corpo de uma escala em outra, basta
resolver a equação correspondente às
duas escalas. [1]

ISOPOR DE ESQUIMÓ Assim como o material usado nas


CALOR geladeiras portáteis, o gelo também pode funcionar como
Sempre que dois corpos de tempera- isolante térmico. Apesar de serem frias, as paredes de gelo
Calorr é a quantidade de turas distintas são colocados em conta- de um iglu impedem a troca de calor entre os corpos do
energia transferida entre to, ocorre espontaneamente uma trans- interior e o ambiente externo
corpos que apresentam ferência de energia térmica do corpo
temperaturas distintas. mais quente para o corpo mais frio.
O calor pode ser medido Essa energia térmica transferida entre
em joules (J) ou em corpos que apresentam temperaturas
calorias (cal) (veja mais iniciais distintas é o que se chama, em NA PRÁTICA
na aula 3 deste capítulo). física, de calor.
Essa transferência de calor se dá até Para converter a temperatura ambiente
que ambos os corpos apresentem a mes- de 25 °C para as escalas Fahrenheit e
ma temperatura final, ou seja, o mesmo Kelvin, basta aplicar as equações de
grau de agitação de suas moléculas. Isso conversão entre as escalas:
Dois ou mais corpos acontece quando os corpos atingem o
atingem o equilíbrio equilíbrio térmico. É o que ocorre com De Celsius para Fahrenheit:
térmico quando suas os termômetros: a coluna de mercúrio TC = TF – 32 & 25 = TF – 32 & T = 77 ºF
temperaturas se tornam sobe enquanto a temperatura dessa subs- 5 9 5 9
F

iguais, ou seja, não há mais tância é diferente da do corpo com que


De Celsius para Kelvin:
transferência de energia está em contato. E estaciona quando as
TC = TK – 273 & 25 = TK – 273 & TK = 298 K
térmica entre eles. temperaturas se igualam.

PIADA PRONTA

[2]

18 GE FÍSICA 2016
TRANSMISSÃO DE CALOR Processos de propagação do calor ATENÇÃO!
A transferência de energia térmica ocorre na-
Quem cozinha num fogão a lenha observa todas turalmente de um corpo de maior temperatura É comum alguém reclamar
as formas de transferência de calor para um corpo de menor temperatura. Essa pro- da temperatura alta de
pagação pode se dar por diferentes processos: um dia de verão com
um “Puxa, que calor!”
Condução térmica É o processo de propagação Cientificamente, a
Na condução,
a energia da que se dá pela transmissão da agitação molecular expressão está incorreta.
chama agita as de uma partícula para a seguinte; portanto, para A grandeza física associada
moléculas do que haja propagação do calor por condução, é à sensação de quente
cabo da panela preciso a intermediação de um meio físico entre e frio é a temperatura.
mais próximas os corpos que inicialmente se encontram a tem- Calor é a energia térmica
do fogo. Aos peraturas distintas. A eficiência dessa transferên- transferida entre corpos de
poucos, essa cia depende da natureza do material que cons- diferentes temperaturas.
agitação é
titui esse meio físico, ou seja, se esse material é
transmitida às
moléculas mais
bom ou mau condutor de calor.
distantes O alumínio é um bom condutor de calor: esse NA PRÁTICA
metal se aquece e se resfria rapidamente. Por
isso, ele é ideal para as latas de refrigerante. O alto da parede é
Colocada na geladeira, a lata deixa o calor fluir o lugar ideal para
A porção de água
facilmente do líquido em seu interior para o ar instalar aparelhos de
mais próxima da
fonte de calor fica
do refrigerador. Isso faz com que a tempera- ar-condicionado. É
mais quente e, tura do refrigerante diminua rapidamente. Ao perto do teto que se
Em algumas portanto, menos contrário, os maus condutores térmicos são os concentra a porção
panelas, o cabo é densa. Assim, essa materiais que dificultam a troca de calor entre mais quente de ar de
revestido de parte sobe, dois corpos. São os chamados isolantes térmi- uma sala. Resfriado,
baquelite, um enquanto a porção cos, empregados quando é necessário reduzir o ar fica mais denso e
material mais fria desce. ao máximo a transferência de calor entre dois desce, dando espaço
isolante, que Essa é a convecção corpos. O baquelite é um mau condutor de ca- a outra porção de
impede a
lor. Por isso, essa resina sintética costuma ser ar quente, que será
propagação do
calor por
usada em cabos de panela. resfriada também.
condução Aos poucos, todo o ar
Convecção térmica É o processo de propaga- da sala é resfriado.
ção de calor por meio do transporte de matéria
de um sistema. Ocorre sempre que há uma dife-
rença de temperatura num líquido ou gás, o que Densidade é a
altera a densidade de material. É o que ocorre, relação entre a massa
por exemplo, quando se aquece água numa pa- e o volume de um
nela. A chama do fogão esquenta a água que está corpo, ou seja, a
no fundo da panela mais rapidamente do que a medida de matéria que
porção superior. Essa diferença de temperatu- existe em determinado
ras, ainda que pequena, faz com que a porção volume. Quanto mais
inferior de água se torne menos densa que a matéria houver em um
porção superior. Como o material menos denso volume, mais denso
CONVECÇÃO tende a subir e o mais denso a descer, cria-se um o corpo será.
CONDUÇÃO ciclo chamado corrente de convecção.

Radiação térmica ou irradiação É o processo Quando se propagam,


de transferência de energia térmica por ondas as ondas transportam
eletromagnéticas. É o único processo que não apenas energia, não
depende da existência de um meio físico entre matéria. As ondas do mar
os corpos. Para chegar à Terra, a energia prove- transportam energia sem
niente do Sol viaja em ondas pelo vácuo do es- “empurrar” a água. As
paço sideral, porque se propaga por irradiação. ondas eletromagnéticas
RADIAÇÃO A sensação de calor que sentimos quando nos fazem o mesmo no espaço.
Na radiação, a energia térmica do fogo expomos à luz solar se deve essencialmente à Todo corpo emite calor por
se propaga por ondas eletromagnéticas radiação infravermelha. ondas eletromagnéticas.

[1] RITA JANUSKEVICIUTE/ISTOCK [2] FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 19


TERMOLOGIA AULA 2 • DILATAÇÃO

O tamanho
varia em
função
do calor

C
onstruir uma ponte, uma torre ou um
viaduto que resista ao vaivém de veí-
culos não depende apenas do empre-
go de material de boa qualidade. Os
engenheiros precisam calcular, também, o efei-
to que as forças naturais exercem sobre a obra.
Entre esses efeitos, um dos mais importantes é
a dilatação térmica. Com raras exceções, todo
material aquecido se expande. E essa expansão
resulta no aumento do comprimento e da lar-
gura de uma ponte, ou na altura de um edifício.
Se o material usado não tiver espaço para se
dilatar, a estrutura poderá ficar comprometida.
Os engenheiros costumam, então, intercalar o
material básico da construção com as juntas de
dilatação – frestas vazias ou preenchidas por
outro material, que se dilata menos com o au-
mento da temperatura.
Quando a temperatura de um material se ele-
va, o grau de agitação de suas moléculas cresce e
elas se afastam. Se as partículas que constituem
um corpo estão mais afastadas, então esse corpo
ocupa um espaço maior. Isso é o que chamamos
dilatação térmica. No sentido inverso, quando
um corpo é resfriado, a agitação de suas partí-
culas diminui. Essa redução na agitação das
moléculas faz com que o corpo diminua suas
dimensões. É a contração térmica.
Qualquer corpo sólido que tenha a tempe-
ratura alterada apresenta variações em todas
as suas dimensões. Mas podemos simplificar o
fenômeno estudando apenas as dilatações ou
contrações mais significativas – seu compri-
mento, sua área ou seu volume. Em qualquer
um desses casos, a variação das dimensões do
objeto depende de três parâmetros:

 o tamanho inicial do corpo (comprimento,


área ou volume inicial);
 a alteração da temperatura a que o corpo foi
submetido (Di);
 o tipo de material que constitui o corpo.

20 GE FÍSICA 2016
CRESCE E ENCOLHE
Construída com ferro, a Torre
Eiffel, em Paris, pode variar sua
altura em até 18 centímetros
nos dias mais quentes de verão.
Ela também se expande na [2]

direção horizontal no decorrer VÃO DE ESCAPE As juntas de dilatação permitem que o piso se
do dia, por causa do sol que bate acomode quando é aquecido e não se quebre
numa ou noutra face

DILATAÇÃO LINEAR
É a variação no tamanho de um corpo sólido
cuja única dimensão significativa é o compri-
mento. Essa é a variação mais importante, por
exemplo, nos trilhos de trem ou cabos de alta-
tensão.
O parâmetro que define a capacidade que [3]

determinado material tem de se dilatar ou se LICENÇA PARA ESTICAR Um vão de poucos centímetros a cada
contrair ao longo de seu comprimento é o cha- 20 metros impede que o trilho se expanda e se deforme com o calor
mado coeficiente de dilatação linear ( a ).
Podemos, então, escrever a relação matemática
que define a variação do comprimento de um AGITOU, CRESCEU
corpo em função da variação de temperatura:
A intensidade de vibração das moléculas e a
DL = L 0 $ a $ Di , em que distância entre elas dependem da temperatura

 )L é a variação do comprimento do corpo; BAIXA TEMPERATURA


 L0 é o comprimento inicial do corpo; Quando a temperatura do corpo é reduzida, as partículas
 a é o coeficiente de dilatação linear do movem-se mais lentamente e permanecem mais próximas.
material; É a contração térmica.
 Di é a variação de temperatura do corpo.

A unidade de medida mais usual do coefi-


ciente de dilatação linear é °C-1 .

Nos sólidos, o coeficiente de dilatação é mui-


to baixo. Isso demonstra que os efeitos de dila-
tação e contração são relativamente pequenos
[1] XIPPSUM MAG [2] XRASTAPÓPOLUS

quando sua temperatura varia poucos graus


Celsius. Por exemplo: a cada grau que se aquece
uma barra de chumbo de 1 metro, ela aumenta ALTA TEMPERATURA
seu comprimento em apenas 0,000029 m – ou Quando a temperatura do corpo se eleva, as moléculas
seja, 0,029 mm. Veja o índice de dilatação li- vibram mais rapidamente e se afastam. É a dilatação térmica.
near de alguns materiais na tabela abaixo:

DILATAÇÃO LINEAR
Material a (°C–1)
Chumbo 2,9 . 10–5
Ouro 1,4 . 10–5
Vidro comum 0,9 . 10–5
[1]

[1] ALEKSANDAR NAKIC/ISTOCK [2] XRASTAPÓPOLUS [3] ISTOCK GE FÍSICA 2016 21


TERMOLOGIA AULA 2 • DILATAÇÃO

ab DILATAÇÃO SUPERFICIAL
Quando submetemos um corpo sólido de es-
pessura desprezível a uma variação de tempe-
ratura, ocorre uma dilatação ou contração su-
cd perficial – o corpo sofre variação significativa
em sua área. É o que ocorre, por exemplo, com
chapas de metal, de cimento ou de vidro.

fi O coeficiente de dilatação superficial é repre-


sentado por b , e sua unidade mais usual é, tam-
bém, o °C-1. A relação matemática que define a
A física emprega uma série variação superficial de um corpo qualquer é:
de letras gregas em suas
expressões matemáticas. DA = A 0 $ b $ Di , em que:
O símbolo D (delta)
significa, normalmente,  )A é a variação da área sofrida pelo corpo;
variação. Por exemplo,  A0 é a área inicial do corpo;
D d refere-se ao  b é o coeficiente de dilatação superficial
deslocamento (a diferença do material que constitui o corpo;
entre a posição final e a  Di é a variação da temperatura do corpo.
inicial). Já a letra i (teta)
é usualmente empregada A relação entre coeficiente de dilatação su-
para indicar temperatura. perficial ( b ) de um material e seu coeficiente
A temperatura também de dilatação linear ( a ) é dada por:
pode ser indicada
pela letra T. b = 2$a
Assim, o chumbo, cujo coeficiente de dilata-
ção linear é 2,9 . 10-5 °C-1, tem um coeficiente de FACHADA MÓVEL As lâminas de vidro da fachada de um
dilatação superficial igual a: edifício são encaixadas com certa folga para que não se
quebrem quando sofrem dilatação superficial, em dias
b = 2 $ a & b = 2 $ 2, 9 $ 10 - 5 mais quentes

b = 5, 8 $ 10 - 5 O C - 1

ATENÇÃO DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA NA PRÁTICA


DOS SÓLIDOS
Corpos ocos se dilatam Quando um corpo sólido que tem todas as O coeficiente de dilatação linear de um
como se não fossem ocos. dimensões significativas é submetido a uma va- material que constitui uma barra de 100 cm
Um aro de metal (que tem riação de temperatura, ocorre uma dilatação ou de comprimento inicial e que expandiu
um orifício no centro) contração volumétrica – seu volume varia. Nos 0,016 cm quando submetido a uma variação de
se dilata como se fosse sólidos, essa dilatação é importante, por exem- temperatura de 10 °C é assim calculado:
um disco compacto. Essa plo, em peças de encaixe, como parafusos e ros-
relação vale tanto para cas, e de equipamentos ou aparelhos que serão DL = L $ a $ Di
submetidos a grande variação de temperatura.
0
dimensões lineares (raio e
diâmetro do centro oco), Neste caso, em que consideramos a dilatação 0, 016 = 100 $ a $ 10
quanto para a superfície em três dimensões, trabalhamos com o coefi- -5 -1

(área do centro) ou, no ciente de dilatação volumétrico, representa- a = 1, 6 $ 10 o C


caso de uma esfera oca, do por c .
para volume. A relação matemática que define a variação Ou seja, esse material tem seu comprimento
do volume de um corpo em função da variação alterado em 0,000016 centímetro para cada
de temperatura é: centímetro de comprimento inicial da
barra quando submetido a uma variação de
DV = V0 $ c $ Di , em que: temperatura de 1 °C, ou ainda em 0,000016
metro para cada metro de comprimento inicial
 )V é a variação de volume sofrida pelo corpo; da barra quando submetido a uma variação de
 V0 é o volume inicial do corpo; temperatura de 1 °C

22 GE FÍSICA 2016
 c é o coeficiente de dilatação volumétrica DILATAÇÃO APARENTE E REAL QUANTO
do material que constitui o corpo; É preciso ter cuidado ao estudar a dilatação
 Di é a variação da temperatura do corpo. ou contração dos líquidos. Quando certa massa
VAZOU?
de líquido contida num recipiente é aquecida, Dilatação aparente
A unidade mais usual para o coeficiente de seu volume varia. Mas não se pode esquecer e dilatação real
dilatação volumétrica é, também, °C-1. que o aquecimento faz variar, também, o vo-
O coeficiente de dilatação volumétrica pode lume do recipiente (vidro ou qualquer tipo de
ser relacionado com o coeficiente de dilatação metal) que o contém. Assim, podemos falar em
linear de um mesmo material. A expressão ma- dois tipos de dilatação do líquido: dilatação
VO
temática que expressa essa relação é: aparente e dilatação real.
A dilatação dos líquidos é significativamente
c = 3$a maior que a dilatação dos sólidos. Então, quan-
do um recipiente de vidro ou de metal, cheio OO
Então, novamente no exemplo do chumbo, o de líquido, é aquecido, a tendência é que uma
coeficiente de dilatação volumétrica é forneci- porção do líquido transborde. O volume de lí- 1. O líquido de um
do por: quido que extravasa do recipiente se refere à recipiente, se for
aquecido, pode vazar
dilatação aparente do líquido. Para calcular a
porque seu volume se
c = 3 $ a & c = 3 $ 2, 9 $ 10 - 5 & dilatação real do líquido, temos de levar em dilata com o aumento
consideração também a dilatação do recipien- da temperatura
c = 8,7 $ 10 - 5 O C - 1 te. Matematicamente:

DV Re al = DV Aparente + DV R ecipiente
DILATAÇÃO DE LÍQUIDOS
Assim como no caso dos sólidos, quando As equações que definem a variação de volu-
aquecemos ou resfriamos um líquido também me continuam valendo: V
alteramos o grau de agitação de suas molécu-
las. Mas, nos líquidos, a força de coesão que DV Re al = V0 $ c Re al $ Di
mantém agrupadas essas partículas é bem me- DV Aparente = V0 $ c Aparente $ Di
nor que nos sólidos. Além disso, eles assumem DV Re cipiente = V0 $ c Recipiente $ Di O
o formato do recipiente que os contém. Assim,
sempre que se fala em dilatação – ou contração Como todo o conjunto é submetido à mesma 2. Mas o volume que
– de um líquido, trata-se, no geral, de dilatação variação de temperatura, podemos relacionar transborda depende
ou contração de seu volume. os coeficientes de dilatação volumétrico da se- não só da dilatação do
A variação de volume ()Vliq) de um líquido guinte maneira: líquido, mas também
da dilatação volumétrica
qualquer depende da variação de temperatura
do recipiente
(Di) a que foi submetido, depende de seu volu- c Re al = c Aparente + c R ecipiente
me inicial (V0) e também depende do líquido
que estamos aquecendo ou resfriando. A rela- Repare que o coeficiente de dilatação real do
ção matemática que define a variação do vo- líquido depende apenas da natureza do líquido.
lume de um líquido em função da variação de Já o coeficiente de dilatação aparente do líqui-
temperatura é a mesma que define a variação do varia de situação a situação, pois depende,
de volume num sólido: também, do material de que é feito o recipiente
no qual o líquido está contido.
DVliq = V0 $ c liq $ Di
Justamente por envolverem uma força menor DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA
de coesão entre as moléculas, os líquidos apre-
sentam maiores variações de volume do que os Material
Coeficiente de dilatação
sólidos quando submetidos à mesma variação volumétrica (°C–1)
de temperatura.
Zinco (sólido) 7,8 . 10–5
Esse fato pode ser comprovado quando ana-
lisamos a tabela que compara os valores de co- Tungstênio (sólido) 1,3 . 10–5
eficientes de dilatação volumétricos de sólidos
Glicerina (líquido) 49 . 10–5
e líquidos (veja a tabela ao lado). Repare que
os coeficientes de dilatação volumétricos dos Benzeno (líquido) 106 . 10–5
líquidos são significativamente maiores que os
Éter (líquido) 160 . 10–5
dos sólidos.

ISTOCK GE FÍSICA 2016 23


1 TERMOLOGIA AULA 3 • CALORIMETRIA

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO Cubos de gelo num copo de refrigerante à temperatura ambiente derretem. Em compensação, a bebida gela

As medidas do calor

A
lto verão. Você chega em casa, morto peratura inicial para o de menor temperatura.
de sede. Mas alguém deixou de colo- Essa transferência de calor só se interrompe
[2]
car as garrafas de refrigerante na ge- quando os corpos atingem o equilíbrio térmi-
ladeira. Você, então, põe alguns cubos co, ou seja, quando as temperaturas finais dos
de gelo no copo. E, rapidamente, a bebida está dois corpos forem iguais.
fresca e o gelo, derretido. Esse gesto é tão natu- A forma como dois corpos chegam ao equi-
ral que você provavelmente jamais parou para líbrio térmico depende de diversas variáveis,
pensar: por que o gelo baixa a temperatura da como a temperatura inicial, a natureza e a
bebida? Que tipo de fenômeno é esse? massa de cada um dos corpos envolvidos. So-
Quando dois corpos em temperaturas dis- bre essas variáveis, os físicos construíram três
tintas são colocados em contato, ocorre uma conceitos importantes: calor específico, calor
transferência de calor do corpo de maior tem- sensível e calor latente.

24 GE FÍSICA 2016
CALOR ESPECÍFICO
Calor específico, representado por c, é a O sistema internacional de unidades (S.I.) é um
quantidade de energia necessária para que conjunto de unidades de medida de grandezas físicas
1 grama de determinado material apresente adotado pela comunidade científica. Abaixo, algumas
uma variação de temperatura de 1 °C. A unida- das unidades fixadas no S.I.
de de medida mais usual para calor específico
é cal/g oC. Mas no sistema internacional de
SISTEMA INTERNACIONAL DE
unidades (S.I.) essa medida é dada em joule
UNIDADES
por quilograma e kelvin (J/kg K).
O calor específico de um corpo é uma Grandeza Unidade Símbolo
grandeza física própria do material que Comprimento metro m
constitui esse corpo – e independe das di-
Massa quilograma kg
mensões ou da massa do corpo. Assim, um
bloco de 1 quilo de prata e outro bloco de 100 Tempo segundo s
quilos de prata apresentam o mesmo calor es- Intensidade
pecífico. Veja na tabela abaixo o calor específi- da corrente ampère A
co de alguns materiais. elétrica
Temperatura kelvin K
CALOR ESPECÍFICO Trabalho e
joule J
energia
Material c (cal/g °C) O que significa
Força newton N
É preciso 1 caloria para que 1 grama
de água em estado líquido tenha a
temperatura elevada em 1 °C. Também
Água 1,0
devemos retirar 1 caloria para que NÃO CONFUNDA
1 grama de água em estado líquido
tenha a temperatura diminuída em 1 °C Calor específico (c) é um conceito diferente de
Para variar a temperatura de capacidade térmica ou capacidade calorífica (C).
Gelo 0,5 1 grama de gelo em 1 °C, é preciso O calor específico indica a quantidade de energia para
apenas 0,5 caloria que determinado material fique 1 oC mais quente.
Sua unidade é caloria por grama graus Celsius (cal/g oC)
Apenas 0,2 caloria é preciso para que
Areia 0,2 1 grama de areia tenha sua ou joule por quilograma kelvin (J/kg K). Quanto maior
temperatura alterada em 1 °C é o calor específico de um material, mais energia ele exige
para mudar de temperatura.
Já a prata tem calor específico mais Já a capacidade térmica indica quanto um corpo
baixo ainda: necessita apenas de 0,056 perde ou absorve calor, em função da variação de
Prata 0,056
caloria para que 1 grama tenha a
temperatura. A capacidade térmica depende da massa
[1] temperatura alterada em 1 °C
do corpo. A unidade, no S.I., é joule/kelvin (J/K) ou cal/oC.
Quanto maior for a capacidade térmica de um corpo, mais
[1] MAGDALENA KUCOVA/ISTOCK [2] MARIUS GRAF/ISTOCK

lentamente ele se aquece ou resfria.


CALOR SENSÍVEL Corpos de massas diferentes e de mesma substância
É a quantidade de energia envolvida no pro- têm calor específico igual, mas diferentes capacidades
cesso de alteração da temperatura de um cor- térmicas. Corpos de massa e de substâncias diferentes podem
po, sem que o corpo mude de estado físico apresentar a mesma capacidade térmica.
(veja o quadro Não confunda, ao lado). O recheio de uma empada é mais quente que a massa que
A quantidade de calor sensível recebida ou o recobre porque a capacidade térmica do recheio é menor
cedida por um corpo de massa m e que apre- que a da massa – ou seja, recebendo a mesma quantidade de
senta uma variação de temperatura Di é dada calor, o recheio tem uma variação maior de temperatura.
pela equação fundamental da calorimetria: E, quanto mais recheio houver, mais você queimará a língua.
As expressões matemáticas que definem a capacidade
Q = m $ c $ Di , em que: térmica de um corpo são
tC = Q / Ti , em que C é a capacidade térmica; Q é a
 Q é o símbolo para quantidade de energia quantidade de calor (energia) recebida ou perdida;
(neste caso, calor sensível); Ti é a variação de temperatura sofrida pelo corpo.
 m é a massa do corpo; tC = m . c , em que C é a capacidade térmica; m é a massa
 c é o calor específico; do corpo; c é o calor específico do material de que o
 Di é o símbolo de variação da temperatura. corpo é constituído.

GE FÍSICA 2016 25
TERMOLOGIA AULA 3 • CALORIMETRIA

Sempre que um corpo tem a temperatura au-


mentada, dizemos que ele recebeu certa quan-
CURVA DE AQUECIMENTO
tidade de energia, chamada de calor sensível,
do meio externo. Analogamente, quando um
corpo apresenta uma diminuição de tempera- 𝚹 Temperatura Quantidade de calor sensível
Quantidade de calor latente
tura, dizemos que ele perdeu certa quantidade
de energia, ou calor sensível, para o meio ex- F
𝚹f
terno. Assim, Q pode assumir valores positivos Gasoso
ou negativos. Em linguagem matemática:
D E
𝚹ebulição
Ti 2 0 & Q 2 0 & o corpo recebe calor
Líquido
do meio externo
𝚹fusão B C
Ti 1 0 & Q 1 0 & o corpo perde calor
Sólido
para o meio externo
Quantidade
𝚹i A de calor
CALOR LATENTE Q
É a energia envolvida no processo de mudan- Q1 Q2 Q3 Q4 Q5
ça do estado físico (ou fase) de uma substância,
e seu valor depende tanto da massa quanto da EM DEGRAUS Durante as mudanças de estado físico, a temperatura do corpo permanece constante. No
mudança de estado físico em questão. A quan- gráfico acima, isso ocorre nos trechos BC (fusão) e DE (vaporização). Veja um exemplo no gráfico abaixo.
tidade de energia Q necessária para que um
corpo de massa m sofra determinada mudança CURVA DE AQUECIMENTO DE UM CUBO DE GELO
de fase é calculada pela expressão:
ª (oC)
Q = m $ L , em que
 Q é a quantidade de energia (ou seja, quan-
tidade de calor latente); Aquecimento
 m é a massa do corpo; do vapor
 L é o calor latente da mudança de fase em 100 D Ebulição E
questão, medido em cal/g.
Aquecimento
da água
A quantidade de calor latente (Q) recebida ou
B Fusão
perdida por um corpo não provoca mudança de 0 Q
C
temperatura. É responsável apenas pela altera-
ção do estado de agregação de suas partículas, ou Aquecimento do gelo
seja, pela mudança de seu estado físico. –80 A
O comportamento de um corpo que é aque-
cido no estado sólido, passa pelo estado líqui-
do e atinge o estado gasoso pode ser descrito DE GELO A VAPOR Note que a temperatura inicial do gelo, -80 oC no ponto A, vai se elevando
num gráfico que mostre o que ocorre com sua lentamente, até atingir, no ponto B, 0 oC. Essa é a temperatura de fusão da água. Somente ao atingir
temperatura em função da quantidade de ca- essa temperatura, o gelo começa a derreter. A temperatura se mantém em 0 oC durante todo o processo
lor trocada entre o corpo e o meio externo. É a de fusão, até o último pedacinho de gelo derreter (ponto C). Com toda a água no estado líquido, a
chamada curva de aquecimento. temperatura volta a subir, até atingir os 100 oC (ponto D). Aí começa a evaporar. E, mais uma vez, o vapor
Ao lado você vê dois gráficos. O primeiro mos- só terá a temperatura aumentada quando não houver mais água líquida (a partir do ponto E).
tra uma curva de aquecimento genérica. Nele, as
temperaturas de fusão e ebulição se referem a
uma substância qualquer. O segundo, logo abaixo,
é a curva de aquecimento de um cubo de gelo.
Um recipiente que oferece isolamento térmico
TROCAS DE CALOR é aquele que impede que seu conteúdo troque calor com o meio
Quando dois corpos são postos em contato externo. Uma geladeira de isopor e uma garrafa térmica são
dentro de um recipiente termicamente isolado, recipientes termicamente isolados. Mas, como o isolamento
o corpo mais quente cede calor para o corpo mais nunca é perfeito, depois de algum tempo o conteúdo acaba
frio, até que o equilíbrio térmico seja atingido. cedendo energia térmica ao ambiente, ou ganhando dele.

26 GE FÍSICA 2016
Para estudar a troca de calor entre di- NA PRÁTICA
ferentes materiais, os físicos utilizam o
equipamento chamado calorímetro. Um O calor latente L de uma mudança de fase pode
calorímetro ideal é aquele que barra, ser positivo ou negativo, dependendo da mudança
completamente, a troca de calor entre o de fase ocorrida, se ela envolve ganho ou perda
meio interno e o meio externo e que tem de calor. Para que um cubo de gelo de 1 grama
capacidade térmica desprezível. Na prá- sofra fusão, devemos fornecer 80 calorias. Então,
tica, não existem calorímetros perfeitos. podemos afirmar que o calor latente de fusão
Considere um calorímetro ideal com do gelo é de 80 cal/g. No sentido inverso, o calor
certa massa de água, à temperatura am- latente de solidificação do gelo é de –80 cal/g.
biente. Se mergulharmos na água um blo- Já para vaporizar 1 grama de água, precisamos
co de chumbo a uma temperatura eleva- fornecer 540 cal. Isso significa que o calor latente
da, haverá uma transferência espontânea de vaporização da água é de 540 cal/g. No sentido
de energia do corpo mais quente (chum- inverso, o calor latente de condensação do vapor
bo) para o corpo mais frio (água), até que de água é de –540 cal/g (precisamos retirar essa
o sistema água e chumbo atinja o equilí- quantidade de calor de cada grama).
brio térmico.
Se o calorímetro é ideal, não existe per-
da de energia para o meio externo. Então,
toda a quantidade de calor perdida pelo
chumbo é transferida para a água. Se du-
rante a troca de calor entre os corpos o
bloco de chumbo perdeu 100 calorias de
energia, a água recebeu as mesmas 100
calorias de energia. Isso significa que,
num sistema em um calorímetro ideal, a
quantidade de energia cedida por um ou
mais corpos que constituem o sistema é DERRETE, MAS NÃO SE AQUECE
igual à quantidade de energia recebida
pelos demais corpos. Em linguagem ma- Durante a mudança de estado físico, toda a
temática: energia térmica é usada na reorganização
das moléculas. A temperatura não se altera.
Q Cedido + Q Recebido = 0 & Q Chumbo + Q água = 0
0ºC 0ºC 0ºC
Utilizando o mesmo raciocínio para um
sistema formado por n corpos trocando ca-
lor dentro de um recipiente ideal, temos:

QCedido + QRecebido = 0 ¡ Q1 + Q2 + Q3 + ... + Qn = 0 Um bloco de ...passa ao estado ...sem alterar sua


gelo, a 0 oC... líquido... temperatura

PIADA PRONTA

FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 27


1 TERMOLOGIA AULA 4 • TRANSFORMAÇÕES GASOSAS

CHEIOS NA MEDIDA CERTA Balões têm paredes elásticas. Mas qualquer mudança na pressão, no volume ou na temperatura altera as demais variáveis, e o balão pode estourar

A dinâmica
dos gases

G
ases são corpos muito especiais. São Um gás é caracterizado por três grandezas Gás ideal é um gás hipotético,
facilmente comprimidos ou expan- físicas: temperatura, volume e pressão. São cujas moléculas são tratadas
didos. Além disso, as moléculas de as chamadas variáveis de estado, que defi- como pontos sem volume. Num
corpos gasosos estão mais distantes nem o estado termodinâmico de um gás. Para gás ideal, as transformações
e sempre mais agitadas do que nos sólidos e facilitar o estudo dos gases, os físicos adotam do estado dinâmico envolvem
líquidos. Por isso, eles respondem de maneira um modelo científico que trata o gás como temperatura, volume e pressão –
diferente às alterações de temperatura. um gás ideal. as chamadas variáveis de estado.

28 GE FÍSICA 2016
EQUAÇÃO DE CLAPEYRON LEI GERAL DOS GASES IDEAIS
Num gás ideal, as três variáveis de estado Uma transformação gasosa é caracterizada pela
(pressão, volume e temperatura) estão rela- alteração do estado termodinâmico de um gás, ou
cionadas com a quantidade de gás existente na seja, toda transformação gasosa está atrelada a
amostra. A relação matemática se dá pela equa- uma alteração nas variáveis de estado que defi-
ção de Clapeyron, também chamada equação nem aquele gás. Podemos entender uma transfor-
de estado dos gases ideais: mação gasosa como um procedimento que “leva”
uma amostra gasosa de um estado termodinâmi-
p $ V = n $ R $ T , em que: co inicial para um estado termodinâmico final.
Uma amostra do gás A, aprisionada em um
 p é a pressão exercida pela amostra, recipiente completamente vedado, em determi-
medida em N/m2; nado estado termodinâmico inicial i, sofre uma
 V é o volume ocupado pelo gás, transformação qualquer passando para um es-
medido em m3; tado termodinâmico f.
Mol é a unidade do  n é o número de mols da amostra
S.I. para a quantidade (a quantidade de matéria);
Estado Estado
de matéria, medida em  R é a constante universal dos gases ideais
inicial (i) final (f)
átomos, moléculas (vale ~ 8,31 J/mol.K);
ou íons. Por definição,  T é a temperatura do gás, medida em
1 mol contém Kelvin (K).
6,02 . 1023 partículas.
Esse valor é a constante Repare que todas as medidas acima foram Transformação
gasosa
de Avogadro. Em 1 mol dadas conforme estabelecidas no S.I. Mas a
de qualquer gás existem constante universal dos gases pode ser dada Pi , Vi , Ti Pf , Vf , Tf
6,02 . 1023 moléculas. em outra unidade: R ~ 0,082 atm . L /mol . K
Repare que o recipiente é vedado. Então, não há
A equação de Clapeyron relaciona as variá- alteração na quantidade de gás – ou seja, o núme-
veis de estado de um gás que ocupa um único ro n de mols do gás se mantém constante durante
estado termodinâmico, ou seja, ela ainda não a transformação. Como todas as três variáveis de
nos permite analisar o comportamento de uma estado se relacionam e não houve alteração na
ISTOCK

amostra de gás que sofre alguma alteração em quantidade de gás, podemos igualar a equação de
qualquer uma de suas variáveis de estado. En- Clapeyron para cada um dos estados acima:
tão, para determinado estado termodinâmico
A, temos: Para o estado inicial i:
pi $ Vi
pi $ Vi = n $ R $ Ti & = n$R
Ti
n mols Para o estado final f:
pf $ Vf
p f $ Vf = n $ R $ Tf & = n$R
Tf
Repare que as duas equações acima são
PA , VA , TA iguais a n . R. Então, elas são iguais entre si:

A figura acima mostra n mols de um gás no estado termodinâmico pi $ Vi pf $ Vf


=
A, sob pressão PA , ocupando um volume VA e com temperatura TA Ti Tf
GE FÍSICA 2016 29
1 TERMOLOGIA AULA 4 • TRANSFORMAÇÕES GASOSAS

MAIS LEVE QUE O AR? A equação indica que, numa amostra de gás retamente proporcionais, ou seja, ao dobrar-
Dentro e fora de um balão, ideal, em que não há variação de massa, essa mos a temperatura da amostra de gás, verifi-
tudo é ar. Ele flutua porque relação entre temperatura, volume e pressão se camos que a pressão exercida por ele também
o ar de seu interior é mantém. Em uma transformação geral, qual- dobra. Repare que as temperaturas são dadas
aquecido. Menos denso que quer alteração em uma das variáveis (digamos, em Kelvin. E, como não podemos fazer nenhu-
o ar do exterior, o ar quente a temperatura) afeta imediatamente as outras ma divisão por zero, então é impossível que a
se expande e leva o balão duas (volume e pressão) e o gás sofre transfor- amostra tenha, no início ou no final, tempera-
para cima mação em seu estado termodinâmico. Quando tura de 0 K. Podemos representar essa trans-
alteramos apenas duas variáveis de estado e formação gasosa em um gráfico (veja o gráfico
mantemos fixa a terceira, ocorrem as chama- Pressão versus temperatura, na pág. ao lado).
das transformações particulares.

TRANSFORMAÇÃO ISOBÁRICA
TRANSFORMAÇÃO Uma transformação gasosa que ocorre sem
ISOVOLUMÉTRICA alteração de pressão é chamada isobárica. Veja
A transformação isovolumétrica (ou isocóri- o que acontece com uma amostra gasosa apri-
ca) ocorre sem que haja alteração no volume sionada num recipiente com um êmbolo mó-
ocupado pela massa gasosa – ou seja, apenas a vel, ou seja, cujo volume pode ser alterado.
pressão e a temperatura sofrem mudança. Veja
o que ocorre numa amostra de gás aprisionada P atm P atm
em um recipiente rígido e indeformável que
sofre alteração de temperatura:

P constante

V constante Pi , Vi , Ti
n mols de gás ocupando Os mesmos n mols de gás são
Pi , Vi , Ti volume Vi e sob a aquecidos à temperatura Tf . O
n mols de gás que Os mesmos n mols do gás são temperatura Ti exercem êmbolo é móvel e sobe, abrindo
ocupam volume Vi e aquecidos à temperatura Tf. a pressão Pi sobre as espaço para as moléculas: o volume
estão à temperatura Ti A tampa hermética não deixa o paredes do recipiente aumenta. Com mais espaço, as
exercem a pressão Pi volume crescer. As moléculas se moléculas mantêm a pressão sobre
sobre as paredes agitam e aumentam a pressão nas as paredes do recipiente (Pf = Pi )
do recipiente paredes do recipiente (Pf. > Pi )
Matematicamente, a partir da lei geral dos Matematicamente, a partir da lei geral dos
gases ideais, concluímos que: gases ideais, temos:
pi $ Vi pf $ Vf pi pf pi $ Vi pf $ Vf Vf
= & = = & Vi =
Ti Tf Ti Tf Ti Tf Ti Tf
Essa relação matemática mostra que, numa Essa relação matemática mostra que, numa
transformação isovolumétrica, a pressão e transformação isobárica, o volume e a tempe-
a temperatura de um gás são grandezas di- ratura de um gás são grandezas diretamente

30 GE FÍSICA 2016
PRESSÃO VERSUS TEMPERATURA

P (N/m2)
Pf
A pressão varia de forma proporcional à
temperatura: se uma dobra, a outra também
dobra. Se triplica, também triplica. Note que
o gráfico não está definido na origem, ou seja,
a reta que define a proporção entre pressão e
Pi temperatura não chega às coordenadas
(0, 0). Isso indica que não é possível a um gás
atingir a temperatura de 0 K ou pressão nula.
proporcionais, ou seja, ao dobrarmos a tem- 0 Ti Tf T (K)
peratura da amostra de gás, o volume ocupado
por ele também dobra. Podemos representar VOLUME VERSUS TEMPERATURA
essa transformação gasosa em um gráfico que
relacione as variáveis de estado desse gás (veja
o gráfico Volume versus temperatura, ao lado). V (m2)
As variações numa transformação isobárica Vf
podem também ser representadas pela relação Numa transformação em que a pressão é
entre pressão e volume: mantida constante, quanto mais alta for a
temperatura, maior será o volume ocupado
pelo gás. Repare que a reta não atinge a
P PRESSÃO IGUAL, VOLUME DIFERENTE origem do sistema cartesiano. Isso indica
Numa transformação isobárica, a pressão
Vi que é impossível que uma amostra de gás
permanece constante e o volume se altera esteja à temperatura de 0 K ou que ocupe
volume nenhum.
0 Ti Tf T (K)

PRESSÃO VERSUS VOLUME


P (N/m2)
V Pf

Numa transformação em que a temperatura


TRANSFORMAÇÃO ISOTÉRMICA não varia (isotérmica), os pontos que
A transformação isotérmica é aquela na qual definem a pressão e o volume de gás se
a temperatura da amostra de gás não se alte- Pi alinham em uma curva chamada isoterma,
ra, ou seja, em uma transformação isotérmica, que tem a forma de hipérbole porque o
apenas as variáveis de estado pressão e volume produto das duas grandezas é constante.
sofrem alteração. Matematicamente, pela lei 0
geral dos gases ideais, temos:
Vi Vf V (m3)

pi $ Vi
=
pf $ Vf
& pi $ Vi = pf $ Vf
CURVAS ISOTERMAS
Ti Tf Isotermas
P (N/m2)
Note na expressão acima que, numa trans-
formação em que a temperatura é cons-
tante, a pressão e o volume são grandezas
inversamente proporcionais – ou seja, se P1 T3 > T2 > T1
uma sobe, a outra desce, porém, mantendo o
produto entre elas constante. A representação
de uma transformação isotérmica em um grá- T3 Quanto mais afastada da origem está a
fico de pressão por volume se dá pela chamada T2
P2 isoterma, maior é a temperatura em que
curva isoterma (veja os gráficos Pressão ver- T1 ocorre a transformação.
sus temperatura e Curvas isotermas, ao lado). 0 V1 V2 V (m3)
REUTERS GE FÍSICA 2016 31
1 COMO CAI NA PROVA

1. (Famerp 2015) À temperatura de 20ºC, uma arruela (disco metálico com RESOLUÇÃO
um orifício central) tem raio externo R e raio interno r. Elevando-se igualmente Atenção para dois detalhes do enunciado:
a temperatura de todas as partes da arruela de um valor ∆Ƨ, o raio externo tA tabela informa o número de kcal de 15 g de castanha. Mas a questão se refere
dilata-se de um valor ∆R e o raio interno dilata-se de: à queima de 150 g. Então, se na queima de 15 g obtemos 90 kcal, na queima de
150 g serão 900 kcal;
t/BUBCFMB Bunidade para energia é kcal, mas o enunciado da questão apre-
senta esse valor em cal. Você tem de se lembrar que 1 kcal = 1 . 103 cal. Então,
900 kcal = 9 . 10 5 cal.

A massa da água aquecida você calcula pela expressão que dá a quantidade de


calor sensível recebida ou cedida por um corpo:
a) (R – r) . ∆R b) (R + r) . ∆R c) (r/R) . ∆R d) ∆R e) (R/r) . ∆R Q = m . c . ∆Ƨ, em que m é a massa e c, o calor específico da água.

RESOLUÇÃO Atenção, novamente: o enunciado informa que apenas 60% da quantidade de


Questão típica de vestibular e Enem, que exige apenas que você domine conceitos energia usada para a queima da castanha contribuíram para o aquecimento da
– neste caso, a relação de proporção entre a variação de tamanho de r e R (∆r e ∆R). água. Essa é a quantidade de energia útil. Temos, então
Mas atenção: você deve se lembrar que a parte oca de um corpo dilata-se como se Qútil = 0,6 . Q → Qútil = 0,6 . 9 . 105 → Qútil = 5,4 . 105 cal
fosse preenchida pelo material que constitui todo o corpo. Então, é só aplicar a Aplicando esses valores à equação fundamental da calorimetria, temos
expressão da dilatação linear TL = a . L 0 . Ti , considerando cada um dos raios. Q = m . c . ∆Ƨ → 5,4 . 105 = m . 1 . (87 – 15) → 72 . m= 5,4 . 105 → m = 7 500 g
t %JMBUBÎÍPEPSBJPNFOPS Q r V: T r = a . r Ti Resposta: d
t %JMBUBÎÍPEPSBJPNBJPS Q R V: T R . a . R . Ti
Se o material é o mesmo, o coeficiente de dilatação (α) também é o mesmo.
Além disso, todas as regiões da arruela sofrem a mesma variação de temperatura, 3. (PUC-Rio 2010, adaptado) Um cubo de gelo de massa m dentro de um
então Ti também é igual para r e para R. copo com água resfria o seu conteúdo. Se o copo com água tem 252 ml e suas
Então, ficamos com: Tr = a . r . Ti & Tr = r & Tr = r . TR respectivas temperaturas iniciais são 0 ºC e 24 ºC, qual a massa de gelo que
TR a . R . Ti TR R R
deve ser colocada para que a temperatura final do sistema seja de 4 ºC?
Resposta: c (Considere que o calor específico da água é ca = 1,0 cal / (g . ºC), o calor latente
de fusão do gelo L = 80 cal/g, e d = 1 g/ml.)

2. (Vunesp 2015) Para determinar o valor energético de um alimento, pode- a) 2 b) 8 c) 12 d) 20 e) 60


mos queimar certa quantidade desse produto e, com o calor liberado, aquecer
determinada massa de água. Em seguida, mede-se a variação de temperatura RESOLUÇÃO
sofrida pela água depois que todo o produto foi queimado, e determina-se a A troca de calor até o sistema atingir o equilíbrio térmico na temperatura de 4 oC
quantidade de energia liberada na queima do alimento. Essa é a energia que tal pode ser representada no gráfico abaixo (fora de escala).
alimento nos fornece se for ingerido. No rótulo de um pacote de castanha-de-caju,
Ƨ (ºC)
está impressa a tabela a seguir, com informações nutricionais sobre o produto.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL 24 Qágua


Porção 15 g
Quantidade por porção 4
Valor energético 90 kcal
Carboidratos 4,2 g Q1
Proteínas 3g tempo
Gorduras totais 7,3 g 0 Qfusão
Gorduras saturadas 1,5 g
Gordura trans 0g
Fibra alimentar 1g
/PHSÈmDP 2água é a quantidade de calor para o resfriamento da água;
Sódio 45 mg
Qfusão é a quantidade de calor na fusão do gelo;
(www.brcaju.com.br)
Q1 é o aquecimento da massa de água resultante da fusão do gelo de 0 ºC a 4 ºC.
Considere que 150 g de castanha tenham sido queimados e que determinada
massa m de água, submetida à chama dessa combustão, tenha sido aquecida Se o sistema é termicamente isolado, então Qágua + Qfusão + Q1 = 0
de 15 ºC para 87 ºC. Sabendo que o calor específico da água líquida é igual a (m1 . c . ∆Ƨ)água + (m2 . L)gelo + (m2 . c . ∆Ƨ) = 0
1 cal/g . ºC e que apenas 60% da energia liberada na combustão tenha efeti- A densidade da água é 1 g/ml. Então, um volume de 252 mL tem massa m1 = 252 g.
vamente sido utilizada para aquecer a água, é correto afirmar que a massa m, Substituindo os valores dados na expressão acima, ficamos com
em gramas, de água aquecida era igual a: 252 . 1 . (4 – 24) + m2 . 80 + m2 . 1. (4 – 0) = 0
84 . m2 = 5040 → m2 = 5040 / 84 → m2 = 60g
a) 10 000 b) 5 000 c) 12 500 d) 7 500 e) 2 500 Resposta: e

32 GE FÍSICA 2016
RESUMO

4. (Vunesp 2013) Determinada substância pura encontra-se inicialmente,


quando t = 0 s, no estado sólido, a 20 ºC, e recebe calor a uma taxa constante. Termologia
O gráfico representa apenas parte da curva de aquecimento dessa substância,
pois, devido a um defeito de impressão, ele foi interrompido no instante 40 s, TEMPERATURA E CALOR Temperatura é a medida do
durante a fusão da substância, e voltou a ser desenhado a partir de certo instante grau de agitação das moléculas de um corpo. Quanto
posterior ao término da fusão, quando a substância encontrava-se totalmente mais quente estiver o corpo, maior sua temperatura, e
no estado líquido. Sabendo-se que a massa da substância é de 100 g e que seu vice-versa. Calor é a quantidade de energia transferida
calor específico na fase sólida é igual a 0,03 cal/(g .°C), calcule a quantidade de entre corpos que apresentam temperaturas distintas.
calor necessária para aquecê-la desde 20 °C até a temperatura em que se inicia O calor pode ser medido em joules (J) ou em calorias (cal).
sua fusão, e determine o instante em que se encerra a fusão da substância. Dois ou mais corpos atingem o equilíbrio térmico quando
suas temperaturas se tornam iguais – ou seja, não há mais
0(ºC) transferência de energia térmica entre eles. Condução
800
térmica é o processo de propagação que se dá através da
transmissão da agitação molecular de uma partícula para a
480 seguinte. Convecção térmica é o processo de propagação
de calor por meio do transporte de matéria de um sistema.
320 Ocorre sempre que há uma diferença de temperatura num
líquido ou gás, o que altera a densidade de material. Ra-
20 diação térmica ou irradiação é o processo de transferência
0 18 40 128 148 t(s) de energia térmica por ondas eletromagnéticas. É o único
processo que não depende da existência de um meio físico
RESOLUÇÃO entre os corpos.
A quantidade de calor absorvida pela substância no aquecimento de 20 ºC até
320 ºC é dada pela equação geral da calorimetria: Q = m . c . ∆Ƨ DILATAÇÃO Dilatação linear é a variação no tamanho
Substituindo na expressão os valores fornecidos no enunciado, ficamos com de um corpo sólido cuja única dimensão significativa é o
Q = 100 . 0,03 . (320 – 20) → Q = 900 cal. comprimento: TL = L o . a . Ti . Dilatação superficial é o
aumento da área de um sólido de espessura desprezível:
Analisando as etapas seguintes de aquecimento no gráfico: TA = A o . b . Ti . Dilatação volumétrica é a variação de
tA substância passou de 480 oC para 800 oC em 20 segundos (entre 128 e 148 s) ; volume de um sólido em que todas as dimensões são sig-
t%VSBOUFBGVTÍP NVEBOÎBEFFTUBEP
BUFNQFSBUVSBTFNBOUÏNDPOTUBOUF nificativas: TV = V o . c . Ti . O cálculo da dilatação real de
Portanto, apesar de o gráfico não mostrar (trecho interrompido), sabemos que um líquido deve levar em conta a dilatação do recipiente
depois da fusão, a temperatura subiu de 320 ºC para 480 ºC. Isso equivale a uma que o contém: TV Real = AV aparente + TV recipiente
elevação de 160 ºC.
CALORIMETRIA Calor específico é a quantidade de ener-
O gráfico da elevação da temperatura em função do tempo é uma reta – portanto, gia necessária para que 1 grama de um material varie a
uma função linear. Então, podemos estabelecer a relação de proporção: se para temperatura em 1 °C. Unidades: cal/g . oC e, no S.I., joule
320 ºC são necessários 20 s, para 160 ºC precisamos de 10 s de aquecimento. por quilograma e Kelvin (J / kg . K). Capacidade térmica
Uma simples subtração nos dá o instante no qual se encerra a fusão (ao final do indica a energia que um corpo absorve ou perde quando
trecho em patamar, no gráfico): t = 128 – 10 → t = 118 s. sua temperatura varia. Unidade: J / K. Quantidade de calor
Resposta: Q = 900 cal e t = 118 s. sensível é a quantidade de energia envolvida no processo
de alteração da temperatura de um corpo, sem que o corpo
mude de estado físico: Q = m . c . Ti . Quantidade de calor
5. (FMJ 2014) Certo número de moléculas de um gás perfeito encontra-se latente é a energia envolvida no processo de mudança do
confinado em um recipiente rígido. Ao receber calor de uma fonte externa, estado físico de um corpo, e seu valor depende tanto da massa
sua pressão (p) e sua temperatura absoluta (T) são alteradas. O gráfico que quanto da mudança de estado físico em questão: Q = m . L
representa, qualitativamente, essa transformação é:
TRANSFORMAÇÕES GASOSAS Num gás ideal, as três
a) b) c) d) e)
P P P P P variáveis de estado (pressão, volume e temperatura)
estão relacionadas com a quantidade de gás existen-
te na amostra. Equação de Clapeyron: p . V = n . R . T
T T T T T
Lei geral dos gases ideais: numa transformação gasosa, a
RESOLUÇÃO relação entre pressão, volume e temperatura de um gás se
Se o recipiente tem paredes rígidas, o volume ocupado pelo gás permanece o mesmo mantém constante:
USBOTGPSNBÎÍPJTPWPMVNÏUSJDB
/FTTFDBTP BQSFTTÍP Q
FTVBUFNQFSBUVSBBCTPMVUB pi . V i pf . V f
(T) são diretamente proporcionais e essa proporção é representada por uma reta. T i = Tf = n . R
Como ambas as grandezas crescem, a reta é ascendente.
Resposta: e

GE FÍSICA 2016 33
2
CINEMÁTICA
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 aula 1 > Conceitos ............................................................................................36


 aula 2 > Movimento retilíneo uniforme ...................................................40
 aula 3 > Movimento retilíneo uniformemente variado ......................43
 aula 4 > Lançamentos .....................................................................................46
 Infográfico ..........................................................................................................50
 Questões e Resumo..........................................................................................52

Potente câmera
fotográfica do Cosmo
Depois de 25 anos em operação, o Telescópio Espacial
Hubble está para ser aposentado, com uma coleção única
de grandes descobertas e imagens fascinantes

N
o início dos anos 1920, Edwin Hubble distorções causadas pela atmosfera. O Hubble
(1889-1953) fez duas das maiores desco- vasculhou as regiões mais profundas do Cosmo,
bertas da cosmologia: a Via Láctea, onde mediu sua idade (13,4 bilhões de anos), registrou
se encontra nosso Sistema Solar, não é a única o nascimento e a morte de estrelas e identificou
galáxia, mas apenas uma em bilhões delas, e todas buracos negros no centro de galáxias e corpos
essas galáxias se afastam umas das outras – ou escuros, como os planetas anões, que giram em
seja, o Universo está se expandindo. O astrô- torno do Sol. As informações coletadas rende-
nomo norte-americano trabalhou com um dos ram mais de 13 mil artigos científicos, alguns
mais potentes telescópios da época, o Hooker, na laureados com o Prêmio Nobel.
Califórnia. Nove décadas depois, o nome Hubble O projeto, idealizado nos anos 1970, sofreu di-
continua associado a grandes descobertas sobre versos reveses, como atrasos e aumentos de custo.
o Cosmo, agora batizando o mais conhecido e ba- Após o lançamento, em 1990, as primeiras imagens
dalado instrumento de observação, o Telescópio mostraram que o espelho apresentava um desvio
Espacial Hubble, que completa 25 anos de ope- de mícrons (milésimos de milímetro), o suficiente
ração em 2015. Ao longo desse tempo, cientistas para borrar as imagens. Foram necessários três
obtiveram dados inusitados sobre os primórdios anos para que o defeito fosse corrigido. Hoje,
da formação do Universo e a dinâmica de galáxias depois de 25 anos de bons serviços prestados, o
e estrelas. E o público em geral foi presenteado Hubble está para se aposentar e ceder lugar a seu
com as mais impressionantes fotografias de um sucessor, James Webb.
mundo jamais imaginado. O lançamento e a
O espelho do telescópio Hubble tem prati- permanência de um POEIRA CELESTIAL
camente as mesmas dimensões do espelho do telescópio em órbita A Nebulosa Cabeça de
Hooker, mas o avanço da tecnologia dá ao novo da Terra têm relação Cavalo, na Constelação de
instrumento uma capacidade muito maior de com variáveis como ve- Órion, a 1,5 mil anos-luz
captar a luz e dela obter dados fundamentais locidade, aceleração e da Terra, em uma das mais
para a compreensão da evolução e da estrutura gravidade – conceitos fabulosas fotografias
do Cosmo. Além disso, por estar a mais de 500 básicos da cinemática, em alta resolução do
quilômetros de altitude, capta imagens sem as tema deste capítulo. Telescópio Espacial Hubble

34 GE FÍSICA 2016
NASA/ESA/HUBBLE HERITAGE TEAM GE FÍSICA 2016 35
2 CINEMÁTICA AULA 1 • CONCEITOS

AINDA ASSIM, MOVE-SE O ônibus está em movimento em relação à rua. Mas dentro dele os passageiros estão parados uns em relação aos outros

A
cinemática é o ramo da física que estuda

O que o movimento dos corpos em geral – tanto


de um atleta que corre, nada ou salta
quanto de um foguete que deixa a superfí-

define um cie da Terra, ou de um corpo que circula em órbita


do planeta. A cinemática não se preocupa com a
causa do movimento, apenas com o movimento em

movimento si. Com ela somos capazes de determinar a posição,


a velocidade e a aceleração do corpo no decorrer do
tempo. Neste capítulo, você conhece os conceitos
básicos com que lida a cinemática.

36 GE FÍSICA 2016
REFERENCIAL
Imagine que você esteja viajando em um trem. Você
está em repouso ou em movimento? Se essa pergunta
é feita a uma pessoa que se encontra parada ao lado
da estrada de ferro, você está em movimento. Porém,
se a mesma pergunta se dirige a outro passageiro
do mesmo trem, você está em repouso. Ou seja, a
noção de movimento ou repouso de certo objeto
móvel não depende apenas do objeto, mas do corpo
que adotamos como referência do movimento. Tal
corpo que utilizamos para analisar se o móvel está
ou não em movimento chamamos de referencial ou [2]

sistema de referência.
Dizemos que um móvel qualquer está parado ou em
repouso quando sua posição não varia em relação a
determinado referencial. O objeto móvel está em mo-
vimento quando sua posição varia em relação a deter-
minado referencial. Um mesmo objeto pode estar em
repouso em relação a um referencial e em movimento
em relação a outro. O termo “em relação”, repetido nas
frases acima, indica que o movimento é relativo: suas
medidas dependem dos referenciais adotados.
[3]

DIMENSÕES DO CORPO O PONTUAL E O EXTENSO A estação espacial é um ponto se comparada à sua trajetória
O tamanho de um corpo em relação às demais ao redor da Terra. Já um automóvel que manobra em poucos metros não pode ter suas
dimensões envolvidas no movimento pode ser im- dimensões desprezadas
portante para os cálculos. Quando não podemos des-
prezar as dimensões do corpo em relação às demais
dimensões, dizemos que esse é um corpo extenso. ONDE FICA O CENTRO DE MASSA
É o caso de um trem de 50 metros de comprimento
que se desloca por 100 metros.
Em outros casos, as dimensões do corpo estudado
são tão menores que as demais dimensões envolvidas Uma folha de papel pode
no movimento que podemos tratar o corpo como um ser considerada um corpo
ponto material. A Estação Espacial Internacional bidimensional. Nesse caso,
(ISS) é um exemplo de ponto material. A ISS é grande o CM e o CG ficam no centro
– tem cerca de 100 metros de ponta a ponta. Mas fica geométrico do retângulo
minúscula se comparada ao percurso de dezenas de
milhares de quilômetros que faz em torno da Terra. [4]
CM = CG
[1]
CENTRO DE MASSA
Podemos explicar os movimentos de um corpo Num corpo tridimensional,
[1] SIMONE BECCHETTI/ISTOCK [2] NASA [3] MARCO DE BARI [4] [5] ISTOCK PHOTO

extenso e as forças que atuam sobre ele utilizando rígido e homogêneo, como um
o conceito de centro de massa (CM) – o ponto no dado não viciado, o CM coincide
qual se considera que toda a massa do corpo esteja com o CG, exatamente no
concentrada. O CM se movimenta como se todas [5] centro do cubo
as forças externas que atuam sobre o corpo fossem
aplicadas sobre ele.
No caso de um corpo rígido e homogêneo – ou
seja, que não se deforma e que é constituído de um
mesmo material e com a massa distribuída de maneira
uniforme –, o CM coincide com o centro de gravidade O CM pode estar fora
(CG) – aquele no qual a força peso está concentrada. E, do corpo e, ainda assim,
em corpos de formato regular, ambos coincidem com o coincidir com o CG
centro geométrico. Veja ao lado.

GE FÍSICA 2016 37
2 CINEMÁTICA AULA 1 • CONCEITOS

TRAJETÓRIA COMO A POSIÇÃO MUDA


Dizer que o movimento de um corpo é rela-
tivo implica dizer que sua trajetória é relativa, Nesta trajetória, todas as posições são definidas a partir do ponto B,
ou seja, o caminho percorrido pelo corpo em e o sentido adotado é da esquerda para a direita
determinado tipo de movimento depende do
referencial adotado. No ponto B, o corpo se
–10 km encontra exatamente Sentido adotado
Para estudar um corpo que descreve uma tra- na origem da trajetória
jetória em relação a determinado referencial es- –20 km como positivo

colhemos uma origem, ou seja, um ponto a partir 0


A B +
do qual as posições ocupadas pelo corpo serão
registradas e contadas. +10 km
Neste ponto, o corpo ocupa a
Definimos, em seguida, um sentido para essa posição –20 km da trajetória
C +20 km
trajetória. Assim, podemos identificar o sentido
em que as posições ocupadas pelo corpo crescem
No ponto C, o corpo ocupa a
ou diminuem (veja o quadro Como a posição muda, posição +10 km da trajetória
ao lado).

DESLOCAMENTO ESCALAR ATENÇÃO


Ao se deslocar, um corpo assume diferentes
posições ao longo da trajetória. Essa variação Deslocamento escalar e distância percorrida são grandezas diferentes. Veja a comparação das
de posições é chamada deslocamento escalar duas para um objeto que sai do ponto A, segue até o ponto C e volta para o ponto B.
(∆S). A medida do deslocamento escalar é obtida
pela diferença entre a posição final e a posição A distância percorrida é a soma de todos os trechos
inicial de um corpo após percorrer um trecho percorridos, não importando o sentido da viagem. Então:
qualquer. Matematicamente: Dtotal = DAC + DCB ¡Dtotal = 30 + 10 ¡Dtotal = 40 km

TS = S - S 0 –10 km
Na figura Como a posição muda, ao lado, o ob- –20 km
jeto que parte do ponto B e ao final do percurso 0
atinge o ponto C tem deslocamento escalar dado A B +
pela expressão: +10 km

TS = S - S0 & Mas o deslocamento escalar deste corpo C +20 km


ao percorrer o mesmo trajeto é a diferença
TS = SC - SB & entre a posição final e a inicial:
TS = 10 - 0 & ∆S = S – S0 ¡∆S = SB – SA ¡∆S = 0 – (–20) ¡∆S = 20 km
TS = 10 km
LEMBRE-SE
Mas, se o móvel partir do ponto C e atingir
ao final da viagem o ponto A, seu deslocamento CONVERSÃO DE ESCALAS
será de: Para converter quilômetros por hora (km/h) em
metros por segundo (m/s), basta transformar
TS = S - S 0 & TS = S A - S C & cada uma das unidades:
TS = - 20 - 10 & TS = - 30 km tLNN
tIPSBUFNNJOVUPT DBEBVNEFMFTDPN
Repare que o deslocamento, neste caso, é ne- TFHVOEPT&OUÍP ITTT
gativo. Isso indica que o percurso foi realizado
no sentido contrário ao adotado como positivo Assim, 1 km/h =
1 000m = 1 = 0, 28m/s
3600 s 3, 6
na trajetória.
Para transformar m/s em km/h, é só fazer o
TIPOS DE MOVIMENTO raciocínio inverso:
Um movimento é classificado conforme seu dividir por 3,6
deslocamento ao longo da trajetória. Movimentos
progressivos são aqueles nos quais o desloca-
mento se dá no sentido adotado como positivo na km/h m/s
trajetória. Assim, num movimento progressivo, o
deslocamento escalar de um corpo é positivo. multiplicar por 3,6

38 GE FÍSICA 2016
NA PRÁTICA Veja abaixo como é indicada a velocidade de
um objeto:
Um automóvel + sentido
parte de uma V
cidade localizada 0 Movimento progressivo vetor
no quilômetro 100 direção reta suporte
de uma estrada, às Movimentos retrógrados são aqueles cujo módulo
10 horas. E chega à deslocamento acontece no sentido inverso ao
cidade vizinha, no adotado como positivo na trajetória. Num mo- Módulo é a medida pura Direção é dada pela Sentido é definido
quilômetro 244, vimento retrógrado, o deslocamento escalar de do comprimento do vetor direção da reta suporte em pela ponta da seta
(indica a intensidade da que o vetor se encontra
às 12 horas. um corpo é negativo. velocidade)
A velocidade média
do automóvel no
trajeto percorrido SOMA DE VETORES
foi de: + As grandezas escalares podem ser somadas
Vm =
DS
&
algebricamente: num bolo, 1 kg de açúcar mais
Dt 0 Movimento retrógrado
2 kg de farinha resultam em 3 kg de ingredientes.
244 – 100 Mas a soma vetorial precisa considerar, além do
Vm = 12 – 10 &
VELOCIDADE ESCALAR MÉDIA módulo, a direção e o sentido dos vetores.
144
Vm = 2 &
É a razão entre o deslocamento escalar (∆S) Existem dois métodos geométricos para a
Vm = 72 km/h descrito por um corpo e o intervalo de tempo adição de vetores. O primeiro, o método da
72 000 (∆t) gasto nesse deslocamento. Ou seja, é a va- poligonal. Nele, a origem do segundo vetor
Vm = 3 600 m/s & riação da posição ocupada por um corpo em coincide com a extremidade (ponta da flecha)
Vm = 20 m/s determinada trajetória no decorrer do tempo. do primeiro vetor. O vetor soma (ou resultante)
Matematicamente: é o vetor que fecha o polígono, com origem no
mesmo ponto de origem do primeiro vetor.
Vm = TS
Tt d2
Os corpos que descrevem movimentos pro-
gressivos apresentam velocidades positivas
(v > 0), enquanto corpos que descrevem mo- d1 dr = d1 + d2
vimentos retrógrados apresentam velocidades
negativas (v < 0). No S.I., a unidade de medida
para velocidade é metro por segundo (m/s). A mesma ideia pode ser usada para a soma de
mais de dois vetores. Veja:
NA PRÁTICA ACELERAÇÃO ESCALAR MÉDIA
É a medida da variação da velocidade do corpo
Um objeto que em certo intervalo de tempo. Matematicamente: d2
apresenta uma
aceleração de 2 m/s2 a = Tv d3
tem a intensidade Tt d1
de sua velocidade A aceleração de um móvel pode ser entendida
aumentada em como a velocidade com que varia a sua velocida- dr = d1 + d2 + d3
2 m/s a cada segundo. de. No S.I., a unidade de medida utilizada para
Já um objeto que a aceleração é m/s2.
apresenta uma O segundo método para somarmos vetores,
aceleração negativa, GRANDEZAS ESCALARES dois a dois, é o do paralelogramo: fazemos coin-
por exemplo, –3 m/s2, E VETORIAIS cidir as origens dos dois vetores e construímos
tem a intensidade Algumas grandezas necessitam apenas de um paralelogramo. O vetor soma é a diagonal do
de sua velocidade seu valor absoluto para ser caracterizadas. São paralelogramo cuja origem coincide com a dos
diminuída em 3 m/s as grandezas escalares, como tempo, volume dois vetores. Veja:
a cada segundo. e massa. Outras grandezas exigem que sejam
definidos também sua direção e seu sentido.
Essas são grandezas vetoriais – aquelas nas
dr = d1 + d2
quais um vetor indica a intensidade, a direção e d1
o sentido. São grandezas vetoriais a velocidade,
a aceleração e a força, por exemplo. d2

GE FÍSICA 2016 39
2 CINEMÁTICA AULA 2 • MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME

RAIO O jamaicano Usain Bolt corre 100 metros em 9,6 segundos. Nessa velocidade constante, ele percorreria 1 quilômetro em 1,5 minuto

C
orpos que se deslocam em trajetória re-

Em linha tilínea e com velocidade constante – ou


seja, sem aceleração – estão em movi-
mento retilíneo uniforme, ou MRU.

reta e no Corpos em MRU percorrem sempre a mesma


distância em um mesmo intervalo de tempo.

mesmo V = 10 cm/s

ritmo
0s 1s 2s 3s 4s
0 cm 10 cm 20 cm 30 cm 40 cm

40 GE FÍSICA 2016
FUNÇÃO HORÁRIA DA POSIÇÃO Já um objeto em um MRU retrógrado, a velo-
Para um corpo em MRU, a posição num ins- cidade é negativa. Para essa situação, o gráfico
tante t qualquer é dada pela função horária da da velocidade em função do tempo também é
posição: uma reta, mas na posição em que v < 0. Veja:

S (t) = S0 + v . t, em que: V

 S0 é posição inicial, no instante t = 0;


 v é a velocidade de deslocamento; T
 t é o tempo do deslocamento.
A velocidade
permanece constante,
Conhecendo a posição inicial (S0 ) e a velocidade Movimento mas é negativa
de deslocamento (v), podemos calcular a posição retrógrado
S(t) que o corpo ocupa em um instante qualquer
(t). Com isso, determinamos o comportamento A área sob a curva do gráfico é numericamente
do objeto móvel no decorrer do tempo. igual ao deslocamento escalar sofrido pelo corpo
No S.I., a posição dos corpos é medida em nesse intervalo de tempo. Veja:
metros e a velocidade, em m/s. Lembre-se de
que, em movimentos progressivos, os corpos V
apresentam velocidade positiva e, em movimen-
tos retrógrados, velocidade negativa. A medida da área A é LEMBRE-SE
Repare que a expressão S (t) = S0 + v . t é uma numericamente igual à
função do 1° grau. Seu coeficiente linear deter- medida do deslocamento Função de 1º grau
mina a posição inicial S0 do corpo e o coeficiente A entre os instantes ti e tf é aquela na qual
angular, a velocidade v do corpo (veja o quadro uma variável (y)
Lembre-se, ao lado). 0 ti tf t depende de outra
variável (x), que é
GRÁFICOS DO MRU Mas atenção: a área, naturalmente, não indica independente e é
É muito comum na cinemática o estudo do o sentido do deslocamento. Para definirmos se o elevada à primeira
movimento de um corpo ser feito por meio de deslocamento é positivo ou negativo, devemos potência:
gráficos que relacionam os parâmetros físicos analisar se o movimento é progressivo (∆S > 0)
do movimento com o tempo. A equação que de- ou retrógrado (∆S < 0). f(x) = y = a . x + b
fine um MRU é uma função linear (ou função de
1º grau), e, por isso, sempre determina uma reta. Posição em função do tempo Note que a é
Podemos também construir gráficos que re- o coeficiente
Velocidade em função do tempo presentem a posição de um corpo que executa angular da reta,
Todo corpo que executa MRU mantém uma MRU em cada instante do percurso. Para isso, e é definido pela
velocidade constante. Se a intensidade da veloci- basta construir o gráfico da mesma função ho- diferença entre as
dade não varia, então o gráfico da velocidade em rária da posição: coordenadas x e
função do tempo deve ser uma reta paralela ao y de dois pontos
FRANCK FIFE/AFP

eixo do tempo. S (t) = S0 + v . t quaisquer da reta:


Dy Q y A –y B V
No caso de um corpo móvel que executa um
movimento progressivo (no sentido adotado como Num movimento progressivo (v > 0), o móvel Dx Q x A –x B V
a= = &

Q y B –y A V
positivo), a velocidade é positiva. Assim, o gráfico avança nas posições ao longo da trajetória com o
Q x B –x A V
da velocidade em função do tempo é uma reta passar do tempo, a partir de um ponto de origem. a=
acima da velocidade v = 0. Veja: Assim, o gráfico da posição em função do tempo
é uma reta crescente. E b é o coeficiente
V linear da reta: o
A velocidade do corpo S valor de y no ponto
é positiva e permanece O corpo avança na em que a reta cruza
inalterada durante trajetória no decorrer do o eixo y (ou seja,
todo o deslocamento tempo – deslocamento o ponto que tem a
escalar positivo
coordenada x = 0).
T

Movimento Movimento T
progressivo progressivo

GE FÍSICA 2016 41
2 CINEMÁTICA AULA 2 • MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME

No caso de um movimento retrógrado (v < 0), /&ɟɟ*)-#zq)ɟ)ɟ/.)'ç0&ɟ*)#-ɟɟŲŻŵɟ


o móvel recua a partir de um ponto de origem. horas de viagem?
Então, o gráfico é uma reta decrescente. Veja:
S (t) = 100 + 100 . t &
S S (2, 5) = 100 + 100 . 2, 5 &
O corpo recua na S = 350 km
trajetória no decorrer do
tempo – deslocamento
escalar negativo ENCONTRO DE DOIS CORPOS
ɟ()(.,)ɟɟ)#-ɟ)$.)-ɟ+/ɟ-ɟ')0'ɟ
sempre se dá no momento em que eles ocupam
a mesma posição na trajetória.
Movimento T Dois corpos seguem uma mesma trajetória
retrógrado retilínea movendo-se em sentidos opostos, com
velocidade constante. Veja abaixo:
Acompanhe o raciocínio: um automóvel per-
corre uma trajetória retilínea. Sua posição em
função do tempo é representada no gráfico: A vA = 30 km/h

S (km) S0= 400 km


S0= 0 km
500
vB = 50 km/h B

-ɟ)#-ɟ0°/&)-Żɟ†ɟ&,)Żɟ0q)ɟ-ɟ()(.,,ɟ
100
na mesma posição. Matematicamente, temos:
SA= SB.
0 1,0 2,0 3,0 4,0 t (h)

sentido da
ƀɟɟɟ*)-#zq)ɟ#(##&ɟ)ɟ/.)'ç0&ɟ†ɟűŰŰɟ%' trajetória A vA
(para t = 0 h, S0ɟDŽɟűŰŰɟ%'ƙŽɟ
ƀɟɟ*)-#zq)ɟŦ(&ɟ)ɟ/.)'ç0&ɟ†ɟŵŰŰɟ%'ɟ
(para t = 4 h, SfɟDŽɟŵŰŰɟ%'ƙŽɟ
Sencontro
ƀɟɟɟ!,PŦ)ɟ†ɟ/'ɟ,.Żɟ(.q)ɟ.,.Ɛ-ɟɟ/'ɟ
movimento uniforme;
ƀɟɟɟ')0#'(.)ɟ†ɟ*,)!,--#0)ɟ*),+/ɟɟ,.ɟ vB B
é ascendente.

A velocidade média do automóvel é a razão entre Conhecemos as posições iniciais e as velocidades


o deslocamento escalar e o tempo de percurso: de A e B. Adotando que o sentido positivo da tra-
jetória é da esquerda para a direita, e substituindo
Vm = TS & Vm = 500 - 100 & Vm = 100 km/h esses valores na função horária, temos:
Tt 4- 0
Repare que, num gráfico da posição em função SA= SB & S+ vA.t = Sɟ+ vB . t &
do tempo para um corpo em MRU, a velocidade ŰɟǁųŰɟźɟ.ɟDŽɟŴŰŰɟƑɟŵŰɟźɟ.ɟɟɟɟɟɟɟ.ɟDŽɟŵɟɟ"
&
é o coeficiente angular da reta.
Para construir a função horária da posição Portanto, os automóveis irão se encontrar
do automóvel em determinado intervalo, basta após cinco horas.
substituir os valores conhecidos (S0 e v): Para definir a posição em que eles se encon-
trarão, é só substituir os valores conhecidos na
S (t) = S O + v . t & S (t) = 100 + 100 . t equação horária de qualquer um dos veículos:

Esta é a função específica para o movimento S A = S OA + v A . t &


desse automóvel. Então, podemos calcular sua po- S A = 0 + 30 . 5 &
sição em qualquer momento da viagem. Veja: S A = S B = 150 km

42 GE FÍSICA 2016
CINEMÁTICA AULA 3 • MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORMEMENTE VARIADO 2

EXPLOSÃO DE VELOCIDADE O guepardo atinge 72 km/h em apenas 2 segundos. Sua aceleração é a mesma de um carro de Fórmula 1

Variação gradual

O
movimento retilíneo uniformemen- Já o MRUV em que o objeto móvel apresenta
te variado, ou MRUV, é o que segue diminuição do módulo da velocidade é chamado
Lembrando: módulo é o uma trajetória retilínea e apresenta de movimento retardado.
valor da intensidade de uma alteração uniforme no módulo
uma medida. O módulo da de velocidade. É um movimento com aceleração
∆t = ∆t = ∆t
velocidade, por exemplo, é diferente de zero e constante – a velocidade do
um valor em m/s ou km/h. corpo aumenta ou diminui de maneira uniforme
O módulo não indica nem ao longo do percurso.
direção nem sentido O MRUV em que o corpo apresenta um au-
da velocidade. mento do módulo da velocidade é chamado de
movimento acelerado. Em um movimento retardado, o corpo percorre distâncias
cada vez menores em um mesmo intervalo de tempo

∆t = ∆t = ∆t
A aceleração é uma grandeza vetorial – ou seja,
para defini-la inteiramente é preciso considerar
seu valor (módulo), sua direção e seu sentido.
Uma aceleração cujo sentido coincide com o
sentido adotado como positivo para a trajetória
tem valores positivos (a > 0). No sentido oposto
Em um movimento acelerado, o corpo percorre distâncias ao sentido adotado como positivo, valores ne-
cada vez maiores em um mesmo intervalo de tempo gativos (a < 0).

IMAGE SOURCE/LATINSTOCK GE FÍSICA 2016 43


2 CINEMÁTICA AULA 3 • MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORMEMENTE VARIADO

FUNÇÃO HORÁRIA DA VELOCIDADE EQUAÇÃO DE TORRICELLI


O MRUV é caracterizado pela alteração da Combinando a equação horária da velocidade
velocidade do corpo. A equação que fornece a e a equação horária da posição, encontramos a
velocidade do corpo em um instante qualquer é chamada equação de Torricelli. A equação de
a chamada função horária da velocidade: Torricelli não considera o tempo de percurso. É
útil quando não temos essa informação.
v (t) = v0 + a . t, em que:
v2 = v02 + 2 . a. DS, em que:
 v(t) é a velocidade do corpo num instante t;
 v0 é a velocidade inicial do corpo;  v é a velocidade final do corpo;
 a é a aceleração do corpo;  v0 é a velocidade inicial do corpo;
 t é um instante qualquer.  a é a aceleração do corpo;
 )S é o deslocamento escalar do corpo.
NA PRÁTICA
Se um atleta parte do repouso e acelera NA PRÁTICA
uniformemente a 3 m/s2, a função horária de Um automóvel se desloca a 36 km/h.
sua velocidade é: O motorista avista um sinal vermelho 20
metros à frente e para exatamente no sinal.
v (t) = v O + a . t & v (t) = 0 + 3 . t & v (t) = 3 . t Qual a aceleração do veículo nessa situação?

Se o atleta consegue manter essa aceleração Sabemos que:


ATENÇÃO! por 3 segundos, sua velocidade ao final da t"WFMPDJEBEFJOJDJBMEPBVUPNØWFMÏLNI
aceleração é: (ou 10 m/s);
Não confunda t"WFMPDJEBEFmOBMÏ[FSP
movimento retardado v (t) = 3 . t & v = 3 . 3 & v = 9 m/s t"EJTUÉODJBQFSDPSSJEBBUÏPTJOBMÏEFN
com movimento
retrógrado. FUNÇÃO HORÁRIA DA POSIÇÃO Substituindo os valores na equação
O movimento retardado Assim como definimos a posição de um corpo de Torricelli:
só considera a em MRU, sem aceleração (veja na aula 1 deste v 2 = v 20 + 2. a . TS & 0 2 = 10 2 + 2 . a . 20
diminuição do módulo da capítulo), podemos também definir a posição de a = –2, 5 m/s 2
velocidade do corpo. um corpo que executa um MRUV, com acelera-
O retrógrado é aquele ção. A função horária da posição é uma equação O sinal negativo indica que a aceleração
que se dá no sentido matemática que fornece a localização do corpo foi aplicada no sentido inverso ao adotado
inverso ao adotado como em qualquer instante do movimento: como positivo: o módulo da velocidade do
positivo na trajetória. automóvel diminui 2,5 m/s a cada segundo.
S (t) = S O + v O . t + a . t
2

2 GRÁFICOS DO MRUV
Com essa equação determinamos a posição S(t) Um MRUV também pode ser representado
de um corpo que tem posição inicial S0 , velocidade em gráficos.
inicial v0 e aceleração a em qualquer instante t.
Aceleração em função do tempo
NA PRÁTICA A velocidade varia, mas a aceleração se
Um ciclista parte do repouso na posição inicial mantém igual durante o tempo do percurso.
10 m de determinado referencial e acelera 4 Então, esse gráfico é uma reta paralela ao eixo
metros por segundo a cada segundo. A função do tempo. Um MRUV cuja aceleração tem o
horária para sua velocidade é: mesmo sentido do que foi adotado como positivo
2
4 . t2 apresenta a > 0:
S (t) = S 0 + v 0 . t + a . t & S (t) = 10 + 0 . t +
2 2
2 a
S (t) = 10 + 2 . t

No instante 4 segundos, ele estará no ponto:


S (t) = 10 + 2 . t 2 & S = 10 + 2 . 4 2 & S = 42 m
Depois de 4 segundos, o ciclista estará na 0 t
posição 42 m do referencial. Descontados os
10 m de distância entre o referencial e sua
posição de partida, ele terá percorrido 32 m.

44 GE FÍSICA 2016
Já um MRUV cuja aceleração tem sentido ATENÇÃO!
oposto ao que foi adotado como positivo apresen- V
ta a < 0. Então, a reta que representa a aceleração O deslocamento Num movimento
escalar entre t1 e t2
sai de um ponto abaixo do zero: acelerado:
é numericamente
igual à área formada tWFMPDJEBEFFBDFMFSBÎÍP
a têm mesmo sinal;
pela curva do gráfico
da velocidade em tPNØEVMPEBWFMPDJEBEF
V função do tempo
A aumenta no decorrer
do tempo.
0 t 0
t1 t2 t Num movimento
retardado:
Posição em função do tempo tWFMPDJEBEFFBDFMFSBÎÍP
A posição de um corpo em MRUV varia com têm sinais opostos;
Velocidade em função do tempo o tempo de acordo com o que chamamos de tPNØEVMPEBWFMPDJEBEF
A velocidade de um corpo em MRUV varia função horária da posição: diminui no decorrer
com o tempo de acordo com a função horária do tempo.
S QtV = S0 + v0 . t +
a . t2
da velocidade: 2

v (t) = v0 + a . t Esta é uma equação de 2º grau e, portanto,


define uma parábola como gráfico. O sinal do
Esta é uma equação de 1º grau cujo gráfico é coeficiente do termo quadrático da equação
uma reta. Neste caso, o coeficiente linear fornece (termo que acompanha t2) indica se a acelera-
a velocidade inicial do corpo (v0 ) e o coeficiente ção é maior ou menor que zero. E isso pode ser
angular, a aceleração (a) (veja o destaque Lembre- descoberto pela concavidade da parábola (veja
-se na pág. 41) o quadro Lembre-se ao lado).
Para o caso de um MRUV com aceleração Um MRUV com aceleração positiva (a > 0)
positiva (a > 0), a função é crescente e o grá- resulta numa parábola com concavidade voltada
fico da velocidade em função do tempo tem o para cima:
seguinte formato:

v
S
Movimento Movimento
retardado acelerado

a>0
0 t

0 LEMBRE-SE
Para o caso de um MRUV com aceleração t
negativa (a < 0), a função é decrescente e o grá- Toda função
fico da velocidade em função do tempo tem o Já para um MRUV com aceleração negativa de 2º grau
seguinte formato: (a < 0), a parábola do gráfico tem concavidade (ax2 + bx + c) tem
voltada para baixo: como gráfico
v Movimento Movimento uma parábola.
retardado acelerado
S A concavidade
da parábola é
dada pelo sinal do
0 coeficiente de x2.
t
t1BSBa > 0, a
concavidade
a<0 é para cima
t1BSBa < 0, a
O gráfico da velocidade em função do tempo concavidade é
também fornece o deslocamento escalar execu- para baixo.
0 t
tado pelo corpo. Veja a seguir:

GE FÍSICA 2016 45
2 CINEMÁTICA AULA 4 • LANÇAMENTOS

O SEXTO JOGADOR A gravidade da Terra dá uma mãozinha ao time de basquete: é ela que faz com que a bola lançada desça pela cesta

Tudo o que
É
uma questão de gravidade: tudo o que
é lançado ao ar, se não tiver velocidade
inicial suficiente para superar a atração

sobe tende gravitacional da Terra e escapar para


o espaço, é atraído de volta em direção ao solo.
É o que acontece num lançamento de basquete

a descer e, também, com uma bala de canhão.


É ainda o que faz um objeto cair da mesa. Esse
tipo de movimento é analisado e descrito com
o emprego de conceitos tanto do MRU quanto
do MRUV.

46 GE FÍSICA 2016
QUEDA LIVRE As equações que descrevem qualquer lança-
Uma pena e uma pedra largadas da mesma mento vertical, seja queda livre, seja lançamento
altura. O que chega primeiro ao solo? A pedra, para cima, são as mesmas equações que descre-
claro. Mas por quê? Porque a pedra tem mais vem um MRUV. No caso de um lançamento para
massa? Não. Se dependesse apenas da atração cima, no trajeto de subida a aceleração g atua
gravitacional, a pluma e a pedra cairiam exata- no sentido oposto ao do movimento – por isso,
mente ao mesmo tempo. O que faz a diferença esse é um movimento retardado. A velocidade
aqui é a resistência do ar, que depende de fatores vai se reduzindo aos poucos, até chegar a zero
como o formato do objeto e sua velocidade. no instante em que atinge o ponto mais alto da
Tanto isso é verdade que no vácuo a situação trajetória. No retorno, o movimento volta a ser
é bem diferente. acelerado, de queda livre.

w!>!1 GALILEU GALILEI


(1564-1642)
Foi no início do século
pena Num lançamento
XVII que o grande físico,
vertical, a aceleração
g reduz a velocidade astrônomo, matemático e
h do objeto, até que ele inventor italiano lançou,
pedra pena pedra pare e volte a cair, num experimento,
em queda livre dois corpos de massas
diferentes, mas de mesmo
formato, do alto de uma
ar vácuo torre (acredita-se que da
w1
A resistência do No vácuo, sem Torre de Pisa). E constatou
ar faz a pena cair resistência do ar, que, largados ao mesmo
mais devagar os dois corpos caem tempo de uma mesma
que a pedra ao mesmo tempo altura, os corpos atingem
o chão no mesmo instante,
O movimento de queda dos corpos, quando não importa a massa de
a resistência do ar é desprezível, é chamado cada um.
queda livre. Esse tipo de movimento é unifor-
memente acelerado: o corpo sofre a aceleração
constante da gravidade do planeta. A atração LANÇAMENTO HORIZONTAL
gravitacional é uma aceleração representada É aquele em que o corpo é arremessado de uma
pela letra g e, na superfície da Terra, vale 9,8 m/ altura H, com determinada velocidade inicial
s2 (valor muitas vezes arredondado para 10 m/s2). horizontal, e descreve um arco de parábola em
direção ao solo. Neste caso, novamente podemos
desprezar os efeitos de resistência do ar.
JEFFREY PHELPS/AP

A aceleração
gravitacional ( g ) puxa
todos os corpos para
h baixo a uma velocidade
que aumenta 9,8
metros por segundo
a cada segundo

w
ROLOU, DANÇOU Uma bola que cai de cima de uma mesa descreve
uma trajetória parabólica até o solo

GE FÍSICA 2016 47
2 CINEMÁTICA AULA 4 • LANÇAMENTOS

DOIS MOVIMENTOS COMBINADOS

1 A projeção da bolinha 0 vo 1 4 Mas a componente COMO DECOMPOR UM VETOR


no eixo horizontal x vertical da velocidade, Basta desenhar as duas componentes
realiza um movimento
vx vy , tem seu módulo perpendiculares:
vy vx
retilíneo uniforme. aumentado a cada
Não existe aceleração
2 vy instante. A razão desse
aumento é a aceleração y
2 Já no eixo vertical, vy vx 3 gravitacional
vy
v
a projeção da bolinha
4
mostra um movimento vy vx g
retilíneo uniformemente 5 Em qualquer momento
variado 5 do lançamento, o vetor
velocidade resultante Ĝ

3 A componente horizontal vy vx da bolinha é dado vx x


da velocidade, vx , pela soma vetorial das
O módulo das componentes é:
é constante, já que duas componentes:
Vx = v . cos Ĝ
não existe nenhuma vR = vy + vx (veja mais
Vy = v . sen Ĝ
aceleração na direção y sobre soma vetorial na
horizontal Movimento uniforme vX = constante aula 1 deste capítulo)

ATENÇÃO! O movimento em forma de parábola pode ser NA PRÁTICA


decomposto em dois movimentos distintos:
Num movimento  um movimento uniforme no eixo horizontal; Três corpos distintos são lançados
composto, cada um dos  um movimento uniformemente variado no horizontalmente de uma mesma altura H em
movimentos componentes eixo vertical. relação ao solo e com velocidades iniciais
acontece como se os Matematicamente, o comportamento do corpo diferentes, de tal modo que v3 > v2 > v1, como
demais não existissem: no eixo horizontal é dado pelas equações de mostra a figura abaixo. Qual deles permanece
o MRU da horizontal MRU. Já no eixo vertical, o movimento é dado mais tempo no ar?
e o MRUV da vertical pelas equações do MRUV.
são independentes e Dito de outro modo: no sentido horizontal, a V1 V2 V3
simultâneos. A bolinha velocidade é constante. Então, o comportamento
leva o mesmo tempo do corpo no eixo horizontal é descrito pelas
para realizar todos esses equações do MRU. Já no sentido vertical, a ve-
movimentos: o vertical locidade cresce, acelerada pela gravidade. Então, H
em MRUV, o horizontal para descrever o comportamento do corpo no
em MRU e o movimento eixo vertical, utilizamos as equações do MRUV.
resultante parabólico.
Essa ideia pode ajudar LANÇAMENTO OBLÍQUO
muito na hora de A trajetória descrita pelo lançamento de uma O tempo de permanência do corpo no ar, em
resolver problemas. bola de basquete em lance livre é uma parábola. um lançamento horizontal, é o mesmo tempo
O mesmo é válido para o movimento de um atleta de queda do corpo no eixo vertical. Como os
que pratica salto com vara (veja o infográfico na três corpos foram lançados de uma mesma
pág. 50). Esse movimento, que desconsidera a altura e todos os corpos sofrem a mesma
resistência do ar, é conhecido como lançamento aceleração gravitacional, independentemente
oblíquo. Assim como o lançamento horizontal, de seu tamanho ou sua massa, o tempo de
o oblíquo é constituído de dois movimentos permanência dos três corpos no ar é o mesmo.
independentes: um horizontal, uniforme, e O que muda é o alcance (a distância horizontal
outro vertical, cuja velocidade está sujeita à percorrida) de cada um deles. Esse alcance,
aceleração da gravidade. sim, depende da velocidade com que cada
Esse tipo de movimento também pode ser corpo foi arremessado.
representado num gráfico que mostra os vetores
velocidade decompostos nas componentes v x
(horizontal) e v y (vertical). Lembre-se de que o
movimento do projétil no eixo x (horizontal) é
uniforme, enquanto no eixo y (vertical) o mo-

48 GE FÍSICA 2016
vimento é uniformemente variado. No ponto
MENOS AZAR, MAIS FÍSICA mais alto da trajetória, o corpo apresenta ape-
Em 1999, o físico inglês Robert Matthews explicou por que uma nas a componente horizontal da velocidade. A
torrada sempre cai com a manteiga voltada para o chão. Não é por componente vertical é zero porque a aceleração
azar, mas pela combinação das velocidades de queda e de rotação gravitacional reduziu paulatinamente a veloci-
da fatia de pão dade, até chegar a zero. Veja:

1  Basta que a torrada tenha


pouco mais que a metade
2  Ao perder o apoio da mesa,
a torrada é acelerada
de seu comprimento fora em direção ao chão pela v2 v3 =vx
v2y vx
do tampo da mesa para gravidade. Assim, sua v1 v4y v4
começar a cair. Ao se velocidade vai aumentando
inclinar em direção ao solo, durante a queda. v1y vx
a torrada forma um ângulo v5y v5
vx
θ com o tampo.

3  Como a torrada começou a cair


inclinada (ângulo θ), ela gira
v0y v0
sobre si mesma na velocidade vx v6y v0
ω à medida que avança rumo
δ
a
1 ao solo.
θ
O alcance horizontal varia segundo o ângulo
em que o corpo é lançado. O máximo alcance é

ω
A velocidade de rotação ω não obtido quando o lançamento é feito a 45°. Se não
é suficiente para fazer a torrada existisse a resistência do ar, este seria o ângulo
2 3 dar um giro completo em torno perseguido por atletas nas provas de arremesso
de dardo, por exemplo. Vale notar também que
m.g
de si mesma enquanto percorre
os 90 centímetros até o chão. ângulos complementares – aqueles cujas medidas
Ao longo da queda, a fatia gira somadas resultam em 90o – têm o mesmo alcance.
4 apenas cerca de 180º.
y


H = 90 cm
Resultado da ação da
gravidade e da rotação 75º
incompleta da torrada:
a manteiga vai para o chão. 60º
45º
H = altura da mesa
θ = ângulo de rotação 30º
5 a = comprimento 15º
da torrada
m = massa da torrada 0 x
g = gravidade
ω = velocidade com que TANTO FAZ Ângulos complementares, como o par 15o e 75o
a torrada gira no ar
ou 30o e 60o, definem o mesmo alcance horizontal

PIADA PRONTA

FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 49


2 CINEMÁTICA INFOGRÁFICO

Correr, saltar, voar e cair


Atletas de salto com vara não fazem nenhum cálculo matemático, mas usam técnicas para
vencer a gravidade e fazer com que a física trabalhe a seu favor. Aqui você vê as acelerações
e as duas componentes da velocidade da brasileira Fabiana Murer, em um de seus melhores
saltos, no Mundial de Atletismo de Daegu, na Coréria do Sul, em 2011

1 Posição de largada 2 Aceleração 3 Lançamento


A atleta está em repouso. Fabiana atravessa 37 metros A energia cinética da atleta é
Quanto mais na em 18 passadas. Ao final, transferida para a ponta da vara,
extremidade da vara sua velocidade é de 29,8 km/h. quando esta é apoiada no
Fabiana segurar, maior Isso significa que ela acelerou anteparo. Como é flexível, a vara vy
será a altura do salto. 0,9 metro por segundo a armazena essa energia e a
cada segundo. Fabiana transfere de volta para Fabiana, vx
faz um movimento retilíneo que sobe no espaço (veja mais
uniformemente variado, em que sobre energia potencial e cinética
ti = 0 no capítulo 3). O movimento da
vi = 0 tf ≅ 9 s atleta agora tem duas
vx
a ≅ 0,9 m/s2 componentes de velocidade: uma
|vx| ≅ 29,8 km/h horizontal (vx) e outra vertical (vy).

37 m

FIRMEZA NA PEGADA As sapatilhas O piso é antiderrapante. A base é


Conseguir boa dos atletas têm travas feita com um material de borracha,
impulsão a cada de 5 mm a 8 mm de espessura mínima de 13,5 mm,
passada é na parte da frente, recoberto por uma resina de
fundamental para para os pés aderirem poliuretano. Por cima de tudo,
um salto de sucesso. melhor ao piso e o vai nova camada de borracha
E o atrito tem tudo a corpo receber uma granulada (pneu picado), que
ver com isso impulsão maior. Borracha aumenta ainda mais a aderência.
Resina
Borracha

50 GE FÍSICA 2016
4 Inversão 5 Voo 6 Queda livre
Quando a atleta gira o corpo para A atleta larga a vara e curva o A gravidade traz a atleta de
ultrapassar o sarrafo, a vara já corpo em arco para sobrevoar volta ao chão. Desprezando o
transmitiu quase toda a energia para o sarrafo. Quando está nessa vy = 0 efeito da resistência do ar,
Fabiana. Sua velocidade vertical é altura máxima, Fabiana para Fabiana está em queda livre –
g vx
muito baixa, mas agora ela tem de subir – a componente vertical um movimento uniformemen-
grande potencial gravitacional – ou de sua velocidade é nula. te variado, em que a única
seja, vai começar a ser puxada de aceleração é a da gravidade
volta ao solo pela gravidade. (g = 9,8 m/s2). A velocidade
horizontal se mantém, mas a
vertical é cada vez maior.
vy
g vx
g vx
vy

7 Pouso macio
A gravidade faz com que
Fabiana caia 4,85 m em pouco
menos de 1 segundo. Ela bate
no colchão a uma velocidade
vertical próxima dos 9,7 m/s
(desconsiderando
a altura do colchão).

vX = 0
vy = 0

Comprimento A TECNOLOGIA DO SALTO O material da vara


da vara
4,80 m A massa da vara é proporcional à altura garante leveza e
do atleta. A vara de Fabiana tem massa flexibilidade
de cerca de 2 kg. Quando apoiada no
chão, armazena a energia cinética do Fibra de vidro
Fabiana atleta como energia potencial elástica,
1,71 m Resina
que depois é convertida em energia Fibra de carbono
potencial gravitacional. É essa energia
INFOGRAFIA: MULTI/SP

que Fabiana usa para se elevar no ar.

GE FÍSICA 2016 51
2 COMO CAI NA PROVA

1. (Unicamp 2014) O passeio completo no complexo do Pão de Açúcar inclui 3. (Vunesp 2014) Um motorista dirigia por uma estrada plana e retilínea
um trecho de bondinho de aproximadamente 540 m, da Praia Vermelha ao quando, por causa de obras, foi obrigado a desacelerar seu veículo, reduzindo
Morro da Urca, uma caminhada até a segunda estação no Morro da Urca, sua velocidade de 90 km/h (25 m/s) para 54 km/h (15 m/s). Depois de passado o
e um segundo trecho de bondinho de cerca de 720 m, do Morro da Urca ao trecho em obras, retornou à velocidade inicial de 90 km/h. O gráfico representa
Pão de Açúcar. A velocidade escalar média do bondinho no primeiro trecho é como variou a velocidade escalar do veículo em função do tempo, enquanto
v1 = 10,8 km/h e, no segundo é v2 = 14,4 km/h. Supondo que, em certo dia, o ele passou por esse trecho da rodovia. Caso não tivesse reduzido a velocidade
tempo gasto na caminhada no Morro da Urca somado ao tempo de espera nas devido às obras, mas mantido sua velocidade constante de 90 km/h durante os
estações é de 30 minutos, o tempo total do passeio completo da Praia Vermelha 80 s representados no gráfico, a distância adicional que teria percorrido nessa
até o Pão de Açúcar será igual a: estrada seria, em metros, de:
v (m/s)
a) 33 min b) 36 min c) 42 min d) 50 min
25
RESOLUÇÃO
15
Simples aplicação de fórmula.
O bondinho desloca-se com velocidade constante em cada trecho – ou seja, em
movimento retilíneo uniforme. Então, o tempo gasto em cada trecho é dado por
Ts Ts . 0 10 20 30 40 50 60 70 80 t (s)
v= & Tt =
Tt v

Para o trecho Praia Vermelha – Morro da Urca: a) 1 650 b) 800 c) 950 d) 1 250 e) 350
0, 54
Tt 1 = 10, 8 & Tt 1 = 0, 05 horas & Tt 1 = 0, 05x3600 & Tt 1 = 180s = 3 minutos

Para o trecho Morro da Urca – Pão de Açúcar: RESOLUÇÃO


0, 72 A questão se resolve usando mais conceitos de matemática do que de física:
Tt 2 = 14, 4 & Tt 2 = 0, 05 horas & Tt 2 = 0, 05x3600 & Tt 2 = 180s = 3 minutos
leitura de gráficos e cálculo de áreas. Veja:
O enunciado diz, ainda, que o visitante espera 30 minutos entre um trecho e Em qualquer gráfico da velocidade em função do tempo, o valor da área da figura
outro. Então, o tempo total gasto no passeio é entre a curva e o eixo dos tempos é igual ao valor do deslocamento do móvel
Tt total = Tt 1 + Tt 2 + Tt espera & Tt total = 3 + 3 + 30 & Tt total = 36 minutos no intervalo de tempo considerado. Se o automóvel tivesse mantido a mesma
Resposta: b velocidade ao longo de todo o trajeto, teríamos a seguinte situação:
v (m/s)

2. (UFJF 2014) A velocidade de um objeto em função do tempo é registrada num 25


gráfico. Analisando o gráfico dado, determine o módulo da velocidade inicial vo ,
o módulo da aceleração e a distância percorrida entre os instantes t = 3s e t = 5s. 15
A
28
24
20
a) vo = 4m/s; a = 4 m/s2; d = 4 m 0 10 20 30 40 50 60 70 80 t (s)
velocidade (m/s)

16 b) vo = 4m/s; a = 0 m/s2; d = 8 m
12 c) vo = 0m/s; a = 4 m/s2; d = 32 m Mas o automóvel reduziu a velocidade num trecho do percurso. E a diferença
8
4
d) vo = 0m/s; a = 0 m/s2; d = 8 m no deslocamento por causa dessa redução de velocidade corresponde à área do
0 e) vo = 4m/s; a = 4 m/s2; d = 32 m trapézio mostrado no gráfico do enunciado (aqui salientado em amarelo). Veja:
0 1 2 3 4 5 6 7 8
tempo (s)
v (m/s)

RESOLUÇÃO 25
O gráfico da velocidade em função do tempo é uma reta. Isso significa que a
aceleração é constante por todo o movimento. Para calcular a aceleração entre 15
os instantes t = 1 s e t = 6 s, aplicamos a fórmula geral para aceleração constante:
Tv 24 - 4 50
a= & a = 6 - 1 = 5 & a = 4m/s 2
Tt 0 10 20 30 40 50 60 70 80 t (s)

Você encontra a velocidade inicial simplesmente observando o gráfico. Repare


que, prolongando a reta até ela encontrar a velocidade inicial (v0), você descobre Você deve se lembrar como se calcula a área do trapézio:
que v0 ocorre no instante t = 0, ou seja, v0 = 0 A = (base menor + base maior) . altura / 2
O deslocamento entre os instantes t = 3 s e t = 5 s você obtém a partir da equação Então, ficamos com
de Torricelli:
2 (50 + 20) . 10
v2 = v 0 + 2 . Ts & 20 2 = 12 2 + 2 . 4 . Ts & 400 = 144 + 8 . Ts & Ts = 32m Ts = 2 & Ts = 350m

Resposta: c Resposta: e

52 GE FÍSICA 2016
RESUMO

4. (Uerj 2015) Uma ave marinha costuma mergulhar de uma altura de 20 m


para buscar alimento no mar. Suponha que um desses mergulhos tenha sido Cinemática
feito em sentido vertical, a partir do repouso e exclusivamente sob ação da força
da gravidade. Desprezando-se as forças de atrito e de resistência do ar, a ave DESLOCAMENTO, VELOCIDADE E ACELERAÇÃO
chegará à superfície do mar a uma velocidade, em m/s, aproximadamente igual a: Deslocamento escalar é a variação de posições de um corpo
ao longo de uma trajetória (∆S). A medida do deslocamento
a) 20 b) 40 c) 60 d) 80 escalar é a diferença entre a posição final e a posição inicial
de um corpo. Num movimento progressivo (no sentido
RESOLUÇÃO adotado como positivo na trajetória), o deslocamento escalar
O mergulho da ave tem aceleração constante e valor igual ao da aceleração da é positivo. Num movimento retrógrado (no sentido inverso
gravidade. A questão exige, então, a simples aplicação da equação de Torricelli. ao adotado como positivo na trajetória), o deslocamento
De acordo com o enunciado, vo = 0. escalar é negativo. Velocidade escalar média é a razão entre
v2 = v02 + 2 . a . ∆s o deslocamento escalar e o intervalo de tempo gasto nesse
v2 = 0 + 2 . 10 . 20 = 400 deslocamento. Aceleração escalar média é a variação da
v = 400 → v = 20 m/s velocidade do corpo em certo intervalo de tempo.
Resposta: a TS Tv
TS = S - S 0 V m = Tt a = Tt

5. (UFTM 2011) Num jogo de vôlei, uma atacante acerta uma cortada na bola VETORES Grandezas vetoriais são aquelas nas quais a
no instante em que a bola está parada numa altura h acima do solo. Devido direção e o sentido são indicados por um vetor (velocida-
à ação da atacante, a bola parte com velocidade inicial V0, com componentes de, aceleração e força, por exemplo). Soma de vetores:
horizontal e vertical, respectivamente, em módulo, Vx = 8 m/s e Vy = 3 m/s, d2
d2
como mostram as figuras 1 e 2.
d3
Vx = 8 m/s d1 d r = d1 + d2
Vy = 3 m/s
h Figura 2 dr = d1 + d2 + d3
Figura 1 h

P MRU Movimento retilíneo uniforme é aquele em que um


4m corpo percorre uma trajetória retilínea, com velocidade
4m
P constante. Em MRU, a posição num instante t é dada pela
função horária da posição: S(t) = S0 + v . t. O gráfico do MRU
Após a cortada, a bola percorre uma distância horizontal de 4 m, tocando é uma reta cujo coeficiente linear é a posição inicial do
o chão no ponto P. Considerando que durante seu movimento a bola ficou corpo e o coeficiente angular, sua velocidade.
sujeita apenas à força gravitacional e adotando g = 10 m/s2, a altura h, em
metro, onde ela foi atingida é: MRUV Movimento retilíneo uniformemente variado
é aquele em que o corpo segue uma trajetória retilínea
a) 2,25 b) 2,50 c) 2,75 d) 3,00 e) 3,25. com aceleração constante e diferente de zero. A função
horária da posição é a equação que fornece a localização
RESOLUÇÃO do corpo em MRUV em qualquer instante do movimento:
A cortada é um lançamento oblíquo. Nesse tipo de movimento, o objeto lançado a . t2 .
S (t) = S 0 + v 0 . t +
2
tem duas componentes da velocidade, a horizontal (Vx) e a vertical Vy). Na figura
2 você percebe que a altura h refere-se ao deslocamento no eixo y. Trabalhamos EQUAÇÃO DE TORRICELLI: v 2 = v 20 + 2 . a .TS . O gráfico da
com cada componente do movimento, separadamente. velocidade em função do tempo é uma reta cujo coeficiente
linear é a velocidade inicial e o angular, a aceleração.
tNo eixo x: a velocidade horizontal é constante. Então calculamos o tempo
Tx 4
que a bola levou para chegar ao solo por v x = Tt & 8 = Tt & Tt = 0, 5s LANÇAMENTOS Queda livre é o movimento retilíneo
uniformemente variado em que a resistência do ar é des-
tNo eixo y: na vertical, a bola tem a velocidade alterada pela aceleração da prezada e a única aceleração é a da atração gravitacional
gravidade, que é constante (movimento uniformemente variado, MUV). Aplicando (g = 9,8 m/s2 na superfície da Terra). Lançamento horizon-
a 2
a função horária para MUV, temos y = y o + v 0y . Tt + 2 . Tt tal é o movimento em que o corpo é arremessado de uma
altura H, com determinada velocidade inicial horizontal,
Sabemos que y 0 = 0; = 3 m/s; a = 10 m/s 2; Tt = 0, 5 s . Substituindo esses valores e descreve um arco de parábola em direção ao solo. Na
na equação, ficamos com: y = 3 . 0,5 + 5 . 0,52 → y = 1,5 + 1,25 componente horizontal, o corpo lançado descreve um
y = 2,75 m MRU. Na vertical, um MRUV.

Resposta: c

GE FÍSICA 2016 53
3
DINÂMICA
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 aula 1 > Primeira e terceira leis de Newton ............................................56


 aula 2 > Segunda lei de Newton ..................................................................58
 aula 3 > Energia e trabalho ...........................................................................64
 aula 4 > Energia mecânica ............................................................................68
 Infográfico ..........................................................................................................72
 aula 5 > Dinâmica impulsiva........................................................................74
 Questões e Resumo..........................................................................................78

Estradas da morte
O Brasil ocupa a 4a colocação na lista dos países com
o maior número de mortes por acidente de trânsito

O
s dados são alarmantes: entre 1980 e 2013, e a falta de educação dos condutores. De outro
cerca de 1 milhão de pessoas morreram em lado, especialistas consideram que os números
acidentes de trânsito no Brasil. É como poderiam ser maiores, não fosse a legislação
se, em pouco mais de 30 anos, as ruas, avenidas e mais rigorosa. Mas, depois de algum tempo, o
estradas brasileiras tivessem eliminado um terço relaxamento na fiscalização acaba por eliminar os
da população do Kuwait. Segundo o Mapa da Vio- efeitos benéficos dessas medidas. Exemplo disso
lência de 2013, em 2010 o Brasil ocupava a quarta é que, entre 1997 e 2000, imediatamente depois
posição na lista dos países campeões em números que o Código de Trânsito, com punições mais
absolutos de mortes por acidentes de trânsito. severas, entrou em vigor, houve um retrocesso
Isso representa uma taxa de 22 pessoas mortas a no número de fatalidades. Mas, a partir de então,
cada 100 mil habitantes. Em países desenvolvidos, os números voltaram a subir.
essa proporção fica abaixo dos 10 a cada 100 mil. Ironicamente, outro fator que segura o cresci-
O número de feridos também é alto: 170 mil, mento dos acidentes são os congestionamentos
apenas em 2013. E entre as vítimas não estão cada vez mais longos – em menores velocidades, as
apenas motoristas e passageiros de automóveis consequências de uma colisão são também meno-
e caminhões. Levantamento feito pelo Sistema res. Por fim, os avanços da tecnologia na construção
Único de Saúde (SUS) mostra que pedestres, ci- dos veículos, com airbags e parte da lataria fabri-
clistas e motociclistas representaram mais de cada em material deformável, ajudam a diminuir o
50% do total de vítimas em 2013. Os acidentes impacto de um choque
de trânsito não fazem apenas tirar a vida ou in- sobre os ocupantes do
capacitar crianças, jovens e adultos. Quase 80% veículo. As colisões e DESTRUIÇÃO NAS RUAS
das indenizações do Seguro DPVAT referem-se suas consequências são O Brasil é um dos países
a invalidez permanente. fenômenos físicos que campeões em mortes no
Contribui para a evolução das tristes estatísti- envolvem conceitos da trânsito. E os números
cas o crescimento da frota nacional. Em apenas mecânica, de força, tra- poderiam ser maiores,
dez anos, entre 2003 e 2013, o número de veículos balho e conservação de não fosse a tecnologia que
em circulação no país subiu 130%. Contam, tam- energia. Este é o tema torna os automóveis mais
bém, estradas mal conservadas e mal sinalizadas deste capítulo. seguros em caso de choque

54 GE FÍSICA 2016
CELSO PUPO/FOTOARENA GE FÍSICA 2016 55
3 DINÂMICA AULA 1 • PRIMEIRA E TERCEIRA LEIS DE NEWTON

QUEM TOMA LEVA Quando um jogador chuta a bola, a bola exerce sobre a perna dele uma força de mesma intensidade e sentido contrário

Força, inércia, ação e reação

A
cinemática, você viu no capítulo 2, preo- Graças a essas leis, os engenheiros constroem ISAAC NEWTON
cupa-se apenas em descrever os movi- estradas com curvas mais seguras, em que os (1642-1727)
mentos dos corpos, sem se prender a suas veículos têm menos probabilidade de derrapar,
causas e consequências. Já a dinâmica, os astrônomos sabem prever a órbita de um Matemático,
de que trata este capítulo, é o campo da física que planeta ao redor do Sol ou qualquer corpo que físico, filósofo
estuda as causas dos movimentos. gire em torno de uma estrela distante. natural, alquimista
O que coloca um corpo em movimento? O que Desde a Antiguidade, grandes pensadores for- e teólogo inglês.
é preciso para manter um corpo se movendo? O mularam hipóteses para explicar as causas dos Na matemática, criou
que provoca as variações de direção, sentido e movimentos. Aristóteles acreditava que o movi- o cálculo diferencial
intensidade num movimento? Essas são algumas mento de um corpo se mantém apenas se houver e integral. Na
das questões explicadas pela dinâmica. uma força atuando sobre ele, de maneira contínua. óptica, estudou a
A dinâmica deve muito a um dos maiores Pouco antes de Newton, no século XVI, o italiano decomposição
gênios da ciência, o físico e matemático inglês Galileu Galilei já havia desmentido essa ideia. Ga- da luz branca em
Isaac Newton. No fim do século XVII, Newton lileu percebeu que, mesmo que a força que tenha outras cores e
publicou um dos maiores livros científicos de colocado o corpo em movimento seja interrompida, aplicou os princípios
todos os tempos – o Princípios Matemáticos da o corpo pode continuar a se mover indefinidamen- dos espelhos para
Filosofia Natural. Nele, Newton formulou três te. Descobriu, também, que esse movimento tem aperfeiçoar os
princípios essenciais para a compreensão dos velocidade constante e segue uma linha reta, ou telescópios. Mas foram
movimentos. Esses princípios foram chamados seja, o movimento é retilíneo uniforme. Um corpo suas leis sobre forças e
de primeira, segunda e terceira leis de Newton. lançado com determinada velocidade inicial, em movimentos que mais
São ideias simples, diretas e precisas, que ex- uma pista perfeitamente lisa, isto é, sem atrito, revolucionaram
plicam o movimento dos mais diversos corpos. continuaria indefinidamente em MRU. seu tempo.

56 GE FÍSICA 2016
A primeira lei de Newton explica por que,
MASSA E INÉRCIA quando um ônibus freia bruscamente, os passa-
Massa é a medida da inércia de um corpo. geiros são projetados para a frente. Na frenagem,
Quanto maior a massa, maior a inércia. a velocidade do ônibus diminui graças à força
Por isso, é mais fácil alterar o movimento dos freios sobre as rodas. Mas os passageiros
de um corpo de menor massa (menor não são desacelerados. E, por inércia, tendem a
inércia) que o estado de um de maior se manter em MRU.
massa (maior inércia).
TERCEIRA LEI
Veja a cena: bola parada (em repouso) na marca
do pênalti. Rogério Ceni, o goleiro-artilheiro do
O QUE É FORÇA? São Paulo, aproxima-se para fazer a cobrança. É
Na física, a força é uma grandeza vetorial: claro que Ceni não está pensando nisso a cada vez
um corpo está sob ação de uma força que cobra um pênalti ou uma falta. Mas, assim
quando seu vetor velocidade se altera que ele chuta a bola, surge um par de forças. Uma
em módulo (sua intensidade expressa delas vem do pé do jogador e atua sobre a bola
em número) e/ou quando há qualquer – é uma força de ação. Ao mesmo tempo, a bola
mudança em sua direção ou seu sentido. exerce outra força de igual intensidade sobre o
Um automóvel em velocidade constante que pé do jogador. É a força de reação. Veja:
faz uma curva altera a direção do movimento
graças à ação de uma força. Força resultante Ao mesmo tempo, a bola
exerce sobre o pé do jogador
é o vetor dado pela soma dos vetores de
outra força, de reação,
todas as forças que atuam sobre um corpo. de mesma intensidade
O pé do jogador
O símbolo de força é F e sua unidade no S.I. exerce uma força que
é newton (N). Outra unidade usada para atua sobre a bola
força é o quilograma-força (kgf): 1 kgf = 9,8 N.
PIERRE-PHILIPPE MARCOU

F -F

Sempre que alguém caminha ou corre, é im-


PRIMEIRA LEI pulsionado para a frente graças à força que os
Newton baseou-se nas conclusões de Galileu pés aplicam no solo, “empurrando-o” para trás.
para afirmar que os corpos podem estar, na natu- Foguetes sobem graças à força exercida pelos
reza, em dois estados: em repouso ou em MRU. gases que eles expelem para trás.
Na ausência de forças, ou no caso em que a força A ideia das forças de ação e de reação é a
resultante é nula, a tendência é que o corpo se terceira lei de Newton. Também chamada de
mantenha em seu estado natural. princípio da ação e reação, a lei diz:
Corpos em estado natural são aqueles que estão
em equilíbrio. Esse equilíbrio pode ser estático “Toda ação ( força) exercida sobre
(o corpo está em repouso) ou dinâmico (o corpo um corpo como resultado da
está em MRU). E só é alterado pela intervenção interação com outro corpo provoca
de uma força qualquer. Foi assim que Newton neste uma força, chamada reação,
formulou sua primeira lei, também chamada de mesma intensidade e de mesma
princípio da inércia: direção, mas de sentido oposto”.

Isso significa que a interação entre dois corpos


“Todo corpo persiste em seu quaisquer gera um par de forças de mesmo mó-
estado de repouso, ou de dulo, de mesma direção, mas de sentidos opostos.
movimento retilíneo uniforme, A força gerada por um corpo sempre atua sobre
a menos que seja obrigado a outro. Forças de ação e de reação nunca atuam
mudar de estado pela ação de no mesmo corpo. Então, uma força desse par
forças aplicadas sobre ele”. jamais pode anular a outra.

GE FÍSICA 2016 57
3 DINÂMICA AULA 2 • SEGUNDA LEI DE NEWTON

[1]

DEVAGAR COM ACELERAÇÃO Nem sempre um objeto sob aceleração é veloz. Até uma tartaruga sofre aceleração quando muda de direção

Regras do movimento

R
ecordando o que foi visto na aula 1 deste
capítulo: a primeira lei de Newton, ou F3
princípio da inércia, garante que, se F2
a força resultante que atua sobre um
F1
corpo é nula, então esse corpo tem a tendência Força resultante FR
de permanecer em seu estado de equilíbrio:
equilíbrio estático (em repouso) ou equilíbrio
dinâmico (em movimento retilíneo uniforme).
A força resultante de um
Mas o que acontece quando a força resultante
F5 F4 corpo é dada pela soma
que atua em determinado corpo não for nula? vetorial de todas as forças que
Isaac Newton também pensou nisso. E divulgou atuam sobre ele, neste caso:
suas conclusões em sua segunda lei. F R = F1 + F 2 + F 3 + F 4 + F 5

58 GE FÍSICA 2016
A segunda lei de Newton, ou princípio funda- Portanto, a força resultante ( FR ) e a acelera-
mental da dinâmica, afirma que: ção ( a ) são duas grandezas físicas intimamente
associadas. E a resultante das forças aplicadas
“A aceleração que um corpo sobre um corpo é igual ao produto de sua massa
adquire é diretamente proporcional pela aceleração que o corpo adquire.
à resultante das forças que atuam Quanto maior for a intensidade da força re-
sobre ele e tem a mesma direção e o sultante aplicada sobre um corpo, maior será a
mesmo sentido dessa resultante”. aceleração adquirida:

Detalhando: uma força resultante não nula pro-


voca uma aceleração no corpo. E a intensidade F (N)
dessa aceleração é diretamente proporcional à
intensidade da força.
Além disso, a força resultante que atua sobre
um corpo e a aceleração causada por essa força 20 A reta indica que
têm a mesma direção e o mesmo sentido. Esta é a força resultante
é diretamente
a expressão matemática da segunda lei:
proporcional
à aceleração
FR = m . a , em que: 10
 FR é a força resultante que atua sobre o
corpo, medida em newton (N), no S.I.;
 m é a massa do corpo, medida em kg, no S.I.;
 a é a aceleração adquirida pelo corpo, cuja
intensidade é medida em m/s2, no S.I . 5 10
a (m/s2)
|a| = 1 m/s2
Usando a fórmula F = m . a, é fácil calcular a massa
do corpo: 10 N = m . 20 m/s2. Então, m =2 kg

|FR |= 1 N
Intuitivamente sabemos que, para produzir
a mesma aceleração em uma bicicleta e em um
m = 1 kg caminhão, são necessárias forças de intensidade
bem diferentes. Quanto maior for a massa de um
Um newton é a força resultante capaz de dar a um corpo, maior será a força resultante necessária
corpo de 1 kg de massa uma aceleração de 1 m/s2 para produzir determinada aceleração.

AS FORÇAS NUM CABO DE GUERRA


Ganha o jogo o grupo que conseguir deslocar o outro além do limite estabelecido

FA = FB ⇒ FR = 0 FR = FA + FB FR = FB
Grupo A Grupo B
FA FB FB
[1]SCIENCE PHOTO LIBRARY [2] MULTISP

1. Os dois grupos estão em equilíbrio, exercendo 2. Se o grupo B puxar com mais intensidade, 3. Se o grupo A largar a corda, a força A é anulada.
forças de intensidade igual em sentidos opostos. cria uma força resultante não nula. A resultante Sem a oposição da força A, a força B acelera o grupo
A força resultante é nula. A aceleração também faz com que o nó e o grupo A se desloquem em B para trás. As crianças desse grupo caem
é nula: o nó não se desloca para nenhum lado direção ao B, com determinada aceleração

[2]

GE FÍSICA 2016 59
3 DINÂMICA AULA 2 • SEGUNDA LEI DE NEWTON

FORÇA PESO
A força mais comum no cotidiano é a
Uma pessoa “que pesa” força peso. É uma força de atração que
62 kg tem, na verdade, atua em todos os corpos que estão sobre
massa de 62 kg. Seu a superfície terrestre ou próximo a ela,
peso é a força gerada que aponta para o centro da Terra.
pela multiplicação dessa Lembre-se de que, pela terceira lei de
massa pela aceleração Newton, toda ação exercida por uma P Força de campo:
gravitacional (g = 9,8 m/ss2). força provoca uma reação. Assim, a força atração gravitacional
peso também tem a sua reação, e ela se
encontra sempre no centro da Terra e
tem a mesma intensidade e a mesma
ATENÇÃO! direção, mas sentido oposto ao da força
peso de um corpo.
A força de ação e a força
de reação nunca atuam no O módulo da força peso pode ser ex-
mesmo corpo. Assim, presso matematicamente por:
a força peso e a força FORÇA NORMAL
normal nunca formam um P = m . g , em que: A força normal é a força que surge
par ação-reação. A reação sempre que um objeto está em conta-
da força peso está no  P é o módulo da força peso que atua to com uma superfície. É uma força
centro da Terra. sobre o corpo; perpendicular à superfície. Um corpo
 m é a massa do corpo; qualquer de peso P pressiona a mesa,
m  g é o módulo da aceleração gravi- exercendo uma força sobre ela, e a su-
tacional exercida pela Terra sobre perfície reage sobre o corpo, exercendo
o corpo. Próxima à superfície ter- uma força de reação normal N. Veja:
P restre, essa aceleração apresenta
intensidade de aproximadamente
GO
9,8 m/s2. BŽŒp!f!sfbŽŒp
–P Q
Desprezando-se a resistência oferecida
pelo ar, quando uma maçã se desprende GO
de uma árvore, está em queda livre, ape-
nas sob a ação da força peso. Note que
a força peso é exercida pela Terra sobre
a maçã sem que haja nenhum contato
físico entre os dois corpos.

PIADA PRONTA

60 GE FÍSICA 2016
FORÇA DE TRAÇÃO ATRITO VERSUS FORÇA
A força de tração é a força que surge quando
dois corpos quaisquer interagem por meio de O atrito estático é sempre maior que o cinético. O gráfico mostra os dois
um fio ou uma corda. tipos de força de atrito fat em função da força F aplicada sobre um corpo
É a principal força atuante na brincadeira do
cabo de guerra, num guindaste que eleva uma Quando a força aplicada sobre o objeto se iguala
carga e no cabo de um guincho que reboca um Fat à força de atrito estático máxima, o corpo está na
automóvel. A função da corda ou do fio, no caso, iminência de movimento, e qualquer acréscimo na
é apenas transmitir a força entre os corpos (veja força aplicada sobre ele fará com que ele se mova.
fem
o infográfico na página 59).
Atrito Cinético
ATRITO fe
A força de atrito surge entre corpos que estão Atrito
em contato. É uma força que se opõe ao movi- Estático
A partir do momento em que o corpo entra
mento, ou à tendência de movimento, de um
em movimento, começa a atuar sobre ele a
corpo em relação ao outro. força de atrito cinético. Repare que o módulo
O módulo da força de atrito depende da inten- dessa força é constante e menor que o
sidade de interação entre o objeto e a superfície módulo da força de atrito estático máximo.
sobre a qual ele se apoia. Depende, portanto,
da força normal entre o objeto e a superfície.
Quanto mais intensamente o objeto pressionar Início do F
a superfície, maior será a força de atrito. movimento
Existem dois tipos de atrito:
Com o corpo ainda em repouso, o módulo
Atrito dinâmico da força aplicada vai aumentando e o
Ou atrito cinético, ocorre quando os corpos módulo da força de atrito também
estão em movimento um em relação ao outro. A
expressão matemática para o módulo da força
de atrito dinâmico é:

fatc = μc . N, em que:
AGORA VAI!
Ao empurrar um guarda-roupa, o mais difícil é vencer o atrito estático
 μc é o coeficiente de atrito cinético entre
o objeto e a superfície. Lembrando: esse
coeficiente é adimensional, ou seja, é um Enquanto o guarda-roupa
número puro, sem unidade; F
não estiver em movimento,
N a força de atrito estático
 N é a intensidade da força normal. sempre será igual à força
aplicada sobre o móvel.
Atrito estático P Ou seja, a força de atrito
Surge quando existe uma tendência de mo- estático é variável, vale
vimento, mas os corpos estão em repouso, um f o que tiver de valer para
em relação ao outro. Matematicamente, o valor resistir ao movimento.
máximo da força de atrito estático é dado por

fate = μe . N, em que:
 μe é o coeficiente de atrito estático entre Quando a força exercida
o objeto e a superfície. Esse valor é um sobre o guarda-roupa supera
F Movimento
número puro, sem unidade; o valor máximo da força
N
do atrito estático,
 N é a intensidade da força normal entre o o móvel começa a se mover.
objeto e sua superfície de apoio. A resistência ao movimento
P vem agora do atrito dinâmico,
O atrito estático é sempre maior que o cinético. que tem valor constante e
fc
Por isso, é mais difícil começar a mover um objeto ligeiramente menor que o
do que manter seu movimento (veja no alto). valor do atrito estático.

GE FÍSICA 2016 61
3 DINÂMICA AULA 2 • SEGUNDA LEI DE NEWTON

CORPO EM PLANO INCLINADO


É comum aparecerem nos exercícios de me-
cânica situações em que os corpos estão em
superfícies inclinadas: um bloco de massa m
apoiado sobre um plano inclinado formando um
ângulo θ com a horizontal (veja abaixo). Para
simplificar, desprezamos o atrito entre o bloco
e o plano inclinado. Com isso, consideramos
apenas duas forças atuando sobre o corpo: a
força peso e a força normal:

Para encontrar a força resultante que atua


sobre o corpo, devemos fazer a soma vetorial
dessas forças. Note que as forças P e N estão
em direções distintas. A solução é decompor
o vetor força peso em duas componentes orto-
gonais, uma delas na direção paralela à direção
do plano inclinado ( Px ) e outra componente
perpendicular ao plano inclinado ( Py ):

N
a

Px

Py
P Ĥ

A componente Py , perpendicular ao plano


inclinado, equilibra-se com a força normal ( N ).
É esse equilíbrio que mantém o bloco em contato
com a superfície. A componente Px , paralela à
direção do plano inclinado, é a própria força
resultante na direção do movimento. É essa
força resultante que causa a aceleração que faz
o bloco escorregar. Por trigonometria podemos
escrever as componentes da força peso como:

Px = P . senθ CÍRCULO VICIOSO


Um catavento, sob uma
Py = P . cosθ corrente de ar contínua,
mantém o módulo
Qualquer força de atrito entre o bloco e o plano da velocidade escalar
atuará sempre no sentido contrário ao sentido constante, num movimento
da tendência do movimento. circular uniforme

62 GE FÍSICA 2016 ISTOCK


Movimento ATENÇÃO!
circular No MCU, o módulo de

uniforme velocidade escalar do corpo v


é constante. Mas a direção
do vetor velocidade se altera
O movimento circular uniforme (MCU) é a cada instante, mantendo-
v
aquele em que o objeto se desloca numa trajetó- se sempre tangente à
ria circular em torno de um ponto central, com trajetória.
módulo de velocidade escalar constante. É o R v
movimento executado pelos ponteiros de um Módulo da
relógio, pelas rodas de um carro, por um carrossel velocidade
ou uma roda-gigante no parque de diversão. constante
A alteração na direção de v indica que o movi- v no MCU
mento, embora uniforme, está sujeito à ação de
uma aceleração. A aceleração que atua no MCU NA PRÁTICA
é chamada aceleração centrípeta e está sempre
voltada para o centro da trajetória, alterando a Um carro em velocidade v constante passa sobre uma lombada,
direção e o sentido do vetor velocidade. descrevendo um trecho circular de raio R. No ponto mais alto da
P1 v1 trajetória, as forças que atuam na direção do centro da trajetória
circular são as forças peso e normal. Veja:
acp
N
P2
acp
R v2
acp

P3 P
v3
O módulo da aceleração centrípeta é:
v2 R
acp = , em que:
R C
 v é o módulo da velocidade escalar do corpo;
 R é o raio da circunferência descrita pelo Para que o carro execute a trajetória circular, deve haver uma força
corpo. resultante apontando para o centro da circunferência. É a força
resultante centrípeta, a soma vetorial de P e N . Então, FCP = P – N
Se existe uma aceleração sobre o corpo
(a aceleração centrípeta), então existe uma força Sabemos que F = m . a.
resultante que atua sobre ele na mesma direção e 2
no mesmo sentido. Essa força, a força resultante E que, no MCU, a = v
R
centrípeta, que tem a mesma direção e o mesmo 2
sentido da aceleração, está voltada para o centro Então, P – N = m . v
R
da circunferência descrita pela trajetória.
O módulo da resultante centrípeta é dado pela Esta é a expressão que dá a força resultante centrípeta no movimento
mesma expressão da segunda lei de Newton: sobre a lombada.

FR = m . a Veja, também, que isolando


2
a força normal N de um lado da igualdade,
temos: N = P – m . v
v2 R
Como no MCU, a =
R
A massa do carro e a força P que atua sobre esse carro são constantes. Então,
v2
então, FCP = m . a intensidade da força normal, que mantém o carro sobre o solo, depende
R
do raio da lombada e da velocidade com que o carro passa por ela. Quanto
Um corpo em MCU pode estar sob a ação de maior é a velocidade, menor é a força normal e mais o carro se descola da
várias forças que atuam na direção radial. Combi- superfície. É o que dá aquela sensação de frio na barriga quando passamos
nadas, elas dão a força centrípeta resultante. muito rápido sobre uma lombada e descolamos um pouco do banco.

GE FÍSICA 2016 63
3 DINÂMICA AULA 3 • ENERGIA E TRABALHO

O trabalho
que uma
força realiza

E
m física, energia é a capacidade de uma
força de realizar trabalho. Sempre que
um corpo sai do repouso ou, já em movi-
mento, tem alterada a intensidade de sua
velocidade, a força resultante que atua sobre ele rea-
liza trabalho. E esse trabalho está relacionado com
as transformações de energia que podem ocorrer
com o corpo. Num automóvel, a energia liberada
pela queima do combustível se transforma em
energia mecânica, e o trabalho realizado pela força
do motor coloca o carro em movimento. Numa
hidrelétrica, a energia mecânica da queda-d’água
move uma turbina e se transforma em energia
elétrica num gerador (veja mais sobre transforma-
ção de energia na aula 4 deste capítulo). Podemos,
então, dizer que o trabalho de uma força está
relacionado com as transformações de energia
que podem ocorrer num corpo. O TRABALHO DO VENTO As turbinas eólicas utilizam a energia do movimento do ar para gerar eletricidade

64 GE FÍSICA 2016
TRABALHO DE UMA NA PRÁTICA
FORÇA CONSTANTE
Um corpo sai do repouso no ponto A e é des- Uma força F de 20 N é aplicada sobre um corpo,
locado para o ponto B por meio de uma força na horizontal, da esquerda para a direita. Sob
constante F, que atua paralelamente ao deslo- ação dessa força, o corpo se desloca 20 metros,
camento do corpo e no mesmo sentido. também na horizontal e da esquerda para a
direita. Qual o trabalho realizado pela força F?

F
A B |F| = 20 N
d A B
d = 20 m

O trabalho realizado por essa força F é dado x==F.d


pela expressão matemática: Então, x = 20 N . 20 m
x = 400 J
x = F . d , em que:
 x é o trabalho realizado, em joule (J).
1J=1N.1m
 F é o módulo da força aplicada sobre o corpo,
em newton (N);
A RIQUEZA EM ENERGIA
 d é o deslocamento sofrido pelo corpo, em Dispor de energia é fundamental para qualquer
metro (m) economia crescer. Indústrias, caminhões,
ônibus, hospitais, escolas, restaurantes e
TRABALHO DE UMA residências – nada funciona sem energia.
FORÇA EM ÂNGULO Quanto mais rico é um país em fontes de
Uma força constante F pode ser aplicada no energia, melhores são suas possibilidades de
sentido de deslocamento, mas fazer um ângulo crescimento econômico. A produção de energia
em relação à sua direção. Veja: de uma nação é retratada na matriz energética.
Veja abaixo a matriz energética brasileira:

OFERTA DE ENERGIA POR FONTE NO BRASIL (2010)


Outras*
4,0%
F F
Ĥ Ĥ Hidráulica
14,1% Petróleo e
derivados
37,7%
d

Neste caso, podemos decompor a força F


aplicada ao corpo em duas componentes:
Biomassa
ƀɟɟ/'ɟ*,&&ɟbɟ#,zq)ɟ)ɟ')0#'(.) 27,2%
Carvão mineral
(a componente horizontal Fx ); 5,2%
ƀɟɟ)/.,ɟ*,*(#/&,ɟɟ--ɟ#,zq)ɟƘy ). Nuclear Gás natural
1,4% 10,3%
*Inclui energias geotérmicas, solar, eólica e térmica
Fonte: Ministério de Minas e Energia
Fy F
Ĥ CAMPEÃO EM RENOVÁVEIS O Brasil obtém cerca de 45% de
A B
Fx d sua energia de fontes renováveis – principalmente da água dos
rios e da biomassa. Mas ainda dependemos muito das fontes
não renováveis – aquelas cuja recuperação depende de muito
Então, Fx = F . cosθ e Fy = F . senθ . tempo e, portanto, podem se esgotar. É o caso do petróleo e do
A única componente que realizará trabalho é gás natural. As fontes não renováveis representam quase 55%
AFP
a paralela ao movimento Fx. de toda a energia gerada no país.

GE FÍSICA 2016 65
3 DINÂMICA AULA 3 • ENERGIA E TRABALHO

Portanto, de modo geral, podemos descrever Força em ângulo 𝛉 = 0°


matematicamente o trabalho realizado pela força Quando o ângulo entre a força e o sentido do
constante ( F ) como: deslocamento do corpo é de 0o, a força está sendo
aplicada paralelamente ao deslocamento e no
= F . d . cosθ, em que:
x= mesmo sentido dele. Neste caso, a força contribui
diretamente para o deslocamento.
 F é o módulo da força aplicada sobre o corpo,
medida em newtons; F e d coincidem. Então, θ = 0°
F
 d é o deslocamento sofrido pelo corpo, A B
medido em metros; d
 θ é o ângulo entre o deslocamento do corpo
e a força F, medido em graus. Para θ = 0°, cos θ = 1. Então,

O trabalho de uma força é uma grandeza es- x = F . d . cosθ


calar. Então, quando várias forças atuam sobre
x = F . d . cos0º
determinado corpo, a soma algébrica dos tra-
balhos de cada uma delas é igual ao trabalho da x=F.d.1
força resultante. x=F.d

A DIFERENÇA QUE O ÂNGULO FAZ Força em ângulo 𝛉 = 90°


Se o ângulo entre a força aplicada e o sentido Forças que fazem um ângulo de 90o com o
do deslocamento estiver compreendido entre sentido do deslocamento do corpo (perpendi-
0º< θ < 90º, o cosseno será positivo. Isso significa culares ao deslocamento) não realizam trabalho
que o trabalho realizado pela força também será – ou seja, não contribuem nem atrapalham no
positivo. É o que chamamos de trabalho motor. deslocamento do corpo.

F F
F e d fazem ângulo θ = 90°
A B
d

Para θ = 90°, cos θ = 0. Então,


F
Ĥ v x = F . d . cosθ
x = F . d . cos90º
x=F.d.0
Se o cosseno de Ĥ > 0, o trabalho é positivo
x=0

Mas, se o ângulo estiver no intervalo 90º < θ < 180º, Força em ângulo 𝛉 = 180°
o cosseno do ângulo será negativo. O trabalho Uma força que atue no sentido exatamente
realizado pela força também será negativo. É o oposto ao deslocamento (num ângulo de 180o com
chamado trabalho resistente. o sentido do deslocamento) atrapalha o movimen-
to. Seu trabalho, então, é negativo, resistente.

F e d são paralelos, mas opostos.


F Então, θ = 180°
A B
d
Ĥ
F Para θ = 180°, cos θ = -1. Então,
v x = F . d . cosθ
x = F . d . cos180º
Se o cosseno de Ĥ < 0, o trabalho é negativo x = F . d (-1)
x = -F . d

66 GE FÍSICA 2016
NA PRÁTICA
TRABALHO DE UMA
FORÇA VARIÁVEL Um corpo sofre a ação de uma força de intensidade variável e se desloca
O cálculo de uma força variável pode ser apli- por 6 metros, como mostra o gráfico abaixo. Qual o trabalho realizado
cado, por exemplo, no caso em que aumentamos pela força nesse deslocamento?
gradativamente a intensidade da força aplicada
em determinado corpo. F (N)
Podemos calcular o trabalho realizado por
40
uma força que varia analisando um gráfico que
relaciona a força aplicada ao corpo e o seu deslo-
camento. O trabalho realizado pela força variável 20
tem valor igual ao da área compreendida entre a
curva e o eixo do deslocamento, desde um ponto
0 6,0 d (m)
inicial (d1 ) até um ponto final do movimento (d2 ).
O valor do trabalho equivale à área entre a curva e o eixo horizontal,
F no gráfico. Neste caso, vamos calcular a área deste trapézio:

F (N)

40 (B + b) . h
A= &
2
N 20 (40 + 20) . 6
A=x A=
2
&
A = 180
0 6,0 d (m)
d1 d2 d
O trabalho realizado pela força é então de 180 J. Como a força
ÁREA E TRABALHO A área cinzenta equivale ao trabalho realizado representada no gráfico apresenta sempre valores positivos (acima do
por uma força no deslocamento entre os pontos d1 e d2 eixo x), então essa força é aplicada na mesma direção do deslocamento
durante todo o percurso. Temos, portanto, um trabalho motor.
TRABALHO E POTÊNCIA
O trabalho realizado por uma força não de-
pende do tempo. A força usada para empurrar ATENÇÃO!
um guarda-roupa por 1 metro realiza o mesmo
trabalho quer a tarefa seja executada em dois Quando um corpo se desloca com velocidade constante,
minutos, quer exija uma hora de esforço. Para a potência associada ao trabalho da força que provoca o
considerar o tempo em que o trabalho é execu- movimento pode ser simplificada para:
tado, recorremos ao conceito de potência. P = F . v , em que
A potência associada ao trabalho de uma força tF é o módulo da força aplicada ao corpo;
é a taxa em que o trabalho é realizado. Quanto tv é a velocidade constante desenvolvida pelo corpo.
maior é a potência de um equipamento, mais
rápido ele realiza o trabalho. Um carro é mais
potente se seu motor gera uma força mecânica TUDO SE TRANSFORMA
que o faça atingir maior velocidade em menor
tempo. Uma lâmpada é mais potente porque, Nenhuma energia é criada, nenhuma é destruída. A quantidade de energia
num mesmo intervalo de tempo, converte mais existente no universo é constante. Mas toda energia se transforma de um
energia elétrica em luz. Matematicamente: tipo em outro. Veja abaixo alguns exemplos de transformações energéticas.
x
P = ∆t , em que: Para energia química Para energia mecânica Para energia elétrica

 P é a potência, em watt (W); De energia


Metabolismo humano Músculos Baterias e pilhas
 x é o trabalho, medido em joules (J); química
 Tt é o intervalo de tempo em que o trabalho De energia Vaporização para
é realizado, em segundos (s). Máquina a vapor Usina termelétrica
térmica fabricar leite em pó

A potência é o trabalho dividido pelo tempo. De energia


Fotossíntese Sensor fotoelétrico Painel solar
luminosa
Então, 1 W = 1 J/s.

GE FÍSICA 2016 67
3 DINÂMICA AULA 4 • ENERGIA MECÂNICA

Tudo o que
se move
tem energia

V
ocê viu na aula anterior: energia é a
capacidade de realizar trabalho. E
qualquer corpo em movimento pode
realizar trabalho. Então, todo corpo
que se move é dotado de energia. Os pedais de
uma bicicleta têm energia para realizar trabalho
ao girar as engrenagens, a corrente e as rodas.
O motor de um liquidificador tem energia para
realizar trabalho quando faz a lâmina rodopiar.
A forma de energia associada ao movimento dos
corpos é a energia cinética.
Todo corpo em movimento tem energia cinéti-
ca. O cálculo da energia cinética de um carro em
movimento ou de uma pedra arremessada leva
em consideração algumas grandezas físicas:
 a velocidade do corpo. Quanto mais veloz
um corpo estiver, maior será sua energia
cinética;
 a massa do corpo. Quanto mais massa um
corpo tiver, também maior será sua energia
cinética.

Matematicamente, a energia cinética de um


corpo é dada por:
2
EC = m . v , em que:
2
 m é a massa do corpo, medida em kg;
 v é a velocidade do corpo, medida em m/s;
 Ec é a energia cinética, medida em joule (J). ADRENALINA O carrinho transforma potencial gravitacional em energia cinética. Resultado: frio na barriga

68 GE FÍSICA 2016
FORÇA RESULTANTE ATENÇÃO!
E VARIAÇÃO DE ENERGIA
Raciocine passo a passo: Toda energia é medida
em joules no S.I., a mesma
ƀɟɟ/()ɟ/'ɟ),*)ɟ-ɟ-&)ɟ)'ɟ0&)#ɟ unidade de medida
constante (mantendo a intensidade da veloci- do trabalho. E, como o
dade, a direção e o sentido do movimento), a trabalho, a energia é uma
força resultante que atua sobre ele é nula. grandeza escalar (não
ƀɟɟ,ɟ/'ɟ ),zɟ,-/&.(.ɟ(/&Żɟ)ɟ.,&")ɟ vetorial). Outra medida de
realizado por ela também é nulo. energia muito usada é a
ƀɟɟ),†'Żɟ-ɟɟ#(.(-#ɟɟ0&)#ɟ)ɟ caloria (cal).
corpo for alterada, ele terá sofrido a ação de 1 cal ≈ 4,2 J
uma nova força, que realizou um trabalho. 1 kcal ≈ 4 200 J
ƀɟɟɟ/'ɟ.,&")ɟ )#ɟ,&#4)ɟ()ɟ),*)ɟ'ɟ
movimento, então sua energia cinética foi
alterada.
ƀɟɟ),.(.)Żɟo responsável pela variação da
energia cinética de um corpo é o trabalho
realizado pela força resultante que atua
sobre ele. Matematicamente:

x F = TE C , em que:
R

 x F = trabalho da força resultante;


R

 TE C = variação da energia cinética


SAI DE BAIXO
(energia final menos energia inicial). Toda energia guardada no alto se transforma
em energia de movimento durante a queda
ENERGIA POTENCIAL
A energia potencial é a energia guardada por Parada no alto do barranco, a pedra
um corpo que pode colocá-lo em movimento. tem uma energia potencial gravitacional
proporcional a sua massa e à altura h
Essa energia potencial depende, fundamental-
mente, da posição do corpo e da adoção de um
referencial. Na mecânica, estudamos dois tipos
de energia potencial: a energia potencial gravi-
tacional e a energia potencial elástica.
EP = mgh
Energia potencial gravitacional
É a energia de um corpo que se encontra a certa
altura em relação a determinado referencial.
Uma pedra de massa m nas mãos de um garoto a
uma altura h em relação ao solo tem certa energia
armazenada – a energia potencial gravitacional, h
que é capaz de colocá-la em movimento de queda
das mãos do garoto até o solo. Caso a pedra seja
solta e comece a se mover, sua energia potencial
gravitacional é paulatinamente convertida em
energia cinética, ao longo da queda.
A expressão matemática que fornece a energia
potencial gravitacional de um corpo é:

Epg = m . g . h , em que:
Empurrada, a pedra Quanto mais longa for a
 m é a massa do corpo, medida em kg; despencará em queda livre. queda, mais energia potencial
 g é a aceleração gravitacional do local em A energia potencial gravitacional será transformada
que o corpo se encontra, em m/s2; gravitacional será em cinética e maior será a
 h é a altura do corpo em relação ao referen- convertida aos poucos velocidade com que o inimigo
JAN WOITAS GERMANY OUT/AFP PHOTO
cial adotado, medida em metros. em energia cinética será atingido pela pedra

GE FÍSICA 2016 69
3 DINÂMICA AULA 4 • ENERGIA MECÂNICA

Note que a energia potencial gravitacional é


medida em relação a um referencial adota-
ESTICA, ENCOLHE
do. Isso significa que, se considerarmos como
referencial o solo, quanto mais alto estiver um 1. Em sua posição natural, a mola
objeto em relação ao solo, maior será seu poten- não apresenta deformação. x=0
cial gravitacional. Esse potencial gravitacional Então x = 0
é convertido em energia cinética pelo trabalho 2. Distendida, a mola se deforma
realizado pela força peso. em x metros. Essa deformação mola A
x é a diferença entre o
comprimento final e o x
Energia potencial elástica comprimento natural da mola
É a energia armazenada por um corpo compri-
mido ou esticado. Tem energia potencial elástica
uma mola comprimida. Ou uma corda elástica de
bungee jumping, que se estica, interrompendo a
queda do aventureiro que saltou do alto de uma mola A
ponte. Tanto para a mola quanto para o elástico,
vale uma regra: se depois de comprimido ou estica-
do o corpo for abandonado, sua energia potencial
3. Na posição distendida, a mola
guarda energia potencial elástica
elástica será transformada em energia cinética. proporcional ao quadrado
A medida da energia potencial elástica de uma de sua deformação x
mola depende de dois parâmetros: da maleabi-
lidade da mola e de quanto ela foi deformada. A
expressão matemática para a energia potencial
elástica é:

E pel = k . x 2
, em que:
2
 Epel é a energia potencial elástica, medida
em joules (J);
 k é a constante elástica da mola ou do elás-
tico, medida em N/m;
 x é a deformação sofrida pela mola ou pelo
elástico, em metros.

A constante elástica k define a maleabilidade


da mola e tem um valor específico para cada tipo de
material que pode compor a mola. Quanto maior
for a constante elástica de uma mola, maior a força
exigida e mais difícil será deformá-la. Uma mola
de constante elástica de 200 N/m precisa de uma
força de 200 N para apresentar a deformação de
1 metro. Outra mola cuja constante elástica seja de
10 N/m necessita de apenas 10 N para apresentar
uma deformação de 1 metro.
Repare que, pela equação, quanto maior for a
deformação imposta à mola, maior será a energia
potencial elástica armazenada.

ENERGIA MECÂNICA
Diversos fenômenos naturais e processos do dia
a dia envolvem transformações energéticas. Na
queda de um cometa ou asteróide, por exemplo,
toda energia potencial gravitacional se converte
em energia cinética (veja o infográfico na pág. 72).
No lançamento de um satélite ou telescópio espa- [1]

cial, a energia térmica da queima do combustível ZUMMM É a energia potencial elástica armazenada no arco que se converte em energia cinética e faz uma
dos foguetes é convertida em energia cinética. À flecha disparar no ar

70 GE FÍSICA 2016
medida que o satélite atinge a altitude adequada,
parte dessa energia cinética se transforma em
DE TIRAR O FÔLEGO
potencial gravitacional. E, ao ligar o interruptor O carrinho de montanha-russa desliza quase exclusivamente graças à
de uma lâmpada, convertemos energia elétrica força da gravidade
em energia luminosa e energia térmica.
Nos sistemas mecânicos, toda conversão
energética envolve energia cinética e energia
potencial (gravitacional ou elástica). A energia
mecânica de um corpo é a soma da energia
cinética e da energia potencial desse corpo.
1 O início do trajeto sempre tem uma forte subida,
seguida de uma descida, que dá o impulso inicial
para o carrinho percorrer o resto do caminho.
No alto da montanha-russa, o veículo acumula a
EM = ECinética + EPotencial chamada energia potencial (EP)

Energia
cinética Energia
potencial
Energia gravitacional
mecânica
+
Energia
potencial
Energia
potencial
elástica
2 Quando começa a despencar lá de cima, essa
energia potencial se transforma, durante a queda,
em energia cinética (EC) – ou energia de
movimento – pela ação da força gravitacional
SISTEMAS CONSERVATIVOS
E DISSIPATIVOS
Sistema conservativo é aquele no qual todo
tipo de força dissipativa, como o atrito ou a
resistência do ar, pode ser desprezada. Em um
sistema conservativo, a energia mecânica per-
manece inalterada em qualquer tipo de trans- 3 Parte da energia é perdida na forma de calor,
por causa do trabalho da força de atrito com o
formação. A energia mecânica inicial é igual à trilho e com o ar, o que reduz a velocidade e a
final. Matematicamente: altitude máxima do vagão. Enquanto está a todo
o vapor, a emoção fica mesmo por conta do
desenho do trajeto
EM(i) = EM( f )
No mundo real, sistemas conservativos são MUNDO ESTRANHO, 11/2008, adaptado.

raros. No geral, existe sempre alguma força


que dissipa parte da energia de um sistema,
realizando um trabalho que não é útil. É o caso
da força de resistência do ar atuando sobre um
automóvel, que dissipa parte de sua energia
mecânica e reduz a velocidade do veículo. Ou
da queda de um asteroide que mergulha na at-
mosfera terrestre (veja o infográfico na pág. 72).
Neste caso, parte da energia mecânica se perde
em calor, e o asteroide costuma se incendiar.
Num sistema dissipativo, a energia mecânica
final é menor do que a energia mecânica inicial: PIADA PRONTA
EM( f ) < EM(i)
Em qualquer sistema dissipativo, a diferença
entre a energia mecânica inicial e a energia me-
cânica final é igual ao trabalho realizado pelas
forças dissipativas, portanto:

EM(i) – EM( f ) = x F diss.


[2]

[1] PHIL WALTER/GETTY IMAGES [2] FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 71


3 DINÂMICA INFOGRÁFICO

Toda energia da colisão


Choques de grandes asteroides ou cometas com a Terra
são raros, mas possíveis. Entenda as transformações de
energia envolvidas numa dessas trombadas cósmicas

ENERGIA EM EXPLOSÃO
Um asteroide ou cometa que mergulhe em direção à Terra
tem dois tipos de energia, a potencial gravitacional e a
cinética. A soma delas é chamada energia mecânica

1 Perdido no espaço 2 Aproximação


A energia mecânica de um cometa que se A gravidade da Terra acelera o
aproxima da Terra é a soma de sua energia asteroide. Assim, quanto mais próximo
cinética (Ec), associada à sua velocidade, o cometa está do planeta, mais energia
e de sua energia potencial gravitacional potencial gravitacional se converte em
(Epg), associada à sua altitude em relação energia cinética. Mas a soma dos dois
à superfície da Terra. Desprezando-se o tipos de energia permanece constante
atrito com a atmosfera, a energia enquanto ele não sofre atrito com nada.
mecânica é sempre constante.
Epg ↓ e Ec ↑
Epg + Ec = constante

UM DIA, TUDO CAI


Satélites desativados e peças soltas de Desde o lançamento do satélite Um satélite mantém, por
foguetes permanecem em órbita da Terra soviético Sputnik, em 1957, mais inércia, a velocidade final de
devido a sua alta velocidade tangencial. de 38 mil objetos foram colocados seu lançamento – cerca de
em órbita da Terra. Desse total, 27 mil quilômetros por hora
algo em torno de 16 500 continuam objeto vt
lá, mas apenas mil deles ainda
estão em operação. O restante é ac
puro lixo. Somam-se a isso peças
soltas de foguetes. Existem A gravidade
centenas de milhares de pedaços de da Terra
metal com mais de 10 centímetros atrai o
circundando o planeta. Esse lixão objeto
espacial oferece risco aos satélites para baixo Terra
em funcionamento e, também,
à tripulação da Estação Espacial
Internacional (ISS). Enquanto a
velocidade tangencial de uma
peça não se reduzir, ela não cairá
Essa velocidade mantém a altitude do satélite.
(veja ao lado).
É como se ele estivesse sempre em queda, mas,
como também está avançando, jamais atingisse
INFOGRAFIA: MULTI/SP

o solo. Um dia, ele cairá, mas vai demorar muito.

72 GE FÍSICA 2016
A GRANDE DESCOBERTA DE KEPLER
O alemão Johannes Kepler (1571-1630) foi quem percebeu, no século XVII,
que os planetas seguem trajetórias na forma de elipse, com o Sol em um dos focos.
Ele percebeu também que a velocidade de um planeta varia conforme o ponto da
elipse em que ele se encontra. A chamada segunda lei de Kepler (ou lei das Áreas)
mostra a relação entre a velocidade e a localização do planeta em sua órbita

t1
Sol Quando está próximo do Sol, um
planeta na posição 1 atinge a posição
t2
2 num intervalo de tempo t2 – t1.

Quando está distante do Sol,


Sol o planeta viaja mais devagar.
No intervalo de tempo t4 – t3,
t4 igual ao intervalo t2 – t1,
o planeta percorre
t3 uma distância menor.

t1
3 Mergulho na atmosfera No entanto, as linhas
Mas o corpo errante sofre atrito. imaginárias entre o planeta
Ao entrar na atmosfera em alta Sol e o Sol definem, em intervalos
velocidade, o choque com as moléculas t2 t4 de tempo iguais, áreas iguais.
de ar o incendeia. Agora, a energia
mecânica começa a diminuir devido ao t3
trabalho realizado pela força de atrito.
Epg ↓ e Ec ↑

4 Explosão final
Ao se chocar com o solo, toda energia
potencial gravitacional se converteu
em energia cinética. Essa energia é
liberada de uma única vez, causando
uma grande explosão. Se somarmos a
energia cinética de cada um dos pedaços
arrancados do solo e do cometa
Epg = 0 destroçado, chegaremos ao mesmo valor
Ec é a máxima da energia mecânica total do bólido.

GE FÍSICA 2016 73
3 DINÂMICA AULA 5 • DINÂMICA IMPULSIVA

PAI, ME EMPURRA? O impulso dado num balanço nada mais é do que a aplicação de uma força por algum tempo. Resultado: o garoto ganha velocidade e altura

Vai um empurrãozinho aí?

T
odo mundo sabe, por intuição, o que As características do vetor impulso são:
é impulso: aquela força que se aplica ƀɟ'ç/&)żɟɟ ɟDŽɟźɟ D t ;
sobre um objeto, para aumentar sua ƀɟ#,zq)żɟɟ'-'ɟɟ ),zɟ*&#Ž
velocidade. Alguém que empurra um ƀɟ-(.#)żɟ)ɟ'-')ɟɟ ),zɟ*&#ź
guarda-roupa, para mudá-lo de lugar, dá um No S.I. (Sistema Internacional de Unidades),
impulso. Uma criança que empurra um colega o valor do impulso é expresso nas unidades
num carrinho de rolimã também está dando newton vezes segundo (N . s).
O impulso é uma grandeza um impulso. Pois impulso é uma grandeza Em gráfico, é assim que se representa o im-
vetorial – ou seja, aquela física associada à aplicação de uma força pulso de uma força constante:
que é definida por um sobre um corpo, em determinado intervalo
valor absoluto, mas de tempo. F
depende de uma direção e O impulso pode ser dado por uma força constan-
um sentido. O símbolo para te ou variável. E, dependendo de como essa força

a grandeza impulso é I. é aplicada, o impulso transmitido por ela pode
aumentar ou diminuir o módulo da velocidade. F


IMPULSO DE UMA I
FORÇA CONSTANTE
Uma força constante sempre imprime um im- t
pulso de mesmo valor, mesma direção e mesmo Dt
sentido dessa força. Matematicamente:
*,żɟ-ɟ ɟDŽɟźɟ D t, então o módulo do impulso
I = F $ Dt é igual à área do retângulo em destaque.

74 GE FÍSICA 2016
IMPULSO DE UMA FORÇA
NA PRÁTICA
DE INTENSIDADE VARIÁVEL
Um objeto com 300 gramas de massa é Imagine um cadeirante circulando por uma
lançado para o ar, obliquamente, como calçada. Naturalmente, o impulso que ele impri-
mostrado na figura abaixo. Com esse me a cada vez que aciona as rodas da cadeira não
impulso, o trecho de A a B foi percorrido se mantém constante. Além disso, ele é regular-
em 2 segundos. Quais as características do mente obrigado a reduzir essa força, freando as
impulso da força peso nesse intervalo de rodas para atravessar ruas ou evitar obstáculos.
tempo? (Adote g = 10 m/s2) Numa situação dessas, é fácil entender que a
intensidade do impulso varia ao longo do tempo.
B
A Num gráfico, o impulso de uma força variável é
→ assim representado:
P
F
Entre os pontos A e B, a força peso se
mantém constante tanto em seu módulo
(valor) quanto na direção (vertical) e no
sentido (para baixo). Assim, a intensidade A
do impulso comunicado por ela ao corpo é t
calculada por: t1 t2
I = F . ∆t , em que F = P (força peso) e Como no caso da força constante, seu valor
∆t = 2 segundos (de acordo com o (em módulo) é igual à área determinada pela
enunciado). curva no gráfico força por tempo.

Você sabe: F = m . a
No caso, a aceleração (a) é a gravitacional NA PRÁTICA
MARTA NARDINI/GETTY IMAGES (g). Temos então que P = m . g
Conhecemos, também do enunciado, a O gráfico a seguir dá a intensidade de uma força
massa do corpo (m = 0,3 kg) e o valor da que atua num corpo em função do tempo.
aceleração imprimida pela gravidade Qual o valor do impulso dessa força entre os
(g = 10 m/s2). instantes t = 2 s e t = 6 s?
Fazendo as substituições: O valor do impulso é dado pela área destacada
F = 0,3 . 10 → F = 3 N no gráfico (área sob a curva):
LEMBRE-SE Então o impulso é
F(N)
I = F . ∆t → I = 3 . 2 → I = 6 N.s
Módulo de uma Este é o módulo do impulso. Mas como
10
grandeza vetorial esta é um grandeza vetorial, para
é o valor numérico caracterizá-la completamente é preciso 8
dessa grandeza, JOEJDBSTVBEJSFÎÍPFTFVTFOUJEPoRVF
5
sempre com é sempre igual à direção e ao sentido 4
sinal positivo. da força em questão. A força peso atua A
São grandezas sempre na vertical e para baixo. Assim,
vetoriais força, o impulso sobre o objeto tem 6 N . s de t(s)
2 5 6 10
velocidade e intensidade e é aplicado na vertical e
aceleração, por para baixo. Então sabemos que I = área A
exemplo. O módulo Num gráfico, esse impulso seria assim A área, no caso, é a de um trapézio.
de uma força representado: Lembrando das aulas de matemática,
é representado você sabe que, num trapézio,
P
por |F|.
(base maior + base menor) $ altura
A=
6 2
Conhecemos vários desses valores:
I=6N.s tCBTFNFOPS
tCBTFNBJPS
tBMUVSBo
0 1 2 3 4 5 6 tempo
(8 + 4) $ 4
Dt Então, I = A = & I = 24 N $ s
2
GE FÍSICA 2016 75
3 DINÂMICA AULA 5 • DINÂMICA IMPULSIVA

CHOQUE AMORTECIDO
O choque contra o airbag
é parcialmente elástico: a
energia cinética do corpo
é dissipada pela almofada

[1]

ATENÇÃO! QUANTIDADE DE MOVIMENTO NA PRÁTICA


Também chamada momento linear de um
Repare: a unidade corpo, ou momentum, a quantidade de mo- Uma bola de tênis de massa m = 50 g é arremes-
de quantidade de vimento (símbolo: Q ) é uma grandeza vetorial sada contra uma parede vertical numa direção
movimento equivale à definida pelo produto da massa do corpo por horizontal com velocidade v1 = 40 m/s e retorna
unidade de impulso. sua velocidade vetorial: na mesma direção, mas em sentido contrário,
Veja: I = N . s = kg . m/s 2 . com velocidade v2 = 40 m/s. Considerando que
s = kg . m/s = N . s. Q = m $ v , em que a bola permaneceu em contato com a parede
EVSBOUF T EFUFSNJOFBJOUFOTJEBEFEBGPSÎB
ƀɟ'ɟ†ɟɟ'--ɟɟ v , a velocidade vetorial; aplicada pela parede na bola. Pergunta-se: qual
ƀɟ'ç/&)żɟɟDŽɟ'ɟźɟ0Ž a quantidade de movimento da bola depois do
ƀɟ#,zq)żɟɟ'-'ɟɟ0&)#ɟ0.),#&Ž choque com a parede?
ƀɟ-(.#)żɟ)ɟ'-')ɟ)ɟ')0#'(.)ź
No S.I., o valor da quantidade de movimento Na colisão da bola com a parede, o impulso
é expresso em kg . m/s resultante (Ires) é causado pela ação da força
aplicada pela parede na bola, durante o tempo
TEOREMA DO IMPULSO em que a bola permanece em contato com a
Um impulso altera a quantidade de movimento parede. Como a quantidade de movimento é
de um corpo. E um impulso pode ser dado pela igual ao impulso, temos que
combinação de um conjunto de forças diferentes. Ires = ∆Q → F . ∆t = Q2o21
Nesse caso, trabalhamos com a resultante das F . ∆t = m . v2oNW1
forças. Daí o teorema do impulso:
Conhecemos, pelo enunciado, alguns valores:
O impulso da resultante das forças que tNH LH
atuam sobre um corpo num dado intervalo tŅU T
de tempo é igual à variação da quantidade tW1NT
de movimento desse corpo nesse mesmo tW2 = 40 m/s.
intervalo de tempo. Preste atenção: em módulo, as velocidades v1 e
v2 são iguais. Mas velocidade é uma grandeza ve-
Traduzindo: a resultante das forças aplicadas torial e, portanto, é alterada pela direção e pelo
sobre um corpo durante um certo intervalo de sentido em que o corpo viaja. Quando a bola se
tempo modifica a velocidade desse corpo. E choca com a parede e retorna, a direção da velo-
sempre que se altera a velocidade vetorial de cidade se mantém (horizontal), mas a bola muda
um corpo (ou seja, sua intensidade, sua dire- seu sentido e se inverte. Se assumirmos uma tra-
ção e/ou seu sentido), dizemos que alteramos jetória orientada em que o sentido da esquerda
a quantidade de movimento. para a direita é positivo, o valor da velocidade no
Se o impulso altera a quantidade de movimen- sentido inverso será negativo. Veja:
to, encontramos uma nova relação para definir
impulso: a diferença de quantidade de movimen- Então v2 oNT
to em determinado intervalo de tempo: Agora, sim, podemos fazer as substituições:
'   o
o  
ş
I res = Q final - Q inicial & I res = D Q  'oş'o/

76 GE FÍSICA 2016 [1] TERRY/ISTOCK PHOTO


CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE
NA PRÁTICA
DE MOVIMENTO
Você se lembra: sistema isolado é aquele no qual Um bloco de massa mA = 200 g
a resultante das forças externas que atuam sobre os desloca-se num plano horizontal,
corpos é nula. São várias as situações que envolvem com velocidade vA = 20 cm/s, e colide
corpos considerados sistemas isolados. Num disparo inelasticamente com um segundo bloco
de arma de fogo, por exemplo, forças externas à do de massa mB = 300 g, que se movimenta
disparo – como a força peso da bala e a resistência do com velocidade vB = 10 cm/s, em sentido
ar – são desprezíveis. Podemos, então, tratar o sistema oposto ao do corpo A. Qual a velocidade
como isolado. O mesmo é válido para explosões e alguns do conjunto após a colisão?
tipos de colisão.
Em sistemas isolados, a quantidade de movimento Vamos passo a passo:
permanece constante. Este é o princípio da conserva- t4FPDIPRVFÏJOFMÈTUJDP FOUÍPPTEPJT
ção da quantidade de movimento. É claro que deveria blocos seguem juntos em movimento.
ser assim. Afinal, se a resultante das forças externas é Representamos a situação:
nula, não pode haver variação na quantidade de movi-
mento do sistema.
As colisões constituem eventos de especial interesse trajetória orientada
na física. E podem ser classificadas por diferentes cri-
térios. Quanto à direção: v
vA vB
A B A B

v1 v2 antes da colisão depois da colisão

antes da colisão depois da colisão t"RVBOUJEBEFEFNPWJNFOUPEFVN


trajetória orientada corpo é dada pela expressão Q = m . v
t"RVBOUJEBEFEFNPWJNFOUPEFVN
sistema é a soma da quantidade de
ƀɟɟColisões frontais (unidimensionais): aquelas nas movimento dos dois corpos:
quais não há mudança na direção do movimento. Qsistema = QA + QB = Q(A+B) →
Num jogo de bilhar uma bola bate em outra e retorna Qsistema = mA . vA + mB . vB
pelo mesmo trajeto; t$PNPBTWFMPDJEBEFT FNNØEVMP 
ƀɟɟColisões bidimensionais: aquelas em que há mu- têm a mesma intensidade (vA = bB),
dança na direção dos movimentos. A bola de bilhar podemos reescrever a expressão
bate meio de lado em outra e muda de direção. acima:
Qsistema = (mA + mB) . v
Outro critério que diferencia as colisões é a conser- t4FPTJTUFNBÏJTPMBEP B
vação da energia cinética do sistema: quantidade de movimento do
conjunto permanece constante.
ƀɟɟColisão elástica: a energia cinética do sistema se Então Qantes = Qdepois
conserva. Esta é uma situação hipotética, idealiza- t%FmOJNPTVNBPSJFOUBÎÍPQBSB
da. Por exemplo, uma bola que bate numa parede a trajetória (o que altera o sinal
volta com a mesma velocidade (em direção e valor); das velocidades). E fazemos as
ƀɟɟColisão parcialmente elástica: a energia cinética substituições:
do sistema se dissipa, em parte. As bolas se chocam   o
  
Wş
e parte da energia cinética se dispersa, na forma 100 = 500 . v → v = 0,2 cm/s
de som (energia sonora) e calor (energia térmica);
ƀɟɟColisão inelástica: a dissipação da energia cinética O sinal positivo da resposta indica que
é maior que nas colisões parcialmente elásticas. após a colisão os corpos seguem no
Neste caso, os corpos seguem juntos em movimento, mesmo sentido atribuído à orientação
após a colisão. da trajetória (positivo).

GE FÍSICA 2016 77
3 COMO CAI NA PROVA

1. (Enem 2011) Uma das modalidades presentes nas Olimpíadas é o salto com 3. (Vunesp 2014) Em um trecho retilíneo e horizontal de uma ferrovia, uma
vara. As etapas de um dos saltos de um atleta estão representadas na figura: composição constituída por uma locomotiva e 20 vagões idênticos partiu do
repouso e, em 2 minutos, atingiu a velocidade de 12 m/s. Ao longo de todo o
Etapa I Etapa II percurso, um dinamômetro ideal acoplado à locomotiva e ao primeiro vagão
indicou uma força de módulo constante e igual a 120 000 N. Considere que uma
força total de resistência ao movimento, horizontal e de intensidade média
correspondente a 3% do peso do conjunto formado pelos 20 vagões, atuou
sobre eles nesse trecho. Adotando g = 10 m/s2, calcule a distância percorrida
Atleta corre com a vara Atleta apoia a vara no chão
pela frente da locomotiva, desde o repouso até atingir a velocidade de 12 m/s,
e a massa de cada vagão da composição.
Etapa III Etapa IV

Atleta atinge certa altura Atleta cai em um colchão RESOLUÇÃO


A questão pede que você trabalhe com conceitos de duas áreas da mecânica:
dinâmica e cinemática.
Desprezando-se as forças dissipativas (resistência do ar e atrito), para que o Segundo o enunciado, ∆v = 12 m/s e ∆t = 2 minutos = 120 s.
salto atinja a maior altura possível, ou seja, o máximo de energia seja conser- Substituindo esses valores na expressão que fornece a aceleração, temos:
vada, é necessário que: Tv 12
a= & a = 120 & a = 0, 1 m/s 2
a) A energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em Tt
energia potencial elástica, representada na etapa IV.
b) A energia cinética, representada na etapa II, seja totalmente convertida em A distância percorrida no trecho vem da equação de Torricelli:
energia potencial gravitacional, representada na etapa IV. v 2 = v 02 + 2 . a . Ts
c) A energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em Sabemos, pelo enunciado, que v0 = 0
energia potencial gravitacional, representada na etapa III. Então, 144 = 2 . 0,1 . ∆s → ∆s = 720 m
d) A energia potencial gravitacional, representada na etapa II, seja totalmente
convertida em energia potencial elástica, representada na etapa IV. Pelo enunciado, os vinte vagões estão submetidos a uma força F de 120 000 N.
e) A energia potencial gravitacional, representada na etapa I, seja totalmente A intensidade da força resistente FRES que atua no conjunto tem valor igual a 3%
convertida em energia potencial elástica, representada na etapa III. do peso total dos 20 vagões. E peso, você sabe, é definido como P = m . g. Então:
FRES = 0,03 . P → FRES = 0,03 . 20 . m . g → FRES = 0,3 . 20 . m . 10 → FRES = 6 . m
RESOLUÇÃO: Atenção: na expressão acima m é a massa de um único vagão.
Em um salto de vara, o atleta transfere para a vara a energia cinética da cor- A Segunda Lei de Newton diz que a força resultante (Fr) que atua sobre um corpo
rida (etapa I). A vara devolve essa energia ao atleta, enquanto ele sobe, como é proporcional a sua massa e aceleração. No caso da questão, Fr = F – FRES. Então,
potencial gravitacional (etapa II). No alto (etapa III), toda energia se transforma F – FRES = mtotal . a → 120 000 – 6 . m = 20 . m . 0,1
em potencial gravitacional. Você tem de se lembrar que quanto maior a altura, 120 000 – 6 . m = 2 . m → 8 m = 120 000
maior o potencial gravitacional. Portanto, para atingir a máxima altura, o atleta m = 15 000 kg
deve adquirir a maior velocidade possível na corrida – ou seja, a máxima energia Resposta: O deslocamento foi de 720 m e a massa de cada vagão é de 15 000 kg
cinética na etapa I.
Resposta: c
4. (Famerp 2015, alterada) Uma esquiadora de massa 80 kg, incluindo todo
o equipamento, desce com velocidade constante por uma rampa plana e
2. (FMJ 2014) Um avião, de massa m, está decolando inclinado de um ângulo inclinada que forma com a horizontal um ângulo Ƨ, em um local em que a
α com a horizontal, com velocidade constante e aceleração da gravidade local aceleração da gravidade vale 10 m/s2. Considere que existe resistência do ar,
igual a g. Para continuar subindo nessas condições, a força resultante sobre o que o coeficiente de atrito dinâmico entre os esquis e a neve é igual a 0,10 e
avião deverá ter intensidade igual a: que sen Ƨ = 0,6 e cos Ƨ = 0,8.
a) zero b) m . g c) m . g . tg α d) m . g . sen α e) m . g . cos α. a) Represente as forças que atuam no conjunto esquiadora mais equipamento
na figura abaixo.
RESOLUÇÃO:
Como é cada vez mais comum nas provas de vestibular, esta é uma questão que
exige apenas que você domine conceitos. O movimento do avião descrito no
enunciado é retilíneo uniforme. Lembrando da primeira lei de Newton (um corpo
Ƨ
permanecerá em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se a resultante
das forças que atuam sobre ele for nula), concluímos que, para não alterar nem
a velocidade nem a direção de seu movimento, a resultante deve ser igual a zero. b) Calcule o valor da força de resistência do ar, em newtons, que age sobre o
Resposta: a conjunto durante o movimento.

78 GE FÍSICA 2016
RESUMO

RESOLUÇÃO
a) Você só tem de se lembrar da direção e do sentido de cada uma das forças que Dinâmica
atuam sobre a esquiadora.
LEIS DE NEWTON Primeira lei: se a força resultante sobre
um corpo é nula, o corpo tende a permanecer em repouso
N: força de reação normal, ou MRU. Segunda lei: a aceleração provocada por uma
Far N força resultante é proporcional à intensidade da força
P : peso do corpo e à massa do corpo: F r = m . a . Terceira lei: toda força
provoca uma reação. As forças de ação e reação nunca
fat Far : força de resistência do ar
atuam no mesmo corpo.
Ƨ fat : força de atrito
P PESO, NORMAL, TRAÇÃO E ATRITO Peso é a força de
atração que aponta para o centro da Terra: P = m . g. For-
ça normal é a exercida pela superfície na qual o objeto
b) A esquiadora desce o plano inclinado e em movimento retilíneo uniforme. Então, se apoia. Tração é a força que surge quando dois corpos
a resultante das forças que atuam sobre ela é nula. Temos, portanto interagem por meio de um fio ou uma corda. Atrito dinâ-
Px = fat + far , em que Px = P . seni e fat = n . N, sendo que N = P . cosi mico ocorre entre corpos em movimento: fat c = n c . N .
Px = P . seni & Px = m . g . seni & Px = 80 . 10 . 0, 6 & Px = 480 N Atrito estático ocorre quando os corpos estão em repouso
N = P . cosi & N = m . g cosi & 80 . 10 . 0, 8 & N = 640 N um em relação ao outro, mas há uma tendência de movi-
mento: fat e = n e . N
O valor da força de atrito é dado por fat = n . N " fat = 0, 10 . 640 " fat = 64 N
Substituindo os valores obtidos, MCU A aceleração centrípeta altera a direção do vetor
Px = fat + Far " 480 = 64 + Far " Far = 416 N velocidade e está sempre voltada para o centro da traje-
2
Resposta: A força de resistência do ar é de 416 N tória: a cp = VR . A força resultante centrípeta tem a mesma
direção e o mesmo sentido da aceleração centrípeta:
V2 .
5. (Enem 2014) Para entender os movimentos dos corpos, Galileu discutiu Fcp = m .R

o movimento de uma esfera de metal em dois planos inclinados sem atritos e ENERGIA E TRABALHO Energia é a capacidade de uma
com a possibilidade de se alterarem os ângulos de inclinação, conforme mostra força de realizar algum trabalho. O trabalho de uma for-
a figura. Na descrição do experimento, quando a esfera de metal é abandonada ça está relacionado
R com as transformações de energia:
para descer um plano inclinado de um determinado nível, ela sempre atinge, no x = F . d cosi
plano ascendente, no máximo, um nível igual àquele em que foi abandonada.
ENERGIA MECÂNICA Energia cinética é a energia as-
Ângulo de abandono sociada ao movimento. Quanto maior a velocidade ou
da esfera a massa de um corpo, maior sua energia cinética. O res-
ponsável pela variação da energia cinética de um corpo
Ângulo de plano Ângulo de plano é o trabalho realizado por uma força resultante: x = TE c .
de subida de descida Energia potencial gravitacional é a energia de um corpo
Galileu e o plano inclinado. Disponível em: www.fisica.ufpb.br. Acesso em 21 ago. 2012 (adaptado)
que se encontra a certa altura em relação a determinado
referencial: E pg = m . g . h . Energia potencial elástica é a
Se o ângulo de inclinação do plano de subida for reduzido a zero, a esfera energia armazenada
2
por um corpo comprimido ou esticado:
a) manterá sua velocidade constante, pois o impulso resultante sobre ela será nulo. E pel = k . x . Num sistema conservativo, a energia mecâ-
2
b) manterá sua velocidade constante, pois o impulso da descida continuará a nica é constante. Num sistema dissipativo, a diferença
empurrá-la. entre a energia mecânica inicial e a energia mecânica final
c) diminuirá gradativamente a sua velocidade, pois não haverá mais impulso é igual ao trabalho realizado pelas forças dissipativas:
para empurrá-la. EM (i) - EM (f) = x Fdiss .
d) diminuirá gradativamente a sua velocidade, pois o impulso resultante será
contrário ao seu movimento. IMPULSO E QUANTIDADE DE MOVIMENTO Impulso é
e) aumentará gradativamente a sua velocidade, pois não haverá nenhum impulso uma grandeza física associada à aplicação de uma força
contrário ao seu movimento. sobre um corpo, em determinado intervalo de tempo.
Quantidade de movimento é uma grandeza vetorial defi-
RESOLUÇÃO nida pelo produto da massa do corpo por sua velocidade
O enunciado afirma que não há atrito. Então, se o ângulo da rampa for reduzido vetorial: Q = m . v .
a zero, a resultante das forças que atuam sobre a esfera será nula. De acordo com Teorema do impulso:
a Primeira Lei de Newton, a bola correrá pela superfície horizontal em trajetória I res = Q final - Q inicial " I res = OQ
retilínea, com velocidade constante.
Resposta: a

GE FÍSICA 2016 79
4
ÓPTICA GEOMÉTRICA
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Infográfico ..........................................................................................................82
 aula 1 > Espelhos planos ................................................................................84
 aula 2 > Espelhos esféricos ...........................................................................88
 aula 3 > Refração ..............................................................................................93
 Questões e Resumo..........................................................................................96

Terras aos
montes por aí
Em seis anos de pesquisa descobrimos uma dúzia de
planetas com ambiente favorável à vida. E as pesquisas
indicam que existem bilhões deles na nossa galáxia

F
az tempo que o homem sonha, em ro- formar novas moléculas – dentre elas, aquelas
mances e filmes de ficção científica, em com carbono, da química orgânica. Outra con-
encontrar alienígenas. E a maior esperan- dição é que exista uma atmosfera que proteja
ça para o fim de nossa solidão cósmica vem de o planeta de parte da radiação solar nociva às
além das fronteiras de nosso Sistema Solar, dos células e que a pressão dessa atmosfera sobre
exoplanetas – planetas que giram em torno de a superfície não seja sufocante. Para que essas
estrelas distantes. A ciência já conhece mais de condições sejam cumpridas, o astro deve estar
1,2 mil sistemas planetários extrassolares, que a uma distância adequada de sua estrela, nem
abrigam 2 mil planetas. Desse total, conhecem- perto, nem longe demais. E deve, também, ter
-se pelo menos 12 com ambiente propício à vida. tamanho compatível com o da Terra – corpos
Parece pouco, mas as estatísticas estão a nosso grandes demais têm gravidade muito alta.
favor: uma a cada cinco estrelas semelhantes ao Uma das descobertas que mereceram grande
Sol deve ter pelo menos um planeta de dimen- destaque na imprensa por reunir todas essas
sões semelhantes às da Terra e com ambiente características favoráveis é o planetinha Kepler-
adequado para o surgimento da vida. Conside- 186f, identificado em 2014 em torno de uma
rando que a Via Láctea, onde se encontra nosso estrela a 500 anos-luz da Terra. Um ano-luz é a
Sistema Solar, reúna 200 bilhões de estrelas, distância percorrida pela luz em um ano, e equiva-
estima-se que existam pelo menos 11 bilhões de le a cerca de 9 trilhões de quilômetros. Descobrir
planetas irmãos da Terra, só na nossa galáxia. pontos que não emitem luz, a distâncias assim ini-
Quando falam em buscar vida fora da Terra, magináveis, é um grande feito da tecnologia, com
os astrônomos se referem à vida que conhece- instrumentos cada vez
mos – à biologia, que, da mais ínfima bactéria mais potentes e preci-
ao mais evoluído mamífero, se fundamenta na sos. Mas, por trás disso, UM EM MIL
matéria orgânica. A primeira condição para que existem conceitos bá- Em imagem artística, um
um planeta ofereça ambiente favorável à vida é sicos da óptica, como dos mais de mil sistemas
a existência de água no estado líquido. A água a propagação da luz. planetários em torno
é um solvente universal, capaz de dissolver É sobre isto que você de estrelas distantes já
um grande número de compostos e, com eles, lê neste capítulo. descobertos

80 GE FÍSICA 2016
NASA GE FÍSICA 2016 81
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA INFOGRÁFICO

A-rá! Os velhos truques da luz


Os telescópios identificam planetas em torno de estrelas distantes porque percebem a pequena
mancha negra atravessando diante do disco brilhante – do mesmo modo que se registra o trânsito de
Vênus. Quando passa entre a Terra e o Sol, Vênus aparece como um pontinho negro contra a face solar.
Usando essa manchinha, os astrônomos mediram a distância entre o Sol e a Terra, pela primeira vez, no
século XVII. A técnica que eles usaram, a chamada triangulação, dá certo porque a imagem vista por
um observador depende de sua posição em relação ao objeto observado.

Distância do Sol
150 milhões de quilômetros
O1

Terra

O2 Vênus

1 Na Terra 2 No Sol 3 Caminhos diversos 4 Ângulos diferentes


Os observadores Por causa dessa distância, Como a luz viaja em Comparando o percurso da
O1 e O2 estão bem cada observador vê Vênus linha reta, é possível silhueta de Vênus e a duração
distantes, em traçar um caminho um traçar uma reta entre do trânsito visto por O1 e O2,
diferentes hemisférios pouco diferente contra cada observador e o encontra-se uma diferença
do planeta. o disco solar. que ele vê. no ângulo de visão – a paralaxe.

PRISMA ATMOSFÉRICO
A camada de ar que envolve a
Terra é o que dá cores ao céu Sol ao meio–dia

Ao meio-dia Pôr do sol


Quando o Sol está alto no céu, Camada de ar Quando o Sol está
sua luz se propaga por cerca atravessada pelos raios baixo no horizonte,
de 100 quilômetros de a luz atravessa mais
atmosfera. As moléculas dos de 100 quilômetros de
gases e as partículas em 100 km atmosfera. Agora, as
suspensão dispersam mais moléculas de gases
a componente azul da e as partículas em
luz branca do que as mais de 100 km Sol ao suspensão dispersam
demais cores. O céu é azul. entardecer mais as componentes
da luz branca com
A luz branca do Sol é comprimento de onda
resultado da mais próximo do
combinação de sete vermelho. O céu
cores – aquelas que As sete cores da luz visível são transmitidas por fica alaranjado.
formam o arco-íris. ondas eletromagnéticas de diferentes comprimentos.

82 GE FÍSICA 2016
Órbita Órbita
da Terra de Vênus COINCIDÊNCIA RARA
Vênus só passa entre o Sol e a Terra quando as
órbitas dos dois planetas se alinham num mesmo
Terra plano. Como as órbitas são ligeiramente inclinadas
Sol uma em relação à outra, isso acontece raramente.
Os dois últimos trânsitos aconteceram em 2004 e
Vênus Vênus 2012; os próximos, só em 2117 e 2125.

Terra
Neste ponto, as Caminho da imagem de
órbitas estão no Vênus contra o Sol para O2
mesmo plano

Silhueta
de Vênus

Silhueta
de Vênus

5 Da paralaxe à medida final


Sol
A paralaxe é inversamente proporcional
à distância de um objeto. Assim, chegou-se a um
valor bem próximo ao da distância entre a Terra e
o Sol. Entenda o que é paralaxe
Caminho da imagem de
Vênus contra o Sol para O1

Estenda um dedo diante Agora repita a operação,


dos olhos e veja sua afastando o dedo. Note
posição contra um objeto que, quanto mais distante
ao fundo, ora com um olho, estiver o dedo, menor será
ora com outro. Repare que a diferença de posição
a posição do dedo muda. contra o objeto ao fundo.

Com o foguete perto


PARECE MAIOR A uma distância d, o tamanho α
DO QUE É do foguete ao fundo é
Coloque alguém no percebido segundo o d
primeiro plano e deixe ângulo de visão α.
o grande monumento
ao fundo. O ângulo de Com o foguete longe
visão se encarrega de Quanto maior é a distância
criar a ilusão. do objeto ao fundo, menor α
é o ângulo α e, portanto,
INFOGRAFIA: MULTI/SP

menor o objeto parece d


ao observador.

GE FÍSICA 2016 83
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 1 • ESPELHOS PLANOS

BELEZA IRRADIADA A cor acobreada do Sol ao entardecer é criada pela dispersão dos raios luminosos pela atmosfera

A geometria da luz

A
óptica é o ramo da física que estuda a luz
e os fenômenos luminosos. Na óptica
O VAIVÉM DOS RAIOS
geométrica, os físicos estudam o com- Um raio de luz viaja sempre em linha reta. Mas
Há muito tempo os portamento dos raios luminosos, sem se um feixe pode ter diferentes comportamentos
físicos discutem a preocupar com a natureza da luz. E a ferramenta
natureza da luz. z Hoje utilizada para analisar esse comportamento é a
sabemos que a luz tem geometria. Os raios são representados por linhas
um comportamento orientadas (setas), que indicam a direção e o
estranhíssimo: ora se sentido da propagação da luz.
propaga como onda,
ora como um pacote CONCEITOS BÁSICOS
de energia. A velocidade São corpos luminosos aqueles que produzem
da luz no vácuo, e emitem raios de luz, como o Sol, as estrelas e
de 300 000 km/s, as lâmpadas. Esses corpos são fontes primárias
é a máxima possível de luz. Já os corpos que apenas reenviam a luz
no universo. recebida de outras fontes são chamados corpos Feixe divergente Feixe convergente
iluminados. É o caso dos planetas, da Lua ou de Os raios se espalham Todos os raios de luz
uma folha de papel. Os corpos iluminados são em diversas direções se dirigem para
a partir de um um mesmo ponto
fontes secundárias de luz. ponto em comum
Tanto corpos luminosos como corpos ilumi-
nados emitem e reemitem a luz por um conjunto
Feixe paralelo
de raios chamado feixe luminoso. Podemos Os raios não se
classificar os feixes luminosos em convergentes, cruzam em
divergentes e paralelos (veja ao lado). momento algum

84 GE FÍSICA 2016
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Toda a óptica geométrica se baseia em três
princípios fundamentais: o princípio da propa-
gação retilínea, o da reversibilidade dos raios e
o da independência dos raios.

ƀɟɟPropagação retilínea: Em um meio ho-


mogêneo e transparente, a luz se propaga
em linha reta.

ƀɟɟPrincípio da reversibilidade dos raios:


A trajetória descrita por um raio de luz in-
depende do sentido do percurso. Quando o
sentido de propagação de um raio é invertido,
a trajetória descrita por ele não se altera.

ƀɟɟPrincípio da independência dos raios:


Quando dois raios de luz se cruzam, cada
um mantém sua trajetória original, como se o
outro não existisse. Os raios luminosos se pro-
pagam independentemente uns dos outros.

REFLEXÃO DA LUZ
É o fenômeno que ocorre quando um raio de [2]
[1]
luz incide sobre uma superfície que separa dois
meios diferentes e retorna para o meio em que CLARO E ESCURO As sombras se criam porque a luz viaja em linha reta
[1] SAVA ALEXANDRU/ISTOCK [2] SIMON PODGORSEK/ISTOCK

se encontrava inicialmente. Dependendo do tipo


de superfície atingida pelos raios de luz, pode
ocorrer a reflexão difusa ou a reflexão regular
(ou especular).

ALBERT EINSTEIN
(1879-1955)
O grande físico
alemão comprovou
que a luz é
constituída de
pequenos pacotes de
REFLEXÃO DIFUSA Ocorre quando um feixe paralelo de luz atinge energia, os fótons.
uma superfície que espalha os raios em várias direções. Os raios do Quando um fóton
feixe refletido não são mais paralelos. bate numa superfície
metálica, sua energia
é absorvida por um
elétron do metal,
que escapa da
superfície. Vários
elétrons escapando
criam uma corrente
elétrica. É o efeito
fotoelétrico, que
transforma a luz
REFLEXÃO REGULAR Acontece quando um feixe paralelo de luz do Sol em
atinge uma superfície plana e polida, que reenvia os raios mantendo eletricidade, nos
o paralelismo. É a reflexão dos espelhos. painéis solares.

GE FÍSICA 2016 85
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 1 • ESPELHOS PLANOS

A reta normall é uma reta A reflexão regular é regida por duas leis: Se traçarmos o prolongamento dos raios re-
imaginária perpendicular ƀɟɟ,#)ɟ#(#(.Żɟ reta normal (N) à su- fletidos, veremos que eles se encontram em um
à superfície refletora. Essa perfície refletora e o raio refletido estão num ponto P’ , localizado “atrás” do espelho.
reta faz ângulos de mesma mesmo plano (são coplanares);
medida com o feixe de luz ƀɟɟV(!/&)ɟɟ#(#(#ɟƘi) é igual ao ângulo 1. Para o observador,
Observador
emitido e o refletido. de reflexão (r). Note que o ângulo de incidência todos os raios
(i) e o ângulo de reflexão (r) são medidos sempre refletidos parecem
em relação à reta normal N. ser provenientes
do ponto P’
Objeto P
A reta normal é perpendicular
à superfície refletora

Raio incidente i N Raio refletido r

2. O ponto P’
(imagem virtual)
N fica na intersecção
do prolongamento
Raio incidente e dos raios refletidos
î r̂
raio refletido
estão no
Superfície refletora mesmo plano
Espelho plano

O ângulo de incidência î é
igual ao ângulo de reflexão r̂ 3. A distância entre a imagem virtual
P’ e o espelho é igual à distância
entre o objeto P e o espelho

ESPELHO PLANO
Um espelho plano é uma superfície polida e Veja como a distância entre o objeto real P e
plana que produz reflexão regular. o espelho é sempre igual à distância entre P’ e
o espelho:

1. O objeto emite luz 1. Os raios que partem do objeto O (0s segmentos


em todas as direções
Observador 2. Cada raio de orientados OA e OB) sofrem reflexão no espelho e
geram os raios refletidos AO e BC
luz que parte do
objeto atinge a
superfície do O C
espelho num
ângulo de
incidência î...
d0
3. ...e se reflete A
num ângulo de
B Espelho plano
reflexão (rˆ)
N î

4. Para cada raio, dV 2. Os prolongamentos


dos dois raios
os ângulos de refletidos (AO e BC)
incidência (î) e V se encontram no ponto
de reflexão (rˆ) V, a imagem virtual
são iguais e
estão no
mesmo plano 3. Os triângulos (AOB e ABV) são iguais.
da reta normal Então, as distâncias dO e dV , que constituem
um de seus lados, também são iguais
Espelho plano

86 GE FÍSICA 2016
Quando o objeto refletido é extenso, formado NA PRÁTICA
por um conjunto de pontos, determinamos sua
imagem pela localização da imagem de cada um Um observador está próximo a um espelho plano e a três objetos
dos pontos. Veja: posicionados nos pontos P1 , P2 e P3, conforme o esquema abaixo.
Nessa posição o observador consegue ver a imagem dos três
1. Primeiro, determinamos a imagem dos pontos objetos no espelho?
extremos do objeto (os pontos A’, correspondente
a A, e B’, correspondente a B) P₂

B P₃
O
P₁
A
p
p Espelho plano

Espelho
p’ plano Para que o observador possa ver a imagem de
um objeto, os raios de luz que partem desse
A’ p’ objeto devem atingir os olhos dele. Para saber
se um objeto é visível, traçamos o percurso dos
dois raios de luz extremos que podem bater no
B’ espelho e se refletir para o observador:

2. Depois, ligamos A’ e B’. 3. Um ponto qualquer do Os dois raios extremos que batem no espelho Qualquer objeto que esteja
Pronto, aí está a objeto e sua imagem
e se refletem para o observador definem a dentro do campo visual é
imagem do objeto pertencem a uma mesma
área correspondente ao campo visual visto pelo observador
conjugada pelo espelho reta normal e estão à mesma
distância. Por isso, a imagem
de qualquer objeto num
espelho plano é simétrica
em relação ao espelho P₂

Num espelho plano, a imagem tem o mesmo O P₃


tamanho e é simétrica em relação ao espelho. P₁
Mas não se pode dizer que a imagem seja inver- Os objetos fora do
tida. O termo correto para a alteração registrada campo visual
(P1 e P3) não são
na imagem, num espelho plano (em que o lado visíveis pelo espelho
Espelho plano
direito parece o esquerdo e as letras aparecem
revertidas) é enantiomorfia. O termo, que é
grego, significa “forma contrária”.

PIADA PRONTA

FERNANDO GONSALES

GE FÍSICA 2016 87
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 2 • ESPELHOS ESFÉRICOS

PARA VER LONGE Espelhos convexos, como os usados em garagens, distorcem mas ampliam muito o campo de visão

Reflexo que deforma

P
ara funcionar como espelho, uma su- ESPELHOS ESFÉRICOS
perfície deve ser lisa e polida. Mas não Um espelho esférico é uma calota formada por
precisa ser, obrigatoriamente, plana. um plano que corta uma superfície esférica.
Existem espelhos de diversos formatos:
em forma de elipse, de parábola ou de esfera.
São espelhos curvos, muito utilizados no dia a
dia. Estão em estojos de maquiagem, nos refle-
tores atrás das lâmpadas de lanternas e faróis
de automóvel e nos retrovisores externos dos
veículos. A imagem conjugada por um espelho
curvo depende do tipo de curva e do grau de
curvatura que ele tem.

88 GE FÍSICA 2016
Os espelhos esféricos podem ser côncavos Num espelho côncavo, todos os raios refletidos
ou convexos. de um feixe luminoso que incide paralelamente
ao eixo principal convergem para um mesmo
Nos espelhos esféricos côncavos, ponto – o chamado foco do espelho côncavo.
a superfície refletora é a face
interna da calota
Espelho côncavo

Nos espelhos esféricos convexos,


a superfície refletora é a face F
externa da calota V

Todos os espelhos esféricos, sejam eles côn-


cavos, sejam eles convexos, têm as mesmas ca-
racterísticas. Observe na figura:
O foco F de um espelho côncavo chama-se foco real, porque todos os
A raios de luz realmente se encontram ali

Já num espelho esférico convexo, todos os


Eixo principal
Ĥ raios refletidos de um feixe luminoso que incide
V C paralelamente ao eixo principal divergem de
R
um mesmo ponto, agora chamado de foco do
espelho convexo:
B

 C é o centro de curvatura do espelho: o Espelho convexo


ponto central da superfície esférica que
constitui o espelho; V
F
 R é o raio de curvatura do espelho: o raio
da superfície esférica;
 V é o vértice do espelho: ponto mais externo
da calota esférica;
 O eixo principal do espelho é a reta que une
o centro de curvatura C ao vértice V; O foco F de um espelho convexo é chamado foco virtual, porque
 O ângulo θ é o maior ângulo de abertura esse ponto só é definido pelo prolongamento dos raios refletidos
da calota, medido entre as extremidades a
partir do ponto C. Em qualquer espelho esférico gaussiano, o
foco está localizado no ponto médio do segmento
JIM WATSON/AFP

REFLEXÃO EM que une o vértice e o centro de curvatura do


ESPELHO ESFÉRICO espelho. Veja:
Os espelhos esféricos obedecem às mesmas
leis de reflexão da luz dos espelhos planos, mas CF = FV. Essa distância é chamada distância focal (f)
a imagem que eles fornecem tem algumas par-
ticularidades. Uma delas é a questão da nitidez:
para que as imagens conjugadas por um espelho
esférico sejam nítidas, devem ser seguidas as
condições de nitidez de Gauss. V F C
A primeira dessas condições diz que os raios
luminosos que incidem sobre o espelho devem f
estar próximos ao eixo principal e pouco in-
clinados em relação a ele. A segunda condição
estabelece que o ângulo de abertura (θ) deve ser
menor que 10°. Por simplicidade, vamos consi-
A distância focal (f) mede metade do
derar apenas espelhos esféricos que respeitam
raio da curvatura do espelho, ou seja: f = R
essas condições de Gauss. É o que se chama 2
espelho esférico gaussiano.

GE FÍSICA 2016 89
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 2 • ESPELHOS ESFÉRICOS

CONSTRUÇÃO GEOMÉTRICA DE IMAGENS


A imagem de um ponto qualquer conjugada por um espelho esférico gaussiano é determinada pela
intersecção dos raios refletidos ou do prolongamento desses raios. Neste quadro analisamos o
comportamento dos raios refletidos, que têm um caminho bem determinado, os chamados raios
notáveis. Esses raios passam por pontos bem definidos e se refletem de um modo particular

1. Todo raio de luz que passa pelo centro 2. Todo raio de luz que incide no vértice
de curvatura C do espelho se reflete de um espelho esférico é refletido
sobre si mesmo. simetricamente ao eixo principal.

Espelho côncavo Espelho côncavo

V C F i V
C F r
eixo principal

i=r

Espelho convexo Espelho convexo

V F C V F C
i
r eixo principal

i=r

Quando um raio incidente vai em direção a C, o trajeto Para um raio que incide em V, o raio de reflexão r é igual ao
do raio refletido percorre o mesmo trajeto de volta ângulo de incidência i em relação ao eixo principal

3. Todo raio incidente paralelo ao eixo 4. Todo raio incidente que passa pelo
principal é refletido numa direção que foco do espelho esférico é refletido
passa pelo foco do espelho esférico. paralelamente ao eixo principal.

Espelho côncavo Espelho côncavo

C F V C F V
eixo principal foco real eixo principal foco real

Espelho convexo Espelho convexo

V F C V F C
foco virtual eixo principal foco virtual eixo principal

Qualquer raio incidente paralelo ao eixo principal Qualquer raio que siga na direção do foco do espelho será
terá seu reflexo na direção do foco do espelho refletido em paralelo ao eixo principal

90 GE FÍSICA 2016
NA PRÁTICA CLASSIFICAÇÃO DAS IMAGENS
As imagens conjugadas por um espelho esféri-
Que imagem temos de uma vela que está co podem ser classificadas quanto a sua natureza,
diante de um espelho côncavo na posição orientação e tamanho.
mostrada na figura abaixo? Quanto à natureza, a imagem pode ser:
ƀɟɟimagem real, aquela formada pelo encontro
real dos raios refletidos;
ƀɟɟimagem virtual, aquela gerada pelo encontro
do prolongamento dos raios refletidos;
C F V ƀɟɟimagem imprópria, quando os raios refletidos
não se cruzam (não há imagem).
Quanto à orientação, uma imagem pode ser
classificada em:
ƀɟdireita, quando apresenta a mesma orien-
tação que o objeto;
Podemos determinar as imagens conjugadas ƀɟinvertida, quando tem orientação oposta
por um espelho esférico utilizando três dos à do objeto.
quatro raios notáveis. Por fim, quanto ao tamanho, em comparação
ao objeto real, a imagem pode ser:
1. O raio que sai da chama e segue em paralelo ao ƀɟampliada, quando é maior que o objeto;
eixo principal se reflete passando pelo foco F. ƀɟreduzida, quando é menor que o objeto;
ƀɟɟmesmo tamanho que o objeto.

Um espelho côncavo pode gerar qualquer


tipo de imagem. E as características da imagem
dependem da posição do objeto em relação ao
C V
espelho. Veja os dois exemplos abaixo:
F Se uma vela for colocada entre o foco e o centro
de curvatura de um espelho côncavo, sua imagem
será real, invertida e ampliada:

2. Escolhemos agora o raio que parte da chama


e passa pelo vértice do espelho. Sabemos que
raios que incidem no vértice são refletidos C V
simetricamente ao eix0, ou seja, com o mesmo
ângulo de incidência (r = i). F
i
O ponto em que os dois raios refletidos acima
se encontram define a imagem da chama.

3. Falta achar a imagem da base da vela.


Sabemos que a imagem de qualquer objeto Mas, se o objeto estiver entre o foco e o vértice
situado sobre o eixo principal também se do espelho, a imagem conjugada será virtual,
encontra nesse eixo. Então, a base da direita e ampliada:
vela está no eixo principal.

i
C V
C
i F
F V

GE FÍSICA 2016 91
4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 2 • ESPELHOS ESFÉRICOS

Já um espelho esférico convexo sempre formará NA PRÁTICA


imagens virtuais (os raios incidentes não se encon-
tram efetivamente), direitas e reduzidas. Veja: A UTILIDADE DO ESPELHO CONVEXO
Os espelhos retrovisores de alguns veículos
trazem o alerta ao motorista: “Cuidado.
O objeto refletido está mais próximo do que
parece”. É que esses espelhos são convexos e,
por isso, criam uma imagem menor do objeto
i real. Essa deformação da realidade dá aos
V F C espelhos convexos grande vantagem sobre
espelhos planos: ao diminuir o tamanho da
imagem, o espelho convexo amplia o campo
visual. Assim, o motorista consegue observar o
que ocorre num raio maior ao seu redor.
Num espelho esférico, toda imagem real é in-
vertida, e toda imagem invertida é real. Em um
esférico, também, toda imagem virtual é direita, LEMBRE-SE
e toda imagem direita é virtual.
MÓDULO DE UM NÚMERO
EQUAÇÃO DE GAUSS O módulo de um número, indicado por x ,
Estabelece a relação entre a distância focal (f) e é o valor absoluto desse número – ou seja,
as distâncias entre o vértice do espelho e o objeto é o próprio número, sempre positivo:
(p) e entre o vértice e a imagem formada (p’):
–2 = 2
1= 1+ 1, –1 = 1
f p p' 8 8
49 = 49
com f, p e p’ medidos em metro, no SI.
0 =0
Ao trabalharmos com a equação de Gauss,
adotamos alguns sinais fixos para f, p e p’: O módulo é um instrumento muito utilizado
ƀɟɟ/'ɟ-*&")ɟí(0)Żɟf > 0. E, sempre que na física. Por exemplo, para calcular a distância
f > 0, o espelho é côncavo; entre dois pontos de uma rodovia: o ponto
ƀɟɟ/'ɟ-*&")ɟ)(02)ɟf < 0. E, sempre que A, que se encontra no km 432, e o ponto B,
f < 0, o espelho é convexo; no quilômetro 31. Nesse caso, não importa o
ƀɟɟ/'ɟ#'!'ɟ,&Żɟp’ > 0. E, sempre que sentido em que viajamos, se de A para B ou de B
p’ > 0, a imagem é real; para A, a distância é a mesma. Então a medida é
ƀɟɟ/'ɟ#'!'ɟ0#,./&Żɟp’ < 0. E, sempre que dada pelo módulo de um número. Veja:
p’ < 0, a imagem é virtual. A –- B = 432 –- 31 = 401 = 401
B –- A = 31 –- 432 = –- 401 = 401
AUMENTO DE UMA IMAGEM
O aumento linear transversal (A) de uma ima- Algumas propriedades dos módulos de
gem é um número puro (sem unidade de medida), números reais:
obtido da razão entre o tamanho do objeto (o) e o
x = –- x = x
tamanho da imagem no espelho (i):
x . y = x.y
p'
A= i =- x 2 = –- x 2 = x 2
o p
x2 = x
Conhecer o aumento linear rende informações
importantes sobre a imagem:
ƀɟɟA > 0, a imagem é direita; ATENÇÃO!
ƀɟɟA < 0, a imagem é invertida;
ƀɟɟɟ)ɟ'ç/&)ɟɟA é maior que 1 ( A > 1), Apenas imagens reais
a imagem é ampliada; podem ser projetadas
ƀɟɟɟ)ɟ'ç/&)ɟɟA é menor que 1 ( A < 1), num anteparo ou
a imagem é reduzida; numa tela.
ƀɟɟɟ )ɟ 'ç/&)ɟ ɟ A é igual a 1 ( A = 1),
a imagem e o objeto têm o mesmo tamanho.

92 GE FÍSICA 2016
ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 3 • REFRAÇÃO 4

Quando a
luz se desvia

S
e um feixe de luz se propaga pelo ar e
incide sobre a superfície de um lago,
parte dos raios sofre reflexão e volta
para o ar – é o que cria aquela luz for-
te, reflexo que ofusca. No entanto, outra parte
dos raios atravessa a superfície e continua se
propagando, agora pela água. A porção do feixe
que mudou de meio de propagação – do ar para
a água, neste caso – sofreu o fenômeno óptico
chamado refração.
A refração ocorre sempre que a luz muda
seu meio de propagação – do ar para um bloco
de vidro, por exemplo. Essa mudança de meio
provoca uma alteração na velocidade da luz. E,
se o raio incidir obliquamente na superfície que
separa os dois meios (a superfície do lago ou a
face do bloco de vidro), provocará também um
desvio na direção de propagação no raio refra-
tado. Veja abaixo:

Feixe Refração: parte


refletido do feixe de luz se
Feixe reflete no vidro e
incidente outra parte se
propaga nele,
desviando-se da
Ar direção original
Vidro

Feixe
refratado

Graficamente, a situação acima pode ser assim


representada:

Normal

Raio incidente

Ar S
Água

Raio refratado

ESPELHO-D’ÁGUA A água é mais refringente do que o ar. Assim, quando a luz é refletida pelo fundo claro do Um raio que incide obliquamente sobre a
oceano, volta num ângulo acima do ângulo limite e cria a reflexão total: a superfície se transforma em espelho superfície é refratado numa direção diferente

PETER SCOONES/SCIENCE PHOTO LIBRARY GE FÍSICA 2016 93


4 ÓPTICA GEOMÉTRICA AULA 3 • REFRAÇÃO

Ocorre refração também com o raio de luz Veja o índice de refração de alguns materiais
que incide perpendicularmente à superfície que na tabela abaixo:
separa os dois meios. Mas, neste caso, quando
o raio incide na mesma direção da reta normal, Material Índice de refração (n)
apenas a velocidade de propagação é alterada.
O raio refratado não sofre desvio nenhum em Ar 1,00
relação ao incidente. Veja: Água 1,33
Vidro para lentes 1,50
Raio incidente Um raio que incide
Glicerina 1,90
perpendicularmente
Ar S à superfície altera Diamante 2,42
sua velocidade de
Água
propagação, mas
Raio refratado não muda de direção
LEIS DA REFRAÇÃO
É o fenômeno de refração que faz com que A refração é regida por duas leis.
um lápis mergulhado num copo de água pareça ƀɟɟprimeira lei da refração diz que o raio
quebrado. A explicação é: o que se vê abaixo da incidente (i), o raio refratado (r) e a reta normal
linha da água não é o lápis propriamente dito, (N) à superfície de separação entre dois meios são
mas uma imagem virtual dele, criada pelo pro- coplanares, ou seja, pertencem ao mesmo plano.
longamento dos raios luminosos refratados. ƀɟɟsegunda lei trabalha com ângulos. Afir-
É o desvio da luz causado pela refração, tam- ma que a razão entre os senos dos ângulos de
bém, que faz com que uma lâmina de vidro polida incidência (î ) e de refração (rt ) depende ape-
e lapidada no formato adequado se transforme nas da razão entre os índices de refração dos
numa lente de aumento. materiais. Veja:

ÍNDICE DE REFRAÇÃO Normal


Índice de refração ou refringência (n) de O raio de
Raio incidente incidência î é o
um material é o número que estabelece a re- ângulo formado
lação entre a velocidade de propagação da luz entre o raio
daquele material e a velocidade de propagação î incidente e a
da luz no vácuo. Material 1
reta normal
Em outras palavras, esse índice mede a faci-
Material 2
lidade que um raio de luz tem de se propagar
num material. Matematicamente:

n = vc , em que: O ângulo de refração r̂
também é medido
 n é o índice de refração do material; em relação à reta
Raio refratado
normal
 c é a velocidade da luz no vácuo (3 . 108 m/s);
 v é a velocidade da luz no meio constituído
do material em questão. Durante muito tempo, os estudiosos tentaram
descobrir alguma relação entre os ângulos de
Repare na equação acima e observe: incidência e refração. Até que, no século XVII,
ɟƀɟɟ)ɟ°(#ɟɟ, ,zq)ɟn é adimensional – um o matemático holandês Willebrord Snell matou
número puro, sem unidade de medida, que a charada. Ele encontrou a relação matemática
indica uma simples proporção; entre os senos desses ângulos e os índices de
ƀɟɟ+/(.)ɟ'#),ɟ ),ɟ)ɟ°(#ɟɟ, ,zq)ɟɟ/'ɟ refração dos materiais envolvidos na refração:
material, menor será a velocidade de propa-
gação da luz dentro daquele material. n1 . sen î = n2 . sen r^ , em que

Na física, considera-se a velocidade de propa-  n1 é o índice de refração do material 1;


gação da luz no ar igual à velocidade de propa-  n2 é o índice de refração do material 2.
gação da luz no vácuo, e, portanto, o índice de
refração do ar é n = 1. (Apesar disso, esse índice Pela lei de Snell-Descartes, sempre que um
pode se alterar, por causa de vários fatores, como raio de luz sofre refração, passando de um meio
variação de temperatura.) menos refringente para um meio mais refrin-

94 GE FÍSICA 2016
gente, o raio refratado se aproxima da normal REFLEXÃO TOTAL
– ou seja, o ângulo de refração é menor do que Quando um raio luminoso se propaga de um
o ângulo de incidência. Veja: meio mais refringente para um menos refrin-
gente e incide sobre a superfície de separação
de dois meios num ângulo maior que o ângu-
î
lo limite L, acontece a reflexão total da luz.
Se n2 > n1, então î > r̂ O raio não consegue escapar do meio mais re-
Material 1
fringente, e a superfície de separação entre os
Material 2 dois meios funciona como um espelho, refletindo
totalmente a luz.
r̂ Fixe bem: a reflexão total da luz só ocorre
quando o raio luminoso está se propagando em
Por outro lado, sempre que um raio de luz sofre um meio de índice de refração maior para outro,
refração ao passar de um meio mais refringente de índice de refração menor. E só é possível
para um menos refringente, o raio refratado se se o ângulo de incidência da luz na superfície
afasta da normal – o ângulo de refração é maior de separação dos dois meios for maior que o
do que o ângulo de incidência. Veja: ângulo limite L.

î
Material 1 Se n2 < n1, então î < r̂ NA PRÁTICA
Material 2 A fibra óptica transmite dados de um ponto
r̂ a outro, em velocidade altíssima. E seu
funcionamento é baseado na simples aplicação
do fenômeno de reflexão total da luz.

ÂNGULO LIMITE
Um raio luminoso se propaga por um material
mais refringente para outro menos refringente
(ou seja, n1 > n2). Se esse raio atingir a superfície
de separação dos dois meios em determinado
ângulo limite (L) em relação à reta normal,
o raio refratado será rasante à superfície de
separação. Veja:

Raio incidente
î=L
Material 1 n 1 > n2
No interior da fibra, o raio de luz sofre
Material 2 r̂ Raio refratado sucessivas reflexões totais. Para que isso
ocorra, o índice de refração do meio onde a luz
se propaga, chamado núcleo, é maior do que o
O raio refratado no ângulo limite faz um ângulo de 90° com a normal índice de refração do material, a casca.

Sabendo que o ângulo de refração mede 90º,


calculamos o ângulo limite (L) para quaisquer O núcleo da fibra
materiais, aplicando a lei de Snell-Descartes: óptica tem índice de
refração maior que a
n 1 . sen ti = n 2 . sen rt casca, que o envolve
n 1 . sen L = n 2 . sen 90 o
n 1 . sen L = n 2 . 1
O raio de luz bate na casca
sen L = n 2 num ângulo maior que
n1 o ângulo limite L e, assim,
sofre reflexão total,
Ou seja, o ângulo limite depende da razão entre voltando para o núcleo
os índices de refração dos dois materiais.

AFP GE FÍSICA 2016 95


4 COMO CAI NA PROVA

1. (Unifesp 2014) Dentro de uma casa uma pessoa observa, por meio de um to lado EF é a largura da placa (2,8 m); o lado AB é a largura do espelho (a medida
espelho plano E, uma placa com a inscrição VENDO colocada fora da casa, ao lado x, que procuramos);
de uma janela aberta. A janela e o espelho têm as dimensões horizontais mínimas tos triângulos O’AB e O’EF têm em comum o vértice O’ e os ângulos correspondentes
para que o observador consiga ver a placa em toda sua extensão lateral. A figura são congruentes. Portanto, O’AB e O’EF são triângulos semelhantes.
1 representa o espelho e a janela vistos de dentro da casa. A figura 2 representa Pela razão de semelhança, encontramos a medida do espelho (AB):
uma visão de cima da placa, do espelho plano E, do observador O e de dois raios AB h x 1, 2 x 1, 2
de luz emitidos pela placa que atingem, depois de refletidos em E, os olhos do EF = H & 2, 8 = 1, 2 + 4, 4 & 2, 8 = 5, 6 & x = 0, 6m
observador. Considerando as medidas indicadas na figura 2, calcule, em metros: Respostas: a) L = 2,2 m b) x = 0,6 m

2. (Fuvest 2015) Luz solar incide verticalmente sobre o espelho esférico


convexo visto na figura abaixo. Os raios refletidos nos pontos A, B e C do espelho
têm, respectivamente, ângulos de reflexão ƧA, ƧB e ƧC tais que:

a) ƧA > ƧB > ƧC Direção de


incidência
b) ƧA > ƧC >ƧB B C
c) ƧA < ƧC < ƧTB
a) a largura (L) da janela. d) ƧA < ƧB < ƧC A
b) a largura mínima (x) do espelho E para que o observador possa ver por inteiro e) ƧA = ƧB = ƧC
a imagem da placa conjugada por ele.
RESOLUÇÃO
RESOLUÇÃO Questão simples, que exige apenas que você se lembre que o ângulo de reflexão de
Para responder os dois itens, você tem apenas de saber trabalhar com triângulos um feixe de luz é simétrico (tem a mesma medida) que seu ângulo de incidência.
retângulos e semelhança de triângulos. Detalhando a figura: Veja na figura abaixo a representação da situação descrita no enunciado:
iB=ƧB

ic Ƨc
iA B
C
ƧA Só observando a figura, você percebe
A
que iA > iC > iB e, portanto, ƧA > ƧC >ƧB

a) Observe: Resposta: b
tos raios passam nos limites da janela, sobre os pontos H e D;
ta distância entre o ponto E (extremidade da placa) e G (na parede) é
2,8 + 0,6 = 3,4 m; 3. (FGV 2015) Em um laboratório de óptica, é realizada uma experiência de
ta largura é L. Somando a parte da parede abaixo da janela, a distância entre determinação dos índices de refração absolutos de diversos materiais. Dois
H e G é L + 1,2 (veja na figura abaixo); blocos de mesmas dimensões e em forma de finos paralelepípedos são feitos
H de cristal e de certo polímero, ambos transparentes. Suas faces de maior área
são, então, sobrepostas e um estreito feixe de luz monocromática incide vindo
45º do ar e no ar emergindo após atravessar os dois blocos, como ilustra a figura.
L + 1,2
ar
45º cristal
E G polímero
3,4 m
ar
to ângulo de incidência do raio no ponto H é de 45% e o triângulo HEG é
retângulo em G; Chamando de nar , npo e ncr aos índices de refração absolutos do ar, do polímero
tpela figura, você percebe que o triângulo HEG é isósceles; portanto GH = EG. e do cristal, respectivamente, a correta relação de ordem entre esses índices,
tFntão, L + 1,2 = 3,4 → L = 2,2 m de acordo com a figura, é:
a) nar > npo > ncr
b) Voltando à figura figura detalhada que desenhamos no início da resolução, b) ncr > npo > nar
você localiza o olho do observador O’ no prolongamento do feixe de luz. c) ncr > nar > npo
Repare: d) nar > ncr > npo
ttemos dois triângulos: O’EF e O’AB; e) npo > ncr > nar

96 GE FÍSICA 2016
RESUMO

RESOLUÇÃO
A figura abaixo mostra o comportamento do raio de luz em relação à reta normal, Óptica geométrica
ao passar de um meio a outro:
REFLEXÃO EM ESPELHO PLANO Na reflexão regular, o raio
incidente, a reta normal (N) à superfície refletora e o raio
ar
refletido são coplanares. E o ângulo de incidência é igual ao
cristal
ângulo de reflexão. Num espelho plano, a distância entre o
polímero objeto real P e o espelho é sempre igual à distância entre
ar o espelho e a imagem do objeto P'. A imagem é simétrica.

REFLEXÃO EM ESPELHOS ESFÉRICOS Espelhos esféricos


Acompanhe: gaussianos são aqueles que atendem às condições de
tBo passar do ar para o polímero, o raio se desvia em direção à reta normal. Gauss: os raios luminosos que incidem sobre o espelho
Portanto, o polímero é um meio mais refringente que o ar: npo > nar ; devem estar próximos ao eixo principal e pouco inclina-
tOa etapa seguinte, ao passar do polímero para o cristal, o raio se aproxima mais dos em relação a ele; o ângulo de abertura (θ) deve ser
ainda da reta normal. Então, ncr > npo ; menor que 10°.
tBo final, saindo do cristal para o ar, o raio se afasta da normal: ncr > nar.
Colocando essa comparação em ordem, temos ncr > npo > nar RAIOS NOTÁVEIS São raios que passam por pontos im-
Resposta: b portantes de um espelho esférico gaussiano e têm com-
portamento característico:
4. (Enem 2014) Uma proposta de dispositivo capaz de indicar a qualidade ȗ**-$*,0 +..+ '* )/-* 0-1/0-. - !' / 
da gasolina vendida em postos e, consequentemente, evitar fraudes, poderia sobre si mesmo;
utilizar o conceito de refração luminosa. Nesse sentido, a gasolina não adul- ȗ**-$*,0 $)$ )*1ą-/$ ą- !' /$*.$( /-$( )/ 
terada, na temperatura ambiente, apresenta razão entre os senos dos raios ao eixo principal;
incidente e refratado igual a 1,4. Desse modo, fazendo incidir o feixe de luz ȗ**-$*+-' '** $3*+-$)$+'ą- !' /$*)0(
proveniente do ar com um ângulo fixo e maior que zero, qualquer modificação direção que passa pelo foco;
no ângulo do feixe refratado indicará adulteração no combustível. Em uma ȗ**-$*,0 +..+ '*!**ą- !' /$*+-' '( )/ 
fiscalização rotineira, o teste apresentou o valor de 1,9. Qual foi o comporta- ao eixo principal.
mento do raio refratado?
a) Mudou de sentido EQUAÇÃO DE GAUSS 1 1 1
= p+ ,
f p
b) Sofreu reflexão total
c) Atingiu o valor do ângulo limite ȗ !ʲǓǼ* .+ '#*ął)1*Ǿ
d) Direcionou-se para a superfície de separação ȗ !ʱǓǼ* .+ '#*ą*)1 3*Ǿ
e) Aproximou-se da normal à superfície de separação ȗ +ȇʲǓǼ$(" (ą- 'Ǿ
ȗ +ȇʱǓǼ$(" (ą1$-/0'ǻ
RESOLUÇÃO
p,
Analisando cada uma das alternativas: AUMENTO DA IMAGEM A = oi = - p
a) Falsa. na refração nunca ocorre inversão no sentido de propagação da luz.
b) c) e d) Falsas. Todas essas alternativas descrevem situações que são possíveis ȗ ʲǓǼ$(" (ą$- $/Ǿ
apenas quando a luz passa de um meio mais refringente para um meio menos ȗ ʱǓǼ$(" (ą$)1 -/$Ǿ
refringente – o contrário do que ocorre quando a luz passa do ar para a gasolina, ȗ  A ʲǔǼ$(" (ą(+'$Ǿ
seja ela pura, seja adulterada. ȗ  A ʱǔǼ$(" (ą- 05$Ǿ
e) Verdadeira. Pela lei de Snell-Descartes, sempre que um feixe de luz passa de um ȗ  A = 1, o tamanho da imagem não se altera.
meio menos refringente para outro mais refringente, ele se desvia em direção à
normal. E quanto mais refringente for um material, maior é o desvio em direção REFRAÇÃO O raio incidente, o raio refratado e a reta normal
à normal (ângulo de 90º). à superfície de separação entre dois meios são coplanares.
A expressão matemática da lei de Snell: n1 . sen i = n2 . sen r → sen i / sen r = n2 / n1 -5ç* )/- *.. )*.*.æ)"0'*. $)$Ć)$  
O enunciado fornece a razão entre os senos dos ângulos de incidência e de saída - !-ûç* + ) .Ł-5ç* )/- *.ġ)$ . - !-ûç*
dos feixes de luz: (n) dos materiais. A lei de Snell-Descartes estabelece a
sen i
para a gasolina pura: sen rp = 1,4 relação entre os índices de refração dos meios e os ângulos
p
de incidência e de refração: n 1 . sen ti = n 2 . sen rt . Ângulo
para a gasolina adulterada: sen r A = 1,9
sen i A
limite (L) é aquele acima do qual os raios que passam de
um meio mais refringente para um menos refringente se
O ângulo de incidência é o mesmo. Portanto, sen i é igual para as duas substâncias: reflete num ângulo de 90o com a normal, criando a reflexão
1,4 . sen rP = 1,9 . sen rA. Isso só é verdade se sen rA ‹ sen rP → rA ‹ rP total: sen L = n2/n1.
Portanto, o raio refratado se aproxima da reta normal.
Resposta: e

GE FÍSICA 2016 97
5
ELETRICIDADE
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

� Infográfico ........................................................................................................100
� aula 1 > Eletrostática ....................................................................................102
� aula 2 > Eletrodinâmica ...............................................................................106
� aula 3 > Leis de Ohm e potência ................................................................108
� aula 4 > Geradores e receptores ................................................................112
� Questões e Resumo........................................................................................116

Acender uma
lâmpada está
mais caro
A grande estiagem que atinge a Região Sudeste
força o uso de termelétricas para gerar energia
– o que encarece as contas de luz

O
consumidor está pagando bem mais às termelétricas, cuja operação é bem mais
pela energia elétrica. Desde março de cara. Mas entra na conta, também, o ajuste
2015, a Agência Nacional de Energia fiscal promovido pelo governo Dilma Rousseff.
Elétrica (Aneel) tem autorizado uma série de Para reequilibrar as contas públicas, o governo
reajustes nas contas. Os aumentos atingem todas federal começou a transferir ao consumidor
as categorias de consumidores – de grandes todos os custos com programas e ações do
compradores, como as indústrias, que utilizam setor elétrico.
energia de alta tensão, até residências, que re- No Brasil, mais de 40% da geração de energia
cebem a eletricidade por redes de baixa tensão. elétrica vem das hidrelétricas, que transformam
Numa primeira etapa, para as residências, a a energia hidráulica (de movimento das águas)
conta aumentou mais de 30%, em média, em em eletricidade (veja infográfico na página 100).
todo o país. Depois, vieram novos acertos dife- Trata-se de uma energia renovável (as águas de um
renciados, conforme a região, a distribuidora e rio não se esgotam quando atravessam as turbinas
o tipo de consumo. Em junho, para o estado de de uma usina) e limpa (a operação de uma usina
São Paulo, o acréscimo foi de cerca de 12% para não gera gases do efeito estufa). Já as termelétri-
as indústrias e de 17% para as residências. Os cas constituem uma fonte suja e não renovável.
reajustes encarecem o custo de vida da popu- Funcionam pela queima de combustíveis fósseis,
lação: com a produção mais cara, os preços dos como gás natural, carvão mineral ou diesel, mais
produtos também sobem no mercado. Assim, os caros e poluentes.
consumidores finais, as famílias, pagam mais Por trás de uma
não apenas na conta, mas também no preço de simples lâmpada que DA LAMA AO ESCURO
qualquer mercadoria. o cidadão acende em Não bastasse a falta d'água
As autoridades explicam que os reajustes se casa existe uma série em reservatórios da região
devem, principalmente, ao encarecimento da de conceitos de ele- Sudeste, como este, do
geração de energia. A seca que assola a região tricidade, como ten- Sistema Cantareira,
Sudeste deixa os reservatórios das principais são, corrente elétrica a estiagem também reduz
hidrelétricas em nível muito baixo. Para evi- e resistência. Este é o a geração de energia nas
tar o racionamento, o governo tem recorrido tema deste capítulo. hidrelétricas

98 GE FÍSICA 2016
MARIO RODRIGUES GE FÍSICA 2016 99
5 ELETRICIDADE INFOGRÁFICO

Fábricas de energia elétrica


A eletricidade existe naturalmente no universo.
Foi no século XIX que o homem desenvolveu
métodos para gerar, transmitir e usar essa energia

PARA O USO DA SOCIEDADE


As leis da física regem o funcionamento das usinas e das linhas de
transmissão que geram e conduzem a energia elétrica até o consumidor

1 Barragem 2 Turbinas 3 Gerador 4 Alta voltagem


A barragem retém Ao escoar para o nível mais Um eixo transmite o movimento Transmitida por fios, parte
grande volume de água baixo, a água transforma seu das pás da turbina para um da energia elétrica se dissipa
num nível superior ao potencial gravitacional em conjunto de ímãs e uma bobina como calor. Para reduzir essa
da usina. Assim, a água energia cinética. A água cai de fios de cobre, dentro do perda, a corrente elétrica
tem energia potencial sobre as pás da turbina gerador. A variação do fluxo deve ser transmitida sob
gravitacional. e as faz girar. magnético que atravessa a alta-tensão. As correntes que
bobina gera uma corrente elétrica. saem da Usina de Itaipu são
transmitidas sob tensão de
750 mil volts.
Energia
elétrica
Gerador

Represa Barragem Turbina

Linhas de transmissão
Os elétrons viajam em grupos, dentro
dos cabos elétricos. Por convenção,
a corrente segue no sentido inverso
ao do movimento dos elétrons.
A corrente elétrica gera um campo
magnético em torno dos fios.
5 Média voltagem 6 Baixa voltagem
calor Para ser conduzida pela Antes de entrar nas
campo cidade, a tensão em que a casas, a voltagem é mais
magnético elétrons corrente é transmitida é um vez reduzida, para
baixada para cerca de 110 ou 220 volts, pelos
13 mil volts, em estações transformadores
abaixadoras. instalados nos postes.

sentido
dos elétrons sentido
da corrente
Estação Transformador
abaixadora de rua

100 GE FÍSICA 2016


A ELETRICIDADE NA NATUREZA
Para ocorrer um raio, a diferença de potencial elétrico entre a nuvem e a superfície da Terra
ou entre duas nuvens tem de ser suficiente para ionizar o ar. Neste caso, os átomos do ar
perdem alguns elétrons e facilitam a passagem de uma corrente elétrica

1 NUVEM DE TEMPESTADE
Cristais de gelo, gotículas de água e
granizo são lançados uns contra os
outros pelos ventos. A cada choque
desses, os átomos transferem
elétrons de uns para outros. Os
átomos que ganham elétrons ficam
com carga elétrica negativa. Os que
perdem, com carga elétrica positiva.

2 POSITIVO E NEGATIVO
O acúmulo de cargas negativas
na base da nuvem induz a um
acúmulo de cargas positivas na
porção do solo abaixo dela.

3 AR IONIZADO
Quando a tensão elétrica
entre a nuvem e o solo fica
DE NUVEM PARA NUVEM
muito alta, os átomos e as
A diferença de potencial elétrico
moléculas dos gases do ar
entre duas nuvens pode provocar
também começam a perder
descargas entre elas.
elétrons – o ar fica ionizado.
para-raios
4 DESCARGA ELÉTRICA
O ar ionizado abre caminho haste metálica ATALHO PARA O CHÃO
para a transferência de elétrons A ponta aguda e metálica do
entre a nuvem e o solo. para-raios se eletriza com
Ocorre a descarga. facidade e, assim, oferece um
caminho mais fácil para as cargas
da nuvem. Um fio de cobre
fio de cobre conduz, então, essas cargas até
o solo, onde elas se dissipam.
INFOGRAFIA: MULTI/SP

GE FÍSICA 2016 101


5 ELETRICIDADE AULA 1 • ELETROSTÁTICA

DE ARREPIAR OS CABELOS Mesmo um corpo neutro, como o organismo da garota, fica eletrizado quando entra em contato com um objeto eletricamente carregado

Do que os elétrons
são capazes

N
a Antiguidade, acreditava-se que o Prótons, nêutrons e elétrons têm comporta- Carga elétrica é a
átomo era uma unidade indivisível, o mentos elétricos distintos. Essa diferença de propriedade física que
tijolo fundamental de toda a matéria comportamento tem tudo a ver com a diferença permite a partículas e
do universo. No decorrer do tempo, entre suas cargas elétricas. Diferentes partícu- corpos interagir com
descobriu-se que um átomo é constituído de las têm diferentes cargas: os prótons têm car- outros corpos por
partículas ainda menores. Hoje, o modelo atô- ga elétrica positiva e os elétrons, carga elétrica meio de uma força
mico descreve um átomo como um núcleo cons- negativa. Os nêutrons, como o nome diz, são eletromagnética.
tituído de partículas chamadas prótons e nêu- neutros, não têm carga elétrica. O ramo da física
trons, rodeado de outras partículas, elétrons, que estuda os fenômenos elétricos relacionados
que circulam na região chamada eletrosfera. a cargas elétricas em repouso é a eletrostática.

102 GE FÍSICA 2016


As cargas elétricas de um próton e de um elé-
tron têm sinais opostos. Mas, em módulo, têm
COMPONENTES DO ÁTOMO
o mesmo valor, a chamada carga elétrica ele- Prótons, nêutrons e elétrons têm cargas
mentar (e): elétricas distintas

e , 1, 6 $ 10 - 19C, em que C é o coulomb, O núcleo é composto


unidade de medida da carga elétrica no S.I. de prótons e nêutrons

Assim:
ƀɟɟ/'ɟ&†.,)(ɟ.'ɟ,!ɟ&†.,#ɟɟ*,)2#'-
damente – 1,6 . 10-19 C;
ƀɟ/'ɟ*,ç.)(ɟ.'ɟ,!ɟɟűŻŶɟ. 10–19 C.

Um corpo é formado de muitos elétrons e pró-


tons. Mas nem todo corpo é carregado eletrica-
mente. Um corpo que tenha a mesma quantidade
de prótons e elétrons apresenta a mesma quanti-
dade de carga elétrica positiva e negativa. Isso o
torna neutro. Os elétrons, de Os nêutrons
Além disso, um átomo pode ganhar ou per- carga negativa, não têm carga.
der elétrons, ou seja, transferir carga elétrica circulam em torno do Os prótons têm São neutros
núcleo, na eletrosfera carga positiva
para outro átomo. Um corpo se torna eletrizado
quando seus átomos tiverem uma quantidade
de elétrons maior ou menor que a de prótons.
-ɟP.)')-ɟ+/ɟ.'ɟ2--)ɟ)/ɟ &.ɟɟ&†.,)(-ɟ
são chamados íons. Em resumo:

 Corpo neutro: tem o mesmo número de ATENÇÃO!


prótons e elétrons em sua composição.
 Corpo eletrizado positivamente: tem um Das duas partículas eletricamente carregadas que
JENS SCHLUETER/AFP

número menor de elétrons que de prótons constituem um átomo, apenas o elétron pode ser
em sua composição. O corpo tem falta de transferido de um átomo a outro. Nunca o próton.
elétrons.
 Corpo eletrizado negativamente: tem um
número maior de elétrons que de prótons
'ɟ-/ɟ)'*)-#zq)źɟɟ),*)ɟ.'ɟ2--)ɟɟ
elétrons.

Os materiais são classificados como conduto-


res ou isolantes elétricos. Aqueles que permi-
tem que as partículas portadoras de carga elétri-
ca fluam livremente são chamados condutores
elétricos. É o caso dos metais, como o cobre uti-
lizado em fios elétricos, e das soluções aquosas,
que têm íons livres, como a salmoura. Materiais
isolantes (ou dielétricos) são aqueles em que as
partículas com carga elétrica não têm facilidade
de se locomover. São isolantes a borracha, a ma-
deira, o papel, o ar e o algodão.

GE FÍSICA 2016 103


5 ELETRICIDADE AULA 1 • ELETROSTÁTICA

PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO
Qq
Eletrização por contato
Um corpo pode ser eletrizado por diferentes Um corpo condutor pode transferir elétrons
processos. Seja qual for o processo, dois princí- para outro por simples contato. Veja:
pios são sempre válidos:
Em física, as letras
ANTES CONTATO DEPOIS
Q e q representam  As partículas portadoras de carga elétrica de
a quantidade de mesmo sinal se repelem, enquanto as partí-
carga elétrica de culas portadoras de carga elétrica de sinais A B A B A B
um corpo. opostos se atraem;

 Num sistema eletricamente isolado, a carga Quando um corpo ... são postos ... e, assim,
A carregado em contato, ambos ficam
elétrica não se altera. Ou seja, a soma algébri- positivamente o corpo B com carga
ca (levando em conta o sinal das cargas) das (com falta de transfere positiva.
quantidades de carga elétrica em um sistema elétrons) e outro
corpo B neutro...
elétrons
para o A...
eletricamente isolado é um valor constante.

Eletrização por atrito ANTES CONTATO DEPOIS


Quando dois corpos neutros se atritam, um
transfere para o outro elétrons (e, portanto,
carga elétrica). Isso ocorre porque em alguns A B A B A B
materiais os elétrons têm uma ligação mais
fraca com o núcleo do átomo. Quando atrita- Se o corpo A ... ocorre a ... o que deixa
mos dois corpos neutros, a tendência é que os inicialmente transferência de os dois corpos
carregado com elétrons do corpo A carregados
&†.,)(-ɟɟ&#!zq)ɟ'#-ɟ ,)/2ɟ-$'ɟ*,#)-ɟ carga negativa para o corpo B, ... negativamente.
para os átomos do outro corpo. (com excesso de
elétrons) e o corpo
Os materiais são classificados segundo essa B inicialmente
facilidade de perder elétrons na chamada sé- neutro entram em
rie triboelétrica. Quanto mais alta a posição contato...
do material na tabela, maior a facilidade de
perder elétrons. Veja:
Sempre que dois corpos com diferentes quanti-
SUBSTÂNCIA A lã atritada contra o vidro dades de carga ficam em contato, eles entram em
Vidro rouba elétrons do vidro e fica equilíbrio eletrostático – param de transferir
Mica com carga negativa. O vidro carga de um para o outro. Num sistema eletrica-

Pele de gato fica com carga positiva. A lã mente isolado, a soma algébrica das quantidades
Seda só perderá elétrons se for de carga elétrica é constante. Ou seja, a soma das
Algodão atritada com algum material cargas QA e QB , depois da separação dos corpos,
Ebonite
Cobre
que se encontre numa posição é igual à soma antes do contato. No caso em que
Enxofre inferior na tabela, como seda, os corpos são idênticos, cada condutor guarda a
Celuloide algodão ou cobre. metade da soma da quantidade de carga:

Ao fim da eletrização por atrito, o corpo neu- QA + QB


tro que perdeu elétrons fica com carga positi- Q' =
va. O que ganhou elétrons, com carga negativa. 2

UNIDADES DE MEDIDA
Muitas vezes, as medidas são dadas em múltiplos e submúltiplos de uma unidade, como gigavolts,
miliampères e nanômetros. Veja aqui o símbolo e o significado matemático dos principais prefixos

Prefixo tera giga mega quilo deci centi mili micro nano pico

Multiplica a
1012 109 106 103 10–1 10–2 10–3 10–6 10–9 10–12
unidade por

Símbolo T G M K d c m µ n p

104 GE FÍSICA 2016


Eletrização por indução FORÇA ELÉTRICA
A eletrização por indução é um processo de As forças que atuam em duas cargas, Q e q, for-
transferência de carga elétrica entre corpos sem mam um par ação-reação: têm o mesmo módulo,
que haja contato entre eles. Veja: a mesma direção, mas sentidos opostos. Isso vale
entre cargas de sinais iguais e de sinais opostos:
 A (corpo indutor) induz
as cargas de B (corpo Q Fatr Fatr q
A B
neutro) a se separar em
hemisférios distintos.
Indutor Induzido O corpo B está polarizado. Frep Q q Frep

Se, depois da polarização, o corpo induzido


Frep Q q Frep
for conectado a um fio terra, ele receberá elé-
trons do solo:

 Pelo fio terra, o solo cede O módulo da força de atração ou repulsão en-
A B elétrons para B e, assim, tre duas cargas elétricas é calculado pela lei de
neutraliza o hemisfério que Coulomb, que estabelece a relação entre a inten-
Indutor Induzido Terra reunia as cargas positivas. sidade de duas cargas pontuais em repouso e a Cargas pontuais
distância entre elas. Veja: são aquelas cujas
dimensões são muito
Q q pequenas em relação às
 Se o fio terra for desligado, d distâncias envolvidas.
A B B ficará apenas com cargas Nesse caso, as dimensões
negativas – todas no podem ser desprezadas.
|Q | . | q |
Indutor Induzido Terra hemisfério mais próximo de A. Felétrica = k 0 . , em que:
d2
 ; Q ; e ; q ; são os módulos das duas cargas
Se, depois de cortar o fio terra, o corpo in- pontuais, medidos em coulomb (C);
duzido B for afastado de A, as cargas elétricas  d é a distância que separa as duas cargas
de B se distribuirão por toda sua superfície: pontuais, no S.I. medida em metros (m);
 k0 é a constante eletrostática do vácuo e vale
9 . 109 N . m2/C .
A B
A força elétrica surge também entre uma par-
Indutor Induzido tícula carregada e outra neutra. Veja:

A indução ocorre também de indutores com As cargas p0sitivas de A atraem as


carga negativa para corpos de carga neutra. A cargas negativas de B. Porque as
diferença é que, ao final, o corpo induzido fica-
A B
cargas opostas estão mais próximas,
rá com carga positiva, em vez de negativa. Seja a força de atração entre elas é mais
como for, o corpo indutor não pode ser afasta- Indutor Induzido intensa que a força de repulsão entre
do do induzido antes de cortar o fio terra, ou o as cargas de mesmo sinal. Por isso, o
processo de indução não se completará. indutor atrai o corpo neutro.

PIADA PRONTA
FERNANDO GONSALES

GE FÍSICA 2016 105


5 ELETRICIDADE AULA 2 • ELETRODINÂMICA

E DA NOITE FAZ-SE DIA Elétrons correndo por fios são os responsáveis pela energia que ilumina o centro de Tóquio

O que faz os
elétrons se moverem

A
eletrodinâmica é o campo da física Mas, se for organizado, o movimento dos elé- Numa região
que estuda os fenômenos relaciona- trons pode ser muito útil. Se os elétrons se mo- em que atua um
dos às causas e aos efeitos do movi- verem num mesmo sentido, o movimento pode campo elétrico,
mento das cargas num circuito elé- gerar energia elétrica. Para que os elétrons se des- partículas ficam
trico. Todos os aparelhos elétricos contêm loquem de maneira ordenada, o condutor deve sujeitas à ação
circuitos, cujo funcionamento é baseado em ter um campo elétrico aplicado – por exemplo, de uma força
aplicações das leis da eletrodinâmica. conectando uma pilha a suas extremidades: elétrica.

CIRCUITO ELÉTRICO
No interior de um condutor retilíneo metá-
lico, os elétrons livres movimentam-se de um
lado para o outro, de maneira caótica: + –

Condutor
metálico

1. Uma pilha (com 2. Os elétrons 3. Os elétrons


polos positivo (de carga se movem de
Elétrons e negativo) é negativa) são maneira ordenada
livres conectada às atraídos pelo condutor.
extremidades para o polo Assim, cria-se uma
do condutor positivo da pilha corrente elétrica

106 GE FÍSICA 2016


TENSÃO OU VOLTAGEM Pilhas e baterias são componentes que for-
Pilhas e baterias contêm substâncias quími- necem tensão contínua (constante) – ou seja,
cas. A tensão (ou voltagem) imposta ao circui- seus polos positivo e negativo nunca se inver-
to por uma pilha ou bateria é a medida da sua tem. Por isso, os elétrons viajam numa corren-
capacidade de transformar a energia química te contínua, sempre no mesmo sentido.
das moléculas das substâncias que elas contêm Já a rede elétrica que leva eletricidade às casas
em energia elétrica. tem tensão alternada: a polaridade é constante-
Componentes que fornecem energia elétrica mente trocada de positivo para negativo. Na ten-
ao circuito, como pilhas e baterias, são chama- são alternada, a corrente também é alternada: os
dos geradores. Um gerador conectado às ex- elétrons ora caminham para a frente, ora para trás.
tremidades de um circuito elétrico submete o
circuito a uma diferença de potencial, também
chamada de tensão ou voltagem. É essa tensão RESISTÊNCIA ELÉTRICA
entre as extremidades do circuito que gera o Num circuito elétrico, os elétrons livres em
movimento ordenado dos elétrons. Ou seja, a movimento “esbarram” em componentes que
corrente elétrica se estabelece a partir da di- se opõem a seu movimento. É a resistência A resistência elétrica
ferença de potencial entre dois pontos. elétrica (R). Quanto maior for a resistência de um componente
No S.I., a tensão de um gerador é medida em elétrica de um componente, maior será a opo- é a medida do grau
volts (V). Um volt equivale a 1 joule por cou- sição que esse componente oferece à passagem de dificuldade
lomb. Ou seja, 1 V de tensão gera 1 J de energia da corrente. A unidade de medida da resistên- oferecido à passagem
a cada coulomb de carga elétrica (1 V = J/C). cia elétrica é o ohm (<). de corrente elétrica
A representação gráfica de um gerador num Resistor é qualquer dispositivo elétrico que quando o componente
circuito é: ofereça resistência à passagem da corrente. Esta é submetido a uma
[1]
é a representação gráfica de um resistor num cir- diferença de potencial.
V = voltagem ou tensão cuito elétrico:
[1] JON HICKS/LATINSTOCK [2] [3] DIVULGAÇÃO

polo negativo do gerador polo positivo do gerador

Quando é atravessado por uma corrente elétri-


CORRENTE ELÉTRICA ca, o resistor converte energia elétrica em ener-
Corrente elétrica é a quantidade de carga gia térmica. Esse fenômeno é o efeito Joule.
elétrica que atravessa uma seção reta de um [2]

condutor por determinada unidade de tempo. O filamento no interior de


Matematicamente: uma lâmpada incandescente
é um resistor. A colisão dos
DQ ATENÇÃO!
i= , em que: elétrons com esse resistor
Dt O SENTIDO DA CORRENTE A corrente elétrica tem sempre gera luz e calor. Como o que
 i é a corrente, medida em ampère (A). o sentido do movimento dos elétrons, do polo negativo queremos de uma lâmpada
E um ampère é igual a 1 C/s; para o positivo do gerador. Mas, por convenção, é a energia luminosa,
 DQ é a quantidade de carga elétrica, trabalha-se com o conceito de corrente convencional. o efeito Joule, significa
em coulomb (C); Nela, o sentido indicado para a corrente é sempre perda de energia na
 Dt é a unidade de tempo, em segundos. oposto ao do movimento dos elétrons. forma de calor.

i Os elétrons viajam da esquerda


Condutor do Elétrons em movimento para a direita.
circuito (corrente elétrica)

[2]

Nos chuveiros elétricos,


V o efeito Joule é bem-vindo.
i O resistor (que, no dia a dia,
chamamos de resistência
O número de elétrons que atravessa a do chuveiro) transforma a
seção reta do condutor em determinado O sentido convencional da corrente elétrica (i ) que atravessa energia elétrica em energia
intervalo de tempo é a voltagem um gerador é indicado do polo negativo para o positivo. térmica, que aquece a água.

GE FÍSICA 2016 107


5 ELETRICIDADE AULA 3 • LEIS DE OHM E POTÊNCIA

RASTRO LUMINOSO A intensidade da luz produzida pelos faróis de um automóvel depende da potência deles

A dificuldade
criada pelo resistor

E
George Ohm (1789-1854) m meados do século XIX, George Ohm Ohm, que rege os chamados resistores ôhmi-
Físico e matemático alemão, fez uma série de experimentos e per- cos. A expressão matemática dessa lei é:
estabeleceu as relações cebeu que, num grande número de re-
matemáticas entre tensão, sistores (principalmente nos resistores U = R $ i , em que:
resistência e corrente elétrica. metálicos), a corrente elétrica é diretamente
Suas descobertas estão na base proporcional à tensão aplicada. Quanto maior  U é a tensão aplicada entre os terminais do re-
da construção dos circuitos, a tensão, maior a corrente elétrica. Ele notou sistor, medida em volts (V);
componentes essenciais dos também que a constante que define a proporção  R é a resistência do resistor, em ohms (<);
equipamentos elétricos e entre tensão e corrente é a medida de resistên-  i é a corrente elétrica que atravessa o resistor,
eletrônicos dos séculos XX e XXI. cia elétrica do resistor. Essa é a primeira lei de medida em ampères (A).

108 GE FÍSICA 2016


Com a primeira lei de Ohm, definimos a ten- NA PRÁTICA
são aplicada num resistor qualquer, calculando
o produto de sua resistência pela intensidade Um cientista anota os valores da corrente
da corrente que o atravessa. elétrica que atravessa um resistor, em função
da tensão aplicada sobre ele. Com esses
i = corrente elétrica R = resistência elétrica do resistor valores, ele constrói o gráfico abaixo. Vamos
verificar se o dispositivo estudado pelo
cientista é um resistor ôhmico.

V (v)
U = tensão aplicada entre os terminais

30
Em outras palavras, a primeira lei de Ohm
estabelece que em todo resistor ôhmico a resis-
20
tência elétrica permanece constante, indepen-
dentemente da tensão aplicada sobre ele.
O gráfico da tensão pela corrente em um re- 10
sistor ôhmico é uma reta que passa pela origem
dos eixos. E a resistência é o coeficiente angu-
i (A)
lar da reta. Veja: 0 0,2 0,4 0,6 0,8

U (V) O gráfico é uma reta. Então, a resistência


do dispositivo se mantém constante,
independentemente da tensão aplicada.
Portanto, o resistor é ôhmico, sim.

Para um resistor ôhmico, calculamos a


Ĝ resistência aplicando a equação da primeira lei
i (A) de Ohm a qualquer ponto da reta.
0
R = tgĜ
Para o ponto de coordenadas (20, 0,4), temos:
U = 20 V
SEGUNDA LEI DE OHM i = 0,4 A
BLAINE FRANGER/ISTOCK

Os fios metálicos de circuitos elétricos não


são ideais – são condutores, mas oferecem Então:
certa dificuldade ao movimento dos elétrons. U=R.i
A segunda lei de Ohm afirma que a resistên- 20 = R . 0,4 & R = 50 <
cia elétrica oferecida por um fio metálico é
proporcional a seu comprimento ( ŗ , na fi- Este é o valor da resistência do resistor em
gura abaixo) e inversamente proporcional à questão: 50 <
área de sua seção transversal (A). Depende,
também, do material de que é feito o condutor.
LEMBRE-SE
área da seção fio condutor COEFICIENTE ANGULAR DE UMA RETA
transversal Toda reta é definida por uma função de 1º grau, que tem
como forma geral y = ax + b. O coeficiente angular da reta – ou
A seja, o valor que define o ângulo da reta com o eixo x – é a
(coeficiente de x). No gráfico, o valor de a é dado por:
Dy (y –- y ) (y –- y )
a= = =
A B B A

ŗâcomprimento do condutor Dx (x –- x ) (x –- x )
A B B A

GE FÍSICA 2016 109


5 ELETRICIDADE AULA 3 • LEIS DE OHM E POTÊNCIA

A expressão matemática da segunda lei de Associação em série


Ohm é: Resistores estão associados em série quando
são conectados em sequência, de modo que to-
R = t$ L , em que: dos sejam percorridos por uma mesma corren-
A te elétrica. Veja:
 l é o comprimento do condutor, medido
em metro (m); R1 R2 R3
 A é a área de seção transversal do condu- A B
tor cilíndrico, em metro quadrado (m ); 2

 t é a resistividade do material de que U1 U2 U3

é feito o condutor, medida em ohms por U


metro (< . m), no S.I.
Os resistores R1 , R2 e R3 A tensão total fornecida (a voltagem
são atravessados entre os pontos A e B) é dividida
Repare que, quanto maior for o comprimento
por uma mesma entre os três resistores de tal maneira
do condutor, maior será a resistência elétrica ofe- corrente elétrica i que U = U1 + U2 + U3
recida. Isso é natural, pois, quanto mais comprido
for o “caminho”, maior será a barreira enfrentada
pelos elétrons em seu deslocamento. Por outro Essa associação de resistores em série pode
lado, quanto maior for a área de seção transver- ser substituída por um resistor equivalente. Em
sal, mais elétrons passarão por ela – ou seja, me- qualquer associação em série, o resistor equiva-
nor será a resistência imposta pelo condutor. lente tem resistência igual à soma algébrica de
Reforçando: a resistência elétrica depende, todas as resistências existentes no circuito.
além das características espaciais do condutor, De forma geral, num circuito com n resisto-
também da resistividade do material de que o res, o resistor equivalente imporá uma resis-
condutor é construído. Ou seja, resistividade tência de
é uma característica própria de cada material.
Um fio de cobre de 1 metro de comprimento R eq = R 1 + R 2 + R 3 + ... + R n
tem resistência elétrica diferente da de um fio
de cobre de 2 metros de comprimento. Mas a O resistor equivalente dos três resistores as-
resistividade dos dois fios é a mesma – a do co- sociados em série do circuito com que traba-
bre. Veja abaixo uma tabela com a resistividade lhamos acima seria, então:
de alguns materiais:
Req = R1 + R2 + R3
i
A B
Quanto menor é a resistividade do material,
melhor condutor ele é U = U1 + U2 + U3

Material Resistividade (< . m)


Cobre 1,68.10–8
Chumbo 2,2 . 10–8 Associação em paralelo
É a associação em que os resistores têm as ex-
MENOR RESISTIVIDADE

Alumínio 2,82 . 10–8

tremidades conectadas aos mesmos pontos. Veja:


Ferro 1.0 . 10–7
R1
Silício 6, 40 . 102 i1

Quartzo 7,5.1017

i2 R2

ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES A corrente A tensão


Geralmente, um circuito elétrico é composto total da aplicada entre
de dois ou mais resistores, que podem estar as- associação os pontos A e B
sociados de várias maneiras. Para simplificar o é a soma i3 R3 é compartilhada
estudo de um circuito, seja qual for o número algébrica das por todos os
de resistores que ele contenha, podemos redu- correntes que resistores
zir a associação de resistores a um único resis- atravessam os
i
em paralelo:
tor – o chamado resistor equivalente – sem resistores:
A B
U = U1 = U2 = U3
i = i1 + i2 + i3 U
modificar as características gerais do circuito.

110 GE FÍSICA 2016


Retomando a primeira lei de Ohm, verificamos NA PRÁTICA
que, quanto menor a resistência, maior a corrente:
A unidade utilizada para medir a energia elétrica consumida
U = R$i & i = U mensalmente numa residência é o quilowatt-hora (kW.h).
R E a quantidade de energia elétrica consumida em cada mês sai
Como na associação em paralelo a tensão U é da equação de potência:
constante, concluímos que os ramos da ligação
em paralelo que apresentam menor resistência P = E elétrica & E elétrica = P $ Dt
Dt
elétrica serão percorridos por maior corrente.
Em circuitos com resistores também em pa- Então, 1 kW.h é a energia elétrica consumida por um aparelho
ralelo, podemos substituir a associação de resis- de 1 kW (1 000 W) de potência quando permanece uma hora ligado.
tores por um resistor equivalente. A resistência
do resistor equivalente de uma associação em A relação de conversão entre kW.h e joule é 1 kW.h = 3,6 . 106 J
paralelo é a soma algébrica do inverso das resis-
tências elétricas do circuito inteiro. Com a equação de potência, pode-se calcular, também, o consumo
Genericamente, num circuito com n resisto- mensal de qualquer eletrodoméstico. Basta verificar a potência
res associados em paralelo, o resistor equiva- do equipamento, em kW.h, e multiplicar esse valor pelo número
lente imporá uma resistência de: de horas que o aparelho permanece ligado num mês.

1 = 1 + 1 + 1 + ... + 1
R eq R1 R2 R3 Rn
INSTRUMENTOS DE MEDIDAS ELÉTRICAS
i = i1 + i2 + i3 1/Req = 1/R1 + 1/R2 + 1/R3
A B

U = U1 = U2 = U3

POTÊNCIA ELÉTRICA
Aparelhos elétricos sempre convertem ener-
gia elétrica em alguma outra forma de energia AMPERÍMETRO VOLTÍMETRO
– em energia mecânica numa batedeira e num É o equipamento que mede Mede a tensão, ou a diferença de
liquidificador, em energia térmica num chu- a intensidade da corrente potencial, entre dois pontos de um
veiro. A quantidade de energia elétrica que um elétrica num circuito. Para isso, circuito elétrico. O voltímetro deve
aparelho consegue converter por unidade de o amperímetro dever ser ligado ser sempre conectado em paralelo
tempo é chamada potência elétrica. Matema- ao circuito sempre em série ao componente elétrico em questão
ticamente: (lembre-se de que, em ligações (lembre-se: em ligações em paralelo,
em série, a corrente i é constante). a tensão U se mantém constante).
P = E elétrica , em que: Ou seja, seus fios devem integrar O voltímetro ideal é aquele que
Dt o circuito como mais um não interfere na medição da
 P é a potência elétrica do aparelho, medida dispositivo na sequência dos tensão do circuito porque tem
em watt (W); resistores já existentes no uma resistência infinita. Assim,
 Eelétrica é a energia elétrica consumida pelo circuito. E, para ser um não passa praticamente nenhuma
aparelho, em joules (J); amperímetro ideal, ele corrente pelo voltímetro, e ele mede
 D t é o tempo que o aparelho permanece li- deve oferecer resistência a diferença de potencial antes
gado, em segundos (s). nula à passagem da corrente. e depois de um resistor.

Também podemos calcular a potência elétri- R₁ R₁


ca de um aparelho em função da corrente elé-
trica, da resistência e da tensão desse aparelho, i i
com uma das equações abaixo: R₂
i
2 R₂
P = U $ i, P= U ou P = R $ i2 i
R A V

BLAINE FRANGER/ISTOCK GE FÍSICA 2016 111


5 ELETRICIDADE AULA 4 • GERADORES E RECEPTORES

BATE, ENXÁGUA E CENTRIFUGA Uma lavadora funciona convertendo eletricidade em energia mecânica

Como a energia
elétrica se transforma

P
ara entender como a energia elétrica GERADOR REAL
é transformada por um aparelho em É qualquer dispositivo que tenha a capacidade
outros tipos de energia – como ener- de transformar um tipo de energia em energia
gia térmica ou mecânica –, temos de elétrica. Uma pilha ou uma bateria são gerado-
estudar como se comportam os geradores e re- res que convertem energia química em energia
ceptores elétricos. elétrica. Uma turbina eólica é um gerador que

112 GE FÍSICA 2016


transforma a energia do vento em eletricidade. Matematicamente, o valor da tensão útil do
E, numa hidrelétrica, é um gerador que trans- circuito UAB (a diferença entre a tensão máxima
forma a energia mecânica em elétrica. e a tensão dissipada) é dada pela expressão :
O valor máximo da tensão que pode ser forne-
cida por um gerador qualquer é chamado força U = f - r $ i , em que
eletromotriz (abreviadamente, fem). E, como  U é a tensão entre os terminais do gerador
é tensão, a fem também é medida em volts (V). (a tensão fornecida ao circuito, em volt [V]);
Num mundo ideal, um gerador ideal seria  f é a força eletromotriz (fem) do gerador,
aquele que consegue aproveitar toda sua fem – medida também em volt (V);
ou seja, sempre impor o máximo de tensão a um  r é a resistência interna do gerador, medida
circuito. Porém, no mundo real, os geradores não em ohm (<);
são 100% eficientes – ou seja, a tensão efetiva  i é a corrente elétrica total do circuito, em
que um gerador real consegue impor ao circuito ampère (A).
é sempre menor que sua força eletromotriz. É
que os geradores reais têm, eles mesmos, certa A equação acima mostra que a tensão entre
resistência elétrica, a chamada resistência in- os terminais de um gerador depende da cor-
terna (r). É assim que se representa um gerador rente elétrica que o atravessa, numa função de
real conectado a um circuito: 1º grau. (Repare que a equação poderia ser re-
escrita como U = – r . i + f ).
1. A corrente elétrica i entra pelo polo Portanto, o gráfico que relaciona a tensão
negativo do gerador e sai pelo positivo fornecida ao circuito (U) e à corrente elétrica
(i) é uma reta. E o coeficiente angular dessa
r i reta é negativo. Veja como fica o gráfico que re-
– +
laciona corrente e tensão entre os terminais do
A B gerador, num gerador real:
ġ
2. Quando a corrente passa pela resistência interna, r,
o próprio gerador consome parte de sua fem U(V)

ε
Pela primeira lei de Ohm, a tensão em qual-
quer ponto do circuito é dada pelo produto da
resistência pela corrente elétrica. A relação vale
também, é claro, para a resistência interna (r) : Tangente de α < 0.
U=r.i Então o coeficiente
KEN BROWN/ISTOCK

angular é negativo
Veja como fica a tensão no circuito: α

r ġ 0 icc
A B i(A)

(r . i) ġ
No ponto em que a No ponto em que a reta corta o
(UAB) reta corta o eixo eixo horizontal, a tensão entre
vertical, a corrente as extremidades do gerador
tMÁXIMA
TENSÃO
éa
tDISSIPADA
TENSÃO
éa
tdiferença
TENSÃO ÚTIL é a
entre a tensão
no circuito é nula. é nula. Toda fem é consumida
pela resistência interna. Este
Não existe consumo
tensão criada tensão consumida máxima e a consumida de tensão interno, ponto tem a corrente máxima
pela força pela resistência internamente pela e a tensão entre os que pode ser fornecida pelo
eletromotriz interna do resistência interna do terminais do gerador, a chamada corrente de
ε do gerador gerador gerador (dissipada) gerador é a fem curto-circuito (icc)

GE FÍSICA 2016 113


5 ELETRICIDADE AULA 4 • GERADORES E RECEPTORES

RECEPTOR REAL
A energia elétrica produzida por um gerador é
recebida por algum equipamento que a transfor-
ma em outro tipo de energia. Qualquer disposi-
tivo que faz a conversão de um tipo de energia
em outro que não seja apenas energia térmica é
chamado receptor.
A tensão útil de um receptor – ou seja, a
tensão efetivamente utilizada para o funcio-
namento do equipamento – é chamada força
contraeletromotriz (abreviadamente, fcem) e
seu símbolo é f' . Esta é a representação gráfica
de um receptor real num circuito elétrico:
Resistência
interna do
receptor Força contraeletromotriz

r’ ε’ [1]
A + – B IH, QUEIMOU! Quando um motor elétrico fica bloqueado, a energia elétrica se transforma em térmica

i Num receptor, a corrente


elétrica viaja do polo NA PRÁTICA
corrente elétrica positivo para o negativo
Não é considerado receptor o dispositivo que transforma a energia elétrica
Num receptor, a tensão total fornecida entre apenas em energia térmica. Um receptor deve converter energia elétrica
os pontos A e B (U'AB) é a soma entre a tensão em outra modalidade, como mecânica. A energia térmica pode ser um
dissipada pela resistência interna do receptor subproduto.
(r') e a tensão útil do receptor ( f' ). Veja:
Quando algum obstáculo mecânico impede um motor elétrico de girar,
r’ ε’ B dizemos que o motor está bloqueado. Não há conversão de energia elétrica
A + –
em mecânica, e toda a energia recebida pelo motor é dissipada por sua
resistência interna como calor (veja efeito Joule, na aula 2 deste capítulo).
(r’ . i) (ε’) É isso que faz um motor bloqueado esquentar e, às vezes, queimar.

U’AB

t TENSÃO ÚTIL t TENSÃO t TENSÃO


TOTAL
GERADOR REAL VERSUS RECEPTOR REAL
DO RECEPTOR DISSIPADA

A função matemática que define a tensão en-


GERADOR REAL RECEPTOR REAL
tre os terminais de um receptor é:
ġ r r’ ġ’
U' = f' + r' $ i , em que:
Representação i’
 U' é a tensão entre os terminais do receptor, i
a tensão total fornecida para o aparelho, me- i vai do polo negativo i' vai do polo positivo
dida em volt (V) no S.I.; para o polo positivo para o polo negativo
 f' é a força contraeletromotriz (fcem) do re-
Transformação De um tipo qualquer De energia elétrica em outro tipo de
ceptor, também medida em volt (V); de energia em energia elétrica energia, que não apenas a térmica
 r' é a resistência interna do receptor, em
ohm (<) no S.I.; Equação U = f- r$i U' = f' + r' $ i
 i é a corrente elétrica total do circuito, medi-
U U’
da em ampère (A).

Essa equação define a tensão fornecida aos ter- Gráfico


minais do receptor em função da corrente elétri-
ca que o atravessa. É uma função de 1º grau, que 0 i 0 i
poderia ser reescrita como U’ = r’ . i + f'.

114 GE FÍSICA 2016


Repare que o coeficiente de i (r’. i) é positivo. LEMBRE-SE
Então, o gráfico que relaciona tensão fornecida
ao receptor (U’) e a corrente elétrica do circuito A letra grega R (sigma) é o símbolo matemático
(i) é uma reta de coeficiente angular positivo. para somatória. E indica a soma de quantas parcelas
existirem a ser somadas. Assim, Rf significa que
U’ (V)
todas as forças eletromotrizes do circuito devem ser somadas.
Este ponto é
a fcem do Tangente de Ĝ> 0.
receptor, em Então o coeficiente
que i = 0 angular é positivo
Ĝ
ġ’
NA PRÁTICA
0
i (A) Qual a corrente elétrica no circuito interno de um aparelho,
como mostrado abaixo?
CIRCUITO GERADOR-RECEPTOR
Para que um motor elétrico execute sua função
– transforme energia elétrica em energia mecâni- ġ₁ = 6 V
ca –, ele deve ser associado a um gerador que lhe
forneça energia elétrica. Por exemplo, um micro- R₁ = 2 Ě R₃ = 2 Ě
fone (receptor), associado a uma pilha (gerador)
constitui um circuito elétrico. ġ₂ = 24 V ġ₃ = 10 V

R₂ = 4 Ě
Passo a passo:
1. É preciso reconhecer no circuito os geradores e os receptores.
O dispositivo que apresenta maior tensão é o gerador.
Graficamente, esse circuito é representado Neste caso, o gerador é o dispositivo de 24 V.
assim, com todas as resistências internas e as 2. Agora vamos identificar o sentido da corrente gerada pelo gerador
forças eletromotriz e contraeletromotriz: de 24 V. Sabemos que, num gerador, a corrente sai do polo negativo
Receptor para o positivo. Neste caso, a corrente segue no sentido anti-horário (da
esquerda para a direita, na figura).
r’ ġ’ 3. Encontrado o gerador e estabelecido o sentido da corrente, fica claro que
os dispositivos de 10 V e 6 V funcionam como receptores.
i
i i Agora fica fácil calcular a corrente elétrica estabelecida no circuito:

i
r ġ i = Rf - Rf ’ & i =
24 - (10 + 6)
& i = 1A
R eq 2+4+2

Gerador

Num circuito composto de geradores e recep-


tores, a intensidade da corrente elétrica é dada
pela primeira lei de Ohm. Matematicamente:

i = Rf - Rf' , em que:
R eq
 Rf é a soma algébrica da força eletromo- PIADA PRONTA
triz de cada um dos geradores associados
em série no circuito. Essa força é medida
em volt (V), no S.I.;
 Rf' é a soma algébrica da força contraele-
tromotriz de cada um dos receptores asso-
ciados em série presentes no circuito. Tam-
bém medida em volt (V);
 Req é a resistência equivalente de todo o
circuito, medida em ohm (<). [2]

[1] HOLGER EHLERS/ISTOCK [2] FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 115


5 COMO CAI NA PROVA

1. (FMHJ 2014) O cobalto é um elemento químico muito utilizado na medicina, c) A bateria de 4,5 V é substituída por outra de 3 V, que fornece 60 mW de potência
principalmente em radioterapia. Seu número atômico é 27 e cada elétron tem ao circuito, sem que sejam trocados a lâmpada e o resistor. Nessas condições,
carga elétrica de –1,6 . 10–19 C. A carga elétrica total dos elétrons de um átomo qual é a potência PR dissipada no resistor?
de cobalto é, em valor absoluto e em C, igual a:
a) 4,32 . 10–20 Note e anote: as resistências internas das baterias devem ser ignoradas.
b) 4,32 . 10–18
c) 1,68 . 10–19 RESOLUÇÃO
d) 4,32 . 10–19 a) O gráfico mostra que, para uma tensão de 2,5 V na lâmpada, a corrente que a
e) 1,68 . 10–18 percorre tem intensidade i = 0,04 A. Como a lâmpada e o resistor estão associados
em série, eles são percorridos pela mesma corrente elétrica. Logo, o valor da
RESOLUÇÃO corrente elétrica no resistor também será i = 0,04 A.
Questão muito fácil. Você tem de fazer uma única multiplicação. O enunciado b) Numa associação em série, o valor da tensão total é a soma das tensões em cada
informa que o número atômico do cobalto é 27. um dos elementos associados, ou seja, a soma da tensão na lâmpada (UL ) com a
Esse elemento químico tem, então, 27 elétrons no seu estado fundamental. tensão no resistor (Ur ) será igual à tensão total U = 4,5 V. A tensão na lâmpada
Um elétron tem carga e. Então, 27 elétrons têm carga total é UL = 2,5 V. Então, o valor da tensão no resistor é Ur = 2,0 V.
Q = 27 . e → Q = 27 . 1,6 . 10 –19 → Q = 43,2 . 10 –19 C → Q = 4,32 . 10 –18 C Aplicando a primeira lei de Ohm ao resistor, temos
Resposta: b U = R . i → 2,0 = R . 0,04 → R = 50 Ω
c) A potência total no circuito é dada por P = U . i.
Temos P = 60 mW = 60 . 10–3 W e U = 3,0 V.
2. (Uninove Medicina 2014) De acordo com a segunda lei de Ohm, a resistência Assim, a nova intensidade da corrente elétrica no circuito será:
elétrica de um condutor é diretamente proporcional ao seu comprimento e P = U . i → 60 . 10–3 = 3,0 . i → i = 20 . 10 –3 A → i = 0,02 A
inversamente proporcional à área de sua seção transversal. Sendo R a resistência A potência dissipada no resistor é P = R . i2 → P = 50 . (0,02) 2
elétrica de um fio de cobre com comprimento L e área de seção transversal P = 0,02 W ou P = 20 mW.
A, a resistência elétrica de outro fio de cobre com comprimento 2L e área de Respostas: a) 0,04 A b) 50 Ω c) 20 mW
secção transversal 2A será:
a) R/4 b) R/2 c) 4R d) 2R e) R
4. (Enem 2014) Um sistema de iluminação foi cons- 1 2

RESOLUÇÃO truído com um circuito de três lâmpadas iguais co-


3
A questão pede que você domine conceitos. A segunda lei de Ohm pode ser nectadas a um gerador (G) de tensão constante. Esse
escrita como: R = p . L , gerador possui uma chave que pode ser ligada nas po-
A sições A ou B. Considerando o funcionamento do cir-
A
em que p representa o valor da resistividade elétrica do material do fio, L é o cuito dado, a lâmpada 1 brilhará mais quando a cha- +
G B
comprimento do fio e A, o valor da área de sua seção transversal. O enunciado ve estiver na posição: –
informa que o comprimento é 2L e a seção transversal tem área 2A. Substituindo a) B, pois a corrente será maior nesse caso.
esses valores na fórmula de Ohm, o valor da resistência elétrica do fio será: b) B, pois a potência total será maior nesse caso.
2L L c) A, pois a resistência equivalente será menor nesse caso.
R' = p . 2A & R' = p . A & ou seja R' = R
d) B, pois o gerador fornecerá uma maior tensão nesse caso.
Observe que o valor de p (resistividade do material) é o mesmo, pois o material e) A, pois a potência dissipada pelo gerador será menor nesse caso.
do fio não foi alterado.
Resposta: e RESOLUÇÃO
Se as lâmpadas são iguais, então sua resistência elétrica é a mesma (R). A inten-
sidade da corrente total iA e da corrente através da lâmpada 1 são dadas por
3. (Fuvest 2014) A curva característica de uma lâmpada do tipo led (diodo R 2U
U = RA . iA & U 2 . iA & iA = R
emissor de luz) é mostrada no gráfico abaixo. Essa lâmpada e um resistor de
resistência R estão ligados em série a uma bateria de 4,5 V, como representado A corrente que passa pela lâmpada 1 tem valor:
na figura ao lado. Nessa condição, a tensão na lâmpada é 2,5 V. i U
i 1 = 2A = R

Vl (V) 3 R Ligando a chave na posição B a lâmpada 2 estará ligada em série com a resis-
tência equivalente às lâmpadas 1 e 3. Nesse caso o novo valor da resistência
2 equivalente será:
4,5 v led R 3R
1
R eq = R A + R & R B = 2 + R & R B = 2

I, (A)
Nessa situação, os novos valores das intensidades da corrente total (iB) e da
0
o 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 corrente através da lâmpada 1 (i’ 1) serão:
3R 2U
U = R B . i B & U = 2 . i B & i B = 3R
a) Qual é o valor da corrente iR no resistor?
i U
b) Determine o valor da resistência R. Mas agora a corrente que passa pela lâmpada 1 vale: i '1 = 2B = 3R

116 GE FÍSICA 2016


RESUMO

A lâmpada irá brilhar mais quando o valor da potência dissipada for maior. Pode-
mos comparar esses valores na expressão: P = R . i2. Já vimos que a intensidade da Eletricidade
corrente na lâmpada 1 é maior com a chave na posição A. Então é nessa situação
que ela dissipará maior potência e, portanto, brilhará mais. CARGA ELÉTRICA É a propriedade física que permite a
Resposta: c partículas e corpos interagir com outros corpos por meio
de uma força eletromagnética. Partículas portadoras de
carga elétrica de mesmo sinal se repelem, enquanto as
5. (FGV 2015) Em uma empresa de computação gráfica, os profissionais uti- partículas portadoras de carga elétrica de sinais opostos
lizam notebooks para a execução de seus trabalhos. No intuito de obter me- se atraem. Num sistema eletricamente isolado, a carga
lhores imagens, eles conectam os notebooks em monitores de alta definição, elétrica é constante.
os quais consomem 250 W de potência cada um, ligados na rede elétrica de 125
V. Quatro desses monitores ficam ligados 10 horas por dia cada um durante PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO Por atrito: dois corpos
os 25 dias do mês; o quilowatt-hora da distribuidora de energia elétrica custa neutros se atritam e um transfere elétrons para o outro. O
R$ 0,50, já com os impostos. Os acréscimos na intensidade da corrente elétrica corpo neutro que perde elétrons fica com carga positiva. O
lançada ao recinto de trabalho e na despesa de energia elétrica dessa empresa que ganha, com carga negativa. Por contato: dois corpos,
nesse mês, apenas devido ao uso dos monitores, devem ser, respectivamente, de um com carga positiva e outro neutro, são encostados.
a) 4 A e R$ 120,00 Ficam ambos com carga positiva. O mesmo vale para um
b) 4 A e R$ 125,00 corpo neutro e outro com carga negativa. Por indução:
c) 8 A e R$ 125,00 transferência de carga elétrica sem contato entre os corpos.
d) 8 A e R$ 150,00 Ao final, ambos apresentam cargas opostas.
e) 10 A e R$ 150,00
FORÇA ELÉTRICA As forças que atuam em duas cargas, Q
RESOLUÇÃO e q, têm o mesmo módulo, a mesma direção, mas sentidos
A potência total dissipada pelo conjunto dos quatro notebooks é P = 4 . 250 → P = 1000 W. opostos. O módulo da força de atração ou repulsão entre
O aumento na intensidade de corrente é dada por P = U . i duas cargas elétricas é calculado pela lei de Coulomb:
P = 1000 = 125 . i → i = 8 A
Para obter a quantidade de energia consumida por eles em kWh, a potência deve Q . q
Felétrica = K 0 .
ser expressa em kW, ou seja, P = 1000 W = 1 kW. d2
E o tempo de utilização, em horas: ∆t = 10 . 25 = 250 horas.
Da definição de potência P = ∆E/∆t vem: ELETRODINÂMICA Tensão, voltagem ou diferença de
∆E = P . ∆t → ∆E = 1 kW . 250 horas → ∆E = 250 kWh potencial é a medida da capacidade de um gerador de
Ao custo de R$ = 0,50/kWh, o custo total C = 250 . 0,50 → C = R$ 125,00 colocar elétrons em movimento ordenado, num circuito.
Resposta: c Corrente elétrica é a quantidade de cargas que atravessa
uma seção reta de um condutor por determinada unidade
de tempo. Resistor é qualquer dispositivo elétrico que
6. (Unicamp 2015) Quando as fontes de tensão contínua que alimentam os ofereça resistência à passagem da corrente e converta
aparelhos elétricos e eletrônicos são desligadas, elas levam normalmente energia elétrica em energia térmica (efeito Joule).
certo tempo para atingir a tensão de U = 0 V. Um estudante interessado em
estudar tal fenômeno usa um amperímetro e um relógio para acompanhar o LEIS DE OHM Primeira lei: a corrente elétrica é diretamente
decréscimo da corrente que circula pelo circuito a seguir em função do tempo, proporcional à tensão aplicada. A constante que define a
após a fonte ser desligada em t = 0 s. Usando os valores de corrente e tempo proporção é a medida de resistência do resistor. Segunda
medidos pelo estudante, pode-se dizer que a diferença de potencial sobre o lei: a resistência elétrica oferecida por um fio metálico é
resistor R = 0,5 kΩ para t = 400 ms é igual a: proporcional a seu comprimento e inversamente propor-
a) 6 V b) 12 V c) 20 V d) 40 V cional à área de sua seção transversal. Depende, também,
da resistividade do material de que é feito o fio. Potência é
R
a quantidade de energia elétrica que um aparelho converte
A por unidade de tempo.
i
+ –

Fonte GERADORES E RECEPTORES A tensão máxima que pode


ser fornecida por um gerador é chamada força eletro-
RESOLUÇÃO motriz. Tensão dissipada é a consumida pela resistência
A figura correspondente ao instante t = 0,400 s nos mostra que o amperímetro indica interna do gerador. Tensão útil é a diferença entre a
o valor da intensidade da corrente elétrica nesse instante : i = 12 mA = 12 . 10 –3 A. tensão máxima e a consumida pela resistência interna
O enunciado fornece o valor da resistência elétrica do resistor: R = 0,5 kΩ = 500Ω . do gerador. Num receptor, a tensão útil é chamada força
Pela primeira lei de Ohm, temos, então, contraeletromotriz.
U = R . i → U = 500 . 12 . 10 –3 → U = 6 V
Resposta: a

GE FÍSICA 2016 117


6
MAGNETISMO
CONTEÚDO DESTE CAPÍTULO

 Infográfico ........................................................................................................120
 aula 1 > Conceitos ..........................................................................................122
 aula 2 > Campo magnético e corrente elétrica .....................................126
 aula 3 > Força magnética .............................................................................130
 Questões e Resumo........................................................................................134

Um campo magnético
muito complexo
Cientistas descobrem que as forças magnéticas que
envolvem o planeta são transmitidas por uma estrutura
na forma de grandes tubos

O
s ilustradores costumam representar o que escapam do núcleo do planeta e se espalham
campo magnético da Terra por linhas pelo manto, pela crosta e pela atmosfera, se es-
curvas, que unem os polos norte e sul, da tendendo até o espaço sideral. Funciona como
mesma forma como os livros didáticos indicam um escudo, que desvia a radiação emitida pelo
a força entre os dois polos de um ímã. Agora Sol, na forma de vento solar. Sem o campo, a
sabe-se que tais linhas em torno do planeta não vida seria impossível por aqui. A marca mais
são mera representação, mas reais. Usando um visível das forças eletromagnéticas do planeta
telescópio para observar galáxias muito distan- são as auroras polares, criadas pelo choque
tes, pesquisadores da Universidade de Sydney, das partículas eletrificadas do vento solar com
Austrália, descobriram que o campo magnético a atmosfera.
da Terra tem uma estrutura semelhante a uma Mudanças no campo magnético já eram co-
rede de tubos curvos. O que acusou definitiva- nhecidas. Estudos de minerais magnetizados
mente a existência desses tubos foram os desvios indicam que o campo tem os polos invertidos
das ondas de luz captadas das galáxias, que a cada 200 mil anos, em média. Entre 1831 e
deslocam as imagens. 2007, por exemplo, o polo norte magnético
Há anos o campo magnético tem merecido percorreu 2 mil quilômetros rumo ao nordeste.
atenção especial da ciência. Em 2013, a Agência Isso significa que ele coincide cada vez menos
Espacial Europeia (ESA) lançou um conjunto com o polo norte geográfico.
de três satélites, para medir com precisão o A mesma força eletromagnética que nos pro-
campo. A missão, batizada de Swarm (bando tege também nos é útil – das hidrelétricas, na
de pássaros, em inglês) confirmou que o campo geração de energia, à
está se alterando. Nos últimos dois anos, ele se leitura de cartões mag-
tornou mais intenso sobre o Oceano Índico, mas néticos (veja o infográ- ÍMÃ GIGANTE
enfraqueceu no Atlântico Sul, inclusive sobre fico na pág. 120). As leis A força magnética que
o Brasil. Os satélites confirmaram, também, do magnetismo e sua cria um campo em torno da
que o polo norte do campo magnético está se relação com a energia Terra tem uma estrutura
deslocando em direção à Sibéria. elétrica são o assunto tubular, como a mostrada
O campo é um feixe de ondas eletromagnéticas deste capítulo. na ilustração

118 GE FÍSICA 2016


DIVULGAÇÃO GE FÍSICA 2016 119
6 MAGNETISMO INFOGRÁFICO

Atração essencial
Combinado à eletricidade, o magnetismo é fundamental
não apenas para a tecnologia eletrônica, mas também
para a proteção do planeta e a existência da vida
Para gerar ELETRICIDADE,
uma usina hidrelétrica
aproveita a variação de
um campo magnético.
Ao correr pelos fios,
a eletricidade volta a
criar um campo magnético
(veja na pág. 124).

APARELHOS ELÉTRICOS só funcionam


graças à força eletromagnética

Os biólogos ainda não entendem


bem como isso acontece, mas
sabem que diversos PÁSSAROS
que migram entre os hemisférios
Norte e Sul, a cada ano,
orientam-se pelo campo
magnético da Terra.

As CÉLULAS são a
estrutura básica
de todo
organismo vivo.
Mas elas só
existem e
funcionam
porque...

...MOLÉCULAS de
Todo CARTÃO DE CRÉDITO Modernos sistemas diferentes
tem uma tarja magnetizada, de DIAGNÓSTICO substâncias se
que carrega informações POR IMAGEM, combinam e
sobre a identidade de seu como ressonância recombinam pela
proprietário. Se o cartão magnética, interação
for exposto a um campo dependem eletromagnética.
magnético muito intenso, diretamente do
essas informações se magnetismo.
embaralharão e se perderão.

120 GE FÍSICA 2016


Correntes elétricas criadas no interior da
Terra geram um campo magnético que
circunda o globo. Esse campo funciona
As AURORAS POLARES são criadas por como uma barreira que defende a Terra de
partículas ionizadas lançadas pelo Sol. grande parte da radiação do Sol. Não fosse
Repelidas pelo campo magnético da Terra, esse ESCUDO PROTETOR, dificilmente a
algumas se chocam com a atmosfera na vida teria se originado aqui.
região dos polos Norte e Sul (veja a aula 2
deste capítulo).

Os ÍMÃS podem ser naturais (de uma


rocha chamada magnetita) ou
artificiais. Todos têm o poder de atrair
outros metais, como ferro e níquel.

A invenção da BÚSSOLA pelos


chineses foi fundamental para as
grandes navegações e para a
descoberta de terras distantes da
Europa e da Ásia, no século XVI.

Seu SISTEMA NERVOSO – e o


dos demais animais – funciona
à base de sinais elétricos,
que geram minúsculos
campos magnéticos.
INFOGRAFIA: MULTI/SP

GE FÍSICA 2016 121


6 MAGNETISMO AULA 1 • CONCEITOS

MEMÓRIA METÁLICA Os ímãs permanentes utilizados no dia a dia são feitos de uma liga de ferro submetida a um campo magnético

O que atrai
H
á milhares de anos, na região de
Magnésia, os gregos antigos desco-
briram um mineral natural que tinha

tanto num ímã a curiosa característica de atrair pe-


daços de ferro e que interagiam entre si: um blo-
co desse material atraía outro bloco. Hoje, esse
mineral é conhecido como magnetita. E sabe-
mos que não atrai apenas o ferro, mas também

122 GE FÍSICA 2016


o níquel, o cobalto e diversas ligas metálicas.
A magnetita é um ímã natural e está presente,
ainda que em pequena quantidade, em quase
todas as amostras de ferro. Ímãs são rochas que
têm a capacidade de atrair pedaços de ferro e de
interagir entre si. Mais tarde, descobriu-se que
é possível fazer com que corpos adquiram pro-
priedades magnéticas semelhantes às dos ímãs.
A esses corpos imantados artificialmente damos
o nome de ímãs artificiais.

PROPRIEDADES DOS ÍMÃS [2]


[2]
Todo ímã tem dois polos, o norte (N) e o sul
(S). Por definição, o polo norte de um ímã é a ÍMÃ POR NATUREZA A magnetita é uma rocha magnetizada.
extremidade que aponta para o norte geográ-
fico da Terra, quando esse ímã está livre para
se movimentar (pendurado por um barbante,
por exemplo). A extremidade oposta é o polo
sul do ímã.

O polo norte do O polo sul do


ímã aponta para ímã aponta
o Polo Norte para o Polo Sul
geográfico da geográfico do
N S
Terra planeta FEITOS PELO HOMEM Os ímãs usados no dia a dia são ligas
metálicas imantadas artificialmente.

Essa propriedade das extremidades dos ímãs


– de ter um dos polos sempre voltado para o
Polo Norte da Terra – permitiu o desenvolvi-
mento das bússolas, a primeira aplicação práti-
ca do magnetismo.
Os polos do ímã são regidos por leis de atra-
[1]

ção e de repulsão. Polos magnéticos iguais de


[1] MARCOS PINTO [2] ANDREAS KERMANN/
SCIENCE PHOTO LIBRARY [3] CARLOS CUBI

dois ímãs se afastam devido a uma força de re-


pulsão. Polos opostos se atraem, por causa de
uma força de atração.

[3]
[3]

RODOPIO MAGNÉTICO A agulha de uma bússola é


uma barra muito fina e leve de metal imantado.
Encaixada num eixo que lhe dá liberdade de movimento,
Polos iguais: repulsão Polos opostos: atração a agulha indica o Polo Norte geográfico da Terra.

GE FÍSICA 2016 123


6 MAGNETISMO AULA 1 • CONCEITOS

Uma das principais propriedades dos ímãs


é a inseparabilidade dos polos. Sempre que
um ímã é dividido em dois, separando o polo N
do polo S, formam-se dois ímãs menores, cada
um com os próprios polos norte e sul, como na
figura abaixo. Em outras palavras, é impossível
que exista um polo magnético isolado. Eles só
existem aos pares.

N S

N S N S

Um ímã cortado ao meio resulta em dois ímãs com dois polos, N e S

CAMPO MAGNÉTICO
O campo magnético de um ímã é a região em
que ocorrem interações magnéticas. O campo
magnético é representado geometricamente pe-
las linhas de campo magnético. Quando espa-
lhamos limalha de ferro ao redor de um ímã, os
grãos da limalha se organizam segundo as linhas
do campo magnético criado pelo ímã. Veja na
foto ao lado como fica claro visualizar as linhas.
Por convenção, as linhas de campo magnético
que ligam os polos são orientadas do polo norte
para o polo sul – ou seja, “saem” do polo N e “en-
tram” no polo S. Veja:

N S

Cada um dos pontos do campo magnético é


definido por um vetor campo magnético, ou
vetor indução magnética ( B ), sempre tan-
gente às linhas do campo.

B₁
B₄

B₂
N S

B₃

B₅

[1]

O vetor campo magnético ( B ) é sempre tangente às DESENHO COM POEIRA DE METAL Um ímã colocado sobre uma superfície com limalhas de ferro
linhas de campo magnético mostra as linhas do campo magnético em torno de seus polos norte e sul.

124 GE FÍSICA 2016


ATENÇÃO! Se colocarmos uma bússola sobre qualquer
um desses pontos, a agulha sempre assumi-
rá o sentido do vetor indução magnética ( B )
aquele ponto.

N N
S

S S

N
N

S
S

N N

S S

Uma bússola colocada em diferentes pontos do campo magnético


de um ímã aponta no sentido do vetor indução magnética

A GEOGRAFIA E A FÍSICA Os polos geográficos e os No S.I., a unidade de medida da intensidade


polos magnéticos da Terra são coisas diferentes. Os polos do vetor campo magnético ou vetor indução
geográficos referem-se ao eixo de rotação do planeta. magnética é o tesla (T).
E as direções norte e sul são uma convenção dos geógrafos.

Já os polos magnéticos são definidos pelo campo magnético CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA
da Terra – uma realidade física. Nesse campo, as linhas de A agulha das bússolas aponta sempre para
força seguem no sentido inverso ao proposto pela geografia: o norte geográfico porque a Terra tem o pró-
o polo norte magnético do planeta é, na verdade, o polo sul prio campo magnético. Esse campo magnéti-
geográfico, e vice-versa. co é composto de alguns campos magnéticos
menores, de origens diferentes. Mas o campo
Os eixos magnético (em vermelho, na imagem acima) principal é o originado por correntes elétri-
e geográfico (em branco) também não coincidem. cas formadas no núcleo externo da Terra (veja
Um está ligeiramente inclinado em relação ao outro. como uma corrente elétrica gera campo magné-
tico na aula 2 deste capítulo).
A Terra funciona, então, como um gigantes-
co ímã, cujas linhas de campo magnético vão
do polo norte para o polo sul magnético. É inte-
ressante ressaltar que os polos magnéticos da
Terra não são estáticos. A polaridade magnéti-
ca terrestre é invertida de tempos em tempos.

PIADA PRONTA

[2]

[1] CORDELIA MOLLOY/SCIENCE PHOTO LIBRARY [2] FERNANDO GONSALES GE FÍSICA 2016 125
6 MAGNETISMO AULA 2 • CAMPO MAGNÉTICO E CORRENTE ELÉTRICA

CORTINA DE LUZES As auroras polares acontecem porque a Terra tem um campo magnético que atrai partículas eletricamente carregadas do Sol

Os ímãs e as cargas

A
uroras polares como a da foto acima
formam-se da interação entre íons lan-
N
çados pelo Sol e o campo magnético da
Hans Christian Oersted Terra. E você viu na aula 1: o que cria o i
(1777-1851) com ímãs principal campo magnético terrestre são corren-
e correntes elétricas tes elétricas no núcleo do planeta. Ou seja, mag- S
levaram à compreensão netismo e eletricidade mantêm uma relação ínti-
de que eletricidade e ma na física. É isso o que você vai ver nesta aula.
magnetismo constituem Todo condutor elétrico pode atuar como ímã.
dois aspectos de uma Quem demonstrou esse fenômeno foi o dina-
única força – a força marquês Hans Christian Oersted. Seus expe- Uma corrente elétrica atrai
eletromagnética. rimentos deixaram claro que um condutor per- uma agulha imantada

126 GE FÍSICA 2016


corrido por uma corrente elétrica produz um A intensidade do campo magnético gerado ATENÇÃO!
campo magnético ao seu redor, capaz de desviar por um condutor retilíneo é a mesma em qual-
a agulha de uma bússola. quer ponto situado a uma mesma distância R Frequentemente, o vetor
O campo magnético gerado por um condutor do condutor. campo magnético tem
depende não só da intensidade da corrente que Agora, vamos caracterizar a direção e o sen- de ser representado em
o atravessa como também da forma do condutor tido do vetor campo magnético. Sabemos que o direções perpendiculares
– se ele é retilíneo ou espiralado, por exemplo. vetor campo magnético é sempre tangente às a esta página, ou seja,
linhas de campo magnético (veja na aula 1 des- entrando ou saindo do
CONDUTOR RETILÍNEO te capítulo). Para conhecer o sentido das linhas plano da folha de papel.
Num condutor retilíneo percorrido por uma de campo magnético, empregamos a regra da Para representarmos
corrente elétrica (um fio elétrico comum), o ve- mão direita número 1. Veja: essa terceira dimensão,
tor campo magnético (B) em cada ponto ao redor utilizamos símbolos que
Linhas de campo
do fio é caracterizado por sua intensidade, sua magnético
indicam vetores que
direção e seu sentido. A intensidade do campo apontam para dentro ou
magnético em um ponto qualquer depende da
i
para fora da página. Veja:
distância entre o ponto e o condutor retilíneo.
O campo magnético diminui à medida que nos  Os símbolos
afastamos do condutor. Matematicamente:
ou
Coloque o polegar da mão direita apontando no mesmo sentido da
n0 $ i
B= , em que: corrente convencional e, com os demais dedos, contorne o condutor. representam um vetor
2$r$R O sentido das linhas de campo magnético é o sentido desses dedos. entrando na folha
 B é a intensidade do campo magnético, me-
dida em tesla (T); O campo magnético gerado por um fio condu-  Os símbolos
 i é a corrente elétrica que percorre o condu- tor atua em todos os pontos ao seu redor. Veja: ou
tor, medida em ampère (A); B2
 R é a distância entre um ponto qualquer do representam um vetor
O desenho representa
campo magnético e o fio condutor, medida B1 r1 saindo da folha
um condutor retilíneo
em metro (m); B1
B2 perpendicular à
 n 0 é a chamada permeabilidade magnética r1
i folha, visto de cima,
do vácuo. Esse fator é uma constante univer-
e percorrido por uma
sal que vale: B2 B1
corrente elétrica i que
B1
sai do plano do papel
-7 T$m
[1] 4 $ r $ 10
A
Todos os pontos a uma mesma distância do condutor estão sob a ação
[1]TORE MEEK/AFP [2] MARTYN F. CHILLMAID/SCIENCE PHOTO LIBRARY

de um campo magnético de mesma intensidade. Isso significa que os


vetores B 1 têm módulos iguais para qualquer ponto no raio r1.
O mesmo é válido para os vetores B 2 nos pontos que ocupam o raio
r2. Mas o campo magnético B 2 é menos intenso que B 1 porque está
mais distante do condutor : o módulo de B 2 é menor que o de B 1 .

Se a mesma situação fosse vista lateralmen-


te, teríamos a seguinte configuração:

Sai da página Entra na página


A regra da mão direita
[2]
B B número 1 indica que o
i campo magnético que
Um fio elétrico percorrido por uma corrente é colocado próximo a uma atua ao redor do condutor
porção de limalhas de ferro. O campo magnético gerado pela corrente aponta, do lado esquerdo,
distribui as limalhas pelas linhas de campo, em circunferências para fora do plano da
concêntricas em torno do fio. Quanto mais próximo o ponto estiver do página. E, do lado direito,
fio condutor, maior será a intensidade do campo magnético. para dentro desse plano

GE FÍSICA 2016 127


6 MAGNETISMO AULA 2 • CAMPO MAGNÉTICO E CORRENTE ELÉTRICA

ESPIRA CIRCULAR Intensidade do campo magnético


Um condutor curvado no formato de uma A intensidade do campo magnético gerado
circunferência constitui o que chamamos de no centro da espira percorrida por uma corren-
espira circular. Na ilustração abaixo, as setas te elétrica depende da intensidade da corrente
vermelhas indicam as linhas de campo mag- e do raio da espira circular. Matematicamente,
nético geradas quando uma corrente i elétrica
n0 $ i
percorre a espira circular. B= , em que:
2$R

 B é a intensidade do campo magnético, me-


dido em tesla (T);

 i é a corrente elétrica que percorre a espira,


medida em ampère (A);

 R é o raio da espira circular, medida em me-


tros (m);

 n 0 é a constante permeabilidade magnética


i do vácuo, que vale
-7 T$m
4 $ r $ 10
A

BOBINAS
O sentido das linhas de campo magnético no- Bobina é um conjunto de espiras agrupadas.
vamente é dado pela regra da mão direita núme- Existem dois tipos de bobina e cada um tem
ro 1. O dedo polegar da mão direita deve apontar comportamento eletromagnético próprio.
no mesmo sentido da corrente convencional que A bobina chata é aquela em que N espiras
circula pela espira. Os demais dedos contornan- de mesmo raio são justapostas. Nesse tipo de
do a espira indicam o sentido das linhas do cam- bobina, as espiras são agrupadas de tal maneira
po magnético, como mostra a figura abaixo. que podemos desprezar sua extensão.
A direção e o sentido do vetor campo magné-
tico que atua no entorno da bobina são dados
LEMBRE-SE pela regra da mão direita número 1. A intensi-
dade do campo magnético no centro da bobina
O vetor campo magnético é sempre tangente às linhas de é dada por
campo. Então, na espira circular abaixo, podemos definir a n0 $ i
direção e o sentido do campo magnético que atua no centro B = N$ , em que:
da espira pela regra da mão direita número 1. 2R

 B é a intensidade do vetor campo magnéti-


co, em tesla (T);
i
B R
 N é o número de espiras que constituem
B a bobina;
O
i  i é a corrente elétrica que percorre a bobi-
na, em ampère (A);
i
 R é o raio das espiras que constituem a bo-
i bina, em metros (m);

 n 0 é a constante permeabilidade magné-


Ao posicionarmos o dedo polegar da mão direita no sentido da tica do vácuo, que vale
corrente convencional, vemos que o vetor campo magnético aponta -7 T$m
4 $ r $ 10
para fora do plano percorrido pela corrente A

128 GE FÍSICA 2016


O segundo tipo de bobina é a bobina longa, NA PRÁTICA
ou solenoide. Num solenoide, as espiras não são
justapostas. E, para analisarmos o vetor campo Um eletroímã é uma bobina longa construída em
magnético em um solenoide, levamos em consi- torno de um núcleo feito de algum material que
deração a extensão (L) do enrolamento. apresente propriedades eletromagnéticas, como o
Colocado sobre uma superfície recoberta de ferro, o níquel ou o cobalto. Veja:
limalha de ferro, um solenoide percorrido por
uma corrente elétrica redistribui a limalha ao
longo das linhas do campo magnético. Veja:

i
Um fio de cobre enrolado num prego de ferro, ao conduzir a corrente
gerada pela pilha, produz um campo magnético mais intenso em
seu interior do que se não tivesse o prego como núcleo. O campo
magnético transforma o núcleo num ímã. Esse é um dispositivo com
diversas aplicações, como guindastes e portões elétricos.

A direção e o sentido do campo magnético


criado no interior de um solenoide percorrido
por uma corrente elétrica também são dados
pela regra da mão direita número 1.
O módulo do campo magnético gerado no
interior do solenoide é constante em toda a sua
extensão. Matematicamente,
N $ n0 $ i
B= , em que:
L
 B é a intensidade do vetor campo magnético,
em tesla (T);
 i é a corrente elétrica que percorre o sole-
noide, medida em ampère (A);
 L é a extensão do solenoide – no S.I. medida
em metro (m);
 N é o número de espiras que constituem o
solenoide;
 n 0 é a constante permeabilidade magnética
do vácuo, que vale
-7 T$m
4 $ r $ 10
A

PAUL RAPSON/SCIENCE PHOTO LIBRARY GE FÍSICA 2016 129


6 MAGNETISMO AULA 3 • FORÇA MAGNÉTICA

TREM VOADOR Os Maglevs são trens que usam a força eletromagnética para flutuar sobre os trilhos

Olhai as forças do campo

A
tecnologia mais moderna do século elétrica. Material desse tipo, que existe apenas
XXI baseia-se no eletromagnetismo, em laboratório, por ter resistência nula aceita
ou seja, na interação entre fenômenos grande intensidade de corrente e, assim, cria
elétricos e magnéticos. Uma das fren- um campo magnético muito poderoso, capaz de
tes mais promissoras de pesquisa da física é a de fazer levitar objetos bastante pesados. É o prin-
supercondutores – o desenvolvimento de dis- cípio que faz um trem Maglev flutuar sobre os
positivos com material que ofereça resistência trilhos e, assim, evitar a força de atrito, que opo-
praticamente nula à passagem de uma corrente ria resistência ao movimento.

130 GE FÍSICA 2016


FORÇA SOBRE UMA PARTÍCULA ATENÇÃO!
Assim como uma carga elétrica fica sujeita a
uma força elétrica quando colocada em uma re- Note que tanto para uma
gião onde existe um campo elétrico, ela também partícula de carga positiva
sofre a ação de uma força magnética quando co- quanto para uma partícula
locada num campo magnético uniforme – aque- de carga negativa, a
le no qual o campo magnético é constante. Po- direção da força magnética
rém, essa força magnética surge apenas quando que atua sobre ela é
a carga elétrica se movimenta em uma direção sempre perpendicular
perpendicular à do vetor campo magnético, ou ao plano definido pelos
quando existe uma componente de sua velocida- vetores velocidade e
de perpendicular ao campo magnético. Se a carga campo magnético.
elétrica estiver em repouso ou se se movimentar
numa direção paralela à do vetor campo magné-
tico, ela não sofrerá a ação da força magnética.
Matematicamente, a expressão que fornece
a intensidade da força magnética sobre uma
carga elétrica imersa num campo magnético é:

Fm = q $ v $ B $ sen i , em que
 Fm é a intensidade da força magnética que
atua sobre a carga, em newton (N);
 q é o módulo da carga elétrica da partícula,
em coulomb (C);
 v é a velocidade com que a carga elétrica se
movimenta, em metro por segundo (m/s);
 B é a intensidade do campo magnético, em
tesla (T);
 i é o ângulo entre o vetor campo magnético
e o vetor velocidade, em graus.

Note que, se a partícula está em repouso, a


força magnética é nula (se v = 0, então, Fm = 0).
Repare que a força magnética também é nula se
a partícula se desloca paralelamente ao campo
magnético (se i = 0° ou i = 180°, então, Fm = 0),
pois o seno de 0o ou de 180º é zero.
Para determinarmos a direção e o sentido
da força magnética, utilizamos a regra da mão
direita número 2. Se o polegar da mão direita
aberta apontar no sentido da velocidade da par-
tícula, os demais dedos apontarão no sentido do
AFP

campo magnético. Veja:


Fm

B
Empurrão
N S
S N

S N
V

LEVITAÇÃO SEM SEGREDO Uma das tecnologias empregadas nos REGRA DA MÃO DIREITA NÚMERO 2 A direção e o sentido da força
Maglevs faz com que o veículo flutue e se desloque impulsionado magnética que atua sobre uma partícula de carga elétrica positiva
pelas forças de repulsão e atração entre ímãs instalados no trem (q > 0) é a mesma direção e o mesmo sentido em que a mão direita
e nas laterais ou nos trilhos. daria um empurrão em alguma coisa.

GE FÍSICA 2016 131


6 MAGNETISMO AULA 3 • FORÇA MAGNÉTICA

NA PRÁTICA Caso a partícula que se movimenta no campo


magnético seja negativa (q < 0), a direção e o
sentido da força magnética que atua sobre ela
são dados pelo dorso da mão direita.

Empurrão
B

Fm

A força magnética que atua sobre uma partícula de carga elétrica


negativa (q < 0) tem o sentido contrário ao sentido em que a mão
direita daria um empurrão, mas a mesma direção

TRAJETÓRIA DE UMA
CARGA ELÉTRICA
A trajetória descrita por uma carga elétri-
ca lançada com certa velocidade num campo
magnético uniforme varia segundo a direção
e o sentido de seu lançamento em relação ao
O QUE FAZ DE UM MATERIAL UM SUPERCONDUTOR campo magnético.
Supercondutores são materiais que, resfriados a temperaturas muito
próximas do zero absoluto, perdem quase toda a capacidade de opor Lançamento em paralelo
resistência a uma corrente elétrica. Isso significa que os elétrons livres A força magnética que atua sobre a partícula
do material podem fluir livremente, conduzindo energia elétrica. é nula, porque o seno do ângulo 0º ou 180º é
zero. A partícula continua, portanto, sua traje-
Materiais com resistência elétrica nula apresentam grandes vantagens. tória retilínea, sem alterar nem a velocidade,
Uma delas é que a energia elétrica não é dissipada num circuito, ou seja, nem a direção, nem o sentido (em movimento
os equipamentos transformam praticamente toda a eletricidade em retilíneo uniforme).
trabalho útil. Por exemplo, se um motor de automóvel fosse construído
com materiais supercondutores, a energia térmica perdida pelo efeito
joule seria insignificante – ou seja, o motor jamais esquentaria.

Outra vantagem é que, atravessado por correntes elétricas de alta B


intensidade, o supercondutor cria ao seu redor um potente campo q V
magnético, que pode ser aproveitado para transporte de partículas ou
Fm = 0
mesmo de grandes corpos, como um trem.

Ĥ = 0º

V q

Fm = 0

Ĥ = 180º

Quer siga no mesmo sentido, quer siga no sentido oposto, a partícula


que se movimenta em paralelo ao vetor campo magnético não tem
nenhuma força magnética atuando sobre si

132 GE FÍSICA 2016


Lançamento perpendicular  m é a massa da partícula eletrizada, medi- ATENÇÃO!
Uma partícula de carga elétrica positiva (q > 0) da em quilograma (kg);
é lançada num campo magnético uniforme com  v é a velocidade com que a carga elétrica se No lançamento
direção perpendicular ao plano de papel e sentido movimenta, em metro por segundo (m/s); perpendicular de uma
para dentro da folha, como mostra a figura abaixo.  q é o módulo da carga elétrica da partícula, partícula numa região
Neste caso, existe uma força magnética atuando em coulomb (C); de campo magnético,
sobre a partícula. E sua direção e seu sentido são  B é a intensidade do campo magnético, a força magnética
dados pela regra da mão direita número 2. medida em tesla (T). atua como força
resultante centrípeta
A força magnética altera a direção do vetor velocidade FORÇA SOBRE UM e a partícula executa
da partícula. Assim, a cada instante o vetor velocidade CONDUTOR RETILÍNEO um movimento circular
e o vetor força magnética têm sua direção alterada.
Uma corrente elétrica que percorre um fio con- uniforme, conforme a
Mas continuam perpendiculares entre si
dutor retilíneo imerso numa região com campo ilustração abaixo.
B
O vetor campo magnético nada mais é que uma série de elétrons
V magnético é se movimentando no campo magnético, cada V
perpendicular ao
plano da um deles sob a ação de uma força magnética. A V
velocidade da composição das forças magnéticas que atuam em
F F
partícula e da cada um dos elétrons que se deslocam dentro do F
força magnética. fio condutor resulta na força magnética que atua F F
O sentido desse no fio condutor como um todo.
vetor é para
A força magnética que atua sobre a A intensidade da força magnética que atua V
B
dentro da página
partícula é horizontal e para a esquerda num fio condutor imerso em um campo mag- V
nético e percorrido por corrente elétrica é:
Uma partícula de carga elétrica negativa (q < 0)
tem o sentido do movimento circular uniforme Fm = B $ i $ l $ sen i , em que:
invertido. Compare na figura abaixo, que mos-
tra três partículas lançadas em um campo mag-  Fm é a intensidade da força magnética que
nético perpendicular ao plano do papel e com atua sobre o fio, em newton (N);
sentido para dentro da folha.  B é a intensidade do campo magnético, em
3
tesla (T);
 i é a intensidade da corrente elétrica que
B
percorre o fio, em ampère (A);
 l é o comprimento do fio, em metro (m);
 i é o ângulo entre o vetor campo magnéti-
co e o sentido da corrente elétrica conven-
1 2 cional, em graus.

A direção e o sentido da força magnética que


atua sobre um condutor retilíneo percorrido
Utilizando a regra da mão direita número 2 por corrente elétrica também são dados pela
e analisando a trajetória descrita por cada uma regra da mão direita número 2. Basta que o po-
das partículas, concluímos que: legar da mão direita aponte no mesmo sentido
 a partícula 1 tem carga elétrica positiva; da corrente elétrica convencional, e os demais
 a partícula 2 tem carga elétrica negativa; dedos apontarão no mesmo sentido do campo
 a partícula 3 é neutra. magnético (veja a ilustração na pág. ao lado).
Portanto, no caso de um fio retilíneo percor-
Para calcular o raio da trajetória descrita por rido por corrente elétrica, temos:
uma partícula eletrizada em movimento circu-
lar dentro de um campo magnético uniforme, F
basta perceber que a força magnética que atua
sobre a partícula é a própria resultante centrí-
peta. Matematicamente: B

R = m$v , em que: Ĥ
q$B i
 R é o raio da trajetória descrita pela partí- L
cula, em metro (m);

DAVID PARKER/SCIENCE PHOTO LIBRARY GE FÍSICA 2016 133


6 COMO CAI NA PROVA

1. (Uninove Medicina 2014) Tentando reproduzir o experimento de Oersted, um 2. (FGV 2015) Desde tempos remotos, muito se especulou acerca da origem e,
aluno colocou um fio condutor reto sobre uma bússola, paralelo à direção em que principalmente, das características do campo magnético terrestre. Recentes pes-
esta apontava quando submetida apenas ao campo magnético terrestre, como quisas, usando sondas espaciais, demonstram que o campo magnético terrestre:
indicado na figura 1. Ao fazer uma corrente elétrica circular pelo fio no sentido a) limita-se a uma região de seu entorno chamada magnetosfera, fortemente
indicado na figura 2, um campo magnético de intensidade semelhante ao campo influenciada pelo Sol.
magnético terrestre foi criado na posição em que se encontrava a agulha da bússola. b) limita-se a uma região de seu entorno chamada magnetosfera, fortemente
Figura 1 Figura 2 influenciada pela Lua.
c) é constante ao longo de toda a superfície do planeta, sofrendo forte influência
das marés.
d) é constante ao longo de toda a superfície do planeta, mas varia com o inverso
i do quadrado da distância ao seu centro.
e) é produzido pela crosta terrestre a uma profundidade de 5 a 30 km e é forte-
mente influenciado pela temperatura reinante na atmosfera.

RESOLUÇÃO
O campo magnético da Terra é gerado pelo movimento do núcleo da Terra, e a
região ao redor do planeta onde atua esse campo é chamada de magnetosfera.
No entanto, a magnetosfera sofre grande influência do Sol: ondas de choque do
vento solar deformam o campo.
Resposta: a
Sabendo que a extremidade vermelha da bússola aponta para o polo magnético
sul da Terra, a orientação que a agulha da bússola assumiu, quando submetida
a ambos os campos magnéticos, está representada por: 3. (Fuvest 2014) Partículas com carga elétrica positiva penetram em uma
câmara em vácuo, onde há, em todo seu interior, um campo elétrico de módulo
E e um campo magnético de módulo B, ambos uniformes e constantes, perpen-
a) b) c) d) e)
diculares entre si, nas direções e sentidos indicados na figura. As partículas
entram na câmara com velocidades perpendiculares aos campos de módulos v1
(grupo 1), v2 (grupo 2) e v3 (grupo 3). As partículas do grupo 1 têm sua trajetória
encurvada em um sentido, as do grupo 2, em sentido oposto, e as do grupo 3
não têm sua trajetória desviada. A situação está ilustrada na figura abaixo.
RESOLUÇÃO
Segundo o enunciado, a extremidade vermelha da agulha da bússola aponta para
o polo magnético sul da Terra, donde se conclui que a extremidade vermelha
representa o polo norte da agulha. B (saindo da folha) 1
Vamos representar a posição de um observador O, situado de tal forma que para
ele a corrente i representada na figura 2 do enunciado esteja “entrando no papel”:

E 2

Considere as seguintes afirmações sobre as velocidades das partículas de cada


grupo:
I. v1 > v2 e v1 > E/B
II. v1 < v2 e v1 < E/B
A III. v3 = E/B

Pela primeira regra da mão direita, obtemos o sentido da linha de indução que Está correto apenas o que se afirma em:
contém a posição da bússola colocada no ponto A, abaixo do fio. O polo norte da a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III.
agulha da bússola irá apontar no mesmo sentido das linhas de indução do campo
magnético gerado pela corrente i, ou seja, o polo norte da agulha da bússola Note e anote: os módulos das forças elétrica (FE) e magnética (FM) são:
colocada no ponto A apontará para a esquerda na nossa figura. FE = q . E
Resposta: d FM = q . v . B

134 GE FÍSICA 2016


RESUMO

RESOLUÇÃO
As forças que atuam sobre as partículas que penetram na câmara são a força Magnetismo
de origem elétrica (FE ) e a força aplicada pelo campo magnético (FM ). Segundo
o enunciado, a carga das partículas é positiva. Portanto, a força elétrica tem a ÍMÃS Todo ímã tem um polo norte e um polo sul. Polos
mesma direção e o mesmo sentido do campo elétrico. A direção e o sentido de FM magnéticos iguais se repelem, polos diferentes se atraem.
são dados pela aplicação da regra da mão direita número 2. Veja na figura abaixo Esses polos são inseparáveis: sempre que um ímã é dividido
como ficam os vetores das duas forças:. em dois, separando o polo N do polo S, formam-se dois
ímãs menores, cada um com os próprios polos norte e sul.
FE
CAMPO MAGNÉTICO É a região em que ocorrem intera-
eixo x ções magnéticas. O campo magnético é representado
geometricamente pelas linhas de campo magnético,
que são orientadas do polo norte para o polo sul. Cada
FM um dos pontos do campo magnético é definido por um
Repare que vetor campo magnético, ou vetor indução magnética ( B ),
tse a partícula segue na direção original do eixo x, tangente às linhas do campo. O sentido do vetor campo
FE = FM → q . E = q . v3 . B → E = v . B → v3 = E magnético é dado pela regra da mão direita número 1:
B
tse a partícula sobe, FE > FM → q . E > q . v1 . B → v1 < E (I) Linhas de campo
B magnético

tse a partícula desce, FM > FE → q . v2 . B > q . E → v2 > E (II) i

B
Comparando as expressões (I) e (II) concluímos que v1 ‹ v2 .
Resposta: e

4. (PUCRS-14) Uma partícula eletrizada positivamente de massa 4 mg é CONDUTORES ELÉTRICOS Todo condutor elétrico pode
lançada horizontalmente para a direita no plano xy, conforme a figura a seguir, gerar um campo magnético. A intensidade do campo de-
com velocidade de 100 m/s. pende da intensidade da corrente que atravessa o condutor
e da forma do condutor. Num condutor retilíneo, o campo
magnético diminui à medida que nos afastamos do con-
y
dutor. Mas é a mesma para todos os pontos a uma mesma
distância. Num condutor de espira circular, a intensidade
V do campo no centro da espira depende da intensidade da
corrente elétrica e do raio da espira circular. Numa bobina
x chata, depende do número de espiras, de seu raio e da
P intensidade da corrente que a atravessa. Numa bobina
longa, ou solenoide, a intensidade do campo magnético
Deseja-se aplicar à partícula um campo magnético B de tal forma que a força depende da extensão de enrolamento, mas é constante
magnética equilibre a força peso P. Considerando q = 2 . 10 –7 C e g = 10 m/s2, o em toda a sua extensão.
módulo, a direção e o sentido do vetor campo magnético são, respectivamente,
a) 2 . 106 T, perpendicular a v e saindo do plano xy. FORÇA MAGNÉTICA Para sofrer a ação de uma força mag-
b) 2 . 106 T, paralelo a v e entrando no plano xy. nética, uma carga elétrica precisa se movimentar per-
c) 2 T, perpendicular a v e saindo do plano xy. pendicularmente ao vetor campo magnético, ou quando
d) 2 T, perpendicular a v e entrando no plano xy. seu movimento tem alguma componente perpendicular
e) 2 T, paralelo a v e saindo do plano xy. ao campo. A direção e o sentido da força magnética são
dados pela regra da mão direita número 2:
RESOLUÇÃO Fm
Para que a força peso (P) seja equilibrada pela força magnética (FM ), esta deve
ter a mesma direção e o sentido contrário a P. Pela aplicação da regra da mão Empurrão
B
direita número 2, verificamos que o campo magnético tem direção perpendicular
ao plano xy, entrando nele.
O enunciado afirma que a força magnética deve equilibrar a força peso. Então,
essas duas forças devem ter o mesmo módulo, a mesma direção e sentidos opostos.
A massa da partícula é m = 4 mg = 4 . 10 –6 kg V

Se FM = P → q . v . B . sen 90º = m . g → FM = 2 . 10 –7. 100 . B = 4 . 10 –6 . 10 → B = 2T


Resposta: d

GE FÍSICA 2016 135


SIMULADO
QUESTÕES SELECIONADAS ENTRE OS MAIORES VESTIBULARES DO PAÍS COM RESPOSTAS COMENTADAS

CAPÍTULO 1 4. (Unisa 2014) O gráfico representa a variação da temperatura


de uma amostra de água, inicialmente no estado líquido a 60 ºC,
1. (Fuvest 2014) Uma lâmina bimetálica de bronze e ferro, na em função do intervalo de tempo.
temperatura ambiente, é fixada por uma de suas extremida-
des, como visto na figura abaixo. Considere que o calor específico da água é 1,0 cal/(g·ºC), o calor
latente de fusão do gelo é 80 cal/g e que o calor é extraído da
bronze
ferro água a uma taxa constante de 10 cal/s. Ao final de 20 minutos,
a quantidade de água que ainda restará, em gramas, é igual a:
Nessa situação, a lâmina está plana e horizontal. A seguir, ela é a) 15. b) 20. c) 5. d) 25. e) 10.
aquecida por uma chama de gás. Após algum tempo de aqueci-
mento, a forma assumida pela lâmina será mais adequada-
mente representada pela figura: CAPÍTULO 2
a) b) c)
5. (FGV 2014, adaptada) Em alguns países da Europa, os radares
fotográficos das rodovias, além de detectarem a velocidade instan-
d) e) tânea dos veículos, são capazes de determinar a velocidade média
desenvolvida pelos veículos entre dois radares consecutivos. Con-
sidere dois desses radares instalados em uma rodovia retilínea e
Note e adote: horizontal. A velocidade instantânea de certo automóvel, de 1 500 kg
O coeficiente de dilação térmica linear do ferro é 1,2 . 10 – 5 ºC– 1 de massa, registrada pelo primeiro radar foi de 72 km/h. Um minuto
O coeficiente de dilação térmica linear do bronze é 1,8 . 10 – 5 ºC– 1 depois, o radar seguinte acusou 90 km/h para o mesmo automóvel.
Após o aquecimento, a temperatura da lâmina é uniforme. Com a velocidade crescendo de modo constante, em função do tem-
po, é correto afirmar que a distância entre os dois radares é de:
a) 450 m b) 675 m c) 925 m d) 1,075 km e) 1,350 km
2. (FGV 2014) Uma pessoa adquiriu um condicionador de ar pa-
ra instalá-lo em determinado ambiente. O manual de instruções
do aparelho traz, dentre outras, as seguintes especificações: 6. (PUC-Rio 2014) Os vencedores da prova de 100 m rasos são
9 000 BTUs; voltagem: 220 V; corrente: 4,1 A; potência: 822 W. chamados de homem/mulher mais rápidos do mundo. Em geral,
após o disparo e acelerando de maneira constante, um bom cor-
Considere que BTU é uma unidade de energia equivalente a 250 redor atinge a velocidade máxima de 12,0 m/s a 36,0 m do ponto
calorias e que o aparelho seja utilizado para esfriar o ar de um de partida. Esta velocidade é mantida por 3,0 s. A partir deste
ambiente de 15 m de comprimento, por 10 m de largura, por 4 ponto o corredor desacelera também de maneira constante com
m de altura. O calor específico do ar é de 0,25 cal/(g·ºC) e a sua a = − 0,5 m/s2, completando a prova em aproximadamente 10 s. É
densidade é de 1,25 kg/m3. O uso correto do aparelho provocará correto afirmar que a aceleração nos primeiros 36,0 m, a distân-
uma variação da temperatura do ar nesse ambiente, em valor cia percorrida nos 3,0 s seguintes e a velocidade final do corredor
absoluto e em graus Celsius, de: ao cruzar a linha de chegada são, respectivamente:
a) 10 b) 12 c) 14 d) 16 e) 18 a) 2,0 m/s2 ; 36,0 m; 10,8 m/s.
b) 2,0 m/s2 ; 38,0 m; 21,6 m/s.
c) 2,0 m/s2 ; 72,0 m; 32,4 m/s.
3. (PUC-Rio 2014) Seja um mol de um gás ideal a uma tempera- d) 4,0 m/s2 ; 36,0 m; 10,8 m/s.
tura de 400 K e à pressão atmosférica po. Esse gás passa por uma e) 4,0 m/s2 ; 38,0 m; 21,6 m/s.
expansão isobárica até dobrar seu volume. Em seguida, esse gás
passa por uma compressão isotérmica até voltar a seu volume
original. Qual a pressão ao final dos dois processos? 7. (Enem 2012) Para melhorar a mobilidade urbana na rede me-
a) 0,5 p o T (oC)
troviária é necessário minimizar o tempo entre estações. Para
b) 1,0 p o isso a administração do metrô de uma grande cidade adotou o
60
c) 2,0 p o seguinte procedimento entre duas estações: a locomotiva parte
d) 5,0 p o do repouso com aceleração constante por um terço do tempo de
e) 10,0 p o t (min) percurso, mantém a velocidade constante por outro terço e reduz
0 10 20

136 GE FÍSICA 2016


sua velocidade com desaceleração constante no trecho final, até 11. (Uespi 2012) A figura a seguir ilustra duas pessoas (repre-
parar. Qual é o gráfico de posição (eixo vertical) em função do sentadas por círculos), uma em cada margem de um rio, puxando
tempo (eixo horizontal) que representa o movimento desse trem? um bote de massa 600 kg através de cordas ideais paralelas ao
solo. Neste instante, o ângulo que cada corda faz com a direção
a) b) c) d) e)
da correnteza do rio vale i = 37°, o módulo da força de tensão
posição

em cada corda é F = 80 N, e o bote possui aceleração de módulo


0,02 m/s2, no sentido contrário ao da correnteza (o sentido da
tempo correnteza está indicado por setas tracejadas). Considerando
sen(37°) = 0,6 e cos(37°) = 0,8, qual é o módulo da força que a
8. (Aman 2012) Um lançador de granadas deve ser posicionado a correnteza exerce no bote?
uma distância D da linha vertical que passa por um ponto A. Este pessoa
ponto está localizado em uma montanha a 300 m de altura em rela- a) 18 N
ção à extremidade de saída da granada, conforme o desenho abaixo. b) 24 N correnteza
bote
c) 62 N
Linha vertical d) 116 N
e) 138 N
Saída A
pessoa
300 m
Lançador de
granadas
D
Montanha
12. (Fuvest 2014) Em uma competição de salto em distância,
um atleta de 70 kg tem,imediatamente antes do salto,uma ve-
locidade na direção horizontal de módulo 10 m/s. Ao saltar, o
A velocidade da granada, ao sair do lançador, é de 100 m/s e forma atleta usa seus músculos para empurrar o chão na direção ver-
um ângulo a com a horizontal; a aceleração da gravidade é igual tical, produzindo uma energia de 500 J, sendo 70% desse valor
a 10 m/s2 e todos os atritos são desprezíveis. Para que a granada na forma de energia cinética. Imediatamente após se separar
atinja o ponto A, somente após a sua passagem pelo ponto de maior do chão, o módulo da velocidade do atleta é mais próximo de:
altura possível de ser atingido por ela, a distância D deve ser de: a) 10,0 m/s b) 10,5 m/s c) 12,2 m/s d) 13,2 m/s e) 13,8 m/s
a) 240 m b) 360 m c) 480 m d) 600 m e) 960 m

Dados: cos a = 0,6; sen a = 0,8. 13. (Fuvest 2014) No sistema cardiovascular de um ser huma-
no, o coração funciona como uma bomba, com potência média
de 10 W, responsável pela circulação sanguínea. Se uma pessoa
CAPÍTULO 3 fizer uma dieta alimentar de 2 500 kcal diárias, a porcentagem
dessa energia utilizada para manter sua circulação sanguínea
9. (UFSM-MED 2014) Um pequeno avião a jato, de massa 1 .10 4
será, aproximadamente, igual a:
kg, partindo do repouso, percorre 1 . 10 m de uma pista plana
3
(Adote 1 kcal = 4 . 103 J e 1 dia = 9 . 10 4 s)
e retilínea até decolar. Nesse percurso, a resultante das forças a) 1% b) 4% c) 9% d) 20% e) 25%
aplicadas no avião tem intensidade igual a 18 . 103 N. A veloci-
dade final da aeronave no final do percurso, no momento da
decolagem, em km/h, tem intensidade igual a: CAPÍTULO 4
a) 157 b) 118 c) 255 d) 216 e) 294
14. (Ibmec-Rio 2013) Um raio de luz monocromática se propaga
do meio A para o meio B, de tal forma que o ângulo de refração b
10. (FGV 2013) Um carro, de massa 1 000 kg, passa pelo ponto vale a metade do ângulo de incidência a. Se o índice de refração
superior A de um trecho retilíneo, mas inclinado, de certa estra- do meio A vale 1 e o sen b = 0,5, o índice de refração do meio B vale:
da, a uma velocidade de 72 km/h. O carro se desloca no sentido
do ponto inferior B, 100 m abaixo de A, e passa por B a uma ve-
locidade de 108 km/h. a) √2
b) 3 A

A c) √3 B
d) 0,75
100 m e) 0,5
B

A aceleração da gravidade local é de 10 m/s2. O trabalho realiza-


do pelas forças dissipativas sobre o carro em seu deslocamento 15. (Fuvest 2013) Uma das primeiras estimativas do raio da
de A para B vale, em joules, Terra é atribuída a Erastóstenes, estudioso grego que viveu,
a) 1,0 . 105 b) 7,5 . 105 c) 1,0 . 10 6 d) 1,7 . 10 6 e) 2,5 . 10 6 aproximadamente, entre 275 a.C. e 195 a.C. Sabendo que em As-

GE FÍSICA 2016 137


SIMULADO

suã, cidade localizada no sul do Egito, ao meio-dia do solstício Olhando para o espelho, a pessoa pode ver a imagem de um mo-
de verão, um bastão vertical não apresentava sombra, Erastós- tociclista e de sua motocicleta que passam pela rua com veloci-
tenes decidiu investigar o que ocorreria, nas mesmas condições, dade constante v = 0,8 m/s, em uma trajetória retilínea paralela
em Alexandria, cidade no norte do Egito. O estudioso observou à calçada, conforme indica a linha tracejada. Considerando que
que, em Alexandria, ao meio-dia do solstício de verão, um bastão o ponto O na figura represente a posição dos olhos da pessoa
vertical apresentava sombra e determinou o ângulo i entre as na calçada, é correto afirmar que ela poderá ver a imagem por
direções do bastão e de incidência dos raios de sol. O valor do inteiro do motociclista e de sua motocicleta refletida no espelho
raio da Terra, obtido a partir de i e da distância entre Alexandria durante um intervalo de tempo, em segundos, igual a:
e Assuã foi de, aproximadamente, 7 500 km. a) 2 b) 3 c) 4 d) 5 e) 1
O mês em que foram realizadas as observações e o valor aproxi-
mado de i são:
18. (Fuvest 2014) Um prisma triangular desvia um feixe de luz
r ia a) junho; 7º. verde de um ângulo iA , em relação à direção de incidência, como
raios n d
i e xa b) dezembro; 7º. ilustra a figura A, abaixo.
de sol Al
c) junho; 23º.
d) dezembro; 23º.
Assuã luz iA
e) junho; 0,3º.
verde

Note e adote: distância


estimada por Erastóste- A B C

nes entre Assuã e Alexan- Se uma placa plana, do mesmo material do prisma, for coloca-
dria ≈ 900 km; π ≈ 3 da entre a fonte de luz e o prisma, nas posições mostradas nas
figuras B e C, a luz, ao sair do prisma, será desviada, respectiva-
mente, de ângulos i B e i C , em relação à direção de incidência
16. (FGV 2011) Ao estacionar seu carro, o motorista percebeu indicada pela seta.
a projeção da imagem da pequena lâmpada acesa de um dos
faroletes, ampliada em 5 vezes, sobre a parede vertical adiante Os desvios angulares serão tais que:
do carro. Em princípio, o farolete deveria projetar raios de luz a) iA = iB = iC c) iA < iB < iC e) iA = iB < iC
paralelos, já que se tratava de um farol de longo alcance. Perce- b) iA > iB > iC d) iA = iB > iC
beu, então, que o conjunto lâmpada-soquete tinha se deslocado
da posição original, que mantinha a lâmpada a 10,0 cm da super-
fície espelhada do espelho esférico côncavo existente no farol. CAPÍTULO 5

Considerando que o foco ocupa uma 19. (Unicamp 2014) A atração e a repulsão entre partículas
posição adiante do vértice do espe- carregadas têm inúmeras aplicações industriais, como a pintura
lho, sobre o eixo principal, é possí- eletrostática. As figuras abaixo mostram um mesmo conjunto de
vel concluir que, agora, a lâmpada partículas carregadas, nos vértices de um quadrado de lado a, que
se encontra a exercem forças eletrostáticas sobre a carga A no centro desse
a) 2,0 cm atrás do foco. quadrado. Na situação apresentada, o vetor que melhor represen-
b) 1,0 cm atrás do foco. ta a força resultante agindo sobre a carga A se encontra na figura:
c) 0,5 cm atrás do foco.
d) 0,5 cm adiante do foco. a) +q –2q b) +q –2q
a a
e) 2,0 cm adiante do foco.
–q → –q
F
a a a a
17. (Vunesp 2014) Uma pessoa está parada numa calçada plana A

F A
e horizontal diante de um espelho plano vertical E pendurado na
fachada de uma loja. A figura representa a visão de cima da região. a a
+q –2q +q –2q

c) +q –2q d) +q –2q
1,8 m
a a
V

–q –q

5m

a F a a → a
O calçada F
2m

E A A
fora de escala
1,2 m a a
+q –2q +q –2q

138 GE FÍSICA 2016


20. (Unifesp agosto 2013) Você constrói três resistências CAPÍTULO 6
elétricas, R A , R B e RC , com fios de mesmo comprimento e com as
seguintes características: 24. (UFG 2004) Oito ímãs idênticos estão dispostos sobre uma
I. O fio de R A tem resistividade 1,0 . 10 –6 Ω · m mesa à mesma distância de um ponto O, tomado como origem,
e diâmetro de 0,50 mm. e orientados como mostra a figura.
II. O fio de R B tem resistividade 1,2 . 10 –6 Ω · m
x
e diâmetro de 0,50 mm. Desprezando o efeito do
III. O fio de RC tem resistividade 1,5 . 10 –6 Ω · m N campo magnético da Ter-
N S S
e diâmetro de 0,40 mm. S N ra, o campo magnético
resultante, em O, formará
Pode-se afirmar que: N S N S y com o eixo x, no sentido
a) R A > R B > RC d) RC > R A > R B anti-horário, um ângulo de:
S S
b) R B > R A > RC e) RC > R B > R A N N N a) 0° b) 315° c) 135°
c) R B > RC > R A S d) 225° e) 45°

21. (PUC Rio 2014) O que acontece com a força entre duas cargas
elétricas (+ Q) e (– q) colocadas a uma distância (d) se mudarmos a 25. (UFSCar 2004) Um fio AC, de 20 cm de comprimento, está
carga (+ Q) por (+ 4Q), a carga (– q) por (+ 3q) e a distância (d) por (2d)? posicionado na horizontal, em repouso, suspenso por uma mola
a) Mantém seu módulo e passa a ser atrativa. isolante de constante elástica k, imerso num campo magnético
b) Mantém seu módulo e passa a ser repulsiva. uniforme horizontal B = 0,5 T, conforme mostra a figura.
c) Tem seu módulo dobrado e passa a ser repulsiva.
d) Tem seu módulo triplicado e passa a ser repulsiva. Sabendo-se que a massa do
e) Tem seu módulo triplicado e passa a ser atrativa. fio é m = 10 g e que a constan-
te da mola é k = 5 N/m, a de-
formação sofrida pela mola,
22. (FGV 2013) A figura representa um calorímetro adiabático B quando uma corrente i = 2 A
contendo certa quantidade de água que deve ser aquecida sem mu- passar pelo fio, será de:
A C
dar de estado físico, por meio de uma associação de 2 resistores ôh- a) 3 mm
micos, idênticos, alimentada por um gerador de f.e.m. constante f. i i b) 4 mm
c) 5 mm
Quando os resistores são d) 6 mm
associados em paralelo, o e) 20 mm
intervalo de tempo neces-
sário para elevar a tempe-
ratura da água de um certo 26. (IME 2013) A figura abaixo apresenta uma partícula com
valor é ∆t 1 . Quando asso- f velocidade v, carga q e massa m penetrando perpendicularmen-
ciados em série, o intervalo Req te em um ambiente submetido a um campo magnético B. Um
de tempo necessário para anteparo está a uma distância d do centro do arco de raio r cor-
elevar a temperatura da respondente à trajetória da partícula.
água do mesmo valor é ∆t 2 . água r
A relação ∆t1 ⁄ ∆t 2 vale:
d
a) 1/4
partícula
b) 1/2
c) 1
d) 2
e) 4

23. (Unifesp 2008) Um consumidor troca a sua televisão de


29 polegadas e 70 W de potência por uma de plasma de 42 pole-
gadas e 220 W de potência. Se em sua casa se assiste televisão O tempo, em segundos, necessário para que a partícula venha
durante 6,0 horas por dia, em média, pode-se afirmar que o au- a se chocar com o anteparo é:
√2
mento de consumo mensal de energia elétrica que essa troca (Dados: v = 10 m/s; B = 0,5 T; q = 10 n c; m = 10 . 10 –20 kg: d = r)
2
vai acarretar é, aproximadamente, de
a) 13 kWh b) 27 kWh c) 40 kWh a) 40π . 10 –15 b) 20π . 10 –15 c) 10π . 10 –15
d) 70 kWh e) 220 kWh d) 5π . 10 –15 e) 2,5π . 10 –15

GE FÍSICA 2016 139


SIMULADO

Respostas
Pressão inicial = p o ;
Volume inicial = Vo ;
Temperatura inicial = 400 K.

II. Na transformação isobárica, a pressão não se alterou, apenas


CAPÍTULO 1 o volume, que dobrou. E não conhecemos a temperatura. Então,
os novos valores das variáveis de estados são:
1. Você deve se lembrar da expressão matemática para a varia- p2 = po
ção de comprimento sofrida por uma barra: ∆L = a . Lo . ∆ i, em que: V2 = 2 . Vo
ta é o coeficiente de dilatação linear do material de que é feita T2 = ?
a barra; Pela equação geral dos gases relacionamos os valores das va-
tL o é o comprimento inicial da barra; riáveis de estado na situação inicial e na segunda situação e
t∆ i é a variação de temperatura. encontramos a temperatura T2 :
p1 . V1 p2 . V2 p o . Vo p o . 2 . Vo
Na questão, o comprimento inicial das barras e a variação de tem- = & = & T2 = 800 K
T1 T2 400 T2
peratura (Lo e ∆i) são iguais para as barras de ferro e bronze. Mas
o coeficiente de dilatação linear do bronze é maior que o do ferro. III. O enunciado informa o estado do gás depois da transfor-
Não é preciso fazer nenhum cálculo. Basta raciocinar: o aumento do mação isotérmica: a temperatura se manteve constante, o gás
comprimento da barra de bronze dobrará a barra de ferro para baixo. voltou a seu volume original. Não conhecemos a pressão. Assim:
Resposta: d p3 = ?
V3 = Vo
T3 = 800 K
2. A questão exige uma série de cálculos, todos muito simples, Novamente, pela equação geral dos gases, decobrimos a pressão p3:
e conceitos que você deve ter de memória. Por partes:
p2 . V2 p3 . V3 p o . 2 . Vo p3 . Vo
I. A quantidade de calor Q que o condicionador de ar irá retirar = & = & p3 = 2 . p 0
T2 T3 800 800
do ambiente para resfriá-lo, em módulo, tem valor de 9 000 BTUs.
Segundo o enunciado, 1 BTU = 250 cal, então Resposta: c
Q = 9 000 . 250 → Q = 2 250 000 cal
II. O volume de ar contido na sala é calculado pelas dimensões
da sala (cálculo do volume de um paralelepípedo): 4. A questão exige que você conheça a relação entre quantidade
V = 15 m . 10 m . 4 m → V = 600 m3 de calor e variação de temperatura e que saiba interpretar grá-
III. A densidade do ar é fornecida no enunciado: d = 1,25 kg/m3. ficos. O enunciado diz que o calor é extraído da água a uma taxa
E sabemos que a densidade é a razão entre massa e volume. constante de 10 cal/s. Repare que a unidade aqui é segundo (s).
Daí obtemos a massa de ar contida na sala: E que o gráfico apresenta a variação da temperatura em função
do tempo, mas em minutos. Precisamos trocar essa unidade para
d = m & 1,25 = m & m = 750 kg = 750 . 103g segundos: 1 min = 60 s → 10 min = 600 s
v 600
Assim, no primeiro trecho do gráfico, nos 10 minutos em que a
IV. Por fim, a relação entre a quantidade de calor Q e a correspon- temperatura da água caiu de 60 oC para 0 oC, a quantidade de
dente variação de temperatura é dada por: Q = m . c . ∆i, em que c é calor (Q) era Q1 = 10 . 600 → Q1 = 6 000 cal.
o valor do calor específico do ar, também fornecido no enunciado: Sabendo que nesse processo foram utilizadas 6 000 cal, obtemos
c = 0,25 cal/g . oC o valor da massa de água:
Substituindo todos os dados que descobrimos na Q1 = m . c . ∆i → 6 000 = m . 1 .60 → m = 100 g (massa total de água
expressão Q = m . c . ∆i, temos no início do experimento)
2 250 000 = 750 . 103 . 0,25 . ∆i → ∆i = 12 oC
Resposta: b O segundo trecho do gráfico mostra que a água se manteve em
temperatura constante de 0 oC nos 10 minutos seguintes (por
outros 600 s). Nesse intervalo também foi utilizada uma quan-
3. Você deve se lembrar, primeiro, o significado dos termos tidade de calor Q2 = 6 000 cal.
isobárico e isotérmico, que aparecem no enunciado. Se o gás
passou por uma expansão isobárica, ele alterou seu volume Tendo sido extraída essa quantidade de calor da água, a massa
sem que fosse alterada a pressão; se, depois, ele foi compri- de água que se solidificou (m sol) é:
mido isotermicamente, então ele reduziu de volume sem que Q2 = msol . L → 6 000 = msol . 80 → msol = 75 g
a temperatura variasse. Vamos definir o estado do gás a cada
situação – inicial, depois da transformação isobárica e, por fim, Como tínhamos de início 100 g de água e apenas 75 g se solidi-
depois da isotérmica. ficaram, concluímos que a quantidade de água que restou foi
I. No início da situação apresentada no enunciado, o gás estava de 25 gramas.
no seguinte estado: Resposta: d

140 GE FÍSICA 2016


CAPÍTULO 2 8. Para responder à questão, precisamos decompor o vetor
de velocidade da granada em suas componentes horizontal e
5. A velocidade do carro variou de v = 72 km/h = 20 m/s para
1 vertical (vx e vy). Da aula, você se lembra:
v2 = 90 km/h = 25 m/s num intervalo de tempo ∆t = 1 minuto = 60 s,
y
o valor da sua aceleração nesse trecho tem valor : Conhecemos a velocidade ini-
Vy V cial (v0 = 100 m/s). Então, encon-
∆v 25 – 20 1
a = & a = & a = m/s2 tramos as componentes v0x e v0y:
∆t 60 12
v0x = vo . cos a → vx = 100 . 0,6 →
Para MRUV, relacionamos os valores da velocidade em dois i vx = 60 m/s
pontos da trajetória com o seu deslocamento entre esses dois Vx x voy = vo . sen a → voy = 80 m/s
pontos pela equação de Torricelli:
No ponto mais alto da trajetória do projétil (o ponto de coorde-
1
v = v + 2 . a . ∆s & 25 = 20 = 2 . . ∆s &
2
2
2
1
2 2
nadas vx e vy), a componente vertical da velocidade se anula
12
(vy = 0). Então, o corpo atinge o ponto mais alto no instante
1 1
625 = 400 + . ∆s & . ∆s = 225 & ∆s = 1 350 m vy = v0y + a . t → vy = 80 – 10 . t → 0 = 80 – 10 . t → t = 8 s
6 6
Resposta: e Com a função horária do deslocamento no eixo y, determinamos
em que instante o projétil passa pela posição y = 300 m.

6. A questão pede três cálculos, início, meio e fim da corrida. y = y0 + v0y . t +


a 2
2
. t → y = 0 + 80 . t –
10 2
2
. t → y = 80 . t – 5 . t2
I. Do início da corrida é pedida a aceleração. Nos 3 segundos ini-
ciais, o corredor acelera de vo = 0 até v = 12 m/s e percorre 36 m. no ponto A: yA = 300 m
Simples aplicação da equação de Torricelli: 300 = 80 . t – 5 . t2 → t2 – 16 . t + 60 = 0
v2 = v20 + 2 . a . ∆s & 122 = o2 + 2 . a . 36 = 144 = 72 . a & a = 2 m/s2
Resolvendo a equação, chegamos às raízes t1 = 6 s e t2 = 10 s. Como
II. Para o trecho seguinte, é pedida a distância percorrida. A ve- é uma exigência do enunciado que o projétil tenha passado pelo
locidade é constante por 3 segundos. Então, com velocidade ponto mais alto da trajetória, o valor a ser utilizado é t = 10 s.
constante, o corredor percorre: Para se obter o valor da distância D, lembramos que a compo-
nente horizontal da velocidade é constante (vx = 60 m/s). Então,
∆s ∆s
v = & 12 = & ∆s = 36 m
∆t 3 ∆x D
vx = & 60 = & D = 600 m
∆t 10
III. E, para o trecho final, a velocidade. Até aqui, o corredor já
percorreu 72 metros. Até a linha de chegada restam 28 metros Resposta: d
(∆s = 28 m). E esse trecho final é percorrido com uma desacele-
ração a de – 0,5 m/s2. Portanto, aplicando novamente a equação
de Torricelli, temos CAPÍTULO 3
v2 = v2 + 2 . a . ∆s & v2 = 122 + 2 . (– o,5) . 28 = 144 – 28 & v = 10,8 m/s2
Resposta: a 9. A partir da segunda lei de Newton obtemos o valor da ace-
leração do avião:
Fres = m . a → 18 . 103 = 1 . 104 . a → a = 1,8 m/s2
7. A questão exige, apenas, que você saiba interpretar os grá- Lembrando que o avião parte do repouso (vo =0), utilizamos
ficos e associá-los aos tipos de movimento descritos no enun- a equação de Torricelli para encontrar a velocidade final, no
ciado. Repare que os gráfico não dão a velocidade em função do momento da decolagem:
tempo, mas a posição em função do tempo.
I. No primeiro trecho, o movimento é de aceleração constan- V2 + 2 . a . ∆s & V2 = 2 . 1,8 , 1 . 103 & v2 = 3 600 & v = 60 m/s
te. Nesse caso, a posição varia em função do tempo seguindo v = 216 km/h
a curva de uma parábola com concavidade voltada para cima.
Descartamos a alternativa e. Resposta: d
II. No segundo trecho, a velocidade é constante. Então a posição
varia linearmente com o tempo – o que no gráfico é representado
por uma reta. Descartamos as alternativas a e d. 10. Primeiro, vamos transformar os valores da velocidade do au-
III. Por fim, no trecho final, o trem desacelera. Novamente a po- tomóvel nos pontos A e B , de km/h em m/s: vA = 20 m/s e vB = 30 m/s.
sição em função do tempo é representada em gráfico como uma A energia cinética do corpo nos pontos A e B é calculada pela
curva de parábola. Só que, agora, como a aceleração é negativa, aplicação da fórmula que você conhece da aula:
a concavidade é voltada para baixo. A única alternativa em que
m . v2A 1 000 . 202
isso ocorre é a c. ECA = & ECA = & ECA = 200 000 J
2 2
Resposta: c

GE FÍSICA 2016 141


SIMULADO

m . v 2B 1 000 . 302
ECB = & ECB = & ECB = 450 000 J O módulo da velocidade do atleta (v) será:
2 2
m . v2 70 . v2
Adotando o ponto B como referencial para cálculo da energia ECtot = & 3850 = & v2 = 110 & .v1 b 10,5 m/s
2 2
potencial gravitacional, os valores da energia potencial gravi-
tacional do carro nos pontos A e B tem valores: Resposta: b
EPA = m . g . hA & EPA = 1 000 . 10 . 100 & EPA = 1 000 000 J
EPB = 0
13. Primeiro vamos fazer a conversão de unidades: a quanti-
A energia mecânica (Em) do automóvel em cada um desses pontos dade de energia assimilada pela organismo, em joules, adotando
é a soma da energia cinética com a energia potencial gravita- os valores dados no enunciado:
cional. Então, 2 500 kcal = 2 500 . 4 . 103 J = 1 . 107 J
EMA = ECA + EPA & EMA = 200 000 + 1 ooo ooo & EMA = 1 200 000 J
EMB = ECB + EPB & EMB = 450 000 J Você deve se lembrar: a potência de um sistema é a relação entre
a quantidade de energia utilizada e o tempo gasto nesse processo:
As forças dissipativas retiram energia do sistema. Neste caso,
∆E ∆E
elas correspondem à variação da energia mecânica: P = & 10 = & ∆E = 9 . 105 J
∆t 9 . 104
xdiss = ∆EM → xdiss = EMB – EMA → xdiss = 450 000 – 1 200 000
xdiss = – 750 000 J Em porcentagem, esse valor corresponde a:
Em módulo : xdiss = 750 000 J → xdiss = 7,5 . 105 J 1.107 J – 100%
Resposta: b 9.105 J – x
9 . 105 . 100
x = & x = 9%
11. Na figura dada no enunciado, podemos representar as 1 . 107
componentes das forças (Fx) aplicadas no bote pelas duas cordas: Resposta: c

→ Repare que são essas componen-


F
tes Fx as forças que efetivamente CAPÍTULO 4
Fcorr i Fx puxam o barco em sentido con-
i Fx trário ao da correnteza, opondo- 14. Aplicando a lei de Snell às variáveis da questão, temos
-se à força aplicada pela corren- n1 . sen i = n2 . sen r → nA . sen a = nB . sen b

F teza no barco (Fcorr).
Se sen b = 0,5 → b = 30o (você deve guardar na memória os valores
Lembrando da aula, sabemos que a intensidade de cada uma de seno e cosseno de ângulos notáveis);
dessas componentes é dada por Se b corresponde à metade de a → a = 60o
Fx = F . cos i. O enunciado fornece a intensidade da força F, o Voltando à lei de Snell, temos
ângulo i e seu cosseno. Então, nA . sen a = nB . sen b → 1 . sen 60o = nB . sen 30o →
Fx = 80 . 0,8 → Fx = 64 N
√3 1
Para encontrar o módulo de Fcorr, aplicamos a segunda lei de 1. = nB . & nB = √3
2 2
Newton:
Fres = m . a → 2 . Fx – Fcorr = m . a → Resposta: c
2 . 64 – Fcorr = 600 . 0,02 → 128 – Fcorr = 12 → Fcorr = 116 N
Resposta: d
15. Primeiro, você precisa se lembrar da definição de solstício
– o momento em que o Sol, em seu movimento aparente no céu,
12. A quantidade de energia cinética do atleta ao correr é percorre um arco que se afasta ao máximo da linha do equador.
calculada pela simples aplicação da fórmula dada em aula: É o dia em que começa o verão. No Hemisfério Sul, onde está o
Brasil, o solstício de verão ocorre em 21 ou 23 de dezembro, e no
m . v2 70 . 102
EC = & EC = & EC = 3 500 J Hemisfério Norte em 21 ou 23 de junho. Daí já tiramos que a data
2 2
em que Erastóstenes tirou as medidas só pode ser no meio do
Se 70% do valor da energia de 500 J do salto está na forma de ano. Eliminamos as alternativas b e d.
energia cinética, então A figura apresentada no enunciado mostra que o ângulo i é con-
E c adic = 0,7 . 500 → E c adic = 350 J gruente ao ângulo central assinalado. Você se lembra das aulas
de matemática: a medida de um ângulo central, em radianos, é
Portanto, a energia cinética total no momento do salto é a relação entre o comprimento do arco de circunferência de-
EC tot = 3 500 + 350 → EC tot = 3 850 J terminado por esse ângulo (d) e o raio da circunferência (R). Do
enunciado, temos que:

142 GE FÍSICA 2016


1,8 m 1,8 m
D C
t E
 LN BEJTUÉODJBFOUSF"TTVÍF"MFYBOESJBFTUJNBEBQPS Os triângulos O’AB e
Erastóstenes); O’CD são semelhantes.
t 3LN SBJPEB5FSSBBRVF&SBTUØTUFOFTDIFHPV
 5m Então, as proporções
H O
Então, aplicando os valores fornecidos no enunciado, temos entre seus lados e su-
B A
as alturas se mantêm:
d 900 h
i = & i = & i = 0,12 rad O'
R 7 500
h AB 2 1,2
Sabemos, também, que 2π rad equivalem a 360o, a circunferência ∆O’AB: ∆O’CD & & & = & CD = 4,2 m
H CD 7 CD
total da Terra. Encontramos a medida em graus de 0,12 rad por
simples regra de três: No trecho CD a moto terá se deslocado de um valor:
2π rad – 360o ∆s = 4,2 – 1,8 → ∆s = 2,4 m
0,12 rad – x Como sua velocidade é v = 0,8 m/s, encontramos o tempo que o
motociclista levou nesse deslocamento:
0,12 . 360 0,12 . 360
x= & x= & x = 7,2º
2π 2.3 ∆s 2,4
v= & 0,8 = & ∆t = 3 s
∆t ∆t
Erastóstenes obteve um ângulo de aproximadamente 70, em junho.
Resposta: a Resposta: b

16. A resolução desse teste é baseada na aplicação das equa- 18. Analisando cada uma das figuras:
ções de Gauss: t 'JHVSB# a luz incide perpendicularmente à superfície da pla-
ca. Então os raios não sofrerão nenhum desvio. Portanto, a luz
1 1 1 i p'
= + (1) e = – (2) sairá da placa na mesma direção e no mesmo ângulo em que
f p p' o p
emerge do prisma na figura A (i B = iA);
O enunciado informa que a imagem projetada sobre a parede é t 'JHVSB$ todo raio que incide numa lâmina de faces paralelas
cinco vezes maior que a lâmpada. Você deve se lembrar que toda emerge delas paralelamente ao raio incidente. Isso significa
imagem projetada é real e, portanto, invertida. Então i = – 5 . o que também nesta figura os raios não sofrerão nenhum desvio
Substituindo esse resultado na equação (2), temos em relação à direção e ao ângulo mostrado na figura A (iC = iA).
i p' – 5 . o –p'
= – & = & p' = 5p Portanto, os desvios angulares serão iguais nos três casos.
o p o p
Resposta: a
Para que o farol projetasse raios de luz paralelos, a lâmpada
deveria estar situada no foco do espelho; assim concluímos que
a distância focal desse espelho é f = + 10 cm. CAPÍTULO 5
Substituindo-se esses resultados na equação (1), temos
1 1 1 1 1 1 1 5+1
19. Vamos desenhar três figuras e encontrar nelas as forças
= + & = + & = & 5p = 60 & p = 12 cm que atuam sobre a carga central:
f p p' 10 p 5p 10 5p
+q –2q A figura 1 representa as forças exercidas
a
Esse valor de p representa a nova posição da lâmpada. Portanto, sobre a carga central por cada uma das
se inicialmente o objeto estava no foco do espelho, ou seja, a 10 2F cargas situadas nos vértices do quadra-
cm do espelho e agora está a 12 cm dele mesmo, ele agora está –q do. As forças entre as cargas + q (de dois
F
deslocado em 2 cm além da posição do foco. a a vértices) e – q (da carga central) têm a
F A
Resposta: e mesma intensidade F e, como têm sinais
2F opostos, são atrativas. Já as forças entre
a as cargas – q (central) e – 2q (nos dois ou-
17. A imagem do motociclista será vista por inteiro enquanto +q
FIGURA 1
–2q
tros vértices) têm intensidade 2F e, como
a moto estiver por inteiro dentro do campo visual do observa- indicam os sinais iguais, são repulsivas.
dor para o espelho. A extensão do campo visual pode ser obtida Por isso a direção e o sentido das forças
FIGURA 2
graficamente do seguinte modo: +q –2q 2F são os mesmos que a direção e o sen-
a
t E
 FUFSNJOBTFBQPTJÎÍPEBJNBHFNEPPMIPEPPCTFSWBEPS tido das forças F.
3F
nesse espelho (O’);
–q
t VOJNPTPQPOUP0ËTFYUSFNJEBEFTEPFTQFMIP F
a a
t BSFHJÍPDPNQSFFOEJEBFOUSFFTTBTEVBTTFNJSSFUBTEFMJNJUB F
A figura 2 mostra a soma dos vetores das
A
a extensão do campo visual. forças F e 2F que atuam na carga central
3F
Veja na figura seguinte como essa condição aparece na situa- – q. A soma é 3F.
ção apresentada no enunciado: a
+q –2q

GE FÍSICA 2016 143


SIMULADO

+q –2q
a
A partir da regra do paralelogramo, t/BTJUVBÎÍPmOBM
3F encontramos por fim a resultante de
|4Q| . |3q| |Q| . |q| |Q| . |q|
F
–q todas essas forças (R), representada F' = k . & F' = 12k . & F' = 3k . & F' = 3F
R a (d )
2
4d 2
d2
na figura 3.
F A Resposta: d A força final tem intensidade três vezes maior e será repulsiva,
3F
pois as cargas têm mesmo sinal.
a Resposta: d
+q –2q
FIGURA 3

22. A questão pede que se calcule a potência de um sistema


20. A comparação entre os valores das resistências elétricas de resistores associados em série. Lembre-se que a potência é a
dos três resistores é obtida a partir da segunda lei de Ohm: quantidade de energia elétrica convertida por um sistema, por
R = t . L , em que unidade de tempo:
A E
P = elétrica
tt representa a resistividade elétrica do material do fio; ∆t
t-ÏPDPNQSJNFOUPEFTTFmP Lembre-se, também, que a potência pode ser calculada pela re-
t"ÏBÈSFBEBTFDÎÍPUSBOTWFSTBMEPmP$PNPPTmPTTÍPDJMíndri- lação entre a tensão (U) e a resistência (R):
cos, sua secção é circular. E a área do círculo é dada por A = π . R2. U2
P=
R
Repare que a unidade de resistência é dada em ohms e metro (Ω . m). Voltando à situação apresentada no enunciado: para o aqueci-
Então temos de converter os diâmetros dos fios para metros. mento feito com dois resistores idênticos, em paralelo, o valor
Pela notação científica, temos: do inverso da resistência equivalente R p é igual à soma dos in-
t'JPTA e B: 0,50 mm = 5 . 10 –4 m; versos das duas resistências:
t'JPC: 0,40 mm = 4 . 10 –4 m 1 1 1 1 2 R
= + & = & Rp =
Rp R R Rp R 2
Aplicando essas medidas na expressão de cálculo da resistência,
temos para cada fio Para dois resistores associados em série, a resistência equivalen-
t1BSBPTmPTA e B : A A = A B = (5 . 10 –4)2 . π → A A = 25 . π . 10 –8 m2 te R s é a soma da resistência de cada resistor: R s = R 1 + R 2 . Neste
t1BSBPmP$" C = (4 . 10 –4)2 . π → A C = 16 . π . 10 –8 m2 caso, como os resistores são idênticos, o valor da resistência
equivalente é R s = 2 R
Substituindo esses valores na expressão da segunda lei de Ohm, já A relação entre esses dois valores é dada por regra de três:
com o valor da resistividade de cada fio, dado no enunciado, temos: R s – Rp
2 R – R/2
L 4.L
R A = 1,0 . 10 –6 . & R A= & R A b 1,3 . L
25 . π . 10 –8 π
Desenvolvendo a regra de três, chegamos a R s = 4 . R p
L 4,8 . L U2
R B = 1,2 . 10 –6 . & RB = & R B b 1,6 . L A potência de cada sistema no aquecimento é P =
25 . π . 10 –8
π R
sendo que o valor da tensão U nos dois casos é a mesma.
Como R s = 4.R p a relação entre as potências utilizadas será
L 4,8 . L
RC = 1,5 . 10 –6 . & RC = & RC b 3,1 . L 1
16 . π . 10 –8
16 . π Ps = p p
4
A potência em série é 4 vezes menor que a potência em parale-
Conclusão: RC > R B > R A lo. Então, o tempo gasto no aquecimento com esse sistema de
Resposta: e resistores em série é 4 vezes maior:
∆t 1
∆t 2 = 4 . ∆t 1 & 1 =
∆t 2 4
21. A intensidade da força eletrostática é obtida aplicando-se Resposta: a
a lei de Coulomb, que estabelece a relação entre essa intensi-
dade e a distância entre as cargas. Lembre-se que o cálculo do
valor da força trabalha com o módulo de intensidade da força. 23. O aumento na potência utilizada é ∆P = 220 – 70 → ∆P = 150 W
Daí que não utilizamos os sinais das cargas na fórmula. Lembrando que a potência é a taxa de conversão de energia
elétrica por unidade de tempo, temos
|Q| . |q|
t/BTJUVBÎÍPJOJDJBM'L ,
d2 ∆E
P= & ∆E = P . ∆t
∆t
no sentido de atração, pois as cargas têm sinais opostos.

144 GE FÍSICA 2016


Para obtermos o valor da quantidade de energia elétrica con-
2B√2
sumida, na unidade kWh, a potência deverá ser medida em kW.
Fazendo a, ficamos com: o Ficamos agora com dois vetores.
P = 150 W → P = 0,15 kW 2B

O enunciado pede o consumo mensal. Então temos de encontrar


o número de horas em um mês: Somando esses dois vetores, che-
2B√2 – 2B
∆t = 6 . 30 → ∆E = 180 horas gamos ao vetor resultante final, de
o mesma direção, com um ângulo de 45º
Finalmente, calculando a quantidade de energia convertida pela com o eixo x no sentido anti-horário.
nova TV (ou seja, a energia consumida a cada mês), temos
∆E = 0,15 . 180 → ∆E = 27 kWh
Resposta: b Resposta: e

CAPÍTULO 6
25. O fio AC está sujeito à ação de três forças: peso (P), força elás-
24. O ponto O é equidistante dos polos dos oito ímãs. Esses tica (Fel) e a força magnética (Fm). Analisando a ação de cada força:
ímãs são idênticos. Portanto, todos eles geram no ponto O cam-
pos magnéticos de mesma intensidade B. Repare que os oito Para a força P:
ímãs estão dispostos em círculo. Se um círculo tem 360º, então tP atua na direção vertical, sentido para baixo.
a distância entre cada um dos ímãs é de 45º. Os vetores indução t4VBJOUFOTJEBEFÏEBEBQPS1NH OBVOJEBEFOFXUPO /

magnética B gerados por cada ímã estão representados na figura que equivale a kg . m/s2;
1, lembrando que se o polo mais próximo do ponto O for um polo t"NBTTBEPmPÏEBEBFNHSBNBT&OUÍPQSFDJTBNPTGB[FSB
norte o vetor B tem sentido de afastamento em relação ao polo conversão para kg:
considerado; caso o polo seja sul, o sentido será de aproximação m = 10 g = 0,01 kg
do polo. t&OUÍP1 ş1 / WFUPSWFSUJDBM QBSBCBJYP

y Se os oito ímãs são idênticos, Para a força Fm:


1
N os vetores têm módulos t7PDÐTFMFNCSBBJOUFOTJEBEFEBGPSÎBNBHOÏUJDB 'm) que atua
2 8
N S S iguais. Somando os vetores num fio condutor imerso em um campo magnético (B), que é
B5 B1 N
S
de mesma direção, dos quatro percorrido por uma corrente elétrica (i) e tem o comprimento
3 B2 B3 7
N S N S x pares, temos: L é dada pela expressão Fm = B . i . L . sen i, em que i é o ângulo
B4
B7 t#2 e B 6 se anulam entre o vetor B e o sentido de i.
S B8 B6 S t#1 + B 5 = 2 B t/BTJUVBÎÍPBQSFTFOUBEBOBRVFTUÍP # 5 J" 
N N N
4
S 6 t#3 + B7 = 2 B L = 20 cm (convertendo, 0,2 m). O campo e a corrente são per-
t# 4 + B 8 = 2 B pendiculares entre si. Então: i = 90o. E sabemos que sen 90o = 1.
5
t4VCTUJUVJOEPFTTFTWBMPSFTOBFYQSFTTÍPEBGPSÎBNBHOÏUJDB 
temos:
y Fm = 0,5 . 2 . 0,2 → Fm = 0,2 N.
1
t"GPSÎBNBHOÏUJDBUFNEJSFÎÍPQFSQFOEJDVMBSBPmPFTFVTFO-
2 N
S
8 Apesar de mesmo módulo, tido é dado pela regra da mão direita número 2. Por ela desco-
N S
S N esses vetores têm sentidos e brimos que Fm tem direção vertical, sentido para cima, oposto
2B direções diferentes. Represen- ao sentido de P.
3 7
N S N S x
2B tando essa situação na nossa
2B
S S figura, temos os vetores resul- Para a Fel :
N N N tantes de todas as somas. t4FBGPSÎBNBHOÏUJDBDPNQSJNFBNPMB BNPMBFYFSDFVNBGPSÎB
4 6
S
que empurra o fio para baixo.
5
Veja na figura ao Fm
lado as diversas
2B 2B√2 Para encontrar o vetor resultante da soma forças que atuam
desses três vetores, vamos simplificar a figura sobre o fio:
2B e utilizar, primeiro, a regra do paralelogramo:
2B

A soma dos dois vetores de módulo 2B resulta num vetor de re- P Fel
sultante de módulo 2B √2.

GE FÍSICA 2016 145


SIMULADO

O enunciado informa que a resultante das forças no fio é


nula. Portanto, Fm = P + Fel
Substituindo nessa expressão os valores conhecidos, temos: Fundada em 1950

0,2 = 0,1 + Fel → Fel = 0,1 N VICTOR CIVITA ROBERTO CIVITA


(1907-1990) (1936-2013)
F = k . x → 0,1 = 5 . x → x = 0,02 m = 20 mm
Resposta: e Conselho Editorial: Victor Civita Neto (Presidente),
Thomaz Souto Côrrea(Vice-Presidente), Eurípedes Alcântara, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo
Presidente Abril Mídia: Giancarlo Civita
Presidente Editora Abril: Alexandre Caldini
26. O trecho AB a ser percorrido pela partícula até atingir Diretor Comercial: Rogério Gabriel Comprido
Diretora de Vendas de Publicidade: Virginia Any
o anteparo pode ser assim representado: Diretor de Vendas para Audiência: Dimas Mietto
Diretor de Marketing: Tiago Afonso
C A Diretora Digital e Mobile: Sandra Carvalho
O t
i Diretor de Apoio Editorial: Edward Pimenta
Diretora Editorial: Alecsandra Zapparoli

Conhecemos a relação de algumas das medidas da figura:


Diretor de Redação: Fabio Volpe
tOB é o raio do percurso da partícula (OB = r); Diretor de Arte: Fábio Bosquê Editores: Fábio Akio Sasaki, Lisandra Matias, Paulo Montoia, Paulo Zocchi Analista de
tO C é a distância do anteparo ao centro do arco da tra- Informações Gerenciais: Simone Chaves de Toledo Analista de Informações Gerenciais Jr.: Maria Fernanda Teperdgian
Designers: André Tietzmann, Dânue Falcão Atendimento ao Leitor: Carolina Garofalo, Sandra Hadich, Sonia Santos,
jetória da partícula. O enunciado fornece o valor dessa Walkiria Giorgino CTI Eduardo Blanco (Supervisor)

distância, em relação ao raio (r): NÚCLEO DIGITAL Redator Chefe: Frederico Di Giacomo Editora: Mariana Nadai Editor de Arte: Abraaão Corazza
Designers: Juliana Moreira e Laura Rittmeister Animação: Felipe Thiroux Webmasters: Allyson Kitamura, Cah Felix,
r √2 Leonam Pereira Analista de redes sociais: Lucas Pasqual
OC = e OB = r COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Consultoria: Gil Marcos Ferreira Texto: Thereza Venturoli Arte: Silvia Janaudis e Vitor
2
Inoue Ilustração: Nelson Provazi (capa) Revisão: Bia Mendes, José Vicente Bernardo

Encontramos facilmente o valor do ângulo i: www.guiadoestudante.com.br

VENDAS DE PUBLICIDADE – Andrea Veiga (RJ), Alex Stevens (Internacional), Ana Moreno (Moda, Decoração e
r √2 Construção), Cristiano Persona (Financeiro), Jacques Ricardo (Regional), Raquel Ienaga (Saúde, Esporte e Educação),
OC 2 √2 Selma Souto (Bens de Consumo), William Hagopian (Transporte e Mobilidade) VENDAS PARA AUDIÊNCIA – Adailton
cos i = & cos i = & cos i = & i = 45o Granado (Processos), Cinthia Obrecht (Circulação Exame/Femininas), Daniela Vada (Atendimento ao Assinante), Ícaro
OB r 2 Freitas (Circulação Veja/Lifestyle), Luci Silva (Marketing Direto e Relacionamento), Marco Tulio Arabe (Estúdio de
Criação), Mary Veras (Vendas Corporativas), Rodrigo Chinaglia (e-business), Wilson Júnior (Vendas Pessoais), Wilson
Paschoal (Vendas em Rede e Trade) MARKETING – Andrea Abelleira (Veja), Andrea Costa (Pesquisa de Mercado),
Se i = 45o, então o arco percorrido pela partícula entre os Cézar Almeida (Lifestyle), Carolina Bertelli (Femininas), Keila Arciprete (Exame), Márcia Asano (Abril Big Data), Ricardo
pontos A e B tem medida correspondente a 1/8 do perímetro Packness (Marketing e Eventos). DIGITAL E MOBILE – Adriana Bortolotto (Métricas), Airton Lopes (Tendências), Marcos
Francesccini (Implementação de Tendências), Rodrigo Martins (Redes Sociais)
da circunferência completa:
APOIO – ABRIL BRANDED CONTENT – Dagmar Serpa, Kátia Militello, Matthew Shirts, Patrícia Hargreaves, Thiago
2πr Araújo PLANEJAMENTO CONTROLE E OPERAÇÕES – Edilson Soares (Receitas), José Paulo Rando (Marketing e
∆s =
8 Conteúdo) DEDOC e ABRIL PRESS Elenice Ferrari RECURSOS HUMANOS – Alessandra de Castro (Desenvolvimento
Organizacional), Márcio Nascimento (Remuneração e Benefícios), Marizete Ambran, Michelle Costa e Regina Cordeiro
O tempo gasto nesse trecho é dado por (Consultoria Interna), Ana Kohl (Saúde e Serviços)

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA – Av. das Nações Unidas, 7221, 18º andar, Pinheiros, São Paulo, SP, CEP 05425-902,
∆s ∆s 2πr tel. (11) 3037-2000.
v= & ∆t = & ∆t = (1)
∆t v 8.v PUBLICIDADE SÃO PAULO e informações sobre representantes de publicidade no Brasil e no Exterior:
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No lançamento de uma partícula eletrizada perpendicular-
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mente às linhas de indução de um campo magnético unifor- siva em bancas, pelo preço da última edição em banca mais despesa de remessa. Solicite ao seu jornaleiro.
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me, essa partícula percorre uma trajetória circular de raio A PUBLICAÇÃO não admite publicidade redacional.
m.v
r= (2) Para adquirir os direitos de reprodução de textos e imagens do Guia do Estudante, acesse www.abrilconteudo.
q.B com.br ou ligue para (11) 3990-1381.
Substituindo-se a expressão (2) em (1), ficamos com SERVIÇO AO ASSINANTE: Grande São Paulo: (11) 5087-2112
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O enunciado fornece os dados:
m = 10 . 10 –20 kg
q = 10 µC = 10 . 10 –6 C
B = 0,5 T
Presidente: Giancarlo Civita
Então, fazendo as substituições, temos Diretor-Superintendente da Gráfica: Eduardo Costa
Diretor de Finanças: Fábio Petrossi Gallo
2π . 10 . 10 –20 2π . 10 –14 Diretora Jurídica: Mariana Macia
∆t = & ∆t = s & ∆st = 5π . 10 –15 s Diretora de Recursos Humanos: Claudia Ribeiro
8 . 10 . 10 –6 . 0,5 4 Diretor de TI e Serviços Compartilhados: Claudio Prado
www.abril.com.br
Resposta: d

146 GE FÍSICA 2016

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