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SINOPSE DO CASE: Diabetes gestacional: um olhar da nutrição 1

Luciana Silva Alvarez2

Júlio César da Costa Machado3

1. DESCRIÇÃO DO CASO

No início do ano de 2021, Luciana (28 anos) e seu esposo Edson (35 anos)
ficaram grávidos de um menino, e por não possuir muitas condições financeiras
pois seu marido é lavrador e ela dona de casa, só realizaram uma consulta do pré-
natal e um ultrassom com quatro meses. Luciana relatou que no povoado de Munin
em Axixá-MA, onde ela reside possui muita dificuldade de acesso ao sistema de
saúde do município.

Essa semana Luciana voltou ao hospital para tentar marcar uma consulta,
com sete meses de gestação, porque estava sentindo muito cansaço, sede e visão
turva constantemente. Falando com a recepcionista do local e relatando seus
sintomas conseguiu uma consulta em um hospital da sua cidade. Durante a
consulta o obstetra observou um ganho de peso na paciente acima do esperado,
pois antes da gestação pesava 72kg e com 20 semanas está pesando 86kg, ou
seja, 14 kg durante esse período que não foi aos pré-natais.

Preocupado com o caso da Luciana pediu que fosse realizado um ultrassom


do feto e exame de curva glicêmica, quando o resultado saiu foi possível observado
um sobrepeso no feto e uma alta taxa de glicose no sangue da paciente
(243mg/dl). Com objetivo de um tratamento multiprofissional, o médico há
encaminhou a um nutricionista.

2. IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DO CASO

A diabetes mellitus (DM), é uma doença metabólica gerada pela carga alta
de glicemia devido à falta ou deficiência da ação da insulina no organismo. A
diabetes mellitus gestacional (DMG) é caracterizada pelo aumento dos níveis de
glicose durante a gravidez, ela se desenvolve próximo ao terceiro trimestre devido
a uma resistência à insulina provocada pelos hormônios da gestação. Durante o

1
Case apresentado a disciplina de Avaliação Nutricional II, da Unidade de Ensino Superior Dom Bosco- UNDB.
2
Aluna do 5º período, do curso de Nutrição, da UNDB.
3
Professor, Mestre, Orientador.
terceiro trimestre as demandas nutricionais da mãe aumentam, ocorrendo assim
um aumento na ingestão de carboidratos afim de garantir quantidades ideias de
glicose para o bebê.

A grande maioria dos casos de DMG não gera sintomas ou sinais, mas
dentre os mais frequentes estão a sede, o aumento do apetite, o aumento na
vontade de urinar, infecções urinárias frequentes, visão turva. Por alguns desses
sintomas serem sintomas normais/comuns na gestação, podem não chamar
atenção da gestante. Por isso, desde a primeira consulta do pré-natal deve ser
investigado a possibilidade. O médico deve fazer a solicitação do exame de
glicemia em jejum, os valores de referência ficam entre 85 ou 90mg/dl, um valor
menor que a referência indica que o rastreamento é negativo, porém se a paciente
estiver com dois ou mais fatores de riscos para a DMG, recomenta-se que seja
repetido o exame de glicemia em jejum. Caso o resultado seja igual ou maior ao
valor de referência é considerado o rastreamento positivo e indicando a
necessidade de um teste diagnósticos.

Uma das principais preocupações da DMG está relacionada a


macrossomia, que pode gerar diversas complicações na infância e na vida adulta.
O diagnóstico é feito através do exame de glicemia em jejum e também um teste
de tolerância com sobrecarga oral de 100g ou 75g de glicose, entre 24ª e 28ª
semana da gestação. O teste é feito analisando 3 amostras: um em jejum, 1 e 2
horas com a mesma dosagem de 75g, já o de 100g é feito 3 horas com dosagens
95,185, 155mg/dl. O diagnóstico sendo identificado cedo é de suma importância
para mãe e para o feto pois pode reduzir os riscos de morbidade materna e fetal.

Após ser diagnosticada com a diabetes gestacional o tratamento deve ser


iniciado. Diante disso, a terapia nutricional é um fator de suma importância pois a
mãe necessita atingir metas glicêmicas, ganho de peso adequado e prevenir
intercorrências com o feto. O primeiro passo a ser realizado é a avaliação
antropométrica, ela deve ocorrer em todas as consultas do pré-natal com o intuito
de orientar e acompanhar o ganho de peso. No caso da Luciana, ela se enquadra
em uma classificação do Índice de Massa Corporal (IMC) como sobrepeso ficando
com o IMC de 28,3. O ganho de peso para quem se encontra em sobrepeso se dá
entre os valores: 7,0 a 11,5 kg e no caso da paciente ela já ganhou 14kg.
Diante disse, é importante avaliar os hábitos alimentares dessa paciente, ou
seja, avaliar a quantidade de refeições realizadas por dia, se são refeições de
grande aporte calórico, observar o consumo de ultra processados, alimentos ricos
em lipídeos, com alto índice glicêmico pois eles podem influenciar no índice
glicêmico, no ganho de peso e na pressão arterial materna. Na terapia nutricional
a indicação é buscar por alimentos in natura e minimamente processados, como
frutas, incentivar o consumo de cerais, legumes, verduras, proteínas de boa
qualidade. O estimulo de alimentos riscos em fibras e alimentos com baixo índice
glicêmico pode contribuir para o controle da DMG. As refeições devem ser
fracionadas, buscando evitar intervalos maiores do que 3 horas de uma para outra,
devem ser feitas pelo menos três refeições principais diárias: café da manhã,
almoço e jantar; e dois lanches. Caso ela esteja utilizando insulina os horários das
refeições devem se manter fixos com o intuito de diminuir as alterações glicêmicas.
Evitar deitar-se logo após as refeições para evitar refluxos. Além disso, é
importante incentivar a prática de exercícios físicos como a caminhada pois
ajudam a reduzir os riscos de obesidade e outras comorbidades.

3. ARGUMENTOS CAPAZES DE FUNDAMENTAR CADA DECISÃO

A diabetes mellitus gestacional (DMG), se caracteriza como qualquer grau


de redução a tolerância à glicose, que ocorre no início ou durante a gestação e
pode ou não persistir após o parto. O metabolismo materno sofre diversa
alterações para suprir as demandas do feto. Esse aumento da resistência à
insulina se dá devido as adaptações fisiológicas mediada pelos hormônios
placentários anti-insulínicos para assegurar o aporte adequado ao bebê. Mulheres
que engravidam e já possuem algum nível de resistência à insulina como as que
possuem síndrome do ovário policístico, obesidade, sobrepeso, possuem risco
maiores de desenvolver a DMG. (BOLOGNANI et.al, 2021)

De acordo com Schmidt; Reichelt (1999), alguns fatores de risco


associados a DMG são idade superior a 25 anos, obesidade ou ganho de peso
excessivo durante esse período, crescimento fetal excessivo, história familiar de
diabetes em parentes de 1º grau, SOP, entre outros. Segundo ele as gestantes
que não apresentam os sinais e sintomas acima são consideradas de baixo risco,
caso haja dois ou mais é necessário ser realizado o rastreamento de diabetes
gestacional. O rastreamento é realizado através do exame de glicemia em jejum e
se inicia desde a primeira consulta do pré-natal, os valores de referência são 85 a
90 mg/dl sendo um resultado inferior significa que o rastreamento é negativo, caso
seja, maior ou igual é dado como rastreamento positivo.

O diagnóstico precoce da DMG é muito importante para mãe e para o feto,


por isso é primordial que o rastreamento seja feito e se der positivo a confirmação
diagnostica deve ser realizada. Para isso, o teste utilizado é o TOTG (teste oral de
tolerância a glicose), ele pode ser feito com a sobrecarga de 100g ou modo
alternativo de 75 g, entre as semanas 24ª e 28ª da gestação (BOLOGNANI et.al;
2021). A avaliação antropométrica em gestantes é uma parte fundamental do seu
acompanhamento pois ela ajuda a definir o ganho de peso para evitar riscos a mãe
e ao feto, por isso ela deve ser durante todo pré-natal. Um passo importante a ser
realizado é a avaliação dos hábitos alimentares da paciente pois eles trazem
informações importantes como se a alimentação realizada com ela está sendo anti-
inflamatória ou pró-inflamatória, se ela está consumindo alimentos com índice
glicêmico alto. Avaliar as sintomatologias da paciente, se está sentindo muitas
náuseas, vômitos, constipação, entre outros sintomas. A OMS indica e o Ministério
da Saúde ressaltam a importância de uma alimentação saudável. (OPAS, 2019)

Uma alimentação rica em alimentos in natura e minimamente processados


é primordial, estimular a ingestão de água ao longo do dia, o fracionamento das
refeições é muito importante para quem possui DMG pois ajuda a não ocorrer a
hipoglicemia. É importante falar que as recomendações nutricionais devem ser
feitas de maneira individualizada, considerando o IMC, a idade gestacional, ganho
de peso esperado, atividades físicas realizadas, condições socioeconômicas e
clínicas em busca de melhor aderência do plano alimentar pela paciente
conseguindo assim atingir o controle glicêmico e resultados positivos pra a
gestante e para o bebê. A pratica de alguma atividade física também é de suma
importância para prevenir comorbidades. (MENDES, 2019; OPAS, 2019)

4. DESCRIÇÃO DE CRITÉRIOS E VALORES


 Foi realizado uma análise de estudos voltados para DMG, etilogia da
doença, tratamento nutricional com o intuito de buscar estratégias para
o caso apresentado.
 Analisou-se a importância do pré-natal e do acompanhamento do
nutricionista para um bom desenvolvimento do feto e para a saúde da
gestante.
 Foram analisados artigos que correlacionassem a etiologia da diabetes
gestacional com o tratamento nutricional.
REFERÊNCIAS

BOLOGNANI, Cláudia Vicari; SOUZA, Sulani Silva de; PARANHOS


CALDERON, Iracema de Mattos. Diabetes mellitus gestacional: enfoque nos
novos critérios diagnósticos. Comun. ciênc. saúde, p. [31-42], 2011 Disponível
em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/diabetes_mellitus_gestacional.pdfAcesso
em: 17 de setembro de 2021
MENDES, Fernanda. Diabetes Mellitus Gestacional: elaboração, adequação
cultural e validação de material educativo para o auto cuidado de gestantes. -
Belo Horizonte/MG, 2019 Disponível em: https://diabetes.org.br/wp-
content/uploads/2021/05/E-BOOK_GUIA_DA_GESTANTE_COM_DMG.pdf
Acesso em: 17 de setembro de 2021
Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Sociedade Brasileira de
Diabetes Tratamento do diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF:
OPAS, 2019. 57 Disponível em:
https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/biblioteca/tratamento-do-diabetes-
mellitus-gestacional-no-brasil/ Acesso em: 17 de setembro de 2021
SCHMIDT, Maria I.; REICHELT, Angela J. Consenso sobre diabetes gestacional
e diabetes pré-gestacional. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia &
Metabologia, v. 43, n. 1, p. 14-20, 1999. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/abem/a/hSngFgvTw4mTnqvz6bxDkNj/?lang=pt Acesso
em: 17 de setembro de 2021

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