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2010

OESTE CATARINENSE

PTDRS

Oeste Catarinense
SDT/MDA
Novembro /2010
1
INFORMAÇÕES INSTITUCIONAIS

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL


Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO


Guilherme Cassel

SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL


Humberto Oliveira

DELEGADO FEDERAL DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO EM SC


Jurandi Teodoro Gugel

ARTICULADOR ESTADUAL DA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO


TERRITORIAL EM SC
Alexandre da Silva Santos

ASSESSOR TÉCNICO TERRITORIAL


Luiz Carlos Dartora

COLEGIADO TERRITORIAL

NÚCLEO DIRIGENTE DO COLEGIADO TERRITORIAL

NUCLEO TÉCNICO DO COLEGIADO TERRITORIAL

2
SUMÁRIO

7
RESUMO EXECUTIVO............................................................................................. 8
HISTÓRICO DA INSTITUCIONALIDADE DO TERRITÓRIO................................ 112
1- DIAGNÓSTICO TERRITORIAL ........................................................................ 156
1.1 Dimensão Sociocultural e Educacional .................................................... 156
1.1.1. Contexto histórico da formação e constituição de território .................. 156
1.1.2. Características demográficas ............................................................... 189
1.1.3. Características do Tecido Sociocultural................................................ 267
1.1.4. Situação da Saúde ............................................................................... 367
1.1.5. Situação da Educação .......................................................................... 389
1.2 Dimensão Ambiental ................................................................................ 429
1.2.1 Características geoambientais ........................................................ 4344
1.2.2 Processos Territoriais de Gestão Ambiental ..................................... 456
1.3 Dimensão socioeconômica ...................................................................... 456
1.3.1 Análise dos Setores Industrial e de Comércio e Serviços ................... 51
1.3.2 Análise do Setor Agropecuário do Território........................................ 54
1.3.2.1 Estrutura Fundiária .............................................................................. 54
1.3.2.2 Principais atividades agropecuárias .................................................. 567
1.3.2.3 Organizações e Serviços de Apoio à Agricultura Familiar no território67
1.3.2.4 Resultados das Principais Políticas Públicas para a Agricultura
Familiar no Território .................................................................................... 68
2 - VISÃO DE FUTURO .......................................................................................... 82
3 - OBJETIVOS ESTRATÉGICOS .......................................................................... 83
4 - VALORES OU PRINCÍPIOS .......................................................................... 8283
5 - DIRETRIZES PRINCIPAIS ................................................................................ 84
6 - EIXOS DE DESENVOLVIMENTO ..................................................................... 85
7 - PROGRAMAS E PROJETOS ESTRATÉGICOS ............................................... 85
8 - PROPOSTA DE GESTÃO DO PLANO TERRITORIAL ..................................... 86
9 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 8788
10 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTOS CONSULTADOS ...... 89

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LISTA DE FIGURAS
Figura 1:: Mapa de localização do Território Oeste Catarinense, com os
limites administrativos dos municípios que o compõem. 19
Figura 2:: Taxas de crescimento populacional dos municípios do
Território Oeste Catarinense 21
Figura 3:: População dos municípios do Território Oeste Catarinense em 22
2010
Figura 4: População por município conforme situação do domicilio
(urbano ou rural) em 2010 23
Figura 5:: Participação percentual dos estabelecimentos agropecuários
com menos de 10 ha sobre o total de estabelecimentos agropecuários
nos municípios do Território Oeste Catarinen
Catarinense 29
Figura 6:: Associações de municípios presentes no Território Oeste
Catarinense 35
Figura 7:: Regiões administrativas do governo estadual que fazem
gestão supra-municipal
municipal no Território do Oeste Catarinense 36
Figura 8: Taxas de crescimento populacional dos municípios do
Território Oeste Catarinense e Regiões administrativas do governo 37
estadual.
Figura 9:: Evolução do número de contratos de crédito do Pronaf no
território Oeste Catarinense 72

LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Municípios do Território Oeste Catarinense, população total e
variação percentual 2000, 2007 e 2010 25
Tabela 2 – Municípios do Território Oeste Catarinense, população total,
urbana e rural e percentual; variação de população urbana e rural 200
2000-
2010; e área e densidade demográfica dos municípios 2010. 26
Tabela 3 - Território Oeste - Total de Estabelecimentos, Área e Percentuais de
Agricultura Familiar e Patronal 28
Tabela 4 - Número de Médicos e Leitos em Hospitais por 1000
habitantes e estabelecimentos de saúde por município do Território
Oeste Catarinense 38
Tabela 5 - Número de Matrículas por Município,
Município, por redes de ensino e
por situação (urbana e rural). 41
Tabela 6 - IDEB e projeções para a Rede Pública de Ensino Fundamental
Regular nos municípios do Território Oeste Catarinense 42
Tabela 7 – Índice de desenvolvimento humano por município no
Território Oeste Catarinense 47
Tabela 8 – Território Oeste - Produto Interno Bruto por Setores da Economia -
2006 50
Tabela 9 – Número de agências bancários, Cooperativas de Crédito e
Agências de Microcrédito nos Municípios do Território (out/2009) 53
Tabela 10 – Total de Estabelecimentos, Área e Percentuais de
Agricultura Familiar e Patronal no Território 55
Tabela 11 – Número de estabelecimentos agropecuários por condição do
produtor, por município, no Território Oeste Catarinense 56
Tabela 12 – Território Oeste - Ranking por Valor da Produção da Lavoura
Temporária (em Mil Reais) 58

4
Tabela 13 – Território Oeste - Ranking por Área Plantada da Lavoura
Temporária (em hectares) 59
Tabela 14 – Território Oeste - Ranking por Área da Lavoura Permanente
(hectares) 62
Tabela 15 – Território Oeste - Ranking por Valor da Lavoura Permanente
(em Mil Reais) 63
Tabela 16 – Território Oeste - Efetivo dos rebanhos por tipo de rebanho 64
Tabela 17 – Território Oeste - Produção de origem animal por tipo de produto 65
Tabela 18 – Território Oeste Catarinense. Número de famílias
beneficiadas pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC) e 70
pelo Banco da Terra (BR)
Tabela 19 – Território Oeste Catarinense: Densidade territorial do Pronaf por
município 72
Tabela 20 – Projetos do PROINF 2004 Investimento e Custeio 77
Tabela 21 – Projetos do PROINF 2005 Investimento e Custeio 77
Tabela 22 – Projetos do PROINF 2006 Investimento e Custeio 78
Tabela 23 – Projetos do PRONAT 2007 Investimento e Custeio 79
Tabela 24 – Projetos do PRONAT 2008 Investimento e Custeio 79
Tabela 25 – Projetos do PRONAT 2009 Investimento e Custeio 79

5
APRESENTAÇÃO

O Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Territórios


Rurais coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Ministério
do Desenvolvimento Agrário (SDT/MDA) é uma iniciativa do Governo Federal
que visa a redução das desigualdades sociais, a superação da pobreza rural e
a promoção de um estilo de desenvolvimento rural orientado pelos preceitos da
sustentabilidade, considerando as diferentes dimensões dessa noção (social,
ambiental e econômica). Esse Programa busca, de forma especial, apoiar
projetos estratégicos que melhorem a vida de agricultores familiares,
assentados de reforma agrária, pescadores artesanais e membros das
comunidades quilombolas1. Para tanto promove a articulação entre políticas
públicas e a atuação protagonista das diferentes organizações e segmentos
sociais considerados representativos do ponto de vista socioeconômico e
político nos territórios. Ressalte-se que essa concepção compreende também a
percepção da existência de segmentos sociais desses territórios, que se
encontram em situação de exclusão social, a maioria há várias gerações, não
tendo representação política nas principais organizações da sociedade civil,
nem acesso às principais políticas públicas. Trata-se de uma camada da
população rural que necessita atenção especial dos gestores da política de
desenvolvimento territorial no sentido de criar mecanismos inéditos de inserção
social. Nesse sentido, no processo de implantação desse Programa procura-se
dar ênfase à adoção de metodologias participativas, em especial, no que se
refere à elaboração e acompanhamento do Plano Territorial de
Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS).
Considerando essas premissas, no Território Oeste Catarinense,
implantou-se uma dinâmica visando à construção do seu PTDRS. Este
documento – e principalmente seu componente de atualização do Diagnóstico
Territorial – foi produzido por meio da análise de dados secundários e de
entrevistas com representantes institucionais, realizadas no Território Oeste
Catarinense. De forma resumida pode-se dizer que dois focos centrais

1
Na sequência deste Plano utiliza-se a noção de agricultura familiar como agregadora, também, desses
outros segmentos sociais, embora se saiba que entre eles exista uma diversidade de situações marcante,
que precisa ser considerada quando da implementação de políticas públicas.
6
nortearam os trabalhos: i) fornecer à Secretaria de Desenvolvimento Territorial
um documento contendo informações a respeito dos territórios rurais
priorizados na execução do Programa de Desenvolvimento Sustentável dos
Territórios Rurais, e ii) subsidiar o Colegiado e demais organizações territoriais
com análises de dados socioeconômicos e ambientais, que contribuam nas
suas discussões para a elaboração dos Projetos de Desenvolvimento
Sustentável do Território Oeste Catarinense. Assim, ele deve ser visto,
sobretudo, como mais um subsídio para os debates e as ações de quem é
protagonista no processo.

7
RESUMO EXECUTIVO
O Território Oeste Catarinense é composto por vinte e cinco municípios: Águas
Frias, Águas de Chapecó, Campo Erê, Caxambu do Sul, Chapecó, Cordilheira
Alta, Coronel Freitas, Formosa do Sul, Guatambu, Irati, Jardinópolis, Nova
Erechim, Nova Itaberaba, Novo Horizonte, Planalto Alegre, Quilombo, Santiago
do Sul, São Bernardino, São Lourenço do Oeste, Serra Alta, Sul Brasil, União
do Oeste, Pinhalzinho, Saudades e São Carlos. Situado entre os territórios do
Meio Oeste Contestado e do Extremo Oeste, ele também compõe a região da
Grande Fronteira do Mercosul (Meso Mercosul). Os municípios que o formam
estão, ao mesmo tempo, ligados a quatro regiões administrativas do governo
estadual catarinense: as de São Lourenço do Oeste, Chapecó, Maravilha e
Quilombo. Além disso, fazem parte de duas associações de municípios
diferentes: a dos Municípios do Noroeste Catarinense (AMNoroeste) e a dos
Municípios do Oeste Catarinense (AMOSC).
Segundo dados do Censo Demográfico de 2010, o Território Oeste Catarinense
possui uma população de 324.594 habitantes e uma densidade demográfica de
75,7 habitantes por quilômetro quadrado. Esse número, superior aos 64,8
hab./Km² do estado de Santa Catarina, é, no entanto, fortemente influenciado
pelos números de apenas dois municípios: Chapecó e Pinhalzinho. O primeiro
tem 182.809 habitantes, ou seja, 56% da população total do território, e
densidade demográfica de 292,8 hab./Km². O segundo, mesmo tendo apenas
16.277 habitantes (5% da população total do território), apresenta uma
densidade demográfica de 126,9 hab./Km². Todos os outros vinte e três
municípios têm população inferior a vinte mil habitantes (exceção a São
Lourenço do Oeste, com 21.742) e densidade demográfica inferior à
catarinense (exceção a Nova Erechim, que está muito próximo, com 66,4
hab./Km²). Ressalte-se que dezesseis dos municípios do território têm
populações menores que cinco mil habitantes. Ou seja, mesmo tendo como
pólo um município tipicamente urbano (Chapecó, com mais de cem mil
habitantes e densidade demográfica superior a 80 habitantes por quilometro
quadrado), o Território Oeste como um todo precisa ser considerado rural e
para ele deve ser proposto um plano desenvolvimento que considere as inter-
relações urbano-rurais internas e as diferenças e os desequilíbrios existentes
dentro dos municípios e entre eles.
Por isso, este Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável tem
como objetivo principal promover o desenvolvimento territorial com igualdade e
inclusão social, considerando as dimensões da sustentabilidade (econômica,
social e ambiental). Seguindo as diretrizes das políticas públicas do Governo
Federal voltadas ao desenvolvimento rural, o Plano tem como ponto de partida
as demandas da agricultura familiar – incluindo agricultores assentados,
quilombolas e pescadores artesanais. Da mesma forma, os princípios da
agroecologia, a participação popular e a inclusão social são considerados
condições indispensáveis à consecução do objetivo posto.
Assim, este PTDRS se pauta em diferentes dimensões do desenvolvimento: i)
Dimensão Sociocultural e Educacional: equidade social, através da intensa
participação dos cidadãos nas estruturas do poder; ii) Dimensão Ambiental:
compreensão do meio ambiente como ativo de desenvolvimento, considerando
o princípio da sustentabilidade ecológica, enfatizando o conceito de gestão da
8
base de recursos naturais; iii) Dimensão Socioeconômica: alcançar
resultados econômicos com níveis de eficiência através da capacidade de usar
e articular recursos territoriais específicos para gerar oportunidades de trabalho
e renda.
O público rural beneficiário prioritário dos projetos a serem empreendidos e
apoiados constitui-se de 16.284 estabelecimentos de agricultores familiares.
Desse total, 115 são assentadas por programas de reforma agrária e 1285
foram beneficiadas por políticas de crédito fundiário (Banco da Terra e
Programa Nacional de Crédito Fundiário).
Nesta nova versão do Plano priorizou-se o aprimoramento do diagnóstico
territorial, considerando as dimensões sócio-cultural, político-institucional,
ambiental e econômica. Nesta fase, os principais eixos e programas
elaborados anteriormente foram mantidos, mas na seqüência do processo de
planejamento deverão ser retomados e reajustados, já que servem de
referência para a elaboração dos projetos de desenvolvimento e,
conseqüentemente, para a aplicação de recursos financeiros.
Procurou-se levantar uma série de questões para os atores sociais, afim de
que, a partir de oficinas territoriais que analisem e discutam esse documento,
eles assegurem a sua qualificação e, acima de tudo, a continuidade e o
aprofundamento do processo de construção territorial.
Hoje, é com uma identidade fortemente ligada à pequena agricultura familiar
diversificada – resultante de um longo processo histórico, que o Território
pensa e constrói o seu futuro. Em um mercado que se segmenta, parece ser
ainda possível recuperar e valorizar o saber-fazer dos homens e mulheres da
região, para buscar um posicionamento baseado na diferenciação de produtos
e na valorização da origem (o próprio território e sua reputação), da
procedência (a agricultura familiar) e do tipo de produção (“colonial”, mas
também ecológico ou orgânico) que eles têm.
Constata-se uma regressão demográfica em quinze dos vinte e cinco
municípios que compõem o Território. Esse fenômeno é mais forte em sua
área central. É preciso que os atores sociais identifiquem os fluxos dessa
população retirante e, sobretudo, discutam propostas para aumentar a
atratividade desses pequenos municípios que dão, ao território, identidade e
reputação. A questão fundamental a ser pensada é de como, a partir de um
enfoque territorial e de uma visão sistêmica, será possível estabelecer
sinergias entre as diversas sub-áreas internas, de forma a ter a necessária
reversão das perspectivas atuais de esvaziamento social.
Ao mesmo tempo, em termos absolutos, vinte e quatro municípios do território
ganharam população urbana e perderam população rural, levando ao
crescimento da participação relativa da população considerada urbana (de 69
para 78%). É importante que as lideranças do Território Oeste Catarinense
reflitam criticamente sobre esses dados e o seu significado. Esses dados são
suficientes para fomentar um debate entre os atores sociais do Território Oeste
Catarinense, que conhecem de perto os fluxos internos nos municípios, as
migrações intra-território e a emigração para outras regiões do estado ou do
país, sobre a noção e as perspectivas dessa pretensa urbanização. Os
deslocamentos populacionais precisam ser cotejados com os investimentos (ou
a ausência de) em infra-estrutura e serviços (educação, saúde, comunicação,
9
lazer, cultura etc.) nos diversos municípios. Da mesma forma, é necessário
confrontá-los com as dinâmicas econômico-produtivas (ou a falta delas) seja de
municípios, seja de sub-áreas do território. Nesse debate, duas questões
fundamentais: a) que mudanças na dinâmica socioeconômica desses (na
quase totalidade, pequenos) municípios justificariam que os vejamos como
cada vez menos rurais? b) que enfoques e ações são necessários para tratar
esse território rural tal como ele é?
Nesse quadro, afigura-se como importante considerar as sucessivas
dificuldades ambientais e econômicas por que passa a produção agropecuária.
Um debate profundo sobre o padrão técnico adotado na produção vegetal e na
criação animal e, de forma mais ampla, sobre o modelo de desenvolvimento
praticado precisa ser urgentemente realizado.
É importante (re)fortalecer a produção tradicional e solidamente vinculada à
história da colonização do território. Para isso, os atores sociais precisam
considerar a retomada de debates já realizados sobre estratégias de
diferenciação do produto, valorizando a sua origem (o próprio Oeste
catarinense) e procedência (pequena agricultura familiar), em um contexto de
segmentação do mercado. Com relação às culturas permanentes, é
necessário pensar no papel que elas podem ter na diversificação dos
estabelecimentos e em políticas de agregação de valor.
No que se refere à agregação de valor pela verticalização da produção, as
experiências e aprendizagens existentes no território não podem ser ignoradas.
Ao contrário, elas precisam ser consideradas relevantes na construção de
estratégias sustentáveis para o território. Devem ser levados em conta,
também, os esforços para conversão ao sistema orgânico ou à produção de
leite à base de pasto por meio do sistema de pastoreio rotativo. Identificar,
valorizar e aprender com essas iniciativas pode ser um bom ponto de partida
para refletir sobre o futuro do território, se o desejo for de mantê-lo vivo cultural
e socialmente.
Junto com isso, pensar em ocupações e empreendimentos rurais não agrícolas
como uma forma de viabilizar a própria agricultura familiar e, por extensão, o
território rural. A questão fundamental é verificar se estão sendo propostas e
ou efetivadas políticas e projetos voltados ao aumento da atratividade destes
municípios, especialmente na perspectiva dos jovens e das mulheres.
Fundamental é pensar sobre o capital social do território porque a confiança, a
cooperação, a solidariedade e a responsabilidade cívica, juntamente com o
sentimento de pertencimento, serão os pilares do desenvolvimento territorial
sustentável.

10
HISTÓRICO DA INSTITUCIONALIDADE DO TERRITÓRIO
Os debates sobre a institucionalização do Território Oeste Catarinense tiveram
início com uma “Oficina de alinhamento conceitual, metodológico e de
articulação de ações territoriais”, promovida pela Secretaria de
Desenvolvimento Territorial (MDA/SDT). Realizada em Chapecó, no dia quatro
de novembro de 2004, a oficina teve como primeiro mérito o (re)conhecimento
mútuo entre uma parcela importante das organizações que já realizavam
atividades de desenvolvimento na região2.
A SDT indicou, na oportunidade, que se deveria partir dos diferentes trabalhos,
projetos e programas já em andamento, mas agregar um enfoque territorial
para construir um processo de desenvolvimento sólido e sustentável. Os
participantes da oficina julgaram, então, que as entidades que atuavam na
região o faziam de forma isolada e pouco articulada, o que resultava no reforço
ao paternalismo e ao assistencialismo e em pouca efetividade na geração de
oportunidades. Consideraram, ainda, que essa fragmentação dava pouco
acesso aos agricultores familiares às discussões sobre as escolhas
estratégicas. Assim, avaliaram que, apesar de um importante capital social
acumulado na região, uma certa confusão de conceitos dificultava a unificação
para um desenvolvimento em rede.
Criação da Comissão de Implantação Territorial - CIAT
Ainda na oficina referida, para estabelecer uma dinâmica de encontros entre as
entidades inicialmente mobilizadas, constituiu-se uma CIAT com boa
representatividade e de forma a garantir que o seu processo de tomada de
decisões fosse democrático.

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Neste primeiro encontro, estiveram presentes representantes das seguintes organizações:
Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A – EPAGRI,
Centro de Pesquisa e Agricultura Familiar – CEPAF, Instituto de Desenvolvimento Regional –
SAGA, Grande Fronteira do Mercosul - Mesomercosul, Prefeituras, Associação dos Municípios
do Oeste Catarinense – AMOSC, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE,
Projeto Iberê, Cooperativa dos Agricultores Produtores de Leite de Formosa do Sul –
CooPLeFSul, Associação das Cooperativas e Associações do Oeste Catarinense – Ascooper,
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, Federação dos Trabalhadores na Agricultura
Familiar da Região Sul – FETRAF, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar –
SINTRAF, Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor - CAPA, Instituto de Estudos e Assessoria
ao Desenvolvimento - CEADES, Consórcio de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local –
CONSAD, Cooperativas de Crédito Rural com Interação Solidária – CRESOL e Casa Familiar
Rural – CFR - ARCAFAR/SUL.
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Articulação das Ações Territoriais:
Houve uma preocupação dos participantes em relação à ausência na oficina de
representantes de diversas organizações. Julgou-se necessário identificar
esses ausentes e as causas para o não comparecimento. Mais do que isso,
considerou-se que era necessário mobilizá-los para que passassem a participar
e contribuir na construção do processo de organização territorial. Estabeleceu-
se que caberia à CIAT tal ação.
Entidade articuladora
Para conduzir o processo de mobilização e coordenar as políticas de
desenvolvimento territorial escolheu-se, como “entidade articuladora”, a
Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense – Apaco.
Cumprida esta etapa, passou-se à “Priorização dos Eixos Estratégicos” que
orientariam a destinação dos primeiros recursos do PRONAT investidos no
território. Projetos foram apresentados por diferentes entidades e
participativamente escolheu-se os mais estratégicos e os mais sintonizados
com os eixos anteriormente definidos.
Estruturação do Núcleo Dirigente e do Núcleo Técnico
A plenária da oficina avaliou que, pelo número expressivo de entidades
presentes, seria importante, para além da CIAT, compor um “Núcleo Dirigente”
que coordenasse os processos políticos de gestão e de organização territorial.
Foram definidas claramente suas atribuições e responsabilidades e avaliou-se
que seria necessário pensar outro núcleo para avaliar projetos e ações de
maneira mais técnica. Para dar base ao trabalho desse Núcleo Técnico, foi
preciso criar critérios e mecanismos de avaliação e priorização dos projetos.
Com base na visão de futuro do Território Oeste Catarinense, nos
conceitos e no diagnóstico construídos, definiu-se que as ações deveriam ser
conduzidas a partir das diferentes dimensões com seguinte propósito:
Dimensão Econômica: ter um território economicamente diversificado,
pluriativo, com novos instrumentos econômicos de repasse de crédito
fortalecidos através da construção de associações e cooperativas na
perspectiva de fortalecimento dos agricultores familiares e dos pequenos
municípios. Faz-se necessário ter cadeias produtivas organizadas com acesso
a crédito, tecnologias adaptadas, com sistema de agregação de valor, geração
de renda melhorando a qualidade de vida das famílias.
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Dimensão Sociocultural: o território precisa investir em ações de
inclusão social com educação diferenciada no campo a partir das diversidades
existentes. Garantir debates e ações sobre gênero e geração com formação
formal e informal na perspectiva de permanência dos jovens no meio rural. O
Território deve ser um espaço de integração, respeitando e cultivando as
diferentes culturas existentes.
Dimensão Sociopolítica: deve haver articulação institucional das
políticas públicas na construção, na elaboração e na execução dos projetos,
fortalecendo o território.
Dimensão Ambiental: é urgente investir para promover mudanças no
sistema produtivo, através da preservação e saneamento ambiental, com
desconcentração das atividades pecuárias (suínos e aves). Também se faz
importante investir na proteção das águas, recuperação florestal, para que os
agricultores possam ter uma vida saudável no meio rural.

Com base nesta oficina, em novembro de 2004, foi desencadeado o


processo de organização das ações territoriais. Em 2005, iniciou-se a “Fase de
Consolidação”, tendo como estratégia principal o planejamento para o processo
de Gestão Social do Território Rural, com ênfase no fortalecimento da
Comissão de Instalação das Ações Territoriais e na elaboração do Plano
Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável – PTDRS. Recorde-se que
houve um problema de continuidade no apoio pela Consultoria Estadual da
SDT/MDA (vacância na função), o que acabou prejudicando o ritmo e a
qualidade dessas atividades. Assim, na prática, em 2006, a fase de
consolidação precisou ser retomada e a construção de uma primeira versão do
PTDRS acabou sendo concluída no final daquele ano. Isso permitiu que em
2007 fosse iniciada a fase de qualificação do PTDRS e de revisão da estrutura
organizativa com a implantação do Conselho de Desenvolvimento do Territorial
do Oeste Catarinense – CODETER. Tal processo ocorreu ao longo de todo o
ano de 2007. No ano seguinte, investiu-se na formação de grupos de trabalhos
que permitiram qualificar tecnicamente os projetos e estimular o fortalecimento
das organizações sociais no controle e monitoramento das políticas públicas.
Em 2009, a os trabalhos se concentraram na formação para a gestão do
PTDRS e, associado ao enfoque territorial, para uma abordagem por cadeias
13
produtivas geradoras de uma dinâmica sustentável. No ano de 2010,
encaminhou-se o processo de “reorganização”, com uma nova composição do
Conselho de Desenvolvimento Territorial do Oeste Catarinense.

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1- DIAGNÓSTICO TERRITORIAL

A elaboração deste diagnóstico se deu por meio da análise de dados


secundários, documentos preliminares produzidos no processo de implantação
dessa política, a exemplo do Plano Territorial elaborado anteriormente, além de
entrevistas com atores que participam desse processo. De forma resumida
pode-se dizer que se priorizou três focos principais. O primeiro procura fornecer
elementos considerados relevantes para que as organizações territoriais e a
SDT acompanhem o processo de implementação dessa política no Território. O
segundo visa organizar informações já trabalhadas pelos membros do
Colegiado Territorial, mas que ainda não se encontravam sistematizadas. E o
terceiro fornece algumas novas informações a partir de fontes de dados
secundários recentes. Com isso espera-se que os atores locais tenham acesso
às informações relativas ao território, que contribuam para as suas discussões
tanto sobre a concepção de projetos estratégicos, quanto sobre a elaboração
mais complexa e articulada do Plano de Desenvolvimento Sustentável do
Território do Planalto Catarinense.

1.1 Dimensão Sociocultural e Educacional

1.1.1. Contexto histórico da formação e constituição de território


O atual Território Oeste Catarinense era ocupado por indígenas
Kaingang, Xokleng e Guarani. Os primeiros contatos dessas populações com
europeus se deram nos séculos XVII e XVIII, principalmente com religiosos da
Companhia Jesuítica, que tinha a sua sede na província espanhola do
Paraguai.
A chamada colonização da região se deu, já no século XX, com o
incentivo dos governos federal e estadual para empresas “colonizadoras”, que
adquiriam terras para, depois, comercializá-las. Ao governo coube, ainda, o
papel de coerção – juntamente com jagunços contratados pelas companhias,
para “limpar as áreas”. Isso significava expulsar os “caboclos” das terras. Estas
populações passaram, então, a se agrupar nas “sobras de terras”, em geral
mais declivosas ou nas barrancas dos rios.

15
As empresas madeireiras foram as primeiras a se instalar na região,
promovendo um acelerado desmatamento. A maior parte da madeira extraída
era exportada para países europeus era escoada, via Rio Uruguai, em balsas
formadas com as toras amarradas umas as outras. No período entre 1930 e
50, atuou na região a Sociedade Madeireira Chapecoense, que era uma
conglomerado de diversas madeireiras. Tal Sociedade, por sua vez, estava
incorporada à Cooperativa da Madeireira Vale do Uruguai Ltda, que ditava os
preços e as regras na região.
Depois, se instalaram as empresas colonizadoras, em sua maioria
provinham do Rio Grande do Sul. As áreas eram divididas em lotes de
aproximadamente vinte e cinco hectares (uma “colônia de terra”), para serem
vendidas às famílias de descendentes de imigrantes europeus, que migravam
das colônias velhas do estado vizinho. Esses lotes eram divididos a partir de
glebas localizadas entre dois cursos d’água, para que todas as “colônias”
tivessem acesso direto a esse recurso natural. As estradas eram abertas em
“linhas”, junto com a demarcação dos lotes, prevendo-se o acesso direto a elas
de cada uma das colônias de terra.
Um dos principais critérios para a distribuição dos lotes entre as famílias
era a religião. Teuto-brasileiros católicos, teuto-brasileiros evangélicos e ítalo-
brasileiros católicos foram assentados em regiões distintas. O objetivo dessa
política era garantir a formação de comunidades homogêneas e imprimir maior
coesão social às novas colônias. A estrutura produtiva formada, baseada na
policultura vegetal e na criação animal diversificada, interagia com as formas
de solidariedade e coesão social decorrentes dessa opção.
Desta forma, o processo de colonização – que foi mais intensivo entre
1940 e 1960 – foi determinante para a formação da atual estrutura social e
econômica, que define, por sua vez, os principais pilares da identidade
territorial.
A fronteira agrícola se fechou, na região, na década de 1970,
coincidindo com a implantação, pelo Governo Federal, dos instrumentos para a
chamada modernização conservadora da agricultura brasileira. Para o Oeste
Catarinense, isso significa a intensificação do processo de agroindustrialização,
especialmente aquele ligado ao complexo carnes.
Tais mudanças nas dinâmicas econômica, social, cultural, política e de
16
uso dos recursos naturais logo iriam mostrar também suas externalidades
negativas, gerando, a partir do início dos anos 80, ações de resistência e
defesa por parcela dos agricultores e habitantes da região. É sempre
importante destacar que as empresas agroindustriais instaladas passaram a
fazer, a partir de um sistema de integração horizontal de agricultores, a gestão
do território, considerando somente seus interesses privados. As reações
sociais a essa política – propagada como moderna, racional ou científica – se
originaram politicamente na percepção de mundo possibilitada pela “Doutrina
Social” da Igreja católica (fortemente veiculada pela Diocese de Chapecó),
partidos políticos de esquerda e por um nascente sindicalismo autêntico ou
combativo (em contraposição àquele que praticava somente o assistencialismo
médico e previdenciário).
Originam-se daí diversos movimentos sociais que são importantes na
evolução recente e nos debates sobre o futuro do Território Oeste Catarinense.
São os casos da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Fetraf
e dos sindicatos de trabalhadores a ela vinculados, do Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragens
(MAB) e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Da mesma forma, a
busca pela construção de alternativas ao modelo de modernização, permitiu a
instalação na região de Organizações não Governamentais, que buscavam
inspirar e alavancar propostas produtivas e de organização que apontassem
para o desenvolvimento regional sustentável, com base na agricultura familiar.
Desta forma, hoje, é com uma identidade fortemente ligada à
pequena agricultura familiar diversificada – resultante de um longo processo
histórico, que o Território pensa e constrói o seu futuro. Em um mercado que
se segmenta, parece ser ainda possível recuperar e valorizar o saber-fazer dos
homens e mulheres da região, para buscar um posicionamento baseado na
diferenciação de produtos e na valorização da origem (o próprio território e sua
reputação), da procedência (a agricultura familiar) e do tipo de produção
(“colonial”, mas também ecológico ou orgânico) que eles têm.

17
1.1.2. Características demográficas
A Figura 1, a seguir, apresenta a localização geográfica dos municípios
no interior do Território do Oeste Catarinense, assim como a deste no estado
de Santa Catarina.

Figura 1: Mapa de localização do Território Oeste Catarinense, com os limites


administrativos dos municípios que o compõem.

Mapa extraído de http://sit.mda.gov.br

Os vinte e cinco municípios que constituem o Território Oeste


Catarinense abrangem uma área total de 4.291 quilômetros quadrados, o que
representa 4,5% da superfície de Santa Catarina. Em 2000, sua população era
de 284.593 habitantes (5,3% da população estadual), passando para 324.594
em 2010 (5,2% da população estadual). Essa participação quase igualitária,
espelha o fato de o território ter apresentado no período inter-censitário 2000-
2010, um crescimento populacional (14,1%) praticamente igual ao de Santa
Catarina (15,4%).
Segundo dados do Censo Demográfico de 2010, o Território Oeste
Catarinense possui uma população de 324.594 habitantes e uma densidade
demográfica de 75,7 habitantes por quilômetro quadrado. Esse número,
superior aos 64,8 hab./Km² do estado de Santa Catarina, é, no entanto,
18
fortemente influenciado pelos dados de apenas dois municípios: Chapecó e
Pinhalzinho. O primeiro tem 182.809 habitantes, ou seja, 56% da população
total do território, e densidade demográfica de 292,8 hab./Km². O segundo,
mesmo tendo apenas 16.277 habitantes (5% da população total do território),
apresenta uma densidade demográfica de 126,9 hab./Km². Todos os outros
vinte e três municípios têm população inferior a vinte mil habitantes (exceção a
São Lourenço do Oeste, com 21.742) e densidade demográfica inferior à
catarinense (exceção a Nova Erechim, que está muito próximo dela, com 66,4
hab./Km²). Ressalte-se que dezesseis dos municípios do território têm
populações menores que cinco mil habitantes. Ou seja, mesmo tendo como
pólo um município tipicamente urbano (Chapecó, com mais de cem mil
habitantes e densidade demográfica superior a 80 habitantes por quilometro
quadrado), o Território Oeste como um todo precisa ser considerado rural. Ele
demanda um plano desenvolvimento que considere as inter-relações urbano-
rurais internas e as diferenças e os desequilíbrios existentes dentro dos
municípios e entre os municípios.

É importante, por isso, considerar as dessemelhanças internas ao


Território no processo de crescimento ou esvaziamento demográfico. Se a
população total do Território aumentou quarenta mil habitantes, internamente a
maioria dos municípios viu sua população decrescer. Sublinhe-se que apenas
o município de Chapecó teve um aumento, no período, de 35.852 habitantes
(mais 24,4%). É preciso que os atores sociais locais reflitam sobre os
processos demográficos que estão acontecendo no território. A Figura 2 mostra
as taxas de crescimento populacional entre 2000 e 2010. Como pode se
perceber, existe uma espécie de “arco de crescimento populacional” Chapecó e
Cordilheira Alta com Pinhalzinho e São Carlos. Ressalte-se, contudo, que esse
processo parece não influenciar Guatambú e Caxambú do Sul, os dois
municípios imediatamente vizinhos, situados meridionalmente em relação ao
referido arco.
Há uma tendência a considerar que os municípios menos populosos
tendem a ter um maior esvaziamento relativo. A princípio, a falta de
infraestrutura e de atratividade explicariam automaticamente o êxodo desses
lugares. Comparando as Figuras 2 e 3, abaixo, essa propensão parece não se

19
confirmar completamente. Percebe-se, por exemplo, que os municípios de
Nova Itaberaba (+ 20,7%) e Nova Erechim (+ 0,3%) têm praticamente as
mesmas populações que Guatambú (- 1,1%) e Caxambú do Sul (- 16,4%). Da
mesma forma, municípios que se encontram na faixa de dez mil habitantes
tiveram comportamentos bastante diversos: Quilombo (- 4,7%) e Coronel
Freitas (- 3,1%), em relação a São Carlos (+ 9,5%).

Figura 2: Taxas de crescimento populacional dos municípios do Território


Oeste Catarinense

20
Figura 3: População dos municípios do Território Oeste Catarinense em 2010

É certo que o a região centro-norte do território, onde estão nove


municípios com menos de três mil habitantes é a que apresenta o
esvaziamento mais importante. Não se pode, entretanto, considerar que isso é
inexorável e inevitável. O diagnóstico de esvaziamento e masculinização do
campo, especialmente no Oeste catarinense, já se transformou em uma
espécie de discurso geral que explica e justifica tudo. Se o diagnóstico é
pertinente e espelha a realidade, é interessante que ele sirva para fomentar
ações de desenvolvimento e não para gerar fatalismo, imobilismo e inação. Aos
atores sociais cabe refletir sobre os fatores que têm gerado essa regressão
demográfica, identificar os fluxos dessa população retirante e, sobretudo,
discutir propostas para aumentar a atratividade dos pequenos municípios que
compõem o Território Rural do Oeste Catarinense e que dão, a ele, identidade
e reputação.
Nesse sentido, é importante, também, discutir os dados de situação dos
domicílios (urbano ou rural), levantados pelo Censo Demográfico 2010 e
tornados públicos recentemente pelo IBGE (Tabela 4).

21
Figura 4: População por município conforme situação do domicilio (urbano ou
rural) em 2010

Com base nos critérios administrativos adotados por aquele instituto, o


Território Oeste Catarinense teria seguido a tendência de urbanização, ou,
mais propriamente, de desruralização, constatada em Santa Catarina. A
população do estado seria, neste momento, 84% urbana e 16% rural (contra,
respectivamente, 81 e 19%, em 2000).
Em termos absolutos, todos os municípios do território ganharam
população urbana (com exceção de Jardinópolis, que perdeu 16 habitantes
considerados urbanos) e perderam população rural (com exceção de Chapecó
que ganhou 3025 habitantes considerados rurais). Assim, a participação
relativa da população considerada urbana cresceu significativamente em todos
os municípios (com exceção de Chapecó que estabilizou no patamar altíssimo
de 91,6%).
É importante que as lideranças do Território Oeste Catarinense reflitam
criticamente sobre esses dados e o seu significado. Dois municípios com alto
crescimento da taxa de urbanização serão tomados como exemplo.
O primeiro, Cordilheira Alta, apresentou, entre 2000 e 2010, um
crescimento significativo de 20% de sua população total (mais 694 habitantes).

22
Ao mesmo tempo, ele viu as estatísticas da participação de sua população
urbana sobre a total se multiplicar por quatro, passando de 9,8% para 38,76%
(em termos absolutos, de 303, para 1468 habitantes, enquanto a população
rural teria encolhido de 2790 para 2319 habitantes).
O segundo, Jardinópolis, apresentou um decréscimo de 11,4% em sua
população total (menos 228 habitantes). Da mesma forma, em termos
absolutos, a população urbana decresceu 16 habitantes. Como a população
rural do município decresceu mais fortemente (perdeu 212 habitantes), os
habitantes dos domicílios situados no que é considerado urbano passaram a
representar 45,24% (enquanto em 2000 representavam 40,9%). Ou seja,
seguindo esses critérios, a taxa de urbanização de Jardinópolis teria crescido
10%.
Esses dados são suficientes para fomentar um debate entre os atores
sociais do Território Oeste Catarinense, que conhecem de perto os fluxos
internos nos municípios, as migrações intra-território e a emigração para outras
regiões do estado ou do país, sobre a noção e as perspectivas dessa pretensa
urbanização. Os deslocamentos populacionais precisam ser cotejados com os
investimentos (ou a ausência de) em infra-estrutura e serviços (educação,
saúde, comunicação, lazer, cultura etc.) nos diversos municípios. Da mesma
forma, é necessário confrontá-los com as dinâmicas econômico-produtivas (ou
a falta delas) seja de municípios, seja de sub-áreas do território.
Nesse debate, duas questões fundamentais: a) que mudanças na
dinâmica socioeconômica desses (na quase totalidade, pequenos) municípios
justificariam que os vejamos como cada vez menos rurais? b) que enfoques e
ações são necessários para tratar esse território rural tal como ele é?

23
Tabela 1 – Municípios do Território Oeste Catarinense, população total e variação percentual 2000, 2007 e 2010

Território Oeste - População Rural, Urbana e Variação de População: 2000, 2007 e 2010
Variação Variação Variação
População por 2000 2007 2010 Área
% % % D.D.
Município
Total 2000-2007 Total 2007-2010 Total 2000-2010 (km2) 2010
Águas de Chapecó 5.782 5,26% 6.086 0,23% 6.100 5,50% 139 43,8
Águas Frias 2.525 1,03% 2.551 -4,98% 2.424 -4,00% 75 32,3
Campo Erê 10.353 -7,37% 9.590 -2,29% 9.370 -9,49% 479 19,6
Caxambu do Sul 5.263 -7,18% 4.885 -9,89% 4.402 -16,36% 141 31,3
Chapecó 146.967 12,14% 164.803 10,93% 182.809 24,39% 624 292,8
Cordilheira Alta 3.093 8,66% 3.361 10,71% 3.721 20,30% 84 44,4
Coronel Freitas 10.535 -2,74% 10.246 -0,32% 10.213 -3,06% 234 43,6
Formosa do Sul 2.725 -3,85% 2.620 -5,38% 2.479 -9,03% 100 24,9
Guatambú 4.702 -4,19% 4.505 3,24% 4.651 -1,08% 205 22,7
Irati 2.202 -8,04% 2.025 3,51% 2.096 -4,81% 70 30,0
Jardinópolis 1.994 -7,17% 1.851 -4,59% 1.766 -11,43% 68 25,9
Nova Erechim 3.543 16,23% 4.118 3,81% 4.275 20,66% 64 66,4
Nova Itaberaba 4.256 -3,27% 4.117 3,64% 4.267 0,26% 138 31,0
Novo Horizonte 3.101 -6,42% 2.902 -5,24% 2.750 -11,32% 152 18,1
Pinhalzinho 12.356 18,90% 14.691 10,80% 16.277 31,73% 128 126,9
Planalto Alegre 2.452 7,63% 2.639 0,27% 2.646 7,91% 63 42,2
Quilombo 10.736 1,26% 10.871 -5,85% 10.235 -4,67% 279 36,6
Santiago do Sul 1.696 -14,50% 1.450 1,03% 1.465 -13,62% 74 19,9
São Bernardino 3.140 -15,51% 2.653 0,98% 2.679 -14,68% 145 18,5
São Carlos 9.364 10,76% 10.372 -1,18% 10.250 9,46% 159 64,5
São Lourenço do Oeste 19.647 10,95% 21.799 -0,26% 21.742 10,66% 369 58,8
Saudades 8.324 3,16% 8.587 5,00% 9.016 8,31% 206 43,9
Serra Alta 3.330 -3,90% 3.200 2,66% 3.285 -1,35% 90 36,3
Sul Brasil 3.116 -1,77% 3.061 -9,64% 2.766 -11,23% 113 24,5
União do Oeste 3.391 -9,82% 3.058 -4,84% 2.910 -14,18% 93 31,3
Território Oeste 284.593 7,54% 306.041 6,06% 324.594 14,06% 4.291 75,7
Santa Catarina 5.356.360 9,52% 5.866.252 6,54% 6.249.682 16,68% 95.346 65,5
Região Sul 25.107.616 6,48% 26.733.595 2,44% 27.384.815 9,07% 577.214 47,4
Brasil 169.799.170 8,36% 183.987.291 3,67% 190.732.694 12,33% 8.547.404 22,3
Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000, 2010, e Contagem da População 2007

24
Tabela 2 – Municípios do Território Oeste Catarinense, população total, urbana e rural e percentual; variação de população urbana e
rural 2000-2010; e área e densidade demográfica dos municípios 2010.

Território Oeste - População Rural, Urbana e Variação de População: 2000, 2007 e 2010
Variação
População por 2000 População 2010 Área
2000-2010 % D.D.
Município
Total Urbana % Rural % Total Urbana % Rural % Urbana Rural (km2) 2010
Águas de Chapecó 5.782 2.202 38,1% 3.580 61,9% 6.100 3.236 53,0 2.873 47,1 47,0 -19,7 139 43,8
Águas Frias 2.525 517 20,5% 2.008 79,5% 2.424 981 40,5 1.443 59,5 89,7 -28,1 75 32,3
Campo Erê 10.353 5.756 55,6% 4.597 44,4% 9.370 6.252 66,7 3.118 33,3 8,6 -32,2 479 19,6
Caxambu do Sul 5.263 2.054 39,0% 3.209 61,0% 4.402 2.150 48,8 2.256 51,2 4,7 -29,7 141 31,3
Chapecó 146.967 134.592 91,6% 12.375 8,4% 182.809 168.159 92,0 15.402 8,4 24,9 24,5 624 292,8
Cordilheira Alta 3.093 303 9,8% 2.790 90,2% 3.721 1.468 39,5 2.319 62,3 384,5 -16,9 84 44,4
Coronel Freitas 10.535 4.494 42,7% 6.041 57,3% 10.213 6.067 59,4 4.146 40,6 35,0 -31,4 234 43,6
Formosa do Sul 2.725 891 32,7% 1.834 67,3% 2.479 1.084 43,7 1.517 61,2 21,7 -17,3 100 24,9
Guatambú 4.702 983 20,9% 3.719 79,1% 4.651 1.749 37,6 2.926 62,9 77,9 -21,3 205 22,7
Irati 2.202 412 18,7% 1.790 81,3% 2.096 449 21,4 1.647 78,6 9,0 -8,0 70 30,0
Jardinópolis 1.994 815 40,9% 1.179 59,1% 1.766 799 45,2 967 54,8 -2,0 -18,0 68 25,9
Nova Erechim 3.543 1.720 48,5% 1.823 51,5% 4.275 3.211 75,1 1.064 24,9 86,7 -41,6 64 66,4
Nova Itaberaba 4.256 425 10,0% 3.831 90,0% 4.267 1.530 35,9 2.737 64,1 260,0 -28,6 138 31,0
Novo Horizonte 3.101 723 23,3% 2.378 76,7% 2.750 921 33,5 1.829 66,5 27,4 -23,1 152 18,1
Pinhalzinho 12.356 9.313 75,4% 3.043 24,6% 16.277 13.618 83,7 2.717 16,7 46,2 -10,7 128 126,9
Planalto Alegre 2.452 739 30,1% 1.713 69,9% 2.646 1.066 40,3 1.593 60,2 44,2 -7,0 63 42,2
Quilombo 10.736 4.697 43,8% 6.039 56,3% 10.235 5.749 56,2 4.502 44,0 22,4 -25,5 279 36,6
Santiago do Sul 1.696 521 30,7% 1.175 69,3% 1.465 650 44,4 815 55,6 24,8 -30,6 74 19,9
São Bernardino 3.140 529 16,8% 2.611 83,2% 2.679 719 26,8 1.960 73,2 35,9 -24,9 145 18,5
São Carlos 9.364 5.347 57,1% 4.017 42,9% 10.250 6.899 67,3 3.385 33,0 29,0 -15,7 159 64,5
São Lourenço do Oeste 19.647 13.407 68,2% 6.240 31,8% 21.742 16.885 77,7 4.912 22,6 25,9 -21,3 369 58,8
Saudades 8.324 2.897 34,8% 5.427 65,2% 9.016 5.123 56,8 3.893 43,2 76,8 -28,3 206 43,9
Serra Alta 3.330 1.201 36,1% 2.129 63,9% 3.285 1.835 55,9 1.450 44,1 52,8 -31,9 90 36,3
Sul Brasil 3.116 744 23,9% 2.372 76,1% 2.766 1.011 36,6 1.755 63,4 35,9 -26,0 113 24,5
União do Oeste 3.391 994 29,3% 2.397 70,7% 2.910 1.107 38,0 1.803 62,0 11,4 -24,8 93 31,3
Território Oeste 284.593 196.276 69,0% 88.317 31,0% 324.594 252.718 77,9 73.029 22,5 28,8 -17,3 4.291 75,7
Santa Catarina 5.356.360 4.217.931 78,7% 1.138.429 21,3% 6.249.682 5.249.197 84,0 1000485 16,0 24,4 -12,1 95.346 65,5
Brasil 169.799.170 137.953.959 81,2% 31.845.211 18,8% 190.732.694 160.879.708 84,3 29.852.986 15,7 16,6 -6,3 8.547.404 22,3
Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000, 2010, e Contagem da População 2007

25
1.1.3. Características do Tecido Sociocultural
O Censo Agropecuário de 2006 revela que a presença da agricultura familiar
é expressiva no Território. Do total de 18.003 estabelecimentos agropecuários
levantados, 16.284 são familiares, representando 90,5% do total. Esse índice é
superior ao valor registrado no estado, que é de 87% de estabelecimentos
familiares. Destaque-se que há pouco desvio em relação a este valor médio.
Praticamente todos os municípios do Território têm a participação da agricultura
familiar próxima a 90%. A menor, é encontrada em Guatambú, com 83,2%. E a
maior, em Formosa do Sul, com 97,8%. Destaque-se, da mesma forma, o alto
percentual da área total dos estabelecimentos ocupada pela agricultura familiar.
Com exceção de Campo Erê (23,5%) e Guatambú (43,5%), em todos os
municípios são encontradas participações superiores a 50% (em 14 deles
superiores a 80%). Esse é um indicador de uma estrutura agrária bem menos
concentrada.

26
Tabela 3 - Território Oeste - Total de Estabelecimentos, Área e Percentuais de Agricultura Familiar e Patronal
Estabelecimentos Área
Total
Município Agricultura Familiar Agricultura Não Familiar Agricultura Familiar Agricultura Não Familiar
Qtd Área Qtd % Qtd % Área % Área %
Águas de Chapecó 822 11.485 758 92,2 64 7,8 9.176 79,9 2.309 20,1
Águas Frias 434 6.779 424 97,7 10 2,3 5.846 86,2 933 13,8
Campo Erê 767 36.846 619 80,7 148 19,3 8.665 23,5 28.182 76,5
Caxambu do Sul 728 11.469 693 95,2 35 4,8 9.950 86,8 1.520 13,3
Chapecó 1.907 33.912 1.616 84,7 291 15,3 17.641 52,0 16.270 48,0
Cordilheira Alta 452 6.101 429 94,9 23 5,1 5.219 85,5 883 14,5
Coronel Freitas 1.129 22.544 1.006 89,1 123 10,9 16.964 75,2 5.580 24,8
Formosa do Sul 403 9.249 394 97,8 9 2,2 8.144 88,1 1.105 11,9
Guatambú 531 13.588 442 83,2 89 16,8 5.904 43,5 7.684 56,5
Irati 377 9.952 365 96,8 12 3,2 5.488 55,1 4.464 44,9
Jardinópolis 254 5.383 238 93,7 16 6,3 4.715 87,6 668 12,4
Nova Erechim 329 5.087 307 93,3 22 6,7 4.555 89,5 533 10,5
Nova Itaberaba 749 11.412 691 92,3 58 7,7 9.565 83,8 1.847 16,2
Novo Horizonte 629 12.892 570 90,6 59 9,4 10.345 80,2 2.547 19,8
Pinhalzinho 709 10.542 636 89,7 73 10,3 8.948 84,9 1.594 15,1
Planalto Alegre 417 5.917 362 86,8 55 13,2 5.005 84,6 912 15,4
Quilombo 1.318 24.716 1.161 88,1 157 11,9 18.635 75,4 6.082 24,6
Santiago do Sul 207 3.796 201 97,1 6 2,9 3.312 87,2 484 12,8
São Bernardino 521 12.053 462 88,7 59 11,3 7.228 60,0 4.825 40,0
São Carlos 1.043 21.552 981 94,1 62 5,9 12.482 57,9 9.069 42,1
São Lourenço do Oeste 1.447 29.091 1.322 91,4 125 8,6 22.428 77,1 6.663 22,9
Saudades 1.153 18.285 1.052 91,2 101 8,8 15.520 84,9 2.765 15,1
Serra Alta 532 8.879 466 87,6 66 12,4 6.870 77,4 2.009 22,6
Sul Brasil 578 10.078 549 95,0 29 5,0 8.852 87,8 1.225 12,2
União do Oeste 567 9.200 540 95,2 27 4,8 7.737 84,1 1.463 15,9
Território Oeste 18.003 350.808 16.284 90,5 1.719 9,5 239.194 68,2 111.616 31,8
Santa Catarina 193.663 6.040.134 168.544 87,0 25.119 13,0 2.645.088 43,8 3.395.047 56,2
Sul 1.006.181 41.526.157 849.997 84,5 156.184 15,5 13.066.591 31,5 28.459.566 68,5
Brasil 5.175.489 329.941.393 4.367.902 84,4 807.587 15,6 80.250.453 24,3 249.690.940 75,7
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006

27
A incidência de estabelecimentos agropecuários não-familiares neste território é,
assim, muito baixa (9,5%), tanto em relação à Santa Catarina (13%), quanto ao
Brasil (15,6%), o que pode ser explicado pelo processo histórico de ocupação das
terras apresentado anteriormente. Tal história torna inteligível, da mesma forma, o
altíssimo percentual (91,5%) de proprietários e a importância (93,5%) de
estabelecimentos agropecuários com menos de 50 hectares. Destaque-se que
39,1% deles têm menos de 10 hectares (Figura 5).

Figura 5: Participação percentual dos estabelecimentos agropecuários com menos


de 10 ha sobre o total de estabelecimentos agropecuários nos municípios do
Território Oeste Catarinense

Levando-se em conta que a agricultura familiar do Território se dedica a uma


produção diversificada, com destaque para a produção de milho, soja e fumo e a
criação de bovinos de leite, suínos e frangos, parece importante que os atores
sociais reflitam sobre a viabilidade (e o potencial de viabilização) econômica
dessas famílias com propostas ou projetos estritamente agrícolas. Dizendo de
outra forma, afigura-se como importante considerar ocupações e empreendimentos
rurais não agrícolas como uma forma de viabilizar a própria agricultura familiar.

28
Organizações ligadas à agricultura familiar
O território do Oeste possui uma ampla rede de organizações sociais, que
articula os diversos interesses da agricultura familiar.
Foi no contexto das crises vividas pela economia brasileira – e
especialmente da agricultura, a partir do início da década de 80, que surgiram
novas lideranças no Território do Oeste Catarinense. Os primeiros embates
aconteceram no seio do próprio sindicalismo de trabalhadores rurais, percebidos
como um instrumento importante de aglutinação de forças. Animados por
intervenções da Igreja progressista, os “sindicatos combativos”, como se
autodenominaram, ganharam expressão e passaram a ter influência nas
administrações públicas municipais. Junto ao questionamento político do modelo
produtivista de crescimento agrícola e ao tratamento das conseqüências da crise
(as principais: o endividamento e a exclusão), as lideranças desse sindicalismo
combativo buscaram, também, a construção de um modelo alternativo de
desenvolvimento rural baseado em uma agricultura também “alternativa”. Neste
contexto, surgiram e se fortaleceram diversas organizações não governamentais. A
Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste de Santa Catarina (Apaco) pode
ser apontada como uma das pioneiras. Depois, surgiram a Associação das
cooperativas e associações do Oeste Catarinense – Ascooper, o Instituto da
Agricultura Familiar – ICAF, a União Nacional das Cooperativas de Agricultura
Familiar e Economia Solidária – Unicafes e o Instituto de Desenvolvimento
Regional SAGA. Além das experiências das organizações citadas, muitas outras
foram articuladas na região. Muitas delas se espelhando em processos
organizativos existentes fora do território. É o caso, por exemplo, das cooperativas
de crédito. Algumas delas, inicialmente integradas ao Sistema de Cooperativas de
Crédito de Santa Catarina e ao Siscoob, optaram por se incorporar a um novo
sistema que se consolidava no Paraná: o Sistema Cresol.
Entre as organizações da sociedade civil, merece destaque a Associação
Perxeirão dos Caboclos porque, criada em 2003 e com nove núcleos de
aproximadamente cinco famílias cada um, se trata de uma entidade voltada para
um público com características étnicas e culturais específicas, que tem pouca
visibilidade no território. Outra entidade a ser ressaltada é a Associação de
pescadores do Rio Uruguai e seus afluentes, que congrega aproximadamente 350

29
famílias que vivem da pesca artesanal, da fruticultura e de produtos para o
autoconsumo.
Atualmente, no Território, é possível identificar redes de articulação das
organizações da sociedade civil em torno de projetos ligados à agroindustrailização
familiar, ao turismo rural, à agroecologia, a rotas de comercialização, ao
artesanato, à conservação de recursos naturais e, de forma mais geral, à economia
solidária e à geração de tecnologias adaptadas. O fortalecimento dessas redes já
existentes tem exigido coordenação das ações e sintonia das políticas públicas
voltadas ao desenvolvimento rural.
No âmbito sindical ligado à agricultura, têm atuação expressiva, no Território
Oeste Catarinense, os Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais na
Agricultura (STTR), federados na FETAESC; os Sindicatos da Agricultura Familiar
(Sintraf) federados na FETRAF-SUL; e os Sindicatos de Trabalhadores Rurais e
Associações do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), representados
nacionalmente pela Associação Nacional dos Pequenos Agricultores (ANPA).
No que diz respeito aos movimentos sociais do campo, destacam-se as
atuações do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Movimento de
Mulheres Camponesas (MMC) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST). Recorde-se que existem assentamentos em três dos vinte e seis
municípios que compõem o território, com um total de apenas 115 famílias
assentadas.
O que as organizações de agricultores familiares presentes no território têm
sinalizado é que, para além de usar suas forças para defender projetos
estratégicos no setor agrícola, julgam indispensável buscar novas formas de
articulação com outros atores sociais que possibilitem ações integradas e
intersetorais.

A gestão territorial pelo setor empresarial privado e cooperativo


Hoje, as maiores empresas na região são a Sadia S/A (Brazil Foods) e a
Cooperativa Aurora. Esta última, com sede em Chapecó, tem, atuando no Território
Oeste, outras duas cooperativas a ela filiadas: a CooperAlfa, também em Chapecó,
e a CooperCaslo, em São Lourenço do Oeste. A CooperCaslo tem uma
abrangência restrita a dois municípios. Já a CooperAlfa tem como área de
abrangência todo o Território Oeste Catarinense. Nele também atua a
30
CooperItaipu, sediada em Pinhalzinho. O que se constatou, a partir da instalação
dessas empresas, em um quadro de forte favorecimento por políticas e instituições
públicas que visavam incentivar a industrialização e a descentralização econômica,
gerando pólos regionais, foi que elas passaram a realizar uma gestão dos
territórios em que se implantavam. A conseqüência desse processo é sentida hoje
nos inúmeros problemas urbanos e rurais decorrentes do direcionamento das
políticas públicas estaduais e municipais seguindo as estratégias privadas dessas
empresas. Servem de exemplo a concentração da produção e seus impactos
ambientais, assim como o surgimento de densos bairros periféricos, com
baixíssimo nível de infra-estrutura, em geral ocupados por famílias oriundas da
exclusão do meio rural, por não terem conseguido efetuar os investimentos
produtivos exigidos pelas mesmas empresas.

O capital social
Estudo, realizado pelo Centro de Ciências da Administração da Universidade
para o Desenvolvimento de Santa Catarina (Menegasso, 2006), indica que, para os
onze municípios que compõem a região administrativa de Chapecó, há “uma
predisposição positiva das pessoas [...] em participar de atividades associativas ou
de vincular-se a associações, o que denota a intensidade de laços sociais”. Tal
inclinação está mais direcionada à participação em atividades relacionadas ao
esporte e lazer, arte e cultura. Os resultados da mesma pesquisa evidenciam,
contudo, um baixo estoque de capital social, revelando uma cultura política de
pouca confiança e cooperação e de repúdio às instituições políticas. Os dados
indicam, ainda, que a solidariedade se faz presente, principalmente quando
entendida como um ato voltado a minorar o sofrimento alheio ou para diminuir as
desigualdades sociais, havendo, contudo, poucos indicativos de que ela também se
manifeste como um ato de engajamento cívico, mais racional, em favor da
construção do bem-estar geral da comunidade.
É preciso que os atores sociais do território reflitam sobre a pertinência
desse diagnóstico e se ele é extensível aos quinze demais municípios do território.
Existem, por exemplo, sinalizações de que nos municípios da região de Chapecó o
mutirão é uma forma de cooperação muito pouco importante, sendo mais utilizadas
as práticas de troca de serviços. Já na região de São Lourenço do Oeste, ocorre o

31
contrário, o mutirão é uma relação de trabalho fundamental para a agricultura
familiar e a troca de serviços uma atividade praticamente inexpressiva.
Esses elementos precisam ser pensados pelos atores sociais do território
porque a confiança, a cooperação, a solidariedade e a responsabilidade cívica,
juntamente com o sentimento de pertencimento, serão pilares do desenvolvimento
territorial sustentável.

As iniciativas supra-municipais
Algumas ações e organizações buscam promover a integração entre
políticas e administrações públicas governamentais e não governamentais, assim
como entre diversos setores. Desta forma, pode-se afirmar que há a construção de
outros territórios dentro do Território Oeste Catarinense. Descrever, ainda que
brevemente, essas iniciativas é um componente imprescindível deste diagnóstico.

A Mesorregião da Grande Fronteira do Mercosul


Abrangendo parte dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Paraná, sendo constituída por 412 municípios (entre os quais todos os municípios
do Território Oeste Catarinense), com uma população de mais de quatro milhões
de habitantes, a Mesorregião da Grande Fronteira do Mercosul busca a inserção
competitiva nos mercados e a integração intra e inter-regional. Além disso, visa
também fortalecer e consolidar a cooperação da sociedade civil e do setor público
da mesorregião. Para isso, atua na coordenação de fóruns regionais já existentes.
A Meso tem promovido importantes ações de apoio a projetos de desenvolvimento
do turismo, a programas de capacitação, de fortalecimento agroindustrial e de
fortalecimento do pólo moveleiro na região. A maior dificuldade nessas iniciativas
tem sido a baixa participação da sociedade civil organizada. Os participantes dos
debates e encaminhamentos são diretamente ligados aos poderes públicos
estadual e municipais.

Associação dos municípios do Oeste de Santa Catarina - AMOSC


A AMOSC é uma entidade municipalista, mantida exclusivamente com
recursos dos municípios, que apóia os consorciados como um órgão prestador de
serviços em projetos, consultoria e assessoramento técnico municipal. Vinte dos
municípios do Território Oeste Catarinense são associados à AMOSC: Águas Frias,
32
Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Chapecó, Cordilheira Alta, Coronel Freitas,
Formosa do Sul, Guatambu, Irati, Jardinópolis, Nova Erechim, Nova Itaberaba,
Planalto Alegre, Quilombo, Santiago do Sul, Serra Alta, Sul Brasil, União do Oeste,
Pinhalzinho e São Carlos. (Figura 6)
Para além da promoção da defesa institucional, ampliação e fortalecimento
da capacidade administrativa econômica e social dos municípios, com a promoção
da modernização administrativa municipal, a Associação busca a mobilização para
a atuação conjunta dos poderes legislativo e executivo regional, coordenação e
estabelecimento conjunto de medidas e políticas públicas visando o
desenvolvimento integrado da microrregião. Recorde-se que a Amosc se articula
com várias outras organizações, coordenando o Fórum da Mesorregião Grande
Fronteira do Mercosul para o estado de Santa Catarina, sendo parceira do
Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico Social e Meio Ambiente,
do Fórum Catarinense de Desenvolvimento, do Programa Catarinense de
Desenvolvimento Regional e Setorial e do SAGA - Instituto de Desenvolvimento
Regional, todos com ação no Território Oeste Catarinense.

Associação dos municípios do Noroeste Catarinense – AMNOROESTE


A AMNOROESTE congrega sete municípios, sendo três também
pertencentes ao Território Oeste Catarinense (Novo Horizonte; São Bernardino; e
São Lourenço do Oeste). Ela realiza assessoria em áreas técnicas (engenharia,
topografia, nutrição e informática) e administrativas aos Municípios filiados.

Associação dos Municípios do Entre-Rios - AMERIOS


Entre os dezesseis municípios filiados a AMERIOS encontram-se Campo-
Erê e Saudades, também pertencentes ao Território Oeste Catarinense. Ela
representou um desmembramento da AMOSC, porque os municípios situados
entre o Rio das Antas e o Rio Chapecó consideraram que aquela associação
estava com uma abrangência ampla demais. A AMERIOS afirma representar os
municípios associados, defendendo interesses regionais e fortalecendo as
administrações política e tecnicamente.

33
Figura 6: Associações de municípios presentes no Território Oeste Catarinense

As Regiões Administrativas e de Desenvolvimento


O processo de descentralização criado pelo governo de Santa Catarina, a
partir de 2002, gerou as regiões administrativas, com seus respectivos Conselhos e
Secretarias Regionais de Desenvolvimento (SDR). No Território Oeste Catarinense
estão presentes três dessas SDR, as de Chapecó, São Lourenço do Oeste e
Quilombo. Ao mesmo tempo, municípios do território fazem parte das SDR de
Palmitos (São Carlos e Águas de Chapecó) e de Maravilha (Pinhalzinho e
Saudades).

34
Figura 7: Regiões administrativas do governo estadual que fazem gestão supra-
municipal no Território do Oeste Catarinense

Esta situação de múltiplas construções territoriais (Mesorregião,


Associações de Municípios e SDR) gera dificuldades nos debates e duplicidades
de esforços e encaminhamentos. Freqüentemente, são constatados paralelismos –
e até competição – entre iniciativas voltadas ao mesmo objetivo. É preciso, por
isso, que os atores sociais reflitam sobre as possibilidades e desafios ligados a
uma maior interação dessas diferentes instituições e suas respectivas construções
territoriais. Uma reflexão sobre a identidade e o senso de pertencimento dos
habitantes em relação a esses territórios em construção, assim como ao Território
Oeste Catarinense, também aparece como pertinente.
A projeção das regiões administrativas do governo estadual sobre a
dinâmica demográfica, por exemplo, deve levar os atores sociais a refletir sobre a
formação de sub-territórios, ou, pelo menos de áreas que precisam de uma ênfase
específica e de uma visão de médio e longo prazos. A região administrativa de
Quilombo é inteiramente composta por municípios esvaentes. É preciso verificar
se estão sendo propostas e ou efetivadas políticas e projetos voltados ao aumento

35
da atratividade destes municípios, especialmente na perspectiva dos jovens e das
mulheres.
Figura 8: : Taxas de crescimento populacional dos municípios do Território Oeste
Catarinense e Regiões administrativas do governo estadual.

O mesmo pode ser pensado para a parte da região administrativa de São


Lourenço do Oeste que compõe o Território Oeste, que tem uma taxa positiva
apenas em seu município pólo. A questão fundamental a ser pensada é de como,
a partir de um enfoque territorial e de uma visão sistêmica, será possível
estabelecer sinergias entre os sub-territórios de forma a ter a necessa´ria reversão
das perspectivas atuais de esvaziamento social.

1.1.4. Situação da Saúde


A realidade da saúde da população do Território pode ser aferida através da
análise de um conjunto de indicadores. Um deles se refere ao número de leitos
hospitalares relacionado com a população total. A Tabela 3, a seguir, apresenta a
distribuição do número de hospitais, leitos, postos e ambulatórios de saúde no
conjunto dos municípios do Território.
Segundo Ministério da Saúde, o parâmetro aceitável para o número de leitos
hospitalares deve ser, no mínimo, de 2,5 a 3 leitos/1.000 habitantes e de 4 a 10 %
de leitos hospitalares em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Nesta versão do
Plano não foi possível apurar os leitos em UTI.
36
Tabela 4. Número de Médicos e Leitos em Hospitais por 1000 habitantes e
estabelecimentos de saúde por município do Território Oeste Catarinense
Leitos Estabelecimentos de Saúde
Médicos
Leitos hospitalares
Município por mil
hospitalares por mil Público Privado Total
habitantes
habitantes
Águas de Chapecó 1,38 0 0 2 1 3
Águas Frias 0,79 0 0 2 0 2
Campo Erê 1,84 100 11,9 4 3 7
Caxambu do Sul 1,33 29 5,8 3 1 4
Chapecó 1,36 358 1,9 34 53 87
Cordilheira Alta 4,53 0 0 2 0 2
Coronel Freitas 1,23 30 2,7 3 1 4
Formosa do Sul 0,73 0 0 1 0 1
Guatambú 0,85 0 0 3 0 3
Irati 0,91 0 0 2 0 2
Jardinópolis 1 0 0 1 0 1
Nova Erechim 1,98 33 8,2 1 1 2
Nova Itaberaba 0,7 0 0 1 0 1
Novo Horizonte 0,32 0 0 1 0 1
Pinhalzinho 1,94 35 2,5 2 1 3
Planalto Alegre 0,82 0 0 1 0 1
Quilombo 2,51 48 4,9 2 3 5
Santiago do Sul 0 0 0 1 0 1
São Bernardino 0 0 0 1 0 1
São Carlos 2,14 59 6,8 2 2 4
São L. do Oeste 2,24 58 2,8 7 9 16
Saudades 2,16 34 4,3 2 2 4
Serra Alta 0,6 0 0 1 0 1
Sul Brasil 1,28 0 0 1 0 1
União do Oeste 0,88 0 0 2 0 2
Total Território 1,5 784 131
Fonte:DATASUS(2002; 2005); Ministério da Saúde, Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
Nota:Excluído Para-médicos de nível superior e médio e Odontólogos

Com uma população total de 324.594 habitantes em 2010, o número de


leitos hospitalares do Território deveria estar entre 811 e 973. Dessa forma, tomado
o território, os 784 leitos estão abaixo do mínimo recomendado pelo Ministério da
Saúde. Este dado é agravado pelo fato de apenas uma parcela deles ser
disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde – SUS.
A existência de uma maioria de municípios sem hospitais não significaria, em si,
um grave problema, pois as distâncias aos municípios pólos são relativamente

37
pequenas. O limite maior é que as estruturas desses pólos (Chapecó, Coronel
Freitas, Pinhalzinho e São Lourenço do Oeste) já mostram insuficiência.
No Território, as condições de acesso aos serviços ligados à saúde podem variar
muito, dependendo do município e, dentro dele, do local de moradia. Para os
moradores de áreas rurais, muitas vezes, as distâncias até os serviços de saúde e
o atendimento nos postos de saúde (condições e capacidade técnica e profissional)
são desvantagens em comparação com a população que reside dentro dos
perímetros urbanos.
Como em outras regiões do país, a Estratégia Saúde da Família e os
Agentes Comunitários de Saúde vêm representando um grande avanço em termos
de atenção básica à população.

1.1.5. Situação da Educação


Os dados indicam que, de uma forma geral, o pode público vem
respondendo bem às exigências sociais pela universalidade e pela melhoria da
educação. Os números de matrícula sinalizam para um altíssimo percentual de
crianças e adolescentes cumprindo o ensino obrigatório. As redes públicas
estadual e municipais é que asseguram a quase totalidade das vagas. Com
exceção dos pólos maiores – especialmente Chapecó, as escolas particulares têm
pouca importância relativa. Assim, em geral, a escola pública é a escola de todas
as crianças e adolescentes no território, o que pode ter um efeito bastante positivo
nos debates sobre a melhoria de suas condições.
A fortíssima concentração de matrículas em escolas situadas nos perímetros
urbanos (listadas como urbanas pelo INEP) aponta para a continuidade e
aprofundamento do processo de nucleação, associado ao transporte escolar,
iniciado, em Santa Catarina, na década de 1990. É importante que os atores
sociais do Território façam, agora, um balanço dessa política que se, em boa parte
dos casos, mas não na totalidade, tem implicado em melhor infraestrutura e
condições de ensino, tem, ao mesmo tempo, contribuído para o enfraquecimento
das comunidades do interior dos municípios e, conseqüentemente para o seu
esvaziamento. Assim, em uma perspectiva de médio e longo prazos, é preciso
refletir sobre as possibilidades de uma educação que esteja situada no campo e
que esteja sintonizada com os projetos de desenvolvimento pensados pelas
populações do campo no território, especialmente os agricultores familiares. As
38
melhorias das infra-estruturas de comunicação (especialmente cm a
democratização da internet) e a ampliação do número de professores com
habilitação, assim como as políticas públicas federais de Educação do Campo,
apontam para um questionamento da visão hoje dominante de que uma escola
situada no meio rural é, necessariamente, precária. Ao mesmo tempo, o crescente
aumento das despesas com transporte escolar e dos problemas de segurança e
com os tempos de deslocamentos está exigindo uma reflexão sobre a necessidade
de reaproximação entre escolas e famílias.
Com base nos dados do Censo Demográfico de 2000 (os de 2010 ainda a
esse respeito ainda não foram publicados), o índice de analfabetismo entre a
população com quinze anos ou mais é bastante significativo no território (20,2%).
Ao compararmos com o a porcentagem estadual que é de 18,2%, percebemos que
somente quatro municípios têm esse indicador melhor que o estadual: Chapecó,
Cordilheira Alta, Nova Erechim e Serra Alta. Já os municípios que detêm o maior
índice de analfabetismo são: Campo Erê, São Bernardino e Planalto Alegre. Os
dados mostram também que os responsáveis pelo domicílio com menos de quatro
anos de estudo é alto em todos os municípios e superiores ao índice estadual, já
bastante elevado de 22,3 (com exceção de Chapecó). A pior situação era
encontrada em Campo Erê, com 39% dos responsáveis por domicílios possuindo
menos de 4 anos de escolaridade. Há, todavia, uma expectativa de uma
significativa melhoria nesta situação no período intercensitário 2000-2010.

39
Tabela 5 - Número de Matrículas por Município, por redes de ensino e por situação (urbana e rural).
Município N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em N.º matrículas em
escolas escolas escolas escolas escolas escolas escolas escolas
estaduais federais urbanas municipais particulares estaduais rurais municipais rurais federais rurais particulares rurais
urbanas (INEP 2006) urbanas urbanas (INEP 2006) (INEP 2006) (INEP 2006) (INEP 2006)
(INEP 2006) (INEP 2006) (INEP 2006)
Águas de Chapecó 489 0 130 0 206 46 0 0
Águas Frias 291 0 59 0 0 68 0 0
Campo Erê 1.204 0 474 20 114 150 0 0
Caxambu do Sul 271 0 342 0 214 0 0 0
Chapecó 14.201 0 9.498 2.307 725 895 0 0
Cordilheira Alta 210 0 0 0 0 354 0 0
Coronel Freitas 896 0 463 0 188 72 0 0
Formosa do Sul 261 0 198 0 0 0 0 0
Guatambú 366 0 178 0 280 100 0 0
Irati 162 0 83 0 110 47 0 0
Jardinópolis 196 0 159 0 0 0 0 0
Nova Erechim 324 0 319 0 0 0 0 0
Nova Itaberaba 442 0 171 0 0 163 0 0
Novo Horizonte 199 0 178 0 102 68 0 0
Pinhalzinho 1.332 0 910 94 0 0 0 0
Planalto Alegre 279 0 164 0 0 0 0 0
Quilombo 842 0 505 63 207 160 0 0
Santiago do Sul 158 0 89 0 0 15 0 0
São Bernardino 361 0 234 0 0 72 0 0
São Carlos 703 0 0 66 0 540 0 0
São Lourenço do Oeste 1.859 0 823 266 626 319 0 0
Saudades 432 0 405 0 502 0 0 0
Serra Alta 410 0 0 0 0 152 0 0
Sul Brasil 193 0 159 0 124 88 0 0
União do Oeste 303 0 0 0 0 214 0 0

40
Tabela 6.. IDEB e projeções para a Rede Pública de Ensino Fundamental
Regular nos municípios do Território Oeste Catarinense

Séries Iniciais (Até a 4ª série) Séries Finais (5ª a 8ª série)


Nome do IDEB Projeções IDEB Projeções
Município 2005 2007 2009 2007 2009 2011 2013 2005 2007 2009 2007 2009 2011 2013
Águas de
Chapecó 4,7 4,7 5,2 4,7 5,1 5,5 5,7 4,1 3,4 3,8 4,1 4,2 4,5 4,9
Águas Frias 4,4 5,0 5,8 4,5 4,8 5,2 5,5 4,4 4,6 4,3 4,4 4,6 4,8 5,2
Campo Erê 4,1 4,1 4,7 4,2 4,5 4,9 5,2 3,9 4,0 3,7 3,9 4,1 4,3 4,7
Caxambu do
Sul 3,6 4,2 5,0 3,7 4,0 4,4 4,7 3,9 3,5 4,3 3,9 4,1 4,4 4,8
Chapecó 4,5 4,6 5,2 4,6 4,9 5,3 5,6 3,9 4,0 4,4 3,9 4,1 4,4 4,8
Cordilheira
Alta - - - - - - - 3,6 4,2 4,1 3,7 3,8 4,1 4,5
Coronel
Freitas 4,2 4,6 4,9 4,2 4,6 5,0 5,3 4,1 4,3 4,2 4,1 4,3 4,5 4,9
Formosa do
Sul 3,6 4,2 4,5 3,7 4,0 4,5 4,7 4,0 4,3 3,7 4,0 4,2 4,5 4,9
Guatambú 4,2 3,4 3,8 4,3 4,6 5,0 5,3 3,2 3,7 3,6 3,3 3,4 3,7 4,1
Irati - 4,0 4,6 - 4,2 4,6 4,8 4,1 4,0 - 4,2 4,3 4,6 5,0
Jardinópolis 3,9 4,8 4,5 3,9 4,3 4,7 5,0 3,6 4,1 3,9 3,6 3,8 4,0 4,4
Nova
Erechim 4,7 5,2 6,0 4,7 5,1 5,4 5,7 4,4 4,7 4,9 4,4 4,6 4,9 5,2
Nova
Itaberaba 4,3 4,7 4,8 4,4 4,7 5,1 5,4 3,6 3,8 4,2 3,7 3,8 4,1 4,5
Novo
Horizonte 3,9 4,1 5,3 4,0 4,3 4,8 5,0 3,5 3,9 4,9 3,5 3,7 4,0 4,4
Pinhalzinho 4,6 4,9 5,5 4,7 5,0 5,4 5,7 4,3 4,4 4,6 4,3 4,5 4,7 5,1
Planalto
Alegre - 5,4 5,5 - 5,6 5,9 6,1 3,9 4,4 3,8 4,0 4,1 4,4 4,8
Quilombo 4,3 4,8 4,6 4,3 4,7 5,1 5,3 3,7 4,2 3,9 3,7 3,9 4,1 4,5
Santiago do
Sul - 4,7 4,7 - 4,9 5,2 5,5 - 4,3 3,8 - 4,4 4,6 5,0
São
Bernardino 3,5 3,6 4,7 3,6 3,9 4,3 4,6 3,5 4,0 4,6 3,5 3,7 3,9 4,3
São Carlos 4,2 4,7 5,1 4,3 4,6 5,0 5,3 4,2 4,0 4,4 4,2 4,4 4,7 5,0
São
Lourenço do
Oeste 3,9 4,8 5,2 4,0 4,3 4,7 5,0 4,3 4,4 4,3 4,4 4,5 4,8 5,2
Saudades 4,5 5,2 5,4 4,6 4,9 5,3 5,6 4,6 4,3 4,9 4,6 4,8 5,0 5,4
Serra Alta 4,1 4,9 5,7 4,2 4,5 4,9 5,2 3,8 4,5 4,6 3,8 4,0 4,3 4,7
Sul Brasil 4,4 4,9 5,5 4,5 4,8 5,2 5,5 4,1 4,1 4,1 4,2 4,3 4,6 5,0
União do
Oeste - - - - - - - 3,0 4,1 4,4 3,0 3,1 3,4 3,8
Fonte: MEC/Inep
Nota: ND - Número de participantes na Prova Brasil 2009 insuficiente para que os resultados sejam divulgados.

Considerando-se o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)


das redes públicas de ensino fundamental regular dos municípios do Território,
pode-se afirmar que,, na maioria dos municípios, tem
m havido melhorias na qualidade
da educação. Sabe-se
se que esse índice reúne dois conceitos igualmente
importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho
nas avaliações; que ele varia de 0 a 10;
10 e que a meta do Brasil é alcançar o
41
patamar educacional que têm hoje a média dos países da OCDE, equivalente a um
índice 6. Com essas informações, é preciso um olhar crítico dos atores locais do
território sobre a evolução dos índices de cada município entre 2005 e 2007 e do
cotejamento deles com as projeções. Há diversos municípios com índices
estabilizados ou mesmo decrescentes. É importante que os mesmos atores sociais
considerem a possibilidade desse desafio ser encarado também territorialmente.
Uma ação conjunta em torno da educação e de currículos e ritmos adequados às
especificidades do território tem sido, em geral, um bom ponto de partida.

1.2 Dimensão Ambiental


Os recursos naturais são um dos pontos de sustentação da estrutura
produtiva do território. A fertilidade do solo e a grande disponibilidade de água
estão, porém ameaçados pelo uso intensivo pelo qual se estruturou a criação
animal e a produção de grãos. O manejo do solo adotado desde a ocupação das
terras do Território Oeste é o principal indicador de uma longa história de
exploração dos recursos naturais. A derrubada da floresta, a queimada e a rotação
de terras eram as principais técnicas de abertura das lavouras e pastagens,
aproveitando-se, no curto prazo, o alto valor das florestas nativas e da fertilidade
natural dos solos. Em pouco tempo, contudo, essas práticas levaram ao
esgotamento e à perda da fertilidade dos solos e, conseqüentemente, à perda de
produtividade. A partir dos anos 70, esse manejo passa a ser substituído pela forte
utilização de insumos químicos de síntese e da tratorização. O terreno acidentado
foi o único empecilho. Apenas as áreas menos acessíveis não foram devastadas.
Desta forma, os problemas ambientais mais evidenciados, hoje, são
relacionados à adoção crescente desse modelo produtivista de agricultura: poluição
do solo e da água por agrotóxicos, fertilizantes químicos de síntese, dejetos de
suínos, bovinos e aves; perda da biodiversidade e dos saberes tradicionais
associados a estes materiais genéticos. Da mesma forma, constata-se a
diminuição da cobertura vegetal e seus efeitos sobre o ciclo hidrológico, como
enchentes e estiagens, que, por sua vez, geram o assoreamento dos rios e o
comprometimento dos organismos vivos. Ao mesmo tempo, verifica-se que as
nascentes vêm sendo seriamente prejudicadas – muitas vezes de forma
irreversível – pelo excesso de poços artesianos perfurados e pela contaminação
profunda provocada pelas próprias perfurações.
42
No território, diversas instituições – como secretarias municipais de
agricultura, IBAMA, FATMA, Ministério Público Estadual, Comitês de Bacia,
movimentos sociais, ONG – desenvolvem ações para repensar o uso e a
conservação destes recursos. Isso é feito, no entanto, de forma muito tímida,
deixando, inclusive de enfrentar os problemas mais graves, como os dos
agrotóxicos e da transgenia.
Neste contexto, a intensificação das atividades agrícolas tradicionais,
especialmente a criação animal, vem criando um abismo entre o dinamismo
econômico que o território desenvolveu e as suas condições sociais.
A agricultura familiar predominante no território, tanto pode destruir quanto
propiciar a proteção dos bens naturais. É, por isso, imprescindível que os atores
sociais do Oeste Catarinense discutam a estreita relação existente entre os
problemas ambientais do território e a atual situação da agricultura familiar.
Justamente por estarem complexamente integrados à dinâmica da atividade, os
problemas ambientais da agricultura não podem ser interpretados apenas à luz do
conhecimento técnico/ambiental, ou mesmo jurídico. Um debate profundo sobre o
padrão técnico adotado na produção vegetal e na criação animal e, de forma mais
ampla, sobre o modelo de desenvolvimento praticado precisa ser urgentemente
realizado.

1.2.1 Características geoambientais

No Território do Oeste Catarinense, a presença de mata nativa ainda é


importante e a fertilidade dos solos em seu estágio original é bastante alta. A
política de colonização juntamente com modelo de produção agrícola desgastou os
solos tornando-os de baixa fertilidade. De acordo com a classificação de Koeepen,
o território possui o clima tipo subtropical, mesotérmico úmido, com verões
quentes. A temperatura média anual varia entre 18 e 19º C, enquanto que a
precipitação média anual permanece entre os 1.700 a 1.900 mm/ano. A umidade
relativa do ar oscila entre os 76% e 78%. Quanto ao solo, o Oeste está situado em
áreas de relevo acidentado, ainda que hajam áreas de relevo suavemente
ondulado a ondulado. Nas áreas onduladas e suavemente onduladas,
predominando os latossolos, havendo formações de cambissolos e terras roxas

43
estruturadas e nos terrenos inclinados a fortemente inclinados, predominam os
cambissolos e terras roxas estruturadas.
Segundo os dados sobre meio ambiente da Pesquisa do Perfil dos
Municípios (IBGE, 2002) em vinte dos vinte e cinco municípios do território os solos
estão contaminados comprometendo gravemente a produtividade das atividades
agrícolas. A água é outro recurso seriamente comprometido no território. A criação
de animais, o despejo de esgoto doméstico, o uso de agrotóxicos e fertilizantes e,
em menor grau, o lixo são os principais poluentes. Além da poluição, a escassez de
água é apontada como um problema em quatorze municípios do território, segundo
pesquisa do IBGE. Porém, um levantamento mais detalhado realizado pelo ICEPA,
mostra que em todos os municípios do território, em média 32% dos
estabelecimentos agropecuários têm problemas com falta de água.
Os vinte e cinco municípios do território podem ser classificados em quatro
grupos quanto à intensidade dos problemas ambientais. Um grupo, que
corresponde a um quinto dos municípios do território - Chapecó, Jardinópolis,
Formosa do Sul, Planalto Alegre e Novo Horizonte, apresenta situação grave de
degradação ambiental, provocada especialmente pelos resíduos da produção
animal e pelo uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos de síntese. As águas e os
solos desses municípios encontram-se profundamente alterados, o que
compromete tanto a produtividade das atividades econômicas que dependem
desses recursos quanto a qualidade de vida da população. Em particular, a
escassez de água já aparece como um problema grave para o consumo humano.
O segundo grupo, formado por dois municípios - Campo Erê e Quilombo, apresenta
um quadro preocupante de poluição ambiental provocado pelo despejo de resíduos
industriais. Os municípios de Coronel Freitas, Irati, Nova Erechim, Nova Itaberaba,
Santiago do Sul, São Bernardino, São Lourenço do Oeste, Serra Alta, Pinhalzinho,
Saudades e São Carlos formam um terceiro grupo que apresenta um quadro
moderado de degradação. Os demais municípios do território – Águas Frias,
Caxambu do Sul, Cordilheira Alta, Guatambu, Sul Brasil e União do Oeste –
apresentam um quadro leve de degradação.
O desmatamento ainda é um dos graves problemas ambientais do território.
Segundo dados do Levantamento Agropecuário de Santa Catarina (ICEPA, 2005)
as áreas ocupadas com matas nativas representam em média menos de 10% do
total das áreas ocupadas por empreendimentos rurais.
44
1.2.2 Processos Territoriais de Gestão Ambiental

Este item não foi suficientemente elaborado nesta versão do Plano, devendo
ser objeto de aprofundamento na continuidade do processo de planejamento do
desenvolvimento territorial sustentável. A análise deve contemplar as principais
iniciativas de gestão ambiental existentes no Território, a exemplo das Unidades de
Conservação, a presença e forma de atuação de ONG, Consórcios intermunicipais,
Comitês de Bacias Hidrográficas, Fóruns de Agenda 21, ações no campo da
agroecologia e agricultura orgânica, e demais intervenções relevantes no que se
refere à preservação ambiental. Esse diagnóstico dos processos territoriais de
gestão ambiental deve contemplar as medidas de caráter público, da sociedade
civil e, também, da iniciativa privada.
Outro aspecto que precisa ser estudado com profundidade está relacionado
às atividades florestais existentes no Território, tanto no que se refere às
potencialidades de recursos territoriais específicos, quanto os impactos
socioambientais negativos provocados pelos reflorestamentos com pinus ou
eucaliptos. Os reflorestamentos em monocultura podem afetar a paisagem típica da
região, pressionar o mercado de terras, dificultando o acesso à terra de agricultores
familiares, e praticar relações de trabalho não condizentes com a legislação
trabalhista.

1.3 Dimensão socioeconômica


O Território Oeste Catarinense tem uma longa tradição econômica baseada
na exploração de atividades agrícolas e de agroindústrias de grande porte. A
suinocultura e avicultura, associadas à produção de grãos para alimentação
animal, são a base principal da economia do território. Ela inclui, ainda, a
bovinocultura, principalmente para a produção de leite, a piscicultura e a produção
de feijão, trigo, mandioca e fumo. A cada ano, porém, o setor industrial ocupa um
espaço mais importante na economia do território, tendo como carros-chefe as
indústrias de alimentos e bebidas, madeira e mobiliário, mecânica, vestuário,
calçados e materiais de transporte. O processo de verticalização industrial das
cadeias produtivas tradicionais – como, por exemplo, insumos industriais para a
agropecuária e equipamentos para as agroindústrias – vem ganhando cada vez
mais espaço.

45
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do território varia de 0,73
em São Bernardino a 0,83 em Chapecó. Somente este município, Saudades e
Pinhalzinho têm IDH superior ao do estado (0,822). Todos os outros estão abaixo.

Tabela 7 – Índice de desenvolvimento humano por município no Território Oeste


Catarinense
IDH IDH IDH
Município IDH
Educação Longevidade Renda
Águas de Chapecó 0,845 0,796 0,702 0,781
Águas Frias 0,890 0,776 0,642 0,769
Campo Erê 0,847 0,742 0,625 0,738
Caxambu do Sul 0,849 0,776 0,600 0,742
Chapecó 0,910 0,830 0,757 0,833
Cordilheira Alta 0,844 0,829 0,714 0,795
Coronel Freitas 0,871 0,820 0,691 0,794
Formosa do Sul 0,831 0,771 0,690 0,764
Guatambú 0,867 0,732 0,617 0,739
Irati 0,849 0,769 0,658 0,759
Jardinópolis 0,855 0,830 0,648 0,778
Nova Erechim 0,902 0,813 0,736 0,817
Nova Itaberaba 0,825 0,807 0,618 0,750
Novo Horizonte 0,827 0,794 0,617 0,746
Pinhalzinho 0,914 0,855 0,708 0,826
Planalto Alegre 0,805 0,761 0,644 0,737
Quilombo 0,844 0,769 0,708 0,773
Santiago do Sul 0,851 0,720 0,720 0,764
São Bernardino 0,832 0,720 0,633 0,729
São Carlos 0,900 0,765 0,769 0,811
São Lourenço do Oeste 0,866 0,825 0,695 0,795
Saudades 0,930 0,878 0,685 0,831
Serra Alta 0,884 0,779 0,708 0,790
Sul Brasil 0,854 0,769 0,649 0,757
União do Oeste 0,882 0,796 0,710 0,796
Fonte: PNUD - Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000

O que se nota é que quatro municípios têm IDH considerados elevados (>0,80) e
nenhum possui IDH baixo (<0,50). Vinte e um municípios têm valores médios,
superiores a 0,7 e, na grande maioria dos casos, se aproximando de 0,8.
O componente que mais influi negativamente no valor do IDH-M da maioria
dos municípios do território é o quesito renda. É interessante que não se consegue
fazer nenhuma relação direta entre o IDH Renda e o tamanho da população ou a
46
taxa de urbanização do município, também para 2000 (basta confrontar com
Tabelas 1 e 2). O município com maior IDH Renda (São Carlos, 0,769) tem em
torno de dez mil habitantes e 57% da população vivendo no perímetro urbano.
Chapecó, o segundo (0,757) e Nova Erechim, o terceiro (0,736), têm altas taxas de
urbanização (respectivamente 92 e 48%), mas populações bastante diferentes (a
de Chapecó equivalia a 41 vezes a de Nova Erechim). O caso de Santiago do Sul é
bastante interessante. Com 1.696 habitantes, 30% deles vivendo no perímetro
urbano, o município teve o quarto IDH R (0,720). Esses dados, por si só, desafiam
os atores sociais do território a reflexões mais complexas sobre renda e pobreza no
Oeste Catarinense.
Em relação estritamente à economia, Chapecó se destaca por responder por
63% do Produto Interno Bruto de todo o Território. No município, são os serviços e
indústria que têm a maior participação (respectivamente 50 e 39%) no PIB; a
agricultura representando apenas 1,5%. Sublinhe-se que o PIB de Chapecó é 8,5
vezes maior que o de São Lourenço do Oeste, município que detém a segunda
participação no PIB do Território, com 7,5%. Se somarmos a participação de mais
dois municípios: Pinhalzinho (4,5%); Quilombo (3,5%), chegamos, com apenas
quatro municípios, a quase setenta e nove por cento o PIB do território. Os 21%
restantes estando distribuído de forma desigual entre os outros vinte e um
municípios. Jardinópolis, o de menor PIB, participa com apenas 0,3% do Produto
Interno Bruto do território. Isso não significa, contudo, diminuir, para a dinâmica
sócio-cultural e ambiental do Território Oeste catarinense, a importância deste
município. Além de gerar um significativo PIB per capita de R$ 7.156,75,
Jardinópolis se destaca pela cultura ligada à colonização de descendentes de
italianos vinda das colônias velhas gaúchas.
A propósito do PIB per capita, no território, destaca-se, em primeiro lugar,
Cordilheira Alta com R$ 29.270,12, um município com pouco mais de três mil
habitantes, mas que, entre 2000 e 2010, viu sua população crescer 20% e sua taxa
de urbanização, segundo os critérios do IBGE, se multiplicar por quatro.
Com relação aos setores da economia, é fundamental ressaltar que, para o
território Oeste como um todo, a agricultura participa com apenas 9% do PIB. O
setor de serviços – o mais importante – responde por 47%; e a indústria, por 35%.
Deve ser destacado, contudo, que boa parte dos serviços e da indústria estão
ligados ao chamado complexo agro-alimentar. Assim, apesar da prioridade deste
47
Plano se voltar para o setor agropecuário e, em especial, para os segmentos
sociais da agricultura familiar, entende-se que o diagnóstico territorial deve
contemplar os setores da indústria e de serviços, procurando compreender as
conexões intersetoriais. Nesta versão do diagnóstico não foi possível analisar com
maior profundidade esses dois setores, mas uma melhor leitura deverá ser
efetuada na continuidade do processo de planejamento com o propósito de
identificar possíveis embriões de Arranjos Produtivos Localizados (APL).

48
Tabela 8: Território Oeste - Produto Interno Bruto por Setores da Economia - 2006
Agropecuária Indústria Serviços Administração Pública Impostos Produto Interno Bruto PIB per
Município (Mil Reais) (Mil Reais) (Mil Reais) (Mil Reais) (Mil Reais) (Mil Reais) População capita
Águas de Chapecó 14.742,30 4.064,23 19.173,60 8.347,33 1.384,25 39.364,39 5.293 7.437,07
Águas Frias 6.920,15 6.331,94 16.014,49 4.028,92 2.424,32 31.690,89 2.037 15.557,63
Campo Erê 41.651,03 15.501,63 62.295,25 13.870,92 6.783,83 126.231,74 8.349 15.119,38
Caxambu do Sul 17.721,31 4.818,30 18.362,95 7.939,14 1.598,79 42.501,35 4.743 8.960,86
Chapecó 47.525,31 1.180.955,52 1.534.736,77 250.268,82 281.439,91 3.044.657,50 173.262 17.572,56
Cordilheira Alta 4.751,95 18.602,54 57.592,29 6.121,79 13.917,68 94.864,46 3.241 29.270,12
Coronel Freitas 29.663,98 21.751,32 54.503,38 15.823,28 5.935,23 111.853,90 10.624 10.528,42
Formosa do Sul 7.709,25 2.281,45 9.225,98 4.561,55 782,26 19.998,94 2.536 7.886,02
Guatambú 10.424,26 43.477,10 19.624,02 7.521,97 6.011,08 79.536,46 4.740 16.779,84
Irati 7.187,43 1.442,19 7.156,95 3.622,64 531,90 16.318,46 1.971 8.279,28
Jardinópolis 4.696,11 1.352,28 6.467,78 3.516,27 444,70 12.960,87 1.811 7.156,75
Nova Erechim 11.461,49 8.373,48 18.144,04 6.266,12 2.400,46 40.379,48 3.860 10.461,00
Nova Itaberaba 13.030,76 10.138,21 14.602,10 7.105,86 1.967,83 39.738,89 4.317 9.205,21
Novo Horizonte 11.784,21 3.657,83 13.672,07 4.668,46 1.723,78 30.837,89 2.723 11.324,97
Pinhalzinho 18.449,53 67.463,06 106.923,43 20.046,96 21.029,62 213.865,64 13.600 15.725,42
Planalto Alegre 5.507,96 2.767,76 9.958,26 4.922,42 939,83 19.173,81 2.368 8.097,05
Quilombo 24.097,14 75.187,98 56.961,92 14.922,40 9.939,85 166.186,90 9.946 16.708,92
Santiago do Sul 7.111,62 1.066,24 6.454,13 3.366,80 414,94 15.046,93 1.519 9.905,81
São Bernardino 13.139,48 1.345,50 9.066,56 4.959,02 472,13 24.023,67 2.510 9.571,18
São Carlos 16.374,32 17.068,01 44.391,94 13.205,06 5.145,63 82.979,91 8.682 9.557,69
São Lourenço do Oeste 54.240,14 143.825,68 131.373,60 28.360,46 30.777,54 360.216,95 20.202 17.830,76
Saudades 22.216,40 59.357,56 37.498,59 11.303,12 8.888,84 127.961,39 7.800 16.405,31
Serra Alta 6.770,66 4.245,55 11.510,13 4.725,73 1.412,94 23.939,28 2.938 8.148,15
Sul Brasil 8.500,08 1.697,99 7.693,11 4.472,30 569,10 18.460,27 2.557 7.219,50
União do Oeste 11.215,05 2.125,08 11.143,43 5.407,47 871,63 25.355,18 3.312 7.655,55
Território Oeste 416.891,90 1.698.898,42 2.284.546,74 459.354,78 407.808,06 4.808.145,13 304.941 15.767,46
Santa Catarina 5.644.007,06 28.129.972,20 47.798.469,99 8.848.857,90 11.601.049,12 93.173.498,37 5.958.266 15.637,69
Sul 28.081.622,32 101.121.777,13 207.624.788,53 40.170.227,27 49.908.772,10 386.736.960,08 27.308.863 14.161,59
Brasil 111.229.000,00 585.602.000,00 1.337.903.000,00 311.381.000,00 335.062.546,18 2.369.796.546,17 186.770.562 12.688,28
Fonte: IBGE - Coordenação de Contas Nacionais - 2006

49
1.3.1 Análise dos Setores Industrial e de Comércio e Serviços

O estudo “Santa Catarina em Números”, produzido pelo Sebrae-SC e


publicado em 2010, divide os setores de atividades econômicas dos municípios do
estado em três categorias: tradicionais, emergentes e com tendência de expansão.
Os critérios utilizados para essa classificação são o Valor Adicionado Fiscal (VAF)
em 2007 e os números de empresas e de empregos em 2008. Nos vinte e cinco
municípios do Território, temos praticamente três terças. Na primeira, oito
municípios (Formosa do Sul, Guatambú, Nova Erechim, Novo Horizonte, Santiago
do Sul, São Bernardino, Sul Brasil e União do Oeste) apresentaram somente
setores tradicionais, com destaque para a pecuária; o abate e fabricação de
produtos de carne; laticínios; o comércio atacadista de matérias primas agrícolas e
animais vivos; o transporte rodoviário de carga. Fora da cadeia agro-alimentar,
aparece apenas a fabricação de móveis. Não é demais lembrar que todos esses
municípios tiveram entre 2000 e 2010, uma regressão na sua população. A
exceção que confirma a regra é Nova Erechim, que tem um pólo importante de
trinta empresas de fabricação de móveis, que, mesmo sendo um setor tradicional,
se expandiu (+ 11%) e contratou mais (+ 13%) entre 2006 e 2008. Eram
significativos 312 empregos diretos (ano base 2008), em uma população de 4.118
habitantes (ano base, 2007).
Na segunda terça, oito municípios apresentam além dos setores tradicionais
setores com tendência de expansão (Águas Frias, Caxambu do Sul, Cordilheira
Alta, Irati, Planalto Alegre, e Saudades) ou emergentes (Campo Erê e Nova
Itaberaba). No caso dos municípios com setores com tendência de expansão, há
um forte destaque ao comércio de peças e acessórios para veículos automotores,
ou à manutenção ou reparação destes, seguido por produção de lavouras
temporárias ou pecuária, ou de atividades de apoio a elas. As mesmas atividades
de comércio ganham relevo nos dois municípios com setores considerados
emergentes.
Na última terça, nove municípios (Águas de Chapecó, Chapecó, Coronel
Freitas, Jardinópolis, Pinhalzinho, Quilombo, São Carlos, São Lourenço do Oeste,
e Serra Alta) têm, além dos setores tradicionais, setores com tendência de
expansão e setores emergentes. Mais uma vez, contudo, as empresas são ligadas

50
aos serviços, em especial os de comércio e os de preparar e servir refeições. As
atividades de fabricação aparecem apenas em Chapecó (produtos amiláceos e de
alimentos para animais; cabines, carrocerias e reboques para veículos
automotores; equipamentos para distribuição e controle de energia elétrica) e
Coronel Freitas (produtos de madeira) e “desdobramento de madeira”, em Coronel
Freitas e Jardinópolis. Percebe-se que a quase totalidade dos municípios dessa
terça são os mais populosos (mais de dez mil habitantes) e servem de pólo para
sua vizinhança, especialmente Chapecó, mas também Pinhalzinho, Quilombo e
São Lourenço do Oeste. Centros dinâmicos que tiveram, também, um crescimento
demográfico importante entre 2000 e 2010.
Sublinhe-se que, a princípio, em nenhum dos casos de setores com
tendência de expansão e emergentes pode-se afirmar que um Arranjo Produtivo
Local (APL) se encontra em processo de estruturação. Já a análise preliminar do
setor tradicional revela nitidamente uma concentração de empresas ligadas a
cadeia agroalimentar, especialmente dos complexos carne e leite.
Por fim, outra área do universo do setor de serviços que merece uma análise
mais apurada é a do setor financeiro, uma vez que a sua conformação reflete
diretamente na maior ou menor inclusão dos segmentos rurais empobrecidos e,
conseqüentemente, no acesso ou não deles a políticas públicas de créditos
subvencionados (como é o caso do Pronaf) e de microcrédito. A Tabela 9, a seguir,
revela uma profunda deficiência do sistema financeiro presente no Território. A
exemplo do que acontece no Sistema Financeiro Nacional, no Território existe uma
forte concentração de agências bancárias nos municípios mais populosos e mais
urbanizados. Chapecó tem 56% dos habitantes do território, mas ocupa apenas
14,5% da área dele, e fica com 44% das agências bancárias, mais da metade dos
postos bancários, além de metade das cooperativas de crédito e a única agência
de microcrédito. Enquanto isso, pequenos municípios são atendidos por
correspondentes bancários e caixas eletrônicos.
Dois sistemas de cooperativas de crédito têm atuação na área do Território:
o Sicoob Central SC e a Cresol-Central SC/RS. O Sicoob tem a Cooperativa de
Crédito Maxi Alfa, que, com aproximadamente vinte e nove mil sócios, possui uma
agência em Chapecó e Postos de Atendimento Cooperativo em Águas de
Chapecó, Campo Erê, Caxambu do Sul, Chapecó, Cordilheira Alta, Coronel Freitas,

51
Formosa do Sul, Guatambú, Iratí, Jardinópolis, Nova Erechim, Nova Itaberaba,
Planalto Alegre, Quilombo, São Bernardino e União do Oeste.

Tabela 9: Número de agências bancários, Cooperativas de Crédito e Agências de


Microcrédito nos Municípios do Território (out/2009)
Agência Postos de Cooperativa de Agência de
Município
Bancária serviços Crédito Microcrédito
Águas de Chapecó 2 3 - -
Águas Frias - 1 - -
Campo Erê 2 2 - -
Caxambu do Sul 1 2 - -
Chapecó 19 50 2 1
Cordilheira Alta - 4 - -
Coronel Freitas 2 2 - -
Formosa do Sul - 1 - -
Guatambú - 1 - -
Irati - - - -
Jardinópolis - 1 - -
Nova Erechim 1 1 - -
Nova Itaberaba - 3 - -
Novo Horizonte - 1 - -
Pinhalzinho 4 3 1 -
Planalto Alegre - 3 - -
Quilombo 2 4 - -
Santiago do Sul - 1 - -
São Bernardino - 1 - -
São Carlos 3 4 - -
São Lourenço do Oeste 4 4 1 -
Saudades 1 3 - -
Serra Alta 1 1 - -
Sul Brasil - 1 - -
União do Oeste 1 1 - -
Território Oeste 43 98 4 1
Fonte: Sebrae (2010).

Já a Cresol tem cooperativas singulares em Chapecó, Coronel Freitas,


Formosa do Sul, Pinhalzinho e Quilombo; e Postos de Atendimento Cooperativo
em Irati, Nova Itaberaba, São Lourenço do Oeste e Saudades.
Estes sistemas de crédito cooperativo desempenham importante papel na
oferta de recursos para os agricultores, como Pronaf custeio e investimento,
microcrédito (BNDES) e coleta da poupança dos associados. A Tabela acima
reflete a existência de um campo de possibilidades para intervenção no interior do
Território tendo o financiamento como uma alavanca para um desenvolvimento
mais espraiado e mais equitativo, seja criando novas cooperativas de crédito, seja

52
aumentando o número de PAC das cooperativas já existentes. Além disso, as
intervenções com microcrédito representam exceção, via a agência em Chapecó, o
que evidencia outro domínio passível de intervenção do Colegiado Territorial.

1.3.2 Análise do Setor Agropecuário do Território

1.3.2.1 Estrutura Fundiária

O processo de ocupação das terras determinou a atual estrutura fundiária do


Território. A Tabela 3 (página 29) indica que de um total de 18.003
estabelecimentos agropecuários, 16284 (90,5%) são familiares e 1.719 (9,5%) são
patronais. Essa proporção de estabelecimentos não-familiares encontra-se abaixo
da verificada no estado (13%) e no Brasil (15,5%). Os municípios com maior
incidência da agricultura não-familiar são, em ordem, Campo Êre, com 19,3 % do
número total de estabelecimentos e 76,5% da área total de estabelecimentos;
Guatambú, com 16,8% do número total de estabelecimentos e 56,5% da área total
de estabelecimentos; e Chapecó, com 15,3% do número total de estabelecimentos
e 48% da área total de estabelecimentos. Para o território como um todo, os
estabelecimentos não-familiares ocupam 31,8% da área total dos
estabelcecimentos, proporção quase 25% abaixo do verificado no estado (56,2%) e
menor que a metade daquela encontrada no Brasil (75,7%).
Os municípios com maior presença de agricultores familiares é Chapecó,
com 1.616 estabelecimentos; seguido por São Lourenço do Oeste, com 1.322;
Quilombo, com 1.161; Saudades, com 1.052; e Coronel Freitas, com 1.006. , Celso
Ramos com 622 e Vargem com 565 estabelecimentos. A Tabela 103, a seguir,
indica a presença de 7.042 (39,1%) estabelecimentos com áreas inferiores a 10 ha.
É uma incidência superior àquela verificada no estado (35,8%), o que indica que
uma parcela muito significativa dos agricultores (dois em cada cinco), por estar em
unidades de produção agropecuárias com áreas insuficientes para garantir a
reprodução ampliada do grupo familiar, vive em condições de pobreza e merece,
portanto, uma atenção especial do Colegiado Territorial. É preciso conhecer
melhor as estratégias de complementação de renda desenvolvidas por essas
famílias.

3
Nessa Tabela não foi possível separar os estabelecimentos familiares dos não-familiares.
53
Tabela 10 - Total de Estabelecimentos, Área e Percentuais de Agricultura Familiar e Patronal no Território
Território Oeste - Número de estabelecimentos agropecuários e grupos de área total
Total Produtor sem área Até 10ha De 10 a 50ha De 50 a100ha De 100 a 500ha Mais de 500ha
Município
Qtd % Qtd % Qtd % Qtd % Qtd % Qtd %
Águas de Chapecó 822 3 0,4 416 50,6 378 46,0 18 2,19 7 0,85 - 0,00
Águas Frias 434 9 2,1 157 36,2 257 59,2 10 2,30 - 0,00 1 0,23
Campo Erê 767 32 4,2 291 37,9 342 44,6 31 4,04 58 7,56 13 1,69
Caxambu do Sul 728 30 4,1 277 38,0 389 53,4 28 3,85 4 0,55 - 0,00
Chapecó 1.907 84 4,4 1.049 55,0 655 34,3 65 3,41 50 2,62 4 0,21
Cordilheira Alta 452 - 0,0 235 52,0 208 46,0 6 1,33 3 0,66 - 0,00
Coronel Freitas 1.129 7 0,6 397 35,2 659 58,4 50 4,43 16 1,42 - 0,00
Formosa do Sul 403 - 0,0 78 19,4 298 73,9 25 6,20 2 0,50 - 0,00
Guatambú 531 4 0,8 251 47,3 231 43,5 17 3,20 25 4,71 3 0,56
Irati 377 8 2,1 141 37,4 208 55,2 16 4,24 3 0,80 1 0,27
Jardinópolis 254 12 4,7 35 13,8 193 76,0 13 5,12 1 0,39 - 0,00
Nova Erechim 329 6 1,8 107 32,5 211 64,1 5 1,52 - 0,00 - 0,00
Nova Itaberaba 749 33 4,4 288 38,5 404 53,9 21 2,80 3 0,40 - 0,00
Novo Horizonte 629 7 1,1 196 31,2 382 60,7 36 5,72 8 1,27 - 0,00
Pinhalzinho 709 2 0,3 276 38,9 411 58,0 16 2,26 4 0,56 - 0,00
Planalto Alegre 417 8 1,9 184 44,1 215 51,6 9 2,16 1 0,24 - 0,00
Quilombo 1.318 15 1,1 474 36,0 765 58,0 47 3,57 16 1,21 1 0,08
Santiago do Sul 207 1 0,5 72 34,8 122 58,9 11 5,31 1 0,48 - 0,00
São Bernardino 521 10 1,9 170 32,6 312 59,9 16 3,07 13 2,50 - 0,00
São Carlos 1.043 1 0,1 443 42,5 587 56,3 10 0,96 1 0,10 1 0,10
São Lourenço do Oeste 1.447 8 0,6 495 34,2 852 58,9 74 5,11 17 1,17 1 0,07
Saudades 1.153 2 0,2 373 32,4 744 64,5 26 2,25 8 0,69 - 0,00
Serra Alta 532 2 0,4 202 38,0 305 57,3 20 3,76 3 0,56 - 0,00
Sul Brasil 578 6 1,0 183 31,7 363 62,8 23 3,98 3 0,52 - 0,00
União do Oeste 567 4 0,7 252 44,4 296 52,2 10 1,76 5 0,88 - 0,00
Território Oeste 18.003 294 1,6 7.042 39,1 9.787 54,4 603 3,35 252 1,40 25 0,14
Santa Catarina 193.663 4.122 2,1 69.390 35,8 101.721 52,5 10.723 5,54 6.513 3,36 1.194 0,62
Sul 1.006.181 19.811 2,0 406.481 40,4 457.050 45,4 58.406 5,80 52.316 5,20 12.117 1,20
Brasil 5.175.489 255.024 4,9 2.477.071 47,9 1.580.703 30,5 390.874 7,55 371.114 7,17 100.703 1,95
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006

54
Tabela 11. Número de estabelecimentos agropecuários por condição do produtor, por município, no Território Oeste
Catarinense
Não Proprietário Produtor sem área
Município Total Geral Proprietário Assentado
Total Arrendatário Parceiro Ocupante Total %
sem titulação definitiva
Águas de Chapecó 822 691 128 - 58 28 42 3 0,4
Águas Frias 434 403 22 11 8 2 1 9 2,1
Campo Erê 767 654 81 4 23 1 53 32 4,2
Caxambu do Sul 728 646 52 3 25 3 21 30 4,1
Chapecó 1.907 1.667 156 8 52 32 64 84 4,4
Cordilheira Alta 452 447 5 - 3 2 - - 0,0
Coronel Freitas 1.129 1.041 81 2 25 24 30 7 0,6
Formosa do Sul 403 397 6 - 3 1 2 - 0,0
Guatambú 531 498 29 - 16 5 8 4 0,8
Irati 377 332 37 - 14 18 5 8 2,1
Jardinópolis 254 233 9 1 7 1 - 12 4,7
Nova Erechim 329 312 11 - 5 4 2 6 1,8
Nova Itaberaba 749 658 58 - 17 18 23 33 4,4
Novo Horizonte 629 586 36 8 16 3 9 7 1,1
Pinhalzinho 709 670 37 1 22 3 11 2 0,3
Planalto Alegre 417 386 23 - 10 4 9 8 1,9
Quilombo 1.318 1.204 99 9 33 17 40 15 1,1
Santiago do Sul 207 204 2 1 - - 1 1 0,5
São Bernardino 521 472 39 4 15 10 10 10 1,9
São Carlos 1.043 980 62 - 37 6 19 1 0,1
São Lourenço do Oeste 1.447 1.342 97 3 54 6 34 8 0,6
Saudades 1.153 1.079 72 - 37 9 26 2 0,2
Serra Alta 532 482 48 - 34 9 5 2 0,4
Sul Brasil 578 540 32 1 27 2 2 6 1,0
União do Oeste 567 535 28 1 14 10 3 4 0,7
Território Oeste 18.003 16.459 1.250 57 555 218 420 294 1,6
Santa Catarina 193.663 170.908 18.633 2.651 7.085 2.151 6.746 4.122 2,1
Sul 1.006.181 839.670 146.700 22.279 59.476 19.546 45.399 19.811 2,0
Brasil 5.175.489 3.946.276 974.189 189.191 230.110 142.531 412.357 255.024 4,9
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006

55
Outros 9.787 (54,4%) produzem em áreas no estrato de 10 a 50 hectares e
também configuram parcela prioritária da política de desenvolvimento territorial do
MDA/SDT. Nas duas situações, o acesso às linhas de crédito do Pronaf merece ser
acompanhado, no sentido de verificar se a maior parte dos agricultores familiares
está tendo acesso a esse Programa.
A Tabela 11, acima, revela a existência de 1.487 estabelecimentos
agropecuários no Território (8,2%) geridos por agricultores não-proprietários
(arrendatários, parceiros, ocupantes e sem área). Em valores relativos, o Território
encontra-se pouco abaixo do verificado no estado (10,4%). Embora não se possa
afirmar que todos sejam familiares, muito possivelmente a maioria faz parte dessa
categoria social. As famílias de agricultores não-proprietários das terras que
cultivam representam o público prioritário do Programa Nacional de Crédito
Fundiário (PNCF).

1.3.2.2 Principais atividades agropecuárias

O Território Oeste Catarinense se destaca, por ordem pelo Valor da


Produção (Tabela 12), nas culturas milho, soja, fumo, mandioca, cana-de-açúcar,
trigo e feijão Essas culturas juntas somam 96,9% da área plantada e 99,2% do
valor da produção de lavoura temporária existente no território. O destaque entre
os municípios em relação ao valor total produzido e a área ocupada é Campo Êre.
Sublinhe-se que, situado na zona norte do território, esse município têm uma
topografia menos acidentada e um numero maior de estabelecimentos maiores de
cem hectares (dos 25 maiores de 500 hectares no Território Oeste, 13 estão em
Campo Êre). Não é demais recordar que em boa parte dos outros municípios
predominam solos inclinados, rasos e pedregosos, com pouca aptidão para
culturas anuais.
A cultura do milho é diretamente voltada à alimentação animal e é sabido
que o estado tem um déficit no balanço de oferta e demanda desse bem
intermediário da cadeia produtiva de carnes e de leite. É importante ressaltar que o
cultivo é feito predominantemente em estabelecimentos menores de vinte hectares.
A sucessão, no último decênio, de estiagens durante o período de cultivo – que têm
resultado em diminuição da produtividade e, em muitos dos casos, em frustração
total de safras, tem sido um fator para a diminuição da área plantada na região.

56
Tabela 12. Território Oeste - Ranking por Valor da Produção da Lavoura Temporária (em Mil Reais)
Milho (em grão) Soja (em grão) Fumo (em folha) Mandioca Cana-de-açúcar Trigo (em grão) Feijão (em grão)
Município Total
Valor % Valor % Valor % Valor % Valor % Valor % Valor %
Território Oeste 320.244 127.682 39,9 80.948 25,3 40.803 12,7 19.604 6,1 16.921 5,3 12.824 4,0 11.443 3,6
Águas de Chapecó 9.516 2.326 24,4 1.241 13,0 4.949 52,0 553 5,8 69 0,7 175 1,8 143 1,5
Águas Frias 5.274 2.183 41,4 451 8,6 2.089 39,6 47 0,9 149 2,8 60 1,1 271 5,1
Campo Erê 57.211 15.525 27,1 32.132 56,2 1.906 3,3 2.208 3,9 72 0,1 3.830 6,7 588 1,0
Caxambu do Sul 12.820 3.318 25,9 4.054 31,6 2.006 15,6 81 0,6 30 0,2 1.138 8,9 44 0,3
Chapecó 44.599 19.083 42,8 12.314 27,6 1.752 3,9 3.600 8,1 990 2,2 3.217 7,2 2.803 6,3
Cordilheira Alta 2.772 2.274 82,0 135 4,9 120 4,3 59 2,1 53 1,9 38 1,4 55 2,0
Coronel Freitas 11.530 4.920 42,7 934 8,1 3.479 30,2 169 1,5 660 5,7 172 1,5 260 2,3
Formosa do Sul 2.933 1.445 49,3 86 2,9 141 4,8 840 28,6 140 4,8 32 1,1 155 5,3
Guatambú 10.663 2.475 23,2 5.195 48,7 704 6,6 660 6,2 385 3,6 1.046 9,8 198 1,9
Irati 3.914 1.941 49,6 360 9,2 171 4,4 400 10,2 580 14,8 110 2,8 267 6,8
Jardinópolis 2.611 1.458 55,8 441 16,9 211 8,1 59 2,3 176 6,7 34 1,3 178 6,8
Nova Erechim 5.938 3.415 57,5 900 15,2 776 13,1 78 1,3 132 2,2 185 3,1 452 7,6
Nova Itaberaba 9.703 3.963 40,8 729 7,5 3.660 37,7 117 1,2 594 6,1 207 2,1 261 2,7
Novo Horizonte 10.214 4.752 46,5 1.149 11,2 196 1,9 960 9,4 2.320 22,7 259 2,5 310 3,0
Pinhalzinho 13.568 4.274 31,5 3.677 27,1 3.817 28,1 390 2,9 446 3,3 622 4,6 324 2,4
Planalto Alegre 4.483 1.431 31,9 100 2,2 2.292 51,1 221 4,9 5 0,1 22 0,5 371 8,3
Quilombo 23.180 12.796 55,2 5.662 24,4 412 1,8 2.400 10,4 244 1,1 307 1,3 469 2,0
Santiago do Sul 4.019 1.615 40,2 1.334 33,2 100 2,5 240 6,0 319 7,9 88 2,2 235 5,8
São Bernardino 7.795 3.929 50,4 944 12,1 768 9,9 1.200 15,4 504 6,5 65 0,8 293 3,8
São Carlos 10.003 4.811 48,1 496 5,0 1.854 18,5 520 5,2 413 4,1 37 0,4 1.092 10,9
São Lourenço do Oeste 32.123 14.592 45,4 3.139 9,8 994 3,1 3.200 10,0 7.105 22,1 276 0,9 569 1,8
Saudades 17.144 7.344 42,8 2.689 15,7 4.434 25,9 1.080 6,3 772 4,5 77 0,4 645 3,8
Serra Alta 6.521 1.866 28,6 1.609 24,7 1.782 27,3 182 2,8 119 1,8 524 8,0 439 6,7
Sul Brasil 6.202 3.172 51,1 176 2,8 1.370 22,1 246 4,0 446 7,2 - - 714 11,5
União do Oeste 5.508 2.774 50,4 1.001 18,2 820 14,9 94 1,7 198 3,6 303 5,5 307 5,6
Fonte: Produção Agrícola Municipal 2009

57
Tabela 13. Território Oeste - Ranking por Área Plantada da Lavoura Temporária (em hectares)
Milho (em grão) Soja (em grão) Trigo (em grão) Feijão (em grão) Fumo (em folha) Mandioca Cana-de-açúcar
Município Total
Área % Área % Área % Área % Área % Área % Área %
Território Oeste 173.741 92.915 53,5 45.030 25,9 16.413 9,4 8.445 4,9 4.772 2,7 2.818 1,6 2.052 1,2
Águas de Chapecó 4.657 2.500 53,7 900 19,3 250 5,4 135 2,9 596 12,8 170 3,7 105 2,3
Águas Frias 2.959 1.900 64,2 350 11,8 110 3,7 290 9,8 244 8,2 30 1,0 30 1,0
Campo Erê 27.901 8.750 31,4 14.300 51,3 4.000 14,3 270 1,0 223 0,8 230 0,8 20 0,1
Caxambu do Sul 6.401 1.700 26,6 2.800 43,7 1.200 18,7 45 0,7 231 3,6 25 0,4 60 0,9
Chapecó 24.930 11.800 47,3 7.000 28,1 3.500 14,0 1.900 7,6 210 0,8 250 1,0 200 0,8
Cordilheira Alta 2.281 2.000 87,7 100 4,4 73 3,2 47 2,1 14 0,6 30 1,3 12 0,5
Coronel Freitas 6.011 4.100 68,2 750 12,5 250 4,2 220 3,7 422 7,0 65 1,1 150 2,5
Formosa do Sul 1.386 1.010 72,9 50 3,6 75 5,4 120 8,7 16 1,2 70 5,1 25 1,8
Guatambú 7.668 2.150 28,0 3.750 48,9 1.300 17,0 250 3,3 83 1,1 65 0,8 70 0,9
Irati 2.393 1.660 69,4 200 8,4 250 10,4 140 5,9 20 0,8 50 2,1 50 2,1
Jardinópolis 2.018 1.150 57,0 400 19,8 200 9,9 160 7,9 24 1,2 38 1,9 40 2,0
Nova Erechim 3.710 2.200 59,3 800 21,6 350 9,4 220 5,9 90 2,4 20 0,5 30 0,8
Nova Itaberaba 5.057 3.200 63,3 530 10,5 450 8,9 220 4,4 419 8,3 50 1,0 150 3,0
Novo Horizonte 5.436 3.800 69,9 500 9,2 600 11,0 300 5,5 25 0,5 80 1,5 100 1,8
Pinhalzinho 7.007 3.160 45,1 2.000 28,5 900 12,8 240 3,4 437 6,2 150 2,1 90 1,3
Planalto Alegre 2.219 1.300 58,6 80 3,6 35 1,6 350 15,8 265 11,9 85 3,8 44 2,0
Quilombo 13.801 9.075 65,8 3.150 22,8 700 5,1 480 3,5 47 0,3 150 1,1 70 0,5
Santiago do Sul 2.132 1.080 50,7 650 30,5 200 9,4 130 6,1 12 0,6 25 1,2 20 0,9
São Bernardino 4.297 3.180 74,0 500 11,6 120 2,8 250 5,8 90 2,1 100 2,3 30 0,7
São Carlos 7.215 5.000 69,3 600 8,3 50 0,7 1.000 13,9 215 3,0 200 2,8 75 1,0
São Lourenço do Oeste 13.230 10.200 77,1 1.500 11,3 500 3,8 180 1,4 117 0,9 200 1,5 350 2,6
Saudades 9.367 5.600 59,8 2.000 21,4 100 1,1 450 4,8 507 5,4 500 5,3 165 1,8
Serra Alta 3.662 1.700 46,4 700 19,1 600 16,4 350 9,6 211 5,8 70 1,9 31 0,8
Sul Brasil 3.567 2.600 72,9 120 3,4 - - 468 13,1 157 4,4 105 2,9 90 2,5
União do Oeste 4.436 2.100 47,3 1.300 29,3 600 13,5 230 5,2 97 2,2 60 1,4 45 1,0
Fonte: Produção Agrícola Municipal 2009

58
Em relação às lavouras de feijão e fumo, cultivos típicos da agricultura
familiar, percebe-se que a primeira ocupa uma área de 8.445 hectares, estando
presente em todos os municípios, com destaque para Chapecó, com 1.900
hectares e São Carlos, com 1.000 hectares. Já o fumo abrange uma área de 4.772
hectares e também está presente na totalidade dos municípios. Os municípios com
maiores áreas plantadas de tabaco são Águas de Chapecó (596 ha) e Saudades
(507 ha). Apesar de ocupar uma área relativamente pequena em relação à cultura
de grãos (18 vezes menor do que a do milho; 9, do que a da soja; 3, do que a do
trigo; e duas do que o feijão), o fumo ocupa uma posição importante no valor
gerado no território (a terceira, depois apenas do milho e da soja). Isso ocorre
porque a cultura apresenta a maior rentabilidade em Reais por hectare. Enquanto o
tabaco rendeu, em média, no ano de 2009, R$ 8.551,00 por hectare, o milho e a
soja renderam, respectivamente, R$ 1.374,00 e R$ 1.798,00. Trata-se de uma
cultura de pequena agricultura familiar que, considerando a média, no estado, de
3,8 hectares por fumicultor (segundo a Federação dos Trabalhadores na
Agricultura de Santa Catarina – Fetaesc), mobiliza em torno de mil e quinhentas
famílias no território. A cultura de milho e feijão tem crescente importância nas
unidades familiares que produzem fumo, assim como se amplia a preferência pela
bovinocultura de leite. É importante que os atores sociais locais considerem uma
tendência, de médio e longo prazos, à redução do número de fumicultores e a
necessidade de efetivar estratégias de diversificação dos estabelecimentos que
cultivam o fumo e, inclusive, da sua substituição. Há sinais claros de que essa
busca deve considerar a boa rentabilidade financeira da cultura e os mecanismos
utilizados, na integração vertical, pelas companhias fumageiras, especialmente no
que se refere à entrega de insumos, a assistência técnica e a garantia de compra.
Também no Oeste catarinense, ao longo da história, o feijão consolidou-se
como cultura de subsistência, com predomínio das trocas de excedentes num
mercado de âmbito local ou regional. A partir dos anos 1990, houve uma
complexificação dessas relações mercantis, com a estruturação e o
desenvolvimento de sua cadeia produtiva e a subordinação dos agricultores
familiares, que, em geral, apresentam com pouco volume de negócios, baixo grau
de organização e, como conseqüência, pouco poder de pressão. Os desequilíbrios
hídricos que marcaram o território nos últimos anos prejudicaram bastante esse
cultivo, que além de alto risco é exigente em mão de obra. É importante para
59
(re)fortalecer essa produção tradicional e solidamente vinculada à história da
colonização do território, que os atores sociais considerem a retomada de debates
já realizados sobre estratégias de diferenciação do produto, valorizando a sua
origem (o próprio Oeste catarinense) e procedência (pequena agricultura familiar),
em um contexto de segmentação do mercado. Também neste cultivo, a
competitividade do Terrritório Oeste catarinense parece estar distante de
estratégias baseadas na corrida pelo aumento da produtividade e em produtos de
baixo valor.
No que se refere às lavouras permanentes, as principais culturas, seguindo
a ordem de valor são a uva, a erva-mate, a laranja e o pêssego. Essas atividades
têm, ainda, uma participação de apenas cinco por cento no valor da produção
vegetal (lavouras temporárias mais permanentes). Elas também são produzidas de
forma dispersa no território. Pode-se considerar que elas têm expressão nos
municípios de Chapecó (laranja, erva-mate e uva), Guatambú (erva-mate) e
Quilombo (laranja, uva). É preciso refletir sobre o papel que essas culturas podem
ter na diversificação dos estabelecimentos e em políticas de agregação de valor.

60
Tabela 14. Território Oeste - Ranking por Área da Lavoura Permanente
(hectares)
Área plantada (Hectares)
Erva-mate
Pêsseg
Município Laranja (folha Uva
Total o
verde)
Área Área Área Área
Território Oeste 1.139 1.019 533 84
2.782
Águas de Chapecó 53 33 - 20 -
Águas Frias 27 20 - 7 -
Campo Erê 57 12 12 23 10
Caxambu do Sul 54 10 - 42 2
Chapecó 740 265 400 55 20
Cordilheira Alta 59 34 - 20 3
Coronel Freitas 201 114 - 72 15
Formosa do Sul 41 25 3 13 -
Guatambú 553 18 530 3 2
Irati 49 32 - 15 2
Jardinópolis 20 12 - 8 -
Nova Erechim 21 10 - 11 -
Nova Itaberaba 50 30 - 20 -
Novo Horizonte 42 30 - 10 2
Pinhalzinho 70 30 18 10 7
Planalto Alegre 12 8 - 4 -
Quilombo 283 181 10 92 -
Santiago do Sul 62 50 2 10 -
São Bernardino 49 15 10 19 5
São Carlos 50 50 - - -
São Lourenço do
103 60 10 30 3
Oeste
Saudades 43 15 20 3 5
Serra Alta 18 6 - 12 -
Sul Brasil 107 73 4 22 8
União do Oeste 18 6 - 12 -
Fonte: Produção Agrícola Municipal 2009

61
Tabela 15. Território Oeste - Ranking por Valor da Lavoura Permanente (em
Mil Reais)
Valor da produção (Mil Reais)
Erva-
Município mate
Total Uva Laranja Pêssego
(folha
verde)
Território Oeste 13.411 6.057 3.907 2.752 677
Águas de Chapecó 844 306 - 538 -
Águas Frias 151 105 - 46 -
Campo Erê 347 276 9 22 40
Caxambu do Sul 276 227 - 40 9
Chapecó 1.841 825 510 366 140
Cordilheira Alta 352 240 - 62 42
Coronel Freitas 1.035 720 - 157 158
Formosa do Sul 184 156 2 26 -
Guatambú 3.274 30 3.180 50 14
Irati 201 158 - 36 7
Jardinópolis 66 52 - 14 -
Nova Erechim 155 132 - 23 -
Nova Itaberaba 290 240 - 50 -
Novo Horizonte 195 150 - 20 25
Pinhalzinho 325 90 140 35 50
Planalto Alegre 114 54 - 60 -
Quilombo 1.291 961 4 326 -
Santiago do Sul 156 100 2 54 -
São Bernardino 165 107 7 16 35
São Carlos 590 - - 590 -
São Lourenço do
546 450 8 65 23
Oeste
Saudades 120 30 24 16 50
Serra Alta 187 162 - 25 -
Sul Brasil 536 330 21 101 84
União do Oeste 170 156 - 14 -
Fonte: Produção Agrícola Municipal 2009

Ainda em relação à produção vegetal, é importante lembrar que, num


passado não muito distante, a atividade madeireira foi a mais importante na
economia do Território. Hoje, apesar de as florestas nativas já não passarem de
uns poucos enclaves que resistiram à exploração descontrolada, a produção de
essências florestais exóticas vem crescendo em área plantada e em produção.
Nesse território existem algumas regiões com forte tradição moveleira e a madeira
produzida é utilizada em parte para abastecer estes empreendimentos. Destaque
se faz para o município de Coronel Freitas e entorno, onde estão situados diversos

62
empreendimentos moveleiros, consistindo no segundo pólo moveleiro de Santa
Catarina.
As cadeias produtivas de frango e suínos dão a dinâmica econômica do
território Oeste catarinense. Como já foi visto, as produções de soja e milho são
voltadas, como matéria prima, à confecção de ração animal. O sistema de criação
determina uma série de construções e equipamentos que geram um setor de
fornecimento e de prestação de serviços de manutenção. A estrutura de
transportes e os serviços a eles ligados também são significativos, como foi visto
quando se tratou dos setores econômicos emergentes ou em expansão nos
municípios. Essa centralidade pode ser percebida como uma força e, ao mesmo
tempo, como uma grande debilidade do território. Isso ficou claro, ao longo do
tempo, com o aumento de escala e o processo de concentração, centralização ao
longo de toda a cadeia – que resultou na exclusão na muitas famílias e em
problemas ambientais sérios – e de forma crítica em algumas crises recentes no
complexo carnes e em algumas das empresas. Nesses momentos, se mostraram
pertinentes os investimentos feitos em diversificação, especialmente, na
bovinocultura de leite.
As tabelas 16 e 17 mostram a relevância da produção pecuária no Território.

63
Tabela 16. Território Oeste - Efetivo dos rebanhos por tipo de rebanho
Galos, frangas,
Município Galinhas Suíno Bovino Ovino Equino Caprino Coelhos
frangos e pintos
Águas de Chapecó 1.161.279 7.000 8.359 12.924 262 98 105 -
Águas Frias 196.000 7.425 9.594 12.600 250 48 70 82
Campo Erê 16.037 25.000 5.163 28.000 1.787 458 807 106
Caxambu do Sul 1.059.300 6.050 9.116 9.900 565 53 288 107
Chapecó 5.523.140 270.114 135.915 42.500 5.090 1.200 935 -
Cordilheira Alta 1.510.000 36.600 24.100 6.110 1.100 30 50 -
Coronel Freitas 3.900 26.000 108.000 55.000 1.500 500 1.200 1.501
Formosa do Sul 863.000 7.200 8.335 13.447 350 85 270 60
Guatambú 1.050.000 135.000 40.436 11.272 1.750 160 480 -
Irati 100.000 9.000 5.660 6.340 210 68 145 110
Jardinópolis 2.436.000 6.700 9.350 7.400 200 100 110 400
Nova Erechim 788.985 52.131 56.131 8.011 81 7 87 -
Nova Itaberaba 2.520.000 19.000 30.072 13.900 130 90 350 46
Novo Horizonte 407.664 5.870 16.921 11.868 194 67 184 150
Pinhalzinho 1.504.251 4.650 27.740 15.238 784 200 255 256
Planalto Alegre 810.200 2.028 1.662 4.601 460 21 204 -
Quilombo 980.000 26.000 43.000 27.000 1.376 227 214 134
Santiago do Sul 167.857 3.500 3.337 10.147 500 225 100 66
São Bernardino 56.567 14.500 4.740 16.700 300 170 350 250
São Carlos 976.395 6.300 89.987 23.005 417 93 169 46
São Lourenço do Oeste 771.449 25.000 22.926 33.941 380 248 251 588
Saudades 996.104 32.248 32.911 24.884 452 167 233 194
Serra Alta 251.513 16.884 19.690 6.940 172 36 99 33
Sul Brasil 450.000 6.500 7.050 12.034 300 60 16 100
União do Oeste 520.044 1.540 51.545 10.634 56 19 31 -
Território Oeste 25.119.685 752.240 771.740 424.396 18.666 4.430 7.003 4.229
Santa Catarina 159.813.180 17.707.255 7.846.398 3.864.724 256.965 101.943 55.995 39.128
Fonte: IBGE - Produção Pecuária Municipal 2008

64
Tabela 17. Território Oeste - Produção de origem animal por tipo de produto
Total Leite Ovos de galinha Mel de abelha Lã
Valor da Valor da Valor da
Valor da Valor da Preço Produção Preço Preço Preço
Município Produção produção produção produção
produção produção por (Mil por Kg por Kg por
(Mil Litros) (Mil (Mil (Mil
(Mil Reais) (Mil Reais) Litro Dúzias) Dúzia Kg Kg
Reais) Reais) Reais)
Águas de Chapecó 3.938 3.677 7.354 0,50 206 103 2,00 55 10.972 5,01 - - -
Águas Frias 3.270 3.200 6.400 0,50 56 28 2,00 14 2.700 5,19 - - -
Campo Erê 18.374 17.566 35.131 0,50 757 379 2,00 46 7.000 6,57 5 2.250 2,22
Caxambu do Sul 4.181 4.104 8.208 0,50 63 31 2,03 14 2.884 4,85 - - -
Chapecó 19.755 12.285 20.475 0,60 7.292 4.051 1,80 160 32.000 5,00 1 1.750 0,57
Cordilheira Alta 2.605 1.479 3.440 0,43 1.110 740 1,50 16 2.600 6,15 - - -
Coronel Freitas 26.761 25.740 46.800 0,55 949 475 2,00 36 6.500 5,54 - - -
Formosa do Sul 5.996 5.910 11.820 0,50 62 31 2,00 23 3.600 6,39 1 600 1,67
Guatambú 4.289 2.631 6.119 0,43 1.640 1.025 1,60 18 3.100 5,81 - - -
Irati 2.958 2.845 5.928 0,48 85 43 1,98 27 4.500 6,00 1 375 2,67
Jardinópolis 3.446 3.300 6.000 0,55 128 80 1,60 18 3.000 6,00 - - -
Nova Erechim 8.753 6.023 10.950 0,55 2.700 1.000 2,70 30 5.500 5,45 - - -
Nova Itaberaba 5.775 5.550 11.100 0,50 81 40 2,03 144 24.000 6,00 - - -
Novo Horizonte 6.980 6.876 13.752 0,50 84 56 1,50 19 3.100 6,13 1 480 2,08
Pinhalzinho 6.969 6.629 13.258 0,50 252 168 1,50 88 22.000 4,00 - - -
Planalto Alegre 2.359 2.313 4.625 0,50 41 20 2,05 5 1.050 4,76 - - -
Quilombo 14.509 13.900 27.801 0,50 579 386 1,50 24 4.000 6,00 5 2.375 2,11
Santiago do Sul 4.443 4.285 8.928 0,48 120 60 2,00 33 6.000 5,50 2 1.080 1,85
São Bernardino 10.340 10.207 18.558 0,55 114 76 1,50 18 2.700 6,67 1 450 2,22
São Carlos 17.362 16.692 33.384 0,50 620 310 2,00 50 10.000 5,00 - - -
São Lourenço do Oeste 32.407 32.037 58.250 0,55 264 176 1,50 66 11.000 6,00 2 870 2,30
Saudades 9.103 8.568 20.400 0,42 500 250 2,00 35 7.840 4,46 - - -
Serra Alta 3.229 3.188 6.376 0,50 34 17 2,00 7 1.450 4,83 - - -
Sul Brasil 4.080 4.000 8.000 0,50 71 47 1,51 9 1.500 6,00 - - -
União do Oeste 6.573 6.498 11.400 0,57 40 20 2,00 35 7.000 5,00 - - -
Território Oeste 228.455 209.503 404.457 0,52 17.848 9.612 1,86 990 185.996 5,32 19 10.230 1,86
Santa Catarina 1.514.911 1.154.892 2.125.856 0,54 335.719 209.522 1,60 17.661 3.706.463 4,76 563 256.317 2,20
Fonte: IBGE - Produção Pecuária Municipal 2008

65
No momento de se pensar estrategicamente e com foco na sustentabilidade,
deve-se destacar um processo de surgimento e fortalecimento de diversas
iniciativas de beneficiamento ou transformação em unidades rurais de pequeno
porte, como abatedouros e micro-usinas, ligadas a pequenas cooperativas e
associações de agricultores, com o objetivo de viabilizar a produção e a
permanência dos agricultores familiares.
Uma interlocução mais clara pode ocorrer, por exemplo, com a Rede de
Cooperativas do Oeste Catarinense – Ascooper, que atua na cadeia do leite.
Nascida em dezembro 2002, a partir da junção de seis cooperativas situadas na
região Oeste Catarinense, hoje a Ascooper é uma central com 19 cooperativas,
2.998 famílias associadas em 37 municípios. Ela atua com cooperativas
organizadas no Território Rural Oeste Catarinense, mas também no Território da
Cidadania Meio Oeste Contestado e com cooperativas que não estão em nenhuma
formação territorial.
Na transformação de produtos da agricultura familiar em unidades rurais de
pequeno porte, também há uma organização cooperativada, presente em onze
municípios. Muitas destas agroindústrias estão ligadas à Unidade Central das
Agroindústrias Familiares do Oeste de Santa Catarina. A UCAF se constitui em
uma base de serviços que possui uma equipe técnica por meio da qual as
agroindústrias recebem orientação técnica nas áreas de produção, gestão, controle
de qualidade, conversão, marketing e responsabilidade técnica. Em novas ações
de verticalização da produção no território, essa experiência e aprendizagem não
podem ser ignoradas. Ao contrário, elas precisam ser consideradas relevantes na
construção de estratégias sustentáveis para o território.
Da mesma forma, é indispensável levar em conta os esforços para
conversão ao sistema orgânico ou à produção de leite à base de pasto por meio do
sistema de pastoreio rotativo. Identificar, valorizar e aprender com essas iniciativas
pode ser um bom ponto de partida para refletir sobre o futuro do território, se o
desejo for de mantê-lo vivo cultural e socialmente.

1.3.2.3 Organizações e Serviços de Apoio à Agricultura Familiar


no Território

No campo da representação política duas organizações sindicais atuam no


Território: Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina
66
(Fetaesc/Contag) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf).
Além delas, são importantes o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA),
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento de Mulheres
Camponesas (MMC) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MBA).
A fundação da Fetraf ocorreu em Chapecó e o município é sua sede e seu
centro de irradiação. Nos últimos anos a Fetaesc está procurando se reestruturar
na região, mas sua associação microrregional Centro-Oeste II, que tem certa
correspondência com o Território tem apenas dois sindicatos de trabalhadores e
trabalhadoras rurais (STTR): Formosa do Sul, União do Oeste. Além destes,
apenas Águas de Chapecó tem STTR, mas pertencente à microrregional Três
Fronteiras. As duas federações disputam a condição de mediadores de políticas
públicas e suas atuações se dão fundamentalmente no fomento de políticas
agrícolas de habitação rural, crédito rural, assistência técnica e extensão rural.
Com relação à prestação de serviços na área de assistência técnica e
extensão rural pode-se destacar o trabalho desenvolvido pela Epagri, presente em
todos os municípios. Além da atuação dessa instituição ligada ao poder público
estadual, há aquela de organizações não-governamentais, cooperativas de
prestação de serviços técnicos e equipes técnicas mantidas pelas próprias
cooperativas agropecuárias e pelas administrações públicas municipais. Apesar
dos trabalhos dessas instituições no campo da extensão rural e assistência técnica,
as ações ainda são insuficientes para o atendimento de todas as demandas.
Percebe-se que as associações, cooperativas e organizações comunitárias
estão se fortalecendo ao participarem das atividades do território, sentindo-se
progressivamente mais responsáveis pelos rumos do desenvolvimento territorial.
Como a todo o momento novos atores estão se integrando ao processo, há uma
dificuldade em compreender o papel que cada um pode e deve ter. Constata-se a
necessidade de um tempo para que elas apreendam e se incorporem
conscientemente à proposta. Parece fundamental, todavia, desenvolver
estratégias que encurtem esse tempo e aumentem a integração entre os
participantes. É pertinente recordar que as entidades que participam há mais
tempo têm conseguido aprovar seus projetos por terem mais clareza do processo e
por apresentarem propostas conjuntas.

67
1.3.2.4 Resultados das Principais Políticas Públicas para a
Agricultura Familiar no Território

Este item não contempla o universo das principais políticas públicas que têm
por foco a agricultura familiar. Não foi possível efetuar uma análise sobre os
Programas de Aquisição de Alimentos (PAA), Luz para Todos, Previdência Rural,
Habitação Rural, as diversas ações na área da educação, a incidência do Bolsa
Família entre os agricultores familiares do Território, dentre outras políticas
relevantes. Sugere-se que os resultados dessas políticas sejam avaliados na
continuidade do processo de planejamento Territorial. Na seqüência, apresenta-se
alguns dados referentes ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF),
Pronaf e Pronat no Território.

O PNCF beneficiou, no Território Oeste Catarinense, um total de 699


famílias, que somadas às 586 famílias que tiveram acesso ao Banco da Terra
resulta no número expressivo 1285 agricultores familiares beneficiados por esse
Programa. Esses financiamentos foram feitos em todos os municípios. Em águas
Frias, por exemplo, que tem 434 estabelecimentos, foram beneficiadas 118
famílias. Ainda que uma parte dos “não proprietários” de terra do território tenham
sido assentados em outras regiões do estado, não é demais lembrar que esse é o
número de assentados pela Reforma Agrária em todo o Território Oeste
Catarinense (115).

68
Tabela 18: Território Oeste Catarinense. Número de famílias beneficiadas pelo
Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC) e pelo Banco da Terra (BR)

MUNICÍPIO PNCF BT Total


ÀGUAS DE CHAPECÓ 20 35 55
ÁGUAS FRIAS 42 76 118
CAMPO ERÊ 58 22 80
CAXAMBU DO SUL 8 19 27
CHAPECÓ 25 10 35
CORDILHEIRA ALTA 7 8 15
CORONEL FREITAS 18 31 49
FORMOSA DO SUL 33 11 44
GUATAMBÚ 9 15 24
IRATI 37 11 48
JARDINÓPOLIS 22 31 53
NOVA ERECHIM 20 16 36
NOVA ITABERABA 13 14 27
NOVO HORIZONTE 36 19 55
PINHALZINHO 19 47 66
PLANALTO ALEGRE 8 12 20
QUILOMBO 37 35 72
SANTIAGO DO SUL 41 12 53
SÃO BERNARDINHO 69 40 109
SÃO LOURENÇO DO OESTE 38 16 54
SAUDADES 54 48 102
SERRA ALTA 31 32 63
SUL BRASIL 39 4 43
UNIÃO DO OESTE 15 22 37
TERRITÓRIO OESTE 699 586 1285

Acredita-se, por isso, que este Programa pode ter um papel relevante no
sentido de beneficiar de forma prioritária os 1.193 agricultores não-proprietários de
terras existentes no Território, bem como daqueles que possuem pouca terra. Além
desse público, o Programa deve atender os filhos de agricultores familiares que
desejam continuar na atividade, mas não encontram condições de permanecer ou
de herdar parte ou a totalidade do estabelecimento familiar.

Os Principais Projetos Financiados pelo PRONAF e pelo PRONAT

PRONAF Investimento
A principal política de apoio ao desenvolvimento rural no território é o
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, uma vez que grande
69
parte da agricultura familiar, no território, tem um acesso expressivo e consolidado
ao crédito (Figura 9).

Figura 9 - Evolução do número de contratos de crédito do Pronaf no território


Oeste Catarinense

16000

14000

12000

10000

8000

6000

4000

2000

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

Nestas condições, em média, 73% dos estabelecimentos familiares do


território têm acesso ao Pronaf. Essa relação entre o número de estabelecimentos
familiares e o número de contratos é chamada de “densidade territorial do Pronaf” e
os dados do território Oeste podem ser vistos na Tabela 19.

70
Tabela 19 – Território Oeste Catarinense: Densidade territorial do Pronaf por
município
Densidade Territorial
Município Estabelecimentos Contratos
do Pronaf
Águas Frias 489 413 84%
Campo Erê 791 543 69%
Caxambu do Sul 740 607 82%
Chapecó 1.338 1.314 98%
Cordilheira Alta 271 180 66%
Coronel Freitas 1.017 966 95%
Coronel Martins 505 439 87%
Formosa do Sul 412 372 90%
Galvão 487 257 53%
Guatambú 377 281 75%
Irati 380 204 54%
Jardinópolis 288 221 77%
Nova Erechim 294 183 62%
Nova Itaberaba 764 537 70%
Novo Horizonte 627 248 40%
Planalto Alegre 405 288 71%
Quilombo 1.314 860 65%
Santiago do Sul 286 240 84%
São Bernardino 704 268 38%
São Lourenço do Oeste 1.558 1.433 92%
Serra Alta 432 195 45%
Sul Brasil 637 277 43%
União do Oeste 513 355 69%
Total do Território 15.043 10.968 73%
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

Em alguns municípios, como Chapecó (98%) e Coronel Freitas (95%), a


quase totalidade dos estabelecimentos são financiados pelo Pronaf. Os municípios
de Serra Alta, Sul Brasil, São Bernardino e Novo Horizonte são os que apresentam
a menor relação entre estabelecimentos e contratos. É importante que nesses
locais sejam adotadas estratégias que visem à ampliação do acesso dos
agricultores familiares ao crédito. É importante que os atores locais façam um
paralelo entre esses números e aqueles da infra-estrutura do sistema financeiro.
Além dos números dos municípios com maior número de agências e postos
bancários ou cooperativos poderem estar incluindo agricultores familiares de
municípios vizinhos, é preciso considerar que a distância da informação e do
serviço pode estar tirando daqueles que mais precisam a oportunidade de acessar
o crédito subsidiado.
Assim, destaque-se que, no “Grupo C”, o município com mais contratos no
território foi São Lourenço do Oeste, seguido por Chapecó e Campo Erê. O número

71
de contratos no território representou mais de 27% dos contratos para esse grupo
em Santa Catarina. Em volume de recursos, o valor recebido no território foi
aproximadamente 30% do total do estado. Para o grupo D, o município com mais
contratos foi Chapecó, depois Coronel Freitas e em terceiro Quilombo. O número
de contratos para esse grupo no território representou quase 15% do estado,
praticamente igual à participação no volume, que foi de 16%. Já para o “Grupo E”,
os contratos no território representaram quase 9% do número total do estado e do
volume de recursos. Finalmente, para o “Grupo A”, o número de contratos e o
volume de recursos aplicados no território representaram quase 5% em relação ao
estado.
A respeito dos recursos para o custeio agrícola o “grupo A/C” do território
recebeu pouco mais de 1% do número de contratos estaduais, e menos de 1% do
volume de recursos. Para o “grupo C”, os contratos no território representaram
pouco mais de 15% em número de contratos e quase 16% em volume de recursos.
No “grupo D”, os números de contratos no território e o volume de recursos
representaram em torno de 9% do estado. Os contratos do “grupo” E
representaram quase 5% e o volume de recursos quase 4%, sempre do total
estadual.

Pronaf Infraestrutura
O Pronaf Infraestrutura é uma política que visa oferecer condições de
infraestrutura e serviços para o desenvolvimento rural e estimular a formação de
empreendimentos coletivos. Os principais projetos financiados por esse programa
no território foram um projeto de fortalecimento de agroindústrias familiares nas
cadeias produtivas de derivados de carnes, derivados de leite, doces de frutas e
vegetais em conserva; e outro de apoio ao setor de madeira-móveis.
O projeto de agroindústrias familiares foi orçado em 3,6 milhões de reais, com
contrapartida de 640 mil reais dos três estados da região sul. Espera-se com esse
projeto gerar duas mil ocupações diretas e indiretas. O projeto de apoio ao setor
de madeira e móveis teve um orçamento de 550 mil reais e contrapartida de 50 mil
reais da Associação dos Moveleiros do Oeste Catarinense. A meta do projeto é a
elevação em 20% do faturamento atual das empresas participantes do projeto.
Outro projeto financiado pelo Pronaf Infraestrutura foi o Mercado Público
Regional; um espaço para comércio (varejo e atacado), serviços, cultura,
72
gastronomia e convivência. O mercado envolve os vinte municípios que compõem
a AMOSC. O projeto, elaborado pela prefeitura Municipal de Chapecó, com apoio
das demais, permitiu a utilização de uma antiga estrutura pertencente à Conab. O
volume de recursos empregados foi de 750 mil reais. As questões relativas à
administração do espaço, critérios para a ocupação, assim como demais aspectos
relacionados à operacionalização da proposta foram discutidos pelos envolvidos no
processo. As prefeituras assumem seus espaços de venda e difusão da imagem do
município e contribuem para mantê-los abertos ao público.

Programa Nacional de Fortalecimento dos Territórios Rurais – PRONAT


Segundo os critérios da SDT, os projetos de investimento nos territórios
devem representar estratégias para alcançar o desenvolvimento sustentável. Além
disso, eles devem ser discutidos com os atores sociais e o Estado, sempre em
sintonia com a situação e a problemática diagnosticadas.
Os projetos são classificados em três categorias que definem os objetivos
diferenciados das prioridades e da aplicação dos investimentos:
Projetos estruturantes - são os projetos voltados para implantação ou
ampliação de qualquer tipo de infra-estrutura social, econômica e ambiental
e, em particular, pela sua importância, projetos de educação, que oriente o
novo estilo de desenvolvimento e possibilite a criação de condições
favoráveis para a viabilização dos projetos econômicos e sociais.

Nesta categoria, foram investidos R$ 100.000,00 (equivalentes a 0,038% dos


recursos disponibilizados no território) em um Centro de profissionalização e estudo
de tecnologias adaptadas à agricultura familiar. Percebe-se, desta forma, que
foram captados poucos recursos para projetos estruturantes. A possível explicação
está no fato desse tipo de projeto ultrapassar os interesses imediatos de grupos
comunitários específicos ou de áreas geográficas determinadas – preocupados em
não perder a rara oportunidade de priorizar projetos cujos benefícios são por eles
capturados mais diretamente – e, por isso, exigir muita articulação e mobilização,
além de procedimentos efetivamente participativos.
Projetos produtivos - são aqueles voltados para a obtenção de qualquer
produto ou serviço em qualquer setor ou ramo de atividade produtiva de
melhoria da renda e dando suporte ao aumento da competitividade territorial.

O território investiu R$ 2.177.368,00 (equivalendo a 86.99% dos recursos


disponibilizados pela SDT no território), na estratégia de desenvolvimento e
73
organização dos agricultores em projetos produtivos. A cadeia produtiva do leite
recebeu R$ 917.000,00, ou 42,11% dos recursos, com base no argumento de que
é, no momento, a cadeia que abrange o maior número de famílias de
agricultoresno território. Os investimentos foram destinados a todo o processo
produtivo, incluindo sistema de produção com foco na produção orgânica,
qualidade do leite, coleta e venda coletiva, resfriamento/industrialização e
comercialização.

Os R$ 1.260.368,00 restantes (57.89%) foram destinados a outras cadeias


produtivas. Os recursos foram aplicados na estruturação da comercialização
regional e do acompanhamento dos processos produtivos, pesquisa, equipamentos
para processamento nas agroindústrias (vassoura, pepino, frango caipira,
hortaliças orgânicas, mel, sementes crioulas, farinhas e grãos) ou para confecções
de roupas.

Projetos sociais – configuram-se como os projetos públicos, de caráter


redistributivo e/ou compensatório, voltados para a superação dos passivos
sociais nas áreas de organização social, saúde, saneamento, segurança
alimentar, habitação, dentre outros.

Nestes projetos foram investidos R$ 329.415,00, ou 12,63% dos recursos do


PRONAT aplicados no território. Eles foram destinados para construção de
cisternas, plantas medicinais, capacitação, organização, inclusão social, estudo e
desenvolvimento de equipamento adequados para produção e conservação do
leite.
Mesmo que se considere que esta classificação seja apenas didática, é
importante que os atores sociais reflitam sobre a insignificância que tiveram os
projetos estruturantes. Como esses projetos têm efeitos mais difusos, há o risco de
que nunca venham a ser priorizados nas discussões com as comunidades. Deve-
se considerar, entretanto, que no início da implantação do território as dificuldades
em pensar uma estratégia de desenvolvimento territorial era maiores. As entidades
apresentavam projetos locais e localistas. Em muitos casos, apresentavam mais de
um projeto, apenas para ter maiores possibilidades de negociação. Com o
estabelecimento dos critérios de enquadramento para apresentação e aprovação
de projetos, as entidades começaram a dialogar e a apresentar projetos de cunho
regional.

74
Ao analisar as tabelas seguintes, é importante considerar que em 2004
poucos projetos foram apresentados, pela própria novidade que representava o
Programa, havendo desconhecimento dele por muitas entidades. Depois,
constata-se uma diminuição de projetos apresentados ao longo do período de seis
anos. Isso permitiu, por exemplo, que na priorização dos investimentos para 2010,
realizada em 2009, todos os projetos apresentados fossem contemplados. Há
explicações para essa redução: entidades que tinham uma única demanda já foram
beneficiadas; elevação do valor mínimo dos projetos para cem mil Reais; aumento
das dificuldades de articulação com o poder público para as contrapartidas;
afastamento das entidades que não conseguiram ser beneficias nos anos iniciais;
e, de forma mais geral, a falta de clareza sobre a estratégia de desenvolvimento
territorial. É fundamental que os atores sociais reflitam sobre esse quadro.

75
Relação de Projetos Aprovados entre 2004 a 2009

Tabela 20- Projetos do PROINF 2004 Investimento e Custeio

Projeto 1.3.1 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida Proponente


Construção da Agroindústria de Prefeitura
1 processamentos de Leite e Aquisição de R$ 260.100,00 R$ 66.898,51 Municipal de
equipamentos. Formosa do Sul
Cursos e aquisição de equipamentos para Prefeitura
2 uma Unidade demonstrativa de Ovos e R$ 12.771,00 R$ 6.667,33 Municipal de
Pomares de Fruticultura Guatambu
Prefeitura
Unidade Demonstrativa de produção de Ovos
3 R$ 15.653,00 R$ 13.445,20 Municipal de
Coloniais e Cursos de Fruticultura
Planalto Alegre
Aquisição de um Veículo para transporte de Prefeitura
4 alunos para a Casa Familiar Rural de R$ 28.700,00 R$ 3.300,00 Municipal de
Quilombo Quilombo
Total de Valor Investido no território R$ 317.224,00

Tabela 21 - Projetos do PROINF 2005 Investimento e Custeio


Proponente
Projeto 1.3.2 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida

Aquisição de equipamentos para implantação de Prefeitura


1 uma cisterna de captação de água da chuva no R$ 8.800,00 R$ 6.853,41 Municipal de
centro de formação das Mulheres Campesinas. Chapecó
Prefeitura
Aquisição de Tanque Isotérmico para coleta e Municipal de
2 R$ 35.000,00 R$ 14.082,81
transporte do Leite Cordilheira
Alta
Prefeitura
Aquisição de Veículo, equipamentos de escritório, Municipal de
3 R$ 50.000,00 R$ 7.441,52
computador e Tanque isotérmico. Coronel
Freitas
Prefeitura
Aquisição de um Veículo e Móveis e equipamentos Municipal de
4 R$ 36.000,00 R$ 5.483,13
para escritório. Formosa do
Sul
Prefeitura
Aquisição de diversos equipamentos e Materiais Municipal de
5 R$ 10.000,00 R$ 1.470,47
para escritório. Novo
Horizonte
Prefeitura
Construção e aquisição de equipamentos para
Municipal de
6 instalação de dois Pontos de Comercialização R$ 22.200,00 R$ 38.141,04
Planalto
para os produtos das Agricultura Familiar.
Alegre
Prefeitura
Aquisição de equipamentos para o processo de
7 R$ 10.000,00 R$ 2.096,10 Municipal de
secagem de plantas medicinais.
Quilombo
Prefeitura
Aquisição de equipamentos para estruturação de
Municipal de
8 um mercado para a comercialização dos produtos R$ 45.000,00 R$ 8.777,54
São Lourenço
da agricultura familiar.
do Oeste

76
Prefeitura
Aquisição de equipamentos e moveis para Municipal de
09 R$ 15.000,00 R$ 2.360,85
escritório Santiago o
Sul
Prefeitura
Municipal de
10 Construção de Abatedouro Municipal R$ 40.000,00 R$ 114.371,81
União do
Oeste
Total de Valor Investido no Território R$ 272.000,00

Tabela 22 - Projetos do PROINF 2006 Investimento e Custeio

Projeto 1.3.3 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida Proponente


Prefeitura
Aquisição de equipamentos para Laboratório de Municipal de
1 R$ 35.000,00 R$ 6.227,70
análise da qualidade do leite. Formosa do
Sul
Prefeitura
Aquisição de diversos equipamentos para apoiar a Municipal de
2 R$ 37.200,00 R$ 9.839,53
produção do leite, do mel e dos grãos. Novo
Horizonte
Prefeitura
Aquisição de equipamentos de escritório e Municipal de
3 R$ 15.600,00 R$ 3.187,89
Moinhos portáteis para produção de farinha São Lourenço
do Oeste
Prefeitura
Aquisição de Tanque Isotérmico para a Coleta de
4 R$ 23.000,00 R$ 10.430,51 Municipal de
leite
Águas Frias
Prefeitura
Municipal de
5 Aquisição de uma Semeadeira para pastagens R$ 16.000,00 R$ 1.239,19
Santiago do
Sul
Aquisição de diversos equipamentos para apoiar a Prefeitura
6 atividade leiteira e a comercialização dos produtos R$ 51.000,00 R$ 13.382,45 Municipal de
da Agricultura Familiar Chapecó
Prefeitura
Aquisição de equipamentos para o Abatedouro Municipal de
7 R$ 50.000,00 R$ 83.240,00
municipal União do
Oeste
Prefeitura
Aquisição de equipamentos para ponto de
Municipal de
8 comercialização dos produtos da agricultura R$ 12.000,00 R$ 17.751,93
Cordilheira
familiar
Alta
Aquisição de diversos equipamentos para apoiar
Prefeitura
da comercialização e a Casa Familiar Rural de
9 R$ 27.600,00 R$ 2.392,97 Municipal de
quilombo
Quilombo
Aquisição de equipamentos para o apoio ao
Prefeitura de
10 processo de comercialização dos produtos da R$ 14.700,00 R$ 1.470,00
Nova Erechim
agricultura familiar.
Total de Valor Investido no Território R$ 282.100,00

77
Tabela 23 - Projetos do PRONAT 2007 Investimento e Custeio
Projeto 1.3.4 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida Proponente
Prefeitura
Aquisição de Tanque isotérmico para o transporte
1 R$ 40.000,00 R$ 15.323,61 Municipal de
de leite
Jardinópolis
Prefeitura
Aquisição de Tanque isotérmico para o transporte
2 R$ 46.000,00 R$ 5.628,38 Municipal de
de leite e veículo para apoio na assistência técnica
Quilombo
Prefeitura
Aquisição de Tanque isotérmico para o transporte
3 R$ 40.000,00 R$ 6.826,00 Municipal de
do leite
Pinhalzinho
Prefeitura
Apoio ao Processo de Produção, Manejo,
Municipal de
4 armazenamento e Distribuição com Agregação de R$ 40.000,00 R$ 36.974,82
Novo
Valor.
Horizonte
Total de Valor Investido no Território R$ 166.000,00

Tabela 24 - Projetos do PRONAT 2008 Investimento e Custeio


Projeto 1.3.5 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida Proponente
Apoio a remodelagem do Centro de Prefeitura
1 profissionalização e estudo de tecnologias R$ 100.000,00 R$ 14.880,70 Municipal de
adaptadas a agricultura familiar. Águas Frias
Prefeitura
Aquisição de Tanque Isotérmico para o transporte
Municipal de
2 do Leite e equipamento para padronização do R$ 100.000,00 R$ 11.935,10
Santiago Do
Processamento de Leite.
Sul
Prefeitura
Apoio a Educação no Jovem do Campo, através
3 R$ 40.000,00 R$ 27.947,98 Municipal de
da aquisição de Veículos Utilitário.
Saudades
Apoio para a adequação do Sistema de Inspeção Prefeitura
Municipal – SIM, visando seu credenciamento Municipal de
4 R$ 100.000,00 R$ 9.107,15
junto ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Planalto
Agropecuária – SUASA. Alegre
Total de Valor Investido no Território R$ 340.000,00

Tabela 25 - Projetos do PRONAT 2009 Investimento e Custeio


Projeto 1.3.6 Objetos do Projeto Valor do MDA Contrapartida Proponente
Apoio para a adequação do Sistema de Inspeção
Prefeitura
Municipal – SIM, visando seu credenciamento
Municipal de
1 junto ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade R$ 120.000,00 R$ 12.000,00
Coronel
Agropecuária – SUASA, e implantar a rota de
Freitas
comercialização entre os municípios consorciados
Ampliação da estrutura de resfriamento de leite, Prefeitura
localizado no município de Formosa do Sul para Municipal de
2 R$ 100.000,00 R$ 10.000,00
atender a demanda de resfriamento das Formosa do
cooperativas da Região Sul

78
Apoio para a adequação do Sistema de Inspeção
Municipal – SIM, visando seu credenciamento
junto ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Prefeitura
3 Agropecuária – SUASA e aquisição de um veiculo R$ 120.000,00 R$ 12.000,00 Municipal de
utilitário para desenvolver os processos de Saudades
comercialização dos produtos dos agricultores
familiares da região.
Estruturação da comercialização de produtos das
Prefeitura
cooperativas com investimento em Estruturas de
4 R$ 102.600,00 R$ 11.400,00 Municipal de
Apoio a Comercialização e armazenamento de
Irati
Leite
Total de Valor Investido no Território R$ 442.600,00

É redundante afirmar que os atores sociais precisam se debruçar sobre esses


dados, analisando os valores, a destinação, a distribuição entre os municípios, o
caráter efetivamente territorial das iniciativas e, principalmente, a aplicação efetiva,
a situação atual das estruturas e empreendimentos e os possíveis ajustes que
precisam ser feitos, os retornos que estão dando e as perspectivas de curto, médio
e longo prazos.

Ao final deste segmento do PTDRS, convém relembrar que nesta versão do


Plano se priorizou, na medida do possível, a atualização do tópico referente ao
Diagnóstico Territorial. Portanto, a partir deste tópico serão apresentadas as
elaborações que os representantes do Colegiado Territorial efetuaram ao longo das
suas atividades. Elas passaram por um processo de revisão (no sentido de
copideque), mas não foram revistas (no sentido de serem analisadas criticamente
por aqueles que as construíram, os atores sociais do território). Essa etapa está
prevista para o início do próximo ano (2011), devendo-se retomar, também, os
aspectos do Diagnóstico que os membros do Colegiado consideram frágeis ou que
não condizem inteiramente com a realidade Territorial. Dizendo de outra forma, os
dados e questões, colocados até aqui, vão exigir reflexão e análise participativa
para confirmar ou redefinir os itens seguintes. Isso é desejável porque a avaliação
e os ajustes paulatinos estão na essência de um projeto de planejamento contínuo
e participativo.

79
2 - VISÃO DE FUTURO
Os sujeitos envolvidos no Território julgaram necessário ter uma Visão do
Futuro bastante clara, associada com ações, pois “uma visão sem ação não passa
de um sonho. Ação sem visão é só um passatempo. Mas uma visão com ação
pode mudar o mundo”. A plenária a partir deste entendimento ampliado da Visão
de Futuro definiu que esta precisa ser:

Clara e Compartilhada
o Jovens, mulheres, homens e crianças incluídos, havendo respeito as
suas culturas e garantia de boas condições de infraestrutura (estradas
nas propriedades, habitação, acesso as políticas de educação, saúde,
geração de renda em harmonia com a natureza) e de oportunidades.

Inovadora e Desafiadora
o Produções diversificadas, baseadas na independência tecnológica e
na perspectiva de geração de sustentabilidade, incluindo a produção
para autoconsumo.
o Agricultores/as eficientes no que fazem, seja no processo de
produção de matéria prima com baixo custo de produção e
sustentabilidade sistêmica como no processo de agregação de valor,
no baixo custo de produção, no processo de industrialização e por
último no processo de comercialização dos produtos produzidos e
processados de forma diferenciada. Tais produtos com valor
agregado, além da qualidade nutritiva e ecológica têm valor cultural
na medida em que contribuem para a manutenção dos saberes
tradicionais agregados a todo processo produtivo e industrial.
o Há o envolvimento de toda a família, que tem boas condições de
moradia e para plantar, favorecendo a permanência dos filhos/as no
campo.
o Há o envolvimento e comprometimento de centros de Pesquisa,
Universidades, setor público e de outros agentes que contribuam para
o desenvolvimento territorial sustentável.
o Existem mecanismos de controle de produção e preços praticados,
através de uma política agrícola programada.
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o A agricultura familiar é reconhecida por seu papel importante na
produção de alimentos e na geração de emprego e renda com
sustentabilidade para o país; agrega valor através de um processo
controlado de agroindustrialização; e cria novas alternativas com
maior capacidade de geração de renda e de melhoria das condições
de vida das pessoas do campo, sempre articuladas com os
trabalhadores urbanos.

Exeqüível e Viável
o Maior qualidade de vida, inclusão social, sustentabilidade com
manutenção da biodiversidade.
o Macro políticas efetivadas com crédito disponibilizado juntamente com
capacitação dos agricultores/as, garantindo a viabilidade dos
investimentos. Educação no campo como enfoque predominante no
território, garantindo as especificidades e a diversidade de cada
região.
o Agentes políticos e sujeitos envolvidos a partir das organizações e
entidades pertencentes aos territórios, interagindo e intervindo na
perspectiva da economia solidária.

3 - OBJETIVOS ESTRATÉGICOS
Construir, em interação dialética com o meio urbano e com identificação à
classe trabalhadora, um processo de desenvolvimento sustentável do meio rural
alicerçado em processos que unam sistemas produtivos e geração de renda com
preservação ambiental e desenvolvimento social, utilizando, sempre, processos
que proporcionem ação reflexiva e a tomada de consciência da população
envolvida.

Objetivo específico:
Desenvolver ações sócio-educativas que contribuam para elevar o nível de
conhecimento sobre políticas públicas e legislação ambiental, sobre o
PRONAF e suas condições, sobre políticas vinculadas à CONAB, e sobre
outros programas de Governo voltados ao desenvolvimento rural sustentável
que estão disponíveis, mas não são acessados por agricultores familiares.

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Parte-se da situação atual, em que poucas são as iniciativas de formação e
informação junto aos agricultores/as, que se preocupam com o
desenvolvimento de consciência, através da ação e reflexão, quanto à
legislação ambiental, seu uso correto e suas potencialidades, assim como de
suas penalidades. Da mesma forma, existem dificuldades resultantes do fato
da educação escolar não incluir o debate e a construção de conhecimento
sobre preservação das águas. Constata-se, ainda, a falta de conhecimento
das pessoas e entidades sobre as várias políticas públicas colocadas a
disposição da sociedade.

Metas e Linhas de ação


o Aumentar as campanhas de conscientização ambiental;
o Promover áreas pilotos de planejamento e manejo sustentável das
propriedades, através de ações em parcerias com centros de
pesquisa e entidades de ATER;
o Tornar viável a relação entre os órgãos ambientais e as associações
de agricultores/as, através de eventos com cunho formativo e não
apenas de ações punitivas.
o Possibilitar debates para instrumentalizar as entidades e sujeitos
envolvidos na execução de políticas públicas e ações de Governo;

4 - VALORES OU PRINCÍPIOS
Segundo as decisões tomadas em conjunto, faz-se necessário criar
mecanismos de participação de todos os atores do território rural envolvidos direta
ou indiretamente em todos os processos decisórios do desenvolvimento do
Território Oeste Catarinense.
Os atores devem ser comprometidos com a conduta ética e transparente,
valorizando o ser humano e todos os grupos da sociedade.
Desenvolver métodos de trabalho que estimulem a criatividade, inovação e o
compartilhamento de conhecimentos aumentando a capacidade de aprimoramento
pessoal e territorial.
Faz-se necessário ter comprometimento para atingir os objetivos comuns,
desde que planejados e programados grupalmente e que não afetem as

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expectativas individuais. Para que isso seja efetivado, é importante respeitar os
direitos à diversidade de opiniões e atitudes de todos/as pessoas que de alguma
maneira estão envolvidas no território e interagir permanentemente com a
sociedade na antecipação e avaliação das conseqüências sociais, econômicas,
culturais e ambientais.
É importante que se tenha sensibilidade para perceber e incorporar as
demandas surgidas das dinâmicas próprias das populações, mesmo que elas não
estejam atentas à formulação de estratégias que permitam reduzir os entraves
sociais, ambientais regionais e identificar, dinamizar e potencializar os fatores
competitivos. Trata-se de intervenções verticais combinadas com decisões
horizontais voltadas para o território, determinadas com o objetivo de maximizar
resultados, por meio da aplicação seletiva e do estabelecimento de uma escala de
prioridades.
Como essa priorização foi julgada fundamental e como avaliou-se que ela
deveria ser construída de maneira participativa e com clareza e entendimentos
sobre a dinâmica do desenvolvimento territorial, aprofundou-se o debate sobre os
princípios que os PTDRS deveria ter. Eles são os seguintes:

o Processo contínuo: O planejamento deve ter uma dimensão


territorial, ter base na realidade (“pé-no-chão”) e partir das
experiências já existentes;
o Elo integrador no território: As ações devem ter enfoque no
território e não no local;
o Elo articulador no território: Deve haver integração das cadeias e a
articulação em rede;
o Realidade local: As deliberações devem ocorrer “nos grupos”; ou
seja devem ser coletivas e garantir a ampla participação;
o Participativo: Representação, participação e desenvolvimento;
o Articular e fomentar alternativas para o desenvolvimento: Flexível
e executável;
o Inovador: Fortalecimento institucional do território;

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5 - DIRETRIZES PRINCIPAIS
As políticas de desenvolvimento territorial, a partir de uma visão sistêmica e
multidimensional, apoiarão a formação de infra-estruturas sociais e econômicas,
favorecendo acesso aos serviços públicos essenciais e à assistência técnica
qualificada, implementando mecanismos de desenvolvimento e proteção social,
promovendo o ordenamento territorial, incentivando a prática de inovações
tecnológicas, sociais e institucionais e promovendo a diversificação econômica do
Território.

6- EIXOS DE DESENVOLVIMENTO

1. Comercialização:
2. Desenvolvimento das Cadeias Produtivas Alternativas, com ênfase na
Cadeia do Leite:
3. Questões ambientais:
4. Processo Organizativo:
5. Educação no Campo
6. Inclusão social

Estes Eixos, depois de construídos, foram revisados em diversas plenárias,


propondo-se, a partir deles, um conjunto de programas e projetos interdependentes
e coordenados de modo a produzir os resultados desejados, segundo a natureza
dimensional ou multidimensional dos eixos de desenvolvimento.

7- PROGRAMAS E PROJETOS ESTRATÉGICOS

Eixo 1: Comercialização
o Legislação, especialmente a implantação do SUASA;
o Agroindustrialização;
o Agregação de valor e articulação em rede;
o Cooperativismo focado na Agricultura Familiar;
o Comercialização através do Mercado Institucional;

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Eixo 2: Desenvolvimento das Cadeias Produtivas Alternativas, com ênfase na
Cadeia do Leite
o Cadeia do Mel;
o Artesanato Regional;
o Cadeia Agroflorestal - madeira;
o Piscicultura;
o Cadeia do Frango Caipira;
o Plantas Medicinais;
o Cadeia da Fruticultura e Horticultura;
o Agroindústrias familiares;
o Suinocultura alternativa;

Eixo 3: Questões ambientais


o Capacitação;
o Preservação da água;
o Produção Agroecológica;
o Plantas Medicinais;
o Saneamento Ambiental;
o Alimentação de subsistência;
o Proteção e Preservação de Nascentes

Eixo 4: Processo Organizativo


o Ater/Capacitação

Eixo 6: Inclusão social


Formação e capacitação para os Agricultores Familiares
Inclusão de Indígenas, pescadores e assentados

8 - PROPOSTA DE GESTÃO DO PLANO TERRITORIAL


No processo de organização do Território Oeste Catarinense, ficou bastante
claro de que só seria possível construir desenvolvimento com a participação da
sociedade civil e do setor público. Existindo no território uma diversidade de
organizações com seus diferentes trabalhos, projetos e programas já em

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andamento, gerou-se uma preocupação com o processo de gestão territorial,
justamente para que ele permitisse agregar tais ações já em curso.
Para se efetivar a organização que garantisse o bom andamento dos
trabalhos, com o máximo de representatividade e com enfoque territorial, foram
organizados o Núcleo Dirigente, o Núcleo Técnico e o Colegiado Territorial. O que
se buscava é que as ações, definidas coletivamente, fossem efetivamente
encaminhadas no território.
Estabeleceu-se como atribuições do Núcleo Dirigente: Planejar e elaborar
cronogramas de ações para o território; facilitar a comunicação e a divulgação,
socializando as informações de forma permanente; garantir a participação de todos
os municípios e entidades envolvidos, sendo mediador entre as entidades,
administrando os conflitos e promovendo o consenso para o desenvolvimento do
Território; avaliar projetos apresentados; buscar entidades parceiras; monitorar e
avaliar o processo da territorialização dos recursos; garantir a representatividade
de 50% da sociedade civil e 50% da poder público; garantir que predomine na
definição dos projetos critérios técnicos e não partidários; articular projetos urbanos
e rurais (integração); diversificar os projetos evitando concentração em poucas
atividades produtivas e abrindo espaço para novas alternativas para agricultura
familiar, potencializando o de autoconsumo.
Já o Núcleo Técnico foi criado a partir da consideração de que todos os
projetos são importantes e julgados prioritários por quem o propõe, o que tornava
necessário estabelecer mecanismos transparentes para a avaliação e qualificação
deles e criar uma instância que os apreciasse, em tempo hábil e em primeira
instância, emitindo pareceres técnicos. Afinal, a priorização dos projetos, não
poderia ser somente através do voto, pois este critério prejudicaria os municípios e
organizações mais distantes da realização das plenárias. Esses juízos servem de
subsídio às deliberações das plenárias e são baseados em critérios para
enquadramento e priorização dos projetos. Destacam-se entre esses critérios, o
maior número de pessoas e agricultores familiares beneficiados; o fato de ser
inter-municipal e envolver o maior número de municípios possíveis; estar
enquadrado nos eixos estratégicos; estar articulados com organizações e
associações e com o poder público; fazer parte de experiências que já estão
consolidadas; incluir preocupações de gênero e de geração (juventude); ser
estratégico para o desenvolvimento do território.
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9 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
São enormes os avanços, nesse processo de construção social, na
compreensão do significado do desenvolvimento territorial sustentável. Daquei para
a frente, espera-se que mais atores do Território venham a contribuir com o
processo de planejamento. Muitos conflitos, presentes nas fases iniciais, perderam,
hoje, importância. Os representantes da sociedade civil e dos poderes públicos no
Colegiado têm um objetivo comum que consiste no desenvolvimento sustentável da
agricultura familiar, levando em conta a sua diversidade e as profundas diferenças
existentes no interior do território. Diversas experiências apoiadas pela política
territorial do MDA/SDT encontram-se em pleno funcionamento. Outras ainda
precisam de atenção e apoio em pontos ou detalhes que não permitiram que elas
tivessem pleno êxito.
Os dados preliminares do Censo Demográfico de 2010 revelam uma
situação preocupante no Território: dos vinte e cinco municípios, quinze perderam
população ao longo da década. Em algumas áreas – como aquela que equivale a
da SDR de Quilombo – esse quadro de esvaziamento é alarmante e emblemático
da existência de desequilíbrios na estrutura socioeconômica do Território e,
sobretudo, da exigência e da urgência de medidas corretivas. O que se sabe, a
partir da prática do enfoque territorial é que ações pontuais e localizadas serão
insuficientes.
Alguns aspectos foram identificados nesta atualização do Diagnóstico Territorial
como sendo pontos de reflexão e de possível intervenção, ainda não tratados de
forma explícita pelo Colegiado Territorial. Ressalte-se que essas sugestões não
têm a pretensão de ser exaustivas. Elementos do próprio diagnóstico precisam ser
discutidas por quem vive diretamente o Território e sua construção institucional. O
fundamental é que se assegure a continuidade e o aprofundamento do processo de
construção social do Território do Oeste Catarinense com base no fortalecimento
da cooperação e da confiança entre seus atores sociais.

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10 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MENEGASSO, M. E.; SALM J. F. e HEIDEMANN, F.G. Capital social: Região de
Chapecó. Florianópolis: UDESC/ESAG, 2006.

SEBRAE-SC. Santa Catarina em números. Florianópolis, 2010.

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