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Editado por: Gualter do Nascimento

O Direito Romano e suas fases:


principais eventos, organização
social, política, judiciária e fontes do
direito

Resumo: O Império Romano teve início com a fundação da cidade e o período


histórico em que Roma foi governada por reis foi chamado de realeza. Existiam
quatro classes: patrícios, clientes, escravos e plebeus. Os poderes públicos
eram exercidos pelo rei, pelo senado e pelo povo. O fim da realeza teve como
marco a expulsão de Tarquínio. Na fase da república, houve a substituição
do rex por dois comandantes militares. As classes sociais eram classe baixa e
nobreza. A economia se baseava na mão-de-obra escrava. A organização
política era composta por cônsules, pelo senado e pelo povo. Alto império é o
período histórico do reinado de Augusto até a morte de Diocleciano. Os poderes
públicos eram exercidos pelo imperador, consilium principis, funcionários
imperiais, magistraturas republicanas, senado, comícios e pela organização das
províncias. A fase do baixo império é caracterizada pela monarquia absolutista.
E o fim dessa fase é marcado pela morte do Imperador Justiniano. Os poderes
públicos eram exercidos pelo Senado, pelas magistraturas republicanas e pelo
Imperador. Chama-se período bizantino a fase histórica que vai desde a morte
de Justiniano até a tomada da cidade de Constantinopla. Nesse período os
poderes ainda estavam concentrados nas mãos de um imperador. O direito
romano é considerado a mais importante fonte histórica do direito. Sua
atualidade é evidente. Ele está presente em vários institutos jurídicos e
princípios atuais. Ao estudá-lo, ocorre a análise das origens do direito vigente. 

Palavras-chave: Direito Romano. Organização social, política e judiciária de


Roma. Fontes do Direito Romano.

Abstract: The Roman Empire had beginning with the foundation of the city
and the historical period in that Rome was governed by kings was called of
royalty. Four classes existed: compatriots, clients, slaves and plebeian. The
public powers were exercised by the king, by the senate and by the people. 
The end of the royalty had like landmark the expulsion of Tarquínio. In the
phase of the republic, had the substitution of the rex for two military
commanders.  The social classes were underclass and nobility.  The economy
itself based in the slave labor. The political organization was composed by
consuls, by the senate and by the people. High empire is the historical period
that goes of the reign of Augusto up to death of Diocleciano. The public powers
were exercised by the emperor, by the consilium principis, by the imperial
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members of staff, republican magistracies, senate, assemblies and organization


of the provinces. The phase of the short empire is characterized by the
absolutist monarchy.  And the end of that phase is marked by the death of the
Emperor Justiniano.  The public powers were exercised by the Senate, by the
republican magistracies and by the Emperor. Byzantine period  is the historical
phase that goes since the death of Justiniano up to the taking of the city of
Constantinopla. In that period the powers still were concentrated in the hands
of an emperor. Roman law is considered the most important historical source
of law. Its present time is evident. Today it is present in various legal
institutions and principles. Upon studying it, occurs the analysis of the origins
of existing law.

Keywords: Roman law. Political, social and judiciary organization of Rome. 


Sources of the Roman law. 

Sumário: 1. Introdução. 2. As fases do Direito Romano. 2.1. O Direito Romano na


Realeza (753 a.C. a 510 a.C.). 2.1.1. Principais eventos. 2.1.2. Organização social.
2.1.3. Organização da família. 2.1.4. Organização da religião. 2.1.5. Organização
política e judiciária 2.1.6. Fontes do direito. 2.2. O Direito Romano na República
(510 a.C. a 27 a.C.). 2.2.1. Principais eventos. 2.2.2. Organização social. 2.2.3.
Organização da religião. 2.2.4. Organização política e judiciária. 2.2.5. Fontes do
direito. 2.3. O Direito Romano no Alto Império (27 a.C. a 284 d.C.). 2.3.1.
Principais eventos. 2.3.2. Organização política e judiciária. 2.3.3. Fontes do
direito 2.4. O Direito Romano no Baixo Império (284 d.C. a 565 d.C.). 2.4.1.
Principais eventos 2.4.2. Organização política e judiciária. 2.4.3 Fontes do
direito. 2.5. O Direito Romano no período Bizantino (565 d.C. a 1453 d.C.). 2.5.1.
Principais eventos 2.5.2. Organização política e judiciária 2.5.3. Fontes do
direito. 3. Conclusão.

1 INTRODUÇÃO

Conforme enfatizado pelo Professor Doutor César Fiúza, o “Direito Romano é a


mais importante fonte histórica do Direito nos países ocidentais, e, ainda, a
maioria dos institutos e princípios do Direito Civil nos foi legada pelo gênio
jurídico dos romanos” (FIUZA, 2006, p. 160).

E, é de conhecimento de todos que o nosso direito deriva do Romano. Dessa


forma, ao estudá-lo, buscam-se as origens do nosso próprio direito vigente.
Além disso,
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“A perenidade do direito romano é fato evidente. Sua atualidade não pode ser
negada, pela presença constante em inúmeros institutos jurídicos de nossa
época.

Além disso, qualquer estudo profundo de direito privado principia sempre por
introdução histórica que investiga as raízes romanas do assunto tratado.”
(CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 57).

Então, de extrema relevância este artigo, o qual com certeza será responsável
para aprofundar o conhecimento no âmbito do Direito Privado. Passa-se então,
ao desenvolvimento do tema.

2 AS FASES DO DIREITO ROMANO

2.1 O Direito Romano na Realeza (753 a.C. a 510 a.C.)

2.1.1 Principais eventos

Os manuais de Direito Romano indicam que o Império Romano teve início com a
fundação da Cidade, em 753 a.C. e que o período histórico em que Roma foi
governada por reis foi chamado de realeza. Essa cidade teria sido governada
por sete reis até 510 a.C., ano considerado como fim desse período histórico.

Rômulo foi o primeiro rei, sendo considerado fundador lendário de Roma. Com
relação à época da fundação, considera-se ter sido “a cidade romana
constituída, no início, pelos componentes das tribos conhecidas pelos nomes
de ramnenses, tirienses e luceres” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 25), razão pela
qual Rômulo, conforme narra César Fiuza, “dividiu a cidade em três tribos:
Tities, Ramnes e Luceres” (FIUZA, 2007, p. 37). 

Tendo em vista que nessas tribos havia apenas homens, Rômulo convidou os
sabinos, povo vizinho, constituído de indivíduos de ambos os sexos, para
festividades. Nessa ocasião, os romanos teriam raptado as pessoas do sexo
feminino, razão pela qual se iniciou uma guerra entre esses povos. Antes do
término da batalha, por influência das mulheres, os sabinos resolveram se
integrar aos romanos, junto à tribo dos Tities.
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Sérvio Túlio, penúltimo rei dessa fase, ordenou o primeiro censo na história. Ele
“mandou fazer cadastro de todos, sendo que os censores vasculhavam todos
os cantos da cidade à procura de riqueza, para que se pudesse pagar impostos
e ampliar as receitas” (TAVARES, 2003, p. 8). 

Vale ressaltar que o fim da realeza (510 a.C.) teve como marco a expulsão do
“último rex, Tarqüínio, o Soberbo, usurpador de poderes realmente imperiais”
(ENGELS, 2006, p. 143).

2.1.2 Organização social

Dentre os habitantes de Roma havia quatro classes bem distintas: os patrícios,


os clientes, os escravos e os plebeus. Os primeiros, homens livres, fundadores
da cidade e seus descendentes, agrupados em clãs familiares patriarcais,
denominados gentes, formavam a classe detentora do poder e privilegiada.

Os clientes, de origem diversa, “eram pessoas que se submetiam ao poder de


um chefe de família patrício, oferecendo seus préstimos e seu patrimônio em
troca de proteção” (FIUZA, 2007, p. 39). Geralmente eram estrangeiros e
escravos alforriados.

Já os escravos eram a mão-de-obra responsável por praticamente toda a


economia romana da época. Viviam sob as ordens do senhor, ou pater. Por
último, os plebeus, que não faziam parte das gentes, estavam em posição de
inferioridade, mas estavam sob a proteção do rei.

Até o reinado de Sérvio Túlio, a plebe não fazia parte da organização política de


Roma. Somente após essa ocasião – com as mudanças introduzidas por esse
rei – é que os plebeus ganham cidadania e “entram nos comícios centuriatos,
que se reúnem no Campo de Marte; pagam impostos e prestam serviço militar”
(CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 26).
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2.1.3 Organização da família

A família patrícia era uma estrutura organizada, como se fosse uma pequena
sociedade com seu governo, chefiado unicamente pelo pai. Este, que exercia as
funções mais elevadas, sendo todos os demais membros submissos a ele. Essa
submissão se dava em todos os sentidos eis que o pater detinha, dentro do lar,
poderes ilimitados de pai, esposo, administrador, sacerdote e, até mesmo, de
um juiz cujas decisões nenhuma autoridade tinha o direito de reforma.

Sendo assim, “no pai repousa o culto doméstico; quase pode dizer como o
hindu: “Eu sou o deus”. Quando a morte chegar, o pai será um ser divino que os
descendentes invocarão” (COULANGES, 2007, p. 93).    Em caso de morte, o
lugar do pai “era ocupado pelo filho primogênito. Se não tivesse, adotava um. O
que não podia ocorrer era a vacância de seu lugar, sob pena de não se dar
continuidade ao culto familiar” (FIUZA, 2007, p. 40). E, “cada gens transmitia,
de geração em geração, o nome do antepassado e perpetuava-o com o mesmo
cuidado com que continuava o seu culto” (COULANGES, 2007, p. 119).

Com relação ao conceito de gens, expressão comumente trazida nos manuais


de direito romano, pode-se, resumidamente, considerar que trata-se do
“conjunto de pessoas que pela linha masculina descendem de um antepassado
comum” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 26).

Acredita-se que essa organização familiar foi um empecilho para o


desenvolvimento das regras comerciais em Roma, uma vez que, em
decorrência da predominância da indústria doméstica, somente foram
desenvolvidas relações contábeis e não-jurídicas entre pai e filhos. Relação
cujas decisões, conforme já mencionado, eram tomadas arbitrariamente pelo
detentor do poder patriarcal.

2.1.4 Organização da religião

A religião tinha como base duas classes de deuses. Uma era inspirada na alma
humana, em que os deuses eram chamados de domésticos, manes ou lares.
Tratava-se dos ancestrais e, a eles, era feito o “culto doméstico, em que se
invocavam os antepassados para proteção. Levava-se-lhes comida e
prestavam-se-lhes orações” (FIUZA, 2007, p. 40).
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A outra classe era inspirada nos fenômenos naturais, chamados de deuses


superiores (deuses do Olimpo), “cujas principais figuras foram Zeus, Hera,
Atena, Juno, a do Olimpo helênico e a do Capitólio romano” (COULANGES, 2007,
p. 132).

Essas duas classes, que alguns autores chamam de religiões, perduraram em


harmonia, dividindo o domínio sobre o homem.

2.1.5 Organização política e judiciária

Os poderes públicos eram exercidos pelo rei, pelo senado e pelo povo. O rei era
o supremo sacerdote, chefe do exército, juiz soberano e protetor da plebe. Seu
cargo, que era “indicado por seu antecessor ou por um senador” (CRETELLA
JÚNIOR, 2007, p. 27), era vitalício, mas não hereditário. Apesar disso tudo, podia
ser deposto, conforme a já mencionada expulsão ocorrida com Tarqüínio, o
Soberbo.

Já a instituição do senado era como um conselho, que tinha competência para


gerir e opinar nos negócios de interesse público. “O Senado detinha
a auctoritas para aconselhar o rei, quando convocado, e para confirmar as
decisões dos comícios” (FIUZA, 2007, p. 41).

Nomeados dentre os chefes das gentes pelo rei, os “senadores, por serem os


mais velhos em suas gens, chamavam-se patres, pais. O conjunto deles acabou
formando o Senado (de senex, velho, ancião – conselho dos anciãos)” (ENGELS,
2006, p. 139/140). E, o “poder, de fato, estava nas mãos dos patres-familias,
sendo o Senado sua representação máxima” (FIUZA, 2007, p. 41).

O último dos três elementos que integram a organização política e judiciária na


fase da realeza era o povo. Este era, no início,

“Integrado pelos patrícios, na idade de serviço militar. Reúne-se em


assembléias – os comícios curiatos – (“comitia curiata”) -, num recanto
do fórum denominado mesmo comitium. A lei, proposta pelo rex, é votada
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pelo populus, que vota por cúrias. As leis, assim votadas, recebem o nome


de leges curiatae” (CRETELLA JÚNIOR: 2007, p. 27).

Então, o povo era a sociedade romana, constituída, no início, apenas de


patrícios. Após Sérvio Túlio, que deu à plebe a cidadania, também passaram a
compor a populus romanus.

O povo exercia seus direitos em assembléias, denominadas comícios, onde


votavam para decidir sobre propostas específicas de casos concretos. 

2.1.6 Fontes do direito

As fontes do direito na fase da realeza são apenas duas: o costume (fonte


principal) e a lei (secundária). E, tendo em vista o amplo domínio dos deuses
sobre o homem, essas fontes são extremamente influenciadas pela religião.

Costume pode ser entendido como o “uso repetido e prolongado de norma


jurídica tradicional, jamais proclamada solenemente pelo Poder Legislativo”
(CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 28). Sua autoridade resulta de um acordo tácito
entre todos os componentes da cidade.

Já a lei decorre de uma iniciativa do rex, tendo em vista um caso concreto em


que alguém deseja agir contrariando algum costume. Essa proposta do rei pode
ou não ser aceita pelo povo. Se for aceita, a lex é analisada pelo senado. Caso
ratificada torna-se obrigatória perante todos.  

Aqui, a autoridade da lei resulta, ao contrário do costume, de um acordo formal


entre todos os cidadãos. Então, o Direito na realeza é:

“Casuístico, porque era criado para cada caso concreto. Empírico, porque se
baseava na observação prática, nada possuindo de científico. A posteriori,
porque nascia depois do fato concreto. Finalmente, concreto, uma vez que
nada tinha de abstrato, vinculando-se exclusivamente ao caso concreto”
(FIUZA, 2007, p. 42).
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Então, a lei na fase da realeza teria surgido de forma gradativa e “como parte
da religião. As normas sobre direito de propriedade e de sucessão estavam
dispersas entre as regras relativas aos sacrifícios, à sepultura e ao culto dos
antepassados” (COULANGES, 2007, p. 206).

2.2 O Direito Romano na República (510 a.C. a 27 a.C.)

2.2.1 Principais eventos

No início da fase da república, logo após a expulsão de Tarqüínio, o Soberbo,


houve a “substituição do rex por dois comandantes militares (cônsules)
dotados de iguais poderes” (ENGELS, 2006, p. 143).

Esses sucessores do rei eram eleitos anualmente, em número de dois, para que
governassem de forma alternada, cada mês um deles controlavam
o imperium, enquanto o outro fazia uma fiscalização, com direito de veto
ou intercessio. E, “se perigos gravíssimos ameaçam a república, o cônsul em
exercício enfeixa o poder dos dois, tornando-se ditador, com opoderes
absolutos, perdendo o colega o recurso da intercessio (CRETELLA JÚNIOR,
2007, p. 30).

Foi nessa época que a diferença entre patrícios e plebeus já não se justificava.
Inclusive, por volta dos séculos IV e III a.C., “a plebe já ocupava todos os cargos
da magistratura, antes reservados só aos patrícios” (FIUZA, 2007, p. 54).

2.2.2 Organização social

Na República, a organização social se modifica um pouco. As classes sociais


eram bem distintas: classe baixa (ou plebs urbana), escravos, Cavaleiros da
Ordem Eqüestre e a nobreza.

A economia, assim como na realeza, se baseava na mão-de-obra escrava. Os


escravos, parcela significativa da população, “eram considerados bens
semoventes, despidos de personalidade” (FIUZA, 2007, p. 53).

Já a classe baixa, ou plebs urbana, era a casta composta por plebeus pobres,
“com profissões menos prestigiosas: barbeiros, sapateiros, padeiros,
açougueiros, pastores, agricultores etc” (FIUZA, 2007, p. 53).
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A classe dos Cavaleiros da Ordem Eqüestre era composta, na verdade, por


homens de negócio. Atuavam, até mesmo, em nome de nobres, que não
queriam ou não podiam exercer atividades mercantis. Eram os homens que não
integravam a nobreza e que possuíam patrimônio superior a 400.000
sestércios. Esse nível patrimonial era o mesmo exigido “para se tornar um juiz
eqüestre, a quem competia julgar as questões envolvendo corrupção” (FIUZA,
2007, p. 54).

A última classe era a nobreza, também chamada de nobilitas, composta de


descendentes de magistrados. Nesta classe, tinha destaque a Ordem
Senatorial. Ao final da República, não era preciso ser descendente de homem
público para integrar essa Ordem.

A nobilitas era considerada a classe administradora e constituía, juntamente


com os Cavaleiros, a classe dominante da época. Posto isso, as demais classes
(plebe urbana e os escravos) eram dominados na fase do direito romano na
República.

2.2.3 Organização da religião

Na fase anterior, o rei era o supremo sacerdote. Já na República, conforme


ensina César Fiuza:

“Os poderes sacerdotais do rei passaram ao rex sacrorum (rei das coisas


sacras) na República. Além dele, havia o Colégio de Pontífices, encabeçado
pelo pontifex maximus (sumo pontífice). Com o passar dos tempos, a pessoa
do rex sacrorum se tornou figurativa e quem exercia o poder sacerdotal era o
sumo pontífice” (FIUZA, 2007, p.48/49).

2.2.4 Organização política e judiciária

Na República, a organização política era composta por cônsules, pelo senado e


pelo povo, que se reúne em comícios populares.

Tendo em vista que os cônsules eram apenas dois e que enquanto um


governava, o outro fiscalizava, o desenvolvimento da população de Roma
exigiu a repartição das funções antes concentradas no rex. Por isso, foram
criados vários cargos, dentre eles: questores, censores, edis curuis, pretores,
praefecti jure dicundo e governadores das províncias.

Já o Senado, que exercia funções consultivas, como por exemplo, ratificar leis
e decisões dos Comícios, “compõe-se de 300 patres, nomeados pelos
cônsules” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 31). “A partir de 312 a.C., os censores
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passaram a nomear os senadores, normalmente, dentre antigos cônsules. Até


essa data eram indicados pelos cônsules” (FIUZA, 2007, p. 47).

O povo, composto por patrícios e plebeus, exercia seus direitos reunidos em


comícios:

“Os comícios curiatos e os comícios centuriatos, como na realeza. Além disso,


há uma nova espécie de comícios, os comícios tributos. A plebe, sozinha,
reúne-se nos concilia plebis. Nestes concílios, votam-se os plebiscitos. Os
comícios tributos (comitia tributa) são assembléias do povo, cuja unidade de
voto é a tribo.” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 32).

Nesses comícios populares, o populus romanus exercia funções legislativas e


judiciárias (Comícios Centuriatos); eram responsáveis pelos testamentos e
pelas ad-rogações (Comícios Curiatos); e exerciam funções eletivas e
legislativas (Comícios Tributos e Conselhos da Plebe).

2.2.5 Fontes do direito

As fontes do direito na fase da República são cinco: os costumes, as leis


escritas, o senatusconsultos, a jurisprudência e os editos dos magistrados.

Em se tratando de um povo conservador, os costumes continuam


desempenhando um papel importante como fonte do direito em Roma. Para
César Fiúza,

“um costume só será fonte de Direito, só será verdadeiramente costume se


nele estiverem presentes o uso (repetição constante de uma prática) e a opinio
necessitatis (convicção de que aquele uso tem força de norma jurídica).”
(FIUZA, 2007, p. 49).

Para José Cretella Júnior, a autoridade de um costume resulta de um acordo


tácito entre os componentes da cidade. Para esse autor, costume pode ser
entendido como o “uso repetido e prolongado de norma jurídica tradicional,
jamais proclamada solenemente pelo Poder Legislativo” (CRETELLA JÚNIOR,
2007, p. 28).

Pela incerteza oriunda de um ordenamento baseado em costumes, a plebe luta


por uma lei escrita, pública, conhecida e que possa ser invocada contra
qualquer um. Havia duas espécies de leis escritas, as leges rogatae e as leges
datae. As primeiras eram propostas por iniciativa de um magistrado, votadas
pelo povo e homologadas pelo Senado. Já as leges datae eram medidas
unilaterais tomadas diretamente pelos cônsules, em nome do povo, sem
votação e nem homologação do Senado. 

Das leis escritas, fundamental mencionar sobre a Lei das XII Tábuas,
considerada até mesmo como sendo fonte de todo o direito privado. Elas
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“foram escritas em meio a uma evolução social; foram os patrícios que as


fizeram, mas a pedido e para uso da plebe” (COULANGES, 2007, p. 334). Esse
pedido foi feito através de protestos e revoltas populares.

Diante do caráter tipicamente romano da Lei das XII Tábuas, ocorreu imediata
aceitação e, assim que publicadas, passaram a regular as relações do povo de
Roma.Há autores que afirmam de modo diferente, que essa Lei teria sido fruto
de compilação dos costumes da época.

O senatusconsultos era a consulta que o Senado fazia após convocação por


um magistrado. Era “uma espécie de parecer senatorial” (FIUZA, 2007, p. 51).
Não tinha força de lei.

A jurisprudência, que também pode ser chamada de interpretação dos


prudentes, seria como se fosse nossa atual doutrina jurídica, contendo
interpretações e adaptações à lei.

Como a lei na época tinha muitas lacunas, de extrema importância o trabalho


dos jurisprudentes, que eram “jurisconsultos encarregados de preencher as
lacunas deixadas pelas leis” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 34).

Os editos dos magistrados tinham grande relevância na fase da república. Eram


um conjunto de cláusulas, que funcionavam como normas, expondo a
plataforma que seria aplicada para os casos que fossem apresentados. Eram
divulgados assim que os magistrados assumiam o cargo.

2.3 O Direito Romano no Alto Império (27 a.C. a 284 d.C.)

2.3.1 Principais eventos

“Chama-se alto império (27 a.C. a 284 d.C.) ou principado (de princeps) o


período histórico que vai do reinado de Augusto até a morte de Diocleciano”
(CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 38). Nessa fase ocorreram revoltas de escravos e
vários conflitos entre as classes sociais. Esses acontecimentos levaram a uma
alteração política em Roma.

Dentre os acontecimentos importantes, destaca-se a reforma no início da fase


que deu poder aos generais de livremente recrutarem soldados, que se
tornaram fiéis à eles, e não a Roma. Diante disso Silas, com o apoio de suas
tropas, tornou-se ditador, em 82 a.C, permanecendo até 79 a.C.

Em 66 a.C., formou-se, com a associação política entre Júlio César, Pompeu e


Crasso, o primeiro triunvirato. Por volta de 43 a.C., “formou-se um segundo
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triunvirato, formado por Otávio (sobrinho e filho adotivo de Júlio César), Marco
Antônio e Lépido”. (FIUZA, 2007, p. 55). 

E, considera-se triunvirato “uma associação política entre três homens em pé


de igualdade. A palavra triunvirato originou-se a partir de dois radicais do
latim: trium (três) e vir (homem)” (TRIUNVIRATO, 2008).

Durante o segundo triunvirato, Lépido foi exilado e Marco Antônio se suicidou.


Então, conforme conta César Fiuza:

“Otávio se tornou ditador. Em 36 a.C., foi-lhe atribuída a tribunicia


potestas (poder de veto e inviolabilidade). Em 29 a.C., o título
de imperator (comandante-em-chefe das forças armadas). Em 28 a.C.,
recebeu o título de princeps senatus; em 27 a.C., o de augusto. Otávio se
tornou, então, o senhor absoluto, mas sem o título de rei, do qual não fazia
questão”. (FIUZA, 2007, p. 56).

Vale ressaltar ainda que, nesta fase, “O imperador ou príncipe não governa


sozinho: partilha o poder com o senado, havendo, pois uma diarquia, (governo
de dois).” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 38).  

2.3.2 Organização política e judiciária

Os poderes públicos eram exercidos pelo imperador, pelo consilium principis,


pelos funcionários imperiais, magistraturas republicanas, senado, comícios e
organização das províncias.

O imperador, que tinha autoridade máxima, inviolável, reunia todas as


atribuições que na república eram divididas entre vários magistrados. Eram
atribuições dele: 

“a tribunicia potestas, o pró-consulado (comando militar de todas as


províncias), o direito de declarar guerra e celebrar paz, fundar e organizar
colônias, conceder cidadania, convocar o Senado, cunhar moedas, instituir
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tributos, administrar, dizer o direito (jurisdição civil em 2ª instância e jurisdição


criminal).” (FIUZA, 2007, p. 56).

O consilium principis atuava como órgão consultor para o imperador, quando


este entendia necessário. Era integrado por amigos do imperador e juristas que
se destacavam na época.

Os funcionários imperiais tinham funções variadas, desde cuidar das vias


públicas e do abastecimento de água (curadores) e, até mesmo, governar
províncias imperiais (Legados de César).

As magistraturas republicanas tiveram suas funções reduzidas, eis que o


consulado perdeu os poderes militares e civis, a pretura peregrina
desapareceu, a censura deixou de existir (sendo que seus poderes passaram
para o imperador), a edilidade curul e da plebe deixaram de existir e o tribunato
da plebe recebeu funções administrativas de menor importância.

O senado “administra as províncias senatoriais, cujas receitas vão para


o aerarium, tesouro público” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 38). Nessa fase, os
senadores, que eram nomeados pelo imperador, repartiam com este o poder
judiciário.

Além disso, o Senado possui atribuições de poder eleitoral dos comícios, parte
do legislativo e administra as províncias senatoriais e o erário de Saturno.
Então, o senado perde independência e sua função de corpo consultivo.

Os comícios, também perdem atribuições, eis que não possuem mais seus
poderes legislativos, eleitorais e judiciários.

Quanto à organização das províncias, leciona César Fiuza:

 “Províncias imperiais – eram mais numerosas e necessitavam de forças


permanentes.
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Províncias senatoriais – estavam pacificadas. Eram governadas por um pró-


cônsul, auxiliado por legados e um questor.” (FIUZA, 2007, p. 58).

2.3.3 Fontes do direito

As fontes do direito na fase do alto império são seis, conforme ensina José
Cretella Júnior: costume, lei, senatusconsultos, editos dos magistrados,
constituições imperiais e a jurisprudência.

Os costumes continuam desempenhando um papel importante como fonte do


direito. Isso eis que o povo romano é extremamente conservador. Tal fonte já
foi explicada no item 3.5, motivo pelo qual dispensa maiores esclarecimentos
nesta oportunidade.

Das leis escritas, ainda havia duas espécies: as leges rogatae, que assumem
grande importância, e as leges datae, que perdem relevância nessa época.

O senatusconsultos, espécie de consultoria senatorial, era feito através de um


parecer, a pedido do príncipe. Passam, na fase do Alto Império, a ter força de
lei.

Os editos dos magistrados, nesta fase, perdem importância, eis que os


magistrados foram perdendo o direito de editar editos de seus antecessores.
Então, os pretores passaram a apenas reproduzir os editos passados. Isso
ocorreu até que

“Adriano (117 a 138), finalmente, encarregou o jurisconsulto Sálvio Juliano de


fixar e sistematizar em um único texto os editos pretorianos. A obra
denominou-se Edito Perpétuo, por ser imutável. A partir daí, os pretores só
podiam inovar por solicitação do Imperador ou do Senado.” (FIUZA, 2007, p. 58).

Para José Cretella Júnior, as constituições imperiais podiam ser de quatro


tipos:
Editado por: Gualter do Nascimento

“Edicta são proclamações feitas pelo imperador, ao ser consagrado, do mesmo


modo que os pretores quando assumiam as preturas.

 Mandata são instruções que o príncipe envia aos funcionários da


administração, principalmente aos governadores imperiais das províncias,
indicando-lhes um plano a seguir no exercício de suas magistraturas.

 Decreta são decisões que o imperador toma, como juiz, nos processos que lhe
são submetidos pelos particulares em litígio. São sentenças emanadas extra
ordinem, fugindo, pois, aos princípios da ordo judiciorum. Tomadas com relação
a um caso particular, passam, como os atuais acórdãos, a ser invocados para
situações iguais ou semelhantes, até que Justiniano, mais tarde, lhes dá força
de lei.

 Rescripta são respostas dadas pelo imperador a consultas jurídicas que lhe são
feitas ou por particulares (subscriptio) ou por magistrados (epístula).”
(CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 43).

Por fim, a jurisprudência, considerada fonte eis que vinculava as decisões


judiciais, “equivalia a nossa doutrina. Diga-se que o imperador podia atribuir a
certos juristas o chamado ius respondendi, que conferia a seus pareceres maior
força que aos dos demais” (FIUZA, 2007, p. 59).

2.4 O Direito Romano no Baixo Império (284 d.C. a 565 d.C.)

2.4.1 Principais eventos

Essa fase é marcada pela monarquia absolutista, diante da concentração dos


poderes nas mãos do Imperador, sem repartição de poderes com o Senado.
Para alguns autores, esse período é chamado de Dominato.   

O primeiro a experimentar esse “poder absoluto” foi Diocleciano (284 a 305),


que dividiu o império romano em Império Romano do Oriente (Constantinopla) e
Império Romano do Ocidente (Roma).
Editado por: Gualter do Nascimento

Todos os poderes, atribuições e órgãos públicos passaram a ser submetidos à


vontade do imperador. Como fatos importantes nessa fase têm-se:

“313 – Edito de Milão, de Constantino, dando liberdade de culto aos cristãos. O


edito foi reforçado posteriormente e aplicado em todo o império. Constantino
se converteu à fé cristã, atribuindo várias de suas vitórias a isso.

380 – Constituição Cunctos Populos, de Teodósio I (379 a 395). Elevou o


catolicismo a religião oficial.

395 – Morte de Teodósio I e divisão do Império em Oriente e Ocidente, com dois


imperadores, seus filhos: Arcádio, no Oriente, e Honório, no Ocidente. A
unidade jurídica foi mantida por meio da legislação, que era a mesma.

476 – Queda do Império Romano do Ocidente. Rômulo Augusto é derrotado por


Odoacro, rei dos hérulos. Alguns reis bárbaros invasores passaram a ser
tratados como delegados do Imperador no Ocidente (ex.: Odoacro, Teodorico e
outros).

527 a 565 – Reinado do Imperador Justiniano. Tenta reunificar o Império e


promulga as compilações de leis e doutrina, conhecidas hoje com o nome de
Corpus Iuris Civilis.” (FIUZA, 2007, p. 60/61).

E o fim da fase do baixo império é marcada pela morte do Imperador Justiniano


(565 d.C.).

2.4.2 Organização política e judiciária

Os poderes públicos eram exercidos pelo Senado, pelas magistraturas


republicanas e pelo Imperador. O senado já não tinha quase nenhum poder eis
que nem mais repartia a função judiciária com o imperador. Passa a ser um
mero conselho municipal.
Editado por: Gualter do Nascimento

As magistraturas republicanas eram compostas por cônsules (que davam nome


ao ano), pretores (perderam as funções judiciais), tribunos da plebe, questor
para o Sacro Palácio (assessor do imperador), Prefeitos para o Pretório
(administravam prefeituras e exerciam funções judiciais), vigários (governavam
as Dioceses) e governadores (governavam as províncias). Então, as
magistraturas não desaparecem, mas perdem suas atribuições.

Como o Império Romano estava subdivido em Império Romano do Oriente e


Império Romano do Ocidente, cada um desses blocos foi entregue a um
imperador, monarca absoluto, que concentrava em suas mãos todos os
poderes. Junto ao imperador “funcionava o Sacrum Consistorum (conselho
imperial para assuntos administrativos e judiciais).” (FIUZA, 2007, p. 61).

2.4.3 Fontes do direito

O imperador, conforme já mencionado, concentrava em si todos os poderes


nesse período. Detinha o poder absoluto. E, além disso, o monarca invocava “a
vontade divina como fonte de inspiração de sua autoridade: o que agradou ao
príncipe tem força de lei (“quod principi placuit, legis habet vigorem”). É
a monarquia absoluta.” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 46).

Diante dessa centralização de poderes, desaparecem as antigas fontes,


restando as constituições imperiais como única fonte de direito no período do
baixo império, conforme José Cretella Júnior. Eram chamadas de leges. Já
César Fiúza considera como fontes desse período, além das constituições
imperiais, “basicamente os costumes, a lei escrita e a jurisprudência
(doutrina).” (FIUZA, 2007, p. 62).

Nesse período, ocorreram várias compilações particulares (elaboradas ou


editadas por iniciativa privada) e oficiais (criadas por iniciativa de um
Imperador). Apesar de todas essas codificações, o Imperador Justiniano ainda
elaborou novas Constituições. Mas,

“foi no século XVI que o jurisconsulto francês Denis Godefroy reuniu todas
essas compilações em um só volume, dando-lhe o nome de Corpus Iuris
Civilis. A primeira edição é de 1583; a segunda, de 1604.” (FIUZA, 2007, p. 63).  

O Corpus Iuris Civilis, por reunir em um só volume várias compilações de leis de


sua época e de épocas anteriores, é considerado uma dos maiores heranças
deixadas pela civilização de Roma. Vale mencionar que essa foi a procedência
de muitos institutos jurídicos do nosso tempo.
Editado por: Gualter do Nascimento

2.5 O Direito Romano no período Bizantino (565 d.C. a 1453 d.C.)

2.5.1 Principais eventos

Chama-se período bizantino a fase histórica que vai desde a morte de


Justiniano ocorrida em 565 até a tomada da cidade de Constantinopla pelos
turcos, em 1453. Essa fase foi assim denominada em decorrência da capital,
que “era a cidade de Bizâncio, situada no Bósforo, estreito que liga Europa e
Ásia. No início do século IV, Constantino mudou seu nome para Constantinopla.
É hoje, a cidade de Istambul, na Turquia” (FIUZA, 2007, p. 63).

Para alguns autores a civilização bizantina é considerada continuação da


civilização romana. “Os historiadores especializados em Bizâncio em geral
concordam que seu apogeu se deu com o grande imperador da dinastia
Macedônica, Basílio II Bulgaroctonos (Mata-Búlgaros), no início do século IX.”
(BIZANTINO, 2008).

Para Marcia Mallmann Lippert,

“No ano de 396 o Império Romano foi dividido, sendo Roma o centro do Império
Romano do Ocidente enquanto Constantinopla (Istambul) era o centro do
Império Romano do Oriente. Em 410 Roma foi pilhada por povos bárbaros, e 476
é o marco fim do Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente
manteve-se até 1453, ano em que os turcos tomaram Constantinopla.”
(LIPPERT, 2003, p. 41).

Então, a queda de Constantinopla, ocorrida em 1453, após batalha com os


turcos, é considerado o marco final da Idade Média. E, para alguns autores o
período Bizantino pode ser chamado de Império Romano do Oriente. 

2.5.2 Organização política e judiciária

Os poderes ainda estavam concentrados nas mãos de um imperador. Então, o


poder ainda era centralizado e absolutista. Ocorreu intenso desenvolvimento
comercial, que foi fundamental para o combate às invasões feitas por povos
bárbaros.
Editado por: Gualter do Nascimento

O imperador, dentre seus vastos poderes, concentrava o comando do exército


e da igreja. E, nessa época, ainda era considerado representante de Deus na
terra. Por isso, o papa, no Império Romano do Oriente, tinha pouca força.

Nesse período, após a primeira queda de Constantinopla, surgiram três


Estados: o Império de Nicéia, o Despotado do Épiro e o Império de Trebizona.
Desses,

“é o Império de Nicéia que é considerado o verdadeiro sucessor. Governado por


imperadores fortes e bons, se tornou a primeira potência territorial na Ásia
Menor. A agricultura se desenvolveu, assim como o comércio, e várias cidades
na Europa foram recuperadas. Os Paleólogos, faltando com o seu juramento de
lealdade, assassinaram o legítimo imperador e depuseram a dinastia dos
Vatatzes-Laskaris. Miguel VIII Paleólogo fez uma aliança com Gênova
(desnecessária) e conseguiu reconquistar a antiga capital do Império Bizantino
no dia 25 de julho de 1261.” (BIZANTINO, 2008).

2.5.3 Fontes do direito

Entende-se por Direito Bizantino o “conjunto de regras jurídicas justinianéias


que continuaram em vigor de 565 a 1453, mas adaptadas à vida dos povos do
novo império.” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 56).

O Corpus Iuris Civilis, que reuniu em um só volume várias compilações de leis e


doutrina, na época do Reinado do Imperador Justiniano, trazia muitas normas
inflexíveis, adaptadas à época de sua elaboração. Com a constante evolução
das relações privadas, o direito deveria acompanhar. Por isso, os imperadores
ordenaram a edição de outras compilações oficiais, para que fossem
plenamente aplicáveis diante das inéditas situações jurídicas que vinham
surgindo.  

Dessa forma, “surgem, assim, a Egloga legum compendiaria, a Lex Rhodia,


o Prochiron legum.” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 56). No século IX, por
determinação do imperador Teófilo (829 a 843), foi editada a chamada
Paráfrase das Instituições, que seria uma adaptação em língua grega das
Instituições de Justiniano.

E, conforme ensina César Fiuza,


Editado por: Gualter do Nascimento

“Em seguida, a mando do imperador Basílio I (867 a 886), foram escritas as


Basílicas (do grego basilica, significando imperiais, reais). Foram terminadas por
seu filho, Leão VI (886 a 912). Compreendem 60 livros, divididos em títulos,
reunindo os textos do Digesto e do Código Novo, acompanhados de
comentários de juristas da época de Justiniano.” (FIUZA, 2007, p. 64).

Pode-se até afirmar que essas adaptações perduram até os dias atuais, eis que,
“a perenidade do direito romano é fato evidente. Sua atualidade não pode ser
negada, pela presença constante em inúmeros institutos jurídicos de nossa
época” (CRETELLA JÚNIOR, 2007, p. 57).
Editado por: Gualter do Nascimento

Império Romano - CONCLUSÃO

 O Império Romano teve início com a fundação de Roma. O período


histórico em que essa cidade foi governada por reis foi chamado de
realeza (753 a.C. a 510 a.C.). Dentre os habitantes de Roma, existiam
quatro classes bem distintas: patrícios, clientes, escravos e plebeus. A
religião tinha duas classes de deuses: uma inspirada na alma humana e a
outra inspirada nos fenômenos naturais. Os poderes públicos eram
exercidos pelo rei, pelo senado e pelo povo. A realeza teve como marco
final a expulsão do último rex, Tarquínio, o Soberbo.

 Na fase da república (510 a.C. a 27 a.C.), houve a substituição do rex por


dois comandantes militares. As classes sociais eram bem distintas:
classe baixa e nobreza. A economia era baseada na mão-de-obra
escrava. Os poderes sacerdotais do rei passaram ao rei das coisas
sacras. A organização política era composta por cônsules, pelo senado e
pelo povo.

 Alto império (27 a.C. a 284 d.C.) é o período histórico que compreende o
reinado de Augusto até a morte de Diocleciano. Os poderes públicos
eram exercidos pelo imperador, consilium principis, funcionários
imperiais, magistraturas republicanas, senado, comícios e pela
organização das províncias.

 A fase do baixo império (284 d.C. a 565 d.C.) ficou marcada pela
monarquia absolutista. O fim dessa fase é marcado pela morte do
Imperador Justiniano. Os poderes públicos eram exercidos pelo Senado,
pelas magistraturas republicanas e pelo Imperador.

 Já o período bizantino (565 d.C. a 1453 d.C.) compreende a fase histórica


que vai desde a morte de Justiniano até a tomada da cidade de
Constantinopla, pelos turcos. A queda de Constantinopla simboliza o
marco final da Idade Média. Nesse período os poderes ainda estavam
concentrados nas mãos de um imperador e ocorreu intenso
desenvolvimento comercial.

 O Direito Bizantino trata-se do conjunto de regras jurídicas justinianéias


que continuaram em vigor de 565 a 1453, mas adaptadas à vida dos
povos. Os imperadores ordenaram a edição de outras compilações
oficiais, para que fossem plenamente aplicáveis diante das inéditas
situações. Essas adaptações perduram até os dias atuais.
Editado por: Gualter do Nascimento

 A atualidade do direito romano é fato evidente e resta comprovada pela


sua presença em vários institutos jurídicos atuais. É considerado a mais
importante fonte histórica do direito nos países do ocidente. Sendo
assim, inegável que o nosso direito atual deriva do Romano. Diante disso,
ao estudá-lo, ocorre a análise das origens do direito vigente. 

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e


documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

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progressiva das seções de um documento escrito: apresentação. Rio de
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Informações Sobre os Autores


Editado por: Gualter do Nascimento

Rodrigo Almeida Magalhães


Mestre e Doutor em Direito pela PUC Minas. Professor nos cursos de graduação
e pós-graduação em Direito da PUC Minas. Advogado

Henrique Viana Pereira


Mestrando em Direito Privado pela PUC Minas. Especialista em Direito Penal
pela UGF. Professor da Faculdade Novos Horizontes. Advogado

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