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Iolanda Lucilia Tomas Nhadilo

Serafina Alexandre Nhazumbuque

Exercícios do Quadro

Licenciatura em Ensino Básico

2º Ano Pós-Laboral

Universidade Pedagógica

Maputo

Janeiro de 2021
Iolanda Lucilia Tomas Nhadilo

Serafina Alexandre Nhazumbuque

Exercícios do Quadro

Licenciatura em Ensino Básico

2º Ano Pós-Laboral

Trabalho de pesquisa a ser apresentado na


Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia,
na disciplina de Educação Comparada como
forma parcial de avaliação sob orientação do
Professor Geraldo Teodoro Ernesto Mate

Universidade Pedagógica
Maputo

Janeiro de 2021

Prof. Doutor Geraldo Teodoro Ernesto Mate

Educação Comparada

Modelos de Periodização da Educação Comparada: Tendências da comparação


em Educação Comparada

Autores Períodos Caracterização

Friedrich 1.Período do .Sec XIX, como produto de viajem de


Schneider Estrangeiro estudo ao estrangeiro, políticos e
pedagogos estudam a organização da
educação nos países visitados e
comparam com a educação do próprio
país

.Trata-se de estudos descritivos

2.Pedagogia Desenvolve‐se ao longo do século XX e


Comparada busca a explicação dos factos que
Propriamente dita influenciavam ou configuravam os
aspectos pedagogicos
George Bereday 1.Período do .Sec XIX- busva de sistemas de sucesso
empréstimo das melhores práticas e transporte para
outros países

2. período de .Primeira metade do Sec XX, Michael


Predicação Sadler defende a necessidade da análise
da unidade entre o sistema da educação e
a sociedade para o qual serve. O objectivo
epistemológico é o estudo dos factores da
educação e a predição do possível
sucesso de um sistema com base nas
experiências de outros países.

3.Período de Ocupou a primeira metade do século XX,


Análise e iniciou‐se com Michael Sadler que
defendia a ideia de que o sistema
educativo não pode ser dissociado da
sociedade
Alexandre 1. Etapa estrutural: .Inaugourada com a obra de Jullien, que
Vexliard apresenta os princípios dos estudos
comparados em educação, incluindo
princípios metodológicos

2.Etapa dos .1830-1914- Emissários do Governo, que


«Inquiridores» estudam os sistemas de ensino da europa
e américa

3. Sistematizações .Entre as duas guerras. Marcado pelas


teóricas publicações e trabalhos de Kandel,
Schneider, Hans

4.Período .Período pós-guerra, sobretudo depois de


prospectivo 55. Organização dos estudos comparados
em função do futuro e não da análise da
história, como no período precedente. São
colocadas questões fundamentais da
educação: que futuro a educação pode
oferecer ao homem e a sociedade?

Noah/Eckstein 1.Período do .Trabalhos assistemáticos, motivados pela


Viajante curiosidade e marcados pela interpretação
subjectiva

2.Período dos Vigorou durante o século XIX, onde


Inquiridores investigadores iam aos outros países
analisar os seus sistemas pedagógicos de
modo a aproveitarem alguma coisa.
3.Período de .Período favorável ao intercâmbio cultural
Colaboração entre os povos. A educação é vista como
Internacional instrumento de harmonia e entendimento

4.Período de forças .Os marcos cronológicos são as duas


e factores grandes guerras. Os estudos realçam a
dinámica das relações entre educação e
cultura e procuram explicação para a
variedade dos fenómenos educativos de
cada país. A relação entre a escola e
sociedade é explicada através da análise
histórico-culturalista

5.Explicação Busca‐se a explicação pelas ciências


através das sociais, e os trabalhos recorrem
Ciências sociais fundamentalmente aos métodos empírico‐
quantitativos, em relação aos estudos
pedagógicos mundiais ou globais.
Ferran Feller 1.Período da .Fase não sistemática. Ocorre na
(1990) Criação antiguidade (comparação da educação de
esparta/atenas; Grécia/Egipto/Pérsia).
Marquez (1972) Representantes: Heródoto, Xenofonte

.Sec XIX representa o surgimento de


estudos sistemáticos. Os factores
desencadeadores foram económicos,
políticos, culturais do ocidente

.A educação comparada surge num


contexto em que aparecem outras
ciências comparadas: Anatomia
comparada, Literatura comparada, Direito
comparado, etc., e da confluência entre o
racionalismo/iluminismo e o
nacionalismo

.1800 e 1808: Basser apresenta um


ensaio sobre a educação e alguma parte
da instrução pública. Marc Antoine
Jullien apresenta uma obra sobre a
educação comparada.

.Na transição so Sec XVIII a XIX a


comparação começa a ser valorizada,
integrando o reportório metodológico de
vários campos

.1817 Jullien introduz a comparação em


educação: usa o conceito de
comparação pela primeira vez,
apresenta os indicadores gerais de
uma comparação em educação. Ele
realça a importância do questionário
como técnica de análise da educação.
Busca uma ciência positiva (educação
comparada), baseada na colecção de
factos e observações, agrupados em
quadros analíticos, que permitam o seu
relacionamento e comparação, de modo a
deduzir certos princípios e a aperfeiçoar a
ciência da educação

Michael Sadler 2.Período de O principal objectivo desta fase é de


Mathew Arnold descrição conhecer como se organizava o ensino
em países de modo a procurar uma
melhor forma de implementar em outros
países.

James E. Russel 3.Período de .Início em 1900. Ha eventos significativos


Integração param o arranque da educação
comparada

(a)Organização de um curso superior


de educação comparada na
Universidade de Columbia (de James E.
Russel). A abordagem incide sobre a
consideração do contexto sócio-
cultural das sociedades

(b)Michael Sadler apresenta um texto


sobre a educação comparada, no qual
apresenta a tese de que para a
compreensão do sistema educativo
nacional exige-se a compreensão do
contexto social. Apresenta pontos de
uma concepção teórica sobre a educação
comparada. Apresenta a ideia das forças
determinantes para a compreensão da
estrutura dos sistemas da educação:
estado, Igreja, família, Economia, Política,
minorias nacionais e influência das
Universidades. O objectivo
epistemológico da comparação é a
compreensão do próprio sistema de
educação. A partir de Michael Sadler, a
educação comparada adopta uma
postura mais explicativa (não descritiva
ou reprodutiva).

(c)Os factores a e b contribuiram para a


sistematização do conhecimento da
educação comparada

.A etapa também se denomina de


expicativa ou analítica

Isaac L. Kandel e Abordagem .Primeira metade do Sec XIX,


Nicholas Hans interpretativo- representada por Isaac Kandel, N. Hans
histórica
.Seguimento de Sadler. Mas o seu
interesse não está tanto nos factos
educativos, mas nas causas que os
possibilitam, com especial relevo aos
factores históricos. A história dos povos
informa sobre as particularidades
nacionais dos sistemas educativos, tendo
em conta as forças políticas, sociais,
culturais e o carácter nacional

.Noah/Eckstein (1969), resume o


contributo de Kandel: Insistência na
escolha de dados fiáveis, insistência na
necessidade de indagar o contexto
histórico cultural de cada sistema
educativo, insistência na necessidade de
explicação

.Nicholas Hans apresenta, segundo


Vexliard (1967) uma concepção teórica
original e solidamente estruturada da
educação comparada. A interpretação dos
dados é feita com o recurso a História e a
Sociologia, sendo (Hans) percursor da
abordagem comparativo-funcional
(segundo Ferrer, 1990).

.Nicholas Hans divide os factores


determinantes dos sistemas educativos
em três grupos: Factores naturais (raça,
língua, meio ambiente); Factores
religiosos (catolicismo, anglicanismo,
puritanismo) e factores seculares:
humanismo, socialismo, nacionalismo,
democracia. A compreensão do caracter
nacional é fundamental para interpretar os
sistemas nacionais da educação. Existem
cinco factores que determinam uma nação
ideal (unidade de raça, unidade de
religião, unidade de língua, unidade de
território, soberania política (Hans, 1971,
p. 13). Esses factores actuam
conjuntamente e o carácter nacional é a
constelação de todos esses factores

Friedrich 3.2.Abordagem .Friedrich Schneider analisa os factores


Schneider e interpretativa- que configuram um sistema educativo:
Arthur H. antropológica caráter nacional, economia, religião,
Moehlman história, influências estrangeiras,
influências decorrentes da evolução
pedagógica.

.Dentre os factores determinantes,


importância peculiar têm o caráter
nacional, a história e o factor
endógeno, que pode ser imanente ou
interno/potencial.

As forças endógenas são pluralidades


dialécticas, tais como:
problemas/situações;
passividade/actividade;
racionalidade/irracionalidade;
Indivíduo/moral colectiva; estatuto
social/mobilidade social;
obidiência/dignidade humana;
Necessidade/Liberdade; Escola/Vida

.O estudo histórico dos sistemas


nacionais implica descobrir o
movimento dialéctico entre as
polaridades fundamentais, que
constoituem o essencial das forças
imanentes, determinando a evolução
dos sistemas

.Arthur H. Moehlman defende para a


educação comparada o princípio de
classificação sistémico. Defende a
examinação da educação na sua estrutura
cultural, não só como sistema vigente,
mas também como unidade histórica

.Modelo de Moehlaman apresenta 14


factores, organizados por afinidade :
população, espaço, tempo; linguagem,
arte, filosofia, religião; estrutura social,
governo, economia; tecnologia, ciência,
saúde, educação. O jogo das
interferências e interacção entre
factores determina o factor da
educação

J. A. Lauweris e 3.3.Abordagem Lauweris afirmava que a Educação


Sergius Hessen interpretativo- Comparada deveria atender a estilos
filosófica nacionais de filosofia, pois, apesar de a
filosofia ter um alcance universal, os
diversos povos apresentam uma
inclinação por um determinado tipo de
pensamento filosófico.

Kandel, Hans, 4.Período de .Surge no século XX e constitui uma nova


Schneider, Comparação abordagem. Sadler coloca em dúvida a
Moehlman, complexa utilidade do estudo dos sistemas
Hessen estrangeiros. Na sua óptica, a descrição é
necessária, mas não é suficiente, devendo
ser associada à explicação.

.Kandel, Hans, Schneider, Moehlman,


Hessesn buscaran características e
fatores de carácter nacional para explicar
a relação entre a Educação e a
Sociedade. Contudo, os seus estudos
tiveram limitações advindas da
subjectividade e do caracter
europeista.

O perído entre guerras, ao contrário do


que Vexlliard pensava, foi improdutivo.
Ele caracterizou-se pela acomulação de
observações e pelo recurso à
explicações por meio de noções muito
vagas: raça, caracter nacional,
humanismo, forças imanentes

.Portanto, o postulado deste período é que


esses estudos provocaram um atraso
na utilização da estatística e da análise
sociológica.

Os anos seguintes são representativos de


diferentes tendências contemporâneas do
resgaste da educação comparada

Kazamias e 4.1.Abordagem Sob a influência do funcionalismo, os


Anderson positivista estudos de
Educação Comparada procuram alcançar
uma melhor compreensão das complexas
inter-relações entre a educação e a
sociedade, na esperança de contribuir
para o aperfeiçoamento e democratização
da educação, capaz de levar à
modernização e à transformação
económica e social
Kazamias e Abordagem .Surge na década de 70, despertando
Anderson estrutural- muito interesse nos meamdros científicos.
funcionalista O pressuposto desta abordagem é o de
que as instituições educacionais têm
uma estrutura e desempenha uma ou
mais funções, estabelecendo-se um
relacionamento entre estrutura e
função e com outras instituições sociais
(Kazamias/Anderson).

.Na perspectiva de Kazamias a educação


comparada deve aspirar por uma
cientificidade, objectividade e usar
técnicas das covariações, no contexto
de uma abordagem metodológica
funcionalista.

.Um pressuposto importante da visão


funcionalista, na óptica de Kazamias, é o
de que as estruturas as estruturas e
instituições equivalentes em dois ou
mais países não correspondem
necessariamente à funções
equivalentes (princípio de covariação). O
objectivo epistemológico da educação
comparada é o de descobrir as funções
que a escola, como estrutura social,
desempanha em cada país.

.Anderson, que se situa na mesma


perspectiva de Kazamias, reconhece duas
dimensões para a educação
comparada, isto é, para a investigação
comparativa: (a)a situação educativa em
si; (b)a relação dos aspectos educativos
com o contexto. Na primeira perspectiva
trata-se de uma análise intra-educativa,
análise essa que focaliza dados
exclusivamente educativos e que incide
sobre a relação entre os diferentes
aspectos do sistema educativo. A segunda
dimensão é a da análise social-
educativa, que procura analisar as
interrelações entre as características
educativas e as variáveis sociais, políticas,
económicas, culturais, que condicionam
uma realidade vasta e complexa

.Portanto, a abordagem funcionalista


caracteriza-se pelos seguintes
princípios epistemológicos (Kazamias):
fiabilidade de interpretação; unidade
entre estrutura e função; objectividade,
que deve conduzir à generalizações,
passíveis de uma convalidação
empírica (1972)

Novoa Críticas ao A abordagem funcionalista pretendeu


funcionalismo obviamente fornecer um quadro
interpretativo mais fiável, ao não dissociar
a estrutura da função, ao trabalhar
aspectos mais manejáveis da realidade e
ao formular generalizações passíveis de
convalidação empírica
Harold Noah e 4.1.2.abordagem .Surge do foco de crítica à abordagem
Max A. Eckstein retorica da funcionalista, lançada por
cientificidade Noah/Eckstein. A proposta, a abordagem
quantitativa, não sendo novidade assenta
na tentativa de utilização dos métodos
quantitativos em ciências sociais, tendo
como finalidade epistemológica o
relançamento da educaçao comparada.

Para Harold Noah e Max A. Eckstein


(1969), os estudos comparativos devem
ter uma base científica, ou devem ter a
análise científica como base, devendo ter
como pressuposto os seguintes princípios
epistemológicos:

1.Formulação e comprovação de
hipóteses

2.Qualificação e controle da investigação


(manipulação e controle de variáveis)

3.Explicação rigorosa

4.Estabelecimento de relações causais


entre fenómenos educativos e sociais

3.Generalização dos resultados para além


da escala nacional

4.Testagem de proposições campo da


investigação à esfera internacional

5.Produção de conhecimento para


alimentar reflexões estimulantes, decisões
políticas

.Com esta abordagem, a educação


comparada torna-se uma ciência um tanto
positiva (sonho de Jullien). Mas será que
ela está habilitada para dar soluções?
Assim não entendem os defensores da
abordagem de resolução de problemas

Brian 4.2.Abordagem de Desde meados dos anos 60, a partir da


Holmes Resolução de publicação do livro intitulado Problems in
problemas Education: a Comparative Approach, Brian
Holmes tornou‐se o comparatista mais
conhecido desta abordagem.
Principais fases desta abordagem:
 análise dos problemas;
 formulação da hipótese;
 especificação das condições iniciais
nas quais o problema foi localizado;

Martin Carnoy 4.3.Abordagem .O contexto do surgimento é o dos anos


crítica 70, marcados por uma diminuição do
optimismo em relação à educação

.A instituição escolar é vista como um


dos mais importantes aparelhos
ideológicos do estado, isto é, como
instrumento de dominação e
reprodução da ideologia dominante. A
partir daí, a educação torna-se alvo de
abordagens contraditórias

1. Como agente de mudança,


desenvolvimento e promoção social
(paradígma de aceitação)
2. Instituição legitimada da
desigualdade (ao serviço do
poder) (paradígma de oposição)
A teoria da dependência/reprodução
constitui a abordagem do discurso
crítico. Ela rejeita a abordagem do
estruturalismo funcional, conquanto
legitima uma ordem social injusta, defende
a manuntenção da desigualdade,
internamente, e perpetua a dependência,
externamente

.Um dos representantes desta corrente è


Martin Carnoy (1974) que através de
estudos de caso tenta explicar as
bases estruturais da desigualdade
educacional e analisa a expansão
diferenciada da educação escolar
(interesse da classe dominante e do
imperialismo)

A abordagem crítica renova o objecto de


estudo da educação comparada. Este é
visto como a educação e as diferenças
de oportunidades e experiências, numa
perspectiva do género, das minorias
éticas e raciais, dos diferentes estratos
sociais. A comparação é realizada
internamente, muitas vezes, e
externamente

.Bourdieu

Jürgen 4.4. Abordagem .Reformula o objecto da comparação: da


Schriewer socio histórica análise dos factos ao sentido histórico
dos factos, da objectividade à
subjectividade. Isto consubstancia-se
na busca da natureza subjectiva da
realidade e do sentido que os sujeitos
lhe dão

.Os pressupostos epistemológicos são:

1.Reconciliação entre a história e a


comparação

2.Separação analítica entre o geral e o


particular (limitação à generalização)
3.Atenção à história e à teoria, em
detrimento da descrição pura, atenção ao
conteúdo da educação, não somente aos
resultados, atenção aos métodos
qualitativos e etnográficos, ao invés do
uso exclusivo dos métodos estatísticos

.A análise é orientada para as questões


ocultas: legitimação do conhecimento
escolar, construção do currículo, formação
das disciplinas escolares

Ferreira Por uma A Educação Comparada deve afirmar-se


abordagem sócio- como um
dinámica saber dinâmico, aberto
metodologicamente, ciente de que a sua
performance depende da atenção que
prestar aoutros domínios do conhecimento
e da sua capacidade em acolher
preocupações diversas, consciente que o
seu objecto é marcado pelo percurso
histórico e pelo contexto económico-
social.

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