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GUILHERME FONSECA - 027.329.

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DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

STF até Info 1041 e STJ até Info 721 A Lei nº 10.835/2004 instituiu um programa
denominado “renda básica de cidadania”. Segundo
esse programa, todas as pessoas residentes no
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 1
Brasil, não importando a sua condição
LIBERDADE DE EXPRESSÃO 2
socioeconômica, deverão receber um benefício cujo
LIBERDADE RELIGIOSA 2
valor deve ser fixado pelo Poder Executivo. O
DIREITO DE REUNIÃO 3 pagamento do benefício deverá ser de igual valor
DIREITO DE RESPOSTA 3 para todos, e suficiente para atender às despesas
PUBLICIDADE 3 mínimas de cada pessoa com alimentação, educação
e saúde. Como esse programa ainda não havia sido
DIREITOS SOCIAIS 4
implementado, em 2020 o Defensor Público-Geral
ASSOCIAÇÃO SINDICAL 4
Federal ajuizou mandado de injunção contra o
DIREITO À SAÚDE 4
Presidente da República. O STF decidiu que, como
EDUCAÇÃO 8
está presente estado de mora inconstitucional, deve
DIREITOS POLÍTICOS 8 ser fixado o valor da renda básica de cidadania para
o estrato da população brasileira em condição de
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO 9
vulnerabilidade socioeconômica — pobreza e
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS 9 extrema pobreza — a ser efetivado, pelo Presidente
da República, no exercício fiscal seguinte ao da
INTERVENÇÃO 15 conclusão do julgamento de mérito (2022). STF.

PODER EXECUTIVO 15 Plenário. MI 7300/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator


do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em
PODER LEGISLATIVO 16 26/4/2021 (Info 1014).
IMUNIDADES PARLAMENTARES 17
CPI 18 Os órgãos do SISBIN somente podem fornecer

PROCESSO LEGISLATIVO 18 informações à ABIN quando comprovado o


interesse público e mediante decisão motivada
MEDIDA PROVISÓRIA 20
para controle de legalidade pelo Poder Judiciário.
TRIBUNAL DE CONTAS 20
O parágrafo único do art. 4º da Lei 9.883/99 prevê
PODER JUDICIÁRIO 22 que os órgãos que compõem o SISBIN deverão
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 23 fornecer informações para a ABIN: Art. 4º (...)
PRECATÓRIOS 25 Parágrafo único. Os órgãos componentes do Sistema
Brasileiro de Inteligência fornecerão à ABIN, nos
MINISTÉRIO PÚBLICO 25
termos e condições a serem aprovados mediante ato
DEFENSORIA PÚBLICA 26 presidencial, para fins de integração, dados e
conhecimentos específicos relacionados com a
SEGURANÇA PÚBLICA 27 defesa das instituições e dos interesses nacionais. O

CULTURA 27 Plenário do STF afirmou que esse dispositivo é


constitucional desde que seja interpretado com base
TEMAS DIVERSOS 27 em quatro critérios definidos pela Corte. Assim, o STF
AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA 27 conferiu interpretação conforme à Constituição
SIGILO PROFISSIONAL 28 Federal ao parágrafo único do art. 4º da Lei 9.883/99,
para estabelecer que:

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a) os órgãos componentes do Sistema Brasileiro de migratória o estrangeiro que demonstre sua


Inteligência (Sisbin) somente podem fornecer dados e condição de hipossuficiente, nos termos da legislação
conhecimentos específicos à Agência Brasileira de de regência. STF. Plenário. RE 1018911/RR, Rel. Min.
Inteligência (Abin) quando comprovado o interesse Luiz Fux, julgado em 10/11/2021 (Repercussão Geral
público da medida, afastada qualquer possibilidade – Tema 988) (Info 1037).
de esses dados atenderem interesses pessoais ou
privados;
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
b) toda e qualquer decisão que solicitar os dados
deverá ser devidamente motivada para eventual Ao restringirem a comercialização e o uso de testes
controle de legalidade pelo Poder Judiciário; psicológicos aos profissionais regularmente inscritos
c) mesmo quando presente o interesse público, os no Conselho Federal de Psicologia (CFP), o inciso III e
dados referentes a comunicações telefônicas ou os §§ 1º e 2º do art. 18 da Resolução 2/2003-CFP
dados sujeitos à reserva de jurisdição não podem ser acabaram por instituir disciplina desproporcional
compartilhados na forma do dispositivo em razão e ofensiva aos postulados constitucionais
daquela limitação, decorrente do respeito aos relativos à liberdade de manifestação do
direitos fundamentais; e pensamento (art. art. 5º, IV, IX e XIV, da CF/88) e de
d) nas hipóteses cabíveis de fornecimento de liberdade de acesso à informação (art. 220, da
informações e dados à Abin, é imprescindível CF/88).
procedimento formalmente instaurado e existência STF. Plenário. ADI 3481/DF, Rel. Min. Alexandre de
de sistemas eletrônicos de segurança e registro de Moraes, julgado em 6/3/2021 (Info 1008)
acesso, inclusive para efeito de responsabilização, em
O princípio da reparação integral do dano, por si só,
caso de eventuais omissões, desvios ou abusos. STF.
não justifica a imposição do ônus de publicar o
Plenário. ADI 6529/DF, Rel. Min. Carmen Lúcia,
inteiro teor da sentença condenatória. Não é
julgado em 8/10/2021 (Info 1033)
cabível a condenação de empresa jornalística à
É imune ao pagamento de taxas para registro da publicação do resultado da demanda quando o
regularização migratória o estrangeiro que ofendido não tenha pleiteado administrativamente o
demonstre sua condição de hipossuficiente, nos direito de resposta ou retificação de matéria
termos da legislação de regência. divulgada, publicada ou transmitida por veículo de
O estrangeiro que desejar regularizar sua situação no comunicação social no prazo decadencial
Brasil, pode fazê-lo por meio de um procedimento estabelecido no art. 3º da Lei nº 13.188/2015, bem
chamado de “regularização migratória”. Exige-se o ainda, à adequação do montante indenizatório
pagamento de uma taxa. Ocorre que muitos fixado. STJ. 4ª Turma. REsp 1.867.286-SP, Rel. Min.
estrangeiros são hipossuficientes e não conseguem Marco Buzzi, julgado em 24/08/2021 (Info 706).
pagar o valor exigido. Diante disso, indaga-se: é
possível a dispensa do pagamento dessa taxa caso o LIBERDADE RELIGIOSA
estrangeiro seja hipossuficiente? SIM. O STF decidiu
A imposição legal de manutenção de exemplares de
que o estrangeiro com residência permanente no
Bíblias em escolas e bibliotecas públicas estaduais
Brasil, na condição de hipossuficiência, está
configura contrariedade à laicidade estatal e à
dispensado do pagamento de taxas cobradas para
liberdade religiosa consagrada pela Constituição da
o processo de regularização migratória. Não se
República de 1988.
mostra condizente com a CF a exigência de taxas em
STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen Lúcia,
face de sujeito passivo evidentemente
julgado em 12/4/2021 (Info 1012).
hipossuficiente. Fundamento: art. 5º, LXXVI e LXXVII,
da CF/88. Tese fixada pelo STF: É imune ao
pagamento de taxas para registro da regularização

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DIREITO DE REUNIÃO
topo o Supremo Tribunal Federal e, em seguida,
O art. 5º, XVI, da CF/88 prevê o direito de reunião nos tribunais superiores, tribunais regionais/estaduais e
seguintes termos: juízes locais. Essa gradação hierárquica tem por
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem pressuposto a ampliação dos poderes dos
armas, em locais abertos ao público, magistrados à medida que se afastam da base dessa
independentemente de autorização, desde que não estrutura orgânico-funcional em direção a seu topo.
frustrem outra reunião anteriormente convocada Admitir que um juiz integrante de tribunal não
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio possa ao menos conceder efeito suspensivo a
aviso à autoridade competente; recurso dirigido contra decisão de juiz de primeiro
Qual é o sentido de “prévio aviso” mencionado pelo grau é subverter a lógica hierárquica estabelecida
dispositivo constitucional? pela Constituição, pois é o mesmo que atribuir ao
O STF fixou a seguinte tese: juízo de primeira instância mais poderes que ao
A exigência constitucional de aviso prévio magistrado de segundo grau de jurisdição.
relativamente ao direito de reunião é satisfeita com Ademais, o poder geral de cautela, assim
a veiculação de informação que permita ao poder compreendido como a capacidade conferida ao
público zelar para que seu exercício se dê de magistrado de determinar a realização de
forma pacífica ou para que não frustre outra medidas de caráter provisório, ainda que
reunião no mesmo local. inominadas no Código de Processo Civil, é ínsito ao
STF. Plenário. RE 806339/SE, Rel. Min. Marco Aurélio, exercício da jurisdição e uma forma de garantir a
redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em efetividade do processo judicial (art. 297 do CPC).
14/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 855) (Info No caso, o poder geral de cautela se faz essencial
1003). porque o direito de resposta é, por natureza,
satisfativo, de modo que, uma vez exercido, não há
como ser revertido.
DIREITO DE RESPOSTA
Desse modo, a interpretação literal do art. 10 da Lei
A Lei nº 13.188/2015 disciplinou o exercício do direito nº 13.188/2015, atribuindo exclusivamente a
de resposta ou retificação do ofendido em matéria colegiado de tribunal o poder de deliberar sobre a
divulgada, publicada ou transmitida por veículo de concessão de efeito suspensivo a recurso em face de
comunicação social. decisão que tenha assegurado o direito de resposta,
O STF analisou três ações diretas de dificultaria sensivelmente a reversão liminar de
inconstitucionalidade propostas contra o diploma. decisão concessiva do direito de resposta, com risco,
O art. 2º, § 3º; o art. 4º; o art. 5º, § 1º; e o art. 6º, inclusive, de tornar ineficaz a apreciação do recurso
incisos I e II, da Lei nº 13.188/2015 foram julgados pelo tribunal.
constitucionais. Por outro lado, foi declarada a STF. Plenário. ADI 5415/DF, ADI 5418/DF e ADI
inconstitucionalidade da expressão “em juízo 5436/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/3/2021
colegiado prévio” presente no art. 10 da Lei nº (Info 1009).
13.188/2015:
Art. 10. Das decisões proferidas nos processos
PUBLICIDADE
submetidos ao rito especial estabelecido nesta Lei,
poderá ser concedido efeito suspensivo pelo tribunal É necessária a manutenção da divulgação integral
competente, desde que constatadas, em juízo dos dados epidemiológicos relativos à pandemia
colegiado prévio, a plausibilidade do direito invocado da Covid-19.
e a urgência na concessão da medida. A interrupção abrupta da coleta e divulgação de
O Poder Judiciário, tal qual estruturado no art. 92, importantes dados epidemiológicos, imprescindíveis
caput e parágrafos, da Constituição Federal, segue para a análise da série histórica de evolução da
escala hierárquica de jurisdição, em que consta no pandemia (Covid-19), caracteriza ofensa a

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preceitos fundamentais da Constituição Federal, do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em


nomeadamente o acesso à informação, os 22/10/2021 (Info 1035).
princípios da publicidade e da transparência da
Administração Pública e o direito à saúde.
ASSOCIAÇÃO SINDICAL
STF. Plenário. ADPF 690/DF, ADPF 691/DF e ADPF 692
/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em Os empregados de entidades sindicais podem
13/03/2021 (Info 1009). associar-se entre si para a criação de entidade de
representação sindical própria
O parágrafo único do art. 526 da CLT proibia que os
DIREITOS SOCIAIS empregados de sindicato fossem filiados a sindicatos.
A Lei nº 11.295/2006 revogou esse parágrafo único a
fim de permitir o direito de sindicalização para os
Compete ao STF julgar, com base no art. 102, I, “f”, da
empregados de entidade sindical. A alteração
CF/88, ação cível originária que questiona a inércia da
promovida pela Lei nº 11.295/2006 é compatível com
Administração Pública federal relativamente à
a liberdade de associação sindical prevista no art. 8º
organização, ao planejamento e à execução do Censo
da CF/88.
Demográfico do IBGE.
STF. Plenário. ADI 3890/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
Configura-se ilegítima a escolha política que,
julgado em 7/6/2021 (Info 1020)
esvaziando as dotações orçamentárias
vocacionadas às pesquisas censitárias do IBGE,
inibe a produção de dados demográficos DIREITO À SAÚDE
essenciais ao acompanhamento dos resultados O STF julgou parcialmente procedente ADI, para
das políticas sociais do Estado brasileiro. conferir interpretação conforme à Constituição ao
STF. Plenário. ACO 3508 TA-Ref/DF, Rel. Min. Marco art. 3º, III, “d”, da Lei nº 13.979/2020.
Aurélio, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, Ao fazer isso, o STF disse que o Poder Público pode
julgado em 14/5/2021 (Info 1017). determinar aos cidadãos que se submetam,
compulsoriamente, à vacinação contra a Covid-19,
Não viola a Constituição Federal a exclusão dos
prevista na Lei nº 13.979/2020.
aprendizes do rol de beneficiados por piso salarial
O Estado pode impor aos cidadãos que recusem a
regional.
vacinação as medidas restritivas previstas em lei
Caso concreto: Lei do Estado de São Paulo instituiu
(multa, impedimento de frequentar determinados
pisos salariais para os trabalhadores e, em
lugares, fazer matrícula em escola), mas não pode
determinado artigo, afirmou que o piso salarial não
fazer a imunização à força.
se aplica para os contratos de aprendizagem. Essa
Também ficou definido que os Estados-membros, o
previsão é constitucional. Do ponto de vista formal,
Distrito Federal e os Municípios têm autonomia para
esse artigo é compatível com a Lei Complementar
realizar campanhas locais de vacinação.
federal 103/2000, que delegou para os
A tese fixada foi a seguinte:
Estados-membros e DF a competência para editarem
(A) A VACINAÇÃO COMPULSÓRIA NÃO SIGNIFICA
leis fixando o piso salarial dos profissionais (art. 22,
VACINAÇÃO FORÇADA, por exigir sempre o
parágrafo único, da CF/88). Do ponto de vista
consentimento do usuário, podendo, contudo, ser
material, esse artigo também é constitucional porque
implementada por meio de medidas indiretas, as
o contrato de aprendizagem é dotado de um regime
quais compreendem, dentre outras, a restrição ao
jurídico peculiar, diferente do contrato de trabalho
exercício de certas atividades ou à frequência de
comum. Logo, esse discrímen que fundamentou a
determinados lugares, desde que previstas em lei,
opção do legislador estadual está em consonância
ou dela decorrentes, e
com os valores da ordem constitucional vigente. STF.
Plenário. ADI 6223/SP, Rel. Min. Edson Fachin, redator

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(i) tenham como base evidências científicas e (EMA), no Japão (PMDA) ou na China (NMPA). Além
análises estratégicas pertinentes, disso, tais entes poderão também importar e
(ii) venham acompanhadas de ampla informação distribuir quaisquer outras vacinas que já tenham
sobre a eficácia, segurança e contraindicações dos sido aprovadas, em caráter emergencial (Resolução
imunizantes, DC/ANVISA 444, de 10/12/2020), pela ANVISA.
(iii) respeitem a dignidade humana e os direitos Nas exatas palavras do STF: Os Estados, o Distrito
fundamentais das pessoas; Federal e os Municípios, no caso de
(iv) atendam aos critérios de razoabilidade e descumprimento do Plano Nacional de
proporcionalidade, e Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 ou
(v) sejam as vacinas distribuídas universal e na hipótese de cobertura imunológica
gratuitamente; e intempestiva e insuficiente, poderão dispensar às
(B) tais medidas, com as limitações acima expostas, respectivas populações:
podem ser implementadas tanto pela União como a) vacinas das quais disponham, previamente
pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, aprovadas pela Anvisa; e
respeitadas as respectivas esferas de competência. b) no caso não expedição da autorização
STF. Plenário. ADI 6586, Rel. Min. Ricardo competente, no prazo de 72 horas, vacinas
Lewandowski, julgado em 17/12/2020 registradas por pelo menos uma das autoridades
sanitárias estrangeiras e liberadas para
STF determinou que a União enviasse ao distribuição comercial nos respectivos países,
Estado-membro as vacinas necessárias para a bem como quaisquer outras que vierem a ser
aplicação da segunda dose dentro do prazo aprovadas, em caráter emergencial.
estipulado nas bulas dos fabricantes e autorizado STF. Plenário. ADPF 770 MC-Ref/DF e ACO 3451
pela Anvisa. MC-Ref/MA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
A súbita modificação da sistemática de distribuição em 24/2/2021 (Info 1006).
dos imunizantes contra Covid-19 pela União — com
abrupta redução do número de doses — evidencia a O STF determinou que a União elaborasse plano de
possibilidade de frustração do planejamento combate à Covid-19 para população quilombola, com
sanitário estabelecido pelos entes federados. a participação de representantes da Coordenação
STF. Plenário. ACO 3518 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Nacional de Articulação das Comunidades Negras
Lewandowski, julgado em 14/9/2021 (Info 1029). Rurais Quilombolas – Conaq.
Além disso, o STF deferiu pedido para suspender os
1) Em princípio, as vacinas a serem oferecidas contra processos judiciais, notadamente ações possessórias,
a covid-19 são aquelas incluídas no Plano Nacional de reivindicatórias de propriedade, imissões na posse,
Operacionalização da Vacinação elaborado pela anulatórias de processos administrativos de
União; titulação, bem como os recursos vinculados a essas
2) Se o plano for descumprido pela União ou se ele ações, sem prejuízo dos direitos territoriais das
não atingir cobertura imunológica tempestiva e comunidades quilombolas até o término da
suficiente contra a doença, os Estados, DF e pandemia. STF. Plenário. ADPF 742/DF, Rel. Min.
Municípios poderão dispensar (conceder) à Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson
população as vacinas que esses entes possuírem, Fachin, julgado em 24/2/2021 (Info 1006)
desde que tenham sido previamente aprovadas pela
Anvisa; A pretensão de que sejam editados e publicados
3) Se a Anvisa não expedir a autorização competente, critérios e subcritérios de vacinação por classes e
no prazo de 72 horas, os Estados, DF e Municípios subclasses no Plano de Vacinação, assim como a
poderão importar e distribuir vacinas que já tenham ordem de preferência dentro de cada classe e
sido registradas nos EUA (EUA), na União Europeia subclasse, encontra arrimo:

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• nos princípios da publicidade e da eficiência que constitucionalmente aceitável qualquer


regem a Administração Pública (art. 37, da CF/88); retrocesso nas políticas públicas de saúde, como a
• no direito à informação que assiste aos cidadãos que resulta em decréscimo no número de leitos de
em geral (art. 5º, XXXIII, e art. 37, § 2º, II); Unidade de Terapia Intensiva (UTI) habilitados
• na obrigação da União de “planejar e promover a (custeados) pela União.
defesa permanente contra as calamidades públicas” STF. Plenário. ACO 3473 MC-Ref/DF, ACO 3474
(art. 21, XVII); TP-Ref/SP, ACO 3475 TP-Ref/DF, ACO 3478 MCRef/PI e
• no dever incontornável cometido ao Estado de ACO 3483 TP-Ref/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado
assegurar a inviolabilidade do direito à vida (art. 5º, em 7/4/2021 (Info 1012)
caput), traduzida por uma “existência digna” (art.
170); e É possível que ente federado proceda à
• no direito à saúde (art. 6º e art. 196). importação e distribuição, excepcional e
STF. Plenário. ADPF 754 TPI-segunda-Ref/DF, Rel. Min. temporária, de vacina contra o coronavírus, no
Ricardo Lewandowski, julgado em 27/2/2021 (Info caso de ausência de manifestação, a esse
1007). respeito, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
- ANVISA no prazo estabelecido pelo art. 16 da Lei
A prudência — amparada nos princípios da nº 14.124/2021.
prevenção e da precaução — aconselha que Caso concreto: no dia 08/04/2021, o Estado do
continuem em vigor as medidas excepcionais Maranhão ingressou com pedido de tutela provisória
previstas nos arts. 3º ao 3º-J da Lei nº 13.979/2020, incidental alegando que a União estaria
dada a continuidade da situação de emergência na descumprindo o Plano Nacional de Vacinação, o que
área da saúde pública. teria levado o Estado a adquirir 4 milhões e meio de
STF. Plenário. ADI 6625 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo doses da vacina Sputnik V, produzida pelo Instituto
Lewandowski, julgado em 6/3/2021 (Info 1008) Gamaleya, da Rússia. O Estado afirmou que, para
conseguir trazer regularmente as vacinas para o
É incabível a requisição administrativa, pela Brasil, protocolizou na Anvisa, no dia 29/03/2021,
União, de bens insumos contratados por unidade pedido de autorização excepcional de uso e de
federativa e destinados à execução do plano local importação da Sputnik V. Ocorre que a agência ainda
de imunização, cujos pagamentos já foram não teria examinado o requerimento, a despeito da
empenhados. A REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA situação de urgência. Diante disso, o Estado do
NÃO PODE SE VOLTAR CONTRA BEM OU SERVIÇO Maranhão pediu ao STF, a título de tutela provisória
DE OUTRO ENTE FEDERATIVO. Isso para que não incidental, que seja determinado à Anvisa que emita
haja indevida interferência na autonomia de um autorização excepcional de uso e importação da
sobre outro. vacina Sputnik V, conforme requerimento
STF. Plenário. ACO 3463 MC-Ref/SP, Rel. Min. Ricardo apresentado. O STF deferiu em parte o pedido e
Lewandowski, julgado em 8/3/2021 (Info 1008) determinou que a Anvisa, no prazo máximo de 30
dias, a contar de 29/3/2021, decida sobre a
É compatível com a Constituição Federal a
importação excepcional e temporária da vacina
imposição de restrições à realização de cultos,
Sputnik V. Fundamento legal para a decisão: art. 16, §
missas e demais atividades religiosas presenciais
4º da Lei nº 14.124/2021. STF. Plenário. ACO 3451
de caráter coletivo como medida de contenção do
TPI-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
avanço da pandemia da Covid-19.
em 30/4/2021 (Info 1015)
STF. Plenário. ADPF 811/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 8/4/2021 (Info 1012). É compatível com a Constituição Federal controle
judicial a tornar obrigatória a observância, tendo
Em condições de recrudescimento da pandemia do
em conta recursos orçamentários destinados à
novo coronavírus (Covid-19), não é

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saúde, dos percentuais mínimos previstos no Se o hospital particular atender um paciente do SUS
artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais por força de decisão judicial ele deverá ser
Transitórias, considerado período anterior à edição ressarcido com base não na tabela do SUS nem
da Lei Complementar nº 141/2012. com base nos valores de mercado; o
STF. Plenário. RE 858075/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, ressarcimento ocorrerá com base na tabela da
redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em ANS, aplicada por analogia. A tabela da Agência
14/5/2021 (Repercussão Geral – Tema 818) (Info Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deve servir de
1017). parâmetro para o pagamento dos serviços de saúde
prestados por hospital particular, em cumprimento
Cabível o deferimento de tutela provisória de ordem judicial, em favor de paciente do SUS. Tese
incidental em arguição de descumprimento de fixada pelo STF: “O ressarcimento de serviços de
preceito fundamental para adoção de todas as saúde prestados por unidade privada em favor de
providências indispensáveis para assegurar a paciente do Sistema Único de Saúde, em
vida, a saúde e a segurança de povos indígenas cumprimento de ordem judicial, deve utilizar como
vítimas de ilícitos e problemas de asúde critério o mesmo que é adotado para o
decorrentes da presença de invasores de suas terras, ressarcimento do Sistema Único de Saúde por
em situação agravada pelo curso da pandemia serviços prestados a beneficiários de planos de
ocasionada pelo novo coronavírus (Covid-19). STF. saúde”. STF. Plenário. RE 666094/DF, Rel. Min.
Plenário. ADPF 709 TPI-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Roberto Barroso, julgado em 30/09/2021
Barroso, julgado em 18/6/2021 (Info 1022). (Repercussão Geral – Tema 1033) (Info 1032).

Constatada a incapacidade financeira do paciente, o É inconstitucional a Lei 13.454/2017, que havia


Estado deve fornecer medicamento que, apesar de permitido a comercialização de medicamentos
não possuir registro sanitário, tem a importação anorexígeneos (para emagrecer) mesmo depois de
autorizada pela Agência Nacional de Vigilância eles terem sido proibidos pela Anvisa. É incompatível
Sanitária (Anvisa). Para tanto, devem ser com a Constituição Federal ato normativo que, ao
comprovadas a imprescindibilidade do tratamento e dispor sobre a comercialização de medicamentos
a impossibilidade de substituição por outro similar anorexígenos, dispense o respectivo registro
constante das listas oficiais de dispensação e dos sanitário e as demais ações de vigilância sanitária.
protocolos de intervenção terapêutica do Sistema STF. Plenário. ADI 5779/DF, Rel. Min. Nunes Marques,
Único de Saúde (SUS). redator do acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
Tese fixada pelo STF: Cabe ao Estado fornecer, em 14/10/2021 (Info 1034)
termos excepcionais, medicamento que, embora
não possua registro na Anvisa, tem a sua É possível obrigar o Estado a fornecer medicamento off
importação autorizada pela agência de vigilância label?
sanitária, desde que comprovada a incapacidade • Em regra, não é possível que o paciente exija do
econômica do paciente, a imprescindibilidade poder público o fornecimento de medicamento para
clínica do tratamento, e a impossibilidade de uso off label.
substituição por outro similar constante das listas • Excepcionalmente, será possível que o paciente
oficiais de dispensação de medicamentos e os exija o medicamento caso esse determinado uso
protocolos de intervenção terapêutica do SUS. fora da bula (off label) tenha sido autorizado pela
STF. Plenário. RE 1165959/SP, Rel. Marco Aurélio, ANVISA. O Estado não é obrigado a fornecer
redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, medicamento para utilização off label, salvo
julgado em 18/6/2021 (Repercussão Geral – Tema autorização da ANVISA. STJ. 1ª Seção. PUIL 2.101-MG,
1161) (Info 1022). Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 10/11/2021 (Info
717)

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STF determinou à União o restabelecimento dos Não é razoável exigir comprovação documental do
leitos de UTI destinados ao tratamento da Covid-19 motivo pelo qual o candidato faltou às provas do
que estavam custeados pelo Ministério da Saúde até Enem 2020 como requisito para que ele possa obter
dezembro de 2020, e que foram reduzidos nos meses isenção da taxa de inscrição do Enem 2021, tendo em
de janeiro e fevereiro de 2021. vista que se vivia um contexto de pandemia. Em
A União deve prestar suporte técnico e apoio razão do contexto de anormalidade decorrente da
financeiro para a expansão da rede de UTI’s nos pandemia da Covid-19, é descabida a exigência de
estados durante o período de emergência “justificativa de ausência” às provas do ENEM
sanitária. STF. Plenário. ACO 3473/DF, ACO 3474/SP, 2020, como requisito para a concessão de isenção
ACO 3475/DF, ACO 3478/PI e ACO 3483/DF, Rel. Min. da taxa de inscrição para o ENEM 2021. STF.
Rosa Weber, julgados em 10/11/2021 (Info 1037). Plenário. ADPF 874 MC/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 3/9/2021 (Info 1028)

EDUCAÇÃO
É inconstitucional concessão de descontos
É inconstitucional lei estadual que inclui o lineares nas mensalidades das faculdades
pagamento de pessoal inativo nas despesas privadas na pandemia da Covid-19.
consideradas como de manutenção e São inconstitucionais as interpretações judiciais que,
desenvolvimento do ensino. O art. 212 da CF/88 unicamente fundamentadas na eclosão da pandemia
prevê o dever de aplicação de percentual mínimo de Covid-19 e no respectivo efeito de transposição de
para investimentos na manutenção e aulas presenciais para ambientes virtuais,
desenvolvimento do ensino. A definição de quais determinam às instituições privadas de ensino
despesas podem ou não ser consideradas como superior a concessão de descontos lineares nas
manutenção e desenvolvimento de ensino é feita por contraprestações dos contratos educacionais, sem
meio de lei editada pela União. A Lei nº 9.394/96 (Lei considerar as peculiaridades dos efeitos da crise
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), em seus pandêmica em ambas as partes contratuais
arts. 70 e 71, definiu quais despesas podem ser envolvidas na lide. Tese fixada pelo STF: É
consideradas como sendo destinadas à manutenção inconstitucional decisão judicial que, sem
e desenvolvimento do ensino. As despesas com considerar as circunstâncias fáticas efetivamente
encargos previdenciários de servidores inativos e os demonstradas, deixa de sopesar os reais efeitos
repasses efetuados pelo Estado para cobrir o déficit da pandemia em ambas as partes contratuais, e
no regime próprio de previdência não podem ser determina a concessão de descontos lineares em
computados como aplicação de recursos na mensalidades de cursos prestados por
manutenção e desenvolvimento de ensino, para os instituições de ensino superior. STF. Plenário. ADPF
fins do art. 212 da CF/88. Logo, é inconstitucional lei 706/DF e ADPF 713/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
estadual que faça essa previsão. STF. Plenário. ADI julgados em 17 e 18/11/2021 (Info 1038).
6049/GO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
20/8/2021 (Info 1026).
DIREITOS POLÍTICOS
Obs: a EC 108/2020 incluiu o § 7º no art. 212 da
CF/88 e passou a vedar expressamente o uso dos
recursos destinados à manutenção e Não existe no Brasil a candidatura nata, ou seja, o
desenvolvimento do ensino para o pagamento de direito de o titular do mandato eletivo ser,
aposentadorias e pensões: Art. 212 (...) § 7º É obrigatoriamente, escolhido e registrado pelo
vedado o uso dos recursos referidos no caput e nos partido como candidato à reeleição.
§§ 5º e 6º deste artigo para pagamento de O indivíduo que já ocupa o cargo eletivo e vai em
aposentadorias e de pensões. busca da reeleição possui o direito subjetivo de ser
escolhido pelo partido como candidato? Ex: João,

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filiado ao Partido “X”, já é vereador; ele deseja ADI 4711/RS, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
concorrer à reeleição; pelo fato de já ser vereador; o 3/9/2021 (Info 1028)
Partido “X” é obrigado a escolher João como sendo
um dos candidatos da agremiação? NÃO. O
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
legislador tentou impor essa obrigatoriedade no § 1º
do art. 8º da Lei nº 9.504/97: Art. 8º (...) § 1º Aos
detentores de mandato de Deputado Federal, É inconstitucional a legislação estadual que
Estadual ou Distrital, ou de Vereador, e aos que estabelece a redução obrigatória das
tenham exercido esses cargos em qualquer período mensalidades da rede privada de ensino durante
da legislatura que estiver em curso, é assegurado o a vigência das medidas restritivas para o
registro de candidatura para o mesmo cargo pelo enfrentamento da emergência de saúde pública
partido a que estejam filiados. Isso foi denominado decorrente do novo Coronavírus. Essa lei viola a
pela doutrina e jurisprudência de “candidatura nata”. competência privativa da União para legislar
Assim, “candidatura nata” é o direito que o titular do sobre Direito Civil (art. 22, I, da CF/88).
mandato eletivo possui de, obrigatoriamente, ser Ao estabelecer uma redução geral dos preços fixados
escolhido e registrado pelo partido político como nos contratos para os serviços educacionais, a leis
candidato à reeleição. O STF, contudo, entendeu que alterou, de forma geral e abstrata, o conteúdo dos
esse § 1º do art. 8º da Lei nº 9.504/97 é negócios jurídicos, o que as caracteriza como norma
inconstitucional, não sendo possível a chamada de Direito Civil. Os efeitos da pandemia sobre os
“candidatura nata”. O instituto da “candidatura negócios jurídicos privados, inclusive decorrentes de
nata” é incompatível com a Constituição Federal relações de consumo, foram tratados pela Lei federal
de 1988, tanto por violar a isonomia entre os nº 14.010/2020. Ao estabelecer o Regime Jurídico
postulantes a cargos eletivos como, sobretudo, Emergencial e Transitório das relações jurídicas de
por atingir a autonomia partidária (art. 5º, “caput”, Direito Privado (RJET) para o período, a norma
e art. 17 da CF/88). STF. Plenário. ADI 2530/DF, Rel. reduziu o espaço de competência complementar dos
Min. Nunes Marques, julgado em 18/8/2021 (Info estados para legislar e não contém previsão geral de
1026). modificação dos contratos de prestação de serviços
educacionais.
STF. ADI 6575, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
em 18/12/2020 (Info 1003).

É inconstitucional lei estadual que permita a É formalmente inconstitucional lei estadual que
criação, incorporação, fusão e desmembramento concede descontos aos idosos para aquisição de
de municípios sem a edição prévia das leis medicamentos em farmácias localizadas no
federais previstas no art. 18, § 4º, da CF/88. respectivo estado.
Pendente a legislação federal prevista na redação STF. Plenário. ADI 2435/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia,
atual do art. 18, § 4º, da Constituição Federal, são redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em
inadmissíveis os regramentos estaduais que 18/12/2020 (Info 1003).
possibilitem o surgimento de novos municípios e que
É inconstitucional lei estadual que fixa critério
invadam a competência da União para disciplinar o
etário para o ingresso no Ensino Fundamental
tema. É inconstitucional lei estadual que permita a
diferente do estabelecido pelo legislador federal e
criação, incorporação, fusão e desmembramento de
regulamentado pelo Ministério da Educação.
municípios sem a edição prévia das leis federais
STF. Plenário. ADI 6312, Rel. Min. Roberto Barroso,
previstas no art. 18, § 4º, da CF/88, com redação dada
julgado em 18/12/2020 (Info 1003).
pela Emenda Constitucional nº 15/96. STF. Plenário.

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É possível que Município proíba o uso de fogos de competência suplementar estadual, pois a matéria já
artifício ruidosos. STF. Plenário. ADPF 567, Rel. Min. recebe tratamento uniforme em nível federal.
Alexandre de Moraes, julgado em 01/03/2021. Ao impor à UEPG e à Unicentro a obrigação de
registrar os diplomas expedidos pela Vizivali e
Normas estaduais que disponham sobre obrigações determinar o estabelecimento de convênio entre as
destinadas às empresas de telecomunicações, instituições, a lei estadual também ofendeu os
relativamente à oferta de produtos e serviços, preceitos constitucionais da autonomia
incluem-se na competência concorrente dos didático-científica, administrativa e financeira das
estados para legislarem sobre direitos do universidades, interferindo indevidamente na gestão
consumidor. administrativa das instituições.
STF. Plenário. ADI 5962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, STF. Plenário. ADI 4257, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 25/2/2021 (Info 1007). julgado em 17/02/2021.

É inconstitucional lei estadual que trate sobre o É constitucional legislação estadual que proíbe
registro de diplomas de curso a distância por toda e qualquer atividade de comunicação
universidades estaduais. comercial dirigida às crianças nos
O STF julgou inconstitucional a Lei estadual estabelecimentos de educação básica.
16.109/2009 do Paraná, que determinava que a STF. Plenário. ADI 5631/BA, Rel. Min. Edson Fachin,
Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro) e julgado em 25/3/2021 (Info 1011)
a Universidade Estadual de Ponte Grossa (UEPG)
procedessem aos registros dos diplomas de São constitucionais as normas estaduais, editadas
conclusão de cursos na área de Educação, na em razão da pandemia causada pelo novo
modalidade semipresencial, expedidos pela coronavírus, pelas quais veiculados a proibição de
Faculdade Vizinhança Vale do Iguaçu (Vizivali). suspensão do fornecimento do serviço de energia
A lei paranaense, ao conferir validade nacional aos elétrica, o modo de cobrança, a forma de
diplomas e restringir seu registro apenas à UEPG e à pagamentos dos débitos e a exigibilidade de
Unicentro, descumpriu expressamente norma multa e juros moratórios.
constitucional que confere à União a competência STF. Plenário. ADI 6432/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia,
para legislar sobre diretrizes e bases da educação. julgado em 7/4/2021 (Info 1012).
Da análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei Federal nº 9.394/96) e do Decreto nº É inconstitucional lei estadual que proíbe
5.622/2005, depreende-se que a competência para bloqueio de internet após consumo da franquia.
credenciar instituições de ensino para oferta de A Lei nº 16.734 /2018, do Estado do Ceará, ao vedar
cursos ou programas de formação a distância é às operadoras de telefonia móvel que procedam ao
apenas do Ministério da Educação. Aos Conselhos bloqueio de acesso à internet quando esgotada a
Estaduais de Educação compete unicamente franquia de dados contratada, violou o art. 22, IV, da
autorizar, reconhecer e credenciar cursos das CF/88, que confere à União a competência privativa
instituições de ensino superior na modalidade para dispor sobre telecomunicações.
presencial. STF. Plenário. ADI 6089, Rel. Min. Marco Aurélio,
O STF, em outras ocasiões, tem reafirmado que a Relator(a) p/ Acórdão: Min. Dias Toffoli, julgado em
prerrogativa para credenciar instituições de ensino 08/02/2021.
superior, seja na modalidade a distância ou na
É inconstitucional norma estadual que onere
semipresencial (que se apresentam como vertentes
contrato de concessão de energia elétrica pela
do mesmo tipo de modalidade de ensino), é da
utilização de faixas de domínio público adjacentes
União. Não se trata, no caso, do exercício de
a rodovias estaduais ou federais.

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Isso porque a União, por ser titular da prestação do bancários e sociedades de arrendamento
serviço público de energia elétrica (art. 21, XII, “b” e mercantil façam telemarketing, oferta comercial,
art. 22, IV, da CF/88), detém a prerrogativa proposta, publicidade ou qualquer tipo de
constitucional de estabelecer o regime e as condições atividade tendente a convencer aposentados e
da prestação desse serviço por concessionárias, o pensionistas a celebrarem contratos de
qual não pode sofrer ingerência normativa dos empréstimo.
demais entes políticos. Essa lei trata sobre defesa do consumidor, matéria
STF. Plenário. ADI 3763/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, que é de competência concorrente (art. 24, V, da
julgado em 7/4/2021 (Info 1012). CF/88), servindo para suplementar os princípios e as
normas do CDC e reforçar a proteção dos
É formalmente inconstitucional lei estadual, de consumidores idosos, grupo em situação de especial
iniciativa parlamentar, que, ao dispor sobre vulnerabilidade econômica e social. STF. Plenário. ADI
ensino a distância, proíba a utilização do termo 6727/PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
“tutor”, além de criar restrições e requisitos para 11/5/2021 (Info 1016).
exercício da atividade de tutoria.
STF. Plenário. ADI 5997/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, Por usurpar a competência da União para legislar
redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em privativamente sobre direito civil e política de
16/4/2021 (Info 1013) seguros, é formalmente inconstitucional lei
estadual que estabelece a possibilidade de o
É inconstitucional lei municipal que estabeleça Poder Executivo proibir a suspensão ou o
limitações à instalação de sistemas transmissores cancelamento de planos de saúde por falta de
de telecomunicações por afronta à competência pagamento durante a situação de emergência do
privativa da União para legislar sobre novo coronavírus (Covid-19).
telecomunicações, nos termos dos arts. 21, XI, e 22, STF. Plenário. ADI 6441/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia,
IV, da Constituição Federal. STF. Plenário. ADPF julgado em 14/5/2021 (Info 1017).
732/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
26/4/2021 (Info 1014). É inconstitucional lei estadual que reduziu o valor
das mensalidades escolares durante a pandemia
É inconstitucional a Lei Distrital que atribui da Covid-19
autonomia administrativa e financeira aos É inconstitucional lei estadual que estabeleça
respectivos órgãos policiais. redução das mensalidades no âmbito da rede
STF. Plenário. ADI 6611, Rel. Min. Alexandre De privada de ensino, enquanto perdurarem as medidas
Moraes, julgado em 17/05/2021. temporárias para o enfrentamento da pandemia da
Covid-19.
É formalmente inconstitucional lei estadual que
STF. Plenário. ADI 6445/PA, Rel. Min. Marco Aurélio,
proíba a atividade de delivery de gasolina e
redator do acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em
etanol; isso porque a competência para legislar
28/5/2021 (Info 1019).
sobre energia é privativa da União
É inconstitucional norma estadual que vede ao É constitucional lei estadual que proibiu o corte
consumidor, pessoa física, o abastecimento de de energia elétrica durante a pandemia da
veículos em local diverso do posto de Covid-19
combustível. Atendida a razoabilidade, é constitucional legislação
STF. Plenário. ADI 6580/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, estadual que prevê a vedação do corte do
julgado em 11/5/2021 (Info 1016). fornecimento residencial dos serviços de energia
elétrica, em razão do inadimplemento, parcelamento
É constitucional a proibição — por lei estadual —
do débito, considerada a crise sanitária.
de que instituições financeiras, correspondentes

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STF. Plenário. ADI 6588/AM, Rel. Min. Marco Aurélio, É inconstitucional legislação estadual que impeça
julgado em 28/5/2021 (Info 1019) as operadoras de planos de saúde de recusarem o
É constitucional lei estadual que proíba a atendimento ou a prestação de alguns serviços,
utilização de animais para testes de produtos no âmbito de seu território, aos usuários
cosméticos; a lei estadual, contudo, não pode diagnosticados ou suspeitos de estarem com
proibir a comercialização de produtos que Covid-19, em razão de período de carência
tenham sido desenvolvidos a partir de testes em contratual vigente. Essa norma é inconstitucional
animais por usurpar competência privativa da União para
Não havendo norma federal disciplinadora, é legislar sobre Direito Civil, Comercial e política de
constitucional lei estadual que proíba a utilização de seguros (art. 22, I e VII, da CF/88). STF. Plenário. ADI
animais para desenvolvimento, experimento e teste 6493/PB, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes, 11/6/2021 (Info 1021)
limpeza e seus componentes. É inconstitucional
norma estadual que vede a comercialização de Os Municípios têm competência para legislar sobre
produtos desenvolvidos a partir de teste em assuntos de interesse local compreendendo o
animais, bem como a que determina que conste ordenamento territorial, o planejamento urbano e a
no rótulo informação acerca da não realização de fiscalização de áreas de uso e ocupação do solo (art.
testes em animais. 30, I e VII, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 5995/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, É formalmente inconstitucional norma estadual
julgado em 28/5/2021 (Info 1019). pela qual se dispõe sobre direito urbanístico em
contrariedade ao que se determina nas normas
É incompatível com a Constituição Federal ato gerais estabelecidas pela União e em ofensa à
normativo estadual que amplie as atribuições de competência dos Municípios para legislar sobre
fiscalização do Legislativo local e o rol de autoridades assuntos de interesse local, sobre os quais
submetidas à solicitação de informações incluídos política de desenvolvimento urbano,
O art. 50, caput e § 2º, da CF/88 traduz norma de planejamento, controle e uso do solo.
observância obrigatória pelos Estados-membros que, De igual modo, é inconstitucional norma de
por imposição do princípio da simetria (art. 25 da Constituição estadual que, a pretexto de
CF/88), não podem ampliar o rol de autoridades organizar e delimitar competência de seus
sujeitas à fiscalização direta pelo Poder respectivos Municípios, ofende o princípio da
Legislativo e à sanção por crime de autonomia municipal, previsto no art. 18, no art. 29
responsabilidade. e no art. 30 da CF/88. STF. Plenário. ADI 6602/SP, Rel.
STF. Plenário. ADI 5289/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/6/2021 (Info 1021).
julgado em 7/6/2021 (Info 1020)
Não afronta a competência legislativa da União o
É inconstitucional lei estadual que estabeleça dispositivo de constituição estadual que proíbe a
prazo máximo de 24 horas para as empresas de caça em seu respectivo território. STF. Plenário.
plano de saúde regionais autorizarem ou não ADI 350/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
solicitações de exames e procedimentos 18/6/2021 (Info 1022)
cirúrgicos em seus usuários que tenham mais de
60 anos. Essa lei é inconstitucional por usurpar É formalmente inconstitucional portaria do
competência privativa da União para legislar sobre Departamento Estadual de Trânsito (Detran) que
Direito Civil e política de seguros (art. 22, I e VII, da dispõe sobre condições para o exercício de atividade
CF/88). STF. Plenário. ADI 6452/ES, Rel. Min. Edson profissional. Caso concreto: o Detran/TO editou
Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de portaria regulamentando a profissão de despachante
Moraes, julgado em 11/6/2021 (Info 1021) de trânsito. ST’F. Plenário. ADI 6754/TO, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 25/6/2021 (Info 1023)

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É formalmente inconstitucional ato normativo local exclusivamente à pesquisa e ao uso terapêutico,


que, a pretexto de prescrever regras de caráter violou a competência privativa da União para legislar
administrativo, regulamente o exercício da profissão sobre a matéria.
de despachante junto a órgãos de trânsito. STF. STF. Plenário. ADI 6909/PI e ADI 6913/DF, Rel. Min.
Plenário. ADI 6749/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado Alexandre de Moraes, julgados em 17/9/2021 (Info
em 2/6/2021 (Info 1024). 1030)

É constitucional lei estadual que autoriza a É inconstitucional norma de Constituição


comercialização de bebidas alcoólicas em eventos Estadual que disponha sobre o depósito de lixo
esportivos. Não invade a competência da União atômico e a instalação de usinas nucleares.
para o estabelecimento de normas gerais sobre STF. Plenário. ADI 6895/PB, Rel. Min. Carmen Lúcia,
consumo e desporto a autorização e julgado em 14/9/2021 (Info 1029).
regulamentação, por Estado-membro, da venda e do
consumo de bebidas alcoólicas em eventos É inconstitucional lei municipal que dispõe sobre a
esportivos. STF. Plenário. ADI 5112/BA, Rel. Min autorização e exploração de serviço de radiodifusão
Edson Fachin, julgado em 16/8/2021 (Info 1025). comunitária.
É inconstitucional lei municipal que:
É constitucional lei municipal que disponha sobre a a) institui direitos e obrigações das rádios
obrigatoriedade de instalação de hidrômetros comunitárias;
individuais em edifícios e condomínios. Compete b) autoriza seu funcionamento e exploração no
aos municípios legislar sobre a obrigatoriedade de âmbito de seu território; e
instalação de hidrômetros individuais nos edifícios e c) estabelece infrações, sanções e o pagamento de
condomínios, em razão do preponderante interesse taxa de funcionamento.
local envolvido. STF. Plenário. RE 738481/SE, Rel. Min. Essa lei apresenta vício de inconstitucionalidade
Edson Fachin, julgado em 16/8/2021 (Repercussão formal porque trata de matéria de competência
Geral – Tema 849) (Info 1025) reservada à União. STF. Plenário. ADPF 335/MG, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 27/8/2021 (Info
É inconstitucional lei estadual que dispõe sobre a 1027).
aceitação de diplomas expedidos por
universidades estrangeiras. Invade a competência Estado-membro possui competência para editar
privativa da União para legislar sobre diretrizes e lei obrigando empresas de internet a apresentar
bases da educação nacional lei estadual que dispõe na fatura da conta a velocidade efetivamente
sobre reconhecimento de diploma obtido por oferecida no mês. É constitucional lei estadual que
instituições de ensino superior de países obriga as empresas prestadoras de serviços de
estrangeiros. STF. Plenário. ADI 6592/AM, Rel. Min. internet móvel e banda larga na modalidade
Roberto Barroso, julgado em 3/9/2021 (Info 1028). pós-paga a apresentarem, na fatura mensal, gráficos
sobre o registro médio diário de entrega da
É inconstitucional norma de constituição estadual velocidade de recebimento e envio de dados pela
que disponha sobre o depósito de lixo atômico e a rede mundial de computadores. STF. Plenário. ADI
instalação de usinas nucleares. 6893/ES, Rel. Min. Carmen Lúcia, julgado em
Constituição do Estado do Piauí, ao estabelecer uma 8/10/2021 (Info 1033).
vedação ao depósito de resíduos nucleares no
respectivo território, violou a competência privativa Os Estados-membros, o Distrito Federal e os
da União para legislar sobre a matéria. Municípios foram autorizados a fazer a vacinação dos
A Constituição do Estado do Ceará, ao possibilitar o adolescentes, mesmo havendo nota informativa do
embargo à instalação de reatores nucleares nos Ministério da Saúde em sentido contrário Covid-19. A
termos da lei estadual, com exceção dos destinados decisão de promover a imunização contra a

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Covid-19 em adolescentes acima de 12 anos, pagamento.


observadas as evidências científicas e análises Compete à União definir regras de suspensão e
estratégicas pertinentes, insere-se na interrupção do fornecimento dos serviços de
competência dos estados, do Distrito Federal e energia elétrica. Em razão disso, é inconstitucional
dos municípios. STF. Plenário. ADPF 756 lei estadual que proíbe que as empresas
TPI-oitava-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, concessionárias ou permissionárias façam o corte do
julgado em 8/10/2021 (Info 1033). fornecimento de água, energia elétrica e dos serviços
de telefonia, por falta de pagamento, em
Lei de iniciativa parlamentar não pode conceder determinados dias (ex: sextas-feiras, vésperas de
anistia a servidores públicos. É inconstitucional lei feriados etc.). STF. Plenário. ADI 5798/TO, Rel. Min.
estadual de iniciativa parlamentar que disponha Rosa Weber, julgado em 3/11/2021 (Info 1036). Obs1:
sobre a concessão de anistia a infrações vide Lei nº 14.015/2020, que alterou a Lei nº 8.987/95
administrativas praticadas por policiais civis, militares e a Lei nº 13.460/2017.
e bombeiros. STF. Plenário. ADI 4928/AL, Rel. Min. Obs2: cuidado com o entendimento excepcional
Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de do STF durante o período da pandemia da
Moraes, julgado em 8/10/2021 (Info 1033). Covid-19 (STF. Plenário. ADI 6588/AM, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 28/5/2021. Info 1019).
O proprietário de cão-guia ou seu
instrutor/adestrador não estão obrigados a se É constitucional lei estadual do trote telefônico.
filiarem, ainda que indiretamente, a federação É constitucional norma estadual que determine
internacional. que as prestadoras de serviço telefônico são
Caso concreto: o art. 81 da Lei estadual nº obrigadas a fornecer, sob pena de multa, os dados
12.907/2008, do Estado de São Paulo, exigiu que a pessoais dos usuários de terminais utilizados para
identificação do cão-guia seja expedida por escola de passar trotes aos serviços de emergência. STF.
cães-guia vinculada à Federação Internacional de Plenário. ADI 4924/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
Cães-Guia. De igual modo, o art. 85 afirmou que os julgado em 4/11/2021 (Info 1036).
instrutores e treinadores, assim como as escolas de
treinamento, devem ser reconhecidos e filiados à É inconstitucional lei estadual que preveja que os
Federação Internacional de Cães-Guia. O STF julgou serviços privados de educação são obrigados a
inconstitucionais tais exigências. O art. 24, XIV, da conceder, a seus clientes preexistentes, os
CF/88 prevê que compete à União editar normas mesmos benefícios de promoções posteriormente
gerais de proteção às pessoas com deficiência. No realizadas.
exercício dessa competência, a União editou a Lei É inconstitucional lei estadual que impõe aos
federal nº 11.126/2005, que dispõe sobre o direito do prestadores privados de serviços de ensino a
portador de deficiência visual de ingressar e obrigação de estender o benefício de novas
permanecer em ambientes de uso coletivo promoções aos clientes preexistentes. Lei fluminense
acompanhado de cão-guia. Essa Lei – que é a norma dizia que os serviços privados de educação prestados
geral sobre o tema – não exige essa filiação à de forma contínua no Estado do Rio de Janeiro
Federação Internacional de Cães-Guia. Além disso, tal seriam obrigados a conceder, a seus clientes
exigência afronta o direito constitucional de livre preexistentes, os mesmos benefícios de promoções
associação garantido no art. 5º, XX, da CF/88. STF. posteriormente realizadas. O STF declarou a
Plenário. ADI 4267/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, inconstitucionalidade dessa previsão. A norma
julgado em 22/10/2021 (Info 1035) estadual, ao impor aos prestadores de serviços de
ensino a obrigação de estender o benefício de
É inconstitucional lei estadual que veda o corte do novas promoções aos clientes preexistentes,
fornecimento de água e luz, em determinados promove ingerência indevida em relações
dias, pelas empresas concessionárias, por falta de

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contratuais estabelecidas, sem que exista projeto de iniciativa parlamentar, a órgão


conduta abusiva por parte do prestador. Logo, vinculado à estrutura do Poder Executivo
afronta o art. 22, I, da CF/88. STF. Plenário. ADI revela-se colidente com a reserva de iniciativa do
6614/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, redator do acórdão Governador do Estado (arts. 61, § 1º, II, e, 84, VI,
Min. Roberto Barroso, julgado em 12/11/2021 (Info “a”, CF/88). STF. Plenário. ADI 6132/GO, Rel. Min.
1037) Rosa Weber, julgado em 26/11/2021 (Info 1039).

É inconstitucional lei estadual que proíbe a


cobrança de juros, multas e parcelas vencidas de INTERVENÇÃO
contratos de financiamento.
Foi declarada a inconstitucionalidade da Lei nº
A Constituição Estadual não pode trazer hipóteses
11.962/2021, do Estado da Paraíba, que previa o
de intervenção estadual diferentes daquelas que
seguinte: Art. 1º Fica vedada a cobrança de juros,
são elencadas no art. 35 da Constituição Federal.
multas e demais encargos financeiros, além da
As hipóteses de intervenção estadual previstas no
inscrição do consumidor junto aos órgãos de
art. 35 da CF/88 são TAXATIVAS
proteção ao crédito, em razão do inadimplemento de
Caso concreto: STF julgou inconstitucionais os incisos
contratos de financiamento, quando o
IV e V do art. 25 da Constituição do Estado do Acre,
inadimplemento das parcelas decorrer de ação de
que previa que o Estado-membro poderia intervir nos
boa-fé do consumidor no cumprimento de legislação
Municípios quando: IV – se verificasse, sem justo
vigente a época do inadimplemento. STF. Plenário.
motivo, impontualidade no pagamento de
ADI 6938/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
empréstimo garantido pelo Estado; V – fossem
22/11/2021 (Info 1038)
praticados, na administração municipal, atos de
É inconstitucional lei estadual que imponha corrupção devidamente comprovados. STF. Plenário.
obrigações às empresas seguradoras, sendo ADI 6616/AC, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
também inconstitucional lei estadual, de 26/4/2021 (Info 1014).
iniciativa parlamentar, que imponha obrigações
ao DETRAN.
PODER EXECUTIVO
É inconstitucional a lei estadual que disciplina, no
âmbito do ente federado, aspectos das relações
entre seguradoras e segurados Esta lei estadual viola Lei estadual pode prever que, em caso de dupla
a competência privativa da União para legislar sobre vacância para os cargos de Governador e Vice nos
direito civil, seguros, trânsito e transporte (art. 22, I, dois últimos anos do mandato, a ALE realizará
VII e XI, da CF/88). São inconstitucionais normas eleição indireta, de forma nominal e aberta. Os
estaduais que disponham sobre relações contratuais estados-membros, no exercício de suas autonomias,
securitárias, por consubstanciarem tema de direito podem adotar o modelo federal previsto no art.
civil e seguros, afetos à competência legislativa 81, § 1º, da Constituição, cuja reprodução,
privativa da União (art. 22, I e VII, CF/88). É contudo, não é obrigatória. No caso de dupla
inconstitucional lei estadual, de iniciativa vacância, faculta-se aos estados-membros, ao Distrito
parlamentar, que atribua competências ao Federal e aos municípios a definição legislativa do
Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) procedimento de escolha do mandatário político. No
Aplica-se, em âmbito estadual, o art. 61, § 1º, da caso de realização de eleição indireta, a previsão
Constituição Federal, que consagra reserva de normativa estadual de votação nominal e aberta é
iniciativa do Chefe do Poder Executivo para iniciar o compatível com a CF/88. Caso concreto: lei da Bahia
processo legislativo das matérias nele constantes. A afirmou que, se o Governador e o Vice-Governador
criação de atribuições, por meio de lei oriunda de deixarem os cargos nos dois últimos anos do

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mandato, a Assembleia Legislativa deverá realizar Ex: o mandato de Presidente da Câmara e de


uma eleição indireta, de forma nominal e aberta. Presidente do Senado é de 2 anos. Cada legislatura
Para o STF, essa lei é constitucional, sob os pontos de tem a duração de 4 anos. Imagine que João foi eleito
vista formal e material. STF. Plenário. ADI 1057/BA, Deputado Federal para a legislatura de 2013 a 2016.
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/8/2021 (Info Suponhamos que ele foi escolhido para ser
1025) Presidente da Câmara no período de 2013-2014.
Significa que João não poderá ser reeleito como
É inconstitucional norma de constituição estadual Presidente da Câmara para o biênio de 2015-2016.
que disponha sobre o processamento e Isso porque seria uma reeleição dentro da mesma
julgamento de Governador e Vice-governador nos legislatura.
casos de crime de responsabilidade. Ex2: Pedro foi eleito Deputado Federal para a
O Estado-membro não pode dispor sobre crime de legislatura de 2013 a 2016. Suponhamos que ele foi
responsabilidade, ainda que seja na Constituição escolhido para ser Presidente da Câmara no período
estadual. Isso porque a competência para legislar de 2015-2016. Em 2016, ele foi reeleito Deputado
sobre crime de responsabilidade é privativa da Federal para a legislatura de 2017 a 2020. Significa
União, nos termos do art. 22, I, e art. 85 da CF/88. que Pedro poderá ser novamente Presidente da
Súmula vinculante 46-STF: São da competência Câmara para no biênio de 2017-2018. Isso porque
legislativa da União a definição dos crimes de seria uma reeleição para nova legislatura.
responsabilidade e o estabelecimento das O fundamento para isso está no art. 57, § 4º da
respectivas normas de processo e julgamento. Assim, CF/88:
é inconstitucional norma da Constituição § 4º Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões
Estadual que preveja a competência da preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro
Assembleia Legislativa para autorizar a ano da legislatura, para a posse de seus membros e
instauração do processo e para jugar o eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2
Governador e o Vice-Governador do Estado por (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo
crimes de responsabilidade. Também é cargo na eleição imediatamente subsequente.
inconstitucional a previsão contida na Havia uma tentativa de se dar interpretação
Constituição Estadual afirmando que o conforme e dizer que o § 4º do art. 57 da CF/88 foi
Governador será suspenso de suas funções nos derrogado pela Emenda Constitucional nº 16/97, que
crimes de responsabilidade, se admitida a permitiu uma reeleição para os cargos do Poder
acusação e instaurado o processo, pela Executivo. O STF, contudo, não concordou com a
Assembleia Legislativa. STF. Plenário. ADI 4811/MG, alegação e manteve a literalidade do art. 57, § 4º.
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2021 (Info STF. Plenário. ADI 6524, Rel. Min. Gilmar Mendes,
1041) julgado em 14/12/2020 (Info 1003).

É possível a prorrogação da competência criminal


PODER LEGISLATIVO
originária do Supremo Tribunal Federal, quando o
parlamentar, sem solução de continuidade,

Não é possível a recondução dos Presidentes da encontrar-se investido, em novo mandato federal,

Câmara dos Deputados e do Senado Federal para mas em casa legislativa federal diversa.

o mesmo cargo na eleição imediatamente É dizer, admite-se a excepcional e exclusiva

subsequente, dentro da mesma legislatura. prorrogação da competência criminal originária do

Por outro lado, é possível a reeleição dos Supremo Tribunal Federal, quando o parlamentar,

Presidentes da Câmara dos Deputados e do sem solução de continuidade, encontrar-se investido,

Senado Federal em caso de nova legislatura. em novo mandato federal, mas em casa legislativa
diversa daquela que originalmente deu causa à

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fixação da competência originária, nos termos do art. requisitar informações ao Poder Executivo.
102, I, “b”, da Constituição Federal. O art. 101 da CE/RJ estabelecia que “a qualquer
STF. Plenário. Pet 9189, Rel. Min. ROSA WEBER, Deputado” seria permitido formular requerimento de
Relator(a) p/ Acórdão: Edson Fachin, julgado em informação ao Poder Executivo, constituindo crime
12/05/2021. de responsabilidade, nos termos da lei, o não
atendimento no prazo de trinta dias, ou a prestação
O subsídio dos deputados estaduais deve ser de informações falsas. O STF declarou a
fixado por lei em sentido formal (art. 27, § 2º, da inconstitucionalidade da expressão “a qualquer
CF/88). A vinculação do valor do subsídio dos Deputado” constante do caput desse dispositivo. O
Deputados Estaduais ao quantum estipulado pela art. 49, X, da CF/88 é taxativo ao conferir
União aos deputados federais é incompatível com o exclusivamente às Casas do Poder Legislativo a
princípio federativo e com a autonomia dos entes competência para fiscalizar os atos do Poder
federados (art. 18, da CF/88). É vedada a vinculação Executivo. Não se admite que norma estadual crie
ou a equiparação remuneratória em relação aos outras modalidades de controle ou inovem a
agentes políticos ou servidores públicos em geral. forma de exercício desse controle ultrapassando
STF. Plenário. ADI 6437/MT, Rel. Min. Rosa Weber, aquilo que foi previsto na Constituição Federal,
julgado em 28/5/2021 (Info 1019). sob pena de violação ao princípio da separação
dos poderes (art. 2º). STF. Plenário. ADI 4700/DF, Rel.
É proibido o pagamento de vantagem pecuniária a
Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2021 (Info
deputados estaduais por convocação para sessão
1041)
extraordinária. STF. Plenário. ADPF 836/RR, Rel. Min.
Carmen Lúcia, julgado em 2/8/2021 (Info 1024).
IMUNIDADES PARLAMENTARES
É constitucional norma estadual que estabeleça o
O Deputado Federal Eduardo Silveira publicou vídeo
pagamento a parlamentar — no início e no final de
no YouTube no qual, além de atacar frontalmente os
cada sessão legislativa — de ajuda de custo
Ministros do STF, por meio de diversas ameaças e
correspondente ao valor do próprio subsídio mensal.
ofensas, expressamente propagou a adoção de
STF. Plenário. ADI 6468/SE, Rel. Min. Edson Fachin,
medidas antidemocráticas contra a Corte, bem como
julgado em 2/8/2021 (Info 1024)
instigou a adoção de medidas violentas contra a vida
Constituições estaduais podem prever a reeleição e a segurança de seus membros, em clara afronta
de membros das mesas diretoras das assembleias aos princípios democráticos, republicanos e da
legislativas para mandatos consecutivos, mas separação de Poderes.
essa recondução é limitada a uma única vez. Tais condutas, além de tipificarem crimes contra a
1. O art. 57, § 4º, da CF, não é norma de reprodução honra do Poder Judiciário e dos Ministros do STF, são
obrigatória por parte dos Estados-Membros. 2. É previstas como crime na Lei de Segurança Nacional
inconstitucional a reeleição em número ilimitado, (Lei nº 7.170/1973).
para mandatos consecutivos, dos membros das Não é possível invocar a imunidade parlamentar
Mesas Diretoras das Assembleias Legislativas material (art. 53, da CF/88), neste caso. Isso porque a
Estaduais para os mesmos cargos que ocupam, imunidade material parlamentar não deve ser
sendo-lhes permitida uma única recondução. STF. utilizada para atentar frontalmente contra a
Plenário. ADI 6720/AL, ADI 6721/RJ e ADI 6722/RO, própria manutenção do Estado Democrático de
Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 24/9/2021 Direito.
(Info 1031). As condutas criminosas do parlamentar configuram
flagrante delito, pois verifica-se, de maneira clara e
Norma estadual ou municipal não pode conferir a evidente, a perpetuação dos delitos acima
parlamentar, individualmente, o poder de mencionados, uma vez que o referido vídeo

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continuava disponível e acessível a todos os usuários Lei nº 10.001/2000, que confere prioridade aos
da internet. processos e procedimentos decorrentes de relatórios
Os crimes que, em tese, foram praticados pelo de Comissão Parlamentar de Inquérito. STF. Plenário.
Deputado são inafiançáveis por duas razões: ADI 5351/DF, Rel. Min. Carmen Lúcia, julgado em
1) porque foram praticados contra a ordem 18/6/2021 (Info 1022).
constitucional e o Estado Democrático (art. 5º,
XLIV, da CF/88; art. 323, III, do CPP); e Governador não pode ser obrigado a depor em CPI
2) porque, no caso concreto, estão presentes os instaurada no Congresso Nacional.
motivos que autorizam a decretação da prisão Em juízo de delibação, não é possível a convocação
preventiva, de sorte que estamos diante de uma de governadores de estados-membros da Federação
situação que não admite fiança, com base no art. por Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
324, IV, do CPP. instaurada pelo Senado Federal. A convocação viola o
Encontra-se, portanto, configurada a possibilidade princípio da separação dos Poderes e a autonomia
constitucional de prisão em flagrante de parlamentar federativa dos estados-membros. STF. Plenário. ADPF
pela prática de crime inafiançável, nos termos do § 2º 848 MC-Ref/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
do art. 53 da CF/88. STF. Plenário. Inq 4781 Ref, Rel. 25/6/2021 (Info 1023).
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/2/2021
(Info 1006). PROCESSO LEGISLATIVO

Não se admite “novo veto” em lei já promulgada e


publicada.
CPI Manifestada a aquiescência do Poder Executivo com
A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito projeto de lei, pela aposição de sanção, evidencia-se
depende unicamente do preenchimento dos a ocorrência de preclusão entre as etapas do
requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição processo legislativo, sendo incabível eventual
Federal, ou seja: retratação. STF. Plenário. ADPF 714/DF, ADPF 715/DF
a) o requerimento de 1/3 dos membros das casas e ADPF 718/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
legislativas; 13/2/2021 (Info 1005).
b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e
É permitida apenas uma reeleição (ou
c) a definição de prazo certo para sua duração.
recondução) sucessiva ao mesmo cargo da mesa
STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto
diretora de assembleia legislativa estadual,
Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013).
independentemente de os mandatos
São formalmente inconstitucionais os dispositivos da consecutivos se referirem à mesma legislatura.
Lei nº 10.001/2000, de iniciativa do Poder Legislativo, Teses fixadas pelo STF:
que tratam de atribuições do Ministério Público (art. i) a eleição dos membros das mesas das assembleias
2º, caput e parágrafo único e art. 4º). A Constituição legislativas estaduais deve observar o limite de uma
Federal reserva ao Presidente da República e ao única reeleição ou recondução, limite cuja
Chefe do Ministério Público o poder de iniciativa observância independe de os mandatos consecutivos
para deflagrar o processo legislativo no que referirem-se à mesma legislatura;
concerne a normas de organização e atribuições ii) a vedação à reeleição ou recondução aplica-se
do Ministério Público. Além disso, os arts. 2º e 4º da somente para o mesmo cargo da mesa diretora, não
Lei nº 10.001/2000 são materialmente impedindo que membro da mesa anterior se
inconstitucionais por ofenderem a independência e a mantenha no órgão de direção, desde que em cargo
autonomia funcional e administrativa do Ministério distinto; e
Público. Por outro lado, é constitucional o art. 3º da iii) o limite de uma única reeleição ou recondução,
acima veiculado, deve orientar a formação das mesas

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das assembleias legislativas que foram eleitas após a definiu os objetivos e conferiu autonomia ao Banco
publicação do acórdão da ADI 6.524, mantendo-se Central do Brasil, além de ter tratado sobre a
inalterados os atos anteriores. nomeação e a exoneração de seu presidente e de
STF. Plenário. ADI 6684/ES, ADI 6707/ES, ADI 6709/TO seus diretores. Não ficou caracterizada qualquer
e ADI 6710/SE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, violação ao devido processo legislativo na tramitação
redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em do projeto que deu origem a essa lei, não tendo
17/9/2021 (Info 1030). havido afronta à iniciativa reservada do Presidente da
República. A competência para legislar é, por
A tramitação de projeto de lei por meio de sistema excelência, do Poder Legislativo. A reserva de
de deliberação remota não viola as normas do iniciativa legislativa para o chefe do Poder
processo legislativo. Isso porque o fato de as Executivo constitui-se em previsão excepcional e
sessões deliberativas do Senado Federal e da Câmara que, por isso, deve ser interpretada
dos Deputados terem acontecido por meio virtual restritivamente. Os autores da ADI alegaram que a
não afasta a participação e o acompanhamento matéria veiculada na LC 179/2021 seria enquadrada
da população em geral. Ambas as Casas Legislativas no art. 61, § 1º, II, “c” e “e”, da CF/88. Se fosse acolhida
fornecem meios de comunicação de amplo e fácil essa afirmação, estaria sendo conferida uma
acesso, em tempo real, em relação ao exercício da interpretação extensiva da previsão constitucional.
atividade legislativa. Ademais, a circunstância de se Isso porque a LC 179/2021 não dispôs sobre o regime
estar diante de uma pandemia, cujo vírus se revelou jurídico dos servidores públicos do Banco Central,
altamente contagioso, justifica a prudente opção do que continua a ser disciplinado pela Lei nº 8.112/90 e
Congresso Nacional em prosseguir com suas pela Lei nº 9.650/98. Não houve qualquer alteração
atividades por meio eletrônico. normativa nessas leis. A LC 179/2021 tampouco criou
STF. Plenário. ADI 6442/DF, ADI 6447/DF, ADI 6450/DF ou extinguiu ministérios ou órgãos da Administração
e ADI 6525/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Pública. O Banco Central continua a existir, com
julgado em 13/3/2021 (Info 1009). natureza jurídica de autarquia especial federal. Na
realidade, a LC nº 179/2021 transcende o propósito
O controle judicial de atos “interna corporis” das
de dispor sobre servidores públicos ou criar órgão
Casas Legislativas só é cabível nos casos em que
público. Ela dá configuração a uma instituição de
haja desrespeito às normas constitucionais
Estado – não de governo –, que tem relevante papel
pertinentes ao processo legislativo (arts. 59 a 69 da
como árbitro neutro, cuja atuação não deve estar
CF/88).
sujeita a controle político unipessoal. STF. Plenário.
Tese fixada pelo STF: “Em respeito ao princípio da
ADI 6696/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, redator
separação dos poderes, previsto no art. 2º da
do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
Constituição Federal, quando não caracterizado o
26/8/2021 (Info 1027).
desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao
processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário É formal e materialmente constitucional a LC
exercer o controle jurisdicional em relação à 144/2014 (de iniciativa parlamentar), que modificou a
interpretação do sentido e do alcance de normas LC 51/85, tratando sobre a aposentadoria dos
meramente regimentais das Casas Legislativas, policiais, com critérios mais favoráveis. É
por se tratar de matéria ‘interna corporis’.” STF. formalmente constitucional lei complementar — cujo
Plenário. RE 1297884/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, processo legislativo teve origem parlamentar — que
julgado em 11/6/2021 (Repercussão Geral – Tema contenha regras de caráter nacional sobre a
1120) (Info 1021). aposentadoria de policiais. É constitucional a adoção
— mediante lei complementar — de requisitos e
É constitucional a LC 179/2021, que conferiu
critérios diferenciados em favor dos policiais para a
autonomia ao Banco Central do Brasil. É
concessão de aposentadoria voluntária. STF. Plenário.
constitucional a Lei Complementar nº 179/2021, que

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ADI 5241/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em Por outro lado, nada impede que o Presidente
2/8/2021 (Info 1027). sancione ou vete esse projeto e, no mesmo dia, edite
uma medida provisória tratando sobre o mesmo
É inconstitucional, formal e materialmente, tema. Neste caso, não haverá afronta ao art. 62, § 1º,
norma estadual que permite a participação de IV, da CF/88. STF. Plenário. ADI 2601/DF, Rel. Min.
trabalhadores inativos no sufrágio para a escolha Ricardo Lewandowski, julgado em 19/8/2021 (Info
de membros da diretoria de empresa pública. 1026).
Caso concreto: no Rio Grande do Sul, a Lei estadual
nº 11.446/2000, de iniciativa parlamentar, alterou a Durante a pandemia da Covid-19 ficou reconhecido
lei que trata sobre a Companhia Estadual de Energia que as medidas provisórias podem ser instruídas
Elétrica – CEEE (empresa pública estadual) para dizer perante o plenário das Casas, ficando
que os trabalhadores inativos também deveriam excepcionalmente autorizada a emissão de
participar da votação para a escolha de membros da parecer por um deputado e um senador, em
diretoria da Companhia. Sob o ponto de vista formal, substituição à Comissão Mista. A tramitação de
a lei violou o art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88. Sob o ponto medidas provisórias pelo Sistema de Deliberação
de vista material, a previsão, ao incluir os Remota (SRD) — instituído em razão da pandemia do
aposentados, afrontou o art. 7º, XI, da CF/88. STF. novo coronavírus e regulado pelo Ato Conjunto das
Plenário. ADI 2296/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
em 1/10/2021 (Info 1032). Federal n. 1/2020 — não viola o devido processo
legislativo. STF. Plenário. ADI 6751/DF, ADPF 661/DF e
O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei ADPF 663/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
de conversão de medida provisória quando a julgados em 3/9/2021 (Info 1028).
emenda estiver associada ao tema e à finalidade
original da medida provisória.
TRIBUNAL DE CONTAS
O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de
conversão de medida provisória quando a emenda Os Tribunais de Contas dos Estados são organizados
estiver associada ao tema e à finalidade original da pelas Constituições Estaduais. Contudo, por força do
medida provisória. É constitucional o art. 6º da Lei princípio da simetria, as regras do TCU também
14.131/2021, que simplificou o processo de são aplicadas, no que couber, aos TCE’s, conforme
concessão de benefício de auxílio por incapacidade determina o art. 75 da CF:
temporária. STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel. Min. Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção
Cármen Lúcia, julgado em 22/11/2021 (Info 1038) aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas
dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos
MEDIDA PROVISÓRIA
Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.
Não caracteriza afronta à vedação imposta pelo Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão
art. 62, § 1º, IV, da CF a edição de MP no mesmo sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão
dia em que o Presidente sanciona ou veta projeto integrados por sete Conselheiros.
de lei com conteúdo semelhante. É vedada a Vale ressaltar que o princípio da simetria previsto
edição de medida provisória tratando sobre matéria nesse art. 75 aplica-se:
já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo • aos Tribunais de Contas Estaduais; e
Congresso Nacional e que está pendente de sanção • aos Tribunais de Contas dos Municípios. Por outro
ou veto. Isso é proibido pelo art. 62, § 1º, IV, da CF/88. lado, essa simetria não abrange o Tribunal de Contas
Assim, se o Presidente da República estiver com do Município (TCM).
um projeto de lei aprovado pelo Congresso na sua O preceito veiculado pelo art. 75 da Constituição
“mesa” para análise de sanção ou veto, ele não Federal aplica-se, no que couber, à organização,
poderá editar uma MP sobre o mesmo assunto.

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composição e fiscalização dos Tribunais de Contas STF. Plenário. ADI 3377, Rel. Min. Marco Aurélio,
dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais e julgado em 01/03/2021.
Conselhos de Contas dos Municípios, excetuando-se
ao princípio da simetria os Tribunais de Contas do Auditores jurídicos e Auditores do controle externo
Município. são duas classes de servidores do Tribunal de Contas
Dessa forma, não é obrigatória a instituição e da Bahia (TCE/BA). Essas duas carreiras não se
regulamentação do Ministério Público especial confundem com o Auditor substituto de Ministro ou
junto ao Tribunal de Contas do Município de São Conselho de que trata o art. 73, § 4º, da CF/88.
Paulo. Assim, não é possível a equiparação legislativa do
STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, cargo de Auditor Jurídico e de Auditor do Controle
julgado em 25/3/2021 (Info 1011). Externo do TCE/BA com o cargo de Auditor previsto
no art. 73, § 4º, da CF/88. Somente para este último é
Os Estados não têm legitimidade ativa para a atribuída a substituição de Ministros do TCU ou de
execução de multas aplicadas, por Tribunais de Conselheiros do TCE e o exercício de atos da
Contas estaduais, em face de agentes públicos judicatura.
municipais, que, por seus atos, tenham causado STF. Plenário. ADI 4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia,
prejuízos a municípios. julgado em 16/4/2021 (Info 1013).
Tese fixada pelo STF: “O Município prejudicado é o
legitimado para a execução de crédito decorrente de O conselheiro de TCE não está sujeito a notificação
multa aplicada por Tribunal de Contas estadual a ou intimação para comparecimento como
agente público municipal, em razão de danos testemunha perante comissão parlamentar de
causados ao erário municipal”. investigação, podendo apenas ser convidado.
STF. Plenário. RE 1003433/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, Caso concreto: Câmara Municipal instaurou
redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, Comissão de Investigação para apurar possível
julgado em 14/9/2021 (Repercussão Geral – Tema quebra de decoro parlamentar envolvendo
642) (Info 1029). Vereadores. Dois conselheiros do TCE foram
intimados para depor como testemunhas de defesa.
É assegurada, aos membros do Ministério Público O STJ não concordou com essa intimação. Os
junto ao Tribunal de Contas, a prerrogativa de Conselheiros do TCE são equiparados a magistrados
requerer informações diretamente aos (equiparados a Desembargador do TJ). Logo, não
jurisdicionados do respectivo Tribunal, sem podem ser notificados ou intimados pela comissão,
subordinação ao Presidente da Corte. STJ. 1ª Turma. podendo ser convidados a comparecer. Aplicam-se
RMS 51.841/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, aos Conselheiros do TCE as garantias do art. 33, I e IV,
julgado em 06/04/2021 (Info 691) da LOMAN (LC 35/79). STJ. Corte Especial. HC
590.436-MT, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
É constitucional a norma do Regimento Interno 11/11/2021 (Info 718).
do Tribunal de Contas no sentido de haver
reeleição do Presidente e do Vice-Presidente. Cabe ACP para questionar nomeação para o
É inaplicável o art. 93 da CF/88 e do art. 102 da Tribunal de Contas sob o argumento de que o
LOMAN, considerada a organização, composição e nomeado não preencheria os requisitos da
funcionamento dos Tribunais de Contas, os quais, idoneidade moral e reputação ilibada.
enquanto órgãos auxiliares do Poder Legislativo, não É juridicamente possível o pedido de anulação da
guardam tal relação de simetria com o Poder nomeação e posse de Conselheiro de Tribunal de
Judiciário. Contas de Município, veiculado em ação civil pública,
Portanto, é constitucional a norma do Regimento com fundamento na constatação de que este não
Interno do Tribunal de Contas no sentido de haver preenche os requisitos de idoneidade moral e
reeleição do Presidente e do Vice-Presidente. reputação ilibada. STJ. 1ª Turma. REsp 1.347.443-RJ,

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Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 19/10/2021, DJe externo exercer atividade de fiscalização das
21/10/2021 (Info 714). atividades do Poder Judiciário, sob pena de sanções
pecuniárias e controle orçamentário, ofende a
MPTC não possui iniciativa legislativa, sua independência e a autonomia financeira,
organização não é tratada por lei complementar e orçamentária e administrativa do Poder Judiciário,
a CF/88 não autoriza que seus vencimentos e consagradas nos arts. 2º e 99 da Constituição Federal.
vantagens sejam equiparados aos do MP comum. STF. Plenário. ADI 1905/RS, Rel. Min. Dias Toffoli,
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas julgado em 16/8/2021 (Info 1025)
encontra-se estritamente vinculado à estrutura da
Corte de Contas e não detém autonomia jurídica e São inconstitucionais normas de regimento interno
iniciativa legislativa para as leis que definem sua de tribunal local que, no processo de progressão na
estrutura organizacional. É inconstitucional a carreira da magistratura, complementam a LOMAN
exigência de lei complementar para regular a com critérios de desempate estranhos à função
organização do Ministério Público especial. A jurisdicional. É competência da União legislar
Constituição não autoriza a equiparação de sobre a organização da magistratura nacional,
“vencimentos” e “vantagens” entre membros do mediante Lei Complementar de iniciativa reservada
Ministério Público especial e membros do Ministério ao Supremo Tribunal Federal. Logo, deve ser
Público comum. STF. Plenário. ADI 3804/AL, Rel. Min. reconhecida a inconstitucionalidade formal de
Dias Toffoli, julgado em 3/12/2021 (Info 1040) normas estaduais com conteúdo em desacordo com
a legislação nacional. O art. 164, IV, “e” e “f”, do
Regimento Interno do TJRO, exorbitou indevidamente
PODER JUDICIÁRIO
ao estabelecido pela LOMAN, desprezando o critério
da precedência na carreira para efeito de promoção

Servidores do Poder Judiciário e do Ministério a entrância superior em prol dos critérios do tempo

Público não podem exercer a advocacia. de exercício de função pública, não especificamente

São constitucionais as restrições ao exercício da como magistrado, e do tempo de serviço prestado ao

advocacia aos servidores do Poder Judiciário e do Estado de Rondônia. Assim, é inconstitucional norma

Ministério Público, previstas nos arts. 28, IV, e 30, I, do regimento interno do Tribunal de Justiça que

da Lei nº 8.906/94, e no art. 21 da Lei nº 11.415/2006 preveja como critérios de desempate no processo de

(atual art. 21 da Lei nº 13.316/2015). STF. Plenário. promoção de magistrados: i) o maior tempo de

ADI 5235/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em serviço público; ii) o maior tempo de serviço público

11/6/2021 (Info 1021) prestado ao Estado. STF. Plenário. ADI 6766/RO, Rel.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/8/2021
É inconstitucional a previsão de “controle de (Info 1026).
qualidade”, a cargo do Poder Executivo, para
aferir os serviços públicos prestados pelo Poder É inconstitucional o art. 58, VI, da Lei nº 11.697/2008

Judiciário. Caso concreto: Lei estadual previu a (lei de organização judiciária do DF), que prevê o

possibilidade de o Poder Executivo fazer o controle tempo de serviço público efetivo como sendo um dos

de qualidade da prestação de serviços públicos critérios de apuração da antiguidade dos

prestados pelo Poder Judiciário (exs: tempo médio de magistrados. Compete ao Supremo Tribunal Federal

atendimento ao cidadão quando de demandas a iniciativa para propor projeto de lei que disponha

judiciais; índice de satisfação do cidadão com os sobre critério de desempate para promoção na

serviços de justiça; taxa de resolução de demandas carreira da magistratura. É inconstitucional norma

de cidadãos por justiça em prazos inferiores a 90 que adote tempo de serviço em qualquer cargo

dias). Tais dispositivos da lei estadual são público como critério de desempate para promoção

inconstitucionais. A possibilidade de um órgão na magistratura. A utilização do critério de tempo de

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serviço público favoreceria injustamente o nacional, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal,


magistrado com trajetória profissional exercida de prevista no art. 93, caput, da Constituição Federal.
modo preponderante no setor público. STF. Plenário. Enquanto não editada a referida lei complementar, a
ADPF 6779/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, uniformização do regime jurídico da magistratura
julgado em 27/8/2021 (Info 1027) permanece sob a regência da LC 35/79, a Lei
Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN), de
É inconstitucional lei ordinária que fixa idades modo que não é possível ao legislador estadual
mínima e máxima para ingresso na magistratura. inovar sobre esse âmbito. Ademais, o dispositivo
É inconstitucional norma estadual que estabelece impugnado ofendeu, materialmente, o princípio
limites etários para ingresso na magistratura. constitucional da isonomia ao estabelecer
Normas estaduais (sejam leis ou normas da tratamento diferenciado entre juízes titulares e
Constituição Estadual), que disponham sobre o substitutos. STF. Plenário. ADI 3358/PE, Rel. Min. Rosa
ingresso na carreira da magistratura violam o art. Weber, julgado em 22/10/2021 (Info 1035)
93, caput, da CF/88, por usurpar iniciativa
legislativa privativa do STF: Art. 93. Lei
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal
Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, A declaração de inconstitucionalidade em
observados os seguintes princípios: I - ingresso na abstrato de normas legais, diante do efeito
carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, repristinatório que lhe é inerente, importa a
mediante concurso público de provas e títulos, com a restauração dos preceitos normativos revogados
participação da Ordem dos Advogados do Brasil em pela Lei declarada inconstitucional, de modo que
todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no o autor deve impugnar toda a cadeia normativa
mínimo, três anos de atividade jurídica e pertinente.
obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de Em outras palavras, o STF exige a impugnação da
classificação; STF. Plenário. ADI 6794/CE, ADI 6795/MS íntegra da cadeia normativa incompatível com a
e ADI 6796/RO, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em Constituição, para que a decisão atinja as leis que
24/9/2021 (Info 1031). “exteriorizem os mesmos vícios de
inconstitucionalidade que inquinam a legislação
Se, após elaborar a lista sêxtupla para o quinto revogadora”.
constitucional, a OAB perceber que um dos indicados Por outro lado, o STF exige apenas a impugnação
não preencheu os requisitos, ela poderá pedir a da cadeia de normas revogadoras e revogadas até
desconsideração da lista ainda que já tenha o advento da Constituição de 1988, porquanto o
havido a nomeação do indicado. controle abstrato de constitucionalidade abrange
A Ordem dos Advogados do Brasil possui autonomia tão somente o direito pós-constitucional.
para elaborar e revisar lista sêxtupla para indicação Nada obstante, admitiu-se o cabimento de ação
de advogados para concorrer à vaga do quinto direta de inconstitucionalidade nos casos em que o
constitucional. STJ. Corte Especial. AgInt na SS autor, por precaução, incluiu, em seu pedido,
3.262-SC, Rel. Presidente Min. Humberto Martins, também a declaração de revogação de normas
julgado em 20/10/2021 (Info 716). anteriores à vigência do novo parâmetro
constitucional.
É inconstitucional norma de constituição estadual
STF. Plenário. ADI 4711/RS, Rel. Min. Roberto Barroso,
que, ao dispor a respeito da remoção de
julgado em 28/09/2021.
magistrados, cria distinção indevida entre juízes
titulares e substitutos. O STF admite o uso das ações do controle
Ao dispor sobre matéria própria do Estatuto da concentrado de constitucionalidade para o exame de
Magistratura, o dispositivo da constituição estadual atos normativos infralegais, nos casos em que a
violou, formalmente, a reserva de lei complementar

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tese de inconstitucionalidade articulada pelo I – Não cabe controle concentrado de


autor propõe o cotejo da norma impugnada constitucionalidade de leis ou ato normativos
diretamente com o texto constitucional. municipais contra a Lei Orgânica respectiva. Em
No caso, a Resolução do Conselho não tratou de outras palavras, a Lei Orgânica do Município não é
mero exercício de competência regulamentar, mas parâmetro de controle abstrato de
expressou conteúdo normativo que lida diretamente constitucionalidade estadual, uma vez que a
com direitos e garantias tutelados pela Constituição. Constituição Federal, no art. 125, § 2º, estabelece
Por esse motivo, cabe ADI para questionar a como parâmetro apenas a Constituição Estadual.
norma. Assim, é inconstitucional dispositivo da Constituição
STF. Plenário. ADI 3481/DF, Rel. Min. Alexandre de estadual que afirme ser possível ajuizar ADI, no
Moraes, julgado em 6/3/2021 (Info 1008). Tribunal de Justiça, contra lei ou ato normativo
estadual ou municipal sob o argumento de que ele
A arguição de descumprimento de preceito viola a Lei Orgânica do Município.
fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de II – Não compete ao Poder Legislativo, de
controle da inconstitucionalidade por omissão. qualquer das esferas federativas, suspender a
A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder eficácia de lei ou ato normativo declarado
público, quer totais ou parciais, normativas ou inconstitucional em controle concentrado de
não normativas, nas mesmas circunstâncias em que constitucionalidade. Desse modo, é inconstitucional
ela é cabível contra os atos em geral do poder dispositivo da Constituição estadual que afirme que,
público, desde que essas omissões se afigurem se o Tribunal de Justiça declarar a
lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a inconstitucionalidade de lei em ação direta de
efetividade de norma constitucional que o consagra. inconstitucionalidade (controle concentrado de
STF. Plenário. constitucionalidade), ele precisará comunicar essa
ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em decisão à Assembleia Legislativa (se for lei estadual)
25/3/2021 (Info 1011) ou à Câmara de Vereadores (se for lei municipal) a
fim de que o órgão legislativo suspenda a eficácia
Não é admitido o aditamento à inicial da ação
dessa lei. STF. Plenário. ADI 5548/PE, Rel. Min. Ricardo
direta de inconstitucionalidade após o recebimento
Lewandowski, julgado em 16/8/2021 (Info 1025).
das informações dos requeridos e das
manifestações do Advogado-Geral da União e do Ação de controle concentrado de
Procurador-Geral da República. constitucionalidade não pode ser utilizada como
STF. Plenário. ADI 4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, sucedâneo das vias processuais ordinárias. Caso
julgado em 16/4/2021 (Info 1013). concreto: partido político ajuizou ADPF alegando que
determinados discursos, pronunciamentos e
Governador de Estado afastado cautelarmente de
comportamentos do Presidente da República, de
suas funções — por força do recebimento de
Ministros de Estado e de outros integrantes do alto
denúncia por crime comum — não tem
escalão do Poder Executivo federal representariam
legitimidade ativa para a propositura de ação
violação de preceitos fundamentais do Estado
direta de inconstitucionalidade. STF. Plenário. ADI
Democrático de Direito e do direito à saúde. O autor
6728 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
pediu “que o Presidente da República, bem como
30/4/2021 (Info 1015)
todos os seus Ministros e auxiliares imediatos
Não cabe ADI no TJ contra lei ou ato normativo pautem doravante seus atos, práticas, discursos e
municipal que viole a Lei Orgânica do Município. pronunciamentos em conformidade com os
Ao analisar dispositivos da Constituição do Estado de princípios constitucionais suprareferidos.” O STF não
Pernambuco, o STF chegou a duas importantes conheceu da ADPF. Na ação, o partido pede, em
conclusões: síntese, que o STF profira comando judicial para que

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o Presidente da República e seus auxiliares cumpram Plenário. ADPF 890 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
a Constituição. Ocorre que isso já é óbvio. À luz do julgado em 26/11/2021 (Info 1039)
constitucionalismo contemporâneo, não há qualquer
dúvida de que a supremacia constitucional é o
MINISTÉRIO PÚBLICO
postulado sobre o qual se assenta a validade de
todos os atos estatais. Mostra-se inócua e desprovida
de qualquer utilidade provocar o Poder Judiciário A Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB
objetivando, única e exclusivamente, declarar que as ajuizou ADI contra o art. 2º e o art. 91, V, da Lei
autoridades públicas estão sujeitas à ordem Complementar estadual nº 106/2003, do Estado do
constitucional. Em um Estado Democrático de Direito, Rio de Janeiro. O art. 2º prevê autonomia financeira
como o Brasil, nenhum ato jurídico pode ser ao MP.
praticado validamente à margem da Constituição. O art. 91, V, afirma que os membros do MP possuem
Transgressões aos princípios e regras constitucionais direito à gratificação pela prestação de serviço à
praticadas por autoridades públicas ou particulares, Justiça Eleitoral, verba a ser paga pelo TRE.
quando ocorrem, exigem a intervenção judicial, em A AMB possui pertinência temática para ajuizar ações
caráter preventivo ou repressivo, diante de situações que busquem o aperfeiçoamento e a defesa do
concretas e específicas, e não por meio de uma ação funcionamento do próprio Poder Judiciário.
de controle concentrado de constitucionalidade. STF. Assim, o interesse dessa associação não se restringe
Plenário. ADPF 686/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado às matérias de interesse corporativo.
em 18/10/2021 (Info 1034). O art. 2º é constitucional. É constitucional dispositivo
de lei estadual que prevê a autonomia financeira do
Tribunal de Justiça pode julgar ADI contra lei
Ministério Público. Fundamento: art. 127, § 1º e § 3º,
municipal tendo como parâmetro a Constituição
da CF/88.
Federal, desde que seja uma norma de
O art. 91, V é inconstitucional. É inconstitucional
reprodução obrigatória.
dispositivo de lei estadual que institui gratificação aos
É constitucional o dispositivo de constituição estadual
membros do MP pela prestação de serviço à Justiça
que confere ao tribunal de justiça local a prerrogativa
Eleitoral a ser paga pelo Poder Judiciário. A previsão
de processar e julgar ação direta de
representa uma inadequada ingerência na
constitucionalidade contra leis e atos normativos
autonomia financeira do Poder Judiciário. STF.
municipais tendo como parâmetro a Constituição
Plenário. ADI 2831/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio,
Federal, desde que se trate de normas de
redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes,
reprodução obrigatória pelos estados. STF. Plenário.
julgado em 30/4/2021 (Info 1015)
ADI 5647/AP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
3/11/2021 (Info 1036) É inconstitucional norma que sujeita a escolha do
Chefe do Ministério Público estadual à aprovação
PRECATÓRIOS das Assembleias Legislativas.
STF. Plenário. ADI 6608, Rel. Min. Gilmar Mendes,
Caesb – Companhia de Saneamento do Distrito
julgado em 14/06/2021.
Federal (sociedade de economia mista) está sujeita
ao regime de precatórios e não pode ter seus bens É inconstitucional emenda à Constituição
penhorados para pagamento de verbas trabalhistas. estadual que trate sobre normas gerais para a
São inconstitucionais os pronunciamentos judiciais organização do Ministério Público e sobre
que determinam bloqueios e outros atos de atribuições dos órgãos e membros do Parquet
constrição sobre bens e valores da Companhia de Foi editada emenda à Constituição estadual
Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) afirmando que somente o PGJ poderia instaurar
para o pagamento de verbas trabalhistas. STF. inquérito civil e propor ACP contra membros do

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Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Tribunal de quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. STF.
Contas, do Ministério Público e da Defensoria Plenário. RE 1240999/SP, Rel. Min. Alexandre de
Pública. Essa emenda padece de vícios de Moraes, julgado em 3/11/2021 (Repercussão Geral –
inconstitucionalidade formal e material. Tema 1074) (Info 1036).
A referida emenda é formalmente inconstitucional Os Defensores Públicos não precisam estar inscritos
porque: na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para
a) usurpou a iniciativa reservada pela desempenhar suas funções institucionais. STF.
Constituição Federal ao Presidente da República Plenário. ADI 4636/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
para tratar sobre normas gerais para a julgado em 3/11/2021 (Info 1036)
organização do Ministério Público estadual (art.
61, § 1º, II, “d”, da CF/88); Nos processos judiciais eletrônicos, a intimação dos
b) tratou sobre matéria que deve ser disciplinada atos processuais se aperfeiçoa com a consulta
por meio de lei complementar de iniciativa do eletrônica realizada pela parte, que deve ocorrer em
chefe do Ministério Público estadual (§ 5º do art. até dez dias corridos, contados a partir da data de
128 da CF/88). envio da comunicação. Essa previsão se aplica
Além disso, constata-se inconstitucionalidade inclusive às entidades que gozam da prerrogativa de
material na norma impugnada por ofensa à notificação pessoal, tal como a Defensoria Pública.
autonomia e à independência do Ministério Caso a consulta não ocorra dentro do prazo de dez
Público, asseguradas pelo § 2º do art. 127 e pelo § 5º dias corridos, considerar-se-á intimada a parte,
do art. 128 da CF/88. automaticamente, ao término do prazo.
STF. Plenário. ADI 5281/RO e ADI 5324/RO, Rel. Min. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1513473/AL, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 11/5/2021 (Info 1016). Sebastião Reis Júnior, julgado em 08/06/2021.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC n. 616.973/SC, Rel. Min.
É inconstitucional lei estadual que exige que o Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/12/2020.
membro do Ministério Público comunique à
Corregedoria todas as vezes que for se ausentar A Defensoria Pública pode prestar assistência
da comarca onde está lotado. jurídica às pessoas jurídicas que preencham os
É inconstitucional, por configurar ofensa à liberdade requisitos constitucionais.
de locomoção, a exigência de prévia comunicação ou A Defensoria Pública, por obrigação, deve prestar
autorização para que os membros do Ministério assistência jurídica integral e gratuita aos que
Público possam se ausentar da comarca ou do comprovarem insuficiência de recursos. Todavia,
estado onde exercem suas atribuições. STF. Plenário. suas funções a essas não se restringem ao aspecto
ADI 6845/AC, Rel. Min. Carmen Lúcia, julgado em econômico. A Defensoria Pública deve zelar pelos
22/10/2021 (Info 1035) direitos e interesses de todos os necessitados, não
apenas sob o viés financeiro, mas também sob o
prisma da hipossuficiência e vulnerabilidade
DEFENSORIA PÚBLICA decorrentes de razões outras (idade, gênero, etnia,
condição física ou mental etc.). Conclui-se que a
Defensoria Pública, agente de transformação social,
Defensor Público não precisa ser inscrito na OAB
tem por tarefa assistir aqueles que, de alguma forma,
para exercer suas funções.
encontram barreiras para exercitar seus direitos.
Não se harmoniza com a Constituição Federal o art.
Naturalmente. sua atribuição precípua é o resguardo
3º da Lei 8.906/1994 ao estatuir a dupla sujeição ao
dos interesses dos carentes vistos sob o prisma
regime jurídico da Ordem dos Advogados do Brasil
financeiro. Todavia não é a única. Isso porque, como
(OAB) e ao da Defensoria Pública, federal ou
sabemos, as desigualdades responsáveis pela intensa
estadual. Tese fixada pelo STF: É inconstitucional a
instabilidade social não são apenas de ordem
exigência de inscrição do Defensor Público nos

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econômica. Não há, em princípio, impedimento sem que isso importe ofensa material à Constituição.
insuperável a que pessoas jurídicas venham, A existência, nos quadros da Administração Pública
também, a ser consideradas titulares de direitos estadual, de órgão administrativo de perícias não
fundamentais, não obstante estes, originalmente, gera obrigação de subordiná-lo à polícia civil.
terem por referência a pessoa física. As expressões STF. Plenário. ADI 6621/TO, Rel. Min. Edson Fachin,
“insuficiência de recursos” e “necessitados” podem julgado em 7/6/2021 (Info 1020).
aplicar-se tanto às pessoas físicas quanto às pessoas
jurídicas. Portanto, há a possibilidade de que pessoas
CULTURA
jurídicas sejam, de fato, hipossuficientes e, portanto,
sejam assistidas pela Defensoria Pública. STF.
Plenário. ADI 4636/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, São constitucionais a cota de tela, consistente na
julgado em 3/11/2021 (Info 1036) obrigatoriedade de exibição de filmes nacionais
nos cinemas brasileiros, e as sanções
Municípios podem instituir a prestação de
administrativas decorrentes de sua inobservância.
assistência jurídica à população de baixa renda.
A denominada “cota de tela” promove intervenção
A prestação desse serviço público para auxílio da
voltada a viabilizar a efetivação do direito à cultura,
população economicamente vulnerável não tem por
sem, por outro lado, atingir o núcleo dos direitos à
objetivo substituir a atividade prestada pela
livre iniciativa, à livre concorrência e à propriedade
Defensoria Pública. O serviço municipal atua de
privada, apenas adequando as liberdades
forma simultânea. Trata-se de mais um espaço para
econômicas à sua função social.
garantia de acesso à jurisdição (art. 5º, LXXIV, da
STF. Plenário. RE 627432/RS, Rel. Min. Dias Toffoli,
CF/88). Os municípios detêm competência para
julgado em 18/3/2021 (Repercussão Geral – Tema
legislar sobre assuntos de interesse local,
704) (Info 1010).
decorrência do poder de autogoverno e de
autoadministração. Assim, cabe à administração São constitucionais os procedimentos licitatórios
municipal estar atenta às necessidades da que exijam percentuais mínimos e máximos a
população, organizando e prestando os serviços serem observados pelas emissoras de rádio na
públicos de interesse local (art. 30, I, II e V). Além produção e transmissão de programas culturais,
disso, a competência material para o combate às artísticos e jornalísticos locais, nos termos do art.
causas e ao controle das condições dos vulneráveis 221 da Constituição Federal.
em razão da pobreza e para a assistência aos STF. Plenário. RE 1070522/PE, Rel. Min. Luiz Fux,
desfavorecidos é comum a todos os entes federados julgado em 18/3/2021 (Repercussão Geral – Tema
(art. 23, X). STF. Plenário. ADPF 279/SP, Rel. Min. 1013) (Info 1010).
Cármen Lúcia, julgado em 3/11/2021 (Info 1036)

TEMAS DIVERSOS

SEGURANÇA PÚBLICA
AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

O Presidente da República tem liberdade para


Os institutos de criminalística dos Estados podem escolher como Reitor qualquer um dos três nomes da
ser instituídos como órgãos próprios, com lista a ele encaminhada, não sendo obrigado a
autonomia formal, ou podem integrar os demais nomear o mais votado.
órgãos de segurança pública A Lei nº 5.540/68, com redação dada pela Lei nº
Os Estados podem optar por garantir a autonomia 9.192/95, prevê que a Universidade, por meio do seu
formal aos institutos de criminalística ou podem colegiado máximo, irá encaminhar ao Presidente da
integrá-los aos demais órgãos de segurança pública, República uma lista com três nomes de professores

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da instituição. A partir dessa lista tríplice, o A previsão de nomeação “pro tempore”, pelo Ministro
Presidente escolhe um nome e o nomeia para um da Educação, de dirigentes de instituições de ensino
mandato de 4 anos. federais viola os princípios da isonomia, da
Essa opção legal pela escolha dos dirigentes máximos impessoalidade, da proporcionalidade, da
das universidades em ato complexo não ofende a autonomia e da gestão democrática do ensino
autonomia universitária, prevista no art. 207 da público.
Constituição. É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra
O ato de nomeação dos Reitores de universidades Decreto presidencial quando este assume feição
públicas federais, regido pela Lei nº 5.540/68, com a flagrantemente autônoma, ou seja, quando não
redação dada pela Lei nº 9.192/95, não afronta o art. regulamenta lei, apresentando-se como ato
207 da Constituição Federal, por não significar tal ato normativo independente que inova na ordem
um instrumento de implantação de políticas jurídica, criando, modificando ou extinguindo direitos
específicas determinadas pelo chefe do Poder e deveres.
Executivo, nem indicar mecanismo de controle STF. Plenário. ADI 6543/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
externo à autonomia universitária. Trata-se de julgado em 26/3/2021 (Info 1011).
discricionariedade mitigada que, a partir de
requisitos objetivamente previstos pela legislação
SIGILO PROFISSIONAL
federal, exige que a escolha do chefe do Poder
Executivo recaia sobre um dos três nomes eleitos Em processo de execução, juiz não pode
pela universidade. determinar que o advogado do executado junte
STF. Plenário. ADPF 759 MC-Ref/DF, Rel. Min. Edson aos autos contrato de prestação de serviços
Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de advocatícios para que se verifique o real endereço
Moraes, julgado em 6/2/2021 (Info 1004). do devedor. Decisão judicial que determina a
apresentação do contrato de serviços advocatícios,
É inconstitucional emenda à Constituição com a finalidade de verificação do endereço do
Estadual que confere autonomia financeira e cliente/executado, fere o direito à inviolabilidade e
orçamentária próprias de órgãos de Poder à sigilo profissional da advocacia. Caso concreto: em
universidade estadual. um processo de execução (cumprimento de
É constitucional o repasse de recursos sentença), o juiz determinou que o advogado do
orçamentários para universidade estadual na devedor juntasse aos autos o contrato de serviços
forma de duodécimos. advocatícios para se verificar o real endereço do
Não pode o Estado-membro, por meio de sua executado a fim de que pudesse ser expedido
Constituição ou legislação, instituir procuradoria mandado de penhora contra o devedor. O STJ cassou
jurídica própria para universidade estadual. a decisão afirmando que ela fere o direito à
É inconstitucional dispositivo da Constituição inviolabilidade e sigilo profissional da advocacia. STJ.
Estadual que preveja que a Universidade Estadual 4ª Turma. RMS 67.105-SP, Rel. Min. Luis Felipe
escolherá seu reitor sem qualquer participação Salomão, julgado em 21/09/2021 (Info 710).
do Chefe do Poder Executivo no processo.
Também é inconstitucional dispositivo da
Material extraído dos informativos (versão resumida),
Constituição Estadual que preveja iniciativa
disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
privativa da Universidade Estadual para propor
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
projeto de lei que disponha sobre sua estrutura e
partes mais importantes pela equipe da Legislação
funcionamento administrativo, bem como sobre suas
Destacada.
atividades pedagógicas.
STF. Plenário. ADI 5946/RR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 21/5/2021 (Info 1018)

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DIREITO ADMINISTRATIVO
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS

STF até Info 1041 e STJ até Info 721


PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

Está em desconformidade com a Constituição Federal


PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS 1
a previsão contida na Lei Orgânica do Distrito Federal
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE 1
que autoriza que cada Poder defina, por norma
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA 1 interna, as hipóteses pelas quais a divulgação de ato,
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA 2 programa, obra ou serviço públicos não constituirá
AUTOTUTELA 3 promoção pessoal. Essa delegação conferida viola o §
1º do art. 37 da CF/88, que não admite flexibilização
PODERES ADMINISTRATIVOS 3 por norma infraconstitucional ou regulamentar. É de
PODER REGULAMENTAR 3 se conferir interpretação conforme à Constituição ao
§ 6º do art. 22 da Lei Orgânica do Distrito Federal
SERVIÇOS PÚBLICOS 3
para que a divulgação de atos e iniciativas de
LICITAÇÕES E CONTRATOS 4 parlamentares seja tida como legítima apenas
quando efetuada nos ambientes de divulgação do
SERVIDORES PÚBLICOS 4
mandatário ou do partido político, não se
TETO REMUNERATÓRIO 7
havendo de confundi-la com a publicidade do
ASCENSÃO E TRANSPOSIÇÃO 8
órgão público ou entidade.
APOSENTADORIA 8
STF. Plenário. ADI 6522/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
EXERCÍCIO DA ADVOCACIA E CARGOS PÚBLICOS julgado em 14/5/2021 (Info 1017).
8
REMUNERAÇÃO 8
REMOÇÃO 9 ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
SERVIDORES TEMPORÁRIOS 10
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 10
É desnecessária a autorização legislativa expressa
CONCURSO PÚBLICO 11 para a criação de subsidiárias quando houver
autorização legislativa da criação de empresa
PROCESSO ADMINISTRATIVO 12
pública ou sociedade de economia mista e nesta
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO 12 constar permissão genérica da possibilidade de

PESSOA JURÍDICA E DANO MORAL 13 criação de subsidiárias.


Assim, não se exige lei específica para autorizar a
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE 13 criação de subsidiária. Com base no paralelismo das
DESAPROPRIAÇÃO 13 formas, como não é exigida lei específica para criar a
REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA 15 subsidiária, também não é necessária lei específica
para alienar o seu controle acionário. Em palavras
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 16
mais simples: como não se exige lei específica para
TEMAS DIVERSOS 18 criar, também não se exige lei específica para
CÓDIGO DE TRÂNSITO 18 “vender”.
DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR 18 STF. Plenário. ADPF 794/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
ANISTIA POLÍTICA 18 julgado em 21/5/2021 (Info 1018)

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS 19


São constitucionais os incisos III e VII do art. 8º-A,
CÓDIGO DE TRÂNSITO 19
da Lei 9.986/2000.
FGTS 19

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1
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A Lei nº 9.986/2000 dispõe sobre a gestão de 9.650/98. Não houve qualquer alteração normativa
recursos humanos das Agências Reguladoras. nessas leis. A LC 179/2021 tampouco criou ou
Os art. 8º-A prevê algumas pessoas que são proibidas extinguiu ministérios ou órgãos da Administração
de integrar o Conselho Diretor ou a Diretoria Pública. O Banco Central continua a existir, com
Colegiada das agências reguladoras. Veja as natureza jurídica de autarquia especial federal. Na
hipóteses dos incisos III e VII: realidade, a LC nº 179/2021 transcende o propósito
Art. 8º-A. É vedada a indicação para o Conselho de dispor sobre servidores públicos ou criar órgão
Diretor ou a Diretoria Colegiada: público. Ela dá configuração a uma instituição de
III - de pessoa que exerça cargo em organização Estado – não de governo –, que tem relevante papel
sindical; como árbitro neutro, cuja atuação não deve estar
VII - de membro de conselho ou de diretoria de sujeita a controle político unipessoal. STF. Plenário.
associação, regional ou nacional, representativa de ADI 6696/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, redator
interesses patronais ou trabalhistas ligados às do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
atividades reguladas pela respectiva agência. 26/8/2021 (Info 1027).
O STF declarou que esses incisos são constitucionais.
É constitucional dispositivo legal que veda a indicação
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
de pessoa que exerça cargo em organização sindical
ou que seja membro de conselho ou diretoria de O art. 37, XIX, da CF/88 afirma que é necessária a
associação patronal ou trabalhista para a alta direção edição de uma lei específica para se autorizar a
das agências reguladoras. instituição de uma sociedade de economia mista ou
STF. Plenário. ADI 6276/DF, Rel. Min. Edson Fachin, uma empresa pública.
julgado em 17/9/2021 (Info 1030). Para que ocorra a desestatização da empresa estatal
também necessária lei específica ou basta uma
É constitucional a LC 179/2021, que conferiu autorização genérica prevista em lei que veicule
autonomia ao Banco Central do Brasil. É programa de desestatização? A Lei nº 9.491/97 tratou
constitucional a Lei Complementar nº 179/2021, que sobre o Programa Nacional de Desestatização e
definiu os objetivos e conferiu autonomia ao Banco autorizou a desestatização de empresas estatais.
Central do Brasil, além de ter tratado sobre a Essa lei genérica é suficiente?
nomeação e a exoneração de seu presidente e de Em regra, sim.
seus diretores. Não ficou caracterizada qualquer É desnecessária, em regra, lei específica para
violação ao devido processo legislativo na tramitação inclusão de sociedade de economia mista ou de
do projeto que deu origem a essa lei, não tendo empresa pública em programa de desestatização.
havido afronta à iniciativa reservada do Presidente da Não se aplica o princípio do paralelismo das formas.
República. A competência para legislar é, por Exceção: em alguns casos a lei que autorizou a
excelência, do Poder Legislativo. A reserva de criação da empresa estatal afirmou
iniciativa legislativa para o chefe do Poder Executivo expressamente que seria necessária lei específica
constitui-se em previsão excepcional e que, por isso, para sua extinção ou privatização. Nesses casos,
deve ser interpretada restritivamente. Os autores da obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não
ADI alegaram que a matéria veiculada na LC basta a Lei nº 9.491/97), sendo necessária lei
179/2021 seria enquadrada no art. 61, § 1º, II, “c” e específica.
“e”, da CF/88. Se fosse acolhida essa afirmação, STF. Plenário. ADI 6241/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
estaria sendo conferida uma interpretação extensiva julgado em 6/2/2021 (Info 1004)
da previsão constitucional. Isso porque a LC 179/2021
não dispôs sobre o regime jurídico dos servidores
públicos do Banco Central, que continua a ser
disciplinado pela Lei nº 8.112/90 e pela Lei nº

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AUTOTUTELA
subordina-se aos preceitos legais e regulamentares
É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo que regem a outorga, prestação e fruição dos
decadencial de 10 anos para anulação de atos serviços de telecomunicações no regime público e no
administrativos reputados inválidos pela regime privado. O art. 19, IV e X, da Lei 9.472/97,
Administração Pública estadual. desse modo, é constitucional.
STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em Impossibilidade de a ANATEL realizar busca e
12/4/2021 (Info 1012). apreensão (o inciso XV do art. 19 é inconstitucional)
A busca e posterior apreensão efetuada sem ordem
judicial, com base apenas no poder de polícia de que
PODERES ADMINISTRATIVOS
é investida a ANATEL, mostra-se inconstitucional
diante da violação ao disposto no princípio da
PODER REGULAMENTAR inviolabilidade de domicílio, à luz do art. 5º, XI, da

A Lei não pode estipular um prazo para que o Constituição Federal. Logo, o art. 19, XV, da Lei nº

chefe do Poder Executivo faça a sua 9.472/97 é inconstitucional.

regulamentação.
Ofende os arts. 2º e 84, II, da Constituição Federal Interpretação conforme do art. 22, II

norma de legislação estadual que estabelece prazo A competência atribuída ao Conselho Diretor da

para o chefe do Poder Executivo apresentar a ANATEL para editar normas próprias de licitação e

regulamentação de disposições legais. Exemplo: Art. contratação (art. 22, II, da Lei nº 9.472/97) deve

9º O Chefe do Poder Executivo regulamentará a observar o arcabouço normativo atinente às

matéria no âmbito da Administração Pública Estadual licitações e aos contratos, em respeito ao princípio da

no prazo de 90 dias. Essa previsão é inconstitucional. legalidade.

STF. Plenário. ADI 4728/DF, Rel. Min. Rosa Weber,


julgado em 12/11/2021 (Info 1037). É inconstitucional a expressão “serão disciplinados
pela Agência” contida no art. 55 da Lei
Diante da especificidade dos serviços de
SERVIÇOS PÚBLICOS telecomunicações, é válida a criação de novas
modalidades licitatórias por lei de mesma hierarquia
da Lei Geral de Licitações (Lei 8.666/93). Portanto, sua
O art. 18, I, II e III da Lei 9.472/97 é compatível com os
disciplina deve ser feita por meio de lei, e não de atos
arts. 21, XI, e 48, XII, da CF/88
infralegais, em obediência aos artigos 21, XI, e 22,
A competência atribuída ao chefe do Poder Executivo
XXVII, do texto constitucional.
para expedir decreto em ordem a instituir ou
eliminar a prestação do serviço em regime público,
Interpretação conforme do art. 59
em concomitância ou não com a prestação no regime
A contratação, a que se refere o art. 59 da Lei nº
privado, aprovar o plano geral de outorgas do serviço
9.472/97, de técnicos ou empresas especializadas,
em regime público e o plano de metas de
inclusive consultores independentes e auditores
universalização do serviço prestado em regime
externos, para executar atividades de competência
público está em perfeita consonância com o poder
da ANATEL, deve observar o regular procedimento
regulamentar previsto no art. 84, IV, parte final, e VI,
licitatório previsto pelas leis de regência.
da Constituição Federal.

Constitucionalidade dos arts. 65, III, §§ 1º e 2º, 66 e 69


Interpretação conforme dada ao art. 19, IV e X
da Lei
A competência da Agência Nacional de
A possibilidade de concomitância de regimes público
Telecomunicações (ANATEL) para expedir normas
e privado de prestação do serviço, assim como a

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definição das modalidades do serviço são questões Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro),
estritamente técnicas, da alçada da agência, a quem pela União, para prestação de serviços de tecnologia
cabe o estabelecimento das bases normativas de da informação considerados estratégicos, assim
cada matéria relacionada à execução, à definição e especificados em atos de ministro de Estado, no
ao estabelecimento das regras peculiares a cada âmbito do respectivo ministério.
serviço. Há evidente interesse público a justificar que serviços
de tecnologia da informação a órgãos como a
Inconstitucionalidade das expressões “simplificado” e Secretaria do Tesouro Nacional e a Secretaria da
“nos termos por ela regulados” previstas no art. 119 Receita Federal, integrantes da estrutura do
da Lei nº 9.472/97 Ministério da Economia, sejam prestados com
A ANATEL não pode disciplinar procedimento exclusividade por empresa pública federal criada
licitatório simplificado por meio de norma de para esse fim, como é o caso do Serpro.
hierarquia inferior à Lei Geral de Licitações, sob pena STF. Plenário. ADI 4829/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
de ofensa ao princípio da reserva legal. Por isso, são julgado em 20/3/2021 (Info 1010)
inconstitucionais as expressões “simplificado” e “nos
termos por ela regulados” do art. 119, da Lei nº
SERVIDORES PÚBLICOS
9.472/97. STF. Plenário. ADI 1668/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 27/2/2021 (Info 1007).

É inconstitucional o aproveitamento de servidor,


O Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)
aprovado em concurso público a exigir formação de
destinado à ampliação e ao fortalecimento da
nível médio, em cargo que pressuponha
interação entre o Estado e a iniciativa privada (MP
escolaridade superior.
727/2016, convertida na Lei nº 13.334/2016) não
STF. Plenário. RE 740008/RR, Rel. Min. Marco Aurélio,
afronta os princípios da Administração Pública e da
julgado em 19/12/2020 (Repercussão Geral – Tema
proteção do meio ambiente e dos índios (art. 23, VI,
697) (Info 1003).
art. 37, caput e art. 231, § 2º, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 5551/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, Os servidores públicos federais, quando
julgado em 13/3/2021 (Info 1009) desempenhavam funções gratificadas tinham direito
de incorporar, em sua remuneração, a vantagem
decorrente do cargo em comissão ou da função de
LICITAÇÕES E CONTRATOS
direção, chefia e assessoramento. Isso estava
previsto na redação original do art. 62 da Lei nº
O regime de licitação e contratação previsto na Lei nº 8.112/90. Isso ficou conhecido como incorporação de
8.666/93 é inaplicável às sociedades de economia quintos em razão do exercício de funções
mista que explorem atividade econômica própria gratificadas.
das empresas privadas, concorrendo, portanto, no Houve uma discussão se os servidores públicos
mercado. Não é possível conciliar o regime previsto federais tiveram direito à incorporação dos quintos
na Lei nº 8.666/93 com a agilidade própria desse tipo no período que vai de 08/04/1998 a 04/09/2001. Após
de mercado que é movido por intensa concorrência várias decisões favoráveis aos servidores, o STF
entre as empresas que nele atuam. decidiu em sentido contrário.
STF. Plenário. RE 441280/RS, Rel. Min. Dias Tofolli, Em 2015, o STF decidiu que não era permitida a
julgado em 6/3/2021 (Info 1008). incorporação dos quintos nesse período e que essa
possibilidade acabou com a edição da MP 1.595-14
É constitucional o art. 2º da Lei nº 5.615/70, com (convertida na Lei nº 9.527/97). Ocorre que muitos
redação dada pela Lei nº 12.249/2010, que dispensa a servidores estavam recebendo os quintos referentes
licitação a fim de permitir a contratação direta do ao período de 08/04/1998 a 04/09/2001 por força de

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decisões judiciais ou administrativas. Como ficou a A Lei nº 13.116/2015 estabelece normas gerais para
situação dessas pessoas? O STF, em embargos de implantação e compartilhamento da infraestrutura
declaração, decidiu modular os efeitos da decisão e de telecomunicações. Esse diploma normativo ficou
afirmou o seguinte: conhecido como Lei Geral das Antenas.
• é indevida a cessação imediata do pagamento O art. 12 dessa Lei proíbe que os Estados, o Distrito
dos quintos quando houve uma decisão judicial Federal e os Municípios cobrem contraprestação das
transitada em julgado em favor do servidor. Neste concessionárias pelo direito de passagem em vias
caso, o servidor já incorporou definitivamente os públicas, faixas de domínio e outros bens públicos de
quintos ao seu patrimônio jurídico; uso comum na instalação de infraestrutura e redes
• se o servidor estava recebendo os quintos em de telecomunicações.
razão de decisão administrativa ou de decisão O regramento do direito de passagem previsto no
judicial não definitiva, o pagamento dos quintos é art. 12, caput, da Lei Geral das Antenas (Lei nº
indevido. No entanto, os efeitos da decisão foram 13.116/2015) se insere no âmbito da competência
modulados, de modo que aqueles que recebem a privativa da União para legislar sobre
parcela até a data de hoje terão o pagamento telecomunicações (art. 22, IV, da CF/88) e sobre
mantido até a sua absorção integral por quaisquer normas gerais de licitação e contratação
reajustes futuros concedidos aos servidores. Em administrativa (art. 22, XXVII, da CF/88).
outras palavras, a remuneração ou os proventos não O art. 12 da Lei Geral das Antenas respeita os
diminuirão de valor imediatamente. No entanto, princípios constitucionais da eficiência e da
quando houver um aumento, esse valor dos quintos moralidade administrativa.
sumirá, sendo absorvido pelo aumento. STF. Plenário. O ônus real advindo da gratuidade do direito de
RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, passagem estabelecido no art. 12 da Lei nº
julgado em 18/12/2019 (Info 964). 13.116/2015 é adequado, necessário e proporcional
O STJ acompanhou o STF e fixou as seguintes teses: em sentido estrito, considerando o direito de
a) Servidores públicos federais civis não possuem propriedade restringido. Do ponto de vista material,
direito às incorporações de quintos/décimos pelo não é compatível com a ordem constitucional vigente
exercício de funções e cargos comissionados o entendimento de que o direito de propriedade —
entre a edição da Lei nº 9.624/98 e a MP nº mesmo que titularizado por ente político — revista-se
2.225-48/2001; de garantia absoluta. Logo, não se pode dizer que
b) Porém, os servidores públicos que recebem essa restrição imposta pelo art. 12 tenha violado o
quintos/décimos pelo exercício de funções e direito constitucional de propriedade.
cargos comissionados entre a edição da Lei nº STF. Plenário. ADI 6482/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
9.624/98 e a MP nº 2.225-48/2001, seja por decisão julgado em 18/2/2021 (Info 1006).
administrativa ou decisão judicial não transitada em
julgado, possuem direito subjetivo de continuar O mecanismo de atualização do piso nacional do
recebendo os quintos/décimos até o momento de magistério da educação básica, previsto no art. 5º,
sua absorção integral por quaisquer reajustes parágrafo único, da Lei nº 11.738/2008, é compatível
futuros concedidos aos servidores; com a Constituição Federal:
c) Nas hipóteses em que a incorporação aos Art. 5º O piso salarial profissional nacional do
quintos/décimos estiver substanciada em coisa magistério público da educação básica será
julgada material, não é possível a descontinuidade atualizado, anualmente, no mês de janeiro, a partir
dos pagamentos de imediato. do ano de 2009.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.261.020-CE, Rel. Min. Mauro Parágrafo único. A atualização de que trata o caput
Campbell Marques, julgado em 10/02/2021 (Recurso deste artigo será calculada utilizando-se o mesmo
Repetitivo – Tema 503) (Info 685). percentual de crescimento do valor anual mínimo por
aluno referente aos anos iniciais do ensino

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fundamental urbano, definido nacionalmente, nos subsídio percebido pelos Desembargadores e


termos da Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. pelos Deputados Estaduais.
STF. Plenário. ADI 4848/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, É inconstitucional lei estadual que afirme que os
julgado em 27/2/2021 (Info 1007) Deputados Estaduais deverão receber 75% do
subsídio dos Deputados Federais. STF. Plenário. ADI
Os pagamentos indevidos aos servidores públicos 6468/SE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/8/2021
decorrentes de erro administrativo (operacional (Info 1024)
ou de cálculo), não embasado em interpretação
errônea ou equivocada da lei pela Administração, Há prescrição de fundo de direito nas ações em que
ESTÃO SUJEITOS À DEVOLUÇÃO, ressalvadas as se busca a concessão do benefício de pensão por
hipóteses em que o servidor, diante do caso morte?
concreto, comprova sua boa-fé objetiva, sobretudo Não ocorre a prescrição do fundo de direito no
com demonstração de que não lhe era possível pedido de concessão de pensão por morte, no
constatar o pagamento indevido. caso de inexistir manifestação expressa da
STJ. 1ª Seção. REsp 1.769.306/AL, Rel. Min. Benedito Administração negando o direito reclamado,
Gonçalves, julgado em 10/03/2021 (Recurso estando prescritas apenas as prestações vencidas no
Repetitivo – Tema 1009) (Info 688). quinquênio que precedeu à propositura da ação.
Situação diversa ocorre quando houver o
A justiça comum é competente para processar e indeferimento do pedido administrativo de pensão
julgar ação em que se discute a reintegração de por morte, pois, em tais situações, o interessado
empregados públicos dispensados em face da deve submeter ao Judiciário, no prazo de 5 anos,
concessão de aposentadoria espontânea. A contados do indeferimento, a pretensão referente ao
concessão de aposentadoria, com utilização do próprio direito postulado, sob pena de fulminar o
tempo de contribuição, leva ao rompimento do lustro prescricional. STJ. 1ª Seção. EDCL nos EREsp
vínculo trabalhista nos termos do art. 37, § 14, da CF. 1.269.726-MG, Rel. Min. Manoel Erhardt
Entretanto, é possível a manutenção do vínculo (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região),
trabalhista, com a acumulação dos proventos com o julgado em 25/08/2021 (Info 706).
salário, se a aposentadoria se deu pelo RGPS antes
da promulgação da EC 103/2019. Não é possível conceder pensão vitalícia aos
Tese fixada pelo STF: A natureza do ato de dependentes de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador
demissão de empregado público é que morreram no exercício do mandato. A
constitucional-administrativa e não trabalhista, o concessão de pensão vitalícia à viúva, à companheira
que atrai a competência da Justiça comum para e a dependentes de prefeito, vice-prefeito e vereador,
julgar a questão. A concessão de aposentadoria aos falecidos no exercício do mandato, não é compatível
empregados públicos inviabiliza a permanência no com a Constituição Federal. STF. Plenário. ADPF
emprego, nos termos do art. 37, § 14, da Constituição 764/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
Federal, salvo para as aposentadorias concedidas 27/8/2021 (Info 1027).
pelo Regime Geral de Previdência Social até a data de
entrada em vigor da Emenda Constitucional 103/19, O professor do ensino básico técnico e tecnológico
nos termos do que dispõe seu art. 6º. STF. Plenário. aposentado antes da Lei 12.772/2012, mas cujo
RE 655283/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do certificado ou título foi obtido antes da inativação,
acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 16/6/2021 tem direito ao Reconhecimento de Saberes e
(Repercussão Geral – Tema 606) (Info 1022) Competência (RSC), para fins de cálculo da
Retribuição por Titulação - RT Baixa relevância para
É inconstitucional lei estadual que preveja que o concursos. O professor do ensino básico técnico e
Governador e o Vice-Governador do Estado não tecnológico aposentado anteriormente à vigência da
poderão receber remuneração inferior ao Lei nº 12.772/2012, mas cujo certificado ou título foi

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obtido antes da inativação, tem direito ao 11.440/2006 é inconstitucional porque: • confere


Reconhecimento de Saberes e Competência (RSC), tratamento anti-isonômico injustificável; • viola a
para fins de cálculo da Retribuição por Titulação - RT. especial proteção constitucional da família; • a
STJ. 2ª Turma. REsp 1.914.546-PE, Rel. Min. Og possibilidade de exercício provisório também gera
Fernandes, julgado em 05/10/2021 (Info 713). benefícios para a Administração Pública. STF.
Plenário. ADI 5355/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
Se o indivíduo, apesar de ser titular de serventia 10 e 11/11/2021 (Info 1038).
não estatizada, receber remuneração dos cofres
públicos, ele estará sujeito à aposentadoria
TETO REMUNERATÓRIO
compulsória.
O STF, ao julgar o RE 647827/PR (Tema 571) fixou a O teto constitucional remuneratório não incide
seguinte tese: Não se aplica a aposentadoria sobre os salários pagos por empresas públicas e
compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos sociedades de economia mista, e suas
titulares de serventias judiciais não estatizadas, subsidiárias, que não recebam recursos da
desde que não sejam ocupantes de cargo público Fazenda Pública.
efetivo e não recebam remuneração proveniente dos Veja o que diz o § 9º do art. 37 da CF/88: “O disposto
cofres públicos. No caso concreto, o STJ reconheceu no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às
que o impetrante estava sujeito à aposentadoria sociedades de economia mista, e suas subsidiárias,
compulsória porque ele se enquadrava na parte final que receberem recursos da União, dos Estados, do
da tese acima exposta. Apesar de o indivíduo ser Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento
titular de serventia não estatizada, ele receia de despesas de pessoal ou de custeio em geral.”
remuneração dos cofres públicos. Desse modo, STF. Plenário. ADI 6584/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes,
estava sujeito à aposentadoria compulsória aos 75 julgado em 21/5/2021 (Info 1018)
anos. STJ. 2ª Turma. RMS 57.258-GO, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 16/11/2021 (Info 718) É incompatível com a CF/88 a emenda à Constituição
estadual que institui, como limite remuneratório
É inconstitucional a vedação ao exercício provisório, único dos servidores públicos estaduais, o valor do
de que trata o § 2º do art. 84 da Lei 8.112/90, nas subsídio dos ministros do STF
unidades administrativas do Ministério das Relações A EC nº 47/2005 facultou aos Estados-membros e ao
Exteriores (MRE) no exterior. Distrito Federal, mediante Emenda à Constituição
O § 2º do art. 84 da Lei nº 8.112/90 afirma que, se o estadual ou à Lei Orgânica distrital (conforme o caso),
servidor público federal for transferido para local fixar o teto remuneratório dos servidores públicos
diverso de onde ele morava, o seu estaduais ou distritais, adotando, como limite único,
cônjuge/companheiro – que também for servidor o valor do subsídio mensal dos Desembargadores
público – ficará de licença de seu órgão de origem e dos respectivos Tribunais de Justiça, limitado a
poderá exercer provisoriamente atividade compatível 90,25% do subsídio mensal dos Ministros do STF.
com seu cargo em órgão ou entidade da Viola o art. 37, § 12, da Constituição Federal a
Administração Federal no local para onde se mudou. norma estadual que, embora veiculada por meio
Trata-se do chamado exercício provisório. O art. 69 de Emenda à Constituição, elege como parâmetro
da Lei nº 11.440/2006 proibiu, nas unidades remuneratório máximo dos servidores públicos
administrativas do Ministério das Relações Exteriores estaduais o valor integral do subsídio dos
no exterior, o exercício provisório. Assim, o servidor Ministros do STF.
público cônjuge de diplomata, oficial ou assistente de STF. Plenário. ADI 6746/RO, Rel. Min. Rosa Weber,
chancelaria não poderia ter direito à licença julgado em 28/5/2021 (Info 1019).
remunerada do § 2º do art. 84 da Lei nº 8.112/90. O
STF decidiu que essa vedação do art. 69 da Lei nº O teto aplicável aos servidores municipais é, em
regra, o subsídio do prefeito, não podendo se

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aplicar o modelo facultativo do § 12 do art. 37 da do STF. Assim, o teto remuneratório de Procuradores


CF aos servidores municipais. No que tange ao teto Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ. STF.
remuneratório, os Estados-membros e o Distrito Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
Federal possuem duas opções: em 28/2/2019 (Info 932).
a) escolher estipular um teto por Poder (chamado de
modelo geral):
ASCENSÃO E TRANSPOSIÇÃO
a.1) Executivo: subsídio do Governador.
a.2) Legislativo: subsídio dos Deputados Estaduais. É inconstitucional a interpretação de disposições
a.3) Judiciário (inclui MP, Defensoria e Procuradoria): legais que viabilizem a promoção a cargo de nível
subsídio dos Desembargadores do TJ, limitado a superior a servidores que ingressaram por
90,25% do subsídio mensal, em espécie, dos concurso público para cargo de nível médio.
Ministros do STF. STF. Plenário. ADI 6355/PE, Rel. Min. Cármen Lúcia,
b) escolher estipular um subteto único para todos os julgado em 28/5/2021 (Info 1019).
Poderes.
Este subteto único corresponderia ao subsídio dos APOSENTADORIA
Desembargadores do TJ, para todo e qualquer
Em atenção aos princípios da segurança jurídica e
servidor de qualquer poder, ficando de fora desse
da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão
subteto apenas o subsídio dos Deputados. Essa
sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da
segunda opção é chamada de modelo facultativo e
legalidade do ato de concessão inicial de
está prevista no § 12 do art. 37 da CF/88, inserido
aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da
pela EC 47/2005. Para adotar o modelo facultativo, os
chegada do processo à respectiva Corte de
Estados ou DF precisam de uma emenda à
Contas. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel. Min. Gilmar
Constituição estadual ou à Lei orgânica distrital. Vale
Mendes, julgado em 19/2/2020 (repercussão geral –
ressaltar, contudo, que esse modelo facultativo do
Tema 445) (Info 967).
§ 12 do art. 37 da CF/88 não pode ser aplicado
Os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5
para os servidores municipais. O teto
anos para o julgamento da legalidade do ato de
remuneratório aplicável aos servidores
concessão inicial de aposentadoria, reforma ou
municipais, excetuados os vereadores*, é o
pensão, a contar da chegada do processo à
subsídio do prefeito municipal. Assim, é
respectiva Corte de Contas.
inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual
STJ. 2ª Turma. REsp 1.506.932/PR, Rel. Min. Mauro
que fixe o subsídio dos membros do TJ local como
Campbell Marques, julgado em 02/03/2021 (Info 687)
teto remuneratório aplicável aos servidores
municipais. STF. Plenário. ADI 6811/PE, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 20/8/2021 (Info EXERCÍCIO DA ADVOCACIA E CARGOS PÚBLICOS
1026).
O exercício da advocacia, mesmo em causa própria, é
* Apesar de o julgado ter ressalvado apenas a
incompatível com as atividades desempenhadas
situação dos vereadores, podemos apontar uma
por servidor ocupante de cargo público de agente
segunda exceção: os procuradores municipais.
de trânsito, nos termos do art. 28, V, da Lei nº
Segundo decidiu o STF em outra oportunidade: A
8.906/94 (Estatuto da OAB).
expressão "Procuradores", contida na parte final do
STJ. 1ª Seção. REsp 1.815.461/AL, Rel. Min. Assusete
inciso XI do art. 37 da Constituição da República,
Magalhães, julgado em 10/02/2021 (Recurso
compreende os procuradores municipais, uma vez
Repetitivo – Tema 1028) (Info 685).
que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça,
estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25%
(noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por REMUNERAÇÃO
cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros Policiais Federais fazem jus a pagamento de

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diárias apenas no caso de deslocamentos que da isonomia. A isonomia, em seu sentido material,
ultrapassem a circunscrição oficial da sua significa tratar igualmente os iguais e desigualmente
unidade de lotação, a título de indenização por os desiguais. A autorização para a instituição de
despesas extraordinárias. O Departamento de tetos diferenciados para União, Estados, Distrito
Polícia Federal editou ato normativo afirmando que Federal e Municípios tem por objetivo permitir
os policiais federais só teriam direito ao pagamento que os entes federativos limitem a remuneração
de “diária” se o deslocamento fosse para fora da do serviço público com base em suas respectivas
circunscrição oficial de sua unidade de lotação. O realidades financeiras. Existem singularidades
Sindicato ajuizou ação questionando a legalidade materiais e funcionais nos diversos estratos do poder
desse ato normativo sob o argumento de que essa público, de modo que é legítima a instituição de tetos
limitação (só pagar se a viagem for para fora da de remuneração particularizados a cada situação
circunscrição do policial) violaria o art. 58 da Lei nº peculiar. Essa permissão, na verdade, prestigia a
8.112/90: “O servidor que, a serviço, afastar-se da autonomia dos entes federados e a separação de
sede em caráter eventual ou transitório para outro poderes na medida em que poderão solucionar –
ponto do território nacional ou para o exterior, fará conforme a peculiaridade de cada um – os limites
jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as máximos de remuneração do seu pessoal. STF.
parcelas de despesas extraordinária com pousada, Plenário. ADI 3855/DF eADI 3872/DF, Rel. Min. Gilmar
alimentação e locomoção urbana, conforme dispuser Mendes, julgados em 26/11/2021 (Info 1039).
em regulamento.” O STJ não concordou com a tese
afirmando que quase todas as atividades dos É inconstitucional a vinculação de reajuste de
membros da Polícia Federal envolvem a possibilidade vencimentos de servidores públicos estaduais ou
de eles terem que se deslocar para além do espaço municipais a índices federais de correção
físico em que está localizada a sede de cada monetária.
Departamento de Polícia. Logo, a situação dos Caso concreto: a Lei estadual nº 8.278/2004, do Mato
Policiais Federais não se enquadraria no caput do art. Grosso, previu que um dos requisitos para que haja a
58, mas sim na hipótese excepcional do § 2º do revisão anual dos servidores públicos estaduais é a
mesmo artigo: “Nos casos em que o deslocamento da constatação de que houve perdas salariais
sede constituir exigência permanente do cargo, o resultantes de desvalorização do poder aquisitivo da
servidor não fará jus a diárias”. STJ. 1ª Turma. REsp moeda, medida pelo Índice Nacional de Preços ao
1.542.852-PE, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em Consumidor (INPC), índice de inflação calculado pelo
28/09/2021 (Info 711). IBGE (fundação federal). Para o STF, essa previsão é
inconstitucional por violar a autonomia dos entes
A EC 41/2003 alterou o inciso XI do art. 37 e federados e o art. 37, XIII, da CF/88. Esse tema está
permitiu que os Estados, DF e Municípios pacificado pelo STF na SV 42: É inconstitucional a
instituíssem subtetos diferentes da União; essa vinculação do reajuste de vencimentos de servidores
previsão não viola o princípio da isonomia. estaduais ou municipais a índices federais de
A CF/88 prevê, em seu art. 37, XI, o chamado “teto correção monetária. STF. Plenário. ADI 5584/MT, Rel.
remuneratório”, ou seja, o valor máximo que os Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 3/12/2021
agentes públicos podem receber no país. A EC nº (Info 1040).
41/2003 alterou a redação desse inciso XI e permitiu
que os Estados, DF e Municípios instituíssem
REMOÇÃO
subtetos estaduais e municipais, diferentes do teto
da União. A instituição de subtetos remuneratórios Se o servidor se remover por interesse da
com previsão de limites distintos para as entidades Administração Pública, o seu cônjuge terá direito
políticas, bem como para os Poderes, no âmbito dos à remoção para o mesmo lugar, ainda que eles
Estados e do Distrito Federal não ofende o princípio não morassem no mesmo Município antes.

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Havendo remoção de um dos companheiros por contrato foi rescindido por conveniência
interesse da Administração Pública, o(a) outro(a) administrativa, equivale a impedir, hoje, a sua
possui direito líquido e certo de obter a remoção participação na seleção por mera conveniência
independentemente de vaga no local de destino e administrativa, o que viola o princípio da
mesmo que trabalhem em locais distintos à época da isonomia e da impessoalidade. STJ. 2ª Turma. RMS
remoção de ofício. Caso hipotético: Regina e João são 67.040-ES, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
servidores públicos do Estado de Mato Grosso e 23/11/2021 (Info 719)
vivem em união estável. Contudo, ambos moram em
cidades distintas daquele Estado. Regina, policial civil,
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
trabalha e mora na cidade “A”. João, policial militar,
trabalha e mora na cidade “B”. João foi removido, por É necessária condenação anterior na ficha
interesse da Administração Pública, para a cidade “C”. funcional do servidor ou, no mínimo, anotação de
Logo em seguida, Regina terá direito de se remover fato que o desabone, para que seus antecedentes
para o Município “C”, nova lotação de seu sejam valorados como negativos na dosimetria da
companheiro. STJ. 2ª Turma. RMS 66.823-MT, Rel. sanção disciplinar.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em Caso concreto: na decisão do processo administrativo
05/10/2021 (Info 712). instaurado contra o servidor, a administração pública
aplicou contra ele a pena de suspensão pelo prazo
máximo (90 dias) sob o argumento de que os seus
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
“antecedentes funcionais” deveriam ser qualificados
A norma de edital que impede a participação de como negativos já que se trata de “servidor veterano,
candidato em processo seletivo simplificado em com larga experiência” e, portanto, deveria ter
razão de anterior rescisão de contrato por conduzido com mais zelo e cuidado a tarefa que
conveniência administrativa fere o princípio da estava sob sua responsabilidade. Invocou o art. 128
razoabilidade. da Lei nº 8.112/90: “Na aplicação das penalidades
Caso concreto: em 2012, após processo seletivo, João serão considerados (...) a os antecedentes
foi contratado como servidor temporário (art. 37, IX, funcionais.” Ocorre que isso não pode ser
da CF/88) para prestar serviços como inspetor considerado como “antecedentes funcionais”
penitenciário. Em 2014, foi exonerado por negativos. A Administração só poderia considerar
“conveniência administrativa”, não tendo recebido, como desfavorável o fato de o servidor ter sido tão
contudo, qualquer punição durante o tempo em que imprudente, mesmo tendo larga experiência, se a
exerceu suas funções. Em 2019, o Estado instaurou legislação autorizasse o exame da culpabilidade do
processo seletivo simplificado para novamente agente, tal como o art. 59 do CO permite. No entanto,
contratar servidores temporários para exercerem as a Lei nº 8.112/90 só admite considerar, na
funções de inspetor penitenciário. João se inscreveu e “dosimetria” da sanção disciplinar, os antecedentes
foi aprovado. A despeito disso, não pode ser funcionais, que ostentam concepção técnica própria.
contratado por conta da vedação constante no item Nesse passo, para que os antecedentes funcionais do
11.8 do edital, que dizia o seguinte: “11.8. O servidor fossem considerados negativos, deveria
candidato que houver sido contratado ou nomeado constar na ficha funcional do impetrante alguma
anteriormente pela SEJUS e que tiver sido exonerado, condenação anterior, ou, no mínimo, alguma
ou tiver tido o contrato rescindido por conveniência anotação de fato que desabonasse seu histórico
administrativa e/ou ato motivado pela Corregedoria funcional, o que não era o caso. STJ. 1ª Seção. MS
e/ou por determinação judicial, será 22.606-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em
automaticamente eliminado do processo seletivo.” 10/11/2021 (Info 718).
Impedir que o candidato participe do processo
seletivo simplificado porque, há alguns anos, seu A administração pública, quando se vê diante de

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situações em que a conduta do investigado se relato do próprio candidato no formulário de


amolda às hipóteses de demissão e de cassação ingresso na corporação de que foi usuário de drogas
de aposentadoria de servidor, não dispõe de há sete anos, acaba por aplicá-lo uma sanção de
discricionariedade para aplicar pena menos caráter perpétuo, dado o grande lastro temporal
gravosa (Súmula 650-STJ) entre o fato tido como desabonador e o momento
Súmula 650-STJ: A autoridade administrativa não da investigação social.
dispõe de discricionariedade para aplicar ao servidor STJ. 2ª Turma. AREsp 1.806.617-DF, Rel. Min. Og
pena diversa de demissão quando caracterizadas as Fernandes, julgado em 01/06/2021 (Info 699).
hipóteses previstas no art. 132 da Lei nº 8.112/90. STJ.
1ª Seção. Aprovada em 22/09/2021. A desistência de candidato aprovado dentro do
número de vagas previsto no edital do concurso
Não há óbice para que a autoridade após o prazo de validade do certame, não faz
administrativa apure a falta disciplinar do surgir o direito de nomeação, por ausência de
servidor público independentemente da apuração previsão legal.
do fato no bojo da ação por improbidade Os candidatos aprovados fora do número de
administrativa (Súmula 651-STJ) vagas previstas no edital não possuem direito
Súmula 651-STJ: Compete à autoridade líquido e certo à nomeação, salvo nas hipóteses de
administrativa aplicar a servidor público a pena de preterição arbitrária e imotivada por parte da
demissão em razão da prática de improbidade Administração.
administrativa, independentemente de prévia É também pacífico o entendimento que a expectativa
condenação, por autoridade judicial, à perda da de direito se transforma em direito subjetivo à
função pública. STJ. 1ª Seção. Aprovada em nomeação nas situações em que o candidato,
21/10/2021. aprovado fora do número de vagas, passe a figurar,
devido à desistência de aprovados classificados em
colocação superior, dentro do quantitativo ofertado
CONCURSO PÚBLICO
no edital do concurso.
No entanto, não existe direito líquido e certo à

A contratação temporária de terceiros para o nomeação no caso a desistência do candidato

desempenho de funções do cargo de enfermeiro, em mais bem classificado – e que deu origem à vaga

decorrência da pandemia causada pelo vírus para o impetrante – ocorreu após o prazo de

Sars-CoV-2, e determinada por decisão judicial, não validade do concurso.

configura preterição ilegal e arbitrária nem Assim, se a desistência dos candidatos aprovados em

enseja direito a provimento em cargo público em melhores posições se deu após o prazo de validade

favor de candidato aprovado em cadastro de do certame, isso não garante o direito à nomeação

reserva. para o candidato que estava aguardando.

STJ. 2ª Turma. RMS 65.757-RJ, Rel. Min. Mauro STJ. 2ª Turma. AgInt no RMS 63676/RS, Rel. Min.

Campbell Marques, julgado em 04/05/2021 (Info 695) Herman Benjamin, julgado em 22/03/2021.

Impedir que candidato prossiga no concurso O candidato que possua qualificação superior

público para ingresso porque foi usuário de àquela exigida para o cargo, no edital, tem direito de

drogas há sete anos acaba por aplicá-lo uma a ele concorrer. O candidato aprovado em concurso

sanção de caráter perpétuo público pode assumir cargo que, segundo o edital,

Impedir que candidato em concurso público que já é exige título de Ensino Médio profissionalizante ou

integrante dos quadros da Administração prossiga no completo com curso técnico em área específica, caso

certame para ingresso nas fileiras da Política Militar não seja portador desse título mas detenha diploma

na fase de sindicância de vida pregressa, fundada em de nível superior na mesma área profissional. Caso

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concreto: candidato foi aprovado no concurso para o pelo Supremo Tribunal Federal no RE 598.099/MS,
cargo de Técnico de Laboratório –Área Química. O não sendo suficiente a alegação de estado das coisas
edital exigia, como qualificação para o exercício do - pandemia, crise econômica, limite prudencial
cargo, “ensino médio profissionalizante na área, ou atingido para despesas com pessoal -, tampouco o
ensino médio completo com curso técnico na área alerta da Corte de Contas acerca do chamado limite
(Área Química)”. O candidato não possui ensino prudencial. A recusa à nomeação dos candidatos
médio profissionalizante nem curso técnico na área aprovados dentro do número de vagas deve ser a
química. No entanto, ele possui uma qualificação última das alternativas, somente sendo adotada
superior e relacionada com a área: ele é formado em quando realmente já não houver outra saída para
Química (possui bacharelado em Química), além de a Administração Pública. STJ. 1ª Turma. RMS
ter concluído Mestrado em Química. STJ. 1ª Seção. 66.316-SP, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador
REsp 1.888.049-CE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado convocado do TRF da 5ª Região), julgado em
em 22/09/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1094) 19/10/2021 (Info 715)
(Info 710).

É inconstitucional ato normativo que exclui o PROCESSO ADMINISTRATIVO


direito dos candidatos com deficiência à
adaptação razoável em provas físicas de concursos
Quando o interessado poderá ser notificado por edital
públicos. A exclusão da previsão de adaptação das
no processo administrativo?
provas físicas para candidatos com deficiência viola o
Em processo administrativo, a notificação por edital
bloco de constitucionalidade composto pela
reserva-se exclusivamente para as hipóteses de:
Constituição Federal e pela Convenção
a) interessado indeterminado;
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
b) interessado desconhecido; ou
Deficiência – CDPD (Decreto Legislativo 186/2008),
c) interessado com domicílio indefinido.
incorporada à ordem jurídica brasileira com o
STJ. 1ª Seção. MS 27.227-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina,
“status” de Emenda Constitucional, na forma do art.
julgado em 27/01/2021 (Info 716)
5º, § 3º, da CF/88. Duas teses fixadas pelo STF para o
tema:
1) É inconstitucional a interpretação que exclui o RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
direito de candidatos com deficiência à adaptação
razoável em provas físicas de concursos públicos.
2) É inconstitucional a submissão genérica de Súmula 647-STJ: São imprescritíveis as ações
candidatos com e sem deficiência aos mesmos indenizatórias por danos morais e materiais
critérios em provas físicas, sem a demonstração da decorrentes de atos de perseguição política com
sua necessidade para o exercício da função pública. violação de direitos fundamentais ocorridos
STF. Plenário. ADI 6476/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, durante o regime militar. STJ. 1ª Seção. Aprovada
julgado em 3/9/2021 (Info 1028). em 10/03/2021, DJe 15/03/2021.

Pandemia, crise econômica e limite prudencial Em regra, o Estado responde de forma objetiva
atingido para despesas com pessoal não são pelos danos causados a profissional de imprensa
motivos suficientes para se deixar de nomear o ferido, por policiais, durante cobertura
candidato aprovado dentro do número de vagas jornalística de manifestação pública.
do concurso público. O Estado responde de forma objetiva pelos danos
Para a recusa à nomeação de aprovados dentro do causados a profissional de imprensa ferido, por
número de vagas em concurso público devem ficar policiais, durante cobertura jornalística de
comprovadas as situações excepcionais elencadas manifestação pública em que ocorra tumulto ou
conflito, desde que o jornalista não haja descumprido

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ostensiva e clara advertência quanto ao acesso a 1.840.570-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
áreas definidas como de grave risco à sua integridade em 16/11/2021 (Info 720)
física, caso em que poderá ser aplicada a excludente
da responsabilidade por culpa exclusiva da vítima.
PESSOA JURÍDICA E DANO MORAL
Tese fixada pelo STF: “É objetiva a
Responsabilidade Civil do Estado em relação a Imagine que um particular profere palavras
profissional da imprensa ferido por agentes ofensivas contra a administração pública. A pessoa
policiais durante cobertura jornalística, em jurídica de direito público terá direito à indenização
manifestações em que haja tumulto ou conflitos por danos morais sob a alegação de que sofreu
entre policiais e manifestantes. Cabe a excludente violação da sua honra ou imagem?
da responsabilidade da culpa exclusiva da vítima, NÃO. Em regra, pessoa jurídica de direito público
nas hipóteses em que o profissional de imprensa não pode pleitear, contra particular, indenização
descumprir ostensiva e clara advertência sobre por dano moral relacionado à violação da honra
acesso a áreas delimitadas, em que haja grave ou da imagem. Nesse sentido: REsp 1.258.389/PB,
risco à sua integridade física”. STF. Plenário. RE REsp 1.505.923/PR e AgInt no REsp 1.653.783/SP.
1209429/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do Suponha, contudo, que uma autarquia foi vítima de
acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em grande esquema criminoso que desviou vultosa
10/6/2021 (Repercussão Geral – Tema 1055) (Info quantia e gerou grande repercussão na imprensa,
1021) acarretando descrédito em sua credibilidade
institucional.
O termo inicial do prazo prescricional para Neste caso, os particulares envolvidos poderiam ser
ajuizamento da ação de indenização contra o Estado condenados a pagar indenização por danos morais à
em razão da demora na concessão da aposentadoria autarquia? SIM. Pessoa jurídica de direito público
conta-se a partir do seu deferimento. tem direito à indenização por danos morais
O servidor público pode ser indenizado caso haja uma relacionados à violação da honra ou da imagem,
demora injustificada da Administração Pública em quando a credibilidade institucional for
analisar o seu requerimento de aposentadoria? fortemente agredida e o dano reflexo sobre os
SIM. Existem julgados do STJ reconhecendo ser demais jurisdicionados em geral for evidente.
possível: A demora injustificada da Administração Nos três julgados acima mencionados nos quais o STJ
em analisar o pedido de aposentadoria do negou direito à indenização, o que estava em jogo
servidor público gera o dever de indenizá-lo, era a livre manifestação do pensamento, a liberdade
considerando que, por causa disso, ele foi obrigado de crítica dos cidadãos ou o uso indevido de bem
a continuar exercendo suas funções por mais imaterial do ente público. No caso concreto é
tempo do que o necessário. STJ. 1ª Turma. AgInt no diferente. A indenização está sendo pleiteada em
AREsp 483398/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, razão da violação à credibilidade institucional da
julgado em 11/10/2016. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp autarquia que foi fortemente agredida em razão de
1469301/SC, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado crimes praticados contra ela.
em 21/10/2014. STJ. 2ª Turma. REsp 1.722.423-RJ, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 24/11/2020 (Info 684)
Qual é o prazo prescricional neste caso? 5 anos, nos
termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/1932.
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

Qual o termo inicial do prazo prescricional? A partir de


quando se inicia essa contagem? A partir da data do DESAPROPRIAÇÃO
deferimento da aposentadoria. STJ. 1ª Turma. REsp
Se, quando o proprietário adquiriu o imóvel, já
havia a restrição administrativa ele não poderá

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pedir indenização, salvo se se tratar de negócio Foi cancelada a súmula 408 do STJ
jurídico gratuito ou se for vulnerável econômico. A Súmula 408 do STJ tinha redação igual à tese
Em regra, quem adquire bem anteriormente atingido 126/STJ original e, por isso, foi cancelada.
por restrição administrativa não é parte legítima, por Súmula 408-STJ: Nas ações de desapropriação, os
carência de efetivo prejuízo, para, com fundamento juros compensatórios incidentes após a Medida
em desapropriação direta ou indireta, ingressar com Provisória 1.577 de 11/06/1997 devem ser fixados em
ação indenizatória contra o Estado. 6% ao ano até 13/09/2001 e a partir de então, em
Nessas condições, querer agir em nome do credor 12% ao ano, na forma da Súmula 618 do Supremo
primitivo, postulando lesão que não sofreu, afronta Tribunal Federal.
os princípios da boa-fé objetiva, da proibição de
enriquecimento sem causa e da moralidade, Imóvel improdutivo e não cabimento de juros
representando, não o exercício de um direito, mas a compensatórios
invocação abusiva do direito. Tese revisada no Tema Repetitivo n. 280/STJ
Observam-se duas exceções, em numerus clausus,  Tese original: A eventual improdutividade do
para a regra geral: imóvel não afasta o direito aos juros compensatórios,
• quando a transferência da propriedade for pois esses restituem não só o que o expropriado
realizada por negócio jurídico gratuito; deixou de ganhar com a perda antecipada, mas
• quando o adquirente for sujeito vulnerável, na também a expectativa de renda, considerando a
acepção de indivíduo incontestavelmente pobre ou possibilidade do imóvel ser aproveitado a qualquer
humilde. momento de forma racional e adequada, ou até ser
Em ambos os casos há presunção relativa de boa-fé vendido com o recebimento do seu valor à vista.
objetiva, de moralidade e de inexistência de  Tese revisada: Até 26/9/1999, data anterior à
enriquecimento sem causa. edição da MP n. 1901-30/1999, são devidos juros
STJ. 1ª Seção. REsp 1750660/SC, Rel. Min. Gurgel De compensatórios nas desapropriações de imóveis
Faria, Rel. p/ Acórdão Min. Herman Benjamin, julgado improdutivos.
em 10/03/2021 (Tema Repetitivo 1004).
Imóvel que não pode ser explorado economicamente
O STF, no dia 17/05/2018, ao julgar a ADI 2332, e não cabimento de juros compensatórios
modificou vários entendimentos jurisprudenciais Tese revisada no Tema Repetitivo n. 281/STJ
consolidados envolvendo desapropriação. Como o  Tese original: São indevidos juros compensatórios
STJ vinha seguindo esses entendimentos quando a propriedade se mostrar impassível de
consolidados, teve que acompanhar as alterações qualquer espécie de exploração econômica seja atual
promovidas pela ADI 2332 e modificar suas teses. ou futura, em decorrência de limitações legais ou da
situação geográfica ou topográfica do local onde se
Taxa dos juros compensatórios situa a propriedade.
Tese revisada no Tema Repetitivo n. 126/STJ  Tese revisada: Mesmo antes da MP n.
 Tese original: Nas ações de desapropriação, os 1901-30/1999, são indevidos juros compensatórios
juros compensatórios incidentes após a Medida quando a propriedade se mostrar impassível de
Provisória n. 1.577, de 11/06/1997, devem ser fixados qualquer espécie de exploração econômica atual ou
em 6% ao ano até 13/09/2001 e, a partir de então, em futura, em decorrência de limitações legais ou fáticas.
12% ao ano, na forma da Súmula n. 618 do Supremo
Tribunal Federal. Imóvel com índice de produtivo zero e não cabimento
 Tese revisada: O índice de juros compensatórios de juros compensatórios
na desapropriação direta ou indireta é de 12% até Tese revisada no Tema Repetitivo n. 282/STJ
11/06/1997, data anterior à vigência da MP 1577/97.  Tese original: Para aferir a incidência dos juros
compensatórios em imóvel improdutivo, deve ser

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observado o princípio do tempus regit actum, assim Súmula 70-STJ: Os juros moratórios, na
como acontece na fixação do percentual desses desapropriação direta ou indireta, contam-se desde o
juros. As restrições contidas nos §§ 1º e 2º do art. trânsito em julgado da sentença. Súmula 102-STJ: A
15-A, inseridas pelas MP's n. 1.901-30/99 e 2.027- incidência dos juros moratórios sobre os
38/00 e reedições, as quais vedam a incidência de compensatórios, nas ações expropriatórias, não
juros compensatórios em propriedade improdutiva, constitui anatocismo vedado em lei.
serão aplicáveis, tão somente, às situações ocorridas As Súmulas n. 12, 70 e 102 somente se aplicam às
após a sua vigência. situações ocorridas até 12/01/2000, data anterior
 Tese revisada: à vigência da MP 1.997-34. STJ. 1ª Seção. Pet
i) A partir de 27/9/1999, data de edição da MP n. 12.344-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
1901-30/1999, exige-se a prova pelo expropriado da 28/10/2020 (Recurso Repetitivo) (Info 684).
efetiva perda de renda para incidência de juros
compensatórios (art. 15-A, § 1º, do Decreto-Lei n. Não se encontrando averbada no registro imobiliário
3365/1941); e antes da vistoria, a reserva florestal não poderá ser
ii) Desde 5/5/2000, data de edição da MP excluída da área total do imóvel desapropriando
2027-38/2000, veda-se a incidência dos juros para efeito de cálculo da produtividade do imóvel
compensatórios em imóveis com índice de rural.
produtividade zero (art. 15-A, § 2º, do Decreto-Lei n. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1301751/MT, Rel. Min.
3365/1941). Herman Benjamin, julgado em 08/04/2014 (Info 539).
STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1505446/GO, Rel. Min.
Cancelada a tese fixada no Tema Repetitivo n. 283/STJ Sérgio Kukina, julgado em 15/03/2021
Cancelamento do Tema Repetitivo n. 283/STJ
Tese cancelada: Para aferir a incidência dos juros REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
compensatórios em imóvel improdutivo, deve ser
É incabível a requisição administrativa, pela
observado o princípio do tempus regit actum, assim
União, de bens insumos contratados por unidade
como acontece na fixação do percentual desses
federativa e destinados à execução do plano local
juros. Publicada a medida liminar concedida na ADI
de imunização, cujos pagamentos já foram
2.332/DF (DJU de 13.09.2001), deve ser suspensa a
empenhados. A REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
aplicabilidade dos §§ 1º e 2º do artigo 15-A do
NÃO PODE SE VOLTAR CONTRA BEM OU SERVIÇO
Decreto-lei n. 3.365/41 até que haja o julgamento de
DE OUTRO ENTE FEDERATIVO. Isso para que não
mérito da demanda.
haja indevida interferência na autonomia de um
sobre outro.
Nova tese repetitiva afirmada no Tema Repetitivo
STF. Plenário. ACO 3463 MC-Ref/SP, Rel. Min. Ricardo
1072 Tese fixada no Tema Repetitivo 1072
Lewandowski, julgado em 8/3/2021 (Info 1008)
Os juros compensatórios observam o percentual
vigente no momento de sua incidência. É possível o ajuizamento de ACP alegando que o
particular que recebeu a indenização na
Não cabe ao STJ definir os efeitos da liminar que desapropriação não era o seu real proprietário
vigorou na ADI 2332 mesmo que já tenham se passado 2 anos do
A discussão acerca da eficácia e efeitos da medida trânsito em julgado da ação de desapropriação.
cautelar ou do julgamento de mérito da ADI 2332 não I - O trânsito em julgado de sentença condenatória
comporta revisão em recurso especial. proferida em sede de ação desapropriatória não
obsta a propositura de Ação Civil Pública em defesa
Limitação temporal das súmulas 12, 70 e 102 do STJ do patrimônio público para discutir a dominialidade
Súmula 12-STJ: Em desapropriação, são cumuláveis do bem expropriado, ainda que já se tenha expirado
juros compensatórios e moratórios. o prazo para a Ação Rescisória;

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II - Em sede de Ação de Desapropriação, os prevê a cassação de aposentadoria, mas tão só a


honorários sucumbenciais só serão devidos caso haja perda da função pública.
devido pagamento da indenização aos expropriados. As normas que cominam penalidades constituem
STF. Plenário. RE 1010819/PR, Rel. Min. Marco matéria de legalidade estrita, não podendo sofrer
Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de interpretação extensiva.
Moraes, julgado em 26/5/2021 (Repercussão Geral –
Tema 858) (Info 1019). Aplica-se à ação de improbidade administrativa o
previsto no art. 19, § 1º, da Lei da Ação Popular,
segundo o qual das decisões interlocutórias cabe
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA agravo de instrumento.
A decisão interlocutória proferida no bojo de uma
ação de improbidade administrativa pode ser
É possível acordo de não persecução cível no
impugnada por agravo de instrumento, com base no
âmbito da ação de improbidade administrativa
art. 19, §1º, da Lei nº 4.717/65, ainda que a hipótese
em fase recursal.
não esteja prevista no rol do art. 1.015 do CPC.
STJ. 1ª Turma. AREsp 1.314.581/SP, Rel. Min. Benedito
Nas ações de improbidade administrativa, o CPC
Gonçalves, julgado em 23/02/2021 (Info 686).
aplica-se apenas subsidiariamente, privilegiando-se

É possível, na ação de improbidade as normas do Microssistema Processual Coletivo,

administrativa, que o juiz aplique a cassação de para assegurar a efetividade da jurisdição no trato

aposentadoria como sanção por ato de dos direitos coletivos.

improbidade? STJ. 2ª Turma. REsp 1.925.492-RJ, Rel. Min. Herman

NÃO. Servidor condenado por improbidade não pode Benjamin, julgado em 04/05/2021 (Info 695).

ter aposentadoria cassada em decisão judicial.


É cabível a apreensão de passaporte e a
O magistrado não tem competência para aplicar a
suspensão da CNH no bojo do cumprimento de
sanção de cassação de aposentadoria a servidor
sentença proferida em ação de improbidade
condenado judicialmente por improbidade
administrativa.
administrativa. Apenas a autoridade administrativa
Em regra, a jurisprudência do STJ entende ser
possui poderes para decidir sobre a cassação.
possível a aplicação de medidas executivas
STJ. 1ª Seção. EREsp 1496347/ES, Rel. Min. Benedito
atípicas na execução e no cumprimento de sentença
Gonçalves, julgado em 24/02/2021.
comum, desde que, verificando-se a existência de
indícios de que o devedor possua patrimônio
A legislação brasileira trata a improbidade de forma
expropriável, tais medidas sejam adotadas de
diferente nas esferas judicial e administrativa:
modo subsidiário, por meio de decisão que
• no âmbito administrativo, a improbidade pode
contenha fundamentação adequada às
resultar na imposição, pela autoridade
especificidades da hipótese concreta, com
administrativa, da sanção de cassação de
observância do contraditório substancial e do
aposentadoria, nos termos do art. 127, IV, art. 134 e
postulado da proporcionalidade.
art. 141, I, da Lei 8.112/90.
Na ação de improbidade administrativa, com
• na esfera judicial, a apuração de atos de
ainda mais razão, há a possibilidade de aplicação
improbidade é regida especificamente pela Lei nº
das medidas executivas atípicas, pois se tutela a
8.429/92, cujas sanções estão previstas, de forma
moralidade e o patrimônio público.
taxativa, no art. 12.
No que diz respeito à proporcionalidade, o fato de se
O art. 12 da Lei nº 8.429/92, quando cuida das
tratar de uma ação de improbidade administrativa
sanções aplicáveis aos agentes públicos que
deve ser levado em consideração na análise do
cometem atos de improbidade administrativa, não

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cabimento da medida aflitiva não pessoal no caso rejeição, deve ser adequada e especificamente
concreto, já que envolve maior interesse público. motivada pelo magistrado, com base na análise dos
STJ. 2ª Turma, REsp 1.929.230-MT, Rel. Min. Herman elementos indiciários apresentados, em cotejo com a
Benjamin, julgado em 04/05/2021 (Info 695). causa de pedir delineada pelo Ministério Público.
Essa postura é inclusive reforçada, atualmente, pelos
A indisponibilidade pode ser decretada em arts. 489, § 3º, e 927 do CPC/2015. Nessa linha, a
qualquer hipótese de ato de improbidade e deve decisão de recebimento da inicial da ação de
abranger o pagamento da multa civil. É possível a improbidade não pode limitar-se à invocação do
inclusão do valor de eventual multa civil na medida in dubio pro societate, devendo, antes, ao menos,
de indisponibilidade de bens decretada em ação de tecer comentários sobre os elementos indiciários
improbidade administrativa, inclusive nas demandas e a causa de pedir, ao mesmo tempo que, para a
ajuizadas com esteio na prática de conduta prevista rejeição, deve bem delinear a situação
no art. 11 da Lei nº 8.429/92, tipificador da ofensa aos fático-probatória que lastreia os motivos de
princípios nucleares administrativos. STJ. 1ª Seção. convicção externados pelo órgão judicial. STJ. 1ª
REsp 1.862.792-PR, Rel. Min. Manoel Erhardt Turma. REsp 1.570.000-RN, Rel. Min. Sérgio Kukina,
(Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/09/2021
julgado em 25/08/2021 (Recurso Repetitivo – Tema (Info 711).
1055) (Info 706).
É viável o prosseguimento de ação de improbidade
Mesmo que o juiz reconheça a prescrição das administrativa exclusivamente contra particular
penas pela prática do ato de improbidade, a ação quando há pretensão de responsabilizar agentes
poderá continuar para analisar o pedido de públicos pelos mesmos fatos em outra demanda
ressarcimento ao erário, não sendo necessária uma conexa.
ação autônoma apenas para discutir isso. Na ação O STJ possui o entendimento pacífico no sentido que
civil pública por ato de improbidade administrativa é é inviável o manejo da ação de improbidade
possível o prosseguimento da demanda para pleitear exclusivamente contra o particular, sem a
o ressarcimento do dano ao erário, ainda que sejam concomitante presença de agente público no polo
declaradas prescritas as demais sanções previstas no passivo da demanda. Essa posição continua a mesma
art. 12 da Lei nº 8.429/92. STJ. 1ª Seção. REsp e não mudou. Caso adaptado: o DNIT contratou uma
1.899.455-AC, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado empresa para que ela fizesse a supervisão da
em 22/09/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1089) construção de uma rodovia federal. Ocorre que, em
(Info 710). tese, foram praticados atos de improbidade
administrativa na execução desse contrato. Diante
A decisão de recebimento da petição inicial da
disso, foram propostas duas ações de improbidade
ação de improbidade não pode limitar-se ao
administrativa: 1ª) Ação de improbidade proposta
fundamento de in dubio pro societate. O STJ
pelo DNIT contra João e Pedro, os agentes públicos
possui vários julgados afirmando que, se o juiz
envolvidos no contrato. 2ª) Ação de improbidade
entender que há meros indícios do cometimento de
proposta pelo MPF contra João e Pedro (os agentes
atos enquadrados como improbidade administrativa,
públicos) e também contra Marcelo (o particular
a petição inicial da ação de improbidade deve ser
envolvido no ato). O juiz, ao analisar a ação proposta
recebida. Isso porque, nessa fase inicial prevalece o
pelo MPF, recebeu a demanda apenas contra
princípio do in dubio pro societate, a fim de
Marcelo (o particular) e rejeitou a ação contra João e
possibilitar o maior resguardo do interesse público. O
Pedro (os agentes públicos) sob o argumento de que
princípio do in dubio pro societate tinha fundamento
eles já respondem a demanda anteriormente
legal no antigo § 8º do art. 17 da Lei nº 8.429/92
ajuizada pelo DNIT, sendo os processos conexos.
(revogado pela Lei nº 14.230/2021). A decisão de
Diante dessa decisão, Marcelo interpôs agravo de
recebimento da petição inicial, incluída a hipótese de

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instrumento e o TRF deu provimento ao recurso e Veículo - CRV, conforme dispõe o art. 123, I, do CTB,
extinguiu a ação proposta pelo MPF sob o argumento ainda quando a aquisição ocorra para fins de
de que não cabe ação de improbidade administrativa posterior revenda.
tramitando unicamente contra particular. Esse Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo
argumento não deve prevalecer. Isso porque os Certificado de Registro de Veículo quando:
agentes públicos já respondem em outra demanda I - for transferida a propriedade;
conexa. STJ. 1ª Turma. AREsp 1.402.806-TO, Rel. Min. STJ. 1ª Turma. REsp 1.429.799/SP, Rel. Min. Sérgio
Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF Kukina, julgado em 02/03/2021 (Info 687)
da 5ª Região), julgado em 19/10/2021 (Info 714).
É possível no exame judicial da validade dos atos
administrativos, diante da falta de norma
TEMAS DIVERSOS processual administrativa específica, a utilização
dos dispositivos regentes da Lei de Ação Popular.
CÓDIGO DE TRÂNSITO STJ. 1 Seção. MS 26.694/DF, Rel. Ministro Sérgio
Kukina, julgado em 26/05/2021
A pessoa que foi aprovada nos exames do DETRAN
para condução de veículos recebe inicialmente uma
“permissão para dirigir”, com validade de 1 ano. DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR
Somente ao final deste período, ela irá receber a Não alcança envergadura constitucional a
Carteira Nacional de Habilitação, desde que não controvérsia relativa à convocação para o serviço
tenha cometido nenhuma infração de natureza grave militar obrigatório de estudante de Medicina — após
ou gravíssima ou seja reincidente em infração média. a conclusão do curso —, anteriormente dispensado
É o que prevê o § 3º do art. 148 do CTB. por excesso de contingente.
Ocorre que o STJ decidiu que o art. 148, § 3º, do STF. Plenário. RE 754276/RS, Rel. Min. Rosa Weber,
Código de Trânsito Brasileiro é parcialmente julgado em 20/3/2021 (Info 1010).
inconstitucional, excluindo de sua aplicação a
hipótese de infração (grave ou gravíssima)
ANISTIA POLÍTICA
meramente administrativa, ou seja, não cometida
na condução de veículo automotor. No tocante ao valor da reparação mensal devida aos
Para as infrações cometidas na condução de veículo anistiados políticos, a fixação do quantum
automotor: deve-se aplicar literalmente o § 3º do art. indenizatório por pesquisa de mercado deve ser
148 do CTB e a CNH não será concedida. Isso porque supletiva, utilizada apenas quando não há, por
se a infração é cometida na condução de veículo outros meios, como se estipular o valor da
automotor, isso gera efetivo risco à segurança do prestação mensal, permanente e continuada.
trânsito. Ex: João era Fiscal do IAPC. Em razão de perseguição
Por outro lado, se a infração cometida foi política ocorrida durante o regime militar, ele foi
meramente administrativa, não se deve aplicar o obrigado a abandonar o cargo, fugindo para o
§ 3º do art. 148 do CTB e a CNH pode ser Paraguai. Se a União reconhecer a condição de
concedida. Isso porque se a infração é meramente anistiado político de João, deverá fixar a reparação
administrativa ela não tem o condão de gerar mensal em valor igual à remuneração de Auditor
risco à segurança do trânsito. STJ. Corte Especial. AI Fiscal da Receita Federal, considerando que Fiscal do
no AREsp 641.185-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado IAPC foi transformado neste outro cargo. Não se
em 11/02/2021 (Info 685) deve utilizar aqui o critério da pesquisa de mercado.
STJ. 1ª Seção. MS 24.508/DF, Rel. Min. Assusete
A transferência de propriedade de veículo Magalhães, julgado em 12/05/2021 (Info 696).
automotor usado implica, obrigatoriamente, na
expedição de novo Certificado de Registro de

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condutor a fim de que possa ser registrado contra ele


COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
a pontuação pela infração de trânsito cometida (art.
Indivíduo foi condenado administrativamente pela 257, § 7º). Se o proprietário do veículo é uma
CVM pela prática de insider trading; recorreu e a pessoa jurídica e ela não informa ao órgão de
decisão foi mantida pelo CRSFN; eventual ação contra trânsito o nome do condutor, o CTB prevê a
essa punição deve ser proposta conta o CRSFN (e não aplicação de nova multa (art. 257, § 8º). A empresa
contra a CVM). já foi notificada sobre a primeira infração de
O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro trânsito cometida. Mesmo assim, ela deverá ser
Nacional (CRSFN) constitui órgão colegiado que julga novamente notificada sobre essa nova multa
em última instância recursos contra decisões da CVM. prevista no § 8º do art. 257. STJ. 1ª Seção. REsp
Quando a decisão administrativa sancionadora é 1.925.456-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
submetida a recurso administrativo e substituída por 21/10/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1097) (Info
acórdão do CRSFN, o órgão que aplicou 715)
originariamente a sanção (ex: CVM, BACEN etc.) não
detém legitimidade para figurar no polo passivo de
FGTS
ação judicial anulatória. Em outras palavras, diante
desse efeito substitutivo ocorrido no processo Não há direito adquirido a incidência de correção
administrativo no âmbito da União (órgão da monetária nas contas vinculadas ao FGTS pelo IPC
Administração Direta), a CVM (autarquia, órgão da de fevereiro/1991 (relativo ao Plano Collor II).
Administração Indireta) não possui legitimidade para Inexiste direito adquirido à diferença de correção
figurar no polo passivo da ação que visa questionar a monetária dos saldos das contas vinculadas ao FGTS
sanção administrativa. A Comissão de Valores referente ao Plano Collor II (fevereiro de 1991),
Mobiliários não possui legitimidade para figurar conforme entendimento firmado no RE 226.855, o
no polo passivo de ação que visa questionar qual não foi superado pelo julgamento do RE 611.503
sanção imposta pelo cometimento de crime de (Tema 360). STF. Plenário. ARE 1288550/PR, Rel. Min.
uso indevido de informação privilegiada (insider Alexandre de Moraes, julgado em 13/12/2021
trading). STJ. 2ª Turma. AREsp 1614577-SP, Rel. Min. (Repercussão Geral – Tema 1112) (Info 1041)
Francisco Falcão, julgado em 07/12/2021 (Info 721).

CÓDIGO DE TRÂNSITO
Material extraído dos informativos (versão resumida),
Depois de notificada sobre a infração de trânsito,
disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
a empresa proprietária do veículo deverá
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
informar o nome do condutor; se não informar,
partes mais importantes pela equipe da Legislação
receberá nova multa; a empresa deverá ser
Destacada.
novamente notificada sobre essa segunda
infração.
Em se tratando de multa aplicada às pessoas
jurídicas proprietárias de veículo, fundamentada na
ausência de indicação do condutor infrator, é
obrigatório observar a dupla notificação: a primeira
que se refere à autuação da infração e a segunda
sobre a aplicação da penalidade, conforme
estabelecido nos arts. 280, 281 e 282 do Código de
Trânsito Brasileiro. O CTB exige que o proprietário do
veículo informe, no prazo de 30 dias, o nome do

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DIREITO CIVIL REGIME DE BENS 23


DIREITO REAL DE HABITAÇÃO 23
BEM DE FAMÍLIA 23
STF até Info 1041 e STJ até Info 721
ALIMENTOS 24
GUARDA 26
PARENTESCO 26
DA PESSOA FÍSICA 1 DIVÓRCIO 27
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 1 CURATELA 28
NOME 2
DIREITO DAS SUCESSÕES 28
DIREITO AO ESQUECIMENTO 2
PARTILHA 30
AUSÊNCIA 2
TEMAS DIVERSOS 30
DA PESSOA JURÍDICA 3
DIREITO AUTORAL 30
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA 3 TRANSPORTE MARÍTIMO 31
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO 31
DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS 4
COOPERATIVAS 32
SIMULAÇÃO 4
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 32
PRESCRIÇÃO 4
ARBITRAGEM 32
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 5
CESSÃO DE CRÉDITO 6
CLÁUSULA PENAL 6 DA PESSOA FÍSICA

DOS CONTRATOS 7
ARRAS 8 DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE
PROMESSA DE COMPRA E VENDA 8 Depois do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº
CONTRATO DE SEGURO 9 13.146/2015), que alterou os arts. 3º e 4º do Código
DPVAT 10 Civil, não é mais possível declarar como
LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS 11 absolutamente incapaz o maior de 16 anos que,
ARBITRAGEM 12 em razão de enfermidade permanente,
COMODATO 13 encontra-se inapto para gerir sua pessoa e
administrar seus bens de modo voluntário e
RESPONSABILIDADE CIVIL 14 consciente.
RESPONSABILIDADE CIVIL E INTERNET 16 A Lei nº 13.146/2015 teve por objetivo assegurar e
promover a inclusão social das pessoas com
DOS DIREITOS REAIS 18
deficiência física ou psíquica e garantir o exercício
USUCAPIÃO 19
de sua capacidade em igualdade de condições
USUFRUTO 19
com as demais pessoas.
CONDOMÍNIO COMUM 19
A partir da entrada em vigor da referida lei, só podem
CONDOMÍNIO EDILÍCIO 20
ser considerados absolutamente incapazes os
AÇÃO DEMOLITÓRIA 20 menores de 16 anos, ou seja, o critério passou a ser
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 21 apenas etário, tendo sido eliminadas as hipóteses de
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS 22 deficiência mental ou intelectual anteriormente
previstas no Código Civil.
DO DIREITO DE FAMÍLIA 22
O instituto da curatela pode ser excepcionalmente
UNIÃO ESTÁVEL 22
aplicado às pessoas com deficiência, ainda que
CASAMENTO 23

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agora sejam consideradas relativamente capazes, Nomear o filho é típico ato de exercício do poder
devendo, contudo, ser proporcional às familiar, que pressupõe bilateralidade e
necessidades e às circunstâncias de cada caso consensualidade, ressalvada a possibilidade de o
concreto (art. 84, § 3º, da Lei nº 13.146/2015). STJ. 3ª juiz solucionar eventual desacordo entre eles,
Turma. REsp 1.927.423/SP, Rel. Min. Marco Aurélio inadmitindo-se, na hipótese, a autotutela. STJ. 3ª
Bellizze, julgado em 27/04/2021 (Info 694). Turma. REsp 1.905.614-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 04/05/2021 (Info 695).

NOME
DIREITO AO ESQUECIMENTO
É admissível o retorno ao nome de solteiro do
cônjuge ainda na constância do vínculo conjugal. É incompatível com a Constituição a ideia de um
Exemplo hipotético: Regina Andrade Medina casou-se direito ao esquecimento, assim entendido como o
com João da Costa Teixeira. Com o casamento, ela poder de obstar, em razão da passagem do
passou a ser chamada de Regina Medina Teixeira. tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e
Ocorre que, após anos de casada, Regina licitamente obtidos e publicados em meios de
arrependeu-se da troca e deseja retornar ao nome de comunicação social analógicos ou digitais.
solteira. Ela apresentou justas razões de ordem Eventuais excessos ou abusos no exercício da
sentimental e existencial. O pedido deve ser acolhido liberdade de expressão e de informação devem ser
a fim de ser preservada a intimidade, a autonomia analisados caso a caso, a partir dos parâmetros
da vontade, a vida privada, os valores e as constitucionais – especialmente os relativos à
crenças das pessoas, bem como a manutenção e proteção da honra, da imagem, da privacidade e da
perpetuação da herança familiar. STJ. 3ª Turma. personalidade em geral – e as expressas e específicas
REsp 1.873.918-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF.
em 02/03/2021 (Info 687). Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado
em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info
No caso concreto, havia um consenso prévio entre os 1005).
genitores sobre o nome a ser dado à filha. Esse
acordo foi unilateralmente rompido pelo pai no
AUSÊNCIA
momento do registro da criança. Em palavras mais
simples, os pais da criança haviam ajustado um Se o ausente tem mais que 80 anos e há mais de 5
nome, mas o pai, no momento do registro, decidiu anos não se tem notícias dele, será possível
alterar o combinado. requerer diretamente a sucessão definitiva, sem
Trata-se de ato que violou o dever de lealdade necessidade de sucessão provisória.
familiar e o dever de boa-fé objetiva e que, por Exemplo: Roberto está desaparecido há 20 anos, sem
isso mesmo, não deve merecer guarida pelo qualquer notícia sobre seu paradeiro. Se Roberto
ordenamento jurídico, na medida em que a conduta estiver vivo, ele já tem mais que 80 anos de idade.
do pai configurou exercício abusivo do direito de Regina é irmã e única herdeira de Roberto. Ela
nomear a criança. ajuizou ação declaratória de ausência. O juiz deferiu
Vale ressaltar que é irrelevante apurar se houve, o pedido, declarou que Roberto está ausente e
ou não, má-fé ou intuito de vingança do genitor. nomeou Regina como curadora dos seus bens.
A conduta do pai de descumprir o que foi combinado Passado 1 ano, Regina requereu a abertura da
é considerada um ato ilícito independentemente da sucessão definitiva, pedindo a aplicação do art. 38 do
sua intenção. Houve, neste caso, exercício abusivo do CC/2002: Art. 38. Pode-se requerer a sucessão
direito de nomear o filho, o que autoriza a definitiva, também, provando-se que o ausente conta
modificação posterior do nome da criança, na forma oitenta anos de idade, e que de cinco datam as
do art. 57, caput, da Lei nº 6.015/73. últimas notícias dele. O juiz indeferiu o pedido

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afirmando o seguinte, antes da sucessão definitiva, o penhora sob o argumento de que a EIRELI é uma
correto seria a decretação da sucessão provisória e, pessoa jurídica diferente de João, com patrimônio
ultrapassado o prazo legal, pedir a sucessão autônomo. Tratando-se de pessoa jurídica com
definitiva. Não seria possível requerer diretamente a patrimônio autônomo, é indispensável a instauração
sucessão definitiva. O art. 38 do CC somente se aplica de incidente de desconsideração da personalidade
para a conversão de sucessão provisória em jurídica antes de eventual constrição de bens. Agiu
sucessão definitiva. O STJ não concordou com essa corretamente o magistrado. Na hipótese de indícios
interpretação. A regra do art. 38 do CC traz uma de abuso da autonomia patrimonial, a personalidade
hipótese autônoma de abertura da sucessão jurídica da EIRELI pode ser desconsiderada, de modo
definitiva, que ocorre de forma direta e que não a atingir os bens particulares do empresário
depende da existência, ou não, de sucessão individual para a satisfação de dívidas contraídas pela
provisória. É dispensável a abertura da sucessão pessoa jurídica. Também se admite a
provisória quando presentes os requisitos da desconsideração da personalidade jurídica de
sucessão definitiva previstos no art. 38 do CC. Não maneira inversa, quando se constatar a utilização
se afigura razoável o entendimento de que o abusiva, pelo empresário individual, da blindagem
herdeiro de um octogenário desaparecido há mais de patrimonial conferida à EIRELI, como forma de
cinco anos precise, obrigatoriamente, passar pela ocultar seus bens pessoais. Em uma ou em outra
fase da abertura de sucessão provisória, com todos situação, todavia, é imprescindível a instauração do
os seus expressivos prazos, diante de uma hipótese incidente de desconsideração da personalidade
em que é absolutamente presumível a morte do jurídica de que tratam os arts. 133 e seguintes do
autor da herança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.924.451-SP, CPC/2015, de modo a permitir a inclusão do novo
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/10/2021 (Info sujeito no processo - o empresário individual ou a
716). EIRELI -, atingido em seu patrimônio em decorrência
da medida. STJ. 3ª Turma. REsp 1.874.256-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/08/2021 (Info
DA PESSOA JURÍDICA
705).
Obs: o art. 41 da Lei nº 14.195/2021 e a MP 1085/21

Se o titular da EIRELI está sendo executado, o juiz retiraram a EIRELI do ordenamento jurídico

somente poderá deferir a penhora dos bens da brasileiro.

EIRELI se houver desconsideração da


personalidade jurídica. Para penhorar bens DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
pertencentes a empresa individual de
Ainda que intimada após a vigência do CPC/2015,
responsabilidade limitada (EIRELI), por dívidas do
é possível o decreto de desconsideração da
empresário que a constituiu, é imprescindível a
personalidade jurídica, sem o prévio
instauração do incidente de desconsideração da
contraditório, quando a decisão foi publicada na
personalidade jurídica de que tratam os arts. 133 e
vigência do CPC/1973.
seguintes do CPC/2015, de modo a permitir a
Caso adaptado: em 2012, a seguradora ajuizou ação
inclusão do novo sujeito no processo atingido em seu
de indenização por danos materiais contra uma
patrimônio em decorrência da medida. Exemplo
empresa (Arnon Ltda). O juiz julgou o pedido
hipotético: o banco ajuizou execução cobrando dívida
procedente, condenando a empresa a pagar a
de João. Não foram localizados bens do executado.
indenização. Houve o trânsito em julgado em 2014.
Foi então que o banco descobriu que João era titular
No cumprimento de sentença, sem ainda receber o
de uma EIRELI e que essa empresa possuía alguns
pagamento e ter tentado de todas as formas alcançar
bens em seu nome. O banco pediu ao juiz a penhora
o patrimônio da executada (Arnon Ltda – “Arnon 1”),
dos bens pertencentes à EIRELI. O magistrado
a seguradora apresentou pedido de desconsideração
proferiu decisão interlocutória rejeitando o pedido de

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inversa da personalidade jurídica, para alcançar o Diante disso, como se trata de matéria de ordem
patrimônio de outra pessoa jurídica pertencente ao pública, a simulação pode ser declarada até
mesmo grupo econômico que detinha o mesmo mesmo de ofício pelo juiz da causa (art. 168,
sócio, a Arnon Participações Ltda. (“Arnon 2”). Em parágrafo único, do CC).
2014, ou seja, antes da entrada em vigor do Como negócio jurídico simulado é nulo, o
CPC/2015, o Juiz, em decisão interlocutória inaudita reconhecimento dessa nulidade pode ocorrer de
altera pars (sem que fosse ouvida a outra parte), ofício, até mesmo incidentalmente em qualquer
acolheu o pedido e desconsiderou a personalidade processo em que for ventilada a questão.
jurídica da executada Arnon 1, para alcançar o Logo, é desnecessário o ajuizamento de ação
patrimônio da Arnon 2. Essa decisão foi publicada em específica para se declarar a nulidade de negócio
2014, isto é, ainda na vigência do CPC/1973. A Arnon jurídico simulado. Dessa forma, não há como se
2, contudo, não fazia parte do processo restringir o seu reconhecimento em embargos de
anteriormente. Logo, a publicação da decisão não terceiro.
servia como forma de comunicação para ela da Para casos posteriores ao Código Civil de 2002, não é
decisão judicial. A Arnon 2 somente foi intimada da mais possível aplicar o entendimento da Súmula 195
decisão acima em 2019, ou seja, depois que já estava do STJ às hipóteses de simulação. STJ. 3ª Turma. REsp
em vigor o CPC/2015. A Arnon 2 recorreu alegando 1.927.496/SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em
nulidade da decisão que decretou a desconsideração 27/04/2021 (Info 694)
porque não houve contraditório prévio.
A controvérsia jurídica pode assim ser resumida:
PRESCRIÇÃO
- o juiz, por decisão interlocutória proferida e
publicada na vigência do CPC/1973, decretou a Se o mandante (cliente) morre, quando se inicia o
desconsideração sem prévio contraditório. Nem o prazo prescricional para o advogado cobrar os
CPC/1973 nem a jurisprudência do STJ exigiam prévio honorários advocatícios que não foram pagos?
contraditório. • Regra geral: a partir da data em que o advogado
- a parte atingida foi intimada quando já estava em toma ciência da morte.
vigor o CPC/2015, que passou a exigir prévio Em caso de falecimento do mandante, o termo inicial
contraditório. da prescrição, em regra, é a data da ciência desse
A decisão foi mantida. O fato de a intimação da fato pelo advogado (mandatário). Desse modo,
empresa alcançada pela desconsideração ter extinto o contrato de prestação de serviços
ocorrido depois da em vigor do CPC/2015 não torna advocatícios pela morte do cliente, nos termos do art.
essa legislação aplicável a fatos processuais 682, II, do CC/2002, nasce para o advogado a
anteriores, sob pena de se estar aplicando pretensão de postular a verba honorária em juízo.
retroativamente a norma processual, o que viola o • Exceção: se houver cláusula quota litis.
art. 14 do CPC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.954.015-PE, Rel. A existência de cláusula quota litis em contrato de
Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info prestação de serviços advocatícios faz postergar o
718). início da prescrição até o momento da
implementação da condição suspensiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.605.604/MG, Rel. Min. Ricardo
DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS Villas Bôas Cueva, julgado em 20/04/2021 (Info 693).

É de 10 anos o prazo prescricional para pretensão


SIMULAÇÃO
indenizatória decorrente de vício construtivo.
A simulação provoca a nulidade absoluta do Imagine a situação em que uma pessoa ingressa com
negócio jurídico. É o que prevê o caput do art. 167 do uma ação de indenização contra a construtora
CC. pleiteando a condenação da ré ao pagamento de

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danos materiais em virtude da metragem a menor da DIREITO DAS OBRIGAÇÕES


vaga de garagem, do que foi previsto no contrato de
compra e venda.
É valida a cláusula contratual inserida em contrato de
Há incidência de prazo prescricional ou decadencial?
cessão de crédito celebrado com um FIDC que
De quanto seria o prazo para ingressar com a ação?
consagra a responsabilidade do cedente pela
A pretensão seria de natureza indenizatória (de
solvência do devedor (cessão de crédito pro
ressarcimento pelo prejuízo decorrente dos vícios do
solvendo)
imóvel), não havendo incidência de prazo
Situação hipotética: PW Ltda é uma loja de roupas.Na
decadencial, sujeitando-se a ação ao prazo de
sua atividade empresarial, ela faz muitas vendas à
prescrição.
crédito. Para tanto, os clientes assinam notas
Assim, a orientação do Superior Tribunal de Justiça é
promissórias se comprometendo a pagar as dívidas
firme no sentido de se aplicar o prazo prescricional
em 90, 120 e 180 dias. Ocorre que a loja não pode
disposto no art. 205 do Código Civil à pretensão
aguardar todo esse tempo e precisa de dinheiro para
indenizatória decorrente do vício construtivo.
pagar suas despesas e comprar mercadorias. A
STJ. 3ª Turma. AgInt-REsp 1.889.229, Rel. Min. Ricardo
empresa resolveu, então, “vender” seus créditos,
Villas Boas Cueva, julgado em 15/06/2021.
recebendo à vista o dinheiro, com deságio, ou seja,
com desconto. Para tanto, PW celebrou contrato de
Cuidado! O prazo será decadencial de 1 anos, se a
cessão de créditos com um Fundo de Investimento
pretensão da parte autora for: a) complemento da
em Direitos Creditórios – FIDC. Por meio desse
área; b) reclamar a resolução do contrato; ou c) o
contrato, a PW cedeu para o Fundo diversas notas
abatimento proporcional do preço.
promissórias (títulos de crédito) que iriam vencer
Na hipótese em que as dimensões de imóvel apenas em 180 dias. A soma desses créditos
adquirido não correspondem às noticiadas pelo totalizava R$ 100 mil. Como contrapartida, o Fundo
vendedor, cujo preço da venda foi estipulado por pagou, à vista, R$ 80 mil para a PW, ficando com o
medida de extensão (venda ad mensuram), aplica-se direito de cobrar dos devedores os R$ 100 mil.
o prazo decadencial de 1 (um ano, previsto no art. Ocorre que esses Fundos se cercam das mais
501 do CC/2002 para exigir: diversas garantias possíveis. Desse modo, havia uma
• o complemento da área; cláusula nesse contrato dizendo que, se os
• reclamar a resolução do contrato; ou devedores das notas promissórias cedidas não
• o abatimento proporcional do preço. pagassem a dívida, o FIDC poderia cobrar a quantia
STJ. 3ª Turma. REsp 1890327/SP, Rel. Min. Nancy da loja de roupas (que cedeu os títulos de créditos).
Andrighi, julgado em 20/04/2021 (Info 693) Essa cláusula contratual é válida.
Obs: se, em vez de um FIDC, o contrato tivesse sido
Prescreve em 1 ano a pretensão relativa a celebrado entre a loja e uma empresa de factoring,
contrato de transporte terrestre de cargas. não seria possível essa cláusula (REsp 1711412-MG,
Incide o prazo de prescrição anual às pretensões Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
relativas ao contrato de transporte terrestre de 04/05/2021. Info 695).
cargas antes e depois da vigência do Código Civil de STJ. 3ª Turma. REsp 1.909.459-SC, Rel. Min. Nancy
2002. STJ. 3ª Turma. REsp 1.448.785-SP, Rel. Min. Andrighi, julgado em 18/05/2021 (Info 697).
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 26/10/2021
(Info 717) Por si só, a pactuação do IGPM como índice de
correção monetária não revela ilegalidade ou
abusividade.
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1935166/RS, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão Weber, julgado em 23/08/2021.

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CESSÃO DE CRÉDITO
tornou impossível), mas pelas obrigações pecuniárias
A citação na ação de cobrança ajuizada pelo decorrentes do contrato. No entanto, é oportuno
credor-cessionário é suficiente para cumprir a assinalar que a cláusula penal compensatória tem
exigência de cientificar o devedor acerca da como objetivo prefixar os prejuízos decorrentes do
transferência do crédito. O Código Civil exige que o descumprimento do contrato, evitando que o credor
devedor seja notificado acerca da cessão de crédito: tenha que promover a liquidação dos danos. Assim, a
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em cláusula penal se traduz em um valor considerado
relação ao devedor, senão quando a este notificada; suficiente pelas partes para indenizar o eventual
mas por notificado se tem o devedor que, em escrito descumprimento do contrato. Tem, portanto, caráter
público ou particular, se declarou ciente da cessão nitidamente pecuniário. STJ. 3ª Turma. REsp
feita. A citação da devedora em ação movida pelo 1.867.551-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
cessionário atende a finalidade precípua do art. 290 julgado em 05/10/2021.
do Código Civil, que é a de “dar ciência” ao devedor
do negócio, por meio de “escrito público ou Caso CBF e Marfrig: contrato de patrocínio da Seleção
particular”. A partir da citação, o devedor toma Brasileira de Futebol
ciência inequívoca da cessão de crédito e, por Caso concreto: a CBF e a Marfrig celebraram contrato
conseguinte, sabe exatamente a quem deve de patrocínio que tinha previsão de anos de vigência.
pagar. Assim, a citação revela-se suficiente para Ocorre que a empresa deixou de efetuar os
cumprir a exigência de cientificar o devedor da pagamentos, tendo ocorrido a resolução do ajuste.
transferência do crédito. STJ. Corte Especial. EAREsp Havia, no contrato, cláusula penal prevendo o
1.125.139-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em pagamento de multa de 20%. O STJ não aceitou a sua
06/10/2021 (Info 713). redução, com base nos seguintes fundamentos: A
cláusula penal possui natureza mista, ou híbrida,
agregando, a um só tempo, as funções de estimular o
CLÁUSULA PENAL
devedor ao cumprimento do contrato e de liquidar
O devedor solidário responde pelo pagamento da antecipadamente o dano. A jurisprudência do STJ tem
cláusula penal compensatória, ainda que não admitido o controle judicial do valor da multa
incorra em culpa. Situação adaptada: a Petrobrás compensatória pactuada, sobretudo quando esta se
celebrou contrato de afretamento de embarcação mostrar abusiva, para evitar o enriquecimento sem
com a Larsen Limited. Em outras palavras, a Larsen causa de uma das partes, sendo impositiva a sua
Limited deveria entregar uma embarcação para a redução quando houver adimplemento parcial da
Petrobrás, que viria do exterior para o Brasil. Como o obrigação. Não é necessário que a redução da multa,
contrato envolvia vultosos valores e a Larsen Limited na hipótese de adimplemento parcial da obrigação,
está situada no exterior, a Petrobrás exigiu que a guarde correspondência matemática exata com a
Larsen Brasil Ltda (outra empresa do grupo) também proporção da obrigação cumprida, sobretudo
figurasse no ajuste como devedora solidária. Assim, a quando o resultado final ensejar o desvirtuamento
Larsen Brasil se obrigou conjuntamente com a outra da função coercitiva da cláusula penal. No caso
empresa pelas “obrigações pecuniárias decorrentes concreto, a cláusula penal tinha
do contrato”. A Larsen Limited, por culpa exclusiva preponderantemente função coercitiva, de modo que
sua, não cumpriu o contrato (não entregou a ela não poderia ser reduzida ao valor de uma única
embarcação combinada). Diante disso, a Petrobrás prestação ao fundamento de que essa seria a quantia
cobrou o valor da cláusula penal compensatória que mais se aproximava do prejuízo suportado pela
exigindo o seu pagamento tanto da Larsen Limited autora. Quando na estipulação da cláusula penal
(devedora principal) como da Larsen Brasil Ltda prepondera a finalidade coercitiva, a diferença
(devedora solidária). No caso, a parte não se obrigou entre o valor do prejuízo efetivo e o montante da
pela entrega da embarcação (obrigação que se pena não pode ser novamente considerada para

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fins de redução da multa convencional com pelo cumprimento forçado do contrato ou então
fundamento na segunda parte do art. 413 do pelo seu rompimento. É um ou outro (e não os
Código Civil. A preponderância da função dois). A escolha, uma vez feita, pode ser alterada,
coercitiva da cláusula penal justifica a fixação de desde que antes da sentença.
uma pena elevada para a hipótese de rescisão STJ. 4ª Turma. REsp 1.907.653-RJ, Rel. Min. Maria
antecipada, especialmente para o contrato de Isabel Gallotti, julgado em 23/02/2021 (Info 686)
patrocínio, em que o tempo de exposição da
marca do patrocinador e o prestígio a ela A EMANCIPAÇÃO LEGAL PROVENIENTE DE
atribuído acompanham o grau de desempenho da RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, prevista no art. 5º,
equipe patrocinada. Em tese, não se mostra parágrafo único, V, parte final, do CC/2002,
excessiva a fixação da multa convencional no pressupõe:
patamar de 20% sobre o valor total do contrato de i) que o menor possua ao menos 16 anos
patrocínio, de modo a evitar que, em situações que completos;
lhe pareçam menos favoráveis, o patrocinador opte ii) a existência de vínculo empregatício; e
por rescindir antecipadamente o contrato. Deve-se iii) que desse liame lhe sobrevenha economia
considerar ainda que a cláusula penal está inserida própria.
em contrato empresarial firmado entre empresas de Por decorrer diretamente do texto da lei, essa
grande porte, tendo por objeto valores milionários, espécie de emancipação PRESCINDE DE
inexistindo assimetria entre os contratantes que AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, bem como DISPENSA O
justifique a intervenção em seus termos, devendo REGISTRO PÚBLICO respectivo, bastando apenas
prevalecer a autonomia da vontade e a força que se evidenciem os requisitos legais para a
obrigatória dos contratos. STJ. 3ª Turma. REsp implementação da capacidade civil plena.
1.803.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Além disso, a autorização judicial não é
julgado em 09/11/2021 (Info 717). pressuposto de validade de contratos de gestão de
carreira e de agenciamento de atleta profissional
celebrados por atleta relativamente incapaz
DOS CONTRATOS devidamente assistido pelos pais ou responsável
legal.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.872.102/SP, Rel. Min. Marco
É válida a contratação de empréstimo consignado
Aurélio Belizze, julgado em 02/03/2021 (Info 687)
por analfabeto mediante a assinatura a rogo, a
qual, por sua vez, não se confunde, tampouco poderá Na hipótese em que as dimensões de imóvel
ser substituída pela mera aposição de digital ao adquirido não correspondem às noticiadas pelo
contrato escrito. vendedor, cujo preço da venda foi estipulado por
STJ. 3ª Turma. REsp 1.868.099-CE, Rel. Min. Marco medida de extensão (venda ad mensuram),
Aurélio Bellizze, julgado em 15/12/2020 (Info 684). aplica-se o prazo decadencial de 1 ano, previsto no
art. 501 do CC/2002, para exigir:
É lícito à parte lesada optar pelo cumprimento
• o complemento da área;
forçado ou pelo rompimento do contrato, não lhe
• reclamar a resolução do contrato; ou
cabendo, todavia, o direito de exercer ambas a
• o abatimento proporcional do preço.
alternativas simultaneamente.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.890.327/SP, Rel. Min. Nancy
O art. 475 do Código Civil afirma que, “...a parte
Andrighi, julgado em 20/04/2021 (Info 693).
lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução
É válida a cláusula de reversão em favor de terceiro
do contrato, se não preferir exigir-lhe o
aposta em contrato de doação celebrado à luz do
cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos,
CC/1916.
indenização por perdas e danos...” Note-se, portanto,
que esse artigo dá o direito de a parte lesada optar

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É válida e eficaz a cláusula de reversão estipulada em deu origem à Lei nº 1.046/1950, bem como sua
benefício de apenas alguns dos herdeiros do respectiva exposição de motivos, é possível constatar
donatário, mesmo na hipótese em que a morte deste que a intenção do legislador era disciplinar o
se verificar apenas sob a vigência do CC/2002. empréstimo consignado tão somente na esfera dos
STJ. 3ª Turma. REsp 1.922.153/RS, Rel. Min. Nancy servidores públicos da União. STJ. 2ª Turma. REsp
Andrighi, julgado em 20/04/2021 (Info 693) 1.835.511-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
07/12/2021(Info 721).
É possível o ajuizamento de ação possessória, Obs: a 3ª Turma do STJ entende que o art. 16 da Lei
fundada em cláusula resolutiva expressa, nº 1.046/1950 também não pode ser aplicado aos
decorrente de inadimplemento contratual do servidores públicos federais porque foi revogado pela
promitente comprador, sendo desnecessária a Lei nº 8.112/90.
prévia propositura de ação para resolução do
contrato. Não se pode impor à parte já prejudicada
ARRAS
pelo inadimplemento ter o ônus de ajuizar demanda
judicial para obter a resolução do contrato quando já Se a parte que recebeu as arras não cumpre a sua
existe uma cláusula resolutória expressa em seu obrigação contratual, ela deverá devolver as arras
favor. Exigir isso seria impor ônus demasiado e mais o equivalente (é como se tivesse que devolver
obrigação contrária ao texto expresso da lei, o valor das arras em dobro). Da inexecução
desprestigiando o princípio da autonomia da contratual imputável, única e exclusivamente, àquele
vontade, da não intervenção do Estado nas relações que recebeu as arras, estas devem ser devolvidas
negociais, criando obrigação que refoge à verdadeira mais o equivalente.
intenção legislativa. Fundamento legal: Código Civil / Se a parte que recebeu as arras não cumprir sua
Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de obrigação contratual (arras confirmatórias) ou
pleno direito; a tácita depende de interpelação exercer seu direito de arrependimento (arras
judicial. A cláusula resolutiva expressa é aquela penitenciais), ela terá que pagar para a parte
expressamente estipulada pelas partes no inocente o valor das arras mais o equivalente.
momento da celebração do negócio jurídico ou Assim, a restituição somada ao “equivalente” ocorre
em oportunidade posterior (por meio de aditivo tanto no caso de arras confirmatórias como nas arras
contratual), porém, sempre antes da verificação penitenciais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.927.986-DF, Rel.
da situação de inadimplência nela prevista, que Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/06/2021 (Info
constitui o suporte fático para a resolução do ajuste 702).
firmado. Nesta cláusula, as partes indicam as
hipóteses que geram a extinção do contrato. STJ. 4ª
PROMESSA DE COMPRA E VENDA
Turma. REsp 1.789.863-MS, Rel. Min. Marco Buzzi,
julgado em 10/08/2021 (Info 704). O caput art. 32 da Lei nº 6.766/78 afirma que, se o
promitente-comprador atrasar o pagamento da
A Lei 1.046/1950 não ampara a extinção do débito prestação, o contrato será rescindido 30 dias depois
de empréstimo consignado em razão do óbito de de constituído em mora o devedor.
servidor público estadual ou municipal. O § 1º do art. 32 estabelece que o devedor será
O art. 16 da Lei nº 1.046/1950 previa: Art. 16. constituído em mora por meio de intimação feita
Ocorrido o falecimento do consignante, ficará extinta pelo Oficial do Registro de Imóveis.
a dívida do empréstimo feito mediante simples Mesmo sem estar expressamente previsto no
garantia da consignação em folha. Esse dispositivo dispositivo, o STJ entende que essa intimação de
nunca se aplicou aos servidores públicos municipais que trata o § 1º do art. 32 pode ser feita através
ou estaduais/distritais porque não foi pensado para de carta com aviso de recebimento, desde que
eles. Ao se analisar o Projeto de Lei nº 63/1947, que assinado o recibo pelo devedor.

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CONTRATO DE SEGURO
Assim, a constituição em mora, para fins de
rescisão de contrato de compromisso de compra e A cláusula contratual que circunscreve e
venda de imóvel em loteamento, sujeito à disciplina particulariza a cobertura securitária não encerra,
da Lei nº 6.766/79, pode se dar por carta com aviso por si, abusividade nem indevida condição
de recebimento, desde que assinado o recibo pelo potestativa por parte da seguradora.
próprio devedor, nos termos do art. 49 da mesma É da própria natureza do contrato de seguro a prévia
Lei. delimitação dos riscos cobertos a fim de que exista o
STJ. 3ª Turma. REsp 1.745.407/SP, Rel. Min. Marco equilíbrio atuarial entre o valor a ser pago pelo
Aurélio Bellizze, julgado em 11/05/2021 (Info 696). consumidor e a indenização securitária de
responsabilidade da seguradora, na eventual
Na rescisão de contrato de compra e venda de imóvel ocorrência do sinistro. A restrição da cobertura do
residencial não edificado, o adquirente não pode seguro às situações específicas de invalidez por
ser condenado ao pagamento de taxa de acidente decorrente de “qualquer tipo de hérnia e
ocupação. suas consequências”, “parto ou aborto e suas
Exemplo: João celebrou contrato de promessa de consequências”, “perturbações e intoxicações
compra e venda de um lote de terreno com uma alimentares de qualquer espécie, bem como as
empresa (promitente-vendedora). João obrigou-se a intoxicações decorrentes da ação de produtos
pagar o valor de R$ 96 mil, parcelados em 48 meses. químicos, drogas ou medicamentos, salvo quando
Durante a vigência do contrato, João já ficaria na prescritos por médico devidamente habilitado, em
posse do lote porque ali iria construir uma casa. decorrência de acidente coberto” e “choque
Depois de 1 ano pagando as parcelas, João perdeu anafilático e suas consequências” não contraria a
seu emprego. Como não mais iria conseguir adimplir natureza do contrato de seguro nem esvazia seu
as prestações, ele ajuizou ação de resilição contratual objeto, apenas delimita as hipóteses de não
requerendo o desfazimento do negócio com a pagamento do prêmio. STJ. 4ª Turma. REsp
restituição dos valores que havia pagado. Vale 1.358.159-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira,
ressaltar que a casa que João pretendia edificar nem julgado em 08/06/2021 (Info 701).
começou a ser construída no local. A empresa
apresentou resposta pedindo para que João fosse Cuidado com decisão da 3ª Turma do STJ em
condenado ao pagamento de taxa de ocupação pelo sentido ligeiramente contrário: É abusiva cláusula
período de 1 ano que passou na posse do imóvel. prevista em seguro de acidentes pessoais que exclua
Não é devida a taxa de ocupação. No contrato de complicações decorrentes de gravidez, parto, aborto,
compra e venda de imóveis residenciais, o intoxicações alimentares, exames e tratamentos (STJ.
enriquecimento sem causa do comprador é 3ª Turma. REsp 1635238- SP, Rel. Min. Nancy
identificado pela utilização do bem para sua moradia, Andrighi, julgado em 11/12/2018).
a qual deveria ser objeto de contraprestação
mediante o pagamento de aluguéis ao vendedor pelo Nos contratos de seguro de vida em grupo, a
tempo de permanência. Na presente hipótese, o obrigação de prestar informações aos segurados
terreno não está edificado, de modo que não existe recai sobre o estipulante. No contrato de seguro de
possibilidade segura e concreta de se afirmar que a vida em grupo, cuja estipulação é feita em favor de
empresa auferiria proveito com a cessão de seu uso terceiros, três são as partes interessadas: a)
e posse a terceiros, se não o tivesse concedido ao estipulante, responsável pela contratação com o
promitente-comprador, estando, pois, ausente o segurador (ex: empresa ou associação); b)
requisito de seu empobrecimento. STJ. 3ª Turma. seguradora, que oferece a cobertura dos riscos
REsp 1.936.470-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado especificados na apólice; c) o grupo segurado,
em 26/10/2021 (Info 718) usufrutuários dos benefícios, que assumem suas
obrigações para com o estipulante (ex: trabalhadores

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ou associados). Uma pessoa está decidindo se irá ou não possui a obrigação de fornecer ao usuário
não aderir a um seguro de vida em grupo oferecido idoso, em substituição, plano na modalidade
pelo empregador (estipulante). De quem é o dever de individual, nas mesmas condições de valor do plano
informar previamente ao segurado a respeito das extinto. STJ. 3ª Turma. REsp 1.924.526-PE, Rel. Min.
cláusulas limitativas/restritivas do contrato? Esse Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas
dever é da seguradora ou do estipulante? Cueva, julgado em 22/06/2021 (Info 703).
Estipulante. Nos contratos de seguro de vida em
grupo, a obrigação de prestar informações aos No contrato de seguro envolvendo invalidez
segurados recai sobre o estipulante. No seguro de funcional permanente (IFPD), só haverá pagamento
vida em grupo, o estipulante é o mandatário dos da indenização se tiver havido “perda da existência
segurados, sendo por meio dele encaminhadas as independente do segurado”; essa cláusula
comunicações entre a seguradora e os contratual é válida.
consumidores aderentes. Nesse contexto, o dever Não é ilegal ou abusiva a cláusula que prevê a
de informação, na fase pré-contratual, é satisfeito cobertura adicional de invalidez funcional
durante as tratativas entre seguradora e permanente total por doença (IFPD) em contrato de
estipulante, culminando com a celebração da seguro de vida em grupo, condicionando o
apólice coletiva que estabelece as condições pagamento da indenização securitária à perda da
gerais e especiais e cláusulas limitativas e existência independente do segurado, comprovada
excludentes de riscos. Na fase de execução do por declaração médica. STJ. 2ª Seção. REsp
contrato, o dever de informação, que deve ser 1.867.199-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
prévio à adesão de cada empregado ou associado, julgado em 13/10/2021 (Recurso Repetitivo - Tema
cabe ao estipulante, único sujeito do contrato que 1068) (Info 714).
tem vínculo anterior com os componentes do
grupo segurável. A seguradora, na fase prévia à DPVAT
adesão individual, momento em que devem ser
É inviável a cessão de direito ao reembolso das
fornecidas as informações ao consumidor, sequer
despesas médico-hospitalares, cobertas pelo seguro
tem conhecimento da identidade dos interessados
DPVAT, realizada por vítimas de acidente
que irão aderir à apólice coletiva, cujos termos já
automobilístico em favor de clínica particular, não
foram negociados entre ela e o estipulante. A
conveniada ao SUS, que prestou atendimento aos
obrigação de prestar informações sobre os
segurados
termos, condições gerais e cláusulas limitativas
A lei de regência veda expressamente a cessão de
de direito estabelecidos no contrato de seguro de
direitos no que tange às despesas de assistência
vida em grupo ao qual aderiu o segurado
médica e suplementares, efetuadas pela rede
(consumidor) é, portanto, do estipulante,
credenciada junto ao Sistema Único de Saúde,
conforme estabelecido no inciso III, do art. 3º, da
quando em caráter privado (art. 3º, § 2º, da Lei nº
Resolução CNSP 107/2004, constituindo-se esse
6.194/64). A inviabilidade da cessão na espécie não se
dever em pressuposto lógico da aceitação da
dá propriamente com base na restrição feita pelo art.
proposta de adesão pelo interessado. STJ. 4ª Turma.
3º, § 2º, da Lei 6.194/64. Isto é, não é a ausência da
REsp 1.850.961-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
vinculação da clínica fisioterápica ao SUS a base da
julgado em 15/06/2021 (Info 702)
conclusão adotada, mas sim o fato de que não houve
A operadora não pode ser obrigada a oferecer diminuição patrimonial dos segurados. Em não
plano individual a idoso usuário de plano coletivo havendo o dispêndio de valores por parte das
extinto se ela não disponibiliza no mercado tal vítimas, não há que se falar em reembolso pela
modalidade contratual. A operadora que resiliu seguradora e, via de consequência, inviável mostra-se
unilateralmente plano de saúde coletivo empresarial qualquer cessão de tais direitos.

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STJ. 3ª Turma. REsp 1.911.618-PR, Rel. Min. Nancy Exemplo hipotético: em jan/2013, Pedro alugou seu
Andrighi, julgado em 01/06/2021 (Info 699) imóvel para João. O contrato foi celebrado por prazo
determinado e com duração de 1 ano. Chegou
jan/2014, mas nem o locador nem o locatário falaram
LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS
nada. João permaneceu morando no imóvel e
O locatário tem a obrigação de restituir o bem ao pagando os aluguéis e Pedro continuou recebendo
locador no estado em que o recebeu, ressalvadas as normalmente. Isso significa que o contrato passou a
deteriorações decorrentes do seu uso normal. vigorar por prazo indeterminado. Em fev/2018, Pedro
Se houve uma deterioração anormal do bem, o ajuizou contra João ação de despejo por denúncia
locador terá o direito de exigir do locatário vazia pedindo a desocupação do imóvel e a entrega
indenização por perdas e danos. das chaves. A situação se amolda ao art. 47, V,
Quando se fala em perdas e danos, deve-se porque o prazo de 5 anos é contado do contrato
interpretar isso de acordo com o princípio da original (e não da prorrogação do vínculo).
reparação integral, de maneira que a indenização STJ. 4ª Turma. REsp 1.511.978-BA, Rel. Min. Antônio
deve abranger tanto o desfalque efetivo e imediato Carlos Ferreira, julgado em 02/03/2021 (Info 687)
no patrimônio do credor, como a perda patrimonial
futura. Em ação renovatória do contrato de locação de
Desse modo, para além dos danos emergentes, a espaço em shopping center a dissonância entre o
restituição do imóvel locado em situação de locativo percentual contratado e o valor de mercado
deterioração enseja o pagamento de indenização não autoriza, por si só, a alteração do aluguel.
por lucros cessantes, pelo período em que o bem Caso concreto: determinado supermercado funciona
permaneceu indisponível para o locador. em um shopping center, com quem mantém contrato
STJ. 3ª Turma. REsp 1.919.208/MA, Rel. Min. Nancy de locação de espaço. O ajuste prevê que o aluguel
Andrighi, julgado em 20/04/2021 (Info 693) corresponde a 2% sobre as vendas líquidas que o
supermercado realizar. O supermercado ajuizou ação
Nos contratos coligados ou conexos há uma renovatória de locação contra a administradora do
justaposição de modalidades diversas de shopping pedindo a renovação do aluguel. O
contratos, de maneira que cada um destes shopping contestou afirmando que não se opõe à
mantém sua autonomia, preservando suas renovação do contrato, desde que haja um aumento
características próprias, haja vista que o objetivo do aluguel para o percentual de 2,5% das vendas
da junção de tais contratos é possibilitar uma líquidas, considerando que o valor originalmente
atividade econômica específica. contratado (2%) está abaixo do percentual adotado
O fato de o contrato de sublocação possuir outros comumente no mercado. O pedido do shopping não
pactos adjacentes não retira sua autonomia nem o foi acolhido. Para a fixação do valor do aluguel no
desnatura, notadamente quando as outras espécies contrato de locação de espaço em shopping center,
contratuais a ele se coligam com o único objetivo de são consideradas algumas características especiais
concretizar e viabilizar sua finalidade econômica, de do empreendimento e que o diferencia dos demais.
modo que as relações jurídicas dele decorrentes Assim, a título de exemplo, devem ser consideradas a
serão regidas pela Lei nº 8.245/91. disponibilidade e a facilidade de estacionamento, a
STJ. 3ª Turma. REsp 1.475.477-MG, Rel. Min. Marco segurança do local, a oferta de produtos e serviços,
Aurélio Bellizze, julgado em 18/05/2021 (Info 697) opções de lazer, entre outros. Desse modo, há uma
série de fatores que influenciam na fixação da
O termo inicial de contagem do prazo para a
remuneração mensal e que são alheios ao valor de
denúncia vazia, nas hipóteses de que trata o art. 47,
mercado. Frente às singularidades que diferenciam
V, da Lei n. 8.245/1991, coincide com a formação do
tais contratos, o art. 54 da Lei nº 8.245/91 assegura a
vínculo contratual
prevalência dos princípios da autonomia da vontade

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e do pacta sunt servanda. Nesse sentido, a alteração vez contratada pelas partes, goza de força
do aluguel percentual em sede de ação vinculante e caráter obrigatório, definindo ao
renovatória de locação de espaço em shopping juízo arbitral eleito a competência para dirimir os
center somente é viável caso demonstrado pela litígios relativos aos direitos patrimoniais acerca
parte postulante - locatário ou locador - o dos quais os litigantes possam dispor,
desequilíbrio econômico superveniente derrogando-se a jurisdição estatal. No entanto,
resultante de evento imprevisível (arts. 317 e 479 apesar da referida convenção arbitral excluir a
do CC/2002). STJ. 3ª Turma. REsp 1.947.694-SP, Rel. apreciação do juízo estatal, tal restrição não se aplica
Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/09/2021 (Info aos processos de execução forçada, haja vista que os
709) árbitros não são investidos do poder de império
estatal à prática de atos executivos, não sendo
detentores de poder coercitivo direto. No caso de
ARBITRAGEM
ação de despejo por falta de pagamento e imissão de
A declaração de nulidade da sentença arbitral posse, o juízo arbitral não poderá decidir a causa
pode ser pleiteada, judicialmente, por duas vias: porque se busca uma ordem para restituir o imóvel
a) ação declaratória de nulidade de sentença com o desalojamento do ocupante. Logo, há uma
arbitral (art. 33, § 1º, da Lei nº 9.307/96); ou peculiaridade procedimental e uma natureza
b) impugnação ao cumprimento de sentença executiva ínsita, exigindo a atuação do juízo estatal.
arbitral (art. 33, § 3º, da Lei nº 9.307/96). STJ. 4ª Turma. REsp 1.481.644-SP, Rel. Min. Luis Felipe
O § 1º do art. 33 verá que ele fala em um prazo de 90 Salomão, julgado em 01/06/2021 (Info 699)
dias para ajuizar a ação declaração de nulidade. O §
3º do mesmo artigo não prevê prazo. A divulgação pelos interlocutores ou por terceiros
de mensagens trocadas via WhatsApp pode
Diante disso, indaga-se: o prazo de 90 dias do § 1º do ensejar a responsabilização por eventuais danos
art. 33 também se aplica para a hipótese do § 3º? A decorrentes da difusão do conteúdo. As conversas
impugnação ao cumprimento de sentença arbitral travadas por meio do WhatsApp são resguardadas
também deve ser apresentada no prazo de 90 dias? pelo sigilo das comunicações. Assim, terceiros
Depende: somente podem ter acesso às conversas de
• se a parte executada quiser alegar algum dos WhatsApp se houver consentimento dos
vícios do art. 32 da Lei nº 9.307/96: ela possui o participantes ou autorização judicial. As mensagens
prazo de 90 dias. Assim, se já tiver se passado 90 eletrônicas estão protegidas pelo sigilo em razão de o
dias da notificação da sentença, ela não poderá seu conteúdo ser privado, isto é, restrito aos
apresentar impugnação alegando um dos vícios interlocutores. Dessa forma, ao enviar mensagem a
do art. 32. determinado ou a determinados destinatários, via
• mesmo que já tenha se passado o prazo de 90 WhatsApp, o emissor tem a expectativa de que ela
dias, a parte ainda poderá alegar uma das não será lida por terceiros, quanto menos divulgada
matérias do § 1º do art. 525 do CPC. ao público, seja por meio de rede social ou da mídia.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy Essa expectativa advém não só do fato de ter o
Andrighi, julgado em 06/04/2021 (Info 691). indivíduo escolhido a quem enviar a mensagem,
como também da própria encriptação a que estão
Cabe ao juízo estatal julgar a ação de despejo, sujeitas as conversas (criptografia ponta-aponta).
ainda que exista cláusula compromissória no Além disso, se a sua intenção fosse levar ao
contrato de locação conhecimento de diversas pessoas o conteúdo da
Compete ao juízo estatal julgar a pretensão de mensagem, a pessoa que enviou a mensagem teria
despejo por falta de pagamento, mesmo existindo optado por uma rede social menos restrita ou
cláusula compromissória. A cláusula arbitral, uma mesmo repassado a informação à mídia para que

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fosse divulgada. Assim, se o indivíduo divulga ao 9.307/96, após o prazo decadencial nonagesimal. STJ.
público uma conversa privada, além de estar 3ª Turma. REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy
quebrando o dever de confidencialidade, está Andrighi, julgado em 06/04/2021 (Info 691). STJ. 3ª
também violando legítima expectativa, a Turma. REsp 1.862.147-MG, Rel. Min. Marco Aurélio
privacidade e a intimidade do emissor. Justamente Bellizze, julgado em 14/09/2021 (Info 709).
por isso, esse indivíduo pode ser responsabilizado
por essa divulgação caso se configure o dano. É
COMODATO
importante consignar que a ilicitude poderá ser
descaracterizada (afastada) quando a exposição É desnecessária a notificação prévia do
das mensagens tiver como objetivo resguardar comodatário para fins de comprovação do
um direito próprio do receptor. Nesse caso, será esbulho possessório quando verificada a ciência
necessário avaliar as peculiaridades concretas para inequívoca do intuito de reaver o imóvel. Nos
fins de decidir qual dos direitos em conflito deverá contratos de comodato firmados por prazo
prevalecer. STJ. 3ª Turma. REsp 1.903.273-PR, Rel. determinado, mostra-se desnecessária a
Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/08/2021 (Info promoção de notificação prévia - seja
706) extrajudicial ou judicial - do comodatário, pois,
logicamente, a mora constituir-se-á de pleno
A impugnação ao cumprimento de sentença direito na data em que não devolvida a coisa
arbitral, devido à ocorrência dos vícios elencados no emprestada, conforme estipulado
art. 32 da Lei nº 9.307/96, possui prazo decadencial contratualmente. Por outro lado, no caso de
de 90 dias. comodato por prazo indeterminado, é
A declaração de nulidade da sentença arbitral pode indispensável a prévia notificação para rescindir
ser pleiteada, judicialmente, por duas vias: o contrato, pois, somente após o término do
a) ação declaratória de nulidade de sentença arbitral prazo previsto na notificação premonitória, a
(art. 33, § 1º, da Lei nº 9.307/96); ou posse exercida pelo comodatário, anteriormente
b) impugnação ao cumprimento de sentença arbitral tida como justa, tornar-se-á injusta, de modo a
(art. 33, § 3º, da Lei nº 9.307/96). configurar o esbulho possessório. No caso
O § 1º do art. 33 prevê um prazo de 90 dias para concreto, todavia, a despeito de o comodato ter-se
ajuizar a ação de declaração de nulidade. O § 3º do dado por tempo indeterminado e de não ter havido a
mesmo artigo não prevê prazo. Diante disso, prévia notificação do comodatário, não se pode
indaga-se: o prazo de 90 dias do § 1º do art. 33 conceber que este detinha a posse legítima do bem.
também se aplica para a hipótese do § 3º? A Isso porque foi ajuizada uma outra ação antes da
impugnação ao cumprimento de sentença arbitral propositura da própria ação possessória e nessa
também deve ser apresentada no prazo de 90 dias? primeira ação já se demonstrou o intuito de retomar
Depende: o bem, mostrando-se a notificação premonitória uma
• se a parte executada quiser alegar algum dos mera formalidade, inócua aos fins propriamente
vícios do art. 32 da Lei nº 9.307/96: ela possui o pretendidos. Assim, verificada a ciência inequívoca do
prazo de 90 dias. Assim, se já tiver se passado 90 dias comodatário para que providenciasse a devolução do
da notificação da sentença, ela não poderá imóvel cuja posse detinha em função de comodato
apresentar impugnação alegando um dos vícios do com a falecida proprietária, configurado está o
art. 32. esbulho possessório, hábil a justificar a procedência
• mesmo que já tenha se passado o prazo de 90 da lide. STJ. 3ª Turma. REsp 1.947.697-SC, Rel. Min.
dias, a parte ainda poderá alegar uma das Nancy Andrighi, julgado em 28/09/2021 (Info 713).
matérias do § 1º do art. 525 do CPC. Não é cabível a
impugnação ao cumprimento da sentença arbitral,
com base nas nulidades previstas no art. 32 da Lei nº RESPONSABILIDADE CIVIL

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A entidade esportiva mandante do jogo responde de instrumento é a data do conhecimento do


pelos danos sofridos por torcedores, em dano
decorrência de atos violentos provocados por Exemplo hipotético: João contratou Marcelo para
membros de torcida rival. STJ. 3ª Turma. REsp ajuizar uma ação ordinária contra o plano de saúde.
1.924.527-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em Foi ajuizada a ação, mas o juiz negou o pedido de
15/06/2021 (Info 701). tutela provisória de urgência. Marcelo, sem uma
razão justificável, deixou de interpor agravo de
Responsabilidade civil por morte causada em virtude instrumento. Em 06/06/2016, transcorreu in albis o
de acidente com cerca de arame farpado sem prazo recursal. O processo continuou tramitando, no
sinalização. entanto, Marcelo sempre se mostrava negligente e
Caso concreto: o proprietário de imóvel rural colocou sem compromisso para com seu cliente.
cerca de arames em uma estrada de barro, Assim, em 07/07/2017, João revogou os poderes
considerando que, a partir daquele local começava a conferidos a Marcelo e contratou outro advogado
sua propriedade. Ocorre que não foi inserida para acompanhar o processo. O termo inicial do
nenhuma sinalização informando que havia a cerca. prazo prescricional para a ação de indenização pela
Uma pessoa vinha com sua moto nesta estrada de perda de uma chance é 07/07/2017.
terra e, como estava de noite, não viu a cerca, que No caso, não é razoável considerar como marco
era imperceptível a olho nu, e sem qualquer tipo de inicial da prescrição a data limite para a interposição
sinalização, tendo, então, colidido com o arame do agravo de instrumento, haja vista inexistirem
farpado, o que lhe ceifou instantaneamente a vida. elementos nos autos - ou a comprovação por parte
Os familiares da vítima possuem direito à do causídico - de que o cliente tenha sido cientificado
indenização a ser paga pelo proprietário do imóvel, da perda de prazo para apresentar o recurso cabível.
que instalou a cerca. Portanto, o prazo prescricional não pode ter início
Não se pode afastar a responsabilidade do no momento da lesão ao direito da parte (dia em
proprietário, que não agiu com prudência ao deixar que o advogado perdeu o prazo), mas sim na data
de sinalizar o local, sabendo da possibilidade de ali do conhecimento do dano, aplicando-se
transitarem terceiros. Não se pode admitir que a sua excepcionalmente a actio nata em sua vertente
propriedade represente um risco a terceiros que ali subjetiva.
trafegam ou possam trafegar, pois, acaso ocorrido o STJ. 3ª Turma. REsp 1.622.450/SP, Rel. Min. Ricardo
dano, haverá a obrigação de repará-lo (arts. 186 e Villas Bôas Cueva, julgado em 16/03/2021 (Info 689)
927 do Código Civil).
STJ. 3ª Turma. REsp 1860324/GO, Rel. Min. Nancy A omissão de socorro à vítima de acidente de
Andrighi, julgado em 09/02/2021. trânsito, por si, não configura hipótese de dano
moral in re ipsa.
É vedado ao provedor de aplicações de internet A evasão do réu do local do acidente pode, a
fornecer dados de forma indiscriminada dos depender do caso concreto, causar ofensa à
usuários que tenham compartilhado determinada integridade física e psicológica da vítima, no
postagem, em pedido genérico e coletivo, sem a entanto, para isso, deverão ser analisadas as
especificação mínima de uma conduta ilícita particularidades envolvidas.
realizada. Haverá circunstâncias em que a fuga do réu, sem
STJ. 4ª Turma. REsp 1.859.665/SC, Rel. Min. Luis Felipe previamente verificar se há necessidade de
Salomão, julgado em 09/03/2021 (Info 688) auxílio aos demais envolvidos no acidente,
superará os limites do mero aborrecimento e, por
O termo inicial da prescrição da pretensão de
consequência, importará na devida compensação
obter o ressarcimento pela perda de uma chance
pecuniária do sofrimento gerado.
decorrente da ausência de apresentação de agravo

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Por outro lado, é possível conceber situação gerindo interesses da coletividade, e a notícia e
hipotética em que a evasão do réu do local do crítica referirem-se a fatos de interesse geral
sinistro não causará transtorno emocional ou relacionados à atividade pública desenvolvida
psicológico à vítima. Logo, o simples fato de ter pela pessoa noticiada.
havido omissão de socorro não significa, por si só, Pessoas públicas estão submetidas à exposição de
que houve dano moral. Não se trata de hipótese de sua vida e de sua personalidade e, por conseguinte,
dano moral presumido. STJ. 4ª Turma. REsp são obrigadas a tolerar críticas que, para o cidadão
1.512.001-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, comum, poderiam significar uma séria lesão à honra.
julgado em 27/04/2021 (Info 694) Assim, a crítica a pessoas públicas somente pode
gerar responsabilidade civil em situações nas
A proprietária, na qualidade de arrendadora de quais é imputada, injustamente e sem a
aeronave, não pode ser responsabilizada civilmente necessária diligência, a prática de atos concretos
pelos danos causados por acidente aéreo, quando há que resvalem na criminalidade.
o rompimento do nexo de causalidade, afastando-se STJ. 5ª Turma. REsp 1.729.550-SP, Rel. Min. Luis Felipe
o dever de indenizar Salomão, julgado em 14/05/2021 (Info 696)
Caso adaptado: estava sendo realizado um evento
em comemoração aos 55 anos do aeródromo. Como Dano moral em caso de atraso no voo que fez com
parte das comemorações, as pessoas podiam pagar que o passageiro, menor de idade viajando sozinho,
um ingresso para participar de voo panorâmico no ficasse muitas horas no aeroporto esperando e ainda
local. Larissa e outros passageiros embarcaram, fosse direcionado para cidade diferente do destino
então, em um avião Cessna 310, pilotado por João. original. É cabível dano moral pelo defeito na
João, o piloto do primeiro avião, agindo de forma prestação de serviço de transporte aéreo com a
imprudente e imperita, efetuou manobras arriscadas entrega de passageiro menor desacompanhado,
e, ao efetuar um rasante, acabou colidindo com um após horas de atraso, em cidade diversa da
segundo avião (Cessna 182), que estava em processo previamente contratada. STJ. 3ª Turma. REsp
de decolagem. O piloto do segundo avião não teve 1.733.136-RO, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
culpa pelo acidente. Todas as pessoas presentes nas julgado em 21/09/2021 (Info 711).
duas aeronaves acabaram falecendo. Vale ressaltar
que o segundo avião (Cessna 182) pertencia à Condomínio responde pelos danos causados por
empresa Klabin e foi arrendado para o aeródromo funcionário do condomínio que, em seu período
para participar do evento. Os pais de Larissa de folga, mas em razão do seu trabalho, pegou o
ajuizaram ação de indenização por danos morais e carro do condomínio e causou danos.
materiais contra a Klabin (arrendadora da segunda O condomínio edilício responde pelos danos
aeronave). O STJ entendeu que a empresa causados por seus empregados mesmo que fora do
arrendadora não tem o dever de indenizar, horário de expediente, desde que em razão do seu
considerando que não praticou ato suficiente trabalho. No caso concreto, o evento danoso ocorreu
para provocar o dano sofrido pela vítima. com a participação do empregado do condomínio,
STJ. 4ª Turma. REsp 1.414.803-SC, Rel. Min. Luis Felipe tendo em vista que o empregado permaneceu no
Salomão, julgado em 04/05/2021 (Info 695). trabalho e lá mesmo se embebedou, além de ter se
locupletado da informação adquirida em função de
Não caracteriza hipótese de responsabilidade civil seu emprego para ingressar no veículo e causar o
a publicação de matéria jornalística que narre dano. A situação se enquadra no art. 932, III, do
fatos verídicos ou verossímeis, embora eivados de Código Civil. Trata-se de responsabilidade objetiva
opiniões severas, irônicas ou impiedosas, do empregador, ou seja, independentemente de
sobretudo quando se trate de figuras públicas culpa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.787.026-RJ, Rel. Min.
que exerçam atividades tipicamente estatais,

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Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/10/2021 Andrighi, relator p/ acórdão Min. Marco Aurélio
(Info 717). Bellizze, julgado em 07/12/2021 (Info 721).

É possível, com fundamento no art. 22 do MCI, a


RESPONSABILIDADE CIVIL E INTERNET
requisição de fornecimento dos nomes ou domínios das
Não se aplica o art. 21 do Marco Civil da Internet empresas que patrocinam links na ferramenta “Google
para os casos de divulgação não autorizada de Ads” relacionados à determinada expressão?
imagens de nudez produzidas para fins Tendo e vista a obrigação legal de guarda de registros
comerciais. de conexão e de acesso a aplicações de internet, é
Se o provedor de aplicações (exs: Facebook, Instagram, possível, desde que preenchidos os requisitos legais,
Youtube) disponibilizar conteúdo gerado por terceiros e impor aos provedores o dever de fornecer os nomes
a postagem feita causar prejuízos a alguém (ex: ofensa ou domínios das sociedades empresárias que
à honra), o que deve ser feito para a remoção do patrocinam links na ferramenta “Google Ads”
material? Exige-se autorização judicial para a remoção relacionados à determinada expressão utilizada de
do conteúdo? forma isolada ou conjunta, pois tal medida
• Regra geral: SIM (exige-se ordem judicial). É a regra representa mero desdobramento daquelas
do art. 19 do MCI. obrigações. O provedor de internet deve manter
• Exceção: se houver divulgação de imagens, armazenados os registros relativos a patrocínio
vídeos ou outros materiais contendo cenas de de links em serviços de busca pelo período de 6
nudez ou de atos sexuais de caráter privado (seis) meses contados do fim do patrocínio e não
(exposição pornográfica não consentida). Neste caso, da data da contratação. STJ. 3ª Turma. REsp
basta que o provedor seja notificado 1.961.480-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
extrajudicialmente. É o que prevê o art. 21. Caso 07/12/2021 (Info 721).
concreto: “F”, modelo, realizou ensaio fotográfico de
nudez para uma revista masculina. Ocorre que ela Os provedores de conexão à internet devem

passou a encontrar suas fotos de nudez em blogs guardar para eventualmente fornecer, mediante

hospedados pela Google sem que tivesse autorizado. ordem judicial, os dados cadastrais dos usuários.

Ela fez então a notificação extrajudicial da Google Os provedores de conexão à internet devem fornecer

para a retirada dos materiais dos blogs. O STJ decidiu os dados cadastrais (nome, endereço, RG e CPF) dos

que, neste caso, não era suficiente a notificação, usuários responsáveis por publicação de vídeos no

sendo necessária a ordem judicial. Em outras Youtube com ofensas à memória de pessoa falecida.

palavras, não se aplica o art. 21, sendo situação que Os provedores são obrigados a guardar os DADOS

se amolda ao art. 19. Para a aplicação do art. 21 é PESSOAIS do usuário?

indiscutível que a nudez e os atos de conteúdo • Provedores de CONEXÃO à internet: SIM (devem

sexuais envolvam inerentes à intimidade das guardar os dados pessoais).

pessoas, de modo reservado, particular e privativo. • Provedores de APLICAÇÕES de internet: NÃO

Nem toda divulgação indevida de material de (basta armazenarem o IP). STJ. 4ª Turma. REsp

nudez ou de conteúdo sexual atrai a regra do art. 1.914.596-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado

21, mas apenas aquele que apresenta, em 23/11/2021 (Info 720).

intrinsecamente, uma natureza privada. O ensaio


Não se pode impor a provedores de buscas a
fotográfico de nudez realizado especificamente
obrigação genérica de desindexar resultados
para sua exploração econômica por revista
obtidos a partir do arquivo ilicitamente divulgado
adulta, voltada para público seleto mediante
na internet.
pagamento pelo acesso no seu website, não pode
Não é possível impor a provedores de aplicações de
mesmo ser definida como de caráter privado. STJ.
pesquisa na internet o ônus de instalar filtros ou criar
3ª Turma. REsp 1.930.256-SP, Rel. Min. Nancy
mecanismos para eliminar de seu sistema a exibição

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de resultados de links contendo o documento estabelecem a vedação da exceção de domínio. Há


supostamente ofensivo. STJ. 3ª Turma. REsp uma separação absoluta entre os juízos petitório,
1.593.249-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, baseado na propriedade, e o juízo possessório,
julgado em 23/11/2021 (Info 719) baseado na posse. Isso porque a posse é fenômeno
fático-social digno de tutela, sendo totalmente
Provedor de e-mail não é obrigado a guardar autônomo e distinto da propriedade. Um dos efeitos
e-mails que foram deletados. da posse é justamente a sua proteção através da
Não há previsão legal atribuindo aos provedores de tutela estatal. Portanto, havendo uma ação
aplicações que oferecem serviços de email o dever de possessória em curso, não é cabível o
armazenar as mensagens recebidas ou enviadas pelo ajuizamento de ação petitória ou a discussão a
usuário e que foram deletadas. O Marco Civil da respeito da propriedade. Ademais, a vedação à
Internet (Lei nº 12.965/2014) não impõe esse dever exceção de domínio não deve ser compreendida
aos provedores de email. como limitação aos direitos constitucionais de
propriedade ou de ação, seja porque a propriedade
Provedor de e-mail não pode ser responsabilizado deve obedecer à sua função social, seja porque o não
pelo fato de um hacker, ao conseguir acessar a debate sobre o domínio nas ações possessórias
conta de e-mail do usuário, ter subtraído as representa apenas uma condição suspensiva no
criptomoedas que ele possuía exercício do direito de ação fundada na propriedade.
O provedor de aplicações que oferece serviços de A ação de imissão na posse, apesar do nome, não se
e-mail não pode ser responsabilizado pelos danos baseia na posse, mas sim na propriedade, sendo uma
materiais decorrentes da transferência de bitcoins ação petitória. É a ação cabível para o proprietário
realizada por hacker. O usuário teve a sua conta de obter a posse que nunca teve. Assim, havendo uma
e-mail invadida por um hacker, que também acessou ação possessória em curso, caso seja ajuizada a ação
a sua carteira de bitcoins e transferiu as de imissão na posse, esta deverá ser extinta sem
criptomoedas para a conta de outro usuário. Não se resolução de mérito, ante a falta de pressuposto
pode atribuir ao Gmail a responsabilidade por tais negativo de constituição e desenvolvimento válido do
danos materiais porque, ainda que a gerenciadora processo, qual seja, a ausência de ação possessória
adote o sistema de dupla autenticação, qual seja, pendente sobre o bem como requisito para o manejo
digitação da senha e envio, via e-mail, do link de de ação petitória. STJ. 3ª Turma. REsp 1.909.196-SP,
acesso, a simples entrada neste é insuficiente para Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/06/2021 (Info
propiciar o ingresso na carteira virtual e, 701).
consequentemente, a transação das criptomoedas.
Logo, a ausência de nexo causal entre o dano e a Não há necessidade de se suspender a ação
conduta do Gmail obsta a atribuição a esta da possessória até que se julgue a ação de
responsabilidade pelo prejuízo material usucapião.
experimentado pelo usuário. STJ. 3ª Turma. REsp Não há prejudicialidade externa que justifique a
1.885.201-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em suspensão da demanda possessória até que se julgue
23/11/2021 (Info 719). a ação de usucapião.
A posse é fato, podendo estar dissociada da
propriedade.
POSSE
Por conseguinte, a tutela da posse pode ser
eventualmente concedida mesmo contra o direito de

É vedado o ajuizamento de ação de imissão na posse, propriedade.

de juízo petitório, na pendência de ação possessória As demandas, possessória e de usucapião, não

sobre o mesmo bem. possuem, entre si, relação de conexão ou

O art. 557 do CPC e o art. 1.210, §2º, do CC continência.

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STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 1483832/SP, Rel. Min. Villas Bôas Cueva, julgado 22/06/2021 (Info 702).
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 06/10/2015.
STJ. 3ª Turma. AgInt na PET na Pet 14017/SP, Rel. Min. A procuração outorgada para alienação de bem
Nancy Andrighi, julgado em 12/04/2021. imóvel precisa ser por meio de escritura pública se
o valor do imóvel for superior a 30
salários-mínimos (arts. 108 e 657 do CC).
DOS DIREITOS REAIS A procuração para transferência do imóvel com valor
superior ao teto legal, ato cuja exigência de
instrumento público é essencial para a sua validade,
A procuração em causa própria é o negócio
deve necessariamente ter a mesma forma pública
jurídico unilateral que confere um poder de
que é exigida para o ato. STJ. 4ª Turma. REsp
representação ao outorgado, que o exerce em seu
1.894.758-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd.
próprio interesse, por sua própria conta, mas em
Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 19/10/2021
nome do outorgante. Também é conhecido pelas
(Info 715)
expressões em latim “in rem propriam” ou “in rem
suam”. Condomínios residenciais podem impedir, por
Sua utilização é muito comum para a celebração de meio da convenção condominial, o uso de imóveis
contratos de compra e venda, facilitando a para locação pelo Airbnb.
transmissão da propriedade, já que não haverá a Existindo na Convenção de Condomínio regra
necessidade da presença física do alienante no impondo destinação residencial, mostra-se indevido
cartório. o uso de unidade condominial para fins de
A procuração em causa própria, por si só, não é hospedagem remunerada, com múltipla e
considerada título translativo de propriedade. Em concomitante locação de aposentos existentes nos
outras palavras, a procuração em causa própria não apartamentos, a diferentes pessoas, por curta
transmite o direito objeto do negócio jurídico. O que temporada (ex: locação pelo Airbnb).
essa procuração faz é passar ao outorgado o poder Vale ressaltar que existe a possibilidade de os
de transferir esse direito. próprios condôminos de um condomínio edilício de
Assim, mesmo após passar a procuração, o fim residencial deliberarem em assembleia, por
outorgante continua sendo titular do direito (real ou maioria qualificada (2/3 das frações ideais), permitir a
pessoal) objeto da procuração em causa própria. utilização das unidades condominiais para fins de
Quando recebe a procuração, o outorgado passa a hospedagem atípica, por intermédio de plataformas
ser apenas titular do poder de dispor desse direito, digitais ou outra modalidade de oferta, ampliando o
em seu próprio interesse, mas em nome alheio. uso para além do estritamente residencial e,
STJ. 4ª Turma. REsp 1.345.170-RS, Rel. Min. Luis Felipe posteriormente, querendo, incorporarem essa
Salomão, julgado em 04/05/2021 (Info 695). modificação à Convenção do Condomínio.
O fato de a cobrança de taxa de manutenção estar STJ. 4ª Turma. REsp 1819075/RS, Rel. Min. Luis Felipe
prevista no contrato-padrão registrado no RI vincula Salomão, Rel. p/ Acórdão Min. Raul Araújo, julgado
os adquirentes somente à obrigação de pagar as em 20/04/2021 (Info 693).
taxas a partir da aquisição, não abrangendo os
débitos do anterior proprietário. A taxa de Julgado correlato:
manutenção de loteamento urbano cobrada por O condomínio que possui destinação exclusivamente
associação de moradores, prevista no residencial pode proibir a locação de unidade
contrato-padrão registrado no Cartório de Imóveis, autônoma por curto período de tempo
vincula os adquirentes somente à obrigação de A exploração econômica de unidades autônomas
pagar as taxas a partir da aquisição, não mediante locação por curto ou curtíssimo prazo,
abrangendo os débitos do anterior proprietário. caracterizada pela eventualidade e pela
STJ. 3ª Turma. REsp 1.941.005-SP, Rel. Min. Ricardo

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CONDOMÍNIO COMUM
transitoriedade, não se compatibiliza com a
destinação exclusivamente residencial atribuída ao No exercício do direito de preferência legal, é
condomínio. possível que o condômino contraia um
A afetação do sossego, da salubridade e da empréstimo para o cumprimento do requisito de
segurança, causada pela alta rotatividade de pessoas depósito do preço do bem
estranhas e sem compromisso duradouro com a O art. 504 do CC enumera taxativamente os
comunidade na qual estão temporariamente requisitos necessários para o exercício do direito
inseridas, é o que confere razoabilidade a eventuais de preferência:
restrições impostas com fundamento na destinação a) a indivisibilidade da coisa;
prevista na convenção condominial. b) a ausência de prévia ciência, pelo condômino
O direito de propriedade, assegurado preterido, acerca da venda realizada a estranho;
constitucionalmente, não é só de quem explora c) o depósito do preço, que deve ser idêntico àquele
economicamente o seu imóvel, mas sobretudo que fora pago pelo estranho na aquisição; e
daquele que faz dele a sua moradia e que nele d) a observância do prazo decadencial de 180 dias.
almeja encontrar, além de um lugar seguro para a O fato de o condômino tomar um empréstimo para
sua família, a paz e o sossego necessários para cumprir o requisito de depósito do preço do bem,
recompor as energias gastas ao longo do dia. por si só, não é suficiente para a configuração de
STJ. 3ª Turma. REsp 1.884.483-PR, Rel. Min. Ricardo abuso de direito.
Villas Bôas Cueva, julgado em 23/11/2021 (Info 720). A origem do dinheiro utilizado para o depósito do
preço do bem não tem qualquer relevância para o
exercício do direito de preferência.
USUCAPIÃO
É possível, portanto, que o montante necessário seja
É possível a usucapião mesmo em uma área obtido pelo condômino através de empréstimo.
irregular (área na qual não houve regularização A declaração de nulidade do negócio jurídico por
fundiária). É cabível a aquisição de imóveis simulação não pode se fundamentar apenas em
particulares situados no Setor Tradicional de deduções ou suspeitas. No empréstimo, a
Planaltina/DF, por usucapião, ainda que pendente o comprovação de renda ou a prestação de garantia
processo de regularização urbanística. STJ. 2ª Seção. são faculdades do mutuário. A não exigência de
REsp 1.818.564-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado garantias não é suficiente para a constatação da
em 09/06/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1025) existência de simulação do negócio jurídico.
(Info 700). Assim, tais fundamentos baseados na origem do
depósito, no abuso de direito ou na simulação, não
USUFRUTO são hábeis a tolher o exercício do direito de
preferência do condômino.
A morte de usufrutuário que arrenda imóvel,
STJ. 3ª Turma. REsp 1.875.223-SP, Rel. Min. Nancy
durante a vigência do contrato de arrendamento,
Andrighi, julgado em 25/05/2021 (Info 698)
sem a reivindicação possessória pelo proprietário,
torna precária e injusta a posse exercida pelos É vedado o uso de unidade condominial com
seus sucessores, mas não constitui óbice ao destinação residencial para fins de hospedagem
exercício dos direitos provenientes do contrato de remunerada, com múltipla e concomitante locação
arrendamento pelo espólio perante o terceiro de aposentos existentes nos apartamentos, a
arrendatário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.946-SP, Rel. diferentes pessoas, por curta temporada.
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 08/06/2021 STJ. 4ª Turma. REsp 1.819.075-RS, Rel. p/ acórdão Min.
(Info 700). Raul Araújo, julgado em 20/04/2021 (Info 693)

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O locatário não possui legitimidade para ajuizar moradores em loteamentos de acesso controlado,
ação contra o condomínio para questionar a forma que:
pela qual a coisa comum é gerida. O locatário não i) já possuindo lote, adiram ao ato constitutivo das
possui legitimidade para ajuizar ação contra o entidades equiparadas a administradoras de imóveis;
condomínio no intuito de questionar o ou
descumprimento de regra estatutária, a ausência de ii) sendo novos adquirentes de lotes, o ato
prestação de contas e a administração de constitutivo da obrigação esteja registrado no
estabelecimento comercial. STJ. 4ª Turma. REsp competente Registro de Imóveis.
1.630.199-RS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, STF. Plenário. RE 695911, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 05/08/2021 (Info 704). julgado em 14/12/2020 (Repercussão Geral – Tema
492) (Info 1003).
O condomínio que possui destinação
exclusivamente residencial pode proibir a locação
AÇÃO DEMOLITÓRIA
de unidade autônoma por curto período de
tempo. A exploração econômica de unidades Em ação demolitória, não há obrigatoriedade de
autônomas mediante locação por curto ou curtíssimo litisconsórcio passivo necessário dos
prazo, caracterizada pela eventualidade e pela coproprietários do imóvel.
transitoriedade, não se compatibiliza com a Exemplo hipotético: João e Pedro são vizinhos. Pedro
destinação exclusivamente residencial atribuída ao construiu, em seu imóvel, um terraço para realização
condomínio. A afetação do sossego, da salubridade de festas. Ocorre que essa construção desrespeitou
e da segurança, causada pela alta rotatividade de as normas sobre direito de vizinhança, tendo em
pessoas estranhas e sem compromisso duradouro vista que não obedeceu à distância mínima de
com a comunidade na qual estão afastamento lateral imposta pelo Código Civil no art.
temporariamente inseridas, é o que confere 1.301. Diante disso, João exigiu o desfazimento da
razoabilidade a eventuais restrições impostas obra. Como não aceitou desfazer a obra, João ajuizou
com fundamento na destinação prevista na ação demolitória contra Pedro. Pedro contestou a
convenção condominial. O direito de propriedade, demanda afirmando que o imóvel pertence a ele e
assegurado constitucionalmente, não é só de quem aos seus irmãos Ricardo e André e que, portanto, a
explora economicamente o seu imóvel, mas ação demolitória deveria ter sido ajuizada contra os
sobretudo daquele que faz dele a sua moradia e que três, em litisconsórcio passivo necessário. A tese de
nele almeja encontrar, além de um lugar seguro para Pedro não foi acolhida pelo STJ. Em ação demolitória,
a sua família, a paz e o sossego necessários para como na hipótese, não se discute a propriedade do
recompor as energias gastas ao longo do dia. STJ. 3ª imóvel, caso em que, dada a incindibilidade do direito
Turma. REsp 1.884.483-PR, Rel. Min. Ricardo Villas material, os demais proprietários deveriam
Bôas Cueva, julgado em 23/11/2021 (Info 720) necessariamente integrar a relação processual.
A diminuição do patrimônio é consequência natural
da efetivação da decisão judicial que impôs ao réu a
CONDOMÍNIO EDILÍCIO
obrigação de demolir as benfeitorias e acessões
É inconstitucional a cobrança por parte de erigidas ilicitamente. Portanto, na condição de
associação de taxa de manutenção e conservação de coproprietário, a parte sofrerá os efeitos materiais da
loteamento imobiliário urbano de proprietário não sentença, mas isso não é suficiente para caracterizar
associado até o advento da Lei nº 13.465/2017, ou de o litisconsórcio necessário, até porque o direito de
anterior lei municipal que discipline a questão, a propriedade permanecerá intocado. STJ. 3ª Turma.
partir da qual se torna possível a cotização dos REsp 1.721.472-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso
proprietários de imóveis, titulares de direitos ou Sanseverino, julgado em 15/06/2021 (Info 701).

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ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
indispensável demonstrar que houve
Na ação de busca e apreensão de que trata o DL consequências que ultrapassem os
911/1969, a análise da contestação somente deve aborrecimentos normais.
ocorrer após a execução da medida liminar. O atraso, por parte de instituição financeira, na baixa
Comprovada a mora ou o inadimplemento do de gravame de alienação fiduciária no registro de
devedor o juiz concederá a busca e apreensão de veículo não caracteriza, por si só, dano moral in re
forma liminar (sem ouvir o devedor). No prazo de ipsa. STJ. 2ª Seção. REsp 1881453-RS, Rel. Min. Marco
15 dias após o cumprimento da liminar (apreensão Aurélio Bellizze, julgado em 30/11/2021 (Recurso
do bem), o devedor fiduciante apresentará resposta Repetitivo – Tema 1078) (Info 721)
(contestação).
Qual é o termo inicial para a contagem desse Locatário do imóvel objeto da alienação fiduciária em
prazo de 15 dias: o dia em que for executada a garantia não tem que pagar taxa de ocupação ao
medida liminar (apreensão do bem) ou a data da credor fiduciário que teve a propriedade
juntada do mandado de citação cumprido? Data da consolidada em suas mãos. O locatário do imóvel
juntada aos autos do mandado de citação cuja propriedade foi consolidada nas mãos do credor
cumprido. fiduciário diante da inadimplência do devedor
Mas o devedor pode se adiantar e apresentar a fiduciante (antigo locador do bem) não é parte
contestação antes da execução da medida liminar? legítima para responder pela taxa de ocupação,
Sim. É possível a apresentação da contestação prevista no art. 37-A da Lei nº 9.514/97, por não fazer
antes da execução da medida liminar. Não se parte da relação jurídica que fundamenta a cobrança
pode falar que essa apresentação seja da taxa em questão Exemplo hipotético: Pedro
extemporânea ou prematura. Assim, não há (devedor fiduciante) alugou o imóvel objeto da
necessidade de se desentranhar essa peça. alienação fiduciária para Carlos. Pedro não pagou as
E qual seria o objetivo de o devedor se antecipar e prestações do mútuo ao banco e houve a
apresentar logo a contestação? O devedor poderia consolidação da propriedade em nome do credor
fazer isso com o objetivo de tentar evitar que o juiz fiduciário (instituição financeira). O banco não pode
concedesse a medida liminar de busca e apreensão. cobrar a taxa de ocupação de Carlos. STJ. 4ª Turma.
Essa tentativa do devedor terá êxito? Não. Isso REsp 1.966.030-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira,
porque o STJ entende que, mesmo se o devedor julgado em 23/11/2021 (Info 720).
apresentar a contestação antes da execução da
É necessária a juntada do original do título de
medida liminar, essa resposta somente será
crédito na ação de busca e apreensão ajuizada em
analisada pelo juiz após o cumprimento da
virtude do inadimplemento de contrato de
medida. Na ação de busca e apreensão de que trata
financiamento garantido por alienação fiduciária.
o DL 911/1969, a análise da contestação somente
Exemplo: João queria comprar um carro de R$ 100
deve ocorrer após a execução da medida liminar.
mil, mas só tinha R$ 40 mil. Diante disso, ele
Condicionar o cumprimento da medida liminar de
procurou o banco para obter um empréstimo de R$
busca e apreensão à apreciação da contestação,
60 mil. A instituição financeira aceitou emprestar a
causaria insegurança jurídica e ameaça à efetividade
quantia, no entanto, exigiu que o negócio fosse assim
do procedimento. STJ. 2ª Seção. REsp 1.892.589-MG,
materializado: i) João deveria emitir uma cédula de
Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min.
crédito bancário em favor da BV; ii) o carro adquirido
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/09/2021
deveria ficar em nome da BV como garantia em
(Recurso Repetitivo – Tema 1040) (Info 710).
alienação fiduciária. Como João se tornou
O atraso do banco em baixar gravame de inadimplente, o banco ajuizou ação de busca e
alienação fiduciária no registro do veículo NÃO apreensão contra ele. É indispensável que o autor
GERA DANO MORAL IN RE IPSA, sendo junte o original do título de crédito (no caso, a cédula

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de crédito bancário). Isso porque, se o bem não for art. 37-A da Lei 9.514/97, inicia-se após a data da
encontrado, a busca e apreensão se converterá em alienação em leilão e, em casos excepcionais, a partir
execução e na execução é indispensável, como regra, da data da consolidação da propriedade do imóvel
a juntada do título original. Obs: a cédula de crédito pelo credor.
pode ser emitida de forma cartular (“em papel”) ou STJ. 3ª Turma. REsp 1.862.902-SC, Rel. Min. Nancy
escritural (eletrônica). Se a CCB for escritural, por Andrighi, Rel. Acd. Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
óbvio, não há que se falar em juntada do original já julgado em 18/05/2021 (Info 697).
que não é um documento físico. STJ. 3ª Turma. REsp Com a redação dada pelo art. 37-A: A Lei
1.946.423-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13.465/2017 alterou o art. 37-A da Lei nº 9.514/97 e
09/11/2021 (Info 717). passou a dizer expressamente que a taxa de
ocupação será exigível do fiduciante em mora
desde a data da consolidação da propriedade
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS
fiduciária no patrimônio do credor fiduciante.
No regime especial da Lei 9.514/97, o registro do
contrato tem natureza constitutiva, sem o qual a
propriedade fiduciária e a garantia dela decorrente DO DIREITO DE FAMÍLIA
não se perfazem.
Na ausência de registro do contrato que serve de UNIÃO ESTÁVEL
título à propriedade fiduciária no competente
A preexistência de casamento ou de união estável
Registro de Imóveis, como determina o art. 23 da Lei
de um dos conviventes, ressalvada a exceção do
nº 9.514/97, não é exigível do adquirente que se
artigo 1.723, § 1º (A união estável não se constituirá
submeta ao procedimento de venda extrajudicial
se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se
do bem para só então receber eventuais
aplicando a incidência do inciso VI no caso de a
diferenças do vendedor.
pessoa casada se achar separada de fato ou
Art. 23. Constitui-se a propriedade fiduciária de coisa
judicialmente), do Código Civil, IMPEDE O
imóvel mediante registro, no competente Registro de
RECONHECIMENTO DE NOVO VÍNCULO REFERENTE
Imóveis, do contrato que lhe serve de título. STJ. 3ª
AO MESMO PERÍODO, inclusive para fins
Turma. REsp 1.835.598-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
previdenciários, em virtude da consagração do
julgado em 09/02/2021 (Info 685)
dever de fidelidade e da monogamia pelo
Qual é o termo inicial da taxa de ocupação (art. 37-A ordenamento jurídico-constitucional brasileiro. STF.
da Lei nº 9.514/97)? Plenário. RE 1045273, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
Na redação originária do art. 37-A: julgado em 18/12/2020 (Repercussão Geral – Tema
REGRA: a taxa de ocupação incidia somente após a 529) (Info 1003).
alienação do imóvel. Assim, em regra, o termo
A eleição do regime de bens da união estável por
inicial de incidência da taxa de ocupação de imóvel
contrato escrito é dotada de efetividade ex nunc,
arrematado em leilão extrajudicial era a data de
sendo inválidas cláusulas que estabeleçam a
alienação do bem.
retroatividade dos efeitos patrimoniais do pacto sem
EXCEÇÃO: quando inexistente a alienação do bem,
expressa autorização judicial.
como, por exemplo, no caso de adjudicação (ou seja,
em que não há arrematação), a taxa de ocupação,
O contrato de união estável produz efeitos retroativos?
excepcionalmente, incidia a partir da data da
• Regra: NÃO. A eleição (escolha) do regime de bens
consolidação da propriedade do imóvel pelo
da união estável por contrato escrito produz efeitos
credor. O termo inicial da exigibilidade da taxa de
ex nunc (para frente), sendo inválidas cláusulas que
ocupação de imóvel alienado fiduciariamente em
estabeleçam a retroatividade dos efeitos.
garantia, conforme previsão da redação originária do
• Exceção: é possível cláusula retroativa sobre o

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regime de bens, em contrato celebrado entre os apresentaram justificativa plausível para a mudança
conviventes, desde que haja expressa autorização (a esposa assumiu a gestão do patrimônio de seus
judicial, nos termos do art. 1.639, § 2º, do CC. STJ. 4ª pais, atividade que seria facilitada pelo regime da
Turma. AREsp 1.631.112-MT, Rel. Min. Antonio Carlos separação de bens).
Ferreira, julgado em 26/10/2021 (Info 715). Logo, não fazia sentido exigir a relação
pormenorizada do acervo patrimonial.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.904.498-SP, Rel. Min. Nancy
CASAMENTO
Andrighi, julgado em 04/05/2021 (Info 695).
A cessação da incapacidade civil de um dos
cônjuges, que impunha a adoção do regime da
DIREITO REAL DE HABITAÇÃO
separação obrigatória de bens sob a égide do
Código Civil de 1916, autoriza a modificação do O direito real de habitação tem caráter gratuito,
regime de bens do casamento. Caso concreto: razão pela qual os herdeiros não podem exigir
cônjuges casaram-se em 1990 e, como a nubente era remuneração do(a) companheiro(a) ou cônjuge
menor de 16 anos, o regime de bens do casamento sobrevivente pelo fato de estar usando o imóvel.
foi o da separação obrigatória, conforme previa o Seria um contrassenso dizer que a pessoa tem direito
CC/1916. Muitos anos depois, já sob a égide do de permanecer no imóvel em que residia antes do
CC/2002, os cônjuges pediram a mudança do regime falecimento do seu companheiro ou cônjuge, e, ao
de bens sob o argumento de que a incapacidade civil mesmo tempo, exigir dela o pagamento de uma
já cessou e não havia mais motivo para se manter contrapartida (uma espécie de “aluguel”) pelo uso
esse regime de separação obrigatória. O STJ afirmou exclusivo do bem.
que a alteração deve ser deferida. Isso porque não se STJ. 3ª Turma. REsp 1.846.167-SP, Rel. Min. Nancy
deve “exigir dos cônjuges justificativas exageradas ou Andrighi, julgado em 09/02/2021 (Info 685)
provas concretas do prejuízo na manutenção do
regime de bens originário, sob pena de se
BEM DE FAMÍLIA
esquadrinhar indevidamente a própria intimidade e a
vida privada dos consortes. Assim, se o juiz não A exceção à impenhorabilidade do bem de família,
identifica nenhum elemento concreto que indique prevista para o crédito decorrente do financiamento
que a mudança acarretará danos a algum dos destinado à construção ou à aquisição do imóvel,
consortes ou a terceiros, há de ser respeitada a estende-se ao imóvel adquirido com os recursos
vontade dos cônjuges, sob pena de violação de sua oriundos da venda daquele bem. Exemplo
intimidade e vida privada. STJ. 3ª Turma. REsp hipotético: João contraiu empréstimo para a
1.947.749-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em aquisição de um apartamento. Ele conseguiu obter o
14/09/2021 (Info 709). dinheiro com o Banco e se comprometeu a pagar o
mútuo em 60 prestações mensais. Com os recursos
obtidos, João comprou o referido apartamento e nele
REGIME DE BENS
passou a viver com a sua família. Algum tempo
No pedido de alteração do regime de bens, não se depois, João alienou o apartamento e, com o
deve exigir dos cônjuges justificativas ou provas dinheiro, comprou uma casa. Se o devedor atrasar as
exageradas, sobretudo diante do fato de que a parcelas, será possível que o banco execute o
decisão que concede a modificação do regime de contrato e consiga a penhora da casa com base na
bens opera efeitos ex nunc. autorização excepcional prevista no inciso II do art. 3º
A fraude e má-fé não podem ser presumidas. Ao da Lei nº 8.009/90.
contrário, existe uma presunção de boa-fé que Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer
beneficia os consortes. No caso concreto, os autores processo de execução civil, fiscal, previdenciária,
já haviam juntado certidões negativas e trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: (...)

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II - pelo titular do crédito decorrente do remuneratória e, portanto, integra a base de cálculo


financiamento destinado à construção ou à aquisição para a incidência dos alimentos fixados em
do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos percentual sobre os rendimentos líquidos do
constituídos em função do respectivo contrato; STJ. 3ª devedor.
Turma. REsp 1.935.842-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, STJ. 3ª Turma. REsp 1.741.716-SP, Rel. Min. Paulo de
julgado em 22/06/2021 (Info 702) Tarso Sanseverino, julgado em 25/05/2021 (Info 698).
STJ. 4ª Turma. REsp 1098585/SP, Rel. Min. Luis Felipe
É possível a penhora de fração ideal de bem de Salomão, julgado em 25/06/2013
família nas hipóteses legais, desde que o imóvel
possa ser desmembrado sem ser O genitor pode propor ação de prestação de
descaracterizado. contas em face do outro genitor relativamente
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1655356/SP, Rel. Min. aos valores decorrentes de pensão alimentícia
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 19/04/2021. O Código Civil prevê que, após cessar a coabitação
dos genitores pela dissolução da sociedade conjugal,
os pais continuam com o dever de sustentar os filhos.
ALIMENTOS
O pai ou da mãe que não ficar na companhia dos
É cabível o ajuizamento de ação de alimentos, filhos cumprirá esse dever por meio da prestação de
ainda que exista acordo extrajudicial válido com o alimentos (art. 1.703). Por outro lado, o pai ou a mãe
mesmo objeto, quando o valor da pensão que não ficar com a guarda do filho tem o
alimentícia não atende aos interesses da criança direito-dever de fiscalizar a manutenção e a educação
Situação concreta: mãe e pai da criança firmaram de sua prole (art. 1.589).
acordo extrajudicial de alimentos no centro judiciário O poder-dever fiscalizatório do genitor que não
de solução de conflitos. Cerca de 2 meses depois, a detém a guarda com exclusividade tem por objetivo
criança, representada pela mãe, ajuizou ação de evitar que ocorram abusos e desvios de finalidade no
alimentos contra o pai pedindo um valor maior. O que tange à administração da pensão alimentícia.
juiz extinguiu o processo sem resolução do mérito, Para isso, esse genitor poderá verificar se as
decisão que, na visão do STJ, foi incorreta, não despesas e gastos estão sendo realizados para
estando de acordo com a teoria da asserção, adotada manutenção e educação da prole. STJ. 4ª Turma.
em nosso ordenamento jurídico. REsp 1.911.030-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
O arrependimento e a insatisfação com os termos da julgado em 01/06/2021 (Info 699)
avença realizada, porque não atenderia interesse
indisponível e teria sido prejudicial, em tese, para a Se o credor de alimentos ingressou com execução
criança, caracteriza, sim, potencial interesse pedindo a prisão civil, mas esta não pode ser
processual e o alegado prejuízo se confunde com o realizada em virtude da pandemia da Covid-19, deve
próprio mérito da ação, mostrando-se adequada a ser autorizada a expropriação de bens do devedor,
pretensão buscada. mesmo sem a mudança do rito. É possível a
STJ. 3ª Turma. REsp 1.609.701-MG, Rel. Min. Moura penhora de bens do devedor de alimentos, sem
Ribeiro, julgado em 18/05/2021 (Info 697). que haja a conversão do rito da prisão para o da
constrição patrimonial, enquanto durar a
O valor recebido a título de horas extras integra a impossibilidade da prisão civil em razão da
base de cálculo da pensão alimentícia fixada em pandemia do coronavírus. STJ. 3ª Turma. REsp
percentual sobre os rendimentos líquidos do 1.914.052-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
alimentante julgado em 22/06/2021 (Info 702).
O valor recebido pelo alimentante a título de horas
extras, mesmo que não habituais, embora não A impossibilidade da prestação de alimentos não
ostente caráter salarial para efeitos de apuração de está configurada pelo simples fato de o genitor se
outros benefícios trabalhistas, é verba de natureza encontrar preso. O fato de o devedor de alimentos

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estar recolhido à prisão pela prática de crime não os pais continuam com o dever de sustentar os filhos.
afasta a sua obrigação alimentar, tendo em vista a O pai ou a mãe que não ficar na companhia dos
possibilidade de desempenho de atividade filhos cumprirá esse dever por meio da prestação de
remunerada na prisão ou fora dela a depender do alimentos (art. 1.703). Por outro lado, o pai ou a mãe
regime prisional do cumprimento da pena. STJ. 3ª que não ficar com a guarda do filho tem o
Turma. REsp 1.882.798-DF, Rel. Min. Ricardo Villas direito-dever de fiscalizar a manutenção e a educação
Bôas Cueva, julgado em 10/08/2021 (Info 704). de sua prole (art. 1.589). O poder-dever
fiscalizatório do genitor que não detém a guarda
Mesmo após o STJ ter homologado a decisão com exclusividade tem por objetivo evitar que
estrangeira sobre alimentos, o devedor poderá ocorram abusos e desvios de finalidade no que
ajuizar ação pedindo a revisão do valor da pensão tange à administração da pensão alimentícia.
alimentícia. Para isso, esse genitor poderá verificar se as
Exemplo: a sentença estrangeira condenou o pai a despesas e gastos estão sendo realizados para
pagar pensão alimentícia fixada em 290 euros por manutenção e educação da prole. STJ. 4ª Turma. REsp
mês. O pai se mudou para o Brasil. O filho ingressou, 1.911.030-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
no STJ, com pedido de homologação da sentença em 01/06/2021 (Info 699).
estrangeira. Ocorre que, comprovadamente, o salário
do pai é inferior ao valor da pensão. Mesmo assim, se 3ª Turma do STJ: NÃO
estiverem preenchidos os requisitos formais, o STJ O alimentante não possui interesse processual
deverá homologar a sentença estrangeira, não em exigir contas da detentora da guarda do
podendo examinar aspectos relacionados com o alimentando. A ação de prestação de contas tem
mérito, como, por exemplo, a capacidade econômica a finalidade de declarar a existência de um
do devedor. O ato de homologação é meramente crédito ou débito entre as partes. Nas obrigações
formal, por meio do qual o STJ exerce tão alimentares, não há saldo a ser apurado em favor do
somente um juízo de delibação, não adentrando alimentante, porquanto, cumprida a obrigação, não
no mérito da disputa original, tampouco há repetição de valores. A ação de prestação de
averiguando eventual injustiça da sentença contas proposta pelo alimentante é via inadequada
estrangeira. Vale ressaltar, contudo, que, mesmo para fiscalização do uso de recursos transmitidos ao
após a homologação, o devedor poderá ingressar alimentando por não gerar crédito em seu favor e
com ação pedindo a revisão do valor da pensão. Isso não representar utilidade jurídica. O alimentante
porque a homologação da decisão estrangeira sobre não possui interesse processual em exigir contas
alimentos não subtrai do devedor a possibilidade de da detentora da guarda do alimentando porque,
ajuizar ação revisional do valor da pensão alimentícia. uma vez cumprida a obrigação, a verba não mais
STJ. Corte Especial. HDE 4.289-EX, Rel. Min. Raul compõe o seu patrimônio, remanescendo a
Araújo, julgado em 18/08/2021 (Info 707). possibilidade de discussão do montante em juízo
com ampla instrução probatória. STJ. 3ª Turma.
O alimentante pode propor ação de exigir contas contra
REsp 1.767.456-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
a guardiã do menor/alimentado para obtenção de
Cueva, julgado em 25/11/2021 (Info 720)
informações acerca da destinação da pensão paga
mensalmente?
4ª Turma do STJ: SIM GUARDA
O genitor pode propor ação de prestação de É possível a fixação de guarda compartilhada mesmo
contas em face do outro genitor relativamente que um dos genitores possua domicílio em cidade
aos valores decorrentes de pensão alimentícia. distinta
O Código Civil prevê que, após cessar a coabitação
dos genitores pela dissolução da sociedade conjugal,

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A guarda compartilhada é a modalidade de guarda família, a criança não estará privada da companhia
mais adequada para preservar os interesses do do outro genitor com quem não resida.
menor, quando ambos os genitores estiverem aptos. STJ. 3ª Turma. HC 636744/SP, Rel. Min. Marco Aurélio
A lei 13.058/2014, que alterou o §2º do art. 1.584 do Bellizze, julgado em 15/06/2021.
CC, esclareceu que a guarda compartilhada não é
apenas prioritária ou preferencial, mas sim
PARENTESCO
obrigatória, só sendo afastada quando:
a) um genitor declarar que não deseja a guarda; ou Irmãos unilaterais possuem legitimidade ativa e
b) um genitor não estiver apto ao exercício do interesse processual para propor ação declaratória
poder familiar. de reconhecimento de parentesco natural com irmã
A residência do genitor em outra cidade, outro pré-morta, ainda que a relação paterno-filial com o
Estado ou outro país, não se enquadra entre as pai comum, também pré-morto, não tenha sido
exceções para a não fixação da guarda reconhecida em vida
compartilhada. Exemplo hipotético: Pedro e Paulo são irmãos. Eles
Tanto isso é verdade que o Código Civil, no art. 1.583, são filhos de João e Regina. João já faleceu há alguns
§3º, estabelece um critério para a definição da cidade anos. Determinado dia, Regina estava assistindo
que deverá ser considerada como base da moradia televisão com Pedro e Paulo e viu uma reportagem
dos filhos na guarda compartilhada, qual seja, a que noticiando a morte de uma mulher chamada Laís.
melhor atender aos interesses da criança ou do Regina, então, contou que Laís era filha de João,
adolescente. apesar de ele não a ter registrado. Desse modo,
Portanto, o próprio Código Civil previu a possibilidade Regina afirmou que Pedro e Paulo seriam irmãos
da guarda compartilhada com um dos genitores unilaterais de Laís. Vale ressaltar que Laís nunca
residindo em cidade distinta. ajuizou qualquer ação contra João pedindo o
Com o avanço tecnológico, passa a ser plenamente reconhecimento de sua condição de filha. Diante
possível que os genitores compartilhem as disso, Pedro e Paulo ajuizaram ação declaratória de
responsabilidades referentes aos filhos, mesmo que reconhecimento de parentesco natural em face de
à distância. Laís (irmã pré-morta), a fim de que fosse declarada a
Desse modo, o fato de os genitores possuírem relação de irmandade biológica entre eles e Laís. A
domicílio em cidades diversas, por si só, não ação foi proposta contra o espólio de Laís.
representa óbice à fixação de guarda STJ. 3ª Turma. REsp 1.892.941-SP, Rel. Min. Nancy
compartilhada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.878.041-SP, Andrighi, julgado em 01/06/2021 (Info 699).
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/05/2021 (Info
A divergência entre a paternidade biológica e a
698).
declarada no registro de nascimento não é apta,
Habeas corpus não é via adequada para por si só, para anular o ato registral, dada a
questionar decisão fundamentada que fixou proteção conferida à paternidade socioafetiva
guarda unilateral. A anulação de ato registral, com base na divergência
A deliberação judicial acerca da regulamentação da entre a paternidade biológica e a declarada no
guarda dos filhos, no bojo de uma ação de divórcio - registro de nascimento, apenas será possível se
passível, naturalmente, de questionamentos e preenchidos os seguintes requisitos:
irresignações por parte de um dos genitores, ou de a) Existência de prova robusta de que o pai foi
ambos, a serem veiculados pela via recursal induzido a erro ou coagido a efetuar o registro: o
adequada -, não importa, por si, em cerceamento do registro de nascimento tem valor absoluto, de modo
direito de locomoção da criança, sobretudo porque, que não se pode negar a paternidade, salvo se
de acordo com o regime de convivência e de visitas, existentes provas de erro ou falsidade.
especificamente estabelecido pelo Juízo para a

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b) Inexistência de relação socioafetiva entre pai e prestação de serviços de reprodução humana é


filho registrado: para que a ação negatória de instrumento absolutamente inadequado para
paternidade seja julgada procedente, não basta legitimar a implantação post mortem de embriões
apenas que o DNA prove que o “pai registral” não é o excedentários, cuja autorização, expressa e
“pai biológico”. É necessário também que fique específica, deve ser efetivada por testamento ou por
provado que o “pai registral” nunca foi um “pai documento análogo. STJ. 4ª Turma. REsp
socioafetivo”, ou seja, que nunca foi construída uma 1.918.421-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min.
relação socioafetiva entre pai e filho. Luis Felipe Salomão, julgado em 08/06/2021 (Info
A mera comprovação da inexistência de 706)
paternidade biológica através do exame do DNA
não é suficiente para desconstituir a relação É possível a existência de multiparentalidade,
socioafetiva criada entre os indivíduos. A filiação existindo equivalência entre os vínculos biológico
deve ser entendida como elemento fundamental da e socioafetivo. Na multiparentalidade deve ser
identidade do ser humano, da própria dignidade reconhecida a equivalência de tratamento e de
humana. O nosso ordenamento jurídico acolheu a efeitos jurídicos entre as paternidades biológica e
filiação socioafetiva como verdadeira cláusula geral socioafetiva. STJ. 4ª Turma. REsp 1.487.596-MG, Rel.
de tutela da personalidade humana. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 28/09/2021
STJ. 3ª Turma. REsp 1.829.093-PR, Rel. Min. Nancy (Info 712).
Andrighi, julgado em 01/06/2021 (Info 699).
É intransmissível ao cônjuge sobrevivente a
Os efeitos jurídicos das paternidades biológica e pretensão de ver declarada a existência de
socioafetiva devem ser equivalentes. relação avoenga com o de cujus. É intransmissível
A possibilidade de cumulação da paternidade ao cônjuge sobrevivente a pretensão de ver
socioafetiva com a biológica contempla declarada a existência de relação avoenga com o de
especialmente o princípio constitucional da igualdade cujus. A impossibilidade do julgamento do pedido
dos filhos (art. 227, § 6º, da CF). declaratório de relação avoenga não acarreta,
Não se deve admitir que na certidão de nascimento necessariamente, a impossibilidade do julgamento
conste o termo "pai socioafetivo", bem como não é do pedido de petição de herança. STJ. 3ª Turma. REsp
possível afastar a possibilidade de efeitos 1.868.188-GO, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
patrimoniais e sucessórios quando reconhecida a Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 28/09/2021
multiparentalidade. Caso contrário, estar-se-ia (Info 713).
reconhecendo a possibilidade de uma posição filial
inferior em relação aos demais descendentes do DIVÓRCIO
genitor socioafetivo, violando o disposto nos arts.
Ex-marido que mora com a filha no imóvel
1.596 do CC/2002 e 20 da Lei n. 8.069/1990.
comum não é obrigado a pagar aluguéis à
Portanto, reconhece-se a equivalência de tratamento
ex-mulher
e dos efeitos jurídicos entre as paternidades biológica
Caso hipotético: Lucas e Virgínia foram casados e
e socioafetiva na hipótese de multiparentalidade.
tiveram uma filha, atualmente com 10 anos de idade.
STJ. 4ª Turma. REsp 1487596/MG, Rel. Min. Antonio
Durante a vida em comum, o casal, com esforço
Carlos Ferreira, julgado em 28/09/2021.
comum, comprou um apartamento, onde a família
Somente será permitida a implantação post mortem morava. Eles decidiram se divorciar e foi decretada a
de embriões fertilizados in vitro se houve partilha do imóvel, na proporção de 50% para cada
autorização expressa por testamento ou um. A mulher foi viver na casa de seu novo
instrumento que o valha em formalidade e companheiro e Lucas ficou morando no apartamento
garantia. A declaração posta em contrato padrão de com a filha. Virgínia ajuizou, então, ação contra Lucas
alegando que, enquanto não fosse vendido o

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apartamento, ele deveria lhe pagar valor equivalente financiamento remanescente não repercute em
a 50% do aluguel. A autora argumentou que o imóvel posterior partilha por ocasião do divórcio, sendo
é bem indivisível e que ela detém 50% da considerado montante estranho à comunhão de
propriedade. Logo, caracterizaria enriquecimento bens. O ex-cônjuge não faz jus a nenhum benefício
ilícito o fato de ele estar sendo utilizado patrimonial decorrente do negócio jurídico, sob pena
exclusivamente pelo réu. Lucas defendeu-se de a circunstância configurar um manifesto
alegando que o imóvel é utilizado para a moradia da enriquecimento sem causa. STJ. 3ª Turma. REsp
filha comum. Argumentou, ainda, que ele sustenta a 1.841.128-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
filha sozinho e, portanto, não haveria razão para julgado em 23/11/2021 (Info 719).
pagar ainda aluguel.
Em regra, o uso exclusivo do imóvel comum por um
CURATELA
dos ex-cônjuges — após a separação ou o divórcio e
ainda que não tenha sido formalizada a partilha — O laudo médico, previsto no art. 750 do CPC/2015
autoriza que aquele privado da fruição do bem como necessário à propositura da ação de interdição,
reivindique, a título de indenização, a parcela pode ser dispensado na hipótese em que o
proporcional a sua quota-parte sobre a renda de um interditando resiste em se submeter ao exame.
aluguel presumido. Caso concreto: Regina é filha de João e cuida do seu
No entanto, no caso concreto, isso não é devido. Não pai idoso e enfermo. Com o objetivo de melhor
é obrigatório o arbitramento de aluguel ao gerenciar os atos da vida civil de seu genitor, Regina
ex-cônjuge que reside, após o divórcio, em imóvel de propôs ação de interdição com pedido de tutela
propriedade comum do ex-casal com a filha menor provisória de curatela. Ocorre que o seu pai se nega
de ambos. a realizar tratamento com especialista. Assim, Regina
O fato de o imóvel estar sendo utilizado para a não conseguiu juntar o laudo médico necessário para
moradia da filha em comum do casal significa a ação de interdição (art. 750). O art. 750 do CPC
que, de algum modo, tanto o homem como a ressalva, expressamente, a possibilidade de o laudo
mulher estão usufruindo do bem. Isso porque o médico ser dispensado na hipótese em que for
sustento da menor (incluindo a moradia) é um dever impossível colacioná-lo à petição inicial: “O
de ambos. requerente deverá juntar laudo médico para fazer
STJ. 4ª Turma. REsp 1.699.013-DF, Rel. Min. Luis Felipe prova de suas alegações ou informar a
Salomão, julgado em 04/05/2021 (Info 695). impossibilidade de fazê-lo.” No caso, a justificativa
apresentada para a ausência do laudo é plausível.
Não se comunicam, na partilha decorrente de Vale ressaltar que a juntada do laudo médico na
divórcio, os bens adquiridos por uma das partes petição inicial não tem a finalidade de substituir a
antes do casamento, no período de namoro. prova pericial que ainda será produzida em juízo,
Exemplo hipotético: em 2015, Lúcia adquiriu um conforme expressamente prevê o art. 753 do
aparamento financiado em 60 prestações mensais; CPC/2015. STJ. 3ª Turma. REsp 1.933.597-RO, Rel. Min.
nessa época, Lúcia namorava Henrique. Lúcia arcou, Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
de forma autônoma e independente, com os valores
para a aquisição do imóvel, sem qualquer ajuda
financeira por parte de Henrique. Em 2018, Lúcia e DIREITO DAS SUCESSÕES

Henrique se casaram, sob o regime da comunhão


parcial de bens. Em 2020, Lúcia terminou de pagar o
A homologação da partilha, por si só, não
financiamento do apartamento. Em 2021, Lúcia e
constitui circunstância apta a impedir que o juízo
Henrique se divorciaram. A mulher arcou de forma
do inventário promova a constrição determinada
autônoma e independente com os valores para a
por outro juízo.
aquisição do bem, motivo pelo qual o pagamento de

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Caso concreto: após a homologação da partilha, mas 809/STF, que impõe a igualdade de tratamento no
quando o dinheiro ainda estava depositado, o juízo regime sucessório entre cônjuges e companheiros,
do inventário recebeu ofício de outro juízo em processo cuja inexistência jurídica da sentença de
solicitando a penhora no rosto dos autos da quantia partilha, ante a ausência de citação de litisconsorte
que seria entregue ao herdeiro em razão de ele ser necessário, impede a formação da coisa julgada
réu em processo de execução. É possível essa material.
penhora mesmo após a homologação da partilha. O STJ. 3ª Turma. REsp 1.857.852/RS, Rel. Min. Nancy
art. 642 do CPC não se aplica no caso concreto Andrighi, julgado em 16/03/2021 (Info 689).
porque ele trata sobre os credores do espólio (e não
sobre os credores do herdeiro). Se o companheiro é proprietário de um bem
O art. 642 do CPC tem por objetivo regular o particular e o aluga, o valor dos aluguéis é
procedimento para quitação das dívidas do falecido. considerado bem que entra na comunhão (art.
Esse dispositivo, por outro lado, não impede que os 1.660, V, CC), de forma que a companheira é meeira
credores do herdeiro peçam a penhora no rosto dos dessa quantia:
autos mesmo que já tenha havido a homologação da Art. 1.660. Entram na comunhão: (...)
partilha. V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de
STJ. 3ª Turma. REsp 1.877.738/DF, Rel. Min. Nancy cada cônjuge, percebidos na constância do
Andrighi, julgado em 09/03/2021 (Info 688). casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a
comunhão.
A herança jacente é um procedimento especial de Depois que ele morre, essa comunhão termina e a
jurisdição voluntária que consiste na arrecadação companheira não terá mais direito à metade
judicial de bens da pessoa falecida, com desse valor. Os aluguéis que vencerem depois da
declaração, ao final, da herança vacante, ocasião abertura da sucessão, não estão abrangidos pelo
em que se transfere o acervo hereditário para o art. 1.660, V, do CC e devem se submeter à divisão
domínio público, salvo se comparecer em juízo da herança.
quem legitimamente os reclame. STJ. 3ª Turma. REsp 1.795.215/PR, Rel. Min. Nancy
Esse procedimento pode ser iniciado por qualquer Andrighi, julgado em 23/03/2021 (Info 690).
interessado, pelo Ministério Público, pela
Defensoria Pública e pela Fazenda Pública, bem A tese fixada pelo STF por ocasião do julgamento do
como pelo juiz, de ofício (art. 738 do CPC/2015). Tema 809 (Repercussão Geral), deve ser aplicada ao
Se um legitimado ingressar com petição ao juiz inventário em que a exclusão da concorrência
requerendo a instauração do procedimento de entre herdeiros ocorreu em decisão anterior à
herança jacente, o magistrado não deverá indeferir a tese.
inicial sob o argumento de que o requerente não Tema 809: É inconstitucional a distinção de
juntou todas as provas necessárias à comprovação regimes sucessórios entre cônjuges e
dos fatos alegados. companheiros prevista no art. 1.790 do CC, devendo
Antes de extinguir o feito, o magistrado deverá ser aplicado, tanto nas hipóteses de casamento
diligenciar, ainda que minimamente, para obter as quanto nas de união estável, o regime do art.
informações necessárias considerando que ele tem o 1.829 do CC.
poder-dever de instaurar, ainda que de ofício, esse STJ. 3ª Turma. REsp 1.904.374/DF, Rel. Min. Nancy
procedimento. Andrighi, julgado em 13/04/2021 (Info 692).
STJ. 3ª Turma. REsp 1.812.459/ES, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 09/03/2021 (Info 688)
A contratação de advogado por representante de
É imperiosa a aplicação da tese firmada pelo incapaz, para atuar em inventário, configura ato de
Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema simples administração e, por isso mesmo, não
depende de autorização judicial. O fato de ter sido

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concedida a gestão da herança a terceiro não implica vigência do CC/1916 é suscetível de revogação
restrição do exercício do poder familiar do genitor consensual pelas partes após a entrada em vigor
sobrevivente para promover a contratação de do Código de Menores (Lei nº 6.697/79), mas antes
advogado, em nome dos herdeiros menores, a fim de da entrada em vigor do Estatuto da Criança e do
representar os interesses deles no inventário. Adolescente (Lei nº 8.069/90). STJ. 3ª Turma. REsp
Exemplo hipotético: Carlos faleceu e deixou como 1.930.825-GO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
herdeiros Andrea (viúva), Lucas e Gabriela (filhos 24/08/2021 (Info 706)
menores). Carlos deixou um testamento no qual
nomeou sua irmã (Elisângela) como testamenteira. O VGBL é exemplo de plano de previdência
juiz nomeou Elisângela como inventariante dos bens complementar privada aberta e, portanto, entra
deixados por Carlos, cabendo a ela a administração na comunhão; o VGBL não se enquadra na regra do
do patrimônio deixado para os filhos pelo de cujus. A art. 1.659, VII, do CC. O valor existente em plano de
mãe dos menores contratou advogados para previdência complementar privada aberta na
defender os interesses de seus filhos menores no modalidade PGBL, antes de sua conversão em
inventário e pactuou honorários de 3% sobre o valor renda e pensionamento ao titular, possui
real dos bens móveis e imóveis inventariados. Os natureza de aplicação e investimento, devendo
advogados do escritório ajuizaram execução ser objeto de partilha por ocasião da dissolução
cobrando os honorários. Elisângela, na qualidade de do vínculo conjugal ou da sucessão por não estar
tia dos menores executados, testamenteira e única abrangido pela regra do art. 1.659, VII, do CC/2002.
administradora, ofereceu exceção de Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: (...) VII - as
pré-executividade em favor dos devedores Lucas e pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas
Gabriela, filhos do de cujus, alegando que o contrato semelhantes. STJ. 3ª Turma. REsp 1.726.577-SP, Rel.
de serviços advocatícios onerou o patrimônio deles Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/09/2021 (Info
sem que houvesse sua expressa autorização, tendo o 709).
negócio sido firmado por pessoa (Andrea) que não
possuía ingerência sobre tais bens, dando-os em PARTILHA
garantia de pagamento da obrigação. O STJ não
No caso de a anulação de partilha acarretar a
concordou com a alegação de nulidade do contrato.
perda de imóvel já registrado em nome de
A contratação de advogado por representante de
herdeiro casado sob o regime de comunhão
incapaz, para atuar em inventário, como ocorreu no
universal de bens, a citação do cônjuge é
presente caso, configura ato de simples
indispensável, tratando-se de hipótese de
administração e, por isso mesmo, não depende de
litisconsórcio necessário.
autorização judicial. Por se tratar de ato de simples
STJ. 3ª Turma. REsp 1.706.999-SP, Rel. Min. Ricardo
administração, independe de prévia autorização
Villas Bôas Cueva, julgado em 23/02/2021 (Info 686).
judicial a contratação de advogado para patrocinar a
ação de inventário de bens do falecido, realizada pela
genitora dos menores que herdarão o patrimônio TEMAS DIVERSOS
deixado pelo de cujus. STJ. 4ª Turma. REsp
1.566.852-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd.
DIREITO AUTORAL
Min. Raul Araújo, julgado em 17/08/2021 (Info 705)
É obrigatório o fornecimento, a qualquer
É válida a revogação de adoção regida pelo CC/1916, interessado, das informações relativas à
realizada antes da entrada em vigor do ECA; logo, participação individual de cada artista nas obras
neste caso, o ex-filho não é parte legítima para o musicais coletivas.
inventário. Para fins de determinação da legitimidade As associações de gestão coletiva de direitos autorais,
ativa em ação de inventário, a adoção realizada na a despeito de possuírem natureza jurídica de direito

77

30
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

privado, exercem, tal qual dispõe o art. 97, § 1º, da STJ. 2ª Seção. REsp 1.870.771/SP, Rel. Min. Antônio
Lei nº 9.610/98, atividade de interesse público, Carlos Ferreira, julgado em 24/03/2021 (Recurso
devendo atender a sua função social. Nos termos do Repetitivo – Tema 1066)(Info 692)
art. 98, § 6º, da Lei nº 9.610/98, introduzido pela Lei
nº 12.853/2013, as associações deverão manter um
TRANSPORTE MARÍTIMO
cadastro centralizado de todos os contratos,
declarações ou documentos de qualquer natureza O prazo prescricional da pretensão indenizatória
que comprovem a autoria e a titularidade das obras e decorrente de extravio, perda ou avaria de cargas
dos fonogramas, bem como as participações transportadas por via marítima é de 1 ano.
individuais em cada obra e em cada fonograma, Fundamento: art. 8º do Decreto-Lei nº 116/67.
prevenindo o falseamento de dados e fraudes e STJ. 3ª Turma. REsp 1.893.754/MA, Rel. Min. Nancy
promovendo a desambiguação de títulos similares de Andrighi, julgado em 09/03/2021 (Info 688).
obras. Ainda, nos moldes do que dispõe o § 7º do
mencionado dispositivo legal, tais informações são SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO
de interesse público e o acesso a elas deverá ser
Nos contratos de mútuo imobiliário regidos pelo
disponibilizado por meio eletrônico a qualquer
Plano de Equivalência Salarial - PES, segurados pelo
interessado, de forma gratuita. STJ. 3ª Turma. REsp
Fundo de Compensação de Valorizações Salariais -
1.921.769-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
FCVS, o reconhecimento de anatocismo não gera
08/06/2021 (Info 700).
direito a repetição de indébito se tal
Os ônibus de transporte de passageiros são procedimento impactou apenas no valor do saldo
considerados locais de frequência coletiva para devedor do contrato.
fins de proteção de direitos autorais, o que gera STJ. 1ª Seção. EREsp 1.460.696/PR, Rel. Min. Sérgio
dever de repasse ao ECAD. Kukina, julgado em 24/02/2021 (Info 686).
A execução, via rádio, de obras intelectuais
Não é possível usucapião de imóvel vinculado ao
(músicas) no interior dos transportes coletivos
Sistema Financeiro de Habitação, ainda que em
(ônibus) pressupõe intuito de lucro, fomentando a
situação de abandono. O imóvel vinculado ao
atividade empresarial, mesmo que indiretamente,
Sistema Financeiro de Habitação, porque afetado à
não estando albergada por qualquer das exceções
prestação de serviço público, deve ser tratado como
contidas no art. 46 da Lei nº 9.610/98. Logo, a
bem público, sendo, pois, imprescritível. Mesmo o
empresa deverá pagar os direitos autorais.
eventual abandono de imóvel público não possui o
STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.931/CE, Rel. Min. Paulo de
condão de alterar a natureza jurídica que o permeia,
Tarso Sanseverino, julgado em 09/03/2021 (Info 688).
pois não é possível confundir a usucapião de bem
a) A disponibilização de equipamentos em quarto público com a responsabilidade da Administração
de hotel, motel ou afins para a transmissão de pelo abandono de bem público. Com efeito, regra
obras musicais, literomusicais e audiovisuais geral, o bem público é indisponível. Eventual inércia
permite a cobrança de direitos autorais pelo dos gestores públicos, ao longo do tempo, não
Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - pode servir de justificativa para perpetuar a
ECAD. ocupação ilícita de área pública, sob pena de se
b) A contratação por empreendimento hoteleiro de chancelar ilegais situações de invasão de terras. STJ.
serviços de TV por assinatura não impede a 3ª Turma. REsp 1.874.632-AL, Rel. Min. Nancy
cobrança de direitos autorais pelo Escritório Andrighi, julgado em 25/11/2021 (Info 720)
Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD,
inexistindo bis in idem. COOPERATIVAS

O princípio da porta aberta deve ser interpretado

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no sentido de ser possível a exigência de processo destaque juntando apenas esse instrumento. STJ.
seletivo para admissão de novo cooperado, desde 1ª Turma. REsp 1.818.107-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina,
que haja previsão estatutária e a condição não julgado em 07/12/2021 (Info 721).
tenha a finalidade de restringir o acesso de forma
abusiva. É lícita a previsão, em estatuto social de O termo inicial da prescrição da pretensão dos
cooperativa de trabalho médico, de processo seletivo herdeiros ao arbitramento dos honorários
público como requisito de admissão de profissionais advocatícios, não pagos ao de cujus que
médicos para compor os quadros da entidade, renunciara ao mandato, conta-se da data da
devendo o princípio da porta aberta ser renúncia ou revogação.
compatibilizado com a possibilidade técnica de Exemplo: João contratou Rui (advogado) para propor
prestação de serviços e a viabilidade estrutural e acompanhar uma ação de indenização. Vale
econômico-financeira da sociedade cooperativa. STJ. ressaltar que não foi formalizado um contrato, tendo
3ª Turma. REsp 1.901.911-SP, Rel. Min. Ricardo Villas sido o ajuste verbal. O advogado elaborou e
Bôas Cueva, julgado em 24/08/2021 (Info 673). STJ. 2ª protocolizou a petição inicial da ação. Ocorre que
Seção. AgInt nos EREsp 1561337/SP, Rel. Min. Marco durante a tramitação do processo, João e Dr. Rui se
Aurélio Bellizze, julgado em 18/08/2021 desentenderam e o patrono renunciou ao mandato
outorgado. Isso ocorreu em 02/02/2015. João não
pagou os honorários devidos a Rui pelo trabalho
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
realizado. Em 03/03/2018, Rui faleceu. Os herdeiros
É cabível a pactuação da verba honorária de Rui desejam ajuizar uma ação de arbitramento
contratual no bojo do próprio instrumento de dos honorários advocatícios não pagos contra João a
mandato. fim de receberem o valor que seria devido ao seu pai.
O advogado da parte vencedora pode pedir ao juiz STJ. 3ª Turma. REsp 1.745.371-SP, Rel. Min. Ricardo
para que os honorários contratuais sejam Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi,
“destacados” (reservados, separados) do valor julgado em 26/10/2021 (Info 716).
que o seu cliente irá receber da Fazenda Pública.
Ex.: João (cliente) e Rui (advogado) combinaram que o
ARBITRAGEM
profissional, como remuneração pelo seu trabalho,
teria direito a 20% do valor que a parte fosse receber Não é aceitável que a parte provoque a
da União caso se sagrasse vencedora na lide. Essa manifestação do juízo arbitral e, depois de obter o
verba constitui-se em honorários advocatícios pronunciamento acerca da matéria, venha a
contratuais. Em caso de procedência do pedido na pleitear a nulidade da decisão ao argumento de
ação, o advogado pode pedir que essa quantia seja que não poderia ter enfrentado o tema.
destacada do montante principal que a parte irá Caso concreto: foi instaurado procedimento de
receber, nos termos do art. 22, § 4º, da Lei nº arbitragem no qual a prestadora de serviços
8.906/94: Art. 22. (...) § 4º Se o advogado fizer juntar demanda valores ilíquidos que seriam devidos por
aos autos o seu contrato de honorários antes de uma empresa que está em recuperação judicial. Essa
expedir-se o mandado de levantamento ou empresa alegou que o juízo arbitral não seria
precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam competente para apreciar a causa porque os créditos
pagos diretamente, por dedução da quantia a ser cobrados pela prestadora seriam concursais. O juízo
recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já arbitral refutou o argumento dizendo que os créditos
os pagou. É possível essa combinação entre o eram extraconcursais e que o juízo arbitral tinha
advogado e o cliente seja feita na própria competência. A empresa ajuizou ação de nulidade
procuração, não se exigindo um instrumento afirmando que só o juízo estatal da recuperação
contratual autônomo. Assim, se esse ajuste judicial poderia dizer se o crédito perseguido é, ou
constou na procuração, o advogado pode pedir o não, extraconcursal. O juízo arbitral não poderia ter

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entrado nessa discussão. A ação de nulidade foi


julgada improcedente. O juízo arbitral se manifestou
sobre a natureza extraconcursal do crédito em
cobrança como resposta à arguição da própria
empresa autora. Se a competência do juízo arbitral
foi questionada com fundamento na concursalidade
do crédito, era óbvio que o juízo arbitral precisava
enfrentar esse argumento para decidir sobre a sua
competência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.953.212-RJ, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info
717)

Material extraído dos informativos (versão resumida),


disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
partes mais importantes pela equipe da Legislação
Destacada.

80

33
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL TEMPESTIVIDADE 24


AGRAVO DE INSTRUMENTO 25
AGRAVO INTERNO 26
STF até Info 1041 e STJ até Info 721
APELAÇÃO 26
REPERCUSSÃO GERAL 27
RECURSO ESPECIAL 27
PRINCÍPIOS 1
JUIZADOS ESPECIAIS 28
PETIÇÃO INICIAL 1
TEMAS DIVERSOS 28
DESISTÊNCIA DA AÇÃO 2
ASTREINTES 29
CONTESTAÇÃO 2 MANDADO DE SEGURANÇA 29

DAS PARTES E DOS PROCURADORES 2 EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA 30

JUSTIÇA GRATUITA 2
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 2

COMPETÊNCIA 4
PRINCÍPIOS
ATOS PROCESSUAIS 8
INTIMAÇÕES 8
A parte tem o direito de se fazer representar na
DA TUTELA 9 audiência de conciliação por advogado com poderes
TUTELA PROVISÓRIA 9 para negociar e transigir.
Não cabe a aplicação de multa pelo não
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 9
comparecimento pessoal à audiência de
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE conciliação, por ato atentatório à dignidade da
SENTENÇA 10
Justiça, quando a parte estiver representada por
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 11 advogado com poderes específicos para transigir.
PROTESTO CONTRA A ALIENAÇÃO 11 Isso está expressamente previsto no § 10 do art. 334
EMBARGOS DE TERCEIRO 12 do CPC/2015: Art. 334 (...) § 10. A parte poderá
constituir representante, por meio de procuração
AÇÃO DE EXIGIR CONTAS 12
específica, com poderes para negociar e transigir. STJ.
EXECUÇÃO 12 4ª Turma. AgInt no RMS 56.422-MS, Rel. Min. Raul
PENHORA 17 Araújo, julgado em 08/06/2021 (Info 700).
IMPENHORABILIDADE 17
EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA 18
PETIÇÃO INICIAL
EXECUÇÃO FISCAL 19
FRAUDE À EXECUÇÃO 20
PRECATÓRIOS 20 O cancelamento da distribuição, a teor do art. 290
do CPC, prescinde da citação ou intimação da
DA ORDEM DOS PROCESSOS NO TRIBUNAL 22
parte ré, bastando a constatação da ausência do
TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO 22
recolhimento das custas iniciais e da inércia da
IRDR 23
parte autora, após intimada, em regularizar o
AÇÃO RESCISÓRIA 23 preparo. STJ. 3ª Turma. REsp 1906378/MG, Rel. Min.
RECLAMAÇÃO 23 Nancy Andrighi, julgado em 11/05/2021 (Info 696).

DOS RECURSOS 24
ASPECTOS GERAIS 24

81

1
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

DESISTÊNCIA DA AÇÃO
personalidade jurídica da empresa executada,
O autor responde pelo pagamento de honorários incluindo-se no polo passivo da demanda os sócios,
advocatícios se o pedido de desistência tiver sido dentre eles, João. Tão logo ingressou nos autos, João
protocolizado após a ocorrência da citação, ainda pediu a concessão da gratuidade da justiça. O juiz
que em data anterior ao oferecimento da negou o pedido argumentando que esse benefício é
contestação. Em caso de desistência da ação após a incompatível com o processo de execução, em que
citação e antes de apresentada a contestação, é vigora o princípio da responsabilidade patrimonial, a
devida a condenação do autor ao pagamento de sujeitar todos os bens penhoráveis do devedor à
honorários advocatícios, que deve observar a regra satisfação integral da dívida. Para o magistrado e o
geral prevista no § 2º do art. 85 do CPC/2015. O art. TJ/RS, a gratuidade, na execução de título
1.040, § 2º, do CPC/2015, que trata de hipótese extrajudicial, é acessível apenas à parte autora,
específica de desistência do autor antes da podendo o devedor obter o benefício somente na
contestação sem pagamento de honorários ação de embargos à execução, dada sua natureza
advocatícios, somente se aplica dentro do cognitiva.
microssistema do recurso especial repetitivo. STJ. 3ª O STJ concordou com esses argumentos do TJ/RS?
Turma. REsp 1.819.876-SP, Rel. Min. Ricardo Villas NÃO. A gratuidade de justiça não é incompatível
Bôas Cueva, julgado em 05/10/2021 (Info 713). com a tutela jurisdicional executiva, voltada à
expropriação de bens do devedor para a
satisfação do crédito do exequente. O benefício
CONTESTAÇÃO
tem como principal escopo assegurar a plena fruição
da garantia constitucional de acesso à Justiça, não

Na contestação, a parte ré formulou pedido comportando interpretação que impeça ou dificulte o

reconvencional (reconvenção), mas denominou exercício do direito de ação ou de defesa. O direito à

equivocadamente de pedido contraposto (que seria gratuidade de justiça está diretamente

inadmissível, no caso); mesmo assim, esse pedido relacionado à situação financeira deficitária do

deverá ser analisado e julgado como pedido litigante, que não o permita arcar com as custas,

reconvencional. A equivocada denominação do as despesas processuais e os honorários

pedido reconvencional como pedido contraposto advocatícios, o que não significa que

não impede o regular processamento da peremptoriamente será descabido se o

pretensão formulada pelo réu contra o autor, desde interessado for proprietário de algum bem. Se não

que ela esteja bem delimitada na contestação. verificar a presença dos pressupostos legais, pode o

STJ. 3ª Turma. REsp 1.940.016-PR, Rel. Min. Ricardo julgador indeferir o pedido de gratuidade, após

Villas Bôas Cueva, julgado em 22/06/2021 (Info 702) dispensar à parte oportunidade de apresentação de
documentos comprobatórios (art. 99, § 2º, do
CPC/15).
DAS PARTES E DOS PROCURADORES STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.398-RS, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 25/05/2021 (Info 698)
JUSTIÇA GRATUITA

É inadmissível o indeferimento automático do pedido HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS


de gratuidade da justiça apenas por figurar a parte Proferida sentença ilíquida nas causas em que a
no polo passivo em processo de execução Fazenda Pública for parte, a definição do
Situação concreta adaptada: a empresa Emel S/A percentual dos honorários só ocorrerá após a
ingressou com execução de título extrajudicial contra liquidação do julgado.
a BSF Engenharia Ltda. No curso do processo, foi
deferido pedido de desconsideração da

82

2
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

Isso significa que também não deverão ser valor da causa ou, sendo este irrisório, nos termos do
majorados os honorários advocatícios recursais art. 85, § 8º.
enquanto não definido o valor. Esse dispositivo só se aplica na hipótese em que há a
STJ. 2ª Turma. EDCL no REsp 1.785.364/CE, Rel. Min. extinção do processo em relação ao réu originário,
Herman Benjamin, julgado em 06/04/2021 com a inauguração de um novo processo, por
iniciativa do autor, em relação a um novo réu.
Não se aplica o § 2º do art. 85 do CPC, mas sim o § Apenas neste caso será possível a fixação dos
8º (apreciação equitativa) porque o procedimento honorários nos percentuais reduzidos.
de homologação de sentença estrangeira não tem STJ. 3ª Turma. REsp 1.895.919-PR, Rel. Min. Nancy
natureza condenatória ou proveito econômico Andrighi, julgado em 01/06/2021 (info 699).
imediato.
O mérito da decisão homologada não é objeto de A isenção da condenação em honorários advocatícios
deliberação no STJ. Logo, não faz sentido que o prevista no art. 12 da Lei 13.340/2016 deve
Tribunal utilize o proveito econômico ou o valor da prevalecer ante as regras gerais do CPC e do EOAB,
causa como parâmetros para o cálculo dos isto porque, tratando-se de lei especial sobre os ônus
honorários advocatícios com base nos percentuais do da sucumbência, não haverá condenação em
§ 2º do art. 85. honorários advocatícios na renegociação da dívida de
Vale ressaltar, no entanto, que, se o pedido de cédulas de crédito rural pignoratícios e hipotecárias,
homologação de decisão estrangeira tiver por objeto com fundamento na Lei 13.340/2016.
demanda de cunho patrimonial, o valor da causa STJ. 3ª Turma. REsp 1836470/TO, Rel. Ministra Nancy
julgada no exterior deverá ser usado como um dos Andrigi, julgado em 02/02/2021.
critérios para embasar a fixação dos honorários de
sucumbência por equidade, conforme o § 8º do art. A parte e o advogado possuem legitimidade
85 do CPC. recursal concorrente quanto à fixação dos
Assim, no momento de fazer a apreciação equitativa, honorários advocatícios. Exemplo hipotético: Pedro
o STJ deverá levar em consideração também o valor ingressou com execução de título extrajudicial contra
da causa como um dos critérios para definir a João e Regina, que são cônjuges. Regina ingressou
quantia a ser paga a título de honorários advocatícios com exceção de pré-executividade alegando ser
sucumbenciais, quando a causa originária, tratar de parte ilegítima e que, portanto, deveria ser excluída
relações patrimoniais. do processo. O juiz, por meio de decisão
STJ. Corte Especial. HDE 1.809/EX, Rel. Min. Raul interlocutória, acolheu a exceção de
Araújo, julgado em 22/04/2021 (Info 693). pré-executividade oferecida por Regina e determinou
a sua exclusão da lide. Ocorre que o magistrado não
A extinção do processo apenas quanto a um dos condenou o exequente Pedro ao pagamento de
coexecutados não torna cabível a fixação de honorários advocatícios. Tanto Regina (parte) como o
honorários advocatícios com base no parágrafo único advogado de Regina (terceiro prejudicado) poderão
do art. 338 do CPC interpor recurso contra essa decisão postulando a
O parágrafo único do art. 338 do CPC/2015 prevê o fixação de honorários advocatícios. STJ. 3ª Turma.
seguinte: Art. 338. Alegando o réu, na contestação, REsp 1.776.425-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo Sanseverino, julgado em 08/06/2021 (Info 700)
prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15
(quinze) dias, a alteração da petição inicial para Por força do art. 12 da Lei 13.340/2016, a extinção da
substituição do réu. Parágrafo único. Realizada a execução em virtude da renegociação de dívida de
substituição, o autor reembolsará as despesas e cédula de crédito rural não impõe à parte executada
pagará os honorários ao procurador do réu excluído, o dever de arcar com as custas processuais e com os
que serão fixados entre três e cinco por cento do honorários advocatícios. A extinção da execução em
virtude da renegociação de dívida fundada em cédula

83

3
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

de crédito rural não impõe à parte executada o recorreu. O TJ reduziu a indenização fixada em favor
dever de arcar com as custas processuais e os de João (para R$ 10 mil). Por outro lado, rejeitou o
honorários advocatícios em favor dos patronos da pedido de redução do recorrente no que tange à
parte exequente. STJ. 3ª Turma. REsp 1.930.865-TO, indenização fixada para Maria e Sérgio. Neste
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/06/2021 (Info cenário, podemos concluir que a apelação do
702) hospital: • foi parcialmente provida no que tange ao
autor João; • foi integralmente desprovida no que se
Os critérios, os percentuais e a base de cálculo da refere aos autores Maria e Sério. Nesse caso: • não
verba honorária NÃO PODEM SER MODIFICADOS deverá haver condenação em honorários recursais
NA FASE DE CUMPRIMENTO DA SENTENÇA, sob no que tange ao provimento parcial; • por outro lado,
pena de indevida ofensa à coisa julgada. deverá existir a fixação de honorários recursais em
A substituição, na fase de cumprimento de sentença, relação aos pedidos autônomos formulados pelos
do parâmetro da base de cálculo dos honorários demais litisconsortes e que se mantiveram
advocatícios - de valor da condenação para proveito absolutamente intactos após o julgamento. STJ. 3ª
econômico - ofende a coisa julgada. STJ. 2ª Seção. Turma. REsp 1.954.472-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
AR 5869-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/10/2021 (Info 714)
julgado em 30/11/2021 (Info 721).

Os honorários advocatícios devem ser fixados com COMPETÊNCIA


base em equidade se a situação estiver fora das
hipóteses do art. 85, § 2º, do CPC/2015.
Nos casos em que o acolhimento da pretensão não Compete às Turmas da 2ª Seção (especializada em
tenha correlação com o valor da causa ou não direito privado) julgar REsp interposto contra
permita estimar eventual proveito econômico, os concessionária de telefonia com o objetivo de
honorários de sucumbência devem ser arbitrados, afastar a cobrança de multa em caso de resolução
por apreciação equitativa (§ 8º do art. 85) porque a do contrato por roubo ou furto do aparelho
situação não se enquadra nas hipóteses do § 2º do celular. Caso concreto: o MP/RJ ajuizou ACP contra
art. 85 do CPC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.885.691-RS, Rel. concessionárias do serviço de telefonia pedindo que
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, jugado em essas empresas se abstenham de cobrar multa
26/10/2021 (Info 717). rescisória da fidelização nas hipóteses em que o
contrato é cancelado em decorrência de furto ou
Se o réu recorreu contra sentença que favoreceu roubo do aparelho de celular. Assim, se o
litisconsortes ativos facultativos simples e o Tribunal consumidor comprou o celular com desconto, mas
deu provimento ao recurso no que tange a apenas ele foi furtado ou roubado, o cliente teria que ser
alguns dos litisconsortes, haverá condenação em dispensado de pagar a multa rescisória pela quebra
honorários recursais quanto aos demais. da fidelidade. O juiz e o Tribunal de Justiça julgaram o
Na cumulação simples subjetiva de pedidos, o pedido do Ministério Público procedente e as
provimento do recurso que apenas atinge o pedido empresas de telefonia interpuseram recurso
de um dos litisconsortes facultativos não impede a especial. A competência para julgar esse recurso é da
fixação de honorários recursais em relação aos 3ª ou da 4ª Turma (que examinam matérias de direito
pedidos autônomos do demais litisconsortes, que se privado). Isso porque não se está discutindo o serviço
mantiveram intactos após o julgamento. Caso público de telefonia, mas sim a validade de uma
concreto: João, Maria e Sérgio ajuizaram, em cláusula presente em um contrato de consumo. STJ.
litisconsórcio ativo facultativo simples, ação de Corte Especial. CC 165.221/DF, Rel. Min. Mauro
indenização contra o hospital pedindo reparação por Campbell Marques, julgado em 03/03/2021 (Info 687).
danos morais.O juiz julgou os pedidos procedentes e
fixou R$ 15 mil em favor de cada autor. O hospital

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A Justiça Federal é competente para processar e A competência dos juízes da execução penal para
julgar ação sobre a expedição de diploma de a fiscalização e interdição dos estabelecimentos
conclusão de curso superior, ainda que se limite prisionais tem natureza administrativa. Logo, a
ao pagamento de indenização. competência para apreciar o recurso é da Primeira
Compete à Justiça Federal processar e julgar feitos Seção do STJ, que julga os feitos relativos a direito
em que se discuta controvérsia relativa à expedição público em geral. STJ. Corte Especial. CC 170.111/DF,
de diploma de conclusão de curso superior realizado Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 17/03/2021
em instituição privada de ensino que integre o (Info 689).
Sistema Federal de Ensino, mesmo que a pretensão
se limite ao pagamento de indenização. A Súmula 222 do STJ prevê o seguinte: Compete à
STF. Plenário. RE 1304964/SP, Rel. Min. Presidente Justiça Comum processar e julgar as ações relativas à
Luiz Fux, julgado em 25/06/2021 (Repercussão Geral contribuição sindical prevista no art. 578 da CLT.
– Tema 1154). O STJ, depois do que o STF decidiu no RE 1089282/AM
(Tema 994), teve que conferir nova interpretação a
O § 3º do art. 109 da CF/88 afirma que, se não existir esse enunciado.
vara federal na comarca do domicílio do segurado, a O que prevalece atualmente é o seguinte:
lei poderá autorizar que esse segurado ajuíze a ação a) Compete à Justiça Comum julgar as ações em
contra o INSS na justiça estadual: que se discute a contribuição sindical de servidor
Art. 109. (...) § 3º Lei poderá autorizar que as causas público estatutário.
de competência da Justiça Federal em que forem b) Compete à Justiça do Trabalho julgar as ações
parte instituição de previdência social e segurado em que se discute a contribuição sindical de
possam ser processadas e julgadas na justiça empregado celetista (seja ele servidor público ou
estadual quando a comarca do domicílio do segurado trabalhador da iniciativa privada). STJ. 1ª Seção. CC
não for sede de vara federal. 147.784/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
A delegação de competência de que trata esse julgado em 24/03/2021 (Info 690)
dispositivo constitucional foi feita pelo art. 15, III, da
Lei nº 5.010/66, com redação dada pela Lei nº A insolvência civil está entre as exceções da parte
13.876/2019. final do artigo 109, I, da Constituição da República,
Vale ressaltar que o que importa é que não exista para fins de definição da competência da Justiça
vara federal na comarca. Algumas vezes uma Federal. STF. Plenário. RE 678162/AL, Rel. Min.
mesma comarca abrange mais de um Município. Se Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson
no Município não existir vara federal, mas houver Fachin, julgado em 26/3/2021 (Repercussão Geral –
na Comarca, então, neste caso, o segurado terá Tema 859) (Info 1011).
que se deslocar até lá para ajuizar a ação.
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar a
Ex: em Itatinga (SP) não existe vara federal; no
ação civil pública fundamentada na não concessão
entanto, Itatinga faz parte da comarca de Botucatu.
pela União de Selo de Responsabilidade Social a
Em Botucatu existe vara federal. Logo, o segurado
empresa pela falta de verificação adequada do
terá que se deslocar até lá para ajuizar a ação contra
cumprimento de normas que regem as condições de
o INSS. STF. Plenário. RE 860508/SP, Rel. Min. Marco
trabalho. STJ. 1ª Seção. AgInt no CC 155.994/SP, Rel.
Aurélio, julgado em 6/3/2021 (Repercussão Geral –
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 12/05/2021
Tema 820) (Info 1008)
(Info 696).
Compete à Primeira Seção do STJ (e não à Terceira
Compete à Justiça Federal julgar ação que tem
Seção) julgar interdição de estabelecimentos
como objetivo a obtenção de oxigênio destinado às
prisionais.
unidades de saúde estaduais do Amazonas para o
tratamento da Covid-19. Em janeiro de 2021, durante

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a “segunda onda” da Covid-19, milhares de pessoas além de processos criminais que tenham
foram internadas nas unidades hospitalares do motivação agrária, não podendo, contudo, julgar
Estado do Amazonas. Houve um aumento tão grande matérias federais. As varas especializadas em
do consumo de oxigênio que a empresa que o matéria agrária (art. 126 da CF/88) não possuem,
fornece no Estado (White Martins) não mais necessariamente, competência restrita apenas à
conseguiu atender toda a demanda. Em resumo, matéria de sua especialização. Não ofende a CF a
faltou oxigênio para as pessoas internadas. Diante legislação estadual que atribui competência aos
disso, começaram a ser propostas várias ações juízes agrários, ambientais e minerários para a
judiciais contra a White Martins exigindo que ela apreciação de causas penais, cujos delitos tenham
fornecesse oxigênio para os hospitais públicos e sido cometidos em razão de motivação
privados. Essas ações foram propostas em diversos predominantemente agrária, minerária, fundiária e
juízos diferentes, com algumas determinações ambiental. É inconstitucional dispositivo de lei
conflitantes. Havia decisões diferentes dos seguintes estadual que atribui competência a juízes estaduais
juízos: 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do para julgar matérias de competência da justiça
Amazonas, 1ª Vara de Iranduba (AM), 5ª, 6ª, 11ª e 15ª federal. STF. Plenário. ADI 3433/PA, Rel. Min. Dias
Varas Cíveis de Manaus (AM), 3ª Vara da Fazenda Toffoli, julgado em 1/10/2021 (Info 1032)
Pública de Manaus (AM). Um dos processos
envolvidos é uma ação civil pública proposta pelo Compete à Justiça Federal processar e julgar
MPF e DPU contra a União justamente para obrigar o ações rescisórias movidas por ente federal contra
ente federal a garantir o fornecimento de oxigênio. O acórdão ou sentença da Justiça estadual. Compete
STJ, ao resolver conflito positivo de competência, ao Tribunal Regional Federal processar ação
declarou o juízo da 1ª Vara Federal de Manaus como rescisória proposta pela União com o objetivo de
sendo o competente para reunir e julgar todas as desconstituir sentença transitada em julgado
ações envolvendo o tema. STJ. 1ª Seção. CC proferida por juiz estadual, quando afeta interesses
177.113-AM, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em de órgão federal. STF. Plenário. RE 598650/MS, Rel.
25/08/2021 (Info 706). Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 8/10/2021
Compete à Primeira Seção do STJ julgar ACP que (Repercussão Geral – Tema 775) (Info 1033).
discute a validade de cláusula de exclusividade
existente no contrato firmado entre os médicos e a É ilegal e inaplicável Resolução do Tribunal de
operadora de plano de saúde, sob o argumento de Justiça que atribui competência exclusiva para as
que configuraria conduta anticoncorrencial. Compete ações propostas contra a Fazenda Pública em
à Primeira Seção do STJ julgar Ação Civil Pública desconformidade com as regras processuais
ajuizada pelo MPF, em face da UNIMED, a fim de previstas na legislação federal.
anular cláusula indutora de exclusividade de
prestação de serviços médicos, constante do Estatuto Tese A)
Social da Cooperativa Médica operadora de Plano de Prevalecem sobre quaisquer outras normas locais,
Saúde, segundo a qual podem ser penalizados ou primárias ou secundárias, legislativas ou
premiados os médicos cooperados que adiram, ou administrativas, as seguintes competências de foro:
não, à referida cláusula. STJ. Corte Especial. CC i) em regra, do local do dano, para ação civil pública
180.127-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em (art. 2º da Lei nº 7.347/85);
18/08/2021 (Info 706). ii) ressalvada a competência da Justiça Federal, em
ações coletivas, do local onde ocorreu ou deva
As varas especializadas em matéria agrária previstas ocorrer o dano de impacto restrito, ou da capital do
no art. 126 da CF/88 podem julgar outras matérias estado, se os danos forem regionais ou nacionais,
correlacionadas (exs: ambientais e minerárias), submetendo-se ainda os casos à regra geral do CPC,

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em havendo competência concorrente (art. 93, I e II, A Resolução n. 9/2019/TJMT é ilegal e inaplicável
do CDC). quanto à criação de competência exclusiva em
comarca eleita em desconformidade com as regras
Tese B) processuais, especificamente quando determina a
São absolutas as competências: redistribuição desses feitos, se ajuizados em
i) da Vara da Infância e da Juventude do local onde comarcas diversas da 1ª Vara Especializada da
ocorreu ou deva ocorrer a ação ou a omissão, para Fazenda Pública da Comarca de Várzea Grande/MT.
as causas individuais ou coletivas arroladas no Em consequência:
ECA, inclusive sobre educação e saúde, i) fica vedada a redistribuição à 1ª Vara Especializada
ressalvadas a competência da Justiça Federal e a da Fazenda Pública da Comarca de Várzea
competência originária dos tribunais superiores Grande/MT dos feitos propostos ou em tramitação
(arts. 148, IV, e 209 da Lei nº 8.069/90 e Tese nº em comarcas diversas ou em juizados especiais da
1.058/STJ); referida comarca ou de outra comarca, cujo
ii) do local de domicílio do idoso nas causas fundamento, expresso ou implícito, seja a Resolução
individuais ou coletivas versando sobre serviços n. 9/2019/TJMT ou normativo similar;
de saúde, assistência social ou atendimento ii) os feitos já redistribuídos à 1ª Vara Especializada
especializado ao idoso portador de deficiência, de Várzea Grande/MT com fundamento nessa norma
limitação incapacitante ou doença deverão ser devolvidos aos juízos de origem, salvo se
infectocontagiosa, ressalvadas a competência da as partes, previamente intimadas, concordarem
Justiça Federal e a competência originária dos expressamente em manter o processamento do feito
tribunais superiores (arts. 79 e 80 da Lei nº no referido foro;
10.741/2003 e 53, III, e, do CPC/2015); iii) no que tange aos processos já ajuizados - ou que
iii) do Juizado Especial da Fazenda Pública, nos venham a ser ajuizados - pelas partes
foros em que tenha sido instalado, para as causas da originariamente na 1ª Vara Especializada da Fazenda
sua alçada e matéria (art. 2º, § 4º, da Lei nº Pública da Comarca de Várzea Grande/MT, poderão
12.153/2009); prosseguir normalmente no referido juízo;
iv) nas hipóteses do item (iii), faculta-se ao autor iv) não se aplicam as previsões dos itens (ii) e (iii) aos
optar livremente pelo manejo de seu pleito contra o feitos de competência absoluta, ou seja: de
estado no foro de seu domicílio, no do fato ou ato competência dos Juizados Especiais da Fazenda, das
ensejador da demanda, no de situação da coisa Varas da Infância e da Juventude ou do domicílio do
litigiosa ou, ainda, na capital do estado, observada a idoso, nos termos da Tese B deste IAC n. 10/STJ. STJ.
competência absoluta do Juizado, se existente no 1ª Seção. REsp 1.896.379-MT, Rel. Min. Og Fernandes,
local de opção (art. 52, parágrafo único, do CPC/2015, julgado em 21/10/2021 (Tema IAC 10) (Info 718).
c/c o art. 2º, § 4º, da Lei nº 12.153/2009).
Compete à Primeira Seção do STJ o julgamento de
Tese C) ação regressiva por sub-rogação da seguradora nos
A instalação de vara especializada não altera a direitos do segurado movida por aquela contra
competência prevista em lei ou na Constituição concessionária de rodovia estadual, em razão de
Federal, nos termos da Súmula n. 206/STJ (“A acidente de trânsito. Caso concreto: Sul América
existência de vara privativa, instituída por lei Seguros ajuizou ação contra a concessionária de
estadual, não altera a competência territorial rodovias pedindo o ressarcimento do valor por ela
resultante das leis de processo.”). A previsão se despendido no conserto do veículo segurado, em
estende às competências definidas no presente IAC razão de acidente ocorrido por suposta falha na
n. 10/STJ. prestação de serviço da ré. O recurso interposto no
STJ envolvendo esse processo deverá ser julgado por
Tese D) uma das Turmas que compõe a 1ª Seção e que

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tratam sobre direito público. STJ. Corte Especial. CC desde que firme sua convicção em decisão
181.628-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em devidamente fundamentada.
11/11/2021 (Info 718) STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1920967/SP, Rel. Min.
Marco Aurélio Belizze, julgado em 03/05/2021.
Se uma ação contra o INSS estava tramitando na STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1382885/SP, Rel. Min.
justiça estadual por força da competência federal Francisco Falcão, julgado em 26/04/2021.
delegada (art. 109, § 3º, da CF) as alterações
promovidas pela Lei 13.876/2019 não irão
INTIMAÇÕES
influenciar neste processo.
Os efeitos da Lei nº 13.876/2019 na modificação de O termo inicial de contagem dos prazos processuais,
competência para o processamento e julgamento dos em caso de duplicidade de intimações eletrônicas,
processos que tramitam na Justiça Estadual no dá-se com a realizada pelo portal eletrônico, que
exercício da competência federal delegada insculpido prevalece sobre a publicação no Diário da Justiça
no art. 109, § 3º, da Constituição Federal, após as (DJe). STJ. Corte Especial. EAREsp 1.663.952-RJ, Rel.
alterações promovidas pela Emenda Constitucional Min. Raul Araújo, julgado em 19/05/2021 (Info 697).
nº 103/2019, aplicar-se-ão aos feitos ajuizados após
1º de janeiro de 2020. As ações, em fase de Mesmo não havendo previsão legal expressa, a
conhecimento ou de execução, ajuizadas antes de prerrogativa do § 2º do art. 186 do CPC/2015 pode
01/01/2020, continuarão a ser processadas e julgadas ser também requerida pelo defensor dativo. É
no juízo estadual, nos termos em que previsto pelo § admissível a extensão da prerrogativa conferida à
3º do art. 109 da Constituição Federal, pelo inciso III Defensoria Pública de requerer a intimação
do art. 15 da Lei nº 5.010/65, em sua redação original. pessoal da parte na hipótese do art. 186, §2º, do CPC
STJ. 1ª Seção. CC 170.051-RS, Rel. Min. Mauro ao defensor dativo nomeado em razão de convênio
Campbell Marques, julgado em 21/10/2021 (IAC 6) entre a Ordem dos Advogados do Brasil e a
(Info 716). Defensoria. Art. 186 (...) § 2º A requerimento da
Defensoria Pública, o juiz determinará a intimação
pessoal da parte patrocinada quando o ato
ATOS PROCESSUAIS processual depender de providência ou informação
que somente por ela possa ser realizada ou prestada.
STJ. 3ª Turma. RMS 64.894-SP, Rel. Min. Nancy
De acordo com a doutrina, quando o acordo
Andrighi, julgado em 03/08/2021 (Info 703)
processual interferir em poderes, deveres ou
faculdades do magistrado, será necessário que este Os entes públicos devem ser intimados
concorde com seus termos, com base em juízo pessoalmente pelo Portal Eletrônico; contudo, se
discricionário. O negócio jurídico processual que eles não fizeram o cadastramento, será válida a
transige sobre o contraditório e os atos de intimação pelo Diário de Justiça Eletrônico.
titularidade judicial se aperfeiçoa validamente se Não há ofensa à prerrogativa de intimação pessoal
a ele aquiescer o juiz. STJ. 4ª Turma. REsp prevista no art. 183 do CPC, quando o ente público
1.810.444-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado deixa de realizar o necessário cadastramento no
em 23/02/2021 (Info 686) Sistema de Intimação Eletrônica do Superior Tribunal
de Justiça, nos termos do art. 1.050 do CPC, sendo
O órgão julgador não está obrigado a responder a
válida a intimação pela publicação no Diário de
questionamentos das partes, mas tão só a declinar as
Justiça Eletrônico. STJ. 1ª Seção. AR 6.503-CE, Rel. Min.
razões de seu convencimento motivado.
Og Fernandes, julgado em 27/10/2021 (Info 716)
Isto é, não há obrigação de responder a todas as
questões suscitadas pelas partes, quando já tenha
encontrado motivo suficiente para proferir a decisão,

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DA TUTELA 09/05/2016, o devedor depositou em juízo o valor da


condenação apenas para fins de garantia do juízo e
TUTELA PROVISÓRIA para obter efeito suspensivo na impugnação que
ainda iria apresentar. Em 03/06/2016, o devedor
Qual é o termo inicial para a contagem do prazo de 30
apresentou a impugnação. O exequente alegou que a
dias previsto no art. 308 do CPC para formulação do
impugnação foi apresentada fora do prazo. Isso
pedido principal na hipótese em que a tutela cautelar é
porque o prazo de 15 dias para a impugnação
cumprida de forma parcial?
deveria ser contado da data em que foi feito o
A contagem do prazo de 30 (trinta) dias previsto no
depósito judicial (09/05/2016). O STJ não concordou e
art. 308 do CPC/2015 para formulação do pedido
disse que o prazo de 15 dias para a impugnação
principal se inicia na data em que for totalmente
começa a contar após terminar o prazo de 15 dias
efetivada a tutela cautelar.
para o pagamento.
Art. 308 Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal
STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.068-RS, Rel. Min. Ricardo
terá de ser formulado pelo autor no prazo de 30
Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi,
(trinta) dias, caso em que será apresentado nos
julgado em 15/12/2020 (Info 684).
mesmos autos em que deduzido o pedido de tutela
cautelar, não dependendo do adiantamento de novas O prazo de cumprimento da obrigação de fazer
custas processuais. possui natureza processual, devendo ser contado
Exemplo: a Agrex S/A celebrou contrato com uma em dias úteis. STJ. 2ª Turma. REsp 1.778.885-DF, Rel.
cooperativa para que ela fornecesse 250 mil sacas de Min. Og Fernandes, julgado em 15/06/2021 (Info 702)
soja. A contratante pagou o valor devido, no entanto,
a cooperativa não entregou a soja. No cumprimento provisório, o depósito do art.
Diante disso, a Agrex formulou pedido de tutela 520, § 3º, feito pelo devedor para evitar a multa de
cautelar antecedente contra a cooperativa, 10%, deve ser realizado em dinheiro, salvo se o
objetivando o sequestro das 250 mil sacas de soja credor aceitar que ocorra de outra forma. No
contratadas. O magistrado deferiu a tutela pleiteada, cumprimento provisório de decisão condenatória ao
determinando o sequestro da soja mencionada. pagamento de quantia certa, o executado não pode
Ocorre que somente se conseguiu a apreensão de substituir o depósito judicial em dinheiro por bem
150 mil sacas de soja. Em outras palavras a tutela equivalente ou representativo do valor, salvo se
cautelar foi parcialmente efetivada.O prazo de 30 houver concordância do exequente, como forma de
dias para a autora formular o pedido principal não se se isentar da multa e dos honorários advocatícios
iniciou. Isso porque só houve a efetivação parcial da com base no art. 520, §3º, do CPC/2015. STJ. 3ª
tutela cautelar. STJ. 3ª Turma. REsp 1.954.457-GO, Rel. Turma. REsp 1.942.671-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
Min. Moura Ribeiro, julgado em 9/11/2021 (Info 718). julgado em 21/09/2021 (Info 711).

Juiz pode, mesmo no cumprimento de sentença


CUMPRIMENTO DE SENTENÇA de dívidas de natureza cível, deferir consulta ao
CCS-Bacen com o objetivo de apurar a existência
de patrimônio do devedor.
O prazo para impugnação se inicia após 15 dias da
O Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro
intimação para pagar o débito, ainda que o
Nacional (CSS) é um sistema informatizado, mantido
executado realize o depósito para garantia do
pelo Banco Central, que mostra onde os clientes das
juízo no prazo para pagamento voluntário,
instituições financeiras possuem contas correntes,
independentemente de nova intimação.
poupanças, depósitos e outros bens, direitos e
Exemplo: o credor iniciou o cumprimento da
valores. O CSS está previsto no art. 10-A da Lei de
sentença. Em 19/4/2016, o devedor foi intimado para
Lavagem de Dinheiro. É possível a determinação de
que, em 15 dias, efetuasse o pagamento. Em
consulta ao CCS-Bacen em cumprimento de sentença

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de natureza cível com o fim de apurar a existência de da intimação que acolhe a impugnação. Art. 525
patrimônio do devedor. O CCS-Bacen ostenta (...) § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: I
natureza meramente cadastral. Não implica - falta ou nulidade da citação se, na fase de
constrição, mas sim subsídio à eventual conhecimento, o processo correu à revelia. No caso
constrição, e funciona como meio para o de acolhimento da impugnação ao cumprimento de
atingimento de um fim, que poderá ser a penhora sentença fundada no art. 525, § 1º, I, do CPC/2015, o
de ativos financeiros por meio do BacenJud. Dessa prazo para a apresentação de contestação se inicia
forma, não há qualquer impedimento à consulta ao somente na data em que houver a intimação da
CCS-Bacen nos procedimentos cíveis, devendo ser decisão do juiz que acolheu a impugnação. Esse
considerado como apenas mais um mecanismo à prazo não se iniciou no momento em que o
disposição do credor na busca para satisfazer o seu executado compareceu espontaneamente. O réu
crédito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.938.665-SP, Rel. Min. poderá esperar a decisão do juiz antes de apresentar
Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 717) a contestação. O art. 239, § 1º do CPC afirma que o
prazo para a apresentação de contestação se inicia
na data do comparecimento espontâneo do réu. Isso
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
significa que o réu não deve ficar esperando a
A declaração de nulidade da sentença arbitral decisão do juiz, tendo em vista que seu prazo já
pode ser pleiteada, judicialmente, por duas vias: começou a correr. Ocorre que o art. 239, § 1º do CPC
a) ação declaratória de nulidade de sentença é voltado para as hipóteses em que o réu toma
arbitral (art. 33, § 1º, da Lei nº 9.307/96); ou conhecimento do processo ainda na sua fase de
b) impugnação ao cumprimento de sentença conhecimento. Esse dispositivo não se aplica para o
arbitral (art. 33, § 3º, da Lei nº 9.307/96). caso em que o processo já está na fase de
O § 1º do art. 33 verá que ele fala em um prazo de 90 cumprimento de sentença. STJ. 3ª Turma. REsp
dias para ajuizar a ação declaração de nulidade. O § 1.930.225-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
3º do mesmo artigo não prevê prazo. 08/06/2021 (Info 700)
Diante disso, indaga-se: o prazo de 90 dias do § 1º do
art. 33 também se aplica para a hipótese do § 3º? A A impugnação ao cumprimento de sentença
impugnação ao cumprimento de sentença arbitral arbitral, devido à ocorrência dos vícios elencados no
também deve ser apresentada no prazo de 90 dias? art. 32 da Lei nº 9.307/96, possui prazo decadencial
Depende: de 90 dias. A declaração de nulidade da sentença
• se a parte executada quiser alegar algum dos arbitral pode ser pleiteada, judicialmente, por duas
vícios do art. 32 da Lei nº 9.307/96: ela possui o vias: a) ação declaratória de nulidade de sentença
prazo de 90 dias. Assim, se já tiver se passado 90 arbitral (art. 33, § 1º, da Lei nº 9.307/96); ou b)
dias da notificação da sentença, ela não poderá impugnação ao cumprimento de sentença arbitral
apresentar impugnação alegando um dos vícios (art. 33, § 3º, da Lei nº 9.307/96). O § 1º do art. 33
do art. 32. prevê um prazo de 90 dias para ajuizar a ação de
• mesmo que já tenha se passado o prazo de 90 declaração de nulidade. O § 3º do mesmo artigo não
dias, a parte ainda poderá alegar uma das prevê prazo Diante disso, indaga-se: o prazo de 90
matérias do § 1º do art. 525 do CPC. dias do § 1º do art. 33 também se aplica para a
STJ. 3ª Turma. REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy hipótese do § 3º?
Andrighi, julgado em 06/04/2021 (Info 691). A impugnação ao cumprimento de sentença arbitral
também deve ser apresentada no prazo de 90 dias?
O termo inicial do prazo para oferecer Depende:
contestação na hipótese de acolhimento da • se a parte executada quiser alegar algum dos
impugnação ao cumprimento de sentença vícios do art. 32 da Lei nº 9.307/96: ela possui o
fundada no art. 525, § 1º, I, do CPC/2015 é a data prazo de 90 dias. Assim, se já tiver se passado 90

90

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dias da notificação da sentença, ela não poderá As Turmas que compõem a Primeira Seção do
apresentar impugnação alegando um dos vícios do Superior Tribunal de Justiça firmaram entendimento
art. 32. no sentido de que é cabível a homologação da
• mesmo que já tenha se passado o prazo de 90 partilha no procedimento do arrolamento sumário
dias, a parte ainda poderá alegar uma das independentemente do pagamento do imposto
matérias do § 1º do art. 525 do CPC. Não é cabível a sobre transmissão, sendo o Fisco intimado
impugnação ao cumprimento da sentença arbitral, posteriormente para o lançamento administrativo do
com base nas nulidades previstas no art. 32 da Lei nº imposto.
9.307/96, após o prazo decadencial nonagesimal. STJ. STJ. 1ª Turma. REsp 1704359-DF, Rel. Min. Gurgel de
3ª Turma. REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy Faria, julgado em 28/08/2018 (Info 634).
Andrighi, julgado em 06/04/2021 (Info 691). STJ. 3ª STJ. 1ª Turma. REsp 123980-DF, Rel. Min. Benedito
Turma. REsp 1.862.147-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Gonçalves, julgado em 17/02/2020
Bellizze, julgado em 14/09/2021 (Info 709) STJ. 2ª Turma. REsp 1751332-DF, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 25/09/2018 (Info 636).

PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
Vale ressaltar, contudo, que, para a 1ª Turma do STJ,
isso não significa que, no arrolamento sumário, seja

No caso de impugnação de veracidade assinatura, possível homologar a partilha mesmo sem a quitação

ainda que haja autenticidade reconhecida em dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas

cartório, incumbe ao apresentante do documento o rendas.

ônus da prova da autenticidade da assinatura à luz A inovação normativa do § 2º do art. 659 do

do art. 429,II do CPC de 2015 (art. 398, inc.II do CPC/2015 em nada altera a condição estabelecida no

CPC/1973). art. 192 do CTN, de modo que, no arrolamento

Isto porque, incumbe ao apresentante do documento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação de

o ônus da prova da autenticidade da assinatura, quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e

quando devidamente impugnada pela parte às suas rendas para homologar a partilha e, na

contrária, não tendo o reconhecimento das rubricas sequência, com o trânsito em julgado, expedir os

o condão de transmudar tal obrigação, pois ainda títulos de transferência de domínio e encerrar o

que reputado autêntico quando o tabelião confirmar processo, independentemente do pagamento do

a firma do signatário, existindo impugnação da parte imposto de transmissão.

contra quem foi produzido tal documento cessa a STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1864386/DF, Rel. Min.

presunção legal de autenticidade (art. 411, inc. III do Benedito Gonçalves, julgado em 24/05/2021.

CPC).
STJ. 4ª Turma. REsp 1313866/MG, Rel. Min. Marco PROTESTO CONTRA A ALIENAÇÃO
Buzzi, julgado em 15/06/2021.
É possível a averbação de protesto contra a
No arrolamento sumário não se condiciona a alienação de imóvel classificado como bem de
entrega dos formais de partilha ou da carta de família – não para impedir a venda do imóvel
adjudicação à prévia quitação dos tributos impenhorável, mas para informar terceiros de
concernentes à transmissão patrimonial aos boa-fé sobre a pretensão do credor, especialmente
sucessores. na hipótese de futuro afastamento da proteção
Assim, a homologação da partilha no procedimento contra a penhora.
do arrolamento sumário não pressupõe o A impenhorabilidade do bem de família é uma
atendimento das obrigações tributárias principais e garantia jurídica que incide sobre uma situação fática
tampouco acessórias relativas ao imposto sobre atual: a moradia familiar.
transmissão causa mortis.

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No entanto, os fatos podem ser modificados por STJ. 4ª Turma. REsp 1.707.014/MT, Rel. Min. Luis
várias razões, como o recebimento de herança, a Felipe Salomão, julgado em 02/03/2021 (Info 687).
compra de um segundo imóvel ou a mudança de
residência da família. O termo inicial do prazo de 15 dias, previsto no art.
Havendo alguma mudança, aquele imóvel pode 550, § 5º, do CPC/2015, para o réu cumprir a
deixar de ser um bem de família. Assim, ao perder a condenação da primeira fase do procedimento de
qualidade de bem de família, a venda posterior do exigir contas começa a fluir automaticamente a
imóvel com registro de protesto contra alienação de partir da intimação do réu, na pessoa do seu
bens pode, numa análise casuística, configurar advogado, acerca da respectiva decisão.
fraude à execução. STJ. 3ª Turma. REsp 1.847.194/MS, Rel. Min. Marco
STJ. 4ª Turma. REsp 1.236.057-SP, Rel. Min. Antônio Aurélio Belizze, julgado em 16/03/2021 (Info 689).
Carlos Ferreira, julgado em 06/04/2021 (Info 692).
Obs: o prazo de 48 horas para a apresentação das
contas pelo réu, previsto no art. 915, § 2º, do
EMBARGOS DE TERCEIRO
CPC/1973, deve ser computado a partir da
Não se admite cumulação de pedidos estranhos à intimação do trânsito em julgado da sentença que
natureza constitutivo-negativa dos embargos de reconheceu o direito do autor de exigir a
terceiro prestação de contas
Além do pedido de proteção da posse ou propriedade, é (STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.877-SP, Rel. Min. Nancy
possível formular pedido de indenização por danos Andrighi, julgado em 23/04/2019. Info 647).
morais em embargos de terceiro?
NÃO. Os embargos de terceiro têm como única
EXECUÇÃO
finalidade a de evitar ou afastar a constrição judicial
sobre bens de titularidade daquele que não faz parte
do processo. Diz-se, portanto, que os embargos de É impenhorável a pequena propriedade rural
terceiro possuem uma cognição limitada/restrita familiar constituída de mais de 01 terreno, desde
porque se limitam a uma providência que contínuos e com área total inferior a 04
constitutivo-negativa. Dessa forma, considerando a módulos fiscais do município de localização.
cognição limitada dos embargos de terceiro, STF. Plenário. ARE 1038507, Rel. Min. Edson Fachin,
revela-se inadmissível a cumulação de pedidos julgado em 18/12/2020 (Repercussão Geral – Tema
estranhos à sua natureza constitutivo-negativa, 961) (Info 1003).
como, por exemplo, o pleito de condenação a
indenização por danos morais. O magistrado pode, de ofício, ordenar o recálculo
STJ. 3ª Turma. REsp 1.703.707-RS, Rel. Min. Marco do montante devido quando identificar excesso
Aurélio Bellizze, julgado em 25/05/2021 (Info 698). de execução por ser matéria de ordem pública.
A revisão de ofício é possível ainda que o devedor
tenha deixado de juntar os documentos para
AÇÃO DE EXIGIR CONTAS
elaboração dos cálculos, mitigando-se a presunção
O inventariante não pode encerrar seu mister sem de que se reputam corretos os cálculos apresentados
que antes apresente as contas de sua gestão. Essa pelo credor.
prestação de contas é, portanto, uma atribuição Isto porque, por ser matéria de ordem pública, o
imposta pela lei ao inventariante, razão pela qual magistrado pode, de ofício, ordenar o recálculo do
possui interesse de agir para ajuizar a presente montante devido quando identificar excesso de
ação autônoma de prestação de contas. Vale execução.
ressaltar, inclusive, que esse interesse de agir é
presumido.

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Inclusive, eventuais erros materiais nos cálculos escolher a dívida que pretende pagar, talvez com o
apresentados para o cumprimento de sentença não propósito de extinguir a execução mais adiantada,
estão sujeitos à preclusão. em que se realizarão os atos expropriatórios.
STJ. 3ª Turma. REsp 1598962/SC, Rel. Min. Moura
Ribeiro, julgado em 29/06/2020. O termo final para a remição da execução é a
STJ. 3ª Turma. REsp 1716966/SP, Rel. Min. Ricardo assinatura do auto de arrematação
Villas Bôas Cuevas, julgado em 29/03/2021. A remição da execução pode ser exercida até a
assinatura do auto de arrematação. Logo, a
O Procab-Agro é uma linha de crédito, com recursos arrematação do imóvel não impede o devedor de
do BNDES, que tem por objetivo conceder remir a execução, desde que faça isso antes de o
financiamento para a recuperação das cooperativas auto de arrematação ser assinado. STJ. 3ª Turma.
agropecuárias. REsp 1.862.676-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
Os recursos públicos recebidos do Procap-Agro em 23/02/2021 (Info 686).
podem ser enquadrados no inciso IX do art. 833 do
CPC, que prevê o seguinte: Não se reconhece a eficácia executiva da
Art. 833. São impenhoráveis: (...) IX - os recursos sentença de improcedência do pedido de
públicos recebidos por instituições privadas para declaração de inexigibilidade de débitos em que
aplicação compulsória em educação, saúde ou se reconheceu a existência da obrigação, sem
assistência social; decisão quanto ao seu valor.
Os recursos do Procab-Agro recebidos pela STJ. 3ª Turma. REsp 1872253/SP, Rel. Min. Nancy
Cooperativa agropecuária representam Andrighi, julgado em 23/03/2021.
financiamento público com evidente caráter
assistencial, tendo por objetivo fomentar uma Com o advento do CPC/2015, o início da fase de
atividade de interesse coletivo. Logo, devem ser cumprimento de sentença para pagamento de
considerados absolutamente impenhoráveis. quantia certa passou a depender de provocação
STJ. 4ª Turma. Resp 1.691.882-SP, Rel. Min. Luis Felipe do credor (art. 523).
Salomão, julgado em 09/02/2021 (Info 685) Assim, a intimação do devedor para pagamento é
consectário legal do requerimento, e, portanto,
Para a remição da execução, o executado deve irrecorrível, por se tratar de mero despacho de
pagar ou consignar o montante correspondente à expediente. O juiz simplesmente cumpre o
totalidade da dívida executada, acrescida de procedimento determinado pela lei, impulsionando o
juros, custas e honorários de advogado, não processo.
sendo possível exigir-lhe o pagamento de débitos STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.211/MG, Rel. Min. Moura
executados em outras demandas Ribeiro, julgado em 09/03/2021 (Info 688).
A remição da execução, consagrada no art. 826 do
CPC/2015, consiste na satisfação integral do débito O art. 5º, XXVI, da CF/88 e o art. 833, VIII, do CPC
executado no curso da ação e impede a alienação do preveem que é impenhorável a pequena
bem penhorado. propriedade rural, assim definida em lei, desde que
Mesmo que o credor possua outros processos trabalhada pela família. Assim, para que o imóvel
movidos contra o devedor, o exequente não rural seja impenhorável, são necessários dois
poderá exigir do executado, para fins de remição, requisitos:
o pagamento desses débitos que estão sendo 1) que seja enquadrado como pequena propriedade
executados em outras demandas. rural, nos termos definidos pela lei; e
Se o devedor estiver sendo executado em mais de 2) que seja trabalhado pela família.
um processo, ele tem o direito de remir aquela que
melhor lhe aprouver. Assim, é lícito ao executado

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Quem tem o encargo de provar esses requisitos? requisitos constantes do art. 100, § 2º, da CF/88, ou
Quem tem o encargo de provar os requisitos da seja, dívida de natureza alimentar e titular idoso
impenhorabilidade da pequena propriedade rural? ou portador de doença grave
3ª Turma do STJ: o devedor. Para o reconhecimento O § 2º do art. 100 prevê que os débitos de natureza
da impenhorabilidade, o devedor tem o ônus de alimentícia que tenham como beneficiários:
comprovar que além de pequena, a propriedade a) pessoas com idade igual ou superior a 60 anos;
destina-se à exploração familiar. b) pessoas portadoras de doenças graves;
STJ. 3ª Turma. REsp 1843846/MG, Rel. Min. Nancy c) pessoas com deficiência;
Andrighi, julgado em 02/02/2021. STJ. 3ª Turma. REsp ... terão uma preferência no recebimento dos
1.913.236/MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em precatórios.
16/03/2021 (Info 689). O simples fato de o titular do precatório ser idoso é
motivo suficiente para ele se enquadrar no § 2º do
4ª Turma do STJ: art. 100 da CF/88? Não. É necessário que, além da
• Requisito 1: comprovar que o imóvel se trata de idade, o crédito que ele tem para receber seja de
pequena propriedade rural: trata-se de ônus do natureza alimentar.
executado (devedor). Requisitos cumulativos do § 2º do art. 100 da CF/88:
• Requisito 2: comprovar que a propriedade rural • requisito 1: o titular deve ser:
é trabalhada pela família: não é necessário que o a) idoso;
executado faça prova disso. Existe uma presunção b) pessoa portadora de doença grave; ou
juris tantum (relativa) de que a pequena c) pessoa com deficiência.
propriedade rural é trabalhada pela família. • requisito 2: o débito deve ter natureza alimentícia.
STJ. 4ª Turma. REsp 1408152-PR, Rel. Min. Luis Felipe Se a dívida não tem natureza alimentar, o seu titular
Salomão, julgado em 1/12/2016 (Info 596). STJ. 4ª receberá segundo a regra do caput do art. 100 (sem
Turma. AgInt no REsp 1826806/RS, Rel. Min. Antonio qualquer preferência).
Carlos Ferreira, julgado em 23/03/2020. STJ. 2ª Turma. RMS 65.747/SP, Rel. Min. Assusete
Magalhães, julgado em 16/03/2021 (Info 689).
O fato de o devedor ter dado o bem em garantia
representa uma renúncia à garantia da O art. 90, § 3º do CPC/2015 prevê o seguinte:
impenhorabilidade? NÃO. A pequena propriedade Art. 90 (...) § 3º Se a transação ocorrer antes da
rural é impenhorável por determinação da sentença, as partes ficam dispensadas do pagamento
Constituição. Tal direito fundamental é indisponível, das custas processuais remanescentes, se houver.
pouco importando que o bem tenha sido dado em O art. 90, § 3º, está localizado na parte geral do
hipoteca. Código de Processo Civil. Isso significa que ele é
Nesse sentido, já decidiu o STJ: A pequena aplicável não só ao processo de conhecimento,
propriedade rural trabalhada pela entidade familiar é como também ao processo de execução.
impenhorável, mesmo quando oferecida em garantia Esse dispositivo, no entanto, somente se refere às
hipotecária pelos respectivos proprietários. O custas remanescentes. Assim, se a legislação
oferecimento do bem em garantia não afasta a estadual prever o recolhimento da taxa judiciária ao
proteção da impenhorabilidade, haja vista que se final do processo, as partes não estarão
trata de norma de ordem pública, inafastável pela desobrigadas de recolhê-la. Isso porque taxa
vontade das partes. judiciária não se confunde com custas processuais e,
STJ. 3ª Turma. REsp 1.913.236/MT, Rel. Min. Nancy portanto, taxa judiciária não se enquadra na
Andrighi, julgado em 16/03/2021 (Info 689) definição de custas remanescentes.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.880.944/SP, Rel. Min. Nancy
Para a obtenção da preferência no pagamento de Andrighi, julgado em 23/03/2021 (Info 690)
precatório, faz-se necessária a conjugação dos

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É constitucional, pois foi devidamente recepcionado de Pedro, marido de Luciana. Essa penhora é
pela Constituição Federal de 1988, o procedimento indevida. STJ. 3ª Turma. REsp 1.869.720/DF, Relator p/
de execução extrajudicial, previsto no Decreto-lei nº acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
70/66. 27/04/2021 (Info 694).
STF. Plenário. RE 627106/PR e RE 556520/SP, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgados em 7/4/2021 (Repercussão Para que a exceção de pré-executividade seja
Geral – Tema 249) (Info 1012). conhecida, é necessário o preenchimento de dois
requisitos:
É admitida a alienação integral do bem indivisível a) Material: o devedor só pode alegar matérias que
em qualquer hipótese de propriedade em comum, possam ser conhecidas de ofício pelo magistrado
resguardando-se, ao coproprietário ou cônjuge (ex.: condições da ação e os pressupostos
alheio à execução, o equivalente em dinheiro da processuais);
sua quota-parte no bem. b) Formal: é indispensável que a decisão possa ser
STJ. 3ª Turma. REsp 1.818.926/DF, Rel. Min. Nancy tomada sem necessidade de dilação probatória.
Andrighi, julgado em 13/04/2021 (Info 692) Com relação ao requisito formal, é imprescindível
que a questão suscitada seja de direito ou diga
A desistência da execução antes do oferecimento respeito a fato documentalmente provado.
dos embargos independe da anuência do devedor. A exigência de que a prova seja préconstituída tem
A apresentação de desistência da execução por escopo evitar embaraços ao regular
quando ainda não efetivada a citação do devedor processamento da execução.
provoca a extinção dos embargos posteriormente Assim, as provas capazes de influenciar no
opostos, ainda que estes versem acerca de convencimento do julgador devem acompanhar a
questões de direito material. petição de objeção de não-executividade.
O credor não responde pelo pagamento de No entanto, a intimação do executado para juntar
honorários sucumbenciais se manifestar a aos autos prova pré-constituída mencionada nas
desistência da execução antes da citação e da razões ou complementar os documentos já
apresentação dos embargos e se não houver prévia apresentados não configura dilação probatória, de
constituição de advogado nos autos. modo que não excede os limites da exceção de
STJ. 2ª Turma. REsp 1.682.215/MG, Rel. Min. Ricardo pré-executividade.
Vilas Bôas Cueva, julgado em 06/04/2021 (Info 692) STJ. 3ª Turma. REsp 1.912.277-AC, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 18/05/2021 (Info 697).
Não é possível a penhora de ativos financeiros da
conta bancária pessoal de terceiro, não É imprescindível a intimação pessoal para fins de
integrante da relação processual em que se constituição do devedor, assistido pela
formou o título executivo, pelo simples fato de Defensoria, como depositário fiel da penhora de
ser cônjuge da parte executada com quem é bem imóvel realizada por termo nos autos. O art.
casado sob o regime da comunhão parcial de 659, § 5º, do CPC/1973 previa o seguinte: “(...) a
bens. penhora de imóveis, independentemente de onde se
Situação hipotética: Luciana comprou itens de localizem, será realizada por termo nos autos, do
vidraçaria de uma loja, mas não pagou. A loja ajuizou qual será intimado o executado, pessoalmente ou na
ação de cobrança contra Luciana, tendo a sentença pessoa de seu advogado, e por este ato constituído
condenado a ré a pagar o valor devido. Após o depositário.” Assim, o executado que tem
trânsito em julgado, o banco ingressou com advogado constituído pode ser intimado, na
cumprimento de sentença contra Luciana.Não se pessoa de seu advogado, da sua constituição
localizou qualquer bem em nome da devedora. como depositário fiel. Por outro lado, há
Diante disso, a exequente pediu a penhora de ativos necessidade de intimação pessoal do devedor se
financeiros (dinheiro) que estavam na conta bancária

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ele for assistido pela Defensoria Pública. Isso receber intimação está incluso, na verdade, nos
porque: poderes gerais para o foro e não há previsão no
a) o ato possui conteúdo de direito material e art. 105 do CPC/2015 quanto à possibilidade de o
demanda comportamento positivo da parte; outorgante restringir tais poderes por meio de
b) o Defensor Público, na condição de defensor cláusula especial. Pelo contrário, com os poderes
nomeado e não constituído pela parte, exerce múnus concedidos na procuração geral para o foro,
público que impede o seu enquadramento no entende-se que o procurador constituído pode
conceito de “advogado” para os fins previstos no art. praticar todo e qualquer ato do processo, exceto
659, § 5º, do CPC/1973, possuindo apenas, via de aqueles mencionados na parte final do art. 105 do
regra, poderes gerais para o foro. STJ. 4ª Turma. REsp CPC/2015. Logo, todas as intimações ocorridas no
1.331.719-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. curso do processo, inclusive a intimação da
Acd. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em penhora, podem ser recebidas pelo patrono
03/08/2021. constituído nos autos. Além disso, conforme
estabelecido na norma veiculada pelo art. 841, §§ 1º e
O advogado, titular de honorários advocatícios 2º, do CPC/2015, a intimação da penhora deve ser
sucumbenciais arbitrados no processo em que atuou feita ao advogado da parte devedora, reservando-se
como representante de uma parte, não pode a intimação pessoal apenas para a hipótese de não
receber primeiro que o seu cliente que venceu a haver procurador constituído nos autos. STJ. 3ª
demanda. O crédito decorrente de honorários Turma. REsp 1.904.872-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi,
advocatícios sucumbenciais titularizado pelo julgado em 21/09/2021 (Info 711).
advogado não é capaz de estabelecer relação de
preferência ou de exclusão em relação ao crédito Se o débito está garantido apenas parcialmente,
principal titularizado por seu cliente. Exemplo não há óbice à determinação judicial de inclusão
hipotético: em uma execução proposta por “A” contra do nome do executado em cadastro de
“B”, cobrando R$ 2 milhões, foi possível a penhora de inadimplentes, nos termos do art. 782, § 3º, do CPC.
apenas R$ 500 mil do executado. O advogado de “A” Na hipótese de haver garantia parcial do débito, o
utiliza o dinheiro arrecadado para quitar juiz pode determinar, mediante requerimento do
inteiramente o valor que ele tem direito a título de exequente, a inscrição do nome do executado em
honorários sucumbenciais, ficando apenas o que cadastros de inadimplentes. STJ. 3ª Turma. REsp
sobrar para a parte exequente. O STJ afirmou que 1953667-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
isso não é possível. STJ. 3ª Turma. REsp 1.890.615-SP, 07/12/2021 (Info 721)
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17/08/2021 (Info
707). Na execução para cobrança das cotas condominiais,
o exequente pode pedir a cobrança não apenas
É válida a intimação da penhora feita ao das parcelas vencidas como também das
advogado cuja procuração excluía expressamente vincendas, ou seja, daquelas que forem vencendo no
os poderes para essa finalidade. Não é permitido curso do processo.
ao outorgante da procuração restringir os Segundo as regras do CPC/2015, é possível a inclusão
poderes gerais para o foro por meio de cláusula em ação de execução de cotas condominiais das
especial. Os atos para os quais são exigidos poderes parcelas vincendas no débito exequendo, até o
específicos na procuração encontram-se cumprimento integral da obrigação no curso do
expressamente previstos na parte final do art. 105 do processo. Isso porque é possível aplicar o art. 323 do
CPC/2015 e entre eles não está inserido o de receber CPC/2015 ao processo de execução. STJ. 3ª Turma.
intimação da penhora, razão pela qual se faz REsp 1.756.791-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
desnecessária a existência de procuração com em 06/08/2019 (Info 653).
poderes específicos para esse fim. O poder de É possível a inclusão de parcelas vincendas na

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execução de título extrajudicial de contribuições É prescindível a intimação direta do devedor


ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, acerca da data da alienação judicial do bem,
desde que homogêneas, contínuas e da mesma quando representado pela Defensoria Pública.
natureza. STJ. 4ª Turma. REsp 1.835.998-RS, Rel. Min. O art. 889, I, do CPC prevê que o executado, por meio
Luis Felipe Salomão, julgado em 26/10/2021 (Info do seu advogado, deverá ser intimado da data da
716) alienação judicial. Se não for advogado, mas sim
Defensor Público, o executado será intimado na
Se o débito está garantido apenas parcialmente, pessoa do Defensor Público.
não há óbice à determinação judicial de inclusão A única diferença é que o advogado pode ser
do nome do executado em cadastro de intimado pela imprensa oficial, enquanto o Defensor
inadimplentes, nos termos do art. 782, § 3º, do CPC. Público deverá, obrigatoriamente, ser intimado
Na hipótese de haver garantia parcial do débito, o pessoalmente. No entanto, repita-se, não é
juiz pode determinar, mediante requerimento do necessária a intimação pessoal do devedor.
exequente, a inscrição do nome do executado em Assim, não se exige notificação pessoal do
cadastros de inadimplentes. STJ. 3ª Turma. REsp executado quando há norma específica
1953667-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em determinando apenas a intimação do devedor,
07/12/2021 (Info 721) por meio do advogado constituído nos autos ou
da Defensoria Pública.
Na execução para cobrança das cotas condominiais,
STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.376-RJ, Rel. Min. Ricardo
o exequente pode pedir a cobrança não apenas
Villas Bôas Cueva, julgado em 25/05/2021 (Info 698)
das parcelas vencidas como também das
vincendas, ou seja, daquelas que forem vencendo no
curso do processo. IMPENHORABILIDADE
Segundo as regras do CPC/2015, é possível a inclusão Os valores pagos a título de indenização pelo
em ação de execução de cotas condominiais das “Seguro DPVAT” aos familiares da vítima fatal de
parcelas vincendas no débito exequendo, até o acidente de trânsito gozam da proteção legal de
cumprimento integral da obrigação no curso do impenhorabilidade ditada pelo art. 833, VI, do
processo. Isso porque é possível aplicar o art. 323 do CPC/2015, enquadrando-se na expressão "seguro de
CPC/2015 ao processo de execução. STJ. 3ª Turma. vida".
REsp 1.756.791-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado Art. 833. São impenhoráveis: (...) VI - o seguro de vida.
em 06/08/2019 (Info 653). STF. 4ª Turma. REsp 1.412.247-MG, Rel. Min. Antônio
É possível a inclusão de parcelas vincendas na Carlos Ferreira, julgado em 23/03/2021 (Info 690).
execução de título extrajudicial de contribuições
ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, Não é possível a penhora de percentual do auxílio
desde que homogêneas, contínuas e da mesma emergencial para pagamento de crédito constituído
natureza. STJ. 4ª Turma. REsp 1.835.998-RS, Rel. Min. em favor de instituição financeira.
Luis Felipe Salomão, julgado em 26/10/2021 (Info O Auxílio Emergencial é um benefício financeiro,
716) instituído pela Lei nº 13.982/2020, pago pela União a
trabalhadores informais, microempreendedores
individuais (MEI), autônomos e desempregados, e
PENHORA
que foi criado com o objetivo de fornecer proteção
Não é necessário intimar pessoalmente o devedor emergencial, pelo prazo de poucos meses, às
para informar sobre a data da alienação judicial pessoas que perderam sua renda em virtude da crise
do bem, mesmo que ele seja representado pela causada pela Covid19. O valor do auxílio emergencial
Defensoria Pública pode ser penhorado? Em regra, não. Isso porque se
trata de verba de natureza alimentar, sendo

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impenhorável, nos termos do art. 833, IV, do CPC. Há cíveis federais, ressalvada a possibilidade de o
duas exceções previstas no § 2º do art. 833: exequente postular a nomeação de perito.
1) para pagamento de prestação alimentícia STF. Plenário. ADPF 219/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
(qualquer que seja a sua origem). julgado em 20/5/2021 (Info 1018).
2) sobre o montante que exceder 50
salários-mínimos. É possível a penhora de recursos oriundos da
É possível a penhora do auxílio emergencial para recompra pelo FIES dos valores dos títulos
pagamento de dívidas com bancos? Não. As dívidas Certificados Financeiros do Tesouro - Série E (CFT-E),
comuns não podem gozar do mesmo status de titularidade das instituições de ensino, que
diferenciado da dívida alimentar a permitir a eventualmente sobrepujam as obrigações legalmente
penhora indiscriminada das verbas vinculadas.
remuneratórias, sob pena de se afastarem os Como contrapartida pela prestação dos serviços
ditames e a própria ratio legis do Código de Processo educacionais aos alunos do FIES, a Instituição de
Civil (art. 833, IV, c/c o § 2º). STJ. 4ª Turma. REsp Ensino Superior recebe Certificados Financeiros do
1.935.102-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado Tesouro - Série E (CFT-E), que podem ser utilizados
em 29/06/2021 (Info 703). exclusivamente para o pagamento de contribuições
previdenciárias ou de outros tributos federais.
São absolutamente impenhoráveis os recursos Os recursos públicos recebidos por instituição de
públicos recebidos pela Confederação Brasileira de ensino superior privada são impenhoráveis, pois
Tênis de Mesa (CBTM). São impenhoráveis os são verbas de aplicação compulsória em educação.
recursos públicos recebidos por instituições Os certificados emitidos pelo Tesouro Nacional
privadas destinados exclusivamente ao fomento (CFT-E) não são penhoráveis, considerando que sua
de atividades desportivas. Os recursos transferidos aplicação possui uma vinculação legal.
pela União para a CBTM a fim de que sejam aplicados Vale ressaltar, no entanto, que, se a IES não possuir
nas atividades esportivas são quantias que se débitos tributários a serem quitados e possuir CFT-E,
enquadram no inciso IX do art. 833 do CPC/2015: Art. poderá oferecer esses títulos para que eles sejam
833. São impenhoráveis: (...) IX - os recursos públicos recomprados, recebendo o valor financeiro
recebidos por instituições privadas para aplicação equivalente.
compulsória em educação, saúde ou assistência Esses valores decorrentes da recompra de CFT-E
social; STJ. 4ª Turma. REsp 1.878.051-SP, Rel. Min. Luis podem ser penhorados. Isso porque essa verba se
Felipe Salomão, julgado em 14/09/2021 (Info 709). incorpora definitivamente ao patrimônio da IES, que
poderá aplicá-la da forma que melhor atenda aos
seus interesses, não havendo nenhuma ingerência
EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA
do poder público.
A alegação da Fazenda Pública de excesso de STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.543/DF, Rel. Min. Marco
execução sem a apresentação da memória de Aurélio Bellizze, julgado em 23/03/2021 (Info 690).
cálculos com a indicação do valor devido não
acarreta, necessariamente, o não conhecimento A proibição de ampliação do pedido após a
da arguição. citação do réu (art. 264 do CPC/1973) só se aplica
STJ. 2ª Turma. REsp 1.887.589/GO, Rel. Min. Og para a fase de conhecimento, não incidindo na
Fernandes, julgado em 06/04/2021 (Info 691). execução. Sob a vigência do CPC/1973, é possível a
ampliação do pedido em execução contra Fazenda
Não ofende a ordem constitucional determinação Pública, para inclusão de valores que não haviam
judicial de que a União proceda aos cálculos e sido cobrados desde o início, oportunizando nova
apresente os documentos relativos à execução nos citação do ente público. STJ. 1ª Turma. REsp
processos em tramitação nos juizados especiais

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1.546.430-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em As vedações legais à atuação do Procurador da
24/08/2021 (Info 706) Fazenda Nacional estão previstas nos arts. 28 a 31 da
LC 73/93, entre as quais não se encontra essa
hipótese. De igual forma, a Lei nº 6.830/80 (Lei de
EXECUÇÃO FISCAL
Execução Fiscal) não faz essa exigência nem
O art. 782, §3º, do CPC é aplicável às execuções estabelece tal impedimento.
fiscais, devendo o magistrado deferir o STJ. 2ª Turma. REsp 1.311.899-RS, Rel. Min. Assusete
requerimento de inclusão do nome do executado Magalhães, julgado em 23/02/2021 (Info 686)
em cadastros de inadimplentes,
preferencialmente pelo sistema SERASAJUD, É possível a fixação de honorários advocatícios,
independentemente do esgotamento prévio de em exceção de pré-executividade, quando o sócio
outras medidas executivas, salvo se vislumbrar é excluído do polo passivo da execução fiscal, que
alguma dúvida razoável à existência do direito ao não é extinta.
crédito previsto na Certidão de Dívida Ativa - CDA. STJ. 1ª Seção. REsp 1.764.405/SP, Rel. Min. Assusete
STJ. 1ª Seção. REsp 1.807.180/PR, Rel. Min. Og Magalhães, julgado em 10/03/2021 (Recurso
Fernandes, julgado em 24/02/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 961) (Info 688)
Repetitivo – Tema 1026) (Info 686).
Se a execução fiscal é proposta e, antes da citação, o
Nas execuções fiscais, deve-se aplicar o art.827 do devedor efetua o pagamento extrajudicial do crédito
CPC na fixação dos honorários advocatícios em tributário, haverá, mesmo assim, condenação em
10% em detrimento do art. 85, §3º, do CPC/2015. honorários advocatícios?
O art. 827 do CPC é norma específica dos processos 1ª Turma do STJ: SIM
de execução, estando localizada no capítulo da São devidos honorários advocatícios ao ente público,
"execução por quantia certa", o que abrange as nos casos em que a execução fiscal tenha sido extinta
execuções fiscais ajuizadas com base em CDAs, em decorrência do pagamento extrajudicial do
sendo obrigatória sua aplicação em detrimento do crédito tributário, ainda que efetuado antes da
constante do art. 85, §3º, do CPC/2015. citação do contribuinte. O pagamento extrajudicial do
Da análise do art. 827 do CPC/2015, verifica-se que o débito fiscal equivale ao reconhecimento da dívida
legislador, ao determinar o arbitramento, no início da executada e do pedido da execução, e, em
execução, de honorários no percentual de 10%, homenagem ao princípio da causalidade, leva o
buscou atender ao interesse do credor, entretanto, executado a arcar com o adimplemento integral dos
sem esquecer de mitigar os honorários quando honorários advocatícios, por ter dado causa ao
satisfeita a execução, disposições que vão ao ajuizamento da ação, consoante previsto nos arts. 85,
encontro do princípio da maior efetividade da §§1º, 2º e 10 c/c art. 90 do CPC/2015. STJ. 1ª Turma.
execução REsp 1931060/PE, Rel. Min. Manoel Erhardt (Des.
STJ. 2ª Turma. AREsp 1.798.708-SP, Rel. Min. Francisco Conv. TRF5), julgado em 14/09/2021
Falcão; Julg. 03/08/2021.
2ª Turma do STJ: NÃO
Não é vedado, ao Procurador da Fazenda Nacional Não cabe a condenação em honorários advocatícios
que emitiu a certidão de dívida ativa, atuar como por débito quitado após ajuizamento da execução
representante judicial da Fazenda Nacional, na fiscal e antes da citação. Não cabe a condenação em
respectiva execução fiscal. honorários da parte executada para pagamento do
As duas atribuições estão previstas expressamente débito executado em momento posterior ao
no art. 12, I e II, da LC 73/93 que, em nenhum ajuizamento e anterior à citação, em decorrência da
momento, afirma ou sugere que tais atividades leitura complementar dos princípios da sucumbência
devam ser praticadas por membros diferentes da e da causalidade, e porque antes da citação não
PGFN.

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houve a triangularização da demanda. STJ. 2ª Turma. da penhora do bem constrito gera presunção
REsp 1.927.469-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado absoluta (juris et de jure) de conhecimento para
em 10/08/2021 (Info 705). terceiros e, portanto, de fraude à execução caso o
bem seja alienado ou onerado após a averbação.
A citação postal é ato processual cujo valor está Essa presunção também é aplicável à hipótese na
abrangido no conceito de custas processuais; logo, qual o credor providenciou a averbação, à
não se exige que a Fazenda exequente adiante o margem do registro, da pendência de ação de
pagamento das despesas com a citação postal na execução.
execução fiscal, devendo fazê-lo apenas ao fim do Por outro lado, se o bem se sujeitar a registro e a
processo, se for vencida. A teor do art. 39 da Lei nº penhora ou a ação de execução não tiver sido
6.830/80, a fazenda pública exequente, no âmbito averbada no respectivo registro, tal circunstância
das execuções fiscais, está dispensada de promover não obsta, prima facie, o reconhecimento da
o adiantamento de custas relativas ao ato citatório, fraude à execução. Nesse caso, entretanto, caberá
devendo recolher o respectivo valor somente ao final ao credor comprovar a má-fé do terceiro; vale
da demanda, acaso resulte vencida. STJ. 1ª Seção. dizer, de que o adquirente tinha conhecimento
REsp 1.858.965-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado acerca da pendência do processo.
em 22/09/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1054) Essa orientação é consolidada na jurisprudência do
(Info 710). STJ e está cristalizada na Súmula 375 e no julgamento
do Tema 243:
FRAUDE À EXECUÇÃO Súmula 375-STJ: O reconhecimento da fraude à
execução depende do registro da penhora do bem
Executado fez acordo homologado por meio do qual
alienado ou da prova de má-fé do terceiro
transferia seus bens para uma terceira pessoa; esse
adquirente.
acordo, mesmo sendo homologado judicialmente em
Tema 243: (...) 1.4. Inexistindo registro da penhora na
outro processo, é ineficaz perante o exequente, sem
matrícula do imóvel, é do credor o ônus da prova de
a necessidade de ação anulatória
que o terceiro adquirente tinha conhecimento de
É prescindível a propositura de ação anulatória
demanda capaz de levar o alienante à insolvência (...)
autônoma para declaração da ineficácia do negócio
STJ. Corte Especial. REsp 956.943-PR, Rel. para
jurídico em relação ao exequente ante a
acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em
caracterização da fraude à execução, com o
20/8/2014 (Recurso Repetitivo – Tema 243) (Info 552).
reconhecimento da nítida má-fé das partes que
Em caso de alienações sucessivas, inicialmente, não
firmaram o acordo posteriormente homologado
existe processo pendente contra o alienante do qual
judicialmente.
o atual proprietário adquiriu o imóvel. Por outro lado,
STJ. 3ª Turma. REsp 1.845.558-SP, Rel. Min. Marco
existe processo pendente contra o primeiro alienante
Aurélio Bellizze, julgado em 01/06/2021 (Info 699)
(o executado que vendeu o bem mesmo sem poder

A orientação consagrada na Súmula 375/STJ e no fazê-lo). Se não houver registro da ação ou da

julgamento do Tema 243 é aplicável às hipóteses de penhora à margem da matrícula do bem imóvel

alienações sucessivas. alienado a terceiro, o exequente terá que provar

A fraude à execução atua no plano da eficácia, de má-fé do adquirente sucessivo. STJ. 3ª Turma. REsp

modo que conduz à ineficácia da alienação ou 1.863.952-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em

oneração do bem em relação ao exequente. É 26/10/2021 (Info 716).

como se o ato fraudulento não tivesse existido para o


credor. O STJ entende que a inscrição da penhora PRECATÓRIOS
no registro do bem não constitui elemento
Os Estados e o Distrito Federal devem observar o
integrativo do ato, mas sim requisito de eficácia
prazo de 2 meses, previsto no art. 535, § 3º, II, do
perante terceiros. Por essa razão, o prévio registro

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CPC, para pagamento de obrigações de pequeno A Lei nº 13.463/2017 não prevê um prazo para que o
valor. interessado formule esse pedido. Isso significa que
Não é razoável impedir a satisfação imediata da parte essa pretensão é imprescritível?
incontroversa de título judicial, devendo-se observar, • 1ª corrente: SIM. É imprescritível a pretensão de
para efeito de determinação do regime de expedição de novo precatório ou nova Requisição
pagamento — se por precatório ou requisição de de Pequeno Valor – RPV, após o cancelamento de
pequeno valor —, o valor total da condenação. que trata o art. 2º da Lei nº 13.463/2017.
STF. Plenário. ADI 5534/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, A Lei nº 13.463/2017 não previu um prazo
julgado em 18/12/2020 (Info 1003). prescricional. De acordo com o sistema jurídico
brasileiro, nenhum direito perece sem que haja
Dentro do mesmo exercício todos os precatórios previsão expressa do fenômeno apto a produzir esse
alimentares terão preferência de pagamento sobre resultado. Portanto, não é lícito estabelecer-se, sem
todos os precatórios de outras espécies. lei escrita, ou seja, arbitrariamente, uma causa
O pagamento parcelado dos créditos não inopinada de prescrição.
alimentares, na forma do art. 78 do ADCT, não STJ. 1ª Turma. Resp 1.856.498-PE, Rel. Min. Napoleão
caracteriza preterição indevida de precatórios Nunes Maia Filho, julgado em 06/10/2020. STJ. 1ª
alimentares, desde que os primeiros tenham sido Turma. AgInt no Resp 1886419/PB, Rel. Min. Gurgel
inscritos em exercício anterior ao da apresentação de Faria, julgado em 08/03/2021.
dos segundos, uma vez que, ressalvados os créditos
de que trata o art. 100, § 2º, da Constituição, o • 2ª corrente: NÃO. A pretensão de expedição de
pagamento dos precatórios deve observar as novo precatório ou nova RPV, após o
seguintes diretrizes: cancelamento de que trata o art. 2º da Lei nº
(1) a divisão e a organização das classes ocorrem 13.463/2017 prescreve em 5 anos, nos termos do
segundo o ano de inscrição; art. 1º do Decreto 20.910/32.
(2) inicia-se o pagamento pelo exercício mais antigo STJ. 2ª Turma. Resp 1.859.409-RN, Rel. Min. Mauro
em que há débitos pendentes; Campbell Marques, julgado em 16/06/2020 (Info 675).
(3) quitam-se primeiramente os créditos alimentares; STJ. 2ª Turma. Resp 1.833.358/PB, Rel. Min. Og
depois, os não alimentares do mesmo ano; Fernandes, julgado em 06/04/2021 (Info 691).
(4) passa-se, então, ao ano seguinte da ordem
cronológica, repetindo-se o esquema de pagamento; Para a cessão de crédito em precatório, em regra,
e assim sucessivamente. não há obrigatoriedade que se realize por
STF. Plenário. RE 612707 ED, Rel. Edson Fachin, escritura pública. No ordenamento jurídico pátrio,
Relator p/ Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em vigora o princípio da liberdade de forma (art. 107 do
24/02/2021 (Repercussão Geral - Tema 521). CC). Assim, a não ser que a lei expressamente exija
forma especial, a regra é no sentido de que a
O art. 2º da Lei nº 13.463/2017 previu que “ficam declaração de vontade não depende de forma
cancelados os precatórios e as RPV federais especial. No caso da cessão de crédito, o art. 288 do
expedidos e cujos valores não tenham sido Código Civil afirma que:
levantados pelo credor e estejam depositados há • em regra, não se trata de contrato solene.
mais de dois anos em instituição financeira oficial.” • no entanto, para valer perante terceiros, é
O credor poderá requerer a expedição de novo necessário que seja celebrada por instrumento
precatório ou nova RPV, na forma do art. 3º da Lei: público ou por instrumento particular inscrito no
“cancelado o precatório ou a RPV, poderá ser Registro Público.
expedido novo ofício requisitório, a requerimento do STJ. 1ª Turma. RMS 67.005-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina,
credor.” julgado em 16/11/2021 (Info 720)

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DA ORDEM DOS PROCESSOS NO TRIBUNAL inversão do resultado inicial”. Desse modo, foram
convocados os Desembargadores “D” e “E”. Ocorre
TÉCNICA DE AMPLIAÇÃO DO COLEGIADO que somente o Desembargador “D” compareceu. O
Desembargador “E” não pode ir nesta sessão. O
A técnica de julgamento ampliado do art. 942 do CPC
Desembargador “D” proferiu logo seu voto, também
aplica-se aos aclaratórios opostos ao acórdão de
acompanhando o relator. Com isso, o placar fixou 3 x
apelação quando o voto vencido nascido apenas
1. O Presidente da Câmara Cível prolatou o resultado
nos embargos for suficiente para alterar o
argumentando que não seria necessária mais a
resultado inicial do julgamento,
participação do Desembargador “E”, já que, mesmo
independentemente do desfecho não unânime
se ele votar acompanhando a divergência, não
dos declaratórios (se rejeitados ou se acolhidos,
haverá a possibilidade de inversão do resultado
com ou sem efeito modificativo).
inicial. O máximo que o placar poderá atingir será 3 x
STJ. 3ª Turma. REsp 1.786.158-PR, Rel. Min. Nancy
2. Dessa feita, foi dispensada a participação do
Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze,
quinto julgador. A providência adotada pelo TJ não foi
julgado em 25/08/2020 (Info 678).
correta. A técnica do art. 942 do CPC não pode ser
Deve ser aplicada a técnica de julgamento reduzida a uma mera busca pela maioria de
ampliado nos embargos de declaração toda vez votos, como fez o TJ. Ao adotar tal postura, a Corte
que o voto divergente possua aptidão para alterar estadual descumpriu a proposta de ampliação dos
o resultado unânime do acórdão de apelação. debates em sua inteireza e tornou ineficaz o disposto
STJ. 4ª Turma. REsp 1.910.317-PE, Rel. Min. Antônio no § 2º do art. 942 do CPC/2015, que autorizou
Carlos Ferreira, julgado em 02/03/2021 (Info 687) expressamente que “os julgadores que já tiverem
votado poderão rever seus votos por ocasião do
A técnica de ampliação do colegiado, prevista no art. prosseguimento do julgamento”. Em outras palavras,
942 do CPC/2015, aplica-se também ao julgamento o Desembargador “E”, se votasse contra o relator,
de apelação interposta contra sentença proferida poderia trazer argumentos jurídicos que
em mandado de segurança. convenceriam os demais Desembargadores a
STJ. 2ª Turma. REsp 1.868.072-RS, Rel. Min. Francisco acompanhá-lo, havendo chance potencial de
Falcão, julgado em 04/05/2021 (Info 695) alteração do resultado. Assim, não é possível
presumir que o quinto julgador não teria nenhuma
Constitui ofensa ao art. 942 do CPC a dispensa do influência sobre o resultado final do acórdão. Essa
quinto julgador, integrante necessário do quórum conclusão precipitada é equivocada e contraria
ampliado, sob o argumento de que já teria sido frontalmente a proposta da técnica ampliada. STJ. 3ª
atingida a maioria sem possibilidade de inversão Turma. REsp 1.890.473-MS, Rel. Min. Ricardo Villas
do resultado. Exemplo hipotético: a Câmara Cível do Bôas Cueva, julgado em 17/08/2021 (Info 705).
Tribunal de Justiça, composta por 3
Desembargadores, estava julgando uma apelação. O Somente se admite a técnica do julgamento
Desembargador “A”, relator, proferiu voto negando ampliado, em agravo de instrumento, quando
provimento à apelação. O Desembargador “B” houver o provimento do recurso por maioria de
acompanhou o relator. O Desembargador “C” votos e desde que a decisão agravada tenha
divergiu do relator.Assim, o placar estava 2x1. Diante julgado parcialmente o mérito. Caso hipotético: a
disso, foi designada uma nova sessão para aplicação empresa “D” ingressou com execução de título
do art. 942 do CPC. Segundo a redação do art. 942 do extrajudicial contra a empresa “U”. A executada
CPC, deveriam ser convocados 2 novos apresentou exceção de pré-executividade arguindo a
Desembargadores para votar. Isso porque o ilegitimidade ativa da exequente. O juiz indeferiu a
dispositivo fala que outros julgadores serão “em exceção de pré-executividade. A devedora interpôs
número suficiente para garantir a possibilidade de agravo de instrumento. O recurso foi distribuído para

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a 1ª Câmara Cível, composta por três


AÇÃO RESCISÓRIA
Desembargadores (Regina, Maria e Ricardo). Regina,
a relatora, votou por negar provimento ao agravo. Em relação a ações rescisórias ajuizadas com base no
Maria acompanhou a relatora. Ricardo, contudo, art. 485, V, do CPC/1973 (art. 966, V, do CPC/2015), o
votou por dar provimento ao agravo. Diante disso, o recurso especial poderá ultrapassar os pressupostos
Desembargador Presidente da Câmara Cível da ação e chegar ao exame do seu mérito. O recurso
entendeu que deveria aplicar a técnica do julgamento especial interposto contra acórdão em ação
colegiado (art. 942 do CPC) e assim convocou dois rescisória pode atacar diretamente os
Desembargadores (João e Pedro) para também fundamentos do acórdão rescindendo, não
votarem. João e Pedro acompanharam o voto de precisando limitar-se aos pressupostos de
Ricardo e, desse modo, foi dado provimento ao admissibilidade da rescisória. Se o recorrente está
agravo. O STJ entendeu que não deveria ter sido alegando que houve violação à literal disposição de
aplicado o art. 942 do CPC. Esse dispositivo, ao tratar lei (violação à norma jurídica), com base no art. 485,
sobre a técnica ampliada de julgamento envolvendo V, do CPC/1973 (art. 966, V, do CPC/2015), o mérito
o agravo de instrumento, afirma que é necessário do recurso especial se confunde com os próprios
que, no julgamento inicial do agravo, tenha havido a fundamentos para a propositura da ação rescisória,
reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito autorizando o STJ a examinar também o acórdão
da causa. Assim, no que tange ao agravo, só se aplica rescindendo. Art. 485. A sentença de mérito,
o art. 942 do CPC, se a maioria do Tribunal estiver transitada em julgado, pode ser rescindida quando: V
reformando a decisão interlocutória e desde que esta - violar literal disposição de lei; Art. 966. A decisão de
verse sobre o mérito da causa. No caso concreto, a mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida
Câmara Cível estava votando para negar provimento quando: V - violar manifestamente norma jurídica;
ao agravo e a decisão agravada não tratava sobre o STJ. Corte Especial. EREsp 1.434.604-PR, Rel. Min. Raul
mérito da causa. Logo, não foi correto suspender o Araújo, julgado em 18/08/2021 (Info 705).
julgamento e aplicar a técnica do art. 942 do CPC. STJ.
3ª Turma. REsp 1.960.580-MT, Rel. Min. Moura Em regra, a contagem do prazo bienal da ação
Ribeiro, julgado em 05/10/2021 (Info 713) rescisória somente se inicia com o trânsito em
julgado da última decisão proferida no processo,
ainda que só se esteja discutindo a
IRDR
inadmissibilidade de um recurso. O termo inicial do
Interposto Recurso Especial ou Recurso prazo para ajuizamento da ação rescisória, quando
Extraordinário contra o acórdão que julgou há insurgência recursal da parte contra a inadmissão
Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas - de seu recurso, dá-se da última decisão a respeito da
IRDR, a suspensão dos processos realizada pelo controvérsia, salvo comprovada má-fé. STJ. 3ª Turma.
relator ao admitir o incidente só cessará com o REsp 1.887.912-GO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgamento dos referidos recursos, não sendo julgado em 21/09/2021 (Info 711).
necessário, entretanto, aguardar o trânsito em
julgado.
RECLAMAÇÃO
O art. 982, § 5º, do CPC afirma que a suspensão dos
processos pendentes, no âmbito do IRDR, só irá A Reclamação com base na alegação de
cessar se não for interposto recurso especial ou descumprimento de decisão proferida pelo STJ em
recurso extraordinário contra a decisão proferida no caso concreto independe, para sua
incidente. Assim, se for interposto algum desses admissibilidade, da publicação do acórdão
recursos, a suspensão persiste. impugnado ou do juízo de retratação previsto no
STJ. 2ª Turma. REsp 1.869.867/SC, Rel. Min. Og art. 1.030, II, do CPC. Situação adaptada: o STJ, ao
Fernandes, julgado em 20/04/2021 (Info 693). julgar o recurso especial interposto pela autora em

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um caso concreto, reconheceu o nexo causal entre a agravo interno contra a decisão do Presidente do STJ.
conduta da ré e dano e determinou que o processo A 2ª Turma do STJ negou provimento ao agravo. Em
retornasse ao TJ para julgar a ação de indenização 11/06/2021, a Fazenda Nacional opôs embargos de
com base nessa premissa. OTJ, contudo, voltou a declaração alegando que houve um fato
dizer que não havia nexo de causalidade. Cabe superveniente. Isso porque o STF, no dia 13/05/2021,
reclamação contra essa decisão, sem que seja modulou os efeitos da decisão proferida no RE
necessário interpor outro recurso especial, sem 574706 ED/PR. Logo, para a Fazenda Pública, o STJ
necessidade de garantir a possibilidade de juízo de deveria rever sua decisão e aplicar a modulação dos
retratação por parte do TJ e mesmo antes do acórdão efeitos. O STJ não concordou. Não é possível aplicar a
do TJ ser publicado. STJ. 1ª Seção. Rcl 41.894-SP, Rel. modulação dos efeitos porque o recurso especial não
Min. Herman Benjamin, julgado em 24/11/2021 (Info havia sido conhecido. STJ. 2ª Turma. EDcl no AgInt no
720) AREsp 1.821.102-SC, Rel. Min. Assusete Magalhães,
julgado em 05/10/2021 (Info 714).

DOS RECURSOS Via de regra, é possível a desistência do recurso a


qualquer tempo, ainda que já iniciado o julgamento e
ASPECTOS GERAIS com pedido de vista, salvo os casos em que são
identificadas razões de interesse público na
Para a adequação de determinado julgado, após a
uniformização da jurisprudência ou em que se
modulação dos efeitos de decisão pelo STF, é
evidencia a má-fé processual em não ver fixada
necessário que o recurso tenha sido conhecido e
jurisprudência contrária aos interesses do recorrente
que haja relação entre o objeto recursal e o fato
quando o julgamento já está em estado avançado.
superveniente.
STJ. 2ª Turma. REsp 1555363/SP,, Rel. Min. Humberto
Caso concreto: em janeiro de 2018, uma empresa
Martins, julgado em 03/05/2016.
ajuizou ação pedindo para excluir o ICMS da base de
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 1732374/RJ, Rel. Min.
cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Em abril
Gurgel de Faria, julgado em 28/06/2021.
de 2018, o juiz prolatou sentença julgando
Para o STF, é impossível a homologação do pedido de
procedente o pedido da contribuinte, aplicando a
desistência formulado quando já iniciado o
decisão do STF no RE 574706/PR. Em fevereiro de
julgamento do recurso, bem como nas hipóteses em
2020, o TRF manteve a sentença. Em março de 2020,
que se identificasse a intenção do
a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração
impetrante/desistente de afastar jurisprudência
dizendo que o TRF deveria sobrestar o processo
pacífica da Corte para a solução do caso concreto.
porque a União havia pedido ao STF a modulação dos
STF; ARE-AgR-ED 1.237.672; PB; Tribunal Pleno; Rel.
efeitos da decisão proferida no RE 574706/PR e o
Min. Presidente; Julg. 04/05/2020; DJE 26/05/2020;
Supremo ainda não havia apreciado esse pedido.
Pág. 43
Logo, era mais recomendável esperar. Em junho de
2020, o TRF rejeitou os embargos e a Fazenda
Nacional interpôs recurso especial. O Vice-Presidente
do TRF negou seguimento ao recurso especial sob o TEMPESTIVIDADE
argumento de que o Tribunal decidiu a controvérsia A mera remissão a link de site do Tribunal de
sob enfoque eminentemente constitucional. Assim, o origem nas razões recursais é insuficiente para
Vice-Presidente do TRF entendeu que seria inviável a comprovar a tempestividade de recurso.
análise da questão, em sede de Recurso Especial, sob O § 6º do art. 1.003 do CPC/2015 prevê que a
pena de usurpação da competência do STF. A comprovação do feriado local deverá ser feita,
Fazenda Pública interpôs, então, agravo em recurso pelo recorrente, obrigatoriamente, no ato de
especial. Em 17/03/2021, o Presidente do STJ negou interposição do recurso. A simples menção, no bojo
provimento ao agravo. A Fazenda Pública interpôs

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das razões recursais, da ocorrência do feriado local STJ. 2ª Seção. REsp 1.717.213-MT, Rel. Min. Nancy
com a remissão ao endereço eletrônico (link) do Andrighi, julgado em 03/12/2020 (Recurso Repetitivo
Tribunal de origem não é meio idôneo para – Tema 1022) (Info 684).
comprovação da suspensão do prazo processual, a A Lei nº 14.112/2020 incluiu o § 1º ao art. 189 da Lei
teor do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. STJ. 2ª Turma. nº 11.101/2005 acolhendo o entendimento
AgInt nos EDCL no REsp 1.893.371-RJ, Rel. Min. Mauro jurisprudencial e prevendo expressamente o
Campbell Marques, julgado em 26/10/2021 (Info 715). cabimento do agravo de instrumento:
Art. 189. Aplica-se, no que couber, aos
A oposição tempestiva de embargos de procedimentos previstos nesta Lei, o disposto na Lei
declaração por uma das partes não interrompe o nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de
prazo para que a outra parte igualmente oponha Processo Civil), desde que não seja incompatível com
embargos ao mesmo julgado. os princípios desta Lei.
STJ. 2ª Seção. EDcl nos EDcl no REsp 1829862/SP, Rel. § 1º Para os fins do disposto nesta Lei: (...)
Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 09/06/2021. II - as decisões proferidas nos processos a que se
refere esta Lei serão passíveis de agravo de
AGRAVO DE INSTRUMENTO instrumento, exceto nas hipóteses em que esta Lei
previr de forma diversa.
Não é admissível, nem excepcionalmente, a
impetração de mandado de segurança para É dever da parte, constatada a ilegibilidade do
impugnar decisões interlocutórias após a carimbo de protocolo, providenciar certidão da
publicação do acórdão em que se fixou a tese secretaria de protocolo do Tribunal de origem para
referente ao tema repetitivo 988, segundo a qual possibilitar a verificação da tempestividade recursal.
“o rol do art. 1.015 do CPC é de taxatividade STJ. 3ª Turma. EDcl no AgInt no REsp 1880778/PR, Rel.
mitigada, por isso admite a interposição de Ministra Nancy Andrighi, julgado em 28/09/2021. STJ.
agravo de instrumento quando verificada a 4ª Turma. AgInt nos EDcl no AREsp 1837139/SP, Rel.
urgência decorrente da inutilidade do julgamento Ministro Luis Felipe Salomão, julgado em 20/09/2021.
da questão no recurso de apelação”.
Caso concreto: juiz indeferiu pedido de designação É cabível agravo de instrumento para impugnar
da audiência de conciliação prevista no art. 334 do decisão que define a competência. O art. 1.015 do
CPC, ao fundamento de “dificuldade de pauta”. Essa CPC/2015 prevê as hipóteses de cabimento do agravo
decisão foi proferida em 07/02/2019, ou seja, após a de instrumento. Segundo decidiu o STJ (Tema
publicação do acórdão do STJ que definiu a tese da repetitivo 988), o art. 1.015 do CPC/2015 traz um rol
taxatividade mitigada (Tema 998 - REsp 1.704.520-MT de taxatividade mitigada.
- DJe 19/12/2018). Logo, neste caso, essa decisão O que isso significa?
interlocutória somente seria impugnável por agravo • Em regra, somente cabe agravo de instrumento nas
de instrumento, não cabendo, portanto, mandado de hipóteses listadas no art. 1.015 do CPC/2015.
segurança. • Excepcionalmente, é possível a interposição de
STJ. 3ª Turma. RMS 63.202-MG, Rel. Min. Marco agravo de instrumento fora da lista do art. 1.015,
Aurélio Bellizze, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, desde que preenchido um requisito objetivo: a
julgado em 01/12/2020 (Info 684). urgência.

Cabe agravo de instrumento de todas as decisões A decisão que define a competência é considerada
interlocutórias proferidas no processo de uma situação urgente? SIM. Não é razoável que o
recuperação judicial e no processo de falência, por processo tramite perante um juízo incompetente por
força do art. 1.015, parágrafo único, do CPC/2015. um longo período e, somente por ocasião do
julgamento da apelação, seja reconhecida a

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incompetência e determinado o retorno ao juízo superveniente do objeto de agravo de instrumento


competente. STJ. Corte Especial. EREsp 1.730.436-SP, que versa sobre a consumação da prescrição. STJ. 3ª
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 18/08/2021 (Info Turma. REsp 1.921.166-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi,
705). julgado em 05/10/2021 (Info 713)

O prazo para a Fazenda Pública interpor agravo Não cabe agravo de instrumento contra decisão
interno em Suspensão de Liminar é de 15 dias (e não interlocutória que verse sobre instrução
de 5 dias) e deve ser contado em dobro. probatória; também não cabe mandado de
STJ. Corte Especial. SLS nº 2572/DF, julgado em segurança; essa decisão deverá ser impugnada por
15/12/2021 ocasião da apelação.
STJ. Corte Especial. AgRg no AgRg na SLS 1.955/DF, As decisões interlocutórias sobre a instrução
Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18/03/2015; probatória não são impugnáveis por agravo de
instrumento ou pela via mandamental, sendo cabível
Por outro lado, o pensamento do STF é que não se a sua impugnação diferida pela via da apelação. STJ.
aplica o prazo em dobro: 2ª Turma. RMS 65.943-SP, Rel. Min. Mauro Campbell
STF; SL-AgR-AgR 586; Tribunal Pleno; Rel. Min. Marques, julgado em 26/10/2021 (Info 715)
Presidente; DJE 25/08/2017;
STF; SS-AgR 4.390; Tribunal Pleno; Rel. Min.
AGRAVO INTERNO
Presidente; DJE 27/02/2018.
É possível que o recorrente, no agravo interno,
Cabe agravo de instrumento contra a decisão que decida impugnar um capítulo autônomo da
rejeita pedido das partes para homologar acordo, decisão monocrática do Relator, mas resolva não
determinando o prosseguimento do feito. A impugnar o outro.
decisão que deixa de homologar pedido de extinção A falta de impugnação, no agravo interno, de capítulo
consensual da lide retrata decisão interlocutória de autônomo e/ou independente da decisão
mérito a admitir recorribilidade por agravo de monocrática que aprecia o recurso especial ou
instrumento, interposto com fulcro no art. 1.015, II, agravo em recurso especial apenas conduz à
do CPC/2015. STJ. 1ª Turma. REsp 1.817.205-SC, Rel. preclusão da matéria não impugnada, afastando a
Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/10/2021 (Info incidência da Súmula 182/STJ. Assim, é possível que o
712). recorrente, no agravo interno, decida impugnar um
capítulo autônomo da decisão monocrática do
A prolação de sentença objeto de recurso de Relator, mas resolva não impugnar o outro. A única
apelação não acarreta a perda superveniente do consequência, nesse caso, é que o capítulo
objeto de agravo de instrumento pendente de independente não impugnado sofrerá os efeitos
julgamento que versa sobre a consumação da da preclusão para o recorrente. No entanto, não se
prescrição. Exemplo hipotético: João ajuizou ação de pode falar que o agravo interno não deverá ser
cobrança contra Pedro. Na contestação Pedro alegou conhecido. STJ. Corte Especial. EREsp 1.424.404-SP,
que a pretensão estaria prescrita. Logo, pediu a Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/10/2021
extinção do processo com resolução do mérito, nos (Info 715)
termos do art. 487, II, do CPC. O juiz, contudo, não
concordou e proferiu decisão interlocutória
rejeitando a arguição de prescrição. Contra essa APELAÇÃO

decisão, Pedro interpôs agravo de instrumento, A extensão do efeito devolutivo da apelação é


insistindo no argumento de que teria havido a definida pelo pedido do recorrente e qualquer
consumação da prescrição. Antes que o agravo de julgamento fora desse limite não pode
instrumento fosse julgado, houve a prolação de comprometer a efetividade do contraditório,
sentença. Mesmo assim, não haverá perda

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ainda que se pretenda aplicar a teoria da causa Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/12/2020 (Info
madura. 1003).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.909.451-SP, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 23/03/2021 (Info 690).
RECURSO ESPECIAL

Os tribunais podem, diante do recurso de Não é possível o reconhecimento do


apelação, aplicar a técnica do julgamento prequestionamento implícito baseado em mera
antecipado parcial do mérito recomendação internacional, que nem sequer se
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito enquadra no conceito de “lei federal” para fins de
quando um ou mais dos pedidos formulados ou interposição de recurso especial.
parcela deles: Caso concreto: a argumentação deduzida no recurso
I - mostrar-se incontroverso; especial foi unicamente baseada em dispositivos da
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos Convenção Modelo da Organização de Cooperação e
termos do art. 355. Desenvolvimento Econômico (OCDE), que não tem
Situação hipotética: João foi vítima de um acidente de força normativa em nosso país, sendo uma espécie
carro. Ele ajuizou ação de indenização por danos de recomendação, um instrumento de soft law.
morais e materiais contra a empresa causadora. O STJ. 2ª Turma. REsp 1.821.336-SP, Rel. Min. Herman
juiz condenou a ré a pagar R$ 50 mil de indenização Benjamin, julgado em 04/02/2020 (Info 684).
por danos morais. Por outro lado, negou o pedido
para que a empresa pagasse pensão mensal vitalícia As teses repetitivas do STJ do período anterior à
ao autor em razão da perda da capacidade Emenda Regimental nº 26/2016 do RISTJ possuem
laborativa. O pedido foi indeferido mesmo sem ter natureza administrativa de caráter meramente
sido realizada perícia médica. Tanto João como a indexador, encontrando-se o precedente vinculante
empresa interpuseram apelação. no conteúdo efetivo dos julgados.
O Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso: a) manteve STJ. 1ª Seção. Pet 12.344-DF, Rel. Min. Og Fernandes,
a condenação por danos morais; b) quanto ao pedido julgado em 28/10/2020 (Info 684).
de fixação de pensão por redução da capacidade
A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso
laborativa, o TJ entendeu que as provas produzidas
extraordinário, tem o ônus de explicar e comprovar
eram insuficientes e afirmou ser necessária a
que, na instância de origem, era feriado local ou dia
produção de perícia. Em razão disso, com
sem expediente forense?
fundamento no art. 356 do CPC/2015, o TJ apenas
SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe
anulou a sentença nesse tópico, determinando o
expressamente um dispositivo dizendo que a
retorno dos autos à origem para a complementação
comprovação do feriado local deverá ser feita,
da prova. O STJ afirmou que isso era possível.
obrigatoriamente, no ato de interposição do
STJ. 3ª Turma. REsp 1.845.542/PR, Rel. Min. Nancy
recurso: “O recorrente comprovará a ocorrência de
Andrighi, julgado em 11/05/2021 (Info 696).
feriado local no ato de interposição do recurso.”
Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local
REPERCUSSÃO GERAL deve ser feita no ato da interposição do recurso,
Não há repercussão geral na controvérsia em que sendo intempestivo quando interposto fora do prazo
se questiona a validade de regulamento editado por previsto na lei processual civil.
órgão do Judiciário estadual que, com base na lei de
organização judiciária local, preceitua a convolação Esse entendimento acima explicado está sujeito a
de ação individual em incidente de liquidação no bojo alguma modulação de efeitos?
da execução de sentença coletiva proferida em Juízo Em regra: não. Depois da entrada em vigor do
diverso do inicial. STF. Plenário. RE 1040229/RS, Rel. CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado
local deve ser feita no ato da interposição do recurso,

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sendo intempestivo quando interposto fora do prazo JUIZADOS ESPECIAIS


previsto na lei processual civil. Esse entendimento
está em vigor desde o início da vigência do CPC/2015
Os Juizados Especiais da Fazenda Pública não têm
e não se submete a modulação de efeitos.
competência para o julgamento de ações
Exceção: no caso do feriado de segunda-feira de
decorrentes de acidente de trabalho em que o
carnaval, há uma modulação dos efeitos.
INSS figure como parte.
Segunda-feira de carnaval não é um feriado nacional.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.866.015/SP, Rel. Min. Herman
No entanto, em diversos Estados, trata-se de feriado
Benjamin, julgado em 10/03/2021 (Recurso Repetitivo
local.
– Tema 1053) (Info 688).
• Se o recurso especial foi interposto antes de
18/11/2019 (data de publicação do REsp Não cabe reclamação contra decisão que defere ou
1.813.684-SP) e a parte não comprovou que indefere o sobrestamento do feito em razão de ter
segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal sido admitido pelo STJ pedido de uniformização ou
de origem: é possível a abertura de vista para que a recurso especial repetitivo. É incabível o
parte comprove isso mesmo após a interposição do ajuizamento de reclamação contra decisão que
recurso, sanando o vício. defere ou indefere o sobrestamento do feito em
• Se o recurso especial foi interposto depois de razão de processamento de pedido de
18/11/2019 (data de publicação do REsp uniformização ou recurso especial repetitivo. STJ.
1.813.684-SP) e a parte não comprovou que 1ª Seção. Rcl 31.193-SC, Rel. Min. Regina Helena
segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal Costa, julgado em 16/09/2021 (Info 710).
de origem: não é possível a abertura de vista para
que a parte comprove esse feriado, ou seja, o vício
não pode mais ser sanado. Portanto, a regra aplicável TEMAS DIVERSOS
é aquela fixada pela Corte Especial no AgInt no AREsp
957.821/MS: “ou se comprova o feriado local no
Há legitimidade do Ministério Público Federal para
ato da interposição do respectivo recurso, ou se
propor Ação Civil Pública em defesa de direitos
considera intempestivo o recurso, operando-se,
individuais disponíveis de candidatos específicos em
em consequência, a coisa julgada”.
exame da OAB, dado o relevante interesse social, na
STJ. Corte Especial. AREsp 1.481.810-SP, Rel. Min. Luis
medida em que busca a proteção das garantias
Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, Corte
constitucionais da publicidade e acesso à informação
Especial, julgado em 19/05/2021 (Info 697).
(CF, art. 5º, XIV e XXXIII), da ampla defesa (CF, art. 5º,
É possível comprovar, no agravo interno, a LV), da isonomia (CF, art. 5º, caput) e do direito
tempestividade do recurso especial caso este não fundamental ao trabalho (CF, art. 6º).
tenha sido conhecido porque o carimbo de
protocolo estava ilegível. É lícita a comprovação, No caso, atua o Ministério Público na defesa de típico
em agravo interno, da tempestividade do recurso direito individual homogêneo, por meio da ação civil
especial na hipótese de ilegibilidade do carimbo de pública, em contraposição à técnica tradicional de
protocolo. STJ. 3ª Turma. EDcl no AgInt no REsp solução atomizada, a qual se justifica para I) evitar as
1.880.778-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em inumeráveis demandas judiciais (economia
28/09/2021 (Info 712). processual), que sobrecarregam o Judiciário, e
decisões incongruentes sobre idênticas questões
jurídicas, mas sobretudo para II) buscar a proteção
do acesso à informação, interesse social relevante,
cuja disciplina mereceu atenção inclusive em
diplomas normativos próprios - Lei 12.527/2011 e

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Decreto 7.724/2012. é passível de cumprimento provisório, devendo ser


depositada em juízo, permitido o levantamento do
Ademais, a jurisprudência do STJ vem valor após o trânsito em julgado da sentença
sedimentando-se em favor da legitimidade do MP favorável à parte.
para promover Ação Civil Pública visando à defesa de Desse modo, à luz do CPC/2015, não se aplica a tese
direitos individuais homogêneos, ainda que firmada no julgamento do REsp 1.200.856/RS,
disponíveis e divisíveis, quando há relevância social considerando que o novo CPC inovou na matéria,
objetiva do bem jurídico tutelado (a dignidade da permitindo a execução provisória da multa
pessoa humana, a qualidade ambiental, a saúde, a cominatória mesmo antes da prolação de sentença
educação, para citar alguns exemplos) ou diante da de mérito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.958.679-GO, Rel.
massificação do conflito em si considerado. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/11/2021 (Info
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1701853/RJ, Rel. Min. 719).
Herman Benjamin, julgado em 15/03/2021.

MANDADO DE SEGURANÇA
ASTREINTES
Não cabe mandado de segurança contra atos de
O valor das astreintes é estabelecido sob a gestão comercial praticados por administradores de
cláusula rebus sic stantibus, de maneira que, empresas públicas, sociedades de economia mista e
quando se tornar irrisório ou exorbitante ou concessionárias de serviço público. É constitucional o
desnecessário, pode ser modificado ou até art. 1º, § 2º da Lei nº 12.016/2019.
mesmo revogado pelo magistrado, a qualquer O juiz tem a faculdade de exigir caução, fiança ou
tempo, até mesmo de ofício, ainda que o feito esteja depósito para o deferimento de medida liminar em
em fase de execução ou cumprimento de sentença, mandado de segurança, quando verificada a real
não havendo falar em preclusão ou ofensa à coisa necessidade da garantia em juízo, de acordo com as
julgada. circunstâncias do caso concreto. É constitucional o
STJ. Corte Especial. EAREsp 650.536/RJ, Rel. Min. Raul art. 7º, III, da Lei nº 12.016/2019.
Araújo, julgado em 07/04/2021 (Info 691) É inconstitucional ato normativo que vede ou
condicione a concessão de medida liminar na via
Para se iniciar a execução provisória da multa mandamental. É inconstitucional o art. 7º, § 2º da
cominatória não é mais necessário aguardar a Lei nº 12.016/2009.
prolação da sentença, no entanto, o É constitucional o art. 23 da Lei nº 12.016/2009, que
levantamento só é possível com o trânsito em fixa o prazo decadencial de 120 dias para a
julgado. impetração de mandado de segurança.
É constitucional o art. 25 da Lei nº 12.016/2009,
É possível a execução provisória da multa cominatória que prevê que não cabe, no processo de mandado
fixada em tutela provisória de urgência? de segurança, a condenação em honorários
CPC/1973: a multa cominatória fixada em advocatícios. STF. Plenário. ADI 4296/DF, Rel. Min.
antecipação de tutela somente podia ser objeto de Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de
execução provisória Moraes julgado em 9/6/2021 (Info 1021).
• após a sua confirmação pela sentença de mérito e;
• desde que o recurso eventualmente interposto não Em regra, não cabe pedido de suspensão de
fosse recebido com efeito suspensivo. segurança à Presidência do STF em face de
STJ REsp 1.200.856-RS, Rel. Min. Sidnei Beneti, j. decisão proferida por ministros do STF,
1º/7/2014 (Tema 743). notadamente quando ausente qualquer
teratologia na decisão impugnada.
CPC/2015: Art. 537 (...) § 3º A decisão que fixa a multa

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STF. Tribunal Pleno, SL 1424 AgRg, Min. Luiz Fux que se pretende seja exibido, apurada em
(Presidente), julgado em 15/09/2021. contraditório prévio, poderá o juiz, após tentativa
de busca e apreensão ou outra medida coercitiva,
Partido político não possui legitimidade para determinar sua exibição sob pena de multa com
postular pedido de suspensão de segurança, já base no art. 400, parágrafo único, do CPC/2015. STJ.
que se trata de pessoa jurídica de direito privado, 2ª Seção. REsp 1.777.553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
com base na vedação legal disposta no art. 15 da Sanseverino, julgado em 26/05/2021 (Recurso
Lei 12.016/2009. Repetitivo – Tema 1000) (Info 703).
STF. Tribunal Pleno, SL 1424 AgRg, Min. Luiz Fux
(Presidente), julgado em 15/09/2021.

A anulação dos atos administrativos e da licitação Material extraído dos informativos (versão resumida),
não constitui, por si só, demonstrativo de ofensa disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
a interesse público, ainda mais quando a https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
municipalidade noticia a adoção de providências partes mais importantes pela equipe da Legislação
para o serviço público. Destacada.
Assim, há ausência de demonstração de que a
anulação da licitação e a retomada do objeto da
concessão pelo município resultam em risco de
dano grave, de difícil ou impossível reparação,
elementos necessários à concessão da suspensão
de liminar.
STJ. Corte Especial. AgInt nos EDcl na SLS 2.814/SP,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 22/06/2021.

O STJ reconhece a legitimidade ativa das pessoas


jurídicas de direito privado prestadoras de serviço
público (empresas públicas, sociedades de
economia mista, concessionárias e
permissionárias de serviço público) para a
propositura de pedido de suspensão, quando na
defesa do interesse público primário.
Frise-se que a lesão ao bem jurídico deve ser grave e
iminente, devendo o requerente demonstrar, de
modo cabal e preciso, tal aspecto da medida
impugnada.
STJ. Corte Especial. AgInt nos EDcl na SLS 2.814/SP,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 22/06/2021.

EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

É possível que o juiz imponha, sob pena de multa,


que a parte exiba um documento que supostamente
está em seu poder e que foi requerido pela parte
contrária?
Desde que prováveis a existência da relação
jurídica entre as partes e de documento ou coisa

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GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

PENAL - PARTE GERAL novamente condenado por furto simples. Não terá
direito à substituição porque a reincidência se

STF até Info 1041 e STJ até Info 721 operou em virtude da prática do mesmo crime.
• se o condenado tiver praticado um novo crime
doloso da mesma espécie (mas que não seja
REINCIDÊNCIA 1 idêntico): pode ter direito à substituição. Ex: Pedro
foi condenado por furto simples (art. 155, caput).
DAS PENAS 1
Depois, foi novamente condenado, mas agora por
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO 1
furto qualificado (art. 155, § 4º). Em tese, o juiz
PENA DE MULTA 1
poderia conceder a substituição porque o furto
DOSIMETRIA DA PENA 2 simples e o furto qualificado são crimes da “mesma
DETRAÇÃO 3 espécie”, mas não são o “mesmo crime”. STJ. 3ª
Seção. AREsp 1.716.664-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 25/08/2021 (Info 706)

REINCIDÊNCIA
DAS PENAS

A reincidência específica tratada no art. 44, § 3º, do


PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO
Código Penal somente se aplica quando forem
idênticos, e não apenas de mesma espécie, os Se a prestação pecuniária prevista no art. 45, § 1º do
crimes praticados. CP for paga à vítima (o que é a prioridade), esse
REGRA: o condenado que for reincidente em crime valor deverá ser abatido da quantia fixada como
doloso, não fará jus à pena restritiva de direitos (art. reparação dos danos (art. 387, IV, do CPP).
44, II, do CP). A partir de uma interpretação teleológica, pode-se
EXCEÇÃO: o juiz poderá conceder a pena restritiva de concluir que o art. 45, § 1º, do CP previu uma ordem
direitos ao condenado, mesmo ele sendo reincidente, sucessiva de preferência entre os beneficiários
desde que cumpridos dois requisitos previstos no § elencados. Assim, havendo vítima determinada, o
3º do art. 44: valor fixado como prestação pecuniária deve ser a ela
a) a medida (substituição) deve se mostrar destinado. Se não houver vítima, quem recebe são
socialmente recomendável; seus dependentes ou a entidade pública ou privada.
b) a reincidência não pode ocorrer em virtude da A prestação pecuniária prevista no art. 45, §1º, do CP
prática do mesmo crime (não pode ser reincidente pode ser compensada com o montante fixado com
específico). fundamento no art. 387, IV, do CPP, ante a
Art. 44 (...) § 3º Se o condenado for reincidente, o juiz coincidência de beneficiários. STJ. 5ª Turma. REsp
poderá aplicar a substituição, desde que, em face de 1.882.059-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
condenação anterior, a medida seja socialmente 19/10/2021 (Info 714).
recomendável e a reincidência não se tenha operado
em virtude da prática do mesmo crime.
PENA DE MULTA

O que se entende por reincidente específico para os O inadimplemento da pena de multa obsta a extinção
fins do § 3º do art. 44? da punibilidade do apenado? O inadimplemento da
É o indivíduo que cometeu um novo crime doloso pena de multa impede a extinção da punibilidade
idêntico. mesmo que já tenha sido cumprida a pena privativa de
• se o condenado tiver praticado um novo crime liberdade ou a pena restritiva de direitos?
doloso idêntico: não terá direito à substituição. Ex: • Regra: SIM. Se o indivíduo for condenado a pena
João foi condenado por furto simples. Depois, foi privativa de liberdade e multa, o inadimplemento

111

1
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

da sanção pecuniária obsta (impede) o três circunstâncias judiciais desfavoráveis,


reconhecimento da extinção da punibilidade. Em aumentaria a pena-base em 3/8.
outras palavras, somente haverá a extinção da O STJ, contudo, possui jurisprudência majoritária no
punibilidade se, além do cumprimento da pena sentido de que deve ser aplicada a fração de 1/6 para
privativa de liberdade, houver o pagamento da multa. cada circunstância judicial negativa:
• Exceção: se o condenado comprovar que não
tem como pagar a multa. Se o condenado O entendimento desta Corte firmou-se no sentido de
comprovar a impossibilidade de pagar a sanção que, na falta de razão especial para afastar esse
pecuniária, neste caso, será possível a extinção da parâmetro prudencial, a exasperação da pena-base,
punibilidade mesmo sem a quitação da multa. pela existência de circunstâncias judiciais negativas,
Bastará cumprir a pena privativa de liberdade e deve obedecer à fração de 1/6 sobre o mínimo legal,
comprovar que não tem condições de pagar a multa. para cada vetorial desfavorecida.
Foi a tese fixada pelo STJ: Na hipótese de condenação STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 666815/PA, Rel. Min.
concomitante a pena privativa de liberdade e multa, Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 01/06/2021.
o inadimplemento da sanção pecuniária, pelo
condenado que comprovar impossibilidade de A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido
fazê-lo, não obsta o reconhecimento da extinção da de que a exasperação da pena-base, pela
punibilidade. STJ. 3ª Seção. REsp 1.785.383-SP e REsp existência de circunstâncias judiciais negativas,
1.785.861/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgados deve seguir o parâmetro da fração de 1/6 para
em 24/11/2021 (Recurso Repetitivo - Tema 931) (Info cada circunstância judicial negativa, fração que se
720). firmou em observância aos princípios da
razoabilidade e proporcionalidade.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 647642/SC, Rel. Min.
DOSIMETRIA DA PENA
Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/06/2021.
O deslocamento da majorante sobejante para Vale ressaltar, contudo, que não se trata de tema
outra fase da dosimetria, além de não contrariar o pacífico.
sistema trifásico, é a que melhor se coaduna com
o princípio da individualização da pena. Exemplo: Para incidência da agravante prevista no art. 61, II,
Camila foi condenada pela prática do crime de roubo “j”, do CP, basta que o crime seja praticado durante
circunstanciado com o reconhecimento de três a calamidade pública ou é necessário provar que o
causas de aumento de pena (art. 157, § 2º, II, V e VII). agente teve a intenção de valer-se da especial
O juiz pode empregar a majorante do inciso II vulnerabilidade da vítima decorrente da situação
(concurso de agentes) na terceira fase da dosimetria calamitosa?
e utilizar as outras na primeira fase como É necessário que se prove a intenção do agente de
circunstâncias judiciais negativas. STJ. 3ª Seção. HC valer-se da especial vulnerabilidade da vítima
463.434-MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, decorrente da situação calamitosa.
julgado em 25/11/2020 (Info 684). Trata-se de agravante de natureza subjetiva.
Assim, para que incida o aumento de pena, é
Qual é a fração de aumento que deve ser aplicada necessário provar que o agente se aproveitou das
pelo magistrado para cada circunstância judicial circunstâncias de fragilidade, vulnerabilidade ou
desfavorável (art. 59 do CP)? incapacidade geradas pelo estado de calamidade
O Código Penal não prevê um critério objetivo. pública decretado em virtude da pandemia da
A maioria da doutrina afirma que deveria ser aplicada Covid-19 para a prática do crime.
a fração de 1/8 para cada circunstância judicial Desse modo, não havendo nexo causal entre a
negativa. Isso porque existem oito circunstâncias situação de pandemia e a conduta do agente, deve
judiciais. Assim, se o juiz detectasse a existência de ser afastada a agravante em questão.

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2
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Material extraído dos informativos (versão resumida),


Exemplo:
disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
Não é possível aumentar a pena pelo crime de tráfico
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
de drogas em razão da situação de pandemia da
partes mais importantes pela equipe da Legislação
Covid-19. Isso porque o crime, em si, não está
Destacada.
diretamente relacionado a essa circunstância de
calamidade em questão, situação diferente de
quando um delito é praticado durante um incêndio,
naufrágio ou inundação.
STJ. 6ª Turma. HC 660.930/SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 14/09/2021.

Condenações criminais transitadas em julgado, não


consideradas para caracterizar a reincidência,
somente podem ser valoradas, na primeira fase da
dosimetria, a título de antecedentes criminais,
não se admitindo sua utilização para desabonar a
personalidade ou a conduta social do agente. STJ.
Plenário. REsp 1.794.854-DF, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 23/06/2021 (Recurso Repetitivo – Tema
1077) (Info 702)

Se o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa,


exclui circunstância judicial reconhecida na
sentença, isso deve gerar a diminuição da pena. É
imperiosa a redução proporcional da pena-base
quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo
da defesa, afastar uma circunstância judicial negativa
do art. 59 do CP reconhecida na sentença
condenatória. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.826.799-RS, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, julgado em 08/09/2021, DJe 08/10/2021
(Info 713)

DETRAÇÃO

É possível considerar o tempo submetido à


medida cautelar de recolhimento noturno, aos
finais de semana e dias não úteis, supervisionados
por monitoramento eletrônico, com o tempo de
pena efetivamente cumprido, para detração da
pena. STJ. 3ª Seção. HC 455.097/PR, Rel. Min. Laurita
Vaz, julgado em 14/04/2021 (Info 693).

113

3
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DIREITO PENAL – PARTE possibilidade de o crime ter sido praticado por


motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou
ESPECIAL indireto, não se confunde com o motivo que ensejou
a conduta. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min.
STF até Info 1041 e STJ até Info 721 Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/06/2017.

No caso de qualificadoras de MEIO (art. 121, § 2º, III


HOMICÍDIO 1
e IV, do CP):
ROUBO 2 1ª corrente: SIM. O dolo eventual no crime de
homicídio é compatível com as qualificadoras
ESTELIONATO 3 objetivas previstas no art. 121, § 2º, III e IV, do Código

CRIMES CONTRA A HONRA 3 Penal. As referidas qualificadoras serão devidas


quando constatado que o autor delas se utilizou
INJÚRIA RACIAL 4
dolosamente como meio ou como modo específico
STALKING 4
mais reprovável para agir e alcançar outro resultado,
ESTUPRO 5 mesmo sendo previsível e tendo admitido o
resultado morte. STJ. 5ª Turma. REsp 1.836.556-PR,
“CLIENTE” DA EXPLORAÇÃO SEXUAL (ART. 218-B) 5
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/06/2021
CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA 6 (Info 701).
2ª corrente: NÃO. O dolo eventual não se
EXCESSO DE EXAÇÃO 6
compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV
CORRUPÇÃO PASSIVA (ART. 317) 6 (traição, emboscada dissimulação). Para que incida a
qualificadora da surpresa é indispensável que fique
DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA (ART. 326-A) 6 provado que o agente teve a vontade de surpreender
DESCAMINHO 7 a vítima, impedindo ou dificultando que ela se
defendesse. Ora, no caso do dolo eventual, o agente
CRIMES DE LICITAÇÃO 7 não tem essa intenção, considerando que não quer
matar a vítima, mas apenas assume o risco de
SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 7
produzir esse resultado. Como o agente não deseja a
EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES 7 produção do resultado, ele não direcionou sua
vontade para causar surpresa à vítima. Logo, não
CRIME DO ART. 349-A DO CP 8
pode responder por essa circunstância (surpresa).
STF. 2ª Turma. HC 111442/RS, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677).

HOMICÍDIO A qualificadora de natureza objetiva prevista no


inciso III do § 2º do art. 121 do Código Penal não se
compatibiliza com a figura do dolo eventual, pois
É possível haver homicídio qualificado praticado enquanto a qualificadora sugere a ideia de
com dolo eventual? premeditação, em que se exige do agente um
No caso das qualificadoras do motivo FÚTIL e/ou empenho pessoal, por meio da utilização de meio
TORPE (art. 121, § 2º, I e II, do CP): SIM. Não há hábil, como forma de garantia do sucesso da
dúvidas quanto a isso. Trata-se da posição do STJ e execução, tem-se que o agente que age movido pelo
do STF. dolo eventual não atua de forma direcionada à
O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o obtenção de ofensa ao bem jurídico tutelado,
resultado morte (dolo eventual), não exclui a embora, com a sua conduta, assuma o risco de

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1
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produzi-la. STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp 1848841/MG, Separação de Poderes, por intromissão política do
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 2/2/2021 Judiciário no Legislativo.
Tese fixada pelo STF: “Em respeito ao princípio da
É do juízo criminal singular a competência para julgar separação dos poderes, previsto no art. 2º da
o crime de remoção ilegal de órgãos, praticado em Constituição Federal, quando não caracterizado o
pessoa viva e que resulte morte, previsto no art. 14, § desrespeito às normas constitucionais
4º, da Lei nº 9.434/97 (Lei de Transplantes). pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao
Caso concreto: um menino de 10 anos caiu de uma Poder Judiciário exercer o controle jurisdicional
altura de 10 metros e foi levado para o em relação à interpretação do sentido e do
pronto-socorro, onde se verificou a necessidade de alcance de normas meramente regimentais das
se realizar uma cirurgia de emergência. Durante a Casas Legislativas, por se tratar de matéria
cirurgia, com o garoto ainda vivo, os médicos ‘interna corporis’.” STF. Plenário. RE 1297884/DF,
retiraram seus dois rins com o objetivo de vendê-los Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/6/2021
no comércio ilegal de órgãos. O menino faleceu. (Repercussão Geral – Tema 1120) (Info 1021).
Diante disso, surgiu a seguinte controvérsia: os
médicos praticaram o crime de homicídio doloso Agente pretendia praticar roubo e foi surpreendido
(art. 121, § 2º, I e IV, do CP) ou o delito de remoção após romper o cadeado e destruir a fechadura da
ilegal de órgãos com resultado morte (art. 14, § 4º, porta da casa da vítima; não se pode falar em
da Lei 9.434/97)? tentativa de roubo. Adotando-se a teoria
O crime praticado foi o de remoção ilegal de órgãos objetivo-formal, o rompimento de cadeado e
com resultado morte (art. 14, § 4º, da Lei 9.434/97). destruição de fechadura da porta da casa da
Trata-se do crime do art. 14, § 4º da Lei 9.434/97 vítima, com o intuito de, mediante uso de arma
porque a finalidade era a remoção dos órgãos. O de fogo, efetuar subtração patrimonial da
bem jurídico a ser protegido, no caso, é a residência, configuram meros atos preparatórios
incolumidade pública, a ética e a moralidade no que impedem a condenação por tentativa de
contexto da doação de órgãos e tecidos, além da roubo circunstanciado. Caso adaptado: João e
preservação da integridade física das pessoas e do Pedro caminhavam nas ruas de um bairro e
respeito à memória dos mortos. decidiram praticar assalto em uma das casas. Eles
STF. Plenário. RE 1313494/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, arrombaram o cadeado e destruíram a fechadura da
julgado em 14/9/2021 (Info 1030). porta da casa, no entanto, quando iam adentrar na
residência, passou uma viatura da Polícia Militar. Os
indivíduos correram quando perceberam a presença
ROUBO
das autoridades de segurança. Os policiais
perseguiram a dupla, conseguindo prendê-los. Com

O art. 4º da Lei nº 13.654/2018, que revogou o inciso I eles, foi encontrada uma arma de fogo de uso

do § 2º do art. 157 do CP, não possui vício de permitido. Vale ressaltar, contudo, que não possuíam

inconstitucionalidade formal. Isso porque se alegou porte de arma. Não se pode falar que houve roubo

que o projeto de lei que deu origem ao diploma teria circunstanciado tentado. STJ. 5ª Turma. AREsp

violado normas do regimento interno do Senado 974.254-TO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em

Federal. Ocorre que não é possível o controle 21/09/2021 (Info 711).

jurisdicional em relação à interpretação de normas


A configuração da qualificadora prevista no art. 157, §
regimentais das Casas Legislativas, sendo vedado ao
3.º, inciso I, do Código Penal (roubo qualificado pelo
Poder Judiciário, substituindo-se ao próprio
resultado lesão corporal de natureza grave) pode ser
Legislativo, dizer qual o verdadeiro significado da
reconhecida ainda que não tenha sido confeccionado
previsão regimental, por tratar-se de assunto interna
corporis, sob pena de ostensivo desrespeito à

115

2
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

laudo pericial complementar (Exemplo: prova representação da pessoa ofendida, deve ser aplicada
testemunhal e exame de corpo de delito da vítima). de forma retroativa a abranger tanto as ações penais
Ademais, as majorantes do crime de roubo não iniciadas quanto as ações penais em curso até o
aplicam-se somente aos roubos próprios e trânsito em julgado. STF. 2ª Turma. HC 180421
impróprios. AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/6/2021
Os roubos qualificados pela lesão corporal grave (Info 1023).
(inciso I, do § 3.º do art. 157) e pelo resultado morte –
latrocínio (inciso seguinte) constituem tipos derivados O novo § 4º do art. 70 do CPP, que trata sobre a
do roubo simples (próprio ou impróprio), com competência par julgar o crime de estelionato,
cominações particulares de penas mínimas e aplica-se imediatamente aos inquéritos policiais
máximas (7 a 18 anos mais multa e 20 a 30 anos mais que estavam em curso quando entrou em vigor a
multa, respectivamente). Lei nº 14.155/2021. Nos crimes de estelionato,
Por isso, o Código Penal dispôs esses tipos derivados quando praticados mediante depósito, por emissão
do tipo básico no § 3.º do art. 157, após as de cheques sem suficiente provisão de fundos em
majorantes (causas especiais de aumento), previstas poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou
no § 2.º do referido artigo. por meio da transferência de valores, a competência
Assim, não há, no Código Penal, a previsão do que será definida pelo local do domicílio da vítima, em
seria o "roubo qualificado circunstanciado". razão da superveniência de Lei nº 14.155/2021, ainda
STJ. 6ª Turma. HC 554.155/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, que os fatos tenham sido anteriores à nova lei. Veja o
julgado em 16/03/2021. § 4º do art. 70 que foi inserido no CPP pela Lei nº
14.155/2021: Art. 70. (...) § 4º Nos crimes previstos no
art. 171 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro
ESTELIONATO de 1940 (Código Penal), quando praticados mediante
depósito, mediante emissão de cheques sem
suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou
A exigência de representação da vítima no crime de
com o pagamento frustrado ou mediante
estelionato NÃO RETROAGE aos processos cuja
transferência de valores, a competência será definida
denúncia já foi oferecida. STJ. 3ª Seção. HC
pelo local do domicílio da vítima, e, em caso de
610.201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
pluralidade de vítimas, a competência firmar-se-á
24/03/2021 (Info 691)
pela prevenção. STJ. 3ª Seção. CC 180.832-RJ, Rel. Min.

A mudança na ação penal do crime de estelionato, Laurita Vaz, julgado em 25/08/2021 (Info 706).

promovida pela Lei 13.964/2019, retroage para


alcançar os processos penais que já estavam em
CRIMES CONTRA A HONRA
curso?
• NÃO. É o entendimento do STJ e da 1ª Turma do
STF: A exigência de representação da vítima no crime O art. 143 do CP autoriza que a pessoa acusada do
de estelionato não retroage aos processos cuja crime de calúnia ou de difamação apresente
denúncia já foi oferecida. STJ. 3ª Seção. HC retratação e, com isso, tenha extinta a
610201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em punibilidade:
24/03/2021 (Info 691). STF. 1ª Turma. HC 187341, Rel. Art. 143. O querelado que, antes da sentença, se
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/10/2020. retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica
isento de pena.
• SIM. É a posição da 2ª Turma do STF: A alteração Parágrafo único. Nos casos em que o querelado
promovida pela Lei nº 13.964/2019, que introduziu o tenha praticado a calúnia ou a difamação
§ 5º ao art. 171 do Código Penal, ao condicionar o utilizando-se de meios de comunicação, a retratação
exercício da pretensão punitiva do Estado à

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3
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dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos 1036). No mesmo sentido, já era o entendimento do
meios em que se praticou a ofensa. STJ: AgRg no REsp 1849696/SP, Rel. Min. Sebastião
A retratação não é ato bilateral, ou seja, NÃO Reis Júnior, julgado em 16/06/2020.
PRESSUPÕE ACEITAÇÃO DA PARTE OFENDIDA para
surtir seus efeitos na seara penal, porque a lei não
STALKING
exige isso.
O Código, quando quis condicionar o ato extintivo da A revogação da contravenção de perturbação da
punibilidade à aceitação da outra parte, o fez de tranquilidade (art. 65 da LCP) pela Lei 14.132/2021,
forma expressa, como no caso do perdão ofertado não significa que tenha ocorrido abolitio criminis
pelo querelante depois de instaurada a ação privada. em relação a todos os fatos que estavam
O art. 143 do CP exige apenas que a retratação enquadrados na referida infração penal.
seja cabal, ou seja, deve ser CLARA, COMPLETA, A Lei nº 14.132/2021 acrescentou o art. 147-A ao
DEFINITIVA e IRRESTRITA, sem remanescer Código Penal, para prever o crime de perseguição,
nenhuma dúvida ou ambiguidade quanto ao seu também conhecido como stalking:
alcance, que é justamente o de desdizer as palavras Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por
ofensivas à honra, retratando-se o ofensor do qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física
malfeito. STJ. Corte Especial. APn 912/RJ, Rel. Min. ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de
Laurita Vaz, julgado em 03/03/2021 (Info 687). locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou
perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
INJÚRIA RACIAL
multa.
O crime de injúria racial, espécie do gênero Antes da Lei nº 14.132/2021, a conduta acima
racismo, é imprescritível. explicada era fato atípico?
O racismo, previsto no art. 20 da Lei nº 7.716/89, é um NÃO. Antes da criação do crime do art. 147-A, a
crime imprescritível? SIM. Nunca houve dúvidas conduta era punida como contravenção penal pelo
quanto a isso, aplicando-se a ele o art. 5º, XLII, da art. 65 do Decreto-lei 3.688/41, que tinha a seguinte
CF/88: Art. 5º (...) XLII - a prática do racismo constitui redação:
crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a
reclusão, nos termos da lei; tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável:
Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses,
O crime de injúria racial, previsto no art. 140, § 3º do CP, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
também é crime imprescritível? A injúria racial pode ser
enquadrada também no art. 5º, XLII, da CF/88? SIM. A A Lei nº 14.132/2021 revogou a contravenção de
prática de injuria racial, prevista no art. 140, § 3º, molestamento (art. 65 do DL 3.688/41), punindo de
do Código Penal, traz em seu bojo o emprego de forma mais severa essa conduta, que pode trazer
elementos associados aos que se definem como graves consequências psicológicas à vítima.
raça, cor, etnia, religião ou origem para se A revogação da contravenção de perturbação da
ofender ou insultar alguém. Em ambos os casos, há tranquilidade pela Lei nº 14.132/2021 não significa
o emprego de elementos discriminatórios que tenha ocorrido abolitio criminis em relação a
baseados na raça para a violação, o ataque, a todos os fatos que estavam enquadrados na referida
supressão de direitos fundamentais do ofendido. infração penal.
Sendo assim, não se pode excluir o crime de injúria De fato, a parte final do art. 147-A do Código Penal
racial do mandado constitucional de criminalização prevê a conduta de perseguir alguém,
previsto no art. 5º, XLII, restringir-lhe indevidamente reiteradamente, por qualquer meio e “de qualquer
a aplicabilidade. STF. Plenário. HC 154248/DF, Rel. forma, invadindo ou perturbando sua esfera de
Min. Edson Fachin, julgado em 28/10/2021 (Info liberdade ou privacidade”, circunstância que, a toda

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4
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evidência, já estava contida na ação de “molestar do Código Penal. Caso concreto: o acusado, fingindo
alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte que estava portando uma arma de fogo, obrigou a
ou por motivo reprovável”, quando cometida de vítima a retirar a sua própria blusa, ocasião em que
forma reiterada, porquanto a tutela da liberdade passou a tocar nos seios da mulher. Além disso, ele
também abrange a tranquilidade. obrigou a vítima a masturbá-lo. Vale ressaltar que, na
No caso concreto apreciado pelo STJ, o acusado, realidade, o acusado não estava, de fato, portando
mesmo depois de processado e condenado em uma arma de fogo. A todo instante, contudo, o
primeira instância pela contravenção penal do art. 65 indivíduo afirmava que, se a vítima não atendesse as
da LCP, voltou a tentar contato com a mesma vítima suas ordens, ele iria atirar contra ela. O juiz
ao lhe enviar três e-mails e um presente. Desse condenou o réu por estupro (art. 213 do CP), mas o
modo, houve reiteração. Tribunal de Justiça, atendendo pedido da defesa,
Com a entrada em vigor da Lei nº 14.132/2021, ele desclassificou a conduta para o crime de
pediu o reconhecimento de que teria havido abolitio importunação sexual, prevista no art. 215-A do CP,
criminis. O STJ, contudo, não aceitou. Isso porque por entender que não houve grave ameaça já que o
houve reiteração, de modo que a sua conduta se réu não estava realmente armado. O STJ restabeleceu
amolda ao que passou a ser punido pelo art. 147-A a condenação por estupro. A simulação de arma de
do CP, inserido pela Lei nº 14.132/2021. Logo, houve fogo pode sim configurar a “grave ameaça”. Isso
evidente continuidade normativo-típica. porque a “grave ameaça” deve ser analisada com
Vale ressaltar, contudo, que o STJ afirmou que esse base no sentimento unilateral que é provocado
réu deveria continuar respondendo pelas sanções da no espírito da vítima subjugada. A existência de
contravenção do art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688/1941 grave ameaça não depende do risco objetivo e
(e não pelo art. 147-A do CP). Isso porque a lei concreto a que a vítima foi efetivamente
anterior era mais benéfica. submetida. STJ. 6ª Turma. REsp 1.916.611-RJ, Rel.
STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no REsp 1863977-SC, Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/12/2021 (Info TRF 1ª Região), julgado em 21/09/2021 (Info 711).
722).

ESTUPRO “CLIENTE” DA EXPLORAÇÃO SEXUAL (ART. 218-B)

O estupro de vulnerável se consuma com a prática O delito previsto no art. 218-B, § 2°, inciso I, do
de qualquer ato de libidinagem ofensivo à Código Penal, na situação de exploração sexual, não
dignidade sexual da vítima. exige a figura do terceiro intermediador.
Para que se configure ato libidinoso, não se exige A configuração do crime do art. 218-B do CP não
contato físico entre ofensor e vítima. pressupõe a existência de terceira pessoa, bastando
Assim, doutrina e jurisprudência sustentam a que o agente, por meio de pagamento, convença a
prescindibilidade do contato físico direto do réu vítima, maior de 14 e menor de 18 anos, a praticar
com a vítima, a fim de priorizar o nexo causal com ele conjunção carnal ou outro ato libidinoso,
entre o ato praticado pelo acusado, destinado à de modo a satisfazer a sua própria lascívia.
satisfação da sua lascívia, e o efetivo dano à STJ. 3ª Seção. EREsp 1.530.637/SP, Rel. Min. Ribeiro
dignidade sexual sofrido pela ofendida. STJ. 6ª Dantas, julgado em 24/03/2021 (Info 690).
Turma. HC 478.310, Rel. Min. Rogério Schietti, julgado
em 09/02/2021 (Info 685).

A simulação de arma de fogo pode sim configurar


a “grave ameaça”, para os fins do tipo do art. 213 CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA

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5
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

É inconstitucional a aplicação do preceito EXCESSO DE EXAÇÃO


secundário do art. 273 do Código Penal, com
redação dada pela Lei nº 9.677/98 (reclusão, de 10 a
A mera interpretação equivocada da norma
15 anos, e multa), à hipótese prevista no seu § 1ºB,
tributária não configura o crime de excesso de
I, que versa sobre a importação de medicamento
exação.
sem registro no órgão de vigilância sanitária.
Caso concreto: registrador de imóveis cobrou
Para esta situação específica, fica repristinado o
emolumentos (taxa) a mais do que seriam devidos ao
preceito secundário do art. 273, na redação
aplicar procedimento diverso do que era
originária (reclusão, de 1 a 3 anos, e multa).
estabelecido na lei. Ocorre que o texto da lei era
STF. Plenário. RE 979962/RS, Rel. Min. Roberto
confuso e gerava dificuldade exegética, dando
Barroso, julgado em 24/3/2021 (Repercussão Geral –
margem a interpretações diversas. Diante disso, o STJ
Tema 1003) (Info 1011).
acolheu a tese defensiva de que a lei era obscura e
Em tese, seria cabível revisão criminal para não permitia precisar a exata forma de cobrança dos
aplicar o redutor do § 4º do art. 33 da Lei emolumentos cartorários no caso especificado pela
11.343/2006 aos condenados pelos crimes denúncia Embora o réu possa ter cobrado de forma
previstos no art. 273, § 1º-B, do CP. errônea os emolumentos, o fez por mero erro de
É cabível o manejo da revisão criminal fundada no interpretação da legislação tributária no tocante ao
art. 621, I, do Código de Processo Penal, para método de cálculo do tributo, e não como resultado
aplicação da minorante prevista no § 4º do art. 33 da de conduta criminosa. Assim, o réu foi absolvido, com
Lei nº 11.343/2006 nos crimes previstos no art. 273, § fundamento no art. 386, III, do CPP, por atipicidade
1º-B, do CP. STJ. 3ª Seção. RvCr 5.627-DF, Rel. Min. Joel da conduta. STJ. 6ª Turma. REsp 1.943.262-SC, Rel.
Ilan Paciornik, julgado em 13/10/2021 (Info 714). Min. Antônio Saldanha Palheiro, julgado em
Essa decisão do STJ não tem mais relevância. Isso 05/10/2021 (Info 712).
porque o STF decidiu de forma ligeiramente diferente
do STJ.
CORRUPÇÃO PASSIVA (ART. 317)
O STF afirmou que: É inconstitucional a aplicação
do preceito secundário do art. 273 do Código
Penal, com redação dada pela Lei nº 9.677/98 Não comete crime o médico do SUS que cobra do
(reclusão, de 10 a 15 anos, e multa), à hipótese paciente um valor pelo fato de utilizar, na
prevista no seu § 1º-B, I, que versa sobre a cirurgia, a sua máquina particular de
importação de medicamento sem registro no videolaparoscopia (que não é oferecida na rede
órgão de vigilância sanitária. pública). Para tipificação do art. 317 do Código Penal -
Para esta situação específica, fica repristinado o corrupção passiva -, deve ser demonstrada a
preceito secundário do art. 273, na redação originária solicitação ou recebimento de vantagem indevida
(reclusão, de 1 a 3 anos, e multa). STF. Plenário. RE pelo agente público, não configurada quando há
979962/RS, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em mero ressarcimento ou reembolso de despesa. STJ.
24/3/2021 (Repercussão Geral – Tema 1003) (Info 5ª Turma. HC 541.447-SP, Rel. Min. João Otávio de
1011). Noronha, julgado em 14/09/2021 (Info 709).
Desse modo, a decisão do STJ acima explicada
perde relevância porque não se aplica a pena do
art. 33, § 4º da Lei nº 11.343/2006. Deverá ser DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA (ART. 326-A)

aplicado o preceito secundário do art. 273, na


redação originária (reclusão, de 1 a 3 anos, e
O § 3º do art. 326-A do Código Eleitoral, incluído pela
multa)
Lei 13.834/2019, é constitucional. A sanção

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6
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

abstratamente prevista para o crime de “divulgação Para aplicação da majorante prevista no art. 334, § 3º,
de ato objeto de denunciação caluniosa eleitoral” do Código Penal, é necessária a condição de
está em consonância com os princípios da clandestinidade.
proporcionalidade e da individualização da pena. A majorante somente pode ser aplicada quando
Art. 326-A (...) § 3º Incorrerá nas mesmas penas deste houver uma maior reprovabilidade da conduta,
artigo quem, comprovadamente ciente da inocência caracterizada pela atuação do imputado no sentido
do denunciado e com finalidade eleitoral, divulga ou de dificultar a fiscalização estatal, por meio da
propala, por qualquer meio ou forma, o ato ou fato clandestinidade.
que lhe foi falsamente atribuído. STF. Plenário. ADI STF. Plenário. HC 162553 AgR/CE, relator Min. Edson
6225/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em Fachin, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes,
20/8/2021 (Info 1026). julgado em 14/9/2021 (Info 1030).

DESCAMINHO CRIMES DE LICITAÇÃO

Para aplicação da majorante prevista no art. 334, Súmula 645-STJ: O crime de fraude à licitação é
§ 3º, do CP, é necessário que o transporte seja formal e sua consumação prescinde da
clandestino? comprovação do prejuízo ou da obtenção de
O crime de descaminho é tipificado no art. 334 do CP. vantagem.
O § 3º prevê a seguinte causa de aumento: “A pena
aplica-se em dobro se o crime de descaminho é
SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.”
Para aplicação dessa majorante, é necessário que o
transporte realizado seja clandestino? É possível a continuidade delitiva entre o art. 168-A
• STJ e 1ª Turma do STF: NÃO. e o art. 337-A do CP?
O art. 334, § 3º, do Código Penal prevê a aplicação da Os julgados mais recentes do STJ são no sentido de
pena em dobro se “o crime de contrabando ou que apropriação indébita previdenciária e sonegação
descaminho é praticado em transporte aéreo”. de contribuição previdenciária não são crimes da
Se a lei não faz restrições quanto à espécie de voo mesma espécie. Logo, não cabe continuidade delitiva
que enseja a aplicação da majorante, não cabe ao entre eles:
intérprete restringir a aplicação do dispositivo legal,
sendo irrelevante que o transporte seja clandestino Os delitos de apropriação indébita previdenciária e
ou regular. de sonegação de contribuição previdenciária,
STJ. 5ª Turma. HC 390899/SP, Rel. Min. Ribeiro previstos, respectivamente, nos arts. 168-A e 337-A
Dantas, julgado em 23/11/2017. do CP, embora sejam do mesmo gênero, são de
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1850255/SP, Rel. Min. espécies diversas; obstando a benesse da
Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/05/2020. continuidade delitiva.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1868826/CE, Rel. Min.
O art. 334, § 3º, do CP, ao versar sobre o aumento da Ribeiro Dantas, julgado em 09/02/2021.
sanção nos casos de descaminho praticado em
transporte aéreo, não distingue os casos de voos
clandestinos ou regulares. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES
STF. 1ª Turma. HC 169846, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 12/11/2019.

• 2ª Turma do STF (empate): SIM.

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O crime do art. 345 do CP pune a conduta de “fazer


justiça pelas próprias mãos, para satisfazer
pretensão”.
O tipo penal afirma que o sujeito age “para
satisfazer”. Logo, conclui-se ser suficiente, para a
consumação do delito, que os atos que buscaram
fazer justiça com as próprias mãos tenham visado
obter a pretensão, mas não é necessário que o
agente tenha conseguido efetivamente
satisfazê-la, por meio da conduta arbitrária. A
satisfação, se ocorrer, constitui mero exaurimento
da conduta.
Ex: o credor encontrou a devedora na rua e tentou
tomar o seu aparelho de celular como forma de
satisfazer o débito. Chegou a puxar seu braço e seu
cabelo, mas a devedora conseguiu fugir levando o
celular. O crime está consumado mesmo ele não
tendo conseguido o resultado pretendido.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.860.791, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 09/02/2021 (Info 685)

CRIME DO ART. 349-A DO CP

A conduta de ingressar em estabelecimento


prisional com chip de celular não se subsome ao
tipo penal previsto no art. 349-A do Código Penal.
STJ. 5ª Turma. HC 619.776/DF, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 20/04/2021 (Info 693).
Cuidado para não confundir:
A posse de chip de telefone celular pelo preso,
dentro de estabelecimento prisional, configura
falta disciplinar de natureza grave, ainda que ele
não esteja portando o aparelho
(STJ. 5ª Turma. HC 260122-RS, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 21/3/2013)

Material extraído dos informativos (versão resumida),


disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
partes mais importantes pela equipe da Legislação
Destacada.

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GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

PENAL - LEGISLAÇÃO
- NÃO. 6ª Turma do STJ: A 6ª Turma alterou seu
EXTRAVAGANTE entendimento anterior e instaurou divergência,
passando a decidir que apenas o caput do art. 16
STF até Info 1041 e STJ até Info 721 seria equiparado a hediondo.
A Lei nº 13.497/2017 equiparou a hediondo apenas o
crime do caput do art. 16 da Lei nº 10.826/2003, não
abrangendo as condutas equiparadas previstas no
ESTATUTO DO DESARMAMENTO 1
seu parágrafo único. Assim, o crime de posse ou
LEI DE DROGAS 3 porte de arma de fogo de uso permitido com

TRÁFICO PRIVILEGIADO 4 numeração, marca ou qualquer outro sinal de


identificação raspado, suprimido ou adulterado não
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA 6 integra o rol dos crimes hediondos.
STJ. 6ª Turma. HC 525.249-RS, Rel. Min. Laurita Vaz,
LEI DE LAVAGEM 6
julgado em 15/12/2020 (Info 684).
LEI DE CRIMES AMBIENTAIS 6
Antes da Lei 13.497/2017: o art. 16 do
CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS
ADMINISTRATIVOS 7 Estatuto do Desarmamento não era
equiparado a hediondo.
CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR 7 

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA, ECONÔMICA E Depois da Lei 13.497/2017: divergência. 5ª


CONTRA AS RELAÇÕES DE CONSUMO 7 Turma do STJ: tanto o caput como o
parágrafo único do art. 16 são equiparados a
hediondo. 6ª Turma do STJ: somente o caput
do art. 16 é equiparado a hediondo.

ESTATUTO DO DESARMAMENTO
Depois da Lei 13.964/2019: somente é
equiparado a hediondo o crime de posse
Depois da Lei nº 13.497/2017, é possível afirmar ou porte ilegal de arma de fogo de uso
que o parágrafo único do art. 16 do Estatuto do PROIBIDO, previsto no § 2º do art. 16. Não
Desarmamento também passou a ser equiparado abrange mais os crimes posse ou porte de
a crime hediondo? arma de fogo de uso restrito.
- SIM. 5ª Turma do STJ: Tanto o caput como o
O art. 6º, III e IV, da Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do
parágrafo único do art. 16 da Lei nº 10.826/2003
Desarmamento) somente previa porte de arma de
são crimes equiparados a hediondo.
fogo para os guardas municipais das capitais e dos
O art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 8.072/90 (com a
Municípios com maior número de habitantes. Assim,
redação dada pela Lei nº 13.497/2017) não restringe
os integrantes das guardas municipais dos pequenos
a sua aplicação apenas ao caput do art. 16 da Lei nº
Municípios (em termos populacionais) não tinham
10.826/2003. Portanto, é possível concluir que a
direito ao porte de arma de fogo.
alteração legislativa trazida pela Lei nº 13.497/2017
O STF considerou que esse critério escolhido pela
alcança todas as condutas descritas no art. 16 do
lei é inconstitucional porque os índices de
Estatuto do Desarmamento, inclusive as figuras
criminalidade não estão necessariamente
equiparadas, previstas no parágrafo único do mesmo
relacionados com o número de habitantes.
dispositivo legal.
Assim, é inconstitucional a restrição do porte de
STJ. 5ª Turma. HC 624.903/SP, Rel. Min. Reynaldo
arma de fogo aos integrantes de guardas
Soares da Fonseca, julgado em 09/12/2020.

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1
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

municipais das capitais dos estados e dos Os delitos de posse e de porte de arma de fogo
municípios com mais de 500.000 mil habitantes e são crimes de perigo abstrato, de forma que, em
de guardas municipais dos municípios com mais regra, é irrelevante a quantidade de munição
de 50.000 mil e menos de 500.000 mil habitantes, apreendida.
quando em serviço. Com a decisão do STF todos os O entendimento acima exposto configura a regra
integrantes das guardas municipais possuem geral. No entanto, o STF e o STJ, a depender do
direito a porte de arma de fogo, em serviço ou caso concreto, reconhece a possibilidade de
mesmo fora de serviço. Não interessa o número aplicação do princípio da insignificância para o
de habitantes do Município. crime de posse ou porte ilegal de pouca
STF. Plenário. ADC 38/DF, ADI 5538/DF e ADI 5948/DF, quantidade de munição desacompanhada da
Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em arma.
27/2/2021 (Info 1007). O atual entendimento do STJ é no sentido de que
a apreensão de pequena quantidade de munição,
A apreensão de ínfima quantidade de munição desacompanhada da arma de fogo, permite a
desacompanhada da arma de fogo não implica, aplicação do princípio da insignificância ou
por si só, a atipicidade da conduta. O simples fato bagatela.
de os cartuchos apreendidos estarem STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 517.099/MS, Rel. Min. Joel
desacompanhados da respectiva arma de fogo não Ilan Paciornik, julgado em 06/08/2019.
implica, por si só, a atipicidade da conduta, de
maneira que as peculiaridades do caso concreto O STJ, alinhando-se ao STF, tem entendido pela
devem ser analisadas a fim de se aferir: a) a mínima incidência do princípio da insignificância aos
ofensividade da conduta do agente; b) a ausência de crimes previstos na Lei nº 10.826/2003 (Estatuto
periculosidade social da ação; c) o reduzido grau de do Desarmamento), afastando a tipicidade
reprovabilidade do comportamento; e d) a material da conduta quando evidenciada
inexpressividade da lesão jurídica provocada. No flagrante desproporcionalidade da resposta
caso concreto, embora o réu tenha sido preso com penal.
apenas uma munição de uso restrito, A aplicação do princípio da insignificância deve,
desacompanhada de arma de fogo, ele foi também contudo, ficar restrita a hipóteses excepcionais
condenado pela prática dos crimes descritos nos arts. que demonstrem a inexpressividade da lesão, de
33 e 35, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico de drogas e forma que a incidência do mencionado princípio
associação para o tráfico), o que afasta o não pode levar ao esvaziamento do conteúdo
reconhecimento da atipicidade da conduta, por não jurídico do tipo penal em apreço - porte de arma,
estarem demonstradas a mínima ofensividade da incorrendo em proteção deficiente ao bem
ação e a ausência de periculosidade social exigidas jurídico tutelado.
para tal finalidade. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.856.980-SC, STJ. 6ª Turma. HC 473.334/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 22/09/2021 julgado em 21/05/2019.
(Info 710)
A Quinta Turma e a Sexta Turma, em algumas
O crime de porte de arma de fogo, na modalidade
oportunidades, tem entendido que o simples fato
transportar, admite participação. O crime de porte
de os cartuchos apreendidos estarem
de arma de fogo, seja de uso permitido ou restrito,
desacompanhados da respectiva arma de fogo
na modalidade transportar, admite participação. STJ.
não implica, por si só, a atipicidade da conduta,
6ª Turma. REsp 1.887.992-PR, Rel. Min. Laurita Vaz,
de maneira que as peculiaridades do caso
julgado em 07/12/2021 (Info 721)
concreto devem ser analisadas a fim de se aferir:
Posse ou porte de munição (desacompanhada) de a) a mínima ofensividade da conduta do agente;
arma de fogo e atipicidade da conduta. b) a ausência de periculosidade social da ação;

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2
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

c) o reduzido grau de reprovabilidade do • Entendimento anterior do STJ: local de apreensão


comportamento; e da droga Essa posição estava manifestada na Súmula
d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada. 528 do STJ, aprovada em 13/05/2015:
Na hipótese dos autos, embora com o embargado Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da
tenha sido apreendida apenas uma munição de apreensão da droga remetida do exterior pela via
uso restrito, desacompanhada de arma de fogo, postal processar e julgar o crime de tráfico
ele foi também condenado pela prática dos internacional.
crimes descritos nos arts. 33, caput, e 35, da Lei n.
11.343/06 (tráfico de drogas e associação para o • Entendimento atual do STJ: local de destino da
tráfico), o que afasta o reconhecimento da droga. Na hipótese de importação da droga via
atipicidade da conduta, por não estarem correio cumulada com o conhecimento do
demonstradas a mínima ofensividade da ação e a destinatário por meio do endereço aposto na
ausência de periculosidade social exigidas para correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser
tal finalidade. flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.856.980, Rel. Min. Joel Ilan local de destino da droga, em favor da facilitação da
Paciornik, julgado em 22/09/2021 fase investigativa, da busca da verdade e da duração
razoável do processo.
STJ. 3ª Seção. CC 177.882-PR, Rel. Min. Joel Ilan
LEI DE DROGAS
Paciornik, julgado em 26/05/2021 (Info 698)

Não é possível que o agente responda pela prática


É incabível salvo-conduto para o cultivo da
do crime do art. 34 da Lei 11.343/2006 quando a
cannabis visando a extração do óleo medicinal,
posse dos instrumentos configura ato
ainda que na quantidade necessária para o controle
preparatório destinado ao consumo pessoal de
da epilepsia, posto que a autorização fica a cargo da
entorpecente. Para que se configure a lesão ao bem
análise do caso concreto pela ANVISA.
jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/2006, a
STJ. 5ª Turma. RHC 123.402-RS, Rel. Min. Reynaldo
ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o
Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 690)
especial fim de fabricar, preparar, produzir ou

MUDANÇA DE ENTENDIMENTO! transformar drogas, visando ao tráfico. Assim, ainda

Compete ao Juízo Federal do endereço do que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006

destinatário da droga, importada via Correio, possa subsistir de forma autônoma, não é possível

processar e julgar o crime de tráfico internacional que o agente responda pela prática do referido delito

No caso de importação da droga via correio, se o quando a posse dos instrumentos se configura como

destinatário for conhecido porque consta seu ato preparatório destinado ao consumo pessoal de

endereço na correspondência, a Súmula 528/STJ deve entorpecente. As condutas previstas no art. 28 da Lei

ser flexibilizada para se fixar a competência no de Drogas recebem tratamento legislativo mais

Juízo do local de destino da droga, em favor da brando, razão pela qual não há respaldo legal para

facilitação da fase investigativa, da busca da punir com maior rigor as ações que antecedem o

verdade e da duração razoável do processo. próprio consumo pessoal do entorpecente. STJ. 6ª

Importação da droga via postal (Correios) configura Turma. RHC 135.617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado

tráfico transnacional de drogas (art. 33 c/c art. 40, I, em 14/09/2021 (Info 709).

da Lei nº 11.343/2006).
Se a pessoa for encontrada com alguns poucos
gramas de droga para consumo próprio, é possível
A competência para julgar esse delito será do local
aplicar o princípio da insignificância?
onde a droga foi apreendida ou do local de destino
da droga?

124

3
GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

STJ: não é possível aplicar o princípio da AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/08/2021.
insignificância
A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou A prática anterior de atos infracionais pode ser
entendimento de que o crime de posse de drogas utilizada para afastar a causa de diminuição do art.
para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/06) é 33, § 4º, da Lei de Drogas?
de perigo presumido ou abstrato e a pequena Atualmente, temos uma divergência no STF.
quantidade de droga faz parte da própria essência do Para a 1ª Turma do STF:
delito em questão, não lhe sendo aplicável o princípio SIM.
da insignificância É possível a utilização da prática de atos infracionais
STJ. 6ª Turma. RHC 35920 -DF, Rel. Min. Rogerio para afastar a causa de diminuição, quando se
Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014. Info 541. pretendeu a aplicação do redutor de pena do do § 4º
STJ. 5ª Turma. HC 377.737, Rel. Min. Felix Fischer, do art. 33 da Lei 11.343/2006.
julgado em 16/03/2017. Isso não significa que foram considerados, como
STJ. 6ª Turma. AgRg-RHC 147.158, Rel. Min. Rogerio crimes, os atos infracionais praticados. Significa,
Schietti Cruz, julgado em 25/5/2021. apenas, que o contexto fático pode comprovar que o
requisito de não dedicação a atividades criminosas
STF: Há um precedente da 1ª Turma, aplicando o não foi preenchido.
princípio Isto porque, tudo indica que a intenção do legislador,
STF. 1ª Turma. HC 110475 , Rel. Min. Dias Toffoli, ao inserir a redação foi distinguir o traficante
julgado em 14/02/2012. contumaz e profissional daquele iniciante na vida
Recentemente, houve empate na votação (2x2) e criminosa, bem como daquele que se aventura na
houve a consequente concessão do Habeas Corpus: vida da traficância por motivos que, por vezes,
STF. 2ª Turma. HC 202883 AgR, Relator(a) p/ Acórdão confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou
Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/09/2021. de sua família.
STF. 1ª Turma. HC 192147, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 24/02/2021.
TRÁFICO PRIVILEGIADO

O histórico infracional é suficiente para afastar a Para a 2ª Turma do STF:


causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei NÃO.
11.343/2006? O histórico de ato infracional pode ser A prática anterior de atos infracionais pelo paciente
considerado para afastar a minorante do art. 33, § não configura fundamentação idônea a afastar a
4.º, da Lei nº 11.343/2006, por meio de minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006.
fundamentação idônea que aponte a existência de Constata-se que a prática de atos infracionais não é
circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a suficiente para afastar a minorante, visto que
gravidade de atos pretéritos, devidamente adolescente não comete crime nem lhe é imputada
documentados nos autos, bem como a razoável pena. Nos termos do Estatuto da Criança e do
proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. Adolescente, as medidas aplicadas são
3ª Turma. EREsp 1.916.596-SP, Rel. Min. Joel Ilan socioeducativas e objetivam a proteção do
Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em adolescente que cometeu infração. Assim, a menção
08/09/2021 (Info 712). a atos infracionais praticados pelo paciente não
O STF possui a mesma posição? Para o STF, a configura fundamentação idônea para afastar a
existência de atos infracionais pode servir para minorante.
afastar o benefício do § 4º do art. 33 da LD? STF. 2ª Turma. HC 191992, Rel. Min. Edson Fachin,
1ª Turma do STF: SIM. RHC 190434 AgR, Rel. Min. Dias julgado em 08/04/2021.
Toffoli, julgado em 23/08/2021.
2ª Turma do STF: NÃO. STF. 2ª Turma. HC 202574 Para o STJ:

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SIM. evangélica, o local também funcionava como entidade


O histórico de ato infracional pode ser considerado social, de modo que se amoldava no inciso III por esse
para afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei n. outro motivo.
11.343/2006, por meio de fundamentação idônea
que aponte a existência de circunstâncias
excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de O histórico infracional é suficiente para afastar a
atos pretéritos, devidamente documentados nos causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei
autos, bem como a razoável proximidade temporal 11.343/2006?
com o crime em apuração.
SIM NÃO
STJ. 3ª Seção. EREsp 1.916.596, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, Rel. p/ acórdão Min. Laurita Vaz, julgado O histórico de ato 2. A causa de diminuição
em 08/09/2021 (Info 712) infracional pode ser prevista no § 4º do art. 33
considerado para da Lei 11.343/2006 é
Incide a causa de aumento de pena prevista no
afastar a minorante do aplicada desde que o
inciso III do art. 40 da Lei 11.343/2006 em caso de
art. 33, § 4.º, da Lei nº agente seja primário,
tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas
11.343/2006, por meio possua bons
imediações de igreja?
de fundamentação antecedentes, não se
idônea que aponte a dedique às atividades
1ª corrente: NÃO
existência de criminosas nem integre
O tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas
circunstâncias organização criminosa.
não foi contemplado pelo legislador no rol das
excepcionais, nas quais 3. Na linha dos
majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº
se verifique a gravidade precedentes desta
11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com
de atos pretéritos, Colenda Turma, a
esse fim tendo em vista que no Direito Penal
devidamente menção a atos
incriminador não se admite a analogia in malam
documentados nos infracionais praticados
partem.
autos, bem como a pelo agente não
Caso o legislador quisesse punir de forma mais gravosa
razoável proximidade consiste
também o fato de o agente cometer o delito nas
temporal com o crime fundamentação idônea
dependências ou nas imediações de igreja, teria feito
em apuração. STJ. 3ª para afastar a
expressamente, assim como fez em relação aos demais
Seção. EREsp minorante em exame.
locais.
1.916.596-SP, Rel. Min. Esse entendimento está
STJ. 6ª Turma. HC 528851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti
Joel Ilan Paciornik, Rel. em consonância com
Cruz, julgado em 05/05/2020 (Info 671).
Acd. Min. Laurita Vaz, sistema de proteção
julgado em 08/09/2021 integral assegurado a
2ª corrente: SIM
(Info 712) crianças e adolescentes
Justificada a incidência da causa de aumento prevista
por nosso ordenamento
no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, uma vez
jurídico. (HC 202574 AgR,
consta nos autos a existência de igreja evangélica a
Relator(a): EDSON
aproximadamente 23 metros de distância do local onde
FACHIN, Segunda Turma,
a traficância era realizada.
julgado em 17/08/2021,
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 668934/MG, Rel. Min.
PROCESSO ELETRÔNICO
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/06/2021.
DJe-185 DIVULG
15-09-2021 PUBLIC
Obs: prevalece a 1ª corrente. Na verdade, se formos
16-09-2021)
analisar o caso concreto envolvendo o AgRg no HC
668934/MG, iremos constar que, além de uma igreja

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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA pessoas, que sejam instrumento, produto ou


proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das
infrações penais antecedentes. O § 4º do art. 4º
O delito do art. 2º, § 1º, da Lei 12.850/2013 é crime
complementa o caput ao dizer que a medida
material, inclusive na modalidade embaraçar. A
assecuratória pode recair sobre bens, direitos ou
Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa),
valores com duas possíveis finalidades: a) para
prevê o seguinte delito no § 1º do art. 2º: Art. 2º (...)
reparação do dano decorrente da infração penal (seja
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa,
o antecedente ou a própria lavagem); ou b) para
sem prejuízo das penas correspondentes às demais
pagamento de prestação pecuniária, multa e custas.
infrações penais praticadas. § 1º Nas mesmas penas
De acordo com o STJ, a medida assecuratória de
incorre quem impede ou, de qualquer forma,
indisponibilidade de bens, prevista no art. 4º, § 4º, da
embaraça a investigação de infração penal que
Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita
envolva organização criminosa. O crime do art. 2º, §
ou ilícita, adquiridos antes ou depois da infração
1º é formal ou material? Material. O tipo penal possui
penal, bem como de pessoa jurídica ou familiar não
dois núcleos (verbos): impedir e embaraçar. No que
denunciado, quando houver confusão patrimonial.
tange ao núcleo “impedir”, nunca houve dúvida de
STJ. Corte Especial. Inq 1.190-DF, Rel. Min. Maria
que se trata de crime material. A dúvida estava no
Isabel Gallotti, julgado em 15/09/2021 (Info 710).
verbo “embaraçar”. Alguns doutrinadores afirmavam
que, neste ponto, o delito seria formal. Não foi esta,
contudo, a conclusão do STJ. Tanto no núcleo LEI DE CRIMES AMBIENTAIS
impedir como embaraçar, o crime do art. 2º, § 1º
da Lei nº 12.850/2013 é material. A adoção da
corrente que classifica o delito como crime material Construir uma casa em uma unidade de conservação:
se explica porque o verbo embaraçar atrai um crime do art. 64 da Lei 9.605/98 (os delitos dos arts.
resultado, ou seja, uma alteração do seu objeto. Na 40 e 48 ficam absorvidos)
hipótese normativa, o objeto é a investigação, que Absorção do delito do art. 40 pelo crime do art. 64 da
pode se dar na fase de inquérito ou na instrução da Lei nº 9.605/98
ação penal. Em outras palavras, haverá embaraço à O delito de causar dano em unidade de
investigação se o agente conseguir produzir algum conservação (art. 40 da Lei nº 9.605/98) pode ser
resultado, ainda que seja momentâneo e reversível. absorvido pelo delito de construir em solo que,
STJ. 5ª Turma. REsp 1.817.416-SC, Rel. Min. Joel Ilan por seu valor ecológico, não é edificável (art. 64 da
Paciornik, julgado em 03/08/2021 (Info 703). Lei nº 9.605/98). Para analisar a possibilidade de
absorção do crime do art. 40 da Lei nº 9.605/98 pelo
do art. 64, não é relevante a diversidade de bens
LEI DE LAVAGEM jurídicos protegidos por cada tipo incriminador;
tampouco impede a consunção o fato de que o crime
absorvido tenha pena maior do que a do crime
A indisponibilidade de bens da Lei 9.613/98 pode
continente, como se vê na própria Súmula 17/STJ.
atingir também bens de origem ilícita, bens
adquiridos antes mesmo do crime e bens da Absorção do delito do art. 48 pelo crime do art. 64 da
pessoa jurídica ou mesmo de um familiar não Lei nº 9.605/98
denunciado, desde que haja indícios de que houve A conduta do art. 48 da Lei nº 9.605/98 é mero
confusão patrimonial. Segundo o art. 4º da Lei nº pós-fato impunível do ato de construir em local
9.613/98, havendo indícios suficientes de infração não edificável. Afinal, com a própria existência da
penal, o juiz poderá decretar medidas assecuratórias construção desejada e executada pelo agente - e à
de bens, direitos ou valores do investigado ou qual, portanto, se dirigia seu dolo -, é inevitável que
acusado, ou existentes em nome de interpostas fique impedida a regeneração da flora antes

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existente no mesmo lugar. Por isso, o princípio da responsabilização penal do agente pela prática de
consunção obsta a punição autônoma dos dois estelionato. O crime do art. 2º, IX, da Lei nº 1.521/51
delitos. (crime contra a economia popular) se assemelha
STJ. 5ª Turma. REsp 1.925.717-SC, Rel. Min. Ribeiro muito com o estelionato, previsto no art. 171 do
Dantas, julgado em 25/05/2021 (Info 698) Código Penal. A diferença, contudo, está na
objetividade jurídica. Nos crimes da Lei nº 1.521/51, o
bem jurídico é o patrimônio do povo ou de um
CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS
número indeterminado de pessoas (protege a
ADMINISTRATIVOS
economia popular). No estelionato, o bem jurídico
envolve o patrimônio de uma ou algumas pessoas

As revisões de valores previstos na LC 123/2006 determinadas. Assim, embora em ambos os crimes

não retroagem para descaracterizar o crime de exista o meio fraudulento, no crime contra a

frustração do caráter competitivo de licitação. economia popular tem-se a captação criminosa do

As sucessivas revisões dos quantitativos máximos de dinheiro de todos (número indeterminado de

receita bruta para enquadramento como ME ou EPP, vítimas), enquanto no estelionato se verifica o

da LC 123/2006, para fazer frente à inflação, não direcionamento da conduta a vítimas específicas. O

descaracterizam crimes de inserção de informação fato de terem sido identificadas algumas vítimas

falsa em documento público, para fins de não significa que não tenha havido a captação

participação em procedimento licitatório, cometidos genérica de atingidos. Logo, trata-se de crime

anteriormente. Caso concreto: foi aberta licitação que contra a economia popular. O caso é, portanto, de

era restrita a MEs e EPPs. A empresa “X” tinha um aplicação da regra da especialidade (o crime do art.

faturamento acima daquilo que a LC 123/2006 2º, IX, da Lei nº 1.521/51 é especial em relação ao

estabelecia como sendo o teto para ser considerada estelionato), não sendo hipótese de crimes

EPP. Desse modo, a empresa “X”, segundo a lei independentes, em concurso formal, continuado ou

vigente na época, não podia ser considerada EPP. material. STJ. 6ª Turma. RHC 132.655-RS, Rel. Min.

Mesmo assim, os sócios da empresa “X” forneceram Rogerio Schietti Cruz, julgado em 28/09/2021 (Info

declaração dizendo que ela se enquadrava como EPP, 711).

com o objetivo de fazer com que ela pudesse


participar da licitação. Pouco tempo depois, entrou
em vigor a LC 139/2011, que aumentou os valores
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA,
máximos para fins de caracterização como ME ou
ECONÔMICA E CONTRA AS RELAÇÕES DE CONSUMO
EPP previstos no art. 3º da LC 123/2006. Com essa
mudança, a empresa “X” passou a ser considerada
como empresa de pequeno porte. Essa alteração APROPRIAÇÃO INDÉBITA TRIBUTÁRIA
legislativa não tem eficácia retroativa, não servindo Para a configuração do delito previsto no art. 2º, II, da
para absolver os réus pela declaração falsa. STJ. 5ª Lei nº 8.137/90, deve ser comprovado o elemento
Turma. AREsp 1.526.095-RJ, Rel. Min. Ribeiro Dantas, subjetivo especial.
julgado em 08/06/2021 (Info 700). Para a configuração do delito previsto no art. 2º, II, da
Lei nº 8.137/90, deve ser comprovado o dolo
específico. Entendimento que segue a posição do
CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR
STF que exige dolo de apropriação: O contribuinte
que deixa de recolher, de forma contumaz e com

Nas hipóteses de crime contra a economia dolo de apropriação, o ICMS cobrado do adquirente

popular por pirâmide financeira, a identificação da mercadoria ou serviço incide no tipo penal do art.

de algumas das vítimas não enseja a 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (STF. Plenário. RHC 163334,
Rel. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2019). STJ. 6ª

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partes mais importantes pela equipe da Legislação


Turma. HC 675.289-SC, Rel. Min. Olindo Menezes
Destacada.
(Desembargador Convocado do TRF 1ª Região),
julgado em 16/11/2021 (Info 718)

CRIME CONTRA A ORDEM ECONÔMICA


O momento consumativo do crime de formação
de cartel deve ser analisado conforme o caso
concreto, sendo errônea a sua classificação como
eventualmente permanente.
Caso concreto: o Ministério Público denunciou várias
pessoas porque elas teriam mantido de 2004 a 2014,
um cartel envolvendo a fabricação e comercialização
de resinas. A defesa argumentou que o delito estaria
prescrito considerando que o acordo para a fixação
artificial dos preços teria ocorrido em 2004. Logo,
neste momento houve a consumação do crime e se
iniciou o prazo prescricional. Assim, a defesa
sustentou a tese de que o delito de formação de
cartel seria crime instantâneo, consumado no ano de
2004. O TJ entendeu que o delito seria
“eventualmente permanente”, diante da situação
fática, porque a vontade dos agentes e a consumação
do crime se prolongaram no tempo, haja a vista a
necessidade de formação de sucessivos acordos
anticompetitivos protraídos ano após ano.
Qual foi a posição adotada pela STJ? Qual é a natureza
do momento consumativo do crime de formação de
cartel (art. 4º, II, da Lei 8.137/90)? O STJ disse que isso
deve ser analisado no caso concreto. O momento
consumativo do crime de formação de cartel deve ser
analisado conforme o caso concreto. No caso
concreto, o STJ considerou que houve a celebração
sucessiva de acordos econômicos anticompetitivos
entre os agentes até 2014. Logo, o crime de formação
de cartel no mercado de resinas fez-se permanente
até 2014. Vale ressaltar, contudo, que o STJ afirmou
que é equivocada a nomenclatura “eventualmente
permanente”, não podendo dizer que o crime de
cartel seja “eventualmente permanente”. STJ. 5ª
Turma. AREsp 1.800.334-SP, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 09/11/2021 (Info 718).

Material extraído dos informativos (versão resumida),


disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas

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DIREITO PROCESSUAL PENAL § 14, do CPP determina a iniciativa da defesa para


requerer a sua aplicação.

STF até Info 1041 e STJ até Info 721 STF. 2ª Turma. HC 194677/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 11/5/2021 (Info 1017)

ANPP 1 AÇÃO PENAL

AÇÃO PENAL 1
O eventual trancamento de inquérito policial por
COMPETÊNCIA 1 excesso de prazo não impede, sempre e de forma
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 3 automática, o oferecimento da denúncia
STF. 2ª Turma. HC 194023 AgR, Rel. Min. Gilmar
CITAÇÃO 4
Mendes, julgado em 15/09/2021.
PROVAS 4
BUSCA E APREENSÃO 10 É inexigível o pagamento de custas processuais
em embargos de divergência oriundos de ação
TRIBUNAL DO JÚRI 14 penal pública. É necessário o pagamento de custas

PROCEDIMENTO NOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE para a interposição de embargos de divergência em


IMATERIAL 16 matéria penal? NÃO. O art. 806 do CPP prevê que o
pagamento prévio de custas somente é exigível
NULIDADES 17 nos casos de ação penal privada. Logo, não há
RECURSOS 19 pagamento prévio quando se tratar de ação penal
pública. O art. 7º da Lei nº 11.636/2007, que trata
HABEAS CORPUS 20 sobre as custas devidas no âmbito do STJ, também
dispõe que apenas as ações penais privadas exigem
PROCEDIMENTO PREVISTO NA LEI 8.038/90 21
o recolhimento antecipado (no início do processo) de
TEMAS DIVERSOS 21 custas. Os embargos de divergência, embora não
COLABORAÇÃO PREMIADA 21 sejam previstos realmente na legislação processual
penal, se forem manejados dentro de um processo
criminal, não estão sujeitos ao pagamento de custas.
STJ. Corte Especial. EAREsp 1.809.270-SC, Rel. Min.
ANPP
Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Laurita
Vaz, julgado em 06/10/2021 (Info 713)
O Poder Judiciário não pode impor ao Ministério
Público a obrigação de ofertar acordo de não
COMPETÊNCIA
persecução penal (ANPP).
Não cabe ao Poder Judiciário, que não detém
atribuição para participar de negociações na seara Não compete à Justiça Federal processar e julgar o
investigatória, impor ao MP a celebração de acordos. desvio de valores do auxílio emergencial pagos
Não se tratando de hipótese de manifesta durante a pandemia da covid-19, por meio de
inadmissibilidade do ANPP, a defesa pode requerer violação do sistema de segurança de instituição
o reexame de sua negativa, nos termos do art. privada, sem que haja fraude direcionada à
28-A, § 14, do CPP, não sendo legítimo, em regra, instituição financeira federal.
que o Judiciário controle o ato de recusa, quanto Caso concreto: Regina era beneficiária do auxílio
ao mérito, a fim de impedir a remessa ao órgão emergencial. O dinheiro do benefício foi transferido
superior no MP. Isso porque a redação do art. 28-A, da Caixa para a conta de Regina no Mercado Pago.

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Foi então que Regina combinou de transferir a qual houve a compra do bem e no qual houve o
parcela do auxílio emergencial (R$ 600,00) para a subsídio federal, o que é a situação dos autos. STJ.
conta de Pedro, um conhecido. O objetivo da 3ª Seção. CC 179.467-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
transferência seria possibilitar o recebimento em 09/06/2021 (Info 700).
antecipado do auxílio emergencial. O combinado
seria Pedro sacar o dinheiro e repassá-lo para Regina. A Justiça Eleitoral é competente para processar e
Ocorre que Pedro não cumpriu e ficou com o julgar crime comum conexo com crime eleitoral,
dinheiro. Foi instaurado inquérito policial para apurar ainda que haja o reconhecimento da prescrição
o crime de furto mediante fraude que teria sido da pretensão punitiva do delito eleitoral.
praticado por Pedro. A Justiça Estadual é competente Caso concreto: o ex-Governador de Minas Gerais,
para julgar esse delito. Eduardo Azeredo, com colaboração de outros
STJ. 3ª Seção. CC 182940-SP, Rel. Min. Joel Ilan agentes políticos, teria desviado recursos públicos e
Paciornik, julgado em 27/10/2021 (Info 716). utilizado esse dinheiro para financiar sua campanha
de reeleição no ano de 1998. Vale ressaltar que esse
Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime dinheiro utilizado na campanha não teria sido
de esbulho possessório de imóvel vinculado ao contabilizado na prestação de contas, caracterizando
Programa Minha Casa Minha Vida. aquilo que se chama, na linguagem popular, de “caixa
O art. 161, § 1º, inciso II, do Código Penal, incrimina a dois”. Em tese, o agente teria praticado os seguintes
conduta de invadir terreno ou edifício alheio, para o crimes: a) corrupção passiva (art. 317 do CP); b)
fim de esbulho possessório, com violência a pessoa falsidade ideológica (art. 350 do Código Eleitoral); c)
ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98). Dois
duas pessoas. A vítima do crime de esbulho crimes são de competência da Justiça estadual
possessório, tipificado no art. 161, § 1º, II, do Código comum e um deles da Justiça Eleitoral. Como ficará a
Penal é o possuidor direto, pois é quem exercia o competência para julgar estes delitos? Serão julgados
direito de uso e fruição do bem. Na hipótese de separadamente ou juntos? Qual será a Justiça
imóvel alienado fiduciariamente, é o devedor competente? Justiça ELEITORAL. Competirá à Justiça
fiduciário que ostenta essa condição, pois o credor Eleitoral julgar todos os delitos. Segundo entende o
fiduciário possui tão-somente a posse indireta. STF: Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes
A Caixa Econômica Federal, enquanto credora eleitorais e os comuns que lhes forem conexos (Inq
fiduciária e, portanto, possuidora indireta, não é a 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
vítima do referido delito. Contudo, no âmbito cível, a em 13 e 14/3/2019). Ocorre que, no caso concreto, há
empresa pública federal possui legitimidade uma peculiaridade: ainda durante o inquérito, ficou
concorrente para propor eventual ação de reconhecida a prescrição da pretensão punitiva em
reintegração de posse, diante do esbulho ocorrido. A relação ao crime eleitoral. Logo, houve arquivamento
sua legitimação ativa para a ação possessória do inquérito no que tange ao crime eleitoral. Diante
demonstra a existência de interesse jurídico na disso, indaga-se: mesmo assim, a Justiça Eleitoral
apuração do crime, o que é suficiente para fixar a continuará sendo competente para julgar os demais
competência penal federal, nos termos do art. 109, delitos? SIM. Mesmo operada a prescrição quanto ao
IV, da CF/88. Os imóveis que integram o Programa crime eleitoral, subsiste a competência da Justiça
Minha Casa Minha Vida são adquiridos, em parte, Eleitoral. Trata-se de aplicação lógica do disposto no
com recursos orçamentários federais. Tal fato art. 81 do CPP. STF. 2ª Turma. RHC 177243/MG, Rel.
evidencia o interesse jurídico da União na Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/6/2021 (Info
apuração do crime de esbulho possessório em 1024).
relação a esse bem, ao menos enquanto for ele
vinculado ao mencionado Programa, ou seja, Em caso de conexão entre crime de competência
quando ainda em vigência o contrato por meio do da Justiça comum (federal ou estadual) e crime

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eleitoral, os delitos serão julgados conjuntamente Caso concreto: o COAF elaborou relatório de
pela Justiça Eleitoral. A Justiça Eleitoral é inteligência financeira (RIF) apontando
competente para processar e julgar os crimes movimentações atípicas entre as contas de um
eleitorais e os comuns que lhe forem conexos. STF. Deputado Estadual e servidores de seu gabinete na
Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco ALE. Esse relatório foi encaminhado ao MPE, que
Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933). STJ. 5ª instaurou procedimento de investigação criminal
Turma. HC 612.636-RS, Rel. Min. Jesuíno Rissato (PIC). Em seguida, o MPE solicitou a produção de
(Desembargador convocado do TJDFT), Rel. Acd. Min. quatro RIFs complementares sobre as operações
Ribeiro Dantas, julgado em 05/10/2021 (Info 713). financeiras realizadas. Ao final da investigação, o MP
ofereceu denúncia contra o parlamentar
imputando-lhe a prática, em tese, dos crimes de
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO
peculato, organização criminosa e lavagem de
Extrapola a autonomia do estado previsão, em dinheiro.
constituição estadual, que confere foro privilegiado O STF declarou a nulidade dos RIFs, bem como das
a Delegado Geral da Polícia Civil. provas deles decorrentes e declarou a
A autonomia dos estados para dispor sobre imprestabilidade dos elementos probatórios colhidos
autoridades submetidas a foro privilegiado não é pelo MPE no âmbito do PIC. Para o colegiado, o
ilimitada, não pode ficar ao arbítrio político do compartilhamento desses dados foi ilegítimo, porque
constituinte estadual e deve seguir, por simetria, realizado a partir de comunicação direta entre o MPE
o modelo federal. e o Coaf, antes mesmo que houvesse autorização do
STF. Plenário. ADI 5591/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal de Justiça para instaurar procedimento
julgado em 20/3/2021 (Info 1010) investigatório criminal contra o parlamentar estadual.
STF. 2ª Turma. HC 201965/RJ, Rel. Min. Gilmar
Vereadores e Vice-Prefeitos não possuem foro por
Mendes, julgado em 30/11/2021 (Info 1040).
prerrogativa de função.
A CF/88 não previu foro por prerrogativa de As constituições estaduais não podem instituir
função aos Vereadores e aos Vice-prefeitos. novas hipóteses de foro por prerrogativa de
O foro por prerrogativa de função foi previsto função além daquelas previstas na Constituição
apenas para os prefeitos (art. 29, X, da CF/88). Federal. É inconstitucional norma de constituição
Diante disso, é inconstitucional norma de estadual que estende o foro por prerrogativa de
Constituição Estadual que crie foro por função a autoridades não contempladas pela
prerrogativa de função para Vereadores ou Constituição Federal de forma expressa ou por
Vice-Prefeitos. simetria. STF. Plenário. ADI 6501/PA, ADI 6508/RO,
A CF/88, apenas excepcionalmente, conferiu ADI 6515/AM e ADI 6516/AL, Rel. Min. Roberto
prerrogativa de foro para as autoridades federais, Barroso, julgados em 20/8/2021 (Info 1026).
estaduais e municipais.
Assim, não se pode permitir que os Estados Compete aos tribunais de justiça estaduais
possam, livremente, criar novas hipóteses de foro processar e julgar os delitos comuns, não
por prerrogativa de função. relacionados com o cargo, em tese praticados por
STF. Plenário. ADI 558/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, Promotores de Justiça.
julgado em 22/04/2021. Situação hipotética: João estava de passagem por
Aracaju (SE) e ali praticou um crime. Vale ressaltar
É indispensável a existência de prévia autorização que João é Promotor de Justiça no Estado do Ceará.
judicial para a instauração de inquérito ou outro Importante também registrar que o delito por ele
procedimento investigatório em face de praticado não tem nenhuma relação com o cargo
autoridade com foro por prerrogativa de função ocupado. O feito foi inicialmente distribuído ao Juízo
em Tribunal de Justiça.

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de Direito da Vara Criminal de Aracaju (1ª instância CITAÇÃO


da Justiça estadual de Sergipe). O juiz, contudo,
reconheceu sua incompetência sob o fundamento de
É possível a utilização de WhatsApp para a citação
que, nos termos do art. 96, III, da CF/88, compete ao
de acusado, desde que sejam adotadas medidas
Tribunal de Justiça julgar os crimes praticados por
suficientes para atestar a autenticidade do
Promotores de Justiça. O TJ/CE, entretanto, disse o
número telefônico, bem como a identidade do
seguinte: no julgamento da AP 937 QO/RJ, o STF
indivíduo destinatário do ato processual.
conferiu nova interpretação (restritiva) ao art. 102, I,
STJ. 5ª Turma. HC 641.877/DF, Rel. Min. Ribeiro
alíneas “b” e “c”, da CF/88, fixando a competência
Dantas, julgado em 09/03/2021 (Info 688).
daquela Corte para julgar os membros do Congresso
Nacional exclusivamente quanto aos crimes O CPP afirma que, se for expedida uma carta
praticados no exercício e em razão da função pública rogatória para citar um acusado no exterior, o prazo
exercida. Pelo princípio da simetria, esta prescricional ficará suspenso até que ela seja
interpretação restritiva do foro por prerrogativa de cumprida:
função deveria ser aplicada também pelo Tribunal de Art. 368. Estando o acusado no estrangeiro, em lugar
Justiça. Logo, como o crime praticado pelo Promotor sabido, será citado mediante carta rogatória,
de Justiça não foi cometido em razão da função suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o
pública por ele exercida, a competência seria do juiz seu cumprimento.
de 1ª instância. O STJ afirmou que a competência é, Até quando o prazo prescricional fica suspenso? Até
de fato, do Tribunal de Justiça. A Corte Especial do o cumprimento da carta ou até a sua juntada aos
STJ, no julgamento da QO na APN 878/DF reconheceu autos?
sua competência para julgar Desembargadores O termo final da suspensão do prazo prescricional
acusados da prática de crimes com ou sem relação pela expedição de carta rogatória para citação do
ao cargo, não identificando simetria com o acusado no exterior é a data da efetivação da
precedente do STF. Naquela oportunidade, firmou-se comunicação processual no estrangeiro, ainda
a compreensão de que se Desembargadores fossem que haja demora para a juntada da carta rogatória
julgados por Juízo de Primeiro Grau vinculado ao cumprida aos autos.
Tribunal ao qual ambos pertencem, criar-se-ia, em STJ. 5ª Turma. REsp 1.882.330/SP, Rel. Min. Ribeiro
alguma medida, um embaraço ao Juiz de carreira Dantas, julgado em 06/04/2021 (Info 691)
responsável pelo julgamento do feito. Em resumo, o
STJ apontou discrímen relativamente aos O art. 366 do CPP estabelece que se o acusado for
magistrados para manter interpretação ampla citado por edital e não comparecer ao processo nem
quanto ao foro por prerrogativa de função, aplicável constituir advogado o processo e o curso da
para crimes com ou sem relação com o cargo, com prescrição ficarão suspensos. Enquanto o réu não
fundamento na necessidade de o julgador for localizado, o curso processual não pode ser
desempenhar suas atividades judicantes de forma retomado.
imparcial. Nesse contexto, considerando que a STJ. 6ª Turma. RHC 135.970/RS, Rel. Min. Sebastião
previsão da prerrogativa de foro da Magistratura e do Reis Junior, julgado em 20/04/2021 (Info 693).
Ministério Público encontra-se descrita no mesmo
dispositivo constitucional (art. 96, III, da CF/88), seria
PROVAS
desarrazoado conferir-lhes tratamento diferenciado.
STJ. 3ª Seção. CC 177.100-CE, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 08/09/2021 (Info 708)
Não podem ser usadas como prova as mensagens
obtidas por meio do print screen da tela da
ferramenta WhatsApp Web.

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Determinada pessoa entregou à Polícia prints de Caso concreto: a Polícia Penal, durante procedimento
conversas registradas no WhatsApp Web. Tais de revista em uma das galerias do presídio,
conversas demonstravam a ocorrência de crimes encontrou dois aparelhos celulares, “um escondido
contra a Administração Pública. Vale ressaltar que embaixo da escadaria próxima a porta do solário e
esses prints foram feitos por um dos integrantes do outro em um vão aberto devido a corrosão no
grupo do aplicativo, ou seja, os prints foram tirados batente da ducha”. Como não foi localizado, naquele
por um dos interlocutores da conversa. momento, o segregado, que usava e tinha a posse de
Mesmo assim, o STJ considerou ilícita essa prova. Isso um desses objetos, os agentes acessaram o conteúdo
porque, para o STJ, é inválida a prova obtida pelo ali existente, ocasião em que foram encontrados
WhatsApp Web, tendo em vista que nessa dados do preso WhatsApp e no Facebook instalados
ferramenta “é possível, com total liberdade, o envio no referido aparelho. Identificado o preso, o Juízo das
de novas mensagens e a exclusão de mensagens Execuções Penais, na audiência de justificação,
antigas (registradas antes do emparelhamento) ou homologou a falta disciplinar de natureza grave e
recentes (registradas após), tenham elas sido revogou parte dos dias remidos. A atuação da Polícia
enviadas pelo usuário, tenham elas sido recebidas de Penal e do Poder Judiciário foi legítima, não havendo
algum contato. Eventual exclusão de mensagem ilicitude da prova obtida por meio do acesso ao
enviada (na opção "Apagar somente para Mim") ou aparelho celular.
de mensagem recebida (em qualquer caso) não deixa Em regra, é ilícita a prova obtida diretamente dos
absolutamente nenhum vestígio, seja no aplicativo, dados constantes de aparelho celular, sem prévia
seja no computador emparelhado, e, por autorização judicial. O mencionado entendimento,
conseguinte, não pode jamais ser recuperada para todavia, deve ser distinguido da situação apresentada
efeitos de prova em processo penal, tendo em vista no caso concreto. Os julgados do STJ que afirmam a
que a própria empresa disponibilizadora do serviço, nulidade tratam de aparelhos celulares apreendidos
em razão da tecnologia de encriptação fora de estabelecimentos prisionais. O caso concreto
ponta-a-ponta, não armazena em nenhum servidor o se refere à hipótese em que o aparelho é encontrado
conteúdo das conversas dos usuários” (STJ. 6ª Turma. dentro do presídio, em situação de explícita violação
RHC 99.735/SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em às normas jurídicas que regem a execução penal.
27/11/2018). Assim, a pessoa que tirou os prints Os direitos e garantias individuais não têm caráter
poderia, em tese, ter manipulado as conversas, de absoluto, sendo possível a existência de limitações de
maneira não há segurança para se utilizar como ordem jurídica. Os arts. 3º, 38 e 46, todos da LEP,
prova. representam hipóteses de restrição legal aos direitos
Diante disso, o STJ declarou nulas as mensagens individuais dos presos. Nesse cenário, uma das
obtidas por meio do print screen da tela da consequências da imposição da prisão - penal ou
ferramenta WhatsApp Web, determinando-se o processual - é a proibição da comunicação do recluso
desentranhamento delas dos autos, mantendo-se as com o ambiente externo por meios diversos
demais provas produzidas após as diligências prévias daqueles permitidos pela lei. Para garantir a
da polícia realizadas em razão da notícia anônima observância dessa restrição foram editadas diversas
dos crimes. normas que têm por objetivo coibir o acesso do
STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC 133.430/PE, Rel. Min. Nefi segregado a aparelhos telefônicos, de rádio ou
Cordeiro, julgado em 23/02/2021. similares.
Conforme previsto no art. 41, inciso XV, da LEP, o
É permitido o acesso ao whatsapp, mesmo sem contato do preso com o mundo exterior é autorizado
autorização judicial, em caso de telefone celular por meio de correspondência escrita, da leitura e de
encontrado no interior de estabelecimento outros meios de informação que não comprometam
prisional. a moral e os bons costumes. Mesmo no caso de
comunicação por intermédio de correspondência

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escrita, permitida legalmente, o STF firmou juridicamente, qualificado como “casa” para fins de
jurisprudência no sentido de que, diante da tutela constitucional da inviolabilidade domiciliar (art.
inexistência de liberdades individuais absolutas, é 5º, XI), a exigência, em termos de standard
possível que a Administração Penitenciária, sem probatório, para que policiais ingressem em um
prévia autorização judicial, acesse o seu conteúdo quarto de hotel sem mandado judicial não pode ser
quando houver inequívoca suspeita de sua utilização igual às fundadas razões exigidas para o ingresso em
como meio para a preparação ou a prática de ilícitos. uma residência propriamente dita, a não ser que se
A necessidade de se resguardar a segurança, a trate (o quarto de hotel) de um local de moradia
ordem pública e a disciplina prisional, segundo a permanente do suspeito. Isso porque é diferente
Corte Suprema, prevalece sobre a reserva invadir uma casa habitada permanentemente pelo
constitucional de jurisdição. suspeito e até por várias pessoas (crianças e idosos,
Nessa conjuntura, se é prescindível decisão judicial inclusive) e um quarto de hotel que, como no caso, é
para a análise do conteúdo de correspondência a fim aparentemente utilizado não como uma morada
de preservar interesses sociais e garantir a disciplina permanente, mas para outros fins, inclusive, ao que
prisional, com mais razão se revela legítimo, para a tudo indica, o comércio de drogas.
mesma finalidade, o acesso dos dados e No caso concreto, o STJ afirmou que, antes do
comunicações constantes em aparelhos celulares ingresso no quarto, os policiais realizaram diligências
encontrados ilicitamente dentro do estabelecimento investigativas para apurar a veracidade da
penal, pois a posse, o uso e o fornecimento do citado informação recebida no sentido de que havia
objeto são expressamente proibidos pelo entorpecentes no local.
ordenamento jurídico. STJ. 6ª Turma. HC 659527-SP, Rel. Min. Rogerio
Tratando-se de ilicitude manifesta e incontestável, Schietti Cruz, julgado em 19/10/2021 (Info 715)
não há direito ao sigilo e, por consequência, inexiste
a possibilidade de invocar a proteção constitucional Não é possível aplicar multa contra o WhatsApp
prevista no art. 5º, inciso XII, da Carta da República. pelo fato de a empresa não conseguir interceptar
Por certo, os direitos fundamentais não podem ser as mensagens trocadas pelo aplicativo e que são
utilizados para a salvaguarda de práticas ilícitas, não protegidas por criptografia de ponta a ponta.
sendo razoável pretender proteger aquele que age Caso concreto: o juiz expediu ordem para que o
em notória desconformidade com as normas de WhatsApp interceptasse as mensagens trocadas por
regência. determinados investigados, suspeitos de integrarem
STJ. 6ª Turma. HC 546.830/PR, Rel. Min. Laurita Vaz, uma organização criminosa que estariam ainda
julgado em 09/03/2021. praticando crimes. O WhatsApp respondeu que não
consegue cumprir a determinação judicial por
É lícita a entrada de policiais, sem autorização impedimentos de ordem técnica. Isso porque as
judicial e sem o consentimento do hóspede, em mensagens trocadas via aplicativo são criptografadas
quarto de hotel não utilizado como morada de ponta a ponta. O magistrado não concordou com
permanente, desde que presentes as fundadas o argumento e aplicou multa contra a empresa.
razões que sinalizem a ocorrência de crime e Segundo a opinião dos especialistas, realmente não é
hipótese de flagrante delito. possível a interceptação de mensagens
O quarto de hotel constitui espaço privado que, criptografadas do WhatsApp devido à adoção de
segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, criptografia forte pelo aplicativo.
é qualificado juridicamente como “casa” (desde que Ao utilizar a criptografia de ponta a ponta, a empresa
ocupado) para fins de tutela constitucional da está criando um mecanismo de proteção à liberdade
inviolabilidade domiciliar. No entanto, o STJ fez uma de expressão e de comunicação privada, garantia
interessante ressalva. O STJ afirmou que, embora o reconhecida expressamente na Constituição Federal
quarto de hotel regularmente ocupado seja, (art. 5º, IX).

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A criptografia é, portanto, um meio de se assegurar a Não configura cerceamento de defesa o fato de


proteção de direitos que, em uma sociedade não se permitir que o réu que está preso
democrática, são essenciais para a vida pública. preventivamente tenha acesso a um notebook na
A criptografia protege os direitos dos usuários da unidade prisional a fim de examinar as provas
internet, garantindo a privacidade de suas que estão nos autos.
comunicações. Logo, é do interesse do Estado Se a defesa técnica teve pleno acesso aos autos da
brasileiro encorajar as empresas e as pessoas a ação penal, anexos e mídias eletrônicas, a negativa
utilizarem a criptografia e manter o ambiente digital de ingresso de notebook na unidade prisional para
com a maior segurança possível para os usuários. que o custodiado visualize as peças eletrônicas não
Existe, contudo, uma ponderação a ser feita: em configura violação do princípio da ampla defesa.
alguns casos a criptografia é utilizada para acobertar A garantia constitucional à ampla defesa, prevista no
a prática de crimes, como, por exemplo, os casos de art. 5º, LV, da CF/88, envolve a defesa em sentido
pornografia infantil e de condutas antidemocráticas, técnico (defesa técnica), realizada pelo advogado, e a
como manifestações xenófobas, racistas e defesa em sentido material (autodefesa), por meio de
intolerantes, que ameaçam o Estado de Direito. qualquer atividade defensiva desenvolvida pelo
A partir daí, indaga-se: o risco à segurança pública próprio acusado, em especial durante seu
representado pelo uso da criptografia justifica interrogatório. Contudo, no caso, a restrição ao
restringir ou proibir a sua adoção pelas empresas? O ingresso de notebook na unidade prisional
tema está sendo apreciado pelo STF na ADPF 403 e justificava-se pelo risco de ofensa à segregação
na ADI 5527, que foi iniciado com os votos dos prisional.
Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, tendo sido Essa restrição não representou obstáculo à ampla
suspenso em razão de pedido de vista. defesa, pois as peças processuais mais relevantes
Apesar de o julgamento dessas ações constitucionais poderiam ter sido impressas e levadas ao preso. No
ainda não ter sido concluído, a 3ª Seção do STJ, em caso concreto, embora o custodiado tenha formação
harmonia com os votos já proferidos pelos Ministros jurídica, sua defesa técnica está sendo patrocinada
do STF, chegou à conclusão de que: por advogados habilitados nos autos, os quais
O ordenamento jurídico brasileiro não autoriza, tiveram pleno acesso aos autos da ação penal,
em detrimento da proteção gerada pela anexos e mídias eletrônicas.
criptografia de ponta a ponta, em benefício da STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 631960-SP, Rel. Min. João
liberdade de expressão e do direito à intimidade, Otávio de Noronha, julgado em 23/11/2021 (Info 720)
sejam os desenvolvedores da tecnologia multados
por descumprirem ordem judicial incompatível Não cabe ao juiz, na audiência de instrução e
com encriptação. julgamento de processo penal, iniciar a inquirição
Os benefícios advindos da criptografia de ponta a de testemunha, cabendo-lhe, apenas,
ponta se sobrepõem às eventuais perdas pela complementar a inquirição sobre os pontos não
impossibilidade de se coletar os dados das conversas esclarecidos.
dos usuários da tecnologia. STF. 1ª Turma. HC 187035/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
Diante disso, o recurso foi provido para afastar a julgado em 6/4/2021 (Info 1012).
multa aplicada pelo magistrado ante a
As irregularidades constantes da cadeia de
impossibilidade fática, no caso concreto, de
custódia devem ser sopesadas pelo magistrado
cumprimento da ordem judicial, haja vista o emprego
com todos os elementos produzidos na instrução,
da criptografia de ponta-a-ponta.
a fim de aferir se a prova é confiável.
STJ. 3ª Seção. RMS 60.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
STJ. 6ª Turma. HC 653515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel.
Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/12/2020
Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
(Info 684).
23/11/2021 (Info 720).

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O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o deve ser feita com declaração assinada pela pessoa
reconhecimento de pessoas (reconhecimento que autorizou o ingresso domiciliar, indicando-se,
pessoal). O descumprimento dessas formalidades sempre que possível, testemunhas do ato. Em todo
enseja a nulidade do reconhecimento? caso, a operação deve ser registrada em
áudio-vídeo e preservada a prova enquanto durar
- SIM. Há recente julgado da 6ª Turma do STJ, que o processo. Principais conclusões do STJ:
fixou as seguintes conclusões: 1) Na hipótese de suspeita de crime em flagrante,
1) O reconhecimento de pessoas deve observar o exige-se, em termos de standard probatório para
procedimento previsto no art. 226 do Código de ingresso no domicílio do suspeito sem mandado
Processo Penal, cujas formalidades constituem judicial, a existência de fundadas razões (justa
garantia mínima para quem se encontra na causa), aferidas de modo objetivo e devidamente
condição de suspeito da prática de um crime; justificadas, de maneira a indicar que dentro da casa
2) À vista dos efeitos e dos riscos de um ocorre situação de flagrante delito.
reconhecimento falho, a inobservância do 2) O tráfico ilícito de entorpecentes, em que pese
procedimento descrito na referida norma ser classificado como crime de natureza permanente,
processual torna inválido o reconhecimento da nem sempre autoriza a entrada sem mandado no
pessoa suspeita e não poderá servir de lastro a domicílio onde supostamente se encontra a droga.
eventual condenação, mesmo se confirmado o Apenas será permitido o ingresso em situações de
reconhecimento em juízo; urgência, quando se concluir que do atraso
3) Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de decorrente da obtenção de mandado judicial se
reconhecimento formal, desde que observado o possa objetiva e concretamente inferir que a
devido procedimento probatório, bem como pode ele prova do crime (ou a própria droga) será
se convencer da autoria delitiva a partir do exame de destruída ou ocultada.
outras provas que não guardem relação de causa e 3) O consentimento do morador, para validar o
efeito com o ato viciado de reconhecimento; ingresso de agentes estatais em sua casa e a busca e
4) O reconhecimento do suspeito por simples apreensão de objetos relacionados ao crime, precisa
exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de ser voluntário e livre de qualquer tipo de
dever seguir o mesmo procedimento do constrangimento ou coação.
reconhecimento pessoal, há de ser visto como 4) A prova da legalidade e da voluntariedade do
etapa antecedente a eventual reconhecimento consentimento para o ingresso na residência do
pessoal e, portanto, não pode servir como prova suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e
em ação penal, ainda que confirmado em juízo. deve ser feita com declaração assinada pela pessoa
STJ. 6ª Turma. HC 598.886-SC, Rel. Min. Rogerio que autorizou o ingresso domiciliar, indicando-se,
Schietti Cruz, julgado em 27/10/2020 (Info 684) sempre que possível, testemunhas do ato. Em todo
caso, a operação deve ser registrada em
- NÃO. Posição pacífica da 5ª Turma. áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar
As disposições contidas no art. 226 do CPP o processo.
configuram uma recomendação legal, e não uma 5) A violação a essas regras e condições legais e
exigência absoluta. Assim, é válido o ato mesmo constitucionais para o ingresso no domicílio alheio
que realizado de forma diversa da prevista em lei. resulta na ilicitude das provas obtidas em
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1665453/SP, Rel. Min. decorrência da medida, bem como das demais
Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/06/2020. provas que dela decorrerem em relação de
causalidade, sem prejuízo de eventual
A prova da legalidade e da voluntariedade do responsabilização penal do(s) agente(s) público(s) que
consentimento para o ingresso na residência do tenha(m) realizado a diligência.
suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e

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STJ. 6ª Turma. HC 598.051/SP, Rel. Min. Rogério A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do
Schietti Cruz, julgado em 02/03/2021 (Info 687). serviço telefônico ou do fluxo da comunicação
telemática mantida pelo usuário, tampouco a
É lícito o compartilhamento de dados bancários substituição do investigado e titular da linha por
feito por órgão de investigação do país agente indicado pela autoridade policial.
estrangeiro para a polícia brasileira, mesmo que, STJ. 6ª Turma. REsp 1.806.792-SP, Rel. Min. Laurita
no Estado de origem, essas informações não Vaz, julgado em 11/05/2021 (Info 696).
tenham sido obtidas com autorização judicial, já
que isso não é exigido naquele país A CF/88 determina que as autoridades estatais
Caso concreto: a Procuradoria de Nova Iorque (EUA) informem os presos que eles possuem o direito de
compartilhou com a Polícia Federal do Brasil uma permanecer em silêncio (art. 5º, LXIII). Esse alerta
relação de brasileiros que mantinham contas sobre o direito ao silêncio deve ser feito não apenas
bancárias nos EUA. A partir dessa informação, a pelo Delegado, durante o interrogatório formal, mas
Polícia Federal instaurou inquérito para apurar os também pelos policiais responsáveis pela voz de
fatos e representou pela quebra do sigilo bancário prisão em flagrante. Isso porque a todos os órgãos
dos investigados. O juiz federal deferiu o pedido e estatais impõe-se o dever de zelar pelos direitos
expediu um MLAT aos EUA solicitando todos os fundamentais. A falta da advertência quanto ao
detalhes das contas bancárias mantidas naquele direito ao silêncio torna ilícita a prova obtida a
país. Esses dados foram enviados. O partir dessa confissão. STF. 2ª Turma. RHC 170843
compartilhamento de dados feito pela Procuradoria AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
de Nova Iorque com a Polícia Federal foi realizado 4/5/2021 (Info 1016).
sem autorização judicial. Mesmo assim, não há
nulidade e tais elementos informativos podem ser É possível a juntada de documentos novos,
utilizados no Brasil, já que, no Estado de origem, não quando destinados a fazer prova de fatos
era necessária autorização judicial. Assim, não viola a ocorridos depois dos articulados ou para
ordem pública brasileira o compartilhamento direto contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.
de dados bancários pelos órgãos investigativos, Viola o princípio constitucional da ampla defesa o
mesmo que, no Estado de origem, sejam obtidos sem indeferimento de prova nova sem a demonstração de
prévia autorização judicial, se a reserva de jurisdição seu caráter manifestamente protelatório ou
não é exigida pela legislação daquele local. Ainda meramente tumultuário, especialmente quando esta
neste mesmo caso concreto, o STJ decidiu que a teve como causa situação processual superveniente.
cooperação internacional feita pelo MLAT não será É possível a aplicação ao processo penal, por
nula, ainda que não tenha sido concretizada com a analogia, do art. 435 do CPC. STJ. 6ª Turma. HC
intermediação das autoridades centrais do Brasil e 545.097-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
dos EUA. em 28/09/2021 (Info 711).
Respeitadas as garantias processuais do
A busca e apreensão de bens em interior de
investigado, não há prejuízo na cooperação direta
veículo é legal e inerente ao dever de fiscalização
entre as agências investigativas, sem a
regular da PRF, em se tratando do flagrante de
participação das autoridades centrais. A ilicitude
transporte de vultosa quantia em dinheiro e não
da prova ou do meio de sua obtenção somente
tendo o investigado logrado justificar o motivo de
poderia ser pronunciada se o réu demonstrasse
tal conduta. Caso concreto: Pedro parou seu veículo
alguma violação de suas garantias ou das
no acostamento da rodovia para trocar um pneu
específicas regras de produção probatória.
furado. Em seguida, estacionou logo atrás uma
STJ. 5ª Turma. AREsp 701.833/SP, Rel. Min. Ribeiro
viatura da Polícia Rodoviária Federal. Questionado
Dantas, julgado em 04/05/2021 (Info 695).
pelos policiais sobre o que havia no interior do
veículo, Pedro respondeu que tinha dinheiro

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pertencente à sua empresa. Os agentes da PRF mesmo pelo advogado da empresa que acompanhou
fizeram uma busca e apreensão no automóvel e toda a diligência.
constaram a presença de R$ 1.215.000,00 (um milhão Diante disso, o STJ afirmou que deveria ser aplicada,
e duzentos e quinze mil reais) na mala. Pedro não no caso concreto, a teoria da aparência.
conseguiu demonstrar minimamente a origem lícita Embora tal teoria tenha encontrado maior amplitude
do numerário, razão pela qual o dinheiro foi de aplicação jurisprudencial na seara civil, processual
apreendido, tendo sido instaurado inquérito policial civil e no CDC, nada há que impeça sua aplicação
para apurar a eventual prática do crime de lavagem também na seara penal.
de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98). O STJ STJ. 5ª Turma. RMS 57.740-PE, Rel. Min. Reynaldo
considerou correta a conduta dos agentes. O próprio Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 690)
investigado informou aos policiais que dispunha de
uma quantia em dinheiro no interior do veículo, Realizada a busca e apreensão, apesar de o relatório
tendo os agentes rodoviários federais agido dentro sobre o resultado da diligência ficar adstrito aos
do dever de fiscalização regular, inerente às funções elementos relacionados com os fatos sob apuração,
legais. Em se tratando do flagrante de transporte de deve ser assegurado à defesa acesso à integra dos
vultosa quantia em dinheiro e não tendo o dados obtidos no cumprimento do mandado
investigado conseguido justificar o motivo de tal judicial.
conduta, não há que se falar em ausência de justa STJ. 6ª Turma. RHC 114.683/RJ, Rel. Rogério Schietti
causa para as investigações. STJ. 6ª Turma. RHC Cruz, julgado em 13/04/2021 (Info 692).
142.250-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
Não existe exigência legal de que o mandado de
em 28/09/2021 (Info 711)
busca e apreensão detalhe o tipo de documento a
ser apreendido, ainda que de natureza sigilosa.
BUSCA E APREENSÃO Situação hipotética: João, médico, estava sendo

É válida, com base na teoria da aparência, a investigado por, supostamente, ter adulterado

autorização expressa para que os policiais prontuários de pacientes internados em clínica

fizessem a busca e apreensão na sede de empresa psiquiátrica, com o objetivo de camuflar ilicitudes que

investigada, autorização essa dada por pessoa ocorriam no local. A autoridade policial formulou

que, embora tenha deixado de ser sócia formal, representação ao juiz pedindo a busca e apreensão

continuou assinando documentos como na clínica psiquiátrica e na residência do investigado.

representante da empresa. O magistrado deferiu a medida e a polícia apreendeu

Caso concreto: policiais chegaram até a sede da diversos prontuários médicos que haviam sido

empresa e, enquanto aguardavam decisão judicial assinados pelo investigado. João impetrou habeas

para entrar no local, foram autorizados a fazer a corpus alegando que a apreensão foi ilícita,

busca e apreensão no imóvel. Essa autorização foi considerando que na decisão que autorizou a medida

concedida por uma mulher que se apresentou como não existia autorização específica para a apreensão

representante da empresa. de prontuários médicos. Segundo a defesa, os

A mulher que concedeu a autorização, embora tenha prontuários são documentos sigilosos e, portanto, só

deixado de ser formalmente sócia, continuou poderiam ter sido recolhidos com autorização judicial

assinando documentos como representante da específica. Embora os prontuários possam conter

empresa. dados sigilosos, foram apreendidos a partir da

A evidência de que ela ainda agia como imprescindível autorização judicial prévia.

representante da empresa é reforçada pelo fato de O fato de o mandado de busca não ter feito uma

que tinha a chave do escritório sede da empresa e discriminação específica é irrelevante, até porque

livre acesso a ele, não tendo sido barrada por os prontuários médicos encontram-se inseridos na

nenhum dos empregados que estavam no local, nem categoria de documentos em geral. Ademais, vale

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frisar que o sigilo do qual se revestem os prontuários anterior, com sentença transitada em julgado, por
médicos pertence única e exclusivamente aos outro crime doloso.
pacientes, não ao médico. Assim, caso houvesse a Assim, é possível a conversão da prisão em flagrante
violação do direito à intimidade, essa ofensa teria por prisão preventiva ao usuário que comete o crime
que ser arguida pelos seus titulares (pacientes) e não do art. 306 do CTB (embriaguez ao volante) quando
pelo investigado. STJ. 6ª Turma. RHC 141.737/PR, Rel. se tratar de réu reincidente com risco de reiteração
Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 27/04/2021 delitiva.
(Info 694). STJ. 6ª Turma. RHC 132.611/GO, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 02/02/2021.

PRISÃO Após o advento da Lei nº 13.964/2019, não é mais


possível a conversão da prisão em flagrante em
preventiva sem provocação por parte ou da
Concessão de liberdade provisória sem fiança a
autoridade policial, do querelante, do assistente,
flagranteado assistido pela Defensoria Pública.
ou do Ministério Público, mesmo nas situações
Afigura-se irrazoável manter o réu preso
em que não ocorre audiência de custódia.
cautelarmente apenas em razão do não pagamento
A Lei nº 13.964/2019, ao suprimir a expressão “de
de fiança, mormente porque já reconhecida a
ofício” que constava do art. 282, § 2º, e do art. 311,
possibilidade de concessão da liberdade provisória.
ambos do CPP, vedou, de forma absoluta, a
Paciente assistido pela Defensoria Pública, portanto
decretação da prisão preventiva sem o prévio
presumidamente pobre, sem condições de custear o
requerimento das partes ou representação da
pagamento.
autoridade policial.
STJ. 6ª Turma. HC 582.581, Rel. Min. Sebastião Reis
Logo, não é mais possível, com base no
Júnior, julgado em 09/02/2021
ordenamento jurídico vigente, a atuação ‘ex

É cabível prisão preventiva no crime de officio’ do Juízo processante em tema de privação

embriaguez ao volante quando se tratar de réu cautelar da liberdade.

reincidente com risco de reiteração delitiva. A interpretação do art. 310, II, do CPP deve ser

A teor do disposto no art. 313 do CPP, na redação realizada à luz do art. 282, § 2º e do art. 311,

dada pela Lei n. 12.403/11, observados os termos do significando que se tornou inviável, mesmo no

art. 312 do mesmo Estatuto Processual Penal, será contexto da audiência de custódia, a conversão, de

admitida a prisão preventiva: I- nos crimes dolosos ofício, da prisão em flagrante de qualquer pessoa em

punidos com pena privativa de liberdade máxima prisão preventiva, sendo necessária, por isso mesmo,

superior a 4 (quatro) anos; para tal efeito, anterior e formal provocação do

II- se tiver sido condenado por outro crime doloso em Ministério Público, da autoridade policial ou, quando

sentença transitada em julgado; for o caso, do querelante ou do assistente do MP.

III- se o crime envolver violência doméstica e familiar Vale ressaltar que a prisão preventiva não é uma

contra a mulher, criança, adolescente, idoso, consequência natural da prisão flagrante, logo é

enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a uma situação nova que deve respeitar o disposto,

execução de medidas protetivas de urgência; em especial, nos arts. 311 e 312 do CPP.
STJ. 3ª Seção. RHC 131.263, Rel. Min. Sebastião Reis

Muito embora o crime "embriaguez ao volante" seja Júnior, julgado em 24/02/2021 (Info 686). STF. 2ª

punido com detenção e ter a pena máxima inferior a Turma. HC 192532 AgR, Rel. Gilmar Mendes, julgado

4 (quatro) anos, o art. 313, inciso II, do Código de em 24/02/2021.

Processo Penal – prevê a possibilidade de decretação


O que acontece se o juiz decretar a prisão preventiva
de prisão preventiva em caso de condenação
de ofício (sem requerimento)?

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• Regra: a prisão deverá ser relaxada por se tratar STF. 2ª Turma. HC 201506 AgR, Rel. Min. Gilmar
de prisão ilegal. Mendes, julgado em 22/08/2021.
• Exceção: se, após a decretação, a autoridade
policial ou o Ministério Público requererem a A falta de audiência de custódia constitui
prisão, o vício de ilegalidade que maculava a irregularidade, não afastando a prisão
custódia é suprido (convalidado) e a prisão não preventiva, uma vez atendidos os requisitos do
será relaxada. artigo 312 do Código de Processo Penal e
O posterior requerimento da autoridade policial pela observados direitos e garantias versados na
segregação cautelar ou manifestação do Ministério Constituição Federal
Público favorável à prisão preventiva suprem o vício STF. 1ª Turma. HC 198.784, Rel. Min. Marco Aurélio ,
da inobservância da formalidade de prévio Dje em 16/06/2021.
requerimento.
Para concessão do indulto previsto no Decreto
STJ. 5ª Turma. AgRg RHC 136.708/MS, Rel. Min. Felix
Presidencial nº 9.246/2017, pode ser computado o
Fisher, julgado em 11/03/2021 (Info 691)
tempo de prisão cautelar cumprido
As condições pessoais favoráveis impedem a anteriormente à sua publicação, cuja condenação
decretação da prisão preventiva? transitou em julgado também antes do referido
As circunstâncias pessoais favoráveis, ainda que Decreto.
comprovadas, não são suficientes à concessão de STJ. 6ª Turma. REsp 1953596-GO, Rel. Min. Laurita
liberdade provisória se presentes os requisitos Vaz, julgado em 07/12/2021 (Info 721).
autorizadores da custódia cautelar.
O que acontece se, injustificadamente, não for
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 145.936/MG, Rel. Min.
realizada a audiência de custódia?
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 18/05/2021.
A falta de audiência de custódia constitui
irregularidade, não afastando a prisão preventiva, no
As condições favoráveis do agente, por si sós, não
caso de estarem atendidos os requisitos do art. 312
impedem a manutenção da prisão cautelar quando
do CPP e observados direitos e garantias versados na
devidamente fundamentada.
Constituição Federal.
STJ. 5ª Turma. RHC 135.320/PR, Rel. Min. Joel Ilan
STF. 1ª Turma. HC 202260 AgR, Rel. Min. Roberto
Paciornik, julgado em 23/03/2021.
Barroso, julgado em 30/08/2021.
A complexidade da causa penal e o caráter
multitudinário do feito (dezoito réus, no caso), A ausência de realização de audiência de custódia é
justificam uma maior duração do processo, salvo irregularidade que não conduz à automática
quando eventual retardamento se dê em virtude revogação da prisão preventiva, cabendo ao juízo da
da inércia do Poder Judiciário, fato já afastado no causa promover análise acerca da presença dos
presente caso. requisitos autorizadores da medida extrema.
Ausência, no caso, de irrazoabilidade evidente na STF. 2ª Turma. HC 198896 AgR, Rel. Min. Edson
duração do processo apta a autorizar o Fachin, julgado em 14/06/2021.
reconhecimento de constrangimento ilegal
A conversão do flagrante em prisão preventiva torna
decorrente de excesso de prazo da prisão preventiva.
superada a alegação de nulidade relativamente à
STF. 2ª Turma. AgRg no HC 199.238, Rel. Min. Nunes
falta de audiência de custódia.
Marques, julgado em 14/06/2021.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 669.316/PR, Rel. Min.
A ausência de realização de audiência de custódia Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 08/06/2021.
não implica a nulidade do decreto de prisão A questão da nulidade decorrente da não realização
preventiva. da audiência de custódia encontra-se superada pela
conversão da prisão em flagrante em preventiva.

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Assim, eventuais irregularidades do flagrante ficam Min. Gilmar Mendes, julgados em 26/10/2021 (Info
superadas pelo Decreto de prisão preventiva. 1036)
STJ. 5ª Turma. HC 708.905- MG. Rel. Min. Jesuíno
Rissato, julgado em 14/12/2021. Não se mostra razoável, para a realização da
audiência de custódia, determinar o retorno de
A não realização de audiência de custódia no prazo investigado à localidade em que ocorreu a prisão
de 24 horas não acarreta a automática nulidade do quando este já tenha sido transferido para a
processo criminal, assim como que a conversão do comarca em que se realizou a busca e apreensão.
flagrante em prisão preventiva constitui novo título a Caso concreto: na comarca de São Lourenço do
justificar a privação da liberdade, ficando superada a Oeste (SC) tramita um inquérito policial que investiga
alegação de nulidade decorrente da ausência de João e outras pessoas. João mora em outro
apresentação do preso ao Juízo de origem. Município, qual seja, Pato Branco (PR). O juiz da
STJ. 6ª Turma. RHC 154.274/MG, Rel. Min. Rogerio comarca de São Lourenço do Oeste decretou a busca
Schietti Cruz, julgado em 14/12/2021. e apreensão na casa de João. Durante o
cumprimento do mandado na residência de João, em
A superveniência da realização da audiência de Pato Branco (PR), a Polícia Civil encontrou grande
instrução e julgamento não torna superada a quantidade de drogas. Os policiais prenderam João e
alegação de ausência de audiência de custódia? o transportaram até São Lourenço do Oeste, onde foi
Imagine que o indivíduo foi preso em flagrante e não lavrado o auto de prisão em flagrante. João está
foi realizada a audiência de custódia. A defesa preso na cadeia pública de São Lourenço do Oeste.
impetrou sucessivos habeas corpus, mas os Tribunais Em regra, a audiência de custódia deve ser realizada
não concederam a liberdade ao custodiado. Quando na localidade em que ocorreu a prisão. No caso,
a questão chegou até o STF, esse indivíduo já tinha porém, o Investigado já foi conduzido à Comarca do
sido denunciado e foi realizado, inclusive, a audiência Juízo que determinou a busca e apreensão, há
de instrução. Isso significa que o pedido de realização aparente conexão probatória com outros casos e
da audiência de custódia fica prejudicado? prevenção daquele Juízo, de forma que não se
Ao julgar um caso como esse, houve empate na 2ª mostra razoável determinar o retorno do Investigado
Turma do STF. para análise do auto de prisão em flagrante,
Dois Ministros votaram no sentido de que a alegação notadamente em razão da celeridade que deve ser
de ausência da audiência de custódia estaria empregada em casos de análise da legalidade da
superada (Nunes Marques e Edson Fachin). custódia.
Outros dois Ministros votaram no sentido de que a STJ. 3ª Seção. CC 182728-PR, Rel. Min. Laurita Vaz,
alegação não estaria superada mesmo já tendo sido julgado em 13/10/2021 (Info 714).
realizada a audiência de instrução (Gilmar Mendes e
Ricardo Lewandowski). Nas hipóteses envolvendo crimes praticados com
Diante do empate, a 2ª Turma concedeu especial violência ou grave ameaça a pessoa, o
parcialmente a ordem de habeas corpus e ônus argumentativo em relação à periculosidade
determinou ao juiz que realizasse a audiência de concreta do agente é menor.
custódia, no prazo de 24 horas, a contar da A gravidade em concreto do crime e a periculosidade
comunicação do julgamento. do agente constituem fundamentação idônea para a
Assim constou no Informativo: decretação da custódia preventiva.
A superveniência da realização da audiência de STF. 1ª Turma. HC 199077, Rel. Min. Roberto Barroso,
instrução e julgamento não torna superada a julgado em 11/10/2021
alegação de ausência de audiência de custódia.
STF. 2ª Turma. HC 202579 AgR/ESe HC 202700
TRIBUNAL DO JÚRI
AgR/SP, Rel. Min. Nunes Marques, redator do acórdão

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É possível a pronúncia do acusado baseada


exclusivamente em elementos informativos obtidos A 3ª Seção do STJ firmou o entendimento de que a
na fase inquisitorial? anulação da decisão absolutória do Conselho de
- SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado Sentença (ainda que por clemência),
com base em indícios derivados do inquérito manifestamente contrária à prova dos autos,
policial, sem que isso represente afronta ao art. segundo o Tribunal de Justiça, por ocasião do exame
155. do recurso de apelação interposto pelo Ministério
Embora a vedação imposta no art. 155 se aplique a Público (art. 593, III, “d”, do CPP), NÃO VIOLA A
qualquer procedimento penal, inclusive dos do Júri, SOBERANIA DOS VEREDICTOS. STJ. 5ª Turma. HC
não se pode perder de vista o objetivo da decisão 560.668/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
de pronúncia não é o de condenar, mas apenas o julgado em 18/08/2020
de encerrar o juízo de admissibilidade da
acusação (iudicium accusationis). O art. 155 do CPP, ao proibir que a condenação se
Na pronúncia opera o princípio in dubio pro fundamente apenas em elementos colhidos
societate, porque é a favor da sociedade que se durante a fase inquisitorial, tem aplicação
resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo Juízo também para as sentenças proferidas no Júri.
natural da causa. Constitui a pronúncia, portanto, Os jurados não precisam motivar sua decisão
juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente (sistema da íntima convicção), no entanto, o Tribunal
admite a acusação. Não profere juízo de certeza, de 2ª instância precisa fazê-lo. Por isso, ao julgar a
necessário para a condenação, motivo pelo qual a apelação da defesa, cabe ao Tribunal de Justiça (ou
vedação expressa do art. 155 do CPP não se aplica TRF) a tarefa de identificar quais foram as provas
à referida decisão. produzidas nos autos que demonstram a autoridade
STJ. 5ª Turma. AgRg no AgRg no AREsp 1702743/GO, e a materialidade delitivas, bem como eventuais
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/12/2020. qualificadoras, sob pena de, não o fazendo, incorrer
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1609833/RS, Rel. Min. em negativa de prestação jurisdicional.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/10/2020. Se o Tribunal encontrar prova judicializada idônea,
deverá manter a condenação e/ou a qualificadora.
Por outro lado, se não houver provas produzidas na
- NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além forma do art. 155 do CPP, o Tribunal deverá dar
disso, muito embora a análise aprofundada seja feita provimento ao recurso, cassando a condenação.
somente pelo Júri, não se pode admitir, em um Caso concreto: as qualificadoras foram baseadas
Estado Democrático de Direito, a pronúncia sem apenas no depoimento prestado no inquérito policial
qualquer lastro probatório colhido sob o por uma testemunha que ouviu dizer. Diante disso, o
contraditório judicial, fundada exclusivamente STJ decidiu cassar a sentença e submeter o réu a
em elementos informativos obtidos na fase novo júri. Isso porque:
inquisitorial. As qualificadoras de homicídio fundadas
STJ. 5ª Turma. HC 560.552/RS, Rel. Min. Ribeiro exclusivamente em depoimento indireto (Hearsay
Dantas, julgado em 23/02/2021. STJ. 6ª Turma. HC Testimony), violam o art. 155 do CPP, que deve ser
589.270, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em aplicado aos veredictos condenatórios do Tribunal do
23/02/2021 Júri.
STJ. 5ª Turma. REsp 1916733-MG, Rel. Min. Ribeiro
Cabe apelação com fundamento no art. 593, III, “d”, Dantas, julgado em 23/11/2021 (Info 719).
do CPP (decisão manifestamente contrária à prova
dos autos) se o júri absolver o réu? A absolvição do réu, ante resposta a quesito
STJ: SIM (posição pacífica). genérico de absolvição previsto no art. 483, § 2º,
STF: NÃO (posição majoritária). do CPP, não depende de elementos probatórios

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ou de teses veiculadas pela defesa. Isso porque 185068, Rel. Celso de Mello, Relator p/ Acórdão
vigora a livre convicção dos jurados. Gilmar Mendes, julgado em 20/10/2020.
Em razão da norma constitucional que consagra a Observação: legítima defesa da honra. Caso a defesa
soberania dos veredictos, a sentença absolutória de lance mão, direta ou indiretamente, da tese
Tribunal do Júri, fundada no quesito genérico de inconstitucional de legítima defesa da honra (ou
absolvição, não implica nulidade da decisão a ensejar qualquer argumento que induza à tese), seja na fase
apelação da acusação. Os jurados podem absolver o pré-processual, processual ou no julgamento perante
réu com base na livre convicção e o tribunal do júri, estará caracterizada a nulidade da
independentemente das teses veiculadas, prova, do ato processual ou até mesmo dos debates
considerados elementos não jurídicos e por ocasião da sessão do júri (caso não obstada pelo
extraprocessuais. STF. 1ª Turma. HC 178777/MG, Rel. Presidente do Júri), facultando-se ao titular da
Min. Marco Aurélio, julgado em 29/9/2020 (Info 993). acusação recorrer de apelação na forma do art. 593,
Em face da reforma introduzida no procedimento do III, “a”, do CPP. STF. Plenário. ADPF 779, Rel. Min. Dias
Tribunal do Júri (Lei 11.689/2008), é incongruente o Toffoli, julgado em 15/03/2021.
controle judicial, em sede recursal (art. 593, III, “d”, do
CPP), das decisões absolutórias proferidas com Juiz não pode unilateralmente alterar os prazos
fundamento no art. 483, III e § 2º, do CPP. STF. 2ª dos debates orais no Júri previstos no CPP; no
Turma. RHC 192431 Segundo AgR/SP e RHC 192432 entanto, isso pode ser feito mediante acordo
Segundo AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, entre as partes.
julgado em 23/2/2021 (Info 1007). Considerado o rigor formal do procedimento do
Na reforma legislativa de 2008, alterou-se júri, não é possível que o juiz, unilateralmente,
substancialmente o procedimento do júri, inclusive a estabeleça prazos diversos daqueles definidos
sistemática de quesitação aos jurados. Inseriu-se um pelo legislador (art. 477 do CPP) para os debates
quesito genérico e obrigatório, em que se pergunta orais, seja para mais ou para menos, sob pena de
ao julgador leigo: “O jurado absolve o acusado?” (art. chancelar uma decisão contra legem.
483, III e §2º, CPP). Ou seja, o Júri pode absolver o réu Por outro lado, é possível que, no início da sessão
sem qualquer especificação e sem necessidade de de julgamento, mediante acordo entre as partes,
motivação. Considerando o quesito genérico e a seja estabelecida uma divisão de tempo que
desnecessidade de motivação na decisão dos melhor se ajuste às peculiaridades do caso
jurados, configura-se a possibilidade de absolvição concreto.
por clemência, ou seja, mesmo em contrariedade STJ. 6ª Turma. HC 703912-RS, Rel. Min. Rogerio
manifesta à prova dos autos. Se ao responder o Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 719).
quesito genérico o jurado pode absolver o réu sem
Ao apreciar medida cautelar em ADPF, o STF decidiu
especificar os motivos, e, assim, por qualquer
que:
fundamento, não há absolvição com tal
a) a tese da legítima defesa da honra é
embasamento que possa ser considerada
inconstitucional, por contrariar os princípios
“manifestamente contrária à prova dos autos”.
constitucionais da dignidade da pessoa humana (art.
Limitação ao recurso da acusação com base no art.
1º, III, da CF/88), da proteção à vida e da igualdade de
593, III, “d”, CPP, se a absolvição tiver como
gênero (art. 5º, da CF/88);
fundamento o quesito genérico (art. 483, III e §2º,
b) deve ser conferida interpretação conforme à
CPP). Inexistência de violação à paridade de armas.
Constituição ao art. 23, II e art. 25, do CP e ao art. 65
Presunção de inocência como orientação da
do CPP, de modo a excluir a legítima defesa da
estrutura do processo penal. Inexistência de violação
honra do âmbito do instituto da legítima defesa; e
ao direito ao recurso (art. 8.2.h, CADH). Possibilidade
c) a defesa, a acusação, a autoridade policial e o
de restrição do recurso acusatório. STF. 2ª Turma. HC
juízo são proibidos de utilizar, direta ou

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indiretamente, a tese de legítima defesa da honra A firmeza do magistrado presidente na condução


(ou qualquer argumento que induza à tese) nas do julgamento não acarreta, necessariamente, a
fases pré-processual ou processual penais, bem quebra da imparcialidade dos jurados. No
como durante julgamento perante o tribunal do procedimento do Júri, o magistrado presidente não é
júri, sob pena de nulidade do ato e do julgamento. mero espectador inerte do julgamento, possuindo,
STF. Plenário. ADPF 779 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias não apenas o direito, mas o dever de conduzi-lo de
Toffoli, julgado em 13/3/2021 (Info 1009) forma eficiente e isenta na busca da verdade real
dos fatos, em atenção a eventual abuso de uma
Não é cabível a pronúncia fundada das partes durante os debates (art. 497 do CPP).
exclusivamente em testemunhos indiretos de Desse modo, não há que se falar em excesso de
“ouvir dizer”. Muito embora a análise aprofundada linguagem do Juiz presidente, quando, no
dos elementos probatórios seja feita somente pelo exercício de suas atribuições na condução do
Tribunal do Júri, não se pode admitir, em um Estado julgamento, intervém tão somente para fazer
Democrático de Direito, a pronúncia baseada, cessar os excessos e abusos cometidos pela
exclusivamente, em testemunho indireto (por defesa durante a sessão plenária e esclarecer
ouvir dizer) como prova idônea, de per si, para fatos não relacionados com a materialidade ou a
submeter alguém a julgamento pelo Tribunal autoria dos diversos crimes imputados ao
Popular. STJ. 5ª Turma. HC 673.138-PE, Rel. Min. paciente. STJ. 5ª Turma. HC 694.450-SC, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/09/2021 Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 05/10/2021
(Info 709). STJ. 6ª Turma. REsp 1649663/MG, Rel. Min. (Info 712)
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/09/2021

Quando a apelação contra a sentença PROCEDIMENTO NOS CRIMES CONTRA A


condenatória é interposta com fundamento no PROPRIEDADE IMATERIAL
art. 593, III, "d", do CPP, o Tribunal tem o dever de
analisar se existem provas de cada um dos
elementos essenciais do crime, ainda que não Nos crimes contra a propriedade imaterial que
concorde com o peso que lhes deu o júri. Quando a deixam vestígios, depois que o ofendido tem
apelação contra a sentença condenatória é ciência da autoria do delito, ele possui o prazo
interposta com fundamento no art. 593, III, "d", do decadencial de 6 meses para a propositura da
CPP, o Tribunal tem o dever de analisar se existem ação penal, nos termos do art. 38 do CPP.
provas de cada um dos elementos essenciais do Se, antes desses 6 meses, o laudo pericial for
crime, ainda que não concorde com o peso que lhes concluído, o ofendido terá 30 dias para oferecer a
deu o júri. Caso falte no acórdão recorrido a queixa crime.
indicação de prova de algum desses elementos, há Assim, em se tratando de crimes contra a
duas situações possíveis: propriedade imaterial que deixem vestígio, a ciência
1) ou o aresto é omisso, por deixar de enfrentar da autoria do fato delituoso dá ensejo ao início do
prova relevante, incorrendo em negativa de prazo decadencial de 6 meses (art. 38 do CPP),
prestação jurisdicional; sendo tal prazo reduzido para 30 dias (art. 38) se
2) ou o veredito deve ser cassado, porque nem homologado laudo pericial nesse ínterim.
mesmo a análise percuciente da Corte local STJ. 6ª Turma. REsp 1.762.142/MG, Rel. Min. Sebastião
identificou a existência de provas daquele específico Reis Junior, julgado em 13/04/2021 (Info 692).
elemento. STJ. 5ª Turma. AREsp 1.803.562-CE, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/08/2021 (Info
NULIDADES
707).

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Havendo pedido expresso de sustentação oral, a Relator Edson Fachin, monocraticamente, concedeu a
ausência de intimação do advogado constituído ordem de habeas corpus para reconhecer a
torna nula a sessão de julgamento. incompetência da 13ª Vara Federal e declarar a
Contudo, a nulidade deve ser arguída na primeira nulidade dos atos decisórios praticados.
oportunidade em que a defesa tomar ciência do Houve agravo regimental contra a decisão.
julgamento, levando ao conhecimento por meio do O Ministro Fachin decidiu afetar o julgamento desses
recurso cabível, a ocorrência do vício e o efetivo recursos para o Plenário. Explicando melhor: em
prejuízo, sob pena de preclusão. regra, a competência para julgar o recurso seria da 2ª
STJ. 5 Turma. AgRg no HC 632.095/SP, Min. Ribeiro Turma do STF, mas o Relator decidiu remeter ao
Dantas, julgado em 14/09/2021 Pleno da Corte.
1) O Ministro Relator poderia ter afetado esse
O ajuizamento de duas ações penais referentes julgamento ao Plenário?
aos mesmos fatos, uma na Justiça Comum SIM. A afetação de feitos a julgamento pelo Plenário
Estadual e outra na Justiça Eleitoral, viola a do Supremo Tribunal Federal é atribuição
garantia contra a dupla incriminação. discricionária do relator. Essa afetação é autorizada
O réu foi absolvido pela Justiça Eleitoral. Ocorre que, pelo art. 6º, II, ‘c’ e pelo art. 22, do RISTF.
logo em seguida, foi denunciado, pelos mesmos
fatos, na Justiça Estadual. Isso não é possível. 2) O MPF estava atuando como custos legis no
A sentença da Justiça Eleitoral foi proferida no processo. Ele poderia ter recorrido?
exercício de verdadeira jurisdição criminal, de modo SIM. O Ministério Público Federal, quando atua
que o prosseguimento da ação penal na Justiça perante o STF, por intermédio da Procuradoria-Geral
Estadual pelos mesmos fatos encontra óbice no da República, mesmo na qualidade de “custos legis”,
princípio da vedação à dupla incriminação, também detém legitimidade para a interposição de agravo
conhecido como double jeopardy clause ou, como é regimental contra decisões monocráticas proferidas
mais comum no direito brasileiro, o postulado do ne pelos ministros relatores. Fundamento: art. 179, II e
bis in idem (proibição da dupla persecução penal). art. 996, do CPC c/c art. 3º do CPP.
Embora não tenha previsão expressa na Constituição
Federal de 1988, a garantia do ne bis in idem é um 3) Foi correta a decisão que reconheceu a
limite implícito ao poder estatal, derivada da própria incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para
coisa julgada e decorrente de compromissos julgamento das ações penais envolvendo Lula?
internacionais assumidos pelo Brasil. A Convenção SIM. No âmbito da “Operação Lava Jato”, a
Americana de Direitos Humanos e o Pacto competência da 13ª Vara Federal de Curitiba é
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, restrita aos crimes praticados de forma direta em
incorporados ao direito brasileiro com status detrimento apenas da Petrobras S/A. Esse é o
supralegal, tratam da vedação à dupla incriminação. entendimento do STF desde o julgamento da questão
STJ. 5ª Turma. REsp 1847488-SP, Rel. Min. Ribeiro de ordem no Inq 4130 QO, em 23/09/2015. Para o
Dantas, julgado em 20/04/2021 (Info 719). STF, no caso concreto, não ficou demonstrado que as
condutas atribuídas ao ex-Presidente Lula tenham
O ex-Presidente Lula responde a quatro ações penais
relação direta com os ilícitos praticados em
que se iniciaram na 13ª Vara Federal de Curitiba. Em
detrimento da Petrobras S/A.
duas delas, já havia sentença penal condenatória,
mas sem trânsito em julgado.
4) O STF admite, em tese, a teoria do juízo aparente
A defesa impetrou habeas corpus no STF alegando a
para convalidar os atos decisórios praticados por
incompetência da 13ª Vara porque os fatos apurados
juízo posteriormente declarado incompetente.
não tinham qualquer relação com os crimes
Prevalece o seguinte: A superveniência de
praticados contra a Petrobras (HC 193726). O Min.
circunstâncias fáticas aptas a alterar a competência

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da autoridade judicial, até então desconhecidas, facultativa. Logo, possíveis irregularidades


autoriza a preservação dos atos praticados por juízo ocorridas no inquérito policial não afetam a ação
aparentemente competente em razão do quadro penal. No caso concreto, dentre as provas que
fático subjacente no momento em que requerida a fundamentaram a condenação do réu, apenas a
prestação jurisdicional. No entanto, no caso concreto, interceptação telefônica foi realizada com a
o STF afirmou que, tanto o MP como o juízo, desde o participação do Delegado suspeito. A defesa,
início do processo, já sabiam, com base nas outras contudo, não se insurgiu contra o conteúdo material
decisões da Corte, que a 13ª Vara Federal não seria das conversas gravadas nem indicou que seriam
competente para julgar a causa. Isso porque a falsas. Assim, como não foi demonstrado qualquer
denúncia foi recebida em 14/09/2016 e, nessa época, prejuízo causado pela suspeição, é inviável
já havia sido julgado o primeiro precedente que decretação de nulidade da condenação. STJ. 5ª
reduziu a competência daquele juízo (Inq 4.130 QO). Turma. REsp 1.942.942-RO, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
Logo, a “teoria do juízo aparente” não se aplica à julgado em 10/08/2021 (Info 704).
hipótese.
Principais conclusões jurídicas do STF a respeito da
5) Não se aplica a regra do art. 64, § 4º, do CPC ao “Operação Jabuti”
caso. Caso concreto: “OSD”, advogado acusado da prática
Isso porque o CPP possui regra própria e específica de diversos crimes, celebrou acordo de colaboração
no art. 567 do CPP, que estabelece a sanção de premiada com o MPF de 1ª instância, homologado
nulidade aos atos decisórios praticados por juízo pelo Juízo Federal de 1ª instância. O delator acusou
incompetente. STF. Plenário. HC 193726 AgR-AgR/PR 23 advogados de realizarem contratações
e HC 193726 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgados “alegadamente fictícias”, entre os anos de 2012 e
em 14/4/2021 (Info 1014). 2018, relacionando o fato à suposta prática de crimes
contra a Administração Pública, tais como corrupção
A ausência de afirmação da autoridade policial de ativa e corrupção passiva e conectando esses fatos a
sua própria suspeição não eiva de nulidade o autoridades detentoras de foro por prerrogativa de
processo judicial por si só, sendo necessária a função no STF, razão pela qual teria havido
demonstração do prejuízo suportado pelo réu. usurpação de competência da Corte para homologar
Caso concreto: após a condenação, a defesa do réu o acordo. O Juízo Federal, após o recebimento da
descobriu que um dos Delegados que participou das denúncia, teria determinado a realização de buscas e
investigações – conduzidas pelo Ministério Público – apreensões criminais nos escritórios de advocacia e
seria suspeito já que seu pai também teria em endereços residenciais de diversos advogados
envolvimento com a organização criminosa. Logo, o delatados. A OAB/DF, OAB/SP, OAB/AL e OAB/RJ
Delegado deveria ter se declarado suspeito, nos ajuizaram reclamação, no STF, contra a decisão que
termos do art. 107 do CPP: “Não se poderá opor homologou esse acordo de colaboração premiada.
suspeição às autoridades policiais nos atos do Os reclamantes alegaram, dentre outros argumentos,
inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, que o MPF de 1ª instância não teria atribuição para
quando ocorrer motivo legal.” Para o STJ, contudo, o firmar o acordo com o delator considerando que o
descumprimento do art. 107 do CPP - quando a signatário estaria delatando autoridades com foro
autoridade policial deixa de afirmar sua própria por prerrogativa de função, de sorte que estaria
suspeição - não gera, por si só, a nulidade do havendo uma violação às atribuições da
processo judicial, sendo necessária a Procuradoria-Geral da República. Ademais, o juízo
demonstração do prejuízo suportado pelo réu. O federal de 1ª instância não teria competência para
inquérito é uma peça de informação, destinada a homologar o acordo, por usurpar a competência do
auxiliar a construção da opinio delicti do MP. Vale STF.
ressaltar, inclusive, que o inquérito é uma peça Principais conclusões do STF:

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1) Os conselhos seccionais da Ordem dos STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 5.560/DF, Rel. Felix
Advogados do Brasil (OAB) possuem legitimidade Fischer, julgado em 24/02/2021
para ingressar com reclamação perante o
Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa dos Interposição de apelação em vez de RESE contra
interesses concretos e das prerrogativas de seus decisão que desclassificou crime: erro grosseiro.
associados, nos termos da expressa previsão legal. A decisão que desclassifica a conduta, declinando da
2) No caso concreto, entendeu-se que os reclamantes competência para o julgamento do feito, deve ser
não demonstraram a usurpação de competência do atacada por recurso em sentido estrito, sendo a
STF. A despeito disso, o STF afirmou que se constatou utilização de recurso de apelação descabida e não
que foram praticadas ilegalidades flagrantes e, diante passível de aplicação do princípio da fungibilidade
disso, a Corte reputou ser possível a concessão de recursal, por se tratar de erro grosseiro.
“habeas corpus” de ofício em sede de reclamação STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 618970/SC, Rel. Min.
constitucional, nos termos do art. 193, II, do RISTF e Sebastião Reis Júnior, julgado em 23/02/2021.
do art. 654, § 2º, do CPP.
Os pedidos de reconsideração carecem de
3) Compete à Justiça estadual processar e julgar
qualquer respaldo no regramento processual
fatos envolvendo entidades integrantes do
vigente. Eles não constituem recursos, em sentido
denominado “Sistema S”.
estrito, nem mesmo meios de impugnação
4) Além de violar prerrogativas da advocacia, a
atípicos. Por isso, não suspendem prazos e
deflagração de amplas, inespecíficas e
tampouco impedem a preclusão.
desarrazoadas medidas de busca e apreensão em
STF. 2ª Turma. Rcl 43007 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo
desfavor de advogados pode evidenciar a prática
Lewandowski, julgado em 9/2/2021 (Info 1005).
de “fishing expedition”.
5) Extrai-se do art. 394 e seguintes do CPP que a O Min. Ricardo Lewandowski proferiu decisão
produção probatória após o oferecimento da monocrática determinando ao Juízo da 13ª Vara
denúncia deve ocorrer em juízo, com as garantias Federal de Curitiba/PR que liberasse à defesa do
do contraditório e da ampla defesa. STF. 2ª Turma. ex-Presidente Lula acesso às provas colhidas na
Rcl 43479/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em “Operação Spoofing”. O Ministro autorizou que a
10/8/2021 (Info 1025) defesa tivesse acesso, inclusive, às mensagens que
foram supostamente trocadas entre o então Juiz
Sergio Moro com integrantes da força-tarefa da Lava
RECURSOS
Jato e que estavam com hackers suspeitos de invadir
celulares.
A admissão da tutela provisória de urgência, para Os Procuradores da República que integram a
conferir efeito suspensivo a recurso que não o tem, força-tarefa da “Operação Lava Jato” ingressaram
depende da presença, concomitante, de elementos com petição, em nome próprio e de terceiros,
que evidenciem a probabilidade de êxito da pedindo a reconsideração da decisão do Ministro.
insurgência e a demonstração do risco de lesão grave O pedido não foi conhecido. O colegiado entendeu
ou difícil reparação. que os membros do Ministério Público de primeiro
STJ. 6 Turma. AgRg no HC 605.821/AM, Rel. Ministro grau não possuem legitimidade para postular na
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/05/2021. causa. O art. 46 da LC 75/93 (Lei Orgânica do
Ministério Público da União) atribui competência
A liminar em revisão criminal com base em exclusiva à Procuradoria-Geral da República para
violação a texto expresso de lei constitui medida oficiar nos processos em curso perante o STF.
excepcional, somente se justificando quando a Os trechos das mensagens trocadas e que vieram a
ofensa se mostre aberrante, cristalina, em respeito à público não veicularam quaisquer comunicações de
segurança jurídica decorrente da coisa julgada. natureza pessoal ou familiar nem expuseram a vida

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privada ou a intimidade de nenhum dos da ação penal por falta de justa causa feito em
interlocutores, mas apenas supostos diálogos habeas corpus
travados por membros do Ministério Público entre si
e com Sérgio Moro acerca de investigações e ações Não é cabível habeas corpus para impugnar ato
penais em pleno exercício das respectivas atribuições normativo que fixa medidas restritivas para
e em razão delas. Para o STF, essas conversas não prevenir a disseminação da covid-19, por não
estão cobertas pelo sigilo. constituir via própria para o controle abstrato da
A questão relativa à autenticidade ou ao valor validade de leis e atos normativos em geral.
probatório de elementos colhidos pela defesa é tema STJ. 5ª Turma. PET no HC 655.460, Rel. Min. Laurita
a ser resolvido no bojo dos processos nos quais Vaz, julgado em 11/05/2021.
venham a ser juntados, mas não na reclamação, STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 657.184, Rel. Min. Ribeiro
sabidamente de estreitos limites. Dantas, julgado em 18/05/2021.
STF. 2ª Turma. Rcl 43007 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo
Condições para a concessão de Habeas Corpus.
Lewandowski, julgado em 9/2/2021 (Info 1005).
Uma vez conhecido o habeas corpus somente deverá
Há nulidade no acórdão que julga apelação sem a ser concedido em caso de réu preso ou na iminência
observância da formalidade de colher os votos em de sê-lo, presentes as seguintes condições:
separado sobre questão preliminar e de mérito, em (1) violação à jurisprudência consolidada do STF;
razão da diminuição do espectro da matéria possível (2) violação clara à Constituição; ou
de impugnação na via dos infringentes. Aplica-se o (3) teratologia na decisão impugnada, caracterizadora
art. 939 do CPC para o julgamento de apelação de absurdo jurídico.
criminal. STF. 1ª Turma. AgRg no HC 200.055, Rel. Min. Roberto
STJ. 5ª Turma. REsp 1.843.523/CE, Rel. Min. Ribeiro Barroso, julgado em 14/06/2021.
Dantas, julgado em 09/03/2021 (Info 688)
É inadmissível a intervenção do assistente de
Caracteriza manifesta ilegalidade, por violação ao acusação na ação de habeas corpus.
princípio da “non reformatio in pejus”, a Isto porque, inexiste imposição legal de intimação do
majoração da pena de multa por tribunal, na assistente do Ministério Público no habeas corpus
hipótese de recurso exclusivo da defesa. impetrado em favor do acusado. Ademais, como ele
Isso porque, na apreciação de recurso exclusivo da não integra a relação processual instaurada nessa
defesa, o tribunal não pode inovar na ação autônoma de natureza constitucional, também
fundamentação da dosimetria da pena, contra o não possui legitimidade para recorrer de decisões
condenado, ainda que a inovação não resulte em proferidas em habeas corpus, por não constar essa
aumento da pena final. atividade processual no rol exaustivo do art. 271 do
STF. 2ª Turma. RHC 194952 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Código de Processo Penal.
Lewandowski, julgado em 13/4/2021 (Info 1013) STF. 1ª Turma. AgRg no HC 203.737, Rel. Min.
Carmem Lúcia, decisão monocrática em 31/08/2021.

A superveniência de sentença condenatória não


tem o condão de prejudicar habeas corpus que
analisa tese defensiva de que teria havido quebra
da cadeia de custódia da prova, ocorrida ainda na
HABEAS CORPUS fase inquisitorial e empregada como justa causa
para a própria ação penal.
STJ. 6ª Turma. HC 653515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel.
Súmula 648-STJ: A superveniência da sentença Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
condenatória prejudica o pedido de trancamento 23/11/2021 (Info 720).

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Não cabe HC para questionar decisão TEMAS DIVERSOS


fundamentada que fixou guarda unilateral no
âmbito de ação de divórcio.
O juiz tem poderes diante da omissão de
A definição do regime de guarda, no âmbito de ação
alegações finais para oportunizar à parte a
divórcio, não tem nenhuma repercussão,
substituição do causídico ou, na inércia, para
propriamente, no direito de locomoção da criança,
requerer que a defensoria pública ofereça as
desde que preservado o direito de visita e, assim, a
alegações finais.
convivência com o genitor com quem não resida.
Se o advogado discordar de alguma decisão do juiz
Assim, o habeas corpus não se presta a imiscuir no
da causa na condução do procedimento ele não pode
modo como tais responsabilidades serão, a partir do
simplesmente se recusar a oferecer as alegações
divórcio, partilhadas entre os pais.
finais. A ampla defesa não engloba essa
Logo, o HC não é a via adequada para que um dos
possibilidade. Não há dúvida da importância da
genitores discuta o específico propósito de manter
ampla defesa como elemento central de um processo
ou não o regime de guarda unilateral estabelecida
penal garantista. Todavia, esse princípio não tem o
em decisão judicial.
condão de legitimar qualquer atuação por parte da
STJ. 3ª Turma. HC 636.744/SP, Rel. Min. Marco Aurelio
defesa.
Belizze, julgado em 15/06/2021.
Se o advogado constituído, mesmo intimado para
apresentar alegações finais, for omisso, o juiz tem
PROCEDIMENTO PREVISTO NA LEI 8.038/90 poderes de intimar o réu para que substituta o
causídico. Se o réu, mesmo intimado, ficar inerte, o
magistrado poderá requerer que a Defensoria
Mesmo no caso de recebimento da denúncia antes Pública ofereça as alegações finais.
das reformas ocorridas no ano de 2008 e antes de o STJ. 6ª Turma. RMS 47680-RR, Rel. Min. Rogerio
réu ser diplomado como deputado estadual, Schietti Cruz, julgado em 05/10/2021 (Info 715).
apresentada a defesa escrita, caberá ao Tribunal de
origem apreciar a possibilidade de absolvição Súmula 644 (STJ): O núcleo de prática jurídica deve
sumária ou reconsideração da decisão do juiz de apresentar o instrumento de mandato quando
primeiro grau que recebeu a denúncia, na forma do constituído pelo réu hipossuficiente, salvo nas
art. 6º da Lei nº 8.038/90. STJ. 5ª Turma. AREsp hipóteses em que é nomeado pelo juízo.
1.492.099-PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
15/06/2021 (Info 701)
COLABORAÇÃO PREMIADA

O réu, pronunciado por homicídio, foi diplomado A homologação de acordo de colaboração, em


Deputado Federal e os autos subiram ao STF; regra, terá que se dar perante o juízo competente
chegando lá, o Ministro determinou nova oitiva das para autorizar as medidas de produção de prova e
testemunhas conforme o rito da Lei 8.038/90; isso para processar e julgar os fatos delituosos
não significa que o STF tenha reconhecido a nulidade cometidos pelo colaborador.
da pronúncia. A reinquirição de testemunha de Caso a proposta de acordo aconteça entre a sentença
defesa, na fase de diligências da ação penal e o julgamento pelo órgão recursal, a homologação
originária, consoante o art. 10 da Lei nº 8.038/90, ocorrerá no julgamento pelo Tribunal e constará do
não implica a implícita declaração de nulidade da acórdão.
pronúncia, proferida quando não havia prerrogativa STF. 2ª Turma. HC 192063/RJ, Rel. Min. Gilmar
de foro. STJ. 5ª Turma. RHC 133.694-RS, Rel. Min. Mendes, julgado em 2/2/2021 (Info 1004)
Ribeiro Dantas, julgado em 14/09/2021 (Info 709).
Atualmente, não existe previsão legal de recurso
cabível em face de não homologação ou de

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GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

homologação parcial de acordo. Logo, deve ser


possível a impetração de habeas corpus.
A homologação do acordo de colaboração premiada
é etapa fundamental da sistemática negocial
regulada pela Lei nº 12.850/2013, estando
diretamente relacionada com o exercício do poder
punitivo estatal, considerando que nesse acordo
estão regulados os benefícios concedidos ao
imputado e os limites à persecução penal.
STF. 2ª Turma. HC 192063/RJ, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 2/2/2021 (Info 1004).
Obs: a 6ª Turma do STJ possui julgado afirmando que:
a apelação criminal é o recurso adequado para
impugnar a decisão que recusa a homologação do
acordo de colaboração premiada, mas ante a
existência de dúvida objetiva é cabível a aplicação
do princípio da fungibilidade (REsp 1834215-RS,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
27/10/2020. Info 683).

Material extraído dos informativos (versão resumida),


disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
partes mais importantes pela equipe da Legislação
Destacada.

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EXECUÇÃO PENAL A disposição inserida na LEP pela Lei 13.964/2019, no


sentido de que “não terá direito à saída temporária a

STF até Info 1041 e STJ até Info 721 que se refere o caput deste artigo o condenado que
cumpre pena por praticar crime hediondo com
resultado morte”, possui natureza penal, de modo
ASPECTOS GERAIS 1 que, sendo prejudicial ao apenado, não retroage,
somente sendo aplicável a crimes praticados após a
PROGRESSÃO DE REGIME 3
sua vigência.
FALTA GRAVE 4 Logo, não é possível retroagir para atingir apenas por
crimes praticados antes de sua vigência, qual seja,
REMIÇÃO DA PENA 5
23/01/2020.
LIVRAMENTO CONDICIONAL 5 STF. 2 Turma. HC 195.371, Rel. Min. Gilmar Mendes,
decisão monocrática, julgado em 16/09/2021

Justificativa e exame criminológico.


ASPECTOS GERAIS A realização do exame criminológico, apesar de não
mais considerada obrigatória, permanece viável, nos
casos em que justificada sua relevância para melhor
Súmula 643-STJ: A execução da pena restritiva de elucidação das condições subjetivas do apenado na
direitos depende do trânsito em julgado da concessão do benefício.
condenação. O Supremo Tribunal Federal, por jurisprudência
consolidada, admite que pode ser exigido
O Pacote Anticrime estendeu o prazo inicial de
fundamentadamente o exame criminológico pelo juiz
permanência do custodiado em presídio federal de
para avaliar pedido de progressão de regime
360 dias para 3 anos, sem alterar o disposto na Lei n.
prisional.
11.671/2008, que não prevê limite temporal para
Não há ilegalidade na exigência de laudo
renovação de permanência de preso em
criminológico, como medida prévia à avaliação
estabelecimento penal federal de segurança máxima.
judicial quanto à progressão de regime, quando
respaldada, dentre outros fundamentos, no
Em outras palavras, a Lei n.º 11.671/2008 não
envolvimento do Paciente com facção criminosa.
estabeleceu qualquer limite temporal para a
STF. 1ª Turma. HC 199901 AgR, Rel. Min. Rosa Weber,
renovação de permanência do preso em
julgado em 14/06/2021.
estabelecimento penal federal de segurança máxima.
Diante da persistência do quadro pandêmico de
Desse modo, não houve agravamento na lei quanto emergência sanitária decorrente da Covid-19 e
ao prazo máximo, ou seja, prazo de renovação do presentes a plausibilidade jurídica do direito
executado na penitenciária federal, não havendo que invocado, bem como o perigo de lesão irreparável ou
falar, portanto, em retroatividade da nova lei. Com de difícil reparação a direitos fundamentais das
isso, desde que persistam os motivos para a pessoas levadas ao cárcere, admite-se — analisadas
permanência do recorrente na penitenciária federal as peculiaridades dos processos individuais pelos
de segurança máxima, não há ilegalidade na respectivos juízos de execução penal, e desde que
renovação da permanência do preso por mais 3 presentes os requisitos subjetivos — a adoção de
anos. medidas tendentes a evitar a infecção e a
propagação da Covid-19 em estabelecimentos
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 154.361/PR, Rel. Min. prisionais, dentre as quais a progressão
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/10/2021 antecipada da pena.

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STF. 2ª Turma. HC 188820 MC-Ref/DF, Rel. Min. Edson acusados ou condenados por: a) crimes contra a vida;
Fachin, julgado em 24/2/2021 (Info 1006). b) crimes contra a integridade física; ou c) crimes
sexuais. O cômputo da pena em dobro deve ser
O patamar mínimo diferenciado de remuneração sobre todo o período de pena cumprido pelo
aos presos previsto no art. 29, caput, da Lei nº condenado no IPPSC ou deverá ficar limitado ao
7.210/84 (Lei de Execução Penal - LEP) não período posterior ao conhecimento formal do Brasil
representa violação aos princípios da dignidade acerca da Resolução? O cômputo em dobro atinge a
humana e da isonomia, sendo inaplicável à hipótese totalidade da pena cumprida. Logo, não é possível
a garantia de salário-mínimo prevista no art. 7º, IV, da modular os efeitos do cômputo da pena em dobro,
Constituição Federal. tendo em vista a situação degradante do
STF. Plenário. ADPF 336/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado estabelecimento prisional, inspecionado e alvo de
em 27/2/2021 (Info 1007). inúmeras Resoluções da Corte IDH. Não se mostra
possível que a determinação de cômputo em dobro
Diante da permanência de “Estado de Coisas
tenha seus efeitos modulados como se o preso
Inconstitucional” (ECI) no âmbito do sistema
tivesse cumprido parte da pena em condições
penitenciário brasileiro — caracterizado pela
aceitáveis até a notificação e, a partir de então, tal
manutenção de altos níveis de encarceramento e da
estado de fato tivesse se modificado. Em realidade, o
resistência ao cumprimento de decisões do STF —,
substrato fático que deu origem ao reconhecimento
faz-se necessária a adoção de medidas tendentes
da situação degradante já perdurara anteriormente,
ao efetivo implemento de ordens judiciais, dentre
até para que pudesse ser objeto de reconhecimento,
as quais, a realização de audiências públicas.
devendo, por tal razão, incidir sobre todo o período
STF. 2ª Turma. HC 165704 Extn-trigésima nona/DF,
de cumprimento da pena. STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/4/2021 (Info
136.961-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
1013).
julgado em 15/06/2021, DJe 21/06/2021 (Info 701)
A Resolução da Corte Interamericana de Direitos
O período de suspensão do dever de
Humanos de 22/11/2018, que determina o cômputo
apresentação mensal em juízo, em razão da
da pena em dobro, deve ser aplicada a todo o
pandemia de Covid-19, pode ser reconhecido
período cumprido pelo condenado no Instituto Penal
como pena efetivamente cumprida. Caso concreto:
Plácido de Sá Carvalho (IPPSC).
João cumpria pena em regime semiaberto. O juiz da
O Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho (IPPSC) é um
vara de execuções penais concedeu ao condenado a
estabelecimento penal voltado ao cumprimento de
progressão ao regime aberto. Uma das condições
pena privativa de liberdade com o enfoque em
impostas a João foi a de que ele deveria ficar
pessoas do gênero masculino. Está localizado no
comparecendo mensalmente perante o juízo para
Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na
informar e justificar suas atividades (art. 113 c/c o art.
Zona Oeste do Rio de Janeiro. O IPPSC apresentou
115, IV, da LEP). Ocorre que, diante da situação de
elevados índices de mortes de presos decorrentes da
pandemia decorrente da Covid-19, o CNJ
superlotação e das más condições sanitárias do local.
recomendou a suspensão temporária do dever de
Por essa razão, a Corte Interamericana de Direitos
apresentação regular em juízo das pessoas em
Humanos (Corte IDH) expediu medidas provisórias
cumprimento de pena no regime aberto (art. 5º,
em face do Brasil, sob o fundamento de que houve
inciso V, da Recomendação nº 62/2020 do CNJ). O TJ
violação à integridade pessoal dos presos, nos
acolheu a recomendação, assim como o juiz das
termos da Convenção Americana de Direitos
execuções penais. O período de suspensão do
Humanos (CADH). Em uma dessas Resoluções (de
dever de apresentação mensal em juízo, em razão
22/11/2018), a Corte IDH determinou que deveria ser
da pandemia de Covid-19, pode ser reconhecido
computado em dobro cada dia de privação de
como pena efetivamente cumprida. STJ. 6ª Turma.
liberdade na unidade prisional IPPSC, exceto para os

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GUILHERME FONSECA - 027.329.291-90

HC 657.382/SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em


27/04/2021 (Info 694) O magistrado da execução penal deve utilizar
fundamentos concretos para justificar o
O art. 112, V, da LEP deve retroagir para beneficiar os indeferimento da progressão de regime (requisito
condenados por crime hediondo ou equiparado sem subjetivo).
resultado morte que sejam reincidentes genéricos Apesar de o atestado de bom comportamento
É reconhecida a retroatividade do patamar carcerário e o laudo criminológico favorável não
estabelecido no art. 112, V, da LEP, incluído pela Lei serem vinculativos, a negativa do benefício de
nº 13.964/2019, àqueles apenados que, embora progressão de regime deve efetivamente lastrear-se
tenham cometido crime hediondo ou equiparado em elementos concretos e robustos que desabonem
sem resultado morte, não sejam reincidentes em o comportamento carcerário do paciente, e não
delito de natureza semelhante. apenas em argumentos genéricos.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.910.240-MG, Rel. Min. Rogerio Dessa forma, o magistrado da execução penal deve
Schietti Cruz, julgado em 26/05/2021 (Recurso utilizar fundamentos concretos, relacionados ao
Repetitivo – Tema 1084) (Info 699). cumprimento da pena corporal, para justificar o
indeferimento da progressão (requisito subjetivo).
Ao reincidente não específico em crime hediondo,
STF. 1 Turma. HC 206.077, Rel. Min. Edson Fachin,
aplica-se, inclusive retroativamente, o inciso V do
decisão monocrática, julgado em 24/09/2021
art. 112 da LEP para fins de progressão de regime.
Tendo em vista a legalidade e a taxatividade da Não havendo na sentença condenatória
norma penal (art. 5º, XXXIX, CF), a alteração transitada em julgado determinação expressa de
promovida pela Lei 13.964/2019 no art. 112 da LEP reparação do dano ou de devolução do produto
não autoriza a incidência do percentual de 60% (inc. do ilícito, não pode o juízo das execuções inserir
VII) aos condenados reincidentes não específicos referida condição para fins de progressão de
para o fim de progressão de regime. Diante da regime. Para que a reparação do dano ou a
omissão legislativa, impõe-se a analogia in bonam devolução do produto do ilícito faça parte da própria
partem, para aplicação, inclusive retroativa, do execução penal, condicionando a progressão de
inciso V do artigo 112 da LEP (lapso temporal de regime, é necessário que essa determinação de
40%) ao condenado por crime hediondo ou reparação ou ressarcimento conste
equiparado sem resultado morte reincidente não expressamente da sentença condenatória, de
específico. STF. Plenário. ARE 1327963/SP, Rel. Min. forma individualizada e em observância aos
Gilmar Mendes, julgado em 17/09/2021 (Repercussão princípios da ampla defesa e do contraditório,
Geral – Tema 1169) (Info 1032). observando-se, assim, o devido processo legal. STJ. 5ª
Turma. HC 686.334-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da
A vara tem o dever de fornecer informações
Fonseca, julgado em 14/09/2021 (Info 709)
requisitadas pela Defensoria Pública para a
defesa das pessoas com deficiência que estejam A manutenção do monitoramento eletrônico ao
cumprindo medida de segurança. apenado agraciado com a progressão ao regime
A serventia judicial tem o dever de elaborar e aberto não implica constrangimento ilegal, pois
fornecer à Defensoria Pública, na proteção das atende aos parâmetros referenciados na SV 56.
pessoas com deficiência, relatórios dos processos em Caso concreto: o réu estava cumprindo pena no
que há medida de segurança sendo aplicada. STJ. 2ª regime semiaberto. Ocorre que não havia no local
Turma. RMS 48.922-SP, Rel. Min. Og Fernandes, colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar
julgado em 19/10/2021 (Info 714). apropriado ao regime semiaberto. Diante disso, o juiz
autorizou que ele ficasse cumprindo pena em sua
casa, com monitoramento eletrônico. Passados mais
PROGRESSÃO DE REGIME

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alguns meses, o apenado preencheu os requisitos de autoria. Embora não se possa negar a
necessários e o juiz reconheceu o direito de ele independência entre as esferas - segundo a qual, em
progredir para o regime aberto. Como também não tese, admite-se repercussão da absolvição penal nas
existia na localidade estabelecimento adequado ao demais instâncias apenas nos casos de inexistência
regime aberto, o magistrado afirmou que o material ou de negativa de autoria -, não há como ser
condenado deveria continuar cumprindo a pena em mantida a incoerência de se ter o mesmo fato por
domicílio (prisão domiciliar) e que deveria continuar não provado na esfera criminal e por provado na
com o uso da tornozeleira eletrônica. Para o STJ, a esfera administrativa. Assim, quando o único fato
decisão do juiz atendeu o que preconiza a SV 56: que motivou a penalidade administrativa
Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento resultou em absolvição no âmbito criminal, ainda
penal adequado não autoriza a manutenção do que por ausência de provas, a autonomia das
condenado em regime prisional mais gravoso, esferas há que ceder espaço à coerência que deve
devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros existir entre as decisões sancionatórias. STJ. 6ª
fixados no RE 641.320/RS. (...) c) Havendo déficit de Turma. AgRg nos EDcl no HC 601.533-SP, Rel. Min.
vagas, deverá determinar-se: (iii) o cumprimento de Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/09/2021 (Info
penas restritivas de direito e/ou estudo ao 712).
sentenciado que progride ao regime aberto; (RE
641320/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em Recusar-se em a adentrar à cela consiste em falta
11/5/2016). STJ. 6ª Turma. HC 691.963-RS, Rel. Min. grave, pois é ato lesivo e grave em descumprimento
Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/10/2021 (Info de ordem legítima e com base no art. 50, inciso VI, c/c
715) art. 39, incisos II e V, ambos da Lei de Execuções
Penais – LEP, observando-se, inclusive, o pleno
exercício do contraditório e da ampla defesa no
FALTA GRAVE processo administrativo disciplinar.
STJ. 6ª Turma, AgRg no HC 618.666, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, julgado em 02/03/2021
A independência das instâncias deve ser mitigada
quando, nos casos de inexistência material ou de Cabe autoria mediata no âmbito da falta grave da
negativa de autoria, o mesmo fato for provado na LEP.
esfera administrativa, mas não o for no processo Quem, de qualquer modo, concorre para uma
criminal. Caso adaptado: João foi condenado pela conduta, incide nas penas a esta cominadas. O
prática de um crime e cumpre pena no presídio. apenado foi responsabilizado por ser o idealizador da
Determinado dia houve uma tentativa de fuga com falta grave, o seu autor mediato.
violência contra os carcereiros. Foi instaurado De acordo com a prova oral produzida durante o
procedimento administrativo disciplinar no qual ficou procedimento administrativo disciplinar, ele
reconhecido que João foi um dos responsáveis pela determinou o transporte de droga e o realizou, não
tentativa de fuga com destruição do patrimônio diretamente, mas pelas mãos da visitante do
público. Dessa forma, ficou reconhecido que João presídio, seu instrumento.
praticou falta grave (art. 50, II, da LEP). Assim, não se pode dizer que tenha havido
Posteriormente, com base nesses mesmos fatos, responsabilização objetiva por ato de terceiro. O
João foi denunciado pelo Ministério Público acusado apenado não foi responsabilizado por ato de terceiro,
de ter praticado o crime do art. 352 do CP. No mas por ter efetivamente concorrido para o
processo criminal, João foi absolvido com transporte de droga e a tentativa do seu ingresso no
fundamento no art. 386, VII, do CPP. A absolvição ambiente carcerário. Ele dominou a vontade alheia e,
criminal só afasta a responsabilidade administrativa desse modo, se serviu da visitante como instrumento
quando restar proclamada a inexistência do fato ou da prática ilícita.

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STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 613729/SP, Rel. Min. em caso de aprovação em todos os campos de
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/04/2021. conhecimento do ENEM.
Se a aprovação foi no ENCCEJA (ensino
fundamental), deve-se dividir as 1.600 horas por
REMIÇÃO DA PENA 12, encontrando-se o resultado de 133 dias,
desprezando-se a fração. Se o apenado obteve
aprovação em todas as cinco áreas de
O art. 126 da LEP não admite a remição de pena
conhecimento, faz jus ao total de 133 dias de
ficta ou virtual, devendo-se demonstrar o efetivo
remição, acrescidos de bônus de 1/3, nos termos
exercício de atividades laborais pelo reeducando.
do art. 126, § 5º, da Lei de Execução Penal,
STF. 1ª Turma. AgRg no HC 202.710, Rel. Min. Cármen
perfazendo o total de 177 dias remidos por
Lúcia, julgado em 30/08/2021
estudo.
STJ. 3ª Seção. HC 602.425/SC, Rel. Min. Reynaldo
A Resolução CNJ nº 44/2013 menciona a carga
Soares da Fonseca, julgado em 10/03/2021 (Info 689).
horária de 1.600 horas para o ensino
fundamental, e 1.200 horas para o ensino médio,
Para o cálculo de dias remidos pelo estudo, a
que se refere ao percentual de 50% da carga horária
Recomendação 44/2013 do CNJ orienta-se pelos
definida legalmente para cada nível de ensino.
parâmetros previstos na Resolução 3/2010 do
Considerando como base de cálculo 50% da carga
Conselho Nacional de Educação, a qual, todavia, deve
horária definida legalmente para o ensino médio,
ser conjugada com a carga horária prevista na Lei nº
ou seja, 1.200 horas, deve-se dividir esse total por
9.394/96, por se tratar de interpretação mais
12, encontrando-se o resultado de 100 dias de
benéfica ao réu.
remição em caso de aprovação em todos os
STF. 2ª Turma. HC 190806 AgR/SC, Rel. Min. Ricardo
campos de conhecimento do ENEM. Se a
Lewandowski, julgado em 30/3/2021 (Info 1011).
aprovação foi no ENCCEJA (ensino fundamental),
deve-se dividir as 1.600 horas por 12,
encontrando-se o resultado de 133 dias, LIVRAMENTO CONDICIONAL
desprezando-se a fração.
Se o apenado obteve aprovação em todas as cinco
áreas de conhecimento, faz jus ao total de 133 Aplica-se o limite temporal previsto no art. 75 do
dias de remição, acrescidos de bônus de 1/3, nos Código Penal ao apenado em livramento
termos do art. 126, § 5º, da Lei de Execução Penal, condicional. O período em que o réu permanece em
perfazendo o total de 177 dias remidos por livramento condicional deve ser considerado para o
estudo. cálculo do tempo máximo de cumprimento de pena
STJ. 3ª Seção. HC 602.425/SC, Rel. Min. Reynaldo previsto no art. 75 do CP. Exemplo: Pedro foi
Soares da Fonseca, julgado em 10/03/2021 (Info 689) condenado a 45 anos de reclusão. Após 15 anos no
cárcere, ele recebeu o livramento condicional. Isso
A Resolução CNJ nº 44/2013 menciona a carga horária significa que ele ficará solto (em período de prova)
de 1.600 horas para o ensino fundamental, e 1.200 até o fim da pena imposta. Logo, o período de prova
horas para o ensino médio, que se refere ao seria, em tese, de 30 anos (45 é o total da pena; como
percentual de 50% da carga horária definida já cumpriu 15, teria ainda 30 anos restantes). Depois
legalmente para cada nível de ensino. Considerando de 25 anos no período de prova, Pedro poderá pedir
como base de cálculo 50% da carga horária definida a extinção da pena já que cumpriu o máximo de pena
legalmente para o ensino médio, ou seja, 1.200 previsto pela legislação brasileira, ou seja, 40 anos,
horas, deve-se dividir esse total por 12, nos termos do art. 75 do CP. STJ. 5ª Turma. REsp
encontrando-se o resultado de 100 dias de remição 1.922.012-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
05/10/2021 (Info 712).

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Material extraído dos informativos (versão resumida),


disponibilizados pelo prof. Márcio Cavalcante no site
https://www.dizerodireito.com.br, e destacados nas
partes mais importantes pela equipe da Legislação
Destacada.

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DIREITO DO CONSUMIDOR A pessoa jurídica que firma contrato de seguro


visando à proteção de seu próprio patrimônio é

STF até Info 1041 e STJ até Info 721 considerada destinatária final dos serviços
securitários, incidindo, assim, as normas do Código
de Defesa do Consumidor.
STJ. 3ª Turma. REsp 1943335-RS, Rel. Min. Moura
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA 1 Ribeiro, julgado em 14/12/2021 (Info 722).

CLÁUSULAS ABUSIVAS 1 O CDC pode ser aplicado ao investidor ocasional

PRÁTICAS COMERCIAIS 1 adquirente de unidade imobiliária.


É possível aplicar o CDC ao adquirente de unidade
RESPONSABILIDADE CIVIL POR FATO DO PRODUTO 3 imobiliária, mesmo não sendo o destinatário final do
bem e apenas possuindo o intuito de investir ou
PLANO DE SAÚDE 4
auferir lucro, com base na teoria finalista mitigada se
CONTRATOS BANCÁRIOS 6 tiver agido de boa-fé e não detiver conhecimentos de
mercado imobiliário nem expertise em incorporação,
construção e venda de imóveis, sendo evidente a sua

INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA vulnerabilidade.


Em outras palavras, o CDC poderá ser utilizado para
amparar concretamente o investidor ocasional (figura
A inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, do consumidor investidor)
VIII, do Código de Defesa do Consumidor é regra STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1786252/RJ, Rel. Min.
de instrução e não regra de julgamento, motivo Antonio Carlos Ferreira, julgado em 17/05/2021.
pelo qual a decisão judicial que a determina deve STJ. 3ª Turma. REsp 1785802/SP, Rel. Min. Ricardo
ocorrer antes da etapa instrutória ou, quando Villas Boas Cueva, julgado em 19/02/2019.
proferida em momento posterior, há que se
garantir à parte a quem foi imposto o ônus a
oportunidade de apresentar suas provas, sob CLÁUSULAS ABUSIVAS

pena de absoluto cerceamento de defesa. STJ. 4ª


Turma. REsp 1.286.273-SP, Rel. Min. Marco Buzzi,
É possível o débito do valor da parcela mínima do
julgado em 08/06/2021 (Info 701)
cartão de crédito, pela operadora, quando previsto
em cláusula contratual
Se o consumidor alega que a assinatura do contrato
Não é abusiva a cláusula do contrato de cartão de
bancário é falsa, a instituição financeira é quem
crédito que autoriza a operadora, em caso de
terá o ônus de provar que é autêntica. Na hipótese
inadimplemento, debitar na conta corrente do
em que o consumidor/autor impugnar a
titular o pagamento do valor mínimo da fatura,
autenticidade da assinatura constante em contrato
ainda que contestadas as despesas lançadas.
bancário juntado ao processo pela instituição
STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.997-RJ, Rel. Min. Marco
financeira, caberá a esta o ônus de provar a
Buzzi, julgado em 01/06/2021 (Info 699)
autenticidade (arts. 6º, 369 e 429, II, do CPC). STJ. 2ª
Seção. REsp 1.846.649-MA, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 24/11/2021 (Recurso Repetitivo - PRÁTICAS COMERCIAIS
Tema 1061) (Info 720)

O seguro contratado por pessoa jurídica para Se a construtora atrasar a entrega do imóvel, o
proteção do seu patrimônio está submetido às adquirente terá direito de ser indenizado por
regras protetivas do CDC. danos materiais e morais?

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O atraso na entrega do imóvel gera direito à Sendo possível ao fornecedor cumprir com a
indenização? obrigação, entregando ao consumidor o produto
DANOS MORAIS: anunciado, ainda que obtendo-o por outros meios,
Em regra, não são devidos. O mero descumprimento como o adquirindo de outros revendedores, não há
do prazo de entrega previsto no contrato não razão para se eliminar a opção pelo cumprimento
acarreta, por si só, danos morais. forçado da obrigação.
Em situações excepcionais é possível haver a Exemplo: Regina comprou um monitor modelo
condenação em danos morais, desde que XYZ456 em site de e-commerce. Ocorre que, um dia
devidamente comprovada a ocorrência de uma depois, ela recebeu um e-mail da loja informando
significativa e anormal situação que repercuta na que não mais havia o produto em estoque e que,
esfera de dignidade do comprador. Ex1: atraso muito portanto, iria haver a resolução do contrato. Regina
grande (2 anos); Ex2: teve que adiar o casamento por pode exigir a entrega do monitor, nos termos do art.
conta do atraso. 35, I, do CDC.
STJ. 3ª Turma. REsp 1654843/SP, Rel. Min. Ricardo STJ. 3ª Turma. REsp 1.872.048-RS, Rel. Min. Nancy
Villas Bôas Cueva, julgado em 27/02/2018. Andrighi, julgado em 23/02/2021 (Info 686).
STJ. 3ª Turma. AgInt-REsp 1.870.773, Rel. Min. Paulo
de Tarso Sansenverino, julgado em 26/03/2021. Optando o adquirente pela resolução antecipada de
STJ. 3ª Turma. AgInt-REsp 1.913.570, Rel. Min. Ricardo contrato de compra e venda por atraso na obra,
Villas Boas Cueva, julgado em 15/06/2021. eventual valorização do imóvel não enseja
indenização por perdas e danos
DANOS MATERIAIS: De acordo com o art. 43, II, da Lei nº 4.591/64, o
O atraso pode acarretar a condenação da incorporador deve responder civilmente pela
construtora/imobiliária ao pagamento de: execução da incorporação, devendo indenizar os
a) dano emergente (precisa ser provado pelo adquirentes dos prejuízos que a estes advierem do
adquirente); fato de não se concluir a edificação ou de se retardar
b) lucros cessantes (são presumidos; o adquirente injustificadamente a conclusão das obras. Eventual
não precisa provar). Os lucros cessantes devem ser valorização do imóvel não se enquadra no conceito
calculados como sendo o valor do aluguel do imóvel de perdas e danos. Não representa uma diminuição
atrasado. Isso porque: do patrimônio do adquirente, nem significa a perda
• o adquirente está morando em um imóvel alugado, de um ganho que se devesse legitimamente esperar.
enquanto aguarda o seu; ou O suposto incremento do valor venal do imóvel
• o adquirente não está morando de aluguel mas não decorre, de forma direta e imediata, da
comprou o novo imóvel para investir. Está perdendo inexecução do contrato, mas de fatores
“dinheiro” porque poderia estar alugando para extrínsecos, de ordem eminentemente
alguém. econômica. A frustração da expectativa de lucro pela
STJ. 3ª Turma. REsp 1662322/RJ, Rel. Min. Nancy suposta valorização não decorre de ato compulsório
Andrighi, julgado em 10/10/2017. imposto pelo vendedor, mas da opção pela resolução
antecipada do contrato livremente exercida pelo
A impossibilidade do cumprimento da obrigação de adquirente. Em outras palavras, o comprador deixou
entregar coisa, no contrato de compra e venda, que é de experimentar esse lucro da valorização do imóvel
consensual, deve ser restringida exclusivamente à porque escolheu o desfazimento do contrato.
inexistência absoluta do produto, na hipótese em STJ. 3ª Turma. REsp 1.750.585-RJ, Rel. Min. Ricardo
que não há estoque e não haverá mais, pois Villas Bôas Cueva, julgado em 01/06/2021 (Info 699)
aquela espécie, marca e modelo não é mais
fabricada.