Das Sociedades Anônimas no direito brasileiro Maxwell Zavanella Rosa Aluno do 2º ano do Curso de Direito da Unesp (Franca-SP) Sumário

: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Introdução Características gerais Classificação e constituição Valores mobilários e o capital social Órgãos sociais e a administração da sociedade Lucros, reservas e dividendos O fim da Companhia ou sua reorganização Conclusão

A história do comércio se confunde com a história da humanidade. Hoje letras e números, imprescindíveis na prática comercial, nem ainda existiam enquanto os homens já se organizavam para cambiar produtos de seus interesses. Com o evoluir típico de nossa espécie, o comércio foi sendo naturalmente aprimorado, assim como as sociedades. Novas necessidades foram surgindo, como a organização dos homens dentro da sociedade por via de regras que também se desenvolveram. Assim aos poucos o comércio, parte intrínseca das sociedades se viu legislado pelo Direito e inseparável do homem. Antes da formação do império Romano (que sabiamente usavam a moeda) alguns povos já utilizavam títulos monetários rústicos. Estes foram sendo desenvolvidas e vastamente utilizadas em posteriores civilizações. Na Baixa Idade Média já era comum a utilização de bancos e títulos de créditos. As navegações permitiram que os povos se comunicassem e as trocas de mercadorias, ao mesmo tempo que incentivaram o desenvolvimento de tal prática se viram dinamizadas, gerando riquezas e desenvolvimento em muitos lugares, gerando conflitos e tráfico em outros e, posteriormente, desbravando continentes. As revoluções industriais

permitindo novos modelos de sociedades. surgiram novos investimentos e fontes de captação de recursos. o ouro e os diamantes. posteriormente. as sociedades por ações se expandiram e adquiriram importância devido a sua capacidade de atrair . deixou para o século XX a industrialização de nosso país. e organizaram os trabalhadores em linhas de produção. das quais o Brasil não faz parte. com algumas poucas exceções. mas não conseguiu se sustentar falindo na década de oitenta do século XX. promoveram trabalho escravo nas lavouras de cana. se perdeu em meio ao liberalismo e ressurgiu no que foi chamado de Estado Social e atualmente está ligado à uma nova tendência européia chamada de neoliberalismo. movido ainda pela mão-de-obra escrava e logo em seguida imigrante. A verdade é que em alguns lugares do Mundo o Capitalismo prosperou e caiu. visto que era uma colônia submetida aos interesses de seus desbravadores portugueses que daqui levaram varias riquezas como primeiramente o pau-brasil que deu nome a essa terra e. O que nos chega hoje no início do terceiro milênio é um Mundo capitalista. engenhos e minerações e muito pouco investiram em nossa terra. o Brasil se viu um país agrícola com o ciclo do café. que os faziam trabalhar de modo mais proveitoso e econômico. O socialismo. e sim ao bem-estar de todos. Nesse momento a economia mundial se viu revolucionada por novos modos de investimento e de arrecadação de lucros. também foram desenvolvidas várias teorias filosóficas. por sua vez. dizimaram indígenas. A liberdade dos negros veio pouco antes da República que. e também no brasileiro. Os comércios e as indústrias se organizaram. No cenário mundial. Como foi o que aconteceu no século XIX com as idéias de Karl Marx que pregava um mundo dominado pelos proletários onde não se visaria ao lucro. que primeiro tomou a Rússia por meios revolucionários. Com esse desenvolver da economia mundial. já que todos são iguais.permitiram a fabricação de produtos em larga escala com a utilização de máquinas. Umas condenando alguns modelos. O histórico comercial brasileiro não é longo. políticas e sociológicas. outras dissertando sobre a importância e sua fundamental aplicação nas sociedades. Tomaram força as Bolsas de Valores. Com a independência. representou praticamente metade do planeta após a Segunda Guerra Mundial.

o comércio em nosso país. assim como praticamente no Mundo inteiro é assistido pelo Direito sempre baseado nos costumes. Uma sociedade é o conjunto dos sócios. Com o falecimento de um acionista (hipótese esta que será retomada ao tratarmos posteriormente das dissoluções) naturalmente seus herdeiros terão acesso aos títulos da ação. que são duas: a sociedade em comandita por ações e a sociedade anônima. Não está na alçada de competência de nenhum acionista impedir a entrada de quem adquire ações da empresa da qual faz parte no quadro associativo. são livremente negociáveis. de 15/12/1976). na prática. será o objetivo principal deste trabalho. parece estranho o uso do termo ‘anônima’ a este modelo societário pelo fato do nome (mais a frente veremos que o termo correto é “denominação”) da sociedade não ser oculto ou obscuro. A sociedade anônima. não o poderia deixar de ser no Brasil Mesmo tendo existido Códigos Comerciais desde o Império. Há situações em que se viu por necessário a implantação de legislação especial em assuntos de Direito Comercial. que são as ações. também conhecida por “companhia”. é uma sociedade de capital. Entender melhor a sociedade anônima. As sociedades por ações.investimentos para a atividade que os sócios se propunham e devido à viabilidade de trabalho nas mais variadas áreas. CARACTERÍSTICAS GERAIS Para muitos. sendo assim. Também não será cabível aos . dentro do Direito Brasileiro. A Doutrina nos explica que a sociedade é anônima porque assim o são seus sócios. são partes essenciais da economia de qualquer país do Mundo e do funcionamento da economia globalizada. Os títulos representativos da participação societária. Ao surgir. como foi o caso da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6404. a sociedade anônima já tem um modo de ser chamada publicamente. Hoje o Direito Brasileiro regula o Comércio através do Código Civil em vigor desde 2003.

etc. A sociedade anônima deverá sempre ser designada por denominação. que são instituições de natureza civil. a companhia será sempre empresária. O objeto social da companhia deve vir explicitado em seu respectivo artigo estatutário de modo preciso. “valor patrimonial”. Caberá à assembléia geral ou ao conselho de administração quando se tratar de emissão de novas ações. Essa denominação deve vir acompanhada da expressão “sociedade anônima” – cabendo abreviação e podendo vir em qualquer ordem – ou “companhia”. de usufruto. Portanto as associações. doação. e acaba equivalendo à contribuição do acionista para o capital social. mesmo que suas atividades sejam inteiramente de natureza civil. estão impossibilitadas de se registrarem sob a designação de sociedades anônimas. Há também a necessidade que a finalidade dessa sociedade seja voltada à obtenção do lucro. bem como o limite de sua responsabilidade subsidiária) e os termos “valor nominal”. Automaticamente este sucessor fará parte da sociedade anônima como acionista. Ainda de acordo com o primeiro artigo: “a responsabilidade dos sócios o acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”. Por critérios legais. conforme reza o caput artigo 3º da LSA. venda. “valor de negociação” e “valor econômico”. Vale ainda ser ressaltada a diferença técnica entre preço de emissão (que é o preço pago por quem subscreve a ação. de fins não lucrativos. De acordo com o artigo 1º da Lei da Sociedades por Ações (LSA). São os fundadores que fixam o preço de emissão na constituição da companhia. que também poderá vir na forma abreviada porém nunca será admitida ao final. para a configuração de uma sociedade como anônima é imprescindível que seu capital seja dividido em ações. que normalmente são representados por títulos negociáveis. Os atos constitutivos devem sempre ser arquivados na Junta Comercial.sucessores do acionista morto pleitear a ação dos haveres deste. o que quer dizer que ao pagar a por inteiro suas ações. de penhor ou caução. ao acionista não resta nenhum tipo de débito com a sociedade ou com os credores. que podem ser objeto de compra. o uso de uma exclui o uso da .

no mercado de negociação da bolsa de valores. seja por meios judiciais. Caberá ao CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a concessão desse registro. necessária em outros modos societários. seja por meios administrativos. e seu funcionamento é monitorado pela CVM. o decreto-lei n. Se ocorrer. É o Banco Central que permite sua criação.2627. CLASSIFICAÇÃO E CONSTITUIÇÃO A classificação entre aberta ou fechada. exercer a supervisão e o controle do mercado de capitais. A Bolsa de Valores é uma entidade privada. além de demandar as perdas e danos resultantes. São comercializados por sociedades corretoras e instituição financeira ou sociedades intermediárias . poderá a parte prejudicada requerer o direito de modificação. O nome de algum acionista. nos demais casos será fechada.outra. ela conta com monopólio territorial e exerce um serviço público. ou no mercado de balcão. Aqui se pretende deixar claro não ser obrigatório essa prática. fundador ou qualquer outra que por ventura possa ser homenageado poderá figurar na denominação. Se a companhia admite que os valores mobiliários de sua emissão sejam negociados será considerada aberta. É dever da CVM juntamente ao Banco Central. Já o mercado de balcão representa todo tipo de negociação de valores mobiliários fora da Bolsa. essa prática não é mais obrigatória. formada pela associação de sociedades corretoras. reside na disponibilidade ou não dos valores mobiliários de uma sociedade por ações. obrigava haver na denominação a indicação dos fins sociais. Uma companhia ter seus valores mobiliários admitidos na bolsa de valores ou no mercado de balcão representará maior liquidez do investimento representado por tais títulos. Porém será necessária uma permissão prévia do governo federal para que essa sociedade esteja apta a tal prática. de acordo com diretrizes traçadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Em 1940. devido a sua inviabilidade prática. Uma sociedade não pode usar denominação idêntica a de outra.

De acordo com o Decreto-lei n. por parte da companhia. Há algum tempo era necessário que o capital social fosse subscrito por no mínimo sete acionistas para haver validade da constituição. A antiga lei do anonimato ainda rege empresas constituídas de acordo com legislação estrangeira. sendo a subscrição irretratável. A bolsa de valores só trabalha com o mercado secundário (venda e aquisição de valores mobiliários). A emissão de novas ações e outras subscrições de valores mobiliários só pode ser feita no mercado de balcão por se tratar de mercado primário. o projeto do estatuto e o . A constituição deverá ser registrada na CVM. A constituição de uma sociedade anônima deve atender a algumas etapas. em seu artigo 60.autorizadas. na pessoa de seus fundadores. Não será importante ser considerada a nacionalidade do capital ou dos acionistas. 19. 1. Há dois modelos de constituição previstos pela legislação especializada: a constituição por subscrição pública. Após verificar a viabilidade econômica e financeira do empreendimento. vol. de acordo com Fábio Ulhoa Coelho. que busca. Hoje é exigido somente dois acionistas como o mínimo. em que não há o apelo. mantido pela LSA em seu artigo 300. em sua obra Curso de Direito Comercial. A regulamentação da emissão pública de ações está no art. de 1940 (antiga legislação do anonimato). A subscrição é uma dessas etapas. Todas as ações que representem o capital social devem estar subscritas. § 3º. ou com sede de administração no exterior. “ela se trata de um contrato plurilateral complexo pelo qual uma pessoa se torna titular de uma ação emitida por uma sociedade anônima”. Esta por sua vez usará critérios técnicos para analisar o pedido de registro. 2627. recursos para a constituição da sociedade junto a investidores. Uma sociedade tem que atender a alguns requisitos para ser considerada brasileira. ao público investidor. e a constituição por subscrição particular. da Lei n.6385/76.. uma companhia é nacional se for constituída de acordo com a legislação brasileira e tendo no Brasil a sua sede administrativa.

Pode ocorrer nessa mesma assembléia a deliberação sobre a constituição. os fundadores convocarão a assembléia de fundação. A ação é um exemplo. e todos os acionistas de qualquer espécie ou forma. Já na assembléia de fundação os subscritores poderão deliberá-la. terão direito a voto. proclama-se a constituição e elegem-se os administradores e fiscais. VALORES MOBILIÁRIOS E CAPITAL SOCIAL Os valores mobiliários são títulos de investimento lançados pela sociedade anônima visando a arrecadação de recursos necessários. A constituição por subscrição particular se dá de maneira mais simples. porém devido a sua importância será observada com mais detalhes a frente. Assim que todo o capital estiver subscrito . a CVM terá capacidade jurídica para indeferir o registro alegando inviabilidade ou temeridade da empresa. nessa oportunidade. Logo em seguida. cabendo aos fundadores assinar o projeto do estatuto. o que permitirá à companhia a exploração de suas atividades comerciais regularmente. Estes deverão contratar uma instituição financeira para intermediar junto à CVM a colocação de ações no mercado. À instituição financeira caberá o trabalho de oferecer ao público investidor as ações. Ou então poderá ser realizada por escritura pública.prospecto. Os requisitos de seu conteúdo estão predefinidos no artigo 88 da Lei das Sociedades por Ações Para ambas as modalidades de constituição há requisitos complementares previstos em lei como o registro e publicação dos atos constitutivos. sendo que todos subscritores deverão assinar a escritura pública. quando serão avaliados os bens oferecidos para a integralização. ou também inidoneidade dos fundadores. os . A segunda etapa da constituição sucessiva é a subscrição das ações que representarão o capital da sociedade.

51 da LSA) são títulos negociáveis sem valor nominal e estranhos ao capital social e com prazo de duração. As notas promissórias são alternativas para captação de recursos a curto prazo (de 30 a 180 dias). As debêntures podem ser convertidas em ações. podem conter cláusula de correção monetária podem conter a seu titular juros. 46 ao art. Excepcionalmente. que conferem a seus titulares direito de crédito não eventual contra a companhia. gozar de preferência. também conter clausulas de conversão em ações. Não são previstas pela LSA. 134. consistente na participação de lucros a cada ano da companhia emissora. que é o valor do capital social. ter garantia real ou flutuante. podem ter o pagamento estipulado em moeda estrangeira. Conferem a seus titulares direito e crédito eventual. participação no lucro da companhia e reembolso. o bônus de subscrição e a nota promissória. As partes beneficiárias (art. Caberá ao estatuto fixar a participação (que não passará de 10% dos lucros) e o prazo de duração. ser amortizadas parcialmente e ter resgate antecipado. Para a sociedade anônima é interessante a emissão de debêntures no mercado. podemos definir debêntures como títulos negociáveis com valor nominal e estranhos ao capital social. de 1990 disciplinada pela CVM. As partes beneficiárias podem ser vendidas ou doadas pela companhia. Esse titulo é muito pouco usado no Brasil. entretanto foram regulamentados pela Instrução n. Porem há um limite em sua emissão. .outros valores mobiliários são as debêntures. podendo. fixos ou variáveis. De acordo com a LSA. quando há a necessidade de captação de novos recursos e a companhia não prefere as opções de emitir novas ações ou pedir empréstimos a instituições financeiras. as partes beneficiárias. Os bônus de subscrição permitem a seu possuidor (que paga o preço de emissão equivalente por esse título) subscrever ações da companhia emissora se houver um futuro aumento de capital desta.

Só podem ser emitidos após o arquivamento dos atos constitutivos na Junta Comercial e sua publicação. 173). As ações de fruição são emitidas em substituição a ações integralmente amortizadas. . O capital social de uma empresa geralmente é integralizado em dinheiro. Os certificados são instrumentos materiais que representam as ações. ao portador ou escriturais. endossáveis. ambas eram desprovidas de certificado. as ações preferenciais conferem a seus titulares vantagens especiais como a prioridade na distribuição de dividendos. Nesses casos a emissão das ações deverá esperar tal permissão. preferenciais ou de fruição. contudo é possível que haja integralização com bens (o que demanda um procedimento de avaliação especial regrada pelo art. Em 1990. a emissão de valores mobiliários e a capitalização de recursos e reservas.As ações são valores mobiliários que representam o capital social e conferem a seus titulares direitos e deveres. As ações são ordinárias. a Lei 8021 extinguiu as formas ao portador e endossáveis. O aumento desse capital pode ser previamente autorizado pelo estatuto dentro de certo limite. art. Quando há superdimensionamento (excesso de capital social) e irrealidade do capital social pode-se falar em redução do capital social da companhia (LSA. A ação endossável é um tipo de nominal porem contém a particularidade de ser transferível por endosso em preto ou em branco. A ação é nominativa quando o nome de seu titular figura no respectivo certificado. As formas mais comuns de expansão de capital da sociedade anônima são: a emissão de ações. Há casos em que é necessária uma autorização governamental para que se autorize o funcionamento da companhia. 8º da LSA) ou créditos. As ações ordinárias são obrigatórias e conferem a seus titulares os direitos de acionista comum. que é conhecido como capital autorizado. Pela LSA as ações eram classificadas em nominativas. elas podem conferir direito a voto a seus titulares.

Trata-se de colegiado de caráter deliberativo. Suas atribuições estão expressas no art. O estatuto especificará o diretor responsável pela representação . o conselho de administração (LSA capitulo XII. no lapso de um ano predefinido no estatuto). Tal conselho deverá ter o mínimo de três integrantes que trabalharão num mandato inferior a três anos. É de caráter executivo e compete-lhe a representação legal da companhia. a diretoria (LSA capitulo XII. 132 da LSA. seção II) e o conselho fiscal (capítulo XIII). se este não houver). Os diretores não precisam ser acionistas e serão escolhidos pelo conselho administrativo (e pela assembléia geral. necessariamente serão acionistas e serão eleitos (e possivelmente reeleitos) ou destituídos do cargo pela assembléia geral.ÓRGÃOS SOCIAIS E A ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE Os principais órgãos da sociedade anônima são: a assembléia geral (LSA. Os membros. A assembléia geral é o poder supremo da companhia. capítulo XI). A ação contra decisão tomada em uma assembléia prescreve em dois anos. A assembléia geral extraordinária é facultativa e sem época para ser realizada. nas de capital autorizado e nas de economia mista. com mandato de no máximo três anos. da qual emanam as diretrizes. 122 da LSA. Suas competências estão dispostas no art. A existência do conselho de administração é facultativa (assim como será facultativo o conselho fiscal). Os diretores são destituíveis pelo órgão que os escolher. A assembléia geral ordinária é realizada quatro meses após o término do exercício social (atividade empresarial. seção I). A diretoria não é um órgão de existência facultativa. O número de membro deverá ser de no mínimo dois. a não ser nas companhias abertas. A deliberação de assuntos de interesses da empresa demandará um quorum diferente para cada situação.

ao dever de lealdade (não usar. A própria companhia poderá por vias judiciais pedir a responsabilização do administrador por prejuízo causado. demonstração da origem e aplicação dos recursos. qualquer diretor será apta a representar legalmente a sociedade anônima. demonstração dos lucros acumulados. porém seu funcionamento é facultativo. RESERVAS E DIVIDENDOS . demonstração do resultado do exercício. Tais funcionários da companhia deverão atentar ao dever de diligência (administrar com prudência atendendo os objetivos da companhia e a função social da empresa). em assembléia geral ordinária deverão analisar são as seguintes: balanço patrimonial.legal da companhia. Seus membros são reelegíveis. informações conseguidas através de seu cargo) e o dever de informar (divulgar decisões que possam influir na decisão dos investidores de mercado mobiliário). Tem suas funções especificadas na LSA em seu artigo 163. ao fim do exercício legal. As demonstrações financeiras que os acionistas. A LSA definiu. Esse tipo de ação prescreve em três anos. para si ou para outrem. em seus artigos 145 a 160. Os administradores poderão responder civilmente e penalmente. LUCROS. As de companhia aberta devem ser objeto de auditoria por auditor registrado na CVM. As demonstrações financeiras devem ser assinadas por todos os administradores e por um contabilista. O administrador poderá responder por culpa ou dolo por ato ilícito ou por prejuízo que causar. além de administrativamente na CVM. como administradores tanto os membros do conselho administrativo. O conselho fiscal é de existência obrigatória. Caso não haja tal especificação. É destinado à fiscalização dos outros órgãos. quanto os diretores.

O restante dessa dedução será chamado de lucro líquido e será destinado a ficar nas mãos da própria sociedade ou se tornará título de dividendos. se os acionistas. Tal divisão só não ocorrerá em sociedade anônimas de capital fechado. distribuição de dividendos ou aumentar o Capital social através de capitalização. Caberá a diretoria sugestionar o melhor destino para o lucro restante do exercício. a ser definida pelo estatuto. Será da assembléia geral a competência de analisar a proposta da diretoria e decidir entre constituição de reserva de lucro. Deve-se observar que essa cota não se trata do dividendo obrigatório (sempre dividida entre os acionistas). Nas de capital . administradores e partes beneficiárias. 5% serão destinados à formação da “reserva legal” (desde que não ultrapasse 20% do capital social). esta reserva deverá ser prevista no orçamento. esse tipo de reserva será chamada de “reserva de contingência”. É uma aplicação obrigatória. por deliberação da assembléia geral por unanimidade. nessa ordem. Por fim. A “reserva de lucros a realizar” será destinada a evitar a distribuição de recursos que deverão fazer parte do próximo exercício por parte dos acionistas. A assembléia geral poderá destinar parte do lucro líquido à formação de reservas prevendo futura queda de rendimento. A isso dá-se o nome de “dividendos obrigatórios”. Uma parte do lucro ficará necessariamente retida na companhia através do que é chamado de reserva legal. Há cinco tipos de reserva de lucros. A “retenção de lucros” também partirá da assembléia geral. por cautela ou por necessidade específica da companhia poderão lançar mão de reservas “estatutárias” Para impedir que os acionistas majoritários investissem o capital da sociedade sem repassar aos acionistas minoritários.Do resultado do exercício deverão ser deduzidos. De restante devem ser deduzidas as participações estatutárias de empregados. e a provisão para o imposto de renda. a LSA inovou obrigando em seu texto legal que seja distribuído entre todos os acionistas uma parcela do lucro líquido. Do lucro líquido. sendo assim distribuído entre os acionistas. primeiramente os prejuízos acumulados.

fusão e cisão. Há dissolução também por parte de autoridades administrativas competentes legisladas por legislação especial. Não acarreta dissolução e liquidação. Caberá aos sócios adotar o modelo que mais se adequa à atividade praticada.aberto somente em casos em que a situação financeira não for compatível com o pagamento. Só acontece extinção direta quando não resta nada a liquidar. A liquidação vem depois da dissolução. É importante observar que a transformação não extingue a personalidade jurídica nem cria outra. pára suas atividades normais visando a seu desaparecimento A dissolução na sociedade anônima ocorre nos casos de término da duração. a isso dá-se o nome de “extinção”. realiza os ativos. Assim que se encerra a liquidação. Também em casa e falência. As sociedades podem se reorganizar através de quatro modalidades. que analisaremos em seguida. embora conservando a personalidade jurídica. O FIM DA COMPANHIA OU SUA REORGANIZAÇÃO O procedimento para uma sociedade anônima se extinguir passa pela dissolução. com previsão do estatuto. Pode também haver dissolução por vias judiciais quando qualquer acionista propuser ação anulando a constituição. A não ser quando o ato constitutivo admite . paga os passivos partilha o remanescente entre os sócios. por deliberação da assembléia geral e pela extinção da autorização para funcionar. É uma serie de atos que ultima os negócios sociais. Na dissolução. hipótese difícil de se ver realizada. liquidação. a companhia deixa de ser pessoa jurídica. A transformação é a mudança do tipo societário. Ou então através da incorporação.

Através do trabalho exposto procurou-se demonstrar a sua viabilidade para receber grandes investimentos e sua grande capacidade de produzir e gerar o lucro. A cisão consiste na transferência de parte do patrimônio social de uma sociedade para outra ou mais sociedades. Como dito anteriormente. permitem que qualquer um (dentro dos requisitos necessários) adquirente configure em seu quadro societário. A crise de 1929. após a primeira Guerra Mundial. inclusive dos detentores de ações preferenciais sem direito a voto. Seus títulos. a menos que se garanta o resgate dos valores mobiliários nos seis meses seguintes à operação. Sua organização garante ao praticante da atividade empresaria a tomada certa de decisões através das várias estratificações previstas pela LSA. Elas são condicionadas a aprovação do CADE (Conselho Administrativo Defesa Econômica) sempre que a empresa tiver participação relevante no mercado. nos três últimos casos há o fim da personalidade jurídica de pelo menos uma das sociedades. até serem responsáveis por grandes crises econômicas de nossa história.transformação o procedimento exige unanimidade de todos os acionistas. tendo um histórico adverso. foi fundamental para maior maturidade do setor. As ações e suas negociações são partes intrínsecas da economia mundial. há a união de duas ou mais sociedades dando origem a uma nova. desde serem consideradas uma fonte de dinheiro rápido através de investimento a curto prazo. CONCLUSÃO A Sociedade anônima tornou-se peça fundamental na economia globalizada. após a quebra da bolsa de Nova Iorque. livremente negociáveis. As empresas que emitem debêntures também estarão condicionadas a aprovação dos debenturistas reunidos em assembléia. A incorporação é o processo através do qual uma companhia absorve outras. pois a falência decorrida por um investimento desenfreado . enquanto na fusão.

volume 1. volume 1 – São Paulo: Saraiva. ed. – São Paulo: Saraiva. 1998. Tullio. dá-se de maneira muito mais controlada. volume 2. BIBLIOGRAFIA: COELHO. Fábio Ulhoa. ed. 6. ed. Fábio Ulhoa. nº 6. Problemas das sociedades anônimas e direito comparado – Campinas: Bookseller. 1999. Curso de Direito Comercial. ASCARELLI. Comentários à lei de sociedades anônimas.em um mercado tão abstrato. Waldirio. e atual. e atual. Curso de direito comercial. que nos chega no início do Terceiro Milênio. 1977. Manual das Sociedades Anônimas. mostrou ao Mundo que as ações podem ser e são ótimas modalidades de investimentos. – São Paulo: Saraiva. mas não a febre de outrora. 2004. 1995.A. 7. REQUIÃO. Lei das S.4040 de 15 de dezembro de 1976. depois de tantas crises e choques. – São Paulo: Saraiva. – São Paulo: Atlas. Ver. Modesto. .ed. 2002. 7. Curso de Direito Comercial. ver. Rubens. CARVALHOSA. Porém novamente o Mundo se veria em volta da crise por causa de investimentos em mercado de ações. COELHO. volume 2. durante o segundo mandato do republicano Reagan nos Estados Unidos. 20. – São Paulo: Atlas. 10. BULGARELLI. principalmente para fins trabalhistas e tributários.ed. 2000. Todo o desenvolvimento do mercado de Bolsa de Valores adquirido.

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