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CAPACIDADE ELEITORAL

Os direitos políticos se dividem em capacidade eleitoral ativa e capacidade eleitoral passiva.

Capacidade Eleitoral ATIVA


Representa a capacidade de votar.
Adquirida com o procedimento administrativo chamado alistamento eleitoral.
Com o alistamento eleitoral, a pessoa se torna cidadão.
O alistamento eleitoral e o voto podem ser:
a) obrigatório: para os + 18 e - 70 alfabetizados.
Ou seja, não é obrigatório para todos os + de 18 anos.

b) facultativo: para os + 16 e - 18, os analfabetos, os + 70 anos, os inválidos e aqueles fora do país.


- Analfabeto é quem não sabe ler e nem escrever o nome.
- Tanto o alistamento quanto o voto são facultativos. A pessoa pode se alistar sem a obrigação de votar.

c) vedado: para os estrangeiros, para o militar (conscrito) durante o serviço militar obrigatório, para os
– 16 e para os presos condenados. (CF88, art. 14, § 2º)

O preso
a) Preso condenado: NÃO pode votar. (o trânsito em julgado de sentença criminal condenatória
suspende os direitos políticos, tanto ativos como passivos).
b) Preso Provisório: pode votar.
(ele ainda não obteve uma sentença condenatória transitado em julgado).
Também não são obrigados a votar os enfermos, os que se encontrem fora do seu domicílio e os
funcionários civis.

Capacidade Eleitoral PASSIVA - ELEGIBILIDADE


São as Condições de Elegibilidade (CF88, 14, § 3º)
Tem a natureza jurídica de requisitos para o exercício da capacidade eleitoral passiva.
Condições Necessárias No MOMENTO DO PEDIDO DO REGISTRO (5 de julho)
Ser brasileiro nato, naturalizado ou português equiparado.
O português equiparado é equiparado ao brasileiro naturalizado, amparado
pelo Estatuto da Reciprocidade entre Brasil e Portugal.
Para efeito de Prova: Em regra, estrangeiro NÃO pode se candidatar. Mas
1º - Cidadania excepcionalmente pode. É o caso do português equiparado.
Brasileira Exceção: (CF88, art. 12, § 3º, I) os cargos que só aceitam brasileiro nato:
Presidente da República e Vice (cargos eletivos) (SEMPRE CAI EM PROVA)
Observação: os demais cargos privativos de brasileiro nato do art. 12, §3º da
CF, NÃO são cargos eletivos (Pres. CD / Pres. SF / Ministro STF / diplomata /
oficial das Forças Armadas / Ministro de Estado da Defesa).= SÃO 6 (SEIS)

Significa não ter nenhum impedimento quanto a votar e ser votado.


A pessoa para ser candidato deve estar no pleno gozo dos direitos políticos na
data do pedido do registro (feito até 19h do dia 05 de julho do ano eleitoral), e
NÃO na data da posse.
Exemplo fático: Collor teve sua candidatura à Prefeito de SP vetada por esse
3º - Pleno motivo, mesmo alegando que, caso fosse eleito, na data da posse estaria
Exercício Dos novamente em pleno gozo dos direitos políticos.
Direitos Políticos Prazo: 3 anos após cumprimento da pena.
A suspensão dos direitos políticos incide na capacidade eleitoral ativa e passiva.
Por outro lado, quando alguém é inelegível, ele está impedido apenas de ser
candidato, mas ele pode votar, mesmo não estando no pleno gozo dos direitos
políticos. > ser inelegível não se confunde com suspensão dos direitos políticos.
É vedada a cassação dos direitos políticos no Brasil.
2º - Alistamento Tem a natureza jurídica de procedimento administrativo.
Eleitoral A partir do alistamento eleitoral, adquire-se a condição de cidadão brasileiro.
Condições Necessárias 1 ANO ANTES DA DATA DA ELEIÇÃO (Pleito Eleitoral)
NÃO se confunde com domicílio civil.
Não é necessário morar no domicílio eleitoral.
O candidato deverá obrigatoriamente ter 1 ano de domicílio eleitoral na
circunscrição em que ele concorrerá (setembro do ano anterior à eleição) em
relação à data da eleição, NÃO à data do pedido do registro (julho).

Exemplo: candidato a prefeito de Vitória transferiu seu domicílio eleitoral para


essa cidade em setembro de 2009. Em julho de 2010 ele entrou com pedido
Domicílio Eleitoral de candidatura a Prefeito. Mesmo não tendo completado 1 ano de domicílio
na Circunscrição eleitoral nessa cidade, seu pedido será deferido pois, na data da eleição em 03
outubro, ele terá SIM completado 1 ano de domicílio eleitoral em Vitória.

Circunscrição:
a) na eleição municipal é o município
b) na eleição federal e estadual é o estado
(pois cada deputado federal e senador representa o seu Estado)
c) na eleição nacional (para Presidente) é o País.
NÃO há transferência de domicílio eleitoral dentro do mesmo município,
apenas para outro município.
Revisão do Título é a mudança do local de votação (zona eleitoral) dentro do
mesmo município.
A filiação partidária é obrigatória no mínimo de 1 ano antes da eleição.
Havendo fusão ou incorporação de partidos após esse prazo (1 ano), será
considerada, para efeito de filiação partidária, a data de filiação do candidato ao
partido de origem.
O estatuto de cada partido pode estabelecer um prazo maior.
Filiação Partidária É proibida a mudança desse prazo durante o ano eleitoral.
É proibida a candidatura avulsa (sem partido).
A titularidade do mandato é do partido, e NÃO do candidato. (STF e TSE)
Caso uma lei infraconstitucional sancionar a dupla filiação partidária com a
nulidade de ambas, NÃO ficará configurada hipótese de inelegibilidade
perante a CF88. O candidato poderá SIM concorrer ao cargo político. Apenas
será cancelada uma de suas filiações partidárias.
Condições Necessárias na DATA DA POSE

Idade Legislativo Executivo Judiciário


35 anos Senador Presidente + Vice ----------
30 anos ---------- Governador + Vice ----------
21 anos Deputado Prefeito + Vice Juiz de Paz
Idade Mínima
Federal ou Estadual
18 anos Vereador ---------- ----------

Observação:
Para ser PRESIDENTE da CÂMARA DOS DEPUTADOS o deputado deve ter
35 anos.
O cidadão com mais de 70 anos pode ser candidato. Ex: Sarney.
O semianalfabeto (sabe escrever o nome) pode ser candidato a vereador.
INELEGIBILIDADE
É o impedimento ao exercício da capacidade eleitoral passiva.
As causas de inelegibilidade encontram-se somente na CF88 e na Lei Complementar 64/90.
Ou seja, não podem estabelecer causa de inelegibilidade qualquer outro dispositivo.
(CF 88, art14, § 9º) Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua
cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato
considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência
do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego
na administração direta ou indireta.
Inelegibilidade na CF88 (art. 14, §§ 4º a 7º)

INELEGIBILIDADE ABSOLUTA
Os inalistáveis e os analfabetos
Os inalistáveis são aqueles que NÃO podem votar: estrangeiros, menores de 16, os conscritos
durante o serviço militar obrigatório e os presos condenados.
As hipóteses de inelegibilidade absoluta podem ser estabelecidas somente pela CF88, pois
constituem restrições a direitos políticos.

INELEGIBILIDADE RELATIVA
As hipóteses de inelegibilidade relativa podem ser estabelecidas tanto pela CF88 como por lei
complementar.
Vale APENAS para os CHEFES do Poder EXECUTIVO (PR, Governador, Prefeitos e seus Vices)

Inelegibilidade por Reeleição


- (CF, art. 14, § 5º)
O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os
houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subsequente.
- Eles são inelegíveis, apenas para 3º mandato (após reeleição, para o mesmo cargo, na mesma
circunscrição no período subsequente).
- Suma:
O PR, os Governadores, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos
mandatos (do 1º mandato) poderão ser reeleitos para um único período subsequente.
(Emenda Constitucional 16/97)
Desincompatibilização
- Para concorrerem a outros cargos, o PR, os Governadores e os Prefeitos devem renunciar aos
respectivos mandatos até 6 meses antes do pleito.
- Quanto ao Vice, para concorrer a outros cargos, ele NÃO precisa se desincompatibilizar
(renunciar). Porém, se ele exerceu o cargo (substituiu o Chefe do Executivo) nos 6 meses anteriores
ao pleito, ele se torna inelegível para outros cargos, podendo se eleger apenas para Chefe do
Executivo.
Inelegibilidade Reflexa
(CF, art. 14, § 7º)
“São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o CÔNJUGE e os PARENTES consanguíneos ou
afins, até o 2º GRAU ou por ADOÇÃO, do Presidente da República, de Governador de Estado ou
Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, SALVO se JÁ TITULAR de MANDATO eletivo E CANDIDATO À REELEIÇÃO.”
>>> por adoção = significa adotados ou parentes oriundos de outro casamento <<<
- Regra: cônjuge e parente afim ou consanguíneo até 2º grau do Chefe do Executivo é INELEGÍVEL
na MESMA CIRCUNSCRIÇÃO.
- Essa regra vale também para QUEM SUBSTITUIR o Chefe do Executivo:
Os substitutos do Presidentes da República seguem a respectiva ordem de sequência:
>> Vice > Presidente da CD (deputado) > Presidente do SF (senador) > Presidente do STF (Ministro).
“Vixe... a Câmera é do Deputado. Chama os Federais! Senão Tamo Ferrado!!!”
- A esposa do Presidente da República não pode se candidatar a NENHUMA CARGO.
Isso porque o cargo de Presidente da República é cargo Nacional. Ou seja, abrange a circunscrição
de todo o País.
- A esposa do Prefeito de uma Capital pode se candidatar a Governadora do mesmo Estado.
Pois são circunscrições diferentes. A circunscrição do Prefeito é apenas o município, NÃO abrange o
Estado. O contrário NÃO vale, pois a circunscrição do Estado abrange a do município.

- Exceções (quando o parente é elegível):


a) Se o Chefe do Executivo RENUNCIAR (a renúncia afasta a inelegibilidade reflexa).
b) Se o parente já era detentor de mandato eletivo antes do Chefe do Executivo ingressar e
resolver se reeleger.
c) Rompimento da sociedade conjugal (DIVÓRCIO ou separação de fato) antes do mandato
afasta a inelegibilidade do cônjuge e do parente afim do titular do cargo.
STF e TSE:
É VEDADO 3 MANDATOS CONSECUTIVOS de membros de uma mesma família na mesma
circunscrição, MESMO QUE HAJA DIVÓRCIO. Também se aplica à relação homoafetiva (gay).
Exemplo: Esposa ou ex-esposa de Governador reeleito não poderá concorrer a mandato eletivo no ano
subsequente na mesma circunscrição.

Desincompatibilização Para Presidente e Vice-Presidente da República (idem para Gov.)


Membros do Tribunal de Contas (qualquer esfera)
- 6 meses
Cargo ou função de nomeação pelo Presidente da República
- 6 meses
- devem ser cargos sujeitos à aprovação prévia do Senado Federal.
Cargo de Direção, administração ou representação em Entidades Representativas de Classe
- 4 meses
- tais entidades devem ser mantidas, total ou parcialmente, por contribuições do Poder Público ou com
recursos arrecadados e repassados pela Previdência Social.
Servidores Públicos
- 3 meses
- podem ser estatutários ou não.
- da Administração Direta ou Indireta da União, dos Estados, do DF, dos Municípios e dos Territórios.
- inclusive das fundações mantidas pelo Poder Público.
- é garantido o direito à percepção dos seus vencimentos integrais.
Para candidatar-se a PREFEITO, o prazo é de 4 MESES, independente do cargo, emprego ou função.

Análise das Condições de Elegibilidade e Causas de Inelegibilidade


O pré-candidato faz o pedido de registro até 19h do dia 05 de julho do ano eleitoral. Esse pedido é
enviado ao órgão responsável pelo registro. O órgão responsável pelo registro é:
- o juiz eleitoral (eleições municipais) – candidato a Prefeito e Vereador.
- TRE (eleições estaduais ou federais) – candidato a Governador, Senador e Deputado.
- TSE (eleições nacionais) – candidato a Presidente.
O órgão responsável pelo registro analisará o cumprimento das condições de elegibilidade e
eventuais causas de inelegibilidade.
Impugnação do Registro
A impugnação do registro do pré-candidato é permitida também ao MP, aos partidos políticos, às
coligações e a qualquer outro candidato, no prazo de 5 dias, contados da publicação do pedido de
registro do candidato, através de petição fundamentada.
O eleitor não tem legitimidade para impugnar um pedido de registro, mas ele pode representar ao MP.
Observações
NÃO é obrigado a votar todo cidadão que pode ser ou que é candidato (condição de elegibilidade).
Aquele que tem + 70 anos não é obrigado a votar, independentemente de ser candidato.
(Lei 9504/97, art. 11, §2º) = A IDADE MÍNIMA prevista na CF88 como condição de elegibilidade tem
como referência a DATA DA POSSE, que ocorre no ano seguinte.
Ou seja, excepcionalmente, o menor com 17 anos pode:
a) ser candidato a vereador;
b) participar de todo o processo eleitoral;
c) ser eleito vereador.
>>> O menor de 18 anos só NÃO pode tomar posse.
A crítica é que ele é penalmente inimputável; não pode ser processado.

O MILITAR alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:


I - se contar menos de 10 anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de 10 anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito,
passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
O militar NÃO pode filiar-se a partido político (CF, art 42, parágrafo 6º). Portanto, a filiação partidária
não lhe é exigível como condição de elegibilidade. A partir do registro da candidatura ele será agregado
ao processo eleitoral e, se for eleito, será automaticamente aposentado na carreira militar.

A EMANCIPAÇÃO NÃO tem efeito na esfera eleitoral e nem na penal.


Ela SOMENTE tem EFEITO na ESFERA CIVIL.
Ou seja, o menor emancipado (pois ele continua sendo menor) NÃO pode ser candidato eleitoral.
O Juiz de Paz integra a estrutura do Judiciário, mas ele exerce apenas funções administrativas.
(CF 88, art. 98) A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto,
com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos.
Cadeia Sucessória (Cadeia de Substituição)
É a sequência para substituição (NÃO é sucessão) do Presidente na sua eventual falta.
Segue a seguinte ordem:
Vice > Presidente da CD (deputado) > Presidente do SF (senador) > Presidente do STF (Ministro).
“Vixe... a Câmera é do Deputado. Chama os Federais! Senão Tamo Ferrado!!!”

Não se trata de cadeia sucessória (terminologia equivocada), pois o único competente para suceder o
Presidente da República é o seu Vice. Trata-se de

Outra observação: a idade mínima para ser deputado é 21 anos. Mesmo assim, a idade mínima para o
deputado assumir a presidência da Câmara dos Deputados é de 35 anos.

As condições de elegibilidade e as hipóteses de inelegibilidade previstas na CF88, SEMPRE há de


incidir nas eleições, quer sejam diretas ou indiretas, municipais ou estaduais.