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UNIVERSIDADE PAULISTA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM TREINAMENTO DE FORÇA

RELATÓRIO SEMESTRAL DE PESQUISA

EFEITOS DA FADIGA MENTAL SOBRE AS RESPOSTAS


PERCEPTUAIS E DE VOLUME TOTAL DE EXERCÍCIO NO
TREINAMENTO DE FORÇA

Autores: Carlos Alexandre Costa Lienbenberger


Lucas de Sousa Zorek
Curso: Educação Física
Pesquisador Responsável: Vitor de Salles Painelli

São Paulo
2022

Pesquisa Apoiada pela Vice-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da


UNIP, no Programa “Iniciação Científica e Tecnológica”.

Título: EFEITOS DA FADIGA MENTAL SOBRE AS RESPOSTAS PERCEPTUAIS E DE


VOLUME TOTAL DE EXERCÍCIO NO TREINAMENTO DE FORÇA.
Pesquisador Responsável (Orientador): Prof. Dr. Vitor de Salles Painelli.
Pesquisadores Gerentes (Candidatos à bolsa): Carlos Alexandre Costa
Lienbenberger; e Lucas de Sousa Zorek.
Instituição Executora/Campus: Universidade Paulista (UNIP), Campus Alphaville.

RESUMO
A fadiga mental desencadeia uma sensação de falta de energia que
afeta o desempenho físico. A fadiga mental: a) altera negativamente
respostas perceptuais importantes durante o exercício físico, e; b) reduz a
oxigenação em regiões cerebrais responsáveis pelo planejamento motor,
tomada de decisão e a PSE. Diversas pesquisas vêm surgindo com o
intuito de mostrar o impacto desse cansaço no exercício, contudo, até o
momento atual, a maior parte das evidências se dedicou a examinar os
efeitos da fadiga mental sobre exercícios aeróbicos, enquanto atividades
mais intensas relacionadas a musculação foram pouco estudadas. Assim,
a presente pesquisa será conduzida sob o objetivo de investigar o
potencial ergolítico da fadiga mental sobre as respostas perceptuais (dor e
PSE) e sobre o volume total de exercício no treinamento de força. Os
participantes serão então familiarizados a 1) testes de uma repetição
máxima (1-RM), para a mensuração da força máxima dinâmica no
exercício supino reto, e 2) testes de resistência de força, para a
mensuração do volume total de exercício no supino reto (5 séries, 70% 1-
RM). Respostas perceptuais serão mensuradas a cada série do teste de
resistência de força, e 10 minutos após o término do mesmo. Depois, os
participantes realizarão teste de resistência de força, sob 2 condições,
primeiro num desenho cross-over contrabalanceado e randomizado: a) na
presença de fadiga mental, induzida através do Rapid Visual Information
Processing Test; e b) na ausência de fadiga mental (CON). As sessões
experimentais serão separadas por períodos de pelo menos 3 a 7 dias.
Palavras-chave: Córtex pré-frontal; desempenho físico; fadiga central; força;
resistência.

SUMÁRIO
RESUMO (02)

INTRODUÇÃO (05)

OBJETIVOS (08)

MATERIAIS E MÉTODOS (08)

RESULTADOS (14)

DISCUSSÃO (14)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (15)


INTRODUÇÃO
A fadiga mental representa um estado psicobiológico decorrente de uma grande
e prolongada (≥ 30 min) demanda cognitiva, o qual pode ser caracterizado de maneira
subjetiva como uma sensação de “falta de energia”, “desmotivação” e/ou de “baixo
estado de alerta”; ou de maneira comportamental, através de um piorado desempenho
cognitivo (VAN CUTSEM et al., 2017). É presumido na literatura que a atividade neural
decorrente de elevadas e prolongadas demandas cognitivas acarretem um aumento
exacerbado da concentração extracelular de adenosina (LOVATT et al., 2012). A saber,
a adenosina é um substrato do ATP e quatro receptores já foram descritos para essa
substância no tecido cerebral: A 1, A2A, A2B e A3 (FERRÉ et al., 1992). No caso dos
receptores A1 e A2A, a ligação da adenosina a esses receptores provoca,
respectivamente, a inibição da produção de neurotransmissores e a inibição da
neurotransmissão dopaminérgica (LOVATT et al., 2012), mecanismos estes que podem
afetar diretamente as sensações subjetivas do indivíduo, bem como a sua atividade
cerebral, levando aos já mencionados prejuízos sobre o desempenho cognitivo.
Importantemente, a fadiga mental vem recebendo demasiada implicação na piora do
desempenho físico-esportivo, fato este que vem sendo consistentemente demonstrado
na literatura desde o elegante e seminal estudo de Marcora e colaboradores
(MARCORA et al., 2009; SMITH et al., 2015; VAN CUTSEM et al, 2017). As limitações
que a fadiga mental impõe à capacidade de realização de exercício físico parecem
estar relacionadas aos dois fatores acima mencionados: 1) alterações na ativação
cerebral; e 2) alterações em respostas perceptuais (BOKSEM & TOPS, 2008).
Nesse sentido, tanto em repouso (WASCHER et al., 2014; FRANCO-
ALVARENGA et al., 2019) quanto durante o exercício físico (PIRES et al., 2018)
atividades que exigem alta demanda cognitiva promovem um aumento de ondas de
baixa frequência (situadas entre 4 e 7 Hz – também conhecidas como ‘ondas teta’)
durante eletroencefalograma aplicado sobre a região do Córtex Pré-Frontal e do Córtex
Cingulado Anterior, indicando haver uma queda na ativação e na oxigenação dessa
região sob a condição de fadiga mental (TANAKA et al., 2012; METHA &
PARASURAMAN, 2013). A saber, o Córtex Pré-Frontal e o Córtex Cingulado Anterior
são áreas cerebrais fortemente ativadas durante tarefas cognitivas que envolvem o
controle inibitório, a atenção seletiva e a tomada de decisões (CARTER et al., 1998).
Assim, um possível mecanismo explicando a diminuição do desempenho físico quando
da instalação da fadiga mental estaria relacionado à alteração no padrão de ativação
cortical de regiões relacionadas ao planejamento e controle motor (BUSH et al., 2000;
THAYER et al., 2012), com possíveis repercussões em regiões executoras como o
Córtex Motor Primário (BUSH et al., 2000).
Também é sugerido que a fadiga mental limite a capacidade de realização de
exercício físico devido a alterações nas respostas perceptuais. De acordo com a teoria
motivacional, a tolerância ao exercício físico é determinada pela relação entre a
motivação individual em continuar o exercício e a percepção de esforço (PSE) por ele
gerada (MARCORA et al., 2009). Neste caso, o indivíduo continuaria o exercício
enquanto a sua motivação em permanecer se exercitando fosse maior do que a PSE
gerada, fazendo o indivíduo perceber o exercício como possível (MARCORA et al.,
2009). Do contrário, o indivíduo se desengajaria do exercício somente quando a PSE
se tornasse maior do que sua motivação para continuar o exercício, levando o indivíduo
a perceber o exercício como impossível. A respeito disso, revisões sistemáticas
reforçam a ocorrência de respostas perceptuais pioradas (i.e., elevação da PSE) ao
longo de um exercício físico executado sob uma condição de fadiga mental quando
comparada a uma condição sem fadiga mental (VAN CUTSEM et al, 2017). Logo, um
maior aumento da PSE na presença de fadiga mental indicaria uma maior relutância
em continuar com o exercício, culminando na diminuição da intensidade de exercício
ou na interrupção do mesmo.
Aparentemente, há um ponto de conexão nas alterações cerebrais detectadas
no Córtex Pré-Frontal e no Córtex Cingulado Anterior com as respostas perceptuais,
tais como a PSE, uma vez que a sensação de fadiga que limita o exercício é originada
a partir da mudança da ativação neural em áreas de planejamento e controle motor, e
de interpretação de respostas perceptuais (ST CLAIR GIBSON et al., 2003). Desta
maneira, a instalação de fadiga mental poderia comprometer o desempenho físico, pois
poderia afetar a ativação de regiões cerebrais (i.e., Córtex Pré-Frontal/Córtex
Cingulado Anterior) responsáveis por funções cognitivas como o controle inibitório, a
atenção seletiva e o planejamento e controle motor, com repercussões sobre respostas
perceptuais (i.e., PSE) durante o exercício físico (PIRES et al., 2018).
Conforme já mencionado, inúmeras evidências científicas vêm sustentando os
efeitos deletérios da fadiga mental sobre o desempenho físico ao longo dos anos
(MARCORA et al., 2009; SMITH et al., 2015; VAN CUTSEM et al, 2017). Contudo, a
maior parte destas evidências tem atestado este potencial ergolítico da fadiga mental
em atividades de natureza aeróbia. As evidências científicas que já se dedicaram a
investigar os efeitos da fadiga mental sobre exercícios relacionados à produção de
força são escassas, com alguns (DORRIS et al., 2012), mas não todos (DUNCAN et
al., 2015; PAGEAUX et al., 2013; MARTIN et al., 2015) os estudos demonstrando um
efeito deletério da fadiga mental sobre o desempenho de força. Especula-se que tal
controvérsia se deva principalmente ao baixo número amostral, ao diversificado tipo de
protocolo de indução de fadiga mental e à ausência de familiarizações adequadas aos
testes físicos.
Exercícios de força são comumente utilizados em rotinas de treinamento de
força por diferentes populações para fins de melhora da força e hipertrofia muscular, da
saúde metabólica e osteomioarticular, e do desempenho esporte-específico (EVANS,
2019). Sabe-se que um dos aspectos mais relevantes em relação ao treinamento de
força é o volume total de treinamento. Este é dado pelo produto do número de
repetições realizadas em um determinado exercício pela carga utilizada no mesmo, e
parece guardar uma importante relação com os ganhos de força e hipertrofia muscular
decorrentes de um programa de treinamento de força (ROBBINS et al., 2012;
SOONESTE et al., 2013). Em outras palavras, quanto maior for o volume total de
treinamento, maiores serão os ganhos de força e de hipertrofia com o treinamento; ao
contrário, quanto menor for o volume total de treinamento, menores serão os ganhos
de força e de hipertrofia com o treinamento. Visto que o treinamento de força envolve
rotinas de treinamento físico em conjunto a rotinas diárias cognitivamente desgastantes
as quais podem combinar jornada de trabalho, vida pessoal, deslocamento, etc.,
supondo que a fadiga mental potencialmente exerça um efeito deletério sobre o
desempenho de força, esperar-se-ia um prejuízo no volume total de treinamento, e
assim, nas adaptações ao treinamento de força, o que reforçaria a necessidade da
busca e seleção de estratégias que possam ameninar ou evitar a fadiga mental.
Contudo, o real papel da fadiga mental sobre o volume total de treinamento permanece
um ponto obscuro na literatura e que requer maiores esclarecimento.

OBJETIVOS
Objetivo geral
O objetivo do presente trabalho será investigar a potencial influência da fadiga
mental sobre as respostas perceptuais e o volume total de exercício no treinamento de
força.

Objetivo específico
Mais especificamente, pretende-se observar a influência da fadiga mental sobre
as respostas de dor e PSE durante um teste de resistência de força no exercício supino
reto, o qual pretendemos usar para simular um exercício comumente empregado na
rotina de treinamento de indivíduos que almejam ganhos de força e de hipertrofia
muscular para membros superiores. Para tanto o teste será executado na presença e
ausência de fadiga mental, e as respostas perceptuais serão comparadas.
Também constituirá um objetivo do presente trabalho investigar a potencial
influência da fadiga mental sobre o número total de repetições realizadas durante um
teste de resistência de força no exercício supino reto. Para tanto o teste será executado
na presença e ausência de fadiga mental, e o número total de repetições, bem como o
volume total de exercício realizado, serão comparados.

MATERIAIS E MÉTODOS

Participantes
Para este estudo, serão selecionados 18 homens jovens, com idade entre 18 e
40 anos, tendo como critérios de inclusão 1) experiência prévia mínima de 1 ano em
treinamento de força; e 2) desempenho no teste de força máxima dinâmica (1-RM) no
exercício supino igual ou maior que uma vez a sua massa corporal. O tamanho da
amostra no presente estudo foi escolhido de forma a prover 80% de chance para
detectar um tamanho de efeito 'pequeno' da fadiga mental sobre o desempenho de
força (QUEIROS et al., 2020), a um valor de α igual a 0,05. Não serão selecionados
para participar do estudo os indivíduos com problemas cardiovasculares,
neuromusculares e ou osteoarticulares que impeçam a realização dos testes e
protocolos de exercícios. Além disso, também serão excluídos os indivíduos com
histórico de uso de esteroides anabolizantes, e de suplementação de β-alanina ou
creatina há menos de 6 e 3 meses, respectivamente. Os participantes serão
informados da natureza e possíveis riscos dos procedimentos experimentais antes da
obtenção do consentimento por escrito.

Desenho Experimental
Este estudo terá um desenho cross-over contrabalanceado, com designação
aleatória. O protocolo consistirá de um total de aproximadamente 7 visitas, e o local
onde ocorrerão os testes será sempre mantido em 20,0 ºC, com umidade relativa de
aproximadamente 60%. Logo na primeira visita, após os participantes lerem,
preencherem e assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, serão
aferidos a estatura e o peso corporal dos participantes por meio da utilização de um
estadiômetro e uma balança digital, respectivamente.
As primeiras 2 visitas consistirão de sessões de familiarização ao teste de força
máxima dinâmica (1-RM) no exercício supino reto. O teste de 1-RM no exercício será
aplicado para determinar o estado de treinamento e selecionar os indivíduos treinados
para o estudo; e também para a relativização da intensidade do teste de resistência de
força para cada indivíduo. Nas visitas iniciais, os participantes também serão
familiarizados às escalas perceptivas, bem como ao teste RVIP. As duas a 3 visitas
subsequentes consistirão de sessões de familiarização ao teste de resistência de força
(onde será quantificado o número de repetições realizadas em um determinado
percentual do 1-RM – no caso 70% 1-RM) no supino reto. Os indivíduos serão
considerados familiarizados quando a variação das medidas entre sessões for igual ou
menor que 5%.
As últimas 2 visitas consistirão das sessões experimentais, onde o teste de
resistência de força será realizado novamente; porém num dia na presença de fadiga
mental (FAM), e num outro dia na ausência de fadiga mental (sessão controle - CON).
Para a indução de fadiga mental durante a sessão experimental, imediatamente após a
chegada ao laboratório, os participantes serão submetidos ao teste Rapid Visual
Information Processing Test (RVIP), um teste caracterizado por elevada demanda
cognitiva e reconhecidamente capaz de induzir fadiga mental (PIRES et al., 2018;
FRANCO-ALVARENGA et al., 2019), o qual tem duração aproximada de 24 minutos. O
teste de resistência de força terá início imediatamente após o término do RVIP, a partir
do aquecimento geral. Algumas respostas perceptuais (‘motivação’ e ‘nível de fadiga
mental’) serão obtidas em repouso pré-RVIP e imediatamente pós-RVIP, enquanto
outras variáveis perceptuais (‘PSE’ e ‘dor’) serão obtidas a cada série do teste de
resistência de força, e 10 minutos após o término da última série do teste. Na sessão
experimental CON, os participantes chegarão ao laboratório e permanecerão em
repouso durante período similar ao que seria aplicado o teste RVIP, e em seguida
começarão o aquecimento para o teste de resistência de força.
Todos os testes serão padronizados para serem executados no mesmo horário,
após período de jejum de 4 a 6 horas. Será solicitado aos participantes que não
realizem a ingestão de alimentos e substâncias contendo cafeína nas 24 horas
anteriores às sessões experimentais, e que façam um recordatório alimentar 24 horas
antes de cada teste, de modo a avaliar a aderência à orientação acima mencionada,
bem como o consumo calórico e de macronutrientes pré-teste. Além disso, nas 24
horas anteriores aos testes não será permitido o consumo de álcool e nem a execução
de exercícios para membros superiores. Por fim, também será solicitado aos
participantes que evitem tarefas de demandas cognitivas elevadas e que possam
induzir a fadiga mental.

Protocolo de indução de fadiga mental


Para a indução de fadiga mental em uma das sessões experimentais, será
realizado o teste RVIP (PIRES et al., 2018a; FRANCO-ALVARENGA et al., 2019).
Durante o RVIP serão apresentados, continua e randomicamente em um monitor,
números de 1 a 9. Os números serão apresentados com uma frequência de 100
números por minuto e será solicitado aos participantes que pressionem a tecla “space
bar” o mais rapidamente possível, quando sequências de três números ímpares ou
pares aparecerem no monitor (i.e. 1,3,5; 2,4,6; 3,5,7). A cada minuto serão
apresentadas 8 sequências corretas. A duração total da tarefa será de 24 minutos (dois
blocos de 12 minutos). A instalação de fadiga mental será assumida por meio do
número total de acertos e tempo de reação para os acertos e erros.

Avaliação da força máxima dinâmica (1-RM)


A força máxima dinâmica (1-RM) para o exercício supino reto será avaliada em
equipamento específico (Smith Machine, Cybex, Massachusetts, EUA). O
posicionamento do corpo e das mãos de cada sujeito será determinado e gravado com
marcas fixas sobre as barras e sobre os bancos durante as sessões de familiarização e
serão reproduzidas por todo o estudo. Todos os procedimentos seguirão as orientações
da Sociedade Americana de Fisiologistas do Exercício (ASEP, do inglês, “American
Society of Exercise Physiologists”) (BROWN & WEIR, 2001). Brevemente, os sujeitos
correrão por 5 minutos em esteira ergométrica a 9 km/h para o aquecimento geral.
Antes dos testes, os sujeitos realizarão um aquecimento específico com oito repetições
a aproximadamente 50% 1-RM estimado, seguido de outra série de três repetições a
70% 1-RM estimado. As séries de aquecimento serão separadas por um intervalo de 2
minutos. Após o término da segunda série, os sujeitos descansarão por 2 minutos. Os
levantamentos subsequentes serão repetições únicas com cargas progressivamente
mais pesadas, até a falha. A força máxima dinâmica será determinada como o peso
máximo que for possível ser levantado uma única vez utilizando-se a técnica
apropriada. O intervalo de descanso entre as tentativas será estabelecido em 3
minutos, e será permitido um máximo de cinco tentativas. Todos os testes serão
acompanhados pelos dois pesquisadores gerentes, os quais possuem experiência
neste teste. Incrementos na carga serão determinados de acordo com a percepção dos
pesquisadores. Será fornecido encorajamento verbal durante todas as tentativas.

Avaliação da resistência de força


A avaliação da resistência de força ocorrerá para o exercício supino e consistirá
da realização de 5 séries até a exaustão a 70% 1-RM. Inicialmente, cada sujeito
realizará uma série de aquecimento de oito repetições utilizando-se 50% da carga a ser
utilizada no teste. Após descanso de 2 minutos, serão realizadas três repetições com
70% da carga a ser utilizada no teste. Durante o teste todas as séries serão realizadas
até a exaustão. Por questões de segurança será permitido um intervalo de descanso
de 2 minutos entre as séries. Todos os testes serão acompanhados por pelos dois
pesquisadores gerentes. Será anotado o número total de repetições realizadas durante
as sessões de familiarização, para calcular os erros técnicos de medida inerentes ao
teste, e nas experimentais, para calcular o volume total de exercício bem como o efeito
da intervenção.

Avaliação das Respostas Perceptuais


Respostas perceptuais, como a dor e a percepção subjetiva de esforço (PSE)
serão avaliadas durante as sessões experimentais, em cada uma das séries do teste
de resistência de força, bem como 10 minutos após o teste, utilizando a escala CR10
(BORG, 1998; CLARKSON & HUBAL, 2002). Todos os participantes receberão
instruções padronizadas sobre como responder às escalas de percepção de dor e
esforço, segundo as recomendações de BORG (1998). Para a escala PSE, o valor '0'
refere-se a 'absolutamente nenhum esforço', enquanto o valor '10' refere-se a um
'esforço máximo'. Para a escala de dor, o valor '0' refere-se a 'nenhuma dor', enquanto
o valor '10' refere-se a uma 'dor máxima'. Adicionalmente, será mencionado aos
participantes que a PSE e a dor referem-se a sensações diferentes, em que esse a
PSE será descrita como uma sensação consciente de quão pesado e extenuante é a
fadiga relacionada ao exercício produzida nos músculos (HAMILTON et al., 1996),
enquanto a dor será descrita como uma sensação desagradável de dor produzida nos
ombros, peitoral e braços (HOLLANDER et al., 2003).
Para averiguar a eficácia do nosso protocolo de indução de fadiga mental,
usaremos uma escala visual analógica (VAS) de 100 mm com dois pontos de
referência demarcados em cada extremidade da linha (em 0 mm, que representará
"nenhum" ou nenhuma fadiga mental; e em 100 mm, que representará "extrema" fadiga
mental). A mesma escala VAS será utilizada para medir a ‘motivação’ dos participantes
para se envolver com exercícios. Os participantes serão instruídos a traçar uma linha
vertical no continuum até um ponto que melhor represente a sensação que estiverem
experimentando naquele momento (SMITH et al., 2016).

Avaliação do Consumo Alimentar


Os participantes serão instruídos a não realizarem nenhum tipo de atividade
física extenuante para os membros superiores no dia anterior a cada teste e a não
ingerir alimentos e substâncias contendo cafeína nas 24 horas anteriores às sessões
experimentais. Para garantir o cumprimento do protocolo, os sujeitos serão orientados
a manter um recordatório alimentar das últimas 24 horas antes de cada sessão
experimental. O recordatório deverá ser entregue imediatamente após a chegada dos
participantes para as sessões experimentais, onde o mesmo será checado pelos
avaliadores. O recordatório alimentar das últimas 24 horas antes de cada teste também
auxiliará com o cálculo do consumo calórico e de macronutrientes, o qual será
analisado por meio do software Virtual Nutri (São Paulo, Brasil), ajudando a avaliar
quaisquer diferenças nestes parâmetros entre os testes. Adicionalmente, será solicitado
que no dia anterior aos testes não haja consumo de bebidas alcoólicas. Os horários e
dias da semana para os testes físicos também serão individualmente padronizados
para cada participante.

Análise Estatística
Os dados serão testados quanto à normalidade e tratados para estatística
descritiva básica, sendo apresentados como média ± desvio-padrão. Assumindo
distribuição Gaussiana dos dados, inicialmente será avaliado o efeito da intervenção
(FAM e CON) sobre o volume total de exercício e respostas perceptuais
(especificamente no momento ’10 minutos após o término do teste’), por meio de um
Teste-T pareado. Subsequentemente, serão empregados Modelos Mistos com dois
fatores (i.e., ‘intervenção’ e ‘série’, respectivamente) para examinar o efeito da
intervenção sobre as respostas perceptuais e volume de exercício série a série. Será
realizado um post-hoc de Tukey para comparações múltiplas, caso um valor de F
significante seja encontrado. Serão testadas 4 (toeplitz, unstructured, autoregressive e
compound symmetry) diferentes matrizes de co-variância para verificarmos qual o
melhor modelo que se ajusta aos dados, de acordo com o critério de Schwarz Bayesian
(menor valor BIC – “Bayesian Information Criterion”). O nível de significância será
previamente estabelecido em P ≤ 0,05. Será utilizado o programa SAS 9.3 para a
realização das análises estatísticas.

RESULTADOS
A pesquisa teve início com a submissão e aprovação no CEP e consequente realização
de um treinamento ministrado pelo orientador da Pesquisa, professor Vitor Painelli, ao qual
demonstrou a realização tanto da parte teórica, a respeito dos testes que induzirão a fadiga
mental quanto do treinamento físico. Após a aplicação, os testes foram impedidos de se iniciar
ainda no ano de 2021 pela própria Coordenação Geral do Curso de Educação Física, devido ao
aumento de casos do Corona Vírus, atrasando com a programação inicial descrita na
Introdução do projeto. Contudo, já se tem recrutado 10 pessoas aos quais estão orientadas
sobre todo o processo de natureza e possíveis riscos dos procedimentos experimentais. Os
testes terão início no 1º semestre de 2022.
Entretanto, no que tange o aporte financeiro da bolsa, já está sendo utilizada para o
desenvolvimento acadêmico dos alunos, relevantes para o andamento da presente pesquisa.

DISCUSSÃO
O nosso trabalho se inicia com a montagem do relatório e planejamento da
pesquisa, buscando consequentemente a aprovação no CEP para que possamos partir
para a parte prática. Já adentrando a parte prática, iniciamos o treinamento com o
auxílio do professor orientador Vitor, ao qual nos mostrou o passo a passo a ser
realizado perante os nossos colaboradores, desde o início da pesquisa ao realizarmos
o teste de uma repetição máxima (1RM), até a parte principal, que consiste a execução
do teste de fadiga mental seguido do exercício no supino reto.
Com o eminente crescimento da taxa de contaminação pelo novo vírus da Covid-
19 no segundo semestre do ano letivo de 2021, nosso orientador recebeu a instrução
do Coordenador Geral do Curso de Educação Física para que os testes não
começassem a ser executados nesse período, e que aguardemos um período de mais
estabilidade da pandemia, e, com isso postergamos o início dos nossos testes para o
1º semestre de 2022. Desse modo, já obtivemos a “inscrição” de 10 pessoas para dar
início aos nossos testes, e, já estamos em contato com a Universidade Paulista de
Alphaville agendando um melhor dia e horário, tanto para os pesquisadores, quanto
para os nossos participantes.
Entretanto, há de se destacar a utilização da bonificação oferecida pela Bolsa
Santander para a compra de livros de estudo, que certamente nos auxiliarão na
execução desse projeto, pois são livros que abordam as questões de interferências
externas em um treinamento de força, e a própria questão das repetições máximas,
primordiais para a nossa conclusão. Além disso, cursos extracurriculares e seminários
de universidades renomadas na área de Educação Física também fizeram parte do
nosso investimento na educação, buscando sempre um melhor aprendizado para
posterior aplicação na prática.

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