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A Catarse da Tragédia1

Fernando Henrique A. da Rosa2

Aristóteles tido como aluno rebelde de Platão, vai novamente contra as teorias
platônicas. Enquanto, Platão afirmava que a arte não serve para estar no currículo de
formação do sujeito ideal. Para Platão, a arte é apenas mimese da vida, e que não
acrescia nada de novo no homem. Aristóteles toma a direção contrária, defendendo a
mimese. Além de Aristóteles recusas a argumentação da dualidade ontológica
(sensível/inteligível), associa o prazer à imitação artística da natureza. Ele também não
pensa em expulsar os artistas da Polis, ao contrario, desenvolve para as artes virtudes
benéficas. Na Poética, Aristóteles diz que o imitar é algo congênito no homem. E se
diferencia dos outros viventes porque de todos, ele é o maior imitador, e somente por
imitação aprendemos as nossas primeiras noções. Para ele a mimese, é a porta de
entrada para a arte, além de ser uma forma de educar, conhecer. Imitar é algo definido
como um ato legítimo é uma tendência natural.

A teoria aristotélica nos propõe três frentes importantes. A primeira é de possuir


um potencial da imitação carregado de um papel pedagógico. No sentido de aprender
coisas simples, como andar, falar. Uma segunda frente, é da imitação e verossimilhança,
entende-se que a arte é descoberta de potencialidades. Funciona como uma capacidade
cognitiva. Por exemplo, a poesia é mais verdadeira do que a história, pois fala de coisas
que podem acontecer, enquanto a história fala apensas do que já aconteceu. Possui uma
capacidade de vivência, atua na instância da descoberta. Uma terceira seria a recepção =
Catarse, A recepção da arte produz um momento de descontrole. Para definição catarse
é um certo tipo de efeito da poesia trágica. A catarse para Aristóteles é uma espécie de
prazer que é próprio da tragédia. Resulta da purgação do terror e da piedade suscitados
por aqueles espetáculos teatrais. A avaliação positiva de uma tragédia somente será, se a
sua capacidade de catarse funcionar com os que assistiram. A tragédia para Aristóteles
tem uma função especifica a de educar. A tragédia grega além de necessitar da presença
de verossimilhança, oferece ao publico que lá está uma experiência de contemplação da

1
Trabalho elaborado para disciplina de Estética e Filosofia da Arte, ministrada pelo
prof. Dr. Gerson Luis Trombetta. A referida atividade valerá como atividade
discente.
2
Acadêmico do VI nível de Filosofia LP, da Universidade de Passo Fundo.
Fernando.bocha@hotmail.com
vida, ao mesmo tempo uma identificação do que esta sendo apresentado. Por isso a
tragédia tem que ser boa, tem que demonstrar que aquilo que esta sendo mostrado lá,
pode vir a ser vivenciado por qualquer um que esteja na platéia, mas sabendo que aquilo
é uma tragédia é uma imitação. E quando chega o final cada expectador pode sentir a
sensação de alívio, isto que é o prazer da catarse.

A catarse é algo que clareia, é o sol que ilumina para que possamos enxergar,
porque isso? No sentido de que se a capacidade da catarse funcionar, após ter assistido
uma tragédia e aqui o raciocínio vai mais além, um filme, uma música. O expectador,
enquanto acontece ele está fora de si no sentido de que está vivenciado aquilo que esta
sendo apresentado. Sai de si e ao voltar está tão impressionado, chocado, entusiasmado
com o que viu que pode julgar de outra forma o que virá a se passar daí para frente.
Porem, não somente, nesse sentido, mas o fato é que o ciclo de sair de si enquanto
expectador e ao final votar a si, isso é catarse que devemos exercitar, pois não somente
é uma função da arte (teatro, música, filme, poesia), mostrar a sua capacidade de
catarse se nós “público expectador” não formos capazes de perceber e fazer a catarse
funcionar.