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Emissão de Raios-X

1. Objetivos
A partir do gráfico da intensidade de fótons em função do ângulo de espalhamento, e
aplicando a lei de Bragg, pode-se calcular a constante de Planck, determinar o λ da emissão
Kα e Kβ e o cristal utilizado em um processo de espalhamento de fótons.

2. Procedimento experimental

Na primeira parte do experimento, foi colocado um cristal de LiF no equipamento e no


filamento de raios-X fixou-se uma corrente de 80 μA e uma tensão de 30 kV de forma a
acelerar os elétrons até o cátodo do tubo, esses valores já eram especificados no aparelho
de raio-X. O cristal de LiF é a estrutura cristalina, portanto, se ao incidir raios-X sobre
esta estrutura houver interferência construtiva no processo de espalhamento, é produzida a
difração de raio-X. Essa interferência construtiva segue a lei de Bragg de reflexão:

2.d .sen  n

Nesta parte do experimento, a distância interplanar dos planos do cristal de LiF d era
conhecida, então com o auxílio do goniômetro, efetuou-se uma varredura angular, de
forma a obter uma gráfico de contagens de fótons em função do ângulo 2ϴ, e assim pode-
se encontrar o λ para cada ângulo ϴ . O valor de n será sempre 1. Durante a varredura,
para cada ângulo a contagem foi feita por 3 segundos, para que o equipamento pudesse
obter o número de fótons. O espaçamento entre os ângulos foi de 1 grau, isso no centro da
mesa, se a variação no centro da mesa é de ϴ, deve-se girar 2ϴ, portanto, a contagem foi
feita com um espaçamento de 2ϴ. Quando se observou os picos referentes às emissões Kα
e Kβ, variou-se o ângulo de ϴ, diminuindo o intervalo, para uma precisão maior.

Com o espectro de contagens em função do ângulo, coletou-se o ponto do λmín. No


começo do gráfico, nota-se que a curva está um ponto abaixo da linha que coincide com o
final do gráfico, portanto o 2ϴmín é obtido quando o começo da curva está na mesma linha
que o final da curva. Tem-se a distância d e com o 2ϴmín obtido no gráfico, aplica-se a lei
de Bragg e obtem-se o λmín. O valor máximo da energia de um fóton está associado ao seu
comprimento de onda mínimo, e essa energia cinética do elétron é devido ao potencial que
acelera o mesmo. Como:
h.c
E máx 
mín

E o Emáx está especificado no aparelho, de 30 KV, pode-se determinar a constante de


Planck experimentalmente e a validade da expressão da energia do fóton.

Após obter o valor do 2ϴmín e calcular a constante de Planck experimental, retirou-se


do gráfico o valor do 2ϴ para as linhas do Kα e do Kβ, que são respectivamente as
transições entre as camadas L e K e M e K. Calculou-se o λKα e o λKβ e a partir desses
valores é possível determinar qual é o elemento emissor de raios-X. Consultou-se uma
tabela de comprimentos de onda Kα e Kβ para vários elementos (Tabela 1). O valor
teórico do λKα e do λKβ, é especificado no emissor de raios-X, que tem como elemento
emissor o metal cobre (Cu), portanto, esses valores já estavam escritos na mesa,
comparou-se então os valores experimentais com os teóricos.

Na segunda parte do experimento, foi retirado o cristal de LiF e colocado um cristal


desconhecido. Como a emissão de cada cristal é diferente, realizou-se uma nova
varredura, obtendo-se um novo gráfico. A partir desse gráfico analisou-se se haviam
emissões Kα e Kβ, e em caso afirmativo, determinou-se o ângulo 2ϴ em que essas
emissões aconteciam. Aplicou-se a lei de Bragg e tendo como elemento emissor o cobre, a
incógnita λ já era conhecida (pelo λKα e o λKβ especificados), o ϴ obtido pelo gráfico,
determinou-se a distância interplanar d, e comparou-se com uma tabela de distancias
interplanares de vários cristais (Tabela 2) para a determinação do cristal desconhecido,
calculando-se o erro experimental.

Tabela 1 - Comprimentos de ondas referentes às emissões Kα e Kβ para vários elementos

Símbolo λKα(A) λKβ(A) λK(A)


V 2,55 2,28 2,27
Cr 2,29 2,08 2,07
Mn 2,10 1,91 1,89
Fe 1,94 1,76 1,74
Co 1,79 1,62 1,61
Ni 1,66 1,49 1,48
Cu 1,54 1,39 1,38
Zn 1,44 1,29 1,28

Tabela 2 - Distâncias interplanares de vários cristais

Cristal Distância d (A)


LiF 2,015
KCl 3,140
NaCl 2,820
RbCl 3,290
3. Análise de dados

Cálculo da constante de Planck:

Para o cálculo da constante de Planck, utilizou-se gráfico da figura 1 – de contagens


versus ângulo 2 ϴ, que já estava pronto, devido ao fato de apresentar maior precisão e,
portanto, menos chance de erros.

O ângulo 2 ϴ mínimo utilizado foi de 13º, e a distância (d) utilizada foi obtida a partir
da tabela 2. Assim, pode-se efetuar o cálculo da constante de Planck:

Figura 1: gráfico de contagem versus ângulo 2 ϴ, utilizado para cálculo da constante de Planck
experimental.

2 mín  13º
 mín  6,5º
2dsen  nmín
2.2,015.10 10.sen(6,5)  1.mín
mín  4,56.10 11 m
hc h.3.108
E  30.10 3

mín 4,56.10 11


 h  4,56.10 15 eVs
Cálculo do erro experimental da constante de Planck:

4,56.10 15  4,14.10 15


E%  .100
4,14.10 15
E %  10%

Cálculos de  K e  K para LiF:

Ao se fazer a varredura, construiu-se o gráfico da figura 2, e, a partir deste, foi


possível determinar o ângulo 2ϴ do pico maior e do pico menor, que são, respectivamente Kα
e Kβ. Para se medir estes ângulos, colocou-se a ferramenta de medida do Software DataStudio
no meio do vale da onda. Ou seja, tentou-se colocá-la no lugar onde possivelmente estaria seu
pico, o que não ocorreu perfeitamente, devido ao fato de este não estar totalmente
centralizado, o que pode levar a imprecisões. Para calcular os comprimentos de onda  K e
 K , aplicou-se novamente a lei de Bragg da reflexão:

K :
2  45,47 º
2dsen  n
 45,47 º 
2.2,015.10 10.sen   1. K
 2 
 K  1,56.10 10 m
K :
2  40,77 º
 40,77 º 
2.2,015.10 10.sen   1. K
 2 
 K  1,40.10 10 m

Portanto, confirma-se que o elemento emissor utilizado é o cobre (Cu); o que se pode
confirmar a partir da tabela 1, e também a partir de seu erro experimental:
K :
1,56.10 10  1,54.10 10
E%  .100
1,54.10 10
E %  1,3%
K :
1,40.10 10  1,39.10 10
E%  .100
1,39.10 10
E %  0,72%
Cristalografia

Substituiu-se o cristal difrator de LiF por um de elemento desconhecido, a ser


descoberto. Realizou-se a varredura da contagem de fótons versus ângulo 2  novamente,
que está ilustrada no gráfico da figura 3. Tendo seu Kα, e tendo o  K correspondente ao
cobre (Cu), pode-se calcular a distância interplanar do cristal desconhecido, para que,
assim, seja determinado:

2  27,99º
Cu : K teo  1,54.10 10 m
 27,99  10
2d .sen   1.1,54.10
 2 
10
d  3,18.10 m
Observando-se a tabela 2, tem-se que a distância interplanar mais próxima é
de 3,14.10-10m. Portanto, o cristal desconhecido é o KCl.

Cálculo do erro experimental das distâncias interplanares:

3,18.10 10  3,14.10 10


E%  .100
3,14.10 10
E %  1,3%
Figura 3: gráfico de contagem versus ângulo 2  , utilizando-se o cristal desconhecido.

4. Conclusão

A partir do gráfico mostrado pela figura 1, pode-se calcular a constante de


Planck, já que, utilizou-se a Lei de Bragg para calcular o λ mínimo. Conhecendo-se a
distância interplanar e o ângulo mínimo, foi possível se calcular o comprimento de onda
mínimo. A partir deste comprimento de onda, calculou-se a constante de Planck experimental,
onde foi obtido um erro de 10% em relação à constante de Planck teórica.
No gráfico da figura 2, onde se utilizou um cristal de fluoreto de lítio (LiF)
para difratar os raios-x, foi possível identificar Kα e Kβ e, assim, calcular os comprimentos de
onda referentes a estes picos. Assim, constatou-se que o elemento emissor era o cobre, e os
erros experimentais obtidos em relação a Kα e Kβ foram de 1,3% e 0,72%.

Na figura 3, foi utilizado um cristal desconhecido para difração de raios-x.


A partir de Kα, conseguiu-se calcular o comprimento de onda referente a este. Aplicando-se
novamente a Lei de Bragg, a distância interplanar d foi calculada; logo, constatou-se que o
cristal desconhecido era de cloreto de potássio (KCl); e o erro da distância interplanar
calculada em relação à teórica foi de 1,3%.

5. Bibliografia
 [1] SILVEIRA, M.A.G. – Apostila de Laboratório de Princípios e Aplicações de
Física Moderna – Páginas 27 a 31 – Edição 2008.