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F-329 [07]

Diodo semicondutor
Conceitos
Semicondutores.
Barreiras de potencial.
Retificadores.

Fenômeno
Um diodo age de forma a deixar passar corrente quando polarizado no sentido
direto, e a bloquear a condução de corrente ao ser polarizado no sentido inverso. Com esta
propriedade ele opera como elemento retificador (além de outras aplicações).

Introdução
Os diodos são hoje largamente utilizados na eletrônica e microeletrônica. Existem
vários tipos de diodos, os mais comuns são fabricados com silício cristalino, como o diodo
a ser estudado neste experimento. O silício é um semicondutor, termo que identifica o nível
de condutividade para diferenciá-lo dos metais, e dos isolantes. A condutividade dos metais
é ordens de grandeza maior do que a dos semicondutores. Já os isolantes são várias ordens
de grandeza mais resistivos do que os semicondutores. Entretanto, a caracterização de um
material semicondutor não é dada apenas pela sua condutividade. A característica
fundamental de um semicondutor é possuir o que chamamos de banda proibida, que é uma
região (em energia) que os elétrons não podem ocupar. Isto permite criarmos uma barreira
de potencial para os elétrons (como a junção p-n) ao unirmos dois semicondutores com
diferentes níveis de dopagem (outra característica dos semicondutores). O estudo deste
tema está além dos propósitos deste experimento.
A barreira de potencial fica localizada no interior do dispositivo, e os elétrons
precisam ultrapassar esta barreira para que a corrente possa passar. Podemos imaginar os
elétrons como sendo carros, e uma montanha como sendo a barreira de potencial. É fácil
descer a serra, mas para subir é necessário energia extra. No diodo também existe um
sentido direto de passagem fácil de corrente e um sentido inverso que bloqueia a corrente.
Na verdade a situação é bem mais complicada e envolve a condução de dois tipos de
portadores: os elétrons e os buracos.
No caso do diodo, ao polarizarmos no sentido direto ele conduz corrente de
maneira exponencial em função da tensão aplicada. Para altas polarizações a expressão
para a corrente é da forma:
I = Io exp( qV/kT)

onde q é a carga do elétron, V a tensão aplicada, k a constante de Boltzman e T a


temperatura absoluta. Entretanto, a curva completa é mais complicada devido aos vários
mecanismos de condução (que estão fora dos objetivos deste experimento). Desta forma
não vamos investigar o comportamento exponencial do diodo. Mas veremos que, de fato, a
corrente aumenta de forma muito rápida. No sentido de polarização inversa o diodo conduz
um pouco, a resistência é elevada de forma que a
corrente é algumas ordens de magnitude inferior à corrente obtida para polarizações diretas.
Para identificar o sentido direto nos diodos comerciais estes tem uma marca específica que
identifica o terminal negativo.
A figura abaixo mostra o símbolo do diodo e o sentido em que ele deve ser polarizado para
que a corrente possa passar. O símbolo tem uma forma de seta que indica o sentido
da corrente.

.
Podemos associar ao diodo a tensão a partir da qual ele passa a conduzir. Esta
tensão não é zero, mas o estudante deverá determiná-la. Este valor é um tanto subjetivo.
Use argumentos razoáveis para determiná-lo de maneira aproximada utilizando a curva de
corrente versus tensão.

Objetivos do trabalho
1. Utilizando a curva de corrente vs. tensão (na faixa entre aproximadamente + 0.7 a -0.7
V, não ultrapassando um Ampère de corrente) mostrar que o diodo é um dispositivo
retificador (deixa passar corrente no sentido direto mas não no sentido inverso – esta
propriedade do diodo é utilizada para a fabricação de retificadores, que são
dispositivos que transformam tensão alternada em tensão contínua).
2. Observar o mesmo fenômeno de retificação através de sua curva de resistência vs.
tensão.

Material: diodo, miliamperímetro, microamperímetro, fonte de tensão.

Procedimento
1. Monte o circuito (a) da figura abaixo, de polarização direta do diodo. Utilize um
miliamperímetro.

2. Varie a tensão no diodo entre 0 e 0.7 Volts, e meça a corrente correspondente.


Obtenha ~ 10 pontos de corrente versus tensão. Atenção: MUITO CUIDADO para
não danificar o voltímetro e miliamperímetro ao utilizar o diodo no sentido direto.
Sempre comece as medidas a partir das maiores escalas. Não ultrapasse 1 A (1000
mA) de corrente.
3. Monte o circuito (b) da figura acima, de polarização reversa do diodo. Utilize um
microamperímetro.
4. Varie a tensão no diodo entre 0 e 15 Volts, e meça a corrente correspondente.
Obtenha ~ 10 pontos de corrente versus tensão.
5. Monte uma tabela de tensão, corrente e resistência utilizando os dados dos itens 2 e 4.
Considere os dados medidos do ítem 4 como tensão negativa (por quê?). Calcule a
resistência a partir de V/I medidos.
6. Monte um gráfico de corrente versus tensão (I x V) com os dados obtidos. Atenção:
em experimentos passados, obtivemos a curva de V x I (tensão versus corrente) para
diversos dispositivos eletrônicos. Aqui estamos fazendo o contrário (ou seja, queremos
a corrente no eixo y e a tensão no eixo x).
7. Monte um gráfico de resistência versus tensão (R x V).
8. A partir desses gráficos, verifique que o diodo é um componente retificador (só deixa
passar corrente em uma direção).
9. Por que utilizamos circuitos diferentes para medir a corrente e tensão no diodo quando
mudamos sua polarização?

Bibliografia
Halliday-Resnick Walker, Cap. 46 (pp 227-242)
Feynmann, v. III, Cap. 14
Alonso Finn, Física III, Seções 6.6 - 6.8
John Avison, “The Word of Physics”, Biblioteca do IFGW # 530Av56w, pg. 344 -
S. M. Sze, Physical of Semiconductor Devices, Cap. 2, IFGW # 621.38152Se52.