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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

INSTITUTO NACIONAL DOS TRANSPORTES TERRESTRES

Proposta de Decreto que aprova o Regulamento


sobre o transporte de Carga Perigosa

MAPUTO, JULHO DE 2017


República de Moçambique
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Ministério dos Transportes e Comunicações

FUNDAMENTAÇÃO

O Código da Estrada, aprovado pelo Decreto Lei n.º 1/2011, de 23 de Março, estabelece que o
trânsito, paragem e estacionamento nas vias públicas de veículos que transportem cargas que
pela sua natureza, dimensão ou outras caracteristicas o justifiquem pode ser condicionanado por
regulamento.

O transporte rodoviário de carga perigosa representa risco para saúde das pessoas, para
segurança rodoviária e meio ambiente. O risco está associados ao homem, veículo, estado da via,
a falta de conhecimentos sobre a matérias, aliada a imprudência, pelo que deve ser assegurado
que o mesmo seja realizado em veículos apropriados por forma a garantir as melhores condições
de segurança, minimizar e melhorar os níveis de qualidade daquele transporte.

Paralelamente ao transporte rodoviário, o homem deve estar preparado e orientado para lidar de
forma segura e responsável com todos os outros intervenientes no ambiente rodoviário.

Os acidentes resultantes deste tipo de transporte de carga pode ter consequências catastróficas,
sobretudo nas zonas residenciais, áreas densamente povoadas, de grande concentração de
pessoas ou veículos, de protecção de mananciais, de reservas florestais e ecológicas. Além das
perdas humanas de valor social incalculável, os custos decorrentes da contaminação ambiental
atingem cifras muito elevadas.

À luz do Diploma Ministerial n.o 80/2011 de 3 de Março, conjugado com o Diploma Ministerial
n.o 128/2007, de 26 de Setembro, ambos que aprovam o Regulamento de Funcionamento das
Escolas de Condução. As escolas de condução e as empresas de transporte de passageiros e de
mercadorias são responsáveis pela formação de condutores para o transporte de carga perigosa.

A inexistência de uma legislação específica sobre o Transporte de Carga Perigosa, que


complemente o programa teórico para habilitação da subcategoria “D”, faz com que os

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condutores de veículos ou empresas não cumpram com os padrões e normas técnicas
complementares relativos às operações de transporte rodoviário, por um lado e, por outro lado, a
fiscalização de trânsito torna-se deficiente para o cumprimento das informações relativas ao
transporte deste tipo de carga.

Com vista a reforçar medidas de prevenção e segurança rodoviária, minimizar os riscos que este
tipo de transporte representa para o meio ambiente, à saúde da população e ao patrimônio
público, o n.o 1 do artigo 164 do Código da Estrada, aprovado pelo Decreto-Lei nº. 1/2011, de 23
de Março está prevista a regulamentação de trânsito de veículos que efectuem transportes
especiais.

Com a presente proposta do Decreto que aprova o regulamento pretende-se fixar as normas
técnicas para o transporte de carga perigosa, em cumprimento dos padrões de eficiência e
segurança. A mesma detalha como deve ser feita a paragem, estacionamento, identificação,
classificação da carga transportada, sinalização externa dos veículos, procedimentos em caso de
emergência, acidente ou avaria, documentação necessária para o transporte, os equipamentos de
segurança, bem como os responsáveis em caso de acidentes, entre outros aspectos.
A proposta visa também, desenvolver e implementar padrões harmonizado para o transporte de
cargas anormais difíceis e de substância perigosas relativamente, entre outros, aspectos os
requisitos e condições referente ao transporte da carga, nos termos do artigo 6.7 do protocolo da
SADC sobre os Transportes, Comunicações e Metrologia assinado pelos Estados-Membros, aos
vinte e quatro dias do mês de Agosto de mil novecentos e noventa e seis. Este Protocolo foi
ratificado pela Resolução n.o 18/98, de 12 de Maio e, aprovado pelo Conselho de Ministros.

É com base nos fundamentos acima mencionados, que se apresenta a proposta do Decreto que
aprova o Regulamento de Transporte de Carga Perigosa, propondo-se a sua apreciação e
aprovação.

Maputo, Junho de 2017

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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
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MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

CONSELHO DE MINISTRO
DECRETO N.º______/2017

De_____de____________de 2017

Havendo necessidade de estabelecer as normas técnicas para o transporte de carga perigosa, bem
como regras e procedimentos que permitam o transporte deste tipo de carga, prevista no nº 1, do
artigo 64, do Código da Estrada, aprovado pelo Decreto–lei n.º 1/2011, de 23 de Março, ao
abrigo do disposto na alínea f) do n. o 1 do artigo 204 da Constituição da República, o Conselho
de Ministro decreta:

Artigo 1. É aprovado o Regulamento sobre o Transporte de Carga Perigosa, em anexo, que é


parte integrante do presente Decreto.

Artigo 2. Exceptua-se do presente Decreto o transporte de carga perigosa realizado pelas Forças
de Defesa e Segurança.

Artigo 3. O Ministro dos Transportes e Comunicações expedirá, mediante diploma ministerial,


outros actos complementares e as modificações de carácter técnico que se julguem necessárias
para a permanente actualização do regulamento e obtenção de níveis adequados de segurança no
transporte de cargas perigosas.

Artigo 4. O presente Decreto entra em vigor 180 dias após a sua publicação.

Artigo 5. É revogado as disposições que contrariam o presente Regulamento.

Aprovado pelo Conselho de Ministros, aos _____ de ____________ 2017

Publique-se.

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O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário.

REGULAMENTO DE TRANSPORTE DE CARGA PERIGOSA


CAPÍTULO I
Disposições Gerais
Artigo 1
(Âmbito de aplicação)
1. O presente Regulamento aplica-se as entidades de transporte de carga perigosa e aos
condutores habilitados para este tipo de transporte.

2. Exceptuam-se do disposto no número anterior, o transporte de carga perigosa da classe de


explosivos e de materiais radioactivos que é da competência do Ministério da Defesa
Nacional, do Interior e da Agência Nacional de Energia Atómica (ANEA).

Artigo 2
(Objecto)
O presente Regulamento fixa regras e procedimentos aplicáveis para o transporte de carga
perigosa.

Artigo 3
(Definições)
Os termos utilizados no presente Regulamento têm o significado que consta do glossário que
constitui, o anexo I, o qual faz parte integrante do mesmo.

Artigo 4
(Transporte na via pública)

1. O transporte na via pública de carga perigosa ou que represente risco para saúde de pessoas,
para a segurança pública ou para meio ambiente fica sujeito a regras e procedimentos
estabelecidos neste regulamento, sem prejuízo do disposto em legislação específica de cada
produto.
2. O transporte de carga explosiva e radioactiva rege-se pela legislação específicas das
entidades das Forças de Defesa e de Segurança e da Agencia Nacional de Energia atómica.

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CAPÍTULO II
Generalidades
Artigo 5
(Classificação de riscos para carga perigosa)

A classificação de riscos para cargas perigosas, apresenta os produtos ordenados em classes, de


acordo com a NM 714. A classificação referida consta do anexo II.

Artigo 6

(Sinalização no Transporte)

A sinalização da carga a ser transportada diferencia-se por classes, tendo como base as suas
propriedades. Em conformidade com as regras internacionais de transporte da carga perigosa é
obrigatória a aplicação dos símbolos ou rótulos, caso o produto a transportar possua tais
características, de acordo com a tabela constante no Anexo III.

Artigo 7

(Símbolos e painéis de segurança)

1. Os símbolos ou rótulos devem obedecer as características de cor e forma que constam no


Anexo III, do presente regulamento, um quadrado com duas vértices na vertical e duas na
horizontal, possuir 250 mm de lado e deverão ser posicionados em pelo menos dois lados
opostos da unidade de transporte;

2. Os painéis de segurança devem possuir a cor de laranja, forma rectangular (350x140 mm),
borda preta de 10 mm, inscrições a preto que usam o código das Nações Unidas (ONU),
identificando o produto transportado e o risco que representa. São posicionados na parte
frontal, lateral e traseira das unidades de transporte.

3. As inscrições constantes em rótulos de identificação e de risco e em painéis de segurança


específicos, bem como a validade do produto devem permanecer visíveis durante as
operações de carga, transporte, descarga, transbordo, limpeza e descontaminação dos
veículos e equipamentos.
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Artigo 8

(Disposição da sinalização nas unidades de transporte)

1. A unidade de transporte carregada com uma única carga perigosa deve exibir rótulo de risco
em pelo menos dois lados opostos e painéis de segurança na parte frontal, lateral e traseira;
2. O veículo tanque com múltiplos compartimentos, carregado com duas ou mais cargas
perigosas da mesma classe ou sub-classe deve dispor de rótulos de risco, fixados em cada
lado dos respectivos compartimentos. Na parte frontal, lateral e traseira, deve dispor de
painéis de segurança;
3. Veículo tanque compartimentado, carregado com duas ou mais cargas perigosas de classes de
risco diferentes, com ou sem risco subsidiário – deve possuir o painel de segurança
correspondente ao produto de maior risco, além do rótulo referente à cada classe;
4. Veículo de carga geral, carregado com duas ou mais cargas perigosas da mesma classe ou
subclasse – deve ser identificado por meio de rótulos de risco, principal ou subsidiário,
correspondente à classe ou subclasse e painel de segurança sem qualquer inscrição;
5. Caso o carregamento seja composto por duas ou mais cargas das mesmas classes, na mesma
unidade de transporte deve possuir apenas os painéis de segurança sem inscrições;
6. Unidades de transporte carregadas com material da classe 7 (material radioactivo) é
dispensadas de painéis de segurança;
7. Unidades de transporte com reboque ou semi-reboque - devem exibir na parte frontal e
traseira de cada unidade os painéis de segurança. O veículo tractor e o reboque ou semi-
reboque devem exibir na parte lateral e traseira os rótulos de risco;
8. Veículo de carga geral com carga perigosa e vários produtos não perigosos (descartada a
incompatibilidade) – estão isentos de qualquer sinalização;
9. As unidades de transporte devem ter etiquetas de proibição de foguear, fumar e uso de
telefone celular.
10. A disposição da sinalização nas unidades de transporte, consta do Anexo IV.

Artigo 9

(Sinalização de locais com maior probabilidade de acidentes)

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Deve ser sempre prevista a colocação de sinalização específica para a circulação de carga
perigosa nas vias ou nos locais onde há maior probabilidade de acidentes e onde há problemas
ambientais frequentes (ventos, neblina, chuva, entre outros), através de placas informativas,
restritivas, orientadoras, “olhos de gato” e outros sinais reflexivos.

CAPÍTULO III
DAS CONDIÇÕES DE TRANSPORTE
Artigo 10

(Veículos e equipamentos)

1. O transporte de cargas perigosas somente pode ser realizado por veículos e equipamentos de
transporte cujas características técnicas e operacionais, bem como o estado de conservação,
limpeza e descontaminação, garantam condições de segurança, conforme estabelecido na
norma NM 717.

2. Os veículos e equipamentos (como tanques e contentores) especificamente destinados ao


transporte de carga perigosa a granel devem ser fabricados de acordo com as normas
internacionalmente aceites, devendo o início da actividade destes em todo o território
Nacional ser precedido de uma vistoria para obtenção do certificado de registo a ser emitido
pelas entidades que superintendem as áreas dos produtos a transportar.

3. Sem prejuízo das inspecções periódicas obrigatórias, os veículos e equipamentos utilizados


no transporte de carga perigosa, devem ser inspeccionados periodicamente, por entidades
credenciadas nos prazos recomendados pelo fabricante, mas nunca superior a 1 (um) ano,
para emissão do Certificado de Inspecção para o Transporte de Carga Perigosa (CITCP).

4. A cada 6 anos, os equipamentos utilizados no transporte a granel de cargas perigosas devem


ser submetidos a testes de pressão e estanquidade que certifiquem a conformidade das
unidades para o transporte de cargas perigosas de acordo com as normas em vigor e ou
recomendadas pelo fabricante, devendo esses testes serem efectuados por uma entidade
credenciada que emitirá um certificado de conformidade

5. Os veículos e equipamentos referidos no parágrafo anterior, quando acidentados ou


avariados, independentemente da extensão dos danos, devem ser inspecionados, antes de
retornarem à actividade de transporte.

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6. Os veículos utilizados no transporte de carga perigosa devem possuir o equipamento
especificado pelo fabricante como adequado para atender às situações de emergência,
acidente ou avaria.

7. Os veículos que transportam carga perigosa devem estar equipados de um dispositivo de


controlo de velocidade e dos tempos de descanso e de repouso dos condutores.

Artigo 11
(Equipamento de segurança obrigatório)
Os veículos e equipamentos utilizados no transporte de carga perigosa devem possuir:
a) Um dispositivo de corta corrente rápido;
b) Extintores de incêndios (para o tipo de carga transportada e para o veículo),
carregados e bem afixados, dentro do prazo de validade e com capacidade suficiente
para combater incêndios; Três extintores com capacidade de 6 kgs (para o tipo da
carga transportada e para o veiculo), devendo ser colocado uma unidade em cada um
dos lados do equipamento de transporte de cargas perigosas e um na cabine do
veículo;
c) Estojo de ferramentas adequado para reparações em situação de emergência;
d) Equipamento de proteção individual para todos os membros da tripulação;
e) No mínimo, dois calços de dimensões apropriadas ao peso do veículo e ao diâmetro
das rodas e compatível com o material transportado;
f) Colete reflector;
g) Dois faróis cor de laranja intermitentes, a colocar a 10 m do veículo à frente e à
retaguarda em caso de avaria;
h) Dois triângulos de pré-sinalização de perigo;
i) Aparelhos de iluminação portáteis; e
j) Cones para sinalização da via.
k) Todos os equipamentos de transporte de cargas perigosas a granel devem conter
instrumentos que permitam ler correctamente e de forma clara os volumes
transportados, devendo os mesmos apresentar um selo de validade não vencido.

Artigo 12
(Carga e seus acondicionamentos)
1. A carga ou cargas perigosas fracionadas devem ser acondicionadas para suportar os riscos de
carregamento, transporte, descarregamento e transbordo, sendo o expedidor responsável pela
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adequação do acondicionamento segundo especificações do fabricante do produto
transportado.

2. O importador ou agente transitário da carga perigosa são responsáveis pela observância do


preceituado neste Regulamento.
3. Os produtos fracionados devem estar adequadamente rotulados e marcados de acordo com a
correspondente classificação e o tipo de risco.
4. É proibido o transporte no mesmo veículo ou equipamento de cargas perigosas
incompatíveis.
5. Os veículos ou equipamentos de transporte de carga perigosa, mesmo em vazio, são
proibidos de transportar, com risco de contaminação:
a) Pessoas e animais;
b) Alimentos e medicamentos;
c) Objectos destinados a uso humano ou animal;
d) Outros produtos que com aqueles podem representar riscos.

Artigo 13
(Itinerários)
1. Para o transporte de carga perigosa, o transportador e o expedidor devem propor o itinerário a
ser percorrido, antes de iniciar a operação, salvo casos em que pela natureza e quantidade da
carga perigosa a transportar, a autoridade competente exclui a exigência de um itinerário
específico.
2. Os itinerários dos veículos e de equipamentos para o transporte de cargas perigosas devem
ser previamente aprovados pelas autoridades com jurisdição sobre as vias a serem
percorridas.
3. O transportador deve informar anualmente, às autoridades referidas no número anterior sobre
os fluxos de transporte de cargas perigosas efectuadas, especificando:

a) Classe do produto e quantidade transportadas;

b) Pontos de origem e destino.

4. Quando o destino de carga perigosa for algum local dos previstos neste artigo ou, por
inexistência de outro itinerário, o transporte deve se fazer por via situada em qualquer desses
locais ou próximos deles, o transportador deve notificar, com antecedência mínima de 72
(setenta e duas) horas, as autoridades com jurisdição sobre a via, a fim de que sejam
adoptados os cuidados indispensáveis à preservação da vida e da saúde das pessoas, bem
como dos bens públicos.
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5. Com a finalidade de preservar as condições de segurança do transporte, de pessoas e bens,
bem como de determinados troços da via ou de obras-de-arte especiais, a Administração
Nacional de Estradas poderá determinar restrições de uso das vias ou de parte delas,
indicando alternativa de percurso para o transporte de carga perigosa, bem como estipular
locais, horários e períodos destinados ao estacionamento, paragem, carga e descarga.

6. A circulação, paragem ou estacionamento de veículos que estejam a transportar carga


perigosa em via de grande fluxo de trânsito, devem ser evitados nos horários de maior
intensidade de tráfego.

Artigo 14
(Estacionamento)

1. Qualquer veículo que esteja a transportar carga perigosa, somente pode estacionar em áreas
previamente identificadas ou em áreas separadas de instalações, edificações e de outros
veículos, de acordo com o estabelecido na norma NM 717.
2. Quando por motivo de paragem nas bermas das rodovias, decorrente de emergência, acidente
ou avaria, o veículo que esteja a transportar carga perigosa se encontrar na via pública ou
lugar de fácil acesso ao público, deve permanecer sob vigilância do seu condutor ou de
alguém capacitado.

3. Quando, por motivo de emergência, paragem técnica, falha mecânica ou acidente, o veículo
parar em local não autorizado, deverá permanecer sinalizado e sob a vigilância de seu
condutor ou de autoridade local, salvo se a sua ausência for imprescindível para a
comunicação do facto, pedido de socorro ou atendimento médico.

4. Quando a paragem ou estacionamento for por motivo técnico, o condutor do veículo que
transporte carga perigosa deve evitar locais próximos a vias, áreas densamente povoadas,
aglomerações de pessoas e veículos, reservatórios de águas, reservas florestais e ecológicas.

Artigo 15

(Pessoal envolvido na operação de transporte)

Todo o pessoal envolvido nas operações de carregamento, transporte, descarregamento e


transbordo de carga perigosa, para além das qualificações e habilitações previstas no Código da
Estrada, deve receber formação específica, segundo programa aprovado pelo Diploma
Ministerial n.o 80/2011, de 3 de Março.
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ARTIGO 16

(Documentos a bordo do veículo)

1. Os veículos que estejam a transportar carga perigosa e os equipamentos relacionados com


essa finalidade, só podem circular pelas vias públicas munidos de documentos a seguir
especificados, além daqueles previstos na legislação fiscal, de transporte, de trânsito e
relativa ao produto transportado:
a) Documento Fiscal da carga transportada, contendo as seguintes informações:
i. Número e nome apropriado para embarque;
ii. Classe e, quando for o caso, subclasse à qual a carga pertence;
iii. Declaração assinada pelo expedidor de que a carga está adequadamente
acondicionado para suportar os riscos normais de carregamento,
descarregamento e transporte;
b) Ficha de Emergência;
c) Certificado de Capacitação para o Transporte de Carga Perigosa a Granel do
veículo e equipamentos, emitido pelo INNOQ ou entidade por ele credenciada;
d) Carta de condução;
e) Autorização especial para o transporte de carga perigosa; e
f) Certificado dos testes de pressão e estanquicidade dos equipamentos de transporte
da cargas perigosas.
2. O Certificado de Capacitação para o Transporte de Carga Perigosa a Granel perderá a
validade quando:

a) Forem alteradas as características do veículo ou equipamento;


b) O veículo ou equipamento não obtiver aprovação em inspecção;
c) O veículo ou equipamento não for submetido à inspecção periódica obrigatória ou
nas épocas determinadas pelo fabricante;
d) O veículo ou equipamento acidentado, não for submetido à nova inspecção após sua
reparação.

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3. As inspecções referidas no parágrafo anterior, serão objecto de análise técnica sobre as
condições do veículo e equipamento, delas se fazendo registo no Certificado de
Capacitação.

4. O Certificado de Capacitação para o Transporte de Carga Perigosa a Granel não exime o


transportador da responsabilidade por danos causados pelo veículo, equipamento ou carga
perigosa, assim como não isenta o expedidor da responsabilidade pelos danos causados
exclusivamente pela carga perigosa, quando agirem com imprudência, imperícia ou
negligência.

Artigo 17

(Procedimentos em caso de emergência, acidente ou avaria)

1. Em caso de emergência, por acidente ou avaria que obrigue a imobilização do veículo o


condutor ou alguém capacitado, deve sinalizar com luzes de emergência, usar dispositivos
luminosos, os triângulos, cones e calços. Deve ainda proceder da seguinte forma:

a) Adoptar, imediatamente, as medidas indicadas de emergência, correspondentes a cada


produto transportado;

b) Comunicar de forma imediata a imobilização do veículo à autoridade de trânsito, pelo


meio mais rápido ao seu alcance, detalhando a ocorrência, o local do evento, a classe e a
quantidade de material transportado e a previsão do tempo de duração da imobilização;

c) Comunicar imediatamente a empresa transportadora e o expedidor.

2. Quando, em razão da natureza, extensão e características da emergência, acidente ou avaria,


se fizer necessária a presença no local de pessoal técnico ou especializado, esta deverá ser
solicitada de imediato ao INATTER, ANE e Serviço Nacional de Salvação Pública
(SENSAP).

3. Os fabricantes ou seus representantes, transportadores e expedidores de carga perigosa, em


casos de emergência, acidente ou avaria, devem prestar o apoio e esclarecimento necessários
que lhes forem solicitados pelas autoridades públicas.

Artigo 18
(Comunicação de emergência)

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1. As autoridades devem implementar um sistema de comunicação de emergência para
atendimento do usuário da rodovia, tais como caixas de telefones de emergência, veículos de
fiscalização e postos telefónicos.
2. As entidades intervenientes devem possuir comunicações suficientes para receber a
comunicação da ocorrência e providenciar imediatamente o atendimento de emergência
necessário, envolvendo INATTER, ANE, PRM, SENSAP, Entidades Municipais da área de
jurisdição e consultores especializados do sector.

Artigo 19
(Equipamento de protecção individual)

O equipamento de protecção individual (EPI) deve estar presente em todas as operações e deve
ser classificado de acordo com o risco apresentado e as partes do corpo humano a serem
protegidas, de acordo com as seguintes especificidades:

a) Protecção da cabeça - respiradores, máscaras semi-faciais e faciais, óculos de segurança e


capacetes para proteger o crânio;
b) Protecção dos membros superiores - luvas e mangas de protecção;
c) Protecção dos membros inferiores - calçado, botas e perneiras;
d) Protecção contra quedas com diferença de nível - cintos de segurança;
e) Protecção auditiva - protectores auriculares;
f) Protecção respiratória - respiradores, máscaras e equipamentos autónomos;
g) Protecção do tronco - avental, jaquetas, capas e macacões;
h) Protecção de todo o corpo - aparelhos de isolamento.

Artigo 20
(Equipas de atendimento de emergência)
1. As equipas de respostas para atendimento de emergência, são as de:

a) Atendimento Pré-hospitalar Móvel - especializada em atendimento de socorro médico


pré-hospitalar móvel para carga perigosa;
b) Combate à Carga perigosa - especializada em combate a derramamentos de carga
perigosa;

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c) Resgate e Combate a Incêndios - especializada em atendimento e resgate de sinistros
naturais, tecnológicos e combate a incêndios.

CAPÍTULO IV

DEVERES, OBRIGAÇÕES E RESPONSABILIDADES

Artigo 21

(Do transportador)

1. Constituem deveres e obrigações do transportador:

a) Adquirir veículos e equipamentos adequados para o transporte de carga perigosa;

b) Garantir a manutenção e utilização dos veículos e equipamentos;

c) Controlar e verificar as condições de funcionamento e segurança do veículo e


equipamento;

d) Acompanhar, para ressalva das responsabilidades pelo transporte, as operações


executadas pelo expedidor ou destinatário, de carga, descarga e transbordo, adoptando as
cautelas necessárias para prevenir riscos à saúde e integridade física de seus propostos e
ao meio ambiente;

e) Providenciar os trajes e equipamentos de segurança no trabalho, zelando para que sejam


utilizados nas operações de transporte, carga, descarga e transbordo;

f) Providenciar a correcta utilização, nos veículos e equipamentos, dos rótulos de risco e


painéis de segurança adequados aos produtos transportados;

g) Realizar as operações de transbordo observando os procedimentos e utilizando os


equipamentos recomendados pelo expedidor ou fabricante do produto;

h) Transportar produtos a granel que estejam especificados no "Certificado de Capacitação


para o Transporte de Carga Perigosa a Granel";
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i) Providenciar o "Certificado de Capacitação para o Transporte de Carga Perigosa a
Granel", quando for o caso, e exigir do expedidor os documentos previstos;

j) Providenciar para que o veículo possua o conjunto de equipamento necessário às


situações de emergência, acidente ou avaria, assegurando-se do seu bom funcionamento;

k) Instruir o pessoal envolvido na operação do transporte quanto à correcta utilização dos


equipamentos necessários às situações de emergência, acidente ou avaria, conforme as
instruções do expedidor;

l) Zelar pela adequada qualificação profissional do pessoal envolvido na operação do


transporte, proporcionando treinamento específico, exames de saúde periódicos e
condições de trabalho conforme os preceitos da higiene, medicina e segurança do
trabalho;

m) Providenciar para que o pessoal envolvido na operação do transporte utilize traje e


equipamento de proteção individual adequado aos produtos transportados e zelar pela
correcta utilização dos mesmos;

n) Providenciar a correcta utilização dos símbolos adequados aos produtos transportados;

o) Assegurar-se de que o serviço de escolta, quando houver, preenche os requisitos deste


Regulamento e das instruções específicas existentes;

p) Fazer com que o veículo circule nos itinerários constantes do Certificado para Despacho
e Embarque de Carga perigosa, salvo situações imprevistas ou de força maior, quando
deverá dar conhecimento do novo percurso às autoridades com jurisdição sobre a via
pública ou rodovia;

q) Possuir seguro para cobrir a responsabilidade civil, recuperação e reabilitação do meio


ambiente;

r) Assegurar que os veículos cumprem com o código de conduta;

s) Elaborar acordos com o expedidor e o destinatário;

t) Inspecionar as instalações nos pontos de enchimento e descarregamento;

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u) Planificar as rotas e investigar as obstruções;

v) Assegurar que os condutores compreendem os procedimentos e as instruções,


principalmente a ficha de emergência;

w) Assegurar que o condutor esteja treinado para conduzir veículos que transportam carga
perigosa;

x) Assegurar que o condutor esteja treinado para lidar com situações de emergência;

y) Assegurar que o condutor esteja em condições de operar o equipamento do veículo;

z) Assegurar que o veículo possui treinamento contra incêndios;

aa) Garantir a participação do condutor em cursos sobre condução defensiva e


manuseamento de carga perigosa;

bb) Comunicar os acidentes (fogo, derrame, explosões) às autoridades competentes;

cc) Garantir que os veículos danificados sejam inspecionados pelo mecânico, oficina de teste
ou fabricante e pelo centro de inspecção periódica obrigatória, no caso de danificação de
grande vulto;

dd) Assegurar que a carga em excesso não é deitada fora;

ee) Assegurar que a unidade de transporte esteja registada como veículo para transporte de
carga perigosa.

2. Sempre que o transportador receba a carga lacrada ou seja impedido pelo expedidor ou
destinatário, por razões de segurança ou conveniência, de acompanhar a carga e descarga,
ficará desonerado de responsabilidade por acidente ou avaria, decorrentes do mau
acondicionamento da carga.

3. Quando o transporte for realizado por transportador comercial autônomo, os deveres e


obrigações estipulados na alínea f) e i) do n.o 1, do presente, cabem:

a) Ao expedidor, se o transportador autônomo tiver sido pelo mesmo directamente


contratado;
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b) À empresa que tenha subcontratado o transportador autônomo.

4. É vedado ao transportador autônomo, a execução do serviço de transporte de carga ou


produtos extremamente perigosos.

5. O transportador recusará o transporte quando as condições dos produtos ou dos seus


acondicionamentos não estiverem conforme os preceitos deste Regulamento, das demais normas
e instruções incidentes, ou apresentarem sinais de violação ou mau estado de conservação.

Artigo 22

(Do condutor)

1. Constituem deveres e obrigações do condutor:


a) Estar apto para conduzir;
b) Interpretar as instruções da Ficha de Emergência;
c) Beneficiar de treinamento teórico e prático;
d) Seguir a rota programada;
e) Parar somente em zonas seguras e pré-programadas;
f) Não abandonar o veículo sem guarda em zona sem supervisão;
g) Observar boas práticas de condução;
h) Não permitir que passageiros ou pessoas não autorizadas estejam dentro ou sobre o
veículo em qualquer fase durante a viagem;
i) Quando estiver parado, activar luzes de perigo;
j) Alertar as autoridades se a carga estiver em perigo;
k) Assegurar o uso correcto de painéis e símbolos sobre carga perigosa;
l) Assegurar que os painéis são retirados ou tapados quando a unidade de transporte estiver
expurgada dos gases;
m) Seguir os procedimentos em caso de paragens;
n) Seguir os procedimentos gerais das operações de carga.
2. Antes de cada operação de carregamento, o condutor, o encarregado da frota e o responsável
pela manutenção do veículo, devem vistoriar, controlar e aprovar as condições do veículo,
tanque ou reboque/semi-reboque, tendo em vista o serviço para o qual é destinado.

3. O condutor, antes de iniciar com a marcha do veículo, deve inspeccioná-lo, assegurando-se


de suas perfeitas condições para o transporte para o qual é destinado e com especial atenção

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para o tanque, carroçaria e demais dispositivos que possam afectar a segurança da carga
transportada.

4. Durante a viagem o condutor é responsável pela guarda, conservação e bom uso dos
equipamentos e acessórios do veículo, inclusive os exigidos em função da natureza específica
dos produtos transportados.

5. O condutor deve interromper a viagem, quando as condições mecânicas ou outros factores


concorram para alterar as condições iniciais de partida, pondo em risco a segurança dos bens
e das pessoas.

6. O condutor deve examinar, em local adequado e, no máximo, a cada duas horas, os pneus do
conjunto transportador, verificando a existência de vazamento, o grau de aquecimento e as
demais condições dos mesmos.

7. O condutor, a não ser quando devidamente treinado e autorizado pelo expedidor ou


destinatário do produto, não deve efectuar ou participar das operações de carregamento e
descarregamento do veículo, mas deve acompanhar estas operações.

Artigo 23
(Do expedidor)

1. Constitui dever do expedidor, a coordenação de qualquer operação de transbordo envolvendo


carga perigosa, bem como sua supervisão se tal operação for realizada sob sua
responsabilidade directa;
2. As operações de carga são da responsabilidade do expedidor, cabendo-lhe o treinamento e a
orientação adequada em relação aos procedimentos a serem adoptados nessas operações, em
comum acordo com o transportador;

3. Na operação de transporte da carga, cuidados especiais devem ser adoptados quanto à


amarração da carga a fim de evitar danos, avarias ou acidentes;

4. O expedidor deve tomar todas as precauções, no carregamento dos produtos, quanto à


preservação de bens, com especial atenção para a compatibilidade entre os aludidos produtos;

5. O expedidor deve exigir do transportador, o uso de veículo e equipamento em boas condições


técnicas e operacionais, assim como, o condutor devidamente capacitado;
19
6. O expedidor é responsável pela adequação do acondicionamento dos produtos a serem
transportados, observando as especificações do fabricante dos mesmos;

7. O expedidor deve, caso o transportador não possua, fornecer os equipamentos necessários às


situações de emergência, acidente ou avaria, com as devidas instruções para sua correcta
utilização, bem como providenciar a documentação relacionada com os produtos;

8. O expedidor deve preencher a Ficha de Emergência da maneira mais completa possível,


detalhando todos os cuidados e procedimentos a serem adoptados em caso de emergência,
acidente ou avaria;

9. O expedidor deve exigir do transportador o uso dos símbolos adequados, correspondente a


carga a ser transportada;

10. No caso de carga fraccionada, o expedidor deve entregá-la devidamente rotulada e fornecer
ao transportador os símbolos para uso nos veículos;

11. Possuir pessoal treinado para supervisionar o carregamento;

12. Assegurar que os veículos e equipamentos sejam usados correctamente;

13. Assegurar que a operação seja realizada de forma eficiente, correcta e produtiva;

14. Inspecionar a limpeza e as condições de segurança da unidade de transporte;

Artigo 24

(Destinatário)

1. Providenciar pessoal qualificado para supervisão do descarregamento;

2. Verificar a conformidade da carga;

3. Assegurar que:

a) a operação de descarga seja eficiente e correcta;

b) todas as operações de higiene e segurança sejam seguidas;

c) a capacidade de armazenamento é suficiente;

20
CAPITULO V

FISCALIZAÇÃO

Artigo 25

(Competência na Fiscalização)

1. A fiscalização para a observância deste Regulamento é da competência das entidades previstas


no número 1 do artigo 10 do Código da Estrada.

2. As autoridades fiscalizadoras têm acesso a todos os elementos relevantes para a segurança do


transporte, nomeadamente no que respeita às embalagens, às cisternas, aos contentores, aos
veículos, e à documentação relacionada com o transporte ou com a carga perigosa
transportada, podendo ainda efectuar acções de fiscalização nas instalações dos
intervenientes nas operações de transporte, quer a título preventivo quer na sequência de
infracções detectadas na realização do transporte.

3. A fiscalização compreende:

a) Exame dos documentos de porte obrigatório previstos no artigo 16;

b) Verificação da adequação da sinalização prevista no anexo I;

c) Verificação da disposição da sinalização nas unidades de transporte e do


Equipamento de segurança obrigatório;

d) Verificação da adequação dos rótulos de risco, painéis de segurança e etiquetas das


embalagens da carga especificada no documento fiscal;

e) Verificação da existência de vazamento no equipamento de transporte de carga a


granel;

f) Tratando-se de carga expedida de forma fraccionada, verificar o estado de


conservação das embalagens e seu manuseamento;

g) Verificação das características técnicas e operacionais e do estado de conservação dos


veículos e equipamentos de transporte;

h) Verificação do porte de estado de conservação do conjunto de equipamentos para


situações de emergência e dos equipamentos de protecção individuais (EPI’s);

21
4. Não obstante as disposições do presente regulamento o agente de fiscalização não deve
abrir embalagens de carga perigosa ou descarregar a menos que:

a) O transportador tenha sido devidamente notificado;

b) Tal descarga ou abertura de embalagens seja autorizada pela autarquia local em


causa, devendo tomar as medidas de segurança apropriadas de acordo com o
artigo;

c) A inspecção de carga perigosa seja notificada;

CAPITULO VI
Contravenções
Artigo 26
(Contravenções)
1. As contravenções do disposto no presente regulamento são punidas com multa de acordo
com a sua gravidade, em dois grupos:

a) Primeiro Grupo: grave, as que serão punidas com multa de valor equivalente a 10
salários mínimos; e

b) Segundo Grupo: média, as que serão punidas com multa de valor equivalente a 5
salários mínimos;

2. Na reincidência, o agravamento da multa será de 100% (cem por cento).

3. Cometidas, simultaneamente, duas ou mais infracções de natureza diversa, aplicar-se-ão,


cumulativamente, as penalidades correspondentes a cada uma.

4. São contravenções de responsabilidade do transportador e puníveis com multa prevista


para o primeiro grupo as seguintes:

a) Transportar carga perigosa no itinerário não indicado pelas autoridades de jurisdição


da via;
b) Transportar carga perigosa em veículo cujo condutor não esteja devidamente
habilitado;
c) Falta de registo do veículo e do equipamento usado para o transporte de carga
perigosa;
22
d) Não fazer a manutenção ao veículo ou seu equipamento;
e) Não adoptar, em caso de emergência ou avaria, as providências constantes da ficha
de emergência;
f) Estacionar ou parar sem a observância do artigo 14 do presente regulamento;
g) Transportar carga perigosa em veículo desprovido de conjunto de equipamento para
situação de emergência e protecção individual;
h) Transportar carga perigosa em veículos desprovidos de Certificado de Capacitação
válido;
i) Transportar carga perigosa em veículo ou equipamento sem a devida sinalização ou
quando esta estiver incorrecta, ilegível ou fixada de forma inadequada;
j) Transportar, juntamente com carga perigosa, pessoas, animais, alimentos ou
medicamentos destinados ao consumo humano ou animal; ou, ainda, embalagens
destinadas a estes bens;
k) Transportar carga perigosa sem utilizar, nas embalagens e no veículo, rótulos de
risco e painéis de segurança em bom estado e correspondente ao produto
transportado;
l) Transportar carga perigosa em veículo sem a ficha de emergência;
m) Não cumprir com os procedimentos necessários no caso de imobilização, avaria ou
acidente de acordo com o artigo 18 do presente regulamento;
n) Não informar as autoridades competentes, no caso de imobilização do veículo;
o) Retirar a sinalização de transporte ou ficha de emergência ou equipamento de
transporte que não tenha sido descontaminado;
p) Não retirar a sinalização dos veículos e equipamentos de transporte após as
operações de limpeza e descontaminação;
q) Não prestar os esclarecimentos técnicos em situações de emergência ou acidentes,
quando solicitado pela autoridades;
r) Transportar carga perigosa em veículo cujo condutor ou auxiliar não estejam usando
o traje obrigatório de protecção individual;
5. São contravenções de responsabilidade do expedidor e puníveis com multa prevista para
o segundo grupo as seguintes:

a) Transportar carga perigosa em embalagens que apresentem sinais de violação,


deterioração ou em mau estado de conservação;

23
b) Transportar carga perigosa desprovido de Certificado de Capacitação para o
Transporte de Carga Perigosa a granel;
c) Transportar carga perigosa sem o Certificado para despacho e embarque da mesma,
emitido pelo expedidor;
d) Manusear, carregar ou descarregar cargas perigosas em locais públicos e em
condições de segurança inadequadas às características da carga e a natureza de seus
riscos;
e) Transportar carga perigosa sem a declaração de responsabilidade do expedidor;
f) Transportar no veículo carga perigosa incompatível;
g) Não se fazer representar por um técnico ou pessoal especializado no local de acidente
quando expressamente convocado pela autoridade competente;
h) Transportar carga perigosa em veículo sem fornecer a documentação exigida;
Artigo 27

(Destino do produto das multas)

1. O valor das multas provenientes das irregularidades detectadas durante a fiscalização


deve ser distribuído da seguinte forma:

a) 60 % Para as entidades envolvidas na fiscalização no cumprimento do disposto no


presente regulamento;

b) 40 % Para o Cofre do Estado.

Artigo 28

(Disposições finais e transitórias)

1. As dúvidas resultantes da interpretação do presente regulamento são resolvidas por


despacho conjunto dos ministros que superintendem as áreas dos Transportes e
Comunicações, Industria e Comercio e dos Recursos Minerais e Energia.

2. É da exclusiva competência do Ministro dos Transportes:

a) Estabelecer, quando as circunstâncias técnicas o exijam, medidas especiais de


segurança no transporte rodoviário, inclusive determinar acompanhamento técnico
especializado;

24
b) Proibir o transporte rodoviário de cargas ou produtos considerados perigosos que não
devem transitar por vias públicas, determinando, em cada caso, a modalidade de
transporte mais adequada;

c) Dispensar, no todo ou em parte, a observância deste Regulamento quando, dada a


quantidade de carga perigosa a ser transportada não ofereça riscos significativos.

3. Compete ao transportador a contratação do seguro decorrente da execução do contrato de


transporte de carga perigosa.

4. O presente Regulamento é extensivo a carga perigosa em trânsito no território nacional,


observadas, no que couber, as disposições constantes dos acordos, convénios ou tratados
ratificados pelo Governo de Moçambique.

25
Anexo I - Glossário

Para efeitos do presente Regulamento de transporte, entende-se por:

a) Acidente - acontecimento causal, fortuito, imprevisto, considerado evento indesejado,


que resulta em danos à saúde humana e ao meio ambiente, com prejuízos materiais e
consequências;
b) Acidente Ambiental - aquele que é decorrente de evento não desejado, ocorrido durante
a fabricação, manipulação, armazenamento ou transporte de produtos químicos, organo-
sintéticos ou infectantes, que promovam alterações nas condições do meio ambiente,
provocando a degradação da qualidade ambiental e prejudicando a saúde, a segurança da
população, podendo criar condições adversas às actividades económicas e sociais;
c) Agente transitário - singular ou colectiva que presta serviços no transporte internacional
de mercadorias em trânsito, constituindo um intermediário entre o exportador, o
importador e as companhias de transporte;
d) Carga perigosa – produto que tem o poder de causar dano ou que representa risco à
saúde humana, ao meio ambiente ou para a segurança pública, e que, isolado ou em
presença de certas substâncias, é susceptível de se decompor ou reagir com carácter
explosivo ou perigoso.
e) Certificado de Capacitação para o Transporte de Produtos Perigosos à Granel:
documento expedido pelo INNOQ (Instituto Nacional de Normalização e Qualidade) ou
empresa por ele credenciada, que comprova a aprovação do veículo ou equipamento
(tanque, vaso para gases, etc.) para o transporte de cargas perigosos à granel (sem
embalagem). Para o transporte de carga fracionada (embalada) este documento não é
obrigatório. Também não é exigido para o contentor-tanque.

f) Compatibilidade - possibilidade de transportar conjuntamente produtos que, em contato


acidental entre si (por vazamento, ruptura de embalagem, ou comprometimento da

26
estanquicidade de divisórias), não venham a produzir reação química explosiva ou
exotérmica ou ainda, a formação de gases e vapores perigosos ou tóxicos, nem alterem as
características físicas ou químicas de cada produto transportado, em relação aos agentes
originais;

g) Corrosivos - têm a capacidade de destruir ou danificar o tecido humano ou a maioria das


coisas com que entram em contacto (betão, metais, asfalto, etc.);
h) Documento Fiscal: deve apresentar o número da ONU, nome do produto, classe de risco
e declaração de responsabilidade do expedidor de produtos perigosos.
i) Distância de Referência - é a menor distância entre cada parte da instalação que possa
originar um acidente e o limite de propriedade do terreno mais próximo (residência,
hospital, escola, etc.);
j) Efeito Dominó - é o efeito produzido pela ocorrência de um evento indesejável,
decorrente de outros eventos, provocando uma reacção em cadeia;
k) Efeito Sinérgico - é um efeito (geralmente toxicológico) provocado por uma substância
que foi activada por outras substâncias presentes;
l) Evento – qualquer acontecimento ou algo que possa ocorrer;
m) Evento Acidental de Pequeno Porte - O evento acidental de pequeno porte, leva em
consideração as ocorrências mais frequentes, de maior probabilidade de ocorrência, mas
de consequências menores;
n) Eventos catastróficos - são aqueles que promovem riscos de sinistros graves e/ou
acidentes envolvendo populações ribeirinhas e/ou ecossistemas notáveis, com
possibilidades de consequências e danos de monta;
o) Expedidor - pessoa singular ou colectiva que contrata o transporte de mercadoria
perigosa a despachar;
p) Explosão - libertação rápida e violenta de energia, cuja intensidade depende da
velocidade com que a energia é libertada (deflagração, detonação);
q) Explosivo - é um sólido ou líquido que sob influência da acção excitadora, é capaz de
libertar bruscamente toda a energia, podendo produzir gás à temperatura, pressão e
velocidade, ao ponto de causar danos;
r) Exportador – pessoa singular ou colectiva responsável pela saída de bens, produtos e
serviços além das fronteiras do país de origem.

27
s) Gás Comprimido, Liquefeito, Dissolvido sob Pressão ou Altamente Refrigerado -
qualquer substância que é gasosa, à temperatura ambiente ou pressão atmosférica, pode
ser inflamável ou tóxica, causando doenças ou mortes em humanos;
t) Ficha de Emergência: deve conter informações sobre a classificação do produto
perigoso, risco que apresenta e procedimentos em caso de emergência, primeiros socorros
e informações ao médico.
u) Importador – pessoa singular ou colectiva responsável pelo processo comercial e fiscal
que consiste em trazer um bem, que pode ser um produto ou um serviço, do exterior para
o país de referência;
v) Incidente - (ou evento acidental) - é um evento, episódio, que ocorre ou pode ocorrer
circunstancialmente e que pode desenvolver e tornar-se num acidente, com prejuízos e
consequências indesejáveis ao homem e ao ambiente;

w) Produtos incompatíveis - consideram-se, para fins de transporte os produtos que, postos


em contacto entre si, apresentem alterações das características físicas ou químicas
originais de qualquer deles, gerando risco de provocar explosão, desprendimento de
chama ou calor, formação de compostos, misturas, vapores ou gases perigoso.

x) Irradiação - transmissão de calor feita sem continuidade molecular entre a fonte e o


corpo recebedor. É acompanhada geralmente por intensa emissão de luz. A absorção de
calor pelo corpo recebedor depende da cor da superfície, sendo o negro maior absorvedor
e o branco, o menor;
y) Líquido Inflamável - arde facilmente ou facilmente fica em chamas e inclui líquidos que
emitem vapores inflamáveis;
z) Produto - é uma substância ou um conjunto de substâncias;
aa) Produto corrosivo - é um produto que mesmo acondicionado em embalagem adequada,
liberta gases ou vapores corrosivos, causando grandes prejuízos materiais à instalação;
bb) Produto Inflamável - é um produto que quando aquecido, em contacto com o oxigénio,
entra em combustão, libertando grande quantidade de energia térmica;
cc) Produtos Pirofóricos - são produtos que em condições ambientais normais (atmosfera,
temperatura e humidade) reagem violentamente com o oxigénio do ar ou com a humidade
existente, gerando calor, gases inflamáveis e fogo. Dentre esses, pode-se citar os metais
alcalinos, hidratos e alguns organometálicos;

28
dd) Reactividade - é a propriedade de certos produtos reagirem quimicamente na presença
de outros, ditos incompatíveis. Normalmente a reacção é violenta e liberta calor,
produzindo gases, vapores tóxicos, corrosivos ou inflamáveis;
ee) Risco - entende-se por risco a probabilidade de ocorrência de acidentes ou de eventos
acidentais (incidentes) que possam levar a consequências com danos e prejuízos;
ff) Risco de Dano (Hazard) - considera-se o potencial de causar dano às pessoas, às
propriedades e ao meio ambiente. É inerente às características do produto;
gg) Risco Social - é o risco que a população está submetida na passagem de uma viatura
contendo um carga perigosa. Pode ser involuntário quando as pessoas não têm noção da
sua ocorrência e magnitude, ou voluntário, quando a população interna de uma
instituição que manipula cargas perigosas fornece todos os equipamentos de segurança
para os indivíduos;
hh)Sistema - é um conjunto ordenado de componentes que estão inter-relacionados e que
actuam e interagem com outros sistemas, para cumprir tarefa ou função num determinado
ambiente;
ii) Sólidos Inflamáveis - substâncias susceptíveis de combustão espontânea, que em
contacto com água, emitem gazes inflamáveis. Podem igualmente serem inflamados por
faíscas ou chamas;
jj) Substância - matéria que tem uma composição química definida;
kk)Substâncias Oxidantes e Peróxidos Orgânicos - têm a capacidade de aumentar o risco e
a intensidade de incêndio. Podem ser instáveis, sensíveis à fricção, ao calor ou ao
impacto;
ll) Substâncias Perigosas Diversas - são de um carácter perigoso, que as provisões deste
padrão se aplicam a materiais magnetizados, gelo seco, viaturas movidas à bateria e
substâncias à temperaturas elevadas;
mm) Substância Radioactiva - qualquer substância usando, mostrando ou relacionada com
radioactividade (emissão de energia em forma de partículas Alfa, Beta ou raios Gama);
nn) Substâncias Tóxicas e Infectantes - substâncias susceptíveis de causar morte,
ferimentos ou danos aos humanos se ingeridos, inalados ou em contacto com a pele.
Contém toxinas, bactérias, vírus, parasitas, conhecidos como causadores de doenças em
humanos e animais.

29
Anexo II – Classificação dos riscos para cargas perigosas

1. Classe 1 - Explosivos
a) Subclasse 1.1- substâncias e artefactos com risco de explosão em massa;
b) Subclasse 1.2 - substâncias e artefactos com risco de projecção;
c) Subclasse 1.3 - substâncias e artefactos com risco de fogo;
d) Subclasse 1.4 - substâncias e artefactos que não apresentam risco significativo;
e) Subclasse 1.5 - substâncias muito insensíveis;
f) Subclasse 1.6 – substâncias extremamente insensíveis.
2. Classe 2 - Gases comprimidos, liquefeitos, Dissolvidos sob Pressão ou Altamente
Refrigerados:
a) Subclasse 2.1 - Gases inflamáveis
b) Subclasse 2.2 - Gases não-inflamáveis, não-tóxicos (perigosos porque são
comprimidos ou por outras razões prejudiciais, por exemplo, privar/retirar o oxigénio
do ar);
c) Subclasse 2.3 - Gases tóxicos (tão venenosos ou corrosivos como sendo
extremamente perigosos para a vida).
3. Classe 3 - Líquidos Inflamáveis - Inflamam facilmente com um ponto de inflamação de
60.5 graus ou menos. Mais de 80 % de cargas perigosas transportadas pertencem a esta
classe.
4. Classe 4 - Sólidos Inflamáveis
a) Subclasse 4.1- Sólidos inflamáveis (facilmente incendiados por faísca ou chama ou
que queimam facilmente ou que podem pegar fogo por fricção);

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b) Subclasse 4.2 – Espontaneamente inflamáveis (líquidos que geram o seu próprio
calor e que irão auto-inflamar quanto expostos ao ar);
c) Subclasse 4.3 - Substâncias perigosas quando húmidas ou molhadas (em contacto
com a água podem pegar fogo por si ou emitir gases inflamáveis ou tóxicos).
5. Classe 5 - Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos
a) Subclasse 5.1 - Substâncias oxidantes (não necessariamente inflamáveis em si
mesmos, podem produzir grandes quantidades de oxigénio aumentando o risco e a
intensidade de fogo noutros materiais);
b) Subclasse 5.2 - Peróxidos orgânicos (sensíveis ao calor, são termicamente instáveis
e geram grandes quantidades de calor quando avariam)
6. Classe 6 - Substâncias Tóxicas e Infecciosas
a) Subclasse 6.1 - Substâncias tóxicas (causam doenças ou a morte em caso de ingestão,
inalação ou se absorvidas através da pele). Quase todas emitem gases tóxicos em caso
de incêndio.
b) Subclasse 6.2 - Substâncias infecciosas (conter bactérias, vírus, parasitas e fungos que
causam doenças em seres humanos e animais).
7. Classe 7 - Substâncias radioactivas - Substâncias que compreendem raios gama
altamente penetrantes, partículas betas, que podem penetrar na pele e partículas alfa não
perigosas, a menos que ingeridas ou absorvidas através de uma ferida.
8. Classe 8 – Corrosivos – ácidos e substâncias cáusticas em forma líquida ou sólida que
comem afastado uma substância quimicamente e danificam severamente os tecidos vivos.
O vazamento ou fuga também pode danificar outras cargas e reagir com metais utilizados
na construção de veículos.
9. Classe 9 - Substâncias perigosas diversas - Nesta classe são enquadradas as substâncias
que representam um perigo, mas não podem ser classificados em nenhuma das outras
classes. Elas incluem substâncias perigosas para o ambiente.

31
Anexo III – Sinalização no transporte

Classe 1- Explosivos

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

1.1, 1.2, 1.3 na


Explosivo Laranja parte inferior
Quadrado

Explosivo (perigo de Quadrado 1.4 ou 1.5s na


incêndio de grandes Laranja parte central
proporções)

Explosivo (contém 1.2, 1.3, 1.5 na


Quadrado
agentes explosivos) Laranja parte central

Explosivo (explosivos Quadrado 1.5 ou 1.6 na


extremamente Laranja parte central
sensíveis)

Classe 2 - Gases

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

Quadrado
Gás inflamável Vermelha 2 na parte inferior

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Quadrado
Gás não inflamável Verde 2 na parte inferior

Quadrado
Gás tóxico Branca 2 na parte inferior

Classe 3 - Líquidos inflamáveis

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

Líquido inflamável Quadrado Vermelha 3


na parte inferior

Classe 4 - Sólidos inflamáveis

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos


Listas
Brancas
Quadrado
Sólidos e 4.1 na parte inferior
Inflamáveis Vermelhas na
vertical
Parte superior
branca e inferior
Quadrado
Espontaneamente a vermelho 4.2 na parte inferior
inflamável

Inflamável ao contacto Quadrado


com água Azul 4.3 na parte inferior

Classe 5 - Oxidantes e Peróxidos Orgânicos

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

Quadrado
Substâncias oxidantes Amarela 5.1 na parte inferior

Quadrado
Peróxidos orgânicos Amarela 5.2 na parte inferior

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Classe 6 - Substâncias tóxicas e infectantes

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

Quadrado
Substâncias tóxicas Branca 6.1 na parte inferior

Quadrado
Substâncias infecciosa Branca 6.2 na parte inferior

Classe 7- Materiais radioactivos

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos


Parte superior
amarela e inferior
Substâncias Quadrado branca 7 na parte inferior
radioactivas

Parte superior
amarela e inferior
Substâncias Quadrado branca 7 na parte inferior
radioactivas

Quadrado
Substâncias Branca 7 na parte inferior
radioactivas

Classe 8 - Materiais corrosivos

Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos

Parte superior
Corrosivos Quadrado branca e inferior 8 na parte inferior
preta

Classe 9 - Substâncias perigosas diversas

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Subclasse Forma Cor Simbologia Algarismos
Listas brancas e
pretas na vertical
Substâncias perigosas Quadrado e parte inferior 9 na parte inferior
diversas branca

Orla vermelha e
Produtos quentes Triangular fundo branco

Anexo IV- Disposição da sinalização nas unidades de transporte

1. Unidade de transporte carregada com uma única carga perigosa, sem risco subsidiário

2. Unidade de transporte carregada com uma única carga perigosa, com risco subsidiário.

3. Veículo tanque compartimentado, carregado com dois ou mais cargas perigosas, de classes de
risco diferentes, sem risco subsidiário

4. Veículo de carga geral com uma carga perigosa


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5. Unidade de transporte com reboque, com duas cargas perigosas de diferentes classes de risco

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