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1º Ten Al BRUNO DERBLI DE CARVALHO BAPTISTA

A ASSISTÊNCIA MÉDICA NA SEGUNDA GUERRA


MUNDIAL E EM OPERAÇÕES DE PAZ NOS DIAS ATUAIS

RIO DE JANEIRO
2009
1º Ten Al BRUNO DERBLI DE CARVALHO BAPTISTA

A ASSISTÊNCIA MÉDICA NA SEGUNDA GUERRA


MUNDIAL E EM OPERAÇÕES DE PAZ NOS DIAS ATUAIS

Trabalho de conclusão de curso apresentado à escola


de saúde de exército com requisito parcial para
aprovação no Curso de Formação de Oficiais do Serviço
de Saúde, especialização em Aplicações
Complementares às Ciências Militares

Orientador(a): Dra Fernanda Campos da Silva

RIO DE JANEIRO
2009
B222a Baptista, Bruno Derbli de Carvalho.
A assistência médica na Segunda Guerra Mundial e em
operações de paz nos dias atuais / Bruno Derbli de Carvalho
Baptista. - Rio de Janeiro, 2009.
24 f ; 30 cm

Orientadora: Fernanda Campos da Silva


Trabalho de Conclusão de Curso (especialização) – Escola de
Saúde do Exército, Programa de Pós-Graduação em Aplicações
Complementares às Ciências Militares, 2009.
Referências: f. 22-23.

1. Brasil - Exército. 2. Serviço de Saúde. I. Silva, Fernanda


Campos da. II. Escola de Saúde do Exército. III. Título.

CDD 355.032
1º Ten Al BRUNO DERBLI DE CARVALHO BAPTISTA

A ASSISTÊNCIA MÉDICA NA SEGUNDA GUERRA


MUNDIAL E EM OPERAÇÕES DE PAZ NOS DIAS ATUAIS

COMISSÃO DE AVALIAÇÃO

Dra FERNANDA CAMPOS DA SILVA


Orientadora

Carlos Eduardo LOUREIRO Belardo – Maj


Chefe da Divisão de Ensino

Fábio Luís Figueiredo FLORINDO Moreira – Maj


Comandante do Corpo de Alunos

RIO DE JANEIRO
2009
Dedico a todos os heróis, homens e
mulheres, que arriscaram suas vidas
em nome de sua pátria. E aos que
ainda arriscam.
AGRADECIMENTOS

À minha mãe, Hebe. Se eu sou alguma coisa hoje, foi por suas mãos que eu
me tornei. Obrigado por me fazer um homem de bem.
À minha orientadora e amiga, Fernanda Campos.
Ao meu filho, que ainda não nasceu, mas já tem seu coração batendo junto
com o meu.
À Bruna Vazquez, meu amor e apoio incondicional. A ela dedico esta
conquista. Obrigado pelo amor, pela paciência e por nosso filho.
Ao meu co-orientador, Maj Loureiro, que demonstrou paciência, compreensão
e apoio a esta pesquisa. Meu muito obrigado.
Agradeço ao amigo e instrutor do CFO, Cap André Carvalho, exemplo de líder
e de oficial. Obrigado por todo o incentivo e por estar sempre ao nosso lado nessa
estrada.
Ao Maj Florindo, Cap Charleston e demais instrutores do CFO, por nos
ensinar o que é amor e respeito à Pátria.
Finalmente, agradeço a Deus. Obrigado, Senhor, pela possibilidade de poder
comemorar mais esta grande conquista.
“O exercício da divina arte nem sempre subentende a cura, tampouco
a subjugação de Tanatos. Antes disso, o mais nobre objetivo dos
discípulos de Esculápio deve consistir em minorar a dor física, em
tocar um coração sofrido, em ofertar um bocado de fé e de esperança
a uma alma que as tenha pedido... em consular, sobretudo, em amar
e consolar ao próximo.”

Cel Túlio Fonseca Chebli

RESUMO
É necessidade de qualquer exército, manter a higidez dos seus efetivos e de
melhorar o estado de saúde de seus combatentes. Por esse motivo, o Serviço de
Saúde do Exército Brasileiro vem evoluindo através dos tempos, adquirindo um
caráter cada vez mais técnico e organizado. Classicamente, considera-se que a
maior evolução do Serviço de Saúde em Campanha (Sv Sau Cmp) do Exército
ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, onde este passou por um processo de
modernização nunca visto no país. Nesta, que foi a guerra de maior participação do
Brasil, o Exército Brasileiro (EB) contava com um efetivo de mais de 25 mil homens.
Hoje, passados mais de 60 anos em tempos de paz, é possível traçar um paralelo
entre a atuação do Serviço de Saúde brasileiro durante a 2ª Guerra e em missões de
paz nos dias atuais. A Medicina evoluiu muito e, com ela, a abrangência e a
capacidade de ação do Serviço de Saúde do Exército. Com os grandes avanços da
Medicina, com o desenvolvimento de procedimentos para o tratamento de ferimentos
em combate e com o advento de tecnologias e procedimentos avançados, o Serviço
de Saúde do Exército pode ter uma aplicação muito mais ampla, oferecendo
assistência à saúde, em casos como conflitos armados, catástrofes naturais,
epidemias, fome e exclusão social.

Palavras-Chaves: Serviço de Saúde. Operações de Paz. Exército Brasileiro.

ABSTRACT
It is need of any army, to maintain their healthy and effective to improve the health
status of their combatants. Therefore, the Health Service of the Brazilian Army has
evolved over time, acquiring an increasingly technical character and organized.
Classically, it is considered that the major developments in the Health Service
Campaign of the Army occurred during the Second World War, where he went
through a process of modernization in the country ever since. In this war, which was
the war of greater participation of Brazil, the Brazilian Army had an effective more
than 25 thousand men. Today, more than 60 years in times of peace, it is possible to
draw a parallel between the activities of the Department of Health during the 2nd War
and in missions of peace today. The medicine has evolved greatly and with it, the
coverage and capacity for action of the Health Service of the Army. With the great
advances of medicine with the development of procedures for the treatment of
wounds in combat and with the advent of advanced technologies and procedures, the
Health Service of the Army may have a much wider application, providing health
care, as in armed conflicts, natural disasters, epidemics, hunger and social exclusion.

Key words: Health Service, peacemaking, Brazilian Army.

SUMÀRIO
1. INTRODUÇÂO .............................................................................. pag. 10
2. CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 Problema ................................................................................. pag. 12
2.2 Justificativa .............................................................................. pag. 12
2.3 Objetivos .................................................................................. pag. 12
2.4 Metodologia ............................................................................. pag. 12
3. O Serviço de Saúde na FEB ....................................................... pag. 13
4. ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE DA FEB ................. pag. 15
5. O SERVIÇO DE SAÚDE NO TEATRO DE OPERAÇÕES .......... pag. 17
6. ORGANIZAÇÃO BÁSICA DO SERVIÇO DE SAÚDE EM CAMPANHA DO
EXÉRCITO NOS DIAS ATUAIS ................................................... pag. 19
7. EVOLUÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE ....................................... pag. 21
8. CONCLUSÃO ............................................................................... pag. 22
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFIACAS .......................................... pag. 23

1 INTRODUÇÃO
É necessidade de qualquer exército, manter a higidez dos seus efetivos e de
melhorar o estado de saúde de seus combatentes. Por esse motivo, o Serviço de
Saúde do Exército Brasileiro vem evoluindo através dos tempos, adquirindo um
caráter cada vez mais técnico e organizado.
Classicamente, considera-se que a maior evolução do Serviço de Saúde em
Campanha (Sv Sau Cmp) do Exército ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial,
onde este passou por um processo de modernização nunca visto no país.
A Força Expedicionária Brasileira, conhecida pela sigla FEB, foi a força militar
brasileira de 25.334 homens que lutou ao lado dos Aliados na Itália, durante a
Segunda Guerra Mundial. Foi a maior participação do Brasil em uma guerra. A FEB
foi constituída inicialmente por uma divisão de infantaria, que acabou por abranger
todas as forças militares brasileiras que participaram do conflito. Adotou como lema
"A cobra está fumando", em alusão a um discurso de Getúlio Vargas, que em 1940
afirmou ser "mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.
O Brasil perdeu nesta campanha mortos diretamente em combate, cerca de
450 praças e 13 oficiais, além de 8 oficiais-pilotos da Força Aérea Brasileira. A
divisão brasileira ainda teve cerca de 2 mil mortes devido a ferimentos de combate e
mais de 12 mil baixas em campanha por mutilação ou outras causas que os
incapacitaram para o combate. Tendo assim, somadas as substituições, turnos e
rodízios, dos cerca de 25 mil homens enviados, mais de 22 mil participaram das
ações.
O Sv Sau da FEB foi constituído por 1.369 profissionais, entre médicos,
cirurgiões-dentistas, farmacêuticos, enfermeiras e técnicos.
Como a FEB se incorporou a um Corpo de Exército dos EUA, nossos soldados
tiveram que aproveitar as instalações americanas, tendo sido intitulados de Grupos
Suplementares Brasileiros em Hospitais Norte Americanos (GSBHNA). Estes grupos
eram organizados em duas seções, com capacidade de 100 leitos cada, e divididos
em equipes de cirurgia, ortopedia, choque, clínica médica, otorrinolaringologia e
especial (anestesia, odontologia, radiologia, enfermagem, laboratório e técnicos).
Após a 2ª Guerra, o molde americano foi se dapatando aos meios brasileiros e,
com o passar dos anos, adquirimos nosso modelo atual.
Hoje o Sv Sau Cmp é formado por uma estrutura muito mais complexa,
dividida em 5 escalões, que vão desde o apoio no Posto de Socorro a hospitais de
allta complexidade com profissionais especializados.
O Serviço de Saúde foi criado para garantir as boas condições sanitárias do
pessoal das forças armadas, tanto em tempo de paz como em combate.
Porém, com os grandes avanços da medicina, com o desenvolvimento de
procedimentos para o tratamento de ferimentos em combate e com o advento de
tecnologias e procedimentos avançados, o Serviço de Saúde do Exército pode ter
uma aplicação muito mais ampla, oferecendo assistência à saúde, em casos como
conflitos armados, catástrofes naturais, epidemias, fome e exclusão social.

2 CONCEITOS E MÉTODOS

2.1 PROBLEMA
Foi formulada a seguinte questão: o Serviço de Saúde em Campanha do
Exército poderia servir de uma forma mais ampla, inclusive em operações
internacionais de assistência à saúde em casos como conflitos armados, catástrofes
naturais, epidemias, fome e exclusão social?

2.2 JUSTIFICATIVA
A organização do Sv Sau do EB, com seu perfil de médicos generalistas e
especialistas, seria de grande valor em missões de paz humanitárias, dentro e fora do
Brasil.

2.3 OBJETIVO
O objetivo do trabalho é traçar um paralelo entre a assistência de saúde
prestada à FEB durante a 2ª Guerra Mundial e em avaliar o emprego do Serviço de
Saúde em Campanha nos dias atuais.

2.4 METODOLOGIA
Revisão bibliográfica e material disponibilizado na internet.

3 O SERVIÇO DE SAÚDE NA FEB


A história da campanha da FEB tem sido escrita e comentada ao longo dos
anos por suas vitórias, seus heróis, pela habilidade com que foram conduzidas as
operações militares e pelos resultados obtidos. Mas, pouco se fala do serviço de
saúde, dos seus feitos, seus sacrifícios e sua parcela de contribuição na importante
vitória que a FEB alcançou (ALMEIDA, 2002).
Ao ser decidida a participação ativa do Brasil na luta contra as nações
totalitárias, o Estado-Maior do Exército (EME) determinou à Diretoria de Saúde o
preparo de instruções visando a seleção dos homens que deveriam integrar o Serviço
de Saúde da FEB (PAIVA GONÇALVES, 1951).
O encargo era dos mais difíceis para o Serviço de Saúde, atendendo ao
volume de inspeções (escolha de pessoal para um efetivo de 60 mil homens) no curto
prazo de três meses, à extensão territorial, à escassez de recursos materiais e ao
reduzido número de oficiais médicos existentes em seus quadros.
As instruções determinavam que Juntas de Saúde fossem organizadas nos
grandes centros, onde fosse possível reunir médicos especializados necessários a
sua constituição. Porém, houve um abrandamento na seleção médica devido ao
número de homens incorporados à FEB como elementos combatentes propriamente
ditos, o que tornou a seleção menos rígida.
O Serviço seria baseado no modelo escalonado de atendimento com relação à
prioridade e ao tempo gasto no atendimento, organizado da frente para a retaguarda,
em cinco escalões. O escalonamento visava dar mobilidade às estruturas de saúde
(básicas e avançadas), contribuindo ao apoio logístico no Teatro de Operações
Terrestres.
Durante a fase de campanha, o serviço de saúde passou a funcionar segundo
o seguinte plano:
- Tratamento dos casos leves e ambulatoriais nas próprias unidades;
- Hospitalização de curta duração (até 4 dias) no posto de triagem, instalado
pelo pelotão de tratamento (1º escalão) ou pela companhia de saúde para os
demais escalões;
- Evacuação e baixas dos casos que exigiam maior período de tratamento para
as seções brasileiras anexas a hospitais americanos instalados nas
proximidades das áreas de estacionamento ou ao longo da cadeia de
evacuação.
4 ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE DA FEB
O quadro de pessoal obedeceu a organização americana e, de modo geral, foi
suficiente e capaz de realizar as missões de que foi investido.
O número de elementos que constituía o Serviço de Saúde, servindo em vários
órgãos, era de 1.369 homens, distribuídos da seguinte forma: 198 oficiais médicos,
dentistas, farmacêuticos, dentistas e intendentes; 49 oficiais enfermeiras; 225
sargentos enfermeiros e de administração; 176 cabos e 721 soldados.
Para montar a estrutura do Serviço de Saúde da FEB foram necessários 176
oficiais médicos, dos quais 84 eram da ativa. O pessoal da reserva foi recrutado
através de estágios para médicos da reserva e de cursos de emergência de medicina
militar para médicos civis, realizados na Escola de Saúde do Exército e em algumas
Universidades, nos vários estados da Federação.
Conforme os entendimentos firmados com os Estados Unidos, o Exército
Brasileiro precisou abandonar sua organização militar baseada nos moldes franceses
e adotar uma semelhante à americana, extinguindo as Formações Sanitárias
Regimentais e Divisionárias, assim como os Grupamentos de Padioleiros e de
Ambulâncias Divisionárias.
O Serviço de Saúde da FEB foi organizado da seguinte forma:
- 1ª seção: pessoal de saúde e fichário de pacientes baixados;
- 2ª seção: secretaria;
- 3ª seção: operações;
- 4ª seção: suprimentos médicos;
- 5ª seção: vencimentos, suprimentos de uniformes e demais materiais de
intendência.
Apenas três Grupos Suplementares Brasileiros em Hospitais Norte-Americanos
(GSBHA) (eram previstos quatro) partiram para a Europa. Estes eram responsáveis
pelo atendimento médico aos brasileiros baixados nos hospitais. Porém, nas
emergências essa distinção não era rigorosamente observada, já que médicos
brasileiros cuidavam de combatentes americanos e vice-versa.
Em substituição aos antigos Grupos de Padioleiros Divisionários, foi criada
uma nova unidade denominada Batalhão de Saúde. O Batalhão teve a seguinte
organização: uma Seção de Comando, três Companhias de Evacuação e uma
Companhia de Tratamento. Cada Companhia de Evacuação compreendia um
Pelotão de Padioleiros, um Pelotão de Posto de Socorro e um Pelotão de
Ambulâncias. A Companhia de Tratamento era constituída por dois pelotões dispondo
de todos os elementos para instalar dois postos de tratamento. As Companhias de
Evacuação e de Tratamento eram chefiadas por oficial médico e possuíam os
elementos necessários para instalar um Posto de Socorro Divisionário – PSD. Nesse
PSD todos os feridos e doentes recebiam tratamento médico imediato e eram
encaminhados depois para o Posto de Triagem Divisionário, operado pela
Companhia de Tratamento.

5 O SERVIÇO DE SAÚDE NO TEATRO DE OPERAÇÕES


As seções Brasileiras de hospitalização anexas aos hospitais americanos
foram organizadas com o pessoal técnico não divisionário diretamente subordinado à
chefia do serviço da Saúde, e constituídas por médicos, dentistas, farmacêuticos,
enfermeiros e praças de saúde enviados para o TO, sob a forma de pequenas
unidades médicas danominadas “Grupos Suplementares Brasileiros em Hospitais
Americanos”.
O destacamento do Batalhão de Saúde era composto de uma pequena fração
do Batalhão que embarcou com o 1º escalão da FEB. Era constituído pela segunda
companhia de evacuação, 2º pelotão da companhia de tratamento e meia seção do
destacamento do comando, contando com 13 oficiais e 159 praças.
Todo ferido resgatado era levado ao Posto de Socorro (PS) do batalhão, onde
recebia os primeiros cuidados médicos. A partir daí, o paciente era evacuado de
ambulância para o Posto de Socorro Divisionário (PSD), onde havia melhor triagem,
acomodações e tratamento cirúrgico mais adequado. Do PSD, após os cuidados
necessários para que os doentes suportassem ser transportados, estes eram levados
até o Posto de Tratamento Divisionário (PTD) (REIS, 1969).
Os baixados do PTD considerados transportáveis, com maiores necessidades
de tratamento, eram entregues a ambulâncias da Companhia de Evacuação
Americana com destino ao 38th Evacuation Hospital, lugar onde a FEB começara a
sua atuação na Guerra. Os pacientes traumatizados intransportáveis eram evacuados
para o 32nd Field Hospital. E os feridos cuja gravidade permitia transporte mais longo,
doentes que necessitavam que esclarecimento de diagnóstico ou de tratamento mais
eficiente, eram levados ao 16th Evacuation Hospital (REIS, 1969).
Os hospitais americanos, que davam apoio à FEB, obedeciam a seguinte
estrutura funcional:
O 32nd Field Hospital, próximo à linha de frente, tinha afinalidade de atender
aos feridos intransportáveis, dotado de condições de capacidade técnica e grande
mobilidade (REIS, 1947).
O 16th Evacuation Hospital era destinado era destinado a receber pacientes
procedentes do PTD e do Field Hospital. Seu planejamento era semelhante ao deste,
porém com instalações menores.
Em função do avanço das tropas, o 32nd e o 16th deslocaram-se para o 15th
Evacuation Hospital, que passou então a fazer papel duplo – hospital de evacuação e
hospital cirúrgico móvel (PAIVA GONÇALVES,1945).
Existia ainda, o 3rd Convalescent Hospital, para onde eram encaminhados
pacientes acometidos de doenças súbitas, surtos agudos passageiros e com
necessidade de tratamento que exigisse maior cuidado (REIS, 1969; FEB, 1945c).
O 7th General Hospital, que era integrado por uma seção Brasileira de
Hospitalização, recebia e tratava os evacuados do 16th; evacuava por transferência os
pacientes recuperáveis a longo termo e incapazes para o serviço para o 45th General
Hospital; e realizava a avaliação das condições físicas para permanência no TO por
incapacidade definitiva ou temporária (MARTINS, 2008).
Existiam, ainda, outras unidades especializadas que possuíam seções
brasileiras, porém, estas recebiam número reduzido de pacientes da FEB.

6 ORGANIZAÇÃO BÁSICA DO SERVIÇO DE SAÚDE EM CAMPANHA DO


EXÉRCITO NOS DIAS ATUAIS
O Serviço de Saúde do Exército empregado em campanha é a atividade da
logística que garante a preservação do potencial humano, nas melhores condições de
higidez física e psíquica, contribuindo desta forma para o sucesso das operações
militares.
A guerra moderna fez valorizar não apenas o estado de aptidão física do
combatente, mas também sua capacidade psíquica de resistir ao estresse do
combate.
Segundo o anteprojeto Emprego do Serviço de Saúde (2001), o Serviço de
Saúde do Exército é estruturado em cinco escalões funcionais, atendendo cada um
dos sucessivos e distintos níveis da cadeia de evacuação. Assim, está desdobrado o
apoio de saúde:
1º Escalão – Serviço de saúde de Unidades (Pelotão de Saúde): É
realizado pelos elementos de saúde orgânicos das unidades de tropa. Consiste no
primeiro socorro de urgência nos campos de batalha, com aplicação de medidas de
medicina preventiva e tratamento médico apropriado, na instalação de Postos de
Socorro e na evacuação de baixas para tais postos, onde os mesmos serão
classificados dentro das possibilidades de instalação.
2º Escalão – Serviço de Saúde de Brigada e Divisão do Exército (Cia Log
Sau do B Log): É realizado pela Companhia Logística de Saúde (Cia Log Sau).
Consiste em assegurar o apoio de saúde por meio do Posto de Triagem instalado na
área de apoio logístico e realizar a evacuação dos Postos de Socorro de batalhão ou
regimento.
3º Escalão – Serviço de Saúde de Exército de Campanha (início da
hospitalização): A atividade desenvolvida por esse escalão é realizada pelo
Comando Logístico do Exército (CLEx), apóia as tropas que integram o Exército de
Campanha. Também desempenha a função de 1º e 2º escalão para as Unidades
desdobradas nas áreas de retaguarda do Exército de Campanha, quando necessário.
4º Escalão – serviço de Saúde da Zona de Administração (hospitalização
e recuperação): As organizações da saúde da Zona de Administração (ZA) são
estruturadas a partir das Organizações Militares existentes durante os tempos de paz
e organizações civis de saúde mobilizadas, sendo enquadradas pelas Bases
Logístticas (Ba Log). Na ZA é realizado o 4º escalão funcional de saúde, através do
Comando Logístico do Teatro de Operações (CLTOT), estruturado para executar as
atividades de recuperação e hospitalização de pacientes oriundos da ZC, fornecer o
suprimento de material de saúde e executar medidas de medicina preventiva no
âmbito do TO.
5º Escalão – Serviço de Saúde da Zona de Interior: Caracteriza-se por um
predomínio de hospitalização e da recuperação mas especializada graças a íntima
ligação com os meios civis hospitalares. Na zona de interior o período de
hospitalização e recuperação é prolongado, diferenciando-se do 4º escalão (BRASIL,
2001).

7 EVOLUÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE


Nosso país foi único da América Latina a efetivamente participar da Segunda
Guerra Mundial, enviando uma força expedicionária à Europa.
Foram grandes as dificuldades encontradas pelo Exército durante os
processos de recrutamento e mobilização do contingente: os exageros dos
derrotistas, o elevado número de pessoas incapazes para a FEB, o curto espaço de
tempo, etc.
A seleção médica foi um assunto bastante polêmico e alvo de muitas críticas
na época, devido ao mau estado físico e de saúde de grande parte dos brasileiros,
que era de desnutridos e parasitados. Apesar disso, os militares brasileiros
desempenharam com grandeza seu papel no cumprimento de sua missão, muito em
função de sua garra, coragem e capacidade de improvisação.
O Serviço de Saúde da FEB foi bastante efetivo, haja vista as taxas de
admissão aos hospitais e de pacientes recuperados, que estavam dentro dos limites
previstos pelo Exército Norte-Americano.
Assim como no anteprojeto atual, na Segunda Guerra Mundial, o atendimento
aos feridos na linha de frente era realizado pelos padioleiros e encaminhado ao Posto
de Socorro das Unidades e, quando necessário, evacuados aos Postos de Socorro
Divisionário, onde era feita a triagem para remoção dos casos mais graves ao Posto
de Tratamento Divisionário. Esses dois Postos Divisionários equivalem hoje ao
desdobramento do atual Posto de Triagem.
Os pacientes intransportáveis evacuados para o Field Hospital, ou Hospital de
Campo, recebiam tratamento cirúrgico emergencial, o que atualmente é proposto pelo
Posto Cirúrgico Móvel, representando uma evolução para o anteprojeto atual, ou seja,
um atendimento mais especializado nas áreas mais avançadas da Zona de Combate.
O Stage Hospital, ou Hospital de Estacionamento, equivaleria ao Centro de
Convalescentes e finalmente, o General Hospital, ao Hospital Geral.

8 CONCLUSÃO
O Serviço de Saúde da FEB contribuiu, muito e em vários aspectos, para o
desenvolvimento de propostas para o aprimoramento e funcionamento do Serviço de
Saúde em Campanha atual.
Foram observadas algumas melhorias operacionais como a criação do Posto
Cirúrgico Móvel pertencente ao 3º Escalão, mas que atua junto ao 2º Escalão
próximo ao Posto de Triagem. Esse posto possibilita a assistência cirúrgica de
urgência àqueles pacientes impossíveis de serem transportados. (pacientes cuja
evacuação ofereça risco a vida em virtude de ferimentos no crânio ou ferimentos
graves em tórax ou abdome) proporcionando uma redução nos índices de
mortalidade e economia de tempo e de meios de evacuação.
Outra grande contribuição foi a criação do Circuito de Ambulâncias que
mantém a continuidade da evacuação, evita o congestionamento, facilita o controle
do tráfego e reduz a possibilidade de perdas decorrentes da ação do inimigo pela
dispersão das viaturas.

9 REFERÊNCIAS
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A Evolução do Serviço de Saúde em Campanha ao Longo da História: Uma
Visão Através das Guerras. Projeto Interdisciplinar apresentado a EsSEx como
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