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Trabalho

de
Sociologia

Professor Sidney

3º Ano

Objetivo São Roque

Bruno Perazio
Resenha crítica do livro Introdução às pesquisas em Ciências Sociais (Positivismo,
Fenomenologia e Marxismo)

Introdução: O livro de Augusto Triviños, explica o quadro geral de idéias de três


vertentes do pensamento contemporâneo que orienta a educação e a pesquisa na área de
ciências sociais. São elas o Positivismo, a Fenomenologia e o Marxismo. O primeiro foi
muito utilizado até a década de 70, mas sua utilização começou a cair perto dos anos 80,
em razão do crescimento da utilização da fenomenologia e do marxismo (Escola de
Frankfurt). O Positivismo perdeu importância na pesquisa de ciências sociais, pois ela
se transformou numa atividade a qual não ajudava às necessidades dos países. A
fenomenologia começou a ser utilizada de fato, no final dos anos 70, aumentando sua
importância conforme a tradição do positivismo diminuía.

O Positivismo:

1. Seu fundador é Augusto Comte. Sendo uma forma de analisar e entender, pertence à
tendência do Idealismo Filosófico, no idealismo subjetivo.

2. Possui três preocupações básicas:

- Filosofia de história (é a base da filosofia positiva, a lei dos três estados: teológico,
metafísico e positivo)

- Classificação das ciências (matemática, astronomia, física, química, fisiologia e


sociologia)

- Elaboração de uma disciplina para o estudo dos fatos sociais.

3. O surgimento do positivismo é uma reação à filosofia especulativa, e se percebe que


o positivismo se coloca ao oposto da especulação pura, levando em consideração a
exaltação dos fatos.

4. O positivismo de Comte buscava uma lei universal de analisar os fatos, buscando


explicações relacionando os fenômenos com essa teoria universal. O estudo das ciências
deve ser especializado, porém interligados e deve-se fazer a classificação dos
fenômenos, onde há o estudo dos objetos a serem classificados.
O homem tem que satisfazer a necessidade fundamental de conhecer a lei dos
fenômenos, e os fatos devem ser organizados. O estudo positivo é útil ao invés de
ocioso e deve guiar o ser humano para a certeza, distanciando-se da indecisão.

O positivismo também condena o ecletismo, dizendo que não se pode conciliar ideais e
opiniões incompatíveis.

5. Para a pesquisa da educação, tem-se usado muito o atomismo lógico, a qual diz que a
realidade é formada por partes isoladas.

Os fatos têm que poder ser observados.

Outro ponto do positivismo, é que ele não deveria buscar a causa dos fatos, pois isso
não era positivo, não era tarefa da ciência. Buscar as causas dos fatos seja elas primeiras
ou finais, era crer demais na força intelectual do homem e da sua razão, e isso era
metafísico. Portanto a ciência deveria buscar a relação entre as coisas através de
estratégias (questionários, escalas de atitudes e de opinião, mas a principal é a
estatística)

Entretanto, o conhecimento obtido, não está a serviço de resolver os problemas


humanos, está a serviço da própria ciência e a necessidade do saber.

O neopositivismo também rejeita o metafísico, mas por outro motivo, o de que as


explicações dele são simplistas, e não porque são falsas como diz o positivismo
clássico.

Os experimentos são necessários para a demonstração da verdade já que não se pode


confiar nos sentidos.

6. As principais críticas ao positivismo eram feitas aos positivistas lógicos. Karl Popper
sugeriu uma troca no critério da verificabilidade pelo da falseabilidade, e os positivistas
o viram como aliado e não crítico. Popper se considera o assassino do positivismo
lógico.

Um ponto importante, é que na década de 30, muitos neopositivistas foram para os EUA
e o pensamento concretizou-se lá, o que resultou (na união da ciência e da técnica) um
enorme desenvolvimento material (e espiritual) que influenciou na vida social,
econômica e política do país.
Mesmo que o positivismo tenha tido sua importância na metodologia de se fazer
ciência, é perigoso se utilizar desse método, já que é muito fácil cair no preconceito com
povos ditos como atrasados. E o fato de dizer que não se podem misturar opiniões, é
errôneo, já que cada ser deve ter o direito de sugar os pontos mais interessantes de cada
teoria, lei, pensamento ou ideal, para o crescimento pessoal, intelectual, cultural e
social.

A Fenomenologia:

1. A fenomenologia destacada por Triviños é a de Husserl e está dentro do Idealismo


Filosófico e segue a vertente do idealismo subjetivo.

2. O existencialismo (O pensar deve ser existencial. O homem deve pensar como


“existência”, como um ser intimamente pessoal) do pós segunda guerra, tem influencia
fenomenológica. É dividido basicamente em ateísta e nos que tem a crença em Deus.

Husserl se baseia principalmente em Platão, Descartes e Brentano. Esse ultimo nos dá o


conceito de intencionalidade (A psique está sempre dirigida para algo. É "intencional”.

3. Inicialmente Husserl faz da filosofia uma ciência rigorosa. Investigação do mundo


vivido, sujeitos isolados.

A filosofia como ciência rigorosa deveria chegar à pureza do conhecimento cientifico e


para isso, falou da “redução fenomenológica”, que levaria o fenômeno ao estado puro,
livre de elementos pessoais e culturais. E desta maneira apresenta o dado como um
“método” e como um “modo de ver”.

4. Da idéia básica da fenomenologia, a intencionalidade, a consciência está sempre


dirigida a um objeto, logo, não existe objeto sem sujeito.

5. Fenomenologia para Husserl é descrever, e não analisar nem explicar. A descrição


mais completa de fenomenologia é a de Merleau-Ponty: tudo o que se sabe do mundo, é
a partir de experiências pessoais e do mundo vivido. Husserl também diz que
fenomenologia é relacionar idéias básicas convenientes para depois tentar entender.

6. Husserl admite a possibilidade da metafísica, e diz que questionar o conhecimento


não é negá-lo nem ser cético a ele.
Quando ele fala de acreditar na verdade absoluta, nota-se a influencia do platonismo.

Se baseando na dúvida cartesiana, as vivencias são os primeiros dados absolutos


(imanentes) e as ciências naturais e matemáticas (transcendentes), portando as vivencias
são dados inquestionáveis.

O conhecimento não esta na transcendência, pois essas não são verdades e sim
fenômenos da ciência.

7. Intenção é a tendência para algo, consciência orientada para algum objeto. Logo não
é possível o conhecimento se o entendimento não se sente atraído por algo concreto, um
objeto.

A vivência e a consciência são básicas na fenomenologia, que visa constituir-se num


pensamento de verdades universais, onde a iniciação começa na intuição das vivências
que depois sofre a redução fenomenológica.

8. O grande problema da fenomenologia é o de generalizar, já que é difícil fazê-lo


partindo do sujeito, pois as verdades obtidas, só são verdades para aquele sujeito.
Entretanto ao tirar o sujeito, a verdade fica vazia de experiências e vemos o conflito da
objetividade VS subjetividade. Um detalhe importante é que esse sujeito é puro e geral.

Husserl para tentar modificar esse problema, levava em consideração a utilização de


vários sujeitos, entretanto dizia que após a redução fenomenológica de uma experiência
vivida, esta poderia ser universal, pois era pura e era a realidade absoluta (“O mundo
que eu conheço pode ser conhecido por todos”)

9. A historicidade dos fenômenos e não tão relevante, e isso provoca uma crítica
daqueles que provem dos países de 3º mundo, que vêem as explicações dos problemas
nas raízes históricas do país.

10. Assim como o positivismo, a fenomenologia não tem o propósito de introduzir


transformações substanciais nela.

11. A sala de aula é uma amostra clara (interacionismo) de isolamento do fenômeno em


foco.

12. O conhecer depende do mundo cultural do sujeito.


13. A fenomenologia, assim como o positivismo, pode ser criticada positivamente,
quando se leva em consideração que ele elevou a importância do sujeito na construção
do conhecimento, questionando o positivismo, entretanto, com a rejeição histórica dos
fenômenos, omissão da ideologia, do conflito de classes e de estruturas econômicas, o
pensamento é pouco proveitoso para solucionar problemas de países de 3º mundo.

O marxismo:

1. O idealizador do marxismo foi Karl Marx, em 1840, e está dentro do materialismo


filosófico.

2. Divide-se em três partes principais: materialismo dialético, materialismo histórico e


economia política.

3. As idéias de Marx estão unidas na de Hegel, porém ao invés de ligar as idéias ao


espírito absoluto de Hegel, colocou-as na sua concepção materialista de mundo.

4. A realidade existe independentemente da consciência.

5. O materialismo dialético tem como principio fundamental o estudo das leis que
regem a natureza, a sociedade e o pensamento (consciência). Mostra como se realiza a
passagem das formas inferiores às superiores.

6. O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo que estuda as leis


sociológicas que caracterizam a vida da sociedade e sua evolução histórica. Ele busca
analisar a sociedade nas formações socioeconômicas e nas relações de produção os
verdadeiros fundamentos da sociedade, se opondo a hegelianos e Feuerbach, que acham
que a historia é resultado das ideologias e da presença de heróis.

Ressalta a idéia de que a economia é a base das mudanças.

O materialismo histórico também esclarece uma série de conceitos:

- Ser social: relações materiais do homem com a natureza

- Consciência social: idéias políticas, filosóficas, religiosas, estéticas, etc.


- Meios de produção: o que os homens empregam para produzir (máquinas
ferramentas...)

- Relações de produção: cooperação mútua, submissão... (entre homens)

- Modos de produção (cinco modos): comunidade primitiva, escravagista, feudalista,


capitalista e comunista, e a ultima com duas fases: socialista e comunista.

Outras definições: sociedade, formação socioeconômicas, estrutura social, organização


política, vida espiritual, cultura, concepção do homem, a personalidade, progresso
social, etc.

7. A concepção materialista também apresenta três características importantes:

- Materialidade do mundo: todos os fenômenos, objetos e processos que acontecem na


realidade são materiais.

- A matéria é anterior a consciência.

- O mundo é conhecível: a possibilidade de o homem conhecer a realidade ocorre


gradualmente.

8. A matéria, consciência e pratica social, são categorias e estão ligadas ao problema


fundamental da filosofia, que é ligar a matéria à idéia.

9. Para os metafísicos, a história se repete, sendo circular. Para os positivistas, a história


é linear. O marxismo levanta a idéia de que a historia é em espiral. Ela sempre volta ao
seu estado anterior e avança levando consigo os fenômenos de qualidade e
progressistas.

10. Pode-se dizer que o marxismo tenta analisar a sociedade levando em consideração
sua história, considerando principalmente os aspectos econômicos, sendo um bom
pensamento nos países subdesenvolvidos na hora de se resolver problemas ou analisá-
los.
As considerações finais: Primeiramente, para analisar e fazer pesquisas baseadas nos
três pensamentos, o analisador deve ter uma idéia de mundo bem fixa. E contrariando
uma das idéias positivistas, pode-se mesclar o positivismo, a fenomenologia e o
marxismo para obter resultados mais perto de uma realidade e com o propósito de
resolver algum problema social, entretanto, como foi dito antes, esses pensamentos tem
que ser adaptados e modificados (com muito cuidado), para resolver o caso especifico e
não cair em algum preconceito, assim como não subestimar o sujeito (positivismo), nem
a historicidade dos fatos (fenomenologia), levar em consideração a condição
socioeconômica do fenômeno (marxismo), etc.

Levando em consideração somente minha opinião, eu diria que o mais coerente (nos
nossos dias), é usar o marxismo como base, já que o material é muito valorizado, mas
não se esquecer dos ideais fenomenológicos e positivistas, que podem contribuir muito
na hora da analise.

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