Você está na página 1de 17

TEORIAS DA

COMUNICAÇÃO
DE MASSA
O QUE QUEREM AS MASSAS? E, NÓS?
TAMBÉM SOMOS MASSA?
• A mídia manipula?

• Quem manipula quem?

• Polêmica!

• Credibilidade?

• Os meios de comunicação seriam a ruína ou a salvação de nossa civilização?


COMMUNICATION RESEARCH/
MASSA MEDIA
• A história da comunicação passa pela história das teorias.

• Ponto de viragem nos anos 1970.

• De início: foco das análises entre meios mais pertinentes;


• Qual seria a base do mass communication research.

• Necessidade de fortalecer um campo do saber (teorias e metodologias) superando campo


fragmentado e disperso de investigações.
ENTRAVES PARA A CONSOLIDAÇÃO
DO CAMPO DA COMUNICAÇÃO
• caráter ad hoc
• dificuldade de acumular resultados (tudo muda o tempo todo)
• dificuldade de unificação das temáticas
• qual tema unifica todos?

• Anos 1970 - a difícil relação entre os meios de comunicação de massa e a sociedade em seu
conjunto.
• difícil de agrupar para uma investigação (o estigma de "qual a influência dos meios? " como
medir a influência com meios e sujeitos tão dispersos?)
« a s a b o r d a g e n s i n i c i a i s
c o m p o r t a v a m
h i p e r s i m p l i f i c a ç õ e s
n e c e s s á r i a s , q u e s e
t o r n a r a m c l a r a s a p e n a s
p o r q u e a s a b o r d a g e n s
p r o s s e g u i r a m a t é a o
p o n t o e m q u e r e v e l a r a m o s
s e u s p r ó p r i o s l i m i t e s .
O r e s u l t a d o n ã o f o i a p e n a s
o r e c o n h e c i m e n t o d a
c o m p l e x i d a d e d o s p r o c e s s o s
c o m u n i c a t i v o , f o i t a m b é m u
d e s l o c a m e n t o d o i n t e r e s s e
p a r a a e s s ê n c i a d a s
q u e s t õ e s e u m m e n o r
e m p e n h o n a s e s t r u t u r a s d e
i n v e s t i g a ç ã o e s p e c í f i c a s »
( B a u e r, 1 9 6 4 , 5 2 8 ) * .
R AY M O N D B A U E R , 1 9 6 4
AMERICANOS X EUROPEUS

• tradicional oposição entre a pesquisa «administrativa» e a pesquisa «crítica» - isto é, entre a


pesquisa americana, por um lado, acentuadamente empírica e caracterizada por objetivos
cognoscitivos inerentes ao sistema dos mass media e a pesquisa europeia, por outro lado,
teoricamente orientada e atenta às relações gerais existentes entre o sistema social e os meios
de comunicação de massa - motivou uma especificação e uma interpretação diversas dessa
crise.

• Hoje – tentativas de pesquisa a longo prazo, sobre efeitos dos meios na sociedade e não sobre
reações imediatas ao consumo dos meios. Maior possibilidade de conciliação entre dois eixos.
CONTEXTOS E PARADIGMAS NA
PESQUISA SOBRE OS MASS MEDIA
As teorias surgem em função de:

a - contexto social;
b - o tipo de teoria que o mass media evoca;
c - o modelo de processo comunicativo que cada teoria dos meios apresenta.

Dois grandes objetos da teoria do mass media:

a) meios de comunicação de massa;


b) cultura de massa.
TEORIA DA AGULHA HIPODÉRMICA

• «cada elemento do público é pessoal e diretamente 'atingido' pela mensagem” (Wright,


1975,97)

• Novidade do termo “massa”;


• Compreensão dos processos de manipulação e experiências manipulatórias dos regimes
autoritários.

• Teoria de uma sociedade de massa no âmbito comunicativo.


• Compreende efeito direto dos meios sobre a massa – a agulha “pica” e a audiência reage.
• Coincide com larga produção de títulos voltados para o domínio agressivo das técnicas de
propaganda.
TEORIA DA AGULHA HIPODÉRMICA
• Teoria Hipodérmica
- Causa ➔ Efeito
(estímulo) (resposta)

- Linearidade do processo de comunicação;

- Mídia exerce influência direta nos indivíduos;

- Forte âmbito psicológico;

- “Manipulação”.

MCM ➔ Indivíduos
SOCIEDADE DE MASSA
termo político + termo "guarda-chuva" e mutável;

Séc XIX - a sociedade de massas surge em consequência de uma sociedade em


processo de industrialização.
da revolução dos transportes e do comércio, da difusão de valores abstractos de
igualdade e de liberdade. Estes processos sociais provocam a perda da
exclusividade por parte das elites que se vêem expostas às massas.
O enfraquecimento dos laços tradicionais (de família, comunidade, associações
de ofícios, religião, etc.) contribui, por seu lado, para afrouxar o tecido conectivo
da sociedade e para preparar as condições que conduzem ao isolamento e
à alienação das massas.
SOCIEDADE DE MASSAS
Ortega y Gasset (1930) descreve o homem-massa como sendo
a antítese da figura
do humanista culto. A massa é a jurisdição dos incompetentes,
representa o triunfo de uma espécie
antropológica que existe em todas as classes sociais e que
baseia a sua ação no saber especializado
ligado à técnica e à ciência. Nesta perspectiva, a massa «é tudo
o que não se avalia a si próprio - nem no
bem nem no mal - mediante razões especiais, mas que se sente
"como toda a gente" e, todavia, não se
aflige por isso, antes se sente à vontade ao reconhecer-se
idêntico aos outros» (Ortega y Gasset, 1930, 8).
SOCIEDADE DE MASSAS

• As ações da massa apontam diretamente para o objetivo e procuram atingi-lo pelo caminho
mais curto, o que faz com que exista sempre uma única ideia dominante, a mais simples
possível. Acontece frequentemente que, nas suas consciências, os elementos de uma grande
massa possuam, em comum com os outros, um vasto leque de ideias. Além disso, dada a
complexidade da realidade contemporânea, toda e qualquer ideia simples deve também ser a
mais radical e a mais exclusiva» (Simmel, 1917, 68).
Lasswell (1948), formula
o que seria o primeiro
modelo (ou paradigma de
estudo da comunicação:
quem diz o que, por que
canal e com qual efeito? –
formulação de uma
problemática da
comunicação de modelo
funcionalista (crítica hoje
= fracionamento da
comunicação);

- Na prática privilegiou-se
a análise dos efeitos e de
conteúdo.
SOCIEDADE DE MASSAS
interpretada quer como a época da dissolução da elite e das formas sociais comunitárias, quer como o
início de uma ordem social mais participada e partilhada, quer, finalmente, como uma estrutura social
gerada pela evolução da sociedade capitalista - há certos traços comuns que caracterizam a estrutura da
massa e o seu comportamento.

✓ A massa é constituída por um conjunto homogéneo de indivíduos que, enquanto seus membros, são
essencialmente iguais, indiferenciáveis, mesmo que provenham de ambientes diferentes, heterogéneos, e
de todos os grupos sociais.

✓ Além disso, a massa é composta por pessoas que não se conhecem, que estão separadas umas das outras
no espaço e que têm poucas ou nenhumas possibilidades de exercer uma ação ou uma influência
recíprocas.

✓ Por fim, a massa não possui tradições, regras de comportamento ou estrutura organizativa (Blumer, 1936
e 1946).

massa para teoria hipodérmica: fato de os indivíduos estarem isolados, serem anônimos, atomizados.

estudos sobre os mass media: principal pressuposto na problemática dos efeitos;


DECADÊNCIA DO PARADIGMA DA
AGULHA HIPODÉRMICA
Mudança de perspectiva sobre isolamento do indivíduo.

Os mass media constituíam «uma espécie de sistema nervoso simples que se espalha até atingir olhos e
ouvidos, numa sociedade caracterizada pela escassez de relações interpessoais e por uma organização
social amorfa» (Katz - Lazarsfeld, 1955, 4).

Ligada estreitamente aos receios suscitados pela «arte de influenciar as massas» (Schönemann, 1924), a
teoria hipodérmica - bullet theory - defendia, portanto, uma relação direta entre a exposição às
mensagens e o comportamento: se uma pessoa é «apanhada» pela propaganda, pode ser controlada,
manipulada, levada a agir.
DECADÊNCIA DO PARADIGMA DA
AGULHA HIPODÉRMICA
A concepção atomística do público das comunicações de massa (típica da teoria hipodérmica) se
correlaciona com a disciplina leader na primeira fase dos estudos sobre os mass media, ou seja, a
psicologia behaviorista, que privilegiava o comportamento do indivíduo.

O contexto socioeconómico que marcou a origem de tais estudos (as pesquisas de mercado, a
propaganda, a condição da opinião pública, etc.) veio realçar o papel do sujeito singular, na sua
qualidade de eleitor, de cidadão, de consumidor.

E, por fim, é ainda verdade que as próprias técnicas de pesquisa (sobretudo questionários e entrevistas)
concorriam, por seu lado, para reforçar a ideia de que «a principal unidade de produção da informação
- isto é, o indivíduo - seria também a unidade pertinente nos processos de comunicação de massa e
nos fenómenos sociais em geral”.

Você também pode gostar