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VANESSA BATTESTIN NUNES

LÓGICA E MATEMÁTICA DISCRETA

SERRA

2009
2

Governo Federal
Ministro de Educação
Fernando Haddad

Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo


Reitor
Dênio Rebello Arantes

Pró-Reitora de Ensino
Cristiane Tenan Schlittler dos Santos

Coordenadora do CEAD – Centro de Educação a Distância


Yvina Pavan Baldo

Coordenadoras da UAB – Universidade Aberta do Brasil


Yvina Pavan Baldo
Maria das Graças Zamborlini

Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


Coordenação de Curso
Isaura Nobre

Designer Instrucional
Danielli Veiga Carneiro

Professor Especialista/Autor

Vanessa Battestin Nunes

Catalogação da fonte: Rogéria Gomes Belchior - CRB 12/417


N972l Nunes, Vanessa Battestin
Lógica e matemática discreta. / Vanessa Battestin Nunes. – Vitória : CEFETES, 2007.
117 p. : il.
1. Lógica simbólica e matemática. I. Centro Federal de Educação Tecnológica do
Espírito Santo. II. Título.

CDD 511.3

DIREITOS RESERVADOS
Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo
Av. Vitória – Jucutuquara – Vitória – ES - CEP - (27) 3331.2139

Créditos de autoria da editoração


Capa: Juliana Cristina da Silva
Projeto gráfico: Juliana Cristina da Silva / Nelson Torres
Iconografia: Nelson Torres
Editoração eletrônica: Duo Translations

Revisão de texto:
Ilioni Augusta da Costa
Maria Madalena Covre da Silva
COPYRIGHT – É proibida a reprodução, mesmo que parcial, por qualquer meio, sem autorização escrita dos autores
e do detentor dos direitos autorais.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


3

Olá, Aluno(a)!

É um prazer tê-lo(a) conosco.


O Ifes oferece a você, em parceria com as Prefeituras e com o Governo
Federal, o Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento
de Sistemas, na modalidade a distância. Apesar de este curso ser ofertado
a distância, esperamos que haja proximidade entre nós, pois, hoje, graças
aos recursos da tecnologia da informação (e-mails, chat, videoconferên-
cia, etc.), podemos manter uma comunicação efetiva.
É importante que você conheça toda a equipe envolvida neste curso:
coordenadores, professores especialistas, tutores a distância e tutores pre-
senciais, porque, quando precisar de algum tipo de ajuda, saberá a quem
recorrer.
Na EaD - Educação a Distância, você é o grande responsável pelo suces-
so da aprendizagem. Por isso, é necessário que você se organize para os
estudos e para a realização de todas as atividades, nos prazos estabeleci-
dos, conforme orientação dos Professores Especialistas e Tutores.
Fique atento às orientações de estudo que se encontram no Manual do
Aluno.
A EaD, pela sua característica de amplitude e pelo uso de tecnologias
modernas, representa uma nova forma de aprender, respeitando, sem-
pre, o seu tempo.

Desejamos-lhe sucesso e dedicação!

Equipe do Ifes

Lógica e Matemática Discreta


4

ICONOGRAFIA

Veja, abaixo, alguns símbolos utilizados neste material para guiá-lo em seus estudos.

Fala do Professor

Conceitos importantes. Fique atento!

Atividades que devem ser elaboradas por você,


após a leitura dos textos.

Indicação de leituras complemtares, referentes


ao conteúdo estudado.

Destaque de algo importante, referente ao


conteúdo apresentado. Atenção!

Reflexão/questionamento sobre algo impor-


tante referente ao conteúdo apresentado.

Espaço reservado para as anotações que você


julgar necessárias.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


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LÓGICA E MATEMÁTICA
DISCRETA

Cap. 1 - INTRODUÇÃO À LÓGICA MATEMÁTICA 11


1.1 Raciocínio Lógico e Lógica Formal 11
1.2 Proposição 13
1.3 Proposições Simples e Proposições Compostas 14
1.4 Conectivos 15
1.5 Valores Lógicos das Proposições 15
1.6 Tabela Verdade 16

Cap. 2 - OPERAÇÕES LÓGICAS SOBRE


PROPOSIÇÕES 19
2.1 Negação ( ~ ) 19
2.2 Conjunção (^) 20
2.3 Disjunção ( ) 21
2.4 Disjunção Exclusiva ( ) 22
2.5 Condicional ( ) 22
2.6 Bicondicional ( ) 23

Cap. 3 - TABELAS-VERDADE DE PROPOSIÇÕES


COMPOSTAS 27
3.1 Construção de Tabelas-Verdade 27
3.2 Valor Lógico de uma Proposição Composta 29
3.3 Ordem de Precedência das Operações 30
3.4 Uso de Parênteses 31

Cap. 4 - TAUTOLOGIAS, CONTRADIÇÕES E


CONTINGÊNCIAS 33
4.1 Tautologia 33
4.2 Contradição 34
4.3 Contingência 35

Cap. 5 - IMPLICAÇÃO E EQUIVALÊNCIA


LÓGICA 37
5.1 Implicação Lógica 37
5.2 Propriedades da Implicação Lógica 37
5.3 Tautologias e Implicação Lógica 39
5.4 Equivalência Lógica 40
5.5 Propriedades da Equivalência Lógica 41

Lógica e Matemática Discreta


6

5.6 Exemplos 41
5.7 Tautologias e Equivalência Lógica 42
5.8 Proposições Associadas a uma Condicional 43
5.9 Negação Conjunta de Duas Proposições 43
5.10 Negação Disjunta de Duas Proposições 44

Cap. 6 - ÁLGEBRA DAS PROPOSIÇÕES 45


6.1 Propriedades da Conjunção 45
6.2 Propriedades da Disjunção 46
6.3 Propriedades da Conjunção e da Disjunção 47
6.4 Negação da Condicional 50
6.5 Negação da Bicondicional 50
6.6 Equivalências Notáveis 51

Cap. 7 - MÉTODO DEDUTIVO 53


7.1 Exemplos 54
7.3 Forma Normal 55
7.4 Forma Normal Conjuntiva (FNC) 55
7.5 Forma Normal Disjuntiva (FND) 56
7.6 Dualidade 57

Cap. 8 - ARGUMENTOS E REGRAS DE


INFERÊNCIA 59
8.1 Argumento 59
8.2 Validade de um Argumento 60
8.3 Critério de Validade de um Argumento 60
8.4 Condicional Associada a um Argumento 60
8.5 Argumentos válidos Fundamentais 61
8.6 Regras de Inferência 62
8.7 Exemplos do uso das Regras de Inferência 64

Cap. 9 - VERIFICAÇÃO DA VALIDADE 69


9.1 Verificação Mediante Tabelas-Verdade 69
9.2 Exemplos (Alencar Filho, 2003) 69
9.3 Validade Mediante Regras de Inferência 71
9.4 Exemplos (Alencar Filho, 2003): 72
9.5 Validade Mediante Regras de Inferência e
Equivalência 73
9.6 Exemplos (Alencar Filho, 2003) 74
9.7 Inconsistências 75

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7

Cap. 10 - DEMONSTRAÇÃO CONDICIONAL 77


10.1 Demonstração Condicional 77
10.2 Exemplo 77

Cap. 11 - LÓGICA DE PREDICADOS E


SENTENÇAS ABERTAS 79
11.1 Sentenças Abertas 80
11.2 Conjunto Verdade de uma Sentença-Aberta 81
11.3 Sentenças Abertas com n Variáveis 81
11.4 Conjunto Verdade de uma Sentença-Aberta
com n Variáveis 82
11.5 Operações Lógicas sobre Sentenças-Abertas 83
11.6 Exemplos (Pinho, 1999, p. 43) 84

Cap. 12 - QUANTIFICADORES 87
12.1 Quantificador Universal 87
12.2 Quantificador Existencial 88
12.3 Negação de Proposições com Quantificadores
(Pinho, 1999) 88
12.4 Variáveis Aparentes ou Mudas 89
12.5 Quantificação de Sentenças Abertas com mais
de uma Variável 90
12.6 Ordem dos Quantificadores 90
12.7 Negação de Proposições com Quantificadores 91
12.8 Exemplos (Pinho, 1999, p. 47) 91

Cap. 13 - REGRAS DE DEDUÇÃO PARA LÓGICA


DE PREDICADOS 95
13.1 Instanciação Universal (I.E) 95
13.2 Generalização Universal (G.U.) 96
13.3 Generalização Existencial (G. E.) 98
13.4 Instanciação Existencial (I.E.) 99

Cap. 14 - TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO 101


14.1 Demonstração Exaustiva 101
14.2 Demonstração Direta 102
14.3 Por Absurdo 103
14.4 Indução Matemática 105
14.5 Primeiro Princípio de Indução Matemática 106

Lógica e Matemática Discreta


8

Cap. 15 - RECURSÃO 111


15.1 Definições Recorrentes 111
15.2 Seqüências Definidas por Recorrência 111

Cap. 16 - INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE


ALGORITMOS 115
16.1 Análise de Algoritmos 115

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 117

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


9

APRESENTAÇÃO

Sejam bem-vindos aos estudos de Lógica e Matemática Discreta!!!


Neste curso esperamos que vocês tragam situações do mundo real com o
intuito de resolvê-las por meio da lógica. No início parecerá que alguns
problemas são insolúveis, mas com o tempo aprenderemos técnicas para
resolvê-los e tudo ficará mais claro.
Com o passar do tempo, vocês verão o quanto esta disciplina será útil
no curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Ela é
importante para resolução dos mais diversos problemas, principalmente
aqueles que se referem à criação de algoritmos, que estão diretamente re-
lacionados às disciplinas de programação.
O conhecimento em lógica não será útil apenas nas diversas disciplinas
do curso, mas também terá utilidade no mundo real. Vocês poderão aper-
feiçoar os seus conhecimentos, adquirir vários outros e usar as soluções
no dia-a-dia. Com isso, será bem mais fácil entender as coisas do nosso
mundo (dentro do que cobre a lógica, claro!).
Mas estejam atentos a um item muito importante: O estudo de Lógica e
Matemática Discreta vai exigir de vocês muita disciplina e esforço, pois
serão vistos muitos conceitos novos. Apenas se ater aos conceitos, aos
exemplos e aos poucos exercícios deste material não será suficiente para o
aprendizado. É fundamental que o estudo seja complementado através da
utilização do livro texto e de demais materiais a serem disponibilizados
no nosso ambiente de aprendizagem, no decorrer do curso. O conheci-
mento só será efetivo se a prática de exercícios fizer parte do cotidiano de
vocês e as dúvidas forem sendo sanadas no decorrer da disciplina.
Breve descrição da professora:
Nome: Kelly Assis de Souza Gazolli
Formação:
• Mestre em Informática pela UFES – Universidade Federal do
Espírito Santo
• Bacharel em Ciência da Computação com ênfase em Sistemas de
Informação pela UFES – Universidade Federal do Espírito Santo.
Experiência profissional:
• CEFETES – Unidade Serra – professora efetiva, docente dos
cursos superiores de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento
de Sistemas, de Tecnologia em Redes de Computadores e de

Lógica e Matemática Discreta


10

• Bacharelado em Sistemas de Informação. Ministra disciplinas,


como: Lógica e Matemática Discreta, Banco de Dados, Audito-
ria e Segurança da Informação, etc.
• Prefeitura Municipal de Vitória - analista de Sistemas – atuou du-
rante 3 anos no desenvolvimento de projetos para as secretarias.
• UFES – professora substituta, atuou nos cursos de Ciência da
Computação, Engenharia da Computação e Tecnologia Mecân-
cia ministrando diversas disciplina.
• Prefeitura Municipal de Vitória – Chefe de NPD – atuou du-
rante 2 anos como responsável pela área de TI da Secretaria
de Ação Social.

Para alcançar os objetivos e chegar onde se quer, só depende de vocês!!!


Portanto,

BOM ESTUDO PARA TODOS!!!

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


11

Introdução à Lógica Matemática

Olá Turma,
Neste Capítulo vocês terão um primeiro contato com a Lógica Ma-
temática e com alguns de seus conceitos muito importantes – pro-
posições e conectivos.
O aprendizado da Lógica auxilia no raciocínio, na compreensão
de conceitos básicos, na verificação formal de programas e prepara
para o entendimento de conceitos mais avançados.
Bons estudos!

A Lógica é uma ciência matemática fortemente ligada à filosofia. Ela


tem, por objeto de estudo, as leis gerais do pensamento e as formas de
aplicar essas leis, corretamente, na investigação da verdade. Ela será o
nosso o nosso foco no decorrer de toda a disciplina.

1.1 Raciocínio Lógico e Lógica Formal

Vamos imaginar a seguinte situação (GERSTING, 2004): Você está par-


ticipando de um júri num processo criminal e o advogado de defesa faz
esta argumentação:

Se meu cliente fosse culpado, a faca estaria na gaveta. Ou a


faca não estava na gaveta ou Jason Pritchard viu a faca. Se
a faca não estava lá no dia 10 de outubro de, então Jason
Pritchard não viu a faca. Além disso, se a faca estava lá
no dia de 10 de outubro, então a faca estava na gaveta e o
martelo estava no celeiro. Mas todos sabemos que o mar-
telo não estava no celeiro. Portanto, senhoras e senhores,
meu cliente é inocente.

Em sua opinião, o argumento do advogado está correto? Como você


iria votar?

Parece tudo muito confuso e difícil de entender. Isso se deve ao fato de a


nossa língua (ou qualquer outra linguagem natural) ter muitas ambigüi-
dades e ao fato de as frases longas causarem confusão no nosso cérebro.

Lógica e Matemática Discreta


12
Capítulo 1

Tudo isso seria facilitado se reescrevêssemos a frase com a notação da


lógica simbólica ou lógica formal, uma vez que tal conhecimento nos
permite tirar todo o palavreado que causa confusão e concentrar-nos na
argumentação. A lógica formal nos fornece base para pensar de forma orga-
nizada e tem aplicação direta na área de informática (GERSTING, 2004).

Lógica simbólica ou Lógica Formal – aquela que tem o propó-


sito de simbolizar o raciocínio encontrado não somente na mate-
mática, mas também na vida diária.

Porém, antes de pensarmos na lógica formal, vamos exercitar um pouco


o nosso raciocínio lógico.

ATIVIDADE 1 – Para exercitar, vamos realizar uma atividade


proposta por (PINHO, 1999, p. 6):
1. Use o bom senso para tentar resolver os seguintes problemas:
(a) Se eu não tenho carro, a afirmação “meu carro não é azul” é
verdadeira ou falsa?
(b) Existe o ditado popular que afirma: “toda regra tem exceção”.
Considerando que essa frase é, por sua vez, também uma regra;
podemos garantir que ela é verdadeira? Ou que é falsa?
(c) Tenho 9 pérolas idênticas, mas sei que uma delas é falsa, e é
mais leve que as outras. Como posso identificar a pérola falsa,
com apenas duas pesagens em uma balança de dois pratos?
(d) Tenho 12 pérolas idênticas, mas uma delas é falsa e tem
peso um pouco diferente das demais, não sei se mais leve ou
mais pesada; como posso identificar a pérola falsa, e se ela é
mais leve ou mais pesada, com apenas três pesagens em uma
balança de dois pratos?
(e) Tenho 10 grupos de 10 moedas cada um; cada moeda pesa
10 gramas, exceto as de um grupo cujas moedas pesam 9 gramas
cada uma. Como posso identificar o grupo de moedas mais leves,
com apenas uma pesagem em uma balança de um prato?

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


13
Introdução à Lógica Matemática

(f) Um rei resolveu dar a um prisioneiro a oportunidade de obter


a liberdade. Levou-o até uma sala, com duas portas de saída, cha-
madas A e B, cada uma com um guarda. Disse: “Uma das portas
leva à liberdade, enquanto a outra leva à forca; alem disso, um dos
guardas fala sempre a verdade, enquanto o outro só fala mentiras.
Você pode fazer uma única pergunta a um dos guardas e escolher
uma porta para sair”. O prisioneiro pensou durante alguns segun-
dos; depois, dirigiu-se a um dos guardas e disse: “Se eu pergun-
tasse a seu companheiro qual a porta que leva à liberdade, o que
ele me diria ?”. Depois de alguns segundos, o guarda respondeu:
“A”. “Obrigado”, disse o prisioneiro, e passou pela porta B. O pri-
sioneiro obteve a liberdade ou foi para a forca? Como saber?

1.2 Proposição

Por meio da lógica formal podemos representar as afirmações que faze-


mos no nosso cotidiano. O primeiro passo na construção de uma lin-
guagem simbólica, mais adequada à formulação dos conceitos da Lógi-
ca, é a apresentação do que chamamos proposição simples.

Proposição (ou declaração) – conjunto de palavras ou símbolos


que exprimem um pensamento de sentido completo. É uma sen-
tença que pode ser verdadeira ou falsa.

Exemplos:

• A Terra é quadrada.
• O sol é azul.
• Vitória é capital do Espírito Santo.

Aqui, as duas primeiras proposições são falsas, enquanto a última é


verdadeira.

A Lógica da Matemática adota como regras fundamentais do pensamen-


to os seguintes princípios (ou axiomas) (ALENCAR FILHO, 2003):

Lógica e Matemática Discreta


14
Capítulo 1


(I) PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO – Uma proposição
não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
(II) PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO – Toda proposi-
ção ou é verdadeira ou é falsa. Verifica-se sempre um destes casos
e nunca um terceiro.

1.3 Proposições Simples e Proposições Compostas

As proposições podem ser simples (ou atômicas) e compostas (ou mo-


leculares) (ALENCAR FILHO, 2003).

Proposição simples ou proposição atômica – aquela que não


contém em si nenhuma outra proposição como parte integrante.

As proposições simples são geralmente representadas através de letras


latinas minúsculas p, q, r, s...

Temos a seguir algumas proposições simples:


p : João é estudante.
q : Maria trabalha no centro da cidade.
r : Pato é um animal.

Proposição composta ou proposição molecular – aquela forma-


da pela combinação de duas ou mais proposições. Também são
chamadas de fórmulas proposicionais ou apenas fórmulas.

As proposições compostas são geralmente representadas por letras lati-


nas maiúsculas P, Q, R, S...

Exemplos de proposições compostas:

P : João é estudante e pato é um animal.


Q : João é estudante ou Maria trabalha no centro da cidade.
S : Se Maria trabalha no centro da cidade então Maria mora perto
do centro.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


15
Introdução à Lógica Matemática

Observe que nesses exemplos as proposições compostas são forma-


das por duas proposições simples, mas poderiam ser mais. Inclusive,
proposições compostas podem ser formadas por outras proposições
compostas.

Quando quisermos explicitar que uma proposição composta P é formada


pela combinação das proposições simples p, q, r...., escreve-se: P(p, q, r).

No exemplo dado, temos: P (p, r).

1.4 Conectivos

Conectivos – palavras ou símbolos usados para formar novas


proposições a partir de outras.

Exemplos:

P : A lua é quadrada e a neve é branca.


Q : O triângulo ABC é retângulo ou isósceles.
R : O dia está ensolarado e sem nuvens se e somente se não está
chovendo.
S : Se Luiz é engenheiro, então sabe matemática.

As palavras grifadas acima são conectivos usuais em lógica de matema-


tica: “e”, “ou”, “não”, “se...então”, “...se e somente se...”

1.5 Valores Lógicos das Proposições

Como vimos, proposições podem ser verdadeiras ou falsas.

Valor lógico de uma proposição – V(p) – é a verdade (V) se a pro-


posição p é verdadeira e a falsidade (F) se a proposição p é falsa.

Assim, o que os princípios da não contradição e do terceiro excluído


afirmam é que:

Toda proposição tem um, e um só, dos valores V ou F.

Lógica e Matemática Discreta


16
Capítulo 1

Exemplo:

p : Todo número par é múltiplo de dois.


q : O menor planeta existente é o planeta Terra.

O valor lógico da primeira proposição é a verdade, ou seja, V(p) = V e o


valor lógico da segunda proposição é a falsidade, ou seja, V(q) = F.

1.6 Tabela Verdade

Como vimos anteriormente, uma proposição simples ou é verdadei-


ra (V) ou é falsa (F) - princípio do terceiro excluído. Porém, como
faremos para determinar se uma proposição composta é verdadeira
ou falsa? Ou seja, como faremos para determinar o valor lógico de
proposições compostas?

Para responder essa pergunta, utilizaremos o conceito de


tabelas-verdade.

Tabela verdade ou tabela da verdade – é uma tabela usada em


lógica para determinar se uma expressão é verdadeira ou falsa, de
acordo com os possíveis valores lógicos das proposições simples
componentes (ALENCAR FILHO, 2003).

Assim, por exemplo, no caso de uma proposição composta formada pe-


las proposições simples p e q, os valores lógicos possíveis de p e q são
mostrados na Tabela 1. No caso de haver uma nova proposição r, os
valores são mostrados na Tabela 2:

Tabela 1 Tabela 2

p q r
p q 1 V V V
1 V V 2 V V F
2 V F 3 V F V
3 F V 4 V F F
4 F F 5 F V V
6 F V F
7 F F V
8 F F F

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


17
Introdução à Lógica Matemática

Observe, no primeiro caso, que os valores lógicos V e F se alternam de


dois em dois para a primeira proposição p e de um em um para a segun-
da proposição q, e que, além disso, VV, VF, FV, FF são arranjos binários
com repetição dos dois elementos V e F.

Da mesma forma, observe, no segundo caso, que os valores lógicos V


e F se alternam de quatro em quatro para a primeira proposição p, de
dois em dois para a segunda proposição q e de um em um para a terceira
proposição r, e que, além disso, VVV, VVF, VFV, VFF, FVV, FVF, FFV,
FFF são arranjos ternários com repetição dos dois elementos V e F.

Para maior compreensão, ler o capítulo 1 – Proposições e Co-


nectivos do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à lógi-
ca matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

ATIVIDADE 2:
1.Determinar o valor lógico (V ou F) das seguintes proposições:
(a) Fernando Henrique é o atual presidente do Brasil.
(b) Um heptágono é uma figura geométrica de 10 lados.
(c) O Egito fica na Ásia.
(d) Todo número divisível por 3 é impar.
(e) Nova York é capital dos EUA.
(f) House é uma palavra existente na língua inglesa.

Lógica e Matemática Discreta


18
Capítulo 1

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


19
Métodos e Estratégias de Estudo

OPERAÇÕES LÓGICAS SOBRE


PROPOSIÇÕES

Agora que já conhecemos o que são proposições e os conectivos que


podem ser utilizados para formarmos proposições compostas, va-
mos estudar quais tipos de operações podem ser realizadas.

Em Lógica Simbólica, a ação de combinar proposições é chamada “ope-


ração”, os conectivos são chamados “operadores”, que são representa-
dos por símbolos específicos. Apresentamos no Quadro 1 as cinco ope-
rações lógicas sobre proposições, com seus respectivos conectivos e
símbolos (PINHO, 1999):

Operação Conectivo Símbolo


Conjunção e
< >

Disjunção ou
Negação não ~ , ¬ ou
Condicional se ... então
Bicondicional se e somente se
Quadro 1 – Operações lógicas sobre proposições.

Como podemos determinar o valor lógico de uma proposição compos-


ta, em função dos valores lógicos das proposições que a compõe?

Para responder a essa pergunta, temos que definir as operações, isto é, dar o
resultado da operação para cada possível conjunto de valores dos operandos.

2.1 Negação ( ~ )

Negação – de uma proposição p é a proposição representada por


“não p” ou por “~ p”, cujo valor lógico é verdade (V) quando p é
falso e falsidade (F) quando p é verdadeiro. Ou seja, “não p” tem
o valor lógico oposto de p (ALENCAR FILHO, 2003).

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da negação


e as igualdades válidas nesse caso:

Lógica e Matemática Discreta


20
Capítulo 2

Igualdades:
p ~p
~V=Fe~F=V V F
V (~ p) = ~ V(p) F V
Como vemos, negação é o fato de negar, opor-se ou se colocar de forma
contrária a algo. Isso em nossa linguagem é feita utilizando-se o advér-
bio “não” ou expressões como “não é verdade que”, “é falso que” etc.

Exemplos:

p : Maria é jornalista.
~p : Maria não é jornalista.
~p : é falso que Maria é jornalista.
~p : não é verdade que Maria é jornalista.

2.2 Conjunção (^)

Conjunção – de duas proposições p e q é a proposição representa-


da por “p e q” ou “p ^ q”, cujo valor lógico é a verdade (V) quando
as proposições p e q são verdadeiras e a falsidade (F) nos demais
casos (ALENCAR FILHO, 2003).

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da conjun-


ção e as igualdades válidas neste caso:

Igualdades:

V^V=V p ~p p^q
V^F=F V V V
F^V=F V F F
F^F=F F V F
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q) F F F

Exemplos:

1) p: o mar é azul (V)


q: 1 é impar (V)
-----------------------------
p ^ q = o mar é azul e 1 é impar (V)
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q) = V ^ V = V

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


21
Operações Lógicas sobre Proposições

2) p: a lua é quadrada (F)


q: 1 é par (V)
-----------------------------
p ^ q = a lua é quadrada e 1 é par (F)
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q) = F ^ V = F

2.3 Disjunção ( )

Disjunção – de duas proposições p e q é a proposição represen-


tada por “p ou q” ou “p q”, cujo o valor lógico é a verdade (V)
quando ao menos uma das proposições p e q é verdadeira e a fal-
sidade (F) quando as proposições p e q são ambas falsas (ALEN-
CAR FILHO, 2003).

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da disjun-


ção e as igualdades válidas neste caso:

Igualdades:
p ~p p q
V V=V
V F=V V V V
F V=V V F V
F F=F F V V
V(p q) = V(p) V(q) F F F

Exemplos:

1) p: Rio de Janeiro é a capital do Brasil (F)


q: 1 + 3 = 4 (V)
______________________________________
p q = Rio de Janeiro é a capital do Brasil ou 1 + 3 = 4 (V)
V(p q) = V(p) V(q) = V V = V

2) p: Aparecida do Norte é padroeira do ES (F)


q: Vasco da Gama descobriu o Brasil (F)
_______________________________________
p v q = Aparecida do Norte é padroeira do ES ou Vasco da Gama des-
cobriu o Brasil (F)
V(p q) = V(p) V(q) = F F = F

Lógica e Matemática Discreta


22
Capítulo 2

2.4 Disjunção Exclusiva ( )

Disjunção exclusiva – de duas proposições p e q é a proposição


representada por “ou p ou q” ou “p q”, cujo valor lógico é a verda-
de (V) somente quando p é verdadeira ou q é verdadeira, mas não
quando p e q são ambas verdadeiras, e a falsidade (F) quando p e q
são ambas verdadeiras ou falsas. (ALENCAR FILHO, 2003).

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da disjun-


ção exclusiva e as igualdades válidas neste caso:

Igualdades:
p q p q
V V=F
V F=V V V F
F V=V V F V
F F=F F V V
V(p q) = V(p) V(q) F F F

Exemplos:

p: João é Argentino (V)


q: João torce pro Brasil (V)
________________________________
p q = ou João é Argentino ou João torce pro Brasil (F)
V(p q) = V(p) V(q) = V V = F

2.5 Condicional ( )

Condicional – é uma proposição representada por “se p então q”


ou “p q”, cujo valor lógico é a falsidade (F) no caso em que p
é verdadeira e q é falsa e a verdade (V) nos demais casos (ALEN-
CAR FILHO, 2003).

Se temos p q, dizemos que p é o antecedente e q é o conseqüente.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


23
Operações Lógicas sobre Proposições

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da condi-


cional e as igualdades válidas neste caso:

Igualdades:
p q p q
V V=V
V V V
V F=F
F V=V V F F
F F=V F V V
V(p q) = V(p) V(q) F F V

Exemplos:

1) p: Marisa Monte é uma cantora brasileira (V)


q: Marisa Monte nasceu no Chile (F)
_____________________________
p q = se Marisa Monte é uma cantora brasileira então Marisa Monte
nasceu no Chile (F)
V(p q) = V(p) V(q) = V F = F

2) p: Fevereiro tem 30 dias (F)


q: Todo ano temos ano bissexto (F)
_______________________________
p q = se Fevereiro tem 30 dias então Todo ano temos ano bissexto (V)
V(p q) = V(p) V(q) = F F = V

2.6 Bicondicional ( )

Bicondicional – é uma proposição representada por “p se e so-


mente se q” ou “p q”, cujo valor lógico é a verdade(V) quando
p e q são ambas verdadeiras ou ambas falsas, e a falsidade (F) nos
demais casos. (ALENCAR FILHO, 2003).

Se temos p q, dizemos que p é uma condição suficiente e necessária a q.

A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da bicondi-


cional e as igualdades válidas neste caso:

Lógica e Matemática Discreta


24
Capítulo 2

Igualdades:

V V=V p q p q
V F=F V V V
F V=F V F F
F F=V F V F
V(p q) = V(p) V(q) F F V

Exemplos:

1) p: 6/3 = 3 (F)
q: Ronaldinho é jogador de futebol (V)
________________________________
p q = 6/3 = 3 se e somente se Ronaldinho é jogador de futebol (F)
V(p q) = V(p) V(q) = F V=F

ATIVIDADE 3:
1. Dadas as proposições p: João é cantor e q: Maria é professora,
traduza as seguintes proposições para o português:
(a) ~p   (b) p q   (c) p q   (d) p q
(e) q p   (f) p q q   (g) p ~q   (h) ~p ~q
(i) ~ ~ p   (j) ~p q p  (k) ~(~p ~q)  (l) ~p ~q

2. Dadas as proposições p: Pedro é elegante e q: Pedro é bonito,


traduza as seguintes proposições para a linguagem simbólica:
(a) Pedro é elegante e bonito
(b) Pedro é elegante, mas não é bonito
(c) Não é verdade que Pedro seja bonito e elegante
(d) Pedro não é elegante nem bonito
(e) Pedro é bonito ou feio, mas é elegante
(f) Ou Pedro é bonito ou não é elegante

3. Traduzir para linguagem simbólica as seguintes expressões


matemáticas:
(a) Se x > 0 então y = 7 (b) Se x = 1 então y > 1 e z < 4
(c) x = 0 ou x > 0 (d) x 0 ou (x = 0 e y = 1)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


25
Operações Lógicas sobre Proposições

4. Determine o valor lógico (V ou F) das expressões abaixo:


(a) 3 + 2 = 7 e 5 + 5 = 10   (b) 1 > 0 2+2=4
(c) ~(1 + 1 = 2 3 + 4 = 5)   (d) 2 + 2 = 4 (3 + 3 = 7 1 + 1 = 4)

5. Determinar V(p) em cada caso:


(a) V(q) = F e V(p q) = F   (b) V(q) = F e V(p q) = F
(c) V(q) = V e V(q p) = F   (d) V(q) = F e V(q p) = V

Para maior compreensão, ler o capítulo 2 – Operações Lógicas


sobre Proposições do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação
à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Lógica e Matemática Discreta


26
Capítulo 2

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


27
Métodos e Estratégias de Estudo

TABELAS-VERDADE DE
PROPOSIÇÕES COMPOSTAS

Neste capítulo vamos aprender a construir tabelas-verdade para


proposições compostas. Desta forma, poderemos identificar os va-
lores de uma proposição para todos os possíveis valores das propo-
sições simples.

3.1 Construção de Tabelas-Verdade

O primeiro passo para construção de uma tabela-verdade de uma pro-


posição composta é contar o número de proposições simples que a com-
põem. Agora se deve determinar o número de linhas. Cada linha da
tabela corresponde a uma possível combinação dos valores lógicos das
proposições componentes. Como são dois os valores lógicos, existem,
para n componentes, 2n combinações possíveis. Portanto:

O número de linhas de uma tabela verdade de uma proposição


composta com n proposições simples é 2n, alem do cabeçalho.

Por exemplo, para uma proposição composta com 5 proposições sim-


ples, teremos uma tabela-verdade com 25 = 32 linhas.

Após termos o número de linhas, vamos criar a tabela inicialmente com


uma coluna para cada proposição simples (onde são distribuídos os va-
lores V e F de forma a incluir cada possível combinação). Após isso,
vamos criando colunas de acordo com as partes (operações) da propo-
sição composta (onde os valores V e F são obtidos pela definição das
operações), até termos a proposição composta completa.

Por fim, vamos preenchendo a tabela-verdade com todos os pos-


síveis valores para as proposições simples. Para determinar unica-
mente a Tabela Verdade, podemos estabelecer certas convenções
para sua construção:

Lógica e Matemática Discreta


28
Capítulo 3

A. Para as colunas:

1. Dispor as proposições componentes em ordem alfabética.


2. Dispor as operações na ordem de precedência (com parênteses,
se for o caso).

B. Para as linhas

1. Alternar V e F para a coluna do último componente.


2. Alternar V V e F F para a coluna do penúltimo componente.
3. Alternar V V V V e F F F F para a coluna do antepenúltimo
componente.
4. Prosseguir dessa forma, se houver mais componentes, sempre
dobrando o numero de V’s e F’s para cada coluna à esquerda.

Exemplos (ALENCAR FILHO, 2003)

(1) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q) = ~(p ~q)

Resolução:

• Determinar o número de linhas da tabela-verdade. Como temos 2 pro-


posições simples, teremos 22 = 4 linhas (criaremos uma adicional para
o cabeçalho da tabela).

• Cria-se inicialmente uma coluna para cada proposição simples.

• Em seguida, cria-se uma coluna para ~q.

• Depois cria-se uma coluna para p ~q.

• A seguir uma nova coluna para a proposição completa: ~(p ~q).

• Por fim, preenche-se a tabela-verdade com todos os valores possíveis


para p e q.

p q ~q p ~q ~(p ~q)
V V F F V
V F V V F
F V F F V
F F V F V

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


29
Tabelas-Verdade de Proposições Compostas

(2) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q) = ~(p q) ~(q p)

Resolução:

p q p q q p ~(p q) ~(q p) ~(p q) ~(q p)


V V V V F F F
V F F F V V V
F V F F V V V (3)
F F F V V F V (4)

(3) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q,r) = p ~r q ~r

Resolução:

p q r ~r p ~r q ~r p ~r q ~r
V V V F V F F
V V F V V V V
V F V F V F F
V F F V V F F
F V V F F F V
F V F V V V V
F F V F F F V
F F F V V F F

3.2 Valor Lógico de uma Proposição Composta

Já vimos como construir tabelas-verdade para determinar os valores


que uma proposição composta pode ter, dando os possíveis valores de
suas proposições simples. Desta forma, caso se conheça os valores das
proposições simples, podemos sempre determinar o valor lógico (V ou
F) da proposição composta.

Exemplos (ALENCAR FILHO, 2003):

(1) Dadas as proposições simples p e q e sabendo-se que seus valores


são, respectivamente, V e F, determinar o valor lógico da proposição
composta: P(p,q) = ~(p q) ~p ~q.

Resolução: V(P) = ~(V F) ~V ~F = ~V F V=F F=V

(2) Sabendo que V(r) = V, determinar o valor lógico da proposição com-


posta: p ~q r.

Resolução: Como r é verdadeira, ~q r é verdadeira. Logo, p ~q


r é verdadeira (V).

Lógica e Matemática Discreta


30
Capítulo 3

3.3 Ordem de Precedência das Operações

A construção de expressões mais complexas, na forma simbólica, apresenta


alguns problemas. Por exemplo, considere a expressão (PINHO, 1999):

“Se Mário foi ao cinema e João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa”

Sua transcrição em termos lógicos, p q r, onde

p - Mário foi ao cinema


q - João foi ao teatro
r - Marcelo ficou em casa
pode indicar duas expressões distintas:

“se Mário foi ao cinema e João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa” ou
“Mário foi ao cinema, e, se João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa”

Para decidir qual proposição está sendo indicada, é necessário saber


qual o conectivo que atua primeiro (neste caso, se é o conectivo da con-
junção ou da condicional). Por esse motivo, é necessário estabelecer
uma ordem de operação dos conectivos:

1. ~
2. ,
3.
4.

• Para tornar o processo mais determinado, com uma única or-


denação, podemos convencionar o seguinte algoritmo, para
obter a ordem de execução das operações:
• Percorra a expressão da esquerda para a direita, executando as
operações de negação, na ordem em que aparecerem.
• Percorra novamente a expressão, da esquerda para a direita,
executando as operações de conjunção e disjunção, na ordem
em que aparecerem.
• Percorra outra vez a expressão, da esquerda para a direita, exe-
cutando desta vez as operações de condicionamento, na or-
dem em que aparecerem.
• Percorra uma última vez a expressão, da esquerda para a direi-
ta, executando as operações de bicondicionamento, na ordem
em que aparecerem.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


31
Tabelas-Verdade de Proposições Compostas

Dessa forma, as operações da expressão p ~q r s serão execu-


tadas na seguinte ordem:
  p ~ q r s
  2 1 4 3

3.4 Uso de Parênteses

A utilização dos conectivos e pode causar ambigüidade até mesmo


em linguagem natural. Por exemplo a expressão

“Mário foi ao cinema e Marcelo ficou em casa ou Maria foi à praia”

representada por p q s, não deixa claro seu significado; tanto pode


significar “Mário foi ao cinema e Marcelo ficou em casa”, ou então “Ma-
ria foi à praia”, representada por (p q) s, como pode significar “Má-
rio foi ao cinema” e “ou Marcelo ficou em casa ou Maria foi à praia”,
representada por p (q s), que são claramente afirmações distintas.

Assim como na matemática, o uso de parênteses é extremante necessá-


rio para agrupar expressões e evitar ambigüidades. Assim, por exemplo,
colando parênteses na proposição p q r, temos:

(i) (p q) r, em que o conectivo principal é o .

(ii) p (q r), em que o conectivo principal é o .

Porém, os parênteses podem ser suprimidos em alguns casos.

No primeiro caso, é devido a ordem de precedência dos conectivos:

(1) ~ (2) e (3) (4)

Em que o conectivo mais fraco é o “~” e o mais forte é o “ ”.

Exemplo: p q s r é uma bicondicional. Se quiséssemos que fosse


uma condicional, teríamos que adicionar parênteses: p (q s r).

O segundo caso em que podemos suprimir parênteses é quando um


mesmo conectivo aparece sucessivamente. Basta fazermos associação
da esquerda para a direita.

Exemplo: (((p ~q)) r) (~p)) pode ser reescrito como: (p ~q)


r ~p.

Lógica e Matemática Discreta


32
Capítulo 3

ATIVIDADE 4 - Para exercitar, vamos realizar algumas das ati-


vidades propostas por (PINHO, 1999, p. 39):

1. Construir as tabelas-verdade das seguintes proposições:


(a) ~ (p ~q) (b) p q p q
(c) q ~q p (d) (p ~q) q p
(e) ~p r q ~r (f) (p q r) (~p q ~r)

2. Determinar P(VFV) nos seguintes casos:


(a) P(p, q, r) = ~p (q ~r)
(b) P(p, q, r) = (r (p ~q)) ~(~r (p q))

3. Sabendo que p e q são verdadeiras e r e s são falsas, determinar


o valor lógico de:
(a) r s q (b) p ~(r s)
(c) q p s (d) (q r) (p s)
(e) ~((r p) (s q)) (f) r q (~p r)

4. Sendo p q verdadeira (V), qual o valor lógico das condicionais:


(a) p r q r (b) p r q r

5. Suprimir o maior número de parênteses:


(a) ((q (r q)) (p (~(~q))))

Para maior compreensão, ler o capítulo 3 – Construção de Ta-


belas-Verdade do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à
lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


33
Métodos e Estratégias de Estudo

TAUTOLOGIAS, CONTRADIÇÕES
E CONTINGÊNCIAS

Usando tabelas-verdade pudemos ver que proposições podem ser V


ou F dependendo dos valores das proposições simples. Agora vamos
discutir o que significa se uma proposição composta for sempre ver-
dadeira, sempre falsa ou se tiver as duas situações.

4.1 Tautologia

Tautologia – é toda proposição composta que resulta sempre em


valores lógicos Verdadeiros (V) (ALENCAR FILHO, 2003).

Ou seja, para se ter uma tautologia, a última coluna da tabela verdade


de uma proposição composta terá apenas V.

Exemplos de tautologias:

(1) Princípio da identidade: p pep p.

(2) Princípio da não contradição: ~(p ~p)


p ~p p ~q ~(p ~p)
V F F V
F V F V

(3) Princípio do terceiro excluído: p ~p

p ~p p ~q
V F V
F V V

Lógica e Matemática Discreta


34
Capítulo 4

(4) p ~(p q)

p q p q ~(p ~q p ~(p q)
V V V F V
V F F V V
F V F V V
F F F V V

(5) p q (p q)

p q p q p q p q (p q)
V V V F V
V F F V V
F V F V V
F F F V V

Uma vez que o fato de uma proposição ser uma tautologia significa que
o seu valor lógico é sempre verdade (V), independente dos valores das
proposições simples que a compõem, então vale o seguinte princípio:

Principio da substituição - Se P(p, q, r,...) é uma tautologia, então


P(P0, Q0, R0, ... ) também é uma tautologia, para quaisquer que
sejam P0, Q0, R0,...

4.2 Contradição

Contradição – é toda proposição composta que resulta sempre


em valores lógicos Falsos (F) (ALENCAR FILHO, 2003).

Em outros termos, contradição é toda proposição composta em que a


última coluna da sua tabela-verdade possui apenas a letra F (falsidade).

Observe que como uma tautologia é sempre verdadeira (V), a ne-


gação de uma tautologia é sempre falsa (F), ou seja, é uma contra-
dição, e vice-versa.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


35
Tautologias, Contradições e Contingências

Exemplos:

(1) Dadas as proposições:


p: Eu gosto de Lógica
~p: Eu não gosto de Lógica

Vemos que existe uma contradição ao dizermos: Eu gosto de Lógica e


eu não gosto de Lógica, conforma mostra a tabela-verdade a seguir:

p ~p p ~p
V F F
F V F

(2) Dadas as proposições:


p: Eu vou ao cinema
~p: eu não vou ao cinema

Vemos que existe uma contradição ao dizermos: Eu vou ao cinema se e so-


mente se eu não for ao cinema, conforme mostra a tabela-verdade a seguir:

p ~p p ~p
V F F
F V F

Semelhante ao que ocorre as com tautologias, o fato de uma proposição


ser uma contradição significa que o seu valor lógico é sempre falsidade
(F), independente dos valores das proposições simples que a compõem,
então vale o seguinte princípio:

Princípio da substituição - Se P(p, q, r,...) é uma contradição, en-


tão P(P0, Q0, R0, ... ) também é uma contradição, para quaisquer
que sejam P0, Q0, R0,...

4.3 Contingência

Contingência – é toda proposição composta que não é tautologia


nem contradição (ALENCAR FILHO, 2003).

Lógica e Matemática Discreta


36
Capítulo 4

Em outras palavras, contingência é toda a proposição composta em


cuja última coluna de sua tabela-verdade figuram as letras V e F cada
uma pelo menos uma vez.

Exemplo:

p ~p p ~p
V F F
F V V

ATIVIDADE 5 - Para exercitar, vamos realizar algumas das ati-


vidades propostas por (PINHO, 1999, p. 48):
1. Mostrar que as proposições abaixo são tautologias:
(a) (p p) (p ~p) (b) (p p ~p) ~p
(c) (p q) ~q ~p (d) p (p q) p

2. Mostrar que as proposições abaixo são contradições:


(a) (p q) (~p ~q) (b) ~p ^ (p ~q)

3. Mostrar que as proposições abaixo são contingências:


(a) p q p (b) x = 3 (x y x 3)

4. Determinar quais proposições são tautologias, contradições


ou contingências:
(a) p (~p q) (b) ~p q (p q)
(c) ((p q) q) p (d) ~p ~q (p q)

Para maior compreensão, ler o capítulo 4 – Tautologias, Con-


tradições e Contingências do livro Alencar Filho, Edgard de.
Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


37
Métodos e Estratégias de Estudo

IMPLICAÇÃO E EQUIVALÊNCIA
LÓGICA

Já sabemos avaliar os valores lógicos de uma proposição composta


e julgar se ela é uma tautologia, contradição ou contingência. Mas
será que dada uma proposição composta conseguimos deduzir algu-
ma coisa a respeito de outra proposição composta?

5.1 Implicação Lógica

Diz-se que uma proposição P(p,q,r,...) implica logicamente ou


apenas implica uma proposição Q(p,q,r,...), se Q(p,q,r,...) é verda-
deira (V) todas as vezes que P(p,q,r,...) é verdadeira (V).

Em outras palavras, uma proposição P(p,q,r,...) implica logicamente uma


proposição Q(p,q,r,...), todas as vezes que nas respectivas tabelas-verdade
dessas duas proposições não aparecer V na última coluna de P e F na últi-
ma coluna de Q, com V e F na mesma linha, ou seja, não ocorre P e Q com
valores lógicos simultâneos V e F (ALENCAR FILHO, 2003).

Representação: P(p,q,r,...) => Q(p,q,r,...)

Em particular, toda proposição implica uma tautologia e somente uma


contradição implica uma contradição.

5.2 Propriedades da Implicação Lógica

A relação de implicação lógica entre proposições possui as propriedades


reflexiva (R) e transitiva (T), isto é, simbolicamente.

(R) P(p,q,r,...) => P(p,q,r,...)


(T) Se P(p,q,r,...) => Q(p,q,r,...) e
Q(p,q,r,...) => R(p,q,r,...), então
P(p,q,r,...) => R(p,q,r,...)

Lógica e Matemática Discreta


38
Capítulo 5

Exemplos:

(1) Considere a tabela-verdade para as proposições (p q), (p q)


e (p q)

p q p q (p q) p q
V V V V V
V F F V F
F V F V F
F F F F V

Vamos observar (p q). Esta proposição é verdadeira apenas na 1ª li-


nha. Nesta mesma linha, p, q, (p q) e (p q) são também verdadei-
ras. Quer dizer, (p ^ q) implica logicamente em p, por exemplo. Assim,
podemos escrever: (p ^ q) p.

As mesmas tabelas-verdade demonstram importantes regras de


inferência:

p p q e q p q (Adição)

p^q p e p^q q (Simplificação)

(2) Seja a tabela-verdade da proposição (p q) ~p:

p q p q ~p (p q) ~p
V V V F F
V F V F F
F V V V V
F F F V F

Ela é verdadeira apenas na linha 3, em que q também é verdadeira. Logo


existe a seguinte implicação lógica:

(p q) ~p q  e  (p q) ~q p  (Regra do Silogismo Disjuntivo)

(3) Seja a tabela-verdade da proposição (p q) p:

p q p q (p q) p
V V V V
V F F F
F V V F
F F V F

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


39
Implicação e Equivalência Lógica

Ela é verdadeira apenas na linha 1, em que q também é verdadeira. Logo


existe a seguinte implicação lógica:

(p q) p q (Regra Modus Ponens)

(4) Sejam as tabelas-verdade das proposições (p q) ~q e ~p:

p q p q ~q (p q) ~q ~p
V V V F F F
V F F V F F
F V V F F V
F F V V V V

Ela é verdadeira apenas na linha 4, em que ~p também é verdadeira.


Logo existe a seguinte implicação lógica:

(p q) ~q p (Regra Modus tollens)

5.3 Tautologias e Implicação Lógica

Teorema: Dizemos que a proposição P(p, q, r, ...) implica a pro-


posição Q(p, q, r, ...), ou seja P(p, q, r, ...) => Q(p, q, r, ...), se e so-
mente se a condicional (p, q, r, ...) Q(p, q, r, ...) é tautológica.

Portanto, a toda implicação lógica corresponde uma condicional


tautológica e vice-versa. Isso acontece porque, como P => em Q,
não ocorre o situação onde P é falso e Q é verdadeiro. Desse modo,
P Q nunca será falso.

Observe que os símbolos e => são diferentes. O primeiro é de


operação lógica e o segundo é de relação.

Exemplo:

A proposição (p <-> q) ^ p implica a proposição q, pois a condicional


(p <-> q) ^ p -> q é tautológica.

Lógica e Matemática Discreta


40
Capítulo 5

p q p <-> q (p <-> q) ^ p (p <-> q) ^ p -> q


V V V V V
V F F F V
F V F F V
F F V F V

Ou seja: (p <-> q) ^ p => q.

ATIVIDADE 6 - Para exercitar, vamos realizar algumas das ati-


vidades propostas por (PINHO, 1999, p. 53):
1. Utilizando tabelas-verdade, verifique se existem as relações de
implicação lógica seguintes:
(a) p q q p
(b) ~( p q) ~p ~q
(c) p q r ~q r ~p
(d) ~p ( ~q p) ~(p ~q)

2. Mostrar que:
(a) q p q (b) q p q p

3. Mostrar que p ~q não implica p q.

4. Mostrar (x y x = y) x y x = 0.

5.4 EQUIVALÊNCIA LÓGICA

Uma proposição P(p,q,r...) é logicamente equivalente a uma


proposição Q(p,q,r...), se as tabelas-verdade destas duas propo-
sições são idênticas.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


41
Implicação e Equivalência Lógica

Representação: P(p,q,r,...) Q(p,q,r,...)

Em particular, se as proposições P e Q são ambas tautológicas ou são


ambas contradições, então são equivalentes.

5.5 Propriedades da Equivalência Lógica

Vamos relacionar algumas propriedades:

• Reflexiva (a proposição é equivalente a ela mesma): P(p,q,r..)


P(p,q,r..)
• Simétrica (se uma proposição equivale a uma outra, esta ou-
tra equivale à primeira):
   Se P(p,q,r..) Q(p,q,r..) então Q(p,q,r..) P(p,q,r..)
• Transitiva (se uma proposição equivale a uma segunda, e a
segunda proposição é equivalente à uma terceira, a primeira
equivale à terceira):
   Se P(p,q,r..) R(p,q,r..) e R(p,q,r..) Q(p,q,r..) então
   P(p,q,r..) ó Q(p,q,r..)

5.6 Exemplos

(1) Regra da dupla negação


As proposições ~~p e p são equivalentes, ou seja, ~~p p:

p ~p ~~p
V F V
F V F

(2) Regra de CLAVIUS


As proposições ~p p e p são equivalentes, ou seja, ~p p p:

p ~p ~p p
V F V
F V F

Lógica e Matemática Discreta


42
Capítulo 5

(3) Regra de absorção


As proposições p p qep q são equivalentes:

p q p q p p q p q
V V V V V
V F F F F
F V F V V
F F F V V

5.7 Tautologias e Equivalência Lógica

Teorema: Dizemos que a proposição P(p, q, r, ...) é equivalente


a proposição Q(p, q, r, ...), ou seja P(p, q, r, ...) Q(p, q, r, ...),
se e somente se a bicondicional (p, q, r, ...) Q(p, q, r, ...) é
tautológica (ALENCAR FILHO, 2003).

Portanto, toda equivalência lógica corresponde a uma bicondicional


tautológica e vice-versa. Isso acontece, porque, se duas proposições P
Q, então não ocorre o caso em que P e Q apresentam valores lógicos
diferentes. Desse modo P Q é uma tautologia.

Observe que os símbolos e são diferentes. O primeiro é de


operação lógica e o segundo é de relação.

Exemplo:

A bicondicional (p ~q c) (p q), onde c é uma proposição


com valor lógico F, é tautológica, pois a última coluna da tabela-verdade
tem apenas a letra V. Portanto, as proposições p ~q cep q são
equivalentes, ou seja, (p ~q c) (p q).

Nesta equivalência consiste o método de demonstração por absurdo.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


43
Implicação e Equivalência Lógica

ATIVIDADE 7:

1. Construa a tabela-verdade do exemplo acima.

5.8 Proposições Associadas a uma Condicional

Dada a condicional p q, temos as seguintes proposições associadas:

• Proposição recíproca de p q: q p
• Proposição contrária de p q: ~p ~q
• Proposição contrapositiva de p q: ~q ~p

ATIVIDADE 8:

1. Construa as tabelas-verdade das proposições acima.

5.9 Negação Conjunta de Duas Proposições

Negação conjunta – de duas proposições p e q é a proposição não p


e não q, ou seja, ~p ~q. Também indicada pela notação: p q.

Portanto temos: p q ~p ~q

ATIVIDADE 9:

1. Construa a tabela-verdade da proposição anterior.

Lógica e Matemática Discreta


44
Capítulo 5

5.10 Negação Disjunta de Duas Proposições

Negação disjunta – de duas proposições p e q é a proposição não p


ou não q, ou seja, ~p ~q. Também indicada pela notação: p q.

Portanto temos: p q ~p ~q

ATIVIDADE 10 – Para exercitar, vamos realizar algumas das


atividades propostas por (PINHO, 1999, p. 63):

1. Construa a tabela-verdade da proposição acima.

2. Mostrar que as proposições p e q são equivalentes (p q) nos


seguintes casos:
(a) p: 1 + 3 = 4; q: (1 + 3)2 = 16
(b) p: sen0 = 1; q: cos0 = 0
(c) p: x é par; q: x + 1 é impar (x Z)

3. Exprimir a bicondicional p q em função dos conectivos:


, e ~.

4. Demonstrar, por tabelas-verdade, as seguinte equivalências:


(a) p (p q) p   (b) (p q) (p r) p q r

5. Demonstrar através de tabelas-verdade, que os três conecti-


vos e ~ exprimem-se em função do conectivo , do seguinte
modo:
(a) ~p p p   (b) p q (p p) (q q)

6. Sabendo que o valor lógico das proposições q e p são verdadeiras


e de r é falsa, determine o valor lógico das seguintes proposições:
(a) ((p q) (q ~r)   (b) (~p ~q) ((q r) p)

Para maior compreensão, ler os capítulos 5 – Implicação Lógi-


ca e 6 – Equivalência Lógica do livro Alencar Filho, Edgard de.
Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


45
Métodos e Estratégias de Estudo

ÁLGEBRA DAS PROPOSIÇÕES

Agora, que já aprendemos muito sobre proposições, estamos prepa-


rados para aprender sobre a álgebra das proposições.

6.1 Propriedades da Conjunção

Sejam p, q e r proposições simples quaisquer e sejam t e c proposições


também simples, cujos valores lógicos respectivos são V (verdade) e F
(falsidade) (ALENCAR FILHO, 2003).

(a) Idempotente : p p p

p p p p p p
V V V
F F V

(b) Comutativa : p q q p

p q p q q p p q q p
V V V V V
V F F F V
F V F F V
F F F F V

Lógica e Matemática Discreta


46
Capítulo 6

(c) Associativa : (p q) r p (q r)

p q r p q (p q) r q r p (q r) (p q) r
p (q r)
V V V V V V V V
V V F V F F F V
V F V F F F F V
V F F F F F F V
F V V F F V F V
F V F F F F F V
F F V F F F F V
F F F F F F F V

As colunas 5 e 7 são equivalentes

p t c p t p c p t p p c c
V V F V F V V
F V F F F V V

(d) Identidade : p t pep c c

As colunas equivalentes são 1, 4 e 3, 5.

6.2 Propriedades da Disjunção

Sejam p, q e r proposições simples quaisquer e sejam t e c proposições


também simples cujos valores lógicos respectivos são V (verdade) e F
(falsidade) (ALENCAR FILHO, 2003).

(a) Idempotente : p p p

p p p p p p
V V V
F F V

(b) Comutativa : p q q p

p q p q q p p q q p
V V V V V
V F V V V
F V V V V
F F F F V

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


47
Álgebra das Proposições

(c) Associativa : (p q) r p (q r)

p q r p q (p q) r q r p (q r) (p q) r p (q r)
V V V V V V V V
V V F V V V V V
V F V V V V V V
V F F V V F V V
F V V V V V V V
F V F V V V V V
F F V F V V V V
F F F F F F F V

As colunas 5 e 7 são equivalentes

p t c p t p c p t p p c c
V V F V V V V
F V F V F V V

(d) Identidade : p t tep c p

As colunas equivalentes são 1, 5 e 2, 4.

6.3 Propriedades da Conjunção e da Disjunção

(a) Distributivas

(i) p (q r) (p q) (p r)

p q r q r p (q r) p q p r (p q) (p r)
V V V V V V V V
V V F V V V F V
V F V V F V V V
V F F F F F F F
F V V V F F F F
F V F V F F F F
F F V V F F F F
F F F F F F F F

As colunas 5 e 8 são equivalentes

Lógica e Matemática Discreta


48
Capítulo 6

(ii) p (q r) (p q) (p r)

p q r q r p (q r) p q p r (p q) (p r)
V V V V V V V V
V V F F V V V V
V F V F V V V V
V F F F V V V V
F V V V V V V V
F V F F F V F F
F F V F F F V F
F F F F F F F F

As colunas 5 e 8 são equivalentes

(b) Absorção

(i) p (p q) p

p q p q p (p q) p (p q) p
V V V V V
V F V V V
F V V F V
F F F F V

As colunas 1 e 4 são equivalentes

(ii) p (p q) p

p p p q p (p q) p (p q) p
V V V V V
V F F V V
F V F F V
F F F F V

As colunas 1 e 4 são equivalentes

(c) Regras de DE MORGAN (1806 – 1871)

Com De Morgan pode-se colocar a negação associada a cada uma


das proposições, sejam elas conjunções ou disjunções ou seja
(ALENCAR FILHO, 2003):

(i) ~ (p q) ~ p ~ q ( ex. Não é verdade que a rua está molha-


da e também suja equivale a dizermos que ou a rua não está molhada
ou não está suja.)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


49
Álgebra das Proposições

Explicando o exemplo, quando montamos uma conjunção ela é for-


mada por duas proposições que ocorrem ao mesmo tempo. Para
que uma conjunção formada por duas proposições seja F, uma das
duas proposições falhou.

p q p q ~(p q) ~p ~q ~p ~q
V V V F F F F
V F F V F V V
F V F V V F V
F F F V V V V

As colunas 4 e 7 são equivalentes

(ii) ~ (p q) ~ p ~ q (ex. “Não é verdade que eu tirei mais de


5 na prova ou que eu tirei menos de 3 na prova”. Equivale dizer que “eu
não tirei mais de 5 na prova e também não tirei menos que 3 na prova”.

Explicando o exemplo, quando temos uma disjunção, uma das duas


proposições é verdadeira. Para que eu negue uma disjunção, não basta
apenas uma ser falsa, as duas devem ser falsas.

p q p q ~(p q) ~p ~q ~p ~q
V V V F F F F
V F V F F V F
F V V F V F F
F F F V V V V

As colunas 4 e 7 são equivalentes

Regras de De Morgan:
(i) Negar que duas preposições são ao mesmo tempo verdadeiras
equivale a afirmar que uma pelo menos é falsa.
(ii) Negar que pelo menos uma de duas preposições é verdadeira
equivale a afirmar que ambas são falsas.

Lógica e Matemática Discreta


50
Capítulo 6

6.4 Negação da Condicional

Como p q ~ p q (ex. “Se choveu então a rua está mo-


lhada. Ou não choveu ou a rua está molhada.”), temos (ALEN-
CAR FILHO, 2003):

~( p q) ~( ~p q) ~~ p ~q, ou seja, ~( p q) ) p
~q, como se pode ver na tabela-verdade abaixo:

p q p q ~(p q) ~q p ~q
V V V F F F
V F F V V V
F V V F F F
F F V F V F

A condicional p q não possui as propriedades idempotente,


comutativa e associativa, pois as tabelas-verdade de p p, p
qeq p, (p q) rep (q r) não são idênticas.

6.5 Negação da Bicondicional

Como p q (p q) (q p), temos (ALENCAR FILHO, 2003):

p q (~p q) (~q p), e, portanto:


~(p q) ~(~p q) ~(~q p)
~(p q) (~~p ~q) (~~q ~p)
~(p q) (p ~q) (q ~p)

Como se pode ver na tabela-verdade abaixo:

p q p q ~(p q) ~q p ~q ~p ~p q (p ~q)
(~p q)
V V V F F F F F F
V F F V V V F F V
F V F V F F V V V
F F V F V F V F F

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


51
Álgebra das Proposições

A tabela verdade das proposições ~(p q), p ~q, ~p q


são idênticas

p q p q ~(p q) ~q p ~q ~p ~p q
V V V F F F F F
V F F V V V F V
F V F V F V V V
F F V F V F V F

Portanto, ~(p q) p ~q ~p q

A bicondicional p q não possui a propriedade idempotente,


pois as tabelas-verdade de p p e p não são idênticas.

6.6 Equivalências Notáveis

Nos próximos capítulos, utilizaremos as seguintes equivalências:

1. Idempotência (ID): p ^ p p; p p p

2. Comutação (COM) : p ^ q q ^p; p q q p

3. Associação (ASSOC): (p ^ q) ^ r p ^ ( q ^ r) ; (p q) r
p (q r)

4. Identidade (IDENT): p ^ T p; p^C C; p T T; p


C p obs.: T = Tautologia e c: Contradição

5. Distributiva (DIST): p ^ ( q r) (p ^ q) (p ^r); p (q ^ r)


(p q) ^ ( p r)

6. Absorção (ABS): p ^ (p q) p; p (p ^ q) p

7. De Morgan (DM): ~( p ^q) ~p ~q; ~(p q) ~p ^ ~q

8. Condicional (COND): p → q ~p q

9. Bicondicional (BICOND): p q (p → q) ^ (q → p); p q


( p ^q) v (~p ^~q)

10. Contraposição (CP): p → q ~q → ~p

11. Dupla negação (DN): ~~p p

12. Exportação – Importação (EI): p ^ q → r p → (q → r)

Lógica e Matemática Discreta


52
Capítulo 6

ATIVIDADE 11 – Para exercitar, vamos realizar algumas das


atividades propostas por (PINHO, 1999, p. 75):
1. Demonstrar as propriedades comutativa e associativa da bi-
condicional, isto é:
(a) p q q p (b) (p q) r p
(q r)

2. Demonstrar, por tabelas-verdade, as equivalências:


(a) p q r (p q) (p r)
(b) p q r (p q) (p r)

3. Dar, em linguagem corrente, a negação das seguintes


proposições:
(a) O céu é azul e as nuvens são brancas.
(b) É falso que não está frio ou chovendo.
(c) Não é verdade que Maria faz informática, mas não medicina.

4. Demonstrar as seguintes regras de De Morgan:


(a) ~(p q r) ~p ~q ~r
(b) ~(p q r) ~p ~q ~r

Para maior compreensão, ler o capítulo 7 – Álgebra das Propo-


sições do livro ALENCAR FILHO, Edgard de. Iniciação à Lógi-
ca Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


53
Métodos e Estratégias de Estudo

MÉTODO DEDUTIVO

Vamos dar um grande passo agora: realizar demonstrações por meio


de proposições. Isso é muito importante, inclusive, na nossa vida,
para conseguirmos deduzir soluções dos problemas do dia-a-dia.

Até o momento fizemos demonstrações por intermédio de tabelas-


verdade, que podem ser utilizadas para mostrar que um argumento é
válido ou inválido. No entanto, esse método apresenta dois sérios incon-
venientes (PINHO, 1999):

Em primeiro lugar, o número de linhas cresce muito rapidamente, à


medida que aumenta o número de proposições simples envolvidas no
argumento. Por exemplo, com 10 proposições a tabela necessita de 1024
linhas, e com 11, o número de linhas vai a 2048. Com mais umas poucas
proposições, sua construção se torna impraticável.

A segunda restrição é ainda pior. No Cálculo de Predicados, que vere-


mos mais tarde, muitas vezes não existe um procedimento que permita
estabelecer o valor lógico de uma dada afirmação, o que torna impossí-
vel a construção da Tabela Verdade.

Por esse motivo foram desenvolvidos outros métodos para que se possa
mostrar a validade de um argumento. Tais métodos são chamados mé-
todos dedutivos, cuja aplicação se chama dedução.

Segundo Descartes, o método dedutivo é um método lógico que pressupõe


e existência de verdades gerais já afirmadas e que sirvam de base (premis-
sas) para se chegar, por meio dele, a conhecimentos novos. Em termos mais
formais, o conceito de dedução pode ser apresentado da seguinte forma:

Dado um argumento P1 P2 ... Pn Q chama-se demons-


tração ou dedução de Q a partir das premissas P1 , ... Pn, a seqü-
ência finita de proposições X1, X2, ... Xk, tal que cada Xi ou é uma
premissa ou decorre logicamente de proposições anteriores da se-
qüência, de tal modo que a última proposição Xk seja a conclusão
Q do argumento dado (PINHO, 1999).

Lógica e Matemática Discreta


54
Capítulo 7

Cada proposição Xi que incluímos na seqüência deve decorrer logica-


mente das anteriores; isso significa que deve ser obtida através da atua-
ção de equivalências ou inferências sobre uma proposição ou uma con-
junção de proposições anteriores.

Se for possível obter a conclusão Q com base no procedimento de dedu-


ção, o argumento é válido; caso contrário, não é válido.

Assim, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser


verdadeira.

O processo de dedução consiste basicamente dos seguintes passos (PI-


NHO, 1999):

Dado um argumento: P1 P2 ... Pn Q

• Definimos o conjunto P constituído pelas premissas


{P 1, P2, ..., Pn};
• Fazemos atuar equivalências e inferências conhecidas sobre
um ou mais elementos do conjunto, obtendo novas proposi-
ções, e incluindo-as no conjunto P;
• Repetimos o passo acima até que a proposição incluída seja o
conseqüente Q.

7.1 Exemplos

A seguir vamos ver alguns exemplos de demonstrações usando o méto-


do dedutivo. Aqui, T representará tautologias e C contradições (ALEN-
CAR FILHO, 2003).

(1) Demonstrar a implicação: p ∧ q ⇒ p (Simplificação)


Se p ∧ q ⇒ p, então p ∧q → p é uma tautologia. Assim:
Demonstração: p ∧ q → p ⇔ ~(p ∨ q) ∨ p ⇔ (~p ∨ ~q) ∨ p ⇔ (~p ∨ p) ∨
~q ⇔ T ∨ ~q ⇔ T

(2) Demonstrar a implicação: p⇒ p v q (Adição)


Demonstração: p → p ∨ q ⇔ ~p ∨ (p ∨ q) ⇔ (~p ∨ p) ∨ q ⇔ T ⇔ q ⇔ T

(3) Demonstrar a implicação: (p → q) ∧ p ⇒q (Modus ponens)


Demonstração: (p → q) ∧ p → q ⇔ ~((p → q) ∧ p) v q ⇔ ~((~p v q) ∧ p) v
q ⇔ ~(~p v q) v ~p v q ⇔ (p ^ ~q) v ~p v q ⇔ (p ^ ~q ) v ~(p ^ ~q) ⇔ T

(4) Demonstrar a implicação: (p → q) ∧ ~q ⇒~p (Modus tollens)


Demonstração: (p → q) ∧ ~q ⇔ (~p ∨ q) ∧ ~q ⇔ (~p ∧ ~q) ∨ (q ∨ ~q) ⇔
(~p ∧ ~q) ∨ C ⇔ ~p ∧ ~q ⇒ ~p

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


55
Método Dedutivo

(5) Demonstrar a equilvalência: p ^ q → r ⇔ p → (q → r)


Se p ^ q → r ⇔ p → (q → r), então aplicando as regras de equilvalência
em p ^ q → r chegamos a p → (q → r). Assim:
Demosntração: p ^ q → r ⇔ ∼(p ^ q) v r ⇔ ∼p v ~q v r ⇔ ∼p v (q → r)
⇔ p → (q → r)

7.2 Redução do Número de Conectivos

Teorema: entre os cinco conectivos fundamentais (~, ∧, ∨, →, ↔)


três são expressados em termos de apenas dois dos seguintes pares:
(1) ~ e ∨ (2) ~ e ∧ (3) ~ e →

7.3 Forma Normal

Uma proposição está na forma normal (FN) se e somente se con-


tém os conectivos ~ , ∧ e ∨ (ALENCAR FILHO, 2003).

Existem dois tipos de FN:

• Forma Normal Conjuntiva


• Forma Normal Disjuntiva

7.4 Forma Normal Conjuntiva (FNC)

Uma proposição está na forma normal conjuntiva (FNC) se e


somente forem verificadas as seguintes condições (ALENCAR FI-
LHO, 2003):
• Contém apenas conectivos ~ , ∧ e  ∨
• ~ não aparece repetido, como ~~ e não tem alcance so-
bre ∧ e ∨ como em ~(p ^ q)
• ∨ não tem alcance sobre ∧ (não existe p ∨ (q ∧ r))

Lógica e Matemática Discreta


56
Capítulo 7

Estão na FNC.:

p ^q
pvqvr
~p ^ ~q

Como transformar uma proposição em outra, equivalente, na FNC?

1. Elimine os conectivos -> e <-> substituindo:

p → q  por  ~p v q

p↔q   por  (~p v q) ^(p v ~q)

2. Elimine as duplas negações e a negação de parênteses substituindo:

~~ p       por  p
 ~ (p ∧ q) por ~ p ∨ ~ q  
~ (p ∨ q)  por  ~ p ∧ ~ q 

3. Substitua

p ∨ (q ∧ r)     por  (p ∨ q) ∧ (p ∨ r )

7.5 Forma Normal Disjuntiva (FND)

Uma proposição está na forma normal disjuntiva (FND) se e somente


são verificadas as seguintes condições (ALENCAR FILHO, 2003):
• Contém apenas conectivos ~ , ^ e V
• ~ não aparece repetido, como ~~ e só incide sobre letras
proposicionais
• ^ não tem alcance sobre v (não existe p ^ (q v r) )

Estão na FND:

p^q^r
p v ~q
p v (q ^ r)

Como transformar uma proposição em outra, equivalente, na FNC?

1. Use as duas primeiras regras para FNC

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


57
Método Dedutivo

2. Substitua
p ∧ (q ∨ r)     por  (p ∧ q) ∨ (p ∧ r )
(p ∨ q ) ∧ r    por  (p ∧ r) ∨ (q ∧ r )

7.6 Dualidade

Seja P uma proposição que só contem os conectivos ~, ∧ e ∨ . A propo-


sição Q obtida de P trocando ∨ por ∧ e trocando ∧ por ∨ é denominada
dual de P.

P: ~(p ∨ q) ∧ ~r

Dual de P: ~(p ∧ q) ∨ ~r

Princípio da dualidade: Se P1 e P2 são duas proposições equiva-


lentes então as duais Q1 e Q2 também são equivalentes.

ATIVIDADE 12 – Para exercitar, vamos realizar algumas das


atividades propostas por (PINHO, 1999, p. 85:

1. Demonstrar as equivalências:
(a) p ∧ (p ∨ q) ⇔ p (b) p ∨ (p ∧ q) ⇔ p

2. Simplificar as proposições:

(a) ~(p ∨ ~q) (b) ~(~p ∧ q)


(c) (p ∨ q) ∧ ~p (d) (p → q) ∧ (∼p ∧ → q)

3. Use o método dedutivo para demonstrar:


(a) p ∧ ∼p ⇒ q (b) p → p ∧ q ⇔ p → q
(c) ~p → p ⇔ p (d) (p → q) ∧ (p → r) ⇔ p → q ∧ r

4. Determinar uma FNC para as proposições:


(a) p → q (b) p → ~p
(c) (p ∧ ∼p) ↓ (q ∧ ∼q) (d) (~p ∧ q) ∨ q

5. Determinar uma FND para as proposições:

(a) p ↑ q (b) ~(~p ∨ ~q)

(c) (p → q) ∧ ∼p (d) p ↔ ~p

Lógica e Matemática Discreta


58
Capítulo 7

Para maior compreensão, ler o capítulo 8 – Método Dedutivo


do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemáti-
ca. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


59
Métodos e Estratégias de Estudo

ARGUMENTOS E REGRAS DE
INFERÊNCIA

Vamos continuar aperfeiçoando nossos conhecimentos em de-


monstrações por meio de proposições. Para isso aprenderemos al-
guns novos conceitos.

8.1 Argumento

Argumento – é toda afirmação que uma dada seqüência finita P1,


P2,...,Pn de proposições tem como conseqüência, ou acarreta, uma
proposição final Q (ALENCAR FILHO, 2003).

As proposições P1, P2,..., Pn dizem-se as premissas do argumento, e a


proposição final Q diz-se a conclusão do argumento.

Um argumento de premissas P1, P2,...,Pn e de conclusão Q indica-se por:

P1, P2,...,Pna Q, onde se lê: “P1P2,...,Pn acarretam Q”.

Na forma padronizada as premissas invocadas para “servir de justifi-


cativa”, acham-se sobre o traço horizontal e a conclusão do argumento
estará sob o mesmo traço horizontal da seguinte forma:

P1
P2
...
Pn
_____
Q

Lógica e Matemática Discreta


60
Capítulo 8

8.2 Validade de um Argumento

Um argumento P1, P2,..., Pn a Q diz-se válido se e somente se


a conclusão Q é verdadeira todas as vezes que as premissas P1,
P2,..., Pn são verdadeiras (ALENCAR FILHO, 2003).

Portanto, todo argumento válido goza da seguinte característica: A ver-


dade das premissas é incompatível com a falsidade da conclusão.

Um argumento não-válido diz-se um sofisma.

Desse modo, todo argumento tem um valor lógico, digamos V se é


válido(correto, legítimo) ou F se é um sofisma(incorreto, ilegítimo).

As premissas dos argumento são verdadeiras ou, pelo menos admitidas


como tal. Aliás, a Lógica só se preocupa com a validade dos argumentos
e não com a verdade ou falsidade das premissas e das conclusões.

A validade de um argumento depende, exclusivamente, da relação exis-


tente entre as premissas e a conclusão. Portanto, afirmar que um dado
argumento é válido significa afirmar que as premissas são verdadeiras.

8.3 Critério de Validade de um Argumento

Teorema – um argumento P1, P2,..., Pn a Q diz-se válido se e so-


mente se a condicional: (P1 P2 ... Pn) Q é tautológica
(ALENCAR FILHO, 2003).

8.4 Condicional Associada a um Argumento

Dado um argumento P1, P2,..., Pn a Q, a este argumento cor-


responde a condicional: (P1 P2 ... Pn) Q (ALENCAR
FILHO, 2003).

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


61
Argumentos e Regras de Inferência

8.5 Argumentos válidos Fundamentais

São argumentos válidos fundamentais ou básicos (de uso corrente) os


cons¬tantes da seguinte lista (ALENCAR FILHO, 2003):

I . Adição (AD):

  (i) p |— p V q; (ii) p |— q V p

II. Simplificação (SIMP):

  (i) p q |— p; (ii) p q |— q

III. Conjunção (CONJ):

  (i) p, q |— p q; (ii) p, q |— q p

IV Absorção (ABS): p q |— p (p q)

V. Modus Ponens (MP): p q, p |—q

VI. Modus Tollens (MT): p q, ~ q|— ~p

VII. Silogismo disjuntivo (SD):

  (i) p V q, ~ p |— q; (ii) p V q, ~ q |— p

VIII. Silogismo hipotético (5H):

  p q, q r |— p r

IX. Dilema construtivo (DC):

  p q, r s, p V r |— q V s

X. Dilema destrutivo (DD):

  p q, r s, ~ q V ~ s |— ~ p V ~ r

A validade desses dez argumentos é conseqüência imediata das tabelas-


verdade.

Lógica e Matemática Discreta


62
Capítulo 8

8.6 Regras de Inferência

Os argumentos que vimos, anteriormente, são usados para fazer “infe-


rências”, isto é, executar os “passos” de uma dedução ou demonstração,
por isso chamam-se também, regras de inferência.

Uma inferência lógica, ou, simplesmente uma inferência, é uma


tautologia da forma p q. A proposição p é chamada anteceden-
te, e q, conseqüente da implicação. As inferências lógicas, ou re-
gras de inferência, são representadas por p q (PINHO, 1999).

Da definição decorre imediatamente que p q, se e somente se, o


conseqüente q assumir o valor lógico V, sempre que o antecedente p
assumir esse valor. Em outras palavras, para que a condicional seja
verdadeira, essa condição é necessária, pois, se o conseqüente for fal-
so com o antecedente verdadeiro, a condicional não é verdadeira. Por
outro lado, a condição também é suficiente, pois, quando o antecedente
é falso, a condicional é verdadeira, não importando o valor lógico do
conseqüente.

As regras de inferência são, na verdade, formas válidas de raciocínio, isto


é, são formas que nos permitem concluir o conseqüente, uma vez que
consideremos o antecedente verdadeiro; em termos textuais, costumamos
utilizar o termo “logo” (ou seus sinônimos: portanto, em conseqüência,
etc) para caracterizar as Regras de Inferência; a expressão p q pode
então ser lida: p; logo, q.

É possível mostrar que as regras de inferência têm as seguintes


propriedades:

Reflexiva: p p
Transitiva: Se p qeq r, então p r

Aqui neste material será habitual escrevê-los na forma padronizada


abaixo indicada, colocando as premissas sobre um traço horizontal e,
em seguida, a conclusão sob o mesmo traço (ALENCAR FILHO, 2003)

I. Regra da Adição (AD):

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


63
Argumentos e Regras de Inferência

II. Regra de Simplificação (SIMP):

III. Regra da Conjunção (CONJ):

IV. Regra da Absorção (ABS):

V. Regra Modus Ponens (MP):

VI: Regra Modus Tollens (MT):

VII. Regra do Silogismo Disjuntivo (SD):

VIII. Regra do Silogismo Hipotético (SH):

Lógica e Matemática Discreta


64
Capítulo 8

IX. Regra do Dilema construtivo (DC):

X. Regra do Dilema destrutivo (DD):

Com o auxílio dessas dez regras de inferência pode-se demonstrar a


validade de um grande número de argumentos mais complexos.

8.7 Exemplos do uso das Regras de Inferência

Damos a seguir exemplos simples do uso de cada uma das regras de in-
ferência na dedução de conclusões a partir de premissas dadas (ALEN-
CAR FILHO, 2003).

1. Regra da Adição - Dada uma proposição p, dela se pode deduzir a sua


disjunção com qualquer outra proposição, isto é, deduzir p V q, ou p V
r, ou s V p, ou t V p, etc.

Exemplos:

II. Regra da Simplificação — Da conjunção p q de duas proposições


se pode deduzir cada uma das proposições, p ou q.

Exemplos:

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


65
Argumentos e Regras de Inferência

III. Regra da Conjunção -- Permite deduzir de duas proposições dadas p


e q (premissas) a sua conjunção p q ou q p (conclusão).

IV. Regra da Absorção Esta regra permite, dada uma condicional - como
premissa, dela deduzir como conclusão uma outra condicional com o
mesmo antecedente p e cujo consequente é a conjunção p q das duas
proposições que integram a premissa, isto é, p p q.
Exemplos:

V. Regra Modus Ponens - Também é chamada Regra de separação e per-


mite deduzir q (conclusão) a partir de p q e p (premissas).
Exemplos:

VI. Regra Modus Tollens - Permite, a partir das premissas p q (con-


dicional) o ~ q (negação do consequente), deduzir como conclusão ~ p
(negação do ante¬cedente).
Exemplos:

Lógica e Matemática Discreta


66
Capítulo 8

VII. Regra do Silogismo Disjuntivo — Permite deduzir da disjunção p V


q de duas proposições e da negação ~ p (ou ~ q), de uma delas, a outra
proposição q (ou p).
Exemplos:

VIII. Regra do Silogismo Hipotético – Esta regra permite, dadas duas


condicionais: p qeq r (premissas), tais que o consequente da
primeira coincida com o antecedente da segunda, deduzir uma terceira
condicional p r (conclusão), cujos antecedente e consequente sejam,
respectivamente, o antecedente da pre¬missa p q e o consequente da
outra premissa q r (transitividade da seta ).

IX. Regra do Dilema Construtivo — Nessa regra, as premissas são duas


condicio¬nais e a disjunção dos seus antecedentes, e a conclusão é a
disjunção dos consequentes dessas condicionais.

X. Regra do Dilema Destrutivo – Nesta regra, as premissas são duas


condicionais e a disjunção da negação dos seus consequentes, e a con-
clusão é a disjunção da negação dos antecedentes destas condicionais.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


67
Argumentos e Regras de Inferência

ATIVIDADE 13 – Para exercitar, vamos realizar algumas das


atividades propostas por (PINHO, 1999, p. 96):
1. Construir a condicional associada aos seguintes argumentos:
(a) ~p, ~q p| q
(b) p q| ~(p ~q)

2. Indicar a regra de inferência que valida os seguintes


argumentos:
(a) p q| (p q) ~r
(b) p (q r), p | q r
(c) (q r) ~p, ~~p | ~(q r)
(d) 3 < 5 | 3<5 3<2

3. Usar Modus Ponnes para deduzir a conclusão das seguintes


premissas:
(a) (1) x = y y = z (b) (1) 2 > 1 3>1
(2) (x = y y = z) x = z   (2) 2 > 1

4. Usar Modus Tollens para deduzir a conclusão das seguintes


premissas:
(a) (1) (p q) ~(r s) (b) (1) x =z x=6
(2) ~~(r s) (2) x 6

5. Usar o Silogismo Disjuntivo para deduzir a conclusão das se-


guintes premissas:
(a) (1) s (r t)
(2) ~s

6. Usar o Silogismo Hipotético para deduzir a conclusão das se-


guintes premissas:
(a) (1) p r ~s
(2) r ~s t

Lógica e Matemática Discreta


68
Capítulo 8

7. Usar o Dilema Construtivo para deduzir a conclusão das se-


guintes premissas:
(a) (1) p r
(2) ~q ~s
(3) p ~q
8. Verifique a validade dos argumentos utilizando regras de
inferência
(a) r p q, r, ~p | q
(b) p q, ~q, p r| r
(c) p q, p r, ~r | q s
(d) t, t ~q, ~q ~s | ~s
(e) p q, p r s| p s
(f) p q (p s t ), p r| t u

Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo


9 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemá-
tica. São Paulo: Nobel, 2003.

Para maior compreensão, ler o capítulo 9 – Argumento e Méto-


dos de Inferência do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à
lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


69
Métodos e Estratégias de Estudo

VERIFICAÇÃO DA VALIDADE

Vamos, neste capítulo, verificar a validade e não-validade de argu-


mentos de diversas formas. Primeiramente faremos isso utilizando
tabelas-verdade, depois por meio de regras de inferências.

9.1 Verificação Mediante Tabelas-Verdade

Tabelas-verdade podem ser utilizadas para demonstrar, testar ou verifi-


car a validade de qualquer argumento.

Dado um argumento P1, P2, ..., Pn | Q, podemos construir


uma tabela-verdade para constatar sua validade. Para isto, cria-
mos uma coluna para cada premissa (P1, P2 etc.), considerando-
se cada premissa verdadeira. Assim, para que o argumento seja
válido, a conclusão Q também deve ser verdadeira. Se a conclusão
for falsa, temos um sofisma (ALENCAR FILHO, 2003).

Outra maneira de testar a validade, é demonstrar a condicional associa-


da, verificando se é uma tautologia ou não:

(P1 P2 ... Pn) Q

9.2 Exemplos (Alencar Filho, 2003)

(1) Verificar se é válido o argumento: p q, q | p.

Resolução:

As premissas estão nas colunas 2 e 3 e a conclusão está na coluna 1.


As premissas são ambas verdadeiras (V) nas linhas 1 e 3. Na linha 1 a
conclusão também é verdadeira, mas na linha 3 a conclusão é falsa (F).
Logo, o argumento não é válido, ou seja, é um sofisma.

Lógica e Matemática Discreta


70
Capítulo 9

p q p q
V V V
V F F
F V V
F F V

(2) Verificar a validade do argumento: p q, q | p

Resolução:

As premissas estão nas colunas 2 e 3 e a conclusão está na coluna 1. As


premissas são ambas verdadeiras (V) apenas na linha 1, e a conclusão
também é verdadeira. Logo, o argumento é válido.

p q p q
V V V
V F F
F V F
F F V

(3) Verificar a validade do argumento:

Se chove, Marcos fica resfriado


Marcos não ficou resfriado
----------------------------------------
Logo, não choveu

Resolução:

Representando por p a proposição “Chove” e por q a proposição “Mar-


cos fica resfriado”, o argumento dados fica:
p q, ~q | ~p
e, por conseguinte, é válido, pois temos a forma do argumento válido
Modus Tollens (MT).

ATIVIDADE 14:
1. Estudar os demais exemplos de validade e de não-validade do
capítulo 10 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à lógi-
ca matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


71
Verificação da Validade

2. Usar tabelas-verdade para verificar que são válidos os seguintes


argumentos:
(a) p q, r ~q | r ~p
(b) p ~q, p, ~q r| r
(c) p q r, s p q, s | q r
(d) p q, q r, p s, ~s | r (p q)
(e) (1) x = 0 x y
(2) x = z x=y
(3) x = z
---------------------------
x 0

3. Passar para forma simbólica e testar a validade do argumento:


Se trabalho, não posso estudar
Trabalho ou passo em Física
Trabalhei
----------------------------------------
Logo, passei em Física

Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo


10 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate-
mática. São Paulo: Nobel, 2003.

9.3 Validade Mediante Regras de Inferência

Como já mencionado, a verificação de validade, mediante tabelas-verdade é


desanimador quando se tem um grande número de premissas. Por isso, ve-
remos agora o teste de validade de um argumento por meio de inferências.

Demonstrar que um argumento P1, P2,..., Pn | Q é válido con-


siste em deduzir a conclusão Q a partir das premissas P1, P2,..., Pn,
mediante o uso de regras de inferência (ALENCAR FILHO, 2003).

Lógica e Matemática Discreta


72
Capítulo 9

9.4 Exemplos (Alencar Filho, 2003):

(1) Verificar que é válido o argumento: p q, p r| q.

Resolução:

(1) p q
(2) p r
------------------------
(3) p 2 – SIMP
(4) q 1, 3 – MP

Da segunda premissa, pela Regra de Simplificação (SIMP), inferimos p.


De p e da primeira premissa pela Regra de Modus ponens (MP), inferi-
mos q, que é a conclusão do argumento.

Logo, como a conclusão pode ser deduzida a partir de suas premissas,


através do uso de regras de inferência, temos que o argumento é válido.

(2) Verificar que é válido o argumento: p q, q r, s t, p s|


r t.

Resolução:

(1) p q
(2) q r
(3) s t
(4) p s
------------------------
(5) p r 1,2 – SH
(6) r t 3, 4 e 5 – DC

ATIVIDADE 15:
1. Estudar os demais exemplos do livro de Edgard de Alencar Fi-
lho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
2. Usar a regra de Modus-Ponens para deduzir os seguintes
argumentos:
(a) (1) p q (b) (1) 2 > 1 3 > 1
(2) q r (2) 3 > 1 3>0
(3) p (3) 2 > 1
------------------ ------------------
r 3>0

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


73
Verificação da Validade

3. Usar a regra de Modus-tollens para deduzir os seguintes


argumentos:
(a) (1) p q (b) (1) x 0 y = 1
(2) ~p r (2) x = y y=t
(3) ~q (3) y = t y 1
--------------------------- (4) x = y
r ---------------------------
x=0
4. Usar a regra do silogismo disjuntivo para deduzir os seguintes
argumentos:
(a) (1) x = 0 x y (b) p q, ~r, q r| p
(2) x = y x = z
(3) x z
--------------------------
x 0
5. Verificar se são válidos os seguintes argumentos:
(a) p q, p q, q s| r s
(b) ~p ~q, ~~q, r p| ~r

(c) (1) x + 8 = 12 x 4 (d) (1) x < y x=y


(2) x = 4 y < x (2) x = y y x
(3) x + 8 = 12 y < x y + 8 < 12 (3) x < y y = 5 x < 5
---------------------------------- (4) y = 5
Y + 8 < 12 ---------------------------
x=0

Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo


11 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate-
mática. São Paulo: Nobel, 2003.

9.5 Validade Mediante Regras de Inferência e


Equivalência

Há muitos argumentos que não podemos mostrar a validade por meio


das regras de inferência já estudadas. Assim, é necessário recorrer a um
princípio chamado de Regra de substituição:

Lógica e Matemática Discreta


74
Capítulo 9

Regras de substituição – uma proposição qualquer P ou uma


parte de P pode ser substituída por uma proposição equivalente e
a proposição Q, que assim se obtém , é equivalente a P.

As regras de equivalência foram apresentadas na seção 6.6

9.6 Exemplos (Alencar Filho, 2003)

(1) Demonstrar que é válido o argumento: p q, r ~q | p ~r

Demonstração:
(1) p q
(2) r ~q
---------------------------------------
(3) ~~q ~r 2 – CP
(4) Q ~r 3 – DN
(5) p ~r 1, 4 – SH

(2) Demonstrar a validade do argumento:


(1) x < y y < z x<z
(2) (y < z x < z) z=3
(3) x < y
--------------------------------------------
z=3

Demonstração:

(1) x < y y < z x<z


(2) (y < z x < z) z=3
(3) x < y
--------------------------------------------------------
(4) x < y (y < z x < z) 1 – EI
(5) y < z x < z 3, 4 – MP
(6) z = 3 2, 5 – MP

Não esqueça de olhar os demais exemplos que constam no capítulo


12 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate-
mática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


75
Verificação da Validade

9.7 Inconsistências

Proposições inconsistentes – são duas ou mais proposições


que não podem ser simultaneamente verdadeiras (ALENCAR
FILHO, 2003).

Por exemplo, as proposições: ~(p ~q), p ~r, q r são inconsisten-


tes uma vez que não é possível encontrar valores para p, q e r capazes de
tornar as três proposições simultaneamente verdadeiras.

Também é possível demonstrar que proposições são inconsisten-


tes, deduzindo-se do seu conjunto uma contradição qualquer, por
exemplo, A ~A.

(1) Demonstrar que são inconsistentes as três proposições seguintes:

(1) x=1 y<x


(2) y<x y=0
(3) ~(y = 0 x 1)

Demonstração:

(1) x=1 y<x


(2) y<x y=0
(3) ~(y = 0 x 1)
---------------------------------------------
(4) x=1 y =0 1, 2 – SH
(5) y 0 ^ x = 1 3 – DM
(6) x = 1 5 – SIMP
(7) y = 0 4,6 – MP
(8) y 0 5 – SIMP
(9) y = 0 y 0 7,8 – CONJ

ATIVIDADE 16:
1. Estudar os demais exemplos e resolver os outros exercícios do
capítulo 12 do livro de Edgard Alencar Filho - Iniciação à Lógica
Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Lógica e Matemática Discreta


76
Capítulo 9

2. Demonstrar a validade dos seguintes argumentos:


(a) p q, ~p ~~r, ~q | r
(b) p q, ~q, p r s| s r
(c) (r ~t) ~s, p s, p q| ~(~t r)
(d) p q, q r| ~p r
(e) (1) y 3
(2) x + y = 8 y=3
(3) x + y = 8 x 5
---------------------------
~(x = 5 y = 4)

Para maior compreensão, ler os capítulos 10 – Validade mediante


tabelas-verdade, 11 – Validade mediante regras de inferência e 12
– Validade mediante regras de inferência e equivalências do livro
de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São
Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


77
Métodos e Estratégias de Estudo

DEMONSTRAÇÃO CONDICIONAL

Vamos, agora, aperfeiçoar os nossos conhecimentos a respeito de de-


monstração, aprendendo novos métodos, a saber: a demonstração
condicional e a demonstração direta.

10.1 Demonstração Condicional

A demonstração condicional é um novo método para apresentar a validade


de um argumento. Porém, este método só pode ser utilizado quando a con-
clusão do argumento for uma condicional (ALENCAR FILHO, 2003).

Seja o argumento P1, P2, ..., Pn | A B, cuja conclusão é a condi-


cional A B, este argumento é válido se e somente se a condicional
associada (P1 P2 ... Pn) (A B) é tautológica. Pela regra de
importação, esta condicional equivale à [(P1 P2 ... Pn) A]
B. Assim, o argumento é válido se e somente se P1, P2, ..., Pn, A | B.

Regra DC – para demonstrar a validade de um argumento cuja con-


clusão tem forma condicional A B, basta introduzir A como pre-
missa adicional (PA) e, assim, deduz-se B (ALENCAR FILHO, 2003).

10.2 Exemplo

(1) Demonstrar a validade do argumento:


p (q r), ~r | q p

Demonstração:

De acordo com a regra DC, para fazer a demonstração acima, basta fa-
zer a seguinte demonstração:
p (q r), ~r, q | p

Lógica e Matemática Discreta


78
Capítulo 10

Temos, então:

(1) p (q r)
(2) ~r
(3) q PA
---------------------------------------------------------------
(4) p (~q r) 1 – COND
(5) (p ~q) r 4 – ASSOC
(6) p ~q 2, 5 – SD
(7) ~~q 3 – DN
(8) p 6,7 – SD

ATIVIDADE 17:
1. Estudar os demais exemplos e resolver os demais exercícios do
capítulo 13 do livro de Edgard de Alencar Filho. Iniciação à Lógi-
ca Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

2. Usar a regra DC (demonstração condicional) para mostrar que


são válidos os seguintes argumentos:
(a) ~r ~s, q s| r ~q
(b) p q, r t, s r, p s| ~q t
(c) r p, s t, t r| s p q
(d) p q, ~r ~q | ~p ~r

Para maior compreensão, ler o capítulo 13 – Demonstração con-


dicional e demonstração indireta do livro de Edgard de Alencar
Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


79
Métodos e Estratégias de Estudo

LÓGICA DE PREDICADOS E
SENTENÇAS ABERTAS

Até o momento examinamos uma parte da Lógica chamada Lógica


das Proposições, ou Cálculo Proposicional. Aprendemos técnicas
que nos permitiram verificar se um determinado tipo de argumento
é válido ou inválido. Agora trataremos de aspectos ainda não vistos.
Trata-se de outra parte da lógica, chamada Lógica de Predicados.

Nos argumentos estudados na lógica proposicional, os enunciados simples


eram combinados por meio dos conectivos, formando enunciados com-
postos. A validade desses argumentos dependia, essencialmente, da forma
pela qual os enunciados compostos se apresentavam (PINHO, 1999).

Porém, no nosso cotidiano, encontramos argumentos como, por exemplo:

Todos os humanos são inteligentes


Pedro é um humano
Logo, Pedro é inteligente

Esse argumento é claramente válido, mas sua validade não depende da


forma pela qual os enunciados simples se compõem, uma vez que, neste
argumento, não há enunciados compostos. Pode-se perceber que sua
validade depende, na verdade, da estrutura interna dos enunciados que
constituem o argumento. A construção de métodos para analisar argu-
mentos como esse vai, portanto, exigir a criação de técnicas para descre-
ver e simbolizar a estrutura interna dos enunciados.

A premissa “Pedro é um humano” é uma declaração de que determina-


do indivíduo (Pedro) possui uma propriedade específica (ser humano).

Na linguagem natural, o indivíduo que possui uma propriedade


é chamado sujeito, enquanto a propriedade descrita é chamada
predicado (PINHO, 1999).

O predicado, na verdade, explicita certas qualidades que o sujeito possui


e que permite incluí-lo em uma categoria; por exemplo, quando dize-
mos “Pedro é um humano” queremos dizer que o objeto chamado

Lógica e Matemática Discreta


80
Capítulo 11

“Pedro” possui certas características que permitem incluí-lo no conceito


que fazemos daquilo que chamamos “humano”.

Em Lógica Simbólica, representamos o predicado por sua inicial


maiúscula, e o sujeito a seguir, entre parênteses; assim, “Pedro é um
humano” fica representado por
H (Pedro)

A linguagem natural permite ainda a construção de um outro tipo de sen-


tença, como “ele foi presidente do Brasil” em que o sujeito não é um subs-
tantivo, mas um pronome, isto é, um termo que fica no lugar do nome.

Em Lógica Simbólica, também existem termos que ocupam o lugar dos


nomes. Tais termos são chamados variáveis, e costumam ser represen-
tados, como na Matemática, pelas últimas letras do alfabeto, em minús-
culas: x, y, w, z, etc. Utilizando a variável x no lugar de “ele”, a sentença
assume a forma: x foi presidente do Brasil.

Em Lógica Simbólica, representando o predicado “foi presidente do Brasil”


por P, e levando em conta que x é sujeito, teríamos a representação: P (x)

11.1 Sentenças Abertas

Uma frase na qual o sujeito é uma constante, como “Pedro é um huma-


no”, pode ser verdadeira ou falsa; mas se o sujeito for uma variável, como
em “ele foi presidente do Brasil”, ela não é verdadeira nem falsa, vai de-
pender do nome que assumir o lugar do pronome. Uma frase como essa
não é, portanto, um enunciado (PINHO, 1999).

Os enunciados são chamadas sentenças fechadas, ou simplesmente, fe-


chados, enquanto que frases como “x foi presidente do Brasil” , “y es-
creveu Os Lusíadas” e “z viajou para os Estados Unidos” são chamadas
sentenças abertas, ou, simplesmente, abertos.

Sentença aberta – com uma variável em um conjunto A é uma


expressão p(x) ou px tal que p(a) é falsa (F) ou verdadeira (V) para
todo a A (PINHO, 1999).

Sentenças abertas não são verdadeiras nem falsas. Dizemos apenas que
são satisfeitas para certos valores das variáveis, e não satisfeitas para ou-
tros. A substituição das variáveis de uma sentença aberta, por constantes,
chama-se instanciação ou especificação. Ela transforma uma sentença
aberta em um enunciado, que, este sim, pode ser verdadeiro ou falso.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


81
Lógica de Predicados e Sentenças Abertas

11.2 Conjunto Verdade de uma Sentença-Aberta

Chama-se Universo de uma variável o conjunto de valores que ela pode


assumir. Na linguagem corrente, o Universo (às vezes chamado Univer-
so do Discurso) não é, muitas vezes, explicitado; intuitivamente, incluí-
mos os objetos que podem substituir o pronome e descartamos aqueles
objetos que sabemos que não podem; por exemplo, na frase “isto está
verde”, sabemos que “isto” pode ser qualquer coisa.

Conjunto – Verdade (VP) – Em um aberto Px é o conjunto de


elementos do Universo que, quando instanciam a variável, satisfa-
zem (tornam verdadeiro) o enunciado; ou seja
VP = { a U | VL [ P (a) ] = V } (PINHO, 1999).

Por exemplo, seja U = { 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 } e a expressão “x é primo” re-


presentada por Px. Temos então VP = { 2, 3, 5, 7 }.

11.3 Sentenças Abertas com n Variáveis

Os predicados podem ser monádicos (de um só termo), diádicos


(de dois termos), triádicos (de três termos) ou poliádicos (de qua-
tro ou mais termos). Muitos preferem chamar os predicados de
dois ou mais termos de “relação”, reservando o nome predicado
para os predicados monádicos (PINHO, 1999).

Eis alguns exemplos de relações e a respectiva sugestão de forma simbólica:

x gosta de y G(x,y)
João é casado com Maria C (João, Maria)
x está entre y e z E(x,y,z)
Camões é o autor de Os Lusíadas A (Camões, Os Lusíadas)

Nas relações, a ordem das variáveis é importante. No exemplo dado,


G(x,y) significa “x gosta de y” mas não significa “y gosta de x”. Esse
fato deve ser levado em conta mesmo em predicados que sabemos ser
comutativos. No exemplo, C (João, Maria) significa “João é casado com
Maria”, mas não significa “Maria é casada com João” . O motivo para

Lógica e Matemática Discreta


82
Capítulo 11

isso é que a Lógica Formal leva em conta apenas a forma das expressões,
e não seu significado (PINHO, 1999).

Na instanciação, variáveis iguais devem ser substituídas por nomes


iguais; variáveis distintas, no entanto, podem ser substituídas por no-
mes iguais ou distintos. Por exemplo, a sentença aberta “x é maior ou
igual a y” permite tanto a instanciação “7 é maior ou igual a 3” como a
instanciação “7 é maior ou igual a 7”.

11.4 Conjunto Verdade de uma Sentença-Aberta


com n Variáveis

Em relações com duas variáveis, o Conjunto Universo é constituído pelo


produto cartesiano dos Universos das variáveis; o Conjunto_Verdade é
constituído pelos pares ordenados dos valores que satisfazem a relação
(PINHO, 1999).

Por exemplo, considere o aberto M(x,y) representando “x é metade de


y”, onde Ux = {1, 2, 3} e Uy = { 4, 5 , 6 }. Então VM = { (2, 4 ), (3, 6 ) }.

ATIVIDADE 18:
1. Resolver os demais exercícios do capítulo 14 do livro Alencar
Filho, Edgard de. Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo:
Nobel, 2003.
2. Determinar o conjunto-verdade em N de cada uma das seguin-
tes sentenças abertas:
(a) 2x = 6 (b) x – 5 N
2. Determinar o conjunto-verdade em A = {1, 3, 4, 7, 9, 11} de
cada uma das seguintes sentenças abertas:
(a) x é divisor de 27 (b) x2 A

Ler o capítulo 14 – Sentenças Abertas do livro Alencar Filho, Ed-


gard de. Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


83
Lógica de Predicados e Sentenças Abertas

11.5 Operações Lógicas sobre Sentenças-Abertas

No Cálculo de Predicados podemos definir as operações de conjunção,


disjunção, negação, condicional e bicondicional, sobre enunciados e/ou sen-
tenças abertas. Assim, por exemplo, a sentença aberta “x é médico” é repre-
sentada por M(x) e “x é professor” é representada por P(x). Podemos, então,
representar “x é médico e professor” por M(x) P(x) (PINHO, 1999)..

Conjunção:

Seja U o conjunto Universo de x; os valores de U que satisfazem M(x)


P(x) devem satisfazer simultaneamente M(x) e P(x); consequentemente,

VM P = VM VP

Disjunção:

Da mesma forma, podemos representar “x é médico ou professor” por


M(x) P(x). Este aberto é satisfeito por todos os elementos que são
médicos e por todos que são professores; portanto,

VM P = VM VP

Negação:

Na operação de negação, podemos representar “x não é médico” por


~M(x), e seu Conjunto-Verdade será constituído por todos os elementos
do Universo que não satisfazem M(x), isto é, o complemento de VM :

V~M = U _ VM

Uma notação de uso generalizado para o complemento de VM é V’M.

Condicional

Considere a expressão “se x trabalha, então x fica cansado”; represen-


tando “x trabalha” por T(x), e “x fica cansado” por C(x), a expressão fica
representada por T(x) C(x). Seu Conjunto _ Verdade é constituído
por duas classes de elementos: pelos que trabalham e ficam cansados e
pelos que não trabalham (uma vez que quando o antecedente é falso, a
condicional é verdadeira).

Temos então que

VT C
= (VT VC) V~T;   utilizando a propriedade distributiva, vem:

Lógica e Matemática Discreta


84
Capítulo 11

VT C
= (VT V~T) (V~T VC) ; mas VT V~T = U

VT C
=U (V~T VC) ou seja,

VT C
= V~T VC ou, ainda,

VT C
= V’T VC

Bicondicional:

Para a operação bicondicional, considere a expressão “x trabalha se e


somente se ganha dinheiro”; representando “x trabalha” por T(x), e “x
ganha dinheiro” por G(x), temos T(x) G(x). O conjunto de elemen-
tos que satisfazem a essa expressão é constituído pela união entre os
conjuntos daqueles que trabalham e ganham dinheiro e daqueles que
não trabalham e não ganham dinheiro; assim,

VT C
= (VT VC) (V’T V’C)

Obter a forma simbólica de uma expressão em linguagem textual não


é difícil, mas enquanto não se adquire uma certa habilidade, dá algum
trabalho. Muitas vezes, para facilitar essa tarefa, construímos uma for-
ma intermediária, chamada forma lógica, obtida apenas por introdução
de variáveis na forma textual.

Vamos ver alguns exemplos, obtendo a forma lógica e simbólica de ex-


pressões textuais, utilizando os predicados definidos:

11.6 Exemplos (Pinho, 1999, p. 43)

(1) Gatos caçam ratos (G(x) _ x é um gato; R(x) _ x caça ratos)

Forma lógica: se x é um gato, x caça ratos


Forma simbólica: G(x) R(x)

(2) Chineses velhos são sábios (C(x) _ x é chinês; V(x) _ x é velho; S(x)
_ x é sábio)

Forma lógica: se x é chinês e x é velho, então x é sábio


Forma simbólica: C(x) V(x) S(x)

(3) Abacates são deliciosos e nutritivos (A(x) _ x é um abacate; D(x) _ x


é delicioso; N(x) _ x é nutritivo)

Forma lógica: se x é um abacate, então x é delicioso e x é nutritivo


Forma simbólica: A(x) D(x) N(x)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


85
Lógica de Predicados e Sentenças Abertas

(4) Abacates e laranjas são deliciosos e nutritivos (A(x) _ x é um abacate;


L(x) _ x é uma laranja; D(x) _ x é delicioso; N(x) _ x é nutritivo)

Forma lógica: se x é um abacate ou x é uma laranja, então x é de-


licioso e x é nutritivo
Forma simbólica: A(x) L(x) D(x) N(x)

(5) São raros os políticos que não mentem ( R(x) _ x é raro; P(x) _ x é
político; M(x) _ x mente)

Forma lógica: se x é político e x não mente, então x é raro


Forma simbólica: P(x) ~ M(x) R(x)

(6) Carros só se locomovem com gasolina (C(x) _ x é um carro; L(x) _ x


se locomove; G(x) _ x tem gasolina)

Forma lógica: se x é um carro, então x se locomove então x tem


gasolina
Forma simbólica: C(x) (L(x) G(x))

(7) Estradas de terra são trafegáveis unicamente quando secas (E(x) _ x


é uma estrada de terra; T(x) _ x é trafegável; S(x) _ x está seca)

Forma lógica: se x é uma estrada de terra, então se x é trafegável,


então x está seca
Forma simbólica: E(x) (T(x) S(x))

(8) Homens só se casam com mulheres (H(x) _ x é homem; C(x,y) _ x é


casado com y; M(y) _ y é mulher)

Forma lógica: se x é homem, e x é casado com y, então y é mulher


Forma simbólica: H(x) C(x,y) M(y)

(9) Gatos pretos são melhores caçadores que outros gatos (G(x) _ x é um
gato; P(x) _ x é preto; C(x,y) _ x é melhor caçador que y)

Forma lógica: se x é um gato e x é preto e y é um gato e y não é


preto, então x é melhor caçador que y
Forma simbólica: G(x) P(x) G(y) ~ P(y) C(x,y)

Lógica e Matemática Discreta


86
Capítulo 11

ATIVIDADE 19:
1. Resolver os demais exercícios do capítulo 15 do livro de Edgar
de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: No-
bel, 2003.
2. Determinar o conjunto-verdade em A = {1, 2, 3, ..., 9, 10} de
cada uma das seguintes sentenças abertas:
(a) x < 7 x é impar (b) 3 | x x<8

Para maior compreensão, ler o capítulo 15 – Operações Lógica


sobre Sentenças Abertas do livro de Edgard de Alencar Filho -
Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


87
Métodos e Estratégias de Estudo

QUANTIFICADORES

Na Lógica de Predicados precisamos utilizar novos conceitos cha-


mados quantificadores. Eles serão necessários para representar
quantidades. Vamos estudar para entendermos a sua importância.

Dada uma sentença aberta P(x) em um universo U, pode ocorrer (PI-


NHO, 1999):

• todos os x em U satisfazem P; isto é, VP = U


• alguns x em U satisfazem P, isto é, VP
• nenhum x em U satisfaz P, isto é, VP =

Considere, por exemplo, o U = { 2, 4, 6, 8 }. Se fizermos P(x) representar “x


é par”, temos o primeiro caso: todos os elementos satisfazem P, e VP = U.
Para P(x) representando “x é múltiplo de 3”, temos apenas um elemento
que satisfaz P, e VP = { 6 }. Finalmente, se P(x) representar “x é maior que
10”, nenhum elemento de U satisfaz P, e, portanto, VP = .

12.1 Quantificador Universal

Quantificador Universal – A expressão x P(x) afirma que P(x) é


verdadeiro para cada x U. Então, se U = {u1, u2, ..., un }, temos que a
conjunção P(u1) P(u2) ... P(un) é verdadeira. Ou seja, qualquer
que seja o elemento x de A, P(x) é verdadeira (PINHO, 1999).

Isto espelha o primeiro caso apresentado anteriormente. Podemos dizer


ainda que x P(x), x, Px, x: Px, dentre outras.

Observe agora o seguinte exemplo: x (2x > x): qualquer que seja x,
seu dobro é maior que ele mesmo. Observe que isso é verdadeiro se o
conjunto Universo for N. Porém é falso se for R (considere um número
negativo, por exemplo).

Lógica e Matemática Discreta


88
Capítulo 12

12.2 Quantificador Existencial

Consideremos uma sentença aberta P(x) sobre U, para o qual VP .

Quantificador Existencial – ( x U) (Px) afirma que existe pelo


menos um x U para o qual P(x) é verdadeiro. então, se U = {u1,
u2, ..., un }, temos que a disjunção P(u1) P(u2) ... P(un ) é
verdadeira. (PINHO, 1999).

Isto espelha o segundo caso apresentado anteriormente. Podemos dizer


ainda que ( x ) (Px ) ou x Px:, dentre outras. A linguagem textual, pos-
sui alguns sinônimos para a expressão “existe um x”: “existe pelo menos
um x”, “algum (ou alguns) x”, “para algum x”, etc. e todos são represen-
tados por x.

Exemplos:

(1) Considere a expressão: ( x N) (n + 4 < 8)


Ela é verdadeira, pois podemos encontrar valores tais como 1, 2, 3 e
outros para x.

(2) Considere a expressão: ( x N) (n + 5 < 3)


Ela é falsa, pois o conjunto-verdade é vazio.

12.3 Negação de Proposições com Quantificadores


(Pinho, 1999)

Muitas vezes, precisaremos representar, simbolicamente, a negação de


uma expressão quantificada. Seja, por exemplo, a expressão “todos são
alunos”. Se representarmos “x é um aluno” por A(x), temos “todos são
alunos” podendo ser escrito x A(x).

Claramente, a negação de “todos são alunos” é “nem todos são alunos”


(e não “nenhum é aluno”, como pode parecer à primeira vista), ou, sim-
bolicamente, ~ x A(x).

Mas dizer que “nem todos são alunos” é o mesmo que dizer “existe al-
guém que não é aluno”, ou seja, “existe um x tal que x não é um aluno”,
ou, simbolicamente, x ~A(x).

Concluímos então que as expressões ~ x A(x) e x ~A(x) são equivalentes.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


89
Quantificadores

Da mesma forma, como podemos afirmar que as expressões “não exis-


tem alunos” e “todos não são alunos” descrevem o mesmo fato, pode-
mos concluir que suas representações simbólicas ~ x A(x) e x ~A(x)
são equivalentes.

Esses fatos são decorrência imediata das leis de De Morgan:

~ x A(x) ~ (A(u1) A(u2) ... A(un)) ~ A(u1) ~ A(u2)


... ~ A(un) x ~ A(x)

~ x Ax ~ (A(u1) A(u2) ... A(un)) ~ A(u1) ~ A(u2) ...


~ A(un ) x ~ A(x)

Dessas equivalências, para dizer que uma expressão do tipo x P(x)


é falsa, basta mostrar que sua negação x ~ P(x) é verdadeira, ou seja,
exibir um elemento k tal que P(k) seja falsa.

Por esse motivo, de uma proposição do tipo x P(x) não decorre a exis-
tência de um x para o qual P(x) seja verdadeiro. Por exemplo, se não
existem marcianos, então a expressão “Todos os marcianos têm olhos
verdes” é verdadeira, pois, para que fosse falsa, seria necessário exibir
um marciano que não tivesse olhos verdes.

12.4 Variáveis Aparentes ou Mudas

Se uma expressão possuir mais de uma variável, pode ocorrer que nem
todas estejam quantificadas.

As variáveis quantificadas recebem o nome de variáveis aparentes


ou mudas, enquanto as não quantificadas são chamadas variáveis
livres. (PINHO, 1999).

Exemplo:

Considere o predicado Pxy = ( x) ( x + y < 10 ), sobre o universo U =


{ 3, 5, 7, 9 }. Seu conjunto verdade é formado por todos os valores de
U que podem substituir y, e para o qual existe pelo menos um x que
satisfaz a desigualdade. Então, VP = { 3, 5 }. A variável x é aparente,
enquanto y é livre.

Lógica e Matemática Discreta


90
Capítulo 12

12.5 Quantificação de Sentenças Abertas com


mais de uma Variável

Quantificar uma sentença leva, da mesma forma que a instanciação, a


um enunciado, a uma frase que pode ser verdadeira ou falsa. Costuma-
mos chamar esses enunciados de proposições gerais, em contraposição
às proposições singulares, pois não contêm nomes. Assim, o enunciado
“Maria foi à praia” é uma proposição singular, enquanto “Todos foram à
praia” é uma proposição geral.

Exemplo:

Considere os conjuntos H = { Carlos, Pedro, Mário } e M = { Claudia,


Lilian } e o predicado I(x,y) = “x é irmão de y”, onde H é o universo
de x, e M o universo de y. Suponha que Carlos e Pedro sejam irmãos
de Claudia, e que Mário seja irmão de Lilian. Examine a validade dos
seguintes enunciados:

a)  ( x H) ( y M) (I(x,y))
b)  ( x H) ( y M) (I(x,y))
c)  ( x H) ( y M) (I(x,y))
d)  ( x H) ( y M) (I(x,y))

Percebemos que o primeiro e o último são verdadeiros, e os demais, falsos.

12.6 Ordem dos Quantificadores

Quando se obtém a forma simbólica de uma expressão, a ordem dos


quantificadores pode ser importante; por exemplo, trocando a ordem
dos enunciados do exemplo anterior, temos:

a)  ( y M) ( x H) (I(x,y))
b)  ( y M) ( x H) (I(x,y))
c)  ( y M) ( x H) (I(x,y))
d)  ( y M) ( x H) (I(x,y))

Vemos que agora, o segundo e o quarto enunciados são verdadeiros, enquan-


to o primeiro e o terceiro são falsos. Observe que apenas os dois primeiros
enunciados, nos quais os quantificadores são distintos, trocaram a validade.

Quantificadores de mesma espécie podem ser permutados, ao pas-


so que, em geral, quantificadores de espécies distintas, não podem.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


91
Quantificadores

12.7 Negação de Proposições com Quantificadores

A negação de enunciados com mais de um quantificador pode ser obti-


do pela aplicação sucessiva das leis de De Morgan; por exemplo,

Chama-se escopo de um quantificador a parte da frase sobre a qual ele


atua, em geral indicado pelos parênteses que o seguem. Se não houver
parênteses, o escopo do quantificador é limitado ao predicado que o
segue. Veja os exemplos abaixo:

12.8 Exemplos (Pinho, 1999, p. 47)

A. Expressões com um quantificador e predicados monádicos

(1)  Existem sábios (S(x) _ x é sábio)


   existe um x tal que x é sábio
   x S(x)

(2) Todos são sábios (S(x) _ x é sábio)


   para todo x, x é sábio
   x S(x)

(3) Não existem marcianos (M(x) _ x é marciano)

não existe x tal que x seja um marciano


~ x M(x)

ou

para todo x, x não é um marciano


x (~ M(x))

(4) Nem todos são sábios (S(x) _ x é sábio)

para nem todo x, x é sábio ou existe um x tal que x não é sábio


~ x S(x) x (~ S(x))

Lógica e Matemática Discreta


92
Capítulo 12

(5) Os morcegos são mamíferos (C(x) _ x é morcego; M(x) _ x é um


mamífero)

para todo x, se x é um morcego, x é um mamífero


x (C(x) M(x))

(6) Existe um mamífero que voa (M(x) _ x é mamífero; V(x) _ x voa)

existe um x tal que x é mamífero e x voa


x (M(x) V(x))

(7) Todo livro deve ser lido (L(x) _ x é um livro; D(x) _ x deve ser lido)

para todo x, se x é um livro, x deve ser lido


x (L(x) D(x))

B. Expressões com mais de um quantificador e predicados monádicos

(1) Se existem marcianos, existem não terráqueos (M(x) _ x é marciano;


T(x) _ x é terráqueo)

se existe x tal que x seja marciano , então existe y tal que y não
é terráqueo
x M(x) y (~T(y))

(2) Alguns são espertos, outros não (E(x) _ x é esperto)

existe x tal que x é esperto, e existe y tal que y não é esperto


x E(x) y (~ E(y))

(3) Existem políticos honestos e desonestos (P(x) _ x é político; H(x) _


x é honesto)

existe x tal que x é político e x é honesto, e existe y tal que y é


político e y não é honesto
x (P(x) H(x)) y (P(y) ~ H(y))

C. Expressões com relações

(1) João é casado com alguém (C(x,y) _ x é casado com y)


existe x tal que João é casado com x
x C (João, x)

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


93
Quantificadores

(2) Todos têm pai (P(x,y) _ x é pai de y)


para todo x existe y tal que y é pai de x
x y P(y,x)

(3) Todas as pessoas têm pai (P(x) _ x é uma pessoa; F(x,y) _ x é pai de y)
para todo x, se x é uma pessoa, existe y tal que y é pai de x
x (P(x) y F(x,y))

ATIVIDADE 20:

1. Resolver os demais exercícios dos capítulos 16 e 17 do livro de


Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São
Paulo: Nobel, 2003.

2. Sendo R o conjunto dos reais, determinar o valor lógico de:


(a) ( x R) (|x| = x) (b) ( x R) (x + 2 = x)

3. Dar a negação das proposições do exercício anterior.

4. Sendo A = {2, 3, ..., 8, 9}, dar um contra-exemplo para cada uma


das seguintes proposições:
(a) ( x A) (x + 5 < 12) (b) ( x A) (x é par)

5. Dar a negação das seguintes proposições


(a) ( x) (x + 2 7) ( x) (x2 -1 = 3)
(b) ( x) (x2 = 9) ( x) (2x – 5 7)

6. Sendo {1, 2, 3) o universo das variáveis x, y, z, e determinar o


valor lógico de:
(a) ( x) ( y) ( z) (x2 + y2 < z2)
(b) ( x) ( y) ( z) (x2 + y2 < z2)

7. Sendo R o conjunto dos reais, determinar o valor lógico de:


(a) ( y R) ( x R) (x + y = y)
(b) ( x R) ( y R) (xy = 1)

8. Dar a negação das proposições do exercício anterior.

Lógica e Matemática Discreta


94
Capítulo 12

Para maior compreensão, ler os capítulos 16 – Quantificado-


res e 17 - Quantificação de sentenças abertas com mais de uma
variável do livro de Edgard de Alencar Filho Iniciação à Lógica
Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


95
Métodos e Estratégias de Estudo

REGRAS DE DEDUÇÃO PARA


LÓGICA DE PREDICADOS

Muitos argumentos da lógica proposicional fazem parte da lógica de


predicados. Porém, existem argumentos que não são tautologias, mas
que são válidos devido a sua estrutura e ao significado dos quantifica-
dores universal e existencial. Vamos ver aqui como trataremos isso.

Em geral, retiramos os quantificadores, manipulamos as proposições


sem eles e depois os colocamos de volta. Existem quatro novas regras
de inferência que nos fornecem mecanismos para retirada e inserção
de quantificadores (uma de retirada para cada quantificador e uma de
inserção também para cada quantificador) (GERSTING, 2004).

Essas quatro regras são descritas a seguir.

13.1 Instanciação Universal (I.E)

Instanciação Universal – “Se todos os objetos de um dado uni-


verso possuem uma dada propriedade, então um objeto particular
desse universo também possui essa propriedade.” (PINHO, 1999).
Ou seja, x P(x) P(a), onde a é um termo.

A seguir, são apresentadas algumas formas de aplicação dessa regra:

Se x F(x) então F(x)


Se x F(x) então F(y)
Se x F(x) então F(a)
Se y (F(y) G(b)) então F(x) G(b)
Se y (F(y) G(b)) então F(a) G(b)
Se z (F(z) G(b)) então F(b) G(b)
Se x (F(x) x y(G(x) H(y))) então F(b) x y (G(x) H(y))
Se x G(x) então G(y)
Se x (G(x) H(x)) então G(z) H(z)
Se x (F(x) G(x)) então F(y) H(y)
Se x (F(x) G(x)) então F(x) H(x)

Lógica e Matemática Discreta


96
Capítulo 13

Exemplo:

A aplicação dessa regra pode ser vista no seguinte argumento

Todos os homens são inteligentes


Pedro é um homem
Logo, Pedro é inteligente

Representando simbolicamente:

x (H(x) I(x))
H (Pedro)
______________
I (Pedro)

Com a dedução:

1 Premissa 1 x (H(x) I(x))


2 Premissa 2 H (Pedro)
3 1, IU H (Pedro) M (Pedro)
4 2, 3, MP I (Pedro)

No passo 3, a Instanciação Universal consistiu em substituir, na premis-


sa 1, x por Pedro.

13.2 Generalização Universal (G.U.)

Generalização Universal – “Se um objeto, arbitrariamente esco-


lhido dentre um universo, tiver uma certa propriedade, todos os
objetos desse universo terão essa propriedade.” (PINHO, 1999).
Ou seja, P(a) x P(x), onde a é um termo.

Mas qual é o significado dessa regra e como podemos garantir que todos
os elementos de um universo possuem dada propriedade? A resposta
está na expressão arbitrariamente escolhido. Suponha que um matemá-
tico queira provar certa propriedade a respeito dos triângulos; digamos
que ele inicia pela frase “seja um triângulo ABC” e prove a propriedade
para o triângulo ABC. Se ele não tiver feito nenhuma outra suposição
sobre ABC, então ABC foi arbitrariamente escolhido, e pode ser qual-
quer triângulo. Assim, se a propriedade vale para qualquer triângulo,
então vale para todos os triângulos (PINHO, 1999).

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


97
Regras de Dedução para Lógica de Predicados

Para a aplicação desta regra devemos, portanto, respeitar às seguintes


restrições:

• Restrição 1: Não se deve aplicar a G.U. a constantes que ocor-


ram nas premissas, pois tais constantes se referem a objetos
particulares do domínio.
• Restrição 2: Não se deve aplicar a G. U. a constantes introdu-
zidas pela regra I.E., pois estas também se referem a objetos
particulares.

A aplicação dessa regra pode ser vista no seguinte argumento:

Todos os humanos são mortais


Todos os gregos são humanos
Logo, todos os gregos são mortais

Em termos simbólicos:

x (H(x) M(x))
x (G(x) H(x))
________________
x (G(x) M(x))

A dedução:

1 Premissa 1 x (H(x) M(x))


2 Premissa 2 x (G(x) H(x))
3 1, IU H(k) M(k)
4 2, IU G(k) H(k)
5 2, 3, SH G(k) M(k)
6 5, GU x (G(x) M(x))

Nos passos 3 e 4, a Instanciação Universal consistiu em substituir x pelo


mesmo elemento k. Como as premissas são verdadeiras “para todo x’,
são verdadeiras para x = k.

No passo 5, G(k) M(k) diz que “se determinado k é grego, então


k é mortal”. Mas esse k é qualquer objeto do universo; não houve
nenhuma imposição sobre sua escolha; a regra Generalização Uni-
versal, aplicada no passo 6 diz então que podemos afirmar “se qual-
quer objeto do universo é grego, então esse objeto é mortal”, que é a
conclusão que procurávamos.

Lógica e Matemática Discreta


98
Capítulo 13

13.3 Generalização Existencial (G. E.)

Generalização Existencial – “O que é verdadeiro para um dado


objeto, é verdadeiro para algum objeto. “(PINHO, 1999) Ou seja,
P(a) x P(x), onde a é um termo.

Exemplos de aplicação desta regra de inferência:

Se F(x) então y F(y)


Se F(a) então x F(x)
Se F(a) então y F(y)
Se F(a) G(b) então x (F(x) G(b))
Se F(a) G(b) então y (F(y) G(b))
Se F(x) G(y) então z (F(x) G(z))
Se F(x) G(x) então y (F(y) G(y))
Se F(x) G(x) então y (F(y) G(y))

A aplicação dessa regra pode ser vista no seguinte argumento:

Todos os tigres são animais ferozes


Sheeta é um tigre
Logo, existem animais ferozes

Na forma simbólica

x (T(x) F(x))
T (Sheeta)
________________
x F(x)

Com a seguinte dedução:

1 Premissa 1 x (T(x) F(x))


2 Premissa 2 T (Sheeta)
3 1, IU T (Sheeta) F (Sheeta)
4 2, 3, MP F (Sheeta)
5 4, GE x F(x)

No passo 5, a Generalização Existencial afirma que Sheeta é um ani-


mal feroz, obtida no passo 4, então existe pelo menos um animal feroz
(Sheeta, por exemplo).

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


99
Regras de Dedução para Lógica de Predicados

13.4 Instanciação Existencial (I.E.)

Instanciação Existencial – “O que é verdadeiro para algum obje-


to, é verdadeiro para um dado objeto, desde que esse objeto não
tenha sido utilizado anteriormente na dedução.” (PINHO, 1999)
Ou seja, x P(x) P(a), onde a é uma constante.

Esta regra não pode ser utilizada sem restrições, pois do fato de existir
um objeto em certo domínio que satisfaz P, não significa que estamos
em condições de apontar um objeto particular a como sendo aquele
objeto que satisfaça à propriedade. A aplicação desta regra, portanto,
deverá respeitar às seguintes restrições:

• Restrição 1: O termo a não deve ocorrer nas premissas do ar-


gumento. Isto quer dizer que o termo a só deve aparecer no
argumento por força da aplicação da I.E.
• Restrição 2: Uma constante que tenha sido introduzida em um
argumento por aplicação da regra IE não pode aparecer, nesse
argumento, por uma nova aplicação de I.E. Isto quer dizer que
se tem de usar uma outra letra.

Vamos exemplificar a aplicação dessa regra, construindo a dedução do


seguinte argumento:

Todos os tigres são ferozes


Alguns animais são tigres
Logo, alguns animais são ferozes

Na forma simbólica:
x (T(x) F(x))
x (A(x) T(x))
________________
x (A(x) F(x))

Lógica e Matemática Discreta


100
Capítulo 13

1 Premissa 1 x (T(x) F(x))


2 Premissa 2 x (A(x) T(x))
3 2, IE A(k) T(k)
4 1, IU T(k) F(k)
5 3, SIMP A(k)
6 3, SIMP T(k)
7 4, 6, MP F(k)
8 5, 7, CONJ A(k) F(k)
9 8, GE x (A(x) F(x))

A premissa 2 diz que “existe um x que é animal e é tigre”; a Instanciação


Existencial, no passo 3, consiste em nomear esse elemento como k; uma
vez que a premissa 1 afirma que a propriedade T(x) F(x) vale para
todo x, a Instanciação Universal, no passo 4, consiste em dizer que essa
propriedade vale também para x = k.

ATIVIDADE 21:
1. Use a lógica de predicados para provar os seguintes
argumentos:
(a) ( x) R(x) [( x) R(x) ( x) S(x)] ( x) S(x)
(b) ( x) [P(x) R(x)] R(y) P(y)
(c) ( x) [P(x) Q(x)] ( x)P(x) ( x)Q(x)
(d) ( x) [P(x) Q(x)] ( x) [Q(x) P(x)]

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


101
Métodos e Estratégias de Estudo

TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO

Vamos agora aprender algumas técnicas para nos ajudar na de-


monstração da validade de argumentos.

Suponha que você está pesquisando um assunto e depara-se com di-


versos casos em que sempre que P é verdade, Q também é. Assim, você
pode chegar a seguinte conclusão: P Q. Este processo ilustra o racio-
cínio indutivo. Porém, você não ficará satisfeito até aplicar o raciocínio
dedutivo. Neste caso, ou você produz uma demonstração de que P
Q ou encontra um contra-exemplo para provar que a conjectura está
errada. Para ajudar nisso, veremos agora técnicas para nos auxiliar nas
demonstrações (GERSTING, 2004).

14.1 Demonstração Exaustiva

Demonstração exaustiva – é aquela em que a coleção, sobre a


qual se esteja tentando provar algo, seja finita; verificando-se que
ela é verdadeira para cada elemento da coleção.

Obviamente, esta é uma técnica muito cansativa.

Exemplo (GERSTING, 2004):

Prove que se um inteiro entre 1 e 20 é divisível por 6, então é também


divisível por 3.

Demonstração:

Verificando-se um número por vez, vemos que apenas os números 6, 12


e 18 são divisíveis por 6. Mas sabemos que estes números também são
divisíveis por 3. Logo, a afirmação é verdadeira.

Lógica e Matemática Discreta


102
Capítulo 14

14.2 Demonstração Direta

Demonstração direta – suponha uma hipótese e deduza a


conclusão. Este tipo de demonstração pode ser de maneira
formal ou informal.

Exemplo 1: (GERSTING, 2004):


Prove que o produto de dois inteiros pares é par.

Demonstração informal:
Sejam x = 2m e y = 2n, onde m e n são inteiros. Então, xy = (2m)(2n) =
2 (2mn), onde 2mn é um inteiro. Logo, xy tem a forma 2k, onde k é um
inteiro e, portanto, x.y é par.

Exemplo 2:

Prove que a soma de um inteiro impar com um inteiro par é ímpar.

Seja x um inteiro par, logo x = 2.m, onde m é um inteiro.


Seja y um inteiro ímpar, logo x = 2 n + 1, onde n é um inteiro.

x + y = 2m + 2n + 1
x + y = 2(m + n) + 1, fazendo z = m + n, temos:
x + y = 2z + 1, onde z é um inteiro. Sendo assim, podemos concluir que
x + y é ímpar.

Exemplo 3:

Se um inteiro é múltiplo de 5, então duas vezes esse inteiro é múltiplo de 10.


Seja x um inteiro múltiplo de 5, assim
x = 5. m, onde m é um inteiro.
2 . x = 2 . ( 5. m)
2. x = 10.m, logo 2x é múltiplo de 10.

CONTRAPOSIÇÃO

Contraposição – pode-se provar que uma conjectura P Qé


verdadeira provando-se que ~Q ~P é verdadeira.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


103
Técnicas de Demonstração

Utilizamos este tipo de demonstração quando tentamos provar P Q


e não conseguimos, mas ainda sabemos que a proposição é verdadeira.

Exemplo 1: Se o produto de dois inteiros x e y é par então x ou y é par.

Fazendo p: x.y é par e q : x é par ou y é par.

A contraposição seria ~q → ~p, ou seja : Se x é ímpar e y é impar, então


x.y é ímpar.

Provaremos por demonstração direta.

Sejam x e y dois inteiros ímpares, então

x = 2 m + 1, onde m e n são inteiros


y = 2n + 1

x. y = (2 m + 1) . (2n + 1) =>
x.y = 2 m2 + 4m + 1 =>
x.y = 2 (m2 + 2m) + 1, fazendo m2 + 2m = k,
x.y = 2k + 1, onde k é um inteiro.]
Logo, x. y é ímpar

Exemplo 2 (GERSTING, 2004):

Prove que se o quadrado de um inteiro é impar, então o inteiro tem que


ser ímpar.

Demonstração:
A conjectura é n2 ímpar n ímpar. Vamos fazer a demonstração por
contraposição e provar que se n é par, então n2 é par.
Seja n par, então n2 = n(n) é par de acordo com o exemplo do item anterior.

14.3 Por Absurdo

Por absurdo – é qualquer demonstração que não seja direta, em


que supomos que a hipótese e a conclusão são verdadeiras e tenta-
mos deduzir uma contradição dessas proposições.

Lógica e Matemática Discreta


104
Capítulo 14

Exemplo 1 (GERSTING, 2004):

Vamos demonstrar, por absurdo, a seguinte proposição: se um número


somado a ele mesmo é igual a ele mesmo, então este número é 0.

Demonstração:

Vamos representar por x um número qualquer. A hipótese é que x + x =


x e a conclusão é que x = 0. Para demonstrar por absurdo, suponha que x
+ x = x e x 0. Então 2x = x e x 0. Como x 0, podemos dividir ambos
os lados da equação por 2x = x por x. Assim, teremos 2 = 1, que é uma
contradição. Portanto, (x + x = x) x = 0.

Exemplo 2

Vamos demonstrar por absurdo que a soma de dois inteiros pares é par.

Sejam x e y dois inteiros pares. Assim:

x = 2m e y = 2n, onde m e n são inteiro (1)

Vamos supor, por absurdo, que a soma desses dois inteiro é impar:

x + y = 2k + 1, k é inteiro. Utilizando (1)

2m + 2n = 2k + 1 = >
2(m + n) = 2k + 1 = >

m + n = k + ½ o que é uma contradição, pois m + n é inteiro.

ATIVIDADE 22:

1. Prove as seguintes proposições:


(a) O produto de dois inteiros consecutivos quaisquer é par.
(b) A soma de um inteiro com seu quadrado é par.
(c) O quadrado de um número par é divisível por 4.
(d) Se x é um número primo par, então x = 2.
(e) A soma de três inteiros consecutivos é divisível por 3.
(f) Dados dois número quaisquer x e y, |xy| = |x||y|.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


105
Técnicas de Demonstração

2. Prove a proposição dada ou prove que ela é falsa:


(a) O produto de quaisquer três inteiros consecutivos é par.
(b) A soma de quaisquer três inteiros consecutivos é par.
(c) Para todo número inteiro primo n, n+4 é primo.
(d) A soma de dois números racionais é um número racional.

14.4 Indução Matemática

Para entender, intuitivamente, o que é a Indução Matemática, vamos


ilustrar a técnica (GERSTING, 2004):

Imagine que você está subindo uma escada infinitamente alta. Como
saber se será capaz de chegar a um degrau arbitrariamente alto?

Suponha as seguintes hipóteses:

1. Você consegue alcançar o primeiro degrau


2. Uma vez chegando a um degrau, você sempre é capaz de chegar ao
próximo.
Pela hipótese 1, você é capaz de chegar ao primeiro degrau; pela hipó-
tese 2, você consegue chegar ao segundo; novamente pela hipótese 2,
chega ao terceiro degrau; e assim sucessivamente.

Essa mesma propriedade é utilizada para provar propriedades dos nú-


meros inteiros positivos!

Indução Matemática – Considere que P(n) denota que o número


inteiro positivo n possui a propriedade P.
1. Assumimos que o número 1 tem a propriedade P: P(1)
2. Supomos que a propriedade P é válida para qualquer inteiro
positivo k: P(k)
3. Provamos que, se a propriedade P é válida para qualquer nú-
mero inteiro k, então é válida para o próximo inteiro positivo k+1:
P(k) _ P(k+1)

Lógica e Matemática Discreta


106
Capítulo 14

14.5 Primeiro Princípio de Indução Matemática

O Primeiro Princípio de Indução Matemática é formulado da seguinte


forma (NOTARE, 2003):

1. P(1) é verdade
2. ( k)(P(k) é verdade P(k+1) é verdade)
E com isto, provamos que a propriedade é verdadeira para todo inteiro
positivo n, ou seja, que
P(n) é verdade.

Demonstração por Indução


Passo 1 Prove a base de indução
Passo 2 Suponha P(k)
Passo 3 Prove P(k+1)

Exemplo 1: Suponha que um ancestral casou-se e teve dois filhos (ge-


ração 1). Suponha agora que cada um desses filhos teve dois filhos. En-
tão a geração 2 contém quatro descendentes. Imagine que esse proces-
so continua de geração em geração, conforme mostra a figura abaixo:
(GERSTING, 2004)

Então, podemos deduzir que: A geração 1 possui 2 descendentes, a geração 2 pos-


sui 4 descendentes, a geração 3 possui 8 descendentes, e assim sucessivamente...

Então, podemos fazer a seguinte conjectura: a geração n possui 2n des-


cendentes. Ou seja, podemos escrever que: P (n) = 2n

Agora, vamos provar que nossa conjectura está correta, por meio do
primeiro princípio de indução matemática:

Base de Indução (estabelecemos a veracidade da propriedade para n =


1): P (1) = 21 = 2

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


107
Técnicas de Demonstração

Hipótese de Indução (supomos que a propriedade é válida para algum


inteiro k, k >=1): P(k )= 2k

Passo de Indução (provamos que a propriedade é válida para o inteiro


seguinte k+1, ou seja, que P(k) P(k+1)):
P(k +1 = 2k+1
P(k +1) = 2 . P(k)HI = 2 × 2k = 2k+1 (o número de descendentes dobra de
uma geração para outra)

Exemplo 2: Prove que a equação a seguir é verdadeira para qualquer


inteiro positivo n.
1+ 3 + 5 + ... + (2n -1)= n2

Base de Indução - P(1)


Verificamos que a propriedade é válida para n = 1.
P(1):1 = 12

Hipótese de Indução - P(k)


Supomos que a propriedade é válida para n = k.
P(k ):1+ 3 + 5 + ... + (2k -1)= k2

Passo de Indução - P(k + 1)


Tentamos provar que a propriedade é válida para n = k + 1, ou seja, que:
P(k +1) =1 + 3 + 5 +... + 2 (k +1) _1 = ( k +1)2

Para fazermos uma demonstração por indução, vamos reescrever o lado


esquerdo da equação de P ( k + 1), incluindo a penúltima parcela. Usa-
remos a hipótese de indução para provarmos o que queremos.

Portanto, 1 + 3 + 5 +... + 2 k +1 _1= ( k +1)2 , o que mostra a validade


de P( k +1).

Exemplo 3: Prove que a equação a seguir é verdadeira para qualquer


inteiro positivo n.
2 + 4 + 6 + 10+ ... + (4n -2) = 2 n2

Lógica e Matemática Discreta


108
Capítulo 14

Vamos verificar para n = 1


P(1) = 2 = 2. 12 é verdadeira

Vamos supor P(k) verdadeira. Assim:


P(k) = 2 + 4 + 4 + 10 + ... + (4k – 2) = 2k2.

Vamos provar P(k + 1), ou seja:


P(k + 1) = 2 + 4 + 4 + 10 + ... + (4k – 2) + [4(k+1) – 2] = 2(k+1)2.,
mas P(k + 1) é a soma dos k elementos (p(k)) + o elemento da po-
sição k + 1. Assim
P(k + 1) = p(k) + [4(k+1) – 2] = >
P(k + 1) = 2k2 + 4k + 2 =>
P(k + 1) = 2(k+1) 2

Logo a afirmação é verdadeira.

Exemplo 4: 23n – 1 é divisível por 7, para n ≥ 1.

Vamos verificar para n = 1


P(1) 2.3.1 – 1 = 23 – 1 = 8 – 1 = 7 é verdadeira.

Suponha P(k) verdadeira


P(k) = 23k – 1 = 7.m, onde m é um inteiro.

Como teremos que utilizar P(k) para provar P(k+1), faremos

23k = 7.m + 1 (*)

Vamos provar P(k + 1), ou seja,

P(k + 1) = 23(k+1) – 1 = 7.t, onde t é um inteiro.


23(k+1) – 1 =  23k+3 – 1 =>
23(k+1) – 1 =  23k . 23 – 1 => substituindo 23k por (*)
23(k+1) – 1 =  (7.m + 1) . 23 – 1 =>
23(k+1) – 1 =  (7.m + 1) . 8 – 1 =>
23(k+1) – 1 =  56.m + 8 – 1 =>
23(k+1) – 1 =  56.m + 7 =>
23(k+1) – 1 =  7(8.m + 1) => (8m + 1 é um inteiro, vamos chamá-lo de t)
23(k+1) – 1 = 7.t

Logo, a propriedade é verdadeira.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


109
Técnicas de Demonstração

Exemplo 5: Prove que n2 > 3n para n ≥ 4.

Como n ≥ 4, teremos que verificar P(4), pois é o primeiro valor que o n


assume.

42 > 3. 4 =>
16 > 12 é verdadeira.

Suponha P(k) verdadeira. Assim:

k2 > 3.k

Vamos provar P(K + 1), ou seja:

(k +1)2 > 3(k + 1), desenvolvendo temos:


k2 + 2k + 1 > 3k + 3

Como temos que utilizar o P(k) para provar P(k + 1), partiremos de

k2 > 3.k, teremos que alcançar um dos lados de P(k + 1), para isso adi-
cionaremos 2k +1 dos dois lados da desigualdade. Assim:

k2 + 2k + 1 > 3k + 2k + 1. Agora, termos que provar que 3k + 2k + 1 é


maior que 3k + 3
k2 + 2k + 1 > 3k + 2k + 1≥ 3k + 2.4+ 1 (pois, k ≥ 4) =>
k2 + 2k + 1 > 3k + 2k + 1≥ 3k + 9 > 3k + 3, assim:
k2 + 2k + 1 > 3k + 2k + 1 > 3k + 3 =>
k2 + 2k + 1 > 3k + 3. Logo, a propriedade é verdadeira.

ATIVIDADE 23:

1. Prove que a equação a seguir é verdadeira para todo n ≥1:

1+ 2 + 22 +... + 2n =2n+1 _1

2. Prove que, para qualquer inteiro positivo n,


n(n + 1)
1 + 2 + 3 +... + n =
2
3. Prove que, para qualquer inteiro positivo n, 2n >n.

4. Prove que, para qualquer inteiro positivo n, 22n _1 é divisível por 3.

Lógica e Matemática Discreta


110
Capítulo 14

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


111
Métodos e Estratégias de Estudo

RECURSÃO

Um grande caminho já foi percorrido até aqui, mas coisas novas


ainda estão por vir! Vamos ver falar agora sobre recursão .

15.1 Definições Recorrentes

Uma definição na qual o item definido aparece como parte da de-


finição é chamada de definição por recorrência, ou definição re-
corrente, ou ainda definição por indução (NOTARE, 2003).

Uma definição recorrente é formada por duas partes (NOTARE, 2003):


1. Base ou condição básica, onde algum(s) caso(s) simples do item que
está sendo definido é dado explicitamente.
2. Um passo de indução ou recorrência, onde novos casos do item que
está sendo definido são dados em função de casos anteriores.
A parte 1 da definição nos permite começar, fornecendo alguns casos
simples e concretos. A parte 2 nos permite construir novos casos, a par-
tir destes mais simples e assim por diante. Daí o nome definição por
indução, devido à analogia com as demonstrações por indução.

15.2 Seqüências Definidas por Recorrência

Uma seqüência S é uma lista de objetos numerados em deter-


minada ordem. Existe um primeiro objeto, um segundo objeto, e
assim por diante. S(k) denota o k-ésimo objeto da seqüência. Uma
seqüência é definida por recorrência nomeando-se o primeiro
valor da seqüência e, depois, definindo os valores subseqüentes,
na seqüência, em termos de valores anteriores (NOTARE, 2003).

Lógica e Matemática Discreta


112
Capítulo 15

Exemplos:

(1) A seqüência S é definida por recorrência por

1. S(1) = 2
2. S(n) = 2S(n - 1) para n 2
Assim, o primeiro valor da seqüência é 2; o segundo valor da seqüência
é S(2) = 2S(2-1) =
2S(1) = 2 . 2 = 4; o terceiro valor da seqüência é S(3) = 2S(2) = 2 . 4 =
8; e assim por diante.
Continuando a seqüência, temos 2, 4, 8, 16, 32, ...

(2) Escreva os cinco primeiro valores da seqüência T, tal que:

1. T(1) = 1
2. T(n) = T(n - 1) + 3, para n 2
1, 4, 7, 10, 13

(3) Podemos definir coleções através da recorrência:

Uma coleção M de números é definida através de recorrência por:


1. 2 e 3 pertencem a M.
2. Se X e Y pertencem a M, então X + Y também pertence.
Através dessa definição, podemos gerar os seguintes números:
(a) 5 = 2 + 3; (b) 7 = 2 + 5; (c) 8 = 5 + 3; (d) 6 = 3 + 3

(4) Podemos definir, também, operações através de recorrência:

A operação de exponenciação an de um número real não-nulo a, onde


n é um inteiro não-negativo, é: (GERSTING, 2004)

1. a0 = 1
2. an = (an-1).a

Seqüência de Fibonacci: é uma seqüência introduzida pelo matemático


italiano Fibonacci e é definida por recorrência da seguinte forma:

F(1) = 1
F(2) = 1
F(n) = F(n – 2) + F(n – 1), para n 2

Traduzindo, qualquer valor da seqüência de Fibonacci, exceto os dois pri-


meiros, é dado pela soma de seus dois valores anteriores.

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


113
Recursão

Por exemplo, podemos escrever os dez primeiros números da seqüência de Fi-


bonacci, utilizando a sua definição por recorrência: 1, 1, 2, ,3 ,5, 8, 13, 21, 34, 55

Exemplo: Prove que, na seqüência de Fibonacci, F(n + 4) = 3F(n +2) –


F(n), para todo n 1. Podemos provar essa fórmula diretamente, sem
utilizar indução matemática, usando apenas a relação de recorrência
na definição dos números de Fibonacci.
A relação de recorrência F(n + 2) = F(n) + F(n + 1) pode ser reescrita
na forma: F(n + 1) = F(n + 2) - F(n).
Logo, podemos utilizá-la para provar a fórmula:

ATIVIDADE 24:
1. Escreva os cinco primeiros valores da seqüência:
(a) S(1) = 10, S(n) = S(n – 1) + 10 para n 2.
(b) T(1) = 1, T(n) = n T(n – 1) para n 2.
2. Prove a propriedade dada dos números de Fibonacci direta-
mente da definição para:
(a) F(n) = 5F(n – 4) + 3F(n – 5) para n 6.
3. Prove a propriedade dada dos números de Fibonacci, pelo prin-
cípio da indução para:
(a) F(1) + F(2) + ... + F(n) = F(n + 2) - 1
4. Escreva uma definição recorrente para uma progressão geomé-
trica com o termo inicial a e a razão r.
5. Uma coleção T de números é definida por recorrência por:
1. 2 pertence a T.
2. Se x pertence a T, então X + 3 e 2*X também pertencem.
Quais dos números a seguir pertencem a T?
(a) 6 (b) 7 (c) 19 (d) 12

Lógica e Matemática Discreta


114
Capítulo 15

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


115
Métodos e Estratégias de Estudo

INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE
ALGORITMOS

Quanto tempo leva a execução de determinado algoritmo?


Quando temos dois algoritmos que fazem a mesma coisa, qual deles
leva menos tempo?
Quando se programa um algoritmo, sempre é conveniente termos
uma noção da sua eficiência.
A análise da eficiência do algoritmo é o objetivo da análise do algo-
ritmo, que veremos aqui.

16.1 Análise de Algoritmos

O que é analisar um algoritmo?

• É predizer a quantidade de recursos utilizados (memória,


tempo de execução, número de processadores, ...)
• Avaliar o tempo de execução gasto pelo algoritmo
• Contar o número de operações efetuadas

Análise de algoritmos – é a medição de complexidade de algoritmo,


ou seja, da quantidade de “trabalho” necessária para a sua execução,
expressa em função das operações fundamentais. Tais operações va-
riam de acordo com o algoritmo, e em função do volume de dados.

Por meio da análise da complexidade de algoritmos poderemos:

• Escolher entre vários algoritmos o mais eficiente para implementar;


• Desenvolver novos algoritmos para problemas que já têm solução;
• Desenvolver algoritmos mais eficientes (melhorar os algorit-
mos), devido ao aumento constante do “tamanho” dos proble-
mas a serem resolvidos.
• Determinar se a implementação de determinado algoritmo é
viável, utilizando-se a complexidade computacional.

Lógica e Matemática Discreta


116
Capítulo 16

Uma forma de julgarmos a eficiência de uma algoritmo é estimarmos o nú-


mero de operações que ele executa. Para isso, consideramos apenas as tare-
fas primárias para a execução da tarefa principal. Se a tarefa principal é, por
exemplo, realizar a busca de um elemento em uma lista, deve-se, então esti-
mar o número de comparações que serão realizadas. A seguir, é apresentada
uma análise do algoritmo de busca seqüencial que compara x com cada valor
da lista até que x seja encontrado, ou a lista seja totalmente varrida.

int busca(int x[], int x, int N) {


// procura x em a[0], a[1], ... a[N-1]

for (i=0;i<n;i++) if(a[i] ==x) return i;


return -1;
}
Existem muitas variações deste algoritmo quando se programa em C,
por exemplo, mas todas elas tem que percorrer o vetor.

Quantas comparações temos que fazer até encontrar o elemento procu-


rado ou concluir que ele não está na tabela?

Melhor caso: 1 - uma só comparação quando x == a[0].


Pior caso: N – quando não encontra ou x == a[N-1].
Caso médio: (1+N)/2 – média entre o pior e o melhor.

Para considerarmos a média entre o melhor e o pior caso, estamos assu-


mindo uma hipótese importante: a probabilidade de ser qualquer valor
entre 1 e N é a mesma. De uma maneira geral, a determinação do pior
caso dá uma boa informação de como o algoritmo se comporta e oferece
um limitante superior para o tempo que o algoritmo demandará. O caso
médio é o mais interessante de ser determinado, mas nem sempre é possí-
vel, pois muitas vezes depende de hipóteses adicionais sobre os dados.

ATIVIDADE 25:
1. O algoritmo a seguir soma todos os elementos de uma matriz
quadrada A n X n. Encontre uma expressão em termos de n para o
número de somas encontradas:
Soma = 0
Para i = 1 até n faça
Para j = 1 até n faça
Soma = soma + A(i,j)
Fim do Para
Fim do Para
Escreva “A soma total é: soma”

Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas


117
Métodos e Estratégias de Estudo

ALENCAR FILHO, E. Iniciação à lógica matemática. 18ª ed. São Paul:


Nobel, 2000.

GERSTING, J. L. Fundamentos matemáticos para a ciência da com-


putação. 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004.

NOTARE, M. R. Matemática discreta. Caxias do Sul, 2003. Disponí-


vel em: http://www.arquivos.fir.br/disciplinas/169MAD1_169MAD1_
apostila.pdf, acessado em 15 de Julho de 2007.

PINHO, A. A. Introdução à Lógica Matemática, Rio de Janeiro, 1999.


Disponível em: www.dsc.ufcg.edu.br/~logica, acessado em 15 de Julho
de 2007.

RICARTE, I. L., 2003. Disponível em: http://www.dca.fee.unicamp.br/cursos/


EA876/apostila/HTML/node1.html, acessado em 15 de Julho de 2007.

Lógica e Matemática Discreta

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