Você está na página 1de 3

Intervenção Socioeducativa para a Criança e o Adolescente

Licenciatura em Educação Social

Breve reflexão acerca da Pobreza Infantil e dos Maus Tratos na


Infância

Discente: Sara Cristina da Rocha Ribeiro

Docente: Professora Doutora Helena M. Carvalho


Data: 05/10/2021
Na sociedade em que vivemos, infelizmente verificamos situações cada vez mais
inquietantes e agravantes. Com a Pandemia, os episódios de maus tratos e negligência
ficaram mais invisíveis para o exterior, uma vez que as pessoas se confinaram e as
relações sociais quase se extinguiram.
Como sabemos, os meios tecnológicos, eram a forma de comunicação nomeadamente
das crianças e adolescentes para a educação e a socialização. Embora por um lado, os
recursos digitais tenham trazido vantagens de um modo geral para o agregado familiar,
devido ao teletrabalho, onde os pais poderiam passar mais tempo e qualidade com os
filhos, permitindo uma maior vigilância ao nível da saúde e da alimentação, mas
também um aumento da vinculação segura, dos sentimentos de afeto e proteção, fatores
fundamentais nos primeiros 1000 dias de vida e que são imprescindíveis no
desenvolvimento cognitivo. A verdade é que o Covid-19, por outro lado, trouxe
desvantagens que se não forem trabalhadas de forma imediata, jamais serão irreversíveis
no futuro da criança ou do adolescente, acabando por o acompanhar no resto da sua
vida.
Infelizmente, com o surto pandémico, os fatores de risco aumentaram e subsequente as
situações de se verificarem negligência e maus tratos. O alcoolismo e a
toxicodependência, o histórico de violência doméstica, os antecedentes de maus tratos
infantis, as gravidezes muito próximas, a situação vivida na atualidade, o desemprego,
que atingiu sobretudo os cuidadores com baixo nível económico, cultural e
inexperientes potenciaram situações de vulnerabilidade. A falta de atenção, de suporte
afetivo, de retaguarda, da estimulação depreendida pelos pais nos seus tempos livres, o
desinteresse pela saúde, nomeadamente a vacinação e as consultas regulares indicadoras
da estabilidade física e mental do inocente bem como os cuidados básicos de higiene
(assaduras no rabo, sujidade devido à ausência de banho) são apenas algumas formas de
negligência voluntária ou involuntária e, que em alguns dos casos passam para ações
mais extremas, de forma não acidental, provocando deste modo danos físicos no/a
menor de natureza traumática, de doença ou de intoxicação.
Outro fator preocupante no país, associado à negligencia e aos maus tratos é a pobreza
infantil. Na maioria das vezes, agravada pelos comportamentos de risco anteriormente
referidos, mas também pelas limitações de recursos por parte do Estado como pensões,
subsídios e abonos de família - apoios no âmbito da segurança social, que ao serem
reduzidos ou praticamente nulos face aos gastos na alimentação, habitação,
medicina/consultas e educação aumentam a exclusão social, influenciam o bem-estar
das crianças e por vezes, provocam a morte derivada à subnutrição, falta de assistência
médica nas doenças generalizadas que facilmente poderiam ser tratadas a tempo, entre
outros fatores, que jamais imaginaríamos em pleno século XXI. O contexto cultural
muitas vezes também assume responsabilidade no sentido, de os cuidadores acharem
que a solução são os apoios monetários, não sendo necessário trabalhar. Acomodam-se
aquele ciclo de vivências e não lutam para obterem transformação pessoal, profissional
e socialmente. Seguindo o exemplo, e como bola de neve, os filhos copiam as suas
ações e prejudicam-se de uma forma efémera, prejudicando o seu bem-estar. Adotam
condutas de perigo como a contestação das regras socias, a dependência e o baixo nível
académico que levam a uma procura reduzida no mercado de trabalho.
Aqui entra o papel do Educador Social. Um agente de mudança da sociedade que,
utiliza estratégias de intervenção educativa e cultural, uma vez que desempenha funções
educativas, reeducativas, informativas, de orientação, de animação, de gestão, de
desenvolvimento local, de desenho de projetos e de mediação, através da execução de
programas lúdicos e formativos e de atividades baseadas em processos de aprendizagens
dinâmicos, resultantes da partilha e da interação entre o público-alvo e o próprio para
evitar e reduzir a pobreza infantil, mas acima de tudo a negligência e os maus tratos.
Em suma, com o distanciamento, a falta do toque (o carinho, a atenção), da empatia de
um elemento fora do núcleo familiar, a visualização das necessidades básicas inerentes
às crianças foram reduzidas, assim como os sintomas de maus tratos físicos. Por outras
palavras, a Pandemia agravou a visibilidade das situações de maus tratos, negligência,
pobreza e não a redução de casos de vítimas infantis. Amar a criança, dar-lhe segurança,
o melhor dentro do que pode, lutar por uma vida melhor são pequenas grandes coisas
que mudam o mundo do jovem. É preciso perceber que todos podem e devem fazer a
diferença.

Você também pode gostar