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Salário-Maternidade - Aspectos trabalhistas e previdenciários - Roteiro de

Procedimentos

Roteiro - Previdenciário/Trabalhista - 2010/4118

Sumário

Introdução

I - Concessão

II - Beneficiárias

III - Prazo de duração

III.1 - Mãe biológica

III.2 - Mãe adotante

III.3 - Prorrogação por mais duas semanas

III.4 - Prorrogação por sessenta dias - Programa Empresa Cidadã

III.4.1 - Adesão por parte da pessoa jurídica

III.4.2 - Prazo para requerimento

III.4.3 - Mãe adotante

III.4.4 - Benefício fiscal

IV - Carência

V - Período de graça

V.1 - Empregada

V.2 - Manutenção da qualidade de segurada

VI - Documentos comprobatórios

VII - Trabalho temporário

VIII - Renda mensal

VIII.1 - Atividades concomitantes

VIII.2 - Reajuste salarial

IX - Cumulação de benefícios

IX.1 - Auxílio-Doença

X - Aborto
XI - Responsabilidade pelo pagamento do benefício

XII - Revisão de benefício

XIII - Recolhimento previdenciário

XIII.1 - Empregada

XIII.1.1 - Fração de mês

XIII.2 - Doméstica

XIII.3 - Seguradas contribuinte individual, facultativa e em prazo de manutenção da qualidade


de segurada

XIV - Dedução

XV - Abono anual

XVI - Salário-Família

XVII - Obrigações acessórias

XVII.1 - Documentos previdenciários

XVII.2 - FGTS

XVIII - Estabilidade provisória

XIX - Férias

XX - Jurisprudências

Introdução

O salário-maternidade foi criado como forma de proteção ao trabalho da mulher, tendo como
início o nascimento da criança.

Neste contexto, o art. 377 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) definiu que a adoção
de medidas de proteção ao trabalho das mulheres deveria ser considerada de ordem pública,
não justificando, em hipótese alguma, a redução de salário.

Anos mais tarde, com a publicação da Lei nº 10.421 de 15 de abril de 2002 a licença-
maternidade foi estendida às mães adotivas, como forma de garantir a efetiva inserção da
criança no seio familiar.

Hoje, a proteção à trabalhadora gestante é garantia prevista tanto no Direito do Trabalho como
no Direito Previdenciário.

Fundamentação: art. 377 da CLT.

I - Concessão

O salário-maternidade é um benefício previdenciário devido à segurada empregada, à


trabalhadora avulsa, à empregada doméstica, à contribuinte individual, à facultativa e à
segurada especial, durante 120 (cento e vinte) dias. Este benefício tem início até 28 (vinte e
oito) dias anteriores ao parto e termina 91 (noventa e um) dias depois dele, considerando,
inclusive, o dia do parto.

A empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança também fará
jus ao benefício.

Desse modo, constituirá fato gerador para recebimento do salário-maternidade:

a) o parto, inclusive o antecipado;

b) o aborto não criminoso;

c) a adoção de criança; e

d) a obtenção de guarda judicial de criança para fins de adoção.

Considera-se parto, para fins de concessão de salário-maternidade, o evento ocorrido


a partir da 23ª semana (6 meses) de gestação, inclusive em caso de natimorto,
também considera-se parto o nascimento com vida antes dos 6 meses de gestação.

Fundamentação: arts. 392 e 392-A da CLT; art. 71 e 71-A da Lei nº 8.213/1991; "caput" e §§ 4º
e 5º do art. 93 e art. 93-A do Decreto nº 3.048/1999; "caput" e §§ 3º e 4º do art. 236 da
Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

II - Beneficiárias

Farão jus ao recebimento do salário-maternidade, desde que observadas as regras impostas


pela legislação previdenciária, as seguintes seguradas: empregada, trabalhadora avulsa,
empregada doméstica, contribuinte individual, segurada facultativa e segurada especial.

Neste contexto, considera-se :

a) segurada empregada: pessoa que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em
caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretora
empregada;

b) trabalhadora avulsa: a pessoa sindicalizada ou não, que presta serviço de natureza urbana
ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do
órgão gestor de mão-de-obra, nos termos da Lei nº 8.630/1993, ou do sindicato da categoria;

c) empregada doméstica: pessoa física que presta serviço de natureza contínua, mediante
remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividade sem fins
lucrativos;

d) contribuinte individual: pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em
caráter eventual, a uma ou mais empresas, ou ainda, a uma ou mais pessoas físicas;

e) segurada facultativa: a pessoa física, maior de 16 anos de idade que se filiar ao Regime
Geral de Previdência Social, mediante contribuição previdenciária, desde que não esteja
exercendo atividade remunerada que o enquadre como segurado obrigatório da Previdência
Social;

f) segurada especial: produtora rural, a parceira, a meeira, a pescadora artesanal entre outras,
que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, com ou sem
auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos 16
anos de idade ou a eles equiparados, desde que trabalhem comprovadamente com o grupo
familiar respectivo.

Fundamentação: incisos I, II, V, VI, VII do art. 11 e art. 13 da Lei nº 8.213/1991; incisos I, II, V,
VI, VII do art. 9º, art. 11 do Decreto nº 3.048/1999; arts. 3º ao 8º e 11 da Instrução Normativa
INSS nº 20/2007.

III - Prazo de duração

III.1 - Mãe biológica

O salário-maternidade é devido à mãe biológica, durante 120 (cento e vinte) dias, com início
até 28 (vinte e oito) dias anteriores ao parto e término 91 (noventa e um) dias depois dele,
considerando, inclusive, o dia do parto.

Fundamentação: art. 392 da CLT, art. 71 da Lei nº 8.213/1991; "caput" art. 93 do Decreto nº
3.048/1999; "caput" do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

III.2 - Mãe adotante

A Lei nº 10.421/2002 instituiu o direito do salário-maternidade à mãe adotiva, incluindo desse


modo, o art. 392-A da CLT, que por sua vez, declara:

Art. 392-A. À empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança
será concedida licença-maternidade nos termos do art. 392, observado o disposto no seu § 5º.
§ 1º No caso de adoção ou guarda judicial de criança até 1 (um) ano de idade, o período de
licença será de 120 (cento e vinte) dias.
§ 2º No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de 1 (um) ano até 4 (quatro) anos
de idade, o período de licença será de 60 (sessenta) dias.
§ 3º No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de 4 (quatro) anos até 8 (oito)
anos de idade, o período de licença será de 30 (trinta) dias.
§ 4º A licença-maternidade só será concedida mediante apresentação do termo judicial de
guarda à adotante ou guardiã.

Em 04.08.2009 foi publicada a Lei nº 12.010/2009, que por sua vez, revogou os §§ 1º, 2º e 3º
da 392-A. Desse modo, o período do salário-maternidade das mães biológicas e adotantes foi
equiparado.

No caso de empregos concomitantes, a segurada fará jus ao salário-maternidade relativo a


cada emprego.

O salário-maternidade é devido à segurada adotante independentemente de a mãe biológica


ter recebido o mesmo benefício quando do nascimento da criança.

Fundamentação: arts 392-A da CLT, com redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 12.010/2009; §
2º do art. 96, §§ 7º e 10 do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

III.3 - Prorrogação por mais duas semanas

Quando houver efetivo risco para a vida do feto, da criança ou da mãe, os períodos de repouso
anteriores e posteriores ao parto poderão ser prorrogados, excepcionalmente, por duas
semanas.

Nesta hipótese, o atestado médico deverá ser apreciado pela Perícia Médica do INSS, exceto
nos casos de segurada empregada em que o salário-maternidade é pago diretamente pela
empresa.
Para a segurada em prazo de manutenção da qualidade de segurada, fica assegurado o direito
à prorrogação somente para repouso posterior ao parto.

Fundamentação: § 3º do art. 93 do Decreto nº 3.048/1999; e art. 239 da Instrução Normativa


INSS nº 20/2007.

III.4 - Prorrogação por sessenta dias - Programa Empresa Cidadã

A Lei nº 11.770/2008 criou o Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação da licença-


maternidade mediante a concessão de incentivo fiscal.

De acordo com a referida Lei, o prazo de 120 (cento e vinte dias) da licença-maternidade,
poderá ser prorrogado por mais 60 (sessenta) dias, totalizado 180 dias.

A prorrogação de 60 (sessenta) dias será garantida à empregada da pessoa jurídica que aderir
ao Programa Empresa Cidadã, desde que a empregada a requeira até o final do primeiro mês
após o parto, e que esta seja concedida imediatamente após a fruição da licença-maternidade.

A prorrogação será garantida, na mesma proporção, também à empregada que adotar


ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança.

Durante o período de prorrogação da licença-maternidade, a empregada terá direito à sua


remuneração integral, nos mesmos moldes devidos no período de percepção do salário-
maternidade pago pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

No período de licença-maternidade e licença à adotante, a empregada não poderá exercer


qualquer atividade remunerada, salvo nos casos de contrato de trabalho simultâneo firmado
previamente, e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar. Caso essa
regra não seja observada, a beneficiária perderá o direito à prorrogação.

Fundamentação: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 11.770/2008; e art. 1º do Decreto nº 7.052/2009; e


art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 991/2010.

III.4.1 - Adesão por parte da pessoa jurídica

A pessoa jurídica poderá aderir ao Programa Empresa Cidadã mediante Requerimento de


Adesão formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

O Requerimento de Adesão poderá ser formulado exclusivamente no sítio da Secretaria da


Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br a
partir do dia 25 de janeiro de 2010.

O acesso ao endereço eletrônico dar-se-á por meio de código de acesso, a ser obtido nos
sítios da RFB na Internet, ou mediante certificado digital válido.

Fundamentação: art. 3º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 3º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.2 - Prazo para requerimento

Será beneficiada pelo Programa Empresa Cidadã, a empregada da pessoa jurídica que aderir
ao Programa, desde que a empregada requeira a prorrogação do salário-maternidade até o
final do 1º (primeiro) mês após o parto.
A prorrogação do salário-maternidade iniciar-se-á no dia subsequente ao término da vigência
do salário-maternidade concedido pela Previdência Social, sendo devida, inclusive, no caso de
parto antecipado.

Fundamentação: art. 1º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 1º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.3 - Mãe adotante

A prorrogação do salário-maternidade também aplica-se à empregada de pessoa jurídica que


adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança, pelos seguintes períodos:

a) por 60 (sessenta) dias, quando se tratar de criança de até 1 (um) ano de idade;

b) por 30 (trinta) dias, quando se tratar de criança a partir de 1 (um) até 4 (quatro) anos de
idade completos; e

c) por 15 (quinze) dias, quando se tratar de criança a partir de 4 (quatro) anos até completar 8
(oito) anos de idade.

Fundamentação: art. 2º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 2º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.4 - Benefício fiscal

A pessoa jurídica que aderir ao Programa, desde que tributada com base no lucro real poderá
deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, o total da remuneração integral da
empregada pago nos 60 (sessenta) dias de prorrogação de sua licença-maternidade, vedada a
dedução como despesa operacional de acordo com as regras estabelecidas pelos artigos 4º, 5º
e 8º da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.

Fundamentação: art. 5º da Lei nº 11.770/2008, art. 4º do Decreto nº 7.052/2009; e arts. 4º, 5º e


8º da Instrução Normativa RFB nº 991/2009.

IV - Carência

Para algumas seguradas da Previdência Social será necessário possuir um período mínimo de
carência para fazer jus ao gozo do salário-maternidade.

Neste contexto, considera-se período de carência o tempo correspondente ao número mínimo


de contribuições mensais indispensáveis para que a beneficiária faça jus ao recebimento da
licença-maternidade.

Para as seguradas empregada, empregada doméstica e trabalhadora avulsa não há período de


carência para a concessão do referido benefício.

Todavia, para as seguradas contribuinte individual, especial e facultativa, para ter direito ao
recebimento do salário-maternidade, é necessário ter realizado, no mínimo, 10 (dez)
contribuições mensais.

Caso tenha havido a perda da qualidade de segurada, as contribuições anteriores a essa perda
somente serão computadas, para efeito de carência, depois que a segurada contar, a partir da
nova filiação ao RGPS (Regime Geral da Previdência Social), com, no mínimo, 1/3 (um terço)
do número de contribuições exigidas como carência para a espécie.
Na ocorrência de parto antecipado, a carência será reduzida em número de contribuições
equivalente ao número de meses em que o parto foi antecipado.

Será devido o salário-maternidade à segurada especial, desde que comprove o exercício de


atividade rural nos últimos 10 (dez) meses imediatamente anteriores à data do parto ou do
requerimento do benefício, quando requerido antes do parto, mesmo que de forma
descontínua, aplicando-se, quando for o caso, a redução prevista no parágrafo anterior.

Fundamentação: art. 24, inciso III do art. 25, inciso VI do art. 26 e parágrafo único art. 39 da Lei
nº 8.213/1991; art. 26, art. 27-A, inciso III e parágrafo único do art. 29, e inciso II do art. 30 do
Decreto nº 3.048/1999.

V - Período de graça

A licença-maternidade também será devida à segurada desempregada (empregada,


trabalhadora avulsa e doméstica), para aquela que cessou as contribuições (contribuinte
individual ou facultativa) e para a segurada especial, desde que mantida a qualidade de
segurada, observando que:

a) o nascimento da criança, inclusive em caso de natimorto ou a guarda judicial para fins de


adoção ou a adoção ou aborto espontâneo, deverá ocorrer dentro do período de graça;

b) o evento seja igual ou posterior a 14 de junho de 2007, data da publicação do Decreto nº


6.122.

Fundamentação: art. 15 da Lei nº 8.213/1991; art. 13 do Decreto nº 3.048/1999; § 1º do art. 97


do art. 236 e § 2º do art. 241 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

V.1 - Empregada

Durante o período de graça a que se refere o art. 13 do RPS, aprovado pelo Decreto nº
3.048/1999, a segurada desempregada fará jus ao recebimento do salário-maternidade nos
casos de demissão antes da gravidez, ou, durante a gestação, nas hipóteses de dispensa por
justa causa ou a pedido, situações em que o benefício será pago diretamente pela Previdência
Social.

Considerando que o art. 10, inciso II, alínea "b" do ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT), veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante,
desde a confirmação da gravidez até 5 (cinco) meses após o parto, observar-se-á as normas
seguintes:

a) a responsabilidade pelo pagamento do salário-maternidade será da empresa, que deverá


responder pelos salários do período;

b) ocorrido o fato gerador dentro do período de manutenção da qualidade de segurada, para a


requerente cujo último vínculo seja de empregada deverá ser observado:

b.1) tratando-se de dispensa por justa causa ou a pedido, o benefício será concedido pela
Previdência Social, tendo em vista o parágrafo único, art. 97 do Decreto 3.048/1999;

b.2) tratando-se de dispensa arbitrária ou sem justa causa ocorrida no período entre a
confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, o benefício não poderá ser concedido,
considerando tratar-se de obrigação da empresa/empregador;

c) a requerente deverá assinar declaração específica com a finalidade de identificar a causa da


extinção do contrato de trabalho;
d) havendo dúvida fundada, o servidor poderá encaminhar consulta à Vara do Trabalho local
ou ao Tribunal Regional do Trabalho, solicitando informação sobre a existência de reclamatória
trabalhista ajuizada pela requerente contra o empregador.

Fundamentação: §§ 2º e 3º do art. 241 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

V.2 - Manutenção da qualidade de segurada

Para efeitos de concessão do salário-maternidade, mantêm a qualidade de segurada,


independentemente de contribuições:

a) sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;

b) até 12 (doze) meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a cessação
das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela
previdência social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração;

c) até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de


segregação compulsória;

d) até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;

e) até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas para
prestar serviço militar; e

f) até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

O prazo da alínea "b" será prorrogado para até 24 (vinte e quatro) meses, se a segurada já
tiver pago mais de cento e vinte contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda
da qualidade de segurado.

O prazo da alínea "b" ou do parágrafo anterior será acrescido de 12 (doze) meses para a
segurada desempregada, desde que comprovada essa situação por registro no órgão próprio
do Ministério do Trabalho e Emprego.

Durante os citados prazos, o segurado conserva todos os seus direitos perante a


Previdência Social

Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa perda somente


serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova
filiação ao Regime Geral de Previdência Social, com, no mínimo, 1/3 (um terço) do número de
contribuições exigidas para o cumprimento da carência, se houver.

Fundamentação: art. 15 da Lei nº 8.213/1991; "caput" e §§ 1º, 2º e 3º do art. 13 e art. 27-A do


Decreto nº 3.048/1999.

VI - Documentos comprobatórios

Os documentos comprobatórios para requerimento do salário-maternidade da segurada são:

a) atestado médico, quando se tratar de mãe biológica;

b) certidão de nascimento do filho, exceto nos casos de aborto espontâneo, quando deverá ser
apresentado atestado médico, ou
c) certidão de nascimento da criança ou termo de guarda, contendo o nome da segurada
adotante ou guardiã, quando se tratar de adoção ou guarda a fins de adoção.

O salário-maternidade não é devido quando o termo de guarda não contiver a


observação de que é para fins de adoção ou só contiver o nome do cônjuge ou
companheiro.

Fundamentação: §§ 1º ao 3º art. 93-A do Decreto nº 3.048/1999; e § 2º do art. 236 da Instrução


Normativa INSS nº 20/2007.

VII - Trabalho temporário

Para a segurada com contrato de trabalho temporário, será devido o salário-maternidade


somente enquanto existir a relação de emprego.

Fundamentação: § 6º do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII - Renda mensal

A renda mensal do salário-maternidade, será calculada da seguinte forma:

a) para a segurada empregada, consiste numa renda mensal igual a sua remuneração devida
no mês do seu afastamento, tomando-se por base as informações constantes no CNIS
(Cadastro Nacional de Informações Sociais), a partir de 1º de julho de 1994, ou se for o caso
de salário total ou parcialmente variável, na igualdade da média aritmética simples dos seus 6
(seis) últimos salários, apurada de acordo com a lei salarial ou o dissídio coletivo da categoria,
excetuando-se o décimo terceiro-salário, adiantamento de férias e as rubricas constantes do §
9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999;

Entende-se por remuneração da segurada empregada: a) fixa, é aquela constituída de


valor fixo que varia em função dos reajustes salariais normais; b) parcialmente
variável, é aquela constituída de parcelas fixas e variáveis; e c) totalmente variável, é
aquela constituída somente de parcelas variáveis.

b) nos casos de pedido de revisão ou de reabertura de benefício indeferido, as anotações


salariais constantes nas CP (Carteira Profissional) ou CTPS (Carteira de Trabalho e
Previdência Social) e, desde que comprovada na forma dos arts. 393 a 395 da IN INSS/PRES
nº 20/2007 servem para subsidiar a alteração, inclusão ou exclusão de informações constantes
no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais);

c) para a segurada trabalhadora avulsa, corresponde ao valor de sua última remuneração


integral equivalente a um mês de trabalho não sujeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição, observado o disposto na alínea "a";

d) para a segurada empregada doméstica, corresponde ao valor do seu último salário-de-


contribuição conforme remuneração registrada na Carteira Profissional (CP) e/ou na Carteira
de Trabalho e Previdência Social (CTPS), sujeito ao limite máximo do salário-de-contribuição,

e) para a segurada contribuinte individual, facultativa e para as que mantenham a qualidade de


segurada, corresponde à média aritmética dos doze últimos salários-de-contribuição, apurados
em período não superior a 15 (quinze) meses, sujeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição;

f) para a segurada especial, corresponde ao valor de um salário mínimo;


g) o benefício de salário-maternidade, a partir de 29 de maio de 2002, terá a renda mensal
sujeita ao limite máximo, nos termos do art. 248 da Constituição Federal;

h) O benefício de salário-maternidade, devido às seguradas trabalhadora avulsa e empregada,


exceto a doméstica, a partir de 29 de maio de 2002, data da publicação do Parecer/CJ nº
2854/2002, terá a renda mensal sujeita ao limite máximo, nos termos do art. 248 da
Constituição Federal de 1988.

O pagamento do salário-maternidade não pode ser cancelado, salvo se após a


concessão forem detectados fraude ou erro administrativo.

Fundamentação: "caput" e § 1º art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII.1 - Atividades concomitantes

No caso de empregos concomitantes ou de atividade simultânea na condição de segurada


empregada com contribuinte individual ou doméstica, a segurada fará jus ao salário-
maternidade relativo a cada emprego ou atividade.

Aplica-se essa mesma regra quando se tratar de segurada em prazo de manutenção da


qualidade de segurada, observando que:

a) a carência exigida será conforme a atividade exercida;

b) a renda mensal inicial será apurada na forma do disposto no inciso I, § 5º do art. 96 da


Instrução Normativa INSS/PRES nº 20/2007, podendo, inclusive, ser inferior ao salário mínimo,
considerando que a somatória de todos os benefícios devidos não pode ultrapassar o limite
máximo do salário de contribuição vigente na data do evento.

Na hipótese de atividades concomitantes, inexistindo contribuição na condição de segurada


contribuinte individual ou empregada doméstica, em respeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição como segurada empregada, o benefício será devido apenas nessa condição, no
valor correspondente à remuneração integral dela.

Se a segurada estiver vinculada à Previdência Social na condição de empregada ou


trabalhadora avulsa, com remuneração inferior ao limite máximo do salário-de-contribuição e,
concomitantemente, exercer atividade que a vincule como contribuinte individual terá direito ao
salário-maternidade na condição de segurada empregada ou trabalhadora avulsa com base na
remuneração integral e, quanto ao benefício como segurada contribuinte individual, deverá ser
observado:

a) se contribuiu há mais de dez meses na condição de contribuinte individual, terá direito ao


benefício, cujo valor corresponderá a um doze avos da soma dos últimos salários-de-
contribuição, apurados em um período não superior a quinze meses, podendo, inclusive, ser
inferior ao salário mínimo;

b) se verteu contribuições em período inferior à carência exigida de dez contribuições, não fará
jus ao benefício na condição de segurada contribuinte individual.

Se, após a extinção do vínculo empregatício, a segurada tiver se filiado como segurada
contribuinte individual ou facultativa e, nessas condições, contribuir há menos de dez meses,
deverá:

a) considerar as contribuições como empregada, às quais se somarão às de contribuinte


individual ou facultativo e, se completar a carência exigida, fará jus ao benefício, observado o
disposto abaixo:
a.1) a renda mensal inicial consistirá em um doze avos da soma dos últimos salários-de-
contribuição, apurados em um período não superior a quinze meses;

a.2) no cálculo, deverão ser incluídas as contribuições vertidas na condição de segurada


empregada, limitado ao teto máximo de contribuição, no extinto vínculo;

a.3) na hipótese da segurada contar com menos de dez contribuições, no período de quinze
meses, a soma dos salários-de-contribuição apurado será dividido por doze;

a.4) se o valor apurado for inferior ao salário mínimo, o benefício será concedido com o valor
mínimo.

b) se mesmo considerando a filiação do extinto vínculo, não satisfizer o período de carência


exigido, não fará jus ao benefício.

Fundamentação: §§ 2º ao 6º do art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII.2 - Reajuste salarial

Caso ocorram reajustes salariais, tais como: aumentos salariais, dissídios coletivos etc., no
curso do período de concessão do salário-maternidade, a segurada poderá pedir a revisão do
benefício ao INSS, desde que observados os seguintes itens:

a) se o aumento ocorreu desde a Data de Início do Benefício (DIB), será efetuada revisão do
benefício;

b) se o aumento ocorreu após a DIB do benefício, deverá ser efetuada a alteração por meio de:

b.1) Atualização Especial (AE), se o benefício estiver ativo; ou

b.2) Pagamento Alternativo de Benefício (PAB), de resíduo, se o benefício estiver cessado,


observando-se quanto à contribuição previdenciária, calculada automaticamente pelo sistema
próprio, respeitado o limite máximo de contribuição.

Fundamentação: § 7º do art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

IX - Cumulação de benefícios

O salário-maternidade não pode ser acumulado com benefício por incapacidade.

Quando ocorrer incapacidade em concomitância com o período de pagamento do salário-


maternidade, o benefício por incapacidade, conforme o caso, deverá ser suspenso enquanto
perdurar o referido pagamento, ou terá sua data de início adiada para o primeiro dia seguinte
ao término do período de 120 (cento e vinte) dias.

Fundamentação: art. 247 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

IX.1 Auxílio-Doença

A segurada em gozo de auxílio-doença, inclusive o decorrente de acidente de trabalho, terá o


benefício suspenso administrativamente enquanto perdurar o salário-maternidade, devendo o
benefício por incapacidade ser restabelecido a contar do primeiro dia seguinte ao término do
período de 120 (cento e vinte) dias, caso a Data Cessação do Benefício (DCB) tenha sido
fixada em data posterior a este período.
Se fixada a DCB do benefício por incapacidade durante a vigência do salário-maternidade e
ficar constatado, mediante avaliação da Perícia Médica do INSS, a pedido da segurada, que
esta permanece incapacitada para o trabalho pela mesma doença que originou o auxílio-
doença cessado, este será restabelecido, fixando-se novo limite.

Se na avaliação da Perícia Médica do INSS ficar constatada a incapacidade da segurada para


o trabalho em razão de moléstia diversa do benefício de auxílio-doença cessado, deverá ser
concedido novo benefício.

Nas situações em que a segurada estiver em gozo de auxílio-doença e requerer o salário-


maternidade, o valor deste corresponderá:

a) para a segurada empregada com remuneração fixa, ao valor da remuneração que estaria
recebendo, como se em atividade estivesse;

b) para a segurada empregada com remuneração variável, à média aritmética simples das seis
últimas remunerações recebidas da empresa, anteriores ao auxílio-doença, devidamente
corrigidas;

c) para a segurada contribuinte individual, facultativa e para as que mantenham a qualidade de


segurado, à média dos doze últimos salários-de-contribuição apurados em período não
superior a quinze meses, incluídos, se for o caso, o valor do salário-de-benefício do auxílio-
doença, reajustado nas mesmas épocas e bases dos benefícios pagos pela Previdência Social.

Nas situações previstas nas alíneas "a" e "b", se houve reajuste salarial da categoria, após o
afastamento do trabalho que resultou no auxílio-doença, caberá à segurada comprovar o novo
valor da parcela fixa da respectiva remuneração ou o índice de reajuste, que deverá ser
aplicado unicamente sobre a parcela fixa.

Fundamentação: §§ 8º e 9º do art. 96 e art. 247 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

X - Aborto

Caso a segurada seja vítima de aborto não criminoso, comprovado mediante atestado médico,
terá direito ao salário-maternidade correspondente a duas semanas.

Para comprovação do aborto não criminoso o atestado médico deverá informar o CID (Código
Internacional de Doenças) específico.

Fundamentação: § 5º do art. 93 do Decreto nº 3.048/1999; e art. 240 da Instrução Normativa


INSS nº 20/2007.

XI - Responsabilidade pelo pagamento do benefício

O salário-maternidade será pago diretamente pelo INSS ou pela empresa contratante,


devidamente legalizada, observando as seguintes situações:

a) o requerimento do salário-maternidade junto ao INSS poderá ser feito por meio da Agência
da Previdência Social (APS) ou via Internet no site www.mps.gov.br;

Esta regra aplica-se para as seguradas trabalhadora avulsa, empregada doméstica,


contribuinte individual, facultativa, segurada especial e empregada adotante.
b) fica garantido o pagamento do salário-maternidade pela empresa à segurada empregada,
quando o início do afastamento do trabalho tenha ocorrido até o dia 28 de novembro de 1999,
véspera da publicação da Lei nº 9.876;

c) para requerimentos efetivados a partir de 1º de setembro de 2003, o salário-maternidade


devido à segurada empregada, independentemente da data do afastamento ou do parto, será
pago diretamente pela empresa, exceto no caso de adoção ou de guarda judicial para fins de
adoção, quando será pago diretamente pelo INSS.

A segurada empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção
poderá requerer e receber o salário-maternidade via empresa, desde que esta possua
convênio com tal finalidade.

Fundamentação: art. 246 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e arts. 86 e 87 da Instrução


Normativa RFB nº 971/2009.

XII - Revisão de benefício

A segurada empregada ou a trabalhadora avulsa, quando do pedido de revisão do valor da


renda do salário-maternidade, requerido a partir de 9 de janeiro de 2002, deverá apresentar
documentos que comprovem a alteração salarial.

A empregada doméstica, ao requerer revisão de benefício, deverá apresentar a CP (Carteira


Profissional) ou a CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social), bem como os
comprovantes dos recolhimentos dos salários-de-contribuição efetuados a partir dos valores
declarados na CP ou na CTPS.

Fundamentação: art. 248 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

XIII - Recolhimento previdenciário

Durante o período de percepção de salário-maternidade, será devida a contribuição


previdenciária, visto que este benefício é salário-de-contribuição.

Desse modo, sobre o montante pago a título de salário-maternidade incidem as contribuições


sociais previdenciárias, bem como as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos
(terceiros), quando for o caso.

Fundamentação: § 2º do art. 28 da Lei nº 8.213/199; § 2º do art. 244 do Decreto nº 3.048/1999;


e art. 85 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.

XIII.1 - Empregada

Quando a segurada empregada estiver em gozo de salário-maternidade, a empresa ou pessoa


equiparada deverá efetuar as seguintes contribuições:

a) 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe
prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as
gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do
empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção
ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;

b) 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título,
no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;
c) para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do
grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho
(GIIL-RAT), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe
prestem serviços, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais:

c.1) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes
do trabalho seja considerado leve;

c.2) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja
considerado médio;

c.3) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja
considerado grave.

As alíquotas constantes do GIIL-RAT serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou


aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua
respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP).

Para saber mais sobre o Fator Acidentário de Prevenção consulte o Roteiro -


Previdenciário/Trabalhista sob o título: O recolhimento previdenciário patronal e o Fator
Acidentário de Prevenção (FAP) - Roteiro de Procedimentos

Exercendo o segurado atividade em condições especiais que possam ensejar aposentadoria


especial após 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos de trabalho sob exposição a
agentes nocivos prejudiciais à sua saúde e integridade física, é devida pela empresa ou
equiparada a contribuição adicional destinada ao financiamento das aposentadorias especiais,
de acordo com os seguintes percentuais: respectivamente: 12% (doze por cento), 9% (nove por
cento) e 6% (seis por cento), para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2000.

d) 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços,
relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas
de trabalho; e

e) recolhimento destinado a outras entidades (terceiros).

Esta alíquota será fixada de acordo com o enquadramento do Fundo de Previdência e


Assistência Social (FPAS), que deverá ser realizado pela empresa levando em consideração
sua atividade, conforme regras contidas nos Anexos I e II da Instrução Normativa RFB nº
971/2009.

No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento,


caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades
de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas
de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de
crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições
referidas, é devida a contribuição adicional de 2,5% (dois vírgula cinco por cento)
sobre a base de cálculo definida nas linhas "a" e "b".

Além disso, o empregador deverá repassar ao INSS, a contribuição descontada da empregada,


conforme tabela abaixo:

SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA PARA FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS


até 1.024,97 8,00%

de 1.024,98 até 1.708,27 9,00%

de 1.708,28 até 3.416,54 11,00%

Quando o desconto na empresa ou no INSS atingir o limite máximo do salário-de-contribuição,


não caberá mais nenhum desconto pela outra parte

A regra mencionada na alínea "d" não se aplica quando se tratar de mãe adotante que
recebe o salário-maternidade diretamente do INSS.

Algumas das empresas optantes pelo Simples Nacional estão isentas da contribuição
previdenciária patronal (CPP), conforme prevê o inciso VI do art. 13 da Lei Complementar nº
123/2006.

Para saber mais sobre as empresas optantes pelo Simples Nacional consulte o Roteiro
- Previdenciário/Trabalhista sob o título: Simples Nacional - Empresas optantes -
Aspectos previdenciários <PID=207553>.

Fundamentação: art. 22 da Lei nº 8.212/1991; art. 202-A do Decreto nº 3.048/1999; arts. 72,
85, 109 e Anexos I e II da Instrução Normativa RFB nº 971/2009; inciso VI do art. 13 da Lei
Complementar nº 123/006; Anexo II da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009.

XIII.1.1 - Fração de mês

Quando o recebimento do salário-maternidade corresponder à fração de mês, o desconto


referente à contribuição da empregada, tanto no início quanto no término do benefício, será
feito da seguinte forma:

a) pela empresa, sobre a remuneração relativa aos dias trabalhados, aplicando-se a alíquota
que corresponde à remuneração mensal integral, respeitado o limite máximo do salário-de-
contribuição;

b) pelo INSS, sobre o salário-maternidade relativo aos dias correspondentes, aplicando-se a


alíquota devida sobre a remuneração mensal integral, observado o limite máximo do salário-de-
contribuição.

Quando o desconto na empresa ou no INSS atingir o limite máximo do salário-de-contribuição,


não caberá mais nenhum desconto pela outra parte.

A empresa que efetuou dedução relativa ao salário-maternidade, cujo afastamento do trabalho


da segurada tenha ocorrido após 28 de novembro de 1999, deverá recolher o valor
correspondente a essa dedução indevida, com os acréscimos legais.

Fundamentação §§ 1º ao 3º do art. 250 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

XIII.2 - Doméstica

No período de salário-maternidade da segurada empregada doméstica, caberá ao empregador


recolher apenas a parcela da contribuição a seu cargo (12% do salário-de-contribuição do
empregado doméstico a seu serviço), sendo que a parcela devida pela empregada doméstica
será descontada pelo INSS por ocasião do pagamento do benefício.
Fundamentação: art. 24, § 2º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; § 2º do art. 214 do Decreto nº
3.048/1999; art. 251 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e art. 91 da Instrução Normativa
RFB nº 971/2009.

XIII.3 - Seguradas contribuinte individual, facultativa e em prazo de manutenção da


qualidade de segurada

Serão descontadas, pelo INSS, durante a percepção do salário-maternidade as seguintes


alíquotas de contribuição sobre o valor do benefício da segurada contribuinte individual,
facultativa e as em prazo de manutenção da qualidade de segurada:

a) contribuinte individual e facultativa: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), se
optante pelo Plano Simplificado do INSS (art. 199-A do Decreto nº 3.048/1999, com redação
dada pelo Decreto nº 6.042/2007);

b) para a segurada em prazo de manutenção da qualidade de segurada a contribuição devida


será aquela correspondente à sua última categoria, conforme o valor do salário-maternidade:

b.1) se contribuinte individual: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), conforme a
última contribuição;

b.2) sendo empregada doméstica: percentual referente à empregada (8%, 9% ou 11%);

b.3) se facultativa: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), conforme a última
contribuição;

b.4) como empregada adotante - parte referente à empregada (8%, 9% ou 11%).

A contribuição devida pela contribuinte individual e facultativa, relativa à fração de mês, por
motivo de início ou de término do salário-maternidade, deverá ser efetuada pela segurada em
valor mensal integral e a contribuição devida no curso do benefício será descontada pelo INSS
do valor do benefício.

O salário-maternidade da contribuinte individual, facultativa e as em prazo de manutenção da


qualidade de segurada em decorrência dessas atividades, concedido como contribuinte optante
pelos 11% (onze por cento), na forma estabelecida pelo art. 199-A do Decreto nº 3.048/1999,
não poderá ser computado para fins de tempo de contribuição em aposentadoria por tempo de
contribuição e Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).

Fundamentação: § 2º do art. 28 da Lei nº 8.213/199; art. 199-A, § 2º do art. 214 do Decreto nº


3.048/1999; art. 252 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e art. 88 da Instrução Normativa
RFB nº 971/2009.

XIV - Dedução

O salário-maternidade pago pela empresa ou pelo equiparado à segurada empregada,


inclusive a parcela do décimo terceiro salário correspondente ao período da licença, poderá ser
deduzido quando do pagamento das contribuições sociais previdenciárias devidas, exceto das
contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.

Para fins da dedução da parcela de 13º salário, deve-se observar a seguinte regra:

a) a remuneração correspondente ao décimo terceiro salário deverá ser dividida por 30 (trinta);

b) o resultado da operação descrita na linha "a" deverá ser dividido pelo número de meses
considerados no cálculo da remuneração do décimo terceiro;
c) a parcela referente ao décimo terceiro salário proporcional ao período de licença-
maternidade corresponde ao produto da multiplicação do resultado da operação descrita na
linha "b" pelo número de dias de gozo de licença-maternidade no ano.

Para efeito de dedução, o valor pago a título de salário-maternidade não poderá ser superior ao
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o
art. 248 da Constituição Federal de 1988.

Fundamentação: §§ 1º e 2º do art. 86 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.

XV - Abono anual

O abono anual (décimo terceiro salário ou gratificação natalina) corresponde ao valor da renda
mensal do benefício no mês de dezembro ou no mês da alta ou da cessação do benefício, para
o segurado que recebeu salário-maternidade.

O décimo terceiro salário (abono anual) pago pelo INSS, correspondente ao período em que a
segurada esteve em gozo de salário-maternidade, é a base de cálculo para a contribuição
previdenciária e para o depósito de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

O valor do recolhimento previdenciário relativo ao décimo terceiro salário (abono anual) do


salário-maternidade da empregada deverá ser efetuado pelo empregador, por meio de Guia da
Previdência Social (GPS), a ser quitada até o dia 20 de dezembro do ano a que se referir o
respectivo recolhimento, ainda que parte dele tenha sido paga pelo INSS, da seguinte forma:

a) no campo 3 da GPS, informar o código de recolhimento normal da empresa;

b) no campo 4 da GPS, fazer constar o mês de competência do décimo terceiro salário a que
se refere o respectivo recolhimento.

Fundamentação: § 7º do art. 28, art. 40 da Lei nº 8.212/1991; "caput" do art. 120 do Decreto nº
3.048/1999; "caput" do art. 15 da Lei nº 8.036/1990; arts. 253, 254 e "caput" do art. 301 da
Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e Ato Declaratório Executivo nº 69/2009.

XVI - Salário-Família

O salário-família será devido à segurada em gozo de salário-maternidade, desde que atendidas


as regras contidas no art. 4º da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009.

Assim, quando se tratar de empregada, caberá à empresa realizar o pagamento da cota do


salário-família, ainda que a empregada esteja em gozo de salário-maternidade. Para tanto, a
empregada deve apresentar à empresa:

a) CP ou CTPS;

b) Certidão de Nascimento do filho (original e cópia);

c) caderneta de vacinação ou equivalente, quando dependente menor de 7 (sete) anos, sendo


obrigatória nos meses de novembro, contados a partir de 2000;

d) comprovação de invalidez, a cargo da Perícia Médica do INSS, quando dependente maior


de quatorze anos;

e) comprovante de freqüência à escola, quando dependente a partir de 7 (sete) anos, nos


meses de maio e novembro, contados a partir de 2000.
A empresa poderá deduzir o valor pago à título de salário-família e salário-maternidade por
ocasião dos recolhimentos previdenciários incidentes sobre a folha de pagamento.

É vedada a dedução ou compensação do valor das quotas de salário-família ou de


salário-maternidade das contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil
(RFB) para outras entidades ou fundos.

Para as demais seguradas, o salário-família será pago diretamente pelo INSS, quando for o
caso.

Fundamentação: art. 4º da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009; art. 234 da Instrução


Normativa INSS nº 20/2007; e art. 30 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 .

XVII - Obrigações acessórias

XVII.1 - Documentos previdenciários

A segurada empregada deverá dar quitação à empresa do recebimento do salário-


maternidade, de modo que o pagamento do benefício fique plenamente caracterizado.

A empresa, que pagar o salário-maternidade diretamente à empregada, deverá manter


arquivados, durante 05 (cinco) anos, os comprovantes de pagamento do salário-maternidade e
os correspondentes atestados médicos ou certidões de nascimento, à disposição da
fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

Vale frisar todavia, que de acordo com a antiga redação do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, o
direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguia-se após 10 (dez)
anos. Todavia, o art. 13 da Lei Complementar nº 128 de 19.12.2008 revogou expressamente
esta regra.

Antes desta revogação, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia se posicionado ao editar,
em 16.06.2008, a Súmula Vinculante nº 8, com a seguinte redação:

"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/1977 e os artigos 45


e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário"

Diante do exposto, entendemos que o prazo de guarda dos documentos previdenciários é de


05 (cinco) anos. Salientamos porém, que este entendimento não está totalmente pacificado,
cabendo exclusivamente à empresa adotar o entendimento que julgar mais acertado.

Fundamentação: art. 13 da Lei Complementar nº 128/2008; e Súmula do STF nº 8.

XVII.2 - FGTS

Toda a documentação relativa ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deverá


permanecer guardada por período mínimo de 30 anos. Neste sentido, prevê § 5º do art. 23 da
Lei nº 8.036/1990:

"O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas reger-se-á pelo disposto no


Título VII da CLT, respeitado o privilégio do FGTS à prescrição trintenária.".

Isto significa afirmar que, a partir da data da obrigação perante o FGTS, a fiscalização poderá
exigir do empregador, pelo prazo de até 30 (trinta) anos os depósitos devidos, sob pena de
autuação.
Entretanto, existem posicionamentos doutrinários e decisões jurisprudenciais sustentando que
a prescrição em relação ao FGTS é de 5 (cinco) anos, dada sua natureza tributária e, portanto,
sujeita ao prazo para cobrança relativo a tributos. Todavia, preventivamente, orientamos que as
empresas guardem os documentos relacionados ao FGTS, por prazo mínimo, de 30 anos.

Fundamentação: § 5º do art. 23 da Lei nº 8.036/1990.

XVIII - Estabilidade provisória

É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada, desde a confirmação da


gravidez até 5 (cinco) meses após o parto, garantindo desse modo, a estabilidade provisória de
emprego.

O inciso I do art. 13, da Instrução Normativa da Secretaria das Relações do Trabalho (SRT) nº
3/2002, por sua vez, também prevê que constitui circunstância impeditiva de rescisão
contratual arbitrária ou sem justa causa a gestação da empregada, desde a confirmação da
gravidez até 5 (cinco) meses após o parto.

Atualmente, a citada garantia também é estendida à empregada doméstica por meio da Lei nº
11.324/2006, a qual acrescentou o art. 4º-A à Lei nº 5.859/1972 que dispõe sobre a respectiva
profissão.

Fundamentação: alínea "b" do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais


Transitória (ADCT); inciso I do art. 13 da Instrução Normativa SRT/MTE nº 3/2002; e art. 4º-A
da Lei 5.859/1972.

XIX - Férias

A legislação atual não veda a concessão de férias individuais após o término do gozo do
salário-maternidade, mesmo que as férias sejam gozadas dentro do período de estabilidade
legal.

Todavia, é necessário que as férias sejam concedidas dentro do período concessivo e que, a
empresa tenha realizado o aviso dessas férias com 30 dias de antecedência, conforme define o
art. 135 da CLT.

Uma vez atendidos os requisitos anteriormente declarados, nada impede que o gozo de férias
da empregada coincida com o período de estabilidade provisória, salvo quando houver
documento coletivo da categoria profissional que estabeleça regra mais benéfica à empregada.

Fundamentação: arts. 130 e 135 da CLT.

XX - Jurisprudências

"GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. O direito de a empregada gestante manter-se no


emprego, sem prejuízo dos salários, com conseqüente restrição ao direito de resilição unilateral
do contrato pelo empregador, sob pena de sujeitar-se às reparações legais, nasce com a
concepção e projeta-se até 5 meses após o parto. Trata-se de garantia constitucional, prevista
no artigo 10, II, b , do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, cujo escopo é não
somente a proteção à gestante, mas assegurar o bem-estar do nascituro, erigindo-se em
genuíno direito fundamental. Em se tratando de direito tutelado por normas de ordem pública e,
conseqüentemente, revestido do caráter de indisponibilidade, a seu exercício não pode se opor
o mero direito potestativo atribuído ao empregador por força de norma infraconstitucional. O
interesse em assegurar a vida desde seu estágio inicial é da sociedade, cumprindo ao Estado
outorgar ao nascituro proteção ampla e eficaz. Recurso de revista conhecido e provido." (TST -
1ª Turma - RR - 918/2003-038-15-00.Relator - GMLBC. DJ - 14/12/2007).
"GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. DESCONHECIMENTO DO ESTADO
GRAVÍDICO. Esta Corte firmou entendimento no sentido de que o desconhecimento da
gravidez por parte do empregador, na ocasião da dispensa da empregada, não o exime da
obrigação de efetuar o pagamento da indenização decorrente da estabilidade provisória.
Portanto, o direito em questão pressupõe tão-somente o estado gravídico da empregada na
vigência do contrato de trabalho, que é o caso, tendo em vista a responsabilidade objetiva
resultante dos riscos inerentes à condição de empregador." (TST - 5ª Turma - RR - 369/2004-
006-20-00 Relator - GMEMP DJ - 14/12/2007).

"EMPREGADA EM LICENÇA-MATERNIDADE - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO PERÍODO


MEDIANTE AJUSTE COM O EMPREGADOR - ILEGALIDADE. O afastamento compulsório em
razão da maternidade é norma de ordem pública, não se prestando a derrogações pela
vontade dos contratantes, vez que o instituto visa à proteção da maternidade, da criança e, em
última análise, da família. Simulação de ato jurídico contrário à lei, com intuito de fraudar
terceiros (Previdência Social, FGTS, Fisco), em que a empregada, em visão estreita e
egoística, presta serviços no período de afastamento, percebendo salários do empregador
concomitantemente com o benefício previdenciário do salário-maternidade. Aplicável o artigo
104 do Código Civil de 1916 (vigente à época dos fatos). Recurso a que se nega provimento."
(TRT 2ª Região - 1ª Turma - RO 20070064509 - Relator(a): Maria Inês Moura Santos Alves da
Cunha - Data de julgamento: 08/02/2007).

"ESTABILIDADE DA GESTANTE - PREVALÊNCIA DE ACORDO COLETIVO. A existência de


previsão, em norma coletiva, de um determinado prazo para que a empregada apresente-se à
empresa para readmissão, implica, se não observado este, em perda do direito à estabilidade,
a teor do disposto no artigo 7º, XXVI, da Carta Constitucional. Recurso provido."( RR -
315555/1996.8 , Relator Ministro: Márcio Rabelo, Data de Julgamento: 23/06/1999, 4ª Turma,
Data de Publicação: 13/08/1999).

"ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. A estabilidade provisória da gestante prevista na


Constituição Federal de 1988 (CF/88, ADCT, art. 10, II, "b") decorre de fato objetivo, qual seja,
a confirmação da gravidez, logicamente antes da extinção do contrato de emprego. Assim, o
desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da
indenização decorrente da estabilidade, nos termos do dispositivo constitucional mencionado.
Precedentes da SDI do Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista conhecido e
provido."( RR - 312494/1996.7 , Relator Ministro: José Carlos Perret Schulte, Data de
Julgamento: 08/04/1999, 3ª Turma, Data de Publicação: 30/04/1999).

"ESTABILIDADE DA GESTANTE. GARANTIA INCONDICIONADA. RESPONSABILIDADE


OBJETIVA DO EMPREGADOR. A alínea "b", II, do art. 10º do ADCT da CF, confere garantia
objetiva de emprego à gestante desde a confirmação da gravidez. Com a expressão
"confirmação", quis o legislador referir-se à data da concepção. Portanto, o escopo da norma é
mesmo o de impedir a dispensa, sem justo motivo, da trabalhadora grávida. A responsabilidade
da empresa é objetiva, pouco importando a ciência do empregador quanto ao fato, porque além
da óbvia proteção à gestante, também os direitos do nascituro encontram-se preservados
desde a concepção (art. 4º, CCB/1916, e art. 2º do NCC). A proteção objetiva dimana da lei
civil e da Constituição Federal, e se harmoniza à teoria da responsabilidade em face do risco
da atividade (art. 2º da CLT). Com efeito, se alguém resolve explorar atividade econômica,
deve assumir os riscos dessa iniciativa, decorrentes da contratação de mão-de-obra,
afastamentos, acidentes, doenças profissionais, gravidez e outros. A estabilidade provisória da
gestante não pode, assim, estar condicionada à comprovação de ciência, sob pena de se
inviabilizar esse direito fundamental, cujo gozo dependeria sempre da boa-fé do empregador.
Cerrando fileiras com o E. STF, o C. TST consagrou a tese objetivista, através da Súmula nº
244, inciso I e OJ nº 30 da SDC, afastando qualquer possibilidade de restrição do direito
indisponível da gestante à garantia em tela, inclusive através de norma coletiva. Recurso a que
se dá provimento." (TRT 2ª região - 4ª Turma - RO 20090462178 - Relator: Ricardo Artur Costa
e Trigueiros - Data da publicação: 19/06/2009).

"DOMÉSTICA GESTANTE. DISPENSA ANTERIOR À LEI 11.324/06. ESTABILIDADE


INDEVIDA. DIREITO À INDENIZAÇÃO DO SALÁRIO-MATERNIDADE. É certo que a Lei
11.324, de 19.7.2006, veio acrescentar o artigo 4º - "A" à Lei 5.859/72 (que trata da profissão
de empregado doméstico), tornando vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da
empregada doméstica gestante, desde a concepção da gravidez até cinco meses após o parto.
Todavia, face ao princípio da irretroatividade, in casu tais disposições são inaplicáveis à autora
vez que os fatos consumaram-se na vigência da lei anterior, não podendo ser afetados pela lei
nova. Embora indevida a estabilidade, faz jus, todavia, a reclamante, à indenização
correspondente ao salário-maternidade vez que a empregadora dispensou-a quando grávida,
obstando assim, o gozo da licença a que teria direito, conforme dispõe o art. 7º, parágrafo
único e inciso XVIII, da Constituição Federal. Incidência do artigo 927 do NCC e Orientação
Jurisprudencial nº 44 da SDI -1:"É devido o salário maternidade, de 120 dias, desde a
promulgação da CF/1988, ficando a cargo do empregador o pagamento do período acrescido
pela Carta". Recurso da reclamante ao qual por maioria se dá provimento parcial." (TRT 2ª
Região - 4ª Turma - RO 20080212306 - Relator(a) Designado(a): Ricardo Artur Costa e
Trigueiros - Data de julgamento: 04/04/2008).

Salário-Maternidade - Aspectos trabalhistas e previdenciários - Roteiro de


Procedimentos

Roteiro - Previdenciário/Trabalhista - 2010/4118

Sumário

Introdução

I - Concessão

II - Beneficiárias

III - Prazo de duração

III.1 - Mãe biológica

III.2 - Mãe adotante

III.3 - Prorrogação por mais duas semanas

III.4 - Prorrogação por sessenta dias - Programa Empresa Cidadã

III.4.1 - Adesão por parte da pessoa jurídica

III.4.2 - Prazo para requerimento

III.4.3 - Mãe adotante

III.4.4 - Benefício fiscal

IV - Carência

V - Período de graça

V.1 - Empregada

V.2 - Manutenção da qualidade de segurada

VI - Documentos comprobatórios
VII - Trabalho temporário

VIII - Renda mensal

VIII.1 - Atividades concomitantes

VIII.2 - Reajuste salarial

IX - Cumulação de benefícios

IX.1 - Auxílio-Doença

X - Aborto

XI - Responsabilidade pelo pagamento do benefício

XII - Revisão de benefício

XIII - Recolhimento previdenciário

XIII.1 - Empregada

XIII.1.1 - Fração de mês

XIII.2 - Doméstica

XIII.3 - Seguradas contribuinte individual, facultativa e em prazo de manutenção da qualidade


de segurada

XIV - Dedução

XV - Abono anual

XVI - Salário-Família

XVII - Obrigações acessórias

XVII.1 - Documentos previdenciários

XVII.2 - FGTS

XVIII - Estabilidade provisória

XIX - Férias

XX - Jurisprudências

Introdução

O salário-maternidade foi criado como forma de proteção ao trabalho da mulher, tendo como
início o nascimento da criança.

Neste contexto, o art. 377 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) definiu que a adoção
de medidas de proteção ao trabalho das mulheres deveria ser considerada de ordem pública,
não justificando, em hipótese alguma, a redução de salário.
Anos mais tarde, com a publicação da Lei nº 10.421 de 15 de abril de 2002 a licença-
maternidade foi estendida às mães adotivas, como forma de garantir a efetiva inserção da
criança no seio familiar.

Hoje, a proteção à trabalhadora gestante é garantia prevista tanto no Direito do Trabalho como
no Direito Previdenciário.

Fundamentação: art. 377 da CLT.

I - Concessão

O salário-maternidade é um benefício previdenciário devido à segurada empregada, à


trabalhadora avulsa, à empregada doméstica, à contribuinte individual, à facultativa e à
segurada especial, durante 120 (cento e vinte) dias. Este benefício tem início até 28 (vinte e
oito) dias anteriores ao parto e termina 91 (noventa e um) dias depois dele, considerando,
inclusive, o dia do parto.

A empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança também fará
jus ao benefício.

Desse modo, constituirá fato gerador para recebimento do salário-maternidade:

a) o parto, inclusive o antecipado;

b) o aborto não criminoso;

c) a adoção de criança; e

d) a obtenção de guarda judicial de criança para fins de adoção.

Considera-se parto, para fins de concessão de salário-maternidade, o evento ocorrido


a partir da 23ª semana (6 meses) de gestação, inclusive em caso de natimorto,
também considera-se parto o nascimento com vida antes dos 6 meses de gestação.

Fundamentação: arts. 392 e 392-A da CLT; art. 71 e 71-A da Lei nº 8.213/1991; "caput" e §§ 4º
e 5º do art. 93 e art. 93-A do Decreto nº 3.048/1999; "caput" e §§ 3º e 4º do art. 236 da
Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

II - Beneficiárias

Farão jus ao recebimento do salário-maternidade, desde que observadas as regras impostas


pela legislação previdenciária, as seguintes seguradas: empregada, trabalhadora avulsa,
empregada doméstica, contribuinte individual, segurada facultativa e segurada especial.

Neste contexto, considera-se :

a) segurada empregada: pessoa que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em
caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretora
empregada;

b) trabalhadora avulsa: a pessoa sindicalizada ou não, que presta serviço de natureza urbana
ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do
órgão gestor de mão-de-obra, nos termos da Lei nº 8.630/1993, ou do sindicato da categoria;
c) empregada doméstica: pessoa física que presta serviço de natureza contínua, mediante
remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividade sem fins
lucrativos;

d) contribuinte individual: pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em
caráter eventual, a uma ou mais empresas, ou ainda, a uma ou mais pessoas físicas;

e) segurada facultativa: a pessoa física, maior de 16 anos de idade que se filiar ao Regime
Geral de Previdência Social, mediante contribuição previdenciária, desde que não esteja
exercendo atividade remunerada que o enquadre como segurado obrigatório da Previdência
Social;

f) segurada especial: produtora rural, a parceira, a meeira, a pescadora artesanal entre outras,
que exerçam suas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, com ou sem
auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos 16
anos de idade ou a eles equiparados, desde que trabalhem comprovadamente com o grupo
familiar respectivo.

Fundamentação: incisos I, II, V, VI, VII do art. 11 e art. 13 da Lei nº 8.213/1991; incisos I, II, V,
VI, VII do art. 9º, art. 11 do Decreto nº 3.048/1999; arts. 3º ao 8º e 11 da Instrução Normativa
INSS nº 20/2007.

III - Prazo de duração

III.1 - Mãe biológica

O salário-maternidade é devido à mãe biológica, durante 120 (cento e vinte) dias, com início
até 28 (vinte e oito) dias anteriores ao parto e término 91 (noventa e um) dias depois dele,
considerando, inclusive, o dia do parto.

Fundamentação: art. 392 da CLT, art. 71 da Lei nº 8.213/1991; "caput" art. 93 do Decreto nº
3.048/1999; "caput" do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

III.2 - Mãe adotante

A Lei nº 10.421/2002 instituiu o direito do salário-maternidade à mãe adotiva, incluindo desse


modo, o art. 392-A da CLT, que por sua vez, declara:

Art. 392-A. À empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança
será concedida licença-maternidade nos termos do art. 392, observado o disposto no seu § 5º.
§ 1º No caso de adoção ou guarda judicial de criança até 1 (um) ano de idade, o período de
licença será de 120 (cento e vinte) dias.
§ 2º No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de 1 (um) ano até 4 (quatro) anos
de idade, o período de licença será de 60 (sessenta) dias.
§ 3º No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de 4 (quatro) anos até 8 (oito)
anos de idade, o período de licença será de 30 (trinta) dias.
§ 4º A licença-maternidade só será concedida mediante apresentação do termo judicial de
guarda à adotante ou guardiã.

Em 04.08.2009 foi publicada a Lei nº 12.010/2009, que por sua vez, revogou os §§ 1º, 2º e 3º
da 392-A. Desse modo, o período do salário-maternidade das mães biológicas e adotantes foi
equiparado.

No caso de empregos concomitantes, a segurada fará jus ao salário-maternidade relativo a


cada emprego.
O salário-maternidade é devido à segurada adotante independentemente de a mãe biológica
ter recebido o mesmo benefício quando do nascimento da criança.

Fundamentação: arts 392-A da CLT, com redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 12.010/2009; §
2º do art. 96, §§ 7º e 10 do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

III.3 - Prorrogação por mais duas semanas

Quando houver efetivo risco para a vida do feto, da criança ou da mãe, os períodos de repouso
anteriores e posteriores ao parto poderão ser prorrogados, excepcionalmente, por duas
semanas.

Nesta hipótese, o atestado médico deverá ser apreciado pela Perícia Médica do INSS, exceto
nos casos de segurada empregada em que o salário-maternidade é pago diretamente pela
empresa.

Para a segurada em prazo de manutenção da qualidade de segurada, fica assegurado o direito


à prorrogação somente para repouso posterior ao parto.

Fundamentação: § 3º do art. 93 do Decreto nº 3.048/1999; e art. 239 da Instrução Normativa


INSS nº 20/2007.

III.4 - Prorrogação por sessenta dias - Programa Empresa Cidadã

A Lei nº 11.770/2008 criou o Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação da licença-


maternidade mediante a concessão de incentivo fiscal.

De acordo com a referida Lei, o prazo de 120 (cento e vinte dias) da licença-maternidade,
poderá ser prorrogado por mais 60 (sessenta) dias, totalizado 180 dias.

A prorrogação de 60 (sessenta) dias será garantida à empregada da pessoa jurídica que aderir
ao Programa Empresa Cidadã, desde que a empregada a requeira até o final do primeiro mês
após o parto, e que esta seja concedida imediatamente após a fruição da licença-maternidade.

A prorrogação será garantida, na mesma proporção, também à empregada que adotar


ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança.

Durante o período de prorrogação da licença-maternidade, a empregada terá direito à sua


remuneração integral, nos mesmos moldes devidos no período de percepção do salário-
maternidade pago pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

No período de licença-maternidade e licença à adotante, a empregada não poderá exercer


qualquer atividade remunerada, salvo nos casos de contrato de trabalho simultâneo firmado
previamente, e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar. Caso essa
regra não seja observada, a beneficiária perderá o direito à prorrogação.

Fundamentação: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 11.770/2008; e art. 1º do Decreto nº 7.052/2009; e


art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 991/2010.

III.4.1 - Adesão por parte da pessoa jurídica

A pessoa jurídica poderá aderir ao Programa Empresa Cidadã mediante Requerimento de


Adesão formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
O Requerimento de Adesão poderá ser formulado exclusivamente no sítio da Secretaria da
Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br a
partir do dia 25 de janeiro de 2010.

O acesso ao endereço eletrônico dar-se-á por meio de código de acesso, a ser obtido nos
sítios da RFB na Internet, ou mediante certificado digital válido.

Fundamentação: art. 3º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 3º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.2 - Prazo para requerimento

Será beneficiada pelo Programa Empresa Cidadã, a empregada da pessoa jurídica que aderir
ao Programa, desde que a empregada requeira a prorrogação do salário-maternidade até o
final do 1º (primeiro) mês após o parto.

A prorrogação do salário-maternidade iniciar-se-á no dia subsequente ao término da vigência


do salário-maternidade concedido pela Previdência Social, sendo devida, inclusive, no caso de
parto antecipado.

Fundamentação: art. 1º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 1º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.3 - Mãe adotante

A prorrogação do salário-maternidade também aplica-se à empregada de pessoa jurídica que


adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança, pelos seguintes períodos:

a) por 60 (sessenta) dias, quando se tratar de criança de até 1 (um) ano de idade;

b) por 30 (trinta) dias, quando se tratar de criança a partir de 1 (um) até 4 (quatro) anos de
idade completos; e

c) por 15 (quinze) dias, quando se tratar de criança a partir de 4 (quatro) anos até completar 8
(oito) anos de idade.

Fundamentação: art. 2º do Decreto nº 7.052/2009; e art. 2º da Instrução Normativa RFB nº


991/2010.

III.4.4 - Benefício fiscal

A pessoa jurídica que aderir ao Programa, desde que tributada com base no lucro real poderá
deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, o total da remuneração integral da
empregada pago nos 60 (sessenta) dias de prorrogação de sua licença-maternidade, vedada a
dedução como despesa operacional de acordo com as regras estabelecidas pelos artigos 4º, 5º
e 8º da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.

Fundamentação: art. 5º da Lei nº 11.770/2008, art. 4º do Decreto nº 7.052/2009; e arts. 4º, 5º e


8º da Instrução Normativa RFB nº 991/2009.

IV - Carência

Para algumas seguradas da Previdência Social será necessário possuir um período mínimo de
carência para fazer jus ao gozo do salário-maternidade.
Neste contexto, considera-se período de carência o tempo correspondente ao número mínimo
de contribuições mensais indispensáveis para que a beneficiária faça jus ao recebimento da
licença-maternidade.

Para as seguradas empregada, empregada doméstica e trabalhadora avulsa não há período de


carência para a concessão do referido benefício.

Todavia, para as seguradas contribuinte individual, especial e facultativa, para ter direito ao
recebimento do salário-maternidade, é necessário ter realizado, no mínimo, 10 (dez)
contribuições mensais.

Caso tenha havido a perda da qualidade de segurada, as contribuições anteriores a essa perda
somente serão computadas, para efeito de carência, depois que a segurada contar, a partir da
nova filiação ao RGPS (Regime Geral da Previdência Social), com, no mínimo, 1/3 (um terço)
do número de contribuições exigidas como carência para a espécie.

Na ocorrência de parto antecipado, a carência será reduzida em número de contribuições


equivalente ao número de meses em que o parto foi antecipado.

Será devido o salário-maternidade à segurada especial, desde que comprove o exercício de


atividade rural nos últimos 10 (dez) meses imediatamente anteriores à data do parto ou do
requerimento do benefício, quando requerido antes do parto, mesmo que de forma
descontínua, aplicando-se, quando for o caso, a redução prevista no parágrafo anterior.

Fundamentação: art. 24, inciso III do art. 25, inciso VI do art. 26 e parágrafo único art. 39 da Lei
nº 8.213/1991; art. 26, art. 27-A, inciso III e parágrafo único do art. 29, e inciso II do art. 30 do
Decreto nº 3.048/1999.

V - Período de graça

A licença-maternidade também será devida à segurada desempregada (empregada,


trabalhadora avulsa e doméstica), para aquela que cessou as contribuições (contribuinte
individual ou facultativa) e para a segurada especial, desde que mantida a qualidade de
segurada, observando que:

a) o nascimento da criança, inclusive em caso de natimorto ou a guarda judicial para fins de


adoção ou a adoção ou aborto espontâneo, deverá ocorrer dentro do período de graça;

b) o evento seja igual ou posterior a 14 de junho de 2007, data da publicação do Decreto nº


6.122.

Fundamentação: art. 15 da Lei nº 8.213/1991; art. 13 do Decreto nº 3.048/1999; § 1º do art. 97


do art. 236 e § 2º do art. 241 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

V.1 - Empregada

Durante o período de graça a que se refere o art. 13 do RPS, aprovado pelo Decreto nº
3.048/1999, a segurada desempregada fará jus ao recebimento do salário-maternidade nos
casos de demissão antes da gravidez, ou, durante a gestação, nas hipóteses de dispensa por
justa causa ou a pedido, situações em que o benefício será pago diretamente pela Previdência
Social.

Considerando que o art. 10, inciso II, alínea "b" do ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT), veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante,
desde a confirmação da gravidez até 5 (cinco) meses após o parto, observar-se-á as normas
seguintes:
a) a responsabilidade pelo pagamento do salário-maternidade será da empresa, que deverá
responder pelos salários do período;

b) ocorrido o fato gerador dentro do período de manutenção da qualidade de segurada, para a


requerente cujo último vínculo seja de empregada deverá ser observado:

b.1) tratando-se de dispensa por justa causa ou a pedido, o benefício será concedido pela
Previdência Social, tendo em vista o parágrafo único, art. 97 do Decreto 3.048/1999;

b.2) tratando-se de dispensa arbitrária ou sem justa causa ocorrida no período entre a
confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, o benefício não poderá ser concedido,
considerando tratar-se de obrigação da empresa/empregador;

c) a requerente deverá assinar declaração específica com a finalidade de identificar a causa da


extinção do contrato de trabalho;

d) havendo dúvida fundada, o servidor poderá encaminhar consulta à Vara do Trabalho local
ou ao Tribunal Regional do Trabalho, solicitando informação sobre a existência de reclamatória
trabalhista ajuizada pela requerente contra o empregador.

Fundamentação: §§ 2º e 3º do art. 241 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

V.2 - Manutenção da qualidade de segurada

Para efeitos de concessão do salário-maternidade, mantêm a qualidade de segurada,


independentemente de contribuições:

a) sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;

b) até 12 (doze) meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a cessação
das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela
previdência social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração;

c) até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de


segregação compulsória;

d) até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;

e) até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas para
prestar serviço militar; e

f) até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

O prazo da alínea "b" será prorrogado para até 24 (vinte e quatro) meses, se a segurada já
tiver pago mais de cento e vinte contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda
da qualidade de segurado.

O prazo da alínea "b" ou do parágrafo anterior será acrescido de 12 (doze) meses para a
segurada desempregada, desde que comprovada essa situação por registro no órgão próprio
do Ministério do Trabalho e Emprego.

Durante os citados prazos, o segurado conserva todos os seus direitos perante a


Previdência Social
Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa perda somente
serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova
filiação ao Regime Geral de Previdência Social, com, no mínimo, 1/3 (um terço) do número de
contribuições exigidas para o cumprimento da carência, se houver.

Fundamentação: art. 15 da Lei nº 8.213/1991; "caput" e §§ 1º, 2º e 3º do art. 13 e art. 27-A do


Decreto nº 3.048/1999.

VI - Documentos comprobatórios

Os documentos comprobatórios para requerimento do salário-maternidade da segurada são:

a) atestado médico, quando se tratar de mãe biológica;

b) certidão de nascimento do filho, exceto nos casos de aborto espontâneo, quando deverá ser
apresentado atestado médico, ou

c) certidão de nascimento da criança ou termo de guarda, contendo o nome da segurada


adotante ou guardiã, quando se tratar de adoção ou guarda a fins de adoção.

O salário-maternidade não é devido quando o termo de guarda não contiver a


observação de que é para fins de adoção ou só contiver o nome do cônjuge ou
companheiro.

Fundamentação: §§ 1º ao 3º art. 93-A do Decreto nº 3.048/1999; e § 2º do art. 236 da Instrução


Normativa INSS nº 20/2007.

VII - Trabalho temporário

Para a segurada com contrato de trabalho temporário, será devido o salário-maternidade


somente enquanto existir a relação de emprego.

Fundamentação: § 6º do art. 236 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII - Renda mensal

A renda mensal do salário-maternidade, será calculada da seguinte forma:

a) para a segurada empregada, consiste numa renda mensal igual a sua remuneração devida
no mês do seu afastamento, tomando-se por base as informações constantes no CNIS
(Cadastro Nacional de Informações Sociais), a partir de 1º de julho de 1994, ou se for o caso
de salário total ou parcialmente variável, na igualdade da média aritmética simples dos seus 6
(seis) últimos salários, apurada de acordo com a lei salarial ou o dissídio coletivo da categoria,
excetuando-se o décimo terceiro-salário, adiantamento de férias e as rubricas constantes do §
9º do art. 214 do Decreto 3.048/1999;

Entende-se por remuneração da segurada empregada: a) fixa, é aquela constituída de


valor fixo que varia em função dos reajustes salariais normais; b) parcialmente
variável, é aquela constituída de parcelas fixas e variáveis; e c) totalmente variável, é
aquela constituída somente de parcelas variáveis.

b) nos casos de pedido de revisão ou de reabertura de benefício indeferido, as anotações


salariais constantes nas CP (Carteira Profissional) ou CTPS (Carteira de Trabalho e
Previdência Social) e, desde que comprovada na forma dos arts. 393 a 395 da IN INSS/PRES
nº 20/2007 servem para subsidiar a alteração, inclusão ou exclusão de informações constantes
no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais);

c) para a segurada trabalhadora avulsa, corresponde ao valor de sua última remuneração


integral equivalente a um mês de trabalho não sujeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição, observado o disposto na alínea "a";

d) para a segurada empregada doméstica, corresponde ao valor do seu último salário-de-


contribuição conforme remuneração registrada na Carteira Profissional (CP) e/ou na Carteira
de Trabalho e Previdência Social (CTPS), sujeito ao limite máximo do salário-de-contribuição,

e) para a segurada contribuinte individual, facultativa e para as que mantenham a qualidade de


segurada, corresponde à média aritmética dos doze últimos salários-de-contribuição, apurados
em período não superior a 15 (quinze) meses, sujeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição;

f) para a segurada especial, corresponde ao valor de um salário mínimo;

g) o benefício de salário-maternidade, a partir de 29 de maio de 2002, terá a renda mensal


sujeita ao limite máximo, nos termos do art. 248 da Constituição Federal;

h) O benefício de salário-maternidade, devido às seguradas trabalhadora avulsa e empregada,


exceto a doméstica, a partir de 29 de maio de 2002, data da publicação do Parecer/CJ nº
2854/2002, terá a renda mensal sujeita ao limite máximo, nos termos do art. 248 da
Constituição Federal de 1988.

O pagamento do salário-maternidade não pode ser cancelado, salvo se após a


concessão forem detectados fraude ou erro administrativo.

Fundamentação: "caput" e § 1º art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII.1 - Atividades concomitantes

No caso de empregos concomitantes ou de atividade simultânea na condição de segurada


empregada com contribuinte individual ou doméstica, a segurada fará jus ao salário-
maternidade relativo a cada emprego ou atividade.

Aplica-se essa mesma regra quando se tratar de segurada em prazo de manutenção da


qualidade de segurada, observando que:

a) a carência exigida será conforme a atividade exercida;

b) a renda mensal inicial será apurada na forma do disposto no inciso I, § 5º do art. 96 da


Instrução Normativa INSS/PRES nº 20/2007, podendo, inclusive, ser inferior ao salário mínimo,
considerando que a somatória de todos os benefícios devidos não pode ultrapassar o limite
máximo do salário de contribuição vigente na data do evento.

Na hipótese de atividades concomitantes, inexistindo contribuição na condição de segurada


contribuinte individual ou empregada doméstica, em respeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição como segurada empregada, o benefício será devido apenas nessa condição, no
valor correspondente à remuneração integral dela.

Se a segurada estiver vinculada à Previdência Social na condição de empregada ou


trabalhadora avulsa, com remuneração inferior ao limite máximo do salário-de-contribuição e,
concomitantemente, exercer atividade que a vincule como contribuinte individual terá direito ao
salário-maternidade na condição de segurada empregada ou trabalhadora avulsa com base na
remuneração integral e, quanto ao benefício como segurada contribuinte individual, deverá ser
observado:

a) se contribuiu há mais de dez meses na condição de contribuinte individual, terá direito ao


benefício, cujo valor corresponderá a um doze avos da soma dos últimos salários-de-
contribuição, apurados em um período não superior a quinze meses, podendo, inclusive, ser
inferior ao salário mínimo;

b) se verteu contribuições em período inferior à carência exigida de dez contribuições, não fará
jus ao benefício na condição de segurada contribuinte individual.

Se, após a extinção do vínculo empregatício, a segurada tiver se filiado como segurada
contribuinte individual ou facultativa e, nessas condições, contribuir há menos de dez meses,
deverá:

a) considerar as contribuições como empregada, às quais se somarão às de contribuinte


individual ou facultativo e, se completar a carência exigida, fará jus ao benefício, observado o
disposto abaixo:

a.1) a renda mensal inicial consistirá em um doze avos da soma dos últimos salários-de-
contribuição, apurados em um período não superior a quinze meses;

a.2) no cálculo, deverão ser incluídas as contribuições vertidas na condição de segurada


empregada, limitado ao teto máximo de contribuição, no extinto vínculo;

a.3) na hipótese da segurada contar com menos de dez contribuições, no período de quinze
meses, a soma dos salários-de-contribuição apurado será dividido por doze;

a.4) se o valor apurado for inferior ao salário mínimo, o benefício será concedido com o valor
mínimo.

b) se mesmo considerando a filiação do extinto vínculo, não satisfizer o período de carência


exigido, não fará jus ao benefício.

Fundamentação: §§ 2º ao 6º do art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

VIII.2 - Reajuste salarial

Caso ocorram reajustes salariais, tais como: aumentos salariais, dissídios coletivos etc., no
curso do período de concessão do salário-maternidade, a segurada poderá pedir a revisão do
benefício ao INSS, desde que observados os seguintes itens:

a) se o aumento ocorreu desde a Data de Início do Benefício (DIB), será efetuada revisão do
benefício;

b) se o aumento ocorreu após a DIB do benefício, deverá ser efetuada a alteração por meio de:

b.1) Atualização Especial (AE), se o benefício estiver ativo; ou

b.2) Pagamento Alternativo de Benefício (PAB), de resíduo, se o benefício estiver cessado,


observando-se quanto à contribuição previdenciária, calculada automaticamente pelo sistema
próprio, respeitado o limite máximo de contribuição.

Fundamentação: § 7º do art. 96 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

IX - Cumulação de benefícios
O salário-maternidade não pode ser acumulado com benefício por incapacidade.

Quando ocorrer incapacidade em concomitância com o período de pagamento do salário-


maternidade, o benefício por incapacidade, conforme o caso, deverá ser suspenso enquanto
perdurar o referido pagamento, ou terá sua data de início adiada para o primeiro dia seguinte
ao término do período de 120 (cento e vinte) dias.

Fundamentação: art. 247 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

IX.1 Auxílio-Doença

A segurada em gozo de auxílio-doença, inclusive o decorrente de acidente de trabalho, terá o


benefício suspenso administrativamente enquanto perdurar o salário-maternidade, devendo o
benefício por incapacidade ser restabelecido a contar do primeiro dia seguinte ao término do
período de 120 (cento e vinte) dias, caso a Data Cessação do Benefício (DCB) tenha sido
fixada em data posterior a este período.

Se fixada a DCB do benefício por incapacidade durante a vigência do salário-maternidade e


ficar constatado, mediante avaliação da Perícia Médica do INSS, a pedido da segurada, que
esta permanece incapacitada para o trabalho pela mesma doença que originou o auxílio-
doença cessado, este será restabelecido, fixando-se novo limite.

Se na avaliação da Perícia Médica do INSS ficar constatada a incapacidade da segurada para


o trabalho em razão de moléstia diversa do benefício de auxílio-doença cessado, deverá ser
concedido novo benefício.

Nas situações em que a segurada estiver em gozo de auxílio-doença e requerer o salário-


maternidade, o valor deste corresponderá:

a) para a segurada empregada com remuneração fixa, ao valor da remuneração que estaria
recebendo, como se em atividade estivesse;

b) para a segurada empregada com remuneração variável, à média aritmética simples das seis
últimas remunerações recebidas da empresa, anteriores ao auxílio-doença, devidamente
corrigidas;

c) para a segurada contribuinte individual, facultativa e para as que mantenham a qualidade de


segurado, à média dos doze últimos salários-de-contribuição apurados em período não
superior a quinze meses, incluídos, se for o caso, o valor do salário-de-benefício do auxílio-
doença, reajustado nas mesmas épocas e bases dos benefícios pagos pela Previdência Social.

Nas situações previstas nas alíneas "a" e "b", se houve reajuste salarial da categoria, após o
afastamento do trabalho que resultou no auxílio-doença, caberá à segurada comprovar o novo
valor da parcela fixa da respectiva remuneração ou o índice de reajuste, que deverá ser
aplicado unicamente sobre a parcela fixa.

Fundamentação: §§ 8º e 9º do art. 96 e art. 247 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

X - Aborto

Caso a segurada seja vítima de aborto não criminoso, comprovado mediante atestado médico,
terá direito ao salário-maternidade correspondente a duas semanas.

Para comprovação do aborto não criminoso o atestado médico deverá informar o CID (Código
Internacional de Doenças) específico.
Fundamentação: § 5º do art. 93 do Decreto nº 3.048/1999; e art. 240 da Instrução Normativa
INSS nº 20/2007.

XI - Responsabilidade pelo pagamento do benefício

O salário-maternidade será pago diretamente pelo INSS ou pela empresa contratante,


devidamente legalizada, observando as seguintes situações:

a) o requerimento do salário-maternidade junto ao INSS poderá ser feito por meio da Agência
da Previdência Social (APS) ou via Internet no site www.mps.gov.br;

Esta regra aplica-se para as seguradas trabalhadora avulsa, empregada doméstica,


contribuinte individual, facultativa, segurada especial e empregada adotante.

b) fica garantido o pagamento do salário-maternidade pela empresa à segurada empregada,


quando o início do afastamento do trabalho tenha ocorrido até o dia 28 de novembro de 1999,
véspera da publicação da Lei nº 9.876;

c) para requerimentos efetivados a partir de 1º de setembro de 2003, o salário-maternidade


devido à segurada empregada, independentemente da data do afastamento ou do parto, será
pago diretamente pela empresa, exceto no caso de adoção ou de guarda judicial para fins de
adoção, quando será pago diretamente pelo INSS.

A segurada empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção
poderá requerer e receber o salário-maternidade via empresa, desde que esta possua
convênio com tal finalidade.

Fundamentação: art. 246 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e arts. 86 e 87 da Instrução


Normativa RFB nº 971/2009.

XII - Revisão de benefício

A segurada empregada ou a trabalhadora avulsa, quando do pedido de revisão do valor da


renda do salário-maternidade, requerido a partir de 9 de janeiro de 2002, deverá apresentar
documentos que comprovem a alteração salarial.

A empregada doméstica, ao requerer revisão de benefício, deverá apresentar a CP (Carteira


Profissional) ou a CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social), bem como os
comprovantes dos recolhimentos dos salários-de-contribuição efetuados a partir dos valores
declarados na CP ou na CTPS.

Fundamentação: art. 248 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

XIII - Recolhimento previdenciário

Durante o período de percepção de salário-maternidade, será devida a contribuição


previdenciária, visto que este benefício é salário-de-contribuição.

Desse modo, sobre o montante pago a título de salário-maternidade incidem as contribuições


sociais previdenciárias, bem como as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos
(terceiros), quando for o caso.

Fundamentação: § 2º do art. 28 da Lei nº 8.213/199; § 2º do art. 244 do Decreto nº 3.048/1999;


e art. 85 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.
XIII.1 - Empregada

Quando a segurada empregada estiver em gozo de salário-maternidade, a empresa ou pessoa


equiparada deverá efetuar as seguintes contribuições:

a) 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe
prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as
gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do
empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção
ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;

b) 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título,
no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;

c) para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do


grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho
(GIIL-RAT), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe
prestem serviços, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais:

c.1) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes
do trabalho seja considerado leve;

c.2) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja
considerado médio;

c.3) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja
considerado grave.

As alíquotas constantes do GIIL-RAT serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou


aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua
respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP).

Para saber mais sobre o Fator Acidentário de Prevenção consulte o Roteiro -


Previdenciário/Trabalhista sob o título: O recolhimento previdenciário patronal e o Fator
Acidentário de Prevenção (FAP) - Roteiro de Procedimentos

Exercendo o segurado atividade em condições especiais que possam ensejar aposentadoria


especial após 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos de trabalho sob exposição a
agentes nocivos prejudiciais à sua saúde e integridade física, é devida pela empresa ou
equiparada a contribuição adicional destinada ao financiamento das aposentadorias especiais,
de acordo com os seguintes percentuais: respectivamente: 12% (doze por cento), 9% (nove por
cento) e 6% (seis por cento), para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2000.

d) 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços,
relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas
de trabalho; e

e) recolhimento destinado a outras entidades (terceiros).

Esta alíquota será fixada de acordo com o enquadramento do Fundo de Previdência e


Assistência Social (FPAS), que deverá ser realizado pela empresa levando em consideração
sua atividade, conforme regras contidas nos Anexos I e II da Instrução Normativa RFB nº
971/2009.
No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento,
caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades
de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas
de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de
crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições
referidas, é devida a contribuição adicional de 2,5% (dois vírgula cinco por cento)
sobre a base de cálculo definida nas linhas "a" e "b".

Além disso, o empregador deverá repassar ao INSS, a contribuição descontada da empregada,


conforme tabela abaixo:

SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$) ALÍQUOTA PARA FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS

até 1.024,97 8,00%

de 1.024,98 até 1.708,27 9,00%

de 1.708,28 até 3.416,54 11,00%

Quando o desconto na empresa ou no INSS atingir o limite máximo do salário-de-contribuição,


não caberá mais nenhum desconto pela outra parte

A regra mencionada na alínea "d" não se aplica quando se tratar de mãe adotante que
recebe o salário-maternidade diretamente do INSS.

Algumas das empresas optantes pelo Simples Nacional estão isentas da contribuição
previdenciária patronal (CPP), conforme prevê o inciso VI do art. 13 da Lei Complementar nº
123/2006.

Para saber mais sobre as empresas optantes pelo Simples Nacional consulte o Roteiro
- Previdenciário/Trabalhista sob o título: Simples Nacional - Empresas optantes -
Aspectos previdenciários <PID=207553>.

Fundamentação: art. 22 da Lei nº 8.212/1991; art. 202-A do Decreto nº 3.048/1999; arts. 72,
85, 109 e Anexos I e II da Instrução Normativa RFB nº 971/2009; inciso VI do art. 13 da Lei
Complementar nº 123/006; Anexo II da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009.

XIII.1.1 - Fração de mês

Quando o recebimento do salário-maternidade corresponder à fração de mês, o desconto


referente à contribuição da empregada, tanto no início quanto no término do benefício, será
feito da seguinte forma:

a) pela empresa, sobre a remuneração relativa aos dias trabalhados, aplicando-se a alíquota
que corresponde à remuneração mensal integral, respeitado o limite máximo do salário-de-
contribuição;

b) pelo INSS, sobre o salário-maternidade relativo aos dias correspondentes, aplicando-se a


alíquota devida sobre a remuneração mensal integral, observado o limite máximo do salário-de-
contribuição.

Quando o desconto na empresa ou no INSS atingir o limite máximo do salário-de-contribuição,


não caberá mais nenhum desconto pela outra parte.
A empresa que efetuou dedução relativa ao salário-maternidade, cujo afastamento do trabalho
da segurada tenha ocorrido após 28 de novembro de 1999, deverá recolher o valor
correspondente a essa dedução indevida, com os acréscimos legais.

Fundamentação §§ 1º ao 3º do art. 250 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007.

XIII.2 - Doméstica

No período de salário-maternidade da segurada empregada doméstica, caberá ao empregador


recolher apenas a parcela da contribuição a seu cargo (12% do salário-de-contribuição do
empregado doméstico a seu serviço), sendo que a parcela devida pela empregada doméstica
será descontada pelo INSS por ocasião do pagamento do benefício.

Fundamentação: art. 24, § 2º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991; § 2º do art. 214 do Decreto nº


3.048/1999; art. 251 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e art. 91 da Instrução Normativa
RFB nº 971/2009.

XIII.3 - Seguradas contribuinte individual, facultativa e em prazo de manutenção da


qualidade de segurada

Serão descontadas, pelo INSS, durante a percepção do salário-maternidade as seguintes


alíquotas de contribuição sobre o valor do benefício da segurada contribuinte individual,
facultativa e as em prazo de manutenção da qualidade de segurada:

a) contribuinte individual e facultativa: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), se
optante pelo Plano Simplificado do INSS (art. 199-A do Decreto nº 3.048/1999, com redação
dada pelo Decreto nº 6.042/2007);

b) para a segurada em prazo de manutenção da qualidade de segurada a contribuição devida


será aquela correspondente à sua última categoria, conforme o valor do salário-maternidade:

b.1) se contribuinte individual: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), conforme a
última contribuição;

b.2) sendo empregada doméstica: percentual referente à empregada (8%, 9% ou 11%);

b.3) se facultativa: 20% (vinte por cento) ou 11% (onze por cento), conforme a última
contribuição;

b.4) como empregada adotante - parte referente à empregada (8%, 9% ou 11%).

A contribuição devida pela contribuinte individual e facultativa, relativa à fração de mês, por
motivo de início ou de término do salário-maternidade, deverá ser efetuada pela segurada em
valor mensal integral e a contribuição devida no curso do benefício será descontada pelo INSS
do valor do benefício.

O salário-maternidade da contribuinte individual, facultativa e as em prazo de manutenção da


qualidade de segurada em decorrência dessas atividades, concedido como contribuinte optante
pelos 11% (onze por cento), na forma estabelecida pelo art. 199-A do Decreto nº 3.048/1999,
não poderá ser computado para fins de tempo de contribuição em aposentadoria por tempo de
contribuição e Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).

Fundamentação: § 2º do art. 28 da Lei nº 8.213/199; art. 199-A, § 2º do art. 214 do Decreto nº


3.048/1999; art. 252 da Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e art. 88 da Instrução Normativa
RFB nº 971/2009.

XIV - Dedução
O salário-maternidade pago pela empresa ou pelo equiparado à segurada empregada,
inclusive a parcela do décimo terceiro salário correspondente ao período da licença, poderá ser
deduzido quando do pagamento das contribuições sociais previdenciárias devidas, exceto das
contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.

Para fins da dedução da parcela de 13º salário, deve-se observar a seguinte regra:

a) a remuneração correspondente ao décimo terceiro salário deverá ser dividida por 30 (trinta);

b) o resultado da operação descrita na linha "a" deverá ser dividido pelo número de meses
considerados no cálculo da remuneração do décimo terceiro;

c) a parcela referente ao décimo terceiro salário proporcional ao período de licença-


maternidade corresponde ao produto da multiplicação do resultado da operação descrita na
linha "b" pelo número de dias de gozo de licença-maternidade no ano.

Para efeito de dedução, o valor pago a título de salário-maternidade não poderá ser superior ao
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o
art. 248 da Constituição Federal de 1988.

Fundamentação: §§ 1º e 2º do art. 86 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.

XV - Abono anual

O abono anual (décimo terceiro salário ou gratificação natalina) corresponde ao valor da renda
mensal do benefício no mês de dezembro ou no mês da alta ou da cessação do benefício, para
o segurado que recebeu salário-maternidade.

O décimo terceiro salário (abono anual) pago pelo INSS, correspondente ao período em que a
segurada esteve em gozo de salário-maternidade, é a base de cálculo para a contribuição
previdenciária e para o depósito de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

O valor do recolhimento previdenciário relativo ao décimo terceiro salário (abono anual) do


salário-maternidade da empregada deverá ser efetuado pelo empregador, por meio de Guia da
Previdência Social (GPS), a ser quitada até o dia 20 de dezembro do ano a que se referir o
respectivo recolhimento, ainda que parte dele tenha sido paga pelo INSS, da seguinte forma:

a) no campo 3 da GPS, informar o código de recolhimento normal da empresa;

b) no campo 4 da GPS, fazer constar o mês de competência do décimo terceiro salário a que
se refere o respectivo recolhimento.

Fundamentação: § 7º do art. 28, art. 40 da Lei nº 8.212/1991; "caput" do art. 120 do Decreto nº
3.048/1999; "caput" do art. 15 da Lei nº 8.036/1990; arts. 253, 254 e "caput" do art. 301 da
Instrução Normativa INSS nº 20/2007; e Ato Declaratório Executivo nº 69/2009.

XVI - Salário-Família

O salário-família será devido à segurada em gozo de salário-maternidade, desde que atendidas


as regras contidas no art. 4º da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009.

Assim, quando se tratar de empregada, caberá à empresa realizar o pagamento da cota do


salário-família, ainda que a empregada esteja em gozo de salário-maternidade. Para tanto, a
empregada deve apresentar à empresa:

a) CP ou CTPS;
b) Certidão de Nascimento do filho (original e cópia);

c) caderneta de vacinação ou equivalente, quando dependente menor de 7 (sete) anos, sendo


obrigatória nos meses de novembro, contados a partir de 2000;

d) comprovação de invalidez, a cargo da Perícia Médica do INSS, quando dependente maior


de quatorze anos;

e) comprovante de freqüência à escola, quando dependente a partir de 7 (sete) anos, nos


meses de maio e novembro, contados a partir de 2000.

A empresa poderá deduzir o valor pago à título de salário-família e salário-maternidade por


ocasião dos recolhimentos previdenciários incidentes sobre a folha de pagamento.

É vedada a dedução ou compensação do valor das quotas de salário-família ou de


salário-maternidade das contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil
(RFB) para outras entidades ou fundos.

Para as demais seguradas, o salário-família será pago diretamente pelo INSS, quando for o
caso.

Fundamentação: art. 4º da Portaria Interministerial MF/MPS nº 350/2009; art. 234 da Instrução


Normativa INSS nº 20/2007; e art. 30 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 .

XVII - Obrigações acessórias

XVII.1 - Documentos previdenciários

A segurada empregada deverá dar quitação à empresa do recebimento do salário-


maternidade, de modo que o pagamento do benefício fique plenamente caracterizado.

A empresa, que pagar o salário-maternidade diretamente à empregada, deverá manter


arquivados, durante 05 (cinco) anos, os comprovantes de pagamento do salário-maternidade e
os correspondentes atestados médicos ou certidões de nascimento, à disposição da
fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

Vale frisar todavia, que de acordo com a antiga redação do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, o
direito da Seguridade Social de apurar e constituir seus créditos extinguia-se após 10 (dez)
anos. Todavia, o art. 13 da Lei Complementar nº 128 de 19.12.2008 revogou expressamente
esta regra.

Antes desta revogação, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia se posicionado ao editar,
em 16.06.2008, a Súmula Vinculante nº 8, com a seguinte redação:

"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/1977 e os artigos 45


e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário"

Diante do exposto, entendemos que o prazo de guarda dos documentos previdenciários é de


05 (cinco) anos. Salientamos porém, que este entendimento não está totalmente pacificado,
cabendo exclusivamente à empresa adotar o entendimento que julgar mais acertado.

Fundamentação: art. 13 da Lei Complementar nº 128/2008; e Súmula do STF nº 8.

XVII.2 - FGTS
Toda a documentação relativa ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deverá
permanecer guardada por período mínimo de 30 anos. Neste sentido, prevê § 5º do art. 23 da
Lei nº 8.036/1990:

"O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas reger-se-á pelo disposto no


Título VII da CLT, respeitado o privilégio do FGTS à prescrição trintenária.".

Isto significa afirmar que, a partir da data da obrigação perante o FGTS, a fiscalização poderá
exigir do empregador, pelo prazo de até 30 (trinta) anos os depósitos devidos, sob pena de
autuação.

Entretanto, existem posicionamentos doutrinários e decisões jurisprudenciais sustentando que


a prescrição em relação ao FGTS é de 5 (cinco) anos, dada sua natureza tributária e, portanto,
sujeita ao prazo para cobrança relativo a tributos. Todavia, preventivamente, orientamos que as
empresas guardem os documentos relacionados ao FGTS, por prazo mínimo, de 30 anos.

Fundamentação: § 5º do art. 23 da Lei nº 8.036/1990.

XVIII - Estabilidade provisória

É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada, desde a confirmação da


gravidez até 5 (cinco) meses após o parto, garantindo desse modo, a estabilidade provisória de
emprego.

O inciso I do art. 13, da Instrução Normativa da Secretaria das Relações do Trabalho (SRT) nº
3/2002, por sua vez, também prevê que constitui circunstância impeditiva de rescisão
contratual arbitrária ou sem justa causa a gestação da empregada, desde a confirmação da
gravidez até 5 (cinco) meses após o parto.

Atualmente, a citada garantia também é estendida à empregada doméstica por meio da Lei nº
11.324/2006, a qual acrescentou o art. 4º-A à Lei nº 5.859/1972 que dispõe sobre a respectiva
profissão.

Fundamentação: alínea "b" do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais


Transitória (ADCT); inciso I do art. 13 da Instrução Normativa SRT/MTE nº 3/2002; e art. 4º-A
da Lei 5.859/1972.

XIX - Férias

A legislação atual não veda a concessão de férias individuais após o término do gozo do
salário-maternidade, mesmo que as férias sejam gozadas dentro do período de estabilidade
legal.

Todavia, é necessário que as férias sejam concedidas dentro do período concessivo e que, a
empresa tenha realizado o aviso dessas férias com 30 dias de antecedência, conforme define o
art. 135 da CLT.

Uma vez atendidos os requisitos anteriormente declarados, nada impede que o gozo de férias
da empregada coincida com o período de estabilidade provisória, salvo quando houver
documento coletivo da categoria profissional que estabeleça regra mais benéfica à empregada.

Fundamentação: arts. 130 e 135 da CLT.

XX - Jurisprudências
"GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. O direito de a empregada gestante manter-se no
emprego, sem prejuízo dos salários, com conseqüente restrição ao direito de resilição unilateral
do contrato pelo empregador, sob pena de sujeitar-se às reparações legais, nasce com a
concepção e projeta-se até 5 meses após o parto. Trata-se de garantia constitucional, prevista
no artigo 10, II, b , do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, cujo escopo é não
somente a proteção à gestante, mas assegurar o bem-estar do nascituro, erigindo-se em
genuíno direito fundamental. Em se tratando de direito tutelado por normas de ordem pública e,
conseqüentemente, revestido do caráter de indisponibilidade, a seu exercício não pode se opor
o mero direito potestativo atribuído ao empregador por força de norma infraconstitucional. O
interesse em assegurar a vida desde seu estágio inicial é da sociedade, cumprindo ao Estado
outorgar ao nascituro proteção ampla e eficaz. Recurso de revista conhecido e provido." (TST -
1ª Turma - RR - 918/2003-038-15-00.Relator - GMLBC. DJ - 14/12/2007).

"GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. DESCONHECIMENTO DO ESTADO


GRAVÍDICO. Esta Corte firmou entendimento no sentido de que o desconhecimento da
gravidez por parte do empregador, na ocasião da dispensa da empregada, não o exime da
obrigação de efetuar o pagamento da indenização decorrente da estabilidade provisória.
Portanto, o direito em questão pressupõe tão-somente o estado gravídico da empregada na
vigência do contrato de trabalho, que é o caso, tendo em vista a responsabilidade objetiva
resultante dos riscos inerentes à condição de empregador." (TST - 5ª Turma - RR - 369/2004-
006-20-00 Relator - GMEMP DJ - 14/12/2007).

"EMPREGADA EM LICENÇA-MATERNIDADE - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO PERÍODO


MEDIANTE AJUSTE COM O EMPREGADOR - ILEGALIDADE. O afastamento compulsório em
razão da maternidade é norma de ordem pública, não se prestando a derrogações pela
vontade dos contratantes, vez que o instituto visa à proteção da maternidade, da criança e, em
última análise, da família. Simulação de ato jurídico contrário à lei, com intuito de fraudar
terceiros (Previdência Social, FGTS, Fisco), em que a empregada, em visão estreita e
egoística, presta serviços no período de afastamento, percebendo salários do empregador
concomitantemente com o benefício previdenciário do salário-maternidade. Aplicável o artigo
104 do Código Civil de 1916 (vigente à época dos fatos). Recurso a que se nega provimento."
(TRT 2ª Região - 1ª Turma - RO 20070064509 - Relator(a): Maria Inês Moura Santos Alves da
Cunha - Data de julgamento: 08/02/2007).

"ESTABILIDADE DA GESTANTE - PREVALÊNCIA DE ACORDO COLETIVO. A existência de


previsão, em norma coletiva, de um determinado prazo para que a empregada apresente-se à
empresa para readmissão, implica, se não observado este, em perda do direito à estabilidade,
a teor do disposto no artigo 7º, XXVI, da Carta Constitucional. Recurso provido."( RR -
315555/1996.8 , Relator Ministro: Márcio Rabelo, Data de Julgamento: 23/06/1999, 4ª Turma,
Data de Publicação: 13/08/1999).

"ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. A estabilidade provisória da gestante prevista na


Constituição Federal de 1988 (CF/88, ADCT, art. 10, II, "b") decorre de fato objetivo, qual seja,
a confirmação da gravidez, logicamente antes da extinção do contrato de emprego. Assim, o
desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da
indenização decorrente da estabilidade, nos termos do dispositivo constitucional mencionado.
Precedentes da SDI do Tribunal Superior do Trabalho. Recurso de Revista conhecido e
provido."( RR - 312494/1996.7 , Relator Ministro: José Carlos Perret Schulte, Data de
Julgamento: 08/04/1999, 3ª Turma, Data de Publicação: 30/04/1999).

"ESTABILIDADE DA GESTANTE. GARANTIA INCONDICIONADA. RESPONSABILIDADE


OBJETIVA DO EMPREGADOR. A alínea "b", II, do art. 10º do ADCT da CF, confere garantia
objetiva de emprego à gestante desde a confirmação da gravidez. Com a expressão
"confirmação", quis o legislador referir-se à data da concepção. Portanto, o escopo da norma é
mesmo o de impedir a dispensa, sem justo motivo, da trabalhadora grávida. A responsabilidade
da empresa é objetiva, pouco importando a ciência do empregador quanto ao fato, porque além
da óbvia proteção à gestante, também os direitos do nascituro encontram-se preservados
desde a concepção (art. 4º, CCB/1916, e art. 2º do NCC). A proteção objetiva dimana da lei
civil e da Constituição Federal, e se harmoniza à teoria da responsabilidade em face do risco
da atividade (art. 2º da CLT). Com efeito, se alguém resolve explorar atividade econômica,
deve assumir os riscos dessa iniciativa, decorrentes da contratação de mão-de-obra,
afastamentos, acidentes, doenças profissionais, gravidez e outros. A estabilidade provisória da
gestante não pode, assim, estar condicionada à comprovação de ciência, sob pena de se
inviabilizar esse direito fundamental, cujo gozo dependeria sempre da boa-fé do empregador.
Cerrando fileiras com o E. STF, o C. TST consagrou a tese objetivista, através da Súmula nº
244, inciso I e OJ nº 30 da SDC, afastando qualquer possibilidade de restrição do direito
indisponível da gestante à garantia em tela, inclusive através de norma coletiva. Recurso a que
se dá provimento." (TRT 2ª região - 4ª Turma - RO 20090462178 - Relator: Ricardo Artur Costa
e Trigueiros - Data da publicação: 19/06/2009).

"DOMÉSTICA GESTANTE. DISPENSA ANTERIOR À LEI 11.324/06. ESTABILIDADE


INDEVIDA. DIREITO À INDENIZAÇÃO DO SALÁRIO-MATERNIDADE. É certo que a Lei
11.324, de 19.7.2006, veio acrescentar o artigo 4º - "A" à Lei 5.859/72 (que trata da profissão
de empregado doméstico), tornando vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da
empregada doméstica gestante, desde a concepção da gravidez até cinco meses após o parto.
Todavia, face ao princípio da irretroatividade, in casu tais disposições são inaplicáveis à autora
vez que os fatos consumaram-se na vigência da lei anterior, não podendo ser afetados pela lei
nova. Embora indevida a estabilidade, faz jus, todavia, a reclamante, à indenização
correspondente ao salário-maternidade vez que a empregadora dispensou-a quando grávida,
obstando assim, o gozo da licença a que teria direito, conforme dispõe o art. 7º, parágrafo
único e inciso XVIII, da Constituição Federal. Incidência do artigo 927 do NCC e Orientação
Jurisprudencial nº 44 da SDI -1:"É devido o salário maternidade, de 120 dias, desde a
promulgação da CF/1988, ficando a cargo do empregador o pagamento do período acrescido
pela Carta". Recurso da reclamante ao qual por maioria se dá provimento parcial." (TRT 2ª
Região - 4ª Turma - RO 20080212306 - Relator(a) Designado(a): Ricardo Artur Costa e
Trigueiros - Data de julgamento: 04/04/2008).