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ORGANIZAÇÃO

Organização é uma relação social que, ou é fechada ou limitada à admissão de indivíduos alheios
através de regras, na medida em que essas normas e regras são colocadas em prática pela ação de
determinadas pessoas que ocupam posição de mando ou de chefia ou por um staff administrativo.
Essa é caracterizada por fronteiras ou limites específicos, na medida em que a participação das
pessoas é sujeita a especificações muito claras. Existe um conjunto de regras e normas a ser seguido
por todos que participam do grupo, que definem condutas consideráveis aceitáveis ou não de seus
membros. A ordem existente é legal, na medida em que há uma diferença de poder entre os
membros integrantes, existindo um subgrupo que decide exercer controle e administrar punições. →
Leitura Weberiana
Uma organização é um tipo de sistema cooperativo existente entre os homens e que se caracteriza
por ser consciente, deliberado e com propósitos definidos. Uma organização é, portanto, um sistema
de atividades ou forças, de duas ou mais pessoas, conscientemente coordenadas. E as organizações
são um subsistema de um sistema mais amplo, o sistema cooperativo. Tal sistema cooperativo cria
os meios necessários para que certas limitações individuais possam ser superadas, sejam elas
biológicas, físicas ou sociais. → Leitura Barnardiana

ADMINISTRAÇÃO
Administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de
recursos → Leitura Tradicional
Administração é a mediação entre capital e trabalho; é a atividade gerencial de valorização do
capital → Leitura de Paço-Cunha

TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO
Teorias gerais da administração são conhecimentos organizados, produzidos pela experiência
prática das organizações. Elas podem conter: interpretações ou proposições sobre a realidade;
modelos de gestão/organização; doutrina; e/ou técnicas para soluções de problemas.
Não há maneira de administrar que seja melhor que outra. A solução “melhor” depende do ambiente
da organização, de sua tecnologia e de vários outros fatores. Em resumo, depende da situação.
Assim, a teoria da situação procura auxiliar os administradores a decidir qual é a melhor maneira de
enfrentar cada situação.

1ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (1780 a 1860)

A Administração nasceu, como corpo independente de conhecimento, na Europa, no século


XVIII, durante a Revolução Industrial.
No século XVIII, as tendências que o Mercantilismo havia iniciado foram impulsionadas pela
Revolução Industrial, que foi produto de dois eventos: o surgimento das fábricas e a inversão das
máquinas a vapor. A Revolução Industrial revolucionou também a produção e a aplicação de
conhecimentos administrativos. Na maior parte do tempo que a antecedeu, a história da
administração foi predominantemente a história de países, cidades governantes, exércitos e
organizações religiosas. A partir do século XVIII, o desenvolvimento da administração foi
influenciado pelo surgimento de uma nova personagem social: a empresa industrial.
Na Inglaterra, o primeiro país a fazer a transição para uma sociedade industrial, o sistema de
fabricação para fora (putting-out system) foi o precursor das fábricas. Nesse sistema, os capitalistas
entregavam matérias primas e máquinas de produção têxteis para as famílias, que recebiam
pagamento por peça.
O sistema de fabricação para fora, que sobreviveu à Revolução Industrial, tinha grandes
desvantagens para o comerciante. Primeiro, o artesão era o detentor da tecnologia e o proprietário
não podia interferir no processo produtivo. Segundo, ele podia produzir de acordo com as suas
necessidades de dinheiro. Os comerciantes do século XVIII já haviam observado que a
produtividade diminuía conforme o artesão ganhava o mínimo de que necessitava. Assim, os
proprietários faziam planos de produção com elevado grau de incerteza. Terceiro, os artesãos, em
situações de aperto financeiro, não hesitavam em reter e vender a matéria-prima que não lhes
pertencia.
Alguns comerciantes começaram então a reunir em galpões, para poder exercer maior controle
sobre seu desempenho. Embora o interesse em controlar os trabalhadores tivesse contribuído para o
nascimento do sistema fabril, o que marca o nascimento da Revolução Industrial é a invenção das
máquinas e sua aplicação à produção de bens, especialmente produtos têxteis. Ao mesmo tempo,
aumentou a complexidade dos problemas, tanto nas empresas como na sociedade.
Com a invenção da máquina a vapor por James Watt (1736-1819) e sua aplicação à produção
surgiu uma nova concepção de trabalho que modificou completamente a estrutura social e
comercial da época, provocando profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e
social que, num lapso de um século, foram maiores do que as mudanças havidas em todo o milênio
anterior.
Ao final do século XVIII, os trabalhadores eram continuamente arregimentados na zona rural,
para fábricas do interior da Inglaterra e Escócia. A emigração da área rural para os centros
industriais fez crescer as cidades e a necessidade de infra-estrutura.
O artesão e sua pequena oficina patronal desaparecem para ceder lugar ao operário e às
fábricas e usinas na divisão do trabalho. Surgem as indústrias em detrimento da atividade rural. A
migração de massas humanas das áreas agrícolas para as proximidades das fábricas provoca a
urbanização.
As condições de trabalho nas fábricas dessa época eram rudes. Os trabalhadores ficavam
totalmente à disposição do industrial e capitalista. Não podiam reclamar dos salários, horários de
trabalho, barulho e sujeira na fábrica e em suas casas. Na cidade têxtil de New Lanark, por
exemplo, as crianças eram obrigadas a trabalhar 14 horas por dia. Após a reforma do utopista
Robert Owen, o número de horas caiu para 12 horas.
O trabalhador especializou-se e perdeu o controle dos meios de produção e a visão de
conjunto dos bens que produzia. O artesão transformou-se no operário especializado na produção de
máquinas, o que desumanizou o trabalho. A ênfase foi colocada na eficiência, não importa a que
custo humano e social. Os trabalhadores tornaram-se dependentes do emprego oferecido pelas
fábricas, numa cultura que aceitava e encorajava a exploração (a cultura do autoritarismo
mecânico). As empresas tinham apenas as máquinas e administradores. Algumas das máquinas
eram seres humanos. A desconsideração em relação ao fator humano era total.
A máquina impõe como absolutamente necessário o caráter cooperativo do trabalho, a
necessidade de uma regulação social, porém o uso capitalista das máquinas leva a uma direção
autoritária, à regulamentação administrativa sobre o operário, tendo em vista a extorsão de mais-
valia pelos membros do quadro administrativo, executivos, diretores, supervisores, capatazes. Os
patrões conseguem fazer passar por simples regulamentação social, o que, na realidade, é o seu
código autoritário. Direção autoritária é objetivo capitalista que, pela chamada racionalização do
trabalho e controle do comportamento do operário, define as garantias da cooperação. Para obter
cooperação na indústria, as funções diretivas transformam-se de normas de controle em normas de
repressão.
Da calma produção do artesanato, em que os operários eram organizados em corporações de
ofício regidas por estatutos, onde todos se conheciam, passou-se rapidamente para o regime de
produção dentro de grandes fábricas. Houve, então:
- a transferência da habilidade do artesão para a máquina, visando uma produção com maior
rapidez, maior quantidade, melhor qualidade e menores custos;
- a substituição da força do animal ou do músculo humano pela maior potencia da máquina a
vapor, permitindo maiores produção e economia.
Ocorre um espetacular desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação – navegação
a vapor (1807), locomotiva a vapor (1829), telégrafo elétrico (1835), selo postal (1840), telefone
(1836). Todas as invenções produziram um forte desenvolvimento econômico, social, tecnológico e
industrial e incrementaram as profundas transformações e mudanças que ocorriam com uma
velocidade cada vez maior. Com todos esses aspectos, define-se um gradativo controle capitalista
sobre quase todos os ramos da atividade econômica.
Essas condições, associadas às grandes concentrações de trabalhadores nas fábricas e cidades,
facilitando a comunicação e organização, intensificaram o potencial de conflito com os empresários.
No começo dos anos de 1800, surgiram os primeiros sindicatos, para proteger os salários dos
artesãos. Os sindicatos foram cerceados inicialmente, e apenas tolerados na Inglaterra, e sua
aceitação ocorreu lentamente. Em 1875, todas as restrições aos sindicatos haviam sido levantadas
na Inglaterra e, em 1844, na França. Na Alemanha, foram declaradas ilegais em 1869, por
Bismarck. Em 1890, foram legalizadas.
Durante a Revolução Industrial, começaram a formar-se modelos de administração,
organização e sociedade que se consolidaram no século seguinte.
As práticas administrativas no início da Revolução Industrial eram rudimentares. A qualidade
dos produtos era precária e variável, vigorando o princípio de que cabia ao comprador inspecionar o
que comprava. Pagavam-se baixos salários e usavam-se capatazes para fazer o controle cerrado da
mão-de-obra.
Em meados do século XVIII, o terreno estava pronto para a consolidação dos conhecimentos e
práticas administrativas em uma disciplina independente. A expansão da Revolução Industrial pelo
mundo todo, especialmente nos Estados Unidos, criou grande demanda por conceitos e técnicas que
pudessem ser utilizados por um contingente de pessoas que se tornava necessário e precisava de
treinamento especializado: os administradores profissionais de organizações. Foi nos Estados
Unidos que as condições mostraram-se mais favoráveis para essa tendência. Nesse país, a atividade
e a tecnologia industrial desenvolveram-se mais do que em outros. Em 1881, a Universidade da
Pensilvânia criou a primeira escola de administração do mundo, com base numa doação de 100 mil
dólares de Joseph Wharton, a pessoa que viria a patrocinar muitas das experiências de Frederick
Taylor.
A Revolução Industrial provocou profundas modificações na estrutura empresarial e
econômica da época. Mas não chegou a influenciar os princípios da administração das empresas,
então utilizados. Os dirigentes de empresas trataram de cuidar como podiam e como sabiam das
demandas de uma economia em rápida expansão e tinham por modelo as organizações militares e
eclesiásticas nos séculos anteriores.

Fatores que propiciaram a insurgência das organizações modernas, durante a Revolução Industrial:
- a ruptura das estruturas corporativas da Idade Média (oficina patronal e corporações de
ofício);
- o avanço tecnológico e ampliação de mercado;
- a substituição do tipo artesanal por um tipo industrial de produção.

Precursores das Teorias Administrativas:


Adam Smith (1723-1790) fazia apologia à divisão do trabalho (“A Riqueza das Nações”;
1776), tal posicionamento se deveu observação de que, na fabricação de alfinetes, a produtividade
do trabalhador individual havia aumentado 240 vezes.
James Mill (1773-1836), no livro “Elementos da economia política” (1826), aponta a
necessidade de reduzir ao mínimo o número de tarefas de cada trabalhador, a fim de aumentar a
velocidade e a eficiência. Ele também sugeriu que tempos e movimentos deveriam ser analisados e
sistematizados para produzir a combinação mais eficiente.
Robert Owen (1771-1858), na Escócia, em 1800, trabalhava em uma fábrica de fiação que
adquirira, na qual havia 2000 pessoas, inclusive 500 crianças com idade de até 5 anos. Ele iniciou
uma experiência de administração paternalista e humanista, com base em sua crença de que o ser
humano era produto do meio e, portanto, podia ser melhorado. Entre os benefícios que ofereceu a
seus trabalhadores, estavam moradia, educação gratuita para as crianças e um armazém sem fins
lucrativos. A idade mínima para o trabalho foi aumentada de 5 para 10 anos e o dia de trabalho foi
reduzido, para toda a força de trabalho, de 14 para 12 horas.
2ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (1860 a 1914)
Ela é marcada por:
Substituição do ferro pelo aço como material industrial básico;
Substituição do vapor por eletricidade e derivados do petróleo como fontes de energia;
Desenvolvimento da maquinaria automática e da especialização do trabalhador;
Crescente domínio da indústria pela ciência;
Novas transformações nos transportes e nas comunicações, e.g., vias férreas, automóveis
artesanais (modelo ‘T’ de Henry Ford) etc.
Desenvolvimento de novas formas de organização capitalista. As firmas de sócios solidários
que tomavam parte ativa na direção dos negócios deram lugar ao chamado capitalismo
financeiro – separação entre propriedade e direção das empresas, indústrias financeiras e
de crédito, fusões, holding companies;
Expansão da industrialização à Europa Central e Oriental e ao Extremo Oriente.
O século XIX assistiu a um monumental desfile de inovações e mudanças no cenário
empresarial. O mundo estava mudando e as empresas também. As condições para o aparecimento
da teoria administrativa estavam se consolidando gradativamente.