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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

Profa. Dra. Josanne Façanha


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
 Teoria geral das obrigações
 Conceito moderno de obrigação
 Elementos da obrigação
 Classificação das obrigações quanto ao objeto
 Obrigações de dar
 Obrigações de fazer
 Obrigações de não fazer
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
 Classificação das obrigações quanto aos
elementos
 Obrigações cumulativas
 Obrigações alternativas
 Obrigações facultativas
 Obrigações divisíveis
 Obrigações indivisíveis
 Obrigações solidárias
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
 Transmissão das obrigações
 Transmissibilidade ativa e passiva
 Cessão de crédito
 Assunção de dívida (cessão de débito)
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
 Modos de extinção das obrigações
 Confusão e remissão de dívidas
 Pagamento indevido
 Inexecução
 Inexecução das obrigações
 A mora e suas consequências
 Perdas e danos
 Juros legais
 Cláusula Penal
 Arras
BIBLIOGRAFIA
 Direito Civil - Direito das Obrigações
1) Maria Helena Diniz
2) Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho
3) Flávio Tartuce
4) Silvio Venosa
5) Cristiano Chaves de Farias
6) Carlos Roberto Gonçalves

7) planalto.gov.br – Código Civil de 2002


INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS
OBRIGAÇÕES
Dois grandes ramos do Direito
 O Direito Civil pode ser dividido em dois grandes ramos:

 Direitos não patrimoniais (que tratam dos direitos da


personalidade, direito à vida, à liberdade, à honra etc.)

 Direitos patrimoniais (que tratam dos direitos que


envolvem valores econômicos).
Direitos patrimoniais

 O Direito das
Obrigações e o
Direito das Coisas
integram os direitos
patrimoniais.
Direitos patrimoniais

 Entretanto, apesar de
integrarem o mesmo ramo,
não podem ser
confundidos, porque o
Direito das Obrigações
trata de direitos pessoais
e o Direito das Coisas
trata dos direitos reais
Direito Pessoal Direito Real
 é o direito do credor  é o poder – direto e
contra o devedor, tendo imediato – do titular
por objeto uma sobre a coisa, com
exclusividade e contra
determinada
todos.
prestação.
 Cria um vínculo entre a
 Forma-se uma relação pessoa e a coisa (direito
de crédito e débito entre de propriedade), e esse
as pessoas vínculo dá ao titular uma
exclusividade em relação
ao bem (erga omnes).
DIFERENÇAS ENTRE DIREITOS
PESSOAIS E DIREITOS REAIS
Quanto à formação
 Os direitos reais têm  Os direitos pessoais não
origem na lei, não podem resultam da lei, nascem de
ser criados em um contratos entre pessoas.
contrato entre duas  Há 16 contratos
pessoas, sendo, por esse nominados entretanto, é
motivo, limitados. possível a criação de
 Seguem o princípio do contratos inominados.
numerus clausus  Seguem o princípio do
(número limitado). numerus apertus (número
aberto.)
Quanto ao objeto

 No direito das coisas,  No direito pessoal, o


o objeto é sempre um objeto é a prestação.
bem corpóreo.  Sempre que duas
pessoas celebram um
contrato uma delas torna-
se devedora de uma
obrigação em relação à
credora.
Quanto aos sujeitos

 No direito pessoal, os  Nos direitos reais,


sujeitos são o credor e costuma-se dizer que o
o devedor (sujeito ativo e direito real somente
sujeito passivo). possui o sujeito ativo
porque este é ligado à
coisa (de um lado o
titular e do outro lado a
coisa).
Quanto à duração

 Os direitos pessoais  Os direitos reais são


são transitórios, pois perpétuos, não se
nascem, duram certo extinguindo pelo não uso,
tempo e se extinguem exceção feita às causas
(pelo cumprimento, pela expressas em lei
compensação, pela  Ex: desapropriação,
prescrição, pela novação usucapião em favor de
etc.). terceiros, perecimento da
coisa, renúncia etc..
NOÇÕES GERAIS
 O termo “obrigação” comporta vários sentidos, sendo o
principal “a submissão a uma regra de conduta”.

 Todavia, o Direito das Obrigações comporta um sentido


mais restrito, compreendendo apenas aqueles vínculos de
conteúdo patrimonial, que se estabelecem de pessoa a
pessoa, colocando-as uma em face da outra, como
credora e devedora.
Noções gerais
 O ramo dos direitos patrimoniais, de valor econômico,
divide-se em reais ou obrigacionais. Os direitos reais
integram o Direito das Coisas enquanto os direitos
obrigacionais, pessoais ou de crédito compõem o Direito
das Obrigações.

 São direitos a uma prestação positiva ou negativa, pois


exigem certo comportamento do devedor ao
reconhecerem o direito do credor de reclamá-la.
Conceito
 Vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o
direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o
cumprimento de determinada prestação.

 Elementos:
1) Subjetivo
2) Objetivo
3) Vínculo jurídico
ELEMENTO SUBJETIVO

 Qualquer pessoa, jurídica ou natural, maior e capaz,


poderá ser sujeito da relação obrigacional.

 Se for menor e incapaz poderá sê-lo, desde que


representado.
ELEMENTO OBJETIVO

 A prestação é o objeto imediato (próximo, direto) a


obrigação e o objeto mediato (distante, indireto) é a coisa
que se vai dar ou fazer ou algo a não fazer.

 A prestação deve ter objeto lícito (que não atenta contra a


lei, a moral e os bons costumes) e deverá ser possível de ser
cumprida (art. 106, CC)

 Não deve ultrapassar as forças humanas (sacrifício exagerado


e incomum) ou de absoluta impossibilidade

 Deve ser determinado ou determinável (como a coisa


incerta, do art. 243, que se conhece pelo gênero ou
quantidade) e deverá ter conteúdo econômico.
Objeto da prestação

 A prestação também
tem o seu objeto, que
se descobre com a
pergunta: o quê?
 Alguém se obriga a
fazer – fazer O QUÊ?
Ius creditoris

 Essa prestação debitória, que é o


objeto da relação obrigacional,
é ação ou omissão a que ficará
adstrito o devedor e que o
credor terá direito de exigir.
Objeto mediato e imediato

 O objeto imediato da obrigação


é a prestação, e o objeto
mediato da obrigação é aquele
que se descobre com a pergunta o
quê?
Exemplo
 Obrigação de dar 200
sacas de café extraforte
 (É obrigação de dar coisa
certa)
 Objeto imediato da
obrigação:
 a obrigação de dar

 Objeto mediato da
obrigação:
 as 200 sacas de café
extraforte
Requisitos de validade da
prestação
 O objeto imediato da obrigação - a prestação – deve
ser
lícito, possível , determinado ou determinável,
e não difere daquilo que se exige do objeto da relação
jurídica em geral, como estatui o Art. 104 do CCB.
Código civil
 Art. 104.A validade do negócio jurídico requer:
 I - agente capaz;
 II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
 III - forma prescrita ou não defesa em lei.
O objeto lícito
 Objeto ilícito seria
aquele que atenta
contra a lei, a
moral ou os bons
costumes
O objeto possível
 A impossibilidade do objeto poderá ser física
ou jurídica.

 Impossibilidade física é a da prestação que


ultrapassa as forças humanas, real e absoluta,
alcançando a todos indistintamente.
A impossibilidade relativa

 É aquela que atinge o devedor da prestação mas não


outras pessoas.

 Essa não constitui obstáculo ao negócio


jurídico
Impossibilidade jurídica
 O ordenamento jurídico proíbe expressamente negócios
a respeito de determinado bem, como, por exemplo:

 a herança de pessoa viva (Art. 426 CC)


 o bem público (Art. 100 CC)

 os bens gravados com cláusula de inalienabilidade


 Qualquer
que seja a obrigação
assumida pelo devedor, ela se
subsumirá sempre a uma
prestação
A prestação será:

 de dar – coisa certa (Arts 233 e s CC), ou incerta


(indeterminada quanto à qualidade: Art. 243 CC), ou
restituir
 de fazer – que pode ser fungível ou infungível (Arts.
247 e 249) e de emitir declaração de vontade (CPC, Art.
466-B)
 de não fazer – Arts. 250 e 251 CC
Vínculo jurídico

 É imaterial, abstrato
 É o liame legal que sujeita
o devedor a determinada
prestação em favor do
credor
 Abrange o dever da
pessoa obrigada (debitum)
e sua responsabilidade em
caso de não-
cumprimento(obligatio).
Obrigação e Responsabilidade

 A obrigação difere da
responsabilidade.

 A obrigação, quando cumprida,


extingue-se.
 A responsabilidade somente nasce quando não
for cumprida a obrigação.
 Há, entretanto, dois casos de obrigação não
cumprida e que não geram
responsabilidade: dívidas prescritas e
dívidas de jogo (não podem ser cobradas)
OBRIGAÇÃO NATURAL
 Em essência e na estrutura, a obrigação natural não difere
da obrigação civil: trata-se de uma relação de débito e
crédito que vincula objeto e sujeitos determinados.
 Todavia, distingue-se da obrigação civil por não ser
dotada de exigibilidade jurídica.
 Art.882, CC. Não se pode repetir o que se pagou para
solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação
judicialmente inexigível
OBRIGAÇÕES NATURAIS

Dívida prescrita
 É o exemplo clássico.
 O devedor somente cumpre sponte sua (dever de
consciência) e não será obrigado porque o juiz deve
reconhecer de ofício a prescrição e julgar extinto o processo
com resolução de mérito
 Há quem diga que o juiz não deve indeferir ações com base
na prescrição, porque pode ter havido uma interrupção sem
que o juiz saiba.
 O grande desafio dessa figura é que uma vez cumprida a
obrigação natural, não há repetição
 Ex: dívidas de jogo, gorjetas, presentes que se fazem em
relação concubinária
OBRIGAÇÃO NATURAL
 Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a
pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que
voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o
perdente é menor ou interdito.
 § 1o Estende-se esta disposição a qualquer contrato que
encubra ou envolva reconhecimento, novação ou fiança de
dívida de jogo; mas a nulidade resultante não pode ser oposta
ao terceiro de boa-fé.
 § 2o O preceito contido neste artigo tem aplicação, ainda que
se trate de jogo não proibido, só se excetuando os jogos e
apostas legalmente permitidos.
 § 3o Excetuam-se, igualmente, os prêmios oferecidos ou
prometidos para o vencedor em competição de natureza
esportiva, intelectual ou artística, desde que os interessados se
submetam às prescrições legais e regulamentares.
Obrigações naturais
Dívida de jogo ilícito
 Não há obrigatoriedade no pagamento (art. 814), o que
não obriga restituir se o pagamento for realizado, salvo
em caso de dolo ou incapacidade de quem perdeu a
aposta.
 Resulta que o devedor não poderá alegar erro, nem exigir
ressarcimento.
Obs:
 O pagamento de gorjeta e o pagamento de alimentos por
alguém não obrigado são exemplos de obrigações
naturais.
CLASSIFICAÇÃO DAS
OBRIGAÇÕES
CLASSIFICAÇÃO BÁSICA
 As obrigações, em uma classificação básica, apreciadas
segundo a prestação que as integra, poderão ser:
POSITIVAS (de dar – coisa certa ou coisa incerta; de
fazer) e NEGATIVAS (de não fazer).
CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL
 Considerando o elemento subjetivo (os sujeitos), as
obrigações poderão ser:
a) fracionárias;
b) conjuntas;
c) disjuntivas ou alternativas;
d) solidárias.
OBRIGAÇÕES FRACIONÁRIAS
 Nas obrigações fracionárias, concorre uma pluralidade de
devedores ou credores, de forma que cada um deles
responde apenas por parte da dívida ou tem direito
apenas a uma proporcionalidade do crédito. Uma
obrigação pecuniária (de dar dinheiro), em princípio, é
fracionária
OBRIGAÇÕES CONJUNTAS
 São também chamadas de obrigações unitárias ou de
obrigações em mão comum.
 Neste caso, concorre uma pluralidade de devedores ou
credores, impondo-se a todos o pagamento conjunto de
toda a dívida, não se autorizando a um dos credores
exigi-la individualmente.
OBRIGAÇÕES DISJUNTIVAS
 Nesta modalidade de obrigação, existem devedores que
se obrigam alternativamente ao pagamento da dívida. Vale
dizer, desde que um dos devedores seja escolhido para
cumprir a obrigação, os outros estarão
consequentemente exonerados, cabendo, portanto, ao
credor a escolha do demandado.
 De tal forma, havendo uma dívida contraída por três
devedores (A, B, C), a obrigação pode ser cumprida por
qualquer deles: ou A ou B ou C.
OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS
 Existe solidariedade quando, na mesma obrigação,
concorre uma pluralidade de credores, cada um com
direito à dívida toda (solidariedade ativa), ou uma
pluralidade de devedores, cada um obrigado à dívida por
inteiro (solidariedade passiva).
 A solidariedade não se presume nunca: resulta da
lei ou da vontade das partes.
CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL
 Quanto ao elemento objetivo (a prestação) - além da
classificação básica, que também utiliza este critério
(prestações de dar, fazer e não fazer) -, podemos apontar
a existência de modalidades especiais de obrigações, a
saber:
a) Alternativas
b) facultativas;
c) cumulativas;
d) divisíveis e indivisíveis;
e) líquidas e ilíquidas;
OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS
 As obrigações alternativas ou disjuntivas são aquelas que
têm por objeto duas ou mais prestações, sendo que o
devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas.
OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS
 A obrigação é considerada facultativa quando, tendo um
único objeto, o devedor tem a faculdade de substituir a
prestação devida por outra de natureza diversa, prevista
subsidiariamente.
 Não se confunde com a obrigação alternativa, cujo objeto
já “nasce” composto
OBRIGAÇÕES CUMULATIVAS
 As obrigações cumulativas ou conjuntivas são as que têm
por objeto uma pluralidade de prestações, que devem ser
cumpridas conjuntamente.
 É o que ocorre quando alguém se obriga a entregar uma
casa e certa quantia em dinheiro.
OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E
INDIVISÍVEIS
 As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o
cumprimento fracionado ou parcial da prestação; as
indivisíveis, por sua vez, só podem ser cumpridas por
inteiro.
OBRIGAÇÕES LÍQUIDAS E ILÍQUIDAS
 Líquida é a obrigação certa quanto à sua existência, e
determinada quanto ao seu objeto. A prestação, pois,
nesses casos, é certa, individualizada, a exemplo do que
ocorre quando alguém se obriga a entregar ao credor a
quantia de R$100,00. A obrigação ilíquida, por sua vez,
carece de especificação do seu quantum, para que possa
ser cumprida.
CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL
 Quanto ao elemento acidental, encontramos:
a) obrigação condicional;
b) obrigação a termo;
c) obrigação modal.
Classificação Especial quanto ao
Elemento Acidental
 Obrigações Condicionais. Trata-se de obrigações
condicionadas a evento futuro e incerto, como ocorre
quando alguém se obriga a dar a outrem um carro,
quando este se casar.
 Obrigações a Termo. Se a obrigação subordinar a sua
exigibilidade ou a sua resolução, outrossim, a um evento
futuro e certo, estaremos diante de uma obrigação a
termo.
 Obrigações Modais. As obrigações modais são aquelas
oneradas com um encargo (ônus), imposto a uma das
partes, que experimentará um benefício maior.
CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL
 Quanto ao conteúdo, classificam-se as obrigações em:
a) obrigações de meio;
b) obrigações de resultado;
c) obrigações de garantia.
OBRIGAÇÕES DE MEIO
 A obrigação de meio é aquela em que o devedor se
obriga a empreender a sua atividade, sem garantir, todavia,
o resultado esperado.
 As obrigações do médico, em geral, assim como as do
advogado, são, fundamentalmente, de meio, uma vez que
esses profissionais, a despeito de deverem atuar segundo
as mais adequadas regras técnicas e científicas disponíveis
naquele momento, não podem garantir o resultado de sua
atuação (a cura do paciente, o êxito no processo).
OBRIGAÇÕES DE RESULTADO
 Nesta modalidade obrigacional, o devedor se obriga, não
apenas a empreender a sua atividade, mas, principalmente,
a produzir o resultado esperado pelo credor.
 Em geral, a obrigação do médico é de meio, no entanto,
no caso do cirurgião plástico (cirurgia plástica estética), a
jurisprudência entende ser de resultado
OBRIGAÇÕES DE RESULTADO
 AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ERRO MÉDICO.
CIRURGIA PLÁSTICA. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. JULGAMENTO
EM SINTONIA COM OS PRECEDENTES DESTA CORTE. CULPA DO
PROFISSIONAL. FUNDAMENTO INATACADO. DANOS MORAIS.
QUANTUM INDENIZATÓRIO. R$ 20.000,00 (VINTE MIL REAIS).
RAZOABILIDADE. I - A jurisprudência desta Corte orienta que a obrigação
é de resultado em procedimentos cirúrgicos para fins estéticos. II - Esta
Corte só conhece de valores fixados a título de danos morais que destoam
razoabilidade, o que não ocorreu no presente caso. III - O agravo não
trouxe nenhum argumento novo capaz de modificar a conclusão alvitrada, a
qual se mantém por seus próprios fundamentos. Agravo improvido. Agravo
Regimental improvido. (AgRg no Ag 1132743/RS, Rel. Ministro SIDNEI
BENETI,TERCEIRA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 25/06/2009)
OBRIGAÇÕES DE GARANTIA
 Tais obrigações têm por conteúdo eliminar riscos que pesam sobre o
credor, reparando suas consequências.
 Constituem exemplos dessa obrigação a do segurador e a do fiador, a do
contratante, relativamente aos vícios redibitórios, nos contratos
comutativos (CC, arts.441 e s.); a do alienante, em relação à evicção, nos
contratos comutativos que versam sobre transferência de propriedade ou
de posse (CC, arts. 447 e ss); a oriunda de promessa de fato de terceiro
(CC, art. 439).
 Em todas essas relações obrigacionais, o devedor não se liberará da
prestação, mesmo que haja força maior ou caso fortuito, uma vez que seu
conteúdo é a eliminação de um risco, que, por sua vez, é um acontecimento
casual ou fortuito, alheio à vontade do obrigado. Assim sendo, o vendedor,
sem que haja culpa sua, estará adstrito a indenizar o comprador evicto;
igualmente, a seguradora, ainda que, p. ex., o incêndio da coisa segurada
tenha sido provocado dolosamente por terceiro, deverá indenizar o
segurado (Maria Helena Diniz)

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