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NÍVEIS DE LÍNGUA

A comunicação entre indivíduos que utilizam o mesmo código é condicionada por


diversos factores:
• Geográficos: A língua portuguesa falada em Portugal Continental é distinta
daquela que é falada no Brasil, nos países africanos de expressão portuguesa, na
madeira e nos Açores. Mesmo dentro de Portugal, os regionalismos constituem
marcas específicas da existência de uma diversidade linguística entre os falantes
do Norte, do Centro e do Sul de Portugal.

• Situacionais: também a idade, a categoria social e a relação entre as pessoas


criam diferenças na linguagem, bem como a situação de comunicação em que o
indivíduo se encontra e os objectivos da comunicação.

• Socioprofissionais: A situação profissional influencia, da mesma forma, o


aparecimento de uma linguagem utilizada pelos indivíduos que fazem parte de
uma mesma actividade profissional ou cultural.

Estão, pois, criadas as condições para o aparecimento de níveis de língua


diferenciados.

• Nível de língua Corrente: corresponde ao nível padrão, já que se serve de


vocabulário, expressões e construções sintácticas acessíveis á maioria dos
membros de uma comunidade.

Exemplo: O meio ambiente é o lugar onde se vive. Alguns lugares são


naturalmente agradáveis, outros, pelo contrário são agrestes e inóspitos.

• Nível de língua familiar: é usado em família ou entre amigos e é pouco rigoroso a


nível gramatical e vocabular, utilizando, muitas vezes, expressões pitorescas
apenas percebidas pelo grupo.

Exemplo: Pedro, já te disse que não quero música aos berros!

• Nível de língua popular: é utilizado pelo povo e caracteriza-se pela simplicidade,


pela espontaneidade e pelo desvio da norma, assumindo as formas de:

- Regionalismos – são registos próprios de uma determinada região que se


distinguem dos outros pelo vocabulário, pronúncia e estrutura gramatical.
Exemplo: Dê-me um cimbalino. (“cimbalino” sinónimo de “café” no
Porto)

- Gírias – são níveis de língua próprios de determinados grupos sócio-


profissionais restritos: pescadores, militares, estudantes...
Exemplo: Tive um furo à segunda hora. (gíria estudantil)

- Calão – é considerado um caso particular de gíria ou uma forma


exagerada do nível familiar, mas de uso geral. É um linguajar grosseiro e
até obsceno.
Exemplo: Que grande cagaço qu’o gajo apanhou!

• Nível de língua cuidado: é o nível que utiliza expressões e vocabulário


seleccionados e construções sintácticas mais elaboradas. Encontra-se nas
conferências, artigos, cartas comerciais,...

Exemplo: Sem outro assunto, apresento os melhores cumprimentos.


De V. Exª atentamente,...

• Nível de língua literário: é o nível usado apenas na escrita e serve a criação


artística, apresentando, pois, uma intenção e realização estéticas.

Exemplo: “E os caranguejos corriam por todos os lados com uma cara


furiosa e um ar muito apressado.” (Sophia Andresen)

EXERCÍCIOS - Identifique o nível de língua utilizado em cada excerto.

1. “ – Chigámos... Qu’ria andar mais, qu’ria? Não lhe bastaram xinco horas de viaige, não?
“(Altino do Tojal)
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2. – O culpado foi aquele xulo que não trouxe a chave a tempo... (Diálogo de operários)
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3. “Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de


acesso e êxito escolar.” (Constituição da República, art. 74)
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4. “É o Português uma velhíssima e nobre língua latina espalhada pelos cinco continentes.
Nela cantaram e cantam grandes vultos inspirados, de Camões a Fernando Pessoa, de
Bernardim Ribeiro a Teixeira de Pascoaes. Capaz de dar guarida às mais desabusadas fúrias
épicas e às mais discretas confidências líricas, dúctil e colorida em todos os paralelos
geográficos que nas andanças visitou, poucas a igualam nos fecundos dons proteicos, na
sua barroca plasticidade. (Miguel torga)
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5. Penso muito em vocês: na São, no Manecas e na mamã. Envia novas daí. Quando
começar a barafunda das aulas conto-te o resto.
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6. “Num instante, juntou-se uma multidão no cais de S. Miguel: Mas quem mais gritava e
corria, desfeitas as longas tranças, o riso aguado de sol, nos olhos cavalos desenfreados,
eram as mulheres – as mulheres dos pescadores açorianos do bacalhau”. (Bernardo
Santareno) ________________________

7. “Manolo mata no peito e cola na relva, Pauliiinho corta in extrimis e dispara, mas tem
Carlão à ilharga, Juca bate no esférico, rodopia, faz um bonito, éeee lançamento longo...
Manecas recebe e progride no terreno, remata do meio da rua... não, é gooooolo...” (in
Cosmo – nº 28) __________________________________________________________

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