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INFORMATIVO
ORTO-ORTOPÉDICO
GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA EM ORTO-ORTOPEDIA
Ano 2 n. 1 Jan/Fev 2022

Editores: Brasil - Leon Daghlian (CD e TPD)


Silvia Monfredini (TPD)
Peru - Virgílio Gonzales Vargas (TPD)
ORTODOTISTAS
e
Itália - Massimo Rosella (TPD)
TÉCNICOS EM PRÓTESE DENTÁRIA
Revisão: Brasil - Virgínia Magri (CD-Me.)

DISTALIZADORES DINÂMICOS
FUNCIONAIS ABERTOS

Prof. Paulo N. Schinestsck


2

O COTIDIANO DOS CIRURGIÕES DENTISTAS E


PROFISSIONAIS CORRELATOS: A dor como um
sinal de alerta e o movimento como terapêutica
Profa.. Dra. Tania Urbanavicius Guerra 10

ACESSÓRIOS 4

Prof. Leon Daghlian


13

Informativo Orto-Ortopédico #1 #2 #3 #4
(Ortho-Orthopedic newsletter)
https://www.facebook.com/gepoo.ortoortopedia/
Português / Español / English

Criação e Edição: Leon Daghlian (55-11) 97118 5799 E-mail: gepoo@outlook.com.br


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Distalizadores Dinâmicos Funcionais Abertos

Os movimentos de distalização são muito importantes na prática clínica e um dos


principais movimentos responsáveis pela diminuição de extrações nos tratamentos. Na literatura
mundial encontramos um grande arsenal de aparelhos fixos e removíveis idealizados para
realizarem a distalização dentária, com manobras terapêuticas que visam evitar ou reduzir a
necessidade de extrações nos tratamentos ortodônticos, cujos protocolos de tratamento
conduziriam à perda de elementos dentários para sua resolução e finalização. Em muitos casos e tipos
de más oclusões por faltas de espaço e diagnóstico falho, são realizadas extrações de dentes em
fases precoces de desenvolvimento onde ainda existem potenciais de crescimento. Essas decisões
radicais podem vir a complicar o tratamento comprometendo a função e a estética facial, que são
importantes objetivos da nossa intervenção e, muitas vezes, o principal desejo do paciente.

Para Jurandir Barbosa um dos primeiros desafios que o ortodontista enfrenta ao iniciar um
tratamento é disponibilizar espaços suficientes nos arcos dentários para acomodar corretamente todos
os dentes. “Ao inserir os fios, sem a prévia obtenção de espaço, criam-se deslocamentos indesejáveis
com efeitos colaterais, tais como protrusão, alterações nas angulações e inclinações dos dentes e, até
mesmo, mordida aberta.”

As técnicas de distalização Jones Jig, Pendulum de Hilgers, Pendex, Distal Jet, Magnetos, Sistema
Ertty e molas superelásticas de nitinol são as técnicas fixas mais utilizadas e foram desenvolvidas para
trabalharem basicamente no maxilar superior. Essas técnicas necessitam de um bom dispositivo de
ancoragem, para evitar ou neutralizar possíveis efeitos indesejados derivados da 3ª Lei de Newton, ação
e reação: inclinações radiculares, vestibularização de dentes anteriores, extrusão e rotação de molares.

Figura 1

A distalização e verticalização de molares inferiores apresenta maior dificuldade e exigência de


um mais forte sistema de ancoragem esquelética intraóssea, com mini implantes e/ou mini placas de
titânio. Entretanto esse sistema nem sempre pode ser utilizado e suas principais desvantagens são pelo
custo de procedimento cirúrgico, riscos de infecção, desconfortos, exigir maiores cuidados e higiene ao
redor do dispositivo.

Entre as técnicas removíveis destacam-se os aparelhos distalizadores da RDFM, Reabilitação


Dinâmico Funcional dos Maxilares, idealizado pelo Dr. Maurício Vaz de Lima, Rio de Janeiro, Brasil.
Segundo Vaz de Lima e Soliva o nome Reabilitação Dinâmica Funcional dos Maxilares, RDFM, “significa
atuar reorganizando e reciclando as disfunções e desorganizações dentárias e posturais do paciente, de-
volvendo a fisiologia normal, funcional e estética sem mutilações”.
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Maurício desenvolveu o método de distalizar segmentos dentários em bloco usando “o


princípio da maioria contra a minoria, com a filosofia de levar o errado para o lugar certo e com
bom-senso. Proporcionando a reorganização morfológica e funcional do sistema estomatognático,
estimulando e redirecionando o crescimento ósseo, através do encapsulamento com mordidas
construtivas.”

Os aparelhos da RDFM dispensam ancoragem extra e, conforme De Luiz3 (1988), podem


realizar movimentos para distal em bloco e em corpo na ordem de 1mm por mês, com força de 90g.
Entretanto segundo Vaz de Lima e Soliva “não podemos distalizar dois segmentos de uma mesma arcada
simultaneamente, pois fatalmente perderemos ancoragem e sobrecarregaremos a região anterior.”

O sistema de aparelhos Distalizadores Dinâmicos Funcionais, DDFAs, foram desenvolvidos


em nossa clínica desde 1994 a partir dos conceitos, princípios e aparelhos da RDFM,
somados a outros da Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, que foram
anexados e aplicados na sua estrutura e funcionamento.

Figura 2

Principais alterações realizadas no aparelho distalizador da RDFM

• Remoção do encapsulamento anterior


• Colocação de arco vestibular de Hawley
• Introdução de molas frontais
• Distalização bilateral e expansão com o mesmo aparelho

Os aparelhos são trabalhados de acordo com a necessidade de cada caso clínico e segundo as
Leis de Planas e os Princípios Fundamentais das Técnicas Ortopédicas Funcionais descritos por Wilma
Simões: Excitação Neural, Mudança de Postura e Mudança de Postura Terapêutica. Podem ser utilizados
nas arcadas superior e inferior de crianças e/ou adultos, com forças intermitentes e ativações em dias
alternados.

As molas frontais são acessórios importantes para alinhamento dentário e, especialmente, para
estimularem os receptores neurais localizados no periodonto; Botão terminal, Anel terminal e Descarga
espontânea. Conforme Patricia Valério: “considerando os receptores
periodontais podemos entender que a forma do aparelho tocar nos
dentes e a forma como ele altera a relação maxilo mandibular levam
à ativação desses receptores periodontais, gerando no SNC uma
modificação do padrão de eferência motora.”

Figura 3 - VALÉRIO P., Ortopedia Funcional dos Maxilares, Pesquisa e Excelência


Clínica, Qual é a forma de ação da OFM? Ed. Napoleão - Quintessence, São Paulo,
2020.
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Entretanto para captar resposta mais eficiente é necessário tocar no ponto onde os dentes
melhor reagem à excitação. Essa ação é realizada com pequena dobra na parte terminal de uma mola fron-
tal, também chamada de “dedo ou dedinho” (Figura 4 - seta). Segundo Planas "A excitação neural de uma
peça dentária dá resposta ao grupo.”

Figura 4 - SIMÕES, W. Ortopedia Funcional dos Maxilares através da Reabilitação


Neuro Oclusal. Ed. Artes Médicas, São Paulo, 2003.

Os Distalizadores Dinâmicos Funcionais Abertos podem ser programados para realizarem 2 tipos de
movimentos distintos com o mesmo aparelho: expansão e distalização, sendo que esta pode ser unilateral
ou bilateral. Segundo Planas o osso basal acompanhará o osso alveolar em seus movimentos, sempre que o
estímulo seja proporcionado biologicamente e através das faces oclusais dos dentes.

E nesse aspecto reside a maior diferenciação entre os dois tipos de distalizadores em bloco, RDFM e
DDFA.

Tipos de Distalizadores Dinâmicos Funcionais Abertos e seus movimentos:

• DDFA S1 e DDFA I1: distalização unilateral


• DDFA S2 e DDFA I2: distalização bilateral
• DDFA S3 e DDFA I4: distalização unilateral e expansão
• DDFA S4 e DDFA I4: distalização bilateral e expansão

Os aparelhos mais usados são:

• DDFA S2 distalização bilateral superior


• DDFA I2 distalização bilateral inferior
• DDFA S3 distalização unilateral superior com expansão
• DDFA I3 distalização unilateral inferior com expansão

Os aparelhos de distalização e expansão são ativados em dias alternados e não necessitam ancoragem
extra. Proporcionam ao profissional maior segurança e controle sobre os movimentos e seus efeitos colaterais
indesejáveis, comumente encontrados nas mecânicas de distalizações: inclinações radiculares, vestibularização
de dentes anteriores, extrusão e rotação de molares.

É importante dizer que os distalizadores abertos fazem parte do Sistema de Tratamento OrtoFuncio-
nal. Uma metodologia de tratamento que utiliza conceitos e técnicas da RDFM, Ortodontia fixa, Ortodontia
removível, OFM, Alinhadores e Be Flash.

O Ativador Aberto Elástico de Klammt é o aparelho ortopédico funcional mais usado e, conforme cada
caso pode ser usado no início, no meio, conjuntamente ou no fim do tratamento.
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Exemplos de casos clínicos com os principais distalizadores usados:

DDFA S2: caso clínico -16 anos: distalização bilateral superior

Figura 5
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06 anos pós tratamento

Figura 6

DDFA S3: caso clínico de adulto com 23 anos – distalização unilateral superior com expansão.
DDFA I4: distalização bilateral inferior com expansão.

Figura 7
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Figura 7

11 anos pós tratameto

Figura 8
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DDFA I3 : caso clínico adulto com 30 anos – distalização inferior unilateral com expansão:obs. por
recomendação médica não foi extraído o 48.

Figura 9

04 anos pós tratamento

Figura 10
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Conclusão

Apesar de reconhecermos todas as dificuldades e desafios existentes, a aplicação clínica dos


distalizadores da RDFM e DDFA, vieram para somar, agregar e representam uma alternativa
simplificada, segura e com baixo custo operacional. Conforme W. Alexander, idealizador da
filosofia e técnica ortodôntica Disciplina Vari Simplex, “minha preocupação é com a simplicidade a fim de
encorajar a cooperação, mais conforto e maior controle do paciente. Um tratamento mais fácil e mais
conveniente para este acabará por reduzir o estresse do ortodontista, de sua equipe e diminuirá o
tempo de sua duração. Técnicas complicadas dificultam a vida do paciente e diminuem suas chances de
serem bem sucedidas.

Referências bibliográficas

1- ALEXANDER W.- Ortodontia - Conceitos Contemporâneos e Filosofias, A Disciplina de Alexander, Li-


vraria e Editora Santos, 1997
2- BARBOSA J.- Ortodontia com Excelência, na busca da perfeição clínica, Ed. Napoleão, 2013
3- De LUIZ LÚCIA – Distalação em Bloco: Um recurso Terapêutico na falta de espaço no arco superior,
Monografia, Universidade Camilo Castelo Branco
4- PLANAS,P. Rehabilitacion Neuro-Oclusal( RNO) Ed. Masson Salvat, Barcelona
5- SIMÕES, W. Ortopedia Funcional dos Maxilares através da Reabilitação Neuro Oclusal, Ed. Artes Mé-
dicas, São Paulo, 2003
6- SOLIVA, H. Distalização em Bloco. Jornal Brasileiro de Ortodontia&Ortopedia Facial
7- VALÉRIO P. Ortopedia Funcional dos Maxilares, Pesquisa e Excelência Clínica, Qual é a forma de ação
da OFM? Ed. Napoleão - Quintessence, São Paulo, 2020
8- VAZ DE LIMA, M, Soliva, H. Atlas de Reabilitação Dinâmica Funcional dos Maxilares Sem extração, Rio
de Janeiro, Quintessence Publishing Co.1992

Paulo Antonio N. Schinestsck

Especialista em OFM pelo CFO


Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Universidad Maimonides, Buenos, Aires, Argentina
Membro da ABOFM
Membro da SOBRACOM
Membro do GEM, com o título de Excelência na técnica

ortobage@yahoo.com.br
+55 53 999825620 Whatsapp
Instragran: @Pauloschinestsck
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O cotidiano postural dos cirurgiões dentistas e profissionais


correlatos: a dor como um sinal de alerta e o movimento
como terapêutica.

Ao longo de 40 anos trabalhando com pessoas que referem desconforto no sistema


musculoesquelético, é frequente observarmos a presença da sintomatologia da dor no cotidiano dos
cirurgiões dentistas e profissionais correlatos.

A frequência de queixas dolorosas em condições de trabalho é bastante comum e, não raras


vezes, leva o profissional ao afastamento parcial ou até definitivo de suas funções.

Também observamos a cronificação e instalação efetiva de problemas ortopédicos a partir da


“naturalização” das más posturas. Estas más posturas são resultantes de hábitos posturais negativos e
cotidianos que se acumulam ao longo da vida do profissional, sem que o mesmo se aperceba do que está
acontecendo.

O Início

O Início dos problemas é sabotador: o desconforto muscular é a principal queixa e após algum
tempo surgem os edemas e inflamações. Não são necessários muitos anos de profissão para que os pro-
blemas apareçam.

Na odontologia, é comum que posições estáticas em desacordo com a biomecânica funcional


e/ou antigravitacional se repitam frequentemente. Somam-se a elas a inadequação mobiliária, as
dificuldades geradas para acessar a boca do paciente, equipamentos que não permitem ajustes
ergonômicos individuais, o tempo necessário de cada tratamento, a jornada diária de trabalho e outros.
Pronto! O estrago começou....

O Meio

O surgimento efetivo de dores lombares e cervicais é corriqueiro na vida dos profissionais de


odontologia. Assim também é com a síndrome do túnel do carpo, tendinites, distúrbios circulatórios,
alterações em membros superiores e ombros que, pela sua repetição, podem ser caracterizados como
DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), que se não tratada, é evolutiva e incapa-
citante.

Consideremos ainda, as variações individuais de cada profissional em outras demandas: de


fundo cognitivo (as dificuldades de cada paciente/situação), as financeiras e as pressões geradas pelas
mesmas, chefias, produtividade e etc.

Somados todos esses fatores, estima-se que hoje cerca de 30% dos profissionais da área
odontológica abandonem prematuramente sua função por questões médicas e dificuldades de suporte
a dor de origem postural.
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O Diagnóstico

Várias são as opções de tratamento para o desconforto advindo dos problemas de adaptação
postural nos diversos nichos profissionais. Comumente, esse desconforto é traduzido pela palavra DOR.

Considerando os profissionais envolvidos na odontologia, é necessário observar os tópicos


já mencionados anteriormente, que servirão como indicadores para a avaliação e escolha da melhor
terapêutica. Os mais comuns são:

- Idade do profissional
É sabido que o fator etário tem relação direta com os níveis de desconforto postural, posto que o
tônus muscular diminui com o avanço da idade, tornando a manutenção da postura de trabalho mais
cansativa e consequentemente, mais difícil.

- Tempo de exercício da profissão


Os efeitos da desorganização postural são cumulativos sobre o sistema músculo esquelético e agravam-
-se quando se tornam habituais. A não percepção e/ou necessidade de manter o corpo em desalinho
acaba tornando- se natural em determinadas circunstâncias e caracteriza-se como necessária (o que
nem sempre é verdadeiro).

- Características anátomo funcionais da especialidade


As especialidades implicam em repetições de padrões motores nem sempre corretos ou desejáveis
- Características anatômicas individuais do profissional

A biotipologia do sujeito/profissional pode ser motivo de problema em determinadas


circunstâncias. O material de trabalho muitas vezes não é o mais indicado para determinada pessoa
e quando o é, nem sempre seu acesso é fácil. O custo das adaptações ergonômicas, quando possível, c
ostuma ser bastante alto.

- Estado geral de saúde


Os padrões motores sofrem alterações em função do estado de saúde de sujeito. Consideram-se aqui,
questões comuns ao envelhecimento, tais como as alterações de curvas metabólicas, pressão arterial,
alterações cardíacas em geral, alterações ortopédicas e musculares, alterações cognitivas, mnemônicas
e outras.

- Jornada diária de trabalho


Há de se destacar a importância da duração da jornada de trabalho, quer seja em somatória de dias
ou horas no período semanal. O cansaço será o resultado deste ajuste horário somado aos fatores
anteriores.

- Intervalo entre os pacientes/atividades


Não menos importante é observar a descontinuidade do trabalho. Intervalos entre as tarefas do
cotidiano são essências para a manutenção do estado de equilíbrio (state of balance) do profissional,
seja homeostáticamente, seja emocionalmente. Indica-se que, pelo menos a cada 45 minutos, posturas
e rotinas sejam desconfiguradas.

- Carga emocional da atividade


Cabe ainda pontuar a relação entre profissional e paciente. Muitas vezes é neste contexto que
encontram-se as maiores dificuldades.
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O baixo suporte ao desconforto (seja do profissional ou do paciente), as limitações


mecânicas (da anatomia do paciente ou dos aparelhos a serem utilizados e que produzem cansaço para o
paciente e/ou profissional), a duração do tratamento, as questões financeiras etc., podem gerar efeitos
estressores danosos e não perceptíveis ao profissional de odontologia.

O Tratamento

Nos profissionais da área odontológica, observa-se com bastante frequência, a recidiva da dor
em tratamentos medicamentosos convencionais.

Sugere-se então, que mais elementos sejam agregados aos tratamentos ortopédicos
convencionais para uma maior efetividade na diminuição das algias.

Listamos abaixo, algumas dessas sugestões:

1. Manutenção das funções locomotoras: independentemente da idade do profissional de


odontologia, caminhadas de 40 minutos de três a quatro vezes por semana são imprescindíveis para o
funcionamento basal dos sistemas circulatório e respiratório do sujeito. Somam-se aos anteriores, a
diminuição dos efeitos negativos das posições estáticas, pois a caminhada aumenta a resistência
básica do sistema músculo esquelético, diminuindo as dores advindas da cansaço gerado pela fraqueza
muscular. As caminhadas ao ar livre sempre serão as mais indicadas, uma vez que propiciam, além das
melhoras dos parâmetros fisiológicos e adaptações cognitivas relevantes que ocorrem para além da
monotonia dos ambientes fechados e protegidos. 


2. Alongamentos sempre são indicados. O aumento da mobilidade óssea e da elasticidade muscular


são de extrema valia para atenuar os efeitos nocivos das posições ortopédicas disfuncionais oriundas da
estática postural. 


3. Deve-se atribuir especial relevância aos exercícios de FORÇA. Não necessariamente os


exercícios de força máxima (acima de 85% da capacidade de força do indivíduo) mas, principalmente, os
exercícios de resistência de força. Cargas que variam entre 70 a 80% com um maior número de repetições,
propiciam ao praticante adaptações de grande valia fisiológica e, dependendo da dificuldade do
exercício, o aumento da neuroplasticidade, condição importantíssima após os 40 anos de idade.
Para concluir

Para Concluir

Muitas das questões que envolvem a determinância da dor estão diretamente relacionadas a
estados hipocinéticos e equívocos posturais, principalmente no ambiente profissional.

As terapêuticas ortodoxas no tratamento da dor podem ser potencializadas a partir da


diversidade e somatória de várias modalidades e terapias. Destaca-se notoriamente, a atividade física
regular e orientada como uma das mais relevantes.

Ressaltamos porém, que a elaboração de programas individuais sempre é mais eficaz se for
produzida por profissional experiente em ergonomia laboral e especializado em questões afeitas às
disfunções posturais.
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E para terminar, uma sugestão:

"O movimento é propriedade do ser humano. Portanto, faça dele seu remédio de uso continuo".

Profa.. Dra. Tania Urbanavicius Guerra

Professora de Educação Física


Atuante em várias áreas, principalmente no ensino superior e,
especialmente, na diminuição de dores advindas da disfunção
postural com metodologia própria há mais de 40 anos.
Celular: (55-11) 994384421
E-mail: tuguerra@uol.com.br

ACESSÓRIOS 4

Molas Frontais

Por princípio, as molas frontais são aquelas que estão posicionadas nos incisivos. Existem as
molas utilizadas em aparelhos ortopédicos que possuem seus nomes próprios, como as molas frontais
de Bimler (F e Ff) (Figura 1), as guias dos AEA Klammt (Figura 2), etc. Existem também as utilizadas
nos aparelhos ortodônticos removíveis, que muitas vezes são semelhantes às citadas, ou adaptadas às
necessidades do paciente, como as molas digitais simples e duplas, as helicoidais simples e duplas, as
molas mistas e suas variações (Figura 3).

Figura 1 - Molas frontais de Bimler Figura 2 - Guias de Klammt


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Figura 3

O objetivo das molas depende da intensão a ser alcançada em cada caso. Podem estar
afastadas para impedir e/ou orientar a posição da língua, ou afastadas para permitir a
lingualização dos dentes anteriores (Figuras 4A e 5A), podem ainda estar justapostas aos dentes
para vestibularizar ou giroverter um dente, ou ainda impedir que este dente seja lingualizado pela ação
de um arco ou dos lábios (Figuras 4B e 5B). Vemos portanto, como é importante o diagnóstico e
o planejamento de um aparelho, seja ortodôntico ou ortopédico funcional. É comum a ação
mecânico/funcional das molas nos diversos tipos de aparelhos, o importante é conhecer as variedades
existentes para poder planejar a ação dos acessórios, suas formas (desenhos), os materiais
empregados, e as ações que desejamos que tenham.

Figura 4 Figura 5

Os fios finos (0,6 e 0,7 mm), ajudam na movimentação dentária, enquanto os mais
espessos, orientam e impedem a musculatura, além de atuarem como os anteriores. Não existe uma
regra específica, o conhecimento e a prática são os condutores para um bom resultado.

Nas figuras 6 a 8 temos alguns exemplos de molas frontais.


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Figura 6 - Sweep Spring ou Mola de Varredura

Figura 7 - Mola Compacta Triplo Braço de Carlos Barberi (Colômbia)

Figura 8 - Mola digital simples e Mola digital por vestibular para a giroversão do dente.

Leon Daghlian

Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares (CFO 2003)


Especialista em Implantodontia (FACSETE 2017)
Cirurgião Dentista (UMESP 2001)
Técnico em prótese Dentária (SENAC 1985)
leondaghlian@gmail.com
Instagram: @dentearte

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