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O PAPEL DA BRINCADEIRA E

SOCIEDADE E INFÂNCIA
LINGUAGENS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Dra. Adriana Koide – Faculdade de Americana - 2019
O PAPEL DA BRINCADEIRA
Retomada do texto de Nono (2010);
Discussão em sala sobre:
• Como o brincar pode estar associado ao cuidar
e educar?
• Por que o brincar é a principal atividade na
infância?
• De que forma o brincar influencia no
desenvolvimento e na aprendizagem da
criança? Quais exemplos podemos dar para
clarificar ideias?
Infâncias e crianças
• Infância = campo emergente para várias áreas do
saber / com foco em divergentes abordagens,
enfoques e métodos / distintas imagens sociais sobre
as crianças.
• É recente o interesse histórico pela infância: Ariès
(1986), apresenta importantes contribuições para o
estudo das imagens e concepções da infância ao longo
da história (iconografia da era medieval à
modernidade - Europa ocidental/França).
• Criança = Adulto em miniatura - Ausência do
sentimento de infância (Antiguidade) – revelavam
uma criança que não possuía nenhuma singularidade
e não se separava do mundo adulto: altos índices de
mortalidade infantil; forma de viver indistinta dos
adultos - trajes, brinquedos, linguagem.
• Os estudos de Ariès (1986) sinalizam a infância como
uma categoria da modernidade, que não pode ser
compreendida fora da história da família e das
relações de produção. É produto da vida moderna,
resultante das modificações na estrutura social.
Na idade média
• As crianças pequenas não tinham
função social antes de
trabalharem, sendo alta a taxa de
mortalidade infantil.
• Crianças pobres, assim que
cresciam eram inseridas no
• mundo do trabalho, sem qualquer
diferenciação entre adultos e
crianças.
• Crianças nobres tinham seus
educadores e eram vistas
• como miniaturas dos adultos e
deveriam ser educadas para o
futuro de transição para a vida
adulta.
Século XVII
• Crianças = fonte de distração ou relaxamento:
chamará de “crianças bibelot” / sentimento de
“paparicação” (ARIÈS, 1986)
• Vida em família: vivida em público, sem
privacidade. Vida coletiva e as famílias conjugais
se diluíam nesse meio societário.
• Funções educativas: ficavam a cargo do grupo
desde o processo de socialização até o ensino
formal.
• Transmissão de conhecimentos e a aprendizagem
de valores e costumes eram garantidas pela
participação da criança no trabalho, nos jogos e
em outros momentos do cotidiano da vida dos
adultos.
• Com as influências do pensamento dos moralistas
e da Igreja, nesse período, as crianças
consideradas como criaturas de Deus, dotadas de
pureza, inocência e bondade, precisariam ser
vigiadas e corrigidas.
Século XVIII
• Surgimento do “sentimento de família”: necessidade e
desejo de privacidade.
• Modelo da família burguesa: troca a sociabilidade pela
intimidade, reduzindo vivências comunitárias
tradicionais - mudanças nos valores e na educação.
• A criança assume um lugar central na família: antes
era cuidada de forma difusa e dispersa pela
comunidade em geral, depois passa a ser
responsabilidade dos pais.
• A criança: nascia socialmente, como um ser
dependente, frágil, ignorante e vazio, que precisava
• ser treinado para ser um bom cidadão, cabendo à
família a responsabilidade pela sua socialização.
• Um novo sentimento destinado à infância, contrário à
paparicação, pautado pelos ideários dos moralistas:
fará da infância objeto de estudo, instrução e
escolarização (crianças burguesas).
• As mudanças no interior das famílias e a necessidade
• de educação das crianças são fatores determinantes
para o desenvolvimento do sentimento de infância.
A infância no Brasil
• Jesuítas: concebiam a
infância como um momento
de “iluminação e revelação”.
• Crianças nativas: violento
processo de aculturação.
• Crianças negras (escravas):
iniciada no trabalho antes
dos sete anos de idade.
• Crianças brancas (elite):
estava destinada aos
estudos.
• Há diferentes formas de ser
criança em uma mesma
cultura.
• Infância: categoria social –
Criança: sujeito concreto
que integra essa catgoria
(SARMENTO, 2005).
Conceitos de infância

• Podem apresentar diferentes significados. A palavra


infância evoca um período que se inicia com o
nascimento e termina com a puberdade.
• O Estatuto da Criança e do Adolescente designa
criança toda pessoa até 12 anos de idade
incompletos.
• Pinto & Sarmento (1997): destacam a inexistência
• de um consenso para o conceito de infância, visto
que recentes investigações e estudos têm enfatizado
• a condição da criança como sujeito de direitos desde
a vida intrauterina.
• A Convenção dos Direitos da Criança, 1989,
considera criança todo ser humano até 18 anos.
• O estabelecimento dos limites da infância
• é um processo polêmico, contraditório e constitutivo
da própria infância enquanto categoria social.
Infância: construção social
• Infância: uma condição do ser criança,
devendo ser compreendida no contexto
das relações sociais.
• O termo infância apresenta um caráter
genérico, cujo significado resulta das
transformações sociais, o que demonstra
que a vivência da infância modifica-se
conforme os paradigmas do contexto
histórico e outras variantes sociais como
raça, etnia e condição social.
• Kuhlmann Júnior (2001, p.16), referindo-
se ao caráter histórico e social do termo
infância, afirma: “toda sociedade tem
seus sistemas de classes e idade e a cada
uma delas é associado um sistema de
status e de papel”. Para ele, é preciso
reconhecer as crianças enquanto sujeitos
históricos, ou seja, “é importante
perceber que as crianças concretas, na
sua materialidade, no seu nascer, no seu
viver e no seu morrer, expressam a
inevitabilidade da história e nela se fazem
presentes, nos seus mais diferentes
momentos”.
Infâncias: na encruzilhada da
modernidade e pós-modernidade

• Iluminismo: razão e ciência – Escola iluminista: espaço


para a transmissão do conhecimento científico e para a
formação do cidadão.
• John Locke: tábula rasa, “vir a ser”, devendo ser
preenchida de conhecimentos necessários a sua
formação enquanto força produtiva.
• O reconhecimento da infância enquanto etapa do
desenvolvimento humano, nos séculos XIX e XX, faz
surgir a infância científica: propagação de
conhecimentos construídos por várias categorias. São
divulgadas normas de higiene e cuidados com as
crianças, investe-se em campanhas de amamentação,
criam-se instituições de atendimeno, como as creches
e jardins da infância.
ARIÈS

• Retomada da resenha do livro


(15m);
• Para a roda da conversa:
• Quem foi Ariès? Qual a
importância do seu trabalho para o
estudo sobre a infância?
• Qual o papel do sentimento do
“apego” na construção do conceito
que temos de infância nos dias
atuais?
• De acordo com Ariès, qual o papel
da escola?
• Depois da leitura, que visão nos
fica sobre o conceito de infância?
Construção do conhecimento
sobre a infância
• Psicologia do desenvolvimento: contribui para a
construção de nossas imagens das crianças e para o
nosso entendimento das suas necessidades, contribui
para a construção e para a constituição de toda a
paisagem da infância.
• Diferentes áreas: psicanalítica, humanista, da
aprendizagem, cognitiva, etológica ,contextual,
histórico cultural...
• Estuda o desenvolvimento do ser humano em todo os
seus aspectos: Físico (motor); intelectual; afetivo –
emocional; social.
• Desenvolvimento humano: hereditariedade;
crescimento orgânico; maturação neurofisiológica e o
meio.
O desenvolvimento humano
• Aspecto físico – motor: crescimento orgânico,
maturação neurofisiológica, capacidade de
manipulação de objetos e de exercícios do próprio
corpo. Ex.: a criança leva chupeta a boca.
• Aspecto intelectual: capacidade de pensamento,
raciocínio. Ex.: a criança de 2 anos quer um cabo de
vassoura para puxar um brinquedo que está em baixo
de um móvel.
• Aspecto Afetivo – emocional: modo particular de
organizar experiências e sentimentos. Ex. Quando
ficamos envergonhados com algum sentimento.
• Aspecto Social: reação diante das situações que
envolvem outras pessoas. Ex. em um grupo de
crianças, no parque, é possível observar alguma que
espontaneamente busca outras para brincar.
REFERÊNCIAS
NONO, Maévi Anabel. O brincar na Educação Infantil. São Paulo: Editora
UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

ANDRADE, LBP. Educação infantil: discurso, legislação e práticas


institucionais [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura
Acadêmica, 2010. 193 p. ISBN 978-85-7983-085-3. Available from SciELO
Books <http://books.scielo.org>.

ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro:


LTC, 1986.

KULHMANN JR. M. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica.


Porto Alegre: Mediações,2001.

SARMENTO, Manuel J. Imaginário e culturas infantis. Cad. Educ. Fae/UFPel,


Pelotas (21):51-59, jul./dez. 2005.

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