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Comunicação e Expressão

Ensino a Distância
MANTENEDORA
Comunidade Evangélica Luterana São Paulo - CELSP
Rua Fioravante Milanez, 206
Sumário
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS E SUA IMPORTÂNCIA PARA O FALANTE NA-
CEP 92010-240 – Canoas/RS TIVO ............................................................................................ 3
Telefone: 51 3472.5613 - Fax: 51 3477.1313
DIREÇÃO
Presidente NÍVEIS E FUNÇÕES DA LINGUAGEM ...............................................9
Delmar Stahnke
COESÃO DO TEXTO ESCRITO........................................................ 13
UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL
Av. Farroupilha, 8001 - Bairro São José
COERÊNCIA TEXTUAL ................................................................. 24
CEP 92425-900 - Canoas/RS
Telefone: 51 3477.4000 - Fax: 51 3477.1313
REITORIA O PARÁGRAFO .......................................................................... 31
Reitor
Marcos Fernando Ziemer PADRÃO .................................................................................... 31
Vice-Reitor
Valter Kuchenbecker A PARÁFRASE ............................................................................ 40
Pró-Reitor de Administração
Ricardo Muller
Pró-Reitor de Graduação RETEXTUALIZAÇÃO .................................................................... 48
Ricardo Prates Macedo
Pró-Reitor Adjunto de Graduação FALA ESCRITA ............................................................................ 49
Pedro Antonio Gonzalez Hernandez
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação RESUMO E RESENHA .................................................................56
Erwin Francisco Tochtrop Júnior
Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários
CONCORDÂNCIA ....................................................................... 66
Ricardo Willy Rieth
Capelão geral
Gerhard Grasel VERBAL E NOMINAL ................................................................... 66
Diretor de Ensino do EAD
Joelci Clécio de Almeida A VÍRGULA, A CRASE E OS PORQUÊS ........................................... 74
Orientação e revisão da escrita
Dóris Cristina Gedrat
Design/Infogra a/Programação
José Renato dos Santos Pereira
Luiz Carlos Specht Filho
Sabrina Marques Maciel

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VARIAÇÕES
LINGUÍSTICAS E SUA
IMPORTÂNCIA PARA O
FALANTE NATIVO
A língua, por ser viva, muda no tempo e no espaço. Vamos
ver como isso acontece!
Neste capítulo, nós nos dedicamos ao estudo das diversas possibilidades para utilização da língua
portuguesa, as quais variam de acordo com as diferentes situações em que ela é utilizada.
Vanessa Loureiro Correa

Estudos da linguagem: uma


breve retomada histórica
Nesse imenso território, usamos a mesma
língua para nos comunicarmos, ou seja, usamos
a língua portuguesa. Ainda que muitos estados PR AP

tenham fronteiras com diferentes países, que RS PA MA CE RN


PI
cada um tenha sido colonizado por povos dife-
PB
AC PE
RO TO AL
MT BH SE
rentes, que tenhamos climas, aspectos geográfi- GO
cos e culturas diferentes, falamos todos a mesma MS
MG
ES
SP RJ
língua portuguesa. Será que essa língua é, de SC
SC
fato, a mesma? RS

Ao longo da história, vários teóricos ten-


taram estudar a linguagem humana. A grande
maioria, até o século XVII, selecionava uma lín-
gua e a analisava em todos os seus aspectos: fô-
nico (sons), semântico (sentidos), sintático (gra- Arquivo
maticais) e morfológico (estrutura das palavras).
Sabiam muito do funcionamento daquela língua, dassem várias línguas ao mesmo tempo, compa-
mas ignoravam como funcionavam as demais. rando-as em todos os aspectos. Esse estudo fez
No século XVII, houve o desejo de se “fa- com que se observasse a existência de princípios
zer” uma língua que todos falassem, em todos os que eram comuns a TODAS AS LÍNGUAS DO
lugares do mundo, para que ocorresse a comu- MUNDO. A verdade é que não se conseguiu
nicação sem precisar estudar a língua que fosse uma língua universal, mas essa descoberta foi de
própria de cada país. A busca por essa “lingua- suma importância para o avanço nos estudos lin-
gem universal” fez com que os estudiosos estu- guísticos. Esses princípios diziam que todas as

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línguas variam no tempo e no espaço. Também juntas, isto é, todo o sistema, e não por partes –
descobriu-se que todas as línguas têm duas arti- primeiro o som, depois a formação de palavras,
culações, uma que trata dos fonemas e outra que em seguida a formação de frases e o significado
diz respeito aos morfemas. Quando se estudou das palavras. Tudo isso é feito ao mesmo tempo
todas as línguas juntas, descobriu-se que existem pela criança. Constatou-se que somente o ho-
aspectos linguísticos que estão presentes em to- mem é capaz de criar frases e palavras novas para
das as línguas. No entanto, viu-se também que expressar situações inéditas, bem como é próprio
cada uma organiza suas articulações de maneira do falante tornar regular as formas irregulares da
própria, particular. Observou-se que o falante, ao língua.
adquirir uma língua, aprende todos as suas partes

A verdade é que não se conseguiu uma língua universal, mas essa


descoberta foi de suma importância para o avanço nos estudos lin-
güísticos. Esses princípios diziam que todas as línguas variam no tem-
po e no espaço. Também descobriu-se que todas as línguas têm duas
articulações, uma que trata dos fonemas e outra que diz respeito aos
morfemas. Quando se estudou todas as línguas juntas, descobriu-se
que existem aspectos linguísticos que estão presentes em todas as
línguas. No entanto, viu-se também que cada uma organiza suas ar-
ticulações de maneira própria, particular. Observou-se que o falante,
ao adquirir uma língua, aprende todos as suas partes juntas, isto é,
todo o sistema, e não por partes – primeiro o som, depois a formação
de palavras, em seguida a formação de frases e o significado das pa-
lavras. Tudo isso é feito ao mesmo tempo pela criança. Constatou-se
que somente o homem é capaz de criar frases e palavras novas para
expressar situações inéditas, bem como é próprio do falante tornar
regulares as formas irregulares da língua.

Voltando à questão da língua universal, o da e que essas transformações não ocorrem


homem sempre desejou que houvesse uma que porque alguém decreta, mas pelo amplo uso
fosse comum a todos os povos. Baseado nesse de uma estrutura em um grupo. Por exemplo:
desejo, criou-se o Esperanto, que tinha por obje- Aqua água
tivo substituir o inglês. No entanto não deu certo,
ainda que a gramática seja acessível, o Esperanto
não permite ironias e ambiguidade, o que dificul- É importante ressaltar
tou o seu emprego. que a língua não muda
Mais tarde, no século XIX, os teóricos se pela vontade do homem,
interessaram em buscar a língua-mãe, ou seja, mas sim pelo uso que o
aquela que deu origem a um grupo de línguas. mesmo faz dela.
Nessa nova abordagem, eles descobriram que
a língua sofre mudanças de maneira ordena-

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Em 1916, com a publicação do livro Cours não é errado, se o emissor comunica a sua men-
de Linguistique General de Ferdinad Saussure, sagem. O linguista vai analisar essa frase dentro
fundou-se a Linguística. Essa ciência estuda a do contexto comunicativo em que ela foi dita e
linguagem verbal (palavra escrita ou falada) hu- ver o porquê dessa estrutura gramatical, sem se
mana. Não cabe aos linguistas dizer o que é cer- preocupar em dizer que ela está errada, pois não
to ou errado na língua, apenas analisar os vários está de acordo com a língua-padrão.
usos e estruturas que a mesma apresenta em gru- Para melhor entendermos a afirmação aci-
pos sociais, a fim de descrevê-la. Na Linguística, ma, vamos tratar da variação linguística.
dizer “Nóis fumo, vortemo e nada incontremo”

Variação linguística e sua


importância para o falante nativo
Como já foi dito anteriormente, não pode- rais. Por isso, existem termos próprios usados
mos esperar que se fale a mesma língua portu- somente nelas. No Norte, por exemplo, temos a
guesa em todas as regiões do Brasil. A língua disputa do boi Garantido versus o Caprichoso.
varia de acordo com a necessidade do falante, ou Para isso, existe toda uma linguagem que se refe-
seja, toda vez que precisarmos de uma estrutura re a essa disputa. No Sul, temos o tradicionalis-
nova ou adaptada, nós mudaremos a nossa lín- mo gaúcho, rico em expressões e ditados que são
gua. É importante lembrar que TODAS AS LÍN- desconhecidos dentro do próprio Rio Grande do
GUAS, segundo o Princípio da Variação Lin- Sul, se o falante não fizer parte do movimento.
guística mudam no tempo e no espaço. Vamos Ex. “Mais perdido que cusco em tiroteio”
ver alguns exemplos: (ditado gaúcho)
Ex.: “Veio ainda infante Claudio Manuel da Vamos ver um exemplo da linguagem nor-
Costa para a cidade do Rio de Janeiro a fim de tista, que aborda a maior festa dessa região:
receber a sua educação litteraria. Tinham os je-
suítas as melhores escholas; pertenciam á Com-
panhia os mais affamados mestres: frequentou
elle as escholas dos Jesuítas; aprendeu latim,
rhetorica, philosophia, rudimentos de mathema-
“Festival de Parintins”
ticas (...)” (trecho do livro “Os varões illustres do Os bois e os sons das toadas na
Brazil durante os tempos coloniáes, 1858, p.12) floresta no Festival de Parintins. O
Por incrível que pareça, o trecho acima foi som das toadas e o repique dos tam-
escrito em português, o mesmo que falamos ago- bores. No centro, figuras típicas como
ra, mas diferente porque pertence a outra época, Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuchauas,
provando que a língua muda de um período para Cunhã-Poranga, Pajé e diversas tribos
outro. indígenas cantam e dançam no ritmo
alucinante e contagiante das toadas de
No Rio Grande do Sul, os gaúchos fazem
boi. Esta é uma das cenas que podem
rancho (compras de comida) passam pela lom-
ser vistas durante o Festival de Pa-
bada. Esperam o ônibus na faixa (na rua) e co-
rintins, considerado uma das maiores
mem negrinhos (brigadeiros).
manifestações culturais do Brasil.
Existem alguns motivos que levam a língua
O espetáculo se transforma numa
a variar, como os que seguem:
verdadeira batalha folclórica, em que
Região: cada região tem características pró- os guerreiros são os simpatizantes dos
prias em termos geográficos, climáticos, cultu-

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Bumbás Garantido (Vermelho e Branco) luxo, fantasias e muita coreografia.


e Caprichoso (Azul e Branco). Na aveni- A grande festa começa com uma re-
da, durante quase seis horas, a cada noite, cepção chamada “Festa dos Visitantes” que
sempre no final do mês de junho, eles en- acontece no Clube Ilha Verde e nos currais
cenam um verdadeiro ritual festivo, que dos bumbas Garantido e Caprichoso.”
encanta. São belas mulheres e homens,

Fonte 1 - Amazônia
Faixa Etária: nossa linguagem muda con-
forme a idade, tendo em vista o interesse que te-
mos em cada faixa etária. A linguagem de uma Estou sentado na cadeira de
criança é diferente da linguagem de um ado- diretor de redação da VIP e a
lescente e essa é diferente da linguagem de um vista daqui não é nada má, ga-
adulto, conforme os exemplos abaixo. ranto a você. Estou muito bem
cercado. Se giro a cadeira, vejo
Sabrina, a musa instantânea,
Ex. “Eu e os meus irmãozinhos fomos no seu primeiro ensaio calien-
a uma festinha na casa de amiguinhos.” te para uma revista. Delícia.
“Eu e os brothers fomos a uma balada Giro de novo e é só prazer,
na baía da galera.” acredite.
“Eu e amigos fomos a uma reunião na Este é o mundo de
casa de amigos.” VIP. E meu trabalho é tra-
tar muito bem dele. Como
se fosse você, meu caro,
sentado nessa cadeira.”
Fonte 3 - Filologia

Estudo: quanto mais educação intelectual


tiver o falante nativo, mais rica será a sua lin-
Fonte 2 - SXC guagem. Isso se dá pelo acesso à leitura, a novos
conhecimentos. Infelizmente, no Brasil, a educa-
ção, com tudo que diz respeito a la, é cara. Logo,
Sexo: homens e mulheres não falam a mes- são poucos que podem ter uma linguagem mais
ma linguagem. Pessoas do sexo feminino, por diversificada em todos os aspectos. É através do
exemplo, preferem frases mais longas e elabo- conhecimento que podemos conhecer e dominar
radas, tendo em vista as revistas direcionadas a os diferentes níveis de linguagem para, da melhor
esse público. Já os homens são mais objetivos, forma, adequá-los aos contextos comunicativos.
por isso as frases são mais curtas e truncadas. Ex. “ Fomos ao médico para consultá-lo so-
Também o vocabulário difere, uma vez que os bre dores de cabeça”
assuntos têm focos distintos. Em revistas femini- “Fumo ao médico para consultar ele sobre
nas, encontramos questões que lidam com a vida dor de cabeça.”
amorosa, relacionamentos. Já as masculinas, tra- Tribos ou grupos sociais: cada vez mais,
tam de futebol, carros e viagens. Há muito mais em busca de uma identificação e individualiza-
figuras nessas últimas do que nas primeiras. ção em um mundo tão globalizado. Tribos ou
Ex. “A linguagem do diretor de redação, grupos sociais se formam em cada canto do pla-
Felipe Zobaran, é direta o objetiva, procurando neta. Além de roupas, comportamentos e ideo-
se aproximar o máximo possível do seu sujeito logias diferentes, esses grupos se caracterizam
interpretante: por uma linguagem própria. A pessoa que não

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domina a linguagem desses grupos, não pode pertencer aos mesmos.. Vamos aos exemplos:

Sur stas:

“Dropei a onda, peguei um tubo e levei uma vaca!”

Funkeiros:
“Fui a um baile que era uma maresia. Conheci um
alemão que tinha o maior conchavo. Dava corte em to-
das as princesas. Um verdadeiro playboy.”

Como se pode ver, esses e outros aspectos mesma veste diferentes roupagens, a fim de aten-
fazem com que a nossa língua mude sempre que der nossas necessidades diárias. O importante,
acharmos necessário. É importante termos essa neste caso, é comunicar, ou seja, passar a mensa-
consciência para que possamos evitar atitudes gem para alguém, adequando o nível de lingua-
preconceituosas e excludentes. Não podemos gem ao contexto comunicativo.
exigir que todos falem a mesma língua, pois a

No próximo capítulo você


aprenderá os níveis e funções
da linguagem. É muito importante
que você lembre da variação lin-
guística, porque, somente assim,
você entenderá que a língua tem
diferentes níveis e que o falan-
te tem diferentes objetivos no
processo comunicativo.

Arquivo

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Atividade bos;
B) a linguagem varia de acordo com o sexo;

Responda a questão a seguir: C) a linguagem varia de acordo com a idade;

Se não falamos a mesma língua, por que so- D) a linguagem varia de acordo com o núme-
mos tão preconceituosos com aqueles que não ro de leituras e conhecimentos que fazemos e
empregam o nível coloquial? adquirimos.

Referência 2. Todas as línguas variam:


A) somente no espaço;
Comentada B) somente no tempo;

MUSSALIN, Fernanda & BENTES, Ana C) no tempo e no espaço;


Christina. Introdução à Linguística. São Pau- D) de acordo com a vontade do homem.
lo: Cortez, 2004. v.1
é um livro que inicia qualquer falante nativo
na ciência da Linguística. Ainda que seja da área 3. A forma que os grupos sociais ou tribos têm
de Letras, a linguagem não é tão difícil e pode de se diferenciar é:
servir para as demais áreas, desde que as mes- A) criando uma linguagem própria;
mas tenham interesse em estudar a linguagem
B) vestindo roupas diferenciadas;
relacionada a outras ciências.
C) usando cabelos diferenciados;

Referências D) criando danças próprias.

Bibliográ cas
BRANDÃO, Silvia Figueiredo. A Geogra-
fia Linguística do Brasil. São Paulo: Ática,
1991.
CALVET, J.L. Sociolinguística. S. P. Pará-
bola, 2002.
GNERRE, Maurizzio. Linguagem, escrita
e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
KRISTEVA, Julia. História da Lingua-
gem. São Paulo: Editora 70, 2003. Coleção
Signos.
Gabarito
Questão da re exão
Autoavaliação Somos preconceituosos porque associamos outros níveis
de linguagem, exceto os níveis coloquial e culto, com
pessoas sem cultura e sem estudo.
Marque, com um X, a única alternativa cor-
reta. Autoavaliação
1- D
1. As pessoas que estudam mais sofrem variação
2- C
linguística porque:
3- A
A) a linguagem varia de acordo com as tri-

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NÍVEIS E FUNÇÕES DA
LINGUAGEM
Há várias formas de comunicação e também diferentes
objetivos linguísticos.
Vanessa Loureiro Correa

Neste capítulo, destacamos a necessidade


de observar em qual contexto comunicativo es-
tamos inseridos, a fim de utilizarmos o nível de
linguagem adequado. Além disso, estudamos as
principais funções exercidas pela língua em nos-
sa vida diária.

No que consistem os níveis de


linguagem
Sempre que falamos, devemos observar em trajes de banho ou não usamos traje de gala para
qual contexto comunicativo estamos inseridos, a irmos à praia, não podemos usar um nível regio-
fim de utilizarmos o nível de linguagem adequa- nal, por exemplo, em textos escritos.
do. Ainda que a Linguística diga que não existe o Sendo assim, atualmente, aquele que melhor
certo e o errado na língua, devemos ter consciên- conhece e domina os cinco níveis de linguagem
cia de que existe o adequado e o inadequado para existentes em nossa língua, tem melhores opor-
determinadas situações. A língua é como roupa, tunidades do que aqueles que sabem apenas um.
assim como não vamos dar uma palestra usando Abaixo estão os níveis com os exemplos.

LÍNGUA CULTA OU PADRÃO LÍNGUA REGIONAL


No nível culto, dizemos: “Dá-me um copo O nível regional diz respeito à linguagem usa-
d’água” porque esse nível está de acordo da nas regiões. Ex. Olha o tranco da morena,
com as normas da gramática tradicional. que passa ali no rancho!
Ideal para textos escritos.
LÍNGUA COLOQUIAL LÍNGUA GRUPAL
Neste nível, podemos dizer: “Me dá um É o nível de linguagem que pertence a gru-
copo d’água” porque permite pequenos pos fechados. Divide-se em técnica e gíria.
desvios da gramática padrão. É ideal para Técnica: pertence a áreas de estudo. Só é com-
situações comunicativas orais. preendida por aqueles que estudaram os termos.
LÍNGUA VULGAR OU INCULTA Ex.: O juiz deu um hábeas corpus ao réu.
Este nível contém várias inadequações se for- Gíria: é própria de “tribos” existentes na so-
mos levar em conta a gramática normativa da ciedade, como, por exemplo, os surfistas, os
língua portuguesa. No entanto, em contextos skatistas, os funkeiros e assim por diante.
comunicativos orais, pode ser usada sem pro- Ex.: Dropamos a onda e levamos uma vaca.
blemas. Ex. Nóis não vimu ninguém.

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Assim como temos níveis para usar nos con- linguagem mais relevantes para a área acadêmica.
textos comunicativos, também, quando falamos, Cabe ressaltar que temos as funções fática, poéti-
sempre temos um objetivo. Ninguém fala se não ca, emotiva. No entanto, as mesmas, no contexto
tem necessidade; logo, o nosso discurso é acom- acadêmico, não são tão utilizadas. Sendo assim,
panhado de uma função. Vejamos as funções da vamos nos deter nas funções que seguem:

Função referencial (ou denotativa,


ou cognitiva)
Aponta para o sentido real dos seres e coisas.

ASTROLOGIA:
A importância da lua na vida das pessoas

No texto anterior, Lua está no sentido denotativo, ou seja, como um satélite da Terra. É encontrada
em todos os textos informativos que lemos e produzimos.

Função conativa (ou apelativa ou


imperativa)
Centra-se no sujeito receptor e é eminente- Na propaganda anterior, vimos que o objeti-
mente persuasória. vo é fazer com que o receptor compre um compu-
tador da marca Dell. Usamo-na, principalmente,
quando emitidos uma ordem, estando ela ou não
“Quem tem Dell não troca em forma de pedido, sugestão ou conselho.
Seu presente com total comodidade!
Compre um Dell!”

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Função metalinguística
É a língua falando da própria língua. Serve para verificar se emissor e receptor estão usando o
mesmo repertório.

Linguística é a ciência
que estuda a linguagem
verbal humana.
Nesta canção, o autor define o que é saber Todos esses aspectos são importantes para
amar usando outras palavras da língua para ex- que tenhamos a consciência do quanto a nossa
plicar um sentimento, uma atitude. Esse tipo de língua é rica no momento em que estamos usan-
função pauta todos os textos técnicos que têm por do-a. Dominando os níveis e funções, o falante
meta introduzir palavras próprias de cada área de nativo terá um eficiente processo comunicativo.
estudo.

Arquivo

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Atividade 2. No trecho da música Morocha: “Mulher pra


mim é como redomão, maneador nas patas, pele-
go na cara”, o nível de linguagem predominante
Responda a questão a seguir: é:
Por que temos que ter um nível padrão nos A) culto
textos escritos? B) coloquial
C) regional
Referência D)grupal técnico

Comentada
3. No trecho: “A crise mundial tem assustado a
CHALHUB, Samira. 5 ed. Funções da lin- todos os países, sejam eles ricos, pobres ou em
guagem. São Paulo. Ática, 1991. desenvolvimento. Sendo assim, urge que se te-
É um livro que mostra todas as funções da nha cautela com os gastos domésticos nesse perí-
linguagem através de uma conceituação simples odo.”, o nível e função predominantes são:
e muitos exemplos. O leitor termina a leitura en- A) culto- referencial
tendendo a diferença existente entre cada uma
B) coloquial - referencial
delas, uma vez que consegue visualiza-las nos
exemplos dados. C) culto- metalinguística
D) grupal técnica - metalinguística

Referências
Bibliográ cas
JACKOBSON, Roman. 18 ed. Linguística
e Comunicação. São Paulo: Cultrix, 2001.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para
a escrita: atividades de retextualização. 2.
ed. S.Paulo: Cortez, 2001
MARTINS, Dileta Silveira. Português
Instrumental. 22.ed. Porto Alegre: Sagra
Luzzatto, 2002.
Gabarito
Autoavaliação Questão para re exão
Tendo em vista o tamanho do território brasileiro, temos
que ter um código escrita que seja compreendido em
1. No trecho da música : “Negue, o seu amor, o qualquer região do país. No momento que usamos qual-
seu carinho. Diga que você já me esqueceu. Pise, quer outro nível que não o padrão, teremos – certamente
machucando com jeitinho...”, a função predomi- – di culdades em entender a mensagem do texto. Preci-
samos lembrar que a forma escrita não possui os mais
nante é: variados recursos da forma falada (gestos, olhares, entre
outros), precisando, por isso, ser o mais autosu ciente
A) função metalinguística possível na comunicação de uma ideia.
B) função conativa Autoavaliação

C) função referencial 1. B
2. C
D) função poética
3. A

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COESÃO DO
TEXTO ESCRITO
Você sabe quais são as palavras que garantem a unidade
dos textos?
Daniela Duarte Ilhesca
Mozara Rossetto da Silva

Neste capítulo estudamos a coesão textual, destacando o papel dos anafóricos e dos articuladores
como elementos que caracterizam este fator de textualidade. O objetivo é compreender o conceito de
coesão textual e reconhecer e analisar o funcionamento dos anafóricos e dos articuladores na constru-
ção do sentido em um texto.

O que é um texto
coeso?
Todo texto escrito pressupõe uma organi-
zação diferente da que caracteriza o texto fala-
do. Veremos que a sua forma e estruturação são
essenciais para a clareza da comunicação da
mensagem, entretanto outros elementos também
contribuem para que esse discurso seja bem-su-
cedido. O que é a coesão textual?.
A palavra coesão no dicionário possui vários
significados, entre os quais “ligação e associação
íntima entre as partes de um todo”. Ora, se o todo
é o texto, associar as suas partes é ligar as pala-
vras e as ideias que o compõem sem repeti-las.
Para confirmar isso, consulte um dicionário
e compare com a definição abaixo.

1. Harmonia e equilíbrio entre as par- 3. Ling. Expressão formal das cone-


tes de um todo ou entre membros de xões de sentido que ligam entre si
um grupo ; UNIDADE. [ + a, entre: as partes de um texto. Pl.: -sões.
Falta coesão ao grupo.: Não se vê [F.: do fr. cohésion. Ideia de liga-
coesão entre os adversários do re- ção, de adesão.]
gime.]
2. Caráter lógico de um discurso, tex-
to etc. ; COERÊNCIA: O advoga-
do mostrou a coesão das provas.

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Observe os elos abaixo:


por outro tênis. O marceneiro calçou
os tênis velhos no filho e ele e o filho
voltaram para casa da mesma maneira
como tinham quando saído.
Eles são como as seguintes palavras:

Casa rosa bonita casa branca O que notamos nesse texto é a falta de coe-
são. Resumindo, nele encontramos:
Todos os elos podem formar uma corrente, po-
rém precisam estar ligados entre si por meio de a) muitas repetições;
outros elos. Isso formará uma corrente coesa, e, b) muitas frases estanques, isto é, as ideias
no caso das palavras, isso também dará coesão não estão ligadas umas às outras.
ao texto. Veja o resultado:
Agora que identificamos os problemas no
texto, fica fácil reformulá-lo, corrigindo as re-
petições e estabelecendo relação entre as ideias.
Tente fazer as modificações necessárias e com-
pare-as com as sugeridas no texto abaixo.

Fonte 5 - SXC Exemplo 1


A casa rosa é mais bonita que a branca.
O marceneiro Osvaldo notou que
Observemos o exemplo 1 depois de ler o o filho estava caminhando com os pés
texto a seguir. tortos E resolveu investigar. Concluiu
que o garoto estava com os pés aper-
tados, ALÉM DISSO que já era hora

O
marceneiro Osvaldo notou de substituir aquele tênis surrado.
que o filho estava caminhan- Levou-o, então, à lojinha do Manoel,
do com os pés tortos. O mar- que ficava perto de sua casa. QUAN-
ceneiro resolveu investigar. O marce- DO lá chegou, escolheu um novo cal-
neiro concluiu que o filho estava com çado para seu piá E, TAMBÉM, se-
os pés apertados. Era hora de substituir parou o velho para jogar fora. MAL
aquele velho tênis. Levou o filho à lo- experimentara o presente, começou a
jinha do Manoel. A lojinha ficava per- chorar. Sem entender o porquê daque-
to da casa do marceneiro. Chegando à le choro, o homem NÃO SÓ pensou
lojinha, o marceneiro escolheu um tê- que alguma coisa o estava machu-
nis novo para o filho e separou o velho cando, COMO TAMBÉM tirou ime-
para jogar fora. O filho experimentou diatamente o sapato do baixinho, que
o tênis e começou a chorar. O marce- continuou a choramingar, dizendo que
neiro não entendeu o porquê daquele amava demais o companheiro para
choro, pensou que alguma coisa estava trocá-lo por outro. ASSIM, o pai pôs o
machucando o filho e tirou imediata- antigo amigo no moleque A FIM DE
mente o tênis novo dos pés do filho. voltarem para casa da mesma maneira
O filho continuou a chorar e disse que como haviam saído.
amava demais o tênis velho para trocar

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O texto sublinhado indica as substituições Vejamos primeiramente as substituições.


feitas para evitar a repetição de palavras, enquan- Observemos que todas possuem um referente an-
to o texto em letras maiúsculas corrige a ligação terior, ou seja, só procuramos substituir aquelas
entre as ideias por meio de uma possível relação palavras que já foram escritas anteriormente e
de sentido. não devem ser repetidas.

SUBSTITUIÇÕES REFERENTES
Concluiu o marceneiro Osvaldo
o garoto o lho
Levou o marceneiro Osvaldo
-o garoto / lho
que lojinha do Manuel
Sua garoto / lho
Lá lojinha do Manuel
Chegou o marceneiro Osvaldo
Calçado tênis
Seu o marceneiro Osvaldo
Piá garoto / lho
o velho calçado / tênis
Experimentara o piá / garoto / lho
o presente novo calçado
o homem o marceneiro Osvaldo
O o piá / garoto / lho
o sapato o presente / novo calçado
Baixinho o piá / garoto / lho
o companheiro tênis surrado
-lo tênis surrado
Outro companheiro / tênis / calçado /sapato
o pai o marceneiro Osvaldo
o antigo amigo tênis surrado
Moleque o piá / garoto / lho
Voltarem o lho e o pai
Que maneira

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O que são anafóricos?


No estudo da coesão, nomeiam-se as substitui- Ainda em relação ao texto sobre o marce-
ções como anafóricos, os quais possuem um re- neiro, precisamos também observar as palavras
ferente anterior. O primeiro passo para obter co- que ligaram ideias, estabelecendo uma relação
esão textual é utilizar esse recurso, pois, dessa de sentido entre elas. Verifique o quadro abaixo,
forma, o texto não ficará repetitivo. observando a relação de sentido surgida entre as
ideias, no momento em que foram conectadas.

O nome anafórico é esquisito, mas


a sua função é muito simples: substi-
tuir palavras ou ideias para que não se
repitam no texto

PALAVRAS QUE LIGAM RELAÇÃO DE SENTIDO


E adição
além disso adição
Então conclusão
Quando temporalidade
e também adição
a m de nalidade
Mal temporalidade
não só... mas também adição
Assim conclusão

Agora, vejamos mais um exemplo.

Exemplo 2
A ideia da mãe substituta é mais antiga do que parece. Na Bíblia, lemos que Sara, não
podendo engravidar, entregou sua serva Hagar ao marido Abraão, a fim de que ele se tor-
nasse pai. Com isso, evitava o opróbrio que pesava sobre os casais sem filhos. Depois disso,
a própria Sara engravidou, uma sugestão de que Deus recompensou seu desprendimento.

Fonte 6 : Jornal Zero Hora

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Observemos que, com as referên-


Comparemos como seria desenvolvido o tex-
cias/retomadas que estão sublinhadas, to se o autor não tivesse tido esse cuidado:
o texto fica muito mais claro e melhor
redigido: A ideia da mãe substituta é mais an-
ele – Abraão tiga do que parece. Na Bíblia, lemos que
com isso – entregar a serva ao ma- Sara, não podendo engravidar, entregou
rido para que este se tornasse pai sua serva Hagar ao marido Abraão, a
disso – entregar a serva ao marido fim de que Abraão se tornasse pai. En-
para que este se tornasse pai tregando sua serva Hagar ao marido
seu – de Sara Abraão, a fim de que Abraão se tornasse
pai, evitava o opróbrio que pesava sobre
os casais sem filhos. Depois de entre-
gar sua serva Hagar ao marido Abraão,
a fim de que Abraão se tornasse pai, a
própria Sara engravidou, uma sugestão
de que Deus recompensou o desprendi-
mento de Sara.

Ficou terrível, não? Cansativo, extenso, prolixo, repetitivo e


seria uma prova irrefutável da falta de vocabulário e revisão
do autor.
Arquivo

Vamos analisar mais um exemplo.

Exemplo 3
Por que as gravações de depoimentos à CPI do Tráfico de Armas foram feitas por um
funcionário terceirizado em vez de um servidor do quadro? Este último estaria submetido ao
sigilo profissional que um cargo público implica. O primeiro, que entregou aos advogados
de Marcos Camacho, o Marcola, por R$ 200, a fita com informações privilegiadas, não tem
qualquer compromisso ético juramentado. Mesmo assim, há três anos, tem sido pela mão –
pelo ouvido e confessadamente pelo bolso – dele que passam todas as informações sigilosas
das CPIs. Informações essas que envolvem desde os nomes velados de testemunhas que
arriscaram suas vidas depondo até a extensão do acesso das autoridades aos números das
organizações criminosas e, mais, o planejamento estratégico para o seu combate.
Fonte 7 : Jornal Zero Hora

Referências:
este último – um servidor do quadro essas – informações sigilosas das CPIs
o primeiro – um funcionário terceirizado suas – das testemunhas
dele – um funcionário terceirizado

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Outro recurso para estabelecermos a reto- Certamente, a escolha se deu a partir da


mada de um termo que seria repetido é a elipse. relação de sentido que já existia entre as ideias
Com ela, a palavra fica oculta, por ser facilmente mesmo sem estarem conectadas. Assim, é pos-
depreendida do contexto. sível que as respostas encontradas tenham sido
as seguintes:
1. Paulo não foi bem na prova porque não
Exemplo 4 estudou o suficiente. (relação de expli-
cação/causalidade)
Itamar Franco era um homem fe- 2. Joana estudou muito, mas não passou
liz ao passar a faixa presidencial para no teste. (relação de oposição/conces-
Fernando Henrique Cardoso, mas esta- são) ou Embora tenha estudado muito,
va tristonho ao acordar no dia seguin- Joana não passou no teste.
te. Já não era presidente da República 3. Se houver chuva amanhã, o passeio
desde 1º de janeiro e precisava deixar será cancelado. (relação de condição)
o Palácio do Jaburu (...) Calado, foi ao
banheiro e embalou alguns objetos. Os articuladores apresentam várias possi-
bilidades de sentidos. Abaixo, verifiquemos o
quadro que contempla esses sentidos, bem como
O sujeito do primeiro verbo é explicitamente alguns exemplos de articuladores.
mencionado, Itamar Franco. Os outros verbos do
SENTIDOS ARTICULADORES
texto têm o mesmo sujeito, então não é necessá-
rio repeti-lo a cada nova frase. É melhor manter e, também, ainda, não
o sujeito elíptico, isto é, oculto. ADIÇÃO só... mas também, além
disso etc.

O que são mas, porém, contudo,


entretanto, no entanto,
OPOSIÇÃO / CON- embora, apesar de,

articuladores?
CESSÃO mesmo que etc.

EXPLICAÇÃO / porque, pois, visto que,


No estudo da coesão, nomeiam-se as pala- CAUSALIDADE uma vez que, já que etc.
vras que ligam ideias de articuladores. Também
tal qual, mais que, me-
conhecidos como conjunções, nexos ou conec- COMPARAÇÃO nos que, como etc.
tivos, os articuladores possibilitam estabelecer
se, caso, desde que,
uma relação de sentido entre as ideias. CONDIÇÃO quando etc.
Vamos ler os exemplos: ou... ou, ora... ora,
ALTERNÂNCIA seja... seja, quer... quer
1. Paulo não foi bem na prova. Ele não estudou OU DISJUNÇÃO etc.
oo,suficiente.
no momento em que, à
2. Joana estudou muito. Ela não passou no teste. TEMPORALIDA- medida que, mal, quan-
3. Chuva amanhã. Piquenique cancelado. DE ou PROPOR- do, enquanto, quanto
CIONALIDADE mais... mais, à propor-
Veja se você consegue ligar as ideias por ção que etc.
meio de um articulador.
a fim de, com o objeti-
FINALIDADE vo de, para etc.

segundo, conforme, de
Como você escolheu CONFORMIDADE acordo com, como etc.
o articulador apropriado?
Será que acertou o alvo?
CONCLUSÃO Portanto, assim, logo
etc.

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É de suma importância a identificação do sentido Se me avisares do nascimento do bebê, irei


que desejamos passar no momento da produção visitá-lo. (condição)
do texto, para que saibamos qual articulador de- No momento em que me avisares do nasci-
verá ser selecionado para estabelecer essa “pon- mento do bebê, irei visitá-lo. (temporalidade)
te“ entre os períodos ou parágrafos. Quando entrei em casa, vi que havia um vul-
Alguns articuladores podem estabelecer to atrás da cortina. (temporalidade)
mais de uma relação de sentido. Mal entrei em casa, vi que havia um vulto
atrás da cortina.
a) Verifique o “como” nos O que vale mesmo no estudo dos articuladores
exemplos abaixo: é entender a relação que as ideias podem ter em
um determinado texto.
Como não viu o carro, acabou provocando
um acidente. (explicação / causalidade) c) Verifique o “e” nas seguintes frases:
Porque não viu o carro, acabou provocando Casaram-se e foram felizes para sempre.
um acidente. (adição)
Casaram-se, e não foram felizes para sem-
Como prevê a lei, nenhuma criança pode fi-
car sem escola. (conformidade) pre. (oposição)
Casaram-se, mas não foram felizes para
Conforme prevê a lei, nenhuma criança pode sempre.
ficar sem escola. Considerando os exemplos apresentados an-
Ele é como o pai. (comparação)
teriormente, é importante conhecermos todos os
Ele é tal qual o pai.
sentidos possíveis, mas é desaconselhável a “de-
b) Verifique o “quando” nos coreba” dos articuladores, visto que um mesmo
exemplos abaixo:
nexo pode assumir um ou mais sentidos.
Quando me avisares do nascimento do bebê,
irei visitá-lo. (temporalidade ou condição)

Observemos os textos a seguir, veri cando a análi-


se dos sentidos expressos pelos nexos destacados
Exemplo 5
É hoje, prática corrente Elementos de coesão
de qualquer acadêmico,
mesmo que não se dedi- empregados:
que à carreira de inves- mesmo que - sentido de conces-
tigação, escrever artigos são (poderia ser substituído, sem preju-
destinados à apresentação ízo de significado, por apesar de não se
em conferências da sua es- dedicar... ou embora não se dedique...)
pecialidade. Como a gene- como - sentido de causalidade/expli-
ralidade das conferências cação (poderia ser substituído, sem prejuí-
satisfaz a tradição, é im- zo de significado, por visto que ou já que)
portante que o autor saiba
cumprir o formato típico
dos artigos científicos.

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qualidades indispensáveis para o bom entendi-


mento de um texto.
Exemplo 6
Por vezes é pedido que um artigo Elementos de coesão
seja acompanhado por um conjunto
de palavras-chaves que caracterizem
utilizados no texto 7:
o domínio ou domínios em que ele se
inscreve. Estes termos são normalmen- mas sim – articulador que expressa
te utilizados para permitir que o artigo oposição de ideias
seja posteriormente encontrado em e – articulador que expressa adição de informação
sistemas eletrônicos de pesquisa. Por
isso, devem escolher-se palavras-chave logo – articulador que expressa temporalidade
tão gerais e comuns quanto possível. nem – articulador que expressa adição de
informação (Observe que mesmo os articula-
dores não devem ser repetidos indefinidamente
no texto; é preciso substituí-los por outros que
transmitam o mesmo sentido, a fim de evitar a já
Elementos de coesão comentada repetição de palavras.)

empregados: sua – anafórico que se refere ao termo artigo


na qual – anafórico que se refere à expres-
para – sentido de finalidade (poderia ser
são descrição sumária
substituído, sem prejuízo de significado, por a fim
de permitir... ou com a finalidade de permitir...) deverá – anafórico que se refere ao termo resumo
por isso – sentido de causalidade/explicação A seguir, apresentamos uma demonstração
(poderia ser substituído, sem prejuízo de signifi- de como o trecho do exemplo 7 estaria redigido
cado, por por esta razão... ou por este motivo...) se os elementos de coesão não fossem adequa-
Agora vamos analisar dois trechos que uti- dos. Podemos comprovar, assim, o prejuízo em
lizam os elementos de coesão estudados. O uso relação ao real sentido que o autor tenta transmi-
tanto dos anafóricos quanto dos articuladores tir e para o próprio acompanhamento da leitura e
confere aos trechos coesão, concisão e clareza, o entendimento do texto.

Exemplo 7 Exemplo 8
O resumo não é uma introdução
O resumo não é uma introdução ao artigo, portanto é uma descrição
ao artigo, mas sim uma descrição su- sumária da totalidade do artigo, na
mária da sua totalidade, na qual se descrição sumária se procura realçar
procura realçar os aspectos menciona- os aspectos mencionados. o resumo
dos. Deverá ser discursivo, e não ape- deverá ser discursivo, assim não ape-
nas uma lista dos tópicos que o artigo nas uma lista dos tópicos que o artigo
cobre. Deve-se entrar na essência do cobre. Deve-se entrar na essência do
resumo logo na primeira frase, sem ro- resumo então na primeira frase, sem
deios introdutórios nem recorrendo à rodeios introdutórios nem recorrendo
fórmula estafada “Neste artigo ...”. à fórmula estafada “Neste artigo ...”.

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Cá entre nós.... ficou péssimo, não? Sentidos deturpados, repetições desnecessárias. Entretanto,
como vimos, perfeitamente passível de aprimoramento.
No trecho a seguir, vamos identificar quais seriam os elementos coesivos necessários para que o
texto apresentasse uma redação com mais estilo.

Exemplo 9
Pretendeu-se que este trabalho referência frequente para o leitor que
proporcionasse, de forma muito sin- pretenda construir a sua competência
tética, (1) objetiva e estruturante, na escrita de artigos científicos. Faz-
uma familiarização com os principais se notar, (5) , que ninguém se pode
cuidados a ter na escrita de um artigo considerar perfeito neste tipo de tare-
científico. (2) satisfazer (3) , fa. A arte de escrever artigos cientí-
optou-se por uma descrição sequencial ficos constrói-se no dia-a-dia, através
das componentes típicas de um docu- da experiência e da cultura. (6) ,
mento desta natureza. Pensa-se que o as indicações deste texto deverão ser
resultado obtido satisfaz os requisitos entendidas como um mero primeiro
de objetividade e pequena dimensão passo, enquadrador, para uma jornada
que pretendia atingir. Pensa-se (4) plena de aliciantes, (7) que nunca
que constituirá um auxiliar útil, de terá fim.

Fonte 8: Nogueira

Observamos o sentido exigido pelo


contexto para complementar e unir
as informações transmitidas:
1. oposição de ideias entre o caráter objetivo e estruturante e a forma muito sintética do tra-
balho = porém ;
2. finalidade / objetivo do trabalho= para;
3. referência e retomada à pretensão citada na abertura do texto = este objetivo;
4. adição/complementação de ideias = também;
5. oposição entre o objetivo do trabalho e a dificuldade que toda redação de artigos científi-
cos pressupõe = todavia;
6. articulador que exprime a relação de conclusão, visto ser o último período do parágrafo = assim;
7. oposição entre a ideia de um início de tarefa e a projeção dessa continuidade indefinida-
mente = mas.

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Segue o texto na íntegra para


que comprovemos a sua redação
coesa e inteligível.

Pretendeu-se que este trabalho propor- tuirá um auxiliar útil, de referência frequen-
cionasse, de forma muito sintética, porém te para o leitor que pretenda construir a sua
objetiva e estruturante, uma familiarização competência na escrita de artigos científi-
com os principais cuidados a ter na escri- cos. Faz-se notar, todavia, que ninguém se
ta de um artigo científico. Para satisfazer pode considerar perfeito neste tipo de ta-
este objetivo, optou-se por uma descrição refa. A arte de escrever artigos científicos
sequencial das componentes típicas de um constrói-se no dia-a-dia, através da expe-
documento desta natureza. Pensa-se que o riência e da cultura. Assim, as indicações
resultado obtido satisfaz os requisitos de deste texto deverão ser entendidas como
objetividade e pequena dimensão que pre- um mero primeiro passo, enquadrador, para
tendia atingir. Pensa-se também que consti- uma jornada plena de aliciantes, mas que
nunca terá fim.

Fonte 9 - Nogueira

Como vimos, apenas um conjunto de palavras não é capaz de formar uma frase, e um conjunto
aleatório de frases também não é suficiente para formar um texto.

Para escrever um texto


coeso, é necessário que as
suas partes mantenham uma
ordenação e uma relação
entre si, que estejam de
acordo com o sistema lin-
guístico e transmitam aos
leitores os sentidos COER-
ENTES que o autor deseja
demonstrar. Por isso, no
próximo capítulo, vamos es-
tudar os mecanismos que
garantem essa COERÊNCIA
TEXTUAL.

Arquivo

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Atividade ta um sentido;
D) expressa sentido de causalidade, pois é
uma explicação do argumento anterior.
Forme um período coeso a partir das ora-
ções abaixo, observando a informação entre pa-
rênteses. 2) Assinale a alternativa que apresenta o referen-
a)Muitos candidatos não convencer mais nin- te do anafórico destacado em: “Curiosa palavra.
guém quase. Eles ainda impressionar alguns Idoso. O que acumulou idade. Também tem o
eleitores. (concessiva) sentido de quem se apega à idade. Ou que A es-
banja .”:
b)Eles parecer atores teatrais. Eles ser imbu-
ídos da veemência das palavras e dos gestos. A) palavra;
(explicação/causalidade) B) Idoso;
C) quem se apega;
Referência D) idade.

Comentada
3) Sobre a coesão do trecho: “Mas isso não ex-
COSTA VAL, Maria da Graça. Redação e plicava a senhora do ônibus, uma desconhecida,
Textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 2006. sem qualquer expectativa de um dia ser recom-
pensada pela sua gentileza. Ou os repetidos ges-
Este livro procura condensar noções rele-
tos de deferência de outros desconhecidos - até
vantes sobre coesão textual e aplicá-las à análise
de bilheteiros, nos cinemas, me perguntando, por
de redações de vestibular, na tentativa de estabe-
alguma razão, se eu queria um ingresso com des-
lecer um diagnóstico e levantar sugestões para o
conto.”, é correto afirmar que:
trabalho com a expressão escrita .
A) “se” é um articulador de causalidade;

Referências B) “se” é um articulador de condição;


C) “sua” é um anafórico de “ ônibus”;
Bibliográ cas D) “sua” é um anafórico de “gentileza”.

GUIMARÃES, E. A articulação do texto.


São Paulo: Ática, 2006.
KOCH, I.V. Coesão textual. São Paulo:
Contexto, 2003.
Gabarito
Questão re exiva
Autoavaliação a) Muitos candidatos não convencem quase mais
ninguém, embora ainda impressionem alguns eleitores.
No trecho: “Também tem o sentido de quem se (concessiva)

apega à idade”, é correto afirmar a respeito do b) Eles parecem atores teatrais, pois são imbuídos da
veemência das palavras e dos gestos. (explicação/cau-
articulador TAMBÉM: salidade)
A) expressa sentido de condicionalidade,
pois apresenta uma hipótese; Autoavaliação
B) expressa sentido de conclusão ao encerrar 1–C
uma ideia já apresentada; 2–D
C) expressa sentido de adição, pois acrescen- 3 –B

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COERÊNCIA TEXTUAL
Você conhece os princípios que sustentam a coerência dos textos? Veja como
isso acontece!
Daniela Duarte Ilhesca
Mozara Rossetto da Silva

Neste capítulo, estudamos a coerência tex-


tual, destacando os fatores principais que levam
um texto a ser coerente.

O que é um texto coerente?


A coerência textual implica que as palavras
devem manter uma correlação para que o texto
não perca o seu sentido, ou seja, elas não podem
ficar isoladas. Às vezes, quando redigimos um
texto, não constatamos, em um primeiro mo-
mento, que pode haver algumas incoerências que
dificultarão a interpretabilidade textual. Vamos
observar as frases abaixo e verificar se são coe-
rentes ou não.

Exemplo 1
O meu pai não gosta de futebol,
visto que meu pai comprou uma cami-
seta da seleção brasileira para a Copa.

Arquivo

Façamos uma breve análise dessa frase.


Notamos que há repetição de palavras (o meu pai) e contradição de ideias (não gosta de futebol –
comprou uma camiseta da seleção). Esses fatores acabam por comprometer a coerência do texto. Veja
abaixo uma reconstrução coerente da frase:

O meu pai não gosta de futebol, porém comprou uma


camiseta da seleção brasileira para a Copa.

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Com a utilização de um articulador de O princípio da progressão estabelece a


oposição (porém), a ideia contraditória foi utilização de articuladores para que o texto não
apagada, o texto ganhou fluência, e as duas se repita indefinidamente, isto é, para que haja
ideias puderam ficar unidas, estabelecendo sempre renovação da informação e acréscimo de
uma harmonia textual. novos argumentos.

Que mecanismos garan-


tem a coerência do texto? Exemplo 4
No capítulo sobre coesão textual, vimos Em votação realizada ontem à
como é fundamental o uso de anafóricos e noite, os ministros do Tribunal Supe-
de articuladores que contribuem para a qua- rior Eleitoral (TSE) estabeleceram as
lidade do discurso escrito. Contudo, existem regras para as eleições de outubro des-
outros dois itens importantes que vão garan- te ano. Entre as principais resoluções,
tir a coerência de um texto: a não-contra- os magistrados decidiram que não ha-
dição entre ideias, tempos verbais e pessoas verá teto para os gastos dos candidatos.
do discurso e a relação das ideias de forma Além disso, também está permitida a
lógica, como veremos daqui a pouco. divulgação de pesquisas de opinião
inclusive no dia da eleição, diferente-
mente do que determinava a Lei Elei-
De acordo com Charolles (1978), a toral sancionada pelo presidente Lula
coerência de um texto é sustentada pela no último dia 10.
utilização de quatro princípios básicos:
repetição, progressão, não-contradição No entanto, o tribunal manteve a
e relação. proibição à realização de showmícios
e à distribuição de camisetas e brindes
durante a campanha eleitoral, que co-
Assim, quando terminamos uma produção meça em 5 de julho.
textual, de vemos observar se todos foram con- Fonte 10 - Zero Hora
siderados. Agora, vejamos cada um deles. O pri-
meiro é o princípio da repetição, que se refere
à utilização de anafóricos para evitar a repetição Observe que há presença de articuladores e
de palavras, expressões ou ideias, como podemos informações novas são acrescentadas, permitindo
observar nos exemplos a seguir. a fluência do texto e garantindo sua progressão.
O princípio da não-contradição diz respei-
to à obrigatoriedade da coerência entre as ideias,
Exemplo 2 os tempos verbais e as pessoas do discurso, de
forma que todos esses itens estejam presentes no
texto sem nenhuma contradição. Vejamos alguns
Ana comprou um carro, mas não o exemplos.
aprovou e decidiu trocá-lo por outro.

Exemplo 3 Exemplo 5
O meu trabalho foi entregue antes Na elaboração deste trabalho, ob-
do prazo estipulado, mas ele apresen- jetivamos mostrar os resultados, para
tou alguns problemas de digitação e que se tenha uma ideia bastante níti-
resolvi arrumá-lo. da...

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Eles poderiam ser


Exemplo 6 reescritos assim:
Não há censura no Brasil, mas nem todas
Em suma, procuramos estabelecer as informações podem ser publicadas, pois com-
alguns parâmetros para que se possa prometem algumas pessoas.
chegar a um resultado satisfatório.
A seleção brasileira venceu a Copa, já que
era a favorita.

Nos exemplos 5 e 6, houve modificação da


pessoa do discurso (1ª pessoa do plural para 3ª
pessoa do singular) e devemos manter a unidade
Exemplo 9
no nosso texto.
A pesquisa não possuía caráter
Vejamos como poderíamos redigir essas científico e não tem um referencial te-
frases de maneira correta: órico adequado.

Na elaboração deste tra- Exemplo 10


balho, objetivamos mos-
trar os resultados, para O ministro faz o anúncio de novas
que tenhamos uma ideia medidas econômicas na televisão, e os
bastante nítida ... jornais publicaram-nas.

Em suma, procuramos Nos exemplos 9 e 10, há modificação do


estabelecer alguns parâ- tempo verbal, o que fere o princípio da não-con-
metros para que possa- tradição, pois devemos observar a uniformidade
do tempo verbal (presente, pretérito, futuro e de-
mos chegar a um resul- mais flexões) no texto.
tado satisfatório.
O correto seria:
Exemplo 7 A pesquisa não possuía
caráter científico e não
Não há censura no Brasil, só tinha um referencial teó-
que algumas informações não po- rico adequado.
dem ser publicadas.
O ministro fez o anúncio
de novas medidas econô-
Exemplo 8 micas na televisão, e os
jornais publicaram -nas.
A seleção brasileira venceu a
Copa, apesar de ser a favorita.
Finalizando, o princípio da relação esta-
belece que cada parte do texto, cada parágrafo
Os exemplos 7 e 8 apresentam ideias con- encerrado, prepara o seguinte, e este, por sua vez,
traditórias, já que uma ideia vai de encontro à retoma e amplia o que foi apresentado pelo ante-
outra. rior, garantindo, assim, a permanência no tema,

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sem fuga do assunto, como podemos constatar


no exemplo seguinte, que trata sobre a noite mais
fria do ano no estado do Rio Grande do Sul: Exemplo 12
O turismo oferece muitas vanta-
Exemplo 11 gens. Algumas delas e para quem tra-
balha muito e não conseguia organi-
zar uma agenda de viagens, para isso
A noite mais fria do ano até agora existirão as maravilhosas
cobriu de branco o Rio Grande do Sul. agências e outra é
Quem teve de sair de casa logo no iní- o conhecimen-
cio da manhã presenciou belas paisa- to de novos
gens, com campos cobertos pela geada vocabulários.
na maior parte do Estado. Cambará do Depois que
Sul voltou a ter temperatura negativa voltamos para
pelo segundo dia consecutivo. Desta nossa terra na-
vez, o termômetro registrou na cidade tal é que se dá
dos Campos de Cima da Serra -2,6°C, o devido valor
a menor marca do ano até agora. para o nosso
O frio também foi intenso nas ou- habitat, na ver-
tras regiões gaúchas, que tiveram mí- dade o que ficam mesmo são fotos,
nimas variando entre 2°C e 4ºC. Em filmagens e lembranças e nem sempre
Santa Maria, termômetros registraram as agências conseguem satisfazer os
0,9ºC, a segunda temperatura mais fria clientes. A vida é feita para ser vivida.
do Estado. No distrito de Boca do Mon-
te, às 6h30min, uma ponte parecia que
recém havia sido pintada de branco.

Fonte 11 - Zero Hora


Problemas do texto:
a) é contraditório quando diz que o tu-
rismo oferece muitas vantagens e, no
No exemplo 11, percebemos que não houve final, afirma que nem sempre as agên-
fuga do tema proposto no início do parágrafo, o cias conseguem satisfazer os clientes;
qual foi retomado e ampliado através de um pas- b) é contraditório quanto ao uso dos tem-
seio pelas regiões onde fez frio naquele estado. pos verbais, pois o pensamento inicia
Como podemos notar, dois princípios já no presente, mas no mesmo racio-
fazem parte do seu conhecimento básico sobre cínio mistura o pretérito e o futuro;
produção textual: o da repetição, que contempla c) é contraditório em relação à pessoa do
o uso dos anafóricos, e o da progressão, que se discurso, na medida em que inicia com
refere à utilização de articuladores. a 3ª pessoa (o turismo oferece) e passa à
Já os princípios da não-contradição e da re- 1ª do plural (voltamos) no meio do texto;
lação estão diretamente ligados à logicidade das d) falta relação entre algumas ideias que
ideias, considerando a manutenção do tema, da perdem a lógica pela falta de sequência
pessoa do discurso, do tempo verbal e da não- ao raciocínio, como em para isso exis-
contradição de ideias. tirão as maravilhosas agências e outra é
o conhecimento de novos vocabulários;
Para nalizar, veja quantas incoerên- e) falta relação do tópico frasal o turismo
cias o texto a seguir apresenta... oferece muitas vantagens com a con-
clusão a vida é feita para ser vivida.

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Notamos ainda repetição de palavras e falta de articulação, o que compromete a coerência do texto.

O texto caria bem melhor assim...


O turismo oferece muitas vanta- se visita, tem-se contato com dialetos
gens. Algumas agências de viagens, por diferentes, ou mesmo, com línguas es-
exemplo, facilitam a vida de quem tra- trangeiras. Há, também, a valorização
balha, uma vez que organizam roteiros da terra natal, já que só viajando é que se
maravilhosos que possibilitam conhe- tem parâmetro de comparação para ava-
cimentos variados. Outro benefício é liar o habitat natural. Logo, até quando
a experiência de um vocabulário novo, se veem as fotos, as filmagens e as lem-
pois, dependendo da região ou país que branças, percebe-se o quanto vale viajar.

Notemos que o texto deixou de


ser confuso, contraditório e sem
lógica. Há manutenção do tema e
da pessoa do discurso (sempre na
3a.), e as ideias estão relacionadas
entre si.
Já sabemos o que é um texto coe-
so e coerente! No próximo capítu-
lo, utilizaremos esses conceitos
para produzirmos um PARÁGRAFO-
PADRÃO cujas ideias devem ser
concatenadas e estruturadas, a
fim de preservar a unidade indis-
pensável para a redação.

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Atividade
Analise o trecho a seguir. Qual é o princípio
da coerência que foi infringido? Reescreva o tre-
cho, tornando-o coerente.
Comprei um carro usado, mas esse carro
apresentou problemas nos primeiros dias de
uso e resolvi trocar o carro por outro carro.

Referência
Comentada
KOCH, I.V. Coerência textual. São Paulo:
Contexto, 2003.
A obra expõe a constituição dos sentidos
nos textos e seus fatores, tais como os elementos
linguísticos, o conhecimento do mundo, as infe-
rências e a situação. Um de seus capítulos é dedi-
cado ao registro de como a análise da coerência
textual pode auxiliar no trabalho do professor no
ensino da língua. Os autores apresentam ampla
bibliografia comentada para os interessados em
se aprofundar nesse campo.

Referências
Bibliográ cas
GUIMARÃES, E. A articulação do texto.
São Paulo: Ática, 2006.
COSTA VAL, Maria da Graça. Redação
e Textualidade. São Paulo: Martins Fontes,
2006.

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Autoavaliação raça pitbull não deveriam existir, pois os


cães oferecem risco de vida a todas as
1. Leia as frases abaixo e identifique os pessoas, inclusive às pessoas que criam os
problemas de construção, relacionan- cães.“
do-os com os itens a seguir:
A)Princípio da progressão.
A) O trânsito apresenta inúmeros acidentes
B)Princípio da relação.
graves. É preciso saber-se suas causas
para descobrirmos as possíveis soluções. C)Princípio da não-contradição.
B) Pelé foi o melhor jogador de futebol que D)Princípio da repetição.
o mundo já viu. Maradona também foi o
melhor.
C) Quando fazia chuva nas minhas férias, eu
pensava que até é bom para descansar.
D) O progresso tecnológico avança a cada
dia. A internet é o carro-chefe de todo esse
avanço. Hoje, poucas pessoas ainda usam
tevê sem controle remoto. As pessoas es-
tão cada vez mais comodistas.
( ) há contradição de ideias;
( ) há contradição no uso da pessoa do dis-
curso;
( ) faltou relação do tópico frasal com a
conclusão;
( ) há contradição no uso do tempo verbal.
Gabarito

2. Leia o período seguinte e assinale a al- Questão re exiva


ternativa que mostra o princípio de co- O princípio infringido é o da REPETIÇÃO. Não
erência infringido: houve cuidado com a substituição de palavras e
o termo “carro” foi repetido quatro vezes.
“É verificável que a mulher, ao sair do O trecho caria melhor da seguinte forma:
lar para trabalhar fora, conquistou espaço Comprei um carro usado, mas esse apresentou
social. Entretanto, com isso, ela perderia problemas nos primeiros dias de uso e resolvi
várias prerrogativas das quais sempre des- trocá-lo por outro automóvel.
frutou“.
A)Princípio da progressão. Autoavaliação
1.
B)Princípio da relação.
( b ) há contradição de ideias;
C)Princípio da não-contradição.
( a ) há contradição no uso da pessoa do discur-
D)Princípio da repetição. so;
( d ) faltou relação do tópico frasal com a con-
clusão;
3. Leia o período seguinte e assinale a al- ( c ) há contradição no uso do tempo verbal.
ternativa que mostra o princípio de co-
erência infringido: 2. C
“A administradora entende que os cães da 3. D

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O PARÁGRAFO
PADRÃO
O processo de se escrever um texto coeso e coerente pode
ser facilitado se prestarmos atenção a certos detalhes.
Luana Soares de Souza
Mozara Rossetto da Silva

Neste capítulo, abordamos questões impres-


cindíveis para a escrita do parágrafo-padrão,
com o objetivo de levá-lo a reconhecer e dife-
renciar os componentes de sua estrutura, além de
planejá-lo e redigi-lo adequadamente.

Escrever um texto
Muitas pessoas não sentem o mínimo es-
tímulo para elaborar umas poucas linhas es-
critas; acreditam que não possuem o preparo
indispensável para redigir algo que permita
desvendar e compartilhar suas ideias. Elas fi-
cam desanimadas e consideram-se inaptas para
o dom da escrita. Qual o motivo de tais sen-
timentos? Falta-lhes base cultural ou, tão so-
mente, prática? Pois, para dominar os medos,
é preciso praticar. É preciso ter iniciativa e es-
crever. Porque só aprendemos a escrever escre-
vendo.

Ler e escrever: a prática


leva à criação. Arquivo
A redação é um excelente instrumento para de que conhecimento, escrita e leitura são pro-
desenvolver a criatividade; seu hábito leva à or- cessos relacionados. Mesmo dominando as téc-
ganização do pensamento e ao desenvolvimento nicas de redação, ninguém escreve sobre aquilo
da expressão linguística. Ao escrever, transmiti- que não conhece; por outro lado, mesmo tendo
mos o que pensamos sobre determinado assun- plena informação sobre o assunto, a capacidade
to a partir de experiências e vivências, e esta é de expressão e de divulgação das ideias vai de-
uma tarefa que necessita aprendizagem. Parece pender da compreensão dos princípios básicos
uma solução fácil, mas não é. Muitas vezes, a redacionais.
pessoa se depara com a incumbência de redigir Para poder executar bem a tarefa de escre-
um texto, mas se encontra sem uma ideia central; ver, você deve começar definindo o assunto; de-
não sabe como começar nem como prosseguir. pois deve selecionar as ideias principais sobre
Para superar o problema, ela deve se convencer esse assunto e, entre elas, escolher aquela que é

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a central. A seguir, deve concatenar as ideias e


• toda criança e jovem de 4 a 17
organizar um esquema que preserve a unidade da
anos estará na escola;
redação. Finalmente, deve passar à escrita, lem-
brando que, nem sempre, escrever bem significa • toda criança de 8 anos saberá
escrever muito. ler e escrever;
• todo aluno aprenderá o que é
A estrutura do parágrafo: apropriado para a sua série;
suas partes • todos os alunos vão concluir o
Diariamente lemos textos e não paramos Ensino Fundamental e o Médio;
para analisar sua estrutura. Esta deve apresentar • o investimento na Educação Bá-
organização interna própria, que favoreça a coe- sica será garantido e bem geri-
rência textual. do.
Leia o artigo transcrito a seguir e observe de A escolha da data é simbólica e re-
quantos parágrafos ele é composto. força a crença de que um país só pode ser
considerado independente, de fato, se suas
crianças e jovens têm acesso à Educação de
qualidade, afirma Ana Maria Diniz, presi-
Exemplo 1 dente do Instituto Pão de Açúcar e uma das
idealizadoras do pacto.(...).
Ninguém mais quer um país com uma
O desa o da qualidade
taxa tão baixa de escolaridade: nossos alu-
Crianças de 5ª série que não sabem ler nos ficam, em média, apenas 4,9 anos na
nem escrever, salários baixos para todos escola, contra 12 nos Estados Unidos, 11 na
os profissionais da escola, equipes deses- Coréia do Sul e oito na Argentina. E, o que
timuladas, famílias desinteressadas pelo é pior, não aprendem as competências bási-
que acontece com seus filhos nas salas de cas. Pesquisa nacional conduzida pelo Ins-
aula, qualidade que deixa a desejar, pro- tituto Paulo Montenegro mostra que 74%
fessores que fingem que ensinam e alunos dos brasileiros são analfabetos funcionais,
que fingem que aprendem. O quadro da ou seja, não conseguem ler esta reportagem
Educação brasileira (sobretudo a pública) (na verdade, não compreendem nada mais
está cada vez mais desanimador. Na mais complexo que um bilhete). É espantador,
recente avaliação nacional, o Prova Bra- mas é verdade. De cada quatro pessoas, só
sil, os estudantes de 4ª série obtiveram em uma é capaz de entender o que está escrito
Matemática e Língua Portuguesa notas que em qualquer texto minimamente complexo.
deveriam ser comuns na 1ª. E os de 8ª mal E o mesmo ocorre com habilidades mate-
conseguem alcançar os conteúdos previstos máticas, como as quatro operações. Até
para a 4ª. Enfrentar esse desafio parece, algumas décadas atrás, esses dados tinham
muitas vezes, uma tarefa impossível. Mas relativamente pouca relevância.
a verdade é uma só: assim como está, não Hoje, com a globalização econômica,
dá para continuar! A boa notícia é que cada não dá mais para viver sem dominar essas
vez mais gente está percebendo isso – e se competências básicas. Estudos comprovam
mobilizando para mudar essa situação dra- que a riqueza de uma nação depende de sua
mática. No início de setembro, um grupo produtividade e, portanto, da capacitação
de empresários e líderes políticos lançaram de sua mão-de-obra. Em bom economês,
(com grande apoio de jornais e emissoras gente educada produz mais. Do ponto de
de rádio e TV) o compromisso Todos pela vista social, a Educação também é a única
Educação. Foram apresentadas cinco metas saída para reduzir desigualdades. Números
a ser atingidas até 7 de setembro de 2022, o do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
ano do bicentenário da Independência: tística (IBGE) mostram que filhos de mu-

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lheres com pouca escolaridade (até três anos de


estudo) têm 2,5 vezes mais riscos de morrer antes
de completar 5 anos de idade do que as crianças Exemplo 2
cujas mães estudaram por oito anos ou mais.
Nos últimos anos, o Brasil deu um passo im- Jornalismo literário
portante ao (praticamente) resolver a questão do
acesso à escola: 97% dos jovens de 7 a 14 anos O que eu acredito é que existe texto bom e
estão matriculados. Só que esses míseros 3% que texto ruim. O bom texto é construído com infor-
mações mais complexas do que a mera reprodu-
estão longe de livros e cadernos correspondem a
ção do que é dito pelas fontes. É construído tam-
1,5 milhão de pessoas (logicamente, das cama- bém com não-ditos, interditos, omissões, frases
das mais pobres).(...). suspensas pelo meio, decepadas antes do ponto
No bicentenário da Independência, o cená- final. Dá ao leitor observação (muita), detalhes
rio educacional pode ser o mesmo de hoje. Ou (muitos), cheiros, texturas, descrição do lugar,
não. Mudar essa situação caótica é uma decisão do jeito das pessoas, de como se vestem, sentam,
andam, pegam o cigarro, passam a mão no cabe-
de todos os cidadãos – e não só de empresários
lo, piscam etc. O jornalista tem de dar ao leitor
e dirigentes políticos, mas de diretores de escola, esse retrato complexo de uma realidade que ele
pais e professores. (...) não testemunhou, mas pode alcançar pela leitura
Fonte 12 - Nova Escola da reportagem. Uma enorme responsabilidade,
portanto. E isso não é ficção, não é imaginação.
É informação. Se eu digo que um sabiá cantou
Certamente você contou seis parágrafos. no enterro de tal pessoa, por exemplo, como já
escrevi, é porque cantou – e não porque eu achei
Essa simples conclusão é evidente, uma vez que é
poético inventar um sabiá (se fosse escrever fic-
puramente visual e assinalada pelo deslocamento ção, aliás, jamais usaria um sabiá porque é muito
clichê...). Escrever um texto com grande nível de
da margem. Entretanto, isso não é tudo. É preciso detalhamento dá muito mais trabalho ao repórter
aprender como se constrói um parágrafo para que porque exige uma apuração exaustiva. Com todas
as informações na mão, escrever é a parte mais
ele mantenha a estrutura e a coerência internas. fácil. Difícil é apurar bem para escrever bem. No
No artigo apresentado, notamos que, apesar jornalismo, a qualidade do texto é resultado da
qualidade da apuração. Costumam classificar esse
de existir uma relação entre eles (o cenário edu- tipo de texto, resultado dessa apuração rigorosa,
cacional brasileiro), a cada parágrafo é introduzi- de jornalismo literário. Mas eu prefiro chamar de
bom jornalismo.
do um novo enfoque sobre o tema, como um pon- Fonte 15 - Zero Hora
to de vista diferente do anterior, ou é feita uma
nova abordagem desse tema. Assim, já podemos O texto anterior é um exemplo de parágrafo.
Esse tipo de construção textual traz as seguintes
deduzir que o parágrafo deve se ocupar de apenas características estruturais:
um aspecto ou de um enfoque do assunto; des- a) formalmente, apresenta uma única abertura ou
entrada de margem, conforme observamos pela
sa forma, é garantida a sua unidade autônoma, a
indicação da seta no exemplo apresentado.
qual pode compor um texto maior.
b) apesar de serem textos relativamente curtos, pos-
suem lógica interna e transmitem de maneira co-
Um dos fatores que podem servir como ca- esa as informações necessárias. Ambos são com-
racterística do parágrafo-padrão é o nível de lin- postos pelas três partes indispensáveis a qualquer
texto que pretenda estar completo e claro: introdu-
guagem, uma vez que ele privilegia o registro ção, desenvolvimento e conclusão;
padrão. c) cada uma dessas partes é formada por certo nú-
Vejamos, agora, um exemplo de parágrafo mero de períodos que, obviamente, pode variar de
acordo com a necessidade do autor, mas também
produzido como um texto autônomo, isto é, ele deve contemplar um mínimo que garanta sua cla-
não compõe um texto com mais parágrafos. reza e concisão, lembrando que o desenvolvimen-
to é maior do que as outras partes.

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Vejamos, então, a estrutura de outro parágrafo:

Exemplo 3 memorando semelhante em Bagé, com os


mesmo objetivos. As ações integram os
projetos Biodiesel-Norte e Biodiesel-Sul,
para implantação de um complexo indus-
RS terá complexo industrial
trial para a produção de biodiesel e álcool
de biodiesel combustível.
A semana será importante para a agricul- Fonte 16 - Correio do Povo
tura familiar no Rio Grande do Sul. Repre-
sentantes do Ministério de Desenvolvimen-
to Agrário e da Petrobras estarão no Estado Na introdução (ou tópico frasal), a
para deflagrar projetos voltados para a ideia inicial é apresentada. A partir de uma
produção de biodiesel. A meta é audacio- frase-núcleo, o leitor fica ciente do assun-
sa: não apenas inserir a agricultura familiar to que será tratado no texto: as perspectivas
gaúcha na produção de álcool, como tornar favoráveis que se apresentam para a agri-
o Estado auto-suficiente no médio prazo. cultura familiar gaúcha.
A agenda começa nesta segunda-feira, com
No desenvolvimento, a ideia inicial é
a assinatura de um memorando de enten-
expandida, sendo apresentados e ordenados
dimento para a instalação de uma usina
os argumentos que a explicam e sustentam.
de biodiesel e do contrato para instalação
de uma usina de álcool entre a Petrobras
e a Cooperbio, em Palmeira das Missões. Argumento 1: integrantes de órgãos
Também será assinado um convênio para federais virão ao Rio
a manutenção do Curso de Técnico em Grande do Sul para
Agropecuária Ecológica, com ênfase em dar início a progra-
Biocombustíveis, entre a Petrobras e a Fun- mas direcionados à
dep. Na quarta-feira, será a vez de assinar produção de biodiesel.

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Argumento 2: a inserção da agricul- 5. Estou de regime; no momento só me ali-


tura familiar gaúcha mento de carnes brancas e de hortaliças,
na cadeia nacional de como alface, rúcula, agrião, espinafre,...
produção de álcool.
Observação:
Argumento 3: a assinatura pelos vi-
sitantes de diversos Os períodos 1, 3 e 4, por serem consti-
documentos visando tuídos de uma só oração (apenas um verbo),
tornar o Estado, a são períodos simples. Os períodos 2 e 5 são
médio prazo, auto- constituídos de mais de uma oração (mais
suficiente na área. de um verbo): são períodos compostos.

Na conclusão, ocorre um fechamento que Vamos, agora, analisar os períodos do pará-


retoma a ideia central de modo coeso e coeren- grafo que constitui o exemplo 3.
te. Nesse parágrafo, o autor optou por uma con- A introdução é composta por um único pe-
clusão que apresenta o objetivo final das ações ríodo (ou seja, um ponto final).
listadas: a construção de um complexo estadual
destinado à produção de biodiesel e álcool com- A semana será importante para a agricultura
bustível. familiar no Rio Grande do Sul.

Observe que, para redigir cada parte, foi O desenvolvimento tem cinco períodos (no
utilizado um determinado número de períodos. caso, caracterizados por cinco pontos finais).
A conclusão traz um período (ou seja, um
ponto final).
QUADRO EXPLICATIVO As ações integram os projetos Biodiesel-
Norte e Biodiesel-Sul, para implantação de um
Relembrando complexo industrial para a produção de biodiesel
e álcool combustível.
PERÍODO: começa com a letra ini-

R
cial maiúscula e termina por uma pausa epresentantes do Ministério de
bem definida e indicada por ponto final Desenvolvimento Agrário e da
(períodos 1 e 2, a seguir); ponto de inter- Petrobras estarão no Estado para
rogação (período 3); ponto de exclamação deflagrar projetos voltados para a produ-
(período 4); ou reticências (período 5). ção de biodiesel. A meta é audaciosa: não
ATENÇÃO: vírgula, ponto-e-vírgula apenas inserir a agricultura familiar gaú-
e dois-pontos são sinais de pontuação que cha na produção de álcool, como tornar o
não delimitam períodos. Estado autosuficiente no médio prazo. A
agenda começa nesta segunda-feira, com
Exemplos de períodos: a assinatura de um memorando de enten-
1. O ponto nal é empregado ao término de dimento para a instalação de uma usina
um período de sentido completo. de biodiesel e do contrato para instalação
de uma usina de álcool entre a Petrobras
2. O Brasil está entre os países que mais
serão afetados pelo aquecimento global, e a Cooperbio, em Palmeira das Missões.
conforme informa reportagem publicada Também será assinado um convênio para
pela Revista Veja. a manutenção do Curso de Técnico em
3. Você gostou da comida daquele restau- Agropecuária Ecológica, com ênfase em
rante na Estrada do Mar? Biocombustíveis, entre a Petrobras e a
Fundep. Na quarta-feira, será a vez de assi-
4. Mesmo em viagem ao exterior, não se
esqueça de sua terra natal! nar memorando semelhante em Bagé, com
os mesmo objetivos.

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Planejando antes de a mira das entidades médicas. Associado a


escrever o parágrafo uma série de problemas, entre eles a hiper-
Planejar é tão importante quanto conhecer o assunto tensão, o sal foi alvo de uma ação recente da
American Medical Association. A entidade
Múltiplas são as dificuldades que surgem pediu à FDA (agência responsável pela re-
para o principiante que deseja escrever um bom
gulamentação de alimentos e remédios nos
texto. Sem uma ideia central e um planejamento
Estados Unidos) que mudasse o status do
adequado, ele será cercado por incertezas e por sal, até agora considerado uma substância
dúvidas durante o início e o desenvolvimento
de consumo seguro. Além disso, a associa-
do tema. Redigir não é tarefa fácil, mas pode ser
ção quer reduzir pela metade a quantidade
aprendida e treinada. Em qualquer redação exis- de sódio em alimentos processados ou ser-
tem três aspectos importantes que devem ser con-
vidos em lojas de fast-food. (...)
siderados:
1o o conteúdo (o que se tem a dizer sobre o assunto); Fonte 17 - Mantovani
2o a estrutura (a partir do tipo de texto predeter- Esquema:
minado, há um padrão a ser seguido em rela-
ção ao estilo, ao título, à extensão, ao número 1º Assunto: o consumo de sal na alimenta-
e à organização dos períodos etc.); ção.
o
3 correção gramatical (aspectos ortográficos, de 2º Delimitação: modi cação na utilização
pontuação e de concordância, relativos à pa- do sal.
dronização da língua). 3º Objetivo: apresentar as providências que
organizações médicas pretendem tomar
Antes de começar a redigir o texto, você quanto ao consumo incontrolado de sal.
deve organizar suas ideias através de alguns pas-
sos importantes e elaborar um esquema que
servirá como um “esqueleto” do seu parágrafo.
Passos:
1o escolher um assunto; Exemplo 5
o
2 delimitar esse assunto (isto é, especificá-lo,
restringi-lo a um ou dois enfoques)
3o elaborar o objetivo do parágrafo (ou seja, Estimular nas crianças o compromisso com
qual é a intenção de quem redige; aonde quer a organização da casa é uma das missões
chegar com os argumentos apresentados). É dos pais. Mas é preciso ter cuidados redo-
importante lembrar que o objetivo sempre brados na hora de eleger em quais tarefas
é iniciado por um verbo na forma infinitiva a ajuda delas é bem-vinda a fim de evitar
como, por exemplo, mostrar, demonstrar, es- acidentes. “É preciso ter bom senso. De-
pecificar, esclarecer, exemplificar etc.
pende muito da habilidade e da idade da
Vamos identificar nos próximos exemplos criança”, observa Luciana O’Reilly, da
de parágrafos como podem ser apresentados os ONG Criança Segura. Atribuir a elas a or-
seus respectivos esquemas. ganização dos brinquedos e a arrumação da
própria cama, por exemplo, é uma opção
segura e repleta de significação. As tarefas
Exemplo 4 ao ar livre também são adequadas: ajudar
a estender a roupa no varal, regar o jardim
Ele começou a ser utilizado na culinária e auxiliar nos cuidados com a horta são
não por dar sabor aos alimentos, mas por algumas das atividades liberadas.Produtos
seu potencial sanitário. Com um forte po- de limpeza devem ser mantidos a distância
der esterilizador, o sal conservava a comida, dos pequenos ajudantes. “Um erro muito
impedindo a reprodução de bactérias. Mas comum é colocar esse tipo de produto em
esse aliado inicial da saúde agora está sob embalagens de refrigerante, o que acaba es-
timulando a ingestão. Alguns, como a soda

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cáustica e o limpa-fornos, podem causar le-


sões irreversíveis”, lembra Fiks, pneumo-
logista do Hospital e Maternidade São Luís,
em São Paulo. (...)
Fonte 18- São Paulo

Esquema:
1.o Assunto: a ajuda das crianças nas tare-
fas domésticas.
o
2. Delimitação: a colaboração infantil nos
trabalhos da casa exige cuidados.
3.o Objetivo: alertar quanto às precauções
que devem ser adotadas durante a re-
alização de atividades domésticas por
crianças.

Observe que, em ambos os casos, os autores


dos parágrafos organizaram seus textos, a partir
do esquema, da seguinte forma:
• na introdução, apresentaram a delimitação;
• no desenvolvimento, desmembraram o objetivo;
• na conclusão, fecharam o texto de modo coeso
e coerente.

Pense sobre o conteú-


do estudado e procure
colocá-lo em prática
quando você escrever
um parágrafo.
No próximo capítulo,
aprenda como melhorar
ainda mais a sua escrita
transformando um texto
em outro. Confira!

Arquivo

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Atividade
Reescreva o parágrafo a seguir, colocando
as ideias em ordem.
No entanto, nenhuma criança dessa ida-
de vai falar, por exemplo: “uma meninos chegou
aqui amanhã”. Pois toda e qualquer língua é
“fácil” para quem nasceu e cresceu rodeado por
ela. O que ela não conhece são sutilezas, sofis-
ticações e irregularidades no uso dessas regras,
coisa que só a leitura e o estudo podem lhe dar.
Está provado e comprovado que uma criança en-
tre três e quatro anos de idade já domina perfei-
tamente as regras gramaticais de sua língua.

Referência
Comentada
SOARES, M. B. Técnicas de redação. São
Paulo: Ao Livro Técnico, 1978.
Para aprofundar os conhecimentos acer-
ca do estudo do parágrafo, sugerimos a leitura
desse livro de Magda Becker Soares. A autora
organiza uma variada tipologia de parágrafos e
apresenta exemplos para cada um. Dessa forma,
é possível visualizar e explorar mais detidamen-
te as inúmeras possibilidades redacionais de um
parágrafo.

Referências
Bibliográ cas
CUNHA, S. F. da et al. Tecendo textos. 2.
ed. Canoas: Ed. da Ulbra, 2000.
SAVIOLI, F. P.; FIORIN, J. L. Lições de
texto: leitura e redação. São Paulo: Ática,
2006.

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Autoavaliação pelos diversificados conceitos que apre-


senta.
1. Assinale a alternativa que indica o III. A leitura proporciona inúmeras vanta-
início e o final do desenvolvimento do gens.
parágrafo seguinte: “Noites mal dormi- IV. Assim, verifica-se que esse hábito deve
das podem ser um sinal para você trocar o ser amplamente estimulado, pois traz mui-
colchão, garante o ortopedista Anthony B. tos benefícios.
Lyndon, membro da Associação Britânica
de Ortopedia. A má acomodação do corpo V. Além disso, é uma fonte de lazer inesgo-
pode ser notada a partir de seus hábitos tável, visto que permite ao indivíduo uma
noturnos. Se você se mexe excessivamen- “viagem” ao encantado mundo da fantasia
te ou acorda várias vezes de madrugada, através das personagens que vão aparecen-
fique atenta à qualidade do colchão ou do do.
travesseiro. O problema é que o mercado A) II, I, III, IV e V.
oferece tantos produtos nesse setor que
B) I, II, V, III, e IV.
fica difícil optar por um modelo especí-
fico. Mas isso é vital, porque você passa C) III, II, I, V e IV.
cerca de 1/3 do dia com o corpo sobre o D) III, V, I, IV e II.
colchão e o travesseiro. Portanto, tenha
cuidado ao escolhê-los e acerte em cheio.”
(CURCIO, 2008)
A) noites... específico;
B) a má... travesseiro;
C) noite... travesseiro;
D) garante... travesseiro.

2. Assinale a alternativa correta com rela-


ção à estrutura do parágrafo da questão
de nº1:
A) possui cinco períodos de desenvolvi-
mento e um conclusivo;
B) possui quatro períodos de desenvolvi-
mento;
Gabarito
C) não possui conclusão;
Questão para re exão
D) a introdução está composta de dois pe- Está provado e comprovado que uma criança entre os
ríodos. três os quatro anos de idade já domina perfeitamente as
regras gramaticais de sua língua. O que ela não conhece
são sutilezas, so sticações e irregularidades no uso des-
sas regras, coisa que só a leitura e o estudo podem lhe
3. Assinale a alternativa que contém a or- dar. No entanto, nenhuma criança dessa idade vai falar,
dem correta das letras para formar um por exemplo: “uma meninos chegou aqui amanhã”. Pois
parágrafo-padrão. toda e qualquer língua é “fácil” para quem nasceu e cres-
ceu rodeado por ela.
I. Também ocorre a aquisição de conheci- Autoavaliação
mentos variados, tanto empíricos quanto 1-B
científicos, dependendo do texto escolhi-
2-B
do.
3-C
II. Uma delas é a ampliação do vocabulário,
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A PARÁFRASE
Dispomos de mais de uma maneira de dizer as coisas na
língua. Não é por acaso que utilizamos uma e não a(s)
outra(s) cada vez que falamos ou escrevemos.
Dóris Cristina Gedrat
Mozara Rossetto da Silva

N
este capítulo temos dois objetivos principais: compreender e aplicar o processo de transforma-
ção de linguagem de um texto em outro, semanticamente equivalente ao texto-fonte (paráfra-
se); captar, mediante exemplos ilustrativos, as nuanças de significado produzidas pela escolha
da paráfrase empregada em cada caso.

Compreendendo a paráfrase
Leia o texto a seguir e a paráfrase correspondente com atenção.

TEXTO ORIGINAL
Café dos gourmets
Grãos especiais transformam o cafezinho numa experiência inesquecível.
O cafezinho, quem diria, conquistou seu lugar ao sol no reino dos sabores e aromas da alta gastrono-
mia. Bem tirado, de preferência numa boa máquina de café expresso, é inesquecível. Pode ser preparado
em casa, bebido em restaurantes nos ou em cafeterias chiques – como a Suplicy, de São Paulo, e o
Armazém do Café, do Rio de Janeiro. A alma desse fenômeno é o café gourmet. Produzido com grãos
especiais, geralmente do tipo arábica, recebe cuidado artesanal da plantação à torrefação. O resultado
é uma bebida sem o amargor típico dos cafés comuns e com uma diversidade maior de aromas e sen-
sações. Alguns cuidados são essenciais. A água não deve chegar ao ponto de fervura. “O preparo deve
ser feito com água mineral”, recomenda a barista Isabela Raposeiras. “Se puder moer o grão na hora,
melhor”.
Fonte 19 - Isto é

PARÁFRASE
Café dos gourmets
Grãos especiais levam à transformação do cafezinho numa experiência inesquecível.
O cafezinho, quem diria, destaca-se onde os sabores e os aromas da alta gastronomia são altamente
valorizados. É impossível esquecê-lo, se bem tirado, de preferência numa máquina de café expresso de
boa qualidade. Pode-se prepará-lo em casa, bebê-lo em restaurantes nos ou em cafeterias chiques –
como a Suplicy, de São Paulo, e o Armazém do Café, do Rio de Janeiro. Sua alma é o café gourmet. Pro-
duzido com grãos especiais, geralmente do tipo arábica, é cuidado artesanalmente desde sua plantação
até o momento da torrefação. O resultado é uma bebida não tão amarga como tipicamente são os cafés
comuns e muito mais diversi cada em aromas e sensações que causa. Deve-se tomar alguns cuidados,
como, por exemplo, não ferver a água. Além disso, “O preparo deve ser feito com água mineral e, se for
possível moer o grão na hora, melhor”, recomenda a barista Isabela Raposeiras.

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Conforme podemos perceber na transforma-


ção sofrida pelo texto original acima, a paráfra-
se é uma atividade de reformulação de partes Exemplo 4
ou da totalidade de um texto. É um mecanismo
sintático que cria alternativas de expressão para A secretária escreve relatórios claros e
um mesmo conteúdo. sucintos.
Relatórios claros e sucintos são escri-
Há várias maneiras de elaborar paráfrases e
tos pela secretária. (presente)
transformar um enunciado “A“ em um enuncia-
do “B”. Observemos os exemplos a seguir.
A secretária escreveu relatórios claros
e sucintos.
Exemplo 1 Relatórios claros e sucintos foram es-
critos pela secretária. (pretérito perfeito)
O cliente finalmente recebeu a chave
de sua nova casa. A secretária escrevia relatórios claros
e sucintos.
O cliente finalmente recebeu a chave
de sua nova residência. Relatórios claros e sucintos eram es-
critos pela secretária. (pretérito imperfeito)
Explicação: o substantivo “casa” foi
trocado por seu sinônimo “residência”. Essa
é uma transformação que utiliza sinônimos. A secretária escreverá relatórios
claros e sucintos.
Relatórios claros e sucintos serão es-
Exemplo 2 critos pela secretária. (futuro do presente)

As filhas do gerente do banco foram A secretária escreveria relatórios


convidadas para a festa de formatura. claros e sucintos.
As moças mais bonitas do meu bair-
ro foram convidadas para a festa de forma- Relatórios claros e sucintos seriam es-
tura. critos pela secretária. (futuro do pretérito)
Explicação: as expressões “as filhas Explicação: passagem da voz ativa
do gerente do banco” e “as moças mais para a voz passiva. A voz passiva é cons-
bonitas do meu bairro” não são necessa- truída a partir de uma inversão da frase ori-
riamente expressões sinônimas, mas, num ginal. O que era objeto (e estava no final
determinado contexto, podem referir-se às da oração) passa para o início da frase, e o
mesmas pessoas. sujeito vai para o final, inserindo-se o ver-
bo “ser” antes do verbo principal da frase.
Exemplo 3
Exemplo 5
Este ano, o inverno promete ser rigo-
roso. O coral cantou o hino, depois a banda
(verbo)
O inverno promete, este ano, ser rigo-
executou a marcha fúnebre.
roso. (verbo)

Explicação: os termos da oração são O canto do hino pelo coral foi seguido
(substantivo)
simplesmente deslocados de lugar, sem que
haja necessidade de alterar a construção pela execução da marcha fúnebre.
(substantivo)
verbal. (processo de inversão de elementos)

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Exemplo 6 Exemplo 9
A justiça ordenou que a criança fosse en-
tregue imediatamente aos pais. (verbo) Não é certo ficarmos esperando pelo
resto da vida.
A justiça ordenou a entrega imediata
da criança aos pais. (substantivo)
Não é certo que fiquemos esperando
pelo resto da vida.
Exemplo 7 Explicação: nos exemplos 8 e 9, as for-
mas verbais são transformadas.
Ontem à noite percebi que as palavras
de um velho amigo eram sensatas.
(adjetivo)
Ontem à noite percebi a sensatez das
palavras de um velho amigo. (substantivo)
Exemplo 10
Explicação: nos exemplos 5, 6, e 7 Pedro é mais forte que João.
trata-se de um processo que altera a classe
João é mais fraco que Pedro.
gramatical das palavras. Se no texto origi-
nal aparecia um verbo, na paráfrase esse
verbo será transformado em nome, ou seja,
substantivo ou adjetivo, ou vice-versa. Exemplo 11
Exemplo 8 Maria é mais esperta do que Ana.
Ana é menos esperta do que Maria.
Foi necessário fazer todo o esforço Explicação: nos exemplos 10 e 11, são
possível para superar a crise. utilizados comparativos de superioridade e
Foi necessário que se fizesse todo o inferioridade.
esforço possível para superar a crise.

A partir do que foi visto até aqui, pode pare- não o fazemos de forma planejada. Quando que-
cer que a língua oferece recursos para o emissor remos reduzir a intensidade de uma afirmação
dizer algo de diferentes maneiras sem nenhum grave ou agressiva, quando queremos intensifi-
envolvimento intencional de sua parte. No entan- car a ênfase em um determinado aspecto de algo,
to, veremos a seguir que não é assim. A escolha nessas e em outras ocasiões, utilizamos a pará-
por uma paráfrase em detrimento de outra não é frase mesmo sem sabermos.
mero acaso, mas fruto da intenção comunicativa
do falante (emissor), o qual, mesmo que incons-
cientemente, procura a forma mais eficaz de di- Sob o aspecto da inten-
zer o que deseja. ção do falante, há di-
Por que se escolhe uma forma de ferenças entre duas ou
dizer as coisas e não a outra? mais formas alternati-
Muitas áreas do conhecimento interessam-
se pelo uso da paráfrase. Sua utilização é mais
vas de se dizer algo.
frequente e mais importante do que imaginamos.
Parafraseamos constantemente, mesmo quando

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Sob o ponto de vista puramente sintático


(que considera apenas a estrutura das orações
da língua), a paráfrase altera de diferentes Exemplo 13
maneiras um enunciado, mas mantém o seu
sentido original, não lhe acrescentando da- a. Abatido, mas conformado, o pi-
dos complementares – conforme o conteúdo loto seguiu para os boxes, onde
apresentado na unidade anterior. Entretanto, desabafou.
se considerarmos as intenções do falante, te-
remos de admitir que ele não escolhe uma ou b. A falha praticamente pôs fim ao
outra forma de dizer as coisas por acaso, isto GP Brasil mais concorrido dos
últimos anos.
é, sem nenhuma intenção subliminar.
Fonte 20 - Introdução à semântica
Por exemplo, o simples fato de um perí-
odo iniciar com uma informação e não com Claramente, o comentarista do primei-
outra já demonstra que o seu autor está dando ro enunciado não vê o resultado negativo
ênfase à informação com a qual iniciou o pe-
da corrida como algo tão dramático para o
ríodo, conforme demonstrado nas paráfrases
GP Brasil como o segundo comentarista.
do exemplo 12.
Além disso, o primeiro ressalta a partici-
pação do piloto, o seu esforço e sua decep-

Exemplo 12 ção, enquanto o segundo focaliza somente


o fato de o Brasil ter perdido, aumentando,
inclusive, a importância desse fato.
a. João vendeu seu carro para o fi-
lho do prefeito.
Nos exemplos 12 e 13, a veracidade da
b. O filho do prefeito comprou o informação não é prejudicada, ou seja, tan-
carro de João. to (a) quanto (b), no exemplo 12, e tanto A
quanto B, no exemplo 13, são igualmente
Em (a) o fato de João ter vendido o verdadeiras. O que se revela por trás do que é
carro é mais relevante do que em (b), fra- dito em cada paráfrase é uma orientação dife-
se na qual é enfatizada a informação sobre rente no ponto de vista de quem fala. Assim,
quem comprou o carro de João. Isso sem embora a paráfrase seja caracterizada estru-
considerar a entoação da frase ao ser dita turalmente como uma reformulação sem mu-
oralmente, pois, se for feita a entoação as-
dança no sentido, sob o aspecto da intenção
cendente em (a) (iniciando a frase com tom
do falante há diferenças entre as duas formas
de voz mais baixo e aumentando-o grada-
alternativas de ele dizer o que quer.
tivamente), a informação destacada será
“o filho do prefeito”, mas isso no sentido
de garantir que o ouvinte entenda a ideia,
Isso também fica claro ao considerarmos
e não porque essa seja a informação mais
diferentes veículos de comunicação de massa,
importante que se quer passar. O mesmo
como jornais e revistas. A seguir, apresenta-
ocorre em (b).
mos duas notícias, publicadas no jornal Zero
Agora, observe a forma de o comen- Hora e no Jornal de Brasília, sobre o fato de o
tarista relatar os acontecimentos durante a presidente Lula não ter aceitado a renegocia-
corrida de um grande prêmio de Interlagos, ção de Itaipu. A matéria aparece, respectiva-
comparando-a com a construção das frases mente, no dia 22 de maio e no dia 21 de maio
escolhidas por B para relatar o mesmo fato, de 2007, revelando diferenças na orientação
em 13: argumentativa de cada jornal e, portanto, na
visão ideológica de cada um.

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Lula descarta te Lula, creio que é preciso buscar um grande


acordo político para mudar os termos do tratado,
renegociar Itaipu buscar mais justiça e igualdade, no curto e médio
prazo, para refletir o que significa Itaipu para o
Paraguai.
Discussão sobre tratado de hidrelétrica Fonte 21 - Zero Hora
compartilhada por Brasil e Paraguai, que não
prevê venda de energia a terceiros, centraliza No Paraguai, Lula nega
visita presidencial.
interesse brasileiro de
Como já era esperado, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva recusou a proposta do go-
revisar Tratado de Itaipu
verno paraguaio de renegociar o Tratado de Itai-
pu - a hidrelétrica binacional que os dois países Lula faz afirmação depois de o presiden-
dividem no Rio Paraná - e aumentar o preço da te Nicanor Duarte dizer que o acordo deveria
energia que o Paraguai vende ao Brasil. ser revisto. Para o presidente, os dois governos
Pelo tratado, cada um dos dois países tem podem tratar de outras questões relacionadas
o direito de utilizar 50% da energia produzida a Itaipu.
pela usina e a energia não-consumida pode ser Em visita hoje ao Paraguai, o presidente Luiz
vendida ao outro sócio. Atualmente, o Paraguai Inácio Lula da Silva afirmou que o governo bra-
consome somente 6% da energia a quem tem di- sileiro não pretende revisar o Tratado de Itaipu.
reito, e por isso cede a maior parte do excedente A afirmação foi feita em discurso no palácio
ao Brasil, a preço de produção. do governo do paraguaio, depois de o presidente
- A sociedade vai compreender que, num fu- Nicanor Duarte dizer que o acordo deveria ser
turo próximo, haverá tantas empresas brasileiras revisto.
produzindo em território paraguaio que Itaipu já “Já tinha tido a oportunidade, em uma entre-
não será motivo de discussão entre nós - disse vista a dois periódicos do Paraguai, de dizer que
Lula, durante entrevista coletiva em Assunção, não estava na cogitação do governo brasileiro a
ao lado do presidente Nicanor Duarte. discussão sobre o tratado”, reiterou Lula.
O debate sobre a situação da hidrelétrica - a Segundo ele, o assunto foi conversado com
maior do mundo - centralizou a visita de Lula e Nicanor Duarte e com ministros de ambos os pa-
ofuscou a agenda de campanha pela produção, íses. “Não existe tema proibido dentro do marco
industrialização e comercialização de biocom- do tratado”, acrescentou o presidente brasileiro.
bustíveis. A vinda de Lula ao Paraguai, pela Ele ressaltou que os dois governos podem
primeira vez em visita oficial, foi precedida por tratar de outras questões relacionadas a Itaipu.
duras críticas da oposição política que qualificou “Penso que precisamos fazer uma coisa de cada
Duarte de “entreguista” pelo fato de ele não re- vez, porque o que me interessa mais é contribuir
clamar do preço “irrisório” pago pelo Brasil pela para que a economia do Paraguai possa crescer.
cessão de energia do Paraguai. E, crescendo a economia do Paraguai, possamos
Conforme a imprensa paraguaia, o total utilizar toda a energia de Itaipu”.
pago anualmente pelo Brasil ao país vizinho pela Na avaliação dele, a relação entre os dois
energia excedente - que, em 2006, foi de US$ 373 países avançou bastante, principalmente porque
milhões - é um preço abaixo do valor de mercado Paraguai e Brasil começaram a olhar na mesma
e mostra uma posição “imperialista” do Brasil. direção. Disse, ainda, que ambos poderão dar no-
Em sua edição de ontem, o jornal ABC Color, vos passos se souberem lidar com a burocracia.
em editorial, avaliou que o preço justo seria de “O problema da burocracia não é apenas da
US$ 2 bilhões ao ano. burocracia brasileira ou paraguaia. A burocracia
Pouco antes da entrevista de Lula, Nicanor é burocracia em qualquer parte do mundo. Nós,
Duarte, em discurso, pediu mudanças no tratado latinos, reclamos muito. Quando não temos a
da usina: quem culpar, culpamos a burocracia”.
- Mesmo vendo a boa vontade do presiden- Fonte 22 - Jornal de Brasília

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A escolha das informações e dos comentá- Itaipu, o Jornal de Brasília limita-se a transmitir
rios expressos por um e outro periódicos revela o os fatos, sem muita interpretação.
objetivo que cada um tem ao publicar a notícia. Qualquer falante é capaz de produzir um nú-
Entre outras diferenças, enquanto a Zero Hora mero infinito de paráfrases, e esse recurso linguís-
oferece uma análise mais acurada do significa- tico é utilizado para os mais diferentes propósitos,
do da recusa do presidente Lula para renegociar como, por exemplo, nos casos a seguir:

Na tradução: a paráfrase acaba Koffman2 aborda a questão do interpretar


sendo uma das soluções devido à não coin- e do resumir em Freud. A glosa freudia-
cidência vocabular, semântica e sintático- na implica um duplo sentido, permitindo
estrutural entre os idiomas envolvidos no não só a fidelidade ao texto, como tam-
processo. O tradutor, então, na tentativa de bém a sua inteligibilidade. Assim, a fron-
manter o sentido original, geralmente recor- teira entre interpretar e resumir é muito
re a uma solução parafrástica no idioma de tênue, fazendo com que o resumo seja já
chegada com relação ao idioma de partida. uma interpretação e insinuando que nun-
ca haveria paráfrase pura, mas sim um se-
gundo texto sobre um primeiro acrescido
Na psicanálise: também se re- de diferenças. Desse modo, nunca have-
conhece a importância da paráfrase. Sarah ria tradução, e sim sempre interpretação.
2 KOFFMAN, S. Resumir. Interpretar. Rio de Janeiro: PUC-RJ, 1975.

Portanto, mais do que um efeito retórico ou Parafrasear um enunciado com a intenção de


estilístico, a paráfrase é um efeito ideológico de manter a informação inicial e os seus sentidos
continuidade de um pensamento, fé ou procedi- exige alguns cuidados. Entretanto, sempre deixa-
mento estético. Isso porque nenhum enunciado mos filtrar nossas intenções, ideias e sentimentos
existe fora de um discurso (entendido como o con- na forma como parafraseamos. Reconhecer e apli-
junto de convicções e práticas ideológicas de um car tal processo afeta a habilidade do falante, pois
determinado grupo) e todo discurso compreende assim seu desempenho argumentativo certamente
duas situações interpretativas: a primeira diz res- se enriquecerá. Ele será capaz de reconhecer as
peito ao contexto em que elas foram proferidas; a intenções de outros e, ao mesmo tempo, de fazer
segunda evoca os sentidos que são suportados por valer as suas em determinadas circunstâncias.
tais declarações ou enunciados independentemen-
te do lugar e de quem os formulou.

Neste capítulo, você apre-


ndeu que a língua fornece
diferentes maneiras para
dizermos as coisas. No
capítulo seguinte, você
terá contato com um
fenômeno semelhante ao
da paráfrase, a retextu-
alização - passagem do
texto falado para o texto
Arquivo escrito. Não perca!

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Atividade
Qual a diferença na argumentação das duas
paráfrases abaixo?
Pedro é mais fraco que João. Ele não vai
conseguir levantar a caixa.
João é mais forte que Pedro. Então Pedro
não vai conseguir levantar a caixa.

Referência
Comentada
ILARI, R. Introdução à semântica. São
Paulo: Contexto, 2003.
Introdução à Semântica apresenta ao leitor
uma bem humorada explanação sobre as princi-
pais operações sintáticas relevantes para a sig-
nificação do português brasileiro. Considerando
o muito que há por ser feito, nas faculdades e
colégios, no que se refere à exploração do senti-
do, o autor se vale de sua ampla experiência para
iniciar a discussão sobre a Semântica nos meios
educacionais brasileiros.

Referências
Bibliográ cas
FLÔRES, O.;SILVA, M.R. Da oralida-
de à escrita: uma busca da mediação
multicultural e plurilingüística. Canoas:
Ed.ULBRA, 2005.
MOURA, H.M. Significação e Contexto:
Introdução, Questões Semânticas. São
Paulo: Insular, 2006.

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de um carro, por exemplo.
Autoavaliação D) A partir daí, já notava que as pessoas
me tratavam de um modo especial. Não
1. Analise a paráfrase elaborada a partir era comum alguém oferecer a mão para
do trecho e assinale a alternativa que me ajudar a descer de um carro, por
indica os corretos processos de trans- exemplo.
formação utilizados:
Uma herança recebida, um tesouro des- 3. Assinale a alternativa que contém a
coberto, um bilhete premiado, algo que paráfrase e o processo correspondente
tornaria eventualmente vantajoso me para o trecho: “E se você disser ‘não
tratarem bem. estou preparado para tomar água-de-
Paráfrase: O RECEBIMENTO DE coco!’, o mundo vai rir de você e conti-
UMA HERANÇA( 1 ) e ( 2 ), A DESCO- nuará a girar em seu eixo.”
BERTA DE UM TESOURO ( 3 ) e ( 4 ), A)E se você falar” água-de-coco, não es-
um bilhete premiado, algo que tornaria tou pronto para beber”, o mundo não
ESPORADICAMENTE ( 5 ) vantajoso vai rir de você e continuará a girar em
me tratarem bem. seu eixo (mudança de tempo verbal e
A) ( 1 )inversão; ( 2 ) mudança de classe gra- substituição lexical)1
matical ; ( 3 )alteração verbal; B) E se você falar” água-de-coco, não es-
B) ( 3 ) substituição ; ( 4 )voz passiva; ( 5 ) tou pronto para beber”, o mundo vai
alteração de classe gramatical; rir de você e continuará a girar em seu
eixo (mudança de classe gramatical, in-
C) ( 1 ) inversão ; ( 2 )mudança de classe gra-
versão).
matical ; ( 5 ) substituição;
C) O mundo achará graça de você e conti-
D) ( 3) mudança de classe gramatical ; ( 4 )
nuará a rodar no seu eixo, se você falar
alteração verbal; ( 5 )substituição.
“não estou pronta para beber água-de-
coco”. (nominalização e passagem da
2. A única paráfrase inadequada para o voz ativa para a voz passiva).
trecho “A partir daí, passei a notar que D) O mundo achará graça de você e conti-
as pessoas me tratavam de um modo di- nuará a rodar no seu eixo, se você falar
ferente. Não era raro alguém estender “não estou pronta para beber água-de-
a mão para me ajudar a descer de um coco”. (inversão e substituição lexical).
carro, por exemplo.” é:
Gabarito
A) Passei a notar, a partir daí, que as pes- Questão para re exão
soas me tratavam de um modo diverso. Possível resposta:
Não era raro alguém estender a mão
Ao inverter-se a ordem da frase, invertendo os termos
para me auxiliar a descer de um auto- de comparação de superioridade (MAIS FRACO que e
móvel, por exemplo. MAIS FORTE que), está-se realçando essas informações,
ou seja, Pedro é mais fraco que João enfatiza a fraqueza
B) A partir daí, comecei a notar que as de Pedro, e João é mais forte que Pedro realça a força
pessoas me tratavam de um modo dife- de João. Mas as duas alternativas levam à mesma con-
clusão: Ele não vai conseguir levantar a caixa. e Então
rente. Não era raro que alguém esten- Pedro não vai conseguir levantar a caixa.
desse a mão para me ajudar, por exem-
plo, a sair de um carro.
Autoavaliação
C) A partir daí, passei a notar que as pes-
1-C
soas ofereciam a mim um tratamento
2-D
diferente. Era comum alguém estender
a mão para me oferecer ajuda ao descer 3-D

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RETEXTUALIZAÇÃO
Em vários momentos, deparamo-nos com a necessidade
de escrever aquilo que ouvimos, isto é, de passar o discur-
so oral para o escrito.
Mara Elisa Matos Pereira
Maria Alice da Silva Braga
Mozara Rossetto da Silva

Neste capítulo, temos por objetivo esclare-


cer que a retextualização é o processo que ca-
racteriza a transformação do texto oral para o
texto escrito, exigindo o estabelecimento de re-
lações entre ambos e apontando suas diferenças
e semelhanças, gradações e mesclas. Em suma,
é a transformação da oralidade para a escrita. É
possível perceber que fala e escrita inter-relacio-
nam-se, sobrepõem-se, misturam-se e, por vezes,
distanciam-se, sendo as duas modalidades, no
entanto, essenciais para suprir as necessidades
de comunicação humana nas situações sociais
específicas em que são utilizadas.

Por que é importante conhecer


o processo de transformação
do texto oral para o escrito?
Organização do texto conversacional

O texto falado não é formulado unilateralmente,


há características particulares que se evidenciam
na sua formulação. Na conversação, nota-se que,
algumas vezes, por várias razões, as pessoas he-
sitam ao falar, repetem-se, corrigem sua fala ou
a de seu interlocutor e até mesmo parafraseiam
o que já foi dito. Essas reações são justificadas
por integrarem as atividades de formulação do
texto falado. Ainda que, em um primeiro mo-
mento, entenda-se que são problemas da fala, é
importante saber que esses aspectos fazem parte
da intercompreensão na oralidade.
Arquivo

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Veja o quanto as ocorrências abaixo d) Ex:


estão presentes nas nossas conver- L1 – Você acha que o time da ULBRA é bom?
L2 – Bom em que sentido?
sas diárias!!! L1 – Bom no sentido de ágil, eficiente e gaba-
a) Hesitação - é um indício de dificuldade de ritado.
formulação que reforça a tese de que a fala é Correção - no processo de construção do
formulada passo a passo, sendo um proces- texto falado, a correção corresponde à ne-
so de criação. cessidade de corrigir algo considerado erra-
Ex: do aos olhos de um dos interlocutores.
L1 - Eu trabalhava na Prefeitura Municipal fa- Ex:
zendo parte da..... da...... secretaria de desporto. L1 – Ela é professora de inglês. A irmã dele á
L2 – Ah, na..., na..../no setor de esportes? professora de inglês.
b) Paráfrase - como já se viu, paráfrase é um L2 – Não! É professora de francês. De francês.
recurso que reconstrói o pensamento de uma
forma diferente do anterior, porém comu-
Recorrer a atividades de formulação signi-
nicando a mesma mensagem. Sua função
fica formular etapas do desenvolvimento de sua
principal é garantir a compreensão do que
própria construção e/ou do interlocutor.
se quer comunicar.
Ex: As atividades de formulação do texto falado
L1 – Como aquela atriz está velha! Ela está en- são facilmente percebidas, mas será que há ati-
velhecida, também ela é bastante antiga na tevê! vidades de formulação também no texto escrito?
c) Repetição - a repetição também integra as Certamente. A diferença é que o texto escrito pode
atividades de formulação, na medida em que ser editado, eliminando-se repetições e fazendo-se
garante a continuidade do tópico discursivo, correções, enquanto que no texto falado, as ativi-
bem como a coesão e coerência. dades permanecem como parte do registro.

Relações entre a fala e a escrita


O que pode ser evidenciado, após esse estudo da oralidade, é que qualquer situação de produção
oral ou escrita efetiva um evento comunicativo com características distintas p ar a cad a modalidade.
São algumas condições b ás i c a s d e produção que irão determinar as diferenças e/ou semelhanças
entre os tipos de texto em contrução.
Nesse sentido, o que importa é observar as demandas da oralidade e da escrita, sem permitir que se
interfiram mutuamente, uma vez que cada uma tem sua peculiaridade. Observe o quadro:

FALA ESCRITA
Interação face a face Interação a distância (espaço-temporal)
Planejamento simultâneo ou quase simultâneo à Planejamento anterior à produção
produção
Criação coletiva: administrada passo a passo Criação individual
Impossibilidade de apagamento Possibilidade de revisão
Sem condições de consulta a outros textos Livre consulta
A reformulação pode ser promovida tanto pelo A reformulação é promovida apenas pelo
falante como pelo interlocutor escritor.
Acesso imediato às reações do interlocutor Sem possibilidade de acesso imediato
O falante pode processar o texto, redirecionando-o O escritor pode processar o texto a partir das
a partir das reações do interlocutor possíveis reações do leitor
O texto mostra todo o seu processo de criação O texto tende a esconder o seu processo de
criação, mostrando apenas o resultado.
Fonte 23 - Oralidade e escrita

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Não se trata de propor em uma retextualiza-


Retextualização: transformação do ção a passagem de um texto supostamente sem
texto falado em texto escrito controle e confuso (referindo-se ao texto falado)
para outro claro e bem estruturado (texto escrito).
Retextualização é a passagem do texto fala-
A passagem da fala para a escrita não é do caos
do para o texto escrito, não se constituindo essa
para a ordem: é apenas a passagem de uma forma
num processo mecânico, pois envolve operações
para outra, pois ambas permitem a construção de
que interferem no código e no sentido.
textos coesos e coerentes, através da elaboração
Não são poucos os eventos linguísticos coti- de raciocínios abstratos e exposições formais e
dianos em que atividades de retextualização, re- informais, variações sociais e regionais.
formulação, reescrita e transformação de textos Antes de qualquer transformação textual,
estão envolvidas. Vejamos alguns exemplos: ocorre uma atividade cognitiva chamada com-
preensão, pois, antes de começar o processo de
retextualização, é necessário entender o que a ou-
tra pessoa disse ou calcular o que ela teve inten-
ção de dizer e somente, a partir disso, proceder
às alterações lexicais e estruturais necessárias. A
proposta é, portanto, utilizada também para tra-
balhar a compreensão das mensagens e não só
com o objetivo de produzir textos.

Esse tipo de atividade com a língua é


extremamente enriquecedor e compro-
• a secretária anota informações faladas pelo
va que a linguagem não é apenas um
chefe e com elas redige um ofício; sistema de signos ou de regras, mas sim
• redação, por carta, o que foi ouvido na vizi- uma atividade sociointerativa. Seu uso
nhança; tem um lugar de destaque e deve ser o
• explicações do professor transformadas em principal objeto de nossa observação.
anotações do aluno .
A língua deve ser vista além da simples
São nessas situações corriqueiras que o texto transmissão de informações, uma vez
é refeito de outro modo, modalidade ou gênero. que é o fenômeno de natureza sociocul-
Embora bastante utilizadas, tais ações são até tural que nos permite construir opinião
hoje pouco compreendidas e estudadas. e expressá-la como agentes que, cons-
cientemente, transformam a realidade.

Antes de começar o Processos necessários para a passa-


processo de retextu- gem do texto falado ao escrito:
alização, é necessá-
rio entender o que
a outra pessoa dis-
se ou calcular o que
ela teve intenção de
dizer.
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Observe, a seguir, como foi retextualizada


a transcrição, passando por todas as etapas de
transformação necessárias para a passagem de
um texto FALADO para um texto ESCRITO:

TRANSCRIÇÃO 1
Qual é a sua opinião sobre os transpor- E sobre o centro da cidade?
tes em Porto Alegre? sobri ah Porrtalegri u centru di Porrtale-
bom u qui eu achu du:: du transporrte u gri eu achu assim qui u centru de Porrtalegri as
qui eu achu dus ônnibus é qui:: us motorista pessoas éh::: sei lá ... tem muitus crianças ah...
sãu muitu dus ignorantis i maltratu muitu us pedindu errmola muit::us vélhu::s ah pedindu
velhinhus (( suspirou )) i as pessoa deficienti errmola i:: muitas coisas assim extragada né?
mintal i tem agora aquelis negóciu di carrteri- cumidas ex- tra-ga-da pelu centru comu verrdura
nha quandu elis pedi a carrterinha qui a genti otras coisa mais inveiz deli ajudá aquelas pissoas
nãu::... tem ... elis omilha bastanti na frenti di pobris elis nãu ajudu pefiru botá no lixu...
TODU mundu dentru dus ônhibus

RETEXTUALIZAÇÃO 1

Josefa, servente de um edifício de Porto O centro da cidade, diz ela, é percorrido


Alegre, explica que os motoristas de ônibus por crianças e idosos que pedem esmola mas,
maltratam as pessoas da cidade, principal- paradoxalmente, a comida é desperdiçada por
mente idosos, quando esses não apresentam a aqueles que a colocam no lixo ao invés de se
carteira a qual autoriza o passe livre. solidarizarem pelos necessitados.

eliminação de marcas interacionais reconstrução de estruturas truncadas,


mudança fonética para a modalidade es- concordância, reordenação sintática, en-
crita cadeamento (coesão entre as orações e
inclusão de pontuação (vírgulas e pontu- períodos)
ação dos períodos ) i tratamento estilístico com seleção de no-
retirada de repetições, redundâncias, au- vas estruturas sintáticas e novas opções
tocorreções léxicas (reconstrução visando a uma
introdução de substituições de palavras maior formalidade)
ou expressões B passagem do discurso direto para o in-
introdução da paragrafação direto
agrupamento de argumentos (condensa-
ção de ideias)

51
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Aqui apresentamos um outro exemplo para ilustrar


o processo de transformação do texto falado para o
escrito. Leia atentamente a Transcrição 2 e compa-
re com a Retextualização.
Transcrição 2 Retextualização 2
Zuenir Ventura, jornalista, em entrevista, afir-
Em reportagem do dia 19.06.05, o jornal
ma que costumava brincar, quando criança, de atra-
Zero Hora publica uma entrevista que Márcio Pi-
vessar uma ponte antes da passagem do trem, na
nheiro fez ao jornalista Zuenir Ventura.
cidade de Ponte Nova, Minas Gerais, sua cidade na-
MP – Qual a sua lembrança de infância mais tal, sendo sua lembrança mais antiga da infância.
remota? Quanto à palavra mais bonita da Língua
ZV – Era... uma:: pirigosa brincadeira que Portuguesa, destaca saudade, não só por existir
fazíamos em Ponte Nova, Minas, onde fui cria- apenas na nossa língua, mas também pelo signi-
do:: atravessar uma ponte:: ... poco antes de o ficado e sonoridade. Termina a entrevista defi-
trem passá. nindo-se como um humilde operário das letras.
MP – Qual a palavra mais bonita da Língua
Portuguesa? Como você, aluno, pode perceber, a
ZV – Saudade::... não só pela o-ri-gi-na-li- passagem do texto oral para o escrito consti-
da-de... existe:: apenas na nossa língua:: como tui-se na organização da escrita, respeitando
pela sonoridade, sem falar no sentido. aspectos de clareza, objetividade, elegância,
MP – Defina-se. coesão e coerência.
ZV – Eu::... sou...sou... ah ah... um humilde
operário das letras.

Arquivo

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Atividade
Elabore uma retextualização para o texto fa-
lado abaixo.
Entrevista com o senhor Júlio Moreira, por-
teiro de um prédio no centro de P. Alegre.
L1 – O senhor concorda com a mudança
de lugar do Laçador?
L2 – euuu... olha:: não gostei... a genti já
tava acostumadu:: com aquela estátua lá há anus
sempre quI eu ia pra minha terra:: de féria... pas-
sava por ele o Laçador e adimirava aquele baita
homi:: de pé bem no centro da entrada da cida-
de... era lindo... (...) mais agora tem que acustu-
má di novo né.

Referência
Comentada
FLÔRES, O.;SILVA, M.R. Da oralidade à
escrita: uma busca da mediação multicultural
e plurilingüística. Canoas: Ed.ULBRA, 2005.
Apesar de a oralidade ser hegemônica em
relação à escrita no que tange ao uso, histori-
camente nossa sociedade atribui mais valor ao
texto escrito do que à fala. Aqui, todavia, os dois
modelos são vistos como sistemas linguísticos
complementares que têm, inclusive, proporcio-
nado o hibridismo da nossa linguagem, como
observamos, por exemplo, através dos bate-pa-
pos na internet. Reconhecer a importância da
oralidadade na evolução da escrita é um dos as-
pectos que sobressaem na leitura desta obra.

Referências
Bibliográ cas
FÁVERO, L. L. Oralidade e escrita: pers-
pectivas para o ensino de língua materna.
São Paulo: Cortez, 2002.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a es-
crita: atividades de retextualização. São
Paulo: Cortez, 2001.

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Autoavaliação que diz respeito a todas as pessoas, embo-


ra algumas pessoas digam que ainda estão
1. Assinale a alternativa que contém a re- longe dessas preocupações. Conclui, con-
textualização adequada ao trecho. siderando que são muitas as mudanças da
velhice e que nem sempre os idosos são
eu achei u textu du:: Verissimu MUITU in- compreendidos como deveriam ser com-
teressanti porque aborda sobri um aspequi- preendidos.
tu qui preocupa todo mundu... a proximi-
dadi da velhici... mesmo que a pessoa diga
2. Leia a seguinte transcrição: “Marco
qui ainda está longi dessa etapa no fun::do
disse: Naum ::// acreditu (...) qui TUDU
no fundinho todos tem essa preocupação
tenha::: qui se-gui um rumu cer-ti-nhu.
porque são muitas as mudanças que ocor-
A VIDA prepara (...) surpresas disa-
rem nessa época da vida e::: nem sempre
gradáveis::: e, por issu///, tenhu/// qui:::
os idosos são compreendidos como deve-
está atentu:://”.
riam, né? ( entrevistado: Marco Antonio –
acadêmico do curso de Direito ) A retextualização adequada para essa trans-
crição é:
A) O texto do Veríssimo é muito interessan- A) Marco falou que não acredita que tudo
te porque aborda sobre um aspecto que tenha que seguir um rumo certinho, po-
preocupa algumas pessoas. A proximida- rém fatos desagradáveis ocorrem. Por
de da velhice. Mesmo que a pessoa diga isso, eu tenho que estar atento.
que ainda está longe dessa etapa no fundo,
no fundinho, todos têm essa preocupação B) Marco falou que não acredita que tudo
porque são muitas as mudanças que ocor- tenha que seguir um rumo certinho,
rem nessa época da vida e nem sempre mas fatos desagradáveis ocorrem. Por
os idosos são compreendidos como deve- isso, ele tem que estar atento.
riam, né?. C) Marco falou que não acredita que tudo
B) Achei o texto do Veríssimo muito inte- tenha que seguir um rumo certinho,
ressante porque aborda sobre um aspecto tendo em vista que fatos desagradá-
que preocupa todo mundo. A proximida- veis ocorrem. Por isso, ele tem de estar
de da velhice. Mesmo que a pessoa diga atento.
que ainda está longe dessa etapa no fundo, D) Marco falou que acredita que tudo tenha
no fundinho, todos têm essa preocupação que seguir um rumo certinho, tendo em
porque são muitas as mudanças que ocor- vista que fatos desagradáveis ocorrem.
rem nessa época da vida e nem sempre Por isso, ele tem que estar atento.
os idosos são compreendidos como deve-
riam.
C) O acadêmico Marco Antônio informa ter
considerado muito interessante o texto de
Veríssimo, pois o tema aborda um aspecto
que diz respeito a todos, embora algumas
pessoas digam que ainda estão longe des-
sas preocupações. Conclui, afirmando que
são muitas as mudanças dessa etapa e que
nem sempre os idosos são compreendidos
como deveriam ser.
D) O acadêmico Marco Antônio considera
muito interessante o texto de Veríssimo,
pois o tema do texto considera um aspecto
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ver nos livros e álbuns: obras célebres.


3. Leia a transcrição do quadro abaixo e A gente tem a oportunidade de ver e
assinale a alternativa que segue os prin- examinar. É completamente indescrití-
cípios da Retextualização, tais como vel. Eu fui também algumas vezes ao
a passagem do discurso direto para o museu do Padro, em Madri, capital da
indireto, a eliminação de todas as mar- Espanha, e na Itália tive conheci mu-
cas da oralidade, organização sintática, seus bonitos como em Florença.”
pontuação etc. C) O jovem estudante de 25 anos rela-
ta que passou uma semana em Paris.
L 1- Em sua viagem a Paris, você visitou Durante esse período, foi quatro vezes
o museu do Louvre? ao Louvre. O estudante de arquitetura
L2 – Louvre... eu achu qui umas eu pas- contou que foi indescritível a experi-
sei uma semana só em Paris mas eu fui ência de ver e examinar obras célebres,
umas quatro vezes ao Louvre... purque que costumava ver somente em livros e
realmente o que gente vê no Louvre é álbuns. Ele lembra também que esteve
indescritível.. é::: é aquilo o que a genti na Espanha, onde visitou o museu do
tá costumadu a ver em livros e:: álbuns Prado e, na Itália, também teve a opor-
sobre:: obras célebre... ( ) ter oportu- tunidade de conhecer belos museus.
nidade de ver lá e::: e::: examiná ... dá D) O jovem estudante de arquitetura, conta
assim uma sensação uma emoção até::: que passou uma semana em Paris e que
indescritível purque::... é completamen- lá foi mais ou menos quatro vezes ao
te é é indescritível... entendeu?... eu fui Louvre. Durante esse período foi quase
também a a ao Museu do Prado... fui quatro vezes ao Louvre. O estudante de
algumas vezes no Museu do Prado em:: arquitetura relata que é indescritível a
em:: em:: na capital da Espanha... lá sua experiência no Louvre. A experi-
em:: Madri... e:: na Itália também tive ência de ver e examinar obras célebres
oportunidade de conhecê bonitos mu- que costumava ver somente em livros e
seu... principalmente em Florença... álbuns. O estudante conta que também
Entrevista com o estudante de arquitetu- esteve na Espanha, onde visitou bonitos
ra Fernando, de 25 anos, natural de Porto museus como o museus do Prado e na
Alegre. Itália também teve a oportunidade de
conhecer.
A) Eu passei apenas uma semana em Paris,
mas acho que fui umas quatro vezes ao
Louvre porque realmente o que gente Gabarito
vê no Louvre é indescritível. É aquilo Questão para re exão
que a gente está acostumado a ver nos Sugestão de resposta:
livros e álbuns: obras célebres. A gente
O entrevistado, senhor Julio Moreira, declara que não
tem a oportunidade de ver e examinar. gostou da mudança de local da estátua do Laçador. O
É completamente indescritível. Eu fui porteiro lembra que estava acostumado com a mesma
também algumas vezes ao museu do durante anos naquele local, bem na entrada da cida-
de. Ao sair em viagem para sua terra natal, sempre a
Padro, em Madri, capital da Espanha, e admirava. Porém, agora terá de acostumar-se à nova
na Itália tive a oportunidade de conhe- paisagem.
cer museus bonitos como em Florença.
B) O jovem estudante de arquitetura diz: Autoavaliação
“passei apenas uma semana em Paris, 1-C
mas fui quatro vezes ao Louvre porque 2-C
realmente o que se vê no lá é indescrití- 3-C
vel. É aquilo que estamos acostumado a
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RESUMO E RESENHA
Nas situações mais variadas da vida, a nossa capacidade
para resumir é exigida e testada à revelia da nossa vontade
de ver como isso acontece!
Débora Mutter
Maria Alice da Silva Braga

Nossa meta neste capítulo é entender a importân-


cia do resumo para inúmeras circunstâncias profissio-
nais. Para tanto, estabelecemos a diferença entre resu-
mo e resenha, compreendendo a função e a finalidade
de cada um, bem como as técnicas de produção destes
dois tipos de texto.

Por que é importante


saber resumir?
A importância da síntese
O poder de síntese sempre foi considerado
uma virtude, além de ser, em muitos casos, uma
necessidade. Entretanto, na era da tecnologia
da informação, sua utilidade se faz ainda mais
visível. As inúmeras situações vivenciadas que
necessitamos transmitir cabem somente em uma
forma reduzida, ou melhor, resumida. Um de-
terminado assunto ganha inúmeras versões e en-

Entramos em contato com formas textuais re-


sumidas sem pensar que elas são o produto
de um processo relativamente complexo.

Arquivo
foques, dos quais tomamos conhecimento quase
sem perceber, mesmo quando os buscamos du-
rante uma pesquisa. Assim, é fundamental para são as formas textuais adequadas.
as atividades intelectuais o perfeito domínio das Podemos afirmar, com segurança, que todas
modalidades textuais próprias ao ato de resumir. elas são sínteses de conteúdos mais extensos,
que se caracterizam por resguardar alto grau de
Quais as modalidades textuais pró- fidelidade com o original a que se referem. Tais
conteúdos podem ser livros, artigos, ensaios,
prias para resumir?
filmes, peças teatrais, espetáculos e até mesmo
O resumo, a resenha e a recensão são as três uma obra de arte.
modalidades textuais mais representativas. Cada Continuamente, entramos em contato com
uma ao seu modo, atendendo a diversas finalida- resumos, resenhas e recensões sem perceber. Ao
des acadêmicas e/ou simplesmente expressivas abrir um jornal, ou uma revista científica ou de

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lazer, entramos em contato com formas textuais resumidas sem pensar que elas são o produto de um
processo relativamente complexo.
Há um elo radical que as vincula ao resumo. É em razão disso que precisamos primeiro ter uma
ideia clara sobre a noção de resumo, para depois, a partir daí, considerar as derivações para as outras
duas formas que nos interessam: a resenha e a recensão.

O que é um resumo?
Basicamente, um resumo é apresentação de trabalho –, adotamos uma postura de narrador
abreviada do conteúdo de um texto, de um livro, do evento. Como nunca será possível relatar os
de um filme, de uma peça teatral, de uma obra de fatos num espaço de tempo igual ao dos eventos,
arte ou ainda de um acontecimento real. necessitamos do resumo. Seremos o narrador do
Na eventualidade de necessitarmos resumir evento na sua forma resumida. Junto a isso, preci-
um acontecimento que presenciamos ou do qual samos também adotar uma postura com relação ao
fomos protagonistas – circunstância prevista tanto conteúdo resumido. Segundo Reis*:
no cotidiano como em depoimentos, em relatórios

O resumo implica, da parte do narrador, um comportamento completamente distinto: acentu-


ando a sua distância em relação aos eventos, o narrador opta por uma atitude redutora que,
sendo favorecida pela onisciência em princípio própria de tais situações e pelo fato de se referir
a eventos passados que supostamente conhece, permite-lhe selecionar os fatos que entende rele-
vantes e abreviar os que julga menos importantes.

Fonte 24 -Dicionário de narratologia

Veja o exemplo a seguir homem que está prestes a se casar. Porém, o


relato acima, sendo um resumo da realidade,
é também um texto passível de ser resumido.
No dia do casamento, Martham des-
pertou por volta das 5h e fez o desje-
jum às 7h 30min. Até o horário do
Resumo de textos
almoço, experimentou a roupa para Um texto já é por si mesmo a elaboração
a cerimônia duas vezes. Ficou um resumida de um conhecimento ou de uma refle-
longo tempo diante do espelho ob-
xão sobre algo da realidade. Isso quer dizer que,
servando aquele noivo com olhar de
horizonte. Durante a tarde, atendeu quando resumimos um texto, precisamos respei-
ao telefone várias vezes. Em uma das tar o percurso realizado pelo autor, pois esse tra-
chamadas, falou com o pai, na ou- jeto representa a sua forma de pensar e de enten-
tra, com a noiva. Em ambas sorriu e der a realidade à qual se refere.
gesticulou muito. Às 17h, estava im-
pecável vestido de noivo. Dispensou
o motorista. Disse que iria de moto.
Às 18h e 50min o padre avisou aos
familiares da noiva que não poderia
mais esperar, pois a próxima ceri-
mônia seria às 19h.
QUADRO EXPLICATIVO:
Tecnicamente, o resumo é a
exposição sucinta das ideias
Observe que o período do acontecimento é principais de um texto – e de
de um dia inteiro e envolve várias ações observa- seu autor –, sem a inclusão de
das e reunidas na forma descritiva pelo autor, ou juízos.
seja, do resumo de um dia inteiro na vida de um

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Como podemos deduzir, a escolha das ideias Segundo Martins (2002), a ABT – B 88 pre-
principais exige a seleção de aspectos principais vê dois tipos de resumo:
por parte do autor do resumo. Assim, temos a se- • Indicativo: apresenta apenas os pontos
gunda característica do resumo, ou seja, ele nun- principais do texto, sem dados qualita-
ca é elaborado pelo próprio autor do original*. tivos ou quantitativos. É comum em ca-
Para Cunha, “resumir não significa recortar tálogos de editoras e bibliotecas ou em
frases ou partes de frases do texto original. Resu- fichas de pesquisa.
mir é reescrever o texto com as próprias palavras, • Informativo ou crítico: informa o leitor
destacando o que realmente é essencial. Portan- de forma mais global sobre o texto ori-
to, para resumir um texto é preciso compreendê- ginal. É frequente em comentários para
lo como um todo.” 2 estudos acadêmicos e resenhas críticas
de revistas e jornais.
Para ambos os modelos, a técnica de resumir
é a mesma, o que muda é a forma na exposição
do resultado.

Casca de banana
Está para nascer o sujeito que consegue mulher e até uma casa para a família.
se olhar no espelho e admitir: “Sou um mala”. Parece bem óbvia a mensagem por trás
O doloroso diagnóstico da própria inconveni- desta glorificação do gesto de honestidade:
ência, além de uma boa dose de autocrítica, reforça-se positivamente, com prêmios e até
exige o complexo exercício de olhar-se de fora elogios do presidente da República, o compor-
e imaginar o impacto das próprias ações sobre tamento que se deseja incentivar. O curioso
os outros. nessas fábulas morais que aparecem nos jor-
Com conceitos mais sofisticados, mas re- nais é que o herói é sempre o pobre, o desem-
lativamente subjetivos, como ética, acontece pregado, aquele sujeito que, intimamente, nos
mais ou menos a mesma coisa. Ninguém – es- parece compreensível que pegue o dinheiro do
pera-se – chega em uma roda de amigos e con- jogador de golfe ou do turista estrangeiro.
fessa: “Cuido de mim, e o resto que se vire”. Mas, como bem nos lembrou o deputado
Mas o “cuido de mim”, todo mundo sabe, é recém-eleito Clodovil, todo homem tem seu
mais a regra do que a exceção. preço – nós também. Talvez seja um pouco
Uma dessas exceções que esfregam a re- mais do que um ano de gás de cozinha, é ver-
gra na nossa cara ganhou destaque esta sema- dade, ou pode, inclusive, não ter nada a ver
na. A história é parecida com outras tantas que com dinheiro. O ponto é que somos expostos
a gente lê no jornal de vez em quando: sujeito a decisões morais o tempo todo. (...). Ética
pobre, o ex-vigilante Márcio José Ramos en- não é uma palavra bonita para usar em tempo
contra em um campo de golfe um pacote de de eleição contra os políticos que a gente não
dinheiro, US$ 6 mil, e devolve ao dono. Ano gosta. Ética reafirma-se periodicamente dian-
passado, um faxineiro do aeroporto de Brasília te de situações cotidianas imprevistas.
que encontrou US$ 10 mil e os devolveu foi Como lembrou o juiz Leoberto Brancher
recebido como herói pelo presidente Lula no em uma entrevista esta semana, hoje em dia
Palácio do Planalto. O Márcio ainda não foi não se ensina mais as crianças a juntar a cas-
chamado a Brasília, mas também está sendo ca de banana para que outro não escorregue.
tratado como herói pela comunidade: ganhou Talvez estejamos chegando ao ponto em que
curso profissionalizante, um ano de gás de juntar a casca de banana no chão mereça me-
cozinha, bônus em compras, emprego para a dalha de honra ao mérito.
Fonte: Laitano, C. Casca de banana. Zero Hora, Porto
Alegre, 14 out. 2006.
* As espécies de resumos elaborados pelo próprio autor são de outra monogra as, dissertações e teses) e a sinopse (apresentação concisa
natureza e suas formas privilegiadas são o abstract (redigido em lín- que acompanha um texto, redigida pelo próprio autor ou pelo editor).
gua estrangeira, atende a exigências de trabalhos cientí cos como Ambos procuram enfatizar aspectos importantes do conteúdo.
2
CUNHA, S. F. F. et al. Tecendo textos. Canoas: Ulbra, 1997.

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Observe agora as etapas para a devolve ao dono. Ano passado, um faxinei-


realização do resumo: ro do aeroporto de Brasília que encontrou
US$ 10 mil e os devolveu foi recebido como
1°) Realizamos uma detida leitura, identifi- herói pelo presidente Lula no Palácio do
cando o tema e o objetivo geral do artigo. Planalto. O Márcio ainda não foi chamado
a Brasília, mas também está sendo tratado
Tema: A ética e a honestidade
como herói pela comunidade: ganhou cur-
Objetivo: Mostrar que ambas são virtudes so profissionalizante, um ano de gás de co-
cada vez mais raras no ser humano. zinha, bônus em compras, emprego para a
2°) Identificamos a ideia principal de cada mulher e até uma casa para a família.
parágrafo como segue:

Há exceções, e dois episódios


1
recentes de honestidade – de-
Está para nascer o sujeito que conse- volução de dinheiro perdido,
gue se olhar no espelho e admitir: “Sou um encontrado e devolvido ao dono
mala”. O doloroso diagnóstico da própria – foram premiados pelas autori-
inconveniência, além de uma boa dose de dades.
autocrítica, exige o complexo exercício de
olhar-se de fora e imaginar o impacto das
próprias ações sobre os outros. 4
Parece bem óbvia a mensagem por trás
É difícil fazermos autocríticas. desta glorificação do gesto de honestidade:
reforça-se positivamente, com prêmios e
2 até elogios do presidente da República, o
Com conceitos mais sofisticados, mas comportamento que se deseja incentivar. O
relativamente subjetivos, como ética, acon- curioso nessas fábulas morais que aparecem
tece mais ou menos a mesma coisa. Nin- nos jornais é que o herói é sempre o pobre,
guém – espera-se – chega em uma roda de o desempregado, aquele sujeito que, intima-
amigos e confessa: “Cuido de mim, e o resto mente, nos parece compreensível que pegue
que se vire”. Mas o “cuido de mim”, todo o dinheiro do jogador de golfe ou do turista
mundo sabe, é mais a regra do que a exce- estrangeiro.
ção.

Ninguém confessa publicamen- A elevação dos protagonistas ao


te seus defeitos éticos e morais, nível de heróis nacionais tem um
embora seja a regra. certo didatismo.
3 5
Uma dessas exceções que esfregam a Mas, como bem nos lembrou o depu-
regra na nossa cara ganhou destaque esta tado recém-eleito Clodovil, todo homem
semana. A história é parecida com outras tem seu preço – nós também. Talvez seja
tantas que a gente lê no jornal de vez em um pouco mais do que um ano de gás de
quando: sujeito pobre, o ex-vigilante Már- cozinha, é verdade, ou pode, inclusive, não
cio José Ramos encontra em um campo de ter nada a ver com dinheiro. O ponto é que
golfe um pacote de dinheiro, US$ 6 mil, e somos expostos a decisões morais o tem-

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4. A elevação dos protagonistas ao nível


po todo. E quem não se pergunta, cotidia- de heróis nacionais tem um certo dida-
namente, se está sendo justo e correto está tismo.
fadado a atropelar a ética – no prédio onde
mora, no trânsito, no escritório. Ética não é 5. Todos nós, se não estivermos continu-
uma palavra bonita para usar em tempo de amente nos questionando sobre nosso
eleição contra os políticos que a gente não comportamento, estaremos sujeitos a
gosta. Ética reafirma-se periodicamente atropelar a ética.
diante de situações cotidianas imprevistas. 6. Estamos piorando e poderemos chegar
ao ponto em que juntar casca de banana
mereça medalha de honra ao mérito.
Todos nós, se não estivermos Depois de observadas essas três etapas, veja
continuamente nos questionan- como seria um resumo indicativo do texto Cas-
do sobre nosso comportamento, ca de banana.
estaremos sujeitos a atropelar a
ética.
Cláudia Laitano, no artigo Casca de
6 banana, afirma que é difícil fazermos au-
tocríticas. Embora seja a regra, ninguém
Como lembrou o juiz Leoberto Bran- confessa publicamente seus defeitos mo-
cher em uma entrevista esta semana, hoje rais. Por isso, todos nós precisamos nos
em dia não se ensina mais as crianças a questionar continuamente sobre nosso
juntar a casca de banana para que outro não comportamento ético. Contudo, parece
escorregue. Talvez estejamos chegando ao que a situação geral tem piorado. (Estatís-
ponto em que juntar a casca de banana no tica: 36 palavras)
chão mereça medalha de honra ao mérito.

Veja agora como se configuraria um resumo


Estamos piorando e poderemos informativo do mesmo texto.
chegar ao ponto em que juntar
casca de banana mereça meda- Cláudia Laitano, no artigo Casca de
lha de honra ao mérito banana, afirma que é difícil fazermos au-
tocríticas. Embora seja a regra, ninguém
confessa publicamente seus defeitos mo-
3°) Tomamos as ideias principais de cada pará- rais. Dois episódios de honestidade – de-
grafo e as articulamos em um texto coeso e coerente: volução de dinheiro perdido, encontrado e
1. É difícil fazermos autocríticas. devolvido ao dono – foram premiados pe-
las autoridades. É possível constatar que
2. Ninguém confessa a elevação dos protagonistas ao nível de
publicamente seus heróis nacionais tem um cunho didático.
defeitos éticos e mo- A verdade é que, todos nós, se não es-
rais, embora seja a tivermos continuamente nos questionan-
regra. do sobre nosso comportamento, estamos
3. Há exceções, e dois sujeitos a atropelar a ética. Entretanto,
episódios recentes parece que a situação geral tem piorado,
de honestidade – devolução de dinhei- e talvez estejamos chegando ao ponto em
ro perdido, encontrado e devolvido ao que juntar casca de banana mereça me-
dono – foram premiados pelas autori- dalha de honra ao mérito. (Estatística: 93
dades. palavras)

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Características gerais do resumo E quais os objetivos de uma resenha?


Todo resumo deve informar as referências O objetivo da resenha é divulgar objetos de
bibliográficas do texto original (autor, título, edi- consumo cultural – livros, filmes, peças de teatro
tora, ano). etc. Por isso, a resenha é um texto de caráter efê-
mero, pois “envelhece” rapidamente, muito mais
Quanto à estrutura, o resumo deve apresen-
que outros textos de natureza opinativa.
tar introdução, desenvolvimento e conclusão.
Vale dizer, deve ter autonomia, podendo ser en- Quais as partes que compõem uma resenha?
tendido na sua essência com relação ao conteúdo A resenha é composta por:
do original. • título;
Quanto à extensão, recomendamos que seja • referência bibliográfica da obra;
proporcional ao texto que o originou. Para notas,
artigos breves ou comunicações pode ter até 100 • dados bibliográficos do autor da obra
palavras; para monografias e artigos científicos resenhada;
pode ter até 250 palavras; para relatórios, teses e • resumo, ou síntese do conteúdo;
livros pode ter até 500 palavras.
• avaliação crítica.
O que é resenha? Agora observe a resenha de Gilberto Scarton
sobre o livro Língua e liberdade: por uma nova
É uma apreciação subjetiva sobre um concepção da língua materna e seu ensino.
texto, um objeto, uma peça teatral, um fil-
me, um disco, etc. Ao elaborá-la, é neces-
sário dar atenção à temática, à mensagem Um gramático contra a gramática
e ao objetivo da resenha. Devido à sua ca-
racterística descritiva e subjetiva, é preciso Língua e Liberdade: por uma nova
cuidar para não torná-la por demais longa concepção da língua materna e seu ensino
e exaustiva. É importante ter em mente (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramáti-
o público e a finalidade da resenha, que co Celso Pedro Luft traz um conjunto de
pode ser descritiva ou crítica. Somente na ideias que subverte a ordem estabelecida
resenha crítica o resenhista fará aprecia- no ensino da língua materna, por comba-
ções, julgamentos, comentários e juízos ter, veemente, o ensino da gramática em
sobre o assunto. sala de aula.
Resenha: do latim resignare, “lançar um rol, Nos seis pequenos capítulos que inte-
tomar nota”; em inglês, review. Designa todo gram a obra, o gramático bate, intencio-
escrito destinado a informar acerca do con- nalmente, sempre na mesma tecla – uma
teúdo de uma obra via de regra publicada em
variação sobre o mesmo tema: a maneira
jornal, não dispensa o julgamento crítico, ain-
da que implícito ou em plano secundário. Bre- tradicional e errada de ensinar a língua
ve e informativa, traduz as reações imediatas materna, as noções falsas de língua e gra-
do autor. mática, a obsessão gramaticalista, inutili-
dade do ensino da teoria gramatical, a vi-
Recomendamos que, ao resenhar são distorcida de que se ensinar a língua é
um texto, o leitor proceda da mesma for- se ensinar a escrever certo, o esquecimento
ma com o texto-base como num resumo. a que se relega a prática linguística, a pos-
Resenha, então, é um texto que, além de tura prescritiva, purista e alienada – tão
resumir o objeto, faz uma avaliação sobre comum nas “aulas de português”.
ele, uma crítica, apontando os aspectos
positivos e negativos. Trata-se, portanto, O velho pesquisador apaixonado pe-
de um texto de informação e de opinião, los problemas da língua, teórico de espírito
também denominado de recensão crítica.

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lúcido e de larga formação linguística e estudiosos levaram anos para decifrar. Ao


professor de longa experiência leva o leitor invés de se dedicar aos estudos, no entan-
a discernir com rigor gramática e comuni- to, prefere ficar brigando e bebendo com
cação: gramática natural e gramática arti- seus amigos de infância desperdiçando
ficial; gramática tradicional e linguística; seu talento. Em uma de suas confusões ele
o relativismo e o absolutismo gramatical; é preso.
o saber dos falantes e o saber dos gramáti- Depois de conseguir a liberdade, o
cos, dos linguistas, dos professores; o en-
rebelde deve frequentar sessões de psico-
sino útil, do ensino inútil; o essencial, do
terapia. Ao passar por diversos psicólogos,
irrelevante. ele conhece um psiquiatra diferente que o
[...] fará analisar seu comportamento e ques-
tionará seus valores, auxiliando-o em suas
Embora Língua e Liberdade, do
escolhas. Durante o processo terapêutico,
professor Celso Pedro Luft não seja tão
original quanto pareça ser para o grande ele acaba se envolvendo com uma garota,
que estuda medicina em uma universida-
público (pois as mesmas concepções apa-
de de sua cidade; a menina deixa o jovem
recem em muitos teóricos ao longo da his-
tória), tem o mérito de reunir, numa mes- mais confuso.
ma obra, convincente fundamentação que O filme descreve com intensa sensi-
lhe sustenta a tese e atenua o choque que bilidade os conflitos psicológicos caracte-
os leitores – vítimas do ensino tradicional rísticos de jovens e a postura defensiva que
– e os professores de português – teóricos, assumimos diante dos dramas da vida. Por
gramatiqueiros, puristas – têm ao se depa- outro lado, revela em passagens comoven-
rarem com uma obra de um autor de gra- tes a importância da troca de experiências
máticas que escreve contra a gramática na entre pessoas que anseiam por encontrar o
sala de aula. real sentido da vida.
Percebe-se também que o autor quer
mostrar as dificuldades passadas por um
Fonte 25 - Scarton
jovem em busca de um sentido para a sua
atribulada existência.
O filme mostra a dificuldade que pes-
Podemos perceber, pelas palavras do rese-
soas com habilidades diferentes têm em
nhista, professor de Língua Portuguesa, Gilberto
manter relacionamentos e se relacionar
Scarton, que o autor da obra focalizada, Celso
com outras pessoas. Um ótimo drama que
Pedro Luft, destaca um conjunto de ideias que
no final mostra o quão importante uma
subverte a ordem estabelecida no ensino da lín-
amizade verdadeira pode ter em nossa
gua materna, por combater, veemente, o ensino
vida.
da gramática em sala de aula. Fonte 26 - Jornal Zero Hora
Agora leia a resenha de Guilherme Gees-
dorf sobre o filme norte-americano Gênio indo- Nessa resenha, o crítico expõe ao leitor um
mável. breve resumo do filme, bem como uma apre-
ciação crítica, em especial a partir do terceiro
parágrafo, quando comenta a problemática dos
Gênio indomável conta a história de conflitos psicológicos vividos pelos jovens e, do
um jovem órfão, faxineiro de uma uni- mesmo modo, critica a atitude defensiva que nós
versidade americana. Sem nunca ter fre- temos diante dos dramas da vida.
quentado uma universidade, ele resolve Outro exemplo ilustra esta modalidade de
complexos problemas matemáticos que escrita, a resenha. Leia um fragmento da resenha

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crítica de Fernando Mascarello1 sobre o longa Cão

U
sem dono, dos paulistas Beto Brant e Renato Cias- ma breve análise de cada um dos
ca, com várias locações na cidade de Porto Alegre. atributos citados de Cão sem
Opções narrativas e relação com a identida- Dono pode sugerir pontos a se-
de local ajudam a explicar o impacto do filme rem enfrentados nesse autoquestionamen-
Cão sem dono. to. Comecemos pela relação do especta-
dor de Porto Alegre com a cultura local
reconstruída na tela: de uma intensidade
nunca antes vista, ela é fruto de aspectos
Porto Alegre nua e crua tanto da esfera do conteúdo quanto da for-

O
impacto de Cão sem Dono sobre ma do filme. Por um lado, se é verdade
o cinema local poderá ser admiti- que o campo temático da obra - os efeitos
do menos ou mais explicitamente do romance entre os jovens Ciro e Marce-
por nossos realizadores, mas já é um fato. la (Júlio Andrade e Tainá Muller) sobre o
Ele decorre, a meu ver, de três atributos desapego existencial do primeiro - situa-
centrais do filme. Primeiramente, dentre se em terreno universal, próprio de uma
as obras em 35mm já produzidas no Esta- geração de classe média pós-industrial e
do, é a que oportuniza ao espectador nati- transnacional, observe-se que os persona-
vo a relação cinematográfica mais densa e gens vivenciam seu drama nitidamente in-
fecunda com a identidade cultural porto- fluenciados por um contexto cultural local
alegrense. Em segundo lugar, a metodolo- que lhes fornece cor e substrato.
gia de produção implementada por Brant [...]
e Ciasca subverte frontalmente a cultivada
Concluindo, gostaria de ressaltar:
pelo longa-metragem gaúcho do período
não postulo, sequer insinuo, que o cine-
pós-Collor, ao deslocar as prioridades
ma gaúcho deva, em regime permanente,
desde os aspectos produtivos para os ar-
tematizar a cultura e a identidade locais,
tísticos, com a obtenção de resultados de
dispensar valores de produção e qualidade
modo geral bastante superiores. A terceira
técnica em prol da criação ou transportar-
estimulante qualidade de Cão sem Dono,
se ao domínio do filme de arte. Antes,
por fim, é sua franca adesão ao formato do
refletir sobre esses pontos me parece um
cinema de arte, recuperando uma vertente
caminho nada desprezível - em muito fa-
de há muito preterida pelos cineastas lo-
cilitado pela aparição de Cão sem Dono.
cais, tão bem ensaiada na fase superoitista
Romantizando, quisera o cenário político-
de Deu Pra Ti Anos 70 (Nelson Nadotti
cultural franqueasse a manifestação das
e Giba Assis Brasil, 1981). Esse conjunto
mais diferentes tendências estéticas em
de elementos, penso eu, poderia induzir o
nosso cinema. Entre outras diversida-
cinema gaúcho a repensar seu atual qua-
des, seria bem-vinda a multiplicidade de
dro de impasse estético e mercadológico,
abordagens ao tema da identidade local -
evidente no naufrágio de crítica e público
afirmativas, renovadoras e contestatórias
de filmes como Noite de São João (Sérgio
-, em oposição aos projetos dirigistas ou
Silva, 2003), Sal de Prata (Gerbase, 2005)
hegemônicos de cunho regionalista, anti-
e Diário de um Novo Mundo (Paulo Nas-
localista etc. Se uma fórmula cultural deve
cimento, 2005).
ser buscada, certamente é a pluralista.

1
Fernando Mascarello é doutor em Cinema pela Universidade
de São Paulo, coordenador do curso de especialização em Observamos um relato claro e bem cuidado
Cinema da Unisinos e organizador do livro História do cinema
mundial. sobre o filme Cão sem dono. O crítico analisa
toda a produção cinematográfica, desde o roteiro
até as locações, passando pela atuação dos atores

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e do diretor. Ele refere que o longa dá uma visibi- se em torno de um mesmo assunto. A recensão
lidade esporádica, mas intensa de nosso cenário distingue-se da resenha pela maior extensão, por
urbano, exibindo um caráter realista poucas ve- uma relativa objetividade no exame dos pro-
zes alcançado no cinema brasileiro. Mostra que blemas e pelo suporte documental: minuciosa,
a produção valoriza as marcas identitárias porto- analítica, pressupõe um rigor que apenas tem
alegrenses articuladas no filme, sem incidir em guarida nas dimensões de uma revista. Não raro,
qualquer tipo de regionalismo. certas recensões tornam-se artigos ou ensaios
importantes, tanto quanto as obras analisadas.
Sob essa perspectiva, a recensão constitui-se
A recensão constitui-se na avaliação crítica de mais de uma obra, tendo,
na avaliação crítica de pois, como base a comparação entre as obras
mais de uma obra, tendo, envolvidas.
pois, como base a com-
paração entre as obras Como podemos constatar a fronteira entre as
envolvidas. três modalidades é relativamente tênue. Por essa
razão, aquele que pretende escrever intencional-
mente em uma das modalidades deve observar as

O que é uma recensão? diferenças fundamentais, quais sejam: o resumo


e a recensão não devem expressar juízo de valor.
A Recensão estrutura-se no sentido de es- Das três modalidades, a recensão é a única que
tabelecer, por comparação, o texto original. articula mais de uma obra.
Constituída de apreciações breves resultantes da
comparação entre, pelo menos, duas obras, a re-
censão é muito usada em pesquisas acadêmicas.
Nesses casos, a relação entre as obras justifica-

A palavra “recensão” deriva do latim (recensione = revisão) e designa o


exame completo dos vários manuscritos de uma obra (data, variantes,
rasuras etc.).

Agora que estudamos o resu-


mo e a resenha, fica mais fácil
entender a importância dos
níveis e funções da linguagem,
da coesão e da coerência, do
parágrafo-padrão, que nos ha-
bilita para o resumo. A partir de
agora, vamos rever alguns tópi-
cos de concordância verbal e
nominal, pois a variação culta da
língua, por não ser uma carac-
terística na oralidade, exige uma
constante retomada de algumas
regras da norma padrão que
são exigidas pela escrita.

Arquivo 64
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Atividade 2. A função de uma resenha é:

Assista ao filme Escritores da Liberdade, A) expor o que o autor expressou de uma for-
disponível em DVD nas locadoras, e redija uma ma mais extensa;
resenha sobre o mesmo. B) elaborar um único texto contendo a síntese
de mais de uma obra;

Referência C) resumir uma obra e manifestar uma opi-


nião pessoal sobre o conteúdo ou sobre a in-
Comentada formação do texto original;
D) avaliar o texto-base ou mesmo o objeto
FARACO, Carlos Alberto. Prática de tex- alvo.
to. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.
O livro aborda a produção de textos, priori-
3. Na resenha, é necessário ter:
zando a utilização da língua padrão no universo
das linguagens sociais. Aproveita contribuições A) apenas atenção à temática;
da Teoria do Texto e do Discurso, oferecendo B) atenção à temática e a mensagem;
exercícios elaborados a partir de diferentes tipos
de textos. C) somente atenção à temática e ao objetivo;
D) atenção à temática, à mensagem e ao ob-
jetivo.
Referências
Bibliográ cas Gabarito
Referências Questão para re exão
CUNHA, S. F. da et al. Tecendo textos. Ca- Sugestão de resposta:
noas: Ed. da Ulbra, 2000. O lme Escritores da Liberdade aborda o desa o da edu-
cação em um contexto social problemático e violento. Tal
KOFFMAN, S. Resumir. Interpretar. Rio de lme se inicia com uma jovem professora, Erin (interpre-
Janeiro: PUC-RJ, 1975. tada por Hilary Swank), que entra como novata em uma
instituição de “ensino médio”, a m de lecionar Língua
Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes

Autoavaliação
considerados “turbulentos”, inclusive envolvidos com
gangues.
Nesse sentido, o lme “Escritores da liberdade” mere-
1. O ato de resumir implica: ce ser visto como apreço, sobretudo pela sua ênfase no
papel da educação como mecanismo de transformações
A) expor, de forma prolixa, o que o autor ex- individuais e comunitárias. Com essas considerações,
vê-se que a educação, como já ressaltaram grandes
pressou de uma forma mais extensa;
educadores da estirpe de Paulo Freire, tem um papel in-
B) elaborar um único texto contendo a síntese dispensável no implemento de novas realidades sociais,
a partir da conscientização de cada ser humano como
de mais de uma obra; artí ce de possíveis avanços em sua própria vida e, prin-
cipalmente, em sua comunidade.
C) manifestar uma opinião pessoal sobre o
conteúdo ou sobre a informação do texto ori-
ginal; Autoavaliação
1-D
D) expor concisamente o que o autor expres-
sou de uma forma mais extensa; 2-C
3-D

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CONCORDÂNCIA
VERBAL E NOMINAL
A vida impõe-nos as concordâncias. Assim, no discurso es-
crito também devemos observar as concordâncias entre os
termos na oração.
Daniela Duarte Ilhesca
Maria Alice da Silva Braga

Nosso objetivo, neste capítulo, é estudar a


Concordância verbal, quando o verbo se flexio-
na com o seu sujeito, e a Concordância nomi-
nal, quando o artigo, o adjetivo, o pronome ou
o numeral se flexionam para concordar com o
substantivo ao qual se referem.

É importante concordar verbos


e nomes no texto?
Neste capítulo, temos a oportunidade de rever duas questões gramaticais muito importantes, a
concordância verbal e a nominal, que estão presentes em todos os textos, tanto orais quanto escritos,
que produzimos.

O que é concordância
verbal?
Observe a ilustração.
Na charge apresentada, na oração “Admite-
se faxineiros c/ experiência”, percebemos que
há um problema gramatical, pois o verbo admitir
está no singular, contrariando uma regra funda-
mental da concordância verbal. O substantivo fa-
xineiros, relacionado ao verbo admitir (é o seu
sujeito), está no plural, o que torna inadequada
na frase a concordância com esse verbo. De acor-
A identificação do sujeito no texto é premissa básica
para a adequação do verbo ao contexto textual, dei-
xando-o no singular ou no plural. Para encontrar o
sujeito, perguntamos ao verbo: que ou quem é que?

do com a norma padrão, o correto seria utilizar-


mos nessa oração “admitem-se”.

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É usual escutarmos as pessoas, ao nosso especiais de concordância, como veremos mais


redor, falando: “Falta lugares”, “Vende-se terre- adiante.
nos”, “Chegou as encomendas”, esses são erros
Observe o texto Bonecas do mundo, que
comuns na fala, mas que atrapalham a fluência apresenta vários exemplos de concordância ver-
do texto na escrita.
bal bem empregada. Os verbos estão destacados
Além disso, caso não haja sujeito na frase, em negrito, e os respectivos sujeitos estão subli-
isto é, se não conseguirmos responder à pergunta nhados, o que permite identificar mais claramen-
anterior, o verbo fica subordinado a outros casos te a correta correlação entre ambos.

Bonecas do mundo Pela primeira vez, elas estão acessíveis


ao público. A exposição Bonecas do Mun-
O porto-alegrense Paulo Gick, 59 do: folclore e tradição dos cinco continentes
anos, sempre gostou da diversidade dos pode ser conferida no Museu de Venâncio
povos. Um dia, na década de 60, achou Aires, no Vale do Rio Pardo, onde estão 238
que não precisava visitar todos os países peças de cerca de 60 países.
para conhecer a cultura de cada um. De Com a coleção, Gick conseguiu ir além
uma maneira inusitada e divertida, deu do conhecimento adquirido em viagens de
um jeito na sua curiosidade: passou a co- estudo ou livros de pesquisa. Com o primeiro
lecionar bonecas. salário, comprou uma peça.
Fonte 27 - Jornal Zero Hora

No texto escrito com o sujeito no singular ou estabelecimento da concordância de acordo com


no plural, anteposto ou posposto ao verbo, fica as regras da gramática normativa. No quadro a
muito mais fácil identificá-lo e fazer a concor- seguir, transcrevemos os sujeitos e os verbos do
dância verbal adequada. Porém, seja como for, texto Bonecas do mundo, para melhor visuali-
ao usarmos a linguagem padrão é fundamental o zação.

Sujeito Verbo

O Porto Alegrense Paulo Gick gostou, achou, precisava, deu

Elas (bonecas) estão

A exposição Bonecas do Mundo: pode


folclore e tradição dos cinco conti-
nentes

238 peças de cerca de 60 países estão

Gick conseguiu, comprou

A partir de agora, vamos conhecer um pouco mais sobre as outras regras


de concordância verbal.
LEMBRETE:
A REGRA GERAL de concordância verbal estabelece que o verbo
concorda com o sujeito em número e pessoa.
Exemplos:
A menina e o menino chegaram atrasados na escola.
Tu estás atrasado.

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REGRA SITUAÇÃO DO VERBO EXEMPLOS


1. Sujeito composto e anteposto Verbo no PLURAL. O menino e a menina brincavam no playground.
ao verbo

2. Sujeito composto e posposto Pode haver dupla concordância: a)Chegaram a menina e o menino.
ao verbo a)SINGULAR (com o primeiro elemento). b)Chegou a menina e o menino.
b)PLURAL (com todos os elementos).

3. Sujeito coletivo Verbo fica no SINGULAR. A turma gritava na rua.

4. Sujeito coletivo determinado a) Verbo no SINGULAR (concordando com o coletivo). a) A turma de estudantes gritava no prédio.
b) Verbo no PLURAL (coletivo acompanhado de substantivo no b) A turma de estudantes gritavam no prédio.
plural).

5. Sujeito representado pelo Verbo concorda em número e pessoa com o ANTECEDENTE Foram os moradores que reclamaram das crian-
pronome QUE DO PRONOME RELATIVO. ças.

6. Sujeito representado pelo Verbo concorda na 3ª PESSOA DO SINGULAR. (concordância Foram os moradores quem reclamou das crianças.
pronome QUEM mais rigorosa). *Foram os moradores QUEM reclamaram das
* Forma menos usual. crianças.

7. Sujeito resumido por um Verbo no SINGULAR. Gritos, risadas, brincadeiras, tudo irritava os vi-
pronome indefinido (TUDO, zinhos.
NADA, NINGUÉM etc.)

8. Sujeito composto com O verbo vai para o PLURAL e concorda com a menor pessoa. As crianças e eu brigamos com as vizinhas.
pronomes pessoais de pessoas As crianças e tu brigaram com as vizinhas.
diferentes

9. Sujeito representado por um Verbo na 3ª PESSOA DO SINGULAR. Vossa Eminência participará da festa?
pronome de tratamento

10. Verbo HAVER (impessoal) Verbo HAVER, indicando existência: 3ª PESSOA DO SINGU- Há (existir) muitas crianças na rua.
LAR. * Deve haver muitas crianças na rua.
* Em uma locução verbal com o verbo HAVER, o auxiliar assume Existem crianças na rua.
as características da impessoalidade (3ª pessoa do singular).
O verbo EXISTIR aceita o PLURAL.

11. Verbo FAZER (impessoal) Verbo na 3ª PESSOA DO SINGULAR. Faz muitos anos que moramos no prédio.
– indicando tempo decorrido ou *Em uma LOCUÇÃO VERBAL com o verbo FAZER, o auxiliar Faz verões terríveis aqui no prédio.
fenômeno da natureza assume as características da impessoalidade (3ª pessoa do * Deve fazer muitos anos que moramos no prédio.
singular)

12. Verbos DAR, BATER, Quando o sujeito não está anteposto, os verbos concordam com o Deram quatro horas.
SOAR NÚMERO QUE INDICA AS HORAS. ou
O relógio (sujeito) deu 4 horas.

13. Verbo SER O verbo SER concorda com o PREDICATIVO: a) O complicado são os problemas.
a) quando o SUJEITO for NOME DE COISA; b) A maioria eram universitários.
b) quando o SUJEITO for formado por uma palavra ou EX-
c) O problema somos nós.
PRESSÃO DE SENTIDO COLETIVO;
c) quando o PREDICATIVO for um PRONOME PESSOAL.

14. Verbo SER – sujeito O verbo SER concorda, por atração, com o PREDICATIVO. Tudo são preocupações.
representado por tudo, isso, isto Aquilo eram situações inconvenientes.
ou aquilo.

15. Voz passiva Quando o verbo vier acompanhado pela partícula SE, terá sujeito Alugam-se casas de veraneio.
expresso na oração e, portanto, concordará com o SUJEITO. Casas de veraneio são alugadas.
Vendem-se roupas usadas.
Roupas usadas são vendidas.

16. Índice de indeterminação Quando o “se” funcionar como Índice de Indeterminação do Precisa-se de operários.
do sujeito Sujeito, o verbo ficará sempre na 3º pessoa do singular. Acredita-se em novas alternativas.

17. Verbo parecer a) Flexiona-se o verbo parecer e não se flexiona o infinitivo. a) As roupas pareciam ficar enormes no corpo.
b) Flexiona-se o infinitivo e não se flexiona o verbo parecer. b) As roupas parecia ficarem enormes no corpo.

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O que é concordância Na segunda fala de Pedro, destacamos os se-


nominal? guintes elementos:
Espere até elas me conhecerem, vão ficar
A concordância nominal pode ser regular ou alucinadas pois sou o maior gato da escola.
irregular. A primeira é aquela em o adjetivo e to- O trecho destacado evidencia a concordân-
dos os determinantes (artigo, pronome e nume- cia entre os termos na oração. Vamos observar o
ral) concordam integralmente com o substantivo quadro a seguir.
a que se referem. A segunda também pode ser
chamada de concordância ideológica, ocorre por elas alucinadas
atração ou silepse de gênero ou de número. pronome pessoal adjetivo feminino
feminino plural plural

Pedro: Percebi que há novas garotas na es-


cola. o gato
artigo definido substantivo
João: Vamos torcer para que elas sejam masculino singular masculino singular
muito bonitas e simpáticas.
Pedro: Espere até elas me conhecerem, vão A partir de tais evidências, podemos infe-
ficar alucinadas pois sou o maior rir que as palavras concordam entre si dentro da
gato da escola. oração. No entanto, há exceções, como você po-
João: Uma delas vem se aproximado!!!! derá constatar com o estudo dos casos de concor-
Vamos conferir??? dância nominal apresentados na sequência.
Ana: Oi! Sou a Ana ! E você?
Pedro: Estou com muita pressa!!! Não pos- Adjetivo como adjunto
so perder minha carona ...
adnominal
Como você pode notar, no diálogo acima, a Neste caso, o adjetivo pode referir-se a um
fala entre o personagem Pedro e seu amigo João substantivo ou a mais de um substantivo.
é constituída de uma linguagem clara e direta,
proporcionando ao leitor imediata compreensão
da mensagem que está sendo repassada. Embora Exemplo 1
seja um diálogo de fácil entendimento, há pres-
supostos que não foram esquecidos, como a con- O rapaz tinha agilidade extraordiná-
cordância entre os termos dentro da frase. Veja: ria. (o adjetivo refere-se a um só substan-
Na primeira fala, Pedro diz: tivo)
Percebi que há novas garotas na escola.
Nessa oração, palavras em negrito mostram Exemplo 2
que existe uma relação entre elas, há uma con-
cordância entre o adjetivo novas e o substantivo O rapaz tinha força e agilidade ex-
garotas. Isso significa que as palavras, no texto, traordinárias. (o adjetivo refere-se a dois
assumem posições e relações de concordância. substantivos)
Podemos inferir que as palavras concor-
dam entre si dentro da oração.
Sob essa perspectiva, vamos montar um Adjetivo referindo-se a mais de um substantivo
quadro para melhor visualização dos elementos Pode vir, neste caso, anteposto ou posposto
que devem concordar entre si: aos substantivos.
novas garotas
adjetivo feminino substantivo feminino
plural plural

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Adjetivo anteposto ao b) O adjetivo irá para o plural ou concorda-


substantivo rá com o mais próximo se estiver ante-
posto aos substantivos.
O adjetivo concorda com o substantivo mais
próximo. Exemplos:
Eram brilhantes sua inteligência e esperteza.
Era brilhante sua inteligência e esperteza.
Exemplos Estava próxima a casa e o colégio.
Estava próximo o colégio e a casa.
A garota tinha desengonçados os braços e as
pernas. Dois ou mais adjetivos
A garota tinha desengonçadas as pernas e
os braços.
referindo-se a apenas
A garota tinha desengonçada a perna e o um substantivo
braço.
A garota tinha desengonçado o braço a perna. Neste caso há duas concordâncias:

Adjetivo posposto ao a) O substantivo permanece no singular


e coloca-se o artigo antes do último

substantivo adjetivo.

Exemplo:
Neste caso, há duas concordâncias possíveis.
As novas vizinhas de Calvin derrotaram a sele-
ção feminina e a masculina.

a) O adjetivo concorda com o substanti-


vo mais próximo. b) substantivo vai para o plural e omite-se o
artigo antes do adjetivo.
Exemplos:
Exemplos:
Tinha o braço e a perna desengonçada.
As novas vizinhas de Calvin derrotaram as sele-
Tinha a perna e o braço desengonçado.
ções feminina e masculina.

b) O adjetivo vai para o plural (se os gêneros


são diferentes, prevalece o masculino).
Casos particulares
Anexo Obrigado Mesmo

Exemplos: Incluso Quite leso


Tinha o braço e a perna desengonçados. Essas palavras são adjetivos. Devem, portan-
Tinha a perna e o braço desengonçados. to, concordar com o nome a que se referem.
Exemplos:
Adjetivo como predicativo Seguem anexos os documentos solicitados.
do sujeito composto A expressão em anexo é invariável.
Seguem, em anexo, os documentos solicitados.
Neste caso, também há duas concordâncias
possíveis. Lucy disse muito obrigada.
Elas disseram muito obrigadas.
a) O adjetivo irá para o plural se estiver
posposto aos substantivos. Elas mesmas falarão com Calvin.
As fotos estão inclusas no envelope.
Exemplos:
Sua inteligência e esperteza eram brilhantes. Calvin disse estar quite com sua consciência.
A casa e o colégio estavam próximos. Os alunos cometeram um crime de lesa-pátria.

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Alerta Menos O mais... possível Os mais... possíveis

São palavras invariáveis. Nessas expressões, a palavra possível


Exemplos: concorda com o artigo que inicia a expres-
As meninas estavam alerta. são.
Há menos alunas na sala de aula. Exemplos:
Calvin encontrou argumentos o mais
Bastante Caro fáceis possível.
Barato Meio Longe Calvin encontrou argumentos os mais
Quando funcionam como advérbios, fáceis possíveis.
essas palavras são invariáveis. Quando ad-
jetivos, pronomes, adjetivos ou numerais, Só Sós A sós
concordam com o nome a que se referem.
Exemplos: A palavra só como adjetivo concorda
em número com o termo a que se refere.
Trata-se de questões bastante difíceis. Como advérbio, significa “apenas”, “so-
(advérbio) mente” e é invariável.
Havia bastantes questões na prova fi- Exemplos:
nal. (pronome adjetivo) Fiquei só. (adjetivo)
Ficamos a sós. (advérbio)
As casas eram caras. (adjetivo)
Só eles ficaram. (advérbio)
As bananas custam barato. (advérbio)
SILEPSE OU CONCORDÂNCIA
Que bananas baratas! (adjetivo)
IDEOLÓGICA
Lucy parece meio esquisita. (advérbio)
É a concordância que se faz com o sentido e
Ela comeu meia barra de chocolate an-
não com a forma gramatical. Pode ser de gênero,
tes da refeição. (numeral)
número e pessoa.
Nossa casa fica longe daqui. (advérbio) Silepse de gênero
Já andamos por longes terras. (adjetivo) Exemplo: Senhor prefeito, V. Exª. está equi-
vocado.(a palavra equivocado está no masculino,
É proibido É necessário concordando com o sexo da pessoa e não com o
pronome de tratamento, que é feminino)
É bom É preciso
Silepse de número
Tais expressões permanecem invari- Exemplo: A gurizada corria pelas ruas e
áveis se o sujeito não vier antecipado de atiravam pedras nas vidraças. (o verbo atirar
artigo. está no plural, concordando com a ideia – muitos
Exemplos: guris – e não com gurizada, que, por ser coletivo,
É proibido entrada. exige o verbo no singular)
Entrada é proibido. Silepse de pessoa
Exemplo: Os amigos do poeta, que fomos
Pimenta é bom para tempero.
levá-lo ao aeroporto, voltamos com a tristeza ex-
É preciso cautela. plícita na face.(os verbos estão na 1ª pessoa do
É necessário prudência. plural porque o autor se inclui entre os amigos)
Prudência é necessário.
A entrada é proibida. Neste capítulo, aprendemos que é
fundamental concordar verbos e
nomes na oração, para que o discurso
As entradas são proibidas. seja claro. Agora, para continuarmos
na sequência do nosso aprendizado,
vamos estudar outros aspectos da
Muita prudência é necessária. Língua Portuguesa, como o momento
de empregar o acento indicativo de
Esta pimenta é boa para tempero. crase, o uso dos porquês e a hora
certa de colocar a vírgula. Vamos
conferir?

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Atividade ao leitor o extraordinário universo que


é a língua portuguesa em suas múlti-
plas manifestações e reúne a maior
Questão discursiva: coletânea de assuntos gramaticais até
agora estudados. Como nos afirma o
Leia o fragmento abaixo e preencha as suas
autor: “Dificilmente haverá seção da
lacunas , estabelecendo a correta concordância
Moderna Gramática Portuguesa que
dos termos – mesmo – só – possível – necessá-
não tenha passado por uma consciente
rio – quite, respectivamente.
atualização e enriquecimento: atuali-
zação no plano teórico da descrição do
Carmem, ela __________ organizou
idioma, e enriquecimento por trazer à
a festa, que levou dias para ser preparada,
discussão e à orientação normativa a
pois solicitou a ajuda dos netos e bisnetos,
maior soma possível de fatos grama-
já que vivia ___________, embora rodea-
ticais levantados pelos melhores estu-
da de parentes e amigos. Durante os pre-
diosos da língua portuguesa, dentro e
parativos, a alegre senhora enfrentou si-
fora do país”.
tuações as mais adversas ____________,
no entanto, ela manteve-se com a pru-
dência ___________. Ao final, sentiu-se
__________ com a vida.
Referências
Bibliográ cas
Referência SACCONI, L. A. Nossa gramáti-
Comentada ca: Teoria e prática. São Paulo:
Atual, 1999.
BECHARA, Evanildo. Moderna gramáti- MARTINS, D. S. Português Ins-
ca portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001. trumental: de acordo com as
atuais normas da ABNT. Porto
Mais que um livro de referência para espe-
Alegre: Sagra Luzzatto, 2006.
cialistas, esta obra, revista e ampliada, oferece

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Autoavaliação
1. Assinale a alternativa correta quanto à 3.Assinale a alternativa que preenche cor-
concordância verbal: retamente as lacunas do seguinte perí-
odo:
A) Eugênio, Maria, Pedro e eu fui ao
Congresso em Paris. Elas _______ providenciaram os atesta-
dos, que enviaram _______ às procura-
B) Eugênio, Maria, Pedro e eu foram ao ções, como instrumentos _______ para os
Congresso em Paris. fins colimados.
C) Eugênio, Maria, Pedro e eu fomos ao A) mesmas; anexos; bastante
Congresso em Paris.
B) mesmo; anexo; bastante
D) Eugênio, Maria, Pedro e eu fostes ao
Congresso em Paris. C) mesmas; anexo; bastante
D) mesmas; anexos; bastantes

2. Assinale a alternativa correta quanto à


concordância nominal:
A) Eugênio fala as língua inglesas e fran-
cesas.
B) Eugênio fala a língua inglesa e fran-
cesa.
C) Eugênio fala as línguas inglesa e a
francesa.
D) Eugênio fala as línguas inglesa e fran-
cesa.

Gabarito
Questão para re exão
mesma; só; possíveis; necessária; quite

Autoavaliação
1-C
2-D
3- D

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A VÍRGULA, A CRASE E
OS PORQUÊS
O emprego incorreto da vírgula, da crase e do porquê pode
alterar signi cativamente a informação que um texto pre-
tende veicular.
Cleide Bacil de León

Neste capítulo temos contato com as princi-


pais orientações quanto ao uso da vírgula, da cra-
se e dos porquês. Desta forma, estamos rumando
para o incremento de nossa escrita.

A vírgula
Ao empregar a vírgula de
maneira correta, você
presta clareza ao texto Arquivo
Os sinais de pontuação auxiliam o leitor a entender as razões que nos levam a usar esse sinal,
identificar nossos questionamentos, nossas ex- agrupamos as normas em um conjunto de regras.
clamações e pausas, longas ou não. Quando em- Empregamos a vírgula quando temos:
pregamos bem esses sinais, nosso texto fica cla- a. aposto;
ro, e a mensagem é transmitida e compreendida b. vocativo;
facilmente, tornando o processo comunicativo c. inversão na ordem das palavras;
um sucesso. No entanto, quando os empregamos d. inversão na ordem das orações;
de forma inadequada, nosso leitor não compreen- e. orações unidas por: mas, ou, nem, pois
de o que desejamos informar. Isso, tratando-se de f. orações unidas pelo e com sujeitos diferentes;
texto escrito, é muito grave, porque, ao contrário g. enumeração;
do texto oral, em que podemos contar com outros h. palavras explicativas ou retificadoras;
recursos no processo comunicativo, a produção i. omissão do verbo.
escrita tem que se bastar linguisticamente.
A vírgula é um sinal muito importante, uma
vez que sinaliza aspectos gramaticais e semân-
ticos presentes nas mensagens. Para usá-la de
maneira eficaz, é necessário não só saber como
Vamos ver cada um dos
se estrutura a frase em português, como também casos detalhadamente.
identificar o papel dos elementos que a integram.
O emprego da vírgula está estreitamente relacio- a) Aposto - é um termo que explica, identifica a
nado a essa organização. palavra anterior. Não faz parte da informação
Se formos procurar na gramática normativa principal. Por isso, deve estar entre vírgulas.
da língua portuguesa as regras que regem o em- Exemplo:
prego da vírgula, encontraremos um bom número Parole, modelo da disciplina de Língua Por-
de termos técnicos. Como o nosso objetivo aqui é tuguesa, é uma menina aplicada.

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b) Vocativo - é um chamamento. Quando que- g) Enumeração - ocorre quando enumeramos ou


remos começar um discurso, chamar alguém listamos palavras.
a nossa fala, fazemos uso do vocativo. Não Exemplo:
importa onde ele esteja na frase, deve ser Parole adora estudar Língua Portuguesa,
sempre marcado por uma vírgula. Matemática, História e Geografia.
Exemplos:
Parole, venha cá! h) Palavras explicativas ou retificadoras - quan-
Venha cá, Parole! do usamos expressões como ou seja, isto é, em
Venha, Parole, aqui! outras palavras, melhor dizendo, retifico, digo,
elas aparecem separadas por vírgulas.
c) Inversão na ordem das palavras - ocorre Exemplo:
quando tiramos as palavras da ordem direta Paroli, digo, Parole é uma ótima menina.
em português (sujeito + verbo + complemen-
tos verbais + adjuntos adverbiais). i) Omissão do verbo -quando não desejamos repetir
Exemplos: o verbo já mencionado na primeira oração, marca-
Parole estuda Língua Portuguesa todos mos a omissão na segunda oração com a vírgula.
os dias. (ordem direta) Exemplo:
Todos os dias, Parole estuda Língua Por- Parole adora estudar Português; seus ami-
tuguesa. (ordem inversa) gos, Matemática.

d) Inversão na ordem das orações - ocor-


re quando há uma mudança na ordem das
orações. Para facilitar, é bom saber que os Observamos, então, que:
períodos iniciados por conjunções subor-
dinativas recebem vírgula. • há uma forte ligação entre su-
Exemplo: jeito e verbo, não sendo pos-
Quando Parole tem dúvidas, ela pede sível separá-los por vírgula
auxílio à professora. (para encontrar o sujeito, faça
pergunta quem? ou o quê? an-
e) Orações unidas por: mas, ou, nem, tes do verbo);
pois - na união de duas orações de senti-
do completo, usamos conjunções coorde- • não é possível separar verbo
nativas. Quando estas são adversativas e e complemento por vírgula,
conclusivas, a vírgula deve ser colocada pois eles também mantêm um
antes delas. estreito vínculo (para encon-
Exemplo: trar o complemento do verbo
Parole é uma menina sapeca, mas muito faça as mesmas perguntas de-
estudiosa. pois dele);

f) Orações unidas pelo e com sujeitos diferentes- • se há adjunto adverbial (indica


quando temos duas orações unidas pelo e circunstância de lugar, tempo,
com sujeitos diferentes para cada uma delas modo etc.) no final da frase,
(ver o verbo), usamos vírgula antes do e. sua posição natural, não é uti-
Exemplos: lizada a vírgula;
Parole é uma menina estudiosa e gosta de
estudar a língua materna. (duas orações com o • palavras, expressões, orações
mesmo sujeito – Parole) que completam ou restringem
Parole é muito estudiosa, e sua mãe fica o significado de outras não
muito orgulhosa. (duas orações com sujeitos di- devem ser separadas por vír-
ferentes – Parole é sujeito da primeira oração, e gulas.
sua mãe da segunda)

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A seguir veja um quadro


resumo de situações de A crase
O uso correto do acento grave depende do
usos da vírgula: conhecimento da regência verbal e nominal.
O acento grave, indicador de crase, geral-
SITUAÇÃO mente marca a fusão entre um a, preposição,
NA ORAÇÃO SIM NÃO OPCIONAL e outro a, artigo definido. Para identificar-
mos a presença da preposição, é necessário
Entre sujeito e verbo X conhecermos a regência de nomes e de ver-
bos. No caso do artigo, se a palavra feminina
Entre verbo e for trocada por uma masculina e aparecer ao
complemento X
no lugar do a, ocorre a crase.
Com a ordem Vejamos o exemplo abaixo:
direta da frase em X Fui à biblioteca ontem. (Fui ao cinema ontem)
português
Para o bom uso desse acento, é con-
Com adjunto veniente observar o que segue:
adverbial curto X
• Como o artigo a só pode apa-
Com comple-
recer diante de palavras femini-
mento de verbo X nas, a crase só ocorre diante de
deslocado termos femininos.
• A regência de alguns verbos
Em intercalações X que regem a preposição a de-
Com vocativo X termina o uso da crase diante
de nomes femininos.
Com aposto X Exemplo:
Refiro-me à estudiosa Parole.
Nas enumerações X
• A substituição da palavra femi-
Na omissão do nina por outra equivalente mas-
verbo X culina nos permite verificar a
Em orações uni-
ocorrência ou não do acento
das pelo e, com X grave. Se o a for substituído por
sujeitos diferentes ao, significa que ele deve rece-
ber o acento grave, indicador
Orações unidas
por: mas, ou, X de crase.
nem, pois Exemplo:
Demos um lindo presente à menina
Orações explica-
tivas X (ao menino).
• As locuções com palavras fe-
Orações restri-
tivas X mininas devem ser acentuadas.
Exemplo:
Orações deslo- Vire à direita.
cadas X
• Diante dos pronomes demons-
Palavras explica- trativos aquele, aquela e aqui-
tivas ou retifica- X lo, pode ocorrer a crase. Isso
doras
acontece porque a preposição a
Nota: a vírgula ocorre, de modo geral, para marcar inversão, intercalação,
enumeração, omissão ou ênfase na frase. Este estudo não esgota todas as se funde com a vogal inicial a
possibilidades do uso da vírgula; aqui citamos apenas os usos mais frequen-
tes.
desses pronomes.

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Exemplo: Exemplo:
Ele referiu-se àquele livro com muito en- Referiu-se a uma senhora que estava
tusiasmo. presente.
• Pode ocorrer crase diante de pala- • Antes de pronomes em geral.
vras masculinas, quando se suben- Exemplo:
tendem as expressões à moda de, à Dê o livro a essa senhora.
semelhança de ou à maneira de. • Quando a palavra que segue o a
Exemplo: estiver no plural.
Ele jogava futebol à Pelé.
Exemplo:
• A locução à distância só recebe o Dê o livro a pessoas interessadas na leitura.
acento grave quando estiver deter- O uso da crase é facultativo nas situa-
minada. ções abaixo:
Exemplo:
• Antes de pronome possessivo fe-
Estávamos à distância de 50 metros.
minino.
• Sempre se acentua o a nas expres- Exemplo:
sões que indicam horas. Compre o presente a/à minha filha.
Exemplo:
• Com a locução até a seguida de
Sairemos à zero hora.
nome feminino.
• Diante da palavra casa, quando Exemplo:
acompanhada de modificador. Vou até a/à farmácia.
Exemplo:
Voltei à casa de meus amigos depois de
um ano. (com modificador) Situações Sim Não Opcional
Não devemos colocar o acento grave Diante de palavras
femininas x
nos seguintes casos:
Diante locuções com
• Diante da palavra casa com o sig- palavras femininas x
nificado de “lar” e da palavra terra
Diante dos pronomes
com o significado de “terra firme, aquele, aquela e aquilo x
chão”, quando estiverem desacom-
panhadas de modificador.
Diante da palavra casa x
Exemplo: Diante da palavra casa
com modificador x
Voltei a casa tarde. (sem modificador)
Diante das expressões
• Antes de nome de cidade. que indicam horas x
Exemplo:
Vou a Fortaleza.
Diante de verbos x
Diante de palavras mas-
• Antes de verbos. culinas x
Exemplo:
Começamos a trabalhar desde cedo.
Entre palavras repetidas x
• Entre substantivos repetidos.
Antes do artigo uma x
Antes de pronomes em
Exemplo:
geral x
Leu o livro de ponta a ponta.
Quando a palavra
• Antes de palavras masculinas. seguinte estiver no plural x
Exemplo:
Antes de pronome pos-
Chegaram a cavalo. sessivo feminino x
• Antes do artigo indefinido uma.
Com a locução até a se-
guida de nome feminino x

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Os porquês
Nós temos que saber usar os porquês, por
quê? Porque é importante para entender o senti-
do correto das frases e para que o que queremos
expressar seja corretamente interpretado.
Os porquês podem ser grafados de quatro
formas diferentes: por que, porque, por quê e
porquê. Arquivo

É importante fazer a distinção entre eles, já Vejamos então quando devemos usar cada
que têm usos diferentes dentro do português cul- um dos porquês:
to e podem alterar o sentido de frases, períodos e
• Por que: é empregado no início de fra-
textos, como observamos nos exemplos abaixo:
ses interrogativas e equivale a por qual
• Por que você chegou tarde? / Ele não razão ou por qual motivo. Também é
sabe por que motivo chegou tarde. usado quando as palavras motivo ou
• Cheguei tarde porque o ônibus não razão estão claras ou subentendidas.
passou a tempo. • Porque: é usado para respostas; com
• Você chegou tarde, por quê? ele damos explicações. Há casos que
indica finalidade e equivale a “para
• Quero saber o porquê de seu atraso. que”, “a fim de”.
• Por quê: é empregado em final de ora-
ção e equivale a por que motivo. Re-
cebe acento porque é um monossílabo
tônico no final da oração.
• Porquê: equivale a um substantivo e,
por esse motivo, admite o plural e a
anteposição de um artigo.

Arquivo

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Atividade
_____ aquela súbita mudança de comporta-
mento das pessoas em relação a mim, já que
eu continuava sendo o mesmo de sempre?
Reescreva as frases a seguir com a devida Em mim nada mudara. [...] Pelo contrário,
correção. era de uma amabilidade inédita. ________ ?
1. Eles vieram a pé até aqui. A) Porque – Porquê;
2. Eles vieram a cavalo até aqui. B) Por que – Por quê;
3. Eles compraram o carro a prazo. C) Por que – Porquê;
4. A partir de amanhã, começará a fazer sol. D) Por quê – Porque.
5. Não sei o porquê de tudo isso. 2. Assinale a alternativa que completa
corretamente as lacunas do texto.

Referência Comentada Preciso começar ___ agir como um


idoso. Dizem que, entre eles, idosos não
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática falam em quem chega ___ velhice como al-
portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001. guém que está ___ beira do túmulo. Dizem
que está na zona do rebaixamento. Vou ter
Mais que um livro de referência para espe- que aprender o jargão da categoria.
cialistas, esta obra, revista e ampliada, oferece
A) a – à – à
ao leitor o extraordinário universo que é a língua
portuguesa em suas múltiplas manifestações e B) a – a – à
reúne a maior coletânea de assuntos gramaticais C) a – a – a
até agora estudados. Como nos afirma o autor: D) à – à – à
“Dificilmente haverá seção da Moderna Gramá-
3. A alternativa que contém a vírgula em-
tica Portuguesa que não tenha passado por uma
pregada porque temos um aposto na
consciente atualização e enriquecimento: atuali-
frase é:
zação no plano teórico da descrição do idioma, e
enriquecimento por trazer à discussão e à orien- A) Estejam preparados, jovens executivos,
tação normativa a maior soma possível de fatos para as contingências da vida profis-
gramaticais levantados pelos melhores estudio- sional.
sos da língua portuguesa, dentro e fora do país”. B) Embora imprevistos aconteçam, nem
sempre estamos preparados.

Referências Bibliográ cas C) Nas empresas, precisamos lidar com as


contingências da vida executiva.
SACCONI, L. A. Nossa gramática: Teoria D) As contingências, imprevistos que
e prática. São Paulo: Atual, 1999. acontecem em nossas vidas, ocorrem
o tempo todo.
MARTINS, D. S. Português Instrumen-
tal: de acordo com as atuais normas da
ABNT. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2006. Gabarito
Questão objetiva

Autoavaliação 1-B
2-A
3-D
1. Assinale a alternativa que completa cor-
Questão discursiva
retamente as lacunas do texto:
1.Eles vieram a pé até aqui.
A partir daí, passei a notar que as pes- 2.Eles vieram a cavalo até aqui.
soas me tratavam de um modo diferente. 3.Eles compraram o carro a prazo.
Não era raro alguém estender a mão para me 4.A partir de amanhã, começará a fazer sol.
ajudar a descer de um carro, por exemplo. 5.Não sei o porquê de tudo isso.

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REFERÊNCIAS
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Ajuda infantil para arrumar a casa demanda cuidados. Folha de São Paulo,
Fonte 18 Folha de São Paulo, .......................................................... São Paulo, 05 out, 2006.
Fonte 19 Isto é ................................................................................. Adaptação de COSTA, A. C. Grãos especiais transformam o cafezinho
numa experiência inesquecível. Istoé, São Paulo, n. 1946, 14 fev. 2007.
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2001, p. 143.
Fonte 21 Zero Hora ......................................................................... Zero Hora, Porto Alegre, n. 15.248, 22 maio 2007.
Fonte 22 Jornal de Brasília .............................................................. Jornal de Brasília, Brasília, 21 maio 2007.
Fonte 23 Oralidade e escrita ............................................................ Material extraído do livro Oralidade e escrita de Leonor Lopes Fávero, p. 74.
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