Proposta pedagógica das escolas e metodologias de ensino da Educação Física escolar: uma importante relação

Ms. Ana Paula Bernardi*
profanapaulabernardi@yahoo.com.br

André Luis da Rocha**
*Profª do curso de Educação Física da Faculdade do Futuro **Graduanda/o do curso de Educação Física da Faculdade do Futuro ***Profº do curso de Educação Física da Faculdade do Futuro Dndo FAE/UFMG (Brasil) andrericardin@hotmail.br

Jéssica Aparecida Rodrigues Lopes**
jessikmagrinha@hotmail.com

Rananza Dutra Uliana**
rananza@hotmail.com

Anderson da Cunha Baía***
andersonbaia@yahoo.com.br Resumo O objetivo deste estudo é compreender a relação entre a prática pedagógica de professores de Educação Física em Escolas de Manhuaçu e as propostas pedagógicas da respectiva escola. Entendemos que a proposta pedagógica da Escola é um documento norteador de ações na formação do aluno e que cada disciplina – incluindo a Educação Física tem a função de contribuir com tal proposta. Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo Bibliográfica, onde buscamos na literatura bases para discussão sobre o tema em questão. Preliminarmente podemos inferir nas aulas observadas e em parte das propostas pedagógicas analisadas, que a prática docente do professor de Educação Física não está dando conta de contribuir na formação do aluno esperado pela instituição, uma vez que alguns não possuem uma metodologia clara nas aulas, e outros trabalham com metodologias que não permitem criar determinados valores, comportamentos e atitudes esperados pela proposta da Escola. Seguiremos com o estudo na busca de uma compreensão mais ampla do objeto de estudo. Unitermos: Educação Física escolar. Metodologias de ensino. Proposta pedagógica. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº 127 - Diciembre de 2008 1/1

Introdução
Esta pesquisa é fruto das discussões realizadas pelo grupo de estudo do curso de Educação Física da Faculdade do Futuro (FAF), que visa compreender a relação entre a prática pedagógica de professores de Educação Física em Escolas1 de Manhuaçu e as propostas pedagógicas da respectiva escola. O interesse por este estudo se deu a partir da relação de integrantes do grupo de estudo com as escolas da região – que mantém uma relação com a Educação Física do município a algum tempo – onde foi observado uma falta de sistematização nas aulas de Educação Física de algumas escolas, sendo que este estudo vai buscar analisar se as aulas de Educação Física mantém uma relação com a proposta pedagógica da Escola; uma vez que entendemos que tal proposta definirá o aluno que formará, tendo as disciplinas que compõe o corpo de conhecimento específico a ser trabalhados a função de contribuir com a formação do tipo de aluno esperado pela Escola.

Entendemos que se a Educação Física não conseguir cumprir sua função juntamente com as outras disciplinas da grade curricular. Proposta pedagógica na escola A gestão democrática. A concretização da gestão democrática nas escolas teria sua culminância com a elaboração do Proposta Pedagógica. assim como vir a promover a mobilização dos professores a um trabalho conjunto de construção de meios e fins da Educação. no ambiente de trabalho. exige uma participação coletiva e um grande envolvimento de todos os professores. a escola deve ser o ambiente onde os professores tenham a possibilidade de reconstruir suas práticas. podemos correr o risco de perder a legitimidade2 no espaço escolar e a autonomia que estamos conquistando gradativamente ao longo da história da Educação Física no Brasil. discussões e reflexões dos professores e seus pares. Para realizarmos este estudo trabalharemos com referencial bibliográfico pertinente à área. entendendo que este planejamento deve ser a base que sustenta todas as decisões. o que resulta em mudanças pessoais e profissionais. 1994).professores. pais e funcionários. deveriam ser definidas pelos atores da escola. concepções que de forma consentânea. sociedade e educação. a construção e efetivação da Proposta Pedagógica. alunos. Pois. além de aplicação de questionário com os professores de Educação Física das escolas que farão parte do estudo e observação de aulas na qual utilizaremos diário de campo. através do cruzamento dos dados coletados nos questionários e no referencial teórico da área. objetivos e rumos da escola. . leituras. antes. durante e após a construção do seu projeto. proposta pela Lei de dietrizes e Bases da Educação Nacional (1996). 15). no qual não desprezaremos os dados quantitativos. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. Estas determinações viriam a justificar as finalidades sociais e políticas da Educação em relação à sociedade e a formação dos alunos. Nas palavras de Alarcão (2001) “a escola que se pensa e se avalia em seu projeto educativo é uma organização aprendente que qualifica não apenas os que nela estudam. 2006). Na concepção de gestão democrático-participativa. através de uma postura interdisciplinar (BERNARDI. Para isso é necessário constantes conversas. mas serão complementares na nossa pesquisa (Minayo. propõe de forma incisiva a autonomia da escola em construir seu plano pedagógico. A análise dos dados acontecerão durante todo processo do estudo. que aborda as idéias coletivas da escolas a respeito de homem. mas também os que nela ensinam ou apóiam estes ou aqueles” (p. através da participação de todos os interessados .

Entretanto. juntamente com o Regimento Escolar. pesquisa. quando tanto se discute sobre o papel de gestor do professor na escola e de sua participação ativa na fomentação da Proposta Pedagógica.]” (VEIGA-NETO. onde se “superdimensionavam o saber técnico e as capacidades físicas em seus currículos” (FENSTERSEIFER. O professor de Educação Física faz parte do contexto da escola. assim como. muitos outros professores de tantas outras disciplinas. O político não pode ser entendido como mais uma dimensão “senão que o político atravessa constantemente todas as demais. mas que não necessariamente precisam ter uma unidade de pensamento. através de uma dinâmica de trabalho coletivo. 2001. Essa formação para o “saber-fazer” negava ao professor qualquer possibilidade de refletir sobre sua prática e a interagir na sua escola como um ator. em prol de um objetivo comum. através das ações de seus atores. A Proposta Pedagógica. porém com características próprias. deve estar ciente do seu papel político e pedagógico na escola. p. discussão. cada um deles compõe uma unidade. restringindo sua disciplina aos aspectos biológicos. A construção deve considerar igualmente relevantes. por meio de temáticas elencadas para embasar todo um estudo referente às práticas pedagógicas e as práticas educacionais desenvolvidas na e pela escola. porque como nos coloca a autora. objetivos.. o professor de Educação Físca se colocou à parte nas discussões pedagógicas da escola. 170).Nesta conjuntura que envolve a escola. deve nortear. Propostas metodológicas na Educação Física escolar . são perspectivas indissociáveis. tipo de organização e as formas de implementação e avaliação da escola. 33). 1996. o professor de Educação Física. depois de formulado. estudo. Prerrogativa que refletia a formação profissonal em Educação Física. todas as ações da escola. que é a escola. mas de treinar. ao técnico. voltando sua atuação ao prático.. tanto à dimensão pedagógica quanto à política. p. Eu não posso ser um sujeito social. devendo explicitar os fundamentos teórico-metodológicos. não como forma de educar. sem ser um sujeito político [. A participação do professor na elaboração e efetivação da Proposta Pedagógica da escola possibilita um importante momento de reflexão. historicamente. como um educador. mas que necessariamente precisam voltar o seu pensamento e suas ações para o todo da escola. fato que acabou por determinar uma imagem negativa para o professor da disciplina de Educação Física. o aprendizado do aluno. voltada ao desinteresse de aspectos intelectuais.

Desta forma. 1994). tornando possível compreender posteriormente. entendemos que quando adotamos estudar determinadas metodologias de ensino. Elizabeth Varjal e Lino Castellani Filho (1992). a Construtivista. cada uma delas. esclarecendo a especificidade de cada metodologia. Crítico-Superadora proposta por um grupo de autores composto por Valter Bracht. Carmem Lúcia Soares. Celi Taffarel. Ensino Aberto. como aponta Oliveira (1997) existe um movimento para a criação de estratégias e encaminhamentos metodológicos diversificados que venham e rever o posicionamento da Educação Física enquanto integrante dos currículos escolares. sendo elas: a Desenvolvimentista. mostrando que neste momento surgem várias concepções teóricas-metodológicas que vão pensar a formação do aluno nas aulas de Educação Física. em seus momentos finais. . como uma prática sem interesse com a formação integral dos educandos. temos um movimento de intelectuais que começam a questionar o tipo de Educação Física que está na Escola. no estudo com os professores das escolas pesquisadas. entrando neste momento o esporte como conteúdo no lugar (em algumas instituições juntos) da ginástica. algumas delas apresentam uma estruturação metodológica clara. na sua sistematização. No período militar temos a Educação Física atrelada ao esporte de rendimento. no entanto. neste estudo abordaremos cinco das principais metodologias de ensino da Educação Física. proposta por Go Tani (1998). proposta por Elenor Kunz (1991. seguiremos fazendo um panorama geral das abordagens citadas acima. as possíveis relações com a Proposta Pedagógica das escolas. a Crítico-Emancipatória. porém.A Educação Física escolar é entendida. onde a técnica era a base das aulas. conteúdos e a avaliação dos professores de Educação Física na sua prática pedagógica. temos um período posterior que a Educação Física passa a ser vista como sinônimo de eficiência. A partir da década de 80 do século XX temos um momento importante de redefinição da Educação Física Escolar no Brasil. As abordagens de ensino na Educação Física são bastante diversificadas e abrangentes. desenvolve uma visão de mundo expressa nos objetivos propostos pela abordagem. Por este motivo. proposta por Reiner Hildebrandt e Ralf Laging (1996). Tendo intuito de estudar os objetivos. que tem como idealizador João Batista Freire (1997). Bracht (1999) vai mostrar que ainda no período militar. freqüentemente. Se na primeira república a Educação Física está vinculada a um movimento de regeneração do brasileiro. e. elenca conteúdos e também formas de avaliação.

90) sua proposta é uma tentativa de caracterizar a progressão normal no crescimento físico. p. p. os movimentos fundamentais (padrões) nas idades de 02 á 07 anos. Como enfoque metodológico o autor propõe formas de desafios através de perguntas. a combinação de movimentos fundamentais. sem a elaboração de conteúdos pré-determinados. também. c) interpretar o real significado do movimento dentro do ciclo de vida do ser humano. . Os conteúdos de ensino partem da cultura dos próprios participantes. o segundo estágio elementar e. correr. no desenvolvimento fisiológico. Com relação à abordagem construtivista. a partir de 12 anos. “as aprendizagens devem ser significativas para as crianças. e movimentos determinados culturalmente. Também apresenta oito padrões diferentes (andar. leva a criança freqüentemente a superestimulação em forma de especialização precoce.Iniciando com a abordagem desenvolvimentista. b) observar e avaliar mais apropriadamente os comportamentos de cada criança (permite melhor acompanhamento das mudanças que ocorre). 1997. chutar e quicar) e os divide geralmente em três níveis. motor. p. os movimentos rudimentares são apresentados como sendo nas idades de 01 e 02 anos. o terceiro o estágio maduro. de 07 á 12 anos. saltar (vertical e horizontal). conteúdos e métodos de ensino. cognitivo e afetivo-social. O objetivo do processo de ensino e aprendizagem é partir do conhecimento de brincadeiras e das experiências motoras que as crianças já possuem para desenvolver habilidades que permitam a expressão no mundo. O primeiro seria o estágio inicial. receber. 25). e não sobre o que devam ser” (BRANDL NETO. não temos um idealizador. Os movimentos reflexos são apresentados na fase da vida intra-uterina até quatro meses após o nascimento. mas tem em João Batista Freire um defensor. 94). temos como seu preconizador Go Tani et alii (apud BRANDL. 2000. O autor explica três aspectos da sua proposta. particularmente nas interações destes processos em crianças desta faixa etária. Embasa-se na teoria de sociointeracionaista de Jean Piaget. a) estabelecer coerentes objetivos. a utilização dos estilos “descoberta dirigida” e “resolução de problemas” para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. 2000. O autor alerta que a não observância desta progressão normal. arremessar. Tem como objeto de estudo a Motricidade Humana “entendida como o conjunto de habilidades que permitem ao homem produzir conhecimentos e se expressar” (OLIVEIRA. dos quais descreve cada um deles. rebater. na aprendizagem motora e.

1992). que deve ser configurada com temas ou formas de atividades corporais como jogo. Dessa forma. 2º Ciclo: (4ª série à 6ª série) – iniciação a sistematização do conhecimento.O enfoque metodológico da proposta centra-se na metodologia do conflito. Na relação professor-aluno. Na sua prática pedagógica o professor parte das vivências sociais do aluno para desenvolver o processo de . e. A perspectiva dos autores foi de instigar o professor a praticar uma proposta metodológica que respondesse as exigências atuais do processo de construção da qualidade pedagógica da escola pública brasileira. quanto na necessidade de se refletir sobre o significado/sentido desse mesmo “fazer” (OLIVEIRA. as atividades corporais. propõe olhar para as práticas constitutivas da Cultura Corporal. cabe a escola (professor) organizar a identificação destes dados contatados e descritos pelo aluno. Para os autores a proposta “entende ser o conhecimento elemento de mediação entre o aluno e o seu apreender da realidade social complexa em que vive” (OLIVEIRA. partir do que o sujeito já sabe e confrontá-lo com o novo aprendizado. tanto dos recursos biológicos e psicológicos de cada pessoa. Avaliação para os defensores da proposta ainda é um aspecto frágil que necessita ser mais bem trabalhado. p. 1997). em cada situação. O objetivo de estudos desse conhecimento é aprender a expressão corporal como linguagem. para que ele possa forma sistema. 23). encontra as relações entre as coisas. dança e outras que constituirão o conteúdo. são vivenciadas.organização da identificação dos dados da realidade: durante todo esse ciclo a criança tem uma visão sincrética da realidade. identifica semelhanças e diferenças. cabe ao professo transparecer a intencionalidade de suas ações pedagógicas e direcionar sua prática para que o aluno alcance o esclarecimento em relação ao contexto social. Para eles. construções essas que dependem. o conhecimento que a educação física deve tratar é a cultura corporal. 2000. p. 3º Ciclo: (7ª série à 8ª série) – aplicação da sistematização do conhecimento. Os autores da proposta propõem-se a estruturação em ciclos de escolarização: 1º Ciclo: (pré à 3ª série) . como “Práticas Sociais”. 94). Neste processo. esportivas ou não. 1997. quanto das condições do meio ambiente em que ela vive” (FREIRE apud BRANDL. esporte ginástica. professor e aluno constroem juntos o conhecimento. 4º Ciclo: (2º grau) – aprofundamento da sistematização do conhecimento (COLETIVO DE AUTORES. Em relação à estruturação metodológica. A proposta crítico-superadora tem como idealizadores um grupo de autores que através do livro intitulado “Metodologia do Ensino de Educação Física”. definem sua proposta. tanto naquilo que possuem de “fazer” corporal. “organização de movimentos construídos pelo sujeito.

assim como. Assim. p. o objetivo da proposta para o desenvolvimento da Educação Física. estadual. visando uma interação responsável e produtiva e a avaliação privilegia o processo ensino-aprendizagem. propõem uma nova perspectiva no tratamento e desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem da Educação Física. (KUNZ. são: rendimentos (Para qual rendimento?). O conteúdo básico é o movimento através do esporte. que nos seus livros “Educação Física: ensino & mudança” (1991) e “Transformação didáticopedagógica do esporte” (1994) lança as bases para uma nova percepção em relação à Educação Física escolar. transcendência de limites pela experimentação. trazendo uma perspectiva humanista para disciplina. Com relação ao ensino aberto. o esporte de tempo livre (as influências que vem sofrendo) e o comércio e o consumo no esporte e seus efeitos. os idealizadores desta proposta são Reiner Hildebrant e Ralf Laging que no livro intitulado “Concepções abertas no ensino da Educação Física” (1986). os aspectos que devem ser criticamente questionados nos esportes. dança e das atividades lúdicas.ensino e aprendizagem. Para tal construção. A proposta crítico-emancipatória foi desenvolvida por Elenor Kunz. é conhecer e aplicar o movimento conscientemente. 1994. transcendência de limites pela aprendizagem. embasou-se na teoria do Agir Comunicativo do Sociólogo Jürgen Habermas. atualmente. a representação (institucional [clubes. arranjo material. 2. Na relação professor-aluno fundamenta-se numa ação comunicativa problematizadora. transcendência de limites criando. e na sua forma de avaliação também este processo é permanentemente avaliado. libertando-se de estruturas coercitivas e refuncionalizar o movimento. 24). escolas]. 4. . Nesta. o objeto do estudo é o movimento humano “o esporte e suas transformações sociais”. sendo o objeto de estudo o mundo do movimento e suas implicações sociais e os objetivos gerais (OLIVEIRA. 3. p. nacional). 25) Para esta proposta o enfoque metodológico aponta que uma aula deve ter como caminho a ser percorrido os seguintes pressupostos: 1. 1997.

além de buscarmos entender sua prática a fim de analisar se existe ou não uma relação desta com a proposta pedagógica da escola onde exerce sua função. onde as ações metodológicas são organizadas de forma a conduzir a um aumento no nível de complexidade dos temas tratados. cabendo ressaltar que uma destas alegou não possuir tal proposta. acreditamos que esta relação seja fundamental para que a escola consiga cumprir sua função social enquanto instituição formadora. sendo que os temas são construídos a partir dos temas geradores. ainda trata-se de um estudo introdutório. têm surgido questões que nos ajudam a olhar melhor o objeto que estamos estudando. assim. Neste questionário buscamos compreender se o professor (a) conhece a proposta da instituição. Neste período desenvolvemos o questionário que será aplicado aos professores (as) com o intuito de tentar compreender se as práticas docentes estão coerentes com a proposta da escola. onde professor e alunos interagem na resolução de problemas e no estabelecimento de temas geradores. o ensino aberto exprime-se pela “subjetividade” dos participantes.Pensando nos conteúdos que caberiam à Educação Física tendo em vista esta abordagem. . Desta maneira. Comentários finais Como mostrado na introdução. temos o mundo do movimento e suas relações com os outros e as coisas. averiguaremos com maior propriedade este fato. o que se faz curioso uma vez que este se caracteriza como um documento norteador de ações. de forma que através da apreensão do conhecimento da área. se participou da construção de tal proposta. Nesta proposta metodológica a prática pedagógica do professor desenvolver-se-ia partindo de alguns pressupostos: desenvolver ações problematizadoras. No entanto. contribuindo como conseqüência. E a avaliação privilegia a avaliação do processo ensino-aprendizagem. uma vez que a construção da proposta pedagógica é obrigatória nas escolas que estamos pesquisando nesta região de Minas Gerais. O grupo entrou em contato com algumas escolas com a intenção de conseguir a proposta pedagógica das mesmas. já que como mostramos anteriormente. a relação professor-aluno estabelece-se dentro de uma ação co-participativa que se amplia conforme o amadurecimento e responsabilidade assumida pelos integrantes do grupo. que neste momento apresenta algumas ações já realizadas. na formação dos alunos envolvidos na pesquisa. O grupo tem se reunido semanalmente para discussões sobre referenciais teóricos que embasam o estudo.

nº 1. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Nov/2000. aplicar os questionários. ver Bracht (1992) Referências • • • ALARCÃO. v. I. Propostas para o ensino da Educação Física. ALARCÃO. as propostas pedagógicas. Porto Alegre: Artmed. utilizamos as instituições que fazem parte do programa de Estágio Supervisionado da FAF. Agosto/99 BRASIL. p. • • Bracht. comportamentos e atitudes esperados pela proposta pedagógica. No entanto. p. 15-30. uma vez que as outras disciplinas também tem um corpo de conhecimento a ser ensinado. (Org. BRANDL NETO. Desta forma. temos inferido que a prática docente do professor de Educação Física não está dando conta de contribuir na formação do aluno esperado pela instituição. P. Notas 1. 2006. A Constituição das Teorias Pedagógicas. que consegue consolidar o aprendizado a partir do momento que relaciona a sua prática no estágio com a pesquisa que está relacionado com a sua atuação na Escola 2. Esta escolha facilita o contato com a instituição. Valter. que não temos ainda condição de afirmar que estas também estão contribuindo com tal formação. além de continuar na revisão que nos permitirá termos resultados mais consistentes no final deste estudo. Lei n. Sobre as escolas. além de possibilitar uma pesquisa voltada para a ação do aluno. 2001. Caderno de Educação Física. Santa Maria/RS. . Sobre autonomia e legitimidade. Escola reflexiva e nova racionalidade. ano XIX. 9394 de 20 de dezembro de 1996. BERNARDI. preliminarmente nas aulas observadas e em parte das propostas pedagógicas analisadas. 2. I. nº 48. In.No mais. A escola reflexiva. e outros trabalham com metodologias que não permitem criar determinados valores. A. I. recebendo alunos do 5º e 6º Períodos da Educação Física.). Cadernos Cedes. estaremos nesta nova fase da pesquisa imbuídos na tarefa de analisar criticamente as aulas. uma vez que alguns não possuem uma metodologia clara nas aulas. 87-106. como se espera na proposta da escola. O projeto político-pedagógico: possibilidade de desenvolvimento profissional do professor de educação física. devemos fazer uma análise mais crítica. Monografia de Especialização – Universidade Federal de Santa Maria.

HILDEBRANDT. Ijuí: Editora da UNIJUÌ.E. Rio de Janeiro. A. al. 08. • MINAYO. G. • OLIVEIRA. 1994. UNIJUÌ. A. (Org. 1997.207-224.C. Revista Digital – • VEIGA. do Brasil. Setembro/2007. Educação & Realidade. Educação Física. A formação universitária do profissional de na universidade. 1994. v. UFPe e UFSM. 1988. p. Ijuí: Ed. Concepções abertas no Ensino da Educação Física.. GARCÍA. Interacionismo Simbólico (Blumer. (org). A.com. A. Teoria Libertadora (Paulo Freire). I. M.P. ROMÃO. 3ª ed.). L.C. p. E. Acesso em: junho/2008. A Educação Física na crise da modernidade. Portugal: Porto Editora. E. LAGING. NAZARI. L. Metodologias emergentes no ensino da 1. • LIBÂNEO. M.). nº 112. P. p. J. 21-27. 1998. 1986. I. Educação Física e esporte • • • • GADOTTI. Ao Livro Técnico. • VEIGA-NETO. P. 2000. Formação de professores: para uma mudança educativa. C. J. • FENSTERSEIFER. Transformação didático pedagógica do Esporte. Brasil. (Orgs. ensino da Educação Física escolar.09-32.. Abordagens metodológicas do Buenos Aires. n. G. de. Maringá. (1991) – organizador do Grupo de Trabalho Pedagógico)2. Revista da Educação Física/UEM. 161-175.• COSTA. do M. Referencial teórico: Teoria Sociológica do Interacionismo Simbólico (Mead/Blumer). V. EFDeportes. Pesquisa Social: Teoria. São Paulo: Cortez. S. J. In: VEIGA. 1999. Brasília: Ministério da Educação / Secretaria de Educação Física e Desportos. R. A.com. KUNZ. Perspectivas para reflexão em torno do projeto político-pedagógico. 1981) . C de S. H. B. 1996. Petrópolis. Educação Física. In: PASSOS.efdeportes. A didática e as experiências de sala de aula: Editora da UFRGS. 2001. Método e Criatividade. M. Campinas: Papirus. • PALAFOX. ano 12. Escola: espaço do projeto político-pedagógico. uma visão pós-estruturalista. M. http://www. São Paulo: Cortez. 1992. Porto Alegre: METODOLOGIA DO ENSINO ABERTO Idealizadores: Reiner Hildebrandt e Ralf Laging da Alemanha (1986) e Cardoso et. RESENDE. M. Vozes. 3 ed. Didática. R. 6 ed. p. Autonomia da escola: princípios e propostas. E.

aos participante. 98). Venceslau Virgílio Cardoso Leães Filho (UFSM).a) o atributo simbólico é justificado pela premissa de que os homens agem baseados nos significados em relação a coisas e a pessoas. p. por meios coercitivos geralmente desagradáveis. Carlos Luiz Cardoso (UFSM). Reiner Hildebrandt (professor visitante da Alemanha. como os seres humanos são freqüentemente estúpidos. Dr. Conteúdos básicos: o mundo do movimento e suas relações com os outros e as coisas. os significados institucionais tendem a te grupo foi com 2 Este grupo foi composto pelos professores: Celi Nelza Zulke Taffarel (UFPe). Eliane de Abreu Moraes (UFPe). O caráter de “fórmula” dos significados institucionais assegura sua possibilidade de memorização. se necessário. admitem que: Os significados institucionais devem ser impressos poderosa inesquecivelmente na consciência do indivíduo. Berger e Luckman (1985. Amauri Aparecido Bassoli de Oliveira. na UFSM e posteriormente na UFPe). Como os seres humanos são freqüentemente preguiçosos e esquecidos. deve também haver procedimentos mediante os quais estes significados possam ser reimpressos e rememorizados. (UFPe). 24 Oliveira ser simplificados no processo de transmissão. autonomia para as capacidades de ação. Vera Luza Lins Costa (UFPe). b) estes significados são adquiridos em interações sociais. os conteúdos são construídos através de temas geradores. Além disto. Objetivos gerais: trabalhar o mundo do movimento em sua amplitude e complexidade com a intenção de proporcionar. . de modo que uma determinada coleção de “fórmulas” institucionais possa ser facilmente aprendida e guardada na memória pelas gerações sucessivas. c) estes significados podem ser modificados através de processos interpretativos. Objeto de estudo: o mundo do movimento e suas implicações sociais. Mércia do Carmo Andrade (UFPe). Micheli Ortega Escobar (UFPe). Tendência educacional: progressista crítica. acessar e tornar significativo os conteúdos aos participantes. Seriação escolar: pode ser trabalhada dentro da atual estrutura curricular escolar. comentando sobre os significados/símbolos. Preocupa-se mais em como trabalhar.

as ações metodológicas são organizadas de forma a conduzir a um aumento no nível de complexidade dos temas tratados e realiza-se em uma ação participativa. a competência e a responsabilidade docente são fatores fundamentais para a efetivação e a ampliação das ações pedagógicas no ensino aberto. 1986) e Visão didática da Educação Física (Cardoso. f) possibilite aos alunos a participação em todas as etapas do processo ensino-aprendizagem. Avaliação: privilegia a avaliação do processo ensino-aprendizagem. b) não olhe para o esporte só como rendimento. e) considere a relação entre movimento.Enfoque metodológico: desenvolve-se através de ações problematizadoras. o ensino aberto exprime-se pela “subjetividade” dos participantes. que faça com que isso se desenvolva na discussão social. Aqui entram as intenções do professor e os objetivos de ação dos alunos. . (1991) – Grupo de Trabalho Pedagógico (UFPe – UFSM) O Grupo de Trabalho Pedagógico defende uma aula de Educação Física que: a) procure uma ligação do aprender escolar com a vida de movimento dos alunos. isto é. onde professor e alunos interagem na resolução de problemas e no estabelecimento de temas geradores. Relação professor-aluno: estabelece-se dentro de uma ação co-participativa que se amplia de acordo com o amadurecimento e a responsabilidade assumida pelos integrantes do grupo. e que não os reduza a condições prévias de aprendizagem motora.. O engajamento. 1991). et al. _________________________ d) mantenha o caráter de brincadeira no movimento e na forma natural dos alunos. Cardoso. Livros que tratam do assunto: Concepções abertas no ensino da Educação Física (Hildebrandt e Laging. c) considere as necessidades e interesses. et al. medos e aflições dos alunos. percepção e realização.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful