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Relatório de Estágio Trabalhista – Julgamento.

O presente julgamento trata-se da licitude da terceirização de atividades-fim: a


Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 324 e o Recurso
Extraordinário (RE) 958252, realizado pelo Supremo Tribunal Federal.

A sessão de julgamento, iniciou-se com a leitura da ata do dia, e a abertura pela


ministra Carmen Lúcia, posteriormente iniciou-se a leitura dos relatórios pelos ministros
Luís Roberto Barroso, relator da ADPF, e Luiz Fux, relator do RE, e com as sustentações
orais das partes e dos amicus curiae (amigos da Corte).

No que tange a ADPF 324, ajuizada pela Associação Brasileira do Agronegócio,


visando o reconhecimento da inconstitucionalidade da interpretação utilizada como
reiteradas decisões da Justiça do Trabalho no respaldo a terceirização, em que durantes a
sustentação oral reiterou os argumentos de que as decisões que restringem a terceirização
com base na Súmula 331 do TST afetam a liberdade de contratação, ou seja, violam
direitos que sob a égide da Constituição Federal são fundamentais como a livre iniciativa
e a valorização do trabalho.

Em conformidade, o RE 958252, ajuizada pela Celulose Nipo Brasileira S/A, que


também alega nos autos a ilicitude da terceirização, em que na sustentação oral realizada
pelo advogado se utilizou-se como defesa que a decisão proíbe a contratação de empresas
idôneas para prestação de serviços com um fundamento sem respaldo legal. A outra parte
no recurso sendo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Guanhães e
Região, defendeu a decisão do TST ressaltando dados que demonstram a relação entre
terceirização, precarização e incidência de acidentes de trabalho.

A ADPF 324, tendo como relator o ministro Luís Roberto Barroso, anunciou
durante seu voto tratar de um caminho para assegurar o emprego, garantir direitos dos
trabalhadores e proporcionar o desenvolvimento econômico. Portanto, para o relator as
restrições à terceirização, que vinham sendo feitas pela Justiça do Trabalho em suas
decisões violam os princípios da livre iniciativa, concorrência e principalmente da
segurança jurídica. O Ministro Luís Roberto Barroso, adotou como tese para o julgamento
da ADPF, que é lícita a terceirização de toda e qualquer atividade, meio ou fim, não se
configurando relação de emprego entre a contratante e o empregado da contratada. Além
disso, na terceirização, compete à contratante verificar a idoneidade e a capacidade
econômica da terceirizada e responder subsidiariamente pelo descumprimento das
normas trabalhistas, bem como por obrigações previdenciárias. Na conjuntura ficaram
vencidos os ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski.

No RE 958252, tendo como relator o ministro Luiz Fux, em seu voto optou pelo
provimento do recurso para a reforma da decisão da Justiça do Trabalho que não deu
provimento a terceirização, fundamentando que a Súmula 331 do TST é uma intervenção
imotivada na liberdade jurídica de contratar sem restrição. Ademais, o ministro reiterou
a importância para o Estado Democrático de Direito, o respaldo à valorização social do
trabalho e a livre iniciativa. Dessa forma, adotando como tese da repercussão geral, a
lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho em pessoas jurídicas
distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, revelando-se
inconstitucionais os incisos I, III, IV e VI da Súmula 331 do TST, sendo acompanhado
em seu voto pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Durante a sessão de julgamento, observou-se que o acompanhamento processual


respeitou os requisitos processuais estabelecidos pela legislação, com a abertura da
sessão, sustentação oral das partes, participação dos amicus curiae, sustentação dos votos
dos ministros relatores, posteriormente acompanhada da votação que podem acompanhar
integralmente o relator, ou acompanhar com ressalvas o entendimento, ou divergir e
acompanhar a divergência.

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