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Universidade da Beira Interior

Departamento de Comunicação e Artes


Licenciatura em Ciências da Comunicação
Ano Lectivo 2009/2010 – 2ºSemestre
Teoria da Comunicação

Recensão Crítica “A Improbabilidade da Comunicação” Niklas Luhmann


Nascido a 8 de Dezembro de 1927 em Lunenburg, Canadá, Niklas Luhmann,
jurista e sociólogo alemão, considerado mesmo como um dos melhores nesta mesma
sociologia, frequentou o curso de Direito, entre 1946 e 1949, na Universidade Friburgo.
Já entre 1960-1961 frequentou, novamente, outro curso, mas desta vez, de Políticas
Públicas e Gestão na Universidade de Harvard, onde começou a dedicar-se à sociologia,
por influência do seu professor Talcott Parsons. A 6 de Novembro de 1998 falece vítima
de cancro.

Segundo o autor, a comunicação é algo indispensável, ou seja, sem ela qualquer


ser humano não poderia, nem conseguia relacionar-se e até mesmo viver. Por isso deve-
se analisa-la esta mesma comunicação, podendo assim considerar a improbabilidade da
comunicação fazendo com seja esclarecedora.

Posto isto, considera-se duas correntes teóricas: uma primeira onde se


“estabelece a possibilidade de melhorar as condições” (pág.39), partindo de que a
comunicação para ser perfeita, deve através dessa mesma análise conseguir fazer os
recuos de que se necessita e eliminar os defeitos, para assim se poder avançar da melhor
forma possível, favorecendo uma progressão “das condições de vida da humanidade”
(pág.40); e uma segunda em que a “teoria parte da tese da improbabilidade” (pág.40) o
que faz com que seja prejudicial para a comunicação, devido a esta improbabilidade,
que tenta dar respostas à grande complexidade aliada à comunicação, desencadear
muitos factores negativos.

“Não se pode já continuar a pensar ingenuamente que existem possibilidades


ilimitadas de aperfeiçoamento a partir da «natureza»..” (pág.41), pois a natureza é
considerada improvável, mas que pode ser superada, onde remete para uma dimensão
que valoriza o que está concebido e o que ainda está por conceber. Posteriormente “toda
a destruição de uma ordem remete para a impossibilidade de uma reconstrução”
(pág.41). Tendo isto em conta, uma teoria da comunicação implica que a comunicação
seja improvável, mesmo lidando (experimentando e praticando) com ela diariamente e o
facto de nos ser indispensável. Sendo assim, a comunicação tem de superar uma série de
problemas e dificuldades para chegar a produzir-se.

O autor vai examinando as razões e obstáculos que impossibilitam o processo da


comunicação. Esses obstáculos (que surgem como problemas e dificuldades) são
divididos em três impossibilidades: “Em primeiro lugar, é improvável que alguém
compreenda o que o outro quer dizer, tendo em conta o isolamento e a individualização
da sua consciência.” (pág.42), ou seja, se alguém se individualizar é improvável que o
compreenda, tendo em conta que depende do contexto e do meio onde está inserido; “A

Micaela Ribeiro Tavares


Nº24756
13 de Maio de 2010
Universidade da Beira Interior
Departamento de Comunicação e Artes
Licenciatura em Ciências da Comunicação
Ano Lectivo 2009/2010 – 2ºSemestre
Teoria da Comunicação

segunda improbabilidade é a de aceder aos receptores. É improvável que uma


comunicação chegue a mais pessoas do que as que se encontram presentes numa
situação dada. O problema assenta na extensão espacial e temporal.” (pág.42), ou seja,
uma determinada comunicação não consegue chegar, nas devidas condições, a mais
pessoas do que as que estão presentes, numa situação ou meio, devido ao tempo e
espaço dessa mesma comunicação; “A terceira improbabilidade é a de obter o resultado
desejado. Nem sequer o facto de que uma comunicação tenha sido entendida garante
que tenha sido também aceite.” (pág.43), ou seja, apesar da comunicação ser entendida
não quer dizer que é aceite por unanimidade, o que de facto acontece, e faz com que não
se obtenha o pretendido. Com isto, estas improbabilidades não são consideradas como
sendo apenas meros obstáculos que impossibilitam a chegada da comunicação ao
destinatário, porém também “actuam como «factores de discussão» que induzem a
abster-se de uma comunicação que se considerada utópica” (pág.43), ou seja,
contribuem para que a comunicação não seja tão interessante, clara e informativa.

A comunicação está totalmente relacionada com os sistemas sociais, pois se não


houver comunicação, estes também não existem. Sendo assim, as três improbabilidades,
mencionadas anteriormente, reforçam-se entre si, levando assim a que não se possam
reduzir e se tornarem em probabilidades. Deste modo, quando, a comunicação, é
devidamente compreendida, maior é o motivo para a rejeitar. Em todo o caso, se a
comunicação transborda as pessoas presentes num dado meio ou contexto, a sua
compreensão fica mais difícil e, por sua vez, é mais fácil produzir a rejeição.

“Esta lei, segundo a qual as improbabilidades se reforçam mutuamente e as


soluções dos problemas num aspecto reduzem as possibilidades de solução noutros…”
provoca a ideia de que não há nenhum meio que facilita directamente o processo
constante de entendimento entre seres humanos.

Acerca dos meios, esta teoria trata da totalidade de formar a comunicação que é
improvável em provável, considerando três problemas básicos. No geral, o autor aborda
o facto dos meios de comunicação de massas, estendendo, assim, a comunicação para lá
das pessoas presentes, ou seja, uma comunicação presencial, dando como referência a
imprensa e a rádio. Luhmann toma como exemplo a criação do conceito de meios de
intercâmbio, concebido pelo sociólogo Parsons, onde o meio que mais destaca, o que
mais “eleva a compreensão das comunicações” é a linguagem. A invenção comunicação
escrita é considerada como a função que transcende a comunicação presencial.

Contudo só se inclina nos dois tipos de meios, os mais generalizados, que foram
referidos anteriormente (linguagem e a escrita), embora só surgem devido à técnica de
difusão, que permite exceder os limites da comunicação entre os presentes e ainda
programar informações para número desconhecido de pessoas que estão ausentes, assim
Micaela Ribeiro Tavares
Nº24756
13 de Maio de 2010
Universidade da Beira Interior
Departamento de Comunicação e Artes
Licenciatura em Ciências da Comunicação
Ano Lectivo 2009/2010 – 2ºSemestre
Teoria da Comunicação

como para situações não exactas. Requer, então, a criação de uma escrita que chegue a
todo, de uso universal.

O autor, em jeito de conclusão, aponta que a concepção teórica tem dupla face:
por um lado, a comunicação que era improvável passa a ser possível e regulariza-se nos
sistemas sociais; por outro lado, a improbabilidade, quanto à difusão, se a técnica lhe
permitir vence-la faz com que o êxito seja alcançado. As transformações que a técnica
de comunicação produz, aplicam novas exigências à cultura.

Quanto à acessibilidade dos meios de comunicação modernos, mas em relação


aos meios de comunicação de massas provam que os problemas são demasiado
limitados, tendo em conta que estes meios têm um método individualista. Este
individualismo deforma a imprensa, o cinema e a rádio, o que leva a consequências
sociais. É claro que também se têm que ter em conta que este ramo está sempre em
expansão. “O problema da improbabilidade da comunicação em si e o conceito de
sociedade como sistema diferenciado…” (pág.51) tendem, porque as improbabilidades
transforma-se em probabilidades.

Os meios de comunicação estão associados a todos os meios que, de igual forma,


passam informação. O autor exemplifica dizendo o aumento das possibilidades de êxito
da comunicação não se dá da mesma maneira, e que, por sua vez, a comunicação está
interligada com três distintas áreas: a ciência, economia e política, áreas estas com
grande importância para a sociedade. O sociólogo Parsons, também ele, considera que
“parte da suposição que todos os sectores funcionais…dispõem em idêntica medida de
um meio de comunicação” (pág.53). A sua teoria considera que as necessidades
essenciais dão liberdade para os tipos de comunicação. Tal modo, que a comunicação
não pode ser generalizada pela sua variabilidade, mas pelo contrário, pode pela sua
complexidade que está associada. Este exemplo é uma forma visível do desequilíbrio do
progresso. A transformação do improvável no que é quase certo prejudica “as
possibilidades de estabelecer um controlo técnico de sistemas complexos…” (pág.54).
Contudo, o progresso mantêm-se, uma vez que “surgem vagas desanimadoras de
improbabilidade…” até nos sistemas mais simples de interacção.

Niklas aponta também outros exemplos onde dirige-nos para os meios de


comunicação de massa, onde a comunicação nem sempre é o reflexo e às vezes se pode
tirar conclusões que são totalmente opostas umas às outras e que não vão de encontro
aos ideais e de onde não se extrai nenhum contributo pessoal.

Micaela Ribeiro Tavares


Nº24756
13 de Maio de 2010