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Faculdade de Educação Memorial Adelaide Franco – FEMAF

Credenciamento Portaria MEC nº 357/2016 DOU 17/02/2016


CNPJ: 97.522.659/0001-40
Av. Drº João Alberto, Nº100 Res. Mª Rita
www.femaf.com.br
E-mail: femaf.educa@hotmail.com
(099) 3642-2129/98187-0220

EDUCAÇÃO E NOVAS
TECNOLOGIAS

IVO EMANNUEL ARRAIS SILVA

PROFESSOR
FEMAF- Faculdade de Educação Memorial Adelaide Franco
CNPJ: 97.522.659/0001-40
Av. Drº João Alberto, N° 100. Res. Mª Rita
E-mail: femaf.educa@hotmail.com
(099) 3642-2129

DISCIPLINA: EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS

CARGA HORÁRIA: 75 horas

Ementa:
O impacto tecnológico na educação. Globalização da comunicação e sua influência no
processo ensino-aprendizagem. Educação à distância. Ambientes virtuais de aprendizagem:
definições e os mais usados na educação on-line no Brasil. Políticas de informatização da
educação brasileira. Possibilidades e limites da informática na educação. O uso do computador
como recurso didático. A internet como fonte de pesquisa. Alfabetização tecnológica do
professor.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
COX, K. K. Informática na educação escolar. Polêmicas de nosso tempo. Campinas, SP:
Autores Associados, 2003.
KENSKI, V. Tecnologias e ensino presencial e à distância. Campinas: Papirus, 2004.
BARBOSA, R. M. Ambientes virtuais de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2005.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
OLIVEIRA, R. Informática educativa: dos planos e discursos à sala de aula. 3ª Ed.
Campinas: Papirus, 2002.
PAIS, L. C. Educação escolar e as tecnologias da informática. Editora Autêntica, 1999.
 O IMPACTO TECNOLÓGICO NA EDUCAÇÃO:

O termo tecnologia remete-nos à evolução, progresso e


comodidade. Na história da humanidade constatam-se vestígios de uma tecnologia
rudimentar, necessária para a realização de tarefas essenciais para a sobrevivência
do ser humano. O avanço tecnológico de forma progressiva influenciando a vida das
pessoas, transformando o homem e sua cultura. No entanto, a compreensão do
conceito vai além dos encantamentos que ela oferece. A dependência da tecnologia
e o seu uso hiperbólico podem apresentar algumas ambivalências, isso significa que
possa servir tanto para boas quanto para más ações. Veremos suas implicações no
decorrer deste trabalho, que tem por objetivo fazer uma reflexão sobre o papel da
tecnologia na atualidade, seu contexto histórico e diversidade, os impactos das
grandes marcas na sociedade e na educação, como seus aspectos políticos e
culturais.
A metodologia utilizada para elaboração deste artigo foi em forma de pesquisa
bibliográfica, pautada em uma análise qualitativa dos principais conceitos,
pertinentes ao objeto de estudo. Foram efetuadas pesquisas de artigos relacionados
a temática nas plataformas virtuais Google Acadêmico e Scielo. A produção textual
elaborada pelos autores e a discussão em relação ao tema foram estritamente feitas
no editor de texto do Google Drive, de forma assíncrona.

Segundo Kenski (2012, p. 22) “[...] a expressão “tecnologia” diz respeito a


muitas outras coisas além das máquinas. O conceito tecnologia engloba a totalidade
de coisas que a engenhosidade do cérebro humano conseguiu criar em todas s
épocas, suas formas de uso, suas aplicações”. O conceito de tecnologia
compreende tudo que é construído pelo homem a partir da utilização de diversos
recursos naturais, tornando-se um meio pelo qual se realizam atividades com
objetivo de criar ferramentas instrumentais e simbólicas, para transpor barreiras
impostas pela natureza, estabelecer uma vantagem, diferenciar-se dos demais seres
irracionais. Sendo assim, a linguagem, a escrita, os números, o pensamento, pode
ser considerado tecnologia.
Para Kenski (2012, p. 24), o conjunto de:
[...] conhecimentos e princípios científicos que se
aplicam ao planejamento, à construção e à
utilização de um equipamento em um determinado
tipo de atividade, chamamos de “tecnologia”. Para
construir qualquer equipamento - uma caneta
esferográfica ou um computador -, os homens
precisam pesquisar, planejar e criar o produto, o
serviço, o processo. Ao conjunto de tudo isso,
chamamos de tecnologias.

O homem como um ser racional, principal atributo que o diferencia dos


demais seres vivos, apoia-se em sua capacidade de pensar, refletir sobre suas
ações, acumulando e desenvolvendo conhecimento, traçando planos e hipóteses,
buscando superar as adversidades, na tentativa de controlar os fenômenos naturais
ou antropogênicos, transformando o espaço natural almejando qualidade de vida.
Há uma perspectiva generalizada de que tecnologias são apenas
equipamentos e aparelhos, mas como ela engloba a engenhosidade do cérebro
humano, tudo o que se produz torna-se tecnologia. Na idade da pedra, por
exemplo, para se defender de animais ferozes o homem usava armas, elementos da
natureza e aos poucos foram surgindo novas tecnologias, mas não apenas para
defesa e sim para dominação. A partir daí começou uma guerra pela conquista de
territórios. Do osso e a madeira utilizados como armas, passou-se a fazer uso de
lanças, flechas, barcos e até mesmo navios. Dessa forma, com a inovação
tecnológica o homem começou uma busca incessante pelo acúmulo de riquezas.
Conforme o homem foi evoluindo, surgiu a necessidade de adaptação do
meio. Criaram então a linguagem, números, roupas, cobertores, habitações,
metalurgia, roda, arado, construíam obras públicas, fundaram cidades e
desenvolveram várias formas de obtenção de energia, etapas que contribuíram para
universalidade do desenvolvimento social e cultural dos povos.
Com todo este progresso, talvez não percebemos o quão dependente nos
tornamos das tecnologias e o quanto ela tornou-se parte do processo social,
configurando-se como ferramenta mediadoras das nossas ações. Sendo assim,
todo o contexto da história da humanidade, colaborou para que hoje o ser humano
tenha conforto e informação com rapidez, sem limites.
Para entendermos o papel da tecnologia na atualidade, partimos dos
pressupostos citados por Kenski (2012 p.22), “o surgimento de um novo tipo de
sociedade tecnológica é determinado principalmente pelos avanços das tecnologias
digitais de comunicação e informação e pela microeletrônica”. Descobertas que
trouxeram a solução de muitos problemas ainda não superados, na área da
medicina, robótica, transportes, comunicação à longa distância. Promovendo a
circulação mais eficaz da informação, possibilitando a expansão da economia, enfim,
há uma infinidade de pontos positivos nessa evolução.
Por outro lado, essa evolução tecnológica gerou o empobrecimento de
grande parte da população. Com advento da revolução verde na agricultura,
aumentou o desemprego estrutural, obrigando trabalhadores do campo a migrarem
para a cidade. A mão-de-obra assalariada substituída por máquinas, abriu espaço
para as desigualdades sociais nas cidades, contribuindo para o aumento da
pobreza. Isso nos leva a pensar que qualquer ser vivo, para preservar a própria
existência, acaba fazendo uso dos meios disponíveis, já que as transformações do
meio são inevitáveis, consequentemente buscando formas de adaptação e
organização social. Esse paradoxo a autora Sancho (1988) chama de ambivalência.
O termo refere-se a um duplo sentido de valores. Ao mesmo tempo em que a
tecnologia transforma uma sociedade com aspectos positivos, pode levar o ser
humano a decadência.
Neste aspecto de ambivalências, é possível tratar sobre a dimensão política e
cultural da tecnologia. De acordo com o dicionário de Filosofia Oxford, “Política é
definida como a arte de governar, ou ciência de organização”. “Cultura se refere ao
modo de vida de um povo, em que se incluem atitudes, valores, crenças, ciências,
modo de percepção e hábitos de pensamento e ação”.
Para a política a tecnologia tem papel muito claro, através dela o país se
desenvolve, desencadeando o progresso. Alguns países supervalorizam o saber e
o desenvolvimento tecnológico, investindo maciçamente em pesquisas
tecnológicas buscando o avanço das ciências. Outros investem em equipamento
agrícolas e no uso de agrotóxicos, ao invés de apostar na agricultura orgânica,
visando apenas lucro e a competitividade no agronegócio.
Por outro lado, as tecnologias proporcionam comodidade e
entretenimento, a internet, por exemplo, está mais acessível e se torna uma
ferramenta utilizada diariamente. Para isso, vemos a necessidade de esforços do
setor público e de empresas privadas que visem a sustentabilidade, pois a solução
para a utilização destas tecnologias, sem agredir o meio ambiente, está no
investimento em fontes renováveis e no uso consciente dessas ferramentas.
Além disso, pode-se perceber a relação de poder que a tecnologia exerce.
O homem, um ser sujeito a manipulação, com sua capacidade de criação, fez
mudanças na estrutura urbana, nos meios de comunicação, na arquitetura e nas
atividades industriais e energéticas. Dessa forma, o trabalhador que antes detinha o
controle da sua invenção, agora é submetido e dominado pelas condições de
trabalho, na maioria das v e z e s , escravo. Já aqueles que são capazes de
controlar obtêm vantagens sobre os demais acelerando o crescimento econômico
alcançando prestígio, conhecimento e poder. Para tanto, o papel da tecnologia
é oferecer condições para que o homem possa satisfazer sua necessidade de
sobrevivência, de criar técnicas de facilitação para o trabalho diário, assim como a
sua necessidade de interação com o outro por meio do uso de tecnologias
da informação e comunicação.

Contexto histórico da tecnologia na educação

Dentre tantos outros conceitos sobre a tecnologia, relacionada à educação


Niskier (1993) menciona algumas ideias como “uma mediação do encontro
entre Ciência, Técnicas e Pedagogia.” ou ainda como “ um exercício crítico com
utilização de instrumentos a serviço de um projeto pedagógico” .
Segundo (Brito & Purificação, 2011) a necessidade incentiva o impulso
às criações tecnológicas, como o ábaco, instrumento utilizado por povos
primitivos para auxiliar na contagem, considerado assim o primeiro computador
(p.59).
Na década de 40, em meio a segunda guerra mundial, os computadores
modernos surgiram. Nos Estados Unidos, na década de 60, popularizou o
microcomputador e este se tornou a principal ferramenta de trabalho. Na década de
90, a internet promoveu grandes mudanças nas esferas sociais e econômicas. Estas
mudanças alteraram também a dinâmica escolar. Em 1970 era percebido um
movimento da informática na educação, tanto no setor administrativo quanto em
sistemas eletrônicos de informação. E no Brasil a década de 80 foi marcada por
grandes investimentos governamentais de informática na educação.
Em resumo Simão Neto (p.67) descreve o contexto em seis ondas:

Primeira onda: logo e programação; segunda


onda: informática básica; terceira onda: software
educativo; quarta onda: internet; quinta onda:
aprendizagem colaborativa; sexta onda: o que
será? (apud Brito & Purificação, 2011, p.65)
O próprio autor não define o que é a sexta onda, pois os avanços
tecnológicos continuam em pleno vigor. Uma coisa é certa, o uso do computador e
da internet na escola para fins educacionais é um passo importante. Para as autoras
uma sociedade humana não pode sobreviver se a cultura não for transmitida de
geração a geração e é a educação que garante esta transmissão. Para tanto, a
escola precisa inserir ferramentas que lhe auxilie na formação mais reflexiva do ser
humano na construção de um mundo melhor.
Um exemplo que ajuda a ilustrar que a inserção das tecnologias na
educação nem sempre são compreendidas ou ocorrem sem muita clareza se refere
ao projeto UCA. No ano de 2005, o governo desenvolveu o projeto: “Um
Computador por Aluno (UCA)”, com objetivo de intensificar o uso da tecnologia da
informação nas escolas. Após um longo processo de licitação em 2008 o governo
efetuou a compra de 150 mil laptops que contemplou 300 escolas brasileiras. Este
fornecimento se deu por meio de empresas classificadas no leilão, vemos aí a
influência das grandes marcas que visam lucros através de investimentos do
governo. Porém, as verbas e os próprios aparelhos que as escolas recebem acabam
sendo um desperdício, pois não utilizam, porque não possuem estrutura necessária
e nem capacitação para tal procedimento. Assim, torna-se notável que a escola é
uma boa consumidora de tecnologia, contudo é preciso investigar se este consumo
é satisfatório e atenda realmente as necessidades de alunos e professores.
A educação é um processo, não um fim em si mesmo, portanto precisa
sofrer intervenções positivas para o seu aprimoramento. O uso das
tecnologias na área da educação pode exercer um papel importante na relação
ensino-aprendizagem.
O contato regrado e orientado da criança com o computador em

situação de ensino-aprendizagem contribui positivamente para seu desenvolvimento


cognitivo e intelectual, em especial no que esse desenvolvimento diz respeito ao
raciocínio lógico e formal, à capacidade de pensar com rigor e sistematicidade, à
habilidade de inventar ou encontrar soluções para problemas. (CHAVES, 2004 apud
ANDRADE, p.12).
Sendo assim, utilizar as tecnologias como ferramentas pedagógicas

podem auxiliar o aluno no processo de construção do conhecimento. Para isso a


capacitação e inclusão digital do profissional da educação são de suma importância,
porque professor é a figura central da mediação do saber.
Demo (2008, p.134) ainda ressalta:

Temos que cuidar do professor, pois todas as mudanças


só entram bem na escola se entrarem pelo professor, ele é
a figura fundamental. Não há como substituir o professor.
Ele é a tecnologia das tecnologias, e deve se portar como
tal. (Apud ANDRADE, p.16)

A dinâmica da visão moderna sobre a tecnologia trata-se de uma

ferramenta, ou um meio para o uso humano, no qual à tecnologia configura a cultura


e a sociedade. Tal dinâmica se reflete na apropriação da tecnologia nas práticas
pedagógicas. Isto se revela nos estudos que abordam a integração das tecnologias
à educação. Portanto, a proposta não é simplesmente trocar o velho pelo novo, mas
sim tornar a tecnologia um recurso eficaz, dentro do ambiente escolar. Para isso
uma mudança na postura docente se torna essencial pois a escolha de recursos
passa pelo professor e a possibilidade de torná-lo significativo também.
Dessa forma, o incremento de tecnologias de comunicação e

informação no contexto da educação tem como objetivo promover a diversidade


cultural e a quebra do paradigma da cultura de massa. Visa a desmistificação de
estigmas históricos entre as diversas culturas, através do estreitamento de
distâncias entre diversas formas de expressões culturais presentes no planeta.
 6 Impactos da Tecnologia na Educação 

A chamada “era digital” deixou de ser um diferencial do mercado educacional há


muitos anos. Hoje, a tecnologia é indispensável, seja na gestão das Instituições,
como também nas salas de aula.

É Preciso Pensar “Fora da Caixa”

O método tradicional de Ensino, onde as salas de aula eram formadas com base em
uma hierarquia extremamente rígida, onde o professor era tido como detentor do
conhecimento, já está em desuso há bastante tempo.

Hoje, as aulas precisam ser cada vez mais dinâmicas e principalmente colaborativas,
dando espaço ao envolvimento e interação do aluno. E neste cenário, a tecnologia
tem papel de destaque sobre todas as mudanças.

6 Impactos da Tecnologia na Educação

Quais os que mais impactaram no dia a dia de sua Instituição?

1. Informações institucionais: organização e acesso facilitado

Você lembra como eram armazenados os dados de alunos (e da Instituição de modo


geral), em uma época onde a tecnologia não era tão acessível?

Hoje é possível muito mais do que simplesmente digitalizar as informações, de modo


que a Instituição consiga organizar um banco de dados eficiente e que reduza o
tempo dedicado à busca por eles.

Além da economia de tempo (fundamental na rotina de um profissional da área da


Educação), organizar dados em um Software de Gestão Educacional, promove
também a economia de espaço físico para arquivos, materiais e recursos (como
papéis, impressão, entre outros).

2. Priorizar a qualidade do Ensino e dedicar esforços para o crescimento da


Instituição

Ainda falando em economia de tempo: imagine uma época onde o Gestor


Educacional pudesse dedicar seus esforços em ações focadas no crescimento da
Instituição, além de observar atentamente a qualidade do Ensino?

Bom, a boa notícia é que estamos vivendo este momento. E já faz algum tempo.

Identificar pontos fortes e fracos de uma Instituição, além de medir o nível de


satisfação de alunos e responsáveis, por muito tempo, foi algo bastante trabalhoso e
que exigia o envolvimento de diversos profissionais.
Hoje, um dos principais impactos da tecnologia na educação, permite justamente
simplificar as pesquisas de qualidade, mensurar dados fornecidos pelos sistemas,
desenvolver relatórios de desempenho e ter controle absoluto de todos setores da
Instituição.

3. Comunicação rápida e eficiente

“Não conseguimos contato”. Com os impactos da tecnologia na Educação, esta


frase fica bem difícil de ser citada.

Além do mais, como já citado, a comunicação precisa ser imediata e a tecnologia


permite inúmeras facilidades:

 Agilidade nas solicitações;


 Envio de comunicados;
 Notificações e lembretes;
 Consulta de Informes Institucionais;
 Análise e registro de frequência;
 E muito mais.

O relacionamento de uma Instituição de Ensino com sua comunidade acadêmica,


possibilitado por uma comunicação ágil, eficaz e de baixo custo entre alunos,
professores, responsáveis e demais envolvidos, é fundamental para um processo de
fidelização.

4. A Sala de Aula na Web

A interação entre professor e aluno não acaba após a aula.

Disponibilizar conteúdos extras e atualizados, recursos e atividades diferenciadas que


relacionem a teoria e prática, já fazem parte da rotina do professor. E o melhor:
otimizam o tempo destes profissionais.

É importante também destacar a modalidade de ensino à distância (EaD), que vem


ganhando força, especialmente para atender quem reside longe da Instituição ou não
tem tempo para frequentar aulas e necessita de flexibilidade de horários para os
estudos.

5. Saúde financeira da Instituição

Quando falamos sobre os impactos da tecnologia na Educação, não podemos


deixar de citar a saúde financeira da Instituição.

Os Sistemas de Gestão Educacional qualificam, sobre tudo, processos financeiros


que aumentam a capacidade competitiva da Instituição, através de facilidades como:

 Impressão de boletos pelo sistema;


 Agrupamento de mensalidades em boleto único;
 Renegociações;
 E muito mais.

Além de permitir para a Instituição um controle muito mais eficaz acerca da


inadimplência, também é possível ter um diagnóstico muito mais amplo sobre os
investimentos e gastos em geral, eliminando assim os desperdícios.

6. Uso de blogs, vídeos e redes sociais como alternativas complementares de


conteúdos e engajamento extraclasse

Atividades extraclasse contribuem de forma bastante positiva para o aprendizado dos


alunos e são excelentes aliados dos professores.

A utilização de ferramentas como blogs e redes sociais, despertam a criatividade e


estimulam a busca por conhecimento – a ser compartilhado com os demais.

Mas afinal, qual é a melhor opção para iniciar essa metodologia? Promover
atividades extraclasse que envolvam estas ferramentas, devem seguir alguma linha
pedagógica específica?

Ainda que seja comum a resistência sobre a inserção destas ferramentas nos planos
de aula, inseri-las no ensino poderá aumentar o engajamento dos alunos através da
promoção de atividades online. Lembre-se que o aluno está constantemente
conectado e atento à estas novidades.

Então por que não ser um aliado destas ferramentas, desde que sejam estipuladas
regras para sua utilização?

A Tecnologia tem muito a contribuir com o ambiente escolar

Incluir o Ensino na constante transformação tecnológica que vivemos é um grande


desafio.

É preciso não apenas ter domínio das ferramentas, como também utilizar
metodologias adequadas para envolvê-las no Ensino e tê-la como grande aliada na
construção do conhecimento, através de fontes de informações confiáveis e meios de
comunicação eficazes.

Para as Instituições, os benefícios são inúmeros e possibilita toda uma otimização


administrativa que sem ela, mudanças tão benéficas estariam longe da realidade.

Vale ressaltar que é necessário, também, conscientizar a comunidade acadêmica


sobre a utilização saudável das ferramentas e os impactos da tecnologia na
educação, seu desenvolvimento social e cultural
 GLOBALIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NO
PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Inúmeros avanços tecnológicos marcam os séculos XX e XXI, destacando-se o


aperfeiçoamento informático. Em um mundo globalizado, onde, a principal moeda é a
informação, a Internet se torna uma fonte infinita de informações. Essa tendência fica cada
vez mais forte nas instituições de ensino, influenciando assim, a forma em que os
professores devem agir na sala de aula.
Nos últimos anos, a tecnologia ajuda os professores na hora de planejarem suas
aulas, incrementando assim, o modo de ensinar. Por outro lado, os jovens e adolescentes,
tem passado a maior parte do seu tempo em seus smartphones, tabblet’s, notebook’s,
conectados à Internet, na maioria das vezes em sites de relacionamento.
A escola, por sua vez, deve criar maneiras que conciliem o saber ao prazer, criando
um elo entre a tecnologia e a educação, aliando o uso da Internet com o ensino
aprendizagem, fazendo com que as aulas tornem-se mais atrativas e menos monótonas
para os alunos que possuem um mundo de informações na palma das mãos, entretanto, não
fazem o uso correto desta ferramenta tão valiosa para seus conhecimentos.

Não se pode ignorar que a chegada da Internet trouxe diversas vantagens ao nosso
meio. Além de estreitar laços, ela beneficiou na questão de pesquisas sobre quaisquer
assuntos, portanto, devemos obter maneiras de conciliá-la a educação. Todos os
acontecimentos têm repercussão simultânea, portanto, devemos analisar a melhor maneira
de utilizá-las a nosso favor.
Tendo essa linha de pensamento, buscamos proporcionar aos professores
mecanismos e formas para melhorar o ensino nas escolas brasileiras, criando aulas criativas
e dinâmicas, onde os alunos se tornem sujeitos pensantes e participativos. Contudo,
sabemos que para isso acontecer, devemos romper com velhos paradigmas que ainda estão
presentes no cenário educacional, principalmente quando o assunto é o uso das Novas
Tecnologias da Informação nas escolas.
A Internet trouxe diversas vantagens para o nosso dia a dia, porém o maior problema
visto dentro das salas de aula, é que os alunos passam a maior parte do tempo dando
atenção aos seus smartphones deixando de lado o conhecimento transmitido pelo professor.
O que acaba por ser um dos motivos pelos quais o uso do aparelho é proibido dentro das
salas de aula. Falta aos alunos maturidade e controle na hora de “filtrar” as informações que
serão úteis para o uso do aparelho.

Para despertar os alunos para a aprendizagem, os professores devem buscar cada


vez mais novidades e mudar sua forma de abordagem diante das novas tecnologias, pois a
velha metodologia já se tornou obsoleta e desmotivadora. Para isso, devemos no momento
que estamos planejando, buscar maneiras de transmitir o conteúdo, lembrando que estamos
em uma época em que toda a informação é alcançada em apenas alguns segundos,
devemos considerar que o aluno também é sujeito do conhecimento e o professor nesse
processo de ensino-aprendizagem é o mediador.

 DESAFIOS E PERSPECTIVAS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

Como outras invenções, a Internet ajudou muito na evolução da sociedade atual, com
ela, longas distâncias puderam ser encurtadas, pois, com um simples “click” pode-se
navegar por todo o mundo. Contudo, para se falar de Internet, devemos saber como ela
surgiu, porque e como.
A Internet surgiu no final dos anos 1960, na Guerra Fria, para fins militares, com iniciativa
do Departamento de Defesa Americano que queria um sistema de comunicação que fosse
capaz de resistir a uma destruição parcial provocada, por exemplo, por uma guerra nuclear.
A ideia principal era criar uma “teia” em que os dados pudessem se mover e que
também pudessem “esperar” se fosse necessário, caso as vias de acesso estivessem
obstruídas. Foi daí que surgiu o nome Web, que em inglês quer dizer teia. O termo
INTERNET foi utilizado pela primeira vez em 1970 por Vinton Cerf. A princípio, a Internet
não possuía esse nome, era chamada de ARPAnet pois, foi fruto de pesquisas da Advanced
Research Project Agency (ARPA).
Logo quando surgiu, a Internet era exclusivamente de uso militar, apenas a partir de
1969, com pesquisas paralelas na área, que começou a ser utilizada em outros campos. Em
1969 também, foi quando houve a primeira conexão com sucesso dos servidores militares.
Neste mesmo ano, foi criado o primeiro ponto de intersecção de dados, que foi considerado
o primeiro servidor de Internet, fora de uma base militar, na Faculdade de Los Angeles, nos
Estados Unidos. No mês de outubro, foi incorporado o segundo ponto, novembro e
dezembro os seguintes, criando assim uma rede de servidores. Com os estudos paralelos,
surgiram em 1971, o correio eletrônico e no ano seguinte, um aplicativo que permitia
organizar os E-mails, foram criações respectivas de Ray Tomlinson e Lawrence G. Roberts.

Apesar de tantos estudos e pesquisas na área, faltava-se criar um mecanismo de dialogo


comum a todos que iriam utilizar a Internet, foi então que surgiu o protocolo TCP/IP o nome
vem de dois protocolos TCP (Transmission Control Protocol) e o IP (Internet Protocol) criado em
1974. No ano de 1990, foi criado o protocolo Hyper Text Transfer Protocol (HTTP) e o de
linguagem Hyper Text Markup Language (HTML), o que permitiu a navegação em outros
sites. A World Wide Web (www) decolou, a Internet se tornou pública, diversos sites
surgiram desde então.
Para se facilitar o uso de tal tecnologia, foi criado navegadores, o que contribuiu para
o crescimento da rede de computadores que utilizavam a Internet. Os estudantes utilizavam
a Internet para pesquisas escolares, para diversão, por meio dos jogos e para baterem papo.
Pessoas desempregadas utilizavam esse mecanismo para procurarem emprego e empresas
utilizavam a Internet para venderem seus produtos e com isso aumentarem seu lucro.
No Brasil, em 1987, houve uma reunião com representantes do governo e da
Embratel, na Universidade de São Paulo, com o objetivo de criar uma rede que visasse
interligar a comunidade acadêmica e científica do país com outros países para trocar
informações.
Esse sistema de comunicação chega ao Brasil a partir da década de 90, restrito a
professores, estudantes e funcionários de universidades e instituições de pesquisa,
disponibilizado apenas para pesquisa. A Internet só passou a ser comercializada, em
meados de 1994, pela empresa de telecomunicações Embratel. O ministério de
telecomunicações em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia começara a
disponibilizar o acesso à Internet para a população brasileira em 1995.

 INTERNET NA EDUCAÇÃO

Como foi notado na história da Internet, a princípio seu uso era restrito aos militares e
acadêmicos, apenas muitos anos depois de seu surgimento, ela pode ser utilizada
pela população no geral. Hoje, o que mais vemos, são pessoas “conectadas” nesse
mecanismo. O que antes era apenas para uma minoria, agora pode ser desfrutado na
palma de nossas mãos. Mas, como a Internet influência a educação? Como utilizá-la
de uma forma, em que ela seja parceira no processo educativo? Essas são algumas
das perguntas que iremos responder nesse texto.
Muitas vezes quando falamos de tecnologias na educação, nos limitamos a pensar
que conciliar a tecnologia no meio educacional é usar os computadores da sala de
informática da escola e pronto. Mas as tecnologias vão muito além da sala de
computação da escola, a tecnologia está em todo lugar.
O uso de telefones móveis com Internet na sala de aula cresce a cada dia. Os famosos
Smartphones estão nas mãos da maioria dos alunos e o seu uso na aula é intenso.
Hoje em dia, é difícil pensar na vida do ser humano sem o uso de tal tecnologia, muitas
vezes quando ficamos por algum tempo desconectados acreditamos que perdemos
tudo que ocorre no mundo.
Os jovens sentem isso mais do que todos, pois eles já nasceram nesse meio, onde tudo está
a apenas um click na palma das mãos.
Segundo APLLE (1989) apud Lion (1997):
A nova tecnologia está aqui. Não desaparecerá. Nossa tarefa como
educadores é assegurar que quando entre em aula faça-o por boas razões
políticas, econômicas e educativas, não porque os grupos poderosos
querem redefinir nossos principais objetivos educacionais à sua imagem e
semelhança.
Na sala de aula os estudantes estão perdendo o encantamento com as aulas por
considerarem-nas monótonas, e acabam buscam “refugio” para o seu “tédio” nos seus
Smartphones, conectados com o mundo a fora, sem sair do lugar, porém, utilizam
esse recurso desenfreadamente, inadequadamente. O professor vem perdendo o seu
espaço nas aulas para essa incrível tecnologia, que acaba não sendo utilizada
corretamente pelos alunos. Mas, será que se os professores permitissem o uso de
tais tecnologias na sala, as aulas não estariam realmente maçantes para essa
geração que tem toda a informação em um click? Segundo Silva (2001):
O método de ensino não acompanha a velocidade das mudanças e
novidades que surgem a cada momento. O aluno, por sua vez, perde o
encantamento com o estudo formal e com a sala de aula. Não é por nada que
a opinião corrente entre os alunos é de que as aulas deveriam ser alegres,
descontraídos e criativos.

Em pleno século XXI, ainda há professores utilizando métodos de ensino tradicional


em uma geração que nasceu com a tecnologia na palma da mão. A Internet faz com
que o espaço físico possa ser ultrapassado, porque com ela podemos conversar com
outras pessoas sem sair de casa, ler sobre algo que aconteceu em outro país quase
que no exato momento do fato, pagar contas, assistir vídeos, entre outras diversas
funções que ela nos proporciona.
Hoje as aulas estão monótonas, em meio a tanta tecnologia, os professores parecem
ignorar esse avanço e não acolhem a Internet durante suas aulas. De acordo com
Moran (2007):
Muitas formas de ensinar hoje não se justificam mais. Perdemos tempo
demais, aprendemos muito pouco, desmotivamo-nos continuamente. Tanto
professores como alunos temos a clara sensação de muitas aulas
convencionais estão ultrapassadas. Mas para onde mudar? Como ensinar e
aprender em uma sociedade mais interconectada?

Devemos lembrar que os avanços tecnológicos estão cada vez mais influenciando o
modo de vida das pessoas, dessa maneira a educação não pode ficar para trás, deve
também utilizar esse mecanismo a seu favor. De acordo com Lion (1997): “não
educamos na homogeneidade, mas na diversidade. Sabemos que as crianças estão
informadas, não desconhecemos o poder dos meios de comunicação, mas
relativizamos sua influência.” Sabemos que as crianças estão informadas, então por
que continuar com o modo de ensinar tradicional? Recentemente a UNESCO lançou
um guia “Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel”, neste documento a
instituição estimula e recomenda o uso da TIC (Tecnologia da Informação e
Comunicação) nas salas de aula em conjunto com as disciplinas.

No guia, a UNESCO dá 13 bons motivos para o uso do Smartphones na sala de aula


e sugere 10 recomendações para os governos. Alguns desses motivos são: “Permitir
a aprendizagem a qualquer hora, em qualquer lugar, criar novas comunidades de
estudantes; apoiar a aprendizagem fora da sala; criar uma ponte entre a
aprendizagem formal e não formal; Auxiliar estudantes com deficiências”, entre outros.
Apesar desses motivos para o uso do celular na sala de aula, ela recomenda alguns
itens essenciais para que consiga conciliar isso, como por exemplo: “Treinar
professores sobre como fazer avançar a aprendizagem por meio de tecnologias
móveis”, não adianta querer inserir essa tecnologia em conjunto com a educação se
não treina os professores que serão os principais mediadores desse projeto, “os
professores devem receber formação sobre como incorporá-las com sucesso na
prática pedagógica” (UNESCO, 2013). O professor é o mediador entre o
conhecimento cientifico e os alunos, ele deve estar preparado para lidar com as
mudanças que acontecem ao seu redor, tanto no âmbito educacional, quanto no
social.
Hoje na maior parte do tempo, as pessoas estão com aparelhos móveis, e os alunos
não são diferentes, usam o celular também durante as aulas e esse uso acaba sendo
proibido, pois não prestam atenção na aula, “Não podemos ignorar mais o celular, ele está a
todo o lugar. Sou contra a proibição do uso, pois a regra acaba sendo burlada.
Será que em vez de proibir, não é melhor acolhê-lo como ferramenta educativa?”
disse
Maria Rebeca Otero Gomes, coordenadora do setor de Educação da UNESCO no
Brasil.
Em outra perspectiva, pode-se compreender o que Rocha (2008) nos diz, em seu
artigo sobre O uso do computador na Educação - A Informática Educativa:
[...] Urge usá-lo como tecnologia a favor de uma educação mais dinâmica,
como auxiliadora de professores e alunos, para uma aprendizagem mais
consistente, não perdendo de vista que o computador deve ter um uso
adequado e significativo, pois Informática Educativa nada tem a ver com
aulas de computação (ROCHA 2008, p.1).

Verifica-se que o conceito de Informática na educação, está muito além, da ideia de


se haver apenas aulas de computação nas escolas. Diante disso, mensura-se que,
essa proposta pode se adequar aos padrões da sociedade em que vivemos, onde,
tudo deve ser imediato e que a cada dia constatamos a dependência do ser humano
com as tecnologias de informação.
Em seu trabalho, Rocha (2008) critica o uso da informática com forma de
adestramento do ser humano, no sentido que, ao invés de se ensinar como se utilizar
o computador, o que não deixa de ser importante, devemos ensinar nossos alunos a
como utilizarem a seu favor, ensiná-los didaticamente e pedagogicamente como
usufruir desse mecanismo que durante algum tempo era apenas para poucos e que
hoje esta em quase cem por cento dos lares. Reforçando o que Rocha (2008) diz,
podemos fazer uma ligação com Delgado (2006), em seu livro “Intervenções e
Mediações das Novas Tecnologias na Educação Básica” nos diz:
A tecnologia apresentasse como meio e instrumento para colaborar no
desenvolvimento do processo de aprendizagem. Entretanto a tecnologia não
soluciona os problemas do problema educacional no Brasil, pode colaborar,
se usada da maneira adequada, para o desenvolvimento educacional dos
alunos.
 EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Educação a distância é uma modalidade de educação mediada por tecnologias em que discentes e


docentes estão separados espacial e/ou temporalmente, ou seja, não estão fisicamente presentes
em um ambiente presencial de ensino-aprendizagem

 História

A EaD, em sua forma empírica, é conhecida desde o século XIX. Entretanto, somente nas últimas
décadas passou a fazer parte das atenções pedagógicas. Ela surgiu da necessidade do preparo
profissional e cultural de milhões de pessoas que, por vários motivos, não podiam frequentar um
estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com as tecnologias disponíveis em cada momento
histórico, as quais influenciam o ambiente educativo e a sociedade.

A EaD também é considerada um recurso que contempla as necessidades de desenvolvimento


da autonomia do aluno. O desenvolvimento da autonomia é considerado, por teóricos tais como Jean
Piaget e Constance Kamii, peça chave do processo de aprendizagem, no qual o aluno é o foco e o
professor possui papel secundário, pois apenas orienta o aluno que por sua vez escolhe o ritmo e a
maneira como quer estudar e aprender, de acordo com suas necessidades pessoais.

 Os séculos XVII e XVIII

Com a Revolução Científica iniciada no século XVII, as cartas comunicando informações


científicas inauguraram uma nova era na arte de ensinar. Um primeiro marco da educação a
distância foi o anúncio publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728, pelo professor
de taquigrafia Cauleb Phillips.

 O século XIX

Em 1833, um anúncio publicado na Suécia já se referia ao ensino por correspondência, e


na Inglaterra, em 1840, Isaac Pitman sintetizou os princípios da taquigrafia em cartões postais que
trocava com seus alunos. No entanto, o desenvolvimento de uma ação institucionalizada de
educação a distância teve início a partir da metade do século XIX.

Em 1856, em Berlim, Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt fundaram a primeira escola


por correspondência destinada ao ensino de línguas. Posteriormente, em 1873, em Boston, Anna
Eliot Ticknor criou a Society to Encourage Study at Home. Em 1891, Thomas J. Foster iniciou em
Scarnton (Pensilvânia) o International Correspondence Institute, com um curso sobre medidas
de segurança no trabalho de mineração.

Em 1891, a administração da Universidade de Wisconsin aceitou a proposta de seus


professores para organizar cursos por correspondência nos serviços de extensão universitária. Um
ano depois, o reitor da Universidade de Chicago, William R. Harper, que já havia experimentado a
utilização da correspondência na formação de docentes para as escolas dominicais, criou
uma Divisão de Ensino por Correspondência no Departamento de Extensão daquela Universidade.

Por volta de 1895, em Oxford, Joseph W. Knipe, após experiência bem-sucedida preparando
por correspondência duas turmas de estudantes, a primeira com seis e a segunda com trinta alunos,
para o Certificated Teacher’s Examination, iniciou os cursos de Wolsey Hall utilizando o mesmo
método de ensino. Já em 1898, em Malmö, na Suécia, Hans Hermod, diretor de uma escola que
ministrava cursos de línguas e cursos comerciais, ofereceu o primeiro curso por correspondência,
dando início ao famoso Instituto Hermo.

 História Moderna

No final da Primeira Guerra Mundial, surgiram novas iniciativas de ensino a distância em virtude
de um considerável aumento da demanda social por educação. O aperfeiçoamento dos serviços
de correio, a agilização dos meios de transporte e, sobretudo, o desenvolvimento tecnológico
aplicado ao campo da comunicação e da informação influíram decisivamente nos destinos da
educação a distância. Em 1922, a União Soviética organizou um sistema de ensino por
correspondência que em dois anos passou a atender 350 mil usuários. A França criou em 1939 um
serviço de ensino por via postal para a clientela de estudantes deslocados pelo êxodo.

A partir daí, começou a utilização de um novo meio de comunicação, o rádio, que penetrou
também no ensino formal. O rádio alcançou muito sucesso em experiências nacionais e
internacionais, tendo sido bastante explorado na América Latina nos programas de educação a
distância do Brasil, Colômbia, México, Venezuela, entre outros.

Após as décadas de 1960 e 1970, a educação a distância, embora mantendo os materiais


escritos como base, passou a incorporar articulada e integradamente o áudio e o videocassete, as
transmissões de rádio e televisão, o videotexto, o computador e, mais recentemente, a tecnologia
de multimeios, que combina textos, sons, imagens, assim como mecanismos de geração de
caminhos alternativos de aprendizagem (hipertextos, diferentes linguagens) e instrumentos para
fixação de aprendizagem com feedback imediato (programas tutoriais informatizados) etc.

Atualmente, o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos de quase todo o mundo,
tanto em nações industrializadas quanto em países em desenvolvimento. Novos e mais complexos
cursos são desenvolvidos, tanto no âmbito dos sistemas de ensino formal quanto nas áreas de
treinamento profissional.

A educação a distância foi utilizada inicialmente como recurso para superação de deficiências
educacionais, para a qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos.
Hoje, cada vez mais foi também usada em programas que complementam outras formas presenciais,
face a face, de interação, e é vista por muitos como uma modalidade de ensino alternativo que pode
complementar parte do sistema regular de ensino presencial. Por exemplo, a Universidade
Aberta oferece comercialmente somente cursos a distância, sejam cursos regulares ou
profissionalizantes.

 EaD no mundo

A Suécia registrou sua primeira experiência em 1833, com um curso de contabilidade. Na mesma


época, fundou-se na Alemanha em 1856 o primeiro instituto de ensino de línguas por
correspondência. O modelo de ensino foi iniciado na Inglaterra em 1840 e, em 1843, foi criada
a Phonografic Corresponding Society. Fundada em 1969, a Open University mantém um sistema de
consultoria, auxiliando outras nações a implementar uma educação a distância de qualidade.
Também no século XIX, a EaD foi iniciada nos Estados Unidos na Illinois Wesleyan University[4].

Já no século XX, em 1974, a Universidade Aberta Allma Iqbal no Paquistão iniciou a formação de


docentes via EaD. A partir de 1980, a Universidade Aberta de Sri Lanka passou a atender setores
importantes para o desenvolvimento do país: profissões tecnológicas e formação docente.
Na Tailândia, a Universidade Aberta Sukhothiai Thommathirat tem cerca de 400 mil estudantes em
diferentes setores e modalidades.

Criada em 1984, a Universidade de Terbuka na Indonésia surgiu para atender forte demanda de


estudos superiores, e prevê chegar a cinco milhões de estudantes. Já na Índia, criada em 1985, a
Universidade Nacional Aberta Indira Gandhi tem objetivo de atender a demanda de ensino superior.

A Austrália é um dos países que mais investe em EaD, mas não tem nenhuma universidade
especializada nesta modalidade. Nas universidades de Queensland, New England, Macquary,
Murdoch e Deakin, a proporção de estudantes a distância é maior ou igual à de estudantes
presenciais.

Na América Latina programas existentes incluem o Programa Universidade Aberta, inserido na


Universidade Autônoma do México (criada em 1972), a Universidade Estatal a Distância da Costa
Rica (de 1977), a Universidade Nacional Aberta da Venezuela (também de 1977) e a Universidade
Estatal Aberta e a Distância da Colômbia (criada em 1983).
 Brasil

No Brasil, desde a fundação do Instituto Radiotécnico Monitor, em 1939, hoje Instituto Monitor,
depois do Instituto Universal Brasileiro, em 1941, e o Instituto Padre Reus em 1974, várias
experiências de educação a distância foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso. As
experiências brasileiras, governamentais e privadas, foram muitas e representaram, nas últimas
décadas, a mobilização de grandes contingentes de recursos. Os resultados do passado não foram
suficientes para gerar um processo de aceitação governamental e social da modalidade de educação
a distância no país. Porém, a realidade brasileira já mudou e o governo brasileiro criou leis e
estabeleceu normas para a modalidade de educação a distância no país.

Em 1904, escolas internacionais, que eram instituições privadas, ofereciam cursos pagos, por
correspondência. Em 1934, Edgard Roquette-Pinto instalou a Rádio-Escola Municipal no Rio de
Janeiro no projeto para a então Secretaria Municipal de Educação do Distrito Federal dirigida por
Anísio Teixeira integrando o rádio com o cinema educativo (Humberto Mauro), a biblioteca e o museu
escolar numa pioneira proposta de educação a distância. Estudantes tinham acesso prévio a folhetos
e esquemas de aulas. Utilizava também correspondência para contato com estudantes. Já em 1939
surgiu em São Paulo o Instituto Monitor, na época ainda com o nome Instituto Rádio Técnico Monitor.
Dois anos mais tarde surge a primeira Universidade do Ar, que durou até 1944. Entretanto, em 1947
surge a Nova Universidade do Ar, patrocinada pelo SENAC, SESC e emissoras associadas.

Durante a década de 1960, com o Movimento de Educação de Base (MEB), Igreja Católica e


Governo Federal utilizavam um sistema rádio-educativo: educação, conscientização, politização,
educação sindicalista, etc... Em 1970 surge o Projeto Minerva, um convênio entre Fundação Padre
Landell de Moura e Fundação Padre Anchieta para produção de textos e programas. Dois anos mais
tarde, o Governo Federal enviou à Inglaterra um grupo de educadores, tendo à frente o
conselheiro Newton Sucupira: o relatório final marcou uma posição reacionária às mudanças no
sistema educacional brasileiro, colocando um grande obstáculo à implantação da Universidade
Aberta e a Distância no Brasil.

Na década de 1970, a Fundação Roberto Marinho começou a oferecer o telecurso, um programa


de educação supletiva a distância para ensino fundamental e ensino médio. Essa foi uma maneira de
incluir para educar, disponibilizando aulas transmitidas através da emissora de televisão Rede
Globo para milhares de brasileiros que precisavam concluir o ensino básico, já que a televisão era o
principal meio de comunicação no Brasil, com a maior cobertura.

Entre as décadas de 1970 e 1980, fundações privadas e organizações não-governamentais


iniciaram a oferta de cursos supletivos a distância, no modelo de teleducação, com aulas via satélite
complementadas por kits de materiais impressos, demarcando a chegada da segunda geração de
EaD no país. A maior parte das Instituições de Ensino Superior brasileiras mobilizou-se para a EaD
com o uso de novas tecnologias da comunicação e da informação somente na década de 1990. Em
1992, foi criada a Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92), podendo atingir três campos distintos:
a ampliação do conhecimento cultural com a organização de cursos específicos de acesso a todos, a
educação continuada, reciclagem profissional às diversas categorias de trabalhadores e àqueles que
já passaram pela universidade; e o ensino superior, englobando tanto a graduação como a pós-
graduação. Em 1994, teve início a expansão da Internet no ambiente universitário. Dois anos depois,
surgiu a primeira legislação específica para educação a distância no ensino superior. As bases legais
para essa modalidade foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional
n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, regulamentada pelo decreto n°9.057, de 25 de maio de 2017,
e a Portaria Normativa n° 11, de 20 de junho de 2017. Revogando as normativas anteriores e
estabelecendo novas regras para a educação a distância no Brasil, como abertura de novas
Instituições de Educação Superior, expansão de Polos e funcionamento dos cursos na modalidade
EaD.

 Tecnologias

Na educação a distância, professores e alunos estão conectados, interligados, por tecnologias da


informação e comunicação (TICs) chamadas telemáticas, como a internet e em especial as
hipermídias, mas também podem ser utilizados outros recursos de comunicação, tais
como carta, rádio, televisão, vídeo, CD-ROM, telefone, fax, celular, iPod, smartfones, notebook etc.

 Aspecto ideológico

A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas vias, suas


possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas como uma modalidade alternativa
para superar limites de tempo e espaço. Seus referenciais são fundamentados nos quatro pilares da
Educação do Século XXI publicados pela UNESCO, que são: aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a viver juntos e aprender a ser.

Assim, a Educação deixa de ser concebida como mera transferência de informações e passa a
ser norteada pela contextualização de conhecimentos úteis ao aluno. Na educação a distância, o
aluno é desafiado a pesquisar e entender o conteúdo, de forma a participar da disciplina].
 Sistemática

O Ensino a Distância (EAD), embora forneça uma gama de ferramentas tecnológicas que estreite
laços e minimizem obstáculos antes intransponíveis pelas distâncias físicas e o tempo real, é um
espaço onde interagem pessoas com diversas necessidades que são mediadas por outras, que de
igual modo, estão envolvidas no processo de ensino e aprendizagem. É nessa perspectiva, que
assumem fundamental importância nesse processo, professores e tutores de apoio presencial, como
facilitadores engajados no processo educativo proposto pela EAD.

De acordo com Preti (1996), respeitando a autonomia da aprendizagem de cada aluno, o


professor e o tutor aparecem como grandes responsáveis pela efetivação do curso em todos os
níveis, e estará constantemente orientando, dirigindo e supervisionando o processo de ensino-
aprendizagem dos alunos. Portanto, esse papel apresenta-se ampliado, não se limitando a aspectos
de apoio logístico e burocrático dos cursos, uma vez que estes aparecem na pesquisa, como
profissionais multidisciplinares, também responsáveis pela recorrente motivação e acolhimento,
capazes de estimular laços de pertencimento dos alunos EAD com seus cursos e polos de apoio
presencial.

Assim sendo, o papel do professor não pode se limitar apenas a determinadas tarefas que
podemos considerar engessadas, o papel deste profissional se amplia, devendo ter o papel de
motivador. Nesta perspectiva, Rosini (2007) complementa que é função básica para um bom modelo
de EAD, lidar com a geração de conhecimento, sua preocupação permanente é o modo como esse
conhecimento é apreendido e incorporado pelos alunos. Professores e tutores nesse meio, são
agentes motivadores e orientadores que acompanham esse processo e traçam as melhores
alternativas para êxito dos alunos.

Por fim, segundo Silva et all (2014), o modelo de Educação a Distância impõe o aprimoramento de
técnicas e estratégias que possam fortalecer e manter os alunos em permanente foco. Respeitando a
importância de todos os agentes do processo educativo no ensino EAD, ressalta-se o papel do
professor e do tutor presencial, como mediadores pedagógicos e não apenas como facilitadores dos
processos administrativos e burocráticos relacionados aos cursos. Desta forma, esses agentes
funcionam como o elo de ligação entre o sistema EAD, instituição e corpo discente.

 Metodologias utilizadas

No ensino a distância não deve haver diferença entre a metodologia utilizada no ensino
presencial. As metodologias mais eficientes no ensino presencial são também as mais adequadas ao
ensino a distância. O que muda, basicamente, não é a metodologia de ensino, mas a forma de
comunicação. Isso implica afirmar que o simples uso de tecnologias avançadas não garante um
ensino de qualidade, segundo as mais modernas concepções de ensino. As estratégias de ensino
devem incorporar as novas formas de comunicação e, também, incorporar o potencial de informação
da Internet.

A Educação apoiada pelas novas tecnologias digitais foi enormemente impulsionada assim
que a banda larga começou a se firmar, e a Internet passou a ser potencialmente um veículo para a
comunicação a distância.

A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas vias, suas


possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas como uma modalidade alternativa
para superar limites de tempo e espaço.

A UNESCO publicou um documento que orienta a aprendizagem móvel ou m-


learning, Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel, neste documento, é possível entender
melhor o assunto da aprendizagem móvel.

 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)

O ambiente virtual de aprendizagem ou LMS (Learning Management System) é um software


baseado na Internet que facilita a gestão de cursos no ambiente virtual. Existem diversos programas
disponíveis no mercado de forma gratuita ou não. O Blackboard é um exemplo de Ambiente Virtual
de Aprendizagem - AVA pago e o Moodle é um sistema gratuito e de código aberto. Todo o
conteúdo, interação entre os alunos e professores são realizados dentro deste ambiente. De acordo
com Clark e Mayer (2007), os ambientes virtuais são elementos fundamentais na tarefa de ensino,
porém carecem de suporte pedagógico adequado em relação ao processo de aprendizagem.

 O professor como mediador na EaD

Nesse processo de aprendizagem, assim como no ensino regular o orientador ou o tutor da


aprendizagem atua como "mediador", isto é, aquele que estabelece uma rede de comunicação e
aprendizagem multidirecional, através de diferentes meios e recursos da tecnologia da comunicação,
não podendo assim se desvincular do sistema educacional e deixar de cumprir funções pedagógicas
no que se refere à construção da ambiência de aprendizagem. Essa mediação tem a tarefa adicional
de vencer a distância física entre educador e o educando, que deverá ser autodisciplinado e
automotivado para que possa superar os desafios e as dificuldades que surgirem durante o processo
de ensino-aprendizagem.

Hoje se tem uma educação diferenciada como: presencial, semipresencial e educação a


distância. A presencial são os cursos regulares onde professores e alunos se encontram sempre
numa instituição de ensino. A semipresencial, acontece em parte na sala de aula e outra parte a
distância, utilizando tecnologia da informação.

As pessoas se deparam a cada dia com novos recursos trazidos por esta tecnologia que evolui
rapidamente, atingindo os ramos das instituições de ensino. Falar de educação hoje, tem uma
abrangência muito maior, e fica impossível não falar na educação sem nos remetermos à educação a
distância, com todos os avanços tecnológicos proporcionando maior interatividade entre as pessoas.
Utilizando os meios tecnológicos a EaD veio para derrubar tabus e começar uma nova era em termos
de educação.

Esse tipo de aprendizagem não é mais uma alternativa para quem não faz uso da educação formal,
mas se tornou uma modalidade de ensino de qualidade que possibilita a aprendizagem de um
número maior de pessoas.

Antes a EaD não tinha credibilidade, era um assunto polêmico e trazia muitas divergências, mas hoje
esse tipo de ensino vem conquistando o seu espaço. Porém, não é a modalidade de ensino que
determina o aprendizado, seja ela presencial ou a distância, aprendizagem se tornou hoje sinônimo
de esforço e dedicação de cada um.

 Perspectivas atuais

Cabe às instituições que promovem o ensino a distância desenvolverem seus programas de acordo
com os quatro pilares da educação, definidos pela Unesco.

Aprender a conviver diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de aceitar a diversidade,


conviver com as diferenças, estabelecer relações cordiais com a diversidade cultural respeitando-a e
contribuindo para a harmonia mundial.

No Brasil, em 2018, do total de 8,3 milhões de universitários em instituições públicas e privadas, o


porcentual de matriculados na EaD é de 21,2% (em 2008 era 7%), índice que avança para 46,8%
nos cursos de licenciatura. Em 2023, projeções da Abmes indicam que será equivalente o número de
ingressantes nas duas modalidades, com leve decréscimo no presencial.

 AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: DEFINIÇÕES E OS MAIS USADOS NA


EDUCAÇÃO ON-LINE NO BRASIL
Ambientes virtuais de aprendizagem são ambientes (softwares) que auxiliam na montagem
de cursos acessíveis. livres ou acadêmicos, pela Internet. Elaborado para ajudar os professores e
tutores no gerenciamento de conteúdo para seus alunos e na administração do curso, permite
acompanhar constantemente o progresso dos estudantes. Como ferramenta para EAD (Educação a
Distância), são usados também para complementar aulas presenciais.

 História

Com o avanço das novas formas de educação a distância – como as realizadas pela Internet - e
as preocupações fortificadas como esse novo modelo de EaD - como o papel do aluno e do
professor em ambiente virtual –, outras questões passaram a ser discutidas para a otimização deste
modelo educacional. Seria ou não um sistema de EaD toda comunidade formada pela Internet?
Afinal, a Criação de Comunidades Virtuais é um dos princípios que orientam o crescimento inicial
do ciberespaço, ao lado da Interconexão e da Inteligência Coletiva (Cibercultura - Pierre Lévy – p.
127). Isto justificaria a criação de Comunidade Virtual como sendo essencial para o estabelecimento
de uma cultura de EaD. Porém, percebe-se que a simples criação de comunidades virtuais não
significa a criação de grupos de estudo pela Internet, pois estas possuem os mais diversos
interesses, que vão desde o entretenimento até a distribuição de notícias. A Comunidade Virtual
pode sim ser um princípio essencial, segundo Lévy, mas necessita ir além de simples Agregação
Eletrônica de pessoas (Agregações Eletrônicas ou Comunidades Virtuais? – André Lemos) para se
tornar uma Comunidade Virtual de Aprendizagem.

"Atualizando o debate, podemos dizer que com as


comunidades virtuais (CV) do ciberespaço, seus membros
compartilham um espaço telemático e simbólico (chats,
listas, newsgroups, websites), mantêm uma certa
permanência temporal, propiciando que seus participantes
sintam-se parte de um agrupamento de tipo comunitário"
(Agregações Eletrônicas ou Comunidades Virtuais? – André
Lemos – internet)

 A ideia de construção coletiva na EaD

Para atingir seus objetivos educacionais, as Comunidades Virtuais necessitam de princípios de


comportamento que favoreçam a aprendizagem, como por exemplo, a construção coletiva, a
existência de interesse mútuo, regras de resolução de conflitos permitindo que as simples
agregações eletrônicas de pessoas se tornem uma Comunidade Virtual de Aprendizagem.
"A redefinição de uma comunidade virtual orientada
especificamente para ‘aprendizagem’ é difícil. Na verdade, as
múltiplas e incessantes trocas que ocorrem em qualquer tipo de
comunidade virtual refletem-se em inúmeras e diferenciadas
aprendizagens para seus membros [...] Três possibilidades, no
entanto, são importantes nas comunidades que possuem fins
educativos: a interação, a cooperação e a colaboração on-line"
(Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância – Kenski – p. 109).

 Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Para facilitar a criação destas comunidades, de aprendizagem ou não, surgem na Internet


diversos softwares de agregação de pessoas. Dentre os muitos, alguns são voltados ao
entretenimento, outros à distribuição de notícias até que chegamos naqueles focados no sistema de
ensino e aprendizagem pela Internet. Estes softwares trazem consigo discussões pedagógicas para
o desenvolvimento de metodologias educacionais utilizando canais de interação web. Assim,
softwares como TelEduc, Moodle, Solar, Sócrates, dentre outros, ganham espaço no cotidiano aos
educadores virtuais pelo fato de possibilitarem fácil manuseio e controle de aulas, discussões,
apresentações, enfim, atividades educacionais de forma virtual.

"Ambientes digitais de aprendizagem são sistemas computacionais


disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas
pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem integrar
múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de
maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de
conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista atingir
determinados objetivos." (Educação a distância na internet - Maria
Elizabeth Bianconcini de Almeida)

"Ambientes virtuais de aprendizagem consistem em mídias que utilizam


o ciberespaço para veicular conteúdos e permitir a interação entre os
atores do processo educativo." (Comunidades Virtuais - Uma
abordagem teórica - Raquel da Cunha Recuero)

Com os chamados Ambientes Digitais de Aprendizagem (Educação a distância na internet) a


EaD ganhou a possibilidade de organizar de maneira mais controlada cursos, mescla de aulas
presenciais e a distância, possibilidade de aulas apenas virtuais, integração com novas
possibilidades de interação pela Internet, além da aproximação entre professores e alunos dentro do
processo educativo. O número de ferramentas disponíveis para utilização também cresce a cada dia.
São e-mails, fóruns, conferências, bate-papos, arquivos de textos, wikis, blogs, dentre outros.
Ressalta-se que, em todos estes ambientes, textos, imagens e vídeos podem circular de maneira a
integrar mídias e potencializar o poder de educação através da comunicação. Além disso, a
possibilidade de hiperlinks traz o aumento do raio de conhecimento possível de ser desenvolvido
pelos alunos. Estes hiperlinks podem ser realizados tanto dentro do próprio ambiente digital de
aprendizagem (entre textos indicados ou entre discussões em fóruns diferentes, por exemplo), como
também de dentro para fora e de fora para dentro (em casos de pesquisas alargadas de discussões
internas, nos quais se pode trazer ou levar conteúdo desenvolvido para a discussão). Assim, pode-se
diferenciar inclusive as nomenclaturas que são dadas à educação promovido a distância.

 A Internet e a escola

A Internet não é uma escola e nem poderá substituí-la enquanto instituição de aprendizagem,
mas pode ser um valoroso complemento e auxiliar de todo o processo do ensino/aprendizagem.
Pesquisadores da National Science Foundation, através de um estudo patrocinado pela Michigan
State University (MSU), descobriram que a Internet pode ser uma boa ferramenta de ensino para
crianças. O estudo aponta que, diferentemente do que se pensa, a Web não provoca nenhum efeito
negativo na participação social de seus usuários ou no lado psicológico das crianças. A pesquisa
conclui que as crianças que usam a Internet conseguem melhorar as notas escolares. fonte:
www.gic.com.br. A Internet e a sua influência têm encurtado as distâncias entre os professores e os
alunos, contribuindo para o surgimento gradual de um novo modelo de escola. A sala de aula terá um
novo significado e ganhará uma nova dimensão. A difusão propagada pela Internet faz com que está
se assume como uma enorme base de dados complementar, onde todos os alunos poderão retirar
informação útil para execução dos mais variados trabalhos escolares e dar uma forte contribuição
para consolidação dos conhecimentos

 Formas de educação usando a informática

De acordo com Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, as três nomenclaturas para o modelo a
distância de educação (Educação On-line, Educação a Distância e E-Learning) são conhecidos da
área de educação, porém se diferenciam entre si. Conforme a Professora, a divisão ocorre da
seguinte forma:

Educação a Distância: realiza-se por diferentes meios (correspondência postal ou eletrônica, rádio,


televisão, telefone, fax, computador, internet, dentre outros), sendo um termo abrangente, mantém a
relação de discussão de tempo e espaço (distanciamento físico) dentro o processo educacional,
porém não é obrigatoriamente dentro do ambiente Internet;
Educação On-line: realizada obrigatoriamente com Internet em papel principal como meio, pode ser
utilizada de forma síncrona ou assíncrona. Tem como características mais enfáticas a velocidade na
troca de informações, o feedback entre alunos e professores e o grau de interatividade alcançado.

E-Learning: formato de educação a distância com suporte na internet. É muito utilizado por


empresas, em processos de treinamentos de funcionários e seleção de pessoal. Seu foco consiste
em organizar e disponibilizar materiais didáticos e, como afirma a Professora Maria Elizabeth,
recursos hipermediáticos.

 A interatividade nos AVA

Com isso, percebe-se que o modelo de Educação a Distância dentro do conceito de Educação
On-Line, se apresenta como o mais interativo, requerendo das ferramentas utilizadas o uso visando o
ideal de autonomia e construção coletiva do conhecimento.

Isso reitera a importância dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que integram diversas
ferramentas de comunicação disseminadas na Internet para o uso educacional. A utilização destas
ferramentas trouxe à Educação a Distância não só a potencialização dos conceitos de autonomia e
construção coletiva, mas também a permanência dos alunos nos cursos. Isto porque, através destas
ferramentas, há a possibilidade da participação ativa de alunos e professores, além do incentivo à
responsabilidade dos mesmos para com o aprendizado. Isto porque dentro do modelo de Educação
On-Line, há a necessidade de um padrão de comportamento para convivência e acompanhamento
dos cursos.

"No ciberespaço, essa união de cidadãos conectados, agrupados


virtualmente em torno de interesses específicos, pode construir uma
comunidade a partir do momento em que se estabelecem regras,
valores, limites, usos e costumes, a netiqueta, com as restrições e os
sentimentos de acolhimento e ‘pertencimento’ ao grupo"
(Tecnologias e Ensino Presencial e a Distância – Kenski – p. 106).

Dessa forma, entende-se que não há restrições quanto ao uso de determinadas ferramentas
de Internet por educadores, mas sim a necessidade de que este conjunto de comportamentos e
regras de convivência esteja presente em qualquer atividade educacional via Internet, independente
das ferramentas utilizadas.
 POLÍTICAS DE INFORMATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Em Educação e computadores, de Victor Teodoro e João Freitas (1992), os autores refletem


sobre possibilidades de usos das tecnologias digitais quando a internet, os hipertextos e a
interação eram novidades causadoras de espantos, talvez por apontarem diversidade
potencialmente estimulante de rupturas significativas nos processos de ensinar e de
aprender. Nas últimas duas décadas consolidam-se processos de apropriação das TIC
(Tecnologias de Informação e Comunicação) pelas escolas brasileiras – públicas ou privadas
–, ocorridos em sua maioria a partir de decisões centralizadas, em que a formação de
professores, diálogo com as escolas e redes foram momentos raros, sobretudo quando envolviam
redes públicas de ensino e as políticas definidas a partir do MEC – Ministério da Educação.
Isso pode ser observado em diversos programas e políticas públicas para o uso pedagógico
das TIC. O modelo sempre repetiu a mesma fórmula: Grupos de pesquisadores, técnicos e
especialistas são instituídos, formulam e repassam os pacotes às redes federais, estaduais e
municipais, modelo que de certo modo influencia o ensino privado. Esses modelos continuam em
desenvolvimento pelo MEC, vejam o exemplo do PROUCA – Programa um Computador
por Aluno, atualmente em fase-piloto.

Nossos estudos e observações in loco mais recentes em programas como a UAB


(Universidade Aberta do Brasil), PARFOR (Plano Nacional de Formação de Professores
da Educação Básica) e PROINFO RURAL (Programa Nacional de Informática na Educação
para escolas Rurais) permitem inferir que políticas públicas e/ou ações governamentais nessa
área precisam ser de maior participação das redes de ensino, de modo a estimular a autonomia e
a diversidade. Computadores, recursos de informação e de comunicação não devem ser vistos
apenas como recursos mecânicos e inertes, porém alimentados de modo a dar vazão a ideias e
extrapolar barreiras do pensamento didático-tradicional para além dos muros escolares. Nesse
sentido, tais recursos, com potencial facilitador e estimulador dessas práxis entre professores
e alunos, interferirão no fazer pedagógico e no espaço-tempo dos processos cognitivos, tendendo
a serem neutralizados ou subutilizados em processos extremamente verticalizados.

Paulo Cysneiros (2003) afirma que somos levados a refletir sobre esse momento, geralmente
traumático da inserção de TIC em escolas ainda despreparadas para a sua contribuição
pedagógica. A saber, esse desafio torna-se cada vez mais hegemônico pelo caráter uno e
glamourizado que assume em muitos projetos. Por não se tratarem de tecnologias inertes,
devido às suas características intrínsecas, as mudanças e evoluções são constantes e
influenciadas pelas interações e formas de usos e apropriações que propomos e realizamos.
Tais aspectos conferem às TIC o status de importante eixo norteador e estruturante de novos
modos e processos de ensinar e aprender, interferindo também em estilos de vida e de
comportamentos. Nesse sentido, as “novidades tecnológicas” não podem ser apropriadas
apenas por uma parcela elitizada ou pelos segmentos sociais dominantes, e como alertamos
anteriormente, de forma glamourizada e desconexa de nossos potenciais e necessidades
socioculturais e educacionais.

É senso comum ouvirmos que o país precisa de uma “escola de qualidade”. Não é possível
concebê-la em nosso tempo sem que seus alunos, professores e funcionários tenham acesso às
TIC como recurso facilitador de novas práticas didático-pedagógicas e administrativas em uma
perspectiva capaz de inverter a lógica tradicional das políticas públicas e ações de governo
destinadas a fomentar o uso das tecnologias digitais por professores e alunos. Nesse sentido, as
TIC devem ser integradas às redes públicas de ensino, respeitando suas especificidades e
realidades locais, valorizando suas particularidades e aspectos socioculturais, de cada local
ou escola onde estejam inseridas. Para não desviar nosso eixo de reflexão, é mister
concentrarmos nossa atenção nos universos virtuais contidos pelas realidades e cotidianos
escolares e pessoais, hoje permitidos e acessíveis com certa facilidade através das
TIC. Refletiremos a seguir sobre algumas práticas capazes de contribuir para tornar escolas e
professores mais autônomos e os processos de ensino mais criativos e diversos.

Desafios e possibilidades de avanço nos modos de apropriação e uso das TIC

Na edição n.º 2.215, Jornal da Ciência (2003), Marina Moraes Felipo expõe o grave
problema da exclusão digital de professores e professoras primários brasileiros. De lá para cá
pouco mudou, isso é preocupante, a exclusão de professores do ensino fundamental
compromete a qualidade e a forma como as redes de ensino percebem e se apropriam das TIC.
Não avançaremos de forma qualitativa e/ou construiremos formas não-glamourizadas de
compreensão e uso dos recursos digitais em educação, pois alfabetizar e letrar digitalmente
professores primários a partir de uma perspectiva crítica contribuirá na base da pirâmide
educacional para usos mais reflexivos das técnicas de comunicação digitais. Na
contemporaneidade não é possível pensar tais processos apenas com as tecnologias tradicionais
como quadro, caderno, giz, lápis, caneta, embora estes não devam se rejeitados ou alijados do
processo, devem ser entendidos enquanto recursos que se complementam. Ainda que as
maravilhas prometidas pelas lousas eletrônicas estejam ao alcance de polegares e indicadores,
para nós o que as diferencia em nível tecnológico dos recursos tradicionais é apenas o
processo histórico de adaptação aos novos conhecimentos. Conforme assinala Álvaro Pinto
(2005), são fruto do processo de hominização e contradição com o meio e existem justamente pela
nossa capacidade de projetá-las. Nesse sentido, hardwares e softwares, que conjuntamente
perfazem a linguagem binomial mais falada na atualidade, podem tanto contribuir como alienar
nossos educadores/educandos e condená-los ao ostracismo intelectual. Por isso, glamourizá-los em
detrimento à formação e valorização docente é erro grave.

Apesar dos recentes esforços governamentais buscando permitir a milhões de pessoas no


Brasil acesso a direitos básicos, como moradia, comida etc., não podemos olvidar também da
necessidade de informação e bytes, que no caso brasileiro significa dizer um esforço por meio de
políticas públicas que permitam conectar milhões de crianças, professores e cidadãos, do
Oiapoque ao Chuí. Caso contrário, continuaremos comprometendo futuros. Estamos cientes dos
desafios encerrados nessa meta árdua, ainda por ser atingida, mormente por habitarmos um
país-continente, cujas dimensões exigem uma cooperação eficiente entre os poderes públicos
executivo, legislativo e judiciário, todos eles articulando com a sociedade civil e suas
organizações representativas.

O sociólogo Sergio Silveira (2001) nos alerta sobre as desigualdades sociais quando o
assunto é o acesso aos recursos da internet, apontando como causas básicas a negação às
pessoas nas classes populares de três instrumentos básicos: a linha telefônica, o computador e o
provedor de acesso. Para Silveira, a exclusão digital é um veto cognitivo, pois gera o
analfabetismo digital, a lentidão na comunicação, o isolamento e o impedimento ao exercício da
inteligência coletiva, fundamentais ao desenvolvimento do homem contemporâneo. Isso vem a
corroborar nossa ideia de que a escola pública é fundamental para promover e qualificar
processos inclusivos nesse setor, capazes de proporcionar às classes populares os recursos
necessários ao acesso à chamada sociedade da informação.

Numa tentativa de mostrar que promover tal inclusão a partir de escolas públicas não é
tarefa tão difícil, vamos, a exemplo de Felipo, sugerir algumas medidas que possam contribuir
para atacar em sua raiz esse mal que poderá comprometer de maneira determinante o futuro de
nossa sociedade. Não cerramos fileiras dentre os crédulos defensores da inclusão digital de
crianças e jovens com vistas apenas a ensiná-los a manusear um editor de texto, planilha
eletrônica ou “entrar na internet”.

Pensados assim, tais processos contribuirão somente para reforçar o ciclo vicioso da
dependência tecnológica e para gerar outro mal que poucos debatem, mas já assola nossos
rincões: o consumismo digital desnecessário.

O impacto das tecnologias educacionais na sociedade leva-nos a tecer alguns momentos


históricos do pensamento Ocidental. Na história da técnica, tomando como ponto de partida a
contribuição grega (techné), temos a concepção utilitária, mero conjunto de regras a serem
seguidas de forma rígida e dedicada afinco. Ora, nos estudos culturais, o saber local, em sua
complexa diversidade, desafia o pensar grego e envolve-nos nos contextos e peculiaridades
que os encerram, aproxima-nos uns dos outros como integrantes de uma sabedoria assaz distante
da dicotomia sujeito/objeto.

É neste ponto que os textos de Almeida e Valente (1997) nos mostram que a formação
de professores não deve assumir caráter meramente instrumental, pois as TIC não estão a serviço
da educação, funcionam cada vez enquanto estruturantes dos seus diversos processos. Talvez por
ainda serem tomadas em muitos casos como ferramental técnico a partir de perspectivas
instrumentais, seja tão difícil incorporar as redes sociais digitais no processo ensino-aprendizagem.
Como fazer dessas redes parte estruturante dos processos pedagógicos? É aparentemente fácil
ignorá-las, colocá-las à parte de nossos interesses cotidianos. Entretanto, já fazem parte de
nossa realidade, a realidade construída e sustentada pelas instituições sociais: família, Estado,
política, economia, religiões, mídia e assim por diante. A tecnologia, a despeito de todas as
interpretações utilitaristas/pragmáticas, é expressão do espírito humano, é o seu modus vivendis,
é o próprio pensamento. No contexto das diversidades sociais e culturais brasileiras não se pode
caracterizá-las sem levar em consideração seus mitos, religiões, línguas e toda diversidade de
uma nação cuja complexidade ultrapassa uma análise disciplinar. Ou seja, não é possível pensar a
tecnologia sem considerar a riqueza de suas diferenças culturais.

Todavia, o hardware é parmenidiano ou, quem sabe, é resumido na fala de Hamlet:


“Ser ou não ser” (Shakepeare 1997). Eis a questão: a máquina responde binariamente (0 ou
1),“salvar ou não salvar”, por exemplo. No entanto, o ato de pensar permite-nos transgredir esses
princípios lógico-aristotélicos e observarmos as infindas matizes entre afirmar e negar. Talvez as
tomadas de decisão do hardware, apoiado pelo software, leva-nos a tentar entendê-las a partir
dele mesmo. Nós chamamos isso de perspectivismo cultural aplicado ao computador.
Explicamos: é tentar-se colocar no lugar do outro a partir dos seus princípios lógicos
operacionais. O outro é o hardware. Nessa tentativa de perspectivizar o pensamento para domar
a máquina, seu usuário iguala-se a ela e para de pensar. Trata-se do fetichismo do pensar binomial.

Aqui, estão incluídos aqueles que, por aprenderem uma série de códigos e linguagens
computacionais (Java, C++, PHP, PERL, HTML, SQL entre outros), massageiam seus egos
subordinando-os ao limitado mundo binário das máquinas digitais. Embora reconheçamos que
os códigos e algoritmos assumem papeis cada vez mais centrais nas nossas relações sociais
trabalhistas, políticas, econômicas e até afetivas; recusamo-nos a cerrar fileiras com aqueles que
atribuem a esses códigos papel mais relevante do que merecem. É preciso lembrar que, por
mais sofisticados que possam parecer, sempre serão produtos culturais. Em contextos assim, a
formação do professor deve prover condições para que ele construa conhecimento sobre as
técnicas computacionais, entenda por que e como integrar o computador na sua prática
pedagógica e seja capaz de superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica. Nesse
sentido, a formação de professores assume caráter central, conforme apontam Fernando
Almeida e José Valente:

A formação do professor deve prover condições para que ele construa conhecimento sobre
as técnicas computacionais, entenda por que e como integrar o computador na sua prática
pedagógica e seja capaz de superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica.
Essa prática possibilita a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma
abordagem integradora de conteúdo e voltada para a resolução de problemas específicos do
interesse de cada aluno. Finalmente, deve-se criar condições para que o professor saiba
recontextualizar o aprendizado e a experiência vividas durante a sua formação para a sua
realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos
pedagógicos que se dispõem a atingir. Almeida e Valente (1997, p. 25-26)

Para contribuir com tal construção, acreditamos ser possível inverter a forma de planejar as
ações governamentais e políticas públicas no setor, incluído a formação de professores. Como
exemplo, podemos citar as experiências recentes no programa Cultura Viva, do Ministério da
Cultura, desenvolvido nos últimos anos, onde sociedade civil e os movimentos culturais
organizados foram selecionados via editais públicos como co-gestores de ações governamentais
na área de cultura. Acreditamos que mesmo o MEC, com sua estrutura burocrática pouco fluida,
poderia adotar práticas similares repassando às escolas em suas diversas redes (federais,
estaduais e municipais) formulação das propostas, de modo diferente do que ocorre atualmente
de distribuição de equipamentos e formação em larga escala. Em um modelo assim, onde a
participação dos professores e das redes na formulação das propostas e projetos para uso das
TIC ocorressem de forma efetiva, contribuiria de forma decisiva para valorização das
diversidades e potencialidades locais. Nossas experiências empíricas acompanhando ações
governamentais e/ou políticas públicas para uso e apropriação de tecnologias educacionais em
diversas redes de ensino nos fazem inferir que, em um cenário assim, o volume de recursos, os
equipamentos e as formas de utilizá-los e integrá-los ao currículo e cotidiano escolar, e, ao
seu entorno seriam demandados a partir da escola, com aporte e apoio dos sistemas municipais,
estaduais e federais de ensino; cabendo aos órgãos do MEC, responsáveis pela formulação das
políticas públicas atualmente, uma mudança de paradigma na formulação das propostas e
políticas, pois passariam a se concentrar na articulação, qualificação e fortalecimento desses
processos enquanto demandadores e co-gestores das propostas de intervenção que
obrigatoriamente deveriam emergir das escolas e ou redes municipais.

Dessa forma, o instituinte e o instituído não teriam papeis tão díspares e a interação
entre os mesmos ocorreria de forma mais fluida. Acreditamos que, se alcançássemos tal
prática, isso possibilitaria a transição de um sistema onde escolas com imensa diversidade social e
cultural deixariam de perceber as TIC a partir de modelos homogeneizados de ensino,
avançando em direção a abordagens integradoras de conteúdo e voltadas para a resolução de
problemas específicos, demandadas de forma singular por cada rede ou escola, tendo os órgãos
de gestão superiores o importante papel de articuladores e fomentadores dos processos. A meta
principal seria criar formas efetivas capazes de gerar as condições para que o professor saiba
recontextualizar o aprendizado e a experiência vividos durante a sua formação para, a partir
disso, interferir em sua realidade de sala de aula e dos contextos culturais e sociais nos quais se
encontra imerso, compatibilizando as necessidades de seus alunos aos objetivos pedagógicos
que se dispõe a atingir, conforme proposto por Almeida e Valente (1997).
 POSSIBILIDADES E LIMITES DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO

Os computadores vêm invadindo todos os espaços no mundo globalizado, inclusive no âmbito


educacional. O que leva o educador a repensar sua prática no cotidiano escolar, a fim de
acompanhar o processo de evolução tecnológico dos últimos anos. Nessa nova filosofia de ensino o
professor assume o papel de mediador do conhecimento e da aprendizagem, onde a escola começa
a utilizar o computador como uma ferramenta poderosa e complexa para realizar melhorias na
postura e na eficácia do ensino, embora ainda sejam muitos os impasses entre aqueles que
defendem e os que criticam o uso pedagógico do micro na escola, o que torna evidente a
necessidade de refletir a respeito do tipo de homem que se pretende formar, projetando, dessa
forma, um futuro mais promissor para nossos alunos.
 
Informática e Educação: limites, possibilidades e desafios do seu uso no cotidiano escolar.
 
O mundo inteiro comenta o fenômeno da globalização e o início de uma sociedade
informatizada, onde as inovações tecnológicas estão revolucionando nossas vidas, alterando
radicalmente lojas, escritórios, bancos, jogos, carros, TV’s e até a cozinha de nossos lares. São os
computadores ocupando todos os espaços, inclusive na área da educação, marcando socialmente a
evolução de uma prática tão ultrapassada como a do quadro negro e do giz, retratando um
pensamento mais criativo, cujo enfoque maior consiste nas imagens com efeitos cada vez mais
atrativos e que estimulam o interagir coletivo, em oposição à ordenação tradicional da sala de aula
em que prevalecia o espaço do silêncio e a desigualdade na distribuição do direito da palavra.
 
Nesses novos espaços virtuais de ensino, o lema é trocar e discutir experiências, o professor
assume papel de mediador do conhecimento e facilitador da aprendizagem, rompendo paradigmas,
tornando as aulas mais atraentes e o processo de aprendizagem mais significativo. Propõe-se para
tanto que o professor seja o medidor, que estimule a pesquisa e instigue atitudes do pensamento
crítico, oportunizando o contato do aluno com diversas fontes de informação, incentivando a
produção individual, ou em grupo de estudos. Essa formação mais ampla permite a autonomia e o
domínio de procedimento que envolvam questionamentos, análise, interpretações, comparações,
confrontamentos e organização de conteúdos históricos, onde o indivíduo torna-se participante ativo
do processo de aprendizagem. Embora seja o educador, quem determine o tema a ser abordado e
norteia as questões a serem investigadas, além de orientar e sugerir as fontes a serem pesquisadas,
aos poucos os alunos aprenderão a ser mais independentes. A medida em que o professor retorna
sua proposta inicial de trabalho e repensa com eles a formação de proceder participativamente,
emitindo opiniões e tomando decisões que julguem as informações mais significativas ao grupo e
encontrem os melhores meios para alcançar os fins, o que refletir em uma real apresentação de
conhecimento.
 
A educação, e os sistemas de gestão do conhecimento que se desenvolvem em torno dela,
têm de aprender a utilizar as novas tecnologias para transformar a educação na mesma proporção
em que estas tecnologias estão transformando o mundo que nos cerca. (DOWBOR, 2004, p. 18)
 
  A escola começa a aproveitar o poder dos computadores, que se apresentam como uma
ferramenta rica poderosa e complexa que está invadindo todos os ambientes, inclusive o escolar,
para realizar melhorias na postura e na eficácia do ensino.
 
A partir dessa visão, a educação configura-se em um processo de construção de elos que
propiciem as relações entre a escola e o universo que a cerca. Torna-se, então, necessário repensar
a dinâmica do ensino e seus caminhos, a fim de que se perceba a escola como articuladora, capaz
de oportunizar ao educando receber e interpretar informações para, como sujeito construtor de seu
próprio conhecimento.
 
Trata-se de repensar a dinâmica do conhecimento no seu
sentido mais amplo, e as novas funções do educador como
mediador deste processo (DOWBOR, 2004, p. 13)
 
  Surgem diversas opiniões sobre o uso do computador na escola, alguns, como Turkle(1997)
apud LEITE(2002), sugerem o seu uso como uma ferramenta que oferece um meio novo para
projetar ideias e fantasias, enfatizando que ainda estamos aprendendo a viver em um mundo virtual,
em uma cultura de simulação que  afeta nossas ideias a respeito da mente, do corpo, do eu e da
máquina, trazendo mudanças na maneira de  experienciar a subjetividade humana. Afinal inserir na
cultura de uma sociedade o uso do computador, como prática contínua, é um passo gigantesco, pois,
apesar de toda a evolução tecnológica, ainda hoje existem resistências a essas inovações.
 
Mas até que ponto essas tecnologias são realmente eficientes?
 
Como criação humana, os computadores são produto da sociedade e da cultura moderna,
que possuem vantagens e desvantagens, como qualquer outra ferramenta educacional, é mais
adequado para algumas aplicações do que para outras, adapta-se melhor a certos estilos de ensino
do que a outros, e não é resposta para todos os problemas educacionais, nem representa o fim.
Pode ser usado de forma criativa ou não, ser ignorado ou enfatizado, e depende das qualidades
humanas para ser eficiente.
 
Assim como o microondas facilita a vida das pessoas quando o assunto é culinária e a TV nos
mantém situados no processo da globalização, nos informando sobre o que está se passando no
mundo, as novas tecnologias oportunizam às pessoas expressar aspectos múltiplos e, por muitas
vezes, até inexplorados, apresentando-se como facilitadoras, no cotidiano social.
 
O mundo assiste hoje a intensas transformações, como a internacionalização da economia,
as novas tecnológicas em vários campos como a informática, a microeletrônica, a bioenergética.
Essas transformações tecnológicas levam à introdução, no processo produtivo, de novos sistemas de
organização do trabalho, mudança no perfil profissional e novas exigências de qualificação dos
trabalhadores, que acabam afetando os sistemas de ensino. (LIBÂNEO, 2003, P.27 e 28)
 
A internet, como uma nova tecnologia, tem se desenvolvido, de maneira acelerada nos
últimos anos, envolvendo uma quantidade cada vez maior de usuários. No Brasil, de acordo com os
dados fornecidos pela folha de São Paulo, numa reportagem de 29 de março de 2000, exatamente a
seis anos atrás, o número internautas estava estimado em 7 milhões, com uma projeção de
ampliação para 11 milhões em 2001, contando também os usuários, tanto particular, quanto
cidadãos de escolas e pessoas no trabalho formal e informal, e isso foi antes do crescimento
dos cibercafés  e das lanhouses   que hoje podem ser encontradas em cada esquina, embora ainda
sejam poucos os alunos, professores e escolas que possuem computadores em suas residências,
esse número cresce todos os anos.
 
É importante ressaltar que a utilização da tecnologia virtual é hoje um fator determinante ao
acesso instantâneo aos bancos de dados e à análise imediata de padrões e tendências em qualquer
campo da atividade humana, permitindo ao professor, especificamente, diminuir seu tempo de
produção de bens e prestação de serviços e resolver os problemas com que nos defrontamos
diariamente em nossa rotina. Bill Gates utiliza a expressão “sistema nervoso digital’ para definir o
funcionamento e a prática do uso das tecnologias na áreas administrativa e funcional, pois é
importante para a troca de informação instantânea e permanente entre todas as partes do sistema,
além disso, o modo de coleta de informações é prático, e, se quisermos conquistar melhores níveis
de educação e participar mais efetivamente na construção do conhecimento, precisamos
desenvolver nossa capacidade de acesso, criação e utilização inteligente e consciente da
informação.
 
O uso da comunicação e da informação na sala de aula são primordiais. Com a ajuda das
novas tecnologias, os educadores têm a fórmula completa para planejar e criar aulas mais atrativas e
significativas, pois, na sala de aula, ou no laboratório de informática, o professor transformará sua
prática pedagógica em algo realmente novo.
 
Ao lado disso, muitos educadores já utilizam o computador como um meio pelo qual as
crianças podem pensar e aprender de uma forma nova. O interesse e a aceitação devem partir,
primeiramente, dos próprios docentes que precisam refletir e discutir o uso mais apropriado para
melhor aproveitamento dos recursos que os computadores colocam à disposição no mundo da
educação, pois, mesmo com diversos indicadores de melhoria na aprendizagem, resultantes, ainda
que em parte, do uso das tecnologias no ambiente escolar, paradoxalmente ainda há fervorosos
seguidores opositores da informática que questionam se os computadores devem ou não ser
inseridos no contexto escolar e de que modo. Essas pessoas que acreditam piamente que a inserção
das máquinas nas salas de aula mecanizará o processo ensino-aprendizagem e desempregará
professores.
 
Tal afirmação, segundo LIBÂNEO (2003) não procede, visto que o mesmo diz que não
apenas o professor tem seu lugar garantido, como sua presença torna-se indispensável na
construção de condições cognitivas e afetivas que permitirão ao aluno atribuir significados às
mensagens e informações recebidas das mídias, multimídias e formas variadas de intervenção
educativa urbana. É preciso, portanto,  que o educador crie o hábito de repensar sua prática
pedagógica frente à modernização que faz-se presente na escola do século XXI, a fim de perceber
que o importante é que os novos recursos, como o computador, a televisão, o cinema, os vídeos, não
sejam usados apenas como instrumentos, mas se tornem capazes de desencadear transformações
estruturais na velha escola. Só assim a função de professor pode ser revitalizada, libertando-o da
aula de saliva e giz e estimulando o aluno a uma posição menos passiva e mais dinâmica. Como
fazer é um desafio para imaginação (ARANHA, 2003, p.239)
 
Diante dessa colocação torna-se evidente a necessidade de se projetar um futuro mais
promissor para nossos alunos, buscando superar todos os temores no que diz respeito ao uso
pedagógico do computador. Para tanto, é de suma importância que se incentive os educandos ao
uso das tecnologias de forma sábia e positiva, com atitude de busca de conhecimento que leva à
compreensão de suas possibilidades, abertos aos efeitos dessas inovações, o que não deve excluir o
sujeito, mas motivá-lo a buscar um futuro melhor. A assimilação das novas tecnologias na escola não
resultará simplesmente da instalação de computadores nas escolas e do treinamento do professor
para utilizar editores de texto, planilhas e navegadores (browsers) da Internet. Ele resultará
necessariamente da real assimilação das tecnologias pelo professor que precisa atribuir valor à
tecnologia pelo seu potencial na mediação de sua própria aprendizagem, a fim de que possa
compreender como ela será útil no processo de ensino aprendizagem de seus alunos.

 O USO DO COMPUTADOR COMO RECURSO DIDÁTICO

A educação é e sempre foi um processo complexo que se utiliza da mediação de


algum tipo de meio de comunicação entre o conhecimento e o aprendente junto à ação do
docente em sua interação pessoal e direta com os estudantes; dessa forma pode-se considerar
a sala de aula como uma ‘tecnologia’ , assim como o quadro negro, giz, o livro e outros materiais
pedagógicos.

Processos de socialização e linguagem sempre mediaram e permearam a experiência


humana, mas somente a partir da modernidade com o surgimento de mídias de massa como o
impresso e depois os sinais eletrônicos é que se observa um enorme crescimento da mediação da
experiência decorrente destas formas de comunicação.

A tecnologia já faz parte da educação há séculos, desde o livro impresso, do uso do lápis
e o quadro-negro. Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia atinge as formas de vida
da sociedade e que a escola não pode ficar de fora, adquirindo uma “função mediadora
entre a cultura hegemônica da comunidade social e as exigências educativas de promoção do
pensamento reflexivo” (LITWIN, 2001, p. 131).

Há tecnologias antigas que se renovam a partir de novos critérios de uso como, por
exemplo, o rádio no carro ou o telefone que mais de um século após sua invenção se miniaturiza
e invade todos os espaços. Por vez existem muitas tecnologias que se tornam obsoletas
antes que seu uso seja generalizado. “Consideramos Tecnologia de Informação toda forma de
gerar, armazenar, veicular, processar e reproduzir a informação” (CORTELAZZO, 2009, p. 6).

Para compreender o papel das tecnologias na educação é preciso considera-los como


ferramentas pedagógicas, deixando de lado, seus usos como meio de circulação de informação
geral; observando-se assim, que a introdução de uma inovação técnica na educação deve estar
orientada para uma melhoria da qualidade e da eficácia do sistema e priorizar os objetivos
educacionais. Isto posto não ocorrerá sem que haja profundas mudanças nos modos de ensinar
e na própria concepção e organização dos sistemas educativos, assim, profundas modificações na
cultura da escola.
A utilização de materiais didáticos escolhidos, validados, preparados e trazidos pelo
(a) professor (a) e integrados em seus planos de aula, geralmente ocorrem com a mediação
do (a) docente em suas variadas atividades; estes utilizados como apoio às aulas expositivas
através de materiais audiovisuais, mas onde o computador acoplado a um projetor de imagem
em tela (data show) pode introduzir grandes vantagens em razão da possibilidade de
acesso rápido à informação buscada e à interatividade que torna a atividade mais dinâmica.

Faz-se necessário atentar para o fato de que a inovação ocorre muito mais nas metodologias e
estratégias de ensino do que no uso puro e simples de aparelhos eletrônicos – muitas vezes
usado de forma mecânica, não reflexiva, nada inovadora, submetida a uma lógica de
estímulo/resposta, conduzindo assim a ação.

É preciso ter claro que as TICs não substituem os livros didáticos, nem assumem suas
funções, embora transformem profundamente seu uso, que será muito mais de referência e síntese
do que consulta e de estudo. As TICs oferecem, para além do impresso, ocasiões
originais de aprendizagem, trazendo desafios, provocando curiosidade, criando situações
de aprendizagem totalmente novas de convivialidade e interações mais intensas do que a aula
magistral baseada na autoridade do professor (BELLONI, 2008, p.73).

Não se pode pensar em inovação sem a produção de conhecimento pedagógico e


a formação de professores (as), esta exigindo-se de reflexão sobre como integrar as tecnologias
e demais recursos à educação como caminho, para pensar como formá-los enquanto futuros
usuários ativos e críticos; bem como conceptores de materiais para a aprendizagem, uma vez
que ao se trabalhar junto aos estudantes, as TICs estão cada vez mais presentes no cotidiano e
fazem parte do universo dos mesmos, sendo esta a razão principal da necessidade de sua
integração à educação.

Se o impacto no ambiente de aprendizagem é um dos aspectos mais chamativos


das tecnologias, há que se implicar em mudanças na forma de organizar o ensino, requerendo,
então, um docente mais focado no aprendizado que no ensino, isto é, no desenvolvimento de
capacidades que permitam a organização e disponibilidade dos conteúdos de aprendizado
mediante tarefas individuais e em grupo.

Kenski (2007) afirma que a formação de qualidade dos docentes deve ser vista com
razoável conhecimento de uso do computador, das redes e de demais suportes midiáticos, em
variadas e diferenciadas atividades de aprendizagem. Identificar quais as melhores maneiras de
usar as tecnologias para abordar este ou aquele tema ou refletir sobre eles, de maneira a aliar as
especificidades do ‘suporte’ pedagógico ao objetivo maior da qualidade de aprendizagem de seus
alunos.

Enquanto não houver interesse de uma forma geral e/ou em específico para com os (as)
docentes, na busca por conhecimento quanto ao uso adequado dos recursos tecnológicos e
materiais didáticos pedagógicos diversificados com fins educativos e objetivos claros; observam-
se em instituições de ensino, docentes que veem nos instrumentos a solução de todos os
problemas e melhorar assim a qualidade da educação de modo geral, assim como, os que
resistem a elas, por não perceber claramente sua utilidade.

A importância sobre o assunto leva os (as) professores (as) a se sentirem pressionados


(as) a desenvolver atividades para as quais não se sentem preparados ou a aderirem sem muita
reflexão. Por outro lado, a sensação de culpa leva a pensar que tais meios tecnológicos poderiam
realmente contribuir para a melhoria de seu ensino, significando inovações pedagógicas
importantes.

A simples incorporação das tecnologias nos processos de aprendizagem e nos processos


de ensino não garantem por si só a efetividade nos resultados obtidos. A seleção de
meios e recursos interativos e sua incorporação a um formato global devem estar sustentadas
por uma teoria do aprendizado que os justifiquem e os delimitem” (VAILLANT, 2012, p. 202).

No entanto, novas tecnologias e seus suportes tecnológicos são introduzidos geralmente a


partir de um equipamento sem a devida capacitação dos seus usuários. Alguns são
mandados para os cursos de treinamento operacional para a utilização dos recursos introduzidos
nas escolas e quando voltam entusiasmados, em geral não encontram a acolhida e o
ambiente necessários para o compartilhamento das ideias, sugestões e aprendizagens
desenvolvidas nos cursos e acabam limitando-se a desenvolver o aprendido em suas disciplinas
ou voltam à rotina, ou seja, uns poucos inovadores, aliam a teoria à prática e adéquam-se às
mudanças sem perder o objetivo, que é a aprendizagem dos estudantes; a maioria acomodada,
que cumpre o que as direções os impõem, com os recursos que lhes são disponibilizados; e
alguns resistem e se opõem às inovações. Porém, há que se refletir sobre

A experiência e a pesquisa têm mostrado que as pessoas são criativas, construtivas,


empreendedoras, agentes e/ou atuantes. Contudo, precisam confiar em seus líderes. Gestores e
professores são líderes na comunidade escolar e precisam ter conhecimento profundo de suas
áreas para poder trabalhar interdisciplinarmente e dar segurança aos seus parceiros, os alunos.
O mundo atual exige educação permanente, e as tecnologias que aí estão facilitam essa formação
continuada. (CORTELAZZO, 2009, p.10)
Mediante essa nova configuração da sociedade educativa faz-se necessário que as
instituições e os profissionais busquem atualizações constantes, visando o acompanhamento das
inovações em suas áreas de conhecimento e que acreditem nelas, que vão em busca de novos
ambientes de aprendizagem, mais adequados às necessidades para fazer a diferença nesse mundo
globalizado.

 A INTERNET COMO FONTE DE PESQUISA

Até bem pouco tempo para se realizar trabalhos escolares, acadêmicos e científicos se fazia
necessário ir a bibliotecas e livrarias para adquirir livros e pesquisar sobre o assunto a que a
pesquisa tratava, todavia com o avanço das tecnologias e o surgimento das redes de computadores,
a forma de estudar vem passando por mudanças com a ajuda dessas novas tecnologias. Há uma
grande quantidade de informações, livros, artigos, documentários e entrevistas que são digitalizadas
e estão disponíveis na rede da internet.

A Internet é uma gigantesca fonte de informações que pode ser acessada de qualquer lugar a
qualquer hora são informações sobre Arte, Política, Religião, Ciências, Filosofia, História e muito
mais e conforme o InfoBiblio (2012) as necessidades de investigação e os requisitos variam de
acordo com cada tipo de pesquisa e/ou projeto. Existem métodos e habilidades que podem ajudar a
tornar o desempenho da sua investigação mais eficiente e eficaz. Nesse trabalho não se prenderá
aos métodos de pesquisa e outros detalhes mais apenas em mostrar que se pode usar a rede como
uma ferramenta de estudo confiável, pois se pode questionar a confiabilidade de outras fontes que
não seja internet da mesma forma que se questiona a internet. Há hoje cursos em vários níveis
disponível na internet os chamados cursos virtuais que são reconhecidos pelo ministério da
educação o MEC, são instituições públicas e privadas que investem nesse seguimento onde em
muitos casos se pode até interagir  nos cursos, palestras e entrevistas em tempo real através da
videoconferência além de debates com pessoas dos mais diversos lugares e até mesmo  de outros
países.              

Desconfianças sobre informações e conhecimentos

   

    Há um breve histórico de causas para essa desconfiança em relação a autenticidade de


informações adquiridas em quais quer meios, é sabido que há uma grande deficiência na qualidade
da educação na atualidade as crianças quando entram na escola já entram com alguns
conhecimentos adquiridos em casa e através da televisão isso tem dois lados um bom e um ruim o
bom é que elas despertam cada vez mais cedo para o conhecimento e o ruim é que de acordo com o
que lhe é ensinado em casa ou a programação que lhe é permitido assistir elas poderão ter bons ou
maus hábitos e despertarem para o bem ou para o mal e isso depende das instruções que lhes são
apresentadas nos meios, pois cabe aos pais ou responsáveis a supervisão do que é permitido ou
não a criança que também influirá no aprendizado de cada indivíduo, como exemplo a música que se
permite a uma criança ouvir e dançar influi de certa forma, pois há uma erotização das crianças
através da música na atualidade, porém muitas vezes até os adultos são seduzidos por esses meios
sem se dar conta do que está ocorrendo pode-se apresentar como um exemplo mais prático seria as
letras das músicas que sugerem muitas coisas que vão do erotismo as apologias ao sexo, a
violência, as drogas além de outros temas sem levar em conta as consequências e os  processos
naturais pelo qual cada um deve passar em seu processo de formação e isso não é livros, televisão
ou internet que ensina, porém os apelos áudios-visuais da TV e da internet é uma grande influência
para os espectadores, mas é difícil controlar, pois muitos não sabem como extrair desses meios o
melhor assim as crianças e os jovens crescem com  um entendimento distorcido sobre informação e
conhecimento além de querer as coisas prontas sem uma noção de como fazer daí surgem as
preocupações por parte dos educadores para com os trabalhos solicitados para alunos onde muitos
que já utilizam a internet procuram as facilidades desse meio para realização de seus trabalhos um
com a intenção de aproveitar o que há de melhor nesse meio de pesquisa já outros procuram apenas
facilidades para se dar bem sem interesses em avaliar o conteúdo das informações ou a
confiabilidade das mesmas.

    Precisa haver um estudo durante a pesquisa para se assegurar que as informações são
confiáveis, no entanto há também determinados assuntos que geram duas linhas de raciocínio as do
contra e as do a favor nesse caso a pesquisa deve ser mais rigorosa ou se pode recorrer a livros
onde a própria rede pode indica-los para assegurar que está se seguindo uma linha de raciocino
autentica, porém não se poderá afirmar sobre a verdade, pois muitas vezes trata-se apenas de uma
teoria baseada em hipóteses que as vezes não pode ser provada logo pode se dizer que uma
proposição é verdadeira quando ela se refere a algo que pode ser provado  e esse é estudado por
um determinado grupo ou pesquisadores que apresenta todas as informações sobre o referido
assunto e  publica onde esse será avaliado por especialistas e outros que poderão aceitar como
correto ou não.

      Um dos sites muito utilizado na busca por informações sobre assuntos diversos é a
Wikipédia, porém há um problema é que as informações do site podem ser manipuladas ou alteradas
pelos usuários e isso implica em um risco à confiabilidade das informações que poderão deixar de
ser autenticas e que causa certa preocupação.

    Segundo a própria Wikipédia (2012) a confiabilidade da Wikipédia, em comparação com


outras enciclopédias e fontes mais especializadas, é avaliada de várias formas, inclusive
estatisticamente, por meio de revisões comparativas, análise dos padrões históricos, e dos pontos
fortes e fracos inerentes ao processo de edição único da Wikipédia. O uma vez que ela é aberta à
edição colaborativa e anônima, a avaliação de sua confiabilidade geralmente inclui o exame de quão
rapidamente é feita a remoção de informações falsas ou enganosas.

     Como pode ser visto o próprio site tem uma preocupação com a autenticidade das
publicações verificando sempre seu conteúdo e essa insegurança já é alertada por profissionais da
educação onde alguns já questionam sobre o uso da internet como fonte de pesquisa, porém essa
pode ser contornada através de comparações das informações com outras fontes de informações
para confirmar a autenticidade das mesmas além da verificação dos autores e outras referências
assim como das publicações. Embora alguns profissionais discordem principalmente os ligados
diretamente a educação, contudo esses terão que se adequar aos novos tempos pois a evolução e o
progresso não podem ser parados logo cabem a esses a missão de ensinar como utilizar esses
novos meios em favor do conhecimento.

   Assim além da Wikipédia há muitos outros sites e buscadores de pesquisas o próprio


Google, Yahoo, UOL e outros que levam o pesquisador a milhares de fontes de informações sobre
os mais diversos assuntos que podem ser confiáveis ou não, mas levando em conta que se deve ter
cuidado ao usar a internet e sites como a Wikipédia como fonte de pesquisa, pode-se pensar que se
deve ter cuidado também ao usar jornais, revistas e mesmo livros que podem distorcer informações
da mesma forma sendo tendenciosos a determinados grupos dos contras ou dos a favores, mas indo
direto ao ponto o que mais preocupa os educadores é que está acontecendo que indivíduos  utilizam
nas pesquisas muitas vezes apenas as ferramentas copiar e colar sem prestar atenção no conteúdo
é o que ocorre em muitos casos, sem selecionar as informações  corretas e transforma-las em
conhecimentos, pois em se tratando de pesquisas mais séria e aprofundada esse tipo de atitude não
pode ser empregada de forma alguma principalmente em trabalhos acadêmicos,  pois isso se
caracterizaria como um plagio, ou seja, assinar ou apresentar como seu trabalho o trabalho de outros
o que também pode ser caracterizado como um crime sujeito a penalidades. 
 

     De acordo com Cortella (2009, p.24) não se deve confundir informação com conhecimento. A
internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso
à informação; no entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de
escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da informação) não é cumulativo, mas
seletivo.

É análogo a ir a uma livraria ou biblioteca que está cheia de livros com informações logo o
indivíduo tem que saber o que se busca no meio de tanta informação para isso se faz necessário
critérios para a realização do estudo, mas para os trabalhos como os de nível médio deve-se sempre
ser orientado e acompanhado  para  que os estudantes se habituem a ler e selecionar o conteúdo e
assim apresentarem suas ideias próprias e não ideias prontas dos outros, pois muitos educadores
ainda resistem ao uso da internet exigindo do aluno que utilizem outros meios caso contrário o
trabalho não será aceito, não se pode ser radical a esse ponto, pois como já foi abordado há como
se utilizar a internet a favor do conhecimento só é necessário ensinar como se deve fazer.

 ALFABETIZAÇÃO TECNOLÓGICA DO PROFESSOR

Entende-se por alfabetização tecnológica, o preparo e a capacidade de utilização das


Tecnologias de Informação e Comunicação de forma plena, ou seja, valendo-se de suas
possibilidades múltiplas, em suas diferenciadas plataformas, compondo a partir das
ferramentas encontradas para melhorar o desempenho, a ação e a condição do trabalho a ser
realizado. Significa, por exemplo, entender como funcionam recursos como: planilhas,
processadores de texto, apresentações em slides, comunicadores virtuais, redes sociais,
ferramentas de edição de vídeos e músicas e tantas outras funcionalidades que estão
presentes no universo digital.

A partir das crescentes mudanças tecnológicas ocorridas na sociedade é possível


perceber o quanto essas mudanças têm diversificado as formas de aprendizagem. Sabe-se que,
pelas novas exigências educacionais, o conhecimento e o domínio de novas tecnologias
tornaram-se uma prioridade tanto para os professores, pois exercem papel fundamental na
formação do aluno enquanto cidadão de um mundo globalizado, quanto para os alunos, que se
vêm rodeados pelos múltiplos meios de informação que lhes são oferecidos.

Sabendo que a cada dia surgem novas tecnologias, e que estas estão disponíveis àqueles que
possuem recursos financeiros para adquiri-las. Nesta perspectiva, a escola necessita ser um
lugar de igualdade, condições, aprendizagens e democratização do acesso à informação para
todos os alunos e professores. Podendo também compreender que este não precisa ser um
ensino centrado no tecnicismo, só no saber fazer, com ênfase aos meios sem questionar suas
finalidades, mas também desenvolver uma análise crítica- reflexiva sobre essas tecnologias, quais
suas possibilidades, suas fragilidades. Assim como nos coloca Leite e Sampaio (2010):

[...] sabemos que a simples presença da tecnologia na sala de aula não


garante qualidade nem dinamismo à prática pedagógica. No entanto, já que
as tecnologias fazem parte do nosso dia-a-dia trazendo novas formas de
pensar, sentir e agir, sua utilização na sala de aula passa a ser um caminho
que contribui para a inserção do cidadão na sociedade, ampliando sua
visão de mundo e possibilitando sua ação crítica e transformadora. (p.10).

A compreensão do funcionamento destes recursos é o primeiro passo para que seu uso
aconteça e permita ao usuário ir além daquilo que intuitivamente atingiu no contato com estas
ferramentas. Por uso próprio muitas são as pessoas que começaram e até hoje utilizam estas
tecnologias, não se pode desprezar e nem tampouco desperdiçar o tempo e o esforço para que
isso acontecesse, na realidade, os computadores e seus recursos acabaram se tornando
elementos importantes para que as pessoas percebessem o potencial e possibilidade de
desenvolvimento por conta própria, em processo de autoaprendizagem, ou seja,
capacitando-se individualmente, de forma espontânea, motivados pelo fascínio e elementos
de interesse trazido pelo computador e seus múltiplos recursos.

É de extrema importância que as instituições levem as tecnologias educacionais para os


alunos, pois estes estão acostumados com as aulas expositivas e o diferente atrai fazendo
com que se tenha um melhor rendimento. Por exemplo: o uso de passar textos, esquemas e
também filmes, que ajudam a contextualizar as aulas. A educação precisa estar aliada à tecnologia
para que possa se concretizar esse novo viés do ensino, já que sabemos que um indivíduo precisa
dela para sua formação, sendo essa formação de real importância, devendo ser integral e
preparatória para a sua vida. A partir dessa ideia torna-se essencial o ato de alfabetizar
tecnologicamente professores e alunos, pois o desconhecimento do funcionamento das
novas técnicas, que estão inseridas no processo de ensino- aprendizagem, ocasionará
uma desatualização profissional no comprometimento da qualidade da formação estudantil.

 A FORMAÇÃO TECNOLÓGICA DO(A) PROFESSOR(A)


Os argumentos para justificar a importância de uma preparação contínua e adequada para
que os profissionais de ensino possam utilizar as novas tecnologias em sala de aula e fora dela, de
forma crítica e autônoma. Diz Leite e Sampaio (1999):

A preocupação revelada pela maioria dos estudiosos da área, em


relação à democratização do acesso aos benefícios das novas tecnologias,
fundamenta-se na constatação da exclusão como característica inerente ao
sistema capitalista. Esta característica leva à necessidade de reflexão a
respeito da intervenção da escola e do professor no sentido de formar um
homem que não assimile passivamente uma conformação social que haja
divisão entre os que pensam e os que executam, os que produzem e os
que usufruem, os que têm uma relação ativa e participativa com o
conhecimento e a informação e os que lidam passivamente com eles. (p.32).

A tecnologia deve aparecer como um aliado na função do professor e não como uma
sobrecarga, mas principalmente como um elemento formador da cidadania e de uma
consciência social. Como afirmam Leite e Sampaio (2002):

Diante deste quadro brasileiro, que abriga realidades tão diversas,


torna-se necessário pensar em algumas formas de ampliar e
democratizar o desenvolvimento; e um dos fatores mais decisivos para
que haja oportunidades de desenvolvimento é a produção de
conhecimento próprio e de sua disseminação popular. Isso só é possível
mediante a educação, o que a torna relevante em termos políticos e
econômicos. (p.17).

A alfabetização tecnológica é um conceito que deve fazer parte da realidade do


professor, uma vez que contribui para a atribuição de significado e amplitude no processo de
preparação do professor no que se refere ao mundo da tecnologia. Quanto à alfabetização
tecnológica, Leite e Sampaio (2002) afirmam que: “esta não pode ser compreendida apenas como o
uso mecânico dos recursos tecnológicos, mas deve abranger também o domínio crítico da
linguagem tecnológica”. (p.18).

Assim como qualquer instrumento, as tecnologias que servem para comunicar e


produzir, podem se adequar a variados objetivos preestabelecidos pelo sistema educacional ou pela
escola. “Por isso faz-se necessária a reflexão sobre seu papel no ambiente escolar”. (LEITE;
SAMPAIO, 2002, p. 20).

O principal objetivo da alfabetização tecnológica do professor é tornar o cidadão um profissional


atuante na sociedade, contribuindo com um trabalho significativo para a população. Ser
educador, formar-se e atuar como professor no contexto atual requer muita preparação, o que
exige deste sujeito determinação em sua formação inicial e continuada, constituindo no decorrer
destes processos formativos sua profissão e identidade. Para tanto, é preciso muito estudo,
realização de leituras e pesquisas, aquisição de experiências, reflexões constantes sobre
suas práticas e concepções pedagógicas, enfim, ter conhecimentos pedagógicos,
profissionais, experienciais que são requisitos essenciais que os profissionais da educação
precisam se apropriar para estarem capacitados frente a atual sociedade que se pretende formar.

Repensar a formação e a ação docente pode proporcionar uma nova visão da


utilização das tecnologias educacionais. A contribuição que os cursos de formação de
professores têm a oferecer é imensa: é preciso estimular, orientar, criar e inovar propostas, unir as
novas e as velhas tecnologias, fazer da escola um ambiente de reflexão da própria prática
docente, o que Lévy (1999) nos coloca de forma muito clara dizendo que:

É preciso colocar as pessoas nessa situação de curiosidade, nessa


possibilidade de exploração. Não individualmente, não sozinhas, mas
juntas, em grupo. Para que tentem se conhecer e conhecer o mundo a
sua volta. E, uma vez compreendido esse princípio de base, todos os
meios servem, os meios técnicos servem. Os meios audiovisuais, interativos,
os mundos virtuais, os grupos de discussão, tudo o que quisermos (LÉVY
apud KENSKI, 2001, p. 51).

A alfabetização tecnológica do professor pode ser entendida então como uma


possibilidade de proporcionar subsídios a este profissional da educação para o
desenvolvimento de novas formas de atuar, com acesso ao domínio técnico, pedagógico e crítico
destas novas “ferramentas tecnológicas”.

Como dizia Paulo Freire: "há necessidade de sermos homens e mulheres do nosso tempo,
que empregam todos os recursos disponíveis para dar o grande salto que a nossa educação está
á exigir".

A importância que isso representa na formação do professor traz contribuições não


somente à escola, mas à sociedade na qual a mesma está inserida, uma vez que a
integração dos professores em uma nova ação docente mediada pelas tecnologias gera o desejo
de participar do processo de intercâmbio de conhecimentos, a vontade de apresentar contribuições
originais, transmitir e trocar ideias, de forma cooperativa e aberta.

 REFLEXÕES SOBRE LIMITES E POSSIBILIDADES: MÍDIAS E EDUCAÇÃO

As novas tecnologias de comunicação, sobretudo a televisão e o computador,


movimentam a educação e provocam novas mediações entre a abordagem do professor, a
compreensão do aluno e o conteúdo veiculado. A imagem, o som e o movimento oferecem
informações mais realistas em relação ao que está sendo ensinado. Essas tecnologias, quando
bem utilizadas, provocam a alteração dos comportamentos de professores e alunos, levando-os ao
melhor conhecimento e maior aprofundamento do conteúdo estudado. Reforça Kenski (2007):
As tecnologias comunicativas mais utilizadas em educação, porém, não
provocam ainda alterações radicais na estrutura dos cursos, na articulação
entre os conteúdos e não mudam as maneiras como os professores
trabalham didaticamente com seus alunos. Encaradas como recursos
didáticos, elas ainda estão muito longe de serem usadas em todas as suas
possibilidades para uma melhor educação. (p.45).

Por mais que as escolas usem computadores e internet como recurso didático, estas
continuam fazendo o sistema anual, como sendo uma sequência do pensamento seriado. Kenski
(2007) afirma que essas escolas vêm: “[...] definidas no espaço restrito da sala de aula, ligadas
a uma única disciplina do comportamento estrutural e filosófico do fazer cotidiano, sendo
graduadas em níveis hierárquicos de conhecimento e lineares de aprofundamento dos
conhecimentos em áreas específicas do saber”. (p. 46).

Nestas salas, os professores desenvolvem uma disciplina/matéria/conteúdo, tão poucos


querem se envolver com temas e assuntos de outras, não havendo assim uma boa interação entre
as disciplinas e os recursos didáticos disponíveis para serem trabalhados, distanciando cada vez
mais professores e alunos.

Mais importante que as tecnologias, e os procedimentos pedagógicos atuais, em meio a


todos esses movimentos e equipamentos, o que vai fazer a diferença qualitativa é a capacidade de
adequação no processo educacional aos objetivos que levarão ao encontro desse desafio de
aprender: a nossa história de vida, os conhecimentos anteriores, os objetivos que definiram a
sua participação em uma disciplina e sua motivação para aprender este ou aquele conteúdo, são
fundamentais para que a aprendizagem aconteça.

Assim como está registrado na LDB - 9394/96, Artigo 13º - inciso I: “[...] os docentes
deverão se incumbir de participar da elaboração da proposta pedagógica do
estabelecimento de ensino”.

Considerando o citado acima, na elaboração de uma proposta pedagógica, é


importante que os docentes pensem em um processo que contextualize a realidade dos alunos,
inclusive com a adequação das novas tecnologias sempre que for possível, para tanto é
necessário que o docente também esteja acompanhando e se especializando no uso de mídias e de
novas tecnologias. Nesta teia de relações, o docente com uma boa proposta pedagógica estará
contribuindo para a eficácia do artigo 22º, que diz: o desenvolvimento do educando deverá ser
assegurado, fornecendo meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores, ou seja,
um futuro promissor.
As mediações feitas entre os jeitos de aprender dos alunos, realizadas pelo
professor, vai auxiliar o aluno na busca dos caminhos que o levará à aprendizagem, os
conhecimentos que são à base desse processo e as tecnologias que vão garantir o acesso às
articulações dos componentes curriculares, configuram um processo de interação que define, de
certa forma, a qualidade na educação escolar. Sobre isto Morais (2003) afirma que:

[...] a educação se vê vigorosamente interpelada por um mundo que não


pode prescindir dos recursos tecnológicos e, ao mesmo tempo, vê-se
ameaçado pelos excessos que poderão ser cometidos graças a uma
aceitação deslumbrada e acrítica dos referidos recursos. (p.81).

Podemos observar que, hoje a tecnologia vem se tornando algo essencial para a escola,
mais são muitas as tarefas e também não são poucas as dificuldades que o processo
educacional deverá enfrentar neste século XXI. São essas necessidades de inserir a escola nesse
âmbito educacional tecnológico que temos que nos postar críticos em meio a essa ação, buscando
a melhor forma de preparar os educandos que necessitam dessa formação, fazendo com que
estas ações se façam adequadas/coerentes a todos, dentro do respeito, servindo e formando.

E para que essas tecnologias como: o uso do computador e as mídias


correlacionadas possam trazer alterações no processo educativo, elas precisam ser
compreendidas e incorporadas pedagogicamente. Isso significa que é preciso respeitar as
especificidades do ensino e da própria tecnologia para poder garantir seu uso, e para que
realmente isso faça diferença; não basta usar a televisão ou o computador, é preciso saber usar,
de forma pedagogicamente correta, a tecnologia escolhida.

Kenski (2003) reconhece que, na maioria das escolas brasileiras, as tecnologias digitais
de comunicação e de informação "[...] são impostas, como estratégia comercial e política, sem
a adequada reestruturação administrativa, sem reflexão e sem a devida preparação do quadro
de profissionais que ali atuam." (p.70).

O fato da entrada dos computadores não ter sido precedido de uma ampla discussão entre
os professores que possibilitasse o levantamento de opiniões, desejos e sugestões para o uso
desta tecnologia no ensino, torna o uso desagradável e desestimulante, pois não sabemos se os
professores sabem utilizar essas tecnologias e menos ainda, se querem utilizá-la. O problema,
no entanto, não se caracteriza apenas por uma rejeição ao novo, mas também por experiências
negativas com o uso de tecnologias que se proclamavam como solução dos problemas
existentes na educação, mas que trouxeram poucos benefícios em razão da dificuldade do uso
dessa ferramenta.
É necessário discussões a respeito do uso das tecnologias, sendo feito todo um planejamento
em torno do que se pretende com o uso tecnológico educacional. De acordo com Levy (2005):

[...] a utilização desses meios requer um sujeito ativo, que deve


escolher até e como se deveria ir, determinar qual informação
utilizar, estabelecer sua ordem e nível de profundidade,
possibilitando a formação de novas estratégias cognitivas e
novos estilos de expressão e comunicação. (p.16).

Para Kenski (2003), é possível solucionar o grande impasse entre docentes e as


tecnologias, isso cabe aos cursos de formação que devem proporcionar condições para que os
docentes sejam produtores e críticos dessa nova forma de ensinar, que é mediada pela tecnologia.
Os professores precisam adquirir essa competência e iniciar o processo participativo acerca
do tema proposto, sendo agente ativo.

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