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Está Consumado!

por

Arthur W. Pink

“Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E,


inclinando a cabeça, entregou o espírito” — João 19:30.

Quão terrivelmente estas benditas palavras de Cristo têm sido


mal-entendidas, mal-apropriadas e mal-aplicadas! Quantos
parecem pensar que, sobre a cruz, o Senhor realizou uma obra
que torna desnecessário que os beneficiários dela viva vidas
santas sobre a terra. Muitos têm sido enganados com o
pensamento de que, até onde diz respeito o se alcançar o céu,
não importa como eles andem, desde que eles estejam
“descansando sobre a obra consumada de Cristo”. Eles podem
ser infrutíferos, desonestos, desobedientes, todavia, conquanto
que eles repudiem toda justiça própria e tenham fé em Cristo,
eles imaginam que estão “eternamente seguros”.

Ao redor de todos nós há pessoas que são mundanas, amantes


do dinheiro, buscadores-do-prazer, quebradores do Dia do
Senhor, mas que pensam que tudo está bem com elas, pois
“aceitaram a Cristo como seu Salvador pessoal”. Em sua
aspiração, conversação e recreação, não há praticamente nada
que os diferencie daqueles que não fazem nenhuma profissão de
fé. Nem em sua vida familiar ou social há algo, exceto
pretensões vazias, para distingui-los dos outros. O temor de
Deus não está sobre eles, os mandamentos de Deus não têm
autoridade sobre eles, a santidade de Deus não os atrai.

“Está consumado”. Quão solene é perceber que estas palavras


de Cristo devem ter sido usadas para tranqüilizar milhares com
uma falsa paz. Todavia, tal é o caso. Nós temos tido contato
próximo com pessoas que não têm nenhuma vida de oração
privada, que são egoístas, cobiçosas, desonestas, mas que
supõem que um Deus misericordioso fará vistas grossas para
tais coisas, desde que eles tenham alguma vez colocado sua
confiança no Senhor Jesus. Que horrível perversão da verdade!
Que transformação da graça de Deus “em libertinagem”! (Judas
4). Sim, aqueles que agora vivem as vidas mais egoístas e
agradáveis à carne, falam sobre sua fé no sangue do Cordeiro, e
supõem que estão salvos. Como o diabo os tem enganado!

“Está consumado”. Estas benditas palavras significam que


Cristo satisfez de tal forma o requerimento da santidade de
Deus, que mais nenhuma santidade tem qualquer reivindicação
real e premente sobre nós? Deus não o permita pensarmos tal!
Até mesmo para o redimido Deus diz: “Sede santos, assim como
Eu sou Santo” (1 Pedro 1:6). Cristo “magnificou a lei e a fez
honrosa” (Isaías 42:21), para que pudéssemos ficar sem lei? Ele
“cumpriu toda justiça” (Mateus 3:15) para comprar para nós
uma isenção de amar a Deus com todo o nosso coração e servi-
Lo com todas as nossas faculdades? Cristo morreu para
assegurar uma divina indulgência, para que pudéssemos viver
para agradar a nós mesmos? Muitos parecem pensar assim.
Não, o Senhor Jesus deixou ao Seu povo um exemplo para que
eles pudessem “seguir (não ignorar) os Seus passos”.

“Está consumado”. O que está “consumado”? A necessidade dos


pecadores se arrependerem? Deveras não. A necessidade de se
voltar dos ídolos para Deus? Deveras não. A necessidade de
mortificar os meus membros que estão sobre a terra? Deveras
não. A necessidade de ser santificado completamente, no
espírito, alma e corpo? Deveras não. Cristo não morreu para
fazer minha tristeza, meu ódio e o meu empenho contra o
pecado desnecessários. Cristo não morreu para me absolver de
todas as minhas responsabilidades diante de Deus. Cristo não
morreu para que eu pudesse continuar retendo a amizade e
comunhão do mundo. Quão extremamente estranho é que
alguém possa pensar que Ele tenha feito isso. Todavia, as ações
de muitos mostram que esta é a sua idéia.

“Está consumado”. O que está “consumado”? Os tipos


sacrificiais foram consumados, as profecias de Seus sofrimentos
foram cumpridas, a obra dada a Ele pelo Pai foi perfeitamente
realizada, um fundamento certo foi posto, no qual um Deus
justo pode perdoar o mais vil transgressor da lei que jogou as
armas de sua guerra contra Ele. Cristo já realizou tudo o que
era necessário para que o Espírito Santo viesse e operasse nos
corações do Seu povo; convencendo-lhes de sua rebelião,
destruindo sua inimizade contra Deus, e produzindo neles um
coração amoroso e obediente.
Oh, querido leitor, não cometa engano neste ponto. A “obra
consumada de Cristo” não lhe beneficia em nada, se o seu
coração nunca foi quebrantado através de uma consciência
agonizante de sua pecaminosidade. A “obra consumada de
Cristo” não lhe beneficia em nada, a menos que você tenha sido
salvo do poder e da poluição do pecado (Mateus 1:21). Ela não
lhe beneficia em nada, se você ainda ama o mundo (1 João
2:15). Ela não lhe beneficia em nada, a menos que você seja
uma “nova criatura” nEle (2 Coríntios 5:17). Se você valoriza
sua alma, examine as Escrituras para ver por si mesmo; não
tome nenhuma palavra de homem no lugar disso.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto


Cuiabá-MT, 22 de Janeiro de 2005.

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