Você está na página 1de 88

Teoria musical luso-brasileira (1530 - 1850)

Fernando Pereira Binder

Relatório final referente ao projeto de


iniciação científica CNPq / PIBIC /
UNESP realizado entre ago. 1995 e jul.
1996 no Instituto de Artes da UNESP, sob
a orientação do Prof. Paulo Castagna

- São Paulo, agosto de 1996 -


ÍNDICE

1 APRESENTAÇÃO

1.1 Introdução
1.2 Resumo do projeto aprovado
1.2.1 título do projeto
1.2.2 justificativa e relevancia do tema
1.2.3 objetivos
1.2.4 metodologia
1.2.5 cronograma de atividades do projeto
1.3 Atividades desenvolvidas no período da bolsa
1.4 Resultados alcançados
1.5 Outras atividades decorrentes da pesquisa
1.6 Conclusão acompanhada de parecer pessoal qualitativo
1.7 Bibliografia geral

2 ESTUDOS REALIZADOS

2.1 Tratados musicais luso-brasileiros (1530-1850)


2.1.2. Tabela de referência à bibliografia pesquisada
2.1.3. Tratados identificados

2.2 Estudo de dois tratados musicais portugueses

2.2.1 Introdução
2.2.2 Tratado da Cantoria (de Manuel de Moraes Pedroso)
2.2.3 Tratado do Contraponto (de Manuel de Moraes Pedroso)
2.2.4 o Tratado do Acompanhamento (de Manuel de Moraes Pedroso) e as
Regras de Acompanhar (de Alberto José Gomes da Silva)

2.3 Três tratados musicais portugueses transcritos

2.3.1 O Compendio músico ou arte abreviada, de Manuel de Moraes Pedroso


2.3.2 Regras de acompanhar para cravo ou orgão, de Alberto José Gomes da
Silva
2.3.3 Nova Arte De Viola, de Manuel da Paixão Ribeiro
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 4

1 APRESENTAÇÃO

1.1 INTRODUÇÃO

No Brasil colonial existiram duas maneiras de se aprender música: na igreja, com os jesuítas
em um primeiro momento e depois com os mestres-de-capela, ou sendo discípulo de um mestre de
música e para ele exercendo atividade musical como forma de pagamento de suas aulas. O ensino
oficial iniciou-se somente no Império, em 1848, com o início das atividades do Conservatório do
Rio de Janeiro, conforme nos informa Vasco Mariz1.
Como a instalação de tipografias no Brasil foi proibida até 1808, a mais antiga obra sobre
música impressa no país data somente de 1820.2 Talvez seja esta uma das explicações para a escassa
produção de manuais teóricos até o centro do século XIX. Então, de onde vinham, quais eram, e do
que falavam os manuais usados no auxilio à formação dos músicos brasileiros durante o período
colonial?
Na qualidade de colônia, o Brasil só poderia se relacionar com Portugal. Até a abertura dos
portos, em 1808, a maior parte das informações que chegava ao território provinha de Portugal. É de
se esperar, portanto, que tais manuais também viessem de lá. Este fato é comprovado pela
existência, no Museu da Música da Arquidiocese de Mariana, de um exemplar (infelizmente
mutilado) do tratado de Manuel de Moraes Pedroso (abaixo citado)3 e, no Arquivo Público Mineiro
de Belo Horizonte, de uma cópia manuscrita desse mesmo texto de Moraes Pedroso, feita em
Mariana por José de Torres Franco, com a data de20 de outubro 1790, assim como pelas citações
feitas por músicos brasileiros à Arte Minima,4 obra de Manuel Nunes da Silva, no “Discurso
Apologético” de Caetano de Melo Jesus,5 texto escrito na Bahia em 1734.

1
“O projeto foi aprovado em 1841, mas tardou a ser posto em prática por falta de fundos. Foram feitas duas loterias e só
em 1848 é que foi possível o início das aulas, com seis professores.” MARIZ, Vasco. História da Música no Brasil. 2ª
ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1983. p. 57.

2
”Noticia da vida e das obras de J. Haydn, por Joaquin Le Breton (Imprensa Régia-1820).” Enciclopédia da música
brasileira. São Paulo, Art Ed., 1977. 2 v. p. 353.

3
O exemplar do Compendio musico, ou arte abreviada em que se contêm as regras mais necessárias da cantoria,
acompanhamento e contraponto[...], de Manoel de Moraes Pedroso (Coimbra, 1751), que está arquivado no Museu da
Música da Arquidiocese de mariana (MG) foi doado a esta Instituição pela Sra. Terezinha Aniceto, filha de Francisco
Solano Aniceto da Cruz (1895-1970) e neta de José Aniceto da Cruz, músicos de família originária do do Alto do Rio
Doce e que atuaram na cidade mineira de Piranga nos séculos XIX e XX.

4
SILVA, Manuel Nunes da. Arte Minima que com semibreve prolaçam tratta em tempo breve, os modos da
Maxima, & Longa sciencia da musica, [...]Lisboa. 1685.

5
JESUS, Caetano de Melo. Discurso apologético; polémica mvsical do Padre Caetano de Melo Jesus, natural do
Arcebispado da Baía; Baía, 1734; edição do texto e introdução de José Augusto Alegria. Lisboa, Fundação Calouste
Gulbenkian, Serviço de Música, 1985. Tais citações encontram-se nas “Censuras das Américas” p. 75-89. São os
pareceristas que fazem menção a Arte Minima: Inacio Ribeiro Pimenta, mestre-de-capela da Catedral de Olinda e
Antonio Nunes Siqueira, mestre-de-capela da Catedral do Rio de Janeiro.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 5

A primeira parte deste trabalho - teoria musical luso-brasileira de 1530 a 1850 - consiste na
transcrição e estudo das matérias expostas em dois tratados selecionados. São eles: o Compendio
musico, ou arte abreviada em que se contêm as regras mais necessárias da cantoria,
acompanhamento e contraponto[...], de Manoel de Moraes Pedroso (Coimbra, 1751), e as Regras
de acompanhar para cravo, ou Orgão. E ainda tambem para qualquer outro instrumento de
vozes, reduzidas a breve methodo, e facil percepção.[...], de Alberto Joseph Gomes da Silva
(Lisboa, 1758). A estes dois tratados cuja transcrição e estudo havia sido prevista no projeto inicial,
juntamos também a transcrição da Nova Arte De Viola; que ensina a tocalla com fundamento
sem mestre, dividida em duas partes, huma especulativa, e outra practica;[...] de Manoel da
Paixão Ribeiro (Coimbra, 1789).
Os dois tratados estudados revelam a preocupação eminentemente prática, característica
predominante tanto no ensino musical brasileiro6 como dos tratados teóricos portugueses
conhecidos.7
No tratado de Moraes Pedroso encontramos definições sobre os princípios básicos da
música, rudimentos sobre acompanhamento e contraponto, algumas informações sobre composição
e também sobre técnica organística. Já o tratado de Gomes da Silva preocupa-se unicamente em
descrever as regras para realização do baixo cifrado.
O estudo destes tratados foi realizado na forma de texto informativo das matérias sobre as
quais versam tais tratados. Explicações mais detalhadas sobre algum aspecto particular da teoria
neles expostas encontram-se sob a forma de notas de rodapé. Cabe aqui ressaltar as escassas fontes
de informação para a realização de estudo mais pormenorizado.
A segunda parte consiste na identificação dos tratados escritos entre 1530 e 1850
encontrados nas fontes luso-brasileiras e transcrição das informações contidas em tais fontes. Na
década de 1530 surgem os primeiros tratados impressos em Portugal. A ampliação do período
cronológico até o ano de 1850 visa não somente a detecção de mudanças de comportamento dos
músicos na assimilação das informações sobre a música européia, mas também a perspectiva de
investigação da maior parte da produção teórica voltada ao estilo clássico, manifestado nas obras
musicais luso-brasileiras até essa época.
Durante a listagem dos tratados, surgiram dúvidas sobre a originalidade de alguns deles. Não
se podendo concluir se algumas obras seriam reedições com títulos e datas alteradas ou engano das
fontes consultadas, optou-se por pecar pelo excesso, citando-os como obras novas. Também merece
menção a razoável quantidade de tratados perdidos com a destruição da Biblioteca Real de D. João
IV no terremoto de Lisboa, em 1755.
A transcrição das informações sobre esses tratados contidas em fontes luso-brasileiras -
catálogos, bibliografias, histórias - tem por objetivo auxiliar a pesquisa sobre tratados e tratadistas,
esclarecendo sobre seus conteúdos, edições e sobre suas orientações estéticas. Os comentários
dessas fontes são precedidos dos códigos usados para identifica-los. Uma tabela de referência destes
códigos à bibliografia pesquisada pode ser encontrada antes da listagem dos tratados.

6
“Um recurso compensador para o mestre[-de-capela] seria manter discípulos cantores e instrumentistas participando de
sua música nas festas, hábito geralmente adotado numa época em que a integração profissional dos discípulos era
sistema pedagógico consagrado[...]”DUPRAT, Régis. Música na Sé de São Paulo Colonial. São Paulo: Paulus, 1995.
p. 24.

7
“Esta finalidade de servir de guia à formação de músicos práticos presidiu sempre, de resto, a toda a produção teórico-
musical portuguesa pelo menos até os meados do século XIX” NERY, Rui Vieira & CASTRO, Paulo Ferreira de.
História da Música. Lisboa, Comissariado para a Europália 91 - Portugal / Imprensa Nacional - Casa da Moeda, [1991].
197 p. (Sínteses da cultura portuguesa). p. 33.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 6

1.2 RESUMO DO PROJETO APROVADO

1.2.1 TÍTULO DO PROJETO

Teoria musical luso-brasileira 1530-1850.

1.2.2 JUSTIFICATIVA E RELEVANCIA DO TEMA

A pesquisa da música colonial brasileira carece de um levantamento sistemático acerca da


formação teórica dos músicos que atuaram no país, levantamento que sirva de subsídio á
compreensão das peculiaridades da música deste período.
Era Portugal, até a abertura dos portos, em 1808, a principal fonte de informação para o
Brasil. Torna-se, portanto, prioridade na investigação da formação básica dos músicos aqui situados
o estudo da produção teórica portuguesa. Complementando esta tarefa, o estudo dos tratados
brasileiros visa compreender o grau de seleção destas informações, e suas adaptações às condições
da colônia, e suas possíveis inovações.
A pesquisa da produção musical da música colonial no Brasil assume, com este projeto um
caracter mais universalista, adequando-se às modernas tendências da musicologia internacional, e
servindo também de contribuição ao estudo da música antiga européia.
Os tratados de música portugueses começam a ser impressos no início do século XIV e
servem como fonte de informação aos músicos brasileiros até o final do período colonial. Com
ampliação até o ano de 1850 visa a detecção das mudanças de comportamento dos músicos na
assimilação das informações sobre a música européia, mas também a perspectiva da investigação
maior parte da produção teórica voltada ao estilo clássico.
A identificação e determinação dos conteúdos gerais desses tratados contribuirá para a
utilização de tratados originais em língua portuguesa nos cursos de graduação e pós-graduação, além
de informar sua relevância para este fim, e informar sua disponibilidade no Brasil na atualidade.

1.2.3 OBJETIVOS

• Identificar os tratados teóricos de música produzidos em Portugal e no Brasil entre 1530 a 1850.

• Resumir seus conteúdo e identificar suas inovações com relação aos tratados anteriores

• Comparação, no plano técnico, com as informações disponíveis acerca das realizações européias
não portuguesas.

• Transcrever e estudar dois tratados em particular: Compendio musico, ou arte abreviada em


que se contêm as regras mais necessárias da cantoria, acompanhamento e contraponto[...],
de Manoel de Moraes Pedroso (Coimbra, 1751), e as Regras de acompanhar para cravo, ou
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 7

Orgão. E ainda tambem para qualquer outro instrumento de vozes, reduzidas a breve
methodo, e facil percepção.[...] de Alberto Joseph Gomes da Silva (Lisboa, 1758).

1.2.4 METODOLOGIA

• Pesquisa bibliográfica em fontes luso brasileiras e fontes gerais sobre música.

• Transcrição e estudo de tratados musicais portugueses.

• Comparação das informações levantadas em tratados luso-brasileiros com informações teóricas e


praticas da música européia do período.

• Utilização de informações sobre a música luso-brasileira do período para o esclarecimento de


questões levantadas nos tratados analisados.

1.2.5 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DO PROJETO

Primeiro semestre de vigência da bolsa:

Levantamento dos tratados luso-brasileiros conhecidos e transcrição simples dos tratados


selecionados.

Segundo semestre de vigência da bolsa:

Síntese das informações dos tratados luso-brasileiros analisados.


Análise e comparação das informações levantadas com o panorama musical luso-brasileiro e
internacional do período.
Elaboração de uma introdução e de um corpo de notas de rodapé para os dois tratados
selecionados.

1.3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO PERÍODO DA BOLSA

Durante o período de vigência da bolsa foram desenvolvidas as seguintes atividades:

• identificação dos tratados luso-brasileiros produzidos entre 1530 a 1850, encontrados nas fontes
bibliográficas, consultadas principalmente em três bibliotecas (Biblioteca do Instituto de Estudos
Brasileiros da USP, Biblioteca da Faculdade de Letras da USP e na Biblioteca Municipal Mario
de Andrade);
• transcrição dos comentários sobre os tratados luso-brasileiros encontrados nas fontes
pesquisadas;
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 8

• transcrição simples dos dois tratados selecionados: Compendio musico, ou arte abreviada em
que se contêm as regras mais necessárias da cantoria, acompanhamento e contraponto[...],
de Manoel de Moraes Pedroso (Coimbra, 1751), e as Regras de acompanhar para cravo, ou
Orgão. E ainda tambem para qualquer outro instrumento de vozes, reduzidas a breve
methodo, e facil percepção.[...] de Alberto Joseph Gomes da Silva (Lisboa, 1758);
• transcrição da Nova Arte De Viola; que ensina a tocalla com fundamento sem mestre,
dividida em duas partes, huma especulativa, e outra practica;[...] de Manoel da Paixão
Ribeiro (Coimbra, 1789);
• estudo dos tratados selecionados através de texto informativo e notas de rodapé.

1.4 RESULTADOS ALCANÇADOS

Os resultados alcançados podem ser divididos em dois grupos: um referente à listagem e


transcrição dos tratados e outro, referente ao seu estudo.
Com relação à listagem e transcrição dos tratados, a tarefa foi concluída com sucesso, sendo
todas as obras de importância identificadas e localizadas. Além da transcrição das obras pré
selecionadas, acrescentamos a transcrição da Nova Arte De Viola; que ensina a tocalla com
fundamento sem mestre, dividida em duas partes, huma especulativa, e outra practica [...] de
Manoel da Paixão Ribeiro (Coimbra, 1789).
O estudo dos tratados foi realizado satisfatoriamente na forma de texto informativo e de
notas de rodapé, como já havia sido previsto.
Ampliando este estudo sobre a teoria musical luso-brasileira, será desenvolvida nova
pesquisa intitulada Particularidades da grafia musical luso-brasileira no período de 1530-1850, sob
os auspícios do mesmo programa de bolsas de Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UNESP.

1.5 OUTRAS ATIVIDADES DECORRENTES DA PESQUISA

Duas foram as atividades decorrentes desta pesquisa:

• Participação no “VII Festival Internacional de Música Brasileira Colonial e Música Antiga”


realizado em Juiz de Fora, Minas Gerais, entre 14 a 28 de Julho do presente ano e no “II Encontro
de Musicologia Histórica” realizado no dia 25 de Julho, durante o mesmo Festival.

• Realização de novo projeto de pesquisa sob os auspícios do mesmo programa de bolsas de


Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UNESP, intitulado Particularidades da grafia musical luso-
brasileira no período de 1530-1850.

1.6 CONCLUSÃO ACOMPANHADA DE PARECER PESSOAL QUALITATIVO

O desenvolvimento da presente investigação realizou-se de acordo com a programação


prevista, observando-se os métodos propostos.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 9

Graças a esses aspectos positivos, o trabalho terá como desdobramento a nova pesquisa
acima citada.
Do ponto de vista de meu aprendizado, em nível de iniciação científica, o resultado foi
extremamente positivo, na medida em que possibilitou o contato com as exigências metodológicas
desse campo de conhecimento, além de proporcionar maior proximidade na relação entre professor e
aluno, fator relevante no processo de formação acadêmica. Merece também menção o
aprimoramento de meus conhecimento sobre o assunto abordado, como também a abertura de
perspectivas para estudos posteriores no âmbito de pós-graduação e de minha qualificação para tal.

1.7 BIBLIOGRAFIA GERAL

ALEGRIA, José Augusto. Biblioteca Pública de Évora; catálogo dos fundos musicais. Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 1977. 230 p.

ALMEIDA, Renato. História da música brasileira; segunda edição correta e aumentada; com
textos musicais. Rio de Janeiro, F. Briguiet & Comp., 1942. XXXII, 529 p
ANSELMO, Antonio Joaqim. Bibliografia das obras impressas em Portugal no séc. XVI. Lisboa,
Biblioteca Nacional, 1926. 367 p., il.
AZEVEDO, Luis Heitor Correia de. Bibliografia Musical brasileira (1820 - 1950). Ministério da
Educação e Saúde - Instituto Nacional do Livro, 1952. 253 p.
ARAKAWA, Hidetoshi. Afinação e Temperamento. Campinas: Edição do Autor, 1995.136 p.
BARRETO, João Franco. BIBLIOTHECA / Luzitana. MS M-VI-14 da Biblioteca da Casa de
Cadaval.
Biblioteca brasiliana da Robert Bosch GmbH; catálogo; organizado por Suzsanne Koppel com
uma introdução do Porfessor Dr. Hanno Beck; tradução da Drª. Rosemarie Erika Horch. Rio de
Janeiro, Livr. Kosmos Ed., 1992. 516 p.
Biblioteca da Assembleia Nacional e seus livros dos séculos XV e XVI. Lisboa. 1936. 105 p.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Música no Rio de Janeiro (1822-1870); Exposição


comemorativa do Primeiro Dêcenio da Seção de Música e Arquivo Sonoro. Rio de Janeiro,
Ministério da Educação e Cultura, 1962. 100p.
BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario bibliographico brazileiro, pelo
doutor [...]. Rio de Janeiro, Typ. Nacional, 1883- 1902. 7 v.
CAMARGO, Ana Maria de Almeida & MORAES, Rubens Borba de. Bibliografia da Impressão
Régia do Rio de Janeiro (1808-1822). São Paulo, Edusp / Kosmos, 1993. 2 v.
Catalogo do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Typographia do
“Jornal do Commercio” de Rodrigues &c. 1906.
CRUZ, Francisco da. Bibliotheca Lusitana. MS 51-V-50 da Biblioteca da Ajuda.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 10

DINIZ, Jaime C. Músicos Pernanbucanos do Passado. I Tomo. Recife. Universidade Ferderal de


Pernambuco. 1969.
DUPRAT, Régis. Música na Sé de São Paulo Colonial. São Paulo: Paulus, 1995. 236 p.
Enciclopédia da música brasileira. São Paulo, Art Ed., 1977. 2 v.
FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e letra: A imagem gravada. Coleção Texto e Arte. 2 ed.
Edusp, 1994
GAÍNZA, J. Javier Goldáraz. Afinacion e temperamento en la musica occidental. Madrid:
Alianza Música, 1992. 143 p.
GROUT, J. Donald & PALISCA, Claude V. História da música ocidental. Lisboa, Gradiva
publicações ltda. 1994. 759 p.
GUIMARAENS, Bertino Daciano R. S. Primeiro esboço duma bibliografia musical portuguesa.
Com uma breve notícia histórica da música em nosso país. Porto. 1947. 134 p.
Inventário dos códices Alcobacenses. Biblioteca Nacional de Lisboa. 1930. 428 p.
IV Centenário da fundação da Universidade de Évora. Exposição Bibliografica. Évora.
1959.452 p.
KENNEDY, Michael. Dicionário Oxford de Música. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994, 810
p.
Livros do século XVI impressos em Évora. Nucleo da Biblioteca Píblica e Arquivo Distrital de
Évora. 1941. 180 p.
MACHADO, Diogo Barbosa. Bibliotheca Lusitana. V. 1: Lisboa, Oficina de Antonio Isidoro da
Fonseca, 1741; v. 2: Lisboa, Oficina de Ignacio Rodrigues, 1743; v. 3: Lisboa, Oficina de
Ignacio Rodrigues, 1752; v. 4: Lisboa, Oficina de Francisco Luis Ameno, 1759.
MARIZ, Vasco. História da Música no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1983.
p. 352.
MATTOS, Cleofe Person de. Catálogo temático das obras do padre José Mauricio Nunes
Garcia. MEC, Conselho Ferderal de Cultura, 1970.
MAZZA, José. Dicionário biográfico de músicos portugueses [antes 1797]. Ocidente, Lisboa, v.
23, n.º 74, p. 193-200, jun.; n.º 75, p. 249-256, jul.; n.º 76, p. 361-368, ago.; n.º 77, p. 25-32,
set.; v. 24, n.º 78, p. 153-160, out.; n.º 79, p. 241-248, nov.; n.º 80, p. 353-368, dez. 1944; v. 25,
n.º 81, p. 17-24, jan.; n.º 82, p. 145-152, fev. [Crônicas]; n.º 84, p. 85-100, abr. 1945
[Suplementos]
MELLO, Guilherme Theodoro Pereira de. A música no Brasil desde os tempos coloniais até o
primeiro decênio da República. 2.ª, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1947. x, 362 p. [A
primeira edição é: MELLO, Guilherme Theodoro Pereira de. A música no Brasil desde os
tempos coloniaes até o primeiro decênio da República por Guilherme Theodoro Pereira de
Mello. Bahia, Typographia de S. Joaquim, 1908. XXV, 366 p.]
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 11

MORAIS, Francisco. Catálogo dos manuscritos da Biblioteca geral da Universidade de


Coimbra relativos ao Brasil. Extratos do catálogo de manuscritos da Biblioteca da
Universidade de Coimbra. Coimbra. 1941. 127 p.
MOREL-FATIO, M. Alfred. Bibliothèque Nationale. Départment des Manuscrits. Catalogue
des Manuscrits Espagnols et Manuscrits Portugais po [...].Imprimerie Nationale. 1892.
NERY, Rui Vieira & CASTRO, Paulo Ferreira de. História da Música. Lisboa, Comissariado para
a Europália 91 - Portugal / Imprensa Nacional - Casa da Moeda, [1991]. 197 p. (Sínteses da
cultura portuguesa)
NERY, Ruy Vieira. A música no ciclo da “ Bilioteca Lusitana”. Lisboa, Fundação Calouste
Gulbenkian, 1984. 277 p.
NERY, Ruy Vieira. Para a historia do barroco musical português (o codice 8942 da B. N. L.).
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1980. 97 p.
NEVES, Almeida. Raridades Biblíacas, edições incompletas (subsídios). Biblioteca da
Universidade. Coimbra. 1945. 129 p.
NEVES, José Maria. A música brasileira setecentista vista através de manuscritos pertencentes a
arquivos portugueses. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM MÚSICA, I, Mariana,
MG, 1 a 4 de julho de 1984. Anais. Belo Horizonte, Departamento de Teoria Geral da Música
da Escola de Música da UFMG e Museu da Música da Arquidiocese de Mariana [Imprensa
Universitária], [1985]. p. 137-160.
PEQUENO, Mercedes Reis. Literatura Musical dos Séculos XVI, XVII e XVIII na Biblioteca
Nacional. REVISTA MUSICA SACRA. Petrópolis: Ed. Vozes N. 1 e 2, p. 24-30, 1955.
RIBEIRO, Mário de Sampaio. Os manuscritos musicais N.os 6 e 12 da Biblioteca geral da
Universidade de Coimbra. (Contribuição para um catálogo definitivo). Biblioteca da
Universidade. Coimgra. 1941. 112 p.
SANTOS, Maria Luiza de Queirós Amâncio dos. Origens e evolução da música em Portugal e
sua influência no Brasil. Rio de Janeiro, Comissão Brasileira dos Centenários de Portugal,
1942. 343 p.
SILVA. Innocencio Francisco da. Diccionário bibliographico portuguez. 2a . Lisboa, Impr.
Nacional, 1859-1958. 23v., il.
SILVA, Manuel Nunes da. Arte Minima que com semibreve prolaçam tratta em tempo breve,
os modos da Maxima, & Longa sciencia da musica, [...]Lisboa. 1685.
SINZIG, Pedro. A Música Sacra em Portugal. REVISTA MÚSICA SACRA. Petropólis: Ed.
Vozes. N.°s 2 e 3, p. 21-7, n.º 4, p. 65-8, n.° 5, p. 85-94, n.° 6, p. 108-115, n.° 7, p. 126-134, n.°
8, p. 148-155, n.° 9, p. 165-8, n.° 10, p. 184-8, n.° 11, p. 206-8, n.° 12, p. 226-8, 1951. N.° 1 e 2,
p. 13-7, n.° 3 e 4, p. 56-8, n.° 5 e 6, p. 96-106, n.° 7 e 8, p. 151-4, n.° 9 e 10, p. 191-4, n.° 11 e
12, p. 233-5, 1952. N.° 3 e 4, p. 70-2, n.° 5 e 6, p. 104-6, n.° 7 e 8, p. 129-31, n.° 9 e 10, p. 167-
8, 1953. N. ° 1, p. 20-4. n.° 2, p. 45-51, n.° 3, p. 81-84, n.° 5, p. 143-5, n.° 6, p. 175-81, 1954.
N.° 1 e 2, p. 15-20, n.° 3 e 4, p. 48-54, n.° 5 e 6, p. 90-3, n.° 7 e 8, p. 115-8, n.° 9 e 10, p. 151-5,
n.° 11 e 12, p. 179-83, 1955.
STEVENSON, Robert. Some portuguese sources for early brazilian music history. Anuario /
Yearbook / Anuário, Inter-American Institute for Musical Research/ Instituto Interamericano
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 12

de Investigación Musical / Instituto Inter-Americano de Pesquisa Nacional, New Orleans, nº 4,


p. 1-43, 1968.
STEVENSON, Robert. Renaissance and baroque musical sourcesin the Americas. Washington
D.C.; General Secretariat, Organization of American States, 1970. “Appendix” b - Rio de
Janeiro, p. 259-314.
The new Grove dictionary of musics and musicians. 6.ª ed.Londres, Macmillan and Co.1980.20 v
TYLER, James. The early guitar; a history and handbook. London, Oxford University Press,
1980. 176 p. (Early Music Series, v. 4)
VALENÇA, Manuel. A arte organística em Portugal (c. 1326-1750). Braga, Ed. Franciscana,
1990. 310 p.
VASCONCELOS, Joaquim de. Os Músicos Portuguezes; Biographia-Bibliographia Por Joaquim
de Vasconcelos [...]Porto, Imprensa Portugueza, 1870. 2v.
VIEIRA, Ernesto. Diccionario musical: contendo Todos os termos technicos, com a etymologia da
maior parte d’elles, grande copia de vocabulos e locuções italianas, francezas, allemãs, latinas e
gregas relativas à Arte Musical; noticias technicas e historicas sobre o cantochão e sobre a Arte
antiga; nomenclatura de todos os instrumentos antigos e modernos, com a descripção
desenvolvida dos mais notaveis e em especial d’aquelles que são actualmente empregados pela
arte europea; referencias frequentes, criticas e historicas, ao emprego do vocabulo musical da
lingua portugueza; ornado com gravuras e exemplos de musica por Ernesto Vieira. 2.ª Edicção,
Lisboa, Typ. Lallemant, 1899. 11 p., 1 f. inum, 551 p., 1 p. inum.
VITERBO, Souza. A livraria de música de D. João IV e o seu Index. Noticia histórica e
documental. (Separata da História de Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa,
tomo IX, parte I). Academia Real das Ciências. Lisboa. 1900. 19 p.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 13

2 ESTUDOS REALIZADOS

2.1 TRATADOS MUSICAIS LUSO-BRASILEIROS (1530-1850)

2.1.1. TABELA DE REFERÊNCIA À BIBLIOGRAFIA PESQUISADA.

A.V.A.S.BLAKE(1883-1902) -, Augusto Victorino Alves Sacramento BLAKE. Diccionario


bibliographico brazileiro.
B.DACIANOR.S.G.(1947) - GUIMARAENS, Bertino Daciano R. S. Primeiro esboço duma
bibliografia musical portuguesa.
BBRobertBoch (1992) - Biblioteca brasiliana da Robert Bosch GmbH; catálogo.
C. G. P. L. (1906) - Catalogo do Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro..
C.P.MATTOS(1970) - MATTOS, Cleofe Person de. Catálogo temático das obras do padre José
Mauricio Nunes Garcia.
D.B.MACHADO(1752) - MACHADO, Diogo Barbosa. Bibliotheca Lusitana.
EMB(1977) - Enciclopédia da música brasileira.
ERNESTO VIEIRA (1900) - VIEIRA, Ernesto. Diccionario musical.
F. CRUZ - CRUZ, Francisco da. Bibliotheca Lusitana. MS 51-V-50 da Biblioteca da Ajuda.
GTPMELLO(1908) - MELLO, Guilherme Theodoro Pereira de. A música no Brasil desde os
tempos coloniais até o primeiro decênio da República.
I.F.SILVA (1859-1958) - SILVA. Innocencio Francisco da. Diccionário bibliographico
portuguez.

J. TYLER (1980) - TYLER, James. The early guitar; a history and handbook.
J.VASCONCELOS (1870) - VASCONCELOS, Joaquim de. Os Músicos Portuguezes.
J.A. ALEGRIA (1977) - ALEGRIA, José Augusto. Biblioteca Pública de Évora; catálogo dos
fundos musicais.
J.C.DINIZ(1969) - DINIZ, Jaime C. Músicos Pernanbucanos do Passado. I Tomo.
J.F. BARRETO - BARRETO, João Franco. BIBLIOTHECA / Luzitana MS M-VI-14 da Biblioteca
da Casa de Cadaval.
J.MAZZA - MAZZA, José. Dicionário biográfico de músicos portugueses [antes 1797].
J.M.NEVES - NEVES, José Maria. A música brasileira setecentista vista através de manuscritos
pertencentes a arquivos portugueses.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 14

L. H. C. AZEVEDO(1952) - AZEVEDO, Luis Heitor Correia de. Bibliografia Musical brasileira


(1820 - 1950).
M. L. Q. A. SANTOS (1942) - SANTOS, Maria Luiza de Queirós Amâncio dos. Origens e
evolução da música em Portugal e sua influência no Brasil.
M. VALENÇA (1990) - VALENÇA, Manuel. A arte organística em Portugal (c. 1326-1750).
MRJI(1962) - BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Música no Rio de Janeiro (1822-1870).
O.C.FERREIRA-IL(1994) - FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e letra: A imagem gravada.
Coleção Texto e Arte. 2 ed. Edusp, 1994
M.R.PEQUENO(1954) - PEQUENO, Mercedes Reis. Literatura Musical dos Séculos XVI, XVII
e XVIII na Biblioteca Nacional.
R.ALMEIDA(1942) - ALMEIDA, Renato. História da música brasileira.
R.DUPRAT(1995) - DUPRAT, Régis. Música na Sé de São Paulo Colonial.
R. STEVENSON (1968) - STEVENSON, Robert. Some portuguese sources for early brazilian
music history.
R.STEVENSON(1970),Appendix b,RJ - STEVENSON, Robert. Renaissance and baroque musical
sources in the Americas.
R.V.NERY(1984) - NERY, Ruy Vieira. A música no ciclo da “ Bilioteca Lusitana”.
R.V.NERY,P.F.CASTRO(1991) - NERY, Rui Vieira & CASTRO, Paulo Ferreira de. História da
Música.
MSSINZIG(19551-1955) - SINZIG, Pedro. A Música Sacra em Portugal. REVISTA MÚSICA
SACRA.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 15

2.1.3. TRATADOS IDENTIFICADOS

ABREU, Antonio. Escuela para tocar con perfeccion la guitarra de cinco y seis ordenes, con
reglas generales de mano izquierda e derecha. Trata de las cantorias y pasos dificiles que
se pueden ofrecer, con método fácil de executarles. Salamanca, 1799.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p .107.
COMENTÁRIO: “[...] Os próprios títulos destas obras revelam bem que estava então generalizada a
prática instrumental amadora capaz de oferecer um mercado de manuais de iniciação desta
natureza,[...]”
J. TYLER (1980), p. 136
COMENTÁRIO: “E:bd, GB:London, R. Spencer’s private library”

ALMEIDA, Jose Ernesto de. A musica ao alcançe de todos, por F. J. Fetis, traduzida em
portugues. Porto, na Typographia Commercial. 1845. 4.°. 290 p.

I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 311.


COMENTÁRIO: “Segunda edição, acrescentada com o Diccionario de Musica. ibi., Typ. Sebastião
Jose Pereira. 1859. 8.° gr. de 275 - 128 p.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 43.
COMENTÁRIO: “[...] Id. , 2ª ed., acrescentada com o Diccionario de Musica,Porto, 1859.(Typ.
Sebastião José Pereira)[...].”
AMAT, Juan Carlos. Liçam instrumental da viola portugueza, ou de Ninfas de cinco ordens.
Lisboa, Dona Policarpia, 1752.
J. TYLER (1980), p. 134
COMENTÁRIO: “E:Mn”
NOTA: Uma descrição da obra assim como uma bibiografia do autor pode ser encontrada em:
PUJOL, Emilio. Significacion de Juan Carlos Amat (1572-1642) en la historia de la guitarra.
Annuario Musical. CONSEJO SUPERIOR DE INVESTIGACIONES CIENTIFICAS -
INSTITUTO ESPAGNOL DE MUSICOLOGIA. v. V, p. 125-48.
ANÔNIMO. Arte de tocar viola e outros instrumentos. 1803.

J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 149 e 271.


COMENTÀRIO: “[...] publicada em 1803, cujo author desconhecemos.”
NOTA: Seria segundo Vasconcelos uma outra edição da Arte de Paixão Ribeiro.”

ANÔNIMO. Arte de sifra.1691. MS


R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 68.
COMENTÁRIO: “[...] que nos explicam o sistema de tablatura ibérica para tecla e as bases da
técnica de dedilhação ultilizada neste período.”
Obra disponível na Biblioteca Municipal do Porto Ms. 1577.
ANÔNIMO. Modo de por as mãos em o orgão.1691. MS
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 68.
COMENTÀRIO: “[...] que nos explicam o sistema de tablatura ibérica para tecla e as bases da
técnica de dedilhação ultilizada neste período.”
Obra disponível na Biblioteca Municipal do Porto Ms. 1577
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 16

ANONIMO. Cartinha pera ensinar a leer. / Cõ os dez mandamentos de Deos: e a confissam


geral. E outras cousas / muyto proueitosas e necessarias: de nouo acrecêtadas. Ordenado
polo / Senhor dom Joam Soares bispo de Coymbra.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 41
COMENTÁRIO: “Sem paginação e sem data. Ostenta no frontispicio as armas do bispo. Na fl. 13
estão três pautas com música imperfeitamente colocada em relação ao texto. A seguir à clave (fá
na 3.ª linha) tem o sinal do tempo imperfeito.”
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Reservado n.º 300
ANÔNIMO. ARTE / DE / MUZICA / PARA / UZO / DA / MOCIDADE BRAZILEIRA / POR
/ HUM SEU PATRÍCIO. / RIO DE JANEIRO / A TYPOGRAPHIA DE SILVA PORTO, &
C.ª / 1823.
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 213,
COMENTÀRIO: “ Livro curioso, não só pela forma com que expõe os rudimentos da teoria musical,
como por se tratar de um dos primeiros livros, senão o primeiro, sôbre o assunto, escrito por um
brasileiro e publicado no Brasil.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 265.
ANÔNIMO. Metodo de Orgão, no qual se acha uma Marcha Religiosa composta no Riode
Janeiro, em 1816, para a festa da Ordem de Christo.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 302.
ANÔNIMO. Reflexões sobre as rubricas do Missal Romano necessarias a todos os Sacerdotes
para conhecer não só a rigorosa obrigação, que tem de sabe-las, e pratica-las, se não
tambem do melhor modo de entende-las, e concilia-las.Com um resumo das cerimonias
praticas, para que com maior brevidade se possão comprehender. Seu aucthor hum
Sacerdote do Bispado de Coimbra zeloso do culto divino. Coimbra. Na Real Officina da
Universidade. anno de MDCCLXXIV. 8.º peq de 166 p.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 147.
ANTONIO, Jose de Santo. Elementos de Musica por Frazenio de Soyto Jenaton. Lisboa, por
Antonio Vicente da Silva. 1761. 4.°. 16 p.
J.VASCONCELOS(1870), v. 1, p. 11; v.2, p, 246.
COMENTÁRIO: “ Este livro foi impresso com o nome de : Frazenio de Soyto Jenaton, anagrama do
verdadeiro. Na Bibliotheca do extinto Convento de Jesus existia um exemplar com a indicação
463/33.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 24.
ANUNCIAÇÃO, Fr. Gabriel da. Arte do CantoCham resumida, para uzo dos curiosos, desta
faculdade. Composta pelo M. R. P. ..., Prégador, e Vigario do Coro do Real Convento de São
Francisco da Cidade de Lisboa Occidental; e por elle offerecida à Senhora dos Anjos do côro do
proprio convento. Dada à luz por Theotonio Antunes Lima. Lisboa, 1735. Officina da Musica
debaixo da proteção dos Patriarcas S. Domingos, e S. Francisco.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 43-4.
COMENTÁRIO: “ obra citada no ‘Catlogue des Livres Rares composant la Bibliothèque d’un
Amateur’ organizada por Joaquim de Vasconcelos.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 17

ANUNCIAÇÃO, Fr. Gabriel da. Arte do CantoCham resumida, para uso dos Religiosos
Franciscanos Observantes da Santa Provincia de Portugal.. Composta pelo M. R. P. ...,
Prégador, e Vigariodo Coro doReal Conventode São Francisco da Cidade de Lisboa
Occidental; e por elle offerecida à Senhora dos Anjos do côro do proprio convento. Dada à
luz por Theotonio Antunes Lima. Lisboa, 1735. Officina da Musica debaixo da proteção dos
Patriarcas S. Domingos, e S. Francisco 4.º.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 44.
COMENTÁRIO: “ obra citada no ‘Catlogue des Livres Rares composant la Bibliothèque d’un
Amateur’ organizada por Joaquim de Vasconcelos.”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 309-310
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 366
COMENTÁRIO: “[...] compos alem de muitas obras em Muzica, huma Arte de Cantochão rezumida
para uzo dos Religiosos observantes da Provincia de Portugal, a qual sahio impressa no anno de
1735.”
R.V. NERY (1984), p. 47-48
J. VASCONCELOS (1870), v.1, p.9; v. 2, p. 245.
COMENTÁRIO: “ [...] Esta obra na opinião de Innocencio de Oliveira é rara .”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 104.
COMENTÁRIO: “ Deve ter tal qual a raridade d’esta obra, de que não consegui vêr algum exemplar
procurando-a debalde na Biblioteca Nacional, onde não consta que existisse em nenhum
tempo.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 8, p. 154; ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
ANUNCIAÇÃO, Fr. Gabriel da. Manual, e Cerimonial do canto
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 309-310
COMENTÁRIO: “que prepara para impressaõ”
R.V. NERY (1984), p. 47-48
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 10; v. 2, p. 289.
COMENTÁRIO: “ [...] que preparava para a impressão”

ANNUNCIAÇÃO, Philippe da. Acompanhamentos para orgão, de Hymnos, Missas e tudo o


mais que se canta no coro dos Conegos regulares Lateranenses da Congregação
Reformulada de S. Cruz de Coimbra. Composto pelo P. D. Philippe da Annunciação,
Conego regular da mesma Congregação. Anno 1754 .Ms. 115p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 10; v. 2, p. 246.
COMENTÁRIO: “ A unica parte impressa d’esta obra, é o frontispicio, o resto julgamos ser
autographo; a encadernação esta intacta e parece ser do tempo o que faz crêr que apenas se
imprimiu o frontispicio.”
ARANDA, Matheo de. Tractado de canto mêsurable: y con/trapûcto: nueuamête cõpuesto por
matheo / de arãda maestro ê musica. Dirigido al mui / alto y illustrissimo señor dõ Alõso.
Cardenal / Infante de portugal. Arçobispo de Lixboa. / obispo Deuora. Comêdatario d
Alcobaça. / Con Preuilegio Real. [Lixboa, German Galhard, 1535; 36 f. inum., 4.º]
D. MANUEL (1929-1935), v. I, n.º 33; facs. rosto, f. a3r, b3r, b3v e última p. numerada, última
página
COMENTÁRIO: [transcrever]
J.A. ALEGRIA (1977), p. 11-12
COMENTÁRIO: “Encimado a descrição, está o escudo de Portugal envolvido no chapéu e borlas,
composição heráldica cardinalícia do Infante, sendo estas em vermelho e aquele em negro. [...]
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 18

Os dois pequenos volumes [este e o ‘Tractado de cãto llano’] foram encadernados num só. Não
estão numerados”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 12; v. 2, p. 247
COMENTÁRIO: “ O tratado de Canto Mensurabile segue o plano do tratado de Cantochão.
Apresenta durante o decurso da obra exemplos a 2, 3 e 4 vozes com as regras dispostas
confusamente, e termina com um resumo de 9 folhas; segue um appendice: De contrapuncto.
em que resume as regras ou conclusiones (sic) ácerca do contraponto no cantochão .
[...]
Não traz data nem logar de impressão toda via o Priuilegio concedido ao author por D João III,
reza: sete dias de Julho de mil quinhentos e trinta e quatro annos (1534); além disso encontra-se
na pagina do frontispicio um emblema com o nome German Galharde, emblema que vem
reproduzido em um livro de André de Resende (Oratio pro rostris) editado por este mesmo
impressor em 1534.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 46-7.
COMENTÁRIO: “ Havia Aranda publicado anteriormente um tratado de Cantochão e outro de
Canto mensural, alias encontrados no Index de D. João IV, sob o n º- 530. Estes dois tratados
completam-se, segundo a maior parte dos autores didáticos antigos. O segundo tratado, Canto
mensural, tem um apêndice ao contraponto aplicado ao cantochão, que lhe dá um valor
altamente histórico, porque expõe as antigas regras de Idade Média sobre o organum diafonia e
falso bordão, já menos bárbaras na época de Aranda. [...] Os trabalhos de Aranda demonstram
que no século XVI ja havia bastante interesse no desenvolvimento da teoria musical.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 33.
COMENTÁRIO: “ Mateus de Aranda permaneceu em Évora até 1544, e aí redigiu como
instrumentos de ensino os dois primeiros tratados teóricos impressos em Portugal, que viriam a
ser publicados por German Galharde: o Tractado de cãto llano, de 1533, e o Tractado de cãto
mësurable, de 1535, dois pequenos manuais que não pretendendo propriamente ser veículos de
uma reflexão teórica original constituem, no entanto, excelentes sínteses dos conhecimentos
básicos indispensáveis à correcta execução do repertório musical litúrgico, tanto monofónico
como polifónico.”
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Reservado, n.º 402
Edição contemporânea: ARANDA, Mateus de. Tractado de canto mensurable. Lisboa,
Fundação Calouste Gulbenkian, 1978. 92 p. [Biblioteca Paulo Castagna]
ARANDA, Matheo de. Tractado de Musica &cho por Matheo de Aranda. Dirigido al Illmo
sen’or D Alnso. Cardenal Infante de Portugal, Arçobispo de Lixboa. obispo de Ebora.
Comedatario de Alcobaça. com Preuilegio Real. [Lixboa, German Galhard, 1533; 71 p.
inum., 4.º]
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 246.
COMENTÁRIO: “Este título foi fielmente copiado de um frontispicio manuscrito de um exemplar
que possuimos. Talves seja aproximadamente o verdadeiro.”
ARANDA, Matheo de. Tractado de cãto llano nueuamente / compuesto por Matheo de arãda
maestro / en musica. Dirigido al mui alto y jllustrissi/mo señor don Alonso cardenal
Infante de / Portugal. Arçobispo de Lixboa. Obispo / Deuora Comendatario de Alcobaça.
etc. / Con preuilegio real. [Lisboa, German Gallarde, 1533; 4.º, 33 f. inum.]
M.L.Q.A. SANTOS (1942), cap. 4, p. 46
COMENTÁRIO: [transcrever]
J.A. ALEGRIA (1977), p. 11
COMENTÁRIO: “O título está subposto às armas do cardeal com o escudo português a negro, e o
chapéu e borlas a vermelho. Está publicado em facsímile com Introdução e Notas na colecção
REI MUSICAE PORTUGALIAE MONUMENTA, Lx.ª, MCMLXII”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 19

Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Reservado, n.º 402


ARANDA, Matheo de. Tractado de Cantollano y Contrapuncto, por Matheo de Aranda,
Maestro de la capilla de la Sé de Lixboa. Dirigido al illustrissimo señor D. Alonso
Cardenal Infante de Portugal, Arçobispo de Lixboa y bispo de Evora, Comendatario de
Alcobaça. Con previlegio real. [Lisboa, German Gallarde, 1533; 4.º, 144pag.]
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 11.
COMENTÁRIO: “ [...] A parte relativa ao cantochão tem IV -71 pag., a relativa ao Canto
mensurabile y Contrapuncto IV-66.
A primeira parte trata, como dissemos do Cantchão, apresentando as suas regras
elementarmente; nada se encontra de notavel n’esta parte em que estão accumuladas as
doutrinas pesadas e obscuras d’aquelles tempos.
O genio de Palestrina ainda não tinha espalhado pela arte da Peninsula seu fogo vivificador.
Termina o aucthor esta parte fallando d’aquelles que ousam por em duvida os dogmas musicaes
que collocam a musica entre o el si e el no(sic) e diz:
“Oh sentidos tão remotos! Oh corações tão duros! Sahido de vossa cegueira e dureza, pois
mostraes que a causa de vossa ignorancia, esta em não quererdes tributar com o devido
reconhecimento a nossos passados, que nos deixaram a verdadeira doutrina que d’elles devemos
conservar, mesmo que por insensatos não a entendamos... etc.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 20.
COMENTÁRIO: “Havia Aranda publicado anteriormente um tratado de Cantochão e outro de
Canto mensural, alias encontrados no Index de D. João IV, sob o n º- 530. Estes dois tratdos
completam-se, segundo a maior parte dos autores dadáticos antigos.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 33.
COMENTÁRIO: “ Mateus de Aranda permaneceu em Évora até 1544, e aí redigiu como
instrumentos de ensino os dois primeiros tratados teóricos impressos em Portugal, que viriam a
ser publicados por German Galharde: o Tractado de cãto llano, de 1533, e o Tractado de cãto
mësurable, de 1535, dois pequenos manuais que não pretendendo propriamente ser veículos de
uma reflexão teórica original constituem, no entanto, excelentes sínteses dos conhecimentos
básicos indispensáveis à correcta execução do repertório musical litúrgico, tanto monofónico
como polifónico.”
ARAUJO, Francisco Corrêa de. Libro de tientos y discursos de musica pratica e theorica de
organo intitulado: Facultad organica, con el qual y con moderado estudio y perseverança,
qualquer mediano tañedor puede salir avantajado en ella, sabiendo destramente cantar
Canto de Organo y sobretudo teniendo buen natural. Composto por Francisco Corrêa de
Araujo, Clerigo Presbitero, Organista de la Iglesia Collegial da sam Salvador de la Ciudad
de Sevilha, Rector de la Hermandad de los Sacerdotes d’ella, y Maestro en la Facultad,
&c. con liçenca. Alcalá de Henares, Antonio Arnaut, 1626. fol. 204 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 14-5; v. 2, p. 247-8
COMENTÁRIO: “ [...] ha differentes edições do livro de Araujo e talvez algumas mais completas
que outras.
[...]5 folhas preliminares não numeradas, ( este numero comprehende tambem o titulo ) 26
folhas de texto e 204 de musica em lições de solfejo. ”
F. CRUZ, p. 171
to ro
COMENTÁRIO: “[...] Nas advertencias do d liuro ponto prim fol. 2º promete mais dous hum de
Cazos morales de Muzica, outro de uersos nada se sabe se os imprimio laudatur à bibliotheca
hispana apendix pag. 323.”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 136
COMENTÁRIO: “[...] Nas advertencias deste livro Part. I. fol. 2. promete dous livros, hum de Casos
morales de la Musica, outro de Versos. [...]”
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 364
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 20

COMENTÁRIO: “[...] compos huma obra intitulada faculd.e organica, cuja imprimio no anno de
1626 em Alcalá por Ant.º Arnão, e nela prometia dois Livros hum de casos Moraes da Muzica,
e outro de Versos. [...]”
R.V. NERY (1984), p. 48-49
ARAUJO, Francisco de. Casos morales de la musica. MS
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 15.
COMENTÁRIO: “ [...] Na bibliotheca de D João IV existia o autographo. ”

ASIOLI, Bonifácio. Principios elementares de Musica, adoptado no Conservatório de Milano


para o ensino dos principiantes composto por Bonifácio Asioli, com tres tabelas ----
Accrescentando com huma nova tabella da extensão das vozes, e dos instrumentos com
relação ao teclado do piano para indicar o lugar que elles tem no sistema geral. Traduzido
do italiani para o portuguez. Lisboa. 1831. Typographia de R. D. Costa.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 46.
ASIOLI, Bonifácio. Tratado de contraponto fugado .... dedicada aos alunos de Regio
Conservatorio de musica de Milão, por B. Asioli. Traduzida do italiani por Antonio Luis
Fagundes. Rio de Janeiro: Typogrfia Austral, 1839, 36 pág.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 288.
BAENA, Gonçalo de. Hüa obra e Arte para tanger.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), P. 43.
COMENTÁRIO: “[...] Em 1536, por exemplo, D. João III concedeu a Gonçalo de Baena, seu músico
de câmara, um alvará com as licenças para mandar imprimir << hüa obra e arte para tanger >>
que teria constituído o primeiro exemplar de música de tecla de um autor peninsular, mas a
edição ou não se chegou a ou nenhu, de seus exemplares sobreviveu [ VIEIRA 1900: I, 82].”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol. 3 e 4, p. 49.
BARBOSA, Arias. Epometria, ou tratado da geração dos sons. Sevilha (ou Salamanca ? ). 1520.
4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 18-9; v. 2, p. 248.
COMENTÁRIO: “ O aucthor queixa-se n’esta obra , do mau effeito que produziu não só na musica,
mas tambem na pronunciação vulgar e poetica das syllabas e das palavras, a introdução dos
generos em harmonico e cromatico.[...]
Barbosa parece pertencer á escola de Isaac Vossius. Esta seita dava como provadas todas as
fabulas que se contam do effeito extraordinario da musica grega, attribuindo a este a variedade
de seu rhytmo. Negava toda a beleza da musica moderna.”
BOMTEMPO, João Domingos. Methodo de Piano-forte com exercicios em todos os generos, etc.
Offerecido á Nação Portugueza. Londres, 1816.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 23, 30.
COMENTÁRIO: “ Innocencio da Silva, Dicc, Bibliogr. , vol. III, pag. 363, inclue n’esta obra uns
Elementos de Musica, indicando o titulo, sic : Elementos de Musica e Methodo de tocar Piano-
forte, etc.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 73.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 139.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 21

COMENTÁRIO: “[...], regressa a Londres, onde faz publicar a sua principal obra didactica
Elementos Musica e método de tocar piano-forte, dedicada <<á Nação Portuguesa>>.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 363.
BOMTEMPO, João Domingos. Traité de composition musicale.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 3, p. 82.
BOMTEMPO, João Domingos. Traité d’Harmonie et contrapoint.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 3, p. 51.
COMENTÁRIO: “[...] este incompleto.”

BOTELHO, Estevão. Tratado de Musica. MS


J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 30, v. 2, 248
BOUSOGNE, A. Curso analítico de musica segundo o methodo desenvovido do meloplaste, de
A. Bousogne, professor de musica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Typographia de P.
Plancher-Seignot, 1827.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 268.
COMENTÁRIO: “8-page prospectus advertising the meritus of Pierre Galins’s French system of
basic music instruction.”
BRITO, Estevão de. Tratado de Musica. MS [?].
J.F. BARRETO, f. 384r
COMENTÁRIO: “Hum livro da Theorica da Muzica”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 753
R.V. NERY (1984), p. 52-53
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 31, v. 2, 248.
COMENTÀRIO: “ Existia na Biblioteca de D. João IV, estante 18, n.º 513.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 8, p. 155.
CAMPOS, João Ribeiro de Almeida e. Elementos de Musica offerecidos ao Excellentissimo, e
Reuerendissimo Senhor D. Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho, Bispo de
Coimbra, Conde de Arganil, Senhor de Côja, do Conselho de Sua Magestade, &c. &c. &c.
por seu author João Ribeiro de Almeida estudante na Universidade de Coimbra, mestre
de cantar na Aula do Paço Episcopal. Destinado para uso da mesma aula. Coimbra, na Real
Imprensa da Universidade. 1786. 8.°.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 26.
COMENTÁRIO: “ Não é facil de achar no mercado; porem existe segundo consta, a maior parte da
edição em papel no armazem da Imprensa da Universidade.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 43.
COMENTÁRIO: “ obra citada no ‘Catlogue des Livres Rares composant la Bibliothèque d’un
Amateur’ organizada por Joaquim de Vasconcelos.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.33; v. 2, p. 249.
COMENTÁRIO: “ Esta livro que era destinado para o uso da aula do paço episcopal de Coimbra, é
hoje rara por estar a maior parte da edição em papel, no deposito da Imprensa da Universidade.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 22

CAMPOS, João Ribeiro de Almeida e. Elementos de Canto-chão, offerecidos a Sua Alteza Real,
o Serenissimo Snr D. João, Principe Regente por João Ribeiro de Almeida, Presbytero
Secular, Bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, Mestre de Capella da
Cathedral de Lamego, Professor e Examidor de Canto-chão do mesmo bispado. Destinado
para o uso do novo Seminario de J. M. A. Ajuntando-se-lhe as Cerimonias e Cantorias
mais precisas para a Visita que os Excellentissimos Bispos fazem ás Egrejas das suas
dioceses. Lisboa, 1800, na Officina patriarcal de João Procopio Correia da Silva, 4.°. 71pag.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 33; v. 2, p. 249.
COMENTÁRIO: “ Este livro teve certamente numerosas edições, porque encontramos um exemplar
da edição de 1859![...] sendo a edição de 1859 no Porto.[...] Typographia Commercial.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 55.
COMENTÁRIO: “ Id.. , 2ª ed. Porto 1859. Typographia Commercial.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 268.
M.R.Pequeno(1954), p. 4.
COMENTÁRIO: “ O autor viveuno último quartel do século XVIII e princípios do século XIX. Foi
mestre de cantochão no Seminário Episcopal de Coimbra.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
CANTUÁRIA, Joaquim Tomás da Cunha Lima. Pequena Arte de Música. Recife. 1836. 8.°.
EMB(1977), v. 1, p. 142.
COMENTÁRIO: “ Autor de uma Pequena Arte de Música, publicada em Recife em 1857
(Sacramento Blake cita uma edição de 1836).”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 285.
COMENTÁRIO: “ Há varias edições deste compendio que foi adoptados por todos os professores.”

CARCASSI, Matteo. Methodo completo de violão, dividido em três partes, As duas primeiras
contêm: Os principios da musica e theorica do instrumento, exemplos e as lições
necessárias classificadas sucessivamente a fin de lhe facilitar a applicação. A terceira
contêm: Cincoenta peças escolhidas, de differentes caracteres, compostas expressamente
para esta obra, e proprias para animar os discipulos em seus estudos. Riode Janeiro:
Isidoro Bevilaqua. ca. 1850.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 268.
COMENTÁRIO: “105-page translation by Raphael C. Machado first publisher at Rio.”

CELESTINO, Inácio Antônio. Escola de Canto de Õrgão.


MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 11 e 12, p. 233.
CHAGAS, Fr. Luís das. Manual para todo lo que canta fuera del coro conforme el uzo de los
Frailes, y Monjas del Sagrado Orden de Penitencia de N. P. S. Francisco del Reyno de
Portugal y Castilla. Contiene las cerimonias del Altar, y Coro en todos los actos solemnes,
que occurren en el descurso del año conforme al Missal y Breviario Romano más correcto
impresso en el tiempo del Señor Papa Urbano VIII. 8.º
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 83
R.V. NERY (1984), p. 60
CARDOSO, José Marques. Methodo de Musica. Macau (?), 1853
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.34; v. 2, p. 249.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 23

CASTRO, Agostinho. Livro de Musica. MS.


J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.44; v. 2, p. 249.
COMENTÁRIO: “ [...] preperava um livro de musica para a impressão.”

CASTRO, Rodrigo de. Medicus politicus, sive de officus Medico-politicis tractus. Hamburgo, 1614,
4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.46; v. 2, p. 249.
COMENTÁRIO: “ Esta obra encerra algumas ideias curiosas relativas ao effeito da Musica sobre os
homens e os animaes.”
COELHO, Manuel Rodrigues. Flores de Musica, para o instrumento de Tecla, e Harpa.
Composta por o Padre Manuel Rodrigues Coelho, Capelão do Serviça de Sua magestade;
& tangedor de tecla de sua Real Capellade Lisboa, natural de Elvas. Dedicado a S. A. C.
R. Magestade del Rey Philippe terceiro das Hespanhas. Com licença do S. Officio da
Inquisição, Ordinario e Paço . Em Lisboa, na Officina de Pedro Craesbeck. Anno Dñi
[M]DCXX.4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.49-50; v. 2, p. 250.
COMENTÁRIO: “Na Bibliotheca Publica do Porto (Estante Y. 13-58) existe um exemplar muito
bem conservado; foi esse que examinamos.
[...]
Diz que não escreve para granjear gloria, mas para servir a pátria, advertindo que as Flores de
Musica não são para principiantes e sim para Tangedor arrasoado. Que não vem ensinar os
principios de Tanger Tecla, mas ism dar indicações para tangedores.
Desculpa-se por duas quintas seguidas, que às vezes emprega, por serem aquellas que os
auctores admittem, isto é, uma maior outra menor.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
COMENTÁRIO: “ Contém 11 páginas não nuneradas, com as licenças, advertência, dedicatória,
poesias em honra ao autor do prólogo. [...] por último transcreve o parecer do grande
compositor Manuel Cardoso nos seguintes termos:
Vi a Música d’este livro por mo pedir o auctor delle. Achey nelle muita variedade de passos,
grosa (variação) excelente, e airosa as falsas (dissonâncias) em seu lugar, Muy bem
acompanhadas: e em tudo me parece digno assi de seu Auctor, como de ser impresso[...].”
J.F. BARRETO, f. 778
F. CRUZ, p. 177
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 357-358
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 31
R.V. NERY (1984), p. 60-61
M. VALENÇA (1990), p. 89-95, 117, 131
I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 93.
COMENTÁRIO: “ Um meu amigo, que viu um exemplar d’esta obra, me affirma que ella é toda
composta de cantochão, comtudo, creio que deverá conter mais alguma cousa, visto ser
impressa em typographia.”
NOTA: J. Vasconcelos à pagina 49 dá a seguinte descrição da obra: fol. peq. XII-233 p.,enquanto
no segundo volume à página 250 encontra-se: 4.°gr. de VII-233 p.”
CONCEIÇÃO, Bernardo da. O Eclesiástico instruido scientificamente na Arte do Canto-chão
compsta pelo P. P. P. Fr. Bernardo da Conceição, monge da ordem de S. Bento, e dada à
luz por Jeronymo da Cunha Bento, irmão do author. Lisboa, por Francisco Luis Ameno.
1788. 4.°. 1091 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.52; v. 2, p. 250.
COMENTÁRIO: “ [...] com 5 Taboas( 1ª, 2ª e 5ª impressas; 4ª gravada).
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 24

Não sabemos o logar e anno em que foi impressa, porque ainda não vimos o frontispicioda obra;
suspeitamos que foi em Lisboa, entre 1789 ou 1790.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 376.
COMENTÁRIO: “ Sahiu por diligencia de Antonio da Cunha Bandeira.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 58.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 11 e 12, p. 233; ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
COMENTÁRIO: “ segundo Vieira [1. c. vol. I, p. 287.] é ‘muito desenvolvida e muito bem feita,
seguramente a melhor que existe impressa em português”.
M.R.PEQUENO(1954), p. 3.
COMENTÁRIO: “ Muito desenvolvida e bem feita, seguramente a melhor que impressa em
português’, diz Ernesto Vieira no Dic. Bibliográfico de músicos portugueses. ‘Expõe com muita
clareza e desenvovlimento o sistema dos tetracordes gregos, o hexacordo de Guido d’Arezo e a
moderna escala de oito notas. Frei B. da Conceição opta por esta última, no que dá provas de
possuir idéias de progresso, porquanto em 1785 e ainda, muito depois, prevalescia entre nós,
principalmente no cantochão, o sistema hexacoradal.”
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
CONCEIÇÃO, Bernardo da. Modo facil e claro para aprender Cantochão. 1789. E
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.52; v. 2, p. 250.
CONVERSÃO, Fr Raymundo da. MANUAL / DE / TUDO O QUE SE CANTA FORA DO
CHORO, / conforme ao uzo dos Religiosos, & Religiosas / da sagrada ordem de Penitencia
de nosso / Seraphico Padre São Francisco / do Reyno de Portugal. / PELLO P. Fr.
RAYMUNDO DA CONVERSAM, / Religioso da mesma ordem. / CONTEM AS
CERIMONIAS DO ALTAR, / & Choro, em todos os actos solemnes que oc/correm em o
descurso do anno: conforme / o Breviario, Missal mais correctos. / EM COIMBRA, com
todas as licenças necessarias. / EM COIMBRA, com todas as lecenças necessarias. / Na
officina de RODRIGO DE CARVALHO COUTINHO, impressor da Universidade, Anno de
1675. 485 p.
I.F. SILVA (1859-1958), v. 7, p. 51, n.º 60
F. CRUZ, p. 404-405
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 634-635
R.V. NERY (1984), p. 63
R. STEVENSON (1968), p. 2
J.A. ALEGRIA (1977), p. 19
COMENTÁRIO: “Tem 485 págs. Muitas das rubricas estão escritas em português. A notação
musical não prima pela perfeição técnica.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.54; v. 2, p. 250.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 51.
COMENTÁRIO: “ Diz Cenaculo no Mem. Hist., pag. 156, que ‘um espirito verdadeiramente
eclesiastico dominava n’esta obra’, uma das primeiras do seu genero, e das mais extensas que
então se imprimiram no reino.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 150.
Obra disponível na Library of Congress, Washington e na Biblioteca Pública de Évora, Sala
Nova: E. 48-C. 1. e Sala de Leitura: E. 7-C. 4, E. 44-C. 4 e E. 8-C. 5.
CORDEIRO, Antonio. Arte do Cantochão composta por João Martins, augmentada por
Antonio Cordeiro. Coimbra, por Nicolau Carvalho.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.54; v. 2, p. 250.
COMENTÁRIO: “ Antonio Cordeiro reviu e emendou a 2ª e 3ª edições da Arte de Cantochão de
João Martins”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 25

I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 415.


COMENTÁRIO: “ Sahiu em segunda edição, Agora de novo revista e emendada por o Padre
Antonio Cordeiro, Subchantre da Sé de Coimbra. Coimra por Nicolau Carvalho. 1614 (Barbosa
tem 1612): ---- E pele terceira vez vi, ibi, pelo mesmo impressor. 1625. 8.°.
Apesar das tres edições, este livro hoje é raro, e tanto que não tenho meio de encontrar outro
exemplar de algumas d’ellas. Um, da primeira que existia na livraria do extinto convento de
Jesus, como ainda sê ve no respectivo Catalogo, desappareceu do seu lugar [...].”
COSTA, Felix da (1701 - após 1754). Musica Revelada do Contraponto à composição, que
comprehende varias Sonatas de Cravo, Viola, Rebeca, e varios Minuetes, e Cantatas.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 6
R.V. NERY (1984), p. 68-70
COSTA, Rodrigo Ferreira da. PRINCIPIOS DE MUSICA / OU / EXPOSIÇÃO METHODICA
DAS DOUTRINAS / DA SUA / COMPOSIÇÃO E EXECUÇÃO. / AUCTOR / RODRIGO
FERREIRA DA COSTA: / Cavalleiro da Ordem de christo. Bacharel Formado nas
Fa/culdades de Leis e Mathematica, e Socio da Academia / Real das Sciencias. / Et toi, fille
du Ciel, toi, puissante Harmonie, / Art charmant, qui polis la Grece et l’Italie, / J’entends
de tous côtés ton langage enchanteur, / Et tes sons souverains de l’oreille, et du coeur. /
Henriade, Chant VII / TOMO I [2 v.] / LISBOA / NA TYPOGRAPHIA DA MESMA
ACADEMIA / 1820 / Com licença de SUA MAGESTADE. v. 1: 176 p.; v. 2: 281 p.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 19-20
COMENTÁRIO: “Volume encadernado com 176 págs. e cinco estampas anexas com os exemplos
práticos. Em 1824 foi publicado o segundo volume com o mesmo título e em sequência do
primeiro. Tem 281 págs. e dez estampas musicais. A exposição é moderna e toda voltada para a
teoria francesa do tempo. Não cita nunca qualquer teórico português.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 69-70-1; v. 2, p. 251.
COMENTÁRIO: “ Ordem do 1 ª volume: Titulo, Ordem para a Impressão, dada pela Real
Academia das Sciencias, Erratas, privilegio, prologo. Explicação dos signaes usados na obra;
XVI - 181 pag.e 5 estampas.
Ordem do 2 ª volume:
Titulo, erratas e advertencias, IV - 281 pag. e 10 estampas.
Creio que estas gravuras não se encontram em todas as exemplares da obra. Contem exemplos
explicativos ao texto, uma nota sobre o Metronomo de Maezel, etc.
O auctor promettia um terceiro volume que não se chegou a publicar.
Ferreira da Costa diz no prologo, que não existe um unico tratado de musica em portuguez, em
que os principios da Arte estejam expostos com methodo e clareza. Parece-me esta asserção um
pouco exagerada, porque apesar de imperfeitas, temos obras que ainda inferiores á de Costa,
não eram naquele tempo para desprezar, por exemplo as Artes de Varella, de Leite, etc.
N’um tratado preliminar dá o nosso theorico noções geraes e sufficientes de tudo o que diz
respeito á parte physica e mathematica dos sons e intervallos.
O resto da obra esta dividida em tres partes:
A 1 ª trata da musica metrica e rhytmica, isto é, de tudo o que diz respeito á divisão do tempo e
do compasso, da melodia, da notação e da Arte do canto. Termina aqui a 1 ª parte e o 1 ª
volume.
A 2 ª parte, que esta incluida no 2 ª volume diz respeito á harmonia, ao contraponto e á
composição em todos os generos.
A 3 ª parte que não appareceu devia tratar da musica imitativa e expressiva.
[...]
Os Principios da Musica de Ferreira da Costa não merecem de maneira alguma o silencio
ingrato em que o publico os deixou, o livro tem merito e talvez seja o melhor que temos em
portuguez.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 26

A obra não apresenta ideias arrojadas nem descobertas importantes, segue apenas o impulso das
ideias artisticas e scientificas da epoca; n’isto fez o que podia; nem nós temos o direito de exigir
mais.
Costa reproduz em parte as ideias de Mornigny (a) e da Encyclopédie méthodique, em que
tinham trabalhado antecedentemente Guinguné e Framery, e depois o Abbade Feytou.
Não se pode negar que a obra esteja escripta (relativamente á epoca) com certa clareza, e
poderia ser util ainda hoje, se não fosse tão defficiente nos exemplos.
O escriptor procurou dar todo o desenvolvimente á parte da obra que trata da harmonia, e o
capitulo da Harmonia successiva, posto que conciso, merece em geral elogios; o capitulo das
Modulações poderia ser tratado com mais methodo e mais extensamente, mas quase todos os
recursos d’este ramo da harmonia, só ultimamete é que tem sido aproveitados, [...]
Em quanto ao Contraponto e Fuga na 2 ª parte: Harmonia progressiva, limita-se o escriptor a
dar uma ideia succinta d’esta ramo da arte, em que os primeiros mestres portuguezes foram
insignes e que deve ser a base do estudo de todo aquelle que quizer chegar a alguma
proeficiencia na Musica.
Concluimos pois, que este livro notável para seu tempo, não pode mais servir como obra
didactica, sobretudo quando possuimos os tratados de Ponoeron, Reicha e principalmente o o
bello e valioso livro de Fétis, que por estarem escriptos em francez não são menos á maior parte
d’aquelles que se lhe dedicam a qualquer esforço especulativo.
[...]
(a) La seule vraie théoriede la musique, utile a ceux qui excellente dans cet art, comme á ceux
qui in sont aux premierséléments,etc. Paris , sem data.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 134.
“[...] um dos raros reflexos em Potugal da actividade especulativa sobre as questões musicais
encetada pelos Enciclopedistas franceses.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 170.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala Nova: E. 14-C. 5.
COSTA, Vitorino José da. Arte do Canto chaõ para uzo dos Principiantes.1737. 8.º.
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 789-791
COMENTÁRIO:“Obras completas para a Impressaõ”
R.V. NERY (1984), p. 72-76
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 73; v. 2, p. 251.
COMENTÁRIO: “ Fétis (a) cita a mesma obra desta maneira:
Arte do Cantochão para o uzo de principiantes. Lisboa, 1737, in 8.° . Parece pois esta
supposição de Forkel (b), que não encontrando a data da impressão em Barbosa Machado
suppoz, certamente, com justo motivo, que talvez tivesse sido impressa entre 1730 e 1740.
(a) Biogr. Univ. VII, pag. 371.
(b) Allgemüne. Literat. der Muzik, Pag.301.
CRISTO, Fr. Estevão de. Introduçaõ facilissima, e novissima do canto fermo, e figurado simples, e
em concerto com regras geraes para diferentes figuras sobre o canto fermo a 2. 3. 4. e
composiçoens, e proporçoens em o genero Diatonico, e Enarmonico.
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 754-755
COMENTÁRIO: “Conserva-se na Bib. Real da Music. Estant. 18. n. 524. como consta do seu Index
impresso em Lisboa por Pedro Craesbeeck 1649. 4.”
R.V. NERY (1984), p. 79-80
CRUZ, D. Agostinho da. Lira de Arco, ou arte de tanger Rabeca.1639. fol.
J.F. BARRETO, f. 147r
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 27

COMENTÁRIO: “[...] Arte de rebequinha, q M. S. dedicou ao Conde de S. Crus, Dom João


Mascarenhas.”
F. CRUZ, p. 28
COMENTÁRIO: “[...] Arte de Rebequinha q M. S. dedicou ao Conde de S. Crus, Dom João
Mascarenhas.”
F. CRUZ, p. 165
COMENTÁRIO: “[...] compos hum liuro sobre a Rabeca com titulo Lyra de Arco M. S. 4. [...]”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 65
COMENTÁRIO: “Lira de Arco, ou arte de tanger Rabeca. Dedicada a Dom João Mascarenhas
Conde de Santa Cruz.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 249
R.V. NERY (1984), p. 81-83
M. VALENÇA (1990), p. 110
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 74; v. 2, p. 252.
COMENTÁRIO: “ Dedicada a D. João Mascarenhas, Conde de Santa Cruz ”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 69.
COMENTÁRIO: “[...] que a ter sobrevivido constituiria hoje um dos mais antigos métodos de
execução do violino.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol. 3 e 4, p. 52
CRUZ, D. Agostinho da. Arte de Cantochão por estilo novo. MS, 1632.
J.F. BARRETO, f. 147r
F. CRUZ, p. 28, 165
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 65
COMENTÁRIO: “outra de Orgaõ com figuras muito curiosas compostas no anno de 1632. e as
dedicou ao mesmo Principe [D. João IV], que como taõ perito nesta arte as estimou muito.”
R.V. NERY (1984), p. 81-83
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 249
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 74; v. 2, p. 252.
COMENTÁRIO: “ Formava provavelmente um só volume [ junto com a Arte de Orgão ]com este
titulo:
Duas Artes , uma de canto por estilo novo, e outra de orgão com figuras mui curiosas,
compostas no anno de 1632.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol. 3 e 4, p. 52; ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
CRUZ, D. Agostinho da. Arte de canto de órgão [mensural] com figuras muito curiosas. 1632.
J.F. BARRETO, f. 147r
to e
COMENTÁRIO: “[...] outra de Canto de Orgam, com figuras m. coriozas de q S. Mag. fazia
estimação grande. [...]”
F. CRUZ, p. 28
to to to
COMENTÁRIO: “[...] outra de Canto de Orgão com figuras m. coriozas q deu ao d Rey e elle m
estimaua. [...]”
F. CRUZ, p. 165
COMENTÁRIO: “[...] arte de Canto Mensural M. S. 8º feito eodem anno extant apud Franciscum de
Valledolid, [...]”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 65
COMENTÁRIO: “outra de Orgaõ com figuras muito curiosas compostas no anno de 1632. e as
dedicou ao mesmo Principe [D. João IV], que como taõ perito nesta arte as estimou muito.”
R.V. NERY (1984), p. 81-83
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 249
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 74; v. 2, p. 252.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 28

COMENTÁRIO: “ Formava provavelmente um só volume [ junto com a Arte de Cantochão ] com


este titulo:
Duas Artes , uma de canto por estilo novo, e outra de orgão com figuras mui curiosas,
compostas no anno de 1632.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol. 3 e 4, p. 52.
CRUZ, D. Gaspar da. Arte de Canto chaõ recopilada de varios Authores. M.S.
J.F. BARRETO, f. 512v
tos
COMENTÁRIO: “[...] Fes hûa Arte de Canto chão, recopilada de m. Mestres SS. Começa, Muzica
to
he hum cantar suave só de voz, ou instrom. , impressa em 4.”
F. CRUZ, p. 181
COMENTÁRIO: “[...] Compos Arte de Canto chão Recopilada de uarios autores [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 348
COMENTÁRIO: “Arte de Canto chaõ recopilada de varios Authores. M.S. [...] Huma, e outra
encadernada em hû grande volume conservava com grande estimaçaõ Francisco de Valhadolid
grande professor da Musica, de quem se fez memoria em seu lugar.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 366
R.V. NERY (1984), p. 84-85
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 75; v. 2, p. 253.
COMENTÁRIO: “ [...] estava manuscripta na bibliotheca de Francisco Valhadolid. ”

CRUZ, D. Gaspar da. Arte de Canto de Orgaõ. M.S.


F. CRUZ, p. 181
COMENTÁRIO: “[...] no mesmo volume tem outra de Canto de Orgão, e outra de Contraponto tudo
de mão, em poder de Valledolid 4. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 348
COMENTÁRIO: “Arte de Canto de Orgaõ. M.S. [...] Huma, e outra encadernada em hû grande
volume conservava com grande estimaçaõ Francisco de Valhadolid grande professor da Musica,
de quem se fez memoria em seu lugar.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 366
R.V. NERY (1984), p. 84-85
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 75; v. 2, p. 253.
COMENTÁRIO: “ [...] estava manuscripta na bibliotheca de Francisco Valhadolid. ”

CRUZ, João Crisóstomo da. Methodo breve e claro em que sem prolixidade, e confusão se
exprimem os necessarios principios para a inteligencia da Arte de Muzica. Com um
Appendix dialógico que servirá de Index da obra e de lição para os Principiantes. Lisboa
por Ignacio Rodrigues. 1743. 4.°.
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 368
COMENTÁRIO: “[...] escreveo huma Arte de Muzica intitulada: Methodo breve e claro em que sem
preluxidade, e confuzão se exprimem os neceçarios principios para a inteligencia da Arte de
Muzica, sahio impreça no anno de 1743 [...]”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 76; v. 2, p. 253.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 58.
COMENTÁRIO: “ [ 2ª edição] Methodo breve, e claro, em que sem prolixidade, nem confusão se
exprimem os necessarios principios para a inteligencia da Arte de musica.Dedicada a Sam
João Batista por João Chrysostomo da Cruz, presbitero do habito de São Pedro, natural de
Villa Franca de Xira. Com um appendix dialógico que servirá de index da obra e de lição para
os Principiantes. Lisboa, 1745. Off. de Ignacio Rodrigues.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 29

DELGADO, Cosme. Manual de Musica dividido em tres Partes dirigido ao muito alto, e
esclarecido Principe Cardeal Alberto Archiduque de Austria Regente destes Reynos de
Portugal. MS
J.F. BARRETO, f. 312r-312v
ra
COMENTÁRIO: “[...] deixou ao Convento de N. S. do Spinheiro, [...] encadernados em
pergaminho branco, [...] outro livro em portugues intitullado Manual da Muzica diuidido em
tres partes, e dirigido ao Cardeal Alberto Archiduque de Austria, Regente destes Reynos.”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 599
COMENTÁRIO: “[...] começa. Os Gregos que nos deixaraõ a Musica. Acaba. Vive, e reyna para
sempre. Amen.”
R.V. NERY (1984), p. 87-88
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 77; v. 2, p. 253.
COMENTÁRIO: “ Começa : “ Os Gregos que nos deixaram a Musica ” e acaba “Vive, e reine para
sempre. Amen.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 52.
COMENTÁRIO: “Cosme Delgado é autor de muitas Missas, Motetes e Lamentações, tendo
dedicado ao Príncipe Cardial Alberto, arquiduque da Áustria e regente dos reinos de Portugal,
um Manual de Música, obra teórica dividida em três partes.”
DEOS, P. Fr. Rodrigo de. TRATADO / DOS PASSOS / QUE SE ANDAM NA QUARESMA,
PARA REZAREM, OU CAN/TAREM os que os correm. / Por o P. Fr. Rodrigo de Deos,
Guardião do Convento de / Nossa Senhora da Arrábida. / LISBOA / com todas as licenças
necessárias / Na officina de DOMINGOS CARNEYRO 1664.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 21
COMENTÁRIO: “Livrinho com 23 págs., e 17 Passos da Paixão todos com um hino vernáculo e
uma antífona em prosa. Não tem música, mas seriam cantados.”
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Novo Reservado n.º 1048
DIAS, Manuel. Arte de música. MS.
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 30
COMENTÁRIO: “[...] compos huma Arte, e varias obras da Quaresma em Muzica.”

ESCOBAR, André de. Arte musica para tanger o instrumento da Charamelinha. MS


J.F. BARRETO, f. 184v
F. CRUZ, p. 63
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 146
R.V. NERY (1984), p. 90-91
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 250
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 95; v. 2, p. 254
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), P. 42.
COMENTÁRIO: “ Desapareceu-nos também a Arte de musica para tanger o instrumento da
Charamelinha de André de Escobar.”
ESCOBAR, João de. Arte de Musica theorica e pratica.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 96; v. 2, p. 254.
COMENTÁRIO: “ O catalogo da Bibliotheca d’El-rei D. João IV, que menciona este livro, não diz
se fora impressa ou ficara manuscripta.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 30

FACHINETTI, Joseph.Tratado scientífico, methodico-prático de contraponto, composto e


offerecido, Com prévia e especial Licença, a S. M. o senhor D. Pedro II, Imperador do
Brasil; pelo compositor ... Pernambuco, Typ. de Santos e Cia., 1843.
L. H. C. AZEVEDO(1952), C, p. 63; K, p. 215,
COMENTÁRIO: “ O volume contém ainda alguns dados gerais de história da música, ocupando
mais 39 páginas numeradas à parte.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 273.
FAGOTE, Antonio Marques. Methodo ou Arte para o instrumento Fagote. MS
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 97; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ [...] ficou provavelmente em manuscripto.”

FAGUNDES, Antonio Luiz. Elementos de Música, adoptados no regio Conservatorio de Milão,


compendiados por Bonifacio Asioli, e traduzidos em vulgar. Rio de Janeiro, Typographia de
P. Plancher. 1824. 8.° gr. 81 p.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 8, p. 228.
COMENTÁRIO: “Segunda edição. Ibi, Typ. Austral. 1839. 8.° gr de 61 p.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 213.
COMENTÁRIO: “ [...] foi adotado no Régio Conservatório de Milão. Desta obra houve uma
segunda edição em 1839.”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 1, p. 239.
COMENTÁRIO: “Fez-se segunda edição desta em 1839 com 9 estampas.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 266.
COMENTÁRIO: “Second, third and fiftheditions, labeled ‘aperfeiçoada’ and each with fewer pages
than the preceding edition, appeared in Rio in 1839 (Typographia Austral, 61 pages), 1848
(Typographia Franceza, 50), and 1855 (Fillipone & Comp., 48).”
FERNANDES, Antonio. ARTE DE / MVSICA DE CAN/TO DORGAM, E CANTO / cham, &
Proporções de Musica / diuididas harmonicamente / COMPOSTA POR ANTONIO
FER/nandez, natural da villa de Souzel, mestre de Musica / na Igreja de S. Catherina de
monte Sinai. / DIRIGIDA AO INSIGNE DVARTE / Lobo Quaternario, & mestre de
Musica na S. Sé de Lisboa. / Em Lisboa. Com licença da S. Inquisição, Ordinario, & Paço. /
Por Pedro Craesbeeck Impressor del Rey. Anno 1626. [5 f. inum., 125 f. num.]
J.F. BARRETO, f. 221r
F. CRUZ, p. 165-166
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 268-269
R.V. NERY (1984), p. 93-94
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
R. STEVENSON (1968), p. 2, 17
J.A. ALEGRIA (1977), p. 23
COMENTÁRIO: “São dois exemplares muito bem conservados. O n.º 331 não tem, no verso da fl.
46 o esquema harmónico que lhe pertence. Um pequeno erro de numeração a partir da fl. 47,
não prejudica a obra.”
J.VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 99 - 100; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ O frontispicio gravado, que representa a arvore genealogica da Musica coroada
com o retrato severo de Duate Lobo, não apparece em todos os exemplares da obra.
Divide-se em tres Tratados. O 1ª aponta os principíos geraes da Musica ( 46 pag. ). O 2ª ensina
o Cantochão; e o 3ª trata das proporções ( 79 pag. ).
[...]
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 31

Este livro escripto por um discipulo de Duarte Lobo, merece-nos especial atenção, pois d’elle
podemos colligir alguma coisa acerca do methodo d’ensino d’aquelle grande homem.
Quasi todos os livros didacticos, anteriores e posteriores, apresentam as regras relativas ao canto
e composição empiricamente, não dadas pela experiencia, mas sim pela tradição dos mestres.
Antonio Fernandes não se contenta com isto; procura demonstrar, procura reduzir tudo a um
principio unico, e forceja por estabelecer a verdade dos seus principios em demostrações
arithmeticas.
O author punha desta forma em pratica o exame scientifico applicado á Musica, e inaugurava
assim um methodo analtytico novo que devia produzir mais tarde resultados admiraveis,
creando a parte scientifica da Arte, a Acustica, e estabelecendo scientificamente, em solidas
bases, os principios da Harmonia.
O livro de Antonio Fernandes é emfim um indicio do methodo verdadeiramente scientifico que,
para seu tempo, Duarte Lobo empregava, e vê-se que este homem pertence áquelle grande
seculo XVII em que a humanidade libertada intellectualmente por Luthero, ousou interrogar a
verdade pela primeira vez.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 57.
COMENTÁRIO: “[...] composta quer de sumários muito claros das normas essencias de cantochão e
da polifónia quer uma pequena exposição dos elementos da acústica que revela uma sólida
compreensão dos dos ensinamentos de Zarlino sobre a matéria nem sempre presente nos textos
seiscentistas da mesma matéria.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 137.
COMENTÁRIO: “ Consta de tres tratados, o primeiro de musica, o segundo de cantobhão, e o
terceiro de proporções, e cada um destes tratados se divide em capitulos. O auctor é louvado por
D. Francisco Manuel como um dos grandiosos sujeitos que a musica deu a Portugal.
São raros os exemplares d’este livro[...]. Na Bibl. Nacional vi um assaz conservado, que tem no
frontispicio uma estampa ou arvore genealogica da Musica, sobre este o retrato de Duarte Lobo,
a quem foi dedicado o livro.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 167-8; ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
COMENTÁRIO: “[...] que no dizer de Ernesto Vieira [ 1.c. p.412] ‘a mais antiga de sua
especialidade que se conhece impresso em língua portuguesa”.
Obra disponível na Library of Congress, Washington e na Biblioteca Pública de Évora,
Reservados n.os 331 e 332; cópia “xerox” na Biblioteca Paulo Castagna
FERNANDES, Antonio. Explicação dos segredos da Musica, em a qual brevemente se expende as
causas das principaes cousas que se contem na mesma Arte. MS
J.F. BARRETO, f. 221r
COMENTÁRIO: “[...] fes huma arte de Muzica, que imprimio e hum liuro dos Porques da Muzica, q
não deu a Estampa”.
F. CRUZ, p. 165-166
te
COMENTÁRIO: “[...] 4º Explicação dos Segredos da Musica em q breuem se declarão as Causas e
porques de todas as principaes Couzas q nella se declarão [...] todas estas obras escriptas da mão
do author tem Franco de Valhedeolid”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 268-269
COMENTÁRIO: “[...] M.S. em folha conserva-se na Livraria Real da Musica.”
R.V. NERY (1984), p. 93-94
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 101; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ Existia na Biblioteca musical de D. João IV.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 167-8.
COMENTÁRIO: “ Barbosa Machado enumera outras obras teóricas[...]”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 32

FERNANDES, Antonio. Arte da Musica de Canto de Orgaõ composta por hum modo muito
diferente do costumado composta por hum Velho de 85. annos desejoso de evitar o ocio. folh.
MS
J.F. BARRETO, f. 221r
F. CRUZ, p. 165-166
COMENTÁRIO: “[...] e Contem M.S. em 4 e escripta anno 1634 in Bibliotheca Regia item arte de
Musica de Canto de Orgão Composta por Antonio Fernandes Me da Musica uelho de 85 annos
por não estar occioso feita por diferente estillo do Ordinario M.S. fl. [...] todas estas obras
escriptas da mão do author tem Franco de Valhedeolid”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 268-269
COMENTÁRIO: “Estes tres Tomos excritos pela maõ do Author existiaõ na Livraria da Musica de
Francisco de Valhadolid grande professor desta Arte de quem se farà mais distinta memoria em
seu lugar. Do Author fazem mençaõ D. Francisco Manoel na Carta dos AA. Portuguezes escrita
a Manoel Themudo da Fonseca que he a I. da quarta Centuria das suas cartas, e Joaõ Soar. de
Brito in Theatr. Lusit. Litter. lit. A. n. 76”
R.V. NERY (1984), p. 93-94
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 101; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ [...] existia na livraria de musica de Francisco Valholid.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 167-8.
COMENTÁRIO: “ Barbosa Machado enumera outras obras teóricas[...]”

FERNANDES, Antonio. Theorica do Manicordio, e sua explicaçaõ. Folh. MS


J.F. BARRETO, f. 221r
F. CRUZ, p. 165-166
COMENTÁRIO: “[...] Item Theorica do Manicordio e sua declaração Conthem 72 Capitulos M.S. fl.
[...] todas estas obras escriptas da mão do author tem Franco de Valhedeolid””
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 268-269
COMENTÁRIO: “Estes tres Tomos excritos pela maõ do Author existiaõ na Livraria da Musica de
Francisco de Valhadolid grande professor desta Arte de quem se farà mais distinta memoria em
seu lugar. Do Author fazem mençaõ D. Francisco Manoel na Carta dos AA. Portuguezes escrita
a Manoel Themudo da Fonseca que he a I. da quarta Centuria das suas cartas, e Joaõ Soar. de
Brito in Theatr. Lusit. Litter. lit. A. n. 76”
R.V. NERY (1984), p. 93-94
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 101; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ [...] existia na livraria de musica de Francisco Valhodolid.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 167-8.
COMENTÁRIO: “ Barbosa Machado enumera outras obras teóricas[...]”

FERNANDES, Antonio. Mappa universal de qualquer cousa asiim natural, como accidental, que se
contem na Arte da Música com os seus generos, e demonstraçoens Mathematicas. Fol. MS
J.F. BARRETO, f. 221r
F. CRUZ, p. 165-166
al
COMENTÁRIO: “[...] Mapa Uniuersal de quanto a Musica Comprehende n , e accidental com seus
ta
generos, e diapaçois de hum até 25 por seus numeros com m clareza e demonstraçois
Mathematicas M. S. fl. todas estas obras escriptas da mão do author tem Franco de Valhedeolid”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 268-269
COMENTÁRIO: “Estes tres Tomos excritos pela maõ do Author existiaõ na Livraria da Musica de
Francisco de Valhadolid grande professor desta Arte de quem se farà mais distinta memoria em
seu lugar. Do Author fazem mençaõ D. Francisco Manoel na Carta dos AA. Portuguezes escrita
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 33

a Manoel Themudo da Fonseca que he a I. da quarta Centuria das suas cartas, e Joaõ Soar. de
Brito in Theatr. Lusit. Litter. lit. A. n. 76”
R.V. NERY (1984), p. 93-94
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 101; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ [...] existia na livraria de musica de Francisco Valholid.”

FRANÇA, P. Luiz Gonzaga e. COMPENDIO / OU / EXPLICAÇÃO METHODICA / DAS


REGRAS GERAES / MAIS IMPORTANTES E NECESSARIAS PARA A
INTELLIGENCIA / DO / CANTO-CHÃO TANTO THEORICO COMO PRATICO, / E
PARA O SABER ESCREVER E COMPOR, / SEGUNDO O SYSTEMA DAS SETE
VOZES / Do-Re-Mi-Fa-Sol-La-Si. / Com as precisas Pautas de exemplos tanto do Canto-
chão ou Pla/no, como Figurado, Solfejos, Levantamentos Solemnes e Feriaes dos Tons; e
com hum pequeno Appendix dos Rudimentos de Musica. COMPOSTO PARA USO DA
SUA AULA / PELO P. LUIZZ GONZAGA E FRANÇA, Capellão Cantor e Musico da
Santa Igreja Patriarcal, Cavalleiro do Habito de N. Senhora da Conceição, condecorado
com a Medalha de Ouro com a Real Effigie de Sua Magestade Fidelissima EL REI Nosso
Senhor, O Senhor D. MIGUEL I., que Deos guarde, e com a de Fidelidade. Actual Mestre
de aula de Canto-chão da mesma Santa Igreja Patriarcal sita na Sé de Lisboa. / LISBOA: /
NA IMPRESSÃO REGIA / 1831. / Com Licença. [vii, 132 p.]
J.A. ALEGRIA (1977), p. 26
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 108; v. 2, p. 256.
COMENTÁRIO: “ O livro compõe-se de duas partes: a 1ª trata do Cantochão liso ou batido (a) e
figurado, ate pag. 56, seguem os exemplos e solfejos nos differentes tons até a pag. 102.
A obra fecha com um Appendix em que se trata dos Rudimentos da Musica metrica, em 10
lições com exemplos.
(a) ainda se diz cantoplano.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 16, p. 33.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala Nova: E. 26-C. 5.
FROUVO, João Álvares. DISCURSOS / SOBRE A PERFEIÇAM DO / Diathesaron, &
louvores do numero qua/ternario em que elle se contem, / COM HUM ENCOMIO
SOBRE O PAPEL / que mandou imprimir o Serenissimo Senhor Rey D. JOÃO IV. / Em
defensa da moderna musica, & resposta sobre os tres breves negros de Christovão de
Morales. / A CHRISTO CRUCIFICADO / O DEDICA O P. / JOÃO ALVAREZ
FROUVO / Capellão, & Bibliothecario delRey, & M. da Sé de Lisboa. / EM LISBOA. Com
todas as licenças necessarias / Na Officina de Antonio Craesbeeck de Mello. Anno 1662. [3 f.
inum., 100 p.]
J.F. BARRETO, f. 609v
a
COMENTÁRIO: “Hum discurso sobre a perfeyção do Diathesserão; impr. em Lix. na oficina de
o
Ant. Craesbeke de Mello, anno 1662. em 4 com um encomio sobre o papel q deo a imprimir o
sereniss.o Sr. El Rey D. João 4. em defensa da musica moderna, e resposta sobre os tres breves
negros de christovão de Morales.”
F. CRUZ, p. 174-175
a o
COMENTÁRIO: “[...] fes discursos sobre a prefeição do Diathesaron Lix por Ant Craesbec de
Mello 1662. 4.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 585-586
COMENTÁRIO: “[...] In quo (falla deste Tratado o P. Emman. Lud. Vit Princip. Theod. lib. I. cap.
II. n. 121) Sanctorum, & illustrium Authorum testimoniis diserte probat praeter alia esse hanc
Artem Regibus, Sapientibus, & maximis quibusque viris dignissimam. Delle taõbem se lembra
Souza Hist. Geneal. da Caz. Real Portug. Tom. 7 liv. 7. p. 241.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 34

R.V. NERY (1984), p. 99-101


R. STEVENSON (1968), p. 17
J.A. ALEGRIA (1977), p. 26-27
COMENTÁRIO: Paginado de 1 a 100, precedido de 3 fls. Conserva a encadernação primitiva e
mostra ter pertencido a entendidos na arte, a julgar pelas emendas que surgem pelo texto. É a
partir da pág. 86 que começa a explanação teórica a respeito de determinado papel oferecido ao
autor por D. João IV. Os exemplos musicais foram escritos à mão sobre a pauta impressa.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 111; v. 2, p. 256.
COMENTÁRIO: “ Frovo reproduziu n’esta obra parte dos argumentos de André de Paep a favor da
quarta considerada como consonancia perfeita, e pretendeu tambem provar pelo testemunho de
grandes sabios e santos que não ha Arte mais propria de reis, sabios e todos os homens grandes,
do que é a Musica.
Ha uma tradução latina d’esta obra que esta em poder de Fétis, porem ignora-se quem seja o seu
author.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
COMENTÁRIO: “ Dedicado a D. João IV; foram certamente encomendads pelo monarca.[...]
São nove discursos em que fazia demonstrações interessantes sobre suas teorias, sendo que no
último cita Palestrina e Orlando de Lasso, os dois compositores de maior reputação naquela
época, e dá um exemplo de Duarte Lobo a quem chama de: “ Meu mestre e insigne Duarte
Lobo”.
Fétis, na Biographie Universelle des Musiciens, diz que possuia, em manuscripto, de autor
desconhecido, uma tradução latina do livro de Frovo.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 284.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Novo Reservado: n.º 1362.
FROUVO, João Álvares. Theorica, e Practica da Musica. fol. M.S.
J.F. BARRETO, f. 609v
COMENTÁRIO: “Hum livro da Theorica da Musica, com todas as rasões, assi nesta como na
practica, q intenta dar ao prelo [...]”
F. CRUZ, p. 174-175
COMENTÁRIO: “[...] Hum liuro da Theorica e pratica M.S. fl. da sua letra. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 585-586
R.V. NERY (1984), p. 99-101
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.112; v. 2, p. 257.
COMENTÁRIO: “ [...] estava na Bibliotheca real de Musica.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 168.
FROUVO, João Álvares. Breve Explicação da Musica. 4.°. M.S.
J.F. BARRETO, f. 609v
COMENTÁRIO: “Hum tratado sobre os doze modos.”
F. CRUZ, p. 174-175
COMENTÁRIO: “[...] Duas obras Theoricas q não acabou hûa tem sinco Capitulos, outra outo M.S.
da sua letra. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 585-586
COMENTÁRIO: “[...] a qual vimos primorosamête tresladada em o anno de 1678. por seu discipulo
Antonio da Cunha de Abreu.”
R.V. NERY (1984), p. 99-101
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.112; v. 2, p. 257.
COMENTÁRIO: “ [...] estava na Bibliotheca real de Musica.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 168.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 35

FROUVO, João Álvares. Speculum Universale in quo exponuntur omnium ibi contentorum
Auctorum loci, ubi de quolibet Musices genere disserunt, vel agunt. 2 Tom. fol. M.S. O 2. MS,
1651.
J.F. BARRETO, f. 609v
COMENTÁRIO: “[...] em varios tomos.”
F. CRUZ, p. 174-175
COMENTÁRIO: “[...] Duas obras Theoricas q não acabou hûa tem sinco Capitulos, outra outo M.S.
da sua letra. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 585-586
COMENTÁRIO: “[...] composto no anno de 1651. escrito em admiravel caracter tive em meu poder;
constava de 589. paginas excepto o Index. He obra muito erudita, e tinha algumas palavras
gregas em cujo idioma mostrava ser versado seu Author.”
R.V. NERY (1984), p. 99-101
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 101; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ Da maneira como Forkel (c) se exprime, podera alguem julgar que as 589
paginas mencionadas, comprehendem os 2 volumes do Speculum universale; não é bem assim,
pois ellas formam apenas o 2º volume, que é o unico que conhecemos pela noticia que nos dá
Machado (d) que o teve algum tempo em seu poder.
O distincto Bibliografo diz-nos que estava escrito em admiraveis caracteres; constava de 589
pag. menos o Index; suppõe ser obra erudita e diz que tinha algumas palavras gregas em cujo
idioma mostrava ser versado o seu author.
[...]
(b) Bibl. Lusit. , vol II, pag. 586.
(c) Allgemüne. Literat. der Muzik, Pag. 493.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
COMENTÁRIO: “ Barbosa Machado, na Biblioteca Lusitana, diz que mais a seguinte obra que ficou
inédita: Speculum Universale in quo exponuntur omnium ibi contentorum etc.[...]
Acrescenta Barbosa Machado “ que era obra de bastante erudição, entremeada de palavras
gregas, em cujo idioma mostrava ser versado o seu autor.”
GARCIA, José Maurício Nunes. Compendio de Musica e Methodo de Pianoforte do Sn.r P.e M.e
Joze Mauricio Nunes Garcia. Expressam.te escripto para o D.r Jozé Mauricio e seu irmão
Apollinario em 1821. MS
C.P.MATTOS(1970), p. 333-4-5-6.
COMENTÁRIO: “ Manuscrito com 112 páginas, proveniente do velho Impereial Conservatório de
Música. Cópia feita, a julgar pela data assinalada à pag. 22 do volume, no ano de 1864. Antes
de passar ao acervo da E. M. [Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro], o
manuscrito foi propriedade de “J. d’Almeida”. Das páginas 72 - 152, o volume foi completado
com outra obra, também destinada aos estudos do filho do P.e J. M.: “ Estudos de Harmonia do
Sr. Dr. Joze Mauricio Nunes Garcia dirigido pelo Dr. Romualdo Paganini sôbre o methodo dal
Maestro Asioli ”. Traz a data: 14.2.1864.
Em 1821 o filho de J. M. tem 13 anos. Suas disposições musicais ter-se-iam manifestado.
Embora se possa imaginá-lo ultrapassado nos problemas que o “Compêndio” enfeixa --- o das
primeiras noções e passos no instrumento --- a obra lhe é oferecida pelo P.e J. M., pai e mestre.
O oferecimento se estende a um “seu irmão Apollinario”, no caso sem muita ênfase no
reconhecimento da paternidade a êsse irmão do Dr., cujo nome, conforme adianta o próprio Dr.
Nunes Garcia, era Apolinário José.
Os dois jovens filhos de J. M., aos quais o livro é oferecido, eram músicos. O Dr. deixou
algumas obras: modinhas, peças para piano, uma “Missa” ( cujos originis se encomtram em
parte, na coleção de manuscritos de Abrahão de Carvalho). Ao Apolinário José refere-se o Dr.
N. G. como “bom músico e organista”, atuando na igreja da Irmandade do Sacramento. Relata
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 36

havê-lo ocasionalmente substituído nessa função, em 1824, quando o mesmo se encontrava


doente. Conquanto o Dr. informe em sua “autobiografia”: “éramos 4 irmãos de pai e mãe” por
ocasião da morte do pai, não esclarece se Apollinario José era atingido pelo mesmo grau de
parentesco.
Segundo informe de contemporâneos seus, José Mauricio escreveu três obras destinadas ao
ensino de música. Informação confirmada pelo Dr. N. G. , que já no citado ornato com que
ilustra as “Mauricinas”, adianta o nome das obras teóricas escritas pelo pai:
“Elementos d’Arte de Muzica”
“Compêndio de Harmonia”
“Methodo pratico para piano”
“Regras d’acompanha.to”
A que chegou aos nossos dias, com data e outro título, abrange de certa maneira o conteúdo dos
assuntos enunciados nos títulos citados pelo Dr. Nunes Garcia. Dizem os biografos do P.e que
as outras obras desapareceram da sua mesa de cabeceira no dia da morte. Entre essas, o
“Tratado de Contraponto”, que, informa Manuel de Araujo Pôrto Alegre, o compositor teria
concluído dias antes de morrer. O titulo desta última obra não é citado pelo filho e pode ser
equívoco de M. A. P. A. De qualquer modo, essas obras didáticas representam o depoimento da
experiência e da reflexão, nos últimos anos de vida, de quem, paralelamente à sua atividade
criadora e de professor ao longo de tôda uma existência dedicada à sua arte, pôde acompanhar,
na evolução e vida profissional dos seus alunos, o resultado dos seus ensinamentos. Espelho do
ensino no Brasil da época, evidencia o caráter prático do ensino musical de então. Poderá ser
olhada como síntese da orientação didática adotado no ensino da rua das Marrecas. Vários
aspectos do aprendizado musical são abordados. Limitadamente embora, inclui, além dos
indispensáveis rudimentos, o problema então básico do acompanhamento instrumental
condensado no esquematismo do formulário harmônico, bem como os problemas relativos ao
próprio instrumento de teclado, objetivo sem dúvida visado nessa iniação instrumental.
Não fique esquecido que o atender às realizações musicais da época não sebentende a
expectativa de grandes intépretes no plano ou na arte de canto; significa encaminhar o futuro
profissional para a atuação concebida sob o signo da música dramática --- no teatro ou na igreja.
Dois caminhos se abriam ao professor de música: o ensino da musica vocal (donde as
“Entonações” e o “Solfejo” ), e a iniciação instrumental ( donde o “Teclado” e as “Regras de
acompanhamento” ). Nêles se resumiam fundamentalmente as duas faces do ensino de música.
A prática fazia o resto, apoiada em sólida consciência profissional. Tal é o sentido da única obra
teórica do P.e J. M. que chegou até nós.Uma rápida visão sôbre os assuntos nela dispostos
mostra-a abordando os diferentes ângulos do ensino prático-teórico então caracterizado.
Compêndio de Mùsica ( Pág. 2 a 12) ---- O conteúdo didático dessa primeira parte do volume é
matéria rudimentar do ensino de Teoria Musical. Diz respeito à leitura da música. Notas,
figuras, escalas, intervalos e tons. Surpreende, desde as primeiras palavras, a ingenuidade com
que é tratado o assunto, quando se leva em conta a estatura intelectual do P.e Mestre: “Musica
he huma Arte, que ensina a cantar e tocar segundo as regras d’armonia. Compõem-se de 7
signos que são: Gresol, Bfasi Csolut Dlare Esim Futfá e dos quais se deduzem sete vozes que
são: ut, re, mi, fá etc. ....”. “Temos duas cantorias, que são: uma natural e outra acidental”.
Entonações (pág. 14 --- 15) ---- São 7 exercícios vocais sobre diferentes intervalos. Preparatórios
ao estudo do solfejo, acusam ao mesmo tempo preocupações de caráter já precisamente
interpretativo e técnico (dinâmica).
Solfejos (pág. 16 - 22) ---- Escritos em clave de soprano e acompanhados ao piano, são tratados
com bom gôsto. Abordam vários problemas teóricos: graus conjuntos e disjuntos, claves, notas
pontuadas, pausas, acentos expressivos, quiálteras, síncope, cromatismo. [exemplo musical 1 -
fbm1-01.mus]
Teclado (pág. 23 - 26) ---- Principia aqui o capítulo dedicado à iniciação instrumental,
justificando o título: “Compêndio de Música e Método de Pianoforte”.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 37

Os primeiros exercícios detinam à localização das mãos no teclado seguindo-se-lhe a


transcrição de todas as escalas ( maiores e menores ) apresenatadas com dedilhado.
Prosseguindo na qual êle chama de “Regras para a formação dos tons” ( exposição da cadência
tonal I ---- IV ---- V I ), J. M. adianta que são “exemplos que servem para a formação de outros
tons”. Reflete-se aqui o primeiro indício de preocupação com os problemas da Harmonia, e se
poderia admitir como iniciação nesse terreno, tal como J. M. sintetiza em sua definição de
música.
J. M. era porém e sobretudo, compositor. Se escreveu com os recursos de seu autodidatismo no
instrumento, um “Método de Pianoforte”, com as limitações que as condições do meio
explicam, procurava, sem dúvida atender à deficiência dêsse meio, preenchendo uma lacuna na
nossa bibliografia musical. Mas, para ilustrar o quadro de suas explanações teóricas, o
compositor vem em socorro do mestre, e J. M. apresenta, então, duas séries de “Lições”. São
trechos pianísticos, com dedilhado previsto, para que o futuro pianista ou organista, se
familiarize de maneira progressiva com as dificuldades do instrumento.
1.ª Parte: 12 “Lições” (pg. 17 ---- 40)
2.ª Parte: 12 “Lições” (pg. 41 ---- 58).
As dimenções variam da 10 a 42 compassos. Construídas em função de um “ciclo” cada qual
em tôrno de um tom, como o “Cravo bem temperado”, movem-se em tôrno de objetivos
didáticos (diferenciações métricas, rítmicas, tonais, estilísticas, andamentos diversos),
abordados pelo Padre Mestre num trecho no qual êle focaliza precisamnte essa ou aquela
dificuldade, e a resolve como professor e compositor, apresentando-a como num terreno para
treinamento dos seus alunos.
Vemos então como se conjugam, em J. M., o compositor e o professor . Êsses trechos,
concebidos com bom gôsto, são fragmentos de peças suas ou motivos extraídos de compositores
de sua preferência. Assim é que vamos encontrar: Rossini, Haydn, Mozart. E poderemos, até
nos deparar com trechos do nosso Hino Nacional, o que não é estranhável, pois aparece em
diversas obras suas.
“Fantezias” (p. 58 a 70).
A útltima parte do Compêndio é uma série de peças com maior interesse pianístico do que as
“Lições”. Intitulam-se “Fantezias”. São em número de seis a elas seguem três “Varições”
Obra disponível na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Reg. o. 3493
-- v. 2609.
GARCIA, José Maurício Nunes. Compêndio de Contraponto e Harmonia.MS
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 234.
COMENTÁRIO: “ Concluído pouco dias antes de sua morte. M. de Araujo Porto Alegre a viu
encima da mesa, e sobre uma folha um círculo movediço em que se viam marcados todos os
tons, e que movido em qualquer sentido, apresentava em roda um sistema completo de
harmonia. Esse engenhoso invento de José Maurício desapareceu com o seu tratado.”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 4, p. 90.
COMENTÁRIO: “ Concluído pouco dias antes de sua morte. M. de Araujo Porto Alegre o viu
encima da mesa, e sobre uma folha de papel um círculo movediço em que se viam marcados
todos os tons, e que, movido em qualquer sentido, apresentava em roda um systema completo
de harmonia. Esse engenhoso invento de José Maurício desappareceu com o seu tratado de
contraponto.”
GOMES, André da Silva. Arte Explicada de Contraponto.
R.DUPRAT(1995), p. 62 e p. 79
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 38

COMENTÁRIO: “ [...] recentissimamente descoberta pelo compositor José Carlos do Amaral


Vieira, no acervo de documentos do compositor ituano do século XIX, Elias Álvares Lobo.
Trata-se de um documento de 151 páginas, no qual André faz carinhosa e respeitosa referência
ao ‘... sabio e experimrntado Mestre... e insigne até hoje.”
[...]
No seu tratado de Contraponto, acima citado, que pode ter sido escrito na década final do século
XVIII, à página 118, André faz refêrencia à fuga com dois motivos, ‘tensões ou passos’,
referindo que nesse gênero de fugas seguia invarialvelmente a doutrina do sábio e
experimentado mestre José Joaquim dos Santos. Assim explica a referida ‘organização’ ou
‘qualidade de composição’: ‘Levanta a primeia voz hum Motivo, e depois que ela entra,
principia outra voz outro Motivo diferente que a primeira voz levantou; porém, que se ajuste
harmoniozamente com ella, e quando a primeira voz concluir o primeiro Motivo, deve a
segunda também concluir o seu’. Não se trata de um contra-sujeito que, aliás, estas fugas de
André integram normalmente, mas poderíamos classificar esse segundo motivo de um segundo
contra-sujeito precoce por iniciar imediatamente após a entrada da voz que traz o primeiro
motivo.”
GÓIS, Damião de. Tratado Theorico da Musica. MS
J.F. BARRETO, f. 331r-338r
COMENTÁRIO: “Hum tratado muito louvado da Theorica da Musica”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 615-621
R.V. NERY (1984), p. 103-126
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 123; v. 2, p. 257.
GUEVARA, Francisco Vellez de. De la Realidad y experiencia de la Musica MS (?)
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 126; v. 2, p. 257.
COMENTÁRIO: “ Barbosa Machado diz que esta obra fôra impressa, mas não indica, nem a data
nem o logar de impressão.”
JESUS, Caetano de Melo. ESCOLA / DE / CANTO DE ORGÃO / Musica practicada em forma / de
Dialogo entre Discipulo, e Mes-/tre, dividida em quatro partes. / PARTE I. / DA MVSICA
THEORICA / OU / METHODO DOUTRINAL / Que practica, e theoricamente, segundo os
Moder-/nos, explica aos principiantes os principaes precey/tos da Arte. / AUCTOR O M.R.P.
Caetano de Mello Jesus / Sacerdote do habito de S. Pedro, Mes-/tre da Capella da Cathedral
da Ba/hia, e natural do mesmo / Arcebispado. Anno de / 1759.
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 255
COMENTÁRIO: “Caetano de Melo natural da Cidade da Bahia Compos diversas obras a 4, e mais
vozes, Compos huma Arte de Canto de Orgão em Dialogo, e hum tratado dos tons, cujas obras
existem na Bahia, e Pernambuco.”
J.A. ALEGRIA (1977), p. 64
COMENTÁRIO: “Códice encadernado med. 31 X 22 cms. Está numerado por págs. a 564 com um
Index de 17 fls. / Tem Dedicatória ‘Ao Senhor Bernardino Marquez de Almeyda e Arnizau, /
cavalleyro professo na ordem de Christo, Familiar do Sancto / Officio dos da Inquisição da
Corte de Lisboa; Capitão de In-/fantaria de auxiliar da guarnição desta Praça de Ba-/hia
Cidadão da ordem dos Vereadores desta; Bacharel formado, e Mestre em artes em
Philosophia; Academico de numero, etc. Secretario / da Academia Brasilica dos / Renascidos’.
/ A matéria é desenvolvida em Artigos e estes em parágrafos, alguns em forma dialogal com
documentos e gráficos originais e tecnicamente primorosos.
ERNESTO VIEIRA (1900), v. 1, p. 499-500.
R. STEVENSON (1968), p. 12, 35-36
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 206.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 39

COMENTÁRIO: “ O primeiro artigo, sobre a origem da música, contém grande quantidade de


citações de autores antigos, com especialidade do P.e Kircher.”
Manuscrito arquivado na Biblioteca Pública de Évora, cota: Cód. CXXVI / 1-1
JESUS, Caetano de Melo. ESCOLA / DE / CANTO DE ORGÃO / Musica practicada em forma de
Dia-/logo entre Discipulo, e Mestre, dividida em quatro partes. / PARTE II. / Numeral, ou
Arithmetica / DA / THEORICA DOS INTERVALLOS, / Cuja origem Proporçoens, e
Proporcionalidades, practica, e theoricamente se / explica aos principiantes por seo / AUCTOR
/ O M.R.P. Caetano de Mello Jesus / Sacerdote do habito de S. Pedro, Mes-/tre da Capella da
Cathedral da Ba-/hia, e natural do mesmo Arcebispado /. Anno de / 1760.
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 255
COMENTÁRIO: “[...] Compos huma Arte de Canto de Orgão em Dialogo, e hum tratado dos tons,
cujas obras existem na Bahia, e Pernambuco.”
Edição contemporânea [parcial]: JESUS, Caetano de Melo. Discurso apologético; polémica
mvsical do Padre Caetano de Melo Jesus, natural do Arcebispado da Baía; Baía, 1734; edição
do texto e introdução de José Augusto Alegria. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço
de Música, 1985. XVI, 167 p. [Biblioteca Paulo Castagna]
J.A. ALEGRIA (1977), p. 64
COMENTÁRIO: “Igual ao 1.º volume em formato, encadernação e tipo de letra. Tem 593 págs.
acrescidas de 21 fls. para o Index. A exposição obedece aos mesmos moldes do 1.º volume. A
partir da pág. 495 insere um Discvrso Apologetico no qual se propõe o problema técnico
seguinte: ‘Se pondo-se sustenido em todos os lugares de linhas, e espaços diantes da clave,
poderemos forma hûa Deducção, ou Hexacordo, guardando as distancias dos quartos Tonos, e
hum Semitono que no decurso Deducional se comprehendem’. O assunto é largamente exposto
com vasta erudição e continuado numa segunda parte, a partir da pág. 531, com as ‘Censuras
dos M.M.RR.MM. / Assim da America, como da Europa, que respon-/derão à dúvida, que neste
Discurso / Apologetico se contêm’. / Há respostas do P. Ignacio Ribeiro Noya, do Recife, do P.
Ignacio Ribeiro Pimentaa, de Olinda, do P. Antonio Nunes de Siqueira, do Rio de Janeiro, do P.
Ignacio Antonio Celestino, de Évora, do P. João Vaz Morato, da igreja de S. Nicolau, de
Lisboa, do P. João da Silva Morais, da catedral de Lisboa, do P. Mateus da Costa Pereiraa, de
Coimbra, do P. Domingos Gomes do Couto, de Elvas e do P. Manuel Martins Serrano, de
Portalegre, entre outros. Todas as respostas são comentadas pelo autor. / O volume é
enriquecido com vários diagramas de composição engenhosa que muito valorizam a obra. /
Apesar do P. Caetano falar em quatro partes da obra, só existem nesta Biblioteca, as duas acima
descritas.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), pag. 206.
COMENTÁRIO: “ A Segunda Parte ocupa-se da teoria dos intervalos em demonstrações
aritiméticas segundo o sistema de Pitágoras. Depois trata das mutanças e, dizendo que no ano
de 1734 se tinha movido dúvida sobre este assunto entre os músicos da Baia, apresenta o P.e
Mello de Jesus um extenso “discurso apologético” em que desenvolve “ farta mais indigesta
erudição ”. Em seguida vem uma série de cartas de diversos músicos, tanto do Brasil como de
Portugal, consultados para dar votos na matéria; os do Brasil são, entre outros, O P.e Ignácio
Ribeiro Noya, mestre na vila de Recife, o P.e Ignácio Ribeiro Pimenta, mestre de capela na
catedral de Olinda; Manuel da Costa Rego, arcediago da mesma Catedral, o P.e Antonio Nunes
Siqueira, mestre de capela na Catedral do Rio de Janeiro. Os mestres de Portugal que
responderam à consulta do teórico baiano foram os padres João Vaz Barradas Morato, o P.e
Ignácio Antonio Celestino e o P.e João Silva Moraes. São interessantes estas cartas por
mostrarem a ciência dos seus autores e as idéias teóricas da época.”
J.M.NEVES, p.153-60.
COMENTÁRIO: “Além de extenso comentário, o artigo apresenta o plano geral da Escola de Canto
de Órgão de Caetano de Melo Jesus, com a transcrição dos títulos de todos os capítulos do
manuscrito.
Manuscrito arquivado na Biblioteca Pública de Évora, cota: Cód. CXXVI / 1-2
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 40

JESUS, Caetano de Melo. Tratado dos tons.


J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 255
COMENTÁRIO: “Caetano de Melo natural da Cidade da Bahia Compos diversas obras a 4, e mais
vozes, Compos huma Arte de Canto de Orgão em Dialogo, e hum tratado dos tons, cujas obras
existem na Bahia, e Pernambuco.
[JOÃO IV, D., El-Rei]. DEFENSA / DE LA / MVSICA / MODERNA / CONTRA LA / errada
opinion del / Obispo / CYRILO FRANCO. [Lisboa, 1649].
J.F. BARRETO, f. 601v-603r
COMENTÁRIO: “Outro livro, q intitulou; Defensa de la Musica moderna, contra la errada opinion
del obispo Cyrilo Franco; em o qual se contem hûa carta do mesmo Bispo, escripta ao
Cavalleiro Ugolino Gualteruzio, em a qual se queixa m.to, que a Musica moderna não faça os
effeitos, q fazia a antiga; Mostrasse o contrario do q o Bispo diz; e q a Musica antiga não tinha
mais força p.a mover, q a de agora, e q não fazer os mesmos effeitos não he falta da Musica,
nem do compozitor. Impresso em Lix.a sem nome de autor mas debaixo desta rubrica D.B.
dedicado a João Loureiro Rabello, fidalgo da Caza de sua Mag.de, comendador da comenda de
São Bertholameu de Rabal, da Ordem de Christo, e assistente no ser.o do mesmo senhor em 4.o”
F. CRUZ, p. 183-184
o
COMENTÁRIO: “El Rey Dom João O 4. fes defença de la Musica Moderna contra la errada
opinion del Obispo Syrillo Franco Lix.a 1649. 4. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 571-575
COMENTÁRIO: “[...] Nella está huma Carta deste Bispo escrita ao Cavalheiro Ugolino
Gualteruzzio em quse se queixa de que a Musica moderna naõ faça os affeitos da antiua.
Dedicada a Ioaõ Lourenço Rebello Fidalgo da Caza Real Commendador de S. Bartholomeu de
Rabal da Ordem de Christo hum dos mais famosos professores da Musica, que venerou a sua
idade. No fim da Dericatoria tem estas duas letras iniciaes D.B. que significaõ Duque de
Bragança. No principio da obra está hum Soneto Acrostico composto por seu Serenissimo
Author em louvor da Musica Moderna lendose pelas letras iniciaes dos quatorze Versos El Rey
de Portugal. A esta obra dedicou hum largo Elogio Ioaõ Alvres Frouvo Bibliothecario da
Bibliotheca Real da Musica, e Mestre em a Cathedral de Lisboa em o seu livro intitulado
Discursos sobre a perfeiçaõ do Diathesaron Lisboa. 1662. Desta defensa da Musica feita pelo
Serenissimo Rey D. Ioaõ o IV. lhe fazem os seguintes Elogios D. Francisco Manoel de Melo
Prolog. do Pantheon. 1. Parte Real nos diò un Author soberano en la Defensa de la moderna
armonia com que a toda suavidad dexò illustre y obligada. E na Carta dos AA. Portug: E outro
sobre todos os mais celebres levantado na defesa da Musica moderna, que por ella se vio naõ
só real, mas defendida. Ioan. Soar. de Brit. Theatr. Lusit. Litter. lit. I. n. 14. In quo insignem
ejus artis peritiam non solùm prodidit, sed etiam in litteras propensionem.”
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 27
R.V. NERY (1984), p. 137-148
J.A. ALEGRIA (1977), p. 20
COMENTÁRIO: “Está datada no fim, de Lisboa, 2 de Dezembro de 1649. Foi publicada com
Prefácio,Introdução e Notas, por Mário de Sampayo Ribeiro, Por Ordem da Universidade, em
1965, Acta Universitatis Conimbrigensis.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 131-8; v. 2, p. 258-9.
COMENTÁRIO: ““ [...] Sem data, sem nome de author nem ligar de impressão; mas à pagina 44, lê-
se: << Lisboa a 2 de Deziembre de 1649 >> , in-4.°. de IV-56 pag.[...].
Esta obra foi muito elogiada por Frovo, D. Francisco Manuel de Mello e outros, e traduzida em
italiano com o titulo:
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 41

Defense della musica moderna contra la false opinioni del Vescovo Cirillo Franco, tradotta di
spagnuolo in italiano, sem data nem logar de impressão. Suppõe-se ter sido publicada em
Veneza, visto ter a gravura do titulo da assignatura C. Dolcetta fecit in Venetia.
Os exemplos de musica, que se encontram no final da edição original, foram supprimidos em
alguns exemplares da tradução.
[...]
A opinião de Cyrillo Franco, Bispo de Loretto, que morreu em Roma com a dignidade de
Commendador e administrador do Hospital de S. Spirito in Sassia, tinha sido emittida em uma
carta por esta prelado ao seu amigo e cavalleiro Ugolino Gualteruzzi.
O bispo italiano, depois de mencionar os elogios que foram concedidos à musica antiga
declarava-se clamorosamente contra a musica moderna, criticando-a amargamente e dizendo
que tinha perdido o poder de mover a alma, etc.
D. João IV, partidario zeloso da musica moderna, sahiu a campo, combatendo é verdade, um
pouco tarde já, em defeza d’ella. O seu livro mostra erudição musical e acaba com tres
exemplos de Musica a 4 partes, sem nome d’author, talvez sejam do proprio D. João IV.
Offerecemos ao leitor a seguinte analyse da Defensa de la musica, como tributo justo à
reputação do seu author e ao merito interessante da obra.
ANALYSE
D. João IV dedicou o livro a João Lourenço Rebello, como signal de estimação pelo seu talento
e pala valia de umas composições que Rebello lhe offertára; constavam de Missas, Psalmos,
Vilancicos e Motetes, etc.
Analysaremos primeiro a carta do Bispo e os seus argumentos e depois as respostas de D. João
IV, para depois decidirmos no fim a favor de quem estivera a justiça.
Cyrillo abre a sua carta a Messer Hugolino Gualteruzzio, narrando os fabulosos effeitos da
musica antiga,especialmente a grega.
Conta-nos historias milagrosas dos Modos Phrygio, Lydio, Dorio e Myxolydio.
Ao Modo Phrygio attribue a guerra aos Lacedemonios e os Cretenses, porque um musico que
tocava este Modo, fôra excitar uns e outros.
Esta mesmo Modo, tocado diante de Alexandre o Grande, e dos seus officiaes, excitou de tal
forma um d’elles, que o levou a tirar a espada contra o seu principe, etc.
O Modo Lydio produzia um effeito contrario e acalmava a ira e a colera excitados pelo Modo
Phrygio.
Em abono ao Modo Dorio, cita o fato de ter o Rei Agammemnon deixado junto a sua esposa
Clytemnestra o musico Doria ( d’onde vem o nome d’este Modo ) que com seu canto havia de
afugentar d’ella as ideias más e incutir-lhe a gravidade, modestia e virtude.
Emfim falando do ultimo Modo, o Mixolydio, attribue-lhe o effeito de produzir Plantos, gritos e
lamentos.
D. João IV começa pela refutação ( o que não lhe deu muito trabalho ) de todas estas fabulas
puerís, que todavia ainda no tempo do Bispo, encontravam muitos ouvidos credulos!
Accusa-o em primeiro logar de não definir muito bem os Modos que menciona, porque o Modo
Dorio, em contrario do que diz o Bispo, dá: sezo e razon e o Modo Lydio é choroso e
melancholico, proprio de mugercillos, que en las perdidas gritan, lloran e se lamentan.
Emfim o Mixolydio não produzia plantos, gritos e lamntos, como diz o Bispo, mas era altiva e
provocava à grandeza; ora era triste, ora convidava à alegria, isto é participava dos Modos Lydio
e Dorio.
O Bispo desculpa-se de não ter o Modo Dorio produzido o effeito desejado em Clytemnestra,
dizendo que Ægisto só a seduziria depois de ter matado o musico Doria.
D. João IV responde maliciosamente: << quando Agammemnon le dexó el Musico ya sabia
quem elle era, y el musico se presume ( sin ser juyzio temerario ) que podia servir mas que de
cantor a Clytemnestra>>.
Com a mesma malicia explica o real caso succedido entre o Rei da Dinamarca e o soldado que
ele matou, depois de ter sido excitado pelo Modo Phrygio, dizendo que: << En estas terras otra
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 42

cosa mueve mas que la musica, y yo me holgára de saber, quando tanto se enfureció, que oras
eran. (!)>>
O bispo confundio esta anecdota com a que referimos acima: de Alexandre e de seu oficial,
trocando uma pela outra.
Cyrillo Fraco deseja musica appropiada a cada um dos generos de musica eclesiastica, Kyrie,
Agnus Dei, Gloria, Credo, Sanctus Pleni sunt, Psalmos, etc.
Queixa-se da falta desta concordancia e dos titulos extravagantes que alguns compositores
punham nas suas composições, citando a celebre Missa de Josquin Deprès: Hercules, Dux
Ferrarioe e a: El Hombre armado.
A falta de propriedade na musica sacra e d’ahi o seu pouco effeito, nota elle tambem na musica
profana, exceptuando apenas a Pavana e a Gallarda, a cujo <<so tanto que lo oyen aquellas
galantes mugercillas de la puerta San Roque, comieçan a baillar, como se sentieron el
Dythrambo de Bacco.>>
O bispo entende mesmo que a Gallarda e a Pavana se façam << quanto mas brincadas e
çapateadas, hasta que los mismos bancos, sillas e bufetes se metan a baylar.>>
D. João IV concorda que é necessario para o bom effeito da musica religiosa, que cada genero
tenha um estilo apropiado, nega porém que à Musica Moderna falta essa condição.
Diz que é injusto lançar em rosto aos compositores o escolherem tal ou tal titulo para a suas
obras, pois ninguem vai fazer juizo d’ellas pelo titulo.
Demais este costume era uma homenagem à pessoa a quem a obra era dedicada, e dava logar a
bellas combinações harmonicas, que exigiam muito saber e talento.
Esta explicação que D. João IV dá é verdadeira, e tanto assim, que querendo o papa Marcelo
extirpar a musica da egreja sobre o pretexto de que já não preenchia a condição para que tinha
sido creada, Palestrina levantou-se com toda a sua consciecia de catholico e com toda a
authoridade de um homem de genia, contra semelhante resolução, dando até o exemplo,
escrevendo tres admiraveis Missas a 6 vozes entre ellas a mais explendidas de todas a suas
composições a Missa Papoe Marcelli, dedicada a Paulo IV.
Já se vê que a ideia infeliz que o Papa Marcello tivera em um momento de mau humor, foi
abandonada imediatamente.
Contra as razões que o Bispo apresenta para desacreditar a musica moderna, fallavam todas as
explendidas criações de Palestrina, as belas composições de Josquin Deprès, de Okeghen, de
Geri de Ghersen e de muitos outros homens notaveis.
Se o Bispo desejava ouvir musica seria na egreja, musica propria para mover à piedade e à
devoção, segundo elle dizia, bastava algumas poucas composições dos authores mencionados.
D. João IV recommenda àquelles que não crêem no effeito da musica moderna a audição dos
Textos de la Passion del Martes y Mercoles sancto y y algunos dichos del Christo y de los
discipulos de Geri de Ghersen e 4 lamentações de los 3 dias, Motete y Canciones do mesmo
author, y conoceram la verdad en la mudança de sus ojos e rostos.
Egual effeito attribue D. João IV ás musicas de Captain ( Matheo Romero ), por exemplo aos
seus Tonos e principalmente a um Madrigal: Si vi piace que io mora, a cinco vozes.
O que parece incomodar seriamente D. João IV, são as accusações que Cyrillo Franco dirige
aos compositores de Musica sacra, contemporaneos e seus antecessores.
Por isso cita o nosso enthusiastico defensor além das composições que mencionamos já, muitas
outras que são de Affonso Ferrabosco, Marenzio, Claudio Monteverde, Alexandre Striggio,
Juanelli, Principe de Venosa, Felipe de Monte, Luys de Vittoria, Okeghen, Loduco Platense,
Henrique Issac, Felipe Rogier, Josquin Deprès, Geri de Ghersen, Enricus Tidi, etc.
D, João IV indica tambem muitas composições de Palestrina de que possuia 24 Libros, 12 de
Missas, 6 de Motetes, 2 de Offertorios, 2 de Hymnos, 1 de Magnificant e 1 de Lamentações.
A esta longa lista de nomes e composições de artistas extrangeiros, acrescenta D, João IV as
mais valioasas obras dos seguintes musicos portuguezes:
Gabriel Dias, Motete: Assumpsit Jesus, admirate sunt turbae, passagem: Ingleber Turlur.
Juan Loreço Rabello, Psalmo:
1.) Qui habitat, passagem: non time bis a timore nocturno.
2.) Frates sobrii estote das Completas, onde diz: circuit.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 43

Affonso Lobo, Motete: Cum turba plurimum, passagem: vidisset maxima.


Bem se vê que o bispo não tinha rasão, nem podia accusar de insufficiente, fria e sem expressão
a musica moderna, quando ella propria apresentava em defeza nomes tão illustres, perante os
quaes desappareceriam, como nuvens diante do vento, todos esses nomes fabulosos dos
inventores dos Modos Gregos.
Suppondo mesmo que a Musica grega fizesse os effeitos phantasticos em que o Bispo se
compraz, observa D. João IV, que não era só a Musica que impressionava o auditorio, mas
tambem e muito, a representação dramatica.
O povo comprehendia o musico e o actor, e por isso podia rir e chorar com elle; porém no
seculo de Cyrillo Franco e D. João IV, entre 500 pessoas que estivessem numa egreja, não havia
20 ou 30 que soubessem o latim a ponto de comprehender o texto da Missa. Como é que o povo
havia de comover-se ás palavras: Kyrie eleison, se elle não sabia o que ellas significavam?
Estas observações de D. João são muito judiciosas e o Bispo, se vivesse no tempo em que a
Defensa de la Musica foi escripta, acharia de certo difficuldades de as reffutar.
Mais um ponto vulneravel acha Cyrillo Franco nos compositores modernos, e vem a ser o seu
desejo:<<que el canto sea bien cortado de fugas y que el mismo tiempo uno dize: sanctus, diga
otro: Sabaoth, y otro: gloria tua.>>
D. João IV objecta simplesmente: << que dize esto, porque no sabe, y como no sabe, por isso
nota lo que es saber.>>
O facto de haver ou não Fugas n’uma Missa, nada tem com os effeitos que Cyrillo Franco
deseja; o estylo fugato repetido em demasia, enfada e encommoda, porém posto no seu lugar, dá
um certo caracteristico á composição; de que um musico consciecioso quasi nunca prescinde.
Fechamos esta exposição; pelo que fica escripto terá o leitor avaliado a força dos argumentos de
Cyrillo Franco.
É verdade que a musica não andava no melhor caminho quando o Bispo de Loretto escreveu a
sua Carta, porém não andava perdida e a prova é que se salvou da que crise que oscilava.
O Bispo não procedia com justiça, negando a faculdade de mover a alma a uma Musica que
tinha tido tão illustres representantes; não devia condennar a arte moderna e a Musica Moderna,
para nos vir recommendar um systema musical que se os artistas de então o tivessem adoptado,
teria conduzido a Arte para sempre á sua ruina completa.
Com effeito, que outro resultado se poderia ter colhido da adopção dos Modos Phrygio, Lydio,
Dorio, e Mixolydio e da supposta Musica, harmonica , chromatica e diatonica dos gregos?
Deixamos o Bispo fianlmente em paz com a sua credulidade e o seu enthusiasmo ingenuo por
uma musica olympica, que os argumentos de D.João IV reduiram ás proporções de uma mera
hypothese.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 61.
COMENTÁRIO: “ Consiste ele numa vibrante contestação a uma obra de Cyrillo Franco, datada de
1549 ( 100 anos antes ), em favor da música antiga, condenando a forma de Canon, peculiar à
polifônia moderna. No século decorrido entre a publicação dos dois teóricos, operara-se grande
desenvolvimento no que concernia às teorias de composição; como estas ainda não fossem bem
compreendidas na época de D. João IV, este monarca entendeu que ainda era tempo de
combater as idéias antiquadas, a fim de esclarecer pontos até então obscuros no consenso geral.
A força da lógica e o profundo conhecimento dos mestres das diferentes épocas, justificaram a
resposta que, a alguns, poderia parecer tardia.
Faz apologia dos grandes compositores da época, citando o nome de Palestrina o reformador da
musica sacra [...].”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 63.
COMENTÁRIO: “[...] na qual o monarca defende a tradição do contraponto, tal como este fora
evoluindo a partir dos Mestres renascentistas, contra os intuitos revivalistas dos proponentes de
um << regresso>> aos princípios da Música da Antiguidade[...]. Em ambos os casos trata-se de
obras de reduzido valor teórico para lá do retrato que nos traçam das orientações estético-
musicais do Rei, radicadas numa fidelidade extrema à tradição polifónica ibérica sem no entanto
excluir uma constante evolução criativa no seio da mesma[ALEGRIA 1983a : 133-151].”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 282.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 44

MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 10, p. 185-6; ano XII, vol. 1, p. 13.
COMENTÁRIO: “[...], magnífica prova do muito saber del-Rei. Duas edições teve o opúsculo, uma
em italiano e outra em castelhano. A esta última se tem dado a prioridade, considerando-se a
italiana como posterior. a meu ver não teria sido assim, porque na leitura atenta de Defensa se
deduz que, conquanto tivesse sido escrita em castelhano, foi feita para ser traduzida em italiano
e publicada em Itália. O opúsculo é rematado com três exemplos musicais a quatro vozes
apresentado como de música mais antiga, esclarecendo-se que ‘fueron trasladadas de algunos
libros muy viejos, por cuja razon no se les sabe o nombre de sus Autores.’...
Até aí Mario Sampayo Ribeiro que em outro lugar [‘A Música em Portugal nos Séculos XVIII e
XIX’p. 49, 50.], esclarece a questão da Defensa:
[...]
A argumentação do autor era cerrada e irrempreendível de modo que tudo se calou, cousa que
não se deu a respeito de muitos outros opúsculos semelhantes.
Não foi por falta de patriotismo que o régio folheto foi impresso em castelhano.
No seu princípio é provável que que não tenha passado de uma resposta a uma das muitas
controvérsias sustentadas por intermédio do racioneiro de Sevilha, padre Manuel Correia. Deve,
pois , ter sido redigida em castelhano. Resolvida a publicação, foi impressa nessa línguapara ter
expansão peninular. Entre nós, todos a compreendiam. Se tem sido impressa em potuguês, nem
todos so súditos de Castela o entenderiam. Foi o que se chama --- matar dois coelhoes de uma
cajadada.
No mesmo estudo publicado no Oriente [vol. XI, Dezembro de 1940, n.° 32, p. 467.], Mario
Sampayo Ribeiro completa as informações sobre a ‘Defensa”:
‘As Respuestas a las dudas que se pusieram a la missa ‘Panis quem ego dabo’ de
Palestrina, em nada desmerecem a Defensa e, como ela, tiveram duas edições cada qual em sua
língua. Todavia suponho que a castelhana precedeu a italiana.
Qualquer dos opúsculos saiu anônimo. Por quê? Várias hipóteses têm sido aventadas, mas,
quanto a mim, só uma ciosa houve --- El-Rei, porque era Rei, nao podia vir a público sustentar
discussões de igual para igual com terceiros, fosse ele qum fosse. Impedia-o a Majestade, que
correria risco de ser desautorizada por qualquer contedor menos respeitoso, ou mais obsecado,
que no ardor da disputa, poderia exceder-se na linguagem, esquecendo a alta jerarquia do
adversário, que assim desrespeitaria gravemente. Pelo menos assim pensavam os moralistas da
época”
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala de Leitura: E. 39-C. 4.
Edição contemporânea: JOÃO IV, D., El-Rei. Defensa de la mvsica moderna contra la
errada opinion del obispo Cyrilo Franco; com prefácio, introdução e notas de Mário de
Sampayo Ribeiro. [Coimbra], Por Ordem da Universidade, 1965. lxxxv p., i f. inum., 103 p., 2
f. inum. [Biblioteca Alberto Ikeda]
D. JOÃO IV. Difeza Della Mvzica Moderma Contra La Falsa Opinione Del Vescovocirillo
Francotradotta Di Spagnuolo In Italiano. Venetia, 1649.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 284.
M.R.PEQUENO(1954), p. 6.
COMENTÁRIO: “Escrita originalmente em espanhol --- ‘Defesa de la musica moderna contra la
errada opinion del Obispo Cirillo Franco’ --- e impressa em Portugal, em meados do século
XVII, como obra anônima.
D. João IV era bom músico e compositor, escreveu esse opúsculo, como o próprio título
informa, em resposta a uma carta do Bispo Loretto, Cirillo Franco, escrita no final do século
XVI e na qual o Bispo lamentava o deplorável estado a que chegado a música (fase que
precedeu o renascimento musical) e louvava a música antiga, salientando os poderes
especiaisque a esta atribuiam os autores clássicos gragos e latinos.
A erudita resposta, embora vinda um século depois, quando a música já havia tomado outros
rumos, não deixa de ter grande interesse histórico, e nos permita aquilatar o grau da cultura
musical daquele rei de Portugal.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 45

Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.


JOÃO IV, D., El-Rei. Principios da musica, quem foram seus primeiros authores e os progressos
que teve, fol. MS
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 144; v. 2, p. 260.
COMENTÁRIO: “ É provavel que estes dois manuscriptos preciosos [Concordancia da musica]
estivessem na Bibliotheca Real de D. João IV e com ella desapparecessem.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 1, p. 14.
JOÃO IV, D., El-Rei. Concordancia da Musica e passos della collegida dos mayores professores
desta Arte. MS
J.F. BARRETO, f. 601v-603r
tos
COMENTÁRIO: “Hum livro da Concordancia da Musica e passos della coligido de m. autores da
Musica, quais forão os primeiros autores, e os progressos, q teve.”
F. CRUZ, p. 183-184
COMENTÁRIO: “[...] Tinha feito hum liuro de Musica quando morreu e deixou encomendado lho
imprimissem, o q se não fes. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 571-575
R.V. NERY (1984), p. 137-148
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 144; v. 2, p. 260.
COMENTÁRIO: “ É provavel que estes dois manuscriptos preciosos [Principio de musica]
estivessem na Bibliotheca Real de D. João IV e com ella desapparecessem.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 1, p. 14.
JOÃO IV, D., El-Rei. Respuestas a las dudas que se pusieron a la Missa Panis quem ego dabo de
Penestrina impressa en el libro 5. de sus missas. Lisboa,1654. 4.°. 29 p.
F. CRUZ, p. 183-184
COMENTÁRIO: “Respuestas a las dudas que se pusieron a la missa Panis quem ego dabo de
Palestrina impressa en el libro 5. de sus missas ibi 1654. 4. Esta se imprimio tambem em Roma
sendo a Cauza q El Rey lá mandou preguntar estas duuidas q forão quatro, dous Responderão, e
El Rey melhor q todos, e pra isto se saber lá mandou imprimir em Italiano. [...]”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 571-575
R.V. NERY (1984), p. 137-148
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 138-141; v. 2, p. 259 - 260.
COMENTÁRIO: “ Ha´uma tradução italiana d’esta obra com o titulo:
Risposte alli dubbi proposti sopra la missa<< Panis quen ego dabo>> del Palestrina, stampata
d’elle sue Messe, trodotte de spagnuolo in italiano. --- Roma per Mauritu Belmonte, 1665, in-
4.°, sem nome de author, porem no principio, por cima do Soneto e no fim das iniciaes D.B. O
frontispicio gravado que representa varios emblemas e instrumentos musicos, traz as armas de
Portugal.
O Abbade Baini indica um titulo um pouco differente: Dubbi i quali forono proposti sopra la
messa Panis quem ego dabo del Palestrina, che va stampata nell quinto libro delle sue messe a’
quali si desponde in forma de dialogo.
SONETO
Al autor encubierto D.B. sobre las Dudas y Respostas s la Missa de Palestrina.

Oraculo del ciclo al mundo dado


Resulveme uma Duda, que desseo
Entender de tu pluma, pues la veo
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 46

Ir bolandoton cuerta en lo dudado:

No puede Autor incierto, ser nombrado


El que solo en certezas hase exemplo,
Ponindo del armonico trofeo
Obelisco, a verdade consagrado?

Responde (Señor ) bien advertido


Tu livro, lo que cifra el nombre incierto:
Un tesoro, diza, es mas encondido

Gran respuesta; imperò mayor acierto


Allo ser, por misterios que he lido,
Llamarte felizmente El Encobierto.

ANALYSE
Este livro é mais um testemunho do merito de D. João IV como theorico e como critico
irrefutavel do seu profundo saber na Theoria da Musica.
Ignoramos quem propusera as duvidas sobre a missa de Palestrina a que D. João IV responde
com tanta sciecia.
Cifram-se em quatro pontos principaes, a saber:
I.De que tono sea?
II.Que parecièndo ser segundo tono, porque rezon empieça fuera del, settima y onzema ariba
de la cuerda final?
III.Si está bien formada la Missa procediendo por estes terminos?
IV.Que supuesto estar el tono de la Missa mal formado puede estar bien echa, conforme al
Motete sobre que se hizo?
A todas estas perguntas responde D. João IV em forma de dialogo, com a maior clareza e uma
logica tanto mais segura, que cada uma de suas explicações vem acompanhadas de exemplos
tirados dos melhores e mais celebres authores do seu tempo e antes do seculo XVIII.
Estas citações revelam os vastos conhecimentos de D. João IV, na Sciencia musical e mostram
que elle conhecia e possuia na sua nunca assaz apreciada Bibliotheca, tudo quanto havia de
melhor e mais precioso na Theoria e na Practica da sua Arte.
N’esta obra se encontram citados e aproveitados intelligentemente as principaes obras de
Palestrina, de Ferrabosco, de Adriano Willaert, de Felipe de Rogier, de Guerreiro, de Jorge de
Lahele, de Christobal de Morales e os livros theoricos de Cleonides, de Juan Guideto, de Stepho
Vanneo, de Horacio Trigino, do P.e Augino, de Boëcio, etc.
Este livro pequeno, de aspecto modesto e despretencioso não se faz valer assim como a Defensa
de la Musica. pelo seu formato, mas nem por isso deixa de valer tanto ou mais que esses in-
folios que às vezes tem mais pezo material do que valor intrinseco.
A pag. 28 vem uma Conclusion em que o author concentra o que escreveu no livro e diz:
<< Resumiendo mi parecer ( si à cazo no me ha declaro bien ) digo que la missa por los finales
é de segundo tono ( 1ª e 2ª perguta ) commixto: porque participava de varios tonos, com se ve
en el primeiro Kyrie, no diziendo el final con el principio, empeçando como se fuera 6, 7 ó 8
tono. Lo mismo enel principio de la Gloria, Credo, etc. quedando los finales en dissonancia con
los principios antecedentes. Y en lo tocante a formacion de la missa ( 3ª pergunta ) ( conforme a
que lo tengo dicho) está mal formada, por no empeçar el Tenor quinta ariba o octava del final:
pero conforme al motete, (é de Lupo Lupi, celebre compositor do seculo XVI ) esta bien
ordenada, porque haviendo Palestrina de hazer sobre el, no podia deixar de empeçar, el Tenor
en aquella conformidad, por responder al Tiple por los mismos intervallos, pues respondiendo
otra forma, y feneciendo conforme al principio, venia a hazer la Missa de otro tono, que no era
el motete, mas ( como he dido )la culpa que se puede poner a Palestrina, es, escojer tal motete
para hazer Missa sobre el.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 47

<< La Missa esá echa con gran juizio, porque aun que los finales são dissonantes, y no dizen
con los principios, de lo que atraz está dicho, con todo quedando tono al principio, donde ha de
empeçar la parte, que sigue, como tengo declarado enel fin del 3. Kyrie, para el principio de la
Gloria, y mas partes.
<< He dicho lo que me parece sobre las propuestas que me hizieron sobre esta Missa, Y en las
respuestas dadas no es mi intencion condenar Palestrina, porque le tengo por muito docto,
sciente, y considerado en sus composiciones, por haver visto todas, qui estan em mi poder[...]”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 61.
COMENTÁRIO: “ Se bem que não se sabe aonde surgiram as dúvidas, o fato é que o príncipe da
música, resumindo-as em quatro proposições principais, fez disto resultar uma brilhante
demonstração, com muitos exemplos em apoio, provando que conhecia a fundo, não somente
toda a literatura palestriniana, mas também a dos autores mais célebres da época e do século
precedente.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 63.
COMENTÁRIO: “[...] em que se justificaram os aparentes desvios à pureza do sistema modal
gregoriano cometidos na obra em causa. Em ambos os casos trata-se de obras de reduzido valor
teórico para lá do retrato que nos traçam das orientações estético-musicais do Rei, radicadas
numa fidelidade extrema à tradição polifónica ibérica sem no entanto excluir uma constante
evolução criativa no seio da mesma[ALEGRIA 1983a : 133-151].”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 9, p. 186; ano XII, vol. 1, p. 14.
COMENTÁRIO: “As Respuestas a las dudas que se pusieram a la missa ‘Panis quem ego dabo’
de Palestrina, em nada desmerecem a Defensa e, como ela, tiveram duas edições cada qual em
sua língua. Todavia suponho que a castelhana precedeu a italiana.
Qualquer dos opúsculos saiu anônimo. Por quê? Várias hipóteses têm sido aventadas, mas,
quanto a mim, só uma ciosa houve --- El-Rei, porque era Rei, nao podia vir a público sustentar
discussões de igual para igual com terceiros, fosse ele qum fosse. Impedia-o a Majestade, que
correria risco de ser desautorizada por qualquer contedor menos respeitoso, ou mais obsecado,
que no ardor da disputa, poderia exceder-se na linguagem, esquecendo a alta jerarquia do
adversário, que assim desrespeitaria gravemente. Pelo menos assim pensavam os moralistas da
época”
JOÃO IV, D., El-Rei. Risposte alli dubii proposti sopra la Missa Panis quem ego dabo del
Palestrina stampata delle sue Missa tradocte de Spagnuolo in Italiano. Roma por Mauricio
Balmonti. 1655. 4.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 571-575
COMENTÁRIO: “[...] Sahio traduzida em Italiano com este titulo. [...] Tem no frontispicio as
Armas Reaes de Portugal, que indicaõ a pessoa do Author, posto que naõ tenha o seu nome.”
R.V. NERY (1984), p. 137-148
LAGE, Antonio Rodrigues. Alti-sonancia sacra restaurada do methodo e regulação com que as
vozes dos sinos das duas formosas torres do relogio e ordinario, regiam o governo e
funcções constituidas em a Sancta Egreja Patriarcal Lisbonense. Obra curiosa e não
menos necessaria para com a permissão do tempo se restituir o primitivo e mais acertado
regulamento, etc. Do mesmo modo se descreve toada a instrucção theorica e necessaria
para a modulação dos Mesmos Sinos, ordinaria e praticamente insinuada em dous diario
annuaes, um do anno de 1750, outro de 1751, etc. Foi composta em 1769.MS.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 189; v. 2, p. 260-1.
COMENTÁRIO: “ O manuscripto original e autographo d’esta obra perfeitamente conservada,
forma um grosso volume de XLVIII, 407 pag. in 4° adornados com desenhos feitos a aguarella
que rerpresentam a fachada da torre do relogio de Mafra.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 259.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 48

COMENTÁRIO: “ O manuscrito original e autigrapho d’esta obra perfeitamente conservado,


escripto com esmero e bem encadernado, forma um grosso volumede XLIII - 407 pag. em 4.°,
adornado com dous desenhos feitos a agurella, que representam a fachada da torre do relogio da
referida egreja.”
LAPID, Joannem de. Tractatvs resolvtorivs dubiorvm ac diffi-ultatum circa officium missæ, &
ea quæ ad debitam eiusdem celebratiohem exigunturiuxta sacrorum Canonum
constitutiones probatorumq.;docto rum firmiores, atq.; tu tiores senten tias. Per
venerabilem patrem dominum Joannem de Lapid. doctorem Theologum Parisiensem
ordinis Cartusiensis. 1589, por Antonio Alvares. 4.º de 48 fls.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 147.
COMENTÁRIO: “Raro.”

LASERNA, Antonio Jacques de. Arte da viola de arco. MS


J.F. BARRETO, f. 229v
COMENTÁRIO: “Arte da viola de arco; o qual dirigio a Magestade del Rey Dom João 4. que a
Santa gloria haja. M.S.”
R.V. NERY (1984), p. 48
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 69.
LEITE, Antonio da Silva. ESTUDO / DE / GUITARRA, / EM QUE SE EXPOEM / O MEIO
MAIS FACIL PARA APRENDER A TOCAR / ESTE INSTRUMENTO: / DIVIDIDO EM
DUAS PARTES. / A PRIMEIRA CONTEM AS PRINCIPAES REGRAS DA MUSICA, /
E DO ACOMPANHAMENTO. / A SEGUNDA AS DA GUITARRA; / A que se ajunta
huma Collecçaõ de Minuetes, Marchas, Allegros, Contradan-/ças, e outras Peças mais
usuaes para desembaraço dos Principiantes: / tudo com accompanhamento de segunda
Guitarra. / OFFERECIDO / A’ ILLUSTRISSIMA, E EXCELLENTISSIMA SENHORA /
D. ANTONIA MAGDALENA / DE QUADROS E SOUSA, / SENHORA DE TAVAREDE.
/ POR / ANTONIO DA SILVA LEITE, / Mestre de Capella, natural da Cidade do Porto.
[grav.] PORTO, / NA OFFICINA TYPOGRAFICA DE ANTONIO ALVAREZ RIBEIRO, /
Anno de M.DCC.XCVI. / Com licença da Mesa do Desembargo do Paço. / Vende-se na mesma
Officina na rua de S. Miguel, nas casas N.º 260.; e na rua das Flores, na / loja de Livros á
esquina da travessa do Ferraz. [38 p., 1 f. inum., XXIII p.]
RAGOSSNIG, p. 58
Edição contemporânea: LEITE, Antonio da Silva (1759-1833). Estudo / de / guitarra. Lisboa,
Ministério da Cultura / Instituto Português do Patrimônio Cultural, 1983. 38 p., 1 f. inum.,
XXIII p. (Lvsitania Mvsica - II/Opera Rervm Mvsicarvm Scriptorvm n.º 2)
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 194; v. 2, p. 261-2.
COMENTÁRIO: “ 2ª edição . MDCCXCVI, com o mesmo titulo, sem alteração notavel na obra;
todavia a algumas pequenas differenças pelas quaes se conheçe que na verdade são edições
differentes, por exemplo: na 1ª edição de 1795, lê-se depois da data : Com licença da Real Meza
da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros; na 2ª edição encontra-se
simplesmente : Com Liçença da Mesa de Desembargo do Paço[...]. ”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 129 - 130.
COMENTÁRIO: “[...]Paralelamente, os instrumentos de corda dedilhada, sob a designação algo
indistinta de <<viola>> ou <<guitarra>> conservariam tenazmente os favores do público vasto e
sociologicamente diferenciado, sucitando a publicação de vários métodos de aprendizagem sem
mestre,[...] e o Estudo de guitarra de António da Silva Leite (Porto, 1795, reeditado em 1796)
para un tipo de instrumento semelhante ao <<cittern>> inglês, o qual, difundido pela colónia
britânica do Porto, acabou por ser adoptado e <<naturalizado>> por todo o país convertendo-se no
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 49

protótipo da chamada <<guitara portuguesa>> (periforme e com seis ordens de cordas) --- futuro
instrumento de predileção dos acompanhadores de fado.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 270; v. 6, p. 76.
COMENTÁRIO: “ [...]Creio que existem pouquissimos exemplares d’esta obra [Nova Arte da Viola
de Manuel da Paixão Ribeiro], que com a Arte de Guitarra de Antonio Silva Leite (Diccionario,
tomo I, n.° A, 1509) e a Arte de orgão, cravo e guitarra, etc. de Fr. Domingos de S. Varella(
Diccionario, tomo II, n.° D, 290) são as obras d’esta especie, que maior curso tiveram entre
nós.”
LEITE, Antonio da Silva. Rezumo de todas as regras e preceitos da Cantoria, assim da musica
Metrica, como do Cantochão. Dividido em duas partes. Composto por Antonio da Silva
Leite. Natural da cidade do Porto. Para uso dos seus Discipulos. Porto: na Officina de
Antonio Alvares Ribeiro, anno de 1787. 4.°. 43 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 193; v. 2, p. 261
COMENTÁRIO: “ [...] com duas estampas, uma relativa á musica metrica ( Nº 24 ) e a segunda
relativa ao Cantochão (Nº 24 ) 2ª Parte.
O auctor prometia no fim da obra ( pag. 43) dar ao prelo mais duas obras :
Arte do Acompanhamento, e outra Arte do Contraponto.”
LEITE, Antonio Silva. O organista instruido. Contem as regras geraes e particulares do
acompanhamento: preludios para todos os tons; mil versos para cada tom ... com
acompanhamento de todos os tons para salmear, Canticos, Sequencias, e Hymnos mais
usados na Igreja, e outros particulares do Autor; Sonatas, Adagios, e Rondós, para
enquanto se celebra a Missa e outros actos, em que seja preciso encher algum intervallo;
algumas Missas accomodadas aos diferentes Ritos, & c. por Antonio Silva Leite, Mestre de
Capella no Porto. 1796.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol. 3 e 4, p. 53.
COMENTÁRIO: “Não consta a Impressão da obra [...]E. Vieira, 1.c.v. II, pag 22, Cfr. pg. ... deste
livro.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIII, vol. 7 e 8, p. 130; ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
LEONI, José Maria Martins. Principios de Musica theorica e practica, para a instrucção da
mocidade portugueza: ordenados por Jose Maria Martins Leoni, e offerecidos ao mui
Reuerendissimo Padre Mestre José de Santa Rita Marques e Silva, dignissimo Mestre de
Musica do Real Seminario Portuguez. ---- Folheto primeiro, que comprehende trinta e seis
lições. Lisboa, na Imprensa Regia.1833. 4.°. 50 p
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 311.
COMENTÁRIO: “ O auctor promettia a continuação, que todavia não chegou, que me conste , a dar
a luz.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 195; v. 2, p. 262.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 87.
LOBO, Duarte. Opuscula musica nunc primum edita. Antuepiae, 1602,4.° .
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.201; v. 2, p. 262
COMENTÁRIO: “ Na Bibliotheca Real de Musica, existia um exemplar d’esta obra.”

LUÍS, Francisco. Texto da paixaõ de Dominga de Ramos, e Sesta feira Mayor a 4. vozes. M.S.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 177
J.A. ALEGRIA (1977), p.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 50

R.V. NERY (1984), p. 156


LUSITANO, Vicente. Introductione felicissima, & novissima di canto fermo, figurato,
contraponto simplice, e in concerto con regole generale perfare fughe diferenti sopra il
canto fermo a 2. 3. e 4. voci, e compositioni, proporcioni generi S. Diatonico, Cromatico,
Enarmonico. Roma, Antonio Blado, 1553, 4.° .
J.F. BARRETO, f. 953r
COMENTÁRIO: “Huma arte de Canto, q dirigio a Marco Antonio Colona, Duque de Marsi,
impressa em Veneza por Franc.co Rampazeto, anno 1561, em 4.º real; cujo titulo he
Introductione facilissima e novissima de canto fermo, figurato, contraponto simplice, et in
concerto, con regole generali per far fughe differenti sopra il canto fermo, a 2. 3. et 4. vozes, e
composições, preposições, generos Diatonico, Cromatico, enarmonico. A qual mudou em
Portuguez Bernardo da Fonseca Conego de Ev.ª, anno 1603. como dizemos em seu titulo.”
F. CRUZ, p. 180r
COMENTÁRIO: “[...] fes introductione facilissima et nouissima de Canto fermo figurato
Contrapuncto Simplice et in Concerto Romae 1553. 4. per Antonio Blade, et Venetiis per
Franciscum Marcolini 1558. 4. Mandou se corresse o liuro mas riscado o nome do Author não
se sabe quare”
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 779
COMENTÁRIO: “[...] Dedicada a Marco Antonio Colona Duque de Marsi. Desta obra, como de seu
Author fazem mençaõ Possevino Bib. Select. Part. 2. lib. 15. cap. 5. e Fabian. Justinan. Append.
Ind. unic. verbo Musica. Foy traduzida na lingoa Portugueza pelo Conego Bernardo da Fonseca
em o anno de 1603, e a deu ao Chantre de Evora Manoel Severim de Faria.”
J. MAZZA, v. 24, n.º 78, out. 1944, p. 156
COMENTÁRIO: “[...] compos em a Lingua Italiana a obra intitulada Introdução Felessicima de
Canto chão, canto figurado, contraponto simples, e consertado com regras geraes p.ª fazer fugas
a 2, 3, 4 e mais vozes, cuja obra se imprimio em Veneza no anno de 1561 em quarto grande na
officia de Francisco Rappazeto, e ao depois foi traduzida em Portugues pelo conigo Bernardo da
Fonseca em o anno de 1603, e a deo ao chantre de Evora Manoel Severim de Faria.”
R.V. NERY (1984), p. 156-157
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.217; v. 2, p. 263.
COMENTÁRIO: “ 2º edição: In Venitia appresso por Francisco Marcolim, 1558, in 4.° de 23 folhas
duplas.
3ª edição : In Venetia appersso Fr. Rompazetto, 1561, in 4.° .
Em Lisboa, publico-se uma tradução portugueza d’esta obra, por Bernardo da Fonseca. Lisboa,
1603.
Parece-nos que fechamos dignamente esta biographia; citando a apreçiação lisongeira que Fétis
(y) faz d’esta obra:
<< Tout ce qui concerne les fugues, ou plutôt, les imitations et les genres dans ce petit écrir,
depuis la pag 17 jusqu’a a la pag 23, de la deuxième editon, est digne d’intérêt et contient de
fort bonne observations qu’on chercherait en vain dans d’antres auvrages..>>
[...]
(y) Gerber, Newshist. biogr. Lexicon der Tonkunst, vol. IV, pg. 442, não menciona esta
segunda edição. ”
MACHADO, Raphael Coelho. Breve tratado d’harmonia, contendo o contraponto ou regras da
composição musical e o baixo cifrado ou aconpanhamento d’órgão, por ... Rio de Janeiro,
1851.
MRJI(1962), p. 63.
COMENTÁRIO: Trata-se da quarta edição por Narciso & Artur Napoleão.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 286.
COMENTÁRIO: “1st edition appeared in 1851.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 51

MACHADO, Raphael Coelho. Methodo de afinar piano, com a historia, descripção e escolha e
conservação deste instrumento. Rio de Janeiro. 1843. fol. 79 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 96.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 46.
COMENTÁRIO: “ [...] corre já em terceira edição.
[...] Chirogymnasto dos pianistas, ou gymnastica dos dedos, por C. Martin ---- Anexo à segunda
edição do Methodo de afinar piano.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 268.
COMENTÁRIO: “First edition in 1843, second 1845.”

MACHADO, Raphael Coelho. O mestre para piano ou instrucção pratica para pianoforte. Rio
de Janeiro, Imperial Imprensa de Musica. c. 1850.
BB Robert Boch(1992)
COMENTÁRIO: “Meia-encadernação em couro da épocacom douração na lombada. Carimbo com
monograma posterior do Conde d’Eu na folha de rosto.”
MACHADO, Raphael Coelho. Principios de Musica pratica para uso dos principiantes.
Typographia franceza. Rio de Janeiro.1842. 8.° gr. 24 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 96.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 46.
J. VASCONCELOS.(1870), v.1, p. 220; v.2, p. 264.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 240
MACHADO, Raphael Coelho de. Diccionario musical, contendo : 1ª Todos os vocabulos e
phrases da escripturação musical. 2ª Todos os termos technicos da musica desde a sua
maior antiguidade. 3ª Huma taboa com todas aas abreviaturas usadas na escripturação
musical e as suas palavras correspondentes. 4ª A etymologia dos termos menos vulgares e
os synonymos em geral. Rio de Janeiro, Typografia franceza, 1842. 4.°. 275 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.275; v. 2, p. 264.
COMENTÁRIO: “ É o unico Diccionario de Musica que temos em portuguez e que foi de certo bem
util no tempo em que foi escrito.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 240.
COMENTÁRIO: “[...] Duas outras edições se seguiram no Rio e em Paris, sendo esta última,
publicado por seu filho.”
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 220.
COMENTÁRIO: “ S. Blake no “ Diccionario Bibliographico Brazileiro” , Rio de Janeiro, Imp.
Nacional, 1902. vol. VII, p. 96 refere-se a um manual de “ Principios de musica pratica para uso
dos principiantes “, do mesmo autor, impresso no Rio de Janeiro, Typ. Francesa, 1842. 24p.”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 96.
COMENTÁRIO: “ 1ª edição de 1842. 2ª edição augmentada. Rio de Janeiro, 1855, in-8.°. ----- Há
terceira edição publicada pelo filho do author, com acrescimos feito por este. Paris, 1888.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 45-6.
COMENTÁRIO: “[...] Typographia franceza de St, Amat. 1842. 8.° gr de 275 pag.
Segunda edição, por elle augmentada. Rio de Janeiro, Typographia do Commercio de Brito e
Braga. 1855. 8.° de XIV - 282 pag. ---- N’ella se apresentam por extracto os juizos favoraveis da
imprensa fluminense àcerca do mérito e utilidade da obra, em 4 pag.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 286, 307.
COMENTÁRIO: “First Brazilian musical dictionary.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 52

MACHADO, Raphael Coelho. A. B. C. musical ou breve explicação da arte da musica dedicada


aos amadores. Rio de Janeiro, Typographia de Carlos Haring. 1845. 8.° gr. 15 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 96.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 46.
COMENTÁRIO: “ Terceira edição, correcta e augmentada. Rio de Janeiro. Typographia
Episcopal de Agostinho de Freitas Branco &c, com uma dissertação sobre a utilidade e
influeincia da musica na educação popular. 8.° gr. de 14 pag.”
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 219 - 220.
COMENTÀRIO: “ -------- 3. ed. corr. e augm. Rio dee Janeiro, Typ. Episcopal de Agostinho de
Freitas Guimarães & Cia., [ s. d. ] 14 p.
Citada por Inocêncio Francisco da Silva no “ Diccionario Bibliographico Portuguez”, Lisboa,
Imp. Nacional, 1862. vol. VII, p. 46.
-------- 7. ed. augm. pelo próprio autor. Rio de Janeiro, [ s. ed. ]. 1867.
-------- [ 2. ed. ? ] Rio de Janeiro, Francisco Alves & Cia., 1911. 20 p.
-------- [ ? ed. ] Rio de Janeiro, E. Bevilacqua & Cia., [ s. d.] 19 p.
-------- Princípios de música prática e elementos de escrituração musical. Ed. rev. augm. por
Francisco Mignone. [ S. Paulo Ed. “ A Melodia1”, s. d. ] 21 p.
-------- 17 ed. Rio de Janeiro, Liv. F. Alves, 1941. 32 p.
-------- 19 ed. Rio de Janeiro, Liv. F. Alves, 1944. 20 p.
Têm sido feiras inúmeras edições dêste manual, em diferentes editôres. S. Blake no “
Diccionario Bibliographico Brazileiro” , Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1902. vol. VII, p. 96
refere-se a um manual de “ Principios de musica pratica para uso dos principiantes “, do mesmo
autor, impresso no Rio de Janeiro, Typ. Francesa, 1842. 24p.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 286.
MACHADO, Raphael Coelho. Methodo de Piano-forte, composto por Francisco Hunten. Rio de
Janeiro, Estamparia de F. Shimid. 1843. fol 8.° . 97 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 96.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 46.
COMENTÁRIO: “ Tem chegado a sexta edição, e foi adoptado no conservatorio de musica do Rio
de Janeiro.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.220; v. 2, p. 264
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 240.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 284.
COMENTÁRIO: “ 97-page Portuguese translation by Raphael C. Machado(1814-1887), 73 pag.e
6th edition published at Rio by Fillipone e Tornagui.”
MACHADO, Raphael Coelho. Grande methodo de flauta, compilação dos famosos methodos de
Devienne e Berbignier. Rio de Janeiro. Estamparia de F. Shimid. 1843. fol. 79 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 97.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 46.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.220; v. 2, p. 264
MACHADO, Raphael Coelho. Escola de violino de Delphim Alara: tradução.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 7, p. 97.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.220; v. 2, p. 264
MACHADO, Raphael Coelho de.Methodo de Guitarra de Carcassi.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p.220; v. 2, p. 264
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 53

MARIA, D. Carlos de Jesus. Resumo das regras geraes mais importantes, e necessárias para a
boa intelligencia do Cantocham, com uma breve instrcçam para os Presbiteros, Diaconos e
Subdiaconos, confôrme o uso Romano. Coimbra, por Antonio Simões Ferreira, Imprernsa da
Universidade. 1726, 4.°. 47 p.
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 111
COMENTÁRIO: “O author intitula-se Padre, e o nome parece ser anagrama do proprio que tem.”
D.B. MACHADO (v. 4, 1759), p. 87
COMENTÁRIO: “[...] Foy publicada com o nome de Luiz da Maya Croecer, anagrama puro do seu
nome, de quem se fez memoria no Tom. 3. desta Bibliotheca, pag. 11, col. 1.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 255
COMENTÁRIO: “[...] Compos algumas obras em Muzica, e huma Arte de Cantochão que se
imprimio em coimbra por Antonio Simões Ferreira 1741. foi publicada com o nome de Luis da
Maya Croecer, anagrama puro do seu Nome.”
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 29-30
ta
COMENTÁRIO: “Luis da Maya Croecer asistio na Freguesia de S. João do real Convento da S.
Cruz de Coimbra, alem de mais obras escreveo huma Arte de Cantoxão, cuja se imprimio em
Coimbra na Officina de Antonio Simões Ferreira no anno de 1741. 4.”
COMENTÁRIO de J.A. ALEGRIA (nota 136 do Dicionário de Mazza, v. 25, n.º 84, abr. 1945
[suplementos], p. 87-88): “Trata-se do cónego regrante de Santa Cruz de Coimbra, D. Carlos de
Jesus Maria. Luís da Maia Croesser é anagrama a coberto do qual publicou o Resumo das
regras geraes mais importantes e necessarias para a boa intelligencia do cantochão, com huma
instrucçam para os Presbyteros, Diaconos e Subdiaconos, conforme o uso Romano, que tal é o
título da ‘Arte de Cantochão’ a que José Mazza se refere”.
R.V. NERY (1984), p. 163
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 223; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ Sahiu em segunda edição mais resumida como o titulo indica: Resumo das
regras geraes mais importantes e necessarias para a boa intelligencia do cantochão, com huma
instrucçam para os Presbyteros, Diaconos e Subdiaconos, conforme o uso Romano. Dado
novamente ao prelo com vários acrescentamentos que vão notados com este signal.✻. Coimbra,
na officina de Antonio Simões Ferreira, Impressor da Universidade. Anno de M.DCC.XVI, in
4.°de II-92 pag. e Index, II pag.
Houve pois mais do que uma ediçãoe talvez que Fétis, Forkel e o Pseudo-Catalogo da Academia
tenham razão, porque poderia ser que a 1a edição, ou as 1as, se intitulassem Arte do Cantochão a
as subsequentes Resumo.
Innocencio da Silva que possui um exemplar d’este Resumo, quer que este ultimo titulo seja o
unico verdadeiro, contra a opinião de Machado, Fétis, Forkel e contra o Pseudo-Catalogo da
Academia que designa esta obra simplesmente: Arte do Cantochão; o mesmo auctor nega
egualmente a existencia de uma segunda edição, o que é falso em vista da declaração: dada
novamente ao prelo que se encontra na edição de 1741.
[...]
Enfim esta fixada a existencia tão discutioda d’esta primira edição; não podemos fallar dela no
corpo da obra, por a termos alcançado ha pouco tempo; ao nosso exemplar falta é verdade, o
frontispicio, mas tem o titulo que precede ao Capitulo I e que acima copiamos. O typo que
serviu para esta primeira edição, e maior e mais mal fundido, o papel é inferior e a obra contem
apenas 47 pag. em logar de 92 da 2ª edição.
O exemplar que possuimos, pertenceu á livraria do Collegio Santa Ritados Agostinhos
Descalços de Coimbra , e traz no principio o Breve do Papa Clmente XI, que excommungava
todo aquelle que subtrahisse alguma obra pertencente á dita livraria. Pretenções ephemeras!...
[...]
Esta 2ª edição da obra de Croecer, é uma das impressões mais nitidas que conhecemos em livro
da nossa literatura musical e honra o estabelecimento d’onde sahiu. Temos visto dois outros
exemplares em papel muito forte ( Grand papier ), porem são raros, possuimos um. Esta 2ª
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 54

edição é em tudo preferivel á 1ª; já pelo todo Typographico, ja pelo artistico, em virtude dos
augmentos importantes que recebeu.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 32.
COMENTÁRIO: “ Sahiu com o nome do Padre Jesus da Maia Croesser, que é como se vê o
anagrama puro do seu próprio.
Esta edição, que alias inculca ser a segunda, e de que tenho um exemplar, é a mesma que a Bibl.
Lusit. e o pseudo Catalogo da Academia designam menos exactamente com o tittulo simples de
Arte do Cantochão.”
M.R.PEQUENO(1954), p. 4.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
MARTINS, João. ARTE / DE Canto Chão, posta & reduzida em / sua enteira perfeição segûdo
a pratica delle, muito necessaria pera todo Sa/cerdote, & pessoas que hão-de saber cã/tar:
& a que mais se vza em toda a / Christandade. Vai em cada hûa das regras seu exem/plo
apontado, com as entoações: / Ordenada por João Martinz / Sacerdote. / Acrescentada de
nouo em as entoações / de cousas muito necessarias, por / Afonso Perea sendo
Cathedratico de Musica na / Vniversidade de / Coimbra. / Com licença impressa por
Antonio de Bar/reira impressor delRey N. S. Anno de 1597.
J VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 225; v. 2, p. 255.
COMENTÁRIO: “ Foi traduzido em portuguez com o seguinte titulo:
Arte do Cantochão, posta em sua inteira perfeição, segunda a pratica d’elle, muito necessaria para
todo o sacerdote e pessoas que hão de saber cantar, e a que mais se usa em toda a christandade.
Vae em cada uma das regras seu exemplo apontando com as entonações. Coimbra, por Manuel de
Araujo, 1603, in 8.°.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 40.
COMENTÁRIO: “[...] dos quais apenas Bernal [Afonso Perea Bernal] alcançaria algum destaque como
teórico, devendo-se-lhe uma tradução revista e acrescentada da célebre Arte de canto llano do
espanhol Juan Martinez (1532), publicada postumamente em 1597 [ SAMPAYO RIBEIRO 1964].”
J.F. BARRETO, f. 644r
tas
COMENTÁRIO: “[...] foy impressa m. vezes, e no anno de 1648 o foy em coimbra por Nicolao
Carvalho impressor da universid. emmendada e acrescentada de couzas necessarias por An.to
e

Cordeiro sochantre da Sé de Coimbra.”


F. CRUZ, p. 173-174
COMENTÁRIO: “[...] acrescentada de nouo por Affonso Pereira sendo Cathedratico de Musica na
Uniuersidde de Coimbra ibi impressa por Manoel de Araujo 1603. 8.”
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 692
COMENTÁRIO: “[...] Coimbra, por Manoel de Araujo, 1603. & ibi por Nicolao Carvalho Impressor da
Universidade 1612. 8. Sahio terceira vez emendada, e acrescentada por Antonio Cordeiro
Subchantre da Sé de Coimbra. ibi por Nicolao Carvalho 1625. 8.”
R.V. NERY (1984), p. 163-164
R.V. NERY (1984), p. 59, 83
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
COMENTÁRIO: “Antonio Cordeiro [...] immendou a Arte de Canto chão composta por João Martins,
imprimiose esta obra em Coimbra por Nicolao Carvalho em o anno de 1612.”
J.A. ALEGRIA (1977), p. 32
COMENTÁRIO: “Livrinho encadernado com 145 X 99,5 mm. O nome exacto do catedrático de
Coimbra que o acrescentou é Afonso de Perea Bernal. A matéria é essencialmente a mesma do N.
Reserv. n. 821.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
COMENTÁRIO: “Completou a tradicional ‘Arte de Cantochão’ do padre João Martins por ‘entonações
de cousas muito necessarias.”
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Reservado, n.º 294.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 55

MARTINS, João. Arte de Canto llano. 1512. Ed.


MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.
COMENTÁRIO: “Mestre de capella da cathedral de Sevilha, auctor de um tratado de cantochão que
foi durante muitos annos adoptadona aula de musica na Universidade de Coimbra e Seminario
de Evora, tendo tido, por essa razão, variaz edições em portuguez.[E. Vieira, 1c. v. II, p. 66].”
NOTA: Este é a edição espanhola original da qual foi feita a tradução descrita acima e a de
Antonio Cordeiro descrita anteriormente. Bertino Daciano ainda da noticia das seguintes
edições: 1530, 1560, 1597, 1603, 1612, 1614, 1618 e 1625.
MAURICIO, José. METHODO / DE / MUSICA / ESCRITO / E / OFFERECIDO / A SUA
ALTEZA REAL / O PRINCIPE REGENTE / NOSSO SENHOR / POR JOSÉ
MAURICIO, / Lente Propriet/ÁRIO DA CADEIRA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE,
MESTRE DA REAL CAPELLA DA MESMA, / E MESTRE DA CAPELLA DA
CATHEDRAL / DE COIMBRA / DESTINADA PARA AS LIÇOES DA AULA / DA
DITA CADEIRA / COIMBRA / NA REAL IMPRENSA DA UNIVERSIDADE. / 1806.
[xxxv, 68 p, 5 esquemas teóricos]
J.A. ALEGRIA (1977), p. 32-33
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 233-5; v. 2, p. 265.
COMENTÁRIO: “Em um livro de Ribeiro, ( j ) impresso em 1789, pag. IV do prologo diz o author
que Jose Mauricio ensinava antes d,aquelle anno(1794) e havia escrito um Compendio de
Musica pelo qual se estudava então.
[...]
Primeiro vem a dedicatoria ao principe regente, depois a Introdução, em seguida um discurso
preliminar, e emfim a parte que trata dos fundamentos da musica em 26 capitulos, o livro consta
de XXXV-65 pag. e esta ornado com 5 esta,pas explicativas, gravadas em cobre.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p.134.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 5, p. 68.
COMENTÁRIO: “ Este compendio que o auctor escrevêra para uso da aula respectiva, continuou a
servier para tal durante longos anos, até que no ano de 1849 o Sr. Antonio Florencio Sarmento,
professor do Lyceu Nacional, onde se acha incoporada incorporada actualmente aquella
cardeira, o fez substituir por outro de sua composição[...].”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIII, vol. 7 e 8, p. 168.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala de Leitura: E. 44-C. 9.
MENDES, P. Manuel. Arte de Canto Chão. MS.
J.F. BARRETO, f. 772r
F. CRUZ, p. 177
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 308
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 31
e
COMENTÁRIO: “[...] Leu Muzica em a Cid. de Evora foi Mestre da Cathedral de Portalegre donde
era natural, imprimio huma Arte desta faculda.e, [...]”
COMENTÁRIO de J.A. ALEGRIA (nota 145 ao Dicionário de José Mazza (v. 25, n.º 84, abr. 1945
[suplementos], p. 90): “O P.e Francisco Fonseca, na pág. 413 da sua Evora Gloriosa, faz a
seguinte referência ao Padre manuel Mendes: ‘Manoel Mendes, Mestre da Capella da Sé de
Evora no tempo do Cardeal D. Henrique, imprimio a Arte do canto chão. Hum Livro da Muzica,
e diversos Motetes e Vilancicos’.”
R.V. NERY (1984), p. 168-169
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 266; v. 2, p. 266.
COMENTÁRIO: “ Parece que estava na Bibliotheca Real de Musica.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 53.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 56

COMENTÀRIO: “ Segundo afirma o Padre Francisco de Fonseca na Évora gloriosa, o Padre Manuel
Mendes teria publicado uma Arte do Cantochão.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117.

MENDES, Manuel. Arte de Música.

MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 8, p. 148.


MENDONÇA, João Nepomuceno de. Compendio de principios elementares de muzica ... por
João Nepomuceno Mendonça &c. Pará, Typographia de Santos & menor. 1842. 8.°.
C. G. P. L. (1906) v. 2, p. 162.
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 220.
COMENTÁRIO: “ Os exemplos são encontrados em manuscrito no fim do volume. No vol.
consultado ( Bibl. do gabinete Português de Leitura ) os exemplos naõ estavam completos, pois
dos 40 referidos no texto, sòmente uns poucos se achavam copiados.”

MENDONÇA, Luis de Pina e. Varios opusculos pertencentes á theoria da musica. 1650.


J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 267; v. 2, p. 266.
COMENTÁRIO: “Parece que foram publicados em 1650.”

MENEZES, Luis Cesar de. Cantochão, em 8 volumes.


J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 269; v. 2, p. 266.
COMENTÁRIO: “[...] se dedicou principalmente ao estudo do Cantochão. Escreveu n’esse ramo da
sciencia musical uma grande obra em 8 volumes,[...]”
MESA, Gregório Silvestre de. Arte de escrever por Cifra.
M. VALENÇA (1990), p. 132
COMENTÁRIO: “Sobre Gregório Silvestre de Mesa (c. 1526-c. 1570), compositor português, sabe-
se que foi organista na catedral de Granada, onde veio a falecer. Escreveu para órgão um livro
em tablatura - Arte de escrever por Cifra. Deixou fama de grande tangedor.”
MILHEIRO, Antonio. Tratado theorico da musica. MS.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 272; v. 2, p. 266.
MîZ, João. Arte de Cantochão, posta, e reduzida em a sua inteira profeição segundo a pratica
delle muito nesseçaria para todo o sacerdote, e pessoas que andem saber cantar.
Emendada e concertada por Antônio Cordeiro. Coimbra, Manoel de Araujo, 1603; Coimbra,
Nicolau de Carvalho, 1612.
J.F. BARRETO, f. 217
R.V. NERY (1984), p. 63
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 25
COMENTÁRIO: “[...] compos huma Arte intitulada Arte de Cantochão, posta, e reduzida em a sua
inteira profeição segundo a pratica delle muito nesseçaria para todo o sacerdote, e pessoas que
andem saber cantar; cuja Arte doi impressa em Coimbra por Manoel de Araujo no anno de 1603
oitavo, imprimiosse segunda vez por Nicolao Carvalho impressor de Universidade no anno de
1612. [...]”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 57

MONTE, Jose do Espirito Santo. Vindicias do Tritono com um breve exame theorico-criticodas
legitimas, solidas, e verdadeiras regras do Canto Eclesiastico segundo o uso presente, e o
antigo da Santa Madre Igreja de Roma, Dirigido á maior gloria a Deus Altissimo,
utilidade e perfeição dos Ministros de toda a Igreja Lusitana. Lisboa: Na Officina de Simão
Thaddeo Ferreira. Anno MDCCXCI 4.°. 92 pag.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 275; v. 2, p. 267.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 312.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
MORAES, João da Soledade. Principios geraes de Musica, redigidos e exemplificados por Don
João da Soledade Moraes Conego regular de Santo Agostinho. Lisboa, 1833. fol.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 41.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 284; v. 2, p. 268.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 93.
COMENTÁRIO: “ Lit. [litografia] de V. Ziegler s. l. de impress.”

MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Preceitos Ecclesiasticos do Canto-firme para
beneficio, e uzo commum de todos. Lisboa, na Officina Ioaquiniana, 1733. 4.°.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 27
R.V. NERY (1984), p.180-181
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 286; v. 2, p. 268.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 47.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 117
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Flores musicaes colhidas no jardim da milhor liçaõ
de varios authores. Arte practica de Canto de Orgaõ. Indice de Cantoria para
principiantes com hum breve resumo das regras mais principaes do Canto Chaõ, e
regimen do Coro, e o uzo Romano para os subchantres, e Organistas. Lisboa, na Officina
da Musica, 1735. 4.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 27
R.V. NERY (1984), p.180-181.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 47.
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Flores musicaes colhidas no jardim da melhor Liçaõ
de varios Authores. Arte practica de Canto de Orgaõ. Indice de Cantoria para
principiantes com hum breve resumo das regras mais principaes de aCompanhar com
Instrumentos de vozes, e o conhecimento dos Tons assim naturaes como accidentais.
Offerecida ao Senhor D. Gabriel Antinio Gomes, &c. por João Barradas Muito Pam e Morato.
Lisboa Occidental, Na Officina da Musica, 1735. 4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 284-5; v. 2, p. 267-8.
COMENTÁRIO: “ 2ª edição com o titutlo um pouco alterado, sic:
Flores Musicais colhidas no jardim da melhior lição de varios authores. Arte practica de Canto
de Orgão. Indice de Cerimonia para principiantes com um breve resumo das regras mais
principaes de acompanhar com instrumentos as vozes, e o conhecimento dos tons assim
naturaes como accidentaes. Lisboa, na Officina da Musica, 1738, 4.°.
A esta 2ª edição falta a parte relativa ao Cantochão, que foi publicado em separado.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 58

Como se vê, a variedade dos dous titulos é insignificante e cifra-se nas palavras Indice de
Cantoria e Indice de cerimonia; talvez que esta differença não seja real e que Forkel, o author
d’ella, se enganasse; é verdade que o Nº 39 indica uma obra com titulo que corresponde a
differença entre as duas edições, mas talvez que este ultimo livro (N° 39) seja apenas um
fragmento da 2ª edição da obra primitiva, porque a data e typographia coincidem; não obstante,
Barbosa Machado ( Bibl. Lusit. vol. II, pag. 784 e 785 )diz que foi impresso separado.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 56.
COMENTÁRIO: “ Ernesto Vieira, depois de citar certas curiosidades, publicações e apelidos de
Barradas, conclue: “ Creio não ser preciso mais para dar uma idéia do estado intelectual em que
se acha o outor de Flores de Musica em 1763, e para fazer perder o desejo de conhecer a sua
última obra. Deixemo-lo, portanto, em paz com seus apelidos e alta jerarquia.”
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
R.V. NERY (1984), p.180-181
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 47.
NOTA: I. da Silva descreve esta obra com 120 pág.; já J. Vasconcelos lhe atribue 113 pág.

MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Breve Resumo de Cantocham com as regras mais
principaes, e a forma, que deve guardar o Director do Coro para o sustentar firme na
corda chamada Coral, e o Organista quando o acompanha, ordenada ao uso romano por
João Vaz Barradas Muito Pam, e Morato, natuaral da cidade de Portalegre. Lisboa
Occidental, na Officina da Musica, 1738. 4.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
R.V. NERY (1984), p.180-181
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 286; v. 2, p. 268.
COMENTÁRIO: “ Existia na Bibliotheca real [ em manuscrito].”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 47.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 93.
COMENTÁRIO: “ 2ª edição de 1738”
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Domingas da Madre de Deos, e exercicio quotidiano
revelado pela mesma Senhora. Lisboa, na Officina da Musica, 1733. 4.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
R.V. NERY (1984), p.180-181
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Breve Resumo do Canto-chaõ. 1727. 4. MS.
D.B. MACHADO (v. 2, 1743), p. 784-785
Comentário: “[...] Conservase na Bibliotheca Real, e foy composto no anno de 1727.”
R.V. NERY (1984), p.180-181
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Breve Resumo de Cantochão, dedicado a El-rei D.
João IV. MS
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 286; v. 2, p. 268.
COMENTÁRIO: “ Esta tratado de cantochão é o que fora publicado anteriormente na primeira
edição das Flores Musicaes; na segunda edição d’esta obra, publicado em 1738 já elle não
vem.”
MORATO, João Vaz Barradas Muito Pão e. Indice para cerimonias para principiantes com um
breve resumo das regras mais principaes do acompanhamento com instrumentos, as vozes
e o conhecimento dos tons assim naturaes como accidentaes. Lisboa, na Officina da Musica,
1738, 4.°.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 59

J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 286; v. 2, p. 268.


COMENTÁRIO: “Parece ser uma edição em separado da parte correspondente nas Flores
Musicaes.”
MOURA, P. José Luiz Gomes de. RITUAL / Das / EXEQUIAS, / EXTRAHIDO / Do / RITUAL
ROMANO, / Illustrado com duas Pastoraes de dous Bispos de Coim-/bra, alguns Decretos,
e a mais coherente / doutrina dos Authores: / Ao qual se ajunta a Missa de Requiem com
os seus Ritos, / e Ceremonias particulares; huma de Festa; as Absol-/vições ao Tumulo na
fórma do Missal, e Pontifi-/cal Romano; as Ceremonias principaes, do / Acolytho da
Missa; e hum Methodo / para aprender Canto Chão. / Pelo Padre / José Luiz Gomes De
Moura, / Presbytero Secular do Bispado de Coimbra. / Segunda edição correcta, e
accrescentada. / LISBOA / Na Regia Officina Typografica. / Anno M. DCC. XCVI. [1796] /
Com licença da Meza do Desembargo do Paço. / Vende se em Coimbra. [4 f. inum., 268 p.]
M.R.PEQUENO(1954), p.7-8.
COMENTÁRIO: “Esta obra teve primeira edição em 1782 e inclui no fim do volume um ‘Método
para aprender o cantochão’, que foi publicado também separadamente.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 288.
Obra disponíverl na Biblioteca de Denilton F. Carmo (257-2158)
MOURA, Jose Luis Gomes da. Methodo para aprender cantochão com facilidade. 1825, 4.°, 3ª
edição.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 289; v. 2, p. 268.
COMENTÁRIO: “ Ignoram-se as duas edições antecedentes”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
COMENTÁRIO: “falecido em 1817, publicou um ritual acrescentando-lhe um Methodo para
aprender Cantochão com facilidade, que, em edição seperada, teve 3.º edição em 1825.”
MUSSURUNGA, Domingos da Rocha. Compendio de musica para o uzo da mocidade
brasileira. Bahia. 1834.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 52.
COMENTÁRIO: “ [...] teve uma segunda edição com o título: Novo compêndio etc., reformado na
edição de 1834.”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 2, p. 230.
COMENTÁRIO: “ Teve 2ª edição com o título:
Novo Compendio de musica para o uzo da mociadade brasileira, reformada da ediçaõ de 1834.
Bahia 1846.”
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 221.
COMENTÁRIO: “Artinha Mussurunga. Compreensível e fácil Compêndio de Música. Nova
edição. Correta e aumentada pelo professor de música Vírgolio Pereira da Silva. Bahia,
Impressão Econômica, 1905.”
GTPMELLO(1908), p. 243-3.
COMENTÁRIO: “Eis aqui um outro artista de gênio a quem devemos reverentemente nos
curvarmos, tôda vez que pronunciarmos o seu ilustre nome.
Poeta e latinista distinto, compositor e musicista notável, tendo entrado em dois concursos, um
paara a cadeira de latim do antigo Liceu Provincial, e outro para a de música do mesmo
estabelecimento, sendo aprovado em ambos, preferia ser nomeado para a de música por ser esta
mais de sua afeição particular.
Esta cadeira foi criada por decreto de D. João VI em 1819, e fôra o seu primeiro regente o
estimado professor de música Dalmácio Francisco Negrão. Presumo que só depois de
Mussurunga esta cadeira deu resultados benéficos, pois que não se possue de Negrão
documentos que provem a sua influência nela. Já a não se dá o mesmo com Mussurunga, que
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 60

como teorista se notabilizara no seu compêndio conhecido por Artinha Mussurunga, que é um
verdadeiro código de leis musicais.
Se bem que a arte tenha progredido admiràvelmente de seu tempo para cá, hoje só se vêm no
compêndio de Mussurunga três pequenos defeitos: primeiro, o estilo da linguagem, um pouco
arcaica; segundo, a terminologia, um tanto desusada; terceiro, finalmente, o êrro da teoria
adotada em seu tempo de chamar o semitono diatônico: maior, e cromático: menor.
Ainda assim, se presentemente êste compêndio peca pela forma, no fundo é merecedor de todos
os elogios porque encerra tôdas as leis musicais admitidas na sua época.
Acrescente-se mais a isto a circunstância de que em seu tempo quasi que não havia compêndios
em português. Aprendia-se a música pelos métodos os mais antigos, como sejam os de: Manuel
Fernandes, Arte de música (1626); Pedro Talésio, Arte de canto chão, (1617); Nunes da Silva,
Arte mínima (1685); Francisco Solano, Artinha (?).
À vista disto é que se pode avaliar o grande serviço prestado à arte e ao país por Domingos da
Rocha Mussurunga, que, com o seu compêndio, não só aperfeiçoou o ensino da arte como
ampliou a sua cultura.
Animado pelos resultados benéficos do seu novo método e dominado pelo seu grande gôsto e
dedicação à arte, trabalhou fortemente Mussurunga, por ocasião de se criar o Conservatório de
Música do Rio, para criar um outro similar aqui, apresentando para isto um bem elaborado
programa, que uma pessoa de sua família ainda conserva. Mas, infelizmente, nada conseguiu,
não obstante ter como documento de suas habilitações o Te-Deum da Coroação, oferecido aa D.
Pedro II e por êle aceito por aviso da Secretaria do Estado dos Negócios do Império, de 2 de
março de 1842.
R.ALMEIDA(1942), p.367.”
COMENTÁRIO: “Na Baía, o grande musicista é Domingos da Rocha Mussurunga (1807-56), cujo
esfôrço pelo ensino musical já deixei assinalado. [...] Igualmente, deixou doze opúsculos de
modinhas, afora as Modinhas ao Senhor Menino, hinos, valsas, minuetos e outras músicas para
dansa e um Compêndio de Música, que teve duas edições em 1834 e em 1846.”
OSORIO, Jeronymo. De Regis instituiones, et disciplina, libr: octo. Colonia. 1588. 8.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 268.
COMENTÁRIO: “ [...] encontra-se no fim do quinto livro, pag. 122-125 um capitulo que trata: de
musica liberalis disciplina; Musica regibus maxime necessaria. Cantu ad flec tendum animum
nihil effucacius.”
PEDRO, João. Arte de Muzica para viola franceza com regras do acompanhamento. Para o
uso de todas as Pessoas, que queirão applicar-se a toca-la por Muzica, e mesmo para as,
que não quizerem fazer a dita aplicação. Typographia Bracharense.Braga. 1839. 4.°. 18 p
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 269.
COMENTÁRIO: “ [...] com uma estampa; publico-se com as iniciais I.P.S.S.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 8.
COMENTÁRIO: “ [...] Sahiu com as iniciaes J. P. S. S.
Parece que d’estes opusculos se tirou apenas o numero de exemplares correspondentes aos dos
subscritores que o foram mais com o sentido de beneficiar o auctor que por esperarem colher
utilidade da obra.”
PEDROSO, Manoel de Moraes. Compendio musico, ou arte abreviada em que se contêm as
regras mais necessárias da cantoria, acompanhamento e contraponto[...]. Porto, Officina
Episcopal do Capitão Manoel Pedroso Coimbra, 1751. 46 p., 3 f. inum.
M. VALENÇA (1990), p. 247-251
COMENTÁRIO: “Inocêncio da Silva [tomo VI, Lisboa, 1862, p. 67] regista esta obra
escrevendo”’Manuel de Morais Pedroso, autor ignorado de Barbosa [Machado], e que se
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 61

declara natural de Miranda no rosto do opúsculo seguinte, de que vi um exemplar na livraria do


extinto convento de Jesus: Compendio musico, ou arte abreviada em que se contêm as regras
mais necessárias da cantoria, acompanhamento e contraponto, Porto Typ. de Manuel Pedroso
Coimbra, 1751, 4.º de XIV - 47 pag.’. A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira [v. 20]
acrescenta que o A. era compositor de música estabelecido no Porto pelos meados do século
XVIII, e que este opúsculo teve segunda edição em 1769 (sic). Ajunta ainda o artigo da
enciclopédia que existe na Biblioteca Nacional de Lisboa, proveniente do extinto convento de
Arouca, uma pequena composição de Morais Pedroso, autógrafa, com a data de 1751. Trata-se
duma Lamentação - Ego vir videns - para solo de soprano com acompanhamento de órgão.
Infelizmente não se indica em que lugar se imprimiu a segunda edição do opúsculo setecentista.
/ Na Biblioteca do Colégio de Montariol (Braga) encontrei o mesmo opúsculo em cujo
frontispício se lê na seqüência do título acima apontado: ‘oferecido / a mais armoniosa cantora
do ceo / Maria / Santíssima / com o soberano título / da / Assumpção. / Por Manoel Moraes
Pedroso / naturaal da cidade de Miranda. / Porto / Na officina de Antonio Alvares Ribeiro
Guimaraens. / Anno de 1769. E à sua custa impressa / Com licença da Real Mesa Censoria. /
Vende-se na mesma Officina em cima do muro, e na loja de José da / Conceição, na rua dos
mercadores.’ / Não diz o título qual seja a edição, mas talvez seja a segunda, em data bem mais
próxima da primeira impressão. A data indicada de 1796 pode ser gralha tipográfica da
enciclopédia. / De qualquer modo verifica-se que o opúsculo parece ter tido êxito entre 1751 e
1769, pelo menos, e teria andado por muitas mãos em várias terras. / Embora o título da fachada
não o indique, o autor pôs na obra ‘Algumas advertências necessárias para saber o modo de pôr
os dedos no Órgão’, condensadas em oito regras, cujo texto se passa a transcrever em ortografia
moderna, sem se alterar a linguagem: [transcreve as Advertencias I a VIII das Regras de
Acompanhamento] / O texto transcrito evidencia tratar-se dum pequeno método de dedilhação
feito propositalmente para o órgão ibérico com oitava curta. As restrições no uso dos dedos
inserem-se em práticas conhecidas através da história da música de tecla. / Algumas
advertências têm um tom de modernidade, e a sétima permanece válida no presente. / F.
Couperin, organista da corte real francesa, indicou na sua Art de toucher clavecin (1716)
algumas regras de dedilhação, incluindo o uso do polegar e do dedo menor, que prenunciam o
sistema moderno da dedilhação nos instrumentos de tecla. De notar que, ao lado da execução
ligada das terças paralelas, continuou a ser usada a técnica própria da execução destacada. / É
conhecido que J. S. Bach desenvolveu o método de F. Couperin e completou-o de forma genial.
/ O pequeno método de Morais Pedroso teria sido mais valioso se ajuntasse aos principios
teóricos trechos de música para órgão em que reduzisse à prática as regras indicadas, fazendo
obra de criação artística da sua época. Mas talvez não tivesse talento para tanto. Como se
apresenta, o opúsculo revela que em Portugal, pelos meados do século XVIII, a arte organística
ultrapassa os limites dos centros musicais de longa tradição e de mais directa influência
eclesiástica. Teriam surgido organistas amadores, em busca duma orientação para progredir na
arte de executar ao órgão. Tal alargamento seria, em muitos casos em desfavor da qualidade.
Parece evidente que o conceito do organista como executante de recitais transcende o âmbito de
advertências dirigidas ao acompanhador. Devia ser este o conceito geral acerca do organista
nessa época - um acompanhador. Uma tarefa em vários aspectos complicada. Por isso se
encontram no mesmo opúsculo explicadas as regras da harmonia e do contraponto, nos
elementos básicos, com o intuito de fornecer as regras mais simples para a realização do baixo
cifrado e do acompanhamento à primeira vista de melodias usadas no canto litúrgico.”
R. STEVENSON (1968), p. 17
COMENTÁRIO: “[...] Like Manuel de Moraes Pedroso, whose Compendio musico (Oporto: M.
Pedroso Coimbra, 1751) was the first Portuguese treatise to canvass the da capo aria, to tell
what makes a sinfonia, and to explain how to perform graces, [Luís Álvares] Pinto takes a
healthy interest in his own contemporary musical situation. [...]” [na nota 60, Stevenson
comenta:] “Moraes Pedroso, whose Te Deum and Aria Dichoso Serás enter the Lima [Peru]
Archiepiscopal archive (Cuadernos de Estudio, III/7 [Pontificia Universidad del Perú, 1949], p.
45, items 138 and 1390, describes the pratica para fazer Area at page 43, Pratica para fazer
Symphonia at 44, achacaturas at 41, apojos at 9 (1751 and 1769 editions). Discussing secco
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 62

recitative at pp. 43-44, he propounds these rules: (1) write in 4/4 (2) should the voice enter after the
first chord, allow no more than a quarter-nor less than an eight-rest (3) first note in voice should not
be accidentalized (4) forgo suspended cadences at the close (5) intrude unprepared dissonances at
will (6) keep the voice moving in quarters, halfs, eighths, and occasional sixteenths (7) move the
bass slowly in comparison with the voice. As can be immediately seen, these concise rules concord
with ca. 1751 practice.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 261, 269-70.
COMENTÁRIO: “ Esta edição é um caracteres vermelhos e pretos, e em bom papel.
2ª edição
Com o mesmo titulo. Ibid, na Officina de Antonio Alvares Ribeiro Guimaraens, e a sua custa
imprensa. Anno de 1769, in 4.°. de IV-47 pag.
Esta edição é inferior à primeira pelo lado typographico.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 67; v. 16, p. 273
COMENTÁRIO: “ [...] outra edição de 1759.”
Obra disponível no Museu da Música, Mariana - MG e “xerox”na biblioteca Paulo Castagna
PEREIRA, Jose Monteiro. Principios de Musica que faciltão a tocar; para uso dos meninos, que se
educam no Seminario Nossa Senhora da Lapa da cidade do Porto, por J. M. P. Porto. 1805.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 13, p. 146.
COMENTÁRIO: “ [...] Porto, na Officina da viuva Alvares Ribeiro. 1820. 2ª Ed.”
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 93.
COMENTÁRIO: “[...] Joaq. de Vasconcelos indica outra edição de 1860, e chama-lhe de << 5.ª ed. >>.”

PEREIRA, Tomás. Muzica pratica e especulativa em 4 partes.


J. MAZZA, v. 24, n.º 78, out. 1944, p. 156
Comentário: “[...] compos em Muzica a obra seguinte = Muzica Pratica e Especulativa.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.27 e 270.
COMENTÁRIO: “ Foi publicado na lingua Sinica, segundo Barbosa Machado ( Bibl. Lusit. , vol.II, pag.
746 ) e segundo o Bispo-Conde ( Sesta-49 ) em Chinez. O imperador da China mandou-o traduzir
em Tartaro.”
PEREZ, David. Livro de Regras / de Acompanhar P.ª Uso do Senhor Diogo / António Palmeiro Seu
Author o S.r David Perez / feitos em dia 10 de Março de 1821.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 74-75
COMENTÁRIO: “São 32 págs. de papel de música vulgar com dez pautas. Inclui uma colecção de
baixos cifrados com melodias simples e complexas. Possivelmente David Perez será apenas o autor
das cifras para o acompanhamento.”
Manuscrito arquivado na Biblioteca Pública de Évora, cota: Cód. CLI / 1-4 n.º 6
PESSOA, João de Abreu. Arte de Cantochão para o uso do seminario de Viseu, e para mais o clero
do mesmo bispado. Lisboa, Imprensa Regia. 1830.4.°. 92 pag.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 3, p. 282.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
PICA DA ROCHA, João Leite. Liçam instrumental da viola Portugueza, ou de ninfas, de cinco
ordens. Lisboa, 1752.
J. TYLER (1980), p. 134.
COMENTÁRIO: “P:Pm (See Danner, U., p. 35); Amat, 1752?”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 63

PIMENTEL, Pero. Livro de cifra de obras para tanger em tecla.


R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 43.
COMENTÁRIO: “ Igualmente desapareceram [...] organista da Sé de Coimbra, que teria sido
impresso nessa cidade.”
PINA E MENDONÇA, Luís de. Teoria e prática da música. MS.
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 29
COMENTÁRIO: “[...] entre muitas obras que escreveo de varias faculdades, compos na da Muziaca
o seguinte: opusculos pertencentes á Thioria, e pratica da Muzica.”
PINENO, Thomaz de. Commentario Auctorum. Amstel. 1678. fol.
J. VASCONCELOS (1870), v. 1, p. 28; v. 2, p. 270.
COMENTÁRIO: “[...] encontram-se excellentes dissertações sobre a Musica Mathematica e a
Musica Analogica.”
PINTO, João Alves. A theoria da Musica. Rio de Janeiro. 4.°.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 3, p. 322.
PINTO, João Alves. Tratado elementar de afinação do piano por C. Dussenil, traduzido em
portuguez. Rio de Janeiro. 4.°. 11 p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 3, p. 322.
PINTO, João de Santa Clara. Compendio de Cantochão.
EMB(1977), v. 2, p. 612.
COMENTÁRIO: “ [...] deixou diversos compendios sobre cantochão para o uso do Convento de
Santo Antonio, Rio de Janeiro.”
PINTO, Luiz Álvares. Arte de solfejar. MS. 1761
R.STEVENSON (1968), p. 14.
COMENTÁRIO: “[...] Pinto at 42 himself wrote a treatise called Arte de solfejar (1761), the 43-page
manuscript of which is now catalogued F.G. 2265 at the Lisbon National Library. Until a better
candidate can be found, this music treatise by a Recife-born pardo must take rank as the earliest
by a writer of New World birth now anywhere available for public inspection.” [há mais
comentários de Stevenson até a p. 19]
Edição contemporânea: PINTO, Luiz Álvares. Arte de solfejar; estudo preliminar e edição do
padre Jaime C. Diniz. Recife, Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco /
MEC / FUNARTE / INM, 1977. 50 p. ilus. (Coleção Pernambucana, v. 9)
EMB(1977), v. 2, p. 612.
COMENTÁRIO: “Nesse mesmo ano [1761] publicou a Arte de Solfejar, cujo manuscrito se
encontra na Biblioteca Nacional de Lisboa.”
J.C.DINIZ(1969), I TOMO, p. 64-6.
COMENTÁRIO: “ Um outro aspecto importante a considerar é o fato de Luiz Álvares Pinto ser
apontado como inventor de um método de solfejo, pelo qual várias gerações de músicos
pernambucanos aprenderam “com muita facilidade e muita vantagem”. Tomás Cantuária (1800-
1878), vulto de grande projeção na história musical de Pernambuco, em sua “Pequena Arte de
Música” faz referencia a êsse “sistema, ou invenção” no fim da Artinha. No início, pórem,
manisfestando a sua intenção, escreve: “O meu desejo é dado a sustentar o sistema de solfejo
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 64

por mudança o mais moderno, segundo o muito hábil professor Luiz Álvares Pinto, oriumdo de
Pernambuco”.
Os nossos historiadores reconhecem-lhe a autoria de duas obras didácticas sôbre música: “Arte
pequena para se aprender música” e a “Arte grande de Solfejar” {...} não menos apreciada
pelos entendedores” (32). Sôbre estas obras não disponho de qualquer informação, além da
notícia que nos dá Pereira da Costa de que a peuqena arte de música teria sido “traduzida em
França”(33). Entre nós, parece não mais existir nem uma, nem outra das obras aludidas. Mas se
não houver nenhum equívoco no informe de Antonio Joaquim de Mello, temos de admitir uma
terceira obra escrita por Álvares Pinto, cujo manuscrito se encontra na Biblioteca Nacional de
Lisboa e que, a meu pedido foi localizada em Março dêste ano de 1968, pela professôra Cléofe
Person de Matos. O manuscrito conservado tem o seguinte título: “Arte de Solfejar --- Método
muito breve, e fácil, para se saber solfejar em menos de um mês; e saber-se cantar em menos de
seis. Segundo os Gregos, e primeiros Latinos. Seu Autor --- Luiz Álvares Pinto --- Natural da
Vila de Santo Antonio em o Recife de Pernambuco --- Ano de 1761” Possuidor de huma cópia
microfilmada, posso adiantar alguma coisa a respeito do conteúdo da Mesma Obra. A “Arte de
Solfejar” se abre com um “Proêmio” que ocupa sete folhas. Num de seus parágrafos, escreve o
compositor e teórico pernambucano --- teórico dos mais antigos do Brasil, senõa o mais antigo
que se conhece: “Eu pois compadecido da Pátria, zeloso de crédito desta ciência exponho aos
doutos o método mais breve, fãcil, e menos laborioso, que se pode excognitar no tempo presente
para adiantamento de seus principiantes. Não obigo, que me sigam: porém não deixarei de
entender, que esta mui longe de ser douto, e sabio aquêle, que deixar de abraçar a verdade; por
não querer ver a sua presunção convencida”. Depouis vem o corpo da obra, a Arte de Solfejar
propriamente dita. Na primeira parte --- contida en seis folhas --- o autor propõe 17 perceitos, os
quais devem ser decorados pelo principiante. Os preceitos são definições magras e sêcas, mas
claras no geral. O “Preceito 5°”, por exemplo, tem esta redação diretíssima, e sem problema de
qualquer ordem (a não ser o de decorar...): Das Figuras --- As figuras são oito, a saber: Greve,
Semibreve, Mínima, Semìnima, Colchea, Semocolchea, Fusa e Semifusa. Suas formas são as
seguintes: “(-vem o exemplo em pauta musical).
A parte dos preceitos se ocupa com as Linhas e espaços; Vozes e signos; Claves e suas formas;
Figuras; Valor das Figuras; Pausas ; Intervalos Naturais, etc.
Na segunda parte da obra, Álvares pinto trata das Observações, que são explicações fornecidas
pelo autor de cada um dos preceitos. Ocupa o restante da “Arte de Solfejar”(fls. 7 a 34). A
Artinhase termina com uma nota de fé: “Eu tambem dou fim a êste trabalho, que se for útil, é
gloria, que se deve dar a Deus, e a Maria Santíssima sua Mãe como Intercessora, e Protetora
Nossa”.
(33) --- A. Joaquim de Mello --- . p. 4
(32) --- Pereira da Costa --- “Dic. Biogr. de Pernambucanos Célebres”, Tip. Universal, Recife,
1882, p. 620.
[Biblioteca Paulo Castagna]
PINTO, Luis Álvares. Arte pequena para se aprender música.
EMB(1977), v. 2, p. 612.
COMENTÁRIO: “ [...] Consta ainda ter escrito mais duas obras didáticas: Arte pequena para se
aprender música e Arte grande de solfejar, que se teriam perdido”
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 5, p. 346.
COMENTÁRIO: “ [...] que foi traduzida na França, e depois foi consideravelmente augmentada e
outra muito mais desenvolvida, ambas apreciadas pelos entendedores.”
J.C.DINIZ(1969), I TOMO, p. 64-6.
COMENTÁRIO: “ Um outro aspecto importante a considerar é o fato de Luiz Álvares Pinto ser
apontado como inventor de um método de solfejo, pelo qual várias gerações de músicos
pernambucanos aprenderam “com muita facilidade e muita vantagem”. Tomás Cantuária (1800-
1878), vulto de grande projeção na história musical de Pernambuco, em sua “Pequena Arte de
Música” faz referencia a êsse “sistema, ou invenção” no fim da Artinha. No início, pórem,
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 65

manisfestando a sua intenção, escreve: “O meu desejo é dado a sustentar o sistema de solfejo
por mudança o mais moderno, segundo o muito hábil professor Luiz Álvares Pinto, oriumdo de
Pernambuco”.
Os nossos historiadores reconhecem-lhe a autoria de duas obras didácticas sôbre música: “Arte
pequena para se aprender música” e a “Arte grande de Solfejar” {...} não menos apreciada
pelos entendedores” (32). Sôbre estas obras não disponho de qualquer informação, além da
notícia que nos dá Pereira da Costa de que a peuqena arte de música teria sido “traduzida em
França”(33). Entre nós, parece não mais existir nem uma, nem outra das obras aludidas.”
PINTO, Luis Álvares. Arte grande de solfejar.
EMB(1977), v. 2, p. 612.
COMENTÁRIO: “[...] Consta ainda ter escrito mais duas obras didáticas: Arte pequena para se
aprender música e Arte grande de solfejar, que se teriam perdido”
J.C.DINIZ(1969), I TOMO, p. 64-6.
COMENTÁRIO: “ Um outro aspecto importante a considerar é o fato de Luiz Álvares Pinto ser
apontado como inventor de um método de solfejo, pelo qual várias gerações de músicos
pernambucanos aprenderam “com muita facilidade e muita vantagem”. Tomás Cantuária (1800-
1878), vulto de grande projeção na história musical de Pernambuco, em sua “Pequena Arte de
Música” faz referencia a êsse “sistema, ou invenção” no fim da Artinha. No início, pórem,
manisfestando a sua intenção, escreve: “O meu desejo é dado a sustentar o sistema de solfejo
por mudança o mais moderno, segundo o muito hábil professor Luiz Álvares Pinto, oriumdo de
Pernambuco”.
Os nossos historiadores reconhecem-lhe a autoria de duas obras didácticas sôbre música: “Arte
pequena para se aprender música” e a “Arte grande de Solfejar” {...} não menos apreciada
pelos entendedores” (32). Sôbre estas obras não disponho de qualquer informação, além da
notícia que nos dá Pereira da Costa de que a peuqena arte de música teria sido “traduzida em
França”(33). Entre nós, parece não mais existir nem uma, nem outra das obras aludidas.”
PINTO, Luís Álvares. Arte rezumida para / os, que não souberem / ler, e se quizerem ap-/plicar;
havendo hûa / explicação de hû cui-/dadozo Mestre. [título na f. 1r; no alto, à direita, com outra
letra: “Lopes Netto”; na f. 4r há outro título:] Muzico / E / Moderno / Syste-/ma para solfejar /
sem confuzão. / Dedica-o / A’ / Senhora D. Maria / Joaquina / Lourença / Justiniana dos /
Sanctos / Luiz Alvares Pinto / Natural da V.a do Recife / em Paranambuco. / Anno de 1776.
MS, f. em branco com n.º 83 a caneta; f. com outra letra, não numerada [com carta de sua filha];
7 f. não numeradas [primeira e quarta são páginas de rosto], 124 páginas numeradas, 3
pranchas, p. 125-138, 2 folhas em branco.
Manuscrito arquivado na biblioteca pessoal do Príncipe D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança,
Arquivo Grão Pará, Petrópolis - RJ. Fotografado por Paulo Castagna e Alberto Ikeda em 20 fev.
1995. Em processo de transcrição.
Nota de pesquisa: obra ignorada por todos os escritores até 1990. Os exemplos musicais já foram
transcritos e executados por Ernani Aguiar (Petrópolis - RJ). Marcelo Fagerlande gravou três
exemplos no CD Música portuguesa e brasileira para cravo.
REGO, Pedro Vaz. Tratado de Musica.MS.
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 624-625
Comentário: “[...] que ficou imperfeito”
R.V. NERY (1984), p. 201-203
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.137 e 271.
COMENTÁRIO: “ [...] ficou incompleto.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 66

REGO, Pedro Vaz. Defensa sobre a entrada da Avoena da Missa <<Scala Aretina>>,composta pelo
P.e Francisco Valls, Mestre da Cathedral de Barcelona.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.137 e 271.
COMENTÁRIO: “ Fetis traz o titulo da obra um pouco alterado, sic.:
--- Defensa sobre a entrada da novena da missa sobre la scala Aretina, composta pelo Mestre
Francisco Valls, Mestre da Cathedral de Barcelona.”
RIBEIRO, José de Araujo. Elementos de musica prática.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 275.
RIBEIRO, Manoel da Paixão. NOVA ARTE / DE VIOLA; / QUE ENSINA A TOCALLA COM
FUNDAMENTO / SEM MESTRE, / DIVIDIDA EM DUAS PARTES, / HUMA
ESPECULATIVA, E OUTRA PRACTICA; / Com Estampas das posturas, ou pontos
naturaes, e ac-/cidentaes; e com alguns Minuettes, e Modinhas / por Musica, e por Cifra. /
Obra util a toda a qualidade de Pessoas; e muito prin-/cipalmente ás que seguem a vida
litteraria, e ain-/da ás Senhoras. / DADA A’ LUZ / Por / MANOEL DA PAIXAÕ
RIBEIRO, / Professor Licenciado de Grammatica Latina, e de ler, / escrever, e contar em
a Cidade de Coimbra. / [grav.] COIMBRA. / Na Real Officina da Universidade. / M. DCC.
LXXXIX. / Com licença da Real Meza da Comissaõ Geraal, sobre o Exa-/me, e Censura dos
Livros. [v, 51 p., 8 ests]
J. TYLER (1980), p. 135.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.148-9 e 271.
COMENTÁRIO: “[...] O methodo é como, ja dissemos mediocre, feito por um curioso que pouca
noções tinha da sciencia musical; provavelmente nunca o leu.
No prologo da obra declara o author as razões que o motivaram a publicar este escripto, não
sendo professor d’esta Arte, mas simples curioso. As ideias geraes foram tiradas da
Encyclopedia methodica, do Diccionario de Musica, de Rousseau e dos Elementos de Musica
de Rameau; e os principios elementares, como a designação dos termos technicos etc., do
Methodo de Musica de Jose Mauricio.
A doutrina do acompanhamento é exclusivamente do author, como parece entender-se da
citação de I. da Silva, porque elle mesmo confessa que recebeu para ella subsidios e os
concelhos de varios amigos.
[...]Há uma outra obra idêntica, publicada em 1803, cujo author desconhecemos: Arte de tocar
viola e outros instrumentos.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 20.
COMENTÁRIO: “ [...] Que tinha este instrumento perdido muito de sua estimação, por causa de não
haver quasi ninguem que não se factasse de saber tocal-a (sic).”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p.107 e 129-30.
COMENTÁRIO: “[...] Os próprios títulos destas obras revelam bem que estava então generalizada a
prática instrumental amadora capaz de oferecer um mercado de manuais de iniciação desta
natureza, e o facto de a Nova Arte de Paixão Ribeiro ser impressa em Coimbra por um autor
residente naquela cidade sugere que esta prática não estaria já restrita aos grandes centros de
Lisboa e Porto mas abrangeria até os núcleos urbanos menores.
[...]
[...] Paralelamente, os instrumentos de corda dedilhada, sob a designação algo indistinta de
<<viola>> ou <<guitarra>> conservariam tenazmente os favores do público vasto e
sociologicamente diferenciado, sucitando a publicação de vários métodos de aprendizagem sem
mestre, como a Nova arte da viola de Manuel de Paixão Ribeiro ( para a viola de cinco ordens )
publicada em Coimbra em 1789 (<< obra útil a toda a qualidade de pessoas; e muito
principalmente às que seguem a vida literária, e ainda às senhoras>>, de acordo com o
frontispício)[...].”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 67

I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 76.


COMENTÁRIO: “ No prologo declara o auctor as razões que o levaram a publicar este escripto, não
sendo professor da arte, mas simples curioso. As ideias genericas daduziu-as da Encyclopedia
methodica, do Diccionario de Musica de Rousseau, e dos Elementos de Musica de Rameau. a
doutrina do acompanhamento é de sua reflexão exclusiva. Creio que exitem pouquissimos
exemplares d’esta obra, que com a Arte de Guitarra de Antonio Silva Leite (Diccionario, tomo
I, n.° A, 1509) e a Arte de orgão, cravo e guitarra, etc. de Fr. Domingos de S. Varella(
Diccionario, tomo II, n.° D, 290) são as obras d’esta especie, que maior curso tiveram entre
nós.”
Edição contemporânea: RIBEIRO, Manoel da Paixão. Nova arte de viola que ensina tocalla
com fundamento sem mestre [...]; réimpression de l’edition de Coimbra, Real officina da
universidade, 1789. Genève, Minkoff Reprint, 1985. v, 51 p., 8 ests. [Biblioteca Paulo
Castagna]
RODRIGUES, Fr. João. Arte de Musica da reformação e perfeição do cantochão e de toda a musica
cantada e tangida. 1560. MS.
F. CRUZ, p. 173
COMENTÁRIO: “[...] fes arte de Canto chão no anno 1560, onde diz gastou mais de 40 annos em
sua prefeição; esta lhe aprouou em Roma Antonio bocapadula Me da Cappa e Secretario do Papa
Gregorio 13, e João Pedro Luis Prenestina como o Author diz no fim do liuro q tem M. S. e
parece Original Valledolid in folio No Cap 14 tratando do Genero enharmonico, em q tras
alguma differença do q tinhão os outros authores, diz Agora nuevamte allado em Portugal anno
de 1560 por Fr Juan Roîz en la Villa de Maruan Obispado de Portalegre”
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 737
COMENTÁRIO: “Para reduzir esta obra à ultima perfeiçaõ afirma que gastara quarenta annos. Foy
aprovada em Roma por Antonio Bocapadula Mestre da Capela Pontificia, e Secretario da
Santidade de Gregorio XIII. e Ioaõ Pedro Luiz Penestrina Oraculos da Faculdade Musica. O
original conservava na sua Livraria Francisco de Valhadolid Mestre do Seminario
Archiepiscopal de Lisboa de quem se fez mençaõ em seu lugar. No cap. 14. tratando do Genero
Enharmonico diz. Aora nuevamente allado em Portugal año 1560. por Fr. Iuan Rodriguez en la
Villa de Marvan Obispado de Portalegre.”
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 26
COMENTÁRIO: “[...] Escreveo algumas obras em Muzica, e huma Arte de Cantochão que se
imprimio em 1560.”
COMENTÁRIO de J.A. ALEGRIA (nota 119 ao Dicionário de José Mazza, v. 25, n.º 84, abr. 1945,
p. 85): “¿Onde se fundaria José Mazza para afirmar que a Arte de Cantochão de Frei João
Rodrigues se imprimiu em 1560? / Ernesto Vieira diz que foi escrita neste ano de 1560 e
Joaquim de Vasconcelos atribui-lhe mais valor,, pois diz que tal obra custou ao Autor 40 anos
de trabalhos. / A ‘Arte de Cantochão’ chegou a ser revista por Palestrina e António
Boccapadula, então mestre da Capela Pontifícia e Secretário de Gregório XIII. (Cf. Vasc., Ob.
cit., pág. 153, 2.º vol.).. / Chegou mesmo a passar-se o alvará de licença para a ssua publicação
(que tem a data de 5 de Março de 1576), donde se sabe que Frei João Rodrigues era vigário da
igreja de Santa Maria na Villa de Marvão no Bispado de Portalegre. O título completo da obra
que, no final de contas, o mais certo é nunca ter ouvido os gemidos do prelo, era êste: Arte de
Musica da reformação e perfeição do cantochão e de toda a musica cantada e tangida. (Cf. Er.
Vieira, Ob. cit., pág. 262, 2. vol.).”
R.V. NERY (1984), p. 206-207
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.153 e 271.
COMENTÁRIO: “ [...] é pricipalmente reconhecido como author de um TRATADO DE
CANTOCHÃO-fol. em que afirma ter trabalhado 40 annos !
Machado (a) diz que este tratado fôra aprovado em Roma por Antonio Boccapadula, Mestre da
Capella pontifical e Secretario do papa Gregorio XIII e pelo illustre P.e João Luis Penestrina,
oraculo da faculdade musical.(b) Forkel confirma esta asserção dizendo que esta obra fôra
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 68

muito apreciada por estes dous compositores notaveis. Infelizmente parece que não se chegou a
imprimir; malfadada da sina que persegue nosso obras artisticas! Barbosa Machado diz-nos que
o manuscripto d’este precioso tratado existia na Biblotheca de Francisco de Valhodolid e parece
que a viu, pois diz-nosque o Capitulo XIV, tratando Rodrigues do genero enharmonico, declara
que fôra achado por elle, sic.: << Aora nuevamente allado por Juan Rodrigues en la villa de
Marvan, Bispado de Portalegre!>>
(a) Bibl. Lus., vol,ii, pag. 737.
(b) Ou Giovanni Pierluigi Palestrina; esta mudança de nome do compositor italiano é frequente
em Machado.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
COMENTÁRIO: “[...] diz ter sido aprovado por Palestrina.”

ROSÁRIO, Antonio do. Méthodo novo ... para ensinar o Canto Ecclesiastico. fol. 202p.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 3 e 4, p. 68.
COMENTÁRIO: “[...], tendo entre outros o subtítulo: ‘Fiscal contra os quais desfiguram o cantochão
figurado, dando igual valor a todas as figuras, sendo tantas e tão diversas’. Esse subtítulo
chamará para ela a atenção muitos amigos, historiadores e cantores do canto gregoriano.”
ROSÁRIO, Domingos do. THEATRO / ECCLESIASTICO, / EM QUE SE ACHÃO MUITOS
DOCUMENTOS / de Canto-Chão, para qualquer pessoa dedicada ao Culto Divino nos
Officios do Coro, e Altar, / OFFERECIDO / Á / VIRGEM SS. SENHORA NOSSA / COM
O SOBERANO TITULO DA IMMACULADA / CONCEIÇÃO VENERADA EM HUMA
DAS CAPELAS COLLA/teraes do Regio Templo de Nossa Senhora, e Santo Anto/nio,
junto à Villa de Mafra. / EXPOSTO POR SEU AUTHOR O PADRE / FR. DOMINGOS
DO ROSARIO / FILHO DA PROVINCIA DE SANTA MARIA DA ARRABIDA /
Primeiro Vigario do Coro no mesmo Convento de Mafra, Nota/rio Apostolico de Sua
Santidade, e Penitenciario / geral da Ordem Serafica / dada ao prelo pelo beneficiado
antonio ferreira de abreu / Amigo do Author. / SEGUNDA IMPRESSAM, E MAIS
ACCRESCENTADA / LISBOA: / NA OFFICINA DE FRANCISCO DA SILVA /
MDCCLI.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 35
COMENTÁRIO: “Há mais dois exemplares, todos encadernados. Tem 443 fls. O titulo é justificado
pela divisão da obra em 3 actos.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 272.
COMENTÁRIO: “Another edition, same printer (4.º impressão) 1765. [...] Another issue, printed by
Simão Thadeo Ferreira (7.º impressão), 1782. [...] 8.º impressão, 1786.”
M.R.PEQUENO(1954), p. 5-6.
COMENTÁRIO: “O autor do ‘ Theatro Eclesiático’ , obra muita conhecida e utilizada pelos
sacerdotes em Portugal e que logrou mais de oito impressões, “caso talvez único da história da
literatura musical portuguesa” era natural de Santa Maria dos Olivais e pertencia à ordem
Franciscana dos Frades Capuchinos.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala Nova: E. 42-C. 1. - Ed. de 1743: Sala de
Leitura: E. 62-C. 5, e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
ROSÁRIO, Domingos do. THEATRO / ECCLESIASTICO, / Em Que Se Achão Muitos
Documentos / de Canto-chão para qualquer pessoa dedicada ao Culto Divino / nos Officios
do Coro, e Altar, / Offerecido / Á / VIRGEM SANTISSIMA, / SENHORA NOSSA, / Com
O Soberano Titulo Da Immaculada / Conceição: / Ordenado Por Seu Author / O Padre /
Fr. Domingos Do Rosario, / Filho da Provincia de Santa Maria da Arrabida, e primeiro
Vi-/gario do Coro que foi do Real Convento de Mafra. / Novamente Dividido Em Duas
Partes. / PARTE PRIMEIRA, / Em Que Se Trata Dos Officios Do Natal, Semana Santa, /
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 69

Officio de Defunctos com Missa, Estações, Officios de Sepultura, Procissões, / Paixões,


Preces, Antifonas, etc., tudo correcto, e accrescentado com as / Matinas da Pascoa da
Resurreição, e Nona da Ascenção de Chriso. / Dado ao prélo pelo Excellentissimo e
Reverendissimo Senhor D. José de Mel-/lo, Prior Mór de Palmella, e Syndico Geral da
sobredita Provinciaa. / Nona impressão. / [grav.] / Lisboa: Na impressão Regia. Anno 1817.
Com Licença, e Privilegio Real. [VIII, 566 p.; exemplar que pertenceu ao “P.e Roza”; Museu da
Música, Mariana - MG; biblioteca Harry Crowl, Ouro Preto]
Nota de pesquisa: Os Actos Primeiro a Terceiro referem-se à didática e teoria do cantochão; o
Acto Quarto e o De Precibus pro variis Nececitatibus são seções que contém exclusivamente
partituras de cantochão.
ROSARIO, Vicente Maior do. Arte do cantochão Ordenada e dada á luz Pelo P.e Vicente Maior do
Rosario Para Instrucção de seus Discipulos. Tomo 1º, 8.°. 34 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.155 e 272.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
SANCHO, Ignácio. Tratado theorico de Musica. MS.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.156 e 272.
COMENTÁRIO: “ [...] dedicou a uma princeza estrangeira, cujo nome se ignora, e á qual entregou
seu manuscripto.”
SANTA ANNA. Joaquim de. Diseertação, critica, historica, e liturgica sobre a Nota do prelado
Nicolao Antonelli ao antigo Missal romano monastico lateranenseem o dia 22 de Fevereiro
em que a Universal Igreja celebra A Cadeira de S. Pedro em Antiochia. Seu author Fr.
Joaquim de St.ª Anna Eremita de S. Paulo, deputado da Real Meza Censoria, e Prégador
do Serenissimo Senhor Infante D. Pedro. Lisboa na Regia Officina Typographica. Anno de
MDCCLXIX . 4.º de XII-104p.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 154.
SANT’ANNA, Maximiamo Xavier de. Compêndio de Música.
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 52.
COMENTÁRIO: “ [...] que teve duas edições, e o mais aceito depois do de Mussurunga.”
EMB(1977), v. 2, p. 688.
COMENTÁRIO: “ Escreveu um Compêndio de Música de grande açeitação.”
SANTA MARIA, João de. [?]
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 26-27
COMENTÁRIO: “[...] Compos 3 livros de Contraponto, os quaes ofereseo ao Senhor El-Rey D.
João 4.º”
SANTOS, Manuel Joaquim. Principios geraes de musica do sr. Joaquim Rossini, traduzidos.
Lisboa 1842.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 22.
SANTOS, Manuel Joaquim. Grammatica da Musica, ou elementos teoricos d’esta arte,
compilados por D. Nicolau Eustachio Cattamo, e traduzidos por Manuel Joaquim dos
Santos. Bruxelas.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 70

I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 22.


SARMENTO, Antonio Florencio. Principios Elementares de Musica, destinados para as lições
da aula da cadeira de Musica da Universidade de Coimbra. Coimbra, Na imprensa da
Universidade. 1849. 8.°. 44 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.161; e 272.
COMENTÁRIO: “ [...] é um resumo mesquinho do Methodo de Musica de José Mauricio e que não
vale os 400 réis do seu custo; [...]
[...] o author fecha a introduçõa com as seguintes palavras: << Concluirei com dizer, que o meu
fim na publicação dos presentes elementos, foi o aproveitamento ( da minha bolsa ) dos meus
discipulos, e o seu adiantamento no mais curto espaço de tempo possivel.>>”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 5, p. 68; v. 8, p. 23.
COMENTÁRIO: “ [...] Teve por fim, segundo diz, facilitar mais aos seus discipulos o ensino,
abbreviando-o tanto quanto lhe foi possivel, e reduzindo-a a apenas dez lições, nas quaes incluiu
só o estrictamente indispensavel, por economia de tempo.”
SAURE, Jose Antonio Francisco. Arte de musica, dividida em tres partes. A primeira contem as
principaes regras de musica. Segunda, tanto de egreja como de theatro. Terceira de
acompanhamento. E finalmenteuma regra resumida de contraponto. extrahida (em
parte) dos melhores auctores, por J. A. F. Saure. Braga. 1851. 80 p.
I.F.SILVA (1859-1958), v. 4, p. 238-9.
COMENTÁRIO: “ Para instrucção dos alunnos da arte que professou.”

SILVA, Alberto Joseph Gomes da. Regras de acompanhar para cravo, ou Orgão. E ainda
tambem para qualquer outro instrumento de vozes, reduzidas a breve methodo, e facil
percepção. Dedicado a Sua Magestade Fidelissima D. Jose I. Que Deos o Guarde por [...].
Lisboa, Francisco Luiz Ameno, 1758. 4 f. inum., 47 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.167, 272-3.
COMENTÁRIO: “[...] de VIII-39 e Index, 2 pag. A 1ª parte tem 4 paginas de exemplos, a 2ª, 8
paginas estes exercicios não dão uma opinião favorável do gosto e saber e do seu author.
[...] A obra mesmo, não é mais que um resumo de regras e preceitos elementares, sem
pretenções a compendio ou livro de doutrina.
(a) Não é Arte de musica como diz I. da Silva, Dicc. Bibl., vol I, pag. 24”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 109.
COMENTÁRIO: “ [...] são escassos os manuais teóricos portugueses deste periódo que ensinam a
sua realização [do baixo contínuo]. Entre eles destacam-se as Regras de acompanhar para
cravo, ou órgão, e ainda também para qualquer outro instrumento de vozes, reduzidas a breve
méthodo, e facil percepção (1768), de Alberto José Gomes da Silva, um pequeno tratado de
natureza meramente introdutória,[...].”
M.R.PEQUENO(1954), p. 8.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 294.
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e “xerox” na Biblioteca Paulo
Castagna
SILVA, Alberto Joseph Gomes da. Arte ou Principios da Musica. Lisboa.1758
I.F.SILVA (1859-1958), v. 1, p. 24; v. 8, p. 23.
COMENTÁRIO: “ Deve ser rara esta obra, porque ainda não a vi, nem tenho d’ella outra noticia
maisque achal-a citado por F. Solano em um de seus Tratados.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 71

SILVA, Francisco Manuel da. COMPENDIO / DE / MUSICA PRATICA / DEDICADA / AOS /


AMADORES , E ARTISTAS BRASILEIROS / EM 1832 / POR / FRANCISCO MANUEL
DA SILVA. / RIO DE JANEIRO. / NA TYPOGRAPHIA NACIONAL, 1832.
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 223.
COMENTÁRIO: “ [...] obra célebre, pela qual, até hoje , instruiram-se gerações de musicistas
brasileiros. Tem numerosas edições.
[...]
------- Rio de Janeiro, estabelecimento Musical de Rocha & Corrêa, 1838. 10 p.
Existem, em vários editôres, ( E, Bevilacqua, F. Alves, etc. ), outras edições dêsse compêndio,
escrito pelo autor do Hino Nacional brasileiro. Algumas trazem o título acima, ou de
Compêndio de música, e, ainda outras, o de Artinha, sem maiores alterações além do acréscimo
de alguns exemplos musicais ao seu conteúdo primitivo, que se limita a breves noções de teoria
musical.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 294.
EMB(1977), v. 2, p. 707.
SILVA, Francisco Manuel da. Compendio de princípio elementares de música para o uso do
Conservatório do Rio de Janeiro, por Francisco Manuel da Silva. Rio de Janeiro,
Sucessores de P. Laforge. 1848. 8.°. 10 p.
EMB(1977), v. 2, p. 707.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 294, 309.
COMENTÁRIO: “ First edition, 1848, the same year as his Methdo de Solfejo”
R.ALMEIDA(1942), p. 347.
COMENTÁRIO: “Os seus trabalhos pedagógicos [de Francisco manuel da Silva]: Compêndio de
Música, para uso dos alunos do Colégio Pedro II (artinha); Compêndio de Princípios
Elementares de Música, para uso do Conservatório do Rio de Janeiro e Lições Elementares de
Solfêjo tiveram larga divulgação e foram de irrecusável utilidade.”
SILVA, Francisco Manuel da. COMPENDIO / DE / MUSICA / QUE A. S. I. M. / O SR. D.
PEDRO II. / Imperador Constitucional e Defensor / Perpetuo do Imperio do Brasil /
OFFERECE / Para o uso dos Alumnos do Imperial Collegio “D. PEDRO II.” O muito
Reverendo Subdito / Francisco Manuel da Silva. São Paulo, Off. Graph. Mus. Mignon, s.d.
[Rio, 1 de junho de 1838.] 11p.
A.V.A.S. BLAKE (1883-1902), v. 3, p. 38.
COMENTÁRIO: “ Há varias edições deste livro, sendo uma de 1882, in-8.°.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 9, p. 337.
L. H. C. AZEVEDO(1952), K, p. 223.
COMENTÁRIO: “ É uma ampliação do Compêndio acima citado [ Compêndio De Musica Pratica]
do mesmo autor. (K 84). Mencionado por Sacramento Blake no “ Diccionario Bibliographico
Brazileiro”, Rio de Janeiro, Imp. Nacional, 1895. III vol., p.38. ”
O.C.FERREIRA-IL(1994), p. 60.
COMENTÁRIO: “A publicação deste best-seller motivou a seguimte declaração de Laforge, de
duplo interesse histórico, em anuncio no Jornal de 28 de Julho desse ano [1838]: ‘ O Sr.
Francisco Manuel da Silva, tendo concedido licença para a dita obra ser também vendida ao
público, negou-se a aceitar interesse algum na sua publicação; portanto cumpre ao impressor
agradecer um procedimento generoso que tem por fim não só animar a arte como auxiliar um
estabelecimento inteiramente novo no país, qual o de uma imprensa de música. ”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 72

Pequeno compêndio com principios elementares de música. Há uma dedicatoria a D. Pedro II.
Seguem-se textos e graficos sobre alturas e valores das notas, claves, fórmulas de compasso,
acidentes, ornamentos, sinais de expressão, tonalidades, andamentos e abreviaturas.”
EMB(1977), v. 2, p. 707.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 265.
COMENTÁRIO: “Also, the Rio National Library owns an early edition, without title page (first
three editions were dated 1838, 1853, 1857), of Silva’s Compendio de musica para uso dos
alunos do Colegio Pedro II. Another edition of this Colegio Pedro II Compendio was printed by
Rocha & Corrêa ca. 1864 (cpy in Rio National Library).”
R.ALMEIDA(1942), p. 347.
COMENTÁRIO: “ Os seus trabalhos pedagógicos [de Francisco manuel da Silva]: Compêndio de
Música, para uso dos alunos do Colégio Pedro II (artinha); Compêndio de Princípios
Elementares de Música, para uso do Conservatório do Rio de Janeiro e Lições Elementares de
Solfêjo tiveram larga divulgação e foram de irrecusável utilidade.”
SILVA, Francisco Manuel da. Método de Solfejo (1ª Parte). 1848.
EMB(1977), v. 2, p. 707.
COMENTÁRIO: “[...] publicou no ano sequinte [1848] o Compêndio de princípios elementares de
música, para o uso do do Conservatório de Música, e o Método de Solfejo(1ª Parte)”
R.ALMEIDA(1942), p. 347.
COMENTÁRIO: “Os seus trabalhos pedagógicos [de Francisco manuel da Silva]: Compêndio de
Música, para uso dos alunos do Colégio Pedro II (artinha); Compêndio de Princípios
Elementares de Música, para uso do Conservatório do Rio de Janeiro e Lições Elementares de
Solfêjo tiveram larga divulgação e foram de irrecusável utilidade.”
SILVA, Jose Teodoro Higino da. Arte de Musica ou breve tratado de musica-metrica, offerecido
à Nação Portugueza pelo seu author Jose Theodoro Higino da Silva, professor de
principios e preparatorio de Musica do Conservatorio Nacional de Lisboa. Lisboa, 1838, na
Typographia Carvalhense.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 121.
SILVA, Manuel Nunes da. ARTE / MINIMA / QUE COM SEMIBREVE PROLAÇAM / tratta
em tempo breve, os modos da Maxima, & Longa sciencia da musica, OFFERECIDA / A
SACRATISSIMA VIRGEM MARIA / Senhora Nossa, debaixo da Invocação da /
QUIETAÇAM, / CUJA IMAGEM ESTÁ EM A SANTA / Sé desta Cidade, / POR SEU
AUTHOR / O P. MANOEL NUNES DA SYLVA, / Mestre Cathedratico do Collegio de S.
Catharina do Illustrissimo Senhor Arcebispo, & do Coro da Paroquial Igreja de Santa /
Maria Magdalena, n qual foi baptizado. / LISBOA / Na Officina dE JOAM GALRAM/
M.DC.LXXXV. / Com todas as licenças.
I.F. SILVA (1859-1958), v. 6, p. 72, n.º 1143
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 326
COMENTÁRIO: “[...] Lisboa, por Joaõ Galraõ 1865 [sic]. 4. & ibi por Miguel Manescal 1704. 4.
Nesta obra naõ somente ensina os preceitos da Musica, mas diffusamente escreve as
excellencias desta armonica Faculdade em que mostra a vasta noticia que tinha da erudiçaõ, e
profana.”
R.V. NERY (1984), p. 220
Edições conhecidas: 2.ª ed., Lisboa, Miguel Manescal, 1704, 4.º, idêntica; 3.ª ed., Lisboa,
Miguel Manescal, 1725, 4.º, idêntica.
R. STEVENSON (1968), p. 2
J.A. ALEGRIA (1977), p. 37
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 73

COMENTÁRIO: “Paginado a 136, seguindo-se ao rosto 6 fls. inumeradas, com a dedicatória,


Preambulo ao Leytor, Indices, Licenças e Mão Aretina”
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.175-6 e 273.
COMENTÁRIO: “2ª edição: com o mesmo titulo. Lisboa. Na Officina de Miguel Manescal,
Impressor do Santo Officio, à custa de Antonio Pereyra, & Antonio Manescal, Anno de 1704, in
4.° de XII - 44 - 52 - 136 pag. e uma gravura ( a mão dos signaes ). Parece que o frontispicio
gravado não sahiu, senão na primeira edição.
3ª edição: idem. Lisboa Occidental. Na Officina de Antonio Manescal, Impressor do Santo
Officio, &. Livreiro de Sua Magestade, & a sua custa impresso. Anno de 1725, in 4.°. com a
mema paginação.
[...]
As tres edições são perfeitamente sem augmento nem diminuição de texto.
[...] Este titulo é um jogo de palavras sobre os nomes dos signaes da antiga notação; isto é: a
Minima, a Semibreve, a Longa, a Maxima, as prolações, os tempos e os modos. Tudo isto quer
dizer, que o livro ensinará em pouco tempo a arte da musica, que por si só é difficultosa e exige
longos estudos.
A obra está dividida em tres partes que correspondem á enumeração das paginas que acima
referimos. Primeiro encontramos uma Dedicatoria á Virgem, que brilha pela ingenuidade das
ideias, chamando-lhe Universidade de todas as sciencias, e dizendo outras amabilidades mais, e
um Preambulo ao leitor ( I - XII). A ordem das materias é: Resumo da Arte de Canto de Orgam
( 1 - 16 ), depois Compendio da Arte de Contraponto e Compostura ( 17 - 44 ), estas duas partes
tratam da solmização, da notação proporcional e dos primeiros elementos de contraponto. Um
tratado de cantochão ( Summa arte de Cantocham, I -52 ) e uma analyse succinta de todas as
partes da musica ( Tratado das explanações e Index do mesmo, 1 - 136 ) formam o resto do
volume.
Esta ultima parte contém tambem umas explicações muito curiosas, relativas á Historia da
Musica, que excedem, se é possivel, em ingenuidade e metaphysica musico-theologica as ideias
singulares do Preambulo. A obra foi concebida no espirito candido e milagroso do tempo.
Forkel, (b) fallando da Arte Minima, diz: << N’esta obra não só se ensinão os principios
fundamentais da musica, mas tambem n’ella demostra o author minuciosamente, a ligação que
existe entre a sciencia musical e os outros conhecimentos seculares e religiosos.>>
O sabio critico allemão, talves illudido por alguma informação parcial, foi benevolo em
demasia, porque a maneira que Nunes da Silva pretende demostrar a tal ligação, não pode ser
mais extravagante, Qualquer individuo se poderá convencer da verdade das nossas affirmações,
lendo só o 1° capitulo do Tratado das Explanações: = dos louvores da Musica e do modo que se
d’ella se deve usar =, e o seguinte:= Da invençõa da Musica e pessoas insignes que a
augmentarão e n’ella florescião = ( fol. 13 ).
Esta obra teve mais duas edições, em tudo conforme á primeira, menos nome do editor, que
differe.
(b) Forkel, Alleg. Lit. Der Musik, p. 289.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 23.
COMENTÁRIO: “ [...] no frontispicio da primeira edição da Arte minima, apresenta um desenho de
uma viola de oito cordas com as respectivas cravelhas.”
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 68.
COMENTÁRIO: “[...]. No âmbito da teoria musical depara-se nos um quadro de inegável
estagnação, em que as normas de contraponto quinhentista e sistema dos oito modos
gregorianos, tal como haviam sido expostos mais de uma vez em 1613 por Cerone, transitam de
uma forma quase imutável de tratado em tratado, independente da qualidade indiscutível de
alguns destes manuais, como é o caso da Arte Minima de Manuel Nunes da Silva, que, editada
em 1685, viria ainda a ter duas reedições, já em pleno século XVIII (1704, 1725).”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 5, p. 68; v. 16, p. 279.
COMENTÁRIO: “ [...] de XII-44-52-136 pag., com duas estampas, a saber: uma no frontispicio,
outra que representa a mão dos signaes e dos tons. Divide a obra em tres tratados ou partes, que
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 74

vem a ser: << Resumo da Arte de Canto de Orgão>> ---- << Summa arte de Cantochão>> ----<<
Tratado das explanações>>
Ha segunda edição, Lisboa, por Miguel Manescal 1704. 4.°, conforme em tudo à primeira,
menos no que diz respeito à estampa do frontispicio, que falta nos exemplares que tenho visto
da dita segunda edição.[...]
[...] terceira edição em 1725, por Antonio Manescal.”
COMENTÁRIO: “Natural de Lisboa e jesuíta, o próprio autor conta no Preámbulo de sua obra como
esta se originou: para facilitar a tarefa de seus alunos, escreveu um Resumo da Arte de Canto de
Órgão. Logo depois para os colegiais do Semanário em que lecionava, preparou uma Suma Arte
do Cantochão, não sem ressaltar o valor da obra de Thalesio que, diz ele, era de difícil obtenção.
Terminada a Suma, principiou o Tratado das Explanações, onde analisa mais detalhadamente as
as obras tratadas no Resumo. Só mais tarde é que organizou o Compêndio da Arte de
Contraponto. Estes 4 estudos, reunidos em um só volume, foram publicados pela primeira vez
em 1685, sob o título de ‘Arte Minima’...”
M.R.PEQUENO(1954), p. 9.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 295.
Obra disponível na Biblioteca Pública de Évora, Sala Nova: E. 48-C. 1, ena Biblioteca Nacional
do Rio de Janeiro.
SILVA, Manuel Nunes da. Arte minima que com semibreve prolac,am tratta em tempo breve,
os modos da maxima, & longa sciencia da musica [...] Lisboa, Officina de Miguel Manescal,
1704. 6 f. inum., 44, 52, 136 p.
Obra disponível na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (2.ª edição), na Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro (ed.?) e na Library of Congress, Washington (ed.?)
SILVA, Tristão da. Amables de Musica. MS
J.F. BARRETO, f. 943r
COMENTÁRIO: “[...] fez certos escritos dos amables da Musica; e os cita muytas vezes Francisco
Vellez de Guevara, cavalheiro fidalgo da Caza del Rey, no seu livro da realidade e experiencia
da Muzica, na lingua castelhana, dirigido ao Cardeal Infante Dom Henrique, depois Rey de
Portugal.”
F. CRUZ, p. 180
COMENTÁRIO: “[...] fes hum liuro M.S. theorico e pratico com ttº Amables de Musica fl. cujo
original está in Biblioteca Regia fes o dto liuro por mandado do dto Rey como elle dis no
Principio e q teue com elle arumentos na materia o dto Rey q sabia a theorica della”
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 765
COMENTÁRIO: “[...] O Original se conserva na Bibliotheca Real. He allegada esta obra por
Francisco Vellez de Guevara Cavalleiro Fidalgo da Casa delRey no seu livro intitulado De la
realidad, y experiencia de la Musica.”
R.V. NERY (1984), p. 221
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.177 e 274.
COMENTÁRIO: “ O original existia na Bibliotheca de D. João IV. Assim se perdeu uma das
primeiras producções da nossa litertura musical!
Francisco Vellez de Guevara citava esta obra no seu livro: De la realidad y experiencia de la
Musica.”
M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 44.
COMENTÁRIO: “ D. João IV diz no seu trabalho - Defensa de la Musica Moderna, que Tristão da
Silva escrevera Los amables de la musica por ordem do Rei de Portugal, D. Afonso V.
[...] Moreira de Sá, a ele se referindo ( Tristão da Siva ) diz que “ entre os músicos de D. Afonso
V havia um mestre de orgãos Tristão da Silva, provavelmente oriundo de Terragona e que
escreveu: Los amables de la musica, de que não existe nenhum exemplar.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 75

SILVESTRE, Gregorio. Arte de escrever por cifra.MS


J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.177 e 274.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 33.
COMENTÁRIO: “Igualmente desapareceram o manuscrito[...].”

SOLANO, Francisco Ignacio. NOVA INSTRUCÇÃO MUSICAL / OU / THEORICA


PRATICA DA / MUSICA RYTHMICAA, / COM A QUAL SE FORMA, E ORDENA
SOBRE / os mais solidos fundamentos hum Novo Methodo, e verdadeiro / Systema para
constituir hum intelligente solfista, e destrissimo / Cantor, nomeando as Nótas, ou Figuras
da Solfa pelos seus / mais proprios, e improprios nomes, a que chamamos or/dinarios, e
extraordinarios no Canto Natural, e Accidental, de que procede toda a difficuldade da
Musica, / OFFERECIDA / AO MUITO PODEROSO, E FIDELISSIMO REI / NOSSO
SENHOR / D. JOSÉ I. / Por seu Author / FRANCISCO IGNACIO SOLANO / LISBOA /
Na Officina de MIGUEL MANESCAL DA COSTA, / Impressor do Santo Officio. / Anno
CD.DCC.LXIV / Com todas as licenças necessarias.
J.A. ALEGRIA (1977), p. 37-38
COMENTÁRIO: “Paginado a 340 com 30 fls. inumeradas, das quais constam os pareceres dos
Mestres que então viviam em Lisboa. Tem anexo um “ADDITAMENTO / Ã NOVA
INSTRUCÇÃO MUSICAL, / EM QUE SE TRATA DOS ANTIGOS / preceitos da /
MUSICA, PAARA QUE O ESUDIOSO SOLFISTA / possa achar sómente neste livro
todas as Doutrinas mais / necessarias, a fim de se instruir, e fazer perfeitamente / Prático
naquelles precisos Documentos, de que ficava carecendo para a verdadeira, e / certa
intelligencia do / CANTO DE ESTANTE, / e de todo o mais genero de Musica, Aonde com
propriedade ainda hoje se encontrão as funda/mentaes Regras da / MUSICA ANTIGA. 47
págs. O exemplar pertenceu a D. Francisca Rita de Assis, filha do Çap.tam de Art.ª do Alg.ve,
Joaq.m José Alves de Brito, dois de Junho de mil oitocentos e seis’.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.184-5-6 e 274.
COMENTÁRIO: “ A este volume anda unido um Addiantamento á Nova Instrucção musical [
Additamento á Nova Instrucção musical, em que se trata dos antigos preceitos da Musica, para
que o estudioso solfista possa achar sómente n’este livro todas as Doutrinas mais necessarias,
a fim de instruir, e fazer perfeitamente Prático naquelles precisos Documentos, de que ficava
carecendo para a verdadeira, e certa intelligencia do Canto de Estante, E de todo o mais
genero de Musica, Aonde com propriedade ainda hoje se encontrão as fundamentaes Regras da
Musica Antiga, de II - 47 pag. Erratas, 1 pag. e um Mappa.], e que Solano trata das antigas
regras da musica e das doutrinas mais necessarias para a verdadeira intelligencia do canto de
estante etc.; consta de 47 pag., e traz no fim um mappa com signaes e indicação relativas aos
principios da musica que elle intitula : Epilogo enigmatico e indicativo do primeiro curso do
compendio summario, etc.
[...]
Se é facto que esta obra foi prejudicada pelas que appareceram depois, tanto nacionais como
estrangeiras; se hoje o livro tem apenas o merito historico e archeologico para com a Theoria da
Arte, é innegavel que prestou muitos serviços em seu tempo e que foi applaudido por artistas de
merito, portuguezes e estrangeiros. São testemunhas do que afirmamos as numerosas cartas que
precedem a Nova Instucção musical[...]
Todas as cartas tecem os maiores elogios á obra de Solano, recomendando-a como um livro util
e necessario, destinado a dar uma nova face ao methodo de ensino. Parece-nos tambem
impossivel, que todos aquelles homens, alguns dos quaes de reconhecido merito e talento, e
completamente independentes, fossem elogiar a una voce uma obra que demais, ia dar direcção
nova ao ensino e que por isso mesmo mais trabalho aos professores sem que ella tivesse, para a
epoca, um verdadeiro merito.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 76

Parece-nos que esta concordancia um indicio de que a obra prestou em seu tempo, bons e
valiosos seviços e por isso era julgada favoravelmente por professores e discipulos.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 392.
COMENTÁRIO: “ D’estes escriptos diz Rodirgo Ferreira da Costa no prologo dos seus Principios
de Musica, tomo I ---- << serem incomprehensiveis até aos professores, por indigestos, confusos,
e enunciados na linguagem da rançosa solfa das mutançãs: e como taes incapazes de servirem
de compendios para dirigir o estudo da mocidade, e as applicações dos curiosos, que desejam
penetrar os misterios da harmonia e contraponto.>> Este juizo com quanto menos favoravel ao
nosso compatriota, é talves mais verdadeiro que o apresentado seu respeitopelo auctorda
Mnemosine Lusitana, tomo II pag. 181, onde se lê: << que os escriptos de Solano mereceram e
ainda merecem(em 1817) um geral applauso dos professores.>>!”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 2, p. 51.
COMENTÁRIO: “Frei Francisco Ignácio Solano é, segundo Vieira ‘o nosso mais notável músico
didático’[E. Vieira, 1 c. p. 338.]. [...] escreveu uma Nova Instrucçaõ Musical, de interesse,
hoje, ‘puramente histórico.”
M.R.PEQUENO(1954), p. 9.
COMENTÁRIO: “[...] que trata, de forma bastante desenvolvida, do processo de solfejar por
mutanças, visando a ‘constituir intelligente solfista e destríssimo cantor’. ‘Completa-se esta
Instrução Musical com o Aditamento da Música Antiga, que trata resumidamente da notação
antiga, usada até aos princípios do século XVIII; a matéria é extraída da Arte Minima de Nunes
da Silva mas oferece a quem não possuir esta obra bastante rara e deseje conhecer o assunto’.
‘Esta obra de Solano’ diz Vieira, ‘tem hoje interesse puramente histórico, pois que o sistema
hexacordal atribuído a Guido d’Arezo e que deu origem às complicadas mutanças, desapareceu
a mais de um século; a referida obra foi de certo a última que tratou dele como matéria corrente.
Mesmo quando foi publicado já as mutanças estavam abandonadas en França, tendo-se ali
adotado a sétima nota --- si --- para completar a escala diatônica’.”
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 295.
Obra disponível na Biblioteca de José Eduardo Martins e na Biblioteca Pública de Évora, Sala
Nova: E. 48-C; e Sala de Leitura: E. 50-C. 5, e Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
SOLANO, Francisco Ignacio. Nova Arte e breve compendio de Musica para a lição dos
principiantes, extraida do livro que se intitula : Nova Instrucção musical, ou Theoria
practica da Musica rhytmica, dedicada ao Ill.mo e Exc.mo Snr Thomé Jose da Souza
Coutinho Castello-Branco e Menezes, etc., por seu amigo F.I.S. Lisboa, na Officina de
Miguel de Manescal da Costa, Impressor do Santo Officio, 1768, 4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.184 e 275.
COMENTÁRIO: “ Resumo da Nova Instrucçõs musical.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 9, p. 308.
B. DACIANO R. S. G.(1947), p. 123.
COMENTÁRIO: “Nova Arte, e breve compendio de Musica para a lição dos principiantes mais
purificada, e acrescentada nesta segunda edição. Offerecida ao M.to R.mo Sr. P.e Prez.do Fr.
Jose dos Anjos dignissimo mestre de Capella no conventosdos Eremitas de S. Paulo, desta
Corte. Por seu author Francisco Ignacio Solano. Lisboa, 1794.”
SOLANO, Francisco Ignacio. Novo tratado de Musica metrica, e rhytmica, o qual ensina a
acompanhar o Cravo, Orgão, ou qualquer Instrumento, em que se possão regular todas as
Especies, de que se compoë a Harmonia da mesma Musica. Demostra-se este assumpto
practica, e theoricamente, e tratão-se tambem algumas causas parciaes do Contraponto, e
da Composição, offerecido ao Serenissimo Senhor D. Jose Principe do Brazil, etc. Lisboa, Na
Regia Officina Typographica. Anno M.DCC.LXXIX, 4.°. 301 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.186 e 275.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 77

R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 109.


COMENTÁRIO: “ [...] são escassos os manuais teóricos portugueses deste periódo que ensinam a
sua realização [do baixo contínuo].[...], e especialmente o Novo tratado de Musica metrica, e
rhytmica, o qual ensina a acompanhar no Cravo, Orgão, ou qualquer Instrumento, em que se
possão regular todas as Especies, de que se compoë a Harmonia da mesma Musica (1779), de
Francisco Inácio Solano, o nosso mais influente teórico setecentista.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 392.
COMENTÁRIO: “ D’estes escriptos diz Rodirgo Ferreira da Costa no prologo dos seus Principios
de Musica, tomo I ---- << serem incomprehensiveis até aos professores, por indigestos, confusos,
e enunciados na linguagem da rançosa solfa das mutançãs: e como taes incapazes de servirem
de compendios para dirigir o estudo da mocidade, e as applicações dos curiosos, que desejam
penetrar os misterios da harmonia e contraponto.>> Este juizo com quanto menos favoravel ao
nosso compatriota, é talves mais verdadeiro que o apresentado seu respeitopelo auctorda
Mnemosine Lusitana, tomo II pag. 181, onde se lê: << que os escriptos de Solano mereceram e
ainda merecem(em 1817) um geral applauso dos professores.>>!”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 2, p. 51.
COMENTÁRIO: “Frei Francisco Ignácio Solano é, segundo Vieira ‘o nosso mais notável músico
didático’[E. Vieira, 1 c. p. 338.]. [...]. È autor de obra melhor, intitulada Novo Tratado de
Música Métrica e Rítmica (1779), ‘realmente bem feita’, que ‘oferece hoje bastante interesse
aos estudiosos’[E. Vieira, 1 c. p. 338.].”
M.R.PEQUENO(1954), p. 10.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 295.
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
SOLANO, Francisco Ignacio. Dissertação sobre o caracter, qualidades, e antiguidades da
Musica, em obsequio do admiravel mysterio da Immaculada Conceição Maria Santissima
Nossa Senhora, feita por, etc. e por elle recitada no dia 24 de novembro de 1779. para
effeito de abrir, e estabelecer nesta Corte huma aula de Musica Theorica, e Practica,
Offerecido ao Snr Capitão João Antonio de Azevedo, etc. Lisboa, Na Regia Officina
Typographica. Anno de M.DCC.LXXX, 4.°. 27 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 187 e 275.
COMENTÁRIO: “ Este discurso esta recheado das fabulas mais absurdas sobre o effeito da musica
antiga e moderna, e envolvido n’um veo obscuro de methaphysica intruncada, misturando-se
n’elle o mysticismo e a credulidade religiosa com as ideias materialistas do paganismo. O
author revela aqui, como nos seus outros livros, uma vasta erudição, mostrando-se conhecedor
das boas obras que então havia sobre a Arte; todavia esta vantagem não resgata a má impressão
de tanta cousa obscura e pueril.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 392.
COMENTÁRIO: “ D’estes escriptos diz Rodirgo Ferreira da Costa no prologo dos seus Principios
de Musica, tomo I ---- << serem incomprehensiveis até aos professores, por indigestos, confusos,
e enunciados na linguagem da rançosa solfa das mutançãs: e como taes incapazes de servirem
de compendios para dirigir o estudo da mocidade, e as applicações dos curiosos, que desejam
penetrar os misterios da harmonia e contraponto.>> Este juizo com quanto menos favoravel ao
nosso compatriota, é talves mais verdadeiro que o apresentado seu respeitopelo auctorda
Mnemosine Lusitana, tomo II pag. 181, onde se lê: << que os escriptos de Solano mereceram e
ainda merecem(em 1817) um geral applauso dos professores.>>!”
SOLANO, Francisco Ignacio. Exame instructivo sobre a Musica multiforme, metrica, e
rhytmica, No qual se pergunta, e da a resposta de muitas cousas interessantes para o
solfejo, Contraponto, e Composição: Seus termos privativos, Regras, e Preceitos, segundo
a melhor practica, e verdadeira Theorica, offerecido a Sua Alteza Real o Senhor D. João
Principe do Brazil, etc. Lisboa, Na Regia Officina Typographica. Anno M.DCC.XC, 8.°. 289
p.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 78

J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.186 - 187 e 276 - 277.


I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 392.
COMENTÁRIO: “ D’estes escriptos diz Rodirgo Ferreira da Costa no prologo dos seus Principios
de Musica, tomo I ---- << serem incomprehensiveis até aos professores, por indigestos, confusos,
e enunciados na linguagem da rançosa solfa das mutançãs: e como taes incapazes de servirem
de compendios para dirigir o estudo da mocidade, e as applicações dos curiosos, que desejam
penetrar os misterios da harmonia e contraponto.>> Este juizo com quanto menos favoravel ao
nosso compatriota, é talves mais verdadeiro que o apresentado seu respeitopelo auctorda
Mnemosine Lusitana, tomo II pag. 181, onde se lê: << que os escriptos de Solano mereceram e
ainda merecem(em 1817) um geral applauso dos professores.>>!”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 2, p. 51.
COMENTÁRIO: “Frei Francisco Ignácio Solano é, segundo Vieira ‘o nosso mais notável músico
didático’[E. Vieira, 1 c. p. 338.].”
SOLANO, Francisco Ignacio. Vindicios do tono. Exame das regras do canto eclesiatico. Lisboa.
Na Regia officina typographica, 1793, 4.°.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.187 e 276.
COMENTÁRIO: “ Este opusculo foi publicado com as iniciaes F. I. S. do Valle, e é uma refutação
de outra de Fr. Jose do Espirito-Santo Monte, intitulada: Vindicias do Tritono.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 392.
COMENTÁRIO: “ D’estes escriptos diz Rodirgo Ferreira da Costa no prologo dos seus Principios
de Musica, tomo I ---- << serem incomprehensiveis até aos professores, por indigestos, confusos,
e enunciados na linguagem da rançosa solfa das mutançãs: e como taes incapazes de servirem
de compendios para dirigir o estudo da mocidade, e as applicações dos curiosos, que desejam
penetrar os misterios da harmonia e contraponto.>> Este juizo com quanto menos favoravel ao
nosso compatriota, é talves mais verdadeiro que o apresentado seu respeitopelo auctorda
Mnemosine Lusitana, tomo II pag. 181, onde se lê: << que os escriptos de Solano mereceram e
ainda merecem(em 1817) um geral applauso dos professores.>>!”
THALESIO, Pedro. ARTE / DE CANTO CHÃO / COM HVMA BREVE / Instrucçaõ, pera os
Sacerdotes, Diaconos, / Subdiaconos, & moços do Coro / conforme o vso Romano. /
Composta, E ordenadapor o Mestre Pedro Thalesio, Cathedratico / de Musica na insigne
Vniuersidade de Coimbra. / Dirigida ao Illustrissimo, & Reuerendissimo Senhor Dõ
Affonso / Furtado de Mendoça, Bispo de Coimbra Conde de Arganil, / do Conselho de
Estado de Sua Magestade, &c. / EM COIMBRA, / Com licença da Sancta Inquisição, &
Ordinario / Na Impressão de Diogo Gomes Loureyro Anno 1618. [ 8 f. inum., 280 f. num. ]
J.F. BARRETO, f. 871v
to ça
COMENTÁRIO: “[...] dirigida a Dom An Furtado de M Bispo então de Coimbra, e ahi impressa
por Diogo Gomes de Loureiro, anno de 1628. em 4 em a qual prometeo tirar a luz outras obras
maiores como diz no fim do prologo.”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 232; (v. 2, 1743), p. 69-70
COMENTÁRIO: “[...] Coimbra 1617. 4. & ibi por Diogo Gomes do Loureiro 1628. 4. No cap. 13 e
23. desta obra promete a Arte de Canto de Orgaõ, a qual naõ shaio por naõ ter a Impressaõ de
Coimbra caracteres Musicos.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 251
J. MAZZA, v. 24, n.º 78, out. 1944, p. 154
COMENTÁRIO: “[...] cuja Arte se imprimio 2 vezes em Coimbra, huma no anno de 1617, e outra
no anno de 1628, tinha pronto huma Arte de Canto de orgão, a qual se não imprimio por não ter
a impreção de Coimbra, Caracteres Muzicos.”
COMENTÁRIO de J.A. ALEGRIA (nota 169 ao Dicionário de José Mazza, v. 25, n.º 84, abr. 1945
[suplementos], p. 98): “Pedro Talesio é hoje talento muito discutível, porque a sua famosa
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 79

‘Arte’ é apenas filha da eruditíssima e famosíssima obra de D. Pedro Cerone, El Melopeo y


Maestro (Sampayo Ribeiro, A Música em Coimbra, pág. 23).”
R.V. NERY (1984), p. 59, 83
R. STEVENSON (1968), p. 17
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.195-6 e 277.
COMENTÁRIO: “ Obteve uma segunda edição:
. . . Agora nesta segunda impressão nouamente emendada, & aperfeiçoada pello mesmo Autor.
Dirigida ao Illustrissimo & Reuenrendissimo Senhor Dõ Affonso Furtado Mendonça, Arcebispo
de Lisboa & Gouernador d’este Reyno de Portugal; sendo Bispo de Coimbra, &c. Em Coimbra,
Na Impressão de Diogo Gomes Loureiro. Anno de 1628, in 4.°. de XII - 136 pag. impresso em
preto e vermelho; no frontispicio em côres, as armas do Bispo debaixo do barrete cardinalicio.
Thalesio tinha outros trabalhos em maõs que infelizmente não appareceram; a elles se refere a
seguinte passagem da sua Arte do Cantochão ( Dedicatoria ) << E como favor de V. S.
Illustrissima hirão saindo a luz outras obras de mais consideração, que trago em maõs.>>
O author repete esta promessa na pagina << Ao benevolo e pio Leitor: >> E se entender, que
d’este pequeno trabalho, lhes resulta utilidade á Republica; se me accrescentarà o animo, de
prosseguir cousas maiores, quer denomino, com o favor de Deus tirar a Luz. >>
Ainda no cap. I, pag. 1 da Arte; diz :<< Assi seguirey aqui os que me parecem mais necessarios
pera intelligencia do Cantochão; deixando de tratar do Canto, & Musica universal; de sua
origem e antiguidade; da sua deffiniçao & divisão; de seus effeitos, & utilidades; da diffferença
de , & Musico porq tudo faço menção larga noutro Cõpendio d’arte do Cãto de d’orgão,
cõtraponto, cõposição, & outras curiosidades da Musica que tenho entre mãos.>>
[...]
É para lastimar esta infelicidade, porque esses livros haviam da revelar quelidades talvez ainda
superiores á Arte do Cantochão; não podemos deixar de louvar esta ultima obra, que revela um
saber solido diremos até muita erudição e que esta escripta com bastante clareza, cousa em que
contrasta com muitas obras theoricas d’esta tempo, tanto nacionaes, como estrangeiras em que
ora uma erudição mal digerida, ora uma falta de critica e ou de methodo, enredava a sciencia
n’um labyrintho de theorias, sem principio nem fim.
Pedro Thalesio mostra estar ao facto de tudo o que se sabia no seu tempo, citando e
aproveitando o que se tinha escripto então, de melhor em Portugal e no estrangeiro.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 7, p. 09.
COMENTÁRIO: “ Sahiu novamente, nesta segunda impressam nouamente emendada e
aperfeiçoada pello mesmo auctor. Dirigida ao ill.mo e Reuerendissimo Senhor D. Afonso
Furtado de Mendoça, Arcebispo de Lisboa, etc. Coimbra, por Diogo Gomes Loureiro1628. 4.°
de XII - 136 pag.
São raros os exemplares d’esta obra.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol. 8, p. 153; ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
COMENTÁRIO: “[...] Publicou o compêndio Arte de Cantochão com uma breve Instrucção para
os Sacerdotes, Diaconos, Subdiaconos, & moços do Côro, conforme ao uso Romano”.
M.R.PEQUENO(1954), p. 10-1.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 296.
COMENTÁRIO: “The Rio National Library also owns the second edition (1628). Abrahão de
Carvalho sold the library the 1618 edition (XVII-3, 28, O.R.). the 1628 (XVII-3, 29) came over
with Portuguese court and is stamped: da Rehia Biblioteca. That Thalesio did make good his
promise (Agora nesta segunda impressão nouamente emendada, & aperfeiçoada pello mesmo
Autor) can be proved by comparing pages 55 ( quinto change to settimo, seventh line from
(bottom), 56 (baritone clef changed to bass clef, clef of Terceiro corrected from tenor to
baritone, 57 (margins), 69 (page number), the initium of the Salve Regina, 80 (registering or
flats).
NOTA 1 : A citada edição de 1617 não deve passar de um engano quanto às datas que constam no
tratado: a do prefácio do autor de “22. de nouëmbro de 617. Dia de Santa Clara”, e a que
consta no frontispicio: " Na Impressão de Diogo Gomes Loureyro Anno 1618”.
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 80

NOTA 2 :
Uma descrição da obra pode ser encontrada em: SINZIG, P. Uma raridade bibliografica.
A primeira edição da “Arte de Cantochão” de Pedro Thalesio. Boletim Latino-Americano de
Música. INSTITUTO INTERAMERICANO DE MUSICOLOGIA. 1946. v. IV, p. 113-7.
Obra disponível na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

THALESIO, Pedro. Cõmpendio d’arte do Cãto d’orgão, cõntraponto, cõposição e outras


curiosidades da Musica. MS.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.195-6, 277.
COMENTÁRIO: “ Ainda no cap. I, pag. 1 da Arte [Arte de Canto chão]; diz :<< Assi seguirey aqui
os que me parecem mais necessarios pera intelligencia do Cantochão; deixando de tratar do
Canto, & Musica universal; de sua origem e antiguidade; da sua deffiniçao & divisão; de seus
effeitos, & utilidades; da diffferença de , & Musico porq tudo faço menção larga noutro
Cõpendio d’arte do Cãto de d’orgão, cõtraponto, cõposição, & outras curiosidades da Musica
que tenho entre mãos.>>”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XI, vol.8, p. 153.
COMENTÁRIO: “ A livraria de D. João IV enumera como manuscrito n.° 515.”
M.R.PEQUENO(1954), p. 11.
VALHADOLID, Francisco de. Preceitos de Música assim prática, que especulativa. MS, antes
1700.
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 365
COMENTÁRIO: “[...] Compos Missas a 6 vozes, a 8 a 14 e a 16 e hum Livro de preceitos de
Muzica assim pratica, que especulativa, cuja publicação embaraçou a sua morte que foi em
1700.”
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p.229 e 277.
COMENTÁRIO: “ A morte surprehendeu-o no meio do trabalho e impediu-o de publicar.”

VARELLA, Domingos de S. José. Compendio de Musica, theorica, e pratica, que contém breve
intrucção para tirar musica. Liçoens de acompanhamento em Orgão, Cravo, Guitarra, ou
qualquer outro intrumento em que se pode obter harmonia. Medidas para dividir os
braços das Violas, Guitarrras, &c. e para a canaria do Orgão. Appendiz em que se
declarão os melhores methodos d’affinar o Orgão, Cravo, &c.. Modo de tirar os sons
harmonicos, ou flautados, com varias e novas experiencias interessantes ao Contraponto,
Composição, e a Physica. Porto: na Typ. de Antonio Alvarez Ribeiro, Anno de M.DCCC.VI,
4.°. 104 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 230 e 278.
COMENTÁRIO: “ O Cardeal [ Saraiva ] acha que este livro contém observações e experiencias
muito curiosas sobre os phenomenos da harmonia, na aplicação de instrumentos, etc.
Balbi qualifica o livro de classique, e diz que Varella tinha outra obra pronta para impressão e
que era superior á primeira, segundo a opinião dos individuos que tinham dado as informações a
respeito deste musico.”
I.F.SILVA (1859-1958), v. 2, p. 190; v. 6, p. 76
COMENTÁRIO: “ Este livro na opinião do cardeal patriacha S. Luis, contem observações e
experiencias mui curiosas sobre os phenomenos da harmonia e sua applicação aos instrumentos
musicos. Contudo, não me consta que os professores da arte fizessem d’elle grande caso.
[...]
[...]Creio que existem pouquissimos exemplares d’esta obra [Nova Arte da Viola de Manuel da
Paixão Ribeiro], que com a Arte de Guitarra de Antonio Silva Leite (Diccionario, tomo I, n.° A,
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 81

1509) e a Arte de orgão, cravo e guitarra, etc. de Fr. Domingos de S. Varella( Diccionario,
tomo II, n.° D, 290) são as obras d’esta especie, que maior curso tiveram entre nós.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XIV, vol. 5, p. 144-5; ano XV, vol. 5 e 6, p. 92.
COMENTÁRIO: “ A primeira parte traz as explicações de costume, curtas e precisas: ‘18.
Sustenido, ou Diésis, faz subir meio ponto ao Signo: Sobre-sustenido, que se assigna com um
x, ou cruz, denota que naquele Signo ja havia Sustenido, e por isso se deve subir mais meio
ponto.
B mol faz descer meio ponto ao Signo; Sobre-bemol denota que naquele Signo já havia outro
b mol, e por tanto se deve descer mais meio ponto.’
A terminologia pouco difere da de hoje:
‘É erro chamar Tresquíaltera ao ponto 3 posto por cima de três figuras para denotar que são no
tempo de duas; pois na verdadeira teoria se dve cahmar de Sesquiáltera.
Apoio, Apoiatura, ou Appogiatura é (etc)...
Cadencia, Communia, Corona, Caldirão. --- Todos estes termos significam o mesmo...
Os conselhos são práticos:
25. Teclear é o mesmo que pulsar as Teclas. Dedilhar é o mesmo que mover os dedos no
instrumento. Alguns mestres proibem tocar Tecla acidental com o dedo polegar, executando em
oitavas; proíbem executar com o dedo mínimo por ter pouca força; ora o dedo anular é de sua
natureza o mais estúpido, e por consequência de cinco dedos só restam dois, ou três para executar a
Música se seguirmos semelhantes Mestres.
Do bom jogo dos dedos nasce toda a facilidade, que se pode obterainda na mais dificultosa
execução: por tanto em qualquer passo dificultoso se deve estudar, combinando muitas vezes os
dedosaté que se ache uma combinação mais fácil, ainda que vá o dedo polegar á Tecla acidental, e
se cometam erros na opinião dos Mestres vulgares...
Não os emitem aqueles Tocadores, que de porpósito fazem mudanças nos dedos, saltam com as
mãos, descomfiguram o corpo, bufam, e gemem, & c. a fim de mostrarem aos circunstantes pouco
entendidos, que a Música que executam é de suma dificuldade...
Os que gemem diante das dificuldades do baixo cifrado, se consolarão com esta observação de
Dom Domingos Varella:
38. É tal a variedade com que se costumam cifrar o Baixo contínuo, que mal se pode dar regra certa
nesta matéria. Uns cifram os Acordes ainda os mais compostos com uma só cifra; outros
aumntaram o seu número de tal sorte, que causam confusão...
40. No acompanhamento bem cifrado toda a Nota não cifrada se supõe levar terça e quinta
conforne o jogo do Tom.
Continuam conselhos claros, e vem um capítulo sobre o baixo contínuo naõ cifrado. A parte talvez
mais interessante é sobre o orgão, à qual nos referimos no respectivo capítulo.”
VELASCO, Nicolau Doizi de. Nuevo modo de cifra para taner la guitarra con variedad, y
perfecion, y se muestra ser instrumiento perfecto, y abundantissimo. Napoles, por Egidio
Longo, 1640. 4.
F. CRUZ, p. 178
COMENTÁRIO: “Niculau Doizi de Vellasco Portugues Musico da Camera de Phelippe 4 e de seu Irmão
o Infante Cardeal fes nueuo modo de Cifra pª taner la guitarra con uariedad e perfection y si muestra
ser instromento perfecto, y abundantissimo Napolles por Aegidio Longo 1640. 4º”
D.B. MACHADO (v. 3, 1752), p. 492
J. MAZZA, v. 24, n.º 78, out. 1944, p. 153
R.V. NERY (1984), p. 231
J. TYLER (1980), p. 128
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 232 e 278.
R. V. NERY, P. F. CASTRO(1991), p. 69.
COMENTÁRIO: “[...] músico de câmara de Filipe IV de Espanha, mas paradoxalmente esta obra de uma
importância evidente, que é uma das primeiras fontes ibéricas a discutirem pormenor a problemática
da realização do baixo contínuo, não foi ainda objecto de estudo musicológico.”
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 82

VELEZ, Francisco. Tratado sobre o cantochão de cinco cordas.


M. L. Q. A. SANTOS (1942), p. 45.
VIEIRA, Miguel José Luis Rodrigues. Indicador dos accordos de violão, tendo por fim adestrar em
mui pouco tempo a qualquer, ainda sem conhecimentos, no acompanhamento do canto e
instrumentos. Pernambuco: Typographia Imparcial da Viuva Rosa, 1851. 24 p.
R.STEVENSON(1970), Appendix b, RJ, pg. 295.
VILALVA, Antonio Rodrigues. Arte de canto chão. MS
J. MAZZA, v. 23, n.º 75, jul. 1944, p. 253
COMENTÁRIO: “[...] compos varias obras de Muzica, e huma Arte de canto chão onde tambem dá
regras para o contraponto”.
VILHENA, Diogo Dias de. Arte de Canto chaõ para principiantes. MS 4.
F. CRUZ, p. 169
COMENTÁRIO: “[...] vi sua Arte de Cantochão pª principiantes M.S. 4 in eadem Biblioteca [Real
da Música, de D. João IV]”
D.B. MACHADO (v. 1, 1741), p. 650
COMENTÁRIO: “[...] Conserva-se na Bibliotheca Real da Musica com outras suas Obras.”
J. MAZZA, v. 23, n.º 76, ago. 1944, p. 361
COMENTÁRIO: “[...] tem huma Arte de Canto chão para principiantes onde prometia outra de
contraponto.”
R.V. NERY (1984), p. 234
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 237 e 278.
COMENTÁRIO: “ Existia na Bibliotheca real de D. João IV.”
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
VILLA-LOBOS, Mathias de Sousa. Arte de cantochão offerecida ao illustrissimo, e
reverendissimo Senhor Dom Ioam De Mello, Bispo de Coimbra, Conde de Arganil, etc.
Coimbra, Manoel Rodrigues de Almeyda, 1688. 7 f. inum., 214 p.
J. VASCONCELOS (1870), v. 2, p. 237-8.
I.F. SILVA (1859-1958), v. 6, p. 161-162, n.º 1516
D.B. MACHADO (1752), v. 3, p. 455
COMENTÁRIO: “[...] Offerecida ao Illustrissimo e Reverendissimo Senhor D. João de Mello Bispo
de Coimbra, Conde de Arganil, Senhor de Coja do Conselho de S. Magestade.”
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 32
R.V. NERY (1984), p. 232-233
I.F.SILVA (1859-1958), v. 6, p. 161-2.
MSSINZIG(1951 - 1955), ano XII, vol. 5 e 6, p. 106; ano XV, vol 7 e 8, p. 118.
COMENTÁRIO: “ ‘muito bem feita e desenvolvida; nella se encontram interessantes noticias sobre a
música antiga, extrahida das obrea de Zarlino, Cerone, Bermudo e outros escriptores didacticos
dos seculos XVI e XVII, alem dos antigos auctores gregos e latinos, que Villa-lobos ita com
frequencia’[E. Vieira, 1.c. p. 402 a 404].”
Obra disponível na Library of Congress, Washington e cópia “xerox” na Biblioteca Paulo
Castagna
VILLA-LOBOS, Mathias de Sousa. Preceitos de música e regras de contraponto. MS.
J. MAZZA, v. 24, n.º 77, set. 1944, p. 30
Fernando Pereira Binder - Teoria Musical luso-brasilerira 1530-1850 - Tratados identificados 83

COMENTÁRIO: “[...] tinha pronto p.ª dar a impreçãao hum livro de preceitos de Muzica, e regras
de contraponto.”
84

2.2 ESTUDO DE DOIS TRATADOS MUSICAIS PORTUGUESES

2.2.1 INTRODUÇÃO

O texto que se segue é o estudo dos tratados portugueses selecionados. Para este estudo,
resolvemos agrupar o que existe de semelhante entre eles: as regras concernentes à realização do
baixo cifrado. Assim divididimos o texto em três partes: primeiramente o estudo do Tratado da
Cantoria e do Tratado de Contraponto, dois capítulos do Compendio Musico ou Arte Abreviada,
de Manuel de Moraes Pedroso (Coimbra, 1751) e, em seguida, o Tratado do Acompanhamento,
dessa mesma obra, juntamente com as Regras de acompanhar para cravo ou orgão, de Alberto
José Gomes da Silva (Lisboa, 1758). Esse estudo completa-se com as notas de rodapé inseridas nos
dois tratados, nos quais procuramos esclarecer particularidades de cada obra.

2.2.2 O TRATADO DA CANTORIA (de Manuel de Moraes Pedroso)

Neste capítulo, Moraes Pedroso expõe os princípios elementares da música. texto é dividido
em dois capítulos: Cap. I - Em que trata dos signos da Música e Cap. II - Em que se trata dos
signaes da Música.
O primerio capítulo é dividido em quatro regras, que se dedicam à exposição das notas, e sua
ordenação através do sistema de hexacordes guidonianos, suas deduções e mutanças:

“Os signos saõ sete, a saber = Gsolreut, Alamiré, Bfabmi, Csolfaut, Dlasolré, Elami,
Ffaut. Estes sette signos se repetem tres, ou mais vezes pelas juntas da maõ esquerda”.

No segundo capítulo Moraes Pedroso elenca os sinais musicais em dezenove regras:

“Os signaes, de que mais se ordinariamente se uza na Musica, saõ os seguintes: Linhas,
Espaços, Claves, Tempos, Figuras, Pauzas, Pontinho, Sustenido, Bmol, Bquadro, Effes,
Canon, Caldeiraõ, Repetição, Guiaõ, Clauzula immediata, Clauzula final, Apojo,
Travessaõ, hum 3, e hum 6, huma Maxima com muitas sillabas de letra em hum só
ponto, hum Mostrador.”

Dentre os sinais citados pelo autor, alguns merecem explicação, pois tiveram seus nomes e
seus usos alterados com o decorrrer do tempo, ou já não se usam mais, como é o caso do guião. Na
Regra XI, p. 8, ele descreve o caldeirão: “Caldeiraõ serve para fazer parar o compasso na figura que
estiver debaixo delle [...]”, aqui correspondendo à fermata. O caldeirão também poderia ser uma
ligadura: “[...] e tambem serve para atar duas figuras, que estejaõ no mesmo signo: alem disso serve
para mostrar, que nas figuras em que elle estiver posto so na primeira se mete letra, e entaõ naõ terá
dentro o Pontinho: assinasse deste modo. .”
Moraes Pedrosos nos fornece algumas informações sobre a execução dos ornamentos da
época:
Fernando Pereira Binder - Teoria musical luso-brasilerira 1530-1850 - Estudo de dois tratados musicais 85

“Caldeiraõ serve para fazer parar o compasso na figura que estiver debaixo delle em
quanto o cantor ou instrumento quizer fazer alguma passage, ou trinado, e entaõ deve ter
hum Pontinho dentro; [...]”

A execução das appogiaturas da época é descrita na Regra XV, p. 9:

“Apojo he huma figura, duas, ou mais, as quaestem a mesma forma que as Figuras
principaes mas saõ mais piquenas: daõ-se estes cõ o valordas Figuras a que se assemelhaõ:
porém o valor se tira da Figura que se poem diante dos taes Apojos; e o mais ordinario vem
a ser que quando he hü Apojo sómente, se lhe dá a metade do valor da Figura seguinte; e se
a Figura tiver hum Pontinho de aumentaçaõ, se há de dar o valor da figura a o Apojo, e a
figura fica somente com o valor do Pontinho: porém se houver mais de hum Apojo, se há
de tirar tanto para elles todos, como para hum só.”

Na Adverencia Necessaria I, p. 11, nos fala sobre o uso de trinado:

“[..] quando se deve fazer, que he no penultimo ponto de todas as Cadencias, e tambem
quando vierem dous pontos no mesmo signo em differentes partes do compasso, no
segundo se deve fazer, e tambem se fará havendo figuras de grãde valor, mas nestas naõ se
costuma fazer no principio; mas devesse cantar a primeira parte da figura sem o Trinado, e
as mais partes com elle.”

Na Advetencia II, p. 11, na tentativa de descrever o Mordente, Moraes Pedroso acaba


descrevendo algo que seria mais um portamento:

“[...] se faz descendo com a vóz cinco pontos antes de dár a figura, que leva o tal
Mordente”.

2.2.3 TRATADO DO CONTRAPONTO (de Manuel de Moraes Pedroso)

No primeiro capítulo de seu tratado, Moraes Pedroso trata dos intervalos, denominado por ele
“especies”, e do uso das “especies consoantes” no contraponto.
A Regra I, p. 24, nomeia os intervalos, agrupando-os por oitavas. A Regra II, p. 24, qualifica
estes os intervalos como “consoantes” e “dissoantes”, com uma explicação bastante empírica sobre a
diferenciação das consonancias perfeitas e imperfeitas:

“As Perfeitas, he 5, e 8, chamaõ-se Perfeitas; porque em se augmentando, ou diminuindo


ficaõ Dissoantes. As Imperfeitas, he a 3, e 6, chamaõ-se Imperfeitas; porque ou se
augmetem, ou se diminuaõ sempre soaõ bem.”

Na Regra III, p. 25, a classificação dos tipos de movimento não diferencia os movimentos
diretos dos oblíquos, característica encontrada na obra de Nunes da Silva.8 O uso das consonâncias

8
SILVA, Manuel Nunes da. Arte minima que com semibreve prolac,am tratta em tempo breve, os modos da
maxima, & longa sciencia da musica [...] Lisboa, Officina de Miguel Manescal, 1704. 6 f. inum., 44, 52, 136 p.
Fernando Pereira Binder - Teoria musical luso-brasilerira 1530-1850 - Estudo de dois tratados musicais 86

perfeitas (Regra IV, p. 25) segue o modelo do contraponto tonal, embora a dissonância de sétima ainda
necessite preparação (“prevenção”), ligadura e resolução, esta última feita “descendo sempre hum, ou
meyo ponto a voz que faz a Ligadura”. As resoluções são as tradicionias: nas vozes superiores a 4ª
resolvendo na 3ª, e a 7ª resolvendo na 6ª; nas vozes inferiores a 2ª resolva na 3ª, como se depreende da
leitura da Regra V, nas p. 26 a 28.
O capítulo II tem o título: Em que se trata de Nota contranota. Nesta espécie, como é sabido,
os únicos intervalos permitidos são os consonantes e as figuras devem ter igual valor. No entanto, o
autor propõe um procedimento derivado da 1ª especie: o uso de intento9 formado só por consonâncias.
Na p. 29, Moraes Pedroso exemplifica os intentos possíveis nesta espécie, constituídos de sequências
de intervalos de 3.ª, 5.ª e 8.ª, ou 3.ª, 6.ª e 8.ª. Trata-se, portanto, de escrita imitativa, derivada do
contraponto nota contra nota.
Somente no Capítulo III o autor faz menção às dissonâncias usadas como notas de passagem,
ou seja, à 2.ª espécie. É aqui, no entanto, que Moraes Pedroso cita a “nota cambiada”. Para o autor,
“nota cambiada” é uma dissonância de passagem que ocorre na “primeira Figura de qualquer parte do
compasso”, definição diferente da tradiconal Cambiata,10 não se tratando portanto do mesmo
procedimento. Corroborando esta afirmação no final do Capítulo XI, pág. 40 encontramos: “naõ se
póde dár salto com especie Dissoante, sem ter as suas tres partes necessarias”. Quanto às bordaduras,
embora não as explicite, encontramos no exemplo do Cap. VIII, pág. 38, duas delas, ambas bordaduras
superiores.
O que se segue são quatro capítulos que tratam do mesmo assunto: a construção da Fuga. O
primeiro (Capítulo IV) distingue as três partes da fuga e como elas são classificadas de acordo com
suas partes. O Capítulo VII disserta sobre as modulações. Restringe-as aos tons vizinhos da tonalidade
usada na composição da fuga e seus relativos, além da tonalidade homônima do mesmo tom,
ressalvando que: “Em Solos e Areas, e cousas instrumentaes se uza [...] Modulaçaõ de 3 differente no
mesmo signo, v.g. andar por tom de Gsolreut com 3 [p 36] Mayor, e modular logo para o tom de
Gsolreut, com 3, Menor: mas nas Fugas de nenhum modo se podem uzar taes Modulaçoens”. No
capítulo seguinte encotramos a definição de imitação: “Imitaçaõ he huma resposta que dá huma Voz a
outra, a qual póde ser igual em Qualidade, e Quantidade , ou em Quantidade sómente”. A útlima
seção é dedicada à “Fuga Com Dous Passos”, ou seja, com dois sujeitos.
Os últimos três capítulos deste tratado de contraponto dedicam-se a atribuir numa escrita a mais
de duas vozes o que cabe a cada delas.

9
Ernesto Vieira no seu Diccionario musical dá a seguinte definição de intento: “s.m. des. O mesmo que thema ou motivo.”
VIEIRA, Ernesto. Diccionario musical: contendo Todos os termos technicos, com a etymologia da maior parte d’elles,
grande copia de vocabulos e locuções italianas, francezas, allemãs, latinas e gregas relativas à Arte Musical[...] 2.ª Edicção,
Lisboa, Typ. Lallemant, 1899. 11 p., 1 f. inum, 551 p., 1 p. inum.

10
“Nota Cambiata(It.) Fórmula melódica idiomática. A sua característica evidente consiste num salto de 3.ª a partir de uma
nota não essencial[...]” KENNEDY, Michael. Dicionário Oxford de Música. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1994, p.
501.
Fernando Pereira Binder - Teoria musical luso-brasilerira 1530-1850 - Estudo de dois tratados musicais 87

2.2.4 O TRATADO DO ACOMPANHAMENTO (de Manuel de Moraes Pedroso) E AS


REGRAS DE ACOMPANHAR (de Alberto José Gomes Da Silva)

Comparando-se os dois trabalhos, percebe-se a maior destreza, ou pelo menos cuidado na


realização do cifrado por parte de Alberto Joseph Gomes da Silva do que a verificada em Moraes
Pedroso. Não se trata apenas da abrangência das obras: nas Regras de Gomes da Silva, encontramos
um detalhamento não verificado na obra de seu compatriota.
Também observamos este fenômeno com relação aos acompanhamentos dados às “notas do
tom”, ou seja, os acordes montados sobre a escala maior ou menor: Gomes da Silva descreve dois
acordes que se podem formar sobre a segunda nota da escala: um II6/4 e outro II7, enquanto Moraes
Pedroso somente cita o primeiro. O mesmo acontece com o acorde formado sobre a quarta nota da
escala: Gomes da Silva oferece três alternativas de acompahamento, uma a mais que Moraes Pedroso.
Esta minúcia também ocorre em relação à classificação dos intervalos. Enquanto Gomes da
Silva distingue intervalos dissonantes em diminutos e supérfluos (aumentados), o autor do Compendio
Musico não distingue os intervalos “dissoantes”. O que se segue na primeira parte da Arte de
Acompanhar são as cadências e encadeamentos possíveis, utilizando-se os acordes consruídos a partir
da escala maior ou menor. A segunda parte trata do acompamhamento das dissonâncias, assunto
tratado no “Metodo de usar as especies dissoantes” e nas “Regras de Arbítrio” do Compendio Musico,
88

2.3 Três tratados musicais portugueses transcritos

2.3.1 O Compendio músico ou arte abreviada, de Manuel de Moraes Pedroso

2.3.2 Regras de acompanhar para cravo ou orgão, de Alberto José Gomes da


Silva

2.3.3 Nova Arte De Viola, de Manuel da Paixão Ribeiro

Você também pode gostar