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Copyright © 2021 LadyNight13

1ª edição | Criado no Brasil

Autora: LadyNight13
Revisão: Luana Souza
Diagramação: Luana Souza
Capa: Magnifique Design

TODOS OS DIREITOS SÃO RESERVADOS


ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. SEU OBJETIVO É ENTRETENIMENTO. NOMES,
PERSONAGENS, LOCAIS E ACONTECIMENTOS DESCRITOS SÃO DE IMAGINAÇÃO DA
ESCRITORA. QUALQUER SEMELHANÇA COM DATAS, NOMES, PERSONAGENS, LOCAIS E
ACONTECIMENTOS DESCRITOS É MERA COINCIDÊNCIA.
ESTA OBRA SEGUE AS NORMAS DE ORTOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA.
É MERAMENTE PROIBIDO O ARMAZENAMENTO E/OU REPRODUÇÃO DE
QUALQUER PARTE DA OBRA. A VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS É CRIME,
ESTABELECIDA PELA LEI Nº 9.610/98 E PUNIDA PELO ARTIGO 184 DO CÓDIGO PENAL.
PLÁGIO É CRIME. SEJA CRIATIVO!
SUMÁRIO
Sinopse
Prólogo
Capítulo 01
Capítulo 02
Capítulo 03
Capítulo 04
Capítulo 05
Capítulo 06
Capítulo 07
Capítulo 08
Capítulo 09
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Capítulo 28
Capítulo 29
Capítulo 30
Capítulo 31
Capítulo 32
Capítulo 33
Capítulo 34
Capítulo 35
Capítulo 36
Capítulo 37
Capítulo 38
Capítulo 39
Capítulo 40
Capítulo 41
Capítulo 42
Capítulo 43
Capítulo 44
Capítulo 45
Epílogo
Outros trabalhos meus na Amazon
SINOPSE
Angel Harley sobreviveu a muitas tempestades emocionais, mas nada a
preparou para a tempestuosidade que Nikky Andreon causará em sua vida. Ela, uma
jovem doce e espirituosa, fica impactada com a proposta de casamento do seu chefe
grego depois de uma chuvosa e tórrida noite de sexo entre os dois. Logo ele, que tem
um harém de belas mulheres a disputar um espaço na sua cama? E Angel é apenas sua
empregada atrapalhada que a aqueceu enquanto tentava fugir de um passado
tormentoso.
Nikky Andreon, que é um libertino desregrado e amante dos prazeres que um
bom sexo sem compromisso pode oferecer, tem sua liberdade posta à prova. Está
obcecado pela sua nova funcionária. E, após uma noite ardente, usará de todos os
métodos para a ter para si.
A atração sexual entre ambos é inegável, mas será que um casamento iniciado
como um acordo temporário e com prazo de validade poderá suportar os empecilhos e
descobertas que surgirem? Ou eles descobrirão algo maior, como o amor?
PRÓLOGO
ANGEL HARLEY

4 anos antes

Lágrimas grossas queimam os meus olhos e deslizam pelo meu rosto


sem que eu tenha controle algum de retê-las. A chuva torrencial que cai lá
fora combina perfeitamente com o meu estado emocional totalmente
devastado e caótico. Neste instante, sinto-me sem estrutura, percebendo os
pingos incessantes colidirem contra o vidro da janela e deslizarem
rapidamente. Tudo que almejo no momento é que esse temporal imprudente
possa levar toda a angústia e tristeza do meu peito, que faz eu me sentir
sufocada, junto à dor dilacerante.
O quarto está completamente na penumbra, com exceção dos
ininterruptos relâmpagos, que clareiam o ambiente. Recordo-me que quando
eu era criança, despertavam-me medo os sons dos trovões, e meus pais
sempre estavam comigo, para me acalentarem. Ao relembrar nossos
momentos felizes em família, sinto outra fisgada dolorosa em meu peito,
como se mil lascas de vidro o atravessassem, perfurando-o e o fazendo
sangrar até sucumbir.
Não acredito no quanto minha vida foi brutalmente modificada há cerca
de dois meses, quando recebi a pior notícia que uma adolescente de 17 anos
poderia receber na vida. Minha mente vagueia para aquele dia nefasto. Ainda
me lembro, com dissabor, das palavras frias e sem emoções do oficial de
justiça ao me comunicar que meus pais haviam sofrido um grave acidente em
uma viagem que faziam, em uma expedição ao Nepal. Mamãe e papai eram
donos de vários resorts espalhados ao redor do mundo, nutriam uma paixão
recíproca pela adrenalina e, constantemente, participavam de excursões
perigosas pelo planeta, escalando montanhas, praticando paraquedismo, entre
outros esportes que, só de imaginá-los, gela-me a espinha. Talvez, por esse
motivo, eu seja filha única.
No entanto, não tenho do que me queixar. William e Angelina Harley
foram os melhores pais que alguém poderia ter.
Meu peito queima, sufocando meu sentimento de impotência diante da
situação horrível em que me encontro. Eu devia ter ido com eles àquela
excursão. Desse modo, não estaria aqui e não teria que enfrentar o dilema em
que me encontro. Ainda albergava em mim uma pequena esperança de que
ambos estivessem bem, em algum lugar daquela montanha. Mas,
infelizmente, há cerca de duas semanas, a equipe de resgate deu por
encerradas as buscas e declarou, oficialmente, que não houve sobreviventes,
mesmo que não tivessem encontrado seus corpos.
Praticamente, perdi toda a minha família naquele fatídico acidente.
Como filha única, não tenho nem com quem dividir a minha imensa dor; com
exceção do meu tio Henrique. Mas algo me diz que a morte dos meus pais foi
indolor para ele, que era o braço direito do meu pai na administração dos
resorts. Quase tudo passava pela sua aprovação.
A nossa conversa de hoje à tarde me fez rever meus conceitos sobre
suas atitudes e sentimentos mesquinhos em relação à nossa família. Na
semana passada, na leitura oficial do testamento, ele foi declarado o meu
tutor legal até que eu complete a idade de 21 anos e possa assumir o comando
dos negócios da família. Ou, caso eu me case antes da data estipulada, o
controle passará para o meu marido.
Desde a leitura do testamento tenho sido prisioneira em minha própria
residência. Tio Henrique se mudou definitivamente para a mansão no
momento em que soube do infeliz incidente com meus pais e, a partir desse
momento, venho cumprindo várias restrições. Não posso sair de casa sozinha,
sem os “cães” de guarda dele em minha cola. No caso, os seus seguranças.
Também, minhas aulas passaram a ser administradas por dois professores
particulares aqui, na propriedade. Nem mesmo tenho permissão para receber
a visita de minha melhor amiga, Tiffany, e meus meios de comunicação
foram confiscados. Segundo o meu tio, tudo é para a minha proteção.
O nosso diálogo de hoje também me causou aversão. Ele estava no
escritório, quando me chamou para conversar sobre seus planos para mim.
Quando me recordo desse encontro, sinto a ânsia e a bile subirem pela minha
garganta. Nunca consentirei com o seu propósito sórdido e descabido. Nunca!
Seu rosto de ângulos duros e expressão diabólica me encarou de modo
minucioso. Estava tão à vontade na poltrona que outrora foi do meu pai, que
parecia pertencer àquele ambiente. Seus olhos escuros e curiosos me
analisavam de forma a observar todas as minhas reações.
Eaton, meu primo, estava sentado na poltrona da outra extremidade,
próximo à extensa mesa de carvalho. Com seu sorriso torto, de lábios finos e
repulsivos, escrutinou a mim com malícia, levando o meu corpo todo a
estremecer.

***

— Sente-se, sobrinha! — pediu ao perceber que eu me mantive sem


reação desde que adentrei o escritório.
Saio da inércia em que me encontrava, desviando o meu olhar de
Eaton, e o encaro.
— Não. Obrigada!
Ele apenas ergue uma sobrancelha, analisa a papelada que está em
cima da mesa e me questiona de maneira calculista:
— Está vendo estes papéis, querida?
Franzo as sobrancelhas, sem entender em que ponto ele quer chegar.
— É sobre o testamento?
Observo-o torcer a boca antes de me encarar novamente.
— Não especificamente. Mas, tem a ver. — Pega um papel. — Este
documento é um contrato de casamento.
Meu coração pulsa violentamente na minha caixa torácica.
— Contrato de casamento? — Olho de lado para Eaton, percebendo o
seu sorriso vitorioso.
Não estou gostando em nada, absolutamente, do rumo desta conversa.
— Sim. Como o seu tutor legal, decidi que se casará com meu filho,
Eaton. Assim, toda a fortuna ficará em família. Sabe perfeitamente bem que é
uma jovem bonita e que o mundo está cheio de larápios que, em breve, irão
rodeá-la, em busca da sua herança. Algo que não permitirei. Por isso,
selarei a aliança entre vocês.
Um choque de angústia e desespero inunda o meu ser.
— Eu... Eu... Ficou louco, tio Henrique?! — Ainda estou chocada com
sua colocação completamente descabida. — Eaton é meu primo. Não me
casarei com ele.
— Eu não pedi sua opinião, querida Angel. — Percebi um certo ar de
desdém na sua voz. — Além disso, não são primos de sangue, já que sou
adotado. Apenas estou lhe comunicando esse fato e como tudo se sucederá.
— falou, sendo cortante. — Não preciso do seu consentimento para nada.
Eu, como seu tutor legal, estou de acordo. — informou friamente, com sua
postura rígida.

***

O episódio reprisou novamente em minha mente, como se tivesse


gravado em ferro e fogo.
Depois desse breve diálogo, em que deixei clara a minha oposição
quanto ao acordo, meu tio permaneceu com seu conceito errôneo e astuto.
Em determinado momento, simplesmente surtei e, de forma impertinente,
caminhei até a mesa, peguei o tal contrato e o rasguei em várias partes,
jogando os pedaços na cara dele. Pude ver seu rosto vermelho e seus lábios
frisados, em pura raiva incontida. A partir desse instante, deixou de ser meu
tio e passou a ser somente um monstro para mim, pois, em meio à minha dor,
unicamente pensou em atrelar minha vida à do Eaton para não perder o poder
que detém de comando dos resorts.
Retorno à realidade, constatando que, por causa da minha pequena
afronta, ganhei um mês de castigo, sem poder sair do quarto. Ou melhor,
segundo Henrique, até que eu recupere meu juízo e aceite de bom grado o tal
acordo. Nunca estarei disposta a concordar com tal absurdo. Darei um jeito
de fugir daqui e fugirei da minha própria vida, mas não aceitarei o destino
que ele quer me impor.
Aperto entre meus dedos a pequena medalhinha em formato de
coração, onde há uma imagem cravejada da nossa família em um momento
feliz, no jardim. Essa lembrança me faz recordar de como minha vida está
destroçada agora. Só consigo sentir uma dor dilacerante dentro do peito e
fungo baixinho, lembrando-me do quanto nós éramos felizes. E, de repente,
tudo foi levado de mim, como em um nefasto vendaval. Se papai fosse vivo,
nunca apoiaria as atrocidades que meu tio quer me subjugar.
Ainda segurando a medalhinha, juro fervorosamente que não aceitarei
suas pretensões odiosas. Sinto as lágrimas salgadas retornarem com força e
deslizarem pelo meu rosto, dando vazão à minha completa dor. Choro...
Choro toda a angústia que carrego dentro do meu peito, que, neste momento,
quer transbordar a amargura que sinto. Lamento-me até esgotar as minhas
forças e caio em um sono sem sonho.

Acordo atordoada, em um sobressalto, sentindo um peso enorme sobre


o meu corpo e mãos odiosas me tocando sem minha permissão. A minha
mente vagueia entre o sono e a realidade.
Quando me dou conta de que não estou sonhando, percebo uma
silhueta indistinta e sinto uma mão repulsiva apalpar meus seios sem meu
consentimento. Um cheiro forte de whisky chega às minhas narinas. Tento
empurrar o peso de cima de mim, no entanto é como chumbo. Não consigo
sequer movê-lo.
— Está desperta, preciosa? — Após ouvir sua voz detestável,
comprovo que é Eaton. Seu hálito fétido de bebida sopra em meu rosto e seus
lábios buscam os meus.
Em uma ação rápida, eu me desvio dele e ele deposita um beijo
molhado e repulsivo na minha bochecha.
— O que está fazendo aqui, Eaton? — Tento me desprender do seu
domínio. Sem sucesso.
— Você me recusou como marido, preciosa, e eu vim cobrar o que é
meu por direito. — sussurrou ao meu ouvido.
Meu corpo inteiro se arrepia de aversão diante do seu contato e logo
sinto sua língua asquerosa lamber minha orelha, causando-me uma forte
náusea.
— Saia de cima de mim! Quem lhe deu autorização para invadir o meu
quarto? — perguntei, sendo cáustica e já estando completamente desperta.
Ele ri baixinho. O som do seu riso demoníaco chega a travar minha
coluna em um medo agonizante.
— Eu não necessito da autorização de ninguém. Você é minha agora.
— Nunca! Compreendeu? Nunca! — assegurei. — Saia imediatamente
de cima de mim! Ou gritarei tão alto, que toda a mansão acordará.
— Quem viria lhe salvar, preciosa? Meu pai? A velha Emma? Os
seguranças do meu pai? — enumerou as opções, começando a rir.
— Ah, Angel! Não vai facilitar? Tudo bem. Você escolhe. Eu bem que
queria do modo fácil, que você abrisse as pernas para mim de boa vontade.
Mas, se for uma menina impertinente e me fizer agir de modo insano, tenha a
ciência de que não hesitarei em escancará-las para me receber! Terei esse
imenso prazer. Sabe que, de qualquer maneira, para mim será extremamente
prazeroso. — sua pronúncia asquerosa refletiu luxúria.
Percebo que a chuva lá fora está amena, embora os clarões iluminem
todo o ambiente, dentro do quarto. Fixo meu olhar na figura repulsiva sobre
mim e posso constatar determinação nas suas feições sinistras, comprovando,
claramente, que ele cumprirá o que está prometendo em seus olhos cobiçosos.
Sinto algo sólido vir de encontro à minha barriga, e, mesmo com roupa,
constato que é a confirmação do seu desejo nojento por mim. Uma onda
colérica me atinge. Estou impactada. Como Eaton pode nutrir alguma atração
por mim? Eu apenas o via como um irmão.
— Você é muito linda. Sabia? — Passa levemente o nariz em meu
pescoço, causando-me uma sensação horripilante. — Sempre te desejei,
preciosa. Se não quer ser minha esposa, não terei outra opção a não ser te
fazer minha de outra forma. Desse modo, não poderá me recusar como seu
marido. Não sabe quantas fantasias obscenas já tive com esta sua boca
deliciosa me proporcionando prazer. — Segura meu queixo e passa um dedo
pelos meus lábios. Somente sinto nojo. — Sempre que você ia nadar na
piscina, com aqueles pedaços de pano, deixava-me de pau duro, com tanta
gostosura. Eu sempre tinha que me aliviar depois com alguma empregada ou,
então, bater uma no banheiro da mansão.
— Não seja degradante, Eaton! — exigi, com asco da sua pronúncia
detestável.
— Só estou dizendo a verdade. — Um sorriso asqueroso molda o seu
rosto na penumbra.
— É um ser extremamente nefasto e asqueroso. Tenho nojo de você,
Eaton. Nojo! Compreendeu? Como pode sentir desejo por mim? — Estou
completamente incrédula. — Fomos criados como irmãos. É doentio. Nunca
vou ser sua. Entendeu? Nunca!
Vejo seu rosto, mesmo na escuridão, fechar-se e chispar pura raiva.
Tenho certeza que deve estar vermelho que nem um vulcão prestes a explodir
a qualquer minuto. Ele poderia ser considerado bonito, com seu porte físico
invejável, cabelos loiros e lindos olhos castanhos, no entanto sua atitude só
me desperta desprezo.
— Vai ser minha. Compreendeu? É minha maldita obcecação desde
que começou a criar curvas deleitosas que deixariam qualquer homem louco.
Tio William já tinha notado meu interesse em você; por isso me proibiu de
frequentar a casa quando ele e a esposa não estivessem presentes. — Fico
chocada com sua confissão. — Mas, agora, eles não estão mais aqui. E, custe
o que custar, será minha esposa, porque a desejo, Angel; e o que eu quero, eu
tenho, de um jeito ou de outro. É minha preciosa; é somente minha. — disse
com possessividade.
— Nunca! — respondi veementemente, enchendo os meus pulmões de
ar.
Ele pode estar certo ao pensar que, talvez, não encontrarei ninguém
disposto a me ajudar aqui, nem com meus gritos de protestos resplandecendo
por todos os compartimentos. Contudo, não cederei facilmente. Eaton
somente me terá à força, mesmo que me fira e me mate por dentro com sua
atitude desprezível. Jamais estarei disposta a ir para a cama com ele e lutarei
contra essa realidade até meu último suspiro.
Antes que eu consiga meu intento, ele percebe minha intenção e tapa a
minha boca com sua mão abominável.
— Shiiiii! Você não foi uma boa menina, minha pequena preciosa. —
sussurrou de modo hediondo.
Uma de suas mãos miseráveis abafa meus sons de protestos e eu entro
em estado de aflição, sentindo a angústia tomar conta de mim, quando a outra
alisa a parte interna da minha coxa, subindo por dentro do shortinho do
pijama. Suas pernas tentam ficar entre as minhas a fim de obter maior contato
comigo.
— Minha gostosa! É somente minha.
Um aperto queima o meu peito e eu me sinto sufocada. Em meio ao
desespero, tento me manter sã e focar em algo que possa me dar alguma
esperança de escapar de ser violada por Eaton.
Agora ele introduz sua mão tenebrosa por dentro do meu short, e a
única barreira, a calcinha, torna-se frágil para o seu propósito monstruoso. A
minha racionalidade está prestes a se esvair e eu me torno uma vítima
próxima a um precipício.
De repente, um clarão no ambiente faz com que eu foque em um objeto
que poderá ser a minha luz no fim do túnel. Meu primo está tão focado em
tocar em meu corpo de maneira horrenda, que não se dá conta de quando
busco o que está em cima do criado-mudo: um globo de neve decorativo.
Lembro-me, com pesar, que ele me foi dado pelos meus pais após uma de
suas excursões às montanhas. Neste instante servirá como a minha salvação,
para me livrar do meu algoz. Seguro com firmeza a decoração em questão.
Quando Eaton faz um movimento com a mão para adentrar minha
calcinha e invadir minha intimidade, eu o golpeio fortemente na cabeça,
pegando-o completamente desprevenido. Ele apenas me olha, tentando
entender a situação, e logo depois o seu corpo cai como um peso morto em
cima do meu, totalmente inerte.
Empurro rapidamente o seu fardo grotesco de cima de mim e me
levanto da cama em um átimo, com o corpo ainda em completo estado de
tensão, sentindo toda a adrenalina do momento percorrer minhas veias. Ainda
com as mãos trêmulas, ligo o abajur e deposito em cima do criado-mudo o
pequeno globo que usei como defesa.
Observo a figura do homem que jaz em cima do colchão,
completamente imóvel, e percebo um pequeno corte em sua cabeça minando
sangue, o qual escorre pelo seu rosto. Um choque de angústia me atravessa e
fico apavorada. Meu Deus! Posso tê-lo matado? Todavia, logo me recordo da
monstruosidade que ele desejava fazer comigo e sinto a culpa se esvair
completamente.
Tento ordenar meus pensamentos e manter a lógica. Este não é o
momento de entrar em desespero. Tenho que fomentar um plano rápido.
Aproximo-me da cama e toco em seu pulso, que está com a pulsação
normal. Ou seja, em breve estará com uma enorme dor de cabeça e com ódio
de mim. Não quero nem imaginar o que ele e Henrique poderão fazer comigo
se me encontrarem aqui. De qualquer maneira, tenho que fugir. Não serei um
fantoche nas mãos desses dois usurpadores.
Se o vovô Thompson e a vovó Marta fossem vivos, com certeza
estariam devastados pela atitude insana que Henrique e Eaton
desencadearam.
Mando meus pensamentos incertos para longe, sigo em passos firmes
até meu closet e pego uma mochila à prova d’água que suporte os pingos da
chuva sem danificar meus pertences. Começo a colocar algumas roupas
dentro dela, a minha cópia do testamento e alguns itens pessoais. Com uma
chave que guardo dentro de um livro, sigo até a outra extremidade do closet e
afasto um pequeno espelho que camufla um estreito cofre secreto. Destravo
sua fechadura e pego alguns maços de dinheiro e algumas joias que não estão
com o restante, que é da família, no cofre principal. Recolho também meus
documentos pessoais. Infelizmente, meu passaporte está em posse de
Henrique.
Acomodo as notas em um bolso invisível da mochila. Não é tanto
dinheiro assim, mas me ajudará em meu novo recomeço até decidir o que
farei com minha vida. O que é certo é que, de modo algum, permitirei que
aquele homem obtenha êxito em seu propósito.
Troco de roupa o mais rápido possível, calço um tênis confortável e
pego, por último, um casaco com capuz e uma capa para me abrigar do frio e
dos pingos de chuva que caem do lado de fora. Antes de sair, certifico-me de
que Eaton permanece desacordado.
Abandonando o local, sigo em passos cautelosos pelo extenso corredor.
A casa está em um silêncio sepulcral e agradeço a Deus pelo fato do cômodo
que Henrique tomou posse, ficar na direção oposta ao meu quarto e longe o
suficiente para, de lá, não se ouvir nenhum ruído.
Desço a escada com precisão, tomando cuidado para não tropeçar, já
que está tudo escuro. Não quero arriscar pegar uma lanterna e ser flagrada
perambulando pelos corredores. Além do mais, conheço a casa como se eu
fosse um mapa.
Já estou do lado de fora e com um molho de chaves reservas na mão.
Tenho que agradecer à minha querida Emma depois. Sigo, ainda
cuidadosamente, pelo vasto jardim. Com sorte, os seguranças de Henrique
não estarão fazendo a ronda rotineira, devido à incessante chuva.
Apesar de estar bem agasalhada, o frio penetra em minha pele como se
eu estivesse em uma nevasca. O que não é um empecilho para que eu chegue
em meu destino. Permaneço firme em meu propósito.
Alcanço o denso portão sorrateiramente, comprovando que não há
vigilância nenhuma no local. Com pressa, empurro a chave correspondente à
fechadura e ouço o “clic” milagroso que representa a minha liberdade. Só não
irei fazer a dancinha da vitória, pois estou tão molhada que mal conseguiria
mover as pernas. Empurro o portão com alguma dificuldade, já que estou
fazendo o processo manualmente.
Finalmente, consigo sair, já sentindo o cheiro da chuva junto ao da
minha liberdade. Faço o mesmo processo contrário para fechar a entrada.
Então, de repente, o ressoar alto do alarme é disparado. Assusto-me com o
barulho, acabo largando o molho de chaves no chão e começo a correr até
sentir minhas pernas dormentes. O peso da chuva sobre mim dificulta ainda
mais o meu percurso.
Estou completamente desorientada, sem saber o que fazer, quando
observo um carro próximo a mim. Meu coração chega a tombar dentro do
peito assim que imagino serem os “cães” de guarda de Henrique na minha
cola ou até mesmo o próprio demônio.
Oh, Deus! Não me permita voltar para o meu cativeiro! — roguei em
uma oração.
Com o ânimo renovado, continuo minha corrida, quase sem fôlego. A
chuva, apesar de amena agora, açoita sobre mim sem piedade alguma. Por
conta dela, minha visão não está privilegiada, assim como por causa das
lágrimas prestes a me romperem. É quando percebo o carro preto parar um
pouco mais em minha frente, deixando-me totalmente perdida.
Estanco no mesmo lugar, não me importando com mais nada. Somente
sinto uma dor no peito por ter falhado miseravelmente em meu plano.
O vidro escuro se abaixa lentamente e eu solto um suspiro, aliviada, ao
observar a figura de uma senhora simpática surgir atrás da janela do veículo.
A iluminação não é das melhores, mas posso perceber as feições distintas da
senhora Adams. Ela mora na outra extremidade da cidade de Chicago. Não
sei o que pode estar fazendo por aqui, mas creio que foi uma provisão divina.
Já a conheço por ser uma cliente assídua dos resorts. É uma viúva gentil, tem
cerca de 50 anos e esbanja disposição e humor.
— Angel, querida! O que faz na rua uma hora desta? Ainda mais com
esse aguaceiro.
— Oh, senhora Adams! — Meu coração transborda alívio. — É uma
longa história.
— Entre no carro, querida! Quem sabe eu possa lhe ajudar? Sei que
tem passado por momentos terríveis desde que seus pais faleceram. Eu sinto
muito. — Apenas aceno com a cabeça enquanto entro na parte de trás do
veículo.
— Sinto muito também. Acho que vou estragar seu estofado. — Lanço-
a um sorriso amarelo.
— Não se preocupe! — sussurrou, ligando o aquecedor. — É melhor
dar um jeito de trocar estas roupas molhadas. Presumo que não deseja
retornar para a mansão, já que vinha daquela direção.
— Não! Por favor! Não retorne para lá! — pedi quase em uma súplica.
— Não se preocupe, querida! Irei lhe levar para a minha casa. Lá
veremos como posso te ajudar. Saiba que eu tinha grande apreço pelos seus
pais! Eles eram excelentes anfitriões em festas e muito animados de um jeito
único. — Ela relembra algumas ocasiões especiais enquanto coloca o
automóvel em movimento.
Fingindo escutar seus relatos das festas e inaugurações dos resorts, tiro
minha capa e observo ao redor se algum dos homens de Henrique está
surgindo pelo caminho. Oh, céus! Meu coração se tranquiliza quando
constato que não. Ou eles pensaram que foi um alarme falso, devido à chuva,
ou seguiram um caminho diferente.
Ao mesmo tempo em que o carro desliza suavemente pelo asfalto, juro
internamente, em um voto secreto, que tomarei o que é meu por direito e
expulsarei os dois impostores da minha casa. De alguma maneira retornarei.
CAPÍTULO 01
NIKKY ANDREON

Atualmente

A claridade penetra em minhas pálpebras, fazendo-me sair do estado de


sonolência em que me encontrava. Que inferno! Solto um palavrão diante do
que se passa ao meu redor. Devo ter me esquecido de ativar o fechamento
automático das cortinas quando cheguei de madrugada aqui, na minha
mansão, em Mykonos. Ou, melhor dizendo, quase pela manhã, pois os
primeiros raios de sol já estavam despontando no horizonte.
Com os olhos ainda cerrados, levo minhas mãos às têmporas,
massageando-as. Merda! Meu cérebro lateja incansavelmente, levando-me a
me recordar de que bebi demais na noite passada. No entanto, um sorriso
depravado se forma em meus lábios firmes assim que me lembro da minha
noitada com aquelas duas gostosas, no iate. Meu pau dá uma resposta
dolorosa devido ao meu pensamento estar nas duas safadas deliciosas para
caralho. Fizeram seus trabalhos com uma perícia peculiar.
— Nikky Andreon! — sua voz carregada de censura faz eu me lembrar
de quando ainda era um menino levado que fazia travessuras.
Giagiá (Vovó) Eleonor sempre foi uma vó muito coruja e amorosa que
me criou com todo o carinho, como se eu fosse um verdadeiro filho seu. A
nossa ligação sempre foi muito forte e eu faria de tudo por ela.
Sou fruto de um caso passageiro. Minha mãe, Antonella Andreon, era
filha única, uma grega excepcionalmente bela que seduzia e encantava os
pobres homens que cruzavam o seu caminho. Como resultado disso, acabou
caindo na lábia de um libertino italiano e foi abandonada quando ele soube
que ela estava grávida. É evidente que meu giagiá (avô) não recebeu bem a
notícia da sua gravidez e a quis expulsar de casa, pois na Grécia tal fato traria
repercussões negativas à nossa família, por ser uma das mais tradicionais e
conservadoras que existia no país. Porém, minha giagiá enfrentou a situação
e não permitiu tal feito. Só que, infelizmente, já era tarde demais para a
minha mãe. Depois do meu nascimento, ficou ainda mais devastada pela
perda do homem que ela considerava ser seu grande amor e foi sucumbindo
aos poucos de tristeza, até a morte.
Minha avó me confidenciou que Antonella não conseguia nem mesmo
me segurar nos braços, por eu ter herdado um traço característico do homem
que ela amava: os olhos azuis.
Minhas feições se contraem em puro escárnio assim que relembro outro
fato que sucedeu em minha vida alguns anos atrás: flagrei a traição da minha
ex-noiva, Sophia Barrilli, uma bela grega de sangue quente e sedutor. É óbvio
que eu não seria um tolo; não herdei os genes débeis de Antonella. Não
entreguei o meu coração a essa mulher sem escrúpulos e é evidente que o
nosso acordo somente era baseado em negócios. Entretanto, desde o
desastroso episódio em que a surpreendi com o amante, que, por
coincidência, era um dos meus maiores rivais no mercado de joias, o seu feito
me corrói. Era um dia de exposição das novas peças exclusivas e luxuosas
que estavam sendo lançadas na sede da Andreon Mávro Diamánti, que fica na
ilha de Mykonos. Vários bilionários e colecionadores estavam presentes no
evento. E, em um determinado momento, ao procurar um refúgio seguro dos
puxa-sacos de plantão, entrei em uma das salas da corporação e acabei
flagrando Sophia e o homem em uma situação constrangedora. Meu rival,
claro, saiu da sala com um sorriso de orelha a orelha, como um exímio
vencedor, apesar de ter perdido um contrato milionário recente com uma
fornecedora de matérias-primas.
Enquanto a puta da minha ex-noiva limpava dos lábios os últimos
resquícios da essência do amante e enxugava falsas lágrimas de meretriz
desolada, implorava para que eu não a expusesse na mídia. De alguma
maneira, seus lamentos sórdidos conseguiram me convencer. Deve ter sido a
primeira vez que agi como um cavalheiro com alguma mulher. Horas mais
tarde abandonei o evento sozinho e, no dia seguinte, enviei uma nota aos
principais jornais gregos, informando o rompimento do nosso noivado sem
dar maiores detalhes.
Nesse momento deixei de ser um jovem tolo e forjei meu coração,
blindando-o com aço contra a emoção sombria chamada amor. Nunca me
entregarei a esse sentimento inútil e jamais darei o gostinho à mulher
nenhuma de me ferir.
Minha feição se obscurece somente por eu pensar no que aquela
maldita grega fez comigo. Não porque albergava algum sentimento romântico
por ela, mas sim pelo simples fato da traição.
De imediato afasto essa memória tóxica para longe. A única pessoa que
amo genuinamente, sem restrição alguma, está bem diante de mim agora: a
minha giagiá.
Constato que o seu tom de voz ainda é de censura.
— Giagiá, feche as cortinas! Esta luz está quase me cegando e estou
com o cérebro quase explodindo de tanta dor. — resmunguei, piscando os
olhos com um pouco de dificuldade, pelo brilho que o sol traz ao cômodo.
— Talvez, se ontem à noite não tivesse excedido nas suas libertinagens
e safadezas, não estaria nesse estado. — recriminou-me.
Quando minhas retinas se acostumam à claridade do sol, percebo que
ela segura um periódico nas mãos. Seu semblante ainda está bastante
contrariado.
— Nikky, o que está fazendo com sua vida? Quer matar seu giagiá
Alexandre de desgosto? Não deixe que a amargura que lhe sucedeu no
passado, com Sophia, interfira em suas escolhas!
— Do que está falando, giagiá? — Não a compreendi, de fato.
— Estou me referindo à reportagem sórdida que está estampada em
todos os jornais nesta manhã. Vejamos o que diz a tal manchete! — Começa
a sussurrar a odiosa matéria em questão. — “Bilionário e herdeiro do império
de joias Andreon Mávro Diamánti foi, mais uma vez, flagrado em orgias, em
um dos seus luxuosos iates, no porto de Mykonos. Aparentemente, depois do
rompimento do noivado com a bela Sophia Barrilli, Nikky Andreon pretende
manter seu status de libertino e solteiro convicto. Será que é o fim da
linhagem Andreon?”
Merda! Contenho um grunhido de insatisfação. Por que hoje em dia
ainda existem impressos? Principalmente, em uma ilha remota.
— Não se preocupe, giagiá! Darei um jeito nessa reportagem
deplorável. — comuniquei resoluto, já sentindo uma torrente de ódio ferver
pelas minhas entranhas.
O maldito mexeriqueiro de plantão já está no olho da rua. Eu me
assegurarei desse fato.
— Ainda hoje não existirá nenhuma dessas matérias repugnantes em
jornal algum. — ressaltei de modo firme.
— Eu não me referi somente à manchete torpe.
Ao perceber o seu olhar triste e distante, algo se quebra dentro de mim.
Ela desvia os olhos para a janela, parecendo refletir algo, e depois se volta
para mim novamente com um semblante inquieto.
— Nikky, você já está na faixa dos 35 anos e é um excelente CEO das
corporações Andreon. Seu giagiá não podia tê-lo treinado melhor. Acredito
até mesmo que superou as expectativas dele. Ele pode não lhe demonstrar
isso, por ser um tanto fechado, mas eu o conheço bem. Sempre que vejo suas
conquistas, posso ver no olhar dele orgulho por tê-lo preparado tão bem, além
do brilho nos olhos por ver você conseguindo, por mérito próprio, elevar a
Andreon Mávro Diamánti ao cenário internacional. — Está emocionada. —
Mas creio que já tenha chegado o momento de assumir outra
responsabilidade.
Maldição! Creio que devo ter passado dos limites ontem à noite. Minha
avó mora em uma pequena ilha próxima com o meu avô. Depois que ele se
aposentou, eles preferiram ficar em um local recluso e isolado da sociedade,
aproveitando toda a calmaria que a natureza pode proporcioná-los.
Eu a encaro e posso notar sua aparência um tanto cansada pela idade e
alguns fios brancos salpicando sua vasta cabeleira, que outrora já foram
castanhos. Ela sempre demonstrou ser uma mulher forte e com um vigor
inabalável, apesar de já ter seus setenta e poucos anos.
— Ok. Mas, o que a senhora quis dizer quando se referiu a “assumir
outras responsabilidades”?
Seu olhar me escruta minuciosamente, como se quisesse descobrir algo.
Remexo-me, inquieto entre os lençóis da cama, prevendo que não gostarei do
que ouvirei a seguir.
Como ela não responde absolutamente nada, complemento:
— Prometo que na próxima vez serei mais discreto. Só não esperava
que tivesse algum abutre mexeriqueiro me monitorando no porto. —
resmunguei, passando as mãos pelos meus fartos cabelos castanhos,
deixando-os ainda mais desalinhados.
Ela se manifesta:
— Sabe o anseio que eu e seu giagiá albergamos de segurar e acalentar
um bisneto nos braços. Já estamos velhos, meu filho do coração, e
precisamos partir deste mundo sabendo que nossa linhagem continuará.
Meu coração se aperta no mesmo instante. Será que está acontecendo
algo que ignoro completamente?
— Há algo errado com a saúde do giagiá Alexandre? — Sinto um
travamento na garganta.
— Bem... Como deve saber, o coração dele já não é o mesmo de
antigamente. A última bateria de exames, indicou uma leve alteração. Ele não
pode sofrer nenhuma emoção forte. — explicou com um olhar vago de
tristeza.
— Inferno! — exclamei.
Como posso ter sido negligente a esse ponto? Levanto-me da cama em
um salto enquanto minha avó me fita dos pés à cabeça.
— Pelo menos, neste momento, está devidamente composto. E devo
agradecer aos céus porque o responsável pelas tais fotos ardilosas cobriu os
seus “atributos” e de suas “acompanhantes”. Se seu giagiá tivesse se
inteirado de tal conteúdo obsceno, não sei o que podia ter acontecido. Graças
a Theós (Deus), fui a primeira a ver e destacar a folha do periódico! Como ele
somente se interessa agora pela ala de pesca e lazer, nem deve ter percebido a
falta do conteúdo. — Estende-me o jornal.
Eu o pego de sua mão e, em seguida, fixo o olhar na tal matéria, que
traz uma extensa tarjeta cobrindo os meus “dotes” e os “atributos” das
minhas parceiras de foda. A notícia está estampada em letras garrafais.
Puta merda! Agora tenho a total compreensão do quanto fui
imprudente na noite passada. Não cometerei tal lapso novamente e tentarei
ser mais discreto. Não posso decepcionar as duas pessoas que me amam e me
deram seu amor incondicional como se dá a um filho. Juro fervorosamente.
Entrego-lhe a folha de volta, porém um pouco amassada.
— Perdão, giagiá! Prometo que o episódio da noite anterior não
ocorrerá de novo.
— Você não escutou nada do que lhe falei, Nikky? Não estou
especificando apenas a orgia de ontem. — A tristeza se mantém presente em
seus olhos castanhos. — Não resolve o problema se, depois dessa sórdida
matéria, você continuar mantendo seus casos em sigilo. Quando abrirá seu
coração para o amor? — Coloca o jornal sobre uma mesinha próxima e
retorna sua atenção a mim. — Quando permitirá que uma mulher floreie em
seu coração? Sophia não é a única do planeta e tenho certeza que, em algum
lugar da Grécia, existe uma moça em quem valerá a pena depositar o seu
amor. — finalizou com um tom meigo e cheio de esperança.
Rio ceticamente. Ela e sua ideologia filosófica sobre o amor. Já estou
cansado de ouvir suas citações poéticas a respeito de tal emoção. Realmente,
há quem acredite nesse sentimento, em um mundo tão profano? E, por que
pensa que eu nutria algum sentimento por Sophia? Não acredito nesse tipo de
sensação inexplicável. O que pode existir entre um homem e uma mulher
além da troca de prazer carnal? É algo do qual todos saem satisfeitos, com os
instintos básicos saciados e sem quaisquer cobranças. É muito mais prático
do que envolver sentimentos tolos.
— Não desdenhe de algo que não conhece de verdade, filho! Tenho
certeza que, em breve, encontrará a mulher ideal.
— Acho pouco provável. — falei com indiferença.
Ela me olha duramente, recriminando-me.
— Quero que me prometa que esta vida de libertinagem que você leva,
cessará, e que irá dar outra oportunidade ao amor!
Um esbouço sarcástico se forma no canto dos meus lábios, pois
considero ser quase improvável cumprir esse tipo de juramento. Não me
imagino ficando uma semana sequer sem comer uma boceta quente e
receptiva. Porra! Que homem aguentaria? Provavelmente, minhas bolas
ficariam azuis e meu pau cairia. Não irei virar nenhum eunuco. — pensei
resolutamente.
Quando encaro sua fisionomia, vejo perspicácia e censura.
— Esse é meu último pedido antes de abandonar este mundo. Quero
vê-lo casado e conhecer meus bisnetos antes de partir de uma vez. — Faz
uma expressão que sangra o meu coração.
— Não diga sandices, giagiá! Ainda irá viver por muitos anos. —
Aproximo-me dela, envolvo-a em um abraço apertado e deposito um beijo
em sua fonte.
Ela me retribui o abraço e diz:
— Não podemos prever, meu neto. A cada ano que passa, sinto mais o
peso da idade. Por essa razão, peço que realize o último desejo de uma velha
senhora. Quero segurar um bisneto nos braços, acalentá-lo e saber que
quando eu der meu último suspiro aqui, na terra, você estará feliz, com uma
boa esposa e com um filho. Desse modo, partirei feliz, sabendo que você,
meu único neto querido, continuará com a nossa linhagem. — Suas palavras
são como um golpe em cheio no meu coração.
Não posso lhe negar absolutamente nada, mesmo que tenha que fingir
concordar com seu pedido. De qualquer maneira, farei qualquer coisa para a
agradar e a ver feliz.
Ponderando a situação estarrecedora em que me encontro, noto que
estou entre a cruz e a espada. E, mesmo tendo a certeza da improbabilidade
de tal acontecimento, sentencio:
— Tudo bem, giagiá. Eu prometo... — minhas palavras saíram um
pouco instáveis. — Que aceitarei... os inúmeros convites sociais que tenho
declinado ultimamente... E tentarei encontrar uma mãe adequada para o seu
bisneto.
Já me imagino naqueles eventos tediosos onde cada sócio e anfitriã da
festa ficam jogando para cima de mim as suas filhas cabeças-oca e
exibicionistas que somente se preocupam com a beleza e se seus pares de
sapatos são da última estação. Provavelmente, não sabem quanto é dois mais
dois, porém são perspicazes para somar o quanto a fortuna e o status Andreon
podem acrescentar nas suas contas bancárias, além de elevar o prestígio das
suas famílias a outro patamar. Conheço as várias filhinhas de papai mimadas
que são gananciosas e loucas para me fisgarem. Sei que sou um peixe gordo
no mercado casamenteiro.
Que inferno! Parece que regredimos à era medieval. Só de vislumbrar
essas cenas, sinto o meu estômago embrulhar e a bile subir à garganta.
— Não foi o que sugeri. Não quero que se case com uma mulher
qualquer para me dar um bisneto. Não distorça minhas ideologias! Pedi
somente para deixar o seu coração livre para o amor. É um belo homem,
Nikky, e tenho certeza que logo encontrará aquela que te encantará. Aí verá
que um filho não será nenhuma obrigação. Você desejará que ela seja sua
única mulher; desejará ardentemente que ela seja a mãe dos seus filhos. Cada
batida do seu coração vai ser sincronizada com o dela e ambos terão sonhos
em comum que almejarão conquistar juntos. — sentenciou as palavras de
modo implacável como se fossem uma prece fervorosa. Contudo, foram
como uma carta de prisão para mim. — E, sobre a sua libertinagem... —
Engulo em seco, já receoso de ouvir sua próxima frase. — Terá que abrir
mão dela. — Eu a encaro completamente incrédulo. — Afinal, não se
consegue boas garotas mantendo o estilo de vida de um libertino. — Esbouça
um sorriso perspicaz em seus lábios frisados. — Quero que prometa que se
comportará e que tratará de arrumar uma boa esposa!
— Giagiá, sabe perfeitamente bem que está praticamente condenando
este pobre homem à forca.
— Bobagem! Você vai sobreviver. — Foi resoluta.
— E se eu não concordar? — Semicerro os olhos.
— Eu não deixei nossa pequena ilha de Meratizy para obter uma
resposta negativa. — Sorri com uma convicção impressionante que me
desarma inteiro por dentro.
Sem outra alternativa, acabo concordando. Meu coração não suportaria
vê-la decepcionada e ser o causador da sua desolação. Só espero estar
fazendo a melhor escolha. Se é que meu pau vai conseguir suportar alguns
dias de abstinência.
CAPÍTULO 02
ANGEL HARLEY

O vento gélido bate em meu rosto, fazendo com que eu me encolha


mais dentro do meu surrado casaco de lã. Ainda está cedo e o sol está
surgindo no horizonte, pintando a linda ilha que escolhi como lar: Mykonos.
Como vim parar em um lugar paradisíaco como esse, próximo ao mar Egeu?
É uma longa história. Já faz 4 anos que vivo entre as sombras, fugindo dos
meus algozes. Qual lugar seria mais seguro que uma ilha? Eles nunca
suspeitarão que estou tão longe dos seus alcances. Contudo, às vezes tenho
uma mania de perseguição, de achar que tem alguém me observando.
A senhora Adams me ajudou imensuravelmente naquela noite sombria
e me deu abrigo em sua casa. Em seguida, relatei toda a minha dor e angústia
para ela, que me compreendeu e me apoiou. Infelizmente, não era tão
influente quanto o meu tio, e apesar de ter boas condições financeiras, suas
posses não se comparavam à fortuna Harley. Tenho certeza que ele usaria sua
influência e manipularia até a corte dos Estados Unidos para se fazer de
vítima e me obrigar a me casar com Eaton. Desse modo, a fortuna ficaria
inteiramente nas suas mãos gananciosas, sem retorno.
A senhora Adams foi como um verdadeiro anjo. Ela me auxiliou em
minha viagem para a Grécia e a adquirir um passaporte e documentos falsos
para eu poder sair do país. Fiquei alguns dias em sua mansão, em Chicago,
quando o medo de ser descoberta era enorme. Só que nada sobre o meu
desaparecimento foi citado na mídia. Como meu tio é um velho astuto, é
claro que não exporia a situação na imprensa. Eaton, por sua vez, permaneceu
em perfeita saúde. Vi várias fotos dele em jornais, dias depois do ocorrido.
Espero que o golpe que dei na sua cabeça tenha o feito recobrar o juízo.
Graças ao bom Deus e à gentil mulher, fui acolhida e tive abrigo por
um breve período, antes de ela providenciar minha viagem para cá. Ela se
recordou de uma prima viúva que foi casada com um grego e que decidiu
permanecer no país com os filhos, continuando com o negócio da família: um
pequeno restaurante popular. A senhora Adams ligou para essa parente,
Rosemeire, e lhe pediu para me abrigar e dar um emprego a uma amiga. Algo
que ela aceitou sem demora.
Desde então, encontro-me aqui. Sou muito grata à hospitalidade que
recebi da senhora Madrakky. Sua filha Charlize é como uma autêntica irmã
para mim, em quem encontrei consolo em um momento muito difícil da
minha vida. Temos quase a mesma idade, sendo ela 3 anos mais nova do que
eu. Logo de cara nós nos demos bem. O que não aconteceu com a filha do
meio, Amélia, que parece que sempre me vê como uma oponente e não perde
a oportunidade de passar na minha cara que sou apenas um estorvo em sua
casa, uma empregadinha sem valor nenhum, como se refere a mim
constantemente. É claro que suas ofensas são discretas e particulares, nunca
na frente dos demais membros da família. Tive que aprender a driblar suas
indiretas, que hoje não me afetam mais. Criei uma couraça contra seus
ataques depreciativos. É óbvio, também, que não poderia me esquecer do seu
irmão, Anthony, que não cansa de me importunar com suas investidas
amorosas e cantadas baratas, embora eu nunca lhe dê falsas esperanças e
sempre deixe claro que meu coração está fechado para o amor. Ele nunca
passou dos limites comigo, apesar de, às vezes, cansar-me o seu jeito direto e
persuasivo. Independentemente do meu categórico “não” na ponta da língua,
é muito insistente. Dou graças a Deus porque recentemente arrumou uma
namorada. Tenho certeza que agora se cansará de me atazanar.
Depois da minha caminhada diária e revigorante, decido retornar para
casa, para mais um longo e extenuante dia de trabalho. Como estou com sede
e me esqueci de trazer minha garrafinha com água, compro uma com um
comerciante próximo e tomo um gole generoso do líquido revigorante.
Eu estava tão entretida nesse momento, que quando atravessava a
estreita rua, não me dei conta de um carro luxuoso vindo em alta velocidade.
No mesmo segundo, assustei-me com os sons incessantes da buzina.
Em um movimento repentino, acabo derramando a água diretamente
em minha blusa e, logo após, a garrafa cai em direção ao solo. Não dando
importância a isso, só sinto a adrenalina percorrer o meu organismo e fico
completamente sem reação, imóvel. Observo, como em câmera lenta, o
veículo preto se aproximar e penso que chegou o meu fim. Só fecho os olhos
e aguardo a pancada contra o meu corpo. Estou paralisada.
Imediatamente, escuto uma freada brusca e vários sons de imprecações
em grego dirigidas a mim. O dono da voz parece bastante furioso. Ainda
sinto o meu corpo tremer e só quero acordar desse pesadelo.
Mãos firmes sacodem os meus ombros e uma voz poderosa, com um
timbre marcante do qual nunca mais me esquecerei, entorna e vocifera:
— Você não ouviu o que eu disse? Que atitude estúpida foi esta de
ficar parada no meio da rua que nem uma parasita? Por acaso queria ser
atropelada, sua desastrada? E, por que permanece inerte?
— Eu... Eu... — Ainda estou tentando entender sua pronúncia. Sou
fluente em grego, mas como ele falou rápido demais, posso não ter o
compreendido corretamente.
Sinto resquícios da adrenalina e do medo atravessando o meu corpo.
— Theós! Eu podia tê-la atropelado. Eu deveria chamar os guardas e
comunicar o ocorrido.
Após ele citar os guardas, saio completamente da letargia que o choque
do ocorrido me provocou. Caramba! Só posso estar diante de um velho
ranzinza e mal-humorado.
— Não! Por favor! — balbuciei com a voz ainda fraca.
— Por que não? Por acaso é alguma ladra? — Sua pergunta teve uma
leve pitada de curiosidade.
Abro os olhos lentamente e... Céus! Sinto outro choque atravessar o
meu ser. O homem diante de mim não é nenhum senhor idoso. Muito pelo
contrário. É jovem e vigoroso. Eu poderia dizer que é o mais lindo que já vi
em toda a minha vida. Seus cabelos escuros estão um pouco desgrenhados,
suas feições parecem ter sido esculpidas por um criador talentoso e seus
olhos azuis são tão lindos e quentes, que eu facilmente me perderia nesse
oceano do Egeu. Estou babando na sua beleza masculina, quando me dou
conta de que ela está sendo maculada pelo seu queixo arrogante e aristocrata,
que está travado em pura indignação devido à minha atitude descuidada.
— Responda! — exigiu em um tom imperioso e arrogante.
Eu sabia que existia algum defeito nele. É mal-humorado e ranzinza.
— Nã...o. Eu apenas estava fazendo uma caminhada matinal e... —
Tento falar, mas é como se minha língua tivesse travado na boca de repente.
— Tem noção do que podia ter ocorrido, garota, por causa do seu ato
inconsequente?
Já recuperada da aura dominante que sua figura máscula representa,
recomponho-me.
— Eu sinto muito, senhor. É que me assustei e fiquei sem reação.
Perdoe minha falta de atenção! Apenas vinha distraída, tomando minha água,
e não avistei o perigo a tempo. Mas agradeço por ter conseguido entornar a
situação. — minha voz saiu quase como um murmúrio, embora eu tenha
tentado demonstrar firmeza.
Ele está me encarando com olhos repreensivos e suas mãos potentes
continuam em volta dos meus ombros de maneira possessiva. Seu olhar azul
e audacioso me analisa meticulosamente com um misto de surpresa e algo a
mais. Logo se desvia do meu rosto e vai para o meu colo.
Minha face fica quente e tenho a compreensão de que deve estar tão
vermelha quanto uma pimenta, com a constatação de que ele me olha como
um homem olha para uma mulher quando tem interesse. É de um jeito
ousado, examinando a linha do meu busto. O que faz com que eu saia do
estupor em que me encontrava e, imediatamente, empertigue-me em seus
braços para que ele me liberte. Compreendendo o meu recado, solta-me,
entretanto seus olhos permanecem no mesmo local.
Abaixando a minha visão para o meu colo, que está abrigado
unicamente por uma camisa branca, fina, de algodão, e por uma jaqueta
desgastada de lã, percebo meus seios perfeitamente visíveis através do tecido
fino da roupa molhada, por conta do meu pequeno incidente com a garrafa de
água. Eles estão perceptíveis e com os bicos arrepiados e pontudos por causa
do contato frio do pano sobre a minha pele delicada.
No mesmo instante, ao notar a situação vexatória, fecho a parte frontal
da jaqueta. Merda! Logo hoje, justamente, eu tinha que não ter encontrado o
top que sempre uso para as caminhadas? Tenho quase certeza que a bruxa da
Amélia está por trás desse sumiço. O outro que tenho está secando. Por isso
decidi vim caminhar somente com a camiseta. Como o dinheiro está pouco,
não posso me dar o luxo de comprar novos tão cedo.
Ainda sinto o meu rosto arder pela vergonha.
Quando volto minha atenção à sua bela e arrogante face, ele percebe
que notei seu olhar indiscreto e sai do estupor sensual que nos envolvia.
Sua voz sai indignada e cortante novamente:
— Foi muito imprudente, korítsi, o que fez. Seus pais não lhe
ensinaram que antes de atravessar a rua se deve olhar para os dois lados, para
ter segurança? Se eu não fosse um exímio motorista, você poderia não estar
mais aqui. — sua pronúncia saiu como uma reprimenda.
Lembranças dolorosas me atingem com força e sinto lágrimas grossas
inundarem meus olhos. Uma enxurrada de imagens valiosas perpassa pela
minha mente e ternas memórias me tomam: meu pai me ensinando a andar de
bicicleta e sempre me alertando dos perigos da rua; e mamãe fazendo um
delicioso bolo de cenoura, o meu predileto. Fecho os olhos, com a dor ainda
presente dentro de mim, e sinto o líquido da saudade banhar o meu rosto.
Eu estava tão absorvida na minha recordação dolorosa, que somente me
dei conta do corpo sólido de encontro ao meu quando senti minha cabeça
recostar em seu peito másculo. Braços firmes me envolvem novamente.
— Tudo bem, mikró. Eu... não queria ter desencadeado uma reação
negativa em você. Não sei o que te provocou essas emoções, mas creio que
foi o choque do momento. Não precisa se preocupar. Não irei chamar os
guardas. O importante é que não tenha sucedido nada grave. Somente peço
que seja mais cuidadosa. — finalizou sem jeito.
Em um primeiro instante, constato que ele não está acostumado a lidar
com situações como essa. É perceptível o seu desconforto. Achei louvável a
sua atitude. A parte ogra dele está quase perdoada.
Sinto as batidas rítmicas do seu coração e seu perfume amadeirado e
caro misturado ao seu cheiro de homem alpha. Por breves segundos permito
que meus sentidos se preencham com seu aroma inigualável.
É a recordação de que eu já deveria estar retornando para casa, que me
tira da completa letargia em que me encontrava. Por mais bom que seja estar
nos braços desse estranho, necessito ir embora. Abro os olhos e empurro o
seu peito para sair do seu abraço. Quando o encaro, posso ver confusão em
seu semblante.
— Obrigada por entender! Agora, necessito ir. — Recomponho-me e
enxugo os últimos vestígios de lágrimas do rosto.
— Espere! Eu lhe darei uma carona. Há pouco tempo estava em estado
de choque pelo ocorrido. — gritou quando eu já estava no outro lado da rua.
Viro-me apenas para gritar de volta:
— Não é necessário. Tenha um bom dia, senhor! E, desculpe-me, mais
uma vez!
Embrenho-me entre os demais transeuntes e turistas, podendo ver que
as ruas estreitas com casinhas brancas já estão movimentadas de pessoas
preparadas para mais uma rotina de trabalho árduo. Os meus pensamentos
ainda estão embotados pela presença marcante do homem impressionante.
Não compreendi minha própria reação diante do nosso contato viril. Desde
que Eaton tentou me violar e abusar do meu corpo, não permiti nenhuma
aproximação masculina a mim.
Caramba! Fiquei tão atordoada pelo choque do momento, que me
esqueci de perguntar seu nome. Pelo seu porte dominante e suas roupas caras,
percebe-se que é algum ricaço grego.
Um leve suspiro abandona meus lábios. Oh, Deus! Aqueles olhos azuis
do Egeu são inesquecíveis e me fazem sentir uma ânsia nova e inteiramente
desconhecida.
Sorrindo como uma boba, apresso os passos.
O que eu não imaginava era que aquele par de olhos azuis e seu cheiro
já tinham se instalado dentro de mim e que me torturariam durante as
próximas noites, levando-me a necessitar de algo que eu ignoraria
profundamente.
CAPÍTULO 03
NIKKY ANDREON

Puta merda! Já é a milésima vez que refaço o nó da gravata. Caralho!


Acho que acordei com o pé esquerdo hoje. Mas sei perfeitamente bem ao que
se deve esse mau humor infernal. Somente uma única palavra define essa
situação ridícula: falta de SEXO.
Sexo é como o precioso ar. Necessito praticar uma boa foda, que é
indispensável para a minha sobrevivência. Sem esse elemento imprescindível
na minha vida, sinto-me sucumbindo aos poucos.
Com pesar, analiso minha nova condição de ex-fodedor inveterado.
Giagiá Eleonor pegou pesado no seu ultimato. Definitivamente, não se
pode desprover um simples homem do seu estado de solteiro fodedor para um
engomadinho atrás de uma mãe para o seu futuro herdeiro.
Bufo, frustrado com esses pensamentos.
É claro que tenho a ciência do meu dever de arranjar uma gynaíka
(esposa) submissa e complacente, como deve ser uma boa esposa grega. E,
apesar de gostar de crianças, só tenho 35 anos. Caralho! Tenho muitas
bocetas para comer ainda.
Finalmente, com precisão desta vez, acerto o movimento perfeito,
realizando um nó na gravata de modo magistral. Olho-me no espelho e
contemplo um homem com um semblante decaído, um condenado que está
sentenciado em uma berlinda. Já estou imaginando como conseguirei
frequentar eventos tediosos onde serei a caça principal das matriarcas gregas
casamenteiras e das jovenzinhas caçadoras de ouro. A notícia da minha
pretensão já deve ter se espalhado no meio social, porque não pode ser
coincidência os vários convites de festas e reuniões familiares que tem
chegado à minha porta, como não chegavam em nenhuma outra época.
Deixo o meu quarto apressadamente, verificando a hora em meu
relógio de pulso banhado a ouro e cravejado em diamantes, feito pela Mávro
Diamánti. Só existe mais 5 exemplares desse espalhados pelo mundo, pois é
de uma coleção rara e exclusiva para clientes VIPs, arrematados no último
evento que a empresa realizou. O objeto em questão é tão caro que,
provavelmente, alimentaria os habitantes de uma pequena ilha do
mediterrâneo por décadas.
Desço as escadas da minha luxuosa mansão em Mykonos, com
impaciência. Nem mesmo a bela vista esplendorosa do mar Egeu é capaz de
me captar a atenção. Já prevejo a reunião enfadonha que terei logo mais com
um dos meus sócios, que é sempre ranzinza e gosta de dar palpites que são
inaceitáveis para os negócios e que nada contribuem de positivo para a era
moderna em que estamos vivendo no mercado. Infelizmente, não retirei o
velho gagá, Argileu, do quadro de societários porque é irredutível em vender
suas ínfimas ações. Mas já passou da hora de se aposentar e entregar o cargo
a um dos seus sobrinhos, já que não tem nenhum filho. Entretanto, ele
permanece firme em sua posição.
Já adquiri conhecimento suficiente de como driblar sua rabugice,
contudo não consigo me desviar da sua habilidade de raposa astuta, de
sempre querer me jogar para cima da sua sobrinha, uma jovem viúva. Sua
intenção é bastante óbvia: adquirir mais poder na presidência da companhia
Andreon. Sou adequadamente vacinado contra a sua esperteza.
Chego ao andar de baixo, caminho em passos apressados diretamente
ao escritório, passo pela extensa mesa farta de café da manhã e sorrio do jeito
meticulosamente caprichoso da minha governanta, Agnetha, que é um
verdadeiro anjo na organização da minha mansão. Se não fosse por ela, com
certeza essa casa estaria virada de pernas para o ar. Já a tenho comigo há
muitos anos. A senhora cuida de mim como se eu fosse um filho seu.
Adentro o escritório e pego minha pasta de trabalho que contém os
pontos importantes da reunião que será referente ao lançamento da nova
coleção. Olho para a ampla janela de vidro, vendo a paisagem bela do lado de
fora me convidando para um mergulho no mar. Se eu não estivesse em cima
da hora, com certeza me aventuraria a pegar algumas ondas.
Quando retorno à sala, percebo que Agnetha já está à disposição para
me servir. Eu a dispenso para outros afazeres, como vou apenas tomar uma
xícara de café puro e meio amargo. Ela, percebendo esse fato, logo indaga:
— Não vai comer nada, menino Nikky? Eu fiz o seu pão favorito:
daktyla. — Abre um sorriso generoso. É como se eu ainda fosse um
garotinho, não um homem feito.
Sorrio com a terna lembrança de quando eu era um menino travesso e
ela me acobertava em minhas pequenas traquinagens, para que minha giagiá
não me colocasse de castigo. Antes de ser minha governanta, Agnetha já foi
minha babá. É por isso que ainda carrega o costume de me chamar de
menino.
— Hoje terei que renunciar sua oferta saborosa, Agne. — usei o
encurtamento do seu nome. — Tenho alguns compromissos antes de uma
reunião e prefiro chegar cedo no escritório.
— É uma pena, Nikky. Irei guardar alguns daktylas para que possa
degustá-los mais tarde. — sugeriu algo prático com um sorriso nos seus
lábios enrugados pelo tempo.
Apenas aceno positivamente com a cabeça. Não posso dispensar os
manjares que as mãos de fada dela produz. Se eu não cuidasse do meu físico,
sempre praticando algum esporte e frequentando a academia, já estaria com
uma bela pança.
— Excelente sugestão, Agne. Obrigado! E, não se preocupe com o
almoço! Provavelmente, só retornarei ao final do dia. — respondi com
simpatia. Ela não tem culpa por, ultimamente, eu estar ranzinza.
— Certo, Nikky. Tenha um bom dia de trabalho! — falou ao notar que
eu já tinha terminado de degustar o meu café.
— Obrigado! Espero ter um bom dia de trabalho também. Sabe me
informar se Pedro já foi pegar o meu carro?
— Sim. Agora a pouco o avistei indo em direção à garagem.
— Ótimo. — Despeço-me dela e sigo em direção à entrada da mansão,
já me deparando com meu motorista me aguardando.
Percebo também que Estevão, meu chefe de segurança, já está a posto,
espetando minhas instruções. Antes de me dirigir ao carro, eu o oriento a ir
direto para a empresa. Necessito tomar ar puro e tenho que espairecer minha
mente antes de ir para lá.
Depois de lançar as ordens a ele, vou até meu veículo, um Rolls-Royce
preto, e dispenso o motorista. Hoje preciso sentir a adrenalina da liberdade.
Assim que me acomodo atrás do potente volante, dou partida e saio em
disparada, mas sem perder o encanto da bela vista ao meu redor. Sinto-me
mais leve, observando a brisa do mar sacudindo as lindas buganvílias com
flores rosas, que adornam as diversas casinhas brancas pelas ruas. Tão livres
e soltas. É assim que me sinto agora. É como se eu estivesse me libertando,
nem que seja por alguns minutos. O cenário paradisíaco à minha volta
contribui para isso.
Já posso ver que o movimento, apesar de ainda cedo, começa a
desabrochar pelas passagens estreitas de Mykonos. O que me faz recordar
que o dia é totalmente diferente das noites badaladas no Beach Club, que lota
de turistas de diferentes partes do mundo em busca de diversão e prazeres. E
eu, como um exímio conhecedor dos desejos da carne, sempre estava
disposto a entreter as mulheres e lhes proporcionar noites de luxúria e
deleites inimagináveis.
Um sorriso cafajeste estampa minha face quando me lembro das
noitadas em meu iate. Pelo menos na manhã seguinte era garantido que
minhas “acompanhantes” deixariam a embarcação com um sorriso amplo de
satisfação no rosto.
Nunca havia tido problemas antes, já que sempre procurava ser discreto
nessa área da minha vida particular. Mas, por infelicidade, aquele pequeno
deslize que realizei em minha embarcação há 3 dias me trouxe uma
consequência indesejável: um ultimato à minha vida de solteiro. Conseguirei,
realmente, ir adiante com essa ideia completamente descabida da minha
giagiá?
Solto uma imprecação, irascível, e piso ainda mais no acelerador.
Maldição! É mais fácil o inferno congelar. Estou somente há 3 dias em
abstinência, sem comer uma boceta, e já estou sentindo o peso da abnegação
nas minhas bolas e no meu humor.
Estou com os pensamentos a mil, quando avisto, a uma certa distância,
uma jovem atravessar a rua, completamente alheia ao que se passa à sua
volta. Merda! Aciono a buzina de modo ininterrupto e, abruptamente, freio o
carro, impedindo a colisão contra a mulher que parece uma estátua. Está
completamente inerte.
Maldição! Só pode ser uma turista estúpida.
Já com meu mau humor ativado, saio do veículo proferindo uma série
de xingamentos severamente, questionando se ela é cega ou algo do tipo. Sua
ação podia ter ocasionado um desastre. Ela tem que compreender a estupidez
que cometeu. Theós! Podia ter acontecido uma fatalidade se eu não fosse um
excelente motorista.
Quando me aproximo da mulher, noto sua face branca como a neve.
Seus olhos estão cerrados e seus lábios rosados se encontram trêmulos, pelo
susto.
Agarro seus ombros frágeis, sentindo a textura quente dele sob meus
dedos. E, de imediato, sinto uma forte conexão entre nós me transpassar.
“Angelos” (Anjo) é a primeira palavra que vem ao meu cérebro assim que
contemplo suas feições delicadas. A moça pode ser desajeitada, só que é
muito linda e se assemelha a uma sereia mitológica que acabou de adquirir
pernas e sair do mar.
Porém, logo me lembro da sua falta de sensatez ao atravessar a rua sem
olhar para os lados e me preparo para descarregar meu humor negro nela
outra vez.
— Você não ouviu o que eu disse? — Estou mais irritado comigo
mesmo do que com a mikró (pequena) garota diante de mim, por estar
permitindo que ela esteja me causando tal reação. — Que atitude estúpida foi
esta, de ficar parada no meio da rua que nem uma parasita? Por acaso queria
ser atropelada, sua desastrada? E, por que permanece inerte?
Sei que ela compreendeu o que falei em grego, no entanto parece estar
anestesiada ainda pelo susto recente. Sendo assim, só consegue balbuciar
algumas palavras desconexas. Seus olhos continuam fechados e seu rosto
demonstra toda a tensão do momento.
— Theós! Eu podia tê-la atropelado. Eu deveria chamar os guardas e os
comunicar o ocorrido.
Após eu citar a palavra “guardas”, ela sai do torpor que a envolvia,
suplicando para que eu não os chame. Theós! Será que estou diante de
alguma delinquente? Por sinal, uma bela delinquente; devo reconhecer.
Anseio fervorosamente desvendar a cor dos seus olhos. São tão verdes quanto
as florestas que enfeitam os montes gregos ou tão azuis quanto as safiras mais
preciosas?
— Por que não? Por acaso é alguma ladra? — Quero descobrir o seu
temor. Quem sabe possa ser alguma imigrante ilegal na ilha.
No mesmo instante em que fomento tais pensamentos, lindos olhos se
chocam com os meus. São perfeitos, de um azul-turquesa inestimável. Ela me
avalia com certa curiosidade e um leve esbouço de um sorriso se forma no
canto dos meus lábios. Já estou acostumado ao efeito Andreon no sexo
feminino e confesso que estou quase tentado atender ao seu olhar singular e
lhe demonstrar do que um homem como eu é capaz.
Contudo, logo retorno à realidade. Porra! Não posso deixar me levar
pelo encanto passageiro que uma simples turista me suscitou.
Meu queixo se retrai em uma expressão sisuda.
— Responda! — exigi com desdém um retorno incisivo.
— Nã...o. Eu apenas estava em uma caminhada matinal e... — tentou se
justificar
— Tem noção do que podia ter ocorrido, garota, por causa do seu ato
inconsequente? — Meu pensamento está completamente voltado à sua
beleza.
Mesmo através de suas roupas simples e desgastadas, posso sentir a
quentura da sua pele emanar entre os meus dedos, ativando meus
pensamentos mais devassos. Só posso imaginá-la entre os mais puros lençóis
de seda, com muitas joias adornando o seu corpo esbelto e primoroso.
Porra! No mesmo segundo tento refrear tais pensamentos impróprios,
senão daqui a pouco sou eu quem poderei estar em maus lençóis, com uma
bela barraca armada no meio das pernas, por não conseguir parar de me
fantasiar com a beldade diante de mim. Definitivamente, não posso me
envolver em nenhum outro escândalo e ser acusado de assédio ou, até
mesmo, de atentado ao pudor em pleno centro de Mykonos, por não controlar
o meu próprio cacete. Caralho!
Droga! E tudo se deve ao gênio de irascibilidade da minha giagiá. É
evidente que ela é a pessoa mais amorosa que conheço no mundo, junto à
minha querida Agne. Entretanto, quando coloca algo na sua cabeça dura, sabe
jogar ao seu favor.
— Sinto muito, senhor. Eu me assustei e fiquei sem reação. Perdoe
minha falta de atenção! Apenas vinha distraída, tomando minha água, e não
avistei o perigo a tempo. Mas agradeço por ter conseguido entornar a
situação. — balbuciou, tentando se recompor.
Eu a encaro repreensivo, atentando-me se realmente é verídica sua
afirmação. O meu olhar está mapeando o seu rosto, tentando encontrar algum
indício de falha sua, quando algo no seu colo capta a minha atenção. Noto o
estado da sua camiseta branca, que está completamente molhada. Meu olhar
atrevido absorve cada detalhe do belo par de mamas deleitosas à minha frente
e dos bicos rosados e suculentos, que parecem implorar pela minha língua
irreverente em volta deles, sugando-os.
Porra! É muita maldade para um pobre homem que está privado de
sexo.
Contemplo a visão esplendorosa diante dos meus olhos e salivo como
um cachorro faminto. De imediato sou acometido por várias imagens da bela
loira, como em uma reprise lenta e ardorosa, e a fantasio na hidromassagem,
à minha espera, com um sorriso luxuriante nos seus lábios carnudos e
naturalmente rosados. Inferno!
A cena é tão real que, de repente, sinto o sangue fluir com ferocidade
por todo o meu corpo e se concentrar fortemente em meu pau
impiedosamente. Caralho de visão perfeita! Os dois montes gêmeos e
deliciosos são um manjar para mim. Será que o angelos (anjo) loiro é
somente uma turista em busca de diversão e prazeres desapegados? Meu lado
devasso anseia que sim. Posso estar privado de usufruir do meu iate com
orgias, no entanto a levarei à minha pequena e isolada ilha grega, longe dos
paparazzis e mexeriqueiros de plantão. Mas creio que uma semana de sexo
ardente ainda será pouco para me saciar de sua beleza exótica. Ela é muito
linda e, por sinal, uma verdadeira tentação para o meu sangue grego e
italiano.
A visão luxuriante diante de mim é tão quente quanto o inferno e estou
quase entrando em ebulição apenas por degustar tal cena prazerosa. O meu
lado irracional somente almeja carregá-la para longe de olhares lascivos e
saciar meu desejo de alpha despertado pelo toque da sua pele deliciosa e
imagem luxuriosa.
A mikró sedutora logo se apruma entre meus braços para que eu a
libere do meu domínio. A muito contragosto, solto-a, só que minha visão
permanece na região primorosa à minha mercê, memorizando minimamente
cada detalhe dos seus seios exuberantes.
Ela, percebendo o meu olhar indecente sobre seus montes divinos,
sublimes e tentadores, fecha sua jaqueta de lã, privando-me de vê-los. Com
isso, um leve gemido sofrido escapa por entre meus lábios. Seu rosto está
rubro, pelo constrangimento. Não deveria se sentir assim. Muito pelo
contrário. Deveria se sentir lisonjeada porque um homem como eu está
demonstrando interesse tão abertamente. Tenho certeza que qualquer outra
mulher ficaria encantada e logo estaria usando todo o ardil feminino para me
seduzir.
Vasculho rapidamente se há algum indício de ela já ter algum dono.
Sua mão está nua e sem nenhum adorno. Com certeza é uma jovem turista
descompromissada, em busca de diversão. E se tiver algum acompanhante,
ele só pode ser um tremendo babaca. Pois, de outra maneira, que homem, em
sã consciência, deixaria tamanha beleza desfilar por Mykonos, aos olhos
lascivos dos predadores gregos? Seus atributos femininos são belos e
somente fazem com que eu pense em indecências voluptuosas.
Retorno à razão, pensando que se eu não for rápido, algum paparazzi
poderá me flagrar de pau duro. Não posso permitir ser manchete em jornais
novamente, e tenho certeza que minha ereção não é nada modesta neste
instante. Sei disso porque consigo senti-la firme. A barreira da minha calça
social agora parece uma peça de confinamento frágil para abrigar o meu
ardor, que está prestes a romper como um vulcão, pela beldade loira.
Maldição! Solto uma imprecação de frustração devido à minha reação
exacerbada diante do mikró angelos (pequeno anjo). Só o que me falta é
gozar nas calças, como um maldito adolescente sem experiência alguma,
apenas por vislumbrar uma mulher bonita.
Aprumo meu terno ao redor do corpo, disfarçando minha enorme
potência endurecida pelo tesão inflamado pela bonita turista desastrada.
Porra! Se estou sentenciado a viver em uma prisão, irei me certificar de que a
mulher com quem eu me casar, seja tão insaciável quanto eu e tão bela
quanto essa linda e sedutora moça.
Caralho! Faz somente 3 dias que estou sem sexo e já sinto os efeitos
colaterais disso no meu organismo. Pelo peso das minhas bolas, creio que
devem estar quase empedradas por causa de tanta porra acumulada. E, com
certeza, recuso-me a bater uma, sendo que têm tantas bocetas disponíveis
para eu comer e me saciar.
A compreensão de que estou desejando fervorosamente provar os
encantos da beleza exótica à minha frente, tira-me do prumo. Porra! Desde
quando corro atrás de uma boceta? Muito pelo contrário. Desde que iniciei
minha vida sexual aos 12 anos, com minha professora de natação, é meu pau
que é perseguido. Confesso que em muitas ocasiões me sinto frustrado por
não ter o sabor da doce adrenalina em minhas caçadas noturnas. Contudo, a
beldade loira ativou todos esses sentidos.
A certeza de que estou prestes a cometer alguma besteira faz com que
minhas palavras saiam de modo ríspido:
— Foi muito imprudente, korítsi (menina), o que fez. Seus pais não lhe
ensinaram que antes de atravessar a rua se deve olhar para os dois lados, para
ter segurança? Se eu não fosse um exímio motorista, poderia não estar mais
aqui.
Fixo meu olhar no seu semblante delicado e percebo que seus olhos
estão marejados por lágrimas. Em seguida, seu rosto é banhado por elas. Mas,
que droga! Abomino essa encenação feminina, principalmente quando me
recordo brevemente do teatrinho de Sophia. Entretanto, agora vejo um ar leve
de fragilidade perpassar pelos olhos azuis-topázios da garota. Algo se
fragmenta dentro de mim, por saber que o seu estado de choque é autêntico.
Então, vejo-me fazendo algo que nunca imaginei: envolvo-a em meus
braços. Ela aceita o meu consolo. Theós! Agradeço pelo meu desejo já estar
sob controle. Consigo sentir seu cheiro doce e suave de menina-mulher se
instalar dentro de mim.
Eu nem conhecia as consequências que esse momento, futuramente,
trariam a mim.
— Tudo bem, mikró. Eu... não queria ter desencadeado uma reação
negativa em você. — Não faço a mínima ideia do que ocasionou esse seu
comportamento, porém tento tranquilizá-la. Ou, será que seu estado se deve à
menção de eu chamar os guardas? Se for, ela é uma excelente atriz. — Não
sei o que te provocou essas emoções, mas creio que foi o choque do
momento. Não precisa se preocupar. Não irei chamar os guardas. O
importante é que não tenha sucedido nada grave. Só peço que seja mais
cuidadosa.
Ela fica completamente imóvel e depois começa a retornar à realidade.
— Obrigada por entender! Agora, necessito ir. — seu sussurro refletiu
estabilidade.
Suas mãos pequenas empurram o meu peito e ela sai dos meus braços.
Eu a encaro, sem compreender sua súbita mudança, e a vejo enxugando as
lágrimas enquanto caminha para o outro lado da rua, onde já posso ver uma
movimentação considerável de pessoas.
— Espere! Eu lhe darei uma carona. Há pouco tempo estava em estado
de choque pelo ocorrido. — lancei a sugestão sem analisá-la. Só necessito
saber mais da linda loira.
Ela apenas se vira, como em câmera lenta, e, secretamente, capturo
suas feições de angelos na minha memória. Sua resposta quase inaudível que
se segue é uma recusa à minha oferta.
Fico a observando por alguns segundos até se perder entre a multidão.
Somente sou tirado dos meus devaneios quando escuto o som de uma buzina
me alertando para desbloquear o caminho. Vou em direção ao meu veículo,
sorrindo do meu pequeno deslize. Nem mesmo a pequena mancha de água na
minha camisa me tira o meu recente bom humor. Fiquei tão nocauteado por
tamanha beleza, que até me esqueci de perguntar o seu nome.
Só sei que, de algum modo, terei que a encontrar, pois tenho planos
ardentes para ela. — pensei resolutamente.
Posiciono-me ao volante e dou partida. Meu sorriso permanece no meu
rosto. Não estou disposto a esquecê-la. Mesmo estando frustrado sexualmente
por ter sido despojado do meu antigo estilo de vida libertino, a linda mulher
me fez considerar a possibilidade de arranjar uma amante fixa. E quem seria
mais qualificada do que a turista que despertou totalmente os meus instintos
primitivos de predador? E, pelo olhar de fascínio do mikró angelos loiro, sei
que foi atingido pelo efeito “Andreon aniquilador de calcinhas”.
Exprimo um sorriso convencido enquanto sigo o caminho até a
empresa.
CAPÍTULO 04
NIKKY ANDREON

2 dias depois

A reunião foi um sucesso. Felizmente, todos os sócios concordaram


com as propostas sugeridas e não houve nenhum inconveniente. Nem mesmo
o velho Argileu foi um obstáculo. Também não sei o que teria acontecido se
fosse, já que ultimamente ando com um humor cada vez mais irascível.
O dia de lançamento da nova coleção de joias já está marcado; será
daqui a dois meses. A empresa contratada para realizar o evento e admitir os
modelos já está determinada. Estou apenas aguardando a ligação de
confirmação.
Logo ouço uma leve batida na porta do meu escritório e autorizo a
entrada da pessoa. Percebo que é uma das estagiárias novatas trazendo uma
bandeja com café.
— Licença, senhor Andreon! — pronunciou com uma voz trêmula,
aproximando-se de mim com passos vacilantes. É notório o seu nervosismo.
Ao me servir está com as mãos instáveis e quase derrama a bebida
sobre mim.
— Cuidado! — adverti, sendo ranzinza.
Comprovo que a garota ainda é muito jovem, que mal me olha nos
olhos e que sua face está tão vermelha quanto um tomate. Inferno! A minha
secretária, Rosy, está de brincadeira comigo? É sério isso? Designar
justamente uma novata para me atender? O rosto da garota demonstra
fascínio ao me olhar por baixo dos seus espessos cílios escuros e posso
perceber que ela não passa de uma adolescente. No máximo, tem uns 20
anos. Porra! Já estou acostumado aos olhares de fascinação que provoco na
ala feminina, mas tenho certeza que essa é virgem. É uma pena que eu as
evite como se fossem uma praga, já que têm a tendência de distorcerem as
fodas casuais e se iludirem, achando que terão algo a mais comigo. Se essa
moça não fosse uma, a esta hora já estaria inclinada sobre a minha mesa,
tomando o meu pau até o talo.
— Deseja algo a mais, senhor Andreon? — Notei um leve tom de
provocação?
— Não. Obrigado! — falei com firmeza.
— Tem certeza? Eu poderia... — Gesticula com as mãos. — Oferecer
algo a mais, além do café.
É sério que a ninfeta está me dando mole? Porra! É óbvio que estou
quase enlouquecendo sem comer uma boceta, porém sei quais implicações
terei se tocar em uma virgem. E não quero lidar com situações melindrosas
no momento.
No mesmo instante me vem à memória a imagem do lindo angelos
loiro e uma enxurrada de cenas obscenas e quentes do que desejo fazer com
ela, incendiando o meu subconsciente e fazendo com que o meu membro se
encorpe, ganhando um volume considerável entre as pernas. Caralho! A
simples lembrança daquela gostosa me atiçou de um modo avassalador. Estou
formulando a fantasia dela inclinada sobre a minha mesa, com seu belo
traseiro arredondado e arrebitado para o meu deleite enquanto minhas mãos
se preenchem com sua carne farta e eu a tomo intensamente. Esse
pensamento é tão malditamente sublime, que imagino que meu pau irá saltar
para fora do seu confinamento, rompendo o tecido da calça. Estou prestes a
mandar a precaução para longe e aceitar o oferecimento descarado da menina
que está ao meu lado.
Então, de repente, ouço o toque do telefone, que faz com que eu
readquira um pouco de controle e bom senso. Agilmente, tento conter meus
pensamentos ardorosos sobre a loira e dominar meu tesão. Não sou um
animal irracional sem controle e discernimento.
Antes de atender o telefone, agarro o pulso da estagiária com
veemência, certificando-me de não a machucar, e a encaro, advertindo-a:
— Cuidado, garota! Se você deseja permanecer no emprego, é
necessário que adquira um pouco de juízo. Certifique-se de que o que acabou
de acontecer aqui, não se sucedará novamente! Caso contrário, não terá
advertência na próxima vez; irá ao olho da rua.
— Senhor... Mas... Mas... Eu... — tentou se justificar. Está com a
cabeça baixa e com o rosto tão vermelho que parece que vai explodir.
Ela deve ter escutado algum rumor sobre eu já ter fodido algumas das
secretárias estagiárias. Só não se atentou ao fato de elas não terem
permanecido no cargo por muito tempo, pois foram logo dispensadas.
— Eu não solicitei justificativas. Apenas comuniquei o que acontecerá.
— fui cortante. — Agora, pode se retirar.
Ela sai da sala tão rápido que é como se estivesse vendo alguma
assombração.
Atendo o telefone. É Rosy, minha secretária particular, informando-me
sobre a ligação de confirmação da empresa responsável pela realização do
desfile de joias. Encerro o telefonema, agradecendo-a. Ela já está comigo há
bastante tempo, tem 45 anos, é casada e tem um casal de filhos já
adolescentes. Mais do que ninguém, conhece perfeitamente meu estilo de
vida de playboy e já ficou responsável, diversas vezes, pelas cartas de
demissão de várias estagiárias por ultrapassarem limites inaceitáveis. Posso
até quebrar algumas regras da empresa no quesito foder algumas delas, no
entanto quem acaba pagando o preço são elas, que são dispensadas no dia
seguinte ou quando o meu entusiasmo acaba.
Hoje cheguei ao escritório bastante estressado. Há exatamente duas
noites mal consigo pregar os olhos, com o incômodo latejante entre as pernas.
Também faz dois dias que venho até aqui pelo mesmo trajeto onde encontrei
o mikró angelos, na vaga esperança de reencontrá-la. Algo em que não obtive
sucesso. Se ela pelo menos tivesse aceitado minha oferta de levá-la até sua
residência, eu não teria esse trabalho agora, de procurá-la por toda a
Mykonos.
Maldição! O que ela está fazendo comigo? Só pode ser pela abstinência
de sexo. Porra! Nunca fiquei fissurado por mulher alguma antes. E nem
provei sua pequena e doce boceta. Tenho que prová-la. Somente assim, esse
desejo insano lançado sobre mim irá acabar. São incalculáveis os banhos
frios que já tomei nesses dias, pensando na beldade exótica. Se eu soubesse o
seu nome e onde mora... Tenho certeza absoluta que não resistiria à proposta
de ser minha amante. Pelas suas roupas desgastadas, deu para notar que vive
uma vida simples, sem muito luxo ou regalias.
Sorrio sarcasticamente. Tenho um previsível conhecimento acerca das
mulheres nesse assunto. Sei que a loira não resistiria à vida de suntuosidade e
sexo quente que estou disposto a lhe oferecer. Estou convencido desse fato.
Eu seria discreto dessa vez e a manteria isolada na minha ilha particular,
longe dos holofotes e dos marmanjos de plantão.
Grunho como um primitivo. Não sei por que o mero pensamento de ela
pertencer a outro homem queima as minhas entranhas. Essa mulher será
minha. Estou determinado. E essa realidade não será impedimento para o
meu futuro casamento.
O problema está em: como irei encontrá-la? Não sei absolutamente
nada sobre ela. Nosso encontro se deu mais como uma miragem. A única
coisa que tenho são suas feições físicas cravadas em minha memória. Se
fosse algum artista plástico, eu a eternizaria em uma linda obra de arte como
uma ninfa mitológica e sedutora que encanta e enfeitiça os meros mortais
com seus olhos azuis, da cor do pecado, dominando-os até que eles se rendam
de desejo por ela.
Imediatamente saio desse devaneio ardoroso. Só conheço as suas
características, e isso terá que ser suficiente para que eu a ache. Em breve
terei uma nova missão para o senhor Hermes, um investigador particular que
sempre presta serviços a mim quando quero saber cada passo dos meus
adversários nos negócios. Agora o seu trabalho será posto à prova e terá que
confirmar que, realmente, é o melhor em toda a Europa.
Sorrio com perspicácia. Ah, doce angelos! Em breve a terei à minha
disposição, à minha mercê. Porém, como ainda não tenho, vou ter que me
aliviar da minha excitação despertada por você, mikró sedutora. Porra!
Enquanto ela não estiver disponível, terei que extravasar em alguma boceta
gostosa, ou simplesmente surtarei de tanto tesão.
Ouço uma batida forte na porta e autorizo que a pessoa entre. É o meu
melhor amigo e vice-presidente da corporação Andreon, Dimitri. Ele entra na
sala com uma expressão enigmática, mantendo um vinco formado entre as
sobrancelhas.
— Que cara é essa, Nikky? Coitada da estagiária que saiu daqui.
Deixou a sala tão rápido que parecia que tinha visto o próprio dono do
submundo. — Tentou falar sério, mas deixou sua expressão transparecer um
leve traço de humor.
É uma pena que o meu permaneça azedume.
Ignoro o café que a destrambelhada deixou para trás. Não necessito
dele. Estou irado até demais, pelo que ocorreu com a moça e pela minha
recente privação de sexo. Estou precisando de algo mais forte.
Dimitri está aguardando uma resposta, contudo não respondo
absolutamente nada, apenas me levanto da minha imponente cadeira,
caminho apressadamente até a pequena adega Chateau de madeira, que abriga
os mais nobres vinhos, pego uma garrafa de Bordeaux, abro-a, despejo uma
generosa quantidade da bebida em uma taça e a tomo em um só gole. Preciso
relaxar.
— Sua cara está péssima. — enfatizou enquanto eu colocava outra dose
do drink na taça.
Com uma mão no bolso, começo a andar pela sala como se não tivesse
o escutado.
— O que foi que aconteceu? A estagiária já estava indo para o RH? Por
isso saiu naquele estado? Pela sua expressão, a foda não valeu a pena. E, pare
de andar de um lado para o outro! Está me deixando tonto.
Paro e o encaro com uma expressão feroz, quase o trucidando com o
olhar.
— Muito pelo contrário. Se estou com essa fisionomia, é exatamente
por não ter fodido. — resmunguei, levando um pouco de vinho aos lábios e o
bebendo.
Ele começa a rir como se eu tivesse acabado de contar a piada do
século.
— Não acredito que o grande pegador, Nikky Andreon, está com
dificuldade de arranjar mulher. Essa é nova para mim.
— Haha! Muito “engraçado”! — falei severamente. — Mulher, arranjo
em qualquer lugar. Praticamente basta eu estalar os dedos, e elas caem
rendidas aos meus pés. Olhe para mim, Dimitri! Sou bonito e um exímio
fodedor que sabe perfeitamente como levar uma mulher ao paraíso da luxúria.
Além de ser um dos homens mais ricos do mundo, de acordo com a Forbes.
Chuva de bocetas é o que não falta para mim.
— A modéstia mandou lembranças.
Ergo uma sobrancelha inquisitiva.
— Foi você quem começou. — retruquei.
Ele começa a rir e eu tenho vontade de acertar um soco em sua face.
Percebendo minha cara de poucos amigos, esclarece-se:
— Calma, Nikky! Eu estava brincando. O que aconteceu para você
estar nesse estado? Se o problema não é mulher, por que está agindo como
uma mulherzinha de TPM?
— Na verdade, estou de TPA. — Bufo frustrado.
— TPA?
— Tesão pré-acumulado. Isso deve estar afetando o meu humor.
— Cara, desculpe! Eu sei que você é meu melhor amigo, mas não
consigo me controlar. — Cai em uma sonora gargalhada. — O aniquilador de
calcinhas está de TPA? Cadê a chuva de bocetas?
— Se quiser manter os dentes na boca, aconselho que não continue. Ou
ganhará de brinde, também, um nariz quebrado. — fui resoluto. — Vamos
ver se depois as menininhas ainda o acharão tão atraente assim.
— Tudo bem. Não está mais aqui quem falou. — Tenta permanecer
sério, apesar de manter em seus lábios um rastro de um sorriso. — Mas, o
que aconteceu? Por que está nesse estado de “ânimo”? É de uma foda que
necessita? Já sei: vou providenciar ainda hoje uma festinha particular em meu
iate e convidar umas gatas gostosas. Vai poder tirar esse seu estresse.
— Não é isso. Acontece que minha última orgia me rendeu dor de
cabeça. — reclamei.
— Está se referindo à manchete estampada nos jornais? — Estou quase
o fuzilando com o olhar, deixando nítida a minha advertência. — O quê? Eu
também leio o periódico grego. Mesmo estando fora, sempre acompanhava as
notícias do país de modo digital. — Dá de ombros. — Pensei que o assunto já
tinha sido abafado. Não? Tenho certeza que já devem estar falando do caso
do ator que fugiu com a amante.
— Não é somente essa a questão. O problema é que o tal periódico
chegou à pequena ilha de Meratizy.
— Merda! Que dizer que seus pappoús kai giagiá (avós) viram fotos
suas e das suas acompanhantes completamente nus?
— Não estávamos nus. Quer dizer... Estávamos. Mas colocaram uma
tarjeta na frente. Óbvio que já comprei por uma quantia substancial as fotos
originais para garantir que não haja a veiculação delas pela imprensa. Mas,
em todo caso, a merda já está feita. — lamentei.
— Certo. Então, se tudo já está ok, não vejo onde existe o problema. —
Não compreendeu o meu dilema.
Como ele retornou apenas ontem à noite de viagem, não está sabendo
de absolutamente nada da minha sentença. Estava em uma visita a uma nova
filial da Andreon Mávro Diamánti, nos Estados Unidos. Eu o relato
brevemente o diálogo que tive com minha giagiá e o seu ultimato, dizendo
que, a partir de agora, terei que representar um ótimo engomadinho
enfadonho.
— Cara, está fodidamente ferrado. — Começa a rir novamente. — É
claro que sei que em breve também terei que arranjar um excelente
matrimônio, mas ainda sou muito jovem para me atrelar a uma só mulher. É
como diz o ditado: eu me divirto com as erradas enquanto a certa não
aparece. Ainda sou muito jovem; tenho somente 29 anos. Tenho muitas
bocetas para comer.
— Você ri porque não é com você. Não sei como vou resolver esse
impasse. Terei que arranjar uma gynaíka por contrato ou algo do tipo. Uma
barriga de aluguel, talvez? — revelei minhas alternativas completamente
ilógicas.
Vovó nunca aceitaria tal acordo se tivesse conhecimento desses
pensamentos.
— Vai enganar sua giagiá?
— Não vou enganá-la. Ela quer um bisneto e eu lhe darei um. Se essa
história vazar, já posso até prever o tanto de alpinistas sociais chovendo na
minha cola. Meus espermatozoides estariam valendo ouro no mercado negro.
— Sigo em direção à minha cadeira e me acomodo nela.
Contemplo o horizonte do lado de fora através das amplas janelas de
vidro do edifício. Vejo alguns pássaros voarem, tão livres e soltos, no céu
límpido e azul de Mykonos. Até sinto um pouco de inveja da liberdade deles.
— O que vai fazer, Nikky?
Volto minha atenção ao Dimitri. O panorama que avistei há poucos
instantes parece ter perdido completamente o esplendor.
— Um contrato de casamento... — avisei com firmeza, sem analisar
profundamente a ideia. — Em que cada um terá o conhecimento de como
desempenhar seu papel em uma aliança de conveniência.
— E se você se apaixonar pela sua futura esposa ou vice-versa?
Minha longa estrutura se aflige.
— Não vai acontecer. — assegurei. — E, em relação a bebês, agrada-
me a ideia de ter um filho. Já estou ficando velho. Nesse quesito, minha
giagiá tem razão. — Reconheço esse fato, mesmo que essa decisão seja
minha penitência. — É claro que a mulher escolhida terá que ter princípios de
moral elevado. Tenho que ter a certeza de que o filho é meu. — Fecho a
expressão, recordando-me da traição amarga de Sophia.
A lealdade de uma mulher é algo de suma importância para mim.
— Quer dizer que o seu passatempo preferido agora será procurar uma
noiva nas altas festas da sociedade grega?
Inferno! Sinto calafrios somente de imaginar isso.
— Sim. Acho que não tenho outra alternativa.
Tento buscar outra solução, mas não a vejo. Terei que frequentar alguns
eventos monótonos da alta elite grega. Mas, enquanto não achar a mãe
perfeita e adequada para o meu futuro bebê, terei um belo angelos loiro para
me distrair e me satisfazer.
Sorrio, confiante de que em breve a encontrarei. Sua beleza exótica
estará inteiramente à minha disposição.
CAPÍTULO 05
ANGEL HARLEY

Chego em Waldo's Grégo Greek e vou direto para a parte superior,


onde tenho um pequeno quartinho alugado. O que ganho aqui é pouco e dá
para pagar minhas despesas pessoais. Infelizmente, não me sobra quase nada.
Imagino que será difícil arrecadar recursos e condições para enfrentar
Henrique algum dia. Em todos os últimos anos, ele tem vivido usurpando o
lugar que é meu por direito e controlando tudo que me pertence. Será que
encontrarei forças para o confrontar?
Dissipo tais pensamentos quando percebo a hora já adiantada. Em
breve o estabelecimento estará lotado e tenho menos de 15 minutos para me
aprontar. Tomo um banho rápido para refrescar o meu corpo da extenuante
caminhada e me lembro dos olhos azuis mais intensos e intimidantes que já
vi. Faz precisamente dois dias que evito seguir o mesmo percurso em que
encontrei o tal grego misterioso. Céus! Sem vê-lo por esse período, minhas
noites têm sido permeadas por lindas írises. Em determinados momentos
cheguei a acordar acalorada e trêmula; uma reação completamente diferente
das despertadas nas noites assombrosas em que eu acordava atordoada, ainda
sentindo o peso repulsivo de Eaton sobre mim. Esse último pensamento faz
com que eu esfregue a bucha com ainda mais força em minha pele,
recordando-me daquele momento tenebroso; contudo, as sensações
desencadeadas pelo belo grego são totalmente novas e incomuns. Nunca senti
essa conexão. Aliás, de certa maneira, achei que meu primo tivesse me
estragado para outros homens. Nunca tinha sentido algo tão visceral quanto
senti perto daquele cara misterioso.
Deixo os meus pensamentos sobre o grego enigmático de lado e, depois
da ducha, sigo para o quarto somente com uma toalha me cobrindo. Quando
chego no cômodo, levo um tremendo susto ao avistar Anthony no meio do
recinto.
— Que susto! — Levo uma mão ao coração e seguro de maneira firme
as bordas da toalha ao redor do corpo.
Seus olhos passeiam pela extensão da minha pele e eu noto um rastro
de luxúria perpassar por eles.
— O que está fazendo aqui? Por que não bateu na porta? — sibilei
entre dentes, demonstrando claramente que não gostei nenhum pouco da sua
atitude.
— Calminha, Angel! Eu bati na porta e não obtive resposta. Achei que
não teria problema algum averiguar se você estava aqui. — Um leve delinear
de um sorriso surge em seus lábios.
Tenho quase certeza que ele não bateu. Apenas está tentando se
justificar.
— Minha mãe me pediu para ver se você tinha retornado da caminhada,
já que não te vimos passar pelo corredor. E o movimento está começando a
ficar intenso lá embaixo. Precisamos de você.
— Tudo bem, Anthony. No entanto, jamais volte a invadir o meu
quarto! — exigi com clareza. — Diga à sua mãe que logo estarei lá. Só vou
me trocar rapidinho.
— Relaxe, Angel! É sempre tão reservada e nunca dá uma
oportunidade a ninguém de se aproximar.
— Anthony, por favor, não comece! — cortei-o.
— Ok. Já estou me retirando. Mas, se estiver precisando de alguma
ajuda, terei o imenso prazer de me dispor. — Pelo seu tom de voz, pude
detectar cobiça. Com isso, meu corpo estremece.
— Anthony... — murmurei seu nome como uma advertência.
— Já estou me retirando. — Dá de ombros antes de deixar o quarto. —
Mas a oferta permanece de pé.
Não dou ouvidos ao seu comentário descabido. Não sei por que ele
ainda perde tempo jogando suas cantadas ridículas para cima de mim. Não
tem nem consideração pela namorada. Amargurada, penso que com certeza
iria embora daqui se tivesse condições. É claro que permaneceria em contato
com minha doce amiga Charlize, quem tenho como uma irmã que nunca tive.
Deixo minha análise trivial de lado e visto rapidamente a minha roupa
de garçonete: um vestidinho preto com detalhes vermelhos. Também calço as
sapatilhas e, por último, pego o avental, o qual amarro na cintura enquanto
desço as escadas. Quando chego à entrada principal do estabelecimento, vejo
somente dois clientes. Um está degustando sua refeição e o outro está sendo
atendido por Charlize. O movimento está tranquilo, diferentemente de como
Anthony deu a entender. Ele está no caixa, como Amélia não está no seu
posto. Creio que a “Bela adormecida” está no seu sono de beleza.
Quando minha amiga me avista, faz um leve aceno com a cabeça e
pinta um sorriso caloroso nos lábios. Retribuo sua afeição, pego meu
bloquinho e caneta de cima do balcão e vou atender outro cliente, que acabou
de se acomodar. Ela me dá uma ajudinha sempre pela manhã, já que sua
faculdade de Pedagogia é no período da tarde.
E assim é meu dia, entre alguns clientes esporádicos. O pico maior está
sempre no horário de almoço; período esse em que já sinto minhas pernas
doerem por causa dos constantes movimentos repetitivos de atender uma
mesa e outra.
Só depois do fim do expediente as mesas e o ambiente estão limpos,
brilhantes, e toda a louça lavada.
É claro que não estou reclamando do acolhimento que recebo da
senhora Rosemeire, mas sei que às vezes ela acaba me explorando no
trabalho.
Acomodo-me em um dos estofados que fica em frente à grande vidraça
do estabelecimento. A sorte é que Amélia não deu as caras por aqui hoje.
Acho que deve ter ido a algum compromisso, senão, com certeza, implicaria
comigo. Só necessito de 10 minutinhos de descanso do dia intenso do
trabalho.
Charlize entra no local com um exemplar de jornal nas mãos.
— Ah! Você está aí. — Vem ao meu encontro e se senta ao meu lado.
— Foi difícil, mas consegui achar um dos últimos jornais com a postagem do
deus grego de quem lhe falei. — Está toda animada.
Há cerca de uma semana, ela vem me importunando com esse bendito
assunto a respeito da tal reportagem do bilionário grego que foi flagrado em
alguma orgia no seu iate e virou notícia no país. Ela até saiu para comprar o
tal periódico, porém eles já tinham sido recolhidos das bancas e das mídias
sociais.
— Charlize, você está toda animadinha assim porque encontrou o
jornal com a reportagem do tal grego? Meu Deus! Está parecendo uma
voyeur ao falar desse homem a todo instante.
— Isso é porque você não viu esse deus grego, Angel. Ele parece um
espécime raro da beleza masculina e seus olhos azuis hipnotizam até mesmo
a mais tímida das donzelas. Tenho certeza que basta ele estalar os dedos para
que pernas se abram.
Fico constrangida por ouvi-la falando assim. O homem só pode ser
considerado uma raridade da beleza, a oitava maravilha do mundo. Confesso
que agora até eu fiquei curiosa com o tal espécime masculino que está
deixando minha amiga sem fôlego.
— Deixe-me ver aqui! Até despertou minha curiosidade. — Pego a
folha de suas mãos e vasculho a matéria que lhe chamou a atenção, tendo a
certeza de que minha amiga, no mínimo, está exagerando.
Quando encontro a manchete em questão e vejo as fotos, fico
impactada. É ele o grego misterioso que vem permeando meus sonhos desde
o nosso encontro inusitado. Céus! As imagens são extremamente
comprometedoras. Foi até preciso colocarem tarjetas para ocultarem a nudez
dele e das suas acompanhantes. É perceptível que se trata de uma orgia sexual
e, em algumas fotos, dá para perceber uma das mulheres sentada em seu colo
enquanto a outra alisa a parede de músculos definidos do seu tórax. Mesmo
sob a parca iluminação, é nítido o que o trio está fazendo.
Oh, Deus! O homem que vem dominando os meus sentidos nos últimos
dois dias e sendo o responsável por inundar minha calcinha não passa de um
depravado sexual.
— Nossa! Eu bem que queria ser uma abelhinha nessa hora para
conferir o material. — Ela ri manhosa e solta um longo suspiro sonhador. —
Pelo tamanho da tarjeta, podemos imaginar que é algo impressionante. —
afirmou com malícia.
Recordo-me bem da luxúria refletida nas írises azuis e enigmáticas do
grego misterioso quando ele, de maneira atrevida, desceu o seu olhar de
predador até minha camiseta molhada. Pude notar seus olhos quentes sobre
meus seios. Senti meu coração bater ligeiramente, em descompasso. Eu devia
ter me atentado ao perigo. Ele é do tipo de cara que as mães alertam para as
suas filhas manterem distância.
— Pare com isso, Charlize! Percebe-se que o homem é um libertino.
Aliás, ele está com DUAS mulheres. Deve ser algum pervertido mulherengo.
— repreendi a atitude do grego misterioso, que agora já sei como se chama:
Nikky Andreon.
Pronuncio seu nome forte devagar em minha mente, como se o
gravasse na memória. Denota um poder e uma autoconfiança exacerbada.
De alguma maneira, sinto que aquele encontro pode se reprisar. E, eu
desejaria isso?
Caramba! Espanto-me com esse questionamento. É óbvio que não.
— Ah! Qual é? Vai dizer que nunca folheou alguma revista de fofoca e
se deparou com o charme arrebatador de Nikky Andreon?
Eu já tinha relatado brevemente o meu incidente com o tal homem
fascinante e mal-humorado para ela. Nunca poderia supor que fosse o seu
fascínio masculino. É claro que deve ser somente uma paixonite passageira
por uma celebridade. Porém, devo reconhecer que ele é de tirar o fôlego.
— Depois da matéria picante fiquei ainda mais curiosa. Não sabe como
foi difícil conseguir esse jornal. — Dá de ombros, exibindo um sorrisinho
sacana e me analisando profundamente. — Espere! Você está com uma
expressão estranha desde que viu o periódico. É como se... Como se... Oh!
Não pode ser! Agora, lembrando-me bem, pela descrição do homem que você
mencionou que quase te atropelou, pelo seu descuido, ele tem características
muito semelhantes às de Andreon: olhos azuis, lindo de morrer... Oh, Theós!
É ele, Angel, o grego misterioso? — Eufórica, solta um gritinho animado. —
Conte-me tudo e não me esconda absolutamente nada! Sabe que sou sua
melhor amiga. — Encara-me com um sorrisinho chantageador.
Vendo que não terei como disfarçar, assinto com a cabeça.
— Charlize, posso te garantir que ele não é isso tudo. — menti.
Nikky Andreon é lindo demais e as fotos não fazem jus à sua beleza
máscula. Porém, a constatação de que é um sem-vergonha e um playboy em
busca de diversão e prazeres desapegados faz com que eu crie uma película
de proteção contra ele.
— Como não? Deve ser perfeito. Fale, Angel! Ele faz jus à sua fama de
aniquilador de calcinhas? — Suspira com seu ar sonhador.
Aniquilador de calcinhas? Está mais para um furacão. Isso, eu não sei,
mas já experimentei seu “inundador de calcinhas”. É quase inevitável ser
completamente imune à sua presença dominante. Ele é a personificação
masculina do pecado.
Como não respondo nada, minha amiga me lança outra pergunta, como
se estivesse adquirido uma matraca desenfreada.
— Você se sentiu, Angel, com as pernas bambas apenas por vê-lo tão
próximo?
Pernas bambas? Senti meu organismo inteiro trepidar sob seu olhar
quente e devasso. Isso sim.
— Está se iludindo à toa, Charlize. Eu já lhe disse que ele não causa
esse efeito todo nas mulheres. — desconversei, não querendo admitir que ele
me causou tal reação e muito mais.
— Fale por você! Se o seu incidente com Nikky tivesse sido comigo,
com certeza eu teria desmaiado naqueles braços másculos.
Estávamos tão distraídas na conversa, que não tínhamos nos dado conta
de uma chegada inoportuna e sombria: Amélia.
— Que bonito! Em vez de estar trabalhando, Angel, você e minha
irmãzinha estão colocando o papo em dia. — proferiu cortante, com seu tom
azedume. — Não é paga para enrolar no expediente, garota. Minha mãe está
pegando muito leve com você. — exprimiu de forma áspera.
Logo a olho de um jeito mordaz. Ela não perde a oportunidade de me
rebaixar e de deixar clara a minha posição na sua família.
— Amélia, se não percebeu, o estabelecimento já se encontra fechado e
sem nenhum cliente. — Charlize rebateu.
— Eu não falei com você, Charlize, e sim com a subalterna da
empregada.
— Ela não é uma funcionária neste momento. Angel é minha amiga e
nós estamos conversando.
— Você, como sempre, está passando pano para as falhas de Angel. —
disse meu nome de maneira esnobe.
Ela constantemente destila seu veneno sobre mim e não perde a
oportunidade de me rebaixar. Seu sorriso prepotente pinta seus lábios
vermelhos, e seu traje elegante, como de costume, esconde sua alma pouco
atrativa e imperiosa. Sinto uma vontade imensa de deixá-la em farrapos, de
dar uma bela surra na metida, porém controlo esse desejo insano. Domino-me
fervorosamente e não revido sua falta de empatia comigo. Não vou respondê-
la com o mesmo amargor, apesar de sentir esse imensurável anseio. Não vou
me rebaixar ao seu patamar.
— Aliás, já que vocês não têm nada para fazer além de fofocar, tenho
uma proposta de um bico para você, Angel. Está interessada? — Sem esperar
resposta, continua. — Uma amiga minha, que trabalha para a alta sociedade
grega em festas e comemorações, está necessitando de alguns garçons e
garçonetes para um evento em um iate. Dei o seu nome para participar. —
Foi nítido o seu propósito de me rebaixar.
Ela está muito enganada se pensa que me ofendeu. Se é um trabalho,
vou aceitá-lo. Quanto mais rápido eu conseguir juntar algum dinheiro para
sair daqui e enfrentar Henrique, melhor será para mim.
— Claro que aceito, Amélia. — Ofereço-lhe o meu mais caloroso
sorriso, notando que ela não esperava por essa reação da minha parte.
A mulher apenas ergue uma sobrancelha, incrédula, e mantém a
expressão de surpresa em seu semblante. Mas logo se recupera.
— Excelente. Pelo menos sabe o seu lugar de empregada. — falou mais
brandamente.
Minha mãe sempre me ensinou que se alguém nos ofende ou nos
humilha, não devemos pagar com a mesma moeda. Não estou dizendo que é
fácil, porque muitas vezes é difícil e, na maioria das ocasiões, somos levados
pelo momento. Mas, o que isso nos torna? E o que ganharei me rebaixando
ao seu nível? Eu lhe dou flores sem espinhos, como mamãe sempre me
ensinou.
Ponto para mim, de certa maneira. Ela esperava que eu fosse me sentir
ofendida com sua oferta de trabalho, mas, muito pelo contrário, gostei, pois
sei que receberei integralmente essa diária e não serei extorquida.
— Então... Perfeito. O evento será amanhã à noite. Por isso saí para
fazer compras. Tenho a esperança de ser convidada. — Aponta para uma
sacola grande de papel com um slogan de marca de grife, que está em cima
de uma mesa. — Por favor, Angel, se me ver por lá, finja que não me
conhece!
Ah, claro! Como se eu fizesse alguma questão de ser associada a ela!
— Não se preocupe! Assim farei. — Esbouço o mais doce sorriso que
alguém poderia exprimir.
— Ok. Depois passarei o contato da organizadora para você. — Sai
como se nada tivesse acontecido.
Ao menos ela nos deixou em paz.
Continuo conversando algumas trivialidades com Charlize, puxando
outros assuntos, pois não quero mais falar do CEO grego misterioso. Até
mesmo porque a probabilidade de revê-lo é quase inexistente.
Já é tarde da noite quando vou me deitar após acertar tudo com a
senhora que está à frente da organização do tal evento no iate. Sinto uma
ânsia no meu peito, como se, de algum jeito, a noite de amanhã pudesse
mudar algo em minha vida. Esse pensamento é tão absurdo que logo o
dissipo para longe e, em poucos minutos, sobre a pequena cama estreita de
solteiro, permito-me ser tragada pelo sono e adormeço.
CAPÍTULO 06
NIKKY ANDREON

Observo o céu escuro e estrelado de Mykonos, escutando as suaves


ondas do mar serem abafadas pelo som da música grega ao fundo da enorme
embarcação. A recepção está impecável e várias pessoas em seus trajes
elegantes já circulam pelo convés. Alguns puxa-sacos, com sorrisos tolos nos
rostos, creem que estão ganhando alguns pontos comigo. Entretanto, já estão
descartados de um próximo diálogo.
Puta merda! Vou arrebentar a cara daquele filho da puta do Dimitri, que
me colocou nessa enrascada de propósito. Parece que o assunto de que estou
disponível no mercado casamenteiro já se infiltrou pela alta ala da sociedade
grega. Infelizmente, não pude declinar o convite da senhora Lykkarios, já que
o meu inestimável amigo o aceitou em meu lugar. Segundo ele, estou no
ambiente perfeito para encontrar, senão uma esposa, uma foda formidável.
Todavia, as opções disponíveis na embarcação me causam aversão.
Sentindo-me sufocado com esse pensamento, imediatamente levo a
mão ao meu colarinho e afrouxo a gravata. Estou parecendo um enorme peru
pronto para o abate. Acredito que os olhares de todas as jovens solteiras estão
cravejados em mim.
É óbvio que os de algumas casadas também. — pensei com um sorriso
sacana.
Causa-me “urticária” apenas me imaginar ligado definitivamente a uma
só mulher, sem ser para uma rápida e fogosa troca de prazer carnal. E disso,
eu entendo. Não é à toa que todas as minhas antigas amantes sempre
relutaram para aceitar o fim de nossos tratos. Não, especificamente, de
relacionamentos, já que a maioria não durou nem uma semana comigo e logo
fiquei entediado. Mas elas ficavam bastante satisfeitas, porque além das
noites intensas de prazer que eu as proporcionava, saíam do acordo com uma
vultosa soma em dinheiro e uma bela joia da Mávro Diamánti.
Pego um copo de whisky, de um dos garçons que circulam pelo espaço.
Estou prestes a levar a bebida aos lábios e a degustar para me distrair do meu
tédio, quando avisto entrar na embarcação o meu velho amigo, Apollo
Amazzotty. Além da longa amizade que se formou entre nós na época da
faculdade, temos alguns investimentos em comum, como a empresa
Amazzotty Marítima. Ele também presta serviços à Andreon Mávro Diamánti
na exportação de matérias-primas.
Acompanhado da sua encantadora esposa, Kristen, adentra o recinto e
caminha pelo pavimento do navio, cumprimentando alguns convidados. Em
um determinado momento fuzila com o olhar um jovem rapaz que não parava
de admirar sua bela mulher. Vejo-o, também, envolver seu braço em volta
dela, segurando com possessividade a sua cintura, como se assegurasse que
ela já tem dono. O jovem parece compreender seu recado e sai rapidinho do
radar Amazzotty.
Rio da cena cômica. É quase inacreditável que seja o mesmo Apollo de
antes. Nós já frequentamos várias festas particulares regadas a muitas orgias.
No mínimo, cada um de nós só deixava essas recepções com duas beldades
quentes e gostosas.
Tomo um gole da bebida enquanto esbouço um sorriso irônico no canto
da boca. Quem diria que, um dia, o garanhão Amazzotty, que pegava todas,
estaria completamente rendido a uma só mulher? Meu rosto se entenebrece
quando me lembro que também já cogitei trilhar esse mesmo caminho.
Entretanto, recobrei meu juízo a tempo e percebi o quanto seria perigoso.
Não tive sentimentos profundos por Sophia. Longe disso. O nosso
casamento seria baseado unicamente em interesses, já que meu giagiá e seu
velho amigo, um dos sócios da empresa, Dionísio Barrilli, eram convenientes
à proposta de ligar as duas famílias em um arranjo sólido. É evidente que o
pai de Sophia estava satisfeitíssimo com esse acordo com o sócio majoritário
e presidente da Mávro Diamánti.
Ele ficou totalmente confuso com o rompimento do contrato, pois não
lhe dei maiores detalhes sobre os fatos sórdidos que ocorreram naquela noite.
A única que sabe a verdade é minha giagiá, que me apoiou e convenceu o
marido que o melhor seria não termos essa aliança com a família Barrilli.
Creio que ela tenha abrigado uma falsa esperança de que logo eu encontraria
uma noiva adequada. Contudo, a deslealdade de Sophia me fez perceber o
quanto mulheres podem ser a ruína de um homem. Não foi assim que Sansão
se sucumbiu? E quantos outros mais pereceram nessa mesma artimanha
feminina?
Rio sarcasticamente, observando meu arredor até me deparar com a
jovem Heleonora Katsaros me devorando com os olhos. Percebendo que está
com minha atenção voltada para si, passa a ponta da língua nos lábios
provocantemente avermelhados. Reparo no seu movimento discreto de
abaixar mais o decote, fazendo com que seus seios firmes quase pulem para
fora do vestido vermelho e sedutor. Seria uma visão interessante e tentadora
para mim se eu estivesse procurando uma foda noturna ou ocasional. Mas ela
está descartada desse propósito. Apesar do seu olhar escuro prometer noites
ardentes de prazer, também demonstra ambição. Com certeza já deve estar
inteirada de que necessito de uma mãe para o meu futuro herdeiro. Por esse
motivo, está jogando seu charme sobre mim. Uma vez escutei alguns
burburinhos acerca de ela ter sido amante de um jogador de futebol famoso.
Posso ver nos seus olhos cobiçosos que anseia mais do que ser minha amante.
Além do mais, também existem rumores no mercado financeiro de que a
família Katsaros está prestes a decretar falência nos negócios devido a um
mal investimento que o patriarca da família realizou. É evidente que seu vício
em jogos acelerou esse processo. Agora, Herácles Katsaros deve estar
querendo barganhar a filha para um vantajoso casamento.
Theós! Onde minha querida avó me colocou? Percorrer o mesmo
caminho novamente pode ser desastroso.
Trato de desviar o foco daquela direção, deixando clara a minha falta
de interesse na mulher, e busco pelo casal do momento. Apollo está
conversando com Alexandre Megalos enquanto sua mão possessiva continua
em volta da cintura da esposa. Quem diria que, um dia, esse libertino seria tão
protetor com sua fêmea? Rio internamente. Definitivamente, nunca poderei
imaginar algo assim para mim, mesmo que, em breve, eu vá estar ligado a
alguma mulher da alta elite grega por um único objetivo em comum: a
descendência dos Andreon. Garantirei que não exista nenhum vínculo
emocional entre nós, porque a nossa única troca será o sexo excepcional para
alcançarmos um propósito: a concepção do meu herdeiro. Afinal, o que um
corpo feminino pode oferecer além de uma foda agradável?
Eu estava tão absorvido por esses pensamentos, que apenas agora notei
que Apollo está próximo a mim, estendendo-me sua mão forte.
— Apollo! Como tem passado? — Cumprimento-o e me viro para
cumprimentar sua esposa encantadora. — Kristen, a cada dia que passa, mais
bela fica. Creio que a noite ganhou mais brilho com tamanha beleza.
Ela apenas me cumprimenta de volta com um sorriso singelo no seu
rosto perfeito.
— Eu estou bem. — Apollo afirmou em um tom firme. — Realmente,
sou um homem de muita sorte por tê-la ao meu lado. Entretanto... — Firma a
mulher ainda mais ao seu corpo. — Andreon, sugiro que guarde seus elogios
à sua futura esposa se não quiser perder os dentes.
Um sorriso aquece meus lábios. Apollo Amazzotty ciumento? Essa é
uma nova faceta da sua personalidade, visto que já dividimos muitas amantes
no passado e ele nunca se importou, de fato, com isso; nem mesmo quando
foi a vez da estonteante Anelia Demyankov. Nunca tinha sido advertido por
um tom de protesto seu.
Tenho vontade de provocá-lo, só que não quero sair do navio com um
olho roxo ou o nariz sangrando. Constato que, pela sua fisionomia, realmente
cumpriria o que prometeu.
— Apollo! — Kristen o repreendeu. — O Nikky só está sendo gentil.
— Volta-se para mim com um sorriso meigo. — Perdoe o meu marido! Em
certas ocasiões, ele se comporta como um ogro.
Aceno com a cabeça, tentando refrear meu sorriso.
— Diz isso porque não conhece o histórico dele, agápi. Não sabe
quantos corações partidos ele já deixou em pedaços pelo caminho. — jogou,
transparecendo um leve ar humorado. — Quando estávamos na faculdade,
tive que consolar muitos corações.
— Se conheço bem o seu antigo histórico de libertinagem, marido,
deve ter deixado o mesmo rastro. — Olha-o.
Ele beija sua testa e sussurra ternamente e categoricamente:
— A única que existe no meu mundo agora é você, agápi, e nossos
pequenos.
Ele a aconchega mais entre os braços e ela recosta a cabeça em seu
peito. Parecem dois apaixonados. Observo ambos nessa conexão e depois me
atento ao pequeno volume formado no ventre de Kristen, comprovando seu
estado gestacional. Porra! Outro bebê? Desse jeito, eles vão montar, em
breve, um pequeno time olímpico. A última vez que os vi em um evento
familiar, a pequena e doce Athena era somente uma bebezinha. Aliás, pelo
que me lembro, seu sorrisinho banguela me encantou. E o pequeno Nicolay já
estava um rapazinho bem esperto e ativo, por sinal.
— Meus parabéns aos papais! Eu não tinha conhecimento de que
estavam aguardando a chegada de outro bebê.
— Obrigado!
— Obrigada!
Eles agradeceram em uníssono.
— Acredito que logo teremos um pequeno time para as próximas
competições. — Dou um sorriso, relembrando-me das competições anuais de
iatismo que participamos.
Apollo, como um ótimo conhecedor dos mares e excelente engenheiro
naval, não perde uma delas. Claramente, só participamos delas por esporte.
No fim da maratona, ele tem sempre uma recompensa maior além da vitória:
sua bela esposa e os filhos o aguardando em terra firme.
De repente vislumbro um certo xanthos angelos (anjo loiro) também
me aguardando com um bebê nos braços e um lindo sorriso estampado nos
seus lábios perfeitos e voluptuosos. No mesmo instante em que a imagem
fomenta em minha mente, reprimo-a. Porra! Que caralho de pensamento
absurdo foi esse? Ainda estou sendo punido pela imprecisão de raciocínio.
Somente agora me dou conta de que estou sozinho com Apollo. Ele me
questiona algo sobre a próxima competição e eu olho em volta, vendo que
sua esposa está conversando animadamente com a senhora Ioannou, uma das
matriarcas mais conceituadas em toda a Grécia por realizar eventos que
arrecadam fundos para obras sociais.
Retorno minha atenção ao meu amigo, questionando-o:
— O que disse?
— Eu disse que na próxima competição, você provavelmente estará no
time dos casados e com filhos também. — seu tom foi de brincadeira. E,
como não respondo nada, ele conclui sua fala. — Será que o rumor que
escutei recentemente é verdadeiro? Quer dizer que está à procura de uma
esposa? — Na sua feição está formada uma micro expressão de
incredulidade.
— É uma longa história. Acredite: se eu tivesse outra opção, iria
agarrá-la. Não tenho escolha. Agora, devo estar sendo o solteiro mais caçado
da Grécia. Quem diria que, de caçador, eu passaria a ser a presa? — desabafei
usando um tom melancólico.
Ele começa a rir.
— Não ria, meu amigo! A situação é séria.
— Desculpe, Nikky! Não tem como não rir. Está parecendo uma
mulherzinha fazendo drama, cara. — provocou.
— Diz isso porque não é você que está com a corda no pescoço. —
retruquei.
— Na verdade, eu já estive desse lado, amigo. Vejamos! Quando
descobri que minha doce Kristen estava grávida, eu me senti preso em uma
armadilha no primeiro momento, pois era para ter sido só um fim de semana
de sexo. É óbvio que eu estava tentando me convencer desse fato. Depois
percebi que, na realidade, tudo foi uma benção, pois sempre a desejei para
mim. Não consigo imaginar minha vida sem minha agápi e meus pequenos.
— afirmou com convicção. — Quem sabe se apaixone pela sua futura esposa,
de verdade?
Faço uma pequena careta de aversão à sua sugestão.
— Amazzotty, vire esta boca para lá! O que menos desejo é envolver
sentimentos nessa aliança. Só recebi um ultimato e devo cumpri-lo. Porra!
Você, mais do que ninguém, conhece o meu estilo de vida. Acha que consigo
ficar um mês sem sexo? Há uma semana sem, já estou quase subindo pelas
paredes. E o pior é que todas as possíveis fodas agora me olham de um jeito
diferente, como se já fossem a nova senhora Andreon.
— É, Nikky. Parece que você está ferrado. — Pega um copo de whisky
da bandeja de um garçom que está passando próximo a nós. O meu cálice
permanece quase intacto.
Ficamos conversando por mais alguns minutos sobre assuntos triviais e
alguns futuros negócios em comum. Em seguida, ele se despede e vai de
encontro à esposa para que possam cumprimentar outros convidados.
Meia hora depois estou distraído e entediado olhando para a lua
refletida na água escura do mar, além de estar xingando mentalmente o filho
da puta do Dimitri, que me ligou há uns 15 minutos para comunicar que não
poderia comparecer a esse evento porque lhe surgiu um compromisso de
última hora. Sei bem qual imprevisto lhe apareceu. Antes que ele encerrasse a
ligação, escutei um gemido feminino manhoso ao fundo.
Quando retorno o meu olhar para os convidados, algo capta a minha
atenção: uma cascata preciosa de fios de ouro, inestimáveis como uma aurora
boreal, presos por uma singela fita vermelha. Quando ela se vira de lado,
posso vislumbrar seu rosto perfeito e tenho a plena certeza de que...
Caralho! É ela! É meu doce angelos!
Ela está trajando uma roupa simples de garçonete, deslocando-se pelo
convés com um sorriso lindo na face e com uma bandeja de bebidas em
mãos, servindo os convidados. Não me passa desapercebida a cara de cobiça
que alguns filhos da puta demonstram ao olhá-la, sem disfarçar. E essas
atitudes atiçam o meu lado selvagem. Desejo rugir e dilacerar cada maldito
patife que está cobiçando o que é meu. Caralho!
Fico confuso com esse pensamento de posse, porém não me importo.
Ela, claramente, cumpre seu trabalho com desenvoltura e elegância, em
momento algum exprimindo alguma ação que possa indicar sua disposição a
um jogo amoroso. Porém, nada impede que os babacas engomadinhos a
olhem com desejo.
Naturalmente, a mulher é bela e demonstra não ter consciência de sua
beleza. Observo, ao longe, quando o velho Pachys se inclina mais do que o
necessário para pegar um copo de bebida da bandeja dela. O filho da puta não
tira o olhar do seu decote.
Cerro os punhos e travo a mandíbula. O meu anseio é de arrebentar a
cara do velhaco, que não tem a mínima decência de respeitar a sua esposa,
que está próxima a ele, tendo uma conversa formal com a senhora Papoulos.
Quando a moça se afasta é notória sua insatisfação em relação à
atenção inapropriada do homem, que continua com uma expressão lasciva e
predadora. E, antes que a beldade loira consiga se retirar da sua presença
detestável, o miserável agarra seu pulso e sussurra algo para que somente os
dois escutem. Dos lábios repulsivos do patife surge um sorriso molhado e
abominável, mas ela, de modo firme e inesperado, sussurra de volta algo que
o faz desaparecer e morrer.
Prontamente, sou eu quem sorrio agora, satisfeito. Acho que a omorfiá
mou (minha bela) sabe se defender.
Logo após o lamentável episódio, vejo-a sumir por um compartimento
da embarcação e retornar alguns minutos depois, recomposta. No seu
semblante há determinação.
Uma inquietação toma conta de mim quando noto o jovem Hangriolos,
o mesmo filho da puta que, de modo ousado, estava devorando a esposa de
Apollo, acenar com a mão para a loira. Meu organismo entra em estado de
apreensão enquanto a observo se aproximar do engomadinho, filho de papai,
e dos seus amigos.
Porra! Será que vou ter que acabar com cada miserável daqui?
O moleque, que aparenta ter ingerido álcool demais, está olhando de
maneira indecente para o meu mikró angelos. Então, um ódio visceral me
domina e eu cerro os punhos. Quero rasgar a cara do maldito pirralho, mas
me controlo. Tenho certeza que minha expressão está como uma chaminé:
soltando fumaça. Sinto uma forte tensão nos ombros e acho que meu ínfimo
controle está a ponto de se dissolver. O babaca pega o copo com a bebida e
fala alguma gracinha para ela. Sei disso, pois percebo sua postura tensa como
resposta. Os demais babacas, que estão acompanhando o imbecil, fazem uma
espécie de cerco ao redor dela, intimidando-a.
Ao tentar se desvencilhar deles, ela se vira de costas para se retirar dali.
E, nesse momento, constato que a mão ousada do idiota, de jeito inoportuno,
aperta seu belo traseiro. A beldade loira, comprovando a brincadeira de mau
gosto, vira-se na direção dele novamente, indignada, e o repreende. Ele
apenas ri, desdenhoso, e continua sua implicância.
Não me controlando, vou em direção ao pequeno grupo. Quando estou
me aproximando do babaca, escuto-o dizer:
— Ah! Qual é, belezinha? Eu estava só conferindo o material. E está de
parabéns: bem durinha e empinada, como adoro.
Encarando o palerma, detecto que ele já está com os sentidos nublados
pelo álcool. Porém, essa não é nenhuma desculpa para tratar uma mulher de
maneira vulgar.
— Já está avisado, senhor. Se ousar qualquer outra gracinha outra vez,
quebrarei esta bandeja na sua cabeça. E pouco me importa de quem é filho.
— bradou bem irritada.
— Nossa! Ela é esquentadinha. Adoro! Venha aqui, loirinha! Vamos
nos divertir um pouco! Eu pago bem e tenho certeza que não vai se
arrepender. Basta saber me satisfazer, e nunca mais precisará trabalhar de
garçonete.
— Vá para o inferno, seu mauricinho meia-tigela! Não me provoque!
Ou acabará conhecendo a força do meu joelho. — Pelo que pude notar, ela
sabe perfeitamente se defender.
— Ela é marrenta. Calma, gracinha! Dê um preço para mim e vamos
sair daqui, para irmos a um lugar tranquilo! — Dá um sorriso malicioso.
Ele, percebendo minha presença atrás da bela garçonete, logo me olha.
E seus amigos se afastam devido à minha chegada. Hangriolos não passa de
um pirralho que se acha o fodão por estar usando terno e fazer a barba.
— Algum problema por aqui? — minha voz saiu autoritária e firme.
— Não se meta, Andreon! — exigiu, demonstrando todas as
consequências que o álcool pode trazer.
Minha mikró sedutora se vira para mim e seus olhos azuis perfeitos se
chocam com os meus. Vejo surpresa na sua expressão.
— Obrigada, senhor! Mas não é necessário. Creio que o jovem senhor
já compreendeu.
— Claro, belezinha. Mas antes, passe seu telefone para mim! — Ainda
não se atentou ao perigo.
Estou me dominando para não golpear sua cara e desmanchar seu
sorrisinho audacioso. E quando ele pronuncia as seguintes palavras, fervo em
fúria.
— Quero conhecê-la intimamente.
Um caralho que o filho da puta vai conhecê-la intimamente! Ainda
sinto o sangue fluir com ódio por todo o meu organismo e comprimo os
lábios, tentando refrear meu furor.
— Não está vendo que a senhorita está trabalhando, jovem Hangriolos?
— meu tom foi baixo, mas deixei clara a advertência.
— Fique na sua, Andreon! A conversa aqui é somente entre os jovens.
E a loirinha estava me dando mole. Não se meta!
Esse foi o estopim que eu necessitava para arrebentar sua cara de
maricas. Rapidamente, afasto a loira do meu caminho, para que ela não se
machuque, e apenas a vejo ampliar os olhos, já prevendo o que irá acontecer.
— Não! Por favor... — Escuto o murmúrio dela, só que o limite da
minha paciência já se dissipou.
Volto o meu foco para o rapaz metido a machão e ergo o punho. Ele
arregala os olhos, mas já é tarde demais: acerto, em cheio, um soco no seu
olho. Imediatamente o moleque cambaleia para trás e seus amigos o
abandonam. Apenas um corre ao seu auxílio.
No momento somos o centro das atenções.
— Ei, cara! Eu só estava brincando. — Um rastro de sangue surge do
seu supercílio.
— Agora aprenderá a tratar uma mulher com respeito. — avisei
asperamente.
Ele sai de mansinho da minha frente, sendo ajudado pelo amigo.
— Você está bem? — perguntei, virando-me para a garçonete. Ela
permanece com uma expressão anestesiada, sem compreender, de fato, o que
aconteceu.
— Sim. Mas eu não necessitava da sua intervenção. Oh, Deus! Creio
que estou com problemas agora.
Minha feição se fecha. Que porra está ocorrendo aqui? Eu a defendi e é
assim que ela me agradece? Pálida, olha para trás. Constato a presença de
uma mulher de meia-idade que parece ser a responsável pela organização do
evento. De forma firme, ela repreende a funcionária.
— Eu sabia que você era encrenca, garota. O que aprontou agora? —
sua voz saiu potente.
— Mas... Eu não fiz nada. Foi ele que... — tentou se justificar, mas foi
impedida pela carranca estarrecedora da mulher.
— Calada! — exclamou, sendo autoritária. — Devia ter aceitado seus
gracejos em silêncio, não os provocado.
A mulher se vira em minha direção com uma expressão sofrida,
desculpando-se.
— Senhor Andreon, mil perdões! O jovem Hangriolos estava somente
brincando com a funcionária. Sabe como são esses jovens.
— Senhora Geourgios! — pronunciei lentamente o nome que está
escrito em seu crachá, deixando-a perceber que se tratou de uma advertência.
— Creio que não se trata de uma brincadeira quando se assedia uma mulher
que, claramente, mostra contradição. Espero que a anfitriã não tenha a mesma
opinião da senhora ou que apoie esse tipo de conduta em seus eventos.
Devemos consultá-la? — Ergo uma sobrancelha e a olho severamente.
Sua tez fica branca como um giz e ela se aquiesce. Tem conhecimento
da minha influência.
Aproveito o ensejo e desvio o olhar para o rosto do mikró angelos. Seu
sorriso adorável adorna seus lábios voluptuosos. Caralho! Só a imagem deles
me fazendo um boquete deixa meu pau duro. Todavia, contenho o meu ardor
exacerbado. Aliás, desde que essa garota se lançou no meu caminho, minhas
fantasias de safadeza com ela têm se multiplicado.
Um sorriso devasso toma conta da minha boca. Terei que mudar de
tática se desejo tê-la ao meu dispor e na minha cama. Pelo que pude
comprovar, ela não aceitaria uma abordagem direta para ser minha amante.
Ou, talvez, esteja dando uma de difícil para prender a minha atenção, pois
tenho certeza que já ficou bem evidente o meu interesse.
Retorno o foco à senhora Geourgios, que está se recompondo.
— Por favor, senhor Andreon! Não comente nada! Já está esquecido e
o episódio não irá se repetir.
Eu aceno com a cabeça e ela se despede, segurando o braço da
garçonete de forma grosseira. Sinto vontade de romper os tendões dela. Sou
totalmente contra agir descomedidamente com uma mulher, mas sua maneira
de tratá-la atiça o fervor em meu sangue. Controlando-me, continuo a
observando sair arrastando-a pelo convés. Acompanho o percurso de ambas
até sumirem pelo compartimento inferior da embarcação.
Vejo Estevão se aproximar de mim discretamente.
— Senhor Andreon, devo fazer algo a respeito do que houve aqui? —
Ele é sempre atento e deve ter sido prudente para não chamar a atenção.
— Sim. Apenas se certifique de que nenhum escândalo envolvido desse
episódio chegue à imprensa! — lancei a ordem.
— Sim, senhor. — Retira-se para cumprir o que ordenei.
Para mim, esta festa já se encerrou. Despeço-me de alguns convidados
como se nada tivesse acontecido. Pelo menos já tenho um ponto de partida de
como obter maiores informações sobre a mikró, e amanhã mesmo passarei
mais detalhes ao investigador. Ele terá que ver a lista de funcionários que
trabalharam hoje, aqui, para a família Lykkarios.
Deixo o iate com um sorriso largo no rosto, tendo a compreensão de
que em breve terei maiores detalhes dela. Pelo que pude notar, através de sua
personalidade, terei que mudar minhas táticas de conquista.
CAPÍTULO 07
ANGEL HARLEY

Chego à grande embarcação quase em cima da hora, já que tive um


contratempo no restaurante que me obrigou a ficar lá até mais tarde. O que
Amélia adorou. Vi o seu sorriso de satisfação enquanto dizia para eu não me
atrasar, senão a senhora responsável pela organização do evento me daria
uma tremenda bronca.
Assim que me apresento na área dos funcionários, vejo uma mulher
rechonchuda e de meia-idade se aproximar de mim. Pelo crachá, identifico
que é a senhora Geourgios.
— Ah! Finalmente chegou. Deve ser a senhorita Angelique Miller. —
citou o nome falso que adotei quando fugi dos Estados Unidos. Desse modo,
todos pensam que Angel é um diminutivo de Angelique.
— Sim, senhora Geourgios. Perdoe-me pela demora! Eu... — tentei me
justificar, mas ela cortou minha pronúncia com uma voz ácida.
— Não me interessa o fato de a senhorita ter chegado atrasada. Já
demonstrou o tipo de profissional que é. — Analisa-me dos pés à cabeça. —
É muito bonita, menina. Portanto, peço para que se coloque em seu lugar e
não provoque nenhum convidado! Não quero nenhuma confusão por sua
causa.
Não compreendi ao que se referiu, ao certo, mas confirmo com a
cabeça. Ela me repassa o básico da dinâmica do trabalho e me entrega o
uniforme que devo usar, junto com as demais instruções e uma parte do
dinheiro. O restante só me entregará no final do evento.
Quando cheguei aqui, já percebi vários garçons circulando entre os
convidados. E, na pressa, dirigi-me rapidamente à área dos funcionários. Vou
a um pequeno compartimento e me troco o mais rápido que consigo. Saio de
lá com o pequeno uniforme, que considero um pouco curto demais. A todo
instante, procuro abaixar a saia do vestido, mesmo que ela esteja no meio das
minhas coxas.
Pego a bandeja e sigo para o convés, circulando entre as pessoas e as
oferecendo as bebidas que levo. Sinto que vários olhares masculinos estão
cravejados em mim, embora eu não esteja fazendo absolutamente nada para
lhes despertar atenção.
Caramba! De repente tenho uma sensação de mau presságio. Não devia
ter aceitado o convite de Amélia para esse trabalho, porém estava decidida a
lhe mostrar que sua indiferença não me atingiria e que o mal que ela me
desejasse, eu iria retribui-la com o bem. Esse é o mantra mais precioso que
posso me recordar dos meus pais.
Coloco um sorriso no rosto e sigo servindo, desejando
imensuravelmente que as horas restantes passem o mais breve possível.
Instantes depois, meu pedido parece não ter sido atendido, quando um
senhor de meia-idade pega um copo da minha bandeja e aproveita o momento
para olhar o meu decote, apesar de não ser revelador. Sinto uma raiva
tremenda e uma vontade de jogar o copo de bebida na cara do velho babão.
Assim que vou me afastando, deixo claro o meu desagrado, mas antes que eu
tenha tempo de me retirar da presença detestável dele, meu pulso é agarrado
discretamente e ele sussurra palavras torpes e devassas ao meu ouvido,
fazendo meus olhos lacrimejarem.
Recomponho-me a tempo e me viro para o “nobre” senhor. É com um
tom doce e mordaz ao mesmo tempo que lhe mando enfiar sua proposta
maliciosa no buraco negro do seu subconsciente. Não me importo de ser
grossa e acho que fui complacente até demais diante de sua arrogância de me
fazer uma sugestão promíscua. A única coisa que estou fazendo é realizar o
meu trabalho dignamente.
Saio da presença abominável dele e vou em direção ao compartimento
dos funcionários. Preciso me reestabelecer, recompor-me e retornar ao meu
afazer. Chego ainda bastante transtornada na pequena área de abastecimento.
Ora! Não estou dando cabimento para que esses babacas de terno e
gravata suponham minha disponibilidade para convites indecorosos. Mas é
evidente que esse é o mundo dos homens ricos. Eles pensam que tudo que
desejarem, pode ser obtido com dinheiro. Se tem algo que aprendi e carrego
arraigados dentro de mim são os ensinamentos dos meus pais, que, embora
tenham sido muito ricos, sempre me ensinaram que devemos ter caráter e
decência. Qualidades que são impagáveis. Recuso-me a ser tratada como uma
mercadoria por esses idiotas que se sentem os donos do mundo e acham que,
com um simples estalar de dedos, podem ter a mulher que quiserem.
Reabasteço a bandeja e sigo para o convés, altiva e com um sorriso
inabalável. Não será aquele pequeno incidente que irá abalar minha noite.
Quando sobra apenas um copo na bandeja para ser servido, um jovem
rapaz acena para mim, solicitando uma bebida. Vou em sua direção e o sirvo.
Assim que vou me retirando, o filho da puta do moleque apalpa
atrevidamente o meu traseiro. Minha vontade é de lançar o babaca nas
profundezas do mar. Quem sabe um banho gelado recupere o seu bom senso
de não agir como um idiota com as mulheres.
Fuzilo-o com o olhar.
— Calma, gracinha! — Dá um sorriso jocoso.
— Não faça isso novamente! Ou poderá não gostar das consequências.
— adverti.
Ele aparenta ter a mesma idade que eu e é perceptível os indícios de
álcool a mais no seu organismo. Ao falar alguma gracinha sobre o meu
traseiro, deixa-me ainda mais irritada. E eu, mais uma vez, repreendo sua
atitude nada coerente. A minha voz sai mais cáustica do que esperava,
inflamada pelo calor do momento
— Nossa! Ela é esquentadinha. Adoro! Venha aqui, bebê! Vamos nos
divertir um pouco! Eu pago bem e tenho certeza que não vai se arrepender.
Basta saber me satisfazer, e nunca mais precisará trabalhar de garçonete.
Filho de uma puta! Será que na minha testa tem alguma placa escrita
“garota de programa”? Sua atitude desdenhosa me faz ferver de raiva por
dentro. Lanço uma resposta à altura do seu atrevimento, sem me importar de
ser a atração principal da festa. E no momento que ele revida a próxima
gracinha, referindo-se ao meu preço, simplesmente é o meu limite. Estou a
ponto de usar a bandeja para lhe desferir um golpe na cabeça, para que seus
miolos voltem a funcionar, quando o observo fixar o olhar em algo atrás de
mim. Freio-me a tempo, pois pode ser algum dos seguranças ou até mesmo a
“coronel”, senhora Geourgios.
— Algum problema por aqui? — Ouço a voz potente vinda das minhas
costas, arrepiando meu corpo inteiro, mas não de medo.
Eu conheço essa voz que tem uma sintonia que me transmite uma
segurança que nunca senti.
Observo o tolo rapaz lhe responder como se não tivesse se atentado à
entoação poderosa de perigo.
Viro-me para trás a fim de ter a confirmação de quem é o meu salvador.
Não desejo que meu cérebro esteja me pregando peças. Então, vejo a figura
alta, enigmática e tão atraente. Por um instante, até penso que estou com a
boca aberta, babando. Ele está trajando um terno escuro e está tão sublime,
que acredito que seja uma miragem do reflexo da lua brilhante sobre o iate.
Creio que Charlize tem razão: esse homem só pode ser uma espécie de deus
da sedução entre as mulheres. Seus olhos azuis perfeitos são de uma cor tão
profunda, que, por algum tempo, acho que estou em transe. Suas órbitas
escuras parecem me tragar para as profundezas do mar Egeu.
Retorno da conexão surreal quando ele desvia seu olhar do meu e fita o
moleque atrevido. Posso ver suas írises se transformarem em fogos de fúria.
A esta altura, volto à realidade do momento.
— Obrigada, senhor! Mas não é necessário. Creio que o jovem senhor
já compreendeu. — tentei apaziguar os ânimos.
Minha vontade ainda é de dar na cara do rapaz.
Enquanto isso, o garoto parece um tolo destemido que não teme a
morte. Provavelmente, é efeito do álcool. A onda impetuosa de raiva não
abandonou o semblante do senhor Andreon e seus traços estão contraídos. Ao
citar o nome do garoto, noto advertência em seu tom, e logo suas mãos
másculas estão ao redor dos meus ombros, afastando-me do caminho. Já
prevejo o desastre iminente e o encaro, alarmada, implorando quase em uma
súplica.
— Não! Por favor! — murmurei em um fio de voz.
Meu pedido é completamente ignorado e, em um átimo, vejo seu punho
atingir em cheio o rosto do moleque. Vários olhares já estão voltados para
nós e posso imaginar que a “coronel” tenha observado o lamentável episódio.
Um dos amigos do rapaz, que permanece próximo a ele, agora o auxilia
e o leva para longe de Andreon, que mantém a postura rígida.
— Você está bem? — Suas linhas faciais estão menos tensas.
Ainda estou tentando assimilar o que houve aqui. Quem diria que
Nikky Andreon também é um cavalheiro?
Observo, ao longe, a senhora Geourgios se aproximar. Já sei que estou
ferrada.
— Sim. Mas eu não necessitava da sua intervenção. Oh, Deus! Creio
que estou com problemas agora. — Concentro-me na presença intimidante da
senhora.
Como eu já previa, ela me repreende.
— Eu sabia que você era encrenca, garota. O que aprontou agora? —
brandou com a voz ácida.
Tento me justificar, porém não tenho a oportunidade, porque sou
bruscamente interrompida por ela.
— Calada! — Percebo, pelas suas írises castanhas, o quanto quer me
trucidar. — Devia ter aceitado seus gracejos em silêncio, não os provocado.
O quê?! Bufo, indignada com sua resposta, seguro fortemente a bandeja
e freio a minha ânsia de lançar o objeto contra ela e a mandar catar
coquinhos. Readquiro o bom senso a tempo, antes que meu temperamento
impere e eu mande a esnobe para algum pronto-socorro. Respiro fundo,
controlando-me e prometendo a mim mesma que nunca mais aceitarei nada
que vier de Amélia.
— Senhor Andreon, mil perdões! O jovem Hangriolos estava somente
brincando com a funcionária. Sabe como são esses jovens. — Faz a cara mais
deslavada possível.
Sei que quando estivermos a sós, ela tentará me rebaixar mais uma vez.
Um sorriso se aquece em meus lábios quando ouço ele me defender de
modo firme, e se amplia ainda mais quando vejo a senhora se empalidecer
como uma vela. É evidente que com um convidado da alta sociedade grega,
ela não será desagradável. Imagino que descontará todo o seu furor em mim.
Imediatamente, a mulher tenta apaziguar a situação e depois pega em
meu pulso com força para sair me arrastando. Já sei o que acontecerá. Sua
pegada é dura, grotesca, e ela não se importa se está me machucando ou
deixando hematomas em minha pele.
— O que eu lhe disse, garota? Eu sabia que você era confusão. Agora,
quero que saia daqui. Nunca mais aceitarei alguma indicação de Amélia. —
Solta-me e aponta para a saída.
Permaneço altiva, pois não fiz nada do que deva me envergonhar.
— Tudo bem. Já estou me retirando. — afirmei com dignidade.
Sigo para a cabine disponível para os funcionários, troco rapidamente
de roupa e saio da embarcação. Em terra firme, analiso as alternativas de
retornar para casa. O ponto de ônibus mais perto fica a alguns minutos daqui,
e como não tem um trajeto próximo à praia, terei que andar um pouco para
pegar a próxima condução.
Observo as diversas barraquinhas espalhadas pela areia e paro um
pouco para admirar a paisagem noturna, percebendo alguns pubs abertos e
lotados de jovens que estão em busca de diversão. Mas a minha total atenção
está voltada para o mar; não especificamente para o iate que acabei de
abandonar, e sim para o esplendor da natureza em volta. Mesmo sob a
escuridão da noite e a luz da lua, Mykonos é um cenário encantador. Com
certeza o que me ajuda a manter a sanidade com a família de Amélia é morar
em uma verdadeira ilha paradisíaca. O panorama e a brisa do mar são
perfeitos.
Saio dos meus devaneios quando uma turma de jovens passa correndo
em direção à praia. Um deles, que está mais para trás, bate-se em cheio
comigo, sem que eu possa detê-lo. O que me leva direto ao solo.
— Ai! — soltei uma exclamação de dor ao sentir meu traseiro bater
contra o chão. Por sorte, a areia da praia amorteceu o impacto da queda.
O garoto, sem se importar com meu estado, simplesmente pede
desculpa e vai ao encontro dos amigos. Que mal-educado! Analiso os danos,
verificando que, aparentemente, estou bem, apesar do traseiro dolorido.
Ainda estou com a vista fixada para baixo, quando, prontamente,
observo uma mão vigorosa e máscula estendida para mim.
— Que bando de babacas! — Ouço sua voz consistente proferir de
modo inflamado. — Está bem, senhorita? — ao se dirigir a mim, ela saiu de
forma calorosa, branda e enérgica.
Sinto leves arrepios perpassarem pela minha pele. Até a voz desse
homem tem que ser sexy?
Por Deus, Nikky Andreon!
Quando fixo os olhos na figura enigmática à minha frente, apenas
confirmo o que já sabia e penso que o destino só pode estar me pregando
alguma peça.
Deixando minha análise de lado, aceito sua oferta de ajuda e seguro em
sua mão, sentindo uma conexão incomparável se aflorar em meu organismo.
Brevemente, jogo tais pensamentos para longe. Deve ser alguma
loucura ou insensatez da minha cabeça, já que muitas coisas me ocorreram
em um curto espaço de tempo.
Ele me ergue e, quando eu puxo minha mão de volta, noto sua
relutância em deixá-la, até, finalmente, liberá-la, deslizando seus dedos
longos e calorosos pela extensão da minha palma e fazendo eu sentir fagulhas
sobre minha pele.
Eu estava tão distraída, absorvendo sua beleza máscula, que somente
agora senti suas órbitas azuis e ardentes sobre mim.
Retorno à realidade, saindo da bolha calorosa em que eu estava
envolvida devido ao incandescente olhar grego.
— Sim. Estou bem, Nikky. Quer dizer... Senhor Andreon. — respondi,
tendo vontade de morder a língua.
Noto em seu rosto uma microexpressão de interesse.
— Já tem conhecimento de quem sou. — Não foi uma pergunta, foi
uma afirmação.
O que direi? Ah! Claro que sim! Que foi através da obcecação de uma
jovem que saiu recentemente da adolescência. Ah, Charlize! Por que você só
me coloca em problemas? Seria melhor se eu não tivesse me inteirado do tal
homem misterioso que esteve prestes a me atropelar.
— Sim. Eu vi uma reportagem sua em um jornal. — Vejo seu rosto se
crispar em pura raiva incontida e penso que cometi outro equívoco. — Eu...
Eu... Quer dizer... Eu não tenho nada a ver com sua vida de promiscuidade...
— falei tão rápido que pareci uma matraca desenfreada. Oh, céus! Só piorei a
situação. — Perdão! Não quis ser enxerida.
— Aquele foi um incidente isolado. — Constato, pela sua fisionomia,
que ele quer finalizar o assunto.
Simplesmente aceno com a cabeça.
— Compreendo. — Também dei por encerrada a questão.
Um sorriso surge em sua bela face.
— Sabe o que é mais engraçado? Já nos esbarramos três vezes em
situações um tanto inesperadas. Creio que devemos começar pelo básico e
nos apresentarmos devidamente. — Sinto uma euforia ímpar me inundar. —
Nikky Andreon. — sua voz saiu potente.
Ele acolhe a minha mão na sua de forma abrasadora.
— Angel Har... Apenas Angel. — Mordo o lábio, trêmula, e me
recrimino por ter sido tão descuidada perto dele.
Sinto o som da sua risada suave preencher os meus sentidos.
— Angel! — deslizou suavemente o meu nome entre seus lábios, quase
o reverenciando. — É um lindo nome, mikró angelos. — murmurou como se
saboreasse cada palavra.
— É um prazer, senhor Andreon. Agora, necessito ir. Ou,
provavelmente, perderei a próxima condução.
— Espere! Desta vez lhe darei uma carona. E não aceito um “não”
como resposta. — seu tom soou obstinado.
Minha mente trabalha arduamente, buscando algum pretexto para eu
recusar sua proposta, no entanto outro lado meu, incoerente e desconhecido,
deseja aceitá-la. De algum modo, quero saber mais sobre esse homem.
É tão descabido esse pensamento, que me assusto.
Mas, no fim, quando o meu olhar reencontra o seu escuro e
tempestuoso do mar Egeu, percebo que é inevitável não ceder ao seu
oferecimento determinado.
CAPÍTULO 08
NIKKY ANDREON

Krináki mou (Meu pequeno lírio) me intriga. Desde que a convenci a


aceitar a carona, está totalmente imóvel em um canto da limusine. Repassei
seu endereço ao Pedro e solicitei que ele desse algumas voltas pela ilha para
atrasar o percurso. Aparentemente, o esplendor do pequeno ambiente luxuoso
do interior do veículo não a seduziu. É notório que ela está tensa com algo e
que seu olhar de interesse material é vago. Uma atitude que me deixa
confuso, pois nunca conheci antes uma mulher que não me brindasse com um
sorriso amplo e cheio de cobiça. Era tão fácil dessa maneira. Eu lhes
proporcionava o que almejavam — muito luxo — em troca de um prazer
passageiro e fenomenal. E, em seguida, cada um ia para o seu lado.
Mas, pelo que notei, terei que usar as cartas certas se pretendo ter meu
lindo angelos esparramado na minha cama. Tenho certeza que com as
estratégias corretas irei tê-la à minha disposição e totalmente derretida de
desejo. Angel passou a representar um desafio para mim, e devo reconhecer
que há muito tempo não sinto essa adrenalina percorrer minhas veias. O que
me impulsiona ao meu novo objetivo.
Um sorriso de excitação invade meus lábios assim que imagino
fantasias obscenas e lascivas da minha mikró obsessão do momento. Tenho
certeza que, de um jeito ou de outro, eu a terei.
Vejo-a olhando de soslaio para mim e sei que não estou diferente dela.
— Você realmente é grego? É... Quero dizer... Não parece grego. —
Foi a primeira vez que ela falou após entrar no veículo.
— Sim. Sou. Na verdade, meu pai era italiano e seduziu minha mãe,
mas quando soube que ela estava grávida, simplesmente a abandonou.
Poucos meses depois do meu nascimento, ela faleceu e eu fui criado pelos
meus avós.
Merda! Recrimino-me no mesmo instante. Não sei por que cargas
d’água lhe contei esse fato da minha vida.
— Ah! Eu sinto muito. Desculpe! Não quis ser intrometida, muito
menos trazê-lo lembranças dolorosas. — Desvia rapidamente o seu olhar
melancólico para a paisagem do lado de fora.
— Tudo bem. Não me incomodei em responder sua pergunta. — Rio.
— No entanto, o sangue grego corre pelas minhas veias, e é quente... Muito
quente, mikró. — assegurei de forma provocadora, fitando intensamente a
mulher sedutora sentada ao meu lado.
Ela desfoca brevemente o olhar da paisagem e me olha de volta. Posso
jurar que sua respiração está mais agitada e que suas bochechas estão
vermelhas. Mesmo sob a tênue iluminação do ambiente, é perceptível.
Meus olhos ardorosos se atentam ao seu colo. Caralho! É impossível
não ver o doce balanço dos seus seios firmes e deliciosos devido à sua
respiração inconstante. Porra gostosa! Será que está sem sutiã, igual naquele
dia, quando quase a atropelei? Vários flashes ardentes pipocam em minha
mente, como em câmera lenta, e vislumbro seus biquinhos rosados e eriçados
forçando o tecido e implorando pela minha boca. A cena se torna tão
malditamente real, que começo a sentir uma fisgada dolorosa e incômoda no
meu membro.
Retorno minha atenção à sua bela face de angelos. Seus lábios
carnudos e suculentos estão levemente entreabertos e minha única vontade é
de sentir seu sabor. Estou a ponto de cometer uma insensatez e reivindicar
sua boca rosada e seu corpo deleitoso no banco traseiro da limusine.
A expressão da doce mulher se modifica de entregue e voluptuosa para
confusa.
— Não já passamos por essa rua antes? — Há um suave vinco entre
suas belas sobrancelhas.
Dou de ombros.
— Creio que não. Ou meu motorista deve ter se confundido. —
respondi inalterado.
Aperto um pequeno botão que acende uma luz no lado de Pedro,
demonstrando-o o sinal para levar Angel para casa.
— Você não é grega. — afirmei. — Apesar de ter aparentado ser
somente uma turista na primeira vez que nos encontramos, acho que está bem
habituada a percorrer a ilha.
Ela fica um pouco inquieta com minha afirmação.
— Sim. Na verdade, eu vim para a Grécia em busca de uma nova
oportunidade.
— De ser garçonete? — questionei, em dúvida.
— Bem... Não tenho tantas qualificações assim. Então, foi útil para
mim a oferta. Além do mais, a ilha é um lugar incrível e sua beleza natural
sempre me cativou.
— Naí (Sim). É muito linda. Também me sinto cativado aqui. — usei
um duplo sentido, referindo-me a me sentir enfeitiçado por ela. — E, como
chegou aqui?
— É uma longa história. Prefiro não entrar em detalhes. — Está um
tanto desconfortável para aprofundar no assunto. O que me atiça a descobrir
os mistérios por trás dela.
Ela pigarreia e muda de assunto.
— Já estamos quase chegando.
Estamos em um local afastado do centro de Mykonos, próximos ao
subúrbio. O endereço citado é de uma construção antiga de dois andares que,
claramente, necessita de uma reforma urgente. A parte de baixo funciona
como uma taverna. Deve ser o local onde ela trabalha como garçonete.
— Obrigada, senhor Andreon!
— Não é necessário tanta formalidade. Pode me chamar apenas de
Nikky.
— Ok. Obrigada pela carona, Nikky! — deslizou cada sílaba do meu
nome entre seus lábios rosados e deliciosos, fazendo meu organismo se
aquecer.
Porra! Não posso ficar de pau duro logo agora. Com uma haste rígida
no meio das pernas, aqui, no banco traseiro da limusine, não é bem a tática
que quero usar para a seduzir. Pelo pouco que pude conhecer de Angel, ela
não aceitaria uma sedução direta ou uma abordagem crua de uma proposta
audaciosa para uma foda ocasional no banco traseiro de um veículo. Ela
merece uma foda bem elaborada, com pétalas de rosas, champagne Chandon,
uma ampla jacuzzi e muitas joias para adornar seu corpo delicioso.
Tenho um sobressalto com essa imaginação. Um homem romântico?
Um sorriso cínico estampa meus lábios. Muito pelo contrário. Sempre fui
pragmático. Mas, caralho! O que um homem não faz para comer uma boceta?
Pedro abre a porta para krináki mou, que me lança um olhar de
despedida e murmura um “até logo”.
— Até breve, mikró. — falei de volta, com possessividade.
Ela me olha incerta, segue para a antiga construção, e o motorista
coloca o carro em movimento. Meu olhar não abandona a bela mulher até que
ela entre no domicílio.
Terei mais uma noite de longos e intensos banhos gelados.

3 dias depois

Estou com um humor péssimo. Caralho! Que porra!


Analiso de novo os arquivos que necessitam do meu aval para serem
protocolados, mas é difícil ter alguma concentração quando todos os meus
pensamentos estão no meu mikró angelos. Desde o nosso último encontro
tenho evitado ir ao seu local de trabalho, mesmo que agora eu já saiba alguma
coisa dela.
Diabos! — praguejei pela milésima vez.
Estou parecendo um cachorro no cio.
Ouço uma batida na porta e autorizo a entrada da pessoa. É Dimitri.
Espero que ele não me venha com nenhuma de suas piadinhas. Se sim, vamos
sair na porrada.
— Pela sua expressão, não fodeu nos últimos dias. — Meu pedido não
foi atendido. — Nikky, devia ter aproveitado aquele evento no iate. Se não
encontrou uma noiva lá, podia ter aproveitado para foder umas gatas.
— Sem gracinhas! Só não vou arrebentar sua cara por ter me colocado
nessa fria, porque esse evento me foi proveitoso. — Penso no meu doce
angelos.
— Quer dizer que fodeu bastante?
— Pelo contrário. Continuo na seca. Porém, você acabou me fazendo
um favor. — Amplio o meu sorriso arrogante.
Será questão de poucos dias para que eu tenha aquela mulher
inteiramente para mim.
— Quer dizer que encontrou uma esposa adequada para ser a mãe do
seu herdeiro?
— Não exatamente. Mas encontrei minha próxima conquista.
— Conquista? Essa pronúncia me causou medo. Está mordido de amor,
Andreon? É isso? Amarrado pelas bolas, como dizem? — indagou
zombeteiro.
Meu sorriso morre de repente.
— Vá se foder, Dimitri! — Encaro-o severamente, quase querendo
arrancar o sorrisinho do rosto dele a murros. — Pare com essas tolices! O que
eu quis dizer é que antes de me casar, quero me divertir um pouco mais.
Ele me olha como se não compreendesse a minha última colocação.
— Ok, estressadinho. Não está mais aqui quem falou. Mas, o que quis
dizer com se “divertir um pouco mais”? Vai enganar sua giagiá?
— Claro que não. Em breve terei a gynaíka (esposa) ideal. Mas, no
período em que tentarei encontrá-la, nesse processo de busca, nada me
impede de me divertir. — Esbouço o meu costumeiro sorriso cafajeste.
— Uhh! Quer dizer que o velho Nikky está de volta? Eu sabia que não
iria conseguir ficar muito tempo sem foder umas gostosas. Já sei que em
breve inaugurará um clube que a atração principal serão várias gatas
dançando em torno de uma barra de aço. Dizem que as garotas são bem
receptivas. — Sorri de um jeito sacana.
Descarto essa oferta. Se mais um escândalo envolvendo o meu nome
chegar à pequena ilha de Meratizy, não quero nem imaginar o que poderá
acontecer.
Hoje, na parte da manhã, a primeira ligação que recebi foi da minha
giagiá. Como ela viu uma foto minha no evento do iate, já quis me sondar
para saber se me agradei com alguma moça grega. É claro que a
demonstração do seu interesse foi sutil, mas percebi sua curiosidade.
Graças a Theós não foi relatado nada sobre o pequeno incidente.
— Terei que recusar sua oferta. Não é bem esse tipo de entretenimento
que tenho em mente.
— Quer dizer que encontrou alguma beldade gostosa na festa e está a
escondendo só para você?
Fecho a cara. Não gostei de como ele se referiu a ela. É claro que a
terei só para mim.
— Não é da sua maldita conta. Pare de ser enxerido e comece a
trabalhar! Quero saber como está a produção da nova coleção. — mudei de
assunto.
— Ok. Já entendi, chefe. — murmurou com ironia. — Acabei de vir da
sala de Eduard. Ele está eufórico com a produção das peças, que está a todo
vapor. A matéria-prima da Amazzotty Marítima foi entregue há 2 dias. Só
para constar, acho que quem está dormindo acordado aqui é você, não eu.
Suponho que essa beldade esteja virando sua cabeça. — Demonstra um
sorriso no rosto como se me dissesse “xeque-mate”.
Que diabos! Devo reconhecer que, realmente, estou um tanto absorto
ultimamente, e que meu xanthos angelos (anjo loiro) é o grande responsável
pela minha falta de concentração. Mas Dimitri está equivocado se acha que
estou com a cabeça virada por uma mulher. Sorrio desdenhoso. A única coisa
que ela está dominando é a cabeça do meu pau. E, logo quando eu a provar e
me deleitar da sua boceta gostosa, deixará de ser minha obsessão e será
apenas mais uma, como tantas outras que já comi. Estou convencido desse
fato.
Retorno ao diálogo com meu amigo.
— Excelente! Vejo que está cumprindo o seu trabalho. — falei,
assumindo o meu mau humor.
— Ingrato! — acusou-me, fazendo drama. — Mas, mudando de
assunto, Nikky: ainda está disposto a vender o terreno de Mykonos Town?
Acho estranha a sua pergunta. Há alguns meses coloquei um anúncio
em um periódico a respeito da venda desse terreno, no centro de Chora. Só
que depois voltei atrás e decidi não me desfazer dessas terras, apesar de
valerem milhões. Julguei que seria mais viável aplicar lá um novo
empreendimento; quem sabe um resort ou um nightclub. Ainda é incerto o
destino desse lugar.
— Na verdade, retirei o anúncio. Mas, por que está tocando nesse
ponto?
— Não é nada relevante. É que antes de você chegar à sede da empresa,
um advogado de um grande empresário americano ligou, querendo marcar
uma reunião pessoalmente com você para discutirem a venda desse lote. Ele
parecia bastante decidido a firmar algum negócio.
— Pois esse empresário está perdendo o seu tempo. Já me decidi a não
me desfazer desse terreno. — declarei com precisão.
Dimitri apenas dá de ombros.
— Tudo bem. Se essa é sua sentença final... Só estranhei a persuasão
do advogado, que se mostrou disposto a negociar uma cifra astronômica.
— Se ele entrar em contato novamente, saberei lidar com ele.
— Ok, então.
Escuto uma leve batida na porta. Após mandar a pessoa entrar, constato
que é a bela secretária com quem estou fodendo ultimamente. Confesso que
ela é bastante bonita; tem cabelos negros longos e uma pele perfeita de oliva
que levaria vários homens ao delírio. Mas sua beleza morena não me cativa,
como cativava em outras ocasiões. Essa, pelo menos, tem mais senso de
raciocínio do que a outra, novata. Por isso a escolhi. Há um sorriso luxurioso
em seus pequenos lábios sedutores cobertos por um batom vermelho-sangue,
mas ele morre assim que ela avista meu amigo, verificando que não estou
sozinho na sala.
— Perdão, senhor Andreon! Eu não tinha conhecimento de que estava
ocupado. — deu uma desculpa qualquer, carregando decepção na face.
— Bem... Eu já estou de saída. — Dimitri me joga um sorriso matreiro
enquanto abandona a sala.
Tenho vontade de arrebentar a sua cara.
A secretária se aproxima de mim, insinuando-se, e seu andar elegante
domina com precisão todo o ambiente. Mas, de certo modo, seu encanto não
me seduz mais. Como imaginei, já estou entediado dela. Se ela espera uma
próxima foda, já está descartada. Receberá em breve a sua carta de demissão.
— Licença, senhor Andreon! Vim buscar os arquivos. — Morde os
lábios e aponta para a papelada diante de mim.
Houve um leve toque de malícia na sua voz. Ela está louca para me dar
a boceta.
— Ainda não terminei de revisar todos.
Seu sorriso se amplia enquanto ela contorna a mesa do escritório e se
aproxima de mim sedutoramente. Suas mãos miúdas e macias em meus
ombros me dão uma suave massagem.
— Talvez eu possa fazer algumas horas extras, senhor. Que tal? —
sussurrou em um tom manhoso de encontro ao meu ouvido.
Fantasio ser minha doce loira, com suas mãos habilidosas passeando
pelos músculos dos meus braços em uma carícia abrasadora, e sinto o sangue
rugir com rigor pelas minhas veias, aquecendo o meu corpo e indo em
direção ao meu membro, que, despudoradamente, ganha vida, ficando rígido
na sua estreita prisão.
Fecho os olhos para apreciar melhor as carícias. Que delícia! A fantasia
é tão malditamente real, que um cheiro de lírios invade minhas narinas e
penetra em meu organismo. Também sinto um traseiro gostoso se acomodar
em meu colo e me provocar com leves reboladas sobre meu eixo duro.
Agarro sua cintura com posse.
— Eu vou te foder tanto, angelos, que, provavelmente, vai estar me
sentindo no outro dia. — sussurrei com a voz carregada de segundas
intenções.
— Sim, chefe! Estou à sua disposição. — Assim que ouço sua voz
irritante e melosa, é como se eu levasse um esguicho de água gelada
repentinamente.
Abro os olhos e me deparo com a secretária sentada em meu colo.
Porra! Não é meu mikró angelos.
Sem tempo para ter qualquer reação, a porta é escancarada
abruptamente e uma figura morena e raivosa adentra minha sala como se
fosse a dona dela. Sophia! Sua fisionomia altiva e sofisticada vem em minha
direção e seus olhos amendoados soltam chispas de raiva. Puta merda! O que
está acontecendo aqui?
Minha funcionária pula do meu colo, constrangida com a inesperada
invasão.
— Divertindo-se em pleno expediente, Nikky? — Houve raiva em sua
voz. Em seguida, ela encara a mulher com um ódio mortal. — Saia e nos
deixe a sós!
A garota capta a advertência e sai correndo.
— Deveria ser mais criterioso, já que a fama de fodedor de secretárias
não está lhe caindo bem.
Inferno! Que diabos está havendo nesta empresa hoje? Todo mundo
resolveu me amolar? Caralho!
Encaro-a com desprezo.
— Não é da sua maldita conta, Sophia, a fama que estou fazendo na
MINHA empresa. — enfatizei a palavra “minha”, deixando a raiva me
engolfar.
Sua expressão se fecha e ela busca controlar seus ânimos. Quem pensa
que é para me dar alguma lição de moral?
— Tem toda a razão, Nikky. Mas não vejo vantagem em transformar
seu escritório em um puteiro.
Agora sou eu quem tenho que agir com um autocontrole ferrenho para
não fechar a mão em volta do seu pescoço gracioso e a esganar. Aperto com
força o braço da poltrona para resistir à forte tentação e a olho severamente,
respondendo-lhe com sarcasmo.
— Sim. Claro. Quando o quesito é “puta”, você entende perfeitamente.
Deve sentir o cheiro de longe. — Sua face fica vermelha, em completo
ultraje. E quando ela vai começar outro diálogo, interrompo-a, antes que meu
temperamento exploda. — Não esqueça, Sophia, quem faz as regras da
empresa! Não pense que por trabalhar aqui ainda e por seu pai ser um sócio
minoritário, tem o direito de se meter em minha vida!
— Perdoe-me! Não quis ser intrometida, muito menos causar essa
impressão. — usou uma voz doce, mantendo irritabilidade em sua feição
bonita. — Mas creio que nem mesmo no nosso curto noivado tenha me
permitido esse direito.
Bufo, já irritado com tal situação. Por que ela, meramente, não me
esquece? Sempre fica pegando no meu pé. Caralho!
— Vai começar, de novo, a relembrar o passado?
— A verdade é que nunca te esqueci, Nikky.
Gargalho por dentro da sua escolha de palavras. Com certeza a maldita
deve estar inteirada de que estou em busca de uma esposa. O que não sabe é
que é melhor não colocar suas fichas em mim. Já teve a chance de ser a
senhora Andreon, e agora a probabilidade de ser escolhida é inexistente.
Estou resoluto disso.
— Não prossiga por esse caminho, Sophia! Sabe qual é o resultado. —
ressaltei com clareza.
— Tudo bem, Nikky. Já estou cansada de receber suas migalhas. —
Recupera sua posição inflexível e impenetrável de mulher de negócios.
— Você veio à minha sala só para isso? — questionei com a expressão
dura e insondável.
— Claro que não. Vim confirmar se a próxima reunião dos sócios é na
segunda-feira.
— Não recebeu o comunicado?
— Sim. Meu pai recebeu. Mas, como ele não poderá comparecer, eu
somente queria validar a informação, já que o representarei, como mencionei
anteriormente.
— Ora! Bastava ter confirmado com minha secretária particular.
— Tudo bem, Nikky. Compreendi que minha presença o incomoda.
Mas deixarei uma reflexão: já parou para raciocinar que, talvez, a atitude de
desprezo que demonstra por mim seja algo contrário, como uma forte emoção
que tenta camuflar? Espero que analise esse ponto, pois posso me cansar de
esperar. E pode ser que quando se der conta dos seus sentimentos, seja tarde
demais. Agora, sim, estou me retirando. Não o importunarei mais. — proferiu
as palavras com uma determinação inabalável.
Ela abandona a sala e eu posso comprovar que sua postura, ainda
rígida, não esconde o desagrado quanto à maneira fria como a trato. Sophia,
na sua amargura, não percebe que minha atitude é unicamente para a fazer
racionalizar com clareza que nunca a perdoarei. Somos completamente
incompatíveis e ela está inteiramente equivocada ao supor que existe algum
sentimento mais profundo envolvido entre nós. A não ser que o inferno
congele em vez de estar pegando fogo.
Sorrio com escárnio de sua reação. Está totalmente desequilibrada. E
tudo se trata do seu ego ferido e da certeza de que perdeu um acordo
vantajoso de casamento. Entretanto, uma pessoa pode perder o que não tem?
Obviamente, não.
Analiso sua afirmação sem crédito. Irá se decepcionar caso continue
com tal pensamento ridículo.
CAPÍTULO 09
ANGEL HARLEY

O restaurante está praticamente deserto depois do pico inicial de meio-


dia. Agora passa das duas e meia da tarde e meus pés já estão quase me
matando devido à “maratona” do início do dia.
Meus neurônios estão quase entrando em colapso, pois acabei de
atender uma mesa com alguns jovens idiotas e tive que ficar aturando seus
gracejos indecentes e inoportunos. É claro que já estou acostumada a me
esquivar de situações adversas como essa, porém é sempre muito desgastante
lidar com esses episódios extremamente desagradáveis.
Charlize surge no balcão e eu vou ao seu encontro, desejando
intensamente que os idiotas da mesa ao lado possam ir embora o mais rápido
possível.
— Então, Angel... Nos últimos dias não tivemos muito tempo para
conversarmos, por causa dos meus trabalhos da faculdade. Mas não me
esqueci daquela história. É verdade que Nikky Andreon te deu uma carona
até aqui, em casa? — sua pergunta veio acompanhada de um suspiro.
Amélia é uma abominável enxerida e fofoqueira. Infelizmente, na noite
em que o senhor Andreon me trouxe em casa, a bruxa ainda estava acordada.
Ela só pode ter uma visão infravermelha. Na manhã seguinte fez o maior
inferno, espalhando que ele tinha me dado uma carona, com certeza, com
segundas intenções. A baranga deu até mesmo a entender que eu sou sua
amante. O que me causou uma tremenda reprimenda por parte da senhora
Rosemeire. E Anthony, desde então, tem me olhado torto e com raiva.
— Não invente caraminholas nesta sua cabecinha, Charlize! Foi apenas
uma carona, e me arrependo amargamente de tê-la aceitado. Sua mãe quase
me expulsou de casa. Viu a expressão dela. — Tudo por causa das intrigas de
Amélia.
— Eu sei, Angel. Sinto muito. Minha irmã às vezes passa dos limites,
além de ter uma língua venenosa. — Faz uma careta. — Mas, não se
preocupe! Verá que minha mãe logo se esquecerá desse assunto.
— Assim espero. Até mesmo porque não houve nada além de uma
simples carona.
— Que sortuda você é, Angel. Eu louca para me esbarrar com o homem
e não consigo, enquanto você já esbarrou com ele duas vezes. — disse com
um ar de sonhadora.
— E as duas vezes foram em ocasiões um tanto inesperadas. Eu quase
fui atropelada por ele.
Minha amiga foca sua atenção em algo atrás de mim. Seus olhos se
arregalam, em surpresa, e ela fica completamente imóvel.
— Oh, Theós! Não olhe agora! O deus grego acabou de entrar no
estabelecimento.
Olho em volta, procurando o objeto de admiração dela, e, no mesmo
segundo, travo no lugar. Devo estar parecendo uma estátua, pois estou
completamente inerte.
Quando os olhos de um azul do Egeu me fitam de volta, um sorriso
pretensioso surge em seus lábios sedutores. Prontamente, saio da minha
imobilidade momentânea, interrompendo a conexão do nosso olhar.
— Eu disse para você não se virar. Meu Theós! Que olhar foi aquele?
Foi de destruir, realmente, qualquer calcinha. — foi dramática. — Não
acredito que Nikky Andreon está aqui.
O que ele está fazendo aqui? Quer dizer... O local, apesar de servir uma
comida formidável, não está na rota dos restaurantes 5 estrelas. Muito pelo
contrário. O Waldo's Grégo Greek é um ambiente de estrutura bem simples
que nada tem a ver com a sofisticação dos lugares que um homem como
Nikky Andreon frequenta.
Saio da minha análise criteriosa, ouvindo a afirmação eufórica da
minha amiga.
— Ele veio por você. Meu Theós! Como não percebi antes? Deve estar
caidinho por você, Angel.
Oh, céus! Ela só pode estar delirando, fantasiando algo que não existe.
Como um bilionário grego, como Nikky Andreon, que está acostumado a ter
as mais belas das mulheres, olharia para mim uma segunda vez?
— Shiiiiii! Fale baixo, Charlize! — recriminei-a.
— Tudo bem. Se você não quiser, eu quero. Oh, Theós! Tenho que
contar a novidade à minha mamá. — falou com um entusiasmo exagerado.
Em seguida, some pela porta estreita do interior do estabelecimento.
Ah, Deus! O que faço agora? Não posso fingir que não o avistei. Aliás,
terei que o atender. Respiro fundo, revestindo-me de coragem, pego meu
bloco de anotações e minha caneta, que estava sobre o balcão, e sigo para a
mesa em que ele está sentado.
Oh, céus! Está tão elegante em um terno azul-escuro que reveste seu
corpo perfeito e cheio de músculos. Seu porte transmite a confiança de um
homem imponente que tem conhecimento do poder que exala da sua
masculinidade latente e viril. Nunca estive diante de um cara tão
impressionante como esse. Até parece um ser irreal surgido das matérias de
moda.
Ele está folheando o cardápio, parecendo concentrado no que faz. E
assim que me aproximo dele, sua atenção é voltada para mim. Suas órbitas,
de um azul intenso, queimam-me através do seu olhar voraz e faminto.
— Boa tarde, senhor! Posso anotar o seu pedido? — questionei com
segurança, embora meu corpo esteja inteiramente em estado de uma
excitação desconhecida, pela sua presença marcante.
— Boa tarde, mikró! Eu já lhe disse que não é necessário tanta
formalidade. Pode me chamar apenas de Nikky. — sua voz potente e
sedutora enfatizou.
— Oh! Eu não poderia, senhor Andreon. Estou em meu horário de
trabalho. — Rio, sem graça. — Provavelmente, se minha chefe me visse o
chamando pelo primeiro nome, eu seria demitida. — esclareci, lembrando-me
da bronca absurda que recebi por conta das picuinhas de Amélia.
— Eu lhe dou permissão, Angel. Sendo assim, não vejo problema
algum. — Seu olhar está cravado em meu pequeno crachá, onde contém o
meu nome.
Céus! Agora sinto seus olhos atrevidos virem de encontro ao meu
busto. Instantaneamente, meu corpo o corresponde. Meus seios ficam
pesados e os bicos túrgidos forçam o tecido delicado do sutiã. Por sorte, estou
usando um, senão estaria exibindo os “faróis acesos”.
Deus santo! Como um mero desconhecido tem tanto poder sobre meu
organismo? Não é à toa que tem fama de aniquilador de calcinhas. Creio que
a minha acabou de estragar.
— E... Eu... — tentei argumentar. — Muito bem, sen... Digo... Nikky.
Posso anotar o seu pedido? — Acabei concordando com ele.
Vejo-o anuir com um sorriso genuíno em seus lábios fascinantes.
— Perfeitamente, Angel. Terei o imenso prazer de vê-la realizar o meu
desejo. — sua voz sexy saiu baixa e possessiva.
Só posso estar imaginando coisas. Sua pronúncia soou como algo
íntimo e pessoal?
— Como disse?
Seu sorriso diabolicamente sexy aumenta.
— Eu disse que terei o imenso prazer de tê-la anotando o meu pedido.
— Sorri descaradamente, disfarçando sua ambiguidade. Nikky Andreon é um
homem intenso.
Faço a anotação agilmente, querendo sair o mais breve possível da sua
presença de aura dominante. Entrego o papel à outra garota, que auxilia o
chefe da cozinha.
Retorno a atenção à mesa dos jovens, ao lado, e observo um dos
espertinhos me chamando. Bufo irritada, já prevendo problemas, e lhe
entrego a comanda de consumos. O mais engraçadinho da turma, além de me
passar uma cantada barata, coloca um papel com um número de telefone no
bolso do meu uniforme sem meu consentimento. Algo que me deixa com
muita raiva. O que há com essa bendita ala masculina, sempre supondo que
estamos disponíveis aos seus joguinhos sórdidos?
— Não ouse fazer isso novamente, garoto! — exigi de maneira
cortante.
— Calma, bombonzinho! Não precisa ficar nervosa. Já que não quis me
dar seu telefone, achei que poderia mudar de ideia e me ligar. — explicou da
forma mais cínica possível. — Quem sabe a gente possa sair para dar um
rolê, gatinha. Aí te mostro o que o garoto aqui sabe fazer.
Já estou pronta para o rebater, quando vejo uma sombra pairar sobre
nós. É Nikky. Sua fisionomia é bastante austera no momento.
— Não vê que ela não quer nada com você, pirralho? — indagou em
um tom autoritário.
Quando eles o encaram, paralisam de medo.
— Já estamos nos retirando se...nhor. Não queremos confusão. —
murmurou gaguejando. Depois abandona o restaurante quase derrubando as
mesas que se encontram no meio do caminho.
— Obrigada! Mas não precisava interferir. — tentei acalmá-lo. Não
pode haver outro equívoco.
Quando fito o balcão, comprovo que, infelizmente, já temos uma
plateia atenta que observava o pequeno pandemônio. Pelas suas expressões,
sei que estou em uma grande fria.
Amélia mantém uma cara azeda de inveja e raiva cravejada em mim, e
desvia sua atenção para Nikky com uma cobiça indisfarçável. Ele,
percebendo a repercussão da sua atitude, manifesta-se.
— Creio que é melhor eu ir embora. — Encara-me atentamente.
— Mas ainda não lhe foi servida a refeição.
— Não se preocupe, mikró! Perdi o apetite. — Tira duas notas de 100
euros da carteira e me entrega.
— Não é necessário. Não consumiu absolutamente nada. — recusei sua
oferta.
— É pelo inconveniente. Agora, tenho outro compromisso. Necessito
ir. — foi insistente.
Após encarar a “plateia” severamente, retira-se do local.
Imediatamente, o veneno de Amélia começa a ser introduzido no
ambiente.
— Eu disse, mamá, que essa garota sonsa está tendo algum rolo com o
bilionário. — ressaltou com avidez na voz. — Além de dissimulada, é gulosa.
Escolheu justamente o partido mais cobiçado da ilha.
— Pelo que pude comprovar, é verdade tudo que Amélia disse. — a
senhora Rosemeire sentenciou sem escutar minha versão dos fatos. — O pior
é que estava arrumando a maior confusão em meu restaurante. Não permitirei
que transforme esse ambiente familiar em um puteiro.
Eu a encaro, simplesmente chocada por ela estar acreditando nas
suposições inverídicas da filha. Estou pronta para a rebater, quando minha
doce Charlize sai de trás do balcão, tentando compreender o que está
acontecendo.
— Mamá, não fale assim da Angel! — intercedeu por mim.
— Não a defenda, Charlize! Sabe perfeitamente o que ela estava
fazendo. Não é a primeira vez que se insinua para os clientes e, depois, dá
uma de puritana e boa moça recatada. — Amélia sorri ardilosamente.
— Já chega dessa história! Não sei nem mesmo do que estou sendo
acusada. — Estou irritada com a situação degradante que estão me
submetendo.
— Não se faça de dissimulada, garota! Você provoca e atiça os clientes
com sua carinha de menina ingênua. Mas, na verdade, só está aguardando a
oportunidade de pegar um peixe gordo. — continuou com suas provocações.
Não resistindo, parto para cima dela e estapeio o seu rosto arrogante.
Ela me olha completamente descrente quanto ao meu ato, mas não lhe dou
tempo para processar nada. Em sequência, agarro suas madeixas castanhas-
avermelhadas e as arrasto até vê-la cair no chão. Já estou farta de ser
humilhada por essa lambisgoia ruiva de farmácia. Subo em cima do seu
corpo, ainda a batendo. Ela está completamente sem reação diante do meu
ataque, contudo não me importo. Foram anos de resignação. Estou cheia dos
seus joguinhos de submissão.
Não consigo me controlar e parece que todo o meu ímpeto está vindo à
tona, como uma avalanche que desmorona tudo que encontra pelo caminho.
— Mamá, tire ela de cima de mim! Essa serviçal está completamente
louca.
Com sua fala, sobe-me uma raiva tremenda. Cerro os punhos, acerto o
seu nariz e vejo sangue emergir dele. Sua expressão é de histeria. Mas não
tenho muito tempo para apreciar sua aparência de assustada, porque sinto
braços fortes me erguerem e me puxarem para longe dela. A senhora
Rosemeire vai ao auxílio da filha enquanto eu ainda sinto meu corpo ser
abrangido por mãos consistentes.
— Ela é um animal selvagem, mamá. Veja o que fez com meu nariz!
— Amélia choramingou ao mesmo tempo que pressionava um pano sobre o
hematoma para estancar o pequeno sangramento. — Vou precisar de uma
plástica. — lamentou-se horrorizada.
— Angel, o que fez com Amélia? — Ouço a voz de Anthony atrás de
mim. Foi ele quem me tirou de cima da lambisgoia. Uma de suas mãos
ousadas está próxima ao meu seio, aproveitando-se da situação.
Desvencilho-me do seu agarre bruscamente.
— Só dei o que ela merecia. Não suporto mais as suas provocações
inadequadas.
Charlize só observa o cenário, completamente assombrada.
— Tem noção do que acabou de fazer, garota? — a senhora Rosemeire
proferiu indignada. — Eu deveria chamar a polícia. — Meu corpo trava. —
Seu comportamento desregrado lhe trará consequências indesejadas.
— Não! Por favor! — balbuciei temerosa.
— Devia ter repensado sua atitude incivil antes, não ter agido como um
animal com minha filha, que sempre a tratou como uma irmã.
Rio sarcasticamente, apesar da angústia que sinto. Amélia me tratando
com gentileza? Só se foi em outra encarnação.
— Cuspiu no prato que comeu. É uma ingrata, Angel. Só agi de forma
caridosa, ajudando uma irmã que me pediu abrigo para uma garota órfã que
vivia sozinha no mundo. Deveria ser eternamente grata. Eu lhe dei um teto,
comida e trabalho. — passou tudo na minha cara como se eu não tivesse
pagado cada mísero centavo da sua “hospitalidade”. — Mas, agora, minha
generosidade se esvaiu. Quero que arrume suas coisas e vá embora.
Estanco no lugar com sua última pronúncia fria.
— Mas... Mas, para onde irei? — Hesito.
— Mamá, não pode fazer isso com Angel. Ela é parte da família.
Amélia está apenas fazendo drama. Tenho certeza que não está com o nariz
quebrado. Aliás, se tiver, creio que um nariz um pouco torto lhe assentará
melhor, para deixar de ser tão enxerida e de se meter na vida dos outros. —
Charlize me defendeu.
Há determinação e perspicácia na fisionomia da senhora Rosemeire.
— Vai ficar contra sua própria irmã, Charlize? Ela não é ninguém. —
Aponta para mim.
Somente agora percebo que não passei de um estorvo para essa família.
Com exceção de minha amiga, todos sempre me trataram mal ou com alguma
indiferença.
— Minha benevolência com ela já foi prorrogada por tempo demais. —
Olha-me determinada. — Quero que arrume suas coisas e saia desta casa,
Angel, imediatamente. Se não fizer isso em 20 minutos, chamarei os guardas.
Ainda estou anestesiada pelas suas palavras duras e insensíveis.
Olho para Amélia, que ainda está no chão se fazendo de vítima e
exibindo um sorriso de vitória. Um rastro de sorriso também surge em minha
boca assim que comprovo seu nariz inchado e vermelho desarmonizando o
seu rosto que outrora foi bonito.
Volto minha atenção à senhora Rosemeire, que mantém uma
sobrancelha erguida.
— Mamá, não precisamos chegar ao extremo. Talvez... — Anthony
tentou argumentar, mas foi bruscamente interrompido.
— Não interfira dessa vez, Anthony! Eu sei perfeitamente bem por que
a quer aqui. — Sua fisionomia é rude.
— Não, mamá! Eu não permitirei que a deixe ir embora! — Charlize
gritou, histérica, vindo em minha direção.
Seus olhos estão repletos de lágrimas, assim como os meus, que até
queimam, e ela se agarra a mim como se pudesse me impedir de ser expulsa.
— Não se preocupe, querida! Eu vou ficar bem. — tentei consolá-la.
Minha voz saiu instável, entretanto tenho que ser forte. Não irei dar o
gostinho às víboras de perceberem o quanto estou abalada.
Respiro fundo e ergo a cabeça, seguindo em direção ao andar superior,
acompanhada de minha amiga e sob o olhar escrutinador das duas
embusteiras megeras. Minhas pernas estão trêmulas, só que não vou
desmoronar na frente delas. Nunca mais irei me deixar submeter a situações
humilhantes.
CAPÍTULO 10
ANGEL HARLEY

Estou desesperada, sem saber o que fazer. Uma angústia domina o meu
peito, não me deixando pensar coerentemente. Como irei arranjar outro
emprego, estando desamparada e sem conhecer ninguém, em um país distante
e totalmente diferente? Só não estou sem um centavo no bolso porque
Charlize, disfarçadamente, deu alguns trocados para mim. O que dará, no
máximo, para uma noite em um hotel um pouco mais afastado de Mykonos
Town. É óbvio que não seria inconsequente de escolher um de luxo no centro
da cidade. Provavelmente, o que levo comigo não daria para pagar nem
minha estadia noturna naqueles hotéis suntuosos.
Rio sem humor. Que ironia do destino. Eu, herdeira de uma vasta
fortuna que me foi roubada, usurpada, enfrentando todo tipo de adversidades
que a falta de dinheiro pode trazer. Mas é a realidade em que vivo. A
minguada reserva que carrego mal é suficiente para sustentar uma noite
minha em um hotel simples.
Um pavor do destino incerto que me aguarda, atinge-me. Estou
próxima a um mercado, entre ruelas estreitas, sentada em um banco de
madeira e observando o movimento das lojas. Estou aguardando algum
milagre que não virá? Tento ocultar minha tristeza, contudo o sentimento de
angústia é mais forte que eu.
Oh, Deus! Lamento-me e começo a chorar. Eu prometi à Charlize que
seria forte, mas estou desmoronando, sem conseguir me reprimir. Não
consigo esconder minha amargura. Finalmente, Amélia conseguiu o que tanto
almejava: tirar-me da sua casa e obter o apoio de sua família. Sinto-me
totalmente despedaçada. Todo o meu mundo, que reconstruí mais uma vez,
transformou-se em escuridão. Conseguirei me reerguer?
Será sempre assim? Todos os meus sonhos sempre serão retirados
facilmente de mim, como uma onda destruindo um frágil castelo de areia? —
pensei melancólica.
Eu estava tão absorvida em meu sofrimento, que só agora notei uma
sombra pairada sobre mim. Enxugo o pranto que está marcando minha face e
ergo levemente a cabeça, vendo uma mulher de meia-idade, com a fisionomia
doce, olhando-me com meiguice.
— Qual é o problema, menina? Por que está chorando? Parece tão
abatida. — houve preocupação em sua voz serena.
— É porque estou desolada. — confessei, não me importando com o
fato de ela ser uma completa estranha. — Acabei de perder meu emprego e
minha moradia. — expliquei amarga, não vendo outra solução.
— Você não é da Grécia. É? — perguntou curiosa.
Eu a olho com desconfiança, mas só vejo bondade em seu rosto
arredondado. De algum modo, ela me passa confiança e sua aura me
transmite algo maternal.
— Não. Mas já faz alguns anos que moro em Mykonos. Sou órfã e não
tenho família. — esclareci sem entrar em detalhes minuciosos. — Eu
trabalhava em um pequeno restaurante, no qual me era disposto um pequeno
quarto como moradia. — Outra torrente de lágrimas invade o meu rosto.
— Calma, menina! Irei ajudá-la. Na casa onde trabalho, recentemente,
uma das funcionárias domésticas teve que deixar o emprego porque se casou
e foi morar em outro país. Em breve eu teria que colocar um anúncio no
jornal e contratar uma nova funcionária, já que sou a governanta de lá e meu
patrão me dá carta branca para essas questões domésticas. Se você se
interessar, o emprego é seu, e ainda poderá ter comida e onde morar. O que
me diz?
Eu a olho, completamente descrente de sua proposta. Seria alguma
espécie de anjo? Que pessoa daria oportunidade de emprego a uma total
desconhecida? Penso que ela está brincando comigo, mas logo me deparo
com determinação em sua face suave.
— Está falando sério, senhora?
— Claro que sim. Você necessita de um emprego e de um lugar para
ficar. Certo? Eu estou disposta a ajudá-la.
— Por que faria isso por mim, se não me conhece? — Estou insegura.
— Não tenha medo, menina! Conheço o seu olhar, pois já passei pela
mesma situação antes, de chegar a algum lugar e estar totalmente
desamparada. Na verdade, também não sou grega; sou turca. Foi a senhora
Eleonor que me estendeu a mão e me deu uma oportunidade quando cheguei
aqui. Sou muito grata à família que me acolheu em um momento tão difícil
da minha vida. Mas não precisa temer. Meu único propósito é ajudá-la.
Aceita a minha oferta?
— Claro que sim. Não tenho palavras suficientes para agradecer,
senhora.
— Pode me chamar de Agne. — Um sorriso meigo brinda seu
semblante. — E você? Como se chama, mikroúlis (pequenina)?
— Angel.
— Então, vamos! Pedro deve estar por perto, com o carro. Necessita de
ajuda para levar seus pertences? — Aponta para a pequena mochila com
minhas coisas.
Suas mãos estão repletas de sacolas reutilizáveis contendo
mantimentos.
— Não é necessário. Consigo carregá-la. Muito obrigada, senh... Agne!
— parei-me a tempo ao notar sua expressão contida.
Lanço-a um sorriso amarelo.
— Excelente, menina. Mas devemos ir logo, antes que escureça. —
Esbouça um meio-sorriso e sai andando.
Eu a sigo. Não tenho outra alternativa senão acreditar na sua promessa.

Acordo muito cedo e disposta. Agne foi um genuíno anjo em minha


vida ontem. Quando chegamos, ela me apresentou os compartimentos da
propriedade e a dinâmica do trabalho. Mesmo já tendo vislumbrado várias
mansões e admirado suas belezas, fiquei impressionada com a opulência e
suntuosidade do lugar. É uma construção ampla, próxima à praia, com um
panorama de tirar o fôlego. Uma extensa piscina adorna o jardim que abriga
uma linda estufa de flores belíssimas e coloridas. Dá para perceber que a casa
possui uma boa gerência. A parte interna também é deslumbrante e cada
detalhe daqui exala riqueza e o bom gosto do proprietário.
Fiquei um pouco receosa quando Agne me disse que um casal não é
dono da mansão, como eu supus, e sim um homem solteiro. Só espero não ter
problemas com ele. É esperar muito que seja um homem de sorriso bondoso e
de meia-idade?
Depois de tomar um delicioso café da manhã preparado pelas mãos de
fada da governanta, vou até o meu novo quarto, meu atual refúgio, que é bem
mais acolhedor do que o anterior. Apesar de pequeno, é bem requintado,
como todo o resto da mansão.
Agne me comunicou que ao final da tarde irei tratar do contrato de
trabalho com meu novo chefe, que, pelo que soube dos outros empregados, é
considerado um homem justo e generoso, embora exigente. Não tenho medo
de trabalho pesado, pois tive que me virar cedo na vida; e ainda que tenha
nascido em berço de ouro, não sou nenhuma dondoca. Meus pais não eram
apegados a bens materiais, apesar de termos desfrutado das boas coisas que a
vida podia nos oferecer. Os valores paternos sempre estarão impregnados no
meu caráter e no meu ser.
Meu novo uniforme está sobre a cama estreita de solteiro: um vestido
azul-marinho com detalhes brancos. O tecido macio de algodão puro é
extremamente agradável ao toque e se percebe que o material é de excelente
qualidade. O que demonstra a generosidade do meu patrão. É muito diferente
do uniforme de garçonete, que tinha uma textura áspera e mal-acabada que,
muitas vezes, chegava a irritar minha pele por conta do atrito com ela durante
as longas horas de trabalho.
Termino de me arrumar, calço minhas sapatilhas e, finalmente, estou
preparada para o meu primeiro dia de trabalho. Agne já me repassou o
cronograma da semana. Reversarei com outra funcionária as atribuições de
deixar tudo organizado e em perfeita ordem. Irei me esforçar para isso.
Minha primeira tarefa será guardar alguns ternos do meu novo chefe e
repor umas toalhas que chegou da lavanderia.
Subo as escadas com cuidado. Minhas mãos estão abarrotadas, com as
peças que carrego. Nesse processo, é impossível não admirar as lindas obras
de arte expostas nas paredes. Devem valer uma pequena fortuna e possuem
uma beleza sem igual.
Entro na suíte e fico, mais uma vez, estarrecida com a elegância e
sofisticação do lugar. O cômodo é adornado por uma ampla cama king size,
que é o que mais chama atenção, pelo tamanho. E, como é no restante da
propriedade, o primor da decoração daqui é de arrancar suspiros.
Saio dos meus devaneios de admiração e sigo para o banheiro, que é
outro luxo à parte. A espaçosa jacuzzi que embeleza o ambiente é convidativa
a uma bela sessão de relaxamento. Guardo as toalhas no local apropriado e
retorno ao quarto.
Pelo pouco que Agne me contou sobre o dono da casa, ele parece ser
um workaholic: sempre acorda cedo e, dificilmente, falta um dia de trabalho.
O seu café da manhã foi servido por ela. Pelo menos já deve estar na
empresa. O que me dará mais tempo para me recompor e me apresentar a ele.
Algo que acontecerá apenas ao final do dia. — pensei animada.
Pego as capas protetoras com os dois ternos que deixei em cima da
cama e caminho até a porta que suponho ser a do closet. Quando a abro,
estagno no lugar como se tivesse cola em meus pés, ficando totalmente
paralisada, ao avistar uma figura alta e imponente no meio do ambiente. Meu
susto é tão grande que derrubo a pequena pilha de roupas que vinha trazendo
nas mãos. E, por infelicidade, acabo chamando a atenção do desconhecido
para a minha presença no cômodo.
Como em câmera lenta, ele se vira para mim, completamente aturdido
e... E... pelado.
Oh, Deus! Levo um tremendo choque ao reconhecer quem é o estranho
misterioso.
Nikky Andreon! É impossível! — exclamei internamente.
Não acredito que ele é o meu chefe.
Tento resistir e focar o meu olhar incrédulo apenas do seu queixo firme
para cima, mas é impossível não o deslizar rapidamente pelo seu peitoral
definido e acompanhar sua trilha de pelinhos, que descem pecaminosamente
pelo seu torso. Meus olhos quase saltam das órbitas quando se deparam com
sua potência masculina. Ele está parcialmente ereto. É... grande... e
magnífico. Porém, não tenho tempo de analisar com clareza tal situação
incomum. Ele cobre seus “atributos” com a toalha, escondendo sua nudez do
meu olhar curioso.
Sua atitude, finalmente, faz com que eu saia do meu devaneio erótico e
retorne à realidade.
Devaneio erótico? De onde surgiu esse pensamento ridículo? Suspiro,
quase em desespero.
— Oh, meu Deus! Perdão, senhor Andreon! Pensei que já tivesse ido
para a empresa. — murmurei algo qualquer. — Retornarei quando não estiver
mais no quarto. Licença! — Minhas palavras saíram atropeladas, embora eu
tenha tentado aparentar estabilidade diante de sua presença.
Só quero sumir e desejo profundamente que se abra um buraco enorme
sob meus pés para me absorver, devido a tamanho constrangimento. Não sei
de onde adquiro forças para abandonar o cômodo, escutando ainda um
pequeno resmungo.
Desço as escadas a mil, sem saber como não me estatelo lá embaixo,
por causa da minha pressa de sair ilesa daquele pequeno espaço. O cheiro da
sua colônia amadeirada ainda nubla os meus sentidos, fazendo-me sentir uma
ânsia desconhecida no meu baixo ventre, que pulsa incessantemente,
descontrolado, com um calorzinho inesperado e totalmente misterioso para
mim. É como se uma enxurrada de mariposas revirasse o meu estômago e
fosse me erguer do solo.
Oh, céus! Só posso estar louca. Acabei de ver o meu patrão
completamente nu, como veio ao mundo. E devo reconhecer que ele é... É
impressionante. No mesmo instante sinto meu rosto queimar, arder. Deve
estar vermelho que nem uma fruta madura.
Ainda estou processando a informação de Nikky Andreon ser o meu
novo chefe. Oh, Deus amado! O universo está conspirando ao meu favor ou
contra mim?
Consigo chegar bem rápido na cozinha, e não faço a menor ideia de
como fui capaz de tamanha façanha, já que minhas pernas estão tão moles
quanto geleias. Meu coração está pulando como uma bola de tênis.
Sirvo-me um copo com água para acalmar meu organismo. Minhas
mãos estão visivelmente trêmulas. Bebo um gole do líquido inestimável,
tentando assentar os meus pensamentos.
Antônia, a outra funcionária, logo se vira em minha direção e me olha,
espantada com minha expressão.
— Angel! O que houve? Parece que viu um fantasma. — Há
preocupação em seu semblante.
Bebo mais um gole da água com certa dificuldade. As minhas mãos
ainda se encontram instáveis e parece que tem uma trava na minha garganta.
Coloco o copo sobre o balcão de mármore lentamente enquanto fito a mulher.
Minha aparência, tenho certeza que está um tanto exaltada.
— Grande... — balbuciei com o coração aos saltos. — Magnífico...
Impressionante... — falei sem nenhuma coerência, ainda me recordando do
tamanho do... Do ocorrido.
Minha mente está cheia com a cena lasciva e pecaminosa que vi. Sim,
pecaminosa. Porque se ele já impregnava os meus neurônios vestido, imagina
agora, que carrego nos pensamentos a imagem caliente e viril do seu corpo
forte e musculoso que ressalta a pura testosterona de macho alpha. Devo
reconhecer que nunca estive diante de um homem tão impressionante e
enigmático como esse, que é alto e todo talhado em músculos firmes. Sua
barriga é tanquinho, cheia de gominhos salientes. É todo vigoroso e parece
ter sido esculpido por Deus para enlouquecer qualquer ser do sexo feminino.
De uma certa maneira, esse símbolo da beleza masculina me deixou
quente e ofegante. Oh! E, como me deixou! Se eu continuar assim, vou ser
demitida antes de ser contratada. Aliás... Se é que serei admitida depois do
que ocorreu.
Volto o olhar para Antônia, que está acabando de enxugar um último
prato e o coloca sobre a bancada. Ela para o que está fazendo e me analisa
com uma expressão um tanto curiosa. Franzindo o cenho, questiona-me:
— O quê? Você viu um fantasma grande, magnífico e impressionante?
É a primeira vez que vejo alguém descrever um fantasma assim.
Balanço a cabeça de um lado a outro, tentando clarear minha mente
atordoada.
— Nã... Não. O que quis dizer é que... Ah! É melhor deixar para lá. —
tentei desconversar.
— Como? Impossível. Agora fiquei curiosa. — perguntou com um
certo entusiasmo, deixando um meio-sorriso brindar seus lábios. — Já sei.
Deve ter conhecido o chefe. Sim, ele é um pedaço de mau caminho
realmente. Um pouco intimidante com aquele porte de homem sombrio, mas
um senhor pecado.
Meu Deus! E, que pecado!
Clareio a minha mente outra vez, tentando disfarçar o quanto fiquei
mexida com o encontro inusitado com ele. Só espero que o meu pequeno
incidente não me traga prejuízos.
— Onde está a senhora Agne? — mudei o foco do assunto.
Ela me olha desconfiada, como se percebesse minha tática.
— Eu a vi indo em direção ao jardim. Acho que foi atrás do jardineiro
para colher algumas rosas para serem colocadas nos vasos. Por isso a casa
fica sempre com um cheirinho fresco de flores. Toda semana elas são
trocadas.
— Obrigada! Vou ver se a encontro. — falei depressa.
Sigo pela porta dos fundos, contemplando a belíssima paisagem ao
redor. Após caminhar pela passagem estreita feita de pedrinhas coloridas,
paro em frente a uma linda roseira. Um vento suave vem de encontro ao meu
rosto, trazendo-me o cheiro refrescante do mar misturado ao aroma das rosas.
Fecho os olhos por breves segundos, aproveitando a lembrança calorosa que
esse momento me traz. Lembro-me serenamente das viagens em família, da
casa da praia em Miami Beach e até mesmo dos finais de semana no iate
Lonely Star. Escolhi esse nome para ele, pois em nossa estreia a bordo na
embarcação, tarde da noite, vislumbrei uma linda estrela cadente descer do
céu e sumir nas águas profundas e escuras do mar. Um sorriso calmo estampa
meus lábios devido à doce recordação.
Saio do meu devaneio ao escutar um barulho próximo de carro. Quando
abro lentamente os olhos e observo o meu arredor, deparo-me com o
motorista na entrada da mansão. Ele está com a porta do veículo aberta,
aguardando o senhor Andreon. Assim que avisto sua figura máscula descer os
poucos degraus, meu rosto arde, pois me recordo da cena lasciva do seu
corpo másculo. Ele conversa algo com Pedro, que assente. E antes de entrar
no automóvel, desvia rapidamente o seu olhar escaldante para mim.
Todo o meu ser flameja como uma tocha em chamas e uma contração
no meu baixo ventre se faz presente assim que noto seu sorriso presunçoso se
instalar em sua boca enérgica. Suas írises azuis percorrem o meu corpo de
cima a baixo, causando uma conexão inexplicável entre nós, que só é
quebrada quando ele entra no automóvel e o motorista fecha a porta do carro,
que tem os vidros escuros levantados.
Fico observando o veículo seguir seu percurso até o amplo portão, igual
uma estátua: completamente inerte.
Apenas saio da bolha de imobilidade em que me encontrava quando
ouço a voz de Agne me chamar. Ela mantém um sorriso generoso no seu
rosto redondo, trazendo consigo uma cesta com várias flores.
Corro para a ajudar, pegando o objeto de suas mãos, e seguimos para
dentro da mansão. Meu coração está ansioso. Só espero que o pequeno
infortúnio de hoje não me traga consequências desagradáveis.
CAPÍTULO 11
NIKKY ANDREON

Inferno! Estou parecendo um moleque desastrado, derramando a porra


do suco em meu terno. O que fará com que eu me atrase.
Abandono a mesa de refeições e subo as escadas apressadamente.
Chego ao quarto e descarto minhas roupas o mais breve possível, dirigindo-
me ao banheiro para tomar um banho rápido. Entro embaixo do chuveiro e
deixo a água gelada bater de encontro aos meus músculos. Quem sabe ela
ajude a esclarecer minha mente?
Tenho uma reunião às 9:30. Devia ter ido tomar café na pequena
taverna onde meu mikró angelos trabalha. Ontem tive que exercer um
controle ferrenho para não sair na porrada com aqueles pivetes no restaurante.
Não me importava se eram somente pirralhos saídos recentemente das
fraldas. Contudo, sei que, provavelmente, a minha atitude trouxe problemas à
Angel, pela expressão da senhora mais velha para ela. A ruiva apenas me
olhava com cobiça e luxúria. A minha única vontade era de tirar meu doce e
mikró krínos (pequeno lírio) de lá, daquele ambiente tóxico, mas tive que ir
embora o mais breve possível, antes que cometesse algum disparate.
Minha noite foi péssima, como todas as outras, que têm costumado ser
insones. Tive que tomar um longo banho gelado para amenizar o meu ardor.
Que cacete! Estou parecendo mais um maníaco perseguidor. Muitas vezes
acordo suado e excitado, como um jovem vulnerável que está à mercê dos
seus malditos hormônios.
Irritado, desligo o chuveiro, pego uma toalha que estava em cima da
bancada da pia, enxugo-me rapidamente, enrolo-a em volta dos quadris e sigo
para o closet.
Eu devia ter seguido a minha intuição e ido ao encontro do meu doce
angelos, sem me importar se estaria aparentando ser um tarado depravado.
Realmente, os longos dias de abstinência estão me deixando louco, e as fodas
ocasionais no escritório com a secretária estagiária não estão refreando o meu
tesão. Terei que descartar a jovem em breve. Caralho! Eu nem mesmo me
lembro do nome da criatura. Mas notei que ontem, quando a danada apareceu
em minha sala, oferecendo-se, mantinha um sorriso de conquista no rosto. O
que me incomodou ao extremo, mesmo que Sophia tenha interrompido minha
foda. Não tenho dúvida de que minha funcionária já estava inteirada de que
eu necessito de uma gynaíka. Como teria reagido com tanta autoconfiança se
pensasse que poderia ser somente uma foda descartável? Essas mulheres são
um bando de loucas. Quem, de fato, entendem elas?
Maldição! Era só o que me faltava: duas oportunistas achando que
podem me enredear e subir de status na vida. Sophia, embora ainda não
compreenda, já está anulada; e, quanto à secretária, ela está me servindo para
um único propósito: sexo ocasional e discreto para extravasar o meu tesão
exacerbado enquanto não tenho à minha disposição krináki mou. Mas logo a
tirarei daquele lugar desprezível e a terei para mim. Já posso imaginar
aqueles lábios suculentos e deliciosos a me provar.
Retiro a toalha e sinto meu membro se encorpar. Suas veias grossas
pulsam dolorosamente e se avolumam em torno dele. Tento reprimir a
fantasia do meu lindo angelos, já que o momento não é propício para meus
devaneios calorosos. Senão necessitarei de outro banho frio.
Escuto um sutil barulho atrás de mim e, quando me viro, dou de cara
exatamente com minha fantasia íntima e momentaneamente negada a mim.
Minha mikró loira está totalmente imóvel e ruborizada em minha frente, e o
seu estado é totalmente inerte ao tentar digerir a situação. Até mesmo eu
estou surpreso. O que ela faz aqui, na minha suíte? Será obra da minha mente
pervertida? Descarto a possibilidade de ser somente uma miragem, porque se
fosse, ela estaria bem fogosa e receptiva neste instante, provavelmente de
joelhos no chão, proporcionando-me prazeres pecaminosos, com sua boca
deliciosa mamando o meu pau e molhadinha, querendo me dar a boceta.
Seu olhar assustado desliza timidamente pelo meu tórax, em
apreciação, e eu sinto o meu sangue ferver entre as veias, vorazmente e
faminto. Quando seus olhos inocentes e encabulados recaem sobre o meu
pau, quase saltando das órbitas, é que me dou conta do meu estado. Porra!
Devo estar ficando “armado”.
Rapidamente, cubro-me de volta, enrolando a toalha em volta dos meus
quadris, protegendo-a da minha lascívia desenfreada. Ela nem faz ideia de
que estou desse modo por causa dela, que despertou minha libido insaciável.
A partir desse momento se tornou o meu mikró martýrio (pequeno tormento).
Ouço o seu leve suspiro, que é sexy para caralho, e imagino o seu
gemido de prazer quando ela estiver tomando o meu pau até o talo. Cacete!
Esse pensamento me deixa ainda mais duro de encontro à toalha. Daqui a
pouco terei uma bela barraca no meio das pernas.
— Oh, meu Deus! Perdão, senhor Andreon! Pensei que já tivesse ido à
empresa. — justificou-se.
Um choque perpassa por mim. Caralho! Não pode ser. O meu doce
angelos é a empregada nova que minha querida Agne mencionou ontem à
noite? Theós! Eu já a tinha embaixo do meu teto ontem e somente agora
descobri?
— Retornarei quando não estiver mais no quarto. Licença! —
Visivelmente constrangida, abandona o closet em disparada.
Minha linda loira não me deu nem a chance de falar algo. Apenas um
leve grunhido escapa por entre meus lábios em resposta à sua atitude e um
sorriso de êxito surge em meu semblante. Parece que o destino está jogando
ao meu favor. Eu nunca suporia que a garota que Agne se referiu ontem seria
meu mikró martýrio. Ela é naturalmente linda e eu poderia lhe arranjar
facilmente um emprego melhor. Pela sua beleza, iria se enquadrar
perfeitamente como uma de nossas modelos de joias. Mas, nem fodendo a
exporia para um bando de filhos da puta que babariam nela. Na verdade, está
no lugar perfeito. Dessa maneira, eu a terei sempre perto de mim e será mais
fácil seduzi-la, tê-la em minha cama.
Animado, termino de me vestir.
Alguns minutos depois, já recomposto em meu traje formal, desço os
poucos degraus da entrada da mansão e caminho em direção ao meu veículo.
Pedro já está com a porta dele aberta, aguardando-me. Eu o cumprimento e
lhe repasso o cronograma de hoje.
Antes de entrar no interior do carro, algo forte como um ímã me chama
a atenção. Olhando para o lado, eu a avisto. Está belíssima. Instantaneamente,
tento resistir e manter afastado da minha intrigante e nova funcionária o meu
olhar de luxúria, só que é impossível. Ela não está fazendo nada para prender
minha fixação. Muito pelo contrário. Está completamente imóvel, sem reação
alguma, apenas me observando de longe. Porém, parece inquebrantável a
nossa conexão. Sua aura de menina indefesa ativou algo dentro de mim que é
incontrolável a cada reencontro.
Saio da minha análise minuciosa assim que Pedro me questiona algo
sobre podermos ir. Somente assinto e entro no veículo, interrompendo nosso
contato visual. Porra! Caralho! Estou parecendo um cachorro salivando
quando vê um pedaço de carne.
Aproveito o breve percurso até chegar à empresa para clarear minha
mente.
Já na corporação, as horas passam arrastadas. Nunca pensei que a
vontade de retornar à minha mansão fosse se fazer tão predominante. Durante
a reunião, fico completamente absorto, com os pensamentos em um certo
xanthos angelos. Em duas ocasiões tenho que pedir para ser repetida a pauta
exposta pelo diretor executivo da Mávro. O que causa alguns olhares curiosos
em minha direção, pois sempre fui focado e exigente na empresa, nunca
aceitando falhas.
Quando retorno para casa, já à noite, depois de um longo e estressante
dia de trabalho, sinto meu corpo enérgico apenas por ter consciência de que
ela está sob o mesmo teto que eu. Não será fácil estar inteirado de que
somente alguns metros a separam de mim e não poder reivindicá-la da forma
que desejo. Não ainda, pelo menos. Não posso agir como um ser medieval e
tenho que pôr a cabeça no lugar, para ser controlado por ela, pela de cima,
não pela de baixo.
Prevejo que será uma tarefa difícil. Se antes Angel já era responsável
pelas minhas noites insones e vários banhos gelados, agora será mil vezes
mais agonizante a tortura que o meu pau sofrerá. Mas, no fim, ela será minha.
Estou determinado.
Infelizmente, desde que cheguei, não avistei nenhum rastro do meu
glykó krínos (doce lírio). Parece que ela está tentando se esconder de mim. O
que não sabe é que será impossível.
Depois do jantar, que é servido pela minha querida Agne, vou ao
escritório para aguardar o encontro com minha mais nova obsessão. Sirvo-me
uma dose moderada de ouzo, uma bebida típica grega. Esse tipo de drink não
é para os fracos, pois seu teor alcoólico é elevado. Os desavisados podem
passar por momentos constrangedores se não o apreciar com moderação, mas
grego que é grego não se intimida com um desafio, e, no momento, isso é
tudo que estou necessitando.
Tomo a dose em um só gole, sentindo meu corpo todo se aquecer e
relaxar ao mesmo tempo. Em seguida, ouço uma leve batida na porta. Mando
entrarem e constato que é to korítsi mou (minha menina).
Meus olhos encaram a figura pequena com uma luxúria indisfarçável,
absorvendo cada curva primorosa dela. Seu cheiro de flores suaves se
desprende da sua pele deliciosa e chega até mim, nublando o resto do meu
raciocínio. Seria tão malditamente fácil seduzi-la. Só alguns passos nos
separam e meu desejo soberano é reivindicar seus lábios rosados e saborosos
em um beijo cheio de tesão.
Ela está usando um vestido singelo e floral e seus cabelos estão
amarrados em um rabo de cavalo, deixando-a com uma expressão de menina
vulnerável que desperta algo protetor dentro de mim. O seu corpo está tenso,
demonstrando que ela não está à vontade na minha presença. Talvez ainda
esteja um pouco insegura com o episódio que ocorreu pela manhã ou até
mesmo com medo de não ser contratada e ficar desamparada novamente.
Entretanto, é impensável essa alternativa.
Sorrio maliciosamente. Ah, mikró mou (minha pequena)! Tenho planos
calientes para você.
— Senhor Andreon, eu... — Sua voz logo some.
Posso jurar que seu rosto está rubro. A não ser que seja uma ilusão de
óptica ou alguma alteração na iluminação do ambiente.
— Sente-se, Angel! — Aponto para a poltrona que está à frente da
mesa enquanto me dirijo até minha cadeira e me acomodo nela, já
comprovando um incômodo considerável entre as pernas por conta da leve
estimulação sexual que sua mera presença feminina me causou.
Ela se aproxima em passos vacilantes e faz exatamente o que pedi.
Limpo a mente e assumo o controle da situação antes que cometa
algum ato insano que a choque pela minha fome crua pelo seu corpo. Sua
expressão ainda demonstra constrangimento. Deve ser por esse motivo que
não percebeu que estou como um lobo faminto prestes a lhe devorar. É
evidente que todo esse contexto se resume à abstinência de sexo. Caralho!
Devo reconhecer que nunca fiquei tão fissurado para comer uma boceta.
Geralmente, todas se abrem para mim com uma facilidade considerável e
nem tenho a oportunidade de experimentar a doce adrenalina da caçada.
Necessito de outra dose forte de ouzo, porém o momento não é
propício, senão acabarei usando a bebida de pretexto para cometer alguma
estupidez.
Reparo que, apesar de ela tentar me encarar com determinação, mantém
um certo brilho de fragilidade no olhar.
— Senhor, eu só quero pedir desculpa pelo equívoco que sucedeu pela
manhã. — Sua respiração está ofegante e o doce balanço dos seus seios me
hipnotiza, embora o belo par de mamas esteja perfeitamente coberto e não
exista um ínfimo rastro de ousadia em seu decote.
Seu vestido também cobre modestamente suas belas coxas torneadas,
indo até a altura dos joelhos. Porra! Até o uniforme de empregada é mais
revelador do que essa vestimenta simples. Todavia, esse fato não é
impedimento para a minha mente pervertida, que a fantasia sentada sobre
minha mesa, bem diante de mim, sem calcinha, com a roupa levantada até os
quadris e completamente arreganhada em minha direção enquanto a minha
língua experiente trabalha na sua boceta suculenta e se deleita do suco da sua
excitação, arrancando doces suspiros de prazer dos lábios adocicados e de
mel dela.
Caralho! Meu pau infla descontroladamente. Se não tivesse uma mesa
entre nós, ela perceberia o efeito ardente que me causa. Remexo-me na
cadeira de maneira incômoda, tentando reprimir meus pensamentos devassos,
e pigarreio, relembrando sua inquisição.
— Pode me chamar apenas de Nikky. — Nem me recordo do que foi
dito anteriormente. Ela podia até ter me xingado, que eu não me recordaria.
— E, sobre o episódio que ocorreu nesta manhã, já está esquecido. — Tentei
quebrar um pouco do clima tenso, mas a realidade é que seria impossível não
me lembrar do seu olhar curioso e quente passeando pelo meu tórax.
Um sorriso malicioso me preenche imediatamente, por saber que ela
não é imune à minha presença.
Porra! A simples memória acabou me deixando mais duro ainda, com
uma bela armação entre as pernas.
— Agradeço, senh... Quer dizer... Nikky. É um tanto estranho chamá-
lo assim, já que é meu novo patrão agora. — Houve insegurança em sua voz.
— Quer dizer... Se eu ainda for assinar algum contrato.
— Claro que assinará. Eu a quero para mim. — Ela arregala os olhos e
me analisa fixamente. Assim, noto minhas palavras possessivas. — Quis
dizer que quero que trabalhe para mim. Creio que foi por minha culpa que
tenha perdido o emprego anterior.
Ela nega com a cabeça freneticamente.
— Não se sinta culpado, Nikky! Na verdade, acredito que, de alguma
forma, isso já estava prestes a acontecer. Aquele episódio no restaurante foi
um graõzinho perto do que já passei. — desabafou. — Tive muita sorte de
encontrar sua governanta, Agne. Ela é um amor de pessoa. — Um sorriso se
desenha em seus lábios e sua expressão está menos tensa, fazendo com que
eu sorria também.
— Sim. Ela é uma pessoa generosa, incrível e de grande coração. Mas,
o que aconteceu depois que deixei o restaurante? Sinceramente, eu só me
retirei porque não queria lhe causar mais problemas. Não gostei do olhar que
aquelas duas mulheres lhe lançaram. — resmunguei.
— É uma longa história. Prefiro não entrar em detalhes, mas,
basicamente, fui demitida e despejada do pequeno quarto que ocupava.
Com isso, algo se parte dentro de mim, por pensar no quanto ela ficou
exposta e desprotegida pelas ruas de Mykonos. Um tremendo ódio me
percorre ao imaginar o que deve ter passado nas mãos das duas megeras. Pelo
que Agne me comunicou, encontrou Angel próxima a um mercado, com a
fisionomia amargurada e de tristeza. É óbvio que me contou uma história
dramática para me convencer a dar o emprego à mikroúlis (pequenina), como
se referiu. Ela me fez um favor sem ao menos se dar conta disso.
Agora terei que agir com cautela. Será questão de poucos dias para eu
ter meu lindo krínos (lírio) esparramado e ardentemente fogoso em minha
cama, com seus cabelos dourados derramados sobre os meus travesseiros
holandeses.
Um pensamento absurdo me assola assim que imagino que ela pode ser
do tipo de garota que gosta de curtir baladas e beach clubs de Mykonos em
suas folgas.
— Gosta de frequentar nightclubs nas horas vagas? — minha pergunta
foi direta, sem reflexão.
Não consigo interromper a imagem de um bando de filhos da puta a
cercando em alguma boate enquanto ela dança, gingando o corpo
sensualmente. Isso queima as minhas entranhas de pura raiva.
— O quê? — Ela me encara, surpresa com minha inquisição sem
rodeios. Acho que não compreendeu a minha intromissão em algo que seria
de cunho pessoal.
Eu não me contive. Se ela for uma garota festeira, lembrarei de colocar
no contrato uma cláusula de proibição quanto a isso.
Seu rosto ainda mostra a mesma expressão, mas um riso nervoso logo
escapa por entre seus lábios doces.
— Oh, não! Definitivamente, no fim do dia, Charlize sempre me
chamava para essas baladas, mas, dificilmente, eu as frequentava. Em
primeiro lugar: sobrava-me pouco dinheiro; quase nenhum. Além do mais,
tenho alguns objetivos que quero alcançar.
— Quem é Charlize? — perguntei entre dentes, sentindo uma ânsia
violenta e desconhecida me inundar. Não conheço o infeliz, mas já tenho
gana de esmagar sua cara com meus punhos. — É algum namorado?
Ela me olha espantada.
— Oh, Deus! Não! Charlize é minha melhor amiga, filha da minha ex-
patroa. Mas a tenho como uma irmã.
Minhas feições relaxam novamente. Eu não tinha me dado conta de que
meu rosto estava contraído, carrancudo. A tal de Charlize deve ser a garota
que vi com ela quando cheguei à taverna. Por um instante, imaginei que fosse
o idiota que avistei entrando no restaurante quando saí.
— Foi através dela que eu soube quem era o homem misterioso por
quem quase fui atropelada. Ela tem um verdadeiro fascínio por você. — Ri,
nervosa. — Quer dizer... É somente uma adolescente deslumbrada.
Agora é minha vez de sorrir desconsertadamente. Sou alvo de uma
paixonite platônica? Recordo-me bem da cena no restaurante. A garota
parecia um tanto empolgada realmente com o meu surgimento no
estabelecimento. É óbvio que supus ser por causa da minha presença, que
agregaria bastante notoriedade ao lugar.
Entretanto, a única que tem o meu total interesse no momento está bem
diante de mim.
— Entendo. Bem... Voltando à questão do contrato: tem alguma
formação profissional, além da experiência como garçonete?
Ela fica sem jeito e abaixa a cabeça como se estivesse envergonhada. E
quando volta a me encarar, está com uma determinação renovada.
— Não, senhor Andreon. Infelizmente, a oportunidade de fazer algum
curso profissionalizante ou superior me foi tirada. Mas, não se preocupe! Não
tenho medo do trabalho duro. — assegurou com persistência e coragem.
Admiro esse ânimo jovial.
— Perfeito! Agrada-me muitíssimo a sua tenacidade. Creio que já
podemos dar entrada nos trâmites do contrato. Só necessitarei dos seus
documentos para redigir o acordo de trabalho.
Sua tez empalidece suavemente.
— Documentos? — perguntou um pouco receosa.
— Sim. Algum problema?
— Oh, não, senhor Andreon. Muitíssimo obrigada! Por um instante
pensei que não me admitiria, pois invadi sua privacidade. Eu sinto muito,
mais uma vez. Só entrei no quarto porque supus que o senhor já tinha ido
para a empresa. — falou com embaraço.
Agora tenho a total certeza de que seu rosto está corado. Gia to Theó
(Por Deus)! Ela cora como se fosse alguma virgem e estivesse sendo assolada
pela cena ardorosa de hoje de manhã.
Imediatamente um pensamento animador me atinge. Será isso
realmente? Será que ela nunca tinha visto um homem completamente nu?
Nunca fiz questão de ser o primeiro de uma mulher, mas essa simples
constatação me agradou sobremaneira, de um modo inquestionável. Não
consigo reprimir o golpe de um forte sentimento de posse. E, tão rápido
quanto essa emoção estranha veio, espanto-a para longe. Reconheço que, no
mínimo, essa circunstância é um tanto incomum para um homem prático
como eu.
Recomponho-me, lembrando-me de que ela voltou a utilizar seu tom
formal comigo.
— Isso já foi esquecido. — menti. — É a terceira vez que me chama de
senhor. Terei que usar minha autoridade de chefe para que me chame apenas
de Nikky? — usei meu tom jocoso.
— Muito bem, Nikky. Façamos uma concessão: eu o chamarei pelo
nome apenas quando estivermos a sós. Não me sentirei confortável de fazer
isso na presença dos demais funcionários. — defendeu o seu ponto de vista.
Não ligo o mínimo para o que os outros pensariam. São pagos para
cumprirem seus deveres, não ficarem de mexericos sobre minha vida. Porém,
fiquei admirado com a defesa de sua argumentação.
— Ok. Mas estamos sozinhos agora. — ressaltei com um sorriso
sedutor. — Creio que nada nos impeça de selarmos o nosso acordo com um
aperto de mãos. — falei descontraidamente, erguendo-me da poltrona e lhe
estendendo uma mão firme.
Ela suspira em alívio, eleva-se e deixa sua pequena mão envolta na
minha. Sinto sua palma calorosa e macia em contato com a minha pele e uma
rajada elétrica transpassa por mim. Meu olhar de luxúria rapidamente se
conecta ao toque doce do seu olhar turquesa que me deixa enfeitiçado.
— Amanhã mesmo o contrato estará pronto. Seja bem-vinda, Angel! —
minha voz saiu quente e cheia de tesão, mais do que o esperado.
Por sorte, ela não deve ter percebido meu desejo incontido. Em seguida
me agradece e deixa a sala.
Acomodo-me novamente na poltrona, olhando fixamente para a porta.
Passo levemente a mão pela protuberância dolorosa entre minhas pernas,
provocada por krináki mou.
Calma, garanhão! Logo, logo vai poder saborear cada recôndito
delicioso do meu xanthos angelos. — pensei animado.
Recosto a cabeça no encosto da poltrona e respiro fundo, fechando os
olhos por um rápido instante e sendo acometido pelo cheiro doce e feminino
que continua impregnado por toda a esfera do ambiente; um aroma adocicado
envolvente e extremamente viciante que está a ponto de foder com meu
raciocínio. Repentinamente, abro os olhos, readquirindo um pouco de
autocontrole. Porra! Já estou prevendo mais uma noite de banho frio.
CAPÍTULO 12
ANGEL HARLEY

Duas semanas depois

O dia está radiante e o sol brilhante embeleza o lindo céu azulado de


Mykonos, sendo convidativo a um refrescante mergulho no mar. Quase todos
os dias, nos finaizinhos de tarde, adoro fazer caminhada pela extensa areia
macia da praia. É uma excelente terapia que me ajuda a espairecer a mente,
organizar-me melhor e desenvolver estratégias de como enfrentar Henrique.
Sinto que no meu novo emprego as minhas oportunidades são bem melhores.
Quando assinei o contrato na manhã seguinte, como Nikky me prometeu que
seria, quase tive um treco ao avistar o total de um valor considerável como
meu pagamento. Chega a ser seis vezes maior do que a quantia que eu recebia
como garçonete. Tentei argumentar com ele, mas o homem irredutível me
disse que estaria me pagando o que os demais funcionários recebem. Além de
ser um patrão justo, é generoso, apesar de ter uma fama de exigente.
Como é fim de semana, ele está no escritório. Então, desta vez, não
terei como evitar cruzar o seu caminho. Desde o nosso último encontro, tenho
tentado me esquivar da sua presença viril. É óbvia sua gentileza comigo,
entretanto tenho medo das reações que sua presença dominante desperta em
meu corpo. Nunca senti isso antes, e é contraditória à minha lógica essas
sensações. Em raríssimas ocasiões nos encontramos pelos corredores da
mansão, porém meramente o cumprimento em um tom neutro e trato de sair o
mais rápido possível do seu radar.
Ouço a campainha tocar e vou atendê-la. Assim que abro a porta, dou
de cara com um homem alto, forte e de cabelos e olhos negros. Ele é bonito,
porém não desencadeia nenhum rastro de emoção em mim. Não como
quando Nikky está próximo. Nesses momentos o meu coração dispara,
ensandecido dentro do peito, minha garganta seca e meus pés parecem leves,
como se eu fosse flutuar. Sei que não devo sonhar acordada, nem ficar
fantasiando com o meu chefe; e o conhecimento de que ele é um mulherengo
inveterado deveria quebrar o encanto. Mas, de alguma maneira, sinto uma
conexão inexplicável entre nós me inundar.
O desconhecido me encara intensamente, como se estivesse me
estudando. Está trajando uma roupa despojada e mantém um sorriso
charmoso.
— Bom dia, senhor... — recepcionei-o.
— Dimitri Domykos. — Faz uma rápida inspeção minuciosa e
descarada em mim, deixando-me um pouco constrangida. — Theós! Agora
compreendo perfeitamente o motivo de Nikky ter recusado meus últimos
convites para algumas diversões.
— O que disse? — perguntei incerta. O que ele quis dizer?
Ele permanece sorrindo e não tem tempo de me responder, porque a
porta se abre e fecha em seguida, revelando uma figura enigmática, marcante
e viril vindo ao nosso encontro. Mesmo que eu não esteja o encarando, sinto
suas írises azuis sobre mim, queimando-me com o calor escaldante delas.
— Licença, senhores! — Retiro-me o mais rápido possível da sua
presença dominante.
Depois da breve recepção, eles caminham para a área da piscina. O tal
amigo veio acompanhado de três mulheres. Que depravado! Posso ser
inexperiente, mas presumo o tipo de “festinha” que eles farão na piscina.
Uma fisgada dolorosa se instala em meu peito assim que imagino Nikky se
divertindo com elas.
Oh, céus! Estou assustada com esse sentimento. Ele é um homem
solteiro e o meu chefe. É óbvio que pode fazer o que quiser com sua vida.
Reparo que uma mulher tem um porte diferenciado e mantém uma aura
de “não me toque”, mas devo reconhecer que é uma morena muito bonita,
apesar da cara de metida. As outras duas, uma também é morena e a outra é
ruiva. Elas se mostram mais descontraídas e em um clima de diversão.
Estou completamente absorta. Será que agirão despudoradamente em
plena luz do dia, fingindo que não existe ninguém na mansão? É claro que
sim. Nós, como simples empregados, devemos fingir que não vemos
absolutamente nada.
Recrimino-me no mesmo instante por estar incomodada. Mas, o que eu
poderia esperar de Nikky Andreon? Uma estranha sensação de amargo e
desolação também tenta se apoderar do meu peito. Eu não deveria me sentir
assim. Afinal, já tinha conhecimento de sua vida de libertino. De alguma
maneira dói esse sentimento.
Alguns minutos depois, Agne prepara alguns drinks e aperitivos para
que eu os sirva. Sinto meu coração pesado ao ter que executar essa simples
tarefa, mas respiro fundo e sigo para a área do jardim. Quando chego ao
ambiente externo, o tal de Dimitri está aos amassos com a ruiva e a morena
na piscina, Nikky está sentado sobre um estofado que está à sombra de um
pergolado e a outra morena, com cara de esnobe, está na extremidade oposta
do assento. Ela não para de secá-lo com olhos cobiçosos de luxúria. Só falta
pular em seu colo para lhe chamar a atenção.
Fico irritada com seu jeito descarado, contudo um sentimento animador
me preenche quando constato que ele não está retribuindo o seu gesto. Muito
pelo contrário. Seus olhos azuis e ardentes estão cravejados em mim, e essa
ação me deixa estremecida. Suas roupas são informais, nada comparadas aos
seus costumeiros ternos: uma calça cáqui e uma camisa branca que destacam
todos os seus músculos vigorosos e trabalhados que fariam qualquer mulher
salivar. Essa imagem faz com que eu imagine outra cena lasciva e voluptuosa
que se tornou inesquecível em minha memória. Oh, Deus! Meu rosto
incendeia com a lembrança despudorada daquele dia.
Tento desviar a atenção da parede de músculos diante de mim e ser
inteiramente neutra e invisível no ambiente. Sirvo os drinks da forma mais
imparcial possível e, em sequência, deixo a bandeja com as bebidas em uma
mesa próxima. Retiro-me do local em seguida.
É necessário que eu organize meus pensamentos.
Ao terminar meus outros afazeres, estou quase subindo as escadas para
ir ao andar superior ver se está tudo em ordem lá, quando me dou conta da
bela morena vindo pelo hall em minha direção. Seu porte elegante e soberbo
demonstra sua superioridade de mulher metida e suas roupas requintadas
envolvem o seu corpo como uma segunda pele, deixando-a extremamente
sensual.
— Espere! Quero ter uma palavrinha com você. — exigiu com uma voz
ácida.
Não gostei da sua atitude, mas paro no mesmo lugar e lhe lanço um
sorriso gentil.
— Pois não, senhorita...
— Sophia Barrili. — completou asperamente, com altivez, como se a
simples menção do seu nome significasse algo de suma relevância.
— Em que posso ajudá-la, senhorita Barrili? — Dou um sorriso meigo,
independentemente do seu temperamento azedo.
Ela me analisa detalhadamente, e em seus olhos posso ver refletidos
ódio enquanto me sondam como se eu fosse uma oponente. Seu semblante é
frio como o de uma deusa em um pedestal. De repente, aproxima-se de mim,
agarra com força o meu braço e sai me arrastando para um canto menos
movimentado da sala. Sua pegada é dura e suas unhas estão fincadas em
minha carne dolorosamente. Não se importa se está me infringindo dor.
Ainda fico estarrecida quando seu agarre brusco se intensifica e comprovo
que o seu propósito é me machucar.
— Ai! — gemi baixinho pela maneira abrupta com a qual ela está me
tratando sem que eu tenha lhe feito absolutamente nada.
— Olhe aqui, garota sonsa! Pensa que não reparei no que está tentando
fazer? — sua voz azeda chegou aos meus tímpanos me causando aversão.
Sinto vontade de dar na cara da vaca, mas me controlo a tempo, ou
serei capaz de perder o emprego. E não posso me dar esse “luxo”.
— Eu... — Tentei argumentar, só que não tive oportunidade porque a
megera me interrompeu.
— Calada! Não ordenei que abrisse esta boca imunda de
empregadinha! — A baranga esnobe aumenta mais a sua pegada repulsiva na
minha pele. Tenho certeza que ficará nela as marcas de sua rispidez. — Pensa
que não percebi o jeito como você devora, com estes olhos inocentes, o
Nikky?
— Não sei ao que se refere. Ele é apenas o meu patrão... — tentei me
justificar.
Ela dá uma sonora gargalhada que chega a me irritar.
— Pois parece que se esqueceu do seu lugar nesta casa. — salientou
com um desdém nítido na voz. — E não me tome por estúpida, sua
dissimulada! Vou só te alertar, pois dizem que quem avisa, amigo é. E não
me queira ter por inimiga! Ou se dará muito mau. — Ameaçou-me com o
olhar carregado de desprezo. Depois olha para um lado e outro do ambiente,
observando se não vem ninguém. — Afaste-se dele, para o seu próprio bem,
empregadinha morta de fome! Ele não é para o seu bico. — Ri com deboche.
— Olhe só para você! ELE nunca olharia para uma empregadinha
maltrapilha.
Sua colocação ostensiva me deixa fervendo por dentro, mesmo sabendo
que suas palavras têm um fundo de verdade.
— Se ele nunca olharia para uma empregadinha como eu, por que o
medo? — indaguei com determinação.
Sua carranca de grega esnobe me encara com uma renovada
animosidade e minha única vontade no momento é de descer a mão na sua
cara aquilina e arrogante, porém me controlo. Não posso correr o risco de
perder o meu emprego por causa de uma socialite despeitada.
— É um aviso, garota estúpida. — bradou se assemelhando àqueles
cachorrinhos de madame que latem, latem, no entanto não fazem
absolutamente nada. No fundo, ela tenta me intimidar, mas há receio em sua
fisionomia. — Já fomos noivos antes, e por uma tolice do passado nos
separamos. Mas Nikky é louco por mim, apenas não quer expor seus
sentimentos. Mas tenho absoluta certeza que é questão de pouco tempo para
voltarmos.
Meu corpo congela. Essa arrogante é a ex-noiva dele? Agne comentou
comigo sobre esse breve noivado. Ela não entrou em detalhes minuciosos,
apenas estava dando graças a Deus porque o senhor Andreon não se casou
com a mulher grega orgulhosa e mesquinha. Também estava o rogando
fervorosamente para que seu “menino”, como ela o chama carinhosamente,
encontrasse uma boa esposa.
Mas, será verdade que ele ainda ama a megera que está em minha
frente?
Deixo essa análise de lado e, sem demora, fixo o olhar no rosto dela.
— Solte-me! — Desprendo-me bruscamente do seu agarre e a encaro
decidida. — Em primeiro lugar, não sou sua funcionária; em segundo lugar...
Ela me interrompe abruptamente. Que mal-educada! Percebe-se que a
educação não veio de berço.
— Mas em breve será. Quando eu me casar com Nikky, a primeira
providência que tomarei será te jogar no olho da rua.
Minha vontade é de esfregar a cara dessa sem noção no chão para polir
o assoalho.
— Então, como a senhorita ainda não se tornou a Senhora Andreon...
— fui irônica. — Não lhe devo subserviência.
— É bem insolente, garota estúpida. Mas já lhe adverti. É bom que se
mantenha no seu devido lugar de serviçal. Não vê que ele é muita areia para o
seu caminhãozinho, não?
Estou formulando uma resposta bem ácida para baixar a bola da vaca,
quando Nikky surge no hall de entrada.
— Está tudo bem por aqui?
A tal Sophia se afasta de mim rapidamente com um sorriso tão cínico e
frio quanto seus olhos castanhos.
— Claro, querido. Eu estava somente pedindo à empregada... —
enfatizou tal termo para me rebaixar. — Para trazer um suco de morango para
mim. É o meu preferido.
Vaca dissimulada! Tenho vontade de lhe servir um, mas com arsênico.
— pensei ironicamente.
— Tudo bem. Suponho, então, que não devemos protelar o assunto que
a trouxe até aqui em pleno fim de semana. — Notei um leve tom de sarcasmo
na voz dele. — Vamos ao meu escritório! Angel pode levar sua bebida para
lá. — Olha para mim.
Apenas assinto com a cabeça e vejo a megera grega sair com um
sorriso tão radiante no rosto, que parece uma atriz de Hollywood que acabou
de ganhar o Oscar.
Quando estou preparando o suco, uma ideia travessa se passa em minha
mente e começo a colocá-la em execução. Informo-me com Agnes sobre
onde ficam os remédios e utensílios de primeiros-socorros, inventando que
estou com muita cólica; e quando vasculho o armário, encontro o que estava
precisando. 4 ou 6 comprimidos de laxante serão suficientes? Faço todo o
procedimento necessário e um sorriso arteiro se forma em meus lábios. Agora
é questão de poucos minutos para fazer efeito.
Se estou com algum remorso? Nenhum pouco. Sorrio com ânimo.
CAPÍTULO 13
NIKKY ANDREON

Puta merda! Já é a terceira vez que passo os olhos no relatório que está
refletido na tela do notebook, com os pontos que serão apresentados na
reunião de segunda-feira da Mávro Diamánti, mas não consigo me
concentrar. Levo as mãos aos meus cabelos fartos e escuros, bagunçando-os,
e bufo frustrado. Theós! Estou entediado para caralho aqui, em meu
escritório. O fim de semana em casa está sendo quase uma tortura. Eu deveria
estar aproveitando agora, em meu iate, o clima da brisa fresca e paradisíaca
do mar, com minha mais nova obsessão: meu lindo angelos loiro. Porém, não
consigo uma forma de me aproximar dela e quase não a vejo pela casa. Nas
poucas ocasiões em que nos esbarramos foram encontros provocados por
mim. Mas ela nunca me dá tempo de iniciar um diálogo ou algo do tipo,
porque simplesmente atende ao que lhe solicito e desaparece o mais rápido
possível da minha presença, como se eu estivesse sofrendo de alguma doença
contagiosa.
Inferno! Não estou sabendo lidar com sua indiferença. Nunca tinha
vivenciado uma situação estarrecedora como essa antes. Muito pelo contrário.
As mulheres sempre fizeram de tudo para chamarem a minha atenção e terem
uma oportunidade de comparecer em minha cama. Teve uma vez que uma
das estagiárias da empresa entrou no meu porta-malas apenas para conseguir
esse propósito. É óbvio que a fodi. E foi uma foda fenomenal. Mas no dia
seguinte, ela já estava no olho da rua.
Qual é o problema com a linda loira?
Eu sei que o que me atormenta é o fato de nenhuma mulher nunca ter
fugido de mim antes, como essa garota. Será que, por essa razão, a cada dia
que passa meu ardor por ela só aumenta? Sempre que estamos próximos,
tenho que ter um comando ferrenho sobre meus desejos, porque minha única
vontade é de devorar sua boca gostosa e impertinente com um beijo ardente,
além de me deliciar no calor do seu corpo formoso e cálido.
Porra! A simples projeção da imagem do meu mikró xanthó angeloúdi
(pequeno anjo loiro) em minha mente já me deixa excitado para caralho.
Sou tirado da minha divagação ardente ao ouvir o barulho de um
automóvel se aproximando da mansão. Observando pela janela do escritório,
constato que é Dimitri. Ele salta do veículo com um sorriso amplo e safado
que já me deixa em alerta. O que está aprontando?
Sem demora, vou ao seu encontro. Ao chegar ao hall de entrada, posso
ver que meu mikró krínos (pequeno lírio) já está o recepcionando. Noto o
olhar de interesse do bisbilhoteiro sobre ela e tenho vontade de arrebentar sua
cara. Depois me atento à figura feminina, que está sexy para caralho, mesmo
que esteja usando uma roupa simples de empregada. Meu olhar ousado
percorre cada linha esbelta da sua silhueta primorosa e eu me sinto
incendiando.
Já que meu mikró martýrio está se esquivando de mim, a cada encontro
nosso saboreio deliciosamente a oportunidade de admirá-la. Infelizmente, sou
tirado da minha inspeção libidinosa quando, assim que me aproximo, ela
simplesmente se despede e me deixa a sós com Dimitri. Meu olhar indecente
ainda a segue. O gingado dos seus quadris generosos me deixa hipnotizado e
me faz idealizar minhas mãos cobiçosas os segurando firmemente enquanto
monto nela com vontade.
Cacete! Com a imaginação ardente, já sinto uma fisgada incomodar o
meu pau.
Sou tirado dos meus devaneios devassos com a declaração zombeteira
do meu amigo.
— Nikky, é melhor usar um babador. Está escorrendo a baba. — disse
com seu costumeiro bom humor.
— Vá se foder, Dimitri! — Grunho.
— Ah! Claro que vou foder gostoso. Foi exatamente por essa razão que
trouxe duas gostosas. — Viro-me em sua direção, completamente surpreso
com sua declaração. — Já que você tem evitado ser o centro das atenções e
tem se esquivado dos meus convites, supus que uma festinha particular e
privada iria te animar. É óbvio que tudo será longe do olhar malicioso da
imprensa. E, o que é mais adequado do que uma curtição na piscina? Mas,
pelo que presenciei aqui, está bem provido. Não tem problema; eu dou conta
das duas gatas. — Abre um enorme sorriso cafajeste.
Meneio a cabeça em uma clara objeção.
— Ficou louco?! Se minha giagiá se inteirar de algo sórdido como
esse, estarei fodido, e vou arrebentar sua cara no processo.
— Calminha, Andreon! O que pode dar errado? Confie em mim, cara!
— pediu com bastante convicção.
Ele vai chamar as garotas e eu tenho uma surpresa desagradável quando
o vejo retornar alguns minutos depois, pois avisto Sophia logo atrás dele. Que
porra! O que ela está fazendo aqui?
— Nikky, só para esclarecer, não tenho nada a ver com isso. Quando
fui chamar as meninas, Sophia chegou no carro dela. — Dimitri explicou,
dando de ombros, ao notar os músculos tensos da minha face. — Ela alegou
que precisa pegar algum documento com você.
Tentando me controlar, somente assinto enquanto ele sai com as duas
mulheres para a área da piscina. Uma mulher altiva e orgulhosa domina o
hall de entrada.
— Nikky, querido! Vejo que cheguei em uma boa hora. Está dando
uma festinha particular. — falou sinteticamente. — Vim pegar uma cópia do
relatório para o meu pai. Ele acabou perdendo o dele. — Dá um sorriso torto.
— Por que não solicitou uma cópia extra à Glória, minha secretária
particular? Não precisaria ter se incomodado em se deslocar até aqui. —
ressaltei com aspereza.
— Para mim não é incômodo algum, Nikky. — Toca em meu braço
como se fizesse uma breve carícia nele. — Aproveitando que já estou aqui,
podemos apreciar um pouco a piscina. Está uma linda manhã para
desfrutarmos do sol esplendoroso de Mykonos. Eu estava entediada em casa
mesmo. Então, por que não unir o útil ao agradável? — Expressa um brilho
envaidecido no olhar.
Sem esperar por uma resposta, ela segue até a área que leva à piscina,
deixando-me puto da vida. Age como se fosse a porra da dona da casa.
Quando chego na parte externa, que leva à piscina, vejo-a bem
acomodada no estofado de couro. Dimitri também não perdeu tempo e já está
na piscina, aos amassos com as duas mulheres.
Acomodo-me na outra extremidade do estofado, constatando que
Sophia não para de me devorar com os olhos. Imensamente irritado com toda
essa situação, ignoro-a. Minha expressão se mantém neutra e sisuda, pois não
faço questão de esconder o meu desagrado e descontentamento. Ela tenta
emplacar um diálogo comigo, só que minha falta de entusiasmo é nítida.
Unicamente a respondo de forma monossilábica, até que uma lufada de
ânimo chega até mim: meu lindo angelos entra no meu campo de visão.
Angel está gostosa para cacete, movendo-se sensualmente em nossa direção.
Seu movimento discreto, natural e sexy me deixa cheio de tesão. Tenho plena
certeza de que nem mesmo ela tem noção do quanto é tentadora.
Trazendo consigo alguns drinks em uma bandeja, serve-nos de forma
reservada, precisa, e depois deixa o espaço da piscina. O que ela não imagina
é que deixou também meu corpo em chamas. Nenhuma fonte de água poderia
extinguir esse fogo e apaziguar esse tesão, só seu corpo delicioso. Meu pau
está enrijecido entre as pernas.
Saio do meu delírio erótico quando escuto Sophia resmungar.
— Uhhh! Este drink está muito fraco e necessita de mais gelo. —
opinou indelicadamente.
Não lhe repondo nada, apenas continuo tomando minha bebida e me
remexo desconfortavelmente no estofado, tentando disfarçar o meu estado de
“ânimo”.
— Preciso fazer uma ligação. Já volto. Vou aproveitar para pedir outra
bebida. Essa não me agradou. — avisou, sendo exigente, antes de sair.
Alguns minutos se passam, e como não existe indícios de que Sophia
retornará logo, resolvo ir ao seu encontro. Creio que minha hospitalidade já
foi generosa demais. Eu me deparo com ela conversando com Angel em um
canto mais afastado do hall e acho estranha a sua postura rígida. Mas quando
me pronuncio e a faço notar minha presença, relaxa, lançando-me um sorriso
tão frio e sedutor que me causa asco.
— Claro, querido. Eu estava somente pedindo à empregada... — seu
tom foi depreciativo ao se referir ao meu angelos. O que não me agradou
nenhum pouco. — Para trazer um suco de morango para mim. É o meu
preferido.
Observando as feições tensas de Angel, logo compreendo que,
provavelmente, Sophia não tenha sido delicada. Ela sempre foi conhecida por
ter um temperamento intolerante com os mais humildes. Agne deu graças a
Theós quando desfiz o meu noivado.
Já farto do seu surgimento inoportuno, prontamente trato de me
desfazer da sua presença inconveniente.
— Tudo bem. Suponho, então, que não devemos protelar o assunto que
a trouxe até aqui em pleno fim de semana. Vamos ao meu escritório! Angel
pode levar sua bebida para lá. — sugeri gentilmente, olhando para o meu
mikró angelos.
Ela assente e se retira enquanto Sophia desfila sensualmente em minha
frente, indo em direção ao meu escritório.

Depois que Angel serviu minha ex-noiva, retirou-se do ambiente como


se Sophia fosse uma cobra peçonhenta prestes a lhe dar o bote. Ela degusta
agora o suco com bastante avidez, analisando-me com interesse. Suas
artimanhas de conquista não me abandonam, mas já estou ficando entediado
desse jogo.
Busco ser breve.
— Muito bem, Sophia. Aqui está uma cópia extra do relatório da
reunião. Mas já lhe advirto para evitar situações incomuns como essa.
Sua face se contrai.
— Não sou bem-vinda aqui? — Solta um riso sem humor. — Que
irônico! Eu deveria ser a dona dessa casa. — focou no assunto do nosso breve
noivado, do passado.
Isso me deixa irritado. Ela parece um disco arranhado, sempre a repetir
o mesmo refrão. É difícil compreender que algo quebrado não retorna jamais
à sua forma original?
Sou assolado por um calafrio de aversão ao me imaginar preso a um
casamento por dever com ela. Theós! Somos totalmente incompatíveis.
— Tudo não passou de uma armação, Nikky. Eu já lhe disse mais de
um milhão de vezes, mas tem uma cabeça dura e não acredita em mim. —
lamentou, fazendo drama. — Não percebe que fui apenas uma vítima? Aquilo
tudo não passou de um logro dramático.
Rio com sarcasmo
— Não era o que presenciei? Quer dizer que você escorregou no chão
e, para se firmar e não dar com a cara no solo, apoiou-se nas pernas do meu
rival, fazendo com que as calças dele fossem arriadas até os tornozelos e o
pênis duro dele parasse diretamente em sua garganta? — ressaltei rudemente.
— Não seja grosso, Nikky! — Tenta se fingir de ofendida.
— Ah! Mas é assim que sou. E se me recordo bem, você costumava
gostar... E muito... Bem fundo e forte. — fui grosseiro, já cansado de sua
obstinação.
Seus olhos castanhos se enchem de lágrimas, mas eu sei que são falsas
e sem significado algum. Sua bela face logo fica mergulhada em tristeza.
Outrora já fui fascinado pelo seu belo rosto de porcelana, que hoje não me
surte nenhum efeito.
— Quando irá me perdoar, Nikky? Não percebe que foi tudo um mal
entendido? Aquela bebida estava “batizada”. Demetrios Maddarius sabia que
nossa aliança deixaria sua empresa ainda mais sólida. Por isso orquestrou
tudo aquilo para nos separar. Eu te amo tanto, Nikky! É difícil compreender?
— Solta um suspiro meloso.
Quem vê assim, até pensa que está realmente arrependida. No entanto,
sei que é pura falsidade todo esse teatrinho feminino; é somente por lamentar
ter perdido e jogado ralo abaixo a oportunidade de conseguir uma aliança
com uma das famílias mais tradicionais da Grécia. Não me ama como afirma.
Tudo não passa de um jogo para ela. Apenas tem o ego ferido e lamenta a
perda de um dos melhores partidos gregos. Considera-se de uma família
superior, por vir de uma descendência próspera, entretanto a empresa Mávro
Diamánti é sólida e inquebrantável, sem necessitar de nenhuma fusão para se
firmar no mercado. Desde que assumi o comando dela, consegui elevá-la a
um patamar mundial. Atualmente suas ações valem bilhões.
— Prometo que nunca mais irá acontecer, amor. Somos ricos, bonitos e
o casal perfeito da Grécia. — choramingou, deixando-me em cóleras.
Em outra ocasião concordaria com ela, mas hoje sua alegação me deixa
irritado.
— Absolutamente, já chega, Sophia! É melhor que se retire daqui. —
adverti decisivo.
— Não pode fazer isso comigo, Nikky. Não vê que sou, simplesmente,
uma mulher apaixonada? Desde que perdi você, corrói-me a culpa de ter sido
tão ingênua.
Ingênua? Essa palavra não combina em nada com ela. Muito pelo
contrário. É tão cínica quanto eu.
— Por que não podemos nos dar uma oportunidade? — questionou
como se alguma decisão tivesse sob seu poder. — Já tenho a ciência de que
está à procura de uma esposa. — Travo a mandíbula, em apreensão à sua
colocação. — Escutei alguns rumores. — justificou ao ver minha expressão
resignada.
Essas suas insinuações já estão indo longe demais.
— Claro que lhe darei uma chance, querida. — Seus olhos cores de
amêndoa me fitam com um ar de esperança, acompanhados de um sorriso
vitorioso nos seus lábios cores de carmim, mas tudo se evapora quando ela
ouve o resto da minha sentença cáustica. — Quando a lua virar, realmente,
um grande pedaço de gorgonzola e a Antártida derreter toda a sua geleira. —
enfatizei com um grande sorriso de escárnio. — Então, sim, você será a
senhora Andreon.
Ela está, visivelmente, irritada com meu comentário.
— Irá me pagar por cada humilhação que está me infringindo, Nikky
Andreon. — disse lentamente com uma exasperação contida. — Vou golpeá-
lo onde mais dói. — Está ensandecida pela raiva.
— Basta, Sophia! Não me ameace! — minha voz saiu baixa, porém
letal. — Não sabe do que sou capaz de fazer por aqueles que amo.
— Não me referi a uma pessoa, e sim a este órgão. — Leva uma mão
ao coração. — Um dia ainda irei vê-lo se rastejando aos meus pés. E será a
minha vez de pisoteá-lo. — afirmou com uma confiança impressionante.
Sua ameaça não me intimida. Foi tão fria na sua pronúncia, que o único
sentimento que me causa foi o de pena. Tenho conhecimento de que ajo
duramente com ela. Mas, quem sabe, dessa maneira, por fim acabe com a
louca obstinação que tem por mim.
Reparo que seus olhos castanhos ainda estão reprimindo algumas
lágrimas e que o seu rosto se trancou em uma máscara sofrida. Sua
fisionomia muda inteiramente de determinada para uma de sofrida e de
desassossego.
— Tenho que ir. — Levanta-se repentinamente da cadeira.
Seus passos são trôpegos para chegar à entrada do escritório, parecendo
que tomou um porre subitamente que está dificultando sua coordenação
motora. Que diabos está acontecendo? Uma hora estava me lançando várias
imprecações catastróficas, e no minuto seguinte está com a expressão quase
de flagelo e desespero? Abruptamente, some do meu campo de visão.
Saio do escritório para comprovar se ela realmente se foi ou se foi mais
outra tática dramática feminina. No momento em que chego ao hall, dou de
cara com meu doce angelos, que está repondo flores em um vaso e olhando
fixamente para a porta de entrada, mantendo um sorriso travesso nos seus
lábios deliciosos.
Assim que ela comprova a minha presença no ambiente, seus olhos
azulados se esbarram com os meus e seu sorriso some do seu rosto belo.
Imediatamente termina o que estava fazendo, despede-se com uma desculpa
qualquer e sai como um foguete.
Que porra! Desse jeito vou acabar cogitando que perdi efetivamente o
meu charme para conquistar uma mulher.
CAPÍTULO 14
ANGEL HARLEY

2 semanas depois

Contemplo os pequenos pontos luminosos que adornam o escuro azul


do céu de Mykonos e fico encantada por tal panorama sublime que demonstra
a completa magnitude de Deus. Já faz um mês que trabalho para o senhor
Andreon e devo reconhecer que tenho um bom emprego. É modesto, mas me
sinto segura e amparada aqui. Nikky é um patrão bom e justo. A única coisa
que tenho que controlar é a forte atração que sinto por ele quando estou na
sua presença.
Agne é como uma mãe para mim, sempre a me mimar e me paparicar.
Não me recordo de ter recebido tanto carinho assim desde a minha dolorosa
perda. Hoje comprei um celular com o primeiro pagamento que recebi, pois o
último que tive, Amélia fez o favor de estragar, derramando suco em cima
dele. Segundo ela, na época, não tinha me visto colocá-lo sobre a bancada da
pia do restaurante. E como não obtinha dinheiro para o consertar naquele
período, tive uma perda total. Depois de tudo que aconteceu, não duvido que
tenha sido de propósito a sua atitude. Mas ela não é relevante e não faz mais
parte da minha vida. Nunca mais terei que a aturar. Seu mal feito a mim
voltou em forma de benção assim que encontrei minha doce Agne.
Agora poderei falar sempre com minha querida Charlize. Em breve
marcaremos um passeio para tomarmos um sorvete em minhas horas vagas.
Meu corpo estremece e eu comprovo que está um pouco frio ao lado de
fora da mansão. O jardim se encontra parcialmente na penumbra. Eu já devia
ter me recolhido há um certo tempo, no entanto necessitava espairecer a
mente e respirar um pouco de ar puro. Precisava também analisar o que
acontecerá com minha vida. Será que viverei sempre fugindo enquanto o
impostor me usurpa o que é meu por direito? Tenho que encontrar forças de
algum lugar para enfrentar a situação. Já completei 21 anos e deveria
reivindicar o meu legado. Preciso confrontar Henrique e o tirar da
administração dos resorts. Porém, como conseguirei? Ele é astuto. E se me
encontrasse frágil e indefesa iria me usar como uma simples peça em seu
tabuleiro de xadrez, podendo alegar até mesmo que não sou capaz de gerir o
comando dos negócios, por loucura. Imaginação fértil demais? Pode ser. Mas
agora conheço sua face obscura e sei que ele teria intrepidez para isso.
Estou tão absorvida em meus pensamentos, que somente sou tirada das
minhas divagações quando escuto o impacto de algo se chocando contra a
água. Minha curiosidade me atiça e eu sigo em passos lentos para verificar o
barulho que me chamou a atenção. Ao chegar à área da piscina, observo sua
extensão e não vejo absolutamente nada de anormal. Parte dela está encoberta
por sombras, já que a iluminação é parcial no local.
Aproximo-me da sua beirada, atentando-me à imensidão do azul. Não
consigo verificar nada de irregular na superfície.
Preparo-me para me recolher até meu quarto, quando, de repente, um
barulho para além das muralhas da mansão me assusta. Com um pé em falso,
acabo batendo na borda da piscina, perdendo o equilíbrio e caindo
diretamente dentro da água gelada. Meu corpo passa a ser acolhido por ela,
que abraça a minha pele e me empurra para o fundo. Tento alcançar o solo,
no entanto não consigo, e apesar de não ser uma exímia nadadora, tento me
manter na superfície. Contudo, o peso das roupas me atrapalha nos
movimentos, fazendo com que eu comece a entrar em pânico.
Engulo um pouco do líquido gélido e encontro dificuldades para me
manter boiando. Droga! Eu tinha que ter caído na parte mais profunda? O
desespero toma conta dos meus sentidos e, com um pavor agonizante,
começo a me debater. Com isso, em vez de ficar boiando, engulo mais água,
dificultando ainda mais a minha estabilidade. Meu peito começa a apertar e o
ar a me faltar. Penso que irei morrer afogada.
Estava tão absorvida pela fobia que me dominava, que somente percebi
algo próximo a mim quando fui envolvida por um braço poderoso. Ele aperta
a minha cintura de encontro a algo sólido e me puxa para o outro extremo da
piscina.
— Acalme-se e pare de se debater, xanthos angelos! Estou tentando
salvá-la. — a voz profunda e viril do meu chefe pronunciou de modo firme e
possessivo ao meu ouvido.
Relaxo minhas defesas, de alguma maneira, sentindo-me segura ao seu
lado. Enquanto ele me leva e me firma a um local mais raso, tento recuperar
meu precioso fôlego, tossindo algumas vezes no processo e expelindo um
pouco de água. Em seguida, sinto suas mãos enérgicas roçarem em meu rosto
levemente, verificando se estou bem.
— Theós, Angel! O que deu em você, para se lançar na piscina desse
modo? Podia ter se afogado se eu não estivesse por perto. — repreendeu-me
com preocupação na voz.
— Sinto muito. Mas minha intenção não era me matar. — respondi
sarcástica, já me recuperando do pequeno susto.
— Merda! — Vejo sua face se suavizar sob a escassa iluminação e o
ouço suspirar pesarosamente, antes de retomar sua fala controlada. — Não
era minha intenção lhe recriminar. Mas foi perigoso ter se aproximado tanto
da borda. Se eu não estivesse aqui, podia ter ocorrido algo grave. — Está
apreensivo. — Como aconteceu esse pequeno desastre?
Compreendo que ele tem razão. Realmente, eu não devia ter me
exposto ao perigo.
— Ouvi um ruído ao longe e quis averiguar o que era. No entanto,
quando estava próxima à piscina, algo me assustou, eu me desequilibrei e
acabei caindo na água. — choraminguei baixinho, sendo assolada por um
sentimento de angústia. O qual é ignorado quando ele me acalenta ternamente
em seus braços poderosos.
— Tudo bem. Acalme-se, to korítsi mou (minha menina)! — sussurrou
possessivamente, abrangendo o meu corpo com o seu.
De repente, eu me dou conta da sua proximidade e do seu contato viril
contra a minha pele. Posso sentir sua leve respiração em meu rosto enquanto
ele deposita um beijo em minha testa, tranquilizando-me em seu abraço forte.
Uma sensação sublime se apossa de mim. Estar assim, com ele, traz-me
alento e faz eu me sentir segura e protegida, como nunca me senti em toda a
minha vida. Seria tão fácil me render. Como pode? É algo surreal.
Todo o medo que vivenciei há alguns minutos se evaporaram como se
fossem neblina no ar.
— Está tudo bem agora, mikró xanthó angeloúdi (pequeno anjo loiro).
Mesmo com a água gelada à nossa volta, sinto-me quente, somente por
ter a quentura do seu corpo viril junto ao meu. Olhando para cima, esbarro
em seus olhos tempestuosos de um azul-escuro tão lindo e fascinante que me
faz esquecer completamente de onde estou. Também fito sua boca máscula
que me deixa em anseio, assim como seu contato ardente.
Caramba! O que Nikky Andreon está fazendo comigo? É extremamente
errado pensar nele de forma libidinosa. Quando estou perto dele, sinto
vibrações deliciosas e inexplicáveis que nunca antes senti. Muito pelo
contrário. Depois do lamentável episódio com Eaton, sempre entrava em
alerta com a proximidade masculina junto a mim. Não me reconheço neste
momento. Por que, com Nikky, não tenho reservas, nem pavor?
Ele também me olha de maneira quente e eu sinto meu corpo se
arrepiar no mesmo instante. Tenho um pequeno sobressalto ao comprovar
que não é de frio e tento fixar meu olhar da linha do seu queixo para cima,
não querendo me prender ao paredão de músculos definidos e tentadores que
estão em minha frente. É bastante difícil me esquecer dos seus atributos de
macho alpha.
Minha nossa! Por que estou impulsionando esses pensamentos lascivos
e calorosos? Estou parecendo mais uma voyeur.
Passam-se alguns minutos que mais se assemelham a uma eternidade,
conosco nos encarando, totalmente conectados. Seu olhar de predador é como
um ímã sobre mim que me atrai e me deixa indefesa, refém da sua luxúria.
Mas, de imediato, a realidade do local onde estamos se faz presente
quando um chirriar de uma coruja, ao longe, desperta-me da bolha de hipnose
em que nos encontrávamos. Minha respiração se acelera e meus dentes
começam a tilintar. Compreendo neste instante a situação em que nós
estamos. Meu Deus! Ele poderia estar completamente pelado; e eu, mais uma
vez, invadindo sua privacidade.
A água gelada ao nosso redor é predominante, deixando esquecido o
momento tórrido que vivenciamos há alguns minutos; e por conta do frio
imperante, é como se todo o gelo do oceano penetrasse em meus ossos.
— Está bem agora, mikró krínos? — Pareceu sair primeiro da bolha
sensual com a qual nos deparamos.
— Sim. — Estou instável ainda, tilintando os dentes. Meus lábios
devem estar roxos por causa do frio excessivo.
— Maldição! — retrucou a imprecação exaltadamente, com sua boca
formando uma linha fina. Aparenta estar chateado com algo. — Se não sair
agora, seu corpo poderá entrar em estado de hipotermia. — Auxilia-me,
erguendo-me e me colocando sobre a borda. — Tem condições de sair e ir
para o seu quarto agora? — Eu aceno positivamente com a cabeça. — Pegue
meu roupão, que está sobre a espreguiçadeira, e vá! Não estou em condições
de sair daqui no momento. — Meu rosto deve estar rubro como uma
beterraba com a constatação da minha suspeita. — Não se esqueça de tomar
um banho quente!
— Mas... — Tento responder algo, só que meu cérebro parece ter
travado.
Nikky é mais ágil do que eu:
— É uma ordem, Angel. — disse com potência, porém mantendo
preocupação em seus olhos azuis. Algo que percebo mesmo sob a moderada
iluminação.
Aceno com a cabeça de novo, levanto-me ainda trêmula e sigo em
passos vacilantes até a espreguiçadeira para pegar o roupão dele. Envolvo-o
em volta do meu corpo e, instantaneamente, sinto o cheiro do seu perfume
inebriando os meus sentidos.
Nikky ainda está com seu olhar intenso sobre mim, observando
minuciosamente cada movimento meu. Antes de eu sair do local, murmuro
um pequeno agradecimento a ele, que apenas assente com a cabeça e imerge
na água novamente.
Antes de perdê-lo de vista, comprovo que é um excelente nadador.
Existe algo que esse homem não faça com perfeição?
CAPÍTULO 15
NIKKY ANDREON

2 dias depois

Porra dos infernos das profundezas de Hades! Pela milésima vez me


recrimino. Naquela noite estive tão perto de tê-la. Estava em meus braços,
completamente entregue, trêmula e desejosa. Tenho certeza que se eu tivesse
tomado seus lábios convidativos e deliciosos para os meus, ela teria se
rendido aos meus toques devassos.
Nunca imaginei que a encontraria na área do jardim, já que era tarde da
noite. Como eu não conseguia conciliar o sono e dormir, devido ao meu pau
duro pelo tesão desencadeado pela mikrí xanthiá mágissa (pequena feiticeira
loira), resolvi extravasar a energia acumulada na piscina. Dessa maneira, a
água gelada e o exercício vigoroso da natação resfriariam o meu ardor.
Jamais acreditaria que ela estaria tão próxima. Angel foi imprudente e
se arriscou ao se aproximar tanto da borda da piscina. Seu ato podia ter
colocado sua vida em risco. E, somente por considerar algo terrível assim,
meu corpo todo congela em apreensão.
O barulho que ela escutou, provavelmente foi eu mergulhando. Quando
me atentei ao meu redor e percebi que não estava sozinho, quase tive um mini
infarto; principalmente ao avistá-la na outra extremidade, contorcendo-se em
desespero, em busca do precioso ar.
Constatei que era ela pela cor dos seus cabelos. Mesmo que a
iluminação fosse mais limitada, reconheceria meu doce angelos.
Nadei o mais rápido que consegui em direção à outra margem, que, por
infelicidade, era a parte mais profunda. Mas como sou um exímio nadador,
esse não foi nenhum empecilho para mim. Contudo, para uma garota que não
conhecia o local onde estava mergulhando, era muito arriscado e perigoso.
Se eu não estivesse lá... Theós! Não gosto nem de projetar o que teria
acontecido com meu doce mikró krínos. Ainda posso me recordar do seu
corpo angustiado, em desespero, debatendo-se entre meus braços. Quando ela
constatou que era eu, seu corpo se entregou, confiando em mim, e isso me
renovou com uma emoção desconhecida.
Ao levá-la em direção a um local mais raso, averiguei seu estado.
Apesar de ela estar bastante abalada ainda com o que tinha acontecido, seu
aspecto geral era bom. Suas roupas estavam coladas ao seu corpo primoroso,
de curvas deliciosas, que me enche de desejo. E, embora não tenha dado para
ver absolutamente nada, em virtude da penumbra, a lembrança dos seus seios
fartos, de bicos rosados e deliciosos, ainda perseguia o meu subconsciente.
No mesmo átimo de segundo, senti meu ostensivo membro ganhar vida.
Caralho! Sinto uma fisgada dolorosa e angustiante em meu pau apenas
por me lembrar desse instante. Eu estava completamente nu, e se tivesse
chegado muito perto dela, ela sentiria meu estado de ânimo desencadeado
pela sua presença apetitosa.
Eu estava quase a ponto de aquecê-la com um beijo faminto e
fervoroso, porém quando me encontrava prestes a cometer tamanho ato de
estupidez, observei suas feições de angelos minuciosamente, constatando que
seus lábios estavam começando a ficar roxos e que seu corpo estava
tremendo. Raios de Hades! De algum modo, eu sabia que seria errado
prosseguir. Por essa razão, parei-me a tempo. Ela necessitava de cuidados,
não de sedução. Assim, tive que renegar meu desejo mais uma vez.
Minha mente travava uma disputa árdua entre a excitação do momento
e o raciocínio lógico das circunstâncias. Entretanto, meu juízo retornou a
tempo e, rapidamente, tomei as rédeas da situação.
Theós! Ela podia ter entrado em estado de hipotermia caso eu não
agisse rápido e tivesse me deixado, simplesmente, ser guiado pelo meu pau.
Mas reconheço que tem sido assim ultimamente. Basta vê-la, e todo o meu
corpo de alpha se aquece. Algo que se deve à porra da abstinência de sexo
que está fodendo o meu juízo. Eu me certifiquei de que é inteiramente essa a
razão pela qual estou tão obcecado por Angel, já que dispensei, há cerca de
um mês, a secretária com quem eu estava fodendo no escritório. E, desde
então, estou na seca total. É óbvio que se eu quisesse, já estaria fodendo outra
das minhas funcionárias. Esse não é o problema. Praticamente, desde o dia
que demiti a novata, duas das recém-contratadas não param de tentar atrair
minha atenção. A questão é que estou entediado desses joguinhos no
trabalho.
Encho meu copo mais uma vez com o bom e velho whisky. Já é a
quarta ou a quinta dose? Para falar a verdade, não faz diferença alguma. Mas
a garrafa já está quase pela metade. Olho fixamente para a janela do meu
quarto, que está banhada pelo brilho do luar. Mesmo se eu estivesse
acompanhado de uma bela amante sussurrando o meu nome agora, enquanto
eu a fodia, iria me sentir solitário. Tudo porque uma certa loira, que é a
causadora dos meus sonhos eróticos mais devassos, não está esparramada
pela minha cama e coberta por pétalas de rosas.
Amanhã, provavelmente, acordarei com uma puta merda de uma
ressaca. Mas estou pouco me lixando. Com esse pensamento, rio da minha
própria desventura. Meu mikró angelos está sob o mesmo teto que eu e,
mesmo assim, todas as noites acordo com o pau duro de tesão.
De repente sou assolado por uma injeção de ânimo e certeza quando
algo lascivo surge em minha mente. Por que não? O que me impediria de ir
ao seu encontro e a reivindicar para mim? Talvez eu já esteja com a cabeça
enevoada pelo whisky, mas... O que me impossibilitaria de tentar?
Ainda me recordo do seu corpo primoroso, totalmente extasiado em
meus braços. Tenho a plena certeza de que ela não me rechaçaria. Eu lhe
proporcionaria uma noite quente e cheia de prazeres voluptuosos.
Com essa concepção e sem raciocinar com clareza, sigo em direção ao
andar de baixo. Meus passos são estáveis, embora eu sinta o peso do álcool
em minhas têmporas. Ando em passos apressados até o corredor que leva
diretamente ao quarto dela. Ao chegar lá, fico parado como uma estátua, com
o olhar fixo na porta trancada, formulando exatamente que tipo de desculpa
irei dar para ter vindo até o seu dormitório.
Antes de eu chegar a uma conclusão precisa, a porta se abre
abruptamente e, instantaneamente, sou golpeado por uma cena nada
agradável que me ferve as entranhas e me deixa possesso de cólera incontida.
O filho da puta do motorista está dentro do quarto dela. O que diabos estava
fazendo aqui, a uma hora desta? Já faz algumas horas que se encerrou o seu
expediente.
Minha mandíbula se contrai e eu cerro meus punhos rígidos com força,
tendo que exercer um certo domínio para não me lançar sobre Pedro e romper
sua cara com meus socos. Quando vagueio rapidamente meu olhar para o
meu doce angelos, minha raiva só aumenta quando noto que ela está vestida
somente com uma camisola de algodão azul e um penhoar que envolve sua
silhueta voluptuosa. Sua vestimenta é simples, porém posso perceber todas as
suas curvas deliciosas.
Rispidamente, fuzilo Pedro com o meu olhar, querendo que ele perceba
que estou prestes a apartar sua cabeça do restante do corpo apenas por ter
ousado invadir a privacidade do meu doce krínos.
— O que está fazendo no quarto da Angel uma hora desta? —
perguntei de modo áspero. — Não deveria estar em sua casa, com sua
gynaíka (esposa) e seus filhos? Creio que ela já deve estar o aguardando,
preocupada. — enfatizei a palavra “gynaíka” para que ele pudesse
compreender que tem um compromisso a zelar.
Geralmente, os homens gregos são generosos e bons pais. Suas
decisões familiares sempre são pensando na segurança e bem-estar da
família. Mas se Pedro estiver tentando um flerte com minha korítsi será um
homem morto. Eu não me importaria de deixar uma família sem um
provedor. É melhor que ele adquira um pouco de juízo antes de seguir por
esse caminho e que tenha captado a minha advertência velada.
Logo comprovo que meu alerta causou algum efeito. Sua tez está
branca e seu rosto contraído em apreensão.
— Sim, senhor. Já estou indo embora. Só estava retirando um
aracnídeo do quarto da senhorita Angel. — Aponta para uma caixa coletora,
com receio em sua expressão. Deve estar temendo perder o emprego. — Irei
soltar o inseto na floresta, longe daqui, se me der licença. — Continua
parado, aguardando minha autorização.
Apenas assinto com a cabeça e ele segue pelo corredor em passos
ligeiros.
Retorno minha atenção ao meu mikró martýrio e somente neste instante
noto que sua bela e suave face está transtornada de indignação.
— Bem... Se me der licença, senhor Andreon, preciso me recolher.
Amanhã terei que acordar cedo. Tenha uma boa noite! — seu tom de voz foi
frio, e isso não me agradou.
O motorista foi bem-vindo em seu quarto, e eu não?
Seu sorriso contido me atiça a derreter o seu gelo. No fundo, tenho a
plena concepção de que meu mikró krínos não é indiferente a mim. Estou
convicto de que posso extrair uma resposta prazerosa do seu corpo com
apenas alguns manejos fervorosos, e logo estará com a boceta melada, louca
para me dar. Um sorriso de conquistador preenche os meus lábios.
Reparo que, finalmente, ela se atenta à minha presença dominante no
pequeno ambiente. Até tenta fechar a porta quando percebe minha intenção.
Porém, uso o meu corpo para a impedir.
— Ainda não, mikró angelos. — minha pronúncia saiu decidida e
carregada de segundas intenções.
Estou como um lobo faminto prestes a encurralar sua presa e saborear
sua doce vitória. Posso averiguar que seus olhos, de um azul profundo, estão
mais escuros, pela excitação que eu a provoco. Um sorriso presunçoso
permanece em meus lábios com essa evidência clara. Sua postura está
inteiramente concentrada à minha figura viril, que está ávida e que a devora
de modo despudorado. Lentamente, saboreio o seu corpo trêmulo de desejo.
Sua cascata longa e loira está se derramando pelas suas costas esguias,
deixando-me hipnotizado. Ela parece uma ninfa dourada da floresta pronta
para realizar o desejo de um mero mortal. Também, sua respiração está
irregular. Sem demora, meus olhos são atraídos para o movimento suave dos
seus seios deliciosos, que são minha devoção. Meu sorriso cafajeste não me
abandona.
Desta vez não a deixarei fugir, minha doce korítsi.
CAPÍTULO 16
ANGEL HARLEY

Penteio meus cabelos longos e dourados, desfazendo os nós


desagradáveis que sempre se formam neles ao decorrer do dia, e tento
desembaraçá-los sem quebrar os fios, como minha mãe sempre me ensinou.
Ao finalizar, deposito a escova sobre a mesinha que está à minha frente e me
olho no espelho. Ele parece ser meu único confidente todas as noites,
guardando o meu segredo. Minhas bochechas estão levemente avermelhadas
ainda, pela recordação das lembranças abrasadoras que tenho com meu chefe.
Caramba! Tenho conhecimento do quanto esse pensamento é errado. O
que um homem multibilionário como Nikky Andreon poderia querer comigo,
uma simples empregada? Bufo frustrada. Nesse quesito, devo reconhecer que
a despeitada da Sophia tem razão.
Um sorriso travesso brinda meus lábios assim que rememoro a megera
correndo daqui naquele dia. Se a dose do purgante foi muito forte, deve ter
sofrido com uma baita dor de barriga. Nem consegui disfarçar meu pequeno
regozijo. Posso ter sido maquiavélica com ela, mas a coloquei em seu devido
lugar. Agora, quem sabe aprenda a nunca tratar mal os mais humildes.
Alguém tinha que pôr algum limite nessa mulher, que age como se carregasse
um rei na barriga.
Será, mesmo, que Nikky ainda está apaixonado por ela? Algo
desconhecido queima as minhas entranhas quando imagino essa
possibilidade. Não quero esse sentimento para mim, porque é bem óbvio que
tipos como Sophia fazem perfeitamente o estilo dele. Ele já deve estar
acostumado a mulheres sofisticadas e belas como ela e, provavelmente,
nunca me lançaria um segundo olhar. A não ser, é claro, para um momento
promíscuo e fugaz. O que, definitivamente, nunca aceitarei.
Irritada, coloco minha camisola de algodão azul-bebê, que estava sobre
a cama, e visto o penhoar, amarrando-o com mais força do que o necessário
em volta da cintura. Ainda aborrecida com meus pensamentos, sigo em
direção ao banheiro, escovo os dentes e faço rapidamente as minhas higienes.
Quando estou retornando para o quarto, vejo uma coisa enorme e de
aparência repulsiva em um canto isolado. Suas pernas peludas se movem e
ela vem em minha direção, deixando-me, momentaneamente, paralisada de
terror. Todo o meu corpo treme, de pânico, e em determinado momento reajo
à letargia em que me encontro, pressentindo o perigo. Saio correndo com o
coração disparado.
Oh, Deus santo! Parecia que aquela coisa, a qualquer instante, iria me
atacar, pular em cima de mim. Sigo pelo corredor, sem rumo certo. Só quero
ir para longe daquele inseto repugnante.
Já próxima à cozinha, acabo me esbarrando em Pedro, o motorista. Não
sei o que ele faz a esta hora por aqui, mas agradeço o seu surgimento.
— Angel, calma! O que aconteceu? — Firma-me pelos ombros.
Estou ofegante e com o organismo alterado ainda, pelo susto.
— Gra...ças a Deus, você apareceu Te... Tem uma tarâ... Tarântula
gigante no meu banheiro. — balbuciei gaguejando.
— Calma! Não precisa ficar nesse estado, menina. Vou pegar um
coletor de insetos e resolver esse problema. — foi solícito, tentando me
tranquilizar. — Teve sorte por eu ter retornado à mansão. Acabei me
esquecendo do presente que comprei, na hora do almoço, para a minha doce
Helena. Hoje faz 15 anos que estamos casados e não poderia chegar em casa
com as mãos abanando. — disse com um brilho enamorado nos seus olhos
castanhos.
Confirmo com a cabeça e o vejo sumir por outro cômodo. Logo volta
com um objeto em mãos. Eu o acompanho até meu quarto e ele entra no
banheiro. Prefiro aguardá-lo no dormitório. Alguns minutos depois, sai de lá.
— Prontinho, Angel. Problema solucionado. — Aponta para o coletor.
— Agora, preciso devolvê-la a natureza.
— Irá soltá-la? — Dou dois passos vacilantes para trás.
— Não fique alarmada! Irei soltá-la longe daqui. — Libero um longo
suspiro de alívio. — Preciso ir. Tenho que retornar à minha amada Helena. E
amanhã o senhor Andreon necessitará dos meus serviços cedo.
— Muito obrigada, Pedro, pelo auxílio! Eu estava em verdadeiro estado
de pânico.
— Por nada, menina. Tenha uma boa noite!
Quando abro a porta para lhe dar passagem, dou de cara com o meu
chefe bem diante dela. Há surpresa em seu semblante e, logo depois, sua cara
se tranca em uma carranca, fuzilando o coitado do Pedro com um olhar de
cólera. O que ele está fazendo aqui, em uma área destinada aos serviçais?
— O que está fazendo no quarto da Angel a uma hora desta? Não
deveria estar em sua casa, com sua gynaíka e seus filhos? Creio que ela já
está o aguardando, preocupada. — Seus punhos estão cerrados e sua figura
máscula está rígida.
— Sim, senhor. Já estou indo embora. Só estava retirando um
aracnídeo do quarto da senhorita Angel. — ao se justificar, manteve uma
fisionomia tensa e receosa.
Mas, o que está acontecendo aqui? E, aliás... O que meu chefe faz aqui,
em frente ao meu quarto? Ele está parecendo mais um tenente tentando
intimidar e ditar ordens. Não tenho direito nem mesmo às minhas horas de
descanso? Sua atitude autoritária está me irritando.
— Mas já estou me recolhendo, se me der licença. — Pedro finalizou.
Assim que Andreon concorda, observo-o acompanhar os movimentos
do motorista, que segue em passos largos pelo corredor até sumir de vista.
Em seguida, seus olhos azuis voluptuosos se fixam em mim e eu me sinto
incendiando. Oh, Deus! Será que minha mente o trouxe até aqui como um
castigo por estar sonhando acordada com um homem proibido? Seu olhar
mapeia rapidamente a minha silhueta indecorosamente, e isso é o suficiente
para me tirar do meu estupor e fazer eu me recordar do tom intimidador com
que ele tratou o funcionário.
— Bem... Se me der licença, senhor Andreon, preciso me recolher.
Amanhã terei que acordar cedo. Tenha uma boa noite! — Dou um falso
sorriso e tento fechar a porta, mas sou impedida pelo seu corpo.
Ele adentra o pequeno espaço do meu quarto, parecendo um tigre que
saiu da jaula e que está pronto para abater sua presa.
— Ainda não, mikró angelos. — sua pronúncia foi determinada.
Instantaneamente sinto o ar faltar em meus pulmões e meu coração
começar a acelerar desenfreadamente. Caramba! Por que justo com ele tenho
que sentir minhas defesas ruírem?
Analiso discretamente seus traços. Nikky está trajando roupas
informais: uma calça de moletom e uma camisa despojada. Está tão
irresistível. O ambiente parece ainda mais minúsculo com sua presença
dominante aqui.
— O que o Pedro estava fazendo em seu quarto? — Pela sua
fisionomia, posso ver que está irritado, apesar do olhar quente e visceral
sobre mim.
— Não ouviu o que ele falou? — Cruzo os braços ao redor dos meus
seios e o encaro com determinação.
No segundo seguinte me arrependo do meu gesto abrupto quando
constato seu olhar ardente e devasso recair em direção ao meu busto, quase
os devorando como um cachorro faminto ao saborear um delicioso petisco.
Que descarado!
Rapidamente desfaço o movimento e refaço o laço do penhoar ao redor
do meu corpo, vendo um sorriso safado surgir no canto dos seus lábios. Ele
logo o desfaz para lançar uma próxima advertência.
— É estritamente proibido qualquer romance entre os empregados. —
pronunciou com firmeza.
Eu o olho totalmente confusa. Ele não pode estar insinuando o que
estou imaginando. Que filho da mãe!
— O que está sugerindo? — Dei vazão à minha indignação.
Recrimino-me ao vê-lo tão próximo a mim e dou dois passos para trás,
para tentar fugir da sua aura predominante no recinto. Acabo me esbarrando
na pequena penteadeira.
— Não estou sugerindo nada, só estou lhe comunicando as regras. De
agora em diante não quero vê-la mais perto dele. — Sua expressão é
enciumada? É impossível. Só posso estar ficando louca.
— Como quiser, senhor Andreon. — falei entre dentes, tentando
manter coerência entre minha atitude e emoções. — Acredito que isso
também valha para empregada e patrão. — salientei incisivamente.
— Podemos abrir uma exceção, o ángelós mou (meu anjo). — Sorri de
modo cafajeste, aproximando-se lentamente de mim e vencendo a pequena
lacuna que nos separava.
Ele está como um predador sedento, encurralando-me entre o estreito
espaço da penteadeira e seu corpo vigoroso. Oh, Deus todo poderoso! Como
poderei resistir ao chame irresistível e sedutor desse grego? O precioso ar
parece ter sido extinto do pequeno cômodo enquanto seus olhos azuis do mar
Egeu me incendeiam de jeito indecente e pecaminoso. Seu olhar é tão intenso
que eu poderia me perder nessa infinidade.
— Estou louco para experimentar seu sabor, angelos. — Fita de
maneira libidinosa os meus lábios, deixando-me quente. — Se está buscando
somente uma noite de diversão, garanto que posso lhe proporcionar muito
mais prazer do que ele, que, aliás, é um homem casado. — Essas palavras são
como uma facada em meu peito e a última frase foi dita como uma
reprimenda.
Que canalha! Neste momento controlo a imensa vontade de esbofetear
sua face bela e presunçosa.
Fico sem tempo para raciocinar com clareza, porque logo sinto seu
hálito mentolado misturado ao whisky atingir meu rosto, e somente agora
percebo que sua face está junta à minha, com apenas alguns milímetros as
separando. Suas mãos agarram minha cintura com possessividade e um
formigamento malicioso atravessa meu organismo. Eu deveria empurrá-lo e
deixar o desenho da minha mão em sua cara, mas, de qualquer maneira, não
consigo.
— Que tal uma pequena amostra, angelos? — Seus lábios esmagam os
meus.
Seu beijo não tem nada de suave. Pelo contrário. É urgente, faminto e
faz os meus neurônios simplesmente derreterem. É impossível não ceder. Sua
língua audaciosa invade a minha boca e explora o meu interior, arrancando-
me suspiros de prazer do fundo da minha garganta. Seu beijo é intenso,
delicioso e incomparável a qualquer outro que já provei. E, como poderia
comparar? Apenas beijei alguns poucos moleques mais ousados e Nikky é
um homem experiente que sabe perfeitamente o que está fazendo. Não beija
de modo desastrado ou afoito; é perfeito. Sabe exatamente como conduzir o
momento, assim como um maestro conduz uma orquestra em uma perfeita
sinfonia. Sua língua se funde à minha e eu posso sentir a fome do seu desejo
em minha boca. Apesar de ele aparentar ser comedido, sinto sua urgência em
cada toque ardente. Suas mãos possessivas afagam levemente as minhas
costas, fazendo com que nossos corpos fiquem cada vez mais encaixados.
Logo uma delas, ousada, apalpa o meu seio. E, juntamente a essa ação, um
calor desconhecido e intenso se irradia pelo meu corpo. Seus dedos
petulantes fazem um leve contorno em meu mamilo, que se encontra
intumescido pela excitação. Gemo acaloradamente em seus lábios
masculinos, inteiramente entregue ao prazer do momento, e minha reação
parece deixá-lo ainda mais fora de si. Aproxima-me ainda mais do seu corpo,
quase nos dissolvendo em um só.
Nikky me ergue do solo e me deposita sobre a penteadeira. Agora está
posicionado no meio das minhas pernas.
— É tão gostosa, mikró angelos! Igual sempre imaginei. — sussurrou
cheio de tesão em minha boca.
Sua mão audaciosa toca a pele macia da minha coxa e faíscas se
espalham rapidamente pelo meu corpo. É uma sensação inigualável estar em
seus braços. Nikky degusta meus lábios como se saboreasse um delicioso
cupcake e seu gemido é despudorado entre o nosso beijo quando ele se
acomoda melhor entre minhas pernas, fazendo-me sentir o volume duro da
sua excitação de encontro à minha área íntima e molhada.
Assim, percebo onde os nossos afagos estão nos levando. Deus! É tão
errado, mas tão bom! É impossível resistir ao meu chefe grego.
Todavia, a recordação do breve diálogo anterior e das suas indiretas
descabíveis fazem com que eu saia da letargia fogosa em que me encontrava
e me recrimine por estar o correspondendo de modo tão entregue e
voluptuoso.
Oh, Deus! Que impressão ele terá de mim? Estou parecendo uma
leviana.
Recobro o bom senso e empurro seu tórax de músculos rígidos,
afastando-o de mim e interrompendo o beijo. Ainda escuto um gemido
sofrido abandonar seus lábios.
— Não! O que pensa que está fazendo? — murmurei tremulamente.
O brilho da luxúria carrega o seu olhar e ele parece em transe, ainda
dominado pelo tesão. Porém, assim como veio essa expressão, ela o
abandona.
— Acredito que essa pergunta deveria ser minha. O que está fazendo
comigo, angelos? — Fito-o, incrédula com sua pergunta. — Está me
enlouquecendo. — ele mesmo respondeu.
Fico em choque com sua afirmação tão enérgica. Ao se afastar de modo
abrupto de mim, passa as mãos pelos seus fartos cabelos escuros e me encara
com um olhar perdido. Sem esperar uma resposta, meramente abandona o
quarto sem dizer absolutamente nada, deixando-me trêmula, desejosa e
confusa. Sim, confusa.
Desço da penteadeira, tentando digerir tudo que ocorreu aqui. Céus!
Toco em meus lábios, que ainda estão levemente intumescidos pelo recente
beijo... Um beijo delicioso, devo reconhecer. Seria errado desejar mais?
Censuro-me por pensar algo do tipo. Não devia ter permitido essa
intimidade. Porém, seria inevitável. Acho que desde o primeiro momento em
que o vi, mesmo em choque pelo nosso encontro inusitado, desejei sentir o
calor da sua boca contra a minha.
Todavia, tive que interromper seus afagos fervorosos. Posso ser
virgem, mas sei perfeitamente onde esse tipo de carícia nos levaria. E Nikky
Andreon não é do tipo de cara que ficaria apenas de beijinhos com uma
mulher. Pude sentir a força do seu desejo vir de encontro a mim e suponho
que não estava preparada.
Recomponho-me, sentindo meu corpo em chamas pela adrenalina da
luxúria e me deito no colchão estreito, fixando o meu olhar no teto. Os
minutos são como uma eternidade. Reviro-me de um lado a outro da pequena
cama, tentando harmonizar o sono. Quando, por fim, consigo adormecer,
meus sonhos são molhados, intensos e dominados por indecentes olhos de um
mar revolto e de um azul tempestuoso.
CAPÍTULO 17
ANGEL HARLEY

Pela manhã, após uma noite acalorada e permeada de sonhos nada


inocentes com meu chefe, encontro-o no corredor. Ele está perfeito em seu
terno azul-marinho e seu porte elegante de homem implacável nos negócios
demonstra frieza, mas sem esconder seu charme. A testosterona de um macho
alpha transborda do seu corpo vigoroso e obscurece os meus sentidos.
Será que todas as mulheres se sentem indefesas em sua presença? Algo
que desconheço me entristece assim que projeto essa possível realidade.
É evidente que sim. — pensei ao me lembrar daquela matéria torpe
envolvendo o seu nome.
Nikky deve ser do tipo de cara que vê uma mulher apenas como um
passatempo. E, em seguida, após obter o que deseja, vai atrás de uma nova
conquista. Talvez aja assim porque aquela que ele almeja não pode ser sua?
Em sequência descarto essa ideia, já que naquele dia Sophia estava prestes a
agir como às duas mulheres do iate. Tenho certeza que se fosse por ela, assim
que eu entrasse na área da piscina, estaria rebolando em cima do colo dele,
sem nenhuma decência. Mas ele a ignorou. Provavelmente, aja desse modo
porque tem a plena convicção de que, com um simples estalar de dedos, tem
a ex-noiva ao seu dispor.
Bufo frustrada, sentindo minha irritação me engolfar. Só espero que ele
não pense que sou igual a ela. E se tiver essa ideologia, é melhor que tire o
seu cavalinho da chuva.
Homens! Eles agem como criaturas sórdidas desprovidas de
sentimentos e emoções. Têm cérebro, mas se deixam guiar pelo que têm no
meio das pernas. Para mim, isso não é algo novo. Já tenho o conhecimento de
que Nikky Andreon é um mulherengo pervertido, apesar de me corroer a
confirmação dessa verdade.
Tento sair do quarto sem ser percebida, contudo ele nota minha
presença no espaço ínfimo e estagna abruptamente, impedindo minha
passagem com seu corpo robusto. Minha única vontade é de fugir da sua
proximidade perturbadora. Quando estou na sua presença, meu raciocínio se
embaralha como um quebra-cabeça.
— Angel! — Sinto rajadas elétricas percorrerem o meu organismo. —
Não fuja de mim, mikró! — houve pesar em sua voz.
— Não estou fugindo. — menti com a cabeça baixa.
— Não faça isso, angelos! Eu sei que você está fugindo. Sempre evita a
minha presença, e isso está me deixando louco. — Detectei sofreguidão em
seu tom.
Tento não olhar para o seu rosto de ângulos perfeitos, mas suas feições
me atraem como um ímã e logo estou conectada aos seus olhos azuis, que
estão cravejados em mim. São tão quentes como o sol. Sou como um bloco
de gelo me derretendo sob o seu calor.
— Eu... Eu... — Tento falar algo, mas acho que meu raciocínio se
transformou em geleia.
Então, ele toma as rédeas da situação. Há poucos minutos formulei um
belo sermão para lhe proferir e até mesmo tinha o censurado em meus
pensamentos, entretanto esse magnífico discurso parece ter se transformado
em pó cósmico.
— Eu só quero pedir desculpa, Angel. Sei que não é justificativa, mas
ontem à noite estava com a mente enevoada pelo álcool.
Ele se arrependeu de ter ido ao meu quarto? Não sei por qual motivo
essa confissão me deixou com o coração oprimido. Caramba! É loucura! Eu
não deveria sentir esse tipo de dissabor. Um sentimento de rejeição se instala
em meu peito, fazendo com que eu apenas assinta seu pedido de desculpa de
forma mecânica. É óbvio. O que um homem como Nikky Andreon faria no
dormitório da empregada? A resposta é tão clara quanto cristal: buscava um
momento promíscuo de diversão.
Desvio o olhar de direção brevemente para espantar a estranha emoção
que me tomou. E quando retorno a atenção a ele, percebo que seu olhar
permanece intenso sobre mim e comprovo que suas feições são totalmente
contrárias às suas palavras.
Céus! O que ele está fazendo comigo? Não encontro sequer um rastro
mínimo de arrependimento em seu rosto. Muito pelo contrário. Posso ver um
sorriso contido e cheio de deleite.
— Não vou dizer que me arrependo, mikró angelos. — sua voz
enrouquecida sussurrou com uma quentura delirante de tesão, deixando os
pelinhos dos meus braços eriçados. — Eu estaria mentindo se afirmasse isso.
Com suas palavras incisivas, meu corpo ganha vida outra vez e eu sinto
uma leve pontada no meu baixo ventre se fazer predominante. No mesmo
instante o corpo poderoso dele me imobiliza em um canto do corredor. Não
sinto medo, somente uma ânsia visceral e singular me inundar. Ele toca
levemente em meu braço, causando-me um arrepio abrasador que percorre os
meus poros.
Fito seus olhos azuis, que estão intensos a me incendiar. Nikky está tão
próximo a mim, que até sinto sua respiração forte em meu rosto.
— Quem é você? — Surpreendo-me com sua pergunta, mas não tenho
tempo de articular nenhum som, porque ele continua seu discurso expressivo.
Não tenho nem escapatória, pois cada um de seus braços é mantido em um
lado do meu corpo, impedindo qualquer tipo de fuga minha. E, eu quero
fugir? Questiono-me isso com o coração acelerado no peito. — Você me
intriga, korítsi. Desde a primeira vez que pus meus olhos em você, não
consigo tirá-la da minha cabeça. — Suas írises possuem chamas luxuriosas.
Sua reação seguinte me deixa sobressaltada e ofegante: lentamente,
deposita um beijo em meu pescoço, sugando com suavidade minha pele
morna e sensível. De imediato uma infinidade de sensações deleitosas se
espalha pelo meu organismo, excitando-me, o sangue corre
descontroladamente pelas minhas veias e um calor escaldante se concentra na
minha pélvis insistentemente.
— Com todo esse encanto de menina inocente, despertou em mim um
ardor delirante, além de ter invocado o ser primitivo que existe em mim. —
Encaro-o com um misto de espanto e algo a mais. — Não precisa ficar
assustada, krináki mou. Algo me diz que iria adorar se eu a devorasse.
Suspiro, visivelmente extasiada com suas palavras cruas e excitantes.
Não é de medo, mas de algo que nego veementemente, mas que anseio
descobrir. Meu lado feminino está totalmente desperto, como nunca permiti
antes. Oh, caramba! Estou perdida, sendo assolada por sentimentos que se
não forem inibidos a tempo e tiverem permissão para florescerem em meu
coração, poderão ser esmagadores. E não quero ter que lidar com um coração
partido pelo meu chefe. Já não basta ele ser o causador dos meus sonhos
pecaminosos por incontáveis noites seguidas?
Quando estamos próximos, sinto uma vibração diferente, como uma
conexão forte e invisível entre nós. Seria tão errado desejar novamente os
seus lábios firmes de encontro aos meus?
Seu olhar se fixa libidinosamente em minha boca e eu confirmo que
dividimos o mesmo pensamento irracional. Estou prestes a enviar a prudência
para o espaço quando comprovo a fome no olhar dele. Fecho os olhos para
saborear o momento, almejando sentir o calor dos lábios cálidos juntos aos
meus. Contudo, de repente, um barulho forte vindo da cozinha quebra a nossa
ligação.
Retorno à razão, abrindo os olhos rapidamente, e me afasto do seu
contato de uma só vez. Ainda estou com o coração fortemente
descompassado. Oh, paizinho amado! Só posso estar louca, por desejar que
meu chefe me tome de modo despudorado em seus braços fortes; ainda mais
em pleno corredor, onde qualquer um dos empregados pode surgir. E eu
viraria o centro de fofoca da mansão. Já posso ouvir o burburinho entre os
demais funcionários: “A empregada que está aquecendo a cama do patrão”.
E, com esse pensamento, uma renovada rajada de determinação me
inunda.
— Por favor! Isso não deve acontecer novamente, senhor ANDREON.
— enfatizei seu sobrenome para que ele compreenda que não aceitarei ser
uma simples diversão em sua cama. — Se outro episódio como o da noite
anterior voltar a suceder, terei que pedir demissão. — declarei enquanto meu
raciocínio ainda se mostrava coerente.
Após a pronúncia de minhas palavras ríspidas, seus músculos faciais se
enrijecem pela tensão e seu belo semblante adquire uma máscara de frieza.
Assim que seu olhar volta a se fixar em mim de novo, posso ver duas pedras
azuis de gelo me fitarem com indiferença e raiva contidas.
— Muito bem, senhorita Miller. — usou o mesmo tom formal que eu.
Não sei porque, de algum modo, isso me machucou. — O ocorrido anterior
não se repetirá. Eu me certificarei desse fato. Agora, se me der licença,
preciso me retirar. — Meu coração se racha.
Era o que eu desejava. Não? Então, por que sinto como se houvesse
uma lacuna no meu peito? Analiso esses pensamentos perturbadores
enquanto meus olhos teimosos seguem cada passo que Nikky dá pelo extenso
hall até sua figura impressionante sumir pela porta principal. Não sei porque
raios sinto uma imensa vontade de chorar.

15 dias depois

As manhãs tem parecido mais frias do que o habitual em Mykonos.


Desde o pequeno e acalorado diálogo com Nikky, ele vem cumprindo com
sua promessa rigorosa de se manter afastado de mim. Meramente, sou como
um ser invisível dentro da mansão. E se nos esbarramos por algum corredor,
ele simplesmente muda de direção, como se minha presença o fizesse mal.
Seu distanciamento frio tem me quebrado um pouco mais a cada dia. Quando
faço a limpeza do seu quarto e sou inundada pelo seu cheiro másculo e
potente no ambiente, sinto vontade de... De quebrar algo na sua cabeça dura.
Bufo, frustrada com minhas imaginações controvérsias.
Todas as noites praticamente, ele sai em seu belo Rolls-Royce de
última linha e somente retorna perto do alvorecer. Como me inteiro desse
fato? É porque é difícil conciliar o sono com os sonhos indecentes que ele me
suscita.
Por Deus! Até mesmo quando estou dormindo, o homem me persegue.
Charlize tinha razão: esse é um verdadeiro deus grego. Só pode ter lançado
algum encanto sobre mim.
Estou ajudando Agne na cozinha, picando algumas cebolas e, ao
mesmo tempo, chorando por conta do processo. Estou tão perdida, que quase
corto o meu dedo. Ela, percebendo, apenas me olha preocupada.
— Cuidado, kiz (menina)! Anda tão distraída quanto o Nikky
recentemente. — Volta a sovar a massa que está preparando.
— Do que me chamou? — perguntei, tentando não focar no nome do
meu chefe. Ele já atormenta demais o meu subconsciente.
— Eu te chamei de “menina” em minha língua materna. — Sorri e
coloca a massa para descansar. — Nikky também anda muito distraído
ultimamente. Espero que não seja por causa de sua busca por uma esposa.
Congelo no lugar e paro repentinamente o que estava fazendo. Esposa?
Ele está em busca de uma esposa? Com essa revelação, uma dor profunda se
instala em meu peito. É por isso que aquela grega esnobe afirmou com tanta
convicção que em breve será a nova senhora Andreon? Estava jogando o seu
joguinho sedutor para o fisgar de novo? Será que ele vai se encontrar com ela
todas as noites? Ele pode ter percebido que a ama e estar tentando reatar a
antiga relação. Meu coração explode com a miríade de sensações que essa
descoberta me causou.
— Esposa? — sem conseguir me conter, a pergunta saltou da minha
boca.
— Sim. Creio que isso tenha a ver com a última visita da sua giagiá.
Conhecendo-a, como conheço, sei que ela é uma senhora muito engenhosa.
Só espero que a senhorita Sophia não esteja na lista do meu menino. Ele
nunca seria feliz com essa esnobe metida. — Agne continuou seu discurso
sem perceber o meu estado de choque pela sua declaração. Logo fixa seu
olhar em mim e uma ideia parece lhe surgir. — Você!
Fico imóvel no lugar. Ela captou algo pela minha expressão? Oh! Eu
sou uma péssima atriz. Não sei ocultar os meus sentimentos.
— O quê? — Não compreendi, de fato, ao que ela se referiu.
— Você seria uma boa escolha para o meu menino. É bonita, bondosa,
meiga... Tenho certeza que traria mais doçura para a vida dele. — Seu olhar
está brilhoso de esperança.
Uma risada nervosa escapa de mim.
— Impossível, Agne. Sou somente a empregada. O patrão nunca
olharia para mim uma segunda vez. — desconversei com as bochechas
rubras, recordando-me do nosso último encontro.
— Talvez não consiga enxergar algo que está tão nítido e bem diante
dos seus olhos, mas eu consigo. — Sorri. — Nikky poderia até mesmo lhe
ajudar com seu tio. Ele tem influência e seria um oponente forte para
enfrentar o velho asqueroso.
No mesmo instante me arrependo por ter desabafado fatos da minha
vida com ela. Mas essa senhora já ganhou o meu coração e se tornou como
uma mãe para mim. No dia em que lhe confidenciei o amargor da minha
vida, ela me acalentou em seu colo e eu me senti tão protegida.
— Está vendo coisas onde, de fato, não existe. — tentei desviar do
assunto, indo em direção à pia para lavar algumas louças.
Ela demonstra compreender que não estou confortável com a conversa
e apenas afirma:
— O tempo dirá, kiz. — Sorri e retorna a atenção ao que estava
fazendo.
Alguns minutos depois, Pedro entra na cozinha comunicando à Agne
que o chefe está com visita no escritório. Eu me disponho a atendê-lo e
preparo o café como sei que ele gosta: forte e encorpado. Quando sigo pelo
corredor, um frio de mau presságio perpassa pela minha espinha, fazendo
com que eu estagne momentaneamente no lugar. Contudo, ignoro tal
sensação, afastando-a para bem longe de mim, bato na porta do cômodo e
aguardo a autorização do meu chefe gato e irresistível para entrar.
Recrimino-me de novo por estar pensando nele dessa maneira. Isso só
me machucará.
Quando escuto sua confirmação, entro no recinto. Seu cheiro másculo
já penetra em meus sentidos e eu dou um sorriso meigo. Sempre procuro ser
discreta e invisível nos lugares, mas, repentinamente, o meu olhar busca suas
írises azuis que me fascinam. Ele está imponente em sua cadeira e,
brevemente, foca seus olhos em mim. Apesar de notar um pouco de frieza,
algo maior e indetectável se faz presente nele também. Ou talvez seja
unicamente um sinal que eu não consiga desvendar.
Acho que devo ter feito algum ruído na sala, pois logo ganho a atenção
do visitante. Uma vasta cabeleira castanha se vira lentamente em minha
direção, meu sorriso abandona meus lábios subitamente e eu sou assolada por
um frio horrendo que age como uma droga, paralisando o meu corpo. O par
de olhos castanhos demoníacos se fixam na minha figura e eu capto um misto
de surpresa e ódio inundar seu semblante frio. Minhas mãos ficam trêmulas e
suadas, e minhas pernas bambas como duas varas de bambu. Como em um
filme de terror, continuo travada no lugar e, lentamente, sinto a bandeja ir de
encontro ao solo quando não tenho mais força o suficiente para a segurar.
O forte estrondo faz com que os dois pares de olhos se projetem
demoradamente em mim. Meu maior desejo é desaparecer do recinto como
em um passe de mágica, porém parece impossível. O passado veio me
assombrar.
CAPÍTULO 18
ANGEL HARLEY

Eu tinha que fugir mais uma vez. Fui uma covarde. Mas, como iria
enfrentar um homem inescrupuloso como o meu tio Henrique se não tenho
absolutamente nada ao meu favor? Ele está no controle total dos resorts e dos
meus bens, e qualquer justiça estará ao seu lado até eu provar que fui vítima
de um extorque barato. Desde nossa última conversa, não descarto a
possibilidade de ele ter tido participação no incidente dos meus pais. Essa
ideia vem martelando em minha mente há muito tempo.
Oh, Deus! Mas, como poderia provar algo, se mal tenho dinheiro para o
meu próprio sustento? Como poderia pagar um investigador particular? E
Henrique tem influência, é um homem de negócios. Provavelmente, a corte
americana ficaria ao seu favor.
Assim que comprovei quem era o visitante, dei a volta e saí correndo
do escritório sem dar nenhuma explicação razoável a respeito da minha
reação. Nem sequer um único som escapou da minha boca. O nó que sentia
na garganta, pelo desespero, fez com que eu reagisse assim e saísse sem dizer
absolutamente nada. Entretanto sei que, por infelicidade, Henrique me
reconheceu.
Cheguei à cozinha tão abalada, aos prantos, contando brevemente o
ocorrido e o pequeno desastre. Também pedi para que Antônia fosse atender
ao patrão no meu lugar. É evidente que ocultei o meu verdadeiro temor. Ela e
Agne supuseram que eu estava naquele estado lastimável por causa do
constrangimento de ter sido desastrada. E, mesmo quando eu estava sozinha
com minha querida Agne, fui incapaz de contá-la a verdade. Mas ela
percebeu que eu não estava bem e insistiu para que eu lhe falasse se houve
algo a mais. Porém, fui irredutível. Não queria ocupar sua cabeça com meus
problemas. Suspirei e disse que iria ficar bem. Como não desejava preocupá-
la, comuniquei-lhe que iria até o jardim tomar um pouco de ar para arejar a
mente e que logo ficaria bem. Ela sorriu de modo meigo para mim e
concordou. Ainda queria me fazer companhia, mas recusei sua oferta
delicadamente, dizendo que precisava ficar sozinha. O que ela compreendeu.
Estou sentada em um banco bem afastado da mansão, já perto das
grandes muralhas, querendo me manter longe o máximo possível da presença
perversa de Henrique. Já se passaram algumas horas, que mais pareceram
uma eternidade, até que, enfim, avisto o homem frio e de fachada sair da
mansão acompanhado de Nikky. Eles se despedem com um aperto firme de
mãos.
Assim que meu tio vai entrando no seu automóvel, percebo o seu olhar
e expressão diabólica focar em mim, mesmo de longe, e um sorriso cruel
estampa seu rosto. Um frio horrendo sobe pela minha espinha e tenho a
certeza de que preciso fugir.
Bufo frustrada. Já estou cansada de lutar sozinha. Mas, o que poderia
fazer? É provável que esse odioso e impiedoso homem me obrigue a casar
com o asqueroso do Eaton. O que eu não suportaria. Tenho nojo desse ser tão
repulsivo. Em determinadas noites ainda acordo com o coração aterrorizado,
batendo alucinadamente contra minha caixa torácica, e o corpo banhado em
suor. Parece que ainda sinto o peso do seu corpo repugnante sobre o meu,
atacando-me como um animal que ataca uma vítima indefesa.
Gasto todas as minhas economias em um barco de aluguel e pego uma
condução até o antigo porto, que fica no centro de Chora. Chegando lá, tenho
um pequeno contratempo com o dono do veículo. Segundo ele, as condições
climáticas não são das mais favoráveis para essa travessia. Realmente,
espessas nuvens escuras adornam o céu no horizonte. Mas considero que será
possível chegar à pequena ilha de Galazia Thalassa antes do aguaceiro
desabar. O proprietário da embarcação não quer me levar a esse lugar, que
pertence ao meu chefe. Escondida, peguei as chaves da propriedade que fica
lá. Tenho que agradecer à minha querida Agne, que me falou com
encantamento sobre esse local, dizendo até mesmo que alguns poucos
moradores cuidam do território para o patrão. Esse ato dela foi uma provisão
e tanto para mim.
O desafio mesmo é subornar o dono do barco. Mas, com uma dose de
perspicácia e desenvoltura, alcanço o meu objetivo. É claro que a quantia que
lhe ofereci, pode ter sido irrisória. Foi com ela que consegui meu propósito.
Levo em minha mochila alguns itens essenciais, pessoais e suprimentos
básicos que durarão uma semana aproximadamente.
Calculo que será tempo o suficiente para que eu deixe a pequena ilha e
busque outro refúgio seguro. — pensei amarga.
Se é que existe algum lugar seguro no planeta, onde eu possa me
esconder de toda a maldade do meu tio Henrique. Rio com dissabor desse
pensamento absurdo. Acho pouco provável. É como se ele me perseguisse em
cada lugar que eu estou.
Será que meu chefe sentirá falta das chaves da cabana? Espero que ele
não se importe de me “emprestá-la” por alguns dias. Terei que usar uma de
suas propriedades por algum tempo, até que Henrique me esqueça e a poeira
baixe.
Tento focar em algum plano mirabolante. Talvez eu deva ir para a
América do Sul, para o Brasil. Lá tem um amplo território e sua nação é
conhecida por ser calorosa e carismática. Logo rio dessa ideia insensata.
Como conseguiria ir, se não tenho dinheiro? — pensei
melancolicamente.
Agora sigo por uma estreita estradinha íngreme, lembrando-me
perfeitamente que Agne mencionou que a cabana fica no alto da colina e que
existe uma escadaria que leva diretamente ao chalé. Não terá erro.
Ouço o som de um trovão ao longe e apresso os meus passos. Terei que
ser rápida. Acho que o denso aguaceiro está mais perto do que supus. Só
espero que o dono da embarcação chegue em segurança em Mykonos.
Um sorriso estampa minha face assim que avisto, lá na frente, a enorme
cabana no alto da colina. Mas meu sorriso se desvanece quando me deparo
com a longa escadaria de madeira que terei que enfrentar. Revestindo-me de
energia e de uma força renovada, mesmo sentindo os primeiros sinais de
cansaço devido à longa caminhada, consigo sentir a esperança de dias
melhores.
O amplo chalé nas montanhas é perfeito e aconchegante. Tanto o
ambiente externo como o interno está impecável, como se aguardasse o
regresso do seu dono a qualquer instante. Os caseiros devem ser pessoas bem
zelosas.
Do alto, posso avistar um pequeno aglomerado de casinhas pitorescas,
ao longe, na base da montanha. Imagino que deve ser dos moradores que
cuidam do lugar para o meu chefe. Ainda devo pensar o que direi quando os
encontrar. Terei que formular algo muito verídico, porque eles, com certeza,
não gostarão de se deparar com uma intrusa invadindo a cabana do patrão.
Aliás... Será que já notaram a minha ausência na mansão? Minha querida
Agne, provavelmente, já deve ter encontrado o pequeno bilhete que lhe deixei
explicando que teria que partir e que lhe agradeço por tudo. E creio que
Nikky não deve se recordar sequer da minha existência. Ultimamente, estava
me tratando de modo tão distante, que o incidente no escritório deve ter sido
para ele como algo irrelevante que sua desastrada empregada cometeu com
um visitante. Não duvido que o meu ato desastroso me custaria o emprego.
Poucos minutos depois, os pequenos pingos de chuva começam a cair e
não demora muito para que eu possa comprovar que haverá um temporal e
tanto. Por isso, providencio rapidamente o que necessitarei para estar bem
abrigada da tempestade. O gerador, por sorte, já está funcionando. Confirmo
ao notar um freezer no espaço da cozinha.
Meu sorriso se estende de orelha a orelha quando averiguo que existe
até mesmo uma boa reserva de comida pronta e congelada. Começo a dar
pulinhos de alegria. Uma parte da energia é solar, como constato pelas placas
solares, e observo que na sala, perto da lareira, por coincidência, já se
encontra uma pilha de madeiras que são suficientes para ativar o fogo a noite
inteira. A temperatura está abaixando conforme a chuva se intensifica.
Após acender a lareira, coloco um dos pratos congelados no forno. É
uma moussaka, comida típica da Grécia. Seus ingredientes principais são
batata, carne moída e berinjela. Em poucos minutos, seu aroma delicioso e
divino perfuma o ambiente, chegando a me dar água na boca. Enquanto a
delícia está esquentando, corro para tomar um banho relaxante, já que em
breve a temperatura será insuportável. Para a minha surpresa, o chuveiro é
elétrico.
Esta é uma cabana de estilo pitoresco, contudo as mordomias e
requintes estão presentes por todos os lados. Certifico-me desse fato até
mesmo ao ver um ofurô de madeira no recinto, bem equipado no banheiro.
Nikky tem um excelente gosto e sabe aproveitar sua riqueza.
Em um determinado momento, depois de degustar uma generosa fatia
da deliciosa moussaka, constato que o denso aguaceiro persiste.
Decido dormir no próprio sofá-cama aveludado e muito confortável.
Pego alguns cobertores em um armário próximo, cubro-o, e visto uma
camisola folgada de algodão. Já estou pronta para ir me deitar, mas antes opto
por fazer um chá quentinho que me ajudará a ter um bom sono. Direciono-me
à cozinha, procurando nos armários os itens básicos para preparar a bebida, e
me deparo com uma garrafa de conhaque e uma lata de chocolate no
compartimento. Então, uma rápida ideia me surge. Há muito tempo não
saboreio um delicioso drink assim. É uma boa sugestão para uma noite fria.
Busco pelos demais ingredientes e os encontro facilmente. De fato, em
breve, a cabana receberia algum visitante, pois estão bem providas as
repartições do armário. Depois de preparar a bebida cremosa, degusto-a com
satisfação enquanto me acomodo na cama improvisada, sentindo o fogo da
lareira aquecer todo o ambiente da sala. Observo, através da janela, a intensa
tempestade, que ainda ruge com força ao lado de fora. Tive sorte de chegar
aqui antes de ela se iniciar.
Termino com minha bebida e deposito a caneca sobre uma mesinha de
madeira próxima.
Assim que estou indo em direção à cama, vejo clarões de relâmpagos
iluminarem o cômodo inteiro e ouço os barulhos dos trovões, que me fazem
estremecer de medo. De repente, um forte lampejo corta o céu e,
abruptamente, a cabana fica parcialmente na penumbra. A única luz a
iluminar o lugar vem das chamas da lareira. Solto um pequeno grito, pelo
susto. Oh, Deus amado! A forte chuva deve ter danificado o gerador.
Saio tateando as coisas até chegar à pequena cozinha, onde avistei uma
luminária de led, de emergência. Só espero que esteja funcionando. Ao ligá-
la, comprovo que sim e solto uma exclamação de alegria.
De repente, quando estou indo para a sala, escuto uma batida na porta e
estremeço. Oh, céus! Quem pode ser, em uma hora como esta? Minha mente
medrosa logo formula que é um bandido.
Minha nossa! Pare agora com essa ideia maluca, Angel! Bandidos não
batem nas portas de suas vítimas.
Deve ser alguns dos moradores que cuidam da cabana. Nesta
tempestade pode ter acontecido algum imprevisto com eles ou podem ter
vindo averiguar quem está usando o local, por terem visto alguma claridade
ou a fumaça da chaminé.
As batidas continuam insistentes e, sem outra alternativa, aprumo-me
de coragem, pego o atiçador de lareira e o coloco atrás das costas. Eu o usarei
como defesa se necessitar. Se for algum malfeitor, ele se dará muito mal. Não
terei nenhum receio de lhe desferir alguns golpes na cabeça. Quem sabe,
assim, aprenda a não assustar nenhuma mulher.
Apressadamente, vou até a porta. Os baques ficam cada vez mais
firmes. Se eu não a abrir logo, o desconhecido romperá a madeira em breve.
Seguro com mais força o ferro entre meus dedos e, assim que a abro, paraliso
no lugar. Não pode ser! A pessoa gigante e completamente molhada em
minha frente só pode ser uma miragem do meu subconsciente. Todavia, estou
o vendo tão nítido e inconfundível. Mesmo sob a tênue penumbra do
ambiente, não confundo suas feições marcantes. Seus olhos azuis-escuros do
Egeu estão tempestuosos ao me fitarem com uma fúria contida.
Oh, Deus! Nikky Andreon está diante de mim e eu, simplesmente, não
sei o que fazer.
— Não vai me convidar para entrar, mikró krínos? — sua voz soou fria
entre dentes.
CAPÍTULO 19
NIKKY ANDREON

Inferno de Hades! Solto uma rajada de imprecações pela milésima vez.


A chuva torrencial somente contribui com o meu mau humor sombrio. Eu
devia ter me atentado aos mínimos detalhes. Se eu tivesse usado minha
coerência e não tivesse me deixado governar pelo meu pau, teria prosseguido
com as investigações sobre quem é Angelique Miller? Quando foi redigido o
seu contrato de trabalho, vi que não existia muito sobre o seu passado,
somente a informação de que ela é americana e veio para a Grécia há 4 anos.
E, desde então, trabalhava naquele pequeno estabelecimento familiar como
garçonete.
Censuro-me por não ter dado início às investigações. Devia ter
averiguado a fundo o seu passado, porém, como supus, eu já a tinha onde
desejava e negligenciei os detalhes. Agora, estou pagando por isso.
O seu pequeno incidente no escritório não me passou despercebido. Eu
não queria ter tanta consciência do seu corpo voluptuoso no ambiente, porém
foi impossível. Desde o nosso último encontro no corredor, venho a evitando
como se ela fosse algo extremamente letal para mim. E é para o meu
raciocínio. Quando estávamos ali, eu só queria levá-la ao cômodo mais
próximo e terminarmos o que havia se iniciado na noite anterior. Todavia,
sua negação de desejo e sua intimação de que iria se demitir se eu
continuasse com os jogos de sedução fez eu me fechar em um bloco de gelo e
lhe assegurar de que não me aproximaria novamente. Foi difícil para mim,
contudo estava disposto a cumprir minha promessa. Passei a ignorá-la, por
mais que minha vontade fosse totalmente contrária. Às vezes eu percebia seu
rosto se entristecer diante do meu modo gélido. De certa forma, minhas ações
estavam a ferindo. Mas não me incomodei. Eu esperava que ela sentisse a
mesma dor que estava me infringindo com sua negação em aceitar a atração
que ambos sentimos um pelo outro. Pois, no fundo, eu sinto que ela não é
imune ao desejo que eu a desperto. Na realidade, ficou bem evidente que
compartilhamos a mesma luxúria incontrolável. Mas ela é teimosa e rejeitou
o que estava sentindo. Isso me frustra.
Durante todas as noites, após o ocorrido no corredor da mansão, passei
a aceitar os convites das matriarcas ansiosas para enredarem o melhor partido
grego para as suas filhas em um casamento vantajoso. Tive que forjar muitos
sorrisos ilusórios nessas ocasiões. Meu corpo estava presente lá, porém meu
pensamento sempre estava em um certo angelos. Esses eventos só não eram
mais entediantes porque aproveitei alguns assuntos relacionados a negócios
com os anfitriões. Quando não tinha nenhum compromisso, dormia em meu
iate, temendo fraquejar na minha promessa de deixar meu doce krínos em
paz.
Quando Angel chegou ao meu escritório hoje de manhã e avistou o
visitante inoportuno, a figura sombria, o sorriso doce que pintava seus lábios
deliciosos se desvaneceram imediatamente e ela ficou totalmente sem reação.
Depois que derrubou a bandeja ao solo, em seu ato de desespero, comoveu-
me. Apenas saiu correndo da sala, como se tivesse acabado de ver o próprio
dono do submundo. E eu soube nesse momento que o sujeito diante de mim
fez parte do seu passado.
Henrique Harley, presidente dos resorts Harley, é um homem
persuasivo. Há alguns dias, eu tinha recebido a visita do seu advogado de
Chicago em meu escritório, querendo negociar o terreno que tenho no centro
de Chora. Como recusei tal proposta inicial, feita pelo intermediário dele, o
próprio homem veio falar comigo, oferecendo-me uma quantia acima do
valor de mercado. Seu plano original seria construir um resort no centro de
Mykonos Town. É ganancioso. O seu objetivo é ampliar a cadeia de resorts
para o mediterrâneo, já prevendo a alta demanda de turistas que anualmente
visitam a ilha. Declinei novamente sua generosa oferta, de modo cordial, e
percebi que ele não ficou contente com isso. Porém, manteve-se comedido.
Quando o acompanhei até a entrada da mansão, notei seus olhos maliciosos
vasculharem o jardim e comprovei seu sorriso de escárnio se ampliar e focar
no meu doce angelos, à distância. Então, algo primitivo se rompeu dentro de
mim e um forte desejo de protegê-la me inundou.
Eu teria feito qualquer coisa para a manter afastada desse sujeito,
entretanto ela fugiu antes que eu pudesse agir. Pouco tempo depois, Agne
surgiu em meu escritório aos prantos, com um bilhete em mãos, dizendo que
sua kiz tinha abandonado a casa. Saltei da minha poltrona como um insano e
vasculhamos cada perímetro próximo à propriedade. Nenhum rastro da sua
presença foi detectado. Meu receio foi de que aquele sujeito tivesse lhe feito
algum mau.
Rapidamente, eu me dirigi ao porto e obtive a informação que
necessitava. Assim que cheguei lá, um dos barqueiros locais relatou que uma
jovem com as mesmas características do meu mikró angelos tinha pagado um
barco de aluguel para a levar até minha ilha particular de Galazia Thalassa.
No mesmo instante, um tremendo alívio me engolfou. Entretanto, quando
avistei as nuvens escuras no horizonte, recriminei sua atitude tola. E, sem
pensar duas vezes nas consequências, sem medir a repercussão do meu ato,
fui ao meu iate e segui ao seu encontro, rogando para que ela estivesse bem.
A tempestade me alcançou no meio do caminho e quase fui lançado ao
mar revolto duas vezes, já que seguia o percurso desacompanhado e tinha que
me virar sozinho. Os raios cortavam os céus impiedosamente. Mas, graças a
Theós, com minha experiência em situações adversas, consegui contornar
esse problema. Não foi a primeira vez que enfrentei intempéries como essas
em alto mar.
Ao chegar à pequena ilha, ainda sob o vasto aguaceiro, o mais difícil
foi prosseguir pelo caminho enlameado. O frio começou a penetrar em meus
ossos. E, por mais que eu estivesse de jaqueta, não conseguia me abrigar o
suficiente da densa chuva. Logo me deparei com os longos degraus que, por
fim, iriam me levar à cabana. Mesmo com a visão embaçada pelo temporal,
vi o chalé se materializando em minha frente, com uma iluminação tênue
vindo de dentro do recinto. Minha esperança se renovou. Confirmei que meu
mikró xanthó angeloúdi tinha conseguido chegar em segurança. Por um
ínfimo momento, durante a extenuante viagem, meu coração se oprimiu
quando a imaginei se expondo em risco na travessia perigosa.
E agora me aproximo da cabana, completamente encharcado,
parecendo um pinto molhado na chuva. Bato na porta com dedos ainda
adormecidos pelo frio. Pelo menos, de longe, pude comprovar que a lareira
foi acesa. Não vejo a hora de entrar no local, ver pessoalmente o meu doce
angelos e me aquecer próximo ao fogo. Sem obter nenhuma resposta sua,
insisto potencialmente nas batidas. Será que ela não se encontra aqui?
Diabos! Era só o que me faltava ter deixado o abrigo seguro da cabana e ter
se perdido na floresta próxima. Meu coração volta a se comprimir com esse
pensamento, no entanto, de repente a porta é aberta de supetão. Somente a
observo. Minha linda loira está tão exuberante em uma camisola folgada que
abriga o seu corpo delicioso. As labaredas alaranjadas da lareira se
contrastam no brilho que resplandecem e banham a sua silhueta.
Ela me encara completamente incrédula, não crendo que estou diante
dela.
— Não vai me convidar para entrar, mikró krínos? — minha pronúncia
foi precisa.
— Meu Deus! Não posso crer que veio sob este temporal, Nikky. Foi
extremamente perigoso. — Dá passagem para que eu entre.
Levanto uma sobrancelha inquisitiva. Somente agora ela percebeu esse
fato?
Quando entro no espaço da sala, sinto me aquecer o calor aconchegante
das chamas. Noto quando Angel fecha a porta e deposita um atiçador de ferro
sobre uma superfície. Somente agora capto qual era sua intenção e rio
ironicamente.
— É melhor que se aproxime mais da lareira, para se aquecer, ou
poderá ficar doente. Não quero ser a responsável por algo desse tipo. — Pude
perceber sua apreensão.
— Você se importa? — Sinto ainda a raiva incontida me percorrer, por
ela ter sido imprudente.
— Claro que me importo. — ressaltou preocupada. — É melhor tirar as
roupas. — Em seguida, fica corada. É o que vejo através da luz alaranjada
sobre sua pele. — Quer dizer... Não é conveniente ficar com as roupas
molhadas. Vou ver se encontro alguma toalha ou um roupão. — esclareceu-
se.
Ela vai em direção aos armários e eu resolvo tirar minhas botas
enlameadas. Coloco-as em um canto qualquer e descarto também a jaqueta e
a camisa, ficando com o tronco desnudo. Aproximo-me mais do fogo e,
alguns minutos depois, Angel retorna com uma toalha em mãos.
— Pronto. Achei essa aqui. Tem que se secar logo, para que não pegue
nenhum resfriado. — Chega perto de mim e enxuga as pequenas gotículas do
meu tórax, surpreendendo-me.
Sinto fagulhas elétricas me envolverem devido ao contato da toalha
macia e ao toque das pequenas mãos ágeis dela sobre o meu corpo. Todo o
frio que me envolve é drenado de uma vez e um calor sensual e erótico
abrange o meu organismo. Porra! Isso pode ser perigoso. Suas palmas suaves
contornam os meus músculos com vigor. Ela fita meu tronco com admiração,
deixando-me em chamas de luxúria. Sem demora, meu sangue esquenta pelas
minhas veias e flui incontrolavelmente até meu pau.
Somente agora a minha beleza exótica compreende o que está fazendo.
Evitando olhar em meus olhos, para abruptamente os movimentos.
— Oh, Deus! Perdoe-me, Nikky! Não era a minha intenção. É melhor
que você mesmo faça isso. — Tenta me entregar a toalha.
Agarro o seu pulso, comprovando que sua pulsação está acelerada e
quente sob minha palma. Ela deixa o objeto cair no chão e eu não dou a
mínima. O temporal descomedido cai sem piedade ao lado de fora, porém
quem obtém meu total interesse agora é ela, que está diante de mim. Toco em
seu queixo suavemente, fazendo-a me encarar. O azul-topázio do seu olhar se
conecta ao meu e posso confirmar refletidos nele a mesma fome e desejo que
tenho. Por um breve segundo, detecto receio também. Só que não lhe dou
tempo para raciocinar com clareza. Sem que ela espere, aconchego-a em
meus braços. Como é bom sentir minha korítsi e saber que ela está bem.
— Eu tive tanto medo. Por um instante fiquei apavorado, krináki mou,
quando não a encontrei na mansão. Não sabe as loucuras que se passaram em
minha cabeça.
— Nikky, eu sinto muito, mas tive que partir.
Agarro-a mais entre meus braços. Ela não sabe ainda, mas nunca mais a
deixarei ir embora. Beijo seus cabelos e sinto seu delicado perfume feminino
embebedar meus sentidos. É algo inigualável.
— Sempre existe uma opção, Angel. — assegurei.
— Não no meu caso. Se eu não tivesse fugido, algo terrível teria me
acontecido. — Estremece com alguma lembrança.
— Nunca mais precisará lutar sozinha.
— Eu... Eu... sempre estive sozinha. Sempre tive que enfrentar tudo
sozinha. — disse tremulamente.
— Não está mais, minha doce korítsi. — garanti.
— Faça amor comigo, Nikky! — sussurrou.
Meu corpo incendeia. Creio que devo ter entendido errado sua
colocação. Não posso acreditar que minha doce Angel acabou de formular
minha fantasia lasciva e secreta. Porra! Eu nunca fiz amor, somente sexo
prazeroso e descomplicado. E agora, pela primeira vez, desejo isso
ardentemente. Já sinto os efeitos da sua proposta ardorosa em minha libido.
Mesmo sob minha calça molhada, meu pau se enrijece impiedosamente.
Afasto-a brevemente do meu contato e foco em seus olhos, que estão
brilhosos e me fitando com paixão.
— Não faça isso, Angel! Não pode brincar com um homem como eu,
sem estar pronta para assumir os riscos.
— Eu não estou brincando. — sussurrou ofegante.
— Você é virgem. — minha pronúncia não soou como uma pergunta, e
sim como uma afirmação.
— Sim. Esse é algum problema? — confirmou.
Theós! O único obstáculo que terei será lutar contra a minha obcecação,
porque, de alguma forma, sua afirmação me trouxe uma satisfação primitiva
que nunca senti. Eu a desejo descontroladamente e, pela primeira vez, anseio
fervorosamente ser o primeiro de uma mulher e, também, o único.
Que raciocínio absurdo do caralho! — censurei-me.
Sinceramente, é a verdade. O simples pensamento de que algum filho
da puta possa tocá-la inflama as minhas entranhas. Ela é minha.
Sinto-a ficar rígida entre meus braços. Observando seus olhos, posso
ver medo e insegurança.
— Por eu ser virgem, não quer fazer amor comigo?
Um vinco se forma entre minhas sobrancelhas e eu nego com um gesto
de cabeça a sua indagação. Seria impossível recusar a proposta mais ardente
que já recebi em toda a minha vida.
— Eu quero fazer amor com você. — Deposito um beijo suave sobre
sua bochecha e noto quando um lindo sorriso aquece seus lábios. — Eu sei
que você também me deseja. — afirmei o que já é bem evidente, traçando
com a ponta de um dedo o contorno dos seus lábios rosados que me
enlouquecem. — É uma tentação constante, minha doce Angel, desde a
primeira vez que cruzou o meu caminho, quando quase a atropelei. — Rio ao
me recordar da cena do nosso primeiro encontro. — Depois do susto inicial,
eu diria que foi quente. Até hoje a irresistível lembrança dos seus seios
luxuriosos me persegue. — Um leve arfar abandona sua boca e eu aproveito
o instante para distribuir beijos ardorosos pelo seu ombro desnudo, seguindo
para o seu pescoço esguio e gracioso. — Eu quero te dar prazer. Permitirá
isso, minha doce Angel? Irá se permitir conhecer o prazer em meus braços?
— Olho-a ardentemente.
A decisão tem que ser dela.
Sua resposta me surpreende. Simplesmente, ela se inclina nas pontas
dos pés e coloca as mãos delicadas em volta do meu pescoço, unindo nossas
bocas em um beijo inflamado pela paixão. Degusto seus lábios suaves como
se fosse o mel mais precioso dos deuses e aproximo ainda mais o seu corpo
pequeno do meu, deixando-a sentir meu estado de excitação. A minha ereção
está em um agonizante sofrimento e tenho certeza que já estou com uma
enorme protuberância no meio das pernas. Estou louco para meter e estourar
sua pequena cereja, porém terei que ser comedido em sua primeira vez.
Quero levá-la ao ápice da paixão indomável que nos incendeia, mesmo
sabendo que lhe causarei dor, por ser virgem.
Porra! Uma pequena parte racional me alerta para não a tocar, mas já é
tarde demais. O desejo já se apossou dos meus sentidos. Eu lhe darei uma
noite quente e sexy em meus braços e aceitarei o privilégio de torná-la
mulher. Farei esta noite ser memorável e lhe oferecerei uma doce recordação
da sua primeira vez. O amanhã, quem pode prever?
Sinto-me um puto de um grego sortudo. Afinal, ela me escolheu, e não
sou nenhum moleque imberbe ou inepto. Com habilidade, aprofundo o beijo,
penetrando em seu interior aveludado. A minha língua atrevida arranca
suspiros sensuais de sua garganta enquanto valsa com a dela em um
interlúdio preliminar da paixão. A minha mão cobiçosa alcança o seu traseiro
generoso, e é minha vez de gemer entre seus lábios, ao sentir o contato da sua
carne macia e empinada preencher minha palma.
Sem interromper o beijo caloroso, ergo-a em meus braços e a levo até a
cama improvisada. Antes de depositá-la sobre o estofado, faço-a perceber
minhas intenções, colocando-a no solo e alcançando a barra da sua camisola,
como se lhe pedisse permissão para a tirar. Minha mente maliciosa a imagina
completamente nua, molhada e fogosa. Estou totalmente louco antecipando
essa visão deliciosa. Quantas vezes, em meus sonhos mais devassos, já
projetei essa cena? Um bilhão? Minhas pretensões sempre eram libidinosas e
quentes. Muito quentes. E no fim dos sonhos costumava acordar de pau duro
e insatisfeito. Só que agora poderei realizar todos os meus fetiches lascivos e
indecentes. Meu doce angelos está inteiramente rendido em meus braços e
louco para me dar a boceta, como sempre fantasiei.
Interrompo brevemente o beijo e a fito com o olhar cheio de fome. Ela
somente assente, parecendo impossibilitada de formular qualquer frase.
Assim que a livro de uma vez da peça frágil, meus olhos são atraídos como
imãs para as colinas luxuriosas: seus seios fartos e firmes. Assemelho-me a
um cachorro babão agora, louco para provar seus biquinhos rosados e os
saborear. Meus olhos vagueiam minuciosamente pelo seu corpo esbelto e
observo que suas mãos estão inquietas, como se travasse uma luta para não as
cobrir.
— São lindos! Quero chupá-los. — sussurrei, vendo seu rosto se tingir
de vermelho. Seus biquinhos rosados e deliciosos se enrijecem, também em
resposta à minha pronúncia crua. — Não precisa ficar envergonhada. Eles são
perfeitos. — Um sorriso cafajeste estampa minha face. — Na verdade, eles
vêm sendo minha fantasia secreta há um bom tempo. — admiti, englobando
os dois montes generosos em minhas mãos e os massageando. Sua carne
macia preenche minhas palmas com perfeição.
Ouço o seu arfar sensual e me sinto dominado pelas fagulhas de tesão.
Meu pau já está a ponto de arrebentar a calça.
— Oh! Por favor, Nikky! — sussurrou manhosa.
— Calma, meu doce krínos! Quero que este momento seja memorável.
E a pressa é inimiga da perfeição. — Lanço-a um sorriso confiante. — Quero
me deliciar de todos os seus tesouros e a saborear lentamente, até que
sucumba de prazer em meus braços.
Angel me encara, totalmente rendida, e eu tomo os seus lábios sedosos
entre os meus com uma fome premeditada, sentindo os montes deleitosos dos
seus seios firmes serem esmagados contra o meu tórax. Ela estremece
levemente; talvez pelo fato de ser sua primeira vez. Farei dessa sua
experiência algo único e incomparável, mesmo que meu pau se agonie no
processo. Esta noite será sua. Quero vê-la inteiramente lânguida e satisfeita
em minha cama.
Com uma certa relutância, afasto-a do meu corpo e a deito lentamente
sobre o estofado, admirando e absorvendo cada nuance primorosa que seu
corpo cria sob as labaredas da paixão. Seu rosto está afogueado por causa da
nossa breve troca de carícias e sua pele, tomada pelo mormaço, está
implorando pelo meu toque neste instante. Somente uma minúscula calcinha
branca a cobre da minha lascívia desenfreada. Estou louco para desvendar o
segredo do seu ninho quente.
Vagarosamente, tiro a última peça, que está manchada pela sua
excitação, e um rosnado feroz abandona meus lábios quando contemplo sua
bocetinha indecente encharcada de desejo. Porra! Fico ainda mais duro ao
comprovar quão molhada ela está. Theós! Que tortura dos infernos! Angel
está inteiramente à minha disposição. Mas tenho que me controlar e não
posso me lançar sobre ela como uma besta no cio.
— Theós! Que perfeição! — exclamei de maneira sofrível, com a voz
embargada pelo tesão.
— Nikky, você é tão safado. — afirmou, constrangida por ter me pego
admirando sua parte íntima de modo tão imoral e desinibido.
Eu permaneço com um sorriso devasso no rosto e ela tenta fechar as
pernas. Contudo, no mesmo instante, impeço-a.
— Não faça isso, querida! Não pode condenar um homem por,
simplesmente, estar saboreando sua fantasia secreta.
— Quer dizer que fantasiava comigo, seu sem-vergonha? — perguntou
como se estivesse brava, porém um sorriso meigo surgiu em sua boca.
— Sim. Cada pedacinho do seu corpo vem sendo meu mikró martýrio a
todo segundo. Agora, quero chupar sua boceta.
Ela geme manhosa quando a puxo para a beirada da cama e me
posiciono entre suas pernas arreganhadas. Porra! Que delícia! Seu sexo
quente está implorando pela minha posse e pela invasão da minha língua
irreverente. Sua bocetinha melada de tesão está me levando à loucura. Posso
sentir seu cheiro feminino e agir como um narcótico em relação aos meus
sentidos.
Caralho! Essa mulher vai me matar de desejo. E ainda nem provei sua
cereja.
Dedilho suas dobras ardentes e femininas, ouvindo-a choramingar, com
manha, por conta do meu contato. Infiltro um dedo em seu canal estreito e a
sinto se fechar. Porra! Apertada para caralho! Meu pau se contrai em agonia
somente por eu imaginar suas paredes vaginais o esmagando. Suponho que
nunca almejei tão intensamente comer uma boceta. E esse mero pensamento
me maltrata, quase me fazendo gozar antes da hora.
Tento me desviar dos meus pensamentos libidinosos antes que me
derrame nas calças. Caralho! É difícil controlar o tesão.
Insiro outro dedo na sua fenda úmida e ela geme com a pressão ainda
maior dentro de si.
— Ah! Caramba! Isso dói. — protestou, soltando uma imprecação.
É necessário prepará-la para me receber. Se está sentindo dor com
meus dedos, sentirá ainda mais com o meu pau aprofundado dentro dela.
— Relaxe, meu doce krínos! Não se concentre na dor, somente no
prazer que a faço sentir! Está sentindo? Meus dedos estão enterrados dentro
de você. — Afago despudoradamente a sua carne íntima e quente, sentindo
seu corpo estremecer. — É tão bom e será ainda mais perfeito quando for
meu pau. — sussurrei com uma fome iminente.
Em seguida, tiro dela os dedos melados pela sua lubrificação e os levo
até minha boca, chupando-os. Olho-a intensamente enquanto degusto de
vorazmente o mel excepcional da sua excitação. Em suas írises azuis há a
emoção pura do prazer.
— Deliciosa! Um verdadeiro manjar do Olimpo. Necessito de mais. —
falei pausadamente e de modo fogoso.
Estou como um lobo faminto a farejar seu doce aroma feminino.
Minhas papilas degustativas saboreiam os últimos vestígios do seu doce
néctar, mas ainda tenho fome. Minha língua ávida busca a fenda úmida do
seu deleite, introduzindo-se nas suas dobras molhadas e saqueando seu sabor
inigualável. Gemo com seu gosto picante e singular em minha boca. Caralho
de boceta gostosa da porra! Nunca provei uma tão deliciosa.
Contorno o botãozinho inchado do seu clitóris, extraindo uma resposta
extasiada dos seus lábios, e a sinto prender minha cabeça entre suas pernas.
Enquanto seus quadris buscam uma maior pressão entre nós, minha língua
atrevida vasculha sua área íntima, saboreando cada ponto de contato ardente
sob meu toque. Alterno entre um ritmo lento e acelerado conforme as
respostas do seu corpo. E quando comprovo que ela está próxima ao clímax,
diminuo a velocidade, imitando um beijo de língua no seu montinho suave.
Instantaneamente, sinto-a estremecer e afagar os meus cabelos.
— Ahh! Por favor, Nikky! Caramba! Isso é muito... bom! Ah! — Que
delícia! É perfeito escutá-la implorando pelo meu pau. Logo estarei enterrado
tão profundamente dentro dela. Até sinto uma pontada dolorosa nele, com a
mera imaginação.
Angel está tão envolvida no prazer que a faço sentir, que não protesta
quando introduzo novamente os dois dedos dentro dela. Dessa vez não me
comedirei e a farei explodir sob meus afagos. Faço movimentos implacáveis
em seu centro feminino e, sem demora, seu corpo pequeno é engolfado pelo
prazer e treme diante dos manejos da minha língua e dos meus dedos, que
estão lubrificados pelo seu prazer. Ela geme desavergonhada ao alcançar o
regozijo supremo e eu sou tomado por uma satisfação irresistível, por ser o
responsável pela sua doce entrega. Continuo com meus afagos, penetrando-a.
Quando ela finalmente explode em um gozo violento, convulsiona-se
inteiramente. Não lhe dando tempo para se recuperar, faço uma trilha de
beijos pela sua barriga plana, ainda sentindo os tremores do orgasmo que
perpassam por ela, e abocanho um dos mamilos rígidos. Seus seios divinos
são minha devoção. Eu os mamo generosamente enquanto continuo a
penetrá-la. Dessa vez meu corpo impede que ela se feche para mim.
— Uhhh! São deliciosos! — Alterno entre um e outro seio. — É muito
saborosa, doce angelos. Você pode ser a perdição de um homem. — Estou
ensandecido pelo tesão.
— Nikky... Ohh, Deus! — gemeu sensualmente quando toquei em um
ponto delicado dentro dela. — Oh! Por favor!
Tomo-a em um beijo selvagem e necessitado.
Ela está muito lubrificada e meus dedos entram agora com maior
facilidade em seu interior, embora ela ainda seja extremamente apertada.
Logo abandono seus lábios doces e me ergo da cama, escutando um pequeno
ofego de protesto. Lanço-a um sorriso pretensioso, demonstrando minha
próxima intenção, e ela compreende, mantendo o seu olhar atento e irradiante
de desejo sobre mim.
Meu pau está excepcionalmente rígido; ainda mais ao contemplar a
cena lasciva. Angel está completamente aberta e inteiramente rendida à
paixão do momento. Livro-me da minha calça o mais rápido possível sob seu
olhar curioso e, por último, retiro a boxer, vendo-a arfar levemente. Ela já
tinha me visto nu antes, mas não totalmente ereto, e tenho consciência de que
sou impressionante e que deixo até as mais experientes intimidadas.
Busco em seus olhos topázios algum sinal de medo, mas não encontro.
Apesar de me olhar de forma cautelosa, há determinação em seu semblante
delicado. Sorrio em apreciação. Essa é minha korítsi.
CAPÍTULO 20
ANGEL HARLEY

Nikky é lindo, perfeito, e tudo que estou vivenciando parece um sonho.


Ainda não acredito que meu chefe está aqui, bem diante de mim,
parcialmente desnudo, e que acabou de me proporcionar o melhor orgasmo
da minha vida. Seu olhar faminto lançado a mim, deixa-me quente. Oh, céus!
Muito quente! Suponho que seja pelo efeito do choconhaque. De que outro
modo eu teria me enchido de coragem e lhe feito aquela proposta audaciosa?
Aliás, há alguns minutos o homem estava com a cabeça enfiada entre minhas
pernas. Que língua sagaz e maravilhosa ele tem! Meu Deus! Deveria ganhar
rios de dinheiro com ela. Continuo sentindo as consequências do seu talento
em meu corpo. Minha intimidade está vibrando com sua mágica.
Um sorriso tímido surge em meu rosto e, repentinamente, descarto a
possibilidade de ter sido efeito da bebida. Na realidade, sendo sincera comigo
mesma, desde que vi Nikky Andreon pela primeira vez, uma parte de mim o
desejou.
Minhas pernas ainda estão levemente trêmulas, pelo recente êxtase.
Caramba! Não quero inflar seu ego, mas... Que HOMEM! Fixo na sua
imagem máscula, admirando-o, e um certo medo me domina. Ele é todo
homem, em todos os sentidos da palavra. Nikky exala testosterona de cada
fibra do seu corpo poderoso e eu não passo de uma garotinha que não sabe
como satisfazê-lo. O seu histórico de mulherengo inveterado é extenso,
enquanto minha experiência é absolutamente nula. Mesmo assim, não paro de
salivar com seus músculos saltados e com sua barriga tanquinho.
Ver seus olhos azuis pecaminosos e tórridos sobre mim faz o medo
bobo ir embora. Tudo que posso vislumbrar é uma fome crua nas suas írises
azuis do egeu... Fome voraz, de prazeres inimagináveis. Ele me terá por uma
noite em sua cama e não necessitará se incomodar com minha carta de
demissão no final do mês, porque na manhã seguinte não farei mais parte da
sua vida.
Reconheço que vivia me esquivando dele, pois, irremediavelmente, já
estava atraída pelo meu chefe. Só que não podia mais negar esse sentimento.
Por isso foi como se recebesse uma facada em meu peito quando Agne me
confidenciou, sem querer, que ele estava em busca de uma esposa. Não que
eu ambicione algo tão vantajoso como essa posição, porque sei que nunca
estarei na lista dele. O patrão e a empregada? Impossível! Por outro lado, não
sei o que o futuro me reserva. Posso não conseguir fugir de Henrique mais
uma vez e não quero imaginar que ele consiga me ter em suas mãos
novamente como um pião em um tabuleiro de xadrez. O seu propósito
ambicioso é monstruoso. Por essa razão, desejo pelo menos uma vez na vida
poder escolher a quem me entregar. E, quem seria mais qualificado do que o
homem em minha frente? Oh! Pelos céus! Desde que o vi como veio ao
mundo, com todos os seus “atributos”, meus sentidos tem sido inundados de
pensamentos indecorosos. Como pode? É errado querer traçar seus gominhos
espetaculares com a língua e descobrir prazeres inexplorados?
Percebo-o me analisar com um sorriso sacana que preenche seus lábios
firmes e o observo deslizar a calça pelas suas pernas musculosas. De maneira
petulante, atento-me a cada detalhe da sua perfeição masculina. Quero
guardar na memória esta noite como uma doce lembrança. Sem demora, ele
se livra da última peça e eu arquejo levemente. Já tinha conhecimento de que
o homem era especial, mas vê-lo assim, em toda a sua glória, faz eu sentir
uma leve comichão no baixo ventre. Seu membro avantajado e grosso está
apontado em minha direção. Sua estrutura é magnífica. Eu conseguirei
correspondê-lo? Ele é impressionante.
Espanto qualquer vestígio de insegurança para longe. Nikky está
totalmente nu e a força do seu desejo está completamente evidente,
cativando-me. Eu deveria me sentir retraída e temerosa, pois agora sei por
qual motivo ele faz jus à fama de aniquilador de calcinhas.
— Tudo bem, mikró? — questionou ao me ver apreciando-o fixamente.
Com presteza, deslizando sua mão poderosa pelo seu membro enorme,
acaricia-o enquanto se aproxima de mim devagar.
— Chegou o momento de torná-la minha.
— S... Sim. — confirmei. Hoje serei dele.
Um arrepio me atravessa, mas não é de medo. Ainda posso sentir
minha intimidade palpitar, ansiando sua posse viril, e meu ventre queima,
sentindo o fogo da luxúria. Logo ele se situa no meio das minhas pernas de
novo. Poderia ser uma cena intimidante se não fosse extremamente quente e
tentador ter esse deus grego por uma noite. Ele pincela a ponta da sua grossa
e firme excitação pelo meu clitóris, arrancando-me um gemido sensual. O
safado esbouça um sorriso arrebatador pela minha resposta rápida e eu me
sinto mais molhada agora.
— Você é deliciosa, meu angelos loiro, e está muito quente apenas para
mim. — sussurrou sedutoramente, posicionando sua ereção enorme na minha
entrada. Faz uma leve pressão para entrar, soltando o seu rugido feroz. —
Que delícia! É muito apertada. Só precisa relaxar para me receber, mikró
krínos. — Estimula meu clitóris, fazendo-me gemer baixinho.
Eu cedo à pressão da sua posse viril e seu membro robusto se instala
em meu canal. Arquejo baixinho quando seu potente eixo duro fica em atrito
com as paredes da minha intimidade e força um pouco mais. Sinto uma dor
aguda quando rompe a barreira frágil da minha virgindade. Neste instante
mordo o lábio inferior, chegando a sentir gosto de sangue. Ele está sendo
cuidadoso, mas... Caramba! A fisgada dolorosa queima como fogo as minhas
entranhas.
Nikky fica imóvel por alguns minutos, percebendo o meu desconforto,
e toma meus lábios carinhosamente enquanto sussurra palavras ternas. Posso
sentir um desejo latente misturado à dor. Alguns minutos depois, sai e volta a
se lançar dentro de mim novamente, de modo gentil, com estocadas leves.
— Caramba! Você tinha que ser tão enorme? — murmurei baixinho de
dor, por mais que ele estivesse sendo cauteloso em suas investidas.
Ele apenas ri, todo cafajeste e convencido.
— Prometo que logo vai se acostumar. Sinto muito pela dor, mas é
inevitável. — Leva uma mão ao meu rosto para enxugar uma lágrima que, até
então, eu não tinha percebido que descia pela minha face.
Nikky volta a aquecer meu corpo com suas carícias abrasadoras,
tocando em meu ponto íntimo e me fazendo estremecer. Depois entra com
maior facilidade em meu interior. Sinto-me cheia com seu pau pulsante a me
preencher. Sendo um homem conhecedor dos mistérios do coração feminino,
inicia manejos ardentes sobre meu corpo, que reacende na fornalha intensa da
paixão. Suas mãos e boca estão por todos os lugares. Ele suga os meus
mamilos, levando-me ao extremo prazer. A dor já foi deixada para trás, e
agora só existe sua presença máscula a me inundar em todos os sentidos. Os
seus golpes são implacáveis e energéticos, apesar do seu jeito cuidadoso.
— Porra! Que gostosa! Eu sabia que seria minha perdição, korítsi. —
sussurrou, aprofundando mais o seu pau em meu canal.
Embora esteja dolorida, as fagulhas de prazer se espalham pelo meu
organismo violentamente. Ele me fala várias indecências em grego ao meu
ouvido enquanto afaga com leveza o meu pescoço usando a ponta do nariz e
seus lábios habilidosos. Sinto meu corpo trepidar com suas palavras quentes.
— Oh, Deus! Por favor... Nikky! Acho que não vou suportar. —
confessei sensualmente, experimentando uma onda de gozo crescente
transpassar pela minha pele. As vibrações se concentram ferozmente em meu
baixo ventre.
— Se ainda está conseguindo raciocinar, é por que não obteve o
suficiente nesta noite. Eu lhe darei tudo, angelos. — murmurou firmemente.
Seus músculos faciais estão contraídos pelo tesão, comprovando que
ele está sendo atingido pelas mesmas sensações incríveis que me assolam.
— Cacete! É muito apertada.
Minhas unhas se fincam em suas costas musculosas enquanto ele abafa
os meus gemidos eróticos com seus lábios urgentes e repletos de luxúria.
Sucessivamente, suas mãos habilidosas tocam em meu corpo como se
estivessem o reverenciando. Cada estimulação tátil nas minhas zonas
erógenas me leva a um lugar proibido de prazer. São fortes demais os efeitos
da sua posse, e o seu pau toca em terminações nervosas de maneira que o
sinto mais volumoso em torno dos meus músculos íntimos, que o retêm com
uma ânsia única e inquestionável.
Nikky, percebendo meu estado febril de paixão, estimula meu ponto
dolorido. É o meu fim. Meu corpo convulsiona assustadoramente em volta da
sua haste dura, sentindo a explosão do meu ápice. Em seguida, ouço um urro
selvagem escapar da sua boca quando um jato quente e poderoso preenche
meu útero.
Sorrio, lânguida e satisfeita, constatando que ambos estamos sendo
engolfados pelo mesmo apogeu.
Depois da culminância de prazer, ele abandona o meu corpo e eu me
sinto destituída de algo raro e precioso.
Caramba! Que pensamento absurdo!
Não tenho tempo de raciocinar com clareza esses pontos, porque Nikky
já me aconchega em seus braços quentes, avivando em mim uma nova
excitação. Meu corpo estremece.
— Obrigada por fazer esta noite ser inesquecível! — Bocejo com a
cabeça recostada em seu peito, podendo sentir seu coração bater em um ritmo
regular após a breve tormenta que houve.
Sorrio satisfeita, não querendo pensar nas consequências que o ocorrido
de hoje trará. Apenas, pela primeira vez, sinto-me livre e dona de mim. E
com um sorriso no rosto, embalada pelos seus braços protetores, adormeço.
CAPÍTULO 21
NIKKY ANDREON

Caralho! Angel acabou de me agradecer pela noite de prazer? Não irei


intitular essa ocasião como somente sexo ou uma foda casual, porque, de
fato, sinto que não foi. De alguma maneira, isso irá mudar nossas vidas.
Sorrio com essa determinação, fitando o seu rosto de angelos, que está sobre
meu peito. Seu corpo está lânguido pelo recente deleite compartilhado e
posso comprovar os rastros de regozijo adornarem seu rosto lindo.
Experimento um sentimento forte de posse e orgulho se apoderar de mim e
afago suas madeixas loiras, que estão esparramadas pelas suas costas esbeltas
e sobre o meu tórax. Seus fios são macios e parecem ser tecidos de puro ouro.
Um cheiro suave de morangos se desprende deles e somente agora percebo
que ela já adormeceu.
Um sorriso de satisfação contorna meus lábios. Mou mikró krínos me
pertence, e agora não tem volta. Respiro fundo e sinto o aroma das nossas
essências misturadas ao de sexo, que nunca foi tão delicioso e estimulante.
De imediato, seus efeitos começam a percorrer minha pele e se concentrar
inescrupulosamente no meu pau. Porra! Eu me sinto insaciável perto dela,
mas não posso simplesmente me lançar sobre seu corpo e a reivindicar
novamente, como uma besta faminta. Ela deve estar toda dolorida. Tenho
consciência de que, apesar de ter sido cuidadoso, tenho um “instrumento”
avantajado.
Abandono a cama e sigo em direção ao quarto, onde fica o banheiro.
Necessito de um banho para arrefecer o meu ardor. A tempestade lá fora está
amena agora. Pego uma calça de moletom, que estava no guarda-roupa.
Sempre deixo algumas peças de roupas aqui, na cabana. Essa provisão nesse
instante foi bem-vinda. Depois sigo para o banheiro com uma toalha em volta
dos quadris, carregando a luminária de emergência que tive que trazer quando
notei a falta de energia. Deve ter sido algum problema no gerador por
consequência da tempestade.
A água está fria, exatamente como necessito dela agora. Em meu pau
possui alguns vestígios de sangue, em comprovação de que estourei sua
pequena e deliciosa cereja. Um fato que me deixa ensandecido. Nunca
imaginei que fosse um homem antiquado e jamais me importei em ser o
primeiro de uma mulher, porém um lado primitivo que desconheço, almejou
marcá-la como exclusivamente minha. E eu a marquei irrevogavelmente.
Sorrio ao me recordar de que despejei meu prazer dentro dela. Um ato
impensado? Pode ser. Mas nesse instante de luxúria a minha mente estava tão
absorvida pela excitação do momento, que seria algo normal de ser
esquecido. Todavia, durante milésimos de segundos, tive um breve lapso de
lucidez e podia ter optado por me derramar fora do seu corpo.
Ela me deixa completamente louco. Em nenhuma vez, desde que iniciei
minha vida sexual, gozei dentro de uma mulher. Em breves segundos de
clareza, podia ter evitado, porém, no último instante, decidi unir o útil ao
agradável. Ela já pode estar carregando o meu herdeiro e, conscientemente ou
não, eu a escolhi para ser a futura mãe do meu bebê. Dessa maneira, em breve
terei uma gynaíka (esposa) e a futura descendência dos Andreon garantida.
Desligo o chuveiro, seco meu corpo com a toalha, visto a calça e me
dirijo à sala, recomposto e com o tesão sob controle depois do banho gelado.
Avisto uma garrafa de conhaque sobre o balcão da cozinha, sirvo-me uma
dose generosa da bebida e me sento em uma poltrona próxima à lareira.
Como seu fogo está quase se apagando, reativo as chamas enquanto degusto
o álcool, que aquece o meu corpo.
Desvio o olhar das labaredas e foco em meu angelos, que parece estar
em um sono pacifico. Suas feições são perfeitas. Minha beleza exótica! Pego-
me sorrindo, crendo que minha giagiá aprovará a minha escolha. Que mulher
seria mais adequada do que meu Angel? Ela demonstrou ser tão ardente
quanto eu na cama. Eu a desejo intensamente e não estou disposto a abrir
mão dela. Talvez nunca estarei. Meu lado primitivo ruge internamente.
Percebo-a se remexer sobre o estofado de um lado a outro,
abruptamente. Seus olhos se abrem de repente e me buscam pelo ambiente
até focarem em mim.
— Nikky! — disse suavemente, com a respiração um pouco agitada.
— Eu estou aqui, Angel. — Encaro-a com um sorriso cheio de deleite.
— Oh! Eu pensei que fosse um sonho e que você não estivesse aqui
comigo, quando notei a cama vazia. — falou quase choramingando.
— Calma, mikró! Eu só estava conferindo o fogo da lareira. Não
podemos deixá-lo apagar. Não é mesmo? — pronunciei as palavras de forma
provocante, deixando perceptível o duplo sentido na minha entoação.
Ela treme sob os lençóis. Frio?
— Nikky, retorne para cá! Está frio sem você aqui. — pediu de um
jeito sensual.
Com isso, sinto o sangue quente do tesão acelerar em minhas veias, e o
meu pau volta a enrijecer descomedidamente. Porra! Não conseguirei me
aproximar dela sem tocá-la de novo. Angel tem conhecimento dos riscos? A
fera da luxúria tenta ganhar força e somente almeja se lançar sobre ela como
um animal selvagem que está pronto para domar o desejo inocente que posso
ver refletido em seu olhar. Unicamente anseio corrompê-la na minha sede de
luxúria. Seu corpo quente está implorando para que eu a tome outra vez e o
seu ardor está explícito em cada linha corporal sua. Posso sentir que está
manhosa e louca para me dar a boceta outra vez. Nenhum homem resistiria ao
tesão visceral e cristalino estampado em suas írises azuis. E sou apenas um
homem mortal. Não sou nenhum santo, muito menos um eunuco que fez
votos de castidade. Castidade? Meu pau não sabe o significado dessa palavra.
Em um átimo de segundo, levanto-me da poltrona e encaro sua silhueta
feminina e sensual esparramada pela cama. Ela está coberta somente por um
lençol, uma peça frágil para a salvar da minha luxúria. A essência sensual e
exótica que emana da sua pele morna arrebata os meus sentidos de uma
forma avassaladora.
— Tem certeza, mikró krínos? Eu não conseguirei, simplesmente, ficar
ao seu lado sem reivindicá-la. Deve estar sensível. — questionei-a em um
breve momento de lucidez.
Ela cora quando ouve minha intenção libidinosa e desvia seu olhar
ardente para a frente da minha calça, constatando quão excitado estou. Sem
hesitar, passa a ponta da língua entre os lábios voluptuosos.
Instantaneamente, meu subconsciente fantasia diversas cenas quentes com
essa parte deliciosa do seu corpo.
— Sim. Estou um pouco dolorida. — confessou com uma determinação
inquestionável em seu olhar inocente. — Contudo, ainda sinto uma centelha
de deleite percorrer meu organismo. — Morde o lábio inferior deliciosamente
e, em seguida, faz um gesto incontestável de sedução feminina que seria
imperceptível para um moleque inexperiente, mas que não passa
despercebido por um homem como eu.
Sinto as chamas do desejo me incendiarem e o sangue selvagem do
tesão se concentrar implacavelmente no meu pau. Quase rujo com a imagem
lasciva diante de mim. Meu doce xanthos angelos está louco para me dar a
boceta. É a realização do meu fetiche secreto. Eu não deveria aproveitar? Seu
cheiro feminino chega aos meus sentidos, embebedando-me na mesma
insensatez da paixão desmedida, e seu corpo quente e aveludado me atrai
com um magnetismo inegável.
Em sequência, estou com ela entre meus braços, saboreando e me
deleitando da sua boca gostosa. Sem pressa, livro-a do lençol, e meus olhos
cobiçosos absorvem cada parte elaborada do seu corpo bem feito; uma
criação divina feita para enlouquecer qualquer homem. Encho as minhas
mãos com a carne suave dos seus seios magníficos, que são minha tentação, e
levo a boca ao seu biquinho rosado, mamando-o com vontade enquanto a
escuto gemer manhosa. Porra! Que gostoso! Meu pau tremula em uma
fisgada ardida, desejoso. Estou doido para meter na sua bocetinha apertada e
encharcada pela excitação.
— Estou muito excitado, angelos. Talvez eu não consiga ser comedido.
Estou louco para te comer com vontade. — sussurrei descaradamente.
Abandono seus seios espetaculares e afago levemente o seu pescoço.
No mesmo momento sinto seu corpo pequeno oscilar.
— Ah! Eu... Eu... — Respira fundo antes de continuar. — Eu também
estou excitada, apesar de dolorida. Eu o desejo novamente. — Sua tez
adquire uma coloração vermelha.
Caralho! Essa mulher vai acabar me matando de tesão. Devo estar
recebendo alguma theía chári (graça divina), já que todas as minhas vontades
estão sendo realizadas em uma única noite. Theós! O que o meu Angel está
fazendo comigo? É inegável que em uma grande parte do dia, ela ocupa
minha mente de maneira libidinosa. E ter a confirmação do seu desejo por
mim, deixa-me aceso e louco de tesão.
— Somente por esta noite, Nikky, faça-me esquecer dos dissabores que
terei que enfrentar! — houve um pouco tristeza em sua voz.
Ela me envolve calorosamente com seus braços delicados. O que não
sabe é que nunca mais estará sozinha. Estou convicto desse fato.
Tomo sua boca saborosa para a minha, sentindo uma excitação
impulsiva e violenta se apoderar do meu ser. Só quero senti-la novamente de
encontro ao meu corpo. Rapidamente, abandono a cama sob seus protestos
impacientes e sorrio maliciosamente ao lhe demonstrar minha intenção. Ela
apenas observa todo o processo com olhos abrasadores. Livro-me das minhas
roupas e retorno aos seus braços suaves. O contato ardente entre nossas peles,
reconhecendo um ao outro, é irresistível, e a doçura aveludada dos seus
lábios rosados me levam à mais terna das loucuras. É difícil reprimir as
vibrações impiedosas das carícias ardentes que se seguem.
Quando invisto meu membro potente em seu canal estreito, ouço o seu
leve protesto.
— Acostume-se, minha beleza exótica! Meu lindo xanthos angelos
(anjo loiro)! Esta bocetinha foi feita com perfeição para o meu pau insaciável.
— Tomo seus lábios com uma urgência premeditada, tentando me controlar e
ser cuidadoso.
Quero saboreá-la lentamente, por mais que as reclamações do meu
membro sejam sofríveis. Ele quer se lançar impetuosamente dentro dela.
Porém, para a minha surpresa, Angel me responde com uma sensualidade
nata que me instiga a tomá-la de forma mais profunda. Arqueia-se, vindo ao
encontro das minhas investidas.
Estou prestes a romper em um êxtase avassalador e já posso sentir que
minha doce menina já está à beira do precipício também. Eu levo um polegar
ao seu nervo dolorido e melado pela excitação e ela enrosca as pernas em
meus quadris, buscando um atrito maior entre nós. Aumento o ritmo das
estocadas e já a sinto explodir e se contrair em volta do meu pau. Caralho! A
sensação é superior a qualquer coisa que já senti. A mulher é tão quente e
molhada que quase me derramo enquanto ela goza. No entanto, tardo o
máximo que consigo o prazer, estimulando-a ainda e a fazendo se contorcer
em um deleite frenético, até que não suporto a pressão em minhas bolas e a
contração do meu pau impetuoso. Por fim, sou envolvido por uma satisfação
inigualável ao explodir meu êxtase no seu interior feminino e apertado.
Que delícia! — pensei com um sorriso satisfeito antes de ter meus
sentidos apagados momentaneamente pelo regozijo gigantesco.

Quando acordo de manhã, percebo que o outro lado da cama está vazio.
Um rastro de luz solar entra pelos vidros entreabertos da janela e posso
constatar que o sol está reinando lá fora. O amontoado do lençol está
formando uma barraca entre minhas pernas, já que meu pau está duro pela
ereção matinal e pelos meus sonhos eróticos com meu doce angelos. Eu a
tomei duas vezes na noite passada. Como ela era virgem, foi compreensível
que estivesse sensível e dolorida.
Um sorriso fogoso estampa meus lábios assim que relembro os nossos
momentos ardorosos e o prazer sublime compartilhado entre nós. Meu
subconsciente grita “MINHA”, só que meu sorriso se desfaz com a
compreensão de que ela não está na cama. Preferia tê-la encontrado
aconchegada em meus braços. Quem sabe, assim, eu poderia seduzi-la
novamente. Cacete! Já posso sentir seu gosto em minha língua. Estou louco
para a chupar.
A fisgada ardida em meu pau me faz entender que não realizarei essa
fantasia. Onde ela deve estar? Busco-a com o olhar ao redor do cômodo e não
encontro nenhum vestígio seu. Se eu não estivesse com o seu cheiro grudado
em minha pele, suporia que tudo teria sido somente um sonho, uma fantasia
indecente da minha cabeça.
Pulo da cama e sigo para o quarto, em direção ao banheiro. Necessito
de um banho gelado. De modo prático, faço minhas higienes e alivio o meu
pau da agonia do tesão não satisfeito. Depois visto uma calça, uma camisa
despojada e vou até o jardim. O sol predomina na ilha e não há mais
nenhuma nuvem carregada para lembrar o vasto temporal de ontem. A manhã
está agradável e posso ouvir o som prazenteiro dos pássaros vindo das
árvores próximas.
Entretanto, uma angústia insensata nubla meus sentidos assim que me
dou conta de que não há nenhum rastro da minha doce Angel aqui. Busco por
ela como um louco pelo jardim e não consigo encontrá-la. Theós! Onde está
agora? Começo a ficar preocupado. Meu lindo krínos partiu outra vez?
Depois da noite tórrida de paixão que tivemos? Não pode ter me usado para
tirar sua virgindade e, depois de ter conseguido o seu propósito,
simplesmente ter sumido na neblina fria do alvorecer.
Porra! Nunca uma mulher tinha fugido de mim na manhã seguinte.
Aliás, jamais existiram “manhãs seguintes”. Eu sempre as deixava primeiro
após saciar nossos desejos.
Estou com meus pensamentos tumultuados, quando, finalmente, avisto-
a próxima à escadaria. Meu coração volta a bater em um ritmo normal. Por
um instante supus que tivesse deixado a ilha.
— Theós! Eu pensei que tinha acontecido algo. Não te encontrava em
lugar algum. — Vou ao seu encontro e a envolvo em meus braços, beijando
seus cabelos.
Nunca mais a deixarei ir. É tão bom sentir seu corpo perfeito em meus
braços mais uma vez.
Ela ri baixinho, aconchegando-se em meu peito. Perfeição da porra!
— Na verdade, fui explorar os arredores da ilha. É um lugar magnífico.
Aliás, conheci os moradores daqui. O filho do casal consertou o gerador. —
Aponta para o compartimento onde fica o equipamento. — A senhora
Artemides é muito simpática. — Está evitando falar sobre a nossa noite
tórrida. Por essa razão está falando de vários assuntos triviais com
aleatoriedade. — A propósito, eu não teria ir embora. Creio que você terá
que me dar uma carona. — Divertidamente, lança-me um sorriso irresistível e
sedutor que me deixa animado.
Já posso sentir meu pau dar uma leve guinada como resposta. Se eu não
parar meus pensamentos lascivos depressa, em poucos minutos estarei com
uma bela armação entre as pernas. Porra! Basta meu doce angelos se
aproximar de mim, e já me sinto arder, latejar, faminto. Estou parecendo um
maldito pivete que não pode controlar os hormônios ao vislumbrar uma
mulher gostosa.
Ela se distancia do meu abraço e sua atitude me deixa confuso.
— Angel, sobre ontem à noite... — tentei iniciar um diálogo, porém fui
interrompido.
— Nikky, não se preocupe! Eu sei o que houve entre nós. E não haverá
exigências. — Percebi distanciamento em sua voz. Ou, pelo menos, é o que
ela tentou demonstrar.
Caralho! Ao que ela está se referindo? Sabe o que houve entre nós? O
sexo mais quente e explosivo que fiz na minha vida.
— Do que está falando? — Quero ouvir sua versão dos seus próprios
lábios.
— Você sabe. Fizemos sexo. — Fica constrangida enquanto dá de
ombros. — Não se preocupe! Não confundirei com algo a mais. Foi somente
sexo descompromissado com o meu chefe em uma cabana, em uma noite
chuvosa. — sussurrou baixinho e sem muita convicção.
O que ela está falando, caralho?! Que não me deseja mais? Que apenas
me usou com o intuito de perder a porra da virgindade? — pensei ofendido.
Uma ova que vai me descartar como um objeto velho e sem valor!
Estou indignado com suas palavras. No entanto, também percebo que sua
pronúncia se tratou de uma defesa. Sua linguagem corporal está rígida e ela
demonstra, inconscientemente, que não está confortável com o assunto.
Encaro suas feições intensamente e reparo que seus traços se encontram
vulneráveis. Nem mesmo ela acredita em seu argumento.
Theós! O que farei com minha korítsi?
CAPÍTULO 22
ANGEL HARLEY

Somente por imaginar seus olhos azuis ardentes de ontem me


devorando, sinto-me quente, como se tivesse uma fornalha em meu baixo
ventre. Agora, pela manhã, acordei em seus braços quentinhos e irresistíveis,
tão protegida em seu calor masculino. Minha vontade é de acordá-lo com
beijos e reacender o fogo da paixão que compartilhamos na noite passada.
Estou prestes a fazer exatamente isso, querendo sentir sua parede de
músculos impressionantes sob o meu tato, percorrer as saliências do seu tórax
definido com minha língua e descobrir outros prazeres voluptuosos. O lençol
está cobrindo sua masculinidade e, pelo amontoado, sei que o safado está
tendo sonhos maliciosos. Quero descobri-lo e admirar sua perfeição. Como
seria sua textura e seu gosto em minha boca? Estremeço com a imagem
lasciva em minha mente. Oh, céus! Nikky Andreon está drenando a minha
sanidade. Até ontem eu era uma virgem sem consciência alguma da própria
sensualidade, e hoje estou fantasiando como seria ter seu pau entre os meus
lábios?
Ainda sinto sua posse em meu corpo, por estar extremamente dolorida.
Mesmo assim, continuo ansiando pelas suas carícias na minha pele.
Deus amado! Em um breve momento de lucidez, salto da cama e vou
tomar um banho gelado, já que o gerador não está funcionando. Tal
temperatura me faz readquirir o raciocínio. Coloco um vestido florido e saio
da cabana sem despertá-lo, percebendo que o despontar do sol traz um lindo
dia, com um esplendor inigualável a enfeitar a natureza. Deus é um criador
generoso. Respiro ar puro e me sinto feliz, cheia de tranquilidade, com o
clima pitoresco e sossegado da ilha, longe de toda a maldade de Henrique e
Eaton.
Estou contemplando as ornamentações do jardim, quando avisto um
jovem sair do compartimento onde fica o gerador. Quando ele me vê, estagna
como uma estátua no lugar e cora como um tomate.
— Bom dia, moça! Eu não sabia que o patrão estava acompanhado.
Sou Dionísio, filho do caseiro que cuida da cabana para o senhor Andreon.
Antes do alvorecer percebi o iate dele no pequeno porto e vim consertar o
gerador, já que imaginei que podia ter danificado por conta do temporal.
Ficamos sem energia eventualmente, mas agora já foi resolvido o problema.
— Mantém um sorriso simpático.
Oh! Pelos céus! Tenho certeza que o jovem rapaz está pensando que
sou uma amante do patrão. Agora é a minha vez de enrubescer.
— Bom dia, Dionísio. Pode me chamar de Angel. — falei
simplesmente, sem aprofundar minha ligação com Nikky.
E o que diria realmente? Que sou apenas uma empregada, mas que
ontem decidi esquentar a cama do patrão? Preciso ter discernimento dos meus
sentimentos. É óbvio que posso perceber luxúria, fogo e paixão nos olhos
azuis dele. Porém, onde isso nos levará? A algumas noites intensas e picantes
em sua cama e, depois, a um coração partido junto à minha carta de
demissão? É claro que sei que usei a expressão “fazer amor”, mas é porque
tenho uma alma romântica. Só que, de fato, entendo que não passei de um
divertimento, de uma foda casual na longa lista de mulherengo incorrigível
de Nikky Andreon. Em breve ele estará casado com alguma mulher da alta
elite grega, e eu estarei bem longe daqui.
Retorno minha atenção para Dionísio falando algo que não
compreendo.
— O que disse? — perguntei sem graça.
Ele sorri sem jeito.
— Eu disse que minha mãe ficará feliz de conhecê-la. O patrão sempre
vem sozinho para cá. — De algum modo, sua afirmação me causou alívio,
por saber que Nikky nunca trouxe outra mulher para a cabana. — Venha! Irei
levá-la para conhecer a dona Artemides. Ela faz cada guloseima de dar água
na boca. Depois poderá explorar a beleza natural que a ilha oferece. —
anunciou com um entusiasmo inquestionável.
Fica até difícil recusar sua oferta. Creio que Nikky não despertará agora
e preciso espairecer a mente.
Quando chegamos a uma pequena cabana, a jovem senhora, que tem
por volta de uns 45 anos, recebe-me de braços abertos e me convida a tomar
um delicioso chá de hortelã com uma torta de maçã que emana um aroma
irresistível de dar água na boca. Fico conversando com ela por alguns
minutos enquanto seu filho sai para ajudar o pai em outra tarefa.
Em determinado momento percebo que o sol já está alto no céu e me
despeço dela com um sorriso meigo, agradecendo-lhe pela hospitalidade.
Aproveito a caminhada de retorno para acalmar meus pensamentos e absorver
a calmaria e o belo panorama natural à minha volta.
Assim que chego ao topo da escadaria, observo ao redor e avisto a
figura viril no jardim. Seus cabelos estão bagunçados, talvez agitados pelo
vento, e ele está com outras roupas. Provavelmente, mantém algumas
vestimentas aqui. Está de costas para mim, com os músculos definidos
destacados pela camiseta. Instantaneamente, sou acometida por imagens
quentes das minhas unhas se fincando em sua carne enquanto ele investia
fundo dentro de mim. Sinto minha intimidade umedecer e um gemido
involuntário abandonar meus lábios.
Céus! Nikky Andreon é uma ameaça para os meus sentidos. Está tão
irresistível, que fica difícil manter os pensamentos coerentes.
Ele permanece de costas para mim e eu estou perto de sua presença
dominante, analisando-o meticulosamente. Que belo traseiro é este? Mordo o
lábio inferior, apreciando-o sem moderação. Que injustiça da mãe natureza.
Enquanto nós, mulheres, temos que nos matar em alguma academia para ter
um desse. Esse homem é a encarnação da perfeição masculina. Não é à toa
que o seu ego é gigantesco.
Eu estava tão distraída, contemplando sua beleza máscula, que somente
agora notei o seu corpo tenso, como se estivesse inquieto com algo. Quando
se vira e me avista finalmente, solta um suspiro de alívio. Em passos largos,
caminha em minha direção.
— Theós! Eu pensei que tinha acontecido algo. Não te encontrava em
lugar algum. — sua fala, apesar de firme, demonstrou apreensão.
Fico inerte com seu abraço. É como se temesse que eu evaporasse de
repente. Sei que deve ser alguma insensatez da minha mente, porém estar em
seus braços quentes e protetores me causa uma sensação inexplicável. Ele
deposita um beijo em meus cabelos de forma carinhosa? Paizinho amado! Só
posso estar imaginando coisas. Mas é tão perfeito estar em seu aperto e sentir
seu cheiro. É algo único. Sorrio como uma boba.
— Na verdade, fui explorar os arredores da ilha. É um lugar magnífico.
Aliás, conheci os moradores daqui. O filho do casal consertou o gerador. —
falei, tentando não me recordar da nossa noite de paixão ardente. — A
senhora Artemides é muito simpática. — A propósito, não teria como eu ir
embora. Creio que você terá que me dar uma carona. — falei de um jeito
divertido.
Eu o encaro com um sorriso singelo, querendo que ele compreenda que
não crio nenhum tipo de expectativas em relação à noite passada. Foi
somente um encontro apaixonado entre um homem e uma mulher que se
desejavam e que, na manhã seguinte, teriam que se despedir e cada um seguir
seu caminho. Tenho que blindar meu coração e me manter afastada, mesmo
que sinta, de modo latente, que o que aconteceu mudou minha vida para
sempre. As batidas do seu coração são fortes sob o meu rosto, que está
recostado em seu peito. Anseio tanto que bata louco e descompassado por
mim.
Com esse pensamento, dou um sobressalto e me afasto do seu abraço.
— Angel, sobre ontem à noite... — tentou iniciar o diálogo que eu
estava pretendendo evitar.
Oh, Deus! Não quero que ele pense que vou tentar tirar alguma
vantagem do que aconteceu ou até mesmo que confirme que foi somente
sexo. Então, sem demora, intervenho.
— Nikky, não se preocupe! Eu sei o que houve entre nós, e não haverá
exigências. — tentei demonstrar que não me importo, apesar de sentir meu
coração apertado e amargurado com essa conversa.
Nosso momento foi único e sempre o guardarei em um lugar especial
em meu coração, mesmo que, em breve, eu esteja muito distante do sabor
picante da paixão que vivenciei nos braços de um grego quente e devasso.
— Do que está falando? — Sua expressão é caótica.
Agora é minha vez de não compreender sua reação. Afinal, todos os
homens são avessos a compromissos e relacionamentos. Certo? Não entendo
a razão pela qual o meu patrão está agindo como se estivesse zangado com
minha colocação.
— Você sabe. Fizemos sexo. — Dou de ombros, referindo-se a esse
fato como algo trivial. — Não se preocupe! Não confundirei com algo a mais.
Foi somente sexo descompromissado com meu chefe em uma cabana, em
uma noite chuvosa. — Esforcei-me para parece firme, mas temo ter falhado
miseravelmente.
Tento fingir que já me esqueci da nossa terna lembrança, mas sei que
meu coração sempre a guardará.
Encaro o seu rosto de ângulos perfeitos e noto que sua barba está
despontando sob a pele macia. Meus dedos formigam na ânsia de querer
contornar cada relevo marcante e atrativo seu para guardar na memória. Creio
que além do gerador, a tempestade afetou o meu raciocínio.
Nikky se aproxima de mim novamente e eu sinto minhas defesas
desmoronarem. Desvio o rosto de sua direção, não querendo transmitir
nenhuma emoção boba. Todavia, ele toca em meu queixo, fazendo com que
eu o olhe mais uma vez. Todo o meu organismo entra em estado de euforia
com sua aproximação.
— Não, meu mikró krínos. Não foi apenas sexo ontem à noite, naquela
cabana. — Aponta para o local. — Vivemos mais do que isso lá dentro
enquanto você gemia alucinada, recebendo o meu pau.
Filho da mãe! Ele não conhece a palavra pudor? Seu sorrisinho
pretensioso só me deixa mais enfurecida. É claro que tem conhecimento das
suas habilidades de amante irresistível. Sem demora, agarra com posse a
minha cintura, fazendo com que as centelhas do desejo se reacendam em
mim. Porém, contenho-me. Não devo albergar nenhum tipo de sentimento
pelo meu chefe devasso.
— Não quero você perto do Dionísio. Ele é um rapaz solteiro. — falou
entre dentes.
Está com ciúme?
Após fomentar tal pensamento insensato em meu subconsciente, afasto-
o. É óbvio que não. Seria impensável.
— E, qual seria o impedimento? Eu também sou uma mulher solteira.
— provoquei-o.
Ele me observa com uma expressão cerrada e nada satisfeita. Posso
detectar um pequeno lampejo de raiva perpassar pelo seu olhar impetuoso.
— Não faça isso, mikró krínos! Ontem decidiu a quem pertence. Não
tolerarei que nenhum outro se aproxime de você além do limite. Agora,
precisamos conversar. Quero saber absolutamente tudo, e não me esconderá
nada. Compreendeu, angelos? — Fita-me intensamente. Seus olhos azuis
parecem querer absorver os mistérios da minha alma. — Quero saber a sua
ligação com o homem do escritório. E, quem é Angelique Miller?
Estremeço. Putz! Caramba! Todo o meu passado está vindo à tona. Sem
outra alternativa, apenas assinto com a cabeça. Pude perceber determinação
em seu semblante.
Depois de nos acomodarmos em uma mesa, no alpendre da cabana,
degustamos o café da manhã. Essa é a minha condição para que eu possa
iniciar, só depois, a nossa conversa tensa. Quero espairecer a mente antes de
revelar todo o meu pesar.
É inevitável que lágrimas não cheguem aos meus olhos quando começo
a relatar toda a amargura e atrocidades que sofri nos últimos anos por conta
da ambição de Henrique, além da perda irreparável dos meus pais. O que me
corrói até os dias de hoje.
— Essa é a minha história. — falei, choramingando baixinho ainda.
Não desejo ganhar sua simpatia ou pena, contudo é impossível conter a
miríade de sentimentos dolorosos a me inundar neste instante.
— Por isso que, quando vi Henrique no seu escritório, tive aquela
reação.
— É compreensível, korítsi. — Entrega-me um guardanapo. Sua
expressão é insondável.
Agradeço o seu gesto e termino de enxugar os últimos vestígios de
lágrimas do rosto.
— Ele veio me procurar somente porque tem interesse em adquirir
alguns terrenos em Mykonos para construir um novo resort ou algo similar.
Apenas assinto com a cabeça.
— Compreendo. Por esse motivo fugi. — confirmei o óbvio. — Tenho
que ir embora novamente. Preciso sair da Grécia. — ressaltei o que é
evidente, sentindo uma amargura no coração.
— Angel, não pode fugir para sempre dessa situação. Tem que pensar
com o discernimento, não com os sentimentos momentâneos.
Eu o olho sem compreendê-lo. Que outra solução eu teria? Sinto-me
em um poço profundo de angústia e desespero.
— Todo o meu esforço não valeu a pena. Eu fracassei. — afirmei com
dissabor.
— Nunca mais diga isso, mikró krínos! As atrocidades pela qual passou
foram um golpe brutal, e você era somente uma adolescente que devia ter
recebido apoio incondicional da família que lhe restou. Mas, infelizmente, foi
tragada por ela. É uma mulher forte. Você não se rendeu às maldades e
imposições do seu tio. — disse tais palavras com firmeza. Elas são como um
balsamo sobre minha ferida.
— Obrigada, Nikky! É por essa razão que preciso deixar a ilha. Não
tenho condições de confrontar Henrique e não posso deixá-lo me usar para o
seu propósito de ambição. — insisti com um ânimo renovado. A única luz
que vejo no fim do túnel é fugir outra vez.
— Não pode ir embora. Não permitirei. — comunicou com
determinação.
— Tenho que ir antes que Henrique tente se apossar da minha alma. —
Um soluço involuntário de angústia escapa pelos meus lábios.
— Você não está sozinha, mikró angelos, e aquele homem nunca mais
vai te machucar. — sua voz saiu implacável. — Posso ajudá-la.
— Não! — neguei angustiada. — Não posso colocá-lo em um
problema que é somente meu.
— Não seja tola! Eu não a deixarei sozinha. — disse, dando-me uma
reprimenda, antes de abrir um sorriso sedutor. — Eu tenho a solução perfeita.
Vejamos! Eu preciso de uma gynaíka e você de um protetor para enfrentar o
seu tio. Estou disposto a isso. Falou que há uma cláusula no testamento que
menciona algo sobre o seu marido assumir a direção dos resorts? Mesmo que
já tenha completado os 21 anos, não se preocupe! Vou te apoiar e te proteger.
Pode fazer algum curso de Administração ou em qualquer outra área que
sinta vontade. E depois, se assim desejar, poderá assumir aos poucos a
direção dos empreendimentos deixados pelos seus pais. O que me diz?
Estou completamente em choque, sem acreditar na proposta que acabei
de receber do meu chefe. Acho que compreendi errado a sua colocação. Ele
não pode estar falando sério. Falou de casamento como se fosse algo trivial,
sem importância alguma.
Foco em seus traços belos para ver se existe algum indício de
divertimento, no entanto só encontro um vinco entre suas sobrancelhas bem
feitas. Seu queixo está travado e o seu semblante bastante apreensivo. Apesar
de tentar não demonstrar nada legível, é perceptível que aguarda com
impaciência a minha resposta. Oh, céus! Por algum motivo, por milésimos de
segundo, sinto uma satisfação me cobrir. Mas na mesma hora me repreendo
por ter cogitado, por um único instante, aceitar sua proposta.
— Não pode estar falando sério. — Não acredito realmente que Nikky
Andreon está disposto a renunciar sua vida de libertinagem para se casar
comigo.
Reconsidero suas últimas colocações e constato que ele não sugeriu
nada sobre abandonar seu antigo estilo de vida. O que está propondo é um
acordo frio e sem sentimentos tolos envolvidos. Mas, com que intenção?
Estou curiosa com sua sugestão.
— E, por que necessita de uma esposa?
Ele ergue um pouco a cabeça e puxa uma longa lufada de ar, parecendo
considerar algo antes de se pronunciar. Em seguida, encara-me com os olhos
semicerrados.
— Como todo grego tradicional, chegou o momento de eu assumir essa
responsabilidade e dar esse passo. — respondeu secamente, como se falasse
de algo insignificante, porém necessário.
— Está propondo um casamento de conveniência? — questionei já
sabendo a resposta. No nosso meio não é algo incomum.
— Em termos diretos, é exatamente isso, com o bônus de que ambos
estamos fortemente atraídos um pelo outro. — Um sorriso cafajeste ressurge
em suas feições. — Ainda a desejo intensamente, angelos. — Antes que eu
negue, ele complementa sua fala decisivamente, sendo presunçoso. — Não
tente ocultar suas emoções, Angel! Eu sinto de longe o cheiro da sua
excitação. Posso sentir, korítsi. Não reprima seus desejos de mulher! Consigo
farejá-lo a quilômetros. E ele é quente, viciante e age como um potente
afrodisíaco sobre meus sentidos. Não sabe como me sinto privilegiado por ter
escolhido a mim para a tornar mulher... Minha mulher.
Estremeço com suas palavras possessivas enquanto seu olhar azul me
queima em seu fogo de luxúria. A sua colocação crua de macho alpha faz
com que uma centelha de desejos cobiçosos se concentre implacavelmente
em meu baixo ventre. É inegável esse anseio pela sua paixão.
Analiso de maneira criteriosa se suas palavras vieram carregadas de
pesar ou se, unicamente, foram movidas pelo ato de um bom samaritano?
Creio que não. Nikky não parece ser o tipo de cara que se sente culpado por
tirar a virgindade de uma mulher e que, por essa razão, sente-se na obrigação
de reparar o “dano”. Aliás, não estamos em nenhum século passado, onde se
exigia essa “reparação”. Nossa noite foi sublime e eu não podia ter escolhido
um amante mais qualificado e perfeito. Somente ao me recordar das suas
mãos fortes e abrasadoras sobre minha pele, queimo de desejo. Ainda posso
me lembrar do meu corpo estremecendo junto ao seu, firme, enquanto sentia
o seu gozo me invadir, quente e selvagem.
Consecutivamente, com essa lembrança, um frio surreal perpassa pela
minha coluna. Fui inconsequente como uma adolescente estúpida. Putz!
Caramba! Acabei de me atentar que não nos preocupamos com nenhum
método para evitar uma possível gravidez. E eu não uso absolutamente nada.
Nunca precisei de métodos contraceptivos antes. Em sequência, outro frio me
atravessa, instalando-se em meu baixo ventre. Meu coração palpita acelerado
com essa constatação, o ar me falta como se tivesse sido desabitado dos meus
pulmões e eu começo a ter “taquicardia”. Tenho certeza que devo estar tão
branca quanto uma boneca de pano. Se não estivesse sentada, provavelmente
desmaiaria.
— Angel, você está bem? Ficou pálida de repente. — Ouço sua voz de
preocupação.
Levo as mãos às têmporas, massageando-as. Uma fisgada insistente se
faz presente na região.
— Preciso ir em uma farmácia com urgência. Tenho que comprar uma
pílula do dia seguinte. — confidenciei quase sem fôlego.
Espero sua reação de raiva ou algo do tipo ao compreender a magnitude
do que estou falando, porém me surpreendo quando ela não vem.
— Meu Deus! Fomos muito imprudentes; não usamos nenhuma
barreira de prevenção. — enfatizei o que já era bastante óbvio.
Observo sua expressão, que se fecha em uma carranca inacessível.
— Não necessitará ir a uma farmácia. Está tudo sob controle. Não se
preocupe! — foi decisivo e inabalável.
Acho estranha a sua segurança em relação a algo tão importante. Já
fomos muito insensatos por termos feito sexo sem proteção. O que ele quis
dizer com “está tudo sob controle? A não ser que não possa ter filhos. Seria
isso? Um sentimento que desconheço, inunda-me quando me imagino
recebendo um bebê com lindos olhos azuis em meus braços. Assim como
veio o medo de uma provável gravidez, veio um calor materno, que invadiu o
meu organismo. É uma vibração maternal que eu desejava sentir algum dia.
Sendo filha única, é claro que quero ter vários bebês. Contudo, que seja em
uma união estável, com um homem que seja o meu marido e que
compartilhemos do mesmo sentimento de amor verdadeiro. O que está tão
banalizado nos dias atuais. Um fruto de um prazer passageiro compartilhado
em uma noite de tempestade não é bem o que almejo; principalmente nas
condições vulneráveis em que me encontro. Não posso condenar um filho a
essa situação.
— Como não necessito me preocupar? Posso estar grávida. — Estou
insegura e visivelmente abalada. — Não posso ter um bebê nas circunstâncias
em que me encontro, fugindo do meu passado. Não tenho nem mesmo como
me sustentar direito. — Com essa realidade, é inevitável que uma lágrima
solitária não deslize pelo meu rosto.
Nikky se aproxima de mim, ergue-me do estofado e me aconchega
entre seus braços poderosos. O cheiro que emana da sua pele é tão delicioso e
faz eu me sentir como se estivesse flutuando em uma bolha apaixonada. Sei
que esse é um pensamento imaturo e ridículo do qual se eu continuar nutrindo
somente vou me machucar.
Ele beija ternamente o meu rosto.
— Eu disse que não precisa se preocupar. Nós nos casaremos. Essa é a
solução. — afirmou sem ter minha resposta. — Já pode estar carregando o
meu filho. Não permitirei que aquele homem volte a ser uma ameaça para
você, muito menos aceitarei que tome qualquer remédio para impedir o
nascimento do nosso bebê. A escolha já foi feita. — Sua segurança me deixa
irritada.
— Falando assim, até parece que o bebê já existe.
— É uma grande possibilidade. — Apenas dá de ombros.
— Então, devo desconsiderar a possibilidade de que tenha vasectomia
ou que, até mesmo, seja estéril? — questionei, fazendo uma leve piada com a
situação em que me encontro.
Nikky parece ter levado a sério o meu comentário.
— O quê? — perguntou espantado. — De onde tirou essa ideia
ridícula?
— Foi só um pensamento que passou pela minha mente. No primeiro
momento, você disse que tudo estava sob controle, e agora agiu como se eu já
estivesse grávida. Fiquei confusa.
— Como já citei anteriormente, está sob controle porque iremos nos
casar. Não percebe que essa é a única saída?
— Falando desse jeito, até parece que estou o sentenciando a morte. —
proferi contrariada, pois, de fato, não lhe fiz nenhuma exigência.
— Não diga sandices, mikró krínos! Talvez eu deseje esse casamento
muito mais do que imagina. — Toca a ponta do polegar em meus lábios
trêmulos. Minha vontade é de prendê-lo, sorvê-lo e sentir seu sabor.
Repreendo no mesmo instante ao começar a sentir um formigamento
lascivo em minha pélvis.
— Nikky... — sussurrei debilmente, sem forças para o afastar.
— Poderei tê-la em minha cama todas as noites. — sussurrou também,
com a voz devassa e repleta de cunho sexual.
Seus olhos azuis são quentes e indecentes sobre mim, e posso sentir sua
respiração bater em meu rosto enquanto ele acaricia a minha pele. Estou
parecendo uma porção de manteiga derretida em seus braços. O efeito
“Andreon aniquilador de calcinhas” está ativado. Já posso sentir uma poça de
excitação em minha intimidade.
— Eu enfrentei o mar revolto por você e enfrentaria até mesmo um
furacão. No fim, ganhei a grande recompensa. Mas ainda estou aguardando a
confirmação dos seus adoráveis lábios. Aceita ser minha gynaíka? — indagou
de modo tão claro e objetivo, que se tornou impossível rejeitar sua proposta.
Nikky sabe ser persuasivo quando lhe convém. Como eu conseguiria
adquirir forças para lhe negar algo, se no meu íntimo já o anseio tão
premeditadamente desde a primeira vez que nos esbarramos? Embora,
inicialmente, ele tenha agido como um ogro e me despejado uma chuva de
imprecações, repreendendo-me pelo meu ato de descuido.
Com a possibilidade real de uma gravidez, eu seria um alvo fácil para
as maquinações de Henrique. Sem outra alternativa, aceito sua oferta.
CAPÍTULO 23
ANGEL HARLEY

2 dias depois

Está uma noite escura, parecendo que vai chover. Nem a lua ou as
estrelas estão visíveis no céu, pelo que posso averiguar através da janela do
meu novo quarto enquanto me dirijo ao closet. Aliás, esse espaço é tão
grande que mais se assemelha a um apartamento enorme.
Deus! Ainda não acredito que dentro de 4 dias serei a senhora Andreon.
Mordo delicadamente o lábio inferior somente ao imaginar a magnitude dessa
realidade e sinto o peso do lindo anel de um solitário diamante rosa
adornando o meu dedo. Nikky me deu ele nesta manhã, em seu escritório.
Agne ficou radiante quando regressamos à mansão e veio ao meu
encontro, toda maternal, para me dar um abraço terno e me aconchegar em
seu colo. Como foi bom me sentir amada. Depois ela agradeceu muito ao
Nikky por ter me trazido de volta. É uma senhora perspicaz e está sendo
como uma mãe para mim. Não lhe passou despercebido quando eu e o chefe
chegamos de mãos dadas. Ele acabou reunindo os demais funcionários e lhes
comunicando que dentro de alguns dias eu serei sua esposa e dona da casa. A
maioria não demonstrou surpresa, somente nos felicitou pela ocasião. É claro
que no primeiro instante fiquei constrangida, por tudo ainda ser muito novo
para mim. Em um momento eu era somente uma empregada, e no outro a
noiva do patrão?
Quando voltamos, eu ainda estava um pouco insegura em relação à
decisão de me tornar a esposa de um homem tão importante que monopoliza
um grande império de joias. Eu o questionei sobre a duração do nosso
compromisso, no entanto ele foi evasivo em suas respostas e relatou que
durará enquanto nós dois estivermos de acordo, dando a entender que pode
ser de longo prazo ou não. Odeio ficar na incerteza desse relacionamento,
mas o que posso fazer? Não tenho outra alternativa.
Descarto minhas roupas antigas e coloco um roupão rosa em volta do
corpo, contemplando as prateleiras do closet, que estão completamente
abarrotadas de vestimentas e de vários acessórios novos que chegaram hoje
de manhã. Nunca imaginei que teria novamente a vida de luxo que Henrique
me roubou. Entretanto, bens materiais não são relevantes para mim. Não é
por esse motivo que estou prestes a me casar com meu chefe.
Dentro do meu coração já sei que não é porque ele poderá me ajudar
com a questão do meu sagaz titio perverso. — pensei ironicamente.
Apesar do sentimento que tenho por Nikky ser uma incógnita,
consequentemente, a miríade de vibrações que ele desencadeia dentro de mim
é um fator importante para a minha decisão. O que é certo é que uma forte
conexão nos une, nem que seja somente atração sexual, como ele mesmo
citou. Só sei que é algo latente. Isso é inquestionável.
Já faz dois dias que não o sinto. Estou carente, sentindo falta dos seus
braços fortes a me transmitirem calor nas noites frias de Mykonos. É claro
que dos seus toques devassos também. Sorrio manhosa. Porém, essa breve
abstinência se faz necessária. O homem tolda os meus sentidos
completamente, e é essencial manter o bom senso.
Quando vou saindo do closet, levo um tremendo susto ao avistá-lo,
todo imponente e enigmático no meio do quarto. Está tão lindo em uma calça
jeans escura e em uma camisa azul-claro que destaca todos os seus músculos
salientes. Esse grego é uma verdadeira tentação para os meus sentidos. Ele
abre um sorriso cafajeste de derreter, literalmente, qualquer calcinha. O filho
da mãe sabe como deixar uma mulher rendida e molhada. Rapidamente,
vagueio os olhos pelo seu corpo poderoso, deparando-me com a saliência
marcante e poderosa no meio de suas pernas. Coro como uma colegial ao ver
a evidência tão escancarada do seu desejo por mim.
— Mou mikró angelos (Meu pequeno anjo), ainda cora como se fosse
uma virgem inocente. — afirmou de maneira provocadora.
Minha vontade é de pular em seus braços, porém me contenho e mordo
o lábio inferior para reprimir um gemido voluptuoso.
— Estou longe de ser. Um certo grego safado me seduziu em uma noite
chuvosa, em uma cabana.
Ele semicerra os olhos e sorri, safado.
— Uhhh! É mesmo? Eu me recordo de ter sido ao contrário, angelos.
Creio que foi uma mágissa (feiticeira) de longos cabelos loiros que seduziu o
grego. — o libertino revidou com a voz baixa, piscando um olho para mim.
Meu corpo se envolve na volúpia dos seus olhos tempestuosos de mar
caótico.
— De fato, creio que esteja certo. — falei baixinho. — Então... O que o
meu noivo faz aqui, no meu quarto?
Ele vem ao meu encontro e me enlaça em um abraço sensual.
— Necessito mais da sua sedução, minha mágissa. — Distribui beijos
ardorosos pelo meu pescoço. — O seu encanto é como um doce veneno em
meu organismo. — sussurrou sensualmente, esmagando os meus seios contra
a parede rígida do seu tórax poderoso.
Meu coração dispara dentro do peito de modo exasperado enquanto ele
toma meus lábios com uma lentidão selvagem que me enlouquece, fazendo
com que meu corpo todo agite em sua paixão.
Tento readquirir discernimento. Não podemos fazer sexo antes de nos
casarmos. Essa decisão antiquada foi uma das minhas exigências, por mais
que eu esteja sofrendo com isso. Afasto os nossos lábios lentamente e
empurro o seu tórax firme antes que o pouco raciocínio que ainda possuo,
esvaia-se.
— Nikky! — Minha pronúncia devia ter soado como um protesto,
contudo saiu mais como um rosnado sensual de desejo.
— Agora é somente minha. — comunicou com uma segurança
inabalável. — Eu nunca tinha feito sexo com uma virgem. — confessou. —
Mas creio que fiquei como um viciado. Quero comer sua boceta lentamente;
não só com o meu pau, mas com minha boca também. — Meu rosto deve
estar como um incêndio agora: vermelho e muito quente. Nikky é um sem-
vergonha. — Não precisa ficar constrangida. Terá que se acostumar ao meu
linguajar cru e indecente, í mikrí mou nýfi (minha pequena noiva). E quando
for minha finalmente e estiver carregando o meu anel em seu dedo, eu a terei
incessantemente em minha cama. — Sorri de um jeito pervertido e
convencido.
Sua objetividade exagerada deveria me irritar, porém apenas me faz
derreter no seu calor sensual. Droga! O homem tem que ser tão lindo, como
um dos deus gregos contados na mitologia?
— Ca... Cama? — balbuciei desconsertada. Parece que o ínfimo
raciocínio que me restava, evaporou-se.
Tenho vontade de morder a língua. Estou parecendo mais uma
garotinha débil.
— Sim. É melhor que vá se acostumando. E não a terei somente na
minha cama, como também na minha hidromassagem, na piscina, no meu
iate... — começou a enumerar as opções.
Eu fico rubra ao imaginar as cenas lascivas e uma umidade já
conhecida se forma em meu núcleo quente, que já está ansiando para o
receber. Entretanto, uma faísca de racionalidade surge em meu subconsciente.
Antes que eu seja tragada pelo desejo, advirto-o:
— Pare com isso, Nikky!
Ele apenas me contempla com um brilho malicioso em seu olhar
indecente.
— Eu amo quando você pronuncia o meu nome entre estes lábios
voluptuosos e deliciosos. É sexy para cacete e só me deixa queimando de
desejo, porque os imagino em outro lugar. — confessou com devassidão,
como se eu não tivesse lhe dito absolutamente nada.
Vejo que ele está como um lobo faminto prestes a me enlaçar em seu
fascínio de alpha.
— Pare, Nikky! Não podemos fazer sexo. Ainda não sou sua esposa.
Percebo o seu sorriso atrevido se desvanecer.
— Está brincando, não é, mikró angelos? Eu não vou aguentar mais
nenhuma noite sem enfiar o meu pau em você. Preciso senti-la. Só te deixei
durante os dois dias porque tinha conhecimento de que você devia estar
dolorida.
Meu noivo é um pervertido. O homem não pode ficar nem mesmo
alguns dias sem sexo?
— Só mais 4 dias e serei completamente sua. — Faço um biquinho
manhoso.
Através do seu semblante, noto que ele não está contente com minha
proposição. Ele começa a me beijar e a me embriagar com seu charme
sedutor. Grego safado! Consecutivamente, vira-me para que eu fique com as
costas coladas em seu peito. Posso sentir a protuberância exagerada da sua
excitação em meu traseiro e, inconscientemente, roço o meu bumbum em seu
pau. Ele rosna ensandecido, beijando o vão do meu pescoço. Estremeço.
— Não pode fazer isso comigo, korítsi. Meu corpo está se consumindo
em desejo. Tenho plena certeza de que não é diferente com você. — afirmou
com segurança.
Ele infiltra sua mão ousada pelo decote do meu roupão, acoplando a
carne macia dos meus seios. Meus bicos estão túrgidos pela excitação e eu
ofego febrilmente quando sinto os seus dedos habilidosos contornando-os.
— Viu só? Está quente por mim. Tenho absoluta certeza que sua
bocetinha gostosa já está babando, querendo o meu pau. Então, por que
devemos nos martirizar? — Rapidamente, desfaz o laço do meu roupão e
varre com mãos petulantes, languidamente, o meu abdômen.
Antes que elas cheguem até minha área íntima, mordo o lábio inferior
para impedir que um gemido de prazer escape da minha boca. Em seguida,
insinuam-se entre minhas dobras encharcadas e ardentes.
— Porra! Como imaginei. É muito fogosa, mikró, e deliciosamente
sedutora. Está me levando ao precipício da loucura. — murmurou
roucamente, colocando a ponta de um dedo ávido em minha entrada, que
pulsa violentamente, almejando o seu toque.
Depois, ele introduz dois dedos dentro de mim, levando-me a arquejar.
Sua posse é abrasadora. Ainda bem que estou inteiramente apoiada em seu
peitoral. Seu braço forte me ampara com firmeza enquanto sua mão atrevida
me dá um prazer despudorado. Posso sentir suas arremetidas firmes que me
fazem rebolar em seus dedos talentosos e melados pela minha excitação,
desejando um contato maior. À medida que seu polegar manipula com
maestria o meu ponto máximo de prazer, já consigo sentir as faíscas de
desejo transpassarem por mim. São como uma bola de fogo prestes a se
expandir.
— Ah... Nikky! — choraminguei debilmente.
— Sim, minha beleza exótica! Goze em meus dedos! — Aumenta seu
ritmo e sussurra indecências em meu ouvido.
Logo sinto as fagulhas de luxúria se espalharem pelo meu organismo,
juntamente com uma pressão febril em meu baixo ventre. Explodo e fico
molinha que nem maria-mole em seus braços fortes, onde ele me aconchega.
Ao me levar para a cama, deixa-me totalmente esparramada pelo colchão. Eu
sinto meus batimentos voltarem à velocidade normal e um sorriso bobo de
satisfação estampa minha face quando percebo sua intenção. Ele começa a
desabotoar a camisa e o meu bom senso retorna com força total.
— Você prometeu que se comportaria. — recordei-o.
— Não pode condenar um homem por um momento de insensatez.
Naquele instante, eu teria prometido qualquer coisa. Você ainda estava
indecisa em relação ao casamento. Além do mais, como conseguirei resistir,
se está como uma deusa da luxúria inteiramente à minha disposição? Está
quente e ansiosa pela minha posse. — Somente agora percebo o seu olhar
devasso devorando a minha intimidade descaradamente. Estou
completamente aberta, molhada e desejosa para o seu deleite.
Recomponho-me de uma vez, fechando o roupão e cobrindo o meu
corpo do seu olhar faminto. Ouço o seu rosnado primitivo de insatisfação.
Em alguns passos rápidos, ele já está sobre mim novamente.
— Como pode ser tão malvada, to xanthó mou ángelo (meu anjo loiro)?
Estou louco de tesão por você. Vai me deixar duro? — Ainda posso sentir o
volume do seu desejo de encontro ao meu corpo.
Sei que ele está tentando derrubar minhas defesas.
— Ora! Claro que não, Nikky. — Um sorriso safado surge em seus
lábios e se dissipa, no mesmo segundo, com minhas seguintes palavras. — Já
comprovei que tem uma habilidade nata com as mãos. Acabou de me
proporcionar um orgasmo incrível. Poderá se aliviar até o casamento. —
Sinto-me zonza pela luxúria, mas fiz uma exigência que pretendo levar a
sério. Além do mais, são somente mais 4 dias.
— Está brincando comigo, mikró? — perguntou exasperado. Sua
fisionomia é descrente.
— Por favor, Nikky, não faça isso! — Meus protestos são em vão
porque, em seguida, ele me ataca com uma chuva de beijos. — Eu preciso
tomar um banho e...
— Seu cheiro é divino. — sua voz saiu carregada de conotação sexual.
Suponho que se eu estivesse coberta de esterco, ele diria o mesmo
apenas para me comer. Será que todos os gregos são uns safados pervertidos?
Antes que meu raciocínio caia por terra, empurro o seu corpo másculo
de cima do meu e me levanto da cama, amarrando com maior firmeza o laço
do roupão ao redor do meu corpo trêmulo e febril de desejo.
— Nikky, não podemos fazer sexo antes do casamento. — enfatizei
mais uma vez.
Ele me olha como um cachorro pidão, porém me mantenho resoluta,
por mais que o meu corpo ainda esteja inflamado de desejo.
— Além disso, Agne deve estar prestes a vir ao meu quarto. Sempre
antes de dormir, ela vem me deixar um copo de leite com chocolate quente
para mim. E eu morreria de vergonha se nos encontrasse em uma situação
comprometedora, mesmo que sejamos noivos. Eu prometo que a espera
valerá a pena.
Ele salta da cama e, em um átimo de segundo, vem em minha direção.
Habilmente, toca em meu queixo, fazendo-me fitá-lo fixamente.
— Esteja ciente desse fato, angelos! Eu não a pouparei em nossa noite
de núpcias. Então, é bom que se encarregue de um bom creme para
assaduras. Vou meter até as bolas.
Meu ser todo se agita de excitação com sua promessa devassa.
— Que safado você é, Nikky! Quer dizer que o meu noivo só pensa em
sexo e safadezas?
— Agora, que experimentei sua boceta quente e deliciosamente
apertada, é impossível pensar em outra coisa. — respondeu descaradamente e
sem pudor algum.
— Só serão 4 dias de espera. Agora, saia! Preciso tomar o meu banho.
— Eu estou com as mãos cruzadas na frente dos seios e o safado não para de
me devorar.
— Não sei se resistirei, krínos. Seja razoável! Este negócio de andar
com o pau duro não é comigo. Dói para cacete. Sabia? — lamentou-se. —
Quem sabe um beijinho peculiar, com essa boca deliciosa, alivie o meu
tesão? — ele falou baixo, porém compreendi perfeitamente sua colocação.
Minha boca se enche de água ao imaginar a cena. Porém, tento impedir
tais pensamentos indecorosos a tempo.
— Que noivo safado esse meu! Céus! Eu lhe garanto que se não parar
com essas indecências e minha querida Agne chegar aqui e ouvir você
falando tudo, irei me certificar de que além de dormir de barraca armada hoje
à noite, será punido em nossa noite de núpcias. — tentei falar com firmeza,
mas falhei miseravelmente, pois o canto dos meus lábios se repuxou em um
sorriso. — Agora, vá para o seu quarto! — ordenei.
— Uhhh! Não sabia que minha mulher era tão mandona.
— Sua mulher? — Não me passou despercebido o seu tom de
possessividade.
— Sim. É somente minha. E também tenho minhas exigências, minha
arravoniastikiá (noiva). Em nossa noite de núpcias, quero que vá até mim
como uma ninfa dourada. Posso sofrer durante os 4 dias, porém não sofrerei
sozinho. Sonhará comigo nas 4 noites. Quero que se imagine rebolando
gostoso em seu homem. Pode imaginar? — sussurrou indecentemente ao meu
ouvido.
Sinto os pelos dos meus braços se eriçarem pela excitação causada por
suas palavras quentes e cerro os lábios para impedir que um gemido sensual
os abandone.
— Meu pau estará profundamente dentro de você, tão duro e latejante,
que te fará gemer alucinada enquanto sua boceta molhada o acolher
deliciosamente em sua cavalgada impetuosa.
Safado! Tenho vontade de estapeá-lo pela ousadia de me falar essas
sacanagens. Não é necessário que descreva as cenas imorais para me ter
rendida e presa em suas fantasias despudoradas. Desde que ele me tocou e me
marcou de um modo único, as longas noites se tornaram mais quentes e quase
insuportáveis.
— Céus! Se não sair imediatamente daqui, o que vai ganhar hoje, além
de um banho gelado, será um galo na cabeça por ser um sem-vergonha
pervertido.
Um sorriso cafajeste brinca em seus lábios
— Somente estou dizendo a verdade, angelos. Vou guardar minhas
safadezas para a nossa noite de núpcias. — Pisca um olho indecente para
mim, deposita um selinho em minha boca e abandona o quarto.
Ainda posso sentir o seu cheiro almiscarado e misterioso inundar todos
os meus sentidos. Sinto-me fascinada pelo meu chefe, sorrindo como uma
boba. Não acredito que Nikky Andreon é meu noivo. Não deveria vivenciar
todas as sensações tolas que ele me evoca, mas me sinto apaixonada.
Imediatamente afasto essa fantasia estúpida de mim, pois tenho
consciência de que o nosso casamento terá prazo de validade.
Pego o meu pote de creme de morango para o corpo, que estava sobre a
penteadeira, e sigo para o banheiro. Não estou preparada para enfrentar o lado
negativo do nosso acordo, mas quando me recordo dos seus olhos azuis
devassos me iluminando, apenas quero me perder na promessa de desejo
ardente, mesmo que seja uma doce ilusão.
CAPÍTULO 24
ANGEL HARLEY

O tão aguardado dia chegou finalmente. Os últimos dias foram muito


corridos. Apesar de ser uma celebração simples, terá uma festa para alguns
poucos convidados. Nikky estava agilizando toda a papelada da cerimônia,
além de se certificar de que Henrique deixou o país. O meu noivo, como o
homem sagaz que é, já está articulando a retomada da gerência dos resorts
Harley com seus advogados. Só de imaginar o confronto com meu tio,
estremeço. Mas será inevitável.
O casamento acontecerá no final da tarde, em um salão de eventos, no
centro de Mykonos. O local tem um amplo espaço requintado e sofisticado
para esse propósito. Depois viajaremos em lua de mel em seu luxuoso iate
para a ilha de Milos. Será uma semana em que Nikky tirará férias para
curtimos. Logo quando retornarmos, ele terá que dar entrada à tramitação
para assumir os resorts Harley. Para isso, iremos à Chicago, e a partir desse
dia será meu representante legal. Quero muito presenciar qual serão as
reações de Henrique e de Eaton ao se inteirarem da minha pequena rebeldia e
souberem que frustrarei seus planos definitivamente. Eu não poderei mais ser
um fantoche em seus jogos sádicos de ambição e meu primo não poderá mais
se aproximar de mim com seu desejo doentio e asqueroso. Em breve estarei
no mesmo patamar social que eles me usurparam, retornando com grande
influência. Em poucas horas serei a esposa de um homem poderoso e, em
alguns dias, eles conhecerão a supremacia do seu nome. Mesmo assim,
prevejo que Henrique resistirá à pressão de deixar a direção dos resorts.
O meu vestido de noiva é belíssimo. Foi um lindo presente que recebi
de uma estilista talentosa, que é casada com um grego, amigo de Nikky.
Quando ele ligou para a senhora Amazzotty, não tinha mais nenhuma vaga
para encomendar uma peça. Kristen até abriria uma exceção, mas seria
praticamente impossível confeccionar uma vestimenta de noiva em um curto
período de tempo. Então, ela me enviou alguns modelos já prontos e
disponíveis. Assim que meus olhos focaram em um lindo vestido sereia,
deslumbrante, fiquei encantada. Ele é primoroso e possui um tecido delicado
e ajustado que abraça as curvas do meu corpo com perfeição. É claro que
foram necessários alguns ajustes, mas nada muito dramático. O senhor
Amazzotty e sua adorável esposa serão os padrinhos de Nikky, enquanto
minha doce Charlize e Dimitri, amigo do meu noivo, serão os meus, já que
não tenho muitos amigos.
Nesta manhã conheci os avós dele. A senhora Eleonor não escondeu a
alegria de ver o seu único neto prestes a se casar. Será que ela não tem
conhecimento de que é somente um acordo? Creio que não. Pude ver no seu
olhar um brilho genuíno por tal notícia. É óbvio que as demonstrações de
carinho de Nikky também não passaram despercebidas pela sagacidade da
simpática senhora. Já o senhor Alexandre é um homem reservado e de poucas
palavras, mas pude detectar o orgulho que sente do neto.
Após algumas horas, a maquiadora e uma das assistentes da senhora
Amazzotty me deixam no quarto completamente trajada e pronta para a
grande recepção. Olho-me no espelho da penteadeira e é inevitável que
algumas lágrimas não cheguem aos meus olhos. Tento reprimi-las, porque
não posso borrar a maquiagem. Uma linda tiara encrustada de diamantes,
exclusiva da Mávro Diamánti, adorna meus cabelos, que optei por usar
soltos. Nikky me presenteou com ela de manhã. É óbvio que eu não queria
aceitá-la, porém ele foi tão persuasivo, que foi impossível negar.
Meus olhos ainda estão marejados de lágrimas, pois neste momento não
tem como não me recordar da minha família. Por infelicidade, aquele
catastrófico acidente nas montanhas a tirou de mim.
Queria tanto que eles estivessem aqui, comigo. — pensei com pesar.
Espanto a triste lembrança para longe. Afinal, hoje é o meu casamento.
Esse é um dia especial e memorável para qualquer mulher, por mais que seja
somente um contrato de convivência com meu chefe gato.
Depois de devidamente recomposta, desço as escadas decidida. O
senhor Alexandre já está me aguardando na base da escadaria, muito elegante
em seu terno formal. Ele ainda é um senhor de aspecto jovem para os seus 80
anos. A senhora Eleonor já foi na frente com Nikky, e como eu não tenho
nenhum parente, ele me levará até o seu neto. A minha querida Agne está do
lado oposto, segurando um esplendoroso buquê de lírios amarelos.
— Está linda, kóri (filha). Seja bem-vinda à família! — disse o senhor
Alexandre.
Eu lhe ofereço um lindo sorriso em agradecimento.
— Kizim (minha menina), está belíssima. — Agne me entrega o buquê
e começa a enxugar algumas lágrimas que teimam cair pelo seu rosto.
Ela está usando um vestido elegante e será minha convidada especial. É
evidente que no primeiro momento não aceitou. Contudo, Nikky e eu a
convencemos a concordar. Essa mulher se tornou uma pessoa muito especial
para mim.
Chegamos ao grande e suntuoso local onde se realizará a cerimônia. A
decoração é pomposa e extremamente luxuosa. Isso é considerado simples?
Estou de queixo caído com toda a magnificência do ambiente. Os arranjos
são em tons claros, e as cores dourado e branco predominam na
ornamentação. Alguns ramos de oliveira também estão espalhados pelo
espaço, dando mais leveza.
Assim que as grandes portas do recinto são abertas, estremeço ao me
deparar com vários pares de olhos curiosos voltados para mim. Uma música
tradicional grega ressoa e eu vejo Nikky me aguardando no altar. Ele está
lindo em seu terno branco, com um sorriso de deleite estampando os seus
lábios irresistíveis. O senhor e a senhora Amazzotty estão de um lado
enquanto Charlize e Dimitri estão do outro.
Piso no tapete branco e sigo em direção à cerimônia, de braços dados
com o senhor Alexandre, que logo me entrega para o neto, desejando-nos
felicidades. Meu noivo toca em minhas mãos frias, envolvendo-me em seu
calor, e seus olhos azuis indecentes me fitam, liberando ondas luxuriantes de
excitação. E, por mais que ele me transmita proteção, tenho um breve
segundo de pânico ao imaginar o que estou fazendo. Por que estou
envolvendo o meu chefe no emaranhado de problemas que é somente meu?
Não é justo.
Comprovo que ele deve ter lido minha expressão, pois rapidamente
sinto um aperto mais firme em minha palma. Seu polegar acaricia
suavemente a minha pele fria, transmitindo-me uma energia renovada.
— Não tema, o ángelós mou! Eu estou com você. — falou baixo, para
que somente eu o escutasse.
E, como surgiu, o pânico se evapora. Esse homem tem o poder sobre
mim de me transmitir calmaria, mesmo em meio a tempestades caóticas que
às vezes querem se apoderar do meu ser. Sorrio singelamente, pois, de algum
modo, sei que as promessas que vejo expressas em seu olhar, irão se cumprir.
O juiz de paz dá início à cerimônia. Depois da realização dos votos e da
tradicional troca de alianças, minhas mãos estão trêmulas no momento de
assinar o papel que ligará categoricamente a minha vida a do homem que está
ao meu lado, que agora é meu marido. Em seguida, Nikky enlaça minha
cintura possessivamente, abrasando-me com seus olhos atrevidos.
— Precisamos fornecer uma foto descente à imprensa, i mikrí mou
gynaíka (minha pequena esposa). — Sinto seus lábios firmes tomarem os
meus docemente. Mesmo assim, o beijo é profundo e intenso, como tudo
nesse homem.
Ele saboreia minha boca como se fosse um mel delicioso e nada parece
existir ao nosso redor, até que um pigarro vindo de algum convidado se faz
audível o suficiente para nos atentarmos ao nosso redor. Ele cessa o beijo e
me olha de um jeito devasso de molhar calcinha. Que canalha! Seu risinho de
lado demonstra presunção por me ter completamente rendida em seus braços.
— Minha gynaíka, está irresistível. Mal posso esperar para a ter em
minha cama. — sussurrou rente ao meu ouvido.
Ele se afasta abruptamente de mim, antes que alguns convidados
cheguem ao nosso encontro para nos cumprimentar e nos felicitar pelo
casamento. Sem demora, seguimos para a recepção. O espaço está lotado e
percebo que até mesmo Sophia está presente, encarando-me com um olhar
trucidante e carregado de raiva mal disfarçada. Porém, não me importo.
Reparo que neste instante Nikky me agarra com possessividade pela cintura.
O que parece deixar sua ex-noiva ainda mais irada, saindo bufando entre os
convidados.
Em sequência, seguimos para a pista de dança enquanto um cantor
muito famoso na Grécia entoa músicas típicas. Depois estreamos com a
tradicional “dança do lenço”, ao ritmo da habitual canção “O lenço de
Kalamata”. Ela é uma das mais antigas do país, bem contagiante, animada, e
consiste em cada um dos noivos segurar uma extremidade do tecido e
dançarem juntos. Logo após, os convidados e familiares se juntam a nós em
um grande círculo. É possível ouvir o som das risadas alegres ao nosso redor.
Agora temos a convencional “quebra de pratos”, que é uma tradição
marcante na Grécia. Porém, eles foram substituídos por flores, para evitar
qualquer tipo de acidente entre as pessoas.
Depois de toda a animação, Nikky me leva até a mesa destinada aos
noivos e os padrinhos. Em seguida, servem-nos o jantar típico mediterrâneo,
que está simplesmente divino.
Em determinado momento estamos somente eu e Charlize na mesa.
Nikky está conversando animadamente com alguns homens, em um canto
qualquer do salão. Creio que já está se despedindo deles, porque em breve
partiremos para a lua de mel. Estremeço apenas ao me recordar dos prazeres
indecentes que os olhos de um azul do Egeu me prometeram.
A euforia no salão irá até o dia amanhecer. Pelo que posso constatar, os
convidados bebem e comem ainda, muito entusiasmados, embora já tenha
passado o auge da festa.
Foco minha atenção em minha amiga, que está dando um sorriso
radiante. Seus cabelos avermelhados estão em uma trança embutida que cai
em um lado do seu ombro, deixando-a encantadora e com um ar de menina
sonhadora
— Uau! Que sortuda você é, Angel! Meu Theós! Que gregos
maravilhosos! Precisa me dizer como é o nome do padrinho que me fez
companhia na celebração. Que moreno gato! Um verdadeiro pedaço de mau
caminho. — falou toda dramática, abanando-se. — Estou sentindo até calor.
— É melhor que tire o cavalinho da chuva, Charlize. Dimitri é um
libertino. Não quero ter que consolar minha melhor amiga depois por conta
de um coração partido. Veja só! Ele já está atracado a uma bela modelo
grega. Tenho certeza que a noite deles não terminarão somente com uma
despedida amigável e alguns beijinhos. — alertei-a, recordando-me do estilo
desapegado e mulherengo que o amigo do meu marido leva. Ainda me
lembro daquele dia, na mansão, quando ele estava aos amassos com duas
mulheres na piscina.
Ela fecha a expressão com uma carranca.
— Ora! Não custa nada sonhar, não é mesmo? — Seu olhar é triste ao
espreitar Dimitri e a tal loira de farmácia indo em direção à pista de dança.
Ela pega a taça de champanhe e a toma em um só gole.
— Charlize, suponho que já bebeu demais. — adverti.
— Estamos em um casamento. Certo? Temos que nos divertir. Quer
saber? Ele não é o único grego gostoso que tem por aqui. Aliás, vi um
homem lindo com olhos verdes e encantadores que não se desgrudavam do
meu decote. — ressaltou com um ar de menina rebelde.
— Charlize, creio que... — Não tenho tempo de formular a frase,
porque ela segue para a pista determinada, sem esperar pelo meu sermão.
Penso em lhe fazer companhia, para que não cometa nenhuma
estupidez típica dos jovens, só que, por um instante, reparo que uma sombra
pairou sobre mim. Constato que é Sophia, vestida como uma mulher fatal.
Ela usa um longo vestido vermelho que abraça as curvas voluptuosas do seu
corpo. Mas sua expressão não é nada satisfeita.
— Veja só em que decadência caímos! Os empregados agora se sentam
com os patrões. — atacou-me sem disfarçar o aborrecimento em sua voz
azeda. — Pode pensar que fisgou o coração de Nikky, mas está equivocada.
Ele se casou com você por um propósito que desconheço. Tenho certeza que
não demorará muito a descartá-la. — pronunciou suas palavras com um
veneno nítido.
Percebi que seu ataque é por puro despeito, todavia reconheci algumas
verdades em suas colocações. Não sei exatamente a expectativa de Nikky em
relação a esse casamento, por mais que nossa química seja incontrolável no
quesito sexo.
Penso em rebatê-la com insolência, no entanto comprovo que não
estamos mais sozinhas. Uma presença masculina se faz presente, impedindo
que ocorra algumas farpas entre nós duas.
— Algum problema por aqui, angelos? — meu marido questionou
com uma voz firme.
Ele se inclina em minha direção e deposita um selinho em meus lábios.
Vejo Sophia esfumaçar com o gesto. Será que Nikky só fez isso para lhe
causar ciúme? Fico irritada com esse pensamento, mas, imediatamente,
mando essa incerteza para longe. Afinal, é comigo que está casado, não com
ela.
— Não há problema algum. Eu estava somente felicitando a nova
senhora Andreon. — sua resposta saiu carregada de desdém. — Não é
mesmo, querida? — indagou cinicamente.
Não tenho tempo para a responder, já que meu esposo toma as rédeas
da situação. Até prefiro que seja assim, antes que eu perca a paciência e desça
a mão na cara da ratazana de esgoto. Creio que o episódio do dia da piscina
não lhe foi suficiente.
— Perfeito, Sophia! Agora, terei que roubar minha gynaíka. Irei
apresentá-la a alguns convidados e, em seguida, partiremos para a nossa lua
de mel. — O safado me devora com suas írises azuis impetuosas de luxúria.
— Agora, vamos, querida! Estou ansioso pela noite de núpcias. — confessou
de um jeito devasso, levando o meu organismo a estremecer.
Sophia unicamente nos observa com um rancor indissimulável.
Após um determinado tempo, nós nos despedimos dos convidados e
familiares. Os avós de Nikky não escondem a felicidade pelo casamento e
nos cobrem fervorosamente de chuva de bençãos de fertilidade a todo
instante, principalmente a simpática senhora Eleonor. É inevitável não pensar
em um lindo bebê de olhos azuis e cabelos castanhos. Meu coração se aquece
com isso.
De fato, se o nosso relacionamento fosse real, desejaria ter um lindo
filho do meu chefe. — pensei ao me aconchegar no peito másculo dele
enquanto seguimos para o porto.
CAPÍTULO 25
NIKKY ANDREON

Quando Pedro estaciona no porto, pego meu mikró ángelos no colo e a


carrego. Ela solta um pequeno ofego de surpresa diante da minha atitude
inesperada. Agora, definitivamente, é minha mulher. Um sorriso de deleite
surge em meu rosto enquanto a levo em meus braços, como manda a tradição.
O seu corpo quente e macio recostado ao meu, deixa-me alucinado de tesão.
Em breve a terei completamente rendida aos meus anseios.
Ao entrar a bordo da embarcação, levo-a diretamente ao compartimento
do quarto, que foi todo ornamentado para a nossa recepção. Há kítrina krína
(lírios amarelos) por todas as partes do iate e algumas pétalas estão
espalhadas sobre a cama recoberta por uma colcha branca. Já posso imaginar
minha glykiá gynaíka (doce esposa) esparramada em cima do colchão,
molhada e ansiosa pela minha posse.
Estou louco para, finalmente, senti-la junto a mim. Que tesão da porra!
Meu pau está dolorido e ansioso, desejando receber seu calor aveludado.
Angel estava tão linda na cerimônia de casamento com seu vestido de sereia,
parecendo uma deusa do Olimpo a tentar me seduzir. Em um determinado
momento da celebração, encontrei medo em seus olhos, mas consegui
dissipá-lo. Não compreendi o que a afligia, entretanto me partiu o coração ver
vulnerabilidade em seu olhar.
Assim que a coloco suavemente sobre o piso da embarcação, aproveito
para tomar os seus lábios deliciosos e açucarados para mim. Eles têm gosto
de pecado e sedução. Rapidamente, sendo fisgado pelo seu encanto
arrebatador, colo-a em meu corpo, deixando-a sentir o meu desejo
desesperado. Estou louco para meter na sua bocetinha quente e pegajosa de
tesão, certo de que ela já deve estar molhada e receptiva.
Tenho os meus planos frustrados quando a vejo se desprender
bruscamente dos meus braços, fazendo-me soltar um rugido. Eu a encaro sem
compreender nada da sua reação.
— Nikky, preciso ir ao banheiro. Tenho um presente para você. —
Afasta-se de mim.
— O único presente que quero nesta noite é você, i gynaíka mou
(minha esposa). — falei quase em aflição, tentando agarrá-la novamente.
— Não tente, safado! — Coloca a mão na frente do corpo em uma clara
objeção e morde o lábio inferior sensualmente, mandando o resto do meu
juízo para o infinito.
Porra! Desse jeito não resisto. Minhas bolas estão pesadas por conta do
desejo acumulado. Tenho conhecimento de que meu pau está a ponto de
arrebentar a braguilha da minha calça, com tamanha excitação que abrange o
meu corpo. Nunca desejei tanto uma mulher como desejo minha mikrí
gynaíka (pequena esposa).
Gynaíka (Esposa)! Caralho! Ela é minha. — meu lado primitivo fez
questão de reprisar o termo em minha mente de modo irrevogável.
— Sente-se naquela poltrona! Prometo que a espera valerá a pena, meu
marido. — deslizou suavemente as palavras dos seus lábios voluptuosos,
incendiando-me no processo.
Meu krínos aponta firmemente para o assento que fica próximo à
escotilha, por onde penetrava o brilho da lua que banha sua linda silhueta de
mulher sedutora. Hoje ela também será testemunha da nossa paixão.
Seu rosto demonstra inflexibilidade quando tento agarrá-la novamente.
Ela, sendo mais rápida do que eu, dá um passo para trás. E, com um grunhido
insatisfeito, faço o que me foi pedido enquanto a observo sumir pelo
banheiro.
O meu pau está em um estado deplorável de excitação e até o atrito
dele contra o tecido está me incomodando. Caralho! Eu devia ter batido uma
antes da cerimônia. Já sabia qual seria o efeito do meu mikró martýrio sobre
minha libido. Agora estou agindo como um cachorro no cio, inclusive por
causa do seu cheiro delicioso e feminino, que permanece no ambiente
aumentando a minha excitação. Droga! Será que ela ficaria muito brava se eu
invadisse o banheiro e a seduzisse? Poderia usar o pretexto de que gostaria de
ajudá-la com o vestido. É evidente que seria somente uma desculpa
esfarrapada, pois pude comprovar, durante a recepção, que o fechamento dele
é bem simples. Portanto, é fácil deslizar a vestimenta pelas suas costas
esbeltas. O que me deixou tremendamente satisfeito no momento, mas agora
nem tanto.
— Nikky, nem pense em trapacear e vir ao meu encontro! Se isso
acontecer, meu marido, vai ficar de castigo em plena noite de núpcias. —
advertiu do outro cômodo como se tivesse lido os meus pensamentos
libidinosos.
Bufo frustrado. E, para dar uma aliviada no meu amigão, abro a
braguilha da calça, que está apertada neste instante. Meu pau salta, totalmente
ereto, com as veias salientes marcando a longa estrutura quente e pulsante do
seu eixo e envolvendo a rígida ereção que lateja descontroladamente em
minhas mãos. Manipulo-o, deslizando-o para cima e para baixo, da base até a
cabeça latejante, e solto um gemido selvagem ao imaginar que é a minha
Angel aqui. Meu garotão está quente, pulsando e cheio de desejos indecentes.
Quando minha sereia finalmente surge devassa e irresistível em um
traje leve e semitransparente, quase gozo em minhas mãos. Ela está vindo a
mim como uma ninfa dourada. Então, de repente, recordo-me do meu pedido
em seu quarto.
“Virá a mim como uma ninfa dourada.”
Focando em seu olhar, vejo nele o fogo luxurioso e explícito do desejo
e da paixão. A vestimenta adorna as curvas sensuais do seu corpo delicioso e
posso perceber seus bicos túrgidos despontarem através do tecido diáfano,
implorando por atenção. A minha boca saliva assim que me imagino
mamando os montes cheios e firmes dela.
— Nikky! — um ofego quente e eletrizante saiu da sua boca deliciosa.
Seu olhar recai diretamente sobre meu pau, focando em meus
movimentos ao redor do meu eixo duro. Ela parece fascinada com a cena e
me olha totalmente sem pudor e com curiosidade.
— Veja, mikró! Ele está assim por você.
— Eu posso tocá-lo? — Aponta para o meu pau.
Caralho! Ela está muito sensual nestas roupas leves.
Sinto minha estrutura estremecer diante do seu pedido ousado.
— Você pode tocá-lo, mamá-lo, sentar nele... Pode fazer o que quiser.
Eu sou todo seu. — respondi com indecência, piscando um olho provocante.
— Safado! — Morde o lábio inferior levemente.
Angel se aproxima devagar e seus olhos azuis-topázios me fitam de
volta com uma avidez inquestionável, examinando-me com minúcia e de
forma despudorada. Prontamente, ela passa a ponta da língua atrevida nos
seus lábios sensuais e, de imediato, imagino-me sendo sugado entre eles.
Porra gostosa! Essa mulher vai me matar de prazer.
Ela está ajoelhada como uma ninfa dourada da floresta que veio ao meu
encontro para realizar meus desejos mais obscenos. Reparo quando passa
toca delicadamente na cabeça rígida e protuberante da minha excitação,
colhendo uma gota esbranquiçada da minha porra. Seu contato ardente sobre
essa área sensível me leva ao delírio do tesão e fico ainda mais louco quando
a vejo levar a ponta do dedo à boca, sugando-o sensualmente. Seu rosto é
uma incógnita agora.
— É totalmente diferente de qualquer coisa que já provei. —
sentenciou. — Mas é algo especial. É o gosto do meu homem.
Minha estrutura se agita, sentindo a pressão despudorada das suas
palavras de posse. A minha mulher gostosa, apesar de ser só uma iniciante,
sabe como enlouquecer o seu marido. Seus dedos suaves rodeiam o meu
membro, que está tão firme quanto uma barra sólida. Gemo
enlouquecidamente ao sentir seu toque macio sobre minha carne sensível e
vejo seu sorriso satisfeito quando constata que tem mais controle do que
imaginava sobre mim. Sem demora, inicia manejos de vai e vem sobre meu
eixo latejante.
— Uau! Está tão duro e quente! — murmurou sensualmente com um
entusiasmo nítido que me deixou ainda mais aceso de tesão.
Afinal, que homem não deseja uma mulher fogosa e ardente na cama?
Nada é mais excitante do que ter a comprovação do seu fascínio feminino
bem diante de mim.
— Ensine-me a lhe dar prazer, marido!
Meu corpo inteiro vibra em apreciação. Ter a confirmação de que ela
nunca provou um pau, deixou-me em êxtase. É óbvio que sabia que ela era
virgem na primeira vez que a tomei para mim, porém podia já ter aproveitado
de outros prazeres que o bom sexo pode oferecer. Fiquei entusiasmado com a
ideia de ser o seu primeiro boquete também.
— Como devo tocá-lo? Está bom assim? — perguntou hesitante.
Seus movimentos ainda são discretos, contudo a pressão que ela exerce
é perfeita. Dá para reparar que tem um talento incrível. Pretendo explorar
deliciosamente cada um dos seus encantos. Um sorriso depravado se forma
em meu semblante. Minha gynaíka deliciosa em breve será corrompida pelas
minhas safadezas.
A imagem da sua boca saborosa cheia com meu pau invade os meus
sentidos. E, apesar da forte luxúria que me domina, toco em seu queixo e a
faço parar. Não é o momento ainda. Estou completamente ensandecido pelo
desejo. Em um primeiro instante, eu a ansiava demasiadamente, contudo, em
algum momento da noite, ela irá me provar. Quero saborear seus lábios
carnudos em volta do meu pau.
— Ainda não é o momento, angelos. Estou altamente excitado, e tudo
que anseio é sentir seu calor quente e apertado. — Dou um sorriso
pretensioso. — Preciso apreciar o meu presente.
Com olhos cobiçosos, deslizo uma alça da sua vestimenta profana e
sedutora pelo seu ombro macio enquanto contemplo a curva generosa dos
seus seios deliciosos. Sua pele se arrepia com meu toque, e quando ela me
olha, constato uma miríade de desejos perpassar pelo seu olhar de mar revolto
em lua cheia. O que me deixa ainda mais duro.
Em seguida, com o autodomínio por um fio, ergo-me da poltrona e a
pego em meus braços para a depositar suavemente sobre o colchão. Aprecio
cada nuance primorosa do seu corpo esbelto e me livro das minhas roupas o
mais rápido que consigo. Angel observa detalhadamente cada gesto do
processo.
— Está vendo, angelos? Você me deixou louco de tesão.
— Sim, marido. Não sei que feitiço grego me lançou, mas acontece o
mesmo comigo. Sinto-me derreter com seu olhar. — sussurrou sensualmente,
sendo provocante.
— É, minha gynaíka gostosa? Sua bocetinha está melada e quente,
querendo o seu homem?
Ela leva as duas mãos ao rosto para o cobrir, ficando constrangida.
Depois volta a me fitar com determinação.
— Nikky, seu sem-vergonha! Às vezes é bom ter uma certa medida de
pudor. Sabia? — Arfa, ofegante de desejo.
— Não dentro do quarto. — Pisco um olho maroto para ela.
— Ah, é, seu safado? Então, por que não vem comprovar?
Não necessito de um segundo convite. Já estou como um insano
primitivo, pronto para a saborear. Nada é mais excitante do que chupar uma
boceta gostosa e ver minha mulher fogosa chegar ao ápice somente com
minha língua. Sem pressa, puxo-a para a beirada do colchão, demonstrando
claramente o que quero. Estou faminto de excitação, e seu cheiro penetrando
em meus sentidos me instiga a provar languidamente o seu doce néctar.
Retiro suas roupas de ninfa, deixando-a somente com uma pequena
calcinha amarela de renda que mal esconde sua feminilidade molhada e
desejosa do meu olhar lascivo e esfomeado. Seu corpo me encanta e me
enfeitiça, sendo uma fonte infinita de prazer. Com apenas um puxão, rasgo a
frágil peça e aprecio a boceta deliciosa em minha frente. Meu pau estremece
somente por contemplar tamanha perfeição. Caralho! Que gostosa! Sua
viscosidade está escorrendo entre as dobras cálidas, demonstrando sua
paixão, e sua abertura estreita está me atraindo como um ímã. Estou
hipnotizado por essa visão sublime e unicamente anseio me perder em sua
profundeza ardente.
Coloco um travesseiro embaixo da sua pélvis, alcançando um ângulo
melhor para a minha exploração. O centro da sua intimidade, o buraquinho
estreito de nervos rosados, está gotejante e pulsando, ansiando para sentir o
meu contato. Puta que pariu! O meu membro está doloroso como um
condenado, louco pela libertação.
Arreganho suas coxas brancas e deleitosas, deixando-a completamente
exposta à minha análise despudorada. Inferno de mulher gostosa da porra!
Com dedos petulantes, abro suas dobras pegajosas e enfio minha língua na
sua entrada contraída, fazendo com que o centro molhado da minha obsessão
fique inteiramente ao meu dispor. Quando chupo insaciavelmente o seu ponto
de terminações sensíveis, um rosnado sensual abandona sua boca. O que me
deixa alucinado, pegando fogo e com uma vontade insana de meter na sua
bocetinha apertada.
Introduzo minha língua ávida na sua intimidade e reproduzo com ela os
movimentos do ato sexual. O gesto ousado parece fazê-la sair do eixo e entrar
quase em combustão. Seu corpo pequeno serpenteia como se estivesse em
uma dança erótica e indecente. É sublime ter a compreensão de que sou o
responsável pela sua perda parcial de controle que a faz rebolar sem controle
algum em meu rosto. Estimulo-a com tanta intensidade, que não demora
muito para ela chegar ao ápice, oferecendo-me o suco doce de sua excitação.
O qual bebo como se fosse uma fonte inesgotável de prazer.
O cheiro quente de sexo ainda está embotando meus sentidos. Quando
começo a acariciar sua pele perfeita, cálida, sedosa e deleitosa, distribuo
beijos ardorosos sobre ela.
— Necessito de você. Preciso sentir o seu calor. — Possuo seus lábios
libidinosamente, fazendo-a sentir o seu gosto delicioso em meus lábios.
Encosto a cabeça volumosa da minha ereção na sua entrada molhada,
contraída, e a sinto se enrijecer em meus braços, afastando-me do seu corpo.
Que porra! Fico sem compreender o que fiz de errado, se ela ainda está
lânguida pelo gozo recente.
— A proteção, Nikky. — avisou ofegante.
— Você já pode estar grávida. É minha gynaíka agora; não precisa se
preocupar. — resmunguei, não compreendendo a lógica do seu argumento.
— Mas acontece que ainda não tenho certeza. Além do mais, nosso
casamento é por um prazo determinado. Devemos nos prevenir durante o
restante do mês, até que eu possa obter a confirmação de que não estou
grávida e inicie outro método preventivo.
Fecho a expressão com sua sentença.
— Ok. — Levanto-me do colchão, pego um envelope preto, que estava
sobre uma prateleira próxima à cama, abro-o com dedos impacientes e
desenrolo com praticidade o látex em volta do meu pau.
Que porra! Grunho frustrado. Preferiria senti-la sem barreira alguma,
mas ela como insiste nessa baboseira...
Um sorriso malicioso contorna meus lábios assim que tenho a
convicção de que meu herdeiro já está dentro do seu útero. Fiz um excelente
trabalho naquela noite chuvosa. Contudo, esse sorriso me abandona e um
vinco se forma em minha testa. E se meu doce angelos ainda não estiver o
carregando? Eu poderia pensar em outra alternativa. Quem sabe furar o
preservativo?
Que irônico ter tais pensamentos. Sempre fui muito criterioso em
relação às parceiras de foda, pois tinha absoluta certeza que muitas eram
ambiciosas, ardilosas, e que poderiam tentar me enredar em um golpe da
barriga. Sexo sem preservativo jamais. Porém, o estranho sentimento de
posse que me domina faz eu querer marcar a doce loira como minha
irrevogavelmente, para que nenhum filho da puta sequer ouse olhar em sua
direção.
Um raciocínio tosco e primitivo? Pode ser. Mais, foda-se!
— Já estou devidamente encapado. Terei permissão para tomar minha
mulher agora? — provoquei-a com um sorriso maroto.
Retorno à cama e aos seus braços cálidos, aguardando sua resposta,
mesmo que já possa comprovar as labaredas luxuriosas da paixão em seu
olhar.
— Ah! Por favor, Nikky! — gemeu quando encostei a cabeça do meu
membro na sua entrada.
Eu a penetro até a base, sentindo minhas bolas baterem na carne firme
da sua bunda deliciosa. Ela ofega levemente ao sentir meu pau avantajado
preencher o seu interior quente e de paredes extremamente estreitas.
Brado um gemido de pura satisfação masculina. Porra! Que gostoso,
caralho!
Prontamente, suas pernas roliças e brancas envolvem os meus quadris
enquanto a tomo com ímpeto em uma dança erótica de desejos. Os sons
ardorosos de tesão tomam conta do pequeno compartimento ao mesmo tempo
em que nos envolvemos em um jogo sensual de violentas sensações carnais
que somente nos satisfaz quando um se perde e se encontra dentro do outro
em um misto de sensações avassaladoras.
Chupo seus seios sensíveis enquanto minha mão ousada acaricia seu
corpo perfeito e excepcionalmente belo, gravando cada ínfimo detalhe dele.
Apalpo sua pele suave, desvendando cada mistério da paixão ardente que
compartilhamos; e abafo todos os seus gemidos com minha boca ao passo
que estoco mais profundamente em seu calor feminino.
Angel geme manhosa entre meus lábios, completamente rendida ao
deleite. Seu interior quente, apertado e acetinado para caralho me recebe com
uma perfeição divina, permitindo que meu membro robusto o desbrave. É
sublime a sensação de estar dentro dela.
Ela estremece embaixo de mim, porém continuo com as estocadas
firmes.
— Ah, Nikky! — gemeu na minha boca, que a tomava com urgência.
Nunca me sacio do meu xanthos angelos. Quanto mais a possuo, mais
me torno um viciado do seu feitiço de gynaíka korítsi.
Em um movimento rápido e preciso, inverto as nossas posições sem
sair de dentro dela, permitindo que ela fique por cima de mim, em controle.
Ao me olhar com curiosidade, um misto de desejo preenche suas feições
belas e sua tez cora pelo arremate da nossa paixão.
— Eu sou todo seu, angelos mou. — murmurei roucamente, tomado
pelo tesão, incentivando-a.
Sempre fui muito dominador em meus encontros sexuais, porém é
delirante vê-la nessa posição dominadora. Seu corpo, de certo modo, continua
à minha inteira disposição.
Ela começa um leve trote, testando sua resistência. Não quero
machucá-la. É sexy para caralho ver meu pau faminto sumindo na sua boceta
apertada. É a visão mais deliciosa que existe. Porra! Tenho que fazer um
tremendo esforço para não gozar no mesmo segundo. A cena do seu nervo
rosado e melado implorando por atenção é tremendamente viciante. Abarco a
carne macia de suas colinas luxuriosas enquanto o meu polegar busca com
precisão seu ponto máximo de prazer. Não demora muito para que ela
comece a estremecer em cima de mim ao ser englobada por uma avalanche
violenta de sensações devastadoras que a leva ao clímax. Em seguida,
descarrego o meu gozo na camisinha ao sentir as paredes femininas dela me
espremerem e se convulsionarem ao redor do meu pau. Estou no patamar do
prazer do sexo, vivenciando uma sensação fenomenal. Quase sou nocauteado
por tamanha satisfação.
Angel tomba sobre o meu peito, ofegante, suada e trêmula. Já eu saio
de dentro dela e descarto a camisinha.
— Espetacular! Não tem outra palavra que possa definir. Você é
deliciosamente quente, to korítsi mou. — Aconchego seu corpo mormaço ao
meu.
Ela apenas me olha satisfeita e com um sorriso de deleite em seu rosto
angelical.
Alguns minutos depois, apesar de me sentir saciado, ainda estou
faminto e me consumindo em luxúria. Não demora muito para que meu corpo
volte a responder aos estímulos do seu, feminino, próximo ao meu. Meu
mikró krínos está com uma perna por cima do meu quadril, então é quase
impossível que não note que o meu garotão já está despertando e a desejando
novamente. Logo a vejo me encarar com um olhar travesso e sensual,
constatando o meu estado exacerbado de ânimo. Rapidamente, o tesão
inflama o fogo em minhas veias e já fico em ponto de bala. E, com
voracidade, tomo seus lábios macios e saborosos para os meus, com urgência
e sofreguidão.
Fico frustrado quando ela interrompe o beijo.
— Quero experimentar outra coisa. — Vagarosamente, vai distribuindo
beijos ardorosos pelo meu tórax rígido. Seus cabelos longos e loiros me
fazem uma leve carícia no processo.
O meu pau já demonstra uma ostensiva ereção, formando uma bela
barraca sob o lençol, enquanto Angel continua com seus afagos. Somente
quando ela chega à zona de perigo e eu constato sua real intenção, um
rosnado primitivo me escapa. Ao me livrar da frágil barreira de tecido, segura
o meu membro pulsante entre as mãos delicadas e analisa despudoradamente
cada detalhe da anatomia que parece fasciná-la. O meu garotão já está a todo
vapor e suas veias grossas parecem que vão se romper a qualquer instante.
As carícias dela são suaves e, ao mesmo tempo, deixam-me
ensandecido. Quando a vejo levar a ponta da sua língua cálida aos seus lábios
carnudos e saborosos para os molhar, minhas bolas se contraem com a
fantasia do que se sucederá. Em seguida, ela engloba a minha estrutura rígida
e volumosa, levando-me a estremecer.
Puta que pariu! Nossa noite será quente e longa. Muito longa.
CAPÍTULO 26
NIKKY ANDREON

O rei sol, irreverente, que desponta e impera predominantemente,


refletindo na janela do iate, banha o corpo de traços belos esparramado sobre
a cama. Já faz um certo tempo que estou aqui, velando o seu sono. Há cerca
de uma hora, eu me levantei e preparei o café da manhã. Já estamos
navegando em alto mar e a viagem segue tranquila, com o clima mais do que
perfeito, sem nenhuma nuvem escura no céu.
A todo instante quero retornar para a cama, acordá-la com beijos e
continuar com as safadezas de ontem à noite. Ela estava tão fogosa e
receptiva. Caralho! Apenas ao me imaginar entre suas pernas torneadas,
sinto-me endurecer. Vejo minha linda sereia dormir pacificamente e a admiro
com uma devoção indecifrável. Todos os meus pensamentos estão focados
nela. Apesar de querer reivindicá-la, tenho consciência de que a deixei
somente há poucas horas e que deve estar cansada. Estou me consumindo de
luxúria.
Em um determinado momento, ela se remexe e uma careta de
desconforto perpassa pela sua face macia e bela de angelos. Ao abrir seus
olhos de topázio, ainda sonolenta, eles se chocam com os meus.
Ouço-a resmungar.
— Ahhh, Nikky! Seu cretino! — Sorri.
Tenho conhecimento de que ontem passei dos limites. Só a deixei perto
do alvorecer. Porém, não me sinto culpado, pois eu a avisei que em nossa
noite de núpcias não me comediria. Estava como um lobo, sedento de tesão, e
somente queria marcá-la como minha irrevogavelmente. Tudo que ansiava
era me perder em suas curvas femininas e primorosas que me atraíam para
um ciclo vicioso de luxúria. Os últimos 4 dias foram de suplício para mim.
Neste momento, mesmo com o corpo saciado e a mente relaxada,
necessito sentir o seu calor. Uma ânsia violenta de desejo me queima. To
martyráki mou (Meu pequeno martírio) sabe como deixar seu homem louco.
Ela está nua, quente e tão sensual com suas curvas voluptuosas esparramadas
sobre o colchão. Será que tem consciência do quão tentadora está para o seu
marido? Creio que isso lhe passe despercebido, embora eu não consiga
afastar o meu olhar faminto da sua pele acetinada.
O cheiro picante do sexo instantaneamente penetra em meus pulmões e
eu sinto meu amigão se animar em uma resposta despudorada. Caralho!
Gostosa da porra! Um sorriso malicioso até se forma em minha feição.
— Eu cuidarei de você, mikró. Irei beijar e sugar todinha a sua
bocetinha melada. Depois passarei uma pomada nela para a aliviar.
Ela fecha as pernas no mesmo segundo e sua inocência me deixa
encantado. Mesmo que em certos momentos mostre ser bem atrevida, é
notório que é tão delicada e rara quanto uma painita, um cristal precioso e
muito escasso de se encontrar.
— Você não vai se aproximar de mim hoje com este... Este...
aniquilador de calcinhas. Ou devo dizer de outra coisa? — balbuciou quase
em um gemido.
— Prometo que me comportarei. Não tenho culpa se minha gynaíka
gostosa me deixou de castigo. Eu estava me consumindo de tesão. —
justifiquei o meu ímpeto da noite passadas. — Além do mais, estava
totalmente rendido ao seu comando. Não tenho culpa se é gulosa e se gosta
de um trote vigoroso. — Pisco um olho maroto.
— Você também tinha que ter uma berinjela no meio das pernas? Não
dava para ser um quiabo? — Seus lábios se frisam em um bico.
Minha cara de incredulidade é notória. Em sequência, rio com deboche.
De onde diabos ela tirou essa comparação ridícula?
— Quiabo? Acredite: você prefere o meu pau grande e grosso como
uma berinjela. De outro modo, não teria o devorado ontem com uma fome
indisfarçável e uma ingenuidade nata.
— Grego convencido! — Fuzila-me com seu olhar turquesa.
— Digamos que a culpa foi da penitência que me infligiu. — Apenas
lhe lanço um sorriso pretencioso.
— Penitência? Nikky, seu safado! Foram somente 4 dias.
— Para você foi somente quatro dias, mas para mim foi quase como
um mikró martýrio e muitos banhos gelados. Agora, venha aqui! Deixe o seu
homem cuidar de você! — Sigo até a beirada do colchão e puxo o lençol que
está a cobrindo.
Solto um rosnado alto de apreciação masculina quando me deparo com
ela nua, perfeita. Seus seios luxuriosos estão com as marcas da minha
devoção, com alguns pontos avermelhados nas colinas alvas, por conta das
minhas chupadas vigorosas. Seus joelhos estão levemente flexionados, então
meu olhar vasculha a parte do seu corpo que é minha obsessão. Posso
comprovar que embora sua boceta esteja vermelha, pela atividade intensa, seu
néctar primoroso está encharcando suas dobras quentes. Perfeição da porra!
Essa constatação impulsiona todos os meus instintos básicos e já posso sentir
uma corrente eletrizante de desejo sexual se concentrar no meu pau, que
lateja violentamente, ansiando se perder em seu interior apertado. Uma
contração nas minhas bolas também se faz predominante somente com a
fantasia de elas sendo esmagado pelas paredes estreitas da entrada quente e
deliciosa da minha mulher.
— É uma tentação, angelos. Está molhadinha, querendo o meu pau
grande e grosso. — enfatizei presunçosamente, ensandecido pelo tesão.
— Nikky, pare, seu libertino! Se me tomar mais uma vez, vou
necessitar de uma cadeira de rodas no lugar da pomada.
Nada é mais excitante do que ter minha fêmea quente e receptiva. Ela
pode até estar dolorida e querer negar que não anseia por mim novamente,
porém seu corpo está me respondendo de modo claro e objetivo. O que me
incendeia. Só quero me perder nos braços quentes da sua paixão.
— Prometo me controlar, mikró krínos. Vou só chupá-la. — Semicerro
os olhos e a encaro com ímpeto.
Ela cora, parecendo estar recordando das vezes que a tomei de maneira
indecente na noite anterior.
— Safado! Sei! — rebateu descrente. — Ontem você disse o mesmo
antes de me tomar de forma lasciva e despudorada.
— É irresistível, mikri magissa (pequena feiticeira). Na primeira vez
que a vi, pensei que fosse um ser mitológico, uma pequena sereia que surgiu
das profundezas do mar Egeu para me cativar.
— Você está usando isso para justificar sua sem-vergonhice. Ainda me
lembro que em nosso primeiro encontro o seu olhar malicioso devorava os
meus seios. Foi um depravado.
— Não pude me conter. Eles são muito lindos e me desperta um prazer
sublime os contemplar e saborear.
— É. Deu para perceber. Agora, saia já daqui! — Começa a se cobrir,
escondendo toda a sua beleza da minha lascívia desenfreada. — Você
prometeu que hoje passearíamos de jet-ski. E se ficarmos na cama, isso não
acontecerá.
A muito contragosto, concordo. Se eu não sair imediatamente do
compartimento, meu instinto de predador irá me dominar. Mas é quase
inevitável não me sentir assim perto da minha mulher. Sou viciado no calor
da sua paixão. Entretanto, terei que me controlar, mesmo que possa
comprovar o quanto seu corpo cálido e deleitoso está indecentemente ardente.
Consigo farejar seu desejo feminino de longe. Bastaria um beijo quente para
a ter rendida em meus braços, porém lhe darei um tempo para se recuperar.
— Ok, gynaíka. Irei levar o nosso café da manhã para a popa e lhe
aguardar lá. Não demore! Ou virei buscá-la e não sairemos da cama tão cedo.
— Retiro-me do cômodo com um sorriso malicioso.
A brisa do mar atinge o meu rosto e, pela primeira vez em anos, sinto-
me leve. Um sorriso de satisfação estampa minha face quando me lembro de
certas palavras de uma velhinha engenhosa. Talvez minha giagiá estivesse
com a razão. Quando é com a mulher certa, não parece ser nenhum sacrifício.
Meu mikró angelos realmente encantou os meus pappoús kai giagiá (avós).
Eles não paravam de tecer elogios à minha linda esposa.
Theós! De certo, ela ainda não se deu conta de que o nosso acordo de
casamento será por um longo... Longo prazo. E será insolúvel. Estou
determinado a me certificar desse fato.
CAPÍTULO 27
ANGEL ANDREON

3 dias depois

O frescor do mar é espetacular e me traz tranquilidade. A brisa gelada


bate em meus cabelos e eu os prendo com um elástico para evitar que batam
em meu rosto. Chegamos à cidade de Adamas, em Milos, há 3 dias. Aqui é
incrível. Estamos hospedados em uma casa de veraneio que fica em um local
fabuloso, com um panorama invejável. As casinhas branquinhas e todo o
clima natural me encanta.
Hoje cedo saímos para navegar.
Meu marido está muito atencioso comigo, deixando-me ainda mais
confusa em relação ao nosso casamento. Eu sei que é errado nutrir um certo
tipo de devaneio romântico em relação a ele, mas é inevitável. Possivelmente,
irei sofrer quando o fim do acordo acabar. Às vezes fico triste com esse
pensamento, por não saber o que, de fato, esperar desse relacionamento.
Nikky irá me ajudar com Henrique e a retomar o que é meu por direito. Mas,
o que acontecerá conosco depois? Suspiro pesarosa, fitando a imensidão do
mar Egeu. Não sei ao certo e não tenho resposta para essa incógnita que se
formou em minha cabeça. O que ele busca com esse casamento? Creio que
não seja somente por sexo, apesar dessa prática ocupar parte essencial de sua
vida, como pude constatar. Desde que nos casamos, parecemos dois coelhos.
O homem é insaciável e não nega fogo. Incontestavelmente, parece que o
pensamento “transa” permeia sua cabeça 24 horas por dia. É claro que eu
também adoro, embora seja somente uma iniciante nesse quesito. Meu
marido sabe perfeitamente como levar uma mulher ao abismo do desejo com
suas habilidades de amante apaixonado e não me canso de ser enredada pela
sua aura de sedução grega.
Porém, uma pequena lacuna permanece em aberto. Nikky poderia ter
qualquer mulher em sua cama. Então, por que me escolheu? Pude perceber
olhares de cobiça e inveja de algumas mulheres enquanto eu deslizava sobre
o tapete branco, na cerimônia de casamento; principalmente o azedo e
rancoroso de Sophia. Portanto, não me escolheria somente por sexo, de modo
que poderia ter beldades mais experientes e qualificada para si.
Bufo frustrada. Como queria desvendar sua mente neste momento. Ele
está de costas para mim enquanto eu analiso minuciosamente essa parte
desnuda, musculosa e bem trabalhada do seu corpo. Somente agora posso
notar alguns vergões na sua pele. Eu o marquei no auge da nossa paixão. Um
sorriso de deleite chega aos meus lábios assim que me recordo
especificamente da cena. Parecia que meu corpo iria explodir até o espaço
quando ele me golpeou em um ponto estratégico, proporcionando-me um
prazer que supus que me desintegraria no mesmo segundo. Foi esse o preciso
momento em que finquei minhas unhas em suas costas, marcando-o. Não faz
nem 1 hora que fizemos amor... Sexo... E meu corpo já o anseia novamente.
— Droga! Hoje o mar não está para peixe. — ele resmungou, deixando
a vara de pesca de lado.
Ontem mesmo preparou um excelente peixe grelhado com legumes.
Estava divino.
A comida mediterrânea é muito saudável e saborosa, além de ter vários
ingredientes que são afrodisíacos. É por isso que esse homem não nega fogo?
Meu esposo grego é muito intenso e ardente, tanto na cama, como fora dela.
Creio que não seja somente por esse pequeno detalhe.
Quando retorno minha atenção a ele, vejo-o me encarando com um
olhar repleto de safadezas que já se tornou peculiar em suas írises azuis.
— Puta que pariu, angelos! Quer me matar de tesão? — Vem em
minha direção como um predador.
Seu olhar cobiçoso queima cada pedaço da minha pele. Estou usando
uma saída de praia transparente e um minúsculo biquíni branco. Eu o escolhi
especialmente para o provocar. Não que ele precise de incentivo. Já é quente
demais.
— Sabe que se estivéssemos em terra firme, não poderia usar esse
pedaço de pano. Ou, provavelmente, eu surtaria com cada filho da puta
devorando você.
— Não acredito que seja um grego tão antiquado assim, marido. Afinal,
as diversas beldades que sempre o acompanharam, desfilavam quase nuas
pela ilha. E você nunca se importou. — Corroo-me de ciúme ao imaginá-lo
com outra mulher.
Apenas espero que ele não prossiga com seu antigo estilo de vida. Eu
nunca aceitaria tamanho disparate e mandaria nosso acordo para o espaço.
— Os tabloides exageram. E outra: esses encontros eram somente fodas
casuais. Você é minha gynaíka. — Dá um sorriso provocante e me enlaça
pela cintura. — Minha intenção era que descansasse da nossa pequena
devassidão desta manhã, mas, sendo uma sedutora nata, já despertou o meu
garotão.
Deslizo meus olhos pela parede rígida do seu tórax musculoso. Quando
ele me aperta entre seus braços, sinto sua protuberância indecente no meio
das suas pernas.
— Safado! Você só pensa em safadezas 24 horas por dia.
Seu sorrisinho arrogante me enfurece. Ele sabe o efeito devastador que
seu charme grego causa nas mulheres e se aproveita desse fato.
— Nem imagina o quanto tenho fantasiado com você, angelos. —
Despe-me da saída de praia. — Está sentindo, krínos? Meu garotão está
pedindo atenção.
— Mas agora, marido? Eu estava considerando fazer um topless. Meus
seios estão muito brancos e necessitam de um bronzeado. — falei, sendo
provocadora.
— Excelente sugestão, gynaíka. Poderá fazer isso enquanto cavalga
gostoso em meu pau. — o libertino disse sem nenhum pudor.
Logo sua mão ousada está no laço do meu sutiã, desfazendo-se da peça.
Ofego levemente com seu gesto atrevido.
— Nikky, não podemos fazer sexo aqui. É imoral e alguém pode nos
ver. — um raciocínio coerente me surgiu antes que eu me perdesse
novamente em sua deliciosa sedução.
— Não se preocupe! Estamos muito longe da praia. Ninguém nos verá.
Agora, venha aqui! Necessito sentir o gosto do seu beijo. — Toma meus
lábios de modo doce e, ao mesmo tempo, intenso.
Quando sua mão petulante envolve o meu seio, contornando o bico
rígido, entrego-me ao encantador cenário da ilha de Milos e ao calor
escaldante da sedução grega.

4 dias depois

Hoje é o nosso último dia em Milos. Estar aqui é como estar em um


paraíso tropical incomparável. E a companhia agradável do meu marido deixa
tudo ainda mais agridoce. Nikky faz eu me sentir a mulher mais amada do
mundo, como se quisesse me recompensar pelo que me foi negado por anos.
Apesar de já morar na Grécia há algum tempo, nunca pude aproveitar, de
fato, suas belezas em uma viagem como essa. Ele me levou a diversos
passeios, inclusive à praia de Sykia, onde visitamos suas cavernas em um
pequeno bote. É bem habituado ao lugar e tem sido um excelente guia. O
safado não perde a oportunidade de, em cada parada, seduzir-me. Fomos
também ao pequeno vilarejo de Plaka, onde pudemos ter um lindo panorama
do restante da cidade, já que fica em um local mais alto. E o pôr do sol visto
de lá é esplendoroso. É claro que registramos tudo.
Se eu acreditasse em contos de fada, diria que tive meus dias de
princesa. Contudo, sei que em breve enfrentarei uma tormenta com Henrique.
Estou distraída, deitada na espreguiçadeira da casa de férias. Somente
percebo a chegada de Nikky quando ele está muito próximo.
— Está distraída, Angel. — Há preocupação em seu semblante.
— Estou pensando em nossa volta e no confronto com Henrique. —
confessei o meu temor
Ele se senta ao meu lado, puxa-me para os seus braços e beija
suavemente os meus cabelos.
— Não precisa se preocupar, angelos. Estou com você agora, e eles não
podem mais impor nada contra a sua vontade. Também não permitirei que te
machuquem novamente. Aliás, eu devia ter comentado antes que iniciei uma
investigação contra ele.
Tenho certeza que esse homem não facilitará as coisas. E, no fundo,
tenho medo de que possa fazer algum mal ao meu marido. Deus! Eu não
suportaria.
— Por favor, Nikky, tenha cuidado! — supliquei.
— Não se preocupe, meu mikró krínos! Quem necessita temer é
Henrique. Porque se for encontrada alguma prova sórdida contra ele, não
terei receio de usá-la ao meu favor.
— Obrigada! — Soluço, sentindo uma pontada de tristeza por causa de
toda essa situação.
Meu marido logo espanta essa emoção melancólica para longe quando
me embala em seus braços quentinhos. Neles, eu me sinto segura e protegida.
— Creio que é como um anjo protetor que surgiu em minha vida. —
revelei.
— Você que é meu mikró angelos. Agora, quero ver um sorriso neste
lindo rosto. — falou com tanta confiança que me encheu de esperança. —
Que tal um passeio pela praia?
Aceito prontamente. Só quero esquecer o dissabor que em breve
enfrentaremos.
CAPÍTULO 28
ANGEL ANDREON

15 dias depois

Eu encaro o oceano abaixo de nós e um tremor violento percorre o meu


corpo. Queria poder considerar que é pelo voo, todavia, por infelicidade, sei
que meu nervosismo tem nomes e sobrenome: Henrique e Eaton Harley.
Minhas mãos apertam com força o estofado da poltrona do jatinho só por me
imaginar na presença diabólica de ambos. Nikky decidiu que somente agora
será o momento oportuno para os confrontar. Eles já receberam um
comunicado oficial dos advogados deles informando sobre o nosso
casamento e que em breve estaríamos na América para resolvermos as
burocracias e trâmites legais do processo para que a direção dos resorts
Harley passe à verdadeira dona. Porém, uma incerteza me domina. Agora,
que chegou o momento, não me sinto preparada.
Deus! Quanto tempo esperei por essa ocasião? Tenho que adquirir
coragem para enfrentar essa situação. — pensei determinada.
Estou usando um elegante vestido tubinho da cor creme, da Chanel, e
lindas sandálias da mais recente coleção da Gucci. Quem diria que eu teria
novamente uma coleção das mais diversas marcas de luxo e grife? É claro
que em um primeiro momento eu não queria aceitar. Mas meu marido foi
incisivo e me presenteou até mesmo com uma bolsa incrustada de diamantes
e banhada a ouro branco, fabricada pela Mávro Diamánti. Ele é bem
persuasivo quando quer.
— Tem vergonha de mim? — Faço um biquinho manhoso nos lábios.
Ele me olha sem compreender.
— É evidente que não, krínos. Creio que onde você morava, não
existiam espelhos. Poderia até estar vestida com trapos velhos, porque
absolutamente nada ofuscaria a sua beleza. Com o nosso casamento poderá
desfrutar de todo luxo que lhe foi negado e, claro, usufruir do dinheiro que é
seu por direito.
— Pode ser, Nikky. Mas isso não é importante para mim. Aprendi
muitas coisas aos longos anos sozinha. O que mais me importa são as coisas
simples da vida. — Ele apenas sorri. — Do que está rindo?
— É por isso que foi a escolhida, angelos. Qualquer uma que estivesse
em seu lugar, agora estaria eufórica, surtando com os meus cartões de crédito.
Devo reconhecer que amo essas qualidades nobres que mencionou. Não é só
uma mulher bonita, como também uma que cultiva princípios elevados.
Sua confissão aqueceu o meu coração. A cada dia que passa, ele vem
ganhando pontos comigo e fazendo morada nesse lugar tão especial. Não tem
como blindá-lo do charme arrebatador grego.
Eu estava tão distraída em meu conflito interior, que apenas me atentei
à realidade quando senti sua palma quente envolvendo a minha mão fria e
trêmula. Seu polegar acaricia suavemente a minha pele, transmitindo-me
confiança e mandando a minha insegurança embora.
— Dentro de 10 minutos aterrissaremos no aeroporto de O’Hare. Tudo
bem?
Aceno com a cabeça e a recosto em seu ombro.
Após pousarmos, percebo uma fila de seguranças já nos aguardando,
um carro logo atrás com mais deles e um outro preto à nossa disposição.
Nikky está com o braço enlaçado em minha cintura como se quisesse me
assegurar de que não estou mais sozinha, que ele está comigo. Sorrio como
uma boba.
Estamos nos aproximando do automóvel escuro, de vidros fumê,
quando detecto um flash surgir em nossa direção. Percebo que são repórteres.
Imediatamente uma parede de seguranças nos cerca, impedindo que eles se
aproximem além do limite estipulado. Em seguida, somos bombardeados por
diversas perguntas. Meu marido responde as menos inconvenientes
prontamente e uma delas me chama a atenção. Prendo todo o ar em meus
pulmões.
— Quem é a bela mulher misteriosa que o acompanha, Andreon? —
um jovem rapaz questionou.
Nikky para abruptamente e o encara, atento. Sua mão aperta com maior
firmeza a minha cintura, demonstrando possessividade.
— É a minha esposa, Angel Andreon. Parece que está mal informado
para um repórter, jovem. — ele o respondeu em um inglês fluente e
carregado de humor.
Nós nos acomodamos no veículo e o motorista coloca o carro em
movimento de modo seguro. Meu coração ainda está martelando dentro do
peito.
— Nikky, tem ciência de que acabou de incentivá-los a vasculharem
sobre minha vida?
— Foi exatamente essa a minha intenção, gynaíka. Quero que toda a
América saiba que a legítima herdeira Harley está de volta. Chega de fugir!
— Lança-me um sorriso pretencioso.
Depois do curto percurso do aeroporto até a mansão Harley, encontro-
me apreensiva. Agora chegou o momento de confrontar o meu passado. Noto
que há outro veículo na entrada da propriedade e que há duas mulheres
praticamente seminuas sendo seguidas por dois “cães” de guarda de
Henrique, deixando o imóvel e indo até o carro em questão. Um mau
presságio transpassa por mim, porém se evapora quando sinto a mão firme de
Nikky envolver a minha e me auxiliar a subir os poucos degraus. Minhas
pernas vacilam por um breve momento, contudo ele me transmite a coragem
que necessito.
Finalmente chegou o dia de confrontar o meu “querido” tio usurpador.
Eu detecto que a empregada que nos recebe não é minha querida Emma
e meu coração se aperta ao imaginar que Henrique pode tê-la demitido.
Quando chegamos à sala, ele vem surgindo do escritório. Sua cara azeda não
é das melhores e posso ver a raiva refletida em seus olhos castanhos. No
entanto, contém-se. Consigo notar também que seu desejo é me esganar pelo
meu atrevimento de estragar seus planos gananciosos.
— Senhor Harley, creio que deva ter recebido a visita do meu
advogado, que lhe repassou todos os detalhes do processo para que a legítima
herdeira Harley possa tomar posse do que, de fato, é seu por direito. — Nikky
proferiu, demonstrando sua habitual confiança exacerbada.
— Claro, senhor Andreon. Não sei que histórias da carochinha minha
querida sobrinha andou lhe contando, mas... — Trava a mandíbula em pura
raiva mascarada. — Ela sempre foi uma garota impertinente que fugiu de
casa ainda na adolescência. E, por mais que eu tenha gastado rios de dinheiro,
não consegui localizar seu paradeiro. Até naquele dia, quando a vi em sua
mansão, na Grécia. — Olha-me de maneira cortante e gelada, quase me
perfurando com sua frieza.
Que mentiroso asqueroso! Minha vontade é de quebrar na sua cabeça
maquiavélica uma linda estátua de cavalo que está próxima a mim, porém me
controlo.
— Não me interessa saber os detalhes da vida pregressa da minha
gynaíka, ainda mais por uma fonte sem credibilidade alguma. — meu marido
rebateu, sendo implacável e segurando com maior firmeza a minha mão.
— A questão, senhor Andreon, é que sou o tutor legal de Angel. Ela
não podia ter se casado sem a minha permissão. — Comprime os lábios.
— Correção: o senhor era o tutor dela, não é mais. É óbvio que fez um
péssimo trabalho em relação à segurança e bem-estar do meu mikró angelos.
— Percebo que ele também faz um tremendo esforço para não golpear e
apagar Henrique com um único soco. Sua fisionomia sugere exatamente isso.
— Angel agora, como minha gynaíka, é minha responsabilidade. E,
diferentemente de você, eu cuido do que é meu.
Henrique trinca o maxilar em uma expressão de raiva incontida.
— É evidente que reconheço que estou em desvantagem. Porém não
deixarei definitivamente a gerência dos resorts. Irei me tornar o vice-gerente.
Também tenho os meus direitos. — sua voz saiu baixa, mas foi perceptível a
sua astúcia.
— Certamente. No entanto, irei realizar uma auditoria externa para
apurar minuciosamente se o patrimônio de Angel foi bem administrado
durante os últimos anos.
Henrique engole em seco.
— Está sugerindo que tenho fraudado meu próprio negócio? —
despejou a indagação como se estivesse ofendido. Que hipócrita!
— Para o seu próprio bem, esperamos que não tenha nenhuma
inconveniência ou irregularidades nos empreendimentos da MINHA gynaíka.
Não serei tolerante se houver algum equívoco. — meu marido advertiu.
— Nikky... — murmurei tentando me esquivar da presença abominável
do meu tio. Sua aura sombria me causa vertigem.
— É melhor continuarmos essa conversa no escritório. — meu esposo
determinou. — Creio que Angel está cansada da viagem.
— Certamente. — ele confirmou. — Acredito que minha sobrinha
ainda saiba onde fica cada cômodo da mansão. — disse com desdém.
— Perfeitamente, Henrique. — falei finalmente, sentindo um forte
enjoo devido à sua presença.
— Ora, ora! Nada mais de “titio”? — Seu sorriso é seco e debochado.
— Você não merece o título. — respondi com um desprezo evidente.
— Afinal, de fato, não é nada meu. — falei azeda.
— Está bem impertinente, garota. — Continua irado, apesar de fazer
um esforço tremendo para não demonstrar isso.
— Ela não é mais uma garota. Angel é uma mulher agora. A minha
mulher.
— Infelizmente. — ele murmurou baixinho.
Que miserável! Eu sinto uma dor intensa e meu coração se oprime
quando imagino que sou a responsável por trazer meu esposo exatamente ao
olho do furacão. Sei que Henrique, além de ser astuto, é inescrupuloso.
Nikky unicamente o ignora e se vira em minha direção.
— Calma, krínos! Ele quer exatamente que você caia na provocação
dele. — sussurrou para que apenas eu escutasse, tentando me tranquilizar. —
Aguarde-me no quarto! Em breve estarei com você. — Deposita um rápido
selinho em meus lábios. Neste momento vejo a cara de asco de Henrique. —
Tenho que enxotar alguns ratos para fora. — Dá um sorriso.
Apenas aceno com a cabeça e subo as escadas, observando os dois
sumirem pelo compartimento do escritório. Meu coração palpita acelerado,
pelo medo da crueldade que aquele homem pode usar contra o meu marido
unicamente pela ambição de poder.
Eu sigo para o meu quarto e uma sensação desconhecida e aterradora
toma conta do meu ser. Passo perto de um corredor estreito e,
inesperadamente, sinto mãos imundas me agarrarem e me puxarem para um
canto. Um corpo forte me encosta na parede, prensando sua pele asquerosa
contra a minha. Só agora percebo que é Eaton. Meu coração acelera como
uma precursão.
— Minha preciosa Angel, está de volta. Não sabe como senti sua falta,
querida. — Desliza a palma quente e repugnante da sua mão sobre a pele do
meu rosto. — Tão linda! Parece uma boneca de porcelana, por ser tão frágil
e, ao mesmo tempo, bela. — Seu olhar castanho é cheio de cobiça.
Minha respiração está agitada e eu observo, com asco, seus olhos
demoníacos descerem até meus seios. Meu coração estremece assim que me
lembro daquela noite tenebrosa.
— Não me toque! — pedi em um fio de voz.
O homem inescrupuloso ignora completamente minha advertência e eu
sinto seu toque odioso deslizar pelo meu braço, levando-me a tremer de
pavor. Logo ele segura minha mão e toca em minha aliança. Imediatamente,
sua cara se obscurece e um lampejo de ódio a cruza.
— O que o advogado afirmou é verdade? Você se casou com um
bilionário grego? — inquiriu como se tivesse algum direito sobre mim. Seu
rosto está vermelho e, pela sua fisionomia, só falta soltar “fogo pelas ventas”.
— Sim. É tudo verídico. — afirmei sentindo um regozijo imensurável.
— E se entregou para ele? — indagou baixo, com advertência na voz.
— Eu vou acabar com esse grego maldito se ele tiver tocado pelo menos um
dedo em você.
Eaton só pode estar louco. Quem pensa que é para querer controlar
minha vida? Adquiro uma coragem que nunca imaginei que teria, olho-o com
todo o meu desprezo e me afasto bruscamente do seu toque repulsivo.
— Claro que me entreguei. Ele é o meu marido. E, diferentemente de
você, não tentou me forçar, nem nada do gênero. Eu o escolhi.
Uma risada descrente sai por entre seus lábios finos e nojentos. Só
consigo sentir nojo da sua atitude doentia. Está parecendo mais um insano
desprovido de racionalidade.
— Sentiu prazer com ele? Não passa de uma vagabunda. Deveria ser
somente minha, sua puta maldita! — Em um rompante de raiva, sua mão
rodeia o meu pescoço e eu temo pelo pior. Entretanto, não demonstro medo.
São desses sentimentos que monstros como Eaton se alimentam.
— Se não fosse tão bonita, neste momento já estaria com o rosto
marcado. Eu faria questão de deixar minha marca em sua pele sedosa para
saber verdadeiramente a quem pertence. — Minha respiração se agita de
novo, mas Eaton não aprofunda a pegada em meu pescoço. Inesperadamente,
solta-me e se afasta, encarando-me com obstinação. — Será minha. Nunca
abrirei mão de você. — Um sorriso sórdido estampa suas feições.
— Acontece que não sou um objeto ou um ser inanimado para lhe
pertencer, Eaton. — retruquei com rispidez.
— Será minha, nem que seja a última coisa que eu faça nesta vida
miserável. Não sabe como foram difíceis os longos anos sem você aqui,
minha preciosa. Pensei que estivesse morta. Durante todos o período, eu me
corroí de culpa por ter sido tão estúpido de tê-la deixado escapar. — Creio
que só pode estar ficando louco. Sua expressão é tão fria quanto o gelo, sendo
impossível detectar qualquer rastro de humanidade nela. — De qualquer
maneira, seu marido poderá sofrer algum acidente a qualquer instante. Nunca
se sabe. Imprevistos sempre acontecem. Não é mesmo, querida? — Um
sorriso brilhoso e doentio surge. — No fim será uma viúva jovem e
extremamente rica.
Meu coração para repentinamente de bombear dentro do peito por
causa de suas ameaças.
— Você é um monstro, Eaton. Não sabe como tenho nojo de você. Não
permitirei que faça qualquer mal ao Nikky. Ele não tem nada a ver com isso.
— falei determinada, renovando-me de coragem.
— Ora! Está agindo como uma esposa devota e apaixonada. —
sussurrou baixo, sendo intimidador. Em seguida, segura firmemente o meu
braço, machucando-o. Sua mão é como uma garra que esmiuçaria os meus
ossos. — É melhor que não esteja, querida. Posso me tornar um verdadeiro
insano se ao menos supor que sua pequena rebeldia se refere a algo mais
profundo pelo bastardo do grego.
— E se for esse o caso? E se eu estiver apaixonada pelo meu marido?
— provoquei, mesmo sabendo que é pouco provável isso acontecer.
Seu semblante se entenebrece e, com a mão livre, ele soca a parede a
poucos centímetros do meu rosto, levando-me a estremecer. Percebendo
minha reação, responde rapidamente.
— Eu não suportaria, querida. Portanto, não me provoque! Não estou
brincando. Não sabe o quanto fiquei louco à sua procura. A cada detetive que
fracassava, meu coração morria por eu imaginar que nunca mais a veria. —
Percebo que sua mão está sangrando quando ele começa a afagar a pele
macia do meu rosto.
A bile chega a subir em mim, com tamanho asco, porém me controlo.
— Está completamente louco, Eaton. — Desvio o meu rosto para um
lado, esquivando-me do seu toque tenebroso.
— Sim. Sou louco por você, preciosa. E sei que, no fim, poderá me
amar. — afirmou com uma convicção impressionante e um sorriso sádico.
— Nunca! Eu nunca poderia amar um ser tão sem escrúpulos quanto
você. É nojento o desejo doentio que sente por mim. Solte-me! Eu não sou
mais aquela menininha indefesa que, em outro momento, você e Henrique
tentaram manipular, de quem tentaram se aproveitar. — Afasto-me da sua
proximidade.
Ele não me impede, porém se mantém em uma posição próxima. Posso
detectar um brilho ardiloso surgir em seu olhar.
— Percebo que sua língua está mais ferina. E eu adoro um desafio.
Ainda me deve por aquela noite, Angel. Fiquei com uma pequena cicatriz por
culpa do seu ataque. De um jeito ou de outro, vou cobrar essa dívida. —
Aproxima-se outra vez tão rápido quanto uma serpente. Não consigo me
desviar dos seus dedos ásperos, que tocam em meu queixo e o eleva, fazendo-
me encará-lo. — E você se tornou o meu desafio particular. Custe o que
custar, irei fazê-la me desejar.
— Nunca! — enfatizei.
— Veremos. — Seu sorriso é irredutível e seu semblante demoníaco. O
qual se dissolve quando, de modo abrupto, seu corpo asqueroso é afastado de
perto de mim.
— Afaste-se da senhora! — imediatamente percebo que não estamos
mais sozinhos. — Temos ordens de acompanhá-lo até a saída. — Estevão,
chefe de segurança do meu marido, disse com firmeza.
— Quem ordenou tamanho absurdo? — ele perguntou, travando a
mandíbula severamente.
— Ordens do senhor Andreon. Se não sair por sua própria vontade,
terei que removê-lo usando um método que não lhe agradará, senhor. —
assegurou com seu porte avantajado que intimida até mesmo um homem mais
intrépido.
— Não será necessário. Sairei por iniciativa minha. — afirmou
soberbo, ajeitando o seu casaco amarrotado. Ainda está irado por ter sido
tratado de tal maneira peculiar, contudo percebeu que está em desvantagem.
— Até breve, Angel. — murmurou orgulhoso com uma expressão gélida que
demonstrou que ele não esquecerá da pequena afronta.
Solto um suspiro, aliviada, quando o vejo sendo escoltado para fora da
mansão. Meu organismo ainda sente os efeitos do choque: minhas pernas
estão trêmulas e as batidas do meu coração ainda não estão em um ritmo
normal. Buscando um refúgio, entro no primeiro quarto de hóspedes que
encontro. Não estou pronta para entrar em meu antigo quarto, que me trará
recordações dolorosas daquela noite tenebrosa. Desabo sobre o colchão
macio e somente agora dou vazão às minhas lágrimas. Choro. Não
suportando a pressão, quero desabafar toda a minha tristeza e angústia.
Parece que estou em meio a uma tempestade de nuvens densas e escuras.
Não sei por quanto tempo fico entregue à minha amargura, mas apenas
quando a porta se abre e a figura imponente de Nikky se faz presente, um
lindo sorriso volta a brilhar em meu rosto. Ele é como o sol radiante que
afugenta a tempestade para longe. Será que Eaton está certo? Estou me
apaixonando pelo meu marido? É por isso que uma dor intensa ruge em meu
peito apenas por eu pensar que ele está em perigo? Não suportaria se algo de
ruim lhe acontecesse. Meu coração se estilhaçaria em um milhão de pedaços.
— Gynaíka, quase não consegui encontrá-la. Os ratos agora estão bem
longe da mansão. — Dá um sorriso confiante enquanto se aproxima de mim.
Quando percebe meu estado vulnerável, estagna no lugar. — O que houve,
angelos? Alguém te machucou? — perguntou com preocupação.
— Não. Agora estou bem. — assegurei.
— Não é o que parece. Posso constatar rastros de lágrimas em sua face.
Estava chorando. — disse antes de vencer o resto da distância que nos
separava.
Ele me embala em seus braços poderosos e sua mão enxuga
delicadamente cada resquício de lágrima que ainda restava em minha face. É
tão bom estar em seu abraço. Seu cheiro único misturado ao seu perfume
almiscarado me deixa inebriada na sua paixão. Carinhosamente, ele começa a
distribuir beijos suaves por todo o meu rosto.
— Faça amor comigo, Nikky! — pedi baixinho.
— Sempre, gynaíka. — Toma suavemente os meus lábios, que,
instantaneamente, cedem passagem para a sua língua habilidosa se infiltrar e
saquear o meu sabor. É tão sublime o seu beijo.
Logo sua mão ousada está no zíper do meu vestido e meu ser estremece
em um desejo violento, sentindo ondas de faíscas percorrerem meu baixo
ventre e se espalharem pelo meu corpo. Quando suas mãos experientes tocam
em cada centímetro da minha pele exposta com maestria e precisão, deixo-me
levar pelo fogo da nossa paixão.
CAPÍTULO 29
ANGEL ANDREON

1 mês depois

Faz mais de uma hora que descobri que estou grávida e não paro de
chorar. Não sei porque cargas d’água estou nesse estado deplorável. Deveria
estar contente, pois bebê é sinônimo de alegria e bênçãos. Claro... Essa
insegurança talvez se deve ao fato de eu não saber o que esperar do meu
casamento. O que Nikky pensará disso tudo? Com a confirmação de que uma
vida está sendo gerada dentro de mim, tudo mudou completamente. Antes era
uma suposição, e agora é algo real. Meu coração, de certa maneira, regozijou-
se ao saber que estou gerando uma vidinha. Mas, e meu marido? Aceitará o
bebê? Não faço a mínima ideia de como irei contá-lo.
Há exatamente duas semanas, minhas suspeitas começaram a ganhar
uma proporção mais congruente. Além da constatação óbvia do atraso
menstrual, o cansaço fácil e a sonolência excessiva eram sinais de que meu
corpo estava mudando. Meu organismo estava se adaptando à formação do
bebê. Meus seios já fartos ficaram mais sensíveis e se tornaram maiores.
Também, o mero cheiro de algum aroma forte passou a me deixar enjoada.
Por isso, hoje pela manhã decidi ir a uma farmácia e criei coragem para
comprar um teste. Um não, três. A propósito, queria ter a confirmação exata.
E em todos, o resultado foi, claro, o mesmo: positivo.
É evidente que quando fui ao estabelecimento, estava cercada por um
batalhão, porque Nikky não me deixa sair sem essa segurança. A qual
entendo perfeitamente o quanto é necessária; principalmente aqui, na
América, no mesmo lugar onde aqueles dois inescrupulosos se encontram.
Quando cheguei lá, tive que inventar uma desculpa qualquer ao chefe de
segurança do meu marido, para que ele me aguardasse do lado de fora.
Um dos motivos que me levaram também a tirar essa dúvida foi a
estranha ânsia que senti ontem à noite de comer uma torta de atum. Isso foi a
gota d'água para mim, pois odeio esse peixe. Porém, minha boca se enche de
água apenas por eu imaginar a fatia macia e saborosa de sua massa misturada
ao recheio. Creio que Emma deve ter um pedaço guardado dela na geladeira.
Como sempre, foi muito precisa e atendeu ao meu pedido, preparando a
bendita torta. Fiquei muito feliz quando comprovei que Henrique não a
dispensou.
Henrique! Sinto asco apenas por me recordar desse nome. Desde que
ele e Eaton foram escoltados — para não dizer expulsos — da mansão, sinto-
me com o ânimo renovado. Há um mês estamos na América.
Meu marido sai cedo de casa e só retorna à noite. Creio que as
burocracias de todo o trâmite do processo estão o consumindo, apesar de ele
não permitir transparecer isso. Ainda não visitei a sede dos resorts, pois não
me sentiria bem na presença desprezível daqueles dois.
Estou sentada em uma poltrona, ao lado da janela do meu quarto. A
bela paisagem do pôr do sol deveria me prender a atenção, porém não
consigo focar nele. Toco em meu ventre, que ainda está liso e plano, e um
sorriso singelo se desenha em meu rosto. Mais uma vez, ele é banhado por
uma torrente de lágrimas.
Eu estava tão absorvida na miríade de sentimentos que me
transbordava, que não tinha notado ainda que não estava mais sozinha no
quarto. A figura imponente do meu marido me olha com ternura e apreensão.
Ele veio mais cedo hoje? Está tão bonito em seu terno escuro que não
esconde sua virilidade potente. Fico extasiada pela sua beleza grega. Por que
tem que ser tão lindo, como um pecado? Tenho vontade de me jogar nos seus
braços fortes e protetores.
Sinto o meu coração palpitar forte no peito. Será que existe uma
definição real para amor à primeira vista? Nunca acreditei nisso, mas agora
percebo que somente aceitei a proposta de Nikky porque, de certo modo, eu o
amo. Como poderia definir de outra maneira? Quando ele está perto de mim,
meus dias são radiantes e eu me sinto leve. Parece que posso tocar nas
estrelas. Esse homem faz com que eu me sinta assim.
E, por alguma razão, não quero pensar, muito menos ficar insegura
sobre a gravidez. Tento ser racional e não me deixar guiar pelos meus
hormônios, que se encontram em um verdadeiro pandemônio, porém tenho
que ser realista e me lembrar do nosso contrato de casamento. Apesar disso, o
que me acalenta é saber que quando o nosso acordo chegar ao fim, terei um
pedacinho dele comigo.
Bufo, frustrada com meus pensamentos em conflito. Não suporto
imaginá-lo buscando conforto nos braços de outra mulher daqui a alguns
meses, quando estarei gorda e feia. Meu coração dói somente por pensar
nessa possibilidade, porque, no fundo, desejo ser correspondida e que ele
esteja apaixonado por mim. Entretanto, sei que homens como Nikky não se
apaixonam. Tenho a percepção dessa verdade. E guardar essa ilusão tola
apenas me machuca.
— Theós! O que está acontecendo? Eu te notei mais inquieta nos
últimos dias, e agora tem essas crises de choro sem um motivo aparente. Está
me deixando preocupado. — houve apreensão em sua voz.
Sua figura máscula se aproxima de mim e, instantaneamente, seu cheiro
singular penetra em meus sentidos, trazendo-me calmaria em meio às
tempestade de emoções que estou vivendo.
— Sinto muito.
Ele me ergue da poltrona e me acalenta em seus braços calorosos. É tão
bom estar neles e poder sentir seu coração bater tão descoordenado quanto o
meu. Sinto-o começar a secar minhas lágrimas de modo carinhoso.
— Diga o que está a afligindo, meu mikró krínos! E eu darei um jeito.
— assegurou convicto.
Sem raciocinar com clareza, respondo:
— Não é nada que não se resolva daqui a alguns meses. Creio que essas
crises sejam por causa dos hormônios.
— Theós! O que está sugerindo, gynaíka? — questionou tenso.
Seu corpo está rígido. Por mais que ele tenha cogitado naquele dia, na
cabana, que estaria tudo bem se a possibilidade da gravidez fosse real, creio
que não esteja preparado para tal confirmação. Dessa vez, eu o encaro,
percebendo um vinco de apreensão formado em sua testa. Suponho que ainda
está absorvendo o impacto das minhas palavras.
— Parabéns, Nikky! Será papai em breve. Acabei de descobrir que
estou grávida. — falei tudo de uma vez, voltando a chorar mais forte.
Ele fica momentaneamente sem reação. Será que não quer o bebê?
Estou nervosa e ansiosa por uma resposta.
— Theós! E, não deseja o bebê? — Sua face está tencionada.
— Claro que quero. É meu filho ou filha. Como não poderia querer?
Sua feição relaxa e ele solta um longo suspiro de alívio.
— Por um segundo cogitei que não o quisesse e me senti culpado.
— É evidente que quero. Bem... Suponho que ambos tenhamos a nossa
parcela de responsabilidade. Naquela noite não nos atentamos ao pequeno
detalhe da proteção. — Eu solto um suspiro desalinhado e ele ri baixinho.
— A única coisa que estava povoando minha mente pervertida era
estourar sua pequena e doce cereja. — confessou de um jeito provocante.
— Safado! Agora terá que arcar com o resultado das suas safadezas.
— É evidente, gynaíka. Mas, i kardiá mou (meu coração), por que os
surtos de choro?
— Como mencionei anteriormente, creio que seja culpa dos malditos
hormônios, dos medos e inseguranças. Tudo é muito novo para mim. —
confidenciei.
Ele desliza suavemente seu polegar sobre a pele macia do meu rosto,
enxugando os últimos vestígios de lágrimas. No mesmo instante, meu
organismo se aquece. É tão delicioso o seu toque. Meu corpo já o reconhece e
o corresponde de uma maneira inexplicável.
— Sim. Compreendo. E, apesar de desejar esse filho, arrependo-me por
ter sido intrépido e a engravidado. É muito nova ainda. Possivelmente, não
esteja preparada para a maternidade. — Detectei pesar em sua voz.
— Reconheço que no primeiro instante foi um choque. Por mais que
existisse essa possibilidade, fui pega de surpresa. Mas não sou nenhuma
adolescente, Nikky. Muitas jovens se tornam mães antes mesmo de saírem da
puberdade. Não vou dizer que estou preparada, porque serei mãe de primeira
viagem, mas desejo essa criança. Meu coração já transborda de amor pelo
serzinho que nós dois fizemos. — Sinto uma alegria imensurável por ter um
pedacinho dele dentro de mim.
Vejo seu sorriso orgulhoso e me sinto acalentada. Ele deseja o bebê.
Por um milésimo de segundo, considerei que pudesse não o desejar. Isso me
estilhaçaria por dentro.
— E o que a aflige, então? — sua pergunta conteve uma dose de
inquietação.
Como ele não compreende? Claro... As mudanças não serão no seu
corpo. Continuará com seu físico invejável e orgulho grego inquebrantável.
Enquanto eu estarei tão gorda quanto uma melancia. E não posso me
esquecer do principal: o nosso casamento é regido por um trato.
— As incertezas do nosso casamento. — Ele me olha sem entender,
parecendo não perceber a lógica das minhas palavras. — Nossa união não é
real. — ressaltei o óbvio.
Sua expressão agora é de total incredulidade.
— O que pode ser mais real do que um filho, angelos?
— Não estou me referindo à criança, Nikky; refiro-me ao contrato de
casamento. — fui objetiva.
Eu tento me afastar do seu toque, porém ele não permite. É difícil
manter um pensamento coerente perto de sua presença. Por que tem que ser
um grego tão irresistível?
— Theós! Glykia mou agapi (Meu doce amor), é isso que está te
atormentando? Se tivesse lido o contrato, teria visto que se trata unicamente
de um procedimento legal. Nenhuma cláusula está relatando especificamente
sobre o término do nosso casamento. Até mesmo porque isso não ocorrerá.
— Seus olhos se cerram e me analisam minuciosamente. É como se ele se
recordasse de algo. — Puta merda! Está se referindo ao que mencionei antes
de assinar o acordo? — Afirmo com a cabeça, recordando-me perfeitamente
das suas palavras gélidas frisando que nossa união teria um período. —
Compreendo que posso não ter sido claro nas minhas declarações. Naquele
momento, eu não tinha a certeza exata se realmente estava disposta a se casar
comigo. Por essa razão falei sobre ser algo temporário. — Dá de ombros,
exibindo sua fisionomia mais relaxada. — Eu estava usando as cartas que
tinha à minha disposição para obter uma resposta positiva sua. Contudo, o
nosso casamento não se dissolverá. Esteja certa desse fato!
— Então, será real? — Sinto uma rajada de ânimo me inundar.
— Quer algo mais real do que o que compartilhamos? Nossa química é
perfeita.
— Não estou me referindo a sexo, Nikky, e sim a sentimentos.
Putz! Caramba! Compreendo que estou agindo mais como uma tola
carente. Homens odeiam falar sobre sentimentos; ainda mais um libertino
como ele. Droga! Pelo menos posso colocar a culpa nos malditos hormônios.
Vejo-o se afastar um pouco de mim, parecendo analisar suas próximas
palavras. Depois passa as mãos pelos seus cabelos escuros, desalinhando-os.
— Eu não sou bom com palavras doces e melosas, krínos. No entanto,
o nosso casamento não durará somente um ano ou algo do gênero e eu nunca
permitiria que você fosse embora, porque eu... — Respira fundo e permanece
em silêncio total.
Considero que ele não continuará, portanto o incentivo, apesar de saber
que é quase impossível ouvir as palavras que meu coração anseia
fervorosamente.
— Porque...?
Ele foca em mim novamente e eu comprovo a imensidão do seu...
amor? Seria possível?
— Estou apaixonado por você, mikró. É algo novo para mim. Nunca
me senti assim antes.
Penso que minhas pernas não conseguirão me sustentar. Escutei
corretamente suas palavras? Nikky está se declarando para mim? Oh, Deus!
Sinto o meu coração quentinho, repleto de amor, e simplesmente me jogo em
seus braços, sendo recebida com ternura e carinho. Salpico o seu rosto com
vários beijos.
Como eu poderia ser uma garota tão sortuda? Encontrava-me na
escuridão completa até um lindo anjo grego surgir em minha vida. Nós
parecíamos estar predestinados assim como um rio tem o seu destino traçado
em direção ao mar. Era inevitável o nosso encontro.
— Está realmente apaixonado por mim? — Olho-o, ainda
completamente incrédula.
Suas mãos possessivas rodeiam a minha cintura, fazendo nela uma leve
carícia.
— Sim. Desde que um lindo xanthos angelos se jogou em frente ao
meu carro e a confundi com uma linda sereia que tinha adquirido pernas e ido
à terra firme para me cativar. — Dá um sorriso maroto. — Não consigo tirá-
la da minha cabeça. Além de ter despertado o meu ardor, quando detectei o
seu olhar triste e perdido, tudo que meu instinto protetor me alertava era que
eu queria tirar para bem longe toda a tristeza que via nele. Eu queria protegê-
la e não consegui evitar. Foi impossível não me apaixonar por você. É tão
doce e espirituosa que cativa todos à sua volta.
Toco em seu rosto, percebendo sua barba já despontando, e fixo os
olhos na sua boca firme e perfeita desenhada indecentemente para levar uma
mulher à loucura do prazer. Eu o encaro com todo o amor que sinto dentro do
peito. Agora compreendo porque existem melodias e poemas de amor que
tocam tão profundamente na nossa alma. É porque é o sentimento mais
genuíno e perfeito que há no mundo, e aflora em nossos corações como algo
eterno e muito precioso. Não tenho medo de amar.
Não consigo formular uma única frase coerente. Apenas saboreio sua
declaração. Espero que ele possa ler em meus olhos o amor que está refletido
neles.
— Angel, meu precioso mikró krínos, não serei seu cavalheiro em uma
armadura brilhante, pois sou apenas um homem imperfeito. — Segura
ternamente a minha mão e a leva aos lábios para depositar um beijo suave
sobre minha pele macia. Meus olhos se inundam de água novamente. Depois,
ele coloca minha palma sobre o seu órgão mais valioso, o coração, fazendo-
me sentir suas batidas rítmicas. — Cada batida que ele dá, é por sua causa, tin
polýtimi agápi mou (meu precioso amor).
— Nikky, é... lindo. — consegui, por fim, formular uma frase lógica
sem me desmanchar em pranto.
Ele apenas me lança um sorriso charmoso.
— Ah! Obrigado, glykia mou agapi! Fico feliz que me considere pelo
menos bonito. Mas não sou somente um corpinho gostoso para me usar e um
rostinho atraente para se distrair. — Pisca um olho travesso.
Rio do seu senso de humor. Ele tem conhecimento de que é tão lindo
como um deus grego contado na mitologia. Não irei envaidecer o seu ego já
colossal.
— Seu bobo! Sabe que não me referi a isso. — Enxugo algumas
lágrimas que, teimosamente, insistem em deslizar pelo meu rosto.
— Sim. Mas admito que sou um bobo loucamente apaixonado por
você, to mikró mou (minha pequena) Angel. — reforçou, erguendo-me nos
braços e me levando em direção à cama.
Safado! Eu já imaginava onde terminaria o nosso joguinho amoroso. É
óbvio que não me farei de rogada, pois adoro cada fase da sua sedução grega.
Já sinto as labaredas da luxúria incendiar meu corpo.
Nikky me deposita sobre o colchão e seu olhar devasso não esconde
suas intenções libidinosas. O que causa uma comichão de prazer pelo meu
organismo.
— Vai me aceitar assim, o ángelós mou? Um bobo loucamente
apaixonado por você? — Fita-me com aquele olhar indecoroso de molhar
qualquer calcinha.
Agora entendo perfeitamente sua fama de “aniquilador de calcinhas”. O
cretino sabe usar seu poder de sedução. Já posso sentir uma poça de desejo
me inundar.
O safado esbouça um sorriso presunçoso e convencido. Que mulher,
em sã consciência, conseguiria resistir ao efeito grego de Nikky Andreon?
— Como não aceitaria? — questionei de volta. — Eu também te amo,
Nikky Andreon! Mas não estava disposta a admitir até que você assumisse
primeiro os seus sentimentos. — sussurrei, aninhando-me em seus braços
quentes e protetores.
Seu sorriso é convencido. Cretino! Estava aguardando a minha
confissão. Logo começa a afagar levemente a minha pele. Seus lábios deixam
um rastro de beijos pelo meu pescoço e sua mão ousada toca levemente o
meu ventre, deixando-me tensa. Tenho a compreensão de que o meu corpo
está mudando e que em breve estarei tão gorda quanto um boneco de neve. A
insegurança me assola. Quando eu estiver nesse estágio, meu marido irá atrás
de outras? É um homem quente e muito intenso no sexo. Meu coração se
aflige apenas por imaginar essa possibilidade.
Percebendo minha repentina mudança, ele questiona:
— Qual é o problema, gynaíka? — Encara-me preocupado.
— Eu serei suficiente? — inquiri um pouco insegura, lembrando-me da
vida de libertinagem que ele tanto estimava antes de eu me intrometer em seu
caminho com meus infortúnios. Ele foi como o meu anjo no momento da
minha aflição.
Nikky me encara com o rosto perplexo, em pura descrença.
— Desde que surgiu em minha vida, não existe espaço para nenhuma
outra, meu mikró krínos.
— Nem mesmo Sophia? — perguntei enciumada.
Seus olhos estão semicerrados.
— O que quer saber?
— Sente alguma coisa por ela ainda?
— O que poderia sentir, angelos? — Demonstra um sorriso
pretensioso. — Está com ciúme?
Não quero que ele saiba o quanto pode me afetar suas ações.
— Tenho motivos para estar?
— Definitivamente não, mikró. É verdade que Sophia e eu fomos
noivos, porém nosso relacionamento era somente um acordo de negócios que
não veio a prosperar. Houve um equívoco no passado que fez com que fosse
desfeito o nosso trato. — Pude notar frieza em sua voz. Seu relato foi como
se o compromisso com a ex-noiva tivesse sido algo insignificante em sua
vida.
— Traição? — indaguei receosa. No mesmo instante tenho vontade de
morder a língua.
Caramba! Posso ver que sua fisionomia mudou drasticamente.
— Sim. Então já advirto, gynaíka, que o único homem com quem
poderá sonhar, serei eu. Não permitirei que nenhum outro permeie os seus
pensamentos. — sussurrou ao meu ouvido.
Ele retoma as carícias enlouquecedoras e sua mão atrevida abarca
possessivamente o meu seio. Seu polegar acaricia a área sensível, deixando
os meus bicos eriçados. Minhas mamas estão mais responsivas, de maneira
que já me sinto incendiar com seus manejos ousados.
— Que grego medieval! Nunca imaginei que ainda existissem. —
provoquei-o quase em um rosnado sensual.
— Pois esteja certa de que cuido do que é meu! Nem imagina o quanto
sou possessivo, i kardiá mou. Serei o único que habitarei em seus sonhos e
subconsciente, de preferência a fodendo gostoso. — enfatizou com malícia.
Já posso sentir minha intimidade pegajosa, ansiosa para o receber.
Rapidamente, um calor escaldante e visceral insiste em meu baixo ventre. A
minha intimidade já está ansiosa para sentir sua língua talentosa. Não demora
muito para que ele me desnude completamente das vestimentas, deixando-me
exposta ao seu olhar lascivo e cobiçoso. Sem pressa, vai para onde eu mais o
desejava. Com a cabeça entre minhas pernas, proporciona-me um prazer
inigualável. Alguns instantes depois, meus gemidos desinibidos preenchem
todo o ambiente do quarto. Estou inteiramente entregue ao fascínio de Nikky
Andreon. Todos os meus sentidos estão prestes a explodir em uma miríade de
sensações prazerosas e infindáveis enquanto meu marido me toma de modo
intenso e despudorado.
CAPÍTULO 30
ANGEL ANDREON

Dois meses depois

Mantenho um sorriso no rosto enquanto desfilo ao lado do meu marido


pelo saguão do majestoso resort Harley, que fica situado em Lincoln Park,
próximo à praia de North Avenue. Esse é o principal do grupo Harley. A
maioria dos sócios estão presentes aqui, com suas esposas. E como Nikky
agora é o responsável legal pelos meus empreendimentos, todos desejam me
rever, a herdeira que, por muitos anos, ficou reclusa da sociedade. Não queria
me inteirar sobre a desculpa esfarrapada que Henrique usou para alegar
minha ausência nos principais eventos sociais, mas Emma me descreveu uma
prévia. Ele, inescrupulosamente, espalhou que depois da perda devastadora
dos meus pais, eu me tornei incapacitada e que, por esse motivo, permaneci
isolada na mansão.
Todos me olham com certa curiosidade, óbvio. Depois de anos sumida
do círculo social, é compreensível que a volta da herdeira Harley, casada com
um bilionário grego e grávida cause um certo burburinho. Na primeira
semana que retornamos à América fomos manchete nos principais jornais dos
Estados Unidos, já que .eu marido detém grande influência no mercado
financeiro. Então, já era concebível essa magnitude em relação ao seu nome.
O comunicado oficial do nosso casamento alavancou assustadoramente as
ações da Mávro Diamánti. O que, consequentemente, refletiu positivamente
nos resorts Harley.
Quando fiquei ciente do meu estado gestacional, dei início ao meu pré-
natal com a doutora Albertina, uma obstetra muito simpática e expressiva.
Como eu estava ansiosa para descobrir o sexo do meu bebê, ela me indicou a
sexagem fetal, um exame de sangue simples com uma técnica não invasiva. 3
dias depois já soubemos o resultado: Nikky e eu teremos uma linda
menininha. Como forma de surpreendê-lo ao contá-lo sobre o sexo do bebê,
comprei uma linda pulseira infantil com um pingente de sapatilha rosa.
Quando lhe entreguei o estojo com a joia, no primeiro instante, ele não
compreendeu nada, até que se atentou ao pequeno detalhe da cor do objeto.
Nesse momento seu olhar tentava reter algumas lágrimas, mas pude perceber
sua emoção, que aquecia o meu peito. Meu marido será um excelente pai.
Estamos entretidos, conversando com o senhor e a senhora Simon,
quando avisto as figuras aterradoras de Henrique e Eaton, ao longe, e
estremeço. Nikky, que está com um braço ao redor do meu corpo, em um
gesto protetor, questiona:
— Tudo bem, gynaíka? — Não tenho tempo de lhe responder, porque
ele logo percebe meu olhar nos dois sórdidos. — Não se preocupe, i kardiá
mou! Em breve esses vermes malditos serão enxotados da direção da Harley.
É questão de pouco tempo para a averiguação ser concluída. Tenho absoluta
certeza que serão encontradas evidências sólidas em breve. — afirmou com
uma raiva contida na voz.
— Assim espero. Só não me sinto à vontade na presença desses dois
embustes. — murmurei baixinho para que somente ele ouvisse.
— Não pode se estressar. Isso não fará bem à bebê. Estou com você
agora; não está mais sozinha.
Passo a mão levemente na pequena protuberância do meu ventre, que já
demonstra claramente a minha condição gestacional. Meu gesto é uma ação
nítida de proteção. Desejo fervorosamente manter minha filha segura de
pessoas inescrupulosas como Eaton.
O homem sombrio imediatamente crava seus olhos odiosos em meu
abdômen, observando minuciosamente minha ação. Percebo que suas feições
demoníacas rapidamente se obscurecem, exibindo uma cólera mortal. Está
fazendo um tremendo esforço para se controlar. Logo o vejo comunicar algo
à Henrique e abandonar o salão em passadas rápidas, indo em direção à saída.
Sinto minha respiração voltar ao ritmo normal agora. Não tinha nem
me atentado que estava a prendendo.
— Filho da puta! Pelo menos um verme a menos no evento. Não gostei
da maneira que ele te olhou, angelos. Não sabe o extremo esforço que tive
que fazer para não o brindar com um soco. — Somente neste momento
constato sua pegada possessiva em minha cintura.
— Ele não pode mais me fazer nenhum mal. — assegurei, sentindo um
arrepio gelado subir pela minha coluna.
— Eu nunca permitiria, Angel. Você e a nossa filha são minhas joias
mais preciosas. — Exala um sorriso sedutor no seu rosto de ângulos
perfeitos.
Sinto-me quente com sua presença grega arrebatadora, porém noto que
não sou a única a ser afetada pela sua aura dominante de macho alpha. Já
posso perceber alguns olhares femininos indiscretos na sua imagem viril. O
que está me deixando irritada.
— Agora a sociedade deseja rever a herdeira Harley. Venha! — Antes
que eu possa dizer algo, ele me guia entre os demais convidados,
cumprimentando-os.
Fico muito feliz ao reencontrar a senhora Adams no evento, o meu anjo
protetor de alguns anos atrás. Ela está acompanhada de um senhor simpático
e nós conversamos por alguns minutos. Depois seguimos para o salão de
refeição. Nikky está sentado ao meu lado direito à mesa que ocupamos,
acompanhados de mais dois casais; um de meia-idade e outro formado por
um homem bem mais velho e uma jovem morena de olhos castanhos e porte
extremamente sexy. Ela é muito bonita, provocadora, e por um instante supus
que fosse alguma peça da minha mente. Entretanto, durante o decorrer da
refeição, a vadia, que está sentada próxima ao meu marido, não para de se
insinuar para ele. Seus risinhos cheios de malícia não me passam
despercebidos e vez ou outra ela toca no seu braço para lhe perguntar algo
como se estivesse em uma conversa casual. E, apesar de Nikky a responder
no modo automático, em diálogos monossilábicos, é notório que a mulher o
encara com desejo. Sinto o clima tenso durante toda a refeição, embora ele
mantenha o seu cuidado comigo e, a todo momento, pergunte se estou bem.
Meu sorriso é contido, só que meu imenso desejo é de despejar a sobremesa
na cara da vadia.
A taça de sorvete está quase intacta, assim como ficaram os pratos
servidos anteriormente. O meu apetite desapareceu subitamente no momento
em que detectei a vaca ardilosa secando meu marido com olhos cobiçosos e
sem pudor algum. A sorte de Nikki é que ele não está lhe dando a mínima
atenção. Apesar de aparentar cordialidade, a fachada dele é fria, mas, mesmo
assim, ela continua com suas investidas descabidas. Se estivesse
correspondendo aos flertes descarados da morena sonsa e desqualificada, sua
preciosa berinjela estaria em sério perigo.
Depois do término da refeição indigesta, ele me leva para circular pelo
salão, prosseguindo com as apresentações. A maioria dos convidados não
disfarça a curiosidade em me rever.
Em um determinado momento, quando Nikky e eu estamos sozinhos
em um ponto um pouco mais afastado do salão, percebo-o mais fogoso. Sua
mão petulante desliza pelo meu braço, causando uma rajada poderosa de
vibrações deleitosas pela minha pele. Sinto uma deliciosa quentura incendiar
meu baixo ventre quando meu olhar cruza com o seu azul do Egeu. Posso ver
fogo, paixão e mistério nublando o seu olhar indecente. O safado está cheio
de segundas intenções.
— Gynaíka, o jardim do resort é fenomenal. Creio que será interessante
um passeio ao ar livre. — Seu rosto másculo se resplandece de luxúria e,
indecorosamente, ele pisca um olho malicioso para mim, causando-me uma
resposta devastadora.
Já sinto um poço de desejo inundando a minha intimidade. Safado
convencido! Até posso colocar a culpa nos meus hormônios por estar tão
tarada por sexo quanto ele, mas a verdade é que Nikky Andreon se tornou o
meu vício secreto.
— Nikky, não sei se é uma boa ideia. — falei em um breve lampejo de
lucidez, sentindo minha respiração ofegante.
— Não se preocupe, angelos! Prometo que será indecentemente
delicioso o nosso passeio. — murmurou sensualmente ao meu ouvido com
seu sotaque quente e sexy.
Cretino gostoso! Já posso sentir minha intimidade palpitar, ansiosa pela
sua posse. Não tem como resistir ao seu charme grego. Quando já estou
prestes a ceder à sua sedução, somos interrompidos por um garçom
intrometido. Rapidamente, o jovem rapaz dá um recado ao meu marido,
apontando para um senhor que está no outro lado do salão, que faz um gesto
com a cabeça. Observo quando Nikky solta uma imprecação por ter seu plano
frustrado.
— Maldição! — Há um ardor contido em suas írises azuis. — Querida,
espere-me lá no jardim, na estufa de flores! Em breve irei ao seu encontro. —
Seu sorriso é de predador.
Dirijo-me ao ponto específico enquanto ele caminha em direção ao
homem em questão. Pelo menos, neste preciso momento, não há
movimentação próxima à estufa.
Um frio gelado transpassa pela minha pele, fazendo-me arrepiar.
Abraço o meu corpo, desejando que sejam os braços quentinhos do meu
marido. Só espero que ele não demore muito. Fixo meu olhar no brilho
esplendoroso da lua, que está adornada por infinitas estrelas, e posso ouvir o
som do mar se quebrando ao longe. Meu sorriso se aquece. É um belo
panorama para fazer amor, por conta do aroma doce das flores e da brisa
marítima.
Faço uma leve caminhada para me manter aquecida do frio, admirando
a paisagem do lugar. É inevitável não relembrar o quanto meus pais deram
duro para manter os empreendimentos da família sólidos. Espanto a
lembrança dolorosa para longe, somente querendo me recordar deles com
alegria. Quero manter suas imagens de vivacidade.
Vejo que estou em um ponto muito afastado do local combinado
quando detecto que o lugar está um pouco escuro. Nikky pode chegar a
qualquer momento, portanto resolvo retornar. Então, avisto sua figura
masculina vir pelo caminho que dá acesso à entrada principal e meu sorriso
se aquece. Contudo, ele se desvanece quando percebo a mulher sedutora se
aproximar dele de um jeito fatal. Para a minha infelicidade, é a vadia que
estava lhe secando na hora do jantar. Atrevidamente, ela rodeia o braço em
seu pescoço, em um gesto íntimo. Será que já foram amantes? Que se dane
essa puta desqualificada! Minha vontade é de arrancar os dois olhos da
biscate fora. Ela não tem sequer um pingo de consideração pelo senhor que
estava a acompanhando?
Nikky afasta o braço dela, parecendo irritado com sua atitude, mas a
puta, sendo insistente, agacha-se e leva as mãos ao cós da calça dele. Mesmo
sob a frágil penumbra é perceptível que um sorriso provocante adorna os
lábios da morena ao comprovar o volume indecente formado na frente da
vestimenta do safado do meu marido. Ele já está excitado.
É o estopim para o fim da minha paciência. Não vou ser feita de tola,
muito menos de corna, e ficar observando pacificamente a vadia se preparar
para chupar o pau dele. Uma raiva incontida nubla meus sentidos e embrulha
meu estômago. Tenho a plena concepção de que desta vez não é pela
gravidez a súbita sensação de mal-estar. Só quero pôr a vadia no lugar dela.
Porém, como não posso colocar a minha bebê em risco, uma ideia travessa
surge em minha mente e eu a ponho em ação. Nikky rapidamente a afasta do
seu corpo e eu não dou tempo de ambos se recuperarem da situação
estarrecedora. Vou até o painel onde liga o sistema de irrigação e o ativo,
fazendo esguichar água para todos os lados.
Com a cabeça erguida, deixo o evento. Não ficarei um segundo a mais
nesse lugar. Espero que Nikky esteja aproveitando o banho gelado, porque
nesta noite é somente isso que o cretino vai ganhar.
CAPÍTULO 31
NIKKY ANDREON

Porra! Pela milésima vez me recrimino. Devia ter sido mais contido e
não ter me deixado guiar pelos desejos indecentes do meu pau, só que minha
mulher estava tão gostosa com suas curvas esplendorosas marcadas pelo
vestido prateado que usava, que me deixou aceso apenas por contemplar
tamanha perfeição. Foi difícil desfilar com ela por todo o evento, sentindo o
meu membro inflamado pelo desejo que ela me suscita. E tive a percepção de
que não era o único a admirar sua beleza pelo salão. O olhar de luxúria que
alguns filhos da puta a lançaram, deixaram-me em cólera. Minha única
vontade era de, em vez de agir como um ser civilizado, soltar um bramido
feroz e gritar “ela é minha”.
Meu desejo é feroz e quase irracional quando aprecio suas curvas
acentuadas e exuberantes. Ela está carregando o meu herdeiro, e eu me sinto
extasiado e orgulhoso.
No momento em que me deparei com a Anélia Demyankov no evento,
pressenti que ela seria uma encrenca das grandes. Minha ex-amante é uma
mulher de temperamento provocador e, mesmo estando acompanhada do seu
novo provedor, exalava perigo eminente. Não demorou muito para que eu
pudesse ver suas pequenas insinuações durante o jantar. Seus gestos e toques
discretos poderiam passar despercebidos por um olhar menos minucioso. É
evidente que a ignorei propositalmente, mas apesar da minha fachada se
manter austera, a mulher persistia em seus flertes descabidos. Em um
determinado instante, ousadamente, ela tocou em minha coxa. Sua mão
inconveniente não escondia sua intenção libidinosa ao percorrer um caminho
tortuoso em direção ao meu pau. Rapidamente e discretamente, eu a segurei e
a recuei da área de perigo.
Se minha adorável gynaíka ao menos se inteirasse da ação despudorada
de Anélia e eu estivesse a incentivando — o que não foi o caso — meu
garotão estaria em sério perigo.
Não serei dissimulado. Se fosse em outro momento, eu teria adorado o
jogo de provocação dela e relembraria com satisfação os velhos tempos.
Porém, ela não me desperta nenhum entusiasmo. A única que detém
completamente o poder sobre o meu corpo e meus pensamentos mais
devassos é minha esposa gostosa, que a cada dia fica mais deliciosa e
radiante. Angel também tem um temperamento intempestivo. Não me passou
despercebido o seu autocontrole para não arrancar os olhos de Anélia fora.
Deve ter notado os toques desnecessários e inconvenientes dela em meu
braço. Eu só estava a tratando com polidez porque seu acompanhante é um
cliente em potencial.
Depois do jantar, eu devia ter me atentado ao detalhe de que a mulher,
como uma provocadora nata, não recuaria do seu propósito de sedução. E foi
exatamente o que aconteceu quando ela me seguiu até o jardim. Eu estava
altamente excitado, com o desejo transbordando pelo meu corpo, ao imaginar
as indecências que pretendia fazer com minha gynaíka gostosa. Meu pau
estava extremamente rígido, louco para entrar dentro dela e a reivindicar para
mim. Porém, antes de encontrá-la, fui surpreendido pelo ataque sensual e
desinibido da morena. Porra! Tive que me conter para não esganar seu
pescoço gracioso e delgado na hora. Ela veio com aquela conversinha fiada
de que estava com saudade e que queria relembrar os velhos tempos. Deve ter
notado que Angel estava mordida de ciúme e quis provocá-la. A partir do
momento em que não correspondi aos seus joguinhos de sedução, tornei-me o
seu desafio particular.
Após afastá-la insistentemente, percebi que já era tarde demais. Meu
mikró krínos já tinha nos flagrado na situação comprometedora. Quando senti
os primeiros jatos de água fria nos atingirem, olhei ao redor e vi minha
mulher graciosa deixando o evento em passos firmes e decididos. Nesse
instante percebi que estava fodidamente ferrado. Saí do lugar o mais rápido
que consegui, deixando para trás uma Anélia contrariada por ter sua
aparência impecável estragada, e não retornei, ou seria o centro das fofocas.
Quando cheguei ao estacionamento, comprovei que, pelo menos, minha
mikró tinha voltado para casa em segurança, já que Estevão não se
encontrava lá. Isso me deixou aliviado. Apenas um dos seguranças, em um
dos carros pretos, estava me aguardando.
Agora, ao chegar à mansão, dirijo-me diretamente à nossa suíte. Não a
encontro no quarto. Ela deve estar irritada ainda com o pequeno teatrinho
provocante de Anélia.
Tomo um banho rápido, troco de roupa e vou à procura dela. Se eu não
tivesse visto o carro prata estacionado ao lado de fora, teria ficado aflito ao
não lhe avistar aqui. Adentro o escritório e, finalmente, vejo a mulher etérea e
deliciosa próxima à janela. Seu perfume doce e provocante age como um
delicioso feromônio em meus sentidos de alpha. Ela é irresistível. Meu ardor
já estava parcialmente controlado, pelo banho gelado, só que ao vê-la tão
linda e deslumbrante, com suas curvas voluptuosas, fiquei cheio de tesão.
Logo sou tomado pelo desejo irrefreável que somente Angel me faz sentir.
— Finalmente a encontrei, gynaíka.
Ela foca em mim brevemente, mas depois retorna seu olhar para a
paisagem do lado de fora. Ainda parece bastante irritada com o episódio que
aconteceu no jardim.
— Por que deixou o evento daquele modo abrupto?
— Eu estava somente evitando uma situação vexatória. — Não se vira
em minha direção. Está tão deliciosa em seu vestido prateado. A
protuberância em seu ventre me deixa repleto de orgulho, já que é a indicação
de que em breve a nossa herdeira estará conosco. — Espero que tenha
desfrutado do boquete daquela lambisgoia desqualificada, porque hoje, meu
marido, irá dormir no quarto de hóspedes. — houve insatisfação em sua voz.
Ergo uma sobrancelha e dou um sorriso torto. Meu mikró angelos está
mordido de ciúme ainda? Nem tem a compreensão de que é a única dona dos
meus pensamentos mais devassos e libidinosos. Todos os meus sentidos estão
ligados a ela. Será que não percebeu que nenhuma mulher daquele evento me
interessava o mínimo? A que desejo unicamente e fervorosamente está diante
de mim agora, e a única boca que quero no meu pau é a dela.
— Por acaso, meu angelos, tem algo a ver com o pequeno incidente no
jardim?
Ela apenas dá de ombros, como se não soubesse de nada.
— A que parte se refere, Nikky? — Um leve sorriso travesso adorna o
seu rosto suave. — Percebo que trocou de roupa, marido.
— Foi necessário, gynaíka, depois que uma mikró travessa ligou o
sistema de irrigação das flores. — Aproximo-me lentamente dela, testando o
terreno, quando percebo que suas feições se atenuaram.
— Achei que as flores do jardim estavam um pouco secas e pensei em
refrescá-las. — Morde o lábio inferior delicadamente, contendo um sorriso.
— Tentei evitar um desastre maior e quis refrear o dano.
— Uuhhh! Quer dizer que tenho uma gynaíka possessiva? —
Acabando com a pouca distância que nos separava, enlaço-a pela cintura. —
E, a propósito, não teria ocorrido dano algum. Aquele episódio com Anélia
foi somente uma desagradável inconveniência.
— A lambisgoia tem nome? Aposto que se trata de uma amante. — Ela
tenta se afastar dos meus braços, entretanto não permito.
— Calma, minha korítsi! Anélia é uma ex-amante sim, do passado. Não
irei ocultar esse detalhe e fingir que nunca a vi em minha vida. Porém, nosso
envolvimento foi há alguns anos, nada recente. Ela tem uma natureza
provocante, mas sabe que as chances de engatarmos qualquer relacionamento
é inexistente.
— Cretino! Você estava a correspondendo. Eu vi que estava excitado.
Não negue! — Suspira, visivelmente irritada.
— É claro que eu estava excitado. Aliás, ainda estou duro pelo desejo
insatisfeito. Mas minha excitação se deve a um certo angelos loiro que ocupa
meus pensamentos devassos. Todo o meu ardor se devia à premeditação do
encontro com você, minha gostosa. Recorda-se? — Afago levemente sua
cintura, que está um pouco mais larga por causa da gravidez. Entretanto, para
mim, ela continua apetitosa, como sempre foi. — Não compreendeu o meu
recado? Eu devia ter sido mais explícito? — questionei-a com um sorriso
fogoso, demonstrando todas as minhas intenções voluptuosas. Meu pau ainda
está sofrendo com o tesão não satisfeito.
— Você é tão sem-vergonha, Nikky! E eu sou uma tola por cair em sua
lábia de safadeza. Não sei nem por qual motivo estava inclinada a aceitar que
me seduzisse em pleno jardim do resort.
— Porque você, minha gynaíka gostosa, estava louca para me dar a
boceta. — sussurrei indecentemente ao seu ouvido, sentindo seu corpo
pequeno trepidar diante de minhas palavras devassas.
— Cretino convencido! Pois esteja ciente de que agora não estou
inclinada para a sua sedução.
— Não faça isso, mikró! Meu pau ainda está em um estado decadente.
Estou louco para a sentir. Prometo meter gostoso.
— Safado! Pois devia ter pensado nisso antes de permitir que aquela
morena desmilinguida o tocasse de modo íntimo.
— Mas eu não permiti. Foi aquela louca que praticamente se jogou para
cima de mim.
— Bela justificativa, marido. Só que devo ressaltar que foi minha
intervenção que conseguiu esfriar os ânimos?
É a minha vez de rir ao me recordar da pequena travessura da minha
korítsi. Anélia saiu furiosa do jardim, com os cabelos e roupas em um
emaranhado de confusão, pela água gelada. Parecia a rainha do gelo
derretendo. Foi cômico.
Retorno a atenção à minha beleza exótica, analisando seus ângulos
suaves e belos detalhadamente, comprovando que ainda existe rastros de
ciúme em sua expressão. E, por mais que esteja tentando ocultar, é nítida a
sua tez mais avermelhada.
— O da Anélia, creio que esfriou. Ela saiu furiosa e toda molhada do
jardim. Precisava ver sua cara de irritação. Apesar de ter meus planos
frustrados, nunca me diverti tanto.
— Ah, seu cretino! Quer dizer que confessa que teve seus planos
frustrados?
— É evidente, já que minha intenção era fazer amor gostoso com você
em meio às rosas. No entanto, o banho de água fria não conseguiu abaixar o
ardor do meu pau. Ele está quente, latejante, faminto e louco para entrar em
seu corpo.
— Safado! — Ela arfa levemente.
Sua pulsação está mais agitada. O que confirmo quando deposito um
beijo suave na curva do seu pescoço delgado, sentindo seu cheiro doce e
feminino invadir meus sentidos ao se desprender da sua pele deleitosa e
macia. É um aroma único, extremamente viciante e sexy para caralho.
Theós! Não sei que tipo de encanto minha korítsi me lançou, mas estou
perdido de desejo. Ela é como o meu raio de luar que ilumina minhas noites
escuras e de tormentas. Seus olhos azuis são repletos de um mistério que me
incita a querer desvendar todos os seus fascínios. Está impregnada em mim e
já fixou o seu lugar no órgão que bate forte e ensandecido de desejo por ela: i
kardiá mou.
— Agora, venha aqui! Preciso senti-la; de preferência, sem barreira
alguma. Irá receber uma bela surra de pau pela sua impertinência. — avisei
em um tom cafajeste. Minha mente libidinosa já está a mil imaginando sua
doce redenção.
Sem demora, tomo seus lábios suculentos com volúpia, sentindo-me
incendiar. Sua boca tem um gosto de luxúria indomável e eu anseio tanto me
perder no desejo incontrolável que somente minha beleza exótica me
desperta. Eu a sinto trepidar quando intensifico o momento, inserindo a
língua ousadamente entre seus lábios cálidos e reproduzindo um beijo
devasso e quente que anseio repetir na sua intimidade enquanto estiver
bebendo o mel do seu prazer. Ao mesmo tempo em que ela se derrete com
meus toques voluptuosos, eu a pego em meus braços e a deposito sobre o
amplo estofado do escritório, venerando o seu corpo como algo inestimável.
A pequena protuberância em seu ventre me deixa orgulhoso e eu admiro sua
silhueta mais exuberante, com curvas gloriosas. Está linda carregando o
nosso bebê.
Agora compreendo perfeitamente as palavras da minha giagiá.
“Você desejará que ela seja sua única mulher; desejará ardentemente
que ela seja a mãe dos seus filhos. Cada batida do seu coração vai ser
sincronizada com o dela e ambos terão sonhos em comum que almejarão
conquistar juntos.”
Sorrio. Ela é uma velhinha perspicaz.
— Nikky, seu safado! Ainda não me esqueci do que ocorreu no jardim.
— murmurou sensualmente, tentando demonstrar que ainda está chateada.
Contudo, já posso ver as labaredas da paixão a consumirem.
Meu sorriso cafajeste se amplia.
— Prometo que esquecerá quando estiver com o meu pau dentro de
você. — Ela me olha de um jeito inocente e sensual que me deixa louco. — E
depois de eu reverenciá-la com minha língua. — sussurrei indecentemente,
piscando um olho malicioso para ela.
Sem demora, exponho minha intenção quando alcanço o zíper do seu
vestido e o desço até a altura da cintura. Suas colinas alvas e fartas ficam
expostas para a minha apreciação quando a livro da próxima barreira frágil, o
sutiã. Seus montes firmes e luxuriosos são perfeitos; é um espetáculo
indecente e sublime que me fixa totalmente a atenção.
Minha gostosa está completamente entregue e sensual em meus braços.
Com o polegar contorno um bico intumescido e sensível, sentindo-a
estremecer. Porra! Que gostoso, caralho! Eu ouço um gemido sexy sair da sua
boca saborosa e meu organismo se desestabiliza com o choque provocado
pelo tesão. Meu cacete vibra em antecipação às delícias que degustarei em
breve.
Intrepidamente, introduzo uma mão entre suas coxas macias e roliças,
levantando o seu vestido até a linha da cintura e a expondo completamente à
minha lascívia. Afasto a calcinha para um lado e urro violentamente ao
comprovar o quanto ela está ansiosa pela minha posse. Sua bocetinha melada
não disfarça o desejo incontido pelo seu homem.
— Está irresistível, gynaíka. — Rasgo a peça do seu corpo.
— Nikky, seu devasso! — Arfa levemente.
— Sim, o ángelós mou. O seu marido devasso está louco para te comer
gostoso. — murmurei, rouco pelo tesão.
Não me contenho por muito tempo. Após algumas trocas de carícias e
preliminares ardentes, já estou totalmente enterrado dentro dela. Ela me
recebe como se fosse uma luva perfeita e ambos somos absorvidos pelo
intenso prazer escaldante que transborda dos nossos corpos em uma paixão
tórrida que nos domina.
CAPÍTULO 32
NIKKY ANDREON

6 meses depois

Minha vida não poderia estar mais perfeita. Depois de muitas


investigações e trabalho árduo, finalmente consegui destituir de vez Henrique
da direção dos resorts Harley. A apuração das averiguações indicou que ele
vinha se apropriando dos lucros dos empreendimentos para benefícios
próprios. Inclusive, um dos resorts estava sendo utilizado para a prática de
exploração sexual. Muitas imigrantes, principalmente da América Latina,
eram usadas como barganhas e oferecidas lá, onde ele transformou em um
nightclub do sexo. Vários milionários, de diversos lugares do planeta,
frequentavam esse lugar e pagavam quantias exorbitantes para obterem noites
regadas a prazeres. Foi encontrado também indícios de tráfico de drogas e
contrabando de bebidas ilícitas e falsificadas. O que explica o fato do
patrimônio dele ter crescido substancialmente nos últimos anos. As denúncias
e provas agravaram consideravelmente sua situação, e agora ele está detido
em uma penitenciária de segurança máxima, aguardando julgamento.
Regozijo-me ao me recordar da cara do velho maldito quando o FBI o
surpreendeu. E não foi somente esses fatores que me deixara abismado, como
também as fortes evidências de que ele arquitetou o acidente dos pais de
Angel. Por isso comecei outra investigação particular e sigilosa sobre esse
fatídico episódio de anos atrás. E, há cerca de duas semanas, o detetive entrou
em contato comigo e me trouxe notícias reanimadoras sobre esse caso. Algo
que meu mikró krínos não pode saber no momento. E prefiro que seja dessa
maneira. Ela está grávida, e quero evitar qualquer estresse que possa
complicar sua condição, visto que já está nos dias finais da gestação. A
qualquer instante nossa pequena pode vir ao mundo, e não quero a afligir
com grandes emoções. Já basta todo o inconveniente enfrentado contra
Henrique nos últimos dias. Mesmo que ela tente não demonstrar, percebi que
ficou abalada por descobrir tantos podres do tio.
Mas creio que a notícia que tenho a fará imensamente feliz. Fiz questão
de ir pessoalmente ao encontro da pessoa e fiquei surpreso pelas revelações.
Também o deixei inteirado da situação atual. Será mais uma carta na manga,
uma prova e testemunha que terá o imenso prazer de depor contra aquele rato
inescrupuloso. Seu depoimento vai ser o ápice final para deixar o velho
maldito atrás das grades por longos anos. Por mim, ele apodrecerá na cadeia.
Mas, por outro lado, não seria interessante o surgimento dessa
testemunha no momento. Eaton ainda está livre e pode tentar fazer algo.
Então, tudo terá que ser mantido em segredo, porque não é seguro alertar o
inimigo, principalmente quando ele está em larga desvantagem. É quando o
desespero toma conta e eles agem como seres irracionais.
Nos últimos meses tive que intercalar entre algumas viagens para a
Grécia e os Estados Unidos, porém, na maioria do tempo, fiquei controlando
a Mavró Diamánti à distância. Dimitri foi me repassando tudo que acontecia
na sede principal, em Mykonos, e algumas conferências foram feitas por
videochamadas. Dessa maneira venho aproveitando a minha estadia na
América para ampliar ainda mais os negócios que têm alcançado um
constante crescimento exponencial. No mês passado foi realizado um grande
evento de desfile de joias em Las Vegas, que reuniu as mais conceituadas
marcas e grifes do mercado mundial. O lançamento da coleção Mávro foi um
verdadeiro sucesso e impulsionou as vendas da filial americana. Eduard,
como criador dela, representou a companhia.
Apesar da viagem ser relativamente curta de jatinho, tenho evitado essa
prática, já que meu glykós ángelos (doce anjo) não pode me acompanhar.
Desde o sétimo mês de gestação tenho evitado viajar, principalmente se for
internacionalmente ou para longe. A gravidez da minha gynaíka está saudável
e ela foi comigo à Grécia todas às vezes nos últimos meses, porém quando foi
restringida disso pela sua médica, decidimos permanecer na América até o
nascimento da nossa filha. E não quero deixá-la sozinha, por mais que eu vá
passar apenas um breve tempo longe, pois o filho da puta do Eaton está livre.
Minhas entranhas fervem somente por pensar na maneira indecente que ele
olha para a minha mulher. Tenho vontade, toda vez que o vejo, de golpeá-lo
até que sua vida miserável se sucumba.
Por infortúnio, não foi encontrada nenhuma prova concreta que possa
comprometer esse verme maldito, entretanto tenho a plena convicção de que
participava ativamente do esquema criminoso do pai, apesar de ter se
mostrado surpreso e revelar uma expressão inocente quando o FBI invadiu o
resort e levou Henrique preso. Será questão de pouco tempo para ele fazer
companhia ao maldito, pois as investigações prosseguem a todo vapor e
tenho a absoluta certeza que logo encontrarão algum vestígio do seu
envolvimento inescrupuloso nas ilegalidades, já que ambos sempre deixaram
algum fio solto. E, definitivamente, não quero perder sua queda por nada,
assim como saboreei a derrota do outro criminoso. O que ele está pagando
não é um por cento da dor que infringiu à minha Angel durante tantos anos.
Saio da sede dos resorts Harley depois de um dia exaustivo de trabalho.
A repercussão negativa da atitude de Henrique está recaindo sobre a empresa
e estou tentando refrear os danos. Uma equipe competente de advogados está
focada em reverter uma tragédia maior. Será um processo lento, mas creio
que em breve os resorts estarão intactos e livres de toda sujeira que aquele
homem cometeu.
Sigo em direção ao estacionamento. Hoje, mais cedo, dispensei Estevão
para que ele escoltasse minha gynaíka na sua consulta de rotina com a
médica. Por infelicidade, não pude acompanhá-la, como costumo fazer
sempre. O pandemônio que Henrique deixou na empresa não permite, no
momento, que eu me ausente.
Avisto o carro preto e vou até ele, olhando impacientemente o relógio
de pulso. Estou 5 minutos atrasado para o meu compromisso com o detetive
particular, o senhor Hermes. Aciono um dos botões emborrachados da chave
do automóvel e destravo as portas, contudo um rápido pensamento me surge,
fazendo com que eu me recorde que esqueci de trazer comigo o estojo com
uma joia que comprei para Angel na hora do almoço. Foi inevitável. Quando
avistei um belo par de brincos de safira e foquei na pedra preciosa, soube que
eles deveriam pertencer a ela. A beleza do brilho das duas gemas azuis
resplandecem como algo singular e majestoso, da mesma maneira que sempre
imagino o brilho radiante do o glykos mou angelos (meu doce anjo), que é
cheio de energia, de amor, e invadiu minha vida e i kardiá mou. Não vejo a
hora de retornar para casa e fazer amor com ela.
Sorrio de um jeito devasso. Quanto mais antes eu resolver os impasses
que tenho, mais cedo poderei voltar para os braços da minha korítsi.
Considero por breves segundos que estou atrasado e que não devo protelar a
minha ida, só que um impulso maior me faz tomar uma decisão. Quando dou
por mim, já estou voltando para a Harley. No mesmo instante sinto uma
pressão na nuca e uma sensação surreal de que estou sendo observado. É
como se algo ruim estivesse prestes a suceder. Não me afasto muito do
veículo e já ouço um ruído estranho. Assim que me viro para me atentar
quanto ao que está acontecendo, sinto um grande impacto violento me lançar
para longe.
O movimento foi tão abrupto, que parece que quebrei todos os ossos do
meu corpo. Observo minuciosamente ao redor, tentando absorver o que
houve, e me dou conta das altas chamas que consomem meu carro. De
imediato compreendo que acabei de sofrer um atentado. Maldição! Um único
nome me vem à mente: Eaton.
Não tenho tempo de raciocinar com clareza, porque uma dor se faz
insistente em minha cabeça. Meu rosto está banhado em sangue.
Ouço um som de alarme de incêndio ser disparado ao longe e avisto
vários seguranças surgirem no local. Por que eles não estavam no
estacionamento? Inferno! Entretanto, não tenho tempo de considerar tais
observações, pois um peso em meus olhos se torna persistente e uma forte
tontura obscurece meus sentidos. No mesmo segundo apago.
CAPÍTULO 33
ANGEL ANDREON

Há uma hora cheguei da consulta com minha médica. A última bateria


de exames mostrou que está tudo perfeitamente bem com minha bebê,
embora eu já venha sentindo algumas contrações esporádicas desde que
entrei na 38ª semana de gestação. A doutora assegurou que é normal. Ainda
falta alguns dias para a chegada do meu pequeno rebento e, ultimamente,
tenho sentido um mix de sensações. Parece que se acumularam os medos e as
incertezas nos dias finais da gravidez.
Nos últimos meses me dediquei a concluir meus estudos: iniciei um
novo curso online de design de interiores. O que tem me ajudado a redecorar
a mansão, já que Henrique estragou a decoração original com uma sombria e
de péssimo gosto. Nesse período nós dois intercalamos entre viagens para a
América e para a Grécia, lugar que se tornou o meu lar. Porém, por conta dos
processos burocráticos dos resorts se faz necessário a estadia no continente
americano. Quando minha médica, por fim, restringiu minhas viagens,
resolvemos permanecer em Chicago.
Desde o início, minha gravidez tem sido tranquila. A única
inconveniência que sinto é o terremoto de emoções provocados pelos
hormônios.
Nikky tem sido um marido maravilhoso e sempre se mostra
compreensivo, cuidadoso, mesmo quando meu estado hormonal me deixa
pirada e, do nada, começo a chorar. Às vezes me aflige o sentimento de culpa
por tê-lo colocado no furacão que Henrique causou, e sei que ele tenta ocultar
alguns aborrecimentos que acontecem na Harley para que eu não fique
preocupada, por causa da gravidez.
Muitas vezes seus cuidados chegam a ser exagerados. E, embora eu não
goste de andar com vários seguranças ao meu redor, sei que é necessário.
Nessas ocasiões sinto falta da calmaria e da tranquilidade da ilha grega.
Mesmo que Henrique tenha sido preso e afastado do comando dos negócios,
não posso me esquecer que Eaton ainda está livre.
Hoje passei a tarde inquieta, com o coração apertado, como se algo
desagradável fosse acontecer. Afasto esse pensamento sombrio para longe e
pondero que tudo se deve à ansiedade normal de fim da gestação. Acaricio
levemente o meu ventre, sentindo o volume exagerado. Como se fosse
instintivo, minha pequena se mexe. Sorrio como uma boba. O serzinho
minúsculo logo estará aqui, conosco. Seu pequeno “ninho” já está preparado
e a aguardando, repleto de amor. Muitos medos vem rondando minha cabeça
ultimamente, mas sei que me esforçarei o máximo para ser uma boa mãe.
Estou no jardim, embaixo da sombra de um pergolado, apreciando a
paisagem fresca e degustando um delicioso suco natural de pera enquanto
folheio um portfólio com alguns modelos de papéis de parede. Um em tom de
pêssego chama a minha atenção. Vai ficar perfeito no terceiro quarto de
hóspedes.
Logo averiguo que está ficando tarde e que Nikky já deve estar perto de
chegar. Sorrio como uma mulher apaixonada e decido ir tomar um banho de
banheira. Quero estar linda e gostosa para o meu marido. Mesmo que eu
esteja grávida e me sentindo tão gorda quanto uma baleia, ele não para de me
elogiar, e é claro que o seu entusiasmo para o sexo não diminuiu. O que faz
com que eu me sinta mais confiante em relação às mudanças do meu corpo.
Eu o anseio com a mesma voracidade que ele me deseja.
Estou prestes a subir as escadas, quando ouço o telefone tocar. Como
não tem nenhum dos empregados por perto, atendo-o. Antes que eu pegue o
objeto em questão, sinto um frio atravessar minha coluna.
— Alô. — Ouço a voz de uma mulher. Parece ser uma atendente ou
alguém similar questionando sobre a senhora Andreon. Ofego baixinho e
respiro fundo, sentindo um mau presságio. — Sim, sou a esposa dele.
Sem demora, a mulher me informa, em um tom neutro e calmo, que
meu marido sofreu um acidente e foi hospitalizado. Quando ela termina a
última pronúncia, um grito agudo escapa da minha garganta e eu sinto
quando o telefone cai das minhas mãos. É como se o chão se abrisse sob
meus pés. Deus! A culpa imediatamente toma conta dos meus sentidos,
corroendo-me, e meu coração se oprime como se fosse se dilacerar.
Rapidamente me recordo das palavras diabólicas de Eaton no dia em que
cheguei à mansão.
“Seu marido poderá sofrer algum acidente a qualquer instante. Nunca
se sabe. Imprevistos sempre acontecem. Não é mesmo, querida?”.
Sua ameaça martela no meu subconsciente, deixando-me angustiada.
Não tenho tempo de considerar a monstruosidade dele, pois de repente
sinto uma forte contração em meu ventre, que faz com que eu me curve para
aliviar a dor. Tento manter uma respiração constante e profunda, mas...
Caramba! Parece que a dor vai rasgar minhas entranhas e se intensifica como
fortes cólicas menstruais.
— Calma, amorzinho! — Levo a mão ao meu abdômen, tentando
atenuar a contração. Ainda falta alguns dias para a chegada da nossa
princesinha.
Deus! Será que estou perdendo a bebê? Esse medo horrendo obscurece
os meus sentidos e eu sou assolada por um misto de sensações devastadoras.
Pondero que a qualquer momento irei desfalecer.
Avisto uma Emma apreensiva surgir pelo saguão, parecendo detectar
de uma vez o contexto em que me encontro. Compreendendo que estou
entrando em trabalho de parto, habilmente toma as rédeas da situação,
tentando me tranquilizar enquanto ordena a um dos empregados que chame
Estevão. Só consigo focar na minha angústia e no remorso a me consumir.
Por minha culpa, o meu marido está no hospital e a nossa filha está prestes a
vir ao mundo antes da hora.

Já se passaram horas desde que estou no quarto da maternidade. Minha


obstetra já me examinou e confirmou que realmente estou em trabalho de
parto. Provavelmente a notícia do atentado contra o meu marido acelerou esse
processo. As informações que chegaram até mim não eram concretas e sinto
que estavam me ocultando algo.
Minhas contrações estão vindo em períodos cada vez menores,
indicando que já se aproxima o momento do nascimento da bebê, e uma
lágrima solitária molha a minha face. Como eu queria que Nikky estivesse
comigo, nessa ocasião. Foi assim que planejamos esse momento.
Parece que faz uma eternidade desde que comecei a sentir as
contrações. Os espasmos estão mais ritmados agora e cada vez mais
dolorosos. Finalmente sou levada à sala de parto, onde a doutora já está
preparada para realizar todo o procedimento.
Não demora muito. Apesar de estar sendo um processo doloroso parir,
é rápido. Logo ouço o choro fino e estridente da minha pequena a ressoar
pela sala inteira. Um sorriso maternal me envolve. Ela se chamará Angelina,
como minha mãe. Foi Nikky que escolheu o nome.
É inevitável que uma forte emoção não me domine. As lágrimas vêm
em torrentes pelo meu rosto assim que penso no estado do meu marido.
Uma enfermeira me entrega a minha filha em meus braços e eu a
admiro. Ela é perfeita. Seus olhinhos mal ficam abertos, por conta da
claridade. Dessa maneira não dá para identificar a cor deles. E seu rostinho
está rosado por causa dos seus gritos expressivos. É pura perfeição.
Meu coração de mãe somente anseia que, nesse momento tão mágico e
especial, Nikky estivesse presente. Eu me entristeço por ele não estar aqui,
conosco.
No mesmo instante sinto uma vibração dominante próxima a mim.
CAPÍTULO 34
NIKKY ANDREON

Inferno de Hades! Eu bato com a cabeça e quem fica louco é o doutor?


Nem fodendo permanecerei por mais de 24 horas em observação no hospital.
Faz mais de uma hora que recebi o diagnóstico de uma leve concussão
cerebral após uma extensa bateria de exames. Entendo que preciso ter
cautela, mas já me sinto bem, embora o meu corpo esteja dolorido devido ao
choque da explosão. É como se eu tivesse sido pisoteado por uma manada de
búfalos selvagens.
Meus pensamentos estão todos voltados para meu krínos. Quero, a todo
instante, saber notícias dela. Por causa da condição em que ela se encontra,
não quero deixá-la preocupada. Cacete! Infelizmente, até meu celular o
troglodita do doutor Smith confiscou. E ainda me indicou repouso absoluto.
Mas, como posso ter um, se não obtive nenhuma informação da minha
Angel? Será que já a informaram sobre o atentado?
Meia hora depois Estevão adentra o quarto para me visitar, sem ter
conhecimento das instruções médicas. Ele me repassa tudo que ocorreu com
a minha gynaíka, e é o fim do meu sossego. Diabos! Ela entrou em trabalho
de parto e eu deveria estar ao seu lado. É tudo culpa daquele filho da puta do
Eaton. Se acontecer algo com minha mulher e minha filha, ele será um
homem morto.
Arranco a parafernália de fios e agulhas enfiados em mim. Tenho que ir
ao encontro de Angel. Caralho! Irei me tornar pai a qualquer minuto, e não
será um simples tombo que vai me impedir de estar com as duas. De Eaton,
eu cuidarei em outra ocasião. Preciso preencher as lacunas desse quebra-
cabeça e encaixar por qual motivo os seguranças não se encontravam no
estacionamento. Mas tenho certeza que tem dedo daquele rato inescrupuloso
nisso. Em breve o pegarei. Por mim, eu o enviaria diretamente ao purgatório
de Hades, porém me contento, pelo menos, com que ele faça companhia ao
Henrique. Quero me regozijar com os dois ratos apodrecendo na cadeia.
Troco de roupas rapidamente. Agradeço ao Estevão, que,
independentemente da situação conturbada, percebeu minhas necessidades e
trouxe algumas provisões consigo. Depois de devidamente recomposto, sigo
para a maternidade onde levaram minha gynaíka. É óbvio que o médico não
queria me dar alta hospitalar. Todavia, quando ele percebeu o meu estado de
determinação e que eu estava inflexível quanto à minha decisão, resolveu
ceder. Apenas assinei um termo me responsabilizando por qualquer dano. É
claro que não seria negligente, mas me sinto bem e minha coordenação
psíquica está em perfeita ordem. Somente iria me abalar se continuasse lá,
sem saber de nenhuma informação concreta sobre Angel.
Quando chegamos à recepção da maternidade, que fica somente há
alguns minutos do hospital em que eu estava, tenho que me controlar mais
uma vez, porque a incompetência da atendente está drenando minha
paciência completamente, com a sua demora de me repassar informações.
Quando ela me informa que minha esposa já se encontra na sala de parto,
tento ir ao seu encontro, só que ela barra a minha entrada. Sua atitude me
causa uma tremenda irritação. Se eu fosse um mafioso, ela teria acabado de
selar sua sepultura.
Eu a encaro com um olhar cortante e frio, e, no mesmo segundo, ela
compreende que não estou para brincadeiras. Enfim, antes que ocorra outro
estresse desnecessário, surge uma enfermeira que autoriza a minha entrada,
reconhecendo quem eu sou e a minha influência. Meu desejo é somente ver
meu mikró angelos. Nas últimas semanas, ela estava mais ansiosa porque já
estava perto da chegada do bebê. Tentava me ocultar esse estado, porém eu
sentia; somos como um só.
Estou indo apressadamente até a sala informada, quando a enfermeira
barra a minha passagem. Inferno! Bufo frustrado, contudo compreendo que
suas colocações acerca de alguns procedimentos são pertinentes e se fazem
necessárias. Em seguida, ela me leva a outro local, onde sou instruído a
colocar uma roupa adequada para adentrar a sala de parto.
Já no corredor, próximo ao quarto, escuto um bramido agudo e forte
vindo do cômodo ao lado. Sorrio. Caralho! Eu sou pai. Assim que entro no
compartimento, meus olhos vasculham o ambiente até se esbarrarem nas
minhas duas polýtima kosmímata (joias preciosas) e se enchem de água. O
meu organismo se aquece de uma energia revigorante e me aproximo com
cautela da minha Angel, que está deitada sobre uma superfície acolchoada,
segurando nossa mikrí prinkípissa (pequena princesinha). Ela parece
fascinada com o serzinho que está aninhada em seu colo. Analiso
minuciosamente o pequeno embrulho de rostinho enrugado e rosado que mal
abre os olhos. Na sua cabecinha tem somente alguns fios claros. É um ser tão
pequeno e já roubou o nosso coração.
Minha mulher estava tão emocionada, que somente se dá conta da
minha presença quando já estou muito perto dela. Seus olhos topázios se
chocam com os meus e eu noto quando uma lágrima solitária marca seu belo
rosto.
— Nikky? Você está aqui, amor! — Beijo sua testa, que está levemente
suada e fria pelo esforço do trabalho de parto. — Oh, Deus! Senti tanto medo
quando me disseram que sofreu um acidente. — Choraminga baixinho. —
Tenho certeza que Eaton...
Eu a interrompo. Ela acabou de ter bebê; não quero lhe infligir
angústia. Esse cara é um problema que será resolvido em breve.
— Shiii! Tudo bem. Estou bem agora. Precisa descansar. Eu disse que
estaria com vocês. Lembra? — Sorrio, olhando-a com ternura e amor. —
Sinto muito que tenha chegado um pouco atrasado. Mas estou aqui. Nossa
mikró Angelina é linda. Obrigado, o ángelós mou! — Deposito um selinho
leve em seus lábios enquanto a enfermeira pega nossa bebezinha dos seus
braços e a leva para realizar os primeiros exames.

Dois meses depois

Eaton não é mais uma ameaça. Sorrio ao ler a matéria estampada em


um dos principais jornais da América, que fala em letras garrafais sobre sua
transferência para o centro de detenção de Chicago. Lá, ele e Henrique já
aguardam por julgamento.
Jogo o periódico sobre a extensa mesa de carvalho do escritório e me
contemplo de satisfação. Nas primeiras semanas das investigações do meu
atentado, as câmeras de vigilância do estacionamento mostraram quando um
homem entrou e saiu do local após instalar algo em meu veículo. A parte dos
seguranças não estarem presentes na hora do incidente ficou clara quando
alguém os distraiu e os dispersaram com um alarme falso. É por isso que eles
não se encontravam no lugar correspondente. O homem em questão foi
encontrado dois dias depois, morto em seu apartamento. Foi o rato
inescrupuloso do Eaton tentando eliminar os vestígios do seu crime. Uma
quantia generosa de dinheiro foi encontrada lá e a propriedade foi lacrada
pela polícia.
Porém, com o que o verme não contava era que uma testemunha
surgiria. Com medo de ter o mesmo destino do marido, a viúva do homem
procurou a polícia e confessou tudo que sabia, levando, assim, à prisão do
maldito, que ainda tentou fugir. Contudo, o FBI conseguiu agir antes que ele
conseguisse o seu propósito. Agora, além de tentativa da homicídio contra
mim, a morte desse homem também pesará no seu extenso currículo penal.
Depois de tal episódio, várias outras denúncias surgiram contra ele. Muitas
mulheres que trabalhavam na boate de sexo — que agora está desativada —
também tiveram coragem de denunciá-lo como um aliciador para elas terem
entrado no mundo da prostituição, com promessas fajutas de que ganhariam
muito dinheiro; sendo que ele e o pai ficavam com a parte substancial dos
negócios ilícitos.
Eu tinha a plena certeza de que em breve tudo se resolveria, só não
esperava que seria tão rápido que todas as suas podridões viessem à tona,
explodindo como uma bomba tudo de uma vez contra eles.
Estou distraído em meus pensamentos, quando ouço uma leve batida na
porta. Autorizo a entrada da pessoa e constato que é minha linda mulher. Um
sorriso libidinoso brinda meus lábios firmes. Ela está irresistível em um lindo
vestido floral e rodado que oculta levemente suas curvas voluptuosas que me
deixam ensandecidos de luxúria. O período de abstinência quase me deixa
louco, mas é compreensível que precisamos nos adaptar à nova fase de papais
de primeira viagem. Não sou um ser irracional e compreendo o cansaço físico
do meu krínos, já que mesmo com uma babá, não abre mão de estar sempre
por perto da bebê. É uma mãe dedicada e zelosa. Admiro-a por isso. E,
independentemente da minha mikroúlis (pequenina) Angelina frustrar muitos
dos meus planos maliciosos com a mãe dela, a sapequinha, apenas com um
único sorriso desdentado, já ganha o meu coração. Não tem nada que eu não
faria por elas.
— Nikky, eu pensei que estivesse na Harley. Mas fico muito feliz que
esteja comigo aqui, amor. — Aproxima-se de mim.
Eu bato em minha coxa e lhe pisco um olho indecente. Hoje à tarde
receberemos uma visita muito especial. Quando informei Angel sobre isso,
depois do período de recuperação do parto, ela ficou irradiando felicidade. E,
finalmente, hoje foi o dia escolhido para esse reencontro.
— Decidi tirar o dia de folga dos negócios e ficar com minha família.
Ela se acomoda em minhas pernas com um sorriso espelendoroso e eu
sinto o seu traseiro delicioso em atrito com meu pau. Seu gesto não tem
nenhum indício de conotação sexual, só que meu organismo já se aquece
apenas pela sua proximidade deliciosa. Seu cheiro singular nubla os meus
sentidos. A mulher é uma verdadeira tentação do Olimpo.
— Angelina está dormindo? — Ela acena positivamente com a cabeça.
— Está nervosa com o encontro de hoje à tarde? — perguntei ao sentir seu
corpo tenso.
— Um pouco. Suponho que não tenho como agradecer o suficiente o
que tem feito por mim. — Enlaça-me pelo pescoço e deposita um beijo suave
em meus lábios.
Atento-me à linha do seu busto luxurioso, que fica em minha direção, e
aprecio seus montes aveludados, que estão ainda maiores e suculentos para o
meu deleite. Caralho! Meu amigão vibra descaradamente, correspondendo à
visão tentadora.
— O seu amor me basta, angelos. — assegurei.
— Ele é todo seu. — murmurou manhosa.
— Eu sei. — confirmei com a completa convicção que me é peculiar.
— Como sempre, meu marido tem um ego inabalável, do tamanho do
universo. — Ri baixinho. — Por acaso todos os gregos são assim, tão
convencidos?
— Todos os gregos, eu não sei, mas o seu grego sim. Eu confio no meu
taco. Além do mais, posso ver cada sorriso radiante que adorna seu lindo
rosto e me faz ter a certeza de que sou um homem de sorte.
Angel, não se fazendo de rogada, dá um sorriso provocante que me
atiça. A cada dia amo mais a sua descoberta como mulher. Ela está sempre
me surpreendendo em nossos jogos amorosos com suas iniciativas. Além de
ser sensual para cacete, tem um lado dominador.
— Então... Como Angelina está dormindo, pensei que nós dois
poderíamos nos divertir um pouquinho. — sussurrou sensualmente ao meu
ouvido.
Eu estremeço de tesão e minhas mãos automaticamente seguram com
firmeza a sua cintura, colando seu corpo ainda mais ao meu e a fazendo
perceber minha “animação”. Meu pau já está tão rígido quanto uma rocha
sólida. Em sequência, suas mãos suaves e pequenas desabotoam o colarinho
da minha camisa, procurando um contato mais íntimo entre nós.
Caralho! Meu corpo quase entra em combustão instantânea com seu
toque suave.
— É, minha gynaíka gostosa. Vou te foder duro e forte sobre esta mesa.
— Ela morde os lábios levemente rosados e naturalmente sedutores, fazendo-
me imaginá-los em outro lugar peculiar. Meu cacete instantaneamente
estremece pela fantasia sexy. — Deseja isso, Angel?
Ela morde o meu queixo com leveza, provocando-me, e sua mão tateia
o meu colo, encontrando minha protuberância rígida e exacerbada.
Lentamente, acaricia o meu membro duro, que está latejante sob a fina
vestimenta. Um bramido de luxúria me escapa e meu membro anseia sair do
seu enclausuramento para meter profundamente e com força na bocetinha
apertada dela.
— Adoro quando você me pega duro e forte, marido. É tão excitante.
— Sorri confiante e atrevida.
Meu pau estremece com suas palavras determinadas e safadas.
— Não sabe como quero realizar seu desejo, gynaíka. — confessei
rouco de tesão, erguendo-a do meu colo e a depositando sobre a mesa. No
processo, derrubo vários objetos de cima dela.
Porra! Que se foda! Não ligo a mínima. Só quero sentir o calor
escaldante e feminino da minha mulher junto a mim. Sorrio com indecência.
Definitivamente, Angel não faz a mínima ideia das fantasias obscenas que já
tive com ela sobre uma mesa de escritório.
Ergo o seu vestido até a linha da cintura e me situo entre suas pernas
esbeltas. Meu polegar desliza para o seu montinho de prazer, por cima da
calcinha, e ouço o seu rosnado sensual. Caralho! Ela está molhada e quente,
desejando a posse do seu grego devasso.
— Está deliciosamente quente, mikró angelos. — Estou dominado pelo
tesão.
Espalmo as mãos nas suas colinas fartas e sexies, sentindo seu peso e
volume. Devagar, desço o seu vestido junto à peça frágil, o sutiã. Logo
compreendo que não se trata de algo sensual, e sim prático; é próprio para
amamentação, com um suporte que facilita esse processo. Todavia, para mim,
é a peça mais sexy que existe.
A carne firme e volumosa da minha fascinação fica exposta e eu a
salivo, em apreciação. Dos bicos suaves vazam algumas gotículas
esbranquiçadas de leite e minha boca se enche de água. Quero degustá-la
languidamente.
— Quero saboreá-la. Vou mamar em você, angelos.
— Nikky, está cheio de leite. — advertiu.
— Estou faminto. — Sorrio de um jeito cafajeste, abocanho um dos
bicos e o sugo com voracidade.
Um líquido doce preenche a minha boca, deixando-me louco de tesão.
O meu pau corresponde à sua entrega deliciosa e eu levo a mão à braguilha
da minha calça, libertando-o. Ele está extremamente duro e quente de desejo.
Enquanto eu a sugo com vontade, intercalando entre um seio e outro, ela
apenas arfa, manhosa, afagando os meus cabelos.
— É muito gostosa e me deixa ensandecido na sua luxúria.
— Ah, Nikky! Amor! — gemeu quando toquei em seu ponto sensível.
Eu a livro da peça frágil que está servindo de barreira entre mim e
minha fonte de prazer, rasgando-a do seu corpo.
Ela protesta:
— Nikky, seu safado! Estragou mais uma calcinha.
— Prometo que a recompensarei. Comprarei uma loja toda para você se
for necessário. — Pisco um olho malicioso para ela e levo a cabeça volumosa
da minha ereção à sua intimidade, que está pegajosa e desejosa pela minha
posse.
De modo voraz, eu a penetro profundamente enquanto reivindico seus
lábios tão doces quanto uma bougatsa. Seu corpo pequeno se contorce, em
deleite, enquanto ambos somos tragados pelo abismo profundo do êxtase.
CAPÍTULO 35
ANGEL ANDREON

Meus nervos estão à flor da pele. Tantas mudanças repentinas


ocorreram em minha vida em um curto espaço de tempo. Por um lado, estou
muito feliz, pois finalmente Henrique e Eaton estão no lugar que merecem,
pagando pelos seus crimes. Eles não poderão me fazer mal algum, nem
representar ameaças à minha família. Enfim, poderei andar nas ruas sem
aquele medo constante que sempre me afligia, de estar sendo observada.
Há meia hora estou aguardando a chegada da visita mais que especial,
embaixo da sombra de um pergolado, no jardim. Optei por esse lugar por ser
mais fresco e ter um panorama espetacular, com um aroma singular das rosas.
Além do mais, é um ambiente que minha mãe adorava.
Deus! Nem posso crer na notícia maravilhosa que meu marido me
comunicou depois do fim do meu resguardo. Ainda parece algo surreal e
inacreditável. Quando eu soube, simplesmente me desmoronei em lágrimas.
Estou tão ansiosa que não paro de cruzar as pernas de um lado a outro.
Sorrio ao sentir um pequeno incômodo na minha área íntima,
lembrando-me do encontro intempestivo e caliente no escritório com Nick. É
claro que quando soube que ele se encontrava na mansão, minha única
vontade foi seduzi-lo. No entanto, fui eu quem acabei sendo seduzida pelo
grego devasso. Dou um sorriso ao me recordar da forma intensa como ele me
tomou sobre a mesa.
Nossa pequena safadeza devia ter me relaxado, só que continuo tensa.
Quando foco meu olhar no caminho de pedras que dá acesso ao jardim,
avisto uma figura alta que pensei que nunca mais veria. Meu coração se
aquece em uma imensa alegria e gratidão. Ele está mais magro. Meu coração
de filha se regozija ao vê-lo e, em um rompante, saio correndo ao seu
encontro, vencendo a pouca distância que nos separava. Eu o abraço, com
meus olhos já turvados pelas lágrimas, assim como os dele. Seu corpo fica
tenso.
— Papai! — exclamei aos prantos, apertando-o fortemente de encontro
a mim. Nunca mais quero que ele me deixe.
Ele faz o mesmo comigo e beija meus cabelos, como sempre
costumava fazer.
— Minha pequena Angel! Olhe só para você! Não é mais tão pequena
assim; já é uma mulher. Uma linda mulher, por sinal. — disse orgulhoso.
— Pai, não sabe como senti sua falta. Tantas coisas aconteceram nos
últimos anos. — continuei falando aos prantos. — Ainda parece um sonho.
Quando recebi aquela notícia catastrófica, meu mundo ruiu. O que sucedeu?
Por que não retornou para enfrentar Henrique? Ele se apossou de tudo. —
Enxugo os últimos vestígios de lágrimas enquanto caminhamos para o
pergolado.
— Angel, filha, eu sinto muito pelo que você passou. Perdoe-me! Eu
perdi sua mãe naquele trágico incidente. — Acomoda-se no estofado. —
Aquilo foi planejado por Henrique. Agora tudo se encaixa perfeitamente. —
disse com uma convicção inabalável. — Antes de eu e sua mãe sairmos de
férias, eu o flagrei se envolvendo com coisas ilegais, como bebidas
falsificadas e drogas. Aí lhe dei um ultimato, dizendo que se quando eu
retornasse da viagem, ele continuasse com as práticas ilícitas, eu o descartaria
da diretoria da Harley. Por isso planejou tudo. — Trava o queixo.
— Mas não entendo. Por que não retornou antes?
— Eu não podia, Angel. Fiquei muito debilitado após o incidente que
levou sua mãe. Perdi a memória, não me recordava de absolutamente nada..
Enfim, foram anos angustiantes. Era como se existisse uma lacuna enorme
em meu cérebro.
— Meu Deus! Eu não fazia a mínima ideia.
— Há poucos dias, quando um detetive surgiu em minha porta, em
Patan, no Nepal, fazendo-me várias perguntas, finalmente me recordei de
tudo. Foi como uma reprise em minha mente. A enxurrada de acontecimentos
me deixou nocauteado e abalado por algum tempo.
— E o que fez durante todos os anos? Como aconteceu o incidente nas
montanhas? — questionei como uma tagarela desenfreada.
— Calma, filha! Eu te contarei tudo. Depois da tragédia em que perdi
sua mãe, fiquei muito ferido e fui encontrado quase sem vida por uma
moradora local, Maia. Foi ela quem me curou e tratou dos meus ferimentos.
Foram anos angustiantes. O vazio em meu cérebro ficou travado e eu não
podia desvendá-lo. Por mais que insistisse em me lembrar de algo, não
conseguia. Então, decidi refazer a minha vida ao lado de Maia, que é uma boa
mulher. — Deu um sorriso ao mencioná-la.
A constatação de que ele está feliz, aquece o meu coração. É o que
mais importa. — Nunca imaginei que Henrique fosse capaz de tantas
atrocidades. Eu posso ter cometido um equívoco no passado, no entanto, de
modo algum serei complacente. Por mim, tanto ele quanto Eaton apodrecerão
na cadeia. Serei testemunha no julgamento dele, e tenho certeza que ficará
surpreso quando me ver. E, pelo que seu marido me contou sobre as
canalhices dos dois, a sentença deles será longa. Lutarei para que seja
perpétua. Eu mesmo me certificarei desse detalhe.
Papai me conta o que sucedeu nos últimos anos e como estava sendo
sua vida no Nepal. Era uma vida desapegada de luxos e de regalias, mas onde
ele encontrou a felicidade. Como forma de agradecimento por estar vivo,
contribuía com trabalhos voluntários em ONGs para ajudar os mais
necessitados. Também, ele e Maia decidiram montar uma pequena
lanchonete, de onde provinha o sustento deles. A experiência parece ter lhe
ajudado muito a ver a vida com outros olhos, e ele até mesmo menciona sua
vontade de abrir uma ONG própria. Fico muito orgulhosa da sua iniciativa.
Continuamos com o nosso diálogo fervoroso sem nos atentarmos à
nossa volta. De repente percebo meu marido vir com nossa filha, que está em
seu bebê-conforto. Sorrio e noto que ele não está sozinho, mas sim
acompanhado de uma mulher morena que carrega uma criança de colo. O
menino parece ter cerca de 2 anos. Logo compreendo que é Maia e que o
bebezinho em seus braços é meu irmãozinho. Sinto o meu coração
transbordar de felicidade. Tenho uma dor no peito, uma lacuna que será
insubstituível, pois minha mãe não está aqui, conosco, mas fico feliz que
Henrique não tenha conseguido o seu propósito de destruir a minha família.
Depois da breve apresentação e de nos acomodarmos, Emma nos serve
um refresco. A brisa da primavera sopra em meu rosto e eu sorrio enquanto
recosto a cabeça no peito do meu marido. Olhando de soslaio para cima,
deparo-me com seus olhos lindos, de um azul quente, fixarem-se em mim de
volta. Neles posso ver o seu amor tão límpido e transparente, como se tivesse
refletido nas águas do mar. O meu coração chega a errar uma batida com a
constatação desse intenso sentimento. O meu grego já fez morada dentro de
mim e o seu amor está eternizado como uma emoção profunda e
inquebrantável dentro do meu peito.
CAPÍTULO 36
NIKKY ANDREON

4 meses depois

Estamos de volta à Mykonos. Devo confessar que eu já estava com


saudade dessa ilha grega e do nosso lar.
O pai de Angel retornou ao comando dos resorts, e tivemos meses
atribulados até o julgamento de Henrique e Eaton, que, no dia no tribunal,
ficaram bastante surpresos com a aparição de William na sala de julgamentos.
O que já era de se esperar. Henrique pegou uma pena de 60 anos enquanto
seu filho pegou uma de 70. Todos os seus bens ganhos ilicitamente foram
confiscados pelo governo. Todavia, ainda não me contento com a sentença
deles, mesmo sabendo que, praticamente, passarão suas vidas miseráveis
inteiras atrás das grades.
Depois de uma ducha rápida, envolvo uma toalha em volta dos meus
quadris e saio em direção ao quarto. A porta da varanda está aberta e a brisa
refrescante do mar envolve o ambiente do quarto de forma acolhedora,
trazendo um cheiro doce de lírios. Sorrio com malícia, indo até a porta de
vidro da varanda, e comprovo que a minha gynaíka já retornou do quarto da
nossa mikroúlis Angelina. Está observando a lua cheia que adorna o céu
estrelado, deliciosamente irresistível em uma camisola rosé, com um penhoar
envolto na sua silhueta voluptuosa. Tal visão esplendorosa já me deixa cheio
de ardor e de pensamentos indecentes. Já posso sentir a primeira pontada de
desejo em meu cacete, que fica todo animado com a perspectiva de uma noite
ardente e regada a luxúria.
Aproximo-me lentamente da mulher delgada e deliciosa, envolvo sua
cintura estreita e beijo um lado do seu pescoço, sentindo o seu corpo
primoroso prontamente se estremecer em contato com o meu. Posso sentir
também seu cheiro feminino e único penetrar em meus sentidos. Sem pressa,
sua bunda atrevida e gostosa está maltratando o meu pau, esfregando-se nele.
Espalmo minha mão, em um sonoro tapa, em sua polpa macia, arredondada, e
a ouço protestar, manhosa. Minha safada gostosa!
— Angelina está dormindo? — questionei com a voz carregada de
segundas intenções, mordiscando levemente sua orelha.
— Como uma pedra. — confirmou com um sorriso impertinente em
seus lábios deliciosos e irresistíveis.
— Excelente. Tenho planos quentes para esta noite. — Minhas mãos
habilidosas já estão no laço do seu penhoar, desnudando-a da peça.
— E o que seria, marido? — provocou-me, fazendo-se de desentendida.
Quando a viro em minha direção, ela mantém seu sorriso manhoso.
Lentamente, contorno a boca delicada dela com um dedo. Seus lábios
polpudos e rosados se tornaram a minha fantasia íntima. Adoro quando sua
boquinha linda está cheia com o meu pau. A imagem se forma tão
indecentemente em minha cabeça, que já sinto uma vibração intensa me
assolar.
— Venha aqui, angelos! Quero lhe mostrar algo. — Estou dominado
pela luxúria, guiando-a até um estofado confortável da sacada.
— Não é dessa maneira que um marido deve pedir à esposa para chupar
o seu pau. — continuou me provocando, marota.
Posso ver desejo em suas írises de topázios e aposto que já a deixei
molhada apenas com as minhas insinuações despudoradas. Sorrio, cafajeste, e
a envolvo em um abraço quente e sensual. Lentamente, afago o seu pescoço
com lábios urgentes, sentindo o tesão queimar e correr como lavas em mim.
O seu corpo também está ardente de paixão. Distribuo uma rajada de beijos
voluptuosos pela sua pele macia, fazendo-a se derreter diante dos meus
toques.
— E, como eu deveria dizer, gynaíka? Desejo ardorosamente sentir esta
boquinha linda e quente no meu pau. Vai me levar ao delírio como vem
fazendo com sua boceta?
— Que marido mais safado esse meu. Céus! Creio que a safadeza já faz
parte de você. — falou como se tivesse ultrajada pela minha proposta sem
pudor. Está ardendo em desejo.
— Somente com você. Além do mais, não preciso pedir. A nossa
conexão é perfeita. Você decifra todos os meus pensamentos indecorosos
antes mesmo que eu possa expressá-los em palavras. E se me recordo bem,
minha mulher deliciosa ama brincar com minha berinjela grande e grossa. —
Pisco um olho indecente para ela. — Vejo a volúpia refletida em seu olhar
toda vez que o contempla pronto e firme para o seu bel prazer.
— Safado convencido!
Eu a tomo em um beijo faminto, desesperado, e ela me corresponde
com a mesma fome. Sem se fazer de rogada, espalma o meu tórax com as
mãos delicadas e pequenas, fazendo o meu corpo retesar de tesão. Depois
uma delas, ousada, está próxima aos meus quadris. Entendendo a sua
intenção, comprovo que ela é uma safada gostosa. Sua mão petulante acaricia
o meu pau por cima da toalha, sentindo quão duro estou por ela. E, de forma
intrépida, empurra-me até o estofado, livrando-me da peça.
Com Angel ajoelhada entre minhas pernas, meu membro fica como um
mastro rígido e orgulhoso, sabendo que em breve receberá atenção da boca
saborosa que me enlouquece. Meu garotão está no jeito, pronto para receber
uma mamada gostosa da minha gynaíka deliciosa. Ainda bem que hoje de
manhã dei um “trato” nele. Agora, meu xanthos angelos poderá lamber até
minhas bolas. Só de imaginar a cena, sinto o meu saco se contrair.
As mãos delicadas dela envolvem o meu pau, fazendo uma leve carícia
nele da base até a ponta grossa. Estou quase incendiando com o processo
ardente dos seus toques.
Seus cabelos loiros e longos adornam o seu semblante delicado de
angelos. O que me fascina e me deixa ainda mais encantado com sua beleza
etérea e suave. Ela me olha, safada, enquanto suas mãos perspicazes estão por
todos os lugares do meu corpo. Ao percorrer meu tórax, provoca-me com a
visão dos seus seios volumosos e exuberantes através do decote ousado da
camisola, levando-me a ficar aceso. Em seguida, distribui uma chuva de
beijos pelo meu peito e traça a língua nos trincados do meu abdômen, indo
em direção à zona de perigo. Caralho! Sinto os arrepios de tesão atravessarem
meu organismo no mesmo segundo. Ela não imagina o quanto está me
deixando louco.
— Uhhh! Sempre imaginei como seria contornar esses gominhos com
a língua. — sussurrou com safadeza.
— Puta que pariu, Angel! Onde está a minha gynaíka inocente? —
murmurei um falso protesto.
A cada dia amo mais a sua descoberta e confiança como mulher, e
como me surpreende na cama, mesmo sendo uma iniciante.
Neste preciso momento, ela suga a cabeça do meu pau, dando leves
lambidas em volta da glande. Vou à loucura com sua língua atrevida e rosno
como um primitivo, com um sorriso satisfeito no rosto.
— Um certo grego me perverteu. — respondeu com malícia,
regozijando-se com meu pequeno descontrole.
Angel continua com sua exploração tátil, intercalando as carícias
eróticas e manuseando o meu corpo ao seu bel prazer. É uma experiência
única e inigualável ter seu toque suave e ardente sobre minha pele. Ela usa
todas as suas artimanhas femininas: boca, mãos e até seus seios sedutores,
que me seduzem em um doce balanço enquanto sou provocado com vontade.
As preliminares ardentes unicamente aumentam a minha excitação e
esquentam o clima de paixão. Delicio-me com seu espetáculo despudorado.
Meu membro voraz já se contrai de tesão, demonstrando que não resistirá por
muito tempo à sedução da minha beleza exótica.
— Que delícia, glykós ángelos! Está me levando ao delírio com esta
boca macia. Porém, preciso de você agora.
Ela, percebendo que já estou chegando ao limite, ergue-se e, devagar,
desliza a calcinha fio dental rosa pelas suas pernas esbeltas. Incendeio com
tal gesto ousado e sensual.
— Consegui salvar uma calcinha. — disse atrevidamente,
arremessando a peça sobre o meu peito como uma sedutora nata.
Pego o frágil tecido, sentindo quão molhada minha mulher está pelo
seu homem, e um sorriso de posse me preenche. Levo-a ao meu nariz,
aspirando o cheiro único e doce da minha esposa. Meus sentidos estão todos
ativados e eu estou completamente rendido ao desejo libidinoso que somente
ela me faz sentir.
— Seu cheiro é divino, gynaíka. — falei maliciosamente, com o sorriso
sacana ainda estampado em meu rosto.
— Safado! — Fica de costas para mim, deixando seu belo traseiro
empinado e gostoso completamente à minha disposição.
Observo-a subir a camisola até sua linha da cintura e, com a outra mão,
segurar meu pau e o levar até sua entrada quente e apertada. Cacete! Quando
ela faz o primeiro movimento de descer, vou à loucura. Puta que pariu! É
indescritível a sensação das suas paredes internas e femininas me esmagando.
Quase gozo no mesmo instante com a cena deliciosa e obscena do meu
mastro sumindo dentro dela. É perfeito! Sua bunda deliciosa e redonda é
outro caso à parte que me deixa irradiando desejo. É uma visão libidinosa.
Meu sangue ruge, descontrolado pelo tesão e suscitado por Angel.
Posso sentir minhas veias se expandirem e minha extensão ganhar um
volume exagerado, pela excitação do momento. Minha safada quica e rebola
em meu cacete, sem pudor algum, como uma mágissa sedutora.
— Está bom, marido? — indagou sensualmente, olhando-me de soslaio
por cima do seu ombro delicado, sabendo que estou completamente rendido à
sua sedução.
Agora ela senta com vontade em meu eixo duro, fazendo-me ranger os
dentes. Porra! Que delícia!
— Mikri magissa (pequena feiticeira) sedutora, você ama sentar no
meu pau. — afirmei o óbvio, ouvindo sua risada sensual.
Deslizo uma alça delicada da sua camisola, expondo um seio firme e
cheio. O bico túrgido rapidamente se arrepia sob meu toque e eu levo a outra
mão ao seu montinho melado de prazer, fazendo-a arfar manhosa. Quase se
desintegra com meu contato devasso.
Não sei se resistirei ao próximo movimento ousado dela. Sempre fui
muito dominante em meus encontros, contudo com Angel é diferente. Ela me
deixa em êxtase quando está no controle e se tornou o meu vício.
Não tarda muito para que eu a sinta se desmanchando e se contorcendo
em meus braços. As paredes aveludadas da sua boceta se apertam em volta
do meu pau, levando-me ao êxtase. Não demora para, também, eu alcançar a
liberação do meu desejo. Explodo meu gozo quente e forte dentro dela,
satisfazendo-me com seu prazer.
Alguns minutos depois, ela se aconchega em meus braços. Seu corpo
ainda está lânguido devido ao êxtase compartilhado. Beijo sua testa suada e
admiro seu corpo seminu banhado pela luz da lua. Demoradamente, fixo meu
olhar atrevido na junção das suas coxas esbeltas, tendo a primorosa visão da
sua boceta deliciosa, de onde escorre minha porra até suas pernas. A cena me
dá um tesão do caralho. Apenas por contemplá-la totalmente entregue, meu
pau já corresponde com uma leve guinada. Caralho! Nunca me canso de tê-la.
Nem parece que acabei de gozar.
Angel, percebendo o meu “ânimo”, olha-me de um jeito depravado.
Um sorriso fogoso estampa minhas feições assim que me deparo com seu
semblante delicado em regozijo pelo prazer.
— Nikky! — sussurrou, percebendo o meu olhar abrasador pelo seu
corpo e encontrando o meu membro semiereto.
— Eu disse, mikró krínos, que nossa noite será quente e longa. Quero
degustar vagarosamente cada um dos seus doces encantos. — minha voz
rouca não escondeu o meu desejo renovado.
Minha mão audaciosa está envolvendo seu monte farto e eu ouço um
leve gemido sensual.
— Desta vez irei montar em você sem piedade. De quatro, gynaíka! —
ordenei, livrando-a da camisola.
Enquanto seu corpo quente e delicioso fica inteiramente ao meu bel
prazer, o brilho da lua ornamenta as nossas silhuetas, sendo a única
testemunha da nossa noite tórrida de paixão.
Muitas horas depois, com nossa luxúria saciada, carrego-a em meus
braços até a nossa cama, contemplando seu sorriso singelo e satisfeito.
CAPÍTULO 37
ANGEL ANDREON

6 meses depois

Estamos quase no fim da primavera e o clima está agradável em


Mykonos. Estou feliz por estar de volta a essa ilha paradisíaca. É aqui que
sinto que é meu lar: no coração da Grécia.
Minha pequena Angelina está uma bebê cada vez mais forte e saudável.
Seus cabelos loiros e olhos azuis puxaram para mim, mas seu sorriso
conquistador é de Nikky, uma cópia fiel. Ele é um pai amoroso e presente
que demonstra amor por ela em cada gesto. Meu coração não podia ter feito
uma escolha tão certeira. Acredito que, no fundo, é o que sempre desejei:
uma família. Não poderia estar me sentindo mais realizada.
Minha amiga Charlize é uma titia coruja e sempre vem visitar minha
pequena princesinha. Constantemente combinamos de sairmos juntas para
passearmos pela ilha. Ainda não compreendi bem o motivo, mas tenho
notado uma certa tensão no ar entre ela e Dimitri. Quando ambos estão no
mesmo ambiente, na mansão, ela faz questão de deixar o cômodo o mais
breve possível. Isso quando não estão jogando farpas um no outro. A ruivinha
tem um temperamento impulsivo. Só espero que não se machuque com ele.
Estou terminando de concluir meu curso de designer de interiores e, em
breve, pretendo montar minha própria empresa. Cada minucioso detalhe e
toque na decoração é precioso, desde a iluminação ao paisagismo; e merecem
uma atenção especial. É claro que tudo tem que ser de acordo com o gosto
pessoal do cliente, mas com aquele toque único e singular. Já realizei alguns
projetos que foram bastante elogiados e logo receberei um novo ainda maior.
Kristen Amazzotty abrirá um ateliê em Mykonos e me deixou encarregada da
decoração dele. Eu me senti honrada com sua escolha. Ela é uma pessoa
maravilhosa, simpática, e já nos encontramos algumas vezes, em alguns
eventos. Ocasionalmente marcamos alguns chás da tarde quando ela está pela
ilha. Temos muitos pontos em comuns e trocamos várias ideias sobre os
nossos bebês.
É evidente que a sensação de andar tranquilamente por aqui e ter o
pressentimento de estar sendo seguida ou vigiada, mesmo com Eaton e
Henrique presos, finalmente me libertou. Apesar de ter sido por causa de uma
notícia trágica, já que muitas vidas se foram naquele acidente. Há cerca de 3
meses foi noticiado nos principais veículos de mídias e jornais mundiais o
incêndio na cadeia de Cook County, em Chicago, em que muitos presos
morreram. As investigações ainda estão sendo averiguadas para descobrirem
a causa exata desse fato, mas tudo indica que foi devido a um pane elétrico,
que ocasionou um curto-circuito. As chamas se alastraram rapidamente pela
ala dos presos mais perigosos. Cerca de 28 deles e dois funcionários
morreram, e o nome do meu tio Henrique e de Eaton estavam na lista de
vítimas. A tragédia não foi maior graças ao trabalho ágil e competente dos
bombeiros locais, que conseguiram reduzir os danos.
Não devia ter este sentimento de alegria, mas me sinto em paz. Só
espero que eles tenham se arrependido a tempo dos atos pérfidos que
praticaram.
Os avós de Nikky chegarão a qualquer momento. A senhora Eleonor é
uma presença constante em nosso lar. Sempre posso ver o seu olhar brilhoso
irradiar de felicidade ao contemplar seu neto e Angelina. Ela baba na
pequena.
Aliás, agora a pouco escutei um barulho de um carro se aproximando.
Acredito que eles já tenham chegado e que meu marido deve ter ido
recepcioná-los.
Termino de me arrumar, colocando uma saia longa com uma fenda na
lateral e uma blusinha despojada. Olho-me no espelho do amplo closet e
gosto do que vejo. Só finalizo com uma flor de lírio amarelo nos cabelos.
Quando desço para os recepcionar, avisto o senhor Alexandre sozinho
sobre o espesso pergolado do jardim, degustando o tradicional café grego. Eu
o cumprimento e ouço a risada contagiante da minha pequena Angelina. Sigo
para encontrar meu marido e a senhora Eleonor, e os vejo ao longe, próximos
ao labirinto de camélias. A vovó parece muito animada enquanto aponta para
uma das rosas à minha filha. Porém, assim que a pequena vê o pai atrás da
bisavó, estende-lhe os bracinhos, pedindo-o colo. Sapequinha!
Sorrio. Não é à toa que o meu marido a mima até demais. Ele a pega
dos braços da avó e beija sua cabecinha loira.
Estou prestes a me juntar ao trio, quando ouço a senhora Eleonor
questionar:
— Ah, Nikky! Você está aí? Eu estava aqui, mostrando para a
garotinha da propappoús (bisavó) as cores da primavera. — Ela o analisa
com nossa menina no colo e um sorriso irradiante ornamenta o seu rosto. —
Percebo que a nova fase de homem casado lhe fez bem, filho. Não sabe a
alegria que sinto por vê-lo tão feliz. No fim das contas, suponho que o meu
ultimato lhe fez muito bem. Mas devo confessar que, na realidade, a bateria
de exames do seu avô naquele tempo estava tudo ok. Tudo bem... Não me
olhe assim, filho! Posso ter usado um pouco de chantagem emocional. —
revelou sem se sentir culpada. — É que eu não estava gostando, em nada, do
rumo que estava levando a sua vida, com uma mulher nova a cada noite. —
censurou o neto. — Você já tinha 35 anos na época e nem mesmo cogitava a
palavra “casamento” depois do episódio lamentável que ocorreu com Sophia.
E reconheço que ela não era uma noiva adequada. Então, eu tive que intervir
e usar certa dose de engenhosidade, porque ainda queria os meus bisnetos. E,
vejamos só! Temos aqui a nossa linda mikrí prinkípissa.
Meu coração se aperta com uma dor intensa ao compreender o impacto
das palavras dela. Agora faz sentido a determinação de Nikky em fazer com
que eu aceitasse o casamento.
— Giagiá, sabe perfeitamente que... — ele a repreendeu com um nítido
tom de censura na voz.
Meus olhos se enchem de água e eu estou prestes a abandonar o local,
quando a senhora Eleonor me avista.
— Angel, querida!
Não tendo mais como fugir, vou ao seu encontro e a cumprimento com
um abraço. Aparentemente, nenhum dos dois percebeu que fui testemunha da
conversa inconveniente. Estampo um sorriso amarelo no rosto e iniciamos
um diálogo aleatório sobre Angelina e suas últimas peripécias. No entanto,
não estou no clima. Tento me manter impassível e simpática, entretanto creio
que minhas feições me delatam.
Logo Nikky me questiona:
— Está tudo bem, gynaíka?
Que cínico! Com um sorriso de orelha a orelha, viro-me em sua direção
e repondo secamente:
— Apenas uma súbita dor de cabeça, marido. Nada que um analgésico
não resolva. Se me derem licença... — Aproveito a pergunta oportuna como
desculpa para me retirar do jardim.
Chego ao nosso quarto com as emoções abaladas ainda, indo até o
banheiro. Em frente ao espelho, encaro o meu reflexo e fixo a atenção
exatamente no lindo colar que ele me presenteou na semana anterior, quando
mencionei sobre uma medalhinha que perdi há alguns anos. Essa é muito
parecida com a minha, só que mais ornamentada, incrustada de rubis nas
bordas e com o desenho da nossa família. Fiquei muito emocionada ao
recebê-la, pois ela representa o que eu mais almejava: uma família; a minha
família. Angelina também ganhou uma, que é usada em sua pulseira da
Mávro, feita do mesmo diamante raro que Nikky me presenteou em outra
ocasião.
Contudo, não me sinto alegre agora. O meu coração se aperta com as
confissões da senhora Eleonor. Meu marido fez aquela proposta de
casamento porque recebeu um ultimato dela. É por esse motivo que não
parecia nervoso ou irritado com a possibilidade de nossa noite de sexo
descompromissado ter rendido frutos. Era exatamente esse o seu propósito.
Fui uma tonta. Como pude cair tão facilmente na sua lábia de galanteador
grego? De fato, resolvi o seu problema.
Uma lágrima impertinente escorre pelo meu rosto. Ainda tenho
dificuldade de assimilar tudo que ouvi.
Nikky tem se demonstrado bastante apaixonado e sido um marido
dedicado e zeloso, mas a possibilidade de crer que durante todo o tempo vivi
em um logro deixa o meu coração em frangalhos. Suas declarações de amor,
que me deixavam com o peito aquecido, eram mentiras?
Percebo que já deve ter passado muitos minutos desde que estou
trancada no banheiro quando me assusto com uma leve batida na porta e a
voz rouca de Nikky me chamando.
— Angel, querida! Está tudo bem?
— Sim. Já estou saindo. — respondi no automático. Minha voz saiu
seca.
Rapidamente, enxugo as lágrimas e lavo o rosto para que possa tirar
algum vestígio da minha melancolia. Assim que saio do cômodo, encontro-o
normal. Parece não ter se atentado ao fato de que escutei sua conversa.
— O almoço será servido em breve, querida. Vamos? — Examina-me
minuciosamente. — Está com o rosto vermelho. Estava chorando?
Permaneço em silêncio. Que canalha! Eu apenas quero esmurrar seu
nariz aristocrata, por ele ter agido de forma sórdida comigo e me feito de tola,
ludibriando-me em uma farsa de “felizes para sempre”. O nosso sonho
perfeito se desfez como uma nuvem.
— Está grávida de novo, krínos? — perguntou surpreso, como se
realmente fosse concreta essa possibilidade.
— Por quê? A chegada de outro bebê foi exigência da sua avó?
Seu corpo fica rígido com minha pronúncia fria.
— Angelos, o que escutou no jardim? — Ergue uma sobrancelha
inquisitiva.
Ainda me encontro com as emoções à flor da pele e, sem ponderar as
consequências, disparo tudo de uma vez. Quero feri-lo de algum modo onde
mais está me doendo. Sem pensar com coerência, vou até onde ele está e lhe
dou um sonoro tapa no rosto. Ele apenas me olha, sem entender minha
reação.
— Eu te odeio, Nikky! Durante todo o tempo tem me feito de tola. E
eu, como uma boba, estava acreditando nas suas falsas juras de amor. —
esbravejei magoada.
— Merda! — Solta um longo suspiro. — Já vi que tivemos alguma
discussão na sua cabeça e eu levei a pior.
— Como pôde ter agido de forma tão maquiavélica comigo?
— De que, exatamente, estou sendo acusado? Preciso pelo menos saber
em que ponto estou.
— Não tente me fazer de boba! Eu escutei no jardim a senhora Eleonor
dizendo que lhe deu um ultimato para que arranjasse uma esposa e,
consequentemente, desse a ela um bisneto.
— Ok. Mas estou tentando compreender em que parte eu menti. Eu lhe
falei que precisava de uma gynaíka. — Demonstra não sentir nenhum
remorso.
— Sim. Você me disse. Mas mentiu quando omitiu o fato de necessitar
somente de uma incubadora para gerar o seu herdeiro. — bradei quase
histérica.
— Angelos, sabe perfeitamente que não foi dessa maneira. Eu podia ter
formulado um acordo sórdido e desprezível. Nas condições em que você se
encontrava, seria fácil aceitar as minhas exigências. Mas não agi assim,
porque desde aquela noite compreendi que não queria você pelo possível
bebê que poderia me dar ou durante um certo prazo de validade; eu a
desejava irrevogavelmente para mim. Se tivesse permanecido no jardim teria
presenciado eu agradecendo à minha giagiá, pois foi através da sua
perspicácia e engenhosidade que encontrei o amor da minha vida. —
justificou-se de um jeito tão convicente, que meu coração deu uma pequena
cambalhota de alegria. Sinto como se um milhão de mariposas fosse me
erguer do solo.
Tento formular algo coerente, mas não consigo. Suas palavras tiveram
o efeito de me desestabilizar completamente.
— Olhe em meus olhos, Angel! Dizem que os olhos são o espelho da
alma. — Segura firmemente os meus ombros, sem me machucar, fazendo
com que eu o encare. — Quero que me olhe e diga o que vê neles. Não quero
que tenha dúvidas dos meus sentimentos em relação a você e nossa filha. Eu
amo aquela mikró tanto quanto amo a mãe dela. Mas se não consegue
perceber isso... — ressaltou com veemência. — Simplesmente, não vejo
futuro para nós. Sei que pode estar magoada por uma interpretação errônea,
mas a única verdade está bem aqui, diante de você. Pense bem antes de jogar
fora tudo que já vivemos!
Tudo que necessito está escrito agora em seus olhos, que têm uma
intensidade marcante. São tão límpidos e transparentes, que posso me ver
presa neles. Creio que realmente posso ter exagerado. Se o nosso
relacionamento começou por linhas tortas ou como um navio navegando sem
bússola, já encontrou o rumo certo, porque, no íntimo, tenho a convicção de
que Nikky me levou a caminhos que eu nunca teria conseguido ir sozinha.
Ele é minha calmaria em noites de tormentas.
— Nikky... — Meus pensamentos estão como um turbilhão.
— Não precisa dizer nada agora, Angel. — não usou os adjetivos
carinhosos que costuma usar comigo. Essa comprovação me quebra. — Não
é o momento. Talvez só nos machuquemos se forem ditas palavras soltas e
sem sentido. Quero que descanse e reflita. E se depois desse processo ainda
existir alguma dúvida, talvez seja preciso seguir outro caminho. — Abandona
o quarto, fazendo eu me sentir desolada e destituída de algo valioso.
Sinto como se uma adaga afiada estivesse cravada em meu coração e
ele estivesse sucumbindo aos poucos. Nikky pode ter razão: eu necessito de
um momento para mim.
CAPÍTULO 38
ANGEL ANDREON

3 dias depois

Nikky tem cumprido sua palavra realmente e me dado um espaço,


evitando-me nos últimos dias. Essa sua atitude está me machucando
sobremaneira. Eu não deveria me sentir assim, mas estou. Todas as noites
sinto falta da quentura dos seus braços libidinosos. Ele continua dormindo em
nosso quarto, mas, mesmo assim, eu me sinto sozinha. Quando chega da
Mávro, tranca-se em seu escritório e somente vem para a cama perto do
amanhecer.
O meu sono tem sido tumultuado, pois durante a noite toda me viro de
um lado a outro na cama até, finalmente, ser vencida pelo cansaço e pelo
choro de tristeza.
Despertei agora a pouco, mais uma vez, sentindo um vazio tremendo no
peito. Ainda é madrugada, as cortinas estão parcialmente abertas e a luz da
lua ilumina o nosso quarto. Vagueio brevemente o olhar sobre nossa cama e
constato sua figura viril dormir tranquilamente. Suas feições estão relaxadas,
revelando que ele está em um sono profundo e que seu peito está desnudo,
banhado apenas pela luz do luar. Devo reconhecer que Nikky é magnífico. O
lençol frágil está cobrindo parcialmente seus quadris. Está completamente
pelado, como gosta de dormir, ou usando uma boxer? Levo a mão até o
tecido para tentar descobrir, porém recuo a tempo. O que estou fazendo? Não
posso, simplesmente, atacá-lo como uma maníaca sexual.
Sua potência masculina está preenchendo o quarto com sua essência
dominante, e eu, claramente, sinto falta do seu toque ardente em minha pele,
de dormirmos de conchinha e de fazermos amor. E se estamos como agora é
por conta do meu orgulho. No fundo, eu posso sentir o tanto que Nikky me
ama, mas ainda me fere a maneira como descobri que sucedeu o nosso
casamento.
Mando essa análise perturbadora para longe e me acomodo no colchão,
socando o travesseiro com força, e fecho os olhos, aguardando ser envolvida
novamente pelo sono.

Pela manhã, como já era de se esperar, Nikky não está mais na cama e
eu comprovo que o sol já está alto no céu de Mykonos. Caramba! Estou
atrasada para um passeio que marquei com Charlize. Salto da cama, sigo para
o banheiro, faço minhas higienes o mais breve que consigo, coloco uma saia
floral rodada, uma blusinha de tom neutro, calço sandálias confortáveis e faço
uma leve maquiagem, caprichando no corretivo para atenuar as olheiras que,
agora, são minhas companheiras constantes. Depois vou até o quarto de
Angelina e percebo que ela não está presente. Desço as escadas, indo em
direção à cozinha e ao corredor, já podendo ouvir a risada gostosa do meu
pequeno anjo de luz. Sorrio. Agne deve estar com ela enquanto a babá não
chega.
Quando entro na cozinha, vejo uma cena inusitada: é Nikky quem está
dando comida para a pequena. E ela parece muito animada na companhia do
pai. Ele lhe faz umas caretas engraçadas, tentando lhe dar a porção do
alimento, mas Angelina não está se importando com nada além de brincar.
Agita suas pequenas mãos e dá vários murmúrios e risadinhas contagiantes.
Em determinado momento, Nikky deixa o pratinho de comida ao seu alcance,
e, sem pensar duas vezes, nossa filha enche as duas mãozinhas com a comida
e a espalha por todo o lugar. Uma generosa parte dela vai parar exatamente
na camiseta e no rosto do pai.
Eu rio da cena cômica. Agora eles estão parecendo dois porquinhos.
Agilmente, meu marido tira o pratinho do alcance dela, pega uma
toalha próxima e tenta refrear o dano, só que a bagunça já está formada.
— Angelina, sua sapequinha! Veja como deixou o papai. E olhe só para
você!
Ela apenas ri, agitando os bracinhos.
Observo que, apesar da confusão gosmenta na cozinha, ele está com um
sorriso no rosto, aparentando não estar bravo com o que aconteceu. Em
seguida começa a limpar a danada, tentando tirar uma parte da sujeira dela.
Até nos seus cabelos tem papinha. Ela fez a festa.
Entro na cozinha, revelando a minha presença. Quando meu marido
percebe, estaca suas ações e me olha intensamente.
— Parece que Angelina andou aprontando por aqui. — Dou um sorriso.
— Sim. Mas a situação já está sob controle. — É perceptível que ainda
não se atentou ao estado do seu cabelo. Ele sempre o mantém em perfeita
ordem, como se fosse um exímio modelo de comercial.
— Ok. Ambos estão parecendo uns porquinhos, mas tudo bem. Vejo
que o caos maior já passou. — Contenho o riso.
— Sim. Foi um mikró tornado chamado Angelina. — Ele ri
despreocupado. Seu sorriso é lindo e uma covinha se forma em seu queixo.
Isso me faz pensar no quanto estou agindo como uma tola por causa do
meu orgulho. Nós nos encaramos e ficamos conectados, porém eu quebro a
conexão antes de perder o controle e permitir que o fogo da paixão domine os
meus sentidos.
— É melhor eu levar a pequena para um banho. — avisei.
— Ela não é a única que necessita de um banho. — advertiu, sendo
safado. — Creio que irei precisar de um longo e frio... Muito frio. Não posso
permitir que consequências maiores venham à tona.
Estou com o foco na nossa filha, mas percebo que seus olhos estão
queimando cada centímetro da minha pele e sinto um formigamento
desenfreado no meu baixo ventre.
— Então, é melhor que vá tomar o seu banho logo. — respondi
simplesmente, tentando manter coerência, sendo que meu desejo é de aceitar
sua oferta velada. — Eu cuido da pequena.
— Se não tem outra maneira de refrear o dano... — disse de maneira
indecente, com uma dose de safadeza.
Nikky Andreon é incorrigível. Ele sabe do seu poder de sedução na ala
feminina e usa e abusa dele sem piedade. Os últimos 3 dias foram muito
difíceis para mim, pois senti sua falta constantemente. Mesmo que
estivéssemos na mesma casa, era como se um abismo enorme tivesse se
aberto entre nós.
— Nikky... — Comprovo que minha pronúncia se perdeu no ar, porque
ele não se encontra mais na cozinha.
Bufo frustrada, pego Angelina no colo e a levo para o banho. Depois a
coloco sobre a cama e começo a trocá-la, colocando nela uma fralda e um
vestidinho.
— Acha que seu papai merece uma segunda chance, meu amor? —
comecei a falar com ela enquanto brincava com um mordedor, balbuciando
sons quase incompreensíveis e agitando os bracinhos e as perninhas.
— Pa... Pa...aaa! — gritou alegre.
— É. Creio que você tenha razão. A mamãe exagerou um pouco.
Considero que fui muito dura com Nikky. Suas intenções podem até ter
começado através de um ultimato da avó, mas é notório o quanto ele
realmente ama a filha. Um arrepio gelado me atravessa. E se, por causa da
minha indecisão, ele quiser o divórcio?
Espanto esse pensamento esmagador para longe. Tenho que dar um
basta nesse jogo de orgulho.
Depois que termino de arrumar Angelina, a babá entra no quarto e eu
entrego a pequena aos seus cuidados. Mariah é uma mulher jovem, com cerca
de 35 anos, mas seu currículo na área é invejável. É perceptível o quanto ela
ama trabalhar com crianças. Por isso a selecionei.
Desvio o meu foco para a janela do quarto e posso avistar, ao longe,
Nikky em sua imponência. Ele está indo em direção ao local mais alto do
jardim, de onde o panorama é esplêndido, de frente para o mar Egeu. É um
lugar calmo que traz tranquilidade. Reparo que ele já tomou o seu banho, que
trocou de roupas e que parece estar tão inacessível, com sua postura rígida.
Tenho medo dessa parede invisível que está sendo criada ao nosso redor, não
se dissipar.
Sou tomada por uma ânsia inexplicável.
Creio que para chegarmos a um consenso, um dos dois tem que ceder.
Sem dar tempo para raciocinar com coerência e buscar por mais subterfúgios
que me façam fugir da conversa que teríamos que ter em algum momento,
desço as escadas o mais rápido que minhas pernas permitem e vou ao seu
encontro. Caminho apressadamente pelo jardim, tentando vencer a distância
que nos separa. Quando estou próxima a ele, eu diminuo os passos e meu
coração galopa no peito. Nikky está de costas para mim, com as mãos
enfiadas nos bolsos da calça.
Ao chegar mais perto dele, estanco subitamente, e a incerteza volta a
me atormentar. Seria tão fácil dar meia-volta e retornar. Mas essa decisão não
resolveria nosso problema.
Tomo coragem, respiro fundo e o chamo:
— Nikky!
Lentamente, ele se vira em minha direção. Percebo uma micro
expressão de surpresa se formar em seu semblante, embora ele tente ocultá-
la. Só que a surpresa não dura muito tempo e logo observo um traço de
sorriso convencido surgir no canto dos seus lábios firmes e deliciosamente
sedutores. Ele abre os braços, convidando-me a me aconchegar entre eles.
Não me fazendo de rogada ou ofendida, termino de vencer a curta distância
que nos separava e me aninho em seu calor masculino. É tão delicioso o seu
cheiro e é maravilhoso sentir sua pele em contato com a minha. Sinto-me
protegida como nunca antes.
Prontamente, ele me ergue do solo e me rodopia. O seu sorriso é
incontido neste instante.
— Mikró, não sabe como senti sua falta nos últimos dias. Não tem
noção do inferno que passei sem ter conhecimento de qual seria sua decisão.
— Nikky, eu... Perdão! Eu simplesmente estava ferida pela conversa
que escutei.
Seu corpo fica tenso.
— Tem dúvida do meu amor, angelos?
Olho nos seus olhos para que não exista um ínfimo resquício de
incerteza. Quero que ele veja dentro dos meus o quanto o amo. Quando
percebo que suas írises do Egeu me fitam de forma enérgica, tenho a
convicção de que ambos estamos na mesma sintonia. Neste momento são os
nossos corações que estão confessando todo o amor.
— Jamais, amor. Mas talvez eu precisasse desse tempo para
compreender, realmente, a imensidão desse sentimento. — confessei.
— É muito teimosa, gynaíka. Já devia ter percebido que sou louco por
você, não somente pela filha maravilhosa que me deu. — assegurou. — O
que temos é muito mais forte e real; é um fogo inexplicável. — Ele pisca um
olho devasso para mim e eu começo a distribuir pequenos beijos pelo seu
rosto. — Eu a amo, meu glykós ángelos! E não poderia ser diferente. Você é
minha para todo o sempre, e o nosso destino já estava selado antes de nos
cruzarmos.
Sinto o meu coração quase explodir de tanta felicidade.
— Oh, sim! Eu também te amo tanto, Nikky, que as palavras são
insuficientes. Mas eu serei sua para todo o sempre. Você já é o dono do meu
coração. — afirmei com um sorriso irradiante.
— Sim, gynaíka. Assim como i kardiá mou pertence a você. — Seus
lábios cálidos esmagam os meus, selando as nossas promessas.
Sua língua voraz se insere em minha boca, atrevida e sedenta de desejo,
em um duelo ávido e selvagem de calor. Sensações libidinosas, devastadoras,
e arrepios de volúpia já se concentram em mim. O meu corpo quente e febril
se rende com prazer ao seu toque devasso. Já posso sentir a poça de desejo na
minha intimidade, que está palpitante e ansiosa pelo seu contato ardente. E
pela protuberância rígida de encontro ao meu baixo ventre, consigo perceber
que o safado está tendo pensamentos indecentes. Essa confirmação deixa o
meu corpo molhado de desejo.
— Perfeito, mikró angelos! — murmurou ao separar nossos lábios.
Posso reparar que suas intenções são maliciosas e que há fogo e luxúria
em seu olhar.
— Vou te foder duro e forte para aprender a não maltratar o seu
marido. — o safado assegurou sem nenhum pudor. Céus!
— Foram somente 3 dias, marido.
— Gosta de me punir, gynaíka? — Levanta uma sobrancelha, em
desafio. — 3 dias, krínos, em que não pude senti-la. — Sorrio ao ver que ele
voltou a usar seus termos carinhosos. — Foram 3 malditos dias que deixou o
seu homem de pau duro.
— Cretino! Você bem que mereceu uns banhos gelados. Sua mente
pervertida só pensa em safadezas.
Ele começa a rir indecentemente.
— Nem imagina, angelos. Agora vou trazer à tona cada uma das
fantasias impróprias que imaginei com você e irei realizar cada um dos seus
desejos de mulher. Sei que também sentiu minha falta. — sentenciou,
suspendendo-me, colocando-me cima do seu ombro e me levando em direção
à mansão.
— Nikky, o que está fazendo? — protestei.
Em seguida, recebo um tapa estalado no traseiro.
Ele atravessa todo o jardim sob o olhar atento de alguns funcionários. O
que me deixa mortificada. Que vergonha! O homem está agindo como um
ogro. Quando passa pelo saguão da casa e começa a subir as escadas, percebo
que Agne nos observa com um sorriso compreensivo. Minha face termina de
incendiar. Todos já sabem o que iremos fazer no quarto. Céus! Que marido
pervertido esse meu.
— Está agindo como um homem das cavernas, Nikky.
Ele entra no quarto e me deposita sobre a ampla cama.
— Você ainda não me viu agir assim, gynaíka. Mas quando eu estiver
te tomando duro e profundamente, vou mostrar o primitivo que evoca em
mim. E se me recordo bem, você ama quando ajo de modo lascivo. —
afirmou vaidoso, piscando um olho sem-vergonha para mim.
Cretino! Safado gostoso! Ele tem plena convicção do seu poder de
sedução masculina e abusa dessa artimanha sem modéstia.
— Safado! — ofeguei.
Com rapidez, ele começa a me despir, deixando-me somente de
calcinha. Tenho a plena certeza de que a peça frágil não está ocultando o meu
desejo. O seu olhar quente está me incendiando.
Ele começa a se desprender das suas roupas também e logo contemplo
a figura viril somente com uma boxer preta que ostenta toda a sua potente
masculinidade. Meus olhos mal conseguem se desprender dessa parte
fascinante dele, e, sendo curiosos, também vagueiam para o restante do seu
corpo definido. Aprecio com desejo a parede de músculos rígidos do seu
peitoral trincado. Um choramingo abandona meus lábios assim que me
imagino traçando com luxúria seus gominhos salientes enquanto ele me toma
da maneira despudorada que tanto me satisfaz.
Contudo, quando minhas mãos estão em seu peitoral sentindo o seu
calor e as batidas vigorosas do seu coração, ele me priva do seu contato,
segurando-as min e as suspendendo para cima da minha cabeça.
— Não me tocará, gynaíka. Essa será a sua punição.
Arfo frustrada.
— Nikky, não é justo. — protestei em um choramingo.
— Justo? Quem disse que seria, krínos? Será punida por me privar do
seu calor; não me tocará. Mesmo assim, eu a levarei ao limite do desejo.
Agora, tire a calcinha para mim! Quero chupá-la. — ordenou, libertando os
meus braços.
Meu ser todo vibra de tesão apenas com sua pronúncia devassa. Já
posso sentir meu corpo úmido e voluptuoso se consumindo de ânsia.
Lentamente, eu o obedeço, descendo a frágil peça pelas minhas pernas
sensualmente, ouvindo um som gutural escapar por entre seus lábios
masculinos. O safado deve ter percebido o quanto o anseio. Faço todo o
processo olhando em seus olhos, demonstrando o quanto estou desejosa pelo
seu toque e como almejo a sua paixão desmedida. Quando finalizo, mordo o
lábio inferior, provocando-o.
— Vou lamber cada pedacinho da sua boceta deliciosa, angelos. Estou
louco para sentir o sabor da sua paixão em minha boca. — Consigo detectar
uma fome incontida em seu olhar cobiçoso e estremeço quando fixo nele.
Seu modo cru e visceral de agir me deixa louca. Quando ele aparta as
minhas coxas e comprova o quanto estou necessitada de sua posse, rosna
como um primata.
— Puta que pariu! — sua voz saiu rouca por conta do tesão. Sem
pressa, seus dedos atrevidos se infiltram em minhas dobras quentes,
sondando minha calidez. — Perfeição, mikró! quero saborear o suco do seu
desejo. Não tem noção do quanto o cheiro picante de sua excitação está me
deixando louco. — Insere sua língua ágil em minha intimidade molhada e
desejosa, cumprindo exatamente o que prometeu.
Sons incontroláveis de paixão escapam da minha boca e um calor
gostoso se propaga pelo meu corpo devido à habilidade avassaladora e
impiedosa da sua língua intrépida. Ele me chupa com voracidade enquanto
suas mãos vagueiam por cada parte de mim com maestria, sob o comando
dos seus desejos. Somente anseio me perder no turbilhão de sensações
devastadoras que sua posse me causa.
Não demora muito até que seu corpo potente preencha o meu de forma
dura e profunda, fazendo-me explodir em um gozo de paixão, violento e
inesperado. Um sorriso de satisfação contempla a minha face.
Definitivamente, essa foi a melhor parte da reconciliação. — pensei
manhosa, sentindo o coração transbordar de amor.
CAPÍTULO 39
ANGEL HARLEY

2 meses depois

O sol está esbanjando todo o seu vigor no céu azul de Mykonos. Um


dia perfeito para um passeio por Chora. Marquei com Charlize uma volta
pelo centro da cidade, pelas ruas e vielas estreitas convidativas a uma
caminhada. Apesar do dia ensolarado, está um clima agradável. Também,
estou precisando de algumas novas texturas de papéis de parede para um
novo projeto.
Termino de vestir minha pequena Angelina, que se remexe sem parar.
A pequena ama um passeio e fica toda empolgada quando vai a um. Nikky e
eu sempre fazemos uma caminhada à tardinha pela praia para apreciarmos em
família o panorama espetacular do pôr do sol.
Quando Charlize chega toda vibrante à mansão para o passeio, minha
filha a vê e já vai, toda extrovertida, para os seus braços. Meu marido já foi
para o escritório, deixando Pedro à nossa disposição. O motorista nos deixa
no centro de Chora, onde começa o nosso trajeto pelas ruas históricas e
paisagens deslumbrantes.
Coloco Angelina em seu carrinho de passeio para facilitar nossa
locomoção pelas vielas estreitas de casinhas brancas e floridas. O meu
pequeno anjinho já está uma bolinha de chumbo. Andamos por algumas
lojinhas e eu compro tudo que necessito para o novo projeto. Pedro,
prontamente, guarda tudo no carro. Depois seguimos para Little Venice, a
praia mais próxima e central à região. Escolhemos esse lugar por ter um
clima bem agradável à beira-mar e várias opções de restaurantes. Nikky e eu
já contemplamos alguns pores de sol aqui. É espetacular, assim como o
famoso ponto turístico da ilha, “Os Moinhos”, herança dos venezianos e onde
vários turistas e casais apaixonados disputam uma vaguinha para apreciarem
e registrarem um belo pôr do sol próximo ao mar Egeu, em um clima bem
romântico e acolhedor.
Depois de nos acomodarmos em um restaurante, aproveito para trocar a
fralda da minha filha e lhe dar a mamadeira. Ela logo dorme em seu bebê-
conforto, com a chupeta na boca, sugando-a como se fosse a coisa mais
saborosa do mundo. Em meio ao seu sono tranquilo, toco em sua mãozinha,
que se fecha em volta do meu polegar. Sorrio como uma mãe coruja. Ela é
tão pequena e indefesa, que somente quero protegê-la de todo mal do mundo.
O que uma mãe não faria por um filho?
Depois que comprovo que ela está bem acomodada e dormindo
serenamente, retorno à conversa com Charlize. O garçom nos atende,
servindo-nos a refeição divina: um delicioso peixe grelhado com salada
grega.
Estamos em um clima agradável, conversando animadamente e
degustando a refeição maravilhosa que nos foi servida, quando vejo a
expressão da minha amiga mudar completamente. Ela está olhando para um
ponto fixo atrás de mim.
Ao me virar, compreendo o motivo da sua cara de ultraje. É a loira
aguada que estava acompanhando Dimitri no dia do meu casamento. E não
está sozinha, porque ele logo surge por trás dela, agarrando sua cintura com
possessividade. Pelo seu sorriso de cafajeste já imagino onde irão depois da
refeição. O cara continua levando sua vida de mulherengo inveterado. Se
gosta tanto dessa loira azeda deveria se casar com ela de uma vez. Sinto que,
de algum modo, sua atitude está dilacerando o coração da minha querida
Charlize. Ambos deixam o restaurante sem perceber nossa presença, e
quando me viro de volta, observo atentamente a fisionomia da minha amiga.
Está melancólica, mas tentando ocultar seus sentimentos. Creio que já esteja
enredada pelo charme desse grego libertino. E se ele a machucar, acabarei
com sua raça.
— Charlize, eu avisei. — adverti.
Ela balança a cabeça de um lado a outro como se somente agora
estivesse se atentado à minha presença.
— O quê? — Tenta dissimular seu olhar de tristeza. — Está se
referindo ao amigo do seu marido? Dimitri é um babaca. Não é à toa que ele
e aquela loira desmilinguida se merecem; são dois cabeças-ocas. Toda a
soberba deve ter estagnado seus cérebros de ameba. — disse com desgosto.
— Ainda não entendi por que toda essa tensão entre vocês dois. Parece
até que se odeiam. Existe algum problema que não estou sabendo? Se mal
trocam meias-palavras, como podem se odiar?
— Creio que está vendo coisas onde não existe, Angel. É claro que não
o odeio. Dimitri é insuportável, óbvio, tremendamente irritante, um riquinho
metido... — Respira fundo. — É melhor terminarmos a lista de adjetivos,
porque senão passarei a tarde toda os enumerando. — lançou-me um sorriso
amarelo, tentando desconversar.
Ela começa a falar de outro assunto aleatório que não tem nada a ver
com o que estávamos falando e noto minha falta de interesse em relação a
ele. É sobre Amélia. Percebendo minha curiosidade em retomar a conversa
anterior, Charlize pede licença para ir ao banheiro.
Alguns minutos depois, ainda a aguardando, uma mulher muito
simpática, com cerca de uns 50 anos, toda trajada de preto, aproxima-se da
minha mesa e me oferece flores; lindos lírios amarelos. Sorrio ao lembrar de
um certo grego.
— Obrigada, senhora! Mas hoje não vou querer.
— Hoje são de graça. — Encara-me com um olhar escuro e misterioso.
— Os lírios amarelos têm a cor dos seus cabelos, que reluz a ouro puro. O
amarelo representa a alegria, a pureza e o amor. E essas características
combinam com a senhora. Não quer transformar esse dia em tristeza. Quer,
senhora? — sua entonação me causou arrepios.
Algo nessa mulher me trouxe uma sensação de aversão, embora ela
esteja demonstrando uma atitude simpática comigo.
— De qualquer maneira, não vou querer.
— Ok. Vejamos uma pequena mágica antes que eu vá! — Deposita o
cesto de flores na poltrona próxima à Angelina, que ainda dorme
tranquilamente.
Em seguida, a velha mulher pega um lenço preto e me mostra que não
há nada nele, nem de um lado, nem do outro. De repente, ela o solta e aparece
um lindo lírio amarelo. Então, entrega-me a flor.
— Obrigada!
— Somente mais uma mágica. — Sorri com seus dentes amarelados.
Ela pega outra flor da cesta, coloca-a embaixo do pano e a faz
desaparecer.
— Onde estará a bela flor? — Ela leva a mão para perto da minha
orelha, fazendo-a aparecer. Céus! Como fez isso? Parece uma bruxa. — Não
se preocupe, querida! Não sou nenhuma bruxa. Todos da cidade costumam
me achar esquisita. Se eu fosse uma, já teria sido queimada no século XV. —
Começa a rir descontroladamente, causando-me um mau presságio.
A louca agora lê pensamentos?
— Senhora... É... — Quero dispensá-la educadamente, entretanto me
faltam palavras.
Se pelo menos Charlize aparecesse aqui... Onde você se meteu, garota?
— resmunguei em pensamentos.
Abruptamente, ela para sua risada macabra.
— Não precisa temer. Já estou indo. — Eu tento devolvê-la o lírio que
ela me entregou, contudo ela não aceita. — É seu a partir de agora. Irá
começar a contagem regressiva. Vai precisar de sorte, garota. — Sai com seu
cesto em mãos, cantarolando uma canção sombria que me causa horror.
Não sei o que significa, mas acho meio sinistra a sua cantoria.
Alguns minutos se passam e Charlize volta. Seus olhos estão um pouco
vermelhos. Aquele filho da puta do Dimitri! Vou acabar com ele. Estou com
muita raiva.
— É melhor irmos embora. — comentei, percebendo sua fisionomia
triste.
Eu chamo o garçom para trazer a conta e me preparo para ver como
está Angelina. É quando vejo o bebê-conforto apenas com o paninho que a
cobria e uma rosa amarela. Meu organismo todo congela.
Deus amado! A bruxa louca roubou minha filha! — exclamei
internamente, horrorizada.
Uma angústia toma conta do meu corpo e eu começo a tremer como
uma árvore em meio a uma ventania. Parece que meu coração vai sair pela
boca, com tamanho sufoco.
— Charlize... Minha bebê... A velha louca a roubou. — Acho que meu
raciocínio vai parar a qualquer instante.
— O quê? Que velha louca? — questionou sem entender nada.
Somente quando observa meu olhar vidrado no carrinho, compreende que
minha filha sumiu. — Theós! Onde está Angelina?
— Quando você foi ao banheiro, uma velha louca apareceu aqui com
uns truques de mágica, entregando-me uma flor. Deus amado! Ela me distraiu
com eles e levou minha bebê. — Entrando em desespero, corro para fora do
restaurante, mas não vejo sinal da mulher louca.
Céus! Sou uma péssima mãe. Começo a gritar e fazer o maior
escândalo, pedindo ajuda para encontrar a minha filha. Neste momento me
sinto o ser mais desprezível do mundo. Só de pensar na minha bebê com um
ser tão horripilante como aquela mulher... E tudo é culpa minha. Quantas
vezes Nikky insistiu para que eu andasse com pelo menos um segurança?
Mas eu, como uma tola, considerava a ilha um lugar calmo e tranquilo,
principalmente depois da morte do meu detestável tio e Eaton, que não são
mais nenhuma ameaça. Nunca imaginaria que surgiria um ser tão horrível que
fosse levar embora Angelina.
— Calma, Angel! Eu já comuniquei o ocorrido ao Pedro e ele ligou
para Nikky. Estevão e ele está vindo para cá. — Charlize tentou me acalmar.
Meu coração está totalmente sufocado pela angústia e desespero.
Alguns minutos opressivos depois, meu marido chega acompanhado de
Estevão, que já cerca o lugar e começa a vasculhar todo o arredor. Eu só
consigo chorar copiosamente, com o coração esmagado. Parece que meu
corpo não vai suportar a dor e sucumbir a qualquer instante.
Assim que Nikky se aproxima de mim, lanço-me em seus braços,
sentindo o seu corpo forte me acolher e as lágrimas virem com maior
intensidade.
— Levaram ela de mim, Nikky! Eu sou uma péssima mãe! Levaram a
nossa filha e eu não a protegi! Levaram Angelina de mim! — falei sem
nenhum nexo, totalmente desestabilizada.
— Não diga sandices, angelos! Precisa se acalmar. — Tenta me
transmitir conforto, beijando levemente os meus cabelos. — Prometo que
trarei nossa filha de volta.
O dono do estabelecimento cede as imagens do local, porém não tenho
coragem de checar as reprises da cena daquela mulher horrível levando a
minha bebê e prefiro ficar na companhia de Charlize enquanto Nikky segue
para uma sala reservada.
— Inferno! — Ouço ele blasfemar alguns instantes depois. Em seguida,
escuto também um estrondo forte, como se ele estivesse socando algo.
Quando surge de lá, seu semblante está carregado. — Vamos, querida!
Precisa descansar. Não se preocupe! Eu trarei nossa filha de volta. Agora,
preciso levar o caso à polícia para que se possa identificar a mulher que
sequestrou nossa mikroúlis. — Ele tenta se manter firme, só que seus olhos
estão marejados.
Meu mundo acabou de ruir. Minha cabeça começa a girar e a escuridão
nubla os meus sentidos. Acabo sucumbindo à minha dor e, antes que
desvaneça de vez, sinto os braços do meu marido me envolverem, impedindo
que meu corpo se choque contra o solo.
CAPÍTULO 40
ANGEL ANDREON

Acordo, mais uma vez, completamente grogue, parecendo um zumbi.


Rosto pálido e grandes olheiras adornam o meu semblante. Meus olhos, que
antes pareciam enormes piscinas azuis e estavam brilhantes, cheios de
vivacidade, agora estão opacos e sem vida.
Sinto-me letárgica devido à quantidade de calmantes que o médico que
Nikky chamou, receitou-me. Ontem, quando retornei à realidade, já estava
em casa, na mansão. Assim que despertei, a primeira coisa que fiz, foi correr
até o quarto de Angelina para comprovar que tudo não tinha passado de um
maldito pesadelo. Quando vi a realidade, recordei-me do ocorrido como em
um flash e simplesmente surtei. Comecei a quebrar alguns objetos e fiquei
histérica. Minha única vontade era de sair de casa e vasculhar Mykonos de
ponta-cabeça, mas é óbvio que meu esposo não permitiu tal façanha. Ele,
vendo que eu estava completamente desestabilizada, ligou para o médico da
família.
Já recomposta, juro que vou achar aquela velha maldita e a fazer pagar
por ter sequestrado minha filha. Com certeza a bruxa embusteira só quer
dinheiro.
Tomo um banho relaxante, procurando limpar a mente de qualquer
vestígio dos calmantes. Hoje não os tomarei, mas preciso me manter sã se
quiser encontrar Angelina. Só de pensar na minha pequenina com aquela
mulher asquerosa, sinto repulsa.
Nikky ainda não retornou. Mesmo estando dopada pelos
medicamentos, senti sua presença na cama quase ao amanhecer, mas creio
que dormiu por poucas horas, porque quando despertei, ele não se encontrava
mais ao meu lado.
O sol, muito alto, indica que já passa do meio-dia.
Quando saio do banheiro com apenas um roupão, percebo que Agne já
me aguarda no quarto. Pelo aroma divino que preenche o cômodo, sei que
trouxe comida.
— Kiz, eu trouxe sua refeição. — Sua expressão está abatida. Ela é
muito apegada à pequenina.
— Estou sem fome.
— Não faça isso, kiz! Nossa pequena precisa da mãe dela forte e
saudável. E se não se alimentar direito, vai adoecer. Tenho certeza que Nikky
irá trazê-la de volta.
— É o que rogo a Deus a cada instante. Não sei como posso ter sido tão
estúpida de deixar aquela velha bruxa a levar de mim. — Reprimo algumas
lágrimas.
— Não se puna tanto! Não foi sua culpa. Essa mulher inescrupulosa foi
esperta, mas a sentença dela virá. — assegurou.
— Nikky ligou? Já descobriram algo? Ontem eu estava com os sentidos
nublados pelo desespero, então não consigo me recordar de muitas coisas,
exceto do terror que aquela senhora me fez passar. — Preciso saber como
andam as investigações sobre o paradeiro da minha filha.
Deus! Só de imaginar que aquele ser desprezível pode levá-la outro
país ou fazê-la algum mal, meu coração estremece de angústia.
— É compreensível. E, sim. Nikky ligou há alguns minutos, mas você
ainda estava dormindo. — Eu a olho angustiada, em busca de respostas mais
concretas. — Infelizmente, estamos sem novidades sobre o paradeiro da
bruxa. Porém, descobriram que se trata da velha Perséfone. Ela já é bem
conhecida em Mykonos por fazer alguns truques de mágicas nas ruas e
vender algumas ervas perigosas e suspeitas no mercado. Muitas moças que
entram em desgraça, recorrem a ela, buscando essas coisas.
Entendo sua colocação ao ter se referido a “ervas perigosas”. São
abortivas, no caso. Um medo congelante me paralisa. Quantas crianças essa
mulher horrenda já deve ter matado? Deus! Minha respiração acelera e meu
coração quase entra em colapso.
Agne, percebendo minha fisionomia, a qual tenho certeza que está tão
branca quanto uma vela, prontamente me assegura:
— Calma, kiz! É questão de tempo até Nikky encontrá-la. Agora,
precisa se alimentar para ter forças em seu reencontro com Angelina. Por
favor, Angel, mantenha-se estável! Sua filha necessitará de você. — Eram de
suas palavras de encorajamento e motivação que eu precisava.
Aceno positivamente com a cabeça e caminho até a mesa de canto em
que está a refeição. O cheiro é de dar água na boca, porém meu estômago
parece não aceitar nenhum alimento. Forço-me a comer sob o olhar atento de
Agne. Com certeza, ela repassará tudo para o meu marido. E tem razão: do
que adiantaria ficar dopada dentro de um quarto, chorando e me corroendo
pelo acontecido? Essa atitude não traria Angelina de volta.
Quando percebo, já devorei tudo e ela me olha satisfeita.
— Charlize também ligou. Queria saber como você estava.
— Se ela ligar de novo, diga que estou bem! Na medida do possível,
claro. — Não quero deixá-la preocupada.
Sigo para o closet e visto roupas apropriadas para o que pretendo fazer:
uma calça, uma blusa e uma jaqueta. Para finalizar, calço botas. Ao retornar
ao quarto, constato que Agne ainda está presente. Sua expressão é de surpresa
quando percebe que estou pronta para sair.
— Aonde vai, kiz? — sua pergunta conteve preocupação.
— Eu vou buscar a minha filha. — respondi determinada. — Você tem
razão: não posso ficar parada aqui, trancada nessa mansão, enquanto
Angelina está em perigo com aquela mulher horrível.
— Talvez não seja sensato. Nikky já está cuidando de tudo, e creio que
é questão de tempo até eles a encontrarem. Cada parte de Mykonos já está
sendo vasculhada.
— A questão é exatamente essa, Agne: o tempo é precioso e está se
esvaindo.
— Então, eu irei com você. — propôs.
— Não é necessário. Preciso que fique aqui e me informe se qualquer
coisa acontecer. Pode ser que meu marido a encontre primeiro.
— Ok, kiz. Mas, tome cuidado e me mantenha informada!
— Não se preocupe! Eu tomarei. E prometo que a trarei de volta. Se eu
não a trouxer, não retornarei.
— Não diga bobagens! Está me assustando desse jeito. — pediu com
uma expressão alarmada.
— Não ligue para as minhas divagações! É unicamente dor de mãe.
Agora, preciso ir.
Já no jardim, percebo Antônia vir ao meu encontro em passos
apressados.
— Senhora! — Traz algo nas mãos.
— Sim, Antônia.
Ela me estende um envelope verde, que pego com as mãos trêmulas.
— Um rapaz acabou de me entregá-lo e disse que deveria ser entregue
em suas mãos. — Despede-se, entrando na mansão.
Encaro o envelope em minhas mãos e vejo que se trata de uma carta
anônima, sem absolutamente nada sobre o remetente. Abro-o, impaciente, e
comprovo minhas suspeitas. A mensagem vem toda em recortes de jornais e
revistas, com um conteúdo tenebroso.
“Se quiser ver sua filha viva novamente, venha sozinha a esse local! Se
informar algo à polícia ou ao seu marido, em breve receberá a cabeça dela
em uma caixa térmica. Não se esqueça que a decisão está em suas mãos!
Tem uma hora para decidir o destino da menina.”
Em um espaço mais abaixo vem informando a rua e a localização exata.
Meu estômago está revirado por asco e horror devido ao contexto dessa carta
fria. Estou com o coração sangrando pelas palavras grotescas e monstruosas
da velha bruxa. Como pode ser uma pessoa má a esse ponto? Que tipo de ser
humano é, para ameaçar a vida de uma bebê que não tem culpa de nada? Meu
Deus! Meu coração se aflige ainda mais ao me dar conta de com qual espécie
de monstro minha pequenina está. Quando percebo, lágrimas grossas já estão
manchando o papel por conta dos meus prantos de dor e angústia.
Não tenho opção: irei resgatar minha filha e acabar com aquela senhora
medíocre. Ela não tem noção do que uma mãe é capaz de fazer por um filho.
CAPÍTULO 41
ANGEL ANDREON

Meus olhos estão vendados para que eu não possa localizar para onde
estamos indo. Após receber a carta, não tive muito no que pensar e não tinha
alternativa depois daquela ameaça fria e desprovida de humanidade.
Simplesmente, chamei um táxi e fui ao local indicado. Quando cheguei lá, a
velha surgiu de outro veículo com um motorista, onde entrei e fui revistada e
desprovida dos poucos pertences que levava, como meu celular e bolsa. Em
seguida, ela me vendou para que eu não pudesse reconhecer os lugares por
onde estaríamos passando. Tive que fazer um grande esforço para controlar a
vontade de tirar a venda e agarrar o pescoço da maldita até arrancar a
informação que necessito. Mas precisei pensar em Angelina. O que me
renovou as forças e me fez dominar o desejo de esganar a mulher.
O deslocamento tem sido sob um silêncio estarrecedor, até que
chegamos a um ponto onde descemos do automóvel e seguimos a pé por uma
estrada de terra. Pelo que posso notar, é um lugar de mata. Ouço os sons dos
galhos secos se partindo a cada passo que dou. A velha bruxa está me
conduzindo. Posso não estar vendo nada, mas os meus outros sentidos estão
bem apurados. Consigo escutar os pássaros e um barulho de água. Isso me
ajudará no momento que eu resgatar Angelina e precisar retornar.
Meus pés já estão doloridos. Há quanto tempo estamos andando?
A bruxa, parecendo ler os meus pensamentos, informa-me:
— Já estamos perto. Em breve poderá ver sua filha.
— Eu não entendo por qual motivo está fazendo tudo isso. É dinheiro
que almeja? — De fato, não compreendo sua ambição, já que não mencionou
nada sobre o seu propósito.
— Sim. — confirmou unicamente.
— Então, por que não citou uma quantia antes?
— Não se preocupe! Em breve a receberei. — Começa a cantarolar.
Alguns minutos depois, ela para. Acho que chegamos ao tal lugar. Meu
coração bate descompassado. Somente anseio ver minha pequena, beijá-la,
aninhá-la nos braços, sentir seu cheirinho e saber que ela está bem.
A senhora destrava uma porta e me faz entrar no recinto. Em seguida,
tira a minha venda.
— Prontinho. Não tente nenhuma gracinha! Ou será sua filha que
pagará por qualquer ato rebelde. — ameaçou.
Minha mão neste instante chega a coçar com a ansiedade de lhe dar
uma surra.
Observo ao redor e percebo que se trata de uma cabana, longe de toda a
movimentação da cidade. O som da água que escutei é porque estamos
próximos ao mar. Posso comprovar pela paisagem através da janela, as ondas
se quebrando nas pedras próximas. Vasculho rapidamente o lugar, porém não
vejo nenhum sinal de Angelina. Se a velha tiver feito algo com minha
menina, acabarei com ela.
— Onde está minha filha? — perguntei resolutamente.
— Calma! Está dormindo. — Sua expressão é de total tranquilidade.
— Onde? — questionei mais uma vez, já me sentindo irritada.
Ela apenas aponta para uma porta deteriorada. Sem dizer absolutamente
nada, sigo na direção informada, esperando que não seja nenhuma de suas
brincadeiras. Senão, sentirá a força de uma mãe em fúria.
Assim que entro no cômodo, avisto o meu pequeno anjinho dormindo
em um cesto improvisado e bastante rudimentar. Vou ao seu encontro, quase
não a enxergando perfeitamente, devido às lágrimas de alegria que inundam
os meus olhos. Eu a pego em meus braços e a aconchego em meu colo,
sentindo seu corpinho pequeno junto ao meu. Beijo sua cabecinha loira e
sinto seu cheirinho suave e mesclado a leite preenchendo o meu olfato. É tão
bom! Depois a inspeciono minunciosamente, para ver se realmente está bem.
Percebo que, mesmo com meus manejos, tocando-a, ela não acorda.
— O que fez com ela? — minha indagação saiu como ácido.
Se essa senhora tiver feito algum mau à minha pequena, farei questão
de arrancar sua pele.
— Não se preocupe! A criança só está dormindo. Tive que usar um chá
de ervas naturais para a fazer adormecer. Caso contrário, nossas vidas
estariam em risco.
Observando bem o rostinho de Angelina, posso comprovar que seus
olhinhos estão inchados. Meu coração de mãe se parte no mesmo segundo e
rapidamente verifico os seus sinais vitais, constatando que a bruxa falou a
verdade. Parece que está em um sono profundo. Eu a deposito no cestinho de
novo e vou em direção à mulher.
— O que vai fazer? — questionou tarde demais para me conter.
Eu a derrubo no chão com um soco e, sem perder tempo, imobilizo-a,
subindo em seu corpo e agarrando o seu pescoço para a sufocar.
— Velha maldita! Eu deveria matá-la! Você tem noção do inferno que
estamos passando por causa do seu ato pérfido de roubar minha filha? —
Meu agarre é firme em seu pescoço e eu a vejo sufocar. Sinto o pulsar da vida
miserável em minhas mãos, porém não tenho o direito de tirá-la. Irá pagar por
meios legais. — Eu vou levar Angelina daqui. E, quanto a você, irei me
certificar de que apodreça na cadeia. — avisei com bastante fúria, percebendo
que o meu ato a causou um pequeno corte no supercílio, que está minando
sangue.
Eu a largo depois de mais um soco, sentindo os nós dos meus dedos
doloridos pelo esforço. Contudo, regozijo-me ao deixá-la jazendo no solo
como o ser humano medíocre que é. Em sequência, trato de pegar minha
pequena no colo e sair daqui. Após atravessar o quarto e chegar perto da
porta, ouço a maldita me chamar e me viro em direção à sua figura
desgrenhada.
— Senhora, não pode levar a menina. — afirmou com a expressão
totalmente abalada. Agora os seus truques de mágicas não valerão nada
contra a fúria de uma mãe desesperada. — Dê a criança de volta para mim!
Estou prestes a ignorá-la completamente, pois está inteiramente louca
se pensa que lhe entregarei minha filha. Ainda a questiono de modo mordaz:
— É mesmo? E, quem irá me impedir? — indaguei com intrepidez,
desejando arrancar seus dois olhos.
Sinto um arrepio gelado na minha espinha ao escutar a porta atrás de
mim ser aberta.
— Não a ouviu, Angel? Entregue para ela a criança! — uma voz como
aço reverberou pelo compartimento da cabana.
Um tremor agoniante paralisa totalmente os meus sentidos. Não pode
ser! Essa voz é familiar.
CAPÍTULO 42
EATON HARLEY

Escuto um barulho estridente de choro infantil que está me irritando. Se


essa maldita fedelha não me fosse útil, eu já teria a sufocado com um
travesseiro. Não suporto isso e está me deixando ainda mais irritado. Saio do
quarto, batendo a porta com força, e observo a velha bruxa fazendo alguma
gororoba no fogão velho que somente funciona uma boca. A ferrugem já
consumiu todo o resto. Não suporto essa pobreza detestável. Agora, obrigo-
me a viver nas penumbras depois que consegui escapar das chamas ardentes
do inferno daquela prisão. Minha vida teve um preço, e sempre irei carregar
em meu rosto e corpo as marcas por ter sido um sobrevivente da Cook
County. Tudo se deve àquele grego maldito, que roubou a minha preciosa.
Irei tirá-la dele. Esse bastardo devia ter morrido naquele atentado, mas,
infelizmente, deu a volta por cima e conseguiu me colocar na cadeia. Foi um
verdadeiro tormento estar naquele enclausuramento e quase fiquei louco. A
única coisa que me manteve com a mente sã foi pensar que me vingaria do
maldito e tiraria dele o que mais amasse, golpeando-o no lugar onde o
destroçaria.
Um sorriso doentio estampa minha face assim que imagino que será
questão de pouco tempo até minha preciosa estar sob meu poder.
Quando percebi o fogo se alastrar pelas celas, vi a oportunidade da
minha fuga e consegui fugir, no entanto fui vítima das suas labaredas
demoníacas. Ainda tenho dificuldade para dormir à noite, já que sempre
acordo suado, atordoado e sentindo as chamas agonizantes do inferno
consumirem minha pele.
Meu pai não teve a mesma sorte, e eu só consegui fugir por causa da
distração dos bombeiros e de vários policiais, que tentavam conter o fogo
avassalador. O fato de terem me dado como morto facilitou o meu plano.
Foram longos meses de recuperação. E a única razão que tornou esse
processo menos doloroso foi pensar na minha preciosa Angel. Alimentar
minha obsessão por ela tem me mantido vivo. Como um anjo, será o bálsamo
que meu coração necessita.
Peguei todo o dinheiro que eu sabia que meu pai tinha escondido em
um local secreto e fugi dos Estados Unidos. Vim parar exatamente na Grécia,
onde arquitetei minuciosamente cada passo do meu plano. Encontrar a velha
inescrupulosa nesta cabana foi um achado gratificante. Ela concordou em me
ajudar por uma ninharia, mas o que não sabe é que aqui também será o palco
da sua sepultura quando não me for mais útil. Não posso deixar vestígios.
Aproximo-me do cesto e olho para a pirralha. Ela se parece muito com
minha preciosa e seus cachos dourados lembram os de uma princesinha.
Poderia ser nossa filha, mas o grego maldito chegou primeiro. O rosto da
pequena bastarda está vermelho, de tanto gritar. Meu único desejo é de
apertar o seu pescoço até fazê-la se calar.
A bruxa se adianta, percebendo minha intenção, pega a menina nos
braços e tenta acalmá-la. O choro dela sai ainda mais forte e eu sinto vontade
de apertar o gatinho da minha Glock para mandar tanto a fedelha quanto a
velha para o inferno. Porém me controlo. Não posso fazer isso. Pelo menos
não agora, porque ainda necessito das duas.
Um sorriso inescrupuloso e distorcido surge em meu rosto, mas se
dissolve quando o som agudo e infantil se faz persistente.
— Faça ela se calar! — resmunguei, pegando minha pistola de cima da
mesa.
— Senhor, perdoe-me! A criança sente muita falta da mãe. Confesso
que já despachei muitos anjinhos para o submundo, mas nunca precisei
cuidar de uma bebê. — justificou-se, tentando fazê-la ficar calma.
— Não me importa, velha maldita. Ou a faz ficar quieta, ou amanhã as
duas estarão com as bocas cheias de insetos, jogadas naquele poço. — rosnei
enfurecido, apontando para o lado de fora. — Espero que quando eu retornar,
essa fedelha já tenha se calado e que o combinado esteja em ação. — Abro a
porta da antiga cabana.
— Não pode fazer isso. Você me prometeu muito dinheiro em troca da
minha ajuda, e fiz tudo que estava ao meu alcance. Em breve a mãe da
menina também estará sob seu poder, e espero que cumpra com sua parte do
combinado.
— Perfeito! Você terá o que prometi. Mas não ouse falhar! Ou sua vida
irá se sucumbir. — adverti, já sentindo a cólera percorrer minhas entranhas.
Abandono o local, fechando a porta em um estrondo. Preciso de um
pouco de ar puro antes que resolva mandar a senhora enxerida para o inferno.
Creio que o poço que tem no fundo da choupana irá servir de sua sepultura
quando eu não necessitar mais dela. Rio sarcasticamente enquanto adentro a
floresta.
Minha pequena preciosa será minha. Preciso dela para viver. Ando sem
rumo certo e só paro ao chegar próximo a um lago de águas transparentes e
límpidas. Tiro o capuz que cobria o meu rosto e vejo o meu reflexo na água
cristalina. É como se fosse um espelho me fazendo recordar do meu terror.
Toco em minha face, sentindo a pele distorcida e áspera sob meus dedos. As
feições belas de antes não existem mais.
— NÃO! — um grito angustiante saiu queimando a minha garganta,
reverberando por toda a mata densa da floresta.
Angel, minha pequena preciosa, tem que me aceitar como sou. Vai ter
que amar a fera que me tornei. É por ela que me mantenho vivo. Minha bela é
cheia de espinhos, mas a fera não terá medo de alguns ferrões. Custe o que
custar, será minha, irá me amar e retornará para mim.
Piso forte no lago, atravesso-o até a outra margem, desfazendo a
imagem assombrosa que estava refletida nas águas, e durmo na floresta.

Quando acordo de manhã, o sol já está alto. Retorno para a cabana e


percebo que a velha maldita já não se encontra presente. Perfeito! Foi colocar
o plano em execução. Sigo até o quarto e percebo que a pequena fedelha está
dormindo. Pelo menos calou a boca e não está abrindo mais o berreiro.
Vou até a cozinha, tomo um café e pego um pedaço de pita, um pão
grego. Depois me retiro, pois quero surpreender minha preciosa. Em breve
estaremos bem longe daqui.
CAPÍTULO 43
ANGEL ANDREON

Meu coração está disparado, ensandecido dentro do peito. Não é


possível! Viro-me e vejo uma figura sombria, imponente e sagaz na entrada
da cabana. Um capuz escuro cobre suas feições, mas não tenho dúvidas: é
Eaton. Ele ressurgiu do inferno para nos atormentar.
Aconchego ainda mais a minha pequena contra o meu peito. Ninguém a
tirará de mim. Eu morreria antes que esses dois sórdidos a tocassem
novamente. Contudo, tenho que manter o raciocínio lógico e não ser invadida
pelo pânico. Neste preciso momento, Angelina desperta.
— Mama... — balbuciou em meio à letargia do seu sono.
— Calma, meu amorzinho! A mamãe não vai deixar que nada de ruim
te aconteça. — sussurrei, tentando acalmá-la.
— Entregue-a à velha Perséfone. — Eaton exigiu ainda mais
implacável.
Vejo algo brilhar na sua cintura e posso constatar que é uma arma. Eu
estremeço, porque ele não tem nada a perder.
— Não farei isso. — afirmei destemida.
— Não teste a minha paciência, preciosa! Pode não gostar dos métodos
que usarei para que me obedeça.
— Por Deus, Eaton! Não vou deixar minha filha.
— Se não entregar a pirralha, tirarei ela de você à força. E talvez não
goste dos meus modos.
Angelina começa a chorar, parecendo sentir o ambiente tóxico em que
estamos.
— Faça-a se calar! — ele vociferou, levando as duas mãos aos ouvidos.
— Ela está estressada com tudo que está passando. — expliquei,
tentando tranquiliza-la ao aninhá-la em meu colo. — Por favor, deixe-me
ficar com ela e lhe acalmar!
— Ahhh! — gritou. — Tudo bem. Mas a velha ficará com você o
tempo todo, e não tente nenhum truque! — Aponta para o estado caótico da
senhora. — Senão quem pagará será a pirralha. Cuide dela, coloque-a para
dormir e venha até mim, minha preciosa! Eu a aguardarei aqui.
Apenas concordo com a cabeça e sigo suas ordens. O que poderia
fazer?
Depois de inspecionar e cuidar de Angelina, meu coração de mãe
somente se aflige quando percebo o quanto ela foi negligenciada. Sua pele
delicada está com assaduras por conta das fraldas, que não foram trocadas
nos horários corretos, e cheia de pontinhos vermelhos, indicando que
pernilongos a atingiram. As condições do ambiente são precárias, mas tem
alguns provimentos suficientes, pelo que pude ver. O que comprova que esse
lamentável episódio foi arquitetado com antecedência por Eaton.
Banho e alimento a pequena sob o olhar atento da senhora embusteira.
Ela me entrega um frasco contendo um óleo que tem o cheiro parecido com o
de alguma erva medicinal, e eu a encaro, ainda com muita raiva pelo que me
fez passar. Enquanto passo o produto em minha filha, massageando o seu
corpinho, começo a cantarolar uma linda canção que sempre cantava para ela
quando ainda estava em meu ventre. Logo a vejo começar a sorrir.
Posso ter sido inconsequente, mas não quis medir os meus atos para a
resgatar. Por outro lado, não esperava que Eaton estivesse por trás de todo
esse complô. Agora, somente poderei esperar que Nikky já tenha descoberto
algo que o traga até o nosso cativeiro, pois, pelo que pude notar, meu algoz
não quer dinheiro e, possivelmente, não nos deixará partir. Contudo, não me
arrependo da minha ação. Que mãe não iria além do seu limite pelo seu bebê?
A pequena adormece serenamente, mantendo uma respiração mais
calma.
Quando percebo uma lâmpada a óleo ser acesa no ambiente, confirmo
que o sol já se pôs há algum tempo e que a cabana está parcialmente na
penumbra.
Em seguida, respiro fundo para retornar ao confronto com Eaton,
revestindo-me de confiança e coragem. Não demonstrarei fraqueza, apesar de
sentir uma angústia aterradora em meu peito, por não ter conhecimento de
seus planos sórdidos.
Ao chegar à sala, encontro a lareira acesa. O calor deveria trazer
aconchego ao ambiente, porém somente me faz lembrar de algo sombrio e
atemorizante. Eaton está distraído, observando as chamas intensamente. Ele
leva as mãos ao rosto e retira devagar o capuz.
Fico momentaneamente paralisada com a cena à minha frente. Meu
Deus! A pele do seu rosto está totalmente distorcida. Coloco uma mão na
boca. Essa imagem me causa asco e não conheço esse rosto. Está
completamente desfigurado. Agora, uma cicatriz horrenda marca suas feições
antes belas. Ele se tornou um monstro, de fato; um monstro frio e cruel. Pode
não ter morrido no incêndio de Cook County, no entanto ficou com
consequências desastrosas. Mas, pior do que seu rosto deformado, é o seu
coração ter se tornado tão frio como um bloco impiedoso de gelo.
Devo ter feito algum barulho, pois logo sua atenção acaba de se fixar
em mim e um sorriso maquiavélico nos seus lábios disformes se faz presente.
A figura sombria se aproxima lentamente de mim enquanto eu tento me
distanciar de sua presença estarrecedora. Todavia, não consigo me livrar de
tal repugnância por muito tempo, pois minhas costas batem contra a parede
de madeira.
— Tem uma voz muito bonita, que é como um bálsamo sobre mim. Ela
tem o poder de acalmar todos os meus monstros. — Seus olhos castanhos e
tenebrosos me fitam intensamente. — Tem medo de mim, preciosa? — Eu
não lhe respondo e ele toca os dedos cobertos por cicatrizes em meu rosto. —
Tão bela e macia! — Fecho os olhos. — Terá que se acostumar à minha nova
aparência. Será assim que irá aprender a me amar.
Abro os olhos de uma vez e tento sair do seu alcance, entretanto ele não
permite.
— Nunca, Eaton! Eu amo o Nikky e... — Ele dá um soco na parede,
fazendo-me estremecer.
— Não pronuncie o nome do grego bastardo em minha presença! —
proferiu enfurecido e de maneira cortante. — Você nunca mais o verá.
— O que pretende fazer? — Sinto um mau presságio.
Volto a encarar o homem assustador, que me responde de modo
sombrio:
— Amanhã saberá, preciosa. Agora, venha! Chega de perguntas! —
Leva-me em direção ao quarto onde está Angelina e me empurra para dentro.
Em sequência, fecha a porta, deixando-me trancada. — Durma! Amanhã
partiremos cedo. — sua ordem saiu fria, rasgando.
Não consigo dormir. Apenas sinto um aperto e um buraco gigantesco
no peito, sem ter a compreensão do que ele tem em sua mente maquiavélica.

Fiquei acordada praticamente a noite toda, velando o sono da minha


filha. A qualquer barulho que eu escutava, tinha medo de que fosse Eaton e
de que ele a tirasse de mim. Somente perto do dia amanhecer, já vencida pelo
cansaço, permiti-me tirar um breve cochilo em um colchão velho, no
cômodo. Mas logo acordei atordoada, ouvindo um barulho de tiro e sons de
carro.
A porta do quarto é aberta abruptamente e a fisionomia obscura e
animalesca de Eaton, totalmente transtornada, entra no recinto.
— Venha, preciosa! Eles chegaram. Precisamos sair rápido daqui, pelos
fundos. Agora! — ordenou, sendo implacável.
Estou completamente grogue pelo cansaço, mas quando vejo o homem
maléfico empunhar a arma que tem em mãos e mirar na direção do cesto onde
Angelina dorme, não penso duas vezes antes de lançar o meu corpo na frente
da minha bebê, como se fosse um escudo de proteção para ela.
— Não, Eaton! Pelo amor de Deus, não faça mal à minha filha! — pedi
destemida, sentindo o meu coração sufocado.
— A decisão é sua, preciosa. Ela está em suas mãos. Seja uma garota
sensata em suas escolhas e venha de boa vontade comigo agora! Então, irei
deixar viva a pirralha melequenta. — sua voz foi fria e carregada de escárnio.
— Sim. — confirmei prontamente após notar que Eaton está disposto a
tudo.
Vejo-o me estender a mão e, sem outra alternativa, eu a agarro. Quando
ele me puxa apressadamente para a saída, meu olhar vai direto para Angelina,
que continua dormindo em seu sono tranquilo.
Saímos pelos fundos da cabana. Ainda está um pouco escuro, mas se
percebe que o alvorecer já se aproxima. Estremeço quando o vento gelado da
brisa marítima açoita a minha pele e lágrimas molham o meu rosto. Não
quero deixar minha pequena sozinha, no entanto não tenho alternativa.
Eaton me leva para um deck de madeira, onde está um pequeno barco a
motor.
— Merda! Eles logo virão. Entre no barco, preciosa! — Empurra-me
para dentro da embarcação, chegando a machucar o meu quadril devido à
tamanha brutalidade.
Eu solto um choramingo de dor, porém ele demonstra não se
incomodar com o fato de ter me machucado. Olho para a cabana e somente
agora percebo uma movimentação estranha em torno dela. Há luzes acesas de
carros. Um suspiro de alívio abandona meus lábios e eu sou contagiada por
uma euforia devido a essa veracidade. Mesmo estando sob o domínio de
Eaton, pelo menos sei que minha pequena está em segurança.
Ele tenta colocar o barco em movimento, porém o motor não quer
funcionar.
— Diabos! Que inferno! O grego não pode frustrar os meus planos
mais uma vez. Não pode! Eu não sobrevivi àquele incêndio miserável para
ser um perdedor. — vociferou transtornado, chutando o motor e tentando
fazê-lo funcionar.
Seus golpes são tão intensos, que a embarcação balança de um lado a
outro, quase nos fazendo cair dentro do mar. Aproveito a sua distração para
tentar fugir. Entretanto, assim que alcanço o deck, sinto sua pegada dolorosa
em meu couro cabeludo. Ele puxa os meus cabelos, impedindo minha fuga.
Fungo baixinho, sentindo a dor descomunal na região.
— Não está sendo uma boa garota, preciosa. Sua atitude rebelde trará
trágicas consequências.
Sinto o meu rosto molhado pelas lágrimas enquanto Eaton me puxa,
arrastando-me pelo deck. Uma agonia se instala em meu peito, sem a certeza
de suas próximas ações perversas.
CAPÍTULO 44
NIKKY ANDREON

Porra! Eu não devia tê-la deixado sozinha. Amasso o pedaço de papel


que Agne me entregou há algumas horas. Eu já o mostrei à polícia. É uma
maldita carta anônima com várias ameaças. Minha mikró Angel estava
completamente desestabilizada depois do sequestro de Angelina, e seu
emocional instável.
Recrimino-me por não ter ficado com ela, dando-lhe todo apoio que
fosse necessário. No entanto, eu precisava manter a mente clara e tracejar
cada detalhe para o resgate da nossa mikroúlis. A polícia já estava
trabalhando incansavelmente com meus seguranças acerca do paradeiro da
velha, só que a maldita serpente do mar parecia ter sido tragada pelas
profundezas do oceano, pois não havia nenhum vestígio dela por parte
alguma. Até algumas horas atrás, quando as investigações nos trouxeram até
uma suposta cabana abandonada que, provavelmente, está servindo de
refúgio. Creio que ela levou minha gynaíka para esse local.
Está escuro, o sol ainda não despontou e a lareira está acesa, indicando
que há pessoas aqui. Precisarei ter muita cautela para agir de modo criterioso,
já que minha filha e mulher são reféns de uma louca.
Mesmo com toda o cuidado que a situação exige, ouço um tiro ser
disparado dentro da cabana e me desespero. Quero entrar como um louco lá,
porém sou contido por Estevão.
Como não sabemos a condição do lugar, o comandante está à frente da
operação, pedindo calma. Mas assim que eles cercam a casa e a arrombam,
vejo que Angel não está em lugar algum. A bruxa está no chão, com um tiro
no estômago. Seu estado é precário e ela está agonizando com as mãos sobre
o ferimento. Seus olhos escuros focam em mim e percebo seu esforço para
falar. Aproximo-me lentamente do seu corpo quase sem vida e noto sua
dificuldade para pronunciar algo. Por isso, abaixo-me e tento ouvir seu ofego
débil.
— Onde está minha gynaíka e minha filha? — perguntei firmemente,
tentando ser cauteloso.
Minha vontade é de tirar seu último fôlego de vida.
— E..le a levou... — falou com sacrifício.
— Quem a levou? — Desejo sacudi-la até que me dê todas as respostas
que necessito.
Quem fez isso com ela? Existem outros cúmplices?
— Ea...ton. Ele a levou... para o... mar... — soltou as palavras como um
enigma a ser desvendado.
Sinto raiva se concentrar em mim, porém não tenho tempo de continuar
com as indagações. Uma golfada de sangue é expelida da boca dela enquanto
seu corpo é tragado pelas profundezas da morte.
Inferno de Hades! Eaton está vivo? Como é possível? Theós! Angel e
Angelina ainda estão correndo perigo.
Ouço passos vindo de uma porta próxima.
— Chefe, a pequena está aqui. — Estevão traz minha filha em um
cesto. Ela está dormindo. — Contudo, não há nenhum sinal da senhora.
Meu mundo desaba e eu compreendendo o quebra-cabeça que a velha
quis me falar.
— Merda! — Saio correndo para a parte dos fundos da cabana e vou
até a praia.
Tento visualizar algo, mas não consigo ver nada de anormal. Foco ao
longe, no oceano, e consigo avistar um iate ancorado a uma certa distância.
Esforço-me para raciocinar com clareza o enigma que a velha me lançou. Ele
a levou para o mar. Mas, não podem já estar no iate, porque precisariam de
um barco para chegar lá. Vasculho por algo próximo que possa me levar
diretamente a eles e logo encontro um deck e uma movimentação estranha.
Quando chego ao local, vejo a figura sinistra de Eaton. Suas feições
estão deterioradas por cicatrizes. Está praticamente irreconhecível com o
novo rosto, porém algo na sua fisionomia nos dá a certeza de ser realmente
ele. Está encurralado e não tem para onde fugir. A única coisa que nos cerca
agora é o mar.
O fogo da cólera percorre minhas entranhas assim que o vejo usar o
corpo do meu mikró angelos de refém ao se dar conta da minha presença.
Fito-a, tentando lhe transmitir tranquilidade. Seu rosto está tenso e, também,
revelando melancolia e ansiedade.
Retorno minha atenção ao ser inescrupuloso, presenciando um sorriso
débil em sua face distorcida. Ele pode não ter morrido no incêndio, mas vou
matá-lo. Meu primeiro ímpeto é me lançar sobre seu corpo e lhe golpear até
que sucumba com meus golpes implacáveis. É realmente um rato de esgoto.
Vejo algo brilhando em sua mão. Covardemente, está com uma arma.
— Ora, ora! O que temos aqui? O grego bastardo finalmente apareceu
para salvar a sua amada? Isso é tão malditamente romântico. Mas teremos um
final feliz? — foi irônico. — Creio que não.
— Nikky, por favor, tenha cuidado! — Angel pediu com a voz
carregada de apreensão, misturada ao choro e à angústia.
— Liberte-a! — meu timbre de voz saiu implacável e furioso. — E eu
permitirei que cumpra sua sentença na cadeia.
Se ele causar qualquer dano à minha mikró, já estará morto.
Ouço sua risada sarcástica.
— Quanta benevolência! Porém, não retornarei para aquele purgatório.
Além do mais, não o vejo com nenhuma vantagem, Andreon. — Mostra-me a
arma e a aponta em minha direção. — Eu estou com a vantagem e a minha
preciosa está comigo. Ela é tão deliciosa! — Coloca a língua para fora e
lambe o rosto dela.
Sinto um tornado de cólera transpassar pelo meu corpo no mesmo
instante e cerro os punhos, buscando controle. Só tenho vontade de me lançar
contra esse filho da puta e arrebentar sua cara já deformada.
Angel apenas fecha os olhos, tentando suportar seu toque repulsivo. É
perceptível o quanto está abalada.
— Angelina, Nikky... Por favor, cuide dela! — proferiu aos prantos.
— Que lindo! Os pombinhos estão se despedindo. Que bom, preciosa,
que sabe a quem pertence. — Tento me aproximar lentamente dele, mas sou
advertido. — Se der mais um único passo, vou estourar o cérebro dela,
mesmo que me custe a vida em seguida. — Com a ameaça, aponta a arma
para a minha mulher.
— Deixe de sandices, Eaton! Você não quer fazer mal a ela realmente,
já que diz que a ama. — debochei. — Angel não tem culpa de nada. Seu
acerto de contas será comigo, que destruí seu império.
— Tem razão, Andreon. Você é um grego filho da puta e intrometido
que... Ai! — rosnou de dor quando, em um movimento ágil e impensado,
Angel deu uma cotovelada em seu abdômen. Aproveitando o breve lapso
dele, conseguiu se desprender do seu contato.
— Nikky! — ela exclamou.
— Corra, Angel, agora! — ordenei ao vê-lo retornando a atenção para
ela e mirando a arma em sua direção novamente.
Sem demora, lanço-me sobre seu corpo, aproveitando a oportunidade
do ataque surpresa. Agarro o braço do miserável e iniciamos uma luta
corporal na qual tento desarmá-lo.
— Bastardo! Não vai me vencer, Andreon. — rosnou como um cão
raivoso.
— Já está derrotado, Eaton. Você não passa de um monstro que veio do
submundo para nos atormentar. No entanto, irá retornar para lá, onde é o seu
lugar.
Ele destrava a arma e tenta apontá-la em direção ao meu abdômen,
contudo continuamos a travar uma batalha letal pela sobrevivência.
De repente, ouço o som de um disparo e fico estático.
Seus olhos sem expressão se fixam em mim com um sorriso distorcido
em seu rosto tenebroso e, logo em seguida, seu corpo despenca. Como
estávamos na beira do deck, ele afunda nas profundezas das águas salgadas
do mar.
— Nikky! — Angel se aproxima de mim e me agarra pela cintura,
observando Eaton desaparecer nas águas escuras.
— Tudo bem, amor. Acabou. — Abraço-a e beijo os seus cabelos. É
tão bom senti-la em meus braços de novo.
— Sim. Eu tive tanto medo, amor... Medo que não chegasse a tempo.
— seu sussurro veio acompanhado de um suspiro de alívio.
— Eu nunca a deixaria sozinha, glykia mou agapi. Mesmo se os céus se
deteriorassem e o mundo estivesse ruindo, eu estaria com você.
— Oh, Nikky! — Funde ainda mais os nossos corpos em uma sintonia
de alívio.
— Não devia ter se arriscado. Você foi muito corajosa, mas se algo
tivesse a acontecido, minha existência não faria o mínimo sentido mais. —
Ainda estou a aconchegando firmemente entre meus braços, sentindo o seu
cheiro adocicado.
Ela me encara com os olhos topázios ainda rasos de água e posso ver
refletido neles o puro amor genuíno. Caralho! Realmente, sou um puto de um
grego sortudo.
Meu coração acelera. Seria impossível viver sem seu calor e beijos
ardorosos a me incendiar. Beijo levemente seus lábios rosados, demonstrando
a mais linda forma de amor absoluto. Nem mesmo eu poderia crer que
existisse tamanha sensação de completude. Mas Angel me mostrou que existe
quando se ama de verdade.
Ao afastar nossas bocas, encontro-a me olhando com meiguice e com
um sorriso radiante em seu rosto perfeito.
— Oh! Eu te amo tanto, Nikky!
— Eu te amo mais, glykia mou agapi! — Seguro sua mão.
A polícia começa a chegar ao deck e a cercar o local.
— Venha! Vamos pegar nossa mikroúlis Angelina e ir para casa,
gynaíka.
Tenho conhecimento de que ainda precisarei prestar declarações sobre
o acontecido, porém no momento tudo que desejo fervorosamente é levar
minha família para o nosso lar e saber que ele está completo novamente.
CAPÍTULO 45
ANGEL ANDREON

2 anos depois

O céu azulado de Mykonos está parcialmente sem nuvens, indicando


um dia quente e lindo para aproveitar a praia. Coloco uma roupinha de
marinheiro no meu pequeno Eros, que se remexe sem parar no trocador
improvisado. Uma enorme tenda está à nossa disposição para nos abrigar do
calor escaldante do verão grego.
Com apenas 6 meses, Eros é um lindo garotinho bem ativo que é a cara
de Nikky, com lindos olhos azuis e cabelos castanhos. A sua chegada foi
muito aguardada, assim como a de Angelina, que já é uma linda mocinha de
3 anos. Eu sempre a introduzo nos cuidados com o irmãozinho e eles são
muito apegados. Ela é muito protetora.
Claro... A senhora Eleonor e o senhor Alexandre são loucos pelos
bisnetos, assim como papai, que sempre vem uma vez ao ano, com sua nova
família, visitar a gente na Grécia. A vida lhe deu um novo recomeço, e eu sou
imensamente feliz por isso.
Ouço várias risadas alegres e gritos infantis. São os pequenos fazendo
um castelo de areia na praia. Kristen também está aqui, com seus filhos: 2
meninos e uma linda princesinha. As babás vieram junto e estão dando
suporte quanto ao cuidado com essas crianças travessas que esbanjam tanta
energia.
Enquanto isso, ela e eu aguardamos os nossos maridos retornarem da
famosa competição de iate. Depois de alimentar o pequeno, eu os vejo
voltando à terra firme. Estou com meu menino nos braços, observando Nikky
se aproximar. Pelo seu sorriso iluminado, parece ter conquistado o mundo.
Apollo também se reúne à sua esposa e aos filhos.
Meu grego safado me agarra de maneira possessiva pela cintura e
deposita um selinho doce e apaixonado em meus lábios, que só é
interrompido quando o pequeno Eros protesta por estar sendo quase
esmagado entre nós dois.
— Calminha, campeão! — Ele pega o filho no colo e beija sua
cabecinha de cabelos castanhos, deixando-o agitado em seus braços. — Papai
também estava morrendo de saudade, filhão.
— E, então, querido... Como foi a maratona? — Para mim não faz a
menor diferença quem ganhou, pois ele sempre será o meu campeão e dono
do meu coração.
— Apollo ganhou mais uma vez. Só que o grande vencedor sou eu.
Não sabe o orgulho que senti ao chegar à terra firme e encontrá-la com nosso
bebê nos braços. Isso me faz perceber que o meu maior tesouro está aqui: 3
joias preciosas. Agradeço a Theós todos os dias por ter a colocado em meu
destino, gynaíka.
Sinto o meu coração transbordar amor infinito.
— Ah, Nikky! Sempre estaremos aqui, amor.
Angelina aparece e agarra a perna do pai, pedindo-lhe atenção. Ele a
pega logo no colo e beija seu rostinho corado por causa da breve corrida.
— Papai! Papai! O Nicolas não quer as conchias que eu peguei aqui, na
paia. — Minha pequena fala muito bem para a sua idade. É muito inteligente
e já pronuncia algumas palavras em inglês, conseguindo participar de breves
diálogos. Também faz aula de canto e canta com muita afinação. Sua voz
suave e angelical encanta a todos.
— Isso é porque ele não sabe o tesouro precioso que guardam as
conchinhas, mikroúlis.
Ela se empertiga nos braços do pai para que ele a coloque no chão
novamente, corre até onde estão as demais crianças, junto com as babás, e
retornam às brincadeiras.
Apollo se aproxima com Kristen. Pela expressão jocosa dele, comprovo
que não perderá a oportunidade de provocar o meu marido.
— Andreon, parece que vamos ter que firmar um acordo entre nossos
filhos. Sua princesinha se encantou pelo meu garoto. Também... Quem resiste
ao charme Amazzotty? — Beija a face da esposa e, com possessividade,
segura a cintura dela, olhando-a com amor. Sei que é desse modo, pois Nikky
me olha com a mesma intensidade.
— Vá se ferrar, Amazzotty! Da minha princesinha, ninguém se
aproxima. Quando ela estiver na idade adequada, irei enviá-la a um colégio
de freiras, de onde só poderá sair quando tiver 30 anos. É claro que nesse
ínterim, espero que se torne uma beata. Caso contrário, terei que a trancar em
uma torre para que nenhum grego abusado chegue perto dela. — meu marido
vociferou com bastante seguridade, fazendo-me revirar os olhos. Homens!
Apollo começa a rir.
— Não fará isso de verdade. Os garanhões gregos sempre estarão à
solta e, de qualquer modo, um muro sempre se pode escalar. — continuou
sua provocação.
— Ah! É mesmo, Apollo? Ria à vontade! Quero só ver quando for com
sua princesinha Athena.
Ele muda a expressão agora, vestindo uma máscara carrancuda.
— Na minha princesinha, ninguém toca. Ela andará com um exército
de 300 homens para evitar qualquer inconveniência com algum grego
desavisado. — respondeu sério.
— Ah! Quer dizer que o assunto é diferente quando é com a sua filha?
— foi a vez de Nikky o provocar.
— Vou ter que colocar Athena no mesmo colégio de freiras da sua
filha. — Está com uma expressão sisuda, demonstrando toda sua segurança.
É a vez de Kristen e eu começarmos a rir das atitudes medievais dos
nossos maridos. E, quem nos salvou da luxúria desses gregos?
Aproximo-me de Nikky e pego o nosso filho dos seus braços. Já está na
hora da sua soneca. Ele abre a boquinha, querendo se irritar e pronto para
abrir o berreiro.
— Venha com a mamãe, amorzinho! — Aninho-o em meu colo,
ninando-o.
Meu coração de mãe transborda de amor quando contemplo os meus
pequenos.
— Suponho que já seja melhor reservar uma vaga. — Apollo
determinou. — Nesta manhã, creio que já percebi alguns fios brancos em
meus cabelos.
— Amor, não seja tão dramático! — foi a vez de Kristen intervir.
E apenas observo o pequeno discurso, divertindo-me com as
colocações medievais de ambos.
— Dramático, agápi? Isso é porque você não imagina o que se passa na
cabeça dos homens, principalmente os gregos. Caso contrário, teria a mesma
opinião que eu e Nikky.
Meneio a cabeça de um lado a outro, contendo um sorriso. Homens!
Agora já estão aliados.
— É melhor nos preocuparmos com isso no momento certo,
Amazzotty. Mas, voltando à competição, por milésimos de segundo não te
ganhei hoje. Se Dimitri estivesse participado neste ano, teríamos ganhado de
você.
— Haha! Vá sonhando, Andreon! E, por que ele não pôde participar?
— Está em uma viagem de negócios com sua secretária; para a sua
sorte, Amazzotty. — Ambos começam a rir.
Céus! Charlize não está aqui, conosco, porque é a secretária em
questão. Sim! Ainda não acredito. Aqueles dois não se suportam, mas agora
têm que se aturarem para trabalhar juntos. Seis meses atrás, minha amiga, que
já tinha concluído sua faculdade de Pedagogia, foi dispensada de uma
pequena creche local onde trabalhava como secretária escolar. É claro que o
meu pequeno negócio de designer de interiores está indo de vento em popa,
mas minha prioridade sempre serão os meus filhos. Então, somente pego
alguma demanda se não atrapalhar minha rotina com os pequenos. Sendo
assim, eu não poderia lhe garantir um emprego fixo e com um bom salário.
Aí aproveitei a oportunidade para pedir que Nikky lhe arrumasse um trabalho
na Mávro Diamánti. A única vaga disponível naquele momento era para ser
secretária de Dimitri, já que a antiga tinha acabado de se casar e estava de
malas prontas para se mudar de país com o marido. Só espero que os dois não
estejam se matando na viagem.
Mordo o lábio inferior, pensando nessa possibilidade. Quando falei
com Charlize ontem à noite, ela parecia bastante chateada com algo que tinha
acontecido. E quando a questionei sobre o que houve, somente foi evasiva em
relação ao assunto e se despediu de mim, dando uma desculpa esfarrapada
qualquer.
Depois de alguns minutos, Eros já está dormindo. Eu o acomodo no
bebê-conforto e sigo para onde estão os demais. Ao me aproximar da mesa
posta com vários alimentos saborosos, Nikky me encara com olhos quentes
de predador, indicando-me a vaga que está ao seu lado. Sei bem o significado
desse olhar devasso: uma noite quente de prazer em seus braços.
Acomodo-me sem conseguir conter meu sorriso voluptuoso. Daqui a
alguns dias faremos 4 anos de casados, e eu quero fazê-lo uma surpresa.
Nikky Andreon que me aguarde! — pensei com um sorriso travesso.
EPÍLOGO
ANGEL ANDREON

Alguns dias depois

A noite está escura e o céu estrelado. Admiro, por breves instantes, esse
panorama incrível de Mykonos, perfeito para uma noite caliente nos braços
do meu grego. Hoje estamos completando 4 anos de casados; temos uma
família maravilhosa e uma ligação sólida do nosso amor que, a cada dia,
floresce mais forte. Nikky queria me levar a uma pequena lua de mel nas
ilhas caribenhas, porém o momento não é viável, com os pequenos, e não
queria deixá-los sozinhos por muito tempo. Então, resolvi fazê-lo uma
surpresa.
A torre de Mykka fica dentro da propriedade Andreon e carrega uma
linda história de amor entre os bisavôs de Nikky. Giagiá Eleonor me contou.
Apesar do destino trágico de paixão da mãe dele, seus antepassados viveram
belos romances.
Coloco mais uma luminária decorativa no caminho que leva à antiga
torre. Os pequenos pontos luminosos fazem uma trilha até a entrada da antiga
construção.
Quando finalizo, reparo na bela ornamentação e suspiro extasiada. Está
perfeito! Sorrio ao contemplar o resultado e aliso o meu vestido branco furta-
cor pela milésima vez seguida, como se retirasse qualquer amassado
imaginário dele. O tecido envolve o meu corpo como se fosse uma segunda
pele.
Estou um pouco nervosa. Meu grego ainda me faz suspirar como se
fosse a nossa primeira vez juntos.
Ouço o som de um carro próximo e um sorriso travesso aquece os meus
lábios. Quando me viro em direção ao barulho, vejo meu marido lindo, em
um traje despojado, sair do veículo. Está usando uma camisa azul que adorna
os seus músculos impecáveis. Ficou gostoso para cacete! Tenho vontade de
pular em seu pescoço e me entregar à promessa ardorosa dos seus olhos
azuis, que estão quentes sobre mim, jurando-me uma noite de delírios
inimagináveis. É sempre assim: basta apenas um toque do meu grego
selvagem, e eu me sinto derreter em seus braços. Isso, o tempo não consegue
quebrar, e nossa conexão apenas se fortalece cada dia mais. É como uma
chama eterna.
Ele me lança um sorriso sedutor e eu me sinto umedecer. Safado! Sabe
como me provocar.
Eu vou ao seu encontro com um sorriso provocante e sou envolvida
pelos seus braços calorosos que logo me rodopiam. É tão bom sentir o
contato do seu corpo junto ao meu. Instantaneamente, seu calor me aquece e
eu me regozijo, sorrindo como a mulher mais apaixonada do mundo. As
batidas rítmicas do seu coração estão em sincronia com o meu, e não tenho
dúvida de que aqui é o meu lugar.
— Uh! Eu já estava morrendo de saudade, glykia mou agapi. —
confessou rouco de tesão.
Ele me toma em um beijo fogoso e sua língua audaciosa se insere entre
meus lábios, fazendo o meu corpo trepidar de excitação. Porém, interrompo-o
em seguida, ouvindo o seu rosnado de protesto. Não é o momento ainda.
— Nikky! — murmurei ofegante. — Venha! Eu pedi para prepararem o
seu prato preferido.
— Eu já estava saboreando meu prato preferido, angelos. — o safado
falou de um jeito provocante, piscando um olho malicioso para mim.
Não posso me render ainda à chama ardente do seu olhar.
— Uhhh! Que marido safado!
Um sorriso fogoso estampa seus lábios.
— As únicas safadezas que quero fazer é com minha mulher. — Beija
um lado do meu pescoço.
Afasto-me em seguida, instigando-o.
— Espero que mantenha esse pensamento libidinoso, marido. Estamos
apenas começando. Agora, venha! Temos que saciar outra fome, porque a
noite promete, e lhe garanto que será intensa.
— Vou cobrar essa promessa, gynaíka. — afirmou seguro. — Adoro
quando minha mulher está fogosa.
Nós nos acomodamos à mesa, que está posta ao ar livre, banhada pelo
brilho das estrelas, e degustamos os vários pratos gregos que estão
disponíveis. Essa é uma culinária sempre muito saudável e deliciosa, com um
sabor único e marcante.
A refeição está transcorrendo agradável, com algumas pitadas de
insinuações e provocações sensuais entre os nossos breves diálogos. É
tangível o fogo do desejo entre nós. Quando vou servir a sobremesa preferida
de Nikky, bougatsa com creme, observo-o bater na coxa e me chamar para
me sentar em seu colo. É claro que não me faço de dissimulada com seu
gesto evidente e coloco o meu traseiro entre suas pernas, provocando-o. Já
estou como uma presa, rendida à sua paixão.
— Nikky, a sobremesa... — murmurei apenas para o provocar, já tendo
o conhecimento de que pularemos essa parte da refeição.
Meu marido safado já está sugando a pele delicada do meu pescoço
enquanto sua mão cobiçosa sobe pelas minhas coxas, fazendo-me estremecer.
— Já estou a saboreando. — Ri maliciosamente e toma os meus lábios
para os seus em um beijo fogoso e cheio de promessas indecentes. — Devo
confessar que tem o gosto do mais puro mel do Olimpo, gynaíka. Não
poderia existir uma sobremesa mais deliciosa. — Reivindica a minha boca
novamente.
Alguns minutos depois, interrompo o nosso beijo porque estamos
praticamente sem fôlego. Ficamos apenas nos encarando e nosso olhar é a
única forma de comunicação entre nós agora.
Vejo uma linda estrela cadente cair, ao longe, como se estivesse se
perdendo em alto mar.
— Olhe, amor, uma estrela cadente! É tão linda! Fez um pedido? —
perguntei.
— Sim, angelos.
— E o que pediu? — questionei, curiosa sobre o seu desejo.
— Dizem que se deve guardar em segredo o pedido, senão não se
realiza. Mas garanto, glykiá mou (meu doce), que ele está prestes a se
realizar. — Pisca um olho para mim indecentemente.
— Safado! Aposto que é safadeza. Você só pensa nisso.
— E tem como pensar em outra coisa, gynaíka? Ainda mais com você
sentada em meu pau.
Cretino! Já posso sentir sua protuberância rígida de encontro ao meu
traseiro.
Oh, Deus! Meu rosto deve estar vermelho que nem um marisco, mas
não por pudor, e sim pela excitação que suas palavras cruas me provocaram.
Meu marido é um sem-vergonha despudorado, e eu adoro que seja tão direto
em suas colocações ardentes.
— O que você estava falando sobre pularmos a parte da sobremesa? —
sussurrei ao seu ouvido.
— Não preciso de um segundo convite. — Leva-me à antiga torre,
onde já há uma ampla cama com dossel, enfeitada. Há várias pétalas de rosas
espalhadas pelo local e algumas luminárias em pontos estratégicos
iluminando o cômodo, criando um cenário sensual sob uma luz tênue.
Quando chegamos ao andar superior, Nikky, sem interromper os beijos
e afagos calorosos, livra-me do vestido. Ouço seu gemido sofrido.
— Caralho, Angel! O tempo todo você estava nua por baixo desta
roupa, e apenas agora tenho a compreensão desse fato?
— Podia ter descoberto há mais tempo, marido. Eu estava lá apenas
para você.
— Theós! Que delícia! Aposto que sua bocetinha está toda meladinha,
querendo o meu pau.
Safado!
Não respondo o óbvio, somente roço uma perna na outra para tentar
conter meu tesão. Suas palavras luxuriosas me fazem arder e desejar sua
posse.
Sem demora, ele se livra dos seus trajes e eu admiro o seu corpo
glorioso. Caramba! Mulher também sente desejo. O meu marido é um
pecado. Meus olhos mapeiam os seus músculos definidos e barriga tanquinho
até chegar à potência rígida que demonstra toda a sua volúpia.
Nikky Andreon me deixa ardendo.
— Está me devorando, gynaíka. — afirmou com uma voz sedutora que
me fez estremecer.
— É pecado desejar o meu marido? — Encaro seus olhos azuis, que
são como tochas ardentes de desejo sobre mim.
— De modo algum, glykiá mou. A propósito, sou o único que poderá
desejar. — enfatizou com posse. — Serei o único a permear os seus
pensamentos e sonhos mais indecentes. — Tomba-me sobre a cama e
reivindica os meus lábios em um beijo doce e, ao mesmo tempo, arrebatador.
— Consegue me deixar louco de tesão, krínos. Não conseguirei me conter
por muito tempo. Estou muito excitado e louco para entrar em você. Está
pronta?
— Sim, marido. — Ofego levemente com suas palavras repletas de
luxúria.
Ele me brinda com aquele sorriso cafajeste de aniquilar qualquer
calcinha e eu logo sinto sua ponta larga sondando a minha entrada.
— O senhor, meu marido, tem um belo traseiro. — Apalpo o seu
bumbum durinho.
Ele me toma em uma só arremetida dura e forte, com um golpe
enérgico e faminto. Eu mordo o lábio inferior, contendo um gemido sensual
pela sensação prazerosa que o seu ato impetuoso me proporcionou. O safado
cessa o movimento erótico para me encarar com olhos semicerrados pela
lascívia.
— Belo traseiro? Antes, você era impressionada pelo meu pau grande e
grosso que te leva à loucura. Não é o meu traseiro que está te proporcionando
este prazer. — Safado convencido!
Seu rosto paira sobre o meu e ele me olha com uma fome desenfreada e
selvagem explícita. É como se ela nunca fosse saciada. Eu fico satisfeita ao
contemplá-la em seus olhos quentes de tesão.
Ele volta a deslizar seu pau grosso em meu interior novamente e eu
gemo baixinho pela sensação abrasadora que me domina. Mas o cretino
permanece imóvel dentro de mim.
— Oh, Nikky, continue, por favor! Eu quero... Ah! Estou quase... —
Mordo o lábio novamente, experimentando a sensação de tê-lo
deliciosamente dentro do meu corpo tão profundamente.
— Quer gozar? — Um sorriso malicioso surge em seus lábios firmes.
— Oh, sim! Por favor... Nikky!
— Não tenho certeza se foi uma korítsi dócil e submissa.
— Por favor, Nikky! Eu preciso... — murmurei em protesto.
— É? Do que você precisa?
— Você sabe do que preciso. — Gemo, quase implorando.
Cretino! Ele vai me pagar. Uso meus músculos íntimos para lhe reter
dentro de mim, fazendo uma leve vibração em torno do seu eixo duro. Seu
sorriso se transforma em uma expressão de puro prazer e eu ouço o seu
rosnado desestabilizado pela luxúria.
— Porra, angelos! Que delícia! Isso é golpe baixo. — rosnou,
ensandecido pelo tesão.
Sorrio manhosa.
— Toda mulher tem que ter um truque feminino na manga. Ou devo
dizer que em outro lugar? — Sorrio provocadora. — Agora, faça-me gozar,
marido! — ordenei.
Seu sorriso cobiçoso me devora.
— Minha safada deliciosa! Eu sei do que você precisa e vou te dar:
uma bela surra de pau.
Gemo acaloradamente quando Nikky volta a se movimentar em meu
interior com impetuosidade, fazendo-me quase entrar em combustão
instantânea. Seus movimentos são implacáveis e não demora muito para que
ele me toque em um ponto estratégico, elevando-me ao pico do prazer. Meu
corpo se agita em uma vibração intensa de êxtase e eu explodo como um
vulcão em atividade. Também não tarda muito para que eu sinta o
descontrole do meu homem, com seu jato quente e potente preenchendo o
meu canal.
Sorrio, sentindo-me tão leve quanto uma pluma. Meu corpo está sendo
envolvido pelas ondas deliciosas da luxúria.
Algum tempo depois, com a cabeça recostada em seu peito, estou
sorrindo como uma mulher apaixonada. Olho através da ampla janela da torre
e vejo o brilho das estrelas no céu azulado de Mykonos. Meu corpo ainda está
lânguido pela avalanche desmedida de prazer que meu marido me
proporcionou e eu sinto um contentamento sem igual. As batidas do seu
coração estão fortes e ritmadas sob meu contato.
Toco no pequeno pingente que ele me deu de presente nesta manhã,
que tem o símbolo do infinito, e saboreio sua promessa feita como se fosse
em uma oração.
“Enquanto existir vida em cada célula do meu corpo, vou te amar, o
glykos mou angelos.”
E, com essas palavras em mente, o sorriso permanece em meus lábios.
Agradeço a Deus pelo presente grego que ele me enviou.
NIKKY ANDREON

Angel me fita com um olhar de um azul tão intenso e doce, que vejo
nele o mais puro e infinito amor que queima como uma chama eterna.
Caralho! Eu sou um grego de sorte. Sorrio com orgulho por tê-la lânguida e
satisfeita sobre o meu peito. Agora, todas as peças se completam. Angel
sempre será a minha eterna korítsi.
— Eu te amo, Nikky! — sussurrou completamente extasiada em meus
braços.
— A única certeza que tenho, glykia mou agapi, é que enquanto meu
coração pulsar, eu vou te amar. Esteja inteirada desse fato, o ángelós mou!
Ela se aquece em meus braços, quase roçando em meu pau, que começa
a despertar com um desejo insaciável. Porra! Angel já está impregnada em
meu ser, e isso é malditamente certo. Meu corpo pulsa de tesão, na ânsia de
saboreá-la novamente e degustar cada centímetro primoroso da sua doce pele.
Quero senti-la profundamente, até nos tornarmos um só na mesma sintonia
do desejo explosivo que compartilhamos.
— Eu me sinto da mesma maneira, Nikky, meu eterno amante devasso.
— Sorri apaixonada.
Caralho! Invade-me uma vibração de orgulho por eu ser o responsável
por esse sorriso.
— Eu a desejo tanto, mikró. E isso vai muito além do mero tesão.
Desde a primeira vez que nossos olhares se esbarraram, de algum modo senti
que você era a mulher certa, a minha escolhida. Ainda desperta em mim
todos os meus sentidos, como se fosse nossa primeira vez. — confirmei o
óbvio, aspirando lentamente o aroma sedutor e feminino que emana da sua
pele delicada. Ele me traz lembranças quentes apenas por senti-lo. — O
cheiro doce da sua pele continua impregnado dentro de mim. Ainda posso me
recordar da nossa primeira vez. — Sorrio sem pudor e a vejo ofegar
levemente. Seu corpo pequeno estremece, em contato com o meu, e suas
pupilas se dilatam pela excitação das minhas afirmações. — Sim, gynaíka, eu
me recordo de cada ínfimo detalhe da sua doce entrega. Foi aí que me
encontrei, também, rendido ao seu amor; um amor que eu nunca sonhei em
encontrar. Mas ele veio diretamente até mim. — Afago suavemente a curva
da sua cintura, admirando seu lindo rosto de angelos, que está em completo
regozijo.
— Oh, Nikky! Você sempre foi o meu anjo. Eu estava em uma
completa tormenta, e você foi o meu dia brilhante.
— Nunca mais se sentirá sozinha, glykia mou. Eu sempre estarei com
você, na tempestade ou em dias de sol. — Sorrio. — Em dias de tempestade
abrirei um guarda-chuva e passaremos pela tormenta juntos; e em dias de sol
pegarei a sua mão e caminharemos sob sua luz.
— É lindo, Nikky. Eu sempre vou guardar o seu amor e o cultivar
como o meu tesouro mais precioso.
Sinto sua respiração suave em meu ombro e... Caralho! A única coisa
que eu queria era capturar esse momento para eternamente. Em silêncio, faço
uma oração em gratidão a Theós pelo lindo xanthos angelos que ele me
enviou. Também prometo que Angel sempre será a minha korítsi, a minha
eterna amada.

Fim!
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A OBSESSÃO DO GREGO

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sagaz nos negócios e por ser um devasso quente na cama. Sempre tem um
harém de belas mulheres ao seu dispor. Todavia, como um típico grego, em
certo momento da vida, terá que ter uma família e continuar sua linhagem.
Mas ele não está disposto a abrir mão da sua liberdade e traz uma convicção
dentro de si de que um acordo de casamento será o ideal. Desse modo,
continuará desfrutando da sua vida de libertinagem enquanto terá uma família
perfeita aos olhos da sociedade. Porém, em um único encontro com uma bela
jovem de olhos verdes e sorriso encantador, ela se tornará sua obsessão.
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