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Q Universo da Química TÓPICOS INTRODUTÓRIOS DE FÍSICO - QUÍMICA

Ensino Superior
U www.fabianoraco.oi.com.br Professor Fabiano Ramos Costa – fabianoraco@oi.com.br

TERMODINÂMICA
A termodinâmica estuda as transformações da energia de maneira qualitativa e quantitativa, seja na realização de trabalho
ou na liberação/absorção de calor.

ANÁLISE DO UNIVERSO
O estudo dos processos termodinâmicos necessita da investigação de duas partes do universo:

• o SISTEMA: que é a parte em estudo propriamente dita.

• a VIZINHANÇA: que é a parte externa do sistema onde fazemos as observações e as medidas.

Dependendo da fronteira entre o SISTEMA e a VIZINHANÇA, o SISTEMA poderá se classificar de três maneiras:

• SISTEMA ABERTO: quando a matéria e a energia puderem ser trocadas entre o sistema e a vizinhança.

• SISTEMA FECHADO: quando a matéria não puder ser trocada entre o sistema e a vizinhança. Nesse caso pode haver troca
de energia entre o sistema e a vizinhança.

• SISTEMA ISOLADO: quando o sistema e a vizinhança não apresentam contato mecânico nem térmico com a vizinhança.

TRABALHO, ENERGIA E CALOR


Quando um corpo é deslocado contra uma força, F , que se opõe ao seu deslocamento, d , dizemos que está ocorrendo a
realização de um trabalho, w . Assim, quando um gás dilata e empurra o êmbolo de uma seringa, suspendendo uma massa qualquer,
por exemplo, ocorre um deslocamento contra a força peso e realização de trabalho sobre a massa, conforme se observa na ilustração
abaixo:

d
p
p Realização de
trabalho

Já a energia de um sistema é a capacidade de um corpo em realizar trabalho.

Quando comprimimos um gás ou esticamos uma mola a energia do sistema aumenta, aumentando a capacidade do sistema
em realizar trabalho. Quando a mola ou o gás retornam às suas posições de equilíbrio, a capacidade de realização de trabalho diminui,
assim como a energia do sistema.
Energia X Energia maior que
X

Gás em equilíbrio Gás comprimido,


de pressão maior capacidade
de realização de
trabalho
Quando a energia de um sistema modifica-se apenas como resultado de temperatura entre ele e sua vizinhança, dizemos
que houve uma transferência de calor.

Um recipiente contendo água a uma temperatura T ao ser aquecido fará com que a água aumente a sua capacidade de
realizar trabalho, isto é, houve um aumento na energia do sistema.

Contudo, nem todas as fronteiras possibilitam a troca de energia entre o sistema e a vizinhança, mesmo que haja uma
diferença de energia entre elas.

As fronteiras diatérmicas, por exemplo, são permeáveis à troca de calor (vidro, metal, etc...), enquanto que as fronteiras
adiabáticas impedem a troca do calor.

Processos que liberam energia na forma de calor são denominados de exotérmicos, como as reações de combustão,
enquanto que processos que absorvem calor da vizinhança são denominados de endotérmicos.

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Quando um processo exotérmico ocorre num sistema que apresenta paredes diatérmicas,, o calor sai do sistema para a
vizinhança e, por isso, a temperatura do sistema permanece inalterada.
inalterada O mesmo observa-se
se para um processo endotérmico,
porém, agora, com entrada de calor da vizinhança para o sistema.

Processos endotérmicos
e exotérmicos em
sistemas com paredes
diatérmicas mantêm a
temperatura constante

Quando um processo exotérmico ocorre num sistema que apresenta paredes adiabáticas,, o calor fica retido no sistema e,
por isso, a temperatura do sistema aumenta.
aumenta O mesmo observa-se
se para um processo endotérmico, porém, agora, com diminuição da
temperatura.

COMPREENDENDO O TRABALHO, A ENERGIA E O CALOR A NÍVEL MOLECULAR

Quando há transferência de energia, na forma de calor, do sistema para as vizinhanças, a energia


transferida contribui para o movimento caótico (desorganizado) dos átomos das vizinhanças. Esse movimento
caótico é denominado de agitação térmica.
O movimento térmico das moléculas nas vizinhanças quentes de um sistema frio provoca a
movimentação mais vigorosa das moléculas e, então, a energia do sistema aumenta. Quando, ao contrário, o
sistema aquece as vizinhanças, são as moléculas
moléculas do sistema que estimulam o movimento térmico das moléculas
das vizinhanças.

Quando um sistema realiza trabalho sobre suas vizinhanças, o movimento dos átomos é de forma organizada.

A distinção, então, entre o trabalho e o calor se faz nas vizinhanças. Por exemplo, quando se
comprime um gás, o trabalho é efetuado quando as partículas do “peso” responsável pela compressão se
deslocam de maneira ordenada; o efeito da compressão é acelerar as moléculas do gás para velocidades
médias mais elevadas as do que no início. Como as colisões entre as moléculas rapidamente tornam suas
direções aleatórias, é evidente que o movimento ordenado dos átomos do “peso” que efetua a compressão
contribui, na realidade, para estimular o movimento térmico das moléculas do gás. O que observamos, porém, é
o efeito da compressão do “peso”, o movimento ordenado sobre o sistema, embora esteja estimulando o
movimento térmico das moléculas.

CÁLCULOS ENVOLVENDO O TRABALHO, w

Para que haja trabalho uma força F , deverá se opor ao deslocamento de um determinado material

cosθ
d

F=W

F=W F=W

w = F.d.cosθ

Assim podemos equacionar:

Sendo w o trabalho em J (Joules); F , a força em N (newtons) e d o deslocamento em m (metros). Portanto,


w = Fd cos θ
N ⋅m = J .

TRABALHO DE EXPANSÃO
Entenda o trabalho de expansão quando o trabalho surge por variação do volume. Nesse trabalho, um gás expande e
desloca a atmosfera. Intuitivamente, a variação do volume seria por acréscimo, mas podemos utilizar a mesma idéia para o decréscimo
decr
desse volume, isto é, o trabalho de expansão
ão também se aplica para a compressão.

Como na expansão de um gás o deslocamento do material ocorre opostamente à força peso, o ângulo entre a força peso e o
deslocamento será 180 o e o cos180o igual a − 1 . Para a expansão o trabalho será, então, w = − Fd .

Na compressão de um gás o deslocamento do material ocorre na mesma direção e sentido da força peso, sendo o ângulo
entre elas igual a 0 o e o cos 0 o igual a 1. Para a compressão o trabalho será, então, w = Fd .

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ATIVIDADES (A)
44
44. ( ) Considere o pistão mostrado na figura abaixo.

Nela, um gás está aprisionado num cilindro onde uma das paredes é um pistão sem peso, sem atrito, rígido e
sem fugas, de área A . Levando-se em conta que a pressão externa é Pext (igual à pressão da atmosfera em
determinado ponto) e que está ocorrendo uma expansão do sistema com deslocamento infinitesimal do pistão (
dz ), deduza a equação do trabalho de expansão desse sistema.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 44
Equações:
P = ; V = Ah ; w = Fd cosθ
F
A

Cálculos:
F dV
P = ⇒ F = Pext A ⇒ F = Pext
A dz
dV
V = A × h ⇒ dV = Adz ⇒ A =
dz
dV
w = Fd cosθ ⇒ dw = Pext dz cos180o ⇒ dw = − Pext dV ⇒
dz
∫ dw = ∫ − P ext dV ⇒ Pext = cons tan te
V1

w = − Pext ∫ dV ⇒ w = − Pext (V ) |VV10 ⇒ w = − Pext (V1 − V0 ) ⇒ w = − Pext ∆V ( para P cons tan te)
V0

TIPOS DE TRABALHO DE EXPANSÃO


Expansão Livre
Ocorre quando a força é nula e, portanto, não haverá trabalho, pois w = Fd cos θ = 0 × d cos θ = 0 .
Este tipo de expansão ocorre no vácuo, onde a pressão externa é nula.

Expansão Contra Pressão Constante

Ocorre quando a força é constante, como a situação descrita na atividade 44 (pág. 27). Nesse
caso, o trabalho é determinado por w = − Pext ∆V .
Um exemplo é quando a expansão ocorre contra a pressão da atmosfera. Observe a ilustração ao lado.

Expansão Reversível
Processos reversíveis estão relacionados com a capacidade de um sistema de variar infinitesimalmente.
O termo “infinitesimal” realça o sentido “reversível”, indicando a capacidade do sistema em mudar de sentido.
Se variações infinitesimais nas vizinhanças provocarem variações infinitesimais
infinitesimais nas condições do sistema, dizemos que há
um equilíbrio entre o sistema e as suas vizinhanças.
Para um gás encerrado num pistão haverá equilíbrio mecânico se a pressão externa for igual à pressão do gás. Variações
infinitesimais da pressão provocam variações infinitesimais no volume do gás, mantendo a situação de equilíbrio.
Equações de processos reversíveis são indicadas pelo índice “rev”.

Expansão Isotérmica Reversível


Para um gás perfeito, PV = nRT . Então, o trabalho de expansão pode ser determinado por
nRT
w = − ∫ PdV = − ∫ dV
V

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Para quantidades fixas de gás em temperaturas constantes, n , R e T saem da integral e a equação acima se torna
V

= −nRT (LnV ) |VV10 ⇒


1
nRT dV
w = −∫ dV = −nRT ∫
V V0
V
V1
w = −nRT ( LnV1 − LnV0 ) = −nRTLn
V0

ATIVIDADES (A)
45
45. ( ) Calcule o trabalho efetuado, em J , quando 50 g de ferro reagem com ácido clorídrico produzindo hidrogênio gasoso (
Fe + 2 HCl → FeCl 2 + H 2 ) (a) num vaso fechado de volume fixo e (b) num béquer aberto, ambos a 25 C . (considere, no item
o

(b) que a variação do volume é igual ao volume final, V1 )

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 45
Dados:
w = ???(J ) ; m( Fe) = 50 g ; M ( Fe) = 55,845 g ⋅ mol −1

Equações:
wexp = − Pext ∆V

Cálculos:

a) Se o vaso tem volume fixo, não haverá variação do volume e, portanto, não há realização de trabalho de expansão, w = 0 .
exp

b) No béquer, o gás hidrogênio produzido deslocará a atmosfera e o trabalho de expansão será com pressão constante com
w = − P ∆V . Como ∆V = V1 , a nova equação será w = − P V . Para determinar V1 para um gás perfeito temos
exp ext exp ext 1

nRT . Então, nRT .


PextV1 = nRT ⇒ V1 = wexp = − PextV1 = − Pext × = −nRT
Pext Pext
Conforme a equação química da reação, a quantidade de matéria do ferro que reage é igual à quantidade de matéria do gás hidrogênio
que forma: m( Fe) 50 g . Assim:
n( Fe) = n( H 2 ) = = = 0,89533 mol H 2
M ( Fe) 55,845 g ⋅ mol-1
wexp = −nRT = −0,89533 mol × 8,31451 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 298,15 K = −2219,5 J = −2,2195 kJ

46
46. ( ) Calcule o trabalho para elevar um corpo de massa de 1,0 kg a uma altura de 10 m na superfície (a) da Terra (
g = 9,80674 m ⋅ s −2 ) e (b) da Lua ( g = 1,60 m ⋅ s −2 ).

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 46
Dados:
w = ??? ; m = 1,0 kg ; d = 10 m ; g (Terra) = 9,80674 m ⋅ s −2 ; g ( Lua) = 1,60 m ⋅ s −2

Equações:
w = Fd

Cálculos:

a)
w = Fd = m × g × d = 1,0 kg × 9,80674 m ⋅ s −2 × 10 m = 98,0674 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 98,0674 N ⋅ m = 98,0674 J
b)
w = Fd = m × g × d = 1,0 kg × 1,60 m ⋅ s −2 × 10 m = 16,0 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 16 N ⋅ m = 16 J

47
47. ( ) Calcule o trabalho para uma pessoa de 65 kg subir a uma altura de 4,0 m na superfície da Terra, g = 9,80674 m ⋅ s −2 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 47
Dados:
w = ??? ; m = 65 kg ; d = 4,0 m ; g (Terra) = 9,80674 m ⋅ s −2

Equações:
w = Fd

Cálculos:
w = Fd = m × g × d = 65 kg × 9,80674 m ⋅ s −2 × 4,0 m = 2549,75 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 2549,75 N ⋅ m = 2549,75 J ≈ 2,6 kJ

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48
48. ( ) Uma reação química ocorre num vaso de seção reta uniforme, de 100 cm 2 , provido de pistão. Em virtude da reação, o
pistão se desloca 10 cm contra a pressão externa de 1,0 atm . Calcule o trabalho feito pelo sistema.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 48
Dados:
A = 100 cm 2 = 10 2 × (10 −2 m) 2 = 10 2 × 10 −4 m 2 = 10 −2 m 2 ; d = 10 cm = 10 × 10 m = 10 m ; Pext = 1,0 atm = 101325 Pa ; wexp = ???
-2 -1

Equações:
w = − Pext ∆V

Cálculos:
• w = −101325 Pa × ∆V
• Para determinar o valor de ∆V , devemos fazer ∆V = V1 − V0 . Sabemos que o volume é determinado pelo produto da área
pela altura, assim, V0 = A × h0 e V1 = A × h1 , então ∆V = V1 − V0 = A × h1 − A × h0 = A × ( h1 − h0 ) . Como h1 − h0 = d , fica
w = −101325 Pa × A × d = −101325 Pa × 10 −2 m 2 × 10 −1 m = −101,325 Pa ⋅ m 3 = −101,325 J ≈ −1,0.10 2 J

49
49. ( ) Uma amostra de 1,00 mol de Ar se expande isotermicamente, a 0 o C , de 22,4 L até 44,8 L (a) reversivelmente, (b) contra
uma pressão externa constante igual à pressão final do gás e (c) livremente (contra uma pressão externa nula). Em cada caso
determine o trabalho realizado pelo gás.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 49
Dados:
n( Ar) = 1,00 mol : V0 = 22,4 L = 22,4 × 10−3 m3 ; V1 = 44,8 L = 44,8 × 10 −3 m 3 ; T = 0 o C = 273,15 K

Equações:
w = − Pext ∆V ; w = −nRT ln V1 ; PV = nRT
exp
V0

Cálculos:

a)
V1 44,8 L
wexp = −nRT ln = −1,00 mol × 8,31447 J ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 273,15 K × ln = −1574,20 J ≈ −1,57 kJ
V0 22,4 L

b)
A pressão final do gás pode ser determinada por nRT 1,00 mol × 8,31447 Pa ⋅ m 3 ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 273,15 K .
PV = nRT ⇒ P = = = 50694,14 Pa
V 44,8 × 10 −3 m 3
Então: w = − P ∆V = −50694,14Pa × (44,8 × 10 −3 m 3 − 22,4 × 10 −3 m 3 ) = −1135,55 Pa ⋅ m 3 = −1135,55 J ≈ −1,14 kJ
ext

c)
w = − Pext ∆V = 0

A PRIMEIRA LEI DA TERMODINÂMICA


A energia total de um sistema é denominada de energia interna, representada por U e equivale à soma das energias
potencial e cinética de todas as moléculas que compõem o sistema.

A energia interna, U , não pode ser determinada, mas a sua diferença pode ser medida na forma de trabalho ou de calor nas
vizinhanças, por isso não se fala em determinação da energia interna de um sistema e sim da diferença de energia interna de um
sistema, representada por ∆U = U 1 − U 0 .

A mudança nas propriedades do sistema, como temperatura, pressão e volume alteram a energia interna do sistema, assim,
temos que a energia interna é uma função de estado uma vez que seu valor depende da condição do estado.

Para um sistema aberto ou fechado, cujas fronteiras são diatérmicas, mudanças nas condições de estado do sistema
provocarão alteração da energia interna, mas em sistemas isolados, cujas fronteiras são adiabáticas, a energia interna permanece
constante, pois não há troca de energia com a vizinhança, seja na forma de calor, q , (diferença de temperatura), seja na forma de
trabalho, w , (alteração do volume, deslocamento de corpos).

Ao último sistema (isolado), aplica-se a 1ª Lei da Termodinâmica, que dita:

A ENERGIA INTERNA DE UM SISTEMA ISOLADO É CONSTANTE, ISTO É, ∆U = w + q .

Algumas condições de análise da 1ª Lei da Termodinâmica:

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• Se o trabalho realizado pelo sistema nas vizinhanças for nulo ( w = 0 ) e o calor liberado para as vizinhanças também for nulo
( q = 0 ), o sistema manterá constante sua energia interna e ∆U = 0 .

• Se o sistema realiza trabalho nas vizinhanças ( w < 0 ) e/ou libera calor para as vizinhanças ( q < 0 ), a energia do sistema não
permanecerá constante e terá seu valor diminuído e ∆U < 0 .

• Se o sistema recebe trabalho das vizinhanças ( w > 0 ) e/ou absorve calor das vizinhanças ( q > 0 ), a energia do sistema não
permanecerá constante e terá seu valor aumentado e ∆U > 0 .

Em outras palavras, o fluxo de energia como trabalho e/ou calor é referenciado pelo sistema e não pelas vizinhanças.

ATIVIDADES (A)
50
50. ( ) Um motor elétrico produz 15 kJ de energia em cada segundo, na forma de trabalho mecânico, e perde 2 kJ de calor para
o ambiente (as vizinhanças), também por segundo. Qual a variação de energia interna desse motor após 1 hora de
funcionamento?

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 50
Dados:
w = −15 kJ/s : q = −2k J / s ; ∆U = ???(1 hora = 1× 60 min = 1 × 60 × 60 s = 3600 s)

Equações:
∆U = q + w

Cálculos:

∆U = −2 kJ / s − 15 kJ / s = −17 kJ / s
1 hora = 3600 s − − − − − − X
1 s − − − − − − − − − − − − − −17 kJ
X = 61200 kJ = 61,2 MJ

51
51. ( ) Imaginemos que, quando se enrola uma mola de relógio, se faça um trabalho de 100 J sobre ela, e que 15 J de calor
escapem para o ambiente. Qual a variação de energia interna da mola?

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 51
Dados:
w = +100 J : q = −15 J ; ∆U = ???

Equações:
∆U = q + w

Cálculos:

∆U = −15 J + 100 J = +85 J

TROCAS TÉRMICAS
Se um sistema realiza trabalho nas vizinhanças diferente daquele da expansão, dizemos que o sistema está realizando um
trabalho extra, como um motor que aciona o levantamento de uma massa qualquer.
A volume constante, teremos:

∆U = qV + wexp + we
onde qV representa a energia térmica fornecida ou cedida por um sistema (isocórica); wexp , é o trabalho de expansão e we , é o trabalho extra.

Para um sistema a volume constante, sem realização de trabalho extra, ∆U = qV , sendo a variação da energia interna
exatamente igual à quantidade de energia térmica absorvida ou liberada pelo sistema.

Calorimetria
A calorimetria é o estudo do calor transferido durante um processo físico ou químico, sendo medido através de um
calorímetro. A ilustração abaixo mostra um calorímetro adiabático:

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No calorímetro adiabático, uma espécie de vaso (a volume constante) onde se coloca a amostra está mergulhado em banho
de água com agitação convencional. E todo esse conjunto também se encontra mergulhado num banho externo com temperatura
controlada e igual à do banho interno para que não haja troca de calor entre os banhos (adiabático).

Observa-se,
se, portanto que se mantivermos a quantidade de matéria do material constante, e já tendo o volume constante,
qualquer variação na temperatura estará diretamente relacionada
relacionada ao calor liberado ou absorvido pelo processo em análise. Assim,
qα∆T e, substituindo a proporcionalidade por uma constante, teremos: q = C∆T , onde C recebe o nome de constante do
calorímetro.

A volume constante, essa constante do calorímetro recebe o nome de capacidade calorífica do sistema na temperatura de
análise e pode ser expressa por: qV = CV ∆T = ∆U .

Para um mol de substância temos a capacidade calorífica molar a volume constante, expressa por C .
V ,m

Se dividirmos a capacidade calorífica pela massa da substância encontraremos a capacidade calorífica específica, ou calor
específico.

ATIVIDADES (A)
52
52. ( ) Uma amostra de 1,00 mol de um gás perfeito monoatômico, com C = 3 R , inicialmente a P0 = 1,00 atm e T0 = 300 K , é
V ,m
2
aquecida reversivelmente, até 400 K , a volume constante. Calcule (a) a pressão final, (b) w , (c) q e (d) ∆U .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 52
Dados:
n = 1,00 mol : CV ,m = 3 R ; P0 = 1,00 atm ; T0 = 300 K ; T1 = 400 K ; V = C ; P1 = ??? ; w = ??? ; q = ???; ∆U = ???
te

Equações:
P0V0 P1V1 ; q = C × n × ∆T ; ∆U = q + w
= V ,m
T0 T1

Cálculos:

a)
P0V0 P1V1 P P PT 101325 Pa × 400 K
= ⇒ 0 = 1 ⇒ 0 1 = P1 = = 135100 Pa ou 1,33 atm
T0 T1 T0 T1 T0 300 K

b)
Não houve variação do volume, uma vez que a condição de operação do sistema é de volume constante, então w = 0 .

c)
3
q = CV ,m × n × ∆T = × 8,31447 J ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 1,00mol × (400 K − 300 K ) = 1247,17 J ≈ 1,25 kJ
2

c)
∆U = q + w = 1,25 kJ + 0 = 1,25 kJ

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53
53. ( ) Uma amostra de 2,00 mol de um gás perfeito monoatômico, com C = 5 R , inicialmente a P0 = 111 kPa e T0 = 277 K , é
V ,m
2
aquecida reversivelmente, até 356 K , a volume constante. Calcule (a) a pressão final, (b) w , (c) q e (d) ∆U .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 53
Dados:
n = 2,00 mol : CV ,m = 5 R ; P0 = 111 kPa ; T0 = 277 K ; T1 = 356 K ; V = C ; P1 = ??? ; w = ??? ; q = ???; ∆U = ???
te

Equações:
P0V0 P1V1 ; q = C × n × ∆T ; ∆U = q + w
= V ,m
T0 T1

Cálculos:

a)
P0V0 P1V1 P P PT 111 kPa × 356 K
= ⇒ 0 = 1 ⇒ 0 1 = P1 = = 142,66 kPa ≈ 143 kPa
T0 T1 T0 T1 T0 277 K

b)
Não houve variação do volume, uma vez que a condição de operação do sistema é de volume constante, então w = 0 .

c)
5
q = CV ,m × n × ∆T = × 8,31447 J ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 2,00mol × (356 K − 277 K ) = 3284,22 J ≈ 3,28 kJ
2

c)
∆U = q + w = 3,28 kJ + 0 = 3,28 kJ

ENTALPIA
Quando o volume não permanece constante durante a troca de calor entre o sistema e as vizinhanças, a variação da energia
interna não será igual ao calor transferido, pois parte da energia transferida foi utilizado para gerar trabalho nas vizinhanças. Mas o
calor fornecido ao sistema é proporcional a uma outra propriedade, a entalpia, de símbolo H , que, por definição é calculada pela
expressão H = U + PV .

Relação entre variação da entalpia, ∆H , e calor, q , a pressão constante


No caso de uma variação infinitesimal qualquer no estado do sistema, U passaria a U + dU ; P seria P + dP e V seria
V + dV . Por substituição:

H = U + PV ⇒ H + dH = U + dU + ( P + dP)(V + dV ) ⇒
H + dH = U + dU + PV + PdV + VdP + dPdV

Observações:

• O último termo do segundo membro, dPdV , é o produto entre duas grandezas infinitesimais e como serão somadas às
outras, poderá ser desprezado: H + dH = U + dU + PV + PdV + VdP .

• Reagrupando... H + dH = U + PV + dU + PdV + VdP , e fazendo H = U + PV , teremos H + dH = H + dU + PdV + VdP que


resulta dH = dU + PdV + VdP .

• dU = dq + dw , então dH = dq + dw + PdV + VdP .

• Considerando que o trabalho realizado é de expansão, dw = − PdV e dH = dq + − PdV + PdV + VdP = dq + VdP .

• Como o aquecimento está ocorrendo a pressão constante, dP = 0 e dH = dq (a pressão constante e sem trabalho extra).

Assim como a energia interna, a entalpia de uma substância aumenta com o aumento da temperatura, isto é ∆H α∆T . Trocando-
se a proporcionalidade por uma constante, temos ∆H = C∆T .

Como a variação da entalpia, a pressão constante, depende da quantidade de calor absorvida ou liberada pelo sistema,
temos ∆H = q P = C P ∆T , onde q P é a quantidade de calor absorvida ou liberada pelo sistema a pressão constante, C P é a constante
do calorímetro, denominada de capacidade calorífica a pressão constante e ∆T a variação da temperatura.

Para um mol de substância temos a capacidade calorífica molar a pressão constante, expressa por C .
P ,m

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ATIVIDADES (A)
54
54. ( ) A variação de energia interna quando 1,0 mol de CaCO3 , na forma de calcita, se converte em aragonita é + 0,21 kJ . Calcule
a diferença entre a variação de entalpia e a variação de energia interna quando a pressão é de 1,0 bar , sabendo que a
densidade da calcita é 2,71 g ⋅ cm -3 e da aragonita, 2,93 g ⋅ cm -3 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 54
Dados:
n = 1,00 mol : ∆H − ∆U = ??? ; Pext = 1,0 bar = 105 Pa ; ρ calcita = 2,71 g ⋅ cm−3 = 2,71× 10−3 kg ⋅ 106 m −3 = 2,71×103 kg ⋅ m −3 ;
ρ aragonita = 2,93 g ⋅ cm −3 = 2,93 × 10 −3 kg ⋅ 10 6 m −3 = 2,93 × 10 3 kg ⋅ m −3
Equações:
∆H = ∆U + P∆V ; ρ = m ; n = m
V M
Cálculos:
∆H = ∆U + P∆V ⇒ ∆H − ∆U = P∆V = 105 Pa × (Varagonita − Vcalcita )
• m m
ρ= ⇒V =
V ρ
 maragonita mcalcita 
∆H − ∆U = 10 5 Pa × (Varagonita − Vcalcita ) = 10 5 Pa ×  − 
 ρ 
 arg onita ρ calcita 
• n=
m
⇒ m = nM
M
 naragonita × M aragonita ncalcita × M calcita 
∆H − ∆U = 10 5 Pa ×  − 
 ρ arg onita ρ calcita 
 
• Tanto a aragonita quanto a calcita são formadas por carbonato de cálcio, CaCO3 , de M = 100,086 g ⋅ mol −1 .
 naragonita × M aragonita ncalcita × M calcita  −1 −1
 = 10 5 Pa ×  1,0 mol × 100,048 g ⋅ mol − 1,0 mol × 100,048 g ⋅ mol  ⇒
 
∆H − ∆U = 105 Pa ×  −  
 ρ ρ   2 ,93 .10 3
kg ⋅ m − 3
2,71.10 3
kg ⋅ m − 3

 arg onita calcita 
−1 −1
 1,0 mol × 100 ,048 g ⋅ mol 1 , 0 mol × 100,048 g ⋅ mol   0,100086 kg 0 ,100086 kg 
∆H − ∆U = 105 Pa ×  −  = 10 Pa ×  2,93.103 kg ⋅ m −3 − 2,71.103 kg ⋅ m −3  ⇒
5

 2,93.10 3 kg ⋅ m −3 2,71.10 3 kg ⋅ m −3   
( )
∆H − ∆U = 105 Pa × 3,4159.10 −5 m 3 − 3,6932.10 −5 m 3 = 10 5 Pa × ( −0,2773.10 −5 m 3 ) = −0,2773 Pa ⋅ m 3 = −0,2773 J ≈ −0,3 J

55
55. ( ) Calcular a diferença entre ∆H e ∆U quando 1,0 mol de estanho cinzento, densidade 5,75 g ⋅ cm -3 , se transforma em
estanho branco, densidade 7,31 g ⋅ cm -3 , sob pressão de 10,0 bar , a 298 K , sabendo que ∆H = +2,1 kJ .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 55
Dados:
n = 1,00 mol : ∆H − ∆U = ??? ; Pext = 10,0 bar = 106 Pa ; ρ Sn( cinzento) = 5,75 g ⋅ cm −3 = 5,75 × 10 −3 kg ⋅ 10 6 m −3 = 5,75 × 10 3 kg ⋅ m −3 ;
ρ Sn( branco) = 7,31 g ⋅ cm −3 = 7,31× 10 −3 kg ⋅ 10 6 m −3 = 7,31 × 10 3 kg ⋅ m −3
Equações:
∆H = ∆U + P∆V ; ρ = m ; n = m
V M
Cálculos:
∆H = ∆U + P∆V ⇒ ∆H − ∆U = P∆V = 10 6 Pa × (VSn(branco) − VSn( cinzento) )
• m m
ρ= ⇒V =
V ρ
 m Sn(branco) m Sn( cinzento) 
∆H − ∆U = 10 6 Pa × (VSn (branco) − VSn ( cinzento) ) = 10 5 Pa ×  − 
ρ 
 Sn(branco) ρ Sn( cinzento) 
• n=
m
⇒ m = nM
M
 nSn (branco) × M Sn(branco) n Sn( cinzento) × M Sn( cinzento) 
∆H − ∆U = 10 6 Pa ×  − 
 ρ Sn(branco) ρ Sn (cinzento) 
 
• Tanto o estanho branco quanto o estanho cinzento apresentam a mesma massa molar, M = 118,71 g ⋅ mol −1 .
 nSn (branco) × M Sn( branco) nSn (cinzento) × M Sn( cinzento)  −1 −1
 = 10 6 Pa ×  1,0 mol × 118,71 g ⋅ mol − 1,0 mol × 118,71 g ⋅ mol  ⇒
 
∆H − ∆U = 10 6 Pa ×  −  
 ρ ρ   7 ,31 .10 3
kg ⋅ m − 3
5,75.10 3
kg ⋅ m −3

 Sn ( branco) Sn ( cinzento) 
−1 −1
 1,0 mol × 118 ,71 g ⋅ mol 1,0 mol × 118 ,71 g ⋅ mol   0,11871 k g 0,11871 kg 
∆H − ∆U = 10 6 Pa ×  −  = 10 6 Pa ×  − ⇒
 7,31.103 kg ⋅ m −3 5,75.10 3 kg ⋅ m −3   7,31.10 kg ⋅ m
3 −3
5,75.103 kg ⋅ m −3 
( )
∆H − ∆U = 10 6 Pa × 1,6239.10 −5 m 3 − 2,0645.10 −5 m 3 = 10 6 Pa × (−0,4406.10 −5 m 3 ) = −0,2773 Pa ⋅ m 3 = −4,406 J ≈ −4,4 J

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ATIVIDADES (B)
56
56. ( ) Calcule o trabalho para elevar um corpo de massa de 5,0 kg a uma altura de 100 m (a) da superfície da Terra (
g = 9,80674 m ⋅ s -2 ) e (b) de Marte ( g = 3,73 m ⋅ s -2 ).

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 56
Dados:
w = ??? ; m = 5,0 kg ; h = d = 100 m ; g (Terra) = 9,80674 m ⋅ s −2 ; g ( Marte) = 3,73 m ⋅ s −2

Equações:
w = Fd

Cálculos:

a)
w = Fd = m × g × d = 5,0 kg × 9,80674 m ⋅ s −2 × 100 m = 4903,37 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 4903,37 N ⋅ m = 4903,37 J ≈ 4,9 kJ

b)
w = Fd = m × g × d = 5,0 kg × 3,73 m ⋅ s −2 × 100 m = 1865 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 1865 N ⋅ m = 1865 J ≈ 1,9 kJ

57
57. ( ) Calcule o trabalho para que um pássaro, de 120 g , faça um vôo ascendente de 50 m nas vizinhanças da superfície da Terra (
g = 9,80674 m ⋅ s -2 ).

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 57
Dados:
w = ??? ; m = 120 g = 0,120 kg ; d = 50 m ; g (Terra) = 9,80674 m ⋅ s −2

Equações:
w = Fd

Cálculos:
w = Fd = m × g × d = 0,120 kg × 9,80674 m ⋅ s −2 × 50 m = 58,84 kg × m ⋅ s −2 ⋅ m = 58,84 N ⋅ m = 58,84 J ≈ 59 J

58
58. ( ) Uma reação química ocorre num vaso de seção reta uniforme de 50,0 cm 2 , provido de um pistão. Em virtude da reação, o
pistão se desloca 15 cm contra a pressão externa de 121 kPa . Calcule o trabalho feito pelo sistema.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 58
Dados:
A = 50 cm 2 = 50 × (10 −2 m) 2 = 50 × 10 −4 m 2 = 5.10 −3 m 2 ; d = 15 cm = 15 × 10 -2 m = 1,5.10 -1 m ; Pext = 121 kPa ; wexp = ???

Equações:
w = − Pext ∆V

Cálculos:
• w = −121 kPa × ∆V
• Para determinar o valor de ∆V , devemos fazer ∆V = V1 − V0 . Sabemos que o volume é determinado pelo produto da área
pela altura, assim, V0 = A × h0 e V1 = A × h1 , então ∆V = V1 − V0 = A × h1 − A × h0 = A × ( h1 − h0 ) . Como h1 − h0 = d , fica
w = −121 kPa × A × d = −121 kPa × 5.10 −3 m 2 × 1,5.10 −1 m = −90,75 Pa ⋅ m 3 = −90,75 J ≈ −91 J

59
59. ( ) Uma amostra de 2,00 mol de He se expande isotermicamente, a 22 o C , de 22,8 L até 31,7 L (a) reversivelmente, (b)
contra uma pressão externa constante igual à pressão final do gás e (c) livremente (contra uma pressão externa nula). Em cada
processo, calcule w , q , ∆U e ∆H .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 59
Dados:
n( He) = 2,00 mol : V0 = 22,8 L = 22,8 × 10−3 m 3 ; V1 = 31,7 L = 31,7 × 10 −3 m 3 ; T = 22o C = 295,15 K

Equações:
w = − Pext ∆V ; w = −nRT ln V1 ; PV = nRT
exp
V0

Cálculos:

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a)
• V1 31,7 L .
wexp = −nRT ln = −2,00 mol × 8,31447 J ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 295,15 K × ln = −1617,47 J ≈ −1,62 kJ
V0 22,8 L
• q = +1617,47 J ≈ +1,62 kJ .
• ∆U = q + w = 0 .
• ∆H = 0 .

b)
nRT 2,00 mol × 8,31447 Pa ⋅ m 3 ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 295,15 K
• wexp = − Pext ∆V = ∆V = − × (31,7.10 −3 m 3 − 22,8.10 −3 m 3 ) ⇒ .
V1 31,7.10 −3 m3
wexp = −154827,50Pa × (8,9.10 −3 m 3 ) = −1377,96 Pa ⋅ m 3 = −1377,96 J ≈ −1,38 kJ
• q = −1377,96 J ≈ +1,38 kJ .
• ∆U = q + w = 0 .
• ∆H = 0

c)
• wexp = 0 .
• q = 0.
• ∆U = q + w = 0 .
• ∆H = 0 .

60
60. ( ) Uma amostra de 4,50 g de CH 4 gasoso ocupa o volume de 12,7 L a 310 K . (a) Calcule o trabalho feito quando o gás se
expande isotermicamente contra uma pressão externa constante de 200 torr até o seu volume aumentar de 3,3 L . (b) Calcule
o trabalho realizado se a mesma expansão fosse feita reversivelmente.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 60
Dados:
m(CH 4 ) = 4,50 g : V0 = 12,7 L = 12,7 × 10−3 m 3 ; V1 = 16,0 L = 16,0 × 10 −3 m 3 ; T = 310 K ; P = 200 torr = 26664,47Pa

Equações:
w = − Pext ∆V ; w = −nRT ln V1 ; PV = nRT ; n = m
exp
V0 M

Cálculos:

a)
wexp = − Pext ∆V = −26664,47 Pa × (16.10 −3 m 3 − 12,7.10 −3 m 3 ) = −26664,47 Pa × 3,3.10 −3 m 3 = −87,993 Pa ⋅ m 3 = −87,993 J ≈ -88 J .

b)
V1 m V 4,50 g 16,0 L .
wexp = −nRT ln = − RT ln 1 = − × 8,31447 J ⋅ mol −1 ⋅ K −1 × 310 K × ln = −167,00 J
V0 M V0 16,0426 g ⋅ mol -1 12,7 L

TERMOQUÍMICA
A termoquímica é o estudo do calor produzido ou consumido nas reações químicas. É um ramo da termodinâmica, pois o
vaso da reação e seu conteúdo constituem um sistema e as reações químicas provocam troca de energia entre o sistema e a
vizinhança.
Dessa forma, podemos utilizar a calorimetria para medir o calor produzido ou absorvido numa reação e identificar q à
variação de energia interna (se a reação ocorrer a volume constante) ou à variação de entalpia (se a reação ocorrer a pressão
constante).
De maneira inversa, se conhecermos ∆U e ∆H para certa reação, é possível calcular a quantidade de calor que a reação
poderá produzir ou absorver.

Aplicação do Primeiro Princípio da Termodinâmica a Reações Químicas (Calor


de Reação)
Se uma reação química se dá num sistema, a temperatura do sistema imediatamente depois da reação é, em geral, diferente
da temperatura imediatamente antes. Para restaurar o sistema à sua temperatura inicial, é preciso haver um escoamento de calor, seja
para as vizinhanças ou a partir delas.
Se o sistema estiver mais quente depois da reação do que antes, precisará escoar calor para as vizinhanças com o objetivo
de restaurar o sistema à sua temperatura inicial. Nesse caso a reação é exotérmica e, pela convenção para o calor, o calor da reação é
negativo.

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Se o sistema estiver mais frio depois da reação do que antes, precisará escoar calor a partir das vizinhanças com o objetivo
de restaurar o sistema à sua temperatura inicial. Nesse caso a reação é endotérmica e o calor de reação é positivo.

O calor de uma reação é o calor extraído/fornecido das vizinhanças numa transformação dos reagentes, a T e P ,
para os produtos com as mesmas T e P .

No laboratório, a maioria das reações químicas são conduzidas a pressão constante; portanto o calor extraído/fornecido das
vizinhanças é igual à variação da entalpia do sistema.

Variações de Entalpia Padrão


As variações de entalpia são geralmente registradas para os processos que ocorrem em condições admitidas como padrões.
Na maior parte desta exposição consideraremos a variação de entalpia padrão, ∆H ο , isto é, a variação de entalpia num processo em
que as substâncias, nos estados inicial e final, estão nos respectivos estados padrões.

O estado padrão de uma substância, numa certa temperatura, é o da substância na sua forma pura sob pressão de
1 bar .

Por exemplo, o estado padrão do etanol, a 298 K , é o etanol líquido puro, a 298 K e 1 bar . O estado padrão do ferro sólido,
a 500 K , é o ferro puro, a 500 K , sob pressão de 1 bar .

A variação de entalpia padrão numa reação, ou num processo físico, é a diferença entre as entalpias dos produtos nos
respectivos estados padrões e a entalpia dos reagentes, também nos respectivos estados padrões, todos numa certa temperatura:

∆H o = H produtos
o
− H reagentes
o

Por exemplo, na reação


Fe2 O3 ( s ) + 3H 2 ( g ) → 2 Fe( s ) + 3H 2 O(l )
os estados inicial e final são:

Estado Inicial Estado Final


T, P T, P
1 mol Fe2 O3 ( s) 2 mol Fe( s )
3 mol H 2 ( g ) 3 mol H 2 O (l )

Como os estados de agregação de cada substância devem ser especificados, as letras s , l e g aparecem entre parênteses
depois das fórmulas das substâncias. Suponhamos que uma mudança de estado ocorresse em duas etapas distintas.

Na primeira etapa, os reagentes a T e P são transformados adiabaticamente nos produtos a T ' e P .

Fe2 O3 ( s ) + 3H 2 ( g ) 2 Fe( s ) + 3 H 2 O (l )
T, P T', P

Como a pressão permaneceu constante, ∆H = QP , mas como a primeira etapa é adiabática, (QP )1 = 0 e,
conseqüentemente, ∆H 1 = 0 .

Na segunda etapa, o sistema é colocado num reservatório de calor à temperatura inicial T . O calor escoa para o reservatório
ou do reservatório à medida que os produtos da reação retornam à temperatura inicial.

2 Fe( s ) + 3 H 2 O (l ) 2 Fe( s ) + 3 H 2 O (l )
T', P T, P

para a qual ∆H 2 = QP . A soma das duas etapas é a mudança de estado global: Fe2 O3 ( s ) + 3H 2 ( g ) → 2 Fe( s ) + 3H 2 O(l ) e ∆H para a
reação global é a soma das variações de entalpia nas duas etapas: ∆H = ∆H 1 + ∆H 2 = 0 + QP = QP , sendo QP o calor de reação, isto
é, o aumento de entalpia do sistema resultante da reação química.

O aumento de entalpia de uma reação química pode ser encarado de um modo diferente. Numa dada temperatura e pressão,
a entalpia molar, H m , de cada substância tem um valor definido. Para qualquer reação, podemos escrever:
∆H = H m , final − H m , inicial

Mas a entalpia do estado final ou do estado inicial é a soma das entalpias das substâncias presentes no fim e no início. Dessa maneira,
no exemplo

H m , final = 2 H m ( Fe, s ) + 3 H m ( H 2 O, l ) ,
H m , inicial = H m ( Fe 2 O3 , s ) + 3 H m ( H 2 , g ) e
[ ] [
∆H m = 2 H m ( Fe, s ) + 3H m ( H 2 O, l ) − 2 H m ( Fe, s ) + 3H m ( H 2 O, l ) ]
Contudo, temos 4 variáveis para uma única equação... Como sair desse impasse é o que veremos na seqüência.

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Entalpia Padrão de Formação, ∆f Ho

A entalpia padrão de formação, ∆ H o , de uma substância é a entalpia padrão da reação de formação de 1 mol do
f

composto a partir dos respectivos elementos, cada qual no seu estado de referência.

Entende-se por estado de referência de um elemento o seu estado mais estável, numa certa temperatura, sob pressão de
1 bar . Assim, temos que o estado de referência do nitrogênio a 298 K , é o de um gás de moléculas N 2 ; o do mercúrio é o de um
líquido e o do sódio é o de um sólido.

Para representar a equação química da entalpia de formação de um certo composto, como por exemplo o benzeno líquido,
basta colocar os elementos formadores do produto (benzeno) nos reagentes nos seus estados de referência e o composto nos
produtos:

6 C ( s, grafita) + 3 H 2 ( g ) → C 6 H 6 (l )
∆ f H o = H Po − H Ro
∆ f H o = H o (C 6 H 6 , l ) − [3H o ( H 2 , g ) + 6 H o (C , s, grafita)]
∆ f H o = H o (C 6 H 6 , l ) − 0
∆ f H o = H o (C 6 H 6 , l )

Os elementos nos seus estados de referência têm entalpia igual a zero, em qualquer temperatura, como se observa na
equação termoquímica acima. Observe que a variação de entalpia de formação, ∆ H o , corresponde exatamente à entalpia da
f

substância, H o .

A tabela abaixo mostra alguns valores de entalpia de formação de algumas substâncias a 298 K :

Substância ∆ f H o /( kJ ⋅ mol −1 ) , 298 K


H 2 O (l ) -285,83
NH 3 ( g ) -46,11
NO 2 ( g ) +33,18
NaCl (s ) -411,15
H 2 O2 (l ) -187,78
N 2 H 4 (l ) +50,63
N 2 O4 ( g ) +9,16
KCl (s ) -436,75
C6 H 6 (l ) +49,0
C2 H 6 ( g ) -84,7
C 6 H 12 O6 ( s ) -1274
CH 4 ( g ) -74,8
CH 4 O (l ) -238,7

Entalpia Padrão de Combustão, ∆c H o

A entalpia padrão de combustão, ∆ c H o , é a entalpia padrão de reação da oxidação completa de 1 mol de um composto
orgânico formando CO 2 ( g ) e H 2 O (l ) , se o composto contiver exclusivamente C , H e O , e também N 2 ( g ) , se o N estiver presente
no composto.

A representação de uma equação que descreve a entalpia de combustão está mostrada abaixo:

C6 H 12 O6 ( s ) + 6O2 ( g ) → 6CO2 ( g ) + 6 H 2 O(l )


∆ c H o = −2808 kJ ⋅ mol −1

A tabela abaixo mostra alguns valores de entalpia de combustão de algumas substâncias a 298 K :

Substância ∆ c H o /(kJ ⋅ mol −1 ) , 298 K


C6 H 6 (l ) -3268
C2 H 6 ( g ) -1560
C 6 H 12 O6 ( s ) -2808
CH 4 ( g ) -890
CH 4 O (l ) -726

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Lei de Hess
Aplicando-se a 1ª. Lei da Termodinâmica é possível combinarmos as entalpias padrões de várias reações para se ter a
entalpia de outra reação. A esse procedimento dá-se o nome de lei de Hess, que dita:

A entalpia padrão de uma reação é igual à soma das entalpias padrões das reações parciais em que a reação possa ser
dividida.

As reações parciais não são, necessariamente, realizáveis na prática. Para o cálculo, elas podem ser reações hipotéticas; a
única exigência que se faz é a de as equações químicas estarem equilibradas.

A base termodinâmica da lei de Hess é a independência de ∆ r H o em relação ao processo. Por isso, podemos partir dos
reagentes especificados, passar por quaisquer reações (algumas até hipotéticas), até chegar aos produtos especificados e, no total, ter
o mesmo valor da variação de entalpia. Observe as duas seqüências abaixo para se chegar à entalpia de formação do cloreto de sódio
sólido:

1º. Procedimento
Na(s) + H 2 O(l) → NaOH(s) + 1 / 2 H 2 (g) ∆H o = −139,78 kJ ⋅ mol −1
1
/ 2 H 2 (g) + / 2 Cl 2 (g) → HCl (g)
1
∆H o = −92,31 kJ ⋅ mol −1
HCl ( g ) + NaOH ( s) → NaCl ( s) + H 2 O(l ) ∆H o = −179,06 kJ ⋅ mol −1
Na ( s) +1 / 2 Cl 2 (g) → NaCl(s) ∆H o = −411,15 kJ ⋅ mol −1

2º. Procedimento
1
/ 2 H 2 (g) + 1 / 2 Cl 2 (g) → HCl (g) ∆H o = −92,31 kJ ⋅ mol −1
Na ( s) + HCl ( g ) → NaCl ( s) + / 2 H 2 (g)
1
∆H o = −318,84 kJ ⋅ mol −1
Na ( s) + / 2 Cl 2 (g) → NaCl(s)
1
∆H o = −411,15 kJ ⋅ mol −1

A importância da lei de Hess está na possibilidade de se ter uma informação sobre certa reação, que pode ser difícil de
conseguir diretamente, através de informações obtidas em outras reações.

ATIVIDADES (A)
61
61. ( ) Calcule a entalpia padrão de formação do NOCl (g ) a partir da entalpia de formação do NO ( + 90,25 kJ ⋅ mol −1 ) e
aproveitando a seguinte informação:
2 NOCl ( g ) → 2 NO( g ) + Cl 2 ( g ) ∆ r H o = +75,5 kJ ⋅ mol −1

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 61
Dados:
−1
∆ f H o ( NOCl, g ) = ??? : ∆ f H o ( NO, g ) = +90,25 kJ ⋅ mol −1 ; 2 NOCl ( g ) → 2 NO( g ) + Cl 2 ( g ) ∆ r H = +75,5 kJ ⋅ mol
o

Equações:
∆H o = H oprodutos − H reagentes
o

Cálculos:
∆H o = 2 × H o ( NO, g ) + H o (Cl 2 , g ) − 2 × H o ( NOCl, g )
+ 75,5 kJ ⋅ mol −1 = 2 × ( +90,25 kJ ⋅ mol −1 ) + 0 − 2 × H o ( NOCl, g )
+ 75,5 kJ ⋅ mol −1 − 180,50 kJ ⋅ mol −1 = −2 × H o ( NOCl, g )
− 105,00 kJ ⋅ mol −1
= H o ( NOCl, g ) = +52,5 kJ ⋅ mol −1 = ∆ f H o ( NOCl, g )
−2
62
62. ( ) A entalpia padrão de combustão da grafita é − 393,5 kJ ⋅ mol −1 e a do diamante é − 395,4 kJ ⋅ mol −1 . Calcule a entalpia de
transição grafita  diamante.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 62
Dados:
∆ c H o (C, grafita, s) = −393,5 kJ ⋅ mol −1 : ∆ c H o (C, diamante, s) = −395,4 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ trs H o (C, grafita, s → C, diamante, s) = ???

Equações:
Lei de Hess

Cálculos:
O primeiro passo na resolução desse problema é escrever as equações de combustão da grafita e do diamante:
• C grafita (s) + O2 ( g ) → CO2 ( g ) ∆ c H o = −393,5 kJ ⋅ mol −1
• Cdiamante (s) + O2 ( g ) → CO2 ( g ) ∆ c H o = −395,4 kJ ⋅ mol −1
Agora, deve escrever a equação balanceada que deseja obter:

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• C grafita (s) → C diamante (s) ∆ trs H o = ???


Vê-se, portanto, que o carbono grafita deve ser reagente e por isso, manteremos a 1ª equação. Mas o carbono diamante deve ser
produto e a 2ª equação deve ser invertida.
• C grafita (s) + O2 ( g ) → CO2 ( g ) ∆ c H o = −393,5 kJ ⋅ mol −1
• CO2 ( g ) → Cdiamante ( s) + O2 ( g ) ∆ c H o = +395,4 kJ ⋅ mol −1
Basta somar as duas equações:
• C (s) → C (s) ∆ trs H o = +1,9 kJ ⋅ mol −1
grafita diamante

63
63. ( ) A entalpia padrão de reação para a hidrogenação do propeno, CH 2 = CHCH 3 ( g ) + H 2 ( g ) → CH 3CH 2 CH 3 ( g ) , é
− 124 kJ ⋅ mol −1 . A entalpia padrão de reação para a combustão do propano, CH 3 CH 2 CH 3 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4 H 2 O(l ) , é
− 2220 kJ ⋅ mol −1 . Calcule a entalpia padrão da combustão do propeno. Dado: ∆ f H 0 ( H 2 O, l ) = −285,83 kJ ⋅ mol −1 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 63
Dados:
CH 2 = CHCH 3 ( g ) + H 2 ( g ) → CH 3CH 2 CH 3 ( g ) ∆H o = −124 kJ ⋅ mol −1 ;
CH 3 CH 2 CH 3 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4 H 2 O(l ) ∆H o = −2220 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ c H o ( propeno, g ) = ???: ∆ f H o ( H 2 O, l ) = −285,83 kJ ⋅ mol −1

Equações:
Lei de Hess

Cálculos:
O primeiro passo na resolução desse problema é escrever as equações apresentadas:
• CH 2 = CHCH 3 ( g ) + H 2 ( g ) → CH 3CH 2 CH 3 ( g ) ∆H o = −124 kJ ⋅ mol −1
• CH 3 CH 2 CH 3 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4 H 2 O(l ) ∆H o = −2220 kJ ⋅ mol −1
• H 2 ( g ) + 1 2 O2 ( g ) → H 2 O(l ) ∆ f H = −285,83 kJ ⋅ mol −1
o

Agora, deve escrever a equação balanceada que deseja obter:


• CH 2 = CHCH3 ( g ) + 9 2 O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 3H 2 O(l ) ∆ r H o = ???
Organizar as equações iniciais de acordo com a equação que se deseja obter:
• CH 2 = CHCH 3 ( g ) + H 2 ( g ) → CH 3CH 2 CH 3 ( g ) ∆H o = −124 kJ ⋅ mol −1
• CH 3 CH 2 CH 3 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4 H 2 O(l ) ∆H o = −2220 kJ ⋅ mol −1
• H 2 O(l ) → H 2 ( g ) + 1 2 O2 ( g ) ∆ f H o = +285,83 kJ ⋅ mol −1
Basta somar as equações:
• CH 2 = CHCH3 ( g ) + 9 2 O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 3H 2 O(l ) ∆ r H o = −2058,17 kJ ⋅ mol −1

64
64. ( ) A partir dos dados que são apresentados a seguir, determine a ∆ f H o do diborano, B2 H 6 ( g ) , a 298 K .
(1) B2 H 6 (g) + 3O 2 (g) → B 2 O 3 (s) + 3H 2 O(g) ∆ r H o = −1941 kJ ⋅ mol −1
( 2) 2 B(s) + 3 / 2 O 2 (g) → B 2 O 3 (s) ∆ r H o = −2368 kJ ⋅ mol −1
(3) H 2 (g) + / 2 O 2 (g) → H 2 O(g)
1
∆ r H o = −241,8 kJ ⋅ mol −1

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 64
Dados:
(1) B2 H 6 (g) + 3O 2 (g) → B 2 O 3 (s) + 3H 2 O(g) ∆ r H o = −1941 kJ ⋅ mol −1
(2) 2 B (s) + 3 / 2 O 2 (g) → B 2 O 3 (s) ∆ r H o = −2368 kJ ⋅ mol −1
(3) H 2 (g) +1 / 2 O 2 (g) → H 2 O(g) ∆ r H o = −241,8 kJ ⋅ mol −1

Equações:
Lei de Hess

Cálculos:
Deve-se escrever a equação balanceada que deseja obter:
• 2 B(s) + 3H 2 (g) → B 2 H 6 (g) ∆ f H o = ???

Organizar as equações iniciais de acordo com a equação que se deseja obter:


• B 2 O 3 (s) + 3H 2 O(g) → B2 H 6 (g) + 3O 2 (g) ∆H o = +1941 kJ ⋅ mol −1
• 2B(s) + 3 2 O 2 (g) → B 2 O 3 (s) ∆H o = −2368 kJ ⋅ mol −1
• 3H 2 ( g ) + 3
2 O2 ( g ) → 3 H 2 O ( g ) ∆H o = −725,4 kJ ⋅ mol −1

Basta somar as equações:


• 2 B(s) + 3H 2 (g) → B 2 H 6 (g) ∆ f H o = −1152,4 kJ ⋅ mol −1

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DEPENDÊNCIA DO CALOR DE REAÇÃO COM A TEMPERATURA


Se conhecermos o valor do ∆H o para uma reação a uma dada temperatura, digamos a 25o C , então podemos calcular o
calor de reação em qualquer outra temperatura, se as capacidades caloríficas de todas as substâncias tomando parte na reação forem
conhecidas, uma vez que dH o = C P0 dT .
Vimos que o ∆H o de qualquer reação é dado pela expressão ∆H o = H o
produtos − H reagentes
o .
Para encontrar a dependência dessa quantidade com a temperatura, derivamos relativamente à temperatura:
d∆H o dH produtos dH reagentes
o o

= −
dT dT dT
o
Mas como dH o = C P0 dT , temos que dH = C 0 e, por substituição:
P
dT
d∆H o
= C Po ( produtos) − C Po ( reagentes) = ∆C Po ⇒
dT
d∆H o = ∆C Po dT
Integrando entre uma temperatura fixa T0 e qualquer outra temperatura T , obtemos:

( )
T T T

∫ d∆H = ∫ ∆C Po dT ⇒ ∆H o |TT0 = ∫ ∆C Po dT ⇒
o

T0 T0 T0
T T
∆H − ∆H
o
T
o
T0 = ∫ ∆C dT ⇒ ∆H = ∆H To0 + ∫ ∆C Po dT
o
P
o
T
T0 T0

O valor de ∆C P0 é calculado a partir das capacidades caloríficas individuais, de maneira semelhante ao modo como se
calcula o ∆H 0 .

Exemplo
Calcule o ∆H 0 a 85o C para a reação:

Fe2 O3 ( s) + 3H 2 ( g ) → 2 Fe( s) + 3H 2 O(l )

Sabendo que, a 298 K :

Substância ∆ f H 0 / kJ ⋅ mol −1 C po ,m / J ⋅ K −1 ⋅ mol −1


Fe2 O3 ( s ) -824,2 103,85
H 2 (g) 0 28,824
Fe( s ) 0 25,10
H 2 O( g ) -285,83 75,291

Considere que no intervalo de temperatura dado, as capacidades caloríficas de todas as substâncias são constantes.

1º.  Determinar o ∆H 0 a 298 K , aplicando a expressão geral com aplicação das ∆ H 0 .


f

∆H 298
0
=
3 × ∆ f H 298
0
( H 2 O, l ) + 2 × ∆ f H 298
0
[
( Fe, s ) − ∆ f H 298
0
( Fe 2 O3 , s ) + 3 × ∆ f H 298
0
(H 2 , g ) ]
∆H 0
298 = {3 × ( −285,83) + 2 × (0) − [− 824,2 + 3 × 0]}kJ ⋅ mol −1
= −33,29 kJ ⋅ mol −1

2º. Determinar o ∆C P0 .

∆C P0 =
[
3 × ∆C P0 ( H 2 O, l ) + 2 × ∆C P0 ( Fe, s) − ∆C P0 ( Fe2 O3 , s) + 3 × ∆C P0 ( H 2 , g ) ]
∆C P0 = {3 × (75,291) + 2 × (25,10) − [103,85 + 3 × 28,824]}J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
∆C P0 = 85,751 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1

3º. Determinar o ∆T .

∆T = 358 K − 298 K = 60 K

4º. Efetuar o cálculo, por substituição na expressão.

358
∆H 358
o
= ∆H 298
o
+ ∫ ∆C Po dT
298

∆H 358
o
(
= −33,29 kJ ⋅ mol −1 + 85,751 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 60 K )
−1
∆H o
358 = −28,145 kJ ⋅ mol

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ATIVIDADES (B)
65
65. ( ) A entalpia padrão de formação do etil-benzeno, C8 H 10 , é − 12,5 kJ ⋅ mol −1 . Calcule a entalpia padrão de combustão. Dados:
∆ f H 0 ( H 2 O, l ) = −285,83 kJ ⋅ mol −1 e ∆ f H 0 (CO2 , g ) = −393,51 kJ ⋅ mol −1 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 65
Dados:
∆ f H o (C8 H10 ) = −12,5 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ f H o ( H 2 O, l ) = −285,83 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ f H o (CO2 , g ) = −393,51 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ c H o (C8 H10 ) = ???

Equações:
Lei de Hess

Cálculos:

A primeira coisa a se fazer é escrever as equações que representam os processos de formação descritos:
8C ( grafita, s) + 5H 2 ( g ) → C8 H 10 ∆ f H o = −12,5 kJ ⋅ mol −1
H 2 ( g ) + 1 2 O2 ( g ) → H 2 O(l ) ∆ f H o = −285,83 kJ ⋅ mol −1
C ( grafita, s) + O2 ( g ) → CO2 ( g ) ∆ f H o = −393,51 kJ ⋅ mol −1

Depois, escreve-se a equação que representa o que se deseja obter:


C8 H10 + 212 O2 ( g ) → 8CO2 ( g ) + 5H 2 O(l ) ∆ c H o = ???

Agora, readaptar as primeiras equações no intuito de se obter a última:


C8 H 10 → 8C ( grafita, s) + 5H 2 ( g ) ∆ f H o = +12,5 kJ ⋅ mol −1
5H 2 ( g ) + 5 2 O2 ( g ) → 5H 2 O(l ) ∆ f H o = −1429,15 kJ ⋅ mol −1
8C ( grafita, s) + 8O2 ( g ) → 8CO2 ( g ) ∆ f H o = −3148,08 kJ ⋅ mol −1
C8 H 10 + 21 2 O2 ( g ) → 8CO2 ( g ) + 5H 2 O(l ) ∆ f H o = −4564,73 kJ ⋅ mol −1

66
66. ( ) Calcule a entalpia padrão de hidrogenação do hex-1-eno, C 6 H 12 , formando hexano, C 6 H 14 , sabendo que a entalpia padrão
de combustão do hex-1-eno é − 4003 kJ ⋅ mol −1 , a entalpia padrão de combustão de hexano é − 4163 kJ ⋅ mol −1 e a entalpia de
formação da água líquida é − 285,83 kJ ⋅ mol −1 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 66
Dados:
∆ c H o (C6 H12 ) = −4003 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ c H o (C6 H14 ) = −4163 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ f H o ( H 2 O, l ) = −285,83 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ hidrogenação H o (C 6 H 12 ) = ???

Equações:
Lei de Hess

Cálculos:
Escrever as equações que representam os processos de combustão e de formação descritos:
C 6 H 12 + 9O2 ( g ) → 6CO2(g) + 6 H 2 O(l) ∆ c H o = −4003 kJ ⋅ mol −1
C 6 H 14 + 19 2 O2 ( g ) → 6CO2(g) + 7 H 2 O(l) ∆ c H o = −4163 kJ ⋅ mol −1
H 2 ( g ) + 1 2 O2 ( g ) → H 2 O(l ) ∆ f H o = −285,83 kJ ⋅ mol −1

Escrever a equação que representa o que se deseja obter:


C6 H 12 + H 2 ( g ) → C6 H 14 (l ) ∆ hidrogenação H o = ???

Agora, readaptar as primeiras equações no intuito de se obter a última:


C6 H 12 + 9O2 ( g ) → 6CO2(g) + 6 H 2 O(l) ∆ c H o = −4003 kJ ⋅ mol −1
6CO2(g) + 7 H 2 O(l) → C6 H 14 + 19 2 O2 ( g ) ∆ c H o = +4163 kJ ⋅ mol −1
H 2 ( g ) + 1 2 O2 ( g ) → H 2 O(l ) ∆ f H o = −285,83 kJ ⋅ mol −1
C6 H 12 + H 2 ( g ) → C6 H 14 ∆ hidrogenação H o = −125,83 kJ ⋅ mol −1

67
67. ( ) A entalpia padrão de formação do acetato de metila C3 H 6 O2 (l ) a 298 K é igual a − 442 kJ ⋅ mol −1 . Calcule a energia
interna padrão de formação do acetato de metila líquido.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 67
Dados:
∆ f H o (C3 H 6 O2 , l ) = −442 kJ ⋅ mol −1 : ∆ f U o = ???

Química Não se Decora, Compreende! - 41


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Equações:
∆H = ∆U + P∆V

Cálculos:

Escrever a equação de formação do acetato de metila líquido:


3C ( grafita, s) + 3H 2 ( g ) + O2 ( g ) → C3 H 6 O2 (l ) ∆ f H o = −442 kJ ⋅ mol −1

Verifica-se, observando a estequiometria da reação, que a quantidade de matéria total de gases reagentes é de 4 mol. Após a reação
esse volume vai a zero, portanto, ∆n = (0 − 4) mol = −4 mol .

Agora, por substituição, determina-se ∆ U o :


f

∆ f H o = ∆ f U o + P∆V
∆ f U o = ∆ f H o − P∆V
∆nRT
∆ f U o = −442 kJ ⋅ mol −1 − P
P
∆ f U o = −442 kJ ⋅ mol −1 − ∆nRT = −442 kJ ⋅ mol −1 − (−4 mol × 8,31447 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 298 K ) = −442 kJ ⋅ mol −1 − (−9910,85 J ) = −432,09 kJ ⋅ mol −1

68
68. ( ) Quando se queimam 120 mg de naftaleno, C10 H 8 (s ) , numa bomba calorimétrica, a temperatura se eleva de 3,05 K . (a)
Calcule a constante do calorímetro, a pressão constante, sabendo que ∆ c H 0 (C10 H 8 , s ) = −5157 kJ ⋅ mol −1 . (b) De quanto a
temperatura se elevará na combustão de 100 mg de fenol, C6 H 5OH ( s ) , no mesmo calorímetro e nas mesmas condições?
−1
∆ c H 0 (C 6 H 5 OH , s ) = −3054 kJ ⋅ mol −1 . Para esta questão considere as massas molares em g ⋅ mol : C = 12,011 ; H = 1,0079 e
O = 15,999 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 68
Dados:
m(C10 H 8 , g ) = 120 mg : ∆T = 3,05 K ; C P = ??? ; ∆ c H o (C10 H 8 , g ) = −5157 kJ ⋅ mol −1 ; ∆T = ???(combustão de 100mg C 6 H 5OH , s ) ;
−1
∆ c H (C6 H 5OH , s) = −3054 kJ ⋅ mol
o

Equações:
m ; q = ∆H = C ∆T
n= P P
M

Cálculos:

a)
m(C10 H 8 , g ) 120 mg
n(C10 H 8 , g ) = = = 9,36.10 −4 mol
M (C10 H 8 , g ) 128,1732 g ⋅ mol −1

Se quando 1 mol de naftaleno queimam, há liberação de 5157 kJ de energia na forma de calor, 9,36.10 −4 mol de naftaleno hão de
liberar:
1 mol(C10 H 8 , g ) − − − − − − − −5157 kJ
9,36.10 −4 mol(C10 H 8 , g ) − − − X
X = 4,827 kJ

Para essa liberação de calor, 4,827 kJ , a temperatura do calorímetro variou 3,05 K , assim:
∆H 4,827 kJ
∆H = C P ∆T ⇒ C P = = = 1,583 kJ ⋅ K −1
∆T 3,05 K

b)
m(C6 H 5OH , s) 100 mg
n(C6 H 5 OH , s) = = = 1,063.10 −3 mol
M (C 6 H 5 OH , s) 94,1124 g ⋅ mol −1

Se quando 1 mol de fenol queimam, há liberação de 3054 kJ de energia na forma de calor, 1,063.10 −3 mol de fenol hão de liberar:
1 mol(C 6 H 5 OH , s ) − − − − − − − −3054 kJ
1,063.10 −3 mol(C 6 H 5 OH , s) − − − X
X = 3,245 kJ

∆H 3,245 kJ
∆H = C P ∆T ⇒ ∆T = = = 2,05 K
C P 1,583 KJ ⋅ K −1

Química Não se Decora, Compreende! - 42


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69
69. ( ) A entalpia padrão de combustão do propano gasoso a 25o C é − 2220 kJ ⋅ mol −1 e a entalpia padrão de vaporização do
propano líquido é + 15 kJ ⋅ mol −1 . Calcule (a) a entalpia padrão e (b) a energia interna padrão da combustão do propano líquido.

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 69
Dados:
∆ c H o (C3 H 8 , g ) = −2220 kJ ⋅ mol −1 : ∆ vap H o (C3 H 8 , l ) = +15 kJ ⋅ mol −1 ; ∆ c H o (C3 H 8 , l ) = ???; ∆ cU o (C3 H 8 , l ) = ???

Equações:
Lei de Hess; ∆H = ∆U + P∆V

Cálculos:
a)
1º - Escrever as equações de combustão e de vaporização do propano:
C3 H 8 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4H 2 O(l ) ∆ c H o = −2220 kJ ⋅ mol −1
C3 H 8 (l ) → C3 H 8 ( g ) ∆ vap H o = +15 kJ ⋅ mol −1
2º - Escrever a equação que se deseja obter:
C3 H 8 (l ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4H 2 O(l ) ∆ c H o = ???
3º - Alterar as primeiras equações para se obter a última:
C3 H 8 ( g ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4H 2 O(l ) ∆ c H o = −2220 kJ ⋅ mol −1
C3 H 8 (l ) → C3 H 8 ( g ) ∆ vap H o = +15 kJ ⋅ mol −1
C3 H 8 (l ) + 5O2 ( g ) → 3CO2 ( g ) + 4H 2 O(l ) ∆ c H o = −2205 kJ ⋅ mol −1
b)
∆ c H o = ∆ cU o + P∆V ⇒ ∆ cU o = ∆ c H o − P∆V ⇒ ∆ cU o = −2205 kJ ⋅ mol −1 − [(7 − 5)mol × 8,31447 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 298,15 K ] = −2200 kJ ⋅ mol −1
Ver comentários da questão 67 (pág. 41).

70
70. ( ) Dadas as reações (1) e (2) que vêm a seguir, determine (a) ∆ r H 0 e ∆ rU 0 para a reação (3) e (b) ∆ f H 0 do HCl (g ) e da
H 2 O( g ) , ambos a 298 K . Admita que todos os gases sejam perfeitos.
(1) H 2 ( g ) + Cl 2 ( g ) → 2 HCl ( g ) ∆ r H o = −184,62 kJ ⋅ mol −1
(2) 2 H 2 ( g ) + O2 ( g ) → 2 H 2 O ( g ) ∆ r H o = −483,64 kJ ⋅ mol −1
(3) 4 HCl ( g ) + O2 ( g ) → 2Cl 2 ( g ) + 2 H 2 O ( g )

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 70
Dados:
∆ r H o = ??? ; ∆ rU o = ???

Equações:
Lei de Hess; ∆H = ∆U + P∆V ; ∆H = H
produto − H reagente

Cálculos:
a)
Alterar as primeiras equações para se obter a última:
4 HCl ( g ) → 2H 2 ( g ) + 2Cl2 ( g ) ∆ r H o = +369,24 kJ ⋅ mol −1
2 H 2(g) + O2 ( g ) → 2 H 2 O( g ) ∆ r H o = −483,64 kJ ⋅ mol −1
4 HCl ( g ) + O2 ( g ) → 2Cl 2 ( g ) + 2 H 2 O( g ) ∆ r H o = −114,40 kJ ⋅ mol −1

∆ c H o = ∆ cU o + P∆V ⇒ ∆ cU o = ∆ c H o − P∆V ⇒ ∆ cU o = −114,40 kJ ⋅ mol −1 − [(4 − 5)mol × 8,31447 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 298 K ] = −111.92 kJ ⋅ mol −1
Ver comentários da questão 67 (pág. 41).

b)
∆ r H o = 2 × ∆ f H o ( HCl, g ) − [∆ f H o ( H 2 , g ) + ∆ f H o (Cl2 , g )]
− 184,62 kJ ⋅ mol −1 = 2 × ∆ f H o ( HCl, g ) − [0 + 0]
− 184,62 kJ ⋅ mol −1
= ∆ f H o ( HCl, g )
2
− 92,31 kJ ⋅ mol −1 = ∆ f H o ( HCl, g ) = H o ( HCl, g )

∆ r H o = 2 × ∆ f H o ( H 2 O, g ) − [2 × ∆ f H o ( H 2 , g ) + ∆ f H o (O2 , g )]
− 483,64 kJ ⋅ mol −1 = 2 × ∆ f H o ( H 2 O, g ) − [2 × 0 + 0]
− 483,64 kJ ⋅ mol −1
= ∆ f H o ( H 2 O, g )
2
− 241,82 kJ ⋅ mol −1 = ∆ f H o ( H 2 O, g ) = H o ( H 2 O, g )

Química Não se Decora, Compreende! - 43


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71
71. ( ) Para a reação 2C 2 H 5 OH (l ) + 3O2 ( g ) → 2CO2 ( g ) + 3H 2 O( g ) , ∆ rU 0 = −1373 kJ ⋅ mol −1 , a 298 K . Calcule ∆ r H 0 .

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 71
Dados:
∆ rU o
= − 1373 kJmol ; ∆ r H o = ???
Equações:
∆H = ∆U + P∆V
Cálculos:
∆ r H o = ∆ rU o + P∆V ⇒ ∆ rU o = −1373 kJ ⋅ mol −1 + [(5 − 3)mol × 8,31447 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 298 K ] = −1368 kJ ⋅ mol −1
Ver comentários da questão 67 (pág. 41).

72
72. ( ) Estime a entalpia padrão da reação 2 NO2 ( g ) → N 2 O4 ( g ) , a 100 o C , a partir do seu valor a 25 o C , conhecendo-se os
valores da tabela abaixo, a 25 o C :
Substância ∆ f H 0 / kJ ⋅ mol −1 C po ,m / J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
NO2 ( g ) 33,18 37,20
N 2 O4 ( g ) 9,16 77,28

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 72
Dados:
2 NO2 ( g ) → N 2 O4 ( g )
Substância ∆ f H 0 / kJ ⋅ mol −1 C po ,m / J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
NO2 ( g ) 33,18 37,20
N 2 O4 ( g ) 9,16 77,28

Equações:
∆H To1 = ∆H To0 + ∆C Po ∆T
Cálculos:
∆H 373
o
= ∆H 298
o
+ ∆C Po ∆T
⇒ ∆H 298
o
= H produtos
o
− H reagentes
o
= H o ( N 2 O4 , g ) − [2 × H o ( NO2 , g )] = (9,16 − 2 × 33,18) kJ ⋅ mol −1 = −57,2 kJ ⋅ mol −1
⇒ ∆C Po = C Po (Pr odutos) − C Po (Re agentes) = C Po ( N 2 O4 , g ) − [2 × C Po ( NO2 , g )] = (77,28 − 2 × 37,20) J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 = 2,88 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
⇒ ∆T = (373 − 298) K = 75 K
∆H 373
o
( )
= −57,2 kJ ⋅ mol −1 + 2,88 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 75 K = −56,98 kJ ⋅ mol −1

73
73. ( ) Estime a entalpia padrão da reação 2H 2 ( g ) + O2 ( g ) → 2 H 2 O(l ) , a 100 o C , a partir do seu valor a 25 o C , conhecendo-se os
valores da tabela abaixo, a 25 o C :
Substância ∆ f H 0 / kJ ⋅ mol −1 C po ,m / J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
H 2 (g) 0 28,824
O2 ( g ) 0 29,355
H 2O(l ) -285,83 75,291

RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 73
Dados:
2H 2 ( g ) + O2 ( g ) → 2 H 2 O(l )
Substância ∆ f H 0 / kJ ⋅ mol −1 C po ,m / J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
H 2 (g) 0 28,824
O2 ( g ) 0 29,355
H 2O(l ) -285,83 75,291

Equações:
∆H To1 = ∆H To0 + ∆C Po ∆T

Cálculos:
∆H 373
o
= ∆H 298
o
+ ∆C Po ∆T
⇒ ∆H 298
o
= H oprodutos − H reagentes
o
= 2 × H o ( H 2 O, l ) − [2 × H o ( H 2 , g ) + H o (O2 , g )] = [2 × (−285,83) − (2 × 0 + 0)] kJ ⋅ mol −1 = −571,66 kJ ⋅ mol −1
⇒ ∆C Po = C Po (Pr odutos) − C Po (Re agentes) = 2 × C Po ( H 2 O, l ) − [2 × C Po ( H 2 , g ) + C Po ( H 2 , g )] = [2 × 75,291 − (2 × 28,824 + 29,355)] J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 ⇒
∆C Po = 63,579 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1
⇒ ∆T = (373 − 298) K = 75 K
∆H 373
o
( )
= −571,66 kJ ⋅ mol −1 + 63,579 J ⋅ K −1 ⋅ mol −1 × 75 K = −566,9 kJ ⋅ mol −1

Química Não se Decora, Compreende! - 44

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