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L ição 9

E ST R A T IF IC A Ç Ã O S O C IA L E D IR E IT O

SUMÁRIO: I. Introdução - 2. Perspectivas so cioló gicas dc análise das


classes sociais: 2.1 Abordagem qualitativa e quantitativa: 2.2 Aborda­
gem objetiva c subjetiva; 2.3 Mem entos de definição da classe social
desigualdade, mobilidade, legitimação - 3. As classes sociais na pers­
pectiva da sociologia jurídica: 3.1 Direito moderno o ''neutralidade de
i lasse"; V2 Inleirsses <lr classe c fotmaçilo do J.islein:i juiítlico; 3.3
Classes sociais c aplicnçüo do direito.
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1. I N T R O D U Ç Ã O

No âm bito da sociologia o p ro b le m a das classes sòciais não £


analisado do ponto de vista político das d ou trinas sociais, m as do ponto
de vista objetivo-descritivo. Isto significa que os sociólo gos analisam
o fenflmeno evitand o tom ar um a posição em relação ito tema da “justiça
social” . Todos os sociólogos co n s ta ta m a existência de classes sociais
nas sociedades m odern as e an a lisam esta q u estão sob o prism a da
estratijlcação socinl. ,
O term o “estratificação” é utilizado na g eo lo g ia para indicar a
estrutura das rochas que são c o m p o sta s p o r d ive rsa s ò am àdas ou estra­
tos. As ciências sociais utilizam o te rm o m etafo rica m en te, para indicar
que a sociedade é dividida em vários grupos sociais, co nstatando -se um
fenômeno de superposição ou hie ra rqu iza ção dos m esm os.
O tema é de alta im p ortância para a so c iolo gia jurídica, que se
encontra em u m a situação paradoxal. P or um lado a sociologia mostrá
que, nas sociedades atuais, existem classes sociais e indica as grandes
diferenças entre elas. Por outro lado, o direito ign nra as classes sociais.
Não encon trarem os um a norm a penal que p una so m e n te os d esem p re­
gados, nem u m a norm a de direito civil que p e rm ita som e nte à classe
I I(t M A N IIA I. n r SO C IO I.O G IA JU R ÍD IC A

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nUícjia alia casar-se O direilo é, co m p oucas exceções, “neu tro ” . Con-
Mil( t!i Io d o s os indivídu os livres e iguais. A ssim sendo, a sociologia
n n í d h i deve ab o rd a r as seguintes questões:
•i) Por q u e o direito m o d e rn o n ão leva em consideração as classes
soe iais existentes?
b) C o m o incidem os interesses de ca d a classe para a formação
•iislftma jurídico?
i ) U u a l a i n l l u c n c i a da c l a s s e s o c i a l p a ia a a p l i c a ç ã o d o d ir cilo ?

Antes dc r e sp o n d e r a estas q uestões devem os apresentar, brevemen-


le. a p roblem ática socio ló g ic a da estratificação social.

2. P E R S P E C T IV A S S O C IO L Ó G IC A S D E A N Á L IS E D A S C L A S ­
SE S S O C IA IS
I
2.1 A b o r d a g e m q u a lita tiv a e q u a n tita tiv a

O prim eiro p r o b le m a da análise sociológica das classes sociais


rclere-sc ao n ú m e ro d e classes existentes ou, mais precisam ente, ao
critério que será ad o ta d o para identificá-las. Aqui existem duas tendên­
cias principais: a m a rx ista e a w eb eriana. ■
Q u e m se gu e a an á lise m arxista co n sid era que as classes resultam
das características do m o d o de p ro d u çã o pred o m in an te em cada socie­
dade. O m o d o de p r o d u ç ã o d efin e -se c o m o um sistem a social que
organiza a atividade e c o n ô m ic a, se g u n d o um d eterm in a d o m o d o de
distribuição dos m e io s e das p osições d e produção. O m a rx ism o afirma
que em cada m o d o de p ro d u çã o e n c o n tram -se duas classes principais:
os proprietários dos m e io s de p rodu çã o e os dem ais, ou seja, os por eles
ex plorados.
Os capitalistas são proprietários dos meios de pro d u çã o e do pro­
d uto final. O s o p erá rio s d etêm s o m e n te sua força de trabalho, sendo,
porém , do ponto d e vista jurídico, p le n am e n te livres e possuindo os
m e sm o s direitos q u e o s detentores dos meios de produção.
No feudalism o os c a m p o n e se s p o ssu ía m a terra, os instrum entos de
p roduçã o e inclusive o produto. D ev ia m entregar u m a parte deste último
ao proprietário d a terra, c o m o qual e ra m ligados p o r m últiplos laços e
obrig aç õ es dc o b e d iê n c ia pessoal. N a sociedade escravocrata conside-
rava-sc o escravo c o m o um objeto, privado de q u a l q u í r direito. A sua
força de trabalho e m e s m o a sua prole p ertencia ao senhor, que tinha a
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obrigação legal de sustentar o escravo, satisfazendo as sitas necessid a­


des vitais.
A ssim sendo, cada m odo d e p ro duçã o c a racteriza -se por relações
diferentes entre os m em bros da sociedade e influi sobre a form ação e
a atuação das classes sociais. Um capitalista atua de forma diferente^le
um senhor feudal ou de um escravocrata; um trabalhador assalariado
p o s s u i um stalus s o c i a l e j u r í d i c o r a d i c a l m e n t e d i f e r e n t e d o s e r v o
m edieval ou do escravo.

Para o s m a r x is t a s e x i s t e m n a s s o c i e d a d e s a tu a is d u a s c l a s s e s prin­
c ip ais: os capitalistas e os proletários. E sta s c l a s s e s resultam d a e s tr u ­
tura fundam ental do m odo de p ro d u ç ã o capitalista. C ritério de definição
é a relação de cada um a c o m os m eios d e produção. A queles que
possuem m eios de pro dução (os capitalistas) não só c o m p ra m a força
de trabalho dos d em ais e os e xplora m , m a s ta m b é m influenciam o
exercício do p oder político. A queles que não possue m meios de p ro d u ­
ção (os proletários) são subm e tidos à exp lo ra çã o e à d om inação. Outras
classes (co m o a pequen a bu rg u esia ) p o d e m existir, d e p e n d e n d o da
forma histórica concreta do capita lism o em c a d a país; estas classes não
são, porém , fund am entais para a evolu çã o social, q u e é considerada
com o p roduto da luta entre as classes principais. As classes intermédias
seguem, d e p e n d e n d o da situação, a o rien taçã o e os interesses de um a
das classes principais.'
O s sociólogos que s e g u em a linha de M ax W e b e r adm item , ao
contrário, a existência de u m a m ultidão de “e s ta m e n to s ” ou “g rupos de
status". N esta perspectiva é im p ó rta n te esp ec ifica r a localização do
indivíduo na estratificação social, se gun do critérios múltiplos. A ssim se
diferenciam os grupos sociais e m função de caractèrísticas com o: grau
de educação, nível de renda, tipo de profissão, religião, espaço de
moradia (rural ou urbano), co m p o rta m e n to , prestígio e mentalidade.
C riam -se assim , variadas classificações, q u e p o d e m com preender
até mais de vinte c a m a d as sociais. Os dois principais critérios de defi­
nição dos diferentes grupos d e status são, se g u n d o W eber, as o p o rtu ­
nidades de vida (acesso a bens e serviços, isto é, ás possibilidades de
consum o) e o estilo de vida ( c o m p o rta m e n to , valores sociais e religio­
sos, aspirações) (Weber, 1991, pp. 199 e ss.; 1999, pp. 176 e ss.).

111 Para uma apresentação daperspectiva marxista, veja: Poutantzas, 1974; Balibar,
1985; Wright (org.), 1998; Milios, 2000; Dimoulis et ai., 2002, pp. 4-12.
A perspectiva w eb e rian a utiliza m últiplos critérios para definir a
lasse social. Bin últim a análise prevalece, porém , o critério da renda
tios indivíduos, j á q u e critérios c o m o a profissão, o nível educacional
c o prestígio social são estre ita m e n te relacion ados com a renda (Smaus,
pp. 2 0 0 - 2 1 3 ) .

A diferença está no fato de que os marxistas utilizam o critério


e c o n ô m ic o de form a qualitativa (posse ou não de meios de produção),
sendo 1111c os w eb e rian o s realizam um uso quantitativo (o nível da renda
iitfde a d ile rença d e classe). Pot isso, po dem o s d izer q u e existem duas
pim i ipais linhas de definição das classes sociais na sociologia: a pers­
pectiva qualitativa (m arxista) e a perspectiva quantitativa (weberiana).
Da perspectiva m arx ista resultam lo cuções da vida cotidiana corno
“classe o p e rá ria ” ou “ trab a lhado re s” ; da perspectiva w eberiana, termos
co m o “elasse.,média alta” c. “classe m édia b aix a” .

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2.2 A b o rd a g e m o b je tiv a e su b je tiv a

Um ulterior pro b lem a refère-se ao aspecto objetivo e subjetivo das


classes sociais. D e v e m o s ado tar u m critério objetivo para definir a
posição do indiv íd u o na sociedade, ou co n c en tra rm o -n o s na sua “co n s­
ciência de c lasse” (critério subjetivo)? Em outras palavras, devemos
c o nsiderar c o m o “ p ro letário ” todo aquele que vive v end endo a sua
íoiça de trabalho (e xe m plo: um pedreiro), ou som ente os m em bros da
classe operária que são con scie n tes d e sua posição de classe e lutam
co ntra a ex p lo ra çã o (exem plo: o m e talú rg ic o qu e p articipa no m ov i­
m ento sindicalista)?
O s partidários da prim eira ab o rd a g e m co nsid eram co m o decisiva a
posição do indiv íd u o na estrutura de pro dução, in d e p ende n tem en te do
que ele pensa e de c o m o ele age. R e sulta assim , um a definição objetiva-
econôm ica de classe.
A segu nda a b o rd a g e m constata que pessoas c o m posição econôm i­
ca sem elhan te ap re sen ta m grandes diferenças de estilo de vida e de
co m p o rtam e n to . U m proletário c o n s cie n te qu e atua e m sindicatos é, por
exem plo, to ta lm e n te diferente de um colega “alien a d o ”, que adota os
valores e as o piniões da classe d o m inante. A classe social deveria, então,
sei definida levando em c o n s id eraç ão as escolhas do indivíduo, ou seja,
a sua “consciência de c lasse” , qu e se ex p rim e no co m p o rtam e n to coti­
diano. P rivilegia-se assim u m a d efinição subjetiva-política da classe.
R S T R A T I F I C A Ç Ã O S O C I A L F. n t R P . l T O I7<)

Em geral, os sociólogos a d o tâm a perspectiva objetiva, co n s id e­


rando que a definição subjetiva é rele van te para à análise do c o m p o r ­
tamento político dos vários grupos sociais, tem a de interesse da ciência
política.
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2.3 Elem entos de definição d a classe social: d e siguald ad e, m obili­
dade, legitimação

T odos os sociólogos co n c o rd a m que, na m aior parte das sociedades


humanas, inclusive nas atuais, constata-se uma ev id ente desigualdade
social. Os indivíduos são distribuídos em diferentes grupos (cam adas
ou estratos sociais), que ap re sen ta m u m a relativa estabilidade e ocupam
uma posição diferente na hierarquia social. Esta hierarquia influi sobre
o m odo de vida, as escolhas políticas, a m entalidade, o trabalho e a renda
dos indivíduos.

Os soció logos ta m b ém c o n c o rd a m qu e ex istem sociedades com


estratificação fechada e outras c o m estratificação aberta. N o caso da
estratificaçõo fe c h a d a , o indivíduo não p o d e m u d a r a sua posição,
porque há limites sociais e legais p raticam en te insuperáveis. Este é o
caso das sociedades divididas em castas ou estam en tos, legalmente
protegidos. A índ ia constitui, até hoje, um ex e m p lo dc sociedade de
castas. A organização social e m vigor na E u ro p a d u ran te a Idade M édia
era fu ndam entada na divisão em e stam en to s legalm en te protegidos.
A estratificação aberta e n c o n tra-se nas sociedades capitalistas.
Estas sociedades são d en o m in a d a s de “soc ied a d es de classe abertas” ,
porque se constata o f en ô m e n o da m obilidade social , ou seja, a freqüen­
te m udança de status social dos indivíduos (R ehbinder, 2000, p. 43).
Estes p o d em alterar sua posição dentro de u m a classe. U m trabalhador
de fábrica qu e migra do N o rd e ste para S ã o P aulo pode en co ntrar um
trabalho mais bem rem u n e ra d o e m e lh o rar suas c o n d içõ e s de moradia,
de lazer, de educação dos filhos no co ntexto urbano, ascendendo na
escala social. Esta é a m obilidade horizontal.
U m indivíduo pode ta m b é m m u d a r d e classe social. Neste caso
temos u m a m obilidade vertical. Tais m u d a n ça s p o d e m ocorrer no c a ­
pitalismo m e sm o de um dia para o outro (g anhand o na M ega Sena
milhões de reais) e são mais freqüentes entre gerações. Os meios mais
procurados de m obilidade social são a ed u c a ç ã o e o ca sa m en to co m uma
pessoa de classe superior, que perm ite m e lh o rar o nível de renda e o
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I HO M ANUAL DE SOCIOLOGIA JURÍDICA

stOtus social. A im p o rtâ n c ia da e d u c a ç ã o no p ro cesso d e m obilidade


social perm ite, ao m en o s em parte, e x p lic a r o boom do en sin o u n iv er­
sitário no B rasil n o s últim o s anos: os filh o s de p esso as q u e executam
trabalhos m anuais, m al rem u n e ra d o s, esp eram m u d ar seu d estin o social
a um d ip lo m a u n iv ersitário , qu e perm itirá à pesso a m udar de
i lassc social em rela çã o aos pais.

A m obilid ad e so cial vertical e h o rizo n tal é estatistic am en te lim itada


nu sistem a ca p ita lista. ( >s so ció lo g o s o b serv am um a relativa estab ilid a­
de ou inércia dc classe: a sorte d a loteria e do ca sa m en to d rara; a
ed u cação m uitas vezes não p erm ite a ascen são d esejad a, p orque as
possib ilid ad es de e n c o n tra r um trab a lh o d e alta rem u n e ra çã o são restri­
tas e co n sta ta m -se o b stá c u lo s so c io cu ltu ra is, que im p ed em as pessoas
de p ro v en iê n cia h u m ild e te r acesso (e su cesso ) p ro fissio n al em trab a­
lhos de tipo “e x e c u tiv o ” .
R esum indo, a p o siç ão de c la sse não é, no sistem a cap italista, neces­
sariam en te h ere d itária , co m o ac o n te cia em o u tras é p o ja s . A s estatísti­
cas indicam , po rem , que a lo c aliza ção do in d iv íd u o na estru tu ra social
<<, na m aioria dos ca so s, d e term in a d a pela p o sição social da fam ília.

A rela tiv a a b e rtu ra das classe s no ca p ita lism o cria um a d ificuldade


em d eterm in a r a c la s s e d e cada in d iv íd u o . O u farem o s u m a classificação
m u n o “ g ro sse ira ” (p ro le tá rio s, p e q u e n o s b u rg u eses, cap italistas) no
sentido m arxista, ou u nia classificaç ão m ais “ su til” no sen tid o w eberiano,
m as que não d e ix a ria dc ser arbitrária: p o r que e stab e lec er o lim ite entre
duas classes em fu n çã o do n ú m e ro d e salários m ín im o s? P or que co n ­
siderar (ou não co n sid erar) a relig ião , as p referên c ias no tem p o de lazer
etc., co m o fatores d e filiação do in d iv íd u o a um a d eterm in a d a classe?
C h e g am o s assim ao ú ltim o tem a. C a d a so c ied a d e leg itim a o tipo de
d esig u ald ad e social pró p rio a ela. N a G récia A n tig a se d izia que os
escrav o s eram seres in ferio res, q u e p erte n cia m “ n atu ra lm e n te” a esta
categoria. A d iv isã o de classe no ca p ita lism o , co m to d a a injustiça,
ex clu são c. n eg ação d o s d ireito s e n ec essid ad e s h u m an as m ais elem en ­
tares, justifica-se pela " a b e rtu ra ” d e classe, pelo “ so n h o ” de ascensão.
O s políticos, jo rn a lista s e o u tro s id eó lo g o s do p o d er d izem que as
classes são abertas e q u e cada p esso a so b e ou d esce na h ierarq u ia social,
segundo seu v alor e d e d ica çã o ao trab alh o , ou seja, seg u n d o o m érito
pessoal. Para ju s tific a r a d esig u a ld a d e social, os d esfav o recid o s são
estig m a tiz ad o s c o m o “p re g u iç o so s” .
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V em os assim , que a ab e rtu ra das c lasse s so ciais no cap italism o


ap resenta um d uplo aspecto: é lim ita d a m e n te reâl, en q u an to p o ssib ili­
dade estatistic am en te rara; é plenarrlente id e o ló g ic a, en q u an to arg u ­
m ento de ju stific a ç ã o da d esig u ald ad e.
R esum indo: podem os definir a classe social nas sociedades m ode r­
nas co m o um grande grupo de pessoas que o c u p a m um a sem elhante
posição no âm bito da estratificação social c o m um a relativa estabilida­
de. Os m em bro s de cada classe ap re sen ta m co m p o rta m e n to s de vida
com uns e Icm uni scm elhanlc acesso aos recursos disponíveis. As clas­
ses sociais ex p rim em a desig u ald ad e nas so c ied a d es m odernas, que é
forte apesar de existir u m a p o ssib ilidade d e asce n são social.

3. A S C L A S S E S S O C IA IS NA P E R S P E C T IV A D A S O C IO L O G IA
J U R ÍD IC A

E stu d an d o a estrutura e o fu n c io n a m e n to p rático dos sistem a s^ u -


rídicos, o ju rista -so c ió lo g o rela cio n a a p ro b lem átic a das classes sociais
com o direito, resp o n d en d o às três q u estõ es fo rm u lad as no início desta
L ição (9, 1).

3.1 D ireito m o d ern o e “ n eu tr a lid a d e d e cla sse”

U m a das d iferen ç as en tre o d ireito das so c ied a d es ca p ita listas e


outras fo rm as de direito histo ricam erite c o n h e c id a s é qu e o prim eiro
não im põe a d ivisão de classe s. Isto ex p rim e o c a rá te r fo rm alm en te1
aberto das classe s sociais no cap ita lism o . N a Id ad e M éd ia existia, por
ex em plo, um direito d iferen te p ara ca d a estam en to . O s nobres tinham
os seus p riv ilég io s, trib u n ais p articu la re s, o fício s e p ro fissõ es reserv a­
das. O s in teg ran tes dos e stam en to s in ferio res não p o d ia m aced er aos
su p eriores, a não ser através da d ec isã o de um “ se n h o r” , óu seja,
através de um ato ju ríd ic o .
H oje o d ireito pro clam a q u e todos são livres e iguais. N ão garante
a d iv isão em classes e a d ec o rre n te d esig u a ld a d e social, inexistindo
ob stáculos legais à ascensão social. E não são raras as sanções para
quem d isc rim in a um a pesso a em função de c lasse so cial, cor, p ro fissão ,
gênero etc. Por exem plo, qu em p ro íb e os em p re g ad o s do m éstico s de
u tilizarem o “elev ad o r so c ia l” , co m e te um a infração à lei e pode ser
su b m etido a um a sanção.

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