Você está na página 1de 56

Programa de Pós-graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT)

Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT)


Mestrado em Educação Profissional e Tecnológica

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG)


Campus Anápolis

Disciplina:

Práticas Educativas e EPT


Prof. Dr. Wanderley Azevedo de Brito
janeiro, 2022

1
PRÁTICAS EDUCATIVAS: DESAFIOS DO
PLANEJAMENTO DO ENSINO

Como citar este trabalho:


BRITO, Wanderley Azevedo de. Práticas Educativas: desafios do planejamento de ensino. 20 de jan. de 2022, 56 p. In: Práticas Educativas
em Educação Profissional e Tecnológica: Material Didático de Web Aula em Power Point. Programa de Pós-Graduação em Educação
Profissional e Tecnológica (ProfEPT) - Instituto Federal de Goiás (IFG). Anápolis (GO), 20 jan. 2022.
2
Referências
BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro : Contraponto, 1996.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996: estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em 01 jun. 2020.

JACOBUCCI. Daniela Franco Carvalho. Contribuições dos espaços não-formais de educação para a formação da cultura científica. In: Em Extensão, v. 7,
p. 55-66. Uberlândia, 2008.

LENOIR, Yves; MEDINA, Sergio Arzola. Las prácticas de enseñanza: una mirada transversal. In: Revista Pensamiento Educativo. Volúmenes 44 y 45
Año 2009, p. 7-29. Facultad de Educación, Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago de Chile, Chile, 2009. Disponível
em<http://www.humanas.unal.edu.co/red/files/2512/8018/6473/Pensamiento%20educativo%2044-45.pdf>. Acesso em 02 jun. 2020.

PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento Dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez, 2001.

TARDIF. Maurice. O trabalho docente, a pedagogia e o ensino: interações humanas, tecnologias e dilemas. In: Cadernos de Educação, UFPel, n.16,
jan./jun. 2001, p. 15-47. Disponível em <https://periodicos.itp.ifsp.edu.br/index.php/RIFP/article/view/1317>. Acesso em 01 jun. 2020.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico: elementos metodológicos para
elaboração e realização. 10. ed. São Paulo: Libertad, 2002.

ZABALA, Antonio. La práctica educativa: cómo enseñar. Barcelona: Graó, 2000.

3
– página 1

Plano de Aula
Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (EPT)
Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica
Instituição Associada: Instituto Federal de Goiás (IFG), Campus Anápolis
Disciplina: Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica
Docente: Dr. Wanderley Azevedo de Brito
Data: janeiro, 2021

4
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 2

Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (EPT)

Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica

Instituição Associada: Instituto Federal de Goiás (IFG), Campus Anápolis

Disciplina: Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica

Docente: Dr. Wanderley Azevedo de Brito

Data: 20 de janeiro de 2022

Turma: Mestrandos ProfEPT 2021

Tema: PRÁTICAS EDUCATIVAS: DESAFIOS DO PLANEJAMENTO DO ENSINO

5
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 3

I. Objetivos:
―Estudar, a partir de alguns referenciais teóricos e das práticas educativas, a organização e os
desafios do Plano do Ensino/Aula, como parte do Planejamento mais amplo da instituição
educacional.
―Conhecer como as práticas de ensino e as abordagens metodológicas dos professores estão
circunscritas a determinados contextos históricos, culturais e fundamentadas em teorias
pedagógicas específicas da realidade de cada época.
―Analisar a importância da compreensão dos princípios da totalidade e da integração para o
planejamento das práticas de ensino de natureza social e ativa.
―Explicar a distinção e a relação entre prática docente e prática de ensino.
―Compreender o planejamento de ambientes e materiais didático-pedagógicos como aspectos
integrantes do desenvolvimento das práticas de ensino.
―Refletir sobre a importância do processo de mediação professor-estudante como componente
constitutivo fundamental do trabalho de planejamento e desenvolvimento das práticas de ensino e
construção do conhecimento.

6
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 4

II. Espaço e Materiais didático-pedagógicos (meios e recursos didáticos):

―Sala Virtual “Classroom” do Google;


―1 computador (desktop ou notebook ou tablet;
―Internet e wi fi;
―textos (artigos digitalizados no formato pdf);
―programas: Power Point, leitor de pdf, leitor de vídeo, editor de texto.

7
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 5

III. Metodologia:
―web conferência;
―apresentação virtual (pelo professor) e estudo do tema
―compartilhamento de experiências dos mestrandos sobre os subtemas
da aula;
―diagramas para estudo e discussão de temas;
―compartilhamento de 1 documento histórico (plano de aula docente da
década de 1940);
―proposta de atividade avaliativa.

8
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 6

IV. Conteúdo:
1) Planejamento educacional: caracterização e sentido;
2) Componentes do planejamento educacional;
3) Tensões e Conflitos do Planejamento educacional;
4) Práticas educativas: relação e distinção entre a prática docente e a prática de ensino;
5) Planejamento dos ambientes e materiais didático-pedagógicos para as Práticas de
Ensino
V. Avaliação:
―Participação na aula;
―Leitura de textos básicos indicados;
―Elaboração de um esboço de Plano de Aula, com opções das seguintes abordagens
teóricas: Skynner, Piaget e VYgostky. Temas relacionados à educação ou EPT.

9
Plano de Aula – 20/01/2022 – página 7
VI. Referências

BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro : Contraponto, 1996.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996: estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em 01 jun. 2020.

JACOBUCCI. Daniela Franco Carvalho. Contribuições dos espaços não-formais de educação para a formação da cultura científica. In: Em Extensão, v. 7,
p. 55-66. Uberlândia, 2008.

LENOIR, Yves; MEDINA, Sergio Arzola. Las prácticas de enseñanza: una mirada transversal. In: Revista Pensamiento Educativo. Volúmenes 44 y 45
Año 2009, p. 7-29. Facultad de Educación, Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago de Chile, Chile, 2009. Disponível
em<http://www.humanas.unal.edu.co/red/files/2512/8018/6473/Pensamiento%20educativo%2044-45.pdf>. Acesso em 02 jun. 2020.

PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento Dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez, 2001.

TARDIF. Maurice. O trabalho docente, a pedagogia e o ensino: interações humanas, tecnologias e dilemas. In: Cadernos de Educação, UFPel, n.16,
jan./jun. 2001, p. 15-47. Disponível em <https://periodicos.itp.ifsp.edu.br/index.php/RIFP/article/view/1317>. Acesso em 01 jun. 2020.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico: elementos metodológicos para
elaboração e realização. 10. ed. São Paulo: Libertad, 2002.

ZABALA, Antonio. La práctica educativa: cómo enseñar. Barcelona: Graó, 2000.


10
Planejamento Educacional: Caminhos
Figura 1: Caminhos do Planejamento Educacional

(BRITO, 2022)

11
Ensino socialmente ativo: o estudante também ensina

“(...), para que a ciência objetiva seja plenamente educadora, é preciso


que seu ensino seja socialmente ativo. É um alto desprezo pela
instrução o ato de instaurar, sem recíproca, a inflexível relação
professor-aluno.
A nosso ver, o princípio pedagógico fundamental da atitude objetiva é:
Quem é ensinado deve ensinar. Quem recebe instrução e não a
transmite terá um espírito formado sem dinamismo nem autocrítica.
Nas disciplinas científicas principalmente, esse tipo de instrução
cristaliza no dogmatismo o conhecimento que deveria ser um impulso
para a descoberta. Além disso, não propicia a experiência psicológica
do erro humano”
(BACHELARD, 1996, p. 300).
12
Documento Histórico: documento enviado pelo App WhatsApp e E-mail

Documento Histórico: - Caderno de Notas (Plano de Aula) da Profa. Alda


Lodi, na disciplina Metodologia da Aritmética, no Curso de Administração
Escolar do Instituto de Educação de Minas Gerais.
Data aproximada de edição do documento: entre 1949 e 1950.
Este documento histórico é parte do material e dos recursos metodológicos
planejados para o estudo do tema da aula: Práticas educativas: desafios do
planejamento de ensino.
Objetivo do estudo deste documento: Possibilitar aos mestrandos a
oportunidade de conhecer como as práticas de ensino e as abordagens
metodológicas dos professores estão circunscritas a determinados contextos
históricos, culturais e fundamentadas em teorias pedagógicas específicas da
realidade de cada época.
13
Estratégia: O estudante em cena na câmera
Figura 2: O estudante em cena

Objetivo:
No decorrer da aula e a
partir de algumas questões
norteadoras, os estudantes
presentes abrem as suas
câmeras e os seus
microfones para
compartilhar as suas
experiências de
participação em atividades
de planejamento
educacional.
Mediação: professor

14
Planejamento educacional: mestrandos compartilham na aula as
suas experiências na atividade “O estudante em cena na câmera”

Questões norteadoras da estratégia “O estudante em cena na câmera”:

1) Você já participou de atividades de planejamento de Plano de Desenvolvimento Institucional


(PDI) em alguma instituição?
1.1 Comente como foi a sua experiência.
2) Comente como foi a sua experiência de participação em atividades de planejamento de
Projeto Político Pedagógico (PPP) em alguma instituição educacional.
2.1 O PPP é realmente praticado como foi pensado?
3) Comente como foi a sua experiência de participação em atividades de planejamento de
Projeto Pedagógico de Curso (PPC).
3.1 O planejamento do PPC atendeu ao PPP?
4) Você realiza Planejamento de Ensino?
4.1 Como acontece o seu planejamento de ensino?
4.2 Você faz autoavaliação do Plano de Ensino?
5) Você faz planejamento de Aula?
5.1 Como você faz o planejamento de Aula?
5.2 Você reavalia e atualiza periodicamente o seu Plano de Aula?
15
O que é planejamento educacional?

O planejamento educacional (PE) é uma atividade racional,


sistemática e organizada de profissionais da educação.

O PE busca traduzir reflexões e escolhas a partir de


determinados princípios e opções teóricas, curriculares e
metodológicas da educação, sobre as ações necessárias para
guiar a tomada de decisões relacionadas aos objetivos, as
finalidades e as práticas nos processos da educação formal.

16
O Sentido do Planejamento Educacional
Figura 3: Diagrama - O Sentido do Planejamento Educacional

reflexões
objetivos e
e escolhas
finalidades concepção de educação
e opções teóricas

Princípios
(explicitar)
PRÁTICAS Formação
do ser
Humano

escolha curricular e
opções metodológicas
concepção
de avaliação

Processo de Educação Formal


(BRITO, 2022)
17
Como deve ser o planejamento
educacional?
Espera-se que o planejamento educacional, enquanto
processo complexo (teórico-prático, político, pedagógico e
administrativo) seja:

• global • participativo
• integrado • flexível
• coletivo • avaliado
• contínuo • multiprofissional
• realista • multidisciplinar
18
Abordagem Integrada do Planejamento
• A articulação do trabalho pedagógico entre seus diferentes
segmentos e atores: os sujeitos da instituição educativa.
• A organização do trabalho no interior da instituição educativa deve
prever o Planejamento Participativo como ação integrada.
• As diferentes dimensões do planejamento devem ser integradas
(marco situacional, marco referencial, marco operativo); diagnóstico
(aspectos quantitativos e qualitativos).
• O planejamento educacional deve ser integrado entre os diferentes
níveis do Sistema ou da Rede de Ensino.
• No âmbito do Plano de Ensino, o planejamento deve integrar as suas
partes constitutivas.
• Articulação da instituição com os diversos setores da sociedade.
19
Abordagem Integrada do Planejamento Educacional
Figura 4: Diagrama – Abordagem Integrada do Planejamento Educacional

Organização
Articulação com integrada do
os sujeitos da planej. no
instituição interior da
educativa instituição

Integração do
Integração das
planejamento
Planejamento diferentes
entre os níveis
Integrado dimensões e
do Sistema /
etapas do
Rede de Ensino
planejamento

Articulação da
instituição com os
diversos setores (BRITO, 2022)
da sociedade

20
Princípios e referenciais teóricos
do planejamento educacional

Os princípios e as escolhas dos referenciais


teóricos devem guiar o planejamento
educacional em suas diferentes etapas, em
seus múltiplos níveis e em suas diversificadas
modalidades e dimensões.

21
Importância dos Princípios no Planejamento Educacional

A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as Diretrizes e


Bases da Educação Nacional. O Art. 3º desta lei estabelece que o ensino
será ministrado com base nos seguintes princípios:
I. igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o
pensamento, a arte e o saber;
III. pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV. respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V. coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI. gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
(BRASIL, 1996) 22
Importância dos Princípios no Planejamento Educacional
A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O Art. 3º desta lei estabelece que o ensino
será ministrado com base nos seguintes princípios:

... CONTINUAÇÃO
VII. valorização do profissional da educação escolar;
VIII. gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da
legislação dos sistemas de ensino;
IX. garantia de padrão de qualidade;
X. valorização da experiência extraescolar;
XI. vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas
sociais.
XII. consideração com a diversidade étnico-racial.
XIII.garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.
(BRASIL, 1996)
23
Tensões e Conflitos no Planejamento Educacional
Figura 5: Charge adaptada – Tensões e Conflitos

Ele está confiante na


aparência da armadura
e das armas.
Eu vou usar o meu
conhecimento delas para
vencer a batalha!

Fonte: Charge adaptada – autor não identificado

24
Tensões e Conflitos no
Planejamento Educacional

• A abordagem do planejamento, a definição dos


objetivos educacionais, a escolha dos referenciais
teóricos da educação e das metodologias de ensino
interferem nas práticas educativas.

• Considerando que a sociedade / realidade é plural,


dinâmica e complexa, os diferentes interesses dos
múltiplos grupos / setores da sociedade na
educação geram constantes tensões e conflitos.
25
Tensões / conflitos quanto aos objetivos e
interesses da educação, entre os(as) diferentes:

1. setores da sociedade brasileira;


2. setores do sistema produtivo;
3. setores tecnológicos;
4. perspectivas teóricas e metodológicas da educação;
5. formações dos profissionais da educação;
6. entes da federação (federal, estaduais e municipais);
7. redes do sistema educacionais: privada e pública.

26
Dinâmica da Realidade Educacional

• As tensões e os conflitos da realidade dão


contornos na dinâmica das políticas
educacionais, na organização dos sistemas
educativos, no funcionamento das
instituições de educação e nas práticas
educativas.

27
Práticas Educativas

•Na discussão do tema Práticas


Educativas é fundamental estabelecer
a relação / distinção entre prática
docente e prática de ensino.

28
Práticas Educativas: dimensões
Figura 6: Dimensões das Práticas Educativas

Espaço de Prática Docente Espaço de Prática de Ensino

29
Prática Docente
A prática docente “engloba tanto a prática de ensino
frente aos alunos, com os alunos, como a prática do
trabalho coletivo com os colegas, a prática de
intercâmbio com os pais e responsáveis, as práticas de
acompanhamento.
[A prática docente] inclui ações, reações, interações,
transações e ajustes para adaptar-se à situação
profissional”

(ALTET, 2001, apud LENOIR; MEDINA, 2009, p. 12).


30
Práticas de Ensino

A práticas de ensino se definem como um fazer


singular, próprio de cada professor.
Ela são constituídas por um conjunto de ações,
atividades gestuais e discursos operativos
singulares e complexos, ancorados na formação
profissional, na experiência e na realidade
cotidiana.
(LENOIR; MEDINA, 2009).
31
Práticas de Ensino

As práticas de ensino possuem uma natureza social específica,


pois implica um conjunto de atitudes e ações realizadas por
um professor.
São atividades simbólicas operatórias (atividades de ensino)
que atuam como mediações em um processo de objetivação
(processo de ensino-aprendizagem) que se estabelecem entre
o sujeito que aprende e os objetos de saber e que exigem a
implementação de processos de mediação para produzir
conhecimento.
(LENOIR, 1993, 1996, apud LENOIR; MEDINA, 2009)

32
As Práticas de Ensino:
• São um conjunto de ações / trabalho do professor;
• Possuem uma natureza social específica: docência;
• São constituídas por atividades simbólicas operatórias
(atividades de ensino);
• Ocorrem por meio de mediações em um processo de
objetivação (processo de ensino-aprendizagem) que se
estabelece entre o sujeito que aprende e os objetos de
saber;
• Exigem a implementação de processos de mediação pelo
professor para produzir conhecimento.
33
Segundo Schutz (1987, apud LENOIR; MEDINA, 2009, p. 12-13),
as práticas de ensino se desenvolvem em três fases:
Figura 7: Diagrama – Fases das Práticas de Ensino

1ª FASE
2ª FASE
3ª FASE
Pré-ativa
Interativa
Pós-ativa

Práticas de Ensino (SCHUTZ, 1987; BRITO, 2022)

34
Segundo Schutz (1987), as práticas de
ensino se desenvolvem em três fases:

1ª. FASE PRÉ-ATIVA

É caracterizada pela intenção inicial da ação


e pelo planejamento da atividade.
A fase pré-ativa é capturada antes da ação
como um projeto / plano.
35
1ª. FASE PRÉ-ATIVA - Plano de Aula
1. Caracterização: Instituição, curso, nível e modalidade de educação, disciplina,
docente, discentes.
2. Tema e Objetivos
3. Conteúdo
4.Organização dos espaços e materiais didático-pedagógicos: sala de aula,
laboratório, biblioteca, museu, teatro, outro - (meios e recursos didáticos)
5. Metodologia: resulta da adequação entre meios e fins - organizada de tal
forma que os fins sejam alcançados.
6. Formas e estratégias de avaliação
7. Cronograma (período, data, horário)
8. Bibliografia básica

36
1ª. FASE PRÉ-ATIVA - Plano de Aula - Metodologias:

Segundo Gil (2012, p. 38), as metodologias ou estratégias de


aprendizagem elucidam “os procedimentos que os professores
utilizarão para facilitar o processo de aprendizagem”.

Estratégias Metodológicas
expositiva-dialogada pesquisa de campo estudo com pesquisa
mapa conceitual estudo de caso estudo dirigido
estudo de textos seminário visita orientada
dramatização fórum palestra
problemas oficina filmes e livros
37
Segundo Schutz (1987), as práticas de ensino
se desenvolvem em três fases:

2ª. FASE INTERATIVA

É realizada em sala de aula onde a intenção da ação


docente é concretizada, manifestada, observada (na
própria ação), e sofre interação dos sujeitos no processo
de objetivação do conhecimento.
Nesta fase, pode-se observar a configuração da atividade,
a sua estruturação e a sua sequencialidade (caminho
percorrido no processo de ensino-aprendizagem).

38
Segundo Schutz (1987), as práticas de ensino se desenvolvem em três fases:

2ª. FASE INTERATIVA


Figura 8: Diagrama – Fase Interativa das Práticas de Ensino

CONHECIMENTO

Fase Interativa de
práticas de ensino e
aprendizagem
(BRITO, 2022)

39
2ª. FASE das Práticas de Ensino: INTERATIVA
Tardif (2001, p. 20):
“O ensino é uma atividade humana, um trabalho interativo, ou seja, um
trabalho baseado em interações entre pessoas. Concretamente,
ensinar é desencadear um programa de interações com um grupo de
alunos, a fim de atingir determinados objetivos educativos relativos à
aprendizagem de conhecimentos e à socialização. (...)
Ao entrar em sala de aula, o professor penetra em um ambiente de
trabalho constituído de interações humanas. As interações com os
alunos não representam, portanto, um aspecto secundário ou
periférico do trabalho dos professores: elas constituem o núcleo e,
por essa razão, determinam, ao nosso ver, a própria natureza dos
procedimentos e, portanto, da pedagogia”.

40
Segundo Schutz (1987), as práticas de ensino
se desenvolvem em três fases:
3ª. FASE PÓS-ATIVA

Corresponde à retroação / interpretação do plano,


aos atos praticados no processo, como resultado
das intenções consideradas à priori e que se
integram à realidade, podendo, se necessário,
modificá-la.

41
Segundo Schutz (1987), as práticas de ensino se desenvolvem em três fases:

3ª. FASE PÓS-ATIVA


Figura 9: Diagrama – Fase Pós-Ativa das Práticas de Ensino

Plano Práticas

(BRITO, 2022)

42
Práticas de Ensino:
ações didático-pedagógicas complexas

Figura 10: Charge adaptada – Perspectivas diferentes de um mesmo objeto

A realidade pode ser tão complexa que observações igualmente


válidas de diferentes perspectivas podem parecer contraditórias.

Não.

6 Quatro.
Três.

43
Práticas de Ensino:
ações didático-pedagógicas complexas
As práticas de ensino são deliberadas, objetivas e
intencionais ações didático-pedagógicas complexas,
processuais e contraditórias.

Porém, as práticas de ensino não podem ser reduzidas


a um processo de conformação que adota simples
regras lógicas da elaboração de saberes.

Ao contrário, as práticas de ensino se desenvolvem em


contextos de múltiplos determinismos do mundo real.
44
Práticas de Ensino: são ações didático-pedagógicas
que resultam de processos sociais de formação

• Nesse sentido, além das condições concretas que


interferem nas práticas de ensino, o educador as
desenvolve a partir de representações e imagens ativas
que são construídas ao longo de sua formação e na relação
entre as dimensões teórico-práticas do saber.
• Acrescenta-se que o educador desenvolve práticas de
ensino como foram planejadas inicialmente, mas com
uma margem de liberdade para atualizá-las, modificá-las,
segundo as circunstâncias que lhe são apresentadas e
segundo as suas experiências.
45
Práticas de Ensino: tensões cotidianas

• As práticas de ensino são confrontadas com


tensões cotidianas e problemas (internos e
externos) ao seu trabalho: políticos, econômicos,
sociais, culturais, tecnológicos.
• As práticas de ensino, por serem complexas e
atualizadas na imediatez do contexto, elas
dificilmente serão repetidas da mesma forma
como foram inicialmente planejadas.
46
As Práticas de Ensino requerem Projetos de Ensino

O Projeto de Ensino-Aprendizagem
está atrelado a uma concepção de
educação, que, por sua vez, está
relacionada às concepções de
conhecimento e de currículo.
(VASCONCELOS, 2001, p. 98)

47
Figura 11: Planejamento de ambientes e materiais didático-pedagógicos
Planejamento
dos ambientes
e materiais
didático-
pedagógicos
para as
Práticas de
Ensino

48
Planejamento dos ambientes e materiais didático-
pedagógicos para as Práticas de Ensino

• Os materiais didático-pedagógicos são constituídos


pelo conjunto de meios planejados pelo professor e
aproveitados em conjunto com os estudantes em
situações didáticas concretas, no processo de
desenvolvimento do conhecimento (saber anterior +
novos dados = conhecimentos).

49
Planejamento dos materiais didático-pedagógicos
das Práticas de Ensino

1. quadro (lousa) tradicional


ou digital;
2. pincéis e giz para quadros; 7. suportes ou dispositivos
eletrônicos e digitais: tablet,
3. projetor audiovisual; smartphone, notebook;
4. equipamento de som; 8. flip-chart;
5. computador (desktop ou 9. livros;
notebook); 10.cadernos;
6. rede de internet com wi fi; 11.mapas, globos;
12.equipamentos e materiais
de laboratórios
(BRITO, 2022)
50
Práticas de Ensino: planejamento de materiais
didáticos e os recursos pedagógicos

• Os materiais didáticos e os recursos pedagógicos


são artefatos e dispositivos que amplificam e
potencializam as capacidades cognitivas dos
estudantes, orientando-os e conduzindo-os na
seleção das capacidades e habilidades que
devem mobilizar para o processo de construção
do conhecimento.
51
Planejamento de ambientes, materiais didáticos e recursos
pedagógicos para as práticas de ensino
Figura12: Diagrama – Planejamento de Práticas de Ensino no Processo de Educação Formal

Processo de Educação Formal

Plano estratégias
PPP práticas educativas
de Aula pedagógicas

práticas de ensino

administrativos
laboratórios e
Técnicos de
Plano
de Curso docente CONHECIMENTO estudantes

práticas de ensino

Plano ambientes materiais


práticas educativas
de Ensino de ensino didáticos

(BRITO, 2022) 52
Planejamento de ambientes, materiais didáticos e
recursos pedagógicos para as práticas de ensino

• Planejamento + ambientes pedagógicos + materiais didáticos e


recursos pedagógicos + domínio docente do conhecimento
específico + práticas educativas

• O planejamento dos ambientes, a escolha e o uso dos materiais


didáticos e recursos pedagógicos, a demonstração do domínio do
conhecimento específico na área de cada professor, juntamente com
as suas práticas de ensino, podem indicar a sua concepção de
educação, a sua leitura de currículo, a sua escolha teórico-
pedagógica e a sua compreensão sobre as finalidades educativas
que pretende alcançar, a partir de suas práticas.
53
Planejamento de Aula
Figura13: Diagrama – Plano de Aula e de Práticas de Ensino no Processo de Educação Formal

Processo

concepção docente
de educação
ambientes
pedagógicos

leitura e prática de

Apontam para (a/o):

CONHECIMENTO
currículo pelo
PLANO DE

domínio docente do docente


AULA

PRÁTICAS DE
...)*
( conhecimento
específico
ENSINO

escolha teórica e
prática pedagógica
materiais didáticos e docente
recursos
pedagógicos
objetivos
educacionais do (BRITO, 2022)
docente
* PDI + PPP + PPC + PE (Plano de Desenvolvimento Institucional, Projeto Político Pedagógico, Projeto Pedagógico de Curso e Plano de Ensino) 54
Princípio da totalidade no Planejamento de Ensino
“O planejamento mais especificamente pedagógico diz respeito ao trabalho em sala de
aula, que se caracteriza pela interação entre os sujeitos, baseada no relacionamento
interpessoal, na organização da coletividade e na construção do conhecimento.
Particularmente, o trabalho de construção do conhecimento é um dos aspectos mais
enfatizados nos processos de planejamento, mas há necessidade de considerá-lo na
totalidade da [instituição educativa*.
Ou] seja, nas suas relações na própria dimensão pedagógica (relacionamento interpessoal
e organização da coletividade), nas suas relações com a dimensão administrativa e com a
dimensão comunitária da instituição, bem como de levar em conta ainda a própria relação
da [instituição educativa*] com a sociedade”.
(VASCONCELLOS, 2002, p. 102)

* No texto original a versão do termo utilizado pelo autor é escola. 55


Observações:
1) Nos slides do presente Material Didático de Web Aula, os grifos em itálico, negrito, sublinhado e
cores das citações foram adaptados por mim, como estratégia para destacar aspectos relevantes
dos textos originais dos diversos autores referenciados neste trabalho.
2) É proibida a reprodução ou o uso parcial ou total do presente Material Didático de Web Aula sem
a expressa autorização do autor e sem o devido reconhecimento de autoria.
Obrigado!

Prof. Dr. Wanderley Azevedo de Brito


Instituto Federal de Goiás (IFG), Anápolis 20/01/2022
Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT)

Como citar este trabalho:

BRITO, Wanderley Azevedo de. Práticas Educativas: desafios do planejamento de ensino. 20 de jan. de 2022, 56 p. In: Práticas Educativas
em Educação Profissional e Tecnológica: Material Didático de Web Aula em Power Point. Programa de Pós-Graduação em Educação
Profissional e Tecnológica (ProfEPT) - Instituto Federal de Goiás (IFG). Anápolis (GO), 20 jan. 2022.

56

Você também pode gostar