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Evolução dos meios de comunicação[1]

Num processo crescente, o homem desenvolveu a pré-escrita (modelagem), criou a


xilografia (árabes), o papel, os caracteres móveis para impressão manual e a impressão
mecânica. Assim, os escritos puderam atravessar distâncias geográficas e cronológicas,
foram levados de um lado a outro do planeta e, ao transmitir conhecimentos entre
pessoas de sua época, contribuíram para o registro da história humana.

Com o desenvolvimento da escrita alfabética, novas formas de transmissão de


informações foram desenvolvidas, e um dos factores novos é que, a partir de então, a
história pôde ser registada em detalhes. As informações podiam então “viajar” mais
facilmente, sem necessitar da presença física de um contador, apesar de estes ainda hoje
terem um papel fundamental em algumas sociedades (podem ser citados os trovadores
da literatura de cordel, grupo que ainda produz uma literatura oral principalmente no
nordeste do Brasil). Foram desenvolvidos meios de transportá-las que não
necessitassem obrigatoriamente de ter o próprio homem como portador e transportador,
exemplo disso é a utilização de pombos-correio, do telégrafo (código morse), entre
outros.

Debruçado sobre seus projectos, o homem avança e transforma o presente e o futuro,


num constante processo evolutivo[2], sem que haja a simples substituição de uma técnica
por outra, mas um “deslocamento de centros de gravidade” .[3] Constata-se que sempre há
movimentos crescentes e sucessivos na história: da oralidade para a escrita, da escrita
para a imprensa, desta para o rádio e para a televisão, até se chegar à informática. O
aperfeiçoamento dos meios de veicular a informação foram criados pela necessidade de
o homem se comunicar. O ser humano, ao longo de sua história, mantém-se sempre na
expectativa de desvelar novos horizontes, explorar territórios alheios, impulsionado pelo
desejo de interacção, de descoberta. A invenção da imprensa veio ao encontro desse
desejo, “divide-se a História em antes e depois do surgimento da escrita”.[4]…

Mas, apesar da escrita se tornar a memória de um povo, de uma cultura, de vencer, sob
este aspecto, a barreira do tempo, existiam alguns problemas. Os manuscritos
inicialmente eram gigantescos, pesados, propriedades de bibliotecas, difíceis de
manejar. O homem empenhou-se na popularização dessa técnica e, em 1450, recebeu
um impulso com a imprensa de Gutenberg. Profecias apocalípticas foram efectuadas no
hemisfério dessa descoberta por aqueles que detinham em suas mãos os manuscritos,
modelos singulares, e não desejavam que esse saber estivesse ao alcance de todos, mas
que continuasse limitado aos conventos e bibliotecas de acesso vedado ao povo.

Com o passar dos anos, essas profecias se esboroaram e o livro tornou-se móvel,
disponível para apropriação e uso pessoal.

[1]
NEITZEL, Luiz Carlos. Evolução dos meios de comunicação. In Dissertação de
mestrado, UFSC: 2001. p 17 – 22.
[2]
“O homem é o único ser que planeja. Joga-se para além de si, não aceitando o que a
natureza lhe propõe nem o destino. (...) O futuro é dimensão fundamental do homem.
Pelo projeto, torna-se senhor do futuro. Analisa o passado, retoma-o na memória, para ir
adiante com ele ou apesar dele.” ALMEIDA, Fernando José de. As aparências
enganam. In: BRASIL. Salto para o Futuro: TV e Informática na Educação /
Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto,
SEED, 1998. p. 78.
[3]
“Que isto fique claro: a sucessão da oralidade, da escrita e da informática como
modos fundamentais de gestão social do conhecimento não se dá por simples
substituição, mas antes por complexificação e deslocamento de centros de gravidades. O
saber oral e os gêneros de conhecimento fundados sobre a escrita ainda existem, é claro,
e sem dúvida irão continuar existindo sempre.” LÉVY, Pierre. As tecnologias da
inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução Carlos Irineu da
Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993. p. 10.
[4]
FIALHO, Francisco Antonio Pereira. A eterna busca de Deus. Sobradinho, DF,
EDICEL, 1993, p. 15.