Você está na página 1de 21

ARBITRAGEM “Ad hoc”

SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Anexos:
https://pt.scribd.com/document/441216643/Processo-6-078-999-Embargos-Sentenca-
Parcial

SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022


DOCUMENTO DE DOMÍNIO PÚBLICO SEM SEGREDO DE JUSTIÇA

CORRESPONDENTE EM JUÍZO ARBITRAL

PROCESSO ARBITRAL 5.991.234.APACivil/2019.


EMENTA: AÇÃO DE INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL COM HOMOLOGAÇÃO
DE ACORDO DE PARTILHA DE BENS. INEXISTÊNCIA DE MENORES DE 18
ANOS OU PORTADORES DE DEFICIÊNCIA IMPEDITIVA PARA
MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. EXISTÊNCIA DE CLÁUSULA
COMPROMISSÓRIA E CLÁUSULA ARBITRAL “CHEIA”. ADMISSIBILIDADE
DE PROCEDIMENTO EM FACE DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL PELA VIA
ARBITRAL. EXISTÊNCIA DE DIREITOS DISPONÍVEIS QUE PODEM SER
RECONHECIDO PELA VIA DA ARBITRAGEM.
DESPACHO 24.894.275-2021.
https://wwwjuizoarbitralcjc.blogspot.com/
ALTERAÇÃO DE CLASSE PROCESSUAL ARBITRAL – INVENTÁRIO
EXTRAJUDICIAL – ARROLAMENTO SUMÁRIO.

CERTIDÃO - Folhas 400- ANEXO II – REGISTRO GERAL DE IMÓVEIS – LIVRO


2-A – FICHAS 01-02 – 16 DE JUNHO DE 1982. R.01.2.200 IMÓVEL: QUADRA DE
TERRA BAIRRO “SAUDADE OU ORIENTE. QUATRO HECTARES –
ADQUIRIDA PELA SRA ANTONIA DAUCY (I) TAVARES PARENTE EM 08 DE
MAIO DE 1968. ESCRITURA LAVRADA EM DATA DE 16 DE JUNHO DE 1982.
ESTA PROPRIEDADE ESTÁ PARCIALMENTE VENDIDA FORMAMELNTE, OU
SEJA, JÁ EXISTEM AVERBAÇÕES EM UMA AREA TOTAL DE TERRAS JÁ
ESCRITURADAS. PORÉM, A AREA DE 27.014.88M2 FOI VENDIDA A UM
SENHOR SUPOSTAMENTE CHAMADO DE ANIBAL, QUE NÃO ESCRITUROU
SUA PARTE. PORÉM, NESTE JUÍZO ARBITRAL NÃO FOI APRESENTADA
DOCUMENTAÇÃO PARTICULAR COM FIRMA RECONHECIDA DESTA
TRANSAÇÃO, PORQUE, NÃO COMPETE DESTE JUÍZO CONHECER DESTE

1
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

EXPEDIENTE. DEVENDO SER FEITO EM AÇÃO PROPRIA DE DIREITO DE


POSSE EM JUÍZO TOGADO, OU SEJA PODE JUDICIÁRIO. Assim declara-se que
desta propriedade entra na partilha a área DE 27.014.88M2, independente do
questionamento de direito de posse. Compete, pois, ao herdeiro que receber esta cota,
discutir em juízo a posse de quem adquiriu de boa-fé. RECOMENDA-SE
CONTACTAR COM ESTE COMPRADOR DE POSSE, ANTES DE VENDER A
COTA REMANESCENTE PARA EVITAR CONFLITOS QUE VÁ ALÉM
DARAZOABILIDADE DE FATO E DE DIREITO. SALVO MELHOR JUÍZO.
OBSERVE-SE A NOTA TÉCNICA QUE SEGUE.
NOTA ARBITRAL 25.878.980.2022.
Direito Civil – Posse. É RELEVANTE neste contexto, ao árbitro, analisar a questão da
posse, para prevenir os herdeiros de provável violação à lei, o direito de posse de boa-fé.
Didaticamente é bom frisar que os conceitos a seguir devem ser cogitados para a
reflexão sobre condutas (a dos herdeiros, empós a partilha).
Direito Real é o poder que a pessoa titular exerce sobre determinada coisa (bem).
Direito Pessoal é relação jurídica entre pessoas, tendo como objeto determinada
prestação.

Real é (a) coisa.

Direito sobre a coisa.

Garantia Real é coisa que está sendo dada em garantia.

Na teoria da posse o Jurista, interprete da lei deve vislumbrar os seguintes critérios:

Teoria subjetiva (Savigny) e teoria objetiva (Ihering).

Teoria Subjetiva a posse é caracterizada por dois elementos o corpus e animus; para
ter a posse teria de se ter a coisa e a vontade de exercer o direito de propriedade.

Teoria Objetiva: exteriorização da propriedade; basta ter a coisa sob o seu poder para
se ter a posse dela.

A teoria objetiva é a teoria aceita no ordenamento civil brasileiro.

Não é necessário ter a coisa por perto para ter posse.

Posse.

2
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Posse não é direito real pois não está no artigo 1225/CC (rol taxativo); mas está
inserido no livro que trata das coisas.

Pode ser oposta ao proprietário.

Se é coisa imóvel, trata-se de hipoteca.

A posse transmite-se aos herdeiros sem alterar características (art.: 1206 CC).

Os direito de posse são: usar, gozar, dispor e reaver a coisa das mãos de quem quer
que injustamente a possua; gozar, fruir, perceber frutos; dispor: desfazer-se, vender
doar, destruí (em alguns casos); poderes de proprietário; não é necessário estar em
contato com o bem, basta ter esses poderes.

Direito de sequela: é o direito de reaver a coisa das mãos de quem quer que a possua
injustamente.

Só os direitos reais dão ao titular o direito de sequela; este direito tem eficácia erga
omnes;

Característica principal do bem imóvel: só é direito real se o imóvel estiver registrado


no cartório de registro de imóveis. Escritura não transmite propriedade; somente o
registro da a propriedade; agir com desídia é obter a escritura de um imóvel e não
realizar o seu registro, se qualificando como não proprietário. A servidão de
passagem só dá direito sobre a coisa se esta estiver registrada no cartório de registro
de imóveis.

Posse é diferente de detenção.

Na detenção existe uma relação de dependência para com o outro, conservação da


posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas (Art. 1198 /CC),
caseiro por exemplo; essas pessoas são chamadas de fâmulos da posse, também
conhecidas gestor ou servo da posse; podem exercer a autoproteção do possuidor as
coisas a eles confiadas, porém não podem entrar com ações possessórias, pois não são
possuidoras da coisa.

Ação possessória (aqui se discute a posse) é diferente de ação reivindicatória


(reivindica-se o bem).

Posse direta e indireta é exercida pelo proprietário, locador de um imóvel enquanto que
a posse direta é a exercida pelo inquilino, locatário.

Posse justa (posse legal, autorizada, por exemplo, a posse do locatário) e injusta
(posse ilegal, por exemplo, a posse que um ladrão tem sobre um bem roubado ou
furtado).

3
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Quem tiver a sua posse agredida poderá entrar como a ação e ganhará essa ação quem
tiver a posse justa.

O possuidor direto tem direito de lançar mão dos interditos contra turbação, esbulho e
violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado, inclusive contra o possuidor
indireto.

A posse injusta pode ser: violenta (obtida por meio violento), clandestina (posse
obtida às escuras) ou precária (deriva de uma posse justa, se caracteriza com a recusa
em devolver o bem).

Posse de boa-fé e de má-fé.

Posse de má-fé se caracteriza por ser uma posse injusta e o possuidor injusto sabe dos
vícios.

Posse de boa-fé também deriva de uma posso injusta, porém o possuidor injusto não
sabe dessa injustiça.

Ao julgar procedimentos, no âmbito da CJC-INESPEC, se recomenda, que ao se


deparar com essa situação se observe:

“a posse de boa-fé só perde este caráter no caso, e desde o momento, em que as


circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”

Composse(Posse exercida em conjunto por dois ou mais indivíduos sobre a mesma


coisa indivisa; compossessão).

Está descrita no Código Civil, art. 1119 que diz: “Se duas ou mais pessoas possuírem
coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não
excluam os dos outros co-possuidores”.

Trata-se, pois, de uma situação em que duas ou mais pessoas, exercem sobre o mesmo
bem, a posse de maneira simultânea.

Ao árbitro processual se recomenda a observância aos critérios e ciência dos requisitos


da composse:

Pluralidades de sujeitos;

Indivisibilidade da coisa;

Identidades de atos possessórios.

4
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Diferença entre composse e condomínio é que a composse está relacionada a posse e o


condomínio liga-se a propriedade; duas pessoas ou mais exercendo somente a posse;
duas ou mais pessoas exercendo a propriedade tem-se o condomínio.

Considerando as ponderações acima, o árbitro deste feito não pode conceder


“MEDIDA CAUTELAR” para reintegrar ou anular atos jurídicos vinculados as partes
que não figuram no polo da arbitragem. A arbitragem só alcança as partes citadas no
Edital 6-PRT 6029.799-2019 de, 22 de outubro de 2019; Fls 344-383 – Volume I –
Arrolamento Sumário; e Edital 7-PRT 6035.800.2019 de, 25 de outubro de 2019.
Folhas 462-482 – Volume I – Arrolamento Sumário e, termos de fls 720-755 do
Volume III dos autos do inventario.

MEDIDAS CAUTELARES.

Cautelar na arbitragem: a tutela cautelar faz parte do direito de acesso à Justiça, seja
com jurisdição estatal ou privada.

No Código de Processo Civil de 2015 a (...)” tutela provisória pode


fundamentar-se em urgência ou evidência. A tutela provisória de
urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter
antecedente ou incidental. A tutela provisória requerida em caráter
incidental independe do pagamento de custas. A tutela provisória
conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer
tempo, ser revogada ou modificada. Salvo decisão judicial (ou arbitral)
em contrário, a tutela provisória conservará a eficácia durante o período
de suspensão do processo”.

Diz o Código de Processo Civil de 2015:

TÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em


urgência ou evidência.

Parágrafo único. A tutela provisória de urgência,


cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter
antecedente ou incidental.

5
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter


incidental independe do pagamento de custas.

Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na


pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser
revogada ou modificada.

Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a


tutela provisória conservará a eficácia durante o
período de suspensão do processo.

Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que


considerar adequadas para efetivação da tutela
provisória.

Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória


observará as normas referentes ao cumprimento
provisório da sentença, no que couber.

Art. 298. Na decisão que conceder, negar, modificar ou


revogar a tutela provisória, o juiz motivará seu
convencimento de modo claro e preciso.

Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da


causa e, quando antecedente, ao juízo competente para
conhecer do pedido principal.

Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na


ação de competência originária de tribunal e nos
recursos a tutela provisória será requerida ao órgão
jurisdicional competente para apreciar o mérito.

TÍTULO II

DA TUTELA DE URGÊNCIA

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando


houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do
processo.

6
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

§ 1 o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz


pode, conforme o caso, exigir caução real ou
fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra
parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser
dispensada se a parte economicamente hipossuficiente
não puder oferecê-la.

§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida


liminarmente ou após justificação prévia.

§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não


será concedida quando houver perigo de
irreversibilidade dos efeitos da decisão.

Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode


ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento
de bens, registro de protesto contra alienação de bem e
qualquer outra medida idônea para asseguração do
direito.

Art. 302. Independentemente da reparação por dano


processual, a parte responde pelo prejuízo que a
efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa,
se:

I - a sentença lhe for desfavorável;

II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente,


não fornecer os meios necessários para a citação do
requerido no prazo de 5 (cinco) dias;

III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em


qualquer hipótese legal;

IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou


prescrição da pretensão do autor.

Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos


em que a medida tiver sido concedida, sempre que
possível.

CAPÍTULO II

7
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

DO PROCEDIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA


REQUERIDA EM CARÁTER ANTECEDENTE

Art. 303. Nos casos em que a urgência for


contemporânea à propositura da ação, a petição inicial
pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à
indicação do pedido de tutela final, com a exposição da
lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano
ou do risco ao resultado útil do processo.

§ 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o


caput deste artigo:

I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a


complementação de sua argumentação, a juntada de
novos documentos e a confirmação do pedido de tutela
final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o
juiz fixar;

II - o réu será citado e intimado para a audiência de


conciliação ou de mediação na forma do art. 334 ;

III - não havendo auto composição, o prazo para


contestação será contado na forma do art. 335.

§ 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso


I do § 1º deste artigo, o processo será extinto sem
resolução do mérito.

§ 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste


artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de
novas custas processuais.

§ 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste


artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que deve
levar em consideração o pedido de tutela final.

§ 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que


pretende valer-se do benefício previsto no caput deste
artigo.

§ 6º Caso entenda que não há elementos para a


concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional
determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco)

8
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser


extinto sem resolução de mérito.

Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do


art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder
não for interposto o respectivo recurso (NA
ARBITRAGEM NÃO CABE RECURSO, E SIM
PROVOCAÇÃO AO JUDICIÁRIO PARA NULIDADE).

§ 1º No caso previsto no caput, o processo será extinto.

§ 2º Qualquer das partes poderá demandar a outra com


o intuito de rever, reformar ou invalidar a tutela
antecipada estabilizada nos termos do caput.

§ 3º A tutela antecipada conservará seus efeitos


enquanto não revista, reformada ou invalidada por
decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2º.

§ 4º Qualquer das partes poderá requerer o


desarquivamento dos autos em que foi concedida a
medida, para instruir a petição inicial da ação a que se
refere o § 2º, prevento o juízo em que a tutela antecipada
foi concedida.
§ 5º O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela
antecipada, previsto no § 2º deste artigo, extingue-se
após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que
extinguiu o processo, nos termos do § 1º.

§ 6º A decisão que concede a tutela não fará coisa


julgada, mas a estabilidade dos respectivos efeitos só
será afastada por decisão que a revir, reformar ou
invalidar, proferida em ação ajuizada por uma das
partes, nos termos do § 2º deste artigo.

CAPÍTULO III
DO PROCEDIMENTO DA TUTELA CAUTELAR
REQUERIDA EM CARÁTER ANTECEDENTE

Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação


de tutela cautelar em caráter antecedente indicará a lide
e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se
objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo.

9
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se


refere o caput tem natureza antecipada, o juiz observará
o disposto no art. 303.

Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco)


dias, contestar o pedido e indicar as provas que pretende
produzir.

Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos


alegados pelo autor presumir-se-ão aceitos pelo réu
como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5
(cinco) dias.

Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal,


observar-se-á o procedimento comum.

Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal


terá de ser formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta)
dias, caso em que será apresentado nos mesmos autos
em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não
dependendo do adiantamento de novas custas
processuais.

§ 1º O pedido principal pode ser formulado


conjuntamente com o pedido de tutela cautelar.

§ 2º A causa de pedir poderá ser aditada no momento de


formulação do pedido principal.

§ 3º Apresentado o pedido principal, as partes serão


intimadas para a audiência de conciliação ou de
mediação, na forma do art. 334 , por seus advogados ou
pessoalmente, sem necessidade de nova citação do réu.

§ 4º Não havendo autocomposição, o prazo para


contestação será contado na forma do art. 335 .

Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em


caráter antecedente, se:

I - o autor não deduzir o pedido principal no prazo


legal;

10
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

II - não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias;


III - o juiz julgar improcedente o pedido principal
formulado pelo autor ou extinguir o processo sem
resolução de mérito.

Parágrafo único. Se por qualquer motivo cessar a


eficácia da tutela cautelar, é vedado à parte renovar o
pedido, salvo sob novo fundamento.

Art. 310. O indeferimento da tutela cautelar não obsta a


que a parte formule o pedido principal, nem influi no
julgamento desse, salvo se o motivo do indeferimento for
o reconhecimento de decadência ou de prescrição.

TÍTULO III
DA TUTELA DA EVIDÊNCIA

Art. 311. A tutela da evidência será concedida,


independentemente da demonstração de perigo de dano
ou de risco ao resultado útil do processo, quando:

I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o


manifesto propósito protelatório da parte;

II - as alegações de fato puderem ser comprovadas


apenas documentalmente e houver tese firmada em
julgamento de casos repetitivos ou em súmula
vinculante;

III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em


prova documental adequada do contrato de depósito,
caso em que será decretada a ordem de entrega do
objeto custodiado, sob cominação de multa;

IV - a petição inicial for instruída com prova documental


suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a
que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida
razoável.

Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz


poderá decidir liminarmente.
.

11
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

O legislador ordinário (Deputados Federais e Senadores, da República), atendendo ao


apelo da prudência, ditado pelo conservadorismo, limitou os poderes do árbitro no
tocante à concessão de tutela cautelar, isso até a publicação da Lei Federal nº 13.129,
DE 26 DE MAIO DE 2015. EMENTA: Altera a Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996,
e a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para ampliar o âmbito de aplicação da
arbitragem e dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes recorrem a órgão
arbitral, a interrupção da prescrição pela instituição da arbitragem, a concessão de tutelas
cautelares e de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a sentença arbitral, e
revoga dispositivos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996.
.

CAPÍTULO IV-A

DAS TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA

Art. Antes de instituída a


22-A.
arbitragem, as partes poderão recorrer
ao Poder Judiciário para a concessão
de medida cautelar ou de urgência.
Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida
cautelar ou de urgência se a parte interessada não
requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30
(trinta) dias, contado da data de efetivação da
respectiva decisão.

Art. Instituída a arbitragem,


22-B.
caberá aos árbitros manter,
modificar ou revogar a medida
cautelar ou de urgência concedida
pelo Poder Judiciário.
Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem,
a medida cautelar ou de urgência será
requerida diretamente aos árbitros.”

Isso quer dizer que a lei concedeu poderes ao árbitro para impor medida cautelar.
Agora a competência arbitral vai da apreciação do pedido à solicitação ao juiz togado
à efetivação da mesma. Ou seja, o árbitro pode - e deve - apreciar e deferir o pedido de
concessão de cautelar, eis que cabe a ele julgar todas as providências cabíveis ao

12
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

efetivo exercício da "jurisdição arbitral". E, assim, englobando a medida cautelar, seja


esta incidental, eventual, ou seja preparatória, instrumental.

Todavia, a sua execução se vincula a CARTA ARBITRAL nos termos:

CAPÍTULO IV-B

DA CARTA ARBITRAL

Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá


expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional
nacional pratique ou determine o cumprimento, na
área de sua competência territorial, de ato solicitado
pelo árbitro.

Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral


será observado o segredo de justiça, desde que
comprovada a confidencialidade estipulada na
arbitragem.” (Lei Federal nº 13.129, DE 26 DE MAIO
DE 2015. EMENTA: Altera a Lei nº 9.307, de 23 de
setembro de 1996, e a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de
1976, para ampliar o âmbito de aplicação da arbitragem e
dispor sobre a escolha dos árbitros quando as partes
recorrem a órgão arbitral, a interrupção da prescrição pela
instituição da arbitragem, a concessão de tutelas cautelares e
de urgência nos casos de arbitragem, a carta arbitral e a
sentença arbitral, e revoga dispositivos da Lei nº 9.307, de 23
de setembro de 1996).

Neste sentido o CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA regulou a “Cooperação judiciária


entre arbitragem e Justiça”, e nela a CARTA ARBITRAL nos termos da legislação vigente( O
árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral para que o órgão
jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua
competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro. No cumprimento da carta
arbitral será observado o segredo de justiça, desde que comprovada a
confidencialidade estipulada na arbitragem).

Matéria de domínio público, diz o CNJ:

(...)Manuel Carlos Montenegro - Agência CNJ de


Notícias

13
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Uma medida aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça


(CNJ) deve melhorar a cooperação judiciária entre
árbitros, árbitras ou tribunais arbitrais e a Justiça. O texto
da resolução aprovada na 93ª Sessão Virtual do CNJ,
encerrada na sexta-feira (24/9), detalha como será
elaborada a chamada carta arbitral. O documento serve
para oficializar solicitação ao Poder Judiciário para que
determine o cumprimento da solução arbitrada para
determinado litígio estabelecido na relação entre dois
contratantes.

Desde 1996, a legislação brasileira prevê que um


árbitro possa ser escolhido no lugar de um
juiz como autoridade responsável por
solucionar um conflito iniciado entre duas
partes que assinaram um contrato entre si. No
entanto, optar pelo instituto da arbitragem
como alternativa ao processo judicial implica
que os contratantes aceitem submeter-se à
sentença de um árbitro – e não a de um
tribunal – para resolver as divergências
patrimoniais que eventualmente surgirem do
negócio. Quando a sentença arbitral não for
cumprida por uma das partes, o árbitro ou o
tribunal arbitral pode solicitar ao Poder
Judiciário que faça cumprir a decisão.

Entre os requisitos que devem constar da carta arbitral, a


regulamentação do CNJ prevê a identificação tanto
do árbitro(a) ou do órgão arbitral que solicita o
cumprimento da decisão quanto a do juiz ou
juíza a quem o pedido for endereçado. Também
devem ser assinalados na carta arbitral qual ato
processual deverá ser praticado e o número do
procedimento arbitral ao qual corresponde.

Outras informações que devem acompanhar a carta


arbitral são a cópia da convenção arbitral, a prova de que
tribunal arbitral foi instituído ou de nomeação de árbitro

14
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

ou árbitra, assim como um atestado de que o solicitante


aceitou a função de arbitragem.

Devem fazer parte da solicitação tanto o texto da petição


quanto o da decisão arbitral que pede-se cumprir. Outros
documentos necessários são as procurações que as partes
tenham outorgado a advogados ou advogadas e o
documento que ateste a confidencialidade do
procedimento, quando for o caso.
A resolução aprovada pelo CNJ incluiu no texto da
resolução anterior que tratava de cooperação judiciária os
tribunais arbitrais e o(as) árbitro(as) como uma das
instituições com que a Justiça poderá realizar a chamada
cooperação judiciária interinstitucional para dar mais
celeridade e efetividade à prestação jurisdicional. Essas
instituições ganham, assim, condição que antes era
reservada apenas ao Ministério Público, Ordem dos
Advogados do Brasil, Defensoria Pública e às
Procuradorias Públicas.

Alternativa.

De acordo com o relator do Ato Normativo 0006684-


33.2021.2.00.0000, conselheiro Mário Guerreiro, o texto
da proposta decorre “da necessidade de se
regulamentar, em instrumento normativo
próprio, a cooperação judiciária nacional em
matéria de arbitragem, instituto este
consagrador da ‘justiça multiportas’, na medida
em que integra o rol de métodos alternativos de
solução consensual de conflitos ”, afirmou em seu
voto, que foi acolhido por unanimidade no Plenário, após
ser discutido e aprovado pelo Comitê Executivo da Rede
Nacional de Cooperação Judiciária.

A cooperação judiciária foi criada para desburocratizar e


dar mais agilidade ao cumprimento de atos e decisões
judiciais. Alinha-se aos princípios da cooperação e da
eficiência, que estruturam o processo civil, de acordo
com o Código de Processo Civil (Lei Federal nº
13.105/2015).

15
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Em 2020, o CNJ regulamentou o instituto da cooperação


judiciária nacional, dentro e fora do Poder Judiciário.
Ainda faltava, no entanto, regular a interação entre
órgãos da Justiça e os tribunais arbitrais.
Regulamentada cooperação judiciária entre arbitragem e
Justiça - Portal CNJ
Link: você pesquisou por cooperação arbitral - Portal CNJ
Resolução Nº 350 de 27/10/2020
Tecnologia Da Informação E Comunicação; Gestão e
Organização Judiciária. Ementa: Estabelece diretrizes e
procedimentos sobre a cooperação judiciária nacional entre os
órgãos do Poder Judiciário e outras instituições e entidades, e
dá outras providências.
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/3556
original182611202011035fa1a0c3a36f6.pdf (cnj.jus.br)
compilado164344202111036182bc40024fd.pdf (cnj.jus.br)
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/4150
original13424620211006615da7d63ee0f.pdf (cnj.jus.br)
https://atos.cnj.jus.br/files/
original13424620211006615da7d63ee0f.pdf

Diante de tudo que doutrinariamente se discute nesta NOTA TÉCNICA ARBITRAL,


se conclui que a sentença arbitral não é dotada de coercibilidade (ou seja, o árbitro não
pode determinar a força pública, ou outro meio de execução a seu critério processual),
se a parte vencida não cumprir espontaneamente a decisão arbitral condenatória, a
parte vencedora terá que ingressar com o processo de cumprimento de sentença
perante a Autoridade Judicial competente para obter o bem jurídico almejado.

Neste caso, se reforça, o instrumento será CARTA ARBITRAL que deve observar:

Resolução Nº 421 de 29/09/2021.

EMENTA: Estabelece diretrizes e procedimentos sobre


a cooperação judiciária nacional em matéria de
arbitragem e dá outras providências.

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE


JUSTIÇA (CNJ), no uso de suas atribuições legais e
regimentais;

CONSIDERANDO que cabe ao Conselho Nacional de


Justiça a função de planejamento estratégico do Poder
Judiciário, podendo regulamentar a administração

16
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

judiciária, nos termos do artigo 103-B, § 4o, I, da


Constituição da República;

CONSIDERANDO os artigos 6o e 8o da Lei no


13.105/2015 (Código de Processo Civil), que consagram
os princípios da cooperação e da eficiência no processo
civil;
CONSIDERANDO que a cooperação judiciária constitui
mecanismo contemporâneo, desburocratizado e ágil
para o cumprimento de atos judiciais;

CONSIDERANDO a previsão da carta arbitral no artigo


22-C da Lei no 9.307/1996 (Lei de Arbitragem) e no
artigo 260, § 3o, do Código de Processo Civil, bem como
que o(a) árbitro(a) ou órgão arbitral podem formular
pedido de cooperação judiciária, na forma do artigo
237, IV, do Código de Processo Civil;

CONSIDERANDO as diretrizes e procedimentos


estabelecidos na Resolução CNJ no 350/2020,
especialmente nos seus artigos 15 e 16, para a
cooperação judiciária nacional entre os órgãos do
Poder Judiciário e outras instituições e entidades;

CONSIDERANDO a decisão plenária tomada no


julgamento do Ato Normativo no 0006684-
33.2021.2.00.0000, na 93ª Sessão Virtual, realizada em
24 de setembro de 2021;

RESOLVE:

Art. 1o Esta resolução dispõe sobre a cooperação


judiciária nacional em matéria de arbitragem.

Parágrafo único. Aplicam-se as diretrizes estabelecidas


pela Resolução CNJ no 350/2020 à cooperação
judiciária nacional em matéria de arbitragem.

Art. 2o Os pedidos de cooperação judiciária previstos na


Resolução CNJ no 350/2020 podem ser formulados entre
os(as) árbitros(as) ou órgãos arbitrais e os órgãos do
Poder Judiciário, no que couber.

17
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Parágrafo único. Os pedidos de cooperação judiciária


deverão ser encaminhados diretamente pelo(a)
árbitro(a) ou órgão arbitral ao juízo cooperante ou pelo
juízo ao(à) árbitro(a) ou órgão arbitral, ou ser remetidos
por meio do Juízo de Cooperação.

Art. 3o A carta arbitral seguirá o regime previsto no


artigo 22-C da Lei no 9.307/1996 (Lei de Arbitragem) e
no artigo 260, § 3o, do Código de Processo Civil.

§ 1o Constituem requisitos da carta arbitral:

I – identificação do(a) árbitro(a) ou órgão arbitral


solicitante do cumprimento da decisão e do juízo do
Poder Judiciário competente;

II – indicação do ato processual a ser praticado;

III – assinatura do(a) árbitro(a);

IV – número do procedimento arbitral e identificação do


órgão arbitral, nos casos de arbitragem institucional; e

V – qualificação das partes.

§ 2o Os pedidos de cooperação judiciária formulados


pelos(as) árbitros(as) ou órgãos arbitrais deverão ser
acompanhados de cópia da convenção arbitral, de prova
da instituição do tribunal arbitral ou da nomeação do(a)
árbitro(a) e de sua aceitação da função, do inteiro teor
da petição, da respectiva decisão arbitral cujo
cumprimento é solicitado, das procurações outorgadas
aos(às) advogados(as) das partes e de documento que
ateste a confidencialidade do procedimento, quando
cabível.

Art. 4o Desde que a confidencialidade do procedimento


arbitral seja comprovada, os pedidos de cooperação
judiciária entre juízos arbitrais e órgãos do Poder
Judiciário deverão observar o segredo de justiça, na
forma prevista no artigo 189, IV, do Código de Processo
Civil, e no artigo 22-C, parágrafo único, da Lei de
Arbitragem.

18
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Art. 5o Os tribunais poderão determinar a distribuição


preferencial de processos envolvendo arbitragem para
determinada vara ou câmara, a fim de propiciar a
especialização na matéria.

Art. 6o Altera-se o artigo 16 da Resolução CNJ no


350/2020, que passa a vigorar com
alteração nos incisos IV e V e acréscimo
do inciso VI:
“Art. 16 ..........

IV – Procuradorias Públicas;

V – Administração Pública; e

VI – Tribunais arbitrais e árbitros(as)”. (NR)

Art. 7o Esta Resolução entra em vigor na data de sua


publicação.

Ministro LUIZ FUX – Presidente do CNJ-STF

Salvo Melhor Juízo, não compete a este árbitro decidir sobre a questão “posse” no
imóvel referenciado na CERTIDÃO de REGISTRO GERAL, Livro 2ª Fichas 01-02.
Devendo o herdeiro que ficar com esta parte da partilha, questionar junto ao
POSSEIRO, supostamente: “ANIBAL”

Publique-se, cumpra-se.
Fortaleza, 21 de fevereiro de 2022, expediente ON-LINE as 12:40.

César Augusto Venâncio da Silva


Árbitro do Procedimento

19
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

Árbitro do Procedimento - Artigo 18 da Lei da Arbitragem: O árbitro é juiz de fato e de


direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder
Judiciário), Especialista em Direito Civil – FACULDADE FAVENI – Registro 117117
LIVRO 781. Fls 117 - 01.10.2021) - Especialista em Direito Processual Civil –
FACULDADE FAVENI – Registro 96839 LIVRO 646. Fls 89 – 20.05.2021.

20
ARBITRAGEM “Ad hoc”
SENTENÇA ARBITRAL PARCIAL 25.119.345.2022

21

Você também pode gostar