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SEGURANÇA DO TRABALHO:

O que saber minimamente para manter um ambiente de


trabalho seguro.

São Luís
2022
AUGUSTO CÉSAR AZEVEDO CARVALHO FILHO
DANIEL MIRANDA TEIXEIRA DE SOUSA

SEGURANÇA DO TRABALHO:

O que saber minimamente para manter um ambiente de trabalho seguro.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Federal do Maranhão, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Ciência e Tecnologia.

Orientador:

NOME DO ORDEM ALFABÉTICA


São Luís

2022
SEGURANÇA DO TRABALHO:
O QUE SABER MINIMAMENTE PARA MANTER UM AMBIENTE DE
TRABALHO SEGURO.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Federal do Maranhão, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Ciência e Tecnologia.

Aprovado em: __/__/____

BANCA EXAMINADORA

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)


RESUMO

Este trabalho de pesquisa tem como propósito demonstrar a importância da


prevenção dos riscos ocupacionais e da normas de segurança aplicadas nas
organizações que possuem trabalhadores. A segurança e a qualidade de vida no
ambiente de trabalho devem ser elementos indispensáveis para uma organização.
A segurança do trabalhador em seu ambiente de trabalho somente será alcançada a
partir do momento que este tenha informações integras e que ocorram no tempo
certo, sendo a participação do empregador indispensável e basilar. A Segurança do
Trabalho é o melhor meio de transmissão de informações para o empreendedor e ao
empregado para a consecução de resultados positivos. A Segurança no ambiente de
trabalho é o elemento que agrega a Higiene Ocupacional, Medicina do Trabalho,
Engenharia de Segurança além da Ergonomia, isto é, a boa aplicação desses
elementos resultará em excelentes resultados para a organização e seus parceiros
trabalhadores.

Palavras-chave: Segurança; Normas; Saúde; Prevenção; Riscos.


ABSTRACT

This research work aims to demonstrate the importance of preventing occupational


hazards and safety standards applied in organizations that have workers. Safety and
quality of life in the work environment must be essential elements for an organization.
Worker safety in their work environment will only be achieved from the moment they
have complete information and that it occurs at the right time, with the participation of
the employer being essential and fundamental. Occupational Safety is the best
means of transmitting information to entrepreneurs and employees in order to
achieve positive results. Safety in the workplace is the element that brings together
Occupational Hygiene, Occupational Medicine, Safety Engineering in addition to
Ergonomics, that is, the good application of these elements will result in excellent
results for the organization and its working partners.

Key-words: Safety; Standards; Health; Prevention; Scratchs


LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 – NORMAS REGULAMENTADORAS URBANAS...............................


QUADRO 2 – SESMT................................................................................................
QUADRO 3 – ATRIBUIÇÕES DA CIPA....................................................................
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS (OPCIONAL)

ART Artigo
CLT Consolidação das Leis Trabalhistas
CIPA Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
EPC Equipamento de Proteção Coletiva
EPI Equipamento de Proteção Individual
FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
INSS Instituto Nacional de Previdência Social
MTE Ministério do Trabalho
NR Norma Regulamentadora
PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional
SESMT Serviço Especializado em Engenharia de Segurança em Medicina do
Trabalho
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................
1.1 O Problema......................................................................
1.2 Objetivo Geral..............................................................................
1.2.1 Objetivos Específicos.............................................................
2 RESPONSÁVEIS PELA SEGURANÇA DO TRABALHO NO BRASIL
2.1 O Estado...................................
2.2 Empregadores ......................................
2.3 Empregados.......................................................

3 REFERENCIAL TEÓRICO....................................................
3.1 Segurança do Trabalho.......................................
3.2 Higiene do Trabalho.....................
3.3 Riscos Ambientais...........................
3.4 Ergonomia...............
3.5 Acidente de Trabalho e Doença Ocupacional....................................
3.6 Ato Inseguro e Condição Insegura....................................
4 NORMAS REGULAMENTADORAS.........................................................
4.1 NR-1 Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
4.2 NR-4 Serviço Especializado em Engenharia de Segurança em
Medicina do Trabalho........................
4.3 NR-5 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes ...............
4.4 NR-6 Equipamento de Proteção Individual.....................................
4.5 NR-7 Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional...............
CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................
REFÊRENCIAS..........................................................................................
1 INTRODUÇÃO

Qualquer tarefa, seja trabalho ou outra qualquer (lazer, esporte), sempre


estará envolta em riscos que podem resultar em danos. Tais riscos são bem mais
explícitos nos locais de trabalho, uma vez que as pessoas passam a maior parte de
sua vida no ambiente laboral.
Na indústria, no comércio e no setor de serviços, a arte de laborar exige
conhecimento, planejamento, controle e, não menos importante, a segurança do
trabalhador, tais pontos são indispensáveis para que a qualidade do produto final
seja excelente, com o menor custo de produção e maior lucro para a organização.
O ambiente de trabalho deve ser um local de progressão profissional e seguro
para o indivíduo. Condições desfavoráveis de laboro devem ser permanentemente
eliminadas ou controladas, de modo a não afetarem a integridade física e
psicológica dos trabalhadores.
O aprimoramento incessante dos processos produtivos de bens e serviços, a
sobrecarga de trabalho sobre o empregado, a tensão psicológica influenciam
diretamente no número da acidentalidade das empresas, o que leva a saúde e a
integridade física do trabalhador ao desgaste. Perdas de ordem econômica, pessoal
e social são inevitáveis.
Nos locais de trabalho seja escritório, comércio, indústria ocorrem riscos que
podem afetar seriamente a saúde do trabalhador, porém estes riscos podem ser
controlados e muitas vezes até eliminados com simples procedimentos técnicos de
segurança do trabalho.
A legislação brasileira quanto à segurança e saúde do trabalhador é formada
por diversas normas que visam manter o ambiente salubre para a realização de
atividades das organizações, tais normas são estabelecidas pelo governo federal
para seguir as inovações tecnológicas dos processos de produção de bens e
serviços.
É comum o empresário brasileiro desconhecer seus deveres quanto à
segurança e bem-estar de seus empregados, da mesma forma, empregados
desconhecem os seus direitos trabalhistas principalmente os relacionados à sua
segurança. A normas brasileiras, pertinentes à saúde e segurança do trabalhador,
são tidas como as mais modernas do mundo e vem evoluindo constantemente para
melhor atender aos anseios da classe trabalhadora, das instituições privadas e
públicas.
Esta dissertação tem como justificativa de elaboração dar orientação de
maneira básica: a empregadores, empregados, estudantes, pessoas em geral sobre
a existência da obrigatoriedade de ações que envolvem a segurança e saúde
ocupacional. Esta orientação visa eliminar os prejuízos diretos e indiretos causados
pelos acidentes de trabalho, que trazem transtornos à classe de trabalhadores, ao
Estado, à sociedade, bem como à empresa.
Qualquer metodologia de pesquisa escolhida e utilizada exige considerável
paciência, disponibilidade e atenção, pois procura uma resposta que depende do
tipo de pesquisa escolhida, sendo esta: bibliográfica, descritiva, de campo,
experimental, dentre outras.
Neste Trabalho de Conclusão de Curso foi utilizada na sua metodologia a
pesquisa exploratória bibliográfica que visa a busca de informações em literaturas
como livros, leis, revistas, artigos científicos, sites de confiança da internet que
evidenciam a importância do assunto pesquisado à classe acadêmica bem como a
toda a sociedade.

1.1 O Problema

Importante destacar que a grande maioria dos empregados, empregadores,


classe acadêmica não tem o conhecimento mínimo dos seus direitos e deveres no
que se refere a segurança e saúde no ambiente de trabalho, isto é um fato a
considerar, visto que, a vida e a saúde são os bens mais básicos, indispensáveis e
preciosos de qualquer ser humano.
Infelizmente muitas pessoas iniciam sua carreira profissional como
empregados sem saber o real motivo de ser compelido a fazer um exame
admissional, usar o equipamento de segurança ou praticar ações de prevenção, etc.
Certamente ao se perguntar a essas pessoas o motivo dessas práticas muitos
responderiam que não sabem ou a empresa mandou fazer.
Diante do que foi suscitado a pouco, surge o seguinte problema: as
imposições, orientações e procedimentos, percebidos no ambiente de trabalho, a
respeito da segurança e da saúde ocupacional dos trabalhadores brasileiros, tem
sua gênese determinada onde?

1.2 Objetivos

Objetivo Geral:
O objetivo geral deste trabalho é realizar uma revisão bibliográfica sobre
Segurança do Trabalho de modo a demonstrar a existência das normas legais
referentes à segurança dos trabalhadores brasileiros e as obrigações das empresas
em manter um ambiente salubre.

1.2.1 Objetivos Específicos:


a) indicar os deveres e direitos dos empregadores e empregados a respeito
da segurança e saúde no trabalho;
b) Informar a importância das Normas Regulamentadoras;
c) trazer Orientações a respeito da Segurança do Trabalho;
2 RESPONSÁVEIS PELA SEGURANÇA DO TRABALHO NO BRASIL

2.1 O Estado

O Estado é a entidade detentora do poder soberano para governar um povo


dentro de uma área territorial. Os elementos constitutivos do Estado são: o poder, o
povo, o território, o governo e as leis. É o monopólio do uso legítimo da força que
define o Estado, Isto é, dentro de determinados limites territoriais, nenhum outro
grupo ou instituição, além do Estado, tem o poder de obrigar, cobrar, taxar e punir.
O Estado é o garantidor da Ordem Pública e do bem-estar social, o mesmo
atua de forma discricionária e coercitiva quando violados direitos e Interesses da
sociedade. É através do chamado Poder de Polícia que se dá ao Estado para que
este atue com o poder de fiscalizar, paralisar e punir. Os representantes do Estado
brasileiro (governo) só podem agir ou deixar de agir se as leis permitirem.
A Constituição Federal no Artigo 7º diz que é um dos direitos dos
trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social: “Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de
saúde, higiene e segurança” (ANGER, 2013). É dever do Estado, através de ações
de prevenção e fiscalização, garantir a segurança, a integridade física, saúde e a
vida dos trabalhadores brasileiros em qualquer atividade econômica do Brasil.
Cabe ao Poder Executivo, especialmente por intermédio da fiscalização
federal do Ministério do Trabalho (recriado em 2021), a tarefa de orientar, fiscalizar
e punir as condições do ambiente de trabalho das organizações. (GARCIA, 2020).
Os Auditores do Trabalho são servidores públicos federais, aos mesmos
cabem fiscalizar a correta aplicação das normas trabalhistas do Brasil. Aplicam
multas, embargam obras, interditam estabelecimentos, setores de serviços,
máquinas, equipamentos e quaisquer atividades que estejam oferecendo risco
grave e iminente para a saúde e integridade física dos trabalhadores.

2.2 Empregadores
Muitas empresas, na atualidade, aceitam, despreocupadamente, os passivos
ocupacionais oriundos de acidentes de trabalho, pois ainda consideram a questão
da Segurança e Saúde Ocupacional do seus trabalhadores como uma mera
imposição legal, essas organizações não sobreviverão aos novos tempos, novos
conceitos socioambientais.
A competitividade e a produtividade compelem as empresas a superarem
paradigmas, obrigando-as a implantar novas tecnologias nas atividades produtivas.
A área de saúde e segurança ocupacional, nas organizações modernas, está sendo
considerada estratégica na ação de crescimento e desenvolvimento. Cabe ao
empresário/empregador reconhecer que a saúde do trabalhador é fator de
crescimento num mercado cada vez mais competitivo.
Empregador é o sujeito que concede a oportunidade de emprego a uma ou
mais pessoas. É pessoa jurídica que em qualquer contexto, assume o risco da
atividade e orienta o modo de execução das tarefas. Em contrapartida, pela
execução da atividade, o empregador oferecerá uma contribuição denominada como
salário ao trabalhador.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) apresenta o conceito de
empregador da seguinte forma: “Considera-se empregador a empresa, individual ou
coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige
a prestação pessoal de serviços” (ANGER, 2013, p.550).
Em troca da execução de tarefas, o empregador deve pagar um salário para
seu empregado. No entanto, o empregador assume tanto os riscos positivos (ativos),
quanto os negativos (passivos). Não pode o empregador transmitir os riscos
(custos/prejuízos) da atividade econômica para o trabalhador.
Para os efeitos exclusivos da relação de emprego, equiparam-se ao
empregador (CARRION, 2021, p. 221): “Os profissionais liberais, as instituições de
beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos,
que admitirem trabalhadores como empregados”.
São deveres das empresas em relação a segurança e saúde dos
trabalhadores, segundo a legislação trabalhista:
I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às
precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais;
III - adotar as medidas que lhe sejam determinadas pelo órgão regional
competente;
IV - facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente.
(CARRION, 2021, p. 248).

Cabe as empresas cumprir e exigir com que seus empregados cumpram


todas as normas e procedimentos que garantam a própria integridade física, saúde e
segurança no ambiente de trabalho. É da competência do empregador: garantir
treinamentos, instruções escritas a seus empregados. As informações repassadas
aos empregados devem abordar os métodos de prevenção de acidentes, doenças
do trabalho e os riscos das atividades de trabalho.
Cabe ao empregador, entre muitas obrigações, facilitar as atividades dos
Auditores do Trabalho durante fiscalização a respeito da segurança do trabalho,
saúde e higiene ocupacional dos trabalhadores. (GARCIA, 2020).
Conclui-se, dessa forma, a grande responsabilidade do empregador,
destacando-se a imprescindibilidade da manutenção da saúde e da segurança do
quadro de empregados. Investir na qualidade de vida dos empregados não é gasto é
investimento, sendo este investimento de rápido retorno e benesses duradouras.

2.3 Empregados

O empregado é sempre uma pessoa física, que presta o serviço


pessoalmente, é subordinado ao empregador, suas atividades não devem ser
eventuais e mediante salário. Segundo Garcia (2020) considera-se empregado toda
pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador, sob a
dependência deste e mediante salário.
Quanto a saúde no ambiente de trabalho, cabe aos trabalhadores as
seguintes responsabilidades:

Cabe ao trabalhador:
a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde
no trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador;
b) submeter-se aos exames médicos previstos nas NR;
c) colaborar com a organização na aplicação das NR; e
d) usar o equipamento de proteção individual fornecido pelo empregador.
Constitui ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento do
disposto nas alíneas do subitem anterior. (CARRION, 2021, p.253)

A norma trabalhista impõe ao trabalhador a obrigação de cumprir as normas


de segurança indicadas em regulamentações e em ordens de serviço. Ordens de
serviço são documentos que visam dar ciência ao empregado dos riscos e
procedimentos indispensáveis para a execução segura de determinada tarefa
(GARDIN, 2001). O mesmo ainda deve submeter-se aos exames médicos previstos
no Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional. (CAMISASSA, 2020).
Usar sempre que necessário o Equipamento de Proteção Individual (EPI) e o
Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) conforme as orientações estabelecidas
pelo empregador. Tais equipamentos, quando usados corretamente, evitam
acidentes sérios e doença de origem ocupacional.
A recusa injustificada (MONTEIRO, BERTAGNI, 2020) do empregado em não
seguir as normas de segurança estabelecidas pela entidade pode constituir ato
faltoso, isto é, pode ocorrer a demissão do empregado por justa causa. A
desobediência às normas de segurança é o fator que mais origina os acidentes de
trabalho (SILVA, 2009). Compete ao empregador usar todas as ferramentas
necessárias para mudar este tipo de comportamento inadequado no ambiente de
trabalho.
Um método de disseminar e incutir a cultura da prevenção e as normas de
segurança da empresa é o treinamento. Segundo Chiavenato (2014) o treinamento é
uma a experiência aprendida que causa uma mudança permanente em um indivíduo
e que melhora a sua capacidade de desempenho.
O treinamento objetiva conscientizar o empregado sobre a sua postura em
relação a sua segurança o local de trabalho. Conscientizar o trabalhador é o método
de prevenção eficiente e de baixo investimento para a empresa.
Para os empregados o ambiente seguro e saudável reduz a possibilidade de
acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho. Além disso, ambiente seguro e
organizado traz mais satisfação para a realização do trabalho e causa aumento da
produtividade.
3 REFERENCIAL TEÓRICO

A Segurança do Trabalho atua por meio de estudos e técnicas específicas,


faz análise das possíveis causas dos acidentes e de doenças ocupacionais. Sua
principal ferramenta de trabalho é a prevenção. A Segurança do Trabalho tem como
objetivo a prevenção de incidentes e riscos ocupacionais que possam afetar a
qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores das empresas. A mesma é
importantíssima para qualquer ramo de atividade econômica, pois zela pela
qualidade de vida e mantém um ambiente de trabalho seguro, atende as
determinações das leis trabalhistas, causa impacto direto na produtividade, reduz
gastos desnecessários com o tratamento de trabalhador acidentado.

3.1 Segurança do Trabalho

A Segurança do Trabalho é a ciência que atua diretamente na prevenção dos


acidentes e doenças resultantes dos riscos operacionais das atividades produtivas
de bens e serviços das organizações (SALIBA, 2013). A Segurança do Trabalho tem
como objeto de estudo as possíveis causas dos acidentes e incidentes originados
durante a atividade laboral do trabalhador. Seu principal objetivo é a prevenção: de
acidentes, doenças ocupacionais, riscos ambientais e outras formas de agravos à
saúde do profissional. (BARSANO, BARBOSA, 2018).
São muitas as atividades realizadas pela Segurança do Trabalho e são
estruturadas objetivando sempre a prevenção dos riscos do ambiente de trabalho. A
referida ciência busca corrigir, de maneira prévia, os procedimentos errôneos de
trabalho dos empregados, bem como a correção dos equipamentos/instalações que
não garantam segurança. Tem como objetivo elaborar e dar continuidade aos
programas de segurança exigidos pela legislação trabalhista.
Para Saliba (2013) Segurança do Trabalho são medidas técnicas,
educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para a prevenção de acidentes.
A mesma visa eliminar as condições causadoras de acidentes, seja instruindo ou
convencendo as pessoas da aplicabilidade de práticas seguras de trabalho.
(SALIBA, 2013).
Segundo Szabó (2018) cabe ao Setor de Segurança do Trabalho das
organizações conscientizar toda a empresa a assumir responsabilidades e atitudes
seguras, de modo a diminuir os atos inseguros e condições inseguras.
Segurança do Trabalho é um conjunto de medidas de prevenção adotadas
para a proteção dos trabalhadores das empresas. Tais medidas buscam reduzir
riscos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Visa a promoção de um
ambiente de trabalho saudável de modo que, as tarefas laborais sejam realizadas da
melhor forma possível para o trabalhador e a empresa.

3.2 Higiene do Trabalho

Ciência dedicada à prevenção, através de métodos de reconhecimento,


avaliação e controle dos riscos ambientais existentes nos locais de trabalho, que
podem prejudicar a saúde, a qualidade de vida dos trabalhadores. A Higiene do
trabalho está relacionada com as condições ambientais de trabalho:

A higiene do trabalho ou higiene ocupacional está relacionada com as


condições ambientais de trabalho que assegurem a saúde física e mental
das pessoas, e com as condições de bem-estar delas. Do ponto de vista de
saúde física, o local de trabalho é a área de ação da higiene do trabalho,
envolvendo aspectos ligados com a exposição do organismo humano a
agentes externos, como ruído, ar, temperatura, umidade, luminosidade e
equipamentos. (CHIAVENATO, 2014, p. 402).

A Higiene do Trabalho é responsável pela garantia de um ambiente de


trabalho saudável e fisicamente seguro. É responsável por antecipar, reconhecer,
avaliar e controlar os riscos ocupacionais, de modo a promover medidas preventivas
e corretivas que asseguram a saúde e bem-estar do trabalhador (SALIBA, 2013). Os
trabalhos da Higiene do Trabalho se subdividem em quatro etapas: antecipação,
reconhecimento, avaliação e controle de riscos.
A Higiene do Trabalho busca garantir boas condições à saúde e ao bem-estar
dos trabalhadores, tanto no que se refere à observância dos preceitos legais quanto
à aplicação dos novos conceitos de gestão ambiental e gerenciamento ecológico.
(TACHIZAWA, FERREIRA, FORTUNA, 2006, p. 229).
A Higiene do Trabalho busca analisar os riscos: Físicos, Químicos e
Biológicos.
A antecipação do risco; Essa fase tem como objetivo realizar a avaliação de
riscos potenciais do ambiente de trabalho e estabelecer medidas preventivas
antes que um determinado processo industrial, maquinário seja implementado ou
modificado (SILVA, 2021).
O reconhecimento do risco: É onde se dá início a avaliação qualitativa da
identificação dos riscos ambientais que podem afetar a saúde e integridade do
colaborador. Nesta fase são realizados estudos sobre as matérias-primas, produtos
e subprodutos, métodos e procedimentos de rotina, processos produtivos,
instalações e equipamentos existentes. (SILVA, 2021).
A avaliação do risco: é onde há o início da avaliação quantitativa dos riscos,
nesta fase são considerados os limites de tolerância, estabelecidos pela norma
regulamentadora 15 (SILVA, 2021).
O controle do risco: fase associada a minimização ou eliminação dos riscos,
antecipados e reconhecidos e avaliados no ambiente de trabalho (SILVA, 2021). É
nesse momento que serão tomados medidas de ordem administrativa, coletiva ou
individual para a proteção dos trabalhadores.
A diminuição da rotatividade e do absenteísmo dos trabalhadores é o
resultado direto do investimento que o empregador faz em higiene ocupacional, pois
essa agrega qualidade de vida ao capital humano da organização. Aplicar os
preceitos preventivos da Higiene Ocupacional é fator positivo para o crescimento
quantitativo e qualitativo da organização.
Era um pensamento comum e geral que as pessoas, dentro das
organizações, não passavam de meros operários que realizavam apenas trabalhos
simples e repetitivos. Hoje, elas constituem não apenas a mão de obra da empresa,
mas sim, uma parte extremamente importante e indispensável da organização
(CHIAVENATO, 2014). Cabe ao empregador valorizar o capital humano que pode, e
muito, trazer grandes resultados positivos aos ativos da empresa.

3.3 Riscos Ambientais

É importante destacar que os riscos estão presentes em canteiros de obras,


siderúrgicas, hospitais quanto em escritórios de contabilidade, agências de vigem ou
em pequeno comércios. Os riscos se fazem presentes em qualquer ambiente de
trabalho.
Os riscos ambientais no local de trabalho são definidos pelas atividades
realizadas que podem prejudicar a saúde das pessoas, quando expostas sem
proteção, de forma constante e intensa. No local de trabalho podem ser encontrados
três tipos de riscos: físico, químico, biológico (RODRIGUES, 2009).
Risco físico: risco que são perceptíveis ao sentido humano, como sons,
vibrações, ruídos, temperaturas, radiações, tremores e umidade (RODRIGUES,
2009). .
Risco químico: exposição a substâncias químicas que estão presentes no
ambiente de trabalho e são: gases, vapores, poeiras tóxicas, fumos, neblinas e
qualquer tipo de química composta ou misturas entre produtos. Podem penetrar no
organismo através de via respiratória, digestiva ou cutânea. (RODRIGUES, 2009).
Risco biológico são agentes que se apresentam diretamente na forma de
micro organismos e parasitas infecciosos vivos transmissores de toxinas, como
bactérias, bacilos, fungos, protozoários e qualquer tipo de vírus que seja prejudicial à
saúde. (RODRIGUES, 2009).
As atividades laborais executadas pelas pessoas as expõem a diversos tipos
de riscos. O resultado desse processo pode levar ao comprometimento da saúde e
da integridade do trabalhador, causando doenças, acidentes e talvez até a morte.

3.4 Ergonomia

A Ergonomia é uma ciência que busca equilibrar a relação do homem com as


condições e o meio ambiente de trabalho, estabelece normas para melhorar o
relacionamento entre trabalhador e seu posto de trabalho. (SALIBA, 2013).
A Ergonomia observa o perfil da população e elabora medidas para reduzir os
riscos. Atua no ambiente, de modo a melhorar as condições do espaço físico do
local de trabalho e na organização dos processos. Contribui para a boa relação entre
o empregado e as normas de trabalho, cuida da saúde psicológica do trabalhador.
Segundo Camissassa (2020) a Ergonomia visa estabelecer diretrizes e
requisitos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas dos trabalhadores. A NR-17 busca também proporcionar conforto,
segurança, saúde e desempenho eficiente no posto de trabalho dos trabalhadores.
A Ergonomia considera as condições em que são executados as atividades
dos trabalhadores, tais condições incluem:

As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento,


transporte e descarga de materiais, ao mobiliário dos postos de trabalho, ao
trabalho com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais, às
condições de conforto no ambiente de trabalho e à própria organização do
trabalho. (ATLAS, 2021, p.250).

São preocupações da Ergonomia as características em que são executadas


as tarefas do cotidiano laboral. Essas preocupações englobam: levantamento,
transporte e descarga de materiais. Também é de sua área de atuação o mobiliário
dos postos de trabalho, o trabalho com: máquinas, equipamentos e ferramentas
manuais, além considerar as condições de conforto no ambiente de trabalho e à
própria organização dos processos de produção.
Em relação a esta NR, a organização deve realizar a avaliação ergonômica
preliminar. A organização também deve realizar Análise Ergonômica do Trabalho -
AET se condições especiais, contidas nesta NR, forem constatadas no ambiente.
(SILVA, 2021). Os resultados da Avaliação Ergonômica Preliminar deve integrar o
inventário de riscos do Programa de Gerenciamento de Riscos-PGR da NR-1.
(SILVA, 2021).

3.5 Acidente de Trabalho e Doença Ocupacional

Existem dois conceitos sobre o que é acidente de trabalho: o conceito


previdenciário e o conceito preventivo. Para a Previdência Social é o acidente que
ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho
dos segurados especiais, provoca lesão corporal, perturbação funcional, permanente
ou temporária, que cause a morte, a perda ou a redução da capacidade para o
trabalho. (IBRAHIM, 2015). Este conceito só considera o acidentado e sua relação
direta com a Previdência Social.
Para Silva (2009) o conceito preventivo de acidente de trabalho é todo evento
que interfere diretamente no processo normal das atividades produtivas. É uma
ocorrência inesperada e indesejável que causa danos ao andamento normal das
atividades produtivas, pois além do trabalhador, podem ser envolvidos no acidente
outros elementos da organização. (GARDIN, 2001),
Os acidentes de trabalho podem ocorrer com pessoas, instalações,
equipamentos. É importante ressaltar que muitas pessoas, de maneira errada,
acham que os acidentes de trabalho somente afetam pessoas. Destaca-se que os
mesmos são eventos danosos que também resultam em prejuízos aos bens e
paradas desnecessárias da organização, dessa forma, mais um motivo para a
adoção de ações preventivas indicadas pela Segurança do Trabalho.
Algumas características do acidente de trabalho sob a perspectiva da
prevenção: Evento não programado; causa ferimentos a pessoas; danos materiais;
interfere diretamente no processo produtivo da organização; perda de tempo.
Segundo Marras (2007) os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais causam
danos físicos, psicológicos e econômicos ao trabalhador, causa também perdas
materiais e econômicas ao empregador.
Inevitavelmente o acidente de trabalho é um evento péssimo e causa grande
transtorno para o trabalhador e sua família, o seu salário sofrerá diminuição
considerável, gastos com medicamentos e gastos médicos, comprometimento
substancial da renda da família. Muitos problemas de ordem psicológica e
econômica afetaram o trabalhador acidentado e familiares.
Já a empresa deverá arcar com prejuízos bem elevados como:

a) Os custos no socorro à vítima;


b) Paralização do setor;
c) Perdas de material, tempo e produção;
d) Pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento do empregado;
e) Deposito do FGTS do acidentado até seu retorno;
f) Contratação de novo empregado;
g) Péssima imagem da entidade perante o público;
h) Possibilidade de ações judiciais.

Evidentemente o empregador não tem que se preparar para gastos com


acidentes de trabalho, contudo, deve agir preventivamente para que os acidentes de
trabalho não ocorram. Os acidentes no ambiente de trabalho aumentam demais os
custos da organização, tornando seu produto ou serviço mais caro que o da
concorrência. Por vários motivos é justificável o investimento com prevenção. A
prevenção de acidentes deve ser a primeira prioridade no que diz respeito à
segurança dos empregados e dos bens da organização.
Existem modalidades acidentárias que causam danos mediatos ou imediatos
ao empregado, sendo assim, a legislação procurou detalhar outras situações
reconhecidas como acidentes ou doenças de origem trabalhista. Existem também os
acidentes que são provocados por ações de terceiros e pela natureza (IBRAHIM,
2015).
Os acidentes de origem trabalhistas não se limitam somente à área interna da
entidade, os mesmos podem acontecer fora da mesma, para tanto, o trabalhador
deve estar executando uma tarefa sob a responsabilidade da empresa em local
adverso. (IBRAHIM, 2015).
A Doença ocupacional, considerado também acidente, é um evento que
ocorre devido a exposição do trabalhador aos agentes físicos, químicos e biológicos.
Doença Ocupacional é a doença do trabalho desencadeada pelas condições
especiais do ambiente de trabalho. (MICHEL, 2008).
Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos da Lei 8213: “A
doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua
atividade”. (IBRAHIM, 2015, p. 325)
A doença ocupacional pode demorar a se manifestar, contudo, vai agredindo
a a saúde do trabalhador de maneira silenciosa, até que seja descoberta, podendo
nesse intervalo de tempo agravar ou se tornar incurável.
Alguns exemplos de doenças causadas pelo ambiente de trabalho:

3.6 Ato Inseguro e Condição Insegura

Os termos Ato Inseguro e Condição Insegura ganharam grande visibilidade a


partir do modelo da origem de acidentes chamado de Modelo Dominó desenvolvido
por Willian Heinrich (SZABÓ, 2018). Para Heinrich os acidentes são resultados de
uma cadeia de eventos sequenciais, de maneira ilustrativa, seria como uma fila de
dominós caindo. Estes dominós foram nominados e um deles era o Ato Inseguro ou
Condição Insegura o qual antecedia a ocorrência do acidente. Uma vez removido
este dominó, os demais que o antecediam mesmo “caindo” ou se manifestando, não
resultava em acidente de trabalho. (SZABÓ, 2018).
Destaca Marras (2007, p. 211): “Todo acidente acontece porque ele é
provocado. Há duas razões que sempre fazem acontecer um acidente: um ato
inseguro ou uma condição insegura”.
Os Atos Inseguros acontecem por imperícia, negligência ou impudência do
trabalhador quanto aos procedimentos de segurança. É importante lembrar que a
maior parte dos acidentes de trabalho são decorrentes de comportamentos que se
chocam com os princípios prevencionista das normas de segurança.
São exemplos de atos inseguros (SALIBA, 2013): não usar o equipamento de
proteção individual ou coletiva, usar ferramentas desgastadas, não obedecer a
sinalização de segurança, carregar peso excessivo, não observara as normas de
segurança, etc. Marras (2007, p.211) afirma que a quantidade de acidentes
resultantes de atos inseguros é responsável pela grande maioria dos acidentes de
trabalho que ocorrem no Brasil. São considerados atos inseguros as seguintes
práticas: não usar os equipamentos de segurança, operar equipamentos sem
autorização, não obedecer às normas de segurança.
Condições Inseguras dizem respeito às condições ou situações físicas ou
mecânicas perigosas existentes no ambiente de trabalho. Tais cenários podem
resultar ou ocasionar acidentes.
As Condições Inseguras são:

Condições Inseguras são aquelas situações presentes no ambiente de


trabalho e que colocavam em risco a integridade física e/ou a saúde das
pessoas. São os defeitos, falhas, irregularidades técnicas e falta de recursos
de segurança. Acontece sem a interferência do trabalhador, pois ele está

vulnerável a essas condições. (SZABÓ, 2018, p. 53)

A condição insegura é uma condição física perigosa ou circunstancial, no


local de trabalho, que pode dar como resultado direto a ocorrência de um acidente
de ordem material ou pessoal. A Condição Insegura diz respeito direto ao ambiente,
local, máquina ou ferramenta de trabalho que apresenta má condição de segurança.
É a situação (cenário) que facilita a ocorrência de acidentes de trabalho ou doença
ocupacional.
O ambiente organizado, os equipamentos em boas condições de uso e
manutenção de equipamentos em dia propiciam uma produtividade excelente e
segurança aos trabalhadores da organização.
4 NORMAS REGULAMENTADORAS

A Portaria n.º 3.214 de 1978 do Ministério do Trabalho criou as Normas


Regulamentadoras (NR’s) e em 1988 as Normas Regulamentadoras Rurais (NRR’s).
Essas Normas Regulamentadoras urbanas, atualmente em número de 37, vêm
sendo criadas e constantemente atualizadas, sendo consideradas as mais
importantes diretrizes de segurança do trabalho e higiene ocupacional do Brasil.
Cada Norma Regulamentadora trata especificamente de um tema, são
orientações de segurança para cada setor produtivo brasileiro, indicam os
procedimentos de segurança e higiene ocupacional que devem seguir as
organizações que admitem empregados. (MARRAS, 2007, p. 200).
Nestas normas estão indicados os procedimentos técnicos de segurança a
que estão obrigados a praticar os profissionais e empregador da instituição. É
perfeitamente compreensível que as normas regulamentadoras sofram modificações
a fim de acompanhar as inovações tecnológicas de produção de bens e serviços.
A elaboração e a revisão das normas regulamentadoras são realizadas,
atualmente, pelo governo federal que adota o sistema tripartite paritário por meio de
grupos e comissões compostas por representantes do governo, de empregadores e
de trabalhadores.
Nesse contexto, a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) é a
instância de discussão para elaboração e atualização das normas
regulamentadoras, tal comissão visa a melhoria constante das condições e o meio
ambiente do trabalho. (CAMISASSA, 2020).
Em 1978 (ano de criação) existiam 28 Normas Regulamentadoras, hoje
(2022) são 37 Normas Regulamentadoras em uso. A seguir serão apresentadas as
Normas Regulamentadoras básicas mais utilizadas (segundo o autor desta
pesquisa) pelas empresas brasileiras que mantenham empregados em seu quadro.
Segundo Saliba (2013) as NR’s foram instituídas para serem implementadas
nas organizações pelo empregador, com o intuito de proteger os seus empregados
de todos os riscos existentes no seu ambiente de trabalho. As Normas
Regulamentadoras são instrumentos elaborados com a finalidade de dar proteção
física e psicológica à pessoa do empregado, pois é este que é submetido às mais
severas, arriscadas e perigosas atividades de trabalho.
As NR’s devem ser cumpridas, nos termos da lei, por empregadores e
empregados, urbanos e rurais. As NR’s devem ser cumpridas pelas organizações e
pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos
dos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público, que possuam empregados
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CAMISSASSA, 2020).
Abaixo o quadro das 37 normas Regulamentadoras utilizadas pelos
organizações que mantem quadro de empregados.
Quadro de Normas Regulamentadoras
NR QUADRO 1:NORMAS REGULAMENTADORAS URBANAS
NR-01 DISPOSIÇÕES GERAIS e GERENCIAMENTO DE RISCOS
OCUPACIONAIS
NR-02 INSPEÇÃO PRÉVIA (REVOGADA)
NR-03 EMBARGO OU INTERDIÇÃO.
NR-04 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM
MEDICINA DO TRABALHO
NR-05 COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES.
NR-06 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL.
NR-07 PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO E SAÚDE OCUPACIONAL –
PCMSO.
NR-08 EDIFICAÇÕES.
NR-09 AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES OCUPACIONAIS A
AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS
NR-10 SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE.
NR-11 TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE
MATERIAIS
NR-12 SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
NR-13 CALDEIRAS, VASOS DE PRESSÃO E TUBULAÇÕES.
NR-14 FORNOS.
NR-15 ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES.
NR-16 ATIVIDADE E OPERAÇÕES PERIGOSAS.
NR-17 ERGONOMIA.
NR-18 CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO.
NR-19 EXPLOSIVOS.
NR-20 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO COM INFLAMÁVEIS E
COMBUSTÍVEIS.
NR-21 TRABALHO A CÉU ABERTO.
NR-22 SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO.
NR-23 PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS.
NR-24 CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS LOCAIS DO
TRABALHO.
NR-25 RESÍDUOS INDUSTRIAIS.
NR-26 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA.
NR-27 REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO EM SEGURANÇA NO
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO.
NR-28 FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES.
NR-29 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO.
NR-30 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO.
NR-31 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICULTURA, PECUÁRIA
SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO FLORESTAL E AQUICULTURA.
NR-32 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM ESTABELECIMENTOS DE
SAÚDE.
NR-33 SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS.
NR-34 CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL.
NR-35 TRABALHOS EM ALTURA.
NR-36 SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM EMPRESAS DE ABATE E
PROCESSAMENTO DE CARNES E DERIVADO.
NR-37 SEGURANÇA E SAÚDE EM PLATAFORMAS DE PETRÓLEO
(Fonte: CAMISSASSA, 2020)

Em resumo os principais objetivos das NRs são:

a) Fornecer instruções obrigatórias aos empregados e empregadores a


respeito das devidas precauções que devem ser tomadas a fim de evitar
acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais;
b) Promover a política de segurança e saúde do trabalho dentro das
organizações;
c) Preservar e promover a integridade física do trabalhadores;
d) Estabelecer a regulamentação pertinente à segurança e saúde do trabalho.

4.1 NR-01 Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais

A NR-1 Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais é a


norma inicial, ela é quem abre a “porta” para as outra normas regulamentadoras. A
mesma apresenta: a magnitude, diretrizes, deveres, direitos e personagens.
As NR’s devem ser observadas pelas organizações e pelos órgãos públicos
da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo,
Judiciário e Ministério Público, que possuam empregados regidos pela CLT
(CAMISSASSA, 2020).
A NR-1 sofreu atualização recente e bastante consiste em seu texto. Na nova
NR foram estabelecidos novos elementos que carecem ainda de muita orientação e
um determinado período de tempo para se tornarem mais compreensíveis, tal
dificuldade de entendimento se fez presente até na classe dos profissionais de
segurança e saúde do trabalho. Certamente, tal dificuldade será superada
rapidamente.
A NR-1 cita a obrigatoriedade os requisitos para a elaboração do
Gerenciamento de riscos ocupacionais e as medidas de prevenção em Segurança e
Saúde no Trabalho (CAMISSASSA, 2020).
Na reformulada norma surge a figura de um novo elemento, tronco principal: o
Gerenciamento de riscos ocupacionais, nominado de GRO, composto por uma série
de ações, diretrizes e medidas voltadas a prevenção, segurança e saúde do
trabalho. O GRO não é um programa de segurança, é um conjunto de ações
direcionados à higiene ocupacional, segurança do trabalho, medicina e ergonomia.
Afirma Silva (2021) que o Gerenciamento de riscos ocupacionais tem como
responsável por sua constituição a organização (empregador).
O GRO é a coluna vertebral da gestão de segurança do trabalho da empresa.
Tem o objetivo de estruturar e integrar todo processo de prevenção de segurança do
trabalho num único grupo de ações. Tal gerenciamento de riscos terá: sujeitos,
planejamento, atividades, resultados e análises de dados para a devida tomada de
decisão, em outras palavras, o GRO será um constante “ciclo virtuoso” voltado ao
bem-estar do trabalhador.
No GRO das organizações estarão presentes as seguintes diretrizes:
 Quanto aos risco cabe a organização: evitar; identificar; avaliar; classificar;
implementar medidas de prevenção; acompanhar o controle dos riscos
ocupacionais.
 Manter informados trabalhadores sobre riscos contidos no inventario de
riscos;
 Elaborar o Levantamento preliminar de perigos;
 Adotar medidas de proteção coletiva. Na insuficiência de proteção coletiva
adotar medidas de caráter administrativo, de organização do trabalho e em
último caso a utilização de equipamento de proteção individual – EPI;
 A organização deve elaborar plano de ação, indicando as medidas de
prevenção a serem introduzidas, aprimoradas ou mantidas.
 Deve ser definido cronograma, formas de acompanhamento e aferição de
resultados.
 Acompanhamento da saúde ocupacional dos trabalhadores;
 Análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho;
 Preparação para emergências de acordo com os riscos, as características e
as circunstâncias das atividades;
 Documentação: O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve
conter, no mínimo, os seguintes documentos: inventário de riscos; e plano de
ação.

O Programa de Gerenciamento de Riscos-PGR é um documento sem forma


definida e é composto pelo inventário de riscos e pelo plano de ação (SILVA, 2021).
Nesse sentido, a NR-1 permite que o PGR seja atendido pelo Gerenciamento de
riscos ocupacionais, pois o mesmo possui todos os elementos necessários ao GRO
e ao cumprimento de requisitos legais previstos NR.
Os documentos que compõem o PGR devem ser elaborados sob a
responsabilidade da organização, respeitado o disposto nas demais Normas
Regulamentadoras. (CAMISSASSA, 2020). Os documentos integrantes do PGR
devem estar sempre disponíveis aos trabalhadores interessados, seus
representantes e à Inspeção do Trabalho. (CAMISSASSA, 2020).
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve conter o Inventário de
Riscos Ocupacionais com a seguinte estrutura:

1.5.7.3.2 O Inventário de Riscos Ocupacionais deve contemplar, no mínimo,


as seguintes informações:
a) caracterização dos processos e ambientes de trabalho;
b) caracterização das atividades;
c) descrição de perigos e de possíveis lesões ou agravos à saúde dos
trabalhadores, com a identificação das fontes ou circunstâncias, descrição
de riscos gerados pelos perigos, com a indicação dos grupos de
trabalhadores sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas de prevenção
implementadas;
d) dados da análise preliminar ou do monitoramento das exposições a
agentes físicos, químicos e biológicos e os resultados da avaliação de
ergonomia nos termos da NR-17.
e) avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do
plano de ação; e
f) critérios adotados para avaliação dos riscos e tomada de decisão.
(ATLAS, 2021, p. 30).
O inventário de riscos é uma ferramenta administrativa que busca integrar e
sintetizar as informações sobre avaliação e controle de risco, além disso, indica a
necessidade/prioridade de adoção de medidas preventivas de avaliação e controle
de riscos e perigos dos ambientes e processos de produção.
Devem fazer parte deste inventario as informações da análise preliminar ou
do monitoramento das exposições a agentes físicos, químicos e biológicos e os
resultados da avaliação de ergonomia (NR-17). A avaliação dos riscos e a
classificação serão informações úteis para elaboração do plano de ação do PGR.
Com essa nova abordagem, para gestão de riscos ocupacionais, é esperado
uma efetiva redução dos níveis de riscos ocupacionais, sendo importante a adoção
de medidas de controle para eliminar os perigos e mitigar os riscos nos ambientes
de trabalho.
Outra novidade da norma é a capacitação e treinamento em Saúde e
Segurança do Trabalho para os empregados, podendo ser utilizado a modalidade de
Ensino a Distância e semipresencial para as capacitações e os treinamentos.
(SARAIVA, 2021).
Haverá tratamento diferenciado dado ao Microempreendedor Individual (MEI),
à Microempresa (ME) e à Empresa de Pequeno Porte (EPP) (SARAIVA, 2021).
Esses tipos de empresas, anteriormente, eram tratadas da mesma forma que as
grandes e médias empesas, um grande transtorno para as mesmas na questão das
obrigações relativas à segurança ocupacional dos trabalhadores.

4.2 NR-4 Serviço Especializado em Engenharia de Segurança em Medicina do


Trabalho

O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do


Trabalho-SESMT é uma equipe de profissionais, de nível superior e médio,
habilitados com conhecimento técnico-científico.
São profissionais orientados para agir de modo preventivo, objetivando a
promoção de um ambiente de trabalho seguro e salutar em conformidade com as
leis, normas e diretrizes impostas pelo governo federal, normas estaduais e
municipais.
O Artigo 162 da CLT informa a obrigação das empresas quanto à formação e
manutenção do SESMT por parte das empresas, conforme determina as normas
expedidas pelo Ministério do Trabalho (CARRION, 2021). Os profissionais atuantes
do SESMT são obrigados a terem formação especial em segurança do trabalho,
higiene ocupacional, engenharia de segurança, medicina do trabalho, ergonomia e
legislação trabalhista.
A NR-4 indica quais são os profissionais que podem atuar na prevenção e
controle dos riscos ocupacionais nas empresas. São eles: Médico do Trabalho,
Engenheiro de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, Técnico de
Segurança do Trabalho e Técnico de Enfermagem do Trabalho. (ATLAS, 2020).
Cada profissional desta equipe multidisciplinar desempenha uma atividade
específica, de acordo com a sua formação técnica. A seguir a formação especial de
cada componente do SESMT segundo a NR 4:

QUADRO 2: SESMT
Engenheiro de Segurança do Deve ser Engenheiro ou Arquiteto com pós-
Trabalho graduação em Engenharia de Segurança do
Trabalho.
Médico do Deve ser Médico com pós-graduação em
Trabalho Medicina do Trabalho, ou ter feito
residência médica em saúde do
trabalhador.
Enfermeiro do Deve ser Enfermeiro com pós-graduação
Trabalho em Enfermagem do Trabalho.
Auxiliar de Enfermagem do Profissional com ensino médio e formação
Trabalho em curso técnico em Enfermagem do
Trabalho.
Técnico de Segurança do Profissional com ensino médio e formação
Trabalho em curso técnico em Segurança do
Trabalho.
Fonte: ATLAS (2021)

Segundo a NR-4, nem toda empresa precisa de um SESMT completo, pois o


número de profissionais que compõe o SESMT varia conforme a quantidade de
empregados e o grau de risco da empresa. (ATLAS, 2020).
O SESMT têm como principais atividades: utilizar a Engenharia e a Medicina
do Trabalho para reduzir/eliminar os riscos ocupacionais presentes no ambiente de
trabalho; determinar os EPI’s a serem usados conforme os riscos, quando esgotados
todos os meios conhecidos para a eliminação do risco. (SZABÓ, 2018). O SESMT
deve ser o suporte técnico e se relacionar com a CIPA. Estimular atividades
educacionais que venham a conscientizar os trabalhadores a respeito da segurança
do trabalho. (SZABÓ, 2018).

4.3 NR-5 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA é um grupo de


trabalhadores que se colocam a disposição da empresa e também dos demais
empregados para tratar de questões relativas à prevenção de acidentes e de
doenças que se originam no ambiente de trabalho.
A CIPA objetiva auxiliar as ações de prevenção de acidentes e doenças
decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho
com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. (CAMISASSA,
2020, p.86).
Os Cipeiros, como são comumente chamados, devem exercer suas
atividades normais de trabalhadores e também fiscalizar, e promover a execução
das normas de segurança do trabalho. O foco desta comissão é trabalhar para evitar
acidentes e doença do trabalho.
A CIPA, segundo Camissassa (2020), será composta por representantes
escolhidos pelo empregador e por representantes eleitos pelos empregados
conforme preconiza a Norma Regulamentadora-5 do Ministério do Trabalho
A CIPA deve ser dimensionada conforme o número total de empregados e
segundo o grau de risco da atividade econômica da organização, contudo a empresa
que conter no mínimo vinte empregados já está obrigada a manter uma CIPA
(CAMISSASSA, 2020). Aos empregados eleitos, sejam estes titulares ou suplentes,
para o cargo de direção da CIPA, é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa
(CAMISASSA, 2020).
Cabe ao SESMT, onde houver, colaborar tecnicamente com as ações da
CIPA. Os membros integrantes da CIPA se reunirão mensalmente para discutir as
questões de segurança do trabalho que forem suscitadas na empresa e buscar
soluções diretamente com o empregador e com o SESMT da empresa (caso exista).
Os membros da CIPA executaram suas atividades para as quais foram contratados
e praticaram, paralelamente, o trabalho voluntário como prevencionista da
segurança do trabalho.
Abaixo quadro das atribuições da CIPA:
QUADRO 3: ATRIBUIÇÕES da CIPA:
a) acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos bem
como a adoção de medidas de prevenção implementadas pela organização;
b) registrar a percepção dos riscos dos trabalhadores, em conformidade com a
NR-01, por meio do mapa de risco ou outra técnica ou ferramenta apropriada à
sua escolha, sem ordem de preferência, com assessoria do Serviço Especializado
em Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, onde houver;
c) verificar os ambientes e as condições de trabalho visando identificar situações
que possam trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores;
d) elaborar e acompanhar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva em
segurança e saúde no trabalho;
e) participar no desenvolvimento e implementação de programas relacionados à
segurança e saúde no trabalho;
f) acompanhar a análise dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos
termos da NR-1 e propor, quando for o caso, medidas para a solução dos
problemas identificados;
g) requisitar à organização as informações sobre questões relacionadas à
segurança e saúde dos trabalhadores, incluindo as Comunicações de Acidente de
Trabalho - CAT emitidas pela organização, resguardados o sigilo médico e as
informações pessoais;
h) propor ao SESMT, quando houver, ou à organização, a análise das condições
ou situações de trabalho nas quais considere haver risco grave e iminente à
segurança e saúde dos trabalhadores e, se for o caso, a interrupção das
atividades até a adoção das medidas corretivas e de controle; e
i) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho - SIPAT, conforme programação
definida pela CIPA.
Elaborado pelo autor: Fonte (CAMISSASSA, 2020)

A CIPA é um grupo de grande importância para a empresa, sua presença


multiplica muito os esforços para a prevenção de acidentes, controle dos riscos do
ambiente.
A CIPA deve ser vista como mais um pilar de sustentação do cultivo de boas
práticas que diminuam a exposição dos trabalhadores a riscos e acidentes. A CIPA
deve colabora para uma melhor qualidade de vida dos colegas trabalhadores, de
modo a diminuir o índice de absenteísmo em decorrência de faltas ocasionadas por
acidentes ou problemas de saúde de origem laboral.
4.4 NR-6 Equipamento de Proteção Individual

O Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo de uso


individual com a finalidade de proteger e garantir a integridade física e a saúde do
trabalhador dos riscos de suas atividades laborais (SZABÓ, 2018). A obrigatoriedade
do uso do É a Norma Regulamentadora – 06 do Ministério do Trabalho que
determina as regras a serem aplicadas quanto ao uso correto dos equipamentos de
proteção individual.
Ao mesmo tempo em que se preocupa com prevenção de acidentes e
doenças do ambiente do trabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho enfatiza
medidas de ordem individual, fazendo com que ocorra o fornecimento de
equipamentos adequados que protejam o trabalhador.
A NR-6 considera Equipamento de Proteção Individual - EPI, todo dispositivo
ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de
riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. (ATLAS, 2020).
Os EPI’s buscam eliminar ou reduzir os riscos de lesões provocadas por
acidentes ou doenças profissionais. Quanto aos EPI’s as empresas:

a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção


contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do
trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;
c) para atender a situações de emergência. (SARAIVA, 2021, p. 56).

As empresas são obrigadas a fornecerem gratuitamente o equipamento de


proteção individual conforme os riscos que cercam a atividade ou o ambiente de
trabalho. Os equipamentos de segurança devem estar em perfeito estado de
conservação e funcionamento.
A utilização dos EPI’s devem ser adotadas enquanto as medidas de ordem
geral ou de proteção coletiva estiverem sendo implantadas. Deve-se também lançar
mão do uso de EPI para atender determinados períodos emergenciais.
A obrigação do empregador em relação aos EPI’s são:

6.6.1 Cabe ao empregador quanto ao EPI:


a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade;
b) exigir seu uso;
c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional
competente em matéria de segurança e saúde no trabalho;
d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e
conservação;
e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;
f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e,
g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada.
h) registrar o seu fornecimento trabalhador, podendo ser adotados livros,
fichas ou sistema eletrônico. (SARAIVA, 2021, p. 57).
O empregador deve exigir que os seus trabalhadores usem os EPI’s
adequados conforme os riscos a que estão expostos no ambiente de trabalho. A
substituição do EPI deve ser feita quando o mesmo apresentar dano ou extravio. As
empresas devem comprar apenas os equipamentos que forem autorizados pelo
Ministério do Trabalho.
Não basta apenas ofertar o EPI ao trabalhador, é necessário orientar, treinar
os trabalhadores sobre o uso, a guarda e modo correto de conservação.
É de responsabilidade do empregador a higienização e manutenção
periódica. É obrigatório o registro do seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser
adotados livros, fichas ou sistema eletrônico.
As responsabilidades do empregado em relação ao EPI são:

1. Usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;


2. Responsabilizar-se pela guarda e conservação;
3. Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para
uso;
4. Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.
(SARAIVA, 2021, p 61).

Os equipamentos de segurança individual somente podem ser usados para a


finalidade a que se destina, nada de usá-los em outra atividade extra empresa. Os
mesmos devem ser bem guardados e conservados, além disso deve o empregado
comunicar o estado do EPI sempre que este não apresente condições de
segurança.
É Indispensável informar que todo EPI possui o CA (Certificado de
Aprovação). O Certificado de Aprovação é uma numeração que garante que o EPI
passou por rigorosos testes de qualidade, além disso, o CA possui prazo de validade
concedido pelo órgão competente e deve ser periodicamente reavaliado (ATLAS,
2020).
Compete ao SESMT recomendar ao empregador o EPI adequado ao risco
existente em determinada atividade ou ambiente. Os tipos de EPI´s utilizados variam
conforme o tipo de atividade e de riscos que poderão ameaçar a segurança e a
saúde do trabalhador e da parte do corpo que se pretende proteger.
A seguir alguns exemplos, entre vários, de EPI’s:
 Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares;
 Proteção respiratória: máscaras e filtro;
 Proteção visual e facial: óculos e viseiras;
 Proteção da cabeça: capacetes;
 Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes;
 Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas;
 Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.

4.5 NR-7 Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional

O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é o


programa de gestão da saúde dos empregados. O mesmo informa o estado de
saúde dos empregados e as condutas a serem adotados pelos empregadores em
função de análise médica criteriosa.
PCMSO nas organizações tem o objetivo de proteger e preservar a saúde de
seus empregados em relação aos riscos ocupacionais, conforme avaliação de riscos
do Programa de Gerenciamento de Risco - PGR da organização. (ATLAS, 2021).
Seu principal objetivo é prevenir, detectar, monitorar e controlar possíveis
danos à saúde dos empregados. Implementar e pôr em prática o PCMSO é
importante, pois o mesmo é um documento que objetiva cumprir a legislação
trabalhista em vigor. O PCMSO objetiva a promoção e preservação da saúde do
conjunto dos trabalhadores. (ATLAS, 2021).
Programas de saúde são muito importantes para manutenção do bem-estar
dos trabalhadores. Já programas inadequados ou ineficientes são perfeitamente
mensuráveis pelo aumento de pagamentos de indenizações, aumento de
afastamentos por doença, aumento dos custos com seguros, absenteísmo e
aumento da rotatividade. Por fim acabam causando também baixa produtividade,
baixa qualidade de produtos e serviços e pressões sindicais para a empresa. Os
custos de programas inadequados são altíssimos, devendo ser evitados sempre.
O programa de medicina ocupacional envolve:

O programa de medicina ocupacional envolve os exames médicos exigidos


legalmente, além de executar programas de proteção à saúde dos
funcionários, palestras de medicina preventiva, elaboração do mapa de
riscos ambientais, relatório anual e arquivos de exames médicos com
avaliação clínica e exames complementares, visando à qualidade de vida
dos colaboradores e maior produtividade da organização. (CHIAVENATO,
2014, p. 404).

O programa de Medicina e saúde ocupacional verifica e descreve a condição


de saúde dos empregados da organização. Obrigatoriamente o mesmo deve estar
em conformidade com as outras normas regulamentadoras. O programa de saúde
ocupacional deve abranger treinamentos, palestras, o mapa de risco, relatórios de
segurança, medicina e higiene ocupacional, além dos relatórios e resultados de
exames médicos.
Este programa deve ser elaborado por Médico do Trabalho, sendo de sua
responsabilidade o monitoramento da saúde e de todos os exames médicos
necessários, conforme os riscos ambientais da atividade do empregado (ATLAS,
2021). No caso de não haver médico do trabalho na região, pode o empregador
escolher médico de outra especialidade para executar o PCMSO
São diretrizes do PCMSO:

a) rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao


trabalho;
b) detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos
ocupacionais;
c) definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou
tarefas determinadas;
d) subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de
prevenção adotadas na organização;
e) subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à
saúde e sua relação com os riscos ocupacionais;
f) subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de
trabalho que possam comprometer sua saúde;
g) subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho,
de acordo com a regulamentação pertinente;
h) subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social;
i) acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde
possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais;
j) subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional;
k) subsidiar ações de readaptação profissional;
l) controlar da imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos
ocupacionais, sempre que houver recomendação do Ministério da Saúde.
(ATLAS, 2021, p.77).

O PCMSO impõe as seguintes diretrizes ao empregador: Rastrear e detectar


possíveis agravos e exposições excessivas ao empregados. Definir a aptidão de
cada empregado. Subsidiar: analises epidemiológica, notificações de afastamentos,
encaminhamento de empregados a Previdência Social, auxiliar a Previdência Social
nas ações de reabilitação profissional. Acompanhar o empregado que possa ser
especialmente afetado pelos riscos ocupacionais. Controlar a imunização ativa dos
empregados, relacionada a riscos ocupacionais.
A principal característica do PCMSO é a prevenção, com o rastreamento e o
diagnóstico precoce de possíveis doenças ocupacionais. Além disso, o programa faz
parte de um conjunto mais amplo de iniciativas, que englobam também O PGR e a
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (ATLAS, 2021).
O PCMSO é um elo que une todas as normas regulamentadoras. Cabe à
empresa garantir a elaboração, a implantação do programa e zelando pela sua
eficácia. Atualmente a NR-7 faz referência ao Programa de Gerenciamento de Risco-
PGR que substitui o recém extinto Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
O PCMSO deve incluir a realização obrigatória dos seguintes exames
médicos: admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de riscos
ocupacionais, Demissional. (SARAIVA, 2021).
As situações em que devem ser exigidos ao empregador os exames
indicados aos empregados. Admissional: é a análise da saúde do candidato antes
de ser contratado. Periódico: feito a cada período de tempo para verificar se houve
alteração na saúde do trabalhador. Retorno ao trabalho: é feito quando o empregado
retorna de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente. Mudança de
riscos ocupacionais: feito quando o empregado vai para outra atividade com riscos
diferentes da atividade anterior. Demissional: submetido apenas aos empregados
desligados da empresa.
Os exames médicos ocupacionais fazem parte do histórico da saúde do
empregado ao longo dos anos de atividade. Os exames médicos ocupacionais,
contidos no PCMSO, garantem ao empregado a certeza que sua saúde, apesar dos
riscos do ambiente de trabalho, está perfeita para uma vida digna.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
REFERÊNCIAS

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Paulo: RIDEEL, 2013.
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São Paulo: LTr, 2013.
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Riscos Ocupacionais - Gro/Pgr. São Paulo: LTR, 2021.
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2009.
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Trabalho. São Paulo: Rideel, 2018.

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